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Numero do processo: 10840.000598/2004-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Sep 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. VALOR RECEBIDO INCONTROVERSO PELO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO.
Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido.
DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE.
Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes.
MULTA DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INFORMAÇÃO INCORRETA PRESTADA PELA FONTE PAGADORA. JUROS DE MORA.
Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício
Nos casos de erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste, causado por informação incorreta que tenha sido prestada pela fonte pagadora, não cabe o lançamento de multa de ofício, mas apenas juros de mora sobre o imposto apurado. Entretanto, cabe ao Contribuinte a comprovação de que a Fonte Pagadora o informou incorretamente. Caso contrário, devida a multa de ofício, de 75%, conforme legislação (art. 44, inciso 1, da Lei 9.430/1996).
Numero da decisão: 2301-005.648
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora
Joao Bellini Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Juliana Marteli Fais Feriato - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza.
Nome do relator: JULIANA MARTELI FAIS FERIATO
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VALOR RECEBIDO INCONTROVERSO PELO CONTRIBUINTE. INDEFERIMENTO DO PEDIDO. Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. DECLARAÇÃO ANUAL DE AJUSTES. RESPONSABILIDADE PELO PREENCHIMENTO DO CONTRIBUINTE. Independente do fato de o Contribuinte ter utilizado documento errôneo fornecido pela Fonte Pagadora, é incumbência do Contribuinte o correto preenchimento da Declaração Anual de Ajustes. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INFORMAÇÃO INCORRETA PRESTADA PELA FONTE PAGADORA. JUROS DE MORA. 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(assinado digitalmente) Juliana Marteli Fais Feriato Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Mauricio Vital, Wesley Rocha, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado para completar a representação fazendária), Alexandre Evaristo Pinto, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada para substituir o conselheiro Antônio Sávio Nastureles, ausente justificadamente), Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Junior (Presidente). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Antônio Sávio Nastureles e Marcelo Freitas de Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fl. 33 e ss.) interposto em face da decisão da DRJ proferida pela 7ª Turma da DRJ/SP2, Acórdão 1736.887 de 03/12/2009 (fls. 23), que indeferiu a Impugnação e determinou a procedência do lançamento, cuja Ementa: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRRF Anocalendário: 2001 RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS OMITIDOS. TRATAMENTO FISCAL. Os rendimentos tributáveis comprovadamente omitidos na declaração de ajuste, detectados em procedimentos de oficio, serão adicionados à base de cálculo declarada para efeito de apuração do imposto devido. MULTA DE OFÍCIO. No que tange a aplicação de multa de 75%, prescrita no art. 44, inciso 1, da Lei 9.430/1996, é aplicável, sempre, nos lançamentos de ofício. Referida multa consiste em penalidade pecuniária aplicada em decorrência da infração cometida, no caso, omissão de rendimentos. JUROS DE MORA. Devidos os juros de mora calculados com base na taxa SELIC, incidentes sobre tributos e contribuições não pagos nos prazos Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10840.000598/200431 Acórdão n.º 2301005.648 S2C3T1 Fl. 75 3 previstos na legislação específica, na forma da legislação vigente. Impugnação improcedente Crédito Tributário Mantido Conforme consta do Auto de Infração de fl. 5 e ss., o Contribuinte foi condenado ao pagamento de crédito tributário na importância correspondente a R$ 31.530,64, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, sendo R$ 1.640,95 de IR a pagar declarado, R$ 14.202,08 referentes ao imposto suplementar, R$ 10.651,56 referentes à multa proporcional, e R$ 5.036,05 referentes a juros de mora, por ter omitido valores recebidos de Pessoa Jurídica. Nas fls. 8, verificase que o Rendimento recebido de Pessoa Jurídica declarado pelo Contribuinte em sua DAA era de R$284.845,85, sendo que a Autoridade Fiscal lançou de ofício após a revisão da declaração o valor de R$336.489,79, alterandose a base de cálculo e imputado os valores acima mencionados como imposto suplementar, multa de ofício e juros. O demonstrativo do cálculo está incluso nas fls. 9. Na Impugnação juntada nas fls. 2 e ss., o Contribuinte alega que cabe à fonte pagadora (Banco General Motor S/A) a imputação de erro formal em não incluir a totalidade dos valores devidos, para que o contribuinte tivesse as condições necessárias para preenchimento correto da sua DAA do período apurado, que levou à constatação de suposta omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica, não sendo devida sua cobrança, muito menos a cobrança da multa de ofício. A DAA do Contribuinte referente ao período apurado foi juntada nas fls. 15 e ss, a qual demonstra os valores recebidos pelo Contribuinte de rendimentos provenientes de Pessoa Jurídica. Nos termos da decisão da DRJ, fls. 24 e ss., a Autoridade Fiscal entendeu que, embora o Contribuinte alegue que os rendimentos discutidos são frutos de ação judicial (ação trabalhista), não é juntado com sua defesa qualquer documentação que comprove o alegado, que pudesse conferir se estão corretos os valores declarados pela fonte pagadora, tais como, petição inicial, decisão transitada em julgado, planilha de cálculo, recibo dos honorários advocatícios, entre outros. Por esta razão, entendeu a Autoridade fiscal pela presunção de que os valores declarados pela Fonte Pagadora se encontram corretos, sendo devido o lançamento. Ademais, a Autoridade Fiscal entendeu pelo indeferimento da alegação de que o erro foi causado pela informação errônea prestada pela Fonte Pagadora ao Contribuinte, visto que o tributo tem natureza objetiva e a responsabilidade pelo pagamento é sempre daquele que auferiu a renda, julgandose improcedente a Impugnação. Nas fls. 33 e ss., o Contribuinte junta seu Recurso Voluntário alegando: que elaborou seu Imposto de Renda do ano calendário de 2001 utilizando as informações prestadas pela Fonte Pagadora – BGM S/A – rendimentos provenientes de ação judicial (Ação Trabalhista, liquidada em 21/09/2001); que declarou o exato valor informado pela Fonte Pagadora; que agiu de boafé ao fazer isso, não tentou burlar a legislação ou se esquivar de pagar imposto de renda; que foi levado ao erro pela Fonte Pagadora; que a diferença dos valores (declarado e recebido) diz respeito à multa por litigância de máfé imposta à fonte pagadora pela demora na solução do processo, que a mesma não incluiu esse valor para o Fisco, o que levou, o Contribuinte, a crer na desnecessidade de declaração; requer a retirada da multa de 75% imposta, por restar evidente a inexistência de máfé, nos termos do artigo 44, Fl. 76DF CARF MF 4 inciso l, da Lei 9.430/1996 e no RESP 138.699/RS (que diz respeito à Multa Moratória e não Multa de Ofício). Com o Recurso, juntase documentos, os quais, importa destacar: · Fl. 38 juntase guia de retirada judicial 529/2001 que está ilegível; · Fl. 39, juntase prestação de contas individual referente ao processo trabalhista 688/1993, no qual verifica o valor líquido remanescente (R$271.184,76), valor de IRPF a ser deduzido (R$97.014,74), totalizando o valor bruto recebido de R$368.199,50; desconto de R$64.667,48 de Honorários Advocatícios a ser deduzido; R$784,77 de CPMF, recebendo o valor líquido de R$205.732,51. · Fl. 40 – Recibo emitido pelo Advogado afirmando que repassou ao cliente a quantia de R$205.732,51; · Fl. 41 e 42 – Recibo de pagamento de Honorários Advocatícios e CPMF; · Fl. 43 – Informe de Rendimentos elaborado pelo Banco Real ABN AMRO BANK, o qual demonstra que em 31/12/2001 o Contribuinte tinha R$207.283,19 na Real Faq Priority DI e R$239.688,02 na Real Faq Supremo DI, tendo um rendimento líquido em ambas no ano de R$14.445,67; · Fl. 48 – cópia do processo trabalhista, apenas referente ao cálculo de desconto fiscal para imposto de renda, que em 10/08/99 era de R$97.014,74; · Fls. 57 – prestação de contas do saldo remanescente recebido, no qual verifica o valor líquido remanescente (R$180.097,27), valor de IRPF a ser deduzido (R$37.428,68), totalizando o valor bruto recebido de R$368.199,50; desconto de R$44.832,13 de Honorários Advocatícios a ser deduzido; R$513,89 de CPMF;. · Fl.59 – Recibo de pagamento de Honorários Advocatícios no valor de R$44.832,13; · Fl. 60 – Recibo que o Advogado repassou ao Contribuinte o valor de R$135.235,14; · Fl. 69 – DARF paga em 18/04/2001 no valor de R$58.256,09; · Fl. 70 DARF paga em 18/04/2001 no valor de R$66.842,90, que tinha vencimento em 18/03/2000; Este é o relatório. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10840.000598/200431 Acórdão n.º 2301005.648 S2C3T1 Fl. 76 5 Voto Conselheira Relatora Juliana Marteli Fais Feriato Admissibilidade Conforme consta das fls. 31, o Contribuinte tomou ciência da decisão em 06/01/2010, apresentando Recurso Voluntário em 01/02/2010, nos termos das fls. 33. Portanto, tempestivo o Recurso, conheço do mesmo, passando à análise de seu mérito. Mérito Tratase de Recurso Voluntário do indeferimento da impugnação apresentada pelo Contribuinte referente à revisão do Imposto de Renda do mesmo, durante o período apurado, diante da omissão de recebimento de rendimentos de pessoa jurídica, que culminou no lançamento de crédito tributário correspondente a R$31.530,64, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2001, sendo R$ 1.640,95 Imposto de Renda a pagar declarado, R$ 14.202,08 referentes ao imposto suplementar, R$ 10.651,56 referentes à multa proporcional e R$ 5.036,05 referentes a juros de mora. Tanto na Impugnação, quanto que também, no Recurso Voluntário, o Contribuinte NÃO NEGA que recebeu tais valores declarados pela Fonte Pagadora no período apurado. Portanto, incontroverso os valores lançados pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração. Sua defesa consiste APENAS na alegação de que o equívoco foi provocado pela Fonte Pagadora, que lhe informou incorretamente os rendimentos recebidos no período apurado, no Informe de Rendimentos. Verificase nos autos pelos documentos Fls. 38 e ss., que o Contribuinte recebeu valores provenientes de uma Ação Trabalhista movida contra a Fonte Pagadora que teria causado todo o equívoco. Primeiramente, cumpre ressaltar o tipo da verba recebida com a rescisão. Pelo pouco que foi juntado da Ação Trabalhista, percebese que os valores recebidos são de verbas rescisórias e não indenizatórias, visto que houve, inclusive, o recolhimento de contribuição previdenciária ao INSS (fls. 65/66). Por esta razão, se foi recolhido contribuição previdenciária ao INSS não se trata de verba indenizatória, mas unicamente, rescisória e, portanto, necessário o recolhimento de imposto de renda. Posto isto, passase à análise da alegação do Contribuinte sobre sua boafé de que o erro foi provocado pela Fonte Pagadora, que lhe informou incorretamente os valores recebidos. Pois bem, o Imposto de Renda e sua Declaração são obrigações personalíssimas do Contribuinte, sendo sua responsabilidade única as informações prestadas quando do preenchimento de sua declaração anual de ajuste. Fl. 78DF CARF MF 6 Mesmo que o equívoco tenha sido causado, supostamente, pela Fonte Pagadora que lhe repassou os rendimentos encontrados pela Autoridade Fiscal, cabia ao Contribuinte a verificação da veracidade das informações prestadas pela Fonte Pagadora. Este Conselho não pode julgar questões subjetivas, como de quem foi a culpa pelo Contribuinte ter preenchido incorretamente sua declaração de ajuste. Imagine se todos os Contribuintes aleguem isso quando da não homologação do Imposto de Renda, imputando a culpa a outrem pela omissão de recebimento de rendimentos? Inviável. Por esta razão, a responsabilidade pelo preenchimento da DAA é do próprio Contribuinte. Se houve omissão, como de fato houve, visto que o Contribuinte não negou em nenhum momento que recebeu os valores lançados pela Autoridade Fiscal no Auto de Infração, necessária sua responsabilização. Tratase de Tributo com Natureza Objetiva, ou seja, ocorrendo o Fato Gerador, surgese a exigência do Tributo, sendo a responsabilidade pelo pagamento daquele que auferiu a renda declarada. O correto preenchimento da Declaração Anual de Ajuste é do Contribuinte, aquele que recebeu o rendimento. Veja que não se trata de informação errônea prestada pela Fonte Pagadora ao Fisco, mas sim, a fonte pagadora teria prestado informação errônea ao próprio Contribuinte, e este teria preenchido erroneamente a sua Declaração de Ajuste Anual errado, por conta desta informação errada prestada, muito embora não há na documentação juntada a comprovação de que a Fonte Pagadora de fato teria lhe prestado informação incorreta. Portanto, são devidos os impostos de renda a pagar declarado (R$1.640,95) e o suplementar (R$ 14.202,08), assim como os juros de mora, visto que tais valores foram auferidos pelo Contribuinte que não negou seu recebimento no Recurso Voluntário, estando incontroverso seu valor. Com relação à multa de ofício lançada, observase a Súmula 73 do CARF: Súmula CARF nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício Assim como entendeu a 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento deste Conselho no julgamento dos autos 11516.723129/201248no Acórdão 2202004.070 proferido em 06/07/2017, nos termos do Voto Vencedor do Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, no qual o Contribuinte foi induzido ao erro ao preencher sua Declaração Anual de Ajuste (DAA), utilizando informação incorreta fornecida pela Fonte Pagadora (Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina), razão pela qual a Multa de Ofício lançada foi retirada, cuja Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." (Súmula CARF nº 46) Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10840.000598/200431 Acórdão n.º 2301005.648 S2C3T1 Fl. 77 7 PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO.COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INFORMAÇÃO INCORRETA PRESTADA PELA FONTE PAGADORA. JUROS DE MORA. Nos casos de erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste, causado por informação incorreta que tenha sido prestada pela fonte pagadora, não cabe o lançamento de multa de ofício, mas apenas juros de mora sobre o imposto apurado. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RELATIVOS AO 13º SALÁRIO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. No regime de tributação exclusiva na fonte, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a obrigação tributária. A responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto Embora haja a previsão Sumular e Jurisprudencial deste Conselho para cancelamento da Multa de Ofício, observase que no presente caso resta inviável ser aplicada. Isto, pois, o Contribuinte alegou, mas não comprovou em nenhum momento qual teria sido o documento que supostamente continha informação errada que o mesmo teria utilizado para o preenchimento da sua Declaração Anual de Ajustes. Há nos autos prova de que os valores lançados pela Autoridade Fiscal são provenientes da Ação Trabalhista que o Contribuinte moveu em face da Fonte Pagadora, o qual contém expressamente todos os valores pagos ao Contribuinte por depósito judicial. Portanto, o Contribuinte, por ser autor da demanda, tinha a seu acesso todos os corretos valores depositados pela Fonte Pagadora na demanda, não havendo razão para a omissão constatada. Fl. 80DF CARF MF 8 Se o equívoco foi provocado por documentação errônea fornecida pela Fonte Pagadora ao Contribuinte, necessário que o Contribuinte demonstrasse qual documento que trazia o erro. Diante da sua omissão e não constatado o erro que o teria levado ao preenchimento incorreto da DAA, devese manter hígida a cobrança da multa de ofício lançada. A alegação da boafé do Contribuinte em nada viabiliza a redução da multa de ofício, visto que essa é lançada sempre que constatada a infração tributária. Portanto, voto por conhecer e negar provimento. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGAR PROVIMENTO. É como voto. Juliana Marteli Fais Feriato – Relatora. (assinado digitalmente) Fl. 81DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.901233/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.469
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a autoridade fiscal de origem verifique se os documentos apresentados no Recurso Voluntário são suficientes para confirmar a retificação da DCTF, a validade dos créditos pleiteados e o seu montante, intimando-se, se for o caso, o contribuinte para complementar a documentação.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Renato Vieira de Ávila (suplente convocado em substituição à conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz). Ausente, justificadamente, a conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 53 74 .9 01 23 3/ 20 08 -1 6 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 15374.901233/200816 Resolução nº 3402001.469 S3C4T2 Fl. 189 2 Relatório Trata o presente processo de compensação declarada no PER/DCOMP n°13956.20030.300104.1.3.040163, transmitido em 30/01/2004, de crédito referente a valor que teria sido recolhido a maior ou indevidamente, em 14/03/2003, a título de Cofins, atinente ao período de apuração 02/2003, no valor de R$ 262.448,97, com débito de IRPJ, referente ao período de apuração 4º trimestre/2003, no valor de R$ 24.926,55. A DEINF/Rio de Janeiro (fls. 7) proferiu Despacho Decisório (Rastreamento nº 757786827), negando homologação ao pedido de compensação, por considerar que o valor do crédito original na data de transmissão informado foi utilizado integralmente para quitação de débitos do contribuinte, não restando saLdo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada da decisão, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 90 a 103), arguindo que: i) A compensação foi efetuada sem que tivesse sido realizada a retificação da DCTF do P trimestre de 2003, relativamente ao crédito original da PER/DCOMP em questão; ii) A DCTF foi devidamente retificada, conforme demonstrado no Anexo III, comprovando a existência do crédito e, por conseguinte, sua correta utilização, à época, para compensação dos débitos. iii) Ao final requer seja homologada a compensação uma vez que os débitos Às fls. 63 66 foi proferido o acórdão nº 1336.354 pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (DRJ/RJ), julgando improcedente a Manifestação de Inconformidade e não reconhecendo o direito creditório da Contribuinte por concluir pela falta de comprovação do direito creditório alegado pela Contribuinte. O Acórdão recorrido foi proferido por unanimidade nos termos do voto do Relator com a seguinte Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/02/2003 a 28/02/2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A Contribuinte interpôs Recurso Voluntário de fls. 90 103, pedindo pelo provimento do recurso para que seja homologada a compensação e extinto o crédito tributário nos termos do artigo 156, inciso II do Código Tributário Nacional. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 15374.901233/200816 Resolução nº 3402001.469 S3C4T2 Fl. 190 3 Às fls. 158 a 181, foram anexados com o Recurso Voluntário documentos comprobatórios do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheira Cynthia Elena de Campos, Reltora Pressupostos legais de admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Da necessidade de diligência para julgamento do litígio A Recorrente prestou as seguintes informações em PER/DCOMP n° 13956.20030.300104.1.3.040163, transmitido em 30/01/2004: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 15374.901233/200816 Resolução nº 3402001.469 S3C4T2 Fl. 191 4 A decisão recorrida observou que o Despacho Decisório impugnado não homologou a compensação declarada em razão da inexistência do crédito informado, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo já ter sido integralmente utilizado para guitar outros débitos da Contribuinte, a saber o próprio débito de Cofins do período de apuração 02/2003. Inicialmente impera observar que a retificação da DCTF depois de o contribuinte ter sido intimado do despacho decisório é possível, conforme Parecer Normativo COSIT nº 02/15, cuja Ementa abaixo se transcreve: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO.RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário.Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010.Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo.O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 15374.901233/200816 Resolução nº 3402001.469 S3C4T2 Fl. 192 5 conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP.A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios.O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996.Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53.Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014.eprocesso 11170.720001/201442 Os documentos comprobatórios do direito creditório invocado pela Contribuinte foram apresentados com o Recurso Voluntário. Outrossim, da análise dos autos é possível verificar que a Contribuinte não foi intimada pela unidade preparadora para prestar informações jurídicas acerca do crédito requisitado, restringindo o despacho decisório a mencionar que foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Para que seja possível apreciar o alegado direito creditório, fazse necessário buscar a Verdade Material sobre o objeto do litígio, apurando a legitimidade do crédito discriminado no PER/DCOMP, bem como a documentação apresentada, analisando a suficiência de crédito disponível para compensação com os débitos igualmente informados. Para tanto, com fulcro no artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, proponho a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade fiscal da Unidade de Origem Fl. 192DF CARF MF Processo nº 15374.901233/200816 Resolução nº 3402001.469 S3C4T2 Fl. 193 6 verifique se os documentos apresentados no Recurso Voluntário são suficientes para confirmar a retificação da DCTF, a validade dos créditos pleiteados e o seu montante, intimando, se for o caso, para que a Recorrente apresente documentos complementares necessários. Do resultado da exame, solicito que seja elaborado parecer conclusivo. Da conclusão da diligência deve ser dada ciência à Contribuinte e à Fazenda Nacional para, querendo, apresentem manifestação sobre o feito no prazo de 30 (trinta) dias. Após a providência acima, retorne os autos a este Colegiado para julgamento. É a resolução. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 193DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14489.000584/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2006
CORREÇÃO PARCIAL. AGRAVANTES. IMPOSSIBILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA ATENUADA DE OFICIO.
A correção parcial da falta em determinada competência não propicia a relevação da multa aplicada. A ocorrência de circunstâncias agravantes impede a relevação da multa aplicada.
RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA.
O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando-se a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009.
Numero da decisão: 2402-006.688
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente)
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2006 CORREÇÃO PARCIAL. AGRAVANTES. IMPOSSIBILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA ATENUADA DE OFICIO. A correção parcial da falta em determinada competência não propicia a relevação da multa aplicada. A ocorrência de circunstâncias agravantes impede a relevação da multa aplicada. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparando-se a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente)
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/08/2000 a 31/03/2006 CORREÇÃO PARCIAL. AGRAVANTES. IMPOSSIBILIDADE DA RELEVAÇÃO DA MULTA ATENUADA DE OFICIO. A correção parcial da falta em determinada competência não propicia a relevação da multa aplicada. A ocorrência de circunstâncias agravantes impede a relevação da multa aplicada. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei n° 11.941/2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 48 9. 00 05 84 /2 00 8- 58 Fl. 5013DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.960 2 Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Junior e Mario Pereira de Pinho Filho (Presidente) Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 4.936 usque 4.944, tomado contra Acórdão de fls. 4.922 usque 4.930, emanado da 10ª Turma de Julgamento da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento, mantendoo no valor de R$ 547.949,82, respeitada a legislação quanto à retroatividade benigna. O relatório da r. decisão recorrida, por bem delinear a cadeia de acontecimentos processuais ocorridos anteriormente à interposição do apelo, merece ser transcrito. Confirase: DA AUTUAÇÃO Tratase de Auto de Infração (AI n° 37.134.0373, CFL 68), lavrado contra a empresa acima identificada, em 31/10/2007, no montante de R$ 944.213,53. 2. Conforme Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 92/93), a interessada não informou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, os fatos geradores das contribuições previdenciárias referente a remuneração paga a segurados contribuintes individuais e valores pagos a cooperativas de trabalho (Planilhas fls. 96/451), nas competências de 08/2000 a 03/2006; 19 2.1. desta forma, a interessada infringiu o artigo 32, inciso IV e § 5% da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4% do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.04811999; 2.2. a multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, § 5 0, da Lei n° 8.212/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (Redação alterada pelo Decreto n° 4.729/2003) e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela PT/GM/MP n° 142 de 11/04/2007; 2.3. constatouse a existência de auto de infração lavrado contra o contribuinte em fiscalização anterior, caracterizando a circunstancia agravante de reincidência, porém, a ocorrência de agravantes não produz efeitos no valor da multa. Não foram configuradas as demais circunstancias agravantes previstas no artigo 290, do mesmo RPS, e; 2.4. no curso da auditoria fiscal a empresa elaborou GFIP informando as remunerações de contribuintes individuais e de valores pagos a cooperativas de trabalho, • corrigindo parte das Fl. 5014DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.961 3 omissões e fazendo jus à atenuação nos termos do art. 291 c/c artigo 292, V do RPS. DAIMPUGNAÇÃO 3. A interessada interpôs impugnação às fls. 464/478, juntando os documentos de fls. 480/4.831, trazendo as seguintes alegações, em síntese: 3.1. a tempestividade da impugnação; 3.2. que a aplicação de multa sobre supostos créditos tributários relativos ao período de agosto de 2000 a setembro de 2002 encontramse extintos pela decadência do direito de lançar, nos termos do artigo 150, § 4 0, combinado com o artigo 156, V, ambos do Código Tributário Nacional; 3.3. que em relação ao remanescente, corrigiu a falta originária dentro do prazo legal, é primária, e não incorreu nenhuma circunstancia agravante, requerendo seja relevada ou, ao menos, atenuada em 50%, nos termos do artigo 291, § 1% c/c artigo 292, inciso V do Decreto n° 3.048/99, a multa referente à parcela considerada incontroversa; 3.4. não houve falta de recolhimento de crédito tributário, tão somente não foi informado na GFIP's os valores que foram recolhidos, sendo absolutamente desproporcional e desarrazoado aplicar multa no excessivo e confiscatório percentual de 100% sobre o tributo (recolhido); 3.5. não sendo acolhidas suas alegações, o que se admite apenas para argumentar, se faz necessário reduzir a penalidade aplicada, tendo em vista a sua evidente afronta ao princípio da razoabilidade/proporcionalidade, eis que a multa aplicada, possui claramente caráter confiscatório; 3.6. ao final, requer, seja o presente auto de infração julgado improcedente • relativamente ao período de agosto de 2000 a setembro de 2002, eis que atingido pela decadência, e quanto aos valores não atingidos pela decadência, seja relevada ou, ao menos, atenuada em 50% a multa aplicada. Em seu recurso, desde logo, reitera o recorrente a sua concordância com 50% do valor não atingido pela decadência, já parcialmente declarada na decisão recorrida. Ainda de início, também requer que, por ter corrigido a falta originária da cobrança, ser primária e por não ter ocorrido qualquer circunstância agravante, a multa considerada incontroversa seja relevada ou atenuada em 50%, na forma do art. 291, §1º, c/c art. 292, inciso V do Decreto nº 3.048/99. Em seguida, argui afronta aos princípios da razoabilidade e proporcionalidade, uma vez que a multa teria, a seu ver, ultrapassados os limites de tais cânones do direito e caráter confiscatório. Fl. 5015DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.962 4 Em defesa de suas tese, colaciona diversas doutrinadores, dos quais montam o ministro Luis Roberto Barroso, Zanella de Pietro e o sempre mestre Celso Antônio Bandeira de Mello. Aponta, dessa forma, que a manutenção da multa conforme lançada, distanciase dos padrões legais e do que considerado coerente. Nesse sentido, diz: "Assim, a Administração Pública deve observância do critério de adequação entre os meios e fins, cerne da razoabilidade, e veda imposição de obrigações, restrições e sanções em medida superior àquelas estritamente necessárias ao atendimento do interesse público, o que de fato ocorreu no caso em tela." E acrescenta: "Ademais, a multa aplicada em casos tais como o presente possui claramente caráter confiscatório, devendo, portanto, nos casos em que a multa for cabível e já se viu à saciedade que não é a hipótese vertente ser reduzida..." Acrescenta julgados do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Por derradeiro, fia que, se superada a ocorrência de decadência do direito de lançar, restaria clara a necessidade de relevar a multa aplicada. Quer, portanto, seja o recurso julgado totalmente procedente para que seja relevada a multa ou, alternativamente, seja atenuada em 50%, na forma requerida. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE. O recurso Voluntário é tempestivo, atendendo aos demais requisitos legais e merece conhecimento. 2. MÉRITO. Tratase de Recurso Voluntário manejado contra decisão que julgou impugnação da Recorrente no sentido de manter parcialmente o crédito tributário no valor de R$ 547.949,82, respeitada a legislação de regência no que tange à retroatividade benigna, retificando a multa aplicada, excluindose o valor da penalidade correspondente ao período decadente, a fim de se adequar à Súmula Vinculante n° 08 do STF. O Auto de Infração em foco foi o AI n° 37.134.0373, CFL 68, lavrado contra a empresa acima identificada, em 31/10/2007, no montante original de R$ 944.213,53. Fl. 5016DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.963 5 Conforme Relatório Fiscal da Infração e Relatório Fiscal da Aplicação da Multa (fls. 92/93), a interessada não informou nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social GFIP, os fatos geradores das contribuições previdenciárias referente a remuneração paga a segurados contribuintes individuais e valores pagos a cooperativas de trabalho (Planilhas fls. 96/451), nas competências de 08/2000 a 03/2006; Desta forma, a interessada, segundo o Agente Fiscal, infringiu o artigo 32, inciso IV e § 5% da Lei 8.212/1991, combinado com o artigo 225, inciso IV e § 4% do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.04811999 e a multa aplicada foi apurada conforme previsto nos artigos 32, § 5º, da Lei n° 8.212/1991, acrescentados pela Lei n° 9.528/1997, combinado com os artigos 284, inciso II (Redação alterada pelo Decreto n° 4.729/2003) e 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, atualizada pela PT/GM/MP n° 142 de 11/04/2007; Foi tomando como circunstancia agravante a existência de auto de infração lavrado contra o contribuinte em fiscalização anterior, porém, a ocorrência de agravantes não produz efeitos no valor da multa. Não foram configuradas as demais circunstancias agravantes previstas no artigo 290, do mesmo RPS. Registrase que no curso da auditoria fiscal a empresa elaborou GFIP informando as remunerações de contribuintes individuais e de valores pagos a cooperativas de trabalho, corrigindo parte das omissões e fazendo jus à atenuação nos termos do art. 291 c/c artigo 292, V do RPS. Feito este breve resgate os antecedentes do presente processo passamos ao julgamento. Analisando a impugnação e o Recurso Voluntário, verificamos que as temáticas em julgamento estão pautadas nas mesmas bases, não vislumbrando qualquer inovação ou elemento probatório que conduza a resultado diversos do obtido através do Acórdão recorrido. Assim, voto por manter a decisão recorrida como proferida e, como fundamento do presente voto, adoto seus termos nos pontos recorridos. "14. Em sua impugnação, a interessada requer, dentre outros, a relevação da multa aplicada por ter corrigido a falta imputada, ser primária e inexistirem circunstancias agravantes. 15. Reportandome ao Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999, temos no artigo 291, vigente à época da lavratura, temos que: "Art. 291. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007) §14 A multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja infrator primário Fl. 5017DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.964 6 e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agra ante. (Redação dada pelo Decreto n° 6.032, de 2007). " 16. Do cotejo entre o demonstrativo do relatório da multa aplicada (fls.94/95) e os dados constantes das GFIP apresentadas (fls. 495/4792, verificase que não foram corrigidas integralmente as omissões que deram causa à presente autuação, eis que os segurados contribuintes individuais relacionados nas planilhas de fls. 96/133 não foram incluídos nas GFIP. 17. O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999 assim prevê em seu art. 293: "Art. 293. Constatada a ocorrência de infração a dispositivo deste Regulamento, será lavrado autodeinfração com discriminação clara e precisa da infração e das circunstâncias em que foi praticada, contendo o dispositivo legal infringido, a penalidade aplicada e os critérios de gradação, e indicando local, dia e hora • de sua lavratura, observadas as normas fixadas pelos órgãos competentes. " (Redação alterada pelo Decreto n°6.1031, de 30104107)(g. ri) 18. Outrossim, a Instrução Normativa/SRP no 003/2005 (Redação dada pela IN/SRP n° 23, de 30/04/2007) nos seus artigos 647 e 656, estabelecem os critérios para aplicação da atenuação/relevação pela autoridade julgadora: Art. 647. Nas situações abaixo, cada competência em que seja constatado o descumprimento da obrigação, independentemente do número de documentos não entregues na competência, é considerada como uma ocorrência: III GFIP ou GRFP entregue com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições sociais. Parágrafo único. A GFIP tratada nos incisos II e III do caput deve ser considerada como um documento único, independentemente da quantidade de documentos entregues nos termos do Manual da GFIP, e ainda que se refiram a estabelecimentos distintos, sendo que: Art. 656. Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação do Autode Infração. ~1VR dada pela IN n'13, de 30.04.0) Fl. 5018DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.965 7 §4° Para fins de atenuação ou relevação da penalidade pecuniária, considerase cada ocorrência, conforme descrito nos arts. 646 a 648, uma falta. 19. Portanto, verificandose que não foi efetuada a correção da falta, fica impossibilitada a relevação, nos termos do art. 656, da mesma IN, in verbis: art. 656 ................................................................................... §5º A relevação ou a atenuação de que tratam os § § 1º e 2° será aplicada sobre o valor da multa correspondente a cada ocorrência para a qual houve correção da falta. 20. Assim, não foram atendidas todas as prescrições legais para atenuação/relevação da multa, ademais, consoante o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, a impugnante incorreu na circunstancia agravante da reincidência genérica (Auto de Infração n° 37.056.7943, baixado por pagamento em 2010312007, doe. fls. 453), fato que impede a relevação da multa aplicada, mesmo que se tivesse corrigido integralmente a infração cometida no prazo de impugnação. 21. Quanto à alegação de que a multa aplicada fere os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, cabe ressaltar que o único norte que deve permear a ação do servidor público, mormente do servidor fiscal, é a lei, seja no seu sentido estrito ou no seu sentido lato. O ato de lançamento é vinculado a teor do Art. 142 do Código Tributário Nacional e este foi cumprido, a partir do momento em que foram observados os requisitos do artigo 293 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/1999. 22. Ainda no que tange às alegações de que a multa é confiscatória, cumpre esclarecer que ao contrário do que entende o contribuinte, no âmbito do procedimento administrativo tributário cabe exclusivamente verificar se o ato praticado pelo agente do Fisco está, ou não, conforme a legislação, sem emitir juízo da legalidade ou constitucionalidade das normas jurídicas que embasam aquele ato. Nesse aspecto, a jurisprudência administrativa tem o entendimento de que o controle da constitucionalidade das leis é de competência exclusiva do Poder Judiciário e, no sistema difuso, centrado em última instancia revisional no Supremo Tribunal Federal — art. 102, inciso I, alínea "a", e inciso III, da Constituição Federal. Fl. 5019DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.966 8 23. Ao agente julgador cabe apreciar a legalidade e legitimidade do ato administrativo de lançamento. Está fora da sua esfera de atribuições a análise da constitucionalidade da exigência, o que resultaria em afronta aos Artigos 102, I, a; 106 e 108, I da Constituição Federal. Seria usurpação de função. A esfera administrativa não é o foro adequado para esta discussão. Da nova sistemática na aplicação da multa: 24. Cumprenos ainda esclarecer que foi publicado no DOU de 04.12.2008 a Medida Provisória n° 449, de 03 de dezembro de 2008, convertida na Lei n° 11.941, de 27/05/2009, a qual, entre outras providências, altera a Lei n° 8.212/1991, promovendo substanciais alterações no cálculo e aplicação da multa para o fundamento legal da infração objeto deste lançamento. 25. No regime anterior à edição da MP 449/2008, quando a infração cometida pelo contribuinte era composta de não declaração em GFIP somada ao não recolhimento das contribuições não declaradas, existiam duas punições a saber: 25.1. uma pela não declaração, que ensejava auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5°, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n° 9.528/1997 e; 25.2. outra consistindo em multa pelo não cumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei n° 8.212/1991 com a redação da Lei n° 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. 26. No regime estabelecido pela MP 449/2008, esta mesma infração ficou sujeita à multa de oficio prevista no artigo 44, da Lei n° 9.430/1996, na redação dada pela Lei n° 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantan o 0 quantum não recolhido com a devida multa) passou a ser abordada através de um único dispositivo, que remete a aplicação da multa de oficio. 27. Como se observa, a multa prevista no art. 44, inciso I, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem haver como mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Fl. 5020DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.967 9 28. Sendo assim, as duas infrações, relativamente à obrigação principal e obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a incidência de apenas uma multa (de oficio), no montante de 75% do tributo não recolhido, a teor do art. 44, I, de Lei n° 9.430, de 1996. 29. Desse modo, entendemos a necessidade de haver um cotejo entre os valores da multa aplicada no presente Auto de Infração de Obrigação Acessória, com a multa • aplicada na NFLD n° 37.093.6892, para a aplicação da multa nos moldes do art. 44, I, da Lei n° 9.430/1996. 30. Ocorre, contudo, que as multas, de acordo com a legislação anterior, são definidas conforme a fase processual do lançamento tributário em que o pagamento é realizado. Dessa forma, somente no momento do pagamento é que a multa mais benéfica pode ser quantificada. Assim, durante a fase do contencioso administrativo, de primeira instância, não há como se determinar a multa mais benéfica, haja vista que o pagamento dos AI acima citados, ainda não foi postulado pelo contribuinte, de acordo com o artigo 35 da Lei n° 8.212/1991, na redação anterior à MP 449/2008, que estabelece que as multas de mora valem para o momento do pagamento, impedindo que a comparação seja realizada antes desse fato. 31. Em face do acima exposto, apesar de estar correto o procedimento adotado pelo auditor fiscal em proceder ao lançamento, tendo por base o normativo vigente à época da lavratura do presente AI, entendemos que a comparação das multas para verificação e aplicação da mais benéfica para o contribuinte, nos termos do artigo 106 do CTN, só poderá se operacionalizar quando o contribuinte manifestar sua intenção de liquidar o crédito, devendo ser considerado todos os processos conexos, na comparação das multas. 32. Outrossim, no caso de inexistência de lançamento de oficio, seja por recolhimento das contribuições devidas, seja por extinção do crédito tributário, pela decadência, a multa pelo descumprimento da obrigação acessória se dá de forma isolada, nos termos do artigo 32A, da Lei n° 8.212/1991. Portanto, para o período de 1212001 a 0812002, considerado DECADENTE na NFLD n° 37.093.689 2, a multa será calculada acrescentandose R$ 20,00 por grupo de dez informações erradas ou omitidas na GFIP, tendo por limite mínimo, por competência, o valor de R$ 500,00. Fl. 5021DF CARF MF Processo nº 14489.000584/200858 Acórdão n.º 2402006.688 S2C4T2 Fl. 4.968 10 33. De acordo com os itens 09 a 13 acima, após exclusão do período considerado decadente, no presente auto de infração, 0 /2000 a 11/2001, o valor da presente autuação passa de R$ 944.213,53 para R$ 547.949,82." Por tudo que consta na transcrição entendemos que a decisão recorrida não merece reparo. Conclusão Pelo exposto, voto no sentido de conhecer do Recurso Voluntário para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 5022DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15983.000132/2005-13
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2000, 2001
PENSÃO ALIMENTÍCIA. DEDUÇÃO.
Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 2002-000.516
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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DEDUÇÃO. Somente pode ser deduzida na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte a pensão alimentícia decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente, desde que seu pagamento esteja comprovado mediante documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 3. 00 01 32 /2 00 5- 13 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15983.000132/200513 Acórdão n.º 2002000.516 S2C0T2 Fl. 179 2 Tratase de Auto de Infração (efls. 06/10) lavrado em nome do sujeito passivo acima identificado, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF dos anos calendário 2000 e 2001, onde se apurou: Dedução Indevida de Pensão Judicial. O contribuinte apresentou impugnação (efls. 84/86), cujas alegações foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido (efls. 106): * que, em momento algum, negligenciou ou procrastinou o procedimento fiscal, tendo diligenciado para obter o documento comprobatório da pensão judicial; * somente em 17/10/2005 é que os autos estavam disponíveis para que fossem extraídas cópias; Ao final, requer o cancelamento da autuação, já que os documentos solicitados anexados.estariam O lançamento foi julgado procedente pela 8ª Turma da DRJ/SPOII conforme decisão assim ementada (efls. 105/108): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA A FÍSICAIRPF Anocalendário: 2000, 2001 PENSÃO ALIMENTÍCIA. COMPROVAÇÃO. Nos termos do inciso II do artigo 10 da Lei n° 8.383/91, inciso II do artigo 4° da Lei n° 9.250/95, e do artigo 78 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3.000 de 1999, somente é dedutível da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Física a pensão paga em decorrência de acordo ou decisão judicial. Cientificado da decisão de piso em 17/11/2008 (efls. 112), o contribuinte ingressou com recurso voluntário em 26/11/2008 (efls. 113/115) com os argumentos a seguir sintetizados: Expõe que atendeu estritamente os ditames da Lei, deduzindo de seus rendimentos os valores de pensão alimentícia que foram pagos a sua exesposa, Salime Feres Machado, correspondentes a 1/3 de seus vencimentos, conforme ficou convencionado na petição da separação consensual homologada judicialmente. Alega que, conforme decisão judicial, se comprometeu a contribuir mensalmente para manutenção de seus filhos com 1/3 de seus vencimentos líquidos, logo, ainda que um atingisse a maioridade, os remanescentes fariam jus a 1/3 dos rendimentos. Indica a juntada dos recibos dos pagamentos de pensão alimentícia feitos diretamente a sua exesposa nos anos calendário 2000 e 2001 e afirma que o filho Heber Feres Machado ainda não tinha atingido a maioridade à época. Sustenta que, conforme constou de seu pedido de separação consensual, se comprometeu a pagar a titulo de pensão alimentícia 1/3 de seus vencimentos líquidos, oficiando a Fazenda Estadual para que fosse descontado em folha de pagamento, o que vinha Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15983.000132/200513 Acórdão n.º 2002000.516 S2C0T2 Fl. 180 3 sendo feito normalmente enquanto era funcionário Público. No entanto, explica que a partir dos anos calendário 2000 e 2001 passou a ser funcionário de empresa privada e o pagamento passou a ser feito não mais através de desconto em folha, mas diretamente à Sra. Salime Peres Machado. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O recurso é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. No que concerne à dedução de pensão alimentícia, extraise do art. 78 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99, que o valor pago pelo contribuinte a esse título somente pode ser deduzido em sua Declaração de Ajuste Anual se for decorrente de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente e se estiver devidamente comprovado mediante documentação hábil e idônea. As pensões pagas por liberalidade não são dedutíveis por falta de previsão legal. No caso em exame a decisão de piso manteve a glosa de pensão alimentícia efetuada no lançamento conforme excertos a seguir reproduzido (efls. 108): A despeito de não ter obtido o documento durante o procedimento fiscal, o autuado realmente anexou às fls. 82/87 os documentos comprobatórios da existência de decisão judicial determinando a consignação/desconto em folha de pagamento de pensão alimentícia dos três filhos do casal. Notese, todavia, não se sabe se o pagamento continua a ser feito. Notese que a decisão é de I989 e passados mais de 10 anos da determinação do aludido pagamento não se sabe se a decisão vinha sendo cumprida, até porque os filhos podem nem mais ter direito à pensão, em função da idade. Ademais, o contribuinte não comprovou o efetivo pagamento da pensão. Vale dizer, não basta comprovar que há o dever judicialmente determinado, devem ser apresentadas provas de que houve tais despesas. Militam em seu desfavor os documentos de fls. 39 e 51, quais sejam, os comprovantes de rendimentos pagos e de retenção de imposto de renda na fonte, emitidos pela sua fonte pagadora (INSS), vez que, descumprindo o quanto determinado na decisão judicial. não há pensão alimentícia consignada/retida em folha de pagamento (campo 04). Com efeito, extraise da Separação Consensual homologada em 1989 (efls. 89/94) que o recorrente estava obrigado ao pagamento de pensão alimentícia correspondente a 1/3 de seus rendimentos líquidos em favor de seus 3 filhos. Conforme acordado entre as partes, Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15983.000132/200513 Acórdão n.º 2002000.516 S2C0T2 Fl. 181 4 a importância deveria ser descontada na folha de pagamento e depositada na conta bancária da requerente. Do exame da certidão emitida pelo Poder Judiciário em 2005 (efls. 96) verificase que houve a distribuição de uma ação de Conversão de Separação em Divórcio em julho de 1995 e o arquivamento do processo em novembro de 1995. No entanto, não foram juntadas aos autos as peças processuais referentes a esta ação, não sendo possível afirmar que até o arquivamento do processo nenhuma alteração foi realizada no acordo firmado em 1989. Concluise, portanto, que os documentos acostados pelo recorrente não são suficientes para demonstrar, de maneira inequívoca, que a obrigação de pagar pensão alimentícia ainda existia nos anos calendário 2000 e 2001 e em que termos ela estaria estabelecida, haja vista a maioridade dos filhos e a possibilidade de revisão do acordo. Quanto à comprovação dos pagamentos, entendo que os recibos juntados ao recurso não se mostram hábeis para a finalidade pretendida. A Separação Consensual determina a retenção e depósito da pensão pela fonte pagadora (efls. 90), o que não se observa nos comprovantes de rendimento anexados aos autos (efls. 43/45 e 56/57). Se nos anos calendário em exame não mais persistia essa situação, conforme alega o recorrente, caberia a este trazer elementos de prova que indicassem essa alteração no processo judicial ou a comprovação do efetivo pagamento dos valores acordados através do depósito direto na conta bancária indicada no acordo original. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 181DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.724006/2016-82
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015
MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS
O prazo para apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação efetuada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade além desse prazo.
Numero da decisão: 2402-006.690
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS O prazo para apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação efetuada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade além desse prazo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2015 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. APRESENTAÇÃO. PRAZO CONTÍNUO. TRINTA DIAS O prazo para apresentação de manifestação de inconformidade contra a decisão que não homologou a compensação efetuada em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) é contínuo e de trinta dias da ciência da decisão, restando intempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade além desse prazo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Gregório Rechmann Júnior, Jamed Abdul Nasser Feitoza, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luís Henrique Dias Lima, Mário Pereira de Pinho Filho, Maurício Nogueira Righetti e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 72 40 06 /2 01 6- 82 Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10320.724006/201682 Acórdão n.º 2402006.690 S2C4T2 Fl. 387 2 Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a decisão de primeira instância, reproduzo o relatório constante do Acórdão nº 0274.641, da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) em Belo Horizonte/MG, fls. 350 a 354: Tratase de crédito tributário decorrente de glosa de compensações efetuadas pelo contribuinte acima identificado, através de GFIP no período de 01/2013 a 13/2015. As referidas compensações foram consideradas indevidas em procedimento de auditoria fiscal, pois não ficou demonstrada a certeza e liquidez dos créditos utilizados para abater das contribuições previdenciárias declaradas devidas nessas GFIP. O Despacho Decisório de não homologação das compensações efetuadas (fls. 9/22) foi recebido pelo contribuinte em 21/10/2016, conforme AR de fl. 25. Em 18/11/2016, o contribuinte apresentou a petição de fl. 28, na qual solicita a prorrogação do prazo para apresentação de documentação por 30 dias, por motivo de doença do seu contador responsável. À fl. 68, consta comunicação encaminhada ao contribuinte em resposta à sua petição de fl. 28 (recebida em 25/11/2106, conforme AR de fl. 70), trazendo, em síntese, o seguinte: Informamos que a Preliminar de Tempestividade entregue em 18/11/2016, anexa ao processo 10320.724006/201682 não suspende o débito. Conforme a SCI Nº 16/2014/COSIT, a preliminar de tempestividade deve ser apresentada como parte da Manifestação de Inconformidade que será encaminhada DRJCE. Em 10/02/2017, apresentou petição (fl. 74), através da qual encaminha "os relatórios que deram origem a compensação dos débitos registrados nas GFIPs no período de 2013 a 2015" (fls. 75/317). Em 29/03/2017, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 321/327) contra o Despacho Decisório de fls. 9/22. Em 05/04/2017, apresentou requerimento (fls. 335/339) solicitando a nulidade da ciência do Despacho Decisório (fls. 9/22), alegando que consta do AR de fl. 25 a data de 21/09/2016 como data de recebimento, e o referido Despacho Decisório foi prolatado em 28/09/2016. Foi juntado às fl. 341/342, despacho emitido pela DRF São Luis/MA, do qual o contribuinte foi cientificado pessoalmente em 07/04/2017, conforme termo de ciência à fl. 345. No referido despacho consta, em síntese: Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10320.724006/201682 Acórdão n.º 2402006.690 S2C4T2 Fl. 388 3 • Destaca que "houve erro no momento do preenchimento da data de recebimento do AR (fl. 25), foi aposta a data de 21/SET/2016, sendo que consta do carimbo dos Correios 21/OUT/2016". • Acrescenta ainda que, há nos autos Cópia do Despacho Decisório com ciência pessoal de representante da empresa em 20/10/2016, data em que foi considerada efetuada a ciência. • Afirma que em 18/11/2016, tempestivamente, foi apresentada petição com solicitação de prorrogação de prazo para apresentação de documentos. • Assevera que em 29/03/2016, o contribuinte apresentou nova petição, denominada Manifestação de Inconformidade em que discute o mérito da decisão e alega tempestividade como preliminar. Ao julgar a manifestação de inconformidade, a 6ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte/MG, por unanimidade de votos, concluiu por não conhecêla, conforme dispositivo do Acórdão nº 0274.641, a seguir transcrito: Acordam os membros da 6ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, não conhecer da manifestação de inconformidade e manter o crédito, nos termos do relatório e do voto que passam a integrar o presente julgado Para maior clareza quanto à decisão a quo, transcrevemos, também, a ementa consignada no referido acordão: PRORROGAÇÃO DE PRAZO PARA IMPUGNAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. A impugnação, formalizada por escrito, deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência, não existindo previsão legal para a sua prorrogação. PRELIMINAR DE TEMPESTIVIDADE. Comprovado nos autos que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, rejeitase a preliminar de tempestividade suscitada, ficando prejudicada a apreciação do mérito. Cientificada da decisão, em 20/9/17, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 368, a contribuinte, por meio de seu advogado (procuração de fl. 327) apresentou o recurso voluntário de fls. 371 a 383, em 13/10/17, no qual, entre outras alegações, contesta o não conhecimento da sua manifestação de inconformidade pelo órgão julgador de primeiro grau, nos seguintes termos: Quando da prolação do Despacho Decisório nº 293/2016DRFB, Vossa Senhoria entendeu pela NÃO HOMOLOGAÇÃO das Compensações Declaradas nas GFIP, considerando a ausência Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10320.724006/201682 Acórdão n.º 2402006.690 S2C4T2 Fl. 389 4 de manifestação do contribuinterecorrente para demonstrar/detalhar a origem dos créditos utilizados nas aludidas compensações. Ocorre que a não manifestação do contribuinte na ocasião deveuse ao fato de que o Sr. José de Ribamar Ribeiro, contador responsável pelo Departamento de Contabilidade da empresa e devidamente cadastrado junto ao Sistema da Receita Federal como representante, foi acometido por grave enfermidade, que culminou na sua internação no hospital UDI – São Luís/MA, ficando afastado das suas atividades laborais e, consequentemente, impedido de atender a solicitação de Vossa Senhoria e prestar as devidas informações sobre tais créditos. À vista disso, em 18.11.2016, o Sr. José de Ribamar Ribeiro, visando a apresentação tempestiva da sua manifestação de inconformidade, protocolou junto à Receita Federal preliminar de tempestividade, solicitando previamente a esta Unidade, a prorrogação do prazo para apresentação de toda a documentação necessária à comprovação da origem dos créditos compensados. Simultaneamente, seguindo as orientações dos servidores desta Unidade, encaminhou, de imediato, a referida documentação probatória à Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Fortaleza/CE. No entanto, a Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, através do Comunicado nº 70/2016, indeferiu o pleito do requerente, aduzindo que a preliminar de tempestividade não suspende o débito e que deve ser apresentada como parte da Manifestação de Inconformidade. Sendo assim, a Recorrente apresentou a devida e tempestiva Manifestação de Inconformidade, considerando suas manifestações anteriores, junto a unidade da Receita Federal de São Luís/MA (3ª Região Fiscal – domicílio fiscal do contribuinte), levantando a preliminar de tempestividade bem como demais pontos de mérito da impugnação. Entretanto, a referida manifestação foi encaminhada para a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belo Horizonte (MG) (6ª Região Fiscal) que, quando da prolação do Acórdão, não conheceu da manifestação de inconformidade, ante sua intempestividade, mantendo a exigibilidade do crédito tributário. Todavia, em que pese o entendimento do Órgão Julgador, é de rigor a reforma da decisão de não conhecimento da manifestação de inconformidade, e consequente reforma da decisão. (Grifos no original) É o relatório. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10320.724006/201682 Acórdão n.º 2402006.690 S2C4T2 Fl. 390 5 Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira – Relator. Da admissibilidade O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6/3/72, porém, tendo em vista que foi interposto contra a decisão de primeira instância, que não conheceu da manifestação de inconformidade, por intempestividade, faremos a análise, no presente julgamento, apenas da alegada tempestividade da manifestação de inconformidade. Da tempestividade da manifestação de inconformidade Segundo o Recorrente, em 18/11/16, dentro do prazo para apresentação da manifestação de inconformidade, seu contador teria protocolado na correspondente Unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), em São Luís (MA), “preliminar de tempestividade, solicitando a prorrogação do prazo para a apresentação de toda a documentação necessária à comprovação da origem dos créditos compensados”. Aduz, ainda, que após ser cientificado do indeferimento da solicitação, “apresentou a devida e tempestiva Manifestação de Inconformidade, considerando suas manifestações anteriores”, pedindo a reforma da decisão recorrida. Pois bem, segundo o Despacho Decisório nº 293/2016, fls. 9 a 22, por não ter demonstrado a origem dos créditos utilizados nas compensações declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), no período de 01/2013 a 13/2015, tais compensações não foram homologadas, sendo o contribuinte intimado a efetuar o recolhimento (pagamento) no prazo de 30 (trinta) dias ou, no mesmo prazo, apresentar manifestação de inconformidade. Lembrando que tal prazo está previsto no Decreto 7.574, de 29/9/11, que assim dispõe: Art. 9o Os prazos serão contínuos, com início e vencimento em dia de expediente normal da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil em que corra o processo ou deva ser praticado o ato (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 5º). [...] Art. 110. Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 7o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). [...] Art. 119. É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no art. 110, apresentar manifestação de inconformidade contra a não Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10320.724006/201682 Acórdão n.º 2402006.690 S2C4T2 Fl. 391 6 homologação da compensação (Lei no 9.430, de 1996, art. 74, § 9o, incluído pela Lei no 10.833, de 2003, art. 17). No presente caso, a ciência do Despacho Decisório ocorreu em 21/10/16, sextafeira, segundo o Aviso de Recebimento (AR) de fl. 25, tendo esta data sido reconhecida pela decisão a quo. Dessa forma, o termo final para apresentação da manifestação de inconformidade ocorria em 22/11/16, terçafeira. Todavia, a manifestação de inconformidade (fls. 321 a 326) somente foi apresentada em 29/3/17, ou seja, muito além do prazo de 30 (trinta) dias da ciência do Despacho Decisório. Sendo assim, como os prazos para apresentação de defesas são contínuos e não há previsão legal para prorrogação do prazo para apresentação de manifestação inconformidade, temse por intempestiva a sua apresentação além do prazo de 30 (trinta) dias, que foi o que aconteceu no caso em exame. Dessa forma, não há retoques a se fazer na decisão de primeira instância Conclusão Isso posto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Fl. 391DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.720412/2012-10
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3301-001.002
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos,
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade Preparadora: a) Intime o contribuinte para que elabore relatório em 90 dias, prorrogáveis por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao processo produtivo e b) para que a autoridade fiscal se manifeste sobre o Relatório do contribuinte e laudos técnicos.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para a Unidade Preparadora: a) Intime o contribuinte para que elabore relatório em 90 dias, prorrogáveis por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referentes ao processo produtivo e b) para que a autoridade fiscal se manifeste sobre o Relatório do contribuinte e laudos técnicos. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório da Resolução nº 3301000.314 (fls. 11935 a 11949), de 26 de abril de 2017, da 1ª Turma RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 20 41 2/ 20 12 -1 0 Fl. 12277DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.278 2 Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF que, por unanimidade de votos, converteu o julgamento em diligência: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 11479 a 11531) interposto pelo Contribuinte contra decisão consubstanciada no Acórdão no 1264.120 (fls. 11438 a 11468), de 20 de março de 2014, proferido pela 17a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1 – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento no 11716.68257.211211.1.1.096780, no montante de R$ 210.311.854,56, relativo a crédito de COFINSExportação, apurado no 3o trimestre de 2010, pelo regime não cumulativo. Vinculado ao referido direito creditório, foram transmitidas as seguintes Declarações de Compensação: DCOMP VINCULADAS 33290.09639.240212.1.3.093398 42144.36331.261212.1.7.094723 17899.29392.240212.1.3.091585 33363.10483.261212.1.7.098552 24177.98436.240212.1.3.090251 16991.78089.261212.1.7.094093 A DEMAC/RJO emitiu Parecer Conclusivo no 210/2013 e Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório de R$ 74.772.063,31 e homologou parcialmente as Declarações de Compensação até o montante reconhecido. No referido Parecer consta consignado, que com o fito de instruir a análise do presente pedido de ressarcimento, bem como dos pedidos de ressarcimentos de PIS/Cofins exportação referentes aos trimestres dos anos de 2008 a 2010, foi dado início a ação fiscal, em 26/04/2012. A contribuinte, em resumo, foi intimada a: − Descrever o seu processo produtivo, identificando neste os bens e os serviços utilizados como insumos; − Apresentar planilha com os Percentuais de Rateio utilizados em cada mês dos anos de 2008 a 2010 para determinar os créditos referentes ao Mercado Interno e às Exportações, bem como as correspondentes memórias de cálculo que determinaram os referidos percentuais; − Apresentar Memórias de Cálculo trimestrais referentes a cada linha das fichas de apuração de créditos informados nos Dacon que serviram de base para os Pedidos de Ressarcimento em análise Fl. 12278DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.279 3 As informações solicitadas foram apresentadas por intermédio de arquivos digitais referentes às planilhas eletrônicas com os percentuais de rateio e às memórias de cálculo anuais correspondentes a cada linha das fichas de apuração do PIS e da Cofins não cumulativos informados em DACON. O procedimento realizado para se conhecer a metodologia de apuração de créditos de PIS e de Cofins utilizada pela empresa foi realizado por intermédio de reuniões e intimações entre auditores fiscais e representantes da empresa, resultando no Manual de Tomada de Créditos elaborado pela Gerência de Planejamento e Controle da Vale S/A. A análise inicial da documentação apresentada demonstrou a necessidade de mais dados, os quais foram solicitados para a contribuinte por intermédio do Termo de Intimação n.o I, através do qual que foi pedido à empresa: 1. No tocante aos créditos de bens para revenda apurados no ano calendário de 2008, explicações do motivo pelo qual o montante de aquisições de serviços de transporte, CFOP 1352, corresponde a mais de 77% dos créditos apurados a título de revenda de mercadorias; 2. Apresentação de determinadas cópias de notas fiscais relativas aos créditos de bens para revenda; 3. Apresentação de planilha eletrônica, na qual constassem as aquisições de bens e materiais de uso e consumo; 4. Quanto aos créditos de serviços utilizados como insumo, apresentação de planilha com a descrição do correspondente serviço/item, como efetuado nas outras planilhas apresentadas. Através da Intimação II, a fiscalizada foi intimada a apresentar: 1) planilha especificando despesas de armazenagem e frete na operação de venda; 2) ajuste da planilha referente aos créditos de serviços utilizados como insumo; e 3) notas fiscais relativas a despesas de contraprestação de arrendamento mercantil. Em 05/09/2012, foi elaborado o Termo de Intimação III visando principalmente solicitar à VALE S/A a apresentação de arquivos digitais referentes aos registros contábeis, documentos fiscais e auxiliares. As solicitações do Fisco foram atendidas pela fiscalizada. Dos valores informados em Dacon a título de Bens Utilizados como Insumos, foram glosados os valores dos produtos adquiridos para uso e consumo. No conjunto de dados acostados aos autos pela empresa para lastrear os créditos relativos às aquisições de Bens Utilizados como Insumos, foi utilizado o CFOP para verificar a destinação que a interessada deu as referidas mercadorias. Em relação a tal conjunto de dados a autoridade fiscal relata que: i) as planilhas juntas consolidam mais de 1.200 mil registros; ii) grande parte da descrição dos produtos é codificada ou insuficiente para identificação de sua utilização; iii) no referido período a empresa utilizou mais de 107.000 (oitenta e oito mil) descrições diferentes; Fl. 12279DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.280 4 iv) a contribuinte informou o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP, mas não informou a Nomenclatura Comum do Mercosul NCM vinculadas às aquisições, seja nas planilhas entregues à Fiscalização, seja nos arquivos digitais transmitidos; v) também não foi informado conta contábil ou qualquer referência de centro de custo para as mercadorias adquiridas. Ante a deficiência da descrição de itens de valores relevantes adquiridos no ano de 2010, principalmente por estar desacompanhada de outras informações importantes (NCM, conta contábil etc), a fiscalização conclui que, por intermédio das memórias de cálculo e dos arquivos digitais transmitidos, somente foi possível verificar o CFOP no qual a contribuinte classificou as referidas aquisições. Quanto a esse critério de aferição da natureza dos bens, menciona: que, por intermédio do Manual de Tomada de Créditos fornecido pela empresa, constatase que a metodologia adotada pela empresa para apurar créditos do mercado interno utiliza o CFOP como parâmetro de classificação das aquisições; verificase a partir da ação fiscal desenvolvida para apreciar os pedidos de ressarcimento de créditos de COFINSExportação referentes ao 4o trimestre de 2004 e a todos os trimestres de 2005, a própria empresa, ao ser solicitada a comprovar seus créditos, apresentou planilhas que dividia os valores em dispêndios utilizados na industrialização e despesas de uso e consumo, as quais possuem CFOP distintos. Informa que no Termo de Intimação I, foi solicitada à contribuinte a apresentação de planilha discriminando as aquisições de bens e materiais de uso e consumo. Entretanto, a contribuinte não apresentou a planilha solicitada, informando que as aquisições de bens e materiais já haviam sido incluídas nos arquivos digitais transmitidos à Administração Fazendária e frisando que o conceito de uso e consumo, na ótica da legislação do ICMS e/ou do IPI, corresponde às notas fiscais escrituradas sob os CFOP 1556 e 2556. Nesse sentido, a análise das planilhas ou dos arquivos digitais citados com base no CFOP mostra que a requerente considerou como créditos tanto os dispêndios utilizados na produção e na industrialização como os custos e despesas de uso e consumo, tais como as seguintes aquisições: CFOP 1407 –Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária, CFOP 1556 Compra de material para uso ou consumo, CFOP 2407 Compra de mercadoria para uso ou consumo cuja mercadoria está sujeita ao regime de substituição tributária, e CFOP 2556 Compra de material para uso ou consumo. Como as importâncias relativas às aquisições de produtos para uso e consumo não geram créditos, somente os bens utilizados no processo produtivo serão considerados. Além das planilhas fornecidas pela fiscalizada, sempre que existiu nota fiscal eletrônica, foi verificado se o contribuinte se apropriou de crédito referente a operação de aquisição “sem o pagamento da contribuição para o Pis/Cofins” (Operações com suspensão, isentas ou não tributadas). Foram excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações com suspensão e isenção apuradas com base em análise das Notas Fiscais Eletrônicas, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela fiscalizada. Fl. 12280DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.281 5 O direito ao crédito do Pis/Cofins na importação pela aquisição de insumos, só surge com o efetivo pagamento das referidas contribuições, conforme preceitua o artigo 15, § 6o da Lei 10.865/2004 e, por sua vez, a contribuição na importação só é devida após a ocorrência de seu fato gerador, “a entrada da mercadoria em território nacional”. Preceitua o Decreto 6.759/2009, artigo 73, inciso I, que no caso de Despacho Aduaneiro de Consumo, que é o caso de insumos a serem aplicados no processo produtivo ou na prestação de serviços a entrada da mercadoria em território nacional (aduaneiro), ocorre na data do registro da Declaração de Importação (DI). Somente a partir deste momento, pode haver o creditamento quanto às operações de importação. Sendo vedado o creditamento em momento anterior. Deste modo deve se excluir o crédito de período posterior ao da apuração. Examinandose, o arquivo “IMPORTACAO INSUMO 2010.xlsx”, também foi constatado que a contribuinte tomou crédito sobre diversas aquisições de bens para serem aplicados em operações de logística: máquinas e equipamentos e suas partes e peças relacionados ao transporte interno de bens dentro do estabelecimento ou entre estabelecimentos da empresa, ou relacionados à malha ferroviária, combustível para operações de logística, manutenção de equipamentos de logística, lanternas para sinalização náutica, etc. De acordo com o artigo 15o da Lei no 10.865/2004, só dão direito ao crédito como insumos, aqueles adquiridos para prestação de serviços e para a produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustível e lubrificantes. As operações de logística estão excluídas do conceito de industrialização e de prestação de serviços a terceiros. Em relação à aquisição de Serviços Utilizados como Insumos, geram créditos aqueles utilizados diretamente na produção de bens destinados à venda ou aplicados na prestação dos serviços vendidos pela contribuinte. A contribuinte forneceu em seu Manual de Tomada de Crédito a relação de contas contábeis e das unidades de controle (coluna UC na planilha), a qual foi utilizado na identificação da natureza do serviço prestado. Foram glosados, dentre outros: Serviços de logística; Estudos e pesquisas (conta 353034002); Prospecção e sondagens (conta 353035009); serviços de geologia (conta 353035010); Serviço de operação portuária (conta 353035017); Serviços de manutenção em equipamentos ferroviários (conta 353036003) e em equipamentos de telecomunicação (conta 353036007); serviços de dragagens (conta 353036015); serviços de manutenção de embarcações (conta 353036016). Quanto aos serviços de logística, não foram considerados os créditos vinculados as seguintes Unidades de Controle Operacional: LFC Logística Ferroviária – EFC; LFV Logística Ferroviária – EFVM; LIG Compartilhado Logística; LNG Logística Navegação; LPB Logística Portuária – Terminal Inácio Barbosa; LPD Logística Portuária – Terminal Produtos Diversos; LPG Logística Portos; LPI Logística Portuária – Terminal Ilha de Guaíba; LPM Logística Portuária – Terminal Praia Mole; LPN Terminal Carga Geral Norte; LPT Terminal Carga Geral Sul – TU Entretanto, no que diz respeito aos mencionados serviços vinculados a atividade de logística ferroviária ou portuária, cabe ressaltar que foi aceita a parte dos créditos relativa às receitas que a empresa obtém com a venda destes serviços. Para tanto, foi efetuada uma apuração proporcional dos créditos, ou seja, a partir dos totais mensais de rendimentos auferidos pela contribuinte e dos totais de receita com serviços Fl. 12281DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.282 6 ferroviários e portuários, foi elaborada planilha com os percentuais e os respectivos créditos das atividades desenvolvidas pela empresa (fl. 10.981/10.986). Foram glosados, ainda, os serviços contabilizados em contas cuja Rubrica, ou, ainda, a rubrica de sua conta sintética foi considerada incompatível com a tomada de crédito. Sobre tais contas a fiscalização menciona: serviços cujo custo estava relacionado a contas que registraram itens de infraestrutura, de transporte, da etapa de “preset”, dentre outros, que não faziam parte da etapas produtiva, tiveram seu crédito glosado; a fiscalizada também registrou como serviço os gastos com aluguel, os quais estariam registrados em duplicidade, visto que as despesas com aluguel constam de linha específica no Dacon. Do parecer consta a tabela que relaciona as contas cujas operações foram excluídas do direito ao crédito. Considerando os processos produtivos da Vale S/A, o translado de minério de ferro das minas para pátios de carga e descarga, para industrialização ou para escoamento configura transporte interno, o qual não gera créditos na sistemática do PIS/Cofins nãocumulativo. Os serviços de manutenção em telecomunicação também não se subsumem em serviços que possam ser considerados insumos “aplicados ou consumidos” na fabricação. Os entendimentos expostos aplicamse às demais aquisições relacionadas, motivo pelo qual os correspondentes valores devem ser desconsiderados no computo dos créditos da Cofins nãocumulativa. Quanto aos créditos relativos às despesas com energia elétrica, constatouse que a fiscalizada se creditou do valor de itens de notas fiscais, nas quais o fornecedor indica –através do código de situação tributária (CST) –tratase de aquisição sem incidência das contribuições para o Pis/Cofins (CST 08). O artigo 3o, § 2o, inciso II da Lei 10.637/2002 (Pis) e o mesmo artigo da Lei no 10.833/2003 (Cofins) vedam expressamente o aproveitamento de crédito do Pis/Cofins referente às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições, no caso da venda ocorrer sem o pagamento das contribuições (exportação, alíquota zero, isenta ou não tributada). Deste modo, foram excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações de aquisição com isenção das contribuições apuradas com base em análise das NFe, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela contribuinte. Em relação ao créditos Sobre Bens do Ativo Imobilizado foram glosados os valores referentes a equipamentos e máquinas que não são utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, nas hipóteses previstas na legislação, dentre os quais: locomotivas; vagões de transporte de minério de ferro; dormentes ferroviários; caminhões; barcos de alumínio; Notebooks; mobiliário; livros; material de escritório e etc. A autoridade fiscal coloca que o translado do minério produzido pela VALE S/A e efetuado pelas suas ferrovias não se confundem com a produção do referido produto, mas tratase de serviço auxiliar executado em momento posterior, no escoamento e na distribuição do que foi produzido. Menciona que a própria empresa, em seu site na internet afirma que suas ferrovias fazem parte de uma grande infraestrutura logística para assegurar o escoamento de sua produção com agilidade e eficiência (fl. 10.980). Acrescenta que o mesmo entendimento para os equipamentos ferroviários Fl. 12282DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.283 7 aplicase às outras aquisições relacionadas – caminhões, barcos, equipamentos de informática, mobiliário, equipamentos médicos e etc. Em seus créditos, a empresa também computou o valor referente a equipamentos para medição e análise (balança, análise de granulometria, analisador de energia, medidor de vibrações, etc), para proteção e combate a incêndio (extintores, sinalizadores de extintores, etc), sistemas de telecomunicações, máquina fotográfica, equipamentos para comunicação/transmissão de dados (informática). Ainda em relação ao Mercado Interno, observouse a tomada de crédito de itens de notas fiscais, nas quais o fornecedor indicou no campo observações a existência de suspensão na operação de venda, ou então, indicou tratarse de operação não sujeita ao pagamento das contribuições através do código de situação tributária (CST 07 – Operação Isenta; CST 08 – operação sem incidência do Pis/Cofins; CST 09 Operação Suspensa). O artigo 3o, § 2o, inciso II da Lei 10.637/2002 (Pis) e o mesmo artigo da Lei 10.833/2003 (Cofins) vedam expressamente o aproveitamento de crédito do Pis/Cofins referente às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Como no caso deste item. Deste modo, foram, igualmente, excluídas da base de cálculo dos créditos das contribuições para o Pis/Cofins todas as operações sem incidência das contribuições apuradas com base em análise das NFe, das quais o contribuinte se creditou conforme planilhas fornecidas pela contribuinte. Em relação ao período aquisitivo dos Créditos na Importação, entendesse que o direito só surge com o efetivo pagamento das referidas contribuições, conforme preceitua o artigo 15, § 6o da Lei 10.865/2004 e, por sua vez, a contribuição na importação só é devida após a ocorrência de seu fato gerador, “a entrada da mercadoria em território nacional”. Preceitua o Decreto 6.759/2009, artigo 73, inciso I, que no caso de Despacho Aduaneiro de Consumo, que é o caso de insumos a serem aplicados no processo produtivo ou na prestação de serviços a entrada da mercadoria em território nacional (aduaneiro), ocorre na data do registro da Declaração de Importação (DI). Somente a partir deste momento, pode haver o creditamento quanto às operações de importação. Sendo vedado o creditamento em momento anterior. Deste modo, excluiuse o crédito indevido referente às operações ocorridas no 1o trimestre de 2011, sujeitas à alíquota básica das contribuições e informado na linha 7 das Fichas 06B/16B. Devidamente cientificada do indeferimento parcial do pleito a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade onde inicialmente questiona a conduta da fiscalização alegando que, a despeito de ter fornecido todas as informações necessárias para esclarecer de forma clara o seu processo produtivo, inclusive franqueando visita aos Srs. Auditores para acompanhamento do processo produtivo, o Fisco promoveu a glosa de valores em relação aos quais faz jus. Defende que isso se deu em razão de o Fiscal desconhecer seu complexo processo produtivo, pelo que pugna pela produção de prova pericial visando o pleno conhecimento de seu processo produtivo, insumos, serviços e ativo imobilizado utilizado, inerentes às atividades desenvolvidas pela Impugnante, afastando qualquer dúvida que pudesse advir do exame da prova documental. Indica perito e formula quesitos. Fl. 12283DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.284 8 A manifestante, discorrendo sobre o conceito de insumo que prevalece nos tribunais administrativos, defende que a doutrina e a moderna jurisprudência (cita decisões judiciais e do CARF) convergem para uma definição de insumos que contempla, além das matériasprimas, materiais de embalagem e produtos consumidos no processo de industrialização, todo e qualquer elemento necessário à produção de bens, circulação de mercadorias ou prestação de serviços. E traz considerações acerca deste conceito no âmbito de outros tributos para concluir que se aplicariam no âmbito da Contribuição para o PIS e da Cofins não cumulativas. Assim, conclui seu arrazoado sobre o conceito de insumo: Em resumo, sustenta que: (a) se utilizado o conceito de despesas constante na legislação do imposto sobre a renda, faria jus aos créditos uma vez que todos os bens e serviços se constituem em despesas operacionais; (b) adotandose o conceito próprio esposado em diversas decisões do CARF, igualmente faria jus aos multicitados créditos, uma vez que são parte integrante e indissociável de seu processo produtivo; e (c) ainda que se adotasse o conceito de insumos constante na legislação do IPI, teria direito aos créditos uma vez que todos os bens e serviços estão relacionados intrinsecamente ao seu processo produtivo. Contesta a glosa de valores inseridos no montante informado em Dacon a título de Bens Utilizados como Insumo alegando que o conceito de insumos que dão direito ao creditamento não deve ser considerado de modo restritivo, mas sim de forma a abranger todos os insumos relacionados às atividades desenvolvidas pela Impugnante. Discorre, então, sobre o seu processo produtivo e conclui que os bens glosados consistem de insumo. Em síntese, explica que o processo se inicia no complexo minerador, onde ocorre a primeira etapa de beneficiamento do minério extraído, que é transportado até a usina de beneficiamento, depois ocorre o peneiramento com 17 linha de produção e a pelotização (pó de minério é transformado em pelotas). Finda esta etapa, o minério é estocado e depois transportado em vagões em até São Luiz do Maranhão, onde é armazenado em silos até que se formem os lotes a serem transportados em navios. Conclui que seu processo produtivo é complexo e que não deve ser considerado encerrado, para os fins de creditamento a título de PIS e COFINS, quando finda o beneficiamento. Isto porque para que possa efetivamente concluir as atividades por ela realizadas fazse necessário o escoamento da produção, no caso, até o Porto de São Luis. Assim defende o crédito em relação o óleo combustível utilizado pela Impugnante, bem como as partes e peças adquiridas para a consecução de suas atividades com correias e roletes. Aduz que Sequer é possível retirar o minério de ferro de dentro das minas na qual se verifica a exploração sem a utilização dos caminhões fora de estradas (movidos a óleo combustível) ou as esteiras (correias transportadoras) sobre as quais se move o minério de ferro. Acrescenta que a extração de minério de ferro não se limita somente às atividades realizadas dentro das minas, mas inclui a retirada do minério das citadas minas e, para tanto, as correias são essenciais para o transporte deste. O mesmo se dá em relação ao óleo combustível e o óleo lubrificante utilizado nos equipamentos necessários para a realização da extração mineral e demais partes e peças necessárias à consecução das atividades da empresa. Menciona ainda, que combustíveis e lubrificantes estão expressamente previstos como insumos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 (art. 3 o , II de ambas as leis). No que concerne aos valores inseridos no montante informado a título de Serviços Utilizados como Insumo, defende o direito ao crédito alegando que os serviços cujos Fl. 12284DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.285 9 valores foram glosados seriam necessários ou essenciais à consecução da atividade de mineração. Nesse sentido, assim argumenta: ...para que se inicie a extração mineral, é necessária a realização de estudos e pesquisas bem como prospecção e sondagens. Como poderia a Impugnante continuar a exercer suas atividades sem que haja manutenção dos britadores, caminhões, viradores de vagão dentre tantos outros equipamentos necessários à produção dos minerais e seu escoamento até o porto de destino? Também a manutenção das embarcações é de fundamental relevo para as atividades perseguidas pela Impugnante, bem assim a manutenção da extensa malha ferroviária utilizada pela Impugnante, única via de transporte do minério de ferro, por seu porte representativo. Os serviços de telecomunicação também constituem em atividade essencial relativamente à produção de minério de ferro. Como já dito no que diz respeito à exploração em Carajás, os vagões viajam guiados por uma locomotiva por 30 horas em localidades ermas e carentes de comunicação. Esta comunicação é realizada exclusivamente por rádios e tem por objetivo identificar as diversas locomotivas que trafegam ao mesmo tempo e evitar que acidentes ocorram. A movimentação de carga dos portos (capatazia), a rebocagem e os demais serviços portuários, a despeito de não se agregarem ao processo produtivo, dele são parte indissociável. Sem tais etapas, o processo produtivo da Recorrente não cumpre os seus objetivos. Esclarece que a autoridade administrativa consignou que a contribuinte registrou indevidamente aquisições efetuadas no primeiro trimestre de 2011 como se fossem no primeiro trimestre de 2010. No entanto, tratase de crédito existente à época de sua apropriação e, portanto, passível de creditamento. Acrescenta que, ainda que não se pudesse considerar os serviços em questão na sua integralidade deveria ter sido observada a proporcionalidade no rateio efetuado pela fiscalização que não considerou os serviços portuários. Por fim, destaca que não há se falar em qualquer duplicidade no que diz respeito aos gastos com aluguel e arrendamento mercantil. Alega que fez corretamente a declaração dos mencionados gastos na DACON, sendo que o Fiscal não apontou, quer seja na decisão ou demonstrativos, onde estariam as duplicidades perpetradas. Portanto, não pode prevalecer a glosa em questão. Traz excertos de decisões do CARF a fim de corroborar o tal entendimento. Suscita que houve glosa indevida dos valores referente ao transporte interno(Frete) dos seus produtos desde a mina até o escoamento da produção nos Portos de destino. Com base em entendimento da Receita Federal, mediante Solução de Consulta no 197/2011, da 8a RF, o valor do transporte pago(frete) no transporte do produto do estabelecimento da empresa para o local do embarque de exportação gera direito a crédito com base na regra geral de tributação(art.3o, IX, e art.15, II, da Lei no 10.833/2003). O valor do frete é considerado despesa de exportação, para fins de tomada desse crédito. Fl. 12285DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.286 10 Transcreve Acórdãos do CARF e do STJ para embasar seu pleito. A recorrente defende os créditos relacionados aos Bens do Ativo Imobilizado, remetendo a tudo o que disse acerca do creditamento referente aos bens de uso e consumo e serviços. Aduz que as locomotivas, vagões, dormentes ferroviários, caminhões, barcos, entre outros bens, a despeito de não se incorporarem ao processo produtivo dele são parte indissociável, sem os quais não seria possível a extração do minério de ferro e outros minerais. Sobre ao creditamento das Despesas de Energia Elétrica alega que teria sido constatado tratarse de crédito referente a itens de notas fiscais nas quais o fornecedor indica a existência de aquisição sem incidência do PIS e da COFINS, de modo que haveria vedação expressa a tal creditamento, porém há disposição expressa permitindo tal instituto. Vejase, a título de exemplo, os documentos anexos, que dão conta de que a fornecedora Eletronorte equivocouse ao consignar, por meio do código de situação tributária, a suposta não incidência das contribuições, sendo inequívoco o fato se tratar de operações tributadas. A própria Eletronorte exarou declaração consignando que equivocouse e que as operações referentes à energia elétrica com a impugnante são tributadas. A glosa perpetrada em relação à Aquisição de Bens ou Serviços não Sujeitos ao pagamento das contribuições se revela descabida, porquanto eivada de ilegalidade, à medida que desconfigura a técnica da nãocumulatividade aplicada ao PIS e a COFINS. A impossibilidade de creditamento referente a aquisições desoneradas do pagamento das contribuições em tela equivale a mero diferimento do tributo para etapa subseqüente da cadeia produtiva, esvaziandose de sentido o emprego da técnica da nãocumulatividade em patente desvio de finalidade do modelo fiscal adotado nas leis em comento. Cita doutrina e jurisprudência, este em relação ao IPI, concluindo pela possibilidade de creditamento do imposto em aquisições de produtos isentos. É dizer, a toda evidência, não poderia, no caso em debate, ter ocorrido a glosa dos créditos advindos de aquisições não oneradas pelo tributo (exportação, alíquota zero, isenção ou não tributação). Salienta que, a glosa dos créditos apurados sobre as compras de mercadoria com fim específico de exportação também não deve persistir, pelos mesmos motivos anteriormente elencados. É dizer, a desoneração da operação anterior não tem o condão de afastar o direito creditório na operação subseqüente. Ademais o critério utilizado para a glosa (CST) não merece prevalecer pois apresentase contraditório. Inferese das notas fiscais ora juntadas que, para o mesmo CST, há notas de produtos tributados e não tributados. Diante da existência dos equívocos cometidos pelos fornecedores, requer que o presente feito seja baixado em diligência para que a RFB promova o cruzamento dos dados consignados pelos fornecedores referente à tributação de seus produtos com os créditos correspondentes. Por fim, a recorrente defende que a decisão proferida não deve prevalecer na parte em que não acolhe as declarações retificadoras apresentadas após a lavratura do Fl. 12286DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.287 11 Termo de Início de Ação Fiscal. Defende que, dada a complexidade de sua atividade e a grande quantidade de créditos gerados, é absolutamente normal que algumas declarações sejam objeto de retificação. Acrescenta que, ademais o Fiscal, ao analisar as planilhas do direito creditório o fez comparandoas já com as declarações retificadoras, de modo que nada restou alterado após a análise da autoridade administrativa. Requer que sejam aceitas as declarações retificadoras por ela transmitidas. Ao final, a recorrente pugna pelo acolhimento de seus argumentos de defesa, ela realização de perícia e produção de todas as provas em direito admitidas, inclusive ajuntada de novos documentos. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 17a Turma da DRJ/RJ1, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. A Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por sua vez, apresentou Contrarrazões ao Recurso Voluntário, em 11 de julho de 2014, visando que seja negado provimento ao recurso voluntário apresentado pelo Contribuinte e que seja mantida a decisão ora recorrida. O Contribuinte trouxe, ainda, um Requerimento (fls. 11623 a 11628), de 3 de fevereiro de 2015, no qual pede a juntada de laudo técnico (fls. 11629 a 11684) que, segundo ele, confirma o que foi pleiteado no Recurso Voluntário. Por intermédio da Resolução nº 3301000.314, da 1ª Turma da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteuse o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: a) Elabore relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa com a indicação dos motivos para o indeferimento do pleito do contribuinte, bem como, se julgar necessário, de manifestar quanto as informações trazidas nos laudos técnicos; b) Oferte ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública, oportunidade para que possam contra arrazoar. Diante da Resolução a DEMAC/RJO produziu Informação Fiscal às fls. 12226 a 12235. Já o contribuinte, em 17 de julho de 2018 (fls. 12244 a 12263), complementou, diante da Informação Fiscal, as razões de sua defesa, bem como seu entendimento acerca do atendimento ou não do solicitado por intermédio da Resolução. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator Fl. 12287DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.288 12 O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1264.120 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A decisão ora recorrida foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. As hipóteses de crédito no âmbito do regime não cumulativo de apuração da Cofins são somente as previstas na legislação de regência, dado que esta é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento, não estando suas apropriações vinculadas à caracterização de sua essencialidade na atividade da empresa ou à sua escrituração na contabilidade como custo operacional. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMO. No regime não cumulativo, somente são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: os combustíveis e lubrificantes, as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de sua aplicação direta na prestação de serviços ou no processo produtivo de bens destinados à venda; e os serviços prestados por pessoa jurídica, aplicados ou consumidos na prestação de serviços ou na produção ou fabricação de bens destinados à venda. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS.CRÉDITOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. CRÉDITOS. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO. BENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Os encargos de depreciação de bens incorporados ao ativo imobilizado apenas geram direito a crédito se esses bens forem diretamente utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços. AQUISIÇÕES NÃO SUJEITAS AO PAGAMENTO DA CONTRIBUIÇÃO. CRÉDITO.GLOSA. Correta, por força de expressa determinação legal, a glosa imposta aos créditos apurados pela contribuinte a partir de aquisição de produtos não sujeitos ao pagamento da contribuição, independentemente da utilização como insumo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 Fl. 12288DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.289 13 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Em estando presentes nos autos do processo os elementos necessários e suficientes ao julgamento da lide estabelecida, prescindíveis são as diligências e perícias requeridas pelo contribuinte, cabendo a autoridade julgadora indeferilas. DIREITO DE CRÉDITO. ALEGAÇÕES CONTRA O FEITO FISCAL. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Nos processos administrativos referentes a reconhecimento de direito creditório, deve o contribuinte, em sede de contestação ao feito fiscal, provar o teor das alegações que contrapõe aos argumentos postos pela autoridade fiscal para não reconhecer, ou reconhecer apenas parcialmente o direito pretendido. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2010 a 30/09/2010 INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE DE LEIS, NORMAS OU ATOS. COMPETÊNCIA. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento não são competentes para se pronunciar acerca de inconstitucionalidade ou ilegalidade de leis, normas ou atos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme se pode depreender da ementa acima a questão central é sobre o creditamento de insumos para apuração das contribuições ao PIS e a COFINS, no caso presente, relativa a crédito de COFINS nãocumulativa Exportação, apurado no 3º trimestre de 2010. Neste caso entendo correto, diante das posições interpretativas da legislação no que tange ao creditamento de insumos para apuração das contribuições ao PIS e a COFINS, uma posição intermediária em que se leve em consideração o processo produtivo do Contribuinte e da essencialidade dos bens e serviços neste inserido, afastando a posição da administração fazendária com a aplicação restritiva, bem como, a posição do Contribuinte, as vezes, por demais extensiva, ou seja, solicitando crédito com despesas e aquisições que não estão compreendidas no conceito de insumos. O Contribuinte em seu Recurso Voluntário, em preliminar, assim expôs: Percebese que, diferentemente do que restou pontuado na decisão ora recorrida, a Recorrente agiu sim de maneira diligente e proactiva, visando sempre demonstrar, de modo transparente, seu direito creditório. Sendo assim, não há dúvidas de que a presente assertiva é totalmente descabida, haja vista o conjunto fático do caso ora sob análise. Mas não é só. Como dito em linhas anteriores, todo processo administrativo deve buscar a verdade material, sendo certo que, se para isso for necessária a produção de prova pericial, esta deve ser deferida. E é exatamente este o caso dos autos. Como o Ilmo. Fiscal não pode verificar todo o processo produtivo da Recorrente e, por consequência, os insumos que por ela são Fl. 12289DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.290 14 empregados para que possa atingir o produto final comercializado, a referida prova pericial se faz necessária. Não se pode – nem deve – confundirse o trabalho do fiscal com a prova pericial. A realização de perícia é um direito do contribuinte e uma vez observados os requisitos legais para o seu requerimento, o deferimento é de rigor. Assim, por intermédio da Resolução nº 3301000.314, da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, converteuse o julgamento em diligência para que a unidade preparadora pudesse: a) Elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa com a indicação dos motivos para o indeferimento do pleito do contribuinte, bem como, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações trazidas nos laudos técnicos; e, b) ofertar ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública, oportunidade para que possam se manifestar em relação ao relatório. Convém lembrar que a conversão do julgamento do presente processo em diligência, por intermédio da Resolução nº 3301000.314, se deu no seguinte contexto: o Termo de Início de Procedimento Fiscal (fls. 125 a 133), de 26 de abril de 2012, relaciona os números PER/DCOMP da contribuição ao PIS e COFINS não cumulativos referentes ao período de apuração do 1° trimestre de 2008 ao 4° trimestre de 2010. São no total 12 PER/DCOMPs relativos ao PIS não cumulativo – exportação e 12 PER/DCOMPs relativos a COFINS não cumulativa – exportação. Nesses pedidos de ressarcimento o Contribuinte solicita o reconhecimento de direitos creditórios apurados no referido período. Constatouse que no processo n° 16682.720400/201295, com relatoria do Conselheiro Winderley Morais Pereira, que trata de PER/DCOMP do período de apuração do 1° trimestre de 2008 ao 4° trimestre de 2010, os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converteram o julgamento em diligência por intermédio da Resolução n° 3201000.565, proferida em 10 de dezembro de 2015. Como o processo referido encontravase na DEMAC do Rio de Janeiro para a emissão de relatório de diligência e o presente processo trata do mesmo Contribuinte, da igual contribuição ao PIS e COFINS, do mesmo período de apuração, deliberouse em converter julgamento em diligência para que a unidade preparadora produzisse relatório. Assim, diante da Resolução nº 3301000.314, a DEMAC/RJO produziu Informação Fiscal, que cito com o intuito de verificar se foi ou não atendido o solicitado na resolução: Relatório A contribuinte em epígrafe apresentou Pedidos de Ressarcimento das contribuicõ̧es para o Pis/Confins – Exportaca̧õ, nos termos do §2o do artigo 5o da Lei 10.637/2002 e do §2o do artigo 6o da Lei 10.833/2003, apurados no 3o trimestre de 2010 pelo regime não cumulativo. (...) Os pedidos foram autuados nos processos 16682.720.400/201295, para o Pis, e 16682.720.412/201210, para a Cofins. Nos decisórios referentes aos direitos creditórios pleiteados, a Demac/RJO reconheceu parcialmente o direito ao crédito e, em ambos os processos, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento proferiu acórdão mantendo integralmente as glosas realizadas. Fl. 12290DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.291 15 Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário em ambos os processos, no bojo dos quais, foram exaradas as Resolucõ̧es que decidiram pela conversão dos recursos em diligência. No primeiro destes processos, Pis referente ao 3oT/2010, a 1a Turma Ordinária da 2a Cam̂ara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, através da Resolução 3201000.565, de 10/12/2015 solicita que a unidade preparadora: a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos; b) A Receita Federal, deverá elaborar relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa, indicando os motivos para tal indeferimento. Com a possibilidade, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações apresentadas, inclusive fazendo as diligências e intimações que julgar necessárias. No segundo destes processos, Cofins referente ao 3oT/2010, a 1a Turma Ordinária da 3a Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, CARF, através da Resolução 3301000.314, de 26/04/2017, em complemento ao solicitado no processo referente ao Pis, determina a conversão em diligência para que a unidade preparadora possa: 1. a) Elaborar relatório identificando quais dos bens e servico̧s utilizados que foram objeto de glosa com a indicacã̧o dos motivos para o indeferimento do pleito do contribuinte, bem como, se julgar necessário, de manifestarse quanto as informações trazidas nos laudos técnicos; 2. b) Ofertar ao Contribuinte, bem como à Fazenda Pública, oportunidade para que possa(m) contraarrazoar, se entender(em) necessário, acerca do relatório produzido. Em razão de conversaõ em diligência do julgamento dos processos no 16682.720.400/2012 95 e 16682.720.412/201210, referentes respectivamente à contribuição para o Pis e à Cofins do 3o Trimestre de 2010, foi emitido o Termo de Distribuiçaõ de Procedimento Fiscal – TDPF – Diligência no 07.1.85.002017 003177, objetivando impulsionar estes processos administrativos. Com vistas ao atendimento das referidas Resoluções, a empresa foi intimada em 06/02/2018 e reintimada em 22/03/2018, nos termos do item a) da Resolução 3201000.565, de 10/12/2015, mas, ao invés de apresentar detalhamento de cada um de seus bens e serviços para os quais pretende aferir crédito das contribuições, a fiscalizada preferiu apresentar apenas detalhamentos dos bens e servico̧s que foram objeto de glosa, deixando de apresentar o detalhe por processo produtivo em relação aos itens não glosados. Às folhas 11.953 a 12.200 do processo 16682.720412/201210, referente à Cofins e, igualmente, às folhas 11.624 a 11.871 do processo 16682.720400/201295, referente ao Pis, encontramse as intimações e respectivas respostas apresentadas pela diligenciada. Constatações Bens Utilizados como Insumo Com relação aos bens utilizados como insumo, uma vez que a fiscalização não tinha acostado aos autos a planilha dos itens de documentos fiscais que foram excluídos, a fiscalizada apresentou um conjunto de dados que totalizou valores por CFOP excluído ligeiramente divergente daqueles excluídos da base de cálculo do crédito Fl. 12291DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.292 16 das contribuições pela fiscalização. O arquivo nãopaginável apresentado pela fiscalizada, está acostado aos autos processuais de análise do crédito, junto ao termo de anexação intitulado “BENS INSUMOS 3T2010”, fls 12.114 do processo 16682.720412/201210 e 11.785 do processo 16682.720400/201295. A seguir, fazemos um comparativo entre os totais das bases de cálculo do crédito, por CFOP, constantes das glosas outrora efetuadas pela fiscalização, com o conjunto de totais apresentados no decorrer desta diligência: A divergência se deveu às seguintes causas: 1. As seguintes operações, que constaram na planilha de glosa, não constaram na planilha apresentada pela fiscalizada ao atender a diligência: 2. As seguintes operações, constaram na planilha de glosa por valor distinto daquele apresentado na planilha apresentada pela fiscalizada ao atender a diligência: Fl. 12292DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.293 17 De se notar que, apesar de não ter causado divergência de valores, o número da nota fiscal divergiu daquele informado originalmente à fiscalização nas operações a seguir: Importante frisar que não foi possível fazer uma associação por item de nota fiscal, pois, sempre que havia letra acentuada no texto do item a planilha original representava o caractere acentuado com erro. Serviços Utilizados como Insumo No que diz respeito aos serviços utilizados como insumo, a fiscalizada apresentou um conjunto de dados cujo arquivo nãopaginável se encontra acostado aos autos processuais de análise do crédito, junto ao termo de anexação intitulado “GLOSA SERVICOS_INF_COMPLEMENTAR”, fls. 12.190 do processo 16682.720412/201210 e 11.861 do processo 16682.720400/201295. Bens do Ativo Imobilizado No que diz respeito aos bens do ativo imobilizado, a fiscalizada apresentou os seguintes arquivos excel: 26GlosaImobilizadoMIBens_ajustada.xlsx, em 26/09/2018; 27GlosaImobilizadoMIServiços_ajustada.xlsx, em 27/11/2018 e 25GlosasImobilizadoMEBensajustada_3T2010.xlsx, em 24/05/2018 Tais arquivos se encontram, respectivamente, anexados aos processos de análise de crédito, juntamente com os termos de anexação de arquivo nãopaginável a seguir nomeados e se referem, exclusivamente aos itens glosados: PLANILHA GLOSA ATIVO IMOBILIZADO COMPLEMENTADA Fl. 12293DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.294 18 Glosa Imobilizado Servicos 3T 2010 GLOSA IMOBILIZADO IMPORTADO O arquivo anexado ao último destes termos apresenta a glosa do ativo imobilizado importado apenas no caso em que esta foi referente à descrição dos itens de notas fiscais. Considerações Finais Esta Informação Fiscal decorre da Diligência nº 07.1.85.002017003177, em razão da conversão em diligência do julgamento dos processos nº 16682.720.400/201295 e 16682.720.412/201210, por parte do CARF, conforme se mencionou no Relatório. Os documentos referentes à diligência realizada no âmbito deste processo administrativo e que serviram de esteio para a presente ação fiscal, se encontram acostados às folhas 11953 a 12200 do processo 16682.720412/201210, referente à Cofins e, igualmente, às folhas 11.624 a 11871 do processo 16682.720400/201295, referente ao Pis. Grifado no original. Esta fiscalização solicitou documentação nos estritos termos do item a) da parte dispositiva da Resolução 3201000.565, de 10/12/2015, acostada às folhas 11.607 a 11.620, a qual solicitou documentação que detalhasse integralmente o processo produtivo da empresa, nos termos a seguir: “a) Intime a Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias prorrogável uma vez por igual período, detalhar o seu processo produtivo e indicar de forma minuciosa qual a interferência de cada um dos bens e serviços que pretende aferir créditos para apuração do PIS e a COFINS não cumulativos;” No entanto, a diligenciada apresentou esclarecimentos, apenas, quanto aos itens de notas fiscais glosados, conforme consta no relatório. Conferimos as planilhas apresentadas no decorrer do presente trabalho e estas guardam relação com as glosas efetuadas, considerandose as ressalvas feitas em relação aos bens como insumos. Uma vez que a empresa apenas apresentou planilhas relativas aos itens glosados, estas atendem ao item b) da parte dispositiva da Resolução 3201000.565, de 10/12/2015, acostada às folhas 11.607 a 11.620, processo do Pis, bem como ao item a) da através da Resolução 3301000.314, de 26/04/2017, referente ao processo da Cofins. Neste sentido, cumpre ressaltar que, por parte da fiscalização os motivos do indeferimento, na fase inquisitória, foram os relatados a seguir. Bens Utilizados como Insumo Na época da análise dose pedido de ressarcimento, já havia sido concluído procedimento paralelo realizado por esta Delegacia Especializada, com base no MPF diligência n.º 07185.00.2012.004019, para se conhecer a metodologia de apuração de créditos de PIS e de Cofins utilizada pela mineradora. Trabalho este realizado por intermédio de reuniões e intimações entre auditores fiscais e representantes da empresa, resultando no Manual de Tomada de Créditos elaborado pela Gerência de Planejamento e Controle da Vale S/A, que agora acostase aos autos sob o título “Vale Manual de Tomada de Crédito”, imediatamente antes desta Informação Fiscal. As informações obtidas ao longo do procedimento efetuado para se conhecer a forma de apuração de créditos da VALE foram utilizadas na apreciação dos Pedidos de Ressarcimento da empresa. Cabe observar aqui que a segregação de notas fiscais por CFOP (Código Fiscal de Operação e Prestações) e UTILIZAÇÃO Fl. 12294DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.295 19 para apuração dos créditos de Cofins, critério usado pela Fiscalização, encontrase expressamente consolidado no referido manual. Foi sobre este arcabouço, formado com a ajuda da contribuinte, que o Fisco fez a análise do pedido de ressarcimento em comento. Desta feita, considerando: o fato de que as memórias de cálculo e os arquivos digitais encontramse com CFOP, mas sem indicação do código NCM das mercadorias; a descrição sucinta e/ou codificada dos itens relacionados; a inexistência de referência à conta contábil ou vinculação do produto adquirido ao seu processo produtivo; o grande número de operações; o Manual de Tomada de Créditos apresentado pela contribuinte e o histórico da empresa, utilizamos o Código Fiscal de Operações e Prestações CFOP para apurar os créditos de PIS/Cofins referentes aos Bens utilizados como insumo. Foi assim que foram excluídos da base de cálculo do crédito, todos os itens de nota fiscal que tinham CFOP 1407,1556,2407 e 2556, sem exceção. As glosas elaboradas pela fiscalização, constam no arquivo nãopaginável apresentado pela fiscalizada, acostado aos autos processuais de análise do crédito, junto ao termo de anexação intitulado “BENS INSUMOS 3T2010”, fls. 12.114 do processo 16682.720412/201210 e 11.785 do processo 16682.720400/201295. Serviços Utilizados como Insumo As planilhas originais de glosa dos serviços utilizados como insumo utilizadas pela fiscalização quando da elaboração do Despacho Decisório constam embutidas no documento “Documentos Diversos Outros Glosas referentes ao Ativo Imobilizado”, constante às folhas 10.991 do processo 16682.720400/201295 e às folhas 10.990 do processo 16682.720412/201210. Para visualizar as planilhas, após abrir o documento PDF utilizandose o aplicativo “Adobe Acrobat Reader”, é necessário apertar o “clip”, conforme indicado na figura a seguir: Tal arquivo foi complementado pela empresa diligenciada com os dados preenchidos nas colunas X a AC e se encontra acostado aos autos processuais de Fl. 12295DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.296 20 análise do crédito, junto ao termo de anexação intitulado “GLOSA SERVICOS_INF_COMPLEMENTAR”, fls 12.190 do processo 16682.720412/201210 e 11.861 do processo 16682.720400/201295. Ressalvados os valores e operações mencionados no Relatório desta Informação Fiscal. Os motivos das glosas foram aqueles descritos a seguir e se para saber o motivo pelo qual um item foi glosado, basta consultar as colunas T, U e V do arquivo: § Glosa devido à unidade de controle (UC) em que os serviços foram classificados; § Glosa pela descrição da conta contábil em que foi classificado o serviço; e § Glosa pela própria descrição do serviço. Quando se filtra a planilha, selecionandose o “3º trimestre” na coluna W, nas colunas X a AC desta planilha, obtémse os seguintes dados incluídos pela fiscalizada: § Coluna X: negócio; § Coluna Y: fluxo; § Coluna Z: código da fase do fluxo operacional; § Coluna AA: fase; § Coluna AB: Aplicação; § Coluna AC: natureza Bens do Ativo Imobilizado As planilhas originais de glosa do ativo imobilizado utilizadas pela fiscalização quando da elaboração do Despacho Decisório constam embutidas no documento “Documentos Diversos Outros Glosas referentes ao Ativo Imobilizado 2010”, constante às folhas 10.991 do processo 16682.720400/201295 e às folhas 10.990 do processo 16682.720412/201210. Para visualizar as planilhas, após abrir o documento PDF utilizandose o aplicativo “Adobe Acrobat Reader”, é necessário apertar o “clip”, conforme indicado na figura a seguir: Fl. 12296DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.297 21 Em relação às glosas de bens para o ativo imobilizado importados, na aba “GlosaMEAqBensDescrição” do arquivo “25GlosasImobilizadoMEBens.xls”, devese consultar a coluna “Glosa” para se saber o motivo de cada glosa efetuada pela fiscalização. Em relação às glosas de bens para o ativo imobilizado adquiridos no mercado nacional, na aba “GlosasImobMI_Bens” do arquivo “26GlosaImobilizadoMI Bens.xls”, devese consultar as colunas “CST Cofins NFe”, “Glosa” e “Campo Observações Informa Suspensão” para se saber o motivo de cada glosa efetuada pela fiscalização. Um item pode ter sido glosado por mais de um motivo, neste caso haverá mais de uma coluna preenchida. Em relação às glosas de serviços para o ativo imobilizado adquiridos no mercado nacional, na aba “GlosaImobMIServiço” do arquivo “27GlosaImobilizadoMI Serviços.xls”, todas as glosas ocorreram porque foram consideradas indevidas as descrições CNAE dos estabelecimentos prestadores de serviço. Deste modo, para se saber o motivo de cada glosa efetuada pela fiscalização devese consultar a coluna “Descrição CNAE do Participante”. Tais planilhas foram complementadas pela empresa diligenciada em atenção ao Termo de Início desta diligência e se encontram acostadas aos autos processuais de análise do crédito, junto aos termos de anexação a seguir relacionados: PLANILHA GLOSA ATIVO IMOBILIZADO COMPLEMENTADA Glosa Imobilizado Servicos 3T 2010 GLOSA IMOBILIZADO IMPORTADO Tendo em vista o acima exposto, restaram atendidas pela fiscalização as determinações alocadas na Resolução nº 3201000.565 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara e na Resolução nº 3301000.314 da 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara. Fl. 12297DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.298 22 No entanto, ressaltese que, apesar de intimada e reintimada a prestar os esclarecimentos solicitados para a totalidade da base de cálculo do crédito das contribuições, a fiscalizada se ateve, apenas, aos itens objeto de glosa. Desta forma, faltariam elementos às Turmas julgadoras para concluir ou não pelo direito creditório solicitado, nos pedidos de ressarcimento eletrônicos. E, para constar e surtir os efeitos legais, o presente documento é lavrado, sendo o mesmo encaminhado via Domicílio Tributário Eletrônico DTE, assinado digitalmente pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil. Fica reaberto o prazo de 30 (trinta) dias contados da data de ciência desta Informação Fiscal para a contribuinte, se assim o quiser, apresentar complementação de suas razões de defesa. Em relação ao processo 16682.720400/201295, a Resolução 3301000.314, de 26/04/2017 solicita que, igualmente, se faculte à Fazenda Pública, oportunidade para que possa contraarrazoar a presente Informação Fiscal. Com a devida vênia, entendo que a diligência não foi cumprida, visto que na própria Informação Fiscal afirmase que: “faltariam elementos às Turmas julgadoras para concluir ou não pelo direito creditório solicitado, nos pedidos de ressarcimento eletrônicos”, e mais, não foi elaborado relatório identificando quais dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa com a indicação dos motivos para o indeferimento do pleito do contribuinte. O que fez a Informação Fiscal foi indicar que “Para visualizar as planilhas, após abrir o documento PDF utilizandose o aplicativo “Adobe Acrobat Reader”, é necessário apertar o “clip”, conforme indicado na figura a seguir:”. Grifouse. Esclareçase, por primeiro, que essa foi a deliberação por unanimidade da Turma de Julgamento, quando converteu o julgamento em diligência por intermédio da Resolução nº 3301000.314, por segundo, que no entendimento da Turma se faz necessário para o correto julgamento que o relatório aponte quais são os bens e serviços glosados, bem como, os motivos pelos quais foram glosados, o que resultou em indeferimento ao pleito do Contribuinte. Cito pequenos trechos da manifestação do Contribuinte diante da Informação Fiscal: Com efeito, para indicar os bens e serviços objeto de glosa, o fiscal fez uso de planilhas apresentadas pela própria Recorrente e não indicou de forma fundamentada o motivo de cada glosa, contrariando a determinação exarada por este E. CARF. Ademais, o fisco não se manifestou sobre os laudos apresentados pela Recorrente, ignorandoos, a despeito da ressalva externada por este E. CARF. (...) Segundo o fisco, os motivos pelos quais cada item foi glosado seriam: glosa devido à unidade de controle (UC) em que os serviços foram classificados; glosa pela descrição contábil em que foi classificado o serviço; e glosa pela descrição do serviço. A toda evidência, se trata de motivação genérica e insuficiente dentro do contexto da diligência determinada, que consignou a necessidade de indicação precisa de motivos para indeferimento de cada uma das glosas. Com essas considerações, voto por converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora: Fl. 12298DF CARF MF Processo nº 16682.720412/201210 Resolução nº 3301001.002 S3C3T1 Fl. 12.299 23 a) Intime o contribuinte para que elabore relatório em 90 dias, prorrogável por igual período, identificando quais os grupos dos bens e serviços utilizados que foram objeto de glosa e a correspondência com os laudos técnicos referente ao processo produtivo; b) que a autoridade fiscal se manifeste sobre o Relatório do contribuinte e laudos técnicos. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 12299DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11041.000121/2005-12
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Integra a base de cálculo da Cofins não-cumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem.
RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. OBRIGATORIEDADE.
Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de
específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Cofins não-cumulativa. Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição.
DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins não-cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica.
ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE.
Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte.
DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA UTILIZADOS NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUTIBILIDADE DO CRÉDITO. ADMITIDA.
Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas de locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Cofins não-cumulativa.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA.
Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração.
CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA.
Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-000.467
Decisão: Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as
preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Cofins, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra), relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do
encargo de depreciação dos veículos pesados.
Nome do relator: Jose Fernandes do Nascimento
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO FISCAL DO PROGRAMA FUNDOPEM. RECEITA DE SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Integra a base de cálculo da Cofins nãocumulativa, o valor da receita de subvenção para investimento recebido a título de crédito fiscal presumido do Programa Fundopem. RECEITA DE VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO. RECEITA DE EXPORTAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA DA COFINS. OBRIGATORIEDADE. Somente as vendas para empresa comercial exportadora com o fim de específico, devidamente comprovadas, estão fora do campo de incidência da Cofins nãocumulativa. Na ausência dessa comprovação, os valores supostamente informados com sendo da referida receita devem ser adicionados à base de cálculo da referida Contribuição. DESPESAS COM SERVIÇOS DE TRANSPORTE EM FROTA PRÓPRIA. NÃO ATENDIMENTO DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Por não serem aplicados no processo de fabricação do produto final, não se enquadram no conceito de insumo nem geram direito a crédito da Cofins não cumulativa as despesas com os serviços de transporte realizados em frota da própria pessoa jurídica. ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE VEÍCULOS PESADOS UTILIZADOS NO TRANSPORTE DE CARGA. NÃO ATENDIMENTO Fl. 1DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 2 DO CONCEITO DE INSUMO. DIREITO AO CRÉDITO DA COFINS. IMPOSSIBILIDADE. Somente os encargos de depreciação de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. Por não se enquadrar no conceito de insumo, não dão direito ao referido crédito os encargos de depreciação dos veículos de carga da pessoa jurídica utilizados na própria atividade de transporte. DESPESAS DE ALUGUÉIS DE MÁQUINA E EQUIPAMENTO. LOCAÇÃO DE VEÍCULOS DE CARGA UTILIZADOS NA ATIVIDADE DE TRANSPORTE DA EMPRESA. DEDUTIBILIDADE DO CRÉDITO. ADMITIDA. Quando pagas à pessoa jurídica, as despesas de locação de veículos de carga, utilizados nas atividades de transporte da própria locatária, proporcionam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 LITISPENDÊNCIA ADMINISTRATIVA. FALTA DE ATENDIMENTO DE REQUISITOS. INOCORRÊNCIA. Não ocorre litispendência administrativa se não há identidade quanto ao pedido e à causa de pedir objeto do processo de ressarcimento e compensação e o novo processo de cobrança de crédito tributário formalizado por meio de auto de infração. CONCOMITÂNCIA DE MATÉRIA DISCUTIDA NA ESFERA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. RENÚNCIA TÁCITA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. OCORRÊNCIA. Importa renúncia tácita à instância administrativa, a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do despacho decisório, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo irrelevante que o processo judicial venha a ser extinto com ou sem julgamento do mérito. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: a) por unanimidade, REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) por unanimidade, NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Cofins, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, c.1) por unanimidade, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido; c.2) por maioria, manter na base de cálculo os valores das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem, vencidos os Conselheiros Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi; c.3) pelo voto de qualidade, manter a glosa dos demais créditos, vencidos os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi que mantinham o crédito relativo i) à despesa de transporte com frota própria (somente em relação à compra), Fl. 2DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 914 3 relativamente aos subitens combustíveis, manutenção de veículos e pedágio; e ii) ao valor do encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 10/06/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Tatiana Midori Migiyama, Solon Sehn e Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão nº 1024.671, de 15 de abril de 2010 (fls. 690/697), proferido pelos membros da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (DRJ/POA), em que, por unidade de votos, indeferiram a preliminar de litispendência administrativa, por ausência de previsão normativa, não conhecer da manifestação de inconformidade, quanto à discussão do percentual incidente sobre compras de insumos de pessoas físicas no cálculo do crédito presumido, tendo em vista a identidade de objeto com questão levada ao crivo do Poder Judiciário, declarando a definitividade da discussão na esfera administrativa quanto a este aspecto. No mérito, quanto às questões não abrangidas pela ação judicial, julgaram procedente em parte a manifestação de inconformidade, cancelando a glosa dos valores relativos às Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade, e não homologaram as compensações declaradas, tendo em vista a inexistência de direito creditório passível de compensação, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 FUNDOPEM BASE DE CÁLCULO. INCENTIVO FISCAL. INCLUSÃO. Resta irrelevante se os valores ora discutidos classificamse como subvenções para investimento ou para custeio, dado coadunaremse, de um ou de outro modo, com a receita bruta conceituada como acréscimo de patrimônio, sendo que, independentemente da natureza jurídica apurada, tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão da base de cálculo da contribuição que é a universalidade das receitas. VENDA PARA EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA ISENÇÃO Para gozar do benefício previsto no art. 6º, III da Fl. 3DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 4 Lei nº 10.833/2003 as vendas efetuadas para empresa comercial exportadora deverão ter fim específico de exportação. CONCOMITÂNCIA DE AÇÃO JUDICIAL A propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou posteriormente à autuação/despacho decisório, com o mesmo objeto, importa a renúncia às instâncias administrativas, ou desistência de eventual recurso interposto. CRÉDITO IMPOSSIBILIDADE Apenas os custos e as despesas elencadas nos incisos do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 geram créditos de Cofins pela sistemática da não cumulatividade. BONIFICAÇÃO DE RASTREABILIDADE E BONIFICAÇÃO DE FIDELIDADE CRÉDITO POSSIBILIDADE Não há como dissociar do valor do insumo o montante pago ao produtor a título de Bonificação por Fidelidade e por Rastreabilidade, uma vez que esses valores dependem diretamente das características do insumo. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Outros Valores Controlados Por bem descrever os fatos registrados nos autos até prolação do Acórdão recorrido, adoto o Relatório nele encartado, que segue transcrito: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido pela DRF Pelotas (fls.544/548), que revisou de ofício Despacho anteriormente proferido (fls.239) e não reconheceu o direito creditório de valores referentes à Cofins nãocumulativa dos períodos de apuração outubro a dezembro de 2004 e não homologou as declarações de compensações apresentadas. A revisão de ofício teve origem na entrega de PER/DCOMP complementares por parte da interessada. O Fiscal encarregado de verificar os créditos pleiteados nas novas PER/DCOMP constatou a inexistência de direito creditório reconhecido anteriormente, elaborando a Informação Fiscal de fls.518/541, indicando as seguintes irregularidades: a) Não inclusão na base de cálculo das contribuições em comento de receitas recebidas a título de crédito fiscal denominado Fundopem; b) Exclusão indevida da base de cálculo das contribuições de Vendas equiparadas à exportação; c) Inclusão indevida de créditos calculados sobre despesas relativas a transporte realizado com frota própria; d) Inclusão indevida de créditos calculados sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de gado; Fl. 4DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 915 5 e) Utilização de alíquota incorreta no cálculo do crédito presumido de insumo adquiridos de pessoas físicas; f) Inclusão indevida de créditos calculados sobre encargos de depreciação de veículos pesados e de bens de informática, bem como apropriação acumulada desses encargos ; g) Inclusão indevida de créditos referentes à locação de veículos de transporte. Na manifestação de inconformidade, tempestivamente apresentada, a interessada (fls. 576/625) alega, preliminarmente, a litispendência administrativa do presente processo com o de nº 11080.011387/200869, cujo objeto são autos de infração relativos ao PIS e à Cofins nãocumulativos dos períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, onde estariam sendo discutidas as mesmas glosas objeto do presente manifestação. Pleiteia o cancelamento da cobrança dos valores compensados, uma vez que não haveria decisão definitiva proferida no processo principal (11080.011387/200869). Passa a discorrer a respeito do crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas, considerando não existir divergência a respeito do fato da empresa na condição de adquirente de animais vivos para abate possuir o direito de calcular crédito presumido sobre essas aquisições, residindo a divergência no percentual a ser aplicado para o cálculo do referido crédito. Transcreve a legislação que trata do assunto. Defende a aplicação do percentual de 60% (inciso I, § 3º do art. 8º da Lei nº 10.925/2004) alegando que produz mercadorias classificadas no capítulo 2 e assim faria juz a aplicação deste percentual sobre o valor dos insumos adquiridos de pessoa física, independente da classificação do insumo em si. Por fim, argumenta que à época dos fatos geradores não existiria o inciso III, do § 3º da Lei 10.295/2004, onde consta o percentual de 35% aplicado pela Fiscalização, entendendo que tal dispositivo só teria sido trazido ao mundo jurídico com o advento da Lei nº 11.488/2007, e portanto, não poderia ser aplicado aos períodos de apuração objeto do presente processo. Passa a descrever o circuito de produção da carne, a qual se inicia com a aquisição do animal vivo com o transporte em veículo adequado, passando pelo abate e condições de higiene e refrigeração. Alega ser do produtor da carne toda a responsabilidade com o seu transporte e conservação, sendo justamente a conservação, o correto manuseio e abastecimento do mercado, o que o produtor da carne agregaria ao seu produto. Sendo assim, os caminhões boiadeiros e demais veículos pesados, com câmaras frias móveis seriam partes integrantes e indissociáveis da produção e fornecimento da carne. Alega que a redação inicial dada pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 albergaria a depreciação de todos os bens incorporados ao ativo imobilizado utilizados no processo de Fl. 5DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 6 produção dos bens a serem vendidos, gerando créditos passíveis de dedução das contribuições para o PIS e a Cofins. Acredita que os veículos que transportam gado até a planta frigorífica, bem como aqueles que fazem o transporte de produtos em produção entre as plantas e ainda os veículos que transportam o produto pronto até o consumidor cumpririam papel imprescindível no processo de produção do alimento, estando a qualidade de seu produto intrinsecamente relacionado ao adequado transporte. Alega afronta ao princípio da isonomia por entender que se contratasse o transporte de terceiros teria direito a tal crédito. Discorda da tributação dos valores recebidos do Fundopem, afirmando que se trata de um financiamento de parcela de até 75% do ICMS devido mensalmente pelo estabelecimento incentivado, observados alguns limites. Afirma que as isenções ou reduções de tributos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos se caracterizam, no âmbito da legislação tributária, como subvenções para investimentos. A legislação do imposto de renda exclui expressamente da sua base tributável o valor recebido a título de subvenção. A Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008 ao instituir o “regime tributário de transição”referendou a neutralidade dos incentivos fiscais para fins de incidência dos tributos sobre a renda e a receita. Os valores colocados à disposição do subvencionado para que este os aplique exclusivamente na instalação ou ampliação do empreendimento objeto do incentivo fiscal. Devem ser registrados como reserva de capital, fazendo parte dos resultados nãooperacionais, não sendo computados na determinação do lucro real. Não há renda nem provento se não houver acréscimo patrimonial. Subvenções para investimento não compõem a receita bruta da pessoa jurídica e portanto não deveriam compor a base de cálculo das contribuições para o PIS e a Cofins. Junta demonstrações financeiras da empresa onde estaria comprovado que os valores recebidos foram registrados como reserva de capital e utilizados para compensação de prejuízos no exercício de 2006, tudo conforme determinado pela legislação para enquadramento como subvenção de investimento. Ataca a determinação contida no § 1º do art. 45 do decreto nº 4.524/2002 que considera adquiridos com o fim específico de exportação os produtos remetidos diretamente do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora. Entende que as Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 não teriam estabelecido tal requisito, excedendose o Poder Executivo na regulamentação, e o Fisco na exigência de comprovação de remessa para recinto alfandegado. No que diz respeito ao crédito calculado sobre Bonificações por Fidelidade e por Rastreabilidade pagas a fornecedores de bois vivos, afirma que o preço deste insumo é composto por três elementos: a) o preço de tabela por quilo, a rendimento; Fl. 6DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 916 7 b) um adicional pelo fato dos animais atenderem ao requisito da rastreabilidade (denominado bonificação por rastreabilidade); e c) um adicional pela qualidade da carne do exemplar (boi), definido pelo percentual de gordura em relação ao volume total da carcaça e pela regularidade das entregas de animais pelo produtor rural (denominado bonificação por fidelidade); Dessa forma, acredita que tanto o crédito presumido calculado sobre aquisições pessoas físicas como o crédito calculado sobre aquisições de pessoa jurídica deveriam incidir sobre essas parcelas que compõem o preço total dos insumos. Essas parcelas constariam das notas fiscais e dos contratos de fornecimento celebrado entre as partes, não se dissociando do preço das mercadorias. Pondera ser o produto final dependente da qualidade dos insumos, informando que seus clientes impõem condições para aquisição da carne. Exemplifica afirmando que a rastreabilidade do animal é obrigatória na venda para países europeus. Anexei às fls. 653/688 cópia da petição inicial do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, onde a interessada discutiu a alíquota a ser aplicada sobre as aquisições de pessoas físicas para fins de cálculo do crédito presumido. Sobreveio o Acórdão recorrido, sendo dele cientificada a Interessada, por via postal (fl. 703), em 28/05/2010. Inconformada, interpôs o Recurso Voluntário de fls. 704/762, protocolado em 21/06/2010 (fl. 704), em que reapresentou as razões de defesa aduzidas na Manifestação de Inconformidade de fls. 576/625. Em aditamento, pleiteou a nulidade parcial do Acórdão recorrido, para que fosse apreciada o mérito da questão não conhecida no referido julgado, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre as compras dos insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que não se configurou a alegada concomitância de julgamento da dita matéria, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material abordado e inexistindo a coisa julgada, formal ou material. No final, requereu o seguinte: a) em preliminar: a.1) fosse reconhecida a litispendência administrativa e anulados os atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, retornando os autos à Unidade da Receita Federal de origem, para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no processo administrativo nº 11080.011387/200869; e a.2) caso não provida a primeira preliminar suscitada, que fosse reconhecida a nulidade da parte da decisão recorrida que não conheceu do mérito, sob o argumento de que houve concomitância com a esfera judicial, com a devolução dos autos à instância a quo, para realização de novo julgamento, com apreciação do mérito da matéria que não fora conhecida; e Fl. 7DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 8 b) no mérito: caso rejeitadas as preliminares, fato que admitia apenas a título argumentativo, fosse conhecido e apreciado integralmente o mérito do presente Recurso, inclusive no que toca ao percentual do crédito presumido, para que fosse reformada a decisão recorrida, na parte que lhe foi desfavorável, para que lhe fossem reconhecidos os créditos da Cofins, apurados sob o regime não cumulativo, e canceladas as cobranças dos débitos, com a conseqüente homologação das compensações declaradas. Em cumprimento ao despacho de fl. 912, os presentes autos foram enviados a este e. Conselho. Na Sessão de fevereiro de 2011, em cumprimento ao disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, foram distribuídos, mediante sorteio, para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento, com exceção da matéria que trata do percentual do crédito presumido, por concomitância de ação judicial. I DAS PRELIMINARES Em preliminar, a Recorrente alegou: a) nulidade do Despacho Decisório e dos atos processuais subsequentes, sob alegação de que houve litispendência administrativa, uma vez que a matéria discutidas nos presente autos seria a mesma objeto do processo nº 11080.011387/200869; e b) nulidade parcial do Acórdão recorrido, na parte concernente à questão que abordava a legalidade do percentual do crédito presumido da atividade agropastoril, matéria não conhecida pela instância a quo, sob o argumento de que havia concomitância de discussão sobre tal matéria na esfera judicial e administrativa. Da litispendência administrativa. No presente Recurso, pleiteou a Interessada a reforma do Acórdão recorrido, para que fosse reconhecida a preliminar de litispendência e anulados os demais atos processuais a partir do Despacho Decisório, inclusive, determinadose o retomo dos autos à Unidade da Receita Federal de origem, para que o julgamento dos presentes autos fosse procedido somente após o julgamento e à luz da decisão definitiva proferida nos autos do processo administrativo de nº 11080.011387/200869, que trata da cobrança dos valores da Cofins nãocumulativa (períodos de apuração abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005) e Cofins nãocumulativa (períodos de apuração agosto de 2004 a dezembro de 2005). Alegou a Recorrente que o processo nº 11080.011387/200869 seria o principal, pois continha a discussão de toda a matéria de mérito objeto deste processo, logo, Fl. 8DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 917 9 com a impugnação daquele, estaria suspensa a exigibilidade dos valores nele lançados de ofício, bem como, via de consequência, todos os demais valores exigíveis com base no desdobramento da mencionada ação fiscal, incluindo os débitos cobrados nos presentes autos, em decorrência da nãohomologação das compensações declaradas. Não procede a alegação da Recorrente, com a devida vênia. No caso, embora algumas questões de méritos estejam sendo abordadas em ambos os processos, na verdade, o objeto deste processo é distinto daquel’outro. Com efeito, enquanto nos presentes autos discutese o direito ao ressarcimento de créditos da Cofins nãocumulativa do 4º trimestre de 2004 e a não homologação da compensação dos débitos discriminados nas Cartas de Cobrança de fls. 699/700, por insuficiência do valor crédito informado, no citado processo a discussão gira em torno da exigência das diferenças dos débitos da Cofins dos meses de abril de 2004 e agosto de 2004 a dezembro de 2005, formalizada por meio de auto de infração. No âmbito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF) federal, inexiste dispositivo disciplinando a alegada litispendência administrativa. O assunto encontrase abordado no Código de Processo Civil (CPC), especificamente no inciso V e §§ 1º a 3º do art. 301, que têm a seguinte redação, in verbis: Art. 301 Competelhe, porém, antes de discutir o mérito, alegar: (...) V litispendência; (...) § 1º Verificase a litispendência ou a coisa julgada, quando se reproduz ação anteriormente ajuizada. § 2º Uma ação é idêntica à outra quando tem as mesmas partes, a mesma causa de pedir e o mesmo pedido. § 3º Há litispendência, quando se repete ação, que está em curso; há coisa julgada, quando se repete ação que já foi decidida por sentença, de que não caiba recurso. (...) Assim, no âmbito do processo civil, ocorre a litispendência quando duas causas são idênticas quanto às partes, pedido e causa de pedir. Em outras palavras, quando a nova ação que repete outra que já fora ajuizada, sendo idênticas as partes, o conteúdo e o pedido formulado. Dessa forma, ainda que aplicável ao PAF o referido instituto, por força do princípio da subsidiariedade, no presente caso não restou configurada a alegada litispendência administrativa, haja vista não haver identidade do objeto deste processo com o do processo nº 11080.011387/200869, pois, conforme anteriormente demonstrado, o pedido e à causa de pedir são distintas. Fl. 9DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 10 Com essas considerações, rejeito a presente preliminar. Da nulidade parcial do Acórdão recorrido. No presente Recurso, pleiteou a Interessada que, caso não acatada a primeira preliminar, fosse decretada a nulidade da parte do Acórdão recorrido que não conhecera da questão de mérito, atinente ao percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, sob o argumento de que a matéria fora submetida ao crivo do Poder Judiciário, por meio do Mandado se Segurança nº 2008.71.00.0301210, configurando concomitância entre as instâncias administrativa e judicial. Alegou a Recorrente que não existiu a mencionada concomitância, por duas razões: (i) o processo judicial não havia se aperfeiçoado, considerando a inexistência de intimação/citação válida da parte impetrada e do litisconsorte passivo necessário, e, (ii) o feito foi extinto sem julgamento de mérito, por desistência da parte impetrante, ora recorrente, não tendo sido resolvido o direito material, inexistindo a coisa julgada, formal ou material. Com devido respeito, não procedem as alegações da Recorrente, haja vista que, a simples propositura, pelo contribuinte, da ação judicial “importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto”, conforme expressamente determina o § 2o do art. 1o do Decretolei nº 1.737, de 1979, e o parágrafo único do art. 38 da Lei nº 6.830, de 1980, a seguir transcritos: Art. 1º Serão obrigatoriamente efetuados na Caixa Econômica Federal, em dinheiro ou em Obrigações Reajustáveis do Tesouro Nacional ORTN, ao portador, os depósitos: (...) § 2º A propositura, pelo contribuinte, de ação anulatória ou declaratória da nulidade do crédito da Fazenda Nacional importa em renúncia ao direito de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso interposto. (...) Art. 38 A discussão judicial da Dívida Ativa da Fazenda Pública só é admissível em execução, na forma desta Lei, salvo as hipóteses de mandado de segurança, ação de repetição do indébito ou ação anulatória do ato declarativo da dívida, esta precedida do depósito preparatório do valor do débito, monetariamente corrigido e acrescido dos juros e multa de mora e demais encargos. Parágrafo Único A propositura, pelo contribuinte, da ação prevista neste artigo importa em renúncia ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. Nos termos do art. 263 do CPC, a ação judicial considerase proposta na data em que a petição inicial é despachada pelo juiz, ou simplesmente distribuída, onde houver mais de uma vara. Todavia, em relação a réu, só produz os efeitos mencionados no art. 219 do CPC depois da citação válida. Logo, em conformidade com o referido comando legal, não é necessário que haja citação válida da Fazenda Nacional ou da autoridade coatora (no caso de mandado de Fl. 10DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 918 11 segurança), nem tampouco que haja decisão de mérito, como suscitado pela Recorrente, para que se materialize a renúncia tácita ao poder de recorrer na esfera administrativa e desistência do recurso acaso interposto. De qualquer forma, para que se configure tal impedimento, resulta de todo irrelevante que o processo tenha sido extinto, no judiciário, com ou sem julgamento do mérito, nos termos do art. 267 do CPC. É de sabença que não se aplica ao processo de mandado de segurança o disposto no art. 214 do CPC, conforme alegação da Recorrente. Neste sentido, dispõem os arts. 19 e 20 nº Lei nº 1.533, de 31 de dezembro de 1951 (revogada), bem como o art. 26 da Lei nº 12.016, de 7 de agosto de 2009 (revogadora). Por oportuno, cabe esclarecer que, no âmbito do citado Mandado Segurança, foi proferida decisão liminar1, com seguinte teor, in verbis: DECISÃO (liminar/antecipação da tutela) Em um juízo preliminar, pareceme correta a interpretação da autoridade impetrada. Em síntese, o artigo 8º, § 1º, inciso I, da Lei nº 10.925, de 2004, estabelece que a pessoa jurídica que produza mercadoria de origem animal, classificada no capítulo 2 da NCM, destinados à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da contribuição para o PIS e COFINS, 60% da alíquota incidente sobre o valor das aquisições de produtos de origem animal classificados no capítulo 2 da NCM. De sua vez, a pessoa jurídica que produz mercadoria de origem animal, igualmente classificada nos capítulos 2 e 3 da NCM, porém, tenha adquirido produtos que não se enquadrem no capítulo 2 (entre outros), poderão deduzir das contribuições (PIS e COFINS) 35% da alíquota incidente sobre as mencionadas aquisições. Vejase que a regra diferencia dois momentos: [i] a produção; [ii] a aquisição da mercadoria de origem animal. No caso dos autos, a impetrante produz mercadoria de origem animal, classificada nos capítulos a que faz referência o caput do artigo 8º; contudo, as aquisições não se enquadram no inciso I, porém, na hipótese residual do inciso III (35% da alíquota sobre o valor da aquisição de "demais produtos"). No mais, não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio. Ante o exposto, indefiro a liminar. (1) Intimese. (2) Notifique se para prestar informações. (3) Abrase vista ao Ministério Público Federal. Porto Alegre, 25 de novembro de 2008. (grifos do original) 1 Disponível em: <http://www.jfrs.jus.br/processos/acompanhamento/>. Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 11DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 12 Além disso, a referida decisão foi agravada perante o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4), dando origem ao Agravo de Instrumento nº 2008.04.00.042442 0/RS, em que a Relatora Designada proferiu a seguinte decisão2, in verbis: É o relatório. Decido. O presente recurso deve observar o disposto na Lei nº 11.187/2005 que alterou os artigos do CPC que normatizam o processamento do agravo de instrumento. Nos termos da referida alteração legislativa, os artigos 522 e 527 passaram a estabelecer, como regra, o agravo retido, reservando o agravo de instrumento, propriamente dito, para atacar as decisões que: inadmitirem a apelação; abordarem os efeitos de recebimento do apelo e para aquelas decisões que possam causar às partes lesão grave e de difícil reparação. Sendo que para a última o ônus de comprovar tal lesão é do recorrente. Na espécie, não logrou a parte agravante demonstrar onde residiria o risco de lesão e de difícil reparação a justificar a concessão do provimento negado no primeiro grau. Como bem apontou o juízo a quo, verbis " não vejo nulidade no auto de infração, capaz de ser corrigida ab initio". Assim, não havendo demonstração de situação excepcional a justificar a admissão do agravo de instrumento, inviável o processamento do recurso. Por fim, sinalo que não se pode confundir os prejuízos financeiros que a parte possa vir a sofrer com o dano irreparável ou de difícil reparação previsto no instituto processual civil. Assim sendo, converto o agravo de instrumento em agravo retido e determino sua remessa à Vara de origem, por se tratar de decisão irrecorrível (art. 527, § único, CPC). Intimemse. Porto Alegre, 27 de novembro de 2008. Tais decisões representam a prova inequívoca de que, antes da extinção da referida ação judicial, a respectiva relação jurídicoprocessual já se encontrava devidamente consolidada. Ademais, o citado pedido de desistência somente foi apresentado depois proferidas as referidas decisões judiciais. De qualquer forma, a simples propositura da referida ação judicial, para discutir o percentual do crédito presumido incidente sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas, questão também objeto deste processo, implica renúncia tácita à instância administrativa, por coincidência de matéria litigiosa levada à apreciação desta instância e da instância judicial. No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste e. Conselho, conforme entendimento consignado na Súmula Carf nº 1, divulgada por intermédio da Portaria Carf nº 106, de dezembro de 2009, o cujo enunciado segue transcrito: 2 Disponível em: <http://www.trf4.jus.br/trf4/processos>: Acesso em: 27 abr 2011. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 919 13 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Com essas considerações, rejeito a presente preliminar e, em conformidade com a decisão de primeiro grau, também não conheço da referida matéria, em razão da concomitância de ação judicial proposta com o mesmo objeto. Superadas todas as questões preliminares, passo a análise do mérito da presente lide. II DO MÉRITO Em relação ao mérito, pelas razões expostas no tópico precedente, deixo de conhecer da matéria referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre os insumos adquiridos de pessoas físicas. Dessa forma, resta analisar apenas as seguintes questões: a) não inclusão na base de cálculo da Cofins dos valores: a.1) das receitas de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal (crédito presumido), concedido pelo governo do Estado do Rio Grande do Sul, no âmbito do Programa Fundopem; e a.2) das receitas equiparadas à exportação, decorrentes das vendas realizadas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação; e b) inclusão indevida, na base de cálculo dos créditos da dita Contribuição, do valor b.1) das despesas com transporte realizado em frota própria; b.2) dos encargos de depreciação de veículos pesados; e b.3) das despesas de locação de veículos de transporte de carga. II.1 Das Receitas não Incluídas na Base de Cálculo da Contribuição Na apuração do valor dos débitos da Cofins do período em apreço, a Interessada excluiu da base de calculo os valores das receitas: (i) de subvenção para investimento, recebidas a título de incentivo fiscal do Programa Fundopem; e (ii) equiparadas à exportação, decorrentes das vendas realizadas à empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação. Das receitas recebidas a título de incentivo fiscal do Fundopem. Segundo o item 1 da Informação Fiscal que serviu de fundamento para o prolação da decisão consignada no contestado Despacho Decisório, os valores recebidos a título de crédito presumido do Programa Fundopem integravam a base de cálculo da Cofins, definida no caput e § 1º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, pois, de acordo com disposto no § 3º do referenciado artigo 1º, não havia previsão para exclusão desse tipo receita do cômputo da referida base de cálculo. No mesmo sentido, o Órgão julgador a quo manteve incólume a decisão consignada no citado Despacho Decisório, com respaldo no argumento de que, dada a Fl. 13DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 14 universalidade do conceito legal da base de cálculo da Cofins, independentemente do tipo de subvenção (corrente ou para investimento), este tipo de receita não se encontrava dentre as possíveis hipóteses de exclusão da dita base de cálculo. Por outro lado, no presente Recurso, a Interessada reafirmou o direito de excluir da base de cálculo da Cofins o valor recebido, a título de crédito fiscal, do Programa Fundopem, sob a alegação de que tal receita consistia num tipo de subvenção para investimento, expressamente excluída da base de calculo do Imposto de Renda de Pessoa Jurídica (IRRJ). Assim, fica evidenciado que o cerne da presente controvérsia envolve a definição da base de cálculo da Cofins nãocumulativa, assunto que se encontra expressamente disciplinado no caput e nos §§ 1º e 2º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcritos: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2o A base de cálculo da contribuição é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...) (grifos não originais). Tratase, evidentemente, de conceito abrangente e que inclui, portanto, todas as modalidades de receita auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da denominação ou classificação contábil, ou seja, alcança as receias operacionais e as não operacionais, compreendendo tanto as receitas decorrentes de venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia quanto todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. As únicas modalidades de receita, excluídas da mencionada base de cálculo, são aquelas taxativamente discriminadas no § 3º3 do citado art. 1º, dentre as quais não se inclui a receita de subvenção para investimento, recebida a título de incentivo fiscal. 3 "§ 3o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Fl. 14DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 920 15 É oportuno esclarecer ainda que, por falta de previsão legal, o disposto no art. 4434 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999 (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999), que autorizava a exclusão da referida receita da composição do lucro real, base de cálculo do IRPJ, não se aplica ao caso em tela, conforme alegado pela Recorrente, haja vista que há regramento próprio dispondo sobre assunto, conforme exposto precedentemente. Com efeito, em consonância com disposto no § 12° do art. 195 da Constituição Federal de 1988, com a redação dada pela Emenda Constitucional n° 42, de 19 de dezembro de 2003, o regime da nãocumulatividade, previsto para a cobrança das contribuições sociais incidentes sobre a receita ou faturamento, onde se enquadra a Cofins, deve ser instituído nos termos de lei específica. Nesse sentido, no âmbito do regime nãocumulativo de cobrança da Cofins, com respaldo nos incisos III, IV e VI do art. 97 do CTN, coube à Lei nº 10.833, de 2003, definir o fato gerador, fixar a alíquota e base de cálculo da dita Contribuição, bem como a forma de desconto do valor incidente nas operações anteriores, as condições e requisitos relativos ao aproveitamento de créditos, bem como as despesas e custos para os quais são permitidos o creditamento. Dessa forma, resta esclarecido que não se pode aplicar os casos autorizados de dedutibilidade previstos na legislação do imposto de renda, para fim de apuração da base de cálculo da Cofins, na forma do regime nãocumulativo, posto que há regramento específico que disciplina a matéria que, necessariamente, deve ser observado. Com essas considerações, fica esclarecido que os valores recebidos do Fundopem pela Interessada, a título de crédito fiscal presumido, embora qualificados como receita de subvenção para investimento, integram a base de cálculo da Cofins nãocumulativa, conforme entendimento esposado no Acórdão recorrido. Das receitas decorrentes das vendas à empresa comercial exportadora. No presente item, discutese o direito de a Recorrente excluir da base de cálculo da Cofins nãocumulativa, o valor das receitas decorrentes das operações de vendas à empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, por força da previsão da não incidência estabelecida no inciso III do art. 6º da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.945, de 2009)". 4 "Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas". Fl. 15DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 16 II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) (grifos não originais). No item 2 da referida Informação Fiscal, informou a Autoridade Fiscal o seguinte, in verbis: A interessada excluiu da Base de Cálculo da contribuição para a Cofins valores referentes a vendas equiparadas à exportação, porém uma vez intimada a comprovar estas operações pela Intimação n° 008 de 14/08/2008 (fls 513 à 517), nada informou sobre este período, tão pouco comprovou estas exportações sequer tendo informado os números das notas fiscais que foram exportadas, portanto deixamos de considerar os valores lançados em Dacon como sendo vendas equiparadas à exportação, por absoluta falta de comprovação do solicitado destas operações. No presente Recurso, as alegações apresentadas pela Recorrente referemse à exigência de remessa direta do produto vendido do estabelecimento industrial para embarque de exportação ou para recintos alfandegados, por conta e ordem da empresa comercial exportadora, determinada no § 1º do art. 45 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002, matéria estranha aos presentes autos. Com efeito, no caso presente, o motivo que levou a reclassificação do valor referida receita para o campo de incidência, mediante inclusão no cômputo da base de cálculo da referida Contribuição, foi o fato de a Interessada, apesar de devidamente intimada, não ter comprovado a realização das supostas vendas para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. Assim, diante da ausência de prova de que foi realizada a citada venda, na forma como determina a legislação, deve o valor da referida receita ser incluído na base cálculo da citada Contribuição. Com base nesses esclarecimento, entendo que o Órgão de julgamento de primeiro grau decidiu com acerto a presente controvérsia, não merecendo qualquer reforma, neste ponto, o Acórdão recorrido. II.2 – Da Glosa dos Valores Incluídos na Base de Cálculo dos Créditos da Contribuição Na apuração do valor dos créditos da Contribuição do período em apreço, a Interessada incluiu na base de cálculo o valor (i) das despesas com transporte realizado em frota própria; (ii) dos encargos de depreciação de veículos pesados; e (iii) das despesas de locação de veículos de transporte de carga. Antes de analisar a controvérsia em torno de cada uma das questões suscitadas, entendo pertinente apresentar uma breve digressão acerca do disciplinamento legal do regime de créditos da Cofins nãocumulativa. Do regime de creditamento da Cofins nãocumulativa. Fl. 16DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 921 17 Conforme anteriormente exposto, a definição e o disciplinamento do regime jurídico da nãocumulatividade das contribuições incidentes sobre a receita ou faturamento foram atribuídos ao legislador ordinário, nos termos do § 12 do art. 195 da Constituição Federal de 1988, acrescentado pela Emenda Constitucional nº 42, de 19 de dezembro de 2003, a seguir transcrito: Art. 195 A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Alterado pela EC000.020 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; b) a receita ou o faturamento; c) o lucro (...) § 12. A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão nãocumulativas. (...) (grifos não originais). Em conformidade com o disposto no referido preceito constitucional, foi editada a Lei nº 10.833, de 2003, que, de forma exaustiva, define e disciplina o regime jurídico da nãocumulatividade da Cofins. O regime de apuração dos créditos encontrase exaustivamente disciplinado no art. 3º do mencionado diploma legal, que dispõe acerca dos créditos permitidos, a forma e o período de apuração, as vedações etc. Dessa forma, na presente analise, será levada em conta apenas o disposto no referido preceito legal, complementado pela legislação esparsa que regulamenta a matéria. Assim, neste tópico não será levado em consideração, por serem estranhas ao objeto da presente controvérsia, o regime de deduções permitidas na legislação do IRPJ nem tampouco o regime de crédito estabelecida na legislação do IPI. Da glosa dos créditos apurados sobre as despesas de transporte com frota própria. No âmbito do regime nãocumulativo de apuração da Cofins, dentre as operações geradoras de créditos, passíveis dedução do valor do débito do respectivo período, destacamse as previstas no inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pelo art. 21 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, a seguir transcrito:: Fl. 17DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 18 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) De acordo com a citada Informação Fiscal, as despesas de transporte com frota própria não se enquadravam no conceito de insumo estabelecido no transcrito inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o estabelecido nas alíneas “a” e “b” do § 4º do art. 8º da Instrução Normativa SRF nº 404, de 2004, que seguem transcritos: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: (...) b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (...) 4° Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; (...) (grifos não originais) Segundo a Fiscalização, a Interessada atua no setor de frigorífico, especificamente na atividade de industrialização de carnes, na modalidade de abate de bovinos, Fl. 18DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 922 19 cujos produtos finais são cortes de carcaça e couro bovino, conforme exposto no itens a seguir transcritos: 2. A empresa atua no setor frigorífico procedendo a industrialização de carnes, na modalidade abate de bovinos, transformandoos em cortes específicos e meias carcaças, isto é, compra animais vivos para abate, realiza o abate e separa os cortes em peças, desossadas ou não, embalandoas para comercialização tanto no mercado interno, quanto no mercado externo. A empresa também comercializa o couro proveniente dos animais que abate. 3. O produto acabado da empresa resumese a cortes de carcaça de bovinos (picanha, costela, patinho, acém, etc.) embalados "in natura" e prontos para comercialização, além do couro. Diante do exposto, fica esclarecido que, para a Fiscalização, o processo de produção ou industrialização da Recorrente iniciase com abate dos bovinos e termina com a embalagem dos produtos finais (carcaça, carne e couro). Logo, segundo esse entendimento, não seria insumo os demais dispêndios não aplicados ou consumidos na produção ou fabricação dos produtos finais. De outra banda, alegou a Recorrente que tinha direito aos referidos créditos, pelas seguintes razões, ipsis litteris: O processo de produção do produto compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega da carne com qualidade para o consumo humano, de modo que, tanto as despesas com a manutenção desses veículos, o combustível do transporte e da operação das câmaras frias, geram direito a crédito tanto de PIS quanto de COFINS. Não se pode deixar de enfatizar que as glosas em comento acalentam também uma ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, que dispensa digressões por se tratar de um dos pilares constitucionais do Sistema Tributário Nacional, haja vista que, não fosse verticalizado o Frigorífico Mercosul, ou seja, se este contratasse o transporte dos bois e da carne de terceiros, teria o crédito sobre o valor do serviço de transporte. É simplesmente um absurdo glosar os créditos sobre os custos incorridos no transporte com meios próprios, que é a opção do contribuinte em função da viabilidade (haja vista os volumes de bois, de carcaças e de carne que movimenta) e o cuidado com a qualidade do produto. Da leitura do excerto transcrito, fica claro que, para a Recorrente, o seu processo de produção compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos finais industrializados (carcaça, carne e couro) no estabelecimento do cliente. Assim, segundo esse entendimento, seria insumo tanto as despesas com realizadas com o transporte dos animais vivos como dos produtos finais entregues nos estabelecimentos dos clientes. Assim, fica demonstrado que o ponto fulcral da presente controvérsia está relacionado com a definição do processo de produção da Interessada. Para a Autoridade Fiscal Fl. 19DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 20 e o Colegiado julgador a quo, seriam considerados insumos apenas os bens e serviços consumidos ou aplicados na fabricação dos produtos finais, no âmbito do estabelecimento industrial. Em consequência, estariam excluídos da definição de insumo de produção todas as demais despesas realizadas antes e depois do processo de industrialização. De outra parte, sob o argumento de que o seu processo produtivo compreende desde os cuidados com os animais vivos até a entrega dos produtos acabados ao cliente, alegou a Recorrente que as despesas realizadas com o transporte dos animais vivos (da fazenda de criação até o abatedouro) e dos produtos finais vendidos (do abatedouro até o estabelecimento dos clientes) enquadravamse no conceito de insumo, logo tinha direito aos respectivos créditos. No entendimento da Recorrente, os denominados veículos boiadeiros e frigoríficos da sua frota de transporte seriam considerados bens de produção, por conseguinte as despesas de combustíveis e manutenção realizadas com tais veículos estariam compreendidas no conceito de insumo. Não procedem as alegações da Recorrente, pois, nos termos do inciso II do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, são considerados insumos somente as despesas vinculadas aos serviços aplicados “na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda” ou seja, aplicados no processo produtivo. No presente caso, obviamente, as despesas realizadas com os referidos veículos estavam relacionadas com os serviços de transporte prestados nas fases anterior e posterior ao processo industrialização dos produtos vendidos. Segundo a Recorrente, resultaria ilógica e odiosa afronta ao princípio da isonomia, o fato de a despesa com frete contratado e pago a terceiros dar direito a crédito, enquanto que a despesa com o mesmo serviço de transporte, realizado em veículos da própria Interessada, não propiciar tal direito. Essa alegação se refere ao disposto no inciso IX5 do art. 3° da Lei n° 10.833, de 2003, que assegura o direito de crédito aos pagamentos das despesas de frete na operação de venda, em que o ônus seja suportado pelo vendedor. Não existe a alegada isonomia. No meu entendimento, as despesas com frete são distintas das despesas com combustível, peças de reposição, manutenção, pedágio e serviços de honorários realizados com os veículos de transporte de carga da frota da Interessada, conforme discriminado nas tabelas de fls. 526/527. De qualquer forma, no caso em tela, por falta de previsão legal, as despesas realizadas com os referidos veículos de transporte não dão direito a crédito da Cofins não cumulativa, pois não se enquadram na definição de insumo aplicado ou consumido na fabricação dos produtos vendidos, conforme entendimento da Autoridade Fiscal, ratificado no Acórdão recorrido. Nesse sentido, o entendimento do Tribunal Regional Federal (TRF) da 5a Região, conforme consignado no julgado a seguir transcrito6: 5 "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...)". 6 TRF da 5a Região. Quarta Turma. Apelação Civel no 508.684. Relatora: Desembargadora Federal Margarida Cantarelli. Data da decisão: 09/11/2010. Publicada no DJU de 11/11/2010. Fl. 20DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 923 21 TRIBUTÁRIO. CREDITAMENTO DE INSUMOS. PIS E COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. ARTIGO 3º, II, DAS LEIS N.º 10.637/02 E 10.833/03. ABRANGÊNCIA DOS BENS E SEVIÇOS UTILIZADOS NA PRESTAÇÃO DO SERVIÇO E FABRICAÇÃO DE MERCADORIAS. I. As restrições ao abatimento de créditos da base de cálculo das contribuições PIS e COFINS pelo regime nãocumulativo, previstas no art. 3º, II, das Leis n.º 10.637/02 e 10.833/03, bem como na IN n.º 247/2002 e IN 404/2004 Receita Federal, não ofendem o disposto no art. 195, parágrafo 12, da Constituição Federal. II. O conceito de insumo, para fins de creditamento no regime não cumulativo das contribuições PIS e COFINS, abrange os elementos aplicados diretamente na fabricação do bem ou na prestação do serviço, ou seja, aqueles vinculados à atividade fim do contribuinte. III. No caso, os combustíveis e lubrificantes utilizados pela empresa não estão inseridos na cadeia de fabricação, mas apenas são usados na frota de caminhões que atende a fabrica, não podendo as despesas deles decorrentes serem tidas como insumos. IV. Apelação improvida. (grifos não originais) Com base nessas considerações, sou pela manutenção da glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos calculados sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos. A glosa dos referidos créditos foi realizada com base no argumento de que os veículos pesados (boiadeiros e frigoríficos), integrantes da frota da propriedade da Interessada, não se enquadravam no conceito de máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou seja, não seriam bens de produção. Em consequência, os encargos de depreciação dos referidos veículos não asseguravam o direito ao crédito da Cofins nãocumulativa, previsto na redação originária do inciso VI do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o disposto no inciso III do § 3º do mesmo artigo, a seguir transcritos: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...) § 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Vigência) (...) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...) (grifos não originais) Fl. 21DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 22 Por outro lado, com base no entendimento de que tais veículos seriam bens de produção, alegou a Recorrente que os encargos de depreciação em questão enquadravamse no conceito de insumo, logo ela tinha direito aos créditos calculados sobre o valor dos tais encargos. Não assiste a razão a Recorrente. Assim como o Colegiado de primeiro grau, também entendo que os tais veículos boiadeiros e frigoríficos não se incluem na definição de bens de produção, estabelecida nos incisos II e VI do art. 3° da Lei nº 10.833, de 2003, anteriormente transcritos. Não é demais ressaltar que, de acordo com os referidos preceitos legais, somente os valores dos encargos de depreciação bens do ativo imobilizado utilizados na fabricação dos produtos destinados à venda possibilitam o direito ao crédito em questão. No caso presente, os citados veículos foram utilizados no transporte (i) do gado vivo local de criação até a planta industrial; e (ii) do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes. Logo, no meu entendimento, não tiveram qualquer participação no processo de fabricação dos produtos finais vendidos pela Recorrente. O fato de tais veículos serem imprescindíveis para atividade da Recorrente, conforme alegado no presente Recurso, ao meu ver, não tem qualquer relevância para fim da definição do bem de produção em comento. Com base nessas considerações, entendo que deve ser mantida a glosa dos referidos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre o valor das despesas de locação de veículos de transporte. De acordo com item 4 da Informação Fiscal que serviu de base para a decisão consignada no citado Despacho Decisório, a glosa dos referidos créditos foi realizada com base no entendimento de que somente as despesas de aluguéis de “prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa”, enquadravase na hipótese prevista no inciso IV do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...) Segundo a Autoridade Fiscal, ainda que utilizados nas atividades da Recorrente, as despesas com a locação de veículos de carga não poderiam ser utilizadas como base de cálculo do crédito em questão, porque os referidos veículos não seriam prédios, nem tampouco máquinas e equipamentos. Discordo. No meu entendimento, a expressão genérica “máquinas e equipamentos” compreende também os veículos de transporte de carga que, no caso em tela, foram utilizados no transporte de animais e de carne fresca, complementando os serviços de transporte realizados em frota da própria Recorrente. Fl. 22DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 924 23 Segundo o Dicionário Houaiss7, máquina “é qualquer equipamento que empregue força mecânica, composto de peças interligadas, cada qual com uma função específica, e em que o trabalho humano é substituído pela ação do mecanismo”. Logo, é indubitável que os veículos de transporte de carga são uma espécie de máquina, aliás, uma das máquinas mais complexas. Cabe enfatizar que a dedutibilidade do referido crédito não está condicionada a que as máquinas e os equipamentos locados sejam utilizados na “fabricação de produtos destinados à venda”, conforme exigido para os encargos de depreciação. Deveras, no caso em tela, a exigência é que as máquinas e os equipamentos sejam utilizados “nas atividades da empresa”. Aliás, sobre tal requisito inexiste controvérsia, pois a própria Autoridade Fiscal asseverou que os mencionados veículos foram utilizados na atividade de transporte de animais e bois realizada pela Recorrente. Com base nessas considerações, entendo que deve ser restabelecida a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação com os referidos veículos de transporte de carga. III DA CONCLUSÃO. Diante do exposto, voto no sentido de: a) REJEITAR as preliminares de nulidade suscitadas; b) NÃO CONHECER da matéria de mérito referente ao percentual de cálculo do crédito presumido da Cofins, por concomitância com ação judicial; e c) em relação às demais matérias de mérito conhecidas, DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso, para restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das despesa de locação dos veículos de carga e homologar as compensações até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 Versão eletrônica disponível em: <http://educacao.uol.com.br/dicionarios/>. Acesso em 27 abr 2011. Declaração de Voto Conselheiro Solon Sehn Fl. 23DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 24 No mérito, pedese vênia para divergir do eminente Conselheiro Relator no tocante à incidência da contribuição sobre subvenções para investimentos contabilizadas como reserva de capital (crédito fiscal do programa Fundopem/RS), bem como em relação à glosa do crédito decorrente de despesas de frota própria e dos encargos de depreciação de veículos pesados utilizados pelo Recorrente no transporte de cargas. 1 Da incidência da contribuição sobre as subvenções para investimento A decisão recorrida entendeu que as exclusões da base de cálculo somente seriam admitidas quando expressamente previstas no art. 1º, § 3º, da Lei nº 10.833/2003. Assim, considerando que o dispositivo nada dispõe acerca das subvenções para investimento, foi mantida a exigência da contribuição. Entretanto, devese ter cautela com essa interpretação. Embora assentada em premissa correta, referida exegese nem sempre conduz a um resultado válido. O fato de determinando ingresso não estar relacionado de forma expressa no art. 1º, § 3º, não implica necessariamente a sua inclusão na base de cálculo do tributo. O inciso I do dipositivo também autoriza a exclusão das receitas não alcançadas pela incidência da contribuição. Antes de tudo, portanto, cumpre verificar se o evento efetivamente constitui uma receita tributável: Art. 1º [...]§ 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo as receitas: I isentas ou não alcançadas pela incidência da contribuição ou sujeitas à alíquota 0 (zero); É o exatamente o que com a subvenção para investimento contabilizada como reserva de capital. Esta, em uma primeira análise, parece não se enquadrar em nenhum dos incisos no § 3º. Um exame mais detido, no entanto, conduz à aplicação do inciso I, em razão da não subsunção do ingresso no conceito de receita bruta. Por outro lado, cumpre destacar que a amplitude desse conceito não pode ser buscado unicamente no art. 1º da Lei nº 10.833/2003: Art. 1o A Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, com a incidência nãocumulativa, tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1o Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O caput e o § 1º do art. 1º da Lei nº 10.833/2003 apresenta uma redação tautológica e circular, que, em última análise, acaba definindo o total das receitas como todas as receitas da pessoa jurídica, o que, obviamente, não representa um parâmetro seguro, sobretudo quando associada à exegese equivocada das exclusões da base de cálculo previstas no § 3º, destacada inicialmente. O conceito de receita não é amplo nem tampouco indetermiando. A doutrina tem delineado o seu conteúdo e, nos últimos anos, notadamente após edição da Lei nº 9.718/1998. Os estudos existentes, consoante destacado em pesquisa sobre o tema, tem partido do art. 212, § 1º, da Constituição e de dispositivos da Lei nº 6.404/1976 (art. 187, I, II, IV e § Fl. 24DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 925 25 1º, “a”), definindo o sentido jurídico de receita bruta como um “ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo”8. A noção de receita bruta pressupõe, assim, a ocorrência de acréscimento ao patrimônio líquido da pessoa jurídica, o que a distingue os mero ingressos de caixa e de outros eventos sem repercussão patrimonial positiva: A necessidade de repercussão patrimonial também é ressaltada por Geraldo Ataliba e Clèber Giardino, quando ensinam que receita constitui “acréscimo patrimonial que adere definitivamente ao patrimônio do alienante. A ele, portanto, não se podem considerar integradas importâncias que apenas ‘transitam’ em mãos do alienante, sem que, em verdade, lhes pertençam em caráter definitivo”. Nesse mesmo raciocínio, aliás, temse colocado praticamente toda a doutrina dedicada ao estudo do tema, considerando receita apenas “[...] a entrada que, sem quaisquer reservas, condições ou correspondência no passivo, se integra ao patrimônio da empresa, acrescendoo, incrementandoo” (AIRES F. BARRETO); “um ‘plus jurídico’ (acréscimo de direito), de qualquer natureza e de qualquer origem, que se agrega ao patrimônio como um elemento positivo, e que não acarreta para o seu adquirente qualquer nova obrigação” (RICARDO MARIZ DE OLIVEIRA); o “incremento do patrimônio” (ALIOMAR BALLEIRO); o “elemento positivo do acréscimo patrimonial” (GISELE LEMKE); “a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica” (HUGO DE BRITO MACHADO e HUGO DE BRITO MACHADO SEGUNDO); as “quantias que a empresa recebe não para si” (HAMILTON DIAS DE SOUZA, LUIZ MÉLEGA e RUY BARBOSA NOGUEIRA), que “possam alterar o patrimônio líquido” (JOSÉ EDUARDO SOARES DE MELO); a entrada “de cunho patrimonial” (MARCO AURÉLIO GRECO), que “tem o condão de incrementar o patrimônio” (ALEXANDRE BARROS CASTRO)9. Isso ocorre porque a receita corresponde ao elemento positivo que compõe a renda da pessoa jurídica, considerado de forma isolada, independente da dedução de custos, despesas, participações ou provisões. É o que ressaltam Hugo de Brito Machado e Hugo de Brito Machado Segundo, quando destacam que a receita “[...] se caracteriza por representar a entrada de riqueza nova no patrimônio da pessoa jurídica. Receita é um elemento novo que, depois de considerados os custos e as despesas, comporá a renda”10. 8 SEHN, Solon. “O conceito de receita no direito privado e suas implicações no direito tributário (PISCofins, IRPJ, Simples).” Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, 2006, n.º 127. No mesmo sentido, cf.: SEHN, S. Cofins incidente sobre a receita bruta. São Paulo: Quartier Latin, 2006; SEHN, S. PISCofins: não cumulatividade e regimes de incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011. 9 SEHN, PISCofins..., op. cit., p. 152153. 10 MACHADO, Hugo de Brito; MACHADO SEGUNDO, Hugo de Brito. Parecer Contribuições incidentes sobre faturamento. PIS e Cofins. Descontos obtidos de fornecedores. Fato gerador. Inocorrência. Revista Dialética de Direito Tributário. São Paulo: Dialética, n. 113, p. 136137. Fl. 25DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 26 Por conseguinte, somente podem ser consideradas receita as entradas relevantes para efeitos de composição da renda, o que afasta de seu âmbito de significação as transferências de capital, gênero que abrange as subvenções de investimentos. As transferências de capital, com efeito, são negócios jurídicos unilaterais que visam a transmissão de direitos patrimoniais de uma pessoa física ou jurídica para outra, independe de qualquer contraprestação. Pressupõem, para sua caracterização, a intenção objetiva de realizar o incremento do patrimônio do beneficiário, que, por sua vez, deve mantê las em conta de reserva de capital. Do contrário, perdem sua natureza jurídica, convertendose em renda da beneficiada. Algumas modalidades de transferência de capital estão relacionadas no art. 38 do DecretoLei nº 1.598/1977 e no § 1º, art. 182, da Lei nº 6.404/1976, dentre as quais, para efeitos do caso em exame, cumpre destacar as subvenções para investimentos, que estava prevista no texto do dispositivo legal vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis. As subvenções, de acordo com a Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, têm a seguinte caracterização: [...] Em relação às subvenções recebidas pela companhia, elas podem ser classificadas em dois tipos diferentes: subvenções para investimento e subvenções para custeio. As subvenções para investimento são registradas contabilmente como reserva de capital. Normalmente, referemse a valores de que a companhia se beneficia a título de devolução, isenção ou redução de impostos devidos, ou de valores recebidos destinados à expansão de suas atividades, sob a forma de investimentos para capital fixo ou capital de giro. É o caso, por exemplo, de devolução de IPI ou ICM e de isenção temporária de imposto de renda como incentivo regional ou setorial. As subvenções para custeio são constituídas por auxílio financeiro comumente recebido de forma periódica pela companhia para fazer face às suas despesas, insuficientemente cobertas pelas receitas de suas operações (tarifas). São, contabilmente, classificadas como receita extraordinária. É exemplo típico o caso das ferrovias brasileiras11. Portanto, as subvenções para investimento são transferências de capital vinculadas à expansão das atividades empresariais, concedidas pelo Poder Público mediante devolução, isenção ou redução de tributos. Diferenciamse das subvenções para custeio, que visam o auxílio financeiro de atividades operacionais deficitárias, destinadose à despesas correntes da pessoa jurídica. As subvenções para investimentos, quando contabilizadas como reserva de capital, não transitam em conta de resultado, como ensina José Bulhões Pedreira: Dois requisitos são necessários para que se caracterize a transferência de capital: (a) que o doador tenha a intenção de fazer contribuição para o estoque de capital da pessoa jurídica, 11 “Esta Nota Explicativa faz parte integrante da INSTRUÇÃO CVM Nº 59, de 22.12.86, sendo, portanto, obrigatória a adoção de todos os conceitos aqui emitidos por parte das companhias abertas.” Fl. 26DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 926 27 e (b) que esta não modifique a natureza da transferência, transformando o capital em renda. [...] A transferência de capital pressupõe a intenção do doador de contribuir para o estoque de capital da pessoa jurídica, e não para o custeio das suas atividades ou operações. Mas a pessoa jurídica que a recebe pode mudar essa destinação, transformando o capital em renda. Por isso, a caracterização de transferência de capital, para efeitos fiscais, pressupõe tanto a intenção de quem transfere quanto o tratamento que a pessoa jurídica dá, na sua contabilidade, à transferência recebida: somente há transferência de capital se a pessoa jurídica credita os valores recebidos a conta de reserva de capital. Se o crédito é feito a conta de resultados, a lei tributária considera que a pessoa jurídica transformou a transferência de capital em transferência de renda e a submete ao imposto. A subvenção para investimento e a doação não pressupõem, todavia, aplicação de recursos no ativo permanente da pessoa jurídica. O capital próprio (assim como o de terceiros) achase aplicado, de modo indiscriminado, em todos os elementos do ativo, e a pessoa jurídica pode receber subvenções para investimento ou doações para aumentar o capital de giro12. Assim, enquanto mantidas em conta de reserva de capital, as subvenções não transitam em conta de resultado e, dessa maneira, não configuram receita tributável porque são destituídas de aptidão para gerar renda. Pelo mesmo motivo, não estão sujeitas à incidência da contribuição, ao menos enquanto não creditadas a conta de resultados. Cumpre destacar que esse regime – vigente ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis – foi alterado com introdução dos novos critérios e métodos contábeis previstos na Lei nº 11.638/2007. Esta revogou o art. 182, § 1º, “d”, da Lei nº 6.404/1976, de modo que as subvenções para investimentos deixaram de ser contabilizadas como reserva de capital, para integrar a conta de resultados. Essa sucessão legislativa reforça que, ao tempo da ocorrência dos eventos imponíveis, antes da promulgação da Lei nº 11.638/2007, as subvenções para investimentos não integravam a conta de resultados, consoante sustentado pelo ilustre Professor José Bulhões Pedreira, nas lições citadas acima. Os efeitos fiscais dos critérios e métodos contábeis da Lei nº 11.638/2007, porém, foram neutralizados pelo Regime Tributário de Transição RTT, instituído pela Lei nº 11.941/2009. Esta, no que se refere especificamente ao tema em exame, estabeleceu que: Art. 21. As opções de que tratam os arts. 15 e 20 desta Lei, referentes ao IRPJ, implicam a adoção do RTT na apuração da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. 12 PEDREIRA, José Luiz Bulhões. Imposto de renda: pessoas jurídicas. Rio de Janeiro: AdcoasJustec, 1979, v. II, p. 403. Fl. 27DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 28 Parágrafo único. Para fins de aplicação do RTT, poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando registrados em conta de resultado: I o valor das subvenções e doações feitas pelo poder público, de que trata o art. 18 desta Lei; e Feitas essas observações, ingressando nas particularidades do caso concreto, notase que, de acordo com o livro razão (fls. 6062), com os balancetes de verificação (fls. 89, 134135) e demonstrações contábeis (balanço patrimonial fls. 212, demonstração das origens e aplicações de recursos fls. 215, demonstração das mutações do patrimônio líquido fls. 216), a subvenção para investimentos foi efetivamente contabilizada como reserva de capital. O crédito presumido de Icms concedido pelo Estado do Rio Grande do Sul no âmbito do Fundopem, por sua vez, está claramente vinculado à execução de projeto de implantação de atividade industrial por parte do contribuinte. Não se trata, assim, de subvenção destinada ao custeio de despesas correntes, de auxílio para atividade deficitária, mas de verdadeira subvenção para investimentos, consoante previsto no ato concessionário (fls. 56): CLÁUSULA PRIMEIRA Considerase implementado o incentivo previsto no Decreto nº 37.373 de 23 de abril de 1997, concedido à EMPRESA pelo Decreto nº 38.793/98, fixado em até 75% (setenta e cinco por cento) do incremento real do Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicações ICMS, devido mensalmente pelo estabelecimento inscrito no CGC/TE sob o nº 008/0137695. Parágrafo Único Para efeito do disposto nesta cláusula, considerase: a) increment real, o valor total do ICMS devido mensalmente pela EMPRESA, por se tratar de projeto de implantação; b) ICMS devido, o definido na Nota 1, do inciso XIII, do artigo 32, do Livro 01, do Regulamento do ICMS, aprovado pelo Decreto nº 37.699/97. A vinculação entre a subvenção e a implantação industrial é tal ordem que a inexecução do projeto apresentado ao Estado implica a revogação do benefício (fls. 5758): CLÁUSULA QUINTA Sob pena de cessação do benefício previsto na Cláusula Primeira a EMPRESA obrigase a: I cumprir o seu projeto descrito no Processo nº 002752 16.00 SEDAI 97.0, que integra este Protocolo para todos os efeitos legais e/ou convencionais; Desse modo, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, encontramse presentes os requisitos de caracterização da subvenção para investimentos previstos no Parecer Normativo CST nº 112/1978, da Coordenação do Sistema da Tributação: 2.12 – Observase que a SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO apresenta características bem marcantes, exigindo até mesmo perfeita sincronia da intenção do subvencionador com a ação do subvencionado. Não basta apenas o ‘animus’ de subvencionar para investimento. Impõese, também, a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos Fl. 28DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 927 29 investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado.[...] 2.13 Outra característica bem nítida da SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO, para os fins do gozo dos favores previstos no § 2º do art. 38 do D.L. 1.598/77, é a que seu beneficiário terá que ser a pessoa jurídica titular do empreendimento econômico. Em outras palavras: quem está suportando o ônus de implantar ou expandir o empreendimento econômico é que deverá ser tido como beneficiário da subvenção e por decorrência dos favores legais. […]13 Por fim, registrese que, mesmo que inexistisse a vinculação a um projeto de implantação industrial, ainda assim o contribuinte teria direito à excluir a subvenção do Fundopem da base de cálculo da contribuição, enquanto mantida a contabilização como reserva de capital ou reserva de incentivos, no regime do RTT. Isso porque, consoante destaca José Bulhões Pedreira, nada impede o emprego da subvenção para investimentos em capital de giro da pessoa jurídica: O PNCST n.º 112/78 interpreta restritivamente a expressão “subvenção para investimento”, ao considerar como requisito essencial que os recursos doados sejam aplicados em bens do ativo permanente. Essa interpretação não tem fundamento na lei. A legislação tributária classifica todas as subvenções em apenas duas categorias – correntes e para investimento. A que não se classifica em uma delas pertence, necessariamente, à outra, e toda transferência de capital é subvenção para investimento. A palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira14. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já apresenta julgados nessa mesma linha, com destaque para o Acórdão nº 10708.739: A subvenção para investimento (deixando de lado o mérito de tratarse, juridicamente, de uma doação), caracterizase em função de sua natureza de uma transferência de capital sendo irrelevante a destinação do seu valor. Vale dizer, ‘a palavra investimento, no caso, deve ser entendida nos seus dois sentidos de criação de bens de produção e de aplicação financeira’ (Bulhões Pedreira), jamais como condicionante de que o valor recebido deva estar vinculado à (implantação ou expansão de determinados empreendimentos econômicos) aquisição de determinados bens ou direitos sujeitos a imobilização15. O julgado faz referência à precedente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, que também se afasta das conclusões do PN CST n.º 112/1978: 13 Parecer Normativo CST n.º 112/1978, de autoria de Carlos Augusto de Vilhena. DOU de 11/01/1979, Seção I, Parte I, p. 467 e ss. 14 PEDREIRA, op. cit., p. 402403. 15 Decisão de 20 de setembro de 2006. Rel. Conselheiro Luiz Martins Valero. Fl. 29DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 30 O PN CST n° 112/78, no subitem 2.12, acima transcrito, quando falou em efetiva e específica aplicação de subvenção em investimentos previstos ou projetados, foi mais longe. Bulhões Pedreira apontalhe a falta de base legal, nesse ponto. Realmente, se estudada a questão em tese, o PN CST n° 112/78 teria excedido a lei, no particular16. A possibilidade de aplicação da subvenção de investimentos em capital de giro também é prevista na Nota Explicativa da Instrução CVM nº 59/1986, reproduzida acima. Portanto, em qualquer dos ângulos analisados, o crédito presumido do Fundopem/RS constitui subvenção para investimento. Assim, enquanto contabilizado como reserva de capital, não transitam em conta de resultado e, por conseguinte, não constituem receita tributável. 2 Dos créditos sobre despesas de transporte com frota própria O conceito de insumo, para fins de creditamento do PIS/Pasep e da Cofins, tem sido objeto de grande controvérsia doutrinária e jurisprudencial17. Esta, por sua vez, se reflete em algumas decisões desse Conselho, como o acórdao proferido no Recurso Voluntário n. 146.77818 e, nessa mesma linha, a recente decisão da 2ª Turma Ordinária, 2ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, no Recurso Voluntário nº 369.519: [...] O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração pela não comutatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária à atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. Contudo, no presente feito, o desate da questão independe do ingresso nesse debate, uma vez que o direito ao crédito sobre valor das despesas de transporte com frota própria encontra amparo na Instrução Normativa SRF nº 404/2004, que assim estabelece: Art. 8° Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: I das aquisições efetuadas no mês: [...] b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; 16 Voto do relator no Acórdão nº CSRF/01885. 17 Sobre o tema, cf: MARTINS, Natanael. O conceito de insumos na sistemática nãocumulativa do PIS e da Cofins. In: PEIXOTO, Marcelo Magalhães; FISCHER, Octávio Campos (coord.) PISCOFINS: questões atuais e polêmicas. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 2003; OLIVEIRA, Ricardo Mariz de. Aspectos relacionas à "não cumulatividade" da Cofins e da contribuição ao PIS. IN: PEIXOTO et. al., op. cit., p. 47 e ss.; SEHN, Solon. PIS Cofins..., op. cit., p. 313 e ss. 18 Carf. 2º C. 4ª T. Processo Administrativo n. 11065.101039/200617. Relator Rodrigo Bernardes de Carvalho. Sessão de 05/09/2008. Fl. 30DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 928 31 [...] 4° Para os efeitos da alínea “b” do inciso I do caput , entendese como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; 19 O valor do crédito, por sua vez, é calculado considerando o valor do custo de aquisição do bem, conforme decorre do § 3º do art. 8º desse mesmo ato normativo: Art. 8º [...] § 3º Para efeitos do disposto no inciso I, deve ser observado que: I o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na aquisição, quando recuperável, não integra o valor do custo dos bens; e II o Imposto sobre Operações Relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) integra o valor do custo de aquisição de bens e serviços20. O custo de aquisição, por outro lado, compreende as despesas de transporte, independente de se tratar de fronta própria ou de frete pago a terceiro, consoante prevê o art. 13, § 1º, “a”, do DecretoLei nº 1.598/1977: Art 13. O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação. § 1º O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente: a) o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto neste artigo; 21 O crédito de insumos, portanto, é calculado sobre o custo de aquisição, que compreende, observado o disposto no art. 13 do DecretoLei nº 1.598/1977, o valor do custo de de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte. Nesse sentido, cabe destacar as seguintes soluções de consulta: 19 Grifamos. 20 Grifamos. 21 Grifamos. Fl. 31DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 32 [...] FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago na aquisição dos insumos é considerado como parte do custo daqueles, integrando o cálculo do crédito da Cofins não cumulativa. O transporte de bens entre os estabelecimentos industriais da pessoa jurídica dará direito ao credito da Cofins apenas quando se tratar de produto ainda em fase de industrialização, de forma que o custo desse transporte seja considerado custo de produção. Caso se trate de produto acabado, esse frete não dará direito ao crédito, por não se enquadrar no conceito de insumo22. FRETE NA AQUISIÇÃO. O custo do transporte (frete), pago a pessoa jurídica domiciliada no País, de bens adquiridos para revenda e de insumos adquiridos para produção ou fabricação de bens destinados a venda pode gerar crédito na sistemática nãocumulativa da Cofins. A partir de 01/05/2004, o frete contratado com pessoas físicas ou jurídicas domiciliadas no exterior também pode gerar crédito nessa sistemática23. CRÉDITO. FRETE. O valor do frete pago na aquisição de insumo pode integrar a base de cálculo do crédito previsto no art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003, desde que a aquisição do insumo dê direito à apuração de crédito e desde que a aquisição do frete esteja sujeita à incidência da Cofins24. CRÉDITO. FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O frete pago a pessoa jurídica na aquisição de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálcu lo do crédito a ser descontado da Cofins nãocumulativa apurada. FRETE NA OPERAÇÃO DE VENDA. O frete pago na operação de venda, quando o ônus for suportado pelo vendedor, também gera direito a crédito a ser descontado da Cofins não cumulativa a purada25. No caso em exame, não há dúvidas de que o bem transportado (animais vivos para abate) é insumo (matériaprima essencial) da atividade industrial exercida pelo contribuinte (industrialização de carnes). Assim, com a devida vênia, não cabe a glosa mantida pela decisão recorrida, porque o valor dispendido com o transporte do insumo até o estabelecimento do fabricante integra o custo de aquisição da matériaprima, servindo, por conseguinte, de base para o cálculo do crédito. Incluemse no custo de transporte as despesas com combustível, pedágio e todas as demais discriminadas na tabela de fls. 526527, com exceção: (a) das peças de reposição e de manutenção, que são bens do ativo imobilizado, salvo quando apresentar vida útil inferior a um ano, o que não foi provado; e (b) aos honorários, não há especificação do que se tratam, porquanto, consoante discriminado nas tabelas de fls. 526/527, estão discriminadas apenas como “ serviços e honorários – PJ”. 3 Dos créditos sobre o valor do encargo de depreciação dos veículos pesados 22 Solução de Consulta Disit 08 nº 169, de 23 de Junho de 2006. Grifamos. 23 Solução de Consulta nº 104, de 06 de Dezembro de 2004. 24 Solução de Consulta Disit 06 nº 63, de 12 de Julho de 2010. 25 Solução de Consulta nº 449, de 16 de Novembro de 2006. No mesmo sentido: Solução de Consulta nº 234 de 13 de Agosto de 2007. Fl. 32DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA Processo nº 11041.000121/200512 Acórdão n.º 380200.467 S3TE02 Fl. 929 33 Entendese que, se os veículos pesados são empregadas no transporte do gado para abate do estabelecimento produtor até o fabricante integram o processo produtivo, que não se limita ao espeço físico da unidade industrial. Tanto é assim que, consoante destacado no item anterior, a legislação tributária prevê a inclusão dos valores dispendidos com o transporte da matériaprima no custo do insumo industrial. Tal circunstância torna aplicável, com a devida vênia, a hipótese de creditamento prevista no inciso VI do art. 3° da Lei nº 10.833/2003: Art. 3° Do valor apurado na forma do art. 2° a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, adquiridos ou fabricados para locação a terceiros, ou para utilização na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005); Redação original: VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; O direito ao crédito, por sua vez, prevalece mesmo considerando que os veículos também são utilizados para o transporte do produto industrializado da planta industrial até o estabelecimento dos clientes, porque, consoante estabelece a Instrução Normativa SRF nº 457/2004, o crédito é calculado tendo por base os encargos de depreciação definidos pela Secretaria da Receita Federal: Art. 1º As pessoas jurídicas sujeitas à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), em relação aos serviços e bens adquiridos no País ou no exterior a partir de 1º de maio de 2004, observado, no que couber, o disposto no art. 69 da Lei nº 3.470, de 1958, e no art. 57 da Lei nº 4.506, de 1964, podem descontar créditos calculados sobre os encargos de depreciação de: I máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado para utilização na produção de bens destinados a venda ou na prestação de serviços; e [...] § 1º Os encargos de depreciação de que trata o caput e seus incisos devem ser determinados mediante a aplicação da taxa de depreciação fixada pela Secretaria da Receita Federal (SRF) em função do prazo de vida útil do bem, nos termos das Instruções Normativas SRF nº 162, de 31 de dezembro de 1998, e nº 130, de 10 de novembro de 1999. Fl. 33DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA 34 Tais encargos são definidos de forma presumida, considerando condições médias de uso. Portanto, eventual desgaste adicional, decorrente do emprego do veículo na entrega dos produtos ao cliente, não afeta o cálculo do crédito. Por outro lado, o deferimento de taxa de depreciação superior à presumida deve se basear em laudo do Instituto Nacional de Tecnologia ou de outra entidade oficial de pesquisa (Lei nº 3.470/1958; Lei nº 4.506/1964), que estará sujeito a novo controle por parte da Administração Pública. Votase, assim, pelo provimento parcial do recurso voluntário, para fins de exclusão dos créditos presumidos do Fundopem/RS da base de cálculo da contribuição e de manutenção do direito ao crédito sobre despesas de transporte de insumo com frota própria e sobre o encargo de depreciação dos veículos pesados. (assinado digitalmente) Solon Sehn Fl. 34DF CARF MF Emitido em 24/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 10/06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 10 /06/2011 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por SOLON SEHN, Assin ado digitalmente em 30/06/2011 por REGIS XAVIER HOLANDA
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Numero do processo: 15504.723743/2011-19
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
PLR. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO.
A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, bem como a ausência de formalização do acordo previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba.
PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91.
Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitam-se a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do salário-de-contribuição.
A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados.
A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR.
Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise.
Numero da decisão: 9202-007.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento parcial, para excluir a responsabilidade das empresas solidárias, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que lhe negaram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor quanto à PLR a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. NECESSIDADE DE REGRAS CLARAS. AUSÊNCIA DE FIXAÇÃO PRÉVIA DE CRITÉRIOS PARA RECEBIMENTO DO BENEFÍCIO. DESCONFORMIDADE COM A LEI REGULAMENTADORA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. A ausência da estipulação, entre patrões e empregados, de metas e objetivos, bem como a ausência de formalização do acordo previamente ao início do período aquisitivo do direito ao recebimento de participação nos lucros e resultados da empresa, caracteriza descumprimento da lei que rege a matéria. Decorre disso a incidência de contribuição previdenciária sobre tal verba. PAGAMENTO DE PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS A SEGURADOS SEM VÍNCULO DE EMPREGO. FALTA DE PREVISÃO DA SUA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 e da lei 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º, "J" DA LEI 8212/91. Os valores pagos aos administradores (diretores não empregados) à título de participação nos lucros sujeitamse a incidência de contribuições previdenciárias, por não haver norma específica que, disciplinando art. 28, § 9º, "j" da lei 8212/91, preveja a sua exclusão do saláriodecontribuição. A lei 10.101/2000 não serve como subsídio para fundamentar a exclusão do conceito de salário de contribuição previsto no art. 28 da lei 8212/91, face em seu próprio art. 2º, restringir a sua aplicabilidade aos empregados. A verba paga aos diretores/administradores não empregados possui natureza remuneratória. A Lei nº 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados, nem tampouco a exclusão do conceito de salário de contribuição. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 37 43 /2 01 1- 19 Fl. 2272DF CARF MF 2 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. PROCEDIMENTO FISCAL. GRUPO ECONÔMICO. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO INTERESSE COMUM NA SITUAÇÂO QUE CONSTITUI O FATO GERADOR. Para fins de caracterização da responsabilidade solidária, consoante prevista no art. 124, I do CTN, necessária a comprovação de que os responsáveis solidários possuam interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, o que não se verificou no caso sob análise. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento parcial, para excluir a responsabilidade das empresas solidárias, vencidos os conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), que lhe negaram provimento, e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva e Ana Paula Fernandes, que lhe deram provimento integral. Designada para redigir o voto vencedor quanto à PLR a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.273 3 Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Adotando o minucioso relatório do acórdão recorrido, esclareço que o presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. 37.339.5639, em desfavor da recorrente tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, face a remuneração indireta paga a segurados empregados sob a forma de Salário Utilidade, no período de 01/2007 a 12/2008. Consta do relatório fiscal como motivos ensejadores da autuação: 1) Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: · Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). · O levantamento: “P1 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” corresponde às competências: 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007 e 03/2008, cuja multa de mora lançada no presente Auto de Infração correspondeu 24% incidente sobre as contribuições devidas, e, os levantamentos: “P2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” referente às competências: 01/2007, 05/2008 e 09/2008, e “P5 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS EMPREGADOS” relativo a 12/2008, cuja multa de ofício também lançada na presente Autuação correspondeu a 75% incidente sobre as contribuições devidas. · Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verificase a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial. · Nos Acordos Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como não há definição de objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo, Fl. 2274DF CARF MF 4 sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado. Tal situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000, artigo 2º, parágrafo único. Além disso, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. · Portanto, não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo de 6,4 remunerações e ainda uma parcela individual fixa de mil reais. · Como o acordo mencionado ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de praticamente findo. · A Lei 10.101/2000, no art. 3o, § 2º, também veda que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, contudo, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano. · Sendo assim, as parcelas pagas aos trabalhadores a título de PLR estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando o saláriode contribuição para todos os fins e efeitos, constituindo base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. 2) Participação nos Lucros e Resultados – PLR – Para administradores, Diretores e Membros de Conselhos (contribuintes individuais): · A Lei 10.101/2000 cuida da participação nos lucros ou resultados de empregados e não se aplica aos contribuintes individuais. · Os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a título de participação em lucros e/ou resultados (segurados contribuintes individuais), constituemse em parcela integrante do saláriode contribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, Lei 8.212/91, art. 28, inciso III, c/c Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999, art. 214, inciso III. 3) Multa: O quadro comparativo, constante no Anexo III (fl.98), demonstra que a aplicação da multa mais benéfica para o contribuinte foi: Fl. 2275DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.274 5 · Multa de mora correspondente a 24% prevista na Lei 8.212/91 artigo 35, inciso II, ‘a’ (vigente até a data anterior a publicação da Medida Provisória nº 449/2008) para os Levantamentos P1 e P3, competências 03/07, 04/07, 11/07, 12/07 e 03/08. · Multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para os Levantamentos P2 e P4, competências 01/07, 05/08 e 09/08. · Foi lançada multa de ofício correspondente a 75%, prevista na Lei 9.430/96, artigo 44, inciso I, nos termos do artigo 35A da Lei 8.212/91, acrescentado, pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei 11.941/09 para o levantamento P5, competência 12/08, aplicável ao período. 4) Responsáveis solidários: Nos termos do art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91, foi verificada a formação de Grupo Econômico com as empresas CEMIG Geração e Transmissão S/A (CNPJ 06.981.176/000158) e CEMIG Distribuição S/A (CNPJ 06.981.180/000116). Após o trâmite processual o lançamento foi apreciado pela 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária a qual negou provimento ao recurso de ofício e deu provimento em parte ao recurso voluntário do contribuinte. O acórdão 2401003.487 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 RECURSO DE OFÍCIO CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA PROPOSTA DE RETIFICAÇÃO POR PARTE DA AUTORIDADE FISCAL. Tendo a decisão de primeira instância simplesmente acatado a revisão proposta pela autoridade fiscal, quando da baixa do processo em diligência e tendo o auditor fundamentado a revisão em documentos que constatam o lançamento em duplicidade, correta decisão que propôs a retificação do lançamento PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL SEGURADOS EMPREGADOS PAGAMENTOS INDIRETOS DESCUMPRIMENTO DA LEI INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO Uma vez estando no campo de incidência das contribuições previdenciárias, para não haver incidência é mister previsão legal nesse sentido, sob pena de afronta aos princípios da legalidade e da isonomia. Ao identificar pagamentos além dos valores pagos à título de salário, compete a autoridade fiscal, identificar se os pagamentos encontramse no rol de exclusões previstos no art. 28, § 9º da lei 8.212/91, lançandoos, caso não se enquadrem em um dos seus incisos. Fl. 2276DF CARF MF 6 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. INEXISTÊNCIA DE REGRAS CLARAS E OBJETIVAS CONCERNENTES AO PAGAMENTO DA VERBA. DESCUMPRIMENTO DA LEI 10.101/2000 E ART. 28, § 9º, J.LEI 8212 NATUREZA SALARIAL As exigências legais para que o pagamento de PLR esteja desvinculado do salário e portanto, fora do conceito de salário de contribuição são claras, ou seja, compete a empresa demonstrar o cumprimento da lei 10.101/2000, devendo o auditor exigir os documentos e explicações com vistas a identificar se a empresa realmente está cumprindo os preceitos legais. O § 1º do art. 2º da lei 10.101/2000 exige que "Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições". As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. ACORDO PRÉVIO ASSINATURA DE ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO IMPOSSIBILIDADE DE ATRELAR O PAGAMENTO COMO ESTÍMULO AO ENGAJAMENTO DO EMPREGADO NO TRABALHO. ESTIPULAÇÃO APÓS A REALIZAÇÃO DO TRABALHO Ao descumprir os preceitos legais e efetuar pagamentos de participação nos lucros, sem a existência de acordo prévio ao trabalho, o recorrente assumiu o risco de não se beneficiar pela possibilidade de que tais valores estariam desvinculados do salário. As metas, regras ou mesmo critérios que cada empregado/cargo deverá alcançar devem estar descritas nos acordos firmados, previamente ao trabalho, independente da qual dos instrumentos será utilizado pelo empregador. Ao ajustar acordos no fim dos exercícios, todos os pagamentos feitos em relação aos resultados alcançados retroativamente, não podem ser considerados PLR desvinculado do salário. PLR PERIODICIDADE OBSERVÂNCIA DA PERIODICIDADE SEMESTRAL Nos termos do §2º do art. 3º da lei 8212/91 é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil, sendo que os dois requisitos são cumulativos. Fl. 2277DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.275 7 No caso sob apreciação, o fato de existirem mais pagamentos no mesmo exercício ou mesmo no mesmo semestre não desnaturou a PLR, posto que evidenciado tratarse de pagamentos a empregados diversos, diferença de pagamentos de PLR decorrentes de rescisões contratuais, ou diferenças ínfimas, que, quando apreciadas individualmente, denotam não se tratar de outra parcela ou antecipação. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS COMPETÊNCIA 12/2008 PLR EMPREGADOS VÍCIO NA CONSTITUIÇÃO DO LEVANTAMENTO. Foi constatado que a competência 12/2008 do PLR empregados não fere a periodicidade, posto que os demais pagamentos no mesmo semestre referemse a outros eventos (rescisões ou diferenças ínfimas), portanto, esse argumento não pode ser utilizado para fundamentar o lançamento nessa correspondentes. PARTICIPAÇÕES NOS LUCROS ADMINISTRADORES E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS INAPLICABILIDADE DA LEI 10.101/2000 E DA LEI 6.404/76 DESCUMPRIMENTO DO ART. 28, § 9º DA LEI 8212/91. A verba paga aos diretores estatutários possui natureza remuneratória. A Lei n 6.404/1976 não regula a participação nos lucros e resultados. A verba paga não remunerou o capital investido na sociedade, logo remunerou efetivamente o trabalho executado pelos diretores. A lei 10.101/2000 define os pressupostos para que o pagamento de PLR aos empregados não constitua remuneração, e por consequência seja incluído no conceito de salário de contribuição, não se aplicando por conseguinte aos pagamentos feitos a contribuintes individuais. GRUPO ECONÔMICO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA Conforme se depreende do art. 30, IX da lei 8.212/91, existe expressa previsão legal no âmbito previdenciário para que as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei. Essa responsabilidade independente da pratica de atos por parte de seus dirigentes. INCONSTITUCIONALIDADE ILEGALIDADE DE LEI E CONTRIBUIÇÃO IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO NA ESFERA ADMINISTRATIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONOMICO A verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 2278DF CARF MF 8 OBRIGAÇÃO PRINCIPAL AUSÊNCIA DE PAGAMENTO . MULTA MAIS BENÉFICA. Para que se determinasse o valor da multa a ser aplicada, procedeuse ao comparativo: com base na antiga sistemática multa moratória (inadimplemento da obrigação principal (art. 35 da Lei n.º 8.212/1991) com a multa por descumprimento da obrigação acessória, não informação em GFIP (§ 5.º do art. 32 da Lei n.º8.212/1991), com a aplicação de multa de ofício (art. 35A da Lei n.º 8.212/1991) descrita na nova legislação Lei 11.941/2009, aplicandose a mais favorável ao recorrente até a edição da referida lei. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Contra parte da decisão que lhes foi desfavorável o Contribuinte e os responsáveis solidários apresentaram, conjuntamente, recurso especial ao qual foi dado seguimento nos termos do despacho de admissibilidade. As matérias devolvidas a este Colegiado podem assim ser resumidas: A) Da validade da PLR paga aos empregados. A.1 existência de regras claras baseadas no critério de lucratividade (paradigma válido 20501.171). A.2 ausência de previsão legal no sentido de que a assinatura do acordo de PLR seja anterior aos período ao qual se referem os lucros (paradigmas 9202002.484 e 2803003.425). B) Da legitimidade do PLR pago aos administradores contribuintes individuais, seja pela interpretação ampla do conceito de trabalhador trazido pela Lei nº 10.101/2000, seja com base na Lei nº 6.404/76 (paradigma 2403 002.336 e 2402002.883). C) Inexistência de solidariedade pelo simples fato das empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico (paradigma 2403002.685). D) Recálculo da multa, se mais benéfico, com base no art. 35 da Lei nº 8.212/91, nas redação dada pela Lei nº 11.941/2009. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões pugnando pela manutenção do acórdão por seus próprios fundamentos. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 2279DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.276 9 O recurso preenche os requisitos formais, razão pela qual, ratificando o despacho de admissibilidade, dele conheço. Conforme consta do relatório são quatro as matérias devolvidas à apreciação desta Câmara Superior, as quais passamos a analisar de forma pontual. 1) Do cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/00: previsão de regras claras e data da assinatura dos respectivos acordos. Pugna a Recorrente pela reforma do acórdão defendendo a não incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos a título de PLR nos termos do o art. 28, §9°, da Lei n.° 8.212/91, uma vez que a Lei nº 10.101/2000 permite como critério para distribuição de valores os índices relativos à produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, afinal o simples fato de a empresa ter lucro no respectivo exercício é uma meta a ser atingida por todos os beneficiados da PLR. Sabese que o direito do trabalhador à participação nos lucros e resultados da empresa está previsto no art. 7º, XI da Constituição Federal que expressamente afasta tais verbas do conceito de remuneração, condicionado no entanto tal classificação aos requisitos de lei específica. No entender do STF temos uma norma constitucional de eficácia limitada, e que nos casos de relação de emprego, somente a partir da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994, convertida posteriormente na Lei nº 10.101/00, passouse a admitir exclusão de tais verbas do conceito de salário de contribuição nos termos do art. 28, §9º, j da Lei nº 8.212/91. Importante ter em mente que o objetivo primordial da PLR é a integração entre o capital e trabalho, permitindo que o empregado participe do resultado da atividade econômica da empresa. Tanto é assim que a Lei 10.101/00, nos dizeres de Alessandro Mendes Cardoso (2017: Estudos de Custeio Previdenciário, p. 22), "foi bastante sucinta ao regulamentar a Participação nos Lucros e Resultados (PLR), no claro intuito de permitir que as partes, respeitados certos parâmetros, tenham liberdade de definir o plano mais compatível com sua realidade e os seus interesses". Essa liberdade negocial foi recentemente reconhecida com as alterações promovidas na CLT pela Reforma Trabalhista valendo citar a redação do art. 611A o qual prevê que a convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre participação nos lucros ou resultados da empresa. Assim, a Lei 10.101/00 possui como objetivo defender os interesses do empregado no que tange a negociação do plano de PLR, tanto é assim que em alguns casos trazem imposições que devem ser observada, como é o caso da vedação de instituição de regras unilaterais, o acordo deve trazer regras claras e objetivas de livre eleição pelas partes já que os incisos do §1º do art. 2º são meras sugestões. Partindose dessa premissa, não caberia à Administração Pública na figura do fiscal desqualificar as regras de participação nos lucros eleitas pela empresa em comum acordo com a comissão de empregados e retificada pelo sindicato. O juízo de valor acerca do que seriam regras claras e objetivas fica restrito ao entendimento das partes interessadas, pensamento diverso levaria a uma interpretação extremamente subjetiva da fiscalização acarretando insegurança jurídica. Fl. 2280DF CARF MF 10 Neste cenário, compartilho do entendimento de ser perfeitamente aceitável que os critérios de apuração de metas e sua respectiva aferição sejam delimitados com base em índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, nos moldes em que suscitado pelo Contribuinte e previsto nas respectivas cláusulas dos Acordos Coletivos de Trabalho juntados a partir das fls. 216 e seguintes. Agora, vale destacar, que embora essas regras possam ser livremente estabelecidas pelas partes não podemos esquecer do limite imposto pelo objetivo da lei, qual seja, promover a integração entre capital e trabalho e considerando que para tanto sua função é incentivar os colaboradores a comprometerse cada vez mais com os objetivos da empresa gerando melhores resultados, é decorrência lógica o raciocínio de que as regras para ser claras, objetivas e passíveis de aferição ao longo do período devem ser conhecidas previamente pelas partes. E quanto a este tema me filio a corrente para o qual a Lei nº 10.101/00 não traz um prazo para fixação dessas regras, por isso é que considerando a ausência de previsão normativa da lei regulamentadora quanto ao aspecto temporal, e para não restringir direito previsto constitucionalmente, nos parece razoável aceitar como válido plano assinado até a data do pagamento das respectivas parcelas, mas desde que haja nos autos comprovação do início das negociações e ainda que as regras eram de conhecimento das partes, mesmo que não formalizadas como ocorre no caso dos autos onde temos a repetição de planos padrões ao longo dos anos. Assim, até o pagamento, nestas circunstâncias, o empregado poderá questionar os critérios eleitos e eventualmente solicitar a revisão do plano. Assim, diante do exposto devese concluir pela inexistência das irregularidades apontados pelo acórdão recorrido devendo ser afastada a incidência da tributação sobre os valores pagos aos segurados empregados a título de PLR. 2) Da legitimidade da PLR paga aos diretores contribuintes individuais: Com relação ao tema 'incidência da Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos aos administradores não empregados a título de PLR' muito se discute sobre aplicação da Lei nº 6.404/76 como fundamento para exclusão do conceito de remuneração fixado pelo art. 22, III da Lei nº 8.212/91, dos valores pagos à título de distribuição de lucros aos administradores de pessoas jurídicas quando tais trabalhadores não possuem vínculo empregatício. Em que pesem os argumentos em sentido contrário, entendo não haver qualquer óbice legislativo para a exclusão de tais valores da base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa. Sabese que contribuinte individual é classe de trabalhador criada pela Lei nº 9.876/99 que alterando a Lei nº 8.212/91, acrescentou o inciso V ao seu art. 12, prevendo na alínea 'f' que se enquadra nesta categoria os diretores não empregados e os membros dos conselhos de administração de sociedade anônima. Assim, a Previdência Social ao extinguir a antiga figura do contribuinte autônomo, passou a classificar os trabalhadores em questão como contribuintes individuais. Ainda por força das substanciais alterações promovidas na Lei nº 8.212/91, por meio do art. 22, III, passamos então a ter como fato gerador da Contribuição Previdenciária o pagamento efetuado por pessoas jurídicas a esses contribuintes individuais que lhe prestam serviço: Fl. 2281DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.277 11 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: ... III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços; ... § 1o No caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil, cooperativas de crédito, empresas de seguros privados e de capitalização, agentes autônomos de seguros privados e de crédito e entidades de previdência privada abertas e fechadas, além das contribuições referidas neste artigo e no art. 23, é devida a contribuição adicional de dois vírgula cinco por cento sobre a base de cálculo definida nos incisos I e III deste artigo. § 2º Não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28. Adotando teoria desenvolvida pelo Professor Paulo de Barros Carvalho, ao analisar essa nova redação dada ao art. 22 em conjunto com os demais dispositivos da Lei de Custeio, construo a seguinte regra matriz de incidência para a contribuição previdenciária ora discutida: havendo pagamento de valores pela empresa à trabalhador sem vínculo empregatício (contribuinte individual), deve a pessoa jurídica recolher à título de contribuição previdenciária no mês, valor correspondente à incidência de 20% sobre o total das remunerações pagas (no presente caso temos o adicional de 2,5%). Fixandonos no critério quantitativo, a base de cálculo da contribuição devida pela empresa, à princípio, seria a remuneração paga ou creditada à qualquer título, entretanto não podemos deixar de observa a exclusão feita pelo citado parágrafo 2º que nos remete ao tão discutido art. 28, §9º. Vejamos então a parte que nos interessa do art. 28: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; ... Fl. 2282DF CARF MF 12 III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; ... § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: ... j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; ... Referido art. 28 nos traz o conceito de saláriodecontribuição, ou seja, o valor que serve de base de incidência das alíquotas de contribuição previdenciária devida pelos segurados obrigatórios. Nos seus incisos essa base de incidência é dividida conforme a categoria do segurado: empregado e trabalhador avulso, empregado doméstico, contribuinte individual e segurado facultativo. E é aqui começa a construção da minha linha de interpretação. O §9º do art. 28 ao prever quais os valores não compõe o conceito de salário decontribuição, não traz qualquer ressalva quanto à abrangência das exceções ali exposta, segundo o texto legal as exclusões devem ser utilizadas para a delimitação do saláriode contribuição para fins de toda a lei e não apenas no que tange à contribuição relacionada aos empregados, trabalhadores com vínculo empregatício, prevista no inciso I. Assim, afirmar que a exceção da alínea 'j' somente se aplica a essa categoria de contribuintes, adotando como lei específica apenas a Lei nº 10.101/00 seria uma limitação desarrazoada da norma. Caso a intenção do legislador fosse restringir as exceções do citado parágrafo 9º ou mesmo a exceção da alínea 'j' ora discutida, deveria ter feito menção que as exclusões somente abrangeriam o conceito de saláriodecontribuição previsto no inciso I do art. 28, que como dito fixa a base de incidência da contribuição devida pelos segurados empregados. A redação ampla do parágrafo me leva a interpretação que as exceções também se aplicam ao conceito de saláriodecontribuição fixado pelos demais incisos do artigo, entre eles o inciso III o qual abrange os contribuintes individuais. Meu entendimento é no sentido de ser perfeitamente possível a interpretação de que a lei específica referida pela alínea 'j' no caso dos trabalhadores com vínculo empregatício seria a Lei nº 10.101/00, enquanto que no caso dos administradores não empregados, contribuintes individuais, teríamos a Lei nº 6.404/76. Destaco que não estou falando que para os trabalhadores sem vínculo empregatício a exclusão do conceito de remuneração está baseada na hipótese de não incidência prevista no art. 7º, XI da Constituição Federal, a qual tem como objetivo estimular o empregado a produzir mais, buscando resultados efetivos para empresa e contribuindo para a melhoria da qualidade da relação capital e trabalho. Para esta hipótese é que teremos a aplicação da Lei n º 10.101/00 como norma regulamentar da exceção prevista na alínea 'j' do §9º do art. 28. Ora, o legislador infraconstitucional ao regulamentar a Contribuição prevista no art. 195, I, 'a' da Constituição Federal, por meio da Lei nº 8.212/91, elegeu outras hipóteses Fl. 2283DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.278 13 de não incidência que são todas aquelas do citado §9º, entre elas a alínea 'j' que por não ser de aplicação exclusiva aos empregados (inciso I) comporta o entendimento de que a Lei nº 6.404/76 foi a norma eleita pelo legislador como norma específica para disciplinar a participação nos lucros e resultados devida aos contribuintes individuais. Assim, voto no sentido de que a importância paga aos administradores não empregados à título de participação nos lucros ou resultados da empresa não integra a base de cálculo da contribuição previdenciária a que se refere o art. 195, I da Constituição. Na hipótese de a maioria deste Colegiado entender pela manutenção do lançamento, passo a análise do terceiro e quarto ponto do recurso. 3) Da retroatividade benigna: Quanto a retroatividade benigna relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo, pugna a Recorrente que sua aplicação se dê nos moldes da IN RFB nº 1.027/2010. Neste ponto a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262, cuja ementa transcrevese: Fl. 2284DF CARF MF 14 AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Fl. 2285DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.279 15 Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 2286DF CARF MF 16 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Fl. 2287DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.280 17 Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que, reproduzindo o entendimento da antiga IN SRF nº 1.027/2010, se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Fl. 2288DF CARF MF 18 Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Fl. 2289DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.281 19 § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Portanto, neste ponto, nego provimento ao recurso. 3) Da responsabilidade solidária art. 124, I do CTN: Por fim, quanto a configuração da responsabilidade solidária, destaco que esta Câmara Superior analisando lançamento envolvendo os mesmo contribuintes e que também possuía como objeto a cobrança de contribuição previdenciária sobre verbas classificadas como salário indireto, concluiu pela manutenção da caracterização da responsabilidade solidária com base na previsão expressa do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91. Na oportunidade acompanhei o voto da Conselheira Relatora, Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, formalizado no acórdão nº 9202005.514. Ocorre que, naquela oportunidade não foi feita qualquer digressão acerca do lançamento ter se baseado no art. 124, I do CTN, o qual prevê a caracterização da solidariedade nos casos em que restar comprovado o interesse econômico entre as pessoas jurídicas envolvidas. E é exatamente este o fato concreto. Em que pese haver a previsão do art. 124, II do CTN, nos termos do item 6.2 do Relatório Fiscal, a solidariedade foi fundamentada no art. 30, inciso IX da Lei nº 8.212/91 c/c art. 124, I do CTN, vejamos: 6.12 Informamos que, face à responsabilidade solidária prevista no art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, e nos termos dos artigos 121, 124, I e 135, III, da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional) a fim de subsidiar a produção do pertinente Auto de Infração, lavrouse Termo de Sujeição Passiva Solidária, cujas cópias juntamos ao presente processo, fazendo parte integrante do mesmo, correspondente a cada uma das empresas componentes do grupo econômico mencionadas no item “6.4” deste Relatório. Os sujeitos passivos solidários foram Fl. 2290DF CARF MF 20 devidamente cientificados das exigências tributárias lavradas contra o contribuinte, constituídas na presente Autuação, através dos referidos Termos de Sujeição Passiva Solidária. Em recente debate travado por esta Câmara Superior no processo nº 15504.727813/201299, o Conselheiro Relator Dr. Heitor de Souza Lima Junior fez considerações sobre o tema, considerações que pela pertinência adoto como razões de decidir: Acerca da responsabilidade solidária em sede de contribuições previdenciárias, estabelecem o art. 124 da Lei no. 5.172 de 25 de outubro de 1966 (CTN) e o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 24 de julho de 1991, verbis: CTN Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; (...) Acerca do tema, com a devida vênia ao entendimento manifestado pelo Colegiado a quo, da leitura conjunta dos dois dispositivos supra, interpreto que podese estabelecer a responsabilidade solidária em sede de contribuições previdenciárias, alternativamente: a) A partir do art. 124, I do CTN, uma vez devidamente caracterizada, pela autoridade fiscal, a ocorrência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, caracterizada a ocorrência da hipótese de incidência, que faz com que se passe incluir, no critério pessoal da regramatriz, como sujeito passivo, o responsável solidário. Aqui, repitase, entendo caber a fiscalização a comprovação da referida condição (existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador), de forma a subsistir o lançamento efetuado junto ao responsável solidário ou; b) A partir do 124, II do CTN c/c o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991, independendo, nesta hipótese, a caracterização da Fl. 2291DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.282 21 responsabilidade solidária de qualquer demonstração de interesse comum na situação que constitua o fato gerador por parte do responsável solidário, mas, sim, da simples caracterização de grupo econômico, a partir da solidariedade estabelecida, aqui, por Lei. Ou seja, uma vez caracterizada a existência de grupo econômico, escorreita a caracterização de responsabilidade solidária para seus integrantes a partir do disposto no 124, II do CTN c/c o art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991, independentemente da caracterização de interesse comum na situação que constitua o fato gerador por parte dos solidários. Entendo aqui como presumido entre os integrantes, por força de lei, o vínculo existente no art. 128, do mesmo CTN, sempre que, repitase, caracterizada a existência de grupo econômico. ... Diante dos fatos acima, entendo como escorreita a caracterização de existência de grupo econômico realizada pelo recorrido. Uma vez caracterizada a existência de grupo econômico, a propósito, conforme já mencionado no âmbito do presente voto, entendo que, de forma a se caracterizar a responsabilidade solidária dos integrantes do referido grupo, poderia a autoridade fiscal ter elencado como dispositivo legal o art. 124, II do CTN, caso optasse por não adentrar na seara de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, cujo ônus da prova é restrito, em meu entendimento, ao estabelecimento de responsabilidade solidária com fulcro no art. 124, I do mesmo Código. Todavia, não é o que se verifica. Em verdade, verifico ter se utilizado como base legal da solidariedade no lançamento, exclusivamente o referido art. 124 em seu inciso I, sem qualquer menção ao mencionado inciso II (vide Relatório Fiscal às efls. 21/22), este último que, repito, daria azo ao estabelecimento da responsabilidade solidária, sem necessidade de demonstração de interesse comum, por força da previsão legal contida no art. 30, IX da Lei no. 8.212, de 1991. Nesta situação, diante do teor da acusação (do relatório fiscal), conforme também já discorri aqui, entendo que passa a ser necessária a caracterização da existência de interesse comum no fato gerador da obrigação principal, o que, porém, não se observa nas mesmas páginas 21/22, limitandose, ali, a autoridade fiscal a fazer menção à organograma entregue pela autuada, verbis: ... Assim, diante do exposto, frente à utilização do art. 124, I do CTN como base legal para a responsabilização dos solidários e não tendo sido suficientemente demonstrado o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal pela autoridade fiscal, entendo como escorreito o Fl. 2292DF CARF MF 22 posicionamento do Colegiado a quo, no sentido de excluir a responsabilidade solidária dos contribuintes (...). Observamos, portanto, que uma vez tendo o lançamento se baseado no art. 124, I do CTN, diante da hierarquia da norma geral complementar, devese proceder uma interpretação conjunta do art. 30, IX da Lei nº 8.212/91 exigindo para caracterização da responsabilidade a demonstração por parte da fiscalização do interesse econômico comum entre as pessoas jurídicas envolvidas. Assim, diante do exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte para afastar a responsabilidade solidária. Conclusão: Diante de todo o exposto, dou provimento ao recurso do contribuinte quanto a parte que trata da PLR, entendendo pela não incidência das contribuições previdenciárias sobre as verbas pagas haja vista o estrito cumprimento dos requisitos da Lei nº 10.101/2000. Um vez vencida quanto a ocorrência do fato gerador, dou provimento parcial ao recurso apenas para afastar a caracterização da solidariedade por grupo econômico. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 2293DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.283 23 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora designada Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, para divergir do seu entendimento quanto ao cumprimento das regras pertinentes a exclusão dos valores pagos à título de PLR do conceito de salário de contribuição. Aliás, quanto a parte das matérias submetidas a recurso especial do contribuinte quanto ao PLR, adoto as razões de decidir do acórdão recorrido, em que fui relatora. Basicamente, cingese a discussão em torno do PLR sobre 3 aspectos: 1) PLR DOS EMPREGADOS: existência de regras claras e objetivas e data da pactuação; 2) PLR dos Contribuintes individuais. Para melhor delimitar a fundamentação pela manutenção do lançamento, dado o descumprimento das exigências legais previstas na Lei 8212/91 em consonância com a CF/88 e lei 10.101/2000, passo, primeiramente, a esclarecer o meu entendimento acerca do tema, analisando os aspectos legais, frente a imputação fiscal de descumprimento legal de requisitos para que tais valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. 1) PLR dos Empregados. De início, convém esclarecer que entendo equivocada a interpretação de que a reforma trabalhista tenha respaldado, em relação aos fato geradores objetos do presente lançamento, a supremacia dos acordos e tratativas ente empregados e empregadores em relação ao disposto na Lei 10.101/2000 e lei 8212/91. Realmente, o art. 611A da Consolidação das Leis do Trabalho CLT, pode, em uma rasa apreciação, levar ao entendimento de que os Acordos/Convenções Coletivas podem ultrapassar as exigências legais, até mesmo modificando suas exigências, mas de forma alguma, admite a interpretação retroativa de seus efeitos, dado a regra específica do CTN de que só se retroage a aplicação da lei quando meramente interpretativa. Estamos tratando de fatos geradores de contribuições previdenciárias, cujas as regras de exclusão encontramse expressamente descritas em lei, e para os quais a interpretação não admite extensão de seus efeitos, seja para atribuir isenção ou determinar a não incidência de contribuições previdenciárias de forma retroativa. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Fl. 2294DF CARF MF 24 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Merece ainda esclarecimento, no que diz respeito ao alcance das alterações propostas pela reforma trabalhista, acerca da supremacia das negociações coletivas. O que se pode extrair da análise das alterações legislativas em consonância com a interpretação apresentada pelos mais diversos doutrinadores, é que os acordos e convenções coletivas à serem firmados, posteriormente a publicação da lei 13.467/2017, podem, dentre as matérias elencadas no art. 611A, dar alcance diverso do previsto inicialmente em lei, mas isso deve ser expressamente discutido e submetido a aprovação da categoria, seguindo todo o rito de aprovação dos art. 612 a 615 da CLT. Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às relações individuais de trabalho. Art. 611A. A convenção coletiva e o acordo coletivo de trabalho têm prevalência sobre a lei quando, entre outros, dispuserem sobre: (Incluído pela Lei nº 13.467, de 2017) XV participação nos lucros ou resultados da empresa. Art. 612 Os Sindicatos só poderão celebrar Convenções ou Acordos Coletivos de Trabalho, por deliberação de Assembléia Geral especialmente convocada para êsse fim, consoante o disposto nos respectivos Estatutos, dependendo a validade da mesma do comparecimento e votação, em primeira convocação, de 2/3 (dois terços) dos associados da entidade, se se tratar de Convenção, e dos interessados, no caso de Acôrdo, e, em segunda, de 1/3 (um têrço) dos mesmos. Parágrafo único. O "quorum" de comparecimento e votação será de 1/8 (um oitavo) dos associados em segunda convocação, nas entidades sindicais que tenham mais de 5.000 (cinco mil) associados. Art. 613 As Convenções e os Acordos deverão conter obrigatòriamente: I Designação dos Sindicatos convenentes ou dos Sindicatos e emprêsas acordantes; II Prazo de vigência; (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) III Categorias ou classes de trabalhadores abrangidas pelos respectivos dispositivos; IV Condições ajustadas para reger as relações individuais de trabalho durante sua vigência; Fl. 2295DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.284 25 V Normas para a conciliação das divergências sugeridas entre os convenentes por motivos da aplicação de seus dispositivos; VI Disposições sôbre o processo de sua prorrogação e de revisão total ou parcial de seus dispositivos; VII Direitos e deveres dos empregados e empresas; VIII Penalidades para os Sindicatos convenentes, os empregados e as empresas em caso de violação de seus dispositivos. Parágrafo único. As convenções e os Acordos serão celebrados por escrito, sem emendas nem rasuras, em tantas vias quantos forem os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes, além de uma destinada a registro. (Incluído pelo Decretolei nº 229, de 28.2.1967) Convém ainda esclarecer que AC/CC tem prazo certo, exigem aprovação na assembléia de empregados, produzindo efeitos apenas a partir de seu depósito nos órgãos competentes, conforme descrito nos art. 614 e 615 (abaixo transcritos), ou seja, entendo totalmente equivocada a possibilidade de aplicação do dispositivo retroativamente. Art. 614 Os Sindicatos convenentes ou as empresas acordantes promoverão, conjunta ou separadamente, dentro de 8 (oito) dias da assinatura da Convenção ou Acordo, o depósito de uma via do mesmo, para fins de registro e arquivo, no Departamento Nacional do Trabalho, em se tratando de instrumento de caráter nacional ou interestadual, ou nos órgãos regionais do Ministério do Trabalho e Previdência Social, nos demais casos. § 1º As Convenções e os Acordos entrarão em vigor 3 (três) dias após a data da entrega dos mesmos no órgão referido neste artigo. § 2º Cópias autênticas das Convenções e dos Acordos deverão ser afixados de modo visível, pelos Sindicatos convenentes, nas respectivas sedes e nos estabelecimentos das empresas compreendidas no seu campo de aplicação, dentro de 5 (cinco) dias da data do depósito previsto neste artigo. § 3o Não será permitido estipular duração de convenção coletiva ou acordo coletivo de trabalho superior a dois anos, sendo vedada a ultratividade. (Redação dada pela Lei nº 13.467, de 2017) Art. 615 O processo de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação total ou parcial de Convenção ou Acordo ficará subordinado, em qualquer caso, à aprovação de Assembléia Geral dos Sindicatos convenentes ou partes acordantes, com observância do disposto no art. 612. § 1º O instrumento de prorrogação, revisão, denúncia ou revogação de Convenção ou Acordo será depositado para fins de registro e arquivamento, na repartição em que o mesmo originariamente foi depositado observado o disposto no art. 614. § 2º As modificações introduzidos em Convenção ou Acordo, por força de revisão ou de revogação parcial de suas clausula Fl. 2296DF CARF MF 26 passarão a vigorar 3 (três) dias após a realização de depósito previsto no § 1º. Do Mérito quanto ao pagamento de PLR Em relação ao mérito do cumprimento dos requisitos exigidos para pagamento de PLR, passo a transcrever as razões pelas quais entendo correto o lançamento realizado. Na verdade enfrentei a questão de forma detida ainda na Câmara a quo, razão pela qual passo a transcrever as mesmas razões, por entender que os argumentos apresentados não demonstram o cumprimento dos requisitos para exclusão do conceito de salário de contribuição, não alterando o posicionamento já externado. Quanto aos levantamentos de PLR, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então baseado na peça recursal e impugnatória, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, bem descreveu o auditor as regras para que o pagamento de PLR não constitua salário de contribuição, descrevendo que o pagamento em desacordo com o previsto na lei, determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR destinados aos segurados empregados. Participação nos Lucros e Resultados – PLR – para os empregados: Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verificase a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial. Nos Acordos Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como não há definição de objetivos a serem atingidos, restando claro que o critério para pagamento da PLR é subjetivo, sem plano de metas a ser cumprido, independentemente do esforço pessoal do empregado. Tal situação está em desacordo com o disposto na Lei 10.101/2000, artigo 2o, parágrafo único. Além disso, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. Portanto, não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas Fl. 2297DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.285 27 estipulouse um percentual fixo de 6,4 remunerações e ainda uma parcela individual fixa de mil reais. Como o acordo mencionado ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de praticamente findo. A Lei 10.101/2000, no art. 3o, § 2º, também veda que os pagamentos ocorram em periodicidade inferior a um semestre ou mais de duas vezes no mesmo ano, contudo, o contribuinte efetuou pagamentos a título de participação nos lucros e resultados em 01/2007, 03/2007, 04/2007, 11/2007, 12/2007, 03/2008, 05/2008, 09/2008 e 12/2008, como se pode ver, tanto em periodicidade inferior a um semestre civil quanto em mais de duas vezes no mesmo ano. Sendo assim, as parcelas pagas aos trabalhadores a título de PLR estão em desacordo com a legislação pertinente, integrando o salário de contribuição para todos os fins e efeitos, constituindo base de cálculo das contribuições devidas à seguridade social. (...) Ou seja, pautada nas faltas apontadas pelo auditor: ausência de regras (metas claras e objetivas), ausência de pacto prévio, ausência de previsão legal para o pagamento a administradores e contribuintes individuais, verificaremos a adequação do plano aos termos da lei 10.101/2000. Contudo, devemos inicialmente considerar que o pagamento de PLR nada mais é do que uma forma de remunerar o empregado, contudo, por força constitucional, dita verba, encontrase desvinculada do salário, desde que paga nos exatos termos de lei, ou seja, tendo a lei 10.101 descrito a forma como o PLR deve ser distribuído, bem como estabelecido regras para o seu pagamento, deverá o interessado cumprila, para usufruir do benefício constitucional. Dessa forma, conclui o auditor, que ao descumprir quaisquer dos preceitos descritos, assume o recorrente o risco de não mais ter esses pagamentos desvinculados do salário, passando a ter natureza salarial e por conseguinte faz nascer a obrigação de efetivar recolhimentos à título de contribuições previdenciárias sobre o PLR. Passemos, agora, antes mesmos de apreciar a procedência do lançamento, identificar, toda a legislação que abarca a matéria, para que possamos cotejar seu cumprimento. DA DEFINIÇÃO DE SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por salário de contribuição: Art.28. Entendese por salário de contribuição: Fl. 2298DF CARF MF 28 I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) grifo nosso. A legislação previdenciária é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Assim, é clara a legislação, ao descrever que apenas o pagamento de acordo com a lei específica é que garantirá a não integração dos pagamentos no salário de contribuição. Dessa forma o argumento de que os pagamentos realizados a título de PLR, mesmo que desconsiderados pela fiscalização como tal, não se adequam à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias não merece guarida. DO TRABALHO DO AUDITOR E DA APLICAÇÃO DOS TERMOS DA LEI 10.101. Da mesma forma, que mencionado pelo recorrente, grande é a discussão acerca das limitações do trabalho do auditor, seja quanto a possibilidade de desclassificar planos de PLR, afastando a interpretação de adequação aos termos da lei que disciplina a matéria. Nesse ponto, é plausível a insatisfação dos contribuintes, tendo em vista que a interpretação dada pela autoridade fiscal, muitas vezes mostrase diametralmente oposta ao que o recorrente interpreta da legislação, ou mesmo o que foi orientado por seus contadores ou advogados. Contudo, a papel da auditoria, no exercício da atividade vinculada de verificar o cumprimento da legislação previdenciária, é sim identificar não apenas as folhas de pagamento, mas em realizando a auditoria contábil, verificar, a existência de outros pagamentos, que constituam fato gerador de contribuições previdenciárias. É nesse ponto, que autorizado está o auditor ao identificar pagamentos outros, dos mais diversos títulos, como no caso do PLR, intimar o contribuinte a apresentar os fundamentos para o referido pagamento. Ao depararse com esses instrumentos e considerando as alegações da empresa para o pagamento em questão, verificar se aquele pagamento é ou não fator gerador de contribuições previdenciárias. Não se trata, portanto de desconsiderar um acordo firmado, ou interferir nas tratativas ali acordadas, MAS TÃO SOMENTE, IDENTIFICAR SE O PLANO ATENDE AS EXIGÊNCIAS LEGAIS QUANTO AO PAGAMENTO DESVINCULADO DO SALÁRIO. Falando mais objetivamente, no caso de pagamento de PLR, compete ao auditor verificar a norma que autoriza o pagamento, e se a mesma encontrase em conformidade (dentro dos limites) para que os pagamentos sob elas Fl. 2299DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.286 29 consubstanciados estarão excluídos do conceito de salário de contribuição, ou seja, cumprem a função prevista no próprio texto constitucional. AUTO APLICABILIDADE DO DISPOSITIVO CONSTITUCIONAL Porém um ponto, deve ser prontamente enfrentado, posto que seu acatamento dispensaria a apreciação das demais alegações. Trouxe o recorrente: “por força do que dispõe o artigo 7 XI da Constituição Federal os pagamentos realizados a título de PLR estão automaticamente excluídos da base de cálculo das contribuições previdenciárias” De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, assim, devemos nos ater ao disposto na norma que trata a questão, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Parte dos argumentos trazidos pelo recorrente foram no sentido que, o pagamento de PLR, por si só, já se encontra afastado do conceito de salário de contribuição, e da hipótese de incidência, O QUE NÃO VENHO A CONCORDAR. Entendo que embora prevista na Constituição Federal a desvinculação do PLR do salário, o que lhe conferi caráter de imunidade, não há possibilidade de considerar ter o recorrente a ampla liberdade de efetuar pagamento, sob essa denominação, da maneira que lhe aprouver. A CF/88, reporta a lei ordinária os limites para que o PLR esteja desvinculado do salário.. Quanto a verba participação nos lucros e resultados, em primeiro lugar, assim, como já bem disse o julgador de primeira instância devese ter em mente que é norma constitucional de eficácia limitada, o que de pronto afasta a argumentação, que pela sua natureza já não poderia ser considerada salário de contribuição.. Para fins de esclarecimento, cabe citar, o item 02, do Parecer CJ/MPAS no 547, de 03 de maio de 1996, aprovado pelo Exmo. Sr. Ministro do MPAS, dispõe, verbis: (...) de forma expressa, a Lei Maior remete à lei ordinária , a fixação dos direitos dessa participação. A norma constitucional em foco pode ser entendida, segundo a consagrada classificação de José Afonso da Silva, como de eficácia limitada, ou seja, aquela que depende "da emissão de uma normatividade futura, em que o legislador ordinário, integrandolhe a eficácia, mediante lei ordinária, lhes dê capacidade de execução em termos de regulamentação daqueles interesses". (Aplicabilidade das normas constitucionais, São Paulo, Revista dos Tribunais, 1968, pág. 150). (Grifamos) Vale ressaltar o que o Parecer CJ/MPAS nº 1.748/99 traz em seu bojo acerca da matéria, o que bem esclarece que a CF/88, realmente incentiva as empresas a participarem os seus lucros com seus empregados, todavia o próprio texto constitucional submeteu ditas regras aos limites legais, retirando a ampla liberdade a qual entende o recorrente possuir. Senão vejamos: EMENTA DIREITO CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO TRABALHADOR PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS ART. Fl. 2300DF CARF MF 30 7º , INC. XI DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA POSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. 1) O art. 7º , inciso XI da Constituição da República de 1988, que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros desvinculado da remuneração é de eficácia limitada. 2) O Supremo Tribunal Federal ao julgar o Mandado de Injunção nº 426 estabeleceu que só com o advento da Medida Provisória nº 794, de 24 de dezembro de 1994, passou a ser lícito o pagamento da participação nos lucros na forma do texto constitucional. 3) A parcela paga a título de participação nos lucros ou resultados antes da regulamentação ou em desacordo com essa norma, integra o conceito de remuneração para os fins de incidência da contribuição social. (...) 7. No entanto, o direito a participação dos lucros, sem vinculação à remuneração, não é auto aplicável, sendo sua eficácia limitada a edição de lei, consoante estabelece a parte final do inciso anteriormente transcrito. 8. Necessita portanto, de regulamentação para definir a forma e os critérios de pagamento da participação nos lucros, com a finalidade precípua de se evitar desvirtuamento dessa parcela. 9. A regulamentação ocorreu com a edição da Medida Provisória nº 794, 29 de dezembro de 1994, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas e dá outras providências, hoje reeditada sob o nº 1.76956, de 8 de abril de 1999. 10. A partir da adoção da primeira Medida Provisória e nos seus termos, passou a ser lícito o pagamento de participação nos lucros desvinculada da remuneração, mas, destaco, a desvinculação da remuneração só ocorrerá se atender os requisitos pré estabelecidos. 11. O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ao julgar o Mandado de Injunção nº 426, onde foi Relator o Ministro ILMAR GALVÃO, que tinha por escopo suprir omissão do Poder Legislativo na regulamentação do art. 7º, inc. XI, da Constituição da República, referente a participação nos lucros dos trabalhadores, julgou a citada ação prejudicada, face a superveniência da medida provisória regulamentadora. 12. Em seu voto, o Ministro ILMAR GALVÃO, assim se manifestou: O mandado de injunção pretende o reconhecimento da omissão do Congresso Nacional em regulamentar o dispositivo que garante o direito dos trabalhadores de participarem dos lucros e resultados da empresa (art. 7º, inc. IX, da CF), concedendose a ordem para efeito de implementar in concreto o pagamento de tais verbas, sem prejuízo dos valores correspondentes à remuneração. Tendo em vista a continuação da transcrição a edição, superveniente ao julgamento do presente WRIT injuncional, da Medida Provisória nº 1.136, de 26 de setembro de 1995, que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa e dá outras providências, verificase a Fl. 2301DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.287 31 perda do objeto desta impetração, a partir da possibilidade de os trabalhadores, que se achem nas condições previstas na norma constitucional invocada, terem garantida a participação nos lucros e nos resultados da empresa. (grifei) 14. O Pretório Excelso confirmou, com a decisão acima, a necessidade de regulamentação da norma constitucional (art. 7º, inc. XI), ficando o pagamento da participação nos lucros e sua desvinculação da remuneração, sujeitas as regras e critérios estabelecidos pela Medida Provisória. 15. No caso concreto, as parcelas referemse a períodos anteriores a regulamentação do dispositivo constitucional, em que o Banco do Brasil, sem a devida autorização legal, efetuou o pagamento de parcelas a título de participação nos lucros. 16. Nessa hipótese, não há que se falar em desvinculação da remuneração, pois, a norma do inc. XI, do art. 7º da Constituição da República não era aplicável, na época, consoante ficou anteriormente dito. (Grifamos) Neste contexto podemos descrever normas constitucionais de eficácia limitada são as que dependem de outras providências normativas para que possam surtir os efeitos essenciais pretendidos pelo legislador constituinte. Ou seja, enquanto não editada a norma, não há que se falar em produção de efeitos, bem como não acato o argumento de que o pagamento de PLR, por si só, já encontrase excluído do conceito de salário de contribuição. Conforme disposição expressa no art. 28, § 9º, alínea “j”, da Lei nº 8.212/91, notase que a exclusão da parcela de participação nos lucros na composição do salário de contribuição está condicionada à estrita observância da lei reguladora do dispositivo constitucional. A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e remunerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas com a lei prevista para regulamentálo. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a Fl. 2302DF CARF MF 32 regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Conforme descrito pela autoridade fiscal e julgadora os pagamentos referentes à Participação nos Lucros pela recorrente constituem salário de contribuição e, por conseguinte, sofrem incidência de contribuição previdenciária, haja vista no período em que foram efetuados terem sido realizadas em desacordo com a totalidade das regras previstas na legislação específica. Isto posto, não há de se acatar a teoria de que os pagamentos à título de PLR já encontramse, por previsão constitucional, fora da base de cálculo conforme argumentado pelo recorrente, razão pela qual afasto esse primeiro argumento, passando a análise do cumprimento das regras prevista na referida lei. DA EXIGÊNCIAS LEGAIS PARA FORMALIZAÇÃO DO ACORDO A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Assim, voltase novamente a uma questão nuclear, qual o limite para interpretação dos dispositivos da lei 10.101/2000. Nesse ponto argumenta o recorrente, de que a essência da lei foi cumprida, e que as restrições atribuídas pelo auditor não se sustentam. Ora, não quisesse o legislador estabelecer limites, regras claras, revisão do acordo, averiguação do cumprimento de metas, participação de órgãos protetores dos trabalhadores na negociação, qual seria a necessidade de esmiuçar a legislação de PLR. No caso, se acatássemos o entendimento do recorrente o texto constitucional seria o suficiente, Fl. 2303DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.288 33 ou no mínimo a lei 10.101/2000, precisaria ter apenas 2 artigos, conforme os 2 primeiros acima transcritos. Data vênia, aos que entendem que o auditor tem levado ao extremo as averiguações do cumprimento da lei 10.101/2000, entendo ser da competência dos órgãos colegiados, justamente corrigir os exageros, ou mesmo as interpretações equivocadas, mas de forma alguma ignorar a existência de dispositivos legais, e de exigências legais para a referida desvinculação, que nada mais são, do que reflexos da vontade legislativa acerca das limitações do pagamento de participações nos lucros e resultados desvinculadas do salário. Art.1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. Também dois pontos merecem ser enfrentados prontamente: DA DESVINCULAÇÃO COM O TRABALHO DESENVOLVIDO Neste ponto já rechaço argumento do recorrente de que o pagamento em questão não possui correlação com o trabalho prestado, ou mesmo não se caracteriza como contraprestação pelo serviço prestado. Qual seria outra forma de enquadrar o pagamento de PLR, que não contraprestação pelo serviço prestado. Tanto o é, que a lei exige se estabelecem metas de trabalho, desempenho, como forma de estímulo para que o empregado, produza cada vez mais, e por conseguinte, sintase recompensado. Não estou dizendo com isso que PLR é salário. Pelo contrário, entendo estar claro no texto constitucional que a PLR será desvinculada do salário, porém, assim como já enfrentado, tratase de norma com limitações prevista em lei específica, como reportamos anteriormente. Assim, seguese nos pontos já por mim apreciados no acórdão recorrido e que volta a enfatizar: Nem tampouco, acato os argumentos de que não se tratam de valores recebidos pelo trabalho. Respeito o posicionamento defendido pelo recorrente, contudo, possuo entendimento diverso a respeito do tema. Independente da participação nos lucros ou resultados paga pela recorrente estar em conformidade com a lei, fato é, que conforme descrito em seus acordos, tem por base o resultado operacional da empresa, sendo fator importante para que se determine o montante a ser distribuído. Ora, não fosse o empenho do empregado em alcançar cada vez mais resultados positivos, como se falaria em uma avaliação positiva do seu trabalho. É fato que a PLR nada mais almeja do que o engajamento do empregado no capital da empresa, para que o mesmo sintase estimulado a executar suas atividades em prol, não apenas, do seu crescimento na empresa, mas do crescimento de toda a empresa.em si O seu engajamento renderá frutos não apenas sobre o crescimento do negócio, mas lhe proporcionará pagamentos na modalidade de participação nos lucros. É nesse sentido, que discordo do recorrente de que encontrase desvinculado do trabalho. Fl. 2304DF CARF MF 34 Muito menos, acato o entendimento de tratarse de verba recebida “para” o desempenho da atividade profissional. Entendo, que para estar classificada nessa modalidade, deve o pagamento ou a utilidade ser indispensável para o desempenho da atividade profissional, enquadraria nessa possibilidade, o auxílio combustível, quando utilizado carro no desempenho profissional, assim como o fornecimento de um carro, o fornecimento de uniforme, de um equipamento etc. Nos demais casos, assim como no PLR, quando se fornece algo, sem que esse seja indispensável para ao desempenho, podemos dizer que o recebimento dessa verba é feito simplesmente “pelo” vínculo de emprego, razão pela qual, caso não enquadrado em uma das exclusões legais, passa a compor o conceito de remuneração e por conseqüência o de salário de contribuição. CUMPRIMENTO DO ART. 2 DA LEI 10.101/00 E MP ANTERIORES Notemos, que em relação aos termos do art. 2º da Lei 10.101/2000, duas são as possibilidades legais de legitimar a participação nos lucros e resultados de forma a afastar a sua natureza salarial: · Comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; (grifo nosso) · Convenção ou acordo coletivo de trabalho. Dessa forma, os empregados e empregadores de comum acordo poderiam eleger qualquer dos mecanismos descritos no dispositivo legal para atribuir legitimidade ao acordo proposto, porém ao elegêlos, deveriam ter cumprido o rito procedimental para sua formalização, o que não restou demonstrado em todos os casos. Apenas para esclarecer no presente caso, optou a autoridade a empresa por utilizar como instrumento de validade do pagamento do PLR o acordo coletivo. DA APRECIAÇÃO DOS ACORDOS Ao contrário do que tenta demonstrar o recorrente, não entendo que os auditores e o julgador tenham simplesmente feito juízo de valor, ou conclusão por mera presunção, quanto ao PLR acordado, e as metas estipuladas. Neste ponto, o primeiro argumento trazido pelo auditor foi a ausência de metas, regras, ou critérios que estabelecidos no acordo e que o relatório de gestão não se referia a empresa. Vejamos, o que diz a lei 10.101/2000 a esse respeito: § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Acerca do descumprimento do § 1º acima especificado, descreveu a autoridade fiscal em seu relatório: 2.2.1.9 Nos Acordo Coletivos de Trabalho, ao tratar da participação dos empregados nos lucros e resultados, as partes 22 limitamse a declarar, para os exercícios de 2007 e 2008, a Fl. 2305DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.289 35 forma de pagamento com base no resultado operacional e desempenho empresarial, conforme cláusulas abaixo indicadas: Esta garantia mínima, prevista nas cláusulas anteriormente mencionadas dos Acordos Coletivos de Trabalho, sem qualquer plano de metas e resultados estabelecido, bem como a ausência de definição de objetivos a serem atingidos, é comandada nas folhas de pagamento sob as rubricas códigos: 1003 PLR Part Lucros Result, 1009 PLR Part Lucros Result, 1033 PLR, 1040 Adiantamento PLR e 1043 Diferença. 2.2.1.11 Da leitura dos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados, restou claro que o critério para pagamento da Participação nos Resultados é subjetivo, sem plano de metas a ser cumpridas, independe do esforço pessoal do empregado. 2.2.1.12 Tal situação colide frontalmente com a disposição da Lei nº 10.101/2000, que em seu artigo 2o, § único, determina que, dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição do que for acordado. 2.2.1.13 Dessa forma, considerando a incipiência dos instrumentos apresentados e aventando a possibilidade de ter sido feita a opção por outro procedimento preconizado na Lei nº 10.101/2000 e mais, sendo de suma importância para o desenvolvimento da Auditoria fiscal, através do Termo de Intimação Fiscal n° 1 de 10/06/2011 e do Termo de Intimação Fiscal n° 2 de 05/08/2011, a empresa foi intimada a prestar à Fiscalização as informações ou esclarecimentos necessários conforme a seguir: 2.2.1.13.1 Informações detalhadas acerca do regulamento, de forma a demonstrar as regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão dos acordos. 2.2.1.13.2 Comprovar a formação e composição das comissões escolhidas pelas partes, integradas, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria, com abrangência dos trabalhadores lotados em todas as Unidades da empresa no território nacional, relativamente a todo o período fiscalizado. Em atendimento à intimação supra, a empresa informou em síntese o que segue: 2.2.1.14.1 Que as regras para o pagamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR foram estabelecidas nos Acordos Coletivos de Trabalho apresentados; 2.2.1.14.2 Que o Plano de Metas relativo à Participação nos Lucros ou Resultados PLR é em conformidade aos Relatórios de Gestão apresentados. Fl. 2306DF CARF MF 36 2.2.1.15 Com relação ao plano de metas mencionado pela empresa temos a informar: 2.2.1.15.1 O documento apresentado é o Relatório de Gestão de outra empresa: CEMIG Distribuição S.A. CNPJ: 06.981.180.000116; 2.2.1.15.2 Embora a CEMIG Distribuição S.A. compõe o mesmo grupo econômico da Companhia Energética Minas GeraisCEMIG, tal documento não pode ser aceito como plano de metas desta, tendo em vista que as empresas têm personalidade jurídica distintas, com objetivos sociais diferentes, portanto, cada uma delas devem possuir plano de metas separados; 2.2.1.15.3 Ademais, o Relatório de Gestão apresentado, relativo exclusivamente a outra empresa: CEMIG Distribuição S.A., não representa ou contém em seu conteúdo programa de metas, previsto no inciso II, do § 1º do art. 2º da Lei nº 10.101 de 19/12/2000, com resultados e prazos pactuados previamente; 2.2.1.15.4 Portanto, para empresa: Companhia Energética Minas Gerais CEMIG, não foi apresentado qualquer plano de metas. 2.2.1.16 Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas quarta e quinta prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. Em contrapartida, competenos apreciar as alegações do recorrente quanto ao cumprimento do referido requisito. Assim, descreveu em seu recurso: Argumenta que há anos desenvolve a política de retribuir o esforço e a produtividade de seus trabalhadores, que não há duvida de que a base de cálculo da PLR sempre foi os resultados da receita e lucratividade da empresa e que, portanto, quanto mais o funcionário contribui para o incremento desses números, maior será seu retorno financeiro individual. Conclui que mesmo que sejam desconsideradas as metas estipuladas nos Relatórios de Gestão 2007 e 2008, não restam dúvidas que o critério adotado pela Cemig (lucratividade) é suficiente para estimular o esforço e a produtividade de seus funcionários. Afirma que o rol de critérios e condições para pagamento da PLR estabelecidos na Lei 10.101/2000 é exemplificativo, sendo desnecessária a prévia definição de metas para a outorga do direito à PLR. METAS E CRITÉRIOS NÃO INCLUÍDOS NO ACORDO NEGOCIADO: As metas ou critérios tem que ser negociados quando da realização dos acordos, conforme descrito expressamente na lei e acima grifado, não interessando se feitos no próprio documento, ou em documento apartado, mas desde que Fl. 2307DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.290 37 cumprase o mesmo rito para sua formalização, que é a participação dos trabalhadores na composição desses critérios. Não há de se acatar sejam as mesmas estipulados posteriormente pela empresa (de forma unilateral), conforme trazido pelo auditor e enfatizado pelo recorrente, donde descreve a existência de relatórios de gestão. O que se busca são critérios que sejam negociados não impostos. Entendo sim, que a lucratividade pode consubstanciar o pagamento, e como não podêlo, se o este resultado positivo, que se quer dividir com os trabalhadores, contudo, definir que o resultado global será distribuído de acordo com o número de trabalhadores no momento que se apurar o referido resultado estabelecido para pagamento, desde que seja estabelecido também critérios para que se defina o papel de cada trabalhador ou setor envolvido para que determine o montante de cada trabalhador. Ao descrever um montante sem definição de qualquer meta ou resultado a que se alcance, nada mais se faz, senão dar uma gratificação a todos os empregados de forma igualitária, independente do quanto o engajamento de cada um influenciou no resultado. Conclusão: DESSA FORMA, A NÃO INCLUSÃO DOS CRITÉRIOS E METAS NOS INSTRUMENTOS DECORRENTES DA NEGOCIAÇÃO DETERMINA O DESCUMPRIMENTO DO § 1º, CONFORME MENCIONADO PELO AUDITOR. Aliás no próprio acordo, Cláusula quarta, fl. 217, dispõe no item a: “Metas e Estabelecimento do valor a ser distribuído: As metas estabelecidas para o ano de 2006, pactuadas pelo grupo de Trabalho, composto por membros da CEMIG e dos sindicatos e estabelecido para analisar os aspectos relacionados ao PLR de 20062007 serão revisadas até dezembro de 2006 e são, dentre outras, aquelas voltadas para o planejamento estratégico empresarial, acompanhadas através do BSC. Caso sejam alcançadas, o montante a ser distribuído (...)” NÃO DEFINIÇÃO DE METAS, LEVA A SUBJETIVIDADADE E AO DESVIRTUAMENTO DO PLR. Não se deve conferir ao caráter de subjetividade tanto enfoque, de forma, que o pagamento afastese do conceito de alcance de resultados obtidos pela empresa, sejam eles lucros ou crescimento, e passe a individualmente ser utilizado como critério de premiação individual dos trabalhadores. Entendo que, ao conferir muita subjetividade ao pagamento, fugindo de critérios objetivos e dos limites do acordo estipulado a empresa, foge a essência do pagamento de PLR e desvirtua o pagamento, concedendo ao empregado mero prêmio desempenho, verba contraprestativa com nítida feição salarial. A empresa por outro lado, tem a ampla e irrestrita liberdade de pagar PLR, eleger por qual dos instrumentos previstos na lei irá consolidar o ato, determinar as regras, critérios, metas a serem alcançados ou mesmo a maneira de aferílas, contudo deverá observar as exigências legais quanto a formalização dos atos. Ao contrário do defendido pelo recorrente, no meu entender o descumprimento de qualquer dos requisitos transforma, sim, a natureza do pagamento. Ou seja, não é que a verba deixe de ser distribuição de lucro, mas a sua natureza passa a ser de verba salarial, equiparandose a diversas outras verbas, que pelo seu mero pagamento, são por si só verbas salariais, como é o caso dos prêmios, gratificações, gorjetas, bônus etc. PACTUAÇÃO PRÉVIA O requisito pactuação prévia, também foi indicado pelo auditor como descumprimento de exigência legal, razão pela qual merece ser apreciado. Segundo o recorrente a lei não exige pacto prévio ao exercício. Em que pese o Fl. 2308DF CARF MF 38 posicionamento adotado por ilustres colegas desse colegiado, não me filio a essa tese. Acredito ser o argumento pacto prévio o mais importante para que se possa definir o regularidade dos planos, sendo determinante para procedência da autuação. Devemos ter em mente a natureza do pagamento PLR e de sua finalidade, qual seja, estimular o empregado a participar do capital da empresa, onde seu maior esforço gerará maiores lucros, que serão com ele repartidos. Entendo, ser o requisito pacto prévio, fundamental, para que se faça cumprir os preceitos da lei 10.101/00. No caso em questão a autoridade fiscal, conforme descrito no relatório fiscal, procedeu ao lançamento de contribuições previdenciárias sobre os pagamentos feitos à título de participação nos lucros, também sob o fundamento de falta de acordo prévio aos períodos em que se baseavam os pagamentos. 2.2.1.7 Relativamente à negociação contemplando o Regulamento da Participação nos Lucros ou Resultados PLR, a empresa apresentou os Acordos Coletivos de Trabalho dos anos de 2006/2007 de 30/11/2006, 2007/2008 de 11/12/2007 e 14/12/2007, firmados com as entidades sindicais ou sindicatos (representativo da categoria de empregados). 2.2.1.8 Da análise do contido no documento (Acordo Coletivo de Trabalho) que tratou do assunto, para o período de 2007 e 2008 e demais elementos verificados por esta auditoria, verifica se a ausência das condições estabelecidas pela Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, que regula a matéria, portanto, os valores pagos a título de PLR, representam, na verdade, um complemento salarial.(...) 2.2.1.16 Os Acordos Coletivos de Trabalho, em suas cláusulas quarta e quinta prevêem uma “garantia de participação mínima”, que representa uma quantia certa a ser recebida pelos empregados, independentemente de qualquer meta ou resultado, configurandose verdadeira gratificação ajustada, sem nenhum caráter de “participação nos lucros ou resultados”, desvirtuando completamente o disposto no art. 3º, caput, da lei que rege a matéria, quando assevera que a participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado. 2.2.1.17Ressalte se que, a cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007 determinou pagamento de parcela a título de PLR, a ser efetuada até 14/12/2007, considerando desempenho empresarial verificado até o momento e sua projeção para todo ano de 2007, portanto, apenas três dias após a celebração do referido Acordo. 2.2.1.18Desta forma, podese observar, em decorrência da cláusula quinta do Acordo Coletivo de Trabalho firmado em 11/12/2007, que não existe nenhuma meta ou objetivo proposto como condição para pagamento da denominada participação, apenas estipulouse um percentual fixo de 6,4 (seis inteiros e quatro décimos) remunerações e ainda uma parcela individual fixa de R$ 1.000,00 (hum mil reais) “Montante a ser Distribuído”. 2.2.1.19Como o acordo mencionado anteriormente ocorreu em 11/12/2007, praticamente transcorrido todo o ano de 2007, o mesmo evidentemente não se prestaria a estabelecer eventuais Fl. 2309DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.291 39 regras visandose incentivar a produtividade, pois deveriam estar pactuadas previamente. Os pagamentos efetuados nos termos da cláusula quinta encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, que estabelece, conforme exposições anteriores, que os mesmos devem ocorrer previamente, ou seja, antes do início do ano de 2007 e não depois de “praticamente findo”. 2.2.1.20 A justificativa utilizada para o pagamento (excelente desempenho empresarial verificado até a presente data) é claramente subjetiva, além de referirse novamente a um período já transcorrido, anterior à negociação, não afetando, pelos motivos já descritos, a produtividade. 2.2.1.21 Ao estabelecer critérios após a ocorrência dos fatos, com os resultados já consumados, as tratativas obviamente não influenciaram a produtividade ou ganhos porventura alcançados. Basta imaginar que mesmo que não se estipulasse nada ou que nem houvesse negociações ou quaisquer acordos, não haveria qualquer mudança nos fatos transcorridos, e consequentemente na produtividade. Se não se exigisse acordo prévio ao trabalho desempenhado, poderseia vislumbrar que o trabalho exaustivo do empregado durante todo um ano, com a promessa por parte do empregador de uma futura participação nos lucros, resultasse no incremento ínfimo em sua remuneração. Ou seja, para que possa sentirse estimulado o empregado, tem que ter a mínima noção do quanto esse seu empenho, trarlheá de resultados, até para que o mesmo verifique seu interesse em dedicarse de forma mais profícua. Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa (essa é a base do texto constitucional), de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação no capital (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em envolvimento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regras, critérios (ou mesmo metas), que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Da mesma forma, vislumbrase a necessidade de critérios para que se mensure o alcance dos resultados inicialmente estipulados, assim, como descreveu a autoridade fiscal. CONCLUSÃO: ENTENDO QUE O REQUISITO PACTO PRÉVIO RESTOU DESCUMPRIDO EM RELAÇÃO A TODOS OS PLR, QUANDO SÓ REALIZADO O ACORDO NO FIM DO EXERCÍCIO PARA O QUAL SE REFERE. Quanto aos demais pontos também trazidos no acórdão recorrido quanto ao PLR, não serão aqui transcritos, considerando que não foram objeto de recurso especial. Abaixo, passamos a apreciar o outro ponto do objeto do recurso especial, no qual também divergimos da ilustre relatora. PARTICIPAÇÃO DOS LUCROS E RESULTADOS À CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Fl. 2310DF CARF MF 40 Quanto aos levantamentos de PLR em relação aos valores pagos à segurados contribuintes individuais, devemos primeiramente identificar os fundamentos da autoridade fiscal, para que referidos valores constituíssem salário de contribuição, para então, baseado na peça recursal e fundamentos do acórdão recorrido, determinar a procedência do lançamento frente aos argumentos do julgador de primeira instância. No relatório fiscal, o auditor descreveu as regras para que o pagamento de PLR constitua pagamento em desacordo com a exclusão previsto na lei, o que determina a incidência de contribuição sobre os valores de PLR . Em relação aos levantamentos sobre os pagamentos aos diretores estatutários, lançou a autoridade fiscal contribuições por entender que os pagamentos não se coadunam com os preceitos legais, seja da lei 6.494 ou mesmo da lei 10.101/2000. Vejamos a imputação fiscal acerca do fato gerador: 2.2.2 Pagamentos a Título de PLR (Participação nos Lucros e Resultados) a Administradores, Diretores e Membros de Conselhos Segurados Contribuintes Individuais: 2.2.2.1 Tratase de pagamentos efetuados a administradores (não empregados) nos exercícios de 2007 e 2008 a título de Participação nos Lucros e Resultados e não foram considerados pelo contribuinte como base de cálculo de contribuições previdenciárias. 2.2.2.2 Os valores pagos a título de Participação nos Lucros ou Resultados, concedido a segurados contribuintes individuais (Administradores, Diretores e Membros de Conselhos), no período de 03/2007, 12/2007, 03/2008 e 12/2008, foram extraídos das Folhas de Pagamentos e Contabilidade apresentadas em arquivo magnético, cujos valores correspondentes ao presente levantamento, encontramse lançados neste AI sob os seguintes códigos e títulos, os quais exprimem a ocorrência do fato gerador: P3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES P4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES 2.2.2.3 O levantamento: “P3 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES” corresponde às competências: 03/2007, 12/2007, e 03/2008, cuja multa de mora lançada no presente Auto de Infração correspondeu 24% incidente sobre as contribuições devidas, e, o levantamento: “P4 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS ADMINISTRADORES” referese à competência 12/2008 cuja multa de ofício também lançada na presente Autuação correspondeu a 75% incidente sobre as contribuições devidas. 2.2.2.4 O art. 195 da Constituição Federal, com redação dada pelo art. 1º da Emenda Constitucional nº 20 de 1998, estabelece que as contribuições sociais incidam sobre a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados a qualquer título à pessoa física que lhe preste serviço. 2.2.2.5 O art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991, com redação da Lei 9.528, de 10/12/1997, estabelece que o saláriode contribuição, parcela do pagamento que servirá de base de cálculo para incidência de contribuições previdenciárias, será composto pela totalidade dos rendimentos auferidos pelo trabalhador, independentemente do título que a eles se dêem, Fl. 2311DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.292 41 destinada a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador. 2.2.2.6 A Lei 10.101 de 19/12/2000 que dispõe sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa estabeleceu em seu art. 3° que pagamentos efetuados com essa finalidade não podem substituir ou complementar a remuneração devida a qualquer empregado, nem constituirão base de incidência de qualquer encargo trabalhista. 2.2.2.7 Nesse mesmo sentido, a alínea j do § 9° do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 estabelece que a participação nos lucros ou resultados da empresa não integra o saláriode contribuição para os fins de incidência de contribuições previdenciárias. Entretanto, conforme se deduz de sua transcrição a seguir, a mesma alínea determina também uma condição para que isso ocorra: que o pagamento ou credito com essa finalidade se enquadre em lei específica. § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (.....) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; (grifo nosso) 2.2.2.8 Ao regulamentar a determinação, o inciso X da alínea m do inciso V do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048 de 06/05/1999 estabeleceu o seguinte: § 9º Não integram o saláriodecontribuição, exclusivamente: (.....) X a participação do empregado nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica (grifo nosso); 2.2.2.9 A lei específica a que se referem as determinações anteriores é exatamente a Lei 10.101 de 19/12/2000 já citada. Entretanto, por se tratarem os administradores de segurados contribuintes individuais e não de empregados, o inciso “X”, acima citado e, portanto a referida lei, não se aplicam aos mesmos. 2.2.2.10 O § 9º do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 relaciona exaustivamente em suas alíneas a totalidade das parcelas que ao serem pagas ou creditadas conforme requisitos descritos em cada uma delas não integrarão o salário de contribuição para os fins dessa mesma Lei, ou seja, não serão consideradas como bases de incidência de contribuições previdenciárias. Como não se encontram elencadas na referida relação parcelas referentes a participação nos lucros ou resultados de administradores, as mesmas deverão ser consideradas bases de cálculo para fins de contribuição previdenciária. 2.2.2.11 Contudo, mesmo com a vedação de exclusão do salário de contribuição aos pagamentos a esse título efetuados a Fl. 2312DF CARF MF 42 administradores já que o inciso X da alínea m do inciso V do § 9º do Decreto 3.048/99 prevê tal possibilidade apenas aos segurados empregados, somente para efeito de análise, imaginemos a hipótese de aplicação da Lei 10.101/2000 ao caso. 2.2.2.12 Apesar da exigência prevista no art. 2º da referida lei de que a negociação entre as partes se dê por comissão ou convenção/acordo coletivo, nenhum dos documentos apresentados inclui a participação de administradores em seus registros. 2.2.2.13 Observase que tanto o inciso I quanto o II do art. 2º da Lei 10.101/2000 exigem a participação do sindicato da categoria ou seu representante já que as convenções e acordos coletivos são institutos que prevêem essa condição em sua própria definição (título VI da CLT Consolidação das Leis do Trabalho), fato que já tornaria no mínimo curiosa a participação de administradores. 2.2.2.14 Como não existem outros assentamentos, os Acordos Coletivos de Trabalho de 2006/2007 e 2007/2008 são os únicos documentos em que se encontram registradas as negociações entre representantes da empresa e empregados acerca de Participação nos Lucros ou Resultados. Logo, as análises deverão se ater aos registros e basearse nas datas contidos nos mesmos. 2.2.2.15 Pois bem, segundo o “Acordo Coletivo de Trabalho 2006/2007 de 30/11/2006” apresentado pelo contribuinte, foram ajustadas as cláusulas entre a empresa fiscalizada e seus trabalhadores (empregados). Portanto, não há registro da representação dos administradores neste documento. 2.2.2.16 De qualquer forma os pagamentos efetuados nos termos dos Acordos Coletivos de Trabalho, a título de PLR, encontramse em desacordo com a Lei 10.101/2000, conforme demonstrado no subitem 2.2.1 deste Relatório. 2.2.2.17 Ressaltase novamente que a simples titulação dada a um pagamento é insuficiente para determinação de sua natureza tributária e previdenciária. Para tal, necessário se faz uma análise apurada da realidade dos fatos que o envolvem. Desse modo, apesar de intitulado pelo contribuinte como “participação em lucros e/ou resultados”, os pagamentos em questão não guardam tal natureza, sobretudo pelo fato de não se enquadrarem nas possibilidades de exclusão do salário de contribuição previstas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212 de 24/07/1991 e do § 9º do art. 214 do Decreto 3.048 de 06/05/1999, mas também por se encontrarem em desacordo com a Lei 10.101/2000. 2.2.2.18 Os valores pagos pela empresa aos seus administradores (não empregados) a título de participação em lucros e/ou resultados (segurados contribuintes individuais), constituemse em parcela integrante do salário de contribuição, portanto, são bases de cálculo para as contribuições devidas à Seguridade Social, nos termos da Legislação Previdenciária, art. 28 inciso III, da Lei nº 8.212, de 24/07/91 c/c art. 214, inciso III do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048 de 06/05/1999. Fl. 2313DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.293 43 Dado os fundamentos descritos, quanto aos pagamentos aos diretores não empregados, assim como descrito pela autoridade fiscal, entendo que não demonstrou recorrente estar incorreta a descrição fiscal, ou mesmo que os pagamentos estariam amparados por legislação para que os valores estejam excluídos do conceito de salário de contribuição. De forma expressa, a Constituição Federal de 1988 remete à lei ordinária a fixação dos direitos da participação nos lucros, nestas palavras: Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei. Conforme previsto no § 6º do art. 150 da Constituição Federal, somente a Lei pode instituir isenções. Assim, o § 2º do art. 22 da Lei nº 8.212/91 dispõe que não integram a remuneração as parcelas de que trata o § 9º do art. 28 da mesma Lei. O § 9º do art. 28 da Lei n° 8.212/91 enumera, exaustivamente, as parcelas que não integram o salário de contribuição. De acordo com o art. 9º, inciso V, alínea “f”, §§ 2º e 3º, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048/1999, são considerados contribuintes individuais tanto o diretor não empregado como o membro do conselho de administração da sociedade anônima. Regulamento da Previdência Social (RPS), Decreto 3.048/1999: Art. 9º São segurados obrigatórios da previdência social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) f) o diretor não empregado e o membro de conselho de administração na sociedade anônima; (Redação dada pelo Decreto nº 3.265, de 1999) (...) § 2º Considerase diretor empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja contratado ou promovido para cargo de direção das sociedades anônimas, mantendo as características inerentes à relação de emprego. § 3º Considerase diretor não empregado aquele que, participando ou não do risco econômico do empreendimento, seja eleito, por assembléia geral dos acionistas, para cargo de direção das sociedades anônimas, não mantendo as características inerentes à relação de emprego. (g.n.) No mesmo sentido, prevê o art. 12, inciso V, da Lei 8.212/1991 como contribuintes individuais os administradores (o diretor não empregado e o membro de conselho de administração) da companhia. Lei 8.212/1991: Fl. 2314DF CARF MF 44 Art. 12. São segurados obrigatórios da Previdência Social as seguintes pessoas físicas: (...) V como contribuinte individual: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). (...) f) o titular de firma individual urbana ou rural, o diretor não empregado e o membro de conselho de administração de sociedade anônima, o sócio solidário, o sócio de indústria, o sócio gerente e o sócio cotista que recebam remuneração decorrente de seu trabalho em empresa urbana ou rural, e o associado eleito para cargo de direção em cooperativa, associação ou entidade de qualquer natureza ou finalidade, bem como o síndico ou administrador eleito para exercer atividade de direção condominial, desde que recebam remuneração; (Incluído pela Lei nº 9.876, de 1999). (g.n.) Logo, a legislação previdenciária enquadra os administradores da Recorrente como contribuintes individuais. Esse entendimento está consubstanciado pela concepção organicista em que os administradores (membros da Diretoria e do Conselho de Administração) são órgãos da companhia, na medida em que o ato praticado por eles, dentro de seus poderes, é um ato da própria sociedade empresária (Recorrente), linha adotada por Fábio Ulhoa Coelho (Curso de Direito Comercial. São Paulo: Saraiva, 1999, v. 2, p. 239241). Em outras palavras, os membros da Diretoria e do Conselho de Administração, possuem poder decorrentes da lei e do estatuto, sendo que isso viabiliza todo o poder para a condução das atividades diárias da companhia e distanciase da subordinação pessoal da relação empregatícia1. Verificase que a legislação aplicável à espécie determina, em um primeiro momento, a regra geral de incidência das contribuições previdenciárias sobre a remuneração total dos segurados obrigatórios da previdência social, no caso, na qualidade de contribuintes individuais, inclusive sobre os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês, observado o limite máximo a que se refere o § 5o; Somente em um segundo momento é que são definidas, de forma expressa e exaustiva, porquanto excepcionais, as hipóteses de não incidência das contribuições destinadas à Seguridade Social. Não restou demonstrado pelo recorrente que o pagamento enquadravase nas exclusões descritas na norma. Ao contrário do que argumentado pelo relatora, não se discute a impossibilidade de utilização das exclusões previstas no art. 28, §9º para os contribuintes individuais, mas a inaplicabilidade de tal dispositivo, pela ausência de respaldo legal específica aos contribuintes individuais, já que a lei 10.101/2000 apenas reportasel aos empregados. A legislação previdenciária, em obediência ao preceito constitucional, é clara quando destaca, em seu art. 28, §9º, quais as verbas que não integram o salário de contribuição. Tais parcelas não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial. Art. 28 (...) 1 CARVALHOSA, Modesto. Comentários à lei de sociedades anônimas. São Paulo: Saraiva, 1997, v. 3, p. 19. Fl. 2315DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.294 45 § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A edição da Medida Provisória nº 794, de 29 de dezembro de 1994, que dispunha sobre a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados das empresas, veio atender ao comando constitucional. Desde então, sofreu reedições e renumerações sucessivamente, tendo sofrido poucas alterações ao texto legal, até a conversão na Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000. A Lei nº 10.101/2000 dispõe, nestas palavras : Art. 2º A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: (grifo nosso) I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1º Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2º O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2º não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista ou previdenciário (...) § 3º Todos os pagamentos efetuados em decorrência de planos de participação nos lucros ou resultados, mantidos espontaneamente pela empresa, poderão ser compensados com as obrigações decorrentes de acordos ou convenções coletivas de trabalho atinentes à participação nos lucros ou resultados. (...) Fl. 2316DF CARF MF 46 Art. 4º Caso a negociação visando à participação nos lucros ou resultados da empresa resulte em impasse, as partes poderão utilizarse dos seguintes mecanismos de solução do litígio: I – Mediação; II – Arbitragem de ofertas finais. § 1º Considerase arbitragem de ofertas finais aquela que o árbitro deve restringirse a optar pela proposta apresentada, em caráter definitivo, por uma das partes. § 2º O mediador ou o árbitro será escolhido de comum acordo entre as partes. § 3º Firmado o compromisso arbitral, não será admitida a desistência unilateral de qualquer das partes. § 4º O laudo arbitral terá força normativa independentemente de homologação judicial. Cabe observar que o § 2º, do art. 2º, da Lei n ° 10.101, foi introduzido no ordenamento jurídico a partir da Medida Provisória nº 955, de 24 de março de 1995, e o § 3º, do art. 3º, a partir da Medida Provisória nº 1.69851, de 27 de novembro de 1998. Aliás, referente raciocínio, encontrase em perfeita consonância com o entendimento do próprio STF, que destaca que o direito previsto no art. 7, XI não é auto aplicável, iniciandose apenas a partir da edição da MP 794/1994, reeditada várias vezes e finalmente convertida na Lei 10.101/2000. Esse entendimento é extraído do Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 398284/RJRio de Janeiro. RE 398284 / RJ RIO DE JANEIRO RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. MENEZES DIREITO Julgamento: 23/09/2008 Órgão Julgador: Primeira Turma Ementa EMENTA Participação nos lucros. Art. 7°, XI, da Constituição Federal. Necessidade de lei para o exercício desse direito. 1. O exercício do direito assegurado pelo art. 7°, XI, da Constituição Federal começa com a edição da lei prevista no dispositivo para regulamentálo, diante da imperativa necessidade de integração. 2. Com isso, possível a cobrança das contribuições previdenciárias até a data em que entrou em vigor a regulamentação do dispositivo. 3. Recurso extraordinário conhecido e provido. Merece transcrição excerto do voto do Ministro Menezes Direito (Relator do RE 398284/RJ): “Há três precedentes monocráticos na Corte. Um que foi relator o Eminente Ministro Gilmar Mendes; e dois outros da relatoria do Ministro Eros Grau. Então a questão está posta com simplicidade. E estou entendendo, Senhor Presidente, com a devida vênia da bela sustentação do eminente advogado, que realmente a regra necessita de integração, por um motivo muito simples: é que o exercício do direito é que se vincula à integração, não é a regra só, que nesses casos, quando manda que a lei regule o exercício, que vale por si só. Se a própria Constituição determina que o gozo do exercício dependa de lei, tem que haver a lei para que o Fl. 2317DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.295 47 exercício seja pleno. Se não há lei, não existe exercício. E com um agravante que, a meu ver, parece forte o suficiente para sustentar esse raciocínio. É que o fato de existir a participação nos lucros, desvinculada da remuneração, na forma da lei, não significa que se está deixando de dar eficácia a essa regra, porque a participação pode ser espontânea; já havia participação nos lucros até mesmo antes da Constituição dos 80. E, por outro lado, só a lei pode regular a natureza dessa contribuição previdenciária e também a natureza jurídica para fins tributários da participação nos lucros. A lei veio exatamente com esse objetivo. É uma lei que veio para determinar, especificar, regulamentar o exercício do direito de participação nos lucros, dando consequência à necessária estipulação da natureza jurídica dessa participação para fins tributários e para fins de recolhimento da Própria Previdência Social. Ora, se isso é assim, e, a meu sentir, parece ser, pela leitura que faço eu do dispositivo constitucional, não há fundamento algum para afastarse a cobrança da contribuição previdenciária antes do advento da lei regulamentadora.” Ainda nessa linha de raciocínio, notese, conforme grifado no art. 1 da referida lei, que a PLR descrita na Lei 10.101/2000 serve apenas para regulamentar a distribuição no âmbito dos “empregados”, ou seja, não serve para afastar do conceito de remuneração os valores pagos à título de “participações estatutárias” (diretores não empregados). Aqui destaco meu posicionamento, mesmo que previsto em parte dos acordos coletivos, não existiria previsão legal para tal exclusão. Não se pode elastecer o conceito de lucros ou resultados, sob pena de todas as empresas enquadrarem como resultados, todo e qualquer pagamento feito aos seus trabalhadores e em função dessa nomenclatura desvincular as verbas do conceito de remuneração e salário. A Lei n ° 10.101, resultado da conversão das Medidas Provisórias anteriores, é cristalina nesse sentido. Vale de pronto afastar também, os argumentos que o dispositivo constitucional, por si só , já afastaria para todo e qualquer trabalhador a “participação nos Lucros e resultados” do conceito de remuneração, considerando o fato de que o “caput do art. 7 da CF/88, utilizou a nomenclatura “trabalhadores”. Basta analisarmos os 34 incisos do próprio art. 7º, para que identifiquemos, que o termo “trabalhadores urbanos e rurais”, referese ao direitos dos “empregados urbanos e rurais”. Os direitos elencados no dispositivo constitucional, nos trazem a certeza do sentido empregado pelo legislador, considerando que: férias com adicional de 1/3, FGTS, repouso semanal remunerado, salário mínimo, jornada de trabalho, piso salarial, licença maternidade, licença paternidade, aviso prévio, previsão de indenização no caso de dispensa imotivada, salário família, horas extras, adicional noturno, insalubridade, periculosidade, dentro outros muitos ali elencados, são assegurados apenas aos trabalhadores detentores de uma relação de emprego, ou seja, garantidos aos empregados. No parágrafo único, também observamos a nomenclatura “trabalhadores”, porém com referência aos empregados domésticos. Levando a efeito esse raciocínio, chegaríamos a conclusão de obrigatoriedade de atribuir a observância dos direitos ali elencados a todos os trabalhadores autônomos. Nessa toada, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente. Fl. 2318DF CARF MF 48 Assim, não acato o argumento do recorrente de que o termo trabalhador descrito também na lei, é capaz de abranger a categoria de administradores e demais contribuintes individuais. Vejase que o termo autônomo ou para previdência social, contribuinte individual, não é uma pessoa que trabalha de forma subordinada, devendo cumprir metas alcançar resultados, pois se assim o fosse estaríamos atribuindo um requisito de empregado, qual seja a subordinação. Também vale lembrar que o trabalho de um mesmo autônomo exigindo o cumprimento de resultados e metas durante um período (exercício) não deve ser utilizado de forma continuada, pois senão estaríamos atribuindo o segundo requisito que é a habitualidade na prestação de serviços. Dessa forma, entendo inviável a interpretação dada pelo recorrente, razão pela qual todo e qualquer pagamento feito a contribuintes individuais constituem salário de contribuição, salvo se possível o seu enquadramento dentre as elencadas no art. 28, §9º da lei 8212/91. Percebese, então, que, se o STF entendeu que não havia lei regulamentando o pagamento de PLR antes da edição da MP nº 794/1994, não há como acolher o entendimento de que a expressão “lei específica” contida na alínea “j” do § 9º do art. 28 da Lei 8.212/1991 também se refere a outras leis extravagantes, tal como a Lei 6.404/1976 que dispõe sobre as Sociedades por Ações (companhia), inclusive o seu art. 152, § 1o, estabeleceu que o estatuto da companhia pode atribuir aos administradores participação nos lucros da companhia, desde que sejam atendidos dois requisitos: (i) a fixação dividendo obrigatório em 25% ou mais do lucro líquido; e (ii) o total da participação estatutária não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros, prevalecendo o limite que for menor. Corroborando esse entendimento, o Supremo Tribunal Federal (STF) pacificou esse entendimento por meio do RE 569441/RS, rel. orig. Min. Dias Toffoli, red. p/ o acórdão Min. Teori Zavascki, de 30/10/2014 (Info 765), submetido a sistemática de repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), nos seguintes termos: “RECURSO EXTRAORDINÁRIO 569.441 RIO GRANDE DO SUL RELATOR : MIN. DIAS TOFFOLI REDATOR DO ACÓRDÃO : MIN. TEORI ZAVASCKI EMENTA: CONSTITUCIONAL E PREVIDENCIÁRIO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NATUREZA JURÍDICA PARA FINS TRIBUTÁRIOS. EFICÁCIA LIMITADA DO ART. 7º, XI, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE ESSA ESPÉCIE DE GANHO ATÉ A REGULAMENTAÇÃO DA NORMA CONSTITUCIONAL. 1. Segundo afirmado por precedentes de ambas as Turmas desse Supremo Tribunal Federal, a eficácia do preceito veiculado pelo art. 7º, XI, da CF – inclusive no que se refere à natureza jurídica dos valores pagos a trabalhadores sob a forma de participação nos lucros para fins tributários – depende de regulamentação. 2. Na medida em que a disciplina do direito à participação nos lucros somente se operou com a edição da Medida Provisória 794/94 e que o fato gerador em causa concretizouse antes da vigência desse ato normativo, deve incidir, sobre os valores em questão, a respectiva contribuição previdenciária. (g.n.) 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento.” Por força do artigo 62, §2o do Regimento Interno do CARF2, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 09/06/2015, as decisões definitivas de mérito do STF e do STJ, na 2 Portaria MF n° 343/2015 (Regimento Interno do CARF RICARF): Fl. 2319DF CARF MF Processo nº 15504.723743/201119 Acórdão n.º 9202007.027 CSRFT2 Fl. 2.296 49 sistemática dos artigos 543B e 543C da Lei 5.869/1973 (Código de Processo Civil CPC), devem ser reproduzidas pelas Turmas do CARF. O STJ comunga do mesmo entendimento: “(...) A contribuição previdenciária sobre a participação nos lucros é devida no período anterior à MP n. 794/94, uma vez que o benefício fiscal concedido sobre essa verba somente passou a existir no ordenamento jurídico com a entrada em vigor do referido normativo. (...)” (STJ. 2ª Turma. AgRg no AREsp 95.339/PA, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20/11/2012). Assim, concluise que a Lei 8.212/1991, ao excluir da incidência das contribuições os pagamentos efetuados de acordo com a lei específica, quis se referir à PLR paga em conformidade com a Lei 10.101/2000, a qual é destinada apenas aos empregados. Por fim, vale mencionar que nem mesmo poderíamos analisar se o pagamento em questão estaria de acordo com o descrito na lei 6404/76, posto que na referida lei a participação dáse em função do capital investido. Ademais, também não entendo que a referida lei 6404, tenha excluído dos valores do conceito de salário de contribuição e por consequencia respaldar os argumentos do recorrente. Em relação à distribuição dos lucros para Administradores e Diretores, não empregados, afirmou a Recorrente que tais pagamentos não deveriam ser tributados, vez que foram efetuados em observância ao artigo 152 da Lei 6.404/76 (Lei das Sociedades Anônimas LSA). Lei 6.404/1976: Art. 152. A assembléia geral fixará o montante global ou individual da remuneração dos administradores, inclusive benefícios de qualquer natureza e verbas de representação, tendo em conta suas responsabilidades, o tempo dedicado às suas funções, sua competência e reputação profissional e o valor dos seus serviços no mercado. (Redação dada pela Lei nº 9.457, de 1997) § 1º O estatuto da companhia que fixar o dividendo obrigatório em 25% (vinte e cinco por cento) ou mais do lucro líquido, pode atribuir aos administradores participação no lucro da companhia, desde que o seu total não ultrapasse a remuneração anual dos administradores nem 0,1 (um décimo) dos lucros (artigo 190), prevalecendo o limite que for menor. (g.n.) § 2º Os administradores somente farão jus à participação nos lucros do exercício social em relação ao qual for atribuído aos acionistas o dividendo obrigatório, de que trata o artigo 202. Quanto às participações estatutárias, tal como a participação no lucro dos administradores – diretores não empregados, qualificados como segurados contribuintes individuais –, elas dependem de o resultado da companhia, no respectivo exercício social, ter sido positivo, pois do contrário não haverá lucros a serem partilhados aos diretores não empregados com base nos lucros, conforme determinar o art. 190 da LSA: “as participações estatutárias de empregados, administradores e partes beneficiárias serão determinadas, Art. 62. (...). § 2o As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 2320DF CARF MF 50 sucessivamente e nessa ordem, com base nos lucros que remanesceram depois de deduzidas a participação anteriormente calculada” (g.n.). Considerando não ter sido trazido qualquer argumentação de que tratavamse de acionistas, os fatos acima mencionados evidenciam que a Recorrente concedeu aos diretores não empregados (contribuintes individuais) uma remuneração distinta dos lucros previstos no art. 152 da Lei 6.404/1976 (Lei da LSA) ou distribuiu uma verba cognominada de lucros em desacordo com as regras estampadas na Lei 6.404/1976 (artigo 152 c/c o artigos 189 e 190). Isso configura, efetivamente, que a verba paga aos diretores não empregados caracterizase como uma remuneração pelo exercício de atividades na empresa, decorrente da relação empregador e empregado, que é distinta da relação acionista e diretores não empregados. Ainda. em relação a este ponto, entendo relevante dizer que não vislumbro na referida lei a exclusão do conceito que amparasse a argumentação do recorrente. Os pagamentos efetuados possuem natureza remuneratória. Tal ganho ingressou na expectativa dos segurados contribuintes individuais em decorrência do contrato e da prestação de serviços à recorrente, sendo portanto uma verba paga pelo trabalho e não para o trabalho como apreciamos anteriormente. Dessa forma, estando no campo de incidência do conceito de remuneração e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, conforme já analisado, deve persistir o lançamento em toda a sua extensão em relação aos contribuintes individuais, negandose provimento integralmente ao recurso nessa parte. Isto posto, entendo que não há como acolher a pretensão do recorrente para excluir o pagamento do PLR do conceito de salário de contribuição aos segurados contribuintes individuais, seja pela art. 7º da CF/88, seja pela lei 10.101/2000, nem tampouco com respaldo nas lei 6.404. Assim, NEGO PROVIMENTO AO RESP DO CONTRIBUINTE neste ponto. Conclusão Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Especial tanto em relação aos Pagamentos de PLR aos empregados, quanto aos contribuinte individuais. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 2321DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.720011/2007-63
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO.
Acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos.
PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS.
O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes.
Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes.
Numero da decisão: 3201-004.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. Acolhem-se os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos. PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS. O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
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OMISSÃO. Acolhemse os embargos, com efeitos infringentes, quando constatada omissão no julgado, quanto às consequências da vinculação de processos. PROCESSOS VINCULADOS. CONSEQUÊNCIAS. O processo decorrente, em julgamento conjunto, tem autonomia material e processual própria, e por isto, deve aproveitar somente as decisões de matérias que lhe são pertinentes. Embargos Acolhidos, com Efeitos Infringentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 00 11 /2 00 7- 63 Fl. 386DF CARF MF 2 Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Tratase de Embargos de Declaração da Procuradoria da Fazenda Nacional, apontando omissão no julgado embargado. Conforme o Despacho de Admissão, apontase omissão no acórdão embargado porque, em seus fundamentos, faz referência ao processo principal 11444.000553/200825. A Fazenda Nacional entende que o acórdão embargado não se manifestou sobre o fato de que o processo principal não tem ainda julgamento definitivo, sendo objeto de Recurso Especial, e desse modo, não poderia ser utilizado como fundamento neste processo decorrente. Reproduzo excerto esclarecedor de sua manifestação fls.(375): Assim, o acórdão embargado foi omisso sobre ponto imprescindível ao desate da lide: o fato de que a formalização e o trânsito em julgado da decisão proferida nos autos nº 11444.000553/200825 é condição, futura e incerta, para o julgamento da lide decorrente, razão pela qual a provisoriedade da decisão emanada naqueles feitos configuraria um empecilho à atividade judicante no presente processo correlato. Nesse teor, o acórdão embargado foi omisso sobre a análise e aplicação dos artigos 421 e 452, ambos do Decreto nº 70.235/72 neste caso concreto. Os referidos dispositivos prescrevem quando as decisões administrativas se tornam definitivas e que, apenas na hipótese de decisão definitiva favorável ao contribuinte, podem ser exonerados os gravames decorrentes do litígio. A embargante pede também esclarecimentos quanto às consequências do vinculação do processos (fl. 378): Assim sendo, considerando que o Colegiado restou omisso no que tange à análise do citado ponto, fazse mister que se pronuncie acerca da falta de formalização e de definitividade da decisão tomada nos autos n. 11444.000553/200825 e das repercussões que tal fato terá na decisão adotada no presente feito. Nesses termos, revelase a necessidade de se aclarar o decisum, sanando as omissões/contradições/obscuridades acima 1 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. 2 Art. 45. No caso de decisão definitiva favorável ao sujeito passivo, cumpre à autoridade preparadora exonerálo, de ofício, dos gravames decorrentes do litígio. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201004.259 S3C2T1 Fl. 3 3 apontadas, a fim de que a decisão deste Colegiado mostrese consentânea com tudo o que destes autos consta, bem como para que seu conteúdo reste claro e completo, não deixando qualquer margem de dúvidas para a interposição de recurso especial e/ou execução do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Na sessão do dia 17 de abril de 2018, esta Turma julgou o processo 11444.000553/200825, que trata de Auto de Infração de IPI, por erro de classificação fiscal das mercadorias produzidas pela empresa autuada. Na mesma sessão, julgamos os respectivos processos de ressarcimento de IPI, dos mesmos períodos, de números 13830.720010/200719, 13830.720018/200785, 13830.720016/200796 e o presente processo, 13830.720011/200763. Ambos os processos têm origem no mesmo procedimento fiscal, são do mesmo período e veiculam as mesmas matérias, posto que se origiram da mesma infração, o erro de classificação fiscal que ocasionou as glosas dos créditos pretendidos nos processos de ressarcimento, e o lançamento dos saldos devedores decorrentes da mesma infração. Assim, nesses casos, o julgamento deve ser conjunto, para que não haja decisões díspares sobre o mesmo fato autuado, originado do mesmo procedimento fiscal. O julgamento conjunto atende à diretriz do artigo 6º do regimento interno do Carf, e foi também, solicitado pelo contribuinte. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. Fl. 388DF CARF MF 4 § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. Desse modo, a decisão havida no processo de Auto de Infração foi replicada nos processos de ressarcimento, para que tenham todos o mesmo fundamento de decidir. O contribuinte, também, pedia o julgamento conjunto, perfazendo tal matéria, portanto, pertencente à lide. A Fazenda Nacional, nos embargos, entende que a referência ao processo principal ensejaria omissão/obscuridade/contradição do julgado, pois que o julgamento do principal não seria definitivo. Entendo que lhe assiste razão, em parte. 1Vinculação de processos conexos A referência ao processo principal, julgado em conjunto, tem como razão a manutenção dos mesmos fundamentos, e não pressupõe sua definitividade, e por não pressupor sua definitivade, não precisaria se manifestar sobre os artigos do PAF que tratam desse instituto. Os processos vinculados não ficam sobrestados, mas devem, de preferência, serem julgados juntos para terem decisão equivalente. A referência ao processo principal não retira do acórdão embargado, no presente processo decorrente, o caráter de julgamento completo, pois utiliza seus próprios Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13830.720011/200763 Acórdão n.º 3201004.259 S3C2T1 Fl. 4 5 fundamentos, replicados por referência aos fundamentos do processo principal. Embora replicados e os mesmos, os fundamentos do acórdão embargado são do acórdão embargado. Em outras palavras, em sede de julgamento, vinculamse os processos pelo direito material, não pelo processual. A parte processual vinculada relacionase com a fase anterior, a distribuição e a pauta conjunta dos processos. A parte material vinculase pela manutenção dos mesmos fundamentos de decidir para os processos vinculados, para as mesmas matérias. Para ilustrar, por hipótese, conjecturamos que uma das partes perca prazo de recurso no processo principal, e não perca o prazo no presente processo. Então, o presente processo teria seguimento normal, posto que não está vinculado ao principal senão pela utilização dos mesmos fundamentos. 2 Repercussões do processo principal no presente processo Todavia, a utilização de todas as matérias decididas no processo principal, por omissão da análise das repercussões do processo principal nos decorrentes, tal como foi feito aqui, acarretou em erro, pois que a matéria de decadência do direito de lançar não é pertinente ao presente processo, que trata apenas de ressarcimento. A decadência do direito de lançamento, no processo principal, foi a única matéria de provimento parcial. Aqui, todavia, não sendo aplicável, o resultado deve ser por negativa da homologação da compensação, em conformidade com a decisão acerca das outras matérias. Observo que as referências à decadência quanto à homologação da compensação permanecem válidas, posto que contadas a partir da Declaração de Compensação, e aplicáveis neste presente processo. 3 Conclusão Pelo exposto, voto por acolher os embargos, com efeitos infringentes, para excluir da decisão embargada as referências à decadência do direito de lançar, e alterar o resultado para negar provimento ao pedido de ressarcimento e compensação. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 390DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002163/2008-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Data do fato gerador: 10/02/2005
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
Numero da decisão: 3302-006.104
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 10/02/2005 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda.
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VALOR EXONERADO ABAIXO DO LIMITE DE ALÇADA. CONHECIMENTO PELAS TURMAS DO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Não se toma conhecimento de recurso de ofício que, na data do julgamento pelas Turmas de Julgamento deste Conselho, não atende o limite de alçada fixado em ato do Ministro Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 21 63 /2 00 8- 58 Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10611.002163/200858 Acórdão n.º 3302006.104 S3C3T2 Fl. 131 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício para revisão da decisão de primeira instância que exonerou o crédito tributário no montante de R$ 1.125.448,24 relativo a exigência de juros de mora e, mantendo o valor de R$ 2.465.384,98, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 10/02/2005 Regime especial de admissão temporária de bens destinados à prestação de serviços ou produção de outros bens. Pagamento dos impostos proporcionalmente ao seu tempo de permanência no território aduaneiro. O importador, previamente ao registro da Declaração de Importação impetrou Mandado de Segurança. foi autorizado ao impetrante a realização de depósito judicial, no montante do crédito tributário, para suspender a exigibilidade do mesmo. Afastada a exigência do juros de mora. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O sujeito passivo foi cientificado da decisão de piso em 30.10.2014 (fls. 120) e não apresentou recurso voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator O presente recurso de ofício foi interposto em razão da exoneração de parte dos débitos objeto da autuação no valor de R$ R$ 1.125.448,24. No caso, como a exclusão e a redução excederam o limite de alçada, fixado à época no valor de R$ 1.000.000,00, pela Portaria MF 3/2008, fora automaticamente interposto o Recurso de Ofício. Entretanto, a normativa acima referida foi revogada pela Portaria MF 63/2017, que alterou o referido limite alçada do órgão de julgamento de primeiro grau, para R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais), no seu art. 1º, que segue transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais). § 1º O valor da exoneração deverá ser verificado por processo. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10611.002163/200858 Acórdão n.º 3302006.104 S3C3T2 Fl. 132 3 § 2º Aplicase o disposto no caput quando a decisão excluir sujeito passivo da lide, ainda que mantida a totalidade da exigência do crédito tributário. Em relação ao assunto, cabe consignar que, no âmbito deste Conselho, o requisito atinente ao limite de alçada deve ser atendido na data da apreciação do recurso de ofício, conforme dispõe a Súmula CARF nº 103, a seguir transcrita: Súmula CARF nº 103: Para fins de conhecimento de recurso de ofício, aplicase o limite de alçada vigente na data de sua apreciação em segunda instância. Com base nessas considerações, não se toma conhecimento do referido recurso de ofício, por não atender o limite de alçada exigido no art. 34, I, do Decreto 70.235/1972 e fixado no art. 1º da Portaria MF 63/2017. Por todo o exposto, voto por não conhecer do Recurso de Ofício. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 132DF CARF MF
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