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Numero do processo: 10675.721773/2014-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
IRPF. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1).
Recurso Não Conhecido
Numero da decisão: 2301-004.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 IRPF. AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1). Recurso Não Conhecido
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AÇÃO JUDICIAL. OBJETO IDÊNTICO AO PROCESSO ADMINISTRATIVO. RENÚNCIA À INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." (Súmula do CARF nº 1). Recurso Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior Presidente. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 72 17 73 /2 01 4- 58 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Ivacir Julio de Souza, Luciana de Souza Espíndola Reis, Alice Grecchi, Julio Cesar Vieira Gomes, Gisa Barbosa Gambogi, Fabio Piovesan Bozza. Relatório Contra a contribuinte acima referida, foi lavrada Notificação de Lançamento (fls. 41/45), resultante da revisão da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física – DIRPF – do exercício de 2010 (fls. 50/55). A notificação tratou da omissão de rendimentos recebidos a título de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi, no valor de R$ 22.665,84. A descrição dos fatos e enquadramento legal, encontramse às fls. 43. A recorrente apresentou impugnação em 31/07/14 (fls. 3/4), acompanhada dos documentos às fls. 2, 5/45. A Contribuinte alega que em momento algum houve omissão de sua parte na DIRPF, que foi preenchida rigorosamente de acordo com o comprovante de rendimentos e o folder com esclarecimentos de sua fonte pagadora (fls. 5/7), sendo os rendimentos declarados nas fichas específicas da declaração. Destaca que o IRRF sobre a parcela de rendimentos com exigibilidade suspensa foi depositado em juízo. Informa que os rendimentos recebidos da PREVI Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil são oriundos de complemento de aposentadoria, auferidos a partir de 30/05/94, inexistindo, portanto, rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada/PGBL/Fapi. A ação judicial preiteou a restituição do IRRF retido sobre um terço do benefício da complementação de aposentadoria, bem como a suspensão da exigibilidade do IR sobre esses rendimentos, tendo tramitado em todas as instâncias e encontrandose em fase de execução. Assim, alega equivocada a afirmação da Equipe de Ações Judiciais de “... que o contribuinte, por ter logrado êxito em ação judicial, já se beneficiou da isenção em sua totalidade, no ano de 1997...” Apresenta documentos referentes à ação judicial (fls. 10/40). A Turma de Primeiro Grau, julgou a Impugnação oposta da seguinte forma: DAR PROVIMENTO à impugnação no que diz respeito à parcela do crédito tributário correspondente ao IRPF Suplementar de R$ 772,45, cancelandoa com a respectiva multa e juros de mora; NÃO CONHECER da impugnação do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 5.460,66, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor. A contribuinte foi cientificada do Acórdão 1269.453 20ª Turma da DRJ/RJ1 em 01/12/2014 (fl. 90). Fl. 134DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721773/201458 Acórdão n.º 2301004.645 S2C3T1 Fl. 134 3 Em 23/12/2014 sobreveio recurso voluntário (fls. 96/99), acompanhado de documentos (fls. 100/127). Em suas razões, a recorrente alega preliminarmente que a decisão de primeira instância não pode prosperar, pois não houve concomitância entre a ação judicial e a impugnação administrativa, uma vez que " a primeira se refere à isenção do IRPF e a segunda discute o tratamento adequado a ser dado no ajuste anual aos rendimentos com exigibilidade suspensa e seus respectivo IRRF, como se trata no caso presente." É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso é tempestivo, mas não atende a todos os pressupostos intrínsecos de admissibilidade. Tratase de rendimentos considerados omitidos os quais encontravamse abrangidos por ação judicial e tinham sua exigibilidade suspensa. Como bem analisou a decisão de primeira instância, de fato, a DIRF apresentada pela Previ informa valores de rendimentos nessa situação e respectivos depósitos judiciais a título de IRRF (fl. 69). A Informação Fiscal à fl. 57, relata tratarse da ação judicial nº 200134.00.0176780 – 9ª Vara Federal do DF. A decisão do TRF da 1ª Região à fl. 33, referente aos embargos de declaração na apelação, ratifica o objeto da ação judicial e o deferimento do depósito dos valores discutidos, ambos noticiados pela Impugnante. A decisão do mesmo Tribunal à fl. 27, referente à apelação, por sua vez, consigna que é indevida a cobrança do IR sobre o valor da complementação de aposentadoria correspondente a recolhimentos para a entidade de previdência privada ocorridos no período de 01/01/89 a 31/12/95, sendo procedente o pedido de repetição de valores recolhidos a esse título no lapso aludido. A consulta à fl. 36 ao site do Tribunal confirma a Contribuinte como um dos autores da ação judicial e o trânsito em julgado em 23/08/11. Ocorre que a consulta à fl. 80 ao mesmo site informa que referida ação está em fase de execução contra a Fazenda Pública, com a “Observação” de “Pagar aos autores IR recolhido s/ complementação de proventos pagos p Previ 1/3”, constando que a PGFN teve acesso aos autos em 11/04/14 e, como último registro na Movimentação, uma diligência ordenada/deferida em 12/05/14. Fora elaborada pela DRF Uberlândia/MG, em 20/06/14, Informação Fiscal constante às fls. 56/66, em atendimento à PGFN/Brasília, que requereu o cálculo do valor pretendido pelo autor a título de restituição de IRPF. Este documento determinou os valores passíveis de restituição pela Contribuinte, trazendo os critérios, esclarecimentos e valores utilizados, concluindo que: a) os créditos a que a Contribuinte teria direito seriam totalmente consumidos em suas DIRPFs dos anos de 1994 a 1997, refeitas com a exclusão dos valores atualizados das contribuições vertidas nos anos de 1989 a 1994, ano em que a Contribuinte se aposentou; e b) os proventos de aposentadoria da Previ a partir de 1998 estariam integralmente Fl. 135DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR 4 sujeitos à tributação e os depósitos judiciais efetuados a partir de novembro/01 deveriam ser transformados integralmente em pagamento definitivo à União. Considerando a aludida Informação Fiscal, o Fisco procedeu ao presente lançamento. Porém, pela análise dos registros do histórico da ação (fls. 80), depreendese que tal informação fiscal ainda não foi apreciada pelos autores da ação judicial e pelo juízo. Concluise, portanto, que a matéria em litígio no presente processo encontra se vinculada à discussão no Poder Judiciário, ainda em andamento, motivo por que não deve ser apreciada por esta instância julgadora. A eleição da via judicial importa renúncia à esfera administrativa, uma vez que o ordenamento jurídico brasileiro adora o princípio da jurisdição una, estabelecido no art. 5º, inciso XXXV, da Constituição Federal de 1988. Inexiste dispositivo legal que permita a discussão paralela da mesma matéria em instâncias diversas, sejam elas administrativas ou judiciais. Nesse contexto, foi editado o enunciado de Súmula nº 1 do CARF , que assim dispõe: "Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial." Com efeito, acertadamente a decisão a quo, ao não conhecer da impugnação, determinou que " do que diz respeito à parcela restante do crédito tributário atinente ao IRPF de R$ 5.460,66, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial deste valor". Frisase que, cabe o cumprimento do preceituado pelo art. 63 da Lei 9.430/96, que determina que na constituição do crédito tributário nos casos de haver depósitos judiciais integrais, não caberá lançamento da multa de ofício. Assim, considerando que há concomitância entre o mérito da ação judicial e dos respectivos valores depositados nesta ação com os valores constantes do presente auto de infração, voto no sentido de não conhecer do recurso. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO, nos termos da a decisão a quo, cabendo à unidade local, antes de proceder à sua cobrança, verificar o trâmite da ação judicial e apurar se houve depósito judicial atinente ao IRPF no valor de R$ 5.460,66, devendo ser observado o art. 63 da Lei nº 9.430/96, na extinção do respectivo crédito tributário. (Assinado Digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 136DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10675.721773/201458 Acórdão n.º 2301004.645 S2C3T1 Fl. 135 5 Fl. 137DF CARF MF Impresso em 03/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 03/05/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10650.901310/2012-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Jun 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
OMISSÃO NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS.
Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado.
Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo:
ASSUNTO: PIS E COFINS
CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO.
Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição.
CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS.
Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento.
CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO.
Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004.
Numero da decisão: 3301-002.910
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 OMISSÃO NO ACÓRDÃO. EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado. Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo: ASSUNTO: PIS E COFINS CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
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EXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PARCIALMENTE ACOLHIDOS. Uma vez que o acórdão recorrido foi omisso quanto ao uso do composto orgânico da uréia, e que esta informação é essencial à conclusão da incidência ou não do PIS e da COFINS, deverão ser acolhidos os presentes aclaratórios, com efeitos infringentes, para fins de sanar o vício apontado. Embargos acolhidos em parte, para fins de integrar o teor do acórdão recorrido, o qual passa a ter o seguinte conteúdo: ASSUNTO: PIS E COFINS CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 65 0. 90 13 10 /2 01 2- 94 Fl. 217DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos com efeitos infringentes. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, FRANCISCO JOSÉ BARROSO RIOS, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Fl. 218DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.910 S3C3T1 Fl. 218 3 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional com fundamento no art. 65, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão proferido em razão do julgamento do Recurso Voluntário interposto pela COOPERATIVA AGRO PECUÁRIA DE ARAXÁ LTDA. nos autos em epígrafe, o qual possui a seguinte ementa: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Argumenta o embargante que a concessão de crédito sobre a aquisição de uréia não poderia ter sido concedida, uma vez que o acórdão embargado não teria se pronunciado sobre se a uréia fora adquirida para fins de alimentação de ruminantes ou se para fertilizantes agrícolas. Segue dispondo que este ponto seria importante para a solução da lide, visto que, na segunda hipótese (fertilizantes agrícolas), a uréia teria a classificação 3102.10, sendo aplicável a alíquota zero de PIS e Cofins. Para que melhor se compreenda o cerne dos embargos declaratórios, transcrevese abaixo os principais fundamentos constantes dos mesmos: O r. acórdão deu ‘provimento parcial ao recurso voluntário apenas e tão somente par reconhecer o direito de a recorrente apurar créditos da contribuição sobre os custos com aquisição de uréia’. Nas razões do v. voto condutor do r. acórdão são invocadas as razões abaixo, verbis: ‘7) bens utilizados como insumo, de fato, contabilizados assim, mas revendidos (milho, calcário bicálcio, fosfato e uréia); o milho, por ter sido comercializado com suspensão da alíquota, não gera crédito; também o calcário bicálcio e o fosfato por ter sido adquiridos com alíquota zero não geram créditos; já os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos Fl. 219DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento;’ Portanto, no ver do r. acórdão a Embargada não poderia excluir o milho, o calcário bicálcio e o fosfato em virtude dos referidos bens não gerarem crédito. De outra sorte, em relação à uréia a Embargada poderia se creditar, pois, aquele bem geraria crédito. Ocorre que o composto orgânico uréia tem inúmeras utilidades. Listamos algumas: 1) manufatura de plásticos, especificamente da resina ureiaformaldeído; 2) fabricação de fertilizantes agrícolas; 3) estabilizador em explosivos de nitrocelulose; 4) alimentação de ruminantes; 5) composto para condicionadores de cabelo e loções; 6) composto para aumentar a solubilidade de corantes na indústria têxtil; 7) na produção de ARLA32 (AddBlue), reagente utilizado no SCR para reduzir NOx em veículos Diesel SCR (Catalizador de Redução Seletiva). Nos autos não está esclarecido de forma peremptória qual seria a utilização da uréia pela Embargada. Contudo, pelo objetivo social da Embargada podemos presumir duas utilidades: 1) alimentação de ruminantes; 2) fertilizantes agrícolas. A uréia utilizada como fertilizante agrícola é classificada na posição 3102.10 da NCM. Consoante a Lei nº 10.925. art. 1º, inciso I, os adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas, tem alíquota zero da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno. O r. acórdão presumiu que o calcário bicálcio e o fosfato eram fertilizantes agrícolas e, por força da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, c/c a Lei nº 10.637, art. 3º, inciso I, não caberia o creditamento. Ubi eadem ratio ibi eadem legis dispositivo Resulta, assim, que em relação ao fertilizante agrícola de uréia não poderia haver creditamento, visto que a teor da Lei nº 10.925, art. 1º, inciso I, incide a alíquota zero sobre o bem. De outra sorte, se o composto orgânico de uréia for utilizado para alimentação de ruminantes há incidência de PIS/COFINS. Em face dessa diferenciação, a Confederação Nacional da Agricultura encaminhou pedido de alteração legislativa, abraçado pelo Senador Assis Gurgacz que propôs o Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012, cuja ementa diz: ‘ Acresce o inciso XIX e § 4º ao art. 1º da Lei nº 10.925/04 (reduz as alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS incidentes na importação e na comercialização do mercado interno de fertilizantes e defensivos agropecuários), para prever no inciso XIX que ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de ácido fosfórico, hidrogenoortofosfato de cálcio (fosfato dicálcico) e ureia pecuária e para dispor no § 4º que a mencionada redução aplicase até 31 de dezembro de 2018 (art. 1º). O Poder Executivo estimará a renúncia fiscal decorrente das alterações promovidas pela Lei, em consonância com o dispõem a Lei Complementar nº 101/00 (Lei de Responsabilidade Fiscal) e o § 6º do art. 165 da Fl. 220DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.910 S3C3T1 Fl. 219 5 Constituição Federal (art. 2º). A Lei entra em vigor na data de sua publicação, sendo que a redução de que exercício financeiro imediatamente posterior àquele em que for implementado o disposto no art. 2º (art.3º).’ O Projeto de Lei do Senado nº 319 de 2012 ainda se encontra em trâmite. Temos, então, que conforme o uso do composto orgânico de uréia há ou não incidência de PIS/COFINS. Caso a uréia seja utilizada como fertilizante agrícola incide a alíquota zero. De outra sorte, se a uréia for empregada para alimentação de ruminantes incide o PIS/COFINS normalmente. Em relação a utilização da uréia pela Embargada, entende a Embargante que aquele composto orgânico foi empregado como fertilizante agrícola, tanto que foi listado ao lado de outros produtos de mesma utilidade, o calcário bicálcio e o fosfato. Devendo, pois, ser aplicado a uréia o mesmo princípio e norma que foram adotados pelo r. acórdão para não admitir o creditamento. Por outro lado, entendendo este i. Colegiado que há dúvida acerca da utilização da uréia. Pugna a Embargante que consoante o PAF, art. 28, o ônus da prova é da Embargada. Se essa não instruiu o seu pedido de forma correta, incabível prover a pretensão de ressarcimento. Corroborando nosso entendimento pontifica a jurisprudência pacífica do e. CARF, verbis: ‘IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITOS INCENTIVADOS. Tratandose de crédito incentivado, o ônus de provar o direito alegado é de quem o reclama, não sendo dever da Administração produzir prova a seu favor. Não prova, tornase incerto e ilíquido o pedido. ACÓRDÃO 20311733’. Ao realizar o Juízo de admissibilidade, o presidente desta turma julgadora admitiu os embargos de declaração opostos, nos termos do art. 65 e parágrafos do Regimento Interno do CARF, entendendo que a matéria ventilada em tal recurso, de fato, não havia sido apreciada sobre este ângulo, configurando, portanto, omissão do acórdão embargado. Ato contínuo, os embargos declaratórios foram distribuídos para minha relatoria. É o breve relatório. Fl. 221DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Os Embargos Declaratórios são tempestivos e reúnem os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deles conheço. Consoante acima indicado, o acõrdão recorrido concluiu que "os custos com aquisições da uréia geram créditos da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, passíveis de dedução/ressarcimento". O referido dispositivo legal assim dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; O Embargante, então, destaca a omissão do acórdão quanto ao uso do composto orgânico da uréia, visto que, na hipótese de este ser utilizada como fertilizante agrícola, estaria classificada na posição 3102.10 da NCM, e, portanto, sujeita à alíquota zero, nos termos do art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004, in verbis: Art. 1o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes na importação e sobre a receita bruta de venda no mercado interno de: I adubos ou fertilizantes classificados no Capítulo 31, exceto os produtos de uso veterinário, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.542, de 26 de dezembro de 2002, e suas matériasprimas; O capítulo 31 da TIPI, por seu turno, assim dispõe: NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 3101.00.00 Adubos (fertilizantes) de origem animal ou vegetal, mesmo misturados entre si ou tratados quimicamente; adubos (fertilizantes) resultantes da mistura ou do tratamento químico de produtos de origem animal ou vegetal. NT 31.02 Adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados). 3102.10 Ureia, mesmo em solução aquosa Ou seja, verificase que a redução à alíquota zero apenas foi adotada para o caso da uréia, mesmo em solução aquosa, utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e enquadrada no NCM nº 31.02.10. Nesse contexto, entendo que assiste parcial razão à Embargante, consoante restará devidamente esclarecido a seguir. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10650.901310/201294 Acórdão n.º 3301002.910 S3C3T1 Fl. 220 7 De um lado, há de se reconhecer que o acórdão recorrido se omitiu quanto a tal ponto, tornandose necessário sanar a omissão apontada nesta oportunidade. Diante da análise da legislação acima apontada, assiste razão à recorrente quando dispõe que a uréia enquadrada no item 3102.10, sujeita à alíquota zero, não daria direito a creditamento, inclusive com base na fundamentação adotada pelo acórdão recorrido que não admitiu o creditamento quanto ao calcáreo bicálcio e o fosfato, por serem estes utilizados como fertilizantes agrícolas, por força do disposto na Lei nº 10.925/2004, art. 1º, inciso I, cumulado com o disposto na Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso I. Por outro lado, embora seja forçoso reconhecer que não há nos presentes autos elementos suficientes para se confirmar se a uréia utilizada pelo contribuinte era ou não utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, entendo que este fato, por si só, não impede a concessão do crédito pleiteado pelo contribuinte, desde que excetuado o direito ao crédito quanto à uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10. Isso porque, como é cediço, a informação quanto ao NCM da uréia comercializada pelo contribuinte neste caso concreto pode ser facilmente verificada pela fiscalização através da análise do SPED Fiscal da empresa, onde há a indicação dos NCM´s das mercadorias adquiridas e alienadas pela mesma. Logo, em atenção ao princípio da verdade material, que deve reger os julgamentos na esfera administrativa, concluo pela manutenção da conclusão constante do r. acórdão recorrido, no sentido de admitir que os custos com aquisições da uréia geram crédito da contribuição, nos termos do inciso I do art. 3º da Lei nº 10.637/2002, passíveis de dedução/ressarcimento, excetuando, contudo, a uréia enquadrada no NCM nº 31.02.10, face à alíquota zero aplicável à mesma. Até porque, entendo que não há nenhum prejuízo ao Fisco na concessão do pleito do contribuinte nestes termos, visto que a exclusão de eventuais créditos relacionados ao referido NCM poderá ser facilmente realizada quando da execução do presente julgado. Nesse contexto, acolho os embargos de declaração opostos, para fins de sanar a omissão apontada, e, em razão da necessária inclusão das razões aqui emanadas ao acórdão recorrido, alterar o seu teor, para que passe a vigorar da seguinte forma: ASSUNTO: PIS E COFINS Período de apuração: Diversos CUSTOS/DESPESAS. PESSOAS JURÍDICAS. AQUISIÇÕES. CRÉDITOS PASSÍVEIS DE DESCONTOS/RESSARCIMENTO. Somente geram créditos passíveis de desconto da contribuição mensal apurada sobre o faturamento e/ ou de ressarcimento do saldo credor trimestral os custos dos bens para revenda e os custos/despesas dos bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de bens e produtos destinados a venda, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País e tributados pela contribuição. CUSTOS. INSUMOS. AQUISIÇÕES. FRETES. PRODUTOS DESONERADOS. Os fretes incidentes nas aquisições de produtos para revenda e/ ou utilizados como insumos na produção de bens destinados a venda, desonerados da contribuição, não geram créditos passíveis de desconto/ressarcimento. CUSTOS. URÉIA. REVENDA. RESSARCIMENTO. Os custos com aquisições de uréia para revenda geram créditos da contribuição passível de compensação/ressarcimento, com exceção da uréia utilizada como adubos (fertilizantes) minerais ou químicos, nitrogenados (azotados) e Fl. 223DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 8 enquadrada no NCM nº 31.02.10, visto que sujeita à alíquota zero, conforme dispõe o art. 1º, inciso I da Lei nº 10.925/2004. É o voto. MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Relatora. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 06/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 15/04/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 27/05/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 10680.017177/2005-18
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 21 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Aug 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente.
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543-B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência.
Numero da decisão: 9202-004.183
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1883; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10680.017177/200518 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202004.183 – 2ª Turma Sessão de 21 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ABÍLIO MACHADO FILHO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2004 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há que se cogitar de nulidade de lançamento, quando plenamente obedecidos pela autoridade lançadora os ditames do art. 142, do CTN e a lei tributária vigente. IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com o regime de competência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes, Gerson Macedo Guerra e Maria Teresa Martínez López, que lhe negaram provimento. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 71 77 /2 00 5- 18 Fl. 288DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 3 2 Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente), HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR, ANA PAULA FERNANDES, ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, MARIA HELENA COTTA CARDOZO, PATRICIA DA SILVA, LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI, GERSON MACEDO GUERRA. Relatório Trata o presente processo de auto de infração AI (efls. 05 a 10), referente ao imposto de renda pessoa física, exercício 2004, em procedimento de revisão da declaração de ajuste anual (Dirpf) por meio do qual se apurou saldo de imposto suplementar no valor originário de R$ 20.440,40, multa de ofício de R$ 15.330,30 e juros moratórios de R$ 5.379,91, calculados até 31/11/2005. As alterações decorreram de classificação indevida de rendimentos pelo contribuinte, ao declarálos em DIRPF como isentos, tendo o AI sido cientificado ao contribuinte em 15/12/2005. O auto de infração foi objeto de impugnação, em 03/01/2006, às efls. 45 a 55 dos autos. A impugnação foi apreciada na 5ª Turma da DRJ/BHE que, por unanimidade, em 05/05/2010, no acórdão 0226.70263, às efls. 189 a 200, julgou a impugnação procedente em parte. Em 13/07/2010, houve apresentação de recurso voluntário, às efls. 207 a 215, já pelo inventariante Abílio Machado Neto (conforme Escritura de Inventário à efl. 222), tendo em vista o falecimento do contribuinte em 26/07/2008 (Certidão de Óbito à efl. 220). Naquele recurso, o inventariante, em síntese, alega a natureza indenizatória dos valores recebidos e por essa razão eles não seriam sujeitos à incidência do imposto de renda. A 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF julgou o recurso voluntário em 21/01/2015, em decisão consubstanciada no acórdão n° 2202002.964, às efls. 235 a 246, cancelando o lançamento, por entendelo eivado de nulidade insanável, conforme ementa a seguir: RRA APLICAÇÃO DE ALÍQUOTAS VIGENTES A ÉPOCA EM QUE OS VALORES DEVERIAM TER SIDO ADIMPLIDOS NECESSIDADE STF RE 614.406/RS ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF APLICAÇÃO. O RE 614.406/RS, julgado sob o rito do art. 543B do CPC, consolidou o entendimento de que a aplicação irrestrita do regime previsto na norma do art. 12 da Lei nº 7.713/88 implica em tratamento desigual aos contribuintes. Assim, ainda que seja aplicado o regime de caixa aos rendimentos recebidos acumuladamente pelas pessoas físicas, o dimensionamento da obrigação tributária deve observar o critério quantitativo (base de cálculo e alíquota) dos anos calendários em que os valores deveriam ter sido recebidos, sob pena de violação aos princípios constitucionais da isonomia, da Fl. 289DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 4 3 capacidade contributiva e da proporcionalidade. O art. 62A do Regimento Interno do CARF torna compulsória a aplicação deste entendimento. LANÇAMENTO AMPARADO NO ART. 12 DA LEI Nº 7.713/88 NULIDADE ALTERAÇÃO DOS CRITÉRIOS JURÍDICOS IMPOSSIBILIDADE. O lançamento amparado na interpretação jurídica do art. 12 da Lei nº 7.713/88, fulminado pelo STF deve ser considerado nulo. Não compete ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento. Recurso voluntário provido. O acórdão teve a seguinte redação: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Antonio Lopo Martinez, que proviam parcialmente recurso para aplicar aos rendimentos recebidos acumuladamente as tabelas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido pagos. Salientese que o acórdão ora recorrido cancelou o lançamento apenas por erro no critério de apuração do tributo devido pelo regime de caixa. Por decorrência lógica, verificase que o colegiado considerou a verba tributável. Ora, não há possibilidade de erro no critério de cálculo de verba isenta ou não tributável. Em 18/03/2015, foi apresentado Recurso Especial de Divergência – RE da Procuradoria da Fazenda, às efls. 248 a 254, nele o Procurador da Fazenda pleiteou a reforma do acórdão recorrido, requerendo o cálculo do imposto de renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente apurado mensalmente, em correlação aos parâmetros fixados na tabela progressiva do imposto de renda vigente à época dos respectivos fatos geradores. Como paradigma da divergência, indica o acórdão nº 2201002.588 da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, de 05/11/2014. A Presidente da 2ª Câmara da Segunda Seção da CARF, em 09/07/2015, através do despacho de efls. 263 a 265, com fulcro nos artigos 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, deu seguimento ao RE da Fazenda, para que fosse reapreciada a questão da manutenção do lançamento relativo a omissão de rendimentos recebidos acumuladamente, determinandose tão somente o recálculo do imposto de renda com base nas tabelas progressivas da época em que os rendimentos deveriam ter sido pagos. O contribuinte recebeu a Intimação nº 1348/2015 (efl. 269) para ciência do acórdão do recurso voluntário e do RE da Fazenda em 22/07/2015 (efl. 270). Em 04/08/2015, o inventariante apresentou contrarrazões, juntadas às efls. 272 a 276, na qual argumenta que os rendimentos devem ser tributados pelo imposto de renda sob o regime de competência, de acordo com o RE 614.406 do STF e em assim sendo, como o Fl. 290DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 5 4 período de percepção dos rendimentos é de outubro de 1975 a outubro de 2003, nenhum efeito prático teria o lançamento. Além disso, afirma que o que se requer no RE é uma modificação no critério jurídico do lançamento, o que não seria permitido. Por fim, requer que seja negado provimento ao RE da Fazenda ou, alternativamente, que se declare a inexistência do crédito tributário exigido, com a liberação do valor de imposto de renda retido na fonte. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo que o acórdão que julgou o recurso voluntário esteja equivocado, não vejo vício no lançamento, que aplicou a norma vigente à época, da maneira que ela era interpretada (regime de caixa). Posteriormente, é que, em decisão vinculante a este CARF, os tribunais superiores entenderam que a norma não deveria ser aplicada daquela forma, determinando procedimento de cálculo do tributo devido, de forma diversa (regime de competência). Nessa toada, o RE da Procuradora da Fazenda nos leva à apreciação idêntica àquela ocorrida no processo nº 11040.001165/200561, julgado na 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, cujo voto vencedor, da Lavra do Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior em tudo se adéqua ao presente caso e por isso o adoto, pedindo vênia para transcrevêlo: Verifico, a propósito, que a matéria em questão foi tratada recentemente pelo STF, no âmbito do RE 614.406/RS, objeto de trânsito em julgado em 11/12/2014, feito que teve sua repercussão geral previamente reconhecida (em 20 de outubro de 2010), obedecida assim a sistemática prevista no art. 543B do Código de Processo Civil vigente. Obrigatória, assim, a observância, por parte dos Conselheiros deste CARF dos ditames do Acórdão prolatado por aquela Suprema Corte em 23/10/2014, a partir de previsão regimental contida no art. 62, §2º do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Reportandome ao julgado vinculante, noto que, ali, se acordou, por maioria de votos, em manter a decisão de piso do STJ acerca da inconstitucionalidade do art. 12 da Lei no. 7.713, de 1988, devendo ocorrer a "incidência mensal para o cálculo do imposto de renda correspondente à tabela progressiva vigente no período mensal em que apurado o rendimento percebido a menor regime de competência (...)", afastandose assim o regime de caixa. Todavia, inicialmente, de se ressaltar que em nenhum momento se cogita, no Acórdão, de eventual cancelamento integral de Fl. 291DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 6 5 lançamentos cuja apuração do imposto devido tenha sido feita obedecendo o art. 12 da referida Lei nº 7.713, de 1988, notese, diploma plenamente vigente na época em que efetuado o lançamento sob análise, o qual, ainda, em meu entendimento, guarda, assim, plena observância ao disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. A propósito, de se notar que os dispositivos legais que embasaram o lançamento constantes de efl. 12, em nenhum momento foram objeto de declaração de inconstitucionalidade ou de decisão em sede de recurso repetitivo de caráter definitivo que pudesse lhes afastar a aplicação ao caso in concretu. Deflui daquela decisão da Suprema Corte, em meu entendimento, inclusive, o pleno reconhecimento do surgimento da obrigação tributária que aqui se discute, ainda que em montante diverso daquele apurado quando do lançamento, o qual, repitase, obedeceu os estritos ditames da legalidade à época da ação fiscal realizada. Da leitura do inteiro teor do decisum do STF, é notório que, ainda que se tenha rejeitado o surgimento da obrigação tributária somente no momento do recebimento financeiro pela pessoa física, o que a faria mais gravosa, entendese, ali, inequivocamente, que se mantém incólume a obrigação tributária oriunda do recebimento dos valores acumulados pelo contribuinte pessoa física, mas agora a ser calculada em momento pretérito, quando o contribuinte fez jus à percepção dos rendimentos, de forma, assim, a restarem respeitados os princípios da capacidade contributiva e isonomia. Assim, com a devida vênia ao posicionamento do relator, entendo que, a esta altura, ao se esposar o posicionamento de exoneração integral do lançamento, se estaria, inclusive, a contrariar as razões de decidir que embasam o decisum vinculante, no qual, reitero, em nenhum momento, notese, se cogita da inexistência da obrigação tributária/incidência do Imposto sobre a Renda decorrente da percepção de rendimentos tributáveis de forma acumulada. Se, por um lado, manterse a tributação na forma do referido art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, conforme decidido de forma definitiva pelo STF, violaria a isonomia no que tange aos que receberam as verbas devidas "em dia" e ali recolheram os tributos devidos, exonerar o lançamento por completo a esta altura significaria estabelecer tratamento antiisonômico (também em relação aos que também receberam em dia e recolheram devidamente seus impostos), mas em favor daqueles que foram autuados e nada recolheram ou recolheram valores muito inferiores aos devidos, ao serem agora consideradas as tabelas/alíquotas vigentes à época, o que deve, em meu entendimento, também se rechaçar. Nesse sentido, há que se manter a tributação, encaminhandose para apuração do imposto devido de acordo com o regime de competência. Conclusão Fl. 292DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 7 6 Pelas razões expostas, voto no sentido de conhecer do recurso especial de divergência da Fazenda Nacional e darlhe provimento, para afastar o cancelamento do auto de infração, com a retificação do montante do crédito tributário pela aplicação do regime de competência ao cálculo do imposto, em face do julgado no âmbito do RE 614.406/RS. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Fl. 293DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10680.017177/200518 Acórdão n.º 9202004.183 CSRFT2 Fl. 8 7 Fl. 294DF CARF MF Impresso em 11/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 12/07/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 16327.000748/2009-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Apr 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 01/01/2008
DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. ART. 150 § 4º DO CTN.
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO INDIRETO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido.
ABONO ÚNICO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
INDENIZAÇÃO ADICIONAL. CARÁTER INDENIZATÓRIO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2202-003.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências 02/2004 a 06/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à verba "Participação nos Lucros e Resultados", vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento nessa matéria. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à verba "Abono Único". Por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à verba "Indenização Adicional", vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que negou provimento. Foi designado o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO para redigir o voto vencedor nas matérias em que foi vencido o Relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Eduardo de Oliveira - Relator.
(Assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator designado.
Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2004 a 01/01/2008 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. ART. 150 § 4º DO CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO INDIRETO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. ABONO ÚNICO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO ADICIONAL. CARÁTER INDENIZATÓRIO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Recurso Voluntário Provido
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Recorrente BANCO RABOBANK INTERNACIONAL BRASIL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 01/01/2008 DECADÊNCIA PARCIAL. RECONHECIMENTO. ART. 150 § 4º DO CTN. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. SALÁRIO INDIRETO. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. ABONO ÚNICO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. INDENIZAÇÃO ADICIONAL. CARÁTER INDENIZATÓRIO. VERBA QUE DE ACORDO COM A LEGISLAÇÃO ESTÁ FORA DO CAMPO DE INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, Por unanimidade de votos, acolher a preliminar de decadência em relação às competências 02/2004 a 06/2004, inclusive, com base no art. 150, § 4º, do CTN. Por maioria de votos, dar provimento ao recurso quanto à verba "Participação nos Lucros e Resultados", vencidos os Conselheiros EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), MÁRCIO HENRIQUE SALES PARADA e MARCO AURÉLIO DE OLIVEIRA BARBOSA, que negaram provimento nessa matéria. Por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso quanto à verba "Abono Único". Por maioria de votos, dar provimento ao AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 07 48 /2 00 9- 14 Fl. 541DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 542 2 recurso quanto à verba "Indenização Adicional", vencido o Conselheiro EDUARDO DE OLIVEIRA (Relator), que negou provimento. Foi designado o Conselheiro MARTIN DA SILVA GESTO para redigir o voto vencedor nas matérias em que foi vencido o Relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira Relator. (Assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator designado. Participaram, ainda, do presente julgamento, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro, Eduardo de Oliveira, Jose Alfredo Duarte Filho (Suplente Convocado), Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado), Martin da Silva Gesto e Marcio Henrique Sales Parada. Fl. 542DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 543 3 Relatório Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.211.5659, que objetiva o lançamento da contribuição devida a outras entidades e fundos – terceiros, decorrente da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal – REFISC, de fls. 33 a 52, com período de apuração de 02/2004 a 12/2007, conforme Termo de Início de Procedimento Fiscal TIPF, de fls. 29 e 30. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 30/07/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 01. O contribuinte notificado apresentou sua petição de defesa/impugnação com suas razões, as fls. 58 a 100, recebida, em 28/08/2009, acompanhada dos documentos, de fls. 101 a 200; 203 a 260. A defesa foi considerada tempestiva, fls. 262 e 358. Consta, as fls. 266 e 267, Pedido de Desistência parcial da impugnação, relativamente, aos lançamentos Veículos – Multa de Ofício; Vale Transporte – Multa de Ofício, para o período 07/2004 a 02/2005; 04/2005 a 12/2005, bem como para o Benefício Indireto Veículos e Vale Transporte, para o período 03/2005 e 10/2005. Os créditos objetos das desistências foram transferidos para o DEBCAD Nº 37.363.0530 Termo de Transferência – TETRA, de fls. 293, e, discriminado no Discriminativo Analítico de Débito Desmembrado –DADD, fls. 294 a 300. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1645.219 14ª, Turma DRJ/SP1, em 27/03/2013, fls. 359 a 378. No qual a impugnação foi considerada improcedente. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, 22/05/2013, conforme AR, de fls. 382. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 384, recebida, em 21/06/2013, com razões recursais, as fls. 385 a 423, acompanhado dos documentos, de fls. 424 a 534. Preliminar. · que o período do débito de 02/2004 a 06/2004, quando do lançamento já estava decadente, conforme artigo 150, §4º, do CTN, uma vez que a contribuinte só foi cientificado do lançamento, em 30/07/2009; Fl. 543DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 544 4 · que subsidiariamente pelo artigo 173, I, do CTN, também, teria ocorrido a decadência, pois nos termos do RESP 973.733SC “exercício” deve ser entendido como “período de apuração”, assim sendo para o mês de 02/2004, primeiro dia do exercício seguinte seria 01/03/2004, logo como o lançamento se deu, em 30/09/2009, a decadência teria se operado para o período de 02/2004 a 06/09/2004; Mérito. · que o fato dos planos PPR/PLR 2003 e 2004 terem sido assinados no final do período, não descaracteriza sua natureza de PPR/PLR, pois os empregados tinham conhecimento das metas e regras de sua distribuição, se dando tal fato por questões práticas, uma vez que é no final do exercício que sindicato e bancos chegam ao acerto dos dissídios coletivos, bem como pela dificuldade de agenda entre as instituições, porém as metas e regras de distribuição sempre se firmaram no desempenho da instituição, denotando a assinatura no final do anocalendário que tais planos decorrem de tratativas entre as partes, não existindo na lei determinação de que o plano seja prévio, uma vez que esta usa a expressão “podendo” sendo mera indicação e não exigência; · que a jurisprudência consolidou o entendimento de que a negociação pode ser consolidada após a obtenção do lucro, o que ocorre após o final do exercício, devendo a PLR ser anterior a distribuição, cita precedente do CARF, devendo a decisão a quo ser reformado, pois o único requisito temporal para que a PLR seja paga e a existência do acordo antes da distribuição, pois a PLR não tem natureza remuneratória; · que o abono único não possui natureza contraprestacional, sendo que a CCT 2005/2006 prevê a expressa desvinculação deste dos salários, não havendo habitualidade nesse pagamento, pois pago uma única vez, evidenciando seu caráter eventual e extraordinário, cita precedentes do STJ e do CARF, sendo que a PGFN editou sobre o tema o AD Nº 16/2011 a qual põe fim a discussão, devendo a rubrica ser cancelada; · que todos os valores pagos a título de “Indenização Adicional” são decorrentes do que previsto na ACT/CCT, sendo pago a empregados dispensados sem justa causa, prevendo a CCT 2003/2004 o período de 01/10/2003 a 29/02/2004 e a CCT 2004/2005 o período de 17/10/2005 a 31/03/2006, tendo natureza indenizatória, pois previsto na CCT, cita jurisprudência do TST, cita o Parecer Nº 384/71 MTPS, sendo a verbas indenizatórias eventuais sem possuírem natureza salarial, cita decisão do CARF e do STJ, não sendo a referida “Indenização Adicional” remuneração, mas sim indenização, assim não é salário de contribuição; Fl. 544DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 545 5 · subsidiariamente, que sobre juros de mora não cabe multa de ofício, pois o CTN não contém autorização nesse sentido, cita precedente da CSRF, sendo que o parágrafo 3º, do artigo 61, da Lei 9.430/96 só prevê juros de mora, não podendo a multa ser confundida com impostos e contribuições, autorizando a legislação apenas a incidência de juros de mora sobre tributos e contribuição, mas não sobre multa de ofício, assim não sendo o auto de infração cancelado, pela eventualidade devese excluir os juros de mora sobre a multa de ofício; · Do pedido: a) pugna a recorrente pelo conhecimento e integral provimento do recurso, com a reforma da decisão guerreada e cancelamento do auto; b) extinção parcial pelo reconhecimento da decadência art. 150, §4º, para o período 02/2004 a 06/2004; c) que o valores a título de PLR, Lei 10.101/2001 sejam, assim, considerados; d) que em relação ao “Abono Único” e a “Indenização Adicional” seja considerada a ausência de natureza contraprestacional e da habitualidade; e) que não devem incidir juros de mora sobre multa de ofício, f) protestase pela produção de todos os meios de prova admitidos em direito. A autoridade preparadora considerou o recurso tempestivo, fls. 538. O órgão preparador remeteu os autos ao CARF, 538. Os autos foram sorteados e distribuídos a esse conselheiro, em 09/10/2014, Lote 03, fls. 539. É o Relatório. Fl. 545DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 546 6 Voto Vencido Conselheiro Eduardo de Oliveira Relator. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Retenção. O presente processo ficou retido e sua solução foi retardada em razão dos recentes acontecimentos que afetarão o normal funcionamento do CARF, situação, absolutamente, fora do alcance do presente conselheiro. Delimitação da lide. Esclareço, inicialmente, qual é o âmbito de discussão nesses autos. O contribuinte recorrente apresentou pedido de desistência parcial da impugnação de primeiro grau e assim apenas as rubricas a seguir descritas estão integrando o contencioso administrativo. · Levantamento ABU – ABONO UNICO; · Levantamento IND – INDENIZAÇÃO ADICIONAL; · Levantamento PLR – PART LUCROS RESULTADOS; Feitos os esclarecimentos acima somente esses levantamentos comportam julgamento em segundo grau. Preliminar. Decadência. O contribuinte recorrente junto a impugnação de primeiro grau apresentou as GPS’s, de fls. 174 a 180, relativas as competências 02/2004 a 06/2004, onde consta recolhimento para outras entidades e fundos terceiros. No que tange a decadência das contribuições para outras entidades e fundos a IN RFB 971/2009 prescreve o que a seguir se transcreve. CAPÍTULO III DA DECADÊNCIA E da PRESCRIÇÃO Art. 443. A extinção do direito de a RFB apurar e constituir os créditos tributários, bem como o prazo de prescrição da ação para cobrança desses créditos obedecerão ao disposto no CTN. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 547 7 Art. 444. Na constatação da ocorrência de dolo, fraude ou simulação, aplicase na constituição do crédito o disposto no inciso I do art. 173 do CTN. ( Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027, de 20 de abril de 2010 ) Art. 445. As contribuições devidas a outras entidades ou fundos sujeitamse aos mesmos prazos, condições e sanções, e gozam dos mesmos privilégios das contribuições sociais devidas à Previdência Social. (destaquei). Acompanho o precedente do STJ, abaixo transcrito, relativamente, a contagem do prazo decadencial, ou seja, havendo comprovação de pagamento da contribuição, ainda, que parcial, a decadência operase pelo artigo 150, § 4º, da Lei 5.172/66. RECURSO ESPECIAL Nº 970.947 SC (2007/01732916) Esta Corte tem firmado o entendimento de que o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pode ser estabelecido da seguinte maneira: a) em regra, seguese o disposto no art. 173, I, do CTN, ou seja, o prazo é de cinco anos, contado "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado"; b) nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento ocorreu antecipadamente, o prazo é de cinco anos, contado do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN No caso sob análise o contribuinte foi cientificado do lançamento, em 30/07/2009, assim sendo retroagindose cinco anos a partir dessa data, encontrase 30/07/2004 como prazo final da decadência, assim todas as contribuições vencidas até essa data, inclusive, estavam decadentes quando do lançamento. Assim sendo, as competências lançadas no período de 02/2004 a 06/2004 estavam decadentes por ocasião do lançamento. Mérito. PLR. O motivo pelo qual o PLR é assinado no final do exercício é irrelevante para a determinação da natureza da verba remuneratória ou desvinculada da remuneração. A Lei 10.101/2001 diz que a pactuação do plano deve ser prévia e no meu entendimento essa exigência se reporta ao período de cumprimento do plano, pois não tem sentido fixar regras, critérios e condições, ainda, que outras que não as sugeridas por lei depois que o exercício acabou, ocasião em que não será mais possível empreender esforços para cumprir, atingir ou satisfazer as condições do PLR. Não há porque fixar regras em novembro de um dado ano que deve ser ao menos perseguida desde janeiro desse ano, pois quando da fixação não seria mais possível ao empregado desempenhar qualquer esforço para tal, pois não é possível cumprir, hoje, regras, parâmetros, critérios e condições que deviam ter sido cumpridas em períodos passados. Fl. 547DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 548 8 A Lei 10.406/2002 quanto a validade do negócio jurídico assim se pronúncia, veja a transcrição. Art. 167. É nulo o negócio jurídico simulado, mas subsistirá o que se dissimulou, se válido for na substância e na forma. § 1o Haverá simulação nos negócios jurídicos quando: III os instrumentos particulares forem antedatados, ou pós datados. Além disso os arestos abaixo citados, também, entendem que o PLR deve ser contemporâneo o período a que se refere, observese as transcrições. TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. ALIMENTAÇÃO. PARCELAS PAGAS IN NATURA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS. NÃO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS. APELAÇÃO PARCIALMENTE PROVIDA. TRABALHO TEMPORÁRIO. PAGAMENTO. NECESSIDADE PROVA PERICIAL. SENTENÇA PARCIALMENTE ANULADA. 1 Da preliminar de nulidade de sentença por cerceamento de defesa. : Não há que se falar em nulidade da sentença ao argumento de que o direito de defesa do Embargante não foi preservado, uma vez que foi intimado desde o início da ação fiscal, inclusive apresentando defesa nas vias administrativas, a todas as três NFLD's. Ademais, a mesma apresentou de forma clara e minuciosa sua impugnação via os presentes Embargos, não havendo nenhum prejuízo em sua defesa. Logo não há que se falar em cerceamento de defesa. Desacolhese esse argumento. 2 Da preliminar de cerceamento de defesa por ausência de realização de prova pericial: Esta preliminar deve ser examinada diante de cada uma das notificações fiscais, já que versam sobre espécies tributárias diferenciadas. Nesse sentido, verificase que a sentença foi prolatada tão logo o INSS apresentou sua impugnação. Assim agiu o juiz sentenciante ao entendimento de que a matéria comportava julgamento antecipado da lide, na forma do parágrafo único do art. 17 da Lei 6.830/80, pois a prova documental produzida seria suficiente para o julgamento. 2.1 Ocorre que, conquanto a embargante tenha trazido matéria que se resolve somente com o puro exame do direito e da prova documental coligida, isso em relação à notificação 32.713.8173 (proc. adm. fiscal às fls. 225/385, sobre contribuição incidente sobre auxílioalimentação) e à 32.713.8181 (proc. adm. fiscal às fls. 138/224, participação sobre o lucro), tal não se verifica no que diz respeito à outra a de nº 32.713.8190 (proc. adm. às fls. 386/479, pagamentos, trabalhadores temporários, base cálculo), portanto necessária a prova pericial quanto aos fatos deduzidos concernentes a essa última notificação, de forma que é o caso de se anular, porém parcialmente, a sentença restrita a anulação à notificação nº 32.713.8190, como dito, prosseguindo no exame do recurso quanto às demais, vez que a nulidade configurada não as contamina (art. 248, parte final, CPC), porque independentes. 2.2. Assim, ACOLHESE PARCIALMENTE A PRELIMINAR, Fl. 548DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 549 9 PARA ANULAR PARTE DA SENTENÇA. 3 PROSSEGUESE NO EXAME DO MÉRITO (NOTIFICAÇÕES 32.713.8173 E 32.713.8181). 3.1 Da Certidão de Dívida Ativa n.° 32.713.817 3, proc. adm. fiscal às fls. 225/385: A controvérsia reside em saber se as cestas básicas e as refeições fornecidas pela Embargante aos seus empregados são consideradas como salário in natura e se integra no cálculo da remuneração paga aos empregados e, consequentemente, integra a base de cálculo do salário de contribuição previdenciária. 3.2 No presente caso, não há se falar em incidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento, pelo empregador, de cesta básica in natura, aos seus empregados, em virtude de cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho fls. 60/84, sendo irrelevante a ausência de inscrição do empregador perante o então Programa de Alimentação do Trabalhador. 3.3 Nesse sentido: "2. Nãoincidência de contribuição previdenciária sobre o valor relativo ao fornecimento, pelo empregador, de cesta básica in natura, aos seus empregados, em virtude de cláusula de Convenção Coletiva de Trabalho. Precedentes desta Corte e do STJ. 3. Irrelevância da ausência de inscrição do empregador perante o então Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT). Precedentes desta Corte e do STJ. (...). (AC 000656552.1999.4.01.3200 / AM, Rel. JUIZ FEDERAL LEÃO APARECIDO ALVES, 6ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 p.301 de 14/12/2011). 3.4 De igual forma, a jurisprudência desse Tribunal já firmou o entendimento de que não é devido a incidência de contribuição social quanto o pagamento in natura do auxílioalimentação quando a própria alimentação é fornecida pela empresa, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT. 3.5 Nesse sentido:"(...) . 11. "O pagamento in natura do auxílioalimentação quando a própria alimentação é fornecida pela empresa não sofre a incidência da contribuição previdenciária, por não possuir natureza salarial, esteja o empregador inscrito ou não no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT (STJ. EREsp 476.194/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 11/05/2005, DJ 01/08/2005 p. 307). 4. Reexame necessário improvido." (TRF1, REO 1999.01.00.0998084/MG, JUIZ FEDERAL CLEBERSON JOSÉ ROCHA (CONV.) OITAVA TURMA 06/03/2009 eDJF1 p.327). (...). (AC 002085373.2011.4.01.3300 / BA, Rel. DESEMBARGADOR FEDERAL REYNALDO FONSECA, SÉTIMA TURMA, eDJF1 p.662 de 15/06/2012) 3.6 No caso, houve a incidência de contribuição previdenciária sobre as despesas de refeições fornecidas a e seus empregados, sendo que tais despesas não são possuem natureza salarial e, conforme jurisprudências acima citadas, não sofrem a incidência de contribuição previdenciária. Logo, deve ser declarada a inexigibilidade da contribuição previdenciária sobre as despesas relacionadas com o fornecimento de cestas básicas e de refeições a seus empregados por não apresentarem natureza salarial, devendo, dessa forma, ser desconstituída a Certidão de Dívida Ativa de nº's 32.713.8173. 3.6 Apelação da embargante Fl. 549DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 550 10 provida, nesse ponto, sentença modificada, nessa parte. 4 Da Certidão de Dívida Ativa n.° 32.713.8181, proc. adm. fiscal às fls. 138/224: Defendese a parte embargante, no particular, afirmando que, ao contrário do que afirmado na r. sentença no que se refere à Certidão de Dívida Ativa de n.°s 32.713.8181, não incide contribuição previdenciária sobre a verba paga aos empregados a título de gratificação e participação nos lucros da empresa. 4.1 Impõese consigar que, diferentemente do que aduzido pela parte embargante, no RES 283.512, O STJ não se manifestou sobre o mérito da questão, pois sequer conheceu do Recurso Especial ao seguinte fundamento: "A questão merece ser apreciada no âmbito exclusivamente infraconstitucional, notadamente à luz do art. 28, § 9°, letra "j", da Lei n. 8.212/91, com observância do inciso XI do artigo 7° da Carta Magna". (Consulta ao sítio eletrônico do STJ em 03/06/2013, às 11h45min: ) 4.1 A imunidade tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91. 4.2 Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. 4.3 Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: "(...)". 2. A isenção tributária sobre os valores pagos a título de participação nos lucros ou resultados deve observar os limites da lei regulamentadora; no caso, a Medida Provisória 794/94 e a Lei n. 10.101/00, e também o art. 28, § 9º, "j", da Lei n. 8.212/91, possuem regulamentação idêntica. 3. Descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. (...)(AgRg no REsp 1197757/ES, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 28/09/2010, DJe 13/10/2010). 4.4 No presente caso, os Acordos Coletivos firmado entre o Sindicado dos Trabalhadores da categoria e a Embargante, não atenderam as especificações fixadas pela Medida Provisória n.° 794/94, ou seja, não fixou os critérios de fixação dos índices de produtividade, quantidade ou lucratividade, bem como programa de metas e resultados, como expressamente estabelecido no art. 2° e seu parágrafo único. 4.5 Ademais, os referidos Acordos Coletivos desrespeitaram, ainda, o § 2º do art. 3º da MP nº 794/94, que diz que é vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre, conforme leitura dos Acordos Coletivos coligido aos autos às fls. 60/84, que previa o pagamento da gratificação referente a participação nos lucros nos meses de março e de abril de cada ano. 4.6 Nesse sentido é a jurisprudência do STJ: "(...). 3. As participações nos lucros e resultados das empresas não se submetem à contribuição previdenciária, desde que realizadas na forma da lei (art. 28, § 9º, "j", da Lei 8.212/1991, à luz do art. 7º, XI, da CF). 4. O art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995) fixou critério básico para a nãoincidência da contribuição previdenciária, qual seja a impossibilidade de distribuição de Fl. 550DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 551 11 lucros ou resultados em periodicidade inferior a seis meses. 5. Caso realizada ao arrepio da legislação federal, a distribuição de lucros e resultados submetese à tributação. Precedentes do STJ. (...).8. Irrelevante o argumento de que as parcelas de outubro e novembro de 1995 referemse à participação nos lucros, e as demais, nos resultados. 9. As expressões "lucros" e "resultados", ainda que não indiquem realidades idênticas na técnica contábil, referemse igualmente a ganhos percebidos pelo empregador em sua atividade empresarial que, na forma da lei, são compartilhados com seus empregados. 10. Para fins tributários e previdenciários, importa o percebimento de parcela do ganho empresarial pelos funcionários, seja ela contabilizada como lucro ou como resultado.12. Escapam da tributação apenas os pagamentos que guardem, entre si, pelo menos seis meses de distância. Vale dizer, apenas os valores recebidos pelos empregados em outubro de 1995 e abril de 1996 não sofrem a incidência da contribuição previdenciária, já que somente esses observaram a periodicidade mínima prevista no art. 3º, § 2º, da Lei 10.101/2000 (conversão da MP 860/1995). (REsp 496.949/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 25/08/2009, DJe 31/08/2009). 4.7 "RECURSO DA CONTRIBUINTE: 4. O Supremo Tribunal Federal, por suas duas Turmas, reconheceu que a imunidade do art. 7º, XI, da CF/88 é de eficácia limitada, pois somente poderia incidir após a respectiva regulamentação infraconstitucional. Em outras palavras, concluiu que, até que fosse regulamentada a imunidade, nada impediria a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga pela empresa a titulo de participação nos lucros. 5. Para que a verba paga pela empresa possa caracterizarse como participação nos lucros e, consequentemente, tornarse isenta da contribuição previdenciária, exigese a observância de um dos procedimentos descritos no art. 2º da Lei 10.101/2000, vale dizer, comissão escolhida pelas partes ou acordo coletivo, devendo constar dos documentos decorrentes da negociação "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". 6. O não cumprimento desses requisitos impede que a verba paga seja considerada, para fins tributários, como participação nos lucros, razão por que sobre ela incidirá a contribuição previdenciária, dada sua natureza remuneratória. 7. O acórdão recorrido foi expresso em afirmar que não houve negociação coletiva entre empresa e empregados, que deixaram de cumprir as regras do art. 2º da Lei 10.101/2000. Incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros. 8. O acordo coletivo sobre participação nos lucros deve ser prévio, estabelecendo os critérios de distribuição dos lucros, para evitar que a negociação tardiamente entabulada possa ser utilizada pela empresa como válvula de escape para a sonegação fiscal. (...)(REsp 1216838/RS, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 06/12/2011, DJe 19/12/2011). Fl. 551DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 552 12 Transitado em julgado em junho de 2012.(http://www.stj.jus.br/webstj/Processo/justica/detalhe.asp? numreg=201001917139). 4.8 Logo, por consequência, descumpridas as exigências legais, as quantias pagas pela empresa a seus empregados ostentam a natureza de remuneração, passíveis, pois, de serem tributadas. Assim, deve ser mantida a CDA n.° 32.713.8181. 4.9 Apelação da embargante improvida, nesse ponto, sentença mantida, nessa parte. 5 Da Certidão de Dívida Ativa n.° 32.713.8190, proc. adm. às fls. 386/479: A apelante, no caso, foi notificada a recolher a importância de R$ 13.630,11, com relação a contribuições previdenciárias, seguro de acidente de trabalho e de terceiros, no período de outubro/96 a abri/98. Referido débito diz respeito ao fornecimento de trabalhadores temporários e efetivos pelas empresas credenciadas Real Assessoria e Recursos Humanos Ltda e GM Serviços Empresariais e Mão de Obra Temporária Ltda. / Alega a recorrente que nada é devido a qualquer título, posto que a contratação de serviços de trabalhadores temporários visa a atender a uma acréscimo extraordinário de serviços, ou seja, a picos de vendas e de produção, permitidas pela Lei n.° 6.019/74 e regulamentada pelo Decreto 73.841/74, que inicialmente foi de 03 meses, posteriormente prorrogadas, mediante comunicado ao Ministério do Trabalho, por mais 03 meses, conforme determina a legislação vigente do período. / Diz, ainda, que a demanda normal por serviços continuou e acabou contratando formalmente os trabalhadores, que, antes, como temporários, já lhe prestavam serviços. Assim, entende que não há como se pretender a incidência de contribuições previdenciárias sobre os trabalhadores temporários, porque a própria Previdência Social admite a contratação de trabalhadores temporários na atividade fim e principal da tomadora de serviços. 5.1 No ponto, como já sinalizado acima, quando do exame de preliminar, com efeito, a sentença deve ser parcialmente anulada considerado o art. 248, principalmente a parte final, do CPC , pela necessidade de se oportunizar à parte embargante a produção de prova pericial para fins de desconstituir a presunção de certeza e liquidez da respectiva certidão de dívida ativa. 5.2 Sentença anulada nesse ponto, para que o Juízo de Origem faculte à parte embargante a realização da prova pericial, com os atos a ela inerentes, prosseguindose nos ulteriores termos. 6 CONCLUSÂO: Apelação da parte embargante provida quanto à notificação 32.713.8173 e para anular, parcialmente, a sentença quanto à notificação 32.713.8190, nos termos acima, para que se faculte à parte embargante a realização da prova pericial quanto a essa notificação. 6.1 Sucumbência sobre a parte da sentença não anulada (notificações 32.713.8173 e 32.713.8181): Sem condenação em honorários advocatícios, tendo me conta a reciprocidade, de forma que uma parte não pagará à outra honorários. A parte embargada/exequente ressarcirá 1/3 (um terço) das custas pagas pela outra parte. (AC 00078926720054019199, JUIZ FEDERAL GRIGÓRIO CARLOS DOS SANTOS, TRF1 5ª TURMA SUPLEMENTAR, eDJF1 DATA:16/10/2013 PAGINA:364.) Fl. 552DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 553 13 TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NFLD ANULATÓRIA PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS LEI 10.101/2002 ASSINATURA DO SINDICATO NO ACORDO CELEBRADO AUSÊNCIA IRREGULARIDADE FORMAL HONORÁRIOS REDUÇÃO. Para que a verba paga pela empresa possa caracterizarse como participação nos lucros e, consequentemente, tornarse isenta da contribuição previdenciária, exigese a observância de um dos procedimentos descritos no art. 2º da Lei 10.101/2000, vale dizer, comissão escolhida pelas partes ou acordo coletivo, devendo constar dos documentos decorrentes da negociação "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". A intervenção do sindicato, na negociação, tem por finalidade tutelar os interesses dos empregados, tais como, fixação de resultados atingíveis, metas que não causem riscos à saúde ou à segurança para serem alcançados; determinação de índices gerais e individuais de participação, dentre outros. Por sua vez, o arquivamento do instrumento, no sindicato, visa comprovar a participação e possibilitar a exigência do cumprimento na forma acordada. Funciona como instrumento de integração entre capital e trabalho, incentivo à produtividade de resultados positivos; O desrespeito a tais exigências afeta os trabalhadores, que poderiam, eventualmente, ser prejudicados numa negociação desassistida, não obtendo tudo aquilo que alcançariam com a presença de um terceiro não vulnerado pela relação de emprego. Se o Sindicato se afastou, deixando de opor sua assinatura no acordo, os instrumentos são nulos, nos termos do art. 166, do CC. Assim, a empresa e os empregados não deveriam ter concluído a negociação mediante comissão, e sim, optado por convenção ou acordo coletivo, nos termos do inciso II, do art. 2º da lei de regência. A empresa juntou nos autos, tãosó, em relação ao ano de 2004, apuração dos votos da eleição dos representantes dos empregados para integrar a comissão, deixando de anexar a apuração dos outros anos. Também não há menção aos empregados lotados nas filiais de Triunfo (RS) e Cabo São Agostinho (PE). Os empregados, ao que parecem, são todos lotados na filial de Duque de Caxias RJ. Portanto, a Comissão Negociadora não representa todos os empregados da empresa, visto que só composta por trabalhadores de um estabelecimento. Não ser possível atribuir efeito ex tunc aos contratos de participação dos lucros da empresa, às competências anteriores à data de assinatura do instrumento de negociação celebrado em 29/07/2005. A uma, porque, como visto anteriormente,o referido instrumento é nulo, por inexistir assinatura do representante do sindicato. A duas, porque, embora a Lei nº 10.101/2000 não faça menção a este fato, é nítido que as regras só têm validade a partir de julho de 2005, pois é a partir desta data que se inicia o cumprimento das metas estabelecidas. Precedentes do STJ. É possível, a fixação dos Fl. 553DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 554 14 honorários advocatícios em percentual sobre o valor da causa ou em quantia determinada, porquanto o art. 20, § 4º, do CPC não proíbe nem distingue essa possibilidade e tampouco, faz qualquer referência ao limite a que se deva vincular o julgador ao realizar o arbitramento da verba honorária. Remessa necessária e apelação providas. (APELRE 200651010145497, Desembargador Federal JOSE FERREIRA NEVES NETO, TRF2 QUARTA TURMA ESPECIALIZADA, EDJF2R Data::06/03/2014.) EMEN: RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. EMPRESA TOMADORA DO SERVIÇO. SOLIDARIEDADE. AFERIÇÃO INDIRETA ANTES DA LEI 9.711/98. IMPOSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS DA EMPRESA. REQUISITOS DO ART. 2º DA LEI 10.101/2000. AUSÊNCIA DE NEGOCIAÇÃO COLETIVA PRÉVIA. INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO. SEST E SENAT. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 282/STF. RECURSO DA FAZENDA NACIONAL: 1. No regime vigente até a Lei 9.711/98, a empresa tomadora dos serviços era apenas devedora solidária da obrigação tributária de pagar a contribuição previdenciária. 2. Somente a partir da Lei 9.711/98 (que deu nova redação ao artigo 31 da Lei 8.212/91) a empresa tomadora dos serviços passou a ser responsável, por substituição tributária, pela retenção de 11% (onze por cento) do valor bruto da respectiva nota fiscal ou fatura, bem como pelo recolhimento, no prazo legal, da importância retida. A partir daí passou a ser possível aplicar a técnica da aferição indireta do § 6º do art. 33 da Lei 8.212/91 diretamente em relação à sua contabilidade, porquanto passou a competir a ela o dever de apurar e efetivar retenções em nome da empresa cedente. 3. Não se está a "negar a solidariedade entre a empresa contratante e a cedente de mão de obra antes da Lei n. 9.711/98. O óbice à cobrança intentada pela Fazenda Pública é a forma utilizada para apurar o crédito tributário, porquanto se utilizou da aferição indireta a partir do exame da contabilidade do devedor solidário apenas, deixando de buscar os elementos necessários junto à empresa cedente, de modo a tratar o devedor solidário como se substituto tributário fosse, em relação a fatos geradores anteriores à nova sistemática estabelecida a partir da Lei n. 9.711/98". (AgRg no REsp 1.175.241/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 06.08.10) RECURSO DA CONTRIBUINTE: 4. O Supremo Tribunal Federal, por suas duas Turmas, reconheceu que a imunidade do art. 7º, XI, da CF/88 é de eficácia limitada, pois somente poderia incidir após a respectiva regulamentação infraconstitucional. Em outras palavras, concluiu que, até que fosse regulamentada a imunidade, nada impediria a incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga pela empresa a titulo de participação nos lucros. 5. Para que a verba paga pela empresa possa caracterizarse como participação Fl. 554DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 555 15 nos lucros e, consequentemente, tornarse isenta da contribuição previdenciária, exigese a observância de um dos procedimentos descritos no art. 2º da Lei 10.101/2000, vale dizer, comissão escolhida pelas partes ou acordo coletivo, devendo constar dos documentos decorrentes da negociação "regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo". 6. O não cumprimento desses requisitos impede que a verba paga seja considerada, para fins tributários, como participação nos lucros, razão por que sobre ela incidirá a contribuição previdenciária, dada sua natureza remuneratória. 7. O acórdão recorrido foi expresso em afirmar que não houve negociação coletiva entre empresa e empregados, que deixaram de cumprir as regras do art. 2º da Lei 10.101/2000. Incidência da contribuição previdenciária sobre a verba paga a título de participação nos lucros. 8. O acordo coletivo sobre participação nos lucros deve ser prévio, estabelecendo os critérios de distribuição dos lucros, para evitar que a negociação tardiamente entabulada possa ser utilizada pela empresa como válvula de escape para a sonegação fiscal. 9. A ausência de prequestionamento quanto aos dispositivos supostamente violados impede a admissão do apelo no tocante às contribuições ao SEST e SENAT. Incidência da Súmula 282/STF. 10. Recurso especial da Fazenda Nacional não provido. Recurso da contribuinte conhecido em parte e não provido. RESP 201001917139 RESP RECURSO ESPECIAL – 1216838 CASTRO MEIRA STJ SEGUNDA TURMA DJE DATA:19/12/2011. (os destaques nos três precedentes são meus). Com esses esclarecimentos entendo que a assinatura do plano PLR no fim do exercício configura um outro instrumento que não PLR, sendo a verba paga alcançada pela contribuição exigida nos autos. Abono Único. Penso que não cabe a CCT desvincular o abono do salário, pois salário é instituto definido por lei e assim só outra lei pode realizar tal evento. Além do que dito acima aplicase a essa situação o artigo 123, da Lei 5.172/66, pois CCT e convenção particular que não vincula o fisco. Todavia, podese verificar que o citado abono realmente foi pago uma única vez na competência 10/2005, conforme consta do Discriminativo Analítico de Débito – DAD, de fls. 04, do Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 15, do Relatório de Lançamentos – RL, de fls. 16, e, finalmente, no REFISC, de fls. 36, cujo teor transcrevo. 16. O valor do Abono Único que compõe este lançamento foi extraído dos seguintes elementos na competência 10/2005: Fl. 555DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 556 16 Por outro lado, não há dúvidas de que tal abono foi determinado e fixado na CCT e o próprio agente lançador faz constar isso no REFISC. 6. Podese observar que a concessão dessa verba decorre de obrigação prevista em Convenção Coletiva de Trabalho, que nada mais é do que a junção de vontades, cuja vigência restringese às partes que a subscreveram, não produzindo qualquer efeito perante o fisco. Isso pode ser vista nas cópias da CCT’, juntadas, fls. 519, CCT 2003/2004 e CCT 2005/2006, fls. 222 e 223. Desse modo sendo único e determinado em CCT deve incidir o AD PGFN 16/20011, o qual transcrevo abaixo. MINISTÉRIO DA FAZENDA PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL ATO DECLARATÓRIO Nº 16 /2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2114 /2011, desta ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 09/12/2011 , DECLARA que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação e de interposição de recursos, bem como a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: “nas ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o abono único, previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, desvinculado do salário e pago sem habitualidade, não há incidência de contribuição previdenciária”. JURISPRUDÊNCIA: REsp nº 434.471/MG (DJ 14/2/2005), REsp nº 1.125.381/SP (DJe 29/4/2010), REsp nº 840.328/MG (DJ 25/9/2009) e REsp nº 819.552/BA (DJe 18/5/2009). Brasília, 20 de dezembro de 2011. ADRIANA QUEIROZ DE CARVALHO ProcuradoraGeral da Fazenda Nacional Assim sendo, tal rubrica não é base de incidência da contribuição para terceiros, pois não é verba remuneratória. Fl. 556DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 557 17 Indenização Adicional. A Indenização Adicional por dispensa sem justa causa, também, fixadas nas CCT’s 2003/ 2004 e 2005/2006, respectivamente, fls. 220 e 223, trazem disposições limitativas da indenização a todos os trabalhadores, pois a primeira prevê que apenas os trabalhadores dispensados entre 01/10/2003 a 29/02/2004 e a outra 17/10/2005 a 31/03/2006, seriam beneficiados com a indenização, pois, embora, tais convenções tenham validade de um ano o benefício só perdura por cinco meses na primeira e cinco meses e quatorze dias na segunda. Ou seja, apenas aqueles trabalhadores dispensados no período receberam a indenização adicional, dessa forma pode a empresa escolher quem dispensar para beneficiálo com o adicional, embora ser dispensado do trabalho nunca me parece ser um benefício, mas quando se deve dispensar certo número de colaboradores, por que escolher alguns para se dar um plus monetário. A indenização adicional em um primeiro momento parece ter um cunho social sedutor, mas essa restrição concessiva em razão do período reduzido, não milita a seu favor. As verbas rescisórias são um direito de todos os trabalhadores a lei não escolhe que vai receber e quem não vai em razão do período do ano em que é dispensado. Fosse o benefício uma indenização, visando reparar o dano ao trabalhador pela perda do emprego essa indenização se daria em caráter geral a todos e por todo o exercício e não seria limitada a poucos meses do ano, onde se permite escolher quem e quando para aplicarlhe o adicional, beneficiandoo em detrimento dos demais trabalhadores. A redução do período concessivo da indenização adicional em meu entender atribui a ela uma caráter remuneratório, pois não é benefício social extensível a todos os dispensados, deixando de sustentar o caráter de indenização. Destarte, entendo que a exação deva permanecer. Multas cumuladas. No presente caso como o período fiscalizado compreende as competências 02/2004 a 12/2007, a legislação da época prévia a aplicação de multa moratória e juros moratório SELIC, mas de forma isolada, ou seja, ambos, incidem separadamente sobre o valor do principal, não havendo soma de um para a aplicação do outro. O formulário Fundamentos Legais do Débitos – FLD nas rubricas 601 – ACRÉSCIMOS LEGAIS – MULTA e 602 – ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS, fls. 22 e 23, deixam isso claro. Tal situação pode ser averiguada por simples cálculo aritmético, sobre qualquer competência e levantamento do Discriminativo Sintético de Débito – DSD, de fls. 13 a 15. Inexistindo aplicação cumulativa ou composta de juros de mora e multa moratória nada há que excluir. Fl. 557DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 558 18 Postos os esclarecimentos acima não há razões para o acatamento dos pedidos da recorrente, salvo quanto, ao reconhecimento da decadência parcial para o período de 02/2004 a 06/2004, inclusive, bem como a exclusão do “Abono Único”, haja vista que essa verba não ostenta natureza salarial/remuneratória. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito, darlhe provimento parcial para reconhecer a decadência das competências 02/2004 a 06/2004, inclusive, bem como para determinar a exclusão do “Abono Único”, haja vista que esse benefício não ostenta natureza salarial/remuneratória. (Assinado digitalmente) Eduardo de Oliveira Voto Vencedor Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator designado Data venia, venho divergir do Ilustre Relator no tocante a incidência de contribuição previdenciária sobre a verba "Participação nos Lucros e Resultados" e "Indenização Adicional". Participação nos Lucros e Resultados Quanto a verba "Participação nos Lucros e Resultados", entendeu o nobre Relator que o motivo pelo qual o PLR é assinado no final do exercício como irrelevante para a determinação da natureza da verba remuneratória ou desvinculada da remuneração. Para o relator: "A Lei 10.101/2001 diz que a pactuação do plano deve ser prévia e no meu entendimento essa exigência se reporta ao período de cumprimento do plano, pois não tem sentido fixar regras, critérios e condições, ainda, que outras que não as sugeridas por lei depois que o exercício acabou, ocasião em que não será mais possível empreender esforços para cumprir, atingir ou satisfazer as condições do PLR. Não há porque fixar regras em novembro de um dado ano que deve ser ao menos perseguida desde janeiro desse ano, pois quando da fixação não seria mais possível ao empregado desempenhar qualquer esforço para tal, pois não é possível cumprir, hoje, regras, parâmetros, critérios e condições que deviam ter sido cumpridas em períodos passados." Fl. 558DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 559 19 Deste modo, deveria o PLR ser contemporâneo o período a que se refere, observese as transcrições. Por tais razões, portanto, foi desprovido o recurso quanto a este ponto pelo relator. Venho discordar deste compreendimento, entendo que a pactuação prévia pode ser comprovada pelas negociações que decorreram até a assinatura da Convenção Coletiva que estabelece os termos do PLR. Assim, considero como requisito para provar a validade do PLR é o dele ter sido previsto previamente ao seu pagamento. Em ambos os períodos (2004 e 2005), o PLR foi primeiro pactuado em Convenção Coletiva e somente após ocorreu o pagamento da verba. Assim, compreendo que o PLR deve ser considerado como previamente acordado entre as partes. Ainda, cabe destacar a particularidade existente em uma negociação de convenção coletiva da categoria dos bancários. É público e notório que os sindicatos representantes dos empregados da categoria, ano após ano, fazem imensa pressão (com greves e paralizações, inclusive de âmbito nacional) junto aos bancos para ampliar direitos em convenções coletivas, aumentos de salário, condições de trabalho e, também, termos do PLR. Assim, não há como negar que há prévia estipulação dos critérios do PLR. Por tais razões, compreendo que deve ser afastado o lançamento de contribuição previdenciária sobre a verba "PLR", devendo ser acolhido o recurso quanto a este ponto. Indenização Adicional A "Indenização Adicional" foi paga aos trabalhadores dispensados sem justa causa, conforme CCT’s 2003/ 2004 e 2005/2006, respectivamente, fls. 220 e 223, durante o período entre 01/10/2003 a 29/02/2004 e 17/10/2005 a 31/03/2006. Assim, verificase que não se está remunerando o trabalho, mas indenizando o trabalhador pela perda do emprego. Além do que, por estar previsto em convenção coletiva, não está sendo pago por mera liberalidade do empregador. Salientase que tal compreensão vai ao encontro ao decidido pela 3ª Câmara, da 2ª Turma Ordinária, quando do julgamento do acórdão 2302003.266, julgado na sessão de 18 de julho de 2014, de relatoria do Conselheiro André Luis Mársico Lombardi: No caso dos autos, o abono é desvinculado do salário (no sentido pretendido pelo Ato Declaratório e não no nosso, como visto), na medida em que pago em valor fixo para todos os empregados, inclusive os dispensados sem justa causa, independentemente da remuneração percebida pelos mesmos. Outrossim, não restou demonstrado ser habitual, pois foi apurado uma única vez, em uma mesma competência, de sorte que, tanto pela nossa compreensão (abono enquanto ganho eventual), como daquela que se extrai do Ato Declaratório, a verba não deve sofrer incidência de contribuição previdenciária. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 16327.000748/200914 Acórdão n.º 2202003.274 S2C2T2 Fl. 560 20 O mesmo vale para a rubrica “Indenização Adicional”,pois esta tem cabimento apenas nas hipóteses de dispensa sem justa causa ocorridas no período em que vigente o Acordo e Convenção Coletiva. Aqui nos restringimos a analisar a habitualidade sob a perspectiva da (repetição), posto que há sempre um único pagamento, não havendo necessidade de se socorrer à análise da uniformidade (formas ao menos semelhantes de utilidades ou de pagamentos) e da equivalência (valores compatíveis). Também expressamos nossa dispensa quanto à exigência de que o pagamento seja uma liberalidade do empregador, pois, como visto, tal requisito não consta da legislação previdenciária, diferentemente da CLT, que estipula em seu artigo 457, parágrafo 1o, que as gratificações ajustadas integram o salário (e, portanto, as por liberalidade não). Portanto, tanto o “Abono Único” quanto a “Indenização Adicional” devem ser excluídas do lançamento, em razão das conclusões do Ato Declaratório no 16/2011, bem como por constituírem “ganhos eventuais”, ao menos pelo que consta dos autos, em especial do Relatório Fiscal. Por tais razões, entendo que em relação a verba "Indenização Adicional", pelo nítido caratér indenizatório, não eventual (seria também um abo único") e por não ser pago por liberalidade pelo empregador, não incide sobre tais valores a contribuição previdenciária, devendo ser acolhido o recurso quanto a este ponto. CONCLUSÃO: Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário, para afastar o lançamento fiscal. (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Fl. 560DF CARF MF Impresso em 07/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2016 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/201 6 por MARTIN DA SILVA GESTO, Assinado digitalmente em 04/04/2016 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado d igitalmente em 04/04/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10380.727382/2014-52
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 12 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2202-000.691
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por JOSÉ ALOISIO BARROSO NUNES.
RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio.
Nome do relator: MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
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RESOLVEM os Membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 27 38 2/ 20 14 -5 2 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.727382/201452 Resolução nº 2202000.691 S2C2T2 Fl. 97 2 RELATÓRIO Trata o presente processo de pedido de restituição do imposto de renda retido na fonte incidente sobre os proventos de aposentadoria auferidos nos exercícios de 2010 a 2014 (anoscalendário 2009 a 2013), sob a alegação do Contribuinte de que era portador de cegueira desde outubro de 2009. Em seu pedido de fls. 2 a 27, o Contribuinte apresentou o laudo oficial de fl. 26, emitido pela Coordenadoria de Perícia Médica do Governo do Estado do Ceará, da Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal, no qual consta o seguinte parecer: "De posse da documentação apresentada, podemos concluir que o periciando é portador de perda visual (não quantificada) em Olho Esquerdo desde 2005 e Cegueira de Olho Esquerdo comprovadamente desde dezembro de 2013". A unidade de origem indeferiu o pedido alegando que a cegueira acometida pelo contribuinte não se enquadra como moléstia grave, por ser apenas monocular, o que não impede a visão, mesmo que parcial, enquanto que a cegueira a que se refere o inciso XXXIII do artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto 3000/99 (RIR/99) é a total. O contribuinte manifestou sua inconformidade às fls. 36 a 51, tendo apresentado como fato novo o laudo pericial de fl. 49, que retificou o laudo anterior quanto à data de início da cegueira, que passou a ser outubro de 2009. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande (MS) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja decisão foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009, 2010, 2011 ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. A isenção por moléstia grave somente pode ser assim considerada quando a moléstia estiver elencada na lei 7713/88 com suas alterações, na forma ali determinada, não sendo permitida a extensão para outras situações em face da legislação que expressamente veda tal extensão, devendo a legislação que outorga a isenção ser interpretada literalmente. A conclusão da DRJ foi no seguinte sentido: Não assiste razão ao contribuinte, pois, o fato de ter uma deficiência visual do olho esquerdo, conforme consta no novo laudo médico não caracteriza a cegueira que é a impossibilidade de visão do portador e não cegueira parcial que não impede o exercício de suas atividades normais. Além disso, a perda parcial da visão do olho Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.727382/201452 Resolução nº 2202000.691 S2C2T2 Fl. 98 3 esquerdo até dezembro de 2013 não era total, mas, de perda visual não quantificada, ou seja, não era considerada cegueira pela Coordenadoria de Perícia médica, fls. 26, pelo que se conclui que nem cegueira monocular se poderia considerar até dezembro de 2013. Ademais, mesmo após dezembro de 2013 não se pode considerar a cegueira parcial como cegueira, pois, o inciso II do artigo 111 do CTN determina que a outorga de isenção interpretase literalmente, ou seja, a cegueira monocular não é cegueira para efeito de considerarse moléstia grave nos termos da lei 7.713/88, que implica na impossibilidade de visão. Cientificado pessoalmente dessa decisão em 04/12/2014 (fl. 63), o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/12/2014 (fls. 67 a 91), alegando, em resumo, que é portador de cegueira monocular desde outubro de 2009, conforme laudo médico apresentado, tendo, pois, direito à isenção do imposto de renda, nos termos do art. 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88. Cita decisões do STJ e do CARF nesse sentido. É o relatório. VOTO Conselheiro Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Relator. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. São necessárias duas condições para que os rendimentos recebidos por portadores de moléstias graves definidas em lei sejam isentos do imposto sobre a renda: (i) ser a moléstia atestada em laudo emitido por serviço médico oficial da União, Estados, DF ou Municípios; (ii) os rendimentos serem provenientes de aposentadoria ou reforma. Lei nº 7.713/1988 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: [...]XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.727382/201452 Resolução nº 2202000.691 S2C2T2 Fl. 99 4 síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (destaquei) A Súmula CARF Nº 63 assim dispõe sobre as condições para gozo da isenção do imposto de renda: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão, e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. O Contribuinte apresentou inicialmente o laudo oficial de fl. 26, emitido pela Coordenadoria de Perícia Médica do Governo do Estado do Ceará, no qual consta o seguinte parecer: "De posse da documentação apresentada, podemos concluir que o periciando é portador de perda visual (não quantificada) em Olho Esquerdo desde 2005 e Cegueira de Olho Esquerdo comprovadamente desde dezembro de 2013". Por ocasião da manifestação de inconformidade (fls. 36 a 51), o Contribuinte apresentou um novo laudo (fl. 49), com o seguinte parecer: "De posse da documentação apresentada, podemos concluir que o periciando é portador de perda visual (não quantificada) em Olho Esquerdo desde 2005 e Cegueira de Olho Esquerdo comprovadamente desde outubro de 2009. Não há informações medicas sobre o olho direito". O novo laudo apresentado (fl. 49), no meu entendimento, não está legível o suficiente para se comprovar a assinatura dos médicos peritos, embora esteja com a autenticação do cartório. Como se trata de cópia digitalizada, não me parece possível atestar a sua veracidade, ainda mais quando se trata de um laudo que retificou um anterior da mesma data (25/08/2014) e não fez qualquer alusão a essa retificação. Dessa forma, entendo que o processo ainda não se encontra em condições de ter um julgamento justo, razão pela qual voto no sentido de o julgamento ser convertido em diligência para que a repartição de origem tome as seguintes providências: 1) Verifique junto ao órgão emissor dos laudos médicos apresentados pelo contribuinte qual a data correta do início da moléstia. 2) Dê vista ao Recorrente, com prazo de 30 (trinta) dias para, querendo, se pronunciar sobre a diligência. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Turma para inclusão em pauta de julgamento. É o meu voto. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA Processo nº 10380.727382/201452 Resolução nº 2202000.691 S2C2T2 Fl. 100 5 (Assinatura digital) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Fl. 100DF CARF MF Impresso em 07/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 07/06/2016 por MARCO AURELIO DE OLIVEIRA BARBOSA
score : 1.0
Numero do processo: 10920.904751/2009-15
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005
DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA.
É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada.
Recurso Voluntário provido
Numero da decisão: 3201-002.142
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido
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RESSARCIMENTO.COMPENSAÇÃO Recorrente MARISOL INDÚSTRIA DO VESTUÁRIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2005 a 31/03/2005 DIREITO CREDITÓRIO. RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO. DILIGÊNCIA. É de se deferir o pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, quando, na realização de diligência requerida pelo Colegiado, restar comprovada a existência do direito creditório pleiteado pela interessada. Recurso Voluntário provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Ausente, justificadamente, a Conselheira Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Elias Fernandes Eufrasio, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 47 51 /2 00 9- 15 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 A interessada apresentou pedido de ressarcimento de crédito de Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com origem no 1° trimestre de 2005, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão anteriormente proferida por este Colegiado Administrativo: Em 11/05/2009, foi emitido o Despacho Decisório eletrônico de fl. 03 que, do montante do crédito solicitado/utilizado de R$ 123.652,25 referente ao 1º trimestrecalendário de 2005, reconheceu R$ 14.144,79, e, conseqüentemente, homologou parcialmente a compensação declarada no PER/DCOMP nº 08450.27524.120505.1.3.011703. Motivos da redução do valor pleiteado: a) constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado; b) constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Os detalhamentos da análise do crédito e da compensação e saldo devedor estão disponíveis para consulta no sítio da internet da Secretaria da Receita Federal do Brasil e com cópias às fls. 04/06. A requerente, inconformada com a decisão administrativa cientificada por AR em 20/05/2009, conforme comprovante de fl. 17, apresentou, em 15/06/2009, a manifestação de inconformidade de fl. 02, subscrita pelo representante legal, em que, em síntese, sustenta que o valor de R$ 176.391,24, que consta do PER/DCOMP como saldo credor no período anterior no mês de janeiro de 2005, se refere a “Ressarcimento de Créditos” e não a “Estorno de Créditos”. Por fim, requer que seja recebida e acatada a manifestação de inconformidade e deferido o PER/DCOMP, com o cancelamento do termo de intimação correspondente ao Despacho Decisório. A DRJ em Ribeirão Preto (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR RESSARCÍVEL. O saldo credor ressarcível de cada trimestrecalendário é apurado mediante o confronto de créditos e débitos de cada período de apuração, sendo passíveis de glosa os créditos ressarcíveis não admitidos e os créditos não ressarcíveis; o estorno do montante do pleito é feito na data da transmissão de PER/DCOMP, estando sujeito à apuração do menor saldo credor. PER/DCOMP. DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. SALDO CREDOR RESSARCÍVEL DO PERÍODO PARCIALMENTE ABSORVIDO POR DÉBITOS DOS Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.904751/200915 Acórdão n.º 3201002.142 S3C2T1 Fl. 233 3 PERÍODOS SUBSEQUENTES. MENOR SALDO CREDOR INFERIOR AO VALOR PLEITEADO. Sendo o saldo credor ressarcível do período do ressarcimento parcialmente absorvido por débitos dos trimestres subsequentes (saldo credor não ressarcível em relação aos trimestres subsequentes), o menor saldo credor é inferior ao valor pleiteado. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: Essas informações a que o julgador cita que a contribuinte consegue no site da Receita Federal do Brasil não é verdadeira, pois nem todas elas estão disponíveis para consulta. Como exemplo, citase a questão do saldo credor do período anterior considerado pelo fisco; a questão debatida nos autos não se refere tão somente as informações complementares da análise do crédito, mas também ao enquadramento legal apontado no despacho decisório e que não foram sequer analisadas pelo julgador de primeira instância; insiste que o erro incorrido foi que, neste PER/DCOMP, o valor de R$ 176.391,24 foi informado na linha “Estorno de Créditos”, quando na realidade deveria ser na linha abaixo, “ressarcimento de créditos”; Por fim, requereu que seu recurso você recebido para: acatar as preliminares arguidas, determinado a nulidade do despacho decisório e consequente deferimento do Pedido de Ressarcimento/Compensação, por inexistência de dispositivo legal infringido; que fosse reconsiderada a decisão do julgador simples a fim de que seja determinada a homologação das compensações realizadas. Posteriormente, apresentou outra petição denominada “Esclarecimentos ao Recurso Voluntário” em que requer a juntada do Livro de Apuração de IPI para comprovar a legítima existência de crédito originado de ressarcimento de IPI a fazer frente às compensações realizadas. Aduz que do montante de R$ 177.907,72 considerados como débito de IPI pelo Fisco, comprovase pelo livro fiscal de IPI de 01/2005 que o valor de R$ 176.391,24 referese a estornos de ressarcimentos de créditos de IPI, não devendo, portanto, fazer parte da apuração realizada pelo fiscal, haja vista que o saldo credor do período anterior já está ajustado pelos ressarcimentos realizados. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Reitera que as cópias do Livro RAIPI comprovam que o saldo credor do período 01/2005 era de R$ 176.391,24, e não R$ 147.941,54, como apurou a fiscalização. Por último requer o recebimento de sua petição com a juntada do Livro de Apuração de IPI. É o relatório. Com fundamento nas razões que expôs, a então 1ª Turma Especial, por meio da Resolução nº 3801000.800, de 19/8/2014, baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade de origem apurasse a legitimidade do ressarcimento pleiteado com base na escrituração fiscal e contábil e que cientificasse a interessada quanto ao teor dos cálculos a serem realizados. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Segundo consta dos autos, a Recorrente apresentou pedido de ressarcimento de crédito de IPI, com fundamento na Lei nº 9.779, de 1999, cumulandoo com pedido de compensação de débitos próprios. O indeferimento parcial deveuse ao fato de que no Livro Registro de Apuração do IPI no Período de Ressarcimento Saídas, utilizouse indevidamente a linha Estorno de Créditos quando o correto seria a linha Ressarcimento de Créditos. Depois de proferida decisão pela DRJ, os autos chegaram, por interposição de recurso voluntário, a este Colegiado. Em julgamento anterior, a então 1ª Turma Especial, em face dos argumentos delineados na irresignação, baixou os autos em diligência, a fim de que, com base nos documentos colacionados, recalculasse o crédito de IPI que a Recorrente teria direito. No Relatório de Diligência de fls. 224 e ss., a fiscalização promoveu a reapuração do saldo credor de IPI, estimandoo, para o 1º trimestre de 2005, em R$ 123.652,25, o mesmo pleiteado pela Recorrente no PER/DCOMP (fl. 09). Portanto, não há mais litígio. A controvérsia restou dirimida com a realização da diligência. Pelo exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10920.904751/200915 Acórdão n.º 3201002.142 S3C2T1 Fl. 234 5 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 9/05/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10530.720012/2006-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 17 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 08 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004
APLICAÇÃO DO ARTIGO 62-A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ.
Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC.
A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp Resp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009).
Após a vigência do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, cabe reconhecer que a "resistência ilegítima" da Fazenda Pública geradora do direito de correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3201-002.116
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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IPI Recorrente HAMILTON RIOS INDÚSTRIA, COMÉRCIO E EXPORTAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 9.363/96. AQUISIÇÃO A PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento, sob a sistemática do recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC, de que o condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela Cofins criado via instrução normativa exorbita os limites impostos pela lei ordinária. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito de IPI (decorrente da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade), descaracteriza referido crédito como escritural (assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil), exsurgindo legítima a incidência de correção AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 00 12 /2 00 6- 13 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 monetária, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção submetido ao rito do artigo 543C, do CPC: Resp 993164/MG, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2010; e REsp Resp 1035847/RS, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 26.04.2009). Após a vigência do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, cabe reconhecer que a "resistência ilegítima" da Fazenda Pública geradora do direito de correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Winderley Morais Pereira, Cassio Shappo, Carlos Alberto Nascimento e Silva Pinto e Tatiana Josefovicz Belisario. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento, cumulado com compensação, de crédito presumido Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, com origem em períodos de apuração compreendidos nos anos de 2000 a 2002. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Tratase da manifestação de inconformidade tempestiva das fls. 255 a 275, apresentada em 16 de setembro de 2009, firmada pelo representante legal do estabelecimento interessado, contestando o Despacho Decisório nº 2072 DRF/FSA, de 14 de outubro de 2008, das fls. 240 a 247, emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Feira de Santana (BA), e instruído pelo Termo de Verificação Fiscal fls. 234 a 237. A ciência do referido ato administrativo ocorreu em 20 de agosto de 2009, conforme consta na fl. 254. O despacho objeto da inconformidade não reconheceu o crédito presumido do IPI informado pelo requerente, apurado do primeiro trimestre de 2000 ao terceiro trimestre de 2002, e Fl. 423DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10530.720012/200613 Acórdão n.º 3201002.116 S3C2T1 Fl. 422 3 escriturado na primeira quinzena de janeiro de 2004, no valor total de R$ 1.338.190,77, conforme planilha da fl. 236, em prejuízo das compensações vinculadas. O referido crédito foi instituído pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, como ressarcimento da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição para o Programa de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep), incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), para utilização no processo produtivo do produtor exportador. O indeferimento se deveu à circunstância de que a matériaprima foi adquirida exclusivamente de fornecedores pessoas físicas, que não são contribuintes do PIS/Pasep, nem da Cofins. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega, em suma, que, pelo art. 2º da Lei nº 9.363, de 1996, o crédito presumido será calculado sobre o valor total das aquisições, não havendo qualquer dedução ou limitação, especialmente quanto à natureza jurídica do fornecedor dos insumos. Diz que o despacho decisório se louva em condição inexistente em lei, qual seja, a de que as aquisições de insumos devem ser efetuadas exclusivamente de pessoas jurídicas, contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins. Cita e transcreve excertos doutrinários e jurisprudência que entende justifiquem a reforma do despacho decisório contestado. Menciona que os Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atualmente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), tem, reiteradamente, se posicionado favoravelmente aos contribuintes, conforme podese constatar pela vasta jurisprudência proferida por aquele órgão. Portanto, segue o manifestante, além de garantir justiça fiscal pela manutenção do crédito presumido nas aquisições de produtores rurais pessoas físicas, estarseá, ainda, contribuindo para evitar a exportação de custos tributários. Pelo acima exposto, requer a reforma do despacho decisório, para reconhecimento do crédito presumido e homologação das compensações vinculadas. Em 21 de novembro de 2014, o interessado retornou aos autos deste processo, pelo arrazoado das fls. 296 a 305, dizendo que tem a finalidade de subsidiar o entendimento dos julgadores quanto aos fatos supervenientes acontecidos após o protocolo da manifestação de inconformidade, conforme segue. Após reiteradas decisões do Superior Tribunal de Justiça (STJ), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovou o Parecer PGFN/CRF nº 2116/2011, confirmado através do Ato Declaratório n° 14/2011, reconhecendo, finalmente, o direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de pessoas físicas, não contribuintes do PIS/Pasep e da Cofins, com fundamento no art. 19 da Lei nº10.522/2002 Importa salientar que, por força do art. 19 da Lei nº 10.522/2002, a administração tributária deverá Fl. 424DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 reproduzir em suas decisões sobre o entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, que versem sobre essas matérias, após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Assim, requer que sejam considerados os termos do Parecer PGFN/CRF 2116/2011 quando do julgamento do presente feito. Mudando de assunto, o interessado afirma que o pedido de ressarcimento do crédito presumido do IPI foi formalizado em 31 de outubro de 2006, tendo sido examinado em 2009, ou seja, passados mais de 3 (três) anos, sendo que apenas em 7 de novembro de 2014 o processo em questão foi movimentado para julgamento. Isso é uma tremenda afronta ao princípio do devido processo legal e da razoável duração do processo. Diante desse cenário lastimável, não restam dúvidas sobre o direito do interessado de ter o seu crédito devidamente atualizado pela taxa Selic, conforme jurisprudência do STJ que cita e transcreve. Finalmente, importa registrar que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional emitiu, no dia 14 de julho de 2014, parecer que foi divulgado através da NOTA/PGFN/CRJ/N° 775/2014, no sentido de admitir a correção pela Selic dos créditos decorrentes de pedidos de ressarcimento. Requer, então, que seja admitida a emenda da manifestação de inconformidade protocolada em setembro de 2009 para que: (a) sejam consideradas no julgamento as considerações do Parecer PGFN/CRJ 2116/2011; e, (b) o crédito em questão seja devidamente atualizado pela Selic, de 31 de outubro de 2007, até a data em que for finalmente depositado o crédito em conta corrente. Em 14 de abril de 2015, o interessado retornou, outra vez, aos autos deste processo, pelo arrazoado das fls. 315 a 320, dizendo que essa terceira manifestação também tem a finalidade de subsidiar o entendimento dos julgadores quanto a fatos supervenientes, conforme segue. Considerando que o crédito presumido objeto do presente processo se refere ao período de janeiro de 2000 a setembro de 2002, e que o manifestante também transmitiu PER/DCOMP solicitando ressarcimento do crédito presumido do IPI, referente ao período de outubro de 2002 a janeiro de 2004, no processo 10530.720023/200784, pondera que esse processo foi julgado em 27 de janeiro de 2015, tendo sido prolatado o acórdão 3201 001.870, pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Carf, cuja decisão foi completamente favorável ao pleito do requerente. Admitiuse, em suma, o direito de apurar o crédito presumido do IPI nas aquisições efetuadas de pessoas físicas, bem assim o abono de juros Selic sobre tais créditos. E, conforme já noticiado nas fls. 296 a 305, a PGFN aprovou o Parecer PGFN/CRF 2116/2011, confirmado pelo Ato Declaratório n° 14/2011, reconhecendo, finalmente, o direito ao crédito presumido do IPI nas aquisições de pessoas físicas, não Fl. 425DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10530.720012/200613 Acórdão n.º 3201002.116 S3C2T1 Fl. 423 5 contribuições do PIS/Cofins, com base no art. 19 da Lei 10.522/2002. Registrese, ainda, que nos autos do Mandado de Segurança nº 504627755.2015.4.04.7100, proposto por Hamilton Rios Indústria, Comércio e Exportação Ltda., foi proferido Despacho/Decisão, em 31 de julho de 2015, deferindo parcialmente o pedido liminar, "para determinar ao Delegado da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre que, no prazo de 90 dias, proceda na distribuição e apreciação da manifestação de inconformidade protocolada 16/09/2009 (10530.720012/200613)". É o relatório. (grifamos) A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1055.556, de 21/8/2015 (fls. 332 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2004 a 31/03/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI. AQUISIÇÕES NÃO ADMITIDAS NO CÁLCULO. INSUMOS FORNECIDOS POR PESSOAS FÍSICAS. O valor das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos de pessoas físicas, não contribuintes da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, não se inclui na base de cálculo do crédito presumido. RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS DO IPI. ABONO DE JUROS SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa disposição de ato administrativo de caráter normativo e por falta de previsão legal, é incabível o abono de juros Selic, aos ressarcimentos de créditos do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 345/368, por meio do qual, depois de relatar os fatos, basicamente repisa os mesmos argumentos já delineados em sua manifestação de inconformidade. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Fl. 426DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O caso não comporta maiores digressões. Tratase de pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI de que a Lei nº 9.363, de 1996, que o estabeleceu, para as empresas produtoras e exportadoras, como ressarcimento do PIS/Cofins incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. O valor glosado referese a aquisições de insumos adquiridos de pessoas físicas, matéria que, contudo, já foi pacificada pelo Poder Judiciário, em decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ submetida à sistemática do recurso repetitivo. Confirase: RECURSO ESPECIAL Nº 993.164 MG (2007/02311873) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO PARA RESSARCIMENTO DO VALOR DO PIS/PASEP E DA COFINS. EMPRESAS PRODUTORAS E EXPORTADORAS DE MERCADORIAS NACIONAIS. LEI 9.363/96. INSTRUÇÃO NORMATIVA SRF 23/97. Condicionamento do incentivo fiscal aos insumos adquiridos de fornecedores sujeitos à tributação pelo PIS e pela COFINS. Exorbitância dos limites impostos pela lei ordinária. Súmula Vinculante 10/STF. Observância. Instrução Normativa (ato normativo secundário). Correção monetária. Incidência. Exercício do direito de crédito postergado pelo fisco. Não caracterização de crédito escritural. Taxa SELIC. Aplicação. violação do artigo 535, do CPC inocorrência. Como cediço, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, são de observância obrigatória no julgamento dos recursos administrativos pelo CARF por imposição do art. 62A do seu Regimento Interno deste Colegiado (RICARF). No que concerne aos juros à taxa Selic sobre os valores a serem ressarcidos, assim decidiu o STJ, também na sistemática dos recursos repetitivos: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10530.720012/200613 Acórdão n.º 3201002.116 S3C2T1 Fl. 424 7 NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da não cumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ. Primeira Seção. Rel. Min. Luis Fux. REsp n° 1.035.847/RS. DJe 03/08/2009) No mesmo sentido, a decisão prolatada nos autos do REsp nº 993.164/MG. Acrescentese que a Câmara Superior de Recursos Fiscais – CSRF, aplicando o mesmo art. 62A do RICARF, entendeu aplicável a taxa Selic, no caso de pedido de ressarcimento de IPI, em face de mora imputável à Administração Pública: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de Fl. 428DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. (CSRF, Acórdão 9303002.392, de 15/08/2013) Ocorre que, para que se verifique se houve ou não mora da Administração Pública, deve se observar o disposto no art. 24 da Lei nº 11.457, de 2007, segundo o qual “É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte”. É o que o STJ decidiu nos autos do REsp nº 1489753/PR, DJ e 23/09/2014: TRIBUTÁRIO. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. DEMORA NA ANÁLISE DO PEDIDO. MORA. TERMO A QUO. APÓS PRAZO LEGAL DE 360 DIAS. ART. 24 DA LEI N. 11.457/2007. 1. Após a vigência do art. 24 da Lei n. 11.457/2007, não há dúvida a ser dirimida, cabendo reconhecer que a "resistência ilegítima" da Fazenda Pública geradora do direito de correção monetária de ressarcimento de créditos ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, a contar do protocolo do pedido de ressarcimento. 2. Tal prazo legal marca também o termo inicial da mora. Precedentes. Agravo regimental improvido. Assim, considerando o entendimento esposado pelo STJ e pela CSRF, a demora na apreciação do pleito (o pedido foi apresentado em março de 2005 e o Despacho Decisório só foi cientificado à Recorrente em agosto de 2009) e, finalmente, o reconhecimento do direito ao crédito apenas nesta decisão colegiada, cabe a incidência dos juros moratórios à taxa Selic sobre o deferido, desde a protocolização do pedido de ressarcimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 429DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 10530.720012/200613 Acórdão n.º 3201002.116 S3C2T1 Fl. 425 9 Fl. 430DF CARF MF Impresso em 08/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 2 4/03/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 19515.721958/2013-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante.
2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010
BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE.
1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante.
2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.106
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Lenisa Rodrigues Prado - Relatora.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: LENISA RODRIGUES PRADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplica-se apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Cofins das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplicase apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. VALOR FATURADO PERANTE OS ANUNCIANTES PRIVADOS. DEDUÇÃO DA RECEITA BRUTA. IMPOSSIBILIDADE. 1. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep das pessoas jurídicas que exercem a atividade de veículo de comunicação corresponde o valor o valor total dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade faturados perante os clientes anunciantes privados, sem a dedução do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 19 58 /2 01 3- 99 Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 desconto padrão de agência, repassado às agência de publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre o veículo de comunicação e o anunciante. 2. A vedação de faturar e contabilizar os valores do desconto padrão de agência como receita própria do veículo de comunicação, estabelecida no art. 19 da Lei 12.232/2010, aplicase apenas aos serviços de propaganda contratados pela Administração Pública por meio de agências de publicidade. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencida a Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Relatora. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por Rádio e Televisão Bandeirantes Ltda. contra acórdão proferido pela 6ª Turma de Julgamento da Delegacia Regional da Receita Federal em São Paulo I (SP), oportunidade em que foi julgada improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte. A questão tem início em autos de infração lavrados contra a contribuinte decorrentes de falta/insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS relativos ao período de apuração de janeiro/2010 a dezembro/2010, no montante de R$ 2.491.264,33 e R$ 11.498.142,88, respectivamente. Cientificada dos autos de infração, a contribuinte apresentou impugnação (fls. 1078/1105), oportunidade na qual alega: O desconto padrão de agência não constitui receita própria da contribuinte, já que a norma regulamentadora do segmento de publicidade distingue os serviços prestados Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.323 3 pela agência de publicidade dos serviços prestados pelos veículos de comunicação (arts. 7º e 10 do Decreto n. 57.690/1966); Tal premissa é confirmada pelo conceito de "valor faturado" previsto nas Normas Padrão da Atividade Publicitária que corresponde ao resultado da diferença entre o Valor Negociado e o Desconto Padrão. A contribuinte esclarece que o valor recebido pelo veículo de comunicação é a remuneração pela contraprestação de serviço de divulgação do material publicitário, dele excluído, por expressa previsão normativa, o valor do desconto padrão de agência; Informa que a agência de publicidade é depositária dos valores repassados pelos anunciantes e também é responsável pelo pagamento dos veículos de comunicação. Essa é uma obrigação prevista nas NormasPadrão da Atividade Publicitária e caso desrespeitada, a contribuinte poderá sofrer as sanções previstas; Alega que a autoridade fiscal interpretou de forma equivocada o já revogado parágrafo 1º do artigo 11 do Decreto 57.690/1966, que dispunha sobre a remuneração do agenciador de programa, que não guarda qualquer pertinência com a questão dos autos; Aduz que ao contrário do que exposto pelo Fisco, a receita bruta da Impugnante não corresponde ao valor do serviço bruto de divulgação e da publicidade comercial, já que é contratada pelo anunciante apenas para veicular o material publicitário. A receita advinda da publicidade comercial ('desconto padrão de agência') pertence única e exclusivamente à agência de publicidade, que é quem presta tal serviço. A impugnação foi julgada improcedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS/PASEP o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de agência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2010 VEÍCULO DE DIVULGAÇÃO. BASE DE CÁLCULO. DESCONTO PADRÃO DE AGÊNCIA. EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE. Os veículos de divulgação não podem excluir da base de cálculo do PIS/PASEP o valor concedido às agências de publicidade a título de desconto padrão de agência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 Interposto recurso voluntário (fls.1259/1288), os autos do processo administrativo em tela ascenderam a esse Conselho. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Lenisa Rodrigues Prado, Relatora. A autuada foi intimada sobre os termos insertos no acórdão proferido pela instância de origem em 10/06/2014, terça feira, (fl.1258) e interpôs o tempestivamente o recurso voluntário em 10/07/2014, quartafeira (fls.1260). Presentes os pressupostos extrínsecos de admissibilidade do recurso, é de rigor o seu conhecimento. O voto condutor do acórdão recorrido inicialmente tece considerações sobre a indispensável aplicação da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998 pelo Supremo Tribunal Federal1, uma vez que esse pronunciamento também foi objeto da Nota PGFN/CRJ n. 1.114, de 300/08/20122. Conclui que diante do pronunciamento da Suprema Corte "nenhum valor que não seja receita da prestação de serviços efetivamente auferida por ela pode ser computado na base de cálculo das contribuições" (fl. 1247). E resume a contenda ao afirmar que "a essência da contestação da impugnante é a alegação de que o desconto padrão não se caracterizaria como receita própria dela, razão pela qual não estaria sujeita à incidência de PIS/PASEP e da COFINS" (fl. 1247). A interpretação conferida pela instância de origem ao Regulamento para Execução da Lei n. 4.680/1965, com a redação conferida pelo Decreto n. 57.690/1966, não diverge da interpretação defendida pelo contribuinte, que é: "enquanto os serviços de propaganda são prestados pela agência, os serviços de divulgação visual, auditiva ou áudio visual, capaz de transmitir mensagens de propaganda ao público são prestados pelos veículos de comunicação, estabelecendose a existência de duas relações jurídicas distintas: (i) entre o anunciante e a agência e (ii) entre o anunciante e o veículo de divulgação". (fl.1249). A divergência entre o auditor fiscal autuante e o contribuinte está no entendimento sobre a natureza do desconto padrão. Para o contribuinte, o desconto padrão é a remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade pela contraprestação dos serviços de concepção e execução do material publicitário, já o fiscal considera que o desconto padrão é uma remuneração devida pelo veículo de divulgação à agência de publicidade. 1 Recurso Extraordinário n. 585.2351, DJE de 28/11/2008 e certificado o trânsito em julgado em 12/12/2008. 2 De onde se extrai a seguinte ementa: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.324 5 A instância de origem, ao replicar o art. 11 da Lei n. 4.680/1965 e o interpretálo em conformidade com o item 2.3 das Normas Padrão da Atividade Publicitária, concluiu que o valor pago pelo anunciante ao veículo de divulgação é todo ele receita desse veículo e o desconto padrão é a remuneração da agência de propaganda, pelos serviços que também presta à contribuinte, na criação/produção e na intermediação técnica feita nos termos do item 2.3 das NormasPadrão da Atividade Publicitária (fl.1250). Nesse ponto cumpre transcrever trecho do acórdão recorrido: "Com isso, não tem pertinência as alegações da impugnante de que não sendo o desconto padrão sua receita seria caso de não incidência. Realmente, o desconto padrão não é receita da autuada. Ele é receita da agência de propaganda, pois é uma remuneração dela. Aliás, o art. 19 da Lei n. 12.232, de 29 de abril de 2010, citado pela impugnante não faz nada mais do que reafirmar isso, ou seja, que o desconto padrão é da agência de propaganda. Para o veículo de divulgação o desconto padrão é custo operacional, e não pode ser ele deduzido do valor da receita recebida do anunciante quando da apuração da base de cálculo do PIS/Pasep e da COFINS por absoluta falta de previsão legal. Por isso, tem sim sentido a argumentação do auditor fiscal quando diz que no § 2º do art. 3º da Lei n. 9.718, de 1998, não existe hipótese para tal dedução. Todo esse entendimento está em perfeita consonância com a definição de desconto padrão das NormasPadrão da Atividade Publicitária: 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o anunciante (destaques acrescidos)" (fl. 1250 grifos nossos). Estão presentes no recurso voluntário os seguintes argumentos: Para fins de cálculo das contribuições, não podem ser inseridas em sua base de cálculo quaisquer quantias que não correspondam efetivamente à receita de prestadora de serviços, ainda que tais valores sejam temporariamente contabilizados como receitas (fl.1265); O desconto padrão de agência não é remuneração pela prestação de serviços da agência de propaganda à Recorrente e nem se traduz em receita auferida pela Recorrente, uma vez que não tem natureza de entrada de riqueza nova em seu patrimônio, o que afasta a incidência de PIS/COFINS sobre a mencionada verba; A recorrente aponta contradição ao argumentar que se o desconto padrão é considerado pelo acórdão recorrido como receita da agência de propaganda, não há nenhuma justificativa para a Recorrente levar tais valores à tributação do PIS e pela COFINS (fl. 1270); Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Informa que o Decreto n. 57.690/1966 obriga o veículo de comunicação a emitir fatura contra o anunciante com o destaque do desconto de agência, o qual é repassado diretamente à agência de propaganda, o que comprova as alegações da contribuinte; Traz a conhecimento as definições elencadas na NormasPadrão da Atividade Publicitária, editada pelo Conselho Executivo das NormasPadrão onde o desconto padrão de agência3 é tido como a remuneração devida pelo anunciante à agência de publicidade pela contraprestação dos serviços de concepção e execução do material publicitário. Já a remuneração devida pelo anunciante ao veículo de comunicação pela divulgação do material publicitário corresponde ao valor faturado que, nos termos do item 1.12 das NormasPadrão é o "resultado da diferença entre o valor negociado e o descontopadrão". Diante dessas definições o recorrente defende que o desconto padrão de agência não integra a remuneração devida pelo anunciante ao veículo de comunicação; Aduz que não há relação de subcontratação da agência pelo veículo de comunicação ou viceversa, uma vez que o anunciante não contrata o veículo de comunicação para criar e produzir o material publicitário, mas apenas e tão somente a sua veiculação; Alega que o procedimento contábil adotado nesse segmento é "após a contratação (i) do serviço de criação do material publicitário e (ii) do serviço de divulgação pelo anunciante, deve o veículo de comunicação emitir fatura contra o anunciante, com o destaque do desconto padrão de agência"; Sustenta que o acórdão recorrido incorreu em equívoco ao exigir o montante em questão, já que seu objeto social indica que não executa serviços de "concepção, execução e distribuição de propaganda", o que afasta a possibilidade de ter recebido receita por esses serviços. Também não é razoável a afirmação contida no Termo de Verificação Fiscal que o desconto padrão de agência é a remuneração devida pelo veículo de comunicação à agência de publicidade. O cerne da questão posta nos autos é saber se as verbas recebidas pelos veículos de comunicação em sua totalidade devem ser incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS, inclusive as que são repassadas para as agências de publicidade. Está expresso no acórdão recorrido que "o desconto padrão não é receita da autuada. Ele é receita da agência de propaganda, pois é uma remuneração dela. Aliás, o art. 19 da Lei n. 12.232, de 29 de abril de 2010, citado pela impugnante não faz nada mais do que reafirmar isso, ou seja, que o desconto padrão é da agência de propaganda". Essa conclusão encontra arrimo no documento entitulado NormasPadrão da Atividade Publicitária4, donde se lê: 2.4.2. Em virtude de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá repassar por meio do Veículo a importância correspondente ao "DescontoPadrão", observado que nesta hipótese o Veículo somente poderá faturar ou contabilizar como receita própria a parcela correspondente ao "Valor Faturado". 3 Item 2.5. das Normas Padrão de Atividade Publicitária: O "DescontoPadrão de Agência" de que trata o art. 11 da Lei n. 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei n. 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes. 4 Disponível em http://www.cenp.com.br/PDF/NomasPadrao/Normas_Padrao_Portugues.pdf Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.325 7 2.4.3. Excepcionalmente, nos termos de prévio e expresso ajuste, o Anunciante poderá efetivar diretamente os pagamentos correspondentes ao "Valor Faturado" e ao "DescontoPadrão", respectivamente, ao Veículo e à Agência de Publicidade. (...) 2.5. O "DescontoPadrão de Agência" de que trata o art. 11 da Lei n. 4.680/65 e art. 11 do Decreto 57.690/66, bem como o art. 19 da Lei n. 12.232/10, é a remuneração destinada à Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta dos clientes anunciante. (...) 2.7. É facultado à Agência negociar parcela do "desconto padrão de agência" com o respectivo Anunciante, observados os preceitos estabelecidos nos itens 3.5 e 6.4 destas Normas Padrão. 3.5. Nas transações entre Anunciantes e Agências tendo por objeto a parcela negociável do "desconto padrão de Agência", adotarseão como referência de melhor prática os parâmetros contidos no Anexo B destas NormasPadrão. (...) 3.10. Como alternativa à remuneração através do "desconto padrão de agência", é facultada a contratação de serviços de Agência de Publicidade mediante "fees" ou "honorários de valor fixo", a serem ajustados por escrito entre Anunciante e Agência, respeitado o disposto no item 2.9 destas NormasPadrão (grifos nossos). Da leitura do documento acima transcrito, entendo que a intermediação feita pela agência de publicidade para divulgação do material publicitário do anunciante através dos veículos de comunicação, ao meu ver, não corresponde a uma prestação de serviços direta entre agência e veículo. Isso porque a agência atua por conta e ordem do anunciante/cliente e a divulgação do material é a etapa final da prestação de serviços para qual efetivamente é contratada e remunerada. Para a solução do questão submetida a julgamento é necessário considerar o a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal Federal sobre o § 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/1998, na oportunidade em que foi julgado o Recurso Extraordinário n. 357.950/RS. Naquela assentada a Suprema Corte declarou inconstitucional a ampliação do conceito de receita bruta que abarcasse toda e qualquer receita, afastandose do conceito de faturamento previsto no artigo 195, I, b da Constituição Federal, que na sua redação original equivale a receita bruta da venda das mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza. Após a declaração de inconstitucionalidade pelo Supremo Tribunal, a questão foi objeto de inúmeros estudos, pois carecia (e ainda carece) de elucidações. Trago a Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 8 conhecimento extrato da manifestação de Marco Aurélio Grecco, citado por Rodrigo Munhoz5, sobre o tema: "15.1. Não basta o ingresso de dinheiro O primeiro ponto a considerar nesta análise é que os conceitos de receita e faturamento, embora tenham larga amplitude semântica, apresentam um núcleo mínimo (decorrente do próprio sistema constitucional) que não pode ser negado pela legislação subordinada. Este núcleo está na distinção entre receita e 'entrada'. Com efeito, é a própria Constituição que reconhece haver uma diferença entre receita/faturamento e mera movimentação financeira ou transmissão de valores, créditos e direitos de natureza financeira. O artigo 74 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e, hoje, o seu artigo 75 contemplam a figura da CPMF como contribuição destinada a gerar recursos para as ações e serviços da área de saúde e da previdência social, típicas áereas integrantes da seguridade social. Portanto, dentro do conjunto de contribuições destinadas à seguridade social, movimentação financeira e receita/faturamento são conceitos distintos, pois utilizados para discriminar competências diversas, submetidas a regimes jurídicos absolutamente diferentes. A simples movimentação financeira (que abrange ambas as partes que dela participam) já é pressuposto de fato de uma contribuição específica (a CPMF) que poderia, em tese, onerar tanto quem a promove como quem dela é beneficiário. Considerando que esta realidade é pressuposto de contribuição específica, não se pode dar à palavra 'receita' utilizada no artigo 195, I, 'b', um sentido tão lasso que implique abranger toda e qualquer movimentação financeira ou de créditos e valores dessa natureza. Portanto, nem todo dinheiro que entra no universo da disponibilidade da pessoa jurídica integra a base de cálculo da Cofins. Não basta ser uma entrada (mera movimentação financeira) é preciso que se configure como ingresso, no sentido de entrada com sentido de permanência e que resulte da exploração da atividade que corresponda ao seu objeto social (ou dele decorrente). Mera entrada de dinheiro não é receita para fins da base de cálculo do PIS e COFINS!" (grifos nossos). Sobre a conceituação de receita para fins tributários, o Supremo Tribunal Federal, ao julgar a incidência de PIS e da COFINS sobre valores recebidos pela transferência de crédito de ICMS decorrente de exportação a terceiros6, assim consignou: 5 VIEIRA, Marcelo Lima; CARMIGNANI, Zabetta Macarini; BIZARRO, André Renato (Coords.). Lei n. 12.973/14 Novo Marco Tributário: Padrões Internacionais de Contabilidade São Paulo: Quartier Latin, 2015, pgs. 65/66. 6 Recurso Extraordinário n. 606.107, Relatora Ministra Rosa Weber, DJ 25/11/2013. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.326 9 "O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, 'b' da Constituição Federal não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis n. 10.637/02 (art. 1º) e Lei n. 10.833/03 (art. 1º) que determinam a incidência da Contribuição ao PIS/Pasep e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, 'independentemente de sua denominação ou classificação contábil'. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições". (grifos nossos). Concluise que receita (componente da base de cálculo do PIS e da COFINS) consiste em ingresso financeiro (disponibilidade nova de recursos) que se integra ao patrimônio do contribuinte na condição de elemento novo e positivo. Que não é a hipótese dos autos, já que a verba recebida pelo veículo de comunicação não se atrela ao seu patrimônio e dela não se pode dispor livremente, pois o montante devido a título de desconto padrão deve ser repassado à agência de publicidade. Em que pese a falta de previsão expressa nas Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003, visto que nelas há disposição de que se compreende por faturamento a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas, ainda sim, compreendo que o pleito do contribuinte deve ser acolhido, já que a definição de faturamento defendida pelo contribuinte encontra arrimo no texto constitucional. É preciso compreender que apesar da empresa registrar na contabilidade o ingresso de numerário, estes valores apenas transitam graficamente pela contabilidade do veículo de comunicação, não integram patrimônio e, por consequência são receitas incapazes de exprimir o contorno da sua capacidade contributiva, nos moldes do art. 145 da CF. É nesse mesmo sentido o seguinte precedente: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. VALORES REPASSADOS ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE PELOS VEÍCULOS DE COMUNICAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA. COMPENSAÇÃO OU RESTITUIÇÃO. PRESCRICÃO. (...) O colendo Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento em Plenário do RE 357950RS, em 09.11.2005, da Relatoria do Ministro Marco Aurélio, por maioria, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 1º do artigo 3º da Lei n. 9.718/98, que entende "por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas". Esta discussão hoje resta superada com a Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 10 edição das Leis n. 10.637/02 e 10.833/03, após a alteração do referido dispositivo constitucional, sendo a definição de faturamento a mais ampla, a saber, a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas In casu, todavia, não se pode concluir que as verbas que ingressam na contabilidade do veículo de comunicação para pagamento das agências de publicidade, nos termos do art. 11 da Lei n. 4.680/65, podem ser caracterizadas como receitas auferidas por aquela pessoa jurídica. Tais valores apenas transitam nas contas das empresas de comunicação com a finalidade de pagamento das agências de publicidade, não se podendo falar em faturamento a ensejar a tributação do PIS e da COFINS. Ademais, temse que as agências de publicidade agem como mandatárias da empresa anunciante, perante o veículo de divulgação e, por sua vez, as quantias por ela recebidas decorrem dessa mediação (Tribunal Regional Federal da 5ª Região, Apelação/Reexame Necessário n. 00009715220114058300, Des. Fed. Francisco Barros Dias, Segunda Turma, DJe 02/12/2010 grifos nossos). Entendo que todo o veículo de divulgação, seja rádio e televisão, jornais e revistas, figuram apenas como meros intermediários dos serviços prestados pelas agências de publicidade, logo, neste caso, o valor transferido às agências não configuram despesas do veículos, porque não correspondem aos insumos de seus serviços. Diante do direito à exclusão pretendida, sugiro que os autos sejam encaminhados para a instância de origem para que a contribuinte seja intimada a apresentar os documentos que comprovem o repasse dos valores às agências de publicidade. (assinado digitalmente) Lenisa Rodrigues Prado Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Em que pese os bem postos argumentos apresentados pela i. Conselheira Relatora, com devida vênia, este Relator ousa discordar da conclusão por ela apresentada, pelas razões a seguir aduzidas. Inicialmente, cabe esclarecer que a recorrente exerce atividade de prestação de serviços de radiodifusão sonora e de sons e imagens, cujas receitas, por força das exceções determinadas no art. 8º, XI, da Lei 10.637/2002 e no art. 10, IX, da Lei 10.833/2003, foram corretamente submetidas ao regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, estabelecido nos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998, que, no período de apuração dos valores lançados, tinham a seguinte redação, in verbis: Art. 2º As contribuições para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.327 11 Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: I as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II as reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;(Redação dada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo;(Vide Medida Provisória nº 1.99118, de 2000) (Revogado pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001) IV a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. V a receita decorrente da transferência onerosa, a outros contribuintes do ICMS, de créditos de ICMS originados de operações de exportação, conforme o disposto no inciso II do § 1º do art. 25 da Lei Complementar nº 87, de 13 de setembro de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 451, de 2008) [...]. (grifos não originais) Assim, definido que a recorrente estava sujeita ao regime cumulativo de apuração, a base de cálculo das referidas contribuições passa a ser exclusivamente o faturamento, que, no caso das pessoas jurídicas que exerce a atividade de veículo de comunicação, caso da recorrente, corresponde à receita bruta da prestação de serviços de divulgação visual, auditiva ou audiovisual. Logo, as demais receitas não decorrentes da prestação dos referidos serviços estão excluídas da base de cálculo das citadas contribuições. Aliás, em relação a este ponto, não há controvérsia. No caso, a controvérsia cingese à abrangência da definição da receita bruta da prestação de serviços de divulgação visual, auditiva ou audiovisual, auferida pela recorrente decorrente. Para a fiscalização, o valor do desconto padrão de agência integra a receita bruta da recorrente, representada pelo o valor bruto total dos serviços de publicidade por ela Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 12 faturado contra os seus clientes anunciantes. Segundo a fiscalização, o referido desconto padrão representa remuneração da agência de publicidade devida pela recorrente, na condição de veículo de comunicação, e custo operacional desta, não dedutível da base de cálculo das referidas contribuições, por falta de previsão legal, conforme explicitado no excerto extraído do Termo de Verificação de Fiscal de fls. 1051/1061, que segue transcrito: Importante ressaltar que, independente da forma de pagamento ajustada entre as partes, o faturamento do veículo de comunicação, conforme vimos, é sempre emitido contra o cliente ou anunciante pelo seu valor bruto. Sendo assim, o faturamento ou a receita bruta do veículo de comunicação deve corresponder ao valor bruto do serviço de divulgação e publicidade comercial prestado ou contratado, sem a dedução do desconto padrão de agência, considerandoo, inclusive para fins de incidência do PIS e da COFINS, haja vista que esse desconto, que é uma remuneração devida pelo veículo para a agência de publicidade, não se encontra dentre as hipóteses de exclusão listadas no parágrafo 2o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. [...] O “desconto padrão”, como vimos, é uma remuneração devida pelo veículo de comunicação à agência de publicidade pela criação/produção ou intermediação do conteúdo publicitário e, portanto, um custo operacional, o qual, ainda que dedutível para fins do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro, não o é para fins de apuração das bases de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS por falta de previsão legal. (grifos não originais) De outra parte, a recorrente alegou que a receita bruta por ela auferida corresponde ao valor total dos serviços de divulgação faturado contra os anunciantes, sem o valor do desconto padrão de agência. Para recorrente, o referido desconto representava receita da agência de publicidade e, como era devido pelo anunciante à agência de publicidade, não representava custo operacional dela, mas do anunciante, conforme explicitado nos excertos extraídos do recurso voluntário, que seguem reproduzidos: Ou seja, ao contrário do exposto pelo Fisco, a receita bruta da Recorrente não corresponde ao valor do serviço bruto de divulgação e da publicidade comercial. Como visto, a Recorrente é contratada pelo anunciante apenas para veicular o material publicitário. A receita advinda da publicidade comercial (desconto padrão de agência) pertence única e exclusivamente à agência de publicidade, que é quem presta tal serviço. [...] Além disso, o desconto padrão de agência não pode ser considerado como custo operacional da Recorrente, conforme aduzido pelo v. acórdão recorrido. Isso porque a remuneração da agência é um custo para o Anunciante e não para a Recorrente. (grifos do original) Do cotejo dos referidos posicionamentos, verificase que o cerne da controvérsia cingese à definição do valor da receita bruta auferida pela recorrente, ou seja, se a receita bruta auferida por ela corresponde ao valor total faturado contra os seus clientes anunciantes com ou sem a inclusão do valor do desconto de padrão de agência. Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.328 13 Para o deslinde da controvérsia, revelase oportuno analisar os preceitos legais que dispõe sobre a fixação do valor e forma de pagamento do desconto padrão de agência, que, originariamente, encontravase disciplinado no art. 11 da Lei 4.680/1965, a seguir reproduzido: Art 11. A comissão, que constitui a remuneração dos Agenciadores de Propaganda, bem como o desconto devido às Agências de Propaganda serão fixados pelos veículos de divulgação sôbre os preços estabelecidos em tabela. Parágrafo único. Não será concedida nenhuma comissão ou desconto sôbre a propaganda encaminhada diretamente aos veículos de divulgação por qualquer pessoa física ou jurídica que não se enquadre na classificação de Agenciador de Propaganda ou Agências de Propaganda, como definidos na presente Lei. (grifos não originais) O assunto também se encontra disciplinado nos arts. 11, 14 e 15 do regulamento para execução do citado diploma legal, aprovado pelo Decreto 57.690/1966, a seguir transcritos: Art 11. O Veículo de Divulgação fixará, em Tabela, a comissão devida aos Agenciadores, bem como o desconto atribuído às Agências de Propaganda. [...] Art 14. O preço dos serviços prestados pelo Veículo de Divulgação será por êste fixado em Tabela pública, aplicável a todos os compradores, em igualdade de condições, incumbindo ao Veículo respeitála e fazer com que seja respeitada por seus Representantes. Art 15. O faturamento da divulgação será feito em nome do Anunciante, devendo o Veículo de Divulgação remetêlo à Agência responsável pela propaganda. (grifos não originais) Da leitura combinada dos transcritos preceitos legal e regulamentar, extraise que o preço dos serviços de publicidade, prestados pelos veículos de divulgação, consta de tabela pública, aplicável a todos os anunciantes, em igualdade de condições, e o faturamento dos citados serviços é feito pelo veículo de divulgação diretamente aos anunciantes. De forma complementar, o assunto também encontrase disciplinado nas NormasPadrão da Atividade Publicitária (NPAP), aprovadas em 16 de dezembro de 1998 e que teve seu texto revisado e atualizado pelo Conselho Executivo das Normas Padrão (CENP) em 04/05/2000, 29/03/2001, 16/05/2002, 10/09/2002, 31/10/2002, 15/12/2010, 13/11/2012, 12/03/2013, 08/10/2013 e 12/11/2013. Na edição anterior das NPAP, atualizada em 31/10/2002 (fls. 137/159) e que se encontrava vigente na data dos fatos geradores objeto da presente autuação, o desconto padrão de agência encontravase definido no subitem 1.10, a seguir transcrito: 1.10 Desconto Padrão de Agência: é o abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação à Agência de Fl. 1343DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 14 Publicidade, a título de remuneração, pela criação/produção de conteúdo e intermediação técnica entre aquele e o Anunciante. 1.11 Valor Bruto: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante. 1.12 Valor Líquido: é o preço da mídia contratada, deduzidos os descontos comerciais concedidos ao Anunciante e os 20% do "desconto padrão de agência". Na edição atualmente vigente das NPAP7, o desconto padrão de agência encontrase definido no subitem 1.11, a seguir reproduzido: 1.10 Valor Negociado: é o valor fixado na lista pública de preços dos Veículos de Comunicação, já deduzidos os descontos comerciais. 1.11 DescontoPadrão de Agência8 ou simplesmente Desconto Padrão: é a remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, na forma de percentual estipulado pelas NormasPadrão, calculado sobre o “Valor Negociado”. 1.12 Valor Faturado: é a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o “Valor Negociado” e o “DescontoPadrão”. Comparando as duas definições, verificase que, embora haja diferença na redação, no essencial, as referidas definições são complementares e não se vislumbra qualquer conflito entre ambas, haja vista que na primeira (subitem 1.10), o desconto padrão é definido como “abatimento concedido, com exclusividade, pelo Veículo de Comunicação”, ao passo que, na segunda (subitem 1.11), o referido desconto é definido como “remuneração da Agência de Publicidade pela concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes” Não há distinção relevante de conteúdo entre as duas definições, porque enquanto a primeira definição tem como referencial a repercussão econômicofinanceira provocada no patrimônio do veículo de comunicação e definiu o desconto padrão como sendo um abatimento por este concedido a agência de publicidade, a segunda definição adotou como referencial a repercussão econômicofinanceira provocada no patrimônio da agência de publicidade e definiu o desconto padrão como remuneração da agência de publicidade, sem contudo especificar quem seria responsável pelo pagamento do referido valor. Além disso, como não houve qualquer alteração nos referidos preceitos legal e regulamentar, anteriormente transcritos, que disciplinam a matéria de forma geral, induvidosamente, a nova definição de desconto padrão foi influenciada pela previsão contida no art. 19 da Lei 12.232/2010, que instituiu as normas gerais sobre licitação e contratação pela Administração Pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda, cujo teor segue transcrito: Art. 19. Para fins de interpretação da legislação de regência, valores correspondentes ao descontopadrão de agência pela 7 A atual versão encontrase disponível em: <http://www.cenp.com.br/PDF/NomasPadrao/Normas_Padrao_Portugues.pdf>. Acesso em 01 mar 2016. 8 Fundamentos legais: art. 11 da Lei nº 4.680, de 1965, art. 11 do Decreto nº 57.690, de 1966 e art. 19 da Lei nº 12.232, de 2010. Fl. 1344DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.329 15 concepção, execução e distribuição de propaganda, por ordem e conta de clientes anunciantes, constituem receita da agência de publicidade e, em consequência, o veículo de divulgação não pode, para quaisquer fins, faturar e contabilizar tais valores como receita própria, inclusive quando o repasse do desconto padrão à agência de publicidade for efetivado por meio de veículo de divulgação. Parágrafo único.(VETADO) Entretanto, em consonância com as razões de veto do parágrafo único do citado artigo, a proibição de não faturar e contabilizar como receita própria do veículo de divulgação, determinada no caput do referido preceito legal, aplicase somente aos serviços de propaganda e publicidade licitados e contratados com a Administração Pública. Em decorrência dessa limitação de alcance do citado preceito legal, os referidos serviços quando contratados com particulares estão excluídos da referida restrição. Para que não haja dúvida quanto abrangência do preceito legal em comento, segue transcrita a Mensagem de Veto ao parágrafo único: MENSAGEM Nº 203, DE 29 DE ABRIL DE 2010. Senhor Presidente do Senado Federal, Comunico a Vossa Excelência que, nos termos do § 1odo art. 66 da Constituição, decidi vetar parcialmente, por contrariedade ao interesse público, o Projeto de Lei no197, de 2009 (no3.305/08 na Câmara dos Deputados), que “Dispõe sobre as normas gerais para licitação e contratação pela administração pública de serviços de publicidade prestados por intermédio de agências de propaganda e dá outras providências”. Ouvido, o Ministério da Justiça manifestouse pelo veto ao dispositivo abaixo: Parágrafo único do art. 19 “Art. 19. ....................................................................... Parágrafo único. O disposto neste artigo se aplica inclusive à contratação de serviços entre particulares, observadas normas de orientação expedidas pelo Conselho Executivo das NormasPadrão CENP.” Razão do veto “O projeto de lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública, não adentrando nas relações entre os particulares que exercem atividades publicitárias com fundamento na Lei nº4.680, de 18 de junho de 1965.” Essa, Senhor Presidente, a razão que me levou a vetar o dispositivo acima mencionado do projeto em causa, a qual ora submeto à elevada apreciação dos Senhores Membros do Congresso Nacional. Dessa forma, resta demonstrado que a determinação expressa no art. 19 da Lei 12.232/2010 não se aplica ao caso sob exame, por ser específica para as contratações realizadas com a Administração Pública. De outra parte, as receitas provenientes dos serviços publicitários prestados a particulares permanecem regidas pela Lei 4.680/1965 e pelo Decreto 57.690/1966, que, na forma seu art. 15, determina que o valor total do serviço de divulgação seja faturado em nome do veículo de divulgação, sem a exclusão do valor do desconto padrão. Fl. 1345DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 16 Pela mesma razão, a definição de “Valor Faturado”, consignada no subitem 1.12 das NPAP atualmente vigentes, como sendo “a remuneração do Veículo de Comunicação, resultado da diferença entre o ‘Valor Negociado’ e o ‘DescontoPadrão’”, não se aplica aos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade contratados com os particulares, que estão submetidos a regramento próprio. No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), conforme enunciados das ementas dos julgados, que seguem transcritos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/09/2002 DESCONTO PADRÃO. AGÊNCIA PUBLICIDADE. VEÍCULO DIVULGAÇÃO. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo do PIS e da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares já que a lei disciplina a contratação de agências de publicidade pela administração pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CARF, CSRF, 3ª Turma Ordinária, Ac. 9303002.589, de 9/10/2013, rel. Henrique Pinheiro Torres) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 11/10/2000 COFINS. BASE DE CÁLCULO. VEÍCULOS DE DIVULGAÇÃO. DESCONTO DEVIDO ÀS AGÊNCIAS DE PUBLICIDADE. O desconto padrão pago pelo veículo de divulgação à agência de publicidade integra a base de cálculo da COFINS. Não se aplica o art. 19 da Lei nº 12.232/2010 nas relações entre particulares, já que a lei disciplina apenas a contratação de agências de publicidade pela Administração Pública. Recurso Especial do Contribuinte Negado. (CARF, CSRF, 3ª Turma Ordinária, Ac. 9303002.635, de 13/11/2013, rel. Júlio César Alves Ramos) E embora integrem o valor dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade prestados pelos veículos de comunicação e sejam integralmente repassados às agências de publicidade, por falta de previsão legal, o valor do desconto padrão de agência não pode ser deduzido da receita bruta auferida pelos veículos de comunicação. Cabe ainda ressaltar, que, embora o art. 3º, § 2º, III, da Lei 9.718/1978, tenha inicialmente previsto a exclusão da base de cálculo das referidas contribuições dos valores que, computados como receita, fossem transferidos para outra pessoa jurídica, por depender de regulamentação, que não foi realizada, o referido preceito legal não chegou a ter eficácia, até a sua revogação pela Medida Provisória 215835/2001. Fl. 1346DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 19515.721958/201399 Acórdão n.º 3302003.106 S3C3T2 Fl. 1.330 17 Entretanto, apesar de não haver previsão legal, de acordo com os demonstrativos e a relação das notas fiscais apresentados pela recorrente à fiscalização (fls. 160/701), a recorrente deduziu, indevidamente, os valores dos descontos padrão de agência da base de cálculo das referidas contribuições. Com base nessas considerações, chegase a conclusão que o valor total do preço dos serviços de veiculação de anúncios, propaganda e publicidade, faturados pela recorrente perante os seus clientes anunciantes privados, integra a base de cálculo das referidas contribuições, sem a exclusão do desconto padrão de agência. Ademais, por falta de previsão legal, embora integralmente repassado as agências de publicidade, valor do referido desconto não pode ser excluído da base de cálculo das referidas contribuições. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1347DF CARF MF Impresso em 10/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 03 /05/2016 por LENISA RODRIGUES PRADO, Assinado digitalmente em 23/04/2016 por JOSE FERNANDES DO NASCI MENTO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 13839.722466/2013-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS.
Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária.
No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-004.980
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2016-03-24T22:50:39Z; Last-Modified: 2016-03-24T22:50:39Z; dcterms:modified: 2016-03-24T22:50:39Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:c88b3056-b89f-4851-ad62-b2bbcbf5fd25; Last-Save-Date: 2016-03-24T22:50:39Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-03-24T22:50:39Z; meta:save-date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-03-24T22:50:39Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2016-03-24T22:50:39Z; created: 2016-03-24T22:50:39Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2016-03-24T22:50:39Z; pdf:charsPerPage: 1411; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2016-03-24T22:50:39Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 105 1 104 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13839.722466/201381 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.980 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de fevereiro de 2016 Matéria Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Recorrente ANTÔNIO ALVES DE ALMEIDA Recorrida FAZENA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 IRPF. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS. Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. No caso, há a comprovação, motivo do provimento do recurso. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 72 24 66 /2 01 3- 81 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 106 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase como não impugnada a parte do lançamento com a qual o contribuinte concorda ou sobre a qual não se manifesta expressamente. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. PROVA. São admitidas as deduções pleiteadas a título de dependente se ficar comprovada, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, a relação de dependência nos moldes estabelecidos na legislação tributária. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. DESPESAS COM PREVIDÊNCIA PRIVADA. PROVAS Somente são admitidas as deduções pleiteadas a título de despesas com instrução, médicas e com previdência privada, se ficar comprovado, mediante apresentação de documento hábil e idôneo, que o pagamento foi efetuado pelo titular ou pelo dependente, nos moldes estabelecidos na legislação tributária. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar parcialmente procedente a impugnação, mantendo em parte o crédito tributário, para reduzir o imposto suplementar em litígio ao valor de R$7.843,43, a ser acrescido de multa de ofício e juros de mora. Segundo a fiscalização, de acordo com a Notificação de Lançamento (NL), o lançamento tem a seguinte origem: Decorreu o citado lançamento de revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual (DAA) ND 08/23.593.644, ano calendário 2011. Conforme relatório Descrição dos Fatos e Fl. 107DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 Enquadramento Legal (fls. 30/35), apurouse as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas: constatouse omissão de rendimentos recebidos de Carolina Alves de Almeida, no valor de R$3.576,30, já descontada a comissão imobiliária, conforme Dimob transmitida por Cortizo Imóveis Ltda; b) dedução indevida de Previdência Privada/Fapi: foi glosado o valor de R$22.321,56, indevidamente deduzido a título de contribuição à Previdência Privada/Fapi. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa da despesa com previdência privada, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. c) dedução indevida com Dependentes: glosa de R$3.779,28 por falta de comprovação da relação de dependência referente a Laura Luisa de Almeida (não comprovou guarda judicial) e Fernanda América Alves de Almeida (não apresentou a certidão de casamento); d) dedução indevida com despesa de instrução: glosa de R$2.958,23. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa da despesa com instrução, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência. e) dedução indevida de despesas médicas: glosa de R$15.440,52, por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. A autoridade lançadora complementa: Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609, concluise pela glosa dos seguintes valores a título de despesas médicas: R$924,00 valor declarado pago a UNIMED JUNDIAÍ, referente a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$2.316,52 valor declarado pago a UNIMED JUNDIAÍ, referente a despesa de FERNANDA AMÉRICA ALVES DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$6.000,00 valor declarado pago a RENATA DE LUCCA ZEZZA, referente a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência; R$4.500,00 valor declarado pago a LUIZ EDUARDO DABREU, por falta de comprovação; R$1.700,00 valor declarado pago a SUSY DE ASSIS CARVALHO, por falta de comprovação. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos na NL e nos demais anexos que o configuram. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 107 5 Em 27/08/2013 foi dada ciência ao sujeito passivo do lançamento. Contra o lançamento, o sujeito passivo apresentou impugnação, em 18/09/2013, acompanhada de anexos, argumentando, em síntese, que apresenta documentação para comprovação de dependência e a regularidade das deduções pleiteadas. Quanto à omissão de rendimentos, concorda com o lançamento. Em 29/1/2014, por meio do despacho, a DRJ retornou os autos à autoridade preparadora para que o contribuinte fosse intimado a comprovar as despesas declaradas referentes à profissional Renata de Lucca Zezza e à Associação Brasileira de Educação e Assistência. Intimado, o contribuinte apresentou os documentos. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando procedente em parte a impugnação, mantendo no lançamento, em síntese: 1. Glosas de despesas médicas no valor de R$6.200,00; e 2. Glosas de despesas de previdência privada, no valor de R$22.321,56. Em 17/03/2014, o sujeito passivo foi cientificada da decisão, conforme AR. Inconformado com a decisão, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário, em 25/03/2014, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, que: 1. Apresenta recibos de despesas médicas de serviços prestados para si, por Luiz Eduardo de Abreu, em um total de R$ 6.000,00; 2. Apresenta recibos de despesas médicas de serviços prestados para si, por Susy de Assis Abreu, em um total de R$ 1.750,00; 3. Apresenta extratos bancários de Fernanda América Alves de Almeida, sua dependente, que demonstram a aplicação em PGBL, no total de R$ 22.221,56; 4. Solicita análise da documentação e acolhimento de seu recurso. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Sendo tempestivo, CONHEÇO DO RECURSO e passo ao exame de seus argumentos. DO MÉRITO Quanto ao mérito, há duas questões em litígio no lançamento: 1. Glosas de despesas médicas no valor de R$6.200,00; e 2. Glosas de despesas de previdência privada, no valor de R$22.321,56. Analisaremos cada uma. Glosa de despesa médica: Segundo a NL, acusação, essas glosas foram motivadas pelos seguinte fundamento: "R$ 4.500,00, valor declarado pago a Luiz Eduardo Abreu, por falta de comprovação; R$ 1.700,00, valor declarado pago a Susy de Assis Carvalho, por falta de comprovação. Fato interessante é que esses recibos foram apresentados na impugnação e, após questionamento de seus requisitos formais, foram retificados e apresentados no recurso, mas não constam da "Declaração de Serviços Médicos e de Saúde Dmed". A Dmed, juntada aos autos, conforme se verifica, foi emitida em 28/01/2014, às 13:02h. A impugnação é de 18/09/2013. De se destacar que em 29/01/2014, um dia depois da emissão da Dmed, por meio do despacho, a DRJ retornou os autos à autoridade preparadora para que o contribuinte fosse intimado a comprovar as despesas declaradas referentes à profissional Renata de Lucca Zezza e à Associação Brasileira de Educação e Assistência, mas nada solicitou quanto aos dois profissionais que não aparecem da Dmed. Intimado, o contribuinte apresentou os documentos solicitados. Para justificar sua decisão pela manutenção da glosa, a decisão a quo assim fundamenta: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 108 7 "Em sua impugnação, o contribuinte sustenta que as despesas médicas glosadas se referem a Fernanda América Alves de Almeida e a Laura Luisa de Almeida (fls. 2). Entretanto, os recibos juntados às fls. 16/17, emitidos pelos profissionais Luiz Eduardo de Abreu e Susy de Assis Carvalho, não especificam o beneficiário dos serviços prestados. Ademais, não trazem o endereço dos emitentes. Assim, não podem ser aceitos, devendo ser mantida a glosa no valor de R$6.200,00 (R$4.500,00 + R$1.700,00). Portanto, os recibos não foram aceitos por: 1. Não especificar o beneficiário dos serviços prestados; e 2. Não trazer o endereço dos emitentes. Sem adentrar em subjetivismos sobre os motivos desses equívocos não terem sido solicitados no despacho de 29/01/2014, fato é que os recibos agora apresentados corrigem esses dois requisitos formais. A utilização dessa documentação para a solução da questão está em consonância com decisões já proferidas pelo CARF. Sobre a questão, muito bem desenvolve a questão da preclusão o nobre conselheiro Ronnie Soares Anderson, que no acórdão 2802003.088 assim se pronuncia: "A par disso, cabe destacar que, quando da interposição do recurso voluntário, o contribuinte apresentou novos documentos a título de comprovação de despesas médicas, os quais reputa terem o condão de sanar eventuais vícios constantes nos anteriormente entregues. Vale observar, por oportuno, que o § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 impõe restrições à apresentação de documentos em momento posterior à impugnação. A prescrição legal traduz norma de preclusão temporal, atinente às relações processuais desenvolvidas no bojo do contencioso administrativo tributário, e que objetiva, principalmente, impulsionálo de forma segura e ordenada para a solução do conflito instaurado, dentro de um contexto de proteção à boa fé. Nessa linha, a aceitação como prova de documento apresentado em momento posterior à impugnação deve ser cogitada, excepcionalmente, desde que respeitadas três condições. Primeiro, possuir o documento a característica de permitir o pronto deslinde do caso controverso, viabilizando se assim o atendimento aos princípios da verdade material, da informalidade moderada e da instrumentalidade. Segundo, que sua análise não implique retorno à etapa processual já superada, salvo para diligência complementar de natureza essencial e âmbito restrito, sob pena de violação frontal aos princípios da preclusão, da duração razoável do processo e Fl. 111DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 8 da eficiência, os quais servem de esteio ao mencionado art. 16 do Decreto nº 70.235/72. E terceiro, que não reste evidenciado o fato de ter sido a entrega do documento nessa etapa do rito conduta com fins procrastinatórios, em atenção aos deveres de lealdade e ética no curso do processo. Com efeito, o atendimento a essas condições permite maximizar a eficácia do princípio preclusivo, assim entendido como técnica a serviço da composição administrativa dos conflitos tributários." A documentação apresentada soluciona a questão, é mero detalhamento de documentos já apresentados, desde o início do processo, não ocasionará retorno à etapa processual já superada e não se demonstra como forma de procrastinar a decisão final nos autos. Portanto, por todo exposto, dou provimento ao recurso nesta questão. Glosas de despesas de previdência privada: Para a glosa dessa despesa, a NL, acusação, traz o seguinte argumento: "Da análise da documentação apresentada em resposta ao TIF 2012/790785091535609 concluise pela glosa da despesa com previdência privada, por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência". Destaquese que esse fundamento da acusação para a glosa, único por se referir a despesa de LAURA LUISA DE ALMEIDA, excluída do rol de dependentes, por falta de comprovação da relação de dependência foi superado pela própria decisão a quo, nos seguintes termos: "No tocante a Fernanda América Alves de Almeida, foi apresentada Certidão de Casamento emitida em 27/1/1974 que comprova a celebração sob o regime de comunhão universal de bens do casamento de Antônio Alves Almeida e Fernanda América (fls. 15). Quanto a Laura Luísa Almeida, nascida em 4/9/2000, filha de Ruthe Maria Almeida, o impugnante apresentou Termo de Entrega sob Guarda e Responsabilidade, que demonstra que a menor ficou sob sua guarda e de sua esposa Fernanda América por tempo indeterminado a partir de 18/8/2003 (fls. 14). Ante o exposto e os elementos de prova trazidos aos autos pelo sujeito passivo, acatamse os argumentos expedidos na impugnação, restabelecendose a dedução pleiteada a título de dependentes (R$3.779,28)." Portanto, a única acusação quanto ao motivo dessa glosa já foi superada pela decisão a quo, motivo do provimento do recurso. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 13839.722466/201381 Acórdão n.º 2402004.980 S2C4T2 Fl. 109 9 CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto pelo provimento do recurso, nos termos do voto. Marcelo Oliveira. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 31/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 28/03/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
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Numero do processo: 10932.000192/2009-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 08 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Apr 27 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2004 a 31/01/2007
INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO
Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 2201-002.964
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari
Relator
Assinado digitalmente
Eduardo Tadeu Farah
Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz.
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NÃO CONHECIMENTO Da decisão de primeira instância cabe recurso dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Recurso protocolizado em prazo superior não será conhecido. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Relator Assinado digitalmente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 92 /2 00 9- 33 Fl. 1190DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 2 Eduardo Tadeu Farah Presidente Substituto Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Eduardo Tadeu Farah (Presidente Substituto), Carlos Henrique de Oliveira (Suplente Convocado), Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente Convocada), Carlos Alberto Mees Stringari, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos Cesar Quadros Pierre e Ana Cecilia Lustosa Da Cruz. Fl. 1191DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento Campinas, Acórdão 0539.419 da 8ª Turma, que julgou a impugnação improcedente. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Constam deste processo os seguintes Autos de Infração, cujo período de apuração vai de 11/2004 a 01/2007: Segue abaixo a descrição do Auto de Infração nº 10932.000192/200933, sendo que os outros dois processos estão sendo analisados em acórdãos separadamente: COMPROT nº 10932.000192/200933 (AIOP DEBCAD nº 37.227.380 7) – contribuição para Terceiros (Outras Entidades e Fundos) Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra a empresa acima identificada, que, de acordo com o Relatório Fiscal, se refere a contribuições devidas à Seguridade Social, destinadas a Outras Entidades: SESI, SENAI, INCRA, SEBRAE e SALÁRIO EDUCAÇÃO não recolhidas em época própria, tendo sido o crédito lançado por aferição indireta, no período de 11/2004 a 01/2007, no valor consolidado de R$2.828.262,42 em 04/06/2009, referindose ao levantamento “240 – Obra240”. Esclarece ainda o Relatório Fiscal o seguinte: Tratase de fiscalização de obra de construção civil, relacionado à serviços contínuos de conservação de Drenagem, Fl. 1192DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 4 Desassoreamento, Limpeza e Capinação de córregos, desobstrução de Bocas de Lobo, recuperação de áreas deterioradas, muros de arrimo, pavimentação e outros correlatos e serviços contínuos de execução de Redes de água e esgoto, com fornecimento de equipamentos, materiais e mão de obra, realizado pela empresa Emparsanco S/A, através do contrato entre a mesma e a SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André. Informa a fiscalização ter havido vários termos de intimação para a apresentação de documentos sem sucesso, e conclui que: (...) pelo fato da empresa não escriturar em títulos próprios e ou em contas individualizadas as obras realizadas, conforme demonstram as Contas nºs 2.01.01.01.06.0001; 3.01.01.01.01.0001 e 3.01.01.01.01.0003, dos Livros Razão apresentados (xerox em anexo amostragem) foi emitido o AI AutodeInfração 37.227.3653. 4.6. Desta forma não restou à fiscalização outra alternativa senão proceder à aferição indireta para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na Construção desta Obra conforme comandos do art. 33 § 6º da Lei 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e suas alterações: (...) Enfim, o Relatório complementa: 5. Para o cálculo das contribuições previdenciárias devidas na execução desta obra foi realizado a aferição indireta pelas notas fiscais de serviço emitidas pela empresa e por estar especificado no Contrato a previsão de fornecimento de Material foi aplicada a alíquota de 20% sobre as Notas Fiscais, conforme determina o § 1º do Art. 601 da IN 03, de 14 de julho de 2005 e suas alterações (...) (...) Os cálculos do Salário de Contribuição devido e o período de lançamento do crédito estão discriminados no ANEXO I e no anexo Relatório de Lançamento RL. 6. As alíquotas aplicadas constam do anexo "Discriminativo Analítico do Débito DAD". 7. Foram considerados e abatidos os recolhimentos vinculados à obra, constantes no Sistema de Contacorrente/DATAPREV, demonstrado no anexo RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados. O contribuinte contestou o lançamento fazendo um resumo inicial da autuação, e alegando, em síntese, o seguinte: Do Direito Preliminar Descrevendo a atividade administrativa, a impugnante ressalta a importância do princípio da Verdade Material. Afirma que mantém um sistema eletrônico de escrituração contábil em conformidade com os Princípios de Contabilidade geralmente aceitos e que se encontra interligado com os Fl. 1193DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 4 5 demais setores da empresa, escriturando as transações que impliquem em mudança da situação patrimonial no mesmo instante nos livros mercantis (Razão e Diário). Assim, o Setor de Pessoal ao elaborar mensalmente a folha de salários promove respectivamente o cálculo dos encargos previdenciários incidentes e de responsabilidade da empregadora, bem como promove a retenção dos encargos relativos à parte dos Segurados Empregados por obra realizada ou serviço prestado. Ou seja, há um controle analítico de salários e respectivos encargos previdenciários de forma individualizada dos funcionários utilizados em cada obra realizada pela impugnante, bem como das verbas previdenciárias obrigatórias a serem recolhidas e também dos valores retidos dos empregados incidentes para cada obra, que são carreados aos cofres da União. Posteriormente ao fechamento do controle analítico individualizado por obra descrito no parágrafo anterior, bem como o cálculo das verbas previdenciárias incidentes, o setor encarregado de elaborar a folha reúne todos aqueles dados individualizados por obra, os lança na folha de salários e respectivos encargos previdenciários. E, ato contínuo, lança na escrita mercantil (contas 2.01.01.01.06.00020, j) de forma individualizada, possuindo, também controles contábeis para identificar a composição do valor total lançado na escrituração mercantil. Outrossim, a decisão de optar pela forma de apuração por aferição indireta foi incorreta e precipitada, uma vez que a servidora ao promover a exegese do artigo 32, inciso II da Lei n°. 8.212/91 desconheceu a diferença entre os conceitos de contabilidade e escritura fiscal. O termo contabilidade descrito no inciso II, do artigo 32 da Lei nº 8.212/91, deve ser interpretado como os registros analíticos onde a impugnante promove o cálculo das folhas de salário e respectivos encargos previdenciános por obra (de sua responsabilidade, como os retidos dos empregados) em obediência ao determinado naquele dispositivo legal. E segue argumentando: Assim se a Auditora Fiscal houvesse promovido o confronto: a) dos encargos previdenciários lançados nos registros analíticos por obra com a folha teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência; b) do resumo da folha de salários e respectivos encargos previdenciários com os registros contábeis, também teria apurado que há entre os mesmos correlação e consistência e que a impugnante tem perfeitas condições e controles contábeis e analíticos para provar que o valor dos encargos previdenciários Fl. 1194DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 6 apurados por ocasião da lavratura da folha de pagamento encontrase devidamente lançado nos registros mercantis. Da mesma forma, alega que não menos importante de se frisar é que a Servidora Fiscal lavrou entre o início do procedimento em 26/09/07 até a lavratura do auto em 19/06/09 apenas três termos: no dia 26/09/07, em 20/03/08 e em 09/02/09, solicitando no primeiro termo a apresentação de todos os documentos relativos às obras executadas, e nos demais a apresentação da contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra. Assim, a Auditora Fiscal em momento algum intimou e externou à empresa a sua dúvida, ou solicitou justificativas por não visualizar na contabilidade o determinado na Lei n° 8.212/91, sendo que se tivesse feito a distinção entre contabilidade e escrituração mercantil teria percebido que a empresa possui contabilidade por centro de custo/obra e que a lança em sua escrita mercantil (Livros Diário e Razão). Na sequência, alega ainda o seguinte: TAMBÉM COMPETE DESTACAR NESSA FASE PRELIMINAR QUE A SERVIDORA FISCAL UTILIZOU COMO VALOR TRIBUTÁVEL PARA ARBITRAMENTO, A NOTA FISCAL DE N°. 002851 DE 26/01/2005, NO VALOR DE R$ 89.905.618,00 (OITENTA E NOVE MILHÕES NOVECENTOS E CINCO MIL SEISCENTOS E DEZOITO REAIS), SENDO QUE A MESMA FOI CANCELADA POR ESTAR INCORRETO O SEU VALOR, TENDO SIDO EMITIDA A NOTA FISCAL DE N°. 002852 NA MESMA DATA NO VALOR RETIFICADO DE R$ 899.05618 (OITOCENTOS E NOVENTA E NOVE MIL CINQUENTA E SEIS REAIS E DEZOITO CENTAVOS). Propugna ao final que a forma de aferição indireta adotada seja tornada insubsistente, pois a apuração das contribuições foi promovida conforme a legislação que regula a matéria. MÉRITO No mérito, informa a impugnante que celebrou contrato com o SEMASA Serviço Municipal de Saneamento Ambiental de Santo André, e abriu em seu setor de folha de pagamento o registro contábil de número 240, doravante chamado de “Obra 240”. A impugnante mantém em seus sistemas de folha de pagamento o controle por centro de custo/obra das verbas previdenciárias incidentes sobre os valores pagos os seus empregados e que compõem a base de cálculo daquelas exações. Ao final de cada mês ou período de apuração, é calculado o valor das verbas previdenciárias por centro de custo/obra e emitido o relatório genérico de eventos, onde se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra. Informa ainda que: (...) Após proceder ao cálculo de forma individualizada ou por centro de custo/obra, o Setor de Folha de Pagamento inclui em um único valor todos aqueles valores calculados individualmente Fl. 1195DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 5 7 e os lança no Resumo Geral da Folha de pagamento e ato contínuo e os lança sob a rubrica "Base INSS Empresa", (conforme se depreende do disposto no Resumo da Folha de Pagamento). Após o Setor de Folha de Pagamento promover o cálculo das verbas descritas no item anterior, a impugnante escritura no livro razão o valor total a recolher na conta 2.01.01.01.06.00020 Salários e Encargos a Pagar na rubrica "Valor INSS Empresa Mês". Assim a rubrica Valor INSS Empresa lançada na conta 2.01.01.01.06.0002 Salários e Encargos a Pagar, reflete o total de todas as verbas previdenciárias e trabalhistas apuradas no mês e o Setor de Pessoal elabora e possui os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil, bem como possui controle de todos os valores lançados na rubrica Valor INSS Empresa Mês. (...) As diferenças entre o valor constante no resumo da folha de pagamentos com o valor da rubrica Valor INSS Empresa Mês são objeto de conciliações. A seguir é feita uma demonstração por meio de planilhas das verbas previdenciárias que foram objeto do lançamento. Conclui, então, que do que foi verificado ficaram demonstradas as suas argumentações, e que os documentos anexados de sua contabilidade, folhas de pagamento, relatórios genéricos de eventos por centro de custo obra, e os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil fazem prova de suas alegações. Segue dizendo que: Tão importante quanto provar que promovemos a apuração das verbas previdenciárias por centro de custo (e que os mesmos encontramse lançados na escrituração mercantil), também é demonstrar que os valores apuradas forma DECLARADOS nas GFIP apresentadas. Em seguida, devese informar que o valor relativo aos terceiros (parte da empresa e retido dos mesmos) não foi informado em GFIP durante alguns meses. Em razão disso ficará demonstrado nas planilhas abaixo a diferença da não informação destes em GFIP, bem como, que os mesmos foram recolhidos com a adição do um percentual de relativo à contribuição prevista no artigo 68 da Instrução Normativa SRP n° 03/2005. Após a elaboração de várias planilhas demonstrativas de seus argumentos a impugnante conclui ter ficado demonstrada a insubsistência da ação fiscal, e requer a suspensão da exigência pela apresentação da impugnação, juntando aos autos diversos documentos como cópias do Livro Razão, de resumos das folhas de pagamento, do Fl. 1196DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 8 resumo analítico por obra/centro de custo, GFIP’s e GPS’s. Em vista das alegações e demonstrativos apresentados nos três processos, bem como dos documentos a eles juntados, esta 8ª Turma de Julgamento emitiu a Resolução nº 2692, em 11/11/2009, para que a fiscalização se manifestasse quanto a determinados questionamentos. A fiscalização, em resposta ao que lhe foi solicitado, em síntese, assim se pronunciou: 1) Da análise prévia Preliminarmente, informamos que este termo de constatação se refere a todos os processos que foram gerados por meio da fiscalização de MPF 0811900.2008.00092, listados abaixo: ... 2) Da documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação Em sua defesa, o contribuinte apresentou, além do relatório de impugnação, os seguintes documentos, além de outros: a)composição contábil b)razão contábil da conta 2.01.01.01.06.0002 INSS A RECOLHER c)resumo da folha O ponto mais importante a destacar, que embasará a defesa deste auto de infração e de todos os outros, é que, ao analisarmos CONJUNTAMENTE todos os processos originados desta fiscalização, verificamos que todos estes documentos listados acima, apresentados como meio de prova pelo contribuinte, SÃO SEMPRE OS MESMOS, apresentando sempre os mesmos valores, e estes valores apresentados de FORMA GLOBAL, ou seja, totalizados para a empresa como um todo e nunca de forma individualizada, para cada obra de construção civil, logicamente quando comparamos a mesma competência. (...) Além do mais, quanto a folha de pagamento, o contribuinte apresentou apenas o RESUMO GERAL DA EMPRESA e não a folha de pagamento por centro de custo. 3) Do mérito (...) Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa. Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra Fl. 1197DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 6 9 de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91. (...) Portanto, analisando esta parte da defesa, chegamos a conclusão que o documento que o contribuinte chama de "relatório genérico de eventos por centro de custo obra" é o mesmo que, em seus anexos, nomeia de "composição contábil". (...) Ora, o contribuinte alega que, sendo este o relatório genérico de eventos por centro de custo obra, seria neste documento que "se demonstra por obra ou centro de custo o montante das verbas providenciarias incidentes por obra:" Porém isto não se comprova. (...) (...) Ora, se este relatório, como disse o próprio contribuinte em sua defesa, se presta para que "se demonstre por obra ou centro de custo o montante das verbas previdenciárias incidentes por obra:", como é que faz sentido que este relatório contenha os mesmos valores para diferentes obras de construção civil? Se realmente este relatório gerencial demonstrasse a contabilização do montante das verbas previdenciárias individualizadas por obra, deveríamos observar valores diferentes em suas tabelas, a não ser que houvesse enorme coincidência, o que não deve ser o caso. O mesmo se pode falar da alegação que o contribuinte diz que apresenta "os registros contábeis que individualizam os montantes lançados na escrituração mercantil". Se estes registros contábeis a que se refere o contribuinte são aqueles demonstrados no quadro acima, na parte de CONTABILIDADE, de maneira alguma estes registros estão individualizados por obra de construção civil, conforme explicitado acima. 4) Da conclusão Portanto, diante de todos estes fatos explicitados neste termo de constatação, e em resposta à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas, 8a. Turma, decidimos pela manutenção integral dos autos de infração referentes à fiscalização de MPF 0811900.2008.00092. (...) Após um breve relato sobre a situação processual a impugnante apresentou suas contrarazões, conforme resumidamente descrito abaixo: A impugnante inicia sua argumentação dizendo o seguinte: Nos parágrafos seguintes, demonstraremos que o Termo de Constatação Fiscal objeto da presente contrarazões encontrase Fl. 1198DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 10 em desconformidade com a realidade dos fatos, bem como cerceou o Direito de Defesa do Contribuinte, pois a impugnante não participou do mesmo, sendo somente cientificada das conclusões do agente fiscal, sem poder apresentar provas que demonstrem que a aferição indireta foi incorreta. A seguir argumenta que no primeiro tópico da Constatação Fiscal, a fiscalização em sua Análise Prévia apenas descreveu a causa de pedir que resultou na exigência dos créditos previdenciários impugnados, não promovendo qualquer análise ou juízo sobre os fatos. No tópico sobre a documentação apresentada pelo contribuinte na impugnação tece os seguintes comentários: No tópico "Da análise prévia" o agente fiscal lista 52 (cinqüenta e dois) processos que têm como causa de pedir a aferição indireta como forma de apuração de contribuição previdenciária. Cada processo corresponde a uma obra realizada por Emparsanco S/A. Conforme descrito no parágrafo anterior e omitido pelo agente fiscal em seu Termo de Constatação Fiscal, cada um dos 52 (cinqüenta e dois) processos corresponde a uma obra e mensalmente era elaborada uma folha de pagamento individualizada por empreitada com a descrição de todos os trabalhadores envolvidos e respectivas verbas sujeitas à contribuição previdenciária para cada uma. Após elaborar diversas folhas de pagamento analíticas para cada obra realizada, calculandose as verbas previdenciárias incidentes sobre os valores descritos em cada um daqueles documentos era feita a compilação em um único documento chamado folha de pagamento do mês, cujos valores eram escriturados no Livro Razão, inclusive na conta “2.01.01.06.002 – INSS A RECOLHER”. Ante o exposto, concluise que no Livro Razão há somente o lançamento total de todas as verbas previdenciárias apuradas no mês, porém existem controles analíticos elaborados pelo setor de folha de pagamento que demonstram os valores pagos a cada trabalhador para cada obra realiza a e as contribuições previdenciárias apuradas para cada empreitada realizada por Emparsanco S/A para todos os meses do ano. Digno de nota é que a requisição da DRJ CAMPINAS foi para que fossem realizadas diligências para cada auto de infração, ou seja, há um pedido de diligência para cada processo e não "CONJUNTAMENTE" como mencionado no Segundo parágrafo do tópico e acima transladado. No Terceiro parágrafo do tópico, o agente fiscal descreve que há repetições do resumo da folha de pagamento, citando os meses de março e junho de 2005 como exemplo. Fl. 1199DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 7 11 Tal fato ocorreu pelo fato da aferição indireta haver ocorrido por obra realizada, ou seja, cada processo corresponde a uma empreitada diversa da constante em outro, e considerando que: a) Utilizando a título de exemplo os meses de março e junho de 2005 citados pelo agente fiscal, houve diversas obras realizadas no curso daqueles períodos e não somente aquela em que houve a aferição indireta; b) A aferição indireta ocorreu por obra e não para os meses do ano, como inadvertidamente menciona o agente fiscal, justificando se assim a repetição dos documentos apresentados, pois para cada mês há diversas empreitadas; O que o servidor fiscal não menciona é que o resumo da folha de pagamento dos meses em que houve a aferição indireta está acompanhado do resumo analítico da folha da obra em que ocorreu a aferição indireta, o qual é parte integrante do valor descrito no resumo da folha, a qual confere com os registros contábeis. E mesmo que o resumo analítico por obra não estivesse anexado ao processo, o que não é verdade, caso o servidor fiscal houvesse dado ciência à impugnante que estava realizado a presente diligência teria lhe sido demonstrado de forma didática e clara que a aferição indireta não era cabível. Conclui que se a fiscalização houvesse analisado processo a processo constataria que a impugnante tem controles analíticos que possibilitam a visualização das contribuições previdenciárias por obra escriturada no livro contábil Do mérito À conclusão da fiscalização na diligência de que o contribuinte em nenhum momento da defesa conseguiu provar a contabilização em títulos próprios por obra de construção civil dos fatos geradores de contribuição previdenciária, a impugnante argumenta que esta conclusão está em desconformidade com o meio probatório acostado aos autos, tendo a fiscalização agido contra princípios constitucionais e do direito administrativo, afrontando o seu direito de defesa. Afirma a impugnante que o Princípio da Ampla Defesa determina a obrigatoriedade de se observar a ordem natural do processo, de modo que a defesa de manifeste sempre em último lugar, e da participação do sujeito passivo na realização das perícias e diligências. Argumenta ainda que a fiscalização não promoveu a correta análise da documentação acostada aos autos, pois se assim o tivesse feito teria lido na peça impugnatória que há uma folha analítica por obra realizada, que compõem um resumo com todas as obras realizadas. Fl. 1200DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 12 Repete que: o resumo analítico acostado aos autos descreve todas as verbas sujeitas à incidência das contribuições previdenciárias e seu respectivo cálculo, o resumo da folha é o somatório das verbas pagas aos trabalhadores e descreve todas as contribuições dos montantes pagos, os valores descritos no resumo das folhas são escriturados no Livro Razão e lançados em GFIP. Alega que o servidor fiscal não teve o trabalho de fazer a análise individual dos 52 processos, que agiu em desacordo com a verdade material, não a buscando, e analisando incorretamente os documentos que lhe foram apresentados. Conduziu o procedimento de diligência sem a ciência e participação da impugnante, impediu o acesso da impugnante ao procedimento impossibilitando que demonstrasse que possui controles que possibilitam a identificação das verbas pagas aos trabalhadores por obra, e que ao afirmar que os documentos acostados ao processo não demonstram as verbas previdenciárias e valores pagos por obra sem a ciência e participação da impugnante feriu também o princípio da acessibilidade aos elementos do expediente, da ampla instrução probatória, e determinações da Lei nº 9.784/1999. Enfim, alega a impugnante que na sua conclusão a fiscalização comete outro equívoco, pois arvorouse na atribuição de julgador ao decidir pela manutenção integral dos autos de infração, quando não fez o que lhe foi determinado, ou seja, analisar os 52 processos. Agindo em desconformidade com o Processo Administrativo Fiscal eivou de nulidade todo o procedimento, pois cerceou o direito do contribuinte em produzir provas, esclarecer dúvidas, e eventualmente oferecer outros elementos probantes. Requer ao final a nulidade das conclusões realizadas no curso do procedimento administrativo de diligência por cerceamento do seu direito de defesa, o retorno dos autos à DRF para realizar nova diligência, desta vez com a participação da impugnante, e que a DRJ acate esses pedidos em observância aos princípios que regem o procedimento administrativo, possibilitando à impugnante demonstrar que a aferição indireta foi prematura e incorreta. Enfim, o processo retornou a esta DRJ para julgamento. Foi dado ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. O processo foi encaminhado para a PGFN em 06/05/2013. Em 05/08/2013 o contribuinte protocolizou recurso voluntário. Fl. 1201DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 8 13 Em setembro de 2013, o processo retornou para a fase administrativa para apreciação do recurso. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · A forma de intimação foi alterada de meio papel para digital sem ciência e anuência prévia do contribuinte. · Não se comprovou a afetiva intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · O processo foi indevidamente encaminhado para inscrição em dívida ativa. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. · Requer o cancelamento da inscrição em dívida ativa e retorno ao trâmite administrativo. O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico – DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. – Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/0000108 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. – De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC. – Considerandose na fl. 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl.1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na fl.1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013. Fl. 1202DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 14 É o relatório. Fl. 1203DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH Processo nº 10932.000192/200933 Acórdão n.º 2201002.964 S2C2T1 Fl. 9 15 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso foi interposto intempestivamente, o que impede a sua admissibilidade. Em diligência ficou comprovado que a recorrente realizou a opção pelo DTE. Foi dada ciência do resultado do julgamento por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal, sendo a disponibilização em 29/11/2012 e considerada a data da ciência por decurso de prazo em 14/12/2012. A abertura dos arquivos correspondentes ocorreu em 01/03/2013. O recurso voluntário foi protocolizado junto à Receita Federal em 05/08/2013. O prazo legal para interposição de recurso é de 30 (trinta) dias. O intervalo de tempo entre a ciência por decurso de prazo da decisão de primeira instância (14/12/2012) e a interposição do recurso (05/08/2013) em muito extrapolou o prazo legal. CONCLUSÃO Voto pelo NÃO CONHECIMENTO DO RECURSO, em decorrência da sua intempestividade. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1204DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH 16 Fl. 1205DF CARF MF Impresso em 27/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 0 7/04/2016 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 08/04/2016 por EDUARDO TADEU F ARAH
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