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Numero do processo: 11065.100832/2009-33
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Nov 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2009
DACON. MULTA POR ATRASO.
A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.272
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges..
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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MULTA POR ATRASO. A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) a destempo enseja o lançamento da penalidade pelo atraso na sua entrega. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl (Relator), Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel. Designado para elaborar o voto vencedor o Conselheiro Marcos Antonio Borges.. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 08 32 /2 00 9- 33 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 105 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 106 3 Relatório Versa o presente processo sobre lançamento tributário (auto de infração) consubstanciado na notificação de lançamento de multa por atraso na entrega do Dacon. A contribuinte apresentou impugnação alegando ser irrazoável a punição da contribuinte de forma quantitativamente igual à descumpridores da obrigação principal. Que não houve por dolo de sua parte, cabendo, no seu entendimento, ser aplicada a sanção no valor mínimo, especialmente porque o atraso ocorreu em virtude das constantes alterações nas orientações e sistemas do Fisco e da insegurança causada em contribuintes cumpridores das normas, como é o seu caso e por conta de intermitências no sistema. Apontou, ainda, argumentos acerca da inadequação da punição em relação ao prejuízo do fisco. A DRJ de Porto Alegre julgou improcedente a improcedente a impugnação com base na seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2009 DACON MULTA POR ATRASO A apresentação do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, após o prazo previsto pela legislação tributária, ainda que o contribuinte o faça espontaneamente, autoriza o lançamento da multa por atraso correspondente. DACON. ENTREGA FORA DO PRAZO. MULTA. CONGESTIONAMENTO. PROBLEMA TÉCNICO. INTERMITÊNCIA. EXCEÇÕES. PROVA. Eventual problema intermitente de congestionamento no sistema ocorrido no último dia de entrega de declaração resolvese com sucessivas tentativas de transmissão, pois quando há indisponibilidade permanente no sistema de recepção, a própria Administração reconhece tal fato. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Apresenta a Recorrente o presente recurso voluntário reprisando as alegações da impugnação. É o que importa relatar. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 107 4 Voto Vencido Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, relator O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, portanto dele tomo conhecimento. A multa pelo atraso na entrega do Dacon estava positivada no art. 7º da Lei n.º 10.426/2002, in verbis: Art. 7º. sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica D1PJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRE e Demonstrativo de Apuração de contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei 11.051, de 2004) (...) III de 2% (dois por cento) ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3 deste artigo; e (Redação dada pela Lei no 11.051, de 2004) (...) § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de oficio; II – a setenta e cinco por cento, se houver a apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3º A multa mínima a ser aplicada será de: Fl. 107DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 108 5 I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de pessoa física, pessoa jurídica inativa e pessoa jurídica optante pelo regime de tributação previsto na Lei n.º 9.317, de 1996; II R$500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. ...” (grifei) A própria Recorrente afirma na impugnação e no recurso que entregou as DACON’s em datas diversas da estipulada pela legislação vigente na época. Entretanto, a Receita Federal do Brasil, por meio de Instrução Normativa n.º 1.441/2014, publicada no DOU de 21.1.2014, extinguiu o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (DACON). Extinta a DACON extinguemse igualmente as suas penalidades. Nos termos do art. 106 do CTN a legislação deve ser aplicada a ato ou fato pretérito quando o processo não tenha se encerrado e quando a conduta deixe de ser considerada infracional, não implique em falta de pagamento do tributo e não decorra de ato fraudulento, expressandose do seguinte modo: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: (...) II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Entendo que é o que ocorreu no presente processo. Sobre esse tema cito a lição de Luciano Amaro, assim expressa (Direito Tributário, 12ª Ed., 2006, Ed. Saraiva, fls. 202/203): Já em matéria de sanção as infrações tributárias (recordese que sanção de ato ilícito não se confunde com tributo, nem é compreendida no conceito deste), o Código Tributário Nacional, inspirado no direito penal, manda aplicar retroativamente a lei nova, quando mais favorável ao acusado do que a lei vigente à época da ocorrência do fato. Prevalece, pois, a lei mais branda (lex mitior). Diz o Código Tributário Nacional que a lei se aplica a ato ou fato pretérito, "tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática" (art. 106,II). Fl. 108DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 109 6 Nas alíneas a e c temos a clara aplicação da retroatividade benigna: se a lei nova não mais pune certo ato, que deixou de ser considerado infração (OU se o sanciona com penalidade mais branda), ela retroage em benefício do acusado, eximindoo de pena (ou sujeitandoo a penalidade menos severa que tenha criado). É óbvio que, se a lei nova agravar a punição, ela não retroage. (destaquei). Portanto, em matéria de penalidade pelo descumprimento da legislação tributária a regra é a retroatividade da lei mais benigna. No caso em questão, considerando que a Lei não manteve a penalidade pelo atraso na entrega da DACON tenho que é premente a aplicação do disposto no art. 106 do CTN e o cancelamento do lançamento. Nesse sentido, julgo procedente o presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 109DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 11065.100832/200933 Acórdão n.º 3801004.272 S3TE01 Fl. 110 7 Voto Vencedor Conselheiro Marcos Antonio Borges, Em que pese o entendimento do relator, ouso dele discordar. Muito embora a Instrução Normativa RFB Nº 1441, de 20 de janeiro de 2014 tenha extinto o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon), os lançamentos efetuados para cobrança da multa pela sua apresentação a destempo constituem atos perfeitos segundo a norma vigente à data em que foram elaborados. A IN RFB 1.441/2014 extingue apenas o DACON relativo aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2014 e ressalva que a apresentação de Dacon, original ou retificador, relativo a fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2013, deverá ser efetuada com a utilização das versões anteriores do programa gerador, ou seja, ela não isenta a apresentação da DACON para períodos anteriores, como é o caso, mantendose a penalidade pelo atraso na sua entrega, não cabendo, assim, a alegada retroatividade da lei mais benigna prevista no art. 106 do CTN. Quanto as alegações de violação a princípios constitucionais é defeso a esse Conselho questionar a validade da norma legal devidamente inserida no ordenamento jurídico nacional e pontuo ainda que a alegação de inconstitucionalidade de lei é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Nesse sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 110DF CARF MF Impresso em 18/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/10/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 30/10/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 17/11/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10320.003857/2009-69
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Exercício: 2009
DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL.
No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmiti-la no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração.
Numero da decisão: 1803-001.424
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Victor Humberto da Silva Maizman - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Nome do relator: VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Exercício: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL. No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmiti-la no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta.
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MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Recorrente CEFISIO CENTRO DE FISIOTERAPIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2009 DCTF. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. PROBLEMAS TÉCNICOS. ATO DO FISCO FEDERAL. No caso de problemas técnicos ocorridos nos sistemas eletrônicos para a recepção e transmissão de declaração, reconhecidos por ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil, o sujeito passivo deverá transmitila no prazo nele indicado. Caso contrário, incidirá em mora e, por via de conseqüência, na multa por atraso na entrega da declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Victor Humberto da Silva Maizman Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (Presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Victor Humberto da Silva Maizman e Sérgio Luiz Bezerra Presta. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 38 57 /2 00 9- 69 Fl. 51DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10320.003857/200969 Acórdão n.º 1803001.424 S1TE03 Fl. 111 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado a Notificação e Lançamento para exigência do crédito tributário, referente a multa por atraso na entrega da seguinte Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF. O contribuinte insurgiuse apresentando impugnação sustentando que: o atraso decorreu da conduta do Fisco, que foi inclusive questionada por diversas entidades de classe; no dia 7.10.2010 (data final para entrega da DCTF), ocorreram problemas técnicos nos computadores da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), que impossibilitaram a transmissão da declaração pela Internet; a RFB reconheceu o problema editando o Ato Declaratório Executivo n° 90, de 11.11.2009, considerando tempestiva a entrega das declarações que tenham ocorrido até o dia 8.10.2009; o Ato Declaratório, com o fim de regular o prazo para a prática de ato que deveria ter acontecido no passado, está viciado, por conta da impossibilidade de seu objeto, e feriu os princípios da boafé, da confiança e da segurança jurídica. Em sede de cognição ampla, os argumentos da impugnante foram rechaçados, mantendose incólume o lançamento em questão. Inconformada com a decisão, a impugnante interpôs tempestivamente Recurso Voluntário reiterando os mesmos argumentos sustentados na impugnação. É o simples relatório. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10320.003857/200969 Acórdão n.º 1803001.424 S1TE03 Fl. 112 3 Voto Conselheiro Victor Humberto da Silva Maizman Relator Preliminarmente admito o inconformismo da contribuinte mormente em virtude de seu cabimento e tempestividade. Pois bem, depreendese importante salientar que o problema técnico ocorrido no dia 7.10.2009, foi efetivamente reconhecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio do Ato Declaratório RFB n° 90, de 11.11.2009, abaixo transcrito: "Ato Declaratório Executivo RFB n° 90, de 11 de novembro de 2009 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso das atribuições (..) declara: Art. 1°. Considerase tempestiva a apresentação, no dia 8 de outubro de 2009, da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) e do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, cujo prazo final de entrega encerrouse no dia 7 de outubro de 2009. Art. 2° Ficam sem efeito as multas aplicadas pela entrega da DCTF e do Dacon no dia 8 de outubro de 2009." Entrementes, no caso em tela denotase que a DCTF apenas foi entregue no dia 29.10.2009, portanto incontroversa a mora da Recorrente. Portanto, entendo que resta defeso elastecer os efeitos do Ato Declaratórios alhures apontado sob pena de violar o artigo 111, III do CTN, uma vez que é cediço que a legislação que trata da dispensa de cumprimento de obrigações instrumentais deve ser interpretada de forma literal. Demais disso, por expressa disposição prevista no parágrafo primeiro do artigo 108 do CTN, também resta defeso ao aplicador da norma tributária lançar mão de critérios de equidade para desonerar o contribuinte do crédito tributário. Em virtude do exposto, conheço do inconformismo porém negolhe provimento. É como voto. (assinatura digital) Victor Humberto da Silva Maizman Fl. 53DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES Processo nº 10320.003857/200969 Acórdão n.º 1803001.424 S1TE03 Fl. 113 4 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente e m 06/11/2014 por VICTOR HUMBERTO DA SILVA MAIZMAN, Assinado digitalmente em 10/11/2014 por SELENE FE RREIRA DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720325/2013-81
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/09/2012
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
Numero da decisão: 3803-006.505
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 25/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 25/09/2012 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial,. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 03 25 /2 01 3- 81 Fl. 314DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário; e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 315DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720325/201381 Acórdão n.º 3803006.505 S3TE03 Fl. 315 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 25/09/2012 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo Fl. 316DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 25/09/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 11/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Fl. 317DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720325/201381 Acórdão n.º 3803006.505 S3TE03 Fl. 316 5 Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de Fl. 319DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720325/201381 Acórdão n.º 3803006.505 S3TE03 Fl. 317 7 lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, Fl. 320DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário; e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720325/201381 Acórdão n.º 3803006.505 S3TE03 Fl. 318 9 Fl. 322DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11131.720573/2012-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.280
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência..
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Rodrigo Cardozo Miranda, Gilberto de Castro Moreira Junior, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto, em parte, o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: “Tratase do lançamento efetivado pela fiscalização da Alfândega da Receita Federal do Brasil do Porto de Fortaleza (ALF/FOR), por meio do qual se exige o crédito tributário a seguir discriminado, em virtude de a fiscalização haver concluído que a empresa autuada deixou de cumprir condições do regime aduaneiro de admissão temporária e de atender a intimação fiscal: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 31 .7 20 57 3/ 20 12 -2 6 Fl. 432DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11131.720573/201226 Resolução nº 3202000.280 S3C2T2 Fl. 433 2 Acusa a fiscalização que, em virtude do não atendimento de intimação fiscal para a apresentação de garantia para acobertar a aplicação do Repetro, conforme a previsão contida no art. 16 da Instrução Normativa (IN) RFB n° 844, de 9 de maio de 2008, combinado com o art. 8º da Instrução Normativa SRF n° 285, de 14 de janeiro de 2003, foi emitido o Parecer Sadad/ALF/FOR n° 015, de 10 de fevereiro de 2012, pelo qual foi indeferida a prorrogação do regime aduaneiro especial de Admissão Temporária aplicado aos bens constantes das Declarações de Importação nº 438, de 13 de abril de 1992, 439, de 13 de abril de 1992, 2787, de 8 de maio de 1995; 4094, de 12 de julho de 1995; 4830, de 31 de agosto de 1995; 5744, de 7 de novembro de 1995; 6488, de 26 de dezembro de 1995; 1068, de 26 de março de 1996, e 3875, de 21 de outubro de 1996. O Despacho Decisório que acatou o referido Parecer determinou que, no prazo de 30 (trinta) dias, fosse efetuada a reexportação dos bens insertos nas supracitadas DI, com base no art. 367, § 9º do Decreto n° 6.759, de 5 de fevereiro de 2009, c/c o art. 15, § 12 da IN SRF nº 285, de 2003, bem como o pagamento da multa prevista no artigo 728, inciso IV, alínea “c” do mesmo Decreto, pelo não atendimento de intimação, tendo sido facultado ao interessado, em caso de inconformidade com o Despacho Decisório, a interposição de recurso voluntário, em última instância, ao superintendente Regional da Receita Federal do Brasil na 3ª Região Fiscal. Fl. 433DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11131.720573/201226 Resolução nº 3202000.280 S3C2T2 Fl. 434 3 Consta que a empresa autuada, cientificada do Despacho Decisório em 10 de fevereiro de 2012, procedeu ao recolhimento da multa, mas, não reexportou a mercadoria, nem interpôs recurso voluntário, o que motivou a exigência do crédito tributário inscrito em Termo de Responsabilidade, com base no art. 369, inciso II, do Decreto n° 6.759, de 2009, c/c o art. 17, inciso II, da IN SRF nº 285, de 2003. A fiscalização, então, procedeu, em 24 de abril de 2012, com base no disposto nos artigos 15 a 25 e 370 do Decreto n° 6.759, de 2009, c/c o artigo 19, caput e incisos I e II, da IN SRF nº 285, de 2003, à intimação da empresa autuada para, no prazo improrrogável de 30 (trinta) dias, pagar a multa prevista no artigo 709 do citado Decreto (cuja matriz legal é o art. 72, inciso I, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 20032), e a iniciar o despacho de reexportação da mercadoria ou registrar DI para despacho para consumo dos bens, com o pagamento do crédito tributário devido, acrescido de juros de mora e da multa acima citada, tendo sido alertado à empresa beneficiária do regime que o não atendimento da intimação dentro do prazo implicaria retificação de oficio das DI e lançamento de ofício do crédito tributário, segundo o artigo 370, § 1° do Decreto n° 6.759, de 2009, e artigo 19, §1° da IN SRF nº 285, de 2003. Decorrido, em 25 de maio de 2012, o prazo estabelecido, e diante do silêncio da empresa, procedeu a fiscalização aos presentes autos de infração, dos quais a autuada tomou ciência em 31 de maio de 2012 (fls. 3 e 27), impugnandoos em 2 de julho do mesmo ano (fls. 164/181),(...)” Na impugnação apresentada (efls. 164/181), a contribuinte alega o que segue: a) Apresenta síntese dos fatos que deram origem à autuação: que em 25/11/2011, solicitou a prorrogação do regime aduaneiro especial de REPETRO, sendo intimada em 17/01/2012 , por meio de Termo de Intimação Fiscal, para apresentar novos Requerimentos de Prorrogação do Regime ("RPR") e respectivos Termos de Responsabilidades ("TR"), no qual constasse declarada a forma de garantia correspondente ao total dos tributos devidos suspensos, igual ou acima de R$ 20.000,00, bem como as vias originais dos documentos relativos à forma de garantia utilizada. Foilhe dado o prazo de 05 dias, contados da ciência da intimação, para apresentação dos documentos solicitados; que, no momento da intimação, além de não dispor de recursos para realizar a garantia, analisou as condições dos bens abrangidos pelo regime de admissão temporária em questão, e, verificou que já não tinha mais interesse econômico na sua utilização, em virtude de os bens estarem bastante desgastados. Assim, ao invés de proceder à prorrogação do regime ou reexportar os bens, optou por providenciar a inutilização dos mesmos, razão pela qual não se manifestou em relação à referida intimação; que, antes de qualquer procedimento da autoridade administrativa para executar o Termo de Responsabilidade , requereu a extinção do regime aduaneiro especial de admissão temporária, apresentando pedidos administrativos protocolizados em 12/03/2012, referentes a cada uma das DI objeto da presente autuação. Neste requerimentos solicitou: (a) A autorização para destruição da grande parte das mercadorias, nos termos do artigo 15, inciso III, da Instrução Normativa n° 285/2003; (b) A autorização para a nacionalização de uma parte das mercadorias por meio de despacho para consumo, nos termos do artigo 15, inciso V, da Instrução Normativa n° 285/2003, e (c) A autorização para reexportação da mercadoria FONTE RADIOATIVA AM/BE241 (Cesio C137 20.CI) por via aérea em virtude do risco radioativo envolvido, nos termos do artigo 15, inciso I, da Instrução Normativa n° 285/2003; Fl. 434DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11131.720573/201226 Resolução nº 3202000.280 S3C2T2 Fl. 435 4 que, em 24/04/2012, ignorando os pedidos de destruição dos bens realizados pela Impugnante, a RFB lavrou Termo de Intimação Fiscal, por meio do qual foi intimada a, no prazo improrrogável de 30 dias, contados da ciência daquele Termo, efetuar os seguintes procedimentos: (i) pagamento da multa prevista no artigo 709, do Decreto n° 6.759/09, de 10,0% sobre o valor aduaneiro pelo descumprimento das condições estipuladas para permanência do regime de Admissão Temporária e iniciar o despacho de reexportação das mercadorias, ou (ii) registro de DI para os bens com o pagamento do crédito tributário devido, acrescido o valor de juros de mora e da multa citada no item (i). que, na mesma data em que foi expedido o predito Termo de Intimação, em 24/04/2012, também foi lavrado Auto de Infração (n° 0317600/00265/12) para exigir o pagamento da multa prevista no artigo 709, do Decreto n° 6.759/09, de 10,0% sobre o valor aduaneiro pelo descumprimento das condições estipuladas para permanência do regime de Admissão Temporária (Processo Administrativo n° 11131.720422/201278); que apresentou impugnação em face do Auto de Infração, nos autos daquele processo administrativo; e que, em 31/05/2012, teve contra si lavrado mais um Auto de Infração (nº 0317600/00331/12), objeto da lide destes presentes autos; b) Nulidade do Auto de Infração por ausência de motivação administrativa que, conforme se infere dos fatos descritos no Auto de Infração impugnado, a autoridade fiscal justificou a autuação na suposta falta de manifestação da Impugnante com relação ao Auto de Infração n° 0317600/00265/12, lavrado no dia 24/04/2012 e cujo prazo final para defesa se encerrou no dia 25/05/2012.Entretanto, diferentemente do que alega o agente fiscal autuante, a contribuinte apresentou a devida Impugnação Administrativa contra o Auto de Infração n° 0317600/00265/12, dentro do prazo legal (25/05/2012), conforme faz prova a cópia Integral do processo administrativo n° 11131.720422/201278; que, considerando qu,e de acordo com o próprio agente fiscal autuante, o motivo que levou à lavratura do presente Auto de Infração teria sido a suposta falta de manifestação da Impugnante com relação ao Auto de Infração n° 0317600/00265/12 e uma vez comprovado que a manifestação existiu, concluise que o ato administrativo de lançamento de ofício sob análise perdeu a sua motivação e, portanto, a sua razão de existir; c) Impossibilidade de retificação de ofício da Declaração de Admissão Temporária no caso em questão em virtude da expressa solicitação de extinção do Regime de Admissão Temporária feita pela Impugnante. que, antes de qualquer procedimento da autoridade administrativa com vistas a executar o Termo de Responsabilidade, a Impugnante protocolizou o devido pedido de extinção do Regime de Admissão Temporária, no intuito de regularizar a situação das mercadorias importadas sob o referido regime especial de importação, e assim o fez nos termos da legislação aplicável; que a autoridade administrativa, ao ignorar os pedidos formulados, infringiu determinação contida no art. 48 da Lei nº. 9.784/99, bem como ofendeu o Princípio constitucional do Direito de Petição; Fl. 435DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11131.720573/201226 Resolução nº 3202000.280 S3C2T2 Fl. 436 5 que o Auto de Infração é totalmente improcedente, tendo em vista que a Impugnante adotou medida prevista em lei para a extinção do Regime de Admissão Temporária antes da execução do Termo de Responsabilidade, situação esta que afasta por completo a possibilidade de retificação de ofício das DI's em questão. Ao final, requereu seja declarada a improcedência do Auto de Infração e a extinção do crédito tributário, aí incluídas todas as penalidades. A DRJFortaleza/CE julgou a impugnação procedente em parte, nos termos decisão cuja ementa é a seguinte (efls. 396/412): ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1995 a 26/12/1995 LANÇAMENTO. AUSÊNCIA DE MOTIVO E OBJETO. OFENSA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. NULIDADE. VÍCIO MATERIAL. É nulo, por vício material de motivo, o lançamento feito sem que se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias à exigência do crédito tributário. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. EFEITOS. A matéria não impugnada não comporta julgamento administrativo, pois em relação a ela não se instaurou a fase litigiosa do procedimento. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Aquele órgão julgador manteve o lançamento somente em relação à multa por desatendimento à intimação fiscal, no valor de R$5.000,00, em razão de a matéria não ter sido impugnada pela autuada. No mais, o lançamento efetuado foi declarado nulo, por vício material, em relação aos tributos (II e IPIvinculado), juros de mora, multa de ofício. Chegam os autos a este Colegiado para julgamento, em razão de interposição de recurso de ofício. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres Oliveira, Relatora Ao teor do relatado, tratase de apreciação de recurso de ofício, interposto pela Fazenda Nacional, em razão de a autoridade administrativa julgadora de base haver exonerado o sujeito passivo em montante superior ao seu limite de alçada. Cuidam os autos de Auto de Infração, lavrado em 31/05/2012 (ciência na mesma data), contra a empresa TUCKER ENERGY DO BRASIL COMÉRCIO E SERVIÇOS PETROLÍFEROS LTDA, no montante R$ 10.763.726,21, para exigência de Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados vinculado à importação, bem como acréscimos legais (juros de mora e multa de ofício de 75%) e multa de R$ 5.000,00 em razão Fl. 436DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA Processo nº 11131.720573/201226 Resolução nº 3202000.280 S3C2T2 Fl. 437 6 de a contribuinte haver deixado de atender a intimação fiscal. O lançamento de ofício decorreu do descumprimento de condições do regime de admissão temporária aplicado a mercadorias importadas sob o regime aduaneiro especial de exportação e importação de bens destinados às atividades de pesquisa e de lavra de jazidas de petróleo e de gás natural – REPETRO. No meu entender, encontrase ausente dos autos informação que se mostra imprescindível para a análise de toda a questão posta, acerca da data em que se findava o regime aduaneiro especial de Admissão Temporária, relativo ao REPETRO, concedida aos bens importados pela interessada. Por tal razão, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que a autoridade preparadora informe qual a data de vencimento final do regime aduaneiro especial de Admissão Temporária concedido para os bens constantes de cada uma das nove DI que foram objeto da autuação. Após, retornem os autos para este Colegiado, para procederse ao julgamento. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Fl. 437DF CARF MF Impresso em 27/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA, Assinado digital mente em 25/10/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES OLIVEIRA
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Numero do processo: 11516.721884/2012-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2009, 2010
PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE
Recurso voluntário sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida a Recorrente não apresenta qualquer indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada, ferindo o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma.
EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO.
A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitar-se-á, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas.
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.
Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da lei 110 9.430/96.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26).
EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS.
A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipular-se a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor.
Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte - SIMPLES, correta a sua exclusão.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins e Contribuição para a Seguridade Social - INSS - SIMPLES
Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do quantum devido na sistemática do SIMPLES, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber.
INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 1401-001.314
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar às preliminares e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro apenas quanto a manutenção da qualificação da multa. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira votou pelas conclusões.
Jorge Celso Freire da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Sergio Luiz Bezerra Presta
Relator
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator).
Nome do relator: SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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EXCLUSÃO DO SIMPLES DE OFICIO. A pessoa jurídica excluída do Simples Nacional sujeitarseá, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. Identificada à ausência de registro de depósitos na escrita contábil da empresa cabe ao contribuinte apontar a sua origem e justificar a sua não escrituração. O efeito de sua desídia consiste na atribuição aos valores não justificados a condição de receitas omitidas, a teor do art. 42 da lei 110 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. RENDA CONSUMIDA. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF nº 26). EXCLUSÃO DO SIMPLES. FATURAMENTO ACIMA DO LIMITE. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 18 84 /2 01 2- 98 Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 518 2 A presunção de omissão de receitas não ilidida pela contribuinte gera o efeito de estipularse a receita bruta anual da empresa neste mesmo valor. Ultrapassado o limite legal anual para se manter no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte SIMPLES, correta a sua exclusão. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Contribuição para a Seguridade Social INSS SIMPLES Em se tratando de bases de cálculo originárias das infrações na apuração do “quantum” devido na sistemática do SIMPLES, deve ser observado para os lançamentos decorrentes o que foi decidido para o lançamento principal, no que couber. INCONSTITUCIONALIDADE OU ILEGALIDADE. LEI OU ATO NORMATIVO. APRECIAÇÃO. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula Carf nº 2), isso porque, a instância administrativa não é foro apropriado para discussões desta natureza, pois qualquer discussão sobre a constitucionalidade e/ou ilegalidade de normas jurídicas deve ser submetida ao crivo do Poder Judiciário que detém, com exclusividade, a prerrogativa dos mecanismos de controle repressivo de constitucionalidade, regulados pela própria Constituição Federal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção do CARF, por unanimidade rejeitar às preliminares e, no mérito negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que acompanham o presente julgado. Vencido o Conselheiro Maurício Pereira Faro apenas quanto a manutenção da qualificação da multa. O Conselheiro Alexandre Antonio Alkmim Teixeira votou pelas conclusões. Jorge Celso Freire da Silva Presidente (assinado digitalmente) Sergio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Celso Freira da Silva (presidente), Antônio Bezerra Neto, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Maurício Pereira Faro e Sérgio Luiz Bezerra Presta (Relator). Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 519 3 Relatório Por bem descrever os fatos relativos ao contencioso, adoto parte do relato do órgão julgador de primeira instância administrativa constante do acórdão nº 0247.902 proferido pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG, constante das fls. 1.421 e segs, até aquela fase: “Aos 9 de julho de 2012, foi lavrada na DRF de origem a “Representação Fiscal – Exclusão do Simples Nacional” de fls. 2 a 4, nos seguintes termos: [...] Consoante denuncia o extrato do sistema CNPJ, a contribuinte em questão aderiu ao SIMPLES NACIONAL, na condição de Micro Empresa, a partir de 01/01/2007. Portanto, nos anos abrangidos pela fiscalização (2009 e 2010), mantevese enquadrada neste regime simplificado de tributação. As verificações implementadas no curso da auditoria indicam a ocorrência de infração de omissão de receitas, culminando na receita acumulada conforme retratado no quadro demonstrativo a seguir: Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 520 4 Assim, a empresa sob fiscalização auferiu, no decorrer dos anoscalendário de 2009 e 2010, receita bruta em montante superior ao estabelecido para enquadramento no SIMPLES NACIONAL, na condição de Micro Empresa. Após regularmente intimada a esclarecer tais fatos, a empresa não se manifestou satisfatoriamente de forma a elucidar a origem da grande maioria dos depósitos (e ingressos similares) em suas contas bancárias. Sendo assim, conforme preconizado pela legislação (art. 42 da Lei 9.430/96), tais recursos passam a serem considerados receita da atividade, nos totais listados. Além disso, contrariando a legislação, a fiscalizada apresentou Livro Razão, no qual a conta “CAIXA” não contempla a escrituração da movimentação bancária da empresa, e no qual não há escrituração de qualquer conta onde tal movimentação tenha sido registrada. Diante do exposto, como a empresa infringiu o art. 29, incisos V e VIII, da Lei Complementar nº 123/2006, ao optar e permanecer no SIMPLES NACIONAL, na condição de Micro Empresa, excedendo no ano de 2009 o limite estabelecido e deixando de escriturar sistematicamente sua movimentação bancária, propomos que, fundamentado no art. 29, § 9°, da referida Lei Complementar, a mesma seja excluída do SIMPLES NACIONAL a partir de 01/01/2009. À fl. 1.147, deparase com o ADE – Ato Declaratório Executivo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 111, de 10 de julho de 2012, assim redigido: O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLlS [...], declara: Art. 1° O contribuinte TRANSPORTES PAIS E FILHOS LTDA ME, CNPJ 02.087.876/000142, excluído do Regime especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional pela falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e por ter sido constatada pratica reiterada à Lei Complementar nº 123/2006, fatos que importam na sua exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento no artigo 29, incisos V e VIII, da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme disposto no artigo 29, § 1º, da Lei Complementar 123/06, facultada a Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 521 5 apresentação de manifestação de inconformidade, no prazo de 30 (trinta) dias da ciência, à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis SC. A interessada tomou ciência deste ADE em 19 de julho de 2012 (fl. 1.233), mas não se manifestou a respeito. Em 10 de julho de 2012, foram lavrados os Autos de Infração de fls. 1.148 a 1.223, que exigem o pagamento de IRPJ – Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica, CSLL – Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, COFINS – Contribuição para Financiamento da Seguridade Social e PIS – Contribuição para o Programa de Integração Social, no montante de R$ 3.653.216,62 (três milhões, seiscentos e cinqüenta e três mil, duzentos e dezesseis reais e sessenta e dois centavos), como segue: O Termo de Verificação Fiscal (TVF) de fls. 1.224 a 1.232 consigna que a interessada foi intimada a exibir [...] Livro Caixa, ou Diário/Razão, que contemplasse a movimentação bancária, uma vez que a conta “CAIXA”, registrada no livro Razão apresentado (fls. 815/863) não apresenta nenhum registro dessa movimentação. Esclarece também que a empresa apresentou extratos bancários, os quais, ao exame, revelaram grande discrepância entre “as receitas declaradas (fls. 17/46) e a movimentação bancária”. Intimada a esclarecer tais diferenças, a interessada [...] apresenta justificativas sobre parte dos valores questionados, que seriam oriundos de transferências entre contas correntes da própria empresa, dentre outras justificativas. Tais justificativas compõem fls. 865 a 996; após análise, alguns valores foram considerados justificados, conforme peça de fls. 997 e 998, e excluídos do levantamento inicial. Isto feito, realizouse o lançamento de ofício do crédito tributário correspondente à receita considerada omitida. O Autor do feito tece algumas considerações sobre o Simples Nacional e acrescenta que [...] a empresa sob fiscalização deixou de atender de forma contumaz à legislação a qual se submetia no âmbito dos tributos federais, tanto pelo excesso de receitas auferidas, como pela falta de cumprimento de obrigação acessória. Prosseguindo, esclarece que, ocorrida a exclusão, a pessoa jurídica passa a submeterse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas e conclui: Desta forma, diante da impossibilidade de apuração dos lucros pela sistemática do Lucro Real ou do Lucro Presumido, seja pela falta de apresentação de livros e Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 522 6 documentos obrigatórios, ou pela deficiência dos apontamentos registrados nos livros existentes, a tributação darseá pela sistemática do lucro arbitrado, conforme previsto no RIR/99 (Decreto 3.000/99): [...] Com base em tudo que foi apurado no curso da presente auditoria, considerouse a receita bruta conhecida do ano calendário de 2005 como sendo aquela declarada pela sistemática do SIMPLES NACIONAL, e os valores excedentes, apurados a partir da movimentação bancária como receita omitida. A interessada tomou ciência destes autos de infração em 12 de julho de 2012, segundo Termo de fl. 1.234, e, em 2 de agosto de 2012, apresentou a impugnação de fls. 1.237 a 1.246, alegando, em resumo, o que segue. Principia recordando o teor do parágrafo único do artigo 142 do CTN – Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, denominada Código Tributário Nacional, discorre sobre as obrigações "ex lege" e "ex voluntate" e conclui: Em resumo, para que se configure uma obrigação tributária há necessidade de o fato estar descrito na lei e que este ocorra concretamente no mundo fenomênico. [...] Por isso não é admissível, em matéria tributária, exigência de tributo com base em mera suposição, com base unicamente em depósitos bancários. O ônus da prova compete, pois, a quem alega, no caso específico, ao Fisco. A inversão da prova é repudiada pela administração tributária. Desta forma, existe, pois, a necessidade cabal de prova evidente, por parte do Fisco, de "indícios de falhas, incorreções ou omissões", conforme preceitua o parágrafo 4º, do artigo 5º, da Lei Complementar n° 105/2001. Ademais, o montante do depósito não configura, por si só, necessariamente, uma renda tributável, conforme definição constante no artigo 43, do Código Tributário Nacional. [...] Consequentemente, dado o entendimento de que os extratos bancários, por si sós, não constituem prova absoluta de omissão de receita, ou seja, "sinais exteriores de riqueza", o lançamento tributário é nulo. [...] Um dos requisitos básicos previstos no artigo 142 do Código Tributário Nacional, para a constituição do lançamento, é a determinação da "matéria tributável". [...] De se observar, portanto, que o lançamento tributário requer prova segura da ocorrência do fato gerador, alegado pelo Fisco, ou seja, em tais casos a jurisprudência administrativa determina o aprofundamento da fiscalização, para “obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis à constituição do crédito tributário”. [...] Considerouse os depósitos bancários como "receita omitida". Todavia, conforme Anexo 01 e levando em conta que os depósitos referemse aos anos de 2009 e 2010, o que dificulta a sua análise em virtude do decurso do prazo, e, ainda, o pouco tempo para essa análise, verificase, entretanto, como Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 523 7 demonstrado no Anexo 02: transferências de depósitos entre bancos, reembolso de seguro, pagamento de fornecedores (que deve ser excluído das "receitas de atividade") e valor incorreto (em 14.10.2009Bradesco). Do arbitramento das receitas da atividade O arbitramento das receitas da atividade, por ser decorrente, deve ser cancelado, pois tais receitas estavam devidamente escrituradas, não se justificando serem arbitradas. Da CSSL, Pis e Cofins Tratandose de lançamentos decorrentes, o que for decidido em relação ao principal, IRPJ, deve ser transferido aos lançamentos reflexos. DO PEDIDO Ante o exposto requerse que a) seja cancelada a exigência tributária; b) seja a decisão comunicada a esta advogada vinculada aos autos. A interessada junta excertos doutrinários e jurisprudenciais”. A 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG na sessão de 29/08/2013, ao analisar a impugnação apresentada, proferiu o acórdão n° 0247.902 entendendo “por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.”, sob argumentos assim ementados: “ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Exercício: 2009 EXCLUSÃO DE OFÍCIO Dentre as hipóteses de exclusão de ofício das empresas optantes, encontramse a de prática reiterada de infração às regras do Simples Nacional e a escrituração ausente ou incompleta do livrocaixa, que impeça identificação da movimentação financeira, inclusive bancária. RITO PROCESSUAL O contencioso administrativo relativo ao Simples Nacional na esfera da União é regido pelo respectivo rito processual. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A ausência de manifestação de inconformidade do contribuinte contra sua exclusão do Simples Nacional tornaa definitiva. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2010 REQUISITOS DA IMPUGNAÇÃO Argumentos genéricos não podem ser acolhidos, pois a lei exige que a impugnação detalhe os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. AUSÊNCIA DE IMPUGNAÇÃO Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2010 Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 524 8 DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, cuja origem o titular, regularmente intimado, não comprove, apresentando documentação hábil e idônea. ARBITRAMENTO O IRPJ será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária. JURISPRUDÊNCIA E DOUTRINA Com as ressalvas da lei, a jurisprudência e a doutrina não vinculam a autoridade tributária judicante de primeira instância. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido”. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/09/2013 (AR constante das fls. 1.437), a TRANSPORTES PAIS E FILHOS LTDA ME, qualificada nos autos em epígrafe, inconformada com a decisão contida no Acórdão nº 0247.902, apresenta recurso voluntário em 22/10/2013, constante das fls 1.439 e segs, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais objetivando a reforma do julgado reiterando os argumentos da peça impugnativa, mas sem acrescentar novos argumentos em decorrência da decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG. Na referência às folhas dos autos considerei a numeração do processo eletrônico (eprocesso). É o relatório do essencial. Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 525 9 Voto Conselheiro SEGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Relator Observando o que determina os arts. 5º e 33 ambos do Decreto nº. 70.235/1972 conheço a tempestividade do recurso voluntário apresentado, preenchendo os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele, portanto tomo conhecimento. Antes de entrar no mérito, esclareço que mesmo diante dos argumentos e também da base legal constante da decisão contida no Acórdão nº 0247.902, a Recorrente, no recurso voluntário, limitouse a reproduzir, “ipsis literis” as preliminares constantes da peça impugnatória sem apresentar nenhum argumento ou fato que fosse de encontro a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG. Na verdade não houve qualquer insurreição contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada; continuou separando os recursos por tributo. Assim procedendo, a Recorrente feriu o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem ser dialéticos e discursivos; devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. Na verdade o princípio da dialeticidade consiste no dever do recorrente de indicar todas as razões de direito e de fato que dão base ao seu recurso, visto ser impossível ao CARF avaliar os vícios existentes na decisão de primeiro grau, sem que o interessado apresente e comprove todas as suas razões. Sobre o assunto, leciona Nelson Nery Júnior: “(...) o recurso deverá ser dialético, isto é, discursivo. O recorrente deverá declinar o porquê do pedido de reexame da decisão. (...) As razões do recurso são elemento indispensável a que o tribunal, para o qual se dirige, possa julgar o mérito do recurso, ponderandoas em confronto com os motivos da decisão recorrida. A sua falta acarreta o não conhecimento. Tendo em vista que o recurso visa, precipuamente, modificar ou anular a decisão considerada injusta ou ilegal, é necessária a apresentação das razões pelas quais se aponta a ilegalidade ou injustiça da referida decisão judicial” (Nelson Nery Júnior in “Teoria geral dos Recursos”. São Paulo; Ed. Revista dos Tribunais, 2004, p. 176 e 177). Analisando o tema o Superior Tribunal de Justiça, assim decidiu “verbis”: “(...) o presente recurso não tem porte para infirmar a decisão recorrida, pois restringiuse o agravante, a reiterar ipsis literis, os motivos expendidos no especial; Consequentemente, o presente agravo não impugna, como seria de rigor, o fundamento da decisão recorrida, circunstância que obsta, por si só, o acolhimento da pretensão recursal” (AG nº. 479378/RJ, rel. Ministro Barros Monteiro, DJ de 14/2/2003). Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 526 10 “(...)Ao interpor o recurso de apelação, deve o recorrente impugnar especificamente os fundamentos da sentença, não sendo suficiente a mera remissão aos termos da petição inicial e a outros documentos constantes nos autos. Precedentes.” (REsp nº. 722.008/RJ, rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, j. em 22/5/2007). Diante a ação deliberada da Recorrente em desconsiderar todos os argumentos apresentados pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG para refutar as alegações, principalmente em relação às preliminares, na sessão de 29/08/2013, que ao analisar a peça impugnatória apresentada, proferiu o Acórdão nº 0247.902, meu entendimento inicial conduzia para não reconhecer do recurso voluntário. Porém, buscando o fim maior do processo administrativo fiscal, que é a verdade material, passo a analisar a decisão de decisão de primeiro grau como se o recurso estivesse posto. Assim, quanto às preliminares apresentadas na impugnação e repetidas no recurso voluntário mantendo a decisão da 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG pelos seus próprios fundamentos. Passando ao mérito, fazse necessário separar os pontos, tendo em vista que segundo a decisão da 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG “não se depara com nenhuma manifestação de inconformidade da interessada contra sua exclusão do Simples Nacional instituído pela Lei Complementar nº 123, de 2006; por conseguinte, se não houver manifestação de inconformidade não há litígio a este respeito, fazendose definitiva a exclusão da pessoa jurídica”. Diante desse fato, ratifico o entendimento do Acórdão nº 0247.902, de que não houve insurgência da Recorrente, quando da impugnação, da sua exclusão do Simples Nacional, assim, não pode ser considerada impugnada a referida exclusão, muito menos questionada em sede de recurso voluntário, como já decidiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF, em julgamento de 11 de março de 2010, consubstanciado através do Acórdão nº 910100.540, a seguir transcrito: “Assunto: CSSL Exercício: 2003 MULTA ISOLADA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo sujeito passivo, constituindose definitivamente o crédito tributário a ela referente. (...). Sobre o tema, considero precisa a avaliação de Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martínez Lopez (NEDER, Marcos Vinícius in “Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado”; 2ª ed.; São Paulo; Dialética; 2004; p. 78): Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 527 11 “(...)Se o contribuinte não contesta alguma exigência feita pelo Fisco, na fase de impugnação, não poderá mais contestála no recurso voluntário. A preclusão ocorre com relação à pretensão de impugnar ou recorrer à instância superior”. Por conta disso e como a questão em tela passa pelos efeitos da exclusão Simples Nacional. De acordo com o art. 29 da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, a pessoa jurídica excluída do Simples Nacional se sujeita, a partir do período em que se processarem os efeitos da exclusão, às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Sobre os efeitos da exclusão, o encontramos às fls. 1.147 dos autos o ADE – Ato Declaratório Executivo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 111, de 10 de julho de 2012, com a seguinte redação: “Ato Declaratório Executivo Ato Declaratório Executivo DRF/FNS nº 111, de 10 de julho de 2012 O DELEGADO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLlS [...], declara: Art. 1° O contribuinte TRANSPORTES PAIS E FILHOS LTDA ME, CNPJ 02.087.876/000142, excluído do Regime especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – Simples Nacional pela falta de escrituração do livrocaixa ou por não permitir a identificação da movimentação financeira, inclusive bancária e por ter sido constatada pratica reiterada à Lei Complementar nº 123/2006, fatos que importam na sua exclusão de ofício do Simples Nacional, com fundamento no artigo 29, incisos V e VIII, da Lei Complementar n° 123 de 14 de dezembro de 2006. Art. 2° A presente exclusão surtirá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2009, conforme disposto no artigo 29, § 1º, da Lei Complementar 123/06. (...)” No presente caso a exclusão teve seus efeitos desde 1º/01/2009. Portanto, a Recorrente deveria observar as normas relativas às demais pessoas jurídicas desde janeiro de 2009. E, como hoje a preclusão da exclusão do Simples Nacional por inércia e desídia da Recorrente, não existem argumentos para que, a partir de janeiro de 2009, a apuração dos tributos volta a sistemática adotada pelas demais pessoas jurídicas. Ultrapassado esse ponto, observando o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.224 e segs), constatase a existência de depósitos realizados em contas bancárias mantidas à margem da escrituração e tributação pela Recorrente (fls. 1.226 a 1.228), conforme visto abaixo: “4 DA OMISSÃO DE RECEITAS A partir dos extratos bancários verificouse uma significativa divergência entre os valores depositados e a receita bruta declarada pela contribuinte em suas declarações dos anoscalendário de 2009 e 2010. Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 528 12 Mediante a disponibilização de demonstrativos com valores extraídos dos extratos bancários para a empresa, a mesma foi intimada a esclarecer a origem de tais recursos, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea (fls. 638/779). A empresa, mediante levantamento de fls. 864/996, apresenta justificativas sobre parte dos valores questionados, que seriam oriundos de transferências entre contas correntes da própria empresa, dentre outras justificativas. Uma análise dos extratos permitiu que se confirmasse a veracidade de parte dessas informações. Relativamente ao banco Bradesco, os esclarecimentos apresentados foram listados nas planilhas de fls. 997/998, onde há indicação de quais valores foram considerados comprovados após a análise dos extratos, uma vez que não foram apresentados quaisquer documentos para embasar as justificativas da empresa. Os esclarecimentos relativos aos bancos CEF e SICOOB, por sua vez, não puderam ser confirmados pela análise dos extratos e, considerando que não houve apresentação de documentos comprobatórios, foram desconsiderados. Assim sendo, os valores comprovados foram devidamente retirados do levantamento inicial, a partir do qual elaborouse o demonstrativo consolidado de fls. 999/1144. Diante do exposto, com base no preconizado na legislação vigente, temse que os valores depositados em Conta Bancária mantida pela empresa, e cuja origem não foi devidamente comprovada, representam receita omitida: a) Lei nº 9.430 de 1996: ‘Art. 42. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo do imposto a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados os decorrentes de transferência de outras contas da própria pessoa jurídica.” b) Lei nº 9.249, de 1995: ‘Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no período de apuração a que corresponder a omissão’. Assim, relativamente aos anoscalendário 2009 e 2010, serão constituídos de ofício os créditos correspondentes a essa receita omitida, nos montantes que compõem o demonstrativo consolidado (fls. 1145)”. Nas fls. 1.145 dos autos, encontramos o seguinte demonstrativo: Fl. 1463DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 529 13 Analisando os números, que não foram contestados pela Recorrente, chego ao seguinte resumo: Mesmo diante da consistência dos números apresentados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.224 e segs), a peça recursal apresentada pela Recorrente, que nada mais é do que uma copia da impugnação, contudo não encontrei nos autos qualquer comprovação que a Recorrente tenha conseguido comprovar essa tese; muito menos que a contabilidade tenha espelhado tais operações. Fl. 1464DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 530 14 Isso simplesmente não aconteceu, segundo as informações e os documentos constantes dos autos. Na verdade, o lançamento de ofício restringiuse à receita bruta omitida (depósitos bancários sem origem); e caberia a Recorrente comprovar as suas alegações; o que não o fez. O que aconteceu foi que a Recorrente, mesmo tendo sido intimada para a apresentação dos documentos simplesmente silenciou, tendo sido reintimada, nada apresentou. Porém, depois da prestação das informações pela instituição financeira, a fiscalização procedeu ‘filtros’ nas informações para conter apenas os créditos ocorridos nas contas correntes, excetuados os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa jurídica chegando ao montante omitido, nos exercícios de 2009 e 2010, de R$ 25.671.347,81 (vinte e cinco milhões, seiscentos e setenta e um mil, trezentos e quarenta e sete reais e oitenta e um centavos), equivalente a 93,76% da receita dos dois anos, nos termos do § do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Houve a constatação que a Recorrente não registrou a movimentação bancária total na sua contabilidade (conta bancos conta movimento); ou seja, o Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.224 e segs) demonstra que apenas 6,24% da receita dos dois anos foi registrada na conta de resultados (prestação de serviço). A diferença (receita omitida) 93,76% da receita dos dois anos, transitou apenas por contas patrimoniais (com débito na conta bancos conta movimento e contrapartida de crédito na conta caixa, quando da entrada de recursos relativos às vendas omitidas; com reversão da operação contábil quando da saída dos recursos, nesse caso, também sem transitar pela conta de resultados – custos/despesas). Ou seja, apesar de registrar contabilmente a entrada dos recursos, apresentou à tributação, via contas de resultados, apenas parte da receita auferida no período. Desta forma e com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, não comporta restrições de qualquer ordem, sendo que é ônus exclusivo da Recorrente, comprovar e justificar a origem dos recursos movimentados em sua conta bancária, cabendo à autoridade fiscal tão somente relacionar os créditos e intimar regularmente o contribuinte. Conforme se constata, a autoridade fiscal cumpriu as determinações da norma legal, efetuando ajustes nos valores e expurgando aqueles que foram considerados comprovados ou não representavam novo ingresso de recursos. Ou seja, durante todo o curso do processo, cabia então a Recorrente, efetuar a comprovação demonstrando a origem dos créditos e depósitos, correlacionandoos eventualmente com a receita bruta já declarada e comprovando a origem um a um dos créditos/depósitos. Verificase que tal propósito ficou prejudicado com a ausência deliberada de informações durante todo o processo administrativo, fato que evidentemente acabou voltando se contra a própria Recorrente. E, como a questão dos autos trata de omissão de receita. Aqui temos que identificar se a conduta da Recorrente (ou a ausência dela) pode ser tipificada a luz do que determina o art. 42 da lei n°. 9.430/96, a seguir transcrito: Fl. 1465DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 531 15 “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. O Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.224 e segs) trouxe a tona uma serie de situações que, smj, não foram contestadas, até a presente data, pela Recorrente e o que levou a sua exclusão do simples. Até porque a questão dos autos nos leva a uma questão: Houve ou não suprimento de numerário? Mas, antes da minha resposta, gostaria de trazer a tona parte do voto proferido pela Ilustre Conselheira Selene Ferreira de Moraes, ExPresidente da 3ª Turma Especial, nos autos do processo administrativo nº. 11030.000713/200806, Acórdão nº. 180301.220, proferido na Sessão de 14 de março de 2012, da qual participei: “(...) Como já ressaltado no tópico acerca da nulidade da decisão recorrida, a controvérsia a ser analisada no recurso gira em torno da aplicação do art. 282 do RIR/99, e não da sua legalidade ou inconstitucionalidade. O crédito tributário relativo a esta infração foi constituído com fundamento no art. 282 do RIR/99: ‘Art. 282. Provada a omissão de receita, por indícios na escrituração do contribuinte ou qualquer outro elemento de prova, a autoridade tributária poderá arbitrála com base no valor dos recursos de caixa fornecidos à empresa por administradores, sócios da sociedade não anônima, titular da empresa individual, ou pelo acionista controlador da companhia, se a efetividade da entrega e a origem dos recursos não forem comprovadamente demonstradas (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 12, § 3º, e Decreto Lei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978, art. 1º, inciso II).’ Extraise do artigo em destaque, em sintonia com os princípios basilares da contabilidade, que o simples registro contábil não constitui elemento suficientemente comprobatório, devendo a escrituração ser fundamentada em comprovantes hábeis para a perfeita validade dos atos e fatos administrativos. Inexistindo nos autos prova documental da origem e entrega do suprimento de numerário efetuado pelos sócios à pessoa jurídica, é de se reconhecer a ocorrência de omissão de receitas. A ausência dos documentos que comprovem a efetividade da entrega dos recursos ao “CAIXA” constitui falha inaceitável tanto pela legislação comercial como pela legislação fiscal. A comprovação exigida nesse caso seria a exibição de cópias dos cheques entregues à Autora e extratos bancários demonstrando a sua compensação. Contrariamente ao que alega a recorrente, a fiscalização trouxe aos autos os indícios na escrituração previstos no art. 282, quais sejam, a existência de Fl. 1466DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 532 16 lançamentos de suprimentos de caixa efetuados por sócio, sem comprovação da origem dos recursos e da efetividade de sua entrega”. Porém, tomando emprestado e fazendo um paralelo, com a devida vênia e necessárias homenagens a Conselheira Selene Ferreira de Moraes, os argumentos acima, vejo que falta aos autos a comprovação da Recorrente apontado no Termo de Verificação Fiscal (fls. 586 e segs). Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Termo de Verificação Fiscal (fls. 1.224 e segs); e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos e o arbitramento. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG. Na verdade a Recorrente silenciou sobre os argumentos do Relatório de Ação Fiscal; e, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações para fins de determinar a base de cálculo na hipótese de omissão de rendimentos. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a omissão de receita e a consequente imputação tributária, não vejo como reparar a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo Horizonte MG. Entendo que a Recorrente não observou que um dos princípios que lastreiam o processo administrativo fiscal é o Principio da Legalidade, também denominado de legalidade objetiva. Tal princípio determina que o processo deverá ser instaurado nos estritos ditames da lei. Ou seja, na administração privada se pode fazer tudo que a lei não proíbe; já na administração pública só é permitido fazer o que a lei autoriza expressamente, como forma de se atender as exigências do bem comum. Em suma enquanto que para o particular a lei significa “pode fazer assim”, para o Administrador público significa “deve fazer assim”, a atividade administrativa é plenamente vinculada, é regrada pelos limites impostos pela própria lei. E, foi com base nesse principio que a autoridade fiscal solicitou a Recorrente que comprovasse a origem dos recursos depositados em sua conta corrente e que não tinham sido levados a tributação. Veja que poderia a Recorrente juntar suas alegações antes do julgamento da DRJ ou deste Conselho, tendo em vista que a prova no processo Administrativo Fiscal é de fundamental importância e deveria ser criteriosamente produzida pela Recorrente. Isso porque é através da prova o julgador administrativo forma sua convicção. Diante deste fato se poderia perguntar: “Qual o momento para a apresentação das provas no PAF?”. A resposta encontrase inserta nos Artigos 3º e 38 da Lei 9.784/99, a seguir transcrito: Fl. 1467DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 533 17 “Art. 3º. O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (…)” “Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo” E, caso tenha alguma duvida o Art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, assim determina: “Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)” Diante da legislação acima, é importante acentuar que a responsabilidade pela comprovação da verdade material caberia a Recorrente; e, para isso deveria buscar na legislação de regência o substrato legal para juntar as provas que entendesse como necessárias a defesa da conduta realizada; e, isso não o fez! E, observando tudo que consta dos autos, fazse necessário aplicar as determinações contidas na Súmula CARF nº 26 cumulada com a Súmula CARF nº 34, a seguir transcritas: “Súmula CARF nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada”. “Súmula CARF nº 34 Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas”. Aqui, não se está falando em indicio de receita tributável, mas em presunção definida em lei, que autoriza, no caso de ausência de comprovação por meios hábeis e idôneos, da existência de receita omitida pela Recorrente que, pela ausência de contestação, espontaneamente confessou a sua conduta. Fl. 1468DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 534 18 Ausência de atendimento às intimações lega a concluir que a Recorrente, deliberadamente, omitiu rendimentos e essa atitude, ou ausência dela, outorga, de forma indiscutível, a autoridade fiscal a atribuição dos valores não justificados a condição de receitas omitidas, como determina o art. 42 da Lei n° 9.430/1996. Neste sentido o CARF vem assim se posicionando, “verbis”: “Ementa: OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITO BANCÁRIO. Os valores creditados em conta bancária cuja origem não foi comprovada devem ser tributados como omissão de receitas da pessoa jurídica” (Processo nº. 10935.004082/200678, Recurso n° 157.047 Acórdão n° 110100.115 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de junho de 2009) Assim, na falta de outros elementos, o fisco pode utilizar o total das movimentações financeiras da Recorrente e as declarações das empresas de cartão de crédito, para fins de determinar a base de cálculo correta do Simples. Desta forma, pela ausência de documentos que possam contestar a tese de omissão de receita, não vejo como reparar a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG, na sessão de 29/08/2013, consubstanciada no Acórdão nº 0247.902. Diante dessa realidade e com lastro no que determina o art. 47, inciso III, da Lei nº 8.981/95, correto o arbitramento do lucro com o fito de determinar a base de cálculo do IRPJ e da CSLL e não merecendo qualquer reforma a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG. Percebese claramente no relato constante do no termo de verificação fiscal que deliberadamente a Recorrente não disponibilizou para a fiscalização o adequado registro contábil de suas operações, apto a amparar o regime de tributação adotado, no caso, o lucro presumido, e, não o fazendo, submetese ao disposto na norma. Ora, incorre em preclusão lógica comportamento no qual a contribuinte mostrase negligente no cumprimento de suas obrigações acessórias, motiva o arbitramento, e, em seguida, depois consumada a situação, alega que teria incorrido em equívoco e apresenta escrituração adequada. Não por acaso o arbitramento condicional é rechaçado pela jurisprudência deste tribunal administrativo, como se pode observar pela jurisprudência já pacificada, dentre elas, transcrevo, em primeiro ponto, o julgamento do Processo nº 19740.000209/200801, julgado em 11/09/2013 por essa 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da desta 1ª Seção de Julgamento e que foi materializado através do Acórdão nº. 1401001.043, da lavra do Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, do qual participei e transcrita a seguir: “IRPJ.CSLL. ARBITRAMENTO. FALTA DE APRESENTAÇÃO DE LIVROS FISCAIS E CONTÁBEIS. É cabível o arbitramento do lucro se a pessoa jurídica, durante a ação fiscal, deixar de exibir a escrituração que a ampararia na tributação com base no lucro real. ARBITRAMENTO. INCONDICIONALIDADE. Inexiste arbitramento condicional, sendo inócua a pretensão do contribuinte em apresentar Fl. 1469DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 535 19 a escrituração depois do lançamento para efeito de verificação da apuração do lucro real”. (Acórdão nº. 1401001.043, Sessão de 11/09/2013 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária); “IRPJ. ARBITRAMENTO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS O LANÇAMENTO. ARBITRAMENTO CONDICIONAL. IMPOSSIBILIDADE. O ato administrativo de lançamento não é modificável pela posterior apresentação de escrituração/documentação/livros auxiliares/de Inventário, uma vez que inexiste arbitramento condicional”. (Acórdão 140201.097, Sessão de 03/07/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) “ARBITRAMENTO CONDICIONAL DO LUCRO. Inexiste arbitramento condicional. Logo, o ato administrativo de lançamento desse natureza não é modificável pela posterior apresentação do documentário cuja inexistência e/ou recusa foi a causa do arbitramento”. (Acórdão 140200.985, Sessão de 11/04/2012 – 1ª Seção / 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) “ARBITRAMENTO DO LUCRO. APRESENTAÇÃO DE ESCRITURAÇÃO EM FASE DE JULGAMENTO. A apresentação de livros e documentos somente na fase de julgamento, não tem o condão de invalidar o lançamento de ofício efetuado com base no arbitramento do lucro, pois não existe arbitramento condicional”. (Acórdão 180200.775, Sessão de 25/01/2011 – 1ª Seção / 2ª Turma Especial) “APRESENTAÇÃO DE LIVROS E DOCUMENTOS DE ESCRITURAÇÃO APÓS A LAVRATURA DO AUTO DE INFRAÇÃO. INEXISTÊNCIA DE ARBITRAMENTO CONDICIONAL. A apresentação de livros e documentos de escrituração contábil fiscal após a lavratura do auto de infração é inócua para fins de descaracterização do arbitramento ex officio de lucros da pessoa jurídica, tendo em vista que a adoção desse regime de tributação (arbitramento) pela autoridade fiscal não constitui medida condicional”. (Acórdão 110100.145, Sessão de 19/06/2009 – 1ª Seção / 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária) Diante dos fatos narrados e de ausência da apresentação dos livros necessários para tributação com base no lucro presumido, quais sejam, os livros exigidos pela legislação comercial ou, na ausência destes, os Livros Caixa e/ou Diário e Razão do ano calendário 2009, na forma que determina o art. 45 da Lei nº 8.981/95 não merecendo qualquer reforma a decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG. Já no que se refere à alegada inconstitucionalidade levantada pela Recorrente, aplicase a Súmula Carf nº 2, assim redigida: “Súmula Carf nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Fl. 1470DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA Processo nº 11516.721884/201298 Acórdão n.º 1401001.314 S1C4T1 Fl. 536 20 Quanto aos lançamentos relativos a o PIS, COFINS e a CSLL, cumpre que se dê aqui, o mesmo tratamento dado ao lançamento principal referente ao IRPJ. É que em face da decorrência daquele em relação a estes, e da inexistência de alegações especificamente dirigidas contra estas exações, tal tratamento se impõe. Assim, diante do exposto, observando tudo que consta nos autos, entendo que a 4ª Turma da DRJ/Belo HorizonteMG deve ser mantida integralmente, voto no sentindo de negar provimento ao Recurso para manter a imposição tributária. Sérgio Luiz Bezerra Presta Relator (assinado digitalmente) Fl. 1471DF CARF MF Impresso em 24/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA, Assinado digitalmente em 23/1 0/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por SERGIO LUIZ BEZERRA PRESTA
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Numero do processo: 19515.004006/2010-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 19/11/2010
CONEXÃO. AUTOS LANÇADOS EM UM ÚNICO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. OS AUTOS REPUTADOS CONEXOS EXIGEM TRIBUTOS DISTINTOS E MULTAS TRIBUTÁRIAS DE DIFERENTES ORIGENS. A EMPRESA RECORRENTE DEPOIS DE INTIMADA DEIXOU DE APRESENTAR OS ESCLARECIMENTOS, INFORMAÇÕES E PARTE DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. SITUAÇÃO QUE POR SI SÓ ENSEJA A APLICAÇÃO DE SANÇÃO. MULTA. POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. SELIC APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STJ E STF. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA SUSPENSÃO AO CONTRÁRIO DO ALEGADO EXISTENTE PREVISÃO LEGAL PARA A COBRANÇA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E IGUALDADE DE TRATAMENTO CONTRIBUINTE/FISCO, VISANDO EVITAR LESÃO AO BEM DA SOCIEDADE.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2803-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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Recorrente FIDELIDADE CONSULTOIRA EM INFORMÁTICA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 19/11/2010 CONEXÃO. AUTOS LANÇADOS EM UM ÚNICO PROCEDIMENTO FISCAL. INEXISTÊNCIA. OS AUTOS REPUTADOS CONEXOS EXIGEM TRIBUTOS DISTINTOS E MULTAS TRIBUTÁRIAS DE DIFERENTES ORIGENS. A EMPRESA RECORRENTE DEPOIS DE INTIMADA DEIXOU DE APRESENTAR OS ESCLARECIMENTOS, INFORMAÇÕES E PARTE DOS DOCUMENTOS SOLICITADOS. SITUAÇÃO QUE POR SI SÓ ENSEJA A APLICAÇÃO DE SANÇÃO. MULTA. POR DESCUMPRIMENTO DE DEVER INSTRUMENTAL. SELIC APLICABILIDADE RECONHECIDA PELO STJ E STF. SUSPENSÃO DOS JUROS MORATÓRIOS NO CURSO DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL DA SUSPENSÃO AO CONTRÁRIO DO ALEGADO EXISTENTE PREVISÃO LEGAL PARA A COBRANÇA. APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA ISONOMIA E IGUALDADE DE TRATAMENTO CONTRIBUINTE/FISCO, VISANDO EVITAR LESÃO AO BEM DA SOCIEDADE. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 40 06 /2 01 0- 64 Fl. 183DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 184 2 (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira Santos, Oseas Coimbra Júnior, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 185 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Acessória AIOA DEBCAD 37.255.8470 CFL.35, deixar a empresa de prestar à Secretaria da Receita Federal do Brasil todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse da mesma, na forma por ele estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários a fiscalização, conforme previsto na Lei n. 8.212, de 24.07.91, art. 32, III, e parágrafo 11, com a redação da MP n. 449, de 03.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 27.05.2009, combinado com o art. 225, III, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99, conforme Relatório Fiscal da Infração – REFISC, de fls. 14, com período de apuração de 01/2006 a 12/2006, segundo Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/11/2010, conforme Histórico de Objeto, de fls. 97. O contribuinte apresentou petição de defesa, as fls. 65, recebida, em 23/12/2010, com razões impugnatórias acostadas, as fls. 66 a 69, acompanhada dos documentos, de fls. 70 a 96. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 131. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1638.793 11ª, Turma DRJ/RJ1, em 15/05/2012, fls. 135 a 149. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 11/12/2012, conforme Termo de Ciência, de fls. 156. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 160, recebido, em 09/01/2013, carimbo de recepção, de fls. 160, com razões recursais, as fls. 161 a 178, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que há conexão entre os autos Nº 19515.003987/201022 – DEBCAD 37.255.8445; Nº 19515.00406/201064 – DEBCAD 37.255.8470 – CFL.35, Nº 19515.004012/201011, multa isolada IRRF e Nº 19515.003426/201023, IRPJ e reflexos, o que foi reconhecido pela DRJ, bem como por terem sido emitidos na mesma ação fiscal determinada pelo MPF; · que a análise pela DRJ, ainda, que indireta das alegações da defesa apresentada no processo 19515.004012/201011 demonstra a conexão, não sendo o lucro distribuído aos sócios prólabore o crédito é improcedente; Fl. 185DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 186 4 · que a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória é improcedente, pois os lucros distribuídos não são remuneração pró labore e assim não poderiam constar da GFIP, bem como foram apuradas em procedimento fiscal, só podendo ser declaradas depois de apuradas pelo fisco; · que a suposta infração decorre do fato da fiscalização ter caracterizado o lucro distribuído no regime da tributação do lucro presumido como prólabore, tendo a recorrente envidado todos os esforços para cumprir as intimações fiscais, o que foi reconhecido pela decisão objurgada, só não apresentado as informações de forma conclusiva, por não dispor de tais elementos, mas tal fato não obstaculizou os trabalhos fiscais, que resultaram na lavratura de vários autos, devendo a autoridade fiscal observar o artigo 116, inciso III, da Lei 8.112/90, os princípios estabelecidos na Carta Magna, bem como o artigo 2º, da Lei 9.784/99; · que a recorrente entende não haver motivação razoável a permitir a aplicação de multa pelo simples fato desta não ter tido condições materiais de dar pleno cumprimento as múltiplas intimações, tendo a recorrente apresentado todas as informações, ainda, que de forma inconclusiva, cabendo a declaração de improcedência da autuação; · que com base na Lei 9.784/99 o cidadão contribuinte pode buscar todos os meios de provas lícitas, requerer diligências, perícias, juntar novos elementos e etc; · que a taxa SELIC não deve ser aplicada ao presente, devendo os juros moratórios serem limitados a 1% ao mês; · que os juros moratórios não devem incidir no curso do processo administrativo, sendo que o artigo 27, do Decreto 70.235/72, na redação da Lei 9.532/97 diz que os processos serão julgados na ordem e nos prazos estabelecidos em ato do Secretário da Receita Federal, o que foi disciplinado pela PT 454/2004; · Dos requerimentos e requerimentos: a) que a razões de mérito sejam acolhidas, reconhecendose a improcedência da autuação; b) que acaso mantido o lançamento, ainda, que parcialmente, seja afastada a aplicação da SELIC; c) que a incidência dos juros moratórios seja suspensos no curso do contencioso; d) protesta pela produção de novos argumentos de fato e direito, provas, diligência, perícias, se necessárias. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 180 e 181. O processo foi remetido ao CARF, fls. 412. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 20/03/2014, Lote 01, fls. 182. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 187 5 É o Relatório. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 188 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. Ao contrário do que alega a recorrente a I. Relatora em momento algum reconheceu a existência conexão ou intima relação entre os autos emitidos em função de um único procedimento fiscal, basta ler o que a seguir transcrito. Assim, a referida Lei nº 8.212/1991 dispõe sobre a organização da Seguridade Social e o plano de seu custeio, fundado em contribuições, espécie tributária da qual o imposto de renda não faz parte. Assim, não há vínculo necessário entre o presente julgado e a orientação decisória que se adotará quanto à exigência da multa e juros isolados, por descumprimento da legislação do IRRF, devendose reconhecer a cada um dos lançamentos a independência material e processual que essa diferença lhes confere. Desse modo, não deve ser acatado o pedido da Impugnante de que o presente processo seja apensado ao de nº 19515.004012/201011, pois são processos administrativo fiscais autônomos. Além do que dito acima, a contribuição previdenciária não é reflexo de IRPJ ou IRRF, pois o fato gerador e a base de cálculo destes e da contribuição social previdenciária são distintas, como consta to artigo 195, I, “a” e II, em relação a contribuição previdenciária. A decisão de primeiro grau apenas faz menção a defesa apresentada no processo 10.915.004012/201011, para esclarecer que a defesa transposta do citado processo para esse, fls. 98 a 124, não interessa a esses autos, não havendo razão para a apensação dos autos. Deve ser salientado que os argumentos trazidos na impugnação apresentada no processo nº 19515.004012/201011, em relação à natureza jurídica dos valores pagos ao sócios, se pro labore ou distribuição de lucros, não têm qualquer relevância na discussão da presente autuação. Observase que independentemente da empresa ter cumprido com suas obrigações, no que tange ao recolhimento das contribuições devidas à Seguridade Social (obrigação principal), a lei estipula que durante a ação fiscal a empresa é obrigada a prestar informações e esclarecimentos, devidamente solicitados pela autoridade fiscal. Ou seja, a prática omissiva caracterizada pela não apresentação de informações e esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, por si só, de acordo com a lei, enseja a aplicação da penalidade. Fl. 188DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 189 7 É irrelevante para o presente auto de infração a parcela excedente do lucro que fora distribuído acima do permissivo legal, tenha sido considerado prólabore, no regime da tributação do lucro presumido, pois a infração nada tem a ver com isso. O presente auto decorre unicamente do fato de a empresa não ter atendido as intimações do fisco em prestar todos as informações, esclarecimentos e documentos por ele solicitado, basta ler a passagem transcrita. 5. A empresa apresentou esclarecimentos informando que se tratavam de transferências aos sócios a titulo de distribuição de lucros. Informou também não ser possível identificar os beneficiários e respectivos valores de cada transferência por não estarem na base de dados. 6. Apesar de intimada, a empresa também não apresentou todos os contratos de prestação de serviço e aditivos, com a vinculação ao sócio que efetivamente prestou o serviço. Aliás, quando do julgamento da impugnação na DRJ essa situação foi esclarecida, veja a passagem. Ou seja, a prática omissiva caracterizada pela não apresentação de informações e esclarecimentos solicitados pela Fiscalização, por si só, de acordo com a lei, enseja a aplicação da penalidade. Assim, constatada a prática da infração (não apresentação de informações e esclarecimentos) a lavratura do Auto de Infração se impõe, independentemente da Fiscalização constatar a ausência do recolhimento de contribuições ou outros tributos (obrigação principal), ou mesmo a prática de outras infrações. Também, é irrelevante o motivo pelo qual o contribuinte não cumpriu as intimações e não prestou os esclarecimentos, informações, bem como por que não apresentou os documentos solicitados, aplicase aqui o artigo 136, da Lei 5.172/66. O agente fiscal fez exatamente o que a lei manda, detectada a infração aplicou a multa, artigo 37, caput, da CRFB/88 c/c o artigo 142 e seu parágrafo único, da Lei 5.172/66 c/c o artigo 32, III, parágrafo 11, da Lei 8.212/91 c/c o artigo 116, III, da Lei 8112/90. O juízo de valor da recorrente em relação a sua conduta não é o suficiente para alterar o mandamento da lei. A lei é clara, a empresa é obrigada a cumprir determinadas obrigações, sejam prestações positivas ou negativas, e, não cumprindo a determinação legal fica sujeita a aplicação da sanção, foi o que ocorreu. Nos termos do artigo 16, IV, bem como seu parágrafo 4º, do Decreto 70.235/72 todos os elementos de provas, diligência, perícias e etc devem ser requeridas, suscitadas e apresentadas no momento da impugnação. A lei suscitada pela recorrente não se aplica ao PAF federal, uma vez que esse tem regramento próprio, veja a decisão colacionada. Fl. 189DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 190 8 EMENTA TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. 1. A duração razoável dos processos foi erigida como cláusula pétrea e direito fundamental pela Emenda Constitucional 45, de 2004, que acresceu ao art. 5º, o inciso LXXVIII, in verbis: "a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação." 2. A conclusão de processo administrativo em prazo razoável é corolário dos princípios da eficiência, da moralidade e da razoabilidade. (Precedentes: MS 13.584/DF, Rel. Ministro JORGE MUSSI, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 13/05/2009, Dje 26/06/2009; REsp 1091042/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/08/2009, DJe 21/08/2009; MS 13.545/DF, Rel. Ministra MARIA THEREZA DE ASSIS MOURA, TERCEIRA SEÇÃO, julgado em 29/10/2008, DJe 07/11/2008; Resp 690.819/RS, Rel. Ministro JOSÉ DELGADO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 22/02/2005, DJ 19/12/2005) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. 4. Ad argumentandum tantum , dadas as peculiaridades da seara fiscal, quiçá fosse possível a aplicação analógica em matéria tributária, caberia incidir à espécie o próprio Decreto 70.235/72, cujo art. 7º, § 2º, mais se aproxima do thema judicandum, in verbis: "Art. 7º O procedimento fiscal tem início com: (Vide Decreto nº 3.724, de 2001) I o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificado o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto; II a apreensão de mercadorias, documentos ou livros; III o começo de despacho aduaneiro de mercadoria importada. § 1° O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores e, independentemente de intimação a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. § 2° Para os efeitos do disposto no § 1º, os atos referidos nos incisos I e II valerão pelo prazo de sessenta dias, prorrogável, sucessivamente, por igual período, com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos." Fl. 190DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 191 9 5. A Lei n.° 11.457/07, com o escopo de suprir a lacuna legislativa existente, em seu art. 24, preceituou a obrigatoriedade de ser proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo dos pedidos, litteris: "Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte." 6. Deveras, ostentando o referido dispositivo legal natureza processual fiscal, há de ser aplicado imediatamente aos pedidos, defesas ou recursos administrativos pendentes. 7. Destarte, tanto para os requerimentos efetuados anteriormente à vigência da Lei 11.457/07, quanto aos pedidos protocolados após o advento do referido diploma legislativo, o prazo aplicável é de 360 dias a partir do protocolo dos pedidos (art. 24 da Lei 11.457/07). 8. O art. 535 do CPC resta incólume se o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. 9. Recurso especial parcialmente provido, para determinar a obediência ao prazo de 360 dias para conclusão do procedimento sub judice. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. RESP 1.138.206 – RS. Min. Relator Luiz Fux,data 09.08.2010 (o destaque é meu). A utilização da taxa SELIC é absolutamente admitida e normal na esfera tributária. O artigo 35, da Lei 8.212/91, assim o determinava, bem como é admitida pela Súmula 4 do CARF e pelos nossos tribunais superiores – STJ e STF. Aliás, o próprio CARF tem Súmula sobre o assunto. Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. O STJ assim se posiciona, sendo inclusive compatível com o artigo 161, § 1º da Lei 5.172/66 para este tribunal superior. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AFERIÇÃO DA NECESSIDADE DE PRODUÇÃO DE PROVA PERICIAL. ANÁLISE DOS REQUISITOS FORMAIS DA CDA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA N. 7/STJ. PAGAMENTO NÃO EFETUADO. NÃO OCORRÊNCIA DE DENÚNCIA ESPONTÂNEA. TAXA SELIC. LEGALIDADE. PRECEDENTE REGIDO PELA SISTEMÁTICA DO ART. 543C, DO CPC. 1. "Avaliar a necessidade da produção de prova pericial atrai o óbice contido na Súmula 7/STJ, haja vista tal providência demandar o revolvimento do substrato fáticoprobatório permeado nos autos" (AgRg no Ag Fl. 191DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 192 10 989.493/SP, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 23/06/2008). 2. A investigação acerca do preenchimento dos requisitos formais da CDA que aparelha a execução fiscal demanda, necessariamente, a revisão do substrato fático probatório contido nos autos, providência que não se coaduna com a via eleita, conforme vedação expressa da Súmula 7/STJ. 3. É inaplicável o benefício do art. 138 do CTN ao tributo confessado e nãopago pelo contribuinte. 4. A Primeira Seção desta Corte, quando do julgamento do REsp. n. 1.111.175/SP, de relatoria da Ministra Denise Arruda, pacificou entendimento, pela sistemática do art. 543C, do CPC, no sentido da legalidade da Taxa Selic, a qual incide sobre o crédito tributário a partir de 1º.1.1996 não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária tendo em vista que o art. 39, § 4º da Lei n. 9.250/95 preenche o requisito do § 1º do art. 161 do CTN. 5. O presente agravante regimental tratou, também, de questões diversas daquelas pacificadas em sede de recurso repetitivo, pelo que deixo de aplicar a multa prevista no § 2º do art. 557 do CPC. 6. Agravo regimental não provido.(AGA 200900895519, MAURO CAMPBELL MARQUES, STJ SEGUNDA TURMA, 28/09/2010) (grifo meu). A SELIC em recente julgamento do STF no sistema da Repercussão Geral Tema nº 214, no RE 212.209, em 08/06/2011, foi considerada cabível e compatível com a seara tributária, conforme sua página de notícias, assim pensa, também, o STJ, observese os textos. O Plenário do Supremo Tribunal Federal (SFT) ratificou, ontem, quartafeira (18), por maioria de votos, jurisprudência firmada em 1999, no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 212209, no sentido de que é constitucional a inclusão do valor do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) na sua própria base de cálculo. A decisão foi tomada no julgamento do Recurso Extraordinário (RE) 582461, interposto pela empresa Jaguary Engenharia, Mineração e Comércio Ltda .contra decisão do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo (TJSP), que entendeu que a inclusão do valor do ICMS na própria base de cálculo do tributo – também denominado “cálculo por dentro” – não configura dupla tributação nem afronta o princípio constitucional da não cumulatividade. No caso específico, a empresa contestava a aplicação, pelo governo de São Paulo, do disposto no artigo 33 da Lei paulista nº 6.374/89, segundo o qual o montante do ICMS integra sua própria base de cálculo. Súmula Em 23 de setembro de 2009, o Plenário do STF reconheceu repercussão geral à matéria suscitada no RE. Após a decisão do RE, o presidente da Corte, ministro Cezar Peluso, propôs que fosse editada uma súmula vinculante para orientar Fl. 192DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 193 11 as demais cortes nas futuras decisões de matéria análoga. Assim, uma comissão da Corte vai elaborar o texto da súmula para ser posteriormente submetido ao Plenário. O caso A decisão da Justiça paulista afastou a alegação da empresa de que o artigo 13, parágrafo 1º, da Lei Complementar (LC) nº 87/96 (que prevê a inclusão do valor do ICMS na sua própria base de cálculo), bem como o artigo 33 da lei paulista nº 6.374/89, no mesmo sentido, conflitariam com a Constituição Federal (CF) no que diz caber a lei complementar definir os fatos geradores, bases de cálculo e contribuintes dos impostos. Considerou legítima, ainda, a aplicação da taxa Selic e da multa de 20% sobre o valor do imposto corrigido. (grifos meus). Esta casa de justiça vem assim decidindo. EMBARGOS DECLARATÓRIOS – ESCLARECIMENTOS. Em se tratando de situação concreta a reclamar esclarecimentos, impõese prover os declaratórios sem o empréstimo de eficácia modificativa. TAXA SELIC – DÉBITO TRIBUTÁRIO. O Tribunal, na sessão plenária de 18 de maio de 2011, apreciando o Recurso Extraordinário nº 582.461/SP, assentou a legalidade da aplicação da taxa Selic para fins tributários. (AI 760894 AgRED, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 03/04/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe084 DIVULG 30042012 PUBLIC 02052012 RET v. 15, n. 85, 2012, p. 139141) (realce meu) Assim, não há razão para a exclusão dos juros SELIC. Inicialmente, podese dizer que não há previsão legal para a suspensão da fluência dos juros moratórios no curso do PAF e a Administração do qual o fisco é parte só pode agir na existência de previsão legal, artigo 37, caput, da CRFB/88. Ademais, a lei manda aplicar o juros até o mês anterior ao pagamento, veja o texto. Artigo 61, da Lei 9.430/96 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Por fim, e não menos importante por uma questão isonomia e igualdade das partes, nos termos da CRFB/88, pois o contribuinte, também, pode esperar até o limite legal para pleitear restituição, compensação ou reembolso e tendo o valor corrigido, sem que o fisco nada tenha feito para isso. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.004006/201064 Acórdão n.º 2803003.631 S2TE03 Fl. 194 12 Art. 89, da Lei 8.212/91. § 4o O valor a ser restituído ou compensado será acrescido de juros obtidos pela aplicação da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, a partir do mês subsequente ao do pagamento indevido ou a maior que o devido até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% (um por cento) relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). O CARF é órgão do Ministério da Fazenda fora da estrutura da RFB e assim não se subordina as determinações do secretário daquele órgão, aplicandose, exclusivamente, as DRJ e a prioridade é de distribuição e não julgamento, bem como a violação a tal previsão e nada afeta o crédito, pois esse não deixa de existir em razão do passagem do tempo. Indefiro o pedido de produção de novas provas, perícias, diligências e novos argumentos, pois um vez julgados o recurso voluntário, tal providência seria inócua, bem como tal pedido encontra limite no artigo 16, do Decreto 70.235/72. Assim sendo, rejeito todos os pedidos da recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, negarlhe provimento em razão da insubsistência das alegações. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 194DF CARF MF Impresso em 08/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/10/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10980.010302/2008-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2201-000.065
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah – Relator Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Eivanice Canário da Silva (Suplente Convocada) e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício 2005, consubstanciado na Notificação de Lançamento, fls. 18/20, pela qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 35.590,37. A fiscalização apurou omissão de rendimentos recebidos da Secretaria de Estado da Fazenda do Paraná, por meio do processo judicial nº 11.888/87, decorrentes de pagamento de pensões atrasadas no montante de R$ 170.627,75, dos quais a contribuinte só teria oferecido à tributação R$ 37.738,28. Cientificada do lançamento, a autuada apresentou tempestivamente Impugnação (fls. 01/13), alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: Fl. 166DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.010302/200819 Resolução n.º 2201000.065 S2C2T1 Fl. 2 2 Informa que, junto com os filhos, impetrou ação de indenização por danos materiais em virtude do homicídio de seu marido, quando era 2º Sargento da Polícia Militar do Estado do Paraná, efetuado por soldado da mesma corporação. Traça histórico do processo judicial, afirmando que, por ocasião do pagamento, efetuado em março de 2004, foi apresentado cálculo judicial indicando que teria direito a R$ 170.672,75, sendo R$ 132.889,47 de principal e R$ 37.738,28 de juros moratórios, fls. 96, 101 e 117. Aduz que, segundo o contador judicial, deveria haver retenção de IR na fonte somente sobre os juros, tendo sido expedido o alvará de fl. 111 e efetuado o recolhimento de IR pelo documento de fl. 108. Considera que efetuou o recolhimento do IR devido, insurgindose contra a exigência em litígio, alegando ilegitimidade porque entende que se trata de indenização por danos materiais, que não estaria sujeita à incidência de IR, em razão de caracterizar uma reparação patrimonial. Suscita que a reparação patrimonial não geraria renda e, assim, não estaria inclusa nas hipóteses de incidência definidas no art. 153, II, da Constituição Federal e no art. 43 do Código Tributário Nacional – CTN. Transcreve trechos da sentença de primeira instância e de acórdão do Tribunal de Justiça do Paraná para corroborar sua alegação acerca da “preocupação em reparar os danos materiais decorrentes da morte do cônjuge”. Cita doutrina definindo que a indenização, no caso de ato ilícito que resulte em morte, seria composta do pagamento de despesas com tratamento da vítima, com funeral e com o luto da família, além da prestação de alimento às pessoas as quais o defunto devia. Menciona jurisprudência administrativa acerca da isenção de IR sobre indenização por dano material e judiciária sobre a inocorrência de hipótese de incidência de IR sobre indenização. Apoiada novamente em jurisprudência, protesta também contra a tributação de rendimentos atrasados, no momento do recebimento, pleiteando que, em obediência ao princípio da isonomia, eventual incidência de IR seja calculada sobre o valor mensal na época em que eram devidos, suscitando que corresponderia a R$ 589,92 mensais, os quais estariam incluídos na faixa de isenção do IR. Finaliza solicitando a insubsistência da autuação e a produção de todos os meios de prova admitidos em direito, incluindo diligências e perícia, para as quais protesta pela indicação de assistente técnico para formulação de quesitos. A 4ª Turma da DRJ em Curitiba/PR julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: RENDIMENTOS RECEBIDOS DA SECRETARIA DE FAZENDA DO ESTADO DO PARANÁ. OMISSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.010302/200819 Resolução n.º 2201000.065 S2C2T1 Fl. 3 3 Considerase como nãoimpugnada a parte do lançamento que não foi expressamente contestada pela contribuinte. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. REQUISITOS. INDEFERIMENTO. Considerase não efetuado os pedidos de diligência e perícia elaborados de forma genérica, sem especificar o perito e nem os quesitos a serem argüidos. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ISENÇÃO. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Os rendimentos, abstraindose sua denominação ou qualquer outra circunstância, estão sujeitos à incidência do imposto de renda, desde que não agasalhados no rol das isenções expressamente previstas na legislação. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. MOMENTO DE TRIBUTAÇÃO. REGIME DE CAIXA. Por expressa previsão legal, no caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá no mês do recebimento, sobre o total dos rendimentos, inclusive juros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 10/02/2011 (fl. 133), Maria Amélia Lopes Peliki apresenta Recurso Voluntário em 14/03/2011 (fls. 74 e seguintes), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação, sobretudo: ... provimento ao presente recurso administrativo no sentido de que seja reconhecida a insubsistência do auto de infração n.° 2005/609451026774124, tornandoo sem efeito, bem assim a multa pretendida, com a competente baixa dos seus registros nesse órgão, por não estar legitimada a pretensão exposta, visto que os valores auferidos a titulo de indenização por danos materiais não representam a geração de renda. Sucessivamente, caso, no entanto, não seja este o vosso entendimento (o que não se espera e apenas se admite a titulo de argumentação), requerse, com fundamento no principio da isonomia, que o presente recurso administrativo seja acolhido para que seja declarada a incidência mensal do Imposto de Renda (e não no tocante ao valor acumulado) e, por conseguinte, diante do montante mensal respectivo, R$ 589,92 (quinhentos e oitenta e nove reais e noventa e dois centavos), requerse o reconhecimento de que a cobrança deverá ser Fl. 168DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.010302/200819 Resolução n.º 2201000.065 S2C2T1 Fl. 4 4 afastada, haja vista que a quantia recebida está aquém do limite fixado em lei para a incidência do Imposto de Renda. (grifei) É o relatório. Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Segundo se colhe dos autos a controvérsia, cingese, exclusivamente, em identificar a natureza do rendimento recebido pela recorrente, bem como a forma de incidência do imposto de renda sobre valores recebidos acumuladamente, ou seja, se regime de caixa (no mês de seu efetivo recebimento) ou regime de competência (no mês de referência em que o rendimento foi obtido). Pois bem, em relação à natureza da verba percebida penso que pelos documentos constantes dos autos não se trata efetivamente de indenização por danos materiais. Em verdade, a sentença de fl. 56 determinou o pagamento de: ... pensão vitalícia mensal correspondente a morte do marido e pai dos Requerentes, pensão essa enquanto viúva a Autora e até que a 2ª Autora venha a contrair núpcias e o 3º Autor atingir a maioridade civil; para a 4ª Autora, desde a data do óbito de seu pai até 250487 (data de seu casamento – fls. 12), tudo no valor de 2/3 (dois terços) dos vencimentos e vantagens que percebia a vítima” e também de “custas processuais e honorários advocatícios dos Autores. (grifei) Destarte, o rendimento recebido pela recorrente referese à pensão vitalícia mensal, portanto tributada, conforme se constata da sentença supra, bem como da Liquidação de Sentença e Execução de Título Judicial de fls. 73/84. Quanto à forma de tributação dos rendimentos, se regime de caixa ou regime de competência, impende registrar que a matéria está sob julgamento do Supremo Tribunal Federal STF e de acordo com o Regimento Interno do CARF os Conselheiros estão vinculados aos entendimentos do STF. Transcrevese o art. 62A do RICARF (Portaria MF nº 256 de 22 /06 /2009): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Fl. 169DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 10980.010302/200819 Resolução n.º 2201000.065 S2C2T1 Fl. 5 5 Por sua vez, o art. 2º da Portaria CARF n° 001, de 03 de janeiro de 2012, dispõe: Art. 2º Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento (Recurso Extraordinário n. 614406/RS). Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 0403 2011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ). Ante o exposto, com fundamento nos arts. 543B do CPC e art. 62A do RICARF, voto no sentido de sobrestar os autos, até que sobrevenha decisão do E. Supremo Tribunal Federal sobre a matéria. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 170DF CARF MF Impresso em 29/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 20/09/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10240.002712/2008-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA
Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, e idônea, a origem dos recursos.
PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO
As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos em lei.
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO.
A simples falta de pagamento de tributo não caracteriza, por si só, a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Há que se averiguar a real comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos.
MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE.
As informações, referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado.
MULTA QUALIFICADA.
A apresentação de declaração de inatividade caracteriza a subtração da informação por parte da autoridade fiscal, retardando ou impedindo o conhecimento dos resultados e receitas auferidos no desempenho ou não da atividade. Configurada a falsa declaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, aplica-se a multa qualificada.
LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL PIS E COFINS.
Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
Numero da decisão: 1202-001.180
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em manter a responsabilidade tributária da pessoa física arrolada e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Carlos Alberto Donassolo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, e idônea, a origem dos recursos. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão-somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos em lei. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples falta de pagamento de tributo não caracteriza, por si só, a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Há que se averiguar a real comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. MULTA QUALIFICADA. A apresentação de declaração de inatividade caracteriza a subtração da informação por parte da autoridade fiscal, retardando ou impedindo o conhecimento dos resultados e receitas auferidos no desempenho ou não da atividade. Configurada a falsa declaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, aplica-se a multa qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL PIS E COFINS. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em manter a responsabilidade tributária da pessoa física arrolada e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta - Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno
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PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA Caracteriza omissão de receitas a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regulamente intimado, não comprove, mediante documentação hábil, e idônea, a origem dos recursos. PRESUNÇÕES LEGAIS. ÔNUS DA PROVA. COMPROVAÇÃO As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tão somente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo à contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos em lei. SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ART. 135, III, CTN. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A simples falta de pagamento de tributo não caracteriza, por si só, a responsabilidade prevista no artigo 135, III, do CTN. Há que se averiguar a real comprovação das demais condutas nele descritas: prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária da contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. MULTA QUALIFICADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 0. 00 27 12 /2 00 8- 50 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 2 A apresentação de declaração de inatividade caracteriza a subtração da informação por parte da autoridade fiscal, retardando ou impedindo o conhecimento dos resultados e receitas auferidos no desempenho ou não da atividade. Configurada a falsa declaração, tendente a retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador, aplicase a multa qualificada. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL PIS E COFINS. Quando há harmonia entre as provas e irregularidades que ampararam os lançamentos do IRPJ e das contribuições sociais, o que foi decidido em relação àquele é aproveitado nos lançamentos destas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em manter a responsabilidade tributária da pessoa física arrolada e, no mérito, negar provimento aos recursos, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Carlos Alberto Donassolo Presidente. (assinado digitalmente) Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito e Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratamse esses autos de exigência de IRPJ – Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, no montante de R$ 29.394,47; contribuição ao PIS, no montante de R$ 3.330,98; COFINS, no montante de R$ 15.374,00; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, no montante de R$ 14.697,23, com fundamento em omissão de receitas identificado através de depósitos bancários de origem não comprovada. Os montantes já estão acrescidos de multa de ofício agravada de 150% e juros com base na taxa SELIC. Com fundamento legal nos artigos 27, I, e 42 da Lei nº 9430/96; , artigos 532 e 537 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99; artigos 1º e 3º da Lei Complementar nº 7/70; artigo 24, §2º, da Lei 9249/95; artigo 2º, I, “a”, parágrafo único , II, 3º, 10, 22, 51 e 91 do Decreto n. 4524/02; artigo 22 da Lei nº 10.684/03 e artigo 37 da Lei nº 10.637/02. Irresignada, o contribuinte apresentou impugnação, aqui transcrita do acórdão recorrido, para evitar repetições. 1) A impugnante não teve ciência nem do MPF nem dos Termos de Início de Fiscalização e de Intimação lavrados contra si; Fl. 461DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 3 3 2) No caso sob litígio, a falta de comunicação ao contribuinte das prorrogações do Mandado de Procedimento Fiscal, na forma determinada pelo § 2° do art. 13 da Portaria SRF n° 3.007, de 26.11.2001, ofende os Princípios da legalidade e da Moralidade Administrativa, de sorte que o lançamento efetuado em tal circunstância padece de vários irremediáveis vícios, impondo, assim, a anulação do ato exacional; 3) O contribuinte está totalmente impossibilitado de se defender e oferecer os documentos requisitados pela Fiscalização, posto que não mais os tinha em sua guarda; 4) A impugnante realmente pensara que, pelo fato de estar inativa há muitos anos, não mais havia a necessidade de guardar consigo os livros e documentos. O simples fato de não mais estar em funcionamento, dificulta que se guarde documentos antigos; 5) Os Agentes Fiscais obtiveram, sem sua autorização, alguns extratos bancários relativos às contas que manteve nas instituições financeiras quando ainda estava em funcionamento; 6) Com relação à quebra de seu sigilo bancário pelos Agentes Fiscais dai Receita Federal do Brasil, a impugnante vem informar que não apresentou os extratos bancários solicitados por estar seguindo orientação de seus advogados; 7) Os lançamentos a crédito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de calculo dos tributos em questão; 8) A impugnante quando apresentou declaração de inatividade à Receita Federal do Brasil, relativa ao ano calendário de 2004, tinha claro que o fato de ter emprestado suas contas bancárias para terceiros, não descaracterizaria sua condição de inativa; 9) Ao contrario do que afirmam os Agentes Fiscais, em seu Termo de Verificação, no ano calendário de 2003, a Impugnante não apresentou Declaração "com receita igual a O(zero)."; 10) Os valores relativos à impressão de livro devem estar fora do campo de incidência tributário, devendo também serem retirados dos Autos de Infração, até por já terem sido declarados; 11) Os Agentes Fiscais tributaram os valores quando foram creditados nas contas bancárias, lavrando autos de infração do SIMPLES, para o ano de 2003, e IRPJ, PIS, CSLL e COFINS, para o ano de 2004; 12) Quando os recursos foram debitados, ou seja, saíram das contas bancárias, os Agentes Fiscais tributaram novamente, lavrando um auto de infração do Imposto de Renda Retido na Fonte; 13) A todos parece justo que uma vez tendo os recursos sido tributados pelo Imposto de Renda e pelas Contribuições, ao ingressarem nas contas bancárias. ainda que discorde do Fl. 462DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 4 lançamento feito com base somente nos extratos bancários, esses mesmo recursos não poderiam ser novamente tributados quando deixaram as mesmas contas bancárias; 14) A impugnante não apresentou Declaração de Inativa com o objetivo de sonegar qualquer tributo, devendo ser desqualificada a multa de 150%; 15) No período fiscalizado não houve venda, não houve compra nem qualquer outra operação que diga respeito aos seus objetivos sociais. O fato de ter emprestado suas contas bancárias e nelas terceiros terem realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade Também o Sr. Antonio Spegiorin Tavares, apresentou impugnação, assim sintetizada pelo julgador de primeira instância: 1)O impugnante vem contestar a sujeição passiva solidária e reafirmar que o fato de possuir um instrumento de procuração não o torna responsável pelos tributos devidos pela pessoa jurídica; 2) O impugnante reafirma que jamais foi sócio da empresa autuada; 3) Reafirma também que os reais atuais proprietários da empresa em questão são os Senhores UELITON DURVAL ATAIDE DE SOUZA, CPF 682.663.91220, e JOSÉ, RONALDO MELO DA CRUZ, CPF 675.422.98291, que foram encontrados pela fiscalização e responderam pela empresa; 4) Os referidos senhores adquiriram regularmente a empresa no dia 01/02/2007, conforme Décima Primeira Alteração do Contrato Social; 5) Por outro lado, os adquirentes não necessitavam possuir a quantia de R$ 55.000,00, conforme afirmam os Agentes Fiscais, pois tratase de uma empresa que não funciona mais, estando inativa há mais de 10 anos, sendo o valor de seu capital mera referência para efeitos de Registro do Comércio; 6) Está claro que ao gerenciar a sociedade, por conta e ordem de seus proprietários, o impugnante não incorre em nenhuma das duas situações previstas em Lei para a atribuição da Responsabilidade Solidária. A 1ª Turma da DRJ/BEL, julgou o feito no acórdão n. 0113.453 (fl. 272 e seguintes). Analisando a preliminar de nulidade de mandado de procedimento fiscal, diz que esta não pode prosperar. Salienta que houve a intimação regular e cientificação da interessada, especialmente do Termo de Início de Fiscalização e MPF. Aponta que as primeiras prorrogações do MPF foram determinadas pelas disposições da Portaria SRF nº 6087 de 21.11.2005, em seu artigo 13, de onde se extrai que as prorrogações são efetuadas por registro eletrônico, disponibilizado no site da Receita Federal do Brasil RFB, por senha contida no MPF, com a indicação de cientificação da contribuinte quando do primeiro ato praticado pela autoridade após a prorrogação. Traz as disposições sobre as modalidades de intimação estabelecidas no Decreto nº 70.235/72, artigo 23, apontando que, no caso dos autos, foi efetuada a intimação no Fl. 463DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 4 5 domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, sendo posteriormente efetuada por edital. Após, mediante diversas diligências, houve a ciência pessoal do MPF complementar e do Termo de Reintimação Fiscal nº 002, sendo que houve a intimação da substituição do MPF original pelo MPF 0250100 2008 001298, com fulcro na Portaria RFB nº 11.371, de 12 de dezembro de 2007, em seu artigo 20. Ainda, houve a intimação da continuidade do procedimento fiscal em julho de 2008. Destaca que não houve o cumprimento estrito das disposições contidas no artigo 9º, parágrafo único da Portaria RFB nº 11.371/2007, eis que não houve a cientificação da contribuinte das prorrogações de prazo ocorridas em 8 de agosto e 7 de outubro de 2008. Porém, entende que este é um vício de pequena amplitude, destacando que: “uma vez que o fim máximo do MPF — sob a ótica do interesse do sujeito passivo — é assegurarlhe a transparência, a impessoalidade, a moralidade no trato com a Administração Fazendária. E esses fatores foram plenamente atingidos, pois a impugnante foi cientificada sobre a emissão do MPF no inicio da ação fiscal, de suas prorrogações e substituição. Qualquer que fosse a dúvida ou até mesmo a desconfiança do administrado sobre a lisura do procedimento fiscalizatório, teve plena oportunidade de verificar os dados do controle da Administração sobre a ação fiscal, especialmente mediante uma simples consulta ao sitio da RFB.” Aponta que, em 30.09.08, houve a eleição de domicílio da empresa para intimação, o que evidencia que esta ainda estava sob fiscalização. Disto, entende que a falta de ciência da prorrogação do prazo do MPF quando do primeiro ato de oficio da autoridade fiscal junto ao sujeito passivo não tem o poder de invalidar o procedimento, eis que não houve prejuízo à contribuinte ou extrapolou as delimitações impostas ao ato fiscalizatório, pelo que afasta a preliminar de nulidade argüida. Analisando a invocação de nulidade do procedimento por ausência de autorização judicial para a quebra de sigilo bancário, indica o julgador inicialmente que a obtenção de informações junto às instituições financeiras pela administração tributária não é quebra de sigilo bancário, mas sim mera transferência deste. Citando o histórico do tema, aponta o artigo 38 da Lei nº 4595/64, que exigia apenas um processo instaurado e a manifestação de autoridade competente, sem a necessidade de autorização judicial. Destaca que ao solicitar tais dados às instituições financeiras, valiase de meios legalmente previstos para dar eficácia a ação fiscal e demonstração da efetiva prática de omissão de receitas. Aponta que vedar tal informação seria impedir uma ação fiscal efetiva, no caso, ante as evidências trazidas por movimentação apontada pela CPMF. Ainda, aponta que todos os contribuintes são obrigados a prestar ao fisco informações sobre seus rendimentos e operações financeiras, cabendo auditoria destes, conforme artigo 927 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3000/99 RIR/99, sendo que o fornecimento destas informações pelas instituições bancárias apenas substitui o dever a que estão sujeitos os contribuintes. Aponta que o CTN, artigo 197, II, impõe aos bancos e demais instituições financeiras tais deveres, sendo que o mero repasse dos dados não infringe o dever do sigilo bancário. A quebra do sigilo é a transferência destes dados a terceiros e, no procedimento administrativofiscal as informações são restritas ao fisco e aos contribuintes. Cita ainda o artigo 38 da Lei nº 4595/64, substituído pelo artigo 8º da Lei nº 8021/90, sobre o tema, sendo que sua utilização é obrigatória pelo caráter vinculado da função administrativa, não cabendo discussões sobre a inconstitucionalidade da legislação. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 6 Indica que Lei Complementar nº 105/2001 (LC 105/2001), com regulamentação de seu artigo 6º pelo Decreto nº 3724/2001, que em seu artigos 1º, §3º, VI, 5º e 6º, estabelecem os ditames para a obtenção das informações bancárias, indicando que estas foram todas respeitadas pela autoridade fiscal, não havendo que se falar em violação à legislação vigente. Ainda, aponta que em relação à vedação contida no artigo 5º, §2º da LC 105/2001, não se aplicam ao caso sob análise, que se encontra em fase posterior do conhecimento, eis que: “já se tinha apurado que havia uma movimentação financeira incompatível com a receita declarada (fl. 197) decorrente das informações recebidas relativas a CPMF, nos moldes do §2° do art., 5°. No caso dos autos, os extratos bancários foram solicitados tendo em vista o disposto no § 4° do art. 5° da Lei Complementar 105 de 10 de janeiro de 2001, de que "recebidas as informações de que trata este artigo, se detectados indícios de falhas, incorreções ou omissões, ou de cometimento de ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou auditoria para a adequada apuração dos fatos.” Assinala que a prerrogativa dada ao fisco é também uma imposição aos servidores para que mantenham o segredo em relação às informações confidenciais a eles repassadas por conta do dever de ofício, incluindo sanções administrativas e penais. Sobre o tema, cita os artigos 8º , 9º e 10 do Decreto nº 3724/2001, art. 325 do Código Penal, bem como artigos. 918, 998 e 999 do RIR/99. Destaca que tal possibilidade não afasta os princípios insculpidos no artigo 5º, X, da Constituição Federal, eis que obriga um comportamento ético profissional dos servidores que tenham contato com as informações prestadas, não havendo no caso analisado qualquer ilegalidade no procedimento de obtenção de informações bancárias, sendo as provas obtidas lícitas e legítimas para instruir o lançamento. Analisando a alegação de que os depósitos bancários não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em discussão, esclarece o julgador que, na hipótese de omissão de receitas detectada pela movimentação bancária, caberia à contribuinte a comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem dos valores creditados/depositados em suas contas bancárias, o que não teria ocorrido. Cita o artigo 3º do DecretoLei nº 4657/42, indicando que não prosperam as alegações trazidas pela contribuinte no sentido de que por estar há muito inativa não guardou livros e documentos. Sobre a manutenção e guarda dos documentos e papéis que lastrearam a escrituração enquanto não decorrido o prazo decadencial e de prescrição de eventuais ações pertinentes, traz os artigos 190, 527 e 797 do RIR/99, mencionando também as orientações gerais da declaração simplificada da pessoa jurídica inativa, para o anocalendário de 2004. Esclarece que não foi juntado aos autos nenhum comprovante de depósito e somente isso seria suficiente para afastar o pleito da contribuinte, por entender que sem tal comprovante não há como determinar quando e por quem cada importância foi depositada, levando à presunção de omissão de receitas, estando à margem do faturamento da empresa. Após discorrer sobre as presunções, indica que estas são meios indiretos de provas, capazes de embasar o lançamento tributário, bastando para elas que seja comprovado o fato tipificado na norma, já que o legislador reconheceu a seu valor probante, dispensando outras evidencias. Aponta que no caso concreto, o lançamento foi fundamentado no artigo 42 da Lei nº 9430/96, Fl. 465DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 5 7 dando aos depósitos bancários de origem não comprovada a condição de presunção legal de omissão de receitas. Por tal situação, ante a não comprovação da origem dos depósitos, afasta quaisquer alegações da contribuinte, indicando que caberia ao sujeito passivo de provas contrárias as determinações fiscais. Sobre a constitucionalidade do dispositivo invocado – artigo 42 da Lei nº 9430/96, aponta que as leis gozam de presunção de constitucionalidade, cabendo à administração tributária o dever de cumprir a norma da legislação tributária, sob pena de responsabilidade funcional do agente público, nos termos do artigo 142 do CTN. Ainda, indica que as esferas administrativas de julgamento não possuem competência para apreciar pleito de inconstitucionalidade ou validade da legislação tributária que lastrearam os Autos de Infração, citando a Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, artigo 7º, e a Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais (anexo I, art. 49 e 34) e a Súmula nº2 do Primeiro Conselho de Contribuintes e Súmula nº 2 do Segundo Conselho de Contribuintes. Disto destaca que o julgador administrativo deve tão somente verificar se o ato discutido encontra ou não fundamento de validade na legislação de regência. Sobre a aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, aponta os dispositivos contidos na Lei nº9430/96, artigo 44, §1º.. Destaca que, no caso dos autos, indica que a contribuinte apresentou declaração de inatividade para o anocalendário de 2004, sendo que os créditos em suas contas correntes atingiu o montante de R$ 166.237,00, provando máfé da contribuinte pela falsa declaração ao fisco. Logo, houve sim o intuito de subtrair da incidência tributária os resultados e as receitas auferidos no desempenho de sua atividade empresarial, mas permanecendo aparente situação regular perante o Fisco Federal. A entrega de declaração de inatividade configura ação dolosa com o intuito de retardar o conhecimento dos fatos geradores por parte da autoridade fiscal. Cita o julgador ainda que: “Vale lembrar que a impugnante erroneamente se defende de valores eventualmente lançados relativos ao anocalendário 2003, inclusive alegando que não apresentou declaração com receita igual a zero neste anocalendário. Como estes valores referentes ao anocalendário 2003, não constam deste processo e conseqüentemente não fazem parte da lide, os argumentos a eles relativos não podem ser aproveitados. No mais, quanto a alegação da contribuinte de que fora tributada duplamente, quando do crédito e quando do débito/pagamento, indica que os valores eventualmente lançados a título de IRRF não fazem parte deste feito, não cabendo sua análise.” Em relação aos tributos reflexos, de CSLL, PIS e Cofins, diz que comprovados os fatos em relação ao IRPJ, o decidido em relação a este tributo vale para os decorrentes. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 8 Aponta o Termo de Sujeição Passiva Solidária, que indica Antônio Spegiorin Tavares (CPF 328.331.72168) como sujeito passivo solidário do contribuinte indicado nestes autos, conforme o artigo 124 do CTN. Disto, diz o Sr. Antonio que não incorreu em nenhuma das situações previstas em lei que ensejassem a responsabilização solidária ao gerenciar a sociedade. Cumpre transcrever os elementos narrados no acórdão: Conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a empresa Montenegro funcionava no mesmo endereço da sede da empresa Rondoforms, cujo sócio (Sr. Antônio Spegiorin Tavares), consultado, informou ali trabalhar o contador Cláudio, também responsável pela empresa Montenegro. Na mesma data, a fiscalização, acompanhada por um funcionário da empresa Rondoforms, foi ao escritório de contabilidade do Sr. Cláudio, o qual apresentou a alteração contratual da empresa, de 01/02/2007. Os atuais sócios (Ueliton Dunml Ataide de Souza e José Ronaldo Melo da Cruz) foram admitidos em 05/04/2007, depois de iniciado o procedimento de fiscalização, sendo constatado pela fiscalização que estes não tinham à época qualquer condição financeira e/ou econômica para gerir a empresa, já que entregaram declarações de isentos ou ficaram omissos. A procuração, de fls. 73 e 74, evidencia que o Sr. Antônio Spegiorin Tavares geriu a empresa Montenegro, pelo menos de 22/04/2003 até 25/10/2007 já que possuía amplos e ilimitados poderes para livremente gerir e administrar a empresa; abrir contas bancárias e emitir cheques; inclusive representando e tratando de todos os assuntos pertinentes à fiscalizada. Por fim, destaquese que segundo "Cadastro de Clientes" de fls. 140 a 142, o Sr. Antônio Spegiorin Tavares aparece como diretor da empresa Montenegro e conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária de fls. 206 a 208, também aparece como a pessoa que assinou e autorizou todos os cheques emitidos pela fiscalizada. Ante tais elementos, entende como correto o procedimento adotado pelo Fisco. Cita a respeito do tema, as disposições do CTN, contidas nos artigos 121 e 124, apontando que, como se depreende do artigo 124, I, quando duas ou mais pessoas estiverem ligadas por interesse comum ao fato gerador, temse a solidariedade legal presumida. No caso, embora o Sr. Antonio Spegiorin Tavares não conste como sócio da empresa se caracteriza como responsável solidário, ante as provas, informações e elementos obtidos pela fiscalização que era o responsável pela administração das atividades comercial, financeira e administrativa da empresa da contribuinte. Assim, vota pela procedência dos lançamentos e pela manutenção do Sr. Antonio Spegionin Tavares no polo passivo. A contribuinte foi intimada em 30.04.09. (fl. 287) ? (documento rasurado), informa ter sido intimada em 12.05.09 e apresentou em 3 de junho de 2009 seu Recurso Voluntário (fl. 288/311). Fl. 467DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 6 9 Em apertada síntese, reitera os termos trazidos em sua impugnação. Pugna inicialmente pelo reconhecimento do cerceamento de defesa. Aponta que não teve ciência do termo de início do procedimento de fiscalização, do Termo de início da Ação fiscal e do Mandado de Procedimento Fiscal, tendo inicio do procedimento somente em 13.12.06, por edital e posteriormente, por nova intimação por edital referente ao Termo de Reintimação Fiscal em 08.02.07. Aponta que somente em 15.05.07 é que houve uma diligência para localização da contribuinte, sendo que antes de tal fato não era possível exigir documentos para instruir eventual ação fiscal. Destaca que somente em 13.12.06 é que se iniciou a Ação Fiscal, com a ciência da recorrente. Especificamente sobre o MPF, diz que este continha informação que somente o IRPJ seria fiscalizado, mas que ao final do procedimento foram lavrados Autos de Infração relativos ao Simples, IRPJ, PIS, Cofins, CSLL e IRRF, sendo que prejudicou a falta de clareza e transparência da Receita Federal, já que não recebeu a informação adequada sobre os tributos fiscalizados. Sobre as prorrogações do MPF, diz que nos termos do art. 13, §2º da Portaria SRF n. 3007 de 26.11.01, com redação da Portaria SRF n. 1468 de 06/10/03, é obrigação dos agentes cientificar o contribuinte sobre cada uma das prorrogações de prazo, o que não ocorreu. Nova portaria, SRF n. 4328 de 05.09.05 e posterirormente a Portaria SRF nº 6087 de 21.11.05, mantiveram a obrigatoriedade e a Portaria RFB nº 11.371 de 12.12.07, calouse sobre o tema. Destaca que os fatos ocorreram sob a vigência da Portaria SRF nº 6087, de 21.11.05, e Portaria RFB nº 4066, de 2.05.07, de onde se tem a determinação de intimação a cada prorrogação de prazo, o que não ocorreu, pelo que a contribuinte pugna pela nulidade do procedimento fiscal. Traz jurisprudência administrativa sobre o tema que busca amparar seu entendimento. Em conclusão, diz que a falta de comunicação das prorrogações do MPF ofende aos princípios da legalidade e da moralidade administrativa, incorrendo o lançamento em vícios irremediáveis que impõem a nulidade dos autos de infração. Traz tópico relativo à auditoria realizada fora da empresa, indicando que reportavase à Delegacia da Receita Federal DRF de Porto Velho, sendo os documentos encaminhados à RFB em Belém, onde foi realizada a auditoria, localizada a mais de 2500 km da recorrente, o que inviabilizou o acompanhamento pela contribuinte das etapas de análise do processo, trazendolhe diversos prejuízos, em desrespeito aos princípios constitucionais do contraditório e ampla defesa. Sobre o tema, traz o artigo 10 do Decreto nº 70.235/72, que indica que o auto deve ser lavrado no local da verificação da falta, citando também jurisprudência do 1º Conselho de Contribuintes, também indicativo da nulidade praticada. Sobre o Termo de Encerramento, diz que a pouca clareza dos auditores a “iludiram”, ao inserir elementos inexatos e impossibilitando o pleno exercício do seu direito de defesa. Diz que diferentemente do que constou, não houve análise documental por amostragem e todos os documentos que os agentes encontraram foram considerados para efeito do lançamento, apontando que uma sucessão de equívocos no procedimento causou a nulidade do trabalho, com o lançamento tributário indevido, pela falta de embasamento técnico contábil e amparo jurídico na legislação que rege a matéria. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 10 Tal situação traz ofensa ao contraditório e a ampla defesa, tendo havido mácula ao Decreto nº 70.235/72 e Decreto n. 3.000/99 (RIR/99) e a mencionada Portaria SRF n. 3007/01. No mérito, quanto aos autos de infração, aponta inicialmente que a fiscalização se deu a sua revelia, o que haveria trazido a impossibilidade de defesa e de apresentação dos documentos a ela necessários, pois não possuía mais aguarda destes. Neste ponto, reitera que pelo fato de estar inativa, acreditava que não mais havia a necessidade de guarda de livros e documentos, explicitando a pouca instrução dos sócios proprietários que não estavam atualizados com os procedimentos exigidos pelo fisco. Aponta que ao ter ciência do MPF, demonstrou sua boa vontade, dando conhecimento ao fisco de sua real situação, mas que, sem sua autorização, os agentes fiscais obtiveram alguns extratos bancários relativos às contas que manteve em instituições financeiras quando do seu funcionamento. Aduz que houve quebra de sigilo bancário pelos agentes fiscais da Receita Federal do Brasil, reiterando que não apresentou os extratos bancários seguindo orientação de seus advogados. Traz as disposições constitucionais acerca do tema, artigo 5º, X e XII, bem como doutrina da jurista Marilia Bugalho Pioli, destacando assim a necessidade de autorização judicial para o acesso aos extratos bancários, autorização que os agentes não possuíam. Indica que o sigilo bancário é garantia constitucional, somente afastado por ordem judicial e que ao não entregar tal documentação (os extratos bancários) agiu de acordo com a lei, não atendendo a ordem ilegal. Assim, indica que o lançamento foi determinado somente com base nos extratos bancários. Porém, argumenta que os lançamentos a crédito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de cálculo da questão, citando Acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido. Destaca que houve erro na análise de suas contas correntes, pela seguinte situação: “Ao analisar os extratos bancários relativos às contas correntes da Recorrente, os Agentes Fiscais verificaram a ocorrência de alguns depósitos. Como ficou devidamente demonstrado em sua impugnação à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Belém, esses depósitos ocorreram em função de a Recorrente ter emprestado as contas, considerando que a empresa estava inativa, para servidores da Assembléia Legislativa do Estado de Rondônia que as utilizaram por sua conta e risco. Em função desse erro material a Recorrente entende que não pode ser punida, respondendo pelos tributos incidentes sobre os referidos depósitos, pois, efetivamente, não se apropriou dos mesmos e está provado que esses valores não constituíram receita da pessoa jurídica não havendo hipótese de ocorrência da presunção legal de omissão de receitas.” Aponta que nesta hipótese, não cabe a presunção de omissão de receitas, já que comprovada a origem dos recursos que não se originaram da pessoa jurídica, sendo claro erro material. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 7 11 Quanto a este erro, pugna pelo respeito aos princípios da verdade material e da igualdade, preceitos constitucionais que devem nortear o processo administrativo, destacando que o fato de o trabalho dos auditores ter se desenvolvido em Belém prejudicou o contribuinte, que poderia ter modificado a forma de demonstrar tais depósitos. Discorre sobre os princípios em geral e sobre os princípios da verdade material e igualdade, cabendo à administração pública respeitálos, destacando que a autoridade não deve se restringir somente ao que foi trazido aos autos, mas sim devendo buscar todos os elementos que possam influenciar seu convencimento. No tema de pagamento a beneficiários não indicados, reitera os termos trazidos em sua impugnação, esclarecendo quanto ao empréstimo de suas contas correntes para uso dos servidores da Assembleia Legislativa do Estado de Rondônia, que não utilizava tais recursos, indicando que seria mais adequada que o fisco identificasse cada uma destas pessoas. Destaca que se a contribuinte não tem condições de identificar com clareza quais são os beneficiários, não há de se falar em beneficiário não identificado. Traz a decisão contida no Acórdão nº 10515.518. Aponta que se o aludido pagamento não comprovado é um pagamento que não se realizou, patente é a improcedência da acusação. Indica ocorreu a lavratura do Auto de Infração sem que sequer se intimassem os servidores da Assembleia Legislativa que se utilizaram das contas. Prossegue, discutindo sobre a receita obtida com a impressão de um livro. Diz que o fato de ter emprestado suas contas bancárias a terceiros não modificaria o caráter de inatividade, destacando que contrariamente ao exposto pelos agentes, não foi a apresentada Declaração com receita igual a zero. Segundo consta do recibo de entrega da Declaração Anual Simplificada, foi informada a receita de R$ 484.245,00 no mês de agosto do anocalendário de 2003, sendo que foram emitidas apenas duas notas fiscais no período fiscalizado, que somadas, refletem exatamente o valor declarado. Destaca que mesmo sendo o livro e o papel destinados à confecção de livros, está imune de tributos, houve a declaração da receita. Aponta que do texto constitucional, temse o afastamento de impostos, permitindo a incidência de outras espécies tributárias, entendendo a SRF que a imunidade alcança somente os impostos objetivos, não alcançando o IRPJ e a CSLL. Sobre o tema, diz que o entendimento do judiciário é diferente. Ainda esclarece que a Lei nº 10.865/2004, artigo 28, IV, reduz a zero as alíquotas de PIS e Cofins para as receitas provenientes da comercialização no mercado interno de livro, indicando que há a incidência, mas com alíquota zero. Disto tudo, entende que uma empresa que atue no comércio de livros, exclusivamente para o mercado interno, seria tributada pelo IRPJ e CSLL (segundo entendimento da SRFB), e incidência do PIS e Cofins com alíquota zerada, que pode ser alterada a qualquer momento. Traz excerto de Sentença proferida pelo Juiz Zuudi Sakakihara, que dá ampla interpretação a palavra livro, considerando a receita de um CD como imune. Disto, entende a Fl. 470DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 12 contribuinte que os valores relativos à impressão de livro também devem estar fora do campo de incidência tributária, cabendo sua retirada do Auto de Infração, inclusive por já terem sido declarados. Passa a discorrer sobre a dupla tributação que lhe teria sido imposta, já que os agentes tributaram os valores creditados em contas bancárias, lavrando Autos de Infração de SIMPLES, para o ano de 2003 e IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, para 2004 e, quando estes mesmos recursos foram debitados, houve nova tributação, lavrandose Auto de Infração de IRRF. Neste ponto, indica que estando os beneficiários indicados, não cabe a tributação pelo IRRF e que o ingresso de valores em conta corrente não é fato gerador dos tributos cobrados, a saber, IRPJ, CSLL, PIS e Cofins. Aponta que foi tributada pelo Lucro Arbitrado para o anocalendário de 2003, citando a composição do lucro arbitrado, no art. 532 do RIR/99 e o conceito de receita bruta contida no art. 279 do mesmo dispositivo, de onde conclui que a receita bruta (base de cálculo do lucro arbitrado) é composta pela venda dos bens e pelo presto da prestação de serviços. Cita o art. 3º da Lei nº 9718, que iguala os conceitos de receita bruta e faturamento, bem como o entendimento do Supremo Tribunal Federal sobre o tema, apontando julgados. Assim, esclarece seu posicionamento: Ora, se a base de cálculo do Lucro Arbitrado é função da Receita Bruta se essa mesma Receita Bruta é igual a "Faturamento se faturamento corresponde a receita bruta derivada da venda de mercadorias e da prestação de serviços e como os créditos encontrados no extratos bancários não foram derivados nem da venda de bens nem da prestação de serviços, não há que se falar em lançamento do IRPJ e das contribuições reflexivas. Passa a combater a multa imposta no patamar de 150%, destacando que no período de inatividade não realizou nenhuma atividade mercantil, exceto a citada impressão de livro. Destaca que o fato de ter emprestado suas contas bancárias e terceiros terem realizado depósitos e saques não configura movimento ou atividade. Nisto, a movimentação bancária foi tão pequena que abrangeu apenas a 43 lançamentos a crédito. Aponta que havia o intuito dos agentes desde momento inicial em aplicar a multa agravada, antes da realização do lançamento. Aduz que o art. 44 da Lei n. 9430/96 não prevê a aplicação da multa qualificada para a hipótese de não apresentação de livros e documentos, trazendo a definição contida nos artigos 71, 72 e 73 do CTN quanto a sonegação, fraude e conluio, de onde se observa que a contribuinte não incorreu em nenhum destes. Indica que não ocorreu o evidente intuito de fraude exigido pela lei para a aplicação da penalidade de 150%, e que ter apresentado declaração com movimento para o ano de 2003 e não apresentou movimento para 2004, não cabe se falar em declaração falsa à Receita Federal e assim cabendo afastar a penalidade imposta. Em 03.06.2009, Antonio Spegiorin Tavares apresentou Recurso Voluntário contra a decisão que lhe incluiu no pólo passivo da demanda, onde, em síntese, reitera os termos trazidos com sua impugnação. É o relatório. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 8 13 Voto Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta O Recurso Voluntário apresenta os requisitos de admissibilidade, inclusive o temporal, portanto, dele tomo conhecimento. Tratamse esses Autos de Infração de cobrança de IRPJ, CSLL, contribuição ao PIS e COFINS sobre receitas omitidas, as quais foram identificadas com base em extratos bancários obtidos através Requisição de Movimentação Financeira – RMF expedida pela DRF às instituições financeiras, com fundamento legal no artigo 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, pela existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada. Por sua vez, a contribuinte foi solicitada a esclarecer as movimentações financeiras verificadas e, após várias tentativas de intimações, posteriormente através intimação por Edital, esclareceu que não guardou os livros e documentos por estar inativa e sem operacionalidade há bastante tempo. Em sede de preliminares, alega a contribuinte que houve cerceamento de sua defesa: i) por não ter tido ciência do procedimento de fiscalização desde o início, em 13/12/2006, teve ciência posteriormente por edital, cinco meses após o início, em 15/05/2007. Constatou, após sua ciência, que o documento não menciona o objeto da ação fiscal, qual sua abrangência e nem quais os tributos que seriam fiscalizados. Sem essas informações a Recorrente se viu “perdida ante o poder de império do Estado”. ii) pelo fato do Mandado de Procedimento Fiscal não constar que o único tributo a ser fiscalizado é o IRPJ, apurado sob o sistema do SIMPLES. Todavia, ao final do procedimento, viu que abrangeu a contribuição ao PIS, COFINS, CSLL e IRRF. Concluindo pela não transparência da autoridade fiscal na lavratura do Auto de Infração. iii) por não cumprir com os procedimentos de, formalmente, informar a Recorrente da prorrogação do MPF nos termos da Portaria SRF n° 6.087, de 21/11/2005, ou a Portaria RFB, n°4.066, de 02/05/2007. iv) por não ter acesso às autoridades fiscais no acompanhamento da realização dos trabalhos de fiscalização, uma vez que a Recorrente se reportava à DRF de Porto Velho, porém os documentos foram encaminhados à Superintendência da Receita Federal do Brasil de Belém para a realização da auditoria, fora das dependências da empresa; v) Por não incluir no Termo de Encerramento fatos verdadeiros que, de fato, ocorreram, pois foram incluídos elementos inexatos prejudicando o pleno exercício de seu direito de defesa. Consta nos autos, a evidência de que a autoridade fiscal tentou intimar e dar ciência do Termo de Início de Fiscalização no domicílio da Recorrente, posteriormente foi feito por Edital, sempre atendendo ao disposto no artigo 23 do Decreto nº 70.235/1972. Em 14/05/2007 e 12/05/2007, após várias diligências realizadas, foi possível a ciência, como Fl. 472DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 14 descrito no "Termo de Verificação e Constatação Fiscal" de fls. 197 a 204, do MPF complementar e do Termo de Reintimação Fiscal n° 002 (fls. 24 a 26). Pelos Autos, é possível inferir que o comando estrito referente à prorrogação do MPF de que trata o artigo 9º, parágrafo único, da Portaria RFB n° 11.371/2007, não foi totalmente aplicado pois a Recorrente não foi cientificada das prorrogações de prazo ocorridas em 8 de agosto de 2008 e 7 de outubro de 2008 (fl. 14). Todavia, o entendimento é que esse é um vício de pequena amplitude, uma vez que o MPF tem como finalidade assegurar que há a transparência, a impessoalidade, a moralidade no trato com a Administração Fazendária, fatores esses que foram atingidos. A Recorrente foi cientificada da emissão do MPF, do início da fiscalização, não tendo dúvida quanto à competência e legitimidade do auditor fiscal na realização dos seus trabalhos, quem não extrapolou no exercício de sua função das limitações impostas. Ademais, as prorrogações poderiam ser verificadas a qualquer momento em visita ao sítio da RFB. Também foi observado o artigo 142 do CTN bem como os artigos do Decreto nº 70235/1972, tendo a autoridade fiscal atendido aos ditames desses normativos no exercício de suas atividades de fiscalização. Ainda, a contribuinte demonstrou entendimento dos fundamentos Logo, não se podem invalidar os procedimentos pela falta de ciência de prorrogação, sendo que poderia ser constatada. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade arguida compactuo do posicionamento exposto pela DRJ. Sigilo Bancário Alega a Recorrente que há nulidade por não ter a autoridade fiscal autorização que ampare a quebra do sigilo de sua conta bancária. Cumpre mencionar que a discussão da legalidade do artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 encontrase em repercussão geral no STF, no RE nº 601.314/SP, conforme ementa a seguir transcrita: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL”. A Portaria MF nº 545 de 2013, revogou os parágrafos 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, permitindo que o CARF passe a analisar assuntos pendentes de julgamento definitivo pelo STF sem a necessidade de sobrestamento dos respectivos processos. O artigo 42 da Lei 9.430/1996 dispõe sobre a construção de prova pelo Fisco para caracterizar a omissão de receita vinculada aos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não os comprove. Desse modo, com base na Lei n° 9.430/1996, a não comprovação dos recursos que transitaram em contacorrentes bancárias permite que o Fisco presuma existir omissão de receitas para fins de tributação pois presumese que deixaram de ser contabilizadas receitas omitidas. Ainda, dispõe o artigo 6º da Lei Complementar 105/2001 que: Fl. 473DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 9 15 “Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária.” Ou seja, os agentes do Fisco podem ter acesso às informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso possa constituir violação do sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei (artigo 6º da Lei Complementar 105/2001). Conforme elucidado no Acórdão recorrido, o STJ já se pronunciou sobre o assunto, uma vez que tal ato do Fisco encontra previsão legal: RECURSO ESPECIAL Nº 1.134.665 SP (2009/00670344) RELATOR : MINISTRO LUIZ FUX EMENTA: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO SEM AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A FATOS IMPONÍVEIS ANTERIORES À VIGÊNCIA DA LEI COMPLEMENTAR 105/2001. APLICAÇÃO IMEDIATA. ARTIGO 144, § 1º, DO CTN. EXCEÇÃO AO PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE. 1. A quebra do sigilo bancário sem prévia autorização judicial, para fins de constituição de crédito tributário não extinto, é autorizada pela Lei 8.021/90 e pela Lei Complementar 105/2001, normas procedimentais, cuja aplicação é imediata, à luz do disposto no artigo 144, § 1º, do CTN. (...) 5. A Lei Complementar 105, de 10 de janeiro de 2001, revogou o artigo 38, da Lei 4.595/64, e passou a regular o sigilo das operações de instituições financeiras, preceituando que não constitui violação do dever de sigilo a prestação de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre as operações financeiras efetuadas pelos usuários dos serviços (artigo 1º, § 3º, inciso VI, c/c o artigo 5º, caput, da aludida Lei complementar, e 1º, do Decreto 4.489/2002). 6. As informações prestadas pelas instituições financeiras (ou equiparadas) restringemse a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e os montantes globais mensalmente movimentados, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos Fl. 474DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 16 gastos a partir deles efetuados (artigo 5º, § 2º, da Lei Complementar 105/2001). 7. O artigo 6º, da lei complementar em tela, determina que: ‘Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. (...) 12. A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 facultou à Administração Tributária, nos termos da lei, a criação de instrumentos/mecanismos que lhe possibilitassem identificar o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte, respeitados os direitos individuais, especialmente com o escopo de conferir efetividade aos princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva (artigo 145, § 1º). 13. Destarte, o sigilo bancário, como cediço, não tem caráter absoluto, devendo ceder ao princípio da moralidade aplicável de forma absoluta às relações de direito público e privado, devendo ser mitigado nas hipóteses em que as transações bancárias são denotadoras de ilicitude, porquanto não pode o cidadão, sob o alegado manto de garantias fundamentais, cometer ilícitos. Isto porque, conquanto o sigilo bancário seja garantido pela Constituição Federal como direito fundamental, não o é para preservar a intimidade das pessoas no afã de encobrir ilícitos. (...) Conforme demonstrado acima, não há irregularidade do Fisco perante a norma tributária na lavratura do Auto de Infração. Esse é o atual entendimento do CARF. Vejamos: MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações, referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo Fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer, dentre outros, o não fornecimento, pelo sujeito passivo, de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando regularmente intimado. (2201 002.291 – 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Sessão de 20.11.2013) Ademais, as hipóteses de nulidade no processo administrativo fiscal estão presentes no artigo 59 do Decreto 70.235 de 1972, abaixo transcritos, e não foram observadas no presento processo: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 475DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 10 17 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Como visto na legislação supracitada, no âmbito do processo administrativo fiscal apenas há nulidade no caso de ato praticado por pessoa incompetente ou no caso de cerceamento do direito de defesa, o que não aconteceu no caso aqui sob análise. Sendo assim, é de se rejeitar a improcedência do Auto de Infração em função do sigilo bancário. DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA A contribuinte alega que os lançamentos a credito relacionados nos extratos bancários não representam a verdadeira base de cálculo dos tributos em questão, bem como que foi considerado como receita tributável a totalidade dos depósitos bancários, sem comprovar quais seriam de fato tributáveis e quais não seriam, ou mesmo a dedução das despesas. O artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, prevê que: Art 42 Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1 O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2 Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) §4 Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. Fl. 476DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 18 § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares.(Incluído pela Lei nº 10.637, de 2002) Com base em referido artigo, depreendese que os depósitos constatados induzem à existência de receitas omitidas pela Recorrente. Assim, verificado tal fato, cabe ao Fisco apurar qual o montante da receita omitida (que em determinadas situações poderá até corresponder ao valor total bruto dos depósitos bancários não contabilizados). Como se percebe, o legislador estabeleceu uma presunção legal de omissão de rendimento. Portanto, caso a Recorrente não comprove a origem dos créditos efetuados em contas bancárias, temse, assim, autorização legal para considerar ocorrido o fato gerado e aplicação do arbitramento. Em casos como esse há flagrante inversão do ônus da prova, característica das presunções legais, razão pela qual cabe à Recorrente demonstrar que o numerário creditado não é renda tributável, com documentação hábil e idônea. Em síntese, tratase de presunção legal juris tantum, pela qual se inverte o ônus da prova, quando a autoridade fiscal fica dispensada de provar que depósito bancário não comprovado (fato indicativo) corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimento (fato jurídico tributário). Esse Colegiado já tem se posicionado nessa linha. Vejamos: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. INVERSÃO. Cabe ao sujeito passivo o ônus da prova se a infração tributária que lhe é atribuída decorre de presunção legal. (...) Recurso Voluntário provido parcialmente.” (não grifado no original) (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Processo Administrativo nº 11020.003386/200855, Acórdão nº 1402 001.441; Relator Carlos Pela; Data de Publicação 26.03.2014) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2002 IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro e 1997, o art. 42 da Lei 9.430, de 1996 autoriza a presunção de omissão de Fl. 477DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 11 19 rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária, mantida no país ou no exterior, em relação aos quais os cotitulares, regularmente intimados, não comprovem, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nas respectivas operações. (...) IRPF. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO LEGAL. DISPENSA DE COMPROVAÇÃO DO CONSUMO.SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (...) IRPF. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS. ÔNUS DO CONTRIBUINTE DE GUARDAR DOCUMENTOS E DE PRODUZIR PROVAS. Para elidir a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada, a demonstração da origem dos depósitos deve ser feita de forma inequívoca, correlacionando, de forma individualizada, as apontadas origens a cada um dos depósitos. O recorrente não comprovou a origem dos depósitos. As genéricas alegações de que não houve tempo suficiente para apresentar documentos não é corroborada pelos autos, mormente quando o recorrente não se aproveita dos prazos de impugnação e recurso voluntário para carrear as provas a seu favor. Outrossim, não deve prosperar a alegação de que já não dispunha da documentação relativa à movimentação financeira, pois o contribuinte tem o ônus de manter em boa guarda a documentação que suporta as informações prestadas nas Declaração de Ajuste Anual e de apresentar prova de suas alegações. Recurso voluntário negado.” (não grifado no original). (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Processo Administrativo nº 18471.001837/200699; Acórdão 2802 002.705; Sessão 18.02.2014; 2ª Turma Especial) “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 Omissão de Receitas. Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada. A presunção estabelecida pelo artigo 42 da Lei no. 9.430, de 1996, foi regularmente introduzida no sistema normativo e determina que o contribuinte deva ser regularmente intimado a comprovar, mediante a apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em contas de depósito ou de investimentos. Tratandose de presunção relativa, o sujeito passivo fica incumbido de afastála, mediante a apresentação de provas que afastem os indícios. Não logrando fazêlo, fica caracterizada a omissão de receitas. Tributamse como omissão de receita os valores creditados em contas correntes em instituições financeiras, em relação aos quais, o titular, regularmente intimado, não comprove a origem mediante documentação hábil e idônea. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. Deve ser mantida a multa qualificada pelo evidente intuito de fraude quando comprovadas as ações ou omissões dolosas tendentes a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade Fl. 478DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 20 fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, e das condições pessoas do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.” (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; Acórdão nº 1801 001.936, Relatora Maria de Lourdes Ramirez, Processo Administrativo nº 11060.003802/201063; Sessão 13.03.2014) Por todo o exposto, considerase legítimo o arbitramento do lucro nos moldes realizados pelo Fisco no presente caso, razão pela qual se mantém o lançamento nesse item. DA MULTA QUALIFICADA A Recorrente alega que a multa qualificada de 150% imposta pela Autoridade Fiscal não merece prosperar, em resumo, porque a entrega de declaração de inatividade não indica que houve uma das três hipóteses de que tratam os artigos 71, 72 ou 73 da Lei nº 4.502. Durante o anocalendário de 2004, houve créditos em sua contacorrente no montante de R$166.237,00, os quais não foram informados às autoridades fiscais, portanto, houve sim o intuito de retardar o conhecimento do fato gerador pelas autoridades fiscais. A determinação legal é que uma vez que configurada a hipótese prevista no art. 71, I da referida Lei, é aplicável a multa qualificada de 150%, conforme § 1º, I, da Lei 9.430 de 1996, a saber: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A intenção de impedir ou retardar o fisco, presente no art. 71 da Lei 4.502, 1964, ficou claramente demonstrada ao considerarmos que durante todo o anocalendário de 2004 foi entregue declaração de inatividade, sem qualquer informação. Portanto, caracterizado está a intenção de retardar ou impedir o conhecimento da informação por parte das autoridade fiscais, tanto que não foram concedidas. Esse também é o posicionamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 MULTA QUALIFICADA. Presentes os elementos do dolo, que impliquem em sonegação ou fraude, aplicase a multa de ofício qualificada, de 150%, prevista o art. 44, da Lei 9.430/1996, por tipificar as ocorrências previstas nos arts. 71 e 72 da Lei n. 4.502/1964. A conduta reiterada do contribuinte, consistente em omitir deliberadamente informações Fl. 479DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA Processo nº 10240.002712/200850 Acórdão n.º 1202001.180 S1C2T2 Fl. 12 21 que deveriam ser prestadas à Administração Tributária, ou inserir elementos inexatos nessas informações quando prestadas ao fisco, justifica a penalidade qualificada. Recurso Especial do Procurador provido.”(Acórdão nº 9101001.843, 1ª Turma, Sessão de 10.12.2013). Sendo assim, deve ser mantida a qualificação da multa nos termos do art. 44, inciso I e § 1º da Lei nº 9.430 de 1996. DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. O Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 206 a 208) traz o Sr. Antônio Spegiorin Tavares, CPF. 328.331.72168 como sujeito passivo solidário da Montenegro Comércio e Serviços Ltda, nos termos do artigo 124 do Código Tributário Nacional – CTN. O responsável solidário, Sr. Antônio Spegiorin Tavares, em seu Recurso Voluntário, alega que realiza o gerenciamento da sociedade, por conta e ordem de seus proprietários, e não efetua nenhuma das duas situações previstas no artigo 124 que atribui a Responsabilidade Solidária. Ora, como descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, a Recorrente funcionava no mesmo endereço da sede da empresa Rondoforms, cujo sócio (Sr. Antônio Spegiorin Tavares), consultado, informou ali trabalhar o contador Cláudio, também responsável pela Recorrente. Na mesma data, a fiscalização, acompanhada por um funcionário da empresa Rondoforms, foi ao escritório de contabilidade do Sr. Cláudio, o qual apresentou a alteração contratual da empresa, de 1º/02/2007, onde constava como sócios atuais os Srs. Ueliton Dunml Ataide de Souza e José Ronaldo Melo da Cruz, admitidos em 5/04/2007 – isto é, após o início do procedimento de fiscalização. A fiscalização constatou que ambos não tinham à época qualquer condição financeira e/ou econômica para gerir ou adquirir a empresa, já que entregaram declarações de isentos ou ficaram omissos. Complementando, há uma procuração, fls. 73 e 74, que evidencia que o Sr. Antônio Spegiorin Tavares foi quem administrou a Recorrente, pelo menos de 22/04/2003 até 25/10/2007 já que possuía amplos e ilimitados poderes para agir livremente; abrir contas bancárias e emitir cheques; inclusive representando e tratando de todos os assuntos pertinentes à fiscalizada. Ainda, constatou a fiscalização que segundo "Cadastro de Clientes", fls. 140 a 142, o Sr. Antônio Spegiorin Tavares aparece como diretor da empresa Montenegro e conforme descrito no Termo de Sujeição Passiva Solidária, fls. 206 a 208, também aparece como a pessoa que assinou e autorizou todos os cheques emitidos pela fiscalizada. Portanto, consideramos correto o procedimento adotado pela fiscalização em lavrar Termo de Sujeição Passiva Solidária ao Sr. Antônio Spegiorin Tavares, CPF. 328.331.72168. Por todo exposto, o voto é no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade do Auto de Infração e negar provimento ao Recurso Voluntário da Recorrente e do Sujeito Passivo Solidário. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA 22 Nereida de Miranda Finamore Horta Relatora (assinado digitalmente) Fl. 481DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRANDA FINAMORE HORTA, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por NEREIDA DE MIRAN DA FINAMORE HORTA
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Numero do processo: 10920.909567/2012-67
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.719
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1788; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 2 1 1 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.909567/201267 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3801002.719 – 1ª Turma Especial Sessão de 29 de janeiro de 2014 Matéria PER ELETRÔNICO PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO Recorrente FRANCOBACHOT INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE MÓVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2004 a 30/04/2004 NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 67 /2 01 2- 67 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909567/201267 Acórdão n.º 3801002.719 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16004.001695/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO.
Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento.
FRAUDE.
Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento.
SONEGAÇÃO
Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção.
DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS.
Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001.
A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001.
A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física.
AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário.
MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício.
Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2302-003.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento mantendo a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, devida por sub-rogação, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pelo provimento do recurso voluntário, devido à ausência de previsão legal da exação lançada. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto.
Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. FRAUDE. Configura-se fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualifica-se como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, opera-se a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUB-ROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituem-se motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negar-lhe provimento mantendo a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, devida por sub-rogação, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pelo provimento do recurso voluntário, devido à ausência de previsão legal da exação lançada. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. Liége Lacroix Thomasi Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. ALEGAÇÕES ALHEIAS AOS FUNDAMENTOS DA EXIGÊNCIA. INEXISTÊNCIA DE LITÍGIO. Não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo impugnante e que não sejam objeto da exigência fiscal nem tenham relação direta com os fundamentos do lançamento. FRAUDE. Configurase fraude toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. SONEGAÇÃO Qualificase como sonegação toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária a respeito da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais, ou também das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. ATO ADMINISTRATIVO. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE E LEGALIDADE. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Tendo em vista o consagrado atributo da presunção de veracidade que caracteriza os atos administrativos, gênero do qual o lançamento tributário é espécie, operase a inversão do encargo probatório, repousando sobre o notificado o ônus de desconstituir o lançamento ora em consumação. Havendo um documento público com presunção de veracidade não AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 00 16 95 /2 00 8- 11 Fl. 1557DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 2 impugnado eficazmente pela parte contrária, o desfecho há de ser em favor desta presunção. DIREITO PREVIDENCIÁRIO. PRINCÍPIO DA PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS SOBRE A FORMALIDADE DOS ATOS. Vigora no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente ajustadas numa determinada relação jurídica e as verificadas em sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. SUBROGAÇÃO DO ADQUIRENTE. ART. 25 DA Lei nº 8.212/91, NA REDAÇÃO DADA PELA LEI Nº 10.256/2001. A contribuição do empregador rural pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social e ao financiamento das prestações por acidente do trabalho, é de 2% e 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, respectivamente, nos termos do art. 25 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 10.256/2001. A empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25 da Lei nº 8.212/91, no prazo e na forma previstas na legislação tributária, independentemente de essas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. AIOP. AFERIÇÃO INDIRETA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. A recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento de que a contabilidade da empresa não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, constituemse motivo justo, bastante, suficiente e determinante para Fisco lance de ofício, mesmo que por aferição indireta de sua base de cálculo, a contribuição previdenciária que reputar devida, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. MULTA MORATÓRIA. CONFISCO. INOCORRÊNCIA. Não constitui confisco a incidência de multa punitiva aplicada em razão do descumprimento de obrigação tributária principal e formalizada mediante lançamento de ofício. Foge à competência deste colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 às vedações constitucionais ao poder de tributar previstas no art. 150 da CF/88. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1558DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.558 3 ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por voto de qualidade, em conhecer parcialmente do recurso e, na parte conhecida, negarlhe provimento mantendo a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural adquirida de produtor rural pessoa física, devida por subrogação, conforme estabelecido no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Vencidos na votação os Conselheiros Fábio Pallaretti Calcini, Juliana Campos de Carvalho Cruz e Leonardo Henrique Pires Lopes, que entenderam pelo provimento do recurso voluntário, devido à ausência de previsão legal da exação lançada. A Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz apresentará Declaração de Voto. Liége Lacroix Thomasi – Presidente Substituta. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente de Turma), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente de turma), André Luis Mársico Lombardi, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Fábio Pallaretti Calcini e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 1559DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 4 Relatório Período de apuração: 01/04/2003 a 31/08/2006 Data da lavratura do AIOP: 03/12/2008. Data da Ciência do AIOP: 12/12/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão de Primeira Instância Administrativa que julgou procedente em parte a impugnação ofertada pelo Sujeito Passivo do crédito tributário objeto do Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.5450, consistente em contribuições previdenciárias a cargo da empresa, destinadas ao custeio da Seguridade Social e ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a comercialização da produção rural, representada pela aquisição de gado bovino de produtores rurais pessoas físicas, devidas por subrogação, conforme descrito no Termo de Constatação Fiscal a fls. 519/561, e anexos. No Termo de Constatação Fiscal são transcritos trechos do relatório da Polícia Federal, onde são expendidas considerações detalhadas sobre a operacionalização dos procedimentos efetuados, e apresentadas, dentre outras, as seguintes informações: · A partir de denúncias e informações de órgãos fiscalizadores foi deflagrada a operação “Grandes Lagos”, identificandose situações que, em tese, são caracterizadoras de crimes de sonegação, tendo sido expedidos pelo Poder Judiciário mandados de busca e apreensão e de prisão preventiva, sendo determinada a instauração de inúmeras ações fiscais, dentre elas junto à autuada, pelo fato de adquirir notas fiscais “frias” de empresas “noteiras”, que efetuavam a venda de tais documentos fiscais visando a fraudar a administração tributária. · A fraude à administração tributária consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. · O gado era comprado, abatido e vendido pelo frigorífico cliente das empresas “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e comercialização dos produtos do abate eram feitos pelas “noteiras” de acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do gado e notas também “frias” de remessa desse gado ao frigorífico (cliente da “noteira”) para abate, seguindose a emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos. · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram constituídas com o único propósito de emitir notas fiscais ‘frias” para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto ao fisco e não despertar suspeitas sobre o verdadeiro faturamento desses “clientes”: (a) o patrimônio declarado das “noteiras” é insuficiente para Fl. 1560DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.559 5 suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos declarados do sócio majoritário da “noteira” e as receitas declaradas da empresa no período; (c) a movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”, mas com seus “clientes”. · A “noteira” “Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo”, além de vender notas fiscais “frias”, também comprava gado e vendia os produtos decorrentes do abate, sendo possível, mediante análise dos elementos apreendidos, identificar quais operações se subsumem a esta hipótese e quais eram os “clientes” relativos às demais (a fiscalização teve acesso a uma relação de códigos das notas fiscais emitidas que identificam as operações próprias e, distintamente, cada um dos “clientes”). · Foi elaborada planilha contendo os valores das operações referentes à autuada, na condição de “cliente” das “noteiras”, calculandose sobre este montante as contribuições devidas decorrentes da comercialização da produção rural de pessoas físicas, subrogadas à pessoa jurídica adquirente. · Representam fatos geradores das contribuições lançadas na presente autuação a produção rural adquirida de pessoa física com emissão de notas fiscais das “noteiras” (levantamento PR1). · Após minuciosa avaliação, os órgãos fiscalizadores fazendários decidiram pela inaptidão e cassação das inscrições das citadas empresas “noteiras”. · Posteriormente à deflagração da “Operação Grandes Lagos”, o Frigorífico Auriflama passou a declarar em GFIP os valores referentes à aquisição da produção rural do produtor pessoa física, o que se deve ao fato de a empresa “noteira” Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda ter encerrado suas operações. Ressalta que a autuada nunca teve como objeto social a prestação de serviços, mas sim frigorífico, e que os vendedores de gado à autuada eram os mesmos que antes realizavam as operações mediante a atuação da “noteira”. · Foi constatado que o Frigorífico Auriflama estava sob a administração dos Srs. Nelson Martins da Silva Jr. (CPF 047.863.90828) e Emerson Martins da Silva (CPF 076.542.63821). · Citando os artigos 121 e 124, I do Código Tributário Nacional – CTN, concluiu que as pessoas físicas mencionadas tiveram interesse comum nas situações que constituíram os fatos geradores das obrigações tributárias objeto da autuação, sendo portanto, solidariamente obrigadas ao pagamento dos tributos, originando a lavratura dos “Termos de Sujeição Passiva Solidária”. Fl. 1561DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 6 Irresignados com a autuação, os devedores principal e solidários apresentaram impugnação administrativa conjunta em face do lançamento, a fls. 575/664. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito da responsabilidade solidária atribuída aos sócios da empresa, conforme Despacho de Diligência, a fl. 680. Em atendimento à diligência requestada por meio do Despacho de Diligência acima citado, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos a fls. 684/693. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal antes mencionada, os devedores principal e solidários apresentaram, conjuntamente, no prazo que lhes fora assinalado, aditamento à impugnação a fls. 707/784. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou decisão administrativa textualizada no Acórdão nº 1439.514 – 9ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 1470/1484, julgando procedente em parte o lançamento fiscal em debate, para fazer excluir, somente e tão somente, a responsabilidade solidária atribuída aos Srs. Nelson Martins da Silva Jr. e Emerson Martins da Silva, e mantendo o crédito tributário em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 25 de março de 2013, conforme Termo de Abertura de Documento a fl. 1489. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 1492/1547, respaldando seu inconformismo em argumentação desenvolvida nos seguintes termos: · Erro na identificação do Sujeito Passivo, em razão de os fatos imponíveis relativos às obrigações exigidas são estranhos à órbita jurídica do Recorrente; · Discorre sobre princípios constitucionais; · Que o Parágrafo Único do art. 116 somente terá aplicação após a edição de lei ordinária regulamentadora; · Que a multa aplicada tem natureza confiscatória; · Ilegalidade da multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91; Ao fim, requer a anulação do crédito tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 1562DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.560 7 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE A intimação definitiva consumouse em 25/03/2013. Havendo sido o Recurso Voluntário protocolizado em 19/04/2013, há que se reconhecer sua tempestividade. 1.2. DO CONHECIMENTO DO RECURSO. Alega o Recorrente a ilegalidade da multa do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. Tal alegação, no entanto, não poderá ser objeto de apreciação e deliberação por esta Corte Administrativa, eis que a matéria nela aventada não integra o litígio em julgamento. Registrese que, no rito do Processo Administrativo Fiscal, a fase litigiosa do procedimento é instaurada mediante o oferecimento tempestivo de Impugnação à exigência fiscal contida em cada demanda administrativa, cujo instrumento de bloqueio deve mencionar, no mérito, os motivos de fato e de direito em que se fundamenta bem como os pontos de discordância. Nessa perspectiva, para que se instaure o litígio, é imperioso o confrontamento de posições entre o Fisco e o sujeito passivo, sendo, por tal motivo, consideradas como não impugnadas as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo impugnante. Também não se instaura litígio entre questões trazidas à baila unicamente pelo Impugnante e que não tenham sido objeto da exigência fiscal contida na contenda de per se considerada, ou que não guardem relação direta com os fundamentos do lançamento em debate, como se consubstanciam, exatamente, a alegação deduzida pelo Recorrente no parágrafo preambular deste tópico. Com efeito, no lançamento em questão não se encontra contida qualquer parcela decorrente do descumprimento de obrigação tributária acessória a ensejar a imputação da penalidade prevista no §5º do art. 32 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição Fl. 1563DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 8 previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). (...) Se, de fato, na mesma ação fiscal, houvese por lavrado eventual Auto de Infração de Obrigação Acessória decorrente do descumprimento objetivo da obrigação tributária prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, a ensejar a aplicação da penalidade pecuniária prevista no §5º do art. 32 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a procedência de tal autuação deve ser debatida nos autos do Processo Administrativo Fiscal que formalizou tal lançamento, e não neste, em razão da carência de competência deste Colegiado para decidir, neste Processo Administrativo Fiscal, sobre o litígio objeto de outro PAF diverso. Por tais motivos, esquivamonos de apreciar a questão acima ventilada, eis que em seu obséquio não se houve por instaurado, nos vertentes autos, qualquer controvérsia ou litígio a ser dirimida por esta Corte Administrativa. Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do recurso, dele conheço parcialmente. 2. DAS PRELIMINARES 2.1. DO SUJEITO PASSIVO Alega o Recorrente erro na identificação do Sujeito Passivo, em razão de os fatos imponíveis relativos às obrigações exigidas são estranhos à órbita jurídica do Recorrente. Aduz que o Fisco efetuou o lançamento do crédito tributário em face do Recorrente o qual se faz pertinente a outra pessoa jurídica, a DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO, sendo esta, a emitente das notas ficais e compradoras do gado relacionado no auto de infração, sendo esta detentora da responsabilidade tributária. Alega que a desconsideração da pessoa jurídica acima evidenciada para tributar, por via reflexa, a empresa requerente carece de razão jurídica e, também, da ação judicial necessária para anular o ato jurídico que atribuiu aos indicados a titularidade das compras e das notas fiscais emitidas. Acrescenta que o Fisco desbordou de suas competências para assumir as atribuições do Poder Judiciário ao qual compete, privativamente, pronunciarse sobre a nulidade dos negócios e dos atos que em tese tenham sido praticados com simulação. Não é o que dessai das provas dos autos. Fl. 1564DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.561 9 Em primeiro lugar, deve ser esclarecido que no presente lançamento não há qualquer procedimento de desconsideração da pessoa jurídica da empresa DISTRIBUIDORA DE CARNES E DERIVADOS SÃO PAULO. De maneira alguma. Por outro viés, deve ser relembrado que, tal qual no ramo do Direito do Trabalho, aplicase igualmente no Direito Previdenciário o Princípio da Primazia da Realidade dos fatos sobre a Forma Jurídica dos atos, o qual propugna que, havendo divergência entre a realidade das condições efetivamente levadas a efeito numa determinada relação jurídica e as forma dos atos jurídicos hipoteticamente concebidos em seus registros e idealizados para a sua execução, prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos. Havendo discordância entre o que ocorre na prática e o que está expresso em assentamentos públicos, documentos ou acordos, prevalecerá a realidade dos fatos. O que conta não é a qualificação contratual ou a concepção idealizada dos atos, mas a natureza das funções exercidas em concreto. No dizer de Américo Plá Rodrigues: “em matéria de trabalho importa o que ocorre na prática, mais do que aquilo que as partes hajam pactuado de forma mais ou menos solene, ou expressa, ou aquilo que conste em documentos, formulários e instrumentos de controle. Ou seja, o princípio da primazia da realidade significa que, em caso de discordância entre o que ocorre na prática e o que emerge de documentos ou acordos, devese dar preferência ao primeiro, isto é, ao que sucede no terreno dos fatos”. Em trabalho primoroso, Mauricio Godinho Delgado leciona que “No Direito do Trabalho devese pesquisar, preferentemente, a prática concreta efetivada ao longo da prestação de serviços, independentemente da vontade eventualmente manifestada pelas partes na respectiva relação jurídica. A prática habitual – na qualidade de uso altera o contrato pactuado, gerando direitos e obrigações novos às partes contratantes, respeitada a fronteira da inalterabilidade contratual lesiva” (DELGADO, Mauricio Godinho. Curso de Direito do Trabalho, 2ª ed. São Paulo: LTr, 2003, p.207) . No caso sub examine, o auditor fiscal apenas apurou a efetiva ocorrência de fatos jurídicos praticados na realidade nua dos fatos pela empresa Recorrente, os quais se ajustam taylor made na hipótese de incidência tributária genérica e abstrata prevista em lei, configurandose situação necessária e suficiente caracterizadora de fato gerador da contribuição previdenciária objeto do lançamento em questão, consoante art. 116, I, do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 114. Fato gerador da obrigação principal é a situação definida em lei como necessária e suficiente à sua ocorrência. Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável. Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os Fl. 1565DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 10 procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104/2001) Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. No caso presente, tratandose de situação de fato, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios, in casu, a comercialização de produção rural. Merece ser relembrado que, em 2006, a Polícia Federal instaurou Inquérito Policial para investigação dos fatos que chegaram ao seu conhecimento sobre organizações criminosas estabelecidas na região de Jales SP para a prática de crimes contra a ordem tributária, apropriação indébita e sonegação fiscal previdenciária e estelionato contra a Fazenda Pública. A partir de denúncias e das informações prestadas pelos órgãos fiscalizadores das Receitas Federal, Estadual e Previdenciária, dando conta de um Mega esquema de sonegação fiscal envolvendo o segmento de frigoríficos, a Policia Federal deflagrou a Operação Grandes Lagos instaurando o Inquérito Policial n° 200008/06, através do qual foram identificadas inúmeras situações que, em tese, caracterizam a prática de crimes de sonegação de tributos e contribuições sociais, cujos agentes foram denunciados ao Ministério Público Federal que, a partir de então, instaurou o Processo n° 2006.61.24.0016662, lavrado em 18/10/2006. A Justiça Federal de Jales expediu mandados autorizando a busca e apreensão de documentos em vários locais, assim como a prisão preventiva de mais de cem pessoas envolvidas no esquema, e ainda, através dos Ofícios n°s 076 e 078/2006 GABjcs, determinou a instauração de procedimento de fiscalização em diversas pessoas físicas e jurídicas, entre elas a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175. A denominada "Operação Grandes Lagos", deflagrada pela polícia federal, por solicitação da Receita Federal, desbaratou uma organização criminosa criada para fraudar a administração tributária, que vinha atuando na região de São José do Rio Preto havia muitos anos, tendo em vista que seria praticamente impossível para a Receita Federal identificar todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas, sem um trabalho de inteligência da Polícia Federal, inclusive com interceptações telefônicas. A seguir transcrevemos a parte inicial do relatório da Policia Federal sobre a Operação Grandes Lagos: "Desde pelo menos o ano de 2001, a Receita Federal e o INSS vêm recebendo denúncias de um megaesquema de sonegação fiscal envolvendo frigoríficos estabelecidos na região dos Grandes Lagos, no interior do Estado de São Paulo, sobretudo nos municípios de Jales e Fernandópolis. Segundo as denúncias, o grupo atuaria na região há pelo menos quinze anos. A partir destas denúncias, a Receita e o INSS iniciaram vários procedimentos fiscais contra várias empresas e pessoas físicas ligadas ao esquema. Finalizadas as fiscalizações, foram lançados os tributos, que atingem centenas de milhões de reais. No entanto, Fl. 1566DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.562 11 invariavelmente, quando a Fazenda Pública buscava cobrar os tributos devidos, verificava que nem as empresas, nem seus sócios, possuíam qualquer patrimônio em seu nome para honra/os. No curso dos trabalhos de fiscalização, tanto a Receita Federal quanto o INSS se deparavam com evidências de que as pessoas que constavam do quadro societário destas empresas eram apenas "laranjas”, que se reportavam a um nível hierárquico superior. Os auditores suspeitaram que as empresas fiscalizadas haviam sido constituídas com a única finalidade de sonegar tributos. Diante da dificuldade de comprovar o vinculo entre os verdadeiros sócios e as empresas abertas em nome de "laranjas" para a prática de crimes conta a ordem tributária, e dadas as evidencias da existência de uma verdadeira organização criminosa por trás destas empresas, no final do ano de 2005 a Receita Federal solicitou formalmente o apoio da Polícia Federal em Jales/SP, para que as investigações fossem aprofundadas, de modo a se identificar com precisão todo o esquema, para que os nomes dos infratores pudesse ser levado à julgamento pela Justiça." Nos trabalhos de investigação restou constatada a existência de uma grande organização criminosa, criada com o objetivo de fraudar a administração tributária, cujo modus operandi consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos e contribuições sociais, cujos interpostos movimentaram grande quantia de recursos por meio da rede bancária, mediante a abertura de contas em seus nomes, movimentando, porém, recursos pertencentes a terceiros, ou seja, aos titulares de fato. De acordo com a Delegacia de Policia Federal, em Jales/SP, compunham a estrutura da organização criminosa 159 empresas, incluindo suas filiais, e 173 pessoas que já haviam sido identificadas, das quais foram decretadas as prisões de 109 investigados. As funções de cada um no grupo variavam desde os "cabeças", os "laranjas", os "gerentes", os servidores públicos, os "facilitadores" e os "taxistas". Foram necessários cerca de 700 policiais federais, entre agentes, escrivães e delegados, para cumprir 109 mandados de prisão e 143 mandados de busca e apreensão. Neste contexto, a 1ª Vara da Justiça Federal em Jales/SP, através dos Ofícios n° 076 e 078/2006GABjcs, referentes ao Processo n° 2006.61.24.0016662, requisitou fiscalização junto às pessoas físicas e jurídicas envolvidas no esquema, e formalizou o encaminhamento à Receita Federal e à Receita Previdenciária de CDROM contendo cópia do relatório parcial do inquérito policial nº 2006.61.24.0003631, para possibilitar o pleno conhecimento das peças que envolveram a operação. Posteriormente, a Justiça Federal, a pedido da Receita Federal, decidiu pela quebra do sigilo bancário de todas as pessoas físicas e jurídicas envolvidas na operação, determinando às instituições financeiras que fornecessem, diretamente Delegacia da Receita Federal, as informações e documentos então requisitados por meio da competente Requisição de Movimentação Financeira — RMF, Em decorrência do Oficio n° 37/07SEC/DPF/JLS/SP, de 28/03/2007, da Policia Federal de Jales, a Justiça Federal, através da lª Vara Federal de Jales, por intermédio do Oficio n° 618/2007SCmlc, de 29/03/2007, cientificou o Delegado da Receita Federal do Fl. 1567DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 12 Brasil em São José do Rio Preto de sua decisão proferida no dia anterior, acolhendo representação da Autoridade Policial no sentido de que o acervo apreendido pela Policia Federal fosse disponibilizado para a Receita Federal, para fins de condução das competentes fiscalizações. O esquema de sonegação que deu origem à Operação Grandes Lagos é uma grande teia, revelando estreito envolvimento entre empresas e pessoas, dentro de uma inextricável conspiração representada por operações de inúmeras espécies, com o objetivo de ofuscar os olhos do fisco quanto os reais empreendedores e suas responsabilidades tributárias. Toda a complexidade implementada pelos sonegadores se transformou num grande mapa, que traz delineadas todas as operações realizadas, os caminhos percorridos, as pessoas envolvidas (tanto os "laranjas" quanto os titulares de fato), as empresas e os objetivos de cada um dos participantes, possibilitando, enfim, uma visão macro de toda a engrenagem do sistema. Transcrevemos, adiante, excertos constantes do Termo de Constatação Fiscal, a fls. 519/561, que bem ilustram o mecanismo engendrado no esquema de sonegação ora em realce: “A Policia Federal, em seu trabalho de inteligência, classificou o "Grupo dos Noteiros" como um dos elos da corrente criminosa, tendo sido constatado que este núcleo desenvolveu uma metodologia própria de sonegação, diferentemente de outros grupos melhor estruturados dentro da organização. Senão vejamos: “Grupo dos "Noteiros" A célula da organização criminosa que denominamos de Grupo dos 'Noteiros', diferentemente dos grupos Itarumã e Mozaquatro, não tem sua principal fonte de renda nos tributos que sonega, mas sim nos "serviços" que presta a sonegadores, que consistem em fornecer notas fiscais "frias" a frigoríficos e "taxistas" que, ao contrário dos grupos Itarumã e Mozaquatro, ainda não se sofisticaram a ponto de montarem e manterem sua própria estrutura de sonegação. Através dos depoimentos em anexo, efetuados pelos sócios e funcionários da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda à Policia Federal, tornase possível consolidar a constatação do perfil daquela empresa na condição de "noteira". Em especial, mediante os termos das declarações prestadas por Ana Claudia Valente Fioravante, funcionária da Distribuidora São Paulo, aos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, Paulo César Martinasso e Valmir da Cruz, em anexo às fls. 122 a 125. Cabe registrar que de tais declarações prestadas restou claro que o negócio da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, era vender notas fiscais. Determinado trecho do Termo de Declarações merece ser transcrito aqui: "Ainda com relação aos códigos utilizados pela referida empresa, foi apresentada uma relação à declarante, extraída dos arquivos magnéticos apreendidos na Distribuidora São Paulo, na qual constam os códigos dos "clientes" (compradores Fl. 1568DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.563 13 de notas) da Distribuidora São Paulo e dos frigoríficos onde eram realizados os abates. A declarante afirma, categoricamente, que a listagem corresponde com a situação de fato, ou seja, os códigos constantes da lista apresentada são os mesmos que ela utilizava na confecção das notas fiscais na Distribuidora São Paulo." (grifo nosso) Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP em outubro de 2006, constante nas fls. 126 a 129, Ana Claudia Valente Fioravante confirmou, com maior riqueza de detalhes, que o negócio da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, era vender notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem destaque: "(...) QUE perguntada qual é a atividade da distribuidora São Paulo informou ser 'tirar nota; QUE perguntada se esta atividade é lícita informou que achava que sim; QUE perguntada porque achava e não acha mais, respondeu que no sábado da semana passada a gerente da distribuidora, NINA, determinou que a interroganda levasse para sua casa as notas fiscais em branco que costumeiramente são preenchidas a posteriori por determinação de VALDER; QUE perguntada a razão pela qual deveria levar tais documentos para sua residência informou, ao que sabe, seu patrão, VALDER, obteve informação de que haveria uma fiscalização na distribuidora; (..) (grifo nosso) (...) QUE esta era uma prática na distribuidora, sendo certo que não havia qualquer controle de venda e entrega efetiva da mercadoria; QUE quem vendia realmente a carne eram os frigoríficos; (..) (..) QUE a BOI RIO hoje mudou o nome para COFERFRIGO e que lá também há o serviço de "tirar nota"; (...) (grifo nosso) (..) QUE apresentada a ligação 200607170848182 informou que ALCEU taxista que sempre pega nota com a distribuidora;" (..) (grifo nosso). No Relatório Eletrônico da Policia Federal (que contém 977 folhas) que foi repassado à Receita Federal para subsidiar as ações fiscais pertinentes, há muitas menções à "Distribuidora São Paulo", dentre as quais destacamos: (..) Alguns gerentes são auxiliados pelo que poderíamos chamar de "subgerentes; que têm poder de decisão bastante mitigado, apesar de conhecerem e praticarem as fraudes. Nina, da Distribuidora São Paulo, é auxiliada pela "subgerente" Fl. 1569DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 14 Monique de Medeiros Venda; Karla, da Norte Riopretense, é auxiliada pela "subgerente" Jaqueline Vilches da Silva. Na verdade, tais pessoas praticam atos de execução, e não de gerenciamento propriamente dito. [fis. 2728/977] Representaremos pela prisão dos procuradores das empresas Coferfrigo, Distribuidora São Luiz, Norte Riopretense e Distribuidora São Paulo. Todas elas emitem notas fiscais "frias" para calçar operações comerciais de sonegadores e abriram contas para que "taxistas" possam movimentar sua produção sem que eles sejam detectados pelo fisco, como veremos adiante. [fis. 31/977] O fato de uma empresa declarar receita de atividade de R$ 172 milhões sem ter movimentado valores em instituições financeiras no período indica que ela foi constituída com o único propósito de emitir notas fiscais "frias" para calçar operações de compra e venda de terceiros que desejam se ocultar do fisco, assim como fazem as empresas do Grupo dos Noteiros, como a Distribuidora São Paulo, além de operações para gerar créditos fictícios de ICMS. [fis. 99/977] Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. A função da empresa no esquema A Distribuidora São Paulo é a principal empresa utilizada pelo Grupo dos Noteiros para emissão de notas fiscais "frias" para acobertar operações de compra de gado e venda de carne realizadas por terceiros frigoríficos e "taxistas" que desejam ocultar estas operações do fisco para não despertar suspeitas sobre seu verdadeiro faturamento. As pessoas envolvidas nas fraudes da Distribuidora São Paulo Valder Antônio Alves (Macaúba) É o "cabeça" do esquema e o proprietário de fato e de direito da Distribuidora São Paulo, com 99% de participação no quadro societário. Tem amplo poder de decisão na empresa, contando com Maria dos Anjos de Medeiros como seu braçodireito. A folha de antecedentes criminais de Valder é extensa: foi indiciado em oito inquéritos policiais e denunciado em dezesseis processos criminais, respondendo por estelionato, apropriação indébita, porte ilegal de arma de fogo, crime contra a saúde pública (art. 268, CP), perigo para a vida ou saúde de outrem (art. 132, CP), além de cinco processos por sonegação fiscal. Já foi preso uma vez por crime contra a saúde pública e três vezes por crimes contra a ordem tributária. Luzia de Jesus Gonçalves "Laranja" com participação mínima de apenas R$ 10,00 na empresa, que permaneceu apenas cerca de um mês no quadro Fl. 1570DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.564 15 societário. Sua função era apenas emprestar seu nome para que não fosse necessário registrar a empresa como firma individual. Cláudia Regina Barra Moreno "Laranja" que substituiu Luzia de Jesus Gonçalves na Distribuidora São Paulo, de modo que permanecesse viável o registro da distribuidora como uma sociedade limitada e não como uma firma individual. Cláudia chegou a ter apenas R$ 1,00 de participação, mas o valor foi alterado para os atuais R$ 500,00. No curso das investigações uma funcionária da distribuidora chegou a telefonar para Cláudia dizendo que se seu nome permanecesse inscrito nos serviços de proteção de crédito, Valder iria retirála da sociedade, colocando Vinícius dos Santos Vulpini em seu lugar. Maria dos Anjos de Medeiros (Nina) "Gerente" do esquema, é o braçodireito de Valder Antônio Alves na Distribuidora São Paulo, gozando de ascendência em relação aos demais funcionários. Flagrada em vários diálogos negociando notas fiscais "frias" e notas fiscais em branco da distribuidora para vários clientes da empresa. Cuida da movimentação de valores da organização em contas bancárias de "laranjas". Ana Cláudia Valente Fioravante É “gerente" da organização criminosa, embora subordinada a Maria dos Anjos de Medeiros. Flagrada em vários diálogos em que vende notas fiscais "frias" a clientes da Distribuidora São Paulo. Monique de Medeiros Venda Também atua como "gerente', ocupando uma posição subalterna em relação a Maria dos Anjos de Medeiros e a Ana Cláudia Valente Fioravante. Na verdade, executa tarefas de execução e não de gerenciamento propriamente dito, pois não comanda os negócios, apenas anota pedidos de notas fiscais "frias" dos clientes do esquema. Yuki Hilton de Noronha É contador da organização criminosa, mas eventualmente também negocia notas fiscais, como apontam os diálogos interceptados no curso da investigação. Yuki teve mandado de prisão preventiva expedido contra si pela 4ª Vara Criminal de São José do Rio Preto. Já foi preso em flagrante delito por tráfico de entorpecentes em Piracicaba, respondeu a outro inquérito policial por tráfico na delegacia de Laranjal Paulista e foi preso em flagrante pela delegacia de Guapiaçu por delito não discriminado no Infoseg. Foi Fl. 1571DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 16 denunciado duas vezes por tráfico de entorpecentes, em São José do Rio Preto e em Piracicaba. Antônio Zanchini Júnior Contador da organização criminosa responsável pela Distribuidora São Paulo, atuando em conjunto com Yuki Hilton de Noronha. Leonardo Joaquim Duran Alves "Laranja" e irmão de Valder Antônio Alves. Empresta sua conta corrente para que valores da organização criminosa sejam movimentados. Alex Sandro Pereira da Silva Procurador da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. Foi funcionário do Frigorifico Baby Beef entre 1999 a 2001. É "gerente" da quadrilha. Ricardo Aparecido Quinhones Procurador da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. É funcionário registrado pelo Frigorifico Baby Beef desde 1999 até hoje. Concomitantemente a este registro, consta como empregado da Distribuidora São Paulo desde 2003. É "gerente" da quadrilha. Aletheia Aparecida Bagli Correia Procuradora da conta da Distribuidora São Paulo aberta no banco Bradesco. Era registrada como empregada pelo Frigorifico Baby Beef até 2001; em 2003, foi registrada pela Distribuidora São Paulo. É "gerente" da quadrilha. As provas do esquema de sonegação fiscal No cadastro da Distribuidora São Paulo na Receita Federal, Valder Antônio Alves, mais conhecido por Macaúba, consta como seu responsável. As informações da Receita Federal sobre a empresa, no entanto, estão incompletas, sem informações sobre seu quadro societário. O histórico de alterações societárias pode ser visto na sua ficha de breve relato. Lá consta que a empresa iniciou suas atividades em julho de 1992, com um capital social de Cr$ 1.500.000,00, dos quais 1.499.990,00 pertenciam a Valder Antônio Alves e os R$ 10,00 restantes pertenciam a Luzia de Jesus Fl. 1572DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.565 17 Gonçalves, que apenas um mês depois foi substituída na sociedade por Cláudia Regina Barra Moreno. A função de Luzia e de Cláudia na sociedade é única e exclusivamente emprestar seu nome para que a Distribuidora São Paulo não se enquadre na classificação de firma individual, pois se assim fosse, o patrimônio pessoal de Valder responderia pelas dívidas da empresa. Em 26.10.1999 o capital social da empresa é alterado para R$ 3.000,00, dos quais R$ 2.999,00 pertencentes a Valder e o R$ 1,00 restante a Cláudia. Em outubro de 2001, a Distribuidora São Paulo é enquadrada como empresa de pequeno porte, condição que manteve até junho de 2005, quando alterou seu capital social para R$ 50 mil (99% de Valder e 1% de Cláudia). A quebra de sigilo fiscal da empresa mostra que, mesmo sendo enquadrada como empresa de pequeno porte, com um capital social de míseros três mil reais, entre os anoscalendário de 2001 a 2004, a Distribuidora São Paulo declarou mais de um bilhão e cem mil reais de receita de sua atividade, soma absolutamente incompatível com aquele valor. No período, nem um centavo dos tributos federais incidentes sobre a atividade da empresa foi recolhido aos cofres públicos. Em termo de informação fiscal encaminhado à Justiça, o auditor que examinou os números da empresa consignou que a Distribuidora São Paulo "não possui patrimônio declarado que suportaria tais operações" e que se trata de "empresa utilizada, provavelmente, para emissão de notas fiscais para suporte das operações de terceiros”: Pesquisas nos websites do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo e do Tribunal Regional Federal da Terceira Região mostram que a Distribuidora São Paulo responde a dezenas de execuções fiscais, dentre outros processos. Também é objeto de investigação em inquéritos policiais. No relatório da Receita Federal que consolida as informações da renda e do patrimônio declarados e da movimentação bancária de Valder Antônio Alves saltam aos olhos várias discrepâncias que dizem muito sobre sua estratégia de sonegação fiscal e de blindagem patrimonial. Em primeiro lugar, vemos que entre os anoscalendário de 2001 a 2002, Valder declarou rendimentos de apenas R$ 26.390,00. A Distribuidora São Paulo, empresa da qual Valder detém 99% do capital social, declarou no mesmo período receita R$ 351.039.621,18. Em que pese o princípio contábil da entidade tomar por separado o capital da empresa e o de seus sócios, não é nem minimamente crível que o proprietário de um empreendimento que movimente mais de trezentos e cinquenta milhões de reais em dois anos viva com uma renda de pouco mais de mil reais mensais. E a movimentação financeira do investigado confirma a tese de que sua renda pessoal é maior do que a declarada à Receita Federal. Nos anos de 2001 a 2002, Valder Antônio Alves movimentou em sua Fl. 1573DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 18 conta pessoa física R$ 1.992.420,02, ou 75 vezes o valor de seus rendimentos declarados. Entre 2003 a 2005, declarou rendimentos de R$ 275.643,63 e movimentou em bancos quinze vezes mais: R$ 4.361.736,83. Interessante notar que até o exercício de 2003, o patrimônio declarado Receita por Valder Antônio Alves era de insignificantes R$ 1,21; no exercício de 2005, declarou R$ 56.993,63, valor ainda assim muito inferior ao que se espera do patrimônio de alguém que detenha 99% de um empreendimento que em apenas quatro anos teve uma receita de um bilhão e cem mil reais. Ocorre que Valder não coloca bens em seu nome, pois se assim o fizesse, estaria sujeito ao seu bloqueio judicial para pagamento de débitos tributários. A Distribuidora São Paulo responde a dezenas de processos na Justiça, como pode comprovar uma simples consulta à página do Tribunal de Justiça do Estado de São Paulo na Internet. Na Distribuidora São Paulo, Valder tem toda uma estrutura montada para atender aos clientes que adquirem notas fiscais "frias" da empresa. Lá trabalham diretamente com o fornecimento de notas fiscais, atendendo aos clientes da quadrilha, Maria dos Anjos de Medeiros (Nina), Monique de Medeiros Venda e Ana Cláudia Valente Fioravante. Na área contábil da empresa trabalham Antônio Zanchini Júnior e Yuki Hilton de Noronha. O Relatório do Banco Central encaminhado à Justiça em razão da quebra do sigilo bancário da Distribuidora São Paulo revela que a empresa mantém vínculos com oito instituições financeiras. Além dos sócios da empresa, sua conta no banco Bradesco é movimentada, por meio de procuração, por Aletheia Aparecida Bagli Correia, Alex Sandro Pereira da Silva e Ricardo Aparecido Quinhones. Aletheia foi funcionária do Frigorifico Baby Beef até 2001, e em 2003 era registrada pela Distribuidora São Paulo. Alex Sandro foi funcionário do Frigorifico Baby Beef nos anos de 1999, 2000 e 2001. Ricardo Quinhones consta como funcionário do Frigorifico Baby Beef; ininterruptamente, de 1999 a 2005. Concomitantemente, é funcionário registrado pela Distribuidora São Paulo desde o ano de 2003 até hoje. Também é procurador de conta da Norte Riopretense, como mostra relatório do Banco Central. As interceptações telefônicas trouxeram provas valiosas das fraudes perpetradas por Valder Antônio Alves e seus funcionários mediante a utilização da Distribuidora São Paulo. A seguir, indicaremos os principais registros das ligações interceptadas e faremos um breve resumo das conversas. Aqui serão resumidas as ligações em que não foi possível identificar quem é o cliente que está adquirindo as notas fiscais, com poucas exceções, em que o cliente foi identificado mas transcrevemos o registro também aqui por ser importante à compreensão do "esquema". Os registros de diálogos em foi possível identificar o cliente do esquema serão transcritos no item reservado aos "clientes de Valder Antônio Alves. A transcrição integral das conversas consta de item à parte no relatório." [fls. 131136/977] Fl. 1574DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.566 19 Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP, no dia 17 de outubro de 2006, vide fls. 130 a 135, Monique de Medeiros Vendas, secretária da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNPJ 68.195.072/000175, também reforça a tese de que a "Distribuidora São Paulo" era uma distribuidora de notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem transcrição: (...) Comércio de Carnes Boi Rio Ltda, sabendo afirmar que o escritório de "Macaúba" tirava nota para essa empresa, (...) [fls. 504] (...) Ricardo Aparecido Quinhones, funcionário do Baby Beef em Andradina; Aletéia Aparecida Barbi Correa, trabalha dentro do frigorifico Baby Beet; não sabe informar a função (...)" [fis. 504] Em seu Auto de Qualificação e Interrogatório lavrado na Policia Federal em Jales/SP, no dia 07 de outubro de 2006, objeto das fls. 136 a 140, Maria dos Anjos de Medeiros, também conhecida pela alcunha "Nina", gerente administrativa da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, CNN 68.195.072/000175, também reforça e em muito a tese de que a "Distribuidora São Paulo" era uma distribuidora de notas fiscais. Alguns trechos de seu depoimento merecem transcrição: "(..) Questionada sobre de quem, na empresa, parte a ordem para não recolher os tributos incidentes nas operações da Distribuidora São Paulo, respondeu que é Valder Antônio Alves. Questionada se a Distribuidora São Paulo vende as notas fiscais que emite a empresas e pessoas físicas, respondeu que a distribuidora cobra uma "taxa" pela emissão de notas fiscais que embasam operações de terceiros. [fls. 506] (...) Questionada sobre quem faz a distribuição da carne abatida pelos frigoríficos aos supermercados e açougues, respondeu que são os próprios frigoríficos e "taxistas". Questionada sobre o que a Distribuidora São Paulo faz, se não abate gado, nem distribui carne, respondeu que ela apenas "emite notas". (grifo nosso) [fls. 508] (..) Questionada sobre o envio de notas fiscais em branco da Distribuidora São Paulo a outras empresas, respondeu que isso é feito "para facilitar o faturamento porque o frigorífico é longe, fora de Rio Preto”. Todas estas notas são registradas posteriormente, no final do mês. [fls. 508] (...) Notas fiscais em branco também são enviadas ao Frigorifico Baby Beef [fls. 508] (..) Questionada sobre o quanto é cobrado pelas notas fiscais emitidas, respondeu que pelo conjunto das notas de entrada, de remessa, de retorno e de venda é cobrado R$ 4,00 por cabeça Fl. 1575DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 20 de gado bovino e R$ 2,00 em caso de gado suíno. Questionada sobre desde quando funciona o esquema de venda de notas fiscais, respondeu que desde que a interroganda trabalha na empresa, isto é, há dez anos." [fls. 509] Pelo "pacote" de serviços, ou seja, notas fiscais de entrada para acobertar as compras de gado; notas fiscais de remessa ao frigorifico para o abate do gado; e consequentes notas fiscais de saída para dar suporte às respectivas vendas da carne, a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. cobrava do cliente a quantia de R$ 4,00 (quatro reais) por cabeça de gado adquirida e abatida. Quando o abate era de suínos o preço era de R$ 3,00 (três reais) por cabeça, conforme evidências apuradas pela Policia Federal em seu trabalho de inteligência. Vejamos parte do seu relatório, quando se refere ao esquema dos "noteiros": Há grupos empresariais, no entanto, que não sofisticaram sua engrenagem de sonegação fiscal a ponto de constituírem suas próprias empresas em nome de "laranjas". Neste caso, para movimentar parte do seu faturamento sem despertar a atenção do fisco, os sócios destes empreendimentos se valem do know how de Valder Antônio Alves, vulgo Macaúba, "cabeça" dos "noteiros; que tem distribuidoras de carnes de fachada abertas com o propósito de emitir notas fiscais "frias" para embasar operações comerciais de compra e venda de gado e carne de terceiros. As interceptações telefônicas autorizadas pela Justiça permitiram traçar com precisão o modus operandi de Valder Antônio Alves e de seus clientes. Quando um frigorífico ou um "taxista" adquire gado do produtor rural e não deseja emitir a nota de entrada da mercadoria para fugir do pagamento do tributo, ele entra em contato com Valder Antônio Alves e seus funcionários e encomenda a nota, que será emitida por uma das empresas de Valder: a “Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda” ou a “Norte Riopretense Distribuidora Ltda”. A primeira está registrada em nome do próprio Valder Antônio Alves e de uma sócia "laranja”. A segunda está registrada em nome da empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Luiz Ltda. e do "laranja" Vinícius dos Santos Vulpini. O pagamento é feito ao produtor rural pelo frigorifico ou pelo "taxista" que adquire o gado. A nota fiscal, no entanto, é emitida pela empresa de Valder, que, aos olhos do fisco, é quem fez a transação. Adquirido o gado do produtor, em geral ele é abatido pelo próprio frigorifico que o adquiriu, seja em suas próprias instalações ou em instalações arrendadas de terceiros, caso não possua planta industrial própria. No caso dos "taxistas”, como eles não possuem instalações para abate, o gado adquirido do produtor rural sempre é abatido em instalações de terceiros, que cobram uma "taxa" pelo serviço (daí a denominação "taxista”), em geral um percentual em dinheiro e mais o subproduto do abate (couro e sebo). Fl. 1576DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.567 21 Abatido o gado, a carne será vendida pelo frigorifico ou pelo "taxista" a uma casa de carnes ou a um supermercado. A nota fiscal de saída também será emitida em nome de uma das empresas de Valder Antônio Alves, e não em nome de quem está vendendo a carne. O comerciante que adquire a carne do frigorifico ou do "taxista" fará o pagamento a eles, e não a Valder ou às suas empresas, que apenas emitirão a nota fiscal. Eventualmente, as empresas dos "noteiros" também emitem notas fiscais de simples remessa para o verdadeiro responsável pela operação. Assim, alegase que o frigorifico cliente do esquema apenas "prestou serviços de abate" às distribuidoras de fachada dos noteiros, mas não é o verdadeiro dono do gado e das carnes. Abaixo, o esboço do esquema, onde se pode ver claramente que a empresa de fachada ou "noteiro" apenas emite as notas fiscais da transação, mas o gado, a carne e o dinheiro são movimentados pelo frigorífico que usa dos seus "serviços". Os clientes dos "noteiros" pagam pelas notas fiscais "frias" emitidas quatro reais por cabeça de gado bovino e três reais por cabeça de gado suíno. As interceptações telefônicas comprovam que, aos clientes mais fiéis, que tem movimento maior e gozam de maior confiança de Valder Antônio Alves, são enviadas caixas de formulários contínuos, com notas fiscais em branco de suas empresas, que são preenchidas nas dependências das empresas que as adquirem, as quais acertam o pagamento pelos "serviços" de Valder posteriormente, dependendo do volume de gado negociado. Para evitar a prisão dos sócios por sonegação fiscal, as empresas do Grupo dos Noteiros não deixam de declarar ao fisco os tributos incidentes sobre suas operações simuladas. No entanto, estes nunca são recolhidos. Para frustrar eventual ação do fisco ou da Justiça, estas empresas e também seus sócios não possuem bens em seu nome." O Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", em interrogatório à Policia Federal, questionado a quem a sua empresa emite formulário de nota fiscal em branco, informou que "é tirado o formulário contínuo mesmo e enviado em branco para o frigorifico", conforme consta nas fls. 141 a 148. [...] DOS ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS DO ESQUEMA Além dos documentos oficiais foram obtidos junto ao acervo apreendido na Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda determinados documentos extraoficiais, os quais relatam dados a respeito do modus operandi utilizado pelos fraudadores, dentre os quais destacamse : Fl. 1577DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 22 · Sete folhas manuscritas através das quais a Faturista da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, Ana Claudia Valente Fioravante demonstra para outra funcionária de nome 3anaina os caminhos que devem ser tomados para a realização do faturamento de gado e da carne, especificando a transformação do peso do gado para peso em carne, o preço das partes do gado abatido, os critérios quanto a eventuais saldos entre um peso e outro, enfim, fazendo um "passoapasso" sobre o esquema. · Um caderno com folhas manuscritas (fls. 161 a 220) que servia para apontamento diário dos recados advindos de visitas e ligações telefônicas para o Sr. "Macaúba" (Valder Antonio Alves), onde muitos dos seus dados estabelecem associação aos nomes incluídos na relação dos "vendedores" da Distribuidora São Paulo. Tais anotações fazem referência apenas aos telefonemas não atendidos pelo Sr. Valder. Em determinados recados as pessoas anteciparam o assunto que desejavam tratar com o Sr. "Macaúba" (Valder Antonio Alves), tal qual ocorreu nos exemplos abaixo. Ressaltamos, porém, que os termos a seguir não dizem respeito à transcrição das conversações e sim aos recados anotados pela funcionária. "... Cosmo Vargas pediu p/ você ligar para ele a respeito de nota..."; "... Eder (Adamantina) quer conversar com você sobre notas"; "... Dito (Prudente) ligou, falou que não é para ligar no frigorífico é p/ ligar no celular dele ... se for a respeito de notas". · A listagem a que se referiu Ana Cláudia Fioravante Valente, funcionária da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, rotulada pela própria empresa de "Código dos Vendedores", contendo o número de cada um dos clientes da distribuidora, foi um dos documentos apreendidos na empresa, tanto em meio papel como em arquivo magnético. Os clientes ali relacionados são pessoas físicas ou jurídicas empreendedoras no segmento de frigoríficos, que praticaram as relações comerciais pertinentes ao seu ramo de negócios, notadamente as compras de gado e as vendas dos produtos advindos do seu abate, através de Notas Fiscais em nome da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, eximindose, portanto, dos encargos tributários decorrentes destas operações, uma vez que seus nomes não figuram em tais transações e sim o da distribuidora. Na referida listagem está inserido o cliente n° "6 — Auriflama". Nas fls. 224 e 225 temos os códigos dos frigoríficos onde se realizavam os abates e nas fls. 226 a relação dos clientes da FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda, outra empresa "noteira" pertencente ao Sr. Valder Antonio Alves (Macaúba). O cliente pessoa jurídica se trata de um frigorifico normalmente regulamentado perante os órgãos de registro do comércio e da indústria, dotado, portanto, de inscrição junto ao Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica — CNPJ frente à Receita Federal do Brasil. Neste caso, em relação ao esquema dos "noteiros", a distribuidora fornece a Nota Fiscal de Entrada para acobertar a Fl. 1578DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.568 23 compra do gado junto ao produtor rural (que de fato ocorreu), em cuja nota é apontado o frigorifico onde o mesmo será abatido (o próprio cliente da distribuidora). Na sequência a distribuidora emite Nota Fiscal de Remessa do gado para abate no frigorifico e o seu respectivo retorno (operações fictícias), e por fim as Notas Fiscais de Saída correspondentes venda dos produtos oriundos do abate (operações reais). Clientes com grande movimentação recebiam da distribuidora caixas de formulário contínuo de notas fiscais em branco para que eles próprios pudessem proceder as emissões necessárias. Quando pessoa física, o cliente é conhecido como "taxista" em razão de que paga uma taxa para um determinado frigorífico para desenvolver o abate do gado que adquire, uma vez que não possui estrutura própria para esse fim. Desta forma, a sequência de emissão de notas se dá nos mesmos moldes acima, entretanto, o frigorifico mencionado como local de abate será aquele determinado pelo "taxista". Em ambos os casos, ou seja, em sendo o cliente uma pessoa física ou jurídica, eles remuneram a distribuidora pelo fornecimento das notas fiscais à razão de uma determinada quantia por cabeça de gado. Conforme informações obtidas a partir das declarações e depoimentos, e sobretudo, com base em documentos apreendidos, identificamos esse valor como sendo de R$ 4,00 (quatro reais) por cabeça de gado bovino. O volume de notas fiscais emitidas pela Distribuidora São Paulo é algo assustador. Fosse ela uma empresa "de fato" e suas operações reais, seria uma das maiores da região dos Grandes Lagos em faturamento. Em relação ao período compreendido nesta ação fiscal detectamos que foram emitidas cerca de 2 milhões de notas fiscais, correspondendo a quase 200 mil notas por ano, 17 mil por mês, ou ainda, 600 por dia. Um talonário comum de nota fiscal geralmente contém 50 notas. Portanto, neste contexto, a Distribuidora São Paulo estaria consumindo algo em torno de 12 talões de notas fiscais por dia. Como controlar a conta de cada cliente diante de tamanho volume de notas? Muito simples; no rodapé de cada nota era mencionado o código do respectivo cliente, e a partir daí bastava alimentar um sistema informatizado para se obter a posição de cada um a qualquer tempo. A surpresa, entretanto, ficou por conta de que este aplicativo, juntamente com os documentos que forneceram os seus dados, fora apreendido pela Policia Federal e, por ordem judicial, disponibilizado à Receita Federal do Brasil para subsidiar a fiscalização que deu origem ao presente termo. No Anexo I do presente processo juntamos vários conjuntos de notas fiscais, demonstrando o esquema a partir da Nota Fiscal do Produtor (a ponta inicial de todo o processo), passando pela Nota Fiscal de Remessa para Abate (operação simulada), chegando até a Nota Fiscal de Saída (venda do produto oriundo do gado abatido). Cada conjunto de notas se refere a um determinado cliente da Distribuidora São Paulo, devidamente identificado pelos seus respectivos códigos, os quais se acham apontados no rodapé das notas fiscais da distribuidora. Fl. 1579DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 24 Portanto, ao analisar os exemplos das notas fiscais convém atentar para o detalhe da numeração consignada nos seus rodapés. Vêse que há um ciclo compreendendo a nota de entrada, às vezes congregando mais de uma nota de produtor, seguida da nota de remessa e das sucessivas notas de vendas. É possível notar, ainda, que na maioria dos exemplos a pessoa responsável pelo faturamento na distribuidora fazia um apontamento na Nota Fiscal do Produtor, identificando o número da Nota Fiscal de Remessa e o número correspondente ao código do "vendedor", ou seja, o verdadeiro titular da operação. Ao final da amostragem de cada cliente da distribuidora, juntamos um volume maior de documentos do mesmo gênero, os quais se relacionam exclusivamente com o cliente n° "6 — Auriflama". O Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", também é sócio proprietário da empresa Norte Riopretense Distribuidora Ltda, atualmente denominada FriNorte Comércio e Distribuidora de Carnes Ltda, inscrita no CNRI sob n° 01.552.024/000116, uma vez que figura no quadro societário da Distribuidora de Carnes e Derivados São Luis Ltda, CNPJ 01.698.432/000180, sócia majoritária daquela empresa. Além disto, figura no Contrato Social da FriNorte como sóciogerente, na medida em que lhe foi atribuído poderes para substituir o Sr. Vinícius dos Santos Vulpini, no impedimento deste. De forma idêntica à adotada na Distribuidora São Paulo, a FriNorte também servia aos seus "clientes" notas fiscais "frias" para acobertar suas operações comerciais de compra de gado e venda de produtos, tendo sido constatado que vários "clientes" eram comuns às duas empresas. Demonstramos nas fls. 227 a 233, um documento de controle interno da "noteira", importante para corroborar com a tese da existência do esquema desbaratado pela Policia Federal. Tratase de um demonstrativo mensal referente à totalização dos quatro reais por cabeça, cobrado de um dos seus clientes, onde, claramente, se observa que em função das notas emitidas e do consequente número de cabeças que elas compõem, surgiu o débito do cliente perante a "noteira". Nada diferente, portanto, daquilo que a Policia Federal já havia detectado e que a Receita Federal do Brasil vem confirmar através deste procedimento fiscal. Verificase que no citado ajuste de contas havia o envolvimento de subprodutos. Esse fato era comum e justifica eventuais operações de dação em pagamento realizadas mediante notas fiscais da Distribuidora São Paulo, conforme se observa no conjunto das notas fiscais mencionado acima. Avulta das provas dos autos a efetiva ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias consistentes na comercialização de produção rural, cujas contribuições previdenciárias deles decorrentes não se houveram por recolhidas aos cofres públicos, na forma e nos prazos previstos em lei. De acordo com o art. 37 da Lei nº 8.212/91, sendo constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias, a Fiscalização tem, por dever de ofício, que lavrar a competente notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme assim procedeu, no caso, a Autoridade Lançadora. Fl. 1580DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.569 25 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). A eleição do Sujeito Passivo a figurar no polo devedor da relação jurídico tributária é prerrogativa privativa da Autoridade Administrativa Fiscal, a teor do art. 142 do CTN. Código Tributário Nacional CTN Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Conforme expressamente consignado no art. 121, I, do Código Tributário Nacional, considerase Contribuinte a pessoa obrigada ao pagamento do tributo que tenha relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da exação. Código Tributário Nacional CTN Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Fl. 1581DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 26 No caso presente, a pletora documental presente nos autos demonstra que quem detinha a relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora lançado não era a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, mas, sim, os clientes dessa empresa “noteira”, que se utilizavam do esquema fraudulento acima descrito para se esquivar do recolhimento de tributos. Transcrevemos, adiante, trechos do Termo de Constatação Fiscal que versa a respeito da identificação do Sujeito Passivo: “DA IDENTIFICAÇÃO DOS SUJEITOS PASSIVOS O procedimento fiscal desenvolvido junto às distribuidoras "noteiras" teve como um dos principais objetivos a identificação dos seus "clientes", assim como o quantum que corresponderia a cada um, no que diz respeito às contribuições previdenciárias por eles devidas em decorrência das suas reais operações, ocultadas pelo esquema de sonegação então empreendido. O vocábulo "cliente" já foi bastante explorado neste termo, e como já vimos é utilizado quando nos referimos àquelas pessoas físicas ou jurídicas que adquiriram notas fiscais "frias" das distribuidoras para "esquentar" suas respectivas operações de compra de gado e venda dos produtos, os quais constam na relação de "vendedores" das distribuidoras. Sabese que cada cliente possuía um código específico, que servia para identificar as notas fiscais emitidas em decorrência de suas operações. A apreensão de documentos nos permitiu lançar mão não somente da relação contendo esses códigos, mas, principalmente, dos elementos que possibilitaram levantar a movimentação individual de cada cliente. Estes elementos são as próprias notas fiscais emitidas pela distribuidora, os arquivos magnéticos contendo o rico controle das movimentações, as notas fiscais emitidas pelos produtores rurais que venderam o gado para os clientes da distribuidora, tudo isto corroborado por livros fiscais e informações advindas das pessoas envolvidas no esquema. Restava, evidentemente, respaldar as informações junto às pessoas físicas que participaram das operações, ou seja, os produtores rurais que venderam o gado, especialmente pelo fato de que a contribuição previdenciária decorre destas transações. A partir dos dados constantes no arquivo magnético que servia de controle das notas emitidas, corroborados pelas próprias notas fiscais, foram instaurados centenas de procedimentos fiscais de diligências junto aos produtores rurais pessoas físicas, com o propósito de colher subsídios a fim de comprovar que as operações realizadas com notas fiscais da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda pertenciam de fato a terceiros. Os Termos de Intimação expedidos aos produtores rurais, bem como as suas respostas e os respectivos documentos por eles juntados, estão contidos no Anexo II deste processo. Além de tais diligências o Anexo II contempla, ainda, cópias de folhas do Livro Diário da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, onde podemos observar que os lançamentos de aquisição de gado foram efetuados em bloco, inviabilizando, de forma estratégica, eventual consistência individualizada, fato que inibe, portanto, a exigível transparência nos registros contábeis, de conformidade Fl. 1582DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.570 27 com os princípios geralmente aceitos para fins da escrituração. Também foram juntados no Anexo II as GFIP — Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia e Informações Previdência Social do Frigorifico Auriflama Ltda, para que fique demonstrado que o contribuinte não declarou qualquer valor correspondente à aquisição de produtos rurais no período compreendido no presente lançamento. Em relação ao código "6 — Auriflama", as intimações realizadas junto aos produtores rurais, constantes no Anexo II, temos os seguintes destaques: a) A produtora rural Maria das Dores Campos Neder declarou que desconhece qualquer pessoa vinculada à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda e que "os negócios eram tratados com uma pessoa de nome Aislan, pelos telefones (17) 3482 4567 e 34821554, do Frigorifico de Auriflama". Declarou, ainda, que os pagamentos eram efetuados a ela própria, no escritório do estabelecimento abatedor identificado no corpo das notas fiscais, na cidade de Auriflama. A partir de tais declarações nos cabe registrar que, em consulta ao sistema CNIS — Cadastro Nacional de Informações Sociais, constatamos que o Sr. Aislan Antonio Martins Mazero teve até então três vínculos empregatícios, sendo dois com o Frigorifico Auriflama Ltda e um com a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. É importante salientar que na apuração dos fatos junto às empresas "noteiras" e seus clientes, por ocasião dos procedimentos fiscais requisitados pela Justiça Federal, identificamos várias situações em que a "noteira" assume o vínculo de empregado do seu cliente, permitindo a sonegação de encargos sociais também em relação à folha de pagamento, cujos fatos serão objetos de representação para fins de alcançar todos os sujeitos passivos solidários. No caso do Sr. Aislan podemos notar que em 05/10/2006 ele acompanhou o trabalho da Policia Federal na operação de busca e apreensão no Frigorifico Auriflama, quando estava registrado na Distribuidora São Paulo, vide fls. 46 a 64; b) O produtor rural Sr. Alcides de Oliveira Fernandes também declarou ter negociado com Sr. Aislan, pelo telefone (17) 3231 2005, no endereço Via de Acesso Luiz Bido, km 2, bairro Barreiro, na cidade de Auriflama SP, mesmo local do abate dos animais. Declarou, ainda, que os pagamentos eram feitos pelo Sr. Aislan, tanto no seu estabelecimento comercial em Santa Fé do Sul SP como no próprio frigorifico em Auriflama SP. Como já vimos acima, e agora corroboradas nestas informações, o Sr. Aislan de fato presta serviços ao Frigorifico Auriflama, conforme consta, inclusive, no Auto Circunstanciado da Policia Federal, às fls. 63, onde o frigorifico foi citado como sendo o seu local de trabalho; c) A produtora rural Sra. Dirce Alves Ferreira declarou que o comprador do gado era o Sr. Aislan Mazero, e que ele próprio realizava os pagamentos. Esta produtora foi a única a fazer menção a "Macaúba", o líder dos "noteiros". É compreensível, pois, a partir de 08/09/2003, ela passou a integrar o corpo societário do Fl. 1583DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 28 Frigorifico Auriflama Ltda, fato que nos leva a crer que tinha conhecimento do "esquema"; d) Convém mencionar que em relação às declarações contidas no item "a" acima, comprovamos mediante um exemplar de envelope da empresa, objeto contido no Anexo II, que um dos números realmente se relaciona ao Frigorifico Auriflama. Registramos, ainda, que o local de abate mencionado nas notas era sempre o Frigorifico Auriflama, conforme se observa nas notas fiscais que compõem o Anexo II, em cujo local a produtora rural declarou ter recebido os pagamentos por conta das transações realizadas com notas da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda. Não há pretensão de sustentar a titularidade de qualquer cliente da distribuidora frente à operação de compra de gado, apenas e tão somente em decorrência das informações colhidas junto aos produtores rurais. Da mesma forma não se pode pretender o esvaziamento da tese tendo como base unicamente esta fonte. O fator relevante advindo de tais procedimentos de diligências está, não só nas declarações dos produtores rurais, mas, sobretudo, no "encaixe" dos fatos diante do modus operandi já delineado no presente termo, em consonância com o que já havia sido apurado pela Policia Federal. Desta forma, atribuímos aos clientes da Distribuidora São Paulo as suas respectivas cotasparte, no que diz respeito ao lançamento dos créditos tributários decorrentes das operações de compra de gado junto a produtores rurais pessoas físicas. Grande parte destes terceiros se refere a empresas do segmento frigorífico que também se encontravam sob ação fiscal. Portanto, as informações alcançadas serviram para subsidiálas. Foi sugerido abertura de procedimento fiscal junto a outras empresas que ainda não estavam sob fiscalização, de forma a permitir a efetivação do competente lançamento do crédito tributário junto às mesmas. Conforme já aventamos, os clientes compradores de notas fiscais se utilizaram desse expediente também no momento de vender suas mercadorias, ou seja, a carne e outros produtos, frutos do gado abatido, ampliando assim a sua teia de sonegação, deixando de recolher não somente as contribuições previdenciárias como também outros tributos fazendários, tanto da esfera federal como estadual, razão pela qual as empresas e pessoas físicas envolvidas na Operação Grandes Lagos vêm sofrendo ações fiscais de tais gêneros. Em informação prestada pela Receita Federal, constante na folha 21 do relatório do Inquérito da Policia Federal, consta que a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda declarou num período de cinco anos receita na ordem de um bilhão e cem mil reais, que certamente se refere em grande parte ao fruto das vendas de seus "clientes". Dentre tantos os que colaboraram para o incremento de tais números, figura o cliente da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda n° "6 — Auriflama". Conforme os fatos narrados no presente termo, verificamos se tratar do contribuinte Frigorifico Auriflama Ltda, inscrito no CNPJ sob n° 68.059.195/000189. Fl. 1584DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.571 29 Dentre os registros de gravações telefônicas, autorizadas pela Justiça Federal, a Polícia Federal incluiu em seu Inquérito Policial algo que reforça os indícios que nos leva à tese ora defendida. Senão vejamos: No registro 200607310846421, Emerson (Emerson Martins da Silva), do Frigorifico Auriflama, encomenda uma nota fiscal de venda de couro a Ana Cláudia Valente Fioravante, da Distribuidora São Paulo. Emerson é o dono da empresa. Objetivando consolidar o entendimento do esquema, ressaltamos que a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda também se aventurou nas atividades até então peculiares aos seus clientes, realizando, portanto, as operações de compra de gado e venda de produtos. Para tanto, possuía o código "0 — Próprio" e ainda o código "44 — Macaúba", inseridos no seu rol de "vendedores", portanto, a ela também foi atribuída a sua cotaparte. Vejamos o que disse o Sr. Valder Antonio Alves, vulgo "Macaúba", em parte das declarações prestadas a Auditores Fiscais da Receita Federal, vide fls. 234 a 237: "3. O Sr. Valder Antonio Alves, indagado sobre os fatos vinculados empresa Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, informou: QUE a empresa surgiu quando adquiriu um açougue na Rua São Paulo, 1376, Jardim Paulista em São José do Rio Preto em 1992; QUE o código 138 — Caraguatatuba referese a um vendedor autônomo de carne que atuava em CaraguatatubaSP, não declinando o seu nome, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 129 referese a André Shalon, é um vendedor autônomo de São Paulo SP, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 137 — Sorocaba referese a um vendedor autônomo de carne que atuava em Sorocaba SP, não declinando o seu nome, não sendo exclusivo da São Paulo; QUE o código 044 — Macaúba referese a ele próprio, transação de responsabilidade da Distribuidora São Paulo; QUE utilizava os frigoríficos Auriflama, Viena, Boi Rio, Baby Beef; pouca coisa no Mozaquatro e outros; QUE reconhece os nomes e códigos das demais planilhas mostradas pela fiscalização; QUE no negócio de couro utilizava vários curtumes da região para a execução da industrialização; QUE funcionários da São Paulo levavam caixas de formulário continuo até os frigoríficos onde eram emitidas as notas dos abates do dia anterior, tendo sido os animais remetidos para abate com notas fiscais de remessa e GTA; (.„); QUE grande parte dos valores recebidos nas vendas de carnes repassava diretamente aos fornecedores/produtores..." (grifos nossos) Fl. 1585DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 30 Além destes dois códigos, foram atribuídos à Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda outros códigos que se referem a clientes que não foram identificados à altura da necessidade processual, inviabilizando o lançamento do crédito tributário junto aos mesmos. Tratase de clientes com pouca ou esporádica movimentação, o que justifica a dificuldade na coleta de suas informações e comprovação dos fatos. Na verdade, este era o desejo de todos os envolvidos neste esquema, isto é, que os lançamentos tributários ocorressem todos contra a Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, pois esse foi o objetivo principal da sua criação, qual seja, o de suportar o ônus advindo das operações fiscais de seus clientes. A exemplo disto anexamos às fls. 238 a 250 o resultado das pesquisas realizadas sobre execuções fiscais que figuram em nome das distribuidoras São Paulo e FriNorte, ambas pertencentes a "Macaúba". Felizmente, graças ao trabalho de inteligência da Policia Federal e ao suporte legal da Justiça Federal, que possibilitou a busca e apreensão de documentos, bem como a quebra de sigilo bancário, e consequentemente gerou a deflagração de operações no âmbito dos órgãos fiscalizadores, tanto federal como estadual, tornouse possível estabelecer a cada um dos sonegadores a sua real participação no esquema, de forma a permitir alcançar os valores base relativos à aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, e consequentemente as respectivas contribuições devidas à Seguridade Social. Conforme se extrai dos fatos expostos anteriormente, a empresa objeto do presente termo, ou seja, o Frigorifico Auriflama Ltda, inscrito no Ministério da Fazenda sob n° 68.059.195/000189, foi titular das operações de aquisição de gado de produtores rurais pessoas físicas, realizadas pelo cliente n° 6 da lista de "vendedores" da Distribuidora de Carnes e Derivados São Paulo Ltda, as quais se acham relacionadas em planilha contida nas fls. 251 a 328. Sobre estes montantes incidiram as contribuições devidas à Seguridade Social, por se tratar de comercialização da produção rural de pessoas físicas, cujas contribuições são sub rogadas à pessoa jurídica adquirente. Não procede, portanto, a alegação de erro na identificação do Sujeito Passivo. A Fiscalização apurou que o Frigorífico Auriflama ltda não declarou em suas GFIP qualquer valor correspondente à aquisição de produtos rurais no período compreendido no presente lançamento. Na mesma toada, também a sua escrita fiscal não registra tais operações comerciais. Nessas circunstâncias, a apresentação deficiente de qualquer documento ou informação assim como a constatação, pelo exame da escrituração contábil ou de qualquer outro documento da empresa, de que a contabilidade não registra o movimento real das remunerações dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, é motivo justo, bastante, suficiente e determinante para que a Fiscalização inscreva de ofício a importância reputada como devida, mesmo que mediante a apuração, por aferição indireta, das bases de cálculo das contribuições previdenciárias efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário, a teor do permissivo legal encartado nos parágrafos 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91. Fl. 1586DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.572 31 Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256, de 2001). §1º É prerrogativa do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e do Departamento da Receita FederalDRF o exame da contabilidade da empresa, não prevalecendo para esse efeito o disposto nos arts. 17 e 18 do Código Comercial, ficando obrigados a empresa e o segurado a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados. (...) §3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e o Departamento da Receita FederalDRF podem, sem prejuízo da penalidade cabível, inscrever de ofício importância que reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) (...) §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (grifos nossos) Assim, considerando todo o conjunto probatório carreado ao presente processo, restou demonstrado que o vertente Auto de Infração de Obrigação Principal não se houve por lavrado apenas com base em indícios, suposições ou presunções. A fiscalização demonstrou, mediante minucioso procedimento investigativo, em conjunto com a Policia Federal, e sob os olhares da Justiça Federal, a ocorrência material dos fatos jurígenos tributários que integram o vertente lançamento, não logrando o Recorrente produzir os meios de prova hábeis a desconstituílo. Não procede, igualmente, a alegação de que não houve fraude tributária. · A fraude consistia na interposição de pessoas físicas e jurídicas que movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de eximir os titulares de fato do pagamento de tributos. · O gado era comprado, abatido e vendido pelo frigorífico cliente das empresas “noteiras”. No entanto, aparentemente a compra do gado e Fl. 1587DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 32 comercialização dos produtos do abate eram feitos pelas “noteiras” de acordo com o seguinte procedimento: as “noteiras” emitiam notas fiscais “frias” relativas à compra do gado e notas também “frias” de remessa desse gado ao frigorífico (cliente da “noteira”) para abate, seguindose a emissão de notas “frias” de retorno do produto do abate à “noteira” que, finalmente, emitia notas “frias” de venda dos produtos. · Fatos como os que são elencados a seguir demonstram que as “noteiras” foram constituídas com o único propósito de emitir notas fiscais ‘frias” para calçar operações de terceiros, com o intuito de ocultar valores junto ao fisco e não despertar suspeitas sobre o verdadeiro faturamento desses “clientes”: (a) o patrimônio declarado das “noteiras” é insuficiente para suportar as operações realizadas; (b) as discrepâncias entre os rendimentos declarados do sócio majoritário da “noteira” e as receitas declaradas da empresa no período; (c) a movimentação financeira desse sócio majoritário em valores muito superiores a seus rendimentos declarados; (d) a movimentação de contas bancárias da citada empresa por procuradores que são funcionários de frigoríficos (compradores de notas – “clientes”); (e) transcrição de declarações de inúmeros produtores rurais no sentido de que comercializavam sua produção não com as “noteiras”, mas com seus “clientes”. A fraude se manifesta na volitiva e consciente utilização de empresas “noteiras”, que realizavam em seu nome e sob sua responsabilidade tributária, sob o falso manto de legalidade, e mediante uma taxa proporcional à operação dissimulada, as operações de terceiros de compra e venda de produção rural, e movimentavam em seus nomes grande quantia de recursos, com o propósito de impedir, total ou parcialmente, na seara da responsabilidade dos titulares de fato das citadas operações comerciais a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, de modo a reduzir o montante do tributo devido ou a evitar o seu pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. A fraude tributária se consuma, portanto, com o emprego de ardis e estratagemas visando a ludibriar o Fisco, de modo a reduzir o montante do imposto devido, a evitar ou diferir o seu pagamento. Fossem tais operações formalmente registradas sob a responsabilidade tributária da Autuada, como materialmente, de fato, eram, esta teria que arcar com os encargos previdenciários incidentes sobre a comercialização da produção rural. De outro canto, sendo tais operações registradas sob a responsabilidade tributária de empresas noteiras, as quais foram constituídas como sociedades por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e cujos sócios nenhum bem possuíam em seus nomes, a execução fiscal do crédito correspondente mostrase improfícua, como por diversas vezes assim se mostrou, resultando Fl. 1588DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.573 33 em flagrante prejuízo patrimonial para Fisco, que não conseguiu, por inúmeras vezes, realizar o seu crédito tributário. Mediante tal conduta, a Autuada ardilosamente omitiu de sua responsabilidade tributária fatos geradores de contribuições previdenciárias da contabilidade e das GFIP, ao mesmo tempo em que promoveu prejuízo patrimonial ao erário, que não conseguiu realizar o seu crédito. Nestes casos, apenas mediante a deflagração de procedimento formal de investigação policial e de Fiscalização, nas dependências do sujeito passivo, tiveram condições a Policia Federal e a Administração Tributária de tomar conhecimento da ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias e de apurar a sua matéria tributável. Reforça a compreensão acerca da existência de fraude o fato de a empresa “noteira” cobrar uma taxa pela emissão da nota fiscal “fria”, proporcional à operação dissimulada, e ser constituída sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, mediante a utilização de sócio “laranja” com participação ínfima no capital social, o qual, por sua vez, também se revelava irrisório em comparação à movimentação financeira registrada, e que tais sócios não possuíam qualquer bem patrimonial em seus nomes, de maneira que qualquer execução fiscal ajuizada pelo Fisco se revelava improfícuo, em razão da ausência de patrimônio para honrar o crédito tributário reclamado. A sonegação também se mostra patente, na medida em que, ao se utilizar das empresas noteiras para assumir, aparentemente, a titularidade e responsabilidade das suas operações de comercialização de produção rural, a Autuada não efetuou qualquer declaração desses Fatos Jurígenos Tributários nos títulos próprios de sua contabilidade, tampouco em suas GFIP, excluindo dessarte da Administração Fazendária o conhecimento a respeito da ocorrência desses fatos geradores de contribuições previdenciárias. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Fl. 1589DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 34 Assim, estando as empresa “noteiras” e os seus “clientes”, dentre os quais, a Autuada, mancomunados no fim específico de fraudar a Administração Tributária e de sonegar tributos, caracterizada também se revela a existência de conluio, a teor do art. 73 da Lei nº 4.502/64. Conforme acima elucidado, presentes estão na conduta descrita nos autos os elementos objetivos e subjetivos qualificadores da fraude, da sonegação e do conluio, nos termos dos artigos 71 a 73 da Lei nº 4.502/64. Mas não é só. Há mais !!! O caso em tela também é representativo de simulação. Aqui, o ato jurídico real é deliberadamente dissimulado, recebendo a maquiagem de um ato aparente legal, a fim de representar externamente perante terceiros, in casu, o Fisco, uma outra realidade que não aquela pretendida volitivamente pelo Praticante do ato simulado, e que enseje para este algum resultado econômico favorável. Na definição de Clóvis Beviláqua, citado por Silvio Rodrigues (in Direito Civil Parte Geral, vol. 1, 15ª edição, São Paulo : Saraiva, 1985, p. 218), “a simulação é uma declaração enganosa da vontade, visando a produzir efeito diverso do ostensivamente indicado”. Segundo Orlando Gomes (in Introdução ao Estudo do Direito, 7a. ed., Rio de Janeiro : Forense, 1983, p. 374), ocorre a simulação quando "em um negócio jurídico se verifica intencional divergência entre a vontade real e a vontade declarada, com o fim de enganar terceiros". A simulação, em resumo, consubstanciase numa deformação voluntária do ato jurídico com o intuito de fugir à disciplina normal prevista em lei, consistente num desacordo intencional entre a vontade interna das partes, efetivamente pretendida, e a formalmente declarada no ato simulado. O ato jurídico simulado ostenta formalmente uma aparência diversa do efetivo querer das partes, pois simulam pretender um efeito jurídico que as partes, na realidade, não intencionam nem desejam. A doutrina tradicional da simulação, numa visão voluntarista do ato jurídico, considera serem simulados e passíveis de desconsideração pelo Fisco os atos e os negócios jurídicos praticados pelas partes com a intenção de enganar, ocultar, iludir, dificultar ou até mesmo tornar impossível a atuação fiscal. A simulação, portanto, traduzse pela falta de correspondência entre o ato praticado e o formalizado, encerrando uma declaração enganosa visando a produzir efeito diverso do fato ocorrido. No caso presente, a empresa “noteira” emitia, em seu nome, notas fiscais “frias” de comercialização de produção rural, com ilusória aparência de legalidade, encobrindo dissimuladamente os reais titulares da operação mercantil realizada, com o sinistro intuito de excluir destes a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições previdenciárias decorrentes de tais operações, e causando ao Fisco um prejuízo patrimonial correspondente às contribuições devidas, eis que o esquema fraudulento houvese por idealizado e concebido com a constituição de empresas noteiras sob a forma de sociedade por cotas de responsabilidade limitada, com capital social irrisório, e com nenhum bem em nome dos sócios, circunstância que implica fracasso a qualquer tentativa de execução fiscal do crédito tributário devido. Fl. 1590DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.574 35 O dolo na conduta se manifesta, precisamente, pelo fato de a empresa noteira assumir em seu nome e responsabilidade a titularidade das operações de terceiros e estes terceiros, além de pagarem uma taxa pela emissão das notas “frias” proporcional à operação dissimulada, também não registrarem tais operações em sua contabilidade, tampouco em suas GFIP. Diante do que se coligiu até o momento, restou visível a procedência do procedimento levado a cabo pela Autoridade Fiscal. Vencidas as preliminares, passamos ao exame do mérito. 3. DO MÉRITO Cumpre de plano assentar que não serão objeto de apreciação por este Colegiado as matérias não expressamente impugnadas pelo Recorrente, as quais serão consideradas como verdadeiras, assim como as matérias já decididas pelo Órgão Julgador de 1ª Instância não expressamente contestadas pelo sujeito passivo em seu instrumento de Recurso Voluntário, as quais se presumirão como anuídas pela Parte. Também não serão objeto de apreciação por esta Corte Administrativa as questões de fato e de Direito referentes a matérias substancialmente alheias ao vertente lançamento, eis que em seu louvor, no processo de que ora se cuida, não se houve por instaurado qualquer litígio a ser dirimido por este Conselho, assim como as questões arguidas exclusivamente nesta instância recursal, antes não oferecida à apreciação do Órgão Julgador de 1ª Instância, em razão da preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/72. 3.1. DAS NORMAS ANTIELISIVAS Alega o Recorrente que o Parágrafo Único do art. 116 somente terá aplicação após a edição de lei ordinária regulamentadora; A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, no entanto, entende de modo diverso. Em primeiro lugar, reiterese que o vertente lançamento não tem por fundamento jurídico a norma antielisiva aviada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, como assim quer fazer crer o Recorrente. Conforme detalhadamente demonstrado no item 2.1. supra, a Fiscalização constatou, mediante procedimento investigativo realizado em conjunto com a Policia Federal, a efetiva ocorrência de Fatos Jurígenos Tributários, consistentes na comercialização de produção rural, cujas contribuições previdenciárias deles decorrentes não se houveram por recolhidas à Seguridade Social. Fl. 1591DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 36 Com fulcro no art. 37 da Lei de Custeio da Seguridade Social, procedeu ao lançamento das contribuições previdenciárias devidas, atribuindo ao ora Recorrente, consoante competência privativa que lhe fora outorgada pelo art. 142 do CTN, a posição de Sujeito Passivo da relação jurídicotributária em questão, na condição de contribuinte de fato, em conformidade com o inciso I do Parágrafo Único do art. 121 do CTN, em razão de, na realidade nua dos fatos, ser o Frigorífico Auriflama ltda a pessoa jurídica que tem relação direta e pessoal com a situação que constitui o fato gerador do tributo ora em debate. Em segundo lugar, a jurisprudência do STJ não nega auto aplicabilidade à norma antielisiva assentada no Parágrafo Único do art. 116 do CTN, conforme se depreende dos seguintes julgados, de cujas ementas, transcrevemos os excertos a seguir: “AREsp 323.808SC Rel. Min. Humberto Martins DJe: 27/05/2013 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. ART. 116, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. INEXISTÊNCIA DE REGULAMENTAÇÃO. AUTOAPLICABILIDADE. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. NÃOALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. AGRAVO CONHECIDO. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. [...] O caso da empresa de vigilância é perfeitamente análogo: as câmaras são parte do equipamento que é utilizado pela sociedade Patrimonial Segurança Ltda. para a prestação do serviço de segurança, que é a sua atividade fim. As filmadoras ou sensores de movimento que sejam instaladas na residência do contratante sem que este as adquira integram o custo do serviço. (situação diversa ocorreria se houvesse venda dos bens, caso em que a transferência de titularidade do bem ensejaria a incidência do ICMS. Não e, entretanto, o caso). Ao destacar do valor do serviço uma quantia correspondente a aluguel dos bens utilizados, a apelada incorreu em prática coibida pelo artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que dispõe: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. Com razão, assim, a Procuradoria do Município, ao afirmar que: "A obrigação da apelada consiste em prestar um serviço de vigilância, uma obrigação de fazer portanto, sendo a denominação de 'locação de equipamento eletrônico' dada pela apelada uma forma de dissimular a ocorrência do fato gerador, que é a prestação do serviço" (fl. 217). Nesse contexto, merece acolhida o recurso para se julgar improcedente a demanda. [...]" Fl. 1592DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.575 37 No mesmo sentido, o Agravo Regimental no RECURSO ESPECIAL Nº 1.070.292 – RS, da Relatoria do Ministro Humberto Martins: AgRg no REsp 1.070.292 RS Rel. Min. Humberto Martins DJe: 23/11/2010 EMENTA: TRIBUTÁRIO. COMPLEMENTAÇÃO DE APOSENTADORIA VINCENDA. PERCEPÇÃO PAGA MEDIANTE TRANSAÇÃO EM DEMANDA TRABALHISTA. VERBA DE NATUREZA NÃO INDENIZATÓRIA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. AGRAVO REGIMENTAL PROVIDO. [...] Notese que o montante pago teve por fim o cumprimento de prestações vincendas, ou seja, a partir de agosto de 1996. Isto deve ser frisado para que não se invoque a isenção anteriormente prevista no artigo 6º da Lei 7.713/88, mas que foi revogada pela Lei 9.250/95. Cabe, ainda, asseverar que o tópico do acordo, afirmando a natureza indenizatória do montante pago, nenhum efeito opera para o fisco. O reconhecimento da natureza indenizatória de determinada verba se impõe quando for possível constatar que aquela visava à recomposição de uma perda patrimonial, e não pela mera denominação de indenizatória (parágrafo único do artigo 116 do CTN: A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária). Tratase, no caso, de aplicação da Teoria da Interpretação Econômica do Fato Gerador. A hipótese dos autos caracteriza a aquisição de disponibilidade de renda, assim entendido o produto do trabalho, nos exatos termos do art. 43 do CTN. Bem por isso, tal verba está sujeita à incidência de imposto de renda. [...] Ainda, nesse sentido, REsp nº 1.363.920 SC Rel. Min. Og Fernandes, DJe: 24/10/2013. Por outro viés, ainda que se admita que o preceito instalado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN demande regulamentação procedimental via lei ordinária, nada impede que se recorra a procedimentos já previstos em leis ordinárias já integrantes do Ordenamento Jurídico Pátrio. Tratase da realização de um princípio jurídico, consistente na recepção de leis já vigentes e eficazes, bastante consagrado no Ordenamento Pátrio, máxime no Fl. 1593DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 38 ramo do Direito Tributário, que permite que uma lei ordinária em sua origem seja recepcionada com status de Lei Complementar, uma vez que suas normas, por força da CF/88, só possam ser revogadas ou alteradas mediante um Diploma Normativo dessa natureza. A realização do princípio da Recepção das Leis permite a convivência de normas jurídicas vigentes no Ordenamento Jurídico anterior com o Direito Positivo atual, desde que com este guardem perfeita harmonia. Por este princípio, todas as leis do Direito anterior que não se chocam com o Direito atual são por este Direito recepcionadas, eliminandose, assim, a necessidade de se regular por inteiro toda a estrutura legislativa. Seria, em verdade, ilógico que leis anteriores, cujo conteúdo permanece inalterado em face da nova Ordem Jurídica, tivessem que ser recriadas para continuarem a estabelecer normas jurídicas de conduta da Sociedade. Pela ótica de tal princípio, quando se cria uma nova estrutura normativa, o conjunto de normas jurídicas préexistente, no que não conflite materialmente com o Direito Anterior, permanece em vigor e produzindo os efeitos que lhe são típicos, sendo automaticamente aceita a pela nova Ordem Jurídica, qualquer que tenha sido o processo de sua elaboração originária, desde que conforme ao previsto na época de sua elaboração, pois, não o sendo, a invalidade já teria atingido a legislação pretérita desde o seu nascedouro. A consagração de tal princípio jurídico na seara tributária encontra amparo na Jurisprudência dos Tribunais Superiores, mormente o Superior Tribunal de Justiça, conforme se depreende dos seguintes julgados: REsp nº 1.427.949 SC Rel. Min. Mauro Campbell Marques DJe: 02/04/2014 EMENTA: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284/STF. PARCELAMENTO. REFIS. EXCLUSÃO. SIMULAÇÃO. EMPRESA INATIVA. PARCELA ÍNFIMA. ART. 5º, II E XI, DA LEI N. 9.964/2000. FUNDAMENTO SUFICIENTE INATACADO (SÚMULA Nº 283/STF). AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO (SÚMULA N. 282/STF). IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO DE MATÉRIA FÁTICA (SÚMULA Nº 7/STJ). RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. ART. 557, CAPUT, CPC. DECISÃO [...] Em outras palavras, a simulação da existência das empresas foi ato de abuso de direito, e, destarte, plenamente válidos e legais os atos de exclusão do REFIS e CNPJ, com fulcro no art. 5º, XI, da Lei nº 9.964/2000, e o art. 81 da Lei nº 9.430/1996. Lícito o procedimento de inativação do CNPJ das empresas, por força do art. 81 da Lei nº 9.964/2000, in verbis (eSTJ fls.9734/9739): Ao contrário do que defende a autora, a declaração de inaptidão do CNPJ foi fundamentado no artigo 80 e 81 da Lei nº 9.430, de 1996, diante de inexistência de fato, e não no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Fl. 1594DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.576 39 Além de diversos aspectos fáticos e concretos a seguir analisados, a Administração Tributária fundamentou a inaptidão também na existência de simulação (art. 167 do Código Civil), mas, destaco: não somente na simulação. [...] Ainda que se considere que, no caso concreto, incidiria o artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, que, por sua vez, remete a procedimentos estabelecidos em lei ordinária, tais procedimentos (relativos à declaração de inaptidão) já se encontram previstos nos próprios artigos 81 e 82, ambos da Lei nº 9.430, c/c o artigo 5º da Lei nº 5.614, de 5 de outubro de 1970, e a Instrução Normativa nº 568, de 8 de setembro de 2005. [...] (grifos nossos) No mesmo sentido, REsp nº 1.427.233/SC, DJe de 01/04/2014 No caso em estudo, mediante os procedimentos estabelecidos na Lei Ordinária nº 8.212/91, foram desconsiderados substancialmente os atos ou negócios jurídicos praticados pelos atores do esquema fraudulento acima descortinado, praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, mas não da personalidade jurídica das empresas prestadoras. Anotese que na formalização do presente lançamento, houvese por operada, tão somente, a desconsideração substancial dos atos simulados, mas não a desconstituição formal desses atos. O permissivo estampado no Parágrafo Único do art. 116 do CTN apenas autoriza que se desconsidere, para fins exclusivamente de constituição do crédito previdenciário, os efeitos jurídicos dos atos simulados, na seara previdenciária, sem, no entanto, desconstituílos. Registrese, por relevante, que a administração tributária federal não se encontra jungida à obtenção prévia de declaração administrativa ou judicial definitiva de nulidade de atos jurídicos simulados como condição de procedibilidade para a tributação da real operação ocorrida, visto que os atos simulados são ineficazes perante o Fisco, conforme dessai do preceito inscrito no art. 118 do CTN: Código Tributário Nacional CTN Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I – da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II – dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Por tais razões, para os fins exclusivos do presente lançamento, revelase desnecessária a declaração judicial de nulidade dos atos simulados. Fl. 1595DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 40 O fundamento do lançamento em questão, reiterese, assentase na efetiva ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias, praticados na realidade nua dos fatos sob a responsabilidade tributária do Frigorífico Auriflama ltda, na condição de contribuinte, o quais fatos geradores não foram declarados nas GFIP nem lançados em títulos próprios da contabilidade, e cujas contribuições sociais deles decorrente não se houveram por recolhidas aos cofres previdenciários. No caso ora em foco, a lei ordinária nº 8.212/91 estabelece obrigações tributárias principal e acessórias às empresas, assim dispondo: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação dada pela Lei nº 9.528/97). §1º O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no caput, poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §2º A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. (Redação dada pela Lei nº 8.540/92) §3º Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. (Parágrafo acrescentado pela Lei n º 8.540/92) (...) §10. Integra a receita bruta de que trata este artigo, além dos valores decorrentes da comercialização da produção relativa aos produtos a que se refere o § 3o deste artigo, a receita proveniente: (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). I – da comercialização da produção obtida em razão de contrato de parceria ou meação de parte do imóvel rural; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). II – da comercialização de artigos de artesanato de que trata o inciso VII do § 10 do art. 12 desta Lei; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). III – de serviços prestados, de equipamentos utilizados e de produtos comercializados no imóvel rural, desde que em atividades turística e de entretenimento desenvolvidas no Fl. 1596DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.577 41 próprio imóvel, inclusive hospedagem, alimentação, recepção, recreação e atividades pedagógicas, bem como taxa de visitação e serviços especiais; (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). IV – do valor de mercado da produção rural dada em pagamento ou que tiver sido trocada por outra, qualquer que seja o motivo ou finalidade; e (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). V – de atividade artística de que trata o inciso VIII do § 10 do art. 12 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). §11. Considerase processo de beneficiamento ou industrialização artesanal aquele realizado diretamente pelo próprio produtor rural pessoa física, desde que não esteja sujeito à incidência do Imposto Sobre Produtos Industrializados – IPI. (Incluído pela Lei nº 11.718/2008). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620/93) (...) III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) (...) Fl. 1597DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 42 No que pertine a procedimentos e competências, o art. 33 da Lei de Custeio da Seguridade Social outorgou à Secretaria da Receita Federal do Brasil a competência para planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previdenciárias, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos, atribuindo aos seus auditores fiscais a prerrogativa de examinar a contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §1o É prerrogativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil, por intermédio dos AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, o exame da contabilidade das empresas, ficando obrigados a prestar todos os esclarecimentos e informações solicitados o segurado e os terceiros responsáveis pelo recolhimento das contribuições previdenciárias e das contribuições devidas a outras entidades e fundos. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §2o A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). §3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (...) §5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. §6º Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado Fl. 1598DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.578 43 pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Ainda em relação a procedimentos, o art. 37 da lei ordinária ora em realce estatuiu o poder/dever da fiscalização de lavrar ex officio o competente Auto de Infração, sempre que constatar o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições previdenciárias não declaradas nas GFIP correspondentes. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Versando, ainda, sobre procedimentos, os §§ 3º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212/91 autoriza aos agentes do Fisco a inscreverem de ofício a importância reputada como devida, ainda que mediante a apuração da base de cálculo por aferição indireta, sempre que houver recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, ou quando a Fiscalização, mediante o exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, revertendose em desfavor da empresa fiscalizada o ônus da prova em contrário. Dada à reconfiguração do ônus probante imposta pelo §§ 3º e 6º, in fine, do art. 33 da Lei nº 8.212/91, tem o Recorrente que demonstrar e comprovar ou o recolhimento das contribuições devidas ou que os fatos imputados pela Fiscalização não se configuram como fatos geradores de contribuições previdenciárias ou que estes escapam à sua responsabilidade tributária. Não logrou êxito, todavia, o Recorrente, nesse mister. Nas oportunidades que teve de se manifestar nos autos do processo, o Recorrente quedouse inerte, não produzindo as provas necessárias à elisão do lançamento tributário que ora se edifica. Limitouse a deduzir e contrapor alegações vazias, desprovidas de esteio em indício de prova material, apoiandose única e exclusivamente na fugacidade e efemeridade das palavras, em eloquente exercício de retórica, tão somente, gravitando à distância do núcleo sensível do qual se irradiaram os fundamentos de fato e de direito que forneceram esteio ao lançamento em debate, não logrando assim desincumbirse do encargo que lhe pesava e se lhe mostrava contrário. Optou, a seu risco, por exortar asserções ao vento, as quais se mostraram insuficientes para elidir a imputação que lhe fora infligida pela fiscalização previdenciária. Diante desse quadro, não se revela possível a esta Corte Administrativa o provimento do pleito ora requerido pela empresa em epígrafe, em razão da carência de conjunto probatório robusto que dê esteio ao direito por si alegado. Allegatio et non probatio, quasi non allegatio. Fl. 1599DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 44 Nesse contexto, não havendo o sujeito passivo produzido qualquer indício de prova material com pujança bélica poderosa o suficiente a desintegrar os sólidos fundamentos do presente lançamento, este há de ser mantido. O lançamento encontrase revestido de todas as formalidades exigidas por lei, havendo sido o Sujeito Passivo cientificado de todas as decisões de relevo exaradas no curso do presente feito, favorecendo, assim, a contradita dos termos do lançamento e o devido processo legal. Inexiste, pois, qualquer vício na formalização do débito a amparar as alegações de nulidade sustentadas pelo Recorrente. 3.2. DO CONFISCO Argumenta o Recorrente que a multa aplicada tem natureza confiscatória. Não !!! Com efeito, a Constituição Federal de 1988, no Capítulo reservado ao Sistema Tributário Nacional assentou, em relação aos impostos, os princípios da pessoalidade e da capacidade contributiva do contribuinte. Nessa mesma prumada, ao tratar das limitações do poder do Estado de tributar, o inciso IV do art. 150 da Carta de 1988 obstou, igualmente, a utilização de tributos com efeito de confisco, estatuindo ipsis litteris: Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 145. A União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios poderão instituir os seguintes tributos: (...) §1º Sempre que possível, os impostos terão caráter pessoal e serão graduados segundo a capacidade econômica do contribuinte, facultado à administração tributária, especialmente para conferir efetividade a esses objetivos, identificar, respeitados os direitos individuais e nos termos da lei, o patrimônio, os rendimentos e as atividades econômicas do contribuinte. (grifos nossos) Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: IV utilizar tributo com efeito de confisco; Olhando com os olhos de ver, avulta que os Princípios Constitucionais suso realçados são dirigidos, sem sombra de dúvida, aos membros políticos do Congresso Nacional, como vetores a serem seguidos no processo de gestação de normas matrizes de cunho tributário, não ecoando nos corredores do Poder Executivo, cujos servidores auditores fiscais subordinamse cegamente ao principio da atividade vinculada aos ditames da lei, dele não podendo se descuidar, sob pena de responsabilidade funcional. Fl. 1600DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.579 45 Citese, ademais, que a norma constitucional tributária é expressa ao vetar o efeito confiscatório aos tributos, não a seus acessórios legais, os quais possuem natureza jurídica totalmente distinta. Tributo configurase como a própria obrigação principal devida pelo sujeito passivo à Fazenda Pública, em razão da ocorrência real do fato gerador tributário estatuído na lei. A multa moratória, por seu turno, possui natureza jurídica de penalidade de natureza pecuniária decorrente do descumprimento tempestivo de obrigação principal. Justificase a vedação constitucional à instituição de tributos com efeito de confisco pelo fato de a prestação pecuniária dessa natureza ter caráter compulsório, em razão da ocorrência inevitável do fato gerador correspondente. Caso o tributo fosse criado com alíquota por demais elevada, a própria ocorrência inevitável do fato gerador resultaria na extinção da matéria tributável correspondente, circunstância que representaria violação ao direito de propriedade. O mesmo não ocorre com as multas de natureza punitiva, as quais não possuem natureza jurídica de tributo, mas, meramente, de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal. Ao contrário dos tributos, aqui o fato gerador da multa punitiva é evitável. Aliás, é extremamente desejável pela Fazenda Pública que tal fato gerador não ocorra, por isso a inflição de penalidade de tamanha onerosidade, visando a brindar a máxima efetividade às normas tributárias e a desencorajar o seu descumprimento objetivo. Nesse viés, ao ignorar as normas tributárias cogentes, e ao empregar meios ardilosos para fugir da tributação, o Infrator volitivamente se coloca em situação de risco calculado perante o Fisco, consciente de que a constatação de tal irregularidade irá desaguar em apenação condizente com a gravidade da infração perpetrada. Escapa, contudo, à competência deste Colegiado a sindicância da adequação das normas tributárias constantes na Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais e às limitações ao poder de tributar veiculadas nos artigos 145 e 150 da Lei Maior. Revelase mais do que sabido por aqueles que militam com profissionalismo no Direito Pátrio que a declaração de inconstitucionalidade de leis ou a ilegalidade de atos administrativos constituise prerrogativa outorgada pela Constituição Federal exclusivamente ao Poder Judiciário, não podendo os agentes da Administração Pública imiscuíremse ex proprio motu nas funções reservadas pelo Constituinte Originário ao Poder Togado, sob pena de usurpação da competência exclusiva deste. Nesse sentido, no que é atávico ao Processo Administrativo Fiscal, determina o Decreto nº 70.235/72, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, ser vedado aos órgãos de julgamento administrativo afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Decreto nº 70.235/72 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009) (...) Fl. 1601DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 46 §6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009) Ademais, perfilando idêntico entendimento como o acima esposado, a Súmula CARF nº 2, de observância vinculante, exorta não ser o CARF órgão competente para se pronunciar a respeito da inconstitucionalidade de lei de natureza tributária. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Cumpre ainda salientar, por relevante, ser vedado aos membros das turmas de julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais afastar a aplicação ou deixar de observar o conteúdo encartado em leis e decretos sob o fundamento de incompatibilidade com a Constituição Federal, conforme determinado pelo art. 62 Regimento Interno do CARF, aprovado pela PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009, do Ministério da Fazenda. PORTARIA Nº 256, de 22 de junho de 2009 Art. 62. Fica vedado aos membros afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou Fl. 1602DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.580 47 c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Por outro viés, mas vinho de outra pipa, sendo a atuação da Administração Tributária inteiramente vinculada à Lei, e, restando os preceitos introduzidos pelas leis que regem as contribuições ora em apreciação plenamente vigentes e eficazes, a inobservância desses comandos legais implicaria negativa de vigência por parte do Auditor Fiscal Autuante, fato que desaguaria inexoravelmente em responsabilidade funcional dos agentes do Fisco Federal. Cumprenos chamar a atenção para o fato de que as disposições introduzidas pela legislação tributária em apreço, até o presente momento, não foram ainda vitimadas de qualquer sequela decorrente de declaração de inconstitucionalidade, seja na via difusa seja na via concentrada, exclusiva do Supremo Tribunal Federal, produzindo, portanto, todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Desbastada nesses talhes a escultura jurídica, impedido se encontra este Colegiado de apreciar tais alegações e afastar a multa punitiva, sob alegação de inconstitucionalidade por violação ao princípio previsto no artigo 150, IV da Constituição Federal, atividade essa que somente poderia emergir do Poder Judiciário. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO PARCIALMENTE do recurso voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 1603DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 48 Declaração de Voto Por ocasião do julgamento da Turma foi proferido voto pelo Conselheiro Fábio Calcini cujas razões adotei como fundamento do meu. Nestes termos, transcrevo suas palavras: “Sem embargo ao respeitável voto vencedor, convém apresentar declaração das razões que me levam à divergência a respeito da matéria. O caso concreto envolve a exigência da contribuição previdenciária sobre a receita, denominada em geral de funrural, em razão de ter como adquirido como pessoa jurídica de produtor rural pessoa física empregador sua produção. Bem por isso, houve a exigência de tais contribuições da recorrente por não ter retido e recolhido tais valores, mesmo não sendo o contribuinte. Entendemos “data vênia” que inexiste previsão legal para impor a exigência de referida contribuição ao adquirente. Isto porque, decidiu o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, por seu pleno, em recurso extraordinário n. 363.852, já transitado em julgado, que: ‘RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO. Porque o Supremo, na análise da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo do extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI Nº 8.212/91 ARTIGO 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR. Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos por produtores rurais, pessoas naturais, prevista nos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis nº 8.540/92 e nº 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações. Fl. 1604DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.581 49 (STF, RE 363852, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 03/02/2010, DJe071 DIVULG 22042010 PUBLIC 23042010 EMENT VOL0239804 PP00701 RTJ VOL00217 PP00524 RET v. 13, n. 74, 2010, p. 4169)’ Ademais, para não restar dúvida, na parte dispositiva do acórdão o SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL declara incidentalmente a inconstitucionalidade de diversos dispositivos legais: ‘O Tribunal, por unanimidade e nos termos do voto do Relator, conheceu e deu provimento ao recurso extraordinário para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrrogação sobre a “receita bruta proveniente da comercialização da produção rural” de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência. Em seguida, o Relator apresentou petição da União no sentido de modular os efeitos da decisão, que foi rejeitada por maioria, vencida a Senhora Ministra Ellen Gracie. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, licenciado, o Senhor Ministro Celso de Mello e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa, com voto proferido na assentada anterior. Plenário, 03.02.2010.’ Como sabemos a declaração de inconstitucionalidade reconhece a existência de vício na lei que gera sua nulidade. Mais do que isso, a nulidade gera efeitos retroativos (“ex tunc”), conforme iterativa jurisprudência do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. Ademais, desde logo, vale lembrar que não houve qualquer tipo de modulação ou manipulação dos efeitos da decisão quanto à nulidade do artigo 1º da Lei nº 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação atualizada até a Lei nº 9.528/97. Para o caso concreto, ressaltese a existência de inconstitucionalidade expressamente declarada quanto ao art. 30, inciso IV, da Lei n. 8.212/91 e a Lei n. 8.540/92, bem como a redação dada pela Lei n. 9.528/97. Fl. 1605DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ 50 Este ponto é de fundamental relevância para se compreender a inexistência de previsão legal que imponha a subrogação e, por conseguinte, a exigência dos créditos tributários em face do adquirente. Com a declaração de inconstitucionalidade, foi suprimida a previsão da subrogação prevista no art. 30, IV, da Lei n. 8.212/91, para que se permita a cobrança do funrural do adquirente. Deste modo, por efeito repristinatório da inconstitucionalidade, retornase à legislação anterior. Ocorre, porém, que a legislação anterior não possui previsão de subrogação para o funrural em tais hipóteses, pois foram estabelecidas pelas Leis n. 8540/92 e 9528/97, declaradas inconstitucionais. Daí porque, como ressalta a decisão do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, é preciso nova lei e posterior reinstituindo esta imposição legal. Todavia, a lei posterior que supostamente teria novamente instituído o funrural em momento algum em seus dispositivos institui novamente a subrogação legal, alterando o art. 30 da Lei n. 8.212/91, que permitiria impor a retenção, recolhimento e, o mais relevante, a exigência do crédito em face do adquirente, como é o caso da recorrente. Em síntese: não temos previsão em lei impondo a subrogação para o adquirente quanto ao funrural em operações de aquisição de pessoa física empregadora. Ora, conforme princípio da legalidade e, sobretudo, art. 128 do Código Tributário Nacional, a imposição de qualquer forma de responsabilidade tributária deve expressamente prevista em lei. Portanto, não se trata de declarar a inconstitucionalidade da Lei n. 10.256/2001, mas dar cumprimento à decisão do SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, já que após seu julgamento com trânsito em julgado, inexiste previsão legal de subrogação no funrural. Seria a subrogação que permitiria ao fisco federal, mesmo que inexista de fato a retenção pelo adquirente nas operações com o produtor rural pessoa física empregador, exigir o crédito tributário daquele. Sem a subrogação, no máximo, o adquirente poderia ser considerado mero agente de retenção, como uma forma de antecipação do tributo. Daí porque, na ausência de retenção e recolhimento, caberia ao Fisco exigir o crédito do efetivo contribuinte, conforme jurisprudência do CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS: IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. SÚMULA CARF Nº 12. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência Fl. 1606DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ Processo nº 16004.001695/200811 Acórdão n.º 2302003.365 S2C3T2 Fl. 1.582 51 do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. IRRF. COMPETÊNCIA. A repartição do produto da arrecadação entre os entes federados não altera a competência tributária da União para instituir, arrecadar e fiscalizar o Imposto sobre a Renda” (CARF, 2ª Seção, AC. 2201 002.516). Em tais condições, diante da ausência de previsão legal da sub rogação, não se torna possível exigir o crédito tributário em face do adquirente, cabendo no máximo a imposição de alguma penalidade por descumprimento de obrigação acessória. Bem por isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário e reforma a r. decisão para cancelar os lançamentos lavrados no PAF nº 16004.001695/200811, uma vez que inexiste previsão legal de subrogação para se exigir o funrural do adquirente na hipótese de produtor rural empregador pessoa física.” Juliana Campos de Carvalho Cruz Fl. 1607DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 04/11/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por ARLINDO DA COSTA E SI LVA, Assinado digitalmente em 24/10/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ
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