Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5731129 #
Numero do processo: 10882.904891/2012-92
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/05/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.696
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 18/05/2007 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PER/DCOMP. DECLARAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL. Prescinde de lançamento de ofício a não-homologação de declaração de compensação e a exigência dos débitos indevidamente compensados por meio desta declaração. Recurso Voluntário Negado.

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10882.904891/2012-92

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5400103

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 24 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-003.696

nome_arquivo_s : Decisao_10882904891201292.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : PAULO SERGIO CELANI

nome_arquivo_pdf_s : 10882904891201292_5400103.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO SERGIO CELANI - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

dt_sessao_tdt : Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5731129

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:10 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252563394560

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1754; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 2          1 1  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10882.904891/2012­92  Recurso nº  111.111   Voluntário  Acórdão nº  3801­003.696  –  1ª Turma Especial   Sessão de  22 de julho de 2014  Matéria  DCOMP ­ ELETRONICO ­ PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO  Recorrente  PRO­COLOR QUÍMICA INDUSTRIAL LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Data do fato gerador: 18/05/2007  NORMAS  GERAIS  DE  DIREITO  TRIBUTÁRIO.  DIREITO  DE  CRÉDITO.  PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  MAIOR  QUE  O  DEVIDO.  COMPROVAÇÃO.  Não caracteriza pagamento de  tributo  indevido ou a maior,  se o pagamento  consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil  como  utilizado  integralmente  para  quitar  débito  informado  em  DCTF  e  a  contribuinte não prova  com documentos  e  livros  fiscais  e contábeis  erro  na  DCTF.  PER/DCOMP.  DECLARAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  LANÇAMENTO  DE OFÍCIO. PRESCINDÍVEL.  Prescinde  de  lançamento  de  ofício  a  não­homologação  de  declaração  de  compensação  e  a  exigência  dos  débitos  indevidamente  compensados  por  meio desta declaração.  Recurso Voluntário Negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negar provimento ao  Recurso Voluntário.    (assinado digitalmente)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 48 91 /2 01 2- 92 Fl. 53DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 3          2 (assinado digitalmente)  PAULO SERGIO CELANI ­ Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Flávio  de  Castro  Pontes,  Paulo  Sergio  Celani,  Marcos  Antônio  Borges,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.    Relatório  Trata­se  de  recurso  voluntário  interposto  contra  acórdão  da  Delegacia  da  Receita  Federal  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte­DRJ/BHE,  que  julgou  improcedente  manifestação  de  inconformidade  apresentada  contra  despacho  decisório  que  não  homologou  PER/DCOMP  transmitida  pela  contribuinte  com  o  objetivo  de  compensar  débitos  nele  declarados com crédito decorrente de alegado pagamento indevido ou a maior.  Do relatório do acórdão recorrido, extraio o seguinte trecho:  “De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF  descrito  no  PerDcomp  acima  identificado,  foram  localizados  um  ou  mais  pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte,  não  restando  crédito  disponível  para  compensação  dos  débitos  informados  no  PerDcomp. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO  FOI HOMOLOGADA.  Como enquadramento legal citou­se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de  outubro de 1966 (Código Tributário Nacional ­ CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27  de dezembro de 1996.  DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE  Cientificado do Despacho Decisório, o interessado apresenta manifestação de  inconformidade alegando, em síntese, o que se segue:  ­ que o despacho é  eletrônico e não passou pelo  crivo de um auditor  fiscal,  sendo possivelmente um encontro de contas realizado automaticamente por sistema  informatizado  e  que  lhe  falta  fundamentação  e  motivação  devendo  ser  declarado  nulo;  ­ que houve preterição do direito de defesa, citando artigo da IN 900/2008 que  estabelece que a autoridade da RFB poderá condicionar o reconhecimento do direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  e  poderá  determinar  a  realização  de  diligência fiscal;  ­  que  transmitiu  Declaração  de  Compensação  de  COFINS,  apurado  em  30/06/04 e que esse crédito poderia ser utilizado em sua totalidade, pois não havia  nenhum  débito  anterior  a  ele  vinculado  e  que,  agora,  a  RFB  vem  inquirir  que  o  crédito  utilizado  na  compensação  foi  utilizado  antes  para  quitação  do  débito  de  Fl. 54DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 4          3 COFINS  de  30/06/04  quando  já  havia  perecido  o  direito  do  Fisco  de  cobrar  o  pretenso débito;  ­ que a RFB nunca cobrou esse débito e que não houve qualquer condição de  suspensão da exigibilidade;  ­  que  passou mais  de  5  anos  e  o  débito  não  pode  ser  exigido,  pois  com  a  aplicação da Súmula Vinculante nº 8 do STF já se operou a decadência.  Requer a reavaliação do Despacho Decisório  A ementa do acórdão da DRJ/BHE é a seguinte:  “DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  PAGAMENTO  INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.  Não  se admite  compensação com crédito que não se  comprova  existente.”  No  recurso  voluntário,  a  contribuinte  alega  que  não  houve  qualquer  antecipação de pagamento em relação ao débito declarado no PER/DCOMP; que ele não  foi  homologado expressa ou tacitamente; que a fiscalização não efetuou intimação fiscal para que  a  contribuinte  pagasse  o  débito;  que,  em  decorrência  disto  tudo,  “não  há  que  se  falar  em  crédito  tributário  constituído  pelo  lançamento,  motivo  pelo  qual,  em  face  de  sua  inércia,  deverá o fisco federal suportar os efeitos do decurso do prazo decadencial, nos termos do art.  150, parágrafo 4º do Código Tributário Nacional.”  É o relatório.  Fl. 55DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 5          4     Voto             Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  aos  demais  requisitos  de  admissibilidade  para julgamento nesta turma especial.  Nulidades do despacho decisório e da decisão recorrida não são argüidas no  recurso voluntário.  Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza  Apesar  de  a  recorrente  não  atacar  os  fundamentos  do  despacho  decisório,  traço as seguintes palavras para deixar claro a correção do despacho decisório.  A RFB,  baseando­se  em  dados  constantes  de  seus  sistemas  informatizados,  alimentados  por  informações  prestadas  pela  própria  contribuinte,  por  meio  de  declarações  fiscais  próprias,  constatou  que  o  pagamento  informado  foi  integralmente  utilizado  para  quitar  débito  da  contribuinte,  referente  a  tributo  informado  em  DCTF,  logo,  tributo  considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, é  instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando  crédito disponível a ser restituído.  Com base nisto, o pedido foi indeferido e a compensação não homologada.  O  fundamento  legal  está  expresso  no  quadro  “3  –  FUNDAMENTAÇÃO,  DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual consta o artigo  165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN).  Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o  DARF a ele relativo, por si só, não prova a existência de crédito algum.  E a contribuinte não comprovou em nenhum momento erro na DCTF.  Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte  tem  direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo  indevido ou maior que o devido;  erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da  alíquota  aplicável,  no  cálculo  do  montante  do  débito  ou  na  elaboração  ou  conferência  de  qualquer  documento  relativo  ao  pagamento;  reforma,  anulação  revogação  ou  rescisão  de  decisão condenatória.  Não  foi  atendido  o  art.  170  do  CTN  que  diz  que  a  lei  poderá  autorizar  a  compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do  sujeito passivo contra a Fazenda Pública..  Fl. 56DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 6          5 E  a  liquidez  e  certeza  não  foram  comprovada  pela  contribuinte,  a  quem  incumbia  esse  ônus,  à  luz  do  art.  333  do  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  aplicável  subsidiariamente  ao  caso, que determina que o ônus da prova  incumbe a quem alega  fato  constitutivo de direito.  Vários acórdãos do CARF assentaram entendimento semelhante.  Veja­se, como exemplo, a ementa do acórdão 3801­00.190, de 22/05/2012,  relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes:  “Assunto:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social ­ Cofins  Data do fato gerador: 31/12/2002  COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA  DO DESPACHO DECISÓRIO.  A  simples  retificação  de  DCTF  não  é  elemento  de  prova  suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório.  COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO.  A  compensação  não  pode  ser  homologada  quando  o  sujeito  passivo não comprova a origem de seu direito creditório.  Recurso Voluntário Negado.”  Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo  entendimento  os  Acórdãos  3802­001.290,  de  25/09/2012,  relatado  pelo  Conselheiro  José  Fernandes  do  Nascimento,  e  3802­001.593,  de  27/02/2013,  relatado  pelo  Conselheiro  Francisco José Barroso Rios.  Transcrevo a parte que interessa do primeiro:  Acórdão nº 3802­001.290:  “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL COFINS  Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002  COMPENSAÇÃO.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO  (DCOMP).  DIREITO  CREDITÓRIO  NÃO  COMPROVADO  NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA  MANTIDA.  Na  ausência  da  comprovação  da  certeza  e  liquidez  do  crédito  utilizado  no  procedimento  compensatório,  deve  ser mantida  a  decisão  recorrida  que  não  homologou  a  compensação  declarada pelo mesmo motivo.  (...)”  O  direito  de  crédito  deve  ser  provado  e  apenas  créditos  líquidos  e  certos  podem ser compensados ou restituídos.  Fl. 57DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 7          6 Alegações sobre decadência constantes do recurso voluntário.  A DRJ/BHE analisou todas as alegações do recurso voluntário.  A recorrente não apresentou argumentos que pudessem afastar as conclusões  da decisão recorrida, motivo pelo qual, adoto suas razões de decidir para afastar as alegações  recursais. Destaco o seguinte:  Com base no art. 5º, §1º, do Decreto­Lei nº 2.124, de 1984, conclui­se que a  DCTF é instrumento de confissão de dívida hábil e suficiente para a exigência do crédito  tributário nela declarado.  Com  fundamento  no  §  2º  do  art.  74  da  Lei  n.º  9.430,  27/12/1996,  a  compensação  declarada  à  Receita  Federal  extingue  o  crédito  tributário,  sob  condição  resolutória de sua ulterior homologação.  O  §  5º  deste  artigo  diz  que  o  prazo  para  homologação  da  compensação  declarada pelo sujeito passivo é de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de  compensação.  Transcorrido esse prazo após a  transmissão do PER/DCOMP e não  tendo o  fisco  se  manifestado,  considera­se  extinto  o  débito  nele  confessado,  independentemente  da  confirmação do crédito utilizado: opera­se a homologação tácita.  No  caso,  como  a  própria  contribuinte  reconhece,  a homologação  tácita  não  ocorreu, pois ela teve ciência do despacho decisório antes do transcurso de 5 anos da data da  transmissão do PER/DCOMP.  Os  parágrafos  6º  e  7º  do  mesmo  artigo  determinam  que  a  declaração  de  compensação  constitui  confissão  de  dívida  e  instrumento  hábil  e  suficiente  para  a  exigência dos débitos indevidamente compensados, e que não homologada a compensação, a  autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimá­lo a efetuar, no prazo de  30  (trinta)  dias,  contado  da  ciência  do  ato  que  não  a  homologou,  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente compensados.  O quadro 4 do despacho decisório atendeu à exigência de ciência e intimação  com as seguintes palavras:  “Fica  o  sujeito  passivo  CIENTIFICADO  deste  despacho  e  INTIMADO a, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da  ciência  deste,  efetuar  o  pagamento  dos  débitos  indevidamente  compensados, com os respectivos acréscimos legais, facultada a  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade  à  Delegacia  da Receita Federal  do Brasil  de  Julgamento,  no mesmo  prazo,  nos  termos dos §§ 7º  e 9º do art.  74 da Lei nº 9.430, de 1996,  com  alterações  posteriores.  Não  havendo  pagamento  ou  apresentação  de  manifestação  de  inconformidade,  os  débitos  indevidamente  compensados,  com  os  acréscimos  legais,  serão  inscritos em Dívida Ativa da União para cobrança executiva.”  Dos  fundamentos  acima,  decorre  que  não  é  necessário  auto  de  infração  ou  notificação de lançamento para a constituição de crédito tributário relativo a débito declarado  Fl. 58DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10882.904891/2012­92  Acórdão n.º 3801­003.696  S3­TE01  Fl. 8          7 em DCTF  ou  em DCOMP,  logo,  não  há  que  se  falar  em  decadência  do  direito  de  lançar  o  crédito tributário no caso presente.  Conclusão  Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendo­se  a decisão recorrida e o despacho decisório que não homologou a compensação declarada.    (assinado digitalmente)  Paulo Sergio Celani ­ Relator                                Fl. 59DF CARF MF Impresso em 24/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/11/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES

score : 1.0
5690103 #
Numero do processo: 11543.000003/2002-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cancela-se o lançamento de ofício fundamentado na ocorrência de “Comp. c/pagto não Localizado”, quando o sujeito passivo comprova erro na informação consignada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 3403-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Cancela-se o lançamento de ofício fundamentado na ocorrência de “Comp. c/pagto não Localizado”, quando o sujeito passivo comprova erro na informação consignada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais. Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11543.000003/2002-01

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5394533

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Nov 03 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.335

nome_arquivo_s : Decisao_11543000003200201.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ALEXANDRE KERN

nome_arquivo_pdf_s : 11543000003200201_5394533.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014

id : 5690103

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:21 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252565491712

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1779; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1.190          1 1.189  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11543.000003/2002­01  Recurso nº  254.833   Voluntário  Acórdão nº  3403­003.335  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  IPI ­ REVISÃO INTERNA DE DCTF ­ AUTO DE INFRAÇÃO  ELETRÔNICO  Recorrente  FAMEX COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997  AUDITORIA DE DCTF. LANÇAMENTO ELETRÔNICO. ERRO NA  DECLARAÇÃO. COMPROVAÇÃO.  Cancela­se  o  lançamento  de  ofício  fundamentado  na  ocorrência de  “Comp.  c/pagto  não  Localizado”,  quando  o  sujeito  passivo  comprova  erro  na  informação consignada na Declaração de Contribuições e Tributos Federais.  Recurso Voluntário Provido  Crédito Tributário Exonerado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos,  em dar  provimento  ao  recurso  voluntário,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern ­ Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Adriana Oliveira e Ribeiro, Luiz Rogério Sawaya Batista e  Ivan Allegretti.  Relatório     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 00 03 /2 00 2- 01 Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN     2 [Clique aqui para iniciar o Relatório]   O estabelecimento industrial de FAMEX COMERCIAL IMPORTADORA E  EXPORTADORA  LTDA.  teve  lavrado  contra  si  o  Auto  de  Infração  das  fls.  5  e  6,  para  formalizar determinação e exigência de crédito  tributário  relativo ao  Imposto  sobre Produtos  Industrializados  ­  IPI,  no  valor  de R$  158.263,80. A  autuação  decorreu  de  procedimento  de  auditoria  interna  sobre  informação  da  contribuinte  declarada  em  DCTF,  tendo  como  fundamento  a  ocorrência  “Comp.  c/pagto  não  Localizado”,  cfe.  Anexo  Ia­Relatório  de  auditoria interna de pagamentos informados em DCTF, fl. 08.  Em  impugnação  (fl.  02),  o  autuado  alegou  que  seu  contador  preencheu  de  forma  incorreta  a  DCTF  relativa  ao  1o  trimestre  de  1997,  "...  preenchendo  o  campo  de  compensações  com  DARF  enquanto  deveria  ter  sido  preenchido  apenas  a  sub­ficha  de  pagamentos.  Em  decorrência  destes  erros  no  preenchimento,  informamos  que  não  existe  o  valor na  linha compensações com DARF e o  total do débito apurado  também  foi  informado  errado, o que está regularizado na DCTF retificadora anexa". Juntou à impugnação as cópias  das DCTF's Original  e  Retificadora.  Posteriormente  a  contribuinte  foi  intimada  a  apresentar  documentação  comprobatória  relativa  aos  débitos  que  deram  origem  à  autuação.  Foram  requeridos os seguintes documentos:  a)  Demonstrativo  de  apuração  do  IPI,  relativo  aos  débitos  constantes  do  Auto  de  Infração  DCTF  nº  0001185,  emitido  em  30/10/2001,  identificando  o  período  de  apuração,  a  base  de  cálculo  e  a  alíquota  aplicada,  com  carimbo  de  CNPJ  da  empresa  e  assinado  pelo  representante legal da empresa;  b)  cópia  autenticada  dos  livros  contábeis/fiscais,  identificando  os  valores  informados  para  a  base  de  cálculo do IPI.  A solicitação não foi atendida.  A  3ª  Turma  da  DRJ/JFA  julgou  o  lançamento  parcialmente  procedente,  apenas  para  cancelar  a  aplicação  da  multa  de  lançamento  de  ofício,  em  decorrência  de  retroação de norma penal mais benigna.  O Acórdão nº 09­16.983, de 23 de agosto de 2007, fls. 54 a 60, teve ementa  lavrada nos seguintes termos:  Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados ­ IPI  Ano­calendárío: 1997  FALTA DE RECOLHIMENTO.  É  cabível  o  lançamento  sobre  a  parcela  do  IPI,  declarado  em  DCTF e não recolhido.  MULTA DE OFICIO. RETROATIVIDADE BENIGNA.  Por força do disposto no art. 18 da Lei n.° 10.833/2003, com as  alterações posteriores, e da retroatividade benigna estabelecida  no art. 106 do CTN, é  incabível a aplicação da multa de ofício  Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 11543.000003/2002­01  Acórdão n.º 3403­003.335  S3­C4T3  Fl. 1.191          3 em  conjunto  com  tributo  ou  contribuição  espontaneamente  declarados em DCTF.  Lançamento Procedente em Parte  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  3ª  Turma  da  DRJ/JFA. O arrazoado de fls. 69 a 77, após síntese dos fatos relacionados com a lide, argúi, em  preliminar, nulidade da decisão recorrida, por cerceamento de seu direito de defesa que se teria  consumado na falta de ciência da Solicitação de Documentos nº 0068/2004, fl. 50. Aduz que  somente teve conhecimento de sua existência ao tomar ciência da decisão ora recorrida, e que  de outro modo teria demonstrado a improcedência do lançamento. No mérito, insiste que o IPI  devido no período  foi  integralmente  recolhido,  tendo havido erros atribuíveis ao contador na  elaboração da DCTF original. Tais erros teriam sido corrigidos na DCTF retificadora, de modo  que, quando muito, essa seria sua infração. Instrui o recurso com cópia do livro de apuração de  IPI do período, demonstrativo do IPI apurado por decêndio, cópias de notas fiscais, de extratos  de  Declaração  de  Importação  e  comprovantes  dos  recolhimentos  efetuados  fornecido  pela  própria SRF.  A  2ª  TO  desta  4ª  Câmara  houve  por  bem  em  converter  o  julgamento  do  recurso. A Resolução nº 3402­00.068, de 29 de abril de 2010, fls. 1.180 e 1.181, requereu que a  unidade  de  origem,  responsável  pelo  lançamento,  examinasse  os  documentos  juntados  e  concluísse  pela  sua  legitimidade  ou  não  e,  por  conseqüência,  pela  manutenção  ou  não  do  lançamento perpetrado, dando ciência de suas conclusões à interessada com abertura de prazo  para apresentação de recurso.  A diligência  requerida  foi  atendida ns  termos da  Informação Fiscal das  fls.  1.184  e  1.185.  Após  análise  dos  documentos  apresentados  pelo  contribuinte,  a  Autoridade  Diligenciante atestou que as alegações de defesa são corroboradas pela escrita fiscal e contábil,  além  de  serem  ratificadas  pelas  cópias  da  notas  fiscais  apresentadas  e  concluiu  que  houve  efetivamente  um  equívoco  do  contribuinte  na  apresentação  da  sua DCTF do  1 o  trimestre  de  1997  ao  colocar  valores  de  compensações  com  DARF  sem  processo,  quando  estes  valores  referiam­se na verdade aos abatimentos dos  créditos vinculados às entradas das mercadorias,  sendo indevido o lançamento perpetrado.  Devidamente intimado dessa Informação Fiscal, o recorrente anuiu, fls. 1.190  e 1.191.  A numeração de folhas reporta­se à atribuída pelo processo eletrônico.  É o Relatório.  Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Presentes  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  69  a  77  merece  ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ­JFA­3ª Turma nº 09­16.983, de 23  de agosto de 2007.  Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN     4 Conforme relatado, a Autoridade Lançadora chancelou as razões de defesa e  opinou pela improcedência do lançamento. Portanto o litígio materialmente extinguiu­se. Resta  chancelar essa conclusão e extingui­lo formalmente.  Dou  provimento  ao  recurso  paro  o  efeito  de  cancelar  integralmente  o  lançamento.  Sala de sessões, em 15 de outubro de 2014                                Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 03/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 17/10/2014 por ALEXANDRE KERN

score : 1.0
5693368 #
Numero do processo: 13052.000661/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto, ementa e dispositivo, o que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. Embargos acolhidos.
Numero da decisão: 3401-002.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Eduardo Amorim OAB/RS 40.881. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. São procedentes os embargos de declaração quando constatado no acórdão questionado a contradição entre os termos do voto, ementa e dispositivo, o que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do julgado. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RESSARCIMENTO. AQUISIÇÃO DE INSUMOS DE NÃO CONTRIBUINTES DE PIS/PASEP E COFINS. ADMISSIBILIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA À SISTEMÁTICA DO RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART. 62-A DO RICARF. Nos termos do 62-A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG, a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e materiais de embalagem, para utilização no processo produtivo de bens destinados à exportação para o exterior, independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas. Embargos acolhidos.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13052.000661/2001-61

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5394848

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3401-002.760

nome_arquivo_s : Decisao_13052000661200161.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ROBSON JOSE BAYERL

nome_arquivo_pdf_s : 13052000661200161_5394848.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração interpostos, nos termos do voto do Relator. Fez sustentação oral pela recorrente Dr. Carlos Eduardo Amorim OAB/RS 40.881. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014

id : 5693368

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:24 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252584366080

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2211; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T1  Fl. 10          1 9  S3­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13052.000661/2001­61  Recurso nº  138.402   Embargos  Acórdão nº  3401­002.760  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  15 de outubro de 2014  Matéria  IPI ­ CRÉDITO PRESUMIDO  Embargante  COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/01/2001 a 30/09/2001  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO.  São  procedentes  os  embargos  de  declaração quando constatado no  acórdão  questionado a  contradição  entre os  termos do  voto, ementa e dispositivo,  o  que exige o saneamento dos defeitos para perfeita compreensão do alcance do  julgado.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  RESSARCIMENTO.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  DE  NÃO  CONTRIBUINTES  DE  PIS/PASEP  E  COFINS.  ADMISSIBILIDADE.  MATÉRIA  SUBMETIDA  À  SISTEMÁTICA  DO  RECURSO  REPETITIVO.  SUPERIOR  TRIBUNAL  DE  JUSTIÇA.  ART.  62­A DO RICARF.  Nos  termos do 62­A do Regimento  Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF 256/09, considerando a decisão  proferida  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  no  Resp  993.164/MG,  a  Lei  9.363/96  permite  que,  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  crédito  presumido do IPI, sejam incluídas as aquisições de matérias­primas, produtos  intermediários  e  materiais  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  exportação  para  o  exterior,  independentemente  da  empresa  exportadora  ter  adquirido  tais  insumos  de  sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas.  Embargos acolhidos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher  os  embargos de declaração  interpostos,  nos  termos do voto do Relator. Fez  sustentação oral  pela recorrente Dr. Carlos Eduardo Amorim OAB/RS 40.881.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 05 2. 00 06 61 /2 00 1- 61Fl. 980DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL     2   Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Jean  Cleuter  Simões  Mendonça,  Robson  José  Bayerl,  Eloy  Eros  da  Silva  Nogueira,  Angela  Sartori,  Mônica  Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.    Relatório  Cuidava­se,  originariamente,  de  pedido  de  ressarcimento  de  crédito  presumido  de  IPI  da  Lei  nº  9.363/96,  referente  ao  período  de  apuração  janeiro/2001  a  setembro/2001.  A  2ª  Turma  Ordinária/4ª  Câmara/3ª  SEJUL,  através  do  acórdão  3402­ 001.120, de 03/05/2011, negou provimento ao recurso voluntário em decisão assim ementada:  “INSUMOS ADQUIRIDOS DE NÃO CONTRIBUINTES (PESSOAS FÍSICAS  E COOPERATIVAS)  Exclui­se da base de cálculo do crédito presumido do IPI as aquisições de  insumos que não sofreram incidência das contribuições ao PIS e à COFINS  no fornecimento ao produtor­exportador.  DESPESAS Havidas com combustíveis (sic) E ENERGIA ELÉTRICA.  Somente  podem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  as  aquisições  de  matéria­prima  de  produto  intermediário  ou  de  material  de  embalagem. Os  combustíveis  e  energia  elétrica  não  caracterizam matéria­ prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  pois  não  se  integram  ao  produto  final,  nem  foram  consumidos,  no  processo  de  fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final.  CUSTOS HAVIDOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS POR TERCEIROS.  Os  custos  havidos  na  criação  de  frangos  por  terceiros  não  podem  ser  incluídos na base de calculo do beneficio, mesmo a titulo de industrialização  por terceiros, exatamente por não ser a atividade de criação de frangos um  processo de industrialização.  FRETE.  Não  restando  comprovado  que  o  frete  tenha  sido  incluso  no  valor  da  mercadoria, deve ser excluído da base de calculo do credito presumido.”  A Fazenda Nacional apontou contradição entre o voto/ementa e o dispositivo  da decisão,  ao passo que,  neste,  registra­se que  foi  dado parcial  provimento  ao  recurso para  admitir  a  inclusão  das  aquisições  de  pessoas  físicas  e  cooperativas  na  apuração  do  crédito  presumido de que trata a Lei nº 9.363/96, enquanto a fundamentação do voto e a ementa negam  a inclusão de tais valores no cálculo.  É o relatório.  Fl. 981DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13052.000661/2001­61  Acórdão n.º 3401­002.760  S3­C4T1  Fl. 11          3   Voto              Conselheiro Robson José Bayerl, Relator  O presente embargo de declaração foi distribuído com fulcro nos arts. 49, §  7º e 65 e §§ do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado  pela Portaria MF 256/09.  Neste passo, a peça recursal é  tempestiva e atende aos demais pressupostos  de admissibilidade, devendo ser conhecido.  Examinando  as  alegações  do  embargante  e  confrontando­as  com  a  decisão  indagada é possível concluir pela sua procedência, sendo clara a contradição assinalada.  Diante  do  quadro,  revendo  o  tema  debatido,  inferi  não  ser  possível  fazer  prevalecer o  voto  e  ementa  sobre  a  parte  dispositiva,  pois  não  se  trata de  simples  acerto de  lapso manifesto, como parece à primeira vista, tendo em conta que, por ocasião da prolação do  aresto,  já  fora  publicado  o  REsp  nº  993.164/MG,  julgado  sob  a  sistemática  do  recurso  repetitivo, o que impossibilita a recomposição do julgado e impõe o reexame da questão.  Respeitante  à  possibilidade  de  inclusão  de  aquisições  não  oneradas  pelo  PIS/Pasep e Cofins no cálculo do benefício regido pela Lei nº 9.363/96, já tive oportunidade de  manifestar­me  no  sentido  que  seu  art.  1º  garantiu  às  empresas  produtoras  e  exportadoras de  mercadorias  nacionais  um  crédito  presumido  do  IPI,  como  ressarcimento  de  aludidas  contribuições  incidentes  sobre  as  respectivas  aquisições,  no  mercado  interno,  de  matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo.  Por  este  motivo,  inclusive,  não  vislumbro  qualquer  ilegalidade  na  IN  SRF  23/97,  haja  vista  que  a  vedação  lá  consubstanciada  é  mera  decorrência  lógica  desta  interpretação, não havendo inovação indevida do ordenamento.  Como  extraio  do  preceito,  a  incidência  das  exações  sobre  as  aquisições  é  pressuposto  inarredável  para  fruição  do  crédito  presumido  em  tela,  o  que  sabidamente  não  ocorre com as compras efetuadas de pessoas físicas, que não compõem o universo de sujeição  passiva das exações.  Entendo que o adjetivo “presumido” constante da redação legal diz respeito  não à sua incidência, que vem contemplada como exigível no preceito, mas sim em relação às  etapas da cadeia produtiva sujeitas às contribuições cumulativas que se pretende ressarcir, isto  é, a presunção recai sobre a quantidade de “vezes” que serão ressarcidas as contribuições que  gravam a cadeia econômica.  Na  hipótese  o  legislador  optou  por  considerar  duas  etapas,  sem  maiores  indagações  acerca  de  setores  econômicos  específicos,  tanto  assim  que  o  somatório  das  alíquotas dos tributos em epígrafe, à época da publicação da legislação de regência do crédito,  equivalente a 2,65% (2% da Cofins e 0,65% do PIS/Pasep), correspondia ao coeficiente legal  de 5,37% (cinco inteiros e trinta e sete centésimos percentuais).  Fl. 982DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL     4 Assim,  a  presunção  de  que  tenha  havido  alguma  espécie  de  incidência  de  PIS/Pasep e Cofins ao longo da cadeia de produção, mesmo nas aquisições de matérias­primas  de pessoas  físicas,  reflexo da cumulatividade destes  tributos, não poderia prevalecer  sobre o  texto de lei, que é expresso neste sentido, verbis:  “Art.  1º A  empresa  produtora  e  exportadora  de mercadorias nacionais  fará  jus  a  crédito  presumido  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  como  ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7  de  setembro  de  1970,  8,  de  3  de dezembro  de  1970,  e  70,  de  30  de  dezembro  de  1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matérias­ primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo produtivo.” (destaquei)  Demais  disso,  tratando­se  o  crédito  presumido  de  clara  renúncia  fiscal,  subsumir­se­ia à categoria dos benefícios desta mesma natureza, de modo que sua interpretação  deveria ser literal e restritiva, ex vi do art. 111 do Código Tributário Nacional.  Hodiernamente,  contudo,  mostra­se  despiciente  tal  debate,  vigorando  o  entendimento  pacífico  do  egrégio  Superior  Tribunal  de  Justiça  que,  em  sede  de  recurso  repetitivo, assim julgou a matéria, por intermédio do REsp 993.164/MG, verbis:  “PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DE  CONTROVÉRSIA.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO  PARA  RESSARCIMENTO  DO  VALOR  DO  PIS/PASEP  E  DA  COFINS.  EMPRESAS  PRODUTORAS  E  EXPORTADORAS  DE  MERCADORIAS  NACIONAIS.  LEI  9.363/96.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  SRF  23/97.  CONDICIONAMENTO  DO  INCENTIVO  FISCAL  AOS  INSUMOS  ADQUIRIDOS DE  FORNECEDORES  SUJEITOS  À  TRIBUTAÇÃO  PELO  PIS  E  PELA  COFINS.  EXORBITÂNCIA  DOS  LIMITES  IMPOSTOS  PELA  LEI ORDINÁRIA.  SÚMULA  VINCULANTE  10/STF.  OBSERVÂNCIA.  INSTRUÇÃO  NORMATIVA  (ATO  NORMATIVO  SECUNDÁRIO).  CORREÇÃO  MONETÁRIA.  INCIDÊNCIA.  EXERCÍCIO  DO  DIREITO  DE  CRÉDITO  POSTERGADO  PELO  FISCO.  NÃO  CARACTERIZAÇÃO  DE  CRÉDITO  ESCRITURAL.  TAXA  SELIC. APLICAÇÃO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535, DO CPC.  INOCORRÊNCIA.  1. O crédito presumido de IPI, instituído pela Lei 9.363/96, não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode  inovar no ordenamento jurídico, subordinando­se aos limites do  texto legal.  (...)   12.  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima  a  incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  Fl. 983DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13052.000661/2001­61  Acórdão n.º 3401­002.760  S3­C4T1  Fl. 12          5 REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  24.06.2009, DJe 03.08.2009).  13. A Tabela Única aprovada pela Primeira Seção (que agrega o  Manual  de  Cálculos  da  Justiça  Federal  e  a  jurisprudência  do  STJ) autoriza a aplicação da Taxa SELIC (a partir de janeiro de  1996)  na  correção  monetária  dos  créditos  extemporaneamente  aproveitados  por  óbice  do  Fisco  (REsp  1150188/SP,  Rel.  Ministra  Eliana  Calmon,  Segunda  Turma,  julgado  em  20.04.2010, DJe 03.05.2010).  (...)  15.  Recurso  especial  da  empresa  provido  para  reconhecer  a  incidência de correção monetária e a aplicação da Taxa Selic.  16. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido.  17. Acórdão submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da  Resolução STJ 08/2008.  (REsp  993164/MG,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  SEÇÃO, julgado em 13/12/2010, DJe 17/12/2010)”  Consoante art. 62­ A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais  –  RICARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  256/09,  há  expressa  previsão  de  observância,  por  parte  de  suas  Turmas  julgadoras,  dos  precedentes  do  Supremo  Tribunal  Federal e Superior Tribunal de Justiça julgados sob a sistemática dos arts. 543­B e 543­C do  Código  de  Processo  Civil,  respectivamente,  a  repercussão  geral  e  o  julgamento  de  recursos  repetitivo, como no caso vertente.  Com estas considerações, proponho que a ementa do acórdão 3402­001.120,  de 03/11/2011, passe a ostentar a seguinte redação:  “IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  RESSARCIMENTO.  AQUISIÇÃO  DE  INSUMOS  DE  NÃO  CONTRIBUINTES  DE  PIS/PASEP  E  COFINS.  ADMISSIBILIDADE.  MATÉRIA  SUBMETIDA  À  SISTEMÁTICA  DO  RECURSO REPETITIVO. SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. ART.  62­A DO RICARF.  Nos termos do 62­A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos  Fiscais,  aprovado  pela  Portaria  MF  256/09,  considerando  a  decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça no Resp 993.164/MG,  a Lei 9.363/96 permite que, na determinação da base de cálculo do crédito  presumido  do  IPI,  sejam  incluídas  as  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagem,  para  utilização  no  processo  produtivo  de  bens  destinados  à  exportação  para  o  exterior,  independentemente da empresa exportadora ter adquirido tais insumos de  sociedades cooperativas e/ou pessoas físicas.  DESPESAS HAVIDAS COM COMBUSTÍVEIS E ENERGIA ELÉTRICA.  Somente podem ser  incluídos na base de cálculo do crédito presumido as  aquisições  de matéria­prima  de  produto  intermediário  ou  de material  de  embalagem. Os combustíveis e energia elétrica não caracterizam matéria­ Fl. 984DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL     6 prima,  produto  intermediário  ou  material  de  embalagem,  pois  não  se  integram  ao  produto  final,  nem  foram  consumidos,  no  processo  de  fabricação, em decorrência de ação direta sobre o produto final.  CUSTOS HAVIDOS NA CRIAÇÃO DE FRANGOS POR TERCEIROS.  Os  custos  havidos  na  criação  de  frangos  por  terceiros  não  podem  ser  incluídos  na  base  de  calculo  do  beneficio,  mesmo  a  titulo  de  industrialização  por  terceiros,  exatamente  por  não  ser  a  atividade  de  criação de frangos um processo de industrialização.  FRETE.  Não  restando  comprovado  que  o  frete  tenha  sido  incluso  no  valor  da  mercadoria, deve ser excluído da base de calculo do credito presumido.  Recurso voluntário provido em parte.”  O  dispositivo  do  aresto,  por  seu  turno,  deverá  manter  os  mesmos  termos,  quais sejam:  “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em  dar provimento parcial ao recurso voluntário interposto para reconhecer o  direito  ao  creditamento  de  insumos  adquiridos  de  pessoas  ficas  e  cooperativas.”  Em  face  de  todo  o  exposto,  voto  por  acolher  o  embargo  de  declaração  interposto, sem efeito infringente no seu resultado, para promover as modificações necessárias  na fundamentação e na ementa do acórdão, nos termos do voto.    Robson José Bayerl                              Fl. 985DF CARF MF Impresso em 04/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL

score : 1.0
5657567 #
Numero do processo: 10814.019798/2007-27
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/09/2007 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTROLE ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes à chegada de aeronave procedente do exterior. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. PENALIDADE. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato ou à natureza e às circunstâncias materiais do fato.
Numero da decisão: 3803-006.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 27/09/2007 MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. CONTROLE ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Aplica-se o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas antes do início de qualquer atividade de fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados referentes à chegada de aeronave procedente do exterior. Inaplicáveis quaisquer das exceções previstas na legislação. PENALIDADE. PRAZO PARA CUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO. INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA. A lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, deve ser interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto à capitulação legal do fato ou à natureza e às circunstâncias materiais do fato.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10814.019798/2007-27

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5387668

dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-006.371

nome_arquivo_s : Decisao_10814019798200727.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : HELCIO LAFETA REIS

nome_arquivo_pdf_s : 10814019798200727_5387668.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração de infração. O conselheiro Corintho Oliveira Machado votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014

id : 5657567

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252587511808

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2029; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 98          1 97  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10814.019798/2007­27  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.371  –  3ª Turma Especial   Sessão de  19 de agosto de 2014  Matéria  AUTO DE INFRAÇÃO ADUANEIRO ­ MULTA ADMINISTRATIVA  Recorrente  SOCIÉTÉ AIR FRANCE  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 27/09/2007  MULTA. INTEMPESTIVIDADE NO CUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA. CONTROLE ADUANEIRO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA.  Aplica­se  o  instituto  da  denúncia  espontânea  às  obrigações  acessórias  de  caráter  administrativo  cumpridas  antes  do  início  de  qualquer  atividade  de  fiscalização, relativamente ao dever de se informarem, no Siscomex, os dados  referentes  à  chegada  de  aeronave  procedente  do  exterior.  Inaplicáveis  quaisquer das exceções previstas na legislação.  PENALIDADE.  PRAZO  PARA  CUMPRIMENTO  DA  OBRIGAÇÃO  ACESSÓRIA. DÚVIDA QUANTO À CAPITULAÇÃO LEGAL DO FATO.  INTERPRETAÇÃO MAIS BENÉFICA.  A  lei  tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  deve  ser  interpretada da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto  à capitulação legal do fato ou à natureza e às circunstâncias materiais do fato.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao  recurso,  para cancelar o  auto de  infração de  infração. O conselheiro Corintho  Oliveira Machado votou pelas conclusões.  (assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.   (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 97 98 /2 00 7- 27 Fl. 99DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 99          2 Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  Hélcio  Lafetá  Reis  (Relator),  Belchior Melo  de  Sousa,  João Alfredo  Eduão Ferreira, Samuel Luiz Manzotti Riemma e Jorge Victor Rodrigues.  Relatório  Trata­se  de  Recurso  Voluntário  interposto  em  contraposição  à  decisão  da  DRJ  São  Paulo  II/SP  que  julgou  improcedente  a  Impugnação  apresentada  pelo  contribuinte,  esta manejada em oposição ao auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário  referente à multa regulamentar no valor de R$ 5.000,00, decorrente da prestação intempestiva  de  informação  sobre  o  veículo  procedente  do  exterior,  nos  termos  do  art.  9º  da  Instrução  Normativa SRF n° 102, de 1994.  Consta do auto de  infração que, em consulta efetuada no Sistema  Integrado  de Gerência do Manifesto, do Trânsito e do Armazenamento (MANTRA), às 20h45min do dia  27/09/2007, 3h43min após a chegada efetiva da  aeronave no Aeroporto  Internacional de São  Paulo,  constatou­se  a  inexistência  do  Termo  de  Entrada,  consistente  no  registro,  a  cargo  da  empresa de transporte, da chegada do veículo procedente do exterior.  Ainda  segundo  a  Fiscalização,  posteriormente,  verificou­se  a  lavratura  do  Termo de Entrada nº 07/023440­0, em horário não determinado, indicando horário da chegada  efetiva como sendo 18h30min.  Cientificado  do  auto  de  infração,  o  contribuinte  apresentou  Impugnação  e  requereu  o  cancelamento  do  auto  de  infração,  alegando  que  nenhuma  responsabilidade  lhe  cabia pelo fato de que todos os dados do registro haviam sido inseridos no sistema Siscomex,  em conformidade com o contido no art. 37 da IN SRF nº 28, de 1994.  Alegou  o  então  Impugnante  que,  em  documento  anexo,  seria  possível  verificar que as inserções haviam ocorrido dentro do prazo estipulado de três horas, conforme  objeto  da Consulta Administrativa  feita  à COANA,  que  ainda  não  havia  sido  analisada  pelo  órgão.  A DRJ São Paulo II/SP julgou improcedente a Impugnação, tendo o acórdão  sido ementado nos seguintes termos:  ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS  Data do fato gerador: 27/09/2007  NÃO PRESTAÇÃO DE  INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU  CARGA  TRANSPORTADA,  OU  SOBRE  OPERAÇÕES  QUE  EXECUTAR.  O  registro  de  chegada  de  veículo  procedente  do  exterior  ou  portando  carga  sob  regime  de  trânsito  aduaneiro  deverá  ser  efetuado,  conforme  o  caso,  pelo  transportador  ou  pelo  beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no  momento de sua chegada, sujeitando o infrator à multa prevista  na legislação aduaneira pela sua falta.  Impugnação Improcedente  Fl. 100DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 100          3 Crédito Tributário Mantido  Argumentou  o  julgador  de  piso  que,  diferentemente  do  alegado  pelo  contribuinte ao  invocar o art. 37 da  IN SRF 28/94, a penalidade, objeto do auto de infração,  não se referia aos dados relativos ao embarque da mercadoria e sim à ausência do registro de  chegada da aeronave.  Aduziu, ainda, o julgador que a alegação do contribuinte de que obedecera ao  prazo de 3 horas  (prazo  esse objeto de consulta  administrativa  feita  à COANA, pendente de  análise) não se encontrava acompanhada de documentos ou qualquer outro elemento de prova  relativos ao processo de consulta, razão pela qual não seria objeto de análise.  Segundo o julgador, nos termos do art. 9° da IN SRF n° 102/94, bastava que  a interessada deixasse de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre  as  operações  que  executasse,  no  momento  da  sua  chegada,  para  se  ter  por  configurada  a  infração ali descrita e, consequentemente, para se aplicar a pena prevista no parágrafo único do  artigo 107, IV, "e", do Decreto­Lei nº 37, de 1966.  Cientificado da decisão em 26/05/2010, o contribuinte interpôs, no dia 25 de  junho  do  mesmo  ano,  Recurso  Voluntário  e  requereu  a  reforma  da  decisão  de  primeira  instância, com a declaração de nulidade do auto de infração, alegando (i) espontaneidade e boa­ fé  no  registro  das  informações  em  tempo  razoável,  (ii)  necessidade  de  observância  dos  princípios  constitucionais  da  eficiência,  da  finalidade,  da  razoabilidade  e  da  legalidade,  (iii)  inexistência de definição do que seja o registro imediato das informações, (iv) inexistência de  prazo para cumprimento da regra, (v) ausência de tipicidade e (vi) o art. 9º da IN SRF nº 102,  de 1994 é ilegal e inconstitucional.  É o relatório.  Voto             Conselheiro Hélcio Lafetá Reis  O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele  tomo conhecimento.  Conforme  acima  relatado,  controverte­se  nos  autos  sobre  auto  de  infração  lavrado  em  decorrência  da  prestação  intempestiva  de  informações  relativas  à  chegada  de  aeronave procedente do exterior.  De início, registre­se que, por se tratar de inovação dos argumentos de defesa,  o que contraria os preceitos contidos no art. 16, inciso III, e no art. 17 do Decreto nº 70.235, de  19721, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não serão objeto de análise neste voto as  alegações do Recorrente  trazidas aos autos somente em grau de recurso, alegações essas que                                                              1 Art. 16. A impugnação mencionará: (...)  III  ­ os motivos de fato e de direito em que se  fundamenta, os pontos de discordância e as  razões e provas que  possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  Art. 17. Considerar­se­á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)  Fl. 101DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 101          4 não se constituem em matéria de observância obrigatória por parte do julgador administrativo,  independentemente de provocação da parte.  A  norma  que  fundamenta  o  lançamento  de  ofício  é  o  art.  9º  da  Instrução  Normativa SRF nº 102, de 1994, que assim dispõe:  Art. 9º O registro de chegada de veículo procedente do exterior  ou portando carga sob regime de trânsito aduaneiro deverá ser  efetuado,  conforme  o  caso,  pelo  transportador  ou  pelo  beneficiário do regime de trânsito, na unidade local da SRF, no  momento  de  sua  chegada,  cabendo­lhe,  simultaneamente,  a  entrega  à  fiscalização  aduaneira  dos  manifestos  e  dos  respectivos  conhecimentos  de  carga  e,  quando  for  o  caso,  dos  documentos de trânsito aduaneiro. (grifei)  § 1º A falta de informações sobre carga procedente do exterior  previamente à chegada de veículo ou sobre carga procedente de  trânsito, associada à não entrega dos documentos de que trata o  "caput"  deste  artigo,  implicará  na  configuração  de  declaração  negativa de carga, nos moldes do previsto pelo parágrafo único  do art. 46 do Decreto n° 91.030, de 5 de março de 1985.   §  2º  Quando  não  atendido  o  disposto  neste  artigo,  o  AFTN  deverá proceder ao respectivo registro da chegada, sem prejuízo  da aplicação das penalidades cabíveis. (grifei)  § 3° A chegada do veículo caracterizará, para efeitos  fiscais, o  fim da espontaneidade prevista no art. 138 da Lei nº 5.172, de 25  de outubro de 1966.   Do  excerto  supra,  verifica­se  que  o  prazo  estipulado  para  o  registro  da  informação  é  definido  na  instrução  normativa  como  sendo  o  “momento  da  chegada  do  veículo”.  Indaga­se:  esse momento  corresponde  à  exata  hora  em que  a  aeronave  toca  o  solo  nacional  ou  à  hora  em  que  ela  estaciona  e  desliga  os  motores?  Há  alguma  tolerância  de  segundos, minutos ou horas?  Essas  indagações  levam  à  conclusão  de  que  se  está  diante  de  um  conceito  aberto,  passível  de  diferentes  interpretações,  não  se  configurando  um  prazo  estipulado  objetivamente em horas, dias, meses ou anos.  Note­se que o Decreto nº 70.235, de 1972, em seu art. 5º, ao versar sobre os  prazos no âmbito do processo administrativo fiscal, bem como a Lei nº 9.784, de 1999, em seu  art.  66,  reportam  aos  prazos  fixados  em  dias, meses  ou  anos,  adotando­se,  portanto,  valores  objetivos na fixação dos seus termos inicial e final.  No presente caso, a Fiscalização constatara que, após mais de  três horas da  chegada  efetiva  da  aeronave,  o  registro  da  informação  ainda  não  havia  sido  efetuado,  o  que  veio a ocorrer posteriormente sem identificação da hora.  O art. 112 do Código Tributário Nacional (CTN) estipula que a lei tributária  que  define  infrações,  ou  lhe  comina  penalidades,  deve  ser  interpretada  da  maneira  mais  favorável  ao  acusado,  em  caso  de  dúvida  quanto  à  capitulação  legal  do  fato  (inciso  I)  ou  à  Fl. 102DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 102          5 natureza  ou  às  circunstâncias  materiais  do  fato,  ou  à  natureza  ou  extensão  dos  seus  efeitos  (inciso II).  Nesse sentido, dada a vagueza do termo utilizado pela instrução normativa na  fixação do prazo, mostra­se imperativa a adoção de uma interpretação mais favorável ao sujeito  passivo,  não  se  lhe  imputando  a  penalidade  em  razão  da  existência  de  dúvidas  quanto  à  capitulação legal do fato.  Além disso, mostra­se relevante analisar a possibilidade de se aplicar ao caso  o instituto da denúncia espontânea.  Eis o teor do art. 102 do Decreto­lei nº 37, de 1966:  Art.  102 A denúncia  espontânea da  infração, acompanhada,  se  for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá  a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo  Decreto­Lei nº 2.472 , de 01/09/1988)  §  1º  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada:  (Incluído pelo Decreto­Lei nº 2.472 , de 01/09/1988)  a)  no  curso  do  despacho  aduaneiro,  até  o  desembaraço  da  mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472 , de 01/09/1988)  b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente,  tendente  a  apurar  a  infração.  (Incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472 , de 01/09/1988)  § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades  de  natureza  tributária  ou  administrativa,  com  exceção  das  penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena  de perdimento." (grifei)  Constata­se do § 2º supra que a denúncia espontânea regida pelo Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  exclui  a  aplicação  de  penalidades  tanto  de  natureza  tributária  quanto  de  natureza  administrativa,  havendo  exceção  em  relação  à  penalidade  aplicada  na  hipótese  de  mercadoria  sujeita  a  pena  de  perdimento,  o  que  não  corresponde  ao  elemento  fático  deste  processo,  qual  seja,  atraso  do  registro  no  Siscomex  de  informações  relativas  à  chegada  da  aeronave no território nacional.  A  denúncia  espontânea  encontra­se  disciplinada  no  art.  138  do  CTN  da  seguinte forma:  Art.  138.  A  responsabilidade  é  excluída  pela  denúncia  espontânea  da  infração,  acompanhada,  se  for  o  caso,  do  pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito  da  importância  arbitrada  pela  autoridade  administrativa,  quando o montante do tributo dependa de apuração.  Parágrafo  único.  Não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  procedimento  administrativo  ou  medida  de  fiscalização,  relacionados  com  a  infração.  Fl. 103DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 103          6 Com  base  no  art.  138  do  CTN,  o  Superior  Tribunal  de  Justiça  (STJ)  tem  decidido2 que a denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso  na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do art. 138 do CTN não se  estendem às obrigações acessórias autônomas.  Nesse mesmo sentido, tem­se a súmula nº 49 do CARF que estipula que “[a]  denúncia  espontânea  (art.  138  do  Código  Tributário  Nacional)  não  alcança  a  penalidade  decorrente  do  atraso  na  entrega  de  declaração”.  Os  acórdãos  paradigmas  que  ensejaram  a  aprovação  da  súmula  referem­se  às  declarações  do  imposto  de  renda  (DIRPF  e  DIPJ),  de  retenção na fonte (DIRF) e DCTF.  Consoante  tais  entendimentos,  a  denúncia  espontânea  do  art.  138  do  CTN  alcança apenas as obrigações principais e não as acessórias.  Contudo,  no  presente  caso,  tem­se  uma  regra  expressa  específica  determinando que a denúncia espontânea abrange as multas administrativas (§ 2º do art. 102 do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966),  disposição  legal  essa  válida  e  vigente  a  reclamar  por  sua  observância por parte da Administração Pública.  Conforme  consta  da  descrição  dos  fatos  no  auto  de  infração,  a  ação  fiscal  iniciara­se formalmente, considerando os termos previstos na alínea “b” do § 1º do art. 102 do  Decreto­lei nº 37, de 1966, após o registro do Termo de Entrada pelo contribuinte, registro esse  efetuado,  portanto,  antes  de  qualquer  procedimento  da  fiscalização  tendente  a  apurar  a  infração,  o  que  torna,  a  princípio,  o  fato  sob  exame  consentâneo  com  a  previsão  normativa  supra reproduzida.  Registre­se  que  o  referido  §  2º  inexistia  originariamente  no  art.  102  do  Decreto­Lei  nº  37,  de  1966,  vindo  a  ser  incluído  pelo  Decreto­Lei  nº  2.472,  de  1988,  para  abranger apenas as penalidades de natureza tributária. Com o advento da Medida Provisória nº  497,  de  2010,  convertida  na Lei  nº  12.350,  de  2010  (art.  40,  que  alterou  o  art.  32,  §  2º,  do  Decreto­Lei nº 37, de 1966), passou­se a prever a aplicação da denúncia espontânea às multas  administrativas decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias.  Mostra­se  evidente  a  intenção  do  legislador  de  estimular  o  cumprimento  espontâneo  da  obrigação  acessória  por  parte  do  contribuinte  ou  responsável,  adotando  o  entendimento que vem sendo difundido nos tribunais inferiores e na doutrina de que o instituto  da denúncia espontânea alcança, sim, as obrigações acessórias.  Por  se  tratar  de matéria  relativa  a  responsabilidade  infracional,  a  inovação  promovida  em 2010 pela Medida Provisória nº  497 aplica­se a  fatos pretéritos,  por  força do  contido  no  art.  106,  inciso  II,  alínea  “b”,  do  CTN,  em  que  se  estipula  que  a  lei  se  aplica  retroativamente ao ato não definitivamente julgado, quando deixe de tratá­lo como contrário a  qualquer  exigência  de  ação  ou  omissão,  desde  que  não  tenha  sido  fraudulento  e  não  tenha  implicado em falta de pagamento de tributo.  Não  se  pode  perder  de  vista  que  a  atuação  da  Administração  Pública  é  vinculada e obrigatória,  sob pensa de responsabilidade funcional do agente, não podendo ela  agir em desconformidade com o sistema jurídico.                                                              2 AgRg no REsp 1279038, 2ª T., j. 2/2/2012; AgRg no AREsp 11340, 2ª T., j. 13/9/2011; REsp 1129202, 2ª T., j.  17/6/2010; etc.  Fl. 104DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 104          7 O Tribunal Regional Federal da 4ª Região entende que “a exclusão da multa  fiscal aplica­se tanto ao descumprimento de obrigação principal como de obrigação acessória,  visto que o art. 138 do CTN não faz qualquer alusão à natureza da infração” 3.  Conforme  apontou  o  Relator  Desembargador  na  aludida  decisão,  o  descumprimento  de  obrigação  acessória  constitui  infração  à  legislação  tributária,  podendo  ensejar a aplicação de multa prevista em lei, sendo do interesse da Administração tributária o  seu cumprimento por parte dos contribuintes e responsáveis.  De  acordo  com  a  ressalva  do  mesmo  art.  138  do  CTN,  ao  destacar  a  expressão “se for o caso”, a denúncia espontânea não se restringe às obrigações principais, pois  a referida expressão evidencia que nem sempre o cumprimento da obrigação tributária acarreta  o pagamento de tributo.  A expressão “se for o caso” explica­se em face de que algumas  infrações,  por  implicarem  desrespeito  a  obrigações  acessórias,  não  acarretam,  diretamente,  nenhuma  falta  de  pagamento  de  tributo,  embora  sejam  também  puníveis,  porque  a  responsabilidade  não  pressupõe,  necessariamente,  dano  (art.  136). 4  A súmula CARF nº 49, no meu entendimento, não estará sendo inobservada  com a adoção desse entendimento, pois, tendo em vista o teor dos acórdãos paradigmas que a  orientaram,  a  sua  disciplina  abrange  as  declarações  periódicas  a  que  os  contribuintes  se  encontram  obrigados  a  apresentar,  seja  em  razão  de  sua  condição  de  sujeito  passivo  ou  de  responsável, para repassar à Administração  tributária as  informações necessárias à análise do  cumprimento da obrigação tributária principal.  Além disso, a previsão legal específica (§ 2º do art. 102 do Decreto­Lei nº 37,  de 1966) diferencia este caso dos demais, não se vislumbrando possibilidade de inobservância  do imperativo legal.  Contudo,  necessário  se  torna  analisar,  uma  por  uma,  as  exceções  impostas  pela legislação tributária relativamente à aplicação da denúncia espontânea, a saber:  a) não se considera espontânea a denúncia apresentada no curso do despacho  aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria (§ 1º, alínea “a”, do art. 102 do Decreto­lei nº 37,  de 1966);  b)  não  se  considera  espontânea  a  denúncia  apresentada  após  o  início  de  qualquer  outro  procedimento  fiscal,  mediante  ato  de  ofício,  escrito,  praticado  por  servidor  competente, tendente a apurar a infração (§ 1º, alínea “b”, do art. 102 do Decreto­lei nº 37, de  1966);  c)  não  se  considera  espontânea  a  denúncia  relativamente  a  penalidades  aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento (§ 2º do art. 102 do Decreto­ lei nº 37, de 1966);                                                              3  AC  2001.70.00.026847­7/PR,  1ª  T.,  excerto  do  voto  do  Rel.  Des.  Fed.  Wellington  Mendes  de  Almeira,  j.  17/10/2002.  4 AMARO, Luciano. Direito tributário brasileiro. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2006, p. 451.  Fl. 105DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10814.019798/2007­27  Acórdão n.º 3803­006.371  S3­TE03  Fl. 105          8 d) não se considera espontânea a denúncia depois de formalizada a entrada do  veículo procedente do exterior (§ 3º do art. 612 do Decreto nº 4.543, de 2002 – Regulamento  Aduaneiro).  Considerando  que  o  registro  do  Termo  de  Entrada  do  veículo  foi  efetuado  pelo  Recorrente  antes  de  qualquer  atividade  efetiva  da  fiscalização,  e  que  não  se  trata  de  despacho  aduaneiro,  nem  de  perdimento  de mercadorias,  tem­se  que  nenhuma  das  exceções  acima referenciadas se aplica ao presente caso.  Trata­se  de  mero  controle  administrativo  que  não  guarda  qualquer  relação  com  a  verificação  de  ocorrência  de  fatos  geradores  de  tributos,  ou  seja,  com  a  obrigação  tributária principal.  Nesse  contexto,  voto  por DAR PROVIMENTO  ao  recurso  para  cancelar  a  multa aplicada.  É como voto.  (assinado digitalmente)  Hélcio Lafetá Reis ­ Relator                                Fl. 106DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 11/09/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 20/08/2014 por HELCIO LAFETA REIS

score : 1.0
5714756 #
Numero do processo: 10830.720139/2007-39
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3403-003.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201411

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Importação - II Data do fato gerador: 19/07/2007 CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da duplicidade de registro no sistema. CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA. EXTRAVIO. BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE DE IDENTIFICAÇÃO DAS MERCADORIAS ARBITRAMENTO. BASE LEGAL. No caso de impossibilidade de identificação das cargas extraviadas, a base legal para o arbitramento da base de cálculo dos tributos devidos é aquela vigente na data do correspondente lançamento de ofício. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10830.720139/2007-39

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5398524

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.382

nome_arquivo_s : Decisao_10830720139200739.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ALEXANDRE KERN

nome_arquivo_pdf_s : 10830720139200739_5398524.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014

id : 5714756

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:57 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252590657536

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2052; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 529          1  528  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10830.720139/2007­39  Recurso nº  10.830.720139200739   Voluntário  Acórdão nº  3403­003.382  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  11 de novembro de 2014  Matéria  II ­ IPI VINCULADO ­ EXTRAVIO DE MERCADORIAS ­ AUTO DE  INFRAÇÃO  Recorrente  FEDERAL EXPRESS CORPORATION  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 19/07/2007  DECADÊNCIA.  IMPOSTO  SOBRE  A  IMPORTAÇÃO.  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS.  VINCULADO  À  IMPORTAÇÃO. LANÇAMENTOS POR HOMOLOGAÇÃO  O prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em poderia ter sido lançado, quando da ausência  de recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO ­ II  Data do fato gerador: 19/07/2007  CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA.  EXTRAVIO.  A presunção relativa de extravio de mercadoria manifestada, emergente dos  registros do Sistema MANTRA que apontam para a sua falta na descarga e  não armazenamento, pode ser elidida diante da comprovação documental da  duplicidade de registro no sistema.  CONFERÊNCIA FINAL DE MANIFESTO. CARGA MANIFESTADA.  EXTRAVIO.  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS  ARBITRAMENTO.  BASE  LEGAL.  No  caso  de  impossibilidade  de  identificação  das  cargas  extraviadas,  a  base  legal  para  o  arbitramento  da  base  de  cálculo  dos  tributos  devidos  é  aquela  vigente na data do correspondente lançamento de ofício.  Recurso Voluntário Negado  Crédito Tributário Mantido       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 01 39 /2 00 7- 39 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN     2    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern – Relator  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Domingos  de  Sá  Filho,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista  e  Ivan Allegretti.  Relatório  O transportador aéreo FEDERAL EXPRESS CORPORATION teve lavrado  contra  si  os  autos  de  infração  das  fls.  2  a  5  e  12  a  14,  para  formalizar  e  a  constituição  e  a  exigência  de  crédito  tributário  referente  ao  Imposto  de  Importação  –  II  e  ao  Imposto  sobre  Produtos Industrializados ­ IPI e para aplicação da multa cominada no art. 106, inciso II, alínea  “d”, do Decreto­Lei nº 37, de 18 de novembro de 1966, no valor  total  de R$ 99.920,12,  em  decorrência  do  extravio  de  mercadoria  manifestada,  apurado  em  procedimento  fiscal  de  conferência final de manifesto de carga.  O Termo de Descrição dos Fatos das fls. 18 a 25 relata as cargas declaradas  pelo  autuado  no  Sistema  Integrado  de  Gerência  do  Manifesto,  do  Trânsito  e  do  Armazenamento  –  MANTRA,  instituído  pela  IN­SRF  nº  102,  de  1994,  que  não  foram  armazenadas,  e  as  providências  tomadas  a  partir  dos  esclarecimentos  fornecidos  por  transportador aéreo, agente de carga e consignatário da mercadoria:  1.  01  (um)  volume,  peso  1680,000  Libras,  sob  o  Termo  de  Entrada  n°  020002424,  de  17/01/2002, com o documento de carga AWB 0236963 5193, no vôo FDX0040;  2.   01 (um) volume, peso 6,800 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236968  0601  HAWB  30899764090,  no  vôo  FDX0040;  3.  01 (um) volume, peso 1,800 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236968  0601  HAWB  62520932807,  no  vôo  FDX0040;  4.  01 (um) volume, peso 1,500 kg, sob o Termo de Entrada n° 020003633, de 24/01/2002,  com o documento de carga aérea MAWB 0236968 0601 HAWB 91920481717, no Vôo  FDX0040;  5.  01 (um) volume, peso 5,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020007213, de 17/02/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0233421  5193  HAWB  4060228731,  no  vôo  FDX0042;  Fl. 530DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/2007­39  Acórdão n.º 3403­003.382  S3­C4T3  Fl. 530          3  6.  01 (um) volume, peso 2,200 kg, sob o Termo de Entrada n° 020009470, de 03/03/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236994  8281  HAWB  29603588693,  no  vôo  FDX0042;  7.  01 (um) volume, peso 1,000 kg, sob o Termo de Entrada n° 020009470, de 03/03/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236994  8281  HAWS  31059156260,  no  vôo  FDX0042;   8.  01 (um) volume, peso 4,900 kg, sob o Termo de Entrada n° 020013701, de 29/03/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236015  2061  HAWB  29608816135,  no  vôo  FDX0040;  a  carga  foi  armazenada  zerada  e  que,  posteriormente,  foi  manifestada  em  outro Master  023  6019  9860  (Termo  de Entrada  020014589,  dia  04/04/2002)  quando,  então, foi despachada como remessa expressa pela DREI 20020009244  9.  01 (um) volume, peso 4,500 kg, sob o Termo de Entrada n° 020015186, de 07/04/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236022  1136  HAWB  20889926678,  no  vôo  FDX0042;  10.  02  (dois)  volumes,  peso  48,000  kg,  sob  o  Termo  de  Entrada  n°  020018371,  de  28/04/2002, com o documento de carga MAWB 0236037 8802 HAWB 33957354110, no  vôo FDX0042;  11.   01 (um) volume, peso 1,600 kg, sob o Termo de Entrada n°020020910, de 17/05/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236052  3131  HAWB  31061073318,  no  vôo  FDX0040;  12.  01 (um) volume, peso 0,400 kg, sob o Termo de Entrada n° 020023014, de 06/06/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236066  7353  HAWB  34365589780,  no  vôo  FDX0040;  a  transportadora  aérea  informa  que  a  carga  foi  despachada  como  remessa  expressa,  sem  informar Master  de  Remessa  Expressa  ou  número  de  DREI,  e  como  o  Máster  em  questão  não  é  Máster  de  Remessa  Expressa,  acredita  que  a  carga  foi  manifestada duplamente.  13.  01 (um) volume, peso 3,600 kg, sob o Termo de Entrada n° 020023014, de 06/06/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236066  7353  HAWB  35082032815,  no  vôo  FDX0040;  a  transportadora  aérea  informa  que  a  carga  foi  despachada  como  remessa  expressa, através do Master 023 6067 1586, apesar de o HAWB 35082032815 não estar  presente  na  DREI  2002000076  correspondente,  conforme  verificado  em  arquivo  da  Receita Federal. Como o Máster em questão não é Máster de Remessa Expressa, acredita  que a carga foi manifestada duplamente.  14.  01 (um) volume, peso 2,000 kg, sob o Termo de Entrada n°020044690, de 29/11/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236207  7234  HAWB  11397016677,  no  vôo  FDX0040;  a  transportadora  aérea  informa  que  a  carga  foi  despachada  como  remessa  expressa,  através do Master 023 6207 8450,  apesar do HAWB 11397016677 não estar  presente  na  DREI  2002202575  correspondente,  conforme  verificado  em  arquivo  da  Receita Federal. Como o Máster em questão não é Máster de Remessa Expressa, acredita  que a carga foi manifestada duplamente.  15.  01 (um) volume, peso 0,100 kg, sob o Termo de Entrada n° 020047452, de 20/12/2002,  com  o  documento  de  carga  MAWB  0236225  4124  HAWB  36231535896,  no  vôo  Fl. 531DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN     4  FDX0040;  a  transportadora  aérea  informa  que  a  carga  foi  despachada  como  remessa  expressa,  através do Master 023 6226 3331,  apesar do HAWB 36231535896 não estar  presente  na  DREI  2002202877  correspondente,  conforme  verificado  em  arquivo  da  Receita Federal. Como o Máster em questão, 0236225 4124 difere do Master de Remessa  Expressa correspondente ao despacho, acredita que a carga foi manifestada duplamente.  Procedeu­se  à  valoração  das  mercadorias  consideradas  extraviadas,  utilizando, conforme o caso, ou o Decreto nº 2.861, de 1998, artigo VII, que internalizou o art.  22 da Convenção de Varsóvia, ou o art. 67 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e  informações dos conhecimentos aéreos, conforme discriminação das fls. 25 a 27.  O  feito  foi  impugnado  às  fls.  289  a  298.  As  razões  de  defesa  foram  as  seguintes:  Em  sede  preliminar,  argüiu­se  a  nulidade  do  lançamento  por  vício  formal,  uma vez que a apuração dos valores referentes aos impostos exigidos se deu com base na Lei  10.833,  publicado  no DOU  de  30/12/2003.  Porém,  todas  as  importações  objeto  do  presente  auto de infração ocorreram nos anos de 2001 e 2002, ocasião em que a Lei nº 10.833, de 2003,  sequer estava vigente. Ademais, o fundamento legal para justificar a incidência do IPI sobre as  remessas mencionadas na autuação, RA/2002 ­ não corresponde à  legislação vigente à época  dos fatos, qual seja, o RIPI/98, o que evidencia erro na capitulação legal, em ofensa ao art. 155  do CTN  Quanto  ao  lançamento  referentes  à  importação  das mercadorias  amparadas  pelos  conhecimentos  aéreos  i)  MAWB  023  6963  5139,  Termo  de  Entrada  020002424,  de  17/01/2001, ii) MAWB 023 6968 0601 HAWB 308 9976 4090, Termo de Entrada 020003633,  de  24/01/2002;  iii)  MAWB  023  6968  0601  –  HAWB  625  2093  2807,  Termo  de  Entrada  020003633,  de  24/01/2002  e  iv) MAWB 023 6968 0601 HAWB 919 2048 1717, Termo de  Entrada 020003633, de 24/01/2002, argúi decadência, pela regra do art. 150, § 4°, do CTN.  Afirma que a mercadoria importada sob o MAWB 023 6015 2061 — HAWB  8296 0881 6135 foi liberada por meio do regime de Remessa Expressa, conforme demonstra a  DREI  que  anexa,  regulamentado  à  época  do  embarque  pela  IN­SRF  nº  122,  de  2002,  com  recolhimento dos tributos devidos conforme comprova o DARF que anexa;  As mercadorias amparadas pelos conhecimentos aéreos i) MAWB 023 6066  7353HAWB 343 6558 9780; ii) MAWB 023 6066 7353 HAWB 350 8203 2815; iii) MAWB  023 6207 7234 HAWB 113 9701 6677 e iv) MAWB 023 6225 4124 HAWB 8362 3153 5896,  foram desembaraçadas sob o regime de remessa expressa, o qual previa a não incidência do II,  nos termos do art. 33, § 3°, da IN­SRF nº 122, de 2002. Também não há incidência do IPI, uma  vez que não se trata de produtos industrializados;  A 24ª Turma da DRJ/SP1  julgou a  impugnação parcialmente procedente. O  voto condutor da decisão entendeu que, em relação aos TE 242 AWB 0236963 5193 TE 363  MAWB  0236968  0601  HAWB  30899764090  TE  363  MAWB  0236968  0601  HAWB  62520932807 TE 363 MAWB 0236968 0601 HAWB 91920481717 TE 1837 MAWB 0236037  8802 HAWB 33957354110 TE  2091 MAWB 0236052  3131 HAWB 31061073318,  TE  947  MAWB  0236994  8281  HAWB  29603588693  TE  947  MAWB  0236994  8281  HAWB  31059156260  o  lançamento  apoiou­se  em  legislação  revogada,  embora  o  extravio  se  tenha  caracterizado.  Quanto  aos  TE  1370 MAWB  0236015  2061 HAWB  29608816135,  TE  2301  MAWB  0236066  7353  HAWB  34365589780  TE  2301  MAWB  0236066  7353  HAWB  35082032815  TE  4469  MAWB  0236207  7234  HAWB  11397016677  TE  4745  MAWB  0236225 4124 HAWB 36231535896, julgou que não houve o extravio presumido.  Fl. 532DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/2007­39  Acórdão n.º 3403­003.382  S3­C4T3  Fl. 531          5  O Acórdão  nº  16­51.974,  de  24  de  outubro  de  2013,  fls.  395  a  420,  teve  ementa vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO – II  Data do fato gerador: 19/07/2007  CONFERÊNCIA  FINAL  DE  MANIFESTO.  CARGA  MANIFESTADA. EXTRAVIO.  Comprova o extravio de mercadoria manifestada os registros do  Sistema  MANTRA  que  indicam  sua  falta  na  descarga  e  não  armazenamento.  Todavia,  diante  da  comprovação  da  duplicidade  de  registro  no  sistema,  não  há  que  se  falar  em  extravio.  EXTRAVIO.  CÁLCULO  DO  IMPOSTO.  DATA  DO  FATO  GERADOR.  Para  efeito  de  cálculo  do  imposto  de  importação,  considera­se  ocorrido o  fato gerador de mercadoria  constante de manifesto,  cujo extravio for apurado pela autoridade aduaneira, na data do  correspondente lançamento.  ARBITRAMENTO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  IMPOSSIBILIDADE  DE  IDENTIFICAÇÃO  DAS  MERCADORIAS.  APLICAÇÃO DO ARTIGO 67,  §  1º, DA LEI  Nº 10.833/2003.  No  caso  de  impossibilidade  de  identificação  das  cargas  extraviadas,  aplica­se  o  disposto  no  artigo  67,  §  1º,  da  Lei  10.833/03. Não estabelecida nos preceitos do texto legal em que  se  ampara,  a  base  de  cálculo  arbitrada  deve  ser  considerada  indevida.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do fato gerador: 19/07/2007  DECADÊNCIA.  IMPOSTO  SOBRE  A  IMPORTAÇÃO.  IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.  O prazo para lançamento de ofício é de cinco anos contado do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  àquele  em  poderia  ter  sido  lançado, nos termos do art. 173, I, do CTN, quando da ausência  de recolhimento dos tributos incidentes sobre a importação.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  24ª  Turma  da  DRJ/SP1. O arrazoado de fls. 426 a 446, após protesto de  tempestividade e síntese dos fatos  relacionados com a lide, assente expressamente ao lançamento referente ao MAWB 023 6022  1136 HAWB  20889926678.  Controverte  no  entanto  o  lançamento  referente  ao MAWB  023  3421 5193 HAWB 4060228731, uma vez que carece de fundamento jurídico válido, seja pela  Fl. 533DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN     6  completa  inexistência  dos  fatos  geradores  dos  tributos  ou  pela  decadência  (cfe. Art.  669  do  RA/2002)  Retoma  o  argumento  de  que  as  mercadorias  não  ingressaram  no  território  nacional,  razão  pela  qual  não  ocorreu  o  fato  gerador  dos  tributos.  Argúi  ainda  a  sua  ilegitimidade passiva, já que inexiste base legal para a responsabilização do transportador em  caso de extravio de mercadoria manifestada.. Rechaça a retroação da norma do art. 67 da Lei nº  10.833, de 2003, à vista do disposto no art. 106 do CTN.  Pede provimento.  O  processo  administrativo  correspondente  foi  materializado  na  forma  eletrônica,  razão pela qual  todas as  referências a  folhas dos autos pautar­se­ão na numeração  estabelecida no processo eletrônico.  É o Relatório.    Voto             Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Presentes  os  pressupostos  recursais,  a  petição  de  fls.  426  a  446 merece  ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ­SP1­24ª Turma nº 16­51.974, de 24  de outubro de 2013.  Controverte­se  exclusivamente  o  lançamento  referente  ao Manifesto/Termo  de Entrada (TE) nº. 721.  A arguição de decadência não prosperará.  No âmbito da legislação aduaneira, o art. 138 do DL nº 37, de 1966, dispõe,  que o direito de exigir o tributo extingue­se em 5 anos contados do primeiro dia do exercício  seguinte  àquele  em  que  poderia  ter  sido  lançado  e  que,  em  se  tratando  de  exigência  de  diferença de tributo, esse prazo passa a fluir da data do pagamento efetuado.  Assim, no caso concreto, diante da inexistência de qualquer recolhimento, a  regra  a  ser  aplicada  é  justamente  essa  e  que  coincide  com  a  do  inc.  I  do  art.  173  do CTN.  Cuidando­se da entrada de mercadorias em 17/02/2002, o termo inicial do prazo decadencial é  01/01/2003. E em 19/07/2002, data da lavratura dos autos de infração de que se trata, o direito  de constituição do crédito tributário estava hígido.  Conforme relatado, o transportador foi intimado a esclarecer o que aconteceu  com  a  carga  referente  ao  MAWB  0233421  5193  HAWB  4060228731.  Em  sua  resposta,  reconheceu que as mercadorias foram extraviadas, não tendo sido entregues aos destinatários.  A consignatária ASGA S/A confirmou o extravio.  O  procedimento  fiscal  de  conferência  final  de  manifesto,  consubstanciado  pelo  confronto  do  manifesto  com  os  registros  de  descarga,  extrai  tanto  as  informações  do  manifesto como aquelas da descarga do Mantra. Apurado sob qualquer forma o extravio, incide  a norma do § 2º do art. 1º do DL nº 37, de 1966, que presume entrada no território aduaneiro a  Fl. 534DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 10830.720139/2007­39  Acórdão n.º 3403­003.382  S3­C4T3  Fl. 532          7  mercadoria  que  conste  como  tendo  sido  importada  e  cujo  extravio  venha  a  ser  apurado  pela  administração aduaneira, a menos que haja prova cabal de sua inocorrência.  Se  a mercadoria manifestada  faltou  na descarga,  como o  transportador  tem  contra si  a prova de  seu  recebimento e a obrigação  legal de  sua entrega no  lugar de destino,  dele  é  a  responsabilidade  tributária pelo  extravio  verificado.  Se  alguma  excepcionalidade  há  contrária  à  irrepreensível  lógica do  raciocínio  acima  ­  v.g.,  caso  fortuito  ou de  força maior­,  essa  deve  ser  provada  pelo  transportador,  conforme  se  depreende  da  leitura  sistemática  dos  artigos  591,  592,  inciso  VI,  parágrafo  único,  e  595,  caput,  do  RA/2002,  já  transcritos  na  decisão recorrida.  Como essas provas não vieram aos autos, restam caracterizados o extravio e a  responsabilidade do transportador, ora recorrente.  Irrepreensível o lançamento, inclusive quanto à base de cálculo arbitrada com  base no art. 67, § 1º, da Lei nº 10.833, de 2003, e a decisão recorrida, que o ratificou.  Nego provimento ao recurso.  Sala de sessões, em 11 de novembro de 2014                                  Fl. 535DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 14/11/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por ALEXANDRE KERN

score : 1.0
5725281 #
Numero do processo: 14041.000186/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.420
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201411

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão da matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 14041.000186/2009-71

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5399114

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2402-004.420

nome_arquivo_s : Decisao_14041000186200971.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES

nome_arquivo_pdf_s : 14041000186200971_5399114.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes - Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.

dt_sessao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014

id : 5725281

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:03 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252601143296

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1600; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C4T2  Fl. 2          1 1  S2­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  14041.000186/2009­71  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  2402­004.420  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  05 de novembro de 2014  Matéria  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Embargante  FAZENDA NACIONAL  Interessado  VIA ENGENHARIA S.A.    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/03/1996 a 30/11/1998  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO  Os  embargos  de  declaração  não  se  prestam  para  a  rediscussão  da  matéria  enfrentada no acórdão embargado.  Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão  embargado, rejeita­se a pretensão da embargante.  Embargos Rejeitados.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  rejeitar os embargos opostos.    Julio César Vieira Gomes ­ Presidente    Nereu Miguel Ribeiro Domingues ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Julio  César  Vieira  Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda  Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 01 86 /2 00 9- 71 Fl. 359DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     2   Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração  opostos  em  face  do  acórdão  que  reconheceu  a  nulidade material  do  lançamento,  por  ausência  de  comprovação  da  ciência  do  resultado  do  julgamento  que  declarou  a  nulidade  formal  do  lançamento  anterior,  assim  ementado:  “LANÇAMENTO  SUBSTITUTIVO.  AUSÊNCIA  DE  COMPROVAÇÃO  DE  QUE  FOI  REALIZADO  DENTRO  DO  PRAZO DECADENCIAL. VÍCIO MATERIAL.   Conforme  previsto  no  art.  173,  II,  do  CTN,  o  direito  da  Fazenda  Pública  constituir  o  crédito  tributário  extingue­se  após  5  anos  contados da data em que se  tornar definitiva a decisão que houver  anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.   Não tendo o Fisco comprovado a expedição da intimação ou a data  em  que  o  sujeito  passivo  teve  ciência  da  decisão  que  anulou  o  lançamento  anterior,  o  lançamento  é  nulo  por  vício  material,  vez  que  não  restou  comprovado  que  o  lançamento  substituto  foi  realizado dentro do prazo decadencial.   Recurso Voluntário Provido.”  A  Embargante  sustenta  que  o  acórdão  foi  omisso  e  contraditório  em  sua  fundamentação,  haja  vista  que:  (i)  é  fato  incontroverso  que  o  contribuinte  foi  intimado  em  18/02/2004  das  decisões  que  anularam  as  NFLD’s  por  vício  formal;  (ii)  de  acordo  com  o  próprio contribuinte, a notificação teria ocorrido em fevereiro de 2004; (iii) o contribuinte não  se opôs à data da intimação, defendendo  tão somente que o prazo decadencial de que  trata o  art.  173,  inc.  II  do  CTN  deveria  contar  a  partir  da  data  da  prolação  dos  acórdãos;  (iv)  nos  termos  do  art.  334  do Código Civil,  não  depende  de prova os  fatos  tidos  no  processo  como  incontroversos; (v) os atos administrativos estão revestidos de presunção de veracidade; e (vi)  ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação, deve­se reconhecer que o  Embargado  foi  intimado  quinze  dias  após  a  data  da  expedição  da  intimação,  nos  termos  do  Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II.  É o relatório.  Fl. 360DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 14041.000186/2009­71  Acórdão n.º 2402­004.420  S2­C4T2  Fl. 3          3   Voto             Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator  Analisando  os  embargos  opostos  tempestivamente,  constata­se  que  os  mesmos  não  atendem  aos  requisitos  de  admissibilidade  previstos  no  art.  65  do  Regimento  Interno do CARF, conforme apreciação realizada abaixo.  Como se verifica no presente caso,  foi  travada discussão acerca da data em  que o contribuinte teria sido intimado das decisões que anularam os lançamentos paradigmas,  de forma a possibilitar a correta contagem do prazo decadencial previsto no art. 173, inc. II do  CTN.  Diante  das  questões  levadas  à  apreciação,  este  Conselho  determinou  que  a  fiscalização juntasse aos autos o documento que comprovasse a data em que o contribuinte foi  notificado das decisões anuladas.  Após a fiscalização ter  informado que os documentos solicitados não foram  localizados, este Conselho anulou o lançamento por vício material, sob o argumento de que a  comprovação  da  data  da  intimação  das  decisões  anuladas  é  condição  material  para  o  lançamento realizado sob a égide do art. 173, inc. II do CTN.  Mesmo  após  as  dúvidas  levantadas  no  processo  e  a  resposta  dada  pela  fiscalização  quando  da  realização  da  diligência,  a  Fazenda  Nacional  interpôs  os  presentes  embargos sustentando que “é fato incontroverso neste feito que o Embargado foi intimado 18  de fevereiro de 2004, por via postal”.  Contudo, vale  reprisar que não há nos  autos qualquer documento que  ateste o  recebimento da  intimação pelo Embargado, para  fins de contagem do prazo decadencial, não  havendo que se falar em “fato incontroverso”.  Como já exposto no v. acórdão embargado, a fiscalização não comprovou a data  da intimação das decisões que anularam os lançamentos anteriores, não sendo possível realizar  a contagem do prazo decadencial de que trata o art. 173, inc. II do CTN.  Não  é  possível  utilizar­se  de  teses  subjetivas  para  buscar  suprir  requisito  inerente a qualquer lançamento realizado com suporte no art. 173, inc. II do CTN, qual seja, a  data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior.  Outrossim,  o  fato  é  tão  controverso  que  a  própria  Embargante  pontuou  que,  “ainda que se entenda não existir prova do recebimento da intimação”, deve ser considerado  que o embargado foi intimado quinze dias após a data da expedição da intimação, nos termos  do Decreto nº 70.235/72, art. 23, § 2º, inciso II, abaixo transcrito:  “Art. 23. Far­se­á a intimação: (...)   II ­ por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio  ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário  Fl. 361DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES     4 eleito  pelo  sujeito  passivo; (Redação  dada  pela  Lei  nº  9.532, de 1997)  § 2° Considera­se feita a intimação: (...)  II ­ no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do  recebimento  ou,  se  omitida,  quinze  dias  após  a  data  da  expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532,  de 1997)”  Para a aplicação do dispositivo acima, é  essencial que haja a  comprovação do  envio  da  intimação  e  a  “prova  de  recebimento  no  domicílio  tributário  eleito  pelo  sujeito  passivo”,  hipótese  em que,  sendo omitida  a  data  do  recebimento,  serão  considerados  quinze  dias após a data da expedição da intimação.   Entretanto,  não  se  verificam  tais  requisitos  no  processo,  não  havendo  que  se  falar na aplicação da referida norma.  Alega  a Embargante  também que  o Embargado nunca  arguiu  que  a  intimação  teria  ocorrido  em  data  diversa  daquela  apontada  pelo  Fisco,  ou  ainda  que  não  teria  sido  intimado das referidas decisões, tornando­se incontroversa a data da intimação.  Contudo,  independentemente  de  ter  atacado  os  pontos  acima,  arguiu  o  Embargado  a  decadência  do  lançamento,  a  qual  só  pode  ser  devidamente  analisada  com  a  comprovação da data da intimação da decisão que anulou o lançamento anterior.  Nesse sentido, caso não fosse esse o entendimento, estar­se­ia convalidando um  lançamento com  fundamentação deficiente, possivelmente decaído, em patente ofensa ao art.  142 do CTN, o que não se admite.   Por essas  razões, conclui­se que não há contradição ou omissão no v. acórdão  embargado,  visando  os  presentes  embargos  apenas  a  rediscussão  da  matéria,  o  que  não  é  possível nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF.  Ante  o  exposto,  voto  pela  REJEIÇÃO  DOS  EMBARGOS  DE  DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional.  É o voto.    Nereu Miguel Ribeiro Domingues.                              Fl. 362DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES

score : 1.0
5685063 #
Numero do processo: 11610.000868/2007-22
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configurada a alegada omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.
Numero da decisão: 1802-002.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201410

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO. Não configurada a alegada omissão no acórdão embargado, devem ser rejeitados os embargos.

turma_s : Segunda Turma Especial da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11610.000868/2007-22

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5393369

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1802-002.389

nome_arquivo_s : Decisao_11610000868200722.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

nome_arquivo_pdf_s : 11610000868200722_5393369.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em REJEITAR os embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José de Oliveira Ferraz Corrêa, Ester Marques Lins de Sousa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.

dt_sessao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014

id : 5685063

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:06 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252626309120

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1442; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­TE02  Fl. 2          1 1  S1­TE02  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11610.000868/2007­22  Recurso nº  999.999   Embargos  Acórdão nº  1802­002.389  –  2ª Turma Especial   Sessão de  22 de outubro de 2014  Matéria  COMPENSAÇÃO  Embargante  COMPANHIA SIDERÚRGICA PAULISTA ­ COSIPA  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO POR OMISSÃO.   Não  configurada  a  alegada  omissão  no  acórdão  embargado,  devem  ser  rejeitados os embargos.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade,  em  REJEITAR  os  embargos de declaração, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.    (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa – Presidente e Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  José  de  Oliveira  Ferraz  Corrêa,  Ester  Marques  Lins  de  Sousa,  Henrique  Heiji  Erbano,  Nelso  Kichel,  Luis  Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 08 68 /2 00 7- 22 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 3          2   Relatório  Trata­se  de  embargos  de  declaração,  às  e­fls.  221  a  224,  interpostos  pela  Contribuinte acima identificada, visando sanar alegado vício de omissão presente no Acórdão  nº 1802­002.245, proferido por este colegiado na sessão de 30/07/2014, às e­fls. 194 a 202.  No presente processo, a Contribuinte questionou decisão que não homologou  declaração de compensação por ela apresentada  em 26/01/2007, na qual utilizou um alegado  crédito de R$ 591.971,53, decorrente de pagamento indevido ou a maior de estimativa de IRPJ  do mês de abril/1999, recolhida em 30/06/2000, no valor total de R$ 6.147.775,01.  O  acórdão  embargado,  que  negou  provimento  ao  recurso  voluntário  da  Contribuinte, possui a seguinte ementa:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 1999   RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO  DE  INDÉBITO.  PRESCRIÇÃO   O direito de o Contribuinte pleitear restituição ou compensação  de  crédito  que  entenda  possuir  junto  à  Fazenda  Pública  extingue­se com o decurso do prazo de 5 (cinco) anos contados  da data da extinção do crédito tributário, que no caso de tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação,  é  o  momento  do  pagamento antecipado de que trata o § 1º do art. 150 do Código  Tributário Nacional ­ CTN (art. 168, I, do CTN c/c art. 3º da LC  118/2005).  Ao  julgar  o  RE  566.621/RS  como  matéria  de  repercussão  geral,  o  STF,  ao  mesmo  tempo  que  reconheceu  a  inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05,  considerou válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para os  procedimentos de  repetição/compensação de  indébito  iniciados/  realizados a partir de 9 de junho de 2005.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  NECESSIDADE  DE  APRESENTAÇÃO EM TEMPO HÁBIL   A  partir de  1º  de  outubro de  2002,  em  razão  das modificações  introduzidas pela Lei 10.637/2002 no art. 74 da Lei 9.430/1996,  o aproveitamento de saldo negativo, ainda que para a quitação  de tributo de mesma espécie (IRPJ com IRPJ, p/ ex.), não pode  mais se dar mediante simples dedução, como autorizava o art. 23  da  IN SRF nº 93/1997. Pela  sistemática da Lei 10.637/2002,  já  vigente quando da apuração do débito de estimativa de IRPJ de  janeiro/2003  (objeto  da  presente  compensação),  o  aproveitamento  de  saldo  negativo  (mesmo  de  períodos  anteriores) dependia não apenas de apresentação de declaração  de compensação, mas de apresentação de declaração em tempo  hábil, o que não ocorreu.  Fl. 230DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 4          3 A  Contribuinte  seria  considerada  intimada  do  mencionado  acórdão  em  27/08/2014, segundo as regras contidas no inciso III do § 2º do art. 23 do Decreto 70.235/1972  – PAF, e os Embargos foram apresentados em 26/08/2014.  A  Embargante  alega  que  o  acórdão  proferido  por  esta  Turma  Julgadora  incorreu em omissão e apresenta os seguintes argumentos:  ­  a  Segunda  Turma  Especial  deveria  ter  se  manifestado  acerca  de  questão  essencial  a  qualquer  discussão  concernente  aos  institutos  da  decadência  e  da  prescrição,  a  existência ou inexistência de inércia por parte daquele que o direito socorre;  ­ é de se perceber que a Embargante, em janeiro de 2003, cometeu equívoco  ao  proceder  à  compensação  do  saldo  negativo  em  sua  própria  escrita  fiscal,  sem  apresentar  declaração  de  compensação,  na  medida  em  que,  desde  outubro  de  2002,  o  procedimento  correto  a  ser  adotado,  mesmo  quando  relacionado  a  tributos  da  mesma  espécie,  era  a  apresentação da referida declaração. Tanto que, em 26/01/2007, apresentou a DCOMP ora sob  análise,  com  o  objetivo  de  formalizar/regularizar  o  aproveitamento  realizado  lá  atrás,  em  janeiro de 2003;  ­ não obstante o erro cometido,  faz­se imperioso reconhecer que não houve  inércia por parte da Embargante, apta a ensejar a aplicação da prescrição ou da decadência;  ­  no  presente  caso,  percebe­se  que  não  há  que  se  falar  em  inércia,  pois  o  contribuinte  exerceu  seu direito dentro do prazo de  cinco  anos,  compensando  seu  crédito na  própria escrita fiscal, mesmo que erroneamente;  ­  para  a  caracterização  da  prescrição/decadência,  não  basta  o  transcurso  do  tempo, sendo necessária, além da presença concomitante da possibilidade de exercício de uma  ação que  tutele o direito ou do próprio direito,  e da  inércia do  seu  titular,  a mora do  credor  decorrente de incúria, negligência ou desídia;  ­ no caso dos autos, a Embargante não se quedou inerte, tendo sido deduzida,  oportunamente  (janeiro  de  2003),  pretensão  relativa  ao  direito  de  aproveitamento  do  saldo  negativo em sua escrita fiscal. Percebe­se, pois,  inexistência de incúria e/ou desídia por parte  da empresa, mas na verdade um erro totalmente escusável, na medida em que, à época, com a  mudança  da  sistemática  (Lei  n°  9.430/1996  para  a Medida  Provisória  n°  66/2002),  diversos  outros contribuintes cometeram o mesmo equívoco;  ­  o  que  se  observa  é  a  boa­fé  da  Embargante,  que,  percebendo  o  erro  no  exercício  de  sua  pretensão,  apresentou  a  DCOMP  ora  sob  análise,  com  o  objetivo  de  formalizar/regularizar o aproveitamento realizado lá atrás, em janeiro de 2003;  ­ também levando como referência a inércia do titular, é preciso perceber que  a existência de uma ação exercitável (actio nata) somente surgiu com a mudança da sistemática  do aproveitamento de saldo negativo para tributos da mesma espécie (Lei n° 9.430/1996 para a  Medida Provisória n° 66/2002);  ­ vale dizer, eventual prazo prescricional somente começou a correr contra a  Embargante a partir de outubro de 2002, porque antes disso não havia: (a) a existência de uma  ação  exercitável  (actio  nata);  e  (b)  a  inércia  do  titular  da  ação  pelo  seu  não­exercício,  Fl. 231DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 5          4 mormente  considerando­se  que  inexistia  a  figura  da  DCOMP  para  compensação  de  saldo  negativo com tributos da mesma espécie;  ­ como o novo regime se iniciou em outubro de 2002, o prazo de cinco anos  deve ser contado a partir desse marco. Assim, não há que se falar em decadência do direito da  Embargante de pleitear compensação, pois o prazo final se encerrou em outubro de 2007 (cinco  anos  contados  a  partir  de  outubro  de  2002).  Tendo  a  empresa  apresentado  o  pedido  de  compensação em janeiro de 2007, seu direito se encontra intacto;  ­  esta  Turma  há  que  reconhecer  que  o  direito  ao  crédito  é  um  verdadeiro  direito potestativo do contribuinte, que não admite contestações pelo mero descumprimento de  requisitos  formais  da  legislação  de  regência  (apresentação  de  DCOMP),  sendo  que  a  decadência/prescrição  é  norma  que  vem  para  dar  operabilidade  ao  referido  direito,  determinando até que momento ele poderá ser exercido;  ­ tais institutos não fulminaram a pretensão da empresa, haja vista a ausência  de  inércia  por  parte  da  Embargante  e  o  surgimento  da  actio  nata  anos  depois  do  marco  considerado pela Fiscalização como marco inicial da contagem do lapso de cinco anos;  ­  pelas  razões  expostas,  a  Embargante  pede  que  esta  Turma  se  manifeste  sobre (a) a inexistência de inércia por parte da Embargante; (b) o marco inicial da actio nata de  aproveitamento  do  saldo  negativo;  (c)  o  direito  creditório  agora  em debate  como um direito  potestativo,  que  não  pode  ser  contestado  por  mero  descumprimento  de  formalidade  (compensação realizada na escrita e não por meio de DCOMP).    Este é o Relatório.  Fl. 232DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 6          5   Voto             Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator.  Os embargos são tempestivos e dotados dos demais pressupostos para a sua  admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento  Conforme  relatado,  o  processo  versa  sobre  declaração  de  compensação  apresentada  em  26/01/2007,  na  qual  a  Contribuinte  utiliza  um  alegado  crédito  de  R$  591.971,53, decorrente de pagamento  indevido ou a maior de estimativa  de  IRPJ do mês de  abril/1999, recolhida em 30/06/2000, no valor total de R$ 6.147.775,01.  O  débito  compensado  corresponde  à  estimativa  de  IRPJ  do  mês  de  janeiro/2003.  A negativa da Delegacia de origem foi motivada pela decadência do crédito  (prescrição  para  alguns),  em  razão  do  transcurso  do  prazo  estabelecido  no  art.  168,  I,  do  Código Tributário Nacional – CTN, eis que haviam se passado mais de cinco anos entre a data  de extinção do crédito tributário e a data de apresentação da declaração de compensação.  Na seqüência, a Delegacia de Julgamento (DRJ), ao examinar a manifestação  de  inconformidade  da Contribuinte, manteve  a  negativa  em  relação  à  compensação  por  esse  mesmo motivo, refutando a conhecida tese dos “5+5” defendida até então pela Contribuinte.  Além  disso,  esclareceu  que  o  débito  objeto  da  compensação  corresponde  a  fato gerador ocorrido em 31/01/2003, e não nos meses de novembro e dezembro de 2002 como  afirmava  a  interessada,  observando  ainda  que  o  procedimento  citado  pela  requerente  (compensação apenas em DCTF) deixou de ser permitido com a edição da Medida Provisória  n° 66, de 29 de agosto de 2002, convertida na Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002.  Na  fase  recursal,  a  Contribuinte  abordou  a  ocorrência  de  erro  no  preenchimento da declaração de compensação, por ela  ter  indicado que o crédito decorria de  pagamento  indevido  ou  a maior de  estimativa mensal,  em vez  de  saldo  negativo  do  período  anual;  defendeu  a  possibilidade  de  retificação  desse  erro  no  decorrer  do  processo  administrativo; e trouxe jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de  que o direito à restituição/compensação de saldo negativo não caduca enquanto o contribuinte  permanecer no lucro real nos períodos seguintes (que seria o seu caso).  Ao examinar o recurso voluntário da Contribuinte, esta 2ª Turma Especial da  1ª  Seção  do  CARF  registrou  que  o  exame  do  erro  no  preenchimento  da  declaração  de  compensação,  bem  como  da  possibilidade  de  sua  retificação  de  ofício,  nos  termos  do  dispositivo citado pela Recorrente ­ § 2º do art. 147 do CTN, ficava prejudicado porque, seja o  crédito  decorrente  de  pagamento  indevido  ou  a  maior  de  estimativa  referente  a  abril/1999  (realizado  em  30/06/2000),  ou  de  saldo  negativo  do  ano  de  1999,  já  havia  ocorrido  a  sua  prescrição na data de apresentação da declaração de compensação, em 26/01/2007.   Em relação a esse ponto foram feiras as seguintes considerações:  Fl. 233DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 7          6 O debate na primeira instância administrativa envolvia ainda a  conhecida tese dos “5+5”, que resultava num prazo de dez anos  para a repetição de indébito.  Ocorre  que  na  Sessão Plenária  de  04/08/2011,  ao  julgar  o RE  566.621/RS, Relatora Min. Ellen Gracie, matéria de repercussão  geral,  o  STF  ­  por  maioria  de  votos  –  ao  declarar  a  inconstitucionalidade  da  segunda  parte  do  art.  4º  da  Lei  Complementar nº 118/2005,  validou a  chamada “tese 5+5” do  STJ apenas para os procedimentos de repetição/compensação de  indébito  iniciados/realizados  antes  de  9  de  junho  de  2005,  ou  seja,  antes  da  vigência  da  referida  LC  nº  118/2005,  publicada  em 9 de fevereiro de 2005.  O  entendimento  manifestado  foi  no  sentido  de  que  o  prazo  de  vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que  tomassem  ciência  do  novo  prazo  estabelecido  na  LC  nº  118/2005,  mas  também  que  ajuizassem  as  ações  necessárias  à  tutela dos seus direitos.  Assim,  ao  mesmo  tempo  em  que  foi  reconhecida  a  inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº 118/05,  considerou­se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos para  as ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias,  ou seja, a partir de 9 de junho de 2005.  No  caso  aqui  examinado,  a  declaração  de  compensação  foi  apresentada em 26/01/2007, portanto após 09/06/2005,  e nessa  data  já  estava  prescrito  o alegado direito  creditório por  restar  ultrapasso o prazo de 5 anos previsto no art. 168, I, do CTN c/c  art. 3º da LC nº 118/2005.  Quanto  às  alegações  de  que  o  direito  à  restituição/compensação  de  saldo  negativo  não  caducava  enquanto  o  contribuinte  permanecesse  no  lucro  real  nos  períodos  seguintes, e às decisões do CARF trazidas como embasamento desse entendimento, o voto que  orientou o acórdão embargado apresentou os seguintes fundamentos:   É  importante  destacar  que  tais  decisões  abrangem  o  aproveitamento  de  saldo  negativo  no  contexto  da  redação  original  do  art.  74  da  Lei  9.430/1996,  com  a  regulamentação  dada pelas Instruções Normativas SRF nº 21/1997 e nº 93/1997.  É  que  até  as  alterações  introduzidas  pela  Lei  10.637/2002,  a  compensação  entre  tributos  de  mesma  espécie  era  regida  pelo  art.  66  da  Lei  8.383/1991,  e  não  se  exigia  nem  mesmo  apresentação  de  pedido  de  compensação  quando  o  saldo  negativo de IRPJ era utilizado para a quitação de estimativas ou  ajustes subseqüentes também relativos ao IRPJ.   Essa dinâmica da redação original do art. 74 da Lei 9.430/1996  com  o  disposto  no  art.  66  da  Lei  8.383/1991  resultou  na  regulamentação  das  referidas  instruções  normativas,  cujas  normas inspiraram as referidas decisões da CSRF.   Fl. 234DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 8          7 Contudo,  a  Lei  10.637/2002  introduziu  profundas modificações  no  art.  74  da  Lei  9.430/1996,  alterando  toda  a  sistemática  de  compensação vigente até então.   A partir daí, o aproveitamento de saldo negativo, ainda que para  a quitação de tributo de mesma espécie (IRPJ com IRPJ, p/ ex.),  não  pode  mais  se  dar  mediante  simples  dedução,  como  autorizava o art. 23 da IN SRF nº 93/1997.  A  sistemática  da  Lei  10.637/2002,  já  vigente  quando  da  apuração  do  débito  de  estimativa  de  IRPJ  de  janeiro/2003  (objeto da presente compensação), previa todo um procedimento  para  aproveitamento  de  saldo  negativo  (mesmo  de  períodos  anteriores),  tanto  que  a  Contribuinte  ingressou  com  a  declaração  de  compensação  ora  analisada,  mas  o  fez  a  destempo.   Realmente,  a  partir  de  01/10/2002  (dada  de  vigência  das  referidas  alterações  promovidas  pela  Lei  10.637/2002),  a  realização  da  compensação  pretendida  pela  Contribuinte  dependia  não  apenas  de  apresentação  de  declaração  de  compensação,  mas  de  apresentação  de  declaração  em  tempo  hábil, o que não ocorreu.   Deste modo, voto no sentido de negar provimento ao recurso.  Em  sede  de  embargos  de  declaração,  a  Contribuinte  aponta  omissão  no  acórdão,  alegando  que  esta  Segunda  Turma  Especial  deveria  ter  se  manifestado  acerca  de  questão  essencial  a  qualquer  discussão  concernente  aos  institutos  da  decadência  e  da  prescrição,  isto  é,  a  existência  ou  inexistência  de  inércia  por  parte  daquele  que  o  direito  socorre.  Nesse  passo,  ela  desenvolve  uma  série  de  argumentos  na  tentativa  de  demonstrar que não se manteve inerte, aduzindo em síntese:  ­ que cometeu um erro totalmente escusável;  ­ que não há que se  falar em inércia, pois ela exerceu seu direito dentro do  prazo  de  cinco  anos,  compensando  seu  crédito  na  própria  escrita  fiscal,  mesmo  que  erroneamente;  ­  que  embora  tenha,  em  janeiro  de  2003,  cometido  equívoco  ao  proceder  à  compensação  do  saldo  negativo  em  sua  própria  escrita  fiscal,  sem  apresentar  declaração  de  compensação, agiu com boa­fé; e  ­  que  à  época,  com  a  mudança  da  sistemática  (Lei  n°  9.430/1996  para  a  Medida Provisória n° 66/2002), diversos outros contribuintes cometeram o mesmo equívoco.  Não identifico a alegada omissão no acórdão deste colegiado.  Fl. 235DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 9          8 Ficou  bastante  destacado  no  acórdão  embargado  que  “a  realização  da  compensação pretendida pela Contribuinte dependia não apenas de apresentação de declaração  de compensação, mas de apresentação de declaração em tempo hábil, o que não ocorreu.”   O  Código  Tributário  Nacional,  Lei  nº  5.172/1966,  estabelece  que  a  lei  estipulará condições para a realização de compensação tributária:  Art.  170.  A  lei  pode,  nas  condições  e  sob  as  garantias  que  estipular,  ou  cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos  tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos,  do sujeito passivo contra a Fazenda pública.  (grifos acrescidos)  Nesse  contexto,  observadas  as  regras  legais  para  a  realização  da  compensação,  e  que  estão  mencionadas  no  acórdão  embargado,  a  constatação  foi  de  que  a  contribuinte só venceu a inércia em 2007, quando o direito de reivindicar o alegado crédito já  estava fulminado pela prescrição.  Vale registrar que a chamada auto­compensação, ou compensação na própria  escrita  fiscal,  não  tem  o  condão  de  modificar  essa  circunstância,  eis  que  configurava  procedimento que não mais era autorizado à época dos fatos, em janeiro/2003.  O fato é que o procedimento de compensação tributária só se configura como  tal se for realizado na forma determinada pela lei.   Situação  semelhante  se  dá  com  o  ato  de  lançamento,  que  efetivamente  configura o exercício de um direito potestativo pelo ente público. Se realizado de uma forma  totalmente diferente da que está determinada na  lei, ele é ato  inválido, e  também não produz  qualquer dilação do prazo decadencial que corre contra o Fisco.  No embalo da alegação sobre a ausência de inércia, a Contribuinte ainda traz  novos argumentos, sustentando:   ­  que  o  prazo  prescricional  somente  deveria  começar  a  correr  contra  a  Embargante  a  partir  de  outubro  de  2002,  quando  houve  a  mudança  na  sistemática  de  compensação entre tributos de mesma espécie; e   ­ que o direito ao crédito é um verdadeiro direito potestativo do contribuinte,  que não admite contestações pelo mero descumprimento de requisitos formais da legislação de  regência (apresentação de DCOMP).  Nesse passo, a Embargante pede que esta Turma se manifeste também sobre:  o marco inicial da actio nata de aproveitamento do saldo negativo; e o direito creditório agora  em debate como um direito potestativo, que não pode ser contestado por mero descumprimento  de formalidade (compensação realizada na escrita e não por meio de DCOMP).  Fl. 236DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA Processo nº 11610.000868/2007­22  Acórdão n.º 1802­002.389  S1­TE02  Fl. 10          9 É  importante  destacar  que  a  questão  envolvendo  o  transcurso  do  prazo  estabelecido no art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN (que no meu entendimento é  prazo prescricional), está colocada desde o despacho decisório da Delegacia de origem.  Também  cabe  consignar  que  os  embargos  de  declaração  não  servem  para  provocar a apreciação de novos argumentos, que não haviam sido apresentados anteriormente  pela parte interessada.  De qualquer modo, vale registrar que nem mesmo o STF, quando julgou o já  referido RE 566.621/RS, tratando da inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC nº  118/05, fez qualquer tipo de dilação do prazo prescricional para repetição de indébito em razão  da  alteração  legal  promovida  pela  referida  Lei  Complementar,  mesmo  para  indébitos  que  fossem anteriores a ela.  Quanto à abordagem do direito creditório como um direito potestativo,  isso  também não modifica o fato de que a Contribuinte só realizou efetivamente o procedimento de  compensação,  na  forma  que  a  lei  autoriza,  em  26/01/2007,  quando  já  transcorrido  o  prazo  estabelecido no art. 168, I, do Código Tributário Nacional – CTN.  Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar os embargos de declaração.     (assinado digitalmente)  José de Oliveira Ferraz Corrêa                                 Fl. 237DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA

score : 1.0
5734171 #
Numero do processo: 13558.000113/2005-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 AJUSTE ANUAL. ANO-CALENDÁRIO 1999. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei n° 8.383/91, o IRPJ sujeita-se a lançamento por homologação. Assim, sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. ANO-CALENDÁRIO 2000. CONCOMITÂNCIA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de oficio, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de oficio sobre uma mesma infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. ANOS-CALENDÁRIO 2001 a 2004. Optando pela apuração anual dos lucros, fica a pessoa jurídica obrigada a recolher estimativas mensais e, se não o faz, sujeita-se a multa isolada, mesmo que já encerrado o ano-calendário correspondente.
Numero da decisão: 1101-001.199
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201409

camara_s : Primeira Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 AJUSTE ANUAL. ANO-CALENDÁRIO 1999. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA A Câmara Superior de Recursos Fiscais uniformizou jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei n° 8.383/91, o IRPJ sujeita-se a lançamento por homologação. Assim, sendo, o prazo para efeito da decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. ANO-CALENDÁRIO 2000. CONCOMITÂNCIA. Encerrado o período de apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada em lançamento de oficio, por falta de recolhimento de tributo por estimativa, sob pena de dupla incidência de multa de oficio sobre uma mesma infração. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. ANOS-CALENDÁRIO 2001 a 2004. Optando pela apuração anual dos lucros, fica a pessoa jurídica obrigada a recolher estimativas mensais e, se não o faz, sujeita-se a multa isolada, mesmo que já encerrado o ano-calendário correspondente.

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13558.000113/2005-73

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5401087

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1101-001.199

nome_arquivo_s : Decisao_13558000113200573.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA

nome_arquivo_pdf_s : 13558000113200573_5401087.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ACOLHER e PROVER os embargos de declaração, sem efeitos infringentes, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Aurélio Pereira Valadão (presidente da turma), Edeli Pereira Bessa, Paulo Mateus Ciccone, Marcos Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.

dt_sessao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014

id : 5734171

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:18 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252644134912

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2420; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C1T1  Fl. 2          1 1  S1­C1T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13558.000113/2005­73  Recurso nº               Embargos  Acórdão nº  1101­001.199  –  1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  25 de setembro de 2014  Matéria  IRPJ ­ Multa Isolada ­ Estimativas  Embargante  PROCURADORIA DA FAZENDA NACIONAL  Interessado  BAHIA COMÉRCIO DE CACAU LTDA    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004  EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.   OBSCURIDADE.  Confirmado  o  descompasso  entre  o  resultado  do  julgamento e a exposição contida na ementa e no voto condutor do julgado, o  conteúdo  deve  ser  ajustado  para  refletir  a  decisão  do  Colegiado,  reformulando­se integralmente a ementa nos termos seguintes.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004  AJUSTE  ANUAL.  ANO­CALENDÁRIO  1999.  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  uniformizou  jurisprudência no sentido de que, a partir da Lei n° 8.383/91, o IRPJ sujeita­ se  a  lançamento  por  homologação.  Assim,  sendo,  o  prazo  para  efeito  da  decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador.  MULTA  ISOLADA.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  ANO­CALENDÁRIO  2000.  CONCOMITÂNCIA.  Encerrado  o  período  de  apuração do tributo, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter  eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido,  apurado na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de  multa  isolada em lançamento de oficio, por  falta de recolhimento de tributo  por  estimativa,  sob  pena  de dupla  incidência  de multa  de oficio  sobre uma  mesma infração.  MULTA  ISOLADA.  FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS.  ANOS­CALENDÁRIO  2001  a  2004.  Optando  pela  apuração  anual  dos  lucros,  fica  a  pessoa  jurídica  obrigada  a  recolher  estimativas mensais  e,  se  não  o  faz,  sujeita­se  a  multa  isolada,  mesmo  que  já  encerrado  o  ano­ calendário correspondente.         AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 01 13 /2 00 5- 73 Fl. 698DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 3          2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  ACOLHER e PROVER os  embargos  de declaração,  sem  efeitos  infringentes,  nos  termos  do  relatório e voto que integram o presente julgado.    (documento assinado digitalmente)  MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO ­ Presidente.     (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA ­ Relatora  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Aurélio  Pereira  Valadão  (presidente  da  turma),  Edeli  Pereira  Bessa,  Paulo Mateus  Ciccone, Marcos  Vinícius Barros Ottoni e Marcelo de Assis Guerra.  Fl. 699DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 4          3   Relatório  Na sessão plenária de 09 de março de 2010 foi julgado o recurso voluntário  interposto  nestes  autos.  A  decisão  está  formalizada  no  Acórdão  nº  1101­00.256,  assim  ementado:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA ­ IRPJ   Ano­calendário: 2000   IRPJ  —  AUTO  DE  INFRAÇÃO  —  BASE  DE  CÁLCULO  —  ESTIMATIVAS  MENSAIS  —  INSUFICIÊNCIA  —  IMPOSSIBILIDADE  —  Encerrado  o  ano­ calendário, é defeso à Fiscalização formalizar exigência de crédito que corresponda  a diferença de imposto de renda e contribuição social recolhidos com insuficiência,  quando  feita  opção  para  pagamento  por  estimativa.  Ocorrida  a  hipótese  de  incidência  do  tributo,  o  lançamento  tributário  deve  contemplar  a  diferença  do  tributo efetivamente devido por ocasião do encerramento do período ­base e o valor  apurado segundo a declaração de ajuste anual.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA – IRPJ  Ano­calendário: 2001, 2002, 2003, 2004   MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  ANOS­ CALENDÁRIO 2001 a 2004. Optando pela apuração anual dos lucros, fica a pessoa  jurídica obrigada a recolher estimativas mensais e, se não o faz, sujeita­se a multa  isolada, mesmo que já encerrado o ano­calendário correspondente.  Cientificada  em  11/01/2011  (fl.  457),  a  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  opôs, tempestivamente, embargos em 17/01/2011 (fls. 458/466), nos quais aponta os seguintes  vícios no julgado:  · O primeiro excerto da ementa não espelha o conteúdo do  julgado, mas  sim o entendimento vencido do Conselheiro Relator; e  · A ementa não contempla qualquer  referência à decadência ou exclusão  da  multa  isolada  por  concomitância  no  ano­calendário  2000,  embora  estas matérias tenham sido deliberadas pelo Colegiado.  A exigência veiculada nestes autos refere­se a falta de recolhimento de IRPJ  devido nos  ajustes  anuais de 1999 e 2000,  além de  falta de  recolhimento de  estimativas nos  anos­calendário 2000 a 2004, estas submetidas à aplicação de multa  isolada no percentual de  75%, reduzido a 50% na decisão de 1a instância.   A ata da sessão de julgamento indica que assim deliberou o Colegiado:  Recurso:  165752  –  Processo:  13558.000113/2005­73  –  Recorrente:  BAHIA  COMÉRCIO DE CACAU LTDA. – Recorrida: 1a. TURMA/DRJ­SALVADOR/BA –  Matéria: IRPJ – Ex(s): 2000 a 2005. – Decisão: Por unanimidade de votos, DERAM  provimento  ao  recurso,  para  acolher  a  decadência  no  ano  de  1999,  suscitada  de  ofício  pelo  relator.  No  mérito:  i)  Por  maioria  de  votos,  DERAM  provimento  PARCIAL  ao  recurso  para  excluir  a  multa  isolada  por  concomitância  no  ano  Fl. 700DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 5          4 calendário  de  2000.  Vencidos  os  Conselheiros  Edeli  Pereira  Bessa  e  Carlos  Eduardo de Almeida Guerreiro. A Conselheira Edeli Pereira Bessa fará declaração  de  voto,  e  ii) Em  relação às  demais  exigências,  a  partir  de  2001,  por maioria  de  votos,  NEGARAM  provimento  ao  recurso.  Vencidos  os  Conselheiros  Alexandre  Andrade Lima da Fonte Filho  e  José Ricardo da Silva  (Relator). Designada para  redigir o voto vencedor, quanto à multa isolada, a Conselheira Edeli Pereira Bessa.  Acompanhou o julgamento o patrono da recorrente, Dr. Cleber Renato de Oliveira,  inscrito na OAB/SP sob o nº. 250115. – Acórdão nº. 1101­00.256.  Por  meio  do  Despacho  nº  1100­00.283  os  embargos  foram  admitidos  porque  constatado que, de fato, na formalização do voto, o Conselheiro Relator deixou de consignar as  razões para declarar, de ofício, a decadência das exigências pertinentes ao ano­calendário 1999.  Quanto à contradição entre a primeira parte da ementa e a deliberação do Colegiado acerca da  multa isolada exigida no ano­calendário 2000, observou­se que o Conselheiro Relator manteve  no voto condutor do  julgado seu entendimento  inicialmente apresentado, e que se prestava  à  exclusão da exigência em todos os períodos de apuração. Não foi feita, portanto, a necessária  adequação ao aspecto que, para a maioria do Colegiado, foi determinante para dar provimento  ao recurso voluntário apenas em relação à exigência do ano­calendário 2000 (fls. 696).    Fl. 701DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 6          5 Voto             Conselheira EDELI PEREIRA BESSA  Inicia­se  pela  omissão  apontada  pela  embargante  acerca  das  razões  para  declarar,  de  ofício,  a  decadência  das  exigências  referentes  ao  ano­calendário  1999.  Neste  período, foi lançada parcela de IRPJ devido no ajuste anual e não recolhido ou declarado, no  valor principal de R$ 5.671,55. A ciência do lançamento ocorreu em 15/02/2005.  À época do julgamento o Regimento Interno do CARF ainda não havia sido  alterado pela Portaria MF nº 586/2010 determinando a observância das decisões definitivas de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática  prevista  pelos  artigos  543­B  e  543­C  da  Lei  nº  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973,  Código  de  Processo  Civil.  Em  tais  circunstâncias,  o  Conselheiro  Relator  José  Ricardo  da  Silva  sempre  se manifestou  em  favor  da  contagem  do  prazo decadencial  na  forma do art.  150, §4o  do CTN,  com  fundamentos  semelhantes  ao que  expôs no voto condutor do Acórdão nº 1101­00.251:  Esta Câmara  já firmou jurisprudência no sentido de que nos casos de lançamento  por  homologação,  o  termo  inicial  para  a  contagem  do  prazo  decadencial  é  o  primeiro dia após a ocorrência do fato gerador.  Entre  outros  julgados,  transcrevo  a  ementa  do  Acórdão  n°  101­93.783,  de  21  de  março de 2002, com a seguinte redação:  PRELIMINAR  DE  DECADÊNCIA  A  Câmara  Superior  de  Recursos  Fiscais  uniformizou  jurisprudência  no  sentido  de  que,  a  partir  da  Lei  n°  8.383/91,  o  IRPJ  sujeita­se  a  lançamento  por  homologação.  Assim,  sendo,  o  prazo  para  efeito  da  decadência é de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Recurso provido.  Deve­se ressaltar que a jurisprudência deste Colegiado é pacifica no sentido de que  a aplicação do § 4° do art. 150 do CTN pressupõe o lançamento por homologação.  Assim,  sendo  o  lançamento  de  IRPJ  por  homologação,  o  prazo  decadencial  é  de  cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador.  Estas  as  razões,  portanto,  para  concluir  que  em  15/02/2005  já  havia  sido  ultrapassado  o  prazo  de  5  (cinco)  anos  contados  a  partir  da  ocorrência  do  fato  gerador  da  exigência cancelada (31/12/1999).  Assim,  com  referência  à  omissão  das  razões  de  decidir  relativamente  à  exoneração do crédito tributário referente ao ano­calendário 1999, o presente voto é no sentido  de ACOLHER e PROVER os embargos, mas sem efeitos infringentes, para integrar as razões  acima expostas ao voto condutor do acórdão embargado, refletindo­as também em sua ementa.  A embargante aponta outras  imprecisões nas razões e na ementa do julgado  para  exoneração  parcial  das  multas  isoladas  aqui  lançadas.  Consoante  expresso  na  ata  de  julgamento, os integrantes do Colegiado, por maioria de votos, DERAM provimento PARCIAL  ao recurso para excluir a multa isolada por concomitância no ano calendário de 2000. Já em  relação às demais exigências, a partir de 2001, por maioria de votos, NEGARAM provimento  ao recurso.   Fl. 702DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 7          6 O  voto  do  Conselheiro  Relator  José  Ricardo  da  Silva,  vencedor  na  parte  referente à exoneração da multa isolada exigida no ano­calendário 2000, assim expôs:  Como visto do relato, trata­se de lançamento de oficio formalizado em decorrência  do recolhimento a menor do IRPJ, conforme quadros demonstrativos de Apuração  de Débito constantes as fls. 145, 150 a 154.  Porém, de um exame mais detalhado da planilha intitulada "Apuração de Debito",  de  fls.  145,  constata­se  que  a  autoridade  autuante  tomou  como  ponto  de  partida  para a apuração da base de cálculo dos tributos devidos os valores que serviriam  para  a  apuração  do  recolhimento  por  estimativa,  ou  seja,  as  receitas  mensais  auferidas pela contribuinte.  Com efeito, na citada planilha, constam os seguintes períodos como sendo a data do  fato gerador — repita­se que se referem as receitas auferidas pela pessoa jurídica  —outubro  e  novembro  de  2000;  julho,  agosto  e  outubro  de  2001;  outubro  e  novembro de 2002; junho a agosto de 2003; e junho a agosto de 2004, evidenciando  assim, que o auto de  infração  teve como base de cálculo a  receita bruta auferida  pela contribuinte nos mencionados meses.  Na  verdade,  o  regime  de  estimativa  constitui­se  em  mera  antecipação  de  tributo  eventualmente  devido  quando  da  apuração  de  sua  efetiva  base  ímponivel,  sob  o  lucro  real,  como  é  o  caso  da  interessada.  Pode  ocorrer  que  durante  o  ano­ calendário  o  contribuinte  deixe  de  efetuar  pagamentos  ou  o  faça  por  um  valor  insuficiente.  Se a falta ou insuficiência de pagamento for constatada no curso do ano­calendário  e o contribuinte não tiver incluído tais valores na DCTF do período correspondente,  é cabível em procedimento de oficio o lançamento do tributo acrescido da multa de  oficio  (art.  97,  parágrafo  único  da  Lei  n°  8.981/1995).  No  entanto,  após  o  encerramento do ano­calendário, não faz sentido exigir o tributo que deixou de ser  recolhido com base na estimativa, pois já é sabido o valor efetivamente devido, que,  inclusive,  pode  não  existir,  caso  seja  apurado  prejuízo  fiscal  ou  base  de  cálculo  negativa para a CSLL.  Ocorre  que,  encerrado  o  ano­calendário,  a  contribuinte  elaborou  balanço  patrimonial, a demonstração do resultado do exercício, bem como a demonstração  do  lucro  real,  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  devido  referente  aos  anos­ calendário auditados.  E, com base nas referidas demonstrações financeiras a contribuinte apresentou as  suas  declarações de  rendimentos,  bem antes  de  qualquer  ação  fiscal,  declarações  estas que representam o citado encontro de contas entre o fisco e o sujeito passivo  da  obrigação  tributária. Ocasião  em que não  restou  evidenciada a  ocorrência do  fato gerador.  Ora,  o  recolhimento  mensal  por  estimativa  se  reveste,  na  hipótese,  de  uma  característica  de  provisoriedade,  onde  encerrado  o  ano­calendário  é  calculado  o  Montante do tributo efetivamente devido, podendo resultar, na declaração de ajuste,  recolhimento a maior, por estimativa, no curso do ano­calendário, caso em que a  contribuinte tem direito à restituição ou compensação, ou ainda uma diferença de  tributo a ser recolhido ou, ainda, o empate das contas.  O  certo  é  que,  no  presente  caso,  a  contribuinte,  embora  não  tivesse  recolhido  as  estimativas, uma vez concluído o período anual de incidência do imposto e entregue  a  Declaração  de  Rendimentos,  restando,  portanto,  encerrado  o  ciclo  provisório,  mediante a definição das bases de cálculo declaradas pela contribuinte. Além disso,  consta  dos  autos  que  a  contribuinte  ingressou  no  PAES,  tendo  incluído  no  parcelamento valores devidos nos anos­calendário fiscalizados.  Fl. 703DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 8          7 Estes fatos evidenciam que o regime de recolhimento mensal por estimativa tem, na  sua gênese, um entendimento de previsibilidade de que o montante do tributo devido  no  curso  do  ano­calendário,  quando  a  contribuinte  opta  pela  apuração  anual  do  lucro real, ao final do ano­calendário deveria corresponder ao montante do tributo  devido  no  período,  em  tese,  ou  em  valor  bastante  aproximado  ao  efetivamente  devido  que  viesse  a  ser  apurado,  pouco  mais,  pouco  menos,  tendo  em  vista  ser  quantificado a partir da aplicação de determinado percentual sobre a receita bruta  mensal,  porém  não  contempla  os  efeitos  de  fatores  adversos  não  previstos  ou  previstos  inadequadamente,  excetuada a possibilidade dos balanços ou balancetes  de  suspensão,  ainda  assim,  sujeitando­se  o  resultado  do  exercício  As  imprevisibilidades possíveis de ocorrer no curso do ano­calendário, a evidenciar a  necessidade de um "ajuste fino" no referido regime de recolhimento mensal.  Pelo exposto, conclui­se que o lançamento, da forma como foi constituído, não pode  prosperar,  pois  o  auto  de  infração  foi  lavrado  com  base  inócua,  ou  seja,  a  autoridade fiscal tornou como base de cálculo os valores que seriam devidos a titulo  de estimativa, tendo deduzido os valores declarados e efetivamente recolhidos pela  contribuinte. Tudo isso, após o encerramento dos períodos ­base em questão.  Ressalte­se, por oportuno, que a contribuinte já havia apurado a base de cálculo em  cada um dos períodos­base e entregue as DIPJs nas datas estabelecidas.  Assim,  não  é  cabível  a  manutenção  do  tributo  em  questão,  tampouco  da  multa  isolada, visto que a base de cálculo utilizada não tem qualquer fundamento legal.  De fato, o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva manteve em seu voto as  mesmas  razões  originalmente  apresentadas  para  cancelamento  integral  das  multas  isoladas  exigidas  nestes  autos,  sem  promover  a  necessária  adequação  em  razão  do  entendimento  predominante de que não subsistiriam, apenas, as multas isoladas exigidas concomitantemente  com o ajuste anual de 2000. Colhe­se do voto condutor do Acórdão nº 1101­00.136, também  de  lavra  do  Conselheiro  José  Ricardo  da  Silva,  sua  oposição  à  exigência  de  multa  isolada  cumulada com a multa de ofício aplicada sobre o ajuste anual do mesmo período:  O artigo  44  da Lei  n°  9.430/96,  ao  especificar  as multas  aplicáveis  nos  casos de  lançamento de oficio, no seu inciso IV, do § 1o, prevê a cobrança da referida multa,  isoladamente, no caso em que o contribuinte deixa de efetuar os recolhimentos por  estimativa,  quando  apurado  prejuízo  real  no  ano­calendário  correspondente  ou  quando o imposto já tiver sido recolhido.  Ainda,  a  legislação  autoriza  a  cobrança  de  tal  multa,  isoladamente,  quando  em  procedimento fiscal verificar­se a falta do recolhimento da estimativa e quando não  houver imposto a ser cobrado pelo fato da contribuinte ter apurado prejuízo fiscal  ou base de calculo negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido.  Admitir a aplicação da multa de oficio cumulativamente com a multa isolada, pela  falta  de  recolhimento  da  estimativa  sobre  os  valores  apurados  em  procedimento  fiscal, significaria admitir que, sobre imposto apurado de oficio, se aplicassem duas  punições, atingindo valores  idênticos ou superiores ao das penalidades cominadas  para  faltas  qualificadas.  Tal  penalidade  seria  desproporcional  ao  proveito  obtido  com a falta.  Além do mais, transpondo para o Direito Tributário, tendo em vista as disposições  do artigo 112 do CTN, haja vista a sua semelhança com o Direito Penal em relação  aos bens de interesse público protegidos por ambos, as disposições do artigo 70 do  Código Penal, conclui­se que, quando o agente, mediante uma só ação ou omissão,  pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não, aplica­se­lhe a mais grave das penas  Fl. 704DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 9          8 cabíveis ou, se iguais, somente uma delas, mas aumentada, em qualquer caso, de um  sexto até metade.  A  legislação tributária nem mesmo permite a aplicação concomitante da multa de  mora com a multa de oficio que é muito menos onerosa. Por decorrência, deve ser  cancelada  a  multa  por  falta  de  recolhimento  do  imposto  por  estimativa  ou  por  balanço de suspensão/redução.  Esta matéria já tem jurisprudência formada no Primeiro Conselho de Contribuintes  e  com  decisão  favorável  ao  sujeito  passivo  e  entre  outros  acórdão,  podem  ser  transcritas as seguintes ementas:  "MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO. PAGAMENTO POR ESTIMATIVA. Não comporta a cobrança de  multa  isolada  em  lançamento  de  oficio,  por  falta  de  recolhimento  de  imposto  por  estimativa em ajustes efetuados pela fiscalização, com a glosa de adições/exclusões ao  lucro liquido na determinação do lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de  oficio  sobre  o  mesmo  fato  apurado  em  procedimento  de  oficio."  (Acórdão  n°  101­ 93.939, de 17/09/2002)  "PENALIDADE.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFICIO  (ISOLADA).  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  PAGAMENTO  POR  ESTIMATIVA.  Não  comporta  a  cobrança  de  multa  isolada  em  lançamento  de  oficio,  por  falta  de  recolhimento  de  imposto  por  estimativa  em  de  ajustes  efetuados  pela  fiscalização,  com  a  glosa  de  custos/despesas operacionais e adições e exclusões ao lucro liquido na determinação do  lucro real, sob pena de dupla incidência de multa de oficio sobre uma mesma infração."  (Acórdão no 101­93.692, de 05/12/2001)  "PENALIDADE. FALTA DE RECOLHIMENTO DA CSLL SOB BASE ESTIMADA.  Incabível a aplicação concomitante da multa de lançamento de oficio e da multa isolada  por falta de recolhimento da estimativa calculada sobre os mesmos valores apurados em  procedimento fiscal." (Acórdão n°103­20.475, de 07/12/2000)  "IRPJ ­ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA — MULTA ISOLADA ­ Encerrado o  período de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa  deixa de  ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do  imposto efetivamente  devido  apurado,  com  base  no  lucro  real,  em  declaração  de  rendimentos  apresentada  tempestivamente,  revelando­se  improcedente  e  cominação  de  multa  sobre  eventuais  diferenças se o imposto recolhido superou, largamente, o efetivamente devido. Recurso  provido." (Acórdão no 103­20.572, de 19/04/2001)."  "MULTA  ISOLADA DE  LANÇAMENTO DE OFÍCIO —CABIMENTO  ­  A  multa  isolada  de  lançamento  de  oficio  só  tem  cabimento  na  existência  do  seu  pressuposto  fundamental  como  seja  a  falta  de  recolhimento  de  imposto.  Não  enseja  assim  sua  aplicação  a  pratica  de  qualquer  i  lícito,  com  ênfase  para  formal,  que  não  denote  inadimplência  do  sujeito  passivo  a  qualquer  obrigação  principal.  Recurso  provido."  (Acórdão n°103­20.931, de 22/05/2002)  "CSSL  LUCRO  REAL  ANUAL.  ESTIMATIVA  MENSAL.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  FISCALIZAÇÃO  ANTES  E  APÓS  A  ENTREGA  DA  DIRPJ.  MULTAS  DE  OFÍCIO  ISOLADA  E  EM  CONJUNTO  SUBSISTÊNCIA  PARCIAL  DA TRIBUTAÇÃO. Não podem prosperar a incidência da multa de oficio isolada sobre  os valores mensais estimados não­recolhidos e a exigência de multa associada a parcela  defluente da apuração anual, tendo em vista que aquela, por ser mera antecipação desta,  esta aquela contém. Subsistirá a exigência da multa isolada quando a ação fiscal se der  no curso do ano­calendário, desde que indisponíveis as demonstrações financeiras, em  toda a sua extensão e profundidade, do período investigado." (Acórdão n° 103­ 20.662,  de 20/07/2001)  "MULTA — Art.  44  da Lei  no  9.430/96. A multa  de  oficio,  lançada  pela  autoridade  tributária,  não  pode  ser  calculada  sobre  valor  superior  ao  montante  da  falta  ou  Fl. 705DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 10          9 insuficiência de recolhimento do imposto. Recurso provido." (Acórdão n° 105­ 12.986,  de 09/11/1999)  "PENALIDADE. MULTA  ISOLADA  ­  LANÇAMENTO DE OFICIO  ­  FALTA DE  RECOLHIMENTO ­ PAGAMENTO POR ESTIMATIVA ­ Não comporta a cobrança  de multa  isolada  em  lançamento de oficio,  por  falta de  recolhimento da Contribuição  Social  Sobre  o  Lucro  Liquido  devido  por  estimativa  em  ajustes  efetuados  pela  fiscalização  após  o  encerramento  do  ano  calendário."  (Acórdão  n°  107­07.047,  de  19/03/2003)  "MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO ISOLADA ­ INAPLICABILIDADE ­ No  pagamento  espontâneo  de  tributos,  sob  o  manto,  pois,  do  instituto  da  denúncia  espontânea,  não  cabível  a  imposição  de  qualquer  penalidade,  sendo  certo  que  a  aplicação da multa de que trata a Lei 9.430/96 somente tem guarida no recolhimento de  tributos feitos no período da graça de que trata o artigo 47 da Lei 9.430/96, sem a multa  de procedimento espontâneo." (Acórdão n° 107­06.591, de 17/04/2002)  "PENALIDADE.  MULTA  DE  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO  (ISOLADA).  FALTA  DE  RECOLHIMENTO.  PAGAMENTO  POR  ESTIMATIVA.  Não  comporta  a  cobrança  de  multa  isolada  em  lançamento  de  oficio  por  falta  de  recolhimento  de  imposto por estimativa em ajustes efetuados pela  fiscalização após o encerramento do  ano calendário, com glosa de prejuízos compensados além do percentual permitido pela  Lei no 8.891/95, arts. 42 e 58 na determinação do lucro real." (Acórdão n° 107­ 06.894,  de 04/12/2002)  No caso,  tem  razão a  recorrente quando diz que a  fiscalização pretende  cobrar a  multa  de  lançamento  de  oficio  incidente  sobre  tributo  lançado,  também de  oficio,  concomitantemente  com  a  multa  de  lançamento  de  oficio,  isolada,  sobre  a  insuficiência/falta calculada em decorrência da mesma infração.  Desta  forma,  sou  pelo  provimento  do  recurso  voluntário  relativamente  a  multa  isolada, lançada de oficio.  Também a ementa do Acórdão nº 1101­00.136 presta­se a melhor  refletir o  que decidido em relação à multa isolada exigida no ano­calendário 2000:  PENALIDADE. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO (ISOLADA). FALTA DE  RECOLHIMENTO.  PAGAMENTO  POR  ESTIMATIVA —Encerrado  o  período  de  apuração  do  tributo,  a  exigência  de  recolhimentos  por  estimativa  deixa  de  ter  eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, apurado  na ação fiscal com base no lucro real. Não comporta a cobrança de multa isolada  em  lançamento  de  oficio,  por  falta  de  recolhimento de  tributo  por  estimativa,  sob  pena de dupla incidência de multa de oficio sobre uma mesma infração  Por  tais  razões,  com  referência  à  obscuridade/contradição  nas  razões  de  decidir  relativamente  à  exoneração  da  multa  isolada  exigida  no  ao  ano­calendário  2000,  o  presente  voto  é  no  sentido  de  ACOLHER  e  PROVER  os  embargos,  mas  sem  efeitos  infringentes, para integrar as razões acima expostas ao voto condutor do acórdão embargado,  refletindo­as também em sua ementa.  Registre­se,  por  fim,  que  na  ementa  do  acórdão  embargado  está  refletido  o  entendimento  do  Colegiado  acerca  das  multas  isoladas  aplicadas  a  partir  do  ano­calendário  2001, na linha do que exposto no voto vencedor de lavra desta Relatora:  Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ  Ano­calendário:2001, 2002, 2003, 2004   Fl. 706DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13558.000113/2005­73  Acórdão n.º 1101­001.199  S1­C1T1  Fl. 11          10 MULTA  ISOLADA.  FALTA  DE  RECOLHIMENTO  DE  ESTIMATIVAS.  ANOS­ CALENDÁRIO 2001 a 2004. Optando pela apuração anual dos lucros, fica a pessoa  jurídica obrigada a recolher estimativas mensais e, se não o faz, sujeita­se a multa  isolada, mesmo que já encerrado o ano­calendário correspondente.  É como voto.    (documento assinado digitalmente)  EDELI PEREIRA BESSA – Relatora                                Fl. 707DF CARF MF Impresso em 25/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 24/11/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

score : 1.0
5643390 #
Numero do processo: 13811.001867/00-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO.
Numero da decisão: 9303-002.881
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandez, OAB/DF nº 7.100, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI - AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por força do art. 62-A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. É lícita a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas de produtores. No ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em espécie ou compensação com outros tributos). RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13811.001867/00-35

anomes_publicacao_s : 201410

conteudo_id_s : 5384154

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 9303-002.881

nome_arquivo_s : Decisao_138110018670035.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : RODRIGO DA COSTA POSSAS

nome_arquivo_pdf_s : 138110018670035_5384154.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso especial. Fez sustentação oral o Dr. Amador Outerelo Fernandez, OAB/DF nº 7.100, advogado do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).

dt_sessao_tdt : Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014

id : 5643390

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:24 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252652523520

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2169; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 409          1  408  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13811.001867/00­35  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.881  –  3ª Turma   Sessão de  20 de fevereiro de 2014  Matéria  IPI ­ Ressarcimento.  Recorrente  GRANOL INDÚSTRIA COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO S/A  Interessado  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000  CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI ­ AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E  COOPERATIVAS. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE.  As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede recursos repetitivos, por  força do art. 62­A do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no  Julgamento deste Tribunal Administrativo.   É  lícita  a  inclusão,  na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  de  IPI,  dos  valores pertinentes às aquisições de matérias­primas, produtos intermediários  e material de embalagens, efetuadas junto a pessoas físicas e a cooperativas  de produtores. No  ressarcimento/compensação de crédito presumido de  IPI,  em que atos normativos  infralegais obstaculizaram o creditamento por parte  do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde  o protocolo do pedido até o efetivo ressarcimento do crédito (recebimento em  espécie ou compensação com outros tributos).  RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE PROVIDO.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  ao  recurso  especial.  Fez  sustentação  oral  o  Dr.  Amador  Outerelo  Fernandez,  OAB/DF nº 7.100, advogado do sujeito passivo.  (assinado digitalmente)  Marcos Aurélio Pereira Valadão ­ Presidente Substituto     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 18 67 /0 0- 35 Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO     2  (assinado digitalmente)  Rodrigo da Costa Pôssas ­ Relator    Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Henrique  Pinheiro  Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa  Pôssas,  Francisco Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Fabiola  Cassiano  Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).    Relatório  Trata­se  de  Recurso  Especial  de  Divergência  tempestivo,  interposto  pelo  contribuinte ao amparo do art. 64, II e 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face  do  Acórdão  nº  202­18.629  proferido  pela  Segunda  Câmara  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes, cuja ementa se transcreve a seguir:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS — IPI  Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000  RESSARCIMENTO. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96.  EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS NT.  Não há direito aos créditos de IPI em relação ás aquisições de  insumos  aplicados  na  fabricação  de  produtos  classificados  na  TIPI  como  NT.  Sumula  nº  13  do  Segundo  Conselho  de  Contribuintes.  AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E DE COOPERATIVAS.  Não se incluem na base de cálculo do incentivo os insumos que  não  sofreram  a  incidência  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins na operação de fornecimento ao produtor exportador.  ATUALIZAÇÃO  MONETÁRIA.  TAXA  SELIC.  NÃO  CABIMENTO.  A  taxa  Selic  é  imprestável  como  instrumento  de  correção  monetária,  não  se  justificando a  sua adoção,  por analogia,  em  processos  de  ressarcimento  de  créditos  incentivados,  por  implicar  concessão  de  um  "plus"  que  não  encontra  previsão  legal.  Recurso negado.    As  controvérsias  suscitadas  se  referem  à  inclusão  na  base  de  cálculo  do  crédito presumido de IPI previsto na Lei nº 9.363, de 1996, dos valores relativos às aquisições  Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 13811.001867/00­35  Acórdão n.º 9303­002.881  CSRF­T3  Fl. 410          3  de  insumos  de  pessoas  físicas  e  de  cooperativas  e  à  incidência  da  taxa  Selic  sobre  os  ressarcimentos de créditos presumidos de IPI.  É o relatório.  Voto             O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e deve ser admitido.  Aquisições  de  pessoas  físicas  e  cooperativas  e  atualização  do  ressarcimento pela selic.  A  matéria  devolvida  ao  Colegiado,  agora  pelo  contribuinte,  cinge­se  às  questões da inclusão dos valores pertinentes às aquisições de pessoas físicas e cooperativas na  base  de  cálculo  do  crédito  presumido  de  IPI,  e,  também,  a  da  aplicação  da  Selic  sobre  os  créditos presumidos de IPI, a ressarcir.  Esse tema tem sido objeto de acirrados debates no CARF, ora prevalecendo a  posição contrária da Fazenda Nacional ora a dos contribuintes, dependendo da composição das  Turmas de Julgamento.  Todavia,  com  a  alteração  regimental,  que  acrescentou  o  art.  62­A  ao  Regimento  Interno  do  Carf,  as  decisões  do  Superior  Tribunal  de  Justiça,  em  sede  recursos  repetitivos  devem  ser  observados  no  Julgamento  deste Tribunal Administrativo. Assim,  se  a  matéria foi  julgada pelo STJ, em sede de recurso repetitivo, a decisão de lá deve ser adotada  aqui, independentemente de convicções pessoais dos julgadores.   Essa  é  justamente  a hipótese dos  autos,  em que o STJ,  em sede de  recurso  repetitivo versando sobre matéria idêntica à do recurso ora sob exame, decidiu1 que,   O  crédito  presumido  de  IPI,  instituído  pela  Lei  9.363/96,  não  poderia  ter  sua  aplicação  restringida  por  força  da  Instrução  Normativa SRF 23/97, ato normativo secundário, que não pode  inovar no ordenamento jurídico, subordinando­se aos limites do  texto legal.   .........................................................................................................  Conseqüentemente,  sobressai  a  "ilegalidade"  da  instrução  normativa que extrapolou os limites impostos pela Lei 9.363/96,  ao excluir, da base de cálculo do benefício do crédito presumido  do  IPI,  as  aquisições  (relativamente  aos  produtos  oriundos  de  atividade rural) de matéria­prima e de insumos de fornecedores  não sujeito à tributação pelo PIS/PASEP e pela COFINS.  É  que:  (i)  "a  COFINS  e  o  PIS  oneram  em  cascata  o  produto  rural  e,  por  isso,  estão  embutidos  no  valor  do  produto  final  adquirido  pelo  produtor­exportador,  mesmo  não  havendo                                                    1 AgRg no AgRg no REsp 1088292 / RS  AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL  2008/0204771­7   Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO     4  incidência na  sua última aquisição";  (ii)  "o Decreto 2.367/98  ­  Regulamento do IPI ­, posterior à Lei 9.363/96, não fez restrição  às aquisições de produtos rurais"; e  (iii) "a base de cálculo do  ressarcimento  é  o  valor  total  das  aquisições  dos  insumos  utilizados  no  processo  produtivo  (art.  2º),  sem  condicionantes"  (REsp 586392/RN).  .................................................................................................  A  oposição  constante  de  ato  estatal,  administrativo  ou  normativo,  impedindo  a  utilização  do  direito  de  crédito  de  IPI  (decorrente  da  aplicação  do  princípio  constitucional  da  não­ cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural  (assim  considerado  aquele  oportunamente  lançado  pelo  contribuinte  em  sua  escrita  contábil),  exsurgindo  legítima  a  incidência  de  correção monetária,  sob  pena  de  enriquecimento  sem  causa  do  Fisco  (Aplicação  analógica  do  precedente  da  Primeira  Seção  submetido  ao  rito  do  artigo  543­C,  do  CPC:  REsp  1035847/RS,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  24.06.2009, DJe 03.08.2009).  Essa  decisão  foi  proferida,  justamente,  em  julgamento  relativo  a  pedido  de  ressarcimento/compensação de crédito presumido de IPI, de que trata a lei 9.363/1996, em que  atos  normativos  infralegais  obstaculizaram  a  inclusão  na  base  de  cálculo  do  incentivo  das  compras realizadas junto a pessoas físicas e cooperativas.  Com  essas  considerações,  em  que  pese  a  minha  discordância  quanto  ao  tratamento da matéria pelo STJ, por  força  regimental,  curvo­me a decisão do STJ, e passo a  admitir a inclusão, na base de cálculo do crédito presumido de IPI, dos valores pertinentes às  aquisições  de  matérias­primas,  produtos  intermediários  e  material  de  embalagens,  efetuadas  junto a pessoas físicas e a cooperativas, e, sobre os créditos a ressarcir, a incidência da Selic,  desde  o  protocolo  do  pedido  até  o  efetivo  ressarcimento  (recebimento  em  espécie  ou  compensação com outros tributos).   Diante  de  todo  o  exposto  voto  pelo  provimento  do  Recurso  Especial  interposto pelo contribuinte.    Rodrigo da Costa Possas ­ Relator                                Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 28/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO

score : 1.0
5694341 #
Numero do processo: 10983.905057/2008-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL. A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3403-003.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maoria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS. INTIMAÇÃO FISCAL. A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito. ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido.

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10983.905057/2008-08

anomes_publicacao_s : 201411

conteudo_id_s : 5395058

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.219

nome_arquivo_s : Decisao_10983905057200808.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA

nome_arquivo_pdf_s : 10983905057200808_5395058.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maoria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Luiz Rogério Sawaya Batista - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014

id : 5694341

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:26 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047252659863552

conteudo_txt : Metadados => date: 2014-10-27T00:48:45Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2014-10-27T00:48:32Z; Last-Modified: 2014-10-27T00:48:45Z; dcterms:modified: 2014-10-27T00:48:45Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:978651de-5a49-46a7-b7f1-2a887e6d8ac3; Last-Save-Date: 2014-10-27T00:48:45Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2014-10-27T00:48:45Z; meta:save-date: 2014-10-27T00:48:45Z; pdf:encrypted: true; modified: 2014-10-27T00:48:45Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2014-10-27T00:48:32Z; created: 2014-10-27T00:48:32Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; Creation-Date: 2014-10-27T00:48:32Z; pdf:charsPerPage: 1760; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2014-10-27T00:48:32Z | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 5          1 4  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10983.905057/2008­08  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3403­003.219  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  21 de agosto de 2014  Matéria  PAGAMENTO A MAIOR ­ PER/DCOMP ­ RETENÇÃO NA FONTE FEITA  POR ÓRGÃO PÚBLICO  Recorrente  CENTRAIS ELETRICAS DE SANTA CATARINA S.A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DOCUMENTOS COMPROBATÓRIOS.  INTIMAÇÃO FISCAL.  A autoridade da competente para decidir sobre a restituição pode condicionar  o  reconhecimento  do  direito  creditório  à  apresentação  de  documentos  comprobatórios do referido direito.  ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL  SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.  Recurso Voluntário Negado  Direito Creditório Não Reconhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maoria  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  integram  o  presente  julgado.  Vencido o Conselheiro Ivan Allegretti.      (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista ­ Relator     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 50 57 /2 00 8- 08 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     2 Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Domingos  de  Sá  Filho,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista  e  Ivan Allegretti.    Relatório    Trata­se  de  recurso  voluntário  contra  acórdão  que  manteve  Despacho  Decisório  eletrônico  não  homologando  compensação  constante  não  homologando  de  PER/DCOMP,  cujo  crédito  tem  origem,  segundo  a  contribuinte,  em  retenções  feitas  pela  Universidade  Federal  de  Santa Catarina.  Segundo  o Despacho  denegatório  o DARF  não  foi  localizado nos sistemas da Receita Federal.  O processo  retornou  a  este Colegiado  após  a Resolução que determinou  ao  órgão de origem se pronunciar sobre  a DCTF  retificadora,  informando, de modo conclusivo,  sobre o seu acatamento e substituição da original ou não, e sobre a existência de pagamento a  maior ou não.  O  pronunciamento  do  Serviço  de  Orientação  e  Análise  Tributária  da  Delegacia da Receita Federal  do Brasil  em Florianópolis SC  foi no  sentido de que não cabe  qualquer  revisão  no  Despacho  Decisório  que  negou  a  compensação  pleitada.  Além  disso,  afirmou que o Recurso Voluntário  sequer poderia  ter  sido conhecido, porquanto  firmado por  pessoa sem poderes de representação para tanto.  Decidiu  o  CARF  que  diante  do  resultado  da  primeira  diligência  há  necessidade de uma nova, desta  feita para  conceder  à Recorrente o prazo de  trinta dias para  sanar a irregularidade na representação processual e, segundo, no mesmo prazo manifestar­se,  se quiser, sobre a diligência já realizada e a ora determinada.  Antes da concessão do prazo acima mencionado, a unidade de origem deve  adotar  procedimentos  semelhantes  aos  realizados  nos  processos  nºs  10983.901218/200886  e  10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não.  Para  tanto,  deve  buscar  junto  ao  SIAFI  os  dados  das  retenções  e,  se  necessário,  solicitar  à  contribuinte  os  Comprovantes  Anuais  de  Retenção  de  IRPJ,  CSLL,  COFINS  e  PIS  fornecidos  por  órgãos  públicos  (incluindo  autarquias  e  fundações  da  administração  pública  federal)  a  pessoas  jurídicas  fornecedoras  de  bens  ou  prestadoras  de  serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96.  A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em  que  alguns  já  restou  sanada  a  representação  processual  e  foram  comprovadas,  ao menos  em  parte, as retenções alegadas. Reforça­se, assim, a necessidade de nova investigação.  Assim, o julgamento foi convertido em nova diligência para que a unidade de  origem:   primeiro,  verifique  as  retenções  alegadas,  seja  por meio  do  sistema SIAFI,  seja  obtendo  junto  à  contribuinte  os  Comprovantes  Anuais  de  Retenção  de  IRPJ,  CSLL,  COFINS e PIS;   Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.905057/2008­08  Acórdão n.º 3403­003.219  S3­C4T3  Fl. 6          3 segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se  restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se  houve  ou  não  compensação  com  os  montantes  devidos,  elaborando  demonstrativo  com  os  valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis; e   terceiro,  intime  o  contribuinte  a,  em  até  trinta  dias,  sanar  a  falha  na  representação de seu Recurso Voluntário e, no mesmo prazo, se quiser, manifestar­se sobre os  resultados das duas diligências realizadas.  A  diligência  retornou  atestando  retenção  de  R$  13.715,75  (código  6147),  realizada pela Universidade Federal de Santa Catarina. E afirma a autoridade que o crédito não  representaria  natureza  jurídica  de  pagamento  indevido  ou  a  maior.  Afirma  ainda  que  a  Recorrente  não  se  aproveitou  do  crédito,  mas  que  não  providenciou  a  retificação  de  sua  Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais.  É o Relatório.    Voto             O Recurso é tempestivo e dele tomo conhecimento.  A única prova existente nos autos é a de que houve retenção na fonte código  de  arrecadação  6147,  assim  mesmo,  com  base  em  um  extrato  do  sistema  SIAFI,  que  nem  mesmo  é  administrado  pela  RFB.  Nem  mesmo  o  DARF  indicado  no  PER  de  fato  existe,  quedando patente que foi forjado pelo contribuinte com o objetivo de contornar as restrições –  deliberada e criteriosamente – criadas nos sistemas PERDCOMP e SCC.  E não se diga que o montante  retido na fonte pela Universidade Federal  de  Santa Catarina é indevido e, portanto, passível de restituição. Enquanto antecipação do devido,  conforme expressamente afirma o § 3° do art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996, os valores retidos  são apenas o produto da multiplicação da alíquota de  incidência pelo valor do pagamento. A  retenção, assim procedida, jamais será passível de restituição. E é essa, justamente, a razão pela  qual o SCC “trava” restituições de recolhimentos com o código 6147.  A  regra  geral  é  a de que se deduzam os valores  retidos do valor devido ao  final  apurado  –  excepcionada  nos  casos  de  tributação  definitiva  na  fonte  ­,  não  se  podendo  dizer,  por  conta  disto,  que  os  valores  retidos  sejam  "pagamentos  indevidos  ou  a maior";  só  depois  de  sua  confrontação  com  os  valores  devidos,  e  da  constatação  de  que  ainda  restam  créditos  favoráveis  ao  sujeito  passivo,  é  que  se  pode  dizer,  tecnicamente,  que  existem  tais  "pagamentos  indevidos  ou  a maior". Antes  disso  não. Reitero:  os  valores  retidos  na  fonte  a  título da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins com base no art. 64 da Lei nº 9.430, de  19961,  não  se  tratam  de  créditos  apurados  passíveis  de  restituição  ou  ressarcimento.  Eles                                                              1 Art. 64. Os pagamentos efetuados por órgãos, autarquias e fundações da administração pública federal a pessoas  jurídicas, pelo  fornecimento  de bens ou prestação de  serviços, estão sujeitos à  incidência, na  fonte, do  imposto  sobre a renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para seguridade social ­ COFINS e da  contribuição para o PIS/PASEP.  § 1° A obrigação pela retenção é do órgão ou entidade que efetuar o pagamento.  Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA     4 ensejam tão­somente sua dedução de débitos da mesma contribuição, conforme o disposto nos  §§ 3° e 4° do art. 64 da Lei nº 9.430, de 1996. Antes de qualquer pleito repetitório, a recorrente  deveria ter levado os valores retidos na fonte à confrontação com os valores devidos relativos  ao mesmo período de apuração, para  só depois,  em restando crédito  favorável, veiculá­lo no  PER.  A  recorrente  descuidou­se  e  deixou  de  incluir  as  retenções  efetuadas  pela  UFSC na apuração da Contribuição. Que providência tomou?  Escriturou em sua contabilidade as retenções na fonte, refazendo seus livros?  Não há prova alguma disso. Aliás, se alega que somente percebeu a existência da retenção em  2004, é provável que o valor nem tenha sido registrado na contabilidade em 2002. Recuperou  junto à fonte pagadora os comprovantes da retenção? Nada consta nesse sentido, pois como já  dito,  a  única  prova  existente  nos  autos  é  um  extrato  do  sistema  SIAFI.  Procedeu  à  nova  apuração da contribuição, desta  feita aproveitando a retenção na fonte para dedução do valor  devido? Desafio o nobre relator a encontrar nos autos uma mísera linha de cálculos. Retificou a  DIPJ e a DCTF respectivas? É verdade: a recorrente apresentou quatro DCTFs retificadoras em  (em  23/11/2004,  07/10/2005,  23/04/2007,  09/05/2007)  e  uma  DIPJ  retificadora  (em  29/03/2007),  ainda  após  a  transmissão  da DComp  (em 14/05/2004). Mas  pasmem:  em  todas  elas, o débito da Cofins teve sempre o mesmo valor: R$ 7.717.262,01.  O contribuinte, até 13/12/2013, data de sua última manifestação no processo,  não refez livros, ou efetuou qualquer correção nas DCTF ou DIPJ, tão somente transmitiu, no  mesmo dia (14/05/2004), um amontoado de DComp2, visando a resolver, de uma tacada, o que  foi feito incorretamente durante quatro anos, provavelmente contando com a histórica leniência  do CARF, que na maior parte desses processos,  acabou  transferindo para  a Administração –  liberalidade injustificada – o ônus de proceder à apuração do direito creditório que já deveria  ser líquido e certo no momento da transmissão da DComp, como se fosse dever do Fisco atuar  como assessoria contábil­fiscal de contribuintes desatentos.  De  acordo  com  a  DCTF  vigente,  o  valor  do  débito  da  Contribuição  de  novembro de 2002 é de R$ 7.717.262,01. Constam do sistema Sinal recolhimentos relativos a  esse  período  de  apuração  nos  valores  de  R$  7.219.619,58  e  R$  497.642,43,  perfazendo  exatamente o valor apurado.  Ante o exposto, nego provimento ao Recurso Voluntário.                                                                                                                                                                                             § 2° O valor  retido, correspondente a cada  tributo ou contribuição, será  levado a crédito da respectiva conta de  receita da União.  § 3° O valor do imposto e das contribuições sociais retido será considerado como antecipação do que for devido  pelo contribuinte em relação ao mesmo imposto e às mesmas contribuições.  §  4°  O  valor  retido  correspondente  ao  imposto  de  renda  e  a  cada  contribuição  social  somente  poderá  ser  compensado com o que for devido em relação à mesma espécie de imposto ou contribuição.  § 5° O imposto de renda a ser retido será determinado mediante a aplicação da alíquota de quinze por cento sobre  o resultado da multiplicação do valor a ser pago pelo percentual de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de  dezembro de 1995, aplicável à espécie de receita correspondente ao tipo de bem fornecido ou de serviço prestado.  § 6° O valor da contribuição social sobre o lucro líquido, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da  alíquota de um por cento, sobre o montante a ser pago.  §  7°  O  valor  da  contribuição  para  a  seguridade  social  ­  COFINS,  a  ser  retido,  será  determinado  mediante  a  aplicação da alíquota respectiva sobre o montante a ser pago.  § 8° O valor da contribuição para o PIS/PASEP, a ser retido, será determinado mediante a aplicação da alíquota  respectiva sobre o montante a ser pago.  2  Em  pesquisa  rápida  no  sistema  E­Processo,  para  o  CNPJ  83.878.892/0001­55,  constatei  a  existência  de  77  (setenta e sete) processos tratando de pedidos de restituição.  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA Processo nº 10983.905057/2008­08  Acórdão n.º 3403­003.219  S3­C4T3  Fl. 7          5 É como voto.    (assinado digitalmente)  Luiz Rogério Sawaya Batista                                  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATISTA, Assinado digitalmente em 27/ 10/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/10/2014 por LUIZ ROGERIO SAWAYA BATIS TA

score : 1.0