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Numero do processo: 13888.002637/2004-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Apr 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
Ementa:
PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996.
A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996.
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO.
O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda).
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005.
Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005.
Recurso Voluntário Negado.
Crédito Tributário Mantido.
Numero da decisão: 3302-003.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004 Ementa: PRAZO DECADENCIAL DOS ARTIGOS 150, §4º E 173 DO CTN. INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005. Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.
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INAPLICABILIDADE PARA A VERIFICAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO DE DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PRAZO PREVISTO NO ARTIGO 74 DA LEI Nº 9.430/1996. A verificação da liquidez e certeza do direito creditório não se sujeita ao prazo decadencial previsto nos artigos 150, §4º e 173 do CTN. O prazo para homologação da compensação é de cinco anos contados da data de entrega da declaração de compensação, nos termos do artigo 74, §5º da Lei nº 9430/1996. CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. O valor dos impostos recuperáveis não compõe o estoque de abertura de que trata o artigo 11 da Lei nº 10.637/2002, conforme os artigos 289, 290, 292, 293 e 294 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda). CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. CRÉDITOS DECORRENTES DE OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO PREVISTOS NO ARTIGO 15 DA LEI Nº 10.865/2004. POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PARA COMPENSAÇÃO APENAS PARA SALDOS CREDORES GERADOS A PARTIR DE 9/08/2004 EM VIRTUDE DO DISPOSTO NO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. COMANDO DO ARTIGO 16 DA LEI Nº 11.116/2005. Somente os saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, decorrentes de créditos apurados na forma do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 em virtude do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 26 37 /2 00 4- 86 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 267 2 disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, podem ser objeto de compensação, podendo ser efetuada a partir de 19/05/2005. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de Declarações de Compensação com utilização de créditos da nãocumulatividade de PIS/Pasep, relativo ao mês de julho de 2004. A fiscalização efetuou as seguintes glosas, reconhecidas em despacho decisório, cientificado em 26/11/2009: 1. Glosa da inclusão do ICMS na base de cálculo do crédito presumido do estoque de abertura, por entender que o ICMS, sendo tributo recuperável, não compõe o valor do estoque, conforme artigo 11, §1º da Lei nº 10.637/2002 e artigo 289, §3º do Decreto nº 3.000/1999 (RIR/99); 2. Glosa de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, no período entre 1º/05/2004 a 8/08/2004, por falta de previsão legal. Em manifestação de inconformidade, a recorrente, alegou: 1. A decadência do direito de glosar os referidos créditos por aplicação do art. 150, §4º do CTN; 2. A necessidade de se incluir o ICMS na base de cálculo do crédito presumido relativo ao estoque de abertura, em razão de que este valor compôs a base de cálculo das contribuições incidentes na receita do vendedor, por ocasião das aquisições; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 268 3 3. A possibilidade de aproveitamento de créditos de importação vinculados a receitas de exportação, em virtude de inexistência de norma jurídica que condicione o aproveitamento a receitas tributadas; A Quinta Turma da DRJ em Ribeirão Preto proferiu o Acórdão nº 1435.925, cuja ementa transcrevese: Assunto: Normas de Administração Tributária Data do fato gerador: 31/07/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. PEDIDO DE PERÍCIAS E DE JUNTADA DE DOCUMENTOS. A perícia deve ser solicitada e a documentação comprobatória das alegações deve ser juntada quando da apresentação da manifestação de inconformidade, ou posteriormente nas condições do disposto no artigo 57 do Decreto nº 7.574, de 2001. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. PRAZO. O prazo para a homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo é de cinco anos contados da data da apresentação da declaração. Base Legal: Art. 94, § 5º, da Lei nº 9.430, de 1996. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2004 CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO PRESUMIDO. ESTOQUE DE ABERTURA. INCLUSÃO DO VALOR DO ICMS. VEDAÇÃO. Não se inclui no saldo do estoque de abertura existente em 30/04/2004 o valor dos impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Base legal: Art. 289 do RIR/99. CRÉDITOS A DESCONTAR. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. VALOR PAGO NA IMPORTAÇÃO. O saldo acumulado dos créditos relativos as importações sujeitas ao pagamento do PIS e Cofins, apurados a partir de 09/08/2004, poderão ser utilizados em compensação ou ressarcimento somente a partir de 19/05/2005. Base legal: Art. 16, parágrafo único, da Lei nº 11.116, de 2005. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 268DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 269 4 Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reprisando as alegações deduzidas na manifestação de inconformidade. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, preliminarmente, arguiu a decadência do direito de reajustar a base de cálculo, glosando créditos. A compensação submetida à Administração Tributária mediante a entrega de Declaração de Compensação sujeitase ao prazo homologatório de cinco anos a partir da data de entrega da referida declaração, conforme artigo 74, §5º da Lei nº 9.430/96.1 A homologação compreende, dentre outros, a verificação dos pressupostos jurídicos e fáticos atinentes ao direito creditório e sua análise é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do direito creditório pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. Por outro lado, a tese defendida pela recorrente não se aplica ao caso presente, pois o prazo decadencial previsto no artigo 150, §4º e no artigo 173 do CTN se refere ao direito de constituir o crédito tributário e não de glosar o crédito escriturado. Ressalvase que um lançamento de ofício seria inócuo, pois não há constituição de crédito tributário e serviria apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que já está garantido em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235/1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/1996. Neste sentido, citase julgado desta turma: 1 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) [..] § 2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) Fl. 269DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 270 5 Acórdão nº 3302002.353: PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PIS NÃO CUMULATIVO. BASE DE CÁLCULO. APURAÇÃO DE DIFERENÇAS. Apurando o Fisco diferença entre o valor pleiteado e o valor que entende devido a título de ressarcimento de PIS ou Cofins, não pode a Autoridade Fazendária efetuar o pagamento do valor pleiteado, posto que ilíquido e indevido. Há que ser firmado o entendimento sobre o valor exato do crédito a ressarcir. A apuração darseá por meio de discussão em lançamento de ofício ou por meio de glosa efetuada no próprio pedido de ressarcimento. Rejeitase, assim, a prejudicial argüida. Inclusão do ICMS na base de cálculo do estoque de abertura. O artigo 11 da Lei nº 10.637/2002dispõe que a pessoa jurídica possui direito à apuração de crédito presumido correspondente ao estoque de abertura de bens na data do início da incidência nãocumulativa da contribuição, conforme transcrito abaixo: Art. 11. A pessoa jurídica contribuinte do PIS/Pasep, submetida à apuração do valor devido na forma do art. 3o, terá direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens de que tratam os incisos I e II desse artigo, adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, existentes em 1o de dezembro de 2002. Produção de efeito § 1o O montante de crédito presumido será igual ao resultado da aplicação do percentual de 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento) sobre o valor do estoque. § 2o O crédito presumido calculado segundo o § 1o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo. § 2o O crédito presumido calculado segundo os §§ 1o e 7o será utilizado em 12 (doze) parcelas mensais, iguais e sucessivas, a partir da data a que se refere o caput deste artigo.(Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o A pessoa jurídica que, tributada com base no lucro presumido, passar a adotar o regime de tributação com base no lucro real, terá, na hipótese de, em decorrência dessa opção, sujeitarse à incidência nãocumulativa da contribuição para o PIS/Pasep, direito a desconto correspondente ao estoque de abertura dos bens e ao aproveitamento do crédito presumido na forma prevista neste artigo. § 4o O disposto no caput aplicase também aos estoques de produtos acabados e em elaboração. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) Por sua vez, os artigos 289, 290, 292 a 294 estabelecem: Fl. 270DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 271 6 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). § 1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). § 2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. § 3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13, § 1º): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior; [...] Art. 292. Ao final de cada período de apuração do imposto, a pessoa jurídica deverá promover o levantamento e avaliação dos seus estoques. Art. 293. As mercadorias, as matériasprimas e os bens em almoxarifado serão avaliados pelo custo de aquisição (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, §§ 3º e 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Art. 294. Os produtos em fabricação e acabados serão avaliados pelo custo de produção (Lei nº 154, de 1947, art. 2º, § 4º, e Lei nº 6.404, de 1976, art. 183, inciso II). Depreendese, pois, que os estoques são avaliados pelos custos de aquisição, não se incluindo nos referidos os impostos recuperáveis, como é o caso do ICMS de que trata a lide. Neste sentido, citamse os Acórdãos nº 3403003.305, proferido em 14/10/2014 e nº 3801001.796, proferido em 20/03/2013, cujas ementas transcrevemse: Acórdão nº 3403003.305: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. ESTOQUE DE ABERTURA. ICMS. EXCLUSÃO. Na composição do estoque de abertura de que trata o art. 11 da Lei no 10.637/2002 deve ser excluído o ICMS, conforme art. 289 do Regulamento do Imposto de Renda. Acórdão nº 3801001.796: Fl. 271DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 272 7 CRÉDITO PRESUMIDO ESTOQUE DE ABERTURA VALORAÇÃO DO ESTOQUE LEGISLAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA. O estoque de abertura deve ser valorado segundo os critérios adotados para fins do imposto de renda e o valor do ICMS, quando recuperável, não integra o valor dos estoques a ser utilizado como base de cálculo do crédito presumido. A recorrente alega que o crédito está diretamente relacionado à incidência na etapa anterior. Entretanto, o regime de creditamento é delineado pelas hipóteses previstas, as quais definem a base de cálculo e as alíquotas e, não necessariamente, se vinculam diretamente à incidência na etapa anterior. Exemplo é a aquisição de insumo adquirido de um fornecedor tributado pelo lucro presumido (portanto, tributado a 0,65% para a PIS/Pasep), cujo crédito ocorre a 1,65% no adquirente sujeito à nãocumulatividade. Outro exemplo, diametralmente oposto à questão do ICMS aqui tratado, referese ao IPI não recuperável, o qual compõe o custo de aquisição gerando crédito da nãocumulatividade2, apesar de consistir em exclusão da base de cálculo da incidência da exação3. Destarte, nego provimento ao recurso nesta matéria. Direito à compensação de saldos credores relativos a créditos de importação vinculados a receitas de exportação, no período entre 1º/05/2004 a 8/08/2004 O direito ao creditamento em operações de importação surgiu com a instituição da incidência das contribuições para o PIS/PasepImportação e CofinsImportação pela Lei nº 10.865/2004, e foi delineado nos artigos 15 a 18 da referida lei. O artigo 15 dispõe: Art. 15. As pessoas jurídicas sujeitas à apuração da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, nos termos dos arts. 2o e 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, poderão descontar crédito, para fins de determinação dessas contribuições, em relação às importações sujeitas ao pagamento das contribuições de que trata o art. 1o desta Lei, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Regulamento)(grifo não original) Observase que a lei não mencionou os artigos 5º da Lei nº 10.637/2002 e 6º da lei 10.833/2003, e, conforme ocorrido nestas leis, o regramento do creditamento vinculado à exportação foi estabelecido à parte dos artigos terceiros, a saber: Art. 5o A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: Produção de efeito I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) 2 Art. 66, §3º da IN SRF nº 247/2002 3 Art. 24, inciso III da IN SRF n º 247/2002 Fl. 272DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 273 8 III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o, poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (Produção de efeito) I exportação de mercadorias para o exterior; II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. § 2o A pessoa jurídica que, até o final de cada trimestre do ano civil, não conseguir utilizar o crédito por qualquer das formas previstas no § 1o poderá solicitar o seu ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Destacase que o §1º de cada artigo vincula o creditamento à exportação, apurado na forma do art. 3º das referidas leis, delimitando o alcance dos créditos vinculados às receitas de exportação, bem como definindo a forma de utilização de tais créditos, o que impede a aplicação dos artigos 5º e 6º acima transcritos aos créditos de importação. Entretanto, em 9/08/2004, foi publicada a MP nº 206/2004, cujo art. 16 dispunha: Fl. 273DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 274 9 Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. A exposição de motivos desta medida provisória estabelece no item 19 que “As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”, conferindo caráter interpretativo ao dispositivo. O artigo 16 tornouse artigo 17 na conversão da medida provisória na Lei nº 11.033/2004, mantendose a redação. Assim, as exportações não impedem a manutenção dos créditos a ela vinculados sejam decorrentes dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 ou da Lei 10.833/2003, sejam decorrentes do art. 15 da Lei nº 10.865/2004. A manutenção implica a possibilidade de desconto das contribuições sujeitas à incidência nãocumulativa, mas não possibilita, por si, a compensação ou o ressarcimento. Neste sentido, em 19/05/2005, foi publicada a Lei 11.116/2005, a qual estipulou em seu artigo 16 as formas de utilização de determinados créditos em vista do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, nos seguintes termos: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei.(grifo não original) Inferese que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005, em seu parágrafo único, restringiu a utilização para compensação ou ressarcimento apenas dos saldos credores gerados a partir de 9/08/2004, com pedidos formulados a partir de 19/05/2005, o que torna indevida a compensação realizada pela recorrente com saldos credores apurados em julho de 2004, ressalvada, porém, a possibilidade de utilização destes saldos para desconto. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 274DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 13888.002637/200486 Acórdão n.º 3302003.131 S3C3T2 Fl. 275 10 Fl. 275DF CARF MF Impresso em 12/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 22/03 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/04/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10380.722709/2009-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 05 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Aug 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. CASO ESPECÍFICO. ADE NR. 90, DE 11/11/20009
Considera-se tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, cujo prazo final de entrega encerrou-se no dia 7 de outubro de 2009.Exercício: 2009
Numero da decisão: 1302-001.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado em, por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
(documento assinado digitalmente)
ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. CASO ESPECÍFICO. ADE NR. 90, DE 11/11/20009 Considera-se tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais - Dacon, cujo prazo final de entrega encerrou-se no dia 7 de outubro de 2009.Exercício: 2009
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix.
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ATRASO NA ENTREGA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. Recorrente O C S MINERAÇÃO E EMPREENDIMENTOS LTDA. EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2009 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DCTF. CASO ESPECÍFICO. ADE NR. 90, DE 11/11/20009 Considerase tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009.Exercício: 2009 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado em, por voto de qualidade, DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora (documento assinado digitalmente) ROGÉRIO APARECIDO GIL Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (Presidente), Ana de Barros Fernandes Wipprich, Alberto Pinto Souza Júnior, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil, Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 27 09 /2 00 9- 32 Fl. 101DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 06/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.722709/200932 Acórdão n.º 1302001.826 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório A recorrente foi multada por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, referente ao primeiro semestre de 2009. Exigese o pagamento de R$5.151,71. O prazo máximo para entrega da declaração era 07/10/2009. A entrega foi efetuada em 08/10/2009. Na manifestação de inconformidade alegouse, em síntese, que houve várias tentativas de se enviar a DCTF. Todavia, sempre apresentou problema na recepção no sítio da RFB. Anexou telas geradas pelo sistema nas tentativas de envio da declaração, anteriormente ao prazo final da entrega. Invocou as disposições do art. 136 do CTN sobre a regra geral quanto à presunção relativa de culpa. Alegou inexistência de culpa. Ressaltou que, embora em atraso, cumpriu espontaneamente a obrigação acessória. Alegou que deveria ter havido intimação, previamente à multa de ofício. Fundamentou nas disposições do art. 142, par. único. do CTN. Requereu o acolhimento da impugnação. A impugnação não foi acolhida. A intimação do acórdão da DRJ deuse em 29/11/2013, fl. 66. O recurso voluntário foi interposto em 20/12/2013, fl. 68. O preâmbulo do recurso não apresenta que seria o representante legal da empresa recorrente, por meio do qual estaria sendo interposto o recurso, já que os atos jurídicofiscais que envolvem a empresa devem ser praticados por meio de um representante legal formalmente constituído. Ainda assim, em homenagem aos princípios da celeridade e da economicidade processual, cotejei a assinatura aposta acima do nome da empresa, ao final do recurso, com as assinaturas verificadas no contrato social da recorrente, fl. 46, e verifiquei, por semelhança das assinaturas, que a petição parece ter sido subscrita por Orlando Carneiro de Siqueira, o qual consta como sócio da recorrida, fl. 45. Assim, passo ao relato sobre o recurso voluntário. No recurso voluntário a recorrente repisa as alegações de que não teve culpa pela intempestividade na entrega da DCTF; que o sistema não estava disponível; que no dia seguinte houve a normalização do sistema e que foi possível o envio da declaração; que cumpriu a obrigação com apenas um dia de atraso e de forma espontânea; que não foi previamente intimado da autuação. Citou doutrina e jurisprudência a respeito. Ao final, requereu a nulidade do procedimento fiscal, por não ter havido prévia intimação ao auto de infração; que fosse declarada isenção de culpa da recorrente; que a entrega, mesmo em atraso, mas independentemente de intimação fosse considerada denúncia espontânea; que fosse decretada a nulidade do lançamento fiscal. É o relatório. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 06/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.722709/200932 Acórdão n.º 1302001.826 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto O recurso é tempestivo e com as ponderações retro quanto à admissibilidade, conheço do recurso. Preliminar de nulidade do lançamento Quanto à alegação da recorrente de que a falta de notificação previamente ao auto de infração teria acarretado a nulidade do lançamento, temse que, em realidade, o que poderia resultar em infração ao direito à ampla defesa e ao contraditório seria a ocorrência de despachos ou decisões sem que se desse vista à recorrente, o que não há nesse caso. Não nesse caso, obrigatoriedade de haver intimação ou esclarecimentos à recorrente previamente à constituição do crédito tributário. Verificase que estavam presentes os elementos suficientes para o lançamento: constatouse o descumprimento de obrigação acessória prevista na legislação tributária. Ainda assim, a falta de prévia intimação não acarreta prejuízo algum à recorrente, pois após a ciência da autuação, dispõe de 30 dias para impugnar o auto de infração (art. 15 do Dec. n° 70.235/72), como ocorreu nesse caso (fls.2 a 19). Assim, com base nos fatos e fundamentos retro, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF. No mérito A multa de ofício em questão está prevista na Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, art. 7°, com redação dada pelo art. 19 da Lei n° 11.051, de 29 de dezembro de 2004. A entrega de DCTF fora do prazo fixado pela norma é considerado descumprimento de obrigação acessória por parte da recorrente. O cumprimento dessa exigência formal não se confunde com o não pagamento de tributo, nem tampouco com as multas decorrentes por tal procedimento. A obrigação será considerada cumprida mediante a completa transmissão dos dados à Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio de sistema eletrônico específico, em que é gerado automaticamente recibo de entrega da declaração. No presente caso, procede a alegação de falha ou indisponibilidade de sistema da RFB, indicada mediante a apresentação de telas de resposta do programa. Tal indisponibilidade foi reconhecida e para que não houvesse prejuízo aos contribuintes, expediuse o seguinte Ato Declaratório Executivo da Receita Federal: ATO DECLARATÓRIO EXECUTIVO RECEITA FEDERAL DO BRASIL RFBN°90DE 11.11.2009. D.O.U.: 12.11.2009 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 06/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL Processo nº 10380.722709/200932 Acórdão n.º 1302001.826 S1C3T2 Fl. 5 4 Dispõe sobre o prazo para entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, na situação que especifica. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições que lhe conferem os inciso III e XXIII do art. 261 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n° 125, de 4 de março de 2009, tendo em vista o disposto no art. 16 da Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, nas Instruções Normativas RFB n° 903, de 30 de dezembro de 2008, e n° 940, de 19 de maio de 2009, e considerando os problemas técnicos ocorridos, em 7 de outubro de 2009, nos sistemas eletrônicos da Secretaria da Receita Federal do Brasil para a recepção e transmissão de declarações, declara: Art. 1° Considerase tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração da de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. Art. 2° Ficam sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009 Por todo o exposto, diante da demonstração de efetivo envido da DCTF, em 08/10/2009, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. ROGÉRIO APARECIDO GIL Conselheiro Fl. 104DF CARF MF Impresso em 08/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 06/08/201 6 por ROGERIO APARECIDO GIL, Assinado digitalmente em 08/08/2016 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado d igitalmente em 06/08/2016 por ROGERIO APARECIDO GIL
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Numero do processo: 15868.720151/2013-88
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Outros Tributos ou Contribuições
Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO.
Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n.( 8.212/1991.
Embargos Acolhidos em Parte.
Os procedimentos fiscais, via de regra, são direcionados para a pessoa jurídica, englobando todos os seus estabelecimentos, inexistindo assim a necessidade de lavraturas individualizadas por filial, posto que os créditos são lançados de forma unificada no estabelecimento centralizados, com discriminação do tributo por filial.
Numero da decisão: 2402-005.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração, de modo a integrar o acórdão embargado, sem lhes dar efeitos infringentes; e, com relação às demais questões, rejeitar os embargos.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ACOLHIMENTO DOS EMBARGOS. Demonstrada a existência de omissão na decisão embargada, devese acolher os embargos de modo a suprir a mácula apontada. AUTUAÇÕES INDIVIDUALIZADAS POR ESTABELECIMENTO. DESNECESSIDADE. Os procedimentos fiscais, via de regra, são direcionados para a pessoa jurídica, englobando todos os seus estabelecimentos, inexistindo assim a necessidade de lavraturas individualizadas por filial, posto que os créditos são lançados de forma unificada no estabelecimento centralizados, com discriminação do tributo por filial. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO AO SENAR. SUBROGAÇÃO. Por se tratar de contribuição para outras entidades ou fundos que tem a mesma base de incidência das contribuições previdenciárias, a subrogação da contribuição ao SENAR na pessoa do adquirente de produtos de pessoas físicas tem amparo no inciso IV do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991. Embargos Acolhidos em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 86 8. 72 01 51 /2 01 3- 88 Fl. 835DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, acolher parcialmente os embargos de declaração, de modo a integrar o acórdão embargado, sem lhes dar efeitos infringentes; e, com relação às demais questões, rejeitar os embargos. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720151/201388 Acórdão n.º 2402005.125 S2C4T2 Fl. 835 3 Relatório Tratase de embargos de declaração apresentados pelo sujeito passivo contra o acórdão n. 2401003.687 em 10/09/2014, de lavra da 1.ª Turma Ordinária da 4.ª Câmara da 2.ª Seção do CARF. O acórdão embargado carregou a seguinte ementa: "ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2008 a 31/12/2008 PROPOSITURA DE AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA À DISCUSSÃO NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo. INEXISTÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL AFASTANDO A SUBROGAÇÃO DA RECORRENTE. Na data do lançamento inexistia provimento judicial afastando a responsabilidade da autuada pelas contribuições exigidas. AUTORIDADE DEVIDAMENTE DESIGNADA PARA O PROCEDIMENTO FISCAL. COMPETÊNCIA. É competente a Autoridade Fiscal vinculada a Delegacia da Receita Federal situada em lugar diferente do domicílio do sujeito passivo, desde que devidamente autorizada mediante Mandado de Procedimento Fiscal. PROCEDIMENTO E PROCESSO ADMINISTRATIVO REALIZADOS EM CONSONÂNCIA COM AS NORMAS APLICÁVEIS. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.INOCORRÊNCIA. Não cabe a alegação de cerceamento ao direito de defesa quando a ação fiscal foi regularmente autorizada, à empresa foi oportunizado o direito de apresentar os elementos e esclarecimentos necessários ao desenvolvimento da auditoria e o processo administrativo garantiu ao sujeito passivo o amplo direito à defesa e ao contraditório. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. NÃO APLICAÇÃO DE ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os lançamentos foram efetuados para prevenir a decadência, posto que as contribuições estavam com exigibilidade suspensa em razão do depósito do montante integral. Descabe, portanto, o argumento do Fl. 837DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 sujeito passivo para afastar os juros e a multa, posto que esses não foram aplicados às contribuições lançadas. FALTA DE INDICAÇÃO DOS CPF DOS FORNECEDORES. PREJUÍZO À DEFESA. INOCORRÊNCIA. A falta de indicação dos CPF dos fornecedores pelo fisco não provocou qualquer prejuízo ao sujeito passivo, que poderia facilmente ter identificado as operações pelo número da nota fiscal, data de expedição e valor. RESPONSABILIZAÇÃO PESSOAL DOS ADMINISTRADORES. NÃO COMPROVAÇÃO DOS REQUISITOS LEGAIS. IMPOSSIBILIDADE. Não cabe a responsabilização dos administradores, se nos autos não restar comprovada a ocorrência dos requisitos previstos no inciso III do art. 135 do CTN, devendo figurar no polo passivo apenas a pessoa jurídica. SUSTENTAÇÃO ORAL. INTIMAÇÃO PRÉVIA. FALTA DE AMPARO LEGAL. O pedido de intimação prévia dos representantes das partes para a sustentação oral não tem amparo no Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF). Recurso Voluntário Negado." Cientificado da decisão em 10/12/2015, fl. 790, o sujeito passivo interpôs tempestivamente embargos de declaração em 15/12/2015 (fls. 792/824). Nos aclaratórios, é suscitada a ocorrência de diversas omissões, as quais teriam decorrido da falta de enfrentamento das questões abaixo: a) nulidade do lançamento decorrente de falta de MPF para fiscalização dos estabelecimentos filiais; b) nulidade da decisão de primeira instância, por ter se omitido sobre o argumento relativo à necessidade de autos de infração individualizados por estabelecimento; c) o acórdão embargado deixou de observar a existência de liminar desobrigando o sujeito passivo de efetuar a retenção da contribuição lançada, a qual não foi realizada, motivo pelo qual faltava legitimidade à autuada para figurar no polo passivo; d) o aresto hostilizado também deixou de observar que, recebida pelo Tribunal Regional Federal a apelação da Fazenda Nacional no duplo efeito, os dispositivos da sentença apelada restaram suspensos, restaurandose a força da liminar concedida; e) legitimidade da exigência da contribuição ao SENAR, por falta de lei prevendo a responsabilidade do adquirente dos produtos rurais por subrogação; f) nulidade da decisão de primeira instância por falta de enfrentamento do argumento relativo à ilegitimidade do sujeito passivo para figurar como devedora da contribuição previdenciária e da contribuição ao SENAR. É o relatório. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720151/201388 Acórdão n.º 2402005.125 S2C4T2 Fl. 836 5 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade Por atender aos requisitos previstos no art. 65 do Regimento Interno do CARF, inserto no Anexo II da Portaria MF n.º 343, de 09/06/2015, devem os embargos ser conhecidos. Omissões da DRJ De fato, observase no acórdão recorrido omissão relativa a alegações recursais relativas à falta de enfrentamento pelo órgão de primeira instância de determinadas matérias, conforme abaixo tratarei. São apontadas omissões da DRJ quanto à necessidade de emissão de MPF distintos para cada filial e em consequência autuações também individualizadas por estabelecimento, além de enfrentamento da questão da legitimidade passiva da autuada quanto à exigência das contribuições previdenciárias e ao SENAR. Não hei de concordar com essas alegações. A questão da emissão de autorizações para fiscalizar individualizadas por estabelecimento foi devidamente analisada, conforme se pode ver do seguinte excerto da decisão de primeira instância: " Da necessidade de MPF para cada filial: O argumento de que o procedimento é nulo pela ausência de MPF para fiscalização das filiais também não deve ser acolhido. O procedimento fiscal se desenvolve junto ao sujeito passivo, que no caso é a pessoa jurídica subrogada na responsabilidade de efetuar o recolhimento das contribuições sob debate. A fiscalização “por estabelecimento” é situação excepcional, que só tem lugar nos casos em que a legislação expressamente a contempla, como nos procedimentos fiscais referentes ao IPI (artigos 24, parágrafo único e 609, IV do Regulamento do IPI – Decreto n° 7.212/2010)." Não há dificuldade em entender que uma vez que o órgão recorrido se pronunciou acerca da desnecessidade de abertura de procedimentos fiscais individualizados por filiais, também há de se concluir que as autuações decorrentes da investigação podem ser efetuadas todas em nome do estabelecimento matriz, sem que isso venha a acarretar em qualquer mácula aos lançamentos. Acerca da suposta falta de enfrentamento pelo órgão a quo da questão relativa à impossibilidade de inclusão da autuada no polo passivo das lavraturas é omissão que também não reconheço. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 No voto do relator justificouse as lavraturas por dois motivos principais: a) a existência de norma válida a justificar a exação, bem como a inexistência de provimento judicial impedindo o fisco de lançar as contribuições devidas. Também deixaram de ser apreciadas, em razão da concomitância, questões que o sujeito passivo levou ao judiciário, cuja principal linha argumentativa reside na impossibilidade legal de que lhe fosse exigida a retenção e recolhimento da obrigação dos produtores rurais de quem adquiriu bovinos para abate. Por outro lado, as suscitadas incompatibilidades entre a legislação que deu suporte às autuações e à Constituição Federal deixaram de ser enfrentadas por entender o órgão recorrido que essa análise não estaria na sua competência, nos termos do art. 26A do Decreto n.° 70.235/1972. Afasto, portanto, as suscitadas omissões na decisão da DRJ. MPF e autuações distintas por CNPJ Alega a recorrente que haveria necessidade de emissão de MPF distintos por filial, além da impossibilidade de se efetuar as autuações fiscais unicamente no estabelecimento matriz. Esse argumento de fato deixou de ser apreciado no acórdão embargado, cabendo sua análise neste momento. A tese de que cada filial, por possuir autonomia, deveria ser considerada uma empresa não deve ser acatada. Para a legislação tributária o conceito de empresa compreende o conjunto formado pelo estabelecimento matriz e suas filiais. A própria conceituação contida na Lei de Custeio da Seguridade Social não dá margem a outra interpretação: Art. 15. Considerase: I empresa a firma individual ou sociedade que assume o risco de atividade econômica urbana ou rural, com fins lucrativos ou não, bem como os órgãos e entidades da administração pública direta, indireta e fundacional; (...) Também o CTN, ao conceituar sujeito passivo (caput do art. 121) referese à pessoa obrigada ao pagamento do tributo. Ora pessoa é quem é capaz de direitos e deveres, portanto, aquele que assume deveres perante o sujeito ativo da relação tributária é a pessoa jurídica, jamais os seus estabelecimentos, os quais representam tão somente parcelas do fundo de comércio. Vêse que a lei trata como empresa a sociedade como um todo, não havendo referência a estabelecimentos ou filiais. O sujeito passivo da obrigação tributária é a empresa, ou seja, a pessoa jurídica que o CTN trata como sujeito passivo da relação jurídicotributária. O fato de haver CNPJ distintos para as filiais também não altera o entendimento, posto que as normas concernentes a este cadastro destinamse apenas a facilitar as atividades fiscalizatórias, não possuindo o efeito de cindir as pessoas jurídicas que se estabelecem em mais de um lugar. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720151/201388 Acórdão n.º 2402005.125 S2C4T2 Fl. 837 7 De outra banda, a autonomia das filiais em relação à matriz limitase aos aspectos meramente administrativos, não afastando a unidade substancial da pessoa jurídica. Esta é uma só, ainda que muitas sejam suas filiais. Verificase também que o lançamento foi consolidado no estabelecimento matriz, enquanto titular organizacional da empresa, mas cada conjunto de informações relativas ao lançamento, como a identificação da base de cálculo, o enquadramento em alíquotas, foram devidamente demonstrados de forma segregada, considerandose os créditos e débitos em relação a cada estabelecimento. Assim, ao contrário do que afirma a Impugnante, foi plenamente respeitada a divisão da empresa em estabelecimentos, apurandose as contribuições previdenciárias e do SENAR por estabelecimento, ainda que o lançamento se consolide na responsabilidade do estabelecimento matriz. Assim não tendo havido qualquer prejuízo ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade das lavraturas. De se concluir, portanto, que descabe a tese da recorrente quanto à necessidade de emissão de MPF para cada estabelecimento, bem como, de lavraturas individualizadas por filial. Subrogação da contribuição ao SENAR Embora esse ponto não tenha sido veiculado diretamente no recurso, vou enfrentálo agora, pois que reforça o entendimento lançado na decisão recorrida acerca da colocação da embargante como devedora da contribuição ao SENAR. No embargo afirmase que as normas apresentadas aplicamse apenas à sub rogação da contribuição ao Funrural, não podendo ser usada para exigir dos adquirentes que retenham e recolham a contribuição ao SENAR. Vejamos. O inciso IV do art. 30 da Lei n.° 8.212/1991 prevê a subrogação do adquirente nas obrigações do produtor rural pessoa física e do segurado especial de recolher as contribuições para a Seguridade Social, nos seguintes termos: "Art. 30 (...) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97)" Por outro lado, a própria Lei n.° 8.212/1991 estendia às contribuições destinadas aos terceiros as mesmas condições estabelecidas para as contribuições previdenciárias, nos termos do § 1.° do art. 94. Essa regra permaneceu válida até 02/05/2007, quando entrou em vigor a Lei 11.457/2007 (Lei da Super Receita), que trata do tema nos mesmos termos que a norma revogada: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 "Art. 3o As atribuições de que trata o art. 2o desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicandose em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. § 1o A retribuição pelos serviços referidos no caput deste artigo será de 3,5% (três inteiros e cinco décimos por cento) do montante arrecadado, salvo percentual diverso estabelecido em lei específica. § 2o O disposto no caput deste artigo abrangerá exclusivamente contribuições cuja base de cálculo seja a mesma das que incidem sobre a remuneração paga, devida ou creditada a segurados do Regime Geral de Previdência Social ou instituídas sobre outras bases a título de substituição. § 3o As contribuições de que trata o caput deste artigo sujeitam se aos mesmos prazos, condições, sanções e privilégios daquelas referidas no art. 2o desta Lei, inclusive no que diz respeito à cobrança judicial." (grifos nossos) Portanto, dúvida não há que a técnica de arrecadação instituída para as contribuições previstas no art. 25 da Lei n.° 8.212/1991, qual seja a subrogação nas obrigações de recolher as contribuições incidentes sobre a receita da comercialização da produção rural da pessoa física com empregados e do segurado especial é aplicável à contribuição destinada ao SENAR, conforme dispositivos legais supramencionados. Não poderia deixar de mencionar que há no STF a discussão acerca da exigência da contribuição ao SENAR após a edição da Lei n.° 10.256/2001, a qual encontrase com repercussão geral reconhecida no bojo do RE n.° 816.830 – SC. Esse é mais um motivo para que o CARF não possa afastar a sua aplicação, haja vista que o próprio Judiciário ainda não se manifestou definitivamente sobre a matéria. Omissões não verificadas a) Efeitos da ação judicial A embargante suscitou também que o aresto embargado teria deixado de se pronunciar acerca dos efeitos de provimento judicial que teria garantido, em relação a ela, a inexigibilidade das contribuições lançadas no período das autuações. Essa omissão não se concretizou, conforme se pode ver de excerto do voto do relator: "Percebese, assim, que na data da lavratura o provimento que suspendia a exigibilidade das contribuições já não subsistia. É que as duas partes apelaram da sentença de primeiro grau e as apelações foram recebidas em ambos os efeitos, por isso não há o que se falar em impossibilidade de se efetuar a lavratura do crédito, uma vez que o efeito suspensivo do recurso de apelação implica na suspensão dos efeitos da sentença de primeiro grau." Quanto à afirmação de que a decisão atacada teria deixado de observar o conteúdo das decisões judiciais, esta parece uma tentativa de rediscutir os pontos decididos Fl. 842DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 15868.720151/201388 Acórdão n.º 2402005.125 S2C4T2 Fl. 838 9 pela Turma, o que não pode ser admitido, uma vez que os embargos não são o meio próprio processual para essa pretensão. Afastada, portanto, a suscitada omissão nesse ponto. Conclusão Voto por conhecer dos embargos, para acolhêlos parcialmente, de modo a integrar o acórdão embargado, sem lhes dar efeitos infringentes. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 843DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 24/03 /2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10640.720249/2012-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS.
Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refira-se a fato ou a direito superveniente; ou destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.
No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos.
LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referente a tratamento do contribuinte e de seus dependentes.
Comprovado que o gasto com despesa médica refere-se à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em razão da glosa devem ser restabelecidas.
No presente caso, ficou claro, pela documentação apresentada, que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.111
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exclusão dos valores oriundos da glosa das despesas médicas referentes à profissional Janaina Vidon Rangel e aos gastos com a Unimed no valor de R$4.012,19.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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PRECLUSÃO. DOCUEMNTOS APRESENTADOS NO RECURSO. CONHECIMENTO. REQUISITOS. Segundo a legislação, a prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; refirase a fato ou a direito superveniente; ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No presente caso, a prova documental deve ser conhecida, mesmo após a impugnação, pois soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. LANÇAMENTO. OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA PRINCIPAL. GLOSA DE DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis as despesas médicas pagas dentro do ano calendário referente a tratamento do contribuinte e de seus dependentes. Comprovado que o gasto com despesa médica referese à contribuinte, as despesas médicas que haviam sido glosadas em razão da glosa devem ser restabelecidas. No presente caso, ficou claro, pela documentação apresentada, que a despesa médica ocorreu, para e com a recorrente, motivo da dedutibilidade da despesa e, portanto, provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 72 02 49 /2 01 2- 03 Fl. 114DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para exclusão dos valores oriundos da glosa das despesas médicas referentes à profissional Janaina Vidon Rangel e aos gastos com a Unimed no valor de R$4.012,19. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720249/201203 Acórdão n.º 2402005.111 S2C4T2 Fl. 115 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra decisão de primeira instância, proferida por Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou a impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 DISPENSA DE EMENTA Acórdão dispensado de EMENTA, conforme Portaria SRF n. 1.364, de 10 de novembro de 2004. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 4ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação naquilo em que contraditou o lançamento, para manter o crédito tributário apurado no Despacho Decisório de fl. 68, devendo o montante ser recalculado na data do efetivo pagamento. Salientese que o crédito tributário não contraditado foi satisfeito pelo pagamento, de acordo com a cópia do DARF de fl. 61 e extrato de fl. 63. Para esclarecimento, a Portaria citada na ementa possui a seguinte determinação: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 209 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 259, de 24 de agosto de 2001, tendo em vista o disposto no art. 29 da Portaria MF nº 258, de 24 de agosto de 2001, e considerando a necessidade simplificar a elaboração dos acórdãos para agilizar o julgamento dos processos nas Delegacias da Receita Federal de Julgamento (DRJ), resolve: Art. 1º Fica dispensado de conter ementa o acórdão resultante de julgamento de processo que contenha: I exigência de crédito tributário ou manifestação de inconformidade contra indeferimento de direito creditório, de valor inferior a R$ 50.000,00 (cinqüenta mil reais), assim considerado principal e multa de ofício; ou II manifestação de inconformidade relativa a reconhecimento de isenção e de benefício fiscal. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Art. 2º A dispensa de que trata o art. 1º não se aplica a processo: I que envolva compensação de prejuízo fiscal; II de apuração de preço de transferência; ou III de que tenha resultado representação fiscal para fins penais. Prosseguindo, segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), como muito bem relatado na decisão a quo, o lançamento referese aos seguintes pontos: " A exação originouse da revisão da Declaração de Ajuste Anual(DAA)/2009, às fls. 47/53, mediante a qual, por falta de atendimento à intimação para comprovação das deduções, foram considerados indevidos os valores declarados a título de despesas médicas (fl. 9) e previdência privada/fapi." Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos. Conforme termo da autoridade preparadora, anexo, tendo em vista que o AR foi devolvido sem a cientificação do Interessado, conforme tela anexada ao Processo e que não houve Notificação por Edital, considerase a ciência na própria data da impugnação sendo esta, portanto, tempestiva. Contra o lançamento, o recorrente apresentou impugnação, em 01/02/2012, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que: 1. São despesas médica prestadas à contribuinte; 2. O valor gasto com despesas médicas é afeto, parcialmente, à própria contribuinte à Unimed, pois se referem a mensalidades pagas em face de pessoas que não se constituem em suas dependentes para efeito da legislação do imposto de renda; 3. para amparo de suas aduções, a impugnante fez colacionar os documentos. Houve a revisão de ofício por parte da autoridade preparador, que excluiu parcelas exigíveis (por confissão ou por não terem sido contestadas) e manteve o lançamento no que se refere a deduções a título de despesas médicas (pagamentos à Janaina Vidol Rangel, Luana Teixeira Guedes e Unimed). A contribuinte foi intimada do despacho revisional e não apresentou novos argumentos. A DRJ analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação procedente em parte, pois conforme a decisão a quo: " não há reparo a fazer nas observações constantes no Termo Circunstanciado de fl. 67, porquanto: I – o recibo de fl. 15, no valor de R$ 40,00, emitido por Luana Teixeira Guedes, e os de Fl. 117DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720249/201203 Acórdão n.º 2402005.111 S2C4T2 Fl. 116 5 fls. 30/33, no total de R$ 12.000,00, por Janaina Vidon Rangel, contêm vícios, em desacordo com os requisitos previstos no art. 80, § 1º, II e III, do RIR/1999, já que ausentes o nome do(a) paciente dos supostos serviços, o registro perante o respectivo conselho profissional e o endereço da emitente, sendo que, em relação à segunda, sequer houve a discriminação de algum serviço realizado; II – deixou a impugnante de trazer elemento probatório acerca da parcela de R$ 4.012,19 alegada como destinada à sua quota pessoal no plano de saúde Unimed." Voto, então, por considerar procedente em parte a impugnação naquilo em que contestou o lançamento." A contribuinte foi intimada da decisão da DRJ em 21/10/2013, conforme aviso de recebimento anexo. Inconformada com a decisão, a contribuinte, em 07/11/2013, apresentou recurso voluntário, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Quanto às despesas relativas a profissional Janaina Vidon Rangel traz aos autos recibos, em substituição aos já oferecidos, que possuem todos requisitos formais exigidos; 2. Quanto às despesas relativas a profissional Luana Teixeira Guedes, no valor de R$ 40,00, confirma que os dados sobre os serviços estão simplificados no recibo, mas este ocorreu; 3. A recorrente, apesar de buscar, inclusive pela internet, o novo endereço da profissional não a encontrou; 4. Foram prestados serviços de fisioterapia e a prestadora forneceu recibo simples, não sendo razoável manter a glosa da despesa realizada, pois não é crível que a recorrente utilize de recibo de tão baixo valor para sonegar tributo; 5. Quanto à Unimed, a glosa com despesa médica deve levar em consideração o valor pago a plano de saúde com gastos para a contribuinte, conforme documento anexo fornecido pelo plano de saúde, que atesta seu argumento, constante desde o início do processo, inclusive com reconhecimento da parte restante; 6. Solicita acolhimento e provimento de seu recurso. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, analisaremos cada questão. Despesas relativas a profissional Janaina Vidon Rangel: Quanto às despesas médicas, segundo a fiscalização, não foram apresentados recibos quando solicitados. Segundo o despacho decisório, que alterou o lançamento e reabriu o prazo para defesa, os recibos não foram considerados por não conterem requisitos determinados pela legislação: 1) não identificação dos beneficiários do serviços (a contribuinte consta apenas como responsável pelo pagamento); 2) não identificação do tipo de serviço médico prestado (campo em branco); 3) não identificação completa da emitente (falta de informação da inscrição no Conselho Regional da categoria profissional e endereço de prestação dos serviços). Na análise dos recibos apresentados quanto a esta profissional, apresentados na impugnação, encontramos as três ausências citadas acima. Já em sede de recurso, a recorrente apresenta recibos em que há identificação do tipo de serviço médico prestado (odontológicos) e identificação completa da emitente (informação da inscrição no Conselho Regional da categoria profissional e endereço de prestação dos serviços). Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e Fl. 119DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 10640.720249/201203 Acórdão n.º 2402005.111 S2C4T2 Fl. 117 7 ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." Compartilho, integralmente, do entendimento do nobre conselheiro. No caso em questão verificase que a documentação apresentada adequouse as três condições impostas para a sua aceitação. A documentação, na verdade, vem sendo apresentada, o que demonstra a vontade da contribuinte em cumprir com sua obrigação. Portanto, deve ser dado provimento ao recurso, pois os recibos trazidos aos autos comprovam a correção na dedutibilidade da despesa. Despesas relativas a profissional Luana Teixeira Guedes: Apesar dos esforços da recorrente, como esta mesma afirma em seu recurso, o recibo é extremamente simplificado, em discordância com a legislação, pois não há nem endereço, nem registro profissional da prestadora de serviço. Assim, não há como acatar a utilização do recibo para dedutibilidade da despesa, motivo da negativa de provimento quanto a este ponto. Por fim, para a despesa relativa à Unimed, a recorrente traz aos autos "Demonstrativo de Gastos com Plano de Saúde", do ano calendário em questão, que demonstra, de forma clara, que do valor total R$ 4.012,19 foram pagos para o plano de saúde para custear despesas em seu nome. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 Assim, deve ser excluído esse valor do lançamento, pois devidamente comprovado que se trata de despesa médica da contribuinte. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento parcial do recurso, a fim de excluir do lançamento os valores oriundos da glosa das despesas médicas referentes à profissional Janaina Vidon Rangel e os gastos com a Unimed (R$ 4.012,19), conforme documentos anexos ao recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 09/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/05/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 11610.016635/2002-37
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2000, 2001
IRRF. COMPOSIÇÃO.
O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no
período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies.
SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO.
Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos.
RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO.
O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido.
Numero da decisão: 1401-001.428
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER em parte do recurso (compensação de ofício); na parte Conhecida DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: a) estender ao presente processo eventuais efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 10880.006861/00-89 (estimativas referentes aos PA 04/2000 e 10/2000); b) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2000, no montante de R$ 12.431,64 1 (retenções de IRRF); c) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2001, no montante de R$ 6.946,13 (retenções de IRRF); d) homologar os pedidos de compensação constantes do presente processo, até o limite dos créditos ora reconhecidos (conforme itens a, b e c) (retenções de IRRF); c) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente
ao ano-calendário de 2001, no montante de R$ 6.946,13 (retenções de IRRF); d) homologar os pedidos de compensação constantes do presente processo, até o limite dos créditos ora
reconhecidos (conforme itens a, b e c).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER em parte do recurso (compensação de ofício); na parte Conhecida DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: a) estender ao presente processo eventuais efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 10880.006861/00-89 (estimativas referentes aos PA 04/2000 e 10/2000); b) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2000, no montante de R$ 12.431,64 1 Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 (retenções de IRRF); c) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2001, no montante de R$ 6.946,13 (retenções de IRRF); d) homologar os pedidos de compensação constantes do presente processo, até o limite dos créditos ora reconhecidos (conforme itens a, b e c). (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto - Presidente (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio e Aurora Tomazini de Carvalho. 2 Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto e transcrevo parcialmente o relatório que integra a decisão de piso, fls. 963-966: Em 12/08/2002, a contribuinte protocolizou, junto à CAC/LUZ, pedido de RESTITUIÇÃO (fls. 01), cumulado aos pleitos de COMPENSAÇÃO, objetivando o aproveitamento de saldo negativo da CSLL e do IRPJ, relativos aos anos-calendário de 2000 e 2001, no valor de R$ 13.343.868,64, atualizados com a taxa SELIC até 08/08/2002, com vistas à quitação de débitos diversos. Em 02/01/2008, a Derat/SPO exarou DESPACHO DECISÓRIO (fls. 513/522), DEFERINDO EM PARTE o pedido da contribuinte nos seguintes valores: IRPJ no montante de R$ 3.329.562,07 para o ano-calendário de 2000 e, R$ 8.091.967,99 para o ano-calendário de 2001. O indeferimento, de parte do valor da restituição, deu-se pelos seguintes motivos: • IRPJ, ano-calendário de 2000: 1) As estimativas compensadas (PA de 04/2000 no valor de R$ 46.616,65 e 10/2000 de R$ 63.807,09) com o saldo negativo do ano-calendário de 1998 (fls.428/429), apreciadas no processo de n° 10880.006861/00-89 (fl.430/437), não foram convalidadas em virtude de insuficiência de crédito; 2) As deduções de IRRF na apuração anual superaram em R$ 12.431,64 (R$ 4.551.813,96 — R$ 4.539.382,32) os efetivamente comprovados por meio de comprovantes de rendimento; • IRPJ — ano-calendário de 2001: 1) dedução a maior de IRRF de R$ 6.946,10, em virtude de comprovação, por meio de comprovantes de rendimentos, de R$ 8.218.994,38 (fls.21/26 e 501/504) sendo, no entanto, deduzido R$ 8.225.940,48 (estimativas mais apuração anual). Dessa forma, o litígio remonta em montantes originais, extraídos das DIPJ' s dos anos-calendário de 2000 e 2001: tributo/período em R$ (valores originais) IRPJ do ano-calendário de 2000 122.855,38 IRPJ do ano-calendário de 2001 6.946,10 3 Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A interessada teve ciência do Despacho Decisório em 29/01/2008 (fl. 548-verso) e dela recorreu a esta DRJ em 07/02/2008 (fls. 550/570). As alegações expostas pela impugnante são resumidas a seguir. • IRPJ — ano-calendário de 2000: Apresenta documentação comprobatória dos montantes compensados nas estimativas mensais com o saldo negativo do ano-calendário de 1998 e das deduções do IRRF feitas no período (docs.03 a 11); • Quanto às estimativas mensais, a compensação era permitida mesmo sem pedido, pois a IN SRF n° 21/97, em seu art.14, não exigia a apresentação de pedido de compensação. Ademais, o art.74 da Lei n° 9.430/96 determina a extinção do crédito tributário pela compensação sob condição resolutória de ulterior homologação; • A diferença glosada de R$ 12.412,63 pela autoridade fiscal está comprovada por meio de documentação (docs.04, 05, 06, 07 e 08). Apenas não apresentou o comprovante de rendimentos referente ao montante de R$ 19,02 (fonte pagadora TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES — CNPJ n° 02.558.134/0001-58); • IRPJ — ano-calendário de 2001: 1) A parcela do IRRF glosado pela autoridade fiscal está comprovado por meio da documentação apresentada (docs.12/18); 2) O montante de R$ 880,02 está comprovado por intermédio dos docs.13 e 14: 3) O quantitativo de R$ 6.066,13 é composto de R$ 5.975,81, retido pela TELESP S/A, CNPJ n° 02.558.157/0001-62 e R$ 90,30, retido pela Tele-Centro Oeste Celular Participações S/A, CNPJ n° 02.558.132/0001-69 (doc.15/16, 17/18); • O montante de R$ 84,00 de IRRF da segunda semana de abril de 2002, foi compensado com o saldo negativo de IRPJ do ano- calendário de 2001 sem processo (IN SRF n°21/97); • Requer a prova do alegado por meio de todos as provas admitidas, notadamente a posterior juntada de documentos. Em 15/02/2008, a interessada apresenta documentação complementar de fls.690/706 visando comprovar o IRRF deduzido do ano-calendário de 2001, por meio de petição dirigida a esta DRJ de fls.688/689. Novamente em 26/02/2008, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade fls.708/722 em que alega o seguinte: • Faz as mesmas alegações apresentadas na manifestação de inconformidade de fls. 550/570 sobre a existência de seu direito creditório de saldo negativo do ano-calendário de 2001; 4 Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 • Contesta a forma de compensação de oficio efetuada pela ECRER/DIORT, ao não considerar todos os débitos informados nos pedidos de compensação, mostrando-se desfavorável à compensação com débitos inscritos em DAU; • A legislação de regência determina que as compensações sejam efetuadas na ordem indicada pela contribuinte em seus pedidos de compensação; • Requer o reconhecimento de seu direito creditório e a não realização de compensações de ofício. Em 06/03/2008, a requerente apresenta um requerimento pedindo a alteração da data de protocolo de recepção apresentado em 12/02/2008, o qual trata da sua discordância em relação às compensações efetuadas de ofício da Comunicação de n° 223 de 29/01/2008. Na data de 27/03/2008, apresenta petição de fls.836/838, em que apresenta informe de rendimento da Tele Norte Leste Participações S/A, CNPJ n° 02.558.134/0001-58, referente ao ano-calendário de 2000 (fl.853). A 7ª Turma da DRJ/SPOI, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, por meio de Acórdão assim ementado, fls. 962: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2000, 2001 IRRF. COMPOSIÇÃO. O imposto retido na fonte é considerado antecipação do imposto devido no período-base. A retenção feita em conformidade com a lei não constitui indébito ou recolhimento a maior, no entanto, poderá ser utilizado para a dedução do IR devido e o resultado se apurado saldo a favor da contribuinte poderá ser compensado com débitos vencidos ou vincendos de mesma ou de diferentes espécies. SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO APURADO NA DECLARAÇÃO. Constituem crédito a compensar ou restituir os saldos negativos de imposto de renda apurados em declaração de rendimentos, desde que ainda não tenham sido compensados ou restituídos. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. O reconhecimento do crédito depende da efetiva comprovação do alegado recolhimento indevido ou maior do que o devido. Manifestação de Inconformidade Improcedente 5 Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada do Acórdão em 18/11/2009 (fls. 976), a contribuinte, em 16/12/2009, interpôs o recurso voluntário de fls. 978-1022, com base nos seguintes argumentos: • IRPJ — ano-calendário de 2000 Afirmou que a diferença de R$ 110.423,74, referente aos períodos de apuração de abril/2000 e outubro/2000 decorreram de glosas efetuada pela autoridade fiscal em virtude de suposta insuficiência de créditos de saldos negativos de períodos anteriores, conforme análise constante do processo nº 10880.006861/00-89. Afirmou que, até a data de apresentação do presente recurso, ainda não havia sido cientificada do Acórdão prolatado no aludido processo nº 10880.006861/00-89, o qual não reconheceu o saldo negativo de IRPJ relativo ao ano-caledário de 1998. Afirmou, outrossim, que ainda que o retrocitado Acórdão ainda estaria sujeito a recurso perante o CARF. Reiterou que a compensação das citadas estimativas mensais foi realizada sem processo administrativo, posto que naquela época a compensação era permitida mesmo sem pedido, nos termos da IN SRF n° 21/97, art.14 (que não exigia a apresentação de pedido de compensação). Ademais, o art.74 da Lei n° 9.430/96 determina a extinção do crédito tributário pela compensação sob condição resolutória de ulterior homologação; Quanto à diferença de R$ 12.412,63, referente à parcela de IRRF glosada pela autoridade fiscal, reiterou que a mesma estava comprovada por meio de documentação juntada aos autos, na fase de manifestação de inconformidade (com exceção da parcela de R$ 19,02, referente à fonte pagadora TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES — CNPJ n° 02.558.134/0001-58). No que tange à alegação da decisão recorrida, de que deveria ser comprovada a totalidade do IRRF deduzido na apuração anual do IRPJ e não apenas a diferença de R$ 12.431,64 (glosada no despacho decisório), esclareceu que o valor correspondente a R$ 4.539.382,32 já havia sido expressamente reconhecido, conforme parágrafos 17 e 18 extraídos da “Fundamentação” do Despacho Decisório exarado pela EQPIR/PJ (que transcreve). Não obstante este fato, afirmou ter juntado aos autos (Doc 07) os comprovantes referentes à totalidade do IRRF, no montante de R$ 4.551.813,96. Sustentou, outrossim, que os rendimentos correspondentes foram oferecidos à tributação, conforme esclarecimentos de fls. 994-998. • IRPJ — ano-calendário de 2001 Afirmou que a RFB já havia reconhecido retenções no valor de R$ 8.218.994,38, razão pela qual somente se deu ao trabalho de comprovar a parte controversa, no montante de R$ 6.946,10. Não obstante este fato, afirmou ter juntado aos autos (Doc. 15) os comprovantes referentes à totalidade do IRRF, no montante de R$ 8.225.940,48. Sustentou, 6 Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 outrossim, que os rendimentos correspondentes foram oferecidos à tributação, conforme esclarecimentos de fls. 1003-1008. • Compensação do IRRF do período de apuração 04/2002 Reafirmou que o montante de R$ 84,00 de IRRF da segunda semana de abril de 2002, foi compensado com o saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2001 sem processo (IN SRF n°21/97). Uma vez comprovada a existência do saldo negativo de IRPJ apurado no ano-calendário de 2001 (no montante de R$ 8.225.940,48), a compensação do montante de R$ 84,00 se revela perfeitamente cabível. Afirmou, outrossim, que a citada compensação foi devidamente declarada na DCTF referente ao 2º trimestre de 2002 (doc. 21). Por fim, a recorrente sustentou a conexão e a prejudicialidade existente em relação ao processo nº 10880.006861/00-89. Informo que o aludido processo nº 10880.006861/00-89 foi julgado por este colegiado em 04 de fevereiro de 2015 (Acórdão nº 1401-001.370). Por unanimidade de votos, este colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ – ano-calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – ano-calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. É o relatório. 7 Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos O recurso atende aos requisitos legais, razão pela qual deve ser conhecido. Ano-calendário 2000 A tabela abaixo resume a parcela que remanesce controversa no presente processo, referente ao ano-calendário 2000: Ficha 12 A RFB (em R$) Contribunte (em R$) Diferença (em R$) Linha 13 - IRRF 1.683.055,43 1.695.487,07 12.431,64 Linha 16 – Estimativa 2.856.326,89 2.966.750,63 110.423,74 Saldo -3.329.562,07 -3.452.417,45 128.855,38 Linha 13 - IRRF Ao apreciar este tema, assim se pronunciou a decisão de piso, fls. 969-970: Quanto ao IRRF deduzido na apuração anual (linha 13 da Ficha 12 A), a autoridade fiscal constatou que as deduções de IRRF na apuração anual superaram em R$ 12.431,64 (R$ 4.551.813,96 — R$ 4.539.382,32) os efetivamente comprovados por meio de comprovantes de rendimentos. Segundo a contribuinte a diferença glosada de R$ 12.412,63 pela autoridade fiscal está comprovada por meio de documentação (docs.04, 05, 06, 07 e 08), apenas não apresentando o comprovante de rendimentos referente ao montante de R$ 19,02 (fonte pagadora TELE NORTE LESTE PARTICIPAÇÕES — CNPJ n° 02.558.134/0001-58). A documentação apresentada pela requerente de fls.603/660 constitui-se de comprovante de rendimentos (fls.604/611, 613/615, 791/792 e 853), demonstrativos da composição do IRRF dedutivel na DIPJ (fls.617, 619, 626, 639, 704 e 706), cópia da DIPJ/2001 (fls.621/624) e cópias do Despacho Decisório e da Manifestação de Inconformidade. Os documentos buscam demonstrar a diferença apurada e glosada pela autoridade fiscal na linha 13 da Ficha 12 A, no entanto, não basta, apenas, a demonstração da diferença não reconhecida tendo em vista que o deferimento do referido direito creditório está condicionado à prova da totalidade do IRRF deduzido e se os correspondentes rendimentos foram integralmente oferecidos à tributação. 8 Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A glosa ocorreu pela prova parcial das deduções efetuadas pela interessada na DIPJ/2001, assim, não só a diferença deve ser comprovada mas também a totalidade do IRRF dedutível bem como a correspondente tributação das receitas auferidas no período. Como a parcela glosada de R$ 12.431,64 (R$ 4.551.813,96 — R$ 4.539.382,32) está contida na totalidade do IRRF deduzido de R$ 4.551.813,96, deve ser comprovado a quantia integral utilizada para a dedução na linha 13 da Ficha 12 A, o que não ocorreu no presente caso. Ademais, para a prova inequívoca das deduções efetuadas na DIPJ, a contribuinte deveria apresentar a escrituração, a qual comprove os valores não só deduzidos, mas também oferecidos à tributação na referida declaração. A possibilidade de dedução do IRRF na DIPJ deve obedecer às regras da legislação regente entre elas a demonstração através de comprovantes de rendimentos do IRRF retido e a tributação das receitas correspondentes confirmadas por meio da escrituração contábil. Pelo exposto, em não se comprovando as deduções efetuadas em sua integralidade, nada pode ser alterado em relação ao saldo negativo do ano-calendário de 2000. Em sua peça recursal, a contribuinte esclareceu que o valor correspondente a R$ 4.539.382,32 já havia sido expressamente reconhecido, conforme parágrafos 17 e 18 extraídos da “Fundamentação” do Despacho Decisório exarado pela EQPIR/PJ. Não obstante este fato, a recorrente afirmou ter juntado aos autos (Doc 07) os comprovantes referentes à totalidade do IRRF, no montante de R$ 4.551.813,96, conforme pretendido pela decisão de piso. Sustentou, outrossim, que os rendimentos correspondentes foram oferecidos à tributação, conforme esclarecimentos de fls. 994-998. Analisando os elementos constantes dos autos, constato que assiste razão à recorrente. De plano, convém destacar que a parcela de R$ 4.539.382,32 efetivamente já havia sido expressamente reconhecida pelas autoridades fiscais, conforme parágrafos 17 e 18 da “Fundamentação” do despacho decisório elaborado pela unidade de origem, verbis (grifado): 17. Em relação ao Imposto de Renda Retido na Fonte deduzido à linha 13, observou-se que o valor de R$ 1.695.487,07, somado ao total de R$ 2.856.326,89 deduzido ao longo do ano- calendário, representam um total de R$ 4.551.813,96. Por outro lado, os informes de rendimentos entregues pelo interessado (fls. 15 a 20) totalizam apenas R$ 4.539.382,32, do que se conclui haver uma diferença de R$ 12.431,64 deduzidos na apuração sem respaldo em informes de rendimento. [...] 18. Dessa forma, o valor de R$ 12.431,64, relativo ao IRRF sem respaldo nos informes de rendimento, não poderá compor o Saldo Negativo do ano-calendário de 2000. O valor restante, de 9 Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 R$ 4.539.382,32, é compatível com as Declarações do Imposto Retido na Fonte (DIRF) transmitidas à RFB pelas fontes pagadoras (fls. 421 a 427), sendo então dedutíveis do imposto de renda devido. Assim sendo, a recorrente apenas tinha o ônus de apresentar os comprovantes de retenção (informes de rendimentos) referentes à parcela controversa de R$ 12.431,64, bem como de demonstrar que os rendimentos correspondentes a tais retenções também forma oferecidos à tributação. No meu entender, a recorrente logrou êxito em comprovar o direito à dedução desta pequena parcela. Os documentos que acompanham a peça recursal efetivamente comprovam a retenção do valor total de R$ 4.551.813,96, conforme quadro abaixo, extraído do próprio recurso voluntário (fls. 993): Ressalte-se que o valor total do quadro acima abrange tanto a parcela incontroversa (R$ 4.539.382,32) quanto a parcela controversa (R$ 12.431,64). Percebe-se, outrossim, que o valor incontroverso de R$ 4.539.382,32 corresponde ao somatório das retenções efetuadas pelas seguintes pessoas juríedicas: Fórmula XVI FIF – Banco Citibank S.A., Morgan Stanley Dean Witter DTVM S.A. (2 informes), BankBoston Banco Múltiplo S.A., Confasa Administração e Participações S.A. e Morgan Stanley Dean Witter Administradora de Carteiras S.A. Consequentemente, o valor controverso de R$ 12.431,64 corresponde ao somatório das retenções efetuadas pelas outras 13 pessoas jurídicas relacionadas no quadro acima. Importante destacar que todos os informes de rendimentos emitidos por estas pessoas jurídicas puderam ser localizados nos presentes autos, conforme tabela a seguir: Fonte Pagadora Rendimento IRRF Fls. Telemig Celular S.A. 19,88 1,88 1115 Telesp Celular Participações S.A. 3.417,00 512,54 1116 Tele Celular Sul Participações S.A. 1.350,34 203,26 1117 Telemig Celular Participações S.A. 1.031,01 154,65 1118 1 0 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 Embratel Participações S.A. 14.210,54 2.131,57 1119 Tele Centro Oeste Celular Participações S.A. 3.145,16 471,76 1120 Tele Norte Leste Participações S.A. 95,11 19,02 1121 Tele Norte Celular Participações S.A. 522,48 57,39 1122 Tele Nordeste Celular Participações S.A. 939,22 141,43 1123 Telecomunicações de São Paulo S.A. 25.851,80 3.877,76 1124 Brasil Telecom Participações S.A. 63,82 3,31 1125 Brasil Telecom Participações S.A. 14.483,94 2.172,58 1125 Companhia Paranaense de Energia – COPEL 17.896,61 2.684,49 1132 Total 83.026,91 12.431,64 Ressalte-se, outrossim, que a recorrente logrou comprovar que estes rendimentos foram devidamente oferecidos à tributação, conforme os detalhados esclarecimentos de fls. 994-998. Dianto exposto, concluo que em relação ao presente aspecto (Linha 13 - IRRF), o recurso voluntário merece ser provido. Linha 16 – Estimativa Com relação a este tema, assim se pronunciou a decisão de piso, fls. 969: Com relação à diferença constatada na linha 16 da ficha 12 A da DIPJ/2001, a autoridade fiscal glosou as estimativas dos PA de 04/2000 no valor de R$ 46.616,65 e do PA de 10/2000 de R$ 63.807,09, as quais foram compensadas com o saldo negativo do ano-calendário de 1998 (fls.428/429), apreciado no processo de n° 10880.006861/00-89 (fl.430/437), em virtude de insuficiência de crédito. Referido crédito foi objeto de análise por esta Delegacia de Julgamento, cujo acórdão de n° 16-23.172, de 08 de outubro de 2009, decidiu pelo não reconhecimento do direito creditório remanescente do ano-calendário de 1998. Dessa forma, fica mantida a mencionada glosa das estimativas dos PA de 04 e 10/2000. No entanto, conforme relatado, o aludido processo nº 10880.006861/00-89 foi julgado por este colegiado em 04 de fevereiro de 2015 (Acórdão nº 1401-001.370). Por unanimidade de votos, este colegiado deu provimento parcial ao recurso voluntário, alterando o valor deferido do IRPJ – ano-calendário 1998 de R$ 9.230.896,34 para R$ 9.237.350,34 e do IRPJ – ano-calendário 1999 de R$ 11.038.286,71 para R$ 11.188.690,43. Consequentemente, também se deve dar parcial provimento ao presente recurso voluntário, em relação a esta parcela da controvérsia, uma vez que eventuais compensações que tenham sido homologadas no processo nº 10880.006861/00-89 sejam devidamente consideradas no presente processo. Ano-calendário 2001 1 1 Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 A tabela abaixo resume a parcela que remanesce controversa no presente processo, referente ao ano-calendário 2001: Ficha 12 A RFB (em R$) Contribuinte (em R$) Diferença (em R$) Linha 13 - IRRF 3.594.782,48 3.601.728,58 6.946,10 Linha 16 – Estimativa 4.624.211,90 4.624.211,90 0,00 Saldo -8.092.047,88 -8.098.993,98 6.946,10 Como se vê, a única diferença entre o entendimento da RFB e da contribuinte reside no montante do IRRF, no diminuto valor de R$ 6.946,10. Assim como ocorreu em relação ao ano-calendário 2000, assiste razão à recorrente ao afirmar que a RFB já havia reconhecido expressamente retenções no valor de R$ 8.218.994,38, razão pela qual a controvérsia se limitava ao valor remanescente de R$ 6.946,10. E a contribuinte, assim como fez em relação ao ano-calendário 200, também teve êxito em comprovar a efetividade das retenções referentes a esta parcela controversa, conforme quadro abaixo: Fonte Pagadora Rendimento IRRF Fls. Telemig Celular S.A. 77,09 11,56 1188 Tele Nordeste Celular Participações S.A. 11,28 0,17 1189 Tele Nordeste Celular Participações S.A. 124,20 18,63 1189 Embratel Participações S.A. 2.443,81 366,57 1190 Telecomunicações de São Paulo S.A. 34.831,51 5.224,72 1191 Telecomunicações de São Paulo S.A. 8.227,91 1.234,18 1191 Tele Centro Oeste Celular Participações S.A. 285,18 42,77 1192 Tele Centro Oeste Celular Participações S.A. 316,87 47,53 1192 Total 46.317,85 6.946,13 Assim como ocorreu em relação ao ano-calendário 2000, a recorrente também logrou comprovar que estes rendimentos, referentes ao ano-caendário 2001, foram devidamente oferecidos à tributação, conforme os detalhados esclarecimentos prestados às fls. 1003-1008. Dianto exposto, concluo que em relação ao presente aspecto (Linha 13 - IRRF), o recurso voluntário merece ser provido. Das compensações de ofício Em sua peça recursal, a contribuinte voltou a questionar as compensações de oficio efetuadas pela autoridade fiscal. Trata-se de matéria estranha ao litígio objeto do presente processo. Conforme bem apontado pela decisão de piso, não compete à DRJ ou ao CARF se pronunciar a respeito de compensações efetuadas pela unidade de jurisdição da contribuinte. 1 2 Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 O contencioso administrativo (DRJ e CARF) somente procede o julgamento de processos referentes a não homologação das compensações e não a maneira como estas são efetuadas pela unidade da RFB jurisdicionante da interessada. Neste sentido são suficientemente esclarecedores o art.74, § 9°, da Lei n° 9.430/96 e os arts. 24 e 35 da IN SRF n° 210/2002 (vigente à época dos fatos), ambos transcritos na decisão recorrida. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer em parte do recurso (compensação de ofício) e, na parte conhecida, dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: a) estender ao presente processo eventuais efeitos decorrentes do provimento parcial ao recurso voluntário do processo nº 10880.006861/00-89 (estimativas referentes aos PA 04/2000 e 10/2000); b) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2000, no montante de R$ 12.431,64 (retenções de IRRF); c) reconhecer um valor adicional a título de saldo negativo de IRPJ, referente ao ano-calendário de 2001, no montante de R$ 6.946,13 (retenções de IRRF); d) não conhecer do recurso em relação às compensações de ofício; e) homologar os pedidos de compensação constantes do presente processo, até o limite dos créditos ora reconhecidos (conforme itens a, b e c). Deve a unidade de origem tomar as precauções devidas a fim de evitar a cobrança em duplicidade do valor relativo à parcela das estimativas dos meses 04/2000 e 10/2000, cuja compensação não tenha sido homologada no processo nº 10880.006861/00-89 (v. Parecer PGFN/CAT nº 88/2014). (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator 1 3 Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 1 1 4 Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 01/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 2 9/03/2016 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 30/03/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 19396.720060/2013-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2008 a 01/12/2009
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO.
Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando-se em cinco anos, contados da data do fato gerador.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA CARACTERIZAÇÃO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. COMPENSAÇÃO.
A teor do art. 150, § 1º e do art. 156, VII, ambos do CTN, o "pagamento antecipado" a que alude o RESP 973.733 é apenas o pagamento em dinheiro, sendo ilegítima a pretensão de aplicar o art. 150, §§ 1º e 4º a casos cuja extinção antecipada do crédito tributário ocorreu sob forma de compensação.
PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO.
Para fins de reconhecimento da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fixada no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, o contribuinte deve comprovar o nexo causal entre o pagamento recebido pela prestadora do serviço domiciliada no País e os serviços por ela prestados ao seu contratante, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior. Não se aplica a referida isenção sobre a prestação de serviços acobertada por contrato cuja tomadora é pessoa jurídica domiciliada no País, mesmo que o pagamento seja oriundo do exterior.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRAZO DE DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO.
Não restando comprovado o dolo do contribuinte, correta a redução da multa para o percentual básico de 75%, assim como a aplicação das regras estabelecidas no art. 150, § 4º e 173, II do CTN sobre a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco.
Recurso de ofício negado
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3402-003.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, excluiu-se a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; e (ii) pelo voto de qualidade, negou-se provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkcowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral ao recurso voluntário e julgaram prejudicado o recurso de ofício. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Alfradique Martins, OAB/RJ 98.995.
Antonio Carlos Atulim - Presidente e Redator designado.
Diego Diniz Ribeiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro.
Nome do relator: DIEGO DINIZ RIBEIRO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 22; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2364; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 13.366 1 13.365 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19396.720060/201305 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 3402003.022 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2016 Matéria PIS e COFINS Recorrente OPMAR SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2008 a 01/12/2009 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA DO DIREITO DO FISCO. Restando configurado o lançamento por homologação pelo pagamento antecipado do tributo, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, § 4º do CTN, operando se em cinco anos, contados da data do fato gerador. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DECADÊNCIA CARACTERIZAÇÃO DO PAGAMENTO ANTECIPADO. COMPENSAÇÃO. A teor do art. 150, § 1º e do art. 156, VII, ambos do CTN, o "pagamento antecipado" a que alude o RESP 973.733 é apenas o pagamento em dinheiro, sendo ilegítima a pretensão de aplicar o art. 150, §§ 1º e 4º a casos cuja extinção antecipada do crédito tributário ocorreu sob forma de compensação. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. Para fins de reconhecimento da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fixada no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, o contribuinte deve comprovar o nexo causal entre o pagamento recebido pela prestadora do serviço domiciliada no País e os serviços por ela prestados ao seu contratante, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior. Não se aplica a referida isenção sobre a prestação de serviços acobertada por contrato cuja tomadora é pessoa jurídica domiciliada no País, mesmo que o pagamento seja oriundo do exterior. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 39 6. 72 00 60 /2 01 3- 05 Fl. 13396DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 2 Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. PRAZO DE DECADÊNCIA. RECURSO DE OFÍCIO. Não restando comprovado o dolo do contribuinte, correta a redução da multa para o percentual básico de 75%, assim como a aplicação das regras estabelecidas no art. 150, § 4º e 173, II do CTN sobre a contagem do prazo de decadência do direito do Fisco. Recurso de ofício negado Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso de ofício e em dar provimento parcial ao recurso voluntário da seguinte forma: (i) por maioria de votos, excluiuse a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa deste julgado. Vencidos os Conselheiros Jorge Freire, Waldir Navarro Bezerra e Maria Aparecida Martins de Paula; e (ii) pelo voto de qualidade, negouse provimento quanto às demais matérias. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Valdete Aparecida Marinheiro, Thais de Laurentiis Galkcowicz e Carlos Augusto Daniel Neto, que deram provimento integral ao recurso voluntário e julgaram prejudicado o recurso de ofício. Designado o Conselheiro Antonio Carlos Atulim. Esteve presente ao julgamento o Dr. Leonardo Alfradique Martins, OAB/RJ 98.995. Antonio Carlos Atulim Presidente e Redator designado. Diego Diniz Ribeiro Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Carlos Augusto Daniel Neto, Jorge Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais de Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula e Diego Diniz Ribeiro. Relatório 1. Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente e que visa a exigência de contribuições para o PIS e para a COFINS referentes ao período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro 2009. Em suma, a fiscalização aduz que a Recorrente indevidamente tratou como prestação de serviços para pessoa jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento representou ingresso de divisas, determinados valores que, em verdade, estariam sujeitos a incidência das exações sobreditas. 2. Para a devida compreensão fática do caso, mister se faz destacar que a Recorrente é pessoa jurídica que tem por objeto social a armação e a operação de embarcações Fl. 13397DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.367 3 empregadas em serviços de apoio a plataforma de petróleo e gás em águas marítimas brasileiras. 3. No âmbito empresarial em que a Recorrente atua, é comum que empresas concessionárias de petróleo e gás (dentre as quais destacamos a PETROBRÁS, já que referida no presente processo administrativo) celebrem contratos de afretamento de embarcações de propriedade de empresas estrangeiras. De forma muito simplória, tratase de “locação” de uma embarcação pertencente a uma empresa estrangeira para pessoa jurídica situada no país. 4. Não obstante, também é comum neste mercado que, paralelamente ao negócio jurídico acima narrado, também sejam celebrados outros contratos, dentre eles contratos de prestação de serviços firmados entre as concessionárias de petróleo e gás e empresas armadoras brasileiras, o qual tem por escopo a prestação de serviços marítimos a bordo das embarcações afretadas (tripulação e operação). Neste caso, o negócio jurídico é celebrado entre a empresa armadora e a empresa petrolífera. 5. Por sua vez, também de forma paralela aos negócios jurídicos alhures narrados, é comum que a empresa armadora seja contratada pela empresa estrangeira para que lhe prestes serviços afetos à embarcação de sua propriedade e que se encontra em operação no país. Dentre tais atividades as mais comuns são: (i) licenciamento da embarcação perante as autoridades nacionais; (ii) aquisição de partes e peças destinadas à manutenção preventiva da embarcação enquanto fretada em águas brasileiras; (iii) realização de reparos na citadas embarcações para que elas continuem operando; dentre outras atividades. Neste caso, há um negócio jurídico perpetrado entre a empresa armadora e a empresa fretadora. 6. Não obstante, também é muito comum que neste segmento as empresas armadora e fretadora integrem um mesmo grupo econômico. 7. Dito isso, convém destacar que o presente processo administrativo gravita em torno exatamente dos negócios jurídicos acima sumarizados. 8. Conforme se observa do termo de verificação fiscal (fls. 11.397/11.410), a fiscalização faz as seguintes acusações: (i) que a Recorrente é empresa armadora que faz parte de um grupo econômico que contempla as seguintes empresas: RAZÃO SOCIAL CNPJ PAÍS ALFANAVE TRANSPORTE MARÍTIMOS LTDA. 39.383.138/000152 BRASIL BRAM USS LLC 09.160.886/000105 USA BRAM OFFSHORE TRANSPORTES MARÍTIMOS LTDA. 07.864.634/000131 BRASIL BRASIL VESSELS LLC 07.036.344/000108 USA BRAZIL OPERATORS LLC 05.979.028/000136 USA DUH BOAT BV 08.034.337/000121 HOLANDA ECO (EDISON CHOUEST OFFSHORE) 05.662.759/000153 USA ISLAND OFFSHORE DO BRASIL LTDA 08.347.754/000124 BRASIL JF MAR SERVIÇOS MARÍTIMOS LTDA 06.131.709/000102 BRASIL NAUTICAL SOLUTION LLC 11.337.190/000153 USA NAUTICAL VENTURE LLC 07.952.001/000185 USA OFFSHORE SERVICE VESSEL LLC 08.469.323/000130 USA Fl. 13398DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 4 (ii) que dentre as pessoas jurídicas acima listadas, a Recorrente presta serviços para a empresa Bram Offshore Transportes Marítimos Ltda. (doravante BRAM), embora não possua contratos formalizados nesse sentido; (iii) não obstante, que a empresa BRAM celebrou inúmeros contratos de fretamento com a empresa PETROBRÁS; (iv) que ao analisar concomitantemente os lançamentos contábeis relativos às receitas operacionais auferidas pela Recorrente e a empresa BRAM, verificouse que os seus respectivos Centros de Custos detinham informações acerca dos nomes das embarcações utilizadas nas prestações de serviços ou nos fretamentos relacionados à PETROBRÁS, possibilitando, assim, consolidar as suas receitas (exceto em conta de outras receitas, que são exclusivas da Recorrente) por embarcação em comum; (v) que da análise dos citados lançamentos contábeis apurouse uma receita global de R$ 91.780.131,62 no ano de 2008 e R$ 173.312.207,31 no ano de 2009, sendo que, deste total, 44% (quarenta e quatro por cento) da receita operacional total no ano de 2008 (R$ 40.550.924,62) e 36% (trinta e seis por cento) da receita operacional total no ano de 2009 (R$ 62.325.933,30) referiamse a receitas da Recorrente; (vi) que a Recorrente tratou tais valores como receitas decorrentes de prestação de serviços para empresas fretadoras situadas no exterior e que integram o grupo econômico do qual a Recorrente faz parte, razão pela qual deixou de sujeitálas à incidência do PIS e da COFINS ao pretexto de suposta isenção, nos termos do art. 6º., inciso II da lei n. 10.833/03 (COFINS) e art. 5º., inciso II da lei n. 10.637/02 (PIS); (vii) que, todavia, tais valores não seriam isentos, uma vez que não decorreriam de serviços prestados pela Recorrente para a empresa BRAM, mas sim de serviços prestados pela Recorrente para a empresa PETROBRÁS. 9. Em sua defesa, o contribuinte alega em Impugnação (fls. 11.487/11.526): (i) nas hipóteses em que a embarcação é fretada à concessionária de petróleo e gás por empresa que se encontra no exterior, a Recorrente invariavelmente auxilia referida empresa estrangeira nas questões domésticas atinentes à embarcação e aos contratos de fretamento em questão, seja no licenciamento da embarcação perante as autoridades brasileiras, no próprio desembaraço aduaneiro da embarcação, na importação e aquisição local de partes e peças destinadas à manutenção preventiva da embarcação durante a operação em águas territoriais brasileiras, na relação com o cliente no Brasil, bem como nas demais necessidades ordinárias ou extraordinárias para a manutenção do afretamento, sendo certo que as atividades e quaisquer despesas inerentes ao fretamento são todas da própria fretadora; (ii) as receitas objeto das autuações ora impugnadas são justamente aquelas decorrentes dos serviços de suporte prestados pela Recorrente às fretadoras localizadas no exterior; (iii) no Contrato de Afretamento n° 2050.0031547.07.2 firmado entre a PETROBRÁS S/A (contratante), a Edison Chouest Offshore LLC, posteriormente denominada Offshore Service Vessels LLC e a Bram Offshore (subafretadora) para o afretamento da embarcação CProvider, a Cláusula 29.1 prevê expressamente a participação da Recorrente na referida avença como ‘empresa solidária’ justamente para assegurar que a fretadora, localizada no exterior, tenha condições de cumprir com as obrigações assumidas no contrato de afretamento no País; Fl. 13399DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.368 5 (iv) também merecem destaque outras Cláusulas do citado Contrato de Afretamento que prevêem a obrigação da empresa estrangeira responsável pelo afretamento de fornecer/obter às suas expensas todas as licenças, registros, manutenção e substituição de partes, peças e equipamentos necessários à regularidade do afretamento (Cláusulas 3.3, 3.4, 3.6, 3.8.1, 3.11.1 e 3.12); (v) é justamente no atendimento dessas obrigações a serem incorridas pelas empresas estrangeiras afretadoras da embarcação que o Recorrente participa auxiliandoas no licenciamento e importação da embarcação, na manutenção preventiva da embarcação, identificação dos fornecedores de materiais, partes, peças e combustíveis, na representação perante o cliente e suportes necessários ao cumprimento das obrigações que assumiu no Contrato de Afretamento; (vi) não obstante seja o Recorrente expressamente contratado para operar a embarcação, para o que assume obrigações próprias da prestação de serviços que firmou com sua cliente, o Recorrente também participa como "Empresa Solidária" no Contrato de Afretamento firmado com a empresa estrangeira e a concessionária local de petróleo e gás, auxiliando a afretadoraestrangeira nas suas necessidades domésticas já mencionadas; (vii) que as cláusulas contratuais referidas demonstram existir uma prestação de serviço entre a Recorrente e a empresa fretadora estrangeira, o que é reforçado por outros documentos acostados nos autos, dentre os quais destacamse as notas fiscais de serviço, comprovante de recolhimento de ISS para tais NFs, o apontamento de tais valores em DIPJ para fins apuração de IRPJ e CSSL e, ainda, a escrituração de tais operações no seu Livro Razão; (viii) em nenhum momento o Fisco comprovou a inadequação ou desequilíbrio econômico, donde se pode afirmar que não pode o Fisco, sem apurar o valor da embarcação fretada e o valor médio de um fretamento, comparativamente ao valor de mercado dos serviços que efetivamente cabem à Recorrente desempenhar, vislumbrar qualquer intenção em reduzir dolosamente a tributação devida ao erário brasileiro; (ix) há decadência de parte da autuação, mas precisamente do período anterior a novembro de 2008; (x) inexistência de conduta dolosa ou fraudulenta a justificar a multa qualificada aplicada em comento; e, por fim (xi) a impossibilidade de incidência de juros sobre a multa de ofício. 10. Devidamente processada, a Impugnação foi julgada parcialmente procedente para (i) reconhecer a decadência dos períodos compreendidos entre janeiro e outubro de 2008 para a COFINS e janeiro a fevereiro e abril a outubro de 2008 para PIS, bem como para (ii) reduzir a multa imposta para 75% (setenta e cinco por cento). É o que se constata da ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009. DECADÊNCIA. PAGAMENTO PARCIAL. AUSÊNCIA DE DOLO. Em caso de inexistência de dolo do contribuinte e havendo antecipação de pagamento do tributo, contase o prazo decadencial de cinco anos a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN). Fl. 13400DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 6 QUALIFICAÇÃO DA MULTA. A qualificação da multa não se sustenta sem a demonstração dos requisitos vontade e consciência voltados para a prática do delito. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Conforme AgRg no REsp 1.335.688PR, a 1ª e a 2ª Turmas do Superior Tribunal de Justiça pacificaram o entendimento no sentido de que “é legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, referenciando os seguintes precedentes: REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009; e REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. Para fins de reconhecimento da isenção da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, fixada no art. 5º, inciso II, da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 6º, inciso II, da Lei nº 10.833, de 2003, respectivamente, o administrado deve comprovar o nexo causal entre o pagamento recebido pela prestadora do serviço domiciliada no País e os serviços por ela prestados ao seu contratante, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no exterior. Não se aplica a referida isenção sobre a prestação de serviços acobertada por contrato cuja tomadora é pessoa jurídica domiciliada no País, mesmo que o pagamento seja oriundo do exterior ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. Tratandose da mesma matéria fática, aplicase às exigências reflexas, no que couber, o que foi decidido quanto à exigência matriz, devido à íntima relação de causa e efeito entre elas. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte 11. Diante da manutenção parcial da autuação, a Recorrente interpôs o Recurso Voluntário em análise repisando os fundamentos destacados em sua Impugnação e detalhando que, o PIS referente ao período de março de 2008 também estaria decaído em razão de existir para o período pagamento desta exação por meio de compensação. Não obstante, também houve a interposição de recurso de ofício. 12. Devidamente processado o Recurso Voluntário, a União foi intimada e, por intermédio da sua Procuradoria, apresentou contrarrazões (fls. 13.338/13.363), oportunidade em que se manifestou no seguinte sentido: (i) que não haveria decadência do PIS para o mês de março de 2008, uma vez que a compensação realizada no período não equivaleria a pagamento, para fins de convocação do precedente do E. STJ (REsp n. 973.733/SC) a respeito do tema; (ii) que a contratação bipartida de serviços e de fretamento com a PETROBRÁS não teria propósito negocial, mas apenas a intenção de reduzir a incidência de tributos; (iii) não existiria prova da prestação de serviços alegada pela Recorrente com a sua coligada no exterior; Fl. 13401DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.369 7 (iv) que a vinculação dos negócios jurídicos (prestação de serviços e fretamento) ficaria nítida também quando se observa a solidariedade entre a Recorrente e as fretadoras existente em todos os contratos de prestação de serviços firmados pelas fretadoras com a PETROBRÁS; (v) logo, seria devida a exigência fiscal em comento, bem como a incidência de juros sobre a multa de mora. 13. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Diego Diniz Ribeiro 14. O recurso voluntário é tempestivo e atende as demais exigências formais, razão pela qual dele tomo conhecimento. O juízo de prelibação também é procedente para o recurso de ofício. I. Da decadência parcial do crédito tributário 15. Conforme já mencionado no relatório da presente decisão, o Auto de Infração em questão visa a exigência de contribuições para o PIS e para a COFINS referentes ao período compreendido entre janeiro de 2008 e dezembro 2009. A notificação do contribuinte, por seu turno, ocorreu em 27 (vinte e sete) de novembro de 2013. 16. Não obstante, em sede de Impugnação a DRJFortaleza reconheceu a decadência para os períodos compreendidos entre janeiro e outubro de 2008 para a COFINS e janeiro a fevereiro e abril a outubro de 2008 para o PIS. Assim, em relação ao PIS, não houve reconhecimento quanto à decadência do mês de março de 2008, uma vez que, segundo a DRJ: (...). 15. Quanto ao PIS/Pasep relativo ao PA de março/2008 não consta nenhum pagamento, mas apenas compensação (efl. 13206). Sendo assim, devese aplicar ao PIS/Pasep de março/2008 a regra decadencial do artigo 173, inciso I, do CTN, ou seja, termo inicial da decadência em 01/01/2009, o que afasta a ocorrência de caducidade pleiteada pelo administrado. Salientese que essa conclusão está de acordo com a jurisprudência do STJ (vide AgRg no Resp 1.467.333SP, de 09/09/2014)3, o que refuta as decisões administrativas aduzidas pelo impugnante. (...). 17. Com a devida vênia, o entendimento exarado pela DRJ de Fortaleza encontrase equivocado. 18. Primeiramente, insta repisar que o presente caso não trata de pretensa glosa de crédito que, caso tivesse ocorrido em concreto, implicaria a existência de um débito fiscal não pago e, por conseguinte, nos termos do precedente do Superior Tribunal de Justiça (REsp n. 973.733/SC), implicaria o início da contagem do prazo decadencial nos termos do art. 173, inciso I do Código Tributário Nacional. 19. Conforme se observa dos autos, em relação ao débito de PIS para o mês de março de 2008, a Recorrente pagou (ainda que parcialmente) o debito tributário daquele mês mediante compensação com um crédito que – repitase – não foi objeto de glosa. Acontece Fl. 13402DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 8 que, data venia, interpretando mal o precedente alhures mencionado, a DRJFortaleza aduz que o prazo decadencial só seria contado nos termos do art. 150, §4o do CTN se houvesse pagamento em pecúnia da referida exação o que, com o devido respeito, constitui verdadeiro equívoco. 20. Ao se analisar o sobredito precedente do STJ, em especial o relatório do voto do seu Relator, da lavra do então Ministro Luiz Fux, é impossível constatar se no caso julgado o pagamento realizado de forma antecipada pelo contribuinte e decorrente do lançamento efetuado por homologação foi realizado em pecúnia ou, eventualmente, de outra forma, dentre as quais destacase a figura da compensação. 21. Assim, se referida distinção não foi realizada quando do julgamento do caso precedente, é porque a mesma foi irrelevante para a formação da ratio decidendi dele extraída e, por conseguinte, para o resultado do julgamento. Logo, em se tratando de lançamento por homologação, qualquer modalidade do gênero pagamento seria suficiente para ensejar a contagem do prazo decadencial nos termos do art. 150, §4o do CTN. 22. Nesse sentido, reconheço a decadência do crédito lançado a título de PIS e referente ao mês de março de 2008. II. Da operação perpetrada pela Recorrente e a correlata autuação fiscal 23. Antes de seguir adiante no presente voto, é indispensável aduzir que a operação em análise e os negócios jurídicos daí decorrentes se revestem de enorme complexidade e, por conta disso, guardam particularidades próprias. Logo, limitar a presente contenda a uma exclusiva discussão no altiplano normativo (geral e abstrato) quanto à eventual validade ou invalidade de um suposto planejamento tributário seria, s.m.j, um reducionismo incompatível com o problema enfrentado1. 24. Por outro giro verbal, o que se afirma aqui é que para que haja uma decisão juridicamente justa, i.e., em compasso com uma ideia de phronesis aristotélica, é indispensável debruçarse sobre as particularidades do caso decidendo retratadas pelas provas colacionadas ao longo do presente processo administrativo e, em especial, os contratos firmados entre a Recorrente e a PETROBRÁS, bem como entre as empresas fretadoras estrangeiras e a PETROBRÁS. 25. Ademais, para alcançar as conclusões que serão abaixo desenvolvidas, é indispensável enxergar o ordenamento jurídico com certo distanciamento de uma postura eminentemente formalista, haja vista a já repisada falência desta mundividência em um mundo pósmoderno. Como bem ressalta o então Conselheiro deste Tribunal Administrativo, Alexandre Kern, quando do voto proferido no processo administrativo n. 16682.721162/20123, é indispensável analisar o presente voto de forma divorciada de valores arraigados e que não mais se compatibilizam com o atual estado de arte da dogmática constitucional e tributária nacional, em especial de uma visão mecanicista do direito. O julgador enquanto mero aplicador de normas ou como figurante do papel de ser a boca da lei morreu – ou deveria ter morrido – com a longínqua derrocada da Escola Exegética. 26. Pois bem. Fixados tais pontos, convém agora analisar as particularidades do caso decidendo, a começar pelos contratos anexados aos autos na qualidade de prova. Ressaltese, desde já, que apesar do grande volume de contratos anexados, é possível 1 A grosso modo, seria o mesmo que reduzir a questão do conceito de insumo para fins de creditamento de PIS e COFINS a um debate quanto ao seu caráter restritivo ou extensivo. Fl. 13403DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.370 9 identificar dois contratos padrões, sendo um deles firmado entre as empresas fretadoras estrangeiras e a PETROBRÁS e outro entre a Recorrente e a PETROBRÁS. 27. Começaremos a análise dos citados instrumentos contratuais pelas avenças firmadas entre a PETROBRÁS e as empresas estrangeiras do grupo econômico ao qual pertence a Recorrente e que fretam embarcações para a estatal brasileira. Para esse fim, adotaremos como exemplar o contrato n. 2050.0011584.05.2 (fls. 795 e s.s.), o qual apresenta o seguinte objeto: CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1. Constitui objeto do presente CONTRATO, o afretamento, por período, pela CONTRATADA à PETROBRÁS, da EMBARCAÇÃO do tipo PSV 3000 descrita nos ANEXOS III e IIIA deste CONTRATO. 28. Seguindo adiante na referida avença, é possível constatar uma cláusula que estipula as obrigações da empresa afretadora (contratada), dentre as quais destacamos as seguintes regras: CLÁUSULA TERCEIRA – OBRIGAÇÕES DA CONTRATADA 3.1. Apresentar e manter a EMBARCAÇÃO liberada para operação pelas autoridades competentes, em boas condições de navegabilidade, íntegra do ponto de vista de casco, máquinas e equipamentos, adequadamente aparelhada de acordo com os ANEXOS III e IIIA para as fainas de apoio à pesquisa e lavra de hidrocarbonetos e atividades correlatas efetuadas pela PETROBRÁS, ou por sua conta, na Plataforma Continental Brasileira. (...). 3.3 Assistir à PETROBRÁS, no que for pertinente, objetivando a regularização da EMBARCAÇÃO no País, junto às autoridades competentes, quando for o caso. (...). 3.5. Operar a EMBARCAÇÃO, adequadamente tripulada e equipada para o apoio às operações de pesquisa e lavra de hidrocarbonetos e atividades correlatas na Plataforma Continental Brasileira, compatíveis com seu tipo e porte, na forma dos citados ANEXOS III e IIIA. 3.15 Encarregarse da manutenção e reparo da EMBARCAÇÃO, arcando com o custo de reposição dos seus equipamentos, materiais, acessórios e sobressalentes, bem como das despesas resultantes da realização de reparos de qualquer natureza. (...) (grifos constantes no original). 29. Ao se analisar os dispositivos contratuais alhures transcritos, é possível constatar que a atividade prestada pela empresa estrangeira não se resume à tãosomente fretar uma embarcação de sua propriedade para a PETROBRÁS, mas também realizar outras inúmeras atividades, todas com o objetivo de permitir que a PETROBRÁS utilize referida embarcação de forma efetiva e adequada e, por conseguinte, cumpra com a sua obrigação de pagar a fretadora por tais atividades. Tudo isso para que, em suma, (i) a PETROBRÁS possa Fl. 13404DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 10 efetivamente fruir da embarcação fretada e, em contrapartida, (ii) a empresa estrangeira possa receber o correlato valor decorrente deste fretamento. 30. Por sua vez, também é devida a análise do contrato firmado entre a Recorrente e a PETROBRÁS. Para tanto, nos valemos exemplarmente do contrato n. 2050.0031826.07.02 (fls. 655 e s.s.), cujo objeto segue abaixo descrito: CLÁUSULA PRIMEIRA – OBJETO 1.1. O presente CONTRATO tem por objeto a prestação de serviços de Operação da EMBARCAÇÃO CSPIRIT do tipo AHTPS 5000, descrita nos ANEXOS III e IIIA 1.1.1. Entendese por Operação de uma EMBARCAÇÃO, as funções de tripular, cumprir com as obrigações legais e contratuais, realizar operação náutica da EMBARCAÇÃO, efetuar a manutenção preventiva, docagem e reparos, e suprir a embarcação com materiais de consumo necessários à operação de EMBARCAÇÃO durante o período de vigência do CONTRATO. (...) (g.n.). 31. Das referidas cláusulas contratuais é possível analiticamente constatar que a Recorrente é contratada para a execução das seguintes atividades: (i) tripular a embarcação; (ii) realizar operação náutica da embarcação; (iii) efetuar manutenção preventiva; (iv) realizar docagem e reparos; e, ainda (v) suprir a embarcação com materiais de consumo necessários à operação. 32. Dissecada tais atividades, é inegável que o contrato firmado entre a Recorrente e a PETROBRÁS apresenta íntima relação com a avença estipulada entre a empresa estatal e a empresa estrangeira fretadora, o que, digase de passagem, é fato incontroverso nos autos. E isso porque a atuação da Recorrente é indispensável para que o contrato entre a PETROBRÁS e a empresa estrangeira efetivamente atinja seu fim em favor das duas partes (PETROBRÁS e fretadora estrangeira) que o assinaram. Em outros termos, a execução do objeto do contrato firmado entre a PETROBRÁS e a Recorrente beneficia, ora direta ora indiretamente, tanto a PETROBRÁS quanto a fretadora estrangeira. 33. Aliás, é exatamente em razão deste caráter indissociável das avenças é que, no contrato firmado entre a Recorrente e a PETROBRÁS, a fretadora estrangeira figura como signatária na qualidade de responsável solidária, de modo a garantir não apenas o fretamento da embarcação para a PETROBRÁS, mas também a sua efetiva fruição. Vejamos o teor da referida cláusula contratual: CLÁUSULA VIGÉSIMA SÉTIMA – SOLIDARIEDADE 27.1. Assina o CONTRATO, como empresa juridicamente solidária quanto às obrigações pecuniárias dela decorrentes, independente da causa, origem ou natureza jurídica, a empresa contratada tal como definida no Contrato de Afretamento n. 2050.0031823.07.2, aqui denominada EMPRESA SOLIDÁRIA que, neste ato, declara estar ciente de todo teor e efeitos do CONTRATO. A EMPRESA SOLIDÁRIA tem sede no endereço(...). Fl. 13405DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.371 11 (...). 34. Diante de tais questões, é possível constatar que as atividades prestadas pela Recorrente e descritas acima beneficiam tanto a empresa estrangeira fretadora como também a PETROBRÁS. Àquela é beneficiada na medida em que as atividades da Recorrente implicam a conservação do bem circunstancialmente fretado, mas que é de propriedade da fretadora, enquanto esta última é beneficiada com a efetiva fruição da embarcação em sua plenitude. 35. Detalhando ainda mais a questão, é possível destacar das atividades prestadas pela Recorrente que algumas delas são imediatamente dirigidas à fretadora estrangeira e mediatamente à PETROBRÁS, enquanto que outras são diretamente referidas à PETROBRÁS e indiretamente à empresa internacional. 36. Assim, me parece que está aí o cerne da questão para definir quais serviços são diretamente prestados pela Recorrente em favor da PETROBRÁS e cuja receita, por conseguinte, está sujeita à incidência do PIS e da COFINS, e quais são prestados imediatamente para a fretadora estrangeira e, portanto, sujeito a isenção das referidas exações. 37. Ainda que sujeito à censura, tenho para mim que todos aqueles serviços desempenhados pela Recorrente e que tem por escopo a manutenção e reparo da embarcação tem por beneficiado direto a empresa estrangeira, uma vez que ela é a proprietária do bem e vai gozar, de forma perene, de tais atividades. Aqui, a PETROBRÁS se beneficia apenas de forma episódica e indireta de tais atividades. Assim, penso que os valores decorrentes das atividades de (i) manutenção preventiva e (ii) docagem e reparos estão sujeitos a isenção dos PIS e COFINS. 38. Por sua vez, todas aquelas atividades que tem por escopo a navegação da embarcação, ou seja, a fruição do bem para o objetivo para o qual se destina, tem como destinatário imediato a PETROBRÁS e como destinatário mediato a afretadora estrangeira. Nessa toada, o importe percebido em razão das atividades consistentes em (i) tripular a embarcação, (ii) realizar operação náutica da embarcação e, ainda, (iii) suprir a embarcação com materiais de consumo necessários à operação, estariam sujeitos a incidência das contribuições aqui tratadas. 39. Convém neste instante abrir um parêntese e registrar que a incontroversa inexistência de um contrato de prestação de serviços formalmente estabelecido apenas entre a Recorrente e empresa estrangeira não é suficiente para afastar tal conclusão. Para tanto, convém repisar as premissas estabelecidas nos parágrafos 23, 24 e 25 do presente voto, por meio das quais declaradamente me afasto de uma mundividência jurídica exclusivamente formalista do direito. Assim, à esteira das lições do jusfilósofo português Castanheira Neves, estou convicto que o problema do Direito e, por conseguinte, da tarefa judicativa, é pautado pelo fato de que o mundo é um e os homens nele são muitos2. Logo, a função do Direito não se resume a uma questão de forma, como idealizaram os Modernos, mas, acima de tudo, resolver conteudisticamente o também material e necessário problema de convivência humana3. 2 NEVES, Antônio Castanheira. "Digesta" (vol. 3º). Coimbra Editora: Coimbra, 2008. p. 13. (grifos do Autor). 3 "Op. cit. Loc. cit." Fl. 13406DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 12 40. Embora não haja um contrato (forma) individualmente estabelecido entre a Recorrente e a empresa fretadora estrangeira, é inegável a existência de um negócio jurídico (conteúdo) entre tais empresas. As particularidades do mercado4 e da regulação normativa que gravitam em torno da exploração de petróleo, as cláusulas contratuais mencionadas ao longo deste voto, em especial a regra de solidariedade já tratada, bem como os efeitos (mediato e imediato) das atividades prestadas pela Recorrente, não deixam qualquer dúvida quanto à existência de um negócio jurídico celebrado entre a Recorrente e a empresa fretadora estrangeira, ainda que inexistente uma forma própria para este fim. O conteúdo se sobrepõe à forma, o que, aliás, está em perfeita sintonia com o disposto no art. 107 do Código Civil, in verbis: Art. 107. A validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir. 41. Fechado o breve parêntese acima e retomando a ideia de segregação das atividades perpetradas pela Recorrente pelo imediatismo ou mediatismo da sua fruição, tenho que caberia à fiscalização ter fracionado tais atividades e se limitado a exigir PIS e COFINS apenas daquelas atividades prestadas pela Recorrente e imediatamente gozadas pela PETROBRÁS em razão do fretamento de embarcação, o que, repitase, limitaria a autuação às atividades de (i) tripular a embarcação, (ii) realizar operação náutica da embarcação e, ainda, (iii) suprir a embarcação com materiais de consumo necessários à operação. 42. Ao deixar de assim agir, a fiscalização incorreu em erro de direito e não de fato, o que impede a retificação da autuação para uma eventual adequação ao voto aqui proferido. 43. O erro de direito é uma problema decorrente da equivocada subsunção do fato à norma ou, em outros termos, que emerge de uma indevida qualificação jurídica dos fatos apurados. É, pois, um problema internormativo, haja vista ter sua origem no descompasso entre a norma individual e concreta do lançamento com a norma geral e abstrata da regramatriz de incidência tributária. Já o erro de fato, por seu turno, é um problema intranormativo, decorrente de um erro na identificação do fato social descrito no antecedente de uma norma geral e abstrata. Essa é a doutrina de Paulo de Barros Carvalho: O erro de direito é a distorção entre o enunciado protocolar da norma individual e concreta e a universalidade enunciativa da norma geral e abstrata, ao passo que o erro de fato é desajuste interno na formação do enunciado protocolar (CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário – fundamentos jurídicos da incidência. 5ª. ed. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 111.). 44. A orientação consolidada do Superior Tribunal de Justiça está em compasso com a doutrina alhures transcrita, consoante bem ilustram os julgados abaixo: TRIBUTÁRIO. GUIAS DE IMPORTAÇÃO VENCIDAS E UTILIZADAS PELO CONTRIBUINTE. DESEMBARAÇO ADUANEIRO AUTORIZADO PELA AUTORIDADE FISCAL. POSTERIOR REVISÃO DO LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. ERRO DE FATO VERIFICADO DENTRO DO PRAZO DECADENCIAL PARA CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. 4 Importante registrar, por exemplo, que a cisão das atividades empresariais destinadas em proveito da PETROBRÁS não é fruto de um prévio planejamento tributário da Recorrente, mas decorre de exigência licitatória imposta pela empresa estatal, o que se depreende das cartasconvites internacionais que a PETROBRÁS emite quando vai contratar este tipo de serviço. Fl. 13407DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.372 13 1. Se a autoridade fiscal procede ao desembaraço aduaneiro à vista de guias de importação vencidas, circunstância dela desconhecida e ocultada pelo contribuinte, caracterizase erro de fato, e não erro de direito. 2. Por erro de fato devese entender aquele relacionado ao conhecimento da existência de determinada situação. 3. Dizse erro de direito aquele que decorre do conhecimento e da aplicação incorreta da norma. 4. Se o desembaraço aduaneiro é realizado sob o pálio de erro de fato, é possível sua revisão dentro do prazo decadencial, à luz do art. 149, IV, do CTN. Precedentes desta Corte. Agravo regimental provido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 2ª. Turma; AgRg no REsp 942.539/SP; Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS; Data do Julgamento: 02/09/2010; Data da Publicação/Fonte: DJe 13/10/2010) (grifos não constantes no original). TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. MANDADO DE SEGURANÇA. DESEMBARAÇO ADUANEIRO. CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA. AUTUAÇÃO POSTERIOR. REVISÃO DE LANÇAMENTO. ERRO DE DIREITO. SÚMULA 227/TRF. PRECEDENTES. 1. "A mudança de critério jurídico adotado pelo fisco não autoriza a revisão do lançamento" (Súmula 227 do TFR). 2. A revisão de lançamento do imposto, diante de erro de classificação operada pelo Fisco aceitando as declarações do importador, quando do desembaraço aduaneiro, constituise em mudança de critério jurídico, vedada pelo CTN. 3. O lançamento suplementar resta, portanto, incabível quando motivado por erro de direito. (Precedentes: Ag 918.833/DF, Rel. Min. JOSÉ DELGADO, DJ 11.03.2008; AgRg no REsp 478.389/PR, Min. HUMBERTO MARTINS, DJ. 05.10.2007, p. 245; REsp 741.314/MG, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ. 19.05.2005; REsp 202958/RJ, Rel. Ministro FRANCIULLI NETTO, DJ 22.03.2004; REsp 12904/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ 27/05/2002, p. 142; Resp nº 171.119/SP, Rela. Min. ELIANA CALMON, DJ em 24.09.2001). 4. Recurso Especial desprovido. (Superior Tribunal de Justiça – STJ; 1ª. Turma; REsp 1.112.702/SP; Relator:Ministro LUIZ FUX; Data do Julgamento: 20/10/2009; Data da Publicação/Fonte: DJe 06/11/2009) (grifos não constantes no original). 45. Assim, retificar a presente autuação para fins de eventualmente adequála ao voto aqui proferido implicaria em alteração dos critérios jurídicos que permearam a exigência fiscal, o que seria ofensivo ao disposto no art. 146 do Código Tributário Nacional. 46. Em reforço, admitir que esta requalificação pudesse ser feita no presente processo administrativo, na qualidade de execução de julgado, implicaria em notória ofensa ao devido processo legal e seus consectários lógicos, i.e., contraditório e ampla defesa, na medida em que, diante de uma apuração indevida na segregação das receitas indicadas, o Recorrente não teria mais mecanismos processuais no âmbito administrativo para questionar tal fato. III. Do recurso de ofício 47. Conforme já pontuado no relatório do presente voto, a Impugnação do contribuinte foi julgada procedente para (i) reconhecer a decadência dos períodos compreendidos entre janeiro e outubro de 2008 para a COFINS e janeiro a fevereiro e abril a outubro de 2008 para PIS, bem como para (ii) reduzir a multa qualificada imposta para 75% (setenta e cinco por cento) sobre o valor do crédito tributário. Fl. 13408DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 14 48. Em relação à decadência para o período em comento não merece reparo a decisão proferida pela DRJFortaleza, vez que, conforme demonstrado nos autos, para tal hiato de tempo houve prova de pagamento parcial das exações fiscalizadas, o que enseja a contagem no prazo decadencial nos termos do disposto no art. 150, §4° do CTN, exatamente como decidido pelo STJ no REsp n. 973.733/SC, julgado sob o rito de recursos repetitivos, o que, por sua vez, enseja a aplicação do disposto no art. 62, inciso II, alínea “b” do RICARF. 49. Já em relação ao afastamento da multa qualificada, referida discussão fica absorvida e, por conseguinte, prejudicada, haja vista o teor do voto aqui proferido. Disposição 50. Ante o exposto, voto para, em preliminar de mérito, reconhecer a decadência do PIS referente ao mês de março de 2008 e, no que diz respeito aos fatos imponíveis remanescentes, para dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte com o consequente cancelamento do presente Auto de Infração. 51. É como voto. Diego Diniz Ribeiro Relator Voto Vencedor Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator designado. Atrevome a divergir do ilustre relator no que concerne ao recurso de ofício e também quanto ao recurso voluntário. No que tange ao recurso de ofício, a DRJ Fortaleza agiu com o costumeiro acerto, pois antes de aplicar as regras de decadência do direito do fisco, aferiu os períodos de apuração em relação aos quais houve e não houve pagamento antecipado por parte do contribuinte. Em relação aos períodos de apuração em que houve pagamento antecipado, aplicou a regra do art. 150, § 4º do CTN. Em relação ao período de apuração em que a extinção antecipada do crédito tributário ocorreu por meio de compensação, aplicou a regra do art. 173, I, do CTN. Desse modo, não há nenhum reparo a fazer no que tange à exoneração do crédito tributário com base na decadência. Da mesma forma, foi correta a redução da multa ao patamar de 75%, pois no caso concreto não há como sustentar que o contribuinte agiu deliberadamente no sentido de impedir ou retardar o conhecimento do fato gerador por parte da Administração Tributária (sonegação), uma vez que entregou ao fisco toda a sua escrituração em meio magnético (ECD), conforme atestam os documentos de fls. 11352/11359. Se tudo estava disponível para o fisco por meio do SPED, como sustentar que a falta de declaração caracterizou sonegação? Com esses fundamentos, meu voto é no sentido de negar provimento ao recurso de ofício para ratificar as exonerações promovidas pela decisão recorrida. Fl. 13409DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.373 15 No que tange ao recurso voluntário, minha discordância em relação ao voto do relator ocorre tanto na questão da decadência, quanto na questão da isenção das receitas provenientes da prestação de serviços a empresas domiciliadas no exterior. No que concerne à decadência, entendeu o ilustre relator que não é possível restringir a aplicação do RESP 973.733 aos casos em que o pagamento ocorreu em pecúnia, pois, no referido julgado, o STJ não estabeleceu distinção entre pagamento em pecúnia e outras formas de pagamento antecipado, como a compensação. Permitame o ilustre relator inverter o seu argumento: se o STJ utilizou a expressão "pagamento antecipado" sem fazer nenhuma referência à "compensação", então somente o pagamento em pecúnia foi considerado pela corte no momento da prolação do repetitivo, não sendo lícito estender a interpretação contida no referido julgado aos casos de compensação. Isso porque à luz do art. 156 do CTN, o "pagamento" é uma das modalidades de extinção do crédito tributário ao lado da compensação, da transação, da remissão, e etc. Podese dizer que a "extinção do crédito tributário" é o gênero, constituindo o "pagamento" uma de suas espécies. Sendo assim, se o legislador complementar adotou a espécie ( "pagamento") na redação do art. 150, § 1º do CTN e este dispositivo foi objeto de interpretação por parte do STJ, o fato de o tribunal não ter feito menção alguma a outra modalidade de extinção do crédito tributário, corrobora a conclusão a que chegou o Acórdão de primeira instância, ou seja, que a extinção parcial do crédito tributário por compensação não configura pagamento antecipado nos termos do art. 150, § 1º do CTN. Reforça esse entendimento o fato de o art. 156, VII, do CTN referirse ao "pagamento antecipado" conjugado com a homologação do lançamento nos termos do art. 150, §§ 1º e 4º do CTN. Portanto, é cristalino que o "pagamento" referido no art. 150, § 1º do CTN é o pagamento em dinheiro do crédito tributário e que foi esse "pagamento" o considerado pelo STJ na prolação do RESP 973.733. Com esses fundamentos, divirjo do ilustre relator quanto à questão da decadência para negar provimento ao recurso voluntário nesta parte. No mérito, o cerne da acusação é que o contribuinte não comprovou que os recursos provenientes do exterior se referem a receitas de prestação de serviços a empresas domiciliadas no exterior. O ilustre relator votou no sentido de prover o recurso do contribuinte pelos seguintes motivos: (i) Os contratos anexados ao processo revelam a existência de serviços que beneficiam de forma mediata e imediata ora a Petrobrás, ora a empresa internacional fretadora da embarcação; (ii) Os serviços que beneficiam diretamente a fretadora estrangeira consistem basicamente na conservação e manutenção da embarcação e, por tal motivo (benefício imediato Fl. 13410DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 16 à empresa estrangeira), deveriam ter sido segregados pela fiscalização na feitura do auto de infração, pois as receitas deles decorrentes estão sujeitas à isenção das contribuições ao PIS e COFINS; (iii) Tendo em vista que a fiscalização não procedeu da forma como o ilustre relator entende que ela deveria ter procedido, e não sendo possível retificar o lançamento em virtude de erro de direito, o lançamento como um todo deve ser cancelado. Ouso mais uma vez divergir do ilustre relator, pois a acusação do fisco está calcada na falta de provas de que as receitas contabilizadas como prestação de serviços ao exterior se referem de fato a prestação de serviços. Desse modo, nem que a fiscalização tivesse o mesmo entendimento do ilustre relator, seria possível a ela fazer tal segregação, pois não existem contratos e nem qualquer outro elemento nos autos que permitam constatar a existência de direitos e obrigações entre a autuada e a empresa estrangeira fretadora, fato que impossibilita a aferição de quais serviços foram prestados e se foram efetivamente prestados. O art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77 estabelece que a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis. Portanto, é dever legal do contribuinte comprovar a veracidade das suas operações mediante a escrituração contábil mantida de acordo com as prescrições legais e devidamente suportadas não só pelos documentos fiscais, mas também por outros documentos pertinentes ao seu negócio, como por exemplo os contratos de prestação de serviço com as empresas domiciliadas no exterior. Isso não ocorreu nos autos, pois os contratos que instruem o processo revelam apenas a existência de vinculação entre a autuada e a concessionária local. Tais contratos não discriminam expressamente quais são os serviços que devem ser prestados à fretadora estrangeira e quais devem ser prestados à concessionária local. Eles só estabelecem direitos e obrigações que foram pactuados entre a recorrente e a concessionária local. A defesa alegou que a importação de embarcações afretadas pelas empresas estrangeiras às concessionárias locais, bem como suas partes, peças e equipamentos necessários ao seu perfeito funcionamento independe da existência de contratos formais, pois decorrem de previsão expressa da legislação do REPETRO. Alegou, ainda, que aufere dois tipos de receitas: (i) pela execução de contratos de prestação de serviços de apoio marítimo às plataformas de petróleo, celebrados com concessionárias locais; e (ii) serviços de administração e gerenciamento subcontratados paralelamente pelas proprietráriasfretadoras das embarcações para garantir a operacionalidade dos contratos de afretamento no País, tendo apresentado documentos comprobatórios da importações das referidas embarcações. Os documentos apresentados não permitem vincular de maneira específica as receitas auferidas aos serviços prestados ao exterior, pois os contratos anexados aos autos revelam que a vinculação existente ocorre entre o contribuinte e a concessionária local, e não entre o contribuinte e a empresa fretadora da embarcação localizada no exterior. Essa constatação já havia sido feita pelo Acórdão de primeira instância, à fl. 13223, não tendo a defesa apresentado nada de novo que possa alterar tal entendimento. Fl. 13411DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.374 17 A defesa tentou vincular a prestação dos serviços paralelos de administração/gerenciamento da manutenção da embarcações à cláusula de "Empresa Solidária" existente nos contratos, o que no seu entender dispensaria a elaboração de contratos paralelos. Entretanto, a leitura dos contratos existentes no processo não permite a constatação de que a recorrente se obrigou perante as fretadoras no estrangeiro a prestar tais serviços, pois a solidariedade estipulada somente alcança obrigações financeiras e não as obrigações de fazer. Desse modo, continuamos na mesma: as obrigações constituídas em todos os contratos anexados aos autos, não permitem afirmar que os recebimentos provenientes do estrangeiro decorrem dos serviços que a defesa alega terem sido prestados às empresas proprietárias das embarcações. Pelo contrário, os referidos contratos demonstram que a tomadora de tais serviços foi a concessionária local e não a empresa sediada no estrangeiro. Não beneficia a recorrente o fato de a legislação do REPETRO autorizála a efetuar importações de determinados bens, quando a fretadora não for domiciliada no País, pois essa faculdade conferida pela legislação também não comprova a vinculação entre as receitas tributadas pela fiscalização e os serviços supostamente prestados à empresas domiciliadas no exterior. O fato de a defesa considerar que a referida habilitação dispensa a celebração de contratos específicos de prestação de serviços ou que tais serviços estariam incluídos na cláusula genérica de "Empresa Solidária", não surte nenhum efeito no sentido de afastarem a autuação, pois nenhuma dessas considerações comprova a vinculação entre os recursos provenientes do exterior com a alegada (mas não provada) prestação de serviços a empresas estrangeiras. A defesa argumentou com o voto proferido pela Conselheira Edeli Pereira Bessa no Acórdão 1101001.092. Entretanto, entendemos que nada do que foi dito no Acórdão 1101001.092 pode ser aplicado ao caso concreto, pois as questões discutidas naquele caso concreto são distintas das deste processo. Ao contrário do que ocorreu no caso relatado pela Conselheira Edeli Bessa, neste processo não estamos discutindo a legitimidade dos contratos bipartidos e nem a possibilidade de o fisco desconsiderálos. Pelo contrário, aqui os contratos não foram questionados pelo fisco, eles foram tomados como base para a acusação de que não existe comprovação da vinculação entre os recebimentos do exterior e a alegada prestação de serviço às empresas estrangeiras. Observese que não se está impondo à recorrente a observância de forma não prescrita em lei. O que a Administração Tributária exige da recorrente é a observância do art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/77, ou seja, que o contribuinte estabeleça a correlação entre as receitas escrituradas como prestação de serviço às empresas sediadas no exterior com os serviços que supostamente foram prestados. Também não se está desconsiderando os negócios jurídicos praticados, pois além da fiscalização não ter acusado a empresa de simulação, a própria decisão recorrida já afastou a multa por infração qualificada, exoneração que está sendo mantida por este voto. A fiscalização, com base no art. 9º, § 1º, do DecretoLei nº 1.598/77, apenas quer saber qual Fl. 13412DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 18 receita corresponde a qual serviço prestado e isso nem a contabilidade do contribuinte e tampouco os recursos apresentados neste processo foram capazes de demonstrar. Ao contrário do alegado, existe sim a necessidade de comprovação do nexo causal entre o ingresso de divisas e a prestação de serviço ao exterior, pois a norma de isenção contida no art. 6º da Lei nº 10.833/2003 é expressa nesse sentido, in verbis: "Art. 6º. A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) II prestação de serviços para pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; (...)" Prescrição idêntica se encontra no art. 5º, II, da Lei nº 10.637/2002, em relação à contribuição ao PIS. Sendo assim, para que as receitas caracterizadas pelos ingressos de divisas estejam aptas à desoneração por tais isenções, é necessário que haja comprovação inequívoca de que são provenientes da prestação de serviços a empresas domiciliadas no exterior, o que não se verificou no caso concreto. Relativamente à empresa SBM INC, o contribuinte remete aos documentos apresentados na impugnação, requerendo a exclusão do crédito tributário relativo às notas fiscais emitidas contra esta empresa, sob o argumento de que ela não pertence ao mesmo grupo econômico. Tal argumento não prospera, pois do fato de a empresa SBM INC não pertencer ao mesmo grupo econômico da recorrente, não decorre logicamente a conclusão de que os valores recebidos dessa empresa se referem efetivamente a serviços prestados. A fiscalização não tributou as receitas objeto deste processo porque provieram de empresas do mesmo grupo econômico, mas sim porque não existe vinculação entre os valores provenientes do exterior e os serviços que alegadamente teriam sido prestados. O contrato de fls. 11860/11891 não vincula a recorrente com a SBM INC, pois o referido contrato foi celebrado e assinado entre a proprietária da embarcação, BRAM, e a SBM INC. Não existe nenhum documento assinado pela recorrente que demonstre a sua vinculação a esse contrato. O contribuinte também alegou que emitiu notas fiscais de prestação de serviços, as quais estão devidamente contabilizadas, tendo oferecido os valores à tributação pelo ISS, o IRPJ e a CSL. O fato de o contribuinte ter emitido notas fiscais, escriturado e apurado os tributos citados não comprova a vinculação entre essas notas fiscais e os recursos provenientes do exterior. A teor do art. 9º e parágrafos do Decretolei nº 1.598/77 a escrituração contábil revestese de presunção de veracidade dos fatos nela registrados, se e somente se a entidade consegue, por meio de documentos fiscais e demais documentos pertinentes ao giro do seu negócio, comprovar a efetividade dos registros efetuados. Fl. 13413DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.375 19 No caso dos autos, as notas fiscais de prestação de serviço emitidas pelo contribuinte não especificam quais serviços foram prestados, pois trazem genericamente a expressão "agenciamento". Acontece, que as atividades que o contribuinte alegou terem sido desenvolvidas para justificar os recebimentos, em nada se identificam com o contrato de agência, pois se referem, segundo a recorrente, a serviços de administração e gerenciamento das embarcações. Os dizeres contidos nos documentos fiscais emitidos para acobertar as operações não se identificam com o quanto alegado pela defesa nos recursos administrativos interpostos neste processo. Nem mesmo as mensagens eletrônicas apresentadas com o recurso voluntário permitem vincular o serviço supostamente prestado à respectiva nota fiscal. As referidas mensagens encontramse às fls. 13326 e seguintes, mas não fazem referência às notas fiscais e nem ao suposto serviço prestado. A recorrente alegou também que a acusação seria contraditória ao admitir que houve o ingresso de divisas e que as receitas provenientes da prestação de serviços foram computadas nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL, mas que ao final não se trataria de exportação de serviços para fins de isenção das contribuições ao PIS e COFINS. Não existe a contradição alegada, pois o fato de a fiscalização ter constatado o ingresso de divisas e a inclusão desses valores nas bases de cálculo do IRPJ e da CSL, não contradiz a constatação de que o contribuinte tentou comprovar a prestação de serviços ao exterior por meio da apresentação de contratos celebrados no mercado interno. É perfeitamente lógico afirmar que obrigações contraídas com empresa domiciliada no país, não comprovam que os recebimentos de recursos do exterior se referem a serviços prestados a empresas domiciliadas no exterior. No que concerne à incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, não há como se concordar com o acórdão recorrido. Isso porque invocou para reforçar sua argumentação o agravo regimental proferido no RESP 1.335.688. O referido precedente se refere a tributo estadual e está escorado no RESP 1.129.990, que também se refere à legislação do ICMS. Embora o RESP 1.129.990 tenha interpretado dispositivos do CTN e concluído que a legislação complementar autoriza a lei ordinária a prever a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, isso não significa que tal exigência possa ser efetuada em relação a tributos federais, em face da obscuridade das leis ordinárias federais que pretenderam regular a matéria. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: (...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à Fl. 13414DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 20 taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Fl. 13415DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO Processo nº 19396.720060/201305 Acórdão n.º 3402003.022 S3C4T2 Fl. 13.376 21 Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Fl. 13416DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO 22 Em face do exposto, divirjo do ilustre relator originário para votar no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir da exigência o crédito tributário decorrente da incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício na fase de liquidação administrativa do presente julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 13417DF CARF MF Impresso em 31/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 25/05/201 6 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 24/05/2016 por DIEGO DINIZ RIBEIRO
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Numero do processo: 10970.000200/2008-12
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri May 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
IRPF. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. AGRAVAMENTO DE PENALIDADE.
É dever do contribuinte a apresentação de documentos e informações que possui, bem como outros esclarecimentos sobre sua situação e seus rendimentos. No presente caso, não houve resposta às intimações e a fiscalização se viu obrigada a obter todos os elementos que embasaram o lançamento junto a terceiros. Assim, o não atendimento à intimação prejudicou a fiscalização e enseja o agravamento da multa.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.942
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva e Heitor de Souza Lima Junior.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM: 28/04/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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FALTA DE APRESENTAÇÃO DE ESCLARECIMENTOS. AGRAVAMENTO DE PENALIDADE. É dever do contribuinte a apresentação de documentos e informações que possui, bem como outros esclarecimentos sobre sua situação e seus rendimentos. No presente caso, não houve resposta às intimações e a fiscalização se viu obrigada a obter todos os elementos que embasaram o lançamento junto a terceiros. Assim, o não atendimento à intimação prejudicou a fiscalização e enseja o agravamento da multa. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Patrícia da Silva, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martinez Lopez, que negaram provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Elaine Cristina Monteiro e Silva e Heitor de Souza Lima Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 02 00 /2 00 8- 12 Fl. 487DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 9 2 (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto – Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM: 28/04/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente), Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Relatório Do Processo, até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física (efls. 04 a 13), acrescido de juros de mora e multa de ofício agravada, tendo em vista duas infrações: omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito ou de investimento, mantidas em instituições financeiras, em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações; e omissão de rendimentos recebidos em função da execução de ações movidas contra a União, cujos valores foram recebidos através de precatórios. As multas para ambas infrações foram agravadas porque o fiscalizado não respondeu a nenhum termo de intimação, não prestando os esclarecimentos solicitados pela fiscalização O auto de infração foi objeto de impugnação, em 18/08/2008, às efls. 278 a 327 dos autos. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ em Juiz de Fora que, por unanimidade, em 07/11/2008, no acórdão 0921.462, às efls. 334 a 353, indeferiu as preliminares arguidas e julgou o lançamento impugnado procedente para manter o crédito tributário lançado no auto de infração. Inconformado, o contribuinte, em 18/02/2009, apresentou recurso voluntário, às e fls. 358 a 416, no qual, em suma, ratificou as razões de impugnação. A 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento julgou o recurso voluntário em 11/03/2015, resultando no acórdão n° 2102003.287, às efls. 424 a 436, assim ementado: IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. Fl. 488DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 10 3 A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ELEMENTO CARACTERIZADOR DO FATO GERADOR. PRESUNÇÃO LEGAL. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. No caso, o fato gerador não se dá pela constatação dos depósitos bancários creditados na conta poupança do contribuinte, mas pela falta de comprovação da origem dos valores ingressados nesta conta. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origens. IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AUSÊNCIA DO DEVER DE MANTER ESCRITURAÇÃO SIMILAR A DAS PESSOAS JURÍDICAS. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS COMPROBATÓRIO DA PESSOAFÍSICA. O fato de a pessoa física não estar obrigada a ter escrituração contábil não a dispensa do ônus imposto pela presunção legal do Art. 42 da Lei nº 9.430/1996. MULTA. AUMENTO. 112,5%. APLICABILIDADE. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. É farta a jurisprudência do CARF, no sentido de que a simples não apresentação de documentos requeridos pela Fiscalização, quando não obsculizam seu trabalho, não justifica o agravamento da multa. Dispondo a fiscalização dos elementos necessários para a apuração da matéria tributável, descabe o agravamento da multa por não atendimento à intimação para apresentação dessas informações Recurso Provido em Parte. Recurso negado. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade, e, no mérito, por maioria de votos, DAR PROVIMENTO EM PARTE ao recurso para desagravar a multa aplicada de 112,5%, passando para 75%. Vencido o conselheiro João Bellini Júnior, que negava provimento ao recurso. Do Recurso Especial da Fazenda Fl. 489DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 11 4 Em 20/05/2015, foi apresentado Recurso Especial de Divergência (RE) da Procuradoria da Fazenda, às efls. 439 a 450, contestando a retirada de agravamento da multa aplicada no AI , em contradição ao § 2º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Na análise dos fatos, informa que o contribuinte foi intimado a apresentar documentos hábeis e idôneos que comprovem a origem dos créditos em conta bancária, bem como o Livro Caixa dos anoscalendário 2004 a 2006. Contudo, restou silente, obstaculizando o trabalho da fiscalização. O fato de existirem normas que permitiram à fiscalização alcançar as informações necessárias ao procedimento de lançamento não afastariam o dever de colaboração do contribuinte neste procedimento e por isso incidiria a penalidade aplicada. Aliás, a norma que estatui a penalidade não impõe a necessidade de efetivo prejuízo à coleta das provas/informações pela autoridade que as requisita para que tal agravamento seja realizado. omissão de rendimentos quanto à primeira infração foi apurada com base nos extratos bancários, os quais, a fiscalização obteve facilmente por meio da Requisição de Informações sobre Movimentações Financeiras – RMF, e quanto à segunda infração apurada, através de informações que pré existem no sistema de dados da própria Receita Federal, pois fora a União que pagou tais sucumbências Essa situação fática seria a mesma que se apresenta no paradigma da divergência, o Acórdão nº 10421.564 da 4ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes. O Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 30/06/2015, através do despacho sem número, posto às efls. 452 a 455, já à luz do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, concluiu pela existência da divergência suscitada pela Procuradoria da Fazenda e deu seguimento ao RE da Fazenda, para que seja reapreciada a questão multa agravada. Em 22/07/2015 (efl. 470), foi dada ciência ao contribuinte (efls. 697 e 699) da Intimação nº 161/2015/ SACATDRF/UBL (efl. 457), juntamente com o acórdão recorrido, o RE da Procuradoria da Fazenda e o despacho do CARF que deu provimento ao RE. Embargos de Declaração do contribuinte Em 23/04/2012, o contribuinte juntou, às efls. 460 a 467, Embargos de Declaração ao acórdão do recurso voluntário. Em resumo, os embargos afirmam que o acórdão embargado foi omisso quanto à apreciação de alegada quebra irregular do seu sigilo bancário. Em face da novas competências dispostas no RICARF/2015, o Presidente da 1ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, em 30/09/2015, através do despacho de efls. 474 a 478, rejeitou os embargos opostos, afirmando a existência de enfrentamento da matéria embargada no voto, apontando até trechos onde se encontra a fundamentação respectiva. O contribuinte foi intimado do despacho supra em 09/10/2015 (efl. 482), mas nada mais manifestou nos autos. É o relatório. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 12 5 Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. A discussão cingese à necessidade de se agravar a multa de ofício em 50%. No caso em tela, a fiscalização solicitou, reiteradamente, que o contribuinte apresentasse diversos esclarecimentos, aqui inclusos seus extratos bancários, para o período sob ação fiscal em diversos termos de intimação fiscal, sem que tivesse obtido resposta (efls. 20 e 29 a 30). Por não obter quaisquer informações do contribuinte, a autoridade fiscal teve de emitir as Requisições de Movimentação Financeira, consoante efls. 21 a 24 e 26 a 27, obtendo assim as informações de interesse, diretamente junto às instituições financeiras ali requisitadas. Posteriormente à obtenção de tais informações, foi solicitada a comprovação, através de documentação hábil e idônea, das causas ou operações que deram origem a recursos creditados ou depositados nas contas correntes onde o autuado figurava como titular (efls. 34 a 40 e 46). Assim, com base nas informações, notese, exclusivamente obtidas junto às instituições financeiras, ou seja, junto a terceiros, no curso da ação fiscal, se utilizou da presunção do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, para tributar a omissão de rendimentos presumida pela não comprovação de créditos, tendo sido a penalidade agravada em 50%. Além da informações referentes aos depósitos bancários, em 13/06/2008, o Delegado da DRF em Uberlândia encaminhou ofício (efl. 44) à Juíza Coordenadora da Subseção Judiciária de UberlândiaMG, com o seguinte teor: Visando subsidiar procedimento fiscal em andamento nessa Delegacia, solicitamos que nos informem a relação de todos os pagamentos efetuados ao contribuinte abaixo nos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, decorrentes de decisão da Justiça Federal, detalhando data de pagamento, valor e natureza da verba. Tal solicitação teve resposta com informações às efls. 47 a 62 e permitiu identificar que alguns depósitos decorreram de recebimento de valores por prestação de trabalho sem vínculo empregatício. O acórdão recorrido entendeu que a majoração da multa não é cabível quando a simples não apresentação de documentos requeridos pelo Fisco não obstaculizam seu Fl. 491DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 13 6 trabalho pois dispõe a fiscalização dos elementos necessários para apuração da matéria tributável. Passo a expressar meu entendimento. Entendo como importante, inicialmente, esclarecer que a falta de atendimento de intimações, por si só, não pode ser considerada apressadamente o fundamento para o agravamento da multa. Com efeito, a legislação (art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996), tanto em sua redação original quanto na atualmente em vigor, prescreve o agravamento da multa de ofício em 50% nos casos em que não for atendida a intimação para prestar esclarecimentos. Ou seja, quando não ocorre o esclarecimento necessário ao lançamento. No caso em tela, notório que o contribuinte não forneceu qualquer esclarecimento relativo aos seus depósitos bancários à autoridade lançadora, forçando a que todos os esclarecimentos fáticos estritamente necessários ao lançamento fossem obtidos junto a terceiros (no caso, instituições financeiras), através das requisições de movimentação financeira, na forma de efls. 21 a 24, 26 e 27. Assim, o não atendimento genérico realizado prejudicou a fiscalização e, assim, em meu entendimento, enseja o agravamento da multa. Faço notar, ainda a propósito, que, no caso, não se está diante de mera não comprovação da origem os créditos objeto de intimação, mas, sim, de não atendimento à intimação realizada pela autoridade fiscal, não havendo, nesta hipótese, qualquer inconsistência resultante da aplicação concomitante da presunção para fins de lançamento (decorrente da não comprovação dos créditos objeto de intimação) com o agravamento da multa perpetrado (decorrente do não atendimento à intimação), uma vez que aqui não se confundem a não comprovação com o não atendimento. Aliás, cabe destacar que a hipótese de incidência do agravamento para o caso em tela está disposta no § 2º do art. 44, com a seguinte redação: § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007)... (grifos na transcrição) Reparase que, no dispositivo acima não está posta nenhuma condicionante que preveja necessário prejuízo à fiscalização para sua incidência ou que o fisco não disponha de outros meios de obter as informações solicitadas. Aliás, essa condicionante traria, por consequência, a inaplicabilidade do próprio dispositivo, caracterizando a denominada contradição performativa, em que uma afirmação acaba por negar a si própria. Isso porque que o agravamento da multa somente pode ocorrer quando há (a) constituição de crédito tributário por lançamento de ofício, (b) apesar do não atendimento de intimação para prestação de esclarecimentos. Ora, se o não atendimento tivesse que prejudicar a fiscalização, a ponto de obstar o lançamento, não haveria tributo lançado, consequentemente não poderia haver multa de ofício e, assim, seria impossível qualquer agravamento de multa. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 14 7 No caso concreto, não houve qualquer resposta às solicitações sobre os depósitos em contas ou esclarecimentos quanto aos valores apurados pela fiscalização; todas intimações foram simplesmente ignoradas. Diverso é o caso em há, por exemplo, uma despesa médica não comprovada, onde ela é esclarecida através da devida resposta específica ao termo, mas onde o contribuinte não obtém êxito no que diz respeito à comprovação através de documentação hábil e idônea na forma legalmente exigida, sendo, aqui, notese, desnecessária a busca de qualquer informação junto a terceiros de forma a caracterizar a glosa. Incabível nesta situação o agravamento, uma vez que, na hipótese, passam a se confundir o nãoatendimento aos exatos termos da intimação (naquele item específico) e a nãocomprovação. Hipótese totalmente diversa da caracterizada nos autos. Assim, entendo correto o agravamento da multa relativamente à omissão decorrente dos depósitos bancários com origens não comprovadas. Esclareço aqui que o entendimento acima apresentado é apenas parcialmente acompanhado pela maioria do colegiado, que entende inclusive de forma mais incisiva que o mero não atendimento a intimação no prazo marcado, já seria suficiente para o agravamento da multa, o que no caso leva à mesma conclusão. Portanto, nos termos do Regimento Interno do CARF, registro que a maioria do colegiado acompanhou o relator, pelas conclusões, sob o fundamento de que o motivo do agravamento seria o fato de não ter havido qualquer resposta à intimação. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial do Procurador da Fazenda Nacional, restabelecendose o agravamento da multa. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 493DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS Processo nº 10970.000200/200812 Acórdão n.º 9202003.942 CSRFT2 Fl. 15 8 Fl. 494DF CARF MF Impresso em 20/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 28/04/2 016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIV EIRA SANTOS
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Numero do processo: 35415.000026/2006-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/09/2005
PREVIDENCIÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE.
É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal.
Processo Anulado
Numero da decisão: 2301-004.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolhê-los, para ratificar a decisão exarada no Acórdão nº 2403-002.295. Votaram pelas conclusões a Dra. Luciana de Souza Espíndola Reis e o Dr. João Bellini Junior. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275.
JOÃO BELINNI JUNIOR - Presidente.
IVACCIR JÚLIO DE SOUZA - Relator.
EDITADO EM: 18/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi.
Nome do relator: IVACIR JULIO DE SOUZA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Processo Anulado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos embargos e acolhêlos, para ratificar a decisão exarada no Acórdão nº 2403002.295. Votaram pelas conclusões a Dra. Luciana de Souza Espíndola Reis e o Dr. João Bellini Junior. Fez sustentação oral o Dr. Alberto Koge Tsumura, OAB/SP 273.275. JOÃO BELINNI JUNIOR Presidente. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator. EDITADO EM: 18/03/2016 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 41 5. 00 00 26 /2 00 6- 64 Fl. 580DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Marcelo Malagoli da Silva, Luciana de Souza Espindola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior, Andrea Brose Adolfo e Alice Grecchi. Fl. 581DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2301004.472 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de notificação fiscal de lançamento de débito NFLD, constituída em virtude de diferenças de contribuições a cargo da empresa destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados, no período de julho de 2000 a setembro de 2005. DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA E DO RECURSO DE OFÍCIO Embora no dispositivo o Acórdão da instância a quo não registre que a nulidade se deu em razão de vícios formais, na condução do voto o i. julgador deixou claro no seu arrazoado conforme registro de fls. 524 : " Muito embora, no que respeita ao mérito, a presente NFLD nos pareça de todo procedente, (...) não pode este Colegiado abstrairse dos vícios de natureza formal a seguir enumerados, os quais, pela sua gravidade, são passíveis de acarretar a nulidade do lançamento." " 39' Sessão .da e Turma de Julgamento da DRJ Campinas Vistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em: a) ANULAR a NFLD n° 35.900.9387, extinguindose, sem julgamento de mérito, o crédito por meio dela constituído, na forma do voto do Relator; e b) recorrer de oficio desta decisão ao 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda " ( grifos de minha autoria) No julgamento da impugnação apresentada pelo contribuinte, a DRJ de Campinas anulou e recorreu de ofício do lançamento. Destaquese que o contribuinte não interpôs Recurso Voluntário. DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO DA PGFN Com fulcro no art. 64, I do Regimento Interno dos Conselhos Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256 de 22 de junho de 2009, UNIÃO (FAZENDA NACIONAL, alegando ter havido omissão desta Turma, opôs Embargos de Fl. 582DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 Declaração contra o Acórdão nº 2403002.295, às fls, 532, exarado nos autos do processo em epígrafe. Trouxenos a i. Embargante que apesar de o Relator corroborar a conclusão a quo de nulidade por vício formal, decidiu por anular o processo em razão de maculado por vício material.: "Consta do voto condutor do acórdão ora embargado que: "Corroborando as razões do decisum a quo, inclusive a ementa, por economia processual, descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações," (fls. 539)" A i. Embargante arrazoou, ainda, o que abaixo se expõe : "Ilustres Conselheiros, com toda vênia a decisão embargada apresenta acórdão da DRJ que reconheceu vicio formal no lançamento ("descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações") e por outro lado reconhece a existência de vicio material. Se de contradição não se tratar, então podemos afirmar que o acórdão embargado padece de omissão, na medida em que não expôs os motivos que fundamentam a classificação do vicio como de natureza material. " É o relatório Fl. 583DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2301004.472 S2C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ivaccir Júlio de Souza Com se vê , a i. Embargante entendeu que a decisão comporta contradição em razão de na condução do voto eu ter afirmado anuir as motivações do i. Julgador a quo para conferir nulidade ao lançamento : "Ilustres Conselheiros, com toda vênia a decisão embargada apresenta acórdão da DRJ que reconheceu vicio formal no lançamento ("descabe expor arrazoado sinônimo para ao final meramente anuir àquelas bem estruturadas motivações") e por outro lado reconhece a existência de vicio material. Se de contradição não se tratar, então podemos afirmar que o acórdão embargado padece de omissão, na medida em que não expôs os motivos que fundamentam a classificação do vicio como de natureza material. " De plano assumo que a conclusão pode conter alguma ambigüidade. Entretanto fica claro que a concordância com os argumentos de primeira instância é com a nulidade e não com classificação do vício. Relevante notar que na decisão do voto a quo não se define que a nulidade houvera sido declarada em razão de vício formal: "39' Sessão .da e Turma de Julgamento da DRJ CampinasVistos, relatados e discutidos os autos deste processo, acordam os membros da 6a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em: a) ANULAR a NFLD n° 35.900.9387, extinguindose, sem julgamento de mérito, o crédito por meio dela constituído, na forma do voto do Relator; e b) recorrer de oficio desta decisão ao 2° Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com base no inciso I do art. 34 do Decreto n° 70.235, de 631972, c/c o inciso I do art. 366 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 651999, e o art. 1° da Portaria n° 03, de 312008, do Ministro de Estado da Fazenda." É de realce observar que na decisão de segunda instância publicada, a concordância com a íntegra do voto a quo fora mitigada posto que tive entendimento, e a Turma anuiu, de que tudo que fora analisado demonstrava que o lançamento fora maculado de vício, entretanto material. "Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso de Ofício para determinar a nulidade do lançamento em razão da presença de vício material Fl. 584DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 6 "ab initio" Fez sustentação oral o Dr. Ricardo KrakowiakOAB/ SP nº13.8192" Confrontandose a Ementa e a Decisão do voto em apreço se nota harmonia entre ambas no sentido de entender que houvera vício material. Cumpre ressaltar que ao concordar com o que fora arrazoado na instância a quo a motivação sofreu mitigação na conclusão do voto ao discordar da classificação do vício, razão pela qual dei provimento parcial ao Recurso de Ofício. Entretanto, assiste razão a i. Embargante posto que isto não ficou devidamente esclarecido . Preenchendo eventual lacuna, para que não reste dúvidas de que o vício é material , vejamos o que o i. Julgador registrou às fls 526 quando na parte final da condução do voto deixa claro que as circunstâncias descritas compulsão concluir que a mácula procedimental caracteriza aspectos materiais. Na peça decisória o i. Julgador exortou preterição ao direito de defesa e nulidade absoluta: " Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (grifamos) Vêse que, segundo o texto em destaque, a preterição do direito de defesa é tido como causa de nulidade dos atos administrativos praticados no âmbito no processo administrativo fiscal. Exatamente por isto, aliás, a 4' Camara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda assim decidiu, em 18 102007, por meio do acórdão 20402852 (D.O.U. de 08/01/2008, Seção 1, pág. 38): PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. As nulidades absolutas limitamse aos atos com vícios por incapacidade do agente ou que ocasionem cerceamento do direito de defesa. (grifamos) " Também na ementa a quo fica patente o descumprimento do comando do art. 142 do CTN, o que torna inexorável a identificação de vício material : Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. É nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e à ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Lançamento Nulo " "Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência Fl. 585DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 35415.000026/200664 Acórdão n.º 2301004.472 S2C3T1 Fl. 5 7 do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional " O princípio do contraditório e da ampla defesa é assegurado pelo artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal : "LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados cem geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes " Se o Julgador percebe e assegura que o houve CERCEAMENTO DE DEFESA, o lançamento fica ferido de morte e sendo insanável o vício, não se trata de mera formalidade. Em razão de tudo que foi exposto, tendo a primeira instância declarado a nulidade por vício formal, concordo em parte em razão da nulidade mas divirjo por entender que ocorrera vício material. Relevante alertar a este Colegiado que no Acórdão nº 2403002.295, às fls, 532, a Turma anterior já houvera concordado com o presente posicionamento pelas mesmas razões ora trazidas à colação. Cabe lembrar ainda que na ocasião os argumentos presentemente colacionados foram mais verbalizadas em plenário que traduzidas à termo na condução do voto. Tal omissão procedimental ora se providencia em razão da provocação em embargos da PGFN. CONCLUSÃO Por tudo que foi exposto, conheço dos Embargos para ratificar a decisão exarada no Acórdão nº 2403002.295, às fls, 532, quando enfrentando o Recurso de Ofício, de primeira instância entendi de DARLHE PROVIMENTO PARCIAL determinando a nulidade do lançamento em razão da presença de VÍCIO MATERIAL "ab initio. É como voto. IVACCIR JÚLIO DE SOUZA Relator Ivaccir Júlio de Souza Relator Fl. 586DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 8 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 23/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/05/2016 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/201 6 por IVACIR JULIO DE SOUZA, Assinado digitalmente em 20/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10600.720008/2013-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 04 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
PEDIDO PARA INTIMAÇÃO DO CONTRIBUINTE PARA PARTICIPAR DO JULGAMENTO EM PRIMEIRA INSTÂNCIA. FALTA DE PREVISÃO LEGAL.
Não há previsão legal para participação dos contribuintes no julgamento de primeira instância, que tem seu funcionamento de forma interna e em recinto fechado.
NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA.
Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento.
SERVIÇOS CONTRATADOS. DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE.
Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL.
Ou seja, para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, torna-se necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal.
MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA.
Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciando-se a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007.
CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE.
É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA.
Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária.
Numero da decisão: 1301-002.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial para cancelar os juros de mora sobre a multa de ofício, além do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, mas que já havia proferido seu voto, que dava provimento integral aos recursos.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não há previsão legal para participação dos contribuintes no julgamento de primeira instância, que tem seu funcionamento de forma interna e em recinto fechado. NULIDADE DA DECISÃO. INOVAÇÃO EM RELAÇÃO AO LANÇAMENTO INOCORRÊNCIA. Se a decisão analisou e rejeitou motivadamente os argumentos de defesa dirigidos contra o fundamento do lançamento, o fato de aduzir outras razões para manter o lançamento não configura alteração do fundamento do lançamento, o que só ocorreria se a decisão tivesse concordado com os argumentos de defesa e usasse outro argumento para manter o lançamento. SERVIÇOS CONTRATADOS. DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Ou seja, para fins de dedução, na apuração do resultado fiscal, do gasto incorrido, não basta ao contribuinte descrever as características operacionais de suas atividades e demonstrar a plausibilidade de sua ocorrência no mundo fático, tornase necessário reunir ao processo comprovantes hábeis e idôneos que possibilitem desautorizar a glosa perpetrada pela autoridade fiscal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 60 0. 72 00 08 /2 01 3- 11 Fl. 9914DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 2 MULTA ISOLADA. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. FATOS GERADORES POSTERIORES À LEI 11.488/2007. PROCEDÊNCIA. Ao optar pela apuração anual do IRPJ e da CSLL, o contribuinte deve se sujeitar às regras estabelecidas para essa forma alternativa de apuração, particularmente a obrigatoriedade dos recolhimentos por estimativa. No caso concreto, ao serem glosadas despesas tidas por indedutíveis, as bases de cálculo mensais foram recalculadas pelo Fisco, evidenciandose a insuficiência de recolhimento das estimativas mensais. A sanção é aplicável pelo descumprimento do dever legal de antecipar o tributo. Procedente a multa exigida isoladamente, lançada com fundamento no inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007. CUMULAÇÃO COM MULTA DE OFÍCIO. COMPATIBILIDADE. É compatível com a multa isolada a exigência da multa de ofício relativa ao tributo apurado ao final do ano calendário, por caracterizarem penalidades distintas. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa SELIC. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. FUNDAMENTOS LEGAIS. CONSTATAÇÃO FÁTICA. PROCEDÊNCIA. Se a autoridade executora do procedimento de fiscalização logra êxito na demonstração da relação direta de determinada pessoa com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, resta configurada a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído, sendo autorizada, assim, a inclusão de referida pessoa no pólo passivo das obrigações constituídas por meio de Termo de Sujeição Passiva Solidária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros José Eduardo Dornelas Souza e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro que davam provimento parcial para cancelar os juros de mora sobre a multa de ofício, além do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, mas que já havia proferido seu voto, que dava provimento integral aos recursos. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Flávio Franco Correa, José Eduardo Dornelas Souza, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. Fl. 9915DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 12 3 Relatório I Do Auto de Infração (fls. 3.848 a 3.874) Mediante o processo em epigrafe foram lavrados os autos de infração referentes ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, anos calendários de 2008 e 2009, para exigência do crédito tributário no total de R$35.332.996,48, sob a fundamentação de glosa de despesas e multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ sobre a base de cálculo estimada, aplicando ainda multa de ofício no percentual de 150%. II Do Relatório de Auditoria Fiscal (fls. 3.785 a 3.847) Informando que a ação fiscal teve como objetivo a verificação de diversos pagamentos elevados a determinadas prestadoras de serviços, ligadas à fiscalizada, que foram deduzidos na apuração do lucro real, a fiscalização registra que: todas as pessoas jurídicas teriam prestado serviço unicamente para a fiscalizada; a Intermedium Promotora e a IFI Software pertencem à fiscalizada; a BH Minas e a Diniza pertencem aos acionistas da fiscalizada, sendo que alguns ocupam cargo na diretoria e no conselho de administração; as empresas Promobank, Promocred e Promosul, além de possuírem o mesmo endereço da BH Minas e da Diniza, teriam como representante legal uma pessoa ligada à fiscalizada; as empresas, com exceção da Intermedium Promotora, optaram pelo Lucro Presumido, tendo distribuído lucro aos sócios, nos valores indicados; possuem ínfima folha de pagamentos, sendo que algumas não possuem empregados registrados; as declarações das pessoas jurídicas acima indicadas foram preenchidas e entregues por Sicomar Benigno de Araujo Soares, contador da fiscalizada, e por José Geraldo de Souza, funcionário do setor contábil da fiscalizada; os telefones de contato são os mesmos da fiscalizada; a Intermedium Promotora e a IFI Software estavam cadastradas no mesmo endereço da fiscalizada; a BH Minas, Diniza, Promobank, Promocred e Promosul estavam cadastradas no mesmo endereço; Fl. 9916DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 4 em diligência, constatou a existência de outra empresa no mesmo endereço destas cinco, a Santa Rosa Empreendimento Ltda.; pesquisa nos sistemas da RFB demonstraram que existem 21 empresas registradas no mesmo endereço, todas ligadas aos irmãos Diniz; a prospecção de negócios era feita diretamente pelos sócios e trazidas diretamente para análise interna da fiscalizada. os funcionários registrados tinham uma função secundária de apoio administrativo; a contabilidade dessas empresas é feita inteiramente no setor de contabilidade da fiscalizada, em sistema de contabilidade único, ainda que individualize cada empresa; o setor de pessoal da fiscalizada gerencia e arquiva os livros e todos os documentos da Intermedium e da IFI Software; a IFI Software funciona nas dependências da fiscalizada. Foi aplicada a multa de ofício qualificada sob o entendimento de que teria havido conluio de pessoas físicas e jurídicas, de forma organizada para a prática de infrações tributárias e atribuída responsabilidade solidária às pessoas físicas Rubem Menin Teixeira de Souza, Aquiles Leonardo Diniz, José Felipe Diniz, Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, Lucas Cabaleiro Fernandes, Dauro de Carvalho e Silva, Sebastião Luiz da Silva, Maria Virgínia Gomes Moreira, João Vítor Nazareth Menin Teixeira de Souza, Marco Túlio Guimarães e Antônio Sebastião de Faria. III – DAS IMPUGNAÇÕES III1 – DA PESSOA JURÍDICA (fls. 4.001 a 4.169) A impugnante apresenta os documentos de fls. tais a tais afirmando que: a autoridade administrativa não indicou qualquer dispositivo que teria sido infringido; não analisou conclusivamente todos os documentos juntados aos autos; não questionou a dedutibilidade em si das despesas; a validade dos registros contábeis da impugnante e das prestadoras dos serviços não foi em momento algum questionada pelo autoridade administrativa; não existe no ordenamento jurídico brasileiro norma antielisiva geral ou específica que autorize a desconsideração dos serviços efetivamente prestados para a impugnante; ausência da necessária regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do CTN, introduzido pela Lei Complementar nº 104/2001; a fiscalização enveredou por searas totalmente desconexas, resultando na lavratura de autos de infração sem motivação adequadas e sem provas objetivas e concretas; Fl. 9917DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 13 5 o trabalho fiscal utilizou critérios absolutamente irrazoáves, falhos e que ignoraram a estrutura organizacional da impugnante, maculando os autos de infração, por violação ao artigo 142 do CTN. os serviços prestados para a impugnante já foram anteriormente investigados pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil em Belo Horizonte, confirmando a efetividade da prestação do serviço e a legitimidade da dedutibilidade das despesas incorridas; a não fazer referência à fiscalização anterior, a autoridade administrativa omitiu fato relevante que contradiz todas as acusações constantes no presente processo; o encerramento sem resultado da fiscalização encerrada em 18/11/2009, referente ao anocalendário de 2005, descredencia todo o trabalho fiscal dos anoscalendário de 2008 e 2009; durante os procedimentos de fiscalização apresentou os documentos suficientes para comprovar a efetividade dos serviços prestados, a saber: – planilhas demonstrativas dos serviços prestados (fls. 66/73 e 321/334); – cópias dos comprovantes dos pagamentos (fls. 98/267 e 335/546); – cópia de contratos de prestação de serviço (fls. 268/310); – mapas e relatórios gerenciais de produção e de negócios prospectados pelos prestadores de serviços (fls. 75/97); – Lalur (fls. 547/584); – Balancetes (fls. 3339/3394) e Livro Razão (fls. 3395/3708), com o registro contábil das despesas incorridas com a contratação dos serviços; por amostragem, cópias de contratos de financiamentos e empréstimos concedidos pela impugnante com a intermediação da Intermedium Promotora (doc. 07); planilha com os serviços prestados pela IFI Software (doc. 09); cópia de contratos de financiamento concedido pela impugnante com a captação do promotor Sr. Antonio Sebastião de Faria (à época dos fatos, sócio da Diniza e acionista e diretor da impugnante) – doc. 13; cópia de contratos de financiamento concedido pela impugnante com a captação do promotor Sr. Antonio Sebastião de Faria (à época dos fatos, sócio da BH Minas e acionista e diretor da impugnante) – doc. 14; cópia de contratos de financiamento concedido pela impugnante com a intermediação da Promobank – doc 17; cópia de contratos de financiamento concedido pela impugnante com a intermediação da Promocred – doc 19; Fl. 9918DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 6 cópia de contratos de financiamento concedido pela impugnante com a intermediação da Promosul – doc 21; os documentos ora apresentados não foram solicitados pela fiscalização; as empresas prestadoras dos serviços foram também intimadas e apresentaram os respectivos documentos comprobatórios da prestação dos serviços; “RAIS’ comprovam a existência de empregados nas empresas prestadoras dos serviços; existência de filiais das empresas prestadoras dos serviços; outras pessoas jurídicas também foram contratadas pela impugnante para prestação de serviços de intermediação e de prospeção de negócios e cliente no mercado que não foram mencionados pela autoridade administrativa; este tipo de prestação de serviços é perfeitamente normal no mercado, amparado pela legislação, inclusive pelo Banco Central; cita empresas que prestam o mesmo serviço para o Bradesco, Itaú, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal; nos termos do artigo 923 do RIR/99 a escrituração contábil faz prova a favor do contribuinte e, portanto, serve de suporte para comprovar a existência e a efetividade dos serviços prestados, bem como as despesas incorridas e a tributação de receitas; nos termos do artigo 924 do RIR/99 cabe à autoridade administrativa afastar a presunção de veracidade das informações registradas na escrituração contábil do contribuinte, mediante procedimento de fiscalização específico que garanta, inclusive, o direito de defesa e o contraditório, nos termos do artigo 148 do CTN; a autoridade administrativa juntou aos autos cópia das DIPJs dos anos calendário de 2008 e 2009 das empresas prestadoras dos serviços comprovando o oferecimento à tributação das receitas por ela auferidas em decorrência dos serviços prestados à impugnante; os documentos apresentados demonstram que a conclusão da fiscalização de que as empresas prestadoras dos serviços seriam de fachada cai por terra; a diligência fiscal na Avenida Barbacena não reproduz a realidade dos fatos; a autoridade administrativa reconheceu a existência da atividade da Intermedium Promotora; os depoimentos das pessoas físicas são coerentes e consistentes, respaldados pela documentação juntada aos autos; a autoridade administrativa não se pronunciou sobre os documentos apresentados para comprovar a efetiva prestação dos serviços, tais como contratos, notas fiscais, escrituração contábil e fiscal, etc.; a autoridade administrativa não consignou o tipo de planejamento tributário indevido, os seus efeitos tributários, a legislação infringida, o dolo das condutas dos agentes e o dano ao Erário; Fl. 9919DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 14 7 indevida vinculação das pessoas jurídicas prestadoras dos serviços à impugnante; a suposta vinculação das pessoas jurídicas não significa que os serviços não teriam sido prestados; neste cenário carregado de incertezas, contradições e adjetivações sem motivação e sem provas, a autoridade administrativa glosou as despesas incorridas com os serviços prestados; o raciocínio da autoridade administrativa é contraditório e, portanto, não se sustenta do ponto de vista lógico e jurídico; (I) ou as pessoas jurídicas nunca existiram e, portanto, não poderiam prestar serviços; ou, então, (II) as pessoas jurídicas existiram apenas para prestar serviços para o Impugnante (e, nesse ponto, a fundamentação dos autos de infração deveria ser outra). Em resumo, as 2 (duas) alegações não cabem dentro do mesmo discurso! erro de critério jurídico nos lançamentos, pois comprovada a efetividade das despesas incorridas, elas só poderiam ser glosadas caso a fiscalização comprovasse que não seriam necessárias, usuais e normais; no entanto, tendo em vista que a fiscalização anterior reconheceu a necessidade, usualidade e normalidade das despesas incorridas, a atual fiscalização tentou inovar e enveredar por outro caminho; não existe no relatório fiscal qualquer alegação no sentido de que as despesas não seriam necessárias, usuais e normais; desta forma, o artigo 299 do RIR/99 não poderá ser invocado pelas autoridades administrativas de julgamento para tentar salvar os autos de infração; tal omissão e o critério jurídico equivocado demonstram a incerteza e a iliquidez dos autos de infração, de modo que devem ser integralmente cancelados; contesta a aplicação da multa qualificada, sob o argumento de ausência de motivação adequada e específica bem como de imputação individualizada; deve ser cancelada a exigência da multa isolada de 50%; dedução de todos os tributos pagos pelas pessoas jurídicas prestadoras dos serviços; recálculo dos créditos decorrentes dos saldos negativos de IRPJ e CSLL apurados no encerramento do anocalendário de 2008, nos montantes de R$ 795.711,89 (fl. 3009) e R$ 379.418,30 (fl. 3015), respectivamente, e o saldo negativo do IRPJ do ano ano calendário de 2009, no montante de R$ 67.132,66 (fl. 3046); os juros de mora não devem incidir sobre a multa de ofício lançada; e cientificar a impugnante da data, horário e local da sessão de julgamento para possibilitar defesa oral e apresentação de esclarecimentos. Fl. 9920DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 8 III 2 – DAS PESSOAS FÍSICAS INDICADAS COMO RESPONSÁVEIS SOLIDÁRIAS– As impugnações das pessoas físicas Rubem Menin Teixeira de Souza, Aquiles Leonardo Diniz, José Felipe Diniz, Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, Lucas Cabaleiro Fernandes, Dauro de Carvalho e Silva, Sebastião Luiz da Silva, Maria Virgínia Gomes Moreira, João Vítor Nazareth Menin Teixeira de Souza, Marco Túlio Guimarães e Antônio Sebastião de Faria, indicadas como responsáveis solidárias apresentam basicamente os mesmos argumentos da impugnação da pessoa jurídica, acrescentando existência de incompatibilidade entre a imputação realizada (“fraude à legislação) e a qualificação jurídica atribuída de responsabilidade por “interesse comum” (art. 124 do CTN). Entende ainda que não existe a descrição individualizada de qualquer conduta infracionária e que os impugnante não ocupavam cargos com atuação na área fiscal. Destaca que os impugnantes não foram intimados para prestar esclarecimentos ou depoimento pessoal. A DRJ/BELO HORIZONTE (MG) decidiu a matéria consubstanciada no Acórdão 0255.604, de 29/04/2014, julgando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE PAGAMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício cominada pela falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. MULTA QUALIFICADA A ação consciente caracterizadora de infringência à legislação de regência apontada nas peças fiscais, determina a qualificação da multa. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Evidenciado o interesse comum nos atos praticados, pertinente a indicação dos interessados como responsáveis solidários. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE DA AÇÃO FISCAL. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, nem dos arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em nulidade. FASE DE AUDITORIA. INOCORRÊNCIA DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NÃO OFENSA AO PRINCÍPIO DO DEVIDO PROCESSO LEGAL E DO CONTRADITÓRIO. Os procedimentos no curso da auditoria fiscal, cujo início foi regularmente cientificado ao contribuinte, não determinam nulidade, por cerceamento ao direito de defesa ou ofensa ao princípio do contraditório, do auto de infração Fl. 9921DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 15 9 correspondente, pois tais direitos só se estabelecem após a ciência do lançamento ou após a respectiva impugnação, conforme o caso, ainda mais quando todos os fatos que motivaram a autuação estão devidamente historiados nos autos. MATÉRIA NÃO LITIGIOSA Não se toma conhecimento de contestação a fatos que não se apresentam nos autos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ. Anocalendário: 2008, 2009 GLOSA DE DESPESAS Na ausência da efetiva comprovação dos serviços prestados, evidenciase pertinente a glosa dos valores utilizados como despesas. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008, 2009 DECORRÊNCIA O decidido para o lançamento de IRPJ estendese aos lançamentos dos demais tributos com os quais compartilha o mesmo fundamento de fato e para o qual não há outras razões de ordem jurídica que lhes recomenda tratamento diverso. É o relatório. Fl. 9922DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 10 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas Os recursos voluntários apresentados (pela empresa autuada e responsáveis solidários) são tempestivos e assentes em lei. Deles conheço e passo a examinálos conjuntamente por matéria, pois, no caso, repisam as mesmas alegações iniciais (impugnações), respaldandose nas mesmas contestações e argumentações, aduzindo variações com relação ao quanto decidido em primeira instância. Do relatório e voto recorrido extraise que o presente processo trata de auto de infração lavrados para constituir créditos tributários de IRPJ e CSLL relativamente aos anos calendários de 2008 e 2009, sob a fundamentação de glosa de despesas e multa isolada pela falta de recolhimento de IRPJ sobre a base de cálculo estimada, aplicando ainda multa de ofício no percentual de 150%, além de atribuição de responsabilidade solidária às pessoas físicas devidamente qualificadas. A peça recursal, inicialmente, traça breve histórico com relação ao procedimento da fiscalização envolvendo as intimações e respectivos documentos de prova e informações sobre os serviços prestados por diversas pessoas jurídicas, os quais foram objeto da autuação. Alega a defesa, em primeiro lugar, que já fora fiscalizado no ano de 2009 sobre a mesma matéria (despesas com prestação de serviços) relativamente ao ano calendário de 2005, com encerramento sem lavratura de auto de infração. Continua a peça recursal alegando, em síntese, que os documentos apresentados à fiscalização comprovam cabalmente a (i) efetividade e licitude dos serviços prestados; (ii) o fluxo financeiro de valores na prestação de serviços; (iii) a mutação patrimonial (despesas, receitas e patrimônio líquido); (iv) as despesas incorridas pelo recorrente com a contratação de serviços; (v) a tributação das receitas para as pessoas jurídicas prestadoras de serviços; (vi) a existência de regular escrituração contábil e fiscal do recorrente e das pessoas jurídicas prestadoras de serviços; (vii) a existência de empregados registrados nas pessoas jurídicas prestadoras de serviços; (viii) a existência de estabelecimentos filiais por algumas das pessoas jurídicas prestadoras de serviços; (ix) e existências de DIRFs e DIPJs transmitidas à Receita Federal; (x) a existência (de fato e de direito) de todas as pessoas jurídicas prestadoras de serviços e (xi) a boafé e a transparência do recorrente e das pessoas jurídicas prestadoras de serviços. De início, a defesa pugna pela nulidade da decisão recorrida por preterição do direito de defesa aludindo que a autoridade julgadora de primeira instância (DRJ) não se pronunciou sobre argumentos (autônomos e suficientes) e muito menos analisou e considerou toda a documentação apresentada e, ainda, por ausência de intimação prévia ao sujeito passivo para o julgamento pela DRJ. Aduz, mais. A DRJ extrapolou a sua competência de julgamento da lide, nos exatos termos em que foi posta no relatório fiscal e delimitado pela impugnação, inovando indevidamente ao afirmar, que no caso, tratase de "Planejamento Tributário" para melhor remunerar seus dirigentes. Fl. 9923DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 16 11 A seguir, relaciono os tópicos especificados nas peças recursais: RESULTADO DA FISCALIZAÇÃO DO AC2005 VIOLAÇÃO AO ARTIGO 142 DO CTN AUSÊNCIA DE ANÁLISE CONCLUSIVA DOS DOCUMENTOS AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO ADEQUADA E ESPECÍFICA AUSÊNCIA DE APROFUNDAMENTO AO TRABALHO FISCAL ERRO DE CRITÉRIO JURÍDICO NOS LANÇAMENTOS DESCONSIDERAÇÃO DE CRÉDITOS DECORRENTES DOS SALDOS NEGATIVOS DE IRPJ E CSLL AUSÊNCIA DE NORMA ANTIELISIVA RECOLOCAÇÃO DOS FATOS DA EXISTÊNCIA E EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS PRESTADOS DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA QUALIFICADA DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA (50%) E CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO DA RECOMPOSIÇÃO DA VERDADE MATERIAL DO RECÁLCULO DOS CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS DA NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE ATRIBUÍDA. Passo a análise dos fatos, de início, rebatendo as considerações preliminares da defesa ao registrar que "os serviços prestados objeto de tratamento tão crítico e enviesado por parte da autoridade administrativa e da DRJ/BHE, já foram anteriormente investigados minuciosamente pela própria Delegacia da Receita Federal do Brasil de Belo Horizonte, a qual encerrou o procedimento de fiscalização para o ano calendário de 2005, confirmando a efetividade da prestação de serviço e a dedutibilidade das despesas, sem a lavratura de autos de infração". Neste ponto, a minha posição é pela rejeição total dos argumentos apresentados, pois, do exame dos autos constato que a autoridade fiscal autuante encontravase devidamente autorizado (MPF) por autoridade competente, além do que, entendo que o procedimento fiscal foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto nr. 70.235, de 1972, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal, mesmo porque o Fl. 9924DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 12 presente feito (autuações dos anos calendários de 2008 e 2009) goza de total autonomia em relação ao referido procedimento de fiscalização do ano de 2005. Já com relação a alegada " nulidade da r.decisão recorrida tendo em vista a ausência de intimação do ora Recorrente para sua participação ativa no julgamento da impugnação", como expressamente requerido, entendo, que a mesma não merece guarida, eis que não existe previsão legal para que as sessões de julgamento realizadas no âmbito das denominadas Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) sejam públicas. Diferentemente do previsto para os julgamentos em segunda instância (Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 2009, atual Portaria MF 343, de 2015), as sessões realizadas no âmbito das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que tem seu funcionamento disciplinado pela Portaria MF n° 58, de 2006, ocorrem em recinto fechado (interno), não existindo norma que autorize a participação do contribuinte. Outra nulidade arguída diz respeito a "nulidade da r. decisão recorrida por preterição do direito de defesa por ter a DRJ/BHE se furtado à análise individual dos argumentos de defesa (e de mérito) e dos documentos apresentados pelo Recorrente para comprovar a existência dos serviços e a efetividade das despesas, o que revela a tributação por mera presunção simples, o que é absolutamente vedado pelo artigo 142 do CTN". Esta preliminar levantada pelo suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade do autuado. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, desde que, evidentemente, não contrário à lei. A autoridade julgadora, através do voto do relator da matéria, se manifestou sobre as questões mais importantes do litígio, oferecendo o entendimento da Turma Julgadora, bem como a sua fundamentação. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão ao suplicante, já que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, apreciou todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pelo recorrente, não item a item, mas, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Ora, os autos demonstram, claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância é cristalina e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pelo suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de primeira instância, talvez, não a contento do suplicante, ou seja, o resultado não foi como o suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida. Esta linha de entendimento, encontra ressonância na esteira de pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, pelo qual não representa negação à prestação jurisdicional o acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos Fl. 9925DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 17 13 argumentos trazidos pelo vencido, adota, entretanto, fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Já os artigos 29 e 30 do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito, respectivamente, à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas. É claro que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pelo impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa, pontos exaustivamente discorridos pela defesa no tópico denominado "DA RECOLOCAÇÃO DOS FATOS". Por pertinente, transcrevo a seguir trechos do voto condutor recorrido: "Igualmente improcedente o seu entendimento de que a fiscalização enveredou por searas totalmente desconexas, resultando na lavratura de autos de infração sem motivar de forma adequada e específica a glosa de despesas e incompreensível o registro de que a fiscalização não questionou a dedutibilidade em si das despesas. Ao longo do seu relatório a fiscalização afirma enfaticamente que os serviços não foram efetivamente prestados e que, portanto, as despesas não apresentavam elementos suficientes para sua dedutibilidade. Para isto, realizou diversas diligências, expediu diversos termos de intimação, solicitando esclarecimentos, tomou depoimentos de pessoas que pudessem de alguma forma apresentar elementos de convicção, enfim, aprofundou a investigação até onde julgou pertinente. Por outro lado, não existe qualquer obrigatoriedade para que a fiscalização se pronuncie sobre cada documento apresentado no curso do procedimento fiscal. Ao fazer alguma ressalva a algum documento específico, significa que os demais estão conforme a respectiva legislação ou que não oferecem qualquer subsídio para a conclusão dos trabalhos. Não obstante, o relatório de auditoria fiscal apresenta análise sobre vários documentos, atuação de cada uma das empresas prestadoras dos serviços, contratos sociais, planilhas, notas fiscais, etc. Constatase, sem dúvida, que não houve análise isolada dos documentos mas, sim de todo o conjunto, concluindo pela imprestabilidade como comprobatórios da efetiva prestação dos serviços. Apesar de todas estas providências por parte da fiscalização, a impugnante insiste no argumento de que não teria havido aprofundamento da investigação, criticando inclusive que a fiscalização não solicitou todos os contratos de financiamentos e empréstimos que comprovariam a intermediação das empresas. Ora, a fiscalização não solicitou prova negativa, ao contrário, solicitou insistentemente que a impugnante comprovasse a efetiva prestação dos serviços. Naturalmente que caberia à fiscalizada apresentar os elementos que julgasse apropriados. Fl. 9926DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 14 Como já afirmado, a fiscalização concluiu que não houve a efetiva prestação dos serviços que ensejaram a dedução das despesas por parte da impugnante. Portanto, a fiscalização não desconsiderou valores contabilizados decorrentes de serviços efetivamente prestados como afirma a impugnante ao clamar pela falta de regulamentação do parágrafo único do artigo 116 do CTN. A impugnante argumenta ainda que a fiscalização errou no critério jurídico, alertando inclusive para que este colegiado não tente “salvar” os autos de infração, alterando o entendimento da fiscalização de que não houve a efetiva prestação dos serviços para despesas não necessárias, usuais e normais pela aplicação do artigo 299 do RIR/99. Sob este prisma, cumpre assinalar que o citado artigo encontrase indicado nos respectivos autos de infração. Por certo, não havendo a efetiva prestação de serviços, os valores não poderiam ser considerados necessários, usuais e normais para que a sua dedutibilidade seja aceita. Não há, por consequência, qualquer erro de critério jurídico que possa determinar a nulidade do feito fiscal. Se os serviços foram ou não efetivamente prestados é questão que será analisada oportunamente. Idêntico tratamento terá o argumento de que a fiscalização desprezou créditos decorrentes de saldos negativos de IRPJ e de CSLL. Ainda que se confirme tal alegação, tal fato não se constitui em elemento para reconhecimento de nulidade." Dos autos de infrações é possível verificar, que o enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo ao interessado o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional/CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado, ao meu sentir, quando da determinação do tributo devido, através do auto de infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase, pois, que a autuação é plenamente válida. A defesa invoca outra nulidade do Acórdão alegando que a DRJ teria inovado em questões que não foram abordadas pela fiscalização. Transcrevo, a seguir, fragmento do seu entendimento. "Sabedoura da ausência de prova e de motivação da alegação de "planejamento tributário indevido" a 4a. Turma da DRJ/BHE tentou "consertar" e "salvar" os autos de infração, consignando na r. decisão recorrida que: (...) Nenhuma restrição para que a impugnante encontre mecanismos para melhor remunerar seus dirigentes. No entanto, este mecanismo não pode ser utilizado em detrimento do cumprimento das obrigações tributárias. Segundo as próprias palavras da impugnante temos o deslocamento de um fato gerador de tributo para uma situação que não configurasse exigência tributária, ou seja, em lugar de se Fl. 9927DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 18 15 pagar a remuneração, providenciavase a distribuição de lucros (...) destaques do Recorrente. Diante do exposto, e demonstrado que a 4a. Turma da DRJ/BHE, ao decidir, não respeitou o disposto nos artigos 128 e 460 do Código de Processo Civil, extrapolando a sua competência de julgamento da lide nos exatos termos em que foi posta nos autos do processo e alterando a motivação original dos autos de infração, por mais este motivo, o recurso voluntário deve ser provido, para decretar a nulidade da r. decisão recorrida." Constatase, claramente, que a argumentação da decisão recorrida não alterou o fundamento do auto de infração. A fiscalização glosou as despesas com "Remuneração de Serviços Prestados por Pessoas Jurídica", dentre outros motivos transcrevo o seguinte que se extrai do Relatório de Auditoria Fiscal integrante do auto de infração: "pelo fato comprovados ao longo da fiscalização que levantaram a suspeita da existência de um planejamento tributário indevido, por parte do BANCO INTERMEDIUM e seus acionistas, através da constituição de empresas sem causa jurídica com a única finalidade de elidir a tributação. Ou seja, de que essas PJ não haviam sido criadas para ofertarem seus produtos no mercado, mas, tão somente ao próprio BANCO, que seria ao mesmo tempo único cliente e controlador (...) CONCLUSÃO Por todo o exposto, concluímos que os fortes indícios iniciais , não somente se confirmaram, mas foram corroborados pelos inúmeros outros fatos, que somados, geram um sólido suporte probatório da existência de um planejamento tributário indevido, por parte do BANCO INTERMEDIUM S/A e seus acionistas, através da constituição de verdadeiras empresas de "fachadas" com a finalidade de elidir a tributação." E, mais, da leitura dos autos, vêse que o lançamento deixa claro que a glosa das despesas conforme efetuada decorre da circunstância de que tais operações simplesmente não existiram, por duas razões; (I) pela não comprovação das despesas e (II) pela inexistência de fato dessas prestadoras de serviços nos endereços dos cadastros, conforme amplamente discorrido no citado Relatório de Auditoria Fiscal. A autoridade julgadora de primeira instância manifestouse na mesma linha, ainda que usando outras palavras e, com reforço ao argumento ao dizer "ou seja, em lugar de se pagar a remuneração, providenciavase a distribuição de lucros". Entendo, desse modo, que não houve alteração no fundamento do lançamento pela DRJ, mas, apenas o reforço argumentativo da sua procedência. Isto posto, neste ponto, também, rejeito a preliminar de nulidade da decisão acima suscitada. Prosseguindo a interessada/recorrente apresentou extensa peça de defesa historiando a questão da constituição das empresas prestadoras de serviços, suas respectivas atividades e a natureza dos serviços, os quais, sustenta que efetivamente foram prestados nos anos ora fiscalizados. Aduz, ainda a ora recorrente, que houve "Erro de Critério Jurídico nos Lançamentos", pelo que transcrevo o seguinte fragmento de defesa: Fl. 9928DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 16 "De toda forma, o que importa para o caso concreto é que, com a comprovação da efetividade dos serviços prestados, as respectivas despesas somente poderiam ser glosadas (e apenas para efeito de apuração da base de cálculo do IRPJ) mediante acusação fiscal de inobservância do disposto no artigo 299 do RIR/99; porém, no relatório de auditoria fiscal, não há qualquer alegação no sentido de que as despesas não seriam necessárias, usuais e normais." Pois bem. Como já assinalado alhures, "vêse que o lançamento deixa claro que a glosa das despesas conforme efetuada decorre da circunstância de que tais operações simplesmente não existiram, por duas razões: (I) pela não comprovação das despesas e (II) pela inexistência de fato dessas prestadoras de serviços nos endereços dos cadastros, conforme amplamente discorrido no citado Relatório de Auditoria Fiscal". Inclusive, de se salientar, que o citado art. 299 do RIR/1999 consta do auto de infração no rol do enquadramento legal. Para maior clareza reproduzo os seguintes trechos do relatório de auditoria: "A não comprovação das despesas se deu por duas razões. Em primeiro lugar nem todos os comprovantes de pagamentos foram apresentados, embora o fiscalizado tenha sido intimado a fazêlo. A fiscalização apontou a falta de comprovantes relativos a diversas notas fiscais. (...) De outro lado, o fiscalizado, embora também intimado para tanto, não apresentou comprovantes da efetiva prestação dos serviços, apenas anexou à sua resposta planilhas nomeadas como mapas de produção, que, como referido neste relatório, não são documentos hábeis e idôneos para comprovação da efetiva prestação dos serviços. (...) No presente caso, conforme já exaustivamente descrito no relato acima, as investigações realizadas pela fiscalização levam a conclusão de que a maioria das prestadoras de serviços em questão não tenha existido de fato no local indicado como sendo aquele no qual os serviços foram supostamente prestados. Em relação a BH MINAS, DINIZA, PROMOCRED, PROMOBANK e PROMUSUL, no suposto local de prestação dos serviços foi encontrada outra empresa em funcionamento, que já estava instalada ali desde 1980 (a SANTA ROSA a qual não se encontra no rol das prestadora de serviços). A gerente desta PJ, que desde 1999 trabalha naquele endereço, declarou que as tais prestadoras de serviços nunca funcionaram ali, e que apenas as correspondências eram recebidas no local e o contador passava regularmente para pegálas. A visita da fiscalização às instalações confirmou se tratar de uma casa modesta, comum, de esquina, sem qualquer indicação de que no local exista uma ou várias empresas funcionando. Havia, apenas, uma pequena placa sobre a entrada da garagem da casa onde se lê "SANTA ROSA". Através de pesquisas posteriores a fiscalização localizou, ao todo, 21 (vinte e uma) pessoas jurídicas, registradas no mesmo endereço, todas ligadas aos irmãos AQUILES LEONARDO DINIZ e JOSÉ FELIPE DINIZ, onde um ou outro aparece como responsável legal. Esses senhores são dois dos maiores acionistas do BANCO INTERMEDIUM. É importante destacar que, com exceção de uma dessas empresas, todas, de acordo com as informações cadastrais, deveriam estar em atividades ao tempo dos fatos, como também por ocasião da diligência, sendo que somente foi encontrada no local a SANTA ROSA. A existência de tantas pessoas jurídicas registradas e em suposta atividade, ocupando um local onde mal cabe a SANTA ROSA, evidencia a máfé, não só Fl. 9929DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 19 17 desses senhores, mas também do BANCO INTERMEDIUM S/A e seus demais acionistas, ao instalarem essas prestadoras naquele local." Como visto, neste ponto, a matéria em litígio diz respeito em verificar se há nos autos a comprovação da efetividade da prestação de serviços de terceiros para a autuada. O acórdão recorrido manteve a autuação sob os seguintes argumentos: Inicialmente registrese que a impugnante entende que por expressa previsão legal do artigo 923 do RIR/99, a contabilidade faz prova dos fatos nela registrados e que a fiscalização não contestou a validade dos seus registros contábeis e das prestadoras dos serviços. Acrescenta que os documentos societários, fiscais, contábeis e gerenciais foram praticamente ignorados pela fiscalização ao mesmo tempo que afirma que a fiscalização não imputou qualquer vício nos documentos apresentados. Conclui que os balancetes e livros razão comprovam a existência e a efetividade dos serviços prestados. De plano, uma observação. A impugnante, apesar de transcrever o artigo 923, não completa a leitura. Confirase: “Art.923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (Decreto Lei n º 1.598, de 1977, art. 9 º , § 1 º ). “ Portanto, o citado artigo não aceita simplesmente os registros contábeis como prova. Se assim o fosse, não seria necessário fiscalização. Cada um registrava o que lhe conviesse e ponto final. Não é assim. Como já constatado nos autos, os documentos não foram ignorados pela fiscalização como afirma a impugnante. Igualmente equivocada a afirmação de que a fiscalização não fez qualquer ressalva aos registros contábeis da impugnante. Naturalmente que, ao glosar as despesas sob o entendimento de que os serviços não foram efetivamente prestados, a fiscalização aponta o vício na escrituração da impugnante. Pela leitura do relatório de auditoria fiscal podese constatar inúmeras referências aos documentos que a impugnante afirma terem sido ignorados pela fiscalização. A fiscalização apresenta análise dos contratos sociais e alterações, da composição societária das empresas envolvidas, localização, quantidade de funcionários, faturamento, responsáveis contábeis e gerenciais, cargos ocupados pelos respectivos sócios, sistema de contabilidade utilizado por todas as empresas que não possuíam setores próprios de contabilidade, não possuíam setores de pessoal, prestavam serviço unicamente para a fiscalizada, etc, exatamente para demonstrar a dependência das empresas tida como prestadoras de serviço com a impugnante. De fato, sob o ponto de vista formal, estes documentos apresentamse de forma regular, mas a simples formalização de contratos, mapas, planilhas, etc. não são suficientes para comprovar a prestação de serviços das pessoas jurídicas como assinala a impugnante registrando que não imaginava ter que explicar isto para as autoridades fiscais. Realmente, é inexplicável que se pretenda que simples formalidades sejam suficientes para alterar a realidade e apresentar o que se interessa. Sob este aspecto, o contrato de financiamento apresentado nesta oportunidade – que a impugnante tenta transferir à fiscalização a responsabilidade de não o ter solicitado na fase de investigação – consigna tão somente acima do cabeçalho o nome da empresa tida como interveniente. No entanto, este cuidado com a formalidade serviu exatamente para demonstrar que as empresas tidas como prestadoras não tinham qualquer independência gerencial, submetendose às decisões da impugnante, constituindo um grupo econômico, Fl. 9930DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 18 atuando na verdade como simples departamentos da fiscalizada. Sem dúvida que a análise não pode ser pontual, mas sim sob o ponto de vista do todo. Por oportuno, vejamos alguns fatos constatados no curso da ação fiscal: 1. a intermediação e prospecção de novos negócios e clientes eram exercidas pelos próprios sócios das empresas prestadoras dos serviços que eram também sócios e diretores da impugnante; 2. os documentos eram entregues diretamente à impugnante que os analisava e decidia pela concessão ou não dos empréstimos; 3. os funcionários não exerciam as atividades de intermediação e captação mas simples tarefas administrativas. O que se verifica é que os documentos juntados aos autos não comprovam a efetividade dos serviços prestados pelas empresas contratadas. Necessário, ainda, que o contribuinte demonstre, mediante documentação hábil e idônea, que os pagamentos se refiram a serviços efetivamente prestados e necessários à atividade da empresa contratante. Nos termos da legislação do imposto de renda, para ser considerada uma despesa operacional e admitida como dedutível da base de cálculo do IRPJ a despesa deverá ser, necessária, usual ou normal para o tipo de operação, a teor do art. 299 e parágrafos do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). Conforme se depreende da leitura do Relatório de Auditoria Fiscal, houve todo um esforço da fiscalização, por meio de intimações e reintimações ao contribuinte para que este demonstrasse a efetividade da prestação dos serviços que pagou. A apresentação de planilhas e lançamentos contábeis sem respaldo em documentação hábil e idônea não tem o condão de comprovar a efetividade dos serviços. O fato concreto é que não há nos autos provas concretas da execução dos serviços contratados pela autuada. Portanto, não atendidos os critérios de necessidade, usualidade e normalidade dos serviços prestados, necessários à atividade da empresa, previstos no art. 299 do RIR/99, não resta outra alternativa senão glosar referidas despesas. Registrese, neste ponto, que a autoridade julgadora de primeira instância analisando a documentação apresentada, concluiu que a situação da empresa IFI Software Ltda é inteiramente diferente e peculiar das demais pretadoras de serviços, e entendeu procedente a exclusão do valor de R$ 837.000,00 da base de cálculo das exigências tributárias, para o ano calendário 2008, tendo em vista que restou comprovada que a IFI foi contratada para a prestação de serviços de desenvolvimento e implantação de sistema computadorizados, treinamento de empregados para utilização dos sistemas desenvolvidos, auxílio na aquisição de produtos de informática e execução de rotinas de segurança das informações, declinando os sistemas e programas por ela utilizados que, destaca, necessitam de rotineira atualização e Fl. 9931DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 20 19 manutenção. No caso foi apresenta planilha com descrição dos serviços prestados (doc. 09) e notas fiscais. Outro ponto da peça recursal, diz respeito à "Desconsideração de Créditos dos Saldos Negativos de IRPJ e CSLL". Aqui, neste ponto, mantenho como razão de decidir os fundamentos da decisão recorrida, a saber: "Equivocase a impugnante. A fiscalização não incorreu em qualquer erro ao não considerar os créditos decorrentes dos saldos negativos apontados. Esclareçase que a utilização de saldos negativos obedece a sistemática específica, ocasionando, inclusive, que saldos negativos possam ser utilizados em anos posteriores. Assim, a fiscalização não poderia efetuar tal dedução no momento da lavratura dos autos pois, se de um lado, é necessário proceder diversas verificações, como por exemplo, compensação em exercícios posteriores, confirmar o efetivo recolhimento dos tributos, por outro lado, tal procedimento somente seria possível com a iniciativa do interessado mediante procedimentos próprios, pois somente a ela cabe a decisão com quais débitos pretende compensar os seus créditos, nos termos da IN RFB 1.300/2012. Portanto, demonstrado está que a fiscalização e este colegiado encontramse impedidos de atender a demanda da impugnante." Já com relação a alegada "Ausência de Norma Antielisiva" deixo de apreciar pois o mesmo não foi motivo da autuação. A autoridade autuante não percorreu o caminho da desconstituição dos efeitos jurídicos dos atos contratuais praticados, cingindose a desconsiderar, tãosomente, a redução das bases de cálculos das exações em razão da apropriação das despesas não comprovadas ou inexistentes. Repiso, em respeito a reiterada argumentação expendida pelo Recorrente, que não cuidam os autos de desconstituição de atos jurídicos ou contratos, mas, tãosomente, de glosa de despesas. Prosseguindo, a peça recursal insurgese com relação a MULTA QUALIFICADA (150%). Entendo que a operação engendrada demonstra o evidente intuito de fraude do contribuinte, o que justifica a aplicação da penalidade duplicada prevista no § 1o do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. A questão da ilicitude das condutas retratadas nos autos já foi suficientemente apreciada e confirmada no presente processo. Não obstante, destaco ainda os seguintes aspectos: as condutas estampadas no presente processo amoldamse com exatidão às disposições do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, vez que retardaram o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais da fiscalizada, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito correspondente, e relativamente ao planejamento ilícito engendrado, não se identifica nos autos e nem na peça de defesa justificativa outra para a sua colocação em prática que não a busca pela redução da carga tributária. De fato, a autoridade fiscal demonstrou que, de forma planejada e com o intuito de se reduzir indevidamente a tributação, houve a formação de um conluio, com a reunião de pessoas físicas e jurídicas de forma organizada para a prática de infrações tributárias. Fl. 9932DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 20 De toda a leitura dos elementos dos autos, entendo comprovada a ocorrência de sonegação e de conluio, definidas nos arts. 71 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Observese que, no caso, não se está diante de planejamento tributário lícito, apenas inoponível ao Fisco por abuso de direito ou fraude à lei. Estáse diante de um planejamento tributário ilícito, as evidências colhidas pela fiscalização minudentemente relatadas dão conta que esse procedimento, dos acionistas do Banco Intermedium S/A, não se trata de mero equívoco, mas de ato doloso com objetivos de geração de benefícios indevidos. Desse modo, mantenho a qualificação da multa. DA IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DE 50% CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. Com relação a multa isolada por insuficiência de recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre as estimativas mensais (prevista inciso II, alínea “b” do art. 44 da Lei nº 9.430/1996) entende a contribuinte que "somente pode ser exigida caso o fisco verifique a falta de recolhimento dos tributos, ou recolhimento insuficiente, antes do término do ano base"; segundo" e, com relação a concomitância aduz que "não pode haver, sobre a mesma base, a cumulação da multa isolada com qualquer outra penalidade". No presente caso, afasto a aplicação da súmula CARF nº 105, vez que o lançamento tributário não teve por suporte o inciso IV do parágrafo 1º do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Explico: Para fatos geradores anteriores a MP 351/2007 (22/01/2007), convertida na Lei nº 11.488/2007 aplicase a Súmula CARF nº 105 (improcedência da multa). Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. O alcance da súmula, no entanto, é limitado às exigências formalizadas anteriormente às alterações legislativas introduzidas pela Lei nº 11/488/2007. Tal constatação decorre do fato de que o enquadramento legal citado expressamente no texto da súmula (art. 44, § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996) que deixou de existir a partir de 22/01/2007. Nessa data, como já dito, foi publicada no DOU (edição extra) e entrou em vigor a Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. O art. 14 da Lei (já em vigor desde a MP) assim dispunha: Art. 14. O art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e III: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: Fl. 9933DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 21 21 a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no ano calendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. I (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei no9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: I prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. ................................................. ” Assim, alterados o percentual aplicável (de 75% para 50%) e também a base de incidência (antes, a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, após, o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado), tenho que inexiste súmula CARF aplicável às faltas/insuficiências no recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL ocorridas após 22/01/2007, pelo que os Conselheiros estão livres para votar de acordo com suas convicções. Neste passo, com o devido respeito, equivocase a contribuinte/recorrente, pois, no caso, tratase de penalidade imposta aos contribuintes que, optando pela apuração anual do lucro real, deixem de recolher estimativas ao longo do ano calendário. Sua aplicação é cabível durante e depois de encerrado o anocalendário, na medida em que não se confunde com o crédito tributário devido no ajuste anual, sendo irrelevante, inclusive, se o ajuste anual se mostra inferior à soma das estimativas devidas mensalmente. Constatado o descumprimento daquela obrigação acessória, é devida a penalidade aqui exigida, não se verificando cumulação com a multa de oficio, devida em razão da falta de recolhimento do tributo devido no ajuste anual. Fl. 9934DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 22 O contribuinte que deixa de recolher a estimativa está descumprindo norma específica quanto ao regime de antecipação, prevendo a lei punição para tal ato – multa isolada. Aquele que deixa de pagar o imposto devido ao final do período de apuração também descumpre norma específica, o dever de recolher a obrigação principal, para o qual a lei prevê a multa de ofício (75%) que será exigida juntamente com o valor do imposto não recolhido. DA NÃO INCIDÊNCIA DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO A Recorrente questiona, ainda, a cobrança dos juros Selic exigidos sobre a multa de ofício, por entender que não há previsão legal para a sua incidência. Discordo deste entendimento. A meu ver, há previsão legal para a cobrança. Vejamos, inicialmente, o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (grifamos) Os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de “tributos e contribuições”, diferentemente da legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (Decreto Lei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). Assim, alegam que deve ser feita uma interpretação literal do texto normativo. Discordamos deste entendimento, até porque a interpretação literal, na maioria das vezes, é apenas o ponto de partida para a construção dos sentidos da norma a ser aplicada. Não devemos desprezar a expressão “decorrente de”, aposta antes dos vocábulos “tributos e contribuições”, constante do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Deste modo, a melhor leitura que se deve dar à expressão “decorrentes de tributos e contribuições”, a meu sentir, referese aos débitos “cuja origem remonta de tributos e contribuições”. A multa de ofício decorre do não pagamento do tributo! Diferente seria se o citado artigo 61 prescrevesse que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterse iam aos juros de mora”. Não foi essa, a meu ver, a intenção do legislador. Não devemos, portanto, interpretar o dispositivo legal desprezando o sentido da expressão “decorrente de”, constante do texto em vigor. Se fizermos uma interpretação teleológica, pautada na finalidade do dispositivo legal, ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. As multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que o contribuinte que cometeu o ilícito tributário, bem como os demais contribuintes, será compelido a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Tem se assim, que afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Fl. 9935DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 22 23 Em outro giro, se fizermos uma interpretação sistemática dos dispositivos do CTN, também chegaremos à conclusão que os juros moratórios incidem sobre a multa de ofício. Vejamos. Não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, “nasce” para o contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa. Por ocasião da constituição do crédito tributário, pelo lançamento de ofício, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, composto do tributo e devidos acréscimos legais (juros de mora + multa de ofício), nos termos do que prescreve o artigo 113 do CTN. Como se observa, a partir do lançamento, o tributo e a multa de ofício passam a ser devidos pelo contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que apenas o valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo crédito tributário. Como dispõe o artigo 139 do CTN, o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária. Após o lançamento, tributo e multa convolamse em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Concluise, assim, que o art. 161 do CTN autoriza a cobrança de juros sobre o crédito tributário, incluindose nesta rubrica, como argumentado, a multa de oficio. O § 1º do artigo 161 prescreve que os juros de mora são calculados à taxa de 1% ao mês, salvo se lei dispuser de modo diverso. E a lei dispôs de forma diversa. O artigo 61, parágrafo 3º, da Lei nº 9.430/96, determina que sobre os débitos incida juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º (juros equivalentes à Taxa Selic), a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que o crédito tributário compreende o tributo e a penalidade pecuniária, interpretação esta que harmoniza os diversos dispositivos do CTN. Acrescentese, ainda, que a legislação ordinária (ex vi artigo 43, parágrafo único e 61, Lei nº 9.430/96) de há muito vem prevendo a incidência dos juros sobre a multa de oficio, sem que se tenha notícia da invalidação dessas normas pelo Poder Judiciário, por falta de fundamento de validade. A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários, verbis: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Neste sentido, convém transcrever julgados do Superior Tribunal de Justiça que já decidiram por manter os juros sobre a multa de ofício, verbis: TRIBUTÁRIO. PROCESSO CIVIL. MULTA PUNITIVA. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. Fl. 9936DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES 24 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ. 11/05/2010) TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, em 14/09/2009). Da mesma forma, no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. DA RESPONSABILIDADE PASSIVA SOLIDÁRIA Nos recursos voluntários apresentados pelos responsáveis solidários (Rubem Menin Teixeira de Souza, Aquiles Leonardo Diniz, José Felipe Diniz, Marcos Alberto Cabaleiro Fernandez, Lucas Cabaleiro Fernandes, Dauro de Carvalho e Silva, Sebastião Luiz da Silva, Maria Virgínia Gomes Moreira, João Vítor Nazareth Menin Teixeira de Souza, Marco Túlio Guimarães e Antônio Sebastião de Faria) vem à tona os mesmos argumentos relativos às nulidades inicialmente já analisados neste voto, aduzindo com relação à sujeição passiva solidária "quanto à natureza da responsabilidade por interesse comum no fato gerador (art. 124 do CTN), além de desamparadas de qualquer substrato de fato que suportem suas pueris afirmações, por ofender aos princípios da motivação, da ampla defesa e do contraditório, deve ser anulada a r. decisão recorrida, nos termos do art. 59, II, do Decreto nr. 70.235/72". Alega, ainda, erro na capitulação legal na imputação. Para melhor elucidação, cabe aqui, transcrever os seguintes trechos do Relatório de Auditoria Fiscal que estabelece o elo de comunhão entre os responsáveis solidários e o Banco Intermedium S/A (fiscalizado), vejamos: "Ficou demonstrado que essas prestadoras não tinham independência em relação ao fiscalizado, pelo contrário, estiveram sempre sob o controle do BANCO INTERMEDIUM através de seus acionistas, constituindo, na verdade, um grupo econômico de fato, possuindo clara relação de interdependência, cuja atuação tinha por objetivo carrear vantagens indevidas aos controladores. (...) Assim, ficou demonstrado, através dos fatos narrados acima, que os envolvidos se reuniram em conluio para, de forma fraudulenta, constituírem pessoas jurídicas, visando depois se beneficiarem indevidamente de suas operações. As pessoas jurídicas constituem meros instrumentos para a prática das infrações, pois sempre manifestam a vontade do agente humano nos atos que praticam. Fl. 9937DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES Processo nº 10600.720008/201311 Acórdão n.º 1301002.020 S1C3T1 Fl. 23 25 O BANCO INTERMEDIUM SA possui acionistas e diretores, que foram os mentores e beneficiários diretos do esquema desvendado pela fiscalização. (...)" Entendo, pois, que a lucratividade obtida diretamente pelas pessoas físicas acionistas e diretores do BANCO INTERMEDIUM S/A, pela economia do não pagamentos dos tributos e contribuições, logo, mediante a fraude à lei tributária, é justamente o elo de comunhão legal que estabelece a possibilidade de cobrança tributária das mesmas. Há o interesse comum entre elas (pessoas físicas) e o BANCO na situação que constituiu o fato gerador dos tributos e contribuições lançados. Destarte, são fortes os indícios de que os acionistas do BANCO INTERMEDIUM S/A agiram de forma consciente na tentativa de obter para sua empresa e, em última análise, para si próprios o maior benefício possível às custas do Erário. Enfim, tal como fartamente demonstrado pela auditoria fiscal, o lançamento corretamente caracterizou o vínculo de responsabilidade de cada indivíduo com base no interesse comum (econômico e jurídico) de cada um na situação que constituiu o fato gerador do tributo apurado. O interesse comum de cada um dos responsáveis resta inquestionável ante a inequívoca participação conjunta dos indivíduos e da empresa autuada na realização do fato gerador apurado. Diante de tal contexto, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada pela Fiscalização. Por todo o exposto, o presente voto é no sentido de rejeitar as preliminares suscitadas e no mérito NEGAR PROVIMENTO aos recursos voluntários interpostos. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 9938DF CARF MF Impresso em 12/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 11/ 05/2016 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 12/05/2016 por WILSON FERNANDES GU IMARAES
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Numero do processo: 10580.721734/2013-29
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Apr 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009
DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA QUALIFICADA. AÇÃO REITERADA.
A prática reiterada e injustificada do contribuinte de declarar em DCTF valores inferiores aos que são registrados nos assentamentos contábeis ou que apurados pela Fiscalização Federal, constitui ato doloso, sujeito à multa de 150% do valor do imposto devido.
Recurso de Voluntário Negado e Recurso de Ofício Provido
Numero da decisão: 3302-003.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e dar provimento ao Recurso de Ofício.
(assinatura digital)
Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator
EDITADO EM: 23/03/2016
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e dar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo.
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APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. É vedado aos membros das turmas de julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Súmula CARF nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 DECLARAÇÃO INEXATA. MULTA QUALIFICADA. AÇÃO REITERADA. A prática reiterada e injustificada do contribuinte de declarar em DCTF valores inferiores aos que são registrados nos assentamentos contábeis ou que apurados pela Fiscalização Federal, constitui ato doloso, sujeito à multa de 150% do valor do imposto devido. Recurso de Voluntário Negado e Recurso de Ofício Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário e dar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 17 34 /2 01 3- 29 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 2 Ricardo Paulo Rosa – Presidente e Relator EDITADO EM: 23/03/2016 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares Araújo e Walker Araújo. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o Relatório que embasou a decisão de primeira instância, que passo a transcrever. Trata o presente processo de Autos de Infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, que pretendem a cobrança da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins e da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS relativas aos períodos de apuração de janeiro a dezembro de 2009. Cumpre destacar, por oportuno, que as folhas mencionadas neste Acórdão referemse às folhas digitais do eprocesso ora em análise. No “Termo de Verificação Fiscal” (fls. 18/22) o autuante informa, especificamente em relação à tributação do PIS e da Cofins, que a contribuinte auferiu no ano calendário de 2009 receita bruta no valor de R$ 46.713.480,55, mas não apresentou em DCTF os débitos do PIS e da Cofins, informandoos apenas no DACON. Nos sistemas da RFB também não constam recolhimentos no referido período relativos aos códigos de receita 8109 (PIS Cumulativo) e 2172 (Cofins Cumulativo). De posse de memória de cálculo das referidas contribuições, apresentada pela contribuinte em atendimento à intimação da fiscalização, conferida com a contabilidade da empresa, foram lançados de ofício os valores do PIS e da Cofins referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2009, com a aplicação da multa qualificada em razão do evidente intuito da contribuinte em não realizar qualquer recolhimento das referidas contribuições durante o ano fiscalizado, e tão pouco os declarar em DCTF, comportamento que vem adotando de maneira sistemática conforme se pode perceber ao compulsar os processos nº 10580.723407/200925 e nº 10580.723406/200981, que tratam de lançamentos, pelos mesmos motivos, dos valores devidos do PIS e da Cofins nos anoscalendário de 2004 a 2007. Cientificada dos Autos de Infração em 01/03/2013, a contribuinte apresenta impugnação em 02/04/2013, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: 1. No presente caso, lhe foi negado o acesso ao número do processo administrativo em que se deu a cobrança, e ao tentar entender o que tinha ocorrido, se dirigiu à sede da Receita Federal do Brasil em Salvador, tendo sido informada que era impossível ter acesso aos autos do processo sem a correspondente numeração; 2. Logo, o Auto de Infração é nulo por ferir os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa, transcrevendo doutrina e jurisprudência que corroborariam seus argumentos; Fl. 148DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.721734/201329 Acórdão n.º 3102003.101 S3C1T2 Fl. 3 3 3. Sentindose lesada em seu direito de defesa e sem confirmar ou infirmar as informações trazidas pelo auditor, preparou a defesa unicamente baseada no "Termo de Verificação Fiscal"; 4. A impugnante pôde verificar que a cobrança decorre do não lançamento em DCTF dos débitos do PIS e da Cofins referentes ao ano calendário de 2009, informandoos apenas no DACON, tendo verificado, ainda, a aplicação da multa qualificada de 150%, com arrimo no art. 44, I, §1º da Lei nº 9.430, de 1996; 5. A contribuinte declarou em DACON, como muito bem anotado pela autoridade fiscal, todo o valor devido a título de PIS e Cofins, não podendo lhe ser imputada qualquer conduta dolosa, pois, se o intuito era fraudar ou sonegar tributos, não teria mantido a sua regular escrituração fiscal e contábil, bem como não teria declarado ao Fisco, através do DACON, os valores devidos; 6. Ademais, caso estivessem presentes quaisquer indícios de prática criminosa, o auditor deveria obrigatoriamente ter lavrado Representação Fiscal para Fins Penais nos termos do art. 47 e seguintes do Decreto 7.574, de 2011, o que não ocorreu porque não há conduta típica da contribuinte; 7. Em nenhum momento a autoridade fiscal indica se há fraude ou sonegação ou mesmo dolo nesta conduta, o que evidentemente retira a possibilidade de defesa da contribuinte, causando a nulidade da autuação, bem como evidencia que não estão presentes os motivos qualificadores da multa aplicada; 8. Na visão do fiscal, a multa deveria ser agravada pelo fato de a contribuinte ter cometido a suposta infração em vários exercícios, o que, evidentemente, não é motivo de agravamento da multa, uma vez que esta hipótese (inadimplência recorrente) não é fraude e muito menos sonegação, sendo clara a doutrina neste ponto, bem como o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF; 9. No mérito, após fazer breve histórico da legislação da contribuição para o PIS e da Cofins, a impugnante alega que também não subsiste a autuação, já que o tributo foi calculado sem a exclusão do ISS da sua base de cálculo; 10. A legislação do PIS e da Cofins, tanto na modalidade cumulativa como na não cumulativa, incluíram, de forma inconstitucional, o ICMS e o ISS na base de cálculo; 11. Ainda que no plano infraconstitucional o faturamento mensal das pessoas jurídicas de direito privado seja definido como a totalidade das receitas auferidas independentemente de sua denominação ou classificação contábil, jamais poderia se incluir o ICMS e o ISS nas bases de cálculo do PIS e da Cofins, pois são uma despesa, um ônus, tratandose, de fato, de receita arrecadada pelos Estados membros; 12. Quando, para a sistemática não cumulativa, o § 3º do art. 1º da Lei nº 10.637, de 2002, e o § 3º do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2002, não retiraram o ICMS e o ISS da base de cálculo do PIS e da Cofins (faturamento mensal), bem como, para a sistemática cumulativa, o § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, alterado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, deixou de elencar o ICMS e o ISS como uma das exclusões do conceito de receita bruta (que, de acordo com esta lei, corresponde ao conceito de faturamento), tais normas ofenderam frontalmente a alínea a do inciso I do art. 195 da CF/88, com a redação dada pela EC nº 20/98, bem como ao art. 239 da CF/88, configurando uma clara inconstitucionalidade; Fl. 149DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 4 13. Todos esses argumentos encontram respaldo na mais atual jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, que, conforme notoriamente divulgado, retomou julgamento do RE 240785/MG em que se discute a constitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da Cofins; 14. Ademais, o Supremo já reconheceu a repercussão geral da matéria e segue pendente o julgamento referente ao ICMS nos autos da Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, enquanto que, no que se refere ao ISS, a repercussão geral também já foi reconhecida no julgamento do RE 292.616, como se observa de acórdão cuja ementa transcreve; 15. Ao final, requer a nulidade do Auto de Infração, e, no mérito, a sua improcedência. Assim a Delegacia da Receita Federal de Julgamento sintetizou, na ementa correspondente, a decisão proferida. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/01/2009 A 31/12/2009 DACON. DCTF. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO. Comprovada a existência de diferença entre o valor do tributo devido informado em DACON e DCTF, não justificada, correta o lançamento do tributo não recolhido e não confessado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP PERÍODO DE APURAÇÃO: 31/01/2009 A 31/12/2009 DACON. DCTF. DIVERGÊNCIA DE INFORMAÇÕES. LANÇAMENTO. Comprovada a existência de diferença entre o valor do tributo devido informado em DACON e DCTF, não justificada, correto o lançamento do tributo não recolhido e não confessado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Não comprovados os elementos caracterizadores de fraude, sonegação e conluio, afastase a qualificação da multa de ofício, reduzindose seu percentual. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. A Secretaria da Receita Federal do Brasil, como órgão da administração direta da União, não é competente para decidir quanto à inconstitucionalidade de norma legal. Insatisfeita com a decisão de primeira instância administrativa, o contribuinte apresenta recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, no qual, em linhas gerais, repisa os argumentos presentes na impugnação ao lançamento fiscal. Fl. 150DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.721734/201329 Acórdão n.º 3102003.101 S3C1T2 Fl. 4 5 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento recorre de ofício da decisão que exonerou crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. É o Relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa Preenchidos os requisitos de admissibilidade, tomo conhecimento do recurso voluntário e por ele inicio o julgamento da lide. Não procede a alegação de preterição ao direito de defesa. A uma, porque, como já bem apontado em primeira instância de julgamento, a Recorrente demonstra ter conhecimento dos fatos que redundaram nas infrações que lhes são imputadas. A duas, porque não há provas nos autos de que lhe tenha sido negado acesso às informações do processo. São inúmeras os processos que chegam a esse Tribunal Administrativo, instruídos com pedido de vista dos autos concedido ao contribuinte. Tratase de um pleito que é admitido e atendido pela Secretaria da Receita Federal. Se, no caso concreto, não o foi, o fato haveria de ter sido comprovado com protocolo do pedido e a recusa da Unidade Preparadora em conceder o pedido de vista. No mérito, depreendese do teor do Recurso do Voluntário contestações feitas com supedâneo, quase exclusivo, na inconstitucionalidade da inclusão do ICMS e do ISS na base de cálculo das Contribuições que lhes são exigidas. Quanto a isso, como a ninguém é dado desconhecer, falece competência a este Tribunal Administrativo para deixar de aplicar lei formalmente válida por alegação de inconstitucionalidade, conforme art. 621 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, e Súmula CARF nº 02. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 6 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. É defeso a esta corte administrativa, salvo as hipóteses expressamente previstas no parágrafo único do artigo 62 supracitado, deixar de aplicar dispositivo legal em vigor sob pretexto de suposta violação constitucional ou princípios nela resguardados. Como bem apontado pelo próprio contribuinte em sua defesa, não existe previsão legal expressa na legislação em vigor, que determine a exclusão da base de cálculo das Contribuições do valor correspondente ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços ICMS e Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza ISS. Na mesma esteira, também não procede o argumento de que RE 240785/MG, com julgamento em Regime de Repercussão Geral, determine a exclusão desses tributos da base de cálculo das Contribuições calculadas com base na legislação em vigor na data dos fatos apurados pelo Fisco. Embora a decisão, de fato, oriente nesse sentido, o faz considerando as regras vigentes em data anterior à entrada em vigor da Lei 9.718/98 e das Leis 10.637/02 e 10.833/03, quando a base imponível era identificada clara e exclusivamente como o faturamento decorrente da venda de bens e serviços e não como receita, como entendese que tenha passado a ser depois das alterações introduzidos por essas Leis. De fato, observese o enunciado da ementa e excerto extraído do voto, com grifos acrescidos. RECURSO EXTRAORDINÁRIO 240.785 MINAS GERAIS RELATOR : MIN. MARCO AURÉLIO RECTE.(S) :AUTO AMERICANO S/A DISTRIBUIDOR DE PEÇAS ADV.(A/S) :CRISTIANE ROMANO E OUTRO(A/S) RECDO.(A/S) :UNIÃO PROC.(A/S)(ES) :PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL TRIBUTO – BASE DE INCIDÊNCIA – CUMULAÇÃO – IMPROPRIEDADE. Não bastasse a ordem natural das coisas, o arcabouço jurídico constitucional inviabiliza a tomada de valor alusivo a certo tributo como base de incidência de outro. COFINS – BASE DE INCIDÊNCIA – FATURAMENTO – ICMS. O que relativo a título de Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços não compõe a base de incidência da Cofins, porque estranho ao conceito de faturamento. (...) O SENHOR MINISTRO MARCO AURÉLIO O recurso extraordinário foi interposto, com alegada base na alínea “a” do permissivo constitucional, contra acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região que implicou a manutenção de entendimento sufragado em sentença, no sentido da harmonia da contribuição prevista na Lei Complementar nº 70/91 com a Carta (folha 88 a 90). Exsurgiram sucessivos embargos de declaração, nos quais a contribuinte pretendeu ver examinado o pedido sucessivo formulado na ação, relativo à exclusão da base de cálculo da Cofins do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Ambos foram desprovidos mediante os acórdãos de folhas 99 a 101 e 115 a 118. O Colegiado consignou ter sido a matéria amplamente analisada e discutida no âmbito desta Corte quando do julgamento da Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF, “inclusive no que tange à previsão de se incluir o ICMS na base de cálculo do tributo, consoante disposto no artigo 2º da Lei Complementar nº 70/91, lei esta, reafirmese, cuja constitucionalidade foi declarada e que, por força do artigo 102, § 2º, da Constituição Federal, não é mais passível de discussão por órgãos jurisdicionais ou administrativos” (folha 116) Examino, agora, o Recurso de Ofício. Primeiro os argumentos da então impugnante. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.721734/201329 Acórdão n.º 3102003.101 S3C1T2 Fl. 5 7 Asseverou que declarou em DACON todo o valor devido a título de PIS e Cofins, não podendo lhe ser imputada qualquer conduta dolosa, pois, se o intuito fosse fraudar ou sonegar tributos, não teria mantido a sua regular escrituração fiscal e contábil, bem como não teria declarado ao Fisco, através do DACON, os valores devidos e que a conduta de inadimplência recorrente não constitui fraude, sonegação ou conluio e, por isso mesmo, não é motivo de agravamento da multa. Por outro lado, que, em nenhum momento, a autoridade fiscal indica se há fraude ou sonegação ou mesmo dolo nesta conduta, o que, em seu entender, dificulta a defesa da contribuinte, causando a nulidade da autuação, bem como evidencia que não estão presentes os motivos qualificadores da multa aplicada. De seu turno, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento assim expôs suas razões de decidir. Veja se que para os casos de falta de declaração ou de declaração inexata, e outros listados no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, será aplicada a multa de 75%, a menos que o Fisco detecte e aponte o evidente intuito de fraude, ou seja, que se demonstre tratarse de conduta dolosa. Esse, portanto, é o ponto fundamental para o deslinde da questão. Nesses termos, certo é que para o agravamento da multa deve restar claramente demonstrada a conduta típica da contribuinte, nos termos definidos pelos dispositivos legais transcritos, mesmo porque, a teor do art. 112 do Código Tributário Nacional, se houver dúvida sobre a natureza da conduta praticada pelo sujeito passivo, deve ser dirimida em seu favor. No caso dos autos, entretanto, não restou claramente caracterizada a conduta dolosa da contribuinte a ensejar a aplicação daquela multa qualificada. Com efeito, aquela autoridade assim explicou a motivação para a aplicação da referida penalidade: (...) em razão do evidente intuito do contribuinte em não realizar qualquer recolhimento das referidas contribuições durante o ano em fiscalização e nem tão pouco os declarar em DCTF, comportamento esse que o contribuinte vem adotando de maneira sistemática conforme se pode perceber ao compulsar os processos nº 10580.723407/200925 e nº 10580.723406/200981, que trata de lançamento, pelos mesmos motivos, dos valores devidos de PIS e Cofins nos anoscalendário de 2004 a 2007. Porém, segundo informa o autuante no Termo de Verificação Fiscal, as bases de cálculo das referidas contribuições foram informadas pela própria contribuinte nos DACON e em memória de cálculo apresentada em atendimento à intimação da fiscalização, devidamente conferidas com a contabilidade da empresa. Logo, a despeito de não declarados em DCTF, os valores do PIS e da Cofins lançados de ofício foram tempestivamente informados pela contribuinte nos DACON entregues à Receita Federal, sendo, portanto, do conhecimento da administração tributária, ainda que o referido demonstrativo não se constitua em confissão de dívida. Não se vislumbra que a contribuinte tenha agido de forma a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, pois um simples confronto nos sistemas da RFB entre a Fl. 153DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 8 DCTF e o DACON já permitiria se constatar a não confissão em DCTF dos valores espontaneamente informados no DACON, e assim deflagrar uma ação fiscal para constituir o crédito tributário mediante lançamento de ofício. Não basta a constatação da omissão que tenha retardado o conhecimento da autoridade fazendária, pois a conduta tipificada nesse dispositivo é a ação ou omissão dolosa. Com efeito, o art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, não trata de quaisquer ações ou omissões, mas tãosomente daquelas dolosas. O dolo aqui é essencial para o enquadramento da omissão da contribuinte na hipótese utilizada pelo auditor fiscal para o agravamento da multa de ofício. Nesse contexto, devese retirar a qualificação da multa de ofício, reduzindose o percentual da penalidade para 75%. Liminarmente, que se diga que não está correta a afirmação da Recorrente de que a jurisprudência, no âmbito deste Conselho, é sólida em favor do entendimento que defende. De forma diametralmente oposta, foi até mesmo proposta uma súmula determinando que a ação reiterado do contribuinte, omitindo, em DCTF, os valores devidos, deveria ser considerado uma ato intencional, para efeito de agravamento da multa de ofício. Embora a súmula não tenha sido aprovada pelo Pleno, estavam presentes as condições formais para fosse submetida a plenário, o que significa dizer que existiam os precedentes jurisprudenciais exigidos. Para demonstrar, transcrevo algumas decisões. Acórdão nº 9101001.002, de 24/05/2011 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004. MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando a retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. Acórdão nº 140100.038, de 13/05/2009 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 200.3 MULTA QUALIFICADA. MULTA QUALIFICADA. APLICABILIDADE E PERCENTUAL. Caracterizado o evidente intuito de fraude, pela prática reiterada e padronizada de declaração, contrária à verdade dos fatos, é aplicável a multa de oficio qualificada no percentual legalmente definido de 150%. A infração relativa ao arbitramento do lucro com base em valores de receita bruta declarados pelo contribuinte através do RUIS, antes de iniciado o procedimento de oficio, não caracteriza o evidente intuito de fraude sendo inaplicável a multa qualificada. Acórdão nº 20313.275, de 04/09/2008; ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 154DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.721734/201329 Acórdão n.º 3102003.101 S3C1T2 Fl. 6 9 Período de apuração: 01/01/2000 a 31/12/2000, 01/01/2001 a 31/12/2001, 01/01/2002 a 31/12/2002, 01/01/2003 a 28/02/2003, 01/04/2003 a 31/08/2003, 01/11/2003 a 31/12/2003, 01/01/2004 a 31/01/2004 MULTA QUALIFICADA A declaração reiterada por mais de três exercícios seguidos nas respectivas DIPJs e DCTFs da contribuição apurada e devida mensalmente por valores muito inferiores aos efetivamente devidos constitui fraude que enseja o agravamento da multa oficio. Acórdão nº 0202.726, de 02/07/2007 MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A reiterada declaração a menor da contribuição devida, em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. Acórdão nº 20180.297, de 23/05/2007 Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/01/1997, 28/02/1997, 31/03/1997, 30/04/1997, 31/05/1997, 30/06/1997, 31/07/1997, 31/08/1997, 30/09/1997. 31/10/1997, 30/11/1997, 31/12/1997, 31/01/1998 28/02/1998, 31/03/1998, 30/04/1998, 31/05/1998 30/06/1998. 31/07/1998. 31/08/1998. 30/09/1998, 31/10/1998, 30/11/1998, 31/12/1998, 31/01/1999, 28/02/1999, 31/03/1999, 30/04/1999, 31/05/1999, 30/06/1999, 31/07/1999, 31/08/1999, 30/09/1999, 31/10/1999, 30/11/1999. 31/12/1999, 31/01/2000, 29/02/2000, 31/03/2000. 30/04/2000, 31/05/2000, 30/06/2000, 31/07/2000, 31/08/2000, 30/09/2000, 31/10/2000, 30/11/2000, 31/12/2000 Ementa: MULTA QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. A sistemática e reiterada declaração a menor da contribuição devida. em valores inferiores aos que seriam apurados de acordo com a escrituração contábil, representa prática de sonegação dolosa, com a finalidade de retardar o conhecimento pela autoridade fiscal das circunstâncias materiais da ocorrência do fato gerador. Acórdão nº 10708.542, de 27/04/2006 CSLL DECLARAÇÕES APRESENTADAS, SISTEMATICAMENTE, COM RECEITA MENORES QUE AS ESCRITURADAS EM LIVROS FISCAIS MULTA AGRAVADA CABIMENTO O dolo, elemento imprescindível à caraterização das figuras que justificam a exasperação da penalidade, resta comprovado pela conduta reiterada e sistemática, consistente em calcular o imposto de renda e informálo nas Declarações de Rendimentos e nas DCTF, tomando como base para apuração do tributo receita bruta muito aquém da efetiva. E, de fato, há algum tempo este Relator firmou entendimento e defende a tese de que a declaração reiterada de valores muito inferiores aos devidos, sejam eles iguais a zero ou de importância aviltada, exige uma interpretação que avalie com rigor a possibilidade que esse comportamento possa ser considerado mero acaso. Afinal, por que razão o administrado declara, como no caso concreto, ao longo de anos e anos, que não deve absolutamente nada ao Erário, quando, em sua contabilidade e no próprio Dacon, demonstra saber que a dívida que vem confessando não condiz com a realidade. Fl. 155DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA 10 E nem se diga que a inadimplência recorrente não constitui fraude, sonegação ou conluio. Uma das circunstâncias identifica como sonegação, segundo a legislação tributária2, é a ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. A omissão que impediu o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador é incontroversa. O dolo, por seu turno, revelase na circunstância de esse comportamento ter se repetido por muitos meses e anos, sem que haja qualquer explicação para tanto. Com base em que elemento de convicção se pode afirmar ou cogitar da possibilidade de que o contribuinte esqueceuse ou enganouse, por nada menos que setenta e dois meses? (!) Acrescentese, ainda, que a Recorrente nada explica de concreto a respeito das razões que o levaram a cometer esse "equívoco". Em lugar disso, dedicase a contestar aspectos formais de adequação dos fatos à norma punitiva, à ausência de demonstração clara da circunstância agravante e a repetir que prestou as informações na Dacon. Já no que se refere à Dacon, é consabido que esse documento, por um lado, não se submete à forma de análise a que submetida a DCTF no âmbito da Secretaria da Receita Federal. Por outro, a Dacon não constitui confissão de dívida, permitindo, assim, que o contribuinte faça exatamente o que está fazendo nesse processo, protele indefinidamente a cobrança do que deve, e, ainda, com alguma chance de sagrarse vencedor. Sem que isso se constitua numa ilação indevida, me permito dizer que a conduta do contribuinte de declarar o que deve apenas na Dacon muito mais se parece com uma manobra do que com um ato de boafé. Com base nos fundamentos expendidos, VOTO por negar provimento ao Recurso Voluntário e por dar provimento ao Recurso de Ofício. (assinatura digital) Ricardo Paulo Rosa Relator 2 Lei nº 4.502/1964. Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária. I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10580.721734/201329 Acórdão n.º 3102003.101 S3C1T2 Fl. 7 11 Fl. 157DF CARF MF Impresso em 04/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por RICARDO PAULO ROSA, Assinado digitalmente em 23/03/2016 p or RICARDO PAULO ROSA
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