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Numero do processo: 10945.721211/2012-15
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Importação - II
Data do fato gerador: 15/06/2012, 20/06/2012, 21/06/2012, 22/06/2012, 25/06/2012, 26/06/2012, 27/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 11/07/2012, 12/07/2012
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA
Considera-se dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento converte-se em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3302-005.692
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA NÃO LOCALIZADA OU CONSUMIDA. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. PROCEDÊNCIA Considerase dano ao Erário, punível com a pena de perdimento, a infração relativa a mercadorias estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. A pena de perdimento convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 12 11 /2 01 2- 15 Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 872 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Versa o presente sobre Auto de Infração AI (fls.1 3/34), lavrado em 09/08/2012, e cientificado aos sujeitos passivos solidários, em 13/08/2012 (TERMOs às fls. 430/431), para exigência de crédito tributário relativo à multa substitutiva de perdimento (R$434.197,49), das mercadorias não localizadas, conforme RELATÓRIO FISCAL (fls. 7/60), elaborado pelas autoridades fiscais. O procedimento de auditoria foi assim descrito e resumido no relatório da decisão recorrida (fls. 788/792): "De acordo com a descrição dos fatos e o Relatório Fiscal de Procedimento Especial de controle aduaneiro, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Foz do Iguaçu submeteu a interessada ao rito previsto na Instrução Normativa SRF n° 1.169/2011, com o fim de verificar a aparente incompatibilidade econômicofinanceira da empresa importadora PANASIA e a opção questionável de logística para operação. O procedimento foi motivado pelo fato de haver indícios de estar a empresa acima identificada sendo usada para a realização de operações de terceiros. As Declarações de Importação DIs nº 12/11284206, 12/11384499, 12/11618473, 12/11454020, 12/11720472, 12/12399414, 12/11501630, 12/12248238, 12/12674709, 12/12360240, 12/12360259, 12/12723181 e 12/10991197 foram submetidas a procedimento especial de controle aduaneiro por suspeita de ocultação do real adquirente nas operações de importação, infração punível com pena de perdimento das mercadorias. A ação fiscal decorreu de operação realizada pela Receita Federal denominada “Operação Moinho de Vento” que teve por alvo, além do contribuinte supracitado, outras 3 (três) empresas que se utilizavam do mesmo modus operandi (simulação de operações de comércio exterior por intermédio da PANASIA). Esta ação fiscal foi concluída em 09/08/2012, e restou comprovado que a PAN ASIA registrou as DIs cedendo seu nome para a empresa WEIZEN, com o fim de ocultála da posição de verdadeiro sujeito passivo da operação. Comprovouse que a WEIZEN era o verdadeiro adquirente das mercadorias importadas em nome da empresa PAN ASIA, configurando ocultação do verdadeiro sujeito passivo das operações com o fim de reduzir as despesas a título de ICMS, bem como burlar os procedimentos fiscais de habilitação e parametrização em sua atuação no comércio exterior. Assim, estas empresas teriam agido em conluio no cometimento da infração de ocultação do verdadeiro adquirente em operações de comércio exterior. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 872DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 873 3 O ilícito de ocultação do sujeito passivo ocorreu mediante simulação ajustada entre PAN ASIA e a WEIZEN, e esta irregularidade por si só configura dano ao erário punível com a pena de perdimento das mercadorias. Este auto de infração trata de aplicar a multa de valor equivalente de que trata o parágrafo 3º do artigo 23 do DecretoLei nº 1.455/76, às mercadorias objeto das Declarações de Importação analisadas nesta ação fiscal que não foram localizadas no estabelecimento do contribuinte em função de terem sido revendidas. O valor aduaneiro das mercadorias tomou por base o exposto nas Declarações de Importação que foram objeto da presente ação fiscal. Depois de analisadas as informações e documentos apresentados pelas interessadas, bem como aqueles constantes na internet e nos sistemas da Receita Federal, as razões que levaram a Fiscalização a essas conclusões foram as seguintes: Em análise das notas fiscais em conjunto com as informações obtidas no Siscomex referente às informações constantes nas Declarações de Importação, verificouse que todas as operações foram declaradas por conta própria da PAN ASIA, ou seja, esta empresa figurou como importadora e adquirente das mercadorias. Todas as negociações foram realizadas entre WEIZEN e os fornecedores estrangeiros sediados na Argentina e Paraguai, configurando, portanto, contrato de compra e venda internacional. Documentalmente, as operações aparentavam ser regulares. A empresa PAN ASIA registrava uma declaração de importação por conta própria, emitia uma nota fiscal de entrada destas mercadorias em seu estabelecimento em Itajaí/SC e em seguida revendia estas mercadorias à empresa WEIZEN, em Foz do Iguaçu, mediante a correspondente emissão de Nota Fiscal de Venda. Materialmente, as operações com farinha de trigo estavam estruturadas de forma que a empresa WEIZEN fechava negociação comercial de importação com os moinhos de farinha de trigo da Argentina e do Paraguai e solicitava a estes moinhos estrangeiros a emissão de fatura comercial em nome da empresa PAN ASIA. Em seguida a empresa WEIZEN contratava o transporte internacional de carga e solicitava o carregamento da mercadoria no moinho ou depósito no exterior. Posteriormente a empresa WEIZEN contratava despachante aduaneiro para fazer o registro das Declarações de Importação em nome da PAN ASIA e após o desembaraço aduaneiro da carga no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR, a PAN ASIA emitia a nota fiscal de entrada das mercadorias em seu estabelecimento (Itajaí/SC). Ato contínuo emitia a nota fiscal de venda dessa carga à empresa WEIZEN. Após o desembaraço os transportadores internacionais efetuavam a descarga das mercadorias em local determinado pela empresa WEIZEN, sempre em Foz do Iguaçu/PR. Desta forma, a empresa PAN ASIA figurava na operação somente cedendo seu nome para que as empresas reais adquirentes permanecessem ocultas na importação. A ida das cargas à Santa Catarina não passou de mera simulação documental, sem qualquer vinculação com a realidade. A operação de compra e venda no mercado interno da PAN ASIA para a empresa WEIZEN calçada por nota fiscal de venda, não passava de mera simulação, dado que a relação entre a PAN ASIA e as reais adquirentes não Fl. 873DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 874 4 era, em momento algum, uma operação de compra e venda de farinha de trigo. Nesta mesma linha, a Declaração de Importação ao informar a PAN ASIA como adquirente apresentava informação falsa, bem como o MIC e o CRT. E, ainda, a fatura comercial que instruiu a declaração de importação por estar emitida para PAN ASIA como adquirente não representava a realidade dos fatos, logo é ideologicamente falsa. Um dos motivadores à ocultação foi a burla aos controles administrativos, como a não submissão aos procedimentos de habilitação no Siscomex e a interferência na avaliação de risco nas operações. Outro motivador à ocultação é a busca de benefícios fiscais estaduais. Como resultado dessas operações simuladas, a empresa WEIZEN conseguia uma redução no custo da importação de farinha de trigo devido à redução da alíquota efetiva do ICMS, utilizandose, de forma indevida, de benefício concedido pelo estado de Santa Catarina. Ao visitar o sítio da empresa PAN ASIA na internet, observase que lá ela vende seu serviço de cessão de nome de forma quase explícita, expondo inclusive as vantagens de importar com a PAN ASIA: “reduzem de forma matemáticafinanceira o imposto mais importante e significativo, ou seja, o ICMS”. A análise dos documentos apreendidos e das informações prestadas indicou a existência de elementos característicos de simulação, não cabendo a idéia de planejamento tributário. O volume de operação da PAN ASIA é totalmente incompatível com sua habilitação concedida pela Receita Federal para que a empresa atuasse no comércio exterior. Considerando somente sua atuação com farinha de trigo nos primeiros 6 (seis) meses de 2012, a empresa extrapolou em mais de 31 (trinta e uma) vezes sua estimativa de operação. Em uma primeira constatação, merece destaque o fato de que, apesar de todas as 394 DIs analisadas terem sido registradas por PAN ASIA, sendo ela importadora e adquirente por conta própria, estas não tinham uma forma padrão de atuação. As DIs eram registradas por diferentes despachantes e usavam como transportador internacional, diferentes empresas sem qualquer explicação lógica, a princípio. Contudo ao cruzar os dados das Declarações de Importação com as respectivas notas fiscais de saída o que aparentava ilógica e não razoável, tornouse lógico, claro e evidente. Observase a interposta PAN ASIA registrou 133 DIs que tiveram como destino final da farinha de trigo esta empresa. Em 96% destas importações foi utilizada a empresa de transporte internacional TRANSUNI. Nesta mesma linha, em 100% das importações com destino final da carga a WEIZEN foi o despachante Leonço de Almeida Falcão, CPF 931.282.58953, que registrou as Declarações de Importação em nome de PAN ASIA. Outra informação relevante é que em 60 destas operações, mais de 45% do total, a carga foi exportada por moinhos estrangeiros cujo destino final foi exclusivamente a WEIZEN. Sendo que, 26 destas operações figurou como exportador somente um moinho estrangeiro. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 875 5 A empresa WEIZEN era responsável por contratar o moinho, o despachante e o transportador internacional de sua preferência e somente tomar emprestado o nome da PAN ASIA para o registro formal da operação. A PAN ASIA não possuía qualquer ingerência sobre as escolhas dos intervenientes no comércio exterior, apesar de ser ela, documentalmente, o importador e adquirente por conta própria das mercadorias. Em sede de diligência na empresa WEIZEN, constatouse que a Sra. Célia de Fátima Leite Silva, CPF: 414.798.82968, mãe do sócioadministrador da empresa (Sr. Filipe Augusto Silva, CPF: 043.902.13911), era a pessoa responsável pelas operações de comércio exterior. No computador utilizado pela Sra. Célia foram encontradas diversas conversas com prepostos na Argentina (pessoas que negociavam a farinha em nome dos moinhos de farinha). Essas negociações comprovam a participação efetiva da WEIZEN na negociação de compra de farinha de trigo com moinhos estrangeiros, na solicitação de emissão de fatura próforma em nome da PAN ASIA, na escolha do despachante aduaneiro e no controle de licenças de importação. É a WEIZEN (e não a PANASIA) quem faz a solicitação de emissão de LI. Para isso, solicita ao fornecedor argentino o envio de faturas próformas. Em diligência no estabelecimento da WEIZEN foi encontrado documento que comprova que a WEIZEN mantinha planilha que utilizava para controlar a emissão de e validade das licenças de importação referentes a cada fatura próforma. Observase que para fins de controle a WEIZEN relacionava o nome importador que deveria ser utilizado para registrar a importação. Foram encontrados, ainda, no estabelecimento da WEIZEN, diversas faturas comerciais e cópias de contratos de câmbio e de swifts bancários. A existência de documentos como estes no estabelecimento da WEIZEN comprova, de forma inequívoca, que ela é de fato a verdadeira adquirente e importadora de tais mercadorias. Todas (100%) as importações realizadas pela PANASIA que tiveram a WEIZEN como destinatário foram realizadas pela transportadora TRANSUNI TRASPORTES RODOVIARIOS LTDA, CNPJ 08.819.782/000105. Conversas obtidas no computador da WEIZEN indicam que era ela quem escolhia, negociava e dava ordem para transbordo das cargas de farinha. Todas as importações realizadas pela PANASIA que tiveram a WEIZEN como destinatário foram realizadas pelo despachante aduaneiro Sr. Leonço de Almeida Falcão, CPF nº 931.282.58953. Conversas obtidas no computador da WEIZEN indica que, nas importações de farinha que a tinha como destinatário, era ela quem escolhia e negociava com o despachante aduaneiro. Em um dos documentos comerciais arquivados na empresa PAN ASIA, o Sr. Nilo Simas Jr. orienta empresa comercial importadora de Foz do Iguaçu/PR acerca dos procedimentos que devem ser adotados nas próximas importações de farinha de trigo, agora em nome de PAN ASIA. Em detalhes o Sr. Nilo Fl. 875DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 876 6 descreve o fluxo negocial, passo a passo, das operações de importação de farinha de trigo via Foz de Iguaçu/PR. Este documento é de fato um roteiro para ocultação mediante interposição fraudulenta. A Fiscalização apresenta, de maneira geral, o fluxo financeiro documental das operações em contraponto ao material, bem como os cuidados adotados pela PAN ASIA pra afastar a questão do adiantamento de recurso. A PAN ASIA tenta operar sem receber o valor do câmbio antes do registro da DI. Para resolver este problema, bastou a PAN ASIA gerar um capital de giro inicial para bancar as operações por alguns dias aos reais adquirentes. Contudo, como a PAN ASIA somente adianta seu próprio capital para o fechamento do câmbio, ela tem pressa que este dinheiro retorne a sua conta. De fato, a PAN ASIA não tem qualquer preocupação com a importação em si, não demonstra qualquer atenção à carga de farinha de trigo, ela somente quer seu capital “emprestado” de volta, revestido na forma de operação de compra e venda no mercado interno O propósito da “engenharia” montada por PAN ASIA e reais adquirentes foi a de dar forma aparentemente legal às operações, para evitar que as importações estivessem condicionadas a antecipações de recursos, ainda que a título de compra e venda no mercado interno, pois isso poderia ensejar a presunção de operações por conta e ordem de terceiros. A PAN ASIA cobrava comissão somente para ceder seu nome e não uma comissão a título de uma operação por conta e ordem. Por mais que se alegue que de fato era uma importação por conta e ordem, a tipificação da irregularidade é idêntica, dado que, igualmente, está oculto o sujeito passivo, verdadeiro adquirente das mercadorias. E ainda, nestes casos não existe a possibilidade de emissão de nota fiscal de compra e venda, dado que não é a farinha de trigo que está sendo comercializada, é sim um serviço, logo o documento idôneo seria uma nota fiscal de prestação deste serviço e não uma venda simulada. As cargas de farinhas importadas e desembaraçadas no Porto Seco de Foz do Iguaçu/PR eram remetidas diretamente à empresa WEIZEN nesta mesma cidade, sem jamais transitar pelas dependências da importadora PAN ASIA, fato que pode ser facilmente comprovado pelo cotejamento entre as datas e horas dos documentos fiscais. As condutas adotadas pela PAN ASIA afastam a operação por encomenda, uma vez que a PAN ASIA carece de qualquer relação com os moinhos estrangeiros exportadores, e ainda, a operação no mercado interno é simulada, não sendo de fato uma compra e venda ou revenda. Em diligência no estabelecimento da WEIZEN foi encontrado um documento denominado “INSTRUMENTO PARTICULAR DE CONTRATO DE COMPROMISSO DE COMPRA E VENDA”. Tratase de um contrato firmado entre a WEIZEN (contratante) e a PANASIA (contratada) que teria por objeto “a compra pela CONTRATANTE de farinha de Trigo adquirida pela CONTRATADA no mercado externo” no montante de 1.140 toneladas por mês ou aproximadamente 40 caminhões mensais. Apesar de denominado “contrato de compromisso de compra e venda”, na realidade tratase de um contrato de prestação de serviço. Fl. 876DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 877 7 Foi comprovado que a WEIZEN tem por prática comercial contratação de empresa importadora, mediante comissão, para registrar Declarações de Importação em seu nome." Cientificado o AI aos sujeitos passivos solidários, em 13/08/2012 (TERMOs às fls. 430/431), WEIZEN DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI e PAN ASIA TRADING IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA apresentaram Impugnações, em 10/09/2012 (fls. 436/459 e 470/521), alegando, em sínteses, emprestadas da decisão recorrida (fls. 792/ 795): "O sujeito passivo WEIZEN apresentou a impugnação de folhas 299 a 312, alegando que: o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas. é uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior. após efetuar as negociações com o exportador, a WEIZEN repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio. as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. a compra da farinha de trigo é feita com recursos da PAN ASIA, a qual recupera seu capital somente após o desembaraço e a venda da farinha a seus clientes. em que pese a Fiscalização não tecer um comentário sequer questionando a origem dos recursos, comprovase a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior objetos dos autos com coincidência de datas e valores. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários. as notas fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita, consoante posicionamento oficial do próprio Fisco, conforme exemplo de acórdão citado. Elas gozam de presunção de veracidade, só podendo ser afastadas por meio de robusta prova em sentido contrário. A Fiscalização não produziu qualquer prova apta a descaracterizar as operações de compra e venda mercantis realizadas, razão pela qual as notas fiscais são provas cabais da origem dos recursos. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 878 8 a PAN ASIA financia a operação e assume os riscos inerentes a este procedimento, como, por exemplo, inadimplência, deterioração etc, sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias. é inadequado o enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da WEIZEN. Primeiro, porque da mesma forma o desfecho seria o perdimento da carga. Segundo, porque, além de os recursos utilizados na importação serem exclusivamente da impugnante, todos os documentos que acobertam a operação se encontram em nome da PAN ASIA. se a operação real fosse declarada como por conta própria da WEIZEN, ainda poderia ser caracterizada como interposição fraudulenta pela Fiscalização, porque os recursos que financiam a operação são da PAN ASIA. Se a operação dáse com recursos da PAN ASIA, e não pode ser classificada como conta e ordem da WEIZEN (porque os recursos que a financiam não são seus), nem como encomenda da WEIZEN (o próprio Fiscal descarta essa possibilidade), então tornase forçoso concluir que a operação deve ser classificada na regra geral, que é a conta própria. Uma operação não pode ser considerada fraudulenta apenas porque não se enquadra exatamente em qualquer das três modalidades regulamentadas pela RFB. há ausência de demonstração do dolo específico de fraudar. A interposição fraudulenta e a falsificação de documentos exigem a comprovação da fraude e simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provados por elementos seguros de prova. a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI, de forma que a suposta fraude não possui qualquer potencialidade lesiva ao Erário. Cita Solução de Consulta nº 33/SRRF/7ª RF/Disit, na qual a Receita Federal firmou entendimento de que a cessão de nome é uma conduta dolosa de natureza fraudulenta, que possui como objetivo a mitigação do valor dos tributos como IPI e outros. Requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração pelos motivos expostos. O sujeito passivo coautuado PANASIA apresentou a impugnação de folhas 518 a 555, alegando, em síntese que: o Fisco não comprova a ocorrência de fraude ou simulação nas operações em comento, limitandose a imputar como fraudulentas importações que não se encaixam perfeitamente nas modalidades comerciais de importação reconhecidas. é uma trading e o próprio ordenamento jurídico brasileiro reconhece a possibilidade de uma empresa contratar uma trading para realizar operações de comércio exterior. após efetuar as negociações com o exportador, a WEIZEN repassa as operações para a PAN ASIA a qual as financia, com recursos próprios, desembaraça as mercadorias e as revende às suas clientes. Neste processo a PAN ASIA aufere lucro, até mesmo como remuneração pelo trabalho Fl. 878DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 879 9 despendido e pelo capital próprio imobilizado com financiamento da operação em nome próprio. as importações foram registradas como importação direta haja vista ser a importadora a real adquirente das mercadorias, arcando, inclusive, com o pagamento do câmbio perante o exportador com recursos próprios. Não há qualquer adiantamento por parte dos clientes. A impugnante descreve a origem dos recursos utilizados para pagar o câmbio referente a cada DI constante no auto de infração. a compra da farinha de trigo é feita com recursos da PAN ASIA, a qual recupera seu capital somente após o desembaraço e a venda da farinha a seus clientes. em que pese a Fiscalização não tecer um comentário sequer questionando a origem dos recursos, comprovase a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos utilizados nas operações de comércio exterior objetos dos autos com coincidência de datas e valores. Os recursos utilizados para as despesas aduaneiras também possuem origem em empréstimos bancários. as notas fiscais são consideradas documentos idôneos para comprovar a origem de receita, consoante posicionamento oficial do próprio Fisco, conforme exemplo de robusta prova em sentido contrário. A Fiscalização não produziu qualquer prova apta a descaracterizar as operações de compra e venda mercantis realizadas, razão pela qual as notas fiscais são provas cabais da origem dos recursos. a PAN ASIA financia a operação e assume os riscos inerentes a este procedimento, como, por exemplo, inadimplência, deterioração etc, sendo, portanto, a real adquirente das mercadorias. é inadequado o enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da WEIZEN. Primeiro, porque da mesma forma o desfecho seria o perdimento da carga. Segundo, porque, além de os recursos utilizados na importação serem exclusivamente da impugnante, todos os documentos que acobertam a operação se encontram em nome da PAN ASIA. se a operação real fosse declarada como por conta própria da WEIZEN, ainda poderia ser caracterizada como interposição fraudulenta pela Fiscalização, porque os recursos que financiam a operação são da PAN ASIA. Se a operação dáse com recursos da PAN ASIA, e não pode ser classificada como conta e ordem da WEIZEN (porque os recursos que a financiam não são seus), nem como encomenda da WEIZEN (o próprio Fiscal descarta essa possibilidade), então tornase forçoso concluir que a operação deve ser classificada na regra geral, que é a conta própria. Uma operação não pode ser considerada fraudulenta apenas porque não se enquadra exatamente em qualquer das três modalidades regulamentadas pela RFB. há ausência de demonstração do dolo específico de fraudar. A interposição fraudulenta e a falsificação de documentos exigem a comprovação da fraude e simulação, cujo dolo não pode ser presumido, mas provados por elementos seguros de prova. Fl. 879DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 880 10 a mercadoria importada situase fora do campo de incidência do IPI, de forma que a suposta fraude não possui qualquer potencialidade lesiva ao Erário. Cita Solução de Consulta nº 33/SRRF/7ª RF/Disit, na qual a Receita Federal firmou entendimento de que a cessão de nome é uma conduta dolosa de natureza fraudulenta, que possui como objetivo a mitigação do valor dos tributos como IPI e outros. a pena aplicável seria multa diversa, a do artigo 33 da Lei nº 11.488/2007, nos termos da Orientação COANA/COFIA. Requer que julgue improcedente o presente Auto de Infração pelos motivos expostos. É o relatório." A decisão de primeira instância, proferida em 30/04/2014 (fls. 787/803) foi pela improcedência das impugnações, em decisão cuja ementa abaixo transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 15/06/2012, 20/06/2012, 21/06/2012, 22/06/2012, 25/06/2012, 26/06/2012, 27/06/2012, 02/07/2012, 04/07/2012, 05/07/2012, 06/07/2012, 11/07/2012, 12/07/2012 DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MERCADORIA CONSUMIDA OU NÃO LOCALIZADA. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Considerase dano ao Erário a ocultação do real sujeito passivo na operação de importação, mediante fraude ou simulação, infração punível com a pena de perdimento. Caso a mercadoria tenha sido entregue a consumo, não seja localizada ou tenha sido revendida, esta infração é punida com multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, na importação, ou ao preço constante da respectiva nota fiscal ou documento equivalente, na exportação. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE, PROPORCIONALIDADE E NÃO CONFISCO. Tendo em vista a presunção de constitucionalidade das normas legais que foram legitimamente inseridas no ordenamento jurídico, cabe à autoridade administrativa tão somente verificar se os fatos subsumemse na norma de regência e aplicar a penalidade em face da existência de expressa determinação legal, dado que o lançamento não é atividade discricionária, mas, bem ao contrário, vinculada e obrigatória. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 881 11 MULTA DO ARTIGO 33 DA LEI Nº 11.488/2007. PENA DE PERDIMENTO. CONCOMITÂNCIA. A multa prevista no artigo 33 da Lei nº 11.488/2007 pode ser aplicada concomitantemente com a pena de perdimento das mercadorias importadas irregularmente, como regulamentado pelo artigo 689 do Decreto nº 6.759/2009, Regulamento Aduaneiro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Após ciência do acórdão de primeira instância (AR à fl. 810/811), em 22/05/2014 e 26/05/2014, apenas, WEIZEN DISTRIBUIDORA DE ALIMENTOS EIRELI, apresentou o recurso voluntário de fls. 814/841, em 18/06/2014, reprisando, com pouca ou nenhuma variação, os argumentos trazidos na peça impugnatória, inclusive, dividido nos mesmos tópicos (i) a inequívoca demonstração de que a Pan Ásia é a real adquirente das mercadorias impropriedade da tese de ocultação do sujeito passivo; (ii) o inadequado enquadramento das operações como sendo por conta própria da Weizen, conforme sugerido pela d. DRJ; (iii) o inadequado enquadramento da operação como sendo por conta e ordem da Weizen; (iv) o inadequado enquadramento da operação como sendo por encomenda da Weizen; (v) regularidade da operação como sendo por conta da Pan Ásia; (vi) a ausência de demonstração do dolo específico de fraudar impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta; (vii) a ausência de comprovação de dano ao Erário. É o relatório Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO DOLO ESPECÍFICO DE FRAUDAR Alega a recorrente, a impossibilidade de caracterização da infração de interposição fraudulenta, concentrando seus argumentos em demonstrar que as importações foram feitas com recursos próprios da importadora, e a ausência de demonstração do dolo específico de fraudar, exigido pelo inciso V, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Questão hermenêutica decisiva, interpretar e aplicar a norma contida no inciso V, do artigo 23, do Decretolei nº 1.455/1976, no que diz respeito a considerarse dano ao Erário, a ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. Fl. 881DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 882 12 Confesso não ser fácil a missão de interpretar de forma adequada os elementos subjetivos fraude ou simulação, no contexto adotado para caracterização da ocultação e do dano ao Erário, resultante na pena de perdimento. Mais difícil ainda, quando não impossível, comproválas diretamente, pelo que se admite que sejam provadas por todos os meios admitidos em Direito, inclusive provas indiretas, usandose de indícios e presunções. Nesta Turma de julgamento, prevalece o entendimento de que não há interposição fraudulenta quando a interposição é lícita, v.g., nas modalidades de importação permitidas – conta e ordem e encomenda, ou quando o ocultado não tem como saber que está a adquirir produtos que serão objeto de uma importação, ou adquire no mercado interno produto distinto daquele importado, ainda que tenha feito pagamentos adiantados, ao menos parciais. No entanto, se ambas as partes têm a plena consciência de que a mercadoria importada, de fato, não se destina àquele que consta como importador na declaração de importação, e contribuem, como no caso, com pessoa física, v.g., despachante aduaneiro, que atua em comum, representando ambas, ainda que sem poderes, para prestar ao fisco informações que sabem não refletir a realidade da operação, temse interposição fraudulenta. No mesmo sentido, sobre a necessidade de utilização das modalidades de importação permitidas – conta e ordem e encomenda, afirmase no voto condutor da decisão recorrida que: "O procedimento adotado pela importadora, ao não informar a destinatária das mercadorias que estava importando, descumpre determinações expressas nas Instruções Normativas SRF nº 225/2002 e nº 634/2006 que tratam, respectivamente, de importações “por conta e ordem de terceiro” e “para revenda a encomendante predeterminado”." (fl. 801) Depreendese do artigo 11, da Lei n° 11.291/2006, regulamentado pela IN SRF nº 634/2006, os seguintes requisitos para caracterização da operação como importação por encomenda: aquisição de mercadorias no exterior para revenda a encomendante predeterminado; e financiamento da operação por conta do importador e não do encomendante. Assim sendo, o principal requisito específico da importação por encomenda é a revenda de mercadoria estrangeira para encomendante predeterminado. Dessa forma, a partir de 2006, com a edição da Lei nº 11.291/2006, a importação por conta e ordem de terceiro, que originalmente albergava tanto o caso de o adquirente fornecer os recursos empregados na operação, quanto o caso de tais recursos serem oriundos do importador, foi dividida em duas modalidades distintas: a importação por conta e ordem propriamente dita, em que os recursos provêm de terceiro; a importação por encomenda, na qual o importador entra no negócio com recursos próprios. Destacase o argumento reiterado pela recorrente, no sentido de que as importações foram feitas com recursos próprios da importadora. Em que pese a obrigação do importador de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, ordinário que deva pactuar a compra internacional e dispor de capacidade econômica para o pagamento da importação pela via cambial. Da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. Assim, tanto na importação por encomenda, como na importação direta, o importador entra no negócio com recursos próprios, não sendo a comprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados um critério adequado para a distinção. Fl. 882DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 883 13 Assim, por força de Lei, a modalidade de importação adotada deveria ser a importação por encomenda onde a empresa WEIZEN seria identificada como o encomendante predeterminado aos órgãos que exercem o controle aduaneiro. Em não agindo assim, subsumise à hipótese normativa da interposição fraudulenta de terceiros, por ocultação do sujeito passivo, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Notar que não se trata simplesmente de classificação incorreta da operação. Haveria todo um modus operandi que, no entender da acusação fiscal e da decisão recorrida, levaria ao agir fraudulento dos envolvidos, no intuito de evadirse de eventuais tributos, ainda que de competência de outros entes federados, e de burlar os controles aduaneiros e de revisão aduaneira. Prossegue a acórdão recorrido promovendo a subsunção dos fatos e provas às normas, quanto à ocorrência de simulação na importação por ocultação do real adquirente da mercadoria e por apresentação de documentação com falsidade ideológica, a partir de informações extraídas de mensagens eletrônicas, notas fiscais de entrada e de saída de mercadorias, juntamente com os documentos coletados em diligência, extraindose do voto condutor da decisão recorrida as seguintes evidências: "...as notas fiscais de saída que ampararam as vendas às adquirentes das mercadorias possuem data de emissão coincidente ou de poucos dias depois da emissão das notas fiscais de entrada, que ampararam as mercadorias quando de sua importação (fls. 52). Aliás, pelos dados analisados e pela verificação do fluxo físico das mercadorias, chegase à conclusão que as mesmas não transitaram em nenhum momento pelo estado de Santa Catarina por impossibilidade espaço temporal. (...) ...comprovam o prévio conhecimento da destinação das mercadorias importadas as mensagens eletrônicas trocadas entre a Sra. Célia, responsável pelas operações da WEIZEN, e prepostos na Argentina (pessoas que negociavam a farinha em nome dos moinhos de farinha), nas quais se estabelecem a vinculação entre eles. (...) ...foram encontrados, ainda, no estabelecimento da WEIZEN, diversas faturas comerciais e cópias de contratos de câmbio e de swifts bancários. A existência de documentos como estes no estabelecimento da WEIZEN comprova, de forma inequívoca, que ela é de fato a verdadeira adquirente e importadora de tais mercadorias. (...) É a WEIZEN (e não a PANASIA) quem faz a solicitação de emissão de LI. Em diligência no estabelecimento da WEIZEN foi encontrado documento que comprova que a WEIZEN mantinha planilha que utilizava para controlar a emissão de e validade das licenças de importação referentes a cada fatura proforma." Fl. 883DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 884 14 Somamse às supracitadas evidências o fato de a PAN ASIA sequer eleger seu despachante aduaneiro, envolvese com a negociação das mercadorias ou com os serviços de transporte: "...Ocorre que ao se cruzar os dados das DIs com as respectivas notas fiscais de saída, observase que há um padrão. Há poucos fornecedores, é sempre utilizada a mesma empresa transportadora, assim como é utilizado um único despachante aduaneiro. (...) ...O real adquirente WEIZEN está vinculado claramente ao despachante Leonço de Almeida Falcão pois todas as importações realizadas pela PANASIA que tiveram a WEIZEN como destinatário foram realizadas por este despachante. E pelas mensagens eletrônicas, nas importações de farinha era ela quem escolhia e negociava com o despachante aduaneiro. (...) ...a PAN ASIA em nenhum momento se envolve em negociação de farinha de trigo, e cede seu nome intencionalmente para outras empresas utilizarem em operações de comércio exterior... (...) ...diversas mensagens trocadas entre a Sra. Célia e representantes da empresa WEIZEN, e representante da transportadora internacional TRANSUNI, nas quais se evidencia que a WEIZEN contratou e ordenou à empresa TRANSUNI para que efetuasse o transporte internacional de cargas. Portanto, tanto o relatório fiscal da Receita Federal, quanto o voto condutor da decisão recorrida, foram precisos ao demonstrar o modus operandi de simulação/ocultação de sujeito passivo entre a importadora PAN ASIA e a empresa WEIZEN, levando a concluir que a PAN ASIA não participa das operações no comércio exterior e que a negociação e contratação dos intervenientes é feita pela WEIZEN, sendo o papel da PAN ASIA totalmente passivo, apenas, cedendo seu nome, restando comprovado que o verdadeiro responsável, adquirente e importador das operações analisadas é a ocultada WEIZEN, e não a ocultante PAN ASIA. Somase o fato, especialmente relevante para esta Turma recursal: de que ambas as partes tinham a plena consciência de que a mercadoria importada, de fato, não se destinaria àquele que consta como importador na declaração de importação, e contribuem, como no caso, com pessoa física (despachante aduaneiro) que atua em comum, representando ambas (ainda que sem poderes), para prestar ao fisco informações que sabiam não refletir a realidade da operação, restando caracterizados os elementos subjetivos da conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação. Assim, pelas mesma razões e fundamentos consignados na decisão recorrida, entendo que, por força de Lei, a modalidade de Importação adotada deveria ser a importação por “encomenda” onde a empresa ora recorrente seria identificada como o encomendante predeterminado aos órgãos que exercem o controle aduaneiro. Em não agindo assim, incorreu, o importador em solidariedade (inc. V, do art. 95, do DL nº 37/66) com o encomendante ocultado, na prática efetiva da interposição fraudulenta de terceiros, por ocultação do sujeito passivo, conduta tipificada no inciso V, do artigo 23, do DecretoLei nº 1.455/76. Fl. 884DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 885 15 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DANO AO ERÁRIO Reitera a recorrente não haver prova de dano ao Erário, não havendo redução de tributos, ficaria demonstrada a ausência de dano ao erário e do próprio dolo de fraudar. Entendese inócua a discussão sobre a existência ou a comprovação de efetivo dano ao Erário, visto que decorre do texto da própria lei: DecretoLei nº 1.455/1976 : "Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: ...", elencando incisos, cujas infrações ali relacionadas considerase dano ao Erário, punível com perdimento. Discutese a subsunção dos fatos às normas contidas nos referidos incisos, v.g., no inciso V, onde o núcleo do tipo infracional reside na conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação, tornandose necessário que esses elementos sejam provados ou presumidos, a depender da modalidade da interposição fraudulenta identificada. Para os fatos geradores ora abarcados, aplicase o artigo 23, § 3º, do Decreto Lei nº 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59, da Lei nº 10.637/02: Art 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: [...] V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) [...] § 1o O dano ao erário decorrente das infrações previstas no caput deste artigo será punido com a pena de perdimento das mercadorias. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 2o Presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) § 3o A pena prevista no § 1oconvertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002) O precedente, cuja ementa abaixo transcrevo, da 1ª TO/3ª Câmara/3ª Seção, no Acórdão nº 3301002.637, de 18/03/2015, esclarece: INTERPOSIÇÃO. PROVA DE DANO AO ERÁRIO. DESNECESSIDADE. Pelo disposto no artigo 23 do DecretoLei n.º 1.455/1976 as infrações lá descritas são punidas com a pena de perdimento porque as condutas lá expressas são legalmente consideradas como dano ao erário configurandose a presunção jure et de jure. Fl. 885DF CARF MF Processo nº 10945.721211/201215 Acórdão n.º 3302005.692 S3C3T2 Fl. 886 16 Aqui a prova necessária é da ocultação dolosa mediante fraude ou simulação. Comprovada, no caso, não tratandose de interposição fraudulenta presumida, identificados: ocultante (PAN ASIA: 12457.721271/201346 multa por cessão de nome) e ocultado (WEIZEN, em solidariedade com PAN ASIA: 10945.721211/201215 multa de 100% do valor aduaneiro), caracterizada está a interposição fraudulenta, considerada dano ao Erário, punível com pena de perdimento. Pelas razões expostas, entendo, deva ser mantida a decisão administrativa de primeira instância, quanto a infração da interposição fraudulenta comprovada, visto demonstrada e provada a conduta dolosa de ocultar, mediante fraude ou simulação, à considerarse dano ao Erário, sujeita a pena de perdimento ou multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria (inciso V, §§ 1º e 3º, do artigo 23, do DL nº 1.455/76), respondendo o importador ocultante em solidariedade com o encomendante ocultado (inciso V, do artigo 95, do DL nº 37/66). Com estas considerações, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 886DF CARF MF
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Numero do processo: 10166.723123/2010-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 09 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 16/12/2010
Ementa:
NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL - MPF
O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento.
RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88)
Numero da decisão: 2202-004.438
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(assinado digitalmente)
DILSON JATAHY FONSECA NETO - RELATOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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RELAÇÃO DE VÍNCULOS. INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. (Súmula CARF nº 88) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 31 23 /2 01 0- 63 Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 239 2 (assinado digitalmente) DILSON JATAHY FONSECA NETO RELATOR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Fabia Marcilia Ferreira Campelo, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Virgilio Cansino Gil, Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, o conselheiro Paulo Sergio Miranda Gabriel Filho. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente a multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 38). Tendo a DRJ negado provimento à defesa, a Contribuinte interpôs o Recurso Voluntário ora sob julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado o auto de infração DEBCAD nº 37.315.7568 (fls. 2/10 e docs. anexos fls. 11/13) em função da não apresentação dos documentos exigidos ao longo da fiscalização, nos termos dos arts. 33, §§ 2º e 3º da Lei nº 8.212/1991 e arts. 232 e 233 do RPS, especificamente "Proposta de Compra e Venda e Recibo de Sinal", documento dito como indispensável vez que conteria informações acerca da identificação do imóvel, do valor da unidade, das condições de pagamento e, entre outras informações, a identificação do corredor autônomo responsável pela venda CFL 38. Intimada em 20/12/2010 (fl. 3), a Contribuinte apresentou Impugnação em 19/01/2011 (fls. 35/95 e docs. anexos fls. 96/122). A DRJ, analisando a defesa da Contribuinte, proferiu o acórdão nº 0352.141, de 14/05/2013 (fls. 127/132), mantendo o crédito e que restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/12/2010 MULTA POR INFRAÇÃO. NÃO APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS OU APRESENTAÇÃO DEFICIENTE. (CFL 38) Constitui infração deixar a empresa de exibir documentos ou livros relacionados com fatos geradores de contribuições previdenciárias, quando devidamente solicitados pela fiscalização, ou apresentar livro ou documento que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita informação verdadeira. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. São listadas no Relatório de Vínculo todas as pessoas físicas e jurídicas de interesse da administração, em razão de seu vínculo Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 240 3 com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente, não implicando automaticamente em responsabilidade solidária. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a parte do lançamento que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Matéria não discutida na peça impugnatória é atingida pela preclusão, não mais podendo ser debatida na fase recursal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada em 05/06/2013 (fl. 134), e ainda insatisfeita, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 05/07/2013 (fls. 138/218 e docs. anexos fls. 219/236), argumentando, em síntese: Das Preliminares · Que houve nulidade do ato de fiscalização por vício formal e por falta de publicidade na emissão e prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal MPF, vez que não foram emitidos nem a Contribuinte foi intimada de MPFC, apesar de o MPF ter prazo máximo de 120 dias e a fiscalização ter durado mais de um ano; · Que a autuação é nula por utilizarse de prova indiciária, inclusive essa nulidade já foi observada nos autos do processo nº 10166.723119/2010 03, quando a DRJ julgou procedente a Impugnação e exonerou o crédito tributário de processo conexo a este, lançado no âmbito da mesma fiscalização, decorrente dos mesmos fatos e provas, por falta de provas; · Que houve violação ao princípio da Verdade Material, porquanto a autoridade lançadora deixou de considerar os argumentos e as provas juntadas durante a fiscalização; · Que o lançamento foi realizado exclusivamente com base em depoimentos, não havendo provas nos autos de (i) que houve efetiva análise por amostragem; (ii) que os corretores trabalhavam no stand da construtora e que eram identificados por crachás; nem (iii) que a recorrente fez pagamentos em favor dos corretores; · Que há nulidade por erro na indicação dos "dispositivos legais que são gravados de forma aclaradamente genérica no anexo do auto de infração" (fl. 2.308); · Que o auto de infração padece de falta de liquidez e de certeza, especificamente porquanto foram incluídos no auto de infração a "Venda Direta Via" bem como tributou vendas realizadas por meio de imobiliárias, as quais, por sua vez, se utilizaram de seus corretores, não Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 241 4 sendo possível falar em retenção de contribuições previdenciárias pelo serviço prestado por outras empresas; · Que houve presunção como prova e que foi utilizada prova indiciária, sendo que não há provas do efetivo pagamento das comissões, ainda que pelos compradores, frisando a Contribuinte que é possível que a empresa tenha vendido diretamente seus imóveis sem a participação de corretores, o que não foi considerado pela autoridade lançadora; · Que a legislação citada (especificamente o art. 33, §4º, da Lei nº 8.212/1991) não estabelece critérios para o arbitramento da contribuição previdenciária no caso em tela, tendo a autoridade lançadora extrapolado sua competência; · Que a autoridade lançadora não caracterizou os corretores como segurados empregados e nem desconsiderou a personalidade jurídica das empresas prestadoras de serviços; · Que a autoridade lançadora não se desincumbiu do ônus de provar a ocorrência do fato gerador; · Que a Contribuinte não tem legitimidade para figurar no polo passivo na autuação vez que se for devida contribuição previdenciária ela contratava empresas imobiliárias para realizar as operações de venda, sendo que os corretores estavam vinculados a elas; e · Que, também, foram os compradores quem realizaram os pagamentos, sendo eles os responsáveis tributários. Mérito: · Que houve erro na aplicação da alíquota, especificamente porque a autoridade lançadora não levou em consideração as alterações realizadas pela Lei nº 10.666/2003, isto é, que não deveria ter sido aplicada a alíquota de 20% mas sim a de 11%. Ainda segundo a Contribuinte, trata se de erro insanável, pois não é possível alterar a fundamentação legal do auto de infração já constituído nem a alíquota aplicável; · Que só há incidência de Contribuição Previdenciária sobre os valores pagos (1) com natureza salarial (retributividade) e (2) com habitualidade, o que não se observa no caso concreto; · Que os corretores de imóveis não prestam serviços à Recorrente, não havendo que se falar em ocorrência de fato gerador de prestação de serviço por segurado autônomo; · Que não há indício de habitualidade nos pagamentos feitos pelos compradores; · Que no contrato de corretagem não é o serviço do corretor que se pretende, mas sim o resultado da mediação; Fl. 241DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 242 5 · "Os corretores de imóveis não prestam serviços às empresas construtoras e empreendedoras na área de construção civil, estas, consequentemente, não estão obrigadas ao pagamento da contribuição social instituída pela Lei, em face do negócio jurídico celebrado com os corretores. Isso porque o corretor é um comerciante com o objetivo social de intermediar contrato de compra e venda. Ele vende a intermediação e, por essa venda, recebe comissão proporcional ao preço do produto. Não há, por parte do corretor de imóveis, um serviço prestado à construtora ou empresa empreendedora, há, sim, um ato de comércio regulamentado por lei, no caso, o Código Civil e a Lei nº 6.530/78." (fl. 2.348); · Cita vasta doutrina, inclusive: RUBENS REQUIÃO, FRANS MARTINS, MARIA HELENA DINIZ, ARNOLD WALD, VALÉRIA BONONI GONÇALVES, JONAS FIGUEIREDO ALVES e PONTES DE MIRANDA para concluir que o corretor não presta serviço, sendo verdadeiro comerciante e estando obrigado pelo resultado e não pelo meio; · "Estabelece, portanto, o NCC [art. 722], de modo bem nítido, ser o contrato de corretagem especial, cuja característica é de que a pessoa que o celebra com outra não possui nenhum vínculo de prestação de serviços. (...) SE O CORRETOR DE SEGUROS NÃO PODE PRESTAR SEUS SERVIÇOS ÀS EMPREENDEDORAS E CONSTRUTORAS, QUE, POR ISSO, NÃO LHES DEVEM REMUNERAÇÃO OU RETRIBUIÇÃO, NÃO É POSSÍVEL EXIGIR DESSAS SOCIEDADES UMA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL QUE TEM POR FATO GERADOR A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS E POR BASE DE CÁLCULO O VALOR DE REMUNERAÇÕES E RETRIBUIÇÕES PAGAS AOS QUE OS PRESTAM." (fl. 2.354) (grifo no original); · Que o comprador pode, em conversa com o corretor, ser aconselhado a comprar outro imóvel que não o da Contribuinte; ainda assim, se o comprador vier a adquirir o imóvel da Recorrente, será devida a comissão. Logo, quando muito, o corretor prestou serviço à Contribuinte e ao comprador, devendo a base de cálculo ser proporcional. Contudo, como a Lei não prevê essa hipótese, que não cabe o lançamento; · Que é ilegal a imputação de responsabilidade solidária à recorrente, vez que a autoridade lançadora jamais verificou que as contribuições previdenciárias foram lançadas e recolhidas pelas terceiras empresas (imobiliárias). Em suma, que só poderia ter sido autuada se houvesse prova de que as terceiras empresas não recolheram os tributos devidos; · Que é incabível a listagem, no relatório fiscal, dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis vez que não lhes foi imputada qualquer atuação dolosa, não se configurando em qualquer das hipóteses legais de responsabilidade solidária; e Fl. 242DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 243 6 · Que devem ser julgados em conjunto o presente processo e os de nº 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723121/201074. Os presentes autos foram apensados aos processos nº 10166.723119/201003, 10166.723118/201051; nº 10166.723119/201003; nº 10166.723123/201063; nº 10166.723122/201019; nº 10166.723124/201016 e nº 10166.723121/201074 (fl. 123). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Delimitação da lide Como bem esclarecido no relatório, os presentes autos acolhem o AIOA DEBCAD nº 37.315.7568, constituindo a multa isolada pela não apresentação de documentos solicitados ao longo da fiscalização. Como bem anotou a Contribuinte, tratase de lançamento reflexo àquele contido no processo administrativo fiscal nº 10166.723117/201014, no qual se discute o crédito principal, i.e., existência ou não de omissão de declaração de contribuições previdenciárias. Nessa senda, a maior parte dos temas discorridos no Recurso Voluntário não têm relevância nos presentes autos. A verdade é que não cabe discutir aqui a natureza do contrato de corretagem, nem quem deveria ser o sujeito passivo da autuação; são matérias cuja análise deve ser feita em sede do processo principal. Tendo em vista que o lançamento recai sobre a não apresentação de documentos, essa é a matéria que poderia derrubar o auto de infração. Inclusive, esse foi o entendimento da DRJ, contra o qual o Contribuinte não recorreu: "Ou seja, o contribuinte não impugnou o lançamento no que se refere ao crédito lançado, uma vez que em nenhum momento informa o motivo de não ter apresentado as “Propostas de Compra e Venda e Recibo de Sinal” de diversos adquirentes de imóveis, precluindo, assim, o direito de fazêlo em outro momento processual, nos termos do Decreto 70.235/1972, artigos 16, III, e 17." (fl. 131) Nesse caminho, impende analisar as questões atinentes especificamente aos presentes autos, especificamente (1) a nulidade da fiscalização por falta de emissão e intimação do MPFC; e (2) a inclusão dos diretores da Contribuinte como coresponsáveis. 1. Vício Formal MPFContinuação: Fl. 243DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 244 7 Argumenta a Contribuinte, preliminarmente, que o auto de infração é nulo por vício formal ao longo da fiscalização. Segundo desenvolve seu raciocínio, deveriam ter sido emitidos Mandados de Procedimento de Fiscalização de Continuação MPFC, os quais não foram emitidos e não foram cientificados a ela. Por essa razão, ante a falta de prororgação da autorização de fiscalizar, e tendo em vista que a fiscalização durou mais de um ano logo, mais do que o prazo do MPF , entende que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Sem razão a Contribuinte. A verdade é que o MPF é documento interno com a finalidade de controlar e gerenciar a atividade da Receita Federal. A competência para constituir o crédito tributário vem do art. 142 do CTN, e não dos MPF's, que são meramente instrumentos de organização interna da Receita Federal. Nesse sentido a jurisprudência deste Conselho: NULIDADE MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF O Mandado de Procedimento Fiscal MPF constitui mero instrumento de controle criado pela Administração Tributária, sendo assim irregularidades em sua emissão ou prorrogação não são motivos suficientes para anular o lançamento. (acórdão CARF nº 2202003.687, de 08/02/2017) VÍCIOS DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. INEXISTÊNCIA. Falhas quanto a prorrogação do MPF ou a identificação de infrações em tributos não especificados, não causam nulidade no lançamento. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e,detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. (acórdão CARF nº 2301003.514, de 15/05/2013 FALHA NA PRORROGAÇÃO DO PRAZO DO MPF. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. Não dá causa à nulidade do lançamento falha cometida na prorrogação do prazo do MPF. (acórdão CARF nº 3301003.163, de 25/01/2017) Por essa razão, não é possível dar provimento ao pleito do Contribuinte nesse ponto. 2. Da indicação dos CoResponsáveis: Insurgese a Contribuinte contra a inclusão do Relatório de Vínculos no DEBCAD, argumentando que não restou comprovada ou mesmo imputada qualquer atuação dolosa por parte dos seus diretores que justificasse a inclusão deles como responsáveis solidários, como exige a legislação. Novamente, não assiste razão á insurgência da Contribuinte. A elaboração do Relatório de Vínculos no lançamento das contribuições previdenciárias não significa que o lançamento é formalizado contra as pessoas ali relacionadas. Nesse sentido o CARF já consolidou o seu entendimento: Fl. 244DF CARF MF Processo nº 10166.723123/201063 Acórdão n.º 2202004.438 S2C2T2 Fl. 245 8 Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Não é possível, portanto, dar provimento ao pleito da Contribuinte nesse ponto. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 245DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.001434/2010-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A utilização de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento é definida em função do agente que pratica o ato.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não objetiva limitar o alcance da ação fiscal, mas apenas instaurá-la, constituindo mero instrumento de planejamento e controle administrativo.
GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ISENÇÃO.
Os bens havidos antes do casamento, ainda que pelos próprios conjuges, não se comunicam, portanto, o fato de um dos conjuges ter alienando outro imóvel em período inferior a 5 anos não altera o direito a isenção previsto no Art. 23 da Lei nº 9.250/95 sobre a parcela do imóvel adquirido antes do casamento e de propriedade exclusiva do outro.
ALTERAÇÃO DAS RAZÕES DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado ao julgar alterar as razões determinantes do lançamento de modo a incluir elemento impeditivo ao exercício do direito do contribuinte a isenção, não previsto no lançamento e sobre o qual existem divergências.
Numero da decisão: 2402-006.205
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A utilização de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento é definida em função do agente que pratica o ato. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal - MPF não objetiva limitar o alcance da ação fiscal, mas apenas instaurá-la, constituindo mero instrumento de planejamento e controle administrativo. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ISENÇÃO. Os bens havidos antes do casamento, ainda que pelos próprios conjuges, não se comunicam, portanto, o fato de um dos conjuges ter alienando outro imóvel em período inferior a 5 anos não altera o direito a isenção previsto no Art. 23 da Lei nº 9.250/95 sobre a parcela do imóvel adquirido antes do casamento e de propriedade exclusiva do outro. ALTERAÇÃO DAS RAZÕES DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao julgar alterar as razões determinantes do lançamento de modo a incluir elemento impeditivo ao exercício do direito do contribuinte a isenção, não previsto no lançamento e sobre o qual existem divergências.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-12T17:20:10Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-12T17:20:10Z; Last-Modified: 2018-07-12T17:20:10Z; dcterms:modified: 2018-07-12T17:20:10Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2018-07-12T17:20:10Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-12T17:20:10Z; meta:save-date: 2018-07-12T17:20:10Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-12T17:20:10Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-12T17:20:10Z; created: 2018-07-12T17:20:10Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; Creation-Date: 2018-07-12T17:20:10Z; pdf:charsPerPage: 2055; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-12T17:20:10Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 314 1 313 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10920.001434/201089 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.205 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 5 de junho de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente SIMONE DEPNER TESSARO BERTOLDO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade do procedimento fiscal quando todas as determinações legais de apuração, constituição do crédito tributário e de formalização do processo administrativo fiscal foram atendidas. A aplicação ou não de penalidades não é fator determinante para definição do instrumento de formalização do crédito tributário. A utilização de Auto de Infração ou Notificação de Lançamento é definida em função do agente que pratica o ato. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. OBJETO DA FISCALIZAÇÃO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A expedição de Mandado de Procedimento Fiscal MPF não objetiva limitar o alcance da ação fiscal, mas apenas instaurála, constituindo mero instrumento de planejamento e controle administrativo. GANHOS DE CAPITAL. ALIENAÇÃO DE BENS IMÓVEIS. ISENÇÃO. Os bens havidos antes do casamento, ainda que pelos próprios conjuges, não se comunicam, portanto, o fato de um dos conjuges ter alienando outro imóvel em período inferior a 5 anos não altera o direito a isenção previsto no Art. 23 da Lei nº 9.250/95 sobre a parcela do imóvel adquirido antes do casamento e de propriedade exclusiva do outro. ALTERAÇÃO DAS RAZÕES DETERMINANTES. IMPOSSIBILIDADE. É vedado ao julgar alterar as razões determinantes do lançamento de modo a incluir elemento impeditivo ao exercício do direito do contribuinte a isenção, não previsto no lançamento e sobre o qual existem divergências. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 14 34 /2 01 0- 89 Fl. 314DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Denny Medeiros da Silveira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Gregório Rechmann Junior, Renata Toratti Cassini e Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 315DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 315 3 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 294/311, tomado contra Acórdão de fls. 277/289, advindo da 9ª Turma de Julgamento da DRJ/BHE que, por unanimidade de votos, votou improcedente a Impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Está assim lançado o relatório da decisão recorrida: Contra a contribuinte acima identificada foi lavrado Auto de Infração em 04/07/2013, fls. 02/26, com lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física relativo aos anos calendário 2005, 2006, 2007, no valor de R$26.721,46, juros de mora de R$10.338,35 e multa proporcional de R$20.041,08, totalizando o crédito tributário apurado de R$57.100,89. As infrações relativas aos exercícios acima citados, que modificam a base de cálculo do imposto, foram assim distribuídas: Ano Base Omissão de Rendimentos Despesas Médicas Despesas com Instrução Total Infrações 2005 16.685,00 ................... 2.198,00 18.883,00 2006 22.108,53 1.080,00 186,00 23.374,53 2007 13.947,18 687,00 ..................... 14.634,18 As infrações por deduções indevidas de impostos a título de contribuição previdenciária patronal paga pelo empregador doméstico (imposto), ocorreram nos anos calendários 2006 (R$131,64) e 2007 (R$5,40). A infração por ganhos de capital na Alienação de Bens e Direitos, ocorreu em janeiro do ano calendário 2006 (R$74.532,16). Os impostos lançados referentes às infrações relativas aos anos base acima citados foram assim distribuídos: Ano Base Base de Cálculo Declarada Total Infrações Alíquota % Parcela a Deduzir Imposto Devido Imposto Pago Imposto Apurado 2005 82.022,26 18.883,00 27,5 5.584,20 22.164,74 16.971,92 5.192,82 2006 2006 2006 80.237,41 23.374,53 27,5 5.993,71 IRRF 22.499,57 Sobre 16.071,57 Omissão 6.428,00 (240,62) 6.187,38 2006 #131,64 Fl. 316DF CARF MF 4 2006 74.532,16 15 *11.179,82 2007 49.818,47 14.634,18 27,5 6.302,32 11.422,15 7.397,75 4.024,40 2007 #5,40 Total 26.721,46 Observações: *.Imposto Ganhos de Capital (15%). # Imposto com vencimento anual (Empregador Doméstico). O Termo de Verificação Fiscal TVF, de fls. 191/202, datado de 03/05/2010, documento que compõe o Auto de Infração, traz, resumidamente, as informações que se seguem. Em cumprimento do MPF nº 09.2.02.00.201000162, de 15/05/2013, deu se início à presente fiscalização, com o objetivo de verificar o cumprimento das obrigações relativas ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), compreendidas no período de 01/01/2005 a 31/12/2007, na forma do Regulamento do Imposto de Renda. A ação fiscal foi deflagrada de oficio e com o fim específico de verificação de indícios de sonegação fiscal, visto a contribuinte ter omitido rendimentos do trabalho sem vinculo empregatício em suas Declarações de Imposto de Renda da Pessoa Física (DIRPF) dos Exercícios de 2005 a 2007, reduzindo assim a Base de Cálculo do Imposto Devido. A contribuinte é médica e durante o período objeto da Ação Fiscal recebeu rendimentos das pessoas jurídicas: Fundo Estadual de Saúde (CNPJ 80.673.411/000187), Prefeitura Municipal de Joinville (CNPJ 83.169.623/000110), Secretaria de Estado da Fazenda (CNPJ 82.951.229/000176), Instituto Nacional do Seguro Social (CNPJ 9.979.036/000140), Secretaria Municipal da Saúde de JoinvilleSC (CNPJ 79.361.028/000104) e do Fundo Municipal de Saúde de JoinvilleSC (CNPJ 08.184.821/00037). Por ocasião da fiscalização de contribuições previdenciárias junto à Secretaria da Saúde do Município de Joinville/SC, foram detectadas verbas pagas a colaboradores deste órgão, no período de 2005 a 2007, que não haviam sido relacionadas nas Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte — DIRF's encaminhadas anualmente à Secretaria da Receita Federal. Intimada a Secretaria da Saúde a se manifestar sobre o assunto, ela confirmou que os valores pagos foram de fato omitidos. A contribuinte, então, foi intimada a se manifestar sobre a omissão acima descrita, assim como apresentar comprovantes de despesas com instrução, de despesas médicas, bem como comprovação dos pagamentos das contribuições previdenciárias relativas a empregada doméstica. Além disso, foi intimada a contribuinte a apresentar a escritura pública, ficha de matricula no cartório de registro de imóveis e contrato particular de compra e venda (se houver), referente à compra e/ou venda de cada um dos seguintes imóveis: Apartamento n°1002 e Box 44 do Edifício Castellamare, situado a Rua Ministro Calógeras, 956, JoinvilleSC; Fl. 317DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 316 5 Casa em Alvenaria com área total de 146,71m 2, matrícula 83.349; Qualquer outro imóvel adquirido ou alienado no período de 01.01.05 a 31.12.07, ainda que efetuadas em nome do contriuinte, cônjuge ou dependentes. A documentação solicitada deverá conter, ainda, o seguinte: Informação por escrito, do valor e data de cada parcela paga/recebida para total quitação da transação (aquisição/alienação); Informação por escrito, anexando comprovação hábil e idônea da forma utilizada para pagamento (dinheiro, cheque, cartão de crédito, etc...).; A comprovação exigida pode ser cópia de cheque, extratos bancários que comprovem resgates e/ou saques de numerário para pagamentos em espécie, faturas do cartão de crédito, ou documentação similar que comprove de forma inequívoca o valor e data do efetivo desembolso. No dia 19/02/2010, a contribuinte apresentou resposta, às fls. 31/131, concordando com a infração por omissão de rendimentos e juntou documentos para comprovação de despesas médicas, instrução e pagamento de contribuição para empregada doméstica. Após, a análise de toda a documentação foram constadas infrações, conforme já demonstrado neste Relatório Especificamente à infração por omissão de Ganhos de Capital, impugnada, informa a autoridade fiscal que durante a Ação Fiscal foi verificado que anexa à Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Física do Exercício 2007, ano calendário 2006, a contribuinte informou ter efetuado a alienação de um apartamento, com ganho de capital sem, no entanto, ter apurado ou recolhido o imposto de renda correspondente (fls. 16 e 17). Pelo que consta da mesma declaração de rendimentos, tal ganho havia sido enquadrado por ela como isento pelo motivo: “Lucro do único imóvel ou lucro na venda de imóvel residencial para aquisição de outro imóvel residencial” (fl. 13). Como a discriminação desta alienação e a discriminação da compra de um outro imóvel residencial, que constam da Declaração de Bens e Direitos da mesma DIRPF/2007 (fls. 14), não esclareciam as datas em que tais operações haviam sido realizadas, de forma a se saber se a isenção pleiteada pela contribuinte encontrava amparo na Lei n° 9.250/95 ou na Lei n° 11.196/05, foi intimada através do próprio Termo de Inicio da Ação Fiscal (item 9 às fls. 28 e 29) a apresentar as fichas de matricula dos imóveis transacionados, bem como de qualquer outro adquirido ou alienado no período de 01/01/2005 a 31/12/2007, ainda que em nome do cônjuge ou de dependentes. Fl. 318DF CARF MF 6 Em resposta, a contribuinte declarou “não haver alienado outros imóveis durante o período de 01/01/2005 a 31/12/2007” (fls. 32, item 9.3). As fichas de matricula apresentadas por ela na ocasião foram, portanto, apenas as do apartamento situado no edifício Castellamare e da casa em alvenaria, com área total de 146,71m 2 itens 1 e 2 da Declaração de Bens, às fls. 14, que se encontram anexas às fls. 115/131. No entanto, através do sistema DOI (Declaração de Operações Imobiliárias), foi apurado a existência de um imóvel alienado pelo seu cônjuge Paulo Régis Bertoldo, CPF n°801.310.18000, em 12.09.2006 (fls. 178). Por isso, ela foi reintimada, através do Termo de Intimação Fiscal n° 021/10, a apresentar a ficha de matricula do imóvel (item 8 às fls. 133). A resposta apresentada em 12/04/2010 não trouxe quaisquer explicações, apenas a copia da ficha de matrícula solicitada e cuja cópia encontrase às fls. 172 e 174. Com base na documentação apresentada, foi verificado que a operação realizada com ganho de capital, correspondente à venda do apartamento de n° 1002 e de uma vaga de garagem no Edifício Castellamare, situado à Rua Ministro Calógeras nº 956, não está isenta do Imposto de Renda sobre o Ganho de Capital, pois não reúne as condições necessárias para enquadramento em nenhuma das hipóteses previstas nas Leis nº 9.250/95 nº 11.196/05. Assim, como a alienação realizada não satisfaz as condições legais para se caracterizar como uma operação isenta do Imposto e Renda sobre o Ganho de Capital, este tributo está sendo lançado, conforme cálculo demonstrado à fl. 197. Em 31/05/2010, a interessada, apresentou a impugnação de fls. 219/228, conforme, em síntese, seguese: Da ação fiscal surgiu o presente auto de infração com a apuração de diversas irregularidades. Dentre elas somente impugna a que tange ao item "002 — GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS / OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS", vez que os demais débitos apurados estão sendo objeto de pagamento/parcelamento. Sustenta o fisco que ela efetuou a alienação de um apartamento no Ano calendário de 2006, com ganho de capital, sem recolher o imposto de renda correspondente, não se enquadrando nas hipóteses de isenção contidas no art. 23 da Lei 9.250/95 e/ou art. 39 da Lei 11.196/05. Informa a autoridade fiscal que ela, no tocante a hipótese prevista no artigo acima citado não pode se beneficiar dessa isenção, pois seu cônjuge alienou outro imóvel em janeiro de 2006, bem como o regime de casamento entre o casal é o da comunhão parcial de bens. Fl. 319DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 317 7 Todavia, o Auto de Infração é meio próprio tãosomente para aplicação de penalidades, não para a constituição de crédito tributário, o conforme dispõem os artigos 10 e 11 do Decreto 70.235/1972. Como a constituição do crédito tributário se dá por ato administrativo plenamente vinculado (artigos 3º e 142 do CTN) à competência, finalidade e forma, deve ser anulado o ato que descumpra a forma exigida em lei. Dessa maneira, por desrespeito à forma exigida em lei, requer se, preliminarmente, a anulação do Auto de Infração impugnado. Caso seja mantido, vindicase seja ele mitigado para constar apenas as penalidades. Consoante destacado no “TERMO DE VERIFICAÇÃO E ENCERRAMENTO DA AÇÃO FISCAL "A ação foi deflagrada de oficio e com o fim especifico de verificação de indícios de sonegação fiscal, visto a contribuinte ter omitido rendimentos do trabalho sem vinculo empregaticio em suas Declarações de Imposto de Renda da pessoa Física (DIRPJ) dos Exercícios de 2005 a 2007, reduzindo assim a Base de Cálculo do Imposto Devido apurado nas mesmas.". Logo, o Mandado de Procedimento Fiscal era especifico para apurar a omissão de rendimento do trabalho e não descaracterização de isenção para fins de apuração de ganho de capital. Destarte, uma vez que o MPF é ato vinculado, o Agente Fiscal exacerbou seus poderes tornando nulo o item "002 — GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS / OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS ADQUIRIDOS EM REAIS" do Auto de Infração. No mérito, informa que efetuou a alienação do seu único imóvel em janeiro de 2006, não alienando outro imóvel seu no período de 5 (cinco) anos. O 1/3 (um terço) do imóvel que seu cônjuge preteritamente alienou, em setembro de 2006 (ficha de matricula anexada e já constante no processo), foi adquirido em maio de 2000 e o casamento do casal, sob o regime da comunhão parcial de bens, ocorreu posteriormente, em fevereiro de 2003 (vide ficha de matricula, r2 e Av.3). É cediço que os imóveis adquiridos antes do casamento havido sob o regime da comunhão parcial não se comunicam, conforme prescrição do Código Civil (artigos 1658, 1659 e 1.661. Destarte, o 1/3 de bem imóvel que seu cônjuge adquiriu em 2000 e alienou em setembro de 2006 não faz parte dos bens adquiridos durante a relação matrimonial. Uma vez que aquele 1/3 de imóvel não é bem comum do casal, não há que se falar Fl. 320DF CARF MF 8 que a impugnante vendeu dois bens seus no interregno de 5 anos, porque tal bem não é nem nunca foi seu. Além disso, somente os bens adquiridos onerosamente durante a relação matrimonial formam os bens comuns ao casal, que se comunicam entre os nubentes. O próprio apartamento alienado em 23 de janeiro de 2006 foi adquirido pela lmpugnante pela metade (50%) em 17 de janeiro de 2001 (conforme matricula n. 14.957 em anexo), ou seja, também antes da constância do casamento. Portanto, mesmo os 50% do imóvel da lmpugnante, cuja alienação entendeu o fisco ser fato gerador da obrigação tributária, não era bem comum do casal. Desta feita, se pode concluir facilmente que nenhum imóvel foi adquirido na constância do casamento e era comum do casal. Sobre o Principio da Verdade Real, devese lembrar que é dever da Administração Pública apreciar todos os dados que envolvem o problema e apurar o fato gerador da obrigação tributária da forma como ele realmente ocorreu. Uma vez que a renda seria decorrente do ganho de capital originado pela venda de apenas 50% do seu imóvel (quota parte que adquiriu antes do casamento) tão somente sobre esta base de cálculo poderia ser tributada. Por conseguinte, caso se entenda devido o tributo, que seja reduzida a "notificação" pela metade, vez que não é proprietária dos 50% do bem pertencente ao seu cônjuge, que adquiriu antes da constância do casamento. Em seu Recurso, reprisa a recorrente, no mais, todo os argumentos lançados em sua Peça de Defesa, diferenciandose apenas em dois pontos, quais sejam: i) Que o argumento utilizado para negar provimento à Impugnação foi diferente daquele utilizado no Auto de Infração, alterando o fundamento do AI, inovando a exação fiscal, o que seria, a seu ver, “descabível de qualquer amparo jurídico” (fls. 304). Isso porque, teria a decisão se firmado no sentido de que a requerente não seria beneficiária da isenção perseguida, eis que possuidora de mais de um imóvel (o apartamento e o box de garagem), bem como que a compra de um novo imóvel não se deu no prazo de 180 dias da alienação do primeiro imóvel, sendo a Autoridade Julgadora parte ilegítima para introduzir alterações no lançamento fiscal; e ii) Que o direito a vaga de garagem, no caso, seria um bem acessório vinculado à unidade habitacional, não podendo se falar que a apelante tenha alienado dois imóveis, mas, na verdade, teria sido apenas um, vendido, fazendo, assim, jus ao benefício previsto no artigo 23 da Lei 9.250/95. É o relatório. Fl. 321DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 318 9 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade. O Recurso é tempestivo e, em conformidade com o disposto no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e alterações, atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual voto por dele conhecer. No que concerne ao Recurso Voluntário em julgamento, tratase de insurgência contra os termos decisórios contidos no Acórdão de nº 0262.921 9ª Turma da DRJ/BHE, onde, por unanimidade de votos, a turma decidiu julgar improcedente a impugnação e manter o imposto que veio a julgamento, na forma do relatório e voto integrantes do referido julgado. Em que pese o auto registrar lançamentos em razão de rendimento do trabalho omitidos, glosas de despesas médicas, educacionais e outros, a Recorrente, ainda em sua peça primária, focou sua manifestação de inconformidade apenas nas questões relacionadas ao lançamento realizado sobre ganho de capital obtido coma venda de imóveis e aspectos legais do lançamento, em sua visão, capazes de provocar sua nulidade. Não abordou as demais infrações, por consequência, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, não integraram o presente processo em sua fase revisional. O recurso seguiu a mesma linha argumentativa contida na impugnação com acréscimos decorrentes de discordância frente aos fundamentos da decisão vergastada. Apesar de não indicadas como tal, os pontos que tratam de nulidade do lançamento e do auto de infração em razão de erro de forma ou matéria e sem adentrar no mérito, seriam prejudiciais as demais discussões e serão assim analisadas. 2. Nulidades instrumentais alegadas no Recurso 2.1. Nulidades do lançamento em razão da suposta inadequação do meio de formalização. A Recorrente manteve em seu recurso tese onde suscita nulidade da exigência tributária em razão de falhas em sua formalização, dentre seus argumentos afirma que o lançamento deveria se processar por meio de notificação de lançamento e não auto de infração. Quanto a esse ponto, o argumento não tem como prosperar. Acompanhamos o mesmo entendimento do relator da decisão de piso. A adoção de um ou outro documento está relacionada com a autoridade que realiza o lançamento e ao processo fiscalizatório que o gerar, Autos de Infração serão emitidos por Agentes fiscais no exercício individual de suas atribuições legais. Já as Notificação de Lançamento estão relacionadas a processos fiscalizatórios de caráter coletivo realizados por equipes integrantes de um órgão ou por meio Fl. 322DF CARF MF 10 de sistemas automatizados, neste caso, cabendo ao chefe do órgão expedidor ou servidor autorizado a representar o órgão nestes atos. No caso de processos eletrônicos, ainda assim o emissor será o órgão mas a assinatura é dispensada. Com efeito, esse é o entendimento que se aduz dos Art. 10 e 11 do Decreto 70.235/71, já referenciados na decisão de piso: “ Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico.” (g. n.) Isso posto, se confirma como adequada a decisão de piso, não merecendo prosperar a inconformidade da Recorrente neste ponto, não se configurando hipótese de nulificação prevista no Art. 59 do Decreto nº 70.235/71.. 2.2. Da alegada nulidade do lançamento realizado sobre fato que não integrava o Mandado de Procedimento Fiscal MPF. Alega a Recorrente, no que concerne aos ganhos de capital apurados sobre a alienação de bem imóvel e direitos adquiridos em reais, seria nulo tendo em conta que o MPF apresentado não fazia qualquer referência a estes fatos geradores, sendo a fiscalização orientada a investigar omissão de rendimentos do trabalho e consistência das informações declaradas com a finalidade de obtenção de dedução de despesas. Este tema não é inovador no âmbito do CARF, ao contrário, os precedentes indicam pacificação no sentido de que lançamentos realizados a partir de fiscalizações dirigidas Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 319 11 por MPF cujo prazo encontrase esgotado ou não esta contido nos termos diretivos do referido documento, não são elementos geradores de nulidade. Os documentos de direcionamento da ação fiscalizatória tem por objetivo permitir aos fiscalizado confirmar a regularidade da ação fiscal e ao órgão planejar e dirigir a atuação fiscalizatória, mas não pode ser encarado como um limitador das competências do Agente fiscal. Ainda que dentre os direcionamentos de auditagem tributária contidos no MPF não conste um determinado fato gerador, sendo o agente fiscal competente para realizá lo, uma vez tomando conhecimento de sua existência não poderá deixar de efetuar o lançamento, eis que a atividade em questão é vinculada e sujeita o agente a responsabilidade funcional. Vencido o prazo ou solicitado documento não relacionado ao direcionamento contido no MPF poderia a Recorrente exigir a apresentação de MPF compatível com a exigência realizada, entretanto, se não o fez e voluntariamente forneceu dados, documentos e informações que culminariam em lançamento sobre fato diverso do constante no Mandado, mas integrante das competências fiscalizatórias do agente, não há que se falar em nulidade. Assim, também neste ponto, a tese recursal carece de fundamentos aptos a validar sua pretensão de nulificação do lançamento. 3. Mérito. 3.1. Direito a isenção previsto no Art. 23 da Lei 9.250/95. O mérito da lide está centrado na desqualificação da isenção decorrente da alienação do único imóvel da Recorrente, sob o argumento de que a mesma não atendeu as disposições legalmente previstas para fazer jus a tal beneficio. Os termos circunstanciados no Auto de infração registram que o apartamento do Edifício Castellamare e a vaga de garagem a este vinculada possuíam registros imobiliários diversos, portanto sendo dois imóveis e que o mesmo foi vendido, no mês de janeiro de 2006, como bem comum da sociedade conjugal mantida sob o regime de comunhão parcial de bens com Paulo Rêgo Bertoldo e que este já possuía outro imóvel em seu nome [Fls. 162/163], o que impediria a fruição do beneficio de isenção pleiteado. Outro fundamento adotado pelo fisco para desqualifica a operação como isenta consistiu no fato da Recorrente ter alienado seu apartamento no dia 23 de janeiro de 2006 e adquirido outro apenas em 27 de outubro de 2006, portanto em prazo superior a 180 dias. Conforme é possível verificar na cópia do RGI [fls 117/119] o referido imóvel foi adquirido pela Recorrente em 18 de dezembro de 2001 em conjunto com Paulo Regis Bertoldo e na época da aquisição estes não eram casados. Fl. 324DF CARF MF 12 O imóvel, apartamento + box, foi adquirido pelo valor de R$ 90 mil reais, dos quais R$ 45 mil foram pagos em dinheiro e os R$ 45 mil restantes por meio de financiamento realizado junto ao Banco Santander. Em 23/01/06, já na constância do casamento realizado em comunhão parcial de bens, o mesmo imóvel, apartamento + box, foi vendido pela Recorrente e seu cônjuge, na operação tomada como base de calculo para o lançamento em lide, pelo valor total de R$ 190 mil. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 320 13 Postas tais premissas fáticas, passamos a analisar os pontos erigidos pela autoridade fiscal como impeditivos para aplicação do beneficio de isenção previsto no Art. 23 da Lei nº 9.250/95. De inicio, cabe registrar que , nos termos do Art. 111 do Código Tributário Nacional, as normas relacionadas a benefícios fiscais devem ser interpretadas de modo literal. "Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: [...] II outorga de isenção;" Tal disposição vincula contribuintes e o fisco, eis que nenhum está autorizado a aplicar interpretação diversa da prevista no texto literal da lei, seja para usufruir do beneficio ou para excluir o direito a tal. Neste sentido, temos de ter em conta que a isenção prevista no Art. 23 da Lei 9.250/95 e diversa da prevista no Art. 39 da Lei 11.196/05. Enquanto o Art. 23 da Lei 9.250/95 trata de isentar operações de ganho de capital obtidas por meio da alienação de único imóvel com valor de até R$ 440 mil, desde que não tenha sido realizada nenhuma outra operação similar nos últimos 5 anos, a isenção disposta no Art. 39 da Lei 11.196/05 não estabelece valor máximo de imóvel, exigindo apenas que o contribuinte seja pessoa física, a operação de alienação seja de imóveis residenciais e que os recursos sejam aplicados na compra de outro imóvel de mesma destinação, em até 180 dias. Pois bem, considerando que a operação imobiliária em lide referiase a imóvel residencial com valor inferior a R$ 440 mil, não há que se falar na aplicação de prazo de 180 dias como impeditivo para fruição do beneficio de que trata o Art. 23 da Lei 9.250/95 Por consequência, diante dos termos fundamentais do Auto de Infração, a Recorrente estaria impedida de acessar o beneficio fiscal de que trata a Lei 9.430/95 em razão de seu marido ter alienado em 09/06, imóvel adquirido em 05/00 a fração de 1/3 e ainda em razão da operação realizada comportar apartamento e box, tendo em conta que ambos são possuidores de matriculas distintas, situação aventada apenas pela decisão Recorrida. Conforme já colacionado, o imóvel alienado foi adquirido em 2001 quando ambos eram solteiros, a fração de 50% para cada adquirente. A Recorrente e seu cônjuge vieram a contrair matrimônio apenas em 02/2003 sob o regime de comunhão parcial de bens. Já o imóvel do qual o cônjuge da Recorrente foi adquirido em 05/2000, a fração de 1/3, portanto antes da constância do casamento. O Recorrente apresenta tabela que demonstra os eventos e seus aspectos temporais de maneira clara, vejamos: Fl. 326DF CARF MF 14 Em conformidade com o disposto no Código Civil vigente, nos artigos que definem as regras de regência da sociedade conjugal constituída sob o regime de comunhão parcial de bens, integram o patrimônio comum do casal apenas os bens que sobrevierem na constância do casamento (Art. 1.658 CC). O Código Civil não poderia ser mais claro quanto a isto, eis que repete com outros termos a regra já proferida em seu Art. 1658, ao dispor que excluemse da comunhão os bens que cada cônjuge possuir ao casar (Art. 1.659, inc. I). E ainda vai mais longe, nas prescrições de ordenação patrimonial de bens frente ao regime de comunhão, trata como incomunicáveis até mesmo os bens havidos na constância do casamento se a aquisição tiver por titulo uma causa anterior ao casamento [Art. 1.661], neste sentido, mesmo um bem adquirido antes do casamento que venha a ser alienado para aquisição, dentro da constância do matrimônio, de outro bem, este ultimo ainda continuaria incomunicável. Ora, no presente caso, temos então a alienação de bens incomunicáveis, bens que estão fora da relação patrimonial que se estabeleceu através da sociedade conjugal, bens de propriedade individual de cada um dos cônjuges na fração que lhes cabe. Assim sendo, o fato do cônjuge da Recorrente ter realizado alienação de uma fração de 1/3 do imóvel que possuía a título exclusivo sobre o qual a Recorrente não tinha qualquer relação e, em seguida, ter realizado nova alienação de bem igualmente incomunicável, o torna inabilitado para fruição do benefício, mas não contamina o direito da Recorrente para tal. Portanto, por toda conformação patrimonial da Recorrente comprovada por documentação hábil e idônea, não há como negarlhe o direito a fruição da isenção de que trata o art. 23 da Lei 9.250/95, sob o argumento de que teria realizado uma alienação de imóvel em período inferior a 5 anos e que seria possuidora de mais de um imóvel, eis que na condição de meeira, também seria proprietária de 1/3 do imóvel alienado por seu cônjuge. Afastada tal vedação, passaremos a analisar a segunda hipótese impeditiva de conformação das condições de fruição da isenção pela qual a Recorrente litiga, esta aventada apenas pela DRJ, não compondo fundamentação do lançamento. Para a DRJ o fato do imóvel possuir matriculas diversas para box e apartamento os tornaria imóveis distintos, portanto, estaríamos diante de um impedimento de fruição do beneficio de isenção em foco, eis que a Recorrente não teria um único imóvel, mas dois. Ocorre que tratase de novo fundamento, uma inovação nas razões de lançamento introduzida pelo Relator da decisão vergastada, eis que o relatório fiscal (fls. 194/195/196), em momento algum entendeu ser este fato um impeditivo para acesso ao beneficio em pleito. Chamamos atenção deste colegiado para o fato de não estarmos diante de uma mera argumentação adicional com intuito de clarificar, sob novos prismas, fundamentos já constantes no Auto de Infração, eis que sobre o tema, como bem ressaltou o recorrente, pairam divergências, existindo diversas decisões judiciais prolatadas no sentido de considerar, mesmo com matriculas diversas, garagem e aparatamos como imóvel único. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10920.001434/201089 Acórdão n.º 2402006.205 S2C4T2 Fl. 321 15 Em muitos julgados, a garagem, mesmo com matricula própria é elemento acessória de apartamentos, estando sua propriedade sujeita a limitações como a possibilidade de transferência apenas a condôminos. Por mais que qualquer dos conselheiros integrantes deste colegiado considere acertada a tese em si, eis que também há precedentes nos tribunais superiores alinhados a posição do Relator da decisão recorrida, aceitar tal inovação implicaria em arrebatar a prerrogativa funcional da Autoridade fiscal lançadora. Explicamos, por não ser matéria de trato jurídico pacifico, o fato de tal questão não constar dos fundamentos do referido lançamento, pode significar um mero lapso ou filiação do agente fiscal a corrente jurídica que entende ser a garagem, mesmo com matricula autônoma, mero acessório do apartamento, formando imóvel único e, por tal entendimento, não aportou a referida argumentação como impeditiva para fruição do beneficio em lide. Outrossim, em qualquer dos casos, seria impossível aceitar a inclusão de um novo elemento impeditivo do direito do Recorrente, eis que haveria alteração dos critérios de lançamento realizado por autoridade que não possui competência legal para tal, maculando a legalidade e segurança jurídica do feito, afrontando ainda o direito a ampla defesa e contraditório da Recorrente. Por todo o exposto, assiste razão a Recorrente sendo este o sentido no qual encaminharemos nosso voto. 4. Base de cálculo Em atenção ao principio da eventualidade, dada a possibilidade de restar vencido nas questões anteriores, abordaremos pedido subsidiário da Recorrente quanto a base de calculo adotada. Ainda que este colegiado entenda pela impossibilidade de fruição do benefício da isenção, não há como negar que a Recorrente é possuidora de apenas 50% do imóvel objeto de alienação, eis que adquirido antes do casamento e com tal proporção, por consequência, não há como imputar a mesma o ônus de arcar com tributação incidente sobre a totalidade do ganho de capital apurado. Assim, neste ponto também assiste razão a recorrente. Conclusão Por todo o exposto voto por conhecer do recurso, não acolhendo as preliminares, e no mérito darlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 328DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16024.000624/2008-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RECEITA - DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA
Deve ser afastada a autuação na medida dos valores depositados em relação aos quais a defesa conseguiu comprovar a sua origem. Quanto aos demais, o auto de infração há de ser mantido.
Numero da decisão: 1401-002.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Guilherme Adolfo dos Santos Mendes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: GUILHERME ADOLFO DOS SANTOS MENDES
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Quanto aos demais, o auto de infração há de ser mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo Dos Santos Mendes, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 4. 00 06 24 /2 00 8- 54 Fl. 18551DF CARF MF 2 Relatório Tratase de recurso voluntário. Em relação às peças iniciais de acusação e defesa, sirvome do relatório elaborado pela autoridade julgadora recorrida: Contra a empresa acima identificada foram lavrados autos de infração exigindolhe o Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$ 2.038.554,14 (fl. 541), a Contribuição para o PIS de R$ 138.527,71 (fl. 552), a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) de R$ 137.376,35 (fl. 562) e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) de R$ 763.913,71 (fl. 571), acrescidos de juros de mora e multa de ofício de 75%, perfazendo o crédito tributário, de R$ 7.965.858,81 (fl. 06), relativamente aos anos calendário de 2003 e 2004; O procedimento fiscal iniciouse em 13/01/2006 com a ciência do Termo de Início de Fiscalização (fl. 16), por meio do qual a contribuinte foi intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, relativamente aos anos calendários de 2002, 2003 e 2004, o Contrato Social e suas alterações, os livros Caixa ou Diário e Razão, extratos de contas bancárias, formulário do lucro presumido levantamento do fluxo financeiro e questionário devidamente preenchido sobre informações gerais. Em 02/02/2006 a contribuinte informou estar regularmente inscrita no SIMPLES e que utiliza o livro Caixa e que em virtude de vírus em seus sistemas motivou teve que refazer parte de seus registros e, por isso, solicitou prorrogação de prazo por maisl5 dias, tendo sido concedido 10 (dez) dias (fl. 18). Em 10/03/2006 foi a contribuinte novamente intimada (fl. 27) para apresentar, no prazo de 20 dias, o livro Caixa com o registro das operações realizadas durante o anocalendário de 2002 e os documentos pertinentes às receitas auferidas durante o mesmo período. Em 05/05/2006 e em 30/06/2006 foi a empresa novamente intimada a apresentar os mesmos documentos em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004 (fl. 28 e 29). Em 29/08/2006 a fiscalização requisitou (fls. 31/33) ao Banco Itaú S/A, com base no art. 6o da Lei Complementar n° 105, de 2001 e no Decreto n° 3.724, de 2001, informações sobre movimentação financeira da empresa fiscalizada (extratos de aplicações financeiras, conta corrente e operações com cartão de crédito), o que foi atendido com a apresentação dos extratos bancários de conta corrente e de aplicações financeiras, relativamente ao período de 01/01/2002 a 31/12/2004 (fls. 34/289). Em 17/10/2006 e em 10/11/2006 foi a empresa intimada (fl. 291) a apresentar, em relação os meses de maio, agosto e novembro de 2003, abril, junho e dezembro de 2004, uma relação dos valores recebidos por conta de terceiros e uma relação dos valores correspondentes às comissões auferidas com serviços de cobrança. Em 01/12/2006 foi a empresa intimada a esclarecer a razão de ter apresentado declaração como inativa em relação aos anoscalendário de 2003 e 2004, e informar o fundamento legal de sua opção pelo Simples no anocalendário de 2002. Em 16/03/2007 a empresa foi intimada (fl. 294) a apresentar, relativamente aos anos calendário de 2002, 2003 e 2004, comprovantes hábeis e idôneos, expedidos pelos beneficiários, da entrega aos mesmos, na condição de titulares dos referidos créditos, dos valores decorrentes das cobranças realizadas, bem assim um relatório indicando, de forma individualizada, os valores das comissões recebidas pela cobrança realizada, em relação aos valores recebidos por conta de terceiros e transferidos aos mesmos. Em 04/05/2007 foi a empresa intimada (fl. 296) a apresentar, relativamente aos anos calendário de'20002, 2003 e 2004, um demonstrativo, acompanhado da devida documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores, com a identificação individualizada da origem dos depósitos e créditos efetuados em sua conta corrente bancária, especificando o nome e o CPF ou CNPJ do depositante ou responsável pelo crédito; bem assim um demonstrativo, acompanhado da devida documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores, com a identificação individualizada dos titulares dos créditos e títulos, cuja cobrança realizou, especificando o nome e o CPF ou CNPJ de cada cliente, titular do crédito. Foi ressaltado que a não apresentação dos documentos solicitados implicaria o arbitramento do lucro tendo em vista a falta de opção pelo lucro presumido e a falta de' apresentação da escrituração completa, que embora farta a documentação apresentada, não foi suficiente para comprovar de forma cabal e individualizada a origem dos créditos recebidos e o destino dos repasses efetuados, bem como os valores efetivamente recebidos como receita própria da fiscalizada. Fl. 18552DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.552 3 Em 11/05/2007 a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias (fls. 297/298) e alegou que as transferências e créditos efetuados nas contas correntes da empresa são decorrentes de cobranças que intermediou e que teria condições de prestar todas as informações solicitadas, inclusive identificar todas as transferências efetuadas, ressaltando, porém, que as datas de transferências não correspondem com as datas de pagamentos pois, muitas vezes, os clientes não possuíam conta corrente, ou não queriam que o crédito fosse feito em suas contas correntes e sim que fosse utilizado para pagamentos de encargos ou repassado para outra empresa, bem como não teria condições de identificar o CPF ou CNPJ de parte das transferências entre contas de um mesmo estabelecimento bancário. Esclareceu que em virtude de sua exclusão do SIMPLES não foi possível efetuar a declaração de imposto de renda nessa modalidade em relação ao anocalendário de 2003 e como havia procedido os recolhimentos dos tributos nessa modalidade e para não ficar omissa de entrega de declaração decidiu por entregar a declaração como inativa, sem com isso lesar o Fisco, pois todos os impostos foram recolhidos. Em 03/07/2007 a empresa foi intimada (fl. 300) a apresentar os livros Diário e Razão (lucro real), o livros de Entradas, de Saídas, de Apuração do Lucro Real, de apuração do ISS, entre outros. Foi esclarecido que em razão da exclusão do SIMPLES a partir de 01/01/2002 a empresa ficou sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, inclusive quanto à forma de apuração de seus resultados, tomando como base as regras previstas para o lucro real. Ressaltou ainda que a não apresentação dos aludidos livros e documentos implicaria o arbitramento do lucro conforme dispõe o art. 530 do RIR/99. Em 26/07/2007 a empresa reiterou as alegações anteriormente apresentadas (fls. 301/302) e solicitou prorrogação de prazo por mais 60 (sessenta) dias, tendo concedido prorrogação de prazo por 01 (semana). Em 21/09/2007 foi novamente a empresa intimada (fl. 306) a apresentar os mesmos livros e documentos já solicitados. Em 04/10/2007 a empresa solicitou prorrogação de prazo por mais 10 (dez) dias (fl. 307). Em 23/10/2007 a empresa apresentou os livros Diário e Razão e o livro de Registro de Notas Fiscais relativos ao ano calendário de 2002 e solicitou o prazo de 10 (dez) dias para apresentar os livros relativos aos anos calendário de 2003 e 2004. Em 22/11/2007 a fiscalização intimou novamente a empresa (fl. 310) a apresentar os livros Diário e Razão (lucro real), o livros de Entradas, de Saídas, de Apuração do Lucro Real, de apuração do ISS, entre outros, e comprovar, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados na conta corrente n° 19323 mantida no Banco Itaú S/A, relacionados na planilha anexa à intimação (fls. 311/397). Na oportunidade foi esclarecido que caso houvesse prestação de serviços de cobrança que fosse apresentado um demonstrativo acompanhado da efetiva documentação comprobatória, coincidentes em datas e valores, com a identificação individualizada dos titulares dos créditos e títulos, cuja cobrança realizou, especificando o número do CPF ou CNPJ de cada cliente, titular do crédito e o valor da comissão correspondente. Em 07/12/2007 a empresa voltou a alegar que teria condições de prestar todas as informações solicitadas, pois todas as transferências e créditos efetuados nas contas correntes da empresa são decorrentes de cobranças que intermediou. No final, alegou dificuldades na apuração do resultado pelo lucro real e solicitou, por duas vezes, prorrogação de prazo para atendimento da intimação, o que foi concedido até 27/02/2008(fl. 406). Em 07/03/2008 e em 28/04/2008 foi reiterada a intimação feita em 22/11/2007 (fl. 407 e 408). Em 12/05/2008 a empresa informou (fl. 411) que estaria apresentando demonstrativos da movimentação bancária e justificativas, bem como as notas fiscais faturas de serviços de recebimento em carteira de janeiro a dezembro de 2003 e 02 (dois) livros de registros de notas fiscais de serviços. Em 29/05/2008 a empresa apresentou o livro Diário e o Razão relativo ao ano calendário de 2003 e em 18/06/2008 os mesmos livros relativamente ao ano calendário de 2004. Em 23/07/2008 a empresa foi intimada (fl. 412) a apresentar, relativamente aos anos calendário de 2003 e 2004, o Livro Registro de Apuração do Lucro Real (LALUR), as demonstrações financeiras trimestrais (balanço patrimonial, demonstração do resultado do período, demonstração de lucros e prejuízos acumulados) e, por fim, uma relação de bens e direitos de propriedade da empresa, o que foi atendido com a juntada dos documentos de fls. 414/468. Em 28/08/2008 a fiscalização lavrou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 472/477 no qual relatou, em síntese, que analisando as notas fiscais de serviços apresentadas, verificou não haver qualquer nota fiscal que trate de ganho com intermediação de cobrança e que elas referemse à prestação de serviços relacionados com "Produções" como trilha sonora, informática, produção técnica, produção de som para filmes, iluminação, etc.. e que referidas Fl. 18553DF CARF MF 4 notas foram devidamente escrituradas nos livros Diário e Razão (item 15 fl. 475). Informou (item 16) que cotejando os extratos bancários com as francesinhas (extratos de movimentação de títulos) e ainda com o "Resumo Mensal de Movimentação de Títulos" fornecido pelo Banco Itaú, verificouse que os valores levados a crédito na conta corrente a título de "Mov Tit Cobrança" referemse a serviços de cobrança efetuados pela fiscalizada. Com relação aos demais valores creditados/depositados na conta corrente não foi possível estabelecer um vínculo com os documentos apresentados, os quais constituem de notas fiscais de fatura de serviços emitidas por terceiros contra tomadores de serviços que não inclui a empresa fiscalizada, e os demonstrativos que relacionam essas notas (item 17). Destacou (item 18) que não foi possível estabelecer vínculo entre os débitos constantes nos extratos bancários com os valores relacionados a título de pagamentos referentes aos serviços de cobrança alegados pela fiscalizada e que teriam sido repassados a possíveis clientes. Informou ainda no mesmo Termo (item 21) que de posse dos extratos da conta corrente n° 193213 de titularidade da empresa, mantida no Banco Itaú S/A nos anos calendário de 2003 e 2004, elaborou uma planilha denominada "Depósitos/Créditos em C/C cuja origem não foi comprovada" na qual foram relacionados os depósitos/créditos excluindose os créditos relativos a "Mov. Tit. Cobrança", os cheques devolvidos e os resgates de aplicações financeiras e que do resultado foram excluídas as receitas escrituradas, obtendo, dessa forma, a receita omitida conforme "Demonstrativo de Apuração da Receita Omitida"(fls. 525/526). Informou, ainda, itens 22 a 25, que em razão da exclusão da contribuinte do Simples a partir de 01/01/2002 foi efetuado os lançamentos tendo por base a receita omitida e no Resultado operacional não declarado obtido do "Demonstrativo de Apuração do Valor Tributável e do I.R. Devido Lucro Real", elaborada com base na escrituração da contribuinte, tendo sido levado em consideração os valores de IRPJ pago na modalidade do Simples, não obstante tenha apresentado declaração de inatividade para os anos de 2003 e 2004. Informou (item 11) já ter sido lavrado auto de infração contra a empresa relativamente ao ano calendário de 2002, cuja ciência se deu em 22/11/2007, formalizado no processo n° 19675.000576/200747. Cientificada dos autos de infração em 28/08/2008, a contribuinte ingressou em 29/09/2008 (segundafeira) com a impugnação de fls. 579/610, requerendo, inicialmente, que as intimações sejam endereçadas par o endereço da Advogada subscritora, e aduzindo como razões de defesa o seguinte: Da origem do crédito em conta corrente. Alegou que desde o início vem apresentando os documentos e prova de que os valores creditados em conta corrente não tem natureza tributária, uma vez que são provenientes de cobrança que encaminha em nome de clientes, conforme documentação ora anexada. Do enquadramento no Simples e a regularidade das declarações à Receita Federal. Alegou que, independentemente, da discussão jurídica em torno da legalidade do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, a empresa desenvolveu a correta e adequada forma de apresentação dos impostos e obrigações fiscais, tendo adotado a forma de lucro presumido, efetuando os registros dos livros fiscais e apresentandoos aos Agente Fiscal conforme Termo de Verificação itens 9 a 14. Da Irretroatividade dos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão do Simples e da Forma de Apuração do Imposto. Alegou que o Ato Declaratório Executivo DRF/SOR n° 465.018 que excluiu a empresa do Simples é de 07/08/2003 e os efeitos foram retroativos a 01/01/2002, o que fere os princípios da segurança jurídica, da irretroatividade e da legalidade e da hierarquia das normas e da razoabilidade dos atos administrativos, além da exclusão ser indevida uma vez que a vedação de atividade que levou à exclusão não consta do rol da legislação do Simples. Do erro material na compilação e lançamento. Alegou que a fiscalização incorreu em erro ao computar o valor do crédito de R$ 12.785,86 (lançamento 286 às fls. 5/22 do Termo de encerramento) quando o correto seria R$ 1.275,86, consoante extrato bancário, e tratase de crédito de "Itakarai Produções Ltda" para pagamento Fl. 18554DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.553 5 de encargos, incluindo impostos, conforme discriminação (fl. 593), portanto indevido o lançamento. Do erro de fato (gerador) ocorrido no lançamento. Alegou que não pode ser compelido a admitir renda onde não existiu e toda a documentação já apresentada e anexa à defesa suportam que os serviços de cobrança não são comissionados ou cobrados e que os valores creditados foram repassados aos titulares dos créditos, não havendo, portanto, renda a ser tributada, bem assim irregularidade nas declarações fiscais e de imposto de renda. Acrescentou que com a documentação anexa à impugnação será fácil perceber que os valores creditados na conta bancária da impugnante são de origem comprovada e de atividade idônea, sendo cada um dos créditos identificáveis a partir das notas fiscais e boletos bancários entregues ao Auditor Fiscal e que os demonstrativos anexos foram numerados item a item e, a título de amostra, relacionou alguns depósitos e os respectivos , credores. Reiterou a alegação de que não auferiu qualquer renda com os serviços de cobrança que realizou, devendo ser cancelado os lançamentos pois não há que se falar em omissão de receita. Em síntese, este é o relatório. DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU A decisão recorrida manteve a autuação, conforme ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003,2004 DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE INTEMPESTIVA. Não tendo a contribuinte apresentado no prazo legal a manifestação de inconformidade contra a exclusão do Simples esta tornouse definitiva administrativamente. Fl. 18555DF CARF MF 6 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Não conformada com a decisão de primeiro grau, o contribuinte apresentou recurso voluntário em que repisa as alegações suscitadas na impugnação, mas aprofunda sua tentativa de comprovar a origem dos depósitos e, assim, contraporse à presunção legal de omissão de receita, ao trazer planilha em que busca fazer a vinculação entre os documentos apresentados e os depósitos não comprovados. Ademais, junta vários volumes de documentos com o fito de reforçar sua comprovação inicial. DA DILIGÊNCIA O julgamento do presente feito já havia sido iniciado neste Colegiado, o qual decidiu baixa em diligência (fls. 18.21818.228), cujos termos do voto condutor abaixo se reproduz: Na fase impugnatória, bem assim na fase recursal trouxe planilha tentando demonstrar que cada um dos depósitos possuíam origem em cobrança feita para terceiros e que o recurso não era seu. O formato da planilha, já na fase recursal contém um campo a mais do que foi trazido na fase impugnatória, vinculando as partes que comporiam cada depósito com notas fiscais/duplicatas de terceiros, dessa feita indicando o documento de referência indicativa da localização de cada uma das notas/duplicatas. [reproduziu parte da planilha para fins de ilustração do seu formato] A DRJ considerou as provas até então trazidas na impugnação como insuficientes, pois a seu ver não se constituíam de provas, pois carente ainda de articulação: “Na peça impugnatória a contribuinte alegou, em síntese, que os valores creditados em conta corrente não tem natureza tributária, uma vez que são provenientes de cobrança não comissionadas e que os valores creditados foram repassados aos titulares dos créditos, não havendo, portanto, renda a ser tributada ou fato gerador de tributo, bem assim irregularidade nas declarações de imposto de renda, tudo conforme documentação ora anexada. Os documentos juntados pela defesa se constituem de uma planilha denominada de "Créditos em conta corrente a justificar a RFB" e uma outra denominada "Planilha demonstrativa de transferências bancárias" e centenas ou milhares de notas fiscais de fatura de serviços emitidas por terceiras empresas contra tomadores de serviços que não inclui a interessada. Afirmou a contribuinte (fi. 596) que, "com a documentação anexa será fácil percepção que os valores creditados na conta bancária do Impugnante são de origem comprovada e de atividade idônea, sendo cada um dos créditos identificáveis a partir das notas fiscais e boletos bancários e foram entregues ao Auditores Fiscais". Mais adiante (fl. 598) a contribuinte acrescentou: "Toda a documentação já apresentada e que se anexa à presente defesa suportam que os serviços de cobrança não são comissionados ou cobrados, e que os valores creditados foram repassados aos titulares dos créditos Confirase as operações com a documentação e transferência dos créditos às Pessoas Físicas/Jurídicas competentes." Analisando os documentos apresentados verificase que a contribuinte relacionou nas planilhas (fl. 617 e seguintes) diversas notas fiscais, sem especificar onde se encontram no processo referidas notas fiscais, cuja soma corresponde a um determinado valor de depósitos. No entender da impugnante estaria assim justificada a origem de determinados depósitos/créditos bancários. Com a juntada da "planilha demonstrativa de transferências bancárias" (fl. 714 e seguintes), entendeu a contribuinte que estaria comprovada a transferência dos recursos recebidos em sua conta para os verdadeiros titulares. Entretanto, apesar de todo o trabalho que alegou ter, entendo que a contribuinte não conseguiu Fl. 18556DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.554 7 comprovar a origem dos depósitos e a transferência do numerário ao verdadeiro titular dos créditos e títulos, cujo cobrança tenha sido realizada, pois referidas planilhas nada prova. Ademais, não se verifica uma vinculação entre os débitos constantes nos extratos com os valores relacionados na planilha como sendo de "transferências bancárias". Ora, diante dessas inúmeras notas fiscais apresentadas na impugnação, caberia a contribuinte, não a este julgador, relacionar, individualmente, os depósitos/créditos que não lhe pertenciam e demonstrar a sua origem, bem assim a transferência ao verdadeiro titular, mediante documentação hábil e idônea. E isto não foi feito. Nesse passo, é oportuno destacar as palavras de Fabiana Del Padre Tomé (A prova no direito tributário, Editora Noesis, 2005): “Provar algo não significa simplesmente juntar um documento aos autos. É preciso estabelecer relação de implicação entre esse documento e o fato que se pretende provar, fazendoo com o animus de convencimento.” Ou seja, a prova não se confunde com os elementos probatórios, ela é constituída a partir deles. Uma nota fiscal, um contrato, uma página da escrituração contábil não são prova, mas sim elementos de prova. A prova corresponde à articulação lingüística que relacione os documentos apresentados com o objeto da refrega jurídica no sentido de confirmar o que se alega. Alegar genericamente e juntar papéis não é prova. Repito: provar não é juntar documentos; é articulálos; e isso não foi realizado pela recorrente. É oportuno recordar um brocardo jurídico que se aplica à situação que está sendo apreciada: "Allegatio et non probattio, quasi non allegatio" que significa que "quem alega e não prova, se mostrará como se estivesse calado ou que nada alegasse". Ou seja , não basta questionar graciosamente os argumentos do fisco, deve o interessado rebater de forma coerente e com meios de prova idôneos. Acrescentese que a impugnação, a qual instaura a fase litigiosa do procedimento, deve, nos termos do art. 15 do Decreto n 0 70.235, de 6 de março de 1972, ser formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, o que não ocorreu no caso em tela. Apesar das oportunidades, tanto na fase de fiscalização quanto na fase de impugnação, a interessada não trouxe aos autos prova de sua alegação, qual seja, de que os valores depositados em sua conta corrente não lhe pertenciam, o que respalda o procedimento fiscal, pois configurado está a materialização da hipótese legal. O único reparo que carece o lançamento é quanto ao valor de R$ 12.785,86 computado como depósito/crédito no dia 08/04/2003 (fl. 482) quando o correto é R$ 1.275,86 (fl. 71), devendo, portanto, ser excluída da tributação no mês de abril de 2003 a importância de R$11.510,00. Concordo plenamente com a DRJ que no momento em que proferiu sua decisão era esse mesmo o estado das coisas em relação à “prova”. É também meu entendimento e desta Turma que não é bastante trazer aos autos informações de forma desarticulada e incompletas, como fez a então impugnante. A prova deve estar perfeitamente articulada com o auto de infração, descortinandose a partir dela de forma sucinta e objetiva todas as conexões existentes com o infração que se deseja infirmar. Esse ônus não é do julgador, mas sim da recorrente. Porém, posto isso, tenho que admitir que em sede recursal, a Recorrente reforça sua defesa no sentido de destacar em uma amostra significativa de casos, a conexão entre as notas fiscais de terceiros/duplicatas e cada um dos componentes que formam os depósitos considerados cujas origens foram consideradas não comprovadas. Para isso, incorporou a sua planilha inicial um campo localizador de documentos de forma a facilitar a associação entre os elementos. Dessa feita, tenho que admitir que o contribuinte trouxe nesse momento indícios de provas que Fl. 18557DF CARF MF 8 corroboram com sua tese, mas anda carente de melhor investigação por parte da fiscalização, dado o grande volume de provas envolvidos e a existência apenas de cópias de documentos cuja aferição com o original não é possível se fazer, nem que se já por amostragem. Como se vê, embora não tenha prestado talvez os esclarecimentos, provas e detalhamentos necessários quando da autuação, nem na fase impugnatória, trouxe à colação na fase recursal indícios de provas a seu favor que a meu ver precisariam ser melhor investigados. Também admito também que dado o volume de provas a ser obtido de terceiros, se justifica a apresentação incompleta da prova na fase impugnatória. Com os novos elementos trazidos aos autos a situação é de indeterminação e não de certeza de algo, e em respeito ao princípio da verdade material orientador do Processo Administrativo Fiscal, tornase indispensável a conversão do julgamento em diligência, para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização: Por amostragem, validar a documentação trazida em fase de impugnação e recursal contra documentos originais; Levando em consideração as provas trazidas na fase impugnatória e recursal excluir da autuação tudo aquilo quanto se demonstrar que se trata de recursos de terceiros, não sujeito portanto ao fato gerador da tributação. Se for o caso, por amostragem, circularizar alguns clientes para efeito de verificação da consistência da tese e das provas apresentadas pelo contribuinte; Tecer considerações adicionais que reputar necessárias para o perfeito deslinde do caso; Se for o caso, avaliar considerando as novas provas avaliadas em diligência, a base de calculo do IRPJ e reflexos e verificar se continua válida a hipótese de exclusão do Simples. Ao final, a autoridade fiscal deverá elaborar relatório conclusivo das verificações, entregar cópia do relatório à interessada e conceder prazo de 30 (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. A autoridade fiscal procedeu a diligência, que culminou com o relatório de fls. 18.35718.362, do qual extraio as seguintes partes principais: 2 – DA DILIGÊNCIA FISCAL 2.1 – Da validação da documentação trazida em fase de impugnação e recursal Considerando a documentação fiscal identificada no campo “folhas” das planilhas “CRÉDITOS EM C/C = ANO 2003 = A JUSTIFICAR PARA RFB” e“CRÉDITOS EM C/C = ANO 2004 = A JUSTIFICAR PARA RFB” e constante dos autos, foram selecionadas 200 (duzentas) notas fiscais/duplicatas com maiores valores totais para validação frente aos documentos originais, sendo que 6 (seis) documentos decorrem de duplicidade de informação oriunda destas planilhas, reduzindo o escopo da análise para 194 (cento e noventa e quatro) notas fiscais. Posto isto, a empresa foi requerida para apresentar os documentos originais anexados ao processo administrativo nº 16024.000624/200854 em fase de impugnação e recursal, segundo relação do ANEXO I do Termo de Início de Diligência Fiscal. Fl. 18558DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.555 9 O resultado do confronto (originais versus cópias) desses documentos mostrouse razoável, tendo sido possível confirmar a autenticidade de 146 (cento e quarenta e seis) notas fiscais, ou seja, 75%. Vejase que os documentos que não foram validados decorrem da apresentação equivocada de telas e extratos (espelho) do sistema informatizado da empresa, os quais não possuem o condão de suprir a ausência das faturas originais, além de 1 (um) documento não apresentado. O detalhamento da validação da documentação trazida em fase de impugnação e recursal consta do ANEXO I, parte integrante deste Relatório fiscal. 2.2 – Dos recursos supostamente de terceiros indicados nas planilhas da recorrente Preliminarmente, cumpre clarificar que, em sede de impugnação, o contribuinte argumentou, em síntese, que o lançamento realizado com base na presunção de omissão de receita pela constatação de depósitos bancários de origem não comprovada deve ser revisto, uma vez que os créditos bancários identificados pela fiscalização foram provenientes de cobranças não comissionadas, bem como que os valores creditados teriam sido repassados aos titulares dos créditos. Com o fim de provar suas alegações, a empresa anexou aos autos do presente processo planilhas denominadas de “CRÉDITOS EM C/C = ANO 2003 = A JUSTIFICAR PARA RFB” e“CRÉDITOS EM C/C = ANO 2004 = A JUSTIFICAR PARA RFB”, e outras designadas de “PLANILHA DEMONSTRATIVA DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIAS = 2003” e “PLANILHA DEMONSTRATIVA DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIAS = 2004”, além de inúmeras notas fiscais/duplicatas emitidas por terceiras empresas. Após isto, já em fase recursal, tendo em vista que a DRJ considerou improcedente a manifestação do contribuinte, a empresa busca reforçar sua defesa relacionando as notas fiscais/duplicatas de terceiros com os depósitos bancários cujas origens foram consideradas não comprovadas. Nesse sentido, foi incorporada as suas planilhas iniciais (créditos em conta corrente a justificar para RFB) um campo localizador denominado “folhas” que visa identificar os documentos passíveis de associação com os depósitos bancários apontados na autuação. Esse campo faz referência a numeração original (antes da digitalização) da página atribuída ao documento no presente processo administrativo, nos casos das notas fiscais anexadas na fase impugnatória, bem como ao número destacado no canto inferior direito das notas fiscais/duplicatas apresentadas em sede de recurso voluntário. Com efeito, verificase que, do rol de documentos relacionados nas planilhas da empresa, nem todos foram apresentados no presente processo administrativo, pois, em muitos casos, o respectivo campo “folhas” está em branco (sem preenchimento). Além disso, há de se consignar que foram verificados casos de notas fiscais/duplicatas informadas em duplicidade, divergências entre os valores apontados nas planilhas e o descrito das notas fiscais de serviços, bem como de montantes que sequer constam da autuação. Não obstante estes fatos, do cotejamento das planilhas “CRÉDITOS EM C/C = ANO 2003 = A JUSTIFICAR PARA RFB” e“CRÉDITOS EM C/C = ANO 2004 = A JUSTIFICAR PARA RFB” com os demonstrativos elaborados pela fiscalização obtidos dos extratos bancários, “DEPÓSITOS/CRÉDITOS EM C/C CUJA Fl. 18559DF CARF MF 10 ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA”, em folhas 9581.050 (numeração do processo digital), restou observado que a empresa relacionou vários depósitos bancários destacados na autuação – receita omitida – com a composição (somatório) de um grupo de notas fiscais/faturas informadas em suas planilhas, entretanto pendentes de comprovação em sua integralidade. Exemplificando, temse o crédito bancário sob o histórico de “DEPÓSITO CHEQUE”, no valor de R$ 27.717,16, realizado em 03/01/2003, considerado sem comprovação pela fiscalização, o qual foi identificado na planilha da empresa – REG. Nº 2 – como sendo decorrente de 23 notas fiscais de terceiros, isto é, 1 (um) cheque foi recebido para quitar duplicatas de diferentes empresas. Aliás, nesse grupo de notas fiscais, cabe destacar a nota fiscal nº 365, emitida pela própria empresa JJ PRODUÇÕES E COBRANÇAS LTDA – ME, a qual não pode ser considerada de “terceiros”, bem como o valor atribuído a empresa SANVILLE CONTABILIDADE S/C LTDA, que sequer possui referência de numeração de nota fiscal, sendo apenas indicada a sigla “HON”. Há, ainda, de se ressaltar que somente uma parcela (onze) dessas notas fiscais tiveram a identificação (campo “folhas”) do respectivo documento de origem referenciado na planilha. Outrossim, temse o crédito bancário sob o histórico de “DEPÓSITO CHEQUE”, no valor de R$ 2.000,00, realizado em 21/01/2004, considerado sem comprovação pela fiscalização, o qual foi identificado na planilha da empresa – REG. Nº 95 – como sendo decorrente de 5 notas fiscais/faturas de terceiros, isto é, 1 (um) cheque foi emitido e recebido para quitar duplicatas de diferentes empresas, sendo que, como de costume, o valor atribuído a empresa SANVILLE CONTABILIDADE S/C LTDA sequer possui informação de numeração de nota fiscal. Ademais, cumpre relatar que apenas uma parcela (três) das notas fiscais tiveram a identificação (campo “folhas”) do respectivo documento de origem referenciado na planilha. Assim, nos casos como os acima identificados, ante a impossibilidade de comprovar o todo pela parte, não há como considerar que tenham sido estabelecidas quaisquer conexões entre as notas fiscais/duplicatas de terceiros com os depósitos bancários considerados sem comprovação da origem. Ante o exposto, foram elaborados os ANEXOS II e III, respectivamente dos anos 2003 e 2004, que apresentam a análise das provas trazidas em fase de impugnação e recursal, considerando a comparação dos valores envolvidos e a identificação dos documentos fiscais nos autos do processo. Em relação às planilhas demonstrativas de transferências bancárias apresentadas na fase impugnatória, que representam os “espelhos” de recibos que seriam de competência da empresa SANVILLE CONTABILIDADE S/C LTDA, conforme aduzido no recurso voluntário, o contribuinte complementou este elemento de prova com 7 (sete) folhas de recibos com emblema da suprarreferida empresa, a título meramente ilustrativo, em folhas 15.26515.277 (numeração do processo digital). Vale, ainda, dizer que não restou demonstrado nos autos documentação hábil de suporte para justificar essa transação, porque não há obrigação prescrita contratualmente. Ao contrário do que possa parecer pela denominação aplicada às planilhas, “PLANILHA DEMONSTRATIVA DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIAS = 2003” e “PLANILHA DEMONSTRATIVA DE TRANSFERÊNCIA BANCÁRIAS = 2004”, em folhas 1.4322.930 (numeração do processo digital), estes elementos de prova não buscam identificar os repasses efetuados ao titular dos créditos, mas os recursos financeiros sem origem comprovada apontados na autuação, os quais a recorrente aduz pertencerem á SANVILLE CONTABILIDADE S/C LTDA com Fl. 18560DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.556 11 base na suposta relação entre o depósito bancário e os recibos que seriam desta empresa, todavia desarticulados de quaisquer documentos que comprovem as alegações da JJ PRODUÇÕES E COBRANÇAS LTDA – ME, exceto pelos sete recibos que instruem o recurso voluntário, os quais carecem de legitimidade, porque não fazem constar a assinatura do credor ou seu representante legal. Para melhor compreensão, veja que a fiscalização considerou sem comprovação o crédito bancário sob o histórico de “TEC DEPOSITO DINHEIRO”, no valor de R$ 1.313,60, realizado em 02/01/2003, segundo observado nos extratos bancários às folhas 70579 (numeração do processo digital) e demonstrativo de “DEPÓSITOS/CRÉDITOS EM C/C CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA” que complementam o Relatório Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, em folhas 9581.050 (numeração do processo digital), sendo o valor creditado identificado na planilha do contribuinte – REG. Nº 1 – como decorrente do recibo atribuído ao credor SANVILLE CONTABILIDADE S/C LTDA, em folhas 1.432 2.930 (numeração do processo digital), cuja cópia foi juntada à folha 15.275 (numeração do processo digital). 2.3 – Da circularização de clientes Considerando as notas fiscais/faturas de terceiras empresas, foi procedida coleta de informações em cinco clientes identificados nestes documentos, conforme relação abaixo, contempladas às folhas 18.25418.356 (numeração do processo digital), sendo requerido o ateste da emissão das faturas relacionadas nos anexos da intimação, a apresentação do contrato de prestação de serviços ou similar celebrado com a empresa JJ PRODUÇÕES E COBRANÇAS LTDA – ME e vigente à época da emissão das notas fiscais (anos 2003 e 2004), informação sobre a forma como os valores recebidos pela recorrente foram repassados aos clientes, além de encaminhamento dos respectivos comprovantes do repasse efetuado. [Seguiuse quadro com os clientes] Com efeito, é de se observar que restou profícua somente a notificação do cliente PONTO PARÁGRAFO – PESQUISAS & SERVIÇOS DE MARKETING LTDA – EPP, tendo a empresa diligenciada reconhecido os documentos fiscais de sua emissão e asseverado que os valores devidos das notas fiscais foram repassados mediante transferências e depósitos bancários, contudo sem enviar os documentos de comprovação destas transações bancárias. Adicionalmente, foram apresentadas cópias do Livro Registro de ISS da Prefeitura de Campina do Monte Alegre para demonstrar que os valores decorrentes das notas fiscais foram oferecidos a tributação do ente municipal. [Seguiuse trecho sobre exclusão do simples] 3 – CONCLUSÃO Dessa forma, tendo em vista as novas provas avaliadas em diligência, com base nos demonstrativos dos ANEXO II e III – ANÁLISE DAS PROVAS APRESENTADAS EM FASE DE IMPUGNAÇÃO E RECURSAL, restou apontado o montante de R$ 455.801,71, nos anoscalendário de 2003 e 2004, passíveis de exclusão da autuação, uma vez que decorrem de recursos de terceiros, nos termos da Resolução nº 1401000.326 – 4ª Turma / 1ª Turma Ordinária, segundo demonstrado nas tabelas dos ANEXOS IV E V – “DEPÓSITOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA – DILIGÊNCIA”. Já a recomposição da base de cálculo do IRPJ e reflexos consta do ANEXO VI – “BASE DE CÁLCULO IRPJ E REFLEXOS DILIGÊNCIA”. Fl. 18561DF CARF MF 12 Nas fls. 18.36318.499, seguem as planilhas a que a autoridade diligenciante faz referência em seu relatório. Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte manifestouse acerca da diligência nos seguintes termos: 1) Em relação ao valor de R$ 27.717,16 de 03/01/2003 (numa das passagens o recorrente, de forma equivocada, faz referência ao ano de 2002), aduz que a autoridade fiscal teria se equivocado ao afirmar que esse depósito se referiria a um único cheque, pois nessa data foram feitos vários depósitos, os quais não foram discriminados no extrato adotado pela autoridade fiscal. Para comprovar o que afirma, junta informação bancária discriminada em anexo (Doc 1), bem como as notas fiscais nos doc 02 A a L; também a autoridade diligenciante não teria verificado os documentos juntados aos autos, nem solicitou ao contribuinte que juntasse outras no curso da diligência. Buscou ainda, quanto a esse depósito, explicar uma das notas fiscais. 2) Os valores depositados em 03/01/2002 não poderiam ter servido de amostragem, por não pertencem ao objeto da autuação; 3) Em relação ao "REG nº 95", tece argumentos similares ao item "1" acima; 4) Considerando a boafé da recorrente e a dificuldade de reunir os documentos, devemse considerar os espelhos das notas fiscais apresentados, o que comprova a consistência da escrituração do recorrente; 5) A diligência não se completou, uma vez que não foi procedida a circularização dos clientes; 6) Reiterou argumento já trazido nas peças impugnatória e recursal de que os valores apontados, pertencem a terceiros e que só transitaram por sua conta bancária; 7) Foram apresentados mais de 15.000 documentos, enquanto a amostragem promovida pela autoridade fiscal verificou apenas 200; 8) Os depósitos bancários foram todos registrados no livro diário, o que afasta a presunção de omissão de receita; 9) Aponta mais documentos juntados na sua manifestação, como planilhas e espelho de notas fiscais. Nas fls. 18.51918.547, anexou documentos. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Relator Dos efeitos do Ato Declaratório de Exclusão do Simples Fl. 18562DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.557 13 Aqui, devese consignar que a exclusão do Simples deve ser considerada definitiva em razão da preclusão do direito de contestação, como consignado na decisão recorrida. No tocante aos efeitos do ato, estes estão disciplinados no art. 196 do Decreto 3.000/99, que corresponde a compilação dos dispositivos legais lá registrados. Abaixo, transcrevo o referido dispositivo: Art. 196. A exclusão do SIMPLES nas condições de que tratam os arts. 194 e 195 surtirá efeito (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15): I a partir do anocalendário subseqüente, na hipótese de que trata o inciso I do art. 194; II a partir do mês subseqüente àquele em que se proceder à exclusão, ainda que de ofício, em virtude da constatação excludente prevista nos incisos II a XVIII do art. 192 (Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º); III a partir do início de atividade da pessoa jurídica, sujeitandoa ao pagamento da totalidade ou diferença dos respectivos impostos e contribuições, devidos de conformidade com as normas gerais de incidência, acrescidos, apenas, de juros de mora quando efetuado antes do início de procedimento de ofício, na hipótese do inciso II, "b", do art. 194; IV a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido, nas hipóteses dos incisos I e II do art. 192; V a partir do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior. Parágrafo único. A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo (Lei nº 9.317, de 1996, art. 15, § 3º e Lei nº 9.732, de 1998, art. 3º). Da leitura dos dispositivos, verificamos que a exclusão de ofício do Simples depende da expedição de ato declaratório, mas, em nenhuma hipótese, os efeitos da exclusão são propagados em função da data do referido ato. Não procede, pois, esta alegação. Da comprovação dos depósitos Outrora, não bastavam depósitos bancários para a imputação de omissão de receita. De 1997 em diante, o entendimento é outro. Isso porque a edição da Lei 9.430/96 trouxe, em seu artigo 42, a presunção legal de omissão de rendimentos a partir de créditos em Fl. 18563DF CARF MF 14 contascorrentes bancárias de origem não comprovada. Na dicção cristalina do texto positivo, assim se estabelece: “Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. Foi esse dispositivo que orientou a autuação e todos os demais atos administrativos, inclusive a diligência. Uma vez identificados os depósitos, para infirmar a presunção é necessário que o contribuinte comprove, um a um e especificamente, a origem do depósito e que sem montante foi devidamente submetido à tributação ou que não estava sujeita a ela. Para tal, nos próprios termos do dispositivo legal, exigese "documentação hábil e idônea". Evidentemente, notas fiscais e duplicatas não são documentos sacramentais para a comprovação de fatos comerciais, nada obstante, não são pode ser substituídos por papeis da lavra da própria defesa em seu favor, nem mesmo da sua escrituração. Esta, desamparada de documentos formados com a participação de terceiros, não está apta a fazer prova a favor do contribuinte, como pretende a defesa com relação a parte considerável dos depósitos. Também merece destacar que, apesar de o julgamento administrativo ter se convertido em diligência, em momento algum a autoridade julgadora inverteu o ônus da prova para o Fisco, e nem poderia fazêlo, em face da disposição legal de presunção já reproduzida. Diante do volume de papeis apresentados e da insegurança de corresponderem a documentos fidedignos, a autoridade julgadora determinou à autoridade fiscal que fizesse, por amostragem, a análise da consistência da prova. O resultado da análise da autoridade diligenciante, calcada numa amostragem de 200 documentos, concluiu que alguns eram repetidos e outros correspondiam a espelhos elaborados pela própria defesa. Com relação àqueles que correspondiam a efetivos documentos (notas fiscais e duplicatas), realizou circularização que foi em grande medida infrutífera, mas tal fato não prejudicou o contribuinte, uma vez que tais documentos passaram a ser considerados fidedignos. Passada essa fase, a autoridade fiscal passou a cotejar os documentos apresentados com as indicações feitas pela defesa com os depósitos de origem não comprovada, tarefa que não fez por amostragem, mas sim, depósito a depósito, como podemos constar pelas planilhas juntadas pela autoridade. O contribuinte, por outro lado, na maior par da vezes, calca sua defesa em argumentos genéricos. Só em relação a alguns poucos depósitos, buscou contestar especificamente a minuciosa análise empreendida pela autoridade diligenciante e, quando o fez, cometeu omissões e erros graves. Em relação ao depósito de R$ 27.717,16 de 03/01/2003, além de aduzir equivocadamente que se referiria a 03/01/2002 e, portanto, não estaria contemplado no período do auto de infração, afirmou que não corresponderia a um depósito, mas a vários, conforme documento que obteve junto a instituição bancária. No entanto, tal documento, chamado "DOC Fl. 18564DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.558 15 1", não foi carreado aos autos. Os documentos apresentados pela defesa com a manifestação contra o resultado da diligência, além começarem com a numeração "2" e prosseguirem em ordem crescente, não correspondem, nenhum deles, a informação bancária aduzida. Dessa feita, o contribuinte não foi capaz de comprovar a origem dos depósitos, além daqueles consignados no termo de diligência fiscal, que acolho sem ressalvas. Deve, pois, a autuação ser reduzida conforme a planilha elaborada pela autoridade fiscal, abaixo reproduzida: AUTO DE INFRAÇÃO DILIGÊNCIA VALOR TRIBUTÁVEL DEPÓSITOS COMPROVADOS VALOR TRIBUTÁVEL IRPJ (A) (B) (C)=(A)(B) 1º Trimestre 2003 834.019,36 94.525,00 739.494,36 2º Trimestre 2003 867.897,57 39.035,86 828.861,71 3º Trimestre 2003 1.552.308,21 134.511,92 1.417.796,29 4º Trimestre 2003 1.020.279,21 61.662,43 958.616,78 1º Trimestre 2004 918.087,04 76.212,50 841.874,54 2º Trimestre 2004 1.030.262,18 20.924,00 1.009.338,18 3º Trimestre 2004 1.146.250,55 26.930,00 1.119.320,55 4º Trimestre 2004 979.117,39 2.000,00 977.117,39 AUTO DE INFRAÇÃO DILIGÊNCIA VALOR TRIBUTÁVEL DEPÓSITOS COMPROVADOS VALOR TRIBUTÁVEL CSLL (A) (B) (C)=(A)(B) 1º Trimestre 2003 834.019,36 94.525,00 739.494,36 2º Trimestre 2003 867.897,57 39.035,86 828.861,71 3º Trimestre 2003 1.552.308,21 134.511,92 1.417.796,29 4º Trimestre 2003 1.038.139,50 61.662,43 976.477,07 1º Trimestre 2004 955.786,12 76.212,50 879.573,62 2º Trimestre 2004 1.054.178,79 20.924,00 1.033.254,79 3º Trimestre 2004 1.190.681,58 26.930,00 1.163.751,58 4º Trimestre 2004 994.919,28 2.000,00 992.919,28 AUTO DE INFRAÇÃO DILIGÊNCIA VALOR TRIBUTÁVEL DEPÓSITOS COMPROVADOS VALOR TRIBUTÁVEL PIS (A) (B) (C)=(A)(B) jan/03 436.549,96 74.025,00 362.524,96 fev/03 141.517,40 3.500,00 138.017,40 mar/03 212.386,77 17.000,00 195.386,77 Fl. 18565DF CARF MF 16 abr/03 330.898,84 17.285,86 313.612,98 mai/03 245.462,93 21.750,00 223.712,93 jun/03 264.370,34 0,00 264.370,34 jul/03 409.593,11 47.065,00 362.528,11 ago/03 640.162,49 62.049,00 578.113,49 set/03 480.978,20 25.397,92 455.580,28 out/03 366.043,10 16.132,43 349.910,67 nov/03 246.769,07 5.500,00 241.269,07 dez/03 425.327,33 40.030,00 385.297,33 jan/04 379.154,11 59.584,50 319.569,61 fev/04 253.797,63 4.628,00 249.169,63 mar/04 322.834,38 12.000,00 310.834,38 abr/04 298.884,24 5.294,00 293.590,24 mai/04 380.875,82 6.130,00 374.745,82 jun/04 374.418,73 9.500,00 364.918,73 jul/04 404.180,55 2.000,00 402.180,55 ago/04 420.852,54 8.350,00 412.502,54 set/04 365.648,49 16.580,00 349.068,49 out/04 421.340,45 0,00 421.340,45 nov/04 478.183,41 1.300,00 476.883,41 dez/04 95.395,42 700,00 94.695,42 AUTO DE INFRAÇÃO DILIGÊNCIA VALOR TRIBUTÁVEL DEPÓSITOS COMPROVADOS VALOR TRIBUTÁVEL COFINS (A) (B) (C)=(A)(B) jan/03 436.549,96 74.025,00 362.524,96 fev/03 141.517,40 3.500,00 138.017,40 mar/03 212.386,77 17.000,00 195.386,77 abr/03 330.898,84 17.285,86 313.612,98 mai/03 245.462,93 21.750,00 223.712,93 jun/03 264.370,34 0,00 264.370,34 jul/03 409.593,11 47.065,00 362.528,11 ago/03 640.162,49 62.049,00 578.113,49 set/03 480.978,20 25.397,92 455.580,28 out/03 366.043,10 16.132,43 349.910,67 nov/03 246.769,07 5.500,00 241.269,07 dez/03 425.327,33 40.030,00 385.297,33 jan/04 379.154,11 59.584,50 319.569,61 fev/04 253.797,63 4.628,00 249.169,63 Fl. 18566DF CARF MF Processo nº 16024.000624/200854 Acórdão n.º 1401002.358 S1C4T1 Fl. 18.559 17 mar/04 322.834,38 12.000,00 310.834,38 abr/04 298.884,24 5.294,00 293.590,24 mai/04 380.875,82 6.130,00 374.745,82 jun/04 374.418,73 9.500,00 364.918,73 jul/04 404.180,55 2.000,00 402.180,55 ago/04 420.852,54 8.350,00 412.502,54 set/04 365.648,49 16.580,00 349.068,49 out/04 421.340,45 0,00 421.340,45 nov/04 478.183,41 1.300,00 476.883,41 dez/04 95.395,42 700,00 94.695,42 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar omissão presumida de receita dos depósitos de origem comprovada, conforme discriminação acima apontada. (assinado digitalmente) Guilherme Adolfo dos Santos Mendes Fl. 18567DF CARF MF
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Numero do processo: 13227.900321/2010-83
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO.
Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ).
SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação.
Numero da decisão: 1401-002.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13227.900318/2010-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM PER/DCOMP. DESCABIMENTO. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica(DIPJ). SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, em por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 22 7. 90 03 21 /2 01 0- 83 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13227.900321/201083 Acórdão n.º 1401002.526 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte em face do Acórdão n. 0121.936 3ª Turma da DRJ/BEL, que, por unanimidade de votos, não homologou a compensação correlata ao crédito de CSLL não reconhecido. A Recorrente transmitiu declaração de compensação em 05/12/2008, na qual indicou crédito resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2484, do período de apuração de 09/2006. A unidade de origem, por intermédio de despacho decisório, não homologou a compensação declarada, sob o argumento de que após analisadas as informações prestadas pela Recorrente foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Cientificada, a interessada apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou que: a) A empresa efetuou pagamento de CSLL Código de Receita: 2484, relativo ao período de apuração de 09/2006; b) Por ocasião do levantamento do balancete de suspensão e/ou redução nesse mês, após os ajustes apresentou lucro fiscal inferior ao já apurado em períodos anteriores, ou seja, não teria nada a recolher mesmo assim recolheu.; c) Oportunamente, aproveitou o crédito do pagamento indevido para compensar, via PER/DCOMP e de forma legal, débitos próprios. Diante dos fatos apresentados, requereu a anulação do Despacho Decisório, por questão de justiça e direito. Apreciados tais argumentos, o despacho decisório restou mantido, sob o entendimento de que as declarações de compensação apresentadas à Secretaria da Receita Federal do Brasil somente podem ser homologadas quando reste comprovada pelo sujeito passivo a existência do respectivo direito creditório. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. Inconformada, a Recorrente interpôs Voluntário com vistas a obter a reforma do julgado defendendo estar suficiente comprovado seu direito creditório. Era o essencial a ser relatado. Passo a decidir Fl. 65DF CARF MF Processo nº 13227.900321/201083 Acórdão n.º 1401002.526 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.523, de 17/05/2018, proferida no julgamento do Processo nº 13227.900318/201060, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. O processo paradigma analisou a possibilidade de utilização de crédito relativo a pagamento indevido de IRPJ estimativa mensal, referente ao período de apuração de fevereiro/2006, para compensação com débitos do contribuinte. O presente processo tratase de pedido de compensação de crédito relativo a pagamento indevido de CSLL estimativa mensal, do período de apuração de 09/2006, com débitos do contribuinte. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.523): O Recurso apresenta os requisitos essenciais para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade, a decisão de piso manifestase no sentido de que pode a Fiscalização, após o encerramento do ano calendário, exigir estimativas eventualmente não recolhidas durante o ano calendário, por expressa previsão legal e que a falta de recolhimento de estimativas. Segundo o Acórdão recorrido, descabe a alegação da contribuinte no sentido de que a glosa de estimativas da apuração de saldo negativo representa dupla exigência à Recorrente decorrente do mesmo fato, pois o pagamento de estimativas deveria ter sido feito dentro do prazo legal, o que não teria ocorrido no presente caso, assim como não houve o adimplemento dos débitos confessados, a glosa do saldo negativo é consequência deste fato. Por isso, no entendimento da decisão de piso, não haveria como se manter o saldo negativo de parcelas constituintes que não estariam satisfeitas, porque a cobrança dos valores não pagos decorre de determinação legal, de forma que não haveria que se falar em dupla cobrança, já que uma vez adimplido o débito, este procedimento reflete na apuração do saldo negativo. Ocorre que, conforme apontado pela recorrente em sede de voluntário, embora a compensação tenha se dado de forma equivocada, uma vez que ao entregar a DCTF, a recorrente ao invés de simplesmente comparar o valor devido com o valor recolhido a título de estimativa e assim declarar somente o valor Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13227.900321/201083 Acórdão n.º 1401002.526 S1C4T1 Fl. 5 4 devido, caso apurasse valor a maior do que o recolhido por estimativa, declarou o valor apurado como devido e apresentou PERD/DCOMP para compensálo. Considerando que as informações acima transcritas restam localizadas na DIPJ e LALUR, que apontam a base de cálculo da contribuição e os DARFs (fls.) devidamente pagos que originaram o crédito em discussão. Tratase, portanto, de erro de fato no preenchimento do PER aqui analisado, que não pode, sob hipótese alguma, refletir na glosa de estimativas já liquidadas, computadas na apuração do saldo negativo do IRPJ do período. Desta forma, tendo a Recorrente comprovado de maneira incontroversa que as estimativas mensais de outubro de 2006 foram liquidadas através da quitação antecipada autorizada pela Lei nº 13.043/2014 (Doc. 7 do RV), não pode ser mantida a redução do saldo negativo de 2004. Ademais, consolidando este entendimento, temos: SÚMULA CARF Nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Diante de todo o exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário, para afastar a glosa das estimativas. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.017999/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes.
Numero da decisão: 1402-003.236
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por tratar exclusivamente de matéria de cunho constitucional.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marco Rogério Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:
Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
Nome do relator: MARCO ROGERIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por tratar exclusivamente de matéria de cunho constitucional. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone.
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INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por tratar exclusivamente de matéria de cunho constitucional. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 79 99 /2 00 8- 14 Fl. 195DF CARF MF 2 Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Sergio Abelson (Suplente Convocado) , Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Eduardo Morgado Rodrigues (Suplente Convocado) e Paulo Mateus Ciccone. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 19647.017999/200814 Acórdão n.º 1402003.236 S1C4T2 Fl. 196 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela 4a Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife PE, que julgou IMPROCEDENTE, na sua integralidade, a impugnação do contribuinte acima mencionado. Da autuação: O presente processo versa sobre autos de infração dos tributos e contribuições sob o regime de recolhimento do SIMPLESFEDERAL, referente a fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2005. As autuações fiscais envolvem o montante de R$ 122.803,26, entre principal, multa e juros corrigidos até outubro/2008. Em essência, decorreram de valores recebidos via cartão de crédito, conforme informações obtidas junto às administradoras via DECRED Declaração de Operações com Cartões de Crédito, o que ensejou o lançamento fiscal, mantida a recorrente na condição de optante do SimplesFederal. Abaixo, por bem retratar, transcrevo da decisão a quo, os detalhes que fundamentarem a autuação fiscal: Tratase de autos de infração lavrados contra o contribuinte acima qualificado, através dos quais se constituiu crédito tributário, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas – IRPJ, ao Programa de Integração Social – PIS, à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS e à contribuição para a Seguridade Social (INSS), no valor total de R$ 122.803,26, já incluídos multa de ofício e juros de mora. 2. No campo “Descrição dos Fatos” do lançamento referente ao IRPJ – SIMPLES (fls. 23/25), constam as seguintes infrações, ao final tipificadas: “001 OMISSÃO DE RECEITAS. RECEITAS NÃO ESCRITURADOS” e “002 – INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO”. Segundo a autoridade autuante consignou no Termo de Encerramento de fls. 58/59, o contribuinte foi intimado a justificar vendas realizadas com cartões de crédito (VISANET e REDECARD). Depois de solicitar a prorrogação, por vinte dias, do prazo que lhe foi inicialmente concedido, o contribuinte não apresentou qualquer informação. Assim, não logrou justificar as diferenças que lhe foram apontadas, obtidas quando comparados com valores declarados na Declaração Simplificada PJ Simples – PJSI e os informados pelas administradoras de cartões de crédito. Da Impugnação: Por bem descrever os termos da peça impugnatória, transcrevo o relatório pertinente na decisão a quo: Fl. 197DF CARF MF 4 3. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls. 122/127, por meio da qual requer a nulidade do auto de infração, ao fundamento de que teve o seu sigilo bancário quebrado sem procedimento judicial, o que feriria princípios constitucionais, como o da privacidade. Para tanto, baseouse em escólios doutrinários e decisões judiciais. Da decisão da DRJ: Ao analisar a impugnação, a DRJ, primeira instância administrativa, entendeu negar provimento integral à impugnação do contribuinte, por unanimidade. A ementa da decisão é a seguinte: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 OMISSÃO DE RECEITAS. VENDAS ATRAVÉS DE CARTÕES DE CRÉDITO. Constituem receitas omitidas os valores recebidos pela interessada, decorrentes de operações com cartões de crédito, não declarados em Declaração Simplificada PJ Simples PJSI. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade de diplomas legais vigentes. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do voto do relator, que foi acompanhado unanimemente pelo colegiado de primeira instância administrativa, extraise o seguinte voto que deu guarida a sua decisão final: 4. Vêse que a impugnante limitouse a acoimar de nulo o lançamento, ao fundamento de que a quebra do sigilo das operações por ela realizadas com instituições financeiras somente poderia se dar através de autorização judicial. 5. Com tal argumento, a impugnante, na verdade, está a defender a incompatibilidade vertical entre a Lei Complementar n.º 105, de 10/01/2001, que permitiu o acesso, pelas Fazendas Públicas, aos dados relativos às operações realizadas pelos usuários dos serviços fornecidos por aquelas instituições, e a Constituição Federal, tarefa que, como cediço, escapa à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para fazêlo, pois atribuída, como regra geral, ao Poder Judiciário. 6. Ante o exposto, voto por considerar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO. Fl. 198DF CARF MF Processo nº 19647.017999/200814 Acórdão n.º 1402003.236 S1C4T2 Fl. 197 5 Do Recurso Voluntário: Tomando ciência da decisão a quo em 02/07/2010, a recorrente apresentou recurso voluntário em 05/08/2010. Na sua peça recursal, praticamente repisa os mesmos elementos e argumentos da sua peça impugnatória, quais sejam, em apertada síntese, requerendo a nulidade dos autos de infração, sob o fundamento de que a quebra do sigilo bancária sem procedimento judicial seria inconstitucional. Trouxe alguns excertos decisórios e doutrinários a respeito. No seu pedido, conclui: 3 REQUERIMENTOS Diante do exposto, REQUER o Recorrente que este Colendo Conselho julgue pela NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO EM EPÍGRAFE neste processo administrativo, EM RESPEITO À CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988. É o relatório. Fl. 199DF CARF MF 6 Voto Conselheiro Marco Rogério Borges Relator O recurso voluntário, apresentado foi tempestivo, e como se ateve a alegações de inconstitucionalidade, não o conheço. Da síntese dos fatos: O presente processo versa sobre autos de infração de impostos e contribuições sob a sistemática de recolhimento do SimplesFederal, e decorrem de valores apurados via informações das administradoras de cartão de crédito, inicialmente apresentados via DECRED, e posteriormente confirmados junto as mesmas. Durante o procedimento fiscal foi intimado a justificar os valores, o que não o fez. Por conseguinte foi autuado em R$ 122.803,26 (impostos+multa+juros), sendo aplicada a multa simples. Na peça impugnatória se limita a requerer a nulidade dos autos de infração, com fundamento na inconstitucionalidade ter seu sigilo bancário "quebrado" sem procedimento judicial. A instância a quo decidiu que tal matéria alegada foge à competência da esfera administrativa, considerando improcedente a impugnação. Na peça recursal repisa exatamente os mesmos argumentos da sua peça impugnatória, sem nada de novo trazendo. Da questão suscitada na peça recursal a alegação de nulidade de inconstitucionalidade Na sua peça recursal, alega a recorrente que houve ofensa a princípios constitucionais o fato de ter ocorrido a "quebra" do seu sigilo bancário. Tais alegações vão de encontro a validade da LC 105/2001 e o Decreto 3.724/2001, que a regulamenta, e os procedimentos que estas normas autorizam e disciplinam seriam inconstitucionais. Nesta linha de defesa, exclusivamente adotada na sua peça recursal, compreendo que se afasta das possibilidades de manifestação deste colegiado. Em verdade, há vedação expressa no art. 26A do Decreto 70.235/1972 que se adentre ao mérito de validade constitucional de normas legais no âmbito da do processo administrativo fiscal: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar Fl. 200DF CARF MF Processo nº 19647.017999/200814 Acórdão n.º 1402003.236 S1C4T2 Fl. 198 7 de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade Para tanto foi editada a Súmula CARF nº 2, a qual tão somente vem a espelhar o monopólio do Poder Jurisdicional sobre a temática: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, NÃO CONHEÇO do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marco Rogério Borges Fl. 201DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.933223/2009-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2005
COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ.
A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação antes da não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação - que indevidamente desconsiderou a DCTF retificadora já apresentada -, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo.
Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72).
REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE.
É vedado aos órgãos julgadores reformar a decisão a quo em franco prejuízo ao Recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus.
Numero da decisão: 3402-005.437
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a remessa dos autos para a DRJ, para que nova decisão seja proferida levando em consideração os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls. 175 a 210) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 251 a 283), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que davam provimento parcial ao Recurso para declarar a nulidade do despacho decisório para nova análise pela DRF levando em consideração a DCTF retificadora do contribuinte.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 30/11/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação antes da não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação - que indevidamente desconsiderou a DCTF retificadora já apresentada -, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos julgadores reformar a decisão a quo em franco prejuízo ao Recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus.
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ano_publicacao_s : 2018
nome_relator_s : THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a remessa dos autos para a DRJ, para que nova decisão seja proferida levando em consideração os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls. 175 a 210) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 251 a 283), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que davam provimento parcial ao Recurso para declarar a nulidade do despacho decisório para nova análise pela DRF levando em consideração a DCTF retificadora do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 323 1 322 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.933223/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402005.437 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 24 de julho de 2018 Matéria COFINS Recorrente VALLOUREC TUBOS DO BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 COFINS. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. DUPLO GRAU. NOVO JULGAMENTO PELA DRJ. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e crédito nela declarados. A sua apresentação antes da não homologação de compensação, por ausência de saldo de créditos na DCTF original, tem como consequência a desconstituição da causa original da não homologação que indevidamente desconsiderou a DCTF retificadora já apresentada , cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Contudo, havendo no decorrer do processo tal verificação por parte autoridade fiscal de origem, que por sua vez gerou o devido direito à nova manifestação de inconformidade pelo sujeito passivo, cumpre devolver os autos para julgamento da Delegacia da Receita Federal competente, evitando a supressão de instância no processo administrativo (artigo 60 do Decreto 70.235/72). REFORMATIO IN PEJUS. IMPOSSIBILIDADE. É vedado aos órgãos julgadores reformar a decisão a quo em franco prejuízo ao Recorrente, sob pena de ferir de morte o princípio da proibição do reformatio in pejus. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 93 32 23 /2 00 9- 43 Fl. 358DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para determinar a remessa dos autos para a DRJ, para que nova decisão seja proferida levando em consideração os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls. 175 a 210) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls. 251 a 283), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que davam provimento parcial ao Recurso para declarar a nulidade do despacho decisório para nova análise pela DRF levando em consideração a DCTF retificadora do contribuinte. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Waldir Navarro Bezerra. Relatório O presente Processo Administrativo foi objeto da Resolução n. 3402000.663 depois de sua chegada ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (“CARF”). Dessa forma, o caso já foi bem relatado pelo Conselheiro Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, antes de serem a mim redistribuído pelo fato de o Relator originário não mais integrar nenhum dos Colegiados da 3ª Seção. Desta feita, peço licença para tomar emprestadas as suas palavras sobre o histórico do processo: Tratase de Recurso Voluntário (fls. 70/80 numeração do e processo) contra o v. Acórdão DRJ/BHE nº 0233.020 de 27/06/11 constante de fls. 59/62 (numeração do eprocesso) exarado pela 1ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade” de fls. 01/15 (para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 112.332,65 homologando a compensação até esse limite caso disponível), mantendo parcialmente o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 21), que indeferiu e deixou de homologar a PER/DCOMP (fls. 17/19), através da qual a ora Recorrente pretendia ver restituído o direito creditório relativo à COFINS no valor atualizado de R$ 584.629,31 (valor original de R$ 405.317,05) na data de transmissão de (14/08/2009), representado por Darf recolhido em 15/12/05 e decorrente de retificação de DCTF em razão do computo de créditos relativos a partes e peças de reposição e serviços de manutenção, que pretendia compensar com o débito discriminado no referido PER/DCOMP. Por seu turno a r. decisão de fls. 59/62 da 1ª Turma da DRJ do Belo Horizonte MG, houve por bem “julgar procedente em parte Fl. 359DF CARF MF Processo nº 10680.933223/200943 Acórdão n.º 3402005.437 S3C4T2 Fl. 324 3 a manifestação de inconformidade” de fls. 01/15 (para reconhecer parcialmente o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 112.332,65 homologando a compensação até esse limite caso disponível), mantendo parcialmente o Despacho Decisório Eletrônico da DRF de Belo Horizonte MG (fls. 21), aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/11/2005 DCOMP. EQUÍVOCO NO PREENCHIMENTO DA DCTF. Constatado o erro de fato no preenchimento da DCTF, deve ser reconhecido o direito creditório até o limite do valor relativo ao recolhimento a maior cuja origem tenha sido devidamente demonstrada. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte." Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 68/81) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma parcial da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito restituendo, tendo em vista: a) que a diferença de Cofins retido na fonte de R$ 292.984,41, mantida, originouse de novo cálculo do Cofins não cumulativo de setembro e outubro de 2005, onde, ao aplicar os créditos respaldados na autorização da Solução de Consulta SRRF/6 RF/DISIT nº 195, de 10 de novembro de 2008, naquela competência, o mesmo teria gerado “uma sobra no aproveitamento dos créditos Retidos na Fonte pelas Demais Entidades da Administração Pública Federal (Lei nº 10.833/2003, art. 34) e por Fabricantes de Veículos e Máquinas (Lei nº 10.485/2002, art. 3º, § 3º)”; b) que ao contrário da DCTF, a DACON não foi retificada, de forma que não reflete a alteração ocorrida na base de cálculo da Contribuição, por ocasião da Consulta SRRF/6 RF/DISIT nº 195, de 10 de novembro de 2008, momento em que se requereu a retificação da mesma, visto tratarse de erro de fato formal); c) Uma vez que a apuração de COFINS de novembro de 2005 fora retificada visando apropriar os créditos oriundos das aquisições de partes e peças de reposição e de serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, bem como ajustar os créditos de Cofins retido na fonte e, por conseqüência, também foi recalculado o valor do tributo devido, o qual ficou a maior, gerando um saldo credor passível de apropriação, razões pelas quais requer o reconhecimento integral do crédito pleiteado." Em julgamento datado de 24 de abril de 2014 (Resolução n. 3402000.663), a 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara dessa 3ª Seção, com voto vencedor do Conselheiro João Fl. 360DF CARF MF 4 Carlos Cassuli Junior, determinou a conversão do julgamento em diligência para a DRF de origem, nos seguintes termos: Apesar de ter cumprido apenas parcialmente a comprovação de suas alegações em um primeiro momento, tenho que a Recorrente trouxe aos autos informações suficientes para respaldar a possibilidade de que o valor por ela apurado realmente pode significar um valor devido, menor do que o efetivamente pago. (...) Tenho, nesse particular, que o crédito tributário, de titularidade do Poder Público, nasce da ocorrência do fato gerador, ainda que não haja nenhum registro contábil ou declaração obrigatória, enquanto que o direito ao crédito fiscal de titularidade do particular nasce da “regramatriz de direito ao crédito”, que traz em seu suposto um pagamento indevido, tenha ele sido refletido em uma linguagem padrão ou não. São os fatos que geram os créditos, sendo as declarações obrigatórias apenas as formas de se os registrar. Desta forma, assim como os registros de créditos indevidos não fazem nascer créditos, tenho que a falta de registro de créditos não se lhes pode tolher, pelo que persiste a necessidade de se apurar a real base de cálculo dos tributos em questão, para se aferir a existência ou não do indébito tributário em discussão nos autos. Sendo assim, invocando o princípio da verdade material, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para determinar o retorno dos autos à unidade de origem, para que a autoridade preparadora adote as seguintes providências: a) intimar o contribuinte a apresentar, em prazo não inferior à 30 dias, os documentos contábeis e societários pertinentes ao período de apuração em questão, que sejam necessários para conferência do fato gerador ocorrido; b) de posse de referidos documentos, proceder a apuração do tributo devido no período, cotejandoo com o pagamento realizado, para ao final manifestarse sobre a existência, suficiência e legitimidade do crédito pleiteado pelo contribuinte; c) após, emitir relatório conclusivo sobre o resultado da diligência, dando vistas ao sujeito passivo, para que, querendo, se manifeste no prazo de no mínimo 30 (trinta) dias, retornando os autos para reinclusão em pauta de julgamento neste Conselho É como voto. A resposta da repartição fiscal de origem foi apresentada em fls 175 a 210, na qual a DRF primeiramente apresenta considerações sobre a apuração das receitas da Recorrente no sistema cumulativo e no não cumulativo e sua proporção sobre o total das receitas auferidas. Passa então a uma análise dos créditos das contribuições não cumulativas (bens e serviços utilizados como insumos nacionais e importados), "glosando" (para usar sua nomenclatura) os créditos de insumos que considera não essenciais aos processo produtivo da Recorrente. Também se manifesta sobre a não aceitação de créditos de fretes sobre vendas, por entender que se trata de transporte de produtos acabados entre estabelecidos da Recorrente. Finalmente apresentar o recálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS para os meses de setembro e Fl. 361DF CARF MF Processo nº 10680.933223/200943 Acórdão n.º 3402005.437 S3C4T2 Fl. 325 5 outubro de 2005, levando em consideração as alegações da Recorrente sobre "a sobra de créditos retidos na fonte pelas entidades da administração pública federal." Conclui então "as tabelas 3 (créditos de set/2005) e 4 e 5 (para out/2005) resumem as glosas de créditos efetuadas nestes meses. Da análise final da tabela 1, concluímos que o contribuinte não recolheu ou recolheu a menor valores devidos para o PIs e a Cofins não cumulativas nos meses em questão, não lhe sendo nenhuma importância devida para o mês de nov/2005." Em resposta ao conteúdo das informações prestadas pela DRF, a Recorrente trouxe aos autos a petição de fls 251 a 283, alegando: i) preliminarmente a nulidade da diligência realizada, por ausência de conexão entre o objeto do processos e os elementos analisados; ii) no mérito, trata do conceito de insumo para fins de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade, para em seguida apresentar o seu processo de produção de tubos de aço sem costura e soluções tubulares premium. Mais adiante contesta item a item as glosas efetuadas pela resposta à diligência da DRF, concluindo pela necessidade de provimento de suas razões. É o relatório. Voto Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Relatora Os requisitos de admissibilidade do recurso voluntários já foram anteriormente analisados e acatados por este Conselho, de modo que passo à apreciação do caso. Como se depreende do relato acima, o presente processo, oriundo de PER/DCOMP, tem como arcabouço jurídico a questão de quais aquisições de bens e serviços são capazes de ser considerados como insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS. Todavia, tal questão de fundo não pode ser objeto de análise neste momento processual. Isto porque o despacho decisório (fls 22) resumiu a não homologação do crédito ao fato de que "limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informada no PER/DCOMP: 405.317,05. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." Daí que a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte limitouse a comprovar a existência do crédito compensado através de retificação da DCTF do período, salientando in abstrato a origem do crédito pleiteado. Por conseguinte, o julgamento da DRJ deu provimento parcial à manifestação de inconformidade por entender válidos os créditos no limite da DCTF retificadora (R$ 112.332,65). Afinal, o despacho decisório foi transmitido em 07/10/2009, enquanto que a DCTF retificadora e o PER/DCOMP datam de 14/08/2009, ou seja, estes são anteriores ao despacho, que desconsiderou as informações retificadas. Fl. 362DF CARF MF 6 Assim, a lide foi demarcada unicamente com relação a este ponto, e não com relação a qualquer outra qualidade do crédito pleiteado. Pois bem. Com relação aos efeitos da DCTF retificadora, o artigo 18 da Medida Provisória n o 2.18949, de 23 de agosto de 2001,1 dispôs que a DCTF retificadora tem os mesmos efeitos da original. Disciplinando tal regra, a Instrução Normativa n. 903, de 30 de dezembro de 2008, vigente à época dos fatos e cujo regramento foi sistematicamente reproduzido nos atos normativos que lhe sucederam , em seu artigo 11, colocava que: Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. No presente caso, o procedimento eletrônico de não homologação referiuse à PERD/COMP e à não localização de créditos suficientes. Ocorre que, como determinam as normas acima transcritas, somente não seriam admitidas para alterar o crédito declarado as DCTF retificadoras relativas a tributos cuja cobrança tenha sido enviada à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional ou que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. Ou seja, antes de proferido o despacho decisório, como aqui ocorreu, a DCTF retificadora tem seus plenos efeitos de substituir a original. Assim, a DCTF retificadora apresentada in casu tem o condão de alterar a situação jurídica anteriormente constatada pelo despacho decisório, o que naturalmente leva à necessidade de o crédito pleiteado pela ora Recorrente ser analisado pela autoridade fiscal de origem com base nessa nova informação, quanto à sua liquidez e certeza. Somente após tal providência é que poderia ser denegada a compensação. É nesse sentido que tem decidido a pacífica jurisprudência do CARF, como se depreende das ementas dos Acórdãos colacionadas abaixo: 1 Art. 18. A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Parágrafo único. A Secretaria da Receita Federal estabelecerá as hipóteses de admissibilidade e os procedimentos aplicáveis à retificação de declaração. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 10680.933223/200943 Acórdão n.º 3402005.437 S3C4T2 Fl. 326 7 Ementa: APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO HOMOLOGATÓRIO POSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Conhecido e parcialmente provido. (Acórdão 3201 001.237) Retorno dos autos a unidade de jurisdição para apuração do crédito.” Ementa: CPMF. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. EFEITOS. A DCTF retificadora, nas hipóteses em que é admitida pela legislação, substitui a original em relação aos débitos e vinculações declarados, sendo consequência de sua apresentação, após a não homologação de compensação por ausência de saldo de créditos na DCTF original, a desconstituição da causa original da não homologação, cabendo à autoridade fiscal apurar, por meio de despacho devidamente fundamentado, a liquidez e certeza do crédito do sujeito passivo. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão 330201.727) Ementa: COMPENSAÇÃO. FORMALISMO MODERADO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO À REPETIÇÃO DO INDÉBITO. A prévia retificação da DCTF não é condição sine qua non para a análise de declarações de compensação de indébitos tributários por pagamentos aplicados em débitos confessados, em face da alegação de erro na declaração. Recurso Voluntário Provido. Aguardando Nova Decisão (Acórdão 380302.683) Ocorre que em razão dos procedimentos adotados especificamente no bojo deste processo administrativo, a providência que deve ser tomada é outra. Explico. Repisando o histórico processual, vemos que o Relator que me precedeu entendeu por bem baixar o processo em diligência, o que culminou na análise pela autoridade fiscal de origem sobre a certeza e liquidez dos créditos em discussão (fls 175 a 210). Ou seja, foi já suprida tal necessidade de averiguação pela DRF in casu. Igualmente foi satisfeito o direito da Contribuinte de apresentar nova Manifestação de inconformidade (fls 251 a 283), com relação às considerações trazidas pela autoridade fiscal. Assim, não houve prejuízo ao contraditório e à ampla defesa até então, de modo que mandar que estes atos fossem refeitos significaria desproposita afronta à eficiência e à celeridade processual. Fl. 364DF CARF MF 8 Entretanto, esses novos contornos da lide não foram apreciados pela DRJ, já que foram diretamente enviados a este Conselho após o cumprimento da citada diligência. Essa situação não pode ser convalidada no processo administrativo fiscal, sob pena supressão de instância e ofensa ao duplo grau de jurisdição administrativa. Afinal, a ausência de análise do caso pela DRJ nesse contexto ocasiona cerceamento do direito de defesa no processo administrativo e caso fosse proferido julgamento inaugural da matéria (insumos para fins de creditamento da Contribuição ao PIS e da COFINS) por este Conselho, estaríamos atuando como instância única. Tal situação não é permitida pelo sistema jurídico, uma vez que o artigo 5º, inciso LV da Constituição confere aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes. Cumpre destacar a lição de James Marins2 sobre o tema: Não podem, União, Estado, Distrito Federal ou Municípios, instituir no âmbito de sua competência, a denominada “instância única” para o julgamento das lides tributárias deduzidas administrativamente, sob pena de irremediável mutilação da regra constitucional e consequente imprestabilidade do sistema administrativo processual que, por falta de tal requisito constitucional de validade, não servirá para aperfeiçoar a pretensão fiscal impugnada, remanescendo carente de exigibilidade. É por essa razão que, uma vez superada a questão da DCTF retificadora, os créditos pleiteados já tendo sido avaliados pela autoridade fiscal certificadora e objeto de nova manifestação de inconformidade pela Contribuinte, os autos devem agora ensejar apreciação pela DRJ, porque a lide foi reformulada no decorrer do processo administrativo, dado ao princípio do formalismo moderado que impera nesta seara. Saliento que não se trata de nulidade do Acórdão a quo, que julgou a lide conforme apresentada naquele momento processual. Dessarte, não é o caso de aplicação do artigo 59 do Decreto 70.235/72, mas sim de dar cumprimento ao artigo 60 do mesmo diploma normativo,3 quando determina que irregularidades verificadas no processo devem ser sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo. Ademais, o objeto da nova apreciação deve se referir unicamente aos valores que não haviam sido reconhecidos pelo acórdão da DRJ 0233.020, vale dizer, o montante de R$ 112.332,65, do contrário estarseia proferindo decisão contrária ao princípio da proibição do reformatio in pejus. Dispositivo Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar a remessa dos autos para a DRJ, para que nova decisão seja proferida, levando em consideração agora os fundamentos da Fiscalização a respeito do crédito pleiteado no Relatório Fiscal de Diligência (fls 175 a 210) e a subsequente manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte (fls 251 a 283), além dos demais elementos de prova constantes dos presentes autos. 2 Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). São Paulo: Dialética, 2010 5ª ed. 3 Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Fl. 365DF CARF MF Processo nº 10680.933223/200943 Acórdão n.º 3402005.437 S3C4T2 Fl. 327 9 Thais De Laurentiis Galkowicz Fl. 366DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.725509/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 30/09/2011
ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO.
De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS - DACON.
O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.976
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/09/2011 ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA 2 DO CARF. APLICAÇÃO. De conformidade com a Súmula CARF nº 2, este Colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON. O cumprimento das obrigações acessórias fora dos prazos previstos na legislação tributária sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 72 55 09 /2 01 2- 16 Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13811.725509/201216 Acórdão n.º 3201003.976 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Auto de Infração lavrado para se exigir multa por atraso na entrega do Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 09 045.449, julgou improcedente a Impugnação, sob o entendimento de que, estando a pessoa jurídica obrigada à apresentação do Dacon, o atraso ou a falta no cumprimento dessa obrigação implica, por dever legal, a aplicação da multa correspondente. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário a este Conselho. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.951, de 21/06/2018, proferido no julgamento do processo 13811.725490/201208, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.951): Preliminarmente, em relação às alegações de inconstitucionalidade tecidas pela recorrente (irrazoabilidade e desproporcionalidade) em sua peça recursal, as afasto em razão da incompetência deste Colegiado para decidir sobre a constitucionalidade da legislação tributária. A matéria é objeto da Súmula CARF nº 2, publicada no DOU de 22/12/2009 a seguir ementada: “Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Assim, sendo referida súmula de aplicação obrigatória por este colegiado, maiores digressões sobre a matéria são desnecessárias. No que tange ao mérito da questão, tratase no caso, o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais DACON de uma declaração instituída com fundamento no art. 7º da Lei nº 10426/2002, com a redação dada pela Lei nº 11051/2004. Fl. 78DF CARF MF Processo nº 13811.725509/201216 Acórdão n.º 3201003.976 S3C2T1 Fl. 4 3 O dispositivo legal em comento apresenta a seguinte redação: "Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de nãoapresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (...) III de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante da Cofins, ou, na sua falta, da contribuição para o PIS/Pasep, informado no Dacon, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo;" Constatase, então, que a obrigação acessória em apreço possui previsão legal. Estabelece a Instrução Normativa SRF n° 590, de 22 de dezembro de 2005, vigente à época dos fatos, nos arts. 2º e 8º: "Art. 2º A partir do anocalendário de 2006, as pessoas jurídicas de direito privado e as que lhes são equiparadas pela legislação do Imposto de Renda, submetidas à apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), nos regimes cumulativo e nãocumulativo, inclusive aquelas que apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários, deverão apresentar o Dacon Mensal, de forma centralizada pelo estabelecimento matriz, caso esta seja a periodicidade de entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa SRF nº 708, de 09 de janeiro de 2007) § 1º As pessoas jurídicas não enquadradas no caput deste artigo poderão optar pela entrega do Dacon Mensal. § 2º A opção de que trata o § 1º será exercida mediante apresentação do primeiro Dacon, sendo essa opção definitiva e irretratável para todo o ano calendário que contiver o período correspondente ao demonstrativo apresentado. § 3º No caso de ser exercida a opção de que trata o § 1º com a apresentação de Dacon relativo a mês posterior ao primeiro mês de 2006, a pessoa jurídica ficará obrigada à apresentação dos demonstrativos relativos aos meses anteriores. § 4º Na hipótese de que trata o § 3º, será devida a multa pelo atraso na entrega de Dacon referente a mês anterior ao da opção, no caso de apresentação após o prazo fixado." "Art. 8º O Dacon deverá ser apresentado: I pelas pessoas jurídicas de que trata o art. 2º, até o quinto dia útil do segundo mês subseqüente ao mês de referência; II pelas demais pessoas jurídicas: Fl. 79DF CARF MF Processo nº 13811.725509/201216 Acórdão n.º 3201003.976 S3C2T1 Fl. 5 4 a) até o quinto dia útil do mês de outubro de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao primeiro semestre; e b) até o quinto dia útil do mês de abril de cada anocalendário, no caso de Dacon relativo ao segundo semestre do anocalendário anterior. § 1º Excepcionalmente, em relação ao anocalendário de 2006, a obrigatoriedade de entrega do Dacon, nos prazos estabelecidos nos incisos I e II deste artigo, vigorará a partir do período em que os respectivos programas geradores forem disponibilizados, na forma do art. 7º. § 2º No caso de extinção, incorporação, fusão, cisão parcial ou cisão total, o Dacon deverá ser apresentado pela pessoa jurídica extinta, incorporada, incorporadora, fusionada ou cindida o último dia útil do mês subseqüente ao do evento, observada a excepcionalidade do § 1º deste artigo. § 3º A obrigatoriedade de entrega do Dacon, na forma prevista no § 2º, não se aplica à incorporadora nos casos em que as pessoas jurídicas, incorporadora e incorporada, estejam sob o mesmo controle societário desde o anocalendário anterior ao do evento." No caso dos autos não existe controvérsia acerca dos fatos, no sentido de que o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais – Dacon foi entregue fora do prazo, o que torna cabível a aplicação da multa legalmente prevista, incidente sobre o montante da Cofins informado no Dacon, ainda que tenha sido integralmente pago. Acerta a decisão recorrida ao consignar: "Assim, para o lançamento da multa basta o não cumprimento da obrigação acessória dentro prazo, independentemente de aspectos como falta de profissional especializado, desconhecimento ou não entendimento da legislação, problemas particulares (inclusive com equipamentos de informática e provedor de internet) ou de condição financeira, dano ao erário, culpa ou dolo do sujeito passivo. Notese que quando o contribuinte deixa para cumprir sua obrigação ao final do prazo estipulado, assume o risco de incorrer em problemas particulares que culminam com o não cumprimento de sua obrigação tempestivamente. Portanto, como no presente caso é incontroverso o atraso no cumprimento da obrigação acessória e não há dúvida quanto à interpretação da legislação tributária, correta a exigência da multa legalmente estabelecida." O entendimento do Conselho Administrativo e Recursos Fiscais CARF é no sentido de ser devida a multa pelo atraso na entrega do DACON. Em tal direção, temse os seguintes julgados: "ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2010 DACON. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. CABIMENTO. Irreparável lançamento que exige multa pelo atraso na entrega do Dacon quando se comprova que o contribuinte estava a ela obrigada e que ele foi entregue intempestivamente, em especial se, em sede de Recurso, não há apresentação e qualquer prova em sentido contrário." (Processo nº 16327.002626/200369; Acórdão nº 3802003.388; Relator Conselheiro Bruno Maurício Macedo Curi; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2010 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 13811.725509/201216 Acórdão n.º 3201003.976 S3C2T1 Fl. 6 5 ANÁLISE CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2 Ao CARF incumbe a análise em conformidade com a legislação vigente, sendolhe defeso afastar a aplicação da norma ao caso concreto em face de alegada inconstitucionalidade de lei ou decreto (Súmula Carf nº 2). ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2010 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DEMONSTRATIVO DE APURAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS DACON O cumprimento da obrigação acessória fora dos prazos previstos na legislação tributária, sujeita o infrator à aplicação das penalidades legais. Recurso Voluntário Negado." (Processo nº 10242.000337/201016; Acórdão nº 3302002.666; Relatora Conselheira Maria da Conceição Arnaldo Jacó; Sessão de 24/07/2014) "ASSUNTO: MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DO DACON. Exercício: 2008 Estando o contribuinte obrigado a apresentar o Dacon, a sua entrega fora do prazo enseja a aplicação da multa por descumprimento de obrigação acessória." (Processo nº 13227.000945/200884; Acórdão nº 3202001.224; Relator Conselheiro Luiz Eduardo Garrossino Barbieri; Sessão de 29/05/2013) Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário interposto. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 81DF CARF MF
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Numero do processo: 18470.729139/2014-71
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2013
DCTF. ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE.
Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49.
A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicar-se o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso.
Numero da decisão: 1002-000.226
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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ATRASO NA ENTREGA. APLICAÇÃO DA PENALIDADE. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº. 49. A denúncia espontânea não afasta a aplicação da multa por atraso no cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Aplicação da Súmula CARF nº 49. Assim, impossível aplicarse o benefício previsto no art. 138 do CTN no caso de multa por entrega de DCTF em atraso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 47 0. 72 91 39 /2 01 4- 71 Fl. 76DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes Relatório Tratase de Recurso Voluntário (efls. 29 e 30) interposto contra o Acórdão n° 1458.017, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (efls. 20 à 22), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada nos seguintes termos: Tratase de analisar lançamento referente à multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao mês de junho do anocalendário de 2013. A impugnante alega que teria ocorrido denúncia espontânea da infração, nos termos do CTN, art. 138, portanto a multa seria inaplicável. (...) O nãocumprimento de uma obrigação acessória convertea em principal relativamente à penalidade pecuniária., e a multa pelo atraso na entrega está contida na legislação tributária como sanção pelo inadimplemento tributário, aplicada pela inobservância dos deveres acessórios. Não se pode admitir a alegação de ter havido a denúncia espontânea, pois a entrega se deu fora do prazo legal, sendo a multa fixada em lei e indenizatória da impontualidade, ou seja, constitui uma sanção punitiva da negligência. Dessa forma, com fulcro no retrocitado art. 113, tornase aplicável a penalidade pelo nãocumprimento da obrigação acessória de apresentação de DCTF, lançada de acordo com o dispositivo legal descrito no auto de infração/notificação de lançamento. Interpretandose sistematicamente os dispositivos do CTN, tem se que o art. 138 não se desfez da multa por atraso no cumprimento de obrigação acessória. (...) Esclareçase que o entendimento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) a respeito da matéria é o mesmo, já tendo sido, inclusive, objeto de Súmula, que transcrevo: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Assim, não assiste razão à impugnante quando afirma que a legislação citada no auto de infração estaria ferindo o CTN. Fl. 77DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.297 3 Dessa forma voto por julgar IMPROCEDENTE A IMPUGNAÇÃO, mantendo o crédito tributário exigido. Os argumentos apresentados na Impugnação são reiterados em sede de Recurso Voluntário, de modo que pretende a Contribuinte o reconhecimento da denúncia espontânea. É o Relatório. Voto Conselheiro Breno do Carmo Moreira Relator .O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, a alegada Preliminar é, em verdade, apresentação de matéria fática, utilizada na fundamentação do pedido da Recorrente. Por isso, deve ser rejeitada, e seu teor avaliado no conjunto da exposição jurídica da peça defensiva. Ab initio, quanto à obrigação de apresentar a Declaração em comento a tempo e modo, a Recorrente não demonstrou de modo objetivo fato impeditivo, modificativo ou extintivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. Por seu turno, o art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24 de abril de 2002, com a redação vigente na época da infração, estabelece a obrigação de entrega da DCTF, sob pena de aplicação de multa, ao enunciar que: Art. 7.º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) (...) § 1.º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. (Redação dada pela Lei n.º 11.051, de 2004) Constróise, a partir do texto acima transcrito, a norma jurídica instituidora do dever instrumental de entregar declaração, a instituidora da regramatriz sancionadora da violação deste dever instrumental e a instituidora da regramatriz da lavratura da autuação. Estas, em conjunto, atuando sistemicamente, regulam, de modo objetivo e transpessoal, as Fl. 78DF CARF MF 4 condutas intersubjetivas, via modal deôntico obrigatório, no sentido de que, uma vez descumprida a obrigação de dar/entregar, a qual estava obrigado a contribuinte, impõese a autoridade lançadora o dever de constituir a relação jurídica que impõe a obrigação de pagar a multa. Se havia o dever jurídico de adimplir a obrigação de entregar a DCTF, no prazo estabelecido, descumprido o comando normativo, surge para a administração tributária o direito subjetivo de exigir o adimplemento da multa, sendo, em verdade, o agente competente obrigado a proceder com o lançamento, sob pena de violar a norma enunciada no parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN). Somese a isto o fato de que a análise deve seguir o critério objetivo, não sendo necessário perquirir sobre a existência de eventuais prejuízos pela não entrega da declaração. A sanção quedase alheia à vontade da Contribuinte ou ao eventual prejuízo derivado da inobservância das regras de cumprimento do dever instrumental. A responsabilidade no campo tributário independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, conforme estabelece expressamente o art. 136 do CTN. Destaco, outrossim, que a própria natureza da obrigação acessória representa um viés autônomo do tributo. Nessa trilha, quando se descumpre a indigitada obrigação, exsurge a possibilidade da constituição de um direito autônomo à cobrança, pois pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal, relativamente à penalidade pecuniária (art. 113, § 3°, do CTN). Isto porque, o art. 113 do CTN ao enunciar que “a obrigação tributária é principal ou acessória” estabeleceu que, para fins de cobrança, o direito de exigir o pagamento de tributo ou o direito de exigir o adimplemento em pecúnia do valor equivalente a multa imposta por descumprimento de dever instrumental devem ser tratados de igual maneira para todos os fins de exigibilidade. A importância do cumprimento do dever instrumental devese à necessidade de transportar para o mundo jurídico, via linguagem competente, elementos enriquecedores para que seja possível a instauração da pretensão tributária, principalmente facilitando o estabelecimento de “fatos jurídicos”, após o relato dos eventos em linguagem competente. Aliás, este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), analisando caso semelhante, já decidiu no mesmo sentido. Peço vênia para transcrever a ementa, verbo ad verbum: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2001 DCTF. ENTREGA EXTEMPORÂNEA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. MULTA PECUNIÁRIA. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia infração de natureza tributária, e sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte Fl. 79DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.298 5 desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo. (...) ÔNUS DA PROVA. Para elidir o fato constitutivo do direito do fisco, incumbe ao sujeito passivo o ônus probatório da existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo. (CARF, Recurso Voluntário, Acórdão 1802001.539 2ª Turma Especial, Rel. Conselheiro Nelso Kichel, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 06/02/2013) Valhome aqui, de igual modo, dos precedentes desta Colenda 2.ª Turma Extraordinária, desta Primeira Seção de Julgamentos do CARF, que nos Acórdãos ns. 1002 000.006, 1002000.009, 1002000.010, 1002000.012, 1002000.016, 1002000.075, 1002 000.077, 1002000.078, 1002000.079, 1002000.080, 1002000.081, 1002000.083, 1002 000.090, 1002000.091 e 1002000.104, dentre outros, seguiram a tese de que a entrega extemporânea da DCTF enseja a aplicação de multa. Nessa trilha, em relação ao instituto da denúncia espontânea suscitado no Recurso Voluntário, fazse mister ressaltar que tal matéria também é respaldada por entendimento sumulado do CARF: Súmula CARF nº 49: A denúncia espontânea (art. 138 do Código Tributário Nacional) não alcança a penalidade decorrente do atraso na entrega de declaração. Demais disto, observo que o Superior Tribunal de Justiça (STJ) possui precedente acerca da legalidade da exigibilidade da multa por descumprimento do dever instrumental de entregar declaração, vejase: TRIBUTÁRIO. MULTA PELO DESCUMPRIMENTO DA OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE ENTREGA DE DCTF. ARTIGO 11, §§ 1º e 3º, DO DECRETOLEI 1.968/82 (REDAÇÃO DADA PELO DECRETOLEI 2.065/83). 1. A multa pelo descumprimento do dever instrumental de entrega de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF regese pelo disposto no § 3º, do artigo 11, do DecretoLei 1.968/82 (redação dada pelo DecretoLei 2.065/83), verbis: "Art. 11. A pessoa física ou jurídica é obrigada a informar à Secretaria da Receita Federal os rendimentos que, por si ou como representante de terceiros, pagar ou creditar no ano anterior, bem como o Imposto de Renda que tenha retido. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 1º A informação deve ser prestada nos prazos fixados e em formulário padronizado aprovado pela Secretaria da Receita Federal. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 2º Será aplicada multa de valor equivalente ao de uma OTRN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas nos formulários entregues em cada período determinado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 3º Se o formulário padronizado (§ 1º) for apresentado após o período determinado, será aplicada multa de 10 ORTN, ao mês Fl. 80DF CARF MF 6 calendário ou fração, independentemente da sanção prevista no parágrafo anterior. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983). § 4º Apresentado o formulário, ou a informação, fora de prazo, mas antes de qualquer procedimento ex officio, ou se, após a intimação, houver a apresentação dentro do prazo nesta fixado, as multas cabíveis serão reduzidas à metade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.065, de 1983)." 2. Deveras, o artigo 11, do DecretoLei 1.968/82, instituiu o dever instrumental do contribuinte (pessoa física ou jurídica) da entrega de informações, à Secretaria da Receita Federal, sobre os rendimentos pagos ou creditados no ano anterior e o imposto de renda porventura retido (caput). 3. As aludidas informações são prestadas por meio de formulário padronizado, sendo certo que a Instrução Normativa SRF nº 126/1998 instituiu a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF a ser apresentada pelas pessoas jurídicas. 4. O inadimplemento da obrigação de entrega da DCTF, no prazo estipulado, importa na aplicação de multa de 10 ORTN's (§ 3º, do artigo 11, do DL 1.968/82), independentemente da sanção prevista no § 2º (multa de 1 ORTN para cada grupo de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas em cada DCTF). 5. Conseqüentemente, revelase escorreita a penalidade aplicada para cada declaração apresentada extemporaneamente. 6. Recurso especial desprovido. (REsp 1081395/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 02/06/2009, DJe 06/08/2009) Pela oportunidade, destaco que a Doutrina se posiciona no seguinte sentido acerca das infrações às normas instrumentais enunciadas na legislação, chegando a apontar a sua importância para a sistemática da administração tributária: Professor Paulo de Barros Carvalho1: O antecedente da regra sancionatória descreve fato ilícito qualificado pelo descumprimento de um dever estipulado no consequente da regramatriz de incidência. É a nãoprestação do objeto da relação jurídica. Essa conduta é tida como antijurídica, por transgredir o mandamento prescrito, e recebe um nome de ilícito ou infração tributária. Atrelada ao antecedente ou suposto da norma sancionadora está a relação deôntica, vinculando, abstratamente, o autor da conduta ilícita ao titular do direito violado. No caso das penalidades pecuniárias ou multas fiscais, o liame também é de natureza obrigacional, uma vez que tem substrato econômico, denomina se relação jurídica sancionatória e o pagamento da quantia estabelecida é promovida a título de sanção. Professor Sacha Calmon Navarro2: Podemos, então, sem medo de errar, afirmar que a infração fiscal configurase pelo simples descumprimento dos deveres 1 CARVALHO, Paulo de Barros Curso de Direito Tributário, São Paulo: Saraiva, 1999, p. 465 e 466. 2 COÊLHO, Sacha Calmon Navarro. Teoria e prática das multas tributárias. 2ª ed. Rio de Janeiro, Forense. 2001, p.29. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 18470.729139/201471 Acórdão n.º 1002000.226 S1C0T2 Fl. 1.299 7 tributários de dar, fazer e não fazer, previstos na legislação. Esta a sua característica básica. (...) É preciso ver que a sanção, em Direito Tributário, cumpre relevante papel educativo. Noutras palavras, provoca na comunidade dos obrigados a necessidade de inteirarse dos deveres e direitos defluentes da lei fiscal, certo que o erro ou a ignorância possuem total desvalia como excludente de responsabilidade, ... Ademais, entendo que o dever instrumental é necessário ao controle das atividades estatais de arrecadação no livre mercado, perfectibilizando as exigências das leis tributárias, sendo o direito aplicado de igual modo para todos. A multa nasce a partir de uma conduta contrária à legislação tributária, conduta esta que pode ser evitada com uma boa governança tributária. Logo, é possível ficar livre da sanção fiscal, caso se opte por seguir o caminho regulamentar, dirigindo sua atuação conforme a disciplina normativa correta e atuando com o dever de ofício que lhe impõe a lei. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ. Conclusão Com tudo o que foi exposto nos tópicos anteriores, resta claro que os argumentos esposados pela Recorrente não merecem ser acolhidos. Portanto, VOTO pelo NÃO PROVIMENTO do Recurso Voluntário, com a consequente manutenção da decisão de origem. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.007788/2008-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1301-000.604
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Relatório
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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ME Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Roberto Silva Junior e Carlos Augusto Daniel Neto que votaram por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 07 78 8/ 20 08 -5 7 Fl. 470DF CARF MF Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 471 ___________ J N TRANSPORTE RODOVIÁRIO LTDA. ME recorre a este Conselho, com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 0721.593 proferido pela 3ª Turma da Delegacia de Julgamento em Florianópolis que julgou, por unanimidade de votos, improcedentes as impugnações e a manifestação de inconformidade apresentadas contra os autos de infração e a exclusão de ofício do Simples. Por bem refletir o litígio até aquela fase processual, reproduzo o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Por meio dos Autos de Infração, às folhas 239 a 298, foram exigidas da contribuinte acima qualificada as importâncias abaixo indicadas, acrescidas de juros de mora e multa de oficio de 75%: As exigências referemse a fatos geradores ocorridos no ano calendário de 2005. Do relato da fiscalização No “Termo de Verificação Fiscal” TVF (f. 294 a 298), a fiscalização revela o seguinte: 1 DA CONTRIBUINTE A contribuinte em questão e' urna empresa cadastrada sob o CNAE 4930202 e que explora a ramo de transporte de cargas, constituída em 21/01/1987, conforme Contrato Social e alterações (fls. 26/34 ). O Capital Social de RS 20.000,00, segundo a 10" alteração contratual, está dividido de acordo com o seguinte quadro societário: Marcelo Koch Mendes, CPF 912.648.04920....,... ......95,5% Elen Koch Mendes, CPF 036.925.62985...... .......4,5% Possui atualmente 2 (duas) filiais. Realizou em 01/01/2001 a opção pela sistemática do SIMPLES, e vem apresentando, desde então, suas declarações segundo esse formato (fls. 04). Apresentou declaração do SIMPLES referente ao anocalendário de 2005 com receitas compatíveis com a sistemática daquela forma de tributação (fls. 06/23), muito embora o desenrolar da auditoria venha a demonstrar que tais valores estão aquém da realidade financeira e comercial da empresa, como veremos a seguir. Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 472 3 (...) 3 DA AÇÃO FISCAL Em atendimento ao Termo de Inicio de Ação Fiscal, a empresa, em 10/07/2008, apresentou procuração nomeando o Sr. Vicente Lisboa Capella como seu representante perante a presente ação fiscal (fls. 37/38). Nessa mesma oportunidade foi disponibilizada parte dos documentos solicitados (fls. 24/38). Em virtude da demora em atendimento pleito ao solicitado mediante o Termo de Inicio de Fiscalização foi emitido, em 13/08/2008, o Termo de Intimação Fiscal 001 (fls. 40). Através da correspondência datada de 18/08/2008 (fls. 46/47) a empresa encaminhou o livro CAIXA referente ao ano sob fiscalização. Nessa mesma oportunidade a contribuinte expressa seu entendimento de que a empresa, por estar protegida pelo sigilo bancário, não forneceria cópias dos extratos bancários. Nessa ocasião, tendo por base a falta de disponibilização dos extratos bancários, foram encaminhados às instituições financeiras nas quais a empresa mantinha contas bancárias, Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira, solicitando a apresentação por aquelas das cópias dos referidos extratos (fls.48/52). Com a disponibilização dos extratos bancários pelas instituições financeiras (fls.53/174), foi elaborado o Termo de Intimação Fiscal 002. de 13/10/2008 (fls.175/184), mediante o qual solicitase a empresa que esclareça a origem dos recursos que ingressaram em suas contas correntes, uma vez que representam volume de recurso muito superiores as suas receitas declaradas. A contribuinte, através da correspondência de 07/10/2008, encaminha planilhas com informações acerca de parte dos valores listados nos anexos do Termo de Intimação Fiscal 002 (fls. 189/229). A partir dos esclarecimentos prestados, foram elaboradas relações consolidadas mediante o expurgo dos valores justificados e da totalização mensal dos valores remanescentes (fls. 230/237). 4 DA OMISSÃO DE RECEITAS Diante de todo o exposto. temos que a diferença entre os valores efetivamente ingressados em suas contas correntes, oriundos de serviços de transportes efetivamente prestados. e àqueles declarados a Receita Federal do Brasil, representa receitas omitidas, conforme preconiza a legislação Decreto n” 3. 000/99 (RIR): “Art. 287. Caracterizamse também como omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei n”9.430, de 1996, art. 42). Fl. 472DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 473 4 (...) 5 DA EXCLUSÃO DO SIMPLES A partir da constatação de que a receita auferida pela empresa., mediante os fatos detalhados nos itens anteriores, no anocalendário de 2005, conforme demonstrativo (fls. 237), ultrapassou o limite legal permitido para o enquadramento na sistemática do SIMPLES. formalizouse, em 13/11/2008, Representação Fiscal solicitando à autoridade competente que a mesma fosse excluída do SIMPLES a partir de 01/01/2006 (fls. 01/02). Através do Ato Declaratório Executivo DRFB/FNS n” 65, de 14/11/2008 (fls. 238) a empresa foi formalmente excluída do SIMPLES, devendo, a partir de 01/01/2006, submeterse a outra forma de tributação de seus lucros e de recolhimento de tributos e contribuições federais. 6 DA SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA Durante o procedimento de auditoria obtevese a informação de que o real gestor dos negócios da empresa seria o Sr. Norberto Koch Mendes. A análise das procurações encaminhadas pelas instituições bancárias (fls. 54/57 e 143/146) confirma que os sócios da empresa delegam plenos poderes ao Sr. Norberto Koch Mendes, CPF 551.485.30987, para administração financeira dos negócios da empresa. Sendo assim, foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária, anexo ao presente Termo, onde são narrados os fatos que conduziram ao entendimento de que o Sr. Norberto Koch Mendes era pessoa interessada nos atos negociais da empresa, e. era quem praticava esses atos negocíais em nome da fiscalizada, embora seu nome não constasse de seu quadro societário. Diante do exposto no Termo de Sujeição Passiva Solidária, restou caracterizada a sujeição passiva solidária do Sr. Norberto Koch Mendes, nos termos do artigo 124 da Lei n° 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). 7 DA REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS De acordo com o estabelecido nos artigos 1° e 2º da Lei n” 8.137/90, que define os crimes contra a Ordem Tributária, e com base na obrigação funcional de Servidor Público Federal, constituise, em junção do ilícito descrito no presente item, Representação Fiscal, através do processo administrativo 11516. 007789/200800. Este ficará apenso ao processo n” 11516. 007788/2008 57 até que ocorra o seu desfecho no esfera administrativa. À f. 238, consta o Ato Declaratório Executivo DRF/FNS n° 65, de 14 de novembro de 2008, em que a autoridade competente declara a empresa excluída do Simples a partir de 1° de janeiro de 2006, em razão da apuração de excesso de receita bruta no ano de 2005. Da impugnação e da manifestação de inconformidade Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 474 5 Intimada da autuação em 05/12/2008, a empresa autuada apresentou a impugnação e manifestação de inconformidade de f. 305 a 335, em 05/01/2009, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da quebra do sigilo bancário ao arrepio da Constituição A Constituição exige para a quebra do sigilo bancário ordem judicial, nos termos do art. 5°, incisos X e XI. Assim, os procedimentos efetuados pela autoridade fiscal no sentido de obter os extratos bancários diretamente com as instituições financeiras esbarra nos referidos limites. Da ausência de ato ou formalidade essencial descumprimento do art. 4°, parágrafo 5°. do Decreto n° 3.724/2001 O Decreto n° 3.724/2001, no art. 4°, parágrafo 5°, prevê a necessidade do “relatório circunstanciado” que será elaborado pelo AuditorFiscal para embasar a expedição da Requisição de Informações sobre a Movimentação Financeira; A fiscalização não observou o requisito 'previsto para a requisição do RMF. Não existindo o referido “relatório circunstanciado”, pressuposto para expedição do O RMF, não foram preenchidas as exigências que dão suporte à utilização das informações bancárias para justificar o auto de infração, ferindo o parágrafo único, do art. 142 do CTN; Ora, nesse relatório deveria constar a justificativa para o acesso do fisco aos dados bancários do contribuinte (fundamento fático), bem como a indicação do embasamento legal do requerimento (fundamento legal). Ao cidadão não poderá ser negado o direito de controlar a legalidade dos atos administrativos que lhe afetam diretamente. Portanto, não há como afastar a necessidade da presença do relatório nos autos do processo administrativo, sob pena de cerceamento de defesa. É este o entendimento do Auditorfiscal da Receita Federal, Dr. Mauro Silva, emitido em artigo publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, cuja cópia integral segue anexa; Sobre a ausência de relatório circunstanciado que justifique a expedição do RMF, já decidiu a 1” Câmara do 1° Conselho de Contribuintes no acórdão n° 10196.355, julgado em 17/10/2007, por unanimidade de votos: PRELIMINAR REQUISIÇÃO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA A AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO PREVIA AO CONTRIBUINTE PARA COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS RECURSOS E DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO NULIDADE DA PROVA é requisito fundamental para a emissão de Requisição de Movimentação Financeira RMF a negativo de entrega dos documentos pela pessoa jurídica regularmente intimada para tanto, bem como o relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. com a motivação da proposta de expedição da RMF. que demonstre. com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade das informações requeridas. Tendo o sujeito passivo entregue parte dos extratos bancários, caberia a sua re Fl. 474DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 475 6 intimação para a apresentação dos documentos faltantes. A ausência a essa reintimação é que configuraria a recusa necessária para a emissão do RMF. Da ausência de demonstração dos requisitos fundamentação fática e legal do ato administrativo (motivação) ~ para expedição do RMF Todas as requisições de informações às instituições financeiras foram baseadas na Lei Complementar n° 105/2001; Para a quebra do sigilo bancário sem manifestação do Judiciário foram impostas condições objetivas para minimizar a invasão de privacidade. Tais requisitos estão dispostos de forma clara no Decreto n° 3724/2001, publicado no mesmo dia da Lei Complementar n° 105/2001; Somente se a situação do contribuinte sob fiscalização enquadrarse em uma das hipóteses previstas no art. 3° do Decreto n° 3724/2001, seria possível a quebra do sigilo bancário; O cotejo do fundamento fático e do fundamento legal deveria constar do “relatório circunstanciado”, nos termos do art. 4°, § 6°, do Decreto n° 3.724/2001. Entretanto, conforme já relatado, não faz pane do presente processo o referido documento o que limita em muito a defesa do contribuinte. Deste modo, deve ser invalidada a expedição do RMF sem apresentação das justificativas cabíveis ao ato vinculado. Da ausência de forma do ato determinada pela Portaria SRF n° 180. de 01/02/2001 anexo I. A Portaria SRF n° 180/2001 estabelece a necessidade de um documento (forma exigida) prévio à expedição do RMF, nos termos do parágrafo 1° do art. 5°, in verbis: Art. 5º 1ncumbe ao AuditorFiscal da Receita Federal (AFRF). responsável pela execução do procedimento de fiscalização em curso, solicitar a expedição da RMF. § 1° A solicitação de que trata este artigo será apresentada conforme modelo constante do Anexo 1 e conterá. obrigatoriamente: 1 a identificação: a) do sujeito passivo submetido a procedimento de /iscalização; b) do MPF F a que se vincular e da respectiva data de expedição; c) da hipótese de indispensabilidade, que motivou a expedição da RMF;d) da instituição financeira, ou equiparado, destinatário da RMF, bem assim das informações requisitadas, forma de apresentação e prazo para atendimento; ll relatório circunstanciado contendo, no mínimo: a) descrição, com precisão e clareza, dos fatos que motivaram 0 enquadramento na hipótese de indispensabilidade; b) demonstração da razoabilidade da solicitação; Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 476 7 c) identificação das intimações efetuadas ao sujeito passivo, para fins de obtenção das informações sobre movimentação financeira, bem assim, se for o caso, dos correspondentes atendimentos: III nome e matricula do AFRF responsável pela execução do MPF F; IV aprovação do Chefe de Equipe de Fiscalização ou da chefia imediata. A Portaria trouxe no anexo I 0 modelo a ser seguido para que, somente depois, fosse expedido o RMF. Ausente tal . documento no formato definido, restou descumprida determinação legal as quais estão vinculados tanto o agente fiscal (CTN, art. 142, § único), como a cobrança do tributo (CTN, art. 3°). Do excesso de tributação Conforme se denota da planilha de folha 237, a fiscalização fixou os seguintes critérios para a apuração do montante do tributo no ano de 2005: equiparação dos ingressos à receita total; dedução do valor já oferecido a tributação; e, apuração do saldo objeto do presente lançamento; Ao analisar a planilha de folha 237, parcialmente transcrita em seguida, e' possível identificar os diversos critérios mencionados. Apesar de a fiscalização ter utilizado os ingressos nas contas correntes como receita total para 10 (dez) meses, esta conduta foi alterada para os meses de julho e agosto, conforme segue: O levantamento fiscal não possui coerência. Assim, para continuidade da exigência e sob pena de nulidade da totalidade do lançamento, deve ser deduzido da base de cálculo apurada pela fiscalização os montantes oferecidos à tributação nos meses de julho e agosto de 2005 (R$ 40.108,52 e R$ 36.417,33). Semelhanças entre a presunção do art. 42 da Lei n° 9.430/9 e o saldo credor de caixa forma de apuração da omissão Fl. 476DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 477 8 O art. 42 pode, para fins de forma de apuração do montante omitido, ser equiparado à figura do saldo credor de caixa na pessoa juridica. A presunção que fundamentou o presente processo parte da premissa de que o contribuinte possui, para aplicação, as receitas declaradas. Caso o valor da movimentação bancária supere as receitas, presumese haver omissão; O caso do saldo credor é análogo. A empresa possui o valor em caixa constante na contabilidade e, se aplicar/pagar/transferir montante superior, presumese a existência de omissão de receita; Entretanto, havendo saldo credor em vários meses não se pode imputar a omissão de receita a cada estouro do caixa, pois este será recorrente no ano. Em todo o momento que houver uma entrada no caixa e o saldo voltar a ser devedor, um pagamento posterior implicará, novamente, no estouro de caixa, sem que haja uma nova receita omitida; Nesta situação, a esfera administrativa tem entendido por tributar o maior saldo credor no ano e desconsiderar os demais estouros, evitando assim a tributação; No presente caso, de acordo com as conclusões da fiscalização, o contribuinte não teria oferecido à tributação o valor de R$ 553.584,73 (f. 237) no mês de dez/05, sendo que nos demais meses houve apenas a circulação de pane deste mesmo montante; Assim, a tributação deve ser limitada à quantia movimentada no mês de dezembro de 2005, visto que é a maior do ano, sendo o restante das entradas decorrência destes montantes. Do aproveitamento dos rendimentos tidos como omitidos como origem das movimentações dos meses seguintes Alternativamente ao debatido no item anterior, o valor tributado no mês de janeiro deve servir para justificar a movimentação do mês seguinte e assim sucessivamente. Caso contrario estarseia afastando a justificativa baseada nos levantamento do próprio fiscal. Também é este o entendimento da 4” Câmara do l° Conselho de Contribuintes nos acórdãos n°s 10,419.454 e l0419.482, cuja ementa segue transcrita: IRPF DEPÓSITOS BANCÁRIOS LE1N", 9.430. DE 1996 COMPROVAÇÃO Estando as Pessoas Físicas desabrigados de escrituração. os recursos com origem comprovada bem como outros rendimentos já tributados, inclusive àqueles objetos da mesma acusação, servem para justificar os valores depositados posteriormente em contas bancárias, independentemente de coincidência de datas e valores. Assim, não tendo sido demonstrado pela fiscalização que os valores considerados como omissão de receita foram consumidos, estes devem servir de origem para as movimentações ocorridas nos meses seguintes, como tem decidido o Conselho de Contribuintes. Da obrigatória suspensão dos efeitos da exclusão de oficio do Simples Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 478 9 A exclusão de oficio do Simples, baseada em apuração de excesso de receita bruta, a qual está consubstanciada em presunção de omissão de receitas, cujo lançamento fiscal está sendo discutido administrativamente, deve aguardar a constituição definitiva dos créditos tributários correspondentes; Em função da intrínseca relação de dependência do presente lançamento com as questões atinentes à exclusão do Simples, o Ato Declaratório de exclusão deverá ter seus efeitos suspensos, ou alternativamente, ter sua análise obstada até o julgamento final das questões prejudiciais ao mérito. Da responsabilidade passiva solidária O “Termo de Sujeição Passiva Solidária” pretende equiparar 0 procurador da empresa, Sr. Norberto Koch Mendes, ao responsável solidário pelo crédito tributário constituído no presente processo, nos termos do art. 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o falo gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Sem indicar em qual dos dois incisos do artigo citado a fiscalização simplesmente decreta a “sujeição passiva tributária”. A simples ausência da fundamentação, tanto fática como de direito, já implica na nulidade de tal ato administrativo; Apesar do afirmado, não há nos autos qualquer comprovação da ciência do pretenso responsável tributário. Tal conhecimento é imprescindível para a validade da responsabilização e para facultar a ampla defesa ao “penalizado”; Assim, deve ser afastada a responsabilidade em virtude da inexistência de comprovação da ciência do responsável acerca do lançamento, como exige o art. 145 do CTN. Da ilegalidade de inserção dos juros previstos na Lei n° 8.981/95 e da taxa Selic Devido à falta de lei tributária (lei complementar) que crie e delimite a aplicação da taxa Selic para correção de créditos tributários, ferindo o disposto no art. 150, l, da Constituição Federal de 1988, configurandose numa majoração ilegal dos tributos, deve ser recalculado conforme preceitua o art; 161, § 1°, do Código Tributário Nacional, num patamar de 12% por ano. Da diligência para ciência do sujeito passivo solidário Por conta da ausência de comprovação da ciência do sujeito passivo solidário, o processo foi encaminhado em diligência por esta Turma de Fl. 478DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 479 10 Julgamento (f. 347), a repartição de origem, para que o interessado fosse devidamente cientificado do Termo de Sujeição Passiva Solidária e demais peças do processo e pudesse apresentar sua impugnação, no prazo legal. Da impugnação do responsabilizado solidariamente Devidamente cientificado em 18/08/2010 (f. 349), 0 interessado Norberto Koch Mendes apresentou, em 15/09/2010, impugnação ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, na qual apresenta, em síntese, os seguintes argumentos: Da impossibilidade da autoridade julgadora suprir atos privativos da autoridade lançadora A constituição do crédito tributário é tarefa da autoridade lançadora; O Conselho de Contribuintes tem anulado acórdãos da 1ª Instância quando se depara com invasão de competência para lançamento fiscal, restrita aos Auditores Fiscais da Receita Federal, como se pode observar na seguinte ementa: IRPJ e CSLL Exs: 1994 e 1995 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. AGRAVAMENTO DA EXIGÊNCIA. INOVAÇÃO NOS FUNDAMENTOS DA AUTUAÇÃO EM DECISÃO DE DELEGADO DE JULGAMENTO. LANÇAMENTO REALIZADO POR AUTORIDADE INCOMPETENTE. NULIDADE Nulo é o agravamento da exigência. promovido em decisão de primeiro grau mediante inovação nos fundamentos da autuação. porque falece competência do Delegado de Julgamento para lavratura do ata. O Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF n° 30/2005, não prevê a conclusão da atividade de lançamento fiscal. Do decurso do prazo MPF Após expirado o prazo de validade do mandado, isto é, após cessada a competência dos fiscais para atuarem em nome da Receita, ocorreram atos típicos da fiscalização, dentre eles a constituição do credito tributário que se perfectibiliza com a ciência do sujeito passivo. Assim, não poderia ter sido dada continuidade à fiscalização posto que é um ato administrativo vinculado, isto é, deve observar estritamente o previsto na legislação, emitindose um novo MPF. Da decadência em relação ao período de janeiro a agosto de 2005 Sendo necessária a constituição do crédito contra o responsável, aplicase a este o limite temporal denominado decadência. No caso em tela, o art. 150, parágrafo 1° estabelece o marco de cinco anos contados da ocorrência do fato gerador para o lançamento. Tal prazo foi extrapolado em relação aos fatos geradores ocorridos antes de' 18/08/2005, vez que a ciência do sujeito passivo deuse em 18/08/2010 (Í1. 349). Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 480 11 Da inexistência de interesse comum nos fatos geradores inexistência de sujeição passiva solidária A ausência de indicação expressa do fundamento legal no qual se embasa o ato administrativo é razão suficiente para sua nulidade. Contudo, tomando 'o contexto geral das vagas afirmações transcritas acima, passase a analisar a situação sob o enfoque do inciso I, do art. 124 do CTN, que prevê a responsabilidade solidária entre pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Mesmo porque para a aplicação do inciso II,, seria necessário designar a lei específica; O “interesse comum” vem sendo tratado pela doutrina especializada como a atuação conjunta dos sujeitos passivos na realização de um único fato gerador. Ensina Leandro Paulsen: Referese à hipótese de, eg., duas pessoas serem coproprietários de um imóvel rural. Responderão solidariamente pelo total do ITR respectivo. Ou seja, o raciocínio vale para quando mais de uma pessoa pode ser enquadrada como contribuinte pela ocorrência de uma situação de fato comum a ambas. O Sr. Norberto Koch Mendes e' procurador da empresa. Os poderes a ele outorgados pelo sóciogerente, Sr. Marcelo Koch Mendes, seu irmão, com a concordância da outra sócia, Sra. Elen Koch Mendes, sua mãe. As referidas procurações não retiram os poderes contratuais dos sócios, que, como se pode verificar nos próprios autos administrativos, praticam regularmente atos em nome da sociedade: ciência do Tenno de Início de Fiscalização (f. 03), outorga de procuração (f. 37 e 299), solicitações às instituições financeiras (f. 40, 41, 42, 43, 44 e 45) e etc.; A existência de pessoa alheia ao quadro societário nao é novidade no mundo empresarial e tampouco fere a lei ou o contrato social. Do mesmo modo, a capacidade de gestão não torna o administrador responsável solidário pelos débitos da pessoa jurídica. Se assim fosse, todos os sóciosgerentes estariam, automaticamente, sujeitos ao Termo de Sujeição Passiva Solidária, quando da lavratura de auto de infração contra suas empresas. Para a caracterização da solidariedade, o art. 124, inciso I, do CTN exige a demonstração de interesse comum no fato gerador, o que não decorre da simples competência de gestão da empresa; Responsabilidade, se houvesse, no caso de atuação em desacordo com o contrato social, seria aquele do artigo 135, inciso III, do CTN, de caráter subsidiário. O CTN prevê que a atuação de administradores de bens alheios em desacordo com o mandato, atrai a responsabilidade tributária pelos tributos devidos pelos representados. A diferença de situações é gritante. Enquanto o art. 124 coloca o responsável solidário como verdadeiro sujeito passivo da obrigação, por participar diretamente na realização do fato gerador, o art. 135 regula 0 caso específico de responsabilidade decorrente de abuso de poder ou omissão. Na seqüência, foi proferido o acórdão recorrido, pela 3ª Turma da DRJ/FNS, com o seguinte ementário: Fl. 480DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 481 12 ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2005 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Nesta presunção legal, os depósitos bancários sem origem comprovada são considerados de forma individualizada e independente, competindo ao contribuinte esclarecer se, eventualmente, correspondem ao mesmo recurso, ou se existe outra relação entre eles. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO DO SIMPLES. SUSPENSÃO DOS EFEITOS. HIPÓTESE. Quando as exigências de crédito tributário relativo a infrações apuradas no Simples tiverem dado origem à exclusão do sujeito passivo dessa forma de pagamento simplificada, a exclusão do Simples e o lançamento de oficio de crédito tributário dela decorrente serão objeto de um único processo administrativo. Nesta situação, o recurso eventualmente interposto contra O mérito de qualquer um destes atos tem o condão de suspender os efeitos de ambos os atos, ante o vínculo de dependência. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 SIGILO BANCÁRIO. ACESSO AS INFORMAÇÕES PELO FISCO. LEGITIMIDADE. Os agentes do fisco podem ter acesso a informações sobre a movimentação financeira dos contribuintes sem que isso se constitua violação ao sigilo bancário, eis que se trata de exceção expressamente prevista em lei. MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA. REQUISIÇÃO AS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. HIPÓTESE. As informações referentes à movimentação bancária do contribuinte, podem ser obtidas pelo fisco junto às instituições financeiras, no âmbito de procedimento de fiscalização em curso, quando ocorrer embaraço à fiscalização, caracterizado pela negativa não justificada de exibição de livros e documentos em que se assente a escrituração das atividades do sujeito passivo, bem como pelo não fornecimento de informações sobre bens, movimentação financeira, negócio ou atividade, próprios ou de terceiros, quando intimado, e demais hipóteses que autorizam a requisição do auxílio da força pública, nos termos do art. 200 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 482 13 ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA (RMF). AUSÊNCIA DO RELATÓRIO CIRCUNSTANCIADO. Constando do relatório fiscal e demais peças dos autos que a RMF foi emitida por agente competente e nas situações previstas na legislação, de forma a possibilitar ao contribuinte aferir a legalidade do procedimento administrativo, não há que se falar em nulidade do procedimento, ainda que não conste dos autos um relatório circunstanciando a hipótese que determinou a emissão da RMF. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE. CIÊNCIA DO TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA APOS O PRAZO DE VALIDADE DO MPF. Valida é a ciência do Termo de Sujeição Passiva, ainda que feita após O prazo de validade do MPF, pois este ato não se inclui dentre os procedimentos de fiscalização sujeito ao prazo previsto no MPF. ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTANCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. Assunto: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. SÓCIOGERENTE DE FATO. Comprovado que o sujeito passivo solidário atuava, de fato, como sóciogerente da empresa, na qual se apurou a prática de infração de lei (reiterada omissão de receitas), que beneficiou tanto a empresa quanto O próprio sóciogerente de fato, deve o fisco vinculálos na condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário resultante. Impugnação Improcedente e Crédito Tributário Mantido Após sua regular intimação, a empresa autuada apresenta, tempestivamente, o respectivo Recurso Voluntário, pugnando pelo seu provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o relatório. Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Compulsando os autos, entendo que os recursos ainda não se encontram em condições para julgamento. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 483 14 Sendo o presente processo embasado em extratos bancários obtidos pela fiscalização diretamente às instituições bancárias, através da denominada "Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira" (RMF), é imprescindível que os atos que envolvam sua obtenção tenham observado os ditâmes da Lei Complementar nº 105/2001 e Decreto nº 3.724/2001, sob pena dos extratos serem considerados inválidos. O Decreto nº 3.724/2001, no art. 4º, parágrafo 5º, prevê a necessidade do "relatório cicunstanciado", para embasar a expedição da referida RMF, destacandose que a autoridade responsável pela fiscalização deve demonstrar, de forma clara e precisa, a indispensabilidade do acesso às informações financeiras da pessoa fiscalizada. Eis o dispositivo: Art. 4º Poderão requisitar as informações referidas no caput do art. 2º as autoridades competentes para expedir o MPF. (...) §1º A requisição referida neste artigo será formalizada mediante documento denominado Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) e será dirigida, conforme o caso, ao: (...) §2º A RMF será precedida de intimação ao sujeito passivo para apresentação de informações sobre movimentação financeira, necessárias à execução do MPF. (...) §5º A RMF será expedida com base em relatório circunstanciado, elaborado pelo AuditorFiscal da Receita Federal encarregado da execução do MPF ou por seu chefe imediato. §6º No relatório referido no parágrafo anterior, deverá constar a motivação da proposta de expedição da RMF, que demonstre, com precisão e clareza, tratarse de situação enquadrada em hipótese de indispensabilidade prevista no artigo anterior, observado o princípio da razoabilidade. (g.n.) Não encontro nos autos este relatório, não sendo possível avalizar (ou não), pelo menos neste instante, a legalidade das emissões das RMF´s (essas sim existentes nos autos). Ou seja, os autos não foram instruídos com informações necessárias para que seja possível analisar a legalidade das emissões das RMF´s, em especial o mencionado relatório circunstanciado com o enquadramento nas hipóteses de indispensabilidade previstas no art. 3º do Decreto nº 3.724, de 2001, devendo tal providência ser sanada, nos termos deste voto. Por outro lado, ainda há uma outra providência a ser sanada: ciência do Sr. Norberto Koch Mendes da decisão recorrida, com abertura do prazo de 30 dias para eventual apresentação de recurso. De fato, em que pese ter apresentado regulamente impugnação, manifestandose tanto sobre a exigência do crédito tributário como sobre o Termo de Sujeição Passiva Solidária, seus argumentos foram rejeitados pela DRJ. Portanto, se faz necessário seja intimado da Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11516.007788/200857 Resolução nº 1301000.604 S1C3T1 Fl. 484 15 referida decisão, com a abertura do prazo de trinta dias para apresentar, se desejar, recurso voluntário a este Conselho. CONCLUSÃO Desse modo, encaminho meu voto no sentido de converter o julgamento em diligência a fim de que: a) intimar o Sr. Norberto Koch Mendes da decisão recorrida, fornecendo cópia da referida decisão, com abertura do prazo de 30 dias para eventual apresentação de recurso. b) em seguida, a unidade origem deve anexar aos autos cópia do relatório circunstanciado que embasou a emissão das RMFs. c) na seqüência, os recorrentes (empresa autuada e devedor solidário) deverão ser cientificados do resultado da diligência, fornecendose cópia dos documentos em questão e abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestemse sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Cumprido o rito determinado, retornemse os autos ao CARF para prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 484DF CARF MF
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