Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,283)
- Segunda Câmara (27,810)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,966)
- Primeira Turma Ordinária (16,488)
- Primeira Turma Ordinária (16,437)
- Primeira Turma Ordinária (16,296)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,295)
- Segunda Turma Ordinária d (16,013)
- Segunda Turma Ordinária d (14,534)
- Primeira Turma Ordinária (13,106)
- Primeira Turma Ordinária (12,545)
- Segunda Turma Ordinária d (12,532)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,508)
- Quarta Câmara (85,725)
- Terceira Câmara (68,203)
- Segunda Câmara (57,034)
- Primeira Câmara (21,275)
- 3ª SEÇÃO (16,295)
- 2ª SEÇÃO (11,352)
- 1ª SEÇÃO (6,877)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (127,959)
- Segunda Seção de Julgamen (115,716)
- Primeira Seção de Julgame (77,508)
- Primeiro Conselho de Cont (49,053)
- Segundo Conselho de Contr (48,969)
- Câmara Superior de Recurs (38,120)
- Terceiro Conselho de Cont (25,979)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,062)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,963)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,472)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,545)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,272)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (4,108)
- HELCIO LAFETA REIS (3,896)
- ROSALDO TREVISAN (3,243)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,936)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,840)
- WILDERSON BOTTO (2,674)
- RODRIGO LORENZON YUNAN GA (2,654)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,636)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,847)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,923)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,473)
- 2014 (22,376)
- 2013 (21,088)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,655)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,137)
- 2017 (16,841)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2026 (19,010)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 13839.003485/2007-67
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
Ementa: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 27/08/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA.
1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A
a Lei nº 8.212.
2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se
a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de
ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.
3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-000.866
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “a” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN.
Nome do relator: AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 11 09:00:10 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201107
ementa_s : OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/08/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA Nº 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória nº 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32-A a Lei nº 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 28 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 13839.003485/2007-67
anomes_publicacao_s : 201107
conteudo_id_s : 6793300
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 09 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.866
nome_arquivo_s : 280300866_13839003485200767_201107.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : AMÍLCAR BARCA TEIXEIRA JÚNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 13839003485200767_6793300.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32-A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar-se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “a” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN.
dt_sessao_tdt : Wed Jul 27 00:00:00 UTC 2011
id : 4743021
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:48 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044896706560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 643 1 642 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.003485/200767 Recurso nº 00000 Voluntário Acórdão nº 280300.866 – 3ª Turma Especial Sessão de 27 de julho de 2011 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS EM GERAL Recorrente CLUBE DE CAMPO FAZENDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 27/08/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. 1. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, situação que tornou mais benéfica, determinadas infrações relativamente às obrigações acessórias. A novel legislação acrescentou o art. 32A a Lei n º 8.212. 2. Em virtude das mudanças legislativas e de acordo com a previsão contida no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratando se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. 3. In casu, portanto, deverá ser observado o instituto da retroatividade benigna, com a consequente redução da multa aplicada ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 672DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 644 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratarse de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “a” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Eduardo Augusto Marcondes de Freitas e Carolina Siqueira Monteiro de Andrade. Fl. 673DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 645 3 Relatório Tratase de auto de infração (CFL 68) lavrado por infringência ao artigo 32, inciso IV do parágrafo 5° da Lei nº 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei nº 9.528, de 10/12/1997, combinado com o artigo 225, inciso IV, parágrafo 4º, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06/05/1999. A empresa deixou de informar fatos geradores de contribuição previdenciária, nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP nas competências 01/1999 a 12/2002, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração de fls. 14. O Contribuinte, devidamente notificado apresentou defesa tempestiva em 28 de setembro de 2007. A impugnação foi julgada em 27 de maio de 2008 (fls. 563 e seguintes), ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 27/08/2007 a 27/08/2007 Documento: AI n° 37.032.7659, de 27/08/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIARIAS. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. DECADÊNCIA. PRAZO DECENAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito previdenciário é de 10 (dez) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. LEGALIDADE. CONSTITUCIONALIDADE. A declaração de inconstitucionalidade de lei ou atos normativos federais, bem como de ilegalidade destes últimos, é prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Fl. 674DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 646 4 RELEVAÇÃO DA MULTA. A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. MULTA RELEVADA Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: O Decreto n° 3.048/99, que aprovou o Regulamento da Previdência Social, trouxe em seu bojo normas gerais em matéria de Seguridade Social, inclusive quanto as infrações e respectivas penalidades. No caso sub examine o Recorrente incorreu na circunstancia atenuante a que alude o artigo 291 do RPS. A um porque corrigiu a falta, qual seja, a apresentação de GFIP Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações Previdência Social com as informações exatas em 20/09/2007. A dois porque formulou pedido e corrigiu a falta, em 28 de setembro de 2007, ou seja, dentro do prazo para Impugnação. A três porque o Recorrente é infrator primário e não incorreu em qualquer das circunstancias agravantes. E, diante disso, resta patente que não há razão plausível para a manutenção do Auto de Infração, ainda que a multa tenha sido relevada. Vale dizer, é indubitável que, no caso presente, seja garantida não apenas a relevação da penalidade pecuniária (relevação esta consagrada pela decisão de primeira instância), mas, também, o restabelecimento da condição de primário do Recorrente. Ex positis, requer o Recorrente se dignem os membros desta Colenda Câmara do Egrégio 2º Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, amparados nos fortes e incisivos argumentos acima suscitados, JULGAR TOTALMENTE PROCEDENTE 0 PRESENTE RECURSO VOLUNTÁRIO, devendo, por consequência, ser reformado o acórdão recorrido, tão somente na parte atinente à manutenção da Autuação e do Registro para Fins de Reincidência. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 675DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 647 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. Segundo consta nos autos, durante a ação fiscal realizada, o contribuinte apresentou GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, relacionadas às informações que alteraram o valor das contribuições. É sabido, pois, que desde janeiro de 1999 tornouse obrigatória a declaração, por intermédio do documento denominado GFIP Guia de Pagamento do FGTS e Informações à Previdência Social, de todas as bases de cálculo de contribuições previdenciárias. A não apresentação, no prazo estabelecido pela legislação que rege a matéria, bem como a declaração de valores inferiores aos corretos, implica, necessariamente, na autuação da empresa por parte da fiscalização. De acordo com a descrição contida no Relatório Fiscal da Infração (fls. 14), no período de janeiro de 1999 a dezembro de 2002, a empresa não incluiu nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informação a Previdência Social GFIP remunerações pagas a contribuintes individuais que lhe prestaram serviços, infringindo, dessa forma, o art. 32, IV, § 5º da Lei 8.212/91 c/c o art. 284, II do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Pelo descumprimento da obrigação referida, a multa aplicada para esta infração equivale a 100% do valor devido relativo às contribuições não declaradas, respeitado o limite dos valores previstos no inciso I do artigo 284 do RPS, quando o contribuinte apresentar GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Como se pode observar do recurso apresentado pelo contribuinte, ele se limitou a discutir a relevação da multa, como se tal ponto fosse suficiente para afastar completamente o lançamento, bem como sua condição de reincidente. Neste quesito, razão não assiste ao recorrente. Destarte, o descumprimento da obrigação tributária com a apresentação de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurouse a infração aos dispositivos legais acima descritos. Nada obstante à discussão sobre a inexistência de dispositivo legal que ampare o lançamento, há que se considerar, in casu, que a multa imposta ao contribuinte, baseada no art. 32 da Lei nº 8.212/91, sofreu alterações em razão dos comandos emanados da Medida Provisória nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei nº 11.941, de 2009. Assim sendo, em relação às multas de que tratava o antigo art. 32 da Lei de Custeio, o legislador, ao acrescentar o art. 32A ao referido diploma legal, estabeleceu que: Fl. 676DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 648 6 Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Fl. 677DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 13839.003485/200767 Acórdão n.º 280300.866 S2TE03 Fl. 649 7 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). As multas em GFIP, portanto, foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo mais benéficas para o infrator, conforme se pode observar da redação do art. 32A da Lei n º 8.212/91. Todavia, com o advento da Medida Provisória n º 449 de 2009, convertida na Lei n º 11.941/09, a tipificação passou a ser apresentar a GFIP com incorreções ou omissões, com multa de R$20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. A nova redação não faz distinção se os valores foram declarados a maior ou a menor. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo, pois, que este caso se enquadra perfeitamente na regra prevista no art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN. Pelo exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. A multa deve ser calculada considerando as disposições do inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91 (na redação dada pela Lei nº 11.941/09), tendo em vista tratar se de situação mais benéfica para o contribuinte, conforme se pode inferir da alínea “a” do inciso II do art. 106 do Código Tributário Nacional CTN. É como voto. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 678DF CARF MF Impresso em 16/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 2 8/08/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 22/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 19679.003580/2004-84
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2003
Ementa:
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA.
A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2802-001.723
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a
decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
dt_index_tdt : Sat Dec 24 09:00:01 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 19679.003580/2004-84
conteudo_id_s : 5213554
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 22 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.723
nome_arquivo_s : Decisao_19679003580200484.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 19679003580200484_5213554.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida.
dt_sessao_tdt : Tue Jul 10 00:00:00 UTC 2012
id : 4565705
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:03 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044916629504
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1656; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19679.003580/200484 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.723 – 2ª Turma Especial Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria IRPF Recorrente WANDERLEY FREDERICO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2003 Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos ANULAR a decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 19/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar o presente com a transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “WANDERLEY FREDERICO, qualificado(a) no preâmbulo, cientificado(a) da revisão do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF (fl. 10), relativa ao ano(s) calendário(s) 2002, que resultou em exigência complementar no valor de R$ 3.909,65, apresentou a impugnação de fl. 1, contestando essa cobrança. A exigência decorre da glosa de gastos com instrução, deduzidos em valor acima do limite anual por dependente, estabelecido no art. 8° da Lei 9.250/95 e alterado pelo art. 2 da Lei 10.451/02” A decisão recorrida, contudo, manteve a exigência, assim concluindo o ilustre Relator em seu voto: “A Lei n° 9.250/95, em seu artigo 8°, redação original, autorizava a dedução de pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino relativamente à educação préescolar, de 1°, 2° e 3° graus, cursos de especialização ou profissionalizantes do contribuinte e de seus dependentes, porém limitandoos em R$ 1.700,00 ao ano (inciso II, alínea "b"). A partir de 2002 o limite foi elevado para R$ 1.998,00 (Lei n° 10.451/2002, arts. 2° e 15, e Lei n° 10.637/2002, art. 62). A meu ver, a norma é clara e não comporta outro entendimento. O impugnante assevera que possuiu autorização judicial para deduzir integralmente suas despesas com instrução, conforme documentos trazidos aos autos. Todavia, essa decisão ainda não é definitiva. Quanto aos efeitos da propositura da ação judicial, deve ser observado o disposto no artigo 26 da Portaria MF 258 de 2001: "O pedido de parcelamento, a confissão irretratável da divida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte contra a Fazenda Nacional de ação judicial com o mesmo objeto importa a desistência do processo". (...) Portanto, no que tange à dedutibilidade a maior dos gastos com instrução,, matéria submetida ao crivo do poder judiciário, descabe qualquer manifestação desse julgador, estando a questão encerrada na esfera administrativa. Importante esclarecer que a constituição do crédito tributário deve ser mantida para assegurar o direito da Fazenda Nacional, caso a decisão judicial definitiva não seja favorável ao contribuinte. Frisese que a manutenção do lançamento, quanto ao principal, não lhe acarreta qualquer prejuízo. O contribuinte constesta, ainda, a glosa integral da despesa de dois de seus dependentes, ambos maiores de 21 anos. Afirma o impugnante que ambos cursavam estabelecimento de ensino superior à época. De fato, o parágrafo 2° do artigo 77 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99 (Lei n° 9.250, de 1995, art. 35, § 1°) autoriza a dedução. Todavia, o impugnante não faz prova disso nos autos. Logo, corretaglosa, inclusive do valor integral da despesa com instrução”. [grifei trechos] À fl. 24 se vê o recurso voluntário, por meio do qual o interessado assim se manifesta, in verbis: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.003580/200484 Acórdão n.º 2802001.723 S2TE02 Fl. 2 3 “I Inicialmente, cabe elucidar que por lapso do declarante, no quadro 6 atribuiuse para os dependentes o código 21, quando o correto é o código 22, por se tratar de 2 filhos com até 24 anos cursando estabelecimento de ensino superior. II — Para fazer prova do acima mencionado, requer a juntada aos autos dos documentos de identidade dos dependentes Wanderley Frederico Júnior, nascido a 28/11/1978, e Daniela Frederico, nascida em 01/02/1981, datas essas que constaram da declaração de ajuste anual correspondente. III – À vista de todo o exposto, vem o contribuinte requerer sejam considerados como dependentes os filhos Wanderley Frederico Júnior, com 24 anos e Daniela Frederico com 21 anos, ambos cursando, no ano calendário, estabelecimento de ensino superior, exclusivamente para cancelamento das glosas e, pois, sejam restabelecidos o total da dedução de dependentes (L9) e o valor das despesas de instrução com os mesmos dependentes( L10), conforme recibos que ora são anexados. IV – Por outro lado, permitese juntar igualmente a certidão relativa ao mandado de segurança coletivo processo n° 9700001920, e certidão do Tribunal Regional Federal Terceira Região, requerendo seja aguardada a decisão judicial definitiva acerca da matéria.” É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos gerais de admissibilidade. Dele conheço. Há em discussão o tema “limite de dedução de despesas com instrução” e, como visto, a impugnação do interessado não foi conhecida em primeira instância sob o argumento de existência de ação judicial. Tanto que assim concluiu o ilustre Relator do acórdão recorrido: “No que tange à dedutibilidade a maior dos gastos com instrução, matéria submetida ao crivo do poder judiciário, descabe qualquer manifestação desse julgador, estando a questão encerrada na esfera administrativa. Sabese que ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir, ou seja, quando se ajuíza uma nova ação que repita outra anteriormente ajuizada, com total identidade entre partes, conteúdo e pedido formulado. O art. 301 do CPC traz o conceito de litispendência nos seguintes termos: ”Art. 301 (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido.” Nos termos da Lei n. 12.016/2009, que disciplina o mandado de segurança individual e coletivo e dá outras providências: “Art. 22. No mandado de segurança coletivo, a sentença fará coisa julgada limitadamente aos membros do grupo ou categoria substituídos pelo impetrante. § 1º O mandado de segurança coletivo não induz litispendência para as ações individuais, mas os efeitos da coisa julgada não beneficiarão o impetrante a título individual se não requerer a desistência de seu mandado de segurança no prazo de 30 (trinta) dias a contar da ciência comprovada da impetração da segurança coletiva. Não é demais lembrar que, nos termos da Súmula 629 do STF: “A impetração de mandado de segurança coletivo por entidade de classe em favor dos associados independe da autorização destes.” Não é por outra razão que assim já se decidiu nesta Corte Administrativa: “PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. CONCOMITÂNCIA. INEXISTÊNCIA. A impetração de mandado de segurança coletivo, por substituto processual, não se configura hipótese em que se deva declarar a renúncia à esfera administrativa.” Acórdão n° 920200.278, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF). Sessão de 22 de setembro de 2009. No caso em pauta, verificase (fl. 31) que o contribuinte, representado por seu órgão de classe (Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários) obteve a concessão de segurança no Processo n° 97.00001920 MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. Assim, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para anular a decisão de primeira instância, a fim de que a impugnação apresentada seja integralmente conhecida. É o meu voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 10 de julho de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 70DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 19679.003580/200484 Acórdão n.º 2802001.723 S2TE02 Fl. 3 5 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 19679.003580/200484 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2802001.723. Brasília/DF, 19 de setembro de 2012 (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente Segunda Turma Especial da Segunda Câmara/Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 71DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 13/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/09/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 03/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 15940.000300/2007-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO.
NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU
NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE
INAPTIDÃO.
Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas.
Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do
efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão.
RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO
CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO.
O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE
FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
PERÍCIA TÉCNICA.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinam-se à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir.
RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE
RECURSAL. CARÊNCIA.
Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal.
DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC.
APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF.
As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no
âmbito do CARF (Resp 1.148.444).
Numero da decisão: 3803-003.337
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 11 09:00:10 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201207
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinam-se à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543-C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444).
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 15940.000300/2007-21
conteudo_id_s : 6788932
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Mar 07 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.337
nome_arquivo_s : 380303337_15940000300200721_201207.pdf
nome_relator_s : ALEXANDRE KERN
nome_arquivo_pdf_s : 15940000300200721_6788932.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4575968
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:07 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044929212416
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-21T13:01:42Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-21T13:01:42Z; Last-Modified: 2014-07-21T13:01:42Z; dcterms:modified: 2014-07-21T13:01:42Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:31debc3a-19f8-4c15-aeee-f698c88633bc; Last-Save-Date: 2014-07-21T13:01:42Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-21T13:01:42Z; meta:save-date: 2014-07-21T13:01:42Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-21T13:01:42Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-21T13:01:42Z; created: 2014-07-21T13:01:42Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; Creation-Date: 2014-07-21T13:01:42Z; pdf:charsPerPage: 2021; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-21T13:01:42Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 2 1 1 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15940.000300/200721 Recurso nº 938.248 Voluntário Acórdão nº 3803003.337 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de julho de 2012 Matéria RESSARCIMENTO COFINS Recorrente VITAPELLI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. NOTAS FISCAIS. PESSOAS JURÍDICAS INEXISTENTES DE FATO OU NÃO AUTORIZADAS A EMITIREM DOCUMENTAÇÃO FISCAL. GLOSAS. INÍCIO DE EFEITO. DATA DA DECLARAÇÃO DE INAPTIDÃO. Os créditos devem ser escriturados pelo beneficiário à vista do documento que lhes confira legitimidade, sendo imprestáveis para tal fim as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas na condição de inaptas no cadastro do CNPJ ou não autorizadas a emitilas. Como decorrências destas circunstâncias, os créditos apurados com base em documentação fiscal inidônea devem ser glosados, na ausência de prova do pagamento do preço ao fornecedor e do efetivo recebimento das mercadorias e serviços, com início de efeitos a partir do registro da situação de que resulta a inaptidão. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS NÃO CUMULATIVAS. CORREÇÃO. VEDAÇÃO. O aproveitamento de créditos de COFINS. não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, por expressa disposição legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. PERÍCIA TÉCNICA. Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias destinamse à elucidação de questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, matérias impassíveis de deslinde a partir do conhecimento das partes e do julgador, e não para suprir a produção de prova que, segundo a distribuição do onus probandi, toca ao interessado produzir. RECURSO VOLUNTÁRIO. MATÉRIA RECORRIDA. INTERESSE RECURSAL. CARÊNCIA. Não se conhece de discussão sobre matéria de defesa impertinente ao caso concreto, por carência de interesse recursal. DECISÕES DO STJ. SISTEMÁTICA DO ART. 543C DO CPC. APLICAÇÃO NOS JULGAMENTO DO CARF. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelo artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF (Resp 1.148.444). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reverter a glosa dos créditos referentes às aquisições de couro a fornecedores inexistentes de fato. Vencido o relator e o conselheiro Hélcio Lafetá Reis, que negaram provimento ao recurso. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Belchior Melo de Sousa. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente e Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado Participaram ainda do presente julgamento os conselheiros Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira e Jorge Victor Rodrigues. Ausente o Conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Relatório VITAPELLI LTDA. formulou Pedido de Ressarcimento (PER) do saldo credor de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, relativo a receita de exportações, apurado no regime de incidência não cumulativa, no valor de R$ 5.286.983,44, referente ao período de apuração de 01/07/2006 a 30/09/2006, cumulandoo com Declaração de Compensação (DComp) desse direito creditório com diversos tributos. A DRF/Presidente PrudenteSP deferiu parcialmente a solicitação da contribuinte, autorizando o ressarcimento de R$ 4.388.824,37 e homologando compensações até esse limite. Segundo o Termo de Verificação Fiscal constante dos autos (fls. 1.572 a 1.605), o deferimento parcial do pedido foi devido à: a) inclusão na base de cálculo de valores relativos à venda de ativo imobilizado e ao valor do Crédito Presumido Fl. 2804DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 3 3 do Imposto sobre Produtos Industrializados (CPIPI) aproveitado; b) apuração de créditos referentes a compras de matérias primas de empresas com situação cadastral irregular, como empresa inexistente de fato, inativa, não cadastrada na Secretaria de Fazenda estadual, omissa na entrega das declarações etc.; c) apuração de créditos referentes a pagamentos feitos a sócios e a gastos com benfeitorias realizadas em seus imóveis. Sobreveio reclamação, por meio da qual se alega, em resumo, que o valor do crédito presumido de IPI não é de receita, mas recuperação de custos, não sendo tributado pelas contribuições sociais de que se trata, conforme julgados que transcreve. Quanto às glosas das aquisições a pessoas jurídicas irregulares, alega que as operações de compras foram comprovadas, conforme documentos que demonstram o pagamento e o recebimento das mercadorias. Argúi que a Instrução Normativa nº 200, de 13 de setembro de 2002, em seu art. 43, dispõe que os documentos emitidos por sociedade tida como inapta somente são considerados inidôneos a partir da publicação do ato que declarou a inaptidão e que a maioria das declarações de inaptidão ocorreram a partir de dezembro de 2007, ou seja, posteriormente à realização das operações glosadas. Acrescenta que o art. 82 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, dispõe que os documentos emitidos por sociedades inaptas produzem efeitos para terceiros desde que a operação seja comprovada, e que o Conselho de Contribuintes e o Superior Tribunal de Justiça (STJ) vêm decidindo nesse sentido, conforme ementas de julgados que transcreve. Dizse terceiro de boafé. Explica que pesquisou a regularidade dos fornecedores nos sítios da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e da Fazenda estadual antes de realizar as operações e que, à época das operações, as sociedades estavam devidamente habilitadas, conforme cópias das telas do sítio da Receita Federal e do sistema Sintegra da Fazenda estadual, que anexa, não cabendo ao contribuinte provar a existência e a regularidade dos emitentes das notas fiscais, de acordo com decisões do STJ que transcreve. Anexa cópias dos depósitos bancários, tickets de pesagem, RPAs e planilha, onde vincula os dados das notas fiscais glosadas com os respectivos comprovantes bancários, para comprovar a regularidade das operações. Argúi ainda que a Fiscalização não procurou certificar o efetivo ingresso dos produtos adquiridos, cujas notas fiscais foram glosadas, em ofensa ao princípio da verdade material. Argumenta também que o crédito ressarcido deveria sofrer correção monetária, com a aplicação dos juros equivalentes à taxa do Selic ao valor deferido, em obediência ao princípio da isonomia para com a Fazenda Pública, que os cobra nos casos de inadimplência e acresce de juros moratórios as restituições de pagamentos indevidos, nos dois casos com juros do Selic. Transcreve julgados nesse sentido. Por fim, requer diligência e perícia, formulando quesitos. A 4ª Turma da DRJ/RPO julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente . O Acórdão nº 14036.056, de 12 de dezembro de 201, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 Fl. 2805DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 4 EMPRESA INAPTA. DOCUMENTOS. VALIDADE. Documentos fiscais emitidos por empresa inapta somente produzem efeitos tributários para terceiros quando a empresa beneficiária dos documentos prove a existência e a legitimidade das operações. FORNECEDORES. PAGAMENTOS A TERCEIROS. CESSÃO DE CRÉDITO. GLOSA. Glosase o crédito referente ao PIS/Cofins nãocumulativo oriundo de compras cujo pagamento foi repassado a terceiros que não mantiveram qualquer espécie de relação jurídica ou negocial com a beneficiária do crédito. CESSÃO DE CRÉDITO. CONTRATO. COMPROVAÇÃO. Para ter eficácia perante terceiros, a cessão de crédito deve estar embasada em contrato público, ou particular que atenda aos requisitos da legislação civil, em ambos casos devidamente lançado no Registro de Títulos e Documentos. PIS. COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. O crédito presumido de IPI integra a base de cálculo da Cofins e do PIS na sistemática nãocumulativa de apuração dessas contribuições. RESSARCIMENTO. JUROS SELIC. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste previsão legal para abonar atualização monetária ou acréscimo de juros equivalentes à taxa do Selic a valores objeto de ressarcimento. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso contra a de cisão da DRJ/RPO4ª Turma. O arrazoado de fls. s/nº, após síntese dos fatos relacionados à lide e protesto de tempestividade, controverte a inclusão, na base de cálculo da Contribuição, do valor do CPIPI, as glosas dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas a sociedades inaptas e dos recebidos em cessão de terceiros e o direito à correção do valor do ressarcimento pelo abono de juros calculados pela taxa Selic, esgrimindo os mesmos argumentos já defendidos na Manifestação de Inconformidade. Pede provimento para o efeito de autorizarse o ressarcimento dos valores glosados. É o Relatório. Fl. 2806DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 4 5 Voto Fl. 2807DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Conselheiro Alexandre Kern, Relator O valor da matéria recorrida monta a R$ 898.159,07, que se conforma à alçada desta Turma Especial, estabelecida no § 2º do art. 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF. Presentes os demais pressupostos recursais, a petição de fls. s/nº merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJRPO4ª Turma nº 14036.056, de 12 de dezembro de 201. Matéria litigiosa A matéria devolvida a esta instância recursal cingese nas questões relacionadas com a inclusão dos valores aproveitados a título de Crédito Presumido de IPI na base de cálculo das Contribuições Sociais não cumulativas, com a glosa dos créditos por aquisições de insumos a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, entre eles, os relacionados a pagamentos efetuados a terceiros, não fornecedores, por cessão de crédito, e com o direito à correção monetário do valor do ressarcimento. Tributação pelas contribuições sociais dos valores aproveitados a título de Crédito Presumido de IPI Apesar de o recorrente insistir na exclusão do Crédito Presumido de IPI – CPIPI, instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, da base de cálculo da Contribuição para o Plano de Integração Social PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, desde 01/02/2004, quando entrou em vigor a sistemática de apuração não cumulativa da Cofins, passou a ser vedado aos contribuintes dessa contribuição e do PIS nãocumulativo o direito à fruição do referido benefício, nos termos dos arts. 14, 93, inc. I, e 94, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003: "Art. 14. O disposto nas Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, e 10.276, de 10 de .setembro de .2001, não se aplica à pessoa jurídica submetida à apuração do valor devido na forma dos arts. 2º e 3º desta Lei e dos arts. 2° e 3º da Lei nº 10 637, de 30 de dezembro de 2002. A vedação é lógica, já que, na sistemática não cumulativa de apuração, há previsão legal de ressarcimento da contribuição incidente na cadeia produtiva de produtos exportados. Admitir a exclusão da tributação de valores indevidamente aproveitados a titulo de ressarcimento de CPIPI implicaria duplo ressarcimento e enriquecimento sem causa, repugnado pelo ordenamento jurídico. Carente de sentido, a controvérsia surpreendeume. Compulsando os autos, na planilha de cálculo anexa à Informação SAFIS nº 48/2008, fls. 1.502, constatei que não houve qualquer acréscimo a esse título na base de cálculo da contribuição. Concluo, assim, que o ajuste referente à inclusão do CPIPI na base de cálculo não diz respeito ao período de apuração de interesse, razão pela qual a controvérsia não será conhecida. Créditos por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais Consta dos autos, no Termo de Verificação Fiscal, abrangendo o período do 4º trimestre de 2002 ao 2º trimestre de 2007, que Vitapelli Ltda. adquiriu de fornecedores matéria prima (couro verde) a ser utilizada no processo de fabricação. A Fiscalização, após Fl. 2808DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 5 7 análise das notas fiscais de compras e pesquisas aos sistemas corporativos da Receita Federal, bem como do SINTEGRA (sistema cadastral do fisco estadual de São Paulo), e mesmo na INTERNET, constatou que parte dos fornecedores encontravamse em situação cadastral irregular por inexistência de fato, inatividade, omissão na entrega de declarações, não habilitação no sistema cadastral da secretaria de fazenda estadual (não habilitada no Sintegra) etc. A partir dessa constatação, realizaramse diligências nesses fornecedores, verificandose que a maioria deles era inexistente de fato, posto que não se localizavam nos endereços informados como sendo seu domicílio tributário no cadastro do CNPJ: São eles: Razão Social CNPJ Alexandra Nagle G dos Reis Rodrigues 05.542.612/000120 Arkima Comercial Ltda 02.938.228/000403 Carlos Roberto de Domenicis ME 03.583.719/000190 Card Alimentos Ltda 02.987.722/000107 Comércio de Couros Marapoana Ltda 05.212.284/000101 Comercial de Alimentos Sta Gertrudes Ltda 04.520.483/000106 Comercial St Paul Ltda 05.316.373/000190 Copelco Componentes para Calçados Ltda 07.587.770/000121 Frigoan Frigorífico Alta Noroeste Ltda 70.435.383/000297 Frigorífico Paulicéia Ltda 00.311.706/000174 Geil Comércio de Couros Ltda 05.446.089/000138 HFS Lima Indústria e Comércio 04.455.657/000102 Jadluc Indústria e Comércio de Couros 03.595.910/000152 Ki Belo Prod. E Equip. Identif. Animal Ltda 05.553.811/000133 Latino Comércio de Couros Ltda 06.344.078/000100 Maríabi Agro Comercial Ltda 05.724.387/000142 Marina Vieira da Silva Piracaia 02.424.668/000191 Max Com. de Couros Rio Preto Ltda 06.272.377/000186 Montana Comércio de Óleos Ltda 06.198.938/000144 M J Aragão Cruz ME 00.432.430/000182 Paraíso Com. Componentes p/Calçados Ltda 07.301.184/000179 Pro Boi Comércio Imp. Export.Ltda 71.226.856/000128 RD de Pádua Com de Couros Ltda – ME 07.907.944/000196 Santos Soares Dias 02.200.033/000100 Silva de Porciúncula Com de Couros Ltda – ME 07.340.773/000166 Trajano Comércio de Óleos Ltda 06.341.411/000127 WG Couros Ltda 04.461.371/000121 Tabela 1: Pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato Como consequência, glosaramse todos os créditos referentes às aquisições a esses fornecedores. Glosaramse também os créditos referentes às aquisições de pessoas jurídicas que haviam sido objeto de representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo. Os créditos glosados referemse a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação. São elas: Razão Social CNPJ Motivo da representação Frigorífico São Matheus, nome fantasia da empresa CARD ALIMENTOS LTDA. 02.987.722/000107 Simulação da existência do estabelecimento e Simulação da realização de operações comerciais, concluindose pela inexistência de fato da empresa a partir de 03/10/2002e diligência à referida empresa Comércio e Transportes Castelo de Serpa Ltda 04.842.983/000164 inidoneidade de documentos fiscais posto que a pessoa jurídica estava na condição "não habilitada" no Sintegra desde 11/03/1999, não estando autorizada a emitir notas fiscais a partir dessa data Agro indústria Bélica 03.061.815/000179 Não localizada desde 01/06/2003 Fl. 2809DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 8 Razão Social CNPJ Motivo da representação Geraido Jailton Coimbra 04.058.064/000102 Inexistência de Fato desde 10/10/2000, Falsificação de documentos fiscais e "AIDF" de outro Comercial Frigonelli Ltda 03.739.574/000174 Emissão d e Notas Fiscais após a cessação das atividades, "não habilitada" no Sintegra desde 31/03/2006, não estando autorizada a emitir notas fiscais a partir dessa data Cobepel Comércio e Beneficiamento de Couros e Peles 04.816.083/000142 Inidônea desde 05/05/2006 por falsificação de documentos fiscais e uso de talonário paralelo Itaquacouros Comércio de Couros Ltda 07.188.806/000102 Inexistência de fato desde 10/02/2005 Evair A FerrareseEPP 06.297.301/000105 Simulação da existência do estabelecimento desde a data da pretensa constituição Comercial de Couros Celeste 06.859.837/0001 –77 Simulação da existência do estabelecimento e transporte por veículos de passeio desde a data da pretensa constituição Arlindo Moreira Campos Couros 06.967.685/000126 Inexistência de fato desde a data da pretensa constituição da pessoa jurídica. Tabela 2: Pessoas jurídicas fornecedoras inaptas no cadastro da Fazenda Estadual – Representação da DRT10/SP A Fiscalização ainda glosou os créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação “não habilitada”. São elas Razão Social CNPJ Data de referência Comercial de Produtos de Limpeza Crisóstomo Ltda 03.959.535/000182 Nunca teve inscrição Couro Norte Comércio e Distribuidora Ltda EPP 03.733.358/000111 30/09/2002 Frigoneto Ltda 16.676.348/000133 05/08/2006 M O A Comércio Atacadista de Couros Ltda 08.032.036/000169 19/06/2006 Nelore Couros Ltda 03.887.315/000190 01/08/2003 (omissão não localizada) Nunes Pinheiro Comércio de Celulares Ltda 05.748.461/000160 Nuca teve inscrição Pacol Paraíba Couros Comércio Ltda 08.369.171/000102 17/05/2007 Rubenaldo A Silva 05.010.536/000101 16/09/2003 Tabela 3: Pessoas jurídicas fornecedoras não habilitadas para a emissão de documentos fiscais pelo Fisco Estadual (sem habilitação no Sistema SINTEGRA) O recorrente objeta, alegando que documentos acostado aos autos comprovariam a efetividade das operações de compras, bem como o recebimento das mercadorias, o que se pode aferir pelos RPA's, Tickets de Pesagem e também os comprovantes de pagamento e planilhas vinculando os mesmos às respectivas notas fiscais. Lança mão de jurisprudência administrativa e judicial que entende ampararlhe, especialmente no tocante à modulação dos efeitos da declaração de inidoneidade no tempo e nos casos de adquirentes de boafé. Ainda, invoca a INSRF nº 200, de 2002, para tachar de nulos os procedimentos de declaração de inaptidão dos fornecedores, por desobedecimento de suas prescrições. Refuta as conclusões da Fiscalização a respeito da inexistência de fato, contrapondoas com as próprias operações descaracterizadas, que teriam efetivamente ocorrido. Entende que a Fiscalização foi desidiosa, não diligenciando a busca da verdade material. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19931 e no art. 822 da Lei 1 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou Fl. 2810DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 6 9 nº 9430, de 1996, diploma que instituiu também (art. 813) a Declaração de Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/07/2006 a 30/09/2006, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007, referida pela Fiscalização e pela decisão recorrida), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha: IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 2 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 3 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 2811DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 10 Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente idôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra Fl. 2812DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 7 11 dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Quanto à modulação temporal objetada pelo recorrente, frisese que, de no caso de créditos por compras de matériaprima a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Quanto às glosas de créditos por compras apoiadas em documentação fiscal emitida por fornecedores com inidoneidade declarada por outros motivos, com efeitos ex nunc, a insurgência do recorrente é abstrata, sem indicar precisamente em que casos o marco temporal dos efeitos da declaração teria sido violado. Ao contrário, analisando diversos recursos sobre a mesma matéria de interesse do mesmo contribuinte, percebi que a decisão recorrida foi ciosa e reverteu a glosa dos créditos por aquisições de couro a Ki Belo Couro Fl. 2813DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 12 Comercial Ltda., único caso em que não se observou o termo inicial dos efeitos da declaração de inaptidão. O Recorrente refuta ainda a conclusão a que chegou a Fiscalização quanto à inexistência de fato dos fornecedores. Consta dos TVF que a Fiscalização foi aos domicílios fiscais registrados no CNPJ e lá constatou que as pessoas jurídicas listadas na Tabela 1 (acima) não existiam de fato. Providenciou também a circularização expedientes às secretarias de fazenda de diversos estados e municípios e requereu diligências a repartições fiscais em outras Regiões Fiscais, pela qual constatou que as pessoas jurídicas arroladas na Tabela 2 e na Tabela 3, ou eram declaradas inaptas pelo Fisco Estadual, ou não estavam autorizadas a emitir documentação fiscal. As providências adotas pela Fiscalização são plenamente suficientes e hábeis para as conclusões a que se chegou. Nesse ponto, não se fale em exigência de que a Fiscalização diligencie a produção da prova que tocaria ao interessado produzir. Tratandose de ressarcimento de créditos, causa de exclusão do crédito tributário, o pleito é instruído por requerimento expresso, com o qual o interessado deve fazer prova das condições e dos cumprimentos das condições e do cumprimento dos requisitos previstos em lei para a sua concessão. Diligências existem para resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica. Já as perícias existem para que sejam dirimidas questões para as quais se exige conhecimento técnico especializado, ou seja, matéria impassível de ser resolvida a partir do conhecimento das partes e do julgador. Dentro deste quadro, percebese que quando a Instrução Normativa SRF nº 900, de 30 de dezembro de 2008, admite "realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas", não está querendo dizer que, diante de qualquer pleito repetitório apresentado, deve a autoridade fiscal diligenciar para fins de verificar, de oficio, a existência do crédito pleiteado. O que o ato legal quer dizer, e isto sim, é que, apresentado o pedido e constatado que o contribuinte demonstrou, por documentos e registros contábeis individualmente associados, a origem dos créditos pleiteados, pode a autoridade fiscal, se dúvidas remanescerem em relação a questões pontuais (natureza da operação em um ou outro registro, falta de clareza de algum documento ou registro etc.), demandar por diligências para dirimir tais dúvidas. Por certo que o ato legal não quer, com a previsão da realização das diligências, transferir para a autoridade fiscal ou para o julgador administrativo a responsabilidade pela produção probatória atribuída originariamente ao contribuinte no caso dos pedidos de repetição de indébito. E é isso que ocorreria, por exemplo, se fossem promovidas diligências no caso, por exemplo, em que o contribuinte, junto com seu pleito, nada aporta aos autos além de suas alegações, ou traz apenas uma listagem genérica de créditos e uma massa de documentos fiscais sem vinculação recíproca; neste caso, a promoção das diligências estaria suprindo, irregularmente, a omissão do contribuinte, o que não é processualmente admissível. De se ressaltar, igualmente, que o fato de o processo administrativo ser informado pelo principio da verdade material, em nada macula tudo o que foi até aqui dito. É que o referido princípio destinase a busca da verdade que está para além dos fatos alegados pelas partes, mas isto num cenário dentro do qual as partes trabalharam proativamente no sentido do cumprimento do seu ônus probandi. Em outras palavras, o principio da verdade material autoriza o julgador a ir além dos elementos de prova trazidos pelas partes, quando tais elementos de prova induzem à suspeita de que os fatos ocorreram não da forma como esta ou aquela parte afirma, mas de uma outra forma qualquer (o julgador não está vinculado às Fl. 2814DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 8 13 versões das partes). Mas isto, à evidência, nada tem a ver com propiciar à parte que tem o ônus de provar o que alega/pleiteia, a oportunidade de, por via de diligências, produzir algo que, do ponto de vista estritamente legal, já deveria compor, como requisito de admissibilidade, o pleito desde sua formalização inicial. Dito de outro modo: da mesma forma que não é aceitável que um lançamento seja efetuado sem provas e que se permita posteriormente, em sede de julgamento e por meio de diligências, tal instrução probatória, também não é aceitável que um pleito de ressarcimento seja proposto sem a minudente demonstração e comprovação da existência do crédito que posteriormente, também em sede de julgamento e por via de diligências, se oportunize tais demonstração e comprovação. Nesse passo, indefiro o pedido de perícia. Notese que, em vez de opor objeções genéricas e vazias, o interessado, ora recorrente, poderia afastar os efeitos da inidoneidade dos documentos, fazendo a prova do pagamento do preço respectivo e o recebimento das mercadorias. Entretanto, não há nos autos documentos que comprovem a efetiva entrada das mercadorias na empresa. As cópias de tickets de pesagem e recibos de pagamentos a autônomos (RPA’s), sem respaldo na escrituração contábil fiscal, não são hábeis para comprovar a entrada das mercadorias. Nada a reparar no procedimento fiscal e na decisão recorrida quanto a esta matéria. Pagamentos feitos a terceiros em razão de cessão de crédito do fornecedor Conforme já relatado, no curso da ação fiscal, a Fiscalização analisou os pagamentos amparados em notas fiscais emitidas por sociedades constatadas como inexistentes de fato. Apurouse então que vários desses pagamentos foram feitos a terceiras pessoas, alegadamente, mediante autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Intimados os fornecedores, pretensos cedentes do crédito, a confirmar a operação, nenhum se manifestou. Os beneficiários desses pagamentos – pretensos cessionários de outra banda, não reconheceram qualquer relação comercial com o cedente, nem com o ora recorrente, razão pela qual as operações comerciais subjacentes às notas fiscais foram descaracterizadas e os créditos respectivos, glosados. Consta dos autos, por exemplo, a informação que os fornecedores Jadluc Indústria e Comércio de Couros Ltda. e Pro Boi Comércio Importação e Exportação Ltda., entre outros, cujas compras foram glosadas, foram intimados a informar se mantiveram relações comerciais com a Vitapelli, mas não houve resposta, provavelmente porque boa parte se trata de pessoa jurídica inexistente de fato. Essa conclusão acabou corroborada pelo fato de inúmeros pagamentos, em vez de ao fornecedor, terem sido efetuados a terceiras pessoas, sem autorização daquele. Nada obstante, a insurgência recursal contra essa glosa não será conhecida. É que, de acordo com o TVF, a glosa em questão referese ao período de apuração de dezembro de 2002, em que foi lavrado Auto de Infração, com a finalidade de constituir o crédito tributário. Para o período de interesse, referente a 01/07/2006 a 30/09/2006, não consta ter ocorrido a referida glosa. Fl. 2815DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 14 Abono de juros ao valor do ressarcimento A matéria prescinde de maiores digressões, pois a pretensão do recorrente – correção do ressarcimento pela incidência da taxa SELIC – encontrase cabal e expressamente vedada pela legislação de regência (art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável também ao ressarcimento de créditos da Contribuição para o PIS não cumulativa pela norma de extensão do inc. VI do art. 15): Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. Conclusão Com essas considerações, nego provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 19 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Alexandre Kern Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator Em resumo, as matérias controversas presentes no recurso voluntário são: 1) tributação pelas contribuições sociais dos valores aproveitados a título de crédito presumido de IPI; 2) créditos por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais; 3) pagamentos feitos a terceiros em razão de cessão de crédito do fornecedor; e 4) abono de juros sobre valor do ressarcimento. Não foram conhecidas as matérias referentes aos itens “1” e “3”, por impertinentes ao período de apuração em apreço. Esta Turma não reconhece existir direito ao abono de juros sobre o ressarcimento. Portanto, o voto do i. Relator foi acompanhado, à unanimidade, quanto ao item “4”. Quanto ao crédito por aquisições a pessoas jurídicas com irregularidades cadastrais, segundo ao item “2”, acima, a abordagem do voto do d. Relator fez três análises envolvendo situações fáticas distintas, quais sejam: a) pessoas jurídicas fornecedoras inexistentes de fato; Fl. 2816DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 9 15 b) pessoas jurídicas fornecedoras inaptas no cadastro da Fazenda Estadual – Representação da Delegacia Regional Tributária 10 (Presidente Prudente) da Secretaria de Fazenda do Estado de São Paulo; c) pessoas jurídicas fornecedoras não habilitadas para a emissão de documentos fiscais pelo Fisco Estadual (sem habilitação no Sistema SINTEGRA). No que tange ao fato tratado segundo a letra “b”, acima, foi unânime a convergência com voto proposto, tendo sido mantidas as glosas dos créditos por se referirem “a operações posteriores à data em que as representadas ingressaram na situação cadastral que ensejou a representação”. A Turma também acompanhou a proposta de voto quanto ao item “c”, para manter as glosas relativamente aos “créditos referentes às aquisições amparadas por notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas não habilitadas no sistema Sintegra e que, portanto, não estavam autorizadas a emitir documentos fiscais. As glosas operaramse a partir da data da entrada na situação “não habilitada”.” A divergência foi aberta no tocante ao item “a”, no ponto em que o n. Relator maneja os fundamentos da inaptidão da inscrição no CNPJ de diversos fornecedores da Recorrente, listados neste tópico, capitulandoa como inexistente de fato, segundo a regulamentação trazida pelo art. 34 da IN RFB nº 568, de 2005, para, a partir desse enquadramento, aplicar o efeito temporal tributário da inidoneidade das notas fiscais de aquisições de matériasprimas (couro) por elas emitidas, e geradoras de créditos em favor da Recorrente, desde a constituição dessas pessoas jurídicas, verbis: Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Para sustentar este fundamento serviuse o nobre relator do que já fora consignado na ação fiscal, e mantido pela decisão recorrida Fl. 2817DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 16 Compulsandose o Termo de Verificação Fiscal, vêse que foi empreendida uma abrangente ação fiscal, cuidadosa em toda a sua extensão, com a ressalva que ora se faz apenas a um ponto, qual seja, à análise e conclusão a que chegou a diligente Fiscalização quanto a nunca terem existido as pessoas jurídicas indicadas. Em todo o texto que cuida dessa análise, conforme o transcrito abaixo, pode se perceber que não há elementos suficientes para que esta conclusão restasse consignada. Informa o teor do TVF que as cessões de crédito foram autorizadas pelos fornecedores, as pessoas destinatárias foram localizadas, e a única pergunta feita a esses destinatários é impertinente e, por si, insuficiente para descaracterizar a existência do fornecimento das matériasprimas, muito menos para atribuir inexistência a estes fornecedores desde a sua origem como pessoas jurídicas: No decorrer da ação fiscal, foram analisados pagamentos relativos às notas fiscais de fornecimento de couro das empresas acima à empresa fiscalizada. Foram constatados diversos pagamentos realizados a terceiras pessoas, através de autorização do fornecedor por via de "Cessão de Crédito". Ato continuo, intimamos os beneficiários de tais pagamentos a confirmarem a relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". As respostas às intimações foram, quase na totalidade, as mesmas, ou seja, as pessoas intimadas não reconhecem qualquer relação comercial com a empresa "Vitapelli Ltda". Diante deste fato, fica descaracterizada a operação comercial amparada pelas notas fiscais. Anexamos cópias das intimações e respostas aos autos. Posto isto, efetuamos as glosas de créditos do PIS/COFINS, referentes às aquisições das empresas supracitadas, visto que as mesmas nunca existiram de fato. Conseqüentemente, haverá lavratura de auto de infração para constituição dos créditos tributários, bem como representação fiscal para fins penais.[grifo nosso]. Não foi visto nos autos elementos hábeis para caracterização dessas pessoas jurídicas como inexistentes de fato, sobretudo desde a sua constituição, senão tão só o sumário enquadramento feito pela Fiscalização. Sem base, pois, a afirmação no TVF de que tais pessoas jurídicas nunca existiram, para o fim de enquadrar os efeitos temporais da inidoneidade dos documentos no § 3º, III, do art. 48, IN RFB nº 568, de 2005: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. [...] § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. Fl. 2818DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 10 17 II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; [...]. Por essa razão, direciono este voto vencedor no sentido de aplicar o art. 48, § 3º, I, letra “b”, da mesma Instrução Normativa, que preceitua o início dos efeitos da inidoneidade dos documentos emitidos pelos fornecedores dessa lista a partir da data da publicação do ADE de inaptidão, no mesmo diapasão das demais glosas mantidas na proposta de voto. Por outro flanco, este direcionamento está alinhado com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, segundo o acórdão no Resp 1.148.444, de relatoria do Min. Luiz Fux, submetido ao regime da sistemática do art. 543C e representativo de controvérsia, uma vez que a instrução dos autos não se desincumbiu de elidir as aquisições como de boafé, frente ao ateste da própria Fiscalização de que as cessões de crédito dos fornecedores para terceiros foram por aqueles autorizadas, embora ante a resposta também destes, ao questionamento posto, de que não travaram relações comerciais com esta Recorrente, circunstância irrelevante para desfigurar a ocorrência dos fornecimentos de matériasprimas para a VITAPELLI. Pelo exposto, voto por dar parcial provimento para considerar o efeito da inidoneidade de documentos fiscais originadores de créditos emitidos pelas pessoas jurídicas declaradas inidôneas, com fundamento na inexistência de fato, nas circunstâncias presentes, a partir da publicação do Ato Declaratório Executivo. Sala da sessões, 19 de julho de 2012 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 2819DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN 18 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE INTIMAÇÃO Processo nº: 15940.000300/200721 Interessada: VITAPELLI LTDA. Intimese um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada no Acórdão no 3803003.337, de 19 de julho de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009. Brasília DF, em 19 de julho de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Ciência Data: ____/___________/________ _____________________________ Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; [ ] com Recurso Especial; [ ] com Embargos de Declaração. [ ] _________________________ Fl. 2820DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15940.000300/200721 Acórdão n.º 3803003.337 S3TE03 Fl. 11 19 Fl. 2821DF CARF MF Impresso em 14/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 22/08/20 12 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 23/08/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000185/2007-11
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/05/1999 a 31/08/2002
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. DECADÊNCIA. APLICABILIDADE DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE.
INCOMPETÊNCIA DE O CARF PARA PRONUNCIAR SOBRE O TEMA.
1. A inobservância das disposições contidas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, implica, necessariamente, na transformação das verbas ali previstas, em salário-de-contribuição.
2. A partir da publicação da Súmula Vinculante nº 08, do STF, o prazo decadencial de a Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos passou a ser de 5 (cinco) anos, observados, nos casos concretos, as regras do § 4º do art. 150 do CTN ou aquelas previstas no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal.
3. In casu, é reconhecida a decadência pleiteada pelo contribuinte, com base nas disposições contidas no § 4º do art. 150 do CTN, para os fatos geradores relativos às competências de 05/1999 até 02/2002, inclusive.
4. De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se
pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2803-000.947
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Os fatos geradores relativos às competências 05/1999 até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do § 4º do art. 150
do CTN, estão fulminados pela decadência. Contudo, mantenho o lançamento para as competências de 03/2002 até a competência 08/2002.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 18 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201108
ementa_s : CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/08/2002 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. DECADÊNCIA. APLICABILIDADE DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DE O CARF PARA PRONUNCIAR SOBRE O TEMA. 1. A inobservância das disposições contidas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, implica, necessariamente, na transformação das verbas ali previstas, em salário-de-contribuição. 2. A partir da publicação da Súmula Vinculante nº 08, do STF, o prazo decadencial de a Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos passou a ser de 5 (cinco) anos, observados, nos casos concretos, as regras do § 4º do art. 150 do CTN ou aquelas previstas no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. 3. In casu, é reconhecida a decadência pleiteada pelo contribuinte, com base nas disposições contidas no § 4º do art. 150 do CTN, para os fatos geradores relativos às competências de 05/1999 até 02/2002, inclusive. 4. De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Aug 24 00:00:00 UTC 2011
numero_processo_s : 11330.000185/2007-11
anomes_publicacao_s : 201108
conteudo_id_s : 4981392
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Mar 15 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 2803-000.947
nome_arquivo_s : 280300947_11330000185200711_201108.pdf
ano_publicacao_s : 2011
nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 11330000185200711_4981392.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Os fatos geradores relativos às competências 05/1999 até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, estão fulminados pela decadência. Contudo, mantenho o lançamento para as competências de 03/2002 até a competência 08/2002.
dt_sessao_tdt : Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2011
id : 4744134
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:50 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044950183936
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2312; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 260 1 259 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11330.000185/200711 Recurso nº 00000 Voluntário Acórdão nº 280300.947 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de agosto de 2011 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente GEFCO LOGISTICA DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/08/2002 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INOBSERVÂNCIA DAS DISPOSIÇÕES DO ART. 28 DA LEI Nº 8.212/91. DECADÊNCIA. APLICABILIDADE DA SÚMULA VINCULANTE Nº 08, DO STF. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DE O CARF PARA PRONUNCIAR SOBRE O TEMA. 1. A inobservância das disposições contidas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, implica, necessariamente, na transformação das verbas ali previstas, em saláriodecontribuição. 2. A partir da publicação da Súmula Vinculante nº 08, do STF, o prazo decadencial de a Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos passou a ser de 5 (cinco) anos, observados, nos casos concretos, as regras do § 4º do art. 150 do CTN ou aquelas previstas no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. 3. In casu, é reconhecida a decadência pleiteada pelo contribuinte, com base nas disposições contidas no § 4º do art. 150 do CTN, para os fatos geradores relativos às competências de 05/1999 até 02/2002, inclusive. 4. De acordo com a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do(a) relator(a). Os fatos geradores relativos às competências 05/1999 até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, estão fulminados pela decadência. Contudo, mantenho o lançamento para as competências de 03/2002 até a competência 08/2002. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 261 2 (assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Eduardo de Oliveira, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vetoratto, Amílcar Barca Teixeira Júnior. Fl. 284DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 262 3 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD, lavrada em desfavor do contribuinte acima referenciado, relativamente às contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade social, correspondentes à parte da empresa, financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho – GIILRAT e as destinadas a outras Entidades e Fundos (Salárioeducação, INCRA, SEBRAE, SEST e SENAT), devidas e não recolhidas à Seguridade Social. O Contribuinte foi notificado do lançamento e apresentou defesa tempestiva em 12.04.2007. A impugnação foi julgada em 19 de junho de 2007, ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIARIAS Período de apuração: 01/05/1999 a 31/08/2002 SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO – HIPÓTESES DE NÃO INCIDÊNCIA. As hipóteses de não incidência de contribuição previdenciária sobre os pagamentos efetuados pelos empregadores aos segurados com os quais mantenha relação jurídica laboral estão definidas no Art. 28, § 9°, da Lei 8.212/91, em todas as suas redações. Os benefícios fiscais devem ser expressamente definidos, tendo como inspiração o Art. 111 do Código Tributário Nacional (Lei 5.172/66). TRIBUTÁRIO. PREVIDENCIÁRIO. PRAZO DECADENCIAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 10 anos, por disposição expressa da Lei 8.212/91, em seu artigo 45. Precedentes do STJ. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE Não é o foro administrativo o apropriado para as discussões relativas à inconstitucionalidade ou ilegalidade dos dispositivos legais utilizados nos lançamentos de crédito tributário. Usurpação de função. Art. 109 da Constituição Federal Fl. 285DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 263 4 Lançamento Procedente Inconformado com resultado do julgamento de primeira instância administrativa, o contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Houve violação aos princípios do contraditório e da ampla defesa. Reitera a Recorrente que o crédito lançado na presente NFLD, do período de 05/99 até 02/2002, encontrase fulminado pela decadência. De acordo com o art. 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em se tratando de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como as contribuições ora cobradas, o prazo para constituição do crédito tributário é de cinco anos contados da data do fato gerador. Como a intimação da presente NFLD somente ocorreu em 28.03.2007, o fato gerador mais antigo não atingido pela decadência seria o da competência de março de 2002 e, assim, apenas o período de março a agosto de 2002 poderia ser objeto de lançamento fiscal. Na decisão recorrida, foi desconsiderada a natureza não salarial das despesas incorridas para manutenção provisória de profissionais em atividade pela Recorrente, apesar dos documentos que acompanharam a defesa. A fiscalização arbitrou, por aferição indireta, os saláriosdecontribuição em relação às despesas com aluguel, luz, água, gás e eletrodomésticos, além daquelas incorridas por cartão corporativo, pelo Sr. Jean Noel Gerard, conforme o parágrafo 11, do Relatório Fiscal da NFLD. Alegou o agente fiscal que se utilizou da aferição indireta, com base no art. 33, § 3°, da Lei n° 8.212/91, por ter a Recorrente deixado de apresentar diversos documentos e não ter segregado os fatos geradores das contribuições previdenciárias. Contudo, tal procedimento não tem amparo legal. São ilegítimas as cobranças das contribuições para o SEBRAE e para o INCRA. É inaplicável a taxa Selic para fins tributários. A Lei n° 8.620/93, em seu art. 13, viola o CTN e o principio da hierarquia das leis ao imiscuirse em matéria própria e exclusiva da legislação complementar. Isto posto, reiterando tudo quanto disposto na defesa administrativa, demonstra a Recorrente ser indevido o presente lançamento. Por conseguinte, requer sejam acolhidas as razões deste Recurso Voluntário, reformandose o v. acórdão n° 1214.459, de modo a extinguir o débito objeto da NFLD n° 37.087.5699, arquivandose o processo administrativo. Requerse, ainda, em qualquer caso, sejam as pessoas arroladas no REPLEG, excluídas do presente processo administrativo, haja vista a não demonstração de quaisquer das hipóteses de responsabilização dos sócios ou diretores da Recorrente. Não apresentadas as contrarrazões. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 264 5 É o relatório. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 265 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. Sendo tempestivo, conheço do recurso e passo ao seu exame. No recurso apresentado, o contribuinte suscita a ocorrência do instituto da decadência relativamente às competências 05/1999 a 02/2002, inclusive. No ponto, entendo que o pedido deve ser acatado em razão dos efeitos da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal – STF. A partir da publicação da referida Súmula, o prazo decadencial de a Fazenda Nacional apurar e constituir seus créditos passou a ser de 5 (cinco) anos, observados, nos casos concretos, as regras do § 4º do art. 150 do CTN ou aquelas previstas no inciso I do art. 173 do mesmo diploma legal. In casu, considerando ter havido recolhimento parcial no período fiscalizado, reconheço a decadência pleiteada pelo contribuinte, com base nas disposições contidas no § 4º do art. 150 do CTN, para os fatos geradores relativos às competências de 05/1999 até a competência 02/2002, inclusive. No entanto, para as contribuições devidas a partir da competência 03/2002 até 08/2002, o lançamento será mantido, tendo em vista que a empresa deixou de recolher as contribuições devidas á Seguridade Social. No que se refere à suposta violação dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório alegada na defesa, razão não assiste ao contribuinte. Pelo que se denota dos autos, em momento algum tais princípios foram inobservados pela fiscalização, bem como pelos julgadores de primeira instância administrativa. Ademais, consoante a Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A decisão ora recorrida, na parte em que se discutiu a natureza das verbas consideradas como saláriodecontribuição, pautouse em perfeita sintonia com a legislação de regência. A inobservância das disposições contidas no § 9º do art. 28 da lei nº 8.212/91, implica, necessariamente, na transformação das verbas ali previstas, em saláriode contribuição. Mais uma vez, razão não assiste ao contribuinte. O arbitramento, ou seja, o lançamento por aferição indireta foi realizado (item 11 do Relatório Fiscal) com base no § 3º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Portanto, com amparo legal, contrariando as suposições do recorrente de que o procedimento levado a efeito pela fiscalização não tem amparo legal. Neste ponto, não resta nenhuma dúvida de que a fiscalização agiu em conformidade com o parágrafo único do art. 142 do CTN. Tendo em vista que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, não pode a autoridade administrativa deixar de efetuar o lançamento de verbas previstas na legislação, como é o caso daquelas Fl. 288DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 266 7 destinadas aos denominados Terceiros, in casu, SEBRAE e INCRA. No ponto, mantenho o lançamento em relação as Terceiros anteriormente mencionados. A aplicabilidade ou não da taxa SELIC para fins tributários, suscitada pelo recorrente, também não merecerá provimento. Com relação ao tema, o julgador de segunda instância administrativa tem que observar os comandos previstos na Súmula CARF nº 4, in verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais. No que diz respeito ao pedido de exclusão das pessoas arroladas no REPLEG, sigo o mesmo entendimento manifestado no acórdão ora recorrido (fls. 166), in verbis: 31. Ocorre que os dispositivos citados pelo Impugnante tratam da responsabilidade dos Sucessores (art. 129 a 133); de Terceiros (art.134 e 135) e por Infrações (art. 136 a 138), o que não corresponde à responsabilidade atribuída ao dirigente pela SRP. Notese que do Relatório de Co Responsáveis consta, como contribuinte, a empresa, ou seja, aquele que tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador. Contudo, a empresa é impessoal, sendo os responsáveis da ora Impugnante elencados no relatório "Relação de Coresponsáveis CORESP" para fins de cadastro e possível responsabilidade pessoal nos casos em que a lei determina e não para fins de atribuição de responsabilidade solidária. Enfim, não se trata aqui de responsabilizar a pessoa física, mas apenas para fins cadastrais, indicar os referidos dirigentes e seus períodos de atuação. Com efeito, agindo da maneira em que agiu, o contribuinte malferiu as disposições contidas no art. 195, I, “a”, da Constituição da República c/c o art. 22 da lei nº 8.212/91, motivo pelo qual o lançamento deverá ser mantido para as competências não atingidas pela decadência, conforme acima explicitado. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso voluntário, para no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO. Os fatos geradores relativos às competências 05/1999 até a competência 02/2002, inclusive, nos termos do § 4º do art. 150 do CTN, estão fulminados pela decadência. Contudo, mantenho o lançamento para as competências de 03/2002 até a competência 08/2002. É como voto. Fl. 289DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 11330.000185/200711 Acórdão n.º 280300.947 S2TE03 Fl. 267 8 (assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Fl. 290DF CARF MF Impresso em 15/09/2011 por PATRICIA ALMEIDA PROENCA CÓ PI A Autenticado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/09/2011 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 30/08/2011 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10510.001802/2005-53
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Data da publicação: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
Numero da decisão: 303-01.488
Decisão: RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: NANCI GAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Mar 04 09:00:01 UTC 2023
anomes_sessao_s : 200810
turma_s : Terceira Câmara
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
numero_processo_s : 10510.001802/2005-53
anomes_publicacao_s : 200810
conteudo_id_s : 6778603
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 27 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 303-01.488
nome_arquivo_s : 30301488_10510001802200553_200810.PDF
ano_publicacao_s : 2008
nome_relator_s : NANCI GAMA
nome_arquivo_pdf_s : 10510001802200553_6778603.pdf
secao_s : Terceiro Conselho de Contribuintes
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2008
id : 4623638
ano_sessao_s : 2008
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:21 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044956475392
conteudo_txt : Metadados => date: 2013-10-09T13:51:19Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.6; pdf:docinfo:title: ; xmp:CreatorTool: CNC PRODUÇÃO; Keywords: ; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; subject: ; dc:creator: CNC Solutions; dcterms:created: 2013-10-09T13:51:19Z; Last-Modified: 2013-10-09T13:51:19Z; dcterms:modified: 2013-10-09T13:51:19Z; dc:format: application/pdf; version=1.6; xmpMM:DocumentID: uuid:9a12e133-114b-43eb-b637-a0fbe0ca90d9; Last-Save-Date: 2013-10-09T13:51:19Z; pdf:docinfo:creator_tool: CNC PRODUÇÃO; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:keywords: ; pdf:docinfo:modified: 2013-10-09T13:51:19Z; meta:save-date: 2013-10-09T13:51:19Z; pdf:encrypted: false; modified: 2013-10-09T13:51:19Z; cp:subject: ; pdf:docinfo:subject: ; Content-Type: application/pdf; pdf:docinfo:creator: CNC Solutions; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; creator: CNC Solutions; meta:author: CNC Solutions; dc:subject: ; meta:creation-date: 2013-10-09T13:51:19Z; created: 2013-10-09T13:51:19Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2013-10-09T13:51:19Z; pdf:charsPerPage: 877; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; meta:keyword: ; Author: CNC Solutions; producer: CNC Solutions; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: CNC Solutions; pdf:docinfo:created: 2013-10-09T13:51:19Z | Conteúdo => CC03/CO3 Fls. 38 MINISTÉRIO DA FAZENDA TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES TERCEIRA CÂMARA Processo n° Recurso IV Assunto Resolução n° Data Recorrente Recorrida 10510.001802/2005-53 137.615 Solicitação de Diligência 303-01.488 15 de outubro de 2008 CHEKEM CHECK UP ELETRONICO EM MOTORES LTDA - ME DRJ-SALVADOR/BA RESOLUÇA0 N12 303-01.488 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os Membros da Terceira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligencia à Repartição de Origem, nos termos do voto do relator. ANE?()SE DAUDT PRIETO Pres . ente -----36 0.....-....- N CI G b A Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros: Nilton Luiz Bartoli, Luis Marcelo Guerra de Castro, Vanessa Albuquerque Valente, Heroldes Bahr Neto, Celso Lopes Pereira Neto e Tarásio Campelo Borges. Relatora Processo n.° 10510.001802/2005-53 Resolução n.° 303-01.488 CO3/CO3 Fls. 39 RELATÓRIO Trata-se de Auto de Infração mediante o qual é exigido do contribuinte o crédito tributário de R$ 200,00, referente á multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) do ano-calendário de 2000. Uma vez cientificado, o contribuinte apresentou sua Impugnação, onde requereu a improcedência do auto de infração impugnado, sob a alegação de que sua empresa sempre foi optante do simples. Motivo pelo qual estaria desobrigado da apresentação de DCTF. A Delegacia Regional de Julgamento recorrida, observando as telas retiradas do sitio do Sistema de Vedações e Exclusões do Simples (fls. 20 a 22) julgou procedente o lançamento, exarando a seguinte ementa: "Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2000 Ementa: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. A apresentação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF pelas pessoas jurídicas obrigadas, quando intempestivas, enseja a aplicação da multa por atraso na entrega. Lançamento Procedente" Dessa decisão recorre o contribuinte onde, em sua peça recursal argumenta que é optante do Simples desde 1997, sendo, portanto, desobrigado de apresentar DCTF, mas que só o fez para obtenção imediata de certidão negativa, por orientação da própria Receita Federal. E o Relatório. 2 Processo n.° 10510.001802/2005-53 Resoluelo n.° 303-01.488 CC03/CO3 Fls. 40 VOTO Conselheira NANCI GAMA, Relatora 0 Recurso Voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Camara Recorre o contribuinte da decisão proferida pela DRJ de origem que julgou procedente o lançamento por entender que o contribuinte á época da entrega da DCTF não mais estava sob o regime do Simples, fato que o obrigava a apresentar tal declaração. Decorre que, ao analisar os as telas retiradas do sitio do Sistema de Vedações e Exclusões do Simples (SIVEX) de fls. 20 a 22, pude constatar que o Contribuinte apresentou Solicitação de Revisão de Exclusão do Simples (SRS), e que por esta razão a situação de exclusão estaria suspensa. Desta forma, de nenhuma maneira, fica claro em que situação de fato o Contribuinte se encontrava no momento da declaração, se ainda sob a égide do sistema Simples ou se não. Por esta razão, a fim de averiguar a existência de obrigação do Contribuinte, quanta à entrega da DCTF no referido período, se torna essencial saber qual é a decisão final proferida em razão do seu pedido de revisão requerido pelo mesmo frente a sua exclusão do Simples; quando o mesmo foi cientificado dessa decisão, e ainda se apresentou impugnação a essa decisão, qual o seu resultado final e a data de sua ciência. È importante ainda que seja informado a data da ciência do contribuinte do termo de sua exclusão do Simples (ADE). VOTO, portanto, no sentido de CONVERTER o presente julgamento em DILIGÊNCIA, com o respectivo retomo dos autos a repartição fiscal de origem, para que sejam trazidos ao presente recurso as informações acima solicitadas. Após o cumprimento da diligência intime-se o contribuinte e a Fazenda Nacional para manifestação, se desejarem. como voto Sala das Sessões, em 15 de outubro de 2008. c4 ..fs.4............._., ,.........■• •NCI GA - Relatora 3
score : 1.0
Numero do processo: 10166.907955/2009-05
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2004
Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO.
RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À
REPETIÇÃO DO INDÉBITO.
A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3803-003.019
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Feb 25 09:00:02 UTC 2023
anomes_sessao_s : 201205
ementa_s : NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
numero_processo_s : 10166.907955/2009-05
conteudo_id_s : 6775380
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Feb 24 00:00:00 UTC 2023
numero_decisao_s : 3803-003.019
nome_arquivo_s : 380303019_10166907955200905_201205.pdf
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 10166907955200905_6775380.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed May 23 00:00:00 UTC 2012
id : 4578372
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:13 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290044966961152
conteudo_txt : Metadados => date: 2014-07-14T14:30:16Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-07-14T14:30:16Z; Last-Modified: 2014-07-14T14:30:16Z; dcterms:modified: 2014-07-14T14:30:16Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:24a952a9-3b1f-4f0c-aa26-0c966b78c5a6; Last-Save-Date: 2014-07-14T14:30:16Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-07-14T14:30:16Z; meta:save-date: 2014-07-14T14:30:16Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-07-14T14:30:16Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-07-14T14:30:16Z; created: 2014-07-14T14:30:16Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2014-07-14T14:30:16Z; pdf:charsPerPage: 1645; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2014-07-14T14:30:16Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 1 1 0 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.907955/200905 Recurso nº 942.068 Voluntário Acórdão nº 3803003.019 – 3ª Turma Especial Sessão de 23 de maio de 2012 Matéria DCOMP Recorrente ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. [assinado digitalmente] ALEXANDRE KERN Presidente. [assinado digitalmente] JORGE VICTOR RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues. Fl. 34DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 2 Relatório Tratase de declaração de compensação transmitida em 15/09/2006, onde busca a contribuinte compensar crédito, código de receita 8109, do período de apuração de outubro de 2004, decorrente de pagamento a maior ou indevido. A DRF em Brasília não homologou a compensação tendo em vista que o DARF discriminado no Per/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar débitos da contribuinte não restando saldo credor para compensar a dívida declarada. Cientificada em 18/06/2009, apresentou manifestação de inconformidade em 20/07/2009, na qual alega que: De janeiro de 2004 a fevereiro de 2006 pagou a Cofins e o Pis sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos. Sendo a atividade da empresa Bar e Restaurante, com grande volume de venda de Chopp, cervejas e refrigerantes, foram pagos um valor maior, tendo em vista a não observância do tratamento tributário adequado. Tomando conhecimento do erro na apuração dos impostos, fez DIRPJ retificadora do período, corrrigindo as informações referentes ao PIS e Cofins, passando a compensar os valores pagos a maior na quitação do PIS e Cofins dos meses seguintes a partir de março/2006, através do PER/Dcomp. Ao tomar conhecimento dos Despachos Decisórios, procurou o Plantão Fiscal, apresentando todos os documentos a respeito do assunto. O Fiscal de Plantão informou a necessidade de apresentar as DCTF retificadoras, alterando o valor devido e informando o valor pago a maior, para que a Receita possa apurar o valor do crédito que posteriormente seria compensado através de Dcomp. Assim, retificou a DCTF para que a receita possa, processando as informações contidas nas DCTF retificadoras, baixar os débitos referentes aos Despachos Decisórios. A DRJ em Brasília manteve o despacho decisório por entender que o contribuinte não trouxe aos autos os documentos contábeis e fiscais que comprovassem a liquidez e certeza do crédito, ou seja, do pagamento supostamente realizado a maior. Consignou, ainda que a competência para apreciar declarações retificadoras (DCTF, DIPJ, Dcomp, etc) é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo, não cabendo a esta Turma de Julgamento se manifestar a respeito, por falta de previsão legal. Eis a ementa do julgado: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário:2004 Compensação – Impossibilidade Necessidade da Liquidez e Certeza do Crédito do Sujeito Passivo. A lei somente autoriza a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos do sujeito passivo. No caso, o crédito do contribuinte resultaria de suposto pagamento a maior, o qual foi totalmente utilizado para quitar contribuição devida e declarada, portanto, inexistente. Retificação de Declaração – Admissibilidade e Competência para Apreciar. Fl. 35DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907955/200905 Acórdão n.º 3803003.019 S3TE03 Fl. 2 3 A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. A competência para apreciar declarações retificadoras é do Delegado da Receita Federal de jurisdição do sujeito passivo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, após ciência do acórdão retro (25/11/2011), apresentou Pedido de Revisão de Ofício em 28/10/2011, o qual pelo princípio do formalismo moderado e pela instrumentalidade das formas será aceito como se recurso voluntário fosse, na qual repisa os argumentos da manifestação de inconformidade e requer a homologação da compensação apresentada. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A defesa da ARMAZÉM DO FERREIRA BAR E RESTAURANTE LTDA fundamentase na ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF tendo em vista que calculou o recolhimento da Cofins e do PIS sobre a totalidade da venda de mercadorias, sem a exclusão da base de cálculo dos produtos monofásicos, o que representaria boa parte de suas receitas. Diante disso, apresentou DCOMP, acreditando na existência de crédito tributário a seu favor em decorrência deste erro. No caso em tela, observase que o contribuinte somente retificou a DCTF em 14/07/2009, após a ciência do despacho decisório –passados quase três anos após a transmissão da Dcomp. Eis a controvérsia que ora se analisa. Salientamos que não existe norma na legislação de regência condicionando a apresentação do Per/Dcomp à prévia retificação da DCTF, apesar de este ser um procedimento lógico. O comando empregado pela decisão a quo para rejeitar o pedido consubstanciado na manifestação de inconformidade, qual seja, o inciso III do § 2º do art. 11 da IN RFB nº 786/2007, abaixo reproduzido, se refere ao início do procedimento fiscal strictu sensu, ou seja, aquele que visa constituir o crédito tributário, o que não é o caso, uma vez que o tributo já foi pago pelo contribuinte: Art . 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. Fl. 36DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 4 §1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração origináriamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. (grifei) Desta feita, não há impedimento legal algum para a retificação da DCTF em qualquer fase do pedido de compensação, porém, o mesmo somente será deferido após a retificação da DCTF de ofício ou por iniciativa do contribuinte. Este também é o entendimento partilhado pela 3ª SJ/3ª C/ 3ª TO deste Conselho.1 Através da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, o contribuinte presta as informações relativas a valores de débitos de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal bem como o respectivos valores dos créditos, tais como pagamentos, parcelamentos ou compensações. Tendo em vista o caráter de confissão de dívida característico do documento, não há o que repreender no despacho que não homologou a compensação se quando do encontro de constas a autoridade fiscal constatou que o DARF indicado na declaração de compensação já havia sido integralmente utilizado para a quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor para compensar. Isto porque a Receita Federal não tinha conhecimento do equívoco cometido pela Recorrente na apuração da contribuição objeto do pedido de compensação à época. O mesmo não se pode falar da DRJ que, ao tomar conhecimento do equívoco cometido pela Interessada, a qual transmitiu a DCTF retificadora, sob a justificativa de haver recolhido o PIS/Pasep e Cofins sobre a totalidade das vendas, sem a exclusão dos produtos monofásicos, tinha o dever de verificar o alegado, mormente ante o princípio da verdade material, mas não o fez sob o pretexto de que não detinha a competência para a análise de DCTFs retificadoras. Salutar destacar que os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela Administração, desde que não lesem o interesse público nem causem prejuízo a terceiros2. 1 Acórdão nº 330200811 do Processo 10530901535200821; Acórdão nº 330200810 do Processo 10530901534200886; Acórdão nº 330200812 do Processo 10530901536200875; Acórdão nº 330200809 do Processo 10530901533200831. 2 art. 55 da Lei nº 9.784/99. Fl. 37DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10166.907955/200905 Acórdão n.º 3803003.019 S3TE03 Fl. 3 5 Em contradição ao princípio da verdade formal, aclamado e inerente ao processo judicial, temos que no processo administrativo fiscal deve o julgador se pautar pela verdade material, princípio segundo o qual a autoridade administrativa competente não limita seu exame ao que foi alegado pelas partes, podendo e devendo buscar todos os elementos que possam influir no seu convencimento. Nos dizeres de Odete Medauar: 3 O princípio da verdade material ou real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar as decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos. Para tanto, tem o direito e o dever de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Assim, no tocante a provas, desde que obtidas por meios lícitos (como impõe o inciso LVI do art. 5º da CF), a Administração detém liberdade plena de produzilas. Aliado ao princípio retro mencionado, apontamos o formalismo moderado dos atos a serem praticados pelo administrado, princípio este cristalizado no final do artigo 2º, inciso IX, da Lei 9.784/99: “...adoção de formas simples, suficientes para propiciar adequado graus de certeza e respeito aos direitos dos administrados”. O quase informalismo evidenciado no PAF, tem o fito de facilitar o acesso do contribuinte ao processo sem, contudo, lançar mão dos ritos e formas inerentes a todos os procedimentos para garantir o mínimo de segurança jurídica às partes. O processo administrativo deve ser simples, despido de exigências formais excessivas, tanto mais que a defesa pode ficar a cargo do próprio contribuinte, nem sempre familiarizado com os meandros processuais. Quanto ao montante do crédito a que tem direito a ora Recorrente, fica ressalvado o direito de a RFB determinar a base de cálculo do período de apuração de outubro de 2004, apurar o tributo devido, e verificar se o valor pleiteado está correto. Apesar de ter se omitido na apresentação dos documentos e lançamentos contábeis que permitissem à autoridade competente identificar a ocorrência do fato gerador, a base de cálculo sujeita à tributação e o correspondente tributo devido, observamos que tal direito não lhe foi oportunizado haja vista que o que determinou o indeferimento do seu pleito foi entrega da DCTF retificadora posteriormente ao despacho decisório, realidade esta que não podemos aceitar. Superado o óbice, há que se determinar o retorno dos autos para que seja oportunizado ao mesmo a entrega da escrituração fiscal e contábil aptas a demonstrar o valor eventualmente recolhido a maior. Ante o exposto, voto por reformar o acórdão proferido pela DRJ em Brasília, que não adentrou o mérito, e determinar o retorno dos autos àquela Autoridade Julgadora, para proferição de nova decisão, arredandose o óbice erigido (a necessidade de prévia retificação da DCTF como condição para análise de declaração de compensação de indébitos), em face das alegações recursais de erro na declaração. Jorge Victor Rodrigues Relator 3 A Processualidade do Direito Administrativo, São Paulo, RT, 2ª edição, 2008, Pág. 131. Fl. 38DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN 6 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 23/08/2012 por ELAINE ALICE ANDRADE LIMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2012 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 15/07/20 12 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 19/07/2012 por ALEXANDRE KERN
score : 1.0
Numero do processo: 10183.721809/2009-78
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL
RURAL – ITR
Exercício: 2006
Ementa:
PEREMPÇÃO.
O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de
Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2802-001.533
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não
conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 17 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201204
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2006 Ementa: PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido. Recurso não conhecido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10183.721809/2009-78
conteudo_id_s : 6726156
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 15 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.533
nome_arquivo_s : 280201533_10183721809200978_201204.pdf
nome_relator_s : DAYSE FERNANDES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10183721809200978_6726156.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2012
id : 4579103
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:14 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045005758464
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-16T12:33:46Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-16T12:33:46Z; Last-Modified: 2019-09-16T12:33:46Z; dcterms:modified: 2019-09-16T12:33:46Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:fc8ad07a-965a-4b5f-a3ac-0129145815d9; Last-Save-Date: 2019-09-16T12:33:46Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-16T12:33:46Z; meta:save-date: 2019-09-16T12:33:46Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-16T12:33:46Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-16T12:33:46Z; created: 2019-09-16T12:33:46Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2019-09-16T12:33:46Z; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-09-16T12:33:46Z | Conteúdo => S2TE02 Fl. 105 1 104 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.721809/200978 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.533 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de abril de 2012 Matéria ITR Recorrente BENEDITO PAULO SARDINHA COSTA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL – ITR Exercício: 2006 Ementa: PEREMPÇÃO. O prazo para apresentação de recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes é de trinta dias a contar da ciência da decisão de primeira instância. Esgotado esse prazo sem a interposição do recurso, a decisão de primeira instância se tornou definitiva. O recurso apresentado intempestivamente não deve ser conhecido.Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente (Assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite – Relatora EDITADO EM: 18/07/2012 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Lucia Reiko Sakae, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano. Relatório BENEDITO PAULO SARDINHA COSTA, recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância, proferida pela Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS), pleiteando sua reforma, nos termos do Recurso Voluntário apresentado. Pela sua clareza, peço vênia para transcrever o relatório do acórdão de primeira instância. Nº. 0424.411, de autoria do ilustre julgador, Luiz Maidana Ricardi: “Exigese do interessado o pagamento do crédito tributário lançado em procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias, relativamente ao ITR, aos juros de mora e à multa por informação inexata na Declaração do ITR DITR/2006, no valor total de R$ 576.666,75, referente ao imóvel rural com Número na Receita Federal NIRF 1.088.1301, com Área Total ATI de 8.953,0 ha., denominado: Fazenda Santo Antônio do Alaska, localizado no município de Barão de Melgaço MT, conforme Notificação de Lançamento NL de fls. 01 a 07, cuja descrição dos fatos e enquadramentos legais constam das fls. 02 a 05 e 07. 2. Inicialmente, com a finalidade de viabilizar a análise dos dados declarados nos exercícios de 2004 a 2006, especialmente a Área de Preservação Permanente APP, Área de Utilização Limitada/Reserva Legal AUL/ARL e o Valor da Terra Nua VTN, o declarante foi intimado a apresentar diversos documentos comprobatórios, os quais, com base na legislação pertinente, foram listados, detalhadamente, no Termo de Intimação, fls. 25 a 27. Entre os mesmos constam: cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA, do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA; Laudo Técnico emitido por profissional habilitado, relativamente à demonstração de existência da APP conforme enquadramento legal (art. 2°, da lei n° 4.771/1965 Código Florestal), acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART; Certidão do Órgão Público competente, caso o imóvel, ou parte dele, esteja inserido em área declarada como de Preservação Permanente nos termos do art. 3°, do Código Florestal, acompanhado do Ato do Poder Público que assim a declarou; cópia da matrícula do registro imobiliário, com da averbação da ARL; cópia do Termo de Responsabilidade/Compromisso de averbação da ARL ou Termo de Ajustamento de Conduta; documento que comprove a localização da ARL e; Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, com atenção aos requisitos das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, demonstrando os métodos de avaliação e fontes pesquisadas que levaram à convicção do valor atribuído ao imóvel, com Grau 2 de fundamentação mínima. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.721809/200978 Acórdão n.º 2802001.533 S2TE02 Fl. 106 3 3. Foi informado, inclusive, que, na falta de atendimento à intimação, poderia ser efetuado o lançamento de ofício com o arbitramento do VTN com base nas informações do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, conforme a legislação, sendo informado o VTN desse sistema para o município e exercício em questão. 4. A intimação foi entregue no endereço do interessado em 08/05/2009, fl.28, e não consta dos autos manifestação a respeito. 5. Da Descrição dos Fatos e Enquadramentos Legais a Autoridade Fiscal tratou da intimação e do não atendimento. Explicou, detalhadamente, da legislação ambiental e tributária, relativamente às áreas preservadas e da necessidade de comprovação de regularização para o direito à isenção. Com relação ao VTN foi explicado do levantamento de preços de terras pelos órgãos competentes para alimentar o SIPT, e da utilização excepcional do preço médio de terras constantes das DITR do município de localização do imóvel. 6. Em virtude da ausência dos documentos comprobatórios as áreas isentam foram glosadas e o VTN alterado de acordo com o SIPT, com base no preço médio de terras das DITR, bem como modificados demais dados conseqüentes. Apurado o crédito tributário foi lavrada a NL, cuja ciência foi dada ao interessado em 29/12/2009, fl. 34. 7. Na impugnação, protocolada em 07/01/2010, fls. 35 a 38, o interessado apresentou seus argumentos de discordância alegando, em resumo, o seguinte: 7.1. Que embora conste haver sido notificado e não comprovou o solicitado, o certo é que sequer foi intimado para adotar qualquer providência. 7.2. Do memorial descritivo da propriedade a ARL se encontra averbada na escritura desde 01/02/2004, não havendo motivo para sonegar tal informação. 7.3. A área rural, como se pode vislumbrar da foto satélite que acompanha a impugnação, se trata de imóvel alagadiço, sem possibilidade de beneficiamento do solo e plantio de lavoura, ainda que para subsistência familiar, e localizada na bacia do Pantanal Matogrossense, onde se admite a exploração apenas da atividade pecuária. 7.4. Tratou do conceito de APP e da região pantaneira, citou dispositivo legal que trata da isenção de APP e ARL e disse não restar dúvida que o índice de apuração do cálculo do ITR se operou com demasiado equivoco ao deixar de considera os 4.176,5 ha. de ARL e os 2.500,0 ha. de APP. 7.5. Explanou sobre Lei Estadual do Mato Grosso n° 6.728/1996 que declara Área de Interesse Ecológico AIE as áreas alagáveis localizadas na planície do Pantanal Matogrossense, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 bem como da legislação federal que prevê a isenção das AIE, para afirmar que não paira dúvida que a propriedade em foco faz jus ao reconhecimento da isenção do ITR, seja por conta da APP e ARL e/ou AIE. 7.6. Pelo exposto requereu o recebimento e processamento da impugnação e ao final seja declarado nulo e inexigível os lançamentos do ITR dos exercícios 2004, 2005 e 2006, face o reconhecimento de AIE das áreas rurais pantaneiras. 7.7. Caso assim não se entenda, requereu que seja reconhecida a isenção sobre os 4.176,5 ha. de ARL e 2.500,0 ha. de APP, e afastada a incidência de juros e multas. 8. Instruiu sua impugnação com a documentação de fls. 39 a 42, composta por: cópia da matrícula do imóvel, Contendo averbação da ARL providenciada em 12/02/2004; Licença Ambiental Única LAU e Termo de Responsabilidade de Averbação de ARL.” A Primeira Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campo Grande (MS), ao examinar o pleito, proferiu o acórdão n°. 04 24.411, de 06 de maio de 2011, que se encontra às fls. 234 a 249, cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2006 Áreas de Florestas Preservadas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP ou de Utilização Limitada AUL, como Área de Reserva Legal ARL, está vinculada à comprovação de sua existência, como laudo técnico específico e averbação na matrícula até a data do fato gerador, respectivamente, e de sua regularização através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a da outra. Isenção Hermenêutica A legislação tributária para concessão de benefício fiscal deve ser interpretada literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Matéria não impugnada Valor da Terra Nua – VTN Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo interessado. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Voto Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10183.721809/200978 Acórdão n.º 2802001.533 S2TE02 Fl. 107 5 Conselheira Dayse Fernandes Leite, Relatora Conforme determinações do Decreto 70.235/1972, a partir da data da notificação da decisão de primeira instância, teria o Recorrente o prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação do Recurso Voluntário. Art. 33 – Da decisão caberá recurso voluntário total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro de 30 (trinta) dias seguintes à ciência da decisão. Igualmente o parágrafo único do art. 5º do mesmo Decreto complementa as disposições sobre a forma de contagem desse prazo: Art. 5 – Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia de início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único – Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No caso dos autos, a aferição de tempestividade se dá pelo cotejo da data de ciência da Intimação 18/07/2011 que foi (segunda feira) com a data de protocolo do recurso voluntário 18/08/2011 (quintafeira ), fls. 70 e 75. Verificase que o prazo fatal para a apresentação do Recurso Voluntário fora dia 17/08/2011 (quartafeira), tendo a Recorrente se manifestado somente em 18/08/2011, conforme protocolo de fl. 75, que importa na constatação da intempestividade do protocolo da peça recursal. A perempção, caracterizada pela apresentação a destempo da peça recursal pelo contribuinte em decorrência do transcurso de mais de trinta dias entre a data do protocolo do Recurso Voluntário e a cientificação da decisão de primeira instância, impede sua apreciação pelo Colegiado. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Voluntário. Brasília/DF, Sala de Sessões, 18 de abril de 2012. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes LeiteRelatora Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 18/07/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 15/08/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10855.722413/2018-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
Data da publicação: Fri Oct 16 00:00:00 UTC 2020
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2015
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para decidir sobre retificação da DIRPF apresentada pelo contribuinte, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte.
Numero da decisão: 2301-007.835
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso
(documento assinado digitalmente)
Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
Nome do relator: CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Wed Nov 16 17:28:19 UTC 2022
anomes_sessao_s : 202009
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2015 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para decidir sobre retificação da DIRPF apresentada pelo contribuinte, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 16 00:00:00 UTC 2020
numero_processo_s : 10855.722413/2018-89
anomes_publicacao_s : 202010
conteudo_id_s : 6282172
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 16 00:00:00 UTC 2020
numero_decisao_s : 2301-007.835
nome_arquivo_s : Decisao_10855722413201889.PDF
ano_publicacao_s : 2020
nome_relator_s : CLEBER FERREIRA NUNES LEITE
nome_arquivo_pdf_s : 10855722413201889_6282172.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente)
dt_sessao_tdt : Thu Sep 03 00:00:00 UTC 2020
id : 8503149
ano_sessao_s : 2020
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:15 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045024632832
conteudo_txt : Metadados => date: 2020-10-09T16:38:07Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2020-10-09T16:38:07Z; Last-Modified: 2020-10-09T16:38:07Z; dcterms:modified: 2020-10-09T16:38:07Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2020-10-09T16:38:07Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2020-10-09T16:38:07Z; meta:save-date: 2020-10-09T16:38:07Z; pdf:encrypted: true; modified: 2020-10-09T16:38:07Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2020-10-09T16:38:07Z; created: 2020-10-09T16:38:07Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; Creation-Date: 2020-10-09T16:38:07Z; pdf:charsPerPage: 1584; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2020-10-09T16:38:07Z | Conteúdo => S2-C 3T1 Ministério da Economia Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10855.722413/2018-89 Recurso Voluntário Acórdão nº 2301-007.835 – 2ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 3 de setembro de 2020 Recorrente ONOFRE ALFENAS DO PATROCINIO FILHO Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Exercício: 2015 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INCOMPETÊNCIA DO CARF. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não é competente para decidir sobre retificação da DIRPF apresentada pelo contribuinte, cuja competência é da unidade da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso (documento assinado digitalmente) Sheila Aires Cartaxo Gomes - Presidente (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Mauricio Vital, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Fernanda Melo Leal, Paulo Cesar Macedo Pessoa, Leticia Lacerda de Castro, Mauricio Dalri Timm do Valle, Sheila Aires Cartaxo Gomes (Presidente) Relatório Trata-se de notificação de lançamento, em que foram apuradas as seguintes infrações: Dedução indevida de despesas médicas e Dedução indevida com despesa de Instrução. Cientificado, o contribuinte apresentou impugnação alegando o seguinte: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 24 13 /2 01 8- 89 Fl. 60DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-007.835 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722413/2018-89 Preliminarmente, deve-se consignar que uma das fontes de rendimento, qual seja oriunda do Comando do Exército, é proveniente de aposentadoria, e portando incidente isenção do Imposto de Renda da Pessoa Física para Portadores de moléstia Grave, decorrência de cegueira (inclusive monocular) pela Lei n° 7.713/88, conforme laudo médico anexo. Desta forma, tal rendimento é isento e não tributável, o que muda o cálculo do imposto conforme simulação anexa, realizada conforme orientação do Posto Fiscal deste Município Assim, lançando a fonte de rendimento no campo pertinente e excluindo as deduções tidas como indevidas, ora glosadas por esta Autarquia, verifica-se que não há imposto devido À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim decidido, cancelando-se o débito fiscal reclamado e posterior devolução dos valores recolhidos por este Reclamante. A DRJ considerou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. Inconformado, o contribuinte apresenta recurso voluntário com as mesmas alegações da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Cleber Ferreira Nunes Leite, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Da Retificação da Declaração Apresentada O contribuinte argumenta, que cometeu equívoco ao informar no campo de rendimentos tributáveis da declaração de ajuste anual, quando o correto seria em rendimentos isentos por ser portador de moléstia grave e requer que seja retificada a informação quanto aos rendimentos tributáveis. A origem da presente Notificação de Lançamento foi a exigência de IRPF em face da glosa da dedução indevida de despesas médicas e dedução indevida de despesas com instrução. No entanto, o contribuinte alega agora, perante os Órgãos Julgadores, que é isento do imposto de renda por ser portador de moléstia grave e que os seus rendimentos são de proventos de aposentadoria. A questão então, passa pela retificação da declaração de ajuste anual, com base nas afirmações e nos documentos trazidos aos autos. Neste caso, o recurso dirigido ao CARF não é via própria para a retificação da declaração de ajuste anual, sendo competente para tal, a unidade de origem da Receita Federal que jurisdiciona o contribuinte. Do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Fl. 61DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-007.835 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10855.722413/2018-89 (documento assinado digitalmente) Cleber Ferreira Nunes Leite Fl. 62DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100130/2010-93
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2007
Ementa:
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.648
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Sat Dec 24 09:00:01 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201206
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 11065.100130/2010-93
conteudo_id_s : 6729040
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Dec 20 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.648
nome_arquivo_s : 280201648_11065100130201093_201206.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 11065100130201093_6729040.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
dt_sessao_tdt : Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
id : 4567243
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:30:05 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045027778560
conteudo_txt : Metadados => date: 2019-09-18T16:57:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-09-18T16:57:10Z; Last-Modified: 2019-09-18T16:57:10Z; dcterms:modified: 2019-09-18T16:57:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:f3ea04e7-3647-46a7-adfe-bbaeaf6285f5; Last-Save-Date: 2019-09-18T16:57:10Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-09-18T16:57:10Z; meta:save-date: 2019-09-18T16:57:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-09-18T16:57:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-09-18T16:57:10Z; created: 2019-09-18T16:57:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; Creation-Date: 2019-09-18T16:57:10Z; pdf:charsPerPage: 1530; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:created: 2019-09-18T16:57:10Z | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.100130/201093 Recurso nº Acórdão nº 2802001.648 – 2ª Turma Especial Sessão de 19 de junho de 2012 Matéria IRPF Recorrente RENAN ROTT DE OLIVEIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 Ementa: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator. EDITADO EM: 16/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas de Mello, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros. Fl. 75DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar o presente pela transcrição do quanto relatado no acórdão recorrido, in verbis: “O contribuinte em epígrafe teve lavrada contra si a Notificação de Lançamento de fls. 02/04, em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física Dirpf referente ao exercício 2008, anocalendário 2007, apurandose o Imposto de Renda suplementar de R$ 1.360,32. Observese que o contribuinte havia apurado, na DIRPF (lis. 25/29), o imposto a pagar de R$ 8.703,23. Foi glosado o valor de R$ 4.946,60, concernente à Associação Brasileira de Odontologia Sul América Saúde, deduzido a título de despesas médicas, por não haver sido comprovado. Esclarece a Fiscalização (fl. 03, verso) que o "contribuinte apresentou declaração referente a GOLDEN CROSS sem identificação do emitente". O contribuinte impugnou tempestivamente a exigência, através do arrazoado de fl. 01. A ciência do lançamento ocorreu em 04 de fevereiro de 2010, conforme aviso de fl. 30, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 04 de março de 2010. Esclarece que o valor glosado referese a despesas médicas do próprio contribuinte. Informa, ainda, que o referido plano de saúde está em nome de Vera Lúcia Obal de Oliveira, havendo o impugnante, dependente de sua exmulher junto ao plano, contribuído com o montante em questão, no ano de 2007. Anexa os documentos de fls. 05/07.” A decisão recorrida, contudo, declarou improcedente a impugnação, concluindo que “a dedução de despesas na Declaração de Ajuste Anual do Imposto de Renda de Pessoa Física está condicionada à comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados”. Assim concluiu o decisum a quo em especial em face do quanto concluiu sobre os documentos acostados à impugnação, a saber: “A declaração de fl. 06 não pode ser aceita na medida em que firmada pelo próprio impugnante, e desacompanhada de qualquer início de prova material. Já a declaração de fl. 07, que também não pode ser aceita, uma vez que o respectivo emitente não é identificado, apenas confirmaria, a um, a situação do impugnante, como dependente de Vera Lúcia Obal de Oliveira, junto ao Seguro Saúde da Associação Brasileira de Odontologia RS / Golden Cross; e, a dois, os montantes das despesas relativas a cada um dos beneficiários do plano de saúde. Nada esclarece, contudo, no sentido de que o impugnante teria suportado as despesas a ele concernentes.” À fl. 43 se vê o recurso voluntário, no qual o interessado assim se manifesta: “O contribuinte ao impugnar a notificação de lançamento apresentou declaração e neste ato para interposição do presente Recurso apresenta novo instrumento particular para ratificar o já declarado anteriormente, o documento apresentado foi fornecido pela empresa P. BARREIROS Corretora de Seguros e Assessoria Técnica Ltda., pessoa jurídica responsável pelo gerenciamento e administração do plano de saúde que possui junto à Seguro Saúde Blue Life, por Fl. 76DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 11065.100130/201093 Acórdão n.º 2802001.648 S2TE02 Fl. 2 3 intermédio da Associação Brasileira de Odontologia, CNPJ sob o n°. 92.943.299/000136, e tal documento atesta que as referidas despesas deduzidas foram suportadas única e exclusivamente pela pessoa do contribuinte. Ainda nessa senda, cabe ressaltarmos que os recibos ora juntados (docs. em anexo) demonstram de forma fidedigna que o contribuinte pagou todos os valores informados, através do "home banking" e do débito em conta corrente de titularidade da empresa NOVOCOURO IND. COM. DE COURO LTDA., pessoa jurídica na qual o contribuinte é sócioadministrador e gerencia a parte financeira e administrativa. E, por conseguinte, os valores pagos foram deduzidos do crédito de prólabore que o contribuinte faz jus pela condição de sócioadministrador da referida empresa, se comprova tal assertiva através da apresentação dos recibos de pagamento de prólabore (docs. em anexo), nos quais são discriminados todos os valores de débitos do plano de saúde, mais outras despesas particulares que são pagas pela empresa e deduzidas do crédito de prólabore a receber pelo contribuinte. (...) Depreendese, portanto, pelos fatos narrados que todas as despesas com plano de saúde lançadas na declaração e deduzidas da base do imposto de renda são legítimas e passíveis da referida dedução, uma vez que foram suportadas pelo contribuinte que tem total amparo na legislação pertinente a matéria.” É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Típica questão de prova, não me convenço de que haja nos autos documentação que comprove haver pago, o Recorrente, a importância glosada no valor de R$ 4.946,60, à Associação Brasileira de Odontologia Sul América Saúde. Efetivamente, o único documento que o interessado junta em termos de comprovação documental, em sede de recurso voluntário, vem a ser a declaração de fl. 46 firmada por “P. Barreiros Corretora de Seguros e Assessoria Técnica Ltda.”, a qual, com a devida vênia, não consigo precisar em que momento se relaciona, de fato, à dedução pleiteada. Uma vez mais, fica patente que a titular do plano assistencial era VERA LÚCIA OBAL DE OLIVEIRA, o que, a mim, não confere certeza. Quanto aos recibos de pagamento, via home banking, é de se salientar que todos estão em nome da empresa “NOVOCOURO IND. E COM DE COUROS LTDA.”, o que, por óbvio, não faz prova de que a despesa tenha sido suportada pelo Recorrente. No que pertine aos recibos de pro labore acostados, o fato puro e simples de neles se ver (provavelmente, no verso) a inscrição “Assoc. Odonto” seguida por um valor não possibilita certeza quanto a serem procedentes as alegações de que a empresa NOVOCOURO pagava e descontava de seu pro labore. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Penso que a comprovação da dedução pleiteada há de ser feita de maneira inequívoca, única forma de conferir ao julgador o devido conforto para decidir pela procedência. Assim não sendo, o provimento se torna inviável em face da incerteza documental. Por isso, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 19 de junho de 2012. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Fl. 78DF CARF MF Impresso em 17/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 16/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.009518/2003-41
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 1993
Ementa:
IRPF. RESTITUIÇÃO. PDV. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Não caracterizada adequadamente a existência de Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a adesão do interessado a tal programa, improcede o pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-001.196
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR
PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
Matéria: IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
Nome do relator: SIDNEY FERRO BARROS
1.0 = *:*
toggle all fields
materia_s : IRPF- restituição - rendim.isentos/não tributaveis(ex.:PDV)
dt_index_tdt : Sat Dec 03 09:00:02 UTC 2022
anomes_sessao_s : 201111
ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1993 Ementa: IRPF. RESTITUIÇÃO. PDV. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Não caracterizada adequadamente a existência de Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a adesão do interessado a tal programa, improcede o pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
numero_processo_s : 10830.009518/2003-41
conteudo_id_s : 6235204
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2022
numero_decisao_s : 2802-001.196
nome_arquivo_s : Decisao_10830009518200341.pdf
nome_relator_s : SIDNEY FERRO BARROS
nome_arquivo_pdf_s : 10830009518200341_6235204.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez.
dt_sessao_tdt : Tue Nov 29 00:00:00 UTC 2011
id : 8363197
ano_sessao_s : 2011
atualizado_anexos_dt : Fri Mar 24 22:31:10 UTC 2023
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1761290045029875712
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1570; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 1 1 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.009518/200341 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802001.196 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2011 Matéria IRPF Recorrente WILSON DI SALVO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 1993 Ementa: IRPF. RESTITUIÇÃO. PDV. NÃOCARACTERIZAÇÃO. Não caracterizada adequadamente a existência de Programa de Demissão Voluntária (PDV) e a adesão do interessado a tal programa, improcede o pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. Ausente justificadamente o Conselheiro German Alejandro San Martin Fernandez. (assinado digitalmente) JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Presidente. (assinado digitalmente) SIDNEY FERRO BARROS Relator. EDITADO EM: 19/01/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Lucia Reiko Sakae, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Sidney Ferro Barros Fl. 136DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Peço vênia para iniciar este com a transcrição do quanto relatado no Acórdão recorrido, verbis: “Cuidam os autos de pedido de restituição do Imposto de Renda Retido na Fonte incidente sobre os rendimentos auferidos pelo interessado em apreço durante o anocalendário de 1992, sob a alegação de tratarse de verba indenizatória a título de incentivo à sua adesão a Programa de Demissão Voluntária (PDV) promovido pela empresa Rockwell Braseixos S/A. O pedido de restituição foi apreciado pela autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Campinas (fls. 22/23) e indeferido em face da preliminar de extinção do direito de pleitear. Apresentada manifestação de inconformidade, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo indeferiu o pleito do contribuinte pelas mesmas razões (fls. 29/32). Em face do recurso voluntário interposto (fl. 34), a Segunda Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes proferiu o Acórdão n° 10248644 (fls. 36/40) dando provimento ao recurso por entender que o termo inicial para contagem do prazo para requerer a restituição pleiteada seria a data da publicação da IN/SRF n° 165, qual seja, 06/01/1999. Interposto recurso especial contra o referido acórdão pela Fazenda Nacional (fls. 44/58), a Segunda Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso, determinando o enfrentamento do mérito. Retornaram os autos à DRF de origem que intimou a empresa ArvinMeritor do Brasil Sistemas Automotivos Ltda, na qualidade da sucessora da empresa Rockwell Braseixos S/A, a apresentar diversos documentos referentes ao desligamento do interessado (fl. 76). Em atendimento, foram juntados os documentos de fls. 78/101. Submetido a nova análise por parte da autoridade administrativa da Delegacia da Receita Federal em Campinas (fls. 103/104) o pedido foi indeferido, por entender aquela autoridade que a rescisão do contrato de trabalho do contribuinte com a empresa não se enquadrava na forma de desligamento prevista pela IN SRF n° 165, de 31/12/1998. Cientificado em 21/09/2010 (fl. 105), o contribuinte apresentou em 08/10/2010, por meio de procurador qualificado à fl. 20, a manifestação de inconformidade de fls. 97/101, alegando, em síntese, que: o PDV é uma figura que não consta na CLT e por essa razão não se inclui nas verbas rescisórias do contrato de trabalho das empresas privadas, tendo sido criado para permitir a redução do quadro do funcionalismo; as empresas privadas, a partir dos anos 80, sofreram grandes reduções em seus quadros e, para que os empregados demitidos pudessem fazer frente ao período de desemprego, adotaram a política de conceder indenizações por mera liberalidade. Criouse o hábito de denominarse PDV, mas de voluntário nada possuía, pois se não houvesse acordo com os sindicatos, os empregados seriam demitidos recebendo apenas as obrigações legais. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.009518/200341 Acórdão n.º 2802001.196 S2TE02 Fl. 2 3 O termo PDV foi usado tãosomente por analogia, não obrigando às regras estabelecidas para o funcionalismo; na rescisão dos contratos de trabalho não há igualdade entre as partes. Os empregados aceitam a proposta da empresa em relação à dispensa incentivada por ser mais favorável que a rescisão sem justa causa, que aconteceria inevitavelmente; a indenização auferida na demissão incentivada tem a mesma natureza daquela recebida nas demais rescisões, pois é dela que o empregado irá sobreviver nos meses de desemprego. Tal indenização não se erige em renda, muito menos acresce o patrimônio, tendo caráter indenizatório; o Regulamento do Imposto de Renda prevê que "não entrarão no cômputo do rendimento bruto a indenização e o aviso prévio, pago em dinheiro, por despedida ou rescisão do contrato de trabalho, que não excedam os limites garantidos por lei... ". Como se vê, a legislação afasta da incidência do imposto a indenização paga em dinheiro, não distinguindo se desmotivada ou incentivada, não cabendo ao intérprete distinguir; a natureza jurídica do tributo é determinada pelo fato gerador, sendo irrelevante para qualificála a denominação e outras características adotadas pela lei. Não desfigura a natureza de mera indenização por despedida a denominação da contraprestação de "indenização especial", "complementar" ou outra qualquer. Basta que a importância recebida decorra de despedida do empregado, com ou sem seu assentimento, que teremos uma indenização e, como tal, isenta de imposto; tal indenização não constitui uma aquisição de disponibilidade, mas uma compensação pela perda de disponibilidade econômica, em face da perda de capacidade de gerála como produto do trabalho. Não é qualquer acréscimo patrimonial que gera renda, pois esse acréscimo momentâneo pode ser anulado por decréscimo futuro. Em outras palavras, a quantia recebida tem o objetivo de repor o patrimônio do empregado ao estado anterior; todas as pessoas que recorreram ao Poder Judiciário para reaver o imposto retido ganharam a causa, o que levou a RFB a emitir a IN 165/98, que veio esclarecer o assunto. A argumentação expressa na decisão recorrida demonstra o conhecimento das orientações e decisões internas do órgão, mas não vai ao âmago da questão, que é reconhecer como indevida a retenção do imposto sobre verbas não previstas na CLT, que, por analogia, equiparamse a PDV.” A decisão recorrida, contudo, declarou improcedente a manifestação de inconformidade, concluindo que “a isenção prevista na Instrução Normativa n° 165, de 1998, alcança somente as verbas indenizatórias percebidas em virtude de adesão a Plano de Demissão Voluntária PDV, não estando amparadas as demais hipóteses de desligamento”. O interessado recorre a esta Corte conforme recurso voluntário de fls., por meio do qual: a) pergunta se a “legislação de regência” a que se refere o acórdão recorrido está incorporada à CLT; b) indaga se o PDV está previsto na CLT, para concluir que na época do fato gerador a legislação de regência vigente era a CLT; Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 c) afirma que o PDV não é privativo de funcionários públicos, passando a tecer comentários sobre as razões que levaram à edição da IN 165/98; d) conclui que a Receita Federal não pode impor às empresas privadas regras que foram baixadas apenas para compensar a perda de estabilidade dos funcionários públicos. É o relatório. Voto Conselheiro Sidney Ferro Barros O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. É cediço que o PDV é caracterizado como um plano instituído pela empresa com a característica de incentivo à demissão voluntária de seus empregados – portanto, inafastáveis esses dois requisitos: “incentivo” e “voluntariedade”. Requerse, para a caracterização do PDV, a inequívoca comprovação de que a ruptura do vínculo empregatício se verificou pela adesão à política demissional formalmente instituída pela empresa, que procedeu à época a um número exacerbado de demissões, política esta marcada pela temporalidade e extensiva a todos os funcionários, com atendimento de condicionantes. No caso sob análise, a questão documental, especialmente quanto aos documentos apensados às fls. 78/101, pareceume devidamente esmiuçada pela decisão recorrida, conforme se lê nos seguintes trechos, que adoto: “Desta forma, a cópia do Plano de Demissão Voluntária é elemento essencial para aferir se o plano oferecido pela empresa se enquadra na forma de desligamento prevista na IN SRF n° 165, de 1998, e para verificar quais seriam os valores alcançados pela isenção dentre as verbas recebidas. No caso presente, o contribuinte não juntou aos autos cópia do Plano de Demissão Voluntária e do Termo de Adesão. Intimada, a empresa ArvinMeritor do Brasil Sistemas Automotivos Ltda, sucessora da empresa Rockwell Braseixos S/A, informou que o interessado foi demitido sem justa causa, mediante acordo firmado para encerramento das atividades fabris da unidade localizada no município de Hortolândia. Esclareceu que, embora prevista no acordo a hipótese de demissão por interesse dos funcionários, não foi estabelecido Programa de Demissão Voluntária, podendo o empregado aceitar ou não a transferência para o município de Osasco.” Considero evidenciado que inexistiu, de fato e com os devidos contornos formais exigidos, o PDV com a respectiva adesão do interessado. Quanto às alegações trazidas pelo Recorrente sobre o tema PDV versus funcionalismo público, adoto, uma vez mais, as razões de decidir do acórdão recorrido que, reportandose ao tema, assim concluiu: Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10830.009518/200341 Acórdão n.º 2802001.196 S2TE02 Fl. 3 5 “Comporta, inicialmente, esclarecer que não é verdadeiro ser o PDV um instrumento privativo do funcionalismo público. Inúmeras empresas privadas promoveram planos de desligamento voluntário com o intuito de reduzir seu quadro de empregados que, por seu turno, na adesão ao plano, beneficiaramse da isenção do imposto sobre as verbas recebidas a esse título, desde que atendidas as condições estabelecidas na legislação de regência.” Por todas essas razões, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Brasília/DF, Sala das Sessões, em 29 de novembro de 2011. (assinado digitalmente) Sidney Ferro Barros Relator Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/05/2012 por JOSE ROBERTO DE FARIA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 19/01/2012 por SIDNEY FERRO BARROS, Assinado digitalmente em 23/01/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
