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Numero do processo: 13736.002858/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS.
A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.906
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (28/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: LUIZ CLAUDIO FARINA VENTRILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2004 IRPF. ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado.
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ADICIONAL POR TEMPO DE SERVIÇO. RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS. A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física (Súmula CARF nº 68). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (28/01/2015), em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Sandro Machado dos Reis, Walter Reinaldo Falcão Lima, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Luiz Claudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 6. 00 28 58 /2 00 8- 11 Fl. 37DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13736.002858/200811 Acórdão n.º 2801002.906 S2TE01 Fl. 38 2 Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o processo fiscal de lançamento, gerado após o processamento da declaração de ajuste, por omissão de rendimentos recebidos. Cientificado, o impugnante insurgiuse contra o lançamento, focando primordialmente o inciso III do art 1° da Lei 8.852/94, o qual, segundo alega, enumera hipóteses que excluiriam rendimentos do campo de incidência do imposto de renda sobre a pessoa física e, assim, a Secretaria da Receita Federal deveria rever o lançamento. Passo adiante, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento entendeu por bem julgar procedente o lançamento, em decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Exercício: 2004 OMISSÃO DE RENDIMENTOS As exclusões do conceito de remuneração, estabelecidas na Lei n° 8.852/94, não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, que requerem, pelo Princípio da Estrita Legalidade em matéria tributária, disposição legal federal específica. Lançamento Procedente Cientificada em 19/06/2009, a Recorrente, interpôs Recurso Voluntário de fls. 30/31 em 25/06/2009, reiterando os argumentos expostos quando da apresentação da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Do exame das peças processuais, constatase que o litígio cingese à discussão acerca da interpretação da Lei nº 8.852, de 04/02/1994, especialmente no tocante à tributação de valores (rendimentos) recebidos pelo interessado no anocalendário 2003, sobre os quais sustentou em sua defesa que não deveria incidir o Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF). Ocorre que, da análise da referida legislação, inferese claramente que as alíneas “a” até “r” do inciso III, do art. 1°, da Lei n° 8.852/94, tratam de exclusões do conceito Fl. 38DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 13736.002858/200811 Acórdão n.º 2801002.906 S2TE01 Fl. 39 3 de remuneração, mas não são hipóteses de isenção ou não incidência de IRPF, ou seja, não determinam sua exclusão do rendimento bruto para fins de não incidência do Imposto sobre a Renda de Pessoa Física. Assim, os rendimentos destacados pelo recorrente encontramse incluídos no rol dos rendimentos tributáveis, entre aqueles elencados no artigo 3º, § 1°, da Lei n° 7.713, de 1988. Nesse sentido, foi editada a Súmula CARF nº 68, de aplicação obrigatória no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A Lei n°. 8.852, de 1994, não outorga isenção nem enumera hipóteses de não incidência de Imposto sobre a Renda da Pessoa Física. Logo, é de se considerar acertado o lançamento em tela. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Fl. 39DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2015 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 28/01/201 5 por TANIA MARA PASCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 15553.720888/2013-44
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Dec 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 06 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Exercício: 2014
IPI. ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO.
Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por pessoas portadoras de patologia que acarreta o comprometimento da sua função física, apresentando-se sob as formas elencadas na Lei e produzindo dificuldades para o desempenho de suas funções, o que caracteriza a deficiência física, enquadrando-se nas hipóteses legais previstas para os destinatários do benefício fiscal.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-004.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. Cabe a isenção de IPI para aquisição de veículo automotor por pessoas portadoras de patologia que acarreta o comprometimento da sua função física, apresentandose sob as formas elencadas na Lei e produzindo dificuldades para o desempenho de suas funções, o que caracteriza a deficiência física, enquadrandose nas hipóteses legais previstas para os destinatários do benefício fiscal. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Ausente o Conselheiro Paulo Antonio Caliendo Velloso Da Silveira. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Cassio Schappo, Marcos Antonio Borges e Demes Brito. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 55 3. 72 08 88 /2 01 3- 44 Fl. 57DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15553.720888/201344 Acórdão n.º 3801004.752 S3TE01 Fl. 58 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que transcrevo a seguir: A pessoa física interessada em epígrafe pleiteou, na qualidade de portadora de deficiência física, a fruição da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI na aquisição de automóvel de passageiros, de fabricação nacional, prevista na Lei nº 8.989, de 24 de fevereiro de 1995. Mediante o Despacho Decisório de fls. 16/19, a Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF) em Niterói/RJ indeferiu o pedido, tendo em vista que a patologia apresentada pela requerente não a enquadra em nenhuma das hipóteses de deficiência previstas na legislação Regularmente cientificada (fl. 21), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 22/23), por meio da qual alegou que se enquadra no artigo 4º, I, pois possui deformidade que restringe o movimento do quadril esquerdo, com restrição importante da flexão e rotação interna e externa do fêmur. Acrescentou que estaria apresentando novo laudo, carimbado conforme solicitação... A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Ribeirão Preto (SP) proferiu a seguinte decisão, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Exercício: 2014 ISENÇÃO. DEFICIENTE FÍSICO. REQUISITOS. COMPROVAÇÃO DA DEFICIÊNCIA. LAUDO MÉDICO. É de se indeferir pedido de isenção de IPI na aquisição de automóvel de passageiros ou veículo de uso misto de fabricação nacional, quando o laudo de avaliação médica não informa hipótese de deficiência prescrita na legislação de regência e não atesta o comprometimento da função física dos membros. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, repisando as alegações apresentadas na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15553.720888/201344 Acórdão n.º 3801004.752 S3TE01 Fl. 59 3 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A legislação que trata da isenção pleiteada concedida às pessoas portadoras de deficiência para aquisição de veículos automotores está prevista na Lei n° 8.989/1995, que dispõe, in verbis: Art. 1o Ficam isentos do Imposto Sobre Produtos Industrializados IPI os automóveis de passageiros de fabricação nacional, equipados com motor de cilindrada não superior a dois mil centímetros cúbicos, de no mínimo quatro portas inclusive a de acesso ao bagageiro, movidos a combustíveis de origem renovável ou sistema reversível de combustão, quando adquiridos por: (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) (...) IV – pessoas portadoras de deficiência física, visual, mental severa ou profunda, ou autistas, diretamente ou por intermédio de seu representante legal; (Redação dada pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003) § 1o Para a concessão do benefício previsto no art. 1o é considerada também pessoa portadora de deficiência física aquela que apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções. (Incluído pela Lei nº 10.690, de 16.6.2003); O despacho decisório indeferiu a isenção pleiteada por não atender as hipóteses de deficiência física previstas na Lei nº 8.989/95, regulamentada pelo Decreto nº 3.298/1999. No entanto, assiste razão ao recorrente, senão vejamos. O §1º do inc IV do art. 1o da Lei nº 8.989/95 considera também como pessoa portadora de deficiência física aquela que “apresenta alteração completa ou parcial de um ou mais segmentos do corpo humano, acarretando o comprometimento da função física, apresentandose sob a forma de paraplegia, paraparesia, monoplegia, monoparesia, Fl. 59DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15553.720888/201344 Acórdão n.º 3801004.752 S3TE01 Fl. 60 4 tetraplegia, tetraparesia, triplegia, triparesia, hemiplegia, hemiparesia, amputação ou ausência de membro, paralisia cerebral, membros com deformidade congênita ou adquirida, exceto as deformidades estéticas e as que não produzam dificuldades para o desempenho de funções”. O Laudo de Avaliação de Deficiência Física e/ou Visual, à fl. 46, que se trata do Anexo IX da Instrução Normativa RFB nº 988, de 22 de dezembro de 2009, assinado por dois médicos, assinalado “deficiência física”, código da doença CID10 M95.5, M20 e M16.1; descrição detalhada da deficiência “Sequela de Necrose da Cabeça Femural Esquerda ( Epifisiolise). Limitação da Rotação Externa do Quadril Esquerdo, da Flexão e da Abdução com Condrólise com Comprometimento da Função Física”. O Anexo IX Informações Complementares, à fl. 47, igualmente assinado pela junta médica, indica que a requerente é portadora de deficiência física e que a alteração que acarreta o comprometimento da função física apresentase sob a forma de “membros inferiores e/ou superiores com deformidade congênita ou adquirida , sendo que tal deformidade NÃO É DE ORIGEM ESTÉTICA E resulta em DIFICULDADE para o desempenho das funções do MEMBRO deformado, REPRESENTANDO UMA PERDA OU ANORMALIDADE QUE GERA INCAPACIDADE (*) PARA O DESEMPENHO DE ATIVIDADE, DENTRO DO PADRÃO CONSIDERADO NORMAL PARA O SER HUMANO, ainda que de forma parcial.” E no ordenamento jurídicotributário em vigor, a isenção fiscal decorre expressamente de lei. É o que determina o art. 97, VI, do CTN, in verbis: Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Consoante a matriz jurídica citada, a isenção em análise é da espécie subjetiva, ou seja, leva em conta as condições pessoais do sujeito passivo. No caso, o legislador cuidou de elencar, taxativamente, os destinatários do benefício fiscal. Contudo, a Lei não nomina todas as patologias que podem causar deficiência física, mas sim de que forma elas podem acarretar o comprometimento da função física. Cabe ainda ao julgador a busca da verdade material, um dos princípios que regem o processo administrativo, devendose tentar alcançar a realidade dos fatos independente do alegado, aceitandose ainda a juntada posterior de provas quando não tiver caráter protelatório e for eficaz para o bom deslinde do julgamento. Os documentos assinados por médicos, que possuem a competência para tal, indicam que a patologia apresentada pela recorrente acarreta o comprometimento da sua função física, apresentandose sob as formas elencadas na Lei e produzindo dificuldades para o desempenho de suas funções, o que caracteriza a deficiência física, enquadrandose o presente caso nas hipóteses legais previstas para os destinatários do benefício fiscal. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 15553.720888/201344 Acórdão n.º 3801004.752 S3TE01 Fl. 61 5 Diante do exposto e do que consta nos autos, voto por dar provimento ao recurso voluntário. É assim que voto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 61DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/12/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 19/12/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 24/12/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16832.000829/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2006
PESSOA JURÍDICA. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO E RECEITA DECLARADA. AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO A SER ADOTADO.
1. É sabido que os depósitos bancários efetuados pelas pessoas jurídicas, em especial as de natureza comercial, em regra, estão relacionados a mais de uma transação comercial. Num único depósito pode haver cheques relacionados a inúmeras transações, inclusive vendas de forma parcelada, sem que seja possível conciliar o valor depositado com a nota fiscal emitida quando da venda. Nestes casos, correto é o procedimento da autoridade fiscal que apura o valor total dos depósitos de origem não comprovada, subtraindo do montante a receita declarada, tributando a diferença como omissão de receita, tendo por regra matriz de incidência tributária o artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda.
2. A necessidade de exclusão da base de cálculo dos valores declarados tem por finalidade evitar a tributação em face da impossibilidade de conciliar os valores dos depósitos bancários com as notas fiscais.
Recurso Voluntário Improvido.
Numero da decisão: 1402-001.888
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
LEONARDO ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO E RECEITA DECLARADA. AUTUAÇÃO FISCAL. PROCEDIMENTO A SER ADOTADO. 1. É sabido que os depósitos bancários efetuados pelas pessoas jurídicas, em especial as de natureza comercial, em regra, estão relacionados a mais de uma transação comercial. Num único depósito pode haver cheques relacionados a inúmeras transações, inclusive vendas de forma parcelada, sem que seja possível conciliar o valor depositado com a nota fiscal emitida quando da venda. Nestes casos, correto é o procedimento da autoridade fiscal que apura o valor total dos depósitos de origem não comprovada, subtraindo do montante a receita declarada, tributando a diferença como omissão de receita, tendo por regra matriz de incidência tributária o artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda. 2. A necessidade de exclusão da base de cálculo dos valores declarados tem por finalidade evitar a tributação em face da impossibilidade de conciliar os valores dos depósitos bancários com as notas fiscais. Recurso Voluntário Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, negar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 08 29 /2 00 9- 04 Fl. 395DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 13 2 (assinado digitalmente) LEONARDO ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Paulo Roberto Cortez, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Carlos Pelá e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Adoto o relatório do acórdão recorrido, em sua íntegra, o que passo a transcrever: Trata o presente processo dos autos de infração de fls. 157/207, lavrados no âmbito da Delegacia da Receita Federal de Fiscalização no Rio de Janeiro DFI/RJ, em 23/09/2009, por meio dos quais estão sendo exigidos da interessada acima identificada: o Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica – IRPJ/SIMPLES, no valor de R$ 120.334,25 (fls. 157/179); a Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/SIMPLES, no valor de R$ 88.095,26 (fls. 180/186); a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL/SIMPLES, no valor de R$ 121.441,17 (fls. 187/193); a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS/SIMPLES, no valor de R$ 356.428,52 (fls.194/200) e a Contribuição para a Seguridade Social – INSS/SIMPLES, no valor de R$ 1.029.448,63 (fls. 201/207), todos acres cidos de multa de 75% e juros de mora calculados até 31/08/2009. O valor total do crédito tributário constituído é R$ 3.568.336,47, conforme demonstrativo de fl. 02. Como parte integrante do auto de infração veio o Termo de Verificação Fiscal (fls. 154/156), onde estão detalhadas as razões da autuação, que resumese: a ação Fiscal teve seu início formalizado em 18/05/2009, quando foi a empresa em epígrafe intimada a apresentar os livros e documentos fiscais relativos às transações efetuadas no período de 01/01/2006 a 31/12/2006 (fls. 23/24); ação fiscal foi motivada em virtude da fiscalização ter constatado movimentação financeira incompatível com a receita declarada; através das informações constantes do Dossiê Integrado que acompanhava o MPF foi constatado, com base nas informações prestadas pelo Banco HSBC no ano sob exame, que a fiscalizada movimentou contas correntes com volume de depósito superior à receita declarada no anocalendário 2006; intimada através do Termo de Inicio de Fiscalização a apresentar os extratos bancários referentes às contas mantidas nas instituições constantes do Dossiê Integrado, a fiscalizada entregou os extratos solicitados (fls. 27/92); em sua resposta, recebida em 16.09.2009, a fiscalizada alega "justificar alguns depósitos efetuados em nossa conta corrente 15091400129 Agência 1509 do HSBC" e solicita “que os mesmos sejam desconsiderados do movimento bancário" (fls.145/150); Fl. 396DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 14 3 foram acatadas as "devoluções bancárias por erro nos dados do destinatário" e "Reapresentação de ch devolvido", conforme exclusões constantes do quadro a seguir; com referência às “Transferência de sócio", como não foram apresentados os respectivos documentos comprobatórios, a tributação foi mantida; no tocante aos ditos "DP BLQ", o autuante verificou que os créditos cor respondentes foram computados nos saldos disponíveis, sendo igualmente mantidos; após estes ajustes foi elaborado o quadro a seguir, onde estão relacionados mensalmente os totais dos depósitos bancários, com as devidas exclusões, os totais das receitas declaradas mensalmente e os valores a tributar em cada mês do anocalendário 2006: Exclusões Mês Depósitos HSBC (intimação) Devolução Reapres. Total Depósitos não comprovados Rec Bruta declarada Omissão de receita (valor a tributar) jan 264.708,77 0,00 0,00 0,00 264.708,77 35.015,58 229.693,19 fev 640.886,44 28.550,00 27.202,25 55.752,25 585.134,19 36.699,28 548.434,91 mar 1.026.660,05 0,00 0,00 0,00 1.026.660,05 39.376,36 987.283,69 abr 674.307,48 0,00 0,00 0,00 674.307,48 39.610,37 634.697,11 mai 783.790,78 0,00 0,00 0,00 783.790,78 42.636,89 741.153,89 jun 1.035.858,50 0,00 27.202,25 27.202,25 1.008.656,25 44.960,61 963.695,64 jul 1.198.602,12 22.000,00 0,00 22.000,00 1.176.602,12 44.674,35 1.131.927,77 ago 1.165.477,09 0,00 3.153,24 3.153,24 1.162.323,85 47.204,31 1.115.119,54 set 1.328.123,56 83.164,30 0,00 83.164,30 1.244.959,26 48.400,48 1.196.558,78 out 1.283.421,65 0,00 1.075,00 1.075,00 1.282.346,65 51.766,67 1.230.579,98 nov 1.796.438,13 0,00 0,00 0,00 1.796.438,13 54.966,31 1.741.471,82 dez 1.425.311,93 54.120,00 0,00 54.120,00 1.371.191,93 55.820,42 1.315.371,51 TOTAL 12.623.586,50 187.834,30 58.632,74 246.467,04 12.377.119,46 541.131,63 11.835.987,83 diante dos fatos relatados e que constituem infração à legislação em vigor, fora lavrados os autos de infração, tomando por base os valores consignados no quadro acima; os extratos bancários fornecidos pela contribuinte, cujas entregas de todos eles estão suportadas em documentação fiscal, e que serviram de base para o lançamento, são partes integrantes da autuação; os demais extratos foram devolvidos ao contribuinte através de Termo de Devolução (fl. 212). Irresignada com a autuação, da qual tomou ciência em 23/09/2009 (fls. 156, 158, 183, 188, 195 e 202), a empresa apresentou, em 23/10/2009, a impugnação de fls. 217/238, instruída com os documentos de fls. 239/281, onde alega resumidamente o que segue: I DA PRELIMINAR DE NULIDADE POR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA I.A) NA DESCRIÇÃO DOS FATOS em relação a este tópico, ressalta que efetivamente não conseguiu entender quais os critérios a fiscalização fez uso para chegar aos valores a tributar indicados no Auto de Infração; a descrição dos fatos que transcreve (fls. 221/222) não deixa margem à dúvida de que o autuante considerou depósitos bancários não comprovados como se receitas Fl. 397DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 15 4 fossem, que subtraídos das receitas efetivamente declarada resultou nos "valores a tributar em cada mês no anocalendário de 2006"; todavia, no Auto de Infração propriamente dito uma série de outros critérios e valores foi adotada sem que a Fiscalização tivesse a preocupação de explicála no aludido Termo de Verificação e Constatação, fato que demonstra ter sido a Impugnante cerceada no seu direito de defesa uma vez que não conseguiu compreender como o Fisco apurou os valores a tributar; em síntese, sustenta que os valores mensais indicados no quadro constante do Termo de Verificação e Constatação não foram tributados diretamente e sim integraram outros critérios de cálculos os quais a Fiscalização olvidou de explicitar; a maneira mecânica pela qual o Auto de Infração foi lavrado, por meio de um programa de computador, no qual apenas cálculos e mais cálculos foram apresentados, não permite à Impugnante acompanhar de forma compreensível como o montante do crédito tributário de R$ 3.568.336,47 foi alcançado; tais explicações deveriam constar do mencionado Termo de Verificação e Constatação, contudo, estão inteiramente voltadas para a infração denominada "depósitos não comprovados", apresentandose completamente inexistentes em relação aos complexos e infindáveis cálculos e demonstrativos que acompanham o Auto de Infração; a justificação do Fisco aduz apenas aos depósitos sem comprovação, mas nada, absolutamente nada, se fala sobre como os demonstrativos e os cálculos empregados no Auto de Infração foram apurados, resultando na infração denominada de "RECEITAS NÃO ESCRITURADAS"; a falta de coerência é tão evidente que no Termo de Verificação e Constatação discorreuse apenas sobre uma única infração, qual seja, omissão de receita por depósitos não comprovados, ao passo que no Auto de Infração duas irregularidades são apontadas: a) omissão de receitas por falta de escrituração; e b) insuficiência de recolhimento; de igual modo a suposta irregularidade denominada "INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO" carece de maiores elucidações acerca do processo pelo qual a mesma foi obtida; a justificativa de que tal insuficiência foi "apurada conforme Escrituração Contábil e PJSI2007" não corresponde à realidade dos fatos, porquanto a Escrituração Contábil da ora Impugnante é que deu ensejo ao preenchimento da PJSI 2007, de maneira que esta suposta irregularidade redundou de conclusões não externadas pelo Fisco; não cabe ao contribuinte tentar adivinhar a intenção da fiscalização, muito pelo contrário, é do Fisco a obrigação de descrever corretamente os fatos, bem como demonstrar claramente a forma efetiva pela qual chegou à base de cálculo para a apuração dos tributos a serem lançados; devido a todo o acima exposto, a Impugnante está impossibilitada de fazer uso de seus direitos fundamentais, uma vez que um dos princípios reguladores do Processo Administrativo Fiscal, que decorre do art. 5º, inciso LV da Constituição Federal de 1988, encontrase violado, devendo a autuação ser anulada de plano. I.B) NA CAPITULAÇÃO LEGAL Fl. 398DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 16 5 a insuficiência ou a falta de clareza na descrição dos fatos é um vício gravíssimo posto que viola, a um só tempo, as garantias constitucionais do devido processo legal, da ampla defesa e do contraditório; tanto o Auto de Infração, como também o Termo de Verificação e Constatação que serviu de esteio para a sua lavratura, além de não demonstrarem como foram apurados os valores a tributar, não descrevem adequadamente os fatos ocorridos, e tampouco indicam o enquadramento legal coerente com a infração referente a depósitos bancários; que a caracterização de "omissão de receitas por depósitos bancários não comprovados" não se coaduna com o enquadramento legal apontado no Auto de Infração, a saber: Art. 24 da Lei n°. 9.249/95; Arts. 2°,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei n° 9.317/96; Art. 3º da Lei n° 9.732/98; e Arts. 186,188 e 199, do RIR/99; não caberia a Impugnante ser tributada por omissão de receita caracterizada por receitas não contabilizadas, uma vez que o Fisco não traz aos autos nenhuma comprovação deste tipo de infração e, portanto, não se justifica este tipo de tributação; cita doutrina e jurisprudência; restando comprovado que efetivamente a autoridade lançadora não descreveu adequadamente os fatos que originaram a presente autuação, como também os diplomas legais supostamente infringidos, mister se faz concluir pela nulidade do Auto de Infração que instrui os presentes autos, por não atender ao disposto nos incisos III e IV do artigo 10 do Decreto n°. 70.235/1972; I.C) DA NÃO DEVOLUÇÃO DOS EXTRATOS BANCÁRIOS o extrato bancário referente à contacorrente n°. 15091400129, Agência 1509 do Banco HSBC, constituise na principal prova mediante a qual se assentou o Fisco para efetuar lançamento exofficio, tendo sido apresentado espontaneamente pela Impugnante, no dia 26/07/2009, em atenção ao Termo de Início de Fiscalização, datado de 18/05/2009, sendo entregue ao Douto Auditor Federal o original por ele solicitado; ocorre que, depois de lavrado o Auto de Infração, a Impugnante não mais teve acesso aos aludidos extratos bancários, ficando, dessa maneira, cerceada de questionar, por meio deles, os valores levados à tributação, pois os extratos originais foram anexados aos presentes autos pelo autuante; buscando obter cópia integral do processo e, conseqüentemente, dos extratos bancário acima intitulado, em 06/10/2009, representante legal da Impugnante dirigiuse a DIORT/DERAT da Delegacia da Receita Federal do Brasil no Rio de Janeiro, onde tomou ciência de um protocolo agendando o seu retomo para o dia 13/10/2009 (ANEXO I – fl. 240), quando, só assim, poderia ter vista dos autos, para contagem das suas folhas, necessária ao preenchimento do DARF referente à requisição da cópia que ora se trata; recolhido o DARF no valor de R$ 105,50 (fl. 243), com a entrega do mesmo no dia 15/10/2009, foi finalmente formalizado o pedido de cópia integral do presente processo; Fl. 399DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 17 6 feito isso, agendouse que a Impugnante somente poderia comparecer no dia 22/10/2009 (ANEXO II – fl. 242) para proceder a retirar da tão esperada cópia do processo; levandose em conta que o prazo fatal para a interposição da presente defesa expiraria no dia 23/10/2009, ficou inviável recorrerse a esses assentamentos como auxiliar no esclarecimento de qualquer argumento de defesa, o que caracteriza preterição desse direito constitucional; a obrigatoriedade de juntada ao Processo Administrativo Fiscal do originais dos extratos bancários, quando esses servirem de esteio ao lançamento de ofício, somente tem previsão legal quando referidos extratos forem obtidos por meio de RMF, tendo em vista a recusa do contribuinte em apresentálos; é exatamente o que estabelece a Portaria SRF n° 180/2001 ao dispor nos seus artigos 8º e 10° que os documentos recebidos da instituição financeira integrarão o processo administrativo fiscal, uma vez que o contribuinte, nesta hipótese, teria resguardado consigo a outra via do extrato não entregue; considerando que a Impugnante, espontaneamente, entregou a única via dos extratos bancários à Douta Fiscalização, restando evidente mais um entrave ao pleno exercício de defesa, por falta de sua devolução em tempo hábil. II DO MÉRITO a despeito de não possuir os extratos bancários, recorreu aos dados constantes do Termo de intimação datado de 01/09/2009 para demonstrar que a Autoridade Autuante incorreu em outros equívocos, na medida em que considerou em sua análise determinados depósitos bancários que pelo histórico a eles vinculado jamais poderiam compor a base tributável, como a seguir passa a demonstrar; mesmo sem ter conseguido decifrar como efetivamente a fiscalização chegou aos valores a tributar, ou até mesmo se teve a intenção de proceder à tributação com base em receitas não escrituradas ou por falta de comprovação da origem dos depósitos, como já mencionado nos tópicos acima, é fato que o Fisco lançou mão de determinados valores correspondentes a créditos efetuados em contas correntes bancárias da Impugnante como integrantes da base de cálculo tributável; para melhor visualização do acima exposto, classifica os valores constantes do aludido Termo de Intimação de 01/09/2009, por ordem do histórico do depósito, consoante o QUADRO ANEXO, que acompanha a presente impugnação (ANEXO – III – fls. 245/275). II.A) DEPÓSITOS EM CHEQUE CHQ / IND E DP BLQ após citar o artigo 43 CTN, explica que entendese como disponibilidade econômica o incremento de valor produzido no patrimônio da pessoa em um dado momento ou em um determinado espaço de tempo e na qual tem a referida disponibilidade; somente no momento em que passa a existir, por ter sido realizado, separado e, conseqüentemente, suscetível de ser trocado, que ocorre a disponibilidade econômica de um bem, ou de um serviço, e da renda nele contida, representada, esta última, por uma parcela do valor desse bem, ou desse serviço; se os depósitos ainda se encontram bloqueados (DEP BLQ) ou indisponíveis (CHQ IND) nem em uma interpretação extremamente fiscalista, podese concluir Fl. 400DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 18 7 que ocorreu a disponibilidade econômica e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda; nesse contexto, apesar de o Ilustre Auditor afirmar que os depósitos bloqueados (DEP BLQ) foram disponibilizados, não citou qual teria sido a data que, possivelmente, tal fato se deu, sendo certo que ocorreu em períodos posteriores aos constantes do auto de infração; é claro que a disponibilidade desses depósitos, efetuouse em data posterior, ocorrendo então, caso a origem não tenha sido comprovada, o fato gerador do imposto de renda, portanto, somente na data em que os depósitos se tornaram disponíveis é que ocorreu o crédito dos recursos e conseqüentemente o fato gerador do imposto de renda, e não na data em que figuram, nos extratos, como bloqueados; os créditos/disponibilidades referentes aos depósitos em cheques somente ocorreram em outros períodos, ou seja, a disponibilidade econômica e conseqüentemente a ocorrência do fato gerador efetivamente aconteceu em tempos diferentes daqueles considerados no auto de infração; alega ainda a data da ocorrência do fato gerador e o período de apuração podem afetar a determinação do montante do tributo, a fixação do prazo decadencial, a eleição da legislação aplicável e o cálculo dos juros de mora, não podendo a autuação subsistir, por ferimento ao princípio da tipicidade cerrada; cita jurisprudência do Conselho de Contribuintes para postular a insubsistência a autuação por ofensa ao artigo 43 do CTN. II.B) DEPÓSITOS NÃO COMPROVADOS X RECEITAS TRIBUTÁVEIS a movimentação bancária certamente pode representar indício de capacidade contributiva, mas não quer dizer que todos os valores movimentados em contas correntes da pessoa jurídica sejam rendimentos tributáveis; é comum contribuintes sacarem valores, utilizaremnos parcialmente, e depositarem o restante novamente na mesma conta; transferirem valores de uma conta para outra, bem como sacarem valores para realizar um negócio qualquer, o qual posteriormente não é concretizado, com o retorno integral dos valores para a conta correspondente etc... o Tribunal Federal de Recursos, a propósito, através de sua Súmula 182, consolidou o entendimento segundo o qual "é ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em depósitos bancários"; cita doutrina e jurisprudência para alegar que, o Fisco somente pode efetuar o lançamento com base nos depósitos bancários se associado a outros indícios de omissão de rendimentos, e que o somatório de todos esses indícios consubstancie acervo probatório suficiente para gerar uma presunção relativa e assim inverter o ônus da prova em desfavor do contribuinte; uma vez que o presente lançamento não se harmoniza com o adotado pelo Poder Judiciário, e na inexistência de outros indícios que demonstrem a omissão de receitas, não pode subsistir. II.C) DA INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Fl. 401DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 19 8 ante a imprecisão desta suposta irregularidade, e tendo em vista que a insuficiência de recolhimento não foi demonstrada pela fiscalização, reitera o pedido para que a mesma seja igualmente anulada e considerada totalmente improcedente. A DRJ, por meio do acórdão de fls. julgou improcedente a impugnação, sendo que desta decisão a parte interessada foi intimada em 26/06/2013, quartafeira (fls. 316/317) e em 29/07/2013 (sextafeira) ingressou com o recurso de fls. 332 e seguintes em que repisa os fundamentos articulados quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Relator O recurso, conforme destacado na certidão de fl. 394, é tempestivo, está devidamente fundamentado, foi interposto pela parte interessada que pretende ver reformada a decisão recorrida. Assim, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame do mérito. A autuação está relacionada à omissão de receita. Em síntese, do que se extrai do quadro existente à fl. 155 do TVF, abaixo transcrito, a autoridade fiscal, no que diz respeito à infração relacionada no item 001, pegou os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada e subtraiu da receita declarada. A diferença foi considerada omissão de receita, com tributos exigidos com base na Lei 9.317, de 1996 (Lei do SIMPLES). Exclusões Mês Depósitos HSBC (intimação) Devolução Reapres. Total Depósitos não comprovados Rec Bruta declarada Omissão de receita (valor a tributar) jan 264.708,77 0,00 0,00 0,00 264.708,77 35.015,58 229.693,19 fev 640.886,44 28.550,00 27.202,25 55.752,25 585.134,19 36.699,28 548.434,91 mar 1.026.660,05 0,00 0,00 0,00 1.026.660,05 39.376,36 987.283,69 abr 674.307,48 0,00 0,00 0,00 674.307,48 39.610,37 634.697,11 mai 783.790,78 0,00 0,00 0,00 783.790,78 42.636,89 741.153,89 jun 1.035.858,50 0,00 27.202,25 27.202,25 1.008.656,25 44.960,61 963.695,64 jul 1.198.602,12 22.000,00 0,00 22.000,00 1.176.602,12 44.674,35 1.131.927,77 ago 1.165.477,09 0,00 3.153,24 3.153,24 1.162.323,85 47.204,31 1.115.119,54 set 1.328.123,56 83.164,30 0,00 83.164,30 1.244.959,26 48.400,48 1.196.558,78 out 1.283.421,65 0,00 1.075,00 1.075,00 1.282.346,65 51.766,67 1.230.579,98 nov 1.796.438,13 0,00 0,00 0,00 1.796.438,13 54.966,31 1.741.471,82 dez 1.425.311,93 54.120,00 0,00 54.120,00 1.371.191,93 55.820,42 1.315.371,51 TOTAL 12.623.586,50 187.834,30 58.632,74 246.467,04 12.377.119,46 541.131,63 11.835.987,83 No que se refere à infração nº 002, em sendo a empresa tributada com base no simples e declarando receita inferior a efetivamente apurada, em conformidade com a legislação da época, houve mudança de alíquota. Daí a razão da autuação indicada neste item. Notificada em 23/09/2009, a requerente apresentou a impugnação de fls. 217 e seguintes, alegando: Fl. 402DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 20 9 Nulidade do direito de defesa por não compreender como o Fisco apurou os valores a tributar. Não compreende a impugnante, ora recorrente,como podem existir duas infrações: 1) Omissão de receita por falta de escrituração e 2) insuficiência de recolhimento. Erro na fundamentação legal; Não devolução dos extratos bancários da conta corrente nº 15091400129; No mérito, sustenta a impugnante que para os depósitos indicados como sendo bloqueados (R$ 305.329,94) ou indisponíveis (R$ 32.701,36) não podiam ser considerados como receita omitida, por erro na identificação do aspecto temporal do fato gerador. Que os depósitos bancários, por si só, não caracterizam omissão de receita; I Do exame das alegações de nulidade Conforme se depreende do termo de intimação de fl. 119, a recorrente foi intimada para comprovar a origem dos depósitos bancários indicados na conta corrente nº 15091400129, relacionados de forma individualizada nas planilhas de fls. 119 a 143. Em resposta destacou que determinados valores eram oriundos de transferências feitas pelos sócios e outros relacionados a cheques devolvidos e erros do destinatário. A autoridade fiscal excluiu da base de cálculo da exigência os valores correspondentes a cheques devolvidos e os depósitos relacionados a erro quanto ao destinatário. Pois bem, é sabido que os depósitos bancários efetuados por empresa comercial representam mais de uma venda. Num único depósito pode haver cheques relacionados a inúmeras transações, inclusive de vendas a prazo que dificilmente será possível conciliar com a nota fiscal, salvo, evidentemente, se constar do título alguma anotação prévia. Neste contexto, correto é procedimento realizado pela autoridade fiscal. Identificado determinado valor de depósito bancário sem origem comprovada, deste montante diminuise a receita declarada, para não tributar duplamente, e lançase a diferença como omissão de receita, tendo por fundamento o artigo 283 do Regulamento do Imposto de Renda. Diz a recorrente que na relação dos depósitos bancários aparecem valores com a indicação "bloqueados" ou "indisponíveis", por algum tempo. De forma perspicaz a ilustre patrona da recorrente alegou erro relacionado ao aspecto temporal da exigência. A tese faz sentido, pois em se tratando de empresa do SIMPLES temse fatos geradores mensais e o montante depositado num mês pode ser liberado em outro, o que mudaria o período de apuração. No entanto, mesmo nestes casos entendo que deve aplicarse o regime de competência. Explico: A regra é a tributação das pessoas jurídicas pelo regime de competência. Exceção ao aqui disposto encontrase nos artigos 409 e 421 do Regulamento do Imposto de Renda, o que não é o caso dos autos. Assim, realizado determinado depósito bancário, a única hipótese de exclusão do regime de competência é nos casos de não compensação do respectivo cheque. Com os fundamentos expostos no item anterior, a um só tempo, rejeito a preliminar de nulidade e a alegação de mérito de que os depósitos "bloqueados" (R$ Fl. 403DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 21 10 305.329,94) e os "indisponíveis" (R$ 32.701,36) não podiam ser considerados como receita omitida. No que se refere aos cheques devolvidos, estes foram excluídos da base de cálculo. Assim, não há o que se falar em nulidade e, tampouco, de erro no critério temporal do fato gerador. Quanto ao argumento de que o processo é nulo por não ter entendido, a recorrente, como foram apuradas duas infrações tenho que a não compreensão, se existente, estaria ligada à falta de experiência nos procedimentos de autuação fiscal e não a erro ou imprecisão na descrição dos fatos. Explico: À luz da legislação vigente à época dos fatos, a alíquota estava relacionada à receita acumulada no anocalendário. No caso dos autos, ao informar receita a menor, em relação ao que foi declarado, calculouse alíquota menor. Por exemplo, declarado 100 (cem), aplicouse a alíquota hipotética de 4,5%. Constatado que além dos 100 declarados houve, no período, mais 200 (duzentos) de receita omitida, a alíquota a incidir é aquela prevista para a faixa de 300 (trezentos). No entanto, como 100 (cem) já foi declarado, em relação à base de cálculo declarada cobrase apenas a diferença de alíquota. Foi assim que procedeu a autoridade autuante, não havendo o que se falar em nulidade relacionada a este ponto. No que se refere a alegação de erro na fundamentação legal, em se tratando de omissão de receita de empresas do SIMPLES, as normas de incidência tributária são as contidas nos dispositivos legais indicados na autuação, dente estas o artigo 2º, § 2° e o artigo 18, ambos da Lei nº 9.317, de 1996, com a redação dada pela Medida Provisória nº 275/2005, convertida na Lei nº. 11.307, de 2006, e o artigo 24 da Lei nº 9.249, de 1995, abaixo transcritas: Lei 9.317, de 1996. .... Art. 2º Para os fins do disposto nesta Lei, considerase ... Art. 2º Para os fins do disposto neste artigo, considerase receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. ... Art. 18º. Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. Lei nº 9.249, de 1995. .... Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. Fl. 404DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 22 11 Quanto ao argumento da recorrente de nulidade em razão da não devolução dos extratos bancários, destaco que tais documentos integram a prova dos autos, até mesmo para garantir o direito de defesa e a análise do mérito por quem julga. Nulo seria o lançamento caso os depósitos bancários que serviram de ponto de partida para identificar a receita omitida não estivessem nos autos. Isso posto, voto por rejeitar as preliminares de nulidade. II. No mérito Da alegação de impossibilidade de lançamento de imposto de renda com base exclusiva nas informações bancárias Quanto à possibilidade de se exigir o imposto de renda, com base em depósitos bancários, devese esclarecer que antes de 01/01/1997; o artigo 6º da Lei nº 8.021, de 1990, exigia da fiscalização a comparação entre depósitos bancários e sinais exteriores de riqueza. A tributação com base em depósitos bancários, a partir de 01/01/1997, é regida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, publicada no DOU de 30/12/1996, que instituiu a presunção de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários, quando o contribuinte, regularmente intimado, não comprovasse mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Confirase: “Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais).” Verificase, então, que o diploma legal acima citado passa a caracterizar omissão de rendimentos, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, quando não comprovada a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não se inquire o titular da conta bancária sobre o destino dos saques, cheques emitidos e outros débitos, ou se foram utilizados para consumo, aquisição de patrimônio, viagens etc. A presunção de omissão de rendimentos decorre da existência de depósito bancário sem origem comprovada. Fl. 405DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000829/200904 Acórdão n.º 1402001.888 S1C4T2 Fl. 23 12 Portanto, a partir da publicação desta Lei, os depósitos bancários deixaram de ser modalidade de arbitramento simples que exigia da fiscalização a demonstração de gastos incompatíveis com a renda declarada (aquisição de patrimônio e sinais exteriores de riqueza), entendimento também consagrado à época pelo poder judiciário (Súmula TFR 182) e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes para se constituir na própria omissão de rendimento (art. 43 do CTN), decorrente de presunção legal, que inverte o ônus da prova em favor da Fazenda Pública Federal. Os julgamentos do Conselho de Contribuintes passaram a refletir a determinação da nova lei, admitindo, nas condições nela estabelecidas, o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, como se constata nas ementas dos acórdãos a seguir reproduzidas: “OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS SITUAÇÃO POSTERIOR À LEI Nº 9.430/96 Com o advento da Lei nº 9.430/96, caracterizase também omissão de rendimentos os valores creditados em conta de depósito ou de investimento, mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular não comprove a origem dos recursos utilizados, observadas as exclusões previstas no § 3º, do art. 42, do citado diploma legal.” (Ac 10613329). “TRIBUTAÇÃO DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/97, a Lei 9.430/96, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.” “ÔNUS DA PROVA Se o ônus da prova, por presunção legal, é do contribuinte, cabe a ele a prova da origem dos recursos informados para acobertar seus dispêndios gerais e aquisições de bens e direitos.”(Ac 106 13188).” Por derradeiro, no ponto em que a recorrente postula a exclusão de determinados valores alegando que estes são oriundos dos sócios, dado a inexistência de prova neste sentido, não há como acolher tal pretensão. ISSO POSTO, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em relação a matéria conhecida, negar provimento ao recurso. assinado digitalmente MOISÉS GIACOMELLI NUNES DA SILVA Relator Fl. 406DF CARF MF Impresso em 29/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 15/12/2014 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 22/01/2015 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 16327.720218/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 20 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Feb 12 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado.
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente.
Ronaldo de Lima Macedo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 31/12/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Os embargos de declaração não se prestam para a rediscussão de matéria enfrentada no acórdão embargado. Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente. Ronaldo de Lima Macedo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 02 18 /2 01 3- 64 Fl. 492DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração, oposto pelo sujeito passivo (empresa BANCO BRADESCO S.A.), em face do Acórdão nº 2402004.108 da 2ª Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF. No Acórdão em questão, ficou consignado na Ementa o seguinte: “[...] Ementa: PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPLEMENTAR ABERTA. CONCEDIDA A TÍTULO DE GRATIFICAÇÃO OU PRÊMIO. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. Após o advento da Lei Complementar n° 109/2001, somente no regime fechado, a empresa está obrigada a oferecer o benefício à totalidade dos segurados empregados e dirigentes. No caso de plano de previdência complementar em regime aberto, poderá eleger como beneficiários grupos de empregados e dirigentes pertencentes a determinada categoria, desde que não seja caracterizado como instrumento de incentivo ao trabalho nem seja concedido a título de gratificação ou prêmio. Integram a remuneração e se sujeitam à incidência de contribuição previdenciária os aportes de contribuições a planos de previdência privada complementar, senão comprovado o caráter previdenciário destas contribuições. (...) Recurso Voluntário Negado. [...]” A Embargante (sujeito passivo) afirma ter omissão nos fundamentos do voto condutor do acórdão ora embargado, eis que a matéria em debate encontrarseia (i) omissa quanto ao tema envolvendo o papel do comitê de remuneração – referente à inexistência de prêmios ou gratificações –, (ii) omissa quanto à inexistência de poder discricionário para inadmitir ou excluir participantes do plano, (iii) bem como evidencia omissão quanto aos critérios para fixação dos valores apontados, referentes à inexistência de metas de desempenho, nos seguintes termos: “[...] I QUANTO AO PAPEL DO COMITÊ DE REMUNERAÇÃO INEXISTÊNCIA DE PRÊMIOS OU GRATIFICAÇÕES Inicialmente, esclarece o Recorrente que o fato de os valores dos aportes relativos ao plano de previdência privada dos seus administradores estatutários serem propostas ao Conselho de Administração pelo "Comitê de Remuneração" não significa que tal comitê só delibere a respeito de remunerações no sentido atribuído pela legislação previdenciária, o que pode ser demonstrado pela leitura do artigo 3°, "b", do seu regimento interno, segundo o qual é atribuição do comitê submeter ao conselho administrativo "política de remuneração global e individual, prêmios, bônus, gratificações, participações nos Fl. 493DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 3 3 lucros, planos de opções de aquisição de ações e de previdência complementar''' (fl. 49 dos autos). Com efeito, muito embora seja atribuição do comitê estabelecer política da remuneração em sentido previdenciário {"política de remuneração global e individuar), também é seu dever estabelecer política sobre matérias que não configuram remuneração no sentido previdenciário, como: (i) participação nos lucros, excluída do saláriodecontribuição pela alínea "j" do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212/91; (ii) previdência complementar, excluída do saláriodecontribuição pela alínea "p" do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212/91; (iii) prêmios, bônus e gratificações, que, quando "recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário''' são excluídos do saláriodecontribuição pela alínea "e", item 7, do § 9o do artigo 28 da Lei n° 8.212/91, e; (iv) planos de opções de aquisição de ações, que não tratam de remuneração sob aspecto algum (previdenciário ou não) já que os optantes pagam pelas ações adquiridas. Exatamente por este motivo o fato de nos termos do artigo 1o do Regimento do Comitê de Remuneração caber a ele "propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos Administradores Estatutários da Organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho''' não quer absolutamente dizer que todas as deliberações do Conselho referidas no artigo 3 o estão necessariamente atreladas a metas de desempenho. Tanto é assim que somente na alínea "a" do artigo 3°, quando se trata especificamente da "política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários" (fl. 49 dos autos), é feita menção a metas. Ante o exposto, o papel exercido pelo Comitê de Remuneração com a devida vênia não ampara de forma alguma a tese do i. fiscal autuante, acolhida no voto do i. Relator, de que os valores relativos aos aportes ao plano de previdência privada correspondem a prêmios ou gratificações para os administradores do Recorrente tendo em vista o atendimento de metas individuais. (...) II QUANTO À INEXISTÊNCIA DE PODER DISCRICIONÁRIO PARA INADMITIR OU EXCLUIR PARTICIPANTES DO PLANO (...) Novamente aqui, "data máxima vênia", incorreu em omissão o v. acórdão quanto ao real sentido do referido Termo Aditivo, que em momento algum traz a possibilidade aventada. Com efeito, o referido 5o Termo Aditivo esclarece o Recorrente que deve ser devidamente compreendido o 5o Tremo Aditivo assim dispõe na Cláusula Segunda referida pelo i. fiscal Fl. 494DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 autuante para justificar a suposta possibilidade de recusa da proposta, "verbis": "Cláusula Segunda Dos Participantes 2.1. Serão considerados participantes do PGBL, o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e os Investidos em cargo de Assessor da Diretoria, da INSTITUIDORA, participantes dos Planos I e II mantidos pela mesma. 2.2. A aceitação da Proposta de Inscrição será automática, caso não haja manifestação em contrário por parte da COMPANHIA num prazo máximo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data de recebimento da proposta de inscrição pela COMPANHIA. 2.3. Caso a COMPANHIA não aceite a Proposta de Inscrição, esta comunicará ao Participante por escrito, fundamentando sua decisão. 2.4. Cada pretendente a Participante será inscrito no PGBL na data constante na respectiva Proposta de Inscrição, que será considerada Data de Aniversário daquela. " (fl. 106 dos autos destaques nossos) Muito embora o v. acórdão embargado tenha vislumbrado na possibilidade da não aceitação da proposta de inscrição uma suposta discricionariedade que permitiria em tese ao Recorrente livremente, no dizer do v. acórdão recorrido, "recusar a proposta de inscrição do participante", não é isto "data máxima vênia" que ocorre, já que no caso a "COMPANHIA", a quem é possibilitada a manifestação contrária à inscrição no prazo de 15 dias, não é o Recorrente, que conforme preâmbulo do 5° Termo Aditivo (fls. 106) é nele designado como "INSTITUIDORA", mas sim a Entidade Aberta de Previdência Complementar (EAPC), no caso a Bradesco Previdência e Seguros S.A.. como também esclarece o referido preâmbulo (fls. 106). Além disso, isto se dá não por vontade do Recorrente ou da EAPC, mas em razão de expressa determinação por parte da legislação aplicável à Previdência Aberta Complementar, estabelecida pela SUSEP e pelo CNSP. (...) Como se vê, dada a aceitação automática da proposta de inscrição, a possibilidade de sua recusa por parte da EAPC destinase unicamente a possibilitar o controle para que não ingressem no plano pessoas que não sejam elegíveis por não comprovarem o preenchimento de algum dos requisitos necessários, no caso, aqueles descritos no item 2.1 do 5° Termo Aditivo. Portanto, ao contrário do que alega o i. fiscal autuante, não é dado ao Recorrente o poder de discricionariamente recusar a inscrição desta ou daquela pessoa elegível ao plano de previdência complementar, mas apenas, em cumprimento à Fl. 495DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 4 5 legislação específica, atribuído à EAPC o dever de recusar a inscrição de quem não demonstre ser elegível. (...) III QUANTO AOS CRITÉRIOS PARA FIXAÇÃO DOS VALORES APORTADOS INEXISTÊNCIA DE METAS DE DESEMPENHO De acordo com o ilustre Relator, as contribuições do Recorrente estariam atreladas às "metas de desempenho estabelecidas pela Recorrente''' (p. 19 do acórdão) a seus administradores (incorrendo em omissão quanto ao fato de que isto jamais foi apurado pela fiscalização) e decorreriam de "critérios subjetivos'''' (p. 19 do acórdão), o que também demonstraria seu caráter remuneratório. Contudo, "data máxima vênia", incorreu o v. acórdão em omissão quanto ao fato de que além de as "metas" consideradas pelo Comitê de Remuneração serem as "metas, objetivos e performance da Sociedade", e não metas individuais de seus administradores, tais metas relacionamse especificamente à remuneração (artigo 3o, "a" do Regimento do Comitê de Remuneração, fl. 49 dos autos), e não às outras matérias que competem ao Comitê, como, no caso, a fixação do montante global destinado a ser aportado ao plano de previdência complementar. Além disso, incorreu em omissão o v. acórdão recorrido quando ao fato de que a suposta subjetividade quanto aos aportes no âmbito individual ou sua vinculação a supostas metas individuais dos administradores é "data vênia" negada pelo próprio TVF quando demonstra exemplificativamente quanto a três administradores que os aportes feitos pelo Recorrente seriam idênticos ou muito próximos à remuneração por eles recebida (fls. 33/34 dos autos). Com efeito, estivessem os aportes feitos pelo Recorrente relacionados a desempenhos individuais de seus administradores, seria de se esperar que os montantes dos aportes variassem em função de seus desempenhos, e não de suas remunerações, o que o próprio TVF constata não ocorrer quando expressamente refere que tendo os administradores Ademir Cossiello e Denise Aguiar Alvarez recebido cada um a título de remuneração em 2009 o valor de R$ 1.920.000,00, também foi aportado, no plano de previdência de cada um, esse mesmo valor de R$ 1.920.000,00. (...) Portanto, os próprios dados numéricos invocados pelo i. fiscal autuante confirmam o caráter previdenciário dos aportes, pois, tratandose de remunerações muito superiores ao limite do Regime Geral de Previdência Social, é necessário que os aportes feitos pelo Recorrente, para cumprirem sua função previdenciária, sejam muito próximos das remunerações Fl. 496DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 recebidas, como bem explicado no voto proferido pelo I. Conselheiro Elias Sampaio Freire no Acórdão n° 9202.002.265 da 2a Turma da CSRF noticiado em memorial anteriormente apresentado. Ademais, a própria redução do aporte efetuado em janeiro de 2009 e o motivo pelo qual esta redução foi decidida pela Instituidora (o Recorrente) evidenciam que tais aportes não se vinculam de ao desempenho individual dos administradores do Recorrente, que não influenciou de forma alguma seja a redução do aporte (janeiro de 2009), seja o seu restabelecimento (agosto de 2009). Por fim, cabe observar que tanto as deliberações do Comitê acima referidas quanto os aportes efetuados ao longo de 2009 arrolados pelo i. fiscal autuante nas fls. 54/57 deixam claro sua absoluta impessoalidade ao demonstrar estes últimos (os aportes) que administradores de mesma categoria e mesma remuneração tiveram um mesmo aporte, e aquelas (as deliberações) que eventuais variações nestes aportes foram percentualmente uniformes para todos. [...]” Enfim, a Embargante requer o recebimento e acolhimento do presente embargos, para sanar/retificar todos os vícios existentes no acórdão. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 5 7 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator O Recurso é tempestivo e dele farei apreciação. Esclarecemos que a apreciação não significa conhecimento, porquanto, para se conhecer do recurso, fazse necessário não só a satisfação dos requisitos extrínsecos recursais, tais como a tempestividade, garantia de instância, dentre outros, mas também, e fundamentalmente, a presença dos requisitos intrínsecos dos recursos, tais como o cabimento, o interesse de agir e a legitimidade para tanto. Diante das considerações efetuadas pela Embargante, entendese que não lhe assiste razão quanto à contradição, obscuridade ou omissão, sinalizadas pela falta de análise do tema envolvendo a configuração dos valores pagos a título de previdência privada complementar aberta como uma gratificação ou prêmio. Esse entendimento está consubstanciado nos elementos fáticos acostados aos autos. I Com relação à omissão decorrente de uma suposta falta de análise do tema envolvendo o papel do comitê de remuneração, referente à inexistência de prêmios ou gratificações, cumpre esclarecer que o fundamento do voto condutor é delineado no sentido de que os valores concedidos a título de previdência complementar aberta não possuem natureza de aportes destinados a cobertura de benefícios previdenciários (aposentadoria, pensão ou benefícios acidentários), tratandose, na realidade, de uma gratificação ou prêmio. O papel do comitê de remuneração (itens 7.4 a 7.6 do Relatório Fiscal) foi abordado de forma suficiente no acórdão ora embargado, já que este registrou o seguinte: “[...] No caso dos autos ora analisado, ainda que se adotasse a literalmente a tese da Recorrente, tornase imperioso afirmar que não há espaço jurídico nem fático para sua aplicação, já que a Recorrente distribuiu a verba cognominada de previdência complementar a título de prêmio ou gratificação. Esse entendimento decorre das seguintes razões fáticas, devidamente evidenciadas no Relatório Fiscal (itens 7 a 9): 1. a empresa possui um comitê de remuneração, composto por 3 (três) a 5 (cinco) membros, escolhidos dentre os integrantes do Conselho de Administração. Da leitura e interpretação do regimento do comitê de remuneração, verificase que a linha geral de atuação do mesmo é estabelecer a remuneração dos administradores com base em resultados e performances tanto da empresa como individuais, sendo que o artigo 1º do mesmo menciona que o objetivo do comitê de remuneração é propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos Administradores Estatutários da organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho, e o artigo 3º, alínea “a” do mesmo regimento prevê que o Comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a política e diretriz de remuneração dos Administradores Fl. 498DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Sociedade e retorno aos acionistas (itens 7.4 a 7.6 do Relatório Fiscal); 2. as reuniões do comitê de remuneração definiam os valores a serem pagos aos administradores estatutários do banco a título de previdência privada, sendo que eram feitas sempre antes das assembléias gerais, ou seja, os valores eram definidos pela direção do banco e apenas ratificados nas assembléias (item 7.9). Logo, o Comitê de Remuneração da Organização Bradesco estipulava de forma antecipada e unilateral o valor a ser aportado na previdência complementar a seus dirigentes; 3. verificouse que, no ano calendário de 2009, os montantes destinados como remuneração global anual foram de R$170.000.000,00 e para custear planos de previdência complementar dos administradores do banco foram de R$100.000.000,00 (item 7.10); 4. a empresa foi intimada a apresentar o regulamento de previdência complementar e seus aditivos e constatouse que a mesma possui um Plano de Previdência Complementar fechado, disponível a totalidade de seus empregados desde junho de 1985, e um outro plano, chamado “PGBL EMPRESARIAL”, disponível apenas para o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos e Assessor da Diretoria de acordo com o 5º Termo Aditivo de 30/06/1999 (item 8); 5. o PGBL – EMPRESARIAL se encontra disponível apenas para o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Diretores Técnicos, Assessor da Diretoria e Superintendentes, sendo os critérios de elegibilidade definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode recusar a proposta de inscrição do participante; não foi verificada regra geral para as contribuições da Instituidora; e os participantes em gozo de benefícios passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, não havendo mais obrigações contratuais para a Instituidora (item 8.4), conforme o 5º Termo Aditivo: “11.2 Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela INSTITUIDORA, sendo portanto de sua total responsabilidade”; 6. a Recorrente não comprovou o caráter previdenciário/atuarial das contribuições vertidas para a previdência privada complementar. A empresa apresentou os aportes feitos por ela como instituidora de maneira individual para os elegíveis ao plano PGBLEMPRESARIAL, sendo anexadas as planilhas com os valores. Foi realizada uma comparação entre os valores aportados na previdência complementar e os valores recebidos pelos mesmos beneficiários, como rendimento do trabalho, informados na DIRF (declaração de imposto retido na fonte) do banco, nos mesmos períodos, e se verificou que os valores aportados na previdência complementar são substanciais e em vários casos maiores que o próprio rendimento do trabalho. Ficou constatado, também, que vários dirigentes e empregados em gozo de benefício do plano de previdência privada continuaram a receber os aportes da empresa nas suas contas, e se concluiu que estes deveriam ter outra finalidade que não a previdenciária, prevendo o regulamento do plano que os participantes nesta situação deveriam se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência (itens 9.6 a 9.9); 7. verificouse, ainda, nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), resgates de previdência privada em valores substanciais realizados pelos participantes do PGBLEMPRESARIAL, via de regra, em janeiro e com coincidência dos valores resgatados entre os participantes. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 6 9 Notese ainda que as peças de defesa da Recorrente (impugnação e recurso voluntário) não possuem elementos suficientes para afastar os fatos constatados pelo Fisco (itens 7 a 9 do Relatório Fiscal), sucintamente mencionados nos itens 1 a 7 acima, já que a Recorrente resumiuse a alega que os valores foram pagos em conformidade com a legislação de regência. Diante desse quadro fático, evidenciase que os valores pagos a título de previdência privada complementar configurase como uma gratificação ou prêmio, eis que a Recorrente seleciona tanto os valores a serem vertidos à previdência como os beneficiários do programa de previdência complementar. Além disso, a concessão dos aportes a título de previdência complementar estar atrelada às metas de desempenho estabelecidas pela Recorrente e decorre de critérios subjetivos, tais como: (i) não foram apresentadas, pela empresa, as memórias de cálculo das referidas contribuições ao plano de previdência privada, não tendo sido demonstrado o seu caráter previdenciário; (ii) as contribuições suplementares, efetuadas mensalmente pela empresa, em benefício dos dirigentes, foram realizadas em valores substanciais, tendo sido definidas pelo comitê de remuneração de forma unilateral; (iii) houve resgates, efetuados pelos dirigentes, no mesmo mês, em valores coincidentes entre os participantes e próximos aos das contribuições vertidas, frustrando o objetivo de complementação das aposentadorias; (iv) os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela instituidora, que pode, inclusive, recusar a proposta do participante; dentre outros. (...) Percebese, ainda, que a Recorrente apenas afirma que o tipo de plano de previdência privada complementar oferecido é do tipo aberto, de forma que o dispositivo citado pelo Fisco (art. 28, §9o, alínea “p”, da Lei 8.212/1991 e art. 16 da LC 109/2001) não se aplica aos autos, circunstância que invalida o lançamento. Ainda que, por hipótese, não fosse aplicável as disposições do art. 16 da LC 109/2001 nem o art. 28, §9o, alínea “p”, da Lei 8.212/1991 ao plano de previdência da instituidora, mesmo assim não prospera a afirmativa do Recorrente, eis que, ao conceder a concessão do plano de previdência privada complementar a um grupo restrito de segurados, com critérios de elegibilidade definidos única e exclusivamente pela instituidora, e atrelados às metas de desempenho, o benefício assume o caráter de gratificação (ou prêmio), vinculada aos atributos profissionais dos trabalhadores, servindo de complemento ao salário. A natureza de gratificação dos valores aportados ao “plano de previdência privada” dos dirigentes fica evidenciada quando se nota que as “contribuições” eram definidas pelo Comitê de Remuneração da Organização Bradesco, de forma antecipada e unilateral, levando em consideração os resultados apurados nos segmentos de negócios, bem assim a alta qualificação, o tempo Fl. 500DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 de serviço e o desempenho dos beneficiários, como declarou o Recorrente à fiscalização no Termo de Verificação Fiscal (item 9.3 do relatório Fiscal). (...) Acrescentase ainda que, da forma como foram realizados os resgates dos valores destinados à previdência complementar – sem qualquer finalidade previdenciária, distanciandose dos benefícios previdenciários (aposentadoria, pensão ou benefícios acidentários) –, houve o descumprimento da regra geral do regime de previdência complementar prevista no art. 2o da LC 109/2001, eis que essa norma estabelece que o regime complementar tem por objetivo instituir planos de benefícios de caráter previdenciário. Isso, por si só, já afastaria o entendimento manifestado no Acórdão no 2402003.661 (sessão de 16/07/2013), processo 10783.723424/201109 (Relator: Julio César Vieira Gomes), e, por consectário, apontaria para a natureza de gratificação da verba concedida aos segurados (empregados e contribuintes individuais) pela Recorrente. [...]” Logo, não se trata de fato omisso a análise da configuração dos valores pagos a título de previdência privada complementar aberta como uma gratificação ou prêmio, nem houve falta de análise do papel do comitê de remuneração, eis que o julgador é pautado pelo princípio do livre convencimento motivado, fato este evidenciado nos autos, e não exclusivamente pela tese pretendida da Embargante de que teria concedido os valores de acordo com a legislação previdenciária. Deixo consignado que o acórdão ora embargado direcionase no sentido de que a remuneração dos administradores era concedida com base em resultados e performances tanto da empresa (global) como individuais, conforme ficou assentado na alínea “b” do art. 3 do Regimento do Comitê de Remuneração da Organização Bradesco: “[...] Capítulo III Das Atribuições do Comitê Art. 3o) O Comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a: a) política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Sociedade e retorno aos acionistas, utilizandose da análise comparativa de políticas de remuneração de períodos anteriores e/ou parâmetros de mercado; b) política de remuneração global e individual, prêmios, bônus, gratificações, participações nos lucros, planos de opções de aquisição de ações e de previdência complementar; c) recomendação de formas alternativas de remuneração para os executivos, assegurando estímulo ao desempenho, motivação e melhoria contínua corporativa; (Regimento do Comitê de Remuneração da Organização Bradesco). [...]” II Com relação à suposta omissão quanto à inexistência de poder discricionário para inadmitir ou excluir participantes do plano, cumpre esclarecer que o fundamento do voto condutor foi no sentido de que “o PGBL – EMPRESARIAL se encontra disponível apenas para o Presidente do Conselho, os Conselheiros, Diretores Estatutários, Fl. 501DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 7 11 Diretores Técnicos, Assessor da Diretoria e Superintendentes, sendo os critérios de elegibilidade definidos única e exclusivamente pela Instituidora, que pode recusar a proposta de inscrição do participante; não foi verificada regra geral para as contribuições da Instituidora; e os participantes em gozo de benefícios passarão a se relacionar diretamente com a Bradesco Vida e Previdência S/A, não havendo mais obrigações contratuais para a Instituidora (item 8.4), conforme o 5º Termo Aditivo: “11.2 Os critérios de elegibilidade são definidos única e exclusivamente pela INSTITUIDORA, sendo portanto de sua total responsabilidade”. Esse entendimento foi extraído da cláusula “11.2” do 5º Termo Aditivo e foi devidamente enfatizado no acórdão ora embargado. Deixo consignado, neste particular, que a recusa de proposta do participante no PGBL deveria obedecer à Clausula Segunda do 5o Termo Aditivo, assim estabelecida: “2.2 A aceitação da Proposta de Inscrição será automática, caso não haja manifestação em contrário por parte da COMPANHIA num prazo máximo de 15 (quinze) dias, contados a partir da data de recebimento da proposta de inscrição pela COMPANHIA”. III Quanto à omissão decorrente de uma suposta falta de análise do tema envolvendo os critérios para fixação dos valores aportados pela inexistência de metas de desempenho, registrase que essa matéria foi abordada de forma suficiente no voto condutor e não merece reparo, eis que ficou consignado o seguinte: “1. a empresa possui um comitê de remuneração, composto por 3 (três) a 5 (cinco) membros, escolhidos dentre os integrantes do Conselho de Administração. Da leitura e interpretação do regimento do comitê de remuneração, verificase que a linha geral de atuação do mesmo é estabelecer a remuneração dos administradores com base em resultados e performances tanto da empresa como individuais, sendo que o artigo 1º do mesmo menciona que o objetivo do comitê de remuneração é propor ao Conselho de Administração as políticas e diretrizes de remuneração dos Administradores Estatutários da organização, tendo por base as metas de desempenho estabelecidas pelo Conselho, e o artigo 3º, alínea “a” do mesmo regimento prevê que o Comitê deverá submeter ao Conselho de Administração a política e diretriz de remuneração dos Administradores Estatutários, com base nas metas, objetivos e performance da Sociedade e retorno aos acionistas (itens 7.4 a 7.6 do Relatório Fiscal)”. Tal entendimento também foi afirmado pela Embargante no momento em que declarou ao Fisco que os aportes destinados à previdência complementar levavam em considerações os resultados apurados nos segmentos de negócios da empresa, como também a alta qualificação, o tempo de serviço e o desempenho dos beneficiários, conforme Termo de Verificação Fiscal (item 9.3 do relatório Fiscal), nos seguintes termos: “[...] A metodologia de cálculo das contribuições relativas aos administradores e superintendentes executivos leva em conta os resultados consistentes apurados em todos os segmentos do negócio. Outro ponto considerado é também relativo ao quadro de administradores, que é constituído por profissionais que iniciaram a carreira nesta organização nos níveis iniciais há longos anos e percorreram toda a escala hierárquica de cargos para se habilitarem a ocupara posição de direção e, portanto, de comprovada fidelidade, competência e dedicação, sendo que as contribuições efetuadas pelas Instituidora (BANCO BRADESCO S/A) obedeceram aos critérios em lei e o plano leva em conta variáveis atuariais [...]”. Fl. 502DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 A simples alegação da Embargante da ocorrência dessas 3 (três) omissões acima transcritas ou equívocos na situação fática delineada e demonstrada no Relatório Fiscal, sem a apresentação de qualquer dado concreto e sem a demonstração da narrativa insurgente somente em sede de Embargos de Declaração, não é motivo suficiente para reformar, integrar ou esclarecer a decisão combatida em nível recursal. Ao teor da regra do art. 17 do Decreto 70.235/19721, considerase não impugnada a matéria não deduzida expressamente na peça recursal inaugural, o que, por consectário lógico, redunda na preclusão do direito de fazêlo em outra oportunidade, especialmente quando sua apresentação para debate se dá por meio da oposição de Embargos de Declaração, que, por seu turno, comporta via estreita em sua admissão. Ainda que seja possível transpor o óbice da preclusão, melhor sorte não agasalharia a pretensão da Embargante, porquanto as alegações opostas em sede de Embargos de Declaração foram devidamente abordadas no conteúdo do acórdão Embargado, de modo que não seria possível acatar as vindicadas omissões registradas pela Embargante. Assim, verificase que não há contradição, obscuridade ou omissão no voto condutor, eis que o seu conteúdo abordou de forma suficiente tanto a matéria fática como a configuração da gratificação (ou prêmio) paga aos segurados a título de previdência privada, sendo que os argumentos da Embargante apontam para uma nova discussão da matéria, não cabível em sede de Embargos de Declaração. Esse entendimento decorre do fato de que os Embargos de Declaração representam uma via estreita e não se prestam para a modificação da decisão embargada que não contenha omissão, contradição ou obscuridade. E, nesse caminhar, percebese que o julgador não é obrigado a fundamentar o voto em todos os pontos pretendidos pela Embargante, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão, conforme precedentes do STF (Embargos Declaração no Agravo Regimental no Recurso Extraordinário 733.596MA). “[...] EMENTA: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO NO AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. ADMINISTRATIVO. CONCURSO PÚBLICO. CONTRATAÇÃO PRECÁRIA DURANTE PRAZO DE VALIDADE DO CERTAME. PRETERIÇÃO CARACTERIZADA. EXPECTATIVA DE DIREITO CONVOLADA EM DIREITO SUBJETIVO À NOMEAÇÃO. PRECEDENTE. OMISSÃO. INEXISTÊNCIA. EFEITOS INFRINGENTES. IMPOSSIBILIDADE. DESPROVIMENTO. 1. A omissão, contradição ou obscuridade, quando inocorrentes, tornam inviável a revisão em sede de embargos de declaração, em face dos estreitos limites do art. 535 do CPC. 2. O magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão. (g.n.) 3. A revisão do julgado, com manifesto caráter infringente, revelase inadmissível, em sede de embargos. (Precedentes: AI n. 799.509AgRED, Relator o Ministro Marco Aurélio, 1ª Turma, 1 Decreto 70.235/1972. Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 503DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 16327.720218/201364 Acórdão n.º 2402004.482 S2C4T2 Fl. 8 13 DJe de 8/9/2011; e RE n. 591.260AgRED, Relator o Ministro Celso de Mello, 2ª Turma, DJe de 9/9/2011). (...) 5. Embargos de declaração DESPROVIDOS. [...]” (Informativo 743/2014. EMB. DECL. NO AG. REG. NO RE N. 733.596MA. RELATOR: MIN. LUIZ FUX). Nesse mesmo caminho, segundo a doutrina, entendese que há distinção entre enfretamento suficiente e enfretamento completo na análise das questões delineadas em peça de defesa. O julgador será, em regra, obrigado a enfrentar os pedidos, as causas de pedir e os fundamentos de defesa, mas não há obrigatoriedade de enfrentar todas as alegações feitas pelas partes a respeito de sua pretensão. Assim, o julgador deve enfrentar e decidir a questão colocada à sua apreciação, não estando obrigado a enfrentar todas as alegações feitas pela parte a respeito dessa questão – no caso em tela a verba paga a título de previdência complementar que foi configurada como uma gratificação –, bastando que contenha a decisão fundamentos suficientes para justificar a conclusão estabelecida na decisão proferida (Araken de Assis, Manual dos recursos, nota 66.2.1.3, p. 591. 2 ed. São Paulo, RT, 2008). Após o delineamento das questões fáticas e jurídicas expostas anteriormente, entendo que a decisão desta Corte Administrativa, manifestada por meio do acórdão ora embargado, apresenta os requisitos necessários para sua validade, pois nela se verifica a congruência interna e externa. Esta diz respeito à necessidade de que a decisão seja correlacionada com os sujeitos envolvidos no presente processo, enquanto a congruência interna referese aos atributos de clareza, certeza e liquidez. Logo, percebese que esse Acórdão guarda congruência em relação aos sujeitos do processo, com os fundamentos e pedidos apresentados e com os demais documentos acostados nos autos. Com isso, entendese que o acórdão embargado, da forma como tratou a matéria, não foi omisso, nem obscuro, nem contraditório, e, como consequência, o seu julgamento resultou em conclusão plenamente válida. E, por consectário lógico, os Embargos de Declaração opostos pela Embargante não possuem os requisitos de admissibilidade, previstos no art. 65, Anexo II, da PORTARIA MF no 256/2009, impondo que não seja acolhida a pretensão da aludida contradição ou omissão. Diante do exposto, voto no sentido de REJEITAR OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Embargante (BANCO BRADESCO S.A.), nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 12/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2015 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 11/02/20 15 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 12/02/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 11020.003068/2006-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO.
Quando a análise do pedido de ressarcimento resulta em glosa do crédito informado, sem saldo a pagar, não se exige a lavratura de auto de infração. Ademais, a ausência de lavratura de auto de infração não constitui hipótese de nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1072.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação.
RESSARCIMENTO DE COFINS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de COFINS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento.
Numero da decisão: 3201-001.670
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, dar parcial provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Joel Miyazaki - Presidente.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Daniel Mariz Gudiño - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. Quando a análise do pedido de ressarcimento resulta em glosa do crédito informado, sem saldo a pagar, não se exige a lavratura de auto de infração. Ademais, a ausência de lavratura de auto de infração não constitui hipótese de nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1072. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação. RESSARCIMENTO DE COFINS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de COFINS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2360; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C2T1 Fl. 184 1 183 S3C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11020.003068/200622 Recurso nº 264.974 Voluntário Acórdão nº 3201001.670 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 23 de julho de 2014 Matéria RESSARCIMENTO COFINS 1º TRIM. 2006 Recorrente INDÚSTRIA DE MÓVEIS B & B LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 PRELIMINAR DE NULIDADE. GLOSA PARCIAL DE CRÉDITO SEM LAVRATURA DE AUTO DE INFRAÇÃO. Quando a análise do pedido de ressarcimento resulta em glosa do crédito informado, sem saldo a pagar, não se exige a lavratura de auto de infração. Ademais, a ausência de lavratura de auto de infração não constitui hipótese de nulidade nos termos do art. 59 do Decreto nº 70.235 de 1072. COFINS. BASE DE CÁLCULO. CONTRAPARTIDA DA TRANSFERÊNCIA ONEROSA DE CRÉDITOS DE ICMS DECORRENTES DE EXPORTAÇÃO. GLOSA PROPORCIONAL DO CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. De acordo com o Recurso Extraordinário nº 606.107/RS, é inconstitucional a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. Aplicação do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Logo, é indevida a glosa proporcional do crédito apurado pelo sujeito passivo sob a alegação de que o mesmo teria deixado de incluir na base de cálculo das contribuições a contrapartida da transferência onerosa de créditos de ICMS decorrentes de exportação. RESSARCIMENTO DE COFINS. CABIMENTO DE JUROS. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Há expressa vedação legal quanto ao cabimento de juros no ressarcimento de COFINS. O art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250 de 1995 se aplica somente aos casos de compensação e restituição, que não se confundem com ressarcimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 30 68 /2 00 6- 22 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 2 Acordam os membros do colegiado da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade votos, em conhecer parcialmente o recurso voluntário, e, na parte conhecida, dar parcial provimento, nos termos do relatório e voto que integram o presente processo. (ASSINADO DIGITALMENTE) Joel Miyazaki Presidente. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Joel Miyazaki, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Winderley Morais Pereira, Luciano Lopes de Almeida Moraes, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Daniel Mariz Gudiño. Relatório Por bem descrever os fatos ocorridos até a data da prolação do acórdão recorrido, transcrevo abaixo o relatório do órgão julgador de 1ª instância, incluindo, em seguida, as razões de recurso voluntário apresentado pela Recorrente: Trata o presente do Pedido de Ressarcimento — PER/DCOMP de fl. 01/04 relativo aos valores de Cofins não cumulativo do 1° trimestre de 2006, totalizando R$ 13.681,19, com base no DACON de fls.15/69. A DRF em Caxias do Sul/RS, ao proceder à análise dos créditos verificou que a contribuinte não incluiu na base de cálculo da contribuição os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros. Sanada tal irregularidade, conforme consta dos elementos de fls. 70/86 provenientes daquela, DRF, redundou que o crédito foi inferior ao pretendido (R$ 10.375,89). A interessada apresentou tempestivamente a manifestação de inconformidade (fls. 90/143), argumentando que o crédito de ICMS transferido a terceiros não pode ser considerado receita, pois a operação não gera aumento de patrimônio, mas mera recuperação de custos. Considerar que os valores dos créditos de ICMS transferidos a terceiros constituem base de cálculo das contribuições seria incorrer em bitributação, o que é rejeitado pelo direito tributário. Também argumenta que os créditos de ICMS seriam decorrentes de exportação e sua tributação configuraria grave ofensa ao comando constitucional da imunidade das exportações. Pleiteia que o valor do ressarcimento sofra atualização monetária pela Taxa Selic. Na decisão de primeira instância, proferida na Sessão de Julgamento de 12/12/2008, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) indeferiu a solicitação da ora Recorrente, conforme Acórdão n° 1018.076 (fls. 158/159): Fl. 185DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003068/200622 Acórdão n.º 3201001.670 S3C2T1 Fl. 185 3 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 BASE DE CÁLCULO O crédito de ICMS transferido para terceiros faz parte da base de cálculo do PIS e da Cofins não cumulativos. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objetos de ressarcimento. Solicitação Indeferida A Recorrente foi cientificada do teor do referido acórdão em 07/01/2009 (f1.161), tendo protocolado seu recurso voluntário em 29/01/2009 (fls. 164/172), que, em síntese, requer a reforma do acórdão recorrido com base na mesma linha de argumentação empregada na manifestação de inconformidade, acrescendolhe a preliminar de nulidade do acórdão, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo da COFINS devida, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. Na forma regimental, o processo digitalizado foi distribuído e, posteriormente, encaminhado a este Conselheiro Relator em 27/08/2010. É o relatório. Voto Conselheiro Daniel Mariz Gudiño Por atender em parte aos pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, o recurso voluntário deve ser conhecido também parcialmente. A parte não conhecida referese à preliminar arguida em sede recursal e o motivo do não conhecimento será pormenorizado adiante. Introdução Conforme já antecipado no relatório, o litígio surgiu pela divergência entre a fiscalização e a ora Recorrente quanto ao saldo credor de PIS relativo ao 4º trimestre de 2005, objeto de pedido de ressarcimento na forma do art. 5º, § 2º, da Lei nº 10.637 de 2002. Segundo a fiscalização, durante o processo de análise do pedido em questão, apurouse saldo credor inferior ao pretendido pela Recorrente após ter sido constatado que créditos de ICMS por ela transferidos a terceiros não foram incluídos na sua base de cálculo do PIS. A manifestação de inconformidade apresentada pela ora Recorrente não foi acolhida pela instância a quo, ocasionando o recurso voluntário em exame. Preliminar Fl. 186DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 4 A Recorrente alega que a decisão recorrida é nula, tendo em conta que glosou parte do crédito objeto do pedido de ressarcimento, mediante alteração da base de cálculo da COFINS devida, sem que, para tanto, tenha constituído o crédito tributário com o lançamento. Com isso, teria violado o art. 142 do Código Tributário Nacional. Ocorre que essa argumentação não foi suscitada na fase impugnatória tal como exigido nos arts. 16, inc. III, e 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, que assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Percebese, pois, que se trata de caso clássico de preclusão material. É o que se depreende dos seguintes arestos do CARF: RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. PRECLUSÃO. Considera se preclusa a matéria relacionada a inclusão do responsável tributário no pólo passivo da obrigação tributária quando este em sede impugnatória não contesta tal matéria, vindo a fazêlo apenas em sede recursal. (Acórdão nº 1401001.137, Rel. Cons. ANTONIO BEZERRA NETO, Sessão de 12/03/2014) ......................................................................................................... PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO. IMPUGNAÇÃO INOVADORA. PRECLUSÃO. No Processo Administrativo Fiscal, dada à observância aos princípios processuais da impugnação específica e da preclusão, todas as alegações de defesa devem ser concentradas na impugnação, não podendo o órgão ad quem se pronunciar sobre matéria antes não questionada, sob pena de supressão de instância e violação ao devido processo legal. (Acórdão nº 2302003.151, Rel. Cons. ARLINDO DA COSTA E SILVA, Sessão de 13/05/2014) ......................................................................................................... RECURSO VOLUNTÁRIO. CORREÇÃO DO VALOR RECONHECIDO. TAXA SELIC. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. PRECLUSÃO. Preclui o direito do contribuinte de discutir assunto não contestado desde a manifestação de inconformidade. (Acórdão nº 3102002.136, Rel. Cons. RICARDO PAULO ROSA, Sessão de 29/01/2014) Com efeito, a preliminar ora analisada não pode ser conhecida. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003068/200622 Acórdão n.º 3201001.670 S3C2T1 Fl. 186 5 Mérito a) Tributação da transferência de créditos de ICMS a terceiros O tema da incidência de PIS e Cofins sobre a contrapartirda financeira da transferência de créditos de ICMS decorrentes de exportação já foi objeto de julgamento do Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral, nos termos da ementa abaixo transcrita: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III – A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos , imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V – O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição Fl. 188DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 6 ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 606107, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 22/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe231 DIVULG 2211 2013 PUBLIC 25112013) Considerando o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, segundo o qual as decisões definitivas do STF julgadas sob o regime do art. 543B do Código de Processo Civil são vinculantes para os membros do CARF, devendo ser reproduzidas, o acórdão proferido no Recurso Extraordinário nº 606.107/RS deve ser reproduzido. Com efeito, a decisão recorrida deve ser reformada neste particular. b) Aplicação de juros sobre os créditos passíveis de ressarcimento Fl. 189DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO Processo nº 11020.003068/200622 Acórdão n.º 3201001.670 S3C2T1 Fl. 187 7 Por fim, a Recorrente alega que são devidos juros sobre os créditos quando seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Além disso, sustenta que tais juros devem ser calculados pela Taxa Selic, consoante previsão legal contida no art. 39, § 4º, da Lei n° 9.250, de 1995. A instância a quo, a seu turno, aplicou os arts. 13 e 15, inc. VI, da Lei nº 10.833, de 2003, com redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004, que assim dispõem: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4º do art. 3º, do art. 4º e dos §§ 1º e 2º do art. 6º, bem como do § 2º e inciso II do § 4º e § 5º do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. (...) Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (...) VI no art. 13 desta Lei. Inicialmente, convém consignar que o art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250, de 1995 referese a casos de compensação ou restituição, e não de ressarcimento. A distinção é necessária, pois o crédito passível de compensação ou restituição é aquele decorrente de um pagamento indevido ou a maior, ao passo que o crédito passível de ressarcimento é aquele decorrente de um benefício fiscal a exemplo do crédito presumido de IPI. Desse modo, o referido dispositivo não é aplicável ao caso concreto. Por outro lado, os dispositivos que versam sobre o ressarcimento do saldo credor de PIS vinculado a operações de exportação foram bem aplicados pela instância a quo. Em matéria de benefício fiscal, é legítimo ao poder concedente estabelecer como o beneficiário deverá usufruílo. Por essa razão, se a União estabeleceu que não aplicará juros sobre os valores a serem ressarcidos, utilizandose do veículo legislativo próprio para tanto, não se pode contestar tal restrição, e, portanto, mantenho a decisão recorrida também nesse particular. Conclusão Diante de todo o exposto, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário, a fim de reconhecer o direito creditório indevidamente glosado em razão da transferência onerosa de crédito de ICMS decorrente de exportação. (ASSINADO DIGITALMENTE) Daniel Mariz Gudiño Relator. Fl. 190DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO 8 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 16/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO, Assinado digitalmente em 06/01/2015 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 03/01/2015 por DANIEL MARIZ GUDINO
score : 1.0
Numero do processo: 10920.907745/2012-15
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005
JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO.
A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal.
Numero da decisão: 3803-006.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2005 a 31/08/2005 JUROS DE MORA. REDUÇÃO AUTORIZADA POR LEI. DIREITO CREDITÓRIO COMPROVADO. A Lei nº 11.941, de 2009, autoriza a redução de 45% dos juros de mora no pagamento de débitos vencidos até 30 de novembro de 2008, em razão do quê se deve reconhecer o direito creditório que havia sido indeferido indevidamente com fundamento no recolhimento a menor do referido acréscimo legal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no pleito creditório formulado. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 77 45 /2 01 2- 15 Fl. 65DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907745/201215 Acórdão n.º 3803006.798 S3TE03 Fl. 66 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou procedente apenas em parte a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da homologação parcial da compensação declarada. O contribuinte apresentara Declaração de Compensação (DComp) com vistas a extinguir débito de sua titularidade com crédito oriundo de pagamento da contribuição efetuado a maior, crédito esse reconhecido apenas em parte em razão do cômputo de multa de mora e de parte dos juros no cálculo da contribuição paga em atraso. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argüiu que, em conformidade com os documentos comprobatórios carreados aos autos (Dacon, DCTF, PER/DCOMP e guias de recolhimento), se encontrava comprovada a totalidade do crédito declarado. A DRJ Belo Horizonte/MG reconheceu em parte o direito creditório, excluindo, com base na denúncia espontânea, a multa de mora do cálculo do valor recolhido em atraso, mantendo a diferença dos juros de mora acrescida pela repartição de origem. Cientificado da decisão em 30 de junho de 2014, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 7 de julho de 2014 e requereu o reconhecimento integral do direito creditório, alegando que os juros computados no pagamento em atraso foram calculados com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009. Junto ao Recurso Voluntário o contribuinte traz aos autos cópia do DARF em que consta a informação “Lei nº 11.941/2009 – pagto. à vista”. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do não reconhecimento de parte do direito creditório pleiteado em sede de compensação, em razão da inserção de parcela dos juros de mora no cálculo do valor da contribuição recolhido em atraso, recolhimento esse em que apenas parte do referido acréscimo legal fora computado. O Recorrente alega que calculara os acréscimos moratórios com base nos benefícios da Lei nº 11.941, de 2009, regulamentada pela Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 06, de 23 de julho 2009, dispositivos esses que assim dispõem: LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009 (...) Fl. 66DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907745/201215 Acórdão n.º 3803006.798 S3TE03 Fl. 67 3 Art. 1o Poderão ser pagos ou parcelados, em até 180 (cento e oitenta) meses, nas condições desta Lei, os débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e os débitos para com a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, inclusive o saldo remanescente dos débitos consolidados no Programa de Recuperação Fiscal – REFIS, de que trata a Lei no 9.964, de 10 de abril de 2000, no Parcelamento Especial – PAES, de que trata a Lei no 10.684, de 30 de maio de 2003, no Parcelamento Excepcional – PAEX, de que trata a Medida Provisória no 303, de 29 de junho de 2006, no parcelamento previsto no art. 38 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e no parcelamento previsto no art. 10 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, mesmo que tenham sido excluídos dos respectivos programas e parcelamentos, bem como os débitos decorrentes do aproveitamento indevido de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI oriundos da aquisição de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários relacionados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI, aprovada pelo Decreto no 6.006, de 28 de dezembro de 2006, com incidência de alíquota 0 (zero) ou como nãotributados § 1o O disposto neste artigo aplicase aos créditos constituídos ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, inclusive os que foram indevidamente aproveitados na apuração do IPI referidos no caput deste artigo. § 2o Para os fins do disposto no caput deste artigo, poderão ser pagas ou parceladas as dívidas vencidas até 30 de novembro de 2008, de pessoas físicas ou jurídicas, consolidadas pelo sujeito passivo, com exigibilidade suspensa ou não, inscritas ou não em dívida ativa, consideradas isoladamente, mesmo em fase de execução fiscal já ajuizada, ou que tenham sido objeto de parcelamento anterior, não integralmente quitado, ainda que cancelado por falta de pagamento, assim considerados: (...) IV – os demais débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 3o Observado o disposto no art. 3o desta Lei e os requisitos e as condições estabelecidos em ato conjunto do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional e do Secretário da Receita Federal do Brasil, a ser editado no prazo de 60 (sessenta) dias a partir da data de publicação desta Lei, os débitos que não foram objeto de parcelamentos anteriores a que se refere este artigo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I – pagos a vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; Fl. 67DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907745/201215 Acórdão n.º 3803006.798 S3TE03 Fl. 68 4 (...) PORTARIA CONJUNTA PGFN/RFB Nº 6, DE 22 DE JULHO DE 2009 (...) Art. 1º Os débitos de qualquer natureza junto à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) ou à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), vencidos até 30 de novembro de 2008, que não estejam nem tenham sido parcelados até o dia anterior ao da publicação da Lei n º 11.941, de 27 de maio de 2009 , poderão ser excepcionalmente pagos ou parcelados, no âmbito de cada um dos órgãos, na forma e condições previstas neste Capítulo. § 1º Para os fins do disposto no caput, poderão ser pagos ou parcelados os débitos de pessoas físicas ou jurídicas, consolidados por sujeito passivo, constituídos ou não, com exigibilidade suspensa ou não, inscritos ou não em Dívida Ativa da União (DAU), mesmo que em fase de execução fiscal já ajuizada, considerados isoladamente: (...) VI os demais débitos administrados pela RFB. (...) Art. 2º Os débitos de que trata este Capítulo poderão ser pagos ou parcelados da seguinte forma: I pagos à vista, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício, de 40% (quarenta por cento) das multas isoladas, de 45% (quarenta e cinco por cento) dos juros de mora e de 100% (cem por cento) sobre o valor do encargo legal; (...) Art. 14. A dívida será consolidada na data do requerimento do parcelamento ou do pagamento à vista. Considerandose os dispositivos supra, é possível concluir pela existência de autorização legal para pagamento à vista, com redução de 100% das multas e de 45% dos juros de mora, de débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) vencidos até 30 de novembro de 2008. No presente caso, temse débito vencido em setembro de 2005 e recolhido em outubro de 2009, encontrandose, por conseguinte, abrangido pelo período autorizado pela lei. Sendo o valor do principal de R$ 14.716,77 e os juros cheios, desconsiderandose a princípio a redução autorizada pela lei, de R$ 7.339,25 (conforme índice de juros de 49,87% obtido a partir dos cálculos presentes no voto condutor do acórdão embargado, bem como no site da Receita Federal), temse que, aplicandose o percentual de Fl. 68DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10920.907745/201215 Acórdão n.º 3803006.798 S3TE03 Fl. 69 5 redução de 45%, os juros devidos ficam reduzidos a R$ 4.036,58, valor esse muito próximo, com diferença de apenas R$ 0,23, ao efetivamente recolhido a esse título pelo Recorrente (R$ 4.036,81). Diante do exposto, voto por DAR PARCIAL PROVIMENTO ao recurso, para reconhecer o direito à redução dos juros prevista na Lei nº 11.941, de 2009, no âmbito do pleito creditório formulado. O provimento apenas parcial se deve ao fato de que a imputação do pagamento efetuado para fins de homologação da compensação darseá somente no momento da execução deste acórdão. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 69DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 18/12/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 12/12/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10120.721564/2011-38
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL.
A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário.
IRPF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA.
Questão de aplicação de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme Súmula do CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária).
IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades a mantê-las no âmbito do sigilo fiscal.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origem indicadas.
Recurso Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-003.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 61.821,85.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007 IRPF. SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindo-se da intervenção do Poder Judiciário. IRPF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Questão de aplicação de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme Súmula do CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades a mantê-las no âmbito do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origem indicadas. Recurso Provido em Parte
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SIGILO BANCÁRIO. ACESSO A INFORMAÇÕES DE POSSE DE INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI COMPLEMENTAR 105/2001. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. A Autoridade Tributária pode, com base na LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. IRPF. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI TRIBUTÁRIA. Questão de aplicação de inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105/2001 é matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme Súmula do CARF nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). IRPF. QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades a mantêlas no âmbito do sigilo fiscal. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei no 9.430, de 1996, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 15 64 /2 01 1- 38 Fl. 460DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Não servem como prova argumentos genéricos, que não façam a correlação inequívoca entre os depósitos e as origem indicadas. Recurso Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o montante de R$ 61.821,85. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Alice Grecchi, Jose Raimundo Tosta Santos, Bernardo Schmidt, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Núbia Matos Moura e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado em 09/03/2011 (fls. 8/13), contra o contribuinte acima qualificado, que apurou omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, relativo ao Anocalendário 2007, que exige crédito tributário no valor de R$ 5.131.656,32, incluída multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora, calculados até 28/02/2011. Consta do Relatório Fiscal em fls. 3/7 que, inicialmente o sujeito passivo foi intimado a apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, poupanças e investimentos mantidos em seu nome, no Brasil e no exterior, no período compreendido entre 01.01 a 31.12.2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 06.01.2010, fls nºs 20 e 21, com ciência via postal, na data de 12.02.2010, conforme “AR”, fl 22. O fiscalizado requereu na data de 04.03.2010, através de seu procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl nº 24, dilação do prazo para apresentação dos documentos, em 60 dias, com a alegação de que este foi o prazo para retirálos das Instituições Financeiras, fl nº 23. Novamente o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo, na data de 10.05.2010, conforme documento acostado ao processo, fl nº 25. Tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a fiscalização procedeu à requisição de Movimentação Financeira ao Bradesco S/A, fls 31e 32, e Banco do Brasil S/A, fls 182 e 183. O Bradesco S/A encaminhou cópias dos Extratos Bancários e outros documentos, inclusive da procuração passada em favor da Sra Ludymilla Lopes da Silva, sua esposa, que se encontram às fls 34 a 181. Fl. 461DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.721564/201138 Acórdão n.º 2102003.193 S2C1T2 Fl. 451 3 O Banco do Brasil S/A encaminhou cópias dos Extratos Bancários e outros documentos, inclusive da procuração passada em favor da Sra. Ludymilla Lopes da Silva, que se encontram às fls 185 a 245. Foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 001, datado de 20.08.2010, para o fiscalizado apresentar a documentação hábil e idônea que fizesse comprovação, de forma individualizada, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos de suas contas correntes no Banco do Brasil S/A e Bradesco S/A, na relação anexada com 33 folhas, fls 246 a 279. Posteriormente, na data de 19.10.2010 foi lavrado o Termo de Reintimação Fiscal nº 001, nos mesmos termos do Termo de Intimação, concedendo 20 dias de prazo, fls 281 a 314, que foi devolvido pela EBCT, conforme documento, fl 315. A Delegacia de Origem afixou o Edital de Intimação nº 47/2010/SAFIS, na data de 29.11.2010 com prazo de desafixação na data de 14.12.2010, para ciência do Termo de Reintimação Fiscal nº 0001, datado de 19.10.2010, fl nº 316. Foi lavrado o Termo de Constatação de Continuidade de Procedimento Fiscal, na data de 16.11.2010, fl nº 317, com ciência via postal, na data de 07.12.2010, conforme “AR”, fl 318. Na data de 24.11.2010, o fiscalizado protocolou correspondência, através de seu procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl nº 319, para solicitar prorrogação de mais 12 (doze) meses de prazo, para apresentação dos documentos, fls 320 e 321. Na data de 03.05.2011, protocolou “Solicitação de cópia de Documentos”, fl nº 329, através de seu procurador, conforme Instrumento de Procuração, fl nº 331. Cientificado da exigência tributária em 06/04/2011 (fl. 16), e, inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o autuado apresentou impugnação em 05/05/2011 (fls. 335/359), acompanhada dos documentos de fls. 361/367, fornecidos pelo DETRANGO, referentes a veículos cadastrados naquele Órgão, alegando o que segue, conforme relatório da decisão a quo. a) Que teria até o dia 24.05.2011 para apresentação da defesa, que por esse motivo o processo em tela não poderia prosperar, tudo porque teria aquele prazo para impugnar, fls 335 e 336; b) Que o auto de infração se encontra eivado de incorreções o que obsta, portanto, a produção de quaisquer efeitos, que entende não ser cabível a respectiva exigência com base na conduta conhecida como depósitos bancários não contabilizados caracterizando a omissão de receitas, fl nº 337; c) Citou que a verdade material sobre os depósitos nas contas correntes serão denominadas pelo requerente de contas correntes transitórias, que o agente fiscal não considerou por completo as informações fornecidas pelas agências bancárias, fl 338; d) Que o impugnante era apenas um representante comercial, e que as movimentações financeiras havidas nas contas correntes, se destinavam à realização de compras aos clientes dele, jamais foi sequer uma forma de receita, mas sim, uma mera Fl. 462DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 movimentação do dinheiro do cliente para o fornecedor, daí o seu entendimento que eram apenas contas correntes usadas para movimentar dinheiro dos clientes, fl 338; e) Que conclui que as contas correntes somente poderiam ser fiscalizadas em caso de não recolhimento do imposto, e poderia ser autuado, por tratarse de receitas próprias, sobre comissões recebidas, e não sobre este montante que apenas transitou pelas contas correntes, que os representantes comerciais trabalham com uma comissão pequena, que na maioria das vezes, não é compensador o desenvolvimento desta atividade, que isto se demonstra pela própria contabilidade individual vivenciada no ano de 2007, fl 338; f) Que é também uma das peculiaridades deste tipo de prestação de serviços, em razão do número elevado de transações comerciais, que cheques de terceiros, mais precisamente de clientes para fornecedores, sejam repassados aos representantes e este, na sequência, os repasse aos fornecedores, tudo no intuito de fiscalizar o pagamento e receber a comissão sobre venda, que via de regra é descontada quando do repasse do pagamento ao fornecedor, que existe também o fato de valores pagos com cheques ou não, para efetivação de pagamentos de taxas e impostos municipais, estaduais e federais, fl 338; g) Que no intuito de controlar com eficiência este sistema de repasse de pagamentos e recebimentos, teve o cuidado de movimentar somente com pagamento em cheque a conta bancária do banco Bradesco S/A, como pagamento a fornecedores e somente pagamento de impostos na conta bancária do Banco do Brasil S/A, conforme demonstrativo e levantamento de extratos bancários elaborado pelo Sr. Auditor Fiscal, fls 338 e 339; h) Que o litigante atua como representante no ramo de madeireiras, e que suas atribuições são de representante comercial e industrial e intermediário na compra e venda de produtos derivados de madeiras, prestando este serviço a um muito grande de empresas de todos os portes, de vários Estados da Federação, como por exemplo, Goiás, São Paulo, Distrito Federal, Minas Gerais e Rondônia, e relacionou como exemplo depósitos efetuados no dia 05/02/2007, pelos clientes JR COMÉRCIO DE MADEIRAS, LOBO E RODRIGUES e MARCOS LUIZ XAVIER, nos valores respectivos de R$ 10.000,00, R$ 4,021,00 e R$ 3.045,00, que foram utilizados para pagamento de impostos, fl nº 339: i) Que do mesmo modo, o valor de R$ 13.076,00 que veio depositado da agência 02314, máquina 016537, sequência 02484, conforme documento 6537484 no extrato bancário do dia 26.01.2007 – Bradesco, fls nºs 339 e 340; j) Que a importância de R$ 5.997,61, que veio da agência 22411, maq03108Seq05594 – documento 1085594, conforme extrato bancário do dia 01.02.2007, fl nº 340; k) Que o valor de R$ 10.743,00 que veio da agência 02314maq016537seq03503 – documento 6537503 no extrato bancário do dia 02.02.2007, fl nº 340; l) Que o valor de R$ 110.000,00 se refere a financiamento liberado em 17.05.2007, conforme extrato bancário de fl 72, do auto de infração, fl nº 340; m) Que o valor de R$ 10.000,00, Ted.t elet Disp 6524966 – do dia 17.05.2007 – remetente – DIVINO FURTADO DE MENDONÇA, valor para pagamento de comissões clientes e fornecedores, fl nº 340; Fl. 463DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.721564/201138 Acórdão n.º 2102003.193 S2C1T2 Fl. 452 5 n) Que o Agente Fiscal não analisou profundamente os extratos bancários para verificar as origens dos depósitos, e que o banco também não lhe forneceu todas as informações necessárias para execução dos trabalhos elaborados, fl nº 340; o) Que houveram cheques devolvidos ou sustados, bem como taxas referentes a essas devoluções, fl 340; p) Que provará as origens dos depósitos havidos nas contas correntes fiscalizadas, apresentando os respectivos documentos, fl 340; q) Transcreveu o art. 1º da Lei nº 4.886/65, que trata do exercício de representante comercial, fl nº 341; r) Que quanto aos bens arrolados no presente feito, termos que não existe respaldo, pois o prazo concedido ao requerente para apresentação de sua defesa foi prorrogado até o dia 24.05.2011, fl 341; s) Que o auto de infração não pode se sustentar e via de conseqüência o arrolamento dos bens deve ser desconstituído, fl nº 341. A partir daí a impugnação tratou de assunto, que possivelmente deve pertencer a outro impugnante, que seguiu da folha nº 341 a 359, com argumentações que não dizem respeito ao auto de infração do contribuinte em questão. A Turma de primeira instância, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, conforme ementa abaixo transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RENDIMENTOS PROVENIENTES DE DEPÓSITOS BANCÁRIOS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Para os fatos geradores ocorridos a partir de janeiro de 1997, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, no seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base em valores depositados em conta bancária para os quais o titular não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. ÔNUS DA PROVA. DISTRIBUIÇÃO. O ônus da prova existe afetando tanto o Fisco como o sujeito passivo. Não cabe a qualquer delas manterse passiva, apenas alegando fatos que a favorecem, sem carrear provas que os sustentem. Assim, cabe ao Fisco produzir provas que sustentem os lançamentos efetuados, como, ao contribuinte as provas que se contraponham à ação fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Sobreveio Recurso Voluntário em 27/04/2012 (fls. 391/437), acompanhado das Planilhas de fls. 442/446, no qual, em suma, o contribuinte alegou o que segue. Fl. 464DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 6 Nulidade do Auto de Infração em decorrência do meio pelo qual a autoridade fiscal autuante obteve as informações relativas a movimentação financeira do recorrente. Nesse sentido, alega que tais informações foram obtidas mediante Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF, expedidas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho – RO, dirigidas e atendidas pelas instituições financeiras, quais sejam, Banco Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A. Sustenta que essas RMF foram emitas pela autoridade administrativa da RFB em 09/06/2010, sem o amparo de qualquer documento oficial que justificasse a quebra do sigilo bancário da recorrente, nem mesmo a malfadada “Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF)”, que é um documento interno, criado pela própria Secretária da Receita Federal do Brasil, para ser utilizado pelos servidores do Fisco no caso de solicitação de quebra de sigilo bancário de contribuinte do imposto de renda. Aduz que por certo, os extratos bancários e as informações cadastrais constantes dos autos não foram fornecidos pelo recorrente, de forma que houve a quebra do sigilo bancário pelo Fisco Federal. Requer a nulidade do lançamento, face à expedição das RMF sem a elaboração de relatório prévio circunstanciado, fundamentado, que demonstrasse com clareza e precisão, a ocorrência de situação que se subsumisse a alguma das hipóteses elencadas no art. 3º do decreto nº 3.724/2001, e ofensa ao art. 4º, §§5º e 6º, do Decreto nº 3.724/2001, o que evidencia que os extratos foram obtidos por meio ilícito, portanto inadmissíveis por vício material ou substancial. Aduz que os depósitos bancários não configuram fato jurídico tributário sujeito à incidência do imposto de renda, e alega atipicidade dos fatos descritos no auto de infração. Nesse sentido, alega que meros depósitos bancários, isoladamente considerados, não são suscetíveis de caracterizar o fato jurídico tributário que faz nascer a obrigação de recolher o Imposto de Renda. Alega nulidade do lançamento em decorrência de quebra de sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial, e ofensa a princípios constitucionais, bem como alega inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. No mérito, sustenta quanto a suposta omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, que não foram excluídos da tributação parte dos valores dos depósitos bancários relativos à cheques de clientes, os quais foram depositados e devolvidos. Alega que é perfeitamente possível verificar nos extratos bancários (fls. 255 181 e 185245) que todos os cheques registrados sob as rubricas “devol. cheque depositado” e dev. ch. depositad” foram debitados pelas instituições financeiras em desfavor do recorrente, e que se referiam aos cheques depositados cujos valores foram liberados no ato do depósito e que foram estornados pelas instituições financeiras tão logo restou comprovado a insuficiência de fundos nas contas bancárias dos emitentes dos cheques, no caso, os clientes do recorrente. Sustenta que o valor correspondente a cada cheque devolvido já havia sido considerado pela autoridade fiscal autuante como ingresso de numerário sem comprovação de origem no exato momento em que foi depositado. É o relatório. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.721564/201138 Acórdão n.º 2102003.193 S2C1T2 Fl. 453 7 Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Tratamse os autos, acerca de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, cujo contribuinte fora regularmente intimado e não comprovou a origem. Preliminarmente, alega o recorrente nulidade do lançamento fiscal em decorrência do meio pelo qual a autoridade fiscal autuante obteve as informações relativas a movimentação financeira, bem como face à expedição das RMF sem a elaboração de relatório prévio circunstanciado, fundamentado, que demonstrasse com clareza e precisão, a ocorrência de situação que se subsumisse a alguma das hipóteses elencadas no art. 3º do decreto nº 3.724/2001, e o que acarreta ofensa ao art. 4º, §§5º e 6º, do Decreto nº 3.724/2001, e evidencia que os extratos foram obtidos por meio ilícito, portanto inadmissíveis por vício material ou substancial. Sustenta que as RMF foram emitas pela autoridade administrativa da RFB em 09/06/2010, sem o amparo de qualquer documento oficial que justificasse a quebra do sigilo bancário da recorrente, nem mesmo a malfadada “Solicitação de Emissão de Requisição de Informação sobre Movimentação Financeira (RMF)”, que é um documento interno, criado pela própria Secretária da Receita Federal do Brasil, para ser utilizado pelos servidores do Fisco no caso de solicitação de quebra de sigilo bancário de contribuinte do imposto de renda. Aduz que por certo, os extratos bancários e as informações cadastrais constantes dos autos não foram fornecidos pelo recorrente, de forma que houve a quebra do sigilo bancário pelo Fisco Federal. Alega ainda o recorrente, nulidade do lançamento em decorrência de quebra de sigilo bancário pelo Fisco sem autorização judicial, e ofensa a princípios constitucionais, bem como inconstitucionalidade do art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. De início, cabe destacar que a questão de aplicação e inconstitucionalidade de lei constitui matéria que não pode ser enfrentada por este juízo, conforme o art. 26A do Decreto 70.235/72 com a redação da Lei 11.941/09; também, consoante o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, e a Súmula do CARF nº 2 (segundo consolidação das Súmulas do antigo Conselho de Contribuintes e do atual CARF, dada no Anexo II da Portaria CARF 49/10). In verbis: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Assim, rejeito a preliminar de nulidade por inconstitucionalidade e inaplicabilidade do art. 6º da Lei Complementar 105/01. Fl. 466DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 8 Quanto às RMF expedidas pelo Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Velho – RO, dirigidas e atendidas pelas instituições financeiras, quais sejam, Banco Bradesco S/A e Banco do Brasil S/A, verificase que não há qualquer irregularidade que acarrete nulidade do lançamento, posto que o contribuinte fora regulamente intimado à apresentar os extratos bancários de todas as contas correntes, poupanças e investimentos mantidos em seu nome, no Brasil e no exterior, no período compreendido entre 01/01 a 31/12/2007, conforme Termo de Início do Procedimento Fiscal, datado de 06.01.2010 (fls. 20/21), com ciência via postal, na data de 12/02/2010, conforme “AR” de fl 22. O fiscalizado requereu na data de 04/03/2010, através de seu bastante procurador, conforme Instrumento de Procuração de fl. 24, dilação do prazo para apresentação dos documentos, em 60 dias, com a alegação de que este foi o prazo para retirálos das Instituições Financeiras (fl. 23). Novamente o fiscalizado solicitou prorrogação de prazo, na data de 10/05/2010, conforme documento acostado ao processo em fl. 25. Tendo em vista a não apresentação dos documentos solicitados, a fiscalização procedeu à requisição de Movimentação Financeira ao Bradesco S/A, fls. 31/32, e Banco do Brasil S/A, fls. 182/183, não havendo portanto, em que se falar em nulidade do lançamento, uma vez que o fiscalizado não atendeu as intimações para apresentar os extratos bancários. Inclusive, cabe observar que a possibilidade de requisição de movimentação financeira pela Autoridade Administrativa encontrase prevista no art. 197, II, do Código Tributário Nacional (CTN), vindo a Lei Complementar nº 102/2001 autorizar a referida disposição expressamente: Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: (...) II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais ins tituições financeiras; Assim, a Autoridade Tributária pode, com base no art. 6º da LC nº 105 de 2001, à vista de procedimento fiscal instaurado e presente a indispensabilidade do exame de informações relativas a terceiros, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e de entidades a ela equiparadas, solicitar destas referidas, informações, prescindindose da intervenção do Poder Judiciário. Confirase: Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.721564/201138 Acórdão n.º 2102003.193 S2C1T2 Fl. 454 9 Neste contexto, havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Diante do exposto, a obtenção dos extratos bancários pelo Auditor Fiscal no presente procedimento foi procedida dentro dos parâmetros legais, sendo improcedente a alegação de prova obtida por meio ilícito, haja vista que o art. 6º da LC nº 105/2001, encontra se vigente e eficaz. Cabe apenas destacar que atualmente a matéria no Supremo Tribunal Federal (STF) no RE 601.314/SP, Min. Ricardo Lewandowski, pendente de julgamento, não havendo o STF suspendido os efeitos da norma. Ademais, tanto o Superior Tribunal de Justiça (STJ) quanto o presente Egrégio Conselho Administrativo já se manifestaram quanto à legalidade da utilização do dispositivo supracitado. No mérito, quanto à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, tal omissão respaldase no art. 849 do Decreto nº 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda), o qual regulamenta o art. 42 da Lei 9.430/1996, tendo ambos redação semelhante, e inclusive, o art. 849 faz referência expressa ao art. 42 da supracitada Lei. Art. 849. Caracterizamse também como omissão de receita ou de rendimento, sujeitos a lançamento de ofício, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais a pessoa física ou jurídica, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil ou idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (Lei nº 9.430, de 1996, art. 42). (grifei) O art. 42, caput da Lei nº 9.430/96, assim dispõe: “caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações”. No regime jurídico do art. 42 da Lei 9.430/1996 há uma presunção legal relativa, vez que, intimado para comprovar a origem dos depósitos, o contribuinte tem o ônus de comprovar cada crédito de forma individualizada. A presunção em favor do Fisco não se configura como mera suposição e transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar os créditos dos valores em contas de depósito ou de investimento, analisar a respectiva declaração de ajuste anual e intimar o beneficiário desses créditos a apresentar os documentos/informações/esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de rendimentos de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430/1.996. Todavia, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 10 O recorrente não se desincumbiu do ônus imposto pela presunção legal relativa, vez que do exame das peças constituintes dos autos, o interessado, não obstante tivesse ampla oportunidade de fazêlo, não logrou comprovar, nem na fase de autuação, nem na fase impugnatória e no presente recurso, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos valores creditados nas contas bancárias indicadas pelo Fisco. Ao deixar de produzir a comprovação, o contribuinte dá ensejo à transformação do indício em presunção de omissão de rendimentos. A impossibilidade do contribuinte em comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos que ensejaram a referida movimentação financeira, evidencia que a mesma corresponde a disponibilidade econômica ou jurídica de rendimentos sem origem justificada Cabe frisar que o objeto da tributação não foi o depósito bancário ou a aplicação financeira, em si, mas a omissão de rendimentos representada e exteriorizada pelo mesmo, vez que, os depósitos bancários são utilizados unicamente como instrumento de arbitramento dos rendimentos presumidamente omitidos. Inclusive, é entendimento pacificado neste E. Conselho, através da Súmula nº 26 do CARF, que não há necessidade de a fiscalização demonstrar sinais exteriores de riqueza para fundamentar lançamentos com base em depósitos bancários sem origem justificada: “Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.” Dessa forma, é perfeitamente cabível a tributação com base na presunção definida em lei, posto que o deposito bancário é considerado uma omissão de receita ou rendimento quando sua origem não for devidamente comprovada, conforme previsto no art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996. Logo, não merece guarida as alegações do recorrente no sentido de que os depósitos bancários não configuram fato jurídico tributário sujeito à incidência do imposto de renda. Por fim, sustenta o recorrente que não foram excluídos da tributação parte dos valores dos depósitos bancários relativos à cheques de clientes, os quais foram depositados e devolvidos. Para corroborar tais alegações, o interessado apresenta Planilha anexa ao presente em fls. 442/446, no qual relaciona os valores dos cheques depositados nas suas contas bancárias e que posteriormente foram devolvidos pelas instituições bancárias por insuficiência de fundos. Ainda relativamente a tais argumentos, sustenta que “é perfeitamente possível verificar nos extratos bancários (fls. 255181 e 185245) que todos os cheques registrados sob as rubricas “devol. cheque depositado” e dev. ch. depositad” foram debitados pelas instituições financeiras em desfavor do recorrente, ou seja, se referiam aos cheques depositados cujos valores foram liberados no ato do depósito e que foram estornados pelas instituições financeiras tão logo restou comprovado a insuficiência de fundos nas contas bancárias dos emitentes dos cheques, no caso, os clientes do recorrente.” Compulsando os autos, extraise do Relatório Fiscal em fl. 5, o seguinte trecho acerca da análise dos extratos bancários: Fl. 469DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10120.721564/201138 Acórdão n.º 2102003.193 S2C1T2 Fl. 455 11 “Procedeuse, então, à verificação dos lançamentos nos extratos bancários, excluindose os créditos referentes a estornos, resgates de aplicações financeiras e de poupança – comprovados, cheques devolvidos e empréstimos bancários. Entretanto, há outros créditos que não se enquadram nestas hipóteses, configurando recebimentos de outras fontes não comprovadas.” A partir daí, foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal nº 0001, do qual o contribuinte foi cientificado e intimado à apresentar documentação hábil e idônea, de forma individualizada, da origem dos recursos depositados nas suas contas correntes no Banco do Brasil e no Banco HSBC, relacionadas pela fiscalização no Anexo ao Termo, em fls. 247/279. Da análise do Termo de Verificação Fiscal nº 0001, verificase que o Fisco efetivamente excluiu do lançamento quase que a totalidade dos cheques devolvidos, os quais sustenta o recorrente que foram mantidos na exigência fiscal. Da planilha elaborada pelo contribuinte, relativamente ao Banco do Brasil, temse que o valor de R$ 1.700,00 depositado no dia 10/08/07, fora mantido no lançamento fiscal por equívoco, tendo em vista que este valor fora lançado como “DESBL. DEPOSITO”, e na mesma data e valor consta registro no histórico como “DEV CH DEPOSIT”. Logo, a conclusão que se faz é, no sentido de que o Fisco exclui tão somente o valor de R$ 1.700,00 referente a “DEV CH DEPOSIT”, mantendo na exigência fiscal o mesmo valor relativo ao “DESBL. DEPOSITO”. Assim, deve ser excluído do presente lançamento, o valor de R$ 1.700,00, o qual se refere ao crédito na conta bancária do recorrente, e que posteriormente foi devolvido por insuficiência de fundos. Quantos ao valores de R$ 800,00 (documento nº 2043748173) e R$ 16.000,00 (documento 049600), ambos do dia 14/09/2007, dos quais o recorrente se insurge, dá análise dos autos, verificase que estes mesmos valores foram depositados no dia 13/09/2007, tendo o fisco intimado o contribuinte à comprovar a origem somente desses créditos. No entanto, constatase que no dia 14/09/2007, há registro no extrato bancário de “DEV CH DEPOSIT”, coincidente em valor e número do documento. Portanto, restando comprovado que os valores de R$ 800,00 e R$ 16.000,00 trataramse de depósitos efetuados em 13/09/2007 e que no dia seguinte (14/09/2007) foram estornados sob a rubrica de “DEV CH DEPOSIT”, devem ser excluídos do lançamento. No que tange o valor de R$ 308,00 do dia 22/08/2007, do qual o recorrente se insurge, verificase que este valor não foi objeto de intimação pela autoridade fiscal, conforme podese constatar do Anexo do Termo de Intimação em fl. 249. Relativamente ao dia 22/08/2007, o Fisco intimou o contribuinte tão somente à comprovar a origem do valor de R$ 790,00, o qual não guarda qualquer relação com o depósito supramencionado. Assim, considerando que o valor de R$ 308,00 não fora objeto de intimação, não há qualquer reparos a ser efetuado no lançamento no que tange a este valor. Quanto a Planilha apresentada pelo contribuinte relativamente ao Banco Bradesco (fls. 443/446), requer que os valores dela constante sejam excluídos do presente lançamento, verificase que assiste razão o recorrente, exclusivamente, quanto aos valores descriminados a seguir, conforme tabela abaixo, tendo em vista que tais valores restaram depositados e devolvidos no mesmo dia. Vejamos: Fl. 470DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 12 DATA HISTÓRICO DÉBITO/CREDITO EXT. BANC. FL. 09/03/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 3.852,00 53 09/03/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 3.852,00 53 08/05/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 4.725,00 68 06/06/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 9.944,85 80 06/06/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 9.944,85 80 16/07/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 3.000,00 100 16/07/07 DEVOLUÇÃO CHQ SEM FUNDOS* R$ 3.000,00 100 27/07/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 10.000,00 109 27/07/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 10.000,00 109 19/12/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 4.900,00 169 19/12/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 4.900,00 169 21/12/07 DEPOS CC AUTOAT R$ 2.000,00 171 21/12/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 2.000,00 171 21/12/07 TRANSF ENTRE AGEN CHEQUE R$ 4.900,00 170 21/12/07 DEVOL CHEQUE DEPOSITADO* R$ 4.900,00 171 Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar as Preliminares e no mérito dar PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso, para excluir da base de cálculo do lançamento o valor de R$ 61.821,85 (sessenta e um mil, oitocentos e vinte e um reais e oitenta e cinco centavos). (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 471DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/12/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/12/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 20/12/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10510.004878/2008-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jan 27 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DA AUTUAÇÃO.
É válida a autuação quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público.
DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. DESCABIMENTO.
A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972.
Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos.
É indeferido o pedido de oitiva de testemunhas não fundamentado.
BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. TRIBUTAÇÃO.
Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento feito a contribuintes individuais pela prestação de serviços à empresa.
Não há isenção sobre os pagamentos feitos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão quando o pagamento corresponde a uma contraprestação.
JUROS DE MORA.
A matéria relativa aos juros de mora é estranha ao processo, motivo pelo qual não cabe ao CARF sobre ela se manifestar, sob pena de incorrer em decisão extra petita.
GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE.
Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea c do CTN, aplica-se a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32-A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.289
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32-A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes.
Julio Cesar Vieira Gomes Presidente e Redator Designado
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS
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FATOS GERADORES Recorrente FUNDAÇÃO DE APOIO À EDUCAÇÃO E AO DESENVOLVIMENTO TECNOLÓGICO DE SERGIPE Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. VALIDADE DA AUTUAÇÃO. É válida a autuação quando não se configura óbice à defesa ou prejuízo ao interesse público. DILAÇÃO PROBATÓRIA. PEDIDO DE PERÍCIA. OITIVA DE TESTEMUNHAS. DESCABIMENTO. A prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão, com exceção das hipóteses do § 4º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Não é conhecido o pedido de perícia desacompanhado de indicação do perito, dos motivos do pedido e da formulação dos quesitos. É indeferido o pedido de oitiva de testemunhas não fundamentado. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. CONTRIBUINTE INDIVIDUAL. TRIBUTAÇÃO. Incide contribuição previdenciária sobre o pagamento feito a contribuintes individuais pela prestação de serviços à empresa. Não há isenção sobre os pagamentos feitos a título de bolsa de ensino, pesquisa e extensão quando o pagamento corresponde a uma contraprestação. JUROS DE MORA. A matéria relativa aos juros de mora é estranha ao processo, motivo pelo qual não cabe ao CARF sobre ela se manifestar, sob pena de incorrer em decisão extra petita. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 48 78 /2 00 8- 83 Fl. 491DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 GFIP. OMISSÕES. INCORREÇÕES. INFRAÇÃO. PENALIDADE MENOS SEVERA. RETROATIVIDADE BENIGNA. PRINCÍPIO DA ESPECIALIDADE. Em cumprimento ao artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN, aplicase a penalidade menos severa modificada posteriormente ao momento da infração. A norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial para adequação da multa aplicada ao artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica, vencida a relatora. Apresentará voto vencedor o conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes. Julio Cesar Vieira Gomes – Presidente e Redator Designado Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Ronaldo de Lima Macedo e Thiago Taborda Simões. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 492 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão n.º 1519.427 da 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) SalvadorBA, fl. 436452, com ciência ao sujeito passivo em 25/06/2009, fl. 472 que julgou improcedente a impugnação apresentada contra o Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) lavrado sob o Debcad no 37.157.7420, com ciência ao sujeito passivo em 29/09/2008, f. 3. De acordo com o relatório fiscal de fl. 1523, e anexos, o AIOA trata de aplicação de penalidade por infração ao art. 32, inciso IV, § 5o da Lei n.° 8.212/91, acrescentado pela Lei nº 9.528/97 c/c art. 225, IV, § 4o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, em razão da conduta de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimentos do FGTS e Informações a Previdência Social (GFIP) no período de 01/01/2004 a 31/12/2004, com omissão dos pagamentos feitos em desacordo com a legislação, a título de bolsas de estudo, de pesquisa, de extensão ou de estágio, e a outros títulos, feitos aos segurados contribuintes individuais relacionados no Anexo I, fl. 2634. Conforme consignado no relatório fiscal, os fatos geradores foram agrupados por levantamentos, conforme abaixo: 27. Levantamento CST Consultoria em saúde e segurança do trabalho. A FUNCEFET apresentou termo de contrato entre o prestador, Sr. Ronnie da Silva Ferreira, e a FUNCEFET para realização de serviço de consultoria. Além da natureza do serviço não ser complementação de aprendizagem, não houve a necessária interveniência de instituição de ensino. 28. Levantamento ENS — Ensaio de banda de música. Tratase de valores pagos ao Sr.Humberto Nunes de Menezes a título bolsa pelo serviço de treinamentos e ensaios de banda de música e banda marcial. 28.1. Embora o diretor executivo da FUNCEFET tenha informado verbalmente a esta fiscalização que se tratou de bolsa de estágio, não foi apresentado o correspondente termo de compromisso de estágio ou outro documento equivalente. 29. CTC — Consultoria técnicocientífica: projeto que teve como objetivo o desenvolvimento de sistema de "inspeção e fiscalização dos sistemas de medição de petróleo e gás natural de Sergipe e Alagoas" realizado pela Agência Nacional de Petróleo. De acordo com o instrumento contratual de n° 4.114/01 — ANP 015016, tratase de um contrato de prestação de serviços de consultoria. 29.1. Na esteira deste projeto, a FUNCEFET firmou contrato de concessão de bolsa para os senhores Jorge Luiz Sotero de Santana e Gustavo José Cardoso Braz, atendendo aos requisitos do Projeto de Pesquisa PROINPT n°. 0102/20021, intitulado "Identificação de parâmetros determinantes no cálculo das incertezas verificadas na medição fiscal de petróleo e gás natural e investigação das principais características da Fl. 493DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 integridade estrutural das estações de medição de petróleo e gás natural". 29.2. Este trabalho teve como objetivo "desenvolver algoritmos para análise de sistemas de medição em instalações de petróleo e gás natural" e previu a ANP como uma das principais interessadas no desenvolvimento da tecnologia. Outros contribuintes individuais: 30. Além dos contribuintes individuais que a empresa expressamente reconhece como tal e daqueles que perceberam bolsas acadêmicas, foram identificados outros segurados desta categoria, segundo levantamentos a seguir identificados: 30.1. Levantamento JUR — Assessoria jurídica , referente à prestação de serviços jurídicos pelo Sr. Sérgio Maurício Cardoso; 30.2. Levantamento EXM — Exames e seleções , alusivo à prestação dos serviços necessários para a realização de exames e seleções pela FUNCEFET, tais como preparação de provas, sua correção, coordenação, fiscalização e vigilância nos dias de prova. O cálculo da multa foi demonstrado no Anexo II Totalização das contribuições não declaradas em GFIP e da multa total aplicada, f. 35. A autuada apresentou impugnação tempestiva abrangendo as matérias do lançamento. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário lançado. O julgado restou assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 AUTO DE INFRAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração prevista na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, art. 32, inciso IV e parágrafo 5% acrescentado pela Lei n° 9.528, de 10 de dezembro de 1997, a empresa apresentar Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. RETROATIVIDADE DA PENALIDADE MAIS BENÉFICA AO SUJEITO PASSIVO. Tratandose de ato não definitivamente julgado, a lei aplicase a ato ou fato pretérito quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (Alínea "c" do inciso lI do art. 106 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional CTN). NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 493 5 Não prosperam as alegações de cerceamento do direito de defesa, por obscuridade do lançamento. O Relatório Fiscal e os anexos do AI trazem informações seguras e detalhadas, contendo a identificação do autuado, o dispositivo legal infringido, o valor e o dispositivo legal da multa aplicada, bem como o local, a data e a hora de sua lavratura. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N° 8 DO STF. CONTAGEM DO PRAZO. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NOTA TÉCNICA PGFN/CAT N° 856/2008. INOCORRÊNCIA. É inconstitucional o art. 45 da Lei 8.212, de 1991, consoante entendimento esposado pela Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal, publicada no DOU de 20/06/2008. Nos termos da Nota Técnica PGFN/CAT n° 856, de 01 de setembro de 2008, para a contagem do prazo decadencial em relação a descumprimento de obrigações acessórias deve ser utilizado o art. 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Entre o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (01/2005) e a sua efetiva realização (ciência da autuação em 09/2008), não transcorreu prazo superior a 5 (cinco) anos, não se sustentando a alegação de decadência argüida na peça de impugnação. BOLSA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO. DESCARACTERIZAÇÃO. A isenção de contribuições previdenciárias sobre importâncias referentes à bolsa de ensino, pesquisa e extensão, concedida na Lei n.° 8.958, de 1994, não se aplica quando os resultados importem em mera contraprestação de serviços. BOLSA DE ESTÁGIO. INTERVENIÊNCIA OBRIGATÓRIA. A realização do estágio darseá mediante termo de compromisso celebrado entre o estudante e a parte concedente, com interveniência obrigatória da instituição de ensino. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. DEVER DO AGENTE FISCAL. 0 agente fiscal tem, por disposição expressa no art. 66 do DecretoLei 3.688 de 1941 (Lei de Contravenções Penais), o dever de formalizar Representação Fiscal para Fins Penais (RFFP), sempre que, no exercício de suas funções internas ou externas, tiver conhecimento da ocorrência, em tese, de crime de ação penal pública incondicionada ou contravenção penal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Não cabe ao órgão administrativo julgar sobre a constitucionalidade ou não de lei ou ato normativo, função esta Fl. 495DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 que pertence ao Poder Judiciário, enquanto não expurgada do ordenamento jurídico, a norma tem presunção de constitucionalidade, motivo pelo qual cabe à autoridade fiscal cumprida, já que exerce atividade administrativa plenamente vinculada. PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual. OITIVA DE TESTEMUNHAS. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. É incabível o pedido para depoimento pessoal e oitiva de testemunhas, no âmbito da primeira instancia do contencioso administrativo Fiscal, por falta de previsão legal para a realização de audiência de instrução. Em 09/07/2009, o sujeito passivo, representado por advogado com instrumento de mandato juntado aos autos do processo nº 10510.004874/200803, interpôs recurso, f. 456483, apresentando suas alegações, cujos pontos relevantes para a solução do litígio são, em síntese: Em preliminar, alega invalidade do lançamento por cerceamento de defesa, argumentando que a descrição da infração não é clara, não há correlação compreensível dos fatos relatados com as planilhas de cálculos das contribuições, não há demonstração da composição da base de cálculo, o que não permite saber como o fiscal chegou aos valores lançados. Sustenta que é praticamente impossível distinguir o objeto dos autos de infração lavrados nessa ação fiscal, especialmente porque o período fiscalizado é o mesmo e o Relatório Fiscal das autuações é cópia fiel um do outro. Argumenta, ainda, que recebeu todas as peças de lançamento em um Compact Disc (CD), o que inviabilizou a leitura, a compreensão e a análise do Auto de Infração no prazo para apresentação da defesa, ressaltando que não está obrigada a ter instalado nos seus computadores os programas específicos para leitura dos arquivos digitais. Entende que a penalidade aplicada não está discriminada com clareza, o que não é suprido por uma vasta relação de normas jurídicas. No mérito, esclarece que seu objetivo social é captar e gerenciar recursos financeiros através de convênios com entidades públicas e privadas, destinados à implementação de projetos de pesquisa e extensão realizados pela Universidade Federal de Sergipe com a participação de seus professores/pesquisadores, exclusivamente para a consecução das finalidades esboçadas no projeto para o qual foram escolhidos. Portanto, afirma que não há subordinação jurídica nem vínculo empregatício entre a recorrente e os professores/pesquisadores porque esses profissionais não desenvolvem a atividadefim da recorrente. A inexistência de vínculo empregatício nesses casos está expressamente prevista em lei, art. 4o, § 1o da Lei 8.958/94, e tem sido confirmada sua aplicação pelos tribunais pátrios, conforme ementas transcritas. Alega que a multa aplicada, equivalente a 100% do valor do tributo é desproporcional e desarrazoada, o que desvirtua a natureza meramente punitiva da multa. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 494 7 Suscita a ilegalidade da cumulação do índice de correção monetária, com juros de mora de 1% e com a taxa Selic. Ao final, requer: A declaração da nulidade do auto de infração ou o reconhecimento da improcedência do lançamento, ou, subsidiariamente, a redução da multa para o percentual de 24%, e, ainda, a exclusão dos juros de mora de 1% ao ano do cálculo de atualização do crédito fiscal, mantendose apenas a Taxa SELIC. Protesta por todos os meios de prova, inclusive a realização de perícia, e, especialmente a testemunhal. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 Voto Vencido Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora Conheço do recurso por estarem presentes os requisitos de admissibilidade. Preliminar de Invalidade do Lançamento O relatório fiscal contém a descrição dos fatos imputados ao sujeito passivo, o período e a fundamentação jurídica da autuação, assim como a indicação dos documentos nos quais se materializaram os fatos geradores. No Anexo I estão identificados pelo nome os beneficiários dos pagamentos que deixaram de ser incluídos em GFIP e há indicação da data do pagamento, do valor pago e a descrição do serviço prestado e no Anexo II está demonstrado o cálculo da multa aplicada. O auto de infração, em síntese, permite à interessada conhecer a motivação fática e jurídica do lançamento, permitindolhe defenderse plenamente. A argumentação genérica de que há obscuridade na demonstração dos fatos e na demonstração do cálculo da multa não é suficiente para macular o lançamento, assim como não se presume o prejuízo à defesa causado pelo recebimento do auto de infração em meio magnético, cabendo à interessada demonstrar o efetivo prejuízo. A nulidade do lançamento, por ser ato extremo, só deve ser declarada quando presente prejuízo insuperável para o sujeito passivo, sobretudo quando o vício do ato lhe impede o exercício da ampla defesa e do contraditório, ou quando lesar o interesse público, conforme se extrai do art. 55 da lei 9.784/99, contrario sensu: Art. 55. Em decisão na qual se evidencie não acarretarem lesão ao interesse público nem prejuízo a terceiros, os atos que apresentarem defeitos sanáveis poderão ser convalidados pela própria Administração. Concluo que o lançamento contém os requisitos mínimos aptos a lhe garantir a presunção de certeza e liquidez, em harmonia com o art. 10 do Decreto 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade invocada. Mérito Pedido de Produção de Provas. Prova Pericial. Oitiva de Testemunha Conforme determina o § 5o do art. 16 do Decreto 70.235/72, a juntada de documentos após a impugnação, por ser excepcional, deve ser justificada com base em pelo menos um dos motivos previstos em seu § 4o, que, em síntese, remete à ocorrência de força maior, fato ou direito superveniente ou contraposição de fatos ou fundamentos novos: Art. 16 (...) Fl. 498DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 495 9 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997): a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Não ficou demonstrada a ocorrência das hipóteses autorizadoras para juntada de provas documentais. Também não está fundamentado o pedido de prova pericial e testemunhal. A prova pericial prestase a esclarecer pontos duvidosos que exijam conhecimentos especializados e não para substituir o ônus do sujeito passivo, relativamente à produção de provas que, por sua natureza, já poderiam ter sido juntadas aos autos no momento da apresentação da impugnação. Ademais, o Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 (PAF), em seu art. 16, § 1º (com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1º) estabelece que se considera não formulado o pedido de perícia não fundamentado e sem indicação do nome, endereço e qualificação profissional do perito. Na mesma linha, não foi fundamentado o pedido de oitiva de testemunhas, cuja prova, salvo demonstração em contrário, é prescindível, pois a matéria em litígio, por sua natureza, provase por documentos. Em síntese, rejeito o pedido de produção de provas nessa fase processual. Bolsa de Ensino, Pesquisa e Extensão. Tributação A recorrente contesta a autuação afirmando que os pagamentos realizados têm natureza de bolsa de ensino, pesquisa e extensão, regulada pela Lei 8.958/94, sobre os quais não haveria incidência de contribuição previdenciária. Fl. 499DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 A Lei 8.958/94 autoriza as Instituições Federais de Ensino Superior (IEF) e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas (ICTs) de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, a celebrar convênios e contratos com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos, e disciplina as relações daí decorrentes: Art. 1o As Instituições Federais de Ensino Superior IFES e as demais Instituições Científicas e Tecnológicas ICTs, de que trata a Lei nº 10.973, de 2 de dezembro de 2004, poderão celebrar convênios e contratos, nos termos do inciso XIII do caput do art. 24 da Lei no 8.666, de 21 de junho de 1993, por prazo determinado, com fundações instituídas com a finalidade de apoiar projetos de ensino, pesquisa, extensão, desenvolvimento institucional, científico e tecnológico e estímulo à inovação, inclusive na gestão administrativa e financeira necessária à execução desses projetos. (Redação dada pela Lei nº 12.863, de 2013) O art. 4o dessa lei autoriza a participação, sem vínculo empregatício, de servidores das IFEs e demais ICTs nas atividades realizadas pelas fundações, relacionadas ao apoio a projetos de ensino, pesquisa e extensão, mediante concessão de bolsas de ensino, pesquisa e extensão: Art. 4o As IFES e demais ICTs contratantes poderão autorizar, de acordo com as normas aprovadas pelo órgão de direção superior competente e limites e condições previstos em regulamento, a participação de seus servidores nas atividades realizadas pelas fundações referidas no art. 1o desta Lei, sem prejuízo de suas atribuições funcionais. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) § 1o A participação de servidores das IFES e demais ICTs contratantes nas atividades previstas no art. 1o desta Lei, autorizada nos termos deste artigo, não cria vínculo empregatício de qualquer natureza, podendo as fundações contratadas, para sua execução, conceder bolsas de ensino, de pesquisa e de extensão, de acordo com os parâmetros a serem fixados em regulamento. (Redação dada pela Lei nº 12.349, de 2010) A fiscalizou identificou pagamentos feitos a este título pela recorrente a diversos profissionais e tributou a prestação de serviço sem vínculo empregatício, o que está de acordo com o disposto no art. 4o § 1o da Lei 8.958/94, enquadrandoos na categoria de segurados contribuintes individuais de que trata o artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99. Esse dispositivo da Lei 8.212/91 prevê a incidência de contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos trabalhadores sem vínculo empregatício que prestem serviços à empresa, de modo que, somente não ocorreria incidência de contribuição previdenciária se ao pagamento não correspondesse uma contraprestação. Aliás, este é o fundamento para isenção do imposto de renda pessoa física sobre os valores recebidos a título de bolsas de estudo e de pesquisa, em sentido próprio, conforme art. 26 da Lei 9.250/96: Fl. 500DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 496 11 Art. 26. Ficam isentas do imposto de renda as bolsas de estudo e de pesquisa caracterizadas como doação, quando recebidas exclusivamente para proceder a estudos ou pesquisas e desde que os resultados dessas atividades não representem vantagem para o doador, nem importem contraprestação de serviços. Visto isso, passo à análise individualizada dos contratos juntados aos autos, a fim de identificar a natureza dos valores envolvidos. a) Prestação de serviço de consultoria em saúde e segurança do trabalho: contrato de concessão de bolsa de pesquisa e extensão referente ao programa de incentivo à produção intelectual tecnológica — PROINPT, de 02/04/2004, f. 9293, repetido às fl. 7374, celebrado entre a FUNCEFETSE e RONNIE DA SILVA FERREIRA. A autuação trata da omissão em GFIP das remunerações pagas pela recorrente a Ronnie da Silva Ferreira, pela prestação de serviço de consultoria em saúde e segurança do trabalho. No contrato apresentado não há descrição das atividades desempenhadas pelo contratado. Tratase de contrato celebrado entre a recorrente e o prestador do serviço sem qualquer relação com as atividades do art. 1o da Lei 8.958/94, cuja remuneração, portanto, não se enquadra como bolsa de ensino, pesquisa e extensão. b) Prestação de serviço de consultoria técnica: contrato nº 4.114/01 —ANP 01501 de prestação de serviços de consultoria técnica que entre si celebram a Agência Nacional do Petróleo — ANP, a Escola Técnica Federal de Sergipe (ETFSE), com a interveniência da FUNCEFETSE, de 02/02/2002, f. 7583. A autuação também trata da omissão em GFIP das remunerações pagas pela recorrente a Jorge Luiz Sotero de Santana, Gustavo José Cardoso Braz e Marcos Pedro Ferreira, pela prestação de serviço de consultoria técnicocientífica. O contrato foi celebrado entre a ANP, na condição de contratante, e a ETFSE, como contratada para prestação de serviço de consultoria à contratante, tendo por objeto “realizar serviços de consultoria técnica, visando proceder a inspeção nos sistemas de medição de petróleo e gás natural e nas instalações e produção nas áreas objeto de concessão, na região do Nordeste do Brasil, com atuação nos estados de Sergipe e Alagoas”. O contrato tem como objetivos específicos (item 3 do projeto de pesquisa): Desenvolver técnicas de verificação prévia de sistemas de medição de vazão nas instalações de produção de petróleo e gás natural; Desenvolver técnicas de verificação das instalações de produção de petróleo e gás natural; Desenvolver projetos na área de calibração de instrumentos; Desenvolver técnicas de medição de propriedades de fluidos em circuito multifásico; Fl. 501DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 Elaboração de uma metodologia de cálculo de incertezas aos processos pesquisados. De acordo com o contrato, constitui obrigação da contratante (ANP) o pagamento do valor contratado (cláusula 7a), incluindo a remuneração dos serviços de consultoria, sendo o pagamento realizado por intermédio da autuada, na condição de interveniente FUNCEFETSE (cláusula 9a). Para execução deste contrato foi elaborado projeto de pesquisa, f. 8895, e foram celebrados dois contratos de concessão de bolsa de pesquisa e extensão entre a FUNCEFETSE e os prestadores de serviço Gustavo José Cardoso Braz e Jorge Luiz Sotero de Santana, f. 8487, repetidos às fl. 242248. Consta dos autos Nota Fiscal de Prestação de Serviços emitida pela recorrente em 30/01/2004, no valor de R$ 27.400,00, referente a serviços prestados à ANP, vinculados a este contrato, f. 96. Esses documentos evidenciam que os pagamentos aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE não foram feitos a título de doação, exclusivamente para que os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, como contraprestação pela prestação dos serviços de consultoria técnica, devendo, portanto, ser informados em GFIP, nos termos da autuação. c) Prestação de serviços em Cursos de Educação Profissional: CONVÊNIO DE MÚTUA COLABORAÇÃO PARA A REALIZAÇÃO DE CURSOS DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL DE NÍVEL TÉCNICO PARA A INDÚSTRIA DO PETRÓLEO E GÁS NATURAL – Convênio PRHANP/MECTécnico nº 43, datado de 11/10/2001, celebrado entre a Agência Nacional de Petróleo – ANP e a Escola Técnica Federal de Sergipe – ETFS, fl. 226239. Este convênio tem por objetivo “regular as condições e responsabilidades dos participes com a realização do Programa Institucional de Cursos(s) de Educação Profissional de Nível Técnico para a Indústria do Petróleo e Gás Natural (doravante designado “Programa”), a ser executado pela Convenente conforme Plano de Trabalho constante do Anexo I, parte integrante do presente Convênio” (cláusula 1.1): Constam também dos autos as fichas dos beneficiários do referido convênio, na modalidade “bolsa de técnico”, e “bolsa de coordenação”, fl. 351429, que são as seguintes pessoas: Bolsistas beneficiários Ailler Fontes Dias Alexandre Azevedo Dutra Alisson Leal Rocha Alisson Matos de Santana Ana Paula dos Santos Cruz Anderson Azevedo de Souza Anderson Lucas Mascarenhas Asley Patric de Jesus Carvalho Carlos Fernando Dias dos Santos Carlos Mateus Santos Freire Cleberton Vieira de Oliveira Cristiano Francisco Cruz de Menezes Daniel Fernando Santos Costa Diógenes Santos Santana Fl. 502DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 497 13 Edinho de Souza Santos Edson dos Santos Alcantara Eduardo Ferreira dos Santos Junior Eliano da Silva Oliveira Emerson Diaz Nascimento Emerson dos Santos Bispo Fabiano Barbosa Bomfim Fabiano Santos Andrade Fábio José Aquino Soledade Fábio Santos Nascimento Flavia Rejanne Freitas Ramos Genisson Mnelo Santos George Luis Emiliano da Silva Gideoni dos Santos Correia Gleison Oliveira Santos Helder Santos Machado Ivaldo Vieira da Rocha Ivan dos Santos Silva Jasiel Santos Alves Jean Ramos Fonseca Jefferson José Reis Nunes Joab Matos Braz João Henrique dos Anjos Lenik João Marques dos Santos Filho João Ricardo Mazeo de Souza Joe Igor de Oliveira Jorge Alberto da Silva Melo José Nunes dos Santos Junior José Raimundo Felix Souza José Robson Nobre dos Santos José Wilson Sousa Silva Joseli de Santana Santos Juliana Ribeira da Silva Julio Cesar dos Santos Klevio Oliveira Souza Lidiane Xavier de Oliveira Luciano Santos Santana Marcelo de Mendonça Santos Márcio André Silva Jesus Marcos Antonio Araujo de Oliveira Marcos Antonio Silva de Barros Marcos de Oliveira Santos Marcos Vieira da Rocha Moises Franciscos dos Santos Natan Alves dos Santos Raimundo Correia Dantas Neto Raul de Gois Oliveira Ricardo Teixeira dos Santos Richardson Gois do Carmo Robson Calazans dos Santos Ronnie da Silva Ferreira Rosana Ferreira Alves Santos Fl. 503DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 Sheila Roberta Santos Barbosa Simone do Nascimento Lisboa Thais Matias Dantas Thiago Lima Borges Thiago Silva de Araújo Valter Luis Fernandes de Sales Viviane Santos Barreto Walden Alexey Sá Azevedo Walter Antonio Brasil Bomfim Yves Marques Ferreira Os documentos juntados não são eficazes para comprovar o pagamento de bolsas de ensino, pesquisa e extensão aos profissionais identificados no auto de infração (Anexo I), os quais não estão elencados dentre os bolsistas beneficiários do programa, acima relacionados, com exceção do profissional Valter Luis Fernandes de Sales. Além disso, a recorrente não faz parte do convênio apresentado, que foi celebrado entre a Agência Nacional de Petróleo – ANP e a Escola Técnica Federal de Sergipe – ETFS, com interveniência do Ministério da Educação e Cultura – MEC, de modo que não restou comprovado o nexo entre o programa de que trata o convênio e os pagamentos feitos pela recorrente. Em suma, não ficou comprovado que os pagamentos aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE foram feitos a título de doação, exclusivamente para que os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, que foram realizados como contraprestação pela prestação dos serviços técnicos, devendo, portanto, ser informados em GFIP, nos termos da autuação. d) prestação de serviço de treinamento e ensaio de banda de música, serviço de fiscalização, vigilância, decoração, recepção e coordenação em exame de seleção e serviço de assessoria jurídica e de contador A autuação também se refere à omissão em GFIP das remunerações pagas pela recorrente aos profissionais que lhe prestaram serviços de treinamento e ensaios de banda de música e banda marcial, de fiscalização, vigilância, decoração, recepção e coordenação em exame de seleção, de assessoria jurídica e de contador. A fiscalizou entendeu que esses profissionais prestaram serviços à recorrente sem vínculo empregatício, enquadrandoos na categoria de segurados contribuintes individuais de que trata o artigo 22, inciso III, da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.876/99. Esse dispositivo prevê a incidência de contribuição previdenciária sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos trabalhadores sem vínculo empregatício que prestem serviços à empresa, de modo que, somente não ocorreria incidência de contribuição previdenciária se ao pagamento não correspondesse uma contraprestação. Embora a recorrente alegue que esses pagamentos têm natureza de bolsa de ensino, pesquisa e extensão, deixou de apresentar os contratos correspondentes e demais documentos comprobatórios de sua alegação. Ao contrário, os recibos, folhas de pagamentos e demais documentos anexados ao relatório fiscal, f. 97166, demonstram que os pagamentos aos profissionais contratados pela FUNCEFETSE não foram feitos a título de doação, exclusivamente para que Fl. 504DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 498 15 os contratados realizassem estudo ou pesquisa, mas sim, como contraprestação pela prestação de serviços, devendo, portanto, ser informados em GFIP, nos termos da autuação. Multa A multa foi aplicada com base na legislação de regência, cujos dispositivos legais estão citados no relatório fiscal, sendo que a vigência desses dispositivos legais não pode ser negada pelo CARF com base em alegação de afronta a princípio constitucional da vedação ao confisco, por força do enunciado da Súmula CARF nº 02, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Entretanto, com a edição da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, que alterou profundamente o regime de multas em matéria previdenciária, cabe aplicação da multa nova, caso mais benéfica. A lei nova revogou o art 35 da Lei 8.212/911, que previa os percentuais de multa aplicáveis sobre as contribuições sociais em atraso para pagamento espontâneo, que é o 1 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) quatro por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) sete por cento, no mês seguinte; c) dez por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) doze por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) quinze por cento, após o 15º dia do recebimento da notificação; c) vinte por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) vinte e cinco por cento, após o 15º dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) trinta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) trinta e cinco por cento, se houve parcelamento; c) quarenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cinqüenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 505DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 16 realizado após a data de vencimento do tributo, mas antes do início de qualquer procedimento de fiscalização (inciso I), para pagamento de créditos incluídos em lançamento tributário notificação fiscal de lançamento de débito (inciso II) e para pagamento de créditos incluídos em dívida ativa (inciso III) e definiu novos percentuais aplicáveis, correspondentes ao teto de 20% para pagamento espontâneo em atraso (art. 35 da Lei 8.212/91 com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20092) e 75% no caso de exigência de tributo em lançamento de ofício, passível de agravamento (art 35A da Lei 8.212/91, com a redação da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/20093). Em relação aos fatos geradores ocorridos antes da mencionada alteração legislativa existe o dever de observância, pela autoridade administrativa, da aplicação da multa mais benéfica, em obediência ao art. 106 inciso II do Código Tributário Nacional. Para tanto, é necessário identificar a natureza do instituto objeto de comparação e os dados quantitativos a serem comparados. A lei nova definiu claramente dois institutos: 1) multa de mora para pagamento espontâneo em atraso (art. 35) e 2) multa para pagamento não espontâneo incluído em lançamento tributário chamada de multa de ofício (art. 35A), que é única para três condutas: i) falta de pagamento ou recolhimento de débito nos casos de ii) falta de declaração ou de iii) declaração inexata. A lei nova também definiu claramente os dados quantitativos de cada uma delas: para a primeira, até 20%, nos termos do art. 61 da Lei 9.430/964; para a segunda, de 75%, passível de agravamento, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/965. c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). 2 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). 3 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). 4 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Lei nº 9.716, de 1998) 5 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 506DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 499 17 O revogado art. 35, inciso II, da Lei 8.212/91, dizia respeito apenas à multa por falta de pagamento ou recolhimento incluído em lançamento tributário. Era o revogado art. 32 inciso IV §§4o e 5o da Lei 8.212/91, com a redação da Lei 9.528/97, que regulava a aplicação de penalidade ao contribuinte que apresentasse declaração inexata ou deixasse de apresentála, fazendo incidir multa isolada. Portanto, na norma anterior, o dado quantitativo da multa para dívidas incluídas em lançamento tributário, para os casos de falta de pagamento ou recolhimento quando há falta de declaração e/ou declaração inexata, deve ser apurado pela soma da multa do revogado art. 35, inciso II, com a multa do revogado art. 32, inciso IV, §§ 4o e 5o.. Este entendimento está explicitado no art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei n º 8.212, de 1991 , em sua redação anterior à Lei n º 11.941, de 2009 , e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991 ,, b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) V (revogado pela Lei no 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488, de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5o Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) II – (VETADO). (Incluído pela Lei nº 12.249, de 2010) Fl. 507DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 18 em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei n º 8.212, de 1991 ,, acrescido pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) II a partir de 1º de dezembro de 2008, aplicamse as multas previstas no art. 44 da Lei n º 9.430, de 1996 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei n º 8.212, de 1991 ,, em sua redação anterior à dada pela Lei n º 11.941, de 2009 , tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei n º 8.212, de 1991 ,, com a redação dada pela Lei n º 11.941, de 2009 . (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) § 2º A comparação de que trata este artigo não será feita no caso de entrega de GFIP com atraso, por se tratar de conduta para a qual não havia antes penalidade prevista. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010) No caso concreto, o relatório fiscal de aplicação de multas revela que foi aplicada a multa do art. 32, IV, § 5o do RPS/99. Entendo que a apuração da multa mais benéfica deve levar em consideração o disposto no art. 476A da IN RFB 971/2009, acima transcrito. Ficou consignado nos autos que a multa mais benéfica será calculada de acordo com a sistemática aqui apontada no momento do pagamento, nos termos do art. 2o da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/2009. Diante disso, ratifico a sistemática da multa aplicada. Juros de Mora A questão dos juros de mora é matéria estranha ao processo, pois no auto de infração não foram aplicados juros de mora, de modo que este CARF está desautorizado a se manifestar sobre a matéria, sob pena de se incorrer em decisão extra petita, ferindo o princípio do contraditório. Conclusão Com base no exposto, voto por conhecer do recurso voluntário e negarlhe provimento. Luciana de Souza Espíndola Reis. Fl. 508DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 500 19 Voto Vencedor Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes, Redator Designado Multa aplicada É direito da recorrente a retroatividade benéfica prevista no artigo 106 do Código Tributário Nacional e em face da regra trazida pelo artigo 26 da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 que introduziu na Lei n° 8.212, de 24/07/1991 o artigo 32A. Passo, então, ao seu exame, sobretudo para explicar porque não deve ser aplicada ao caso a regra no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996. Seguem transcrições: Art.26. A Lei no 8.212, de 1991, passa a vigorar com as seguintes alterações: ... Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e Fl. 509DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 20 II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” Podemos identificar nas regras do artigo 32A os seguintes elementos: a) é regra aplicável a uma única espécie de declaração, dentre tantas outras existentes (DCTF, DCOMP, DIRF etc): a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP; b) é possibilitado ao sujeito passivo entregar a declaração após o prazo legal, corrigila ou suprir omissões antes de algum procedimento de ofício que resultaria em autuação; c) regras distintas para a aplicação da multa nos casos de falta de entrega/entrega após o prazo legal e nos casos de informações incorretas/omitidas; sendo no primeiro caso, limitada a vinte por cento da contribuição; d) desvinculação da obrigação de prestar declaração em relação ao recolhimento da contribuição previdenciária; e) reduções da multa considerando ter sido a correção da falta ou supressão da omissão antes ou após o prazo fixado em intimação; e f) fixação de valores mínimos de multa. Inicialmente, esclarecese que a mesma lei revogou as regras anteriores que tratavam da aplicação da multa considerando cem por cento do valor devido limitado de acordo com o número de segurados da empresa: Art. 79. Ficam revogados: I – os §§ 1o e 3º a 8º do art. 32, o art. 34, os §§ 1º a 4º do art. 35, os §§ 1º e 2º do art. 37, os arts. 38 e 41, o § 8º do art. 47, o § 2º do art. 49, o parágrafo único do art. 52, o inciso II do caput do art. 80, o art. 81, os §§ 1º, 2º, 3º, 5º, 6º e 7º do art. 89 e o parágrafo único do art. 93 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991; Fl. 510DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 501 21 Para início de trabalho, como de costume, devese examinar a natureza da multa aplicada com relação à GFIP, sejam nos casos de “falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo” ou “informações incorretas ou omitidas”. No inciso II do artigo 32A em comento o legislador manteve a desvinculação que já havia entre as obrigações do sujeito passivo: acessória, quanto à declaração em GFIP e principal, quanto ao pagamento da contribuição previdenciária devida: II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Portanto, temos que o sujeito passivo, ainda que tenha efetuado o pagamento de cem por cento das contribuições previdenciárias, estará sujeito à multa de que trata o dispositivo. Comparandose com o artigo 44 da Lei n° 9.430, de 27/12/1996, que trata das multas quando do lançamento de ofício dos tributos federais, vejo que as regras estão em outro sentido. As multas nele previstas incidem em razão da falta de pagamento ou, quando sujeito a declaração, pela falta ou inexatidão da declaração, aplicandose apenas ao valor que não foi declarado e nem pago. Ao declarado e não pago é aplicada apenas multa de mora. Melhor explicando essa diferença, apresentamos o seguinte exemplo: o sujeito passivo, obrigado ao pagamento de R$ 100.000,00 apenas declara R$ 80.000,00, embora tenha efetuado o pagamento/recolhimento integral dos R$ 100.000,00 devidos, qual seria a multa aplicável? Somente a prevista no artigo 32A. E se houvesse pagamento/recolhimento parcial de R$ 80.000,00? Incidiria a multa de 75% (considerando a inexistência de agravamento) sobre a diferença de R$ 20.000,00 e, independentemente disso, a multa do artigo 32A em relação ao valor não declarado. Isto porque a multa de ofício existe como decorrência da constituição do crédito pelo fisco, isto é, de ofício através do lançamento. Caso todo o valor de R$ 100.000,00 houvesse sido declarado, ainda que não pagos, a declaração constituiria o crédito tributário por confissão; portanto, sem necessidade de autuação. A diferença reside aí. Quanto à GFIP não há vinculação com o pagamento. Ainda que não existam diferenças de contribuições previdenciárias a serem pagas, estará o contribuinte sujeito à multa do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991: LEI Nº 9.430, DE 27 DE DEZEMBRO DE 1996. Dispõe sobre a legislação tributária federal, as contribuições para a seguridade social, o processo administrativo de consulta e dá outras providências. ... Seção V Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições ... Multas de Lançamento de Ofício Fl. 511DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 22 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. A DCTF tem finalidade exclusivamente fiscal, diferentemente do caso da multa prevista no artigo 32A, em que independentemente do pagamento/recolhimento da contribuição previdenciária, o que se pretende é que, o quanto antes (daí a gradação em razão do decurso do tempo), o sujeito passivo preste as informações à Previdência Social, sobretudo os salários de contribuição percebidos pelos segurados. São essas informações que viabilizam a concessão dos benefícios previdenciários. Quando o sujeito passivo é intimado para entregar a GFIP, suprir omissões ou efetuar correções, o fisco já tem conhecimento da infração e, portanto, já poderia autuálo, mas isso não resolveria um problema extrafiscal: as bases de dados da Previdência Social não seriam alimentadas com as informações corretas e necessárias para a concessão dos benefícios previdenciários. Por essas razões é que não vejo como se aplicarem as regras do artigo 44 aos processos instaurados em razão de infrações cometidas sobre a GFIP. E no que tange à “falta de declaração e nos de declaração inexata”, parte também do dispositivo, além das razões já expostas, devese observar o Princípio da Especificidade a norma especial prevalece sobre a geral: o artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 traz regra aplicável especificamente à GFIP, portanto deve prevalecer sobre as regras no artigo 44 da Lei n° 9.430/1996 que se aplicam a todas as demais declarações a que estão obrigados os contribuintes e responsáveis tributários. Pela mesma razão, também não se aplica o artigo 43 da mesma lei: Auto de Infração sem Tributo Art.43.Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, para aplicação de multas pelas infrações relacionadas à GFIP devem ser observadas apenas as regras do artigo 32A da Lei n° 8.212/1991 que regulam exaustivamente a matéria. É irrelevante para tanto se houve ou não pagamento/recolhimento e, nos casos que tenha sido lavrada NFLD (período em que não era a GFIP suficiente para a constituição do crédito nela declarado), qual tenha sido o valor nela lançado. E, aproveitando para tratar também dessas NFLD lavradas anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, não vejo como lhes aplicar o artigo 35A, que fez com que se Fl. 512DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 502 23 estendesse às contribuições previdenciárias, a partir de então, o artigo 44 da Lei n° 9.430/1996, pois haveria retroatividade maléfica, o que é vedado; nem tampouco a nova redação do artigo 35. Os dispositivos legais não são interpretados em fragmentos, mas dentro de um conjunto que lhe dê unidade e sentido. As disposições gerais nos artigos 44 e 61 são apenas partes do sistema de cobrança de tributos instaurado pela Lei n° 9.430/1996. Quando da falta de pagamento/recolhimento de tributos são cobradas, além do principal e juros moratórios, valores relativos às penalidades pecuniárias, que podem ser a multa de mora, quando embora a destempo tenha o sujeito passivo realizado o pagamento/recolhimento antes do procedimento de ofício, ou a multa de ofício, quando realizado o lançamento para a constituição do crédito. Essas duas espécies são excludentes entre si. Essa é a sistemática adotada pela lei. As penalidades pecuniárias incluídas nos lançamentos já realizados antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009 são, por essa nova sistemática aplicável às contribuições previdenciárias, conceitualmente multa de ofício e pela sistemática anterior multa de mora. Do que resulta uma conclusão inevitável: independentemente do nome atribuído, a multa de mora cobrada nos lançamentos anteriores à Lei n° 11.941, de 27/05/2009 não é a mesma da multa de mora prevista no artigo 61 da Lei n° 9.430/1996. Esta somente tem sentido para os tributos recolhidos a destempo, mas espontaneamente, sem procedimento de ofício. Seguem transcrições: Art.35.Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. Art.35A.Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. Seção IV Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art.61.Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Redação anterior do artigo 35: Fl. 513DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 24 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Retomando os autos de infração de GFIP lavrados anteriormente à Lei n° 11.941, de 27/05/2009, há um caso que parece ser o mais controvertido: o sujeito passivo deixou de realizar o pagamento das contribuições previdenciárias (para tanto foi lavrada a NFLD) e também de declarar os salários de contribuição em GFIP (lavrado AI). Qual o tratamento do fisco? Por tudo que já foi apresentado, não vejo como bis in idem que seja mantida na NFLD a multa que está nela sendo cobrada (ela decorre do falta de pagamento, mas não pode retroagir o artigo 44 por lhe ser mais prejudicial), sem prejuízo da multa no AI pela falta de declaração/omissão de fatos geradores (penalidade por infração de obrigação acessória ou instrumental para a concessão de benefícios previdenciários). Cada uma das multas possuem motivos e finalidades próprias que não se confundem, portanto inibem a sua unificação sob pretexto do bis in idem. Agora, temos que o valor da multa no AI deve ser reduzido para ajustálo às novas regras mais benéficas trazidas pelo artigo 32A da Lei n° 8.212/1991. Nada mais que a aplicação do artigo 106, inciso II, alínea “c” do CTN: Código Tributário Nacional: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: ... II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 514DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.004878/200883 Acórdão n.º 2402004.289 S2C4T2 Fl. 503 25 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática.” De fato, nelas há limites inferiores. No caso da falta de entrega da GFIP, a multa não pode exceder a 20% da contribuição previdenciária e, no de omissão, R$ 20,00 a cada grupo de dez ocorrências: Art. 32A. (...): I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Certamente, nos eventuais casos em a multa contida no autodeinfração é inferior à que seria aplicada pelas novas regras (por exemplo, quando a empresa possui pouquíssimos segurados, já que a multa era proporcional ao número de segurados), não há como se falar em retroatividade. Outra questão a ser examinada é a possibilidade de aplicação do §2° do artigo 32A: § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. Deve ser esclarecido que o prazo a que se refere o dispositivo é aquele fixado na intimação para que o sujeito passivo corrija a falta. Essa possibilidade já existia antes da Lei n° 11.941, de 27/05/2009. Os artigos 291 e 292 que vigeram até sua revogação pelo Decreto nº 6.727, de 12/01/2009 já traziam a relevação e a atenuação no caso de correção da infração. E nos processos ainda pendentes de julgamento neste Conselho, os sujeitos passivos autuados, embora pudessem fazêlo, não corrigiram a falta no prazo de impugnação; do que resultaria a redução de 50% da multa ou mesmo seu cancelamento. Entendo, portanto, Fl. 515DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 26 desnecessária nova intimação para a correção da falta, oportunidade já oferecida, mas que não interessou ao autuado. Resulta daí que não retroagem as reduções no §2°: Art.291.Constitui circunstância atenuante da penalidade aplicada ter o infrator corrigido a falta até o termo final do prazo para impugnação. §1oA multa será relevada se o infrator formular pedido e corrigir a falta, dentro do prazo de impugnação, ainda que não contestada a infração, desde que seja o infrator primário e não tenha ocorrido nenhuma circunstância agravante. ... CAPÍTULO VI DA GRADAÇÃO DAS MULTAS Art.292. As multas serão aplicadas da seguinte forma: ... V na ocorrência da circunstância atenuante no art. 291, a multa será atenuada em cinqüenta por cento. Retornando à aplicação do artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, devem ser comparadas as duas multas, a aplicada pela fiscalização com a prevista no artigo 32 A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, prevalecendo a menor. Por tudo, voto pelo provimento parcial do recurso para que seja aplicada a multa prevista no artigo 32A da Lei n° 8.212, de 24/07/1991, caso mais benéfica. É como voto. Julio Cesar Vieira Gomes. Fl. 516DF CARF MF Impresso em 27/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 10/01/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 26/01/2015 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
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Numero do processo: 10314.001946/2011-74
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 03/02/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
Numero da decisão: 3803-006.640
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 03/02/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial.
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BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 03/02/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. INTIMAÇÕES. ATOS PROCESSUAIS. PROCURADOR As normas do Processo Administrativo Fiscal não têm previsão para que a Administração Tributária efetue as intimações de atos processuais administrativos na pessoa e no domicílio profissional do advogado constituído pelo sujeito passivo da obrigação tributária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 03/02/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 19 46 /2 01 1- 74 Fl. 319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do Fl. 320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001946/201174 Acórdão n.º 3803006.640 S3TE03 Fl. 320 3 contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 03/02/2011 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 16/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 30/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na Fl. 322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001946/201174 Acórdão n.º 3803006.640 S3TE03 Fl. 321 5 importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não Fl. 324DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001946/201174 Acórdão n.º 3803006.640 S3TE03 Fl. 322 7 sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no Fl. 325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento, em face da suspensão da exigibilidade, a presença dos juros no lançamento, pela razão supra, não representa prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 326DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.001946/201174 Acórdão n.º 3803006.640 S3TE03 Fl. 323 9 I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 11/12/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 17/12/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 35301.008963/2005-64
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 11 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Fri Feb 13 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 2803-000.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que as autoridades lançadora e julgadora analisem os argumentos apresentados nos recursos voluntários da CBTU e VIA ENGENHARIA (VIA DRAGADOS), emitindo informação conclusiva, em especial: a) se houve ou não apreciação da manifestação da recorrente referente à intimação n° 758/2012, fl. 766, protocolada via arquivo CD na RFB conforme portaria DEMAC/RJO n° 47/2012 (DOC 1, anexada pela recorrente às folhas 1295/1299, e anexos, fls. 1300/1306 e fls. 1435/1442 e fls. 1443/1481) e se foi anexada ou não aos autos. Em caso de negativa providenciar o saneamento dos autos; b) informar se houve fiscalização na prestadora do serviço Via Engenharia (Via Dragados) para o período da obra objeto do lançamento fiscal e se há recolhimento prévio; c) analisar o argumento do recorrente sobre as folhas de pagamento vinculadas à Obra "312-Metrorec", inclusive a de outubro de 2001 que alega fazer referência à obra de Recife e foi desconsiderada; e analisar a juntada dos documentos aos autos (DOC. 2, fls. 1325/1432) de todas as GFIP's das competências 04, 05, 07, 10, 11 e 12/2000, 02 a 08/2001 e 10/2001, onde assevera que contém todas as informações dos funcionários dos citados meses, inclusive a referência de se tratar da Obra "312-Metrorec", e a alegação de que são suficientes para a extinção do lançamento. d) analisar os argumentos de que cumpriu os requisitos para a elisão da solidariedade, amplamente comprovados e agora somados com as GFIP's dos meses desconsiderados. São eles: i- o recolhimento (fls. 805 a 1202), ii- a folha de pagamento (fls. 805 a 1202) e/ou GFIP específica para a Obra (agora apresentadas por exigência da decisão recorrida), iii- comprovação da existência de contabilidade de regular (fls. 579 a 587, 590 a 595 e 598 a 612. Manifestar-se sobre a existência de motivos ou não para manutenção do lançamento fiscal por solidariedade; e) após, encaminhar os autos para a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie quanto aos argumentos e documentos apresentados pelas recorrentes, emitindo parecer conclusivo e fundamentado; f) que sejam cientificados os contribuintes solidários para se manifestarem, encaminhando os autos para julgamento.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti.
Nome do relator: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para que as autoridades lançadora e julgadora analisem os argumentos apresentados nos recursos voluntários da CBTU e VIA ENGENHARIA (VIA DRAGADOS), emitindo informação conclusiva, em especial: a) se houve ou não apreciação da manifestação da recorrente referente à intimação n° 758/2012, fl. 766, protocolada via arquivo CD na RFB conforme portaria DEMAC/RJO n° 47/2012 (DOC 1, anexada pela recorrente às folhas 1295/1299, e anexos, fls. 1300/1306 e fls. 1435/1442 e fls. 1443/1481) e se foi anexada ou não aos autos. Em caso de negativa providenciar o saneamento dos autos; b) informar se houve fiscalização na prestadora do serviço Via Engenharia (Via Dragados) para o período da obra objeto do lançamento fiscal e se há recolhimento prévio; c) analisar o argumento do recorrente sobre as folhas de pagamento vinculadas à Obra "312Metrorec", inclusive a de outubro de 2001 que alega fazer referência à obra de Recife e foi desconsiderada; e analisar a juntada dos documentos aos autos (DOC. 2, fls. 1325/1432) de todas as GFIP's das competências 04, 05, 07, 10, 11 e 12/2000, 02 a 08/2001 e 10/2001, onde assevera que contém todas as informações dos funcionários dos citados meses, inclusive a referência de se tratar da Obra "312Metrorec", e a alegação de que são suficientes para a extinção do lançamento. d) analisar os argumentos de que cumpriu os requisitos para a elisão da solidariedade, amplamente comprovados e agora somados com as GFIP's dos meses desconsiderados. São eles: i o recolhimento (fls. 805 a 1202), ii a folha de pagamento (fls. 805 a 1202) e/ou GFIP específica para a Obra (agora apresentadas por exigência da decisão recorrida), iii comprovação da existência de contabilidade de regular (fls. 579 a 587, 590 a 595 e 598 a 612. Manifestarse sobre a existência de motivos ou não para manutenção do lançamento fiscal por solidariedade; e) após, encaminhar os autos para a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie quanto aos argumentos e documentos apresentados pelas recorrentes, emitindo parecer conclusivo e fundamentado; f) que sejam cientificados os contribuintes solidários para se manifestarem, encaminhando os autos para julgamento. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 3 53 01 .0 08 96 3/ 20 05 -6 4 Fl. 1490DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.491 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Oseas Coimbra Júnior, Gustavo Vettorato, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior e Ricardo Magaldi Messetti. Fl. 1491DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.492 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de crédito previdenciário apurado por responsabilidade solidária decorrente de serviços prestados pela VIA ENGENHARIA S/A (atual VIA DRAGADOS S/A), com base no art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91, referentes às contribuições dos segurados empregados, calculados pela alíquota mínima à época da ocorrência dos fatos geradores, e contribuições da empresa destinadas à Seguridade Social, incidentes sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos, por não ter a empresa comprovado o cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social pela empresa construtora contratada (Relatório Fiscal – fls. 53/56). DA CIÊNCIA A Cia Brasileira de Trens Urbanos – CBTU e Via Engenharia S/A (Via Dragados) foram cientificados do lançamento fiscal, apresentando impugnação. A decisão de primeira instância administrativa fiscal julgou procedente lançamento fiscal. O julgamento foi convertido em diligência para que a fiscalização se manifestasse acerca dos documentos e argumentos apresentados. Em parecer de fls. 156/158, as Auditoras Fiscais notificantes se manifestaram pela manutenção integral dos valores lançados. O crédito foi julgado através da DecisãoNotificação 17.401.4/0344/2004, de lançamento procedente (fls. 164/175), sendo as empresas (CBTU e Via Engenharia) cientificadas (fls. 176/177), apresentando recurso e documentos. Os autos foram encaminhados à fiscalização para análise dos documentos constantes dos Anexos I, II e III e Volumes 1 e 2 , o que gerou o parecer de fls. 352/354, pela retificação dos valores lançados, conforme FORCED de fls. 445/449. Emitida a Reforma de DN n. 17.401.4/0969/2004 (fls.465/471), a Via Dragados (Via Engenharia) apresentou recurso (fls. 477/501), acostando documentos relativos à contabilidade do Consórcio Via Norte (Termos de Abertura e Encerramento, e Demonstrações Financeiras, fls. 596/612). Convertidos os autos, novamente, em diligência para a fiscalização analisar os documentos relativos à comprovação da contabilidade da contratada. Em resposta, a Junta Fiscal notificante informa que a maior parte dos documentos já havia sido anteriormente apresentada, e que as guias das competências 01/2000 a 07/2000 se referem ao CNPJ 02.814.075/000131, relativo ao levantamento 23/97DT, sendo que nestas competências não foi apurado crédito para o levantamento. Apresentadas as Contrarazões (fls. 621/629), foi proferido em 24/06/2005, o Acórdão 04ª CaJ/1358/2005, em que restou anulada a NFLD (fls. 630/639), por faltar fundamentação legal no relatório “FLD – Fundamentação Legal do Débito”. Fl. 1492DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.493 4 Em 25/09/2005 foi feito pedido de revisão do citado acórdão (fls.647650), oportunizando defesa aos contribuintes (fls. 656/670), acostada a Nota Técnica CGMT/DCMT n. 87/2005 (fls. 676/685), e, após o primeiro indeferimento do pedido de revisão, feito novo pedido em 30/01/2007 (fls. 692/695), o mesmo foi conhecido (fls. 726/727). Novo acórdão da 5ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes foi prolatado em 08/10/2008 (fls. 731/737), convertendo o julgamento em diligência, em função da falta de ciência por parte dos sujeitos passivos do resultado de diligência de fls. 156/158, onde foram prestadas relevantes informações. Assim, anulou a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, reabrindo o prazo para defesa e reiniciando o contencioso administrativo. Após a ciência da decisão do CARF datada de 08/10/2008 (fls. 741/744), e da diligência efetuada no processo, vem aos autos a Responsável Solidária, Via Dragados (Via Engenharia), fls. 747/756, colacionando as mesmas razões expostas em sua peça recursal, já acima transcritas (item 10 do Relatório). A CBTU não apresentou novas razões. Foi emitido Acórdão 1254.126 13ª Turma da DRJ/RJ1, em 25/03/2013, fls. 1221/1236, que deu provimento parcial à impugnação, excluindo as competências 01/2000, 09/2001, 11 e 12/2001 pois a contratada reuniu os três elementos exigidos pela legislação para a elisão da responsabilidade solidária. Para as demais competências: 04, 05, 07, 10, 11 e 12/2000, 02 a 08/2001 e 10/2001, manteve as retificações propostas pela Fiscalização, considerando as guias recolhidas para abatimento dos valores devidos, mas não procedendo a elisão total da responsabilidade solidária em função da não comprovação de que as folhas de pagamento apresentadas são específicas para a obra. DO RECURSO Os contribuintes foram cientificados da decisão, apresentando recurso voluntário, alegando em síntese: CBTU: a suspensão da exigibilidade do crédito tributário; não houve fiscalização prévia na prestadora dos serviços; a recorrente tinha somente uma obrigação acessória, não podendo serlhe atribuída a obrigatoriedade de adimplir com o tributo (obrigação principal); a nulidade da execução ou do procedimento administrativo de cobrança, como prevista no artigo 618, inciso I, do Código de Processo Civil; por fim, requer que as futuras publicações, intimações e assentamentos cartorários conste, sob pena de nulidade, o nome do advogado Décio Freire, inscrito na OAB/RJ sob o n.° 2.255A, na forma do instrumento de mandato em anexo. VIA ENGENHARIA (VIA DRAGADOS) Preliminarmente: o reconhecimento da nulidade da decisão recorrida em face da não apreciação da manifestação da recorrente referente à intimação n° 758/2012, fl. 766, protocolada via Fl. 1493DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.494 5 arquivo CD na RFB conforme portaria DEMAC/RJO n° 47/2012 (DOC 1, anexada pela recorrente às folhas 1295/1299, e anexos, fls. 1300/1306 e fls. 1435/1442 e fls. 1443/1481), que indevidamente não foi anexada aos autos; para por fim a dúvida sobre as folhas de pagamento sem fazer referencia à Obra "312Metrorec", a recorrente faz anexar aos autos (DOC. 2, fls. 1325/1432) todas as GFIP's das competências 04,05.07,10,11 e 12/2000, 02 a 08/2001 e 10/2001, contendo todas as informações dos funcionários dos citados meses inclusive a referência de se tratar da Obra "312Metrorec", documentos comprobatórios suficientes para extinção completa do lançamento; a Autoridade Administrativa reconhece o pagamento de cerca de 60% do crédito, se este fosse considerado nas suas devidas competências, mas mantêm a aferição indireta com base no total das notas fiscais. Abate o crédito decorrente dos recolhimentos feitos com base na folha de pagamento, mas rechaça esses pagamentos sob o argumento de que: "o valor total recolhido é inferior ao a ferido com base nas notas fiscais de serviços, de acordo com o Discriminativo Analítico de Débito DAD, às fls. 4 a 11”; a DRJ entendeu por desconsiderar unicamente as folhas de pagamento dos meses 04, 05, 07, 10, 11 e 12/2000, 02 a 08/2001 e 10/2001, em razão da não comprovação de que as folhas apresentadas são específicas da obra “Obra 312Metrorec”, CEI n° 02.390.002636/73. As folhas de pagamento são referente a obra mencionada, primeiro pela boafé do contribuinte. Pela simples análise das informações constantes nas folhas de pagamento apresentadas percebese um valor linear do salário base mês a mês, o que demonstra tratarse do numero de funcionários da mesma obra. Por outro lado, a folha de pagamento do mês de outubro de 2001, faz referência à obra de Recife, e mesmo assim foi desconsiderada; para a DRJ a elisão da solidariedade passa pela análise de três requisitos que foram amplamente comprovados pela recorrente agora somados com as GFIP's dos meses desconsiderados, senão vejamos: i o recolhimento (fls. 805 a 1202), ii a folha de pagamento (fls. 805 a 1202) e/ou GFIP especifica para a Obra (agora apresentadas por exigência da decisão recorrida), iii comprovação da existência de contabilidade de regular (fls. 579 a 587, 590 a 595 e 598 a 612. Destarte, não há mais motivos para manutenção do lançamento fiscal; há ilegalidade no uso da aferição indireta e as contradições da decisão notificação. O pagamento da CBTU à recorrente não é para esta última fato gerador das contribuições sociais, sendo nulo qualquer procedimento de lançamento suplementar contra a impugnante que tenha como fato gerador a mencionada emissão de nota fiscal, uma vez que toda a documentação exigida legalmente foi apresentada. Em razão do pagamento de todas as competências podese concluir que jamais a notificação poderia ser constituída mediante aferição indireta, razão pela qual é totalmente nula; por fim , requer: a) o imediato provimento do recurso com a extinção do lançamento ou, caso se entenda de maneira diversa, requer, subsidiariamente; b) seja convertido o julgamento em diligência para que a autoridade de primeira instância analise a documentação apresentada e suficiente por si só para elidir por completo a solidariedade, nos termos da própria decisão recorrida; Fl. 1494DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.495 6 c) na hipótese remota de ultrapassarem os pedidos anteriores, que então seja decretada a nulidade total do crédito tributário consubstanciado na NFLD 35.551.3692, de 30/06/2003, por ser ilegal e indevido a utilização de aferição indireta no presente processo, conquanto a recorrente comprova documentalmente o recolhimento de todas as contribuições atinentes, nas respectivas competências. É o relatório. Fl. 1495DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.496 7 Voto Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual será apreciado. Consta do relatório fiscal, fls. 53/56, que o lançamento (NFLD 35.551.369 2/2003) se refere a crédito fiscal incidentes sobre a remuneração dos empregados da empresa prestadora de serviço de obra de construção civil (Via Engenharia S/A), aferida com base nas notas fiscais de serviços emitidas, considerando o instituto da solidariedade, art. 30, inciso VI da Lei 8.212/91 e art. 43 e parágrafos do Decreto 2.173/97 e art. 220 e parágrafos do Decreto 3.048/99, competências 02/99 a 01/00, 04/00, 05/00, 07/00, 10/00 a 12/00, 02/01 a 12/01, com base no contrato com a CBTU: 016/98DT e 023/97DT. Os salários de contribuição foram aferidos com aplicação do percentual de 20% sobre as notas fiscais de serviços/faturas. A empresa apresentou, em algumas competências, guias de recolhimento com valores de salário de contribuição aquém do percentual de 20% (vinte por cento) previsto no item 31.1.1 da Ordem de Serviço (OS) 165/97, de 11/07/97, alterada pela OS 185/98, de 31/03/98 e nos art. 53 a 55. da Instrução Normativa (IN) 18 de 11/05/2000. Essas guias foram consideradas na apuração do crédito, permanecendo o saldo entre o valor calculado com o percentual de 20% sobre as respectivas notas fiscais e as guias recolhidas, com base no item 27 da Ordem de Serviço (OS) 165/97 e art. 53 a 55, da IN 18/2000. Diante das alegações apresentadas nos recursos voluntários pelas empresas CBTU e VIA ENGENHARIA (VIA DRAGADOS), numa análise prévia, o endereço da obra 312 Metrorec (Av. Sul, 1750, São José/PE) consta nas GFIP’s (fls. 1325/1432). é dever da autoridade administrativa zelar pela legalidade de seus atos, de respeitar o princípio da verdade material, o contraditório e a ampla defesa, de que trata o inciso LV do art. 5º da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, bem como, determinar a produção de prova indispensável à comprovação do fato (artigos 9º e 18, 29, todos do Decreto nº 70.235/72). CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por converter o julgamento em diligência para que as autoridades lançadora e julgadora analisem os argumentos apresentados nos recursos voluntários da CBTU e VIA ENGENHARIA (VIA DRAGADOS), emitindo informação conclusiva, em especial: a) se houve ou não apreciação da manifestação da recorrente referente à intimação n° 758/2012, fl. 766, protocolada via arquivo CD na RFB conforme portaria DEMAC/RJO n° 47/2012 (DOC 1, anexada pela recorrente às folhas 1295/1299, e anexos, fls. 1300/1306 e fls. 1435/1442 e fls. 1443/1481) e se foi anexada ou não aos autos. Em caso de negativa providenciar o saneamento dos autos; b) informar se houve fiscalização na prestadora do serviço Via Engenharia (Via Dragados) para o período da obra objeto do lançamento fiscal e se há recolhimento prévio; c) analisar o argumento do recorrente sobre as folhas de pagamento vinculadas à Obra "312Metrorec", inclusive a de outubro de 2001 que alega fazer referência à obra de Recife e foi desconsiderada; e analisar a juntada dos documentos aos autos (DOC. 2, fls. 1325/1432) de todas as GFIP's das competências 04, 05, 07, 10, 11 e 12/2000, 02 Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 35301.008963/200564 Resolução nº 2803000.265 S2TE03 Fl. 1.497 8 a 08/2001 e 10/2001, onde assevera que contém todas as informações dos funcionários dos citados meses, inclusive a referência de se tratar da Obra "312Metrorec", e a alegação de que são suficientes para a extinção do lançamento. d) analisar os argumentos de que cumpriu os requisitos para a elisão da solidariedade, amplamente comprovados e agora somados com as GFIP's dos meses desconsiderados. São eles: i o recolhimento (fls. 805 a 1202), ii a folha de pagamento (fls. 805 a 1202) e/ou GFIP específica para a Obra (agora apresentadas por exigência da decisão recorrida), iii comprovação da existência de contabilidade de regular (fls. 579 a 587, 590 a 595 e 598 a 612. Manifestarse sobre a existência de motivos ou não para manutenção do lançamento fiscal por solidariedade; e) após, encaminhar os autos para a autoridade julgadora de primeira instância para que se pronuncie quanto aos argumentos e documentos apresentados pelas recorrentes, emitindo parecer conclusivo e fundamentado; f) que sejam cientificados os contribuintes solidários para se manifestarem, encaminhando os autos para julgamento. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 13/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 13/ 02/2015 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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