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Numero do processo: 15374.958606/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Mon Oct 04 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA.
Estando devidamente motivada a recusa ao pedido de perícia e demonstrada a sua desnecessidade, não há que se falar em cerceamento de defesa, nos termos da Súmula CARF nº Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Ano-calendário: 2006
JCP. IRRF. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA A EFETIVA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO QUE AMPARA O DIREITO CREDITÓRIO.
Para fins de compensação de débitos de IRRF de JCP com crédito da mesma natureza, o crédito alegado, de pagamento realizado a maior decorrente de erro do contribuinte, precisa estar devidamente comprovado. O erro de fato não se presume, devendo ser demonstrado documentalmente. Na ausência de documentos hábeis e idôneos e diante da ausência de demonstração do erro alegado, não há como reconhecer o crédito buscado.
Numero da decisão: 1302-005.737
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente).
Nome do relator: FABIANA OKCHSTEIN KELBERT
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA. Estando devidamente motivada a recusa ao pedido de perícia e demonstrada a sua desnecessidade, não há que se falar em cerceamento de defesa, nos termos da Súmula CARF nº Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 JCP. IRRF. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA A EFETIVA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO QUE AMPARA O DIREITO CREDITÓRIO. Para fins de compensação de débitos de IRRF de JCP com crédito da mesma natureza, o crédito alegado, de pagamento realizado a maior decorrente de erro do contribuinte, precisa estar devidamente comprovado. O erro de fato não se presume, devendo ser demonstrado documentalmente. Na ausência de documentos hábeis e idôneos e diante da ausência de demonstração do erro alegado, não há como reconhecer o crédito buscado.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE PERÍCIA. INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO À AMPLA DEFESA. Estando devidamente motivada a recusa ao pedido de perícia e demonstrada a sua desnecessidade, não há que se falar em cerceamento de defesa, nos termos da Súmula CARF nº Súmula CARF nº 163: O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ) Ano-calendário: 2006 JCP. IRRF. CRÉDITO DE PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. NECESSÁRIA A EFETIVA COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO QUE AMPARA O DIREITO CREDITÓRIO. Para fins de compensação de débitos de IRRF de JCP com crédito da mesma natureza, o crédito alegado, de pagamento realizado a maior decorrente de erro do contribuinte, precisa estar devidamente comprovado. O erro de fato não se presume, devendo ser demonstrado documentalmente. Na ausência de documentos hábeis e idôneos e diante da ausência de demonstração do erro alegado, não há como reconhecer o crédito buscado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto da relatora. (documento assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo - Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 95 86 06 /2 00 9- 10 Fl. 102DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 (documento assinado digitalmente) Fabiana Okchstein Kelbert - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros, Gustavo Guimarães da Fonseca, Ricardo Marozzi Gregório, Flávio Machado Vilhena Dias, Andréia Lúcia Machado Mourão, Cleucio Santos Nunes, Marcelo Cuba Netto, Fabiana Okchstein Kelbert e Paulo Henrique Silva Figueiredo (Presidente). Relatório Trata-se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 12-65.349 proferido pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro DRJ/RJOI (e-fls. 44-49), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo (e-fls.02-13). Na origem, tem-se a transmissão de Declaração de Compensação (PER/DCOMP) nº 17412.15700.291106.1.3.04-4158 (e-fls. 33-37), pela a qual a contribuinte buscou compensar débitos de IRRF de Juros sobre Capital Próprio pagos a residentes no exterior (JCP - código 9453), com crédito de IRRF (código 5706), no valor alegado de R$ 3.386.620,49, decorrente de pagamento a maior. O Despacho Decisório (e-fl.38) não homologou a compensação de crédito no valor de R$ 3.386.620,49, pois o pagamento foi totalmente utilizado para o código 5706, no próprio período de apuração, como se infere: Fl. 103DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 Na manifestação de inconformidade (e-fls. 02-13), assentou, em síntese, que: - a decisão não contém fundamentação fática nem legal, gerando cerceamento ao direito de defesa; - em 19.10.2006 foi deliberada a distribuição de juros sobre capital próprio - JCP no valor total de R$1.349.999.615,89, dos quais R$557.549.231,88 foram destinados a seus acionistas residentes no exterior e R$792.450.384,01 aos estabelecidos no Brasil; - assim, sobre este montante destinado aos acionistas do País estava sujeita à retenção e recolhimento do valor de R$90.281.250,89 a título de IRRF, considerando a regra genérica do §2°, do artigo 9o, da Lei n.° 9.249/95, (15% de R$792.450.384,01), conforme planilha e declaração da instituição financeira custodiante, doc.03 e doc.04; - entretanto, ao proceder ao pagamento do IRRF incidente sobre os JCP pagos a acionistas residentes no Brasil, sob o código 5706, fê-lo com valor maior, no total de R$93.667.871,38, quando eram devidos R$90.281.250,89; - portanto, tem um crédito de R$3.386.620,49, conforme doc.05; - assim, apresentou PER/DCOMP em 29-11-2066; - o não reconhecimento do crédito não se justifica no fato de que as DCTF ou DIPJ, relativamente à rubrica e período em tela, informaram valor devido equivalente àquele que foi pago; - trata-se de informação equivocada inserida nas ditas declarações, como demonstrado, eis que o valor devido era, de fato de R$90.281.250,89 e não aquele que constou, erroneamente, da mencionada declaração; Fl. 104DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 - as declarações fiscais não constituem instrumento inequívoco e irrefutável de confissão de dívida, uma vez que elas não alteram a realidade dos fatos não sendo aptas a constituir, por si só, fatos jurídicos; - deve prevalecer o princípio da verdade real em face de meros erros formais; - requer prova pericial com base nos quesitos e perito indicados às fls.12. Com a manifestação de inconformidade acostou unicamente cópias de documentos internos e do Bradesco com informações sobre os pagamentos de JCP (e-fls. 15-16), e DARF no valor de R$ 93.667.871,38 (e-fl. 17). No acórdão recorrido (e-fls. 44-49), inicialmente foi rejeitada preliminar de nulidade e o pedido de perícia, ao argumento de que esta não se destina a suprir falhas da contribuinte, especialmente quando teve oportunidade de trazer documentos aos autos e não o fez. Em relação ao mérito, em suma, o julgador de piso discorreu acerca dos efeitos jurídicos da DCTF e das informações ali declaradas. Sobre a verdade real e o erro de fato, o julgador esclareceu que este deveria ser efetivamente demonstrado, especialmente por meio da juntada dos livros contábeis e fiscais, conforme previsto no regulamento do imposto de renda. Argumentou que no caso concreto não foi juntado qualquer documento hábil a demonstrar a ocorrência de erro, pois foram acostados apenas documentos produzidos unilateralmente pela contribuinte. Isso porque a liquidez e a certeza do crédito tributário são indispensáveis à compensação. Assim, diante da falta de prova da existência do crédito alegado, a manifestação de inconformidade teve provimento negado. No recurso voluntário (e-fls. 58-70) a recorrente reproduz em identidade de termos os argumentos da manifestação de inconformidade, não tendo acrescido qualquer fundamento jurídico distinto. Nas próprias razões recursais colaciona planilha própria com indicação da distribuição dos JCP. Com o recurso voluntário acostou os seguintes documentos: extrato da ata da reunião do conselho de administração (e-fl. 83); planilha elaborada pela recorrente (e-fls. 84- 95); declaração Bradesco (e-fl. 96); comprovante de arrecadação (e-fl. 98 – código de receita 5706). Requereu, ao final, o conhecimento e provimento do Recurso Voluntário para tornar insubsistente o Despacho Decisório emitido em 21.09.2009, convalidando-se a Declaração de Compensação n° 17412.15700.291106.1.3.04-4158, objeto do Processo de Crédito em epígrafe, extinguindo-se o débito a ele vinculado e, consequentemente, cancelando-se a respectiva cobrança formalizada por intermédio do Processo Fiscal n° 15374.960768/2009-18. Requereu sucessivamente a anulação do acórdão recorrido, com conversão do feito em diligência para realização da prova técnica anteriormente requerida. Fl. 105DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 A recorrente apresentou memoriais, onde não se observa qualquer fundamento jurídico que já não tenha sido apresentado com as razões recursais. É o relatório. Voto Conselheira Fabiana Okchstein Kelbert, Relatora 1. DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO O recorrente teve ciência do acórdão recorrido na data de 26/01/2015 (e-fl. 54), e protocolou o recurso em 24/02/2015 (e-fl. 57), dentro, portanto, do prazo de 30 (trinta) dias previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. A matéria vertida no recurso está contida na competência da 1ª Seção de Julgamento do CARF, conforme art. 2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RI/CARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, porquanto tempestivo e por preencher os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso voluntário e passo a analisar o seu mérito. 2. PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DE DEFESA No ponto, tendo em vista que a recorrente alegou que o indeferimento do pedido de perícia teria violado seu direito de defesa, essa matéria deve ser tratada como preliminar, diante de uma possível nulidade, nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235/72. Desde a manifestação de inconformidade, defende a recorrente, de forma paradoxal, que deveria ser realizada perícia técnica em sua contabilidade e registros fiscais, jamais acostados aos autos. Isso não obstante, requereu a realização de perícia. A decisão recorrida assentou o quanto segue no ponto: O objetivo da perícia é o de formar a convicção do julgador no âmbito do processo. Não cabe perícia para suprir falhas ou incorreções tanto da autoridade fiscal quanto da defesa do contribuinte, notadamente, quando o contribuinte já teve a oportunidade de acostar aos autos todos os documentos que julgasse lhe beneficiar, inclusive informações de instituições financeiras depositárias de ações, conforme rege a legislação do processo administrativo fiscal. Tenho que a decisão recorrida não merece qualquer reparo no ponto. A recorrente foi claramente orientada acerca da documentação que deveria trazer aos autos para provar a existência do crédito alegado, tendo optado por não juntá-la em momento algum (nem mesmo com o presente recurso voluntário). De outro lado, os documentos constantes nos autos, somados às informações presentes nos sistemas da RFB foram suficientes para que o julgador formasse a sua convicção, a qual não foi infirmada pela recorrente justamente porque deixou de juntar os documentos antes Fl. 106DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 indicados, nem mesmo depois de o acórdão expressamente afirmar que documentos internos produzidos unilateralmente não serviriam a tanto, que deveria ter apresentado livros contábeis por se tratar de pessoa jurídica. Tenho que o indeferimento do pedido de perícia foi, assim, devidamente fundamentado, incidindo no caso concreto o enunciado da Súmula CARF nº 163: Súmula CARF nº 163 O indeferimento fundamentado de requerimento de diligência ou perícia não configura cerceamento do direito de defesa, sendo facultado ao órgão julgador indeferir aquelas que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Assim, rejeito a preliminar. 3. DO MÉRITO Conforme relatado, o recurso voluntário a reproduziu em identidade de termos os argumentos expendidos na impugnação. Ademais, os documentos acostados com o recurso não serviram para comprovar o crédito alegado, porquanto se tratam de documentos internos e de uma declaração do Bradesco informando valores pagos de JCP e IRRF no valor de R$ 90.281.250,89, como se observa: Dessa forma, tendo em vista que a fundamentação do recurso voluntário não agregou novos elementos jurídicos, valho-me da previsão contida no § 3º do art. 57 da Portaria MF nº 343, de 09.06.2015, que aprovou o RICARF vigente: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) [Grifo nosso] Fl. 107DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 Desse modo, e tendo em vista que estou de acordo com as conclusões lançadas na decisão recorrida, com base na disposição regimental supra citada e valho-me das razões de decidir do voto condutor do respectivo acórdão: Dos efeitos jurídicos das informações constantes em DCTF. Já em 1986 a legislação tributária dava à DCTF o poder de ser instrumento inequívoco e irrefutável de confissão de dívida, uma vez que, como será demonstrado, ela possibilitava e possibilita à Fazenda Pública executar judicialmente os declarantes. Nesse sentido, determina o Decreto-Lei nº. 2.124, de 13-06-1984, em seu artigo 5º, parágrafo 1º., abaixo transcrito: “Art.5º.O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito.” Depreende-se deste dispositivo que o documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória possui natureza de título executivo, ensejando a inscrição direta em dívida ativa para efeito de cobrança executiva. Por conseguinte, a executoriedade do crédito tributário formalizado nesses documentos deve-se ao caráter de confissão de dívida que eles, por força de lei, possuem e, como confissão de dívida, imprimem ao crédito tributário ali apurado a certeza e a liquidez necessárias a sua inscrição em dívida ativa. Tal afirmação também encontra fundamento no artigo 201 do CTN, que dispõe: “constitui dívida ativa tributária a proveniente de crédito dessa natureza, regularmente inscrita na repartição administrativa competente, depois de esgotado o prazo fixado, para pagamento, pela lei ou por decisão final proferida em processo regular”. Assim, verificada a confissão de dívida na qual o contribuinte já se declarou devedor, resta suprida a necessidade de um ato de formalização do crédito já confessado pelo contribuinte, mediante lançamento de que trata o art. 142 do CTN. A DCTF foi instituída pela INSRF nº.129 de 1986, e desde esta data, é um dos instrumentos de confissão de dívida tributária conforme prescrito no artigo 5º, parágrafo 1º, do Decreto-Lei nº. 2.124, de 13-06-1984. A doutrina majoritária, dentre ela, a de Leandro Paulsen em comentário ao artigo 174 do CTN na obra de sua autoria (Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência, pág.1.244, 7ª. ed., Porto Alegre, Livraria do Advogado: ESMAFE, 2005), ensina que: “O Fisco, no curso do prazo para o lançamento de ofício, pode optar pelo exercício da prerrogativa de promover a inscrição com base na DCTF, sem realizar propriamente o lançamento de ofício. No momento em que o Fisco adere à DCTF e promove sua inscrição em dívida ativa, inscrição esta é o derradeiro controle de legalidade feito pela Administração, tem-se que chancelou a DCTF oficializando-a. A convergência entre o contribuinte e o Fisco, que aceita a DCTF como expressão do seu crédito e promove a sua inscrição, implica a definitividade do respectivo crédito tal como inscrito. O Fisco, no momento em que inscreve os valores da DCTF em dívida ativa, abre mão de realizar lançamento diverso, com o crédito inscrito tornar-se definitivo. Daí, pois, ou seja, da inscrição em dívida ativa, conta o prazo prescricional.” O mesmo professor na sua obra, Direito Tributário, página 1.268, informa que: Fl. 108DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 “prestada informação pelo contribuinte no sentido de ser devido determinado tributo (o que normalmente ocorre através das guias de informação da Receita Federal e do INSS; DCTF e GFIP), não mais se opera a decadência relativamente ao que foi confessado, pois desnecessário o lançamento pelo mesmo valor.” Acrescenta o referido autor: “É certo que continuará correndo o prazo decadencial para o Fisco realizar lançamento por montante superior ao confessado. Decorrido o prazo decadencial sem qualquer lançamento de ofício, considera-se que o Fisco aderiu à declaração do contribuinte que, com isso, resta chancelada.” (Grifado agora) Por sua vez, Zelmo Denari, na sua obra “Curso de Direito Tributário”, da Editora Forense, 1991, págs. 255/256, diz: “Os débitos declarados pelos contribuintes equivalem a confissão de dívida, pois o declarante comunica ao Fisco a ocorrência de fatos geradores do imposto e, ao mesmo tempo, determina o “quantum debeatur”. A declaração do débito corresponde, do lado ativo, um direito pré-constituído que não depende de qualquer provimento administrativo ou judicial para se afirmar como Direito.” A jurisprudência é no sentido de que o reconhecimento do débito tributário pelo contribuinte, mediante a DCTF, com a indicação precisa do sujeito passivo e a quantificação do montante devido, equivale ao próprio lançamento, estando o Fisco autorizado a proceder à inscrição do respectivo crédito em dívida ativa. Segundo jurisprudência pacífica do STJ, a apresentação, pelo contribuinte, de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais - DCTF (instituída pela INSRF 129 de 1986, atualmente regulada pela IN SRF 395 de 2004, editada com base no artigo 5° do DL 2.124 de 1984 e artigo 16 da Lei 9.779 de 1999) ou de Guia de Informação e Apuração do ICMS - GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de formalizar a existência, vale dizer, constituir o crédito tributário, dispensada, para esse efeito, qualquer outra providência por parte do Fisco. Portanto, os dados constantes em DCTF alteram a realidade dos fatos, constituem, por si só, fato jurídico, uma vez que possibilitam à Fazenda Pública executar judicialmente os respectivos declarantes. Do princípio da verdade real. A aplicação do princípio da verdade real, na espécie, traduz-se por averiguar se a despeito de a DCTF apresentar determinado valor, na verdade, este seria outro. Determina o parágrafo 1º., do artigo 147, do CTN, que a retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. Tal regra está regulamentada nos artigos 880 e 881, do RIR/99. Desta forma, cabe ao contribuinte comprovar a veracidade dos valores apresentados na manifestação de inconformidade para que se conclua se houve erro de fato quando da elaboração da DCTF. Da demonstração do erro de fato. Tratando-se de pessoa jurídica, os livros contábeis e fiscais são os elementos que provam os fatos alegados. O Regulamento do Imposto de Renda, RIR/99, estabelece: "a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela Fl. 109DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais"(Grifado agora). Os documentos hábeis, segundo sua natureza, que são exigidos neste dispositivo, são aqueles que já contêm uma prova direta acerca do fato alegado, cuja existência ali se materializa, e que tenha autenticidade, legitimidade e o seu conteúdo conduza à convicção da efetiva realização do que foi argüido. Desta forma, os documentos não podem ser unilaterais, isto é, terem sido elaborados com a participação exclusiva da própria pessoa interessada, sem a confirmação de terceiros intervenientes nas operações. No presente caso, os documentos hábeis devem ser aqueles que comprovem que os valores do IRRF incidente sobre os JCP pagos a acionistas residentes no Pais, código 5706, foi, efetivamente de R$90.281.250,89 e não de R$93.667.871,38, conforme constou na DCTF. O documento de fls.16, doc.04, emitido pela instituição financeira custodiante confirma que R$792.450.384,01 foram distribuídos a título de juros sobre capital próprio – JCP aos acionistas da Interessada residentes no Brasil. Contudo, aplicando-se a regra prevista no artigo 9º., parágrafo 2º., da Lei n.°.9.249/95, que determina que “Os juros ficarão sujeitos à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de quinze por cento, na data do pagamento ou crédito ao beneficiário.”, tem-se que o IRRF seria de R$118.867.557,60, que é o resultado de 15% aplicado sobre o montante de R$792.450.384,01, e não de R$90.281.250,89. É bem verdade que outros fatos, tais como compensações, podem ter levado a que o valor do IRRF no presente caso fosse o alegado, contudo, não há comprovação nos autos que isto ocorreu. O mencionado documento aponta que o IRRF foi o alegado pela Interessada, contudo, a autoridade julgadora tem que ter elementos para ter a plena convicção da veracidade das informações que constam nos documentos a ela apresentados. Ainda que a instituição financeira tenha efetivamente retido o valor alegado, é o Fisco que deve verificar da veracidade dos dados apresentados com base na escrituração do contribuinte. A Interessada não apresentou registros contábeis que comprovassem os valores alegados. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição/compensação, devendo o contribuinte comprová-los. Não estando as alegações acompanhadas de documentos e livros contábeis e fiscais que as corroborem, conclui-se que a manifestação de inconformidade não logrou desconstituir os fundamentos do despacho decisório. Assim, o recurso não merece provimento. Conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa, e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 110DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1302-005.737 - 1ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15374.958606/2009-10 Fabiana Okchstein Kelbert Fl. 111DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13502.000950/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Sep 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1301-000.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Terceira Seção de Julgamento e suscitar conflito de competência negativa, nos termos do voto da relatora. Declarou-se impedido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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Declarouse impedido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 35 02 .0 00 95 0/ 20 09 -7 1 Fl. 954DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 955 2 Relatório KORDSA BRASIL S/A., já qualificado nos autos, recorre da decisão proferida pela 4a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador (BA) DRJ/SDR (efls. 559 e ss), que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares arguidas e julgou improcedente o lançamento. Valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Contra a empresa acima identificada foram lavrados os Autos de Infração relativos a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cams e a Contribuição para o PIS/PASEP nos valores de R$4.605.674,55 (fls. 03/07 e Demonstrativos de fls.16/25), e de R$999.916,03 (fls.28/32 e Demonstrativos de fls.41/50), acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, respectivamente, em razão de ter sido detectada a falta/insuficiência de recolhimento das contribuições. Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls.08/13 e 33/38 que: • a empresa usufruiu do beneficio estadual denominado PROBAHIA, no qual lhe foi concedido o crédito presumido equivalente a 90% do ICMS, incidente nas operações de saídas de fios e tecidos de nylon e poliéster; •a empresa contabilizou os benefícios fiscais em conta de patrimônio liquido, conta "Res de incentivos fiscais Probahia (patrimônio liquido)" •em resposta a intimação, a empresa esclareceu que contabilizou estes valores em conta de patrimônio liquido no período autuado, não tributando o referido incentivo uma vez que os recursos obtidos possuiam natureza de subvenção para investimento, de acordo com o Parecer Normativo CST n°112/78 e Decretolei n°1.598/77; •constitui fato gerador das contribuições para o PIS/Cofins o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independente de sua denominação ou classificação contábil, na forma da Lei n°10.637/2002, art.1°, e Instrução Normativa SRF n°247/2002, arts.2°, 3°, 10 e 60; •o tratamento fiscal a ser dado as subvenções originadas do poder público, sejam elas de custeio ou de investimento, devem compor o resultado da empresa, sendo classificado como operacional, quando a subvenção for para custeio, ou nãooperacional, se for para o investimento (subitem 2.8), deixando de ocorrer a tributação das receitas decorrentes dos benefícios fiscais concedidos somente se houver disposição expressa da exclusão ou isenção de tais receitas, o que não ocorre, na forma do PN CST n°112/74, subitem 7.1; •o nascimento da obrigação tributária se dá quando o contribuinte usufrui do direito, mediante apropriação do crédito em sua escrita fiscal. DA IMPUGNAÇÃO Fl. 955DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 956 3 Cientificada das exigências fiscais em 30/09/2009, fls.04 e 29, a contribuinte apresentou impugnação as lançamentos em 29/10/2009 (fls.171/196), alegando em síntese que: • não aceita o entendimento de que para tributação do PIS/Cofins não importa se a despesa é operacional ou nãooperacional, porque não se pode onerar benefícios fiscais concedidos pelo próprio poder público; • conceitua subvenção de investimentos conforme entendimento dado pelo Conselho de Contribuintes, ementas que transcreve, para demonstrar que não há como confundir subvenção, enquanto vantagem financeira, com receita, que corresponde ao ingresso de recursos; • as subvenções para investimento, registradas em conta do resultado pelo regime de competência, podem, posteriormente, ser excluídas no LALUR, desde que as subvenções para investimento e as doações recebidas do Poder Público sejam mantidas na conta de reserva de lucros, art.18 da Lei n°11.941/09 e art.195A da Lei n°6.404/76, não disponibilizada aos sócios; • o art.79, inciso XII, da Lei n°11.941/2009 revogou o §1° do art.3° da Lei n°9.718/98, embora este já tivesse sido julgado inconstitucional pelo STF, inexistindo na legislação do PIS/Cofins uma definição legal de "receita bruta"; • a legislação que instituiu o PIS/Cofins não cumulativo Lei n°10.637/2002 e 10833/2003, excetua do regime uma série de contribuintes, havendo um tratamento desigual entre contribuintes sujeitos aos mesmos tributos, com diferentes tipos de apuração de PIS/Cofins, cumulativa e nãocumulativa, o que viola os princípios constitucionais da isonomia tributária, capacidade contributiva e outros, art.150 II, 145, §1° da CF,conforme jurisprudência e doutrina que transcreve; • cabe a administração pública rever sua autuação para atestar os fatos em decorrência do principio da busca pela verdade material, assim são anexados documentos para demonstrar os investimentos realizados que comprovam que os benefícios concedidos pelo Estado da Bahia correspondem a subvenções para investimento; • inaplicação da multa de oficio e dos juros de mora, pois isto infringe os princípios do direito, segurança jurídica, legalidade, moralidade, caráter confiscatório; • requer o acolhimento da impugnação para considerála procedente e declaração de inexistência da pretensa relação jurídica obrigacional porque não houve omissão de subvenção de custeio, estas que devem integrar a receita bruta operacional, normalmente tributada pelo Imposto de Renda e demais tributos, uma vez que as subvenções recebidas foram para investimento. Fl. 956DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 957 4 Em julgamento realizado em 08 de janeiro de 2010, a 4ª Turma da DRJ/SDR, considerou improcedente a impugnação e prolatou o acórdão 1522.115, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários A adequada solução da lide, indeferese o pedido de diligência, por desnecessária. LEGALIDADE/CONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. Compete exclusivamente ao Judiciário o exame da legalidade e constitucionalidade das leis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COF1NS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. SUBVENÇÕES. A partir da Lei n° 9.718, de 1998, ampliouse o espectro do conceito de faturamento, com a generalização do alcance da incidência das contribuições, cuja abrangência recai sobre todas as receitas e resultados, ressaltadas exceções expressamente previstas. A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS, sejam eles enquadrados como subvenção para custeio ou subvenção para investimento, integram a base de cálculo da Cofins, sendo que tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão daquela base, na forma da legislação de regência. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da Cofins nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2007 BASE DE CÁLCULO. INCIDÊNCIA. GENERALIDADE. A partir da Lei n° 9.718, de 1998, ampliouse o espectro do conceito de faturamento, com a generalização do alcance da incidência das contribuições, cuja abrangência recai sobre todas as receitas e resultados, ressaltadas exceções expressamente previstas. A partir de 01/02/1999, os créditos presumidos do ICMS, sejam eles enquadrados como subvenção para custeio ou subvenção para investimento, integram a base de calculo da contribuição para o PIS, sendo que tal receita não se encontra dentre as possíveis de exclusão daquela base, na forma da legislação de regência. FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS nos prazos previstos na legislação tributária, é devida sua cobrança, com os encargos legais correspondentes. Impugnação Improcedente Fl. 957DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 958 5 Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 587 e ss, reiterando os argumentos apresentados em sede de manifestação de inconformidade, e atendose aos seguintes pontos principais: i) a subvenção em tela é concedida para fomentar investimentos no Estado da Bahia, de modo que está condicionada, para sua fruição, a determinadas metas de investimento segundo o decreto estadual nº 6.734/97, as quais, segundo afirma a Recorrente, foram satisfatoriamente cumpridas; ii) diante da imperiosidade de tais investimentos, evidenciase, conforme seu entender, a natureza de subvenção para investimento e não para custeio; iii) com a Lei nº 11.638/2007, o benefício antes escriturado como Reserva de Capital, passou a ser escriturado no patrimônio líquido, entendendo tal modificação legislativa como uma modernização da legislação em contraponto ao posicionamento firmado pelo Fisco na autuação e no parecer CST 112/78; iv) não deve, segundo seus argumentos, recolher PIS/COFINS sobre subvenções concedidas pelo Poder Público por não serem de natureza operacional, ou seja, não entram na cadeia produtiva e não geram riqueza a ser tributada por essas contribuições; v) a busca pela verdade material deve nortear o julgador das esferas administrativas, argumentando ser importante para o deslinde do caso que se leve em conta o exato cumprimento das condições de investimento, os quais alega ter realizado, para poder usufruir de tal benefício; vi) protesta pela inaplicabilidade da multa de 75% sobre os valores constituídos pela Fiscalização como não recolhidos, por entender que se trata de acréscimo com natureza confiscatória. Do Acórdão de Recurso Voluntário 3101000.889 Em 06 de outubro de 2011, a 1ª Turma da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, não conheceu do Recurso Voluntário por intempestivo, e prolatou o Acórdão 3101000.889 com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 NORMAS PROCESSUAIS INTEMPESTIVIDADE O Recurso Voluntário apresentado fora do prazo regulamentar, acarreta a preclusão do direito, impedindo ao julgador de conhecer as razões da defesa. O decurso do prazo para interposição do Recurso Voluntário consolida o crédito tributário na esfera administrativa (artigo 33, do Decreto 70.235, de 06 de março de 1.972). RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Do mandado de segurança Fl. 958DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 959 6 O recorrente interpôs Mandado de Segurança, onde obteve liminar para que este CARF conheça do Recurso Voluntário interposto e aprecie seu mérito, ante a tempestividade reconhecida e suspenda a exigibilidade dos créditos tributários discutidos nestes autos, efls. 717 e ss. Do Acórdão de Recurso Voluntário 3402000.838 Assim, os autos retornaram a este CARF, e o Colegiado da 3ª Seção, por unanimidade de votos, declinou da competência para a 1ª Seção, pois constatou que se trata de uma fiscalização no âmbito do IRPJ, relativa aos mesmos anoscalendários, mesmos fatos e lastreada nos mesmos elementos de prova, cujo processo está sob o número 13502.000951/200916. Recebi os autos por sorteio em 12/04/2018. É o relatório. Fl. 959DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 960 7 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. A contribuinte foi cientificada do teor do acórdão da DRJ/SDR e intimada ao recolhimento do débito. Em que pese ter apresentado recurso voluntário, em razão de mandado de segurança cuja liminar foi deferida para sua análise, os autos retornaram ao CARF para a 3ª Seção, que declinou da competência para esta Seção. A motivação da declinação da competência foi justamente a existência de outro processo administrativo, especificamente de IRPJ e CSLL, PA 13502.000951/200916, que já estavam aqui tramitando, relativo aos mesmos anoscalendários, fatos e lastreada nos mesmos elementos de prova. Em pesquisa no site do CARF para verificar o andamento desse PA, verifico que se encontra pendente de julgamento de Recurso Especial do Contribuinte. Entretanto, em sessão, o Colegiado entendeu que apesar de existir o processo administrativo relacionado ao IRPJ e CSLL, decorrente dos mesmos fatos, este não seria um caso para ser julgado pela 1ª Seção. Tratamse, aqui, da discussão de fatos geradores de PIS e de COFINS de janeiro/2005 a dezembro de 2007, sobre receitas decorrentes de subvenções de investimentos realizados no Estado da BAHIA. Normalmente, a discussão nos lançamentos de IRPJ e da CSLL, é se trata de uma subvenção de investimento ou de custeio, e em sendo de investimento, ela pode ser excluída para fins de cálculo do lucro real e consequentes tributos. Já no PIS e na COFINS, temos a seguinte discussão, conforme o período apurado: Com relação ao período da autuação abrangido pelo regime cumulativo de apuração do PIS e da COFINS, com a declaração de inconstitucionalidade, pelo Supremo Tribunal Federal, do §1º, do art. 3º da Lei nº 9.718/98, no julgamento do Recurso Extraordinário nº 346.084 PR, em que se tratou da base de cálculo do PIS e COFINS do regime da cumulatividade, não estão abrangidas no conceito de faturamento as receitas decorrentes das subvenções estaduais. No que tange aos fatos geradores abrangidos pela sistemática da não cumulatividade do PIS e da COFINS, analisase se o valor que se pretende tributar pode ser conceituado como receita, pois esse o critério que definirá a incidência das contribuições para o PIS e a COFINS, nos termos do que dispôs o legislador nos artigos 1º das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003. Assim, em que pese os fatos que geraram os lançamentos serem os mesmos, não há a relação de prejudicialidade que se exige para que os processos sejam julgados segundo uma conexão ou relação de independência. Pois o que se decide no IRPJ e na CSLL, não necessariamente terá uma igual consequência para fins de PIS e de COFINS. Fl. 960DF CARF MF Processo nº 13502.000950/200971 Resolução nº 1301000.620 S1C3T1 Fl. 961 8 Dessa forma, por não vislumbrar as razões para se julgar este processo por esta 1ª Seção, declinamos da competência de volta para a 3ª Seção, nos termos do §7º, do art. 6º, do Anexo II do RICARF: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. Diante de todo o acima exposto, voto por declinar da competência desta Seção para a 3ª Seção de Julgamento, devendo a Presidente do CARF decidir acerca da competência, conforme legislação acima. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 961DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.908933/2013-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 21 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de (restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados.
PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUALIDADE DA PROVA.
A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. É relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência.
Numero da decisão: 3302-011.515
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.505, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908920/2013-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter.
Nome do relator: GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
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DIREITO CREDITÓRIO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de (restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Em se tratando de pedido de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito aos créditos pleiteados. PER/DCOMP. DIREITO CREDITÓRIO. QUALIDADE DA PROVA. A finalidade da prova é a formação da convicção do julgador quanto à existência dos fatos. É relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 3302-011.505, de 24 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 10783.908920/2013-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Lima Abud, Walker Araujo, Larissa Nunes Girard, Jose Renato Pereira de Deus, Paulo Regis Venter (suplente convocado), Raphael Madeira Abad, Denise Madalena Green, Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente). Ausente o conselheiro Vinicius Guimaraes, substituído pelo conselheiro Paulo Regis Venter. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 90 89 33 /2 01 3- 63 Fl. 262DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório o relatado no acórdão paradigma. Trata o presente do Per n° 33249.50588.241109.1.1.11-4023 por meio do qual requer a Interessada créditos de COFINS - mercado interno no valor de R$ 378.683,34, acumulados ao longo do 4º trimestre de 2007. Consta no despacho decisório que a unidade de origem denegou integralmente o pleito por ter constatado a ausência de crédito disponível para ressarcimento. Acompanha e ampara essa decisão o Parecer SEFIS/DRF/VIT/ES n° 64/2017, que contem as seguintes considerações: A Coopeavi é uma cooperativa de produção agropecuária que no período fiscalizado realizou as seguintes atividades: a) fabricação de ração: comprou mercadorias para produção de ração destinadas a: aves, suínos, bovinos, caprinos, ovinos e equinos. A ração produzida foi vendida para os associados e terceiros; b) recria: comprou pintainhos de um dia e posteriormente comercializou frangos para a produção de ovos; c) beneficiamento de ovos: realizou a seleção, classificação, limpeza e embalagens dos ovos adquiridos dos associados e efetuou a sua comercialização; d) beneficiamento do café: comprou café em grãos cru e realizou de forma cumulativa as atividades de padronizar, beneficiar e separar os grãos por densidade, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial e efetuou a sua comercialização; e) lojas agrícolas: comprou bens/mercadorias e posteriormente revendeu para os associados e terceiros. Com o objetivo de confirmarmos as informações apresentadas nos arquivos, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02, a nos informar se possuía todos os documentos comprobatórios dos créditos do PIS/Cofins pleiteados, referente ao período de apuração 04/2005 a 12/2007, a saber: notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos), coincidentes em datas e valores. A Cooperativa também foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, a apresentar cópias dos documentos fiscais comprobatórios das despesas com armazenamento e frete na operação de venda, referente ao ano de 2007. Em resposta as intimações, a Cooperativa não apresentou nenhum documento comprobatório, apenas informou que “ A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana - COOPEAVI, informa que não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) coincidentes em datas e valores, tendo em vista já ter expirado o prazo de guarda e manutenção dos documentos fiscais, bem como não ter recebido retorno referente o requerimento em anexo, protocolado em 10 de julho de 2012. Os documentos do período abrangido foram descartados em janeiro de 2015, antes do recebimento da intimação citada”. Verifica-se que a Cooperativa não possui nenhum documento comprobatório dos créditos pleiteados do período 04/2005 a 12/2007, em virtude do descarte realizado em 01/2015. Diante desse fato não foi possível efetuarmos a validação das informações apresentadas nos arquivos. Diante do exposto e considerando que a Coopeavi não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) comprobatórios do direito Fl. 263DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 creditório pleiteado, restou à Fiscalização proceder à glosa integral dos créditos solicitados no pedido de ressarcimento. Ciente dessa decisão, apresentou a sua defesa nos seguintes termos: As disposições contidas no art. 65 da IN 900/2008 e no art. 161 da IN 1717/2017 não são absolutamente restritivas e condicionadas a apresentação de notas fiscais. Assim, o Fiscal determinou que a cooperativa não possui documentos que comprovem os créditos, ligando a essa documentação apenas a notas fiscais emitidas para a cooperativa, sem levar em consideração todas as demais obrigações acessórias declaratórias onde os mesmos foram regularmente escriturados. Obrigações estas apresentadas durante os procedimentos de fiscalização. Durante os procedimentos de fiscalização, a cooperativa apresentou declarações acessórias declaratórias, planilhas de controle, Livros Contábeis e Fiscais e arquivos digitais que comprovam a existência ou ocorrência das operações de aquisição, geração de despesas, custo e encargos sobre os quais apurou crédito de PIS e COFINS. De forma especial, destaca-se a apresentação, em meio digital e físico, do Livro de Entrada, instituído pelo Estado, o qual está regularmente autenticado pelo referido órgão, atestando a existência dos documentos fiscais nele escriturados. Desta feita, há que consignar que o indeferimento integral dos créditos, com a desconsideração de outros meios legítimos probatórios que não apenas as notas fiscais, é medida excessivamente extrema e não se coaduna com o princípio da legalidade, pois radicaliza a interpretação da disposição das Instruções Normativas transcritas. O princípio da boa-fé em matéria tributária, aqui muito importante, constitui derivação geral do princípio da confiança que deve reger as relações entre o fisco e contribuinte. Assim, demonstra-se que o fisco deve possuir uma relação de continuidade ética e legítima no seu comportamento perante o contribuinte. Nesse sentido, resta ferido também o princípio da proporcionalidade, entendido este como um delimitador do arbítrio estatal, conforme sábia lição da doutrina. Assim, é imperioso o provimento da presente Manifestação para ou voltar para uma nova análise do direito creditório ou, com base nas provas acostadas, caso os julgadores se sintam aptos (mesmo que com a realização de diligência), julguem a existência dos créditos pretendidos. A Delegacia Regional de Julgamento da Receita Federal do Brasil julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade. O contribuinte foi intimado do Acórdão e ingressou com Recurso Voluntário alegando, em síntese: A possível comprovação do direito do contribuinte por meio dos documentos apresentados; A fiscalização possuía outros meios para verificar o cabimento dos pedidos de ressarcimento dos créditos; O princípio da boa fé. PEDIDOS E REQUERIMENTOS Fl. 264DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 1. Recebimento tempestivo da Presente Defesa Fiscal, sob a denominação de Recurso Voluntário; 2. Julgamento de procedência do presente recurso, com o reconhecimento do direito creditório pleiteado pelo contribuinte. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: - Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3 a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. O contribuinte foi intimado do Acórdão, por via eletrônica, em 17 de agosto de 2020, às e-folhas 143. O contribuinte ingressou com Recurso Voluntário, em 16 de setembro de 2020, e-folhas 144. O Recurso Voluntário é tempestivo. Da Controvérsia. A possível comprovação do direito do contribuinte por meio dos documentos apresentados; A fiscalização possuía outros meios para verificar o cabimento dos pedidos de ressarcimento dos créditos; O princípio da boa fé. Passa-se à análise. Trata o presente do Per n° 16809.49701.241109.1.1.10-6407 por meio do qual requer a Interessada créditos de Pis - mercado interno no valor de R$ 2.421,25, acumulados ao longo do 2° trimestre de 2005. Consta no despacho decisório que a unidade de origem denegou integralmente o pleito por ter constatado a ausência de crédito disponível para ressarcimento. Acompanha e ampara essa decisão o Parecer SEFIS/DRF/VIT/ES n° 51/2017. Com o objetivo de confirmar as informações apresentadas nos arquivos, a fiscalizada foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 02, a informar se possuía todos os documentos comprobatórios dos créditos do PIS/Cofins pleiteados, referente ao período de apuração 04/2005 a 12/2007, a saber: notas fiscais de aquisição, de vendas, conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos), coincidentes em datas e valores. A Cooperativa também foi intimada através do Termo de Intimação Fiscal n° 03, a apresentar cópias dos documentos fiscais comprobatórios das despesas com armazenamento e frete na operação de venda, referente ao ano de 2007. Em resposta as intimações, a Cooperativa não apresentou nenhum documento comprobatório, apenas informou que “ A Cooperativa Agropecuária Centro Serrana - COOPEAVI, informa que não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas, Fl. 265DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 conhecimento de transporte ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) coincidentes em datas e valores, tendo em vista já ter expirado o prazo de guarda e manutenção dos documentos fiscais, bem como não ter recebido retorno referente o requerimento em anexo, protocolado em 10 de julho de 2012. Os documentos do período abrangido foram descartados em janeiro de 2015, antes do recebimento da intimação citada”. Verifica-se que a Cooperativa não possui nenhum documento comprobatório dos créditos pleiteados do período 04/2005 a 12/2007, em virtude do descarte realizado em 01/2015. Diante desse fato não foi possível a fiscalização efetuar a validação das informações apresentadas nos arquivos. O Acórdão de Manifestação de Inconformidade assim se pronuncia às folhas 04 daquele documento: A Recorrente, por seu turno, reconhece não ter apresentado as notas fiscais e conhecimentos de transporte, em razão de descarte, mas alega que as disposições contidas no art. 65 da IN RFB n° 900/2008 e no art. 161 da IN RFB n° 1717/2017 não são absolutamente restritivas e condicionadas a apresentação de notas fiscais, de modo que o crédito pode ser comprovado por outras formas, tais como as declarações, planilhas e livros apresentados. Inicialmente, é importante mencionar que o Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado, nos termos do art. 161 e incisos da IN RFB n° 1.717/2017. Por conseguinte, desde que atenda a critérios de razoabilidade, fica circunscrita à esfera de discricionariedade da autoridade tributária a decisão a respeito da profundidade do exame efetuado com o fim de verificar a procedência do direito creditório pleiteado, e, em consequência, dos documentos e esclarecimentos que julgar pertinentes para a comprovação do crédito sob exame. Em outras palavras, ainda que a Recorrente entenda ser possível ter seu crédito ratificado por outras formas, é a autoridade fiscal que determinará a natureza dos documentos que servirão para formar sua convicção a respeito do crédito pleiteado. Com efeito, a autoridade fiscal intimou a Recorrente a apresentar, entre outros documentos, esclarecimentos, planilhas e documentos fiscais referentes aos créditos pleiteados, o que, a meu ver, atende perfeitamente a um critério de razoabilidade. Os aludidos documentos compõem o núcleo essencial do conjunto probatório dos créditos da não cumulatividade, visto que os valores pleiteados serão cotejados com aqueles dispostos nas planilhas, os quais, por sua vez, serão comprovados a partir dos documentos fiscais apresentados. Vale lembrar também que o contribuinte deve manter em boa guarda e ordem, enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica, bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal, nos termos do que dispõem o art. 195 do CTN, o art. 37 da Lei n° 9.430/19096 e o art. 4° do Decreto-Lei n° 486/1969. Por fim, apesar de ter razão a Recorrente quando afirma que - em tese - podem os créditos ser comprovados de outras maneiras, verificando os documentos contidos nos autos do e-dossiê de atendimento n° 10010.004891/0716-15, é possível constatar que foram apresentados tão somente esclarecimentos diversos, planilhas descritivas, além de algumas notas fiscais de energia elétrica referentes ao ano de 2009, os quais, isoladamente, não comprovam o direito alegado. - A demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário Fl. 266DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 A comprovação da existência de direito creditório líquido e certo é inerente à certificação da legítima e correta compensação, conforme se depreende do art. 170 da Lei nº 5.172, de 26 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional – CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O CTN remete à lei ordinária e, nos casos em que ela atribuir à autoridade administrativa, a função de estabelecer condições para que as compensações possam vir a ser realizadas. Neste sentido, a regra replicada no inciso VII, §3° do art. 74 da Lei 9.430/1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizá-lo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (...) VII - o crédito objeto de pedido de restituição ou ressarcimento e o crédito informado em declaração de compensação cuja confirmação de liquidez e certeza esteja sob procedimento fiscal; (Grifo e negrito nossos) De clareza cristalina a regra para compensação de créditos tributários por apresentação de Decaração de Compensação (DCOMP): demonstração da certeza e liquidez. Nesta toada, a demonstração da certeza e liquidez do crédito tributário que se almeja compensar é condição sine qua non para que a Autoridade Fiscal possa apurar a existência do crédito, sua extensão e, por óbvio, a certeza e liquidez que o torna exigível. Ausentes os elementos probatórios que evidenciem o direito pleiteado pela Recorrente, não há outro caminho que não seja seu não reconhecimento. - Do Ônus da Prova. Coloque-se, inicialmente, que no que se refere à repartição do ônus da prova nas questões litigiosas, a legislação processual administrativo-tributária inclui disposições que, em regra, reproduzem aquele que é, por assim dizer, o princípio fundamental do direito probatório, qual seja o de que quem acusa e/ou alega deve provar. A regra maior que rege a distribuição do ônus da prova encontra amparo no art. 373 do Código de Processo Civil, in verbis: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. § 1° Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da prova de modo diverso, desde que o faça por decisão Fl. 267DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 fundamentada, caso em que deverá dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído. § 2° A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil. § 3° A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por convenção das partes, salvo quando: I. - recair sobre direito indisponível da parte; II. - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito. § 4° A convenção de que trata o § 3° pode ser celebrada antes ou durante o processo. O dispositivo transcrito é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. E esta formulação também foi, com as devidas adaptações, trazida para o processo administrativo fiscal, vez que a obrigação de provar está expressamente atribuída à Autoridade Fiscal quando realiza o lançamento tributário, para o sujeito passivo, quando formula pedido de repetição de indébito/ressarcimento. Pertinente destacar a lição do professor Hugo de Brito Machado, a respeito da divisão do ônus da prova: No processo tributário fiscal para apuração e exigência do crédito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco. A ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve de suporte à exigência do crédito que está a constituir. Na linguagem do Código de Processo Civil, ao autor incumbe o ônus do fato constitutivo de seu direito (Código de Processo Civil, art.333, I). Se o contribuinte, ao impugnar a exigência, em vez de negar o fato gerador do tributo, alega ser imune, ou isento, ou haver sido, no todo ou em parte, desconstituída a situação de fato geradora da obrigação tributária, ou ainda, já haver pago o tributo, é seu ônus de provar o que alegou. A imunidade, como isenção, impedem o nascimento da obrigação tributária. São, na linguagem do Código de Processo Civil, fatos impeditivos do direito do Fisco. A desconstituição, parcial ou total, do fato gerador do tributo, é fato modificativo ou extintivo, e o pagamento é fato extintivo do direito do Fisco. Deve ser comprovado, portanto, pelo contribuinte, que assume no processo administrativo de determinação e exigência do tributo posição equivalente a do réu no processo civil”. (original não destacado) 1 Sobre ônus da prova em compensação de créditos transcrevo entendimento da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), em decisão consubstanciada no acórdão de n° 9303-005.226, a qual me curvo para adotá-la neste voto: ...o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito pretendido compensar é do contribuinte. O papel do julgador é, verificando estar minimamente comprovado nos autos o pleito do Sujeito Passivo, solicitar documentos complementares que possam formar a sua convicção, mas isso, repita-se, de forma subsidiária à atividade probatória já desempenhada pelo contribuinte. Não pode o julgador administrativo atuar na produção de provas no processo, quando o interessado, no caso, a Contribuinte não demonstra sequer indícios de prova documental, mas somente alegações. - Do reconhecimento do direito creditório pleiteado condicionado à apresentação de documentos comprobatórios. A intimação fiscal para esclarecimentos, nas hipóteses de restituição/compensação, trata, em verdade, de faculdade atribuída à autoridade administrativa competente para decidir sobre o crédito utilizado, dado que, conforme já fartamente esclarecido, a prova 1 Mandado de Segurança em Matéria Tributária, 3. ed., São Paulo: Dialética, 1998, p.252. Fl. 268DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 do indébito tributário resta a cargo do sujeito passivo. Nesse sentido dispõe, expressamente, a legislação de regência vigente a partir da implementação da restituição/compensação por meio de declaração: Instrução Normativa SRF n°210, de 30 de setembro de 2002: “Art. 4o A autoridade competente para decidir sobre a restituição poderá determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e.fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa SRF n° 460, de 18 de outubro de 2004: “Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa SRF N° 600, de 28 de dezembro de 2005: “Art. 4° A autoridade da SRF competente para decidir sobre a restituição poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” Instrução Normativa RFB n°900, de 30 de dezembro de 2008: “Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e.fiscal, a exatidão das informações prestadas. ” Instrução Normativa RFB n° 1.300, de 20 de novembro de 2012: “Art. 76. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas.” Instrução Normativa RFB n° 1.717, de 17 de julho de 2017: Art. 161. O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório: - à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos; e - à verificação da exatidão das informações prestadas, mediante exame da escrituração contábil e fiscal do interessado. A prova requerida em favor da pessoa jurídica consiste nos fatos registrados na escrituração e comprovados por documentos hábeis, conforme art. 923 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): Fl. 269DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 “Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz, prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto-Lei n° 1.598, de 1977, art. 9°, § 1°). ” (destaques acrescidos) Como visto da legislação transcrita, a escrituração, por si só, ou seja, quando desacompanhada dos documentos a ela pertinentes, não é suficiente para comprovar os registros ali efetuados. Veja-se a jurisprudência: “REGISTROS CONTÁBEIS - Devem ser amparados por documentos hábeis, quais sejam, aqueles que tem os requisitos e qualidades indispensáveis para comprovar os lançamentos contábeis e produzir os efeitos jurídicos, sendo insuficiente para comprová-los simples declarações de técnico de contabilidade. ” [1° CC Ac. 103-20.008, DOU de 17/08/99] Ressalte-se que o Código Tributário Nacional - CTN, aprovado pela Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, prescreve a observância da guarda dos documentos que devem acobertar a escrituração, nos seguintes termos: “Art. 195 - (omissis) Parágrafo único - os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram.” Nesse mesmo diapasão são as disposições constantes do art. 4° do Decreto- lei n.° 486, de 3 de março de 1969, tomado como base legal do artigo 264 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99): “Art. 4°. O comerciante é ainda obrigado a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, a escrituração, correspondência e demais papéis relativos à atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial.” E também as disposições do art. 37 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996: “Art. 37. Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios. ” E não basta apenas juntar um documento ou um conjunto de documentos, ainda que volumoso. É preciso estabelecer uma relação entre os documentos e o fato que se pretende provar. Nesse sentido, vale-se das lições de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no Direito Tributário, 2008, p. 179): Isso não significa, contudo, que para provar algo basta simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar. A prova decorre exatamente do vínculo entre o documento e o, fato probando. (destaques acrescidos) Assim, provar por meio de documentos não se encerra na apresentação desses, mas exige que sejam apresentados juntamente com uma argumentação que estabeleça uma relação de implicação entre os documentos e o fato que se pretende provar. A simples juntada de documentos não produz prova, ou seja, não resulta no reconhecimento do fato que se pretende provar. Portanto, no caso específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, à contribuinte cumpre o ônus que a legislação lhe atribui, quando traz os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. E tal demonstração, no caso das pessoas jurídicas, está, por vezes, associada a uma conciliação entre registros contábeis e documentos que respaldem tais registros. - Momento da apresentação das provas. Fl. 270DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 Pela luz da legislação processual brasileira, quer judicial ou administrativa, é defeso às partes apresentar prova documental em momento diverso do estabelecido na norma processual. No do Processo Administrativo Fiscal na data da apresentação da impugnação/manifestação de inconformidade – a menos que (§ 4º do art. 16 do Decreto 70.235/1972): a) Fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. Neste sentido, a inteligência do art. 17 do Decreto 70.235/1972 toda a matéria de defesa deve ser alegada na impugnação/manifestação de inconformidade, de modo que há preclusão para elencar novos elementos fáticos em sede recursal. Art. 17. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sidoexpressamente contestada pelo impugnante. Da lição do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho: Sabemos que as provas devem estar em conjunto com as alegações, formando uma união harmônica e indissociável. Uma sem a outra não cumpre a função de clarear a verdade dos fatos. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebra-cabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador. Mais para que a prova seja bem valorada, se faz necessária uma dialética eficaz. Ainda mais quando a valoração é feita em sede de recurso. Por isso que se diz que o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. As razões do recurso são elemento indispensável ao órgão julgador, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderando-as em confronto com os motivos da decisão recorrida. O simples ato de acostar documentos desprovidos de argumentação não permite ao julgador chegar a qualquer conclusão acerca dos motivos determinantes do alegado direito requerido. Não se pode olvidar que a produção de provas é facultada às partes, mas constitui-se em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não o sendo praticado no tempo certo, surge para a parte consequências gravosas, dentre elas a perda do direito de o fazê-lo posteriormente, pois nesta hipótese, opera-se o fenômeno denominado de preclusão, isto porque, o processo é um caminhar para frente, não se admitindo, em regra, realização de instrução probatória tardia, pertinente a fases já ultrapassadas. Daí, não tendo sido produzida a tempo, em primeira instância, não se admite que se faça em fases posteriores, sem que haja justificativa plausível para o retardo. Dinamarco afirma que o direito à prova não é irrestrito ou infinito: A constituição e a lei estabelecem certas balizas que também concorrem a traçar- lhes o perfil dogmático, a principiar pelo veto às provas obtidas por meio ilícitos. Em nível infraconstitucional o próprio sistema dos meios de prova, regido por formas preestabelecidas, momentos, fases e principalmente preclusões, constitui legítima delimitação ao direito à prova e ao seu exercício. Falar em direito à Fl. 271DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-011.515 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10783.908933/2013-63 prova, portanto, é falar em direito à prova legítima, a ser exercido segundo os procedimentos regidos pela lei. Portanto, já em sua Manifestação de Inconformidade / Impugnação perante o órgão a quo, a Recorrente deve reunir todos os documentos suficientes e necessários para a demonstração da certeza e liquidez do crédito pretendido. Atentando-se para o presente caso, não se vislumbra qualquer fundamento fático ou jurídico trazido pela Recorrente capaz de alterar a conclusão em torno do direito ao crédito alcançada no despacho decisório e mantida pela decisão recorrida. O presente pleito carece de provas relacionadas à apresentação de documentos da ESCRITA FISCAL no momento propício – junto à Manifestação de Inconformidade - que demonstrem o alegado. Diante do exposto e considerando que a Coopeavi não possui as notas fiscais de aquisição, de vendas ou documentos equivalentes (hábeis e idôneos) comprobatórios do direito creditório pleiteado, adequada a glosa integral dos créditos solicitados no pedido de ressarcimento. Sendo assim, conheço do Recurso Voluntário e nego provimento ao recurso do contribuinte. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido no acórdão paradigma, no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Redator Fl. 272DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 23034.023102/2002-81
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 9202-000.227
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, que deverá encaminhar o processo à câmara recorrida, para revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, que deverá encaminhar o processo à câmara recorrida, para revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Mário Pereira de Pinho Filho, Luciana Matos Pereira Barbosa (suplente convocada), Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Maurício Nogueira Righetti, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Ausente a conselheira Patrícia da Silva, substituída pela conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 2 30 34 .0 23 10 2/ 20 02 -8 1 Fl. 338DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 9202-000.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 23034.023102/2002-81 Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 2301-003.401, proferido pela 1ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Trata-se de Notificação para Recolhimento de Débito - NRD n° 0000598/2002, de 04/09/2002 (Debcad n° 49.902.687-0), fls. 35, emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE do Ministério da Educação, abrangendo o período de 01/1998 a 04/2000, lavrada em virtude do recebimento de Informação Fiscal emitida pelo INSS, relatando a existência de débito suplementar da contribuição do salário-educação referente a Diárias para Viagens, de acordo com o Relatório de Fatos Geradores, fls. 02/07, extraído da NFLD - Notificação Fiscal para Lançamento de Débito Debcad n° 35.322.539-8. O valor devido originário é de R$ 102.264,42, que, somado aos devidos acréscimos legais, atinge o montante de R$ 173.942,26. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 40/53. A DRJ/SDR, às fls. 203/215, julgou pela improcedência da impugnação apresentada. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário às fls. 230/248. A 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 251/256, DEU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1998 a 30/04/2000 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SALÁRIO-EDUCAÇÃO. FNDE. PROCEDIMENTO FISCAL. CERCEAMENTO DE DEFESA. FALTA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO. No Auto de Infração deve haver a expressa fundamentação legal do arbitramento procedido, além de demonstrar de maneira clara e precisa a situação que motivou o uso do procedimento, nos termos da legislação. A inobservância das formalidades legais na constituição do crédito tributário acarreta vedação ao direito de defesa do contribuinte. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Às fls. 258/271, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Vício formal versus vício material. Aduz a União que o acórdão paradigma, em sentido oposto àquele sufragado pela decisão recorrida, ao analisar situação idêntica, entendeu que a descrição do fato gerador incompleta não gera a nulidade, muito menos a improcedência do lançamento, se o contribuinte impugnou o lançamento de forma minuciosa, inclusive acerca das questões de mérito (não só preliminares). Assim, nada obstante terem enfrentado situações fáticas similares, os acórdãos confrontados divergiram, pois, enquanto a decisão hostilizada entendeu que, por se tratar de mácula na descrição do fato gerador, tal vício ensejaria a improcedência da autuação, o paradigma entendeu Fl. 339DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 9202-000.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 23034.023102/2002-81 que tal vício na insuficiência ou imprecisão na descrição fático‑jurídica do fato gerador renderia ensejo apenas à nulidade do lançamento e, ainda assim, por vício formal. Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela União, às fls. 278/284, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, restando admitida a divergência em relação à seguinte matéria: Vício formal versus vício material. Cientificado do Acórdão e da admissibilidade do Recurso Especial da União, conforme fl. 289, o Contribuinte apresentou Contrarrazões ao Recurso Especial da União, às fls. 291/3056, alegando, em sede de preliminar, ausência de similitude fática e reiterando, no mérito, argumentos realizados anteriormente. Os autos vieram conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes – Relatora DO CONHECIMENTO O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Importa salientar aqui que o cotejamento analítico não é uma obrigação regimental. É necessário que se demonstre a divergência jurisprudencial sem, contudo, que se exija propriamente o seu cotejo. DO MÉRITO Trata-se de Notificação para Recolhimento de Débito - NRD n° 0000598/2002, de 04/09/2002 (Debcad n° 49.902.687-0), fls. 35, emitida pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação - FNDE do Ministério da Educação, abrangendo o período de 01/1998 a 04/2000, lavrada em virtude do recebimento de Informação Fiscal emitida pelo INSS, relatando a existência de débito suplementar da contribuição do salário-educação referente a Diárias para Viagens, de acordo com o Relatório de Fatos Geradores, fls. 02/07, extraído da NFLD - Notificação Fiscal para Lançamento de Débito Debcad n° 35.322.539-8. O valor devido originário é de R$ 102.264,42, que, somado aos devidos acréscimos legais, atinge o montante de R$ 173.942,26. O Acórdão recorrido deu provimento Recurso Ordinário. Fl. 340DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 9202-000.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 23034.023102/2002-81 O Recurso Especial, apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a seguinte divergência: Vício formal versus vício material. Para o melhor deslinde da questão é importante observar a questão de prova bem delimitada e decidida pelo acórdão do colegiado a quo: DA AUTUAÇÃO FISCAL 2. Conforme relatado, cuida-se de lançamento constituído pelo FNDE por meio de informação fiscal, destinados ao salário-educação apurados durante fiscalização realizada na empresa RMB LTDA sucedida por UNILEVER BESTFOODS BRASIL LTDA, referente a pagamento de prêmio aos empregados. 3. Frise-se, porque importante, que as peças iniciais do lançamento devem servir como norteador para a defesa do contribuinte e para consolidar legalmente o débito, sob pena de cercear o direito de defesa do contribuinte. 4. No presente caso, ao analisar detidamente os autos, verificamos que há a ausência de elementos essenciais para o lançamento ser consolidado, notadamente, a falta de motivação referente ao fato gerador e das circunstâncias que levaram ao lançamento do débito a informação n 948, a Notificação para recolhimento de débito (NRD) e o ofício n 0533/2004FNDE/GEARC – peças iniciais e as únicas que relatam o fato gerador – limitam-se a somente dize que existe um débito suplementar referente a diárias para viagens, da contribuição do salário-educação, tendo em vista a ausência do recolhimento nas competências fiscalizadas. 5. No entanto na relação de débitos (f. 14/33) não se verifica a discriminação dos empregados beneficiados com tais verbas, tampouco o batimento dos valores recebidos com os respectivos salários dos empregados. Dado importante, uma vez que somente é tributável a parcela de viagens e diárias que excederem a 50% da remuneração desses. 6. Assim, no caso em tela, imprescindível que a fiscalização (a qual entende que a verba paga deve ser considerada salário para fins fiscais) relacionasse quem as recebeu para o cômputo no valor do benefício a ser recebido pelos trabalhadores. Dessa forma, fica prejudica a motivação do lançamento no tocante às razões que levaram o fisco a tributar a empresa. 7. O art. 50 da Lei n.º 9.784/99 sustenta a necessidade de os atos administrativos, que neguem, limitem ou afetem direitos ou interesses, serem motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. (...) 12. Isto porque, a atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142. Nesse sentido, o próprio art. 37, da Lei 8.212/91, dispõe que a fiscalização deverá lavrar notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores: “constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento.” (g.n.) 13. Acrescento ainda que a peça essencial do lançamento deve propiciar o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo da obrigação tributária, assim como a adequada análise do crédito. Nesse aspecto, é cediço que não se pode vincular a recorrente a uma determinada obrigação tributária, sem que haja comprovação da ocorrência do fato gerador que ensejou tal cobrança, vez que o onus probandi cabe ao fisco. A Fazenda Nacional argumenta que o correto seria, nos mesmos termos do paradigma, anular o lançamento em face de deficiência na atividade da autoridade fiscal, Fl. 341DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 9202-000.227 - CSRF/2ª Turma Processo nº 23034.023102/2002-81 conceituando, entretanto, tal vício como formal, permitirá o reinício do prazo para lançamento, nos termos do art. 173, II, do CTN (relançamento). Não assiste razão neste caso a Recorrente Fazenda Nacional, a descrição deficiente do fato gerador é vício de natureza material, pois fere de forma grave os requisitos de constituição válida do lançamento fiscal. No caso em apreço, não se verifica a discriminação dos empregados beneficiados com tais verbas, tampouco o batimento dos valores recebidos com os respectivos salários dos empregados. Dado importante, uma vez que somente é tributável a parcela de viagens e diárias que excederem a 50% da remuneração desses. Desse modo, resta patente a impossibilidade de relançamento com os elementos constantes nos autos, infringindo frontalmente o capitulado no artigo 142, do CTN. Diante do exposto converto o julgamento do recurso em diligência à Dipro/Cojul, que deverá encaminhar o processo à Câmara recorrida, para revisão do Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial da Fazenda Nacional, com retorno dos autos à relatora, para prosseguimento. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 342DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 13896.903928/2009-07
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Aug 09 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Wed Sep 15 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2001
RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido.
Numero da decisão: 9101-005.611
Decisão: Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Andréa Duek Simantob Presidente Redatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: ANDREA DUEK SIMANTOB
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CONHECIMENTO. CONTEXTOS FÁTICOS DISTINTOS. DIVERGÊNCIA NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece do Recurso Especial cujo acórdão apresentado para demonstrar a divergência enfrenta contexto fático distinto àquele avaliado no acórdão recorrido. Acordam os membros do colegiado, colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Livia De Carli Germano que votou pelo conhecimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido no Acórdão nº 9101-005.574, de 09 de agosto de 2021, prolatado no julgamento do processo 13896.900601/2009-75, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Edeli Pereira Bessa, Livia De Carli Germano, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Luis Henrique Marotti Toselli, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Junia Roberta Gouveia Sampaio (suplente convocada), Caio Cesar Nader Quintella e Andrea Duek Simantob (Presidente). Ausente o conselheiro Alexandre Evaristo Pinto, substituído pela conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adoto neste relatório o relatado no acórdão paradigma. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 39 28 /2 00 9- 07 Fl. 485DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Trata-se de recurso especial do sujeito passivo em face do acórdão de Turma Ordinária do CARF, que negou provimento ao recurso voluntário. O sujeito passivo apresentou recurso pretendendo questionar as seguintes matérias: (1) “possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ”; e (2) “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”. Em um primeiro momento o recurso especial teve o seguimento negado pelo Presidente de Câmara por meio do despacho. Após agravo do sujeito passivo, interposto exclusivamente quanto à não admissibilidade da primeira matéria acima referida, a Presidente da CSRF deu seguimento ao recurso especial quanto ao tema ali exposto, em despacho assim fundamentado: [...] O Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento decidiu que não restou caracterizada divergência relativamente às seguintes matérias: i) "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ"; e ii) "necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material". A contribuinte interpôs Agravo tão somente em relação à matéria descrita no item "i" acima, ou seja, quanto à POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO DE IRPJ RECOLHIDO A MAIOR APÓS A RETIFICAÇÃO DA DIPJ. Extrai-se, primeiramente, os seguintes fragmentos do exame agravado: [...] Com relação a essa matéria, não ocorre o alegado dissenso jurisprudencial, por se tratar de situações fáticas distintas. Enquanto na decisão recorrida alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”, e que, portanto, teria havido equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32%, e não 8%), no acórdão paradigma apontado (Acórdão nº 1101-000.848, de 2013), ao contrário, tratou-se de existência de débito de estimativa de IRPJ, ao passo que o recolhimento montara [...]. Ou seja, na decisão recorrida tratou-se de alegado erro de direito [erro na aplicação da norma jurídica]; já no acórdão paradigma apontado, de alegado erro de fato [erro na análise dos fatos ocorridos]. São, pois, situações fáticas distintas, a demandarem, forçosamente, decisões diversas, insuscetíveis de uniformização por meio do Recurso Especial de divergência. Evidentemente, o primeiro pressuposto para a configuração de dissídio interpretativo, é, inquestionavelmente, a similitude fática entre a matéria discutida nos acórdãos recorrido e paradigmas. Ou seja, é essencial que reste demonstrado que, decidindo matéria semelhante, órgãos julgadores distintos chegaram a conclusões diversas, em razão de divergências na interpretação da legislação tributária. Em outras palavras, se é certo que a divergência deve dizer respeito a questão de direito, e nunca a questão de fato, é evidente que, se os fatos são diversos, a interpretação da norma jurídica não pode ser considerada divergente. Fl. 486DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Sendo assim, para configurar o dissídio jurisprudencial, nessa matéria, caberia à Recorrente apresentar acórdão paradigma apreciando situação semelhante à abordada na decisão recorrida (mesmo em se tratando de alegado erro de direito, e não de fato...) e decidindo em sentido contrário a ela (...não subsiste o ato de não-homologação de compensação que deixa de ter em conta informações prestadas espontaneamente pelo sujeito passivo em DIPJ e que confirmam a existência do indébito informado na DCOMP). Argumenta a Agravante que, ao contrário do assinalado no despacho contestado, a divergência jurisprudencial é evidente, relativamente à interpretação da Lei nº 9.784, de 1999, e da Lei nº 9.430, de 1996. Afirma que na situação enfrentada pelo acórdão paradigma nº 1101-00.848 a Autoridade Administrativa não desconstituiu as informações prestadas em DIPJ retificadoras, bem como não desenvolveu qualquer procedimento para tanto, de modo que o crédito com base na DIPJ deve ser aceito e a compensação homologada, em respeito ao Princípio da Verdade Material. Alega que a similaridade do acórdão paradigma é evidente, visto que no caso em exame o acórdão recorrido reconhece expressamente que houve a retificação da DIPJ, sendo este um dos procedimentos exigidos para reconhecimento do indébito, mas alega ausência de outros procedimentos, como retificação da DCTF e a juntada integral da documentação contábil, enquanto o paradigma entendeu que "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF)", e ainda, que diante do indébito apurado com base nas informações em DIPJ, deveria a autoridade preparadora desenvolver procedimento para desconstituir tal realidade, caso contrário deve ser reconhecido o pagamento a maior e, por consequência, deve ser admitida a sua compensação. Nos presentes autos, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação, por meio da qual indicou crédito decorrente de alegado pagamento a maior ou indevido. Tal indébito teria decorrido do fato de ter utilizado o coeficiente de presunção de 32% (prestação de serviços) ao invés de 8% (industrialização por encomenda). Embora não tenha promovido a retificação da DCTF, a contribuinte transmitiu DIPJ retificadora em data anterior à apresentação da Declaração de Compensação, na qual consignou o valor do tributo que considerava devido. A compensação não foi homologada, haja vista que o valor indicado como crédito já havia sido alocado a um determinado débito. Considerados os termos do seu voto condutor, o acórdão recorrido fincou a negativa de provimento ao recurso voluntário impetrado pela ora Agravante nos seguintes fundamentos: i) tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a apresentação de DIPJ retificadoras não é suficiente para o acolhimento do pedido, sendo necessário que o contribuinte ofereça informações com substância, consistência e devidamente comprovadas; ii) na defesa inaugural (Manifestação de Inconformidade), não foram apresentadas provas capazes de demonstrar que, por realizar industrialização por encomenda, a contribuinte estava sujeita ao percentual de presunção de lucro de 8% (e não 32%, como alegou que aplicou), e as que foram carreadas ao processo por meio do recurso voluntário são constituídas por "cópias esparsas de notas fiscais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura"; iii) superadas as dificuldades para identificação dos valores, os montantes retratados nas cópias de notas fiscais trazidas ao processo correspondem a percentuais ínfimos quando comparados com a receita total informada na DIPJ; iv) tratando-se de certeza e liquidez de direito creditório, a comprovação é ônus do contribuinte; e Fl. 487DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 v) se a contribuinte alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se à “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento, bem como os livros contábeis ou fiscais que demonstrassem tal fato. No caso analisado pelo acórdão paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte apresentou Declaração de Compensação indicando crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior, e, a exemplo do que ocorreu nos presentes autos, a compensação não foi homologada sob a alegação de inexistência de disponibilidade do referido crédito, vez que ele já havia sido alocado a determinado débito da contribuinte. Em sede de Manifestação de Inconformidade, a contribuinte alegou que a DIPJ indicava o efetivo valor devido e noticiou a retificação da DCTF. O voto condutor do paradigma em referência assinala inicialmente que, "ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito". Em que pese tal consideração, adiante, o referido voto condutor assinala, verbis: [...] Constatando que o recolhimento tido por parcialmente indevido permanecia vinculado ao débito declarado em DCTF, a autoridade administrativa detinha evidências suficientes para negar a existência do crédito e não homologar a compensação. A partir daí, a conduta da contribuinte, no sentido de apresentar nova DCTF e entregar DIPJ compatível com a apuração que legitimaria o crédito, assume contornos que não são suficientes para convencimento do julgador administrativo, ante a possibilidade de estar ela orientada por uma objeção já manifestada pela Receita Federal. Imperioso, assim, a demonstração de fatos anteriores à ciência do despacho de não-homologação que motivaram a declaração de compensação. E, neste sentido, a contribuinte junta aos autos cópia da DIPJ referente ao ano-calendário [...]. Veja-se que a Relatora do acórdão recorrido não fez reparos à informação desta declaração, inclusive valendo-se de seus dados para afirmar o reconhecimento parcial do indébito, mas nesta parte restando vencida. Assim, está-se diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada. E, em tais condições, não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado. A autoridade preparadora certamente entendeu de forma diversa, adotando apenas as informações constantes da DCTF como referencial para verificação do débito apurado no período que ensejou o alegado recolhimento indevido. É possível inferir que assim o fez por considerar, como expresso desde a Instrução Normativa SRF nº 14/2000, que a informação de débitos em DIPJ não se presta a instrumentalizar inscrições em Dívida Ativa da União: [...] Esta é a interpretação que se extrai deste dispositivo, pois, até então, a Instrução Normativa SRF nº 77/98 relacionava a declaração de rendimentos da pessoa jurídica dentre os documentos que poderiam servir de base para a inscrição, em Dívida Ativa da União, de saldos de tributos a pagar: [...] Evidente, portanto, que um novo conceito foi atribuído à declaração de rendimentos da pessoa jurídica apresentada a partir do ano-calendário 1999, a qual, inclusive, passou a denominar-se Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ. Fl. 488DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Desta forma, tal característica pode ter influenciado a definição dos parâmetros de análise da DCOMP pela autoridade preparadora. Além disso, a análise realizada pela autoridade preparadora poderia estar orientada pela obrigação imposta na Instrução Normativa SRF nº 166/99, editada com fundamento na Medida Provisória nº 2.18949/2001, nos termos a seguir transcritos: [...] Dessa forma, se a contribuinte estava obrigada a retificar a DCTF quando retificasse a DIPJ, desnecessária seria a comparação de ambas as declarações para aferição da compatibilidade das informações ali constantes com o indébito utilizado em DCOMP. Esclareça-se, apenas, que, com a edição da Instrução Normativa SRF nº 255/2002, deixou de existir DCTF Complementar, bem como a necessidade de solicitação de alteração de DCTF, bastando a apresentação de DCTF retificadora para alteração dos valores constantes da DCTF antes apresentada. Tal mudança, inclusive, operou efeitos retroativos, como expresso nos dispositivos da referida Instrução Normativa, a seguir transcritos: [...] Todavia, o descumprimento daquela obrigação não pode ensejar, como penalidade, o perecimento do crédito. A Instrução Normativa SRF nº 166/99 expressamente reconhece a produção de efeitos, por parte da DIPJ Retificadora, para fins de restituição ou compensação, e, embora firme ser dever da contribuinte também alterar o que antes informado em DCTF, em momento algum condiciona este direito à retificação da DCTF: [...] Adaptando estas disposições ao novo regramento da compensação, vigente desde a edição da Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002, uma vez formalizada a retificação da DIPJ, apresentando tributo menor que o da declaração retificada, pode a contribuinte transmitir Pedido de Restituição – PER ou DCOMP para receber o indébito em espécie, ou utilizá-lo em compensação, podendo o Fisco indeferir o PER, se não confirmar a veracidade da retificação, ou não homologar a compensação, desde que o faça dentro dos 5 (cinco) anos que a lei lhe confere (art. 74, §5º, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003). Logo, o fato de a contribuinte não ter retificado a DCTF para reduzir o tributo ali originalmente informado não pode obstar a utilização, em compensação, de indébito demonstrado em DIPJ retificadora apresentada antes da edição do despacho decisório que expressou a não-homologação da compensação, especialmente porque a própria autoridade administrativa reputou desnecessária uma análise mais aprofundada ou detalhada da compensação, submetendo-a ao processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal. Acrescente-se, ainda, que a alteração das informações constantes em DCTF não se dá, apenas, por retificação de iniciativa do sujeito passivo. Desde a Instrução Normativa SRF nº 482/2004, que revogou a Instrução Normativa SRF nº 255/2002, antes citada, a revisão de ofício da DCTF passou a estar expressamente admitida, nos seguintes termos: [...] Observe-se, inclusive, que este dever de revisão pela autoridade administrativa ganhou maior relevo a partir do momento em que a interpretação quanto à impossibilidade de retificação da DCTF após o transcurso do prazo decadencial passou a ser cogente, no âmbito administrativo, a partir da edição da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010: [...] Ultrapassado este limite, a observância do princípio da legalidade na exigência de tributos confessados em DCTF somente se efetiva mediante revisão de ofício, pela autoridade administrativa, do débito declarado a maior. Fl. 489DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Assim, o presente voto é no sentido de REJEITAR as arguições de nulidade do despacho decisório e da decisão recorrida, e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, e homologar a compensação declarada. Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a "erro de direito" ou a "erro de fato" como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Em apertada síntese, temos o seguinte: a) nos presentes autos, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na aplicação de percentuais de presunção, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que não foi homologada por se entender que, no caso, não houve comprovação do erro alegado; e b) no caso do paradigma nº 1101-000.848, a contribuinte, entendendo ter incorrido em erro na apuração de estimativa, promoveu a retificação da DIPJ correspondente; identificou indébito; e, embora não tenha retificado a DCTF, apresentou Declaração de Compensação, que foi homologada por se entender que, "diante de uma DCOMP analisada mediante processamento eletrônico de informações disponíveis nos bancos de dados da Receita Federal, relativamente à qual se entendeu desnecessária uma apreciação mais aprofundada ou detalhada .... não é possível, no contencioso administrativo, negar validade a outras informações, também constantes dos bancos de dados da Receita Federal antes da emissão do despacho decisório questionado" (nos exatos termos do voto condutor correspondente, "Cabia à autoridade administrativa, minimamente, questionar a divergência existente entre ambas as declarações (DIPJ e DCTF) e, ainda que ultrapassado o prazo decadencial para retificação espontânea da declaração com erros em seu conteúdo, promover a retificação de ofício, definindo qual informação deveria prevalecer para análise da compensação declarada". Identifica-se, portanto, similitude entre os fatos apreciados pelos acórdãos comparados, eis que, em ambos, analisou-se a situação em que o contribuinte, constatando erro na apuração do tributo devido, mesmo sem retificar a DCTF, altera primeiramente a DIPJ e, em momento posterior, apresenta Declaração de Compensação. No que diz respeito às decisões veiculadas pelos referidos acórdãos, entretanto, extrai-se sem maiores esforços um conflito interpretativo, visto que, enquanto o acórdão recorrido entende que, tratando-se de reconhecimento de direito creditório, a retificação da DIPJ deveria vir acompanhada de documentação comprobatória, para o acórdão paradigma nº 1101- 000.848, presente a divergência entre a DIPJ e a DCTF, instrumentos declaratórios que Fl. 490DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 se encontravam na base de dados da Receita Federal, cabia à autoridade administrativa que primeiro analisou a Declaração de Compensação questionar tal fato para fins de definição acerca da informação que deveria prevalecer para análise da compensação declarada. Constata-se, assim, a presença dos pressupostos de conhecimento do agravo e a necessidade de reforma do despacho questionado. Por tais razões, propõe-se que o agravo seja ACOLHIDO para DAR seguimento ao recurso especial relativamente à matéria "possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ". A Fazenda Nacional apresenta contrarrazões em que questiona a admissibilidade do recurso especial, transcrevendo trechos do despacho do Presidente de Câmara que não reconheceu como caracterizada a divergência jurisprudencial entendendo trata-se de situações fáticas distintas. Aduz, ainda, que o recurso não merece seguimento haja vista que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso voluntário com base em fundamentos autônomos que não foram, em sua totalidade, abordados em sede de recurso especial. Questiona também o mérito do recurso. É o relatório. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto condutor consignado no acórdão paradigma como razões de decidir: 1 Quanto ao conhecimento do Recurso Especial do Contribuinte, transcrevo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado do acórdão paradigma: Em que pese os judiciosos argumentos da ilustre relatora, Conselheira Livia De Carli Germano, ouso discordar de seu voto quanto ao conhecimento do Recurso Especial. Em seu Apelo, o Contribuinte pretendeu trazer à discussão deste colegiado a possibilidade de compensação de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ, tendo o Despacho de Admissibilidade não admitido o recurso, tendo sido posteriormente reformado em sede de Agravo. Relativamente à matéria “necessidade de conversão em diligência para resolver questão prejudicial – princípio da verdade material”, o recurso não foi admitido no Despacho de Admissibilidade, não tendo o Contribuinte se insurgido contra tal decisão. No aresto recorrido (Acórdão nº 1402-002.537), assim consta em seu voto condutor: No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, e não “prestação de serviços”. [...]. 1 Deixa-se de transcrever o voto do relator, que pode ser consultado no acórdão paradigma desta decisão, transcrevendo o entendimento majoritário da turma, expresso no voto vencedor do redator designado. Fl. 491DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. [...]. Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Já no paradigma colacionado pela Recorrente, o voto condutor consigna o contexto da discussão travada naqueles autos: Assim, cabe aqui confirmar se, de fato, houve erro na apuração do débito de estimativa de IRPJ em janeiro/2007 e, por consequência, o recolhimento a maior arguido pela contribuinte na DCOMP. Antes, porém, cabe observar que, ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito. [...]. [...]. Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada. Considerando que as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação. Analisando ambos os julgados, inicialmente conclui-se, de fato, que ambos discutem matéria idêntica: a possibilidade, ou não, de caracterização de indébito decorrente de pagamento de IRPJ recolhido a maior após a devida retificação da DIPJ com a consignação do valor que, a seu ver, seria o real débito do tributo. Se analisado sob essa circunstância, poder-se-ia identificar divergência entre os referidos acórdãos, contudo, as conclusões distintas devem-se ao fato de estarem sendo analisadas circunstâncias fáticas com contextos fáticos significativamente distintos: enquanto no acórdão recorrido a recorrente alega que sua atividade, seu objeto social, e sua real operação empresarial seria de “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento” (sujeita à determinação da base de cálculo do lucro presumido mediante utilização de coeficiente de presunção de 8%), e não “prestação de serviços” (cujo coeficiente para apuração do lucro presumido seria de 32%), o acórdão paradigma analisou contexto em que, pela simples analise da DIPJ Retificadora, chegar-se-ia à conclusão de que restaria confirmado o recolhimento a maior. Veja-se que, no acórdão paradigma, consta em seu voto condutor que “as informações assim prestadas em DIPJ confirmam a existência do indébito utilizado em Fl. 492DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 compensação, e que a autoridade preparadora não desenvolveu qualquer procedimento para desconstituir tal realidade, não há como deixar de reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, tratava-se de simples erro de fato cometido no preenchimento da DIPJ, não envolvendo questões probatórias, no entender daquele colegiado demandasse qualquer esforço adicional. Já no acórdão recorrido o relator entendeu que haveria de ter comprovação das atividades desenvolvidas pelo contribuinte para se demonstrar que, efetivamente, sua atividade era a de industrialização de encomenda, apta, portanto, a atrair a aplicação do coeficiente de 8% na determinação da base de cálculo do lucro presumido. Confira-se: Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e ue, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, [...] Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõem-se de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegar-se à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 - Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referia-se a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. [destaques da decisão recorrida] Em relação à confrontação dessas duas decisões, assim consta no Despacho em Agravo: Fl. 493DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Em primeiro lugar, deve-se ressaltar que não há, no acórdão recorrido, bem como no paradigma, qualquer alusão a “erro de direito” ou a “erro de fato” como elementos cruciais à decisão veiculada pelos referidos acórdãos, de modo que a utilização pelo exame agravado de tais conceitos para caracterizar a ausência de similitude entre os quadros fáticos apreciados pelos acórdãos comparados revela-se imprópria. Com a devida vênia, entendo que razão assistia ao decidido no Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial: a comprovação de erro de fato de que trata o acórdão paradigma é significativamente diferente de comprovação de erro de direito. Observa-se, de início, que o acórdão paradigma — nesse ponto concordando com o acórdão recorrido — afirma que, “ao contrário do que entende a recorrente, as declarações e recolhimentos podem ser insuficientes para confirmação de um indébito tributário, especialmente como no caso presente, em que a DCTF não foi alterada pela contribuinte quando constatado o erro na apuração do débito”. Contudo, naquele caso específico, com suas peculiaridades fáticas, o acórdão paradigma decidiu diferentemente do que afirmara, como segue: “Por todo o exposto, no presente caso, não poderia a autoridade administrativa ter limitado sua análise às informações prestadas na DCTF, se presentes evidências, nos bancos de dados da Receita Federal, de que outro seria o valor do tributo devido no período apontado na DCOMP, e, especialmente, mediante apresentação de DIPJ, da qual consta não apenas o valor do tributo devido, como também a demonstração da apuração das bases de cálculo mensais, trimestrais ou anuais da pessoa jurídica, conforme a sistemática de tributação adotada.” Ou seja, no caso específico do acórdão paradigma, como se tratou de um alegado “erro de fato” facilmente comprovável com a só apresentação de DIPJ, demonstrando a apuração das bases de cálculo mensais, o entendimento foi pelo provimento do recurso voluntário interposto para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Já na situação do acórdão recorrido, tratando-se de um suposto “erro de direito”, que dependeria da comprovação da atividade exercida pela empresa - se “industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento”, ou “prestação de serviços” - não seria possível prever como decidiria aquele acórdão paradigma, ou seja, se este se contentaria, tão somente, com a mera mudança do preenchimento de linha relativa ao percentual de presunção na DIPJ para “reconhecer o pagamento a maior e, por consequência, admitir sua compensação”. Conforme se observa, não é possível afirmar que o paradigma reformaria o acórdão recorrido. Nos termos do art. 67 do Anexo II do RICARF, o Recurso Especial somente é cabível se a decisão der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outro Colegiado deste E. Conselho. No caso concreto, contudo, não há como se afirmar que haja uma divergência de interpretação entre o acórdão recorrido e o paradigma colacionado pelo Contribuinte, uma vez que os fatos tratados em cada um dos julgados possuem distinções significativas. Desse modo, tratando-se de situações fáticas distintas, envolvendo, inclusive, nuances jurídicas próprias, as decisões em sentido contrário nos acórdãos recorrido e paradigma não decorrem de divergência de interpretação de lei, condição prévia a ensejar a uniformização de entendimento por meio do Recurso Especial de divergência. Isso posto, voto por NÃO CONHECER do Recurso Especial. Fl. 494DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 9101-005.611 - CSRF/1ª Turma Processo nº 13896.903928/2009-07 Conclusão Importa registrar que nos autos em exame a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de tal sorte que, as razões de decidir nela consignadas, são aqui adotadas não obstante os dados específicos do processo paradigma citados neste voto. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduzo o decidido no acórdão paradigma, no sentido de não conhecer do Recurso Especial. (documento assinado digitalmente) Andréa Duek Simantob – Presidente Redatora Fl. 495DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10480.722850/2010-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 05 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.765
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento deste processo, de forma a aguardar o resultado da diligência e a decisão relativa ao processo principal ao qual está vinculado (nº 10480.722854/2010-29).
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcio Henrique Sales Parada Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, determinar o sobrestamento do julgamento deste processo, de forma a aguardar o resultado da diligência e a decisão relativa ao processo principal ao qual está vinculado (nº 10480.722854/201029). (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada – Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dílson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Conforme Relatório Fiscal da Infração, que consta das fls. 06 e seguintes, a ação fiscal está assim fundamentada: "A empresa deixou de informar, nas suas GFIP das competências (01/2006 a 08/2006, 10/2006 a 12/2006, 01/2007 a 12/2007 e 01/2008 a 07/2008), segurados empregados que lhe prestaram serviços, os valores das remunerações a eles pagas e as contribuições para a Seguridade Social, incidentes sobre essas remunerações". (...) RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 22 85 0/ 20 10 -4 1 Fl. 2272DF CARF MF Processo nº 10480.722850/201041 Resolução nº 2202000.765 S2C2T2 Fl. 2.273 2 Após comparativo, na competência 07/2007 a multa mais benéfica foi a prevista na legislação anterior e nas competências (01/2006 a 12/2006, 01/2007 a 06/2007 e 08/2007 a 07/2008), a legislação atual. Situação que pode ser verificada o quadro comparativo da multa mais benéfica SAFIS COMPARATIVO DE MULTA que é parte integrante deste Auto. Destarte, a multa aplicável, após comparativo, passou a ser no montante de R$ 50.112,65... Ao julgar a Impugnação, a DRJ 1 no RIO DE JANEIRO/RJ, decidiu manter integralmente o lançamento, em resumo, com as seguintes considerações: AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Constitui infração ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 9.528/97, a apresentação de GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. MULTA DE MORA. PREVISÃO NA LEI 8.212/91. MP 449/2008. LEI 11.941/2009. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. A fim de ser obedecido o comando do art. 106, II, c do CTN referente à retroatividade benigna da lei na aplicação de penalidade menos severa ao sujeito passivo, cabe à autoridade fiscal proceder à comparação das multas aplicadas pela legislação vigente à época da ocorrência dos fatos geradores com as impostas pela legislação superveniente, sendo válida a multa mais benéfica ao contribuinte Cientificada dessa decisão em 06/07/2015 (conforme AR na fl. 2191) e ainda inconformada, a interessada protocolou, em 05/08/2015, RECURSO VOLUNTÁRIO (fl. 2194) onde, em resumo, assim expõe suas razões: a) a recorrente é empresa privada que exerce atividade de locação de mão de obra especializada e agenciamento de mão de obra temporária (Lei nº 6.019/74); b) preliminarmente, sempre pugnando pela nulidade da autuação: b.1 Compulsando os autos constatou que teve aplicada a multa prevista no artigo 32, § 5º da Lei nº 8.212/91, que no entanto foi expressamente revogado pelo artigo 79 da Lei nº 11.941/2009, sendo assim o auto de Infração não pode subsistir. b.2 fala do MPF, aponta vícios de inclusão de Auditores e prorrogação de prazo. b.3 é optante do lucro presumido, não está obrigada a manter o Livro Diário. A seguir fala do Livro Razão e diz que este também não é obrigatório. E então conclui que a fiscalização somente poderia efetuar suas apurações com base no Livro Caixa. b.4 a fiscalização desconsiderou suas explicações de que a diferença entre as folhas de pagamento e a RAIS eram decorrentes do fato de que a massa salarial constante dessa Fl. 2273DF CARF MF Processo nº 10480.722850/201041 Resolução nº 2202000.765 S2C2T2 Fl. 2.274 3 última era composta de todas as verbas remuneratórias, indenizatórias e rescisórias, incluindo trabalhadores celetistas e temporários. Utilizouse de "aferição indireta" prevista na Lei nº 8.212/1991, o que somente poderia ser aplicado após a Lei nº 11.941/2009, não podendo alcançar fatos geradores de períodos pretéritos. b.5 ajuizou ação em 16/11/2010, já transitada em julgado, para não recolher contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de alimentação de seus empregados. Anexa documentos. b.6 existem ainda outras ações judiciais que cita especificamente, relativas a 1/3 constitucional sobre férias, horas extras, aviso prévio indenizado, auxílio transporte e auxílio doença. Anexa documentos. Na fl. 2206 e ss. constam peças de Ação Ordinária na Justiça Federal, onde o autor requer que seja declarado que a parcela paga in natura aos seus trabalhadores não seja considerada base de cálculo de contribuições previdenciárias (certidão fl. 2735). Nas fls. 2241 e ss. constam peças de outra Ação, onde observo provimento apenas em relação ao terço constitucional de férias. Nas fls. 2246 e ss. consta Apelação Cível tratando de aviso prévio indenizado, horas extras e afastamento por motivo de doença. No pedido fala em "anulação" total do Auto de Infração. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro a seguir é aquele existente na seqüência do processo digital, em meio magnético (arquivo .pdf). São várias as preliminares levantadas, pedindo a nulidade do lançamento. Dentre elas, destaco as que se referem à informação do movimento de ações com o objetivo de ver reconhecido, na esfera judicial, o direito à não incidência de contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a título de alimentação de seus empregados e relativas a 1/3 constitucional sobre férias, horas extras, aviso prévio indenizado, auxílio transporte e auxílio doença. A questão do ajuizamento dessas ações não foi exposta à 1ª instância de julgamento administrativo. Diz a Súmula CARF nº 01: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 2274DF CARF MF Processo nº 10480.722850/201041 Resolução nº 2202000.765 S2C2T2 Fl. 2.275 4 Bem, se o contribuinte, nesse ponto, recorreu ao Poder Judiciário, não comporta analisar, em sede administrativa, a questão da incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio alimentação, cabendo aplicar a concomitância de objetos e à Delegacia da Receita Federal do Brasil observar os estritos termos do acórdão judicial. Mas é preciso que se saiba, exatamente, o que restou lá decidido, pois caso tenha recaído sobre o mesmo objeto, não cabe manifestação. Este Auto de Infração trata de obrigação acessória, por ter o contribuinte deixado de informar em GFIP contribuições sociais devidas. Portanto, a infração somente pode subsistir se a infração principal, falta ou insuficiência de pagamento de contribuições sociais, permanecer. Nos autos do processo 10480.722854/201029 manifesteime pela conversão do julgamento em diligência, nos seguintes termos: Diante de todo o acima exposto, VOTO pela conversão do julgamento em DILIGÊNCIA, a fim de que a Unidade de origem: 1 identifique, efetivamente, se os valores do auxílio alimentação foram fornecidos "in natura", em pecúnia ou mediante vales ou tickets, já que o motivo apresentado pela fiscalização, para o lançamento, foi a falta de inscrição no PAT e o motivo apresentado pela DRJ foi que "alimentação in natura" não pode ser confundida com "vale alimentação". 2 intime o contribuinte a: 2.1 apresentar o inteiro teor das decisões judiciais que alega terem sido proferidas a seu favor, relativas a parcelas do crédito tributário em exigência. 2.2 apresentar as GPS "das contribuições sociais relativas às remunerações pagas às sócias Cleonides e Sônia Maria, que foram pagas em 2006, e que não foi analisada pelo Auditor" (alínea G do recurso, fl. 2686), e manifestese sobre os eventuais efeitos sobre este lançamento, caso tenham sido efetivamente pagas. 2.3 identificar os valores das retenções de contribuições efetuadas pelos seus clientes que constam das Notas Fiscais de Prestação de Serviços emitidas e sua desconsideração pela fiscalização e analise eventuais efeitos dessas retenções sobre este lançamento, caso existam. Após, com a anexação de documentos e elaboração de relatório circunstanciado, dê ciência ao contribuinte do resultado da diligência para, querendo, manifestarse no prazo de trinta dias, e retorne os autos para prosseguimento do julgamento. Entendo, portanto, ser necessário que este processo aguarde o resultado da diligência e o julgamento do processo principal, para que possa ter uma adequada solução. (assinado digitalmente) Marcio Henrique Sales Parada Fl. 2275DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10865.002608/2008-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 13 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Aug 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/01/2003 a 28/02/2008
DECADÊNCIA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148.
O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I.
LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com informações inexatas ou omissas em relação a dados não relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias.
MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO.
Considera-se não impugnada a parte que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte.
Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal.
MULTA. RELEVAÇÃO.
De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a multa poderia ser relevada se fossem cumpridos cumulativamente os requisitos: ser o infrator primário, não ter ocorrido circunstância agravante e a falta fosse integralmente corrigida dentro do prazo de impugnação.
Numero da decisão: 2401-009.798
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente).
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. SÚMULA CARF Nº 148. O descumprimento de obrigação tributária acessória é hipótese que se submete ao prazo decadencial descrito no CTN, art. 173, I. LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de apresentar GFIP com informações inexatas ou omissas em relação a dados não relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considera-se não impugnada a parte que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. MULTA. RELEVAÇÃO. De acordo com a legislação vigente à época da autuação, a multa poderia ser relevada se fossem cumpridos cumulativamente os requisitos: ser o infrator primário, não ter ocorrido circunstância agravante e a falta fosse integralmente corrigida dentro do prazo de impugnação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Relatora e Presidente AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 26 08 /2 00 8- 18 Fl. 231DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-009.798 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002608/2008-18 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Rodrigo Lopes Araújo, Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier (Presidente). Relatório Trata-se de Auto de Infração - AI, Código de Fundamentação Legal – CFL 69, lavrado contra a empresa em epígrafe, por ter a empresa apresentado a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP com informações inexatas ou omissas não relacionadas a fatos geradores de contribuições previdenciárias, no período de 01/2003 a 02/2008, conforme Relatório Fiscal, fls. 13/16. Consta do Relatório Fiscal que tais informações se referem, no período de jan/2003 a maio/2003, aos campos SAT/RAT, FPAS, Terceiros, Simples e Retenção. A partir de jun/2003 somente o campo Retenção. Em impugnação de fls. 20/21 a empresa alega que corrigiu a falta e pede a relevação da multa. Foi proferido o Acórdão 14-27.704 - 9ª Turma da DRJ/RPO, fls. 212/216, assim ementado: Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2003 a 29/02/2008 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMISSAS EM RELAÇÃO A DADOS NÃO RELACIONADOS A FATOS GERADORES. Constitui infração à legislação apresentar GFIP com informações inexatas, incompletas ou omissas em relação a dados não relacionados a fatos geradores de contribuições previdenciárias. RELEVAÇÃO PARCIAL. A multa será relevada parcialmente em relação às infrações corrigidas em momento oportuno, se o infrator formular pedido no prazo previsto na legislação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstancia agravante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Consta do acórdão de impugnação que os autos foram encaminhados à DRF para verificação da correção da falta. A fiscalização concluiu que não houve correção integral da falta. No voto, há informação de que no período de 01/2003 a 05/2003 o único campo corrigido foi o “SAT/RAT”, persistindo a incorreção para os outros campos. Foi corrigido o campo “retenção” nas competências 11/2003, 12/2003, 12/2004 e 10/2005, não havendo correção nas demais competências. Desta forma, a multa foi reduzida proporcionalmente à correção verificada. Assim, a multa foi parcialmente relevada. Cientificado do Acórdão em 22/4/10 (Aviso de Recebimento - AR de fl. 222), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 20/5/10, fls. 223/, que contém, em síntese: Fl. 232DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-009.798 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002608/2008-18 Alega que é prestadora de serviços e houve erro na autuação, pois não é indústria, devendo permanecer os códigos FPAS 515 e Terceiros 0515. Alega decadência do período de janeiro a agosto de 2003, pois o auto de infração foi lavrado em 8/8/2008. Pede a relevação da multa imposta. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. PRECLUSÃO Na impugnação apresentada, o sujeito passivo não contesta a infração, apenas requer a relevação da multa. Desta forma, sendo considerada não impugnada a parte que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte, ocorre a preclusão. Logo, não podem ser apreciados, na fase recursal, os argumentos trazidos no recurso, que não foram apresentados por ocasião da impugnação. De qualquer forma, esclarece-se que a relevação da multa somente seria possível, se a falta, em cada competência, tivesse sido integralmente corrigida, no prazo da impugnação, o que não se verifica no presente caso. Nesse ponto, equivoca-se a decisão de piso que relevou parcialmente a multa nas competências 01/2003 a 06/2003, nas quais não ocorreu a correção integral da falta. Contudo, diante do trânsito em julgado desta parte do lançamento, não cabe mais a revisão. Portanto, nas competências em que não foi corrigida integralmente a falta, incabível a relevação parcial da multa, conforme estabelecido no Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, art. 291, na redação vigente à época da autuação. DECADÊNCIA Em que pese não ter sido alegado na impugnação, por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência deve ser verificada de ofício. No caso de obrigações acessórias, aplica-se o disposto no CTN, art. 173, I: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após 5 (cinco) anos, contados: I - do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. A matéria encontra-se sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 148 No caso de multa por descumprimento de obrigação acessória previdenciária, a aferição da decadência tem sempre como base o art. 173, I, do CTN, ainda que se verifique Fl. 233DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-009.798 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10865.002608/2008-18 pagamento antecipado da obrigação principal correlata ou esta tenha sido fulminada pela decadência com base no art. 150, § 4º, do CTN. No presente caso, como a autuação ocorreu em 11/8/2008, ela poderia retroagir a 12/2002, pois para esta competência o vencimento da obrigação ocorreu em 7/1/03, logo, a infração poderia ter sido conhecida a partir de 8/1/03, com início do prazo decadencial em 1/1/04 e término em 31/12/08. A competência mais remota em que foi aplicada a multa é 01/2003. Desta forma, não ocorreu a decadência para todo o período objeto do lançamento. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 234DF CARF MF Documento nato-digital
score : 1.0
Numero do processo: 13603.901448/2013-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Thu Sep 23 00:00:00 UTC 2021
Numero da decisão: 1401-000.859
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1401-000.858, de 18 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 13603.901452/2013-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente Redator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Andre Luis Ulrich Pinto, Daniel Ribeiro Silva, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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Interessado FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto condutor. Este julgamento seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, sendo-lhes aplicado o decidido na Resolução nº 1401-000.858, de 18 de agosto de 2021, prolatada no julgamento do processo 13603.901452/2013-96, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Andre Luis Ulrich Pinto, Daniel Ribeiro Silva, Barbara Santos Guedes (suplente convocada), Itamar Artur Magalhães Alves Ruga e Andre Severo Chaves. Relatório O presente julgamento submete-se à sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, Anexo II, do Regulamento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015. Dessa forma, adota-se neste relatório substancialmente o relatado na resolução paradigma. O presente processo trata de DCOMP-Declaração de Compensação, mediante a utilização de pretenso crédito referente a “Pagamento indevido de IRRF-0422”, ocorrido em 23/11/2011, no valor de R$ 90.360,75. O documento protocolizado pelo contribuinte foi analisado através do Despacho Decisório 056389480, onde, em síntese, a DRF apura que o crédito utilizado pelo contribuinte na DCOMP é inexistente, tendo em vista que o pagamento apontado foi integralmente utilizado na extinção de débitos por ele mesmo declarados em DCTF. Diante do apurado, a compensação declarada pelo contribuinte foi NÃO HOMOLOGADA. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 03 .9 01 44 8/ 20 13 -2 8 Fl. 294DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 da Resolução n.º 1401-000.859 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.901448/2013-28 O contribuinte foi cientificado da decisão. Inconformado, o contribuinte, em síntese, argumenta: Manifestação de Inconformidade Em 23/11/2011, a Requerente efetuou o recolhimento de DARF no valor de R$243.974,05, indicando que o pagamento se destinava à liquidação do débito de IRRF (código 0422) apurado naquela data. A retenção efetuada é decorrente da contratação de serviços técnicos profissionais firmados com a IDIADA AUTOMOTIVE TECHNOLOGY, sediada na Espanha. Ao utilizar a alíquota de 15%, a Requerente não aplicou o tratado firmado entre o Brasil e a Espanha. Neste caso existe Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda Brasil/Espanha, promulgado pelo Decreto n° 76.975/1976 e Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 4/2006, que dispõe em seu art. 2°, II e art. 3°, I que a alíquota do IRRF é de 10% para os serviços técnicos e de assistência técnica. Neste contexto, a Requerente recalculou o montante devido de IRRF em relação ao serviço prestado pela empresa IDIADA AUTOMOTIVE, considerando a alíquota de 10%, uma vez que, o serviço prestado não se encaixa no inciso I, do art. 2° do Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 4/2006, conforme se verifica nas notas fiscais anexas. Apresenta planilha demonstrativa do recálculo efetuado. O manifestante informa a retificação da DCTF em data posterior à emissão do Despacho Decisório. Ilustra com passagens doutrinárias e jurisprudência do CARF. Por fim, requer o provimento à Manifestação de Inconformidade e a reforma do Despacho Decisório. Tendo em vista o documento pelo contribuinte, o processo foi encaminhado à DRJ, para apreciação das razões apresentadas. A Manifestação de Inconformidade foi julgada Improcedente, sendo a Ementa do acórdão dispensada pela Portaria RFB no 2.724, de 2017. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada da decisão de piso a Interessada apresenta recurso voluntário onde reitera seus argumentos já relatoriados, da manifestação inicial perante a primeira instância, acrescentando alegações e trazendo documentos. Em resumo, temos no pedido: “Por todo o exposto, requer-se que seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para que seja reformado o r. Acórdão nº 02-96.394, proferido pela 3ª Turma da DRJ/BHE, e reconhecido o direito da Recorrente à integralidade do crédito de IRRF pago a maior na competência de novembro/2011, no valor de R$90.360,75, suficiente para a homologação integral da compensação declarada na DCOMP nº 17714.96490.190413.1.3.04- 8558. Adicionalmente, com base nos princípios da verdade material e da liberdade da apreciação da prova, bem como dos arts. 28 do Decreto nº 7.574/11 e 29 do Decreto nº Fl. 295DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 da Resolução n.º 1401-000.859 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.901448/2013-28 70.235/11, que sejam considerados os documentos apresentados no presente Recurso Voluntário e, na hipótese de se entender que não restaram comprovadas todas as alegações da Recorrente, que seja determinada a baixa dos autos para a realização de diligência que se entenda necessária.” É o relatório do essencial. Voto Tratando-se de julgamento submetido à sistemática de recursos repetitivos na forma do Regimento Interno deste Conselho, reproduz-se o voto consignado na resolução paradigma como razões de decidir: Muito comum a transmissão de PER/DCMP onde se informa o valor do DARF que contemplasse o eventual crédito, em igual valor do débito declarado, ou seja, o que equivale a dizer que o valor do pagamento da DCTF não estava disponível e, em casos assim, normalmente, a unidade de origem indefere a solicitação, no que está correta. No caso aqui, a retificação da DCTF (efetivada após o despacho decisório) torna o valor disponível no trâmite do PAF, e, aliado à presença de provas então trazidas, podem se tornar elementos sinalizadores do suposto crédito pleiteado, podendo a autoridade julgadora administrativa, dentro de sua livre convicção, verificar se as razões/documentos apresentadas pela Interessada sinalizam a existência de indícios neste sentido, determinando ou não a realização de diligências. No caso dos autos, a autoridade julgadora, perfunctoriamente, indeferiu o pleito pela ausência de tradução de documentos (invoices) em língua estrangeira, bem como se reportou às planilhas (cálculos do IRRF) como um “..documento este que, por si só, não comprova a legitimidade do crédito utilizado,...”. Arremata a autoridade que, para que o valor retificado na DCTF “...seja validado o contribuinte deve trazer aos autos os documentos comprobatórios da legitimidade do valor alterado...”. A Interessada apresentou os documentos que entendeu necessários e agora, em sede recursal, trouxe as invoices traduzidas. As invoices (faturas) foram traduzidas e espelham, todas, que os serviços prestados pela empresa sediada na Espanha, são de serviços técnicos e típicos à atividade comercial da Recorrente. Serviços Técnicos: Remessas ao Exterior Nos termos da Instrução Normativa RFB de nº 1.455, de 06 de março de 2014, tem-se o seguinte: CAPÍTULO XVI DA REMUNERAÇÃO DE SERVIÇOS TÉCNICOS, ASSISTÊNCIA TÉCNICA E ADMINISTRATIVA E ROYALTIES. Art.17. As importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas a pessoa jurídica domiciliada no exterior a título de royalties de qualquer natureza e de remuneração de serviços técnicos e de assistência técnica, administrativa e semelhante, sujeitam-se à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento). §1º Para fins do disposto no caput: Fl. 296DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 da Resolução n.º 1401-000.859 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.901448/2013-28 I – [...] II – considera-se: Serviço técnico a execução de serviço que dependa de conhecimentos técnicos especializados ou que envolva assistência administrativa ou prestação de consultoria, realizado por profissionais independentes ou com vínculo empregatício ou, ainda, decorrente de estruturas automatizadas com claro conteúdo tecnológico; e [...] Não se precisa de muito esforço intelectual para constatar que os serviços prestados pela empresa espanhola e que constam nas invoices traduzidas (Documentos comprobatórios – [...] são de natureza técnica especializada e com uso de estruturas automatizadas e tecnologia avançada, além da tradução de vários tipos de serviços executados [...] para a Recorrente, coerentes com a natureza de serviços prestados, traduzidos de site próprio da empresa. Do Decreto nº 76.975, de 02 de janeiro de 1976 Promulga a Convenção destinada a Evitar a Dupla Tributação e Previne a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda Brasil/Espanha [...] Artigo 12 “Royalties” Os “royalties” provenientes de um Estado Contratante e pagos a um residente do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. Todavia, esses “royalties” podem ser tributados no Estado Contratante de que provêm, e de acordo com a legislação desse Estado, mas o imposto assim estabelecido não poderá exceder: 10% do montante bruto dos royalties pagos pelo uso ou pela concessão do uso de direito de autor sobre as obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiofusão, quando produzidos por um residente de um dos Estados contratante); 15% em todos os demais casos. O termo “royalties” empregado neste artigo designa as remunerações de qualquer natureza pagas pelo uso ou pela concessão do uso de direitos de autor sobre obras literárias, artísticas ou científicas (inclusive os filmes cinematográficos, filmes ou fitas de gravação de programas de televisão ou radiofusão), de patentes, marcas de indústria ou de comércio, desenhos ou modelos, planos, fórmulas ou processos secretos, bem como pelo uso ou concessão do uso de equipamentos industriais, comerciais ou científicos e por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico. [grifo do Relator] [...] PROTOCOLO Fl. 297DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 da Resolução n.º 1401-000.859 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.901448/2013-28 No momento da assinatura da Convenção para Evitar a Dupla Tributação em Matéria de Impostos sobre a Renda entre a República Federativa do Brasil e o Estado Espanhol, os abaixos assinados, para isso devidamente autorizados, convieram nas seguintes disposições que constituem parte integrante da presente Convenção. Ad/Artigo 12, parágrafo 2. Na eventualidade de o Brasil, após a assinatura da presente Convenção, reduzir o imposto sobre os “royalties” mencionados no parágrafo 2, “b”, do Artigo 12, pagos por um residente do Brasil a um residente de um terceiro Estado não localizado na América Latina, uma redução igual será automaticamente aplicável ao imposto sobre os “royalties” pagos a um residente da Espanha que se encontre em condições similares. Ad/Artigo 12, parágrafo 3 A expressão “por informações correspondentes à experiência adquirida no setor industrial, comercial ou científico”, mencionada no parágrafo 3 do Artigo 12, compreende os rendimentos provenientes da prestação de serviços técnicos e assistência técnica. [...] Relativamente aos Acordos ou Convenções para Evitar a Dupla Tributação da Renda celebrados pelo Brasil, seguiram-se os seguintes atos que dispuseram acerca do tratamento tributário pertinente a esses rendimentos destinados a pessoa física ou jurídica residente no exterior: Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 5, de 16 de junho de 2014. Art.1º O tratamento tributário a ser dispensado aos rendimentos pagos, creditados, entregues ou remetidos por fonte situada no Brasil a pessoa física ou jurídica residente no exterior pela prestação de serviços técnicos e de assistência técnica, com ou sem transferência de tecnologia, com base em acordo ou convenção para evitar a dupla tributação da renda celebrado pelo Brasil será aquele previsto no respectivo Acordo ou Convenção: I – no artigo que trata de royalties, quando o respectivo protocolo contiver previsão de que os serviços técnicos e assistência técnica recebam igual tratamento, na hipótese em que o Acordo ou a Convenção autorize a tributação no Brasil; [...] Reproduzido anteriormente, o Protocolo anexo à Convenção Brasil/Espanha expressamente equiparou os serviços técnicos e de assistência técnica aos royalties para fins de tratamento tributário. Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 4, de 17 de março de 2006. Dispõe sobre a aplicação de dispositivos da Convenção entre a República Federativa do Brasil e o Estado Espanhol destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria de Impostos sobre a Renda. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art.230 do Regimento interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro, e tendo em vista o disposto no item 4 do Protocolo à Convenção entre o Brasil e a Espanha, promulgada pelo Decreto nº 76.975, de 2 de janeiro de 1976, [...] declara: Fl. 298DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 da Resolução n.º 1401-000.859 - 1ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13603.901448/2013-28 [...] “Art. 2º Na hipótese de royalties, a tributação na fonte, incidente sobre o valor bruto da remessa, dar-se-á às alíquotas de: I - quinze por cento, no caso de uso ou da concessão de uso de marcas de indústria ou comércio; e II - dez por cento, nos demais casos.” “Art. 3º Com relação a royalties e a serviços técnicos, deve ser observado o seguinte: I - incluem-se no conceito de royalties, para fins de aplicação da Convenção, todos os serviços técnicos ou de assistência técnica, independentemente de que, em si mesmos, suponham ou não transferência de tecnologia, à exceção do disposto no inciso II; (...)” Soa-me bastante legítimo o direito ao crédito pleiteado, entretanto, entendo, à luz do art.170 do CTN, que a certeza e liquidez do crédito do sujeito passivo necessita passar por uma provação final: a verificação de sua apuração feita pela Recorrente e a devida contabilização em sua escrituração comercial dos valores recolhidos e do imposto a recuperar (crédito). Neste sentido, voto em converter o julgamento do processo em diligências para que (i) a unidade fiscal de origem examine a correção da apuração feita pela Recorrente, nas Tabelas IRRF – Remessa ao Exterior, às alíquotas de 15% e 10% e (ii) certifique-se quanto à contabilização dos recolhimentos (pagamentos) considerados na referida tabela e do imposto a recuperar (crédito). Ao final, que a autoridade fiscal diligenciadora elabore sua conclusão, cientificando a Recorrente do resultado das diligências, ofertando-lhe prazo razoável para, em querendo, apresentar aditamentos que entender cabíveis. CONCLUSÃO Importa registrar que, nos autos em exame, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada na decisão paradigma, de sorte que as razões de decidir nela consignadas são aqui adotadas. Dessa forma, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do anexo II do RICARF, reproduz-se o decidido na resolução paradigma, no sentido de converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves – Presidente Redator Fl. 299DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10380.723548/2016-23
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 18 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Fri Sep 24 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA E INTERPOSTAS PESSOAS. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO CONFIRMADA.
Sendo confirmado o exercício de atividade vedada e/ou interposição de pessoas, conforme previsto na LC 123/06, então deve a exclusão do Simples Nacional ser procedida, nos termos da lei.
Numero da decisão: 1402-005.738
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Luciano Bernart - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: LUCIANO BERNART
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EXCLUSÃO. ATIVIDADE VEDADA E INTERPOSTAS PESSOAS. CARACTERIZAÇÃO. EXCLUSÃO CONFIRMADA. Sendo confirmado o exercício de atividade vedada e/ou interposição de pessoas, conforme previsto na LC 123/06, então deve a exclusão do Simples Nacional ser procedida, nos termos da lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Evandro Correa Dias, Luciano Bernart, Iágaro Jung Martins, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (suplente convocado(a)), Jandir José Dalle Lucca, Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Relatório 1. Trata-se de Recurso Voluntário (fls. 1.620-1.640) interposto em face de Acórdão n° 08-35.741, da 6ª Turma da DRJ/FOR (fls. 1.594-1.610), proferido na sessão realizada em 10 de maio de 2016, por meio do qual o referido Órgão julgou improcedente a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 35 48 /2 01 6- 23 Fl. 1654DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 Manifestação de Inconformidade (fls. 1.389-1.408 e docs. anexos), de forma a manter a exclusão da Contribuinte do Simples Nacional. I. Ato Declaratório Executivo (ADE) e Manifestação de Inconformidade (MI) 2. Em virtude de descrição pormenorizada, bem como de economia e brevidade processual, adota-se o relatório lavrado no Acórdão da DRJ (fls. 1.595-1.603), de forma a narrar os principais fatos até a apresentação de Manifestação de Inconformidade. Do Ato Declaratório Trata-se do Ato Declaratório Executivo da Delegacia da Receita Federal em Fortaleza/CE, nº 104/2015, assinado digitalmente em 21/12/2015, por meio do qual a empresa em epígrafe foi excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte - SIMPLES NACIONAL. A exclusão do SIMPLES NACIONAL surtiu efeitos a partir de 27/10/2010 e está assim fundamentada: Art. 1º. Fica EXCLUÍDA do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), a pessoa jurídica ALCANCE SERVICOS DE ESCRITORIO E APOIO ADMINISTRATIVO LTDA, CNPJ nº 12.775.431/0001-09, em virtude de o contribuinte não se enquadrar no aludido regime, nos termos dos arts. 17, Inciso XII, 29, Incisos I e IV da Lei Complementar nº 123/2006, uma vez que foram constatadas a realização de cessão ou locação de mão-de-obra e a sua constituição ocorreu por interpostas pessoas, conforme constam na Representação Fiscal contida no processo administrativo nº 10380.730.733/2015-93. O Ato Declaratório foi precedido de Representação Fiscal para efeito de exclusão, nos seguintes termos (fls. 03/31): 1. as empresas ALCANCE SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO E APOIO ADMINISTRATIVO LTDA, CNPJ nº 12.775.431/0001- 09, optante do Simples Nacional, ENVASE SERVIÇOS DE ENVASAMENTO EMPACOTAMENTO E ETIQUETAGEM LTDA, CNPJ nº 12.775.459/0001-46, também optante do Simples Nacional, DUNAX LUBRIFICANTES LTDA –ME, CNPJ nº 05.092.901/0001-74, tributada pelo Lucro Real, a empresa DUNAS DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 02.746.672/0001-76, e DULUB PARTICIPAÇÕES LTDA, CNPJ nº 13.536.442/0001-07, também do Lucro Real, integram um Grupo Econômico de fato, evidenciado pelo controle econômico e administrativo exercido nestas empresas por ANTÔNIO LUIZ E SILVA JUNIOR, CPF nº 512.847.824-68 e ANA IRENE LOPES FERNANDES E SILVA, CPF nº 852.240.574-34. Alem disso, a constituição das empresas ENVASE e ALCANCE foi efetivada por interpostas pessoas e, ainda, a prestação de serviços por estas foi realizada mediante cessão ou locação de mão-de-obra. 2. As empresa “ALCANCE” e “ENVASE” foram constituídas e seus contratos foram assinados e protocolados na Junta Comercial do Ceará nos mesmos dias e com os mesmos sócios. Fl. 1655DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 3. Após a constituição das empresas a maioria dos empregados das empresas DUNAS, DULUB e DUNAX foram transferidos para as empresas criadas. 4. Por meio de pesquisa nas bases de dados da RFB – Receita Federal do Brasil e das redes sociais, a fiscalização demonstrou que não houve mudança física de endereço da maioria dos empregados para os estados sede das empresas recém criadas. 5. A empresa DUNAX, sediada no Município do Eusébio – CE, apresenta em sua composição societária ANA IRENE LOPES FERNANDES E SILVA e ANTÔNIO LUIZ E SILVA JUNIOR, ambos com participação de 1% no capital social, e a empresa DULUB PARTICIPAÇÕES LTDA, com percentual de 98%. Os sócios desta última são os mesmos - ANA IRENE LOPES FERNANDES E SILVA e ANTÔNIO LUIZ E SILVA JUNIOR -, cada com 50% do capital social. 6. A empresa DUNAS, sediada no Município de Assu – RN tem a mesma composição societária da empresa DUNAX; 7. Trecho de decisão da Juíza do Trabalho Andrea Keust Bandeira de Melo em processo trabalhista comprova a prática da empresa, atribuindo inclusive responsabilidade solidária entre as empresas do grupo: “(...) Paulo Henrique Padilha da Fonte, qualificado na exordial e assistido por patrono particular, ingressou com reclamação trabalhista em 06.12.2011, em face de Dunas Distribuidora Ltda e Alcance Serviços de Escritório e Apoio Administrativo Ltda, indicando que foi admitido nas funções de vendedor comercial e, que teve como área de atuação das cidades de Caruaru. Que trabalhou por 21 meses e que em novembro de 2010 houve mudança de empregador no contracheque e onde figurava a 1ª reclamada passou a figurar a 2ª reclamada, afirmando que não houve qualquer mudança estrutural na empresa. (...)” 8. Verificou-se que diversos empregados contratados pela empresa residiam em estados distintos da federação dos contratantes, conforme informações das declarações de imposto de renda, base de dados do CPF, processos na Justiça do Trabalho, informações das companhias de eletricidade e até mesmo páginas do facebook. 9. Em verificação física no local das empresas constatou-se que ambas ocupavam salas de 40m2, o que denuncia que os empregados continuaram prestando serviço nas empresas originariamente contratantes. 10. Em 1º de março de 2012 as mencionadas empresas mudaram de endereço para a Avenida Pedro Lasar nº 950, Sala B e C, Cambeba, Fortaleza, permanecendo contíguas e em salas diminutas. Em 01/03/2013, as duas empresas mais uma vez mudaram de endereço para a Avenida Eusébio de Queiroz, nº 4359, Eusébio, CE, salas 12 e 17. 11. As notas fiscais da empresa ALCANCE são todas emitidas para a empresa DUNAS e da ENVASE para as empresas DUNAX LUBRIFICANTES LTDA ou DUNAS DISTRIBUIDORA LTDA. 12. Conclui a fiscalização que: 7.22. Constatou-se que o modus operandi da empresa DUNAX LUBRIFICANTES LTDA se identifica ao da empresa DUNAS DISTRIBUIDORA LTDA, uma vez que as duas se utilizaram do mesmo procedimento de transferência da quase totalidade de seus empregados para as empresas do Simples Nacional, notadamente, nas competências novembro e dezembro de 2010, ainda sob a administração legal dos administradores daquelas. A movimentação Fl. 1656DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 de empregados da DUNAS DISTRIBUIDORA LTDA foi utilizado como artifício para sonegar contribuições sociais previdenciárias patronais e daquelas destinas as outras entidades ou fundos (terceiros) e, ainda, propiciar crédito dos serviços prestados pelas referidas empresas no PIS e COFINS vez que por serem as empresas enquadradas no Simples Nacional, recolheriam apenas sobre a receita bruta de acordo com os percentuais estabelecidos em lei, conforme já relatado. (...) 9.3. Conforme já relatado, os serviços prestados pela ALCANCE a empresa DUNAS tratavam de serviços de “...de escritório e apoio administrativo” ou “serviços de armazenagem, transbordo, carga, descarga, capatazia e guarda de mercadorias”. De acordo com os contratos, esses serviços seriam prestados em qualquer estabelecimento da contratante. Examinando a natureza jurídica dos serviços prestados, concluímos que se tratavam de serviços realizados mediante cessão ou locação de mão-de-obra. De fato, os trabalhadores realizavam esses serviços de forma contínua mediante a colocação à disposição da contratante em suas dependências. A Lei nº 8.212, de 1991, em seu § 3º dispõe que “... entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade-fim da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação”. Por sua vez, a Instrução Normativa RFB nº 971, em seu artigo 118, assim estabelece, in verbis: “Art. 118. Estarão sujeitos à retenção, se contratados mediante cessão de mão-de-obra, observado o disposto no art. 149, os serviços de: ............... XXII – secretaria e expediente, quando relacionados com o desempenho de rotinas administrativas; ................ XXIV – telefonia ou de telemarketing, que envolvam a operação de centrais ou de aparelhos telefônicos ou de teleatendimento. 9.4. De acordo com o acima exposto, os serviços prestados pela ALCANCE a DUNAS se caracterizaram como realizados mediante cessão ou locação de mão-de-obra. Por consequência, a ALCANCE não poderia ser optante do Simples Nacional em virtude da vedação expressa no inciso XII do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Por outro lado, tanto a ALCANCE como a ENVASE possuem em seus quadros societários, desde 2010, sócios que, em verdade, eram ex-empregados do grupo econômico ou com este, indiretamente, relacionado, e, portanto, são, de fato, empregados do grupo, ocultando seus verdadeiros sócios e, portanto constituídas por interpostas pessoas infringindo a disposição legal disciplinada no inciso IV do art. 29 da LC nº 123, de 2006. 9.5. Empresa que presta serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra somente poderá optar pelo Simples Nacional se e somente se prestar os serviços discriminados no §5º-C do art. 18 da LC nº 123, de 2006, que são: i) construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, Fl. 1657DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; ii) serviço de vigilância, limpeza ou conservação; iii) serviços advocatícios. Definitivamente, os serviços que se configuram prestados pela ENVASE se enquadram naqueles discriminados no parágrafo 9.3 deste relatório. 13. As empresas mantêm endereço eletrônico comum. 14. Por tudo isso, conclui que a empresa ALCANCE foi constituída mediante a utilização de interpostas pessoas desde sua constituição e prestou serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra desde novembro de 2010, portanto incorreu em hipóteses de exclusão previstas no §1º do art. 29 e no inciso II do art. 31 da LC nº 123, de 2006, que ensejam início dos efeitos da exclusão em datas diferentes. Neste caso, será utilizada aquela que ocorreu primeiro, qual seja, a do §1º do art. 29, portanto, desde a sua constituição em 27/10/2010. RELATÓRIO FISCAL DOS AUTOS DE INFRAÇÃO 15. No mesmo processo, a fiscalização incluiu o crédito constituído através do lançamento de ofício importa no valor de R$1.479.345,35 (um milhão quatrocentos e setenta e nove mil trezentos e quarenta e cinco reais e trinta e cinco centavos), atualizado até dezembro de 2015, compondo valor principal, juros SELIC e multa de ofício qualificada de 150%. 16. Em razão da exclusão do Simples Nacional, as empresas ficam obrigadas a recolher as contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre a folha de pagamento, nos termos expostos no art. 22 da Lei nº 8.212, de 1991. 17. Os contratos de prestação de serviços celebrados entre as partes e as notas fiscais emitidas pela empresa ALCANCE SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO E APOIO ADMINISTRATIVO LTDA, CNPJ Nº 12.775.431/0001-09, revelaram que se tratavam de serviços de apoio administrativo, serviços de armazenamento, carga, transbordo e capatazia, prestado para as empresas DUNAS DISTRIBUIDORA LTDA. Não havia outros clientes dessa empresa além dos citados 18. Examinando a natureza jurídica dos serviços prestados, conclui a fiscalização que se tratavam de serviços realizados mediante cessão ou locação de mão-de-obra. De fato, os trabalhadores realizavam esses serviços de forma contínua mediante a colocação à disposição das contratantes em suas dependências. A própria empresa assim informou nas Declarações Anuais do Simples Nacional – DASN 19. Os serviços prestados pela ALCANCE a DUNAS se caracterizaram como realizados mediante cessão ou locação de mão-de-obra. Por consequência, a ALCANCE não poderia ser optante do Simples Nacional em virtude da vedação expressa no inciso XII do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006. Por outro lado, a ALCANCE possui em seus quadros societários, desde 2010, sócios que, em verdade, eram ex-empregados do grupo econômico ou com este, indiretamente, relacionado, e, portanto, seriam, de fato, empregados do grupo, uma vez que exerciam funções como tal, ocultando seus verdadeiros sócios e, portanto constituídas por interpostas pessoas infringindo a disposição legal disciplinada no inciso IV do art. 29 da LC nº 123, de 2006. 20. Empresa que presta serviços mediante cessão ou locação de mão-de-obra somente poderia optar pelo Simples Nacional se e somente se prestasse os serviços discriminados no §5º-C do art. 18 da LC nº 123, de 2006, que são: i) construção de imóveis e obras de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, Fl. 1658DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 execução de projetos e serviços de paisagismo, bem como decoração de interiores; ii) serviço de vigilância, limpeza ou conservação; e iii) serviços advocatícios. 21. Apesar da natureza jurídica dos serviços prestados pela ALCANCE ter sido caracterizado como cessão ou locação de mão-de-obra, não houve retenção de 11% pelo tomador assim como não houve o destaque pela prestadora. 22. A conduta do sujeito passivo se enquadra no disposto na Lei nº 9.430/96, art. 4º, § 1º, a qual estabelece que a multa de 75% será duplicada nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis, na redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007. 23. A ação dolosa do sujeito passivo consiste em simulara a constituição de duas empresas do Simples Nacional, formalmente distintas, formando um GRUPO ECONÔMICO DE FATO, com o objetivo de reduzir a contribuição previdenciária patronal, caracterizando fraude e conluio. 24. O Inciso I do artigo 124 do CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL – CTN estabelece que são “solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal”. Já o Inciso IX do artigo 30 da Lei nº 8.212, de 1991, estabelece que “as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei”. Inconformado com Ato Declaratório Executivo, cuja ciência ocorreu pessoalmente em 23/12/2015, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 22/01/2015, na qual alega, em síntese, que: Da Preliminar 25. O processo de exclusão do Simples Nacional e o Auto de Infração foram formalizados em um mesmo processo, impossibilitando o pleno exercício do Direito de Defesa e do Contraditório, visto que os elementos necessários à impugnação são diferentes. 26. O Auto de Infração deve fazer parte de outro processo e seu julgamento sobrestado até a decisão sobre a exclusão do Simples Nacional. Do Mérito Das atividades da Manifestante 27. O contribuinte está enquadrado na atividade CNAE/IBGE - Classificação Nacional de Atividades Econômica do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística sob o código 8211-3/00 - Serviços Combinados de Escritório e Apoio Administrativo, o qual não compreende cessão ou locação de mão-de-obra. A título de exemplo transcreve objeto do contrato com a empresa Dunax Lubrificantes Ltda.- ME (CNPJ 05.092.901/0001-74): Cláusula Primeira: O presente instrumento tem como objeto a prestação de serviços, no qual a Contratada, por ordem e conta da Contratante, se compromete a efetuar os serviços de apoio administrativo de envasamento, etiquetagem, empacotamento, e acondicionamento junto à Contratada. Parágrafo Único - Os serviços previstos no caput desta cláusula primeira poderão ser realizados pela Contratada a qualquer estabelecimento da Contratante. Fl. 1659DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 28. Os serviços prestados pela empresa não estão listados no art. 31, § 4º, da Lei 8.212/91, pois não estão compreendidos no CNAE 8211-3/00. 29. A fiscalização não descreveu nenhuma outra norma legal que enquadrasse os serviços prestados pelo contribuinte como cessão ou locação de mão-de-obra. 30. No item 9.3 do Relatório Fiscal a fiscalização transcreve o art. 118 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009, mas a referida norma deixa claro que os serviços nela descritos podem ser prestados sem cessão ou locação de mão-de-obra. Logo, a simples prestação destes serviços não é razão para exclusão do Simples Nacional. 31. Na cessão ou locação de mão-de-obra deve estar caracterizada a responsabilidade direta do contratante pela supervisão das atividades exercidas pelos funcionários. Inobstante, todos os serviços prestados pelo contribuinte ocorrem sob sua supervisão e o contratante não tem qualquer interferência. Da Constituição da Manifestante – Interposta Pessoa 32. A interposição fraudulenta alegada pela fiscalização se baseia no fato de a empresa ter como sócio um ex-funcionário de empresa cliente e uma ex-funcionária de outra empresa fornecedora de serviços. Ainda: Na visão da fiscalização o simples fato de, na constituição social da Manifestante, constar no quadro societário da empresa o senhor Antônio Luiz e Silva Júnior, o qual faz parte do quadro societário de outras empresas, sócio este que permaneceu na sociedade somente três meses, transferindo suas participações maioritariamente para o senhor Maurício Libório, como dito acima, funcionário, à época, de uma das empresas que a Sra. Ana Irene administrava, caracteriza- se a interposição de pessoas, entendendo que a Sra. Ana Irene continuava no comando das operações da Manifestante. 33. A administração e gestão da sociedade são executadas exclusivamente pelos seus administradores – Maurício Libório de Medeiros Netto e Antônia Vânia de Oliveira, tanto que não há documento relacionado à gestão da sociedade que não seja assinado por eles. 34. O que a fiscalização trouxe aos autos foram apenas conjecturas. Os “sócios são profissionais, empreendedores, com conhecimento técnico, possuem endereços certos, e têm rendimentos (pró-labore e lucros) oriundos das atividades da Manifestante, como se verifica nas cópias de suas Declarações de Ajuste Anual do Imposto de Renda Pessoa Física”. 35. A fiscalização afirma que a impugnante faz parte de um grupo econômico sob o comando econômico e administrativo de Antonio Luiz e Silva Junior, mas não há nos autos nenhuma prova destes fatos. Acrescenta que: É líquido e certo que as empresas Dunax Lubrificantes Ltda-ME, CNPJ n° 05.092.001/0001-74; Dunas Distribuidora Ltda. CNPJ n° 02.746.672/0001-76; e Dulub Participações Ltda. CNPJ n° 13.356.442/001-07, são sociedades coligadas, podendo-se dizer que pertencem a um Grupo Econômico, já que, embora cada uma delas possuam personalidade jurídica própria, estão sob direção e administração das mesmas pessoas: o senhor Antônio Luiz com a senhora Ana Irene. Entretanto, a Manifestante não se encaixa nesse conceito. Pode-se dizer que, até 20/12/2010, a Manifestante fez parte desse Grupo de empresas. Mas, a partir da retirada da Sra. Ana Irene do quadro societário da empresa, bem como da administração da sociedade, a Manifestante deixou de fazer parte do referido Grupo. Fl. 1660DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 8 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 (...) Como dito acima, a Sra. Ana Irene, após a sua retirada da sociedade, deixou de exercer qualquer função na Manifestante. Se dela foi a decisão de criar a Alcance, com objetivo de reduzir custos, racionalizar e maximizar o desempenho do Grupo de empresas que controlava (Dunax. Dunas, e Dulub), e por consequência obter maior rentabilidade nas atividades exercidas, nada mais fez do que exercer o seu direito constitucional de empreendedora. 36. A criação da empresa ALCANCE SERVIÇOS DE ESCRITÓRIO E APOIO ADMINISTRATIVO LTDA – ME apenas reflete uma busca por eficiência e é um direito protegido pela Constituição Federal – Art. 170, Parágrafo Único. Para isso fez-se a transferência de funcionários. 37. A estratégia de transferência de funcionários é comum a muitas empresas e à própria administração pública, inclusive na própria Receita Federal nos serviços de portaria, limpeza, até mesmo de atendimento público mais simples nos Centros de Atendimento ao Contribuinte – CAC. 38. O fato de a empresa ser criada por ex-funcionários não representa um artifício com o objetivo de reduzir o valor dos tributos devidos, na verdade, é bastante comum na iniciativa privada. Ainda que se admita que se quis reduzir a carga tributária, isto por si só não é ilegal. Outros Pontos Trazidos Pela Fiscalização Da transferência dos funcionários das empresas Dunax, Dunas e Dulub para a Manifestante 39. Questão central da fundamentação repousa na transferência de funcionários do grupo Dunax para a autuada, na qual a fiscalização afirma que as empresas continuaram suas atividades sem repor os funcionários transferidos. Ainda, acrescenta que a evolução dos faturamentos das empresas envolvidas reflete justamente a estratégia de aumentar a eficiência das empresas, o que não é ilícito. 40. Por conta disso houve aumento do número de empregados das empresas e da arrecadação de tributos. 41. Não há restrição para contratação de funcionários em outros estados da federação. Qual o impedimento legal, visto que não há obrigação legal para se abrir um novo estabelecimento em outra unidade da federação, especialmente quando os serviços são executados nas sedes dos contratantes? Das provas adicionais trazidas pela fiscalização 42. A fundamentação com base nas manifestações dos empregados em redes sociais são absurdas, pois os empregados apenas revelam as empresas para as quais prestam serviço. O mesmo fato deve ocorrer na própria Receita Federal quanto aos funcionários que lhe prestam serviço. Tal fato, insistimos, é comum no dia-a-dia do cidadão, afinal a pessoa "eleva o seu status" quando afirma que trabalha na Petrobrás, na Vivo, na Coca-Cola, na TIM. na Receita Federal, e t c . mesmo que tenha o seu contrato de trabalho junto a uma prestadora de serviços contratada por essas empresas/órgãos públicos. Fl. 1661DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 9 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 43. As reclamações trabalhistas trazidas à colação pela fiscalização, movidas contra a impugnante e algumas de suas contratantes, é comum na vida das empresas. Não pode haver relação entre tais fatos e a simulação pretendida pela fiscalização. 44. A responsabilidade subsidiária do tomador de serviços nas relações trabalhistas, reconhecidas por decisões do TST, busca proteger o trabalhador, razão pela qual algumas ações trabalhistas são movidas contra o empregador e as empresas contratantes deste último. 45. Ao final, requer o desmembramento do processo, que seja considerada improcedente a lavratura do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Nacional diante da inexistência de prestação de serviços por cessão/locação de mão-de-obra e de interposição fraudulenta. II. DRJ e Recurso Voluntário (RV) 3. A Delegacia da Receita de Julgamento se pronunciou pela Improcedência da Manifestação de Inconformidade, nos seguintes termos da Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2012 EXCLUSÃO DO SIMPLES NACIONAL. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. As empresas constituídas por meio de interposição de pessoas devem ser excluídas de ofício do Simples Nacional. OPÇÃO PELO SIMPLES NACIONAL. VEDAÇÕES. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte que realize cessão ou locação de mão-de-obra. FRACIONAMENTO DE ATIVIDADES DAS EMPRESAS. UTILIZAÇÃO DE INTERPOSTAS PESSOAS NA CONSTITUIÇÃO E FUNCIONAMENTO DE PESSOA JURÍDICA. ABUSO DE FORMA. PREVALÊNCIA DA SUBSTÂNCIA SOBRE A FORMA. A criação de empresas com regimes tributários mais favorecidos, constituídas a partir de empresas já existentes, com os mesmos empregados e para exercer as mesmas atividades, cujos sócios são ex-empregados das empresas existentes, caracteriza abuso de forma e constituição por interposição de pessoas. 4. Em suma, o órgão julgador decidiu, preliminarmente, que o pedido da Manifestante estava correto quanto à separação de objeto dos processos. Por este motivo, foi o processo de n° 10380.730733/2015-93, cujo objeto trata do Auto de Infração de créditos que se originaram a partir da exclusão do Simples Nacional e que tinha sido encaminhados em conjunto com este processo para a DRJ (fl. 2), analisado em apartado, restando neste apenas a análise da referida exclusão. Quanto ao mérito, a DRJ entendeu que restou evidenciado que a criação da Contribuinte se deu com o intuito de não pagar contribuições sobre as relações empregatícias das empresas. Constatou ainda que não havia “propósito negocial”, mas tão somente o “desejo de Fl. 1662DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 10 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 economia fiscal”. A Manifestante teria, ainda, prestado cessão de mão-de-obra, o que justifica sua exclusão do Regime Simplificado. 5. Inconformada da decisão da DRJ, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual alegou, em síntese, que: a) as atividades da Recorrente estariam expressas em seu contrato social, os quais não fazem parte do rol de atividades de cessão ou locação de mão-de-obra. O que também estaria expressamente demonstrado no contrato firmado com seus clientes; b) o art. 31. § 4° da Lei 8.212/91 previra especificamente quais seriam os serviços objeto de cessão de mão-de-obra, sendo que a atividade da Recorrente não faria parte deles. No Acórdão da DRJ, haveria tentativa de justificar que a lista de serviços indicada no § 4° não seria taxativa. Além disto, os serviços listados no art. 118 da IN-RFB n° 971/2009 dispõe que a retenção da contribuição previdenciária deve ser procedida se os serviços forem prestados mediante cessão de mão-de-obra; c) para que haja a referida cessão, seria necessário que os funcionários estivessem sob a reponsabilidade direta do contratante, o que não ocorreu; d) a conclusão de que se trata de interposição de pessoas não passaria de uma ilação; e) a administração e gestão da Recorrente são executadas exclusivamente pelos administradores da sociedade, de acordo com seus atos constitutivos. A assinatura dos administradores em todos os documentos comprova a afirmação; f) não há nos autos prova que subsidie a afirmação de que há interpostas pessoas nem que haveria controle econômico e administrativo exercido por outras pessoas, no caso Antônio Luiz e Silva Júnior e Ana Irene Lopes Fernandes e Silva; g) pode-se dizer que a Requerente fez parte do grupo econômico até 20/12/2010, mas deixou de fazer assim que a sócia Ana Irene deixa de fazer parte do quadro societário; h) a criação da Recorrente e transferência de parte dos funcionários do seu Grupo tinha como objetivo “diminuir a sua dedicação na gestão das atividades mais simples, principalmente àquelas ligadas à gestão de recursos humanos”; i) os atos praticados pela Recorrente e seus sócios seriam protegidos pelo Princípio da Livre Iniciativa, portanto, legais; j) a transferência dos funcionários do grupo Dunax para a Recorrente fazia parte da estratégia traçada, pois não houve interrupção das atividades daquelas empresas, inclusive, “os seus ex-funcionários mantiveram os empregos”; k) quanto a constituição de sua sede, não faz sentido criar uma unidade, sendo que os serviços serão prestados nas sedes dos contratantes; i) a citação de verificação de páginas de redes sociais dos funcionários em nada contribui para a comprovação de simulação de relacionamento comercial, o que igualmente acontece com a citação das reclamações trabalhistas, pois a Súmula TST 331, IV prevê que os tomadores de serviço respondem pela inadimplência nas relações trabalhistas por parte das prestadoras de serviços. Ao final, requer a procedência do Recurso, de forma que seja reconhecido que não houve cessão de mão-de-obra, nem que houve interposição de pessoas, e a consequente nulidade do ADE. 6. Não foram apresentadas contrarrazões pela Fazenda Nacional. III. Declinação de Competência 7. O presente processo foi encaminhado para julgamento na 2ª Turma Extraordinária (TE) desta primeira Seção de Julgamento, sendo que o órgão colegiado, em 05 de Fl. 1663DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 11 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 junho de 2018, emitiu despacho (fls. 1.645-1.652) que encaminhou o processo para julgamento em uma das Turmas Ordinárias da mesma Seção. O encaminhamento se deu em função dos arts. 2º, V; 6º, § 1º, II e 23-B, I do Anexo II do RICARF. 8. Vieram os autos para julgamento. 9. É o relatório. Voto Conselheiro Luciano Bernart, Relator. IV. Tempestividade e admissibilidade 10. Com base no art. 33 do Decreto 70.235/72 e na constatação da data de intimação da decisão da DRJ (fl. 1.615 – 20/06/2016), bem como do protocolo do Recurso Voluntário (fl. 1.619– 15/07/2016), conclui-se que este é tempestivo. 11. Tendo em vista que o Recurso Voluntário atende aos demais requisitos de admissibilidade, o conheço e, no mérito, passo a apreciá-lo. V. Competência da 1ª Seção 12. Como visto acima, a 2ª TE dessa Seção encaminhou o presente Processo para julgamento em Turma Ordinária (TO), o qual foi distribuído para essa. Em análise ao RICARF, percebe-se que os julgadores da TE agiram com precisão em declinar a competência, pois nos termos do art. 2º, inciso V do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a primeira Seção tem competência para julgamento de exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Simples. Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: [...] V - exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) e ao tratamento diferenciado e favorecido a ser dispensado às microempresas e empresas de pequeno porte no âmbito dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, na apuração e recolhimento dos impostos e contribuições da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, mediante regime único de arrecadação (Simples-Nacional); Fl. 1664DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 12 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 13. Em que pese as TEs também terem tal competência, com base no art. 23-B, I do RICARF, ela somente se enquadra nos casos em casos que sejam desvinculados de exigência de crédito. Art. 23-B As turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários relativos a exigência de crédito tributário ou de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário, bem como os processos que tratem: I - de exclusão e inclusão do Simples e do Simples Nacional, desvinculados de exigência de crédito tributário; 14. Como se percebe do conteúdo dos Autos, foi feita a separação do Auto de Infração que se encontrava anexado, cujo valor lançado foi de R$1.479.345,35. Assim, há vinculação da presente exclusão com exigência de crédito, nos moldes do art. 6º, § 1º, II do Anexo II do RICARF. Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando- se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: [...] II - decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e 15. Dentro dessa perspectiva cabe a uma TO o julgamento do presente processo. VI. Atividades da Recorrente e cessão ou locação de mão-de-obra 16. A Recorrente alega que suas atividades estariam expressas no contrato social, sendo que nenhuma delas constaria no rol de atividades que compõem a inseridas na locação ou cessão de mão-de-obra. Além disto, o art. 31. § 4° da Lei 8.212/91 teria previsto exaustivamente quais seriam as atividades que se caracterizariam como objeto de cessão de mão-de-obra. Segundo afirma, para que haja cessão ou locação de mão-de-obra é condição indispensável que os funcionários estejam sob a responsabilidade do contratante, o que não teria acontecido. 17. Ressalta-se que, nos termos da Representação Fiscal (fls. 3-31), a motivação para a exclusão do Simples Nacional não se deu em virtude de verificação dos atos constitutivos ou de registro da Requerente, mas sim da efetiva constatação de cessão de mão-de-obra, portanto, a constatação de que os documentos da Contribuinte não indicam que presta serviços de cessão ou locação de mão-de-obra não ilidem, pelo menos neste caso, a fundamentação da autoridade fiscal. 18. Outra questão a ser abordada é a lista de serviços prevista pelo § 4 do art. 31 da Lei 8.212/91. Está expressamente claro que o caput do parágrafo não define exaustivamente Fl. 1665DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 13 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 os serviços lá indicados como sendo os únicos que podem ser caracterizados como cessão de mão-de-obra. O dispositivo permite ainda que regulamento estabeleça quais seriam os serviços com estes contornos, o que foi feito pelo art. 118 da Instrução Normativa RFB nº 971/2009. 19. Efetivamente o controle das tarefas dos funcionários pelo contratante, ou a responsabilidade deste sobre aqueles, é uma condição para que haja a cessão ou locação de mão- de-obra, situação esta que pode ser confirmada com base nas provas existentes nos autos. Observa-se que a própria Recorrente afirma que a alocação de funcionários do Grupo Dunax para a sua responsabilidade foi feita inicialmente por um dos sócios do Grupo (Sra. Ana Irene), a mesma que a constituiu, mas que depois se retirou da sociedade (fls. 1.629/1.630 e 1.636). Ora, a transferência de grande parte dos funcionários de uma sociedade para outra, sendo que estes funcionários continuam trabalhando na primeira, sem qualquer alteração e, depois, mesmo havendo transferência societária na que teria absorvido os funcionários, mas nada muda, nem funcionários, nem o modo de prestar o serviço, indicam claramente que havia sim a responsabilidade da tomadora sobre os funcionários, na verdade nunca deixou de existir. Isto é corroborado, inclusive, com a afirmação da Recorrente em seu Recurso, de que até dezembro de 2010, a Contribuinte fazia parte do grupo de empresas, mas teria deixado de fazer com a saída da sócia Sra. Ana Irene. Ademais, para fins formais, percebe-se que nos contratos eram previstos serviços de escritório e apoio administrativo, os quais estão abrangidos pelo art. 118 da IN RFB nº 971/2009. 20. Tendo em vista o exposto, deve a decisão da DRJ ser mantida quanto a esta análise. VII. Interposição de pessoas e elementos probatórios 21. Alega a Recorrente que se trataria de ilação a constatação de que houve a interposição de pessoas, pois a administração e a gestão da Recorrente são executadas exclusivamente pelos administradores da sociedade. Alega ainda que a Requerente fez parte do grupo econômico até 20/12/2010, mas deixou de fazer assim que a sócia Ana Irene deixa de fazer parte do quadro societário, dentre outros argumentos apontados acima. 22. Da análise fático-probatória constante nos autos se percebe que, em que pese ter havido a transferência de controle societário da Recorrente, há indícios contundentes de que, efetivamente, houve a interposição de pessoas para manter a Recorrente no Simples Nacional, de forma a suprimir o pagamento de contribuições previdenciárias. 23. Tal entendimento se fundamenta nos fatos apontados e comprovações constantes nos autos. Como se observa, segundo a Recorrente, a transferência dos funcionários do Grupo Dunax para a nova sociedade (Alcance) ocorreu por planejamento estratégico, por meio do qual a intenção era a de “diminuir a sua dedicação na gestão das atividades mais simples, principalmente àquelas ligadas à gestão de recursos humanos” (fl. 1.633). Contudo, tal situação não se sustenta, pois uma vez que a sócia que constituiu a Requerente (Sra. Ana Irene, também sócia das outras sociedade do Grupo Dunax) teria se retirado em 20/12/2010 do quadro Fl. 1666DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 14 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 societário da Recorrente, ou seja, pouco mais de alguns meses depois da constituição desta. No entanto, de acordo com a tabela de fls. 9 do Relatório fiscal, o principal tráfego de transferência de funcionários se deu entre 2011 e 2014, ou seja, depois que a Recorrente deixou, em tese, de fazer parte do Grupo Econômico. 24. Ressalta-se ainda que, de acordo com o Relatório Fiscal (fl. 26), a empresa Dunas é a única tomadora dos serviços da Recorrente. 25. Voltando à questão da lógica na transferência dos funcionários, a Contribuinte alega que seria inaceitável a ilação da autoridade administrativa, a qual aponta que em que pese houve a citada transferência, o Grupo teria continuado a operar normalmente sem repor os funcionários. Isto, na visão da Contribuinte, demonstraria uma certa lógica, pois a transferência seguiu uma estratégia e, ao mesmo tempo, garantiu que os funcionários continuassem trabalhando para o Grupo Dunax. Tal afirmação carece de comprovação, pois uma vez que a sócia que constituiu a Recorrente, também sócia do Grupo Dunax, deixou o quadro societário da Contribuinte, ressalta-se pouco mais de dois meses depois da sua criação, o que segundo a afirmação no Recurso Voluntário fez com que houvesse autonomia da Recorrente em relação ao referido Grupo, então como foi que os sócios do Grupo garantiram que a Alcance e seus funcionários continuariam prestando serviços apenas para suas empresas? O fato é que não há demonstração de autonomia da Recorrente, pelo contrário, os elementos probatórios levam à conclusão de que tanto a constituição como a gerência da Recorrente sempre foi do Grupo Dunax. O fato de que os sócios da Alcance no período de 2011 a 2014 serem ex-funcionários do Grupo se coaduna com todas as outras comprovações. Fl. 1667DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 15 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 26. Quanto ao Princípio da Livre Iniciativa, segundo o qual protegeria os atos dos sócios, tem-se que os atos empresariais possuem diversos efeitos, inclusive diversos efeitos jurídicos. No caso, o contexto fático possui efeitos jurídicos empresariais, trabalhistas, contratuais, tributários e outros. O fato de um desses efeitos se constituir como lícito e permitido dentro do ordenamento não quer dizer que em todos os outros efeitos sigam o mesmo resultado. A criação de uma nova sociedade e transferência de funcionários de uma outra para esta pode ser plenamente possível a partir da análise do direito empresarial e/ou trabalhista, mas não para o direito tributário nas condições em que foram os atos procedidos. Isto porque a Lei Complementar 123/06 veda expressamente a utilização de interposição de pessoas e a continuidade da respectiva sociedade no Regime Simplificado. 27. A questão a ser discutida aqui é sobre a liberdade. A liberdade do sujeito encontra limites na lei, e quando esta não restringe, pode o sujeito desenvolver seus atos, inclusive com o fim específico de economizar com o pagamento de tributos, mas não é o caso aqui, pois a lei restringe expressamente que a forma com que se fez seja proibida. Assim não há de se falar que a Livre Iniciativa garante os atos da Recorrente, pois a lei prevê que não possa haver interposição de pessoas em sociedade e esta permanecer no Regime Simplificado. É de se lembrar que este Conselho não tem como afastar a aplicação da Lei em virtude de análise de constitucionalidade, por vedação expressa do art. 26-A do Dec. 70.235/72 e da Súmula 2 do CARF. Deste modo deve ser a LC 123/06 aplicada, restringido a utilização de sociedade da forma como procedido. 28. Sobre a citação a redes sociais e sentenças trabalhistas, estas apesar de não se constituírem como únicas provas contribuem de forma decisiva para demonstrar que efetivamente se trata de um Grupo econômico só, e que foram utilizadas interpostas pessoas para a constituição e mantença da Recorrente. VIII. Conclusão 29. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer o Recurso Voluntário, para, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, de forma a manter a exclusão da Contribuinte do Simples Nacional de acordo com o ADE. (documento assinado digitalmente) Luciano Bernart Fl. 1668DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 16 do Acórdão n.º 1402-005.738 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10380.723548/2016-23 Fl. 1669DF CARF MF Documento nato-digital
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Numero do processo: 10880.997511/2012-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 03 00:00:00 UTC 2021
Data da publicação: Tue Sep 14 00:00:00 UTC 2021
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Ano-calendário: 2006
IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DE NÃO RESIDENTES - AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF - RESTITUIÇÃO
Erro de fato no preenchimento da DCTF não tem o poder de gerar um impasse insuperável na compensação do crédito, posto que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material
Numero da decisão: 1001-002.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o erro de fato no preenchimento da DCTF, devendo os autos serem restituídos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito, sua existência, suficiência e disponibilidade.
(documento assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente
(documento assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Thiago Dayan da Luz Barros e José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano-calendário: 2006 IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE DE NÃO RESIDENTES - AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF - RESTITUIÇÃO Erro de fato no preenchimento da DCTF não tem o poder de gerar um impasse insuperável na compensação do crédito, posto que o contribuinte não pode apresentar uma nova declaração, não pode retificar a declaração original e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para reconhecer o erro de fato no preenchimento da DCTF, devendo os autos serem restituídos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito, sua existência, suficiência e disponibilidade. (documento assinado digitalmente) Sérgio Abelson - Presidente (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Abelson, Thiago Dayan da Luz Barros e José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 16-89.684, da 8ª Turma da DRJ/SPO, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, apresentada pela ora AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 99 75 11 /2 01 2- 75 Fl. 112DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 2 do Acórdão n.º 1001-002.581 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.997511/2012-75 recorrente, contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição solicitado através de PER n° 10525.18698.120110.1.2.04-4985, adiante resumido: Cientificado em 17/12/2012 (AR/SUCOP/Imagem de fl. 7), o interessado apresentou em 16/01/2013 (fls. 10/15), e posteriormente em 21/02/2013 (fls. 43/48), após atendimento de intimação de fl. 38 para saneamento, a Manifestação de Inconformidade (MI), alegando que recolheu indevidamente o valor de R$ 13.431,67 referente ao débito de IRRF sobre a importação de serviços de assistência técnica prestado pela sua coligada espanhola ATOS ORIGIN SPAIN, pelo fato de ter retido o imposto à alíquota de 15%, como prescreve o inciso I, alínea a, do art. 685 do RIR/99, quando o correto seria de 10% como previsto na Convenção Internacional para evitar a bitributação celebrada entre os Estados do Brasil e Espanha, e detalhado no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 4, de 17/03/2006. Adicionalmente informou que a ATOS SPAIN foi autuada pela Receita Federal espanhola em relação às operações mantidas com a manifestante, tendo o Fisco espanhol compensado o IRF de 15% retido pelos pagamentos efetuados. Dito isso, a manifestante protestou "pela juntada de documento da empresa ATOS SPAIN autorizando a empresa brasileira a recuperar o imposto recolhido a maior. Referido documento confere à Impugnante a legitimidade prevista no artigo 166 do CTN". Ao final pede pelo julgamento da procedência do seu recurso e a consequente restituição do valor solicitado. A DRJ argumentou, em síntese, que (transcrição parcial): A restituição não foi deferida em virtude da inexistência do crédito, pois o DARF em questão, no valor total de R$ 40.295,01, encontrava-se integralmente alocado para a quitação do débito de IRRF (código 0473) relativo ao PA de 28/12/2006. Pesquisando-se o Darf nos sistemas informatizados da RFB, verifica-se que o mesmo continua alocado para quitação de débito declarado em DCTF, ou seja, a DCTF que constituiu o mencionado débito de IRRF não foi retificada para indicar a suposta existência do crédito em discussão neste processo. Menciona o Parecer Normativo COSIT 2/2015 para indeferir o pedido baseada no fato de não ter havido a retificação da DCTF e que está vinculada ao posicionamento manifestado pela RFB em vários dos atos normativos. Por último, argumenta que: Não bastasse esta barreira intransponível, cumpre salientar que o argumento utilizado pela defesa, qual seja, de que a retenção do IRRF foi realizada a uma alíquota de 15%, quando o correto seria de 10% nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 4, de 17/03/2006, em função da Convenção para evitar a bitributação entre os Estados do Brasil e da Espanha, e de que a sua coligada na Espanha teria autorizado a interessada a pleitear a restituição no Brasil em obediência ao art. 166 do CTN, não está absolutamente comprovada nos autos. A interessada protestou pela juntada das provas desta sua alegação, mas não trouxe qualquer elemento que indicasse ser minimamente verossímil sua afirmação, de forma que não merece ser acolhida. Cientificada em 02/03/2020 (fl. 62), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 19/03/2020 (fl.64). Em seu RV, a recorrente repete os argumentos trazidos em sede de MI e impugnação, acrescentando ter legitimidade para o pleito, como segue: Fl. 113DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 3 do Acórdão n.º 1001-002.581 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.997511/2012-75 Em relação à legitimidade da Recorrente, a empresa junta, por meio do presente Recurso Voluntário, autorização da ATOS ORIGIN SAE para que a empresa brasileira recupere o excedente do IRRF à alíquota de 10%. Referido documento confere à Recorrente a legitimidade prevista no artigo 166 do CTN... Cita decisões do extinto Conselho de Contribuintes, neste sentido. Em relação ao crédito, a recorrente argumenta ter um contrato firmado com a Atos Origin SAE (Espanha e transcreve o objeto (na língua inglesa). Afirma, então, que: Os serviços prestados pela ATOS ORIGIN SAE foram todos ligados à área de customização de softwares, treinamento de pessoal para manuseio de software, serviços de cronometragem de e serviços de data center. Pelo objeto do contrato, resta claro que não se tratou de royalties e sim de prestação de serviços na área de tecnologia, os quais, de acordo com Ato Declaratório Interpretativo SRF no. 04, de 17 de Março de 2006, tem alíquota de 10% para fins de IRRF: ... Logo, por se tratar de remessa de receitas para fins de remuneração de serviço, a alíquota correta de IRRI7 era de 10% e não de 15% como retida e recolhida pela Recorrente. Culmina requerendo: DO PEDIDO Ante o exposto requer a Recorrente seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário para que seja reformado o v. acórdão e, consequentemente seja deferido o direito ao crédito de IRRF no valor de R$ 157.567,29 bem como, após tal reconhecimento, seja autorizada a restituição do valor, devidamente atualizado pelo índice SELIC. O valor original do litígio é de R$13.431,67. É o relatório. Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e apresenta os demais pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, portanto dele eu conheço. A recorrente anexou aos autos uma autorização de reembolso (fls. 72 e 73) feito pela beneficiária do rendimento, a empresa Atos Spain, AS, sediada na Espanha. Anexou, também, uma procuração (fls. 74 a 109, em língua espanhola). Observa-se que o cerne da questão foi a não retificação da DCTF, razão adotada pela DRJ para indeferir a MI e impugnação. A DRJ deixou de analisar o mérito por esta razão, mas, mencionou , também, não ter ficado comprovado nos autos que a beneficiária a teria autorizado a pedir a restituição. Esta exigência foi, aparentemente, cumprida em sede de RV, como acima mencionado. Neste caso, em respeito aos princípios da verdade material e do formalismo Fl. 114DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 4 do Acórdão n.º 1001-002.581 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.997511/2012-75 moderado, que norteiam o processo administrativo fiscal, entendo não haver óbice para a apresentação de provas em sede de Recurso Voluntário, sendo o que tem sido decidido na 1ª Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme verifica-se no seguinte julgado: PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SEM INOVAÇÃO E DENTRO DO PRAZO LEGAL. Da interpretação sistêmica da legislação relativa ao contencioso administrativo tributário, art. 5º, inciso LV da Lei Maior, art. 2º da Lei nº 9.784, de 1999, que regula o processo administrativo federal, e arts. 15 e 16 do PAF, evidencia-se que não há óbice para apresentação de provas em sede de recurso voluntário, desde que sejam documentos probatórios que estejam no contexto da discussão de matéria em litígio, sem trazer inovação, e dentro do prazo temporal de trinta dias a contar da data da ciência da decisão recorrida. (Processo: 10880.004637/9929. Rel. ANDRE MENDES DE MOURA. Data da Sessão: 14/09/2017) Assim, são aceitas as provas apresentadas e juntadas ao processo, nesta fase do julgamento, como a jurisprudência deste CARF tem se mostrado favorável ao respeito aos princípios da verdade material, da razoabilidade e do formalismo moderado. Portanto, entendo que, embora a DCTF configure em confissão de dívida, a ausência de retificação não deveria, em princípio, embasar a negativa na repetição do indébito, pois, isto leva ao enriquecimento ilícito do Estado. Este, inclusive, é o entendimento atual da RFB, é de que é possível superar esse equívoco, desde que haja comprovação do erro, conforme bem delineado pela RFB no Parecer Normativo Cosit (PN) nº 8, de 2014. Nesta linha, temos várias decisões deste colegiado no sentido de reconhecer a possibilidade de transformar a origem do crédito pleiteado em saldo negativo. Mais recentemente, foi aprovada a Súmula CARF 168: Súmula CARF nº 168 Aprovada pelo Pleno em sessão de 06/08/2021 – vigência em 16/08/2021 Mesmo após a ciência do despacho decisório, a comprovação de inexatidão material no preenchimento da DCOMP permite retomar a análise do direito creditório. Entretanto, releva ressaltar que a análise da liquidez e certeza do crédito tributário deva ser efetuada pela unidade de origem, com o consequente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido, nos termos do art. 170 do Código tributário Nacional – CTN. Nesta linha de entendimento temos o acórdão 1301-003.881, da 1ª Seção de Julgamento / 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, proferido em 14/05/2019, relator o eminente conselheiro Fernando Brasil Oliveira Pinto: Acórdão nº 1301003.881 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 14 de maio de 2019 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 30/09/2011 AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. ALOCAÇÃO DE PAGAMENTOS. PEDIDO DE RECONHECIMENTO DE CRÉDITO. INDEFERIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Erro de preenchimento de DCTF não possui o condão de gerar um impasse insuperável, uma situação em que o contribuinte não pode apresentar uma nova Fl. 115DF CARF MF Documento nato-digital Fl. 5 do Acórdão n.º 1001-002.581 - 1ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.997511/2012-75 declaração, não pode retificar a declaração original, e nem pode ter o erro saneado no processo administrativo, sob pena de tal interpretação estabelecer uma preclusão que inviabiliza a busca da verdade material pelo processo administrativo fiscal, além de permitir um indevido enriquecimento ilícito por parte do Estado ao auferir receita não prevista em lei. SUPERAÇÃO DE ÓBICES QUE LEVARAM AO INDEFERIMENTO DO PLEITO. PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO. REINÍCIO DO PROCESSO. DESPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR. Superados os óbices de ausência de retificação da DCTF e da alocação dos pagamentos referentes ao indébito pleiteado, o recurso deve ser parcialmente provido para que o exame de mérito do pedido seja reiniciado. Assim, dou provimento parcial ao presente recurso para reconhecer o erro de fato no preenchimento da DCOMP, devendo os autos serem devolvidos à Unidade de Origem para análise da liquidez e certeza do crédito, nos termos do art. 170, do CTN. A Unidade de Origem deverá intimar o contribuinte a apresentar todos os documentos em língua portuguesa, traduzidos por tradutor devidamente juramentado, nos termos da legislação vigente em especial o Código Civil Brasileiro, art. 224: Art. 224. Os documentos redigidos em língua estrangeira serão traduzidos para o português para ter efeitos legais no País. É como voto. (documento assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 116DF CARF MF Documento nato-digital
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