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Numero do processo: 13312.000312/2007-26
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jun 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2202-000.543
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa.
(Assinado digitalmente)
Pedro Paulo Pereira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Rafael Pandolfo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo.
Relatório
1 Procedimento de Fiscalização
Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras para o ano-calendário 2002, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido ano-calendário (fl.09).
O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 17/04/06, requisitando a apresentação de: i) extratos bancários de suas contas corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período de 2002; ii) informação quanto a efetuação de transferências de recursos para/do exterior, o período referido, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior e a destinação da transferência. (fl.08). Ante sua inércia, foi reintimado, em 12/06/06, em 20/07/06,e em 23/08/06.
Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A, ao argumento de que a hipótese enquadra-se no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.20-22)
Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26-106).
Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.31-37) a apresentar: i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.103-0, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta corrente n.º 5.103-9, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A. (fls.115-117). Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07.
2 Notificação do Lançamento
Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129-137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Considerando o período apurado, estabeleceu-se a quantia R$ 1.342.853,87 a título de valor tributável, e que deveria ser aplicada multa ao patamar de 75%. Ao valor apurado como infração, definiu-se a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto apurado o valor de R$ 364.207,91.
O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03.
O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07.
A autoridade administrativa lavrou, em 27/06/07, termo de constatação fiscal, pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação do valor de R$ 30.000,00 (no mês de setembro) e de R$ 11.800,00 (no mês de novembro). Diante de tal constatação, solicitou o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. (fl.140).
3 Impugnação
Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.143-162) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos:
a) a utilização das informações sigilosas, dados bancários, é expressamente vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96;
b) não cumpriu com a solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a permitir à Receita Federal a utilização de informação da CPMF a partir da sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão sigilo de dados hospeda a espécie de sigilo bancário;
c) a autoridade administrativa confessa e admite que o Mandado de Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificação dos contribuintes da CPMF;
d) o legislador explicitou, na parte final do art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma expressa proibitiva a que estariam submetidas às autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos;
e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF;
f) ao desrespeitar o art. 11 da Lei n.º 9.311/96, a autoridade fiscal agiu sem a competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder;
g) a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 1º da Lei n.º 10.174/01 ao caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório foi irregularmente instaurado;
h) a afronta ao art. 8º, I, do Pacto de San José da Costa Rica na hipótese de emprestar efeito retrooperante ao art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o referido tratado internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade;
i) o sigilo bancário encontra respaldo no art. 5º, X, e XII, da Constituição, na medida em que deve ser considerado como sendo uma das projeções específicas do direito à intimidade;
j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º, X e XII, da Constituição;
k) a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base, exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR;
l) a inexistência de dolo ou culpa que justifique a cobrança de multa de 75%, uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio.
Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166-210)
4 Acórdão de Impugnação
O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, (fls.215-234) rejeitando a preliminar e, no mérito, julgando improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes:
a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal;
b) a inexistência de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01;
c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de fiscalização e em abuso de poder;
d) o lançamento foi levado a feito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto de Infração cumpriu todas as formalidades estabelecidas no art. 142 do CTN, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72;
e) a inocorrência de quebra do sigilo bancário, uma vez que a entrega dos extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF, não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário;
f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregou-os à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos bancários, verificou falta de alguns e os requereu por RMF com a finalidade de complementação das informações;
g) as informações prestadas pelas instituições financeiras sobre o recolhimento da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário;
h) a ocorrência da hipótese prevista no inciso XI, do art. 3º do Decreto n.º 3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários;
i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de um direito individual, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição, uma vez que os extratos bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto n.º 3.724/01;
j) a ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos aplicados nos depósitos bancários que embasaram o indício de existência de omissão de rendimentos;
k) a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento;
l) a ausência de correlação entre os recibos que demonstram que o recorrente adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó cerifico.
5 Recurso Voluntário
Notificado da decisão em 18/04/2012, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243-260) em 16/05/2012, repisando os argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes:
a) os valores constatados em sua conta corrente são quantias destinadas ao extrativismo vegetal, cera de carnaúba e palha, que advém de valores negociados com trabalhadores rurais, sendo tais valores repassados de forma antecipada pela fábrica de beneficiamento para que lhe seja assegurado a entrega do pó de carnaúba e palha, não perfazendo qualquer aferimento de renda;
b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para sua instituição, considerar os depósitos como rendimento baseado em simples presunção é transferir de forma integral o encargo probatório para o contribuinte, sendo que, para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida;
c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie;
É o relatório.
Nome do relator: RAFAEL PANDOLFO
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O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 17/04/06, requisitando a apresentação de: i) extratos bancários de suas contas corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período de 2002; ii) informação quanto a efetuação de transferências de recursos para/do exterior, o período referido, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior e a destinação da transferência. (fl.08). Ante sua inércia, foi reintimado, em 12/06/06, em 20/07/06,e em 23/08/06. Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A, ao argumento de que a hipótese enquadra-se no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.20-22) Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26-106). Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.31-37) a apresentar: i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.103-0, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta corrente n.º 5.103-9, agência n.º 2087-7, do Banco do Brasil S/A. (fls.115-117). Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07. 2 Notificação do Lançamento Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129-137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Considerando o período apurado, estabeleceu-se a quantia R$ 1.342.853,87 a título de valor tributável, e que deveria ser aplicada multa ao patamar de 75%. Ao valor apurado como infração, definiu-se a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto apurado o valor de R$ 364.207,91. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03. O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07. A autoridade administrativa lavrou, em 27/06/07, termo de constatação fiscal, pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação do valor de R$ 30.000,00 (no mês de setembro) e de R$ 11.800,00 (no mês de novembro). Diante de tal constatação, solicitou o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. (fl.140). 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.143-162) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a utilização das informações sigilosas, dados bancários, é expressamente vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96; b) não cumpriu com a solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a permitir à Receita Federal a utilização de informação da CPMF a partir da sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão sigilo de dados hospeda a espécie de sigilo bancário; c) a autoridade administrativa confessa e admite que o Mandado de Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificação dos contribuintes da CPMF; d) o legislador explicitou, na parte final do art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma expressa proibitiva a que estariam submetidas às autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos; e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF; f) ao desrespeitar o art. 11 da Lei n.º 9.311/96, a autoridade fiscal agiu sem a competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder; g) a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 1º da Lei n.º 10.174/01 ao caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório foi irregularmente instaurado; h) a afronta ao art. 8º, I, do Pacto de San José da Costa Rica na hipótese de emprestar efeito retrooperante ao art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o referido tratado internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade; i) o sigilo bancário encontra respaldo no art. 5º, X, e XII, da Constituição, na medida em que deve ser considerado como sendo uma das projeções específicas do direito à intimidade; j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º, X e XII, da Constituição; k) a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base, exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR; l) a inexistência de dolo ou culpa que justifique a cobrança de multa de 75%, uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio. Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166-210) 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, (fls.215-234) rejeitando a preliminar e, no mérito, julgando improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes: a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitar-se à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal; b) a inexistência de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01; c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de fiscalização e em abuso de poder; d) o lançamento foi levado a feito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto de Infração cumpriu todas as formalidades estabelecidas no art. 142 do CTN, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72; e) a inocorrência de quebra do sigilo bancário, uma vez que a entrega dos extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF, não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário; f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregou-os à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos bancários, verificou falta de alguns e os requereu por RMF com a finalidade de complementação das informações; g) as informações prestadas pelas instituições financeiras sobre o recolhimento da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário; h) a ocorrência da hipótese prevista no inciso XI, do art. 3º do Decreto n.º 3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários; i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de um direito individual, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição, uma vez que os extratos bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto n.º 3.724/01; j) a ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos aplicados nos depósitos bancários que embasaram o indício de existência de omissão de rendimentos; k) a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; l) a ausência de correlação entre os recibos que demonstram que o recorrente adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó cerifico. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/04/2012, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243-260) em 16/05/2012, repisando os argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes: a) os valores constatados em sua conta corrente são quantias destinadas ao extrativismo vegetal, cera de carnaúba e palha, que advém de valores negociados com trabalhadores rurais, sendo tais valores repassados de forma antecipada pela fábrica de beneficiamento para que lhe seja assegurado a entrega do pó de carnaúba e palha, não perfazendo qualquer aferimento de renda; b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para sua instituição, considerar os depósitos como rendimento baseado em simples presunção é transferir de forma integral o encargo probatório para o contribuinte, sendo que, para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie; É o relatório.
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Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, sobrestar o julgamento do processo, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012. Vencido o Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa. (Assinado digitalmente) Pedro Paulo Pereira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Pedro Anan Junior, Camilo Balbi, Guilherme Barranco de Souza, Antonio Lopo Martinez e Rafael Pandolfo. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 33 12 .0 00 31 2/ 20 07 -2 6 Fl. 264DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 265 2 Relatório 1 Procedimento de Fiscalização Após verificar a incompatibilidade entre os rendimentos declarados pelo recorrente e os registros de transações bancárias exercidas em suas contas — dados obtidos através de DCPMF entregue pelas instituições financeiras — para o anocalendário 2002, a Fazenda Nacional decidiu iniciar procedimento de verificação em relação ao IRPF do referido anocalendário (fl.09). O recorrente foi intimado de termo de início de fiscalização, em 17/04/06, requisitando a apresentação de: i) extratos bancários de suas contas corrente e de aplicações financeiras, cadernetas de poupança, de todas as contas mantidas por ele, cônjuge e seus dependentes junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, referente ao período de 2002; ii) informação quanto a efetuação de transferências de recursos para/do exterior, o período referido, discriminando a data, valor, beneficiário no exterior e a destinação da transferência. (fl.08). Ante sua inércia, foi reintimado, em 12/06/06, em 20/07/06,e em 23/08/06. Em resposta, requereu a prorrogação do prazo por 15 dias. (fl.19). Não havendo manifestação no prazo requerido, a autoridade administrativa solicitou a emissão de requisição de informação sobre a movimentação financeira (RMF) do recorrente ao Brasil do Brasil S/A, ao argumento de que a hipótese enquadrase no Art. 33 da Lei n.º 9.430/96 e da presença de indício de que o titular do direito é interposta pessoa do titular do fato. (fls.2022) Os históricos bancários, bem como a fotocópia de cheques, foram apresentados pelo Banco do Brasil S/A em 08/01/07. (fls.26106). Posteriormente, o recorrente foi intimado, em 21/02/07, (fls.3137) a apresentar: i) comprovação da origem dos valores (R$ 30.000,00 e R$ 11.800,00) creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta n.º 010.005.1030, agência n.º 20877, do Banco do Brasil S/A; ii) comprovação da origem dos valores creditados/depositados durante o ano de 2002, em sua conta corrente n.º 5.1039, agência n.º 20877, do Banco do Brasil S/A. (fls.115117). Ausente manifestação do recorrente, o mesmo foi reintimado em 23/07/07 e em 28/03/07. 2 Notificação do Lançamento Em 13/06/07, a autoridade administrativa lavrou lançamento de ofício (fls.129 137), embasado no argumento de que houve omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em contas de depósito bancários aos quais o recorrente, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Considerando o período apurado, estabeleceuse a quantia R$ 1.342.853,87 a título de valor tributável, e que deveria ser aplicada multa ao patamar de 75%. Ao valor apurado como infração, definiuse a quantia de R$ 1.342.853,87 como base de cálculo à qual foi aplicada alíquota de 27,5%. Disto, foi deduzida a parcela de R$ 5.076,90, restando como imposto apurado o valor de R$ 364.207,91. O total do crédito tributário constituído foi de R$ 875.956,44, incluídos Imposto de Renda da Pessoa Física, multa de 75% e juros moratórios calculados até 30/04/03. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 266 3 O contribuinte tomou ciência da notificação em 18/06/07. A autoridade administrativa lavrou, em 27/06/07, termo de constatação fiscal, pois revisando de ofício o lançamento feito constatou a ocorrência de erro de fato na alocação dos valores referentes aos meses de setembro e novembro, qual seja a duplicidade da alocação do valor de R$ 30.000,00 (no mês de setembro) e de R$ 11.800,00 (no mês de novembro). Diante de tal constatação, solicitou o cancelamento dos créditos tributários improcedentes. (fl.140). 3 Impugnação Indignado com a autuação, o recorrente apresentou impugnação (fls.143162) tempestiva, esgrimindo os seguintes argumentos: a) a utilização das informações sigilosas, dados bancários, é expressamente vedada pela norma contida no art. 11, §3º, da Lei n.º 9.311/96; b) não cumpriu com a solicitação de apresentação de extratos bancários de movimentação financeira do exercício de 1999 por entender que o procedimento fiscalizatório foi instaurado irregularmente, desde sua origem, na medida em que teve por base a utilização de informações da CPMF do exercício de 1999, pois o art. 1º da Lei n.º 10.174/01 passou a permitir à Receita Federal a utilização de informação da CPMF a partir da sua entrada em vigor, ou seja, a partir de 09/01/2001, e por entender que a expressão “sigilo de dados” hospeda a espécie de “sigilo bancário”; c) a autoridade administrativa confessa e admite que o Mandado de Procedimento Fiscal foi motivado e instaurado em razão da utilização, por parte da SRF, dos valores de movimentação financeira prestadas pelos bancos para identificação dos contribuintes da CPMF; d) o legislador explicitou, na parte final do art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma expressa proibitiva a que estariam submetidas às autoridades administrativas, no sentido de impedir a utilização das informações da CMPF em quaisquer procedimentos que tivessem por escopo a “constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições ou impostos”; e) o art. 11 da Lei n.º 9.311/96 tornar ilegal o Mandado de Procedimento Fiscal instaurado com base nas informações dos valores globais prestados em razão da CPMF; f) ao desrespeitar o art. 11 da Lei n.º 9.311/96, a autoridade fiscal agiu sem a competência fixada pelo legislador, incidindo em abuso de poder; g) a impossibilidade de aplicação retroativa do art. 1º da Lei n.º 10.174/01 ao caso, pois em nosso ordenamento jurídico persistem os princípios da irretroatividade das leis e do tempus regit actum, o que deixa claro que o Mandado de Procedimento Fiscalizatório foi irregularmente instaurado; h) a afronta ao art. 8º, I, do Pacto de San José da Costa Rica na hipótese de emprestar efeito retrooperante ao art. 11 da Lei n.º 9.311/96, uma vez que o referido tratado internacional, retificado pelo Brasil, estabelece a salvaguarda do princípio da irretroatividade; Fl. 266DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 267 4 i) o sigilo bancário encontra respaldo no art. 5º, X, e XII, da Constituição, na medida em que deve ser considerado como sendo uma das “projeções específicas do direito à intimidade”; j) a necessidade de autorização judicial para quebra de sigilo bancário, uma vez que a quebra do sigilo bancário por decisão exclusiva da administração, independente de autorização judicial, não se coaduna com os arts. 2º e 60, §4º, III, c/c o art. 68, e com o art. 5º, X e XII, da Constituição; k) a ilegitimidade do lançamento do imposto de renda com base, exclusivamente, em estratos bancários, conforme a Súmula n.º 182 do TFR; l) a inexistência de dolo ou culpa que justifique a cobrança de multa de 75%, uma vez comprovado que não houve acréscimo de patrimônio. Anexos à impugnação, foram juntados recibos de compra e venda. (fls.166210) 4 Acórdão de Impugnação O lançamento foi julgado procedente pela 1ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade, (fls.215234) rejeitando a preliminar e, no mérito, julgando improcedente a impugnação. Os fundamentos foram os seguintes: a autoridade administrativa, por força de sua subordinação ao poder vinculado ou regrado, deve limitarse à aplicação da lei, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da legalidade ou constitucionalidade da norma legal; b) a inexistência de decisão do STF acerca da inconstitucionalidade da Lei Complementar n.º 105/01; c) com a publicação da Lei n.º 10.174/01 a autoridade fiscal pode utilizar dados da CPMF para instaurar procedimento de fiscalização para verificar a regularidade quanto ao recolhimento de IRPF, podendo, inclusive, verificar a regularidade quanto aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 2001, não havendo falar no caso em ilegalidade no procedimento de fiscalização e em abuso de poder; d) o lançamento foi levado a feito por autoridade competente e dado ao contribuinte o direito de defesa, no momento da apresentação de sua impugnação, e que o Auto de Infração cumpriu todas as formalidades estabelecidas no art. 142 do CTN, estando em perfeito acordo com as exigências previstas no art. 10 do Decreto n.º 70.235/72; e) a inocorrência de quebra do sigilo bancário, uma vez que a entrega dos extratos bancários pela instituição financeira, em atendimento à solicitação por meio de RMF, não configura quebrado do sigilo bancário, pois o agente fiscal tem o dever legal da guarda do sigilo fiscal que engloba o sigilo bancário; f) o contribuinte, ao ser intimado a apresentar os extratos bancários, entregouos à fiscalização, em atendimento à solicitação, sendo que a fiscalização, na análise dos extratos bancários, verificou falta de alguns e os requereu por RMF com a finalidade de complementação das informações; Fl. 267DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 268 5 g) as informações prestadas pelas instituições financeiras sobre o recolhimento da CPMF em nome do recorrente e, consequentemente, sobre sua movimentação financeira, e as informações prestadas nos termos e condições estabelecidas nos arts. 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º da Lei Complementar n.º 105/01, não constituem violação do sigilo bancário; h) a ocorrência da hipótese prevista no inciso XI, do art. 3º do Decreto n.º 3.724/01 que torna indispensável a utilização dos extratos bancários; i) não há falar em provas ilícitas por quebra de sigilo bancário e por violação de um direito individual, nos termos do art. 5º, XII, da Constituição, uma vez que os extratos bancários foram solicitados nos termos do art. 6º da Lei Complementar n.º 105/01 e do Decreto n.º 3.724/01; j) a ausência de comprovação, pelo contribuinte, da origem dos recursos aplicados nos depósitos bancários que embasaram o indício de existência de omissão de rendimentos; k) a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento; l) a ausência de correlação entre os recibos que demonstram que o recorrente adquiriu pó cerifico e os depósitos com recursos de terceiros, depositados para aquisição de pó cerifico. 5 Recurso Voluntário Notificado da decisão em 18/04/2012, o recorrente, não satisfeito com o resultado do julgamento, interpôs recurso voluntário (fls.243260) em 16/05/2012, repisando os argumentos da impugnação, acrescentando os seguintes: a) os valores constatados em sua conta corrente são quantias destinadas ao extrativismo vegetal, cera de carnaúba e palha, que advém de valores negociados com trabalhadores rurais, sendo tais valores repassados de forma antecipada pela fábrica de beneficiamento para que lhe seja assegurado a entrega do pó de carnaúba e palha, não perfazendo qualquer aferimento de renda; b) se os depósitos representam o marco inicial da investigação, eles não podem sustentar uma presunção legal, posto que além da ausência da correlação natural exigida para sua instituição, considerar os depósitos como rendimento baseado em simples presunção é transferir de forma integral o encargo probatório para o contribuinte, sendo que, para uma pessoa física, quase sempre, no rigor exigido pelo Fisco, essa prova não poderá ser produzida; c) conforme o Art. 42 da Lei n.º 9.430/96, o depósito bancário não constitui fato gerador do imposto de renda, não se prestando, portanto a ensejar o lançamento da espécie; É o relatório. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 269 6 Voto Conselheiro Rafael Pandolfo Trata o presente caso de lançamento baseado em omissão de rendimentos baseado em depósitos bancários de origem não comprovada. Para alcançar seu desiderato, o Fisco expediu Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) (fls.2223) diante da não apresentação dos documentos pela recorrente. O Fisco utilizouse, ainda, registros de arrecadação de CPMF para apurar os valores movimentados nas contas bancárias em nome da mesma, e este foi um dos motivos que levaram à iniciação do procedimento fiscal. A constitucionalidade das prerrogativas estendidas à autoridade fiscal através de instrumentos infraconstitucionais obtenção de informações junto às instituições por meio de RMF, bem como a utilização de registros de movimentação financeira baseados em dados de arrecadação de CPMF está sendo analisada pelo STF no âmbito do Recurso Extraordinário nº 601.314, que tramita em regime de repercussão geral, reconhecida em 22/10/09, conforme ementa abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL Conforme disposto no § 1º do art. 62A da Portaria MF nº 256/09, devem ficar sobrestados os julgamentos dos recursos que versarem sobre matéria cuja repercussão geral tenha sido admitida pelo STF. O dispositivo há pouco referido vai ao encontro da segurança jurídica, da estabilidade e da eficiência, pois ao tempo em que assegura a coerência do ordenamento, confere utilidade à atividade judicante exercida no âmbito do CARF. Assim, reconhecida, pelo STF, a relevância constitucional de tema prejudicial à validade do procedimento utilizado na constituição do crédito tributário, deve ser sobrestado o julgamento do recurso no CARF. Não se desconhece a decisão Plenária do STF no âmbito do RE nº 389.808, que acolheu o recurso extraordinário interposto pelos contribuintes. O Recurso foi pautado pelo Ministro Marco Aurélio (i) poucos dias antes da publicação da Emenda Regimental nº 42, do RISTF, que determina que todos os recursos relacionados ao tema do caso admitido como paradigma, em repercussão geral, devam ser distribuídos ao respectivo Relator, e (ii) quase um ano após o reconhecimento da repercussão geral no RE 601.314, o que gerou confusão quanto à mecânica processual de julgamento dos recursos extraordinários anteriores à Emenda Constitucional nº 45/04. Uma leitura atenta do acórdão revela que o julgamento, inicialmente adstrito à reanálise da medida cautelar requerida pela parte recorrente, desbordou para enfrentamento do mérito a partir da contrariedade manifestada pela Min. Ellen Gracie centrada, sobretudo, na ausência do Min. Joaquim Barbosa e sua consequência à apuração do quorum de votação. A atipicidade do caso, entretanto, não indica posicionamento da Corte afastando as consequências imediatas da repercussão geral, como o sobrestamento dos processos que veiculam o tema da violação de sigilo pela Fazenda. Fl. 269DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 270 7 O fato é que, com exceção do inusitado julgamento ocorrido no âmbito do RE 389.808, o posicionamento do STF tem sido uníssono no sentido de sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários que veiculam a mesma matéria objeto do Recurso Extraordinário nº 601.314. As decisões abaixo transcritas são elucidativas: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente(RE 488993, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 09/02/2011, publicado em DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) DECISÃO REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. Ministro MARCO AURÉLIO Relator(AI 691349 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 04/10/2011, publicado em DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01. CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei Fl. 270DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 271 8 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator Documento assinado digitalmente(RE 602945, Relator(a): Min. LUIZ FUX, julgado em 01/08/2011, publicado em DJe158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. Ministro CELSO DE MELLO Relator (RE 479841, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, julgado em 21/05/2010, publicado em DJe 100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Vistos. Verifico que a discussão acerca da violação, ou não, aos princípios constitucionais que asseguram ser invioláveis a intimidade e o sigilo de dados, previstos no art. 5º, X e XII, da Constituição, quando o Fisco, nos termos da Lei Complementar 105/2001, recebe diretamente das instituições financeiras informações sobre a movimentação das contas bancárias dos contribuintes, sem prévia Fl. 271DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO Processo nº 13312.000312/200726 Resolução nº 2202000.543 S2C2T2 Fl. 272 9 autorização judicial teve sua repercussão geral reconhecida no RE nº 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Dessa forma, dados os reflexos da decisão a ser proferida no referido recurso, no deslinde do caso concreto, determino o sobrestamento do presento feito, até o julgamento do citado RE nº 601.314/SP. Publiquese. Brasília, 13 de junho de 2012. Ministro Dias Toffoli Relator Documento assinado digitalmente (RE 410054 AgR, Relator(a): Min. DIAS TOFFOLI, julgado em 13/06/2012, publicado em DJe120 DIVULG 19/06/2012 PUBLIC 20/06/2012) Sendo assim, tenho como inquestionável o enquadramento do presente caso ao art. 26A, §1º, da Portaria 256/09, ratificado pelas decisões acima transcritas, que retratam o quadro descrito pela Portaria nº1, de 03 de janeiro de 2012 (art. 1º, Parágrafo Único). Nesses termos, considerando tratarse de matéria de ofício, ainda que perempto o recurso voluntário, voto para que seja sobrestado o presente recurso, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 601.314, pelo STF. (Assinado digitalmente) Rafael Pandolfo Rafael Pandolfo Relator Fl. 272DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO, Assinado digitalmente em 07/10/2013 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 26/09/2013 por RAFAEL PANDOLFO
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Numero do processo: 10768.003366/99-35
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 11 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Exercício: 1994, 1995
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado ou depósito judicial da integralidade do tributo.
DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CÔMPUTO DE JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO SUMULAR Nº 05-CARF
A correção monetária e os juros de mora não são devidos quando ocorrer depósito integral do tributo questionado. Enunciado da Súmula nº 05 - CARF: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 1801-001.607
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do lançamento tributário com referência ao fato gerador ocorrido em junho de 1993 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira-Relatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Roberto Massao Chinen que negava provimento quanto ao mérito do litígio. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Marcos Vinícius Barros Ottoni Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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TERMO INICIAL. Em se tratando de consectário do tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador se existir pagamento antecipado ou depósito judicial da integralidade do tributo. DEPÓSITO INTEGRAL DO TRIBUTO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. CÔMPUTO DE JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE. ENUNCIADO SUMULAR Nº 05CARF A correção monetária e os juros de mora não são devidos quando ocorrer depósito integral do tributo questionado. Enunciado da Súmula nº 05 CARF: “São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, reconhecer a decadência do lançamento tributário com referência ao fato gerador ocorrido em junho de 1993 e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a ConselheiraRelatora Carmen Ferreira Saraiva que negava provimento ao recurso. Vencido o Conselheiro Roberto Massao Chinen que negava provimento quanto ao mérito do litígio. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 33 66 /9 9- 35 Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.790 2 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 187199 com a exigência do crédito tributário no valor de R$217.707,31 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) Repique, juros de mora e multa de ofício proporcional relativamente aos fatos geradores ocorridos em 30.06.1993 e 28.02.1994. A Recorrente ajuizou Medida Cautelar nº 88.00288472 junto à 21ª Vara da Justiça Federal/RJ objetivando a suspensão, mediante depósito judicial, da exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS, nos termos do DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988 e do DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988. Na Ação Ordinária nº 89.00191632 principal foi declarada a inconstitucionalidade do DecretoLei nº 2.445, de 1988 e do DecretoLei nº 2.449, de 1988 e determinou que o PIS fosse recolhido na forma da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. Tendo e vista o trânsito em julgado da ação judicial junto ao STF, mediante o RE nº 157.9811/RJ, houve levantamento dos depósitos judiciais em favor da Recorrente no valor de R$293.936,22 em 30.01.1995, ou seja, 434.367,10 UFIR. Vale esclarecer que os valores dos depósitos atualizados com índices legais referente ao período de 01.01.1988 a 28.02.1994 totalizam R$363.949,33 restando uma diferença a converter de R$70.013,11. Feita a imputação em pagamento dessa diferença restaram insuficiências de pagamentos de PIS Repique pela falta de incidência de juros de mora, fls. 69168. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970 e itens I e II da alínea “b” da Seção 1 do Capítulo 1 do Título 5 do Regulamento do PIS/Pasep, aprovado pela Portaria MF nº 142, de 15 de julho de 1982. Cientificada em 25.02.1999, fl. 187, a Recorrente apresenta a impugnação em 29.03.1999, fls. 203223, com as alegações abaixo sintetizadas. Em relação à possibilidade jurídica de lavratura do Auto de Infração, tece considerações sobre tramitação da ação judicial, esclarecendo que depois do trânsito em julgado houve provimento favorável. Esclarece que o lançamento carece de base legal, porque referese à incidência de juros de mora sobre levantamento dos depósitos judiciais. Defende a tese de que não há mais que se discutir sobre a matéria, uma vez que “quando foi instada a se Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.791 3 manifestar a respeito, a Fazenda Nacional manifestou expressamente sua concordância com o referido levantamento”. Daí a ilegalidade flagrante do Auto de Infração ora impugnado”. Suscita que A autoridade fiscal não reconhece que a questão em torno dos recolhimentos da contribuição para o PIS foi transferida para o Judiciário a partir do momento em que foi proposta a ação e realizados os depósitos, não cabendo à administração discutir a decisão judicial fora do devido processo. Apenas quanto ao valor dos depósitos realizados ou à abrangência ou não de determinado período ou parcela no pedido da ação poderiam ensejar uma verificação fiscal. [...] Ora, acolhida a pretensão da autoridade fiscal de absolutamente nada serviria a realização de um pagamento no curso de uma ação judicial, pois a qualquer momento o credor poderia discutir os valores apurados, a metodologia do cálculo, e o que mais lhe conviesse, de modo que, ao invés do que pretende a função jurisdicional e o principio da segurança jurídica, nunca haveria a integral liberação do devedor. [...] Percebese, portanto, que o Poder Executivo não pode, de forma alguma, desrespeitar decisões judiciais. Afinal, o principio do controle de legalidade dos atos administrativos por parte do Poder Judiciário é parte essencial do Estado Democrático de Direito. [...] Ao revés, a Autoridade Fiscal responsável pela lavratura do Auto de Infração ora impugnado preferiu ignorar completamente a decisão judicial que extinguiu o processo relativo ao PIS, lavrando uma autuação alegando o não pagamento de multa moratória relativa a um crédito tributário que já foi extinto. Atinente aos juros moratórios sobre o montante que foi depositado judicialmente, procura demonstrar a sua não incidência. Argui que [O lançamento referese à parcela] do valor depositado levantado pela Impugnante [que] deveria ter sido convertido em renda da União Federal, pois correspondia aos juros moratórios incidentes sobre o crédito tributário remanescente, ou seja aquela parcela da Contribuição Para o PIS que era devida segundo o regime da Lei Complementar n° 7/70 cuja eficácia dentro da ordem constitucional de 1988 foi confirmada pelo Supremo Tribunal Federal (RE n° 148.7542). Ocorre, entretanto, que no período em que teriam incidido os referidos juros moratórios, os valores do crédito tributário encontravamse depositados judicialmente. [...] Ora, considerandose que o referido crédito tributário encontravase suspenso, não há que se falar na incidência de juros moratórios. Estes somente incidem a partir do momento em que o crédito encontrase constituído e vencido. Em resumo, constituem obrigação acessória que é cobrada do contribuinte inadimplente, jamais daquele que questiona judicialmente a cobrança mas ao mesmo tempo toma a precaução de garantir o juízo para a eventualidade de que seus argumentos não sejam acolhidos pelo Poder Judiciário. [...] Diante da atitude da Autoridade Fiscal, no caso em tela, somente nos resta reiterar o óbvio: o depósito judicial é feito em instituição financeira oficial, administrada diretamente ou credenciada pelo Poder Público para a administração dos recursos depositados em Juízo, que na hipótese é a Caixa Econômica Federal. A Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.792 4 Impugnante não teve, até o levantamento do depósito, qualquer disponibilidade sobre esses valores. Logo, não pode ser responsabilizada pela atualização dos mesmos. Isso compete à Caixa Econômica Federal ou, em última análise, ao próprio Poder Público. [...] Não há, portanto, o que ser exigido da Impugnante visto que é inegável a suspensão da exigibilidade operada pelo depósito integral do crédito tributário. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, a Impugnante requer que o auto de infração impugnado seja anulado, uma vez que o crédito tributário objeto da autuação já foi extinto, como conseqüência de decisão proferida em processo judicial e, sobre este, em nenhum momento incidiu qualquer acréscimo moratório, pois sua exigibilidade foi suspensa pelo depósito integral nos termos do artigo 151 do CTN. Nesses Termos, Pede Deferimento. Houve conversão do julgamento na realização de diligência, em conformidade com a Resolução da 4ª TURMA/DRJ/RJO II/RJ nº 063, de 07.12.2004, fls. 23352341 9. Sendo assim, fazse necessária a restituição do presente processo DIFIS/DEINF/RJO, para que o fiscal autuante ou quem for designado para cumprimento da presente diligência: 9.1 Em vista da observação constante do subitem "8.1", informe qual o valor correto, em cruzados novos, do PISRepique devido referente ao período base 1988. Caso entenda que o correto seja o informado na referida planilha (NCz$150,72), demonstre como foi efetuada a conversão, informando a fundamentação legal; 9.2 Diligencie junto C.E.F. para que essa informe quais seriam os coeficientes por ela utilizados para atualização, até 31/01/1995, de depósitos judiciais efetuados nas seguintes datas: 28/04/1989, 31/05/1990, 31/05/1991, 30/04/1992, 31/07/1992, 30/07/1993 e 30/03/1994. Deve também por ela ser informado quais são índices de atualização que compõem esses coeficientes. Os fatores de atualização foram informado pela CEF, fls. 23532362 e houve a lavratura do Termo de Diligência, fls. 23632366 do qual a Recorrente foi intimada em 18.05.2005, fl. 2369 e permaneceu silente. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO II/RJ nº 11.167, de 28.12.2005, fls. 23732387: “Lançamento Procedente”. Restou ementado Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1993 a 30/06/1993, 01/02/1994 a 28/02/1994 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.793 5 A falta ou insuficiência de recolhimento do PIS, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os devidos acréscimos legais. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. EXTINÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. LIMITE. MONTANTE CONVERTIDO. A conversão em renda da União de valores depositados judicialmente extingue o crédito tributário até montante do valor convertido, devendo eventuais diferenças apuradas ser objeto de lançamento de oficio. Notificada em 24.03.2006 (sextafeira), fl. 2397, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 25.04.2006, fls. 2399, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge e reitera os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta que o fato gerador ocorrido em junho de 1993 foi alcançado pela decadência, nos termos do § 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional e não tem aplicação o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991. Conclui Ante o exposto, a Recorrente requer o conhecimento do presente Recurso com a conseqüente reforma da decisão ora recorrida, para que seja reconhecida a decadência parcial da autuação ora combatida, e/ou a preclusão do seu direito de exigir qualquer acréscimo aos montantes homologados pelo Poder Judiciário, e/ou, ao menos, o reconhecimento do descabimento dos juros sobre valores depositados. Termos em que, p. deferimento. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Leandro Cabral e Silva, OAB/SP nº 234.687. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.794 6 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. O Auto de Infração foi lavrado por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente argui que o lançamento relativo ao fato gerador ocorrido em 30.06.1993 foi alcançado pela decadência. Compete examinar a objeção de decadência por ser matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o Recorrente efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.795 7 Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC2, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributo sujeito a lançamento por homologação, o termo de início da contagem do prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador, no caso em que houver pagamento antecipado. A Recorrente instrui os autos com cópias dos pagamentos efetuados em 21.06.1993 e 20.07.1993, fls. 2787 e 2788, código 3885 de PIS Receita Operacional. Por seu turno, o código de PIS Repique objeto do lançamento é 8205. Temse que a natureza jurídica específica do tributo é determinada pelo fato gerador da respectiva obrigação, sendo irrelevantes para qualificála a denominação e demais características formais adotadas pela lei, bem como a destinação legal do produto da sua arrecadação (art. 4º do Código Tributário Nacional). Temse que à época essas contribuições tinham fatos geradores distintos, a saber: (a) o PIS Receita Operacional, código 3885, era calculado pelas instituições financeiras à alíquota incidente sobre do valor do faturamento (alíneas “a” e “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970); (b) o PIS Repique, código 8205, era calculado pelas instituições financeiras à alíquota incidente sobre o valor do IRPJ devido (§2º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970). A Recorrente foi cientificada em 25.02.1999, fl. 187, da exigência atinente ao fato gerador ocorrido em 30.06.1993, de modo que se não verificou o transcurso do prazo legal de caducidade, cujo termo inicial regese pelo inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, uma vez que não se comprovou o pagamento antecipado de PIS Repique. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente diz que optou pela via judicial e por essa razão a matéria não pode ser objeto de procedimento administrativo. A garantia da inafastabilidade da jurisdição prevê que a lei não pode excluir lesão ou ameaça a direito da apreciação da do Poder Judiciário, como também não pode prejudicar a coisa julgada, entendida como a imutabilidade dos efeitos da decisão judicial 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 3 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.796 8 decorrente do esgotamento dos recursos eventualmente cabíveis. Nesse sentido, a decisão definitiva exarada em processo administrativo fiscal não tem força de coisa julgada, dada a sua suscetibilidade de revisão pelo Poder Judiciário. Por esta razão, importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial4. Na Medida Cautelar nº 88.00288472, ajuizada como preparatória da Ação Ordinária nº 89.00191632, fl. 69168, a Recorrente requer a autorização para que que, a cada mês, a partir desta Medida Cautelar, possa depositar até o julgamento final da Ação Declaratória que ,será tempestivamente ajuizada e distribuída a este M.M. Juízo por dependência, visando a obtenção de julgamento que declare a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento do PIS, consoante os DecretosLeis nºs. 2.445/88 e 2.449/88, os valores mensais de PIS apurados com base na ROB, segundo o critério estabelecido, naqueles diplomas legais. Na sentença proferida na Medida Cautelar nº 88.00288472, fls. 365369, restou esclarecido: Ora, como a requerente provou a existência dos requisitos básicos indispensáveis a concessão da medida —o receio do dano e o direito a tutela do processo com vistas a evitar o risco do recolhimento do PIS a re com base na receita operacional bruta a alíquota de 0,65% nos termos dos Decretosleis 2445/88 e 2449/88 é de se conceder a tutela instrumental e provisória. Isto posto, julgo procedente o pedido [...]. No Recurso Extraordinário nº 1579811/RJ, o Supremo Tribunal Federal o pedido da Recorrente foi acolhido “para reformando o acórdão recorrido para restabelecer o entendimento sufragado na sentença” fls. 141147. A Diretora de Secretaria da 21ª Vara Federal, Seção Judiciária do Rio de Janeiro/RJ certifica, fl. 69 A pedido da parte interessada que, nos autos da AÇÃO CAUTELAR, processo nº 88.00288472 em que são partes, como auto r PACTUAL S. A. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS e como réu a UNIÃ0 FEDERAL que o objeto da presente ação é a suspensão da exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS, calculado na forma dos DecretosLei nºs 2.445/88 e 2.449/88,mediante depósito judicial das respectivas quantias.[...]. Ainda, que nos autos da ACÃ0 ORDINÁRIA, processo nº 89.00191632, da qual esta é preparatória, foi proferido acórdão pelo E. STF, restabelecendo a sentença de 1ª instancia, para declarar a inconstitucionalidade dos DecretosLei nºs 4 Fundamentação legal: inciso XXXV e inciso XXXVI do art. 5º da Constituição Federal, art. 78 do Regimento Interno do CARF e Súmula CARF nº1. Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.797 9 2.445/88 e 2.449/88, e determinar que o PIS seja recolhido na forma da Lei Complementar no. 7/70, tudo conforme cópias que seguem em anexo. Para tanto, foram emitidos os Alvarás da 21ª Vara Federal/Seção Judiciária do Rio de Janeiro/RJ nº 010 e nº 011, ambos de 26.01.1995, fls. 131133: Alvará para levantamento em favor da. autora Pactual S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, extraído dos autos processo nº. 88.00288472 (ações cautelares), pela Pactual S/A Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários contra Fazenda Nacional [...]. Por seu turno na Descrição dos Fatos do Auto de Infração objeto de litígio e regularmente cientificado a Recorrente, fls. 187199, está registrado: Em 30.01.95 ,através de alvará judicial, f1s. 83, a autora converteu em renda o valor de R$293.936,22,correspondente a 434.367,10 Ufir (ufir 30.01.95=0,6767) [...]. Conforme demonstrativo de conversão em renda Pis Repique, fls.96 verificamos que os valores dos depósitos,atualizados pelo índices da C.E.F (Caixa Econômica Federal), das contribuições do PisRepique devido no período 1988 à 02.94, na data da conversão, totalizariam R$363.949,33,restando uma diferença a converter de R$70.013,11 (363.949,33 293.936,22). Fazendo uma imputação da diferença de conversão, quitando os débitos mais antigos, encontramos insuficiência de recolhimento dos períodos de apuração abaixo relacionados, objeto do presente lançamento de oficio. PA Contribuição Pis Repique Vencimento valor original Ufir 06.93 1.855.788.892,00 57.467,45 30.07.93 02.94 11.951.084,28 33.358,69 30.03.94 Esclarecemos que a diferença encontrada motivase pela falta de consideração dos juros de mora como preceitua o art. 988, RIR/94 (Regulamento de Imposto de Renda94) Decreto 1041/94,e § 2° do mesmo artigo que nos dita: "Os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial" (DL 1736/79, art.5°). Isto porque o índice de atualização da CEF engloba a correção monetária enquanto devida e os juros de mora compensatórios ,significando que se os valores depositados fossem devidos a conversão seria pela totalidade do valor atualizado pela CEF, não havendo quaisquer diferença a apurar. Restou demonstrado que a ação judicial ajuizada referente ao PIS Receita Operacional (DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, DecretoLei nº 2.449, de 21 de julho de 1988 e alíneas “a” e “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970) não tem o mesmo objeto do lançamento formalizado no presente processo administrativo fiscal atinente ao Pis Repique (§2º do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970), o que não importa desistência do recurso voluntário interposto. Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.798 10 Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional5. O Auto de Infração, fls. 187199, foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente procura demonstrar que não tem cabimento a incidência de juros de mora sobre os valores objeto do levantamento dos depósitos judiciais em favor da Recorrente. Temse que as instituições financeiras participarão do Programa de Integração Social (PIS) com uma contribuição ao Fundo de Participação com recursos próprios com valor equivalente à dedução de 5% (cinco pro cento) do IRPJ devido, processandose o seu recolhimento ao Fundo juntamente com o pagamento do tributo sem prejuízo do direito de utilização dos incentivos fiscais previstos na legislação em vigor6. No caso do pagamento do tributo devido, a legislação tributária determina expressamente que “a correção monetária e os juros de mora serão devidos inclusive durante o período em que a respectiva cobrança houver sido suspensa por decisão administrativa ou judicial” 7. Assim, os depósitos judiciais somente suspendem a exigibilidade caso sejam feitos oportuna e suficientemente. Sobre as diferenças verificadas entre os depósitos judiciais e os correspondentes débitos tributários incidem juros de mora. Por essa razão, não resta dúvida quanto à incidência de juros de mora sobre crédito tributário não recolhido no prazo legal, mesmo em relação aquele recolhimento que decorra de decisão judicial que suspenda sua exigibilidade. Analisando a situação fática que foi inclusive objeto de realização de diligência em sede de primeira instância de julgamento a respeito dos fatores de atualização foram informado pela Caixa Econômica Federal (CEF), fls. 23532362 e houve a lavratura do Termo de Diligência, fls. 23632366 no seguinte sentido: [...] o valor correto da conversão do PISRepique informado em OTN, fls. 96, é, com efeito, o calculado no item 8.1 da solicitação de diligência, fls.584, ou seja, OTN 145,49 x 6,17 (OTN jan/1989 ÷ 1000) x 1,0991 (BTN abr/89) = NCz$986,63. Aparentemente, o autuante se equivocou na conversão do valor em comento tendo, simplesmente, aplicado o fator de correção da BTN do mês de março de 1989 (1,0360), cabendo, também, de aplicar o fator de conversão da OTN em BTN (6,17), resultando no total devido de: 145,49 x 1,0360 = 150,72. Cabe detalhar os valores do PIS Repique devidos referente ao período de 01.01.1988 a 28.02.1994 e os montantes calculados a partir dos fatores de atualização 5 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. 6 Fundamentação legal: : art. 1º e alínea “b” do art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970. 7 Fundamentação legal: art. 5º do Decretolei nº 1.736, de 20 de dezembro de 1979. Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.799 11 utilizados pela Caixa Econômica Federal (CEF) em 31.01.1995, com o escopo de evidenciar as diferenças do tributos não recolhidas, conforme detalhado na Tabela 1. Tabela 1 – Diferenças de PIS Repique não Recolhidas Período de Apuração (A) PIS Repique Valores Devidos (B) Data do Vencimento (C) Fator de Atualização Informado pela CEF Fls. 2353 2362 (D) Valor do PIS Repique Atualizado 31.01.1995 R$ (E) Diferença do PIS Repique Não Recolhida Fl. 193 R$ (F) Diferença do PIS Repique Não Recolhida Valor Original (G) 1988 NCz$986,63 28.04.1989 0,88472337 872,89 0,00 0,00 1989 Cr$1.322.703,26 31.05.1990 0,01802031 23.835,52 0,00 0,00 1990 Cr$3.079.532,12 31.05.1991 0,00454332 13.991,30 0,00 0,00 1991 Cr$154.740.543,40 30.04.1992 0,00060383 93.436,98 0,00 0,00 1992 Cr$449.952.848,88 31.07.1992 0,00033150 149.159,37 0,00 0,00 Junho 1993 Cr$3.154.972.194,08 30.07.1993 0,00001883 59.408,13 46.767,98* Cr$2.483.694.923,67 Fevereiro 1994 Cr$17.129.351,42 30.03.1994 0,00141983 24.320,77 24.320,77** Cr$17.129.351,42 * Nota 1 – Valor calculado com base nos dados informados na DIRPJ do anocalendário de 1993, fl. 35. ** Nota 2 – Valor calculado com base nos dados informados na DIRPJ do anocalendário de 1994, fls. 37. Vale esclarecer que os montantes corretos na conversão em reais dos valores não recolhidos em 31.01.1995 constam discriminados na Tabela 1 e por essa razão não cabem reparos ao Auto de Infração, fls. 187199 e ao Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/RJO II/RJ nº 11.167, de 28.12.2005, fls. 23732387, que permanecem incólumes. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso8. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade9. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) 8 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 9 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.800 12 Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Marcos Vinícius Barros Ottoni, Redator Designado Em que pesem as muito bem fundamentadas razões adotadas pela Conselheira Relatora, tenho que o presente Recurso Voluntário deve ser conhecido e provido, pelos seguintes argumentos. Inicialmente, no que pertine a alegação de decadência dos fatos geradores ocorridos até junho de 1993, razão assiste ao contribuinte. Isto porque o Recorrente suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, sujeito a lançamento por homologação, através do tempestivo depósito judicial de sua integralidade, atraindo, para si, a aplicação do artigo 150, § 4º, do CTN. Aludido depósito judicial, com a posterior conversão em renda da Fazenda, extingue o crédito tributário, possuindo o mesmo efeito do pagamento do tributo, nos precisos termos do artigo 156, inciso VI, do CTN. Com o depósito da quantia em instituição bancária oficial, a disponibilidade tais recursos passa a ser imediata em prol da Fazenda Nacional, como se tivesse ocorrido o efetivo pagamento do crédito. Nesta situação, o prazo decadencial passa a ser contado a partir de seu fato gerador, nos termos definidos pelo Superior Tribunal de Justiça, nos auto do REsp nº 973.733/SC, julgado sob a sistemática dos Recursos Repetitivos. Assim, considerando que o contribuinte teve ciência do Auto de Infração em 25/02/1999, tenho que encontramse decaídos os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram em 30/06/1993. Outrossim, no que pertine ao mérito do presente Voluntário, tenho que melhor sorte socorre ao Recorrente. Conforme já relatado, o Contribuinte ajuizou Medida Cautelar e, posteriormente, Ação Principal, objetivando a suspensão, mediante depósito judicial, da exigibilidade do crédito tributário relativo ao PIS, nos termos do DecretoLei nº 2445/88 e do DecretoLei nº 2449/88. Ou seja, através do depósito integral do crédito tributário, sua exigibilidade restou suspensa, consoante dispõe o artigo 151, inciso II, do Código Tributário Nacional. Como consequência prática do referido depósito, não há que se falar em contagem de juros de mora ou multa moratória, nos precisos termos do Enunciado Sumular nº 05, do CARF (“São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral”). Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.801 13 Pois bem, com o julgamento definitivo das indigitadas ações, restou reconhecida a inconstitucionalidade de ambos DecretosLei questionados, ao passo em que foi definido que o PIS fosse recolhido na forma da Lei Complementar nº 07/70. Diante do provimento parcial na demanda, coube ao Fisco, com o trânsito em julgado, converter em renda o que lhe foi assegurado (recolhimento do PIS conforme a LC nº 07/70), no importe de R$70.013,11 e, quanto ao contribuinte, restou levantar o saldo remanescente em seu favor (R$293.936,22). Ocorre que, posteriormente, ignorando sua expressa concordância manifestada nos autos, e a conseqüente preclusão, alegou o Fisco ter havido insuficiência de recolhimento do PIS Repique, posto que não foram considerados supostos juros de mora para o cálculo de seu crédito. No entanto, quanto ao contribuinte, uma vez efetuado o depósito integral do crédito tributário, não incide qualquer percentual a título de multa moratória ou mesmo juros de mora, nos precisos termos da já mencionada Súmula nº05, do CARF. Por outro lado, ainda que entendesse devidos os juros de mora no presente caso (o que não seria possível face o exposto), caberia a Fazenda Nacional exigir da instituição bancaria que geriu tais recursos, a incidência dos índices que entender cabíveis. Não há como o contribuinte possuir qualquer ingerência ou mesmo responsabilidade sobre tal operação. Neste sentido é o Enunciado Sumular nº 179, do STJ, o qual assevera que “o estabelecimento de credito que recebe dinheiro, em deposito judicial, responde pelo pagamento da correção monetária relativa aos valores recolhidos.” Este entendimento também restou confirmado, de maneira específica para os juros de mora, através de diversos precedentes do Superior Tribunal de Justiça, como no REsp 221.560, em que se consignou que "os juros de mora, e a correção monetária, a partir do depósito, são pagos pela instituição financeira depositária e não pelo contribuinte." (Rel. Ministro GARCIA VIEIRA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 21/09/1999, DJ 25/10/1999) Destarte, eventual erro de cálculo de atualização monetária ou mesmo divergência na liquidação de sentença deve ser sanado nos autos do processo em que realizado o depósito. Incabível, portanto, que o Fisco venha exigir do contribuinte, pela via administrativa (como no presente lançamento), juros de mora sobre parcela depositada judicialmente, ignorando os ditames da coisa julgada, da preclusão processual, bem como o alcance do artigo 151, inciso II, do CTN. Forte em tais razões, voto por, preliminarmente, RECONHECER A DECADÊNCIA dos fatos geradores ocorridos em 30/06/1999 e, no mérito, DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte, para cancelar integralmente o presente lançamento. (assinado digitalmente) Marcos Vinícius Barros Ottoni Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10768.003366/9935 Acórdão n.º 1801001.607 S1TE01 Fl. 2.802 14 Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 09/04/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/06/2014 por MARCOS VINICIUS BARROS OTTO NI, Assinado digitalmente em 14/06/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 16045.000527/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA.
Em face da decisão contida no REsp nº 973.333-SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado.
Numero da decisão: 1102-000.939
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso.
Documento assinado digitalmente.
João Otávio Oppermann Thomé - Presidente.
Documento assinado digitalmente.
Ricardo Marozzi Gregorio - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto.
Nome do relator: RICARDO MAROZZI GREGORIO
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IRPJ. Omissão de receitas. Decadência. Exclusão do SIMPLES. Multa qualificada. Recorrente ADIMIL MENDES JUNIOR GUARATINGUETÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003 OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÕES “ZERADAS”. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação da apresentação de declarações “zeradas” combinada com a efetiva omissão de receita. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005 OMISSÃO DE RECEITA. DECLARAÇÃO SUBSTANCIALMENTE INFERIOR. PRÁTICA REITERADA. SONEGAÇÃO. MULTA QUALIFICADA. Caracteriza sonegação, com a consequente imposição da multa qualificada, a constatação de que a receita declarada é substancialmente inferior à receita omitida, mormente quando isso constitui prática reiterada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. OCORRÊNCIA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. DECADÊNCIA. Em face da decisão contida no REsp nº 973.333SC, decidido na sistemática dos recursos repetitivos, ocorrendo dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para o lançamento de ofício é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 04 5. 00 05 27 /2 00 8- 13 Fl. 2027DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.028 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer do recurso e, no mérito, negar provimento ao recurso. Documento assinado digitalmente. João Otávio Oppermann Thomé Presidente. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: João Otávio Oppermann Thomé, José Evande Carvalho Araujo, Francisco Alexandre dos Santos Linhares, Ricardo Marozzi Gregorio e João Carlos de Figueiredo Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por ADIMIL MENDES JUNIOR GUARATINGUETÁ contra acórdão proferido pela 2ª Turma da DRJ/Campinas que concluiu pela procedência dos lançamentos efetivados e do ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL, bem como pela procedência parcial dos lançamentos de IRPJ e reflexos. Os créditos tributários lançados, referentes aos tributos abrangidos na sistemática do SIMPLES FEDERAL, devidos nos períodos de apuração correspondentes ao anocalendário de 2003, totalizaram o valor de R$ 1.318.830,62. Tal autuação foi fundamentada na omissão de receitas apurada com base na circularização de clientes, o que, diante dos fatos constatados, resultou também na aplicação de multa qualificada. Com apoio nos fatos que fundamentaram essa autuação, foi editado o Ato Declaratório Executivo nº 7, de 13 de fevereiro de 2009 (fls. 650 do processo em papel), o qual excluiu a empresa do regime de tributação do SIMPLES FEDERAL, a partir do anocalendário de 2004, devido a esta ter ultrapassado o limite de receita bruta em 2003. Fl. 2028DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.029 3 Os créditos tributários lançados, referentes ao IRPJ e reflexos, devidos nos períodos de apuração correspondentes aos anoscalendário de 2004 e 2005, totalizaram o valor de R$ 2.475.337,04. Tal autuação, no regime do lucro arbitrado, foi fundamentada na omissão de receitas apurada com base em notas fiscais não declaradas. Novamente, diante dos fatos constatados, foi aplicada a multa qualificada. A já mencionada 2ª Turma da DRJ/Campinas, ao apreciar a impugnação interposta, proferiu o Acórdão nº 0527.013, de 07 de outubro de 2009, por meio do qual decidiu pela procedência em parte do feito fiscal na forma acima relatada. Assim figurou a ementa do referido julgado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Decadência. Lançamento por Homologação. Falta de Pagamento de Antecipado. Para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, ocorrendo o pagamento antecipado por parte do contribuinte, o prazo decadencial para o lançamento de eventuais diferenças é de cinco anos a contar do fato gerador, conforme estabelece o § 4º do art. 150 do CTN. Ausente a antecipação do pagamento, ainda que parcial, há de se aplicar a norma prevista no art. 173, I, do CTN, contandose o prazo qüinqüenal a partir do primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador. Decadência. Dolo. Fraude. Simulação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados da notificação ao sujeito passivo de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento, na qual o Fisco revela ao contribuinte o conhecimento do fato especialmente qualificado pelo dolo e lhe oportuniza a defesa. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2003, 2004, 2005 Omissão de Receitas. Circularizacão. Provada a omissão de receitas a partir de notas fiscais obtidas mediante circularização junto aos clientes da empresa, devem ser exigidos os tributos devidos na sistemática de tributação adotada pela pessoa jurídica. Exclusão do Simples. Receita Bruta. Efeitos. Comprovado que a empresa auferiu receitas no anocalendário anterior em valor superior ao limite previsto na legislação para validar a opção pelo SIMPLES, cumpre ratificar o ato de exclusão da pessoa jurídica da sistemática. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Fl. 2029DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.030 4 Anocalendário: 2004, 2005 Omissão de Receitas. Notas Fiscais. Duplicidade. Outras Saídas. Devem ser excluídas da imputação de omissão de receitas os valores das notas fiscais de vendas ou de serviços consideradas em duplicidade na autuação ou em que a operação não configurou a obtenção de receita da atividade. Multa Qualificada. Evidente Intuito de Fraude. A prática de ocultar do fisco, mediante apresentação sistemática de declarações inverídicas de inatividade e/ou de receitas em valores inferiores aos efetivamente auferidos, para eximirse do pagamento de tributos, constitui fato que evidencia intuito de fraude e implica qualificação da multa de oficio. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005 Competência. Autoridade Administrativa. Apreciação de Norma Geral e Abstrata. Efeitos retroativos do ato de exclusão do SIMPLES e das multas de oficio. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento apreciar a validade de preceitos legais, regularmente inseridos no ordenamento jurídico, segundo o processo legislativo constitucionalmente definido. Aparentemente intimada dessa decisão em 06/11/2009, a empresa autuada apresentou recurso voluntário em 02/08/2010, no qual, de forma resumida, ofereceu os seguintes argumentos: Preliminarmente, a) O aviso de recebimento (AR) dos correios dá conta de que a intimação da decisão recorrida foi entregue para uma pessoa chamada “Neemias P. Oliveira”. Contudo, não recebeu tal intimação e aquela seria uma pessoa “absolutamente desconhecida”, que “não é, nem nunca foi funcionário da empresa, muito menos representante legal ou preposto”. b) Tudo faz crer que a intimação foi entregue em endereço diverso do seu domicílio fiscal. A respeito disso, transcreve o inciso II do artigo 23 do PAF, que determina que a intimação por via postal se faça com prova de recebimento no domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, e alguns julgados administrativos que meramente confirmam essa determinação legal. No mérito, c) Parte do crédito tributário apurado já se achava alcançado pela decadência, mesmo porque é equivocada a multa qualificada aplicada ao caso. Assim, o crédito tributário somente poderia ser constituído quanto ao período não alcançado pela decadência, ou seja, novembro e dezembro de 2003. Fl. 2030DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.031 5 d) A fiscalização confunde declaração inexata com sonegação quando, no caso das operações do anocalendário de 2003, entende que teria sido praticada omissão de receitas devido ao registro de vultosa movimentação financeira com notas fiscais de vendas emitidas, declaração de inatividade em 2003 e apresentação de informação inverídica na DIPJ acerca de sua situação econômicofinanceira. e) A sonegação somente é caracterizada quando verificado e comprovado evidente intuito de fraude. Nesse sentido, transcreve alguns julgados administrativos e a Súmula 14 do CARF. A fiscalização não comprova conduta dolosa que pudesse caracterizar evidente intuito de fraude. f) Considerando que todos os tributos exigidos são do tipo sujeitos a lançamento por homologação, a Fazenda Pública dispõe de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para efetuar o lançamento. g) O fato de não ter havido recolhimento de qualquer tributo no ano calendário de 2003 não altera a modalidade de lançamento (homologação) dos tributos exigidos. h) Transcreve trechos de várias decisões jurisprudenciais e da doutrina de Leandro Paulsen, provavelmente, tentando reforçar os argumentos acima mencionados. i) Transcreve trechos da descrição dos fatos que fundamentou a autuação, com a indicação das notas fiscais que motivaram a imputação da multa qualificada nos anoscalendário de 2004 e 2005, para concluir que a fiscalização não poderia generalizar a qualificação da multa para todos os períodos dos três anoscalendário. Ao final, requer que seja conhecido seu recurso e, no mérito, provido, reformandose a decisão recorrida. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Marozzi Gregorio O artigo 33 do Decreto nº 70.235/72, o qual disciplina o processo administrativo fiscal, dispõe que: Fl. 2031DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.032 6 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Portanto, o cerne da questão preliminar é saber se houve e, em caso positivo, quando se deu a ciência da decisão proferida pela primeira instância. Às fls. 1954 do processo em papel, de fato, consta o AR recebido com data de 06/11/2009 pela pessoa referida na peça recursal da empresa autuada. Tal AR contém como destinatário a denominação da recorrente acrescida do seguinte endereço: Rua Mario Chain, 51 – Chácaras Santa Rita – Bº: Rio Comprido Guaratinguetá/SP 12522460 Contudo, o endereço informado na impugnação (fls. 1816 do processo em papel) e no cadastro do CNPJ (fls. 1979 e 1980 do processo em papel) acrescentam um outro sobrenome ao título da rua (“Mario Elias Chain”). Esta filigrana talvez não fosse suficiente para afastar a intempestividade, porém, verifico que há um erro no endereço preenchido no campo destinatário do AR. Tratase da denominação “Chácaras Santa Rita – Bº”. Com efeito, a denominação que consta no cadastro do CNPJ é “Chácaras Santa Maria”. Essa constatação, aparentemente, não foi percebida pela SACAT da delegacia de origem (fls. 1981 do processo em papel), a qual nada comentou sobre tal divergência, apenas discorrendo sobre a alegação da empresa autuada, segundo a qual não teria tido ciência do acórdão da DRJ, e indicando as folhas do processo que conteriam as informações sobre o seu domicílio fiscal. É verdade que a Súmula CARF nº 9 valida a ciência confirmada com a assinatura do recebedor, ainda que este não seja o representante legal do destinatário, verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Nada obstante, não deve haver dúvidas quanto ao fato de que essa notificação tenha sido efetivamente enviada para o domicílio fiscal eleito pelo contribuinte. Havendo dúvidas, entendo que não se pode atestar a validade da ciência. Fl. 2032DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.033 7 Portanto, há que se considerar a ciência na própria data da apresentação do recurso e acolher a pretensão de tempestividade suscitada. No mérito, constato que a recorrente só fez alegações quanto ao transcurso do prazo decadencial, o que invalidaria alguns dos períodos lançados, e contra a imposição das multas qualificadas. Não houve também contestação ao ato de exclusão do SIMPLES FEDERAL. Considerando que, na legislação tributária, a discussão sobre o prazo decadencial para o lançamento depende da verificação de dolo, fraude ou simulação, começo pela análise da imposição das multas qualificadas para depois tratar da questão da decadência. A recorrente alega que é equivocada a multa qualificada aplicada ao caso e que a fiscalização confunde declaração inexata com sonegação quando, no caso das operações do anocalendário de 2003, entende que teria sido praticada omissão de receitas devido ao registro de vultosa movimentação financeira com notas fiscais de vendas emitidas, declaração de inatividade em 2003 e apresentação de informação inverídica na DIPJ acerca de sua situação econômicofinanceira; que a sonegação somente é caracterizada quando verificado e comprovado evidente intuito de fraude, mas a fiscalização não comprova a conduta dolosa que pudesse caracterizar esse intuito de fraude; e que se foram algumas notas fiscais emitidas nos anoscalendário de 2004 e 2005 que motivaram a imposição da multa qualificada, não se poderia generalizar tal qualificação para todos os períodos dos três anoscalendário. Apesar de não haver uma argumentação clara numa determinada direção, mas uma variedade de argumentos desconexos, cumpre analisar alguns pontos levantados. Como a empresa foi autuada segundo dois regimes de tributação diferentes, SIMPLES FEDERAL (2003) e lucro arbitrado (2004 e 2005), a fiscalização lavrou dois autos de infração. Por isso, resolveu elaborar dois relatórios distintos para relatar a descrição dos fatos. Da descrição dos fatos referente à autuação conforme o SIMPLES FEDERAL (fls. 532 a 537 do processo em papel), transcrevese os seguintes excertos: Especificamente em relação ao anocalendário de 2003, a empresa apresentou sua declaração na condição de pessoa jurídica INATIVA, indicando, assim, ao fisco (ou, ao menos querendo fazer parecer), não haver movimentado qualquer centavo naquele período (fls. 64/66). Da mesma forma, não efetuou qualquer recolhimento de tributos sob o código 6106 SIMPLES para o referido anocalendário (extrato do sistema SINAL08 à fl 68). Não obstante sua informação de condição de "inatividade", verificouse que o sujeito passivo obteve expressiva movimentação financeira bancária no período, além da emissão de várias notas fiscais que foram retidas por esta Seção de Fiscalização quando do inicio do procedimento, em 04/12/206. Cabe registrar que no âmbito da RFB entendese por inativa a situação do contribuinte que não exerceu qualquer atividade operacional, nãooperacional, financeira ou patrimonial, durante todo o anocalendário. Em outras palavras, Fl. 2033DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.034 8 caberia dizer que o pagamento de uma simples conta de água ou o recebimento de um pequeno rendimento de determinada aplicação financeira já seriam suficientes para descaracterizar a situação de inatividade. Ora, tanto a vultosa movimentação financeira quanto as notas fiscais emitidas, por si só, e independentemente uma da outra, já indicariam que a empresa, de fato, não estaria inativa. Conseqüentemente, sua Declaração Anual Simplificada PJSI 2004, apresentada à RFB, não expressou a verdade, apresentando, sim, informação inveridica acerca de sua situação econômicofinanceira para o anocalendário de 2003. (...) Entendemos ser relevante, também, registrar o fato de a empresa não haver efetuado um recolhimento de Simples sequer para todo o período de 2003, o que afasta, indubitavelmente, qualquer hipótese de alegação de homologação de pagamento/crédito tributário, haja vista não existirem pagamentos efetuados, ou seja, antecipação de pagamento pelo contribuinte. Quanto à aplicação da multa de oficio, o art. 44 da Lei n° 9.430/96, previa, à época dos fatos geradores, o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". (grifo) Quanto ao conceito de sonegação, temos a definição do art. 71 da Lei n° 4.502/64: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" (...) A declaração da pessoa jurídica, contendo as informações relativas as receitas do período, deve ser entregue ao fisco em meados do ano seguinte ao período a que se referir, devendo, o contribuinte, durante o transcorrer do respectivo ano calendário, apurar e efetuar o recolhimento de seus tributos, neste caso, o Simples, mensalmente. Ora, temos aqui situação que o contribuinte além de não efetuar o pagamento de seu Simples devido em cada mês, no ano seguinte, 2004, apresentou informação à RFB de que não havia auferido receitas no período (anocalendário de 2003). Vemos, portanto, uma ação continuada do contribuinte no intuito de não levar ao conhecimento do fisco sua real situação econômicofinanceira, principalmente o recebimento de receitas, fato gerador da obrigação tributária principal, o pagamento de tributo. Fl. 2034DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.035 9 Portanto, entendemos, smj., ter ficado caracterizada a figura de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei n° 4.502/64, haja vista o contribuinte haver prestado informação inverídica ao fisco por meio de sua declaração PJSI 2004, com o evidente intuito de omitir suas receitas de vendas, bem como, em tese, a figura de crime contra a ordem tributária, conforme definido nos art. 1° e 2° da Lei n° 8.137/90. Caber ressaltar, também, que a empresa não apresentou livros e documentos relativos ao anocalendário de 2003, alegando destruição/extravio com base, segundo ela, em Boletim de Ocorrência que até então não foi apresentado. Notase, portanto, também, no mínimo, falta de zelo na guarda de sua documentação contábil e fiscal, cuja legislação lhe atribui obrigação em fazêlo. Diante do exposto, tendo em vista ter sido apurada omissão de receitas de vendas, conforme documentos acostados aos autos, no montante de R$ 4.101.571,93, e o fiscalizado haver informado/declarado R$ 0,00 (zero) de receita bruta ao fisco, bem como não haver efetuado qualquer recolhimento de Simples para o período de 2003, no interesse da Fazenda Nacional, lavramos os presentes Autos de Infração, nos termos do art. 926 e 957 do Decreto n° 3.000/99 — Regulamento do Imposto de Renda, c/c art. 17, da Lei n°9.317/96. Como se vê, a fiscalização motivou a qualificação da multa referente à atuação do anocalendário de 2003 pela constatação de que houve sonegação. De fato, pelos fatos narrados, é possível verificar que a sonegação caracterizouse pela efetiva comprovação de que a empresa auferiu receitas, de substantivo valor, mas não ofereceu qualquer centavo à tributação. Diante de um vasto universo de contribuintes, é razoável pensar que haverá menor atenção da fiscalização para com aqueles que realizam pouca ou nenhuma atividade financeira e operacional. E é isso que a informação contida numa declaração com valores reduzidos ou “zerados” vai provocar. Em acórdãos recentes, a Câmara Superior de Recursos Fiscais já decidiu de forma semelhante: MULTA QUALIFICADA. Restabelecese a multa qualificada quando constatado que o contribuinte, possuindo atividade comercial, por dois anos consecutivos, apresenta DIPJ "zeradas" e não efetua pagamentos, nem inclui os tributos devidos no parcelamento a que aderiu. Descabe falar em apresentação de declaração zerada com o intuito de evitar a multa da obrigação acessória quando, passados quase quatro anos do prazo de entrega, o sujeito passivo não promove qualquer retificação. (Acórdão nº 910100.124) MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento Fl. 2035DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.036 10 da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996. (Acórdão nº 910101.194) MULTA QUALIFICADA Não obstante a prestação de declaração inexata não seja suficiente para caracterizar o dolo ensejador da qualificação da multa, se tal conduta é adotada de forma consistente e sistemática, não há como entender que se tratou de equívoco do contribuinte, e que não houve intenção de impedir ou retardar, ainda que parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal. (Acórdão nº 910101.291) Por sua vez, da descrição dos fatos referente à autuação pelo lucro arbitrado (fls. 1799 a 1805 do processo em papel), transcrevese os seguintes excertos: Conforme consta do Termo e seus anexos, o contribuinte auferiu receitas de vendas de produtos e serviços em valores bem superiores ao efetivamente declarado à RFB, recolhendo, consequentemente, seus tributos em valores aquém do devido. Como podemos observar nas tabelas II e III, o contribuinte teve uma receita bruta total de R$ 11.762.682,68 contra uma receita declarada de apenas R$ 1.438.877,46 nos dois períodos. As receitas foram apuradas com base nas próprias notas fiscais de vendas emitidas pelo contribuinte e entregues a este fisco, e, também, em notas fiscais apresentadas por clientes do contribuinte em procedimento de Diligência efetuado por esta Seção de Fiscalização (fls. 788/1725). Além da apresentação de declaração inexata à RFB, mediante a informação de receitas de vendas em valores bem inferiores ao efetivamente auferido no período, o contribuinte, em relação aos documentos fiscais listados no item 4 do Termo de Constatação e de Intimação Fiscal, cujas cópias estão acostadas aos autos as fls. 701/748, utilizouse de artifícios fraudulentos para diminuir o valor de suas receitas de vendas de serviços, mediante a utilização, de fato, de duas notas fiscais de mesmo número, porém com valores e destinatários diferentes, como, por exemplo, a nota fiscal a seguir: Nota Fiscal de Prestação de Serviços n° 2381: Apresentada pelo contribuinte Apresentada por terceiro (cliente) Valor (R$) 388,00 16.500,00 Destinatário Eme Comercial de Produtos Ltda Wobben Windpower Ind e Com Ltda As notas fiscais de menor valor foram apresentadas pelo contribuinte enquanto as de valor maior (correta), pelos respectivos clientes que foram objeto de Diligência Fiscal. Fl. 2036DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.037 11 O contribuinte não apresentou qualquer esclarecimento a tal constatação. (...) Quanto à aplicação da multa de oficio, o art. 44 da Lei n° 9.430/96, previa, à época dos fatos geradores, o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis". (grifo) Quanto ao conceito de sonegação, temos a definição do art. 71 da Lei n° 4.502/64: “Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais;" (...) A declaração da pessoa jurídica, contendo as informações relativas as receitas do período, deve ser entregue ao fisco em meados do ano seguinte ao período a que se referir, devendo, o contribuinte, durante o transcorrer do respectivo ano calendário, apurar e efetuar o recolhimento de seus tributos, neste caso, o Simples, mensalmente. Ora, o contribuinte, em ambos os períodos, além de recolher seus tributos em valores bem aquém do devido, informou à RFB, nos anos seguintes a cada período, receitas de vendas que não condisseram com sua realidade, ou seja, apresentou informação falsa ou inverídica à RFB. Além disso, em algumas situações, como no caso das notas fiscais de vendas de serviços aqui relatadas e cujas cópias estão acostadas aos autos às fls. 701/748, utilizouse de meios explicitamente fraudulentos para omitir ou reduzir sua real receita de venda e, consequentemente, recolher tributos em valores menores que o devido. Ou seja, a exemplo do ocorrido no anocalendário de 2003, que o contribuinte, apesar de ter auferido receitas de vendas da ordem de R$ 4.000.000,00, apresentou declaração de pessoa jurídica INATIVA e não recolheu, sequer, um centavo de tributo, nos demais períodos (2004 e 2005), em que pese haver recolhido algum tributo (na modalidade Simples), o fez em valores bem abaixo do efetivamente devido. Portanto, entendemos, s.m.j., ter ficado caracterizada a figura de sonegação, conforme definido no art. 71 da Lei n° 4.502/64, haja vista o contribuinte haver Fl. 2037DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.038 12 prestado informação inverídica ao fisco por meio de suas declarações apresentadas em 2005 e 2006, com o objetivo de omitir parte de suas receitas de vendas, bem como, em tese, a figura de crime contra a ordem tributária, conforme definido nos art. 10 e 2° da Lei no 8.137/90, transcritos na página anterior deste Relatório. Diante do exposto, tendo em vista ter sido apurada receitas de vendas que não foram oferecidas à tributação, conforme documentos acostados aos autos, no montante de R$ 10.323.805,22, no interesse da Fazenda Nacional, lavramos os presentes Autos de Infração, nos termos do art. 926 e 957 do Decreto n° 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda. Novamente, a qualificação da multa foi motivada pela sonegação. Mas, sua caracterização agora se deu pelo fato de a empresa ter declarado receita em valor bem inferior à apurada, qual seja, R$ 1.438.877,46 contra R$ 11.762.682,68. Isso equivale a uma receita apurada 8,17 vezes maior que a receita declarada. Além disso, a caracterização da sonegação foi acrescida pelo fato de que os documentos anexados às fls. 701 a 748 do processo em papel comprovaram a prática de notas fiscais “paralelas” ou “clonadas”, por apresentarem idêntica numeração com valores e destinatários diferentes. A recorrente não contesta tal comprovação, mas alega que essas notas fiscais não poderiam generalizar a qualificação da multa para todos os períodos dos três anos calendário. O conjunto de condutas colhidos na autuação já caracteriza a prática reiterada de a empresa sonegar sua receita nas declarações apresentadas ao Fisco. Como anteriormente ressaltado, no ano de 2003 a empresa apresentou sua declaração “zerada”. Depois, nos anos de 2004 e 2005 declara uma receita 8,17 vezes inferior à constatada pela fiscalização. Isso, por si só, já seria suficiente para a qualificação da multa. Nesse sentido, acompanho o entendimento esposado nos seguintes julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais: MULTA QUALIFICADA. SONEGAÇÃO. Auferir vultosas receitas sem declarálas à administração tributaria e com pagamento mínimo de tributos e contribuições, sem qualquer justificativa razoável, é conduta dolosa que se amolda à figura delituosa da sonegação prevista no art, 71 da Lei n. 4.502/64, justificandose a qualificação da penalidade. (Acórdão nº 910100.461) MULTA QUALIFICADA. Resta caracterizada a sonegação de que trata o art. 71 da Lei n° 4.502, de 1964, quando o sujeito passivo declara ao Fisco valores expressivamente inferiores aos escriturados, pois deixou de levar ao conhecimento da autoridade fazendária a ocorrência do fato gerador e, se tal conduta se repete em diversas declarações, evidenciase o intuito de fraude. (Acórdão nº 910100.228) MULTA QUALIFICADA CONDUTA CONTINUADA A escrituração e a declaração sistemática de receita menor que a real, provada nos autos, demonstra a Fl. 2038DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.039 13 intenção, de impedir ou retardar, parcialmente o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal por parte da autoridade fazendária e enquadrase perfeitamente na norma hipotética contida do artigo 71 da Lei 4.502/64, justificando a aplicação da multa qualificada. (Acórdão nº 0105.810) Ademais, conforme foi provado e não contestado, a empresa utilizou outras práticas fraudulentas que acentuam a gravidade da conduta. É verdade que o conjunto de notas fiscais reunidos para fazer essa prova não constitui a totalidade da receita omitida na autuação. Contudo, isso não pode, como quer a recorrente, servir de argumento para que se conclua que somente a parcela da receita omitida por meio de tais notas fiscais deveria servir de base para a qualificação da multa. Afinal, é a partir de todo o conjunto probatório que se concluiu que houve a conduta dolosa nos períodos de tributação autuados. Confirmada, então, a correta aplicação das multas qualificas, passo à análise da questão da decadência. Independentemente das teses adotadas na decisão recorrida para a contagem do prazo decadencial, das quais discordo, importa anotar primeiramente as datas das ciências dos autos de infração referentes ao SIMPLES FEDERAL e ao lucro arbitrado, respectivamente, em 05/11/2008 e 04/08/2009. Considerando que o SIMPLES FEDERAL é um regime de tributação cujo fato gerador é mensal, caso não fosse o dolo implícito na sonegação apontada, todos os lançamentos referentes aos fatos geradores que ocorreram até outubro de 2003 realmente estariam maculados pela decadência. É o que se depreenderia do que dispõe o § 4º do artigo 150 do CTN, verbis: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (grifei) (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifei) Com efeito, entendo que a “atividade” exercida pelo sujeito passivo obrigado a antecipar o pagamento é a característica marcante dessa modalidade de lançamento chamado “por homologação”. Assim, o que se homologa é a atividade concernente à apuração de eventual crédito tributário sujeito à extinção. Independe, portanto, da existência de efetivo pagamento, até porque muita das vezes ele poderá não ser necessário, seja porque não é Fl. 2039DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.040 14 apurado crédito tributário ou porque existe crédito a favor do sujeito passivo que poderá ser aproveitado numa compensação. Nesse sentido, qualquer que seja o tributo, se ele for sujeito a essa sistemática denominada “lançamento por homologação”, o prazo decadencial de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, para a homologação da atividade de apuração do crédito tributário efetivada pelo sujeito passivo, corresponderia ao mesmo prazo que dispõe o Fisco para o lançamento de ofício de eventuais diferenças não pagas e/ou declaradas. Porém, constatada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a ressalva é expressa. Nessa hipótese, a regra do prazo decadencial para o Fisco efetuar o lançamento de ofício deslocase para aquela prevista no artigo 173, I, do CTN, qual seja, o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Confirase: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Para os fatos geradores ocorridos durante um determinado anocalendário, esse prazo inicial é contado a partir de 1º de janeiro do ano seguinte. Contudo, quanto aos fatos geradores ocorridos em 31 de dezembro, o primeiro dia em que o lançamento pode ser efetuado é justamente o dia 1º de janeiro do ano seguinte. Portanto, nesses casos, o prazo inicial passa a ser contado a partir de 1º de janeiro do ano subsequente. No entanto, esse meu entendimento não pode prevalecer neste julgamento. Isso porque o artigo 62A do Anexo II do RICARF dispõe que as decisões proferidas pelo STJ, na sistemática dos recursos repetitivos, devem ser reproduzidos nos julgamentos do CARF. Vejase seu teor: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. A questão da decadência foi objeto de decisão do STJ, na referida sistemática, no REsp nº 973.333SC, com a relatoria do Ministro Luiz Fux. Foi o seguinte a ementa dessa decisão: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO Fl. 2040DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.041 15 POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 2041DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.042 16 (REsp 973733 SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Portanto, o início do prazo decadencial para o Fisco promover o lançamento de ofício, nos casos de tributos sujeitos à sistemática dos denominados “lançamentos por homologação”, restou assim configurado: 1. Se ocorrer dolo, fraude ou simulação: primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) 2. Se não ocorrer dolo, fraude ou simulação: a. Se houver pagamento (ou declaração): data da ocorrência do fato gerador (artigo 150, § 4º, do CTN) b. Se não houver pagamento (ou declaração): primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado (artigo 173, I, do CTN) Voltando ao caso do presente processo, foi constatado o dolo implícito na sonegação apontada para todos os períodos autuados. Portanto, relativamente aos lançamentos do SIMPLES FEDERAL, referentes ao anocalendário de 2003 (exceto o de dezembro), o início do prazo decadencial deve ser contado a partir de 1º de janeiro de 2004. Como a ciência foi efetivada em 05/11/2008, há que se concluir que não havia sido ainda concluído o referido prazo. Obviamente, o lançamento referente a dezembro de 2003, que teria sua contagem iniciada em 1º de janeiro de 2005, poderia menos ainda ser questionado. Por sua vez, quanto aos lançamentos com base no lucro arbitrado, há que se reconhecer sua periodicidade trimestral. Assim, o início do prazo decadencial dos lançamentos referentes ao primeiro, segundo e terceiro trimestres de 2004 tiveram o início do prazo decadencial em 1º de janeiro de 2005. Como a ciência foi efetivada em 04/08/2009, há também que se concluir que não houve o decurso do referido prazo. Obviamente, a conclusão será a mesma para o terceiro trimestre de 2004 e todos os trimestres de 2005. Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar seu provimento. É como voto. Documento assinado digitalmente. Ricardo Marozzi Gregorio Relator Fl. 2042DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME Processo nº 16045.000527/200813 Acórdão n.º 1102000.939 S1C1T2 Fl. 2.043 17 Fl. 2043DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 21/10/ 2013 por RICARDO MAROZZI GREGORIO, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THO ME
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Numero do processo: 15987.000234/2009-14
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL.
O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern - Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 34 /2 00 9- 14 Fl. 1329DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 2 Vencido o Conselheiro Domingos de Sá Filho, quanto ao direito à tomada de crédito por aquisições a pessoas jurídicas inexistentes de fato. Os conselheiros Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti acompanharam o relator por suas conclusões. Sustentou pela recorrente o Dr. Flávio Sanches, OAB/SP 192.102. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. apresentou Pedido de Ressarcimento de PIS/Pasep exportação relativo ao 3 trimestre de 2007, no valor de R$ 5.870.272,16. De acordo com o Despacho Decisório DRF/Santos/Seort/SP nº 24, de 7 de março de 2012, fls. 727 a 738, apoiado nas conclusões da ação fiscal levada a efeito junto ao requerente, objeto dos processos 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247, consubstanciadas no relatório anexo aos autos, e cujo desfecho a contribuinte já tomou ciência em 02.03.2012, parte dos créditos reclamados não teve sua liquidez e certeza assegurados, vez que sua obtenção está cingida por fraudes comprovadas, somadas a aproveitamentos de créditos incompatíveis com a legislação vigente. O Despacho Decisório dá conta de que, em operações empreendidas pela Receita Federal, Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal (Operação Tempo de Colheita, Operação Broca e Operação Robusta), apurouse que o requerente participou de fraudes, “comprando” notas fiscais de venda de café, emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para o fim de permitir a obtenção de créditos de contribuições sociais não cumulativas “cheios”, quando, por se tratar de fornecimento de pessoas físicas, ensejariam tão somente crédito presumido1. Constatouse também que o requerente tomou crédito por compras de café feitas a cooperativas de produtores, que haviam excluído de suas bases de cálculo o valor da receita repassada ao seus associados, de forma que as contribuições sociais nelas não incidiram, situação que não admite o creditamento, nos termos do art. 3°, § 2°, inciso II, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. O pleito foi parcialmente deferido, em R$ 716.696,70, reconhecendose direito ao crédito presumido, quando foi o caso: DACON FISCALIZAÇÃO PERÍODO DE APURAÇÃO CRÉDITO EXPORTAÇÃO CRÉDITOS INDEVIDOS CRÉDITO DISPONÍVEL 07/07 941.629,52 859.256,05 82.373,47 08/07 3.018.176,64 2.635.028,00 383.148,64 09/07 2.627.162,70 2.375.988,11 251.174,59 1 O modusoperandi empregado nas operações efetuadas com diversos fornecedores de café, de acordo com o relatório da Operação "Tempo de Colheita", era o seguinte: os grandes adquirentes de café exigiam notas fiscais de pessoas jurídicas para poderem aproveitar o crédito de PIS/COFINS integralmente à razão de 9,25% do valor da operação. Se os vendedores fossem pessoas físicas só seria possível o aproveitamento de crédito presumido, no valor de 3,5% do valor integral. Fl. 1330DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.330 3 Total R$ 716.696,70 O interessado interpôs manifestação de inconformidade de fls. 747 a 775, na qual, como preliminar, requer o imediato ressarcimento do crédito reconhecido no despacho decisório atacado, remanescendo o contraditório administrativo apenas em relação à diferença de 6% entre o crédito presumido de 3,25% decorrente de compras de pessoas físicas e o percentual de 9,25% decorrente de aquisições de pessoas jurídicas. Quanto ao mérito das glosas dos créditos apurados sobre as compras de café de pessoas jurídicas, argumenta que, em que pese a provável ocorrência de atividade criminosa na cadeia do café, não praticou crime algum, afirmando seu interesse no esclarecimento dos fatos. Lembra que o preço pago pelo café era o de mercado e que nunca cogitou em repassar os lucros obtidos por estas empresas referidas como de fachada, no qual estava embutida a contribuição, de forma que houve despesa que legitima o crédito à adquirente, sem benefício algum com a alegada ilicitude de terceiros. Aduz que a falta de pagamento das contribuições por fornecedores não implica a ausência do direito de crédito ao adquirente, dispondo a Receita Federal e a PGFN de meios próprios de cobrar tais tributos. Discorre sobre a cena econômica do mercado cafeeiro. Rechaça a extensão das conclusões da operação da Polícia Federal ao pedido de ressarcimento em tela. Reafirma sua condição de adquirente de boafé, sem conhecimento das irregularidades societárias dos seus fornecedores. Entende legítima a tomada de crédito, porquanto ao pagar pelo café ao valor de mercado, cobrado mediante nota fiscalfatura de pessoa jurídica, estava embutido o valor das referidas contribuições. Quanto à anotação, nas notas fiscais, de suspensão de PIS e Cofins na operação de venda, o que vedaria a apuração de créditos não cumulativos para o adquirente, adiciona que de acordo com o art. 9º, §1º, II da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, teria havido erro por parte das cooperativas na medida em que tais operações não se poderiam cursar com suspensão das contribuições tendo em vista o disposto no inciso II do citado artigo. Finalizando, pleiteia que os valores a serem ressarcidos sejam acrescidos da taxa Selic. Ao final, postula a reforma do despacho decisório. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela 3ª Turma da DRJ/CPS. O Acórdão nº 0540.236, de 11 de março de 2013, fls. 969 a 1017, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. FRAUDE. Comprovada a existência de fraude por meio de interposição de pessoas jurídicas de fachada, com o fim exclusivo de se obter créditos do regime não cumulativos em valores maiores que os admitidos de aquisições feitas de pessoas físicas, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos. CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. GLOSA. BENS NÃO SUJEITOS À CONTRIBUIÇÃO. Fl. 1331DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 4 Correta a glosa de créditos não cumulativos calculados sobre bens não sujeitos à contribuição na aquisição. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 1077 a 1128, após síntese dos fatos relacionados com a lide, pede a decretação da nulidade da decisão recorrida, que não teria enfrentado todos os seus argumentos de defesa. Insiste em não ter conhecimento, muito menos participado do que chama de “pretenso esquema fraudulento” de que trata a Fiscalização, acusandoa de fundar suas conclusões em meras presunções no sentido de que todos os seus fornecedores pessoas jurídicas inidôneas por serem omissas nas entregas de suas declarações, procedimento vedado, segundo a jurisprudência do CARF. Lembra que a decretação da inidoneidade dos fornecedores, abaixo listados, não pode retroagir para alcançar as operações da recorrente: RAZÃO SOCIAL CNPJ DATA ABERTURA Columbia Comércio de Café Ltda. 04.497.908/000103 08/06/2001 Cafeeira São Sebastião Ltda. 00.837.387/000135 29/09/1995 Ceiba Comercial Importação e Exportação Ltda. 00.323.994/000187 28/11/1994 Séculos Comercio de Café Ltda. 05.516.878/000106 30/12/2002 Sancosta Comercio, Importação e Exportação de Café Ltda. 06.222.888/000193 15/04/2004 F.J.B. Baroni 07.155.547/000105 16/12/2004 Cerealista Carmo Sul Ltda. 04.439.727/000120 21/03/2001 P Fernandes 04.460.832/000141 22/05/2001 Vila Rica Coffee Comercio de Café Ltda. 03.740.999/000101 07/04/2000 V. Munaldi ME 06.078.929/000110 12/01/2004 Comercial São Lourenço Ltda. 04.580.404/000233 22/10/2002 E M Gomes 05.688.607/000120 14/05/2003 Nova Brasilia Comércio de Café Ltda. 05.206.408/000138 24/07/2002 Enseada Comércio de Café e Sacaria Ltda. 06.201.690/000123 07/04/2004 Na continuação, retoma as digressões sobre a cadeia de produção do café no Brasil e sobre a comercialização do café sob o ponto de vista comercial e civil, já oferecida na Manifestação de Inconformidade. Com relação às compras de café a sociedade cooperativas de produtores, argumenta que nas notas fiscais apresentadas pela Fiscalização, todas as cooperativas exerceram beneficiamento, situação que não admite a suspensão da incidência da contribuição. Nesse sentindo, retoma a arguição de erro nas notas fiscais em que constou a suspensão. Transcrevo os requerimentos finais (grifos do original): 3 Conclusão E Pedidos Diante do acima exposto, requer seja provido o presente recurso para que seja reformado o Despacho Decisório e acórdão de fIs., para o fim de chancelar e reconhecer os créditos de PIS e COFINS apurados pela Recorrente na compra perante fornecedores posteriormente entendidos como inidôneos pela Receita Federal, bem como perante cooperativas diversas, e assim deferirse também esta parte do crédito a ser ressarcido, homologandose as respectivas compensações, quando for o caso. Subsidiariamente, que se reconheça o cerceamento de defesa e a supressão de instância, para que seja julgada nula a decisão de primeira instância, pois deixou de cotejar um a um os bons argumentos da defesa, limitandose a "emprestar" o trabalho de fiscalização, que por sua vez empregou o trabalho policial. Fl. 1332DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.331 5 Subsidiariamente, ainda, considerando que a inidoneidade posteriormente declarada em nada reflete para Recorrente, e que toda a alegação posterior ao Despacho decisório exarado nos autos em 2010 é inaplicável, dado que não há fato julgado na esfera criminal, é de se revogar o atual despacho decisório, revigorando se o despacho decisório anterior, e intimado novamente a Recorrente para, em querendo, que apresente manifestação de inconformidade. Requer, de imediato, contudo, que a parte incontroversa de créditos presumidos seja imediatamente ressarcida, tanto no que tange à compras de fornecedores considerados inidôneos, como perante cooperativas, conforme página 284 do Termo de Verificação Fiscal: "9.2. DO CRÉDITO PRESUMIDO Conforme explicado acima, o crédito ordinário correspondente às empresas inidôneas não pode ser concedido integralmente, já que sua origem é referente a vendas de pessoas físicas produtoras de café. Entretanto, é cabível o aproveitamento do crédito presumido correspondente. Mesmo raciocínio se aplica ao crédito referente às observações que tratam da suspensão das contribuições. No caso das notas fiscais com suspensão existe a possibilidade de crédito presumido." Ou seja, o valor referente ao crédito presumido deve ser creditado para a Recorrente, seguindose em debate apenas a diferença entre o presumido e o integral, aplicandose a legislação mais benigna Lei n° 12.350/2010, artigo 56A, de forma retroativa. Para facilitar a liquidação deste montante a Recorrente anexa planilha de cálculo extraído do trabalho de fiscalização, em cumprimento do trecho acima reproduzido, (doc. anexo) Ainda, subsidiariamente, caso não seja reconhecida a integralidade dos créditos decorrentes das compras de café realizadas no período de 2005 a 2007, no mínimo, deve ser reconhecido o crédito decorrente das operações efetuadas com os fornecedores que foram presumidos inidôneos pela Fiscalização e que, ainda, continuavam com o CNPJ ativo quando da ciência do termo de verificação fiscal. No mais, tendo decorrido anos do direito de crédito, é aplicável a atualização dos créditos pela SELIC, o que desde logo se requer em execução da parte incontroversa do Despacho Decisório, inclusive. Caso esse Conselho entenda necessário, que se baixe o processo em diligência para as devidas regularizações, de forma a se aproveitar o procedimento em questão, trazendo maior eficiência, economia, razoabilidade nos atos da administração pública, considerando ainda parte integrante destes autos, os procedimentos n° 10845.720753/200901 e 15983.720078/201247. De qualquer forma, estão documentalmente comprovadas a operação e as alegações acima, ficando ao dispor do órgão julgador todos os documentos, inclusive notas fiscais já examinadas pela fiscalização, para eventuais diligências. Requer sejam admitidos todos os meios de provas, incluindo diligências e juntada de novos documentos que privilegiem a verdade material. Protesta a RECORRENTE pela realização de sustentação oral durante a sessão de julgamento do presente Recurso, nos termos regimentais. Para tanto, Fl. 1333DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 6 requer seja notificada com antecedência da data, hora e local da sessão de julgamento. Nestes termos, Pede deferimento. Santos, 7 de maio de 2013. O presente processo foi distribuído ao relator, em 07/03/2014, para que fosse julgado em conjunto com os processos nºs 15987.000230/200936, 15987.000231/200981 e 15987.000232/200925, na forma prevista no § 7º do art. 49 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 – RI/CARF, com as alterações introduzidas pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1077 a 1128 merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/CPS3ª Turma nº 0540.236, de 11 de março de 2013. Pedido de liberação imediata do valor do crédito incontroverso. Em atendimento aos Despachos de fls. 569 e 570, o valor do crédito deferido foi pago por meio da emissão da Ordem Bancária 2012OB801209 em 17/09/2012, fls. 603, conforme despacho de fls. 968, quedando plenamente satisfeito o pedido de liberação da parcela incontroversa. Preliminar de nulidade da decisão recorrida É recorrente, nos recursos da espécie, a arguição de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, de decisão de primeira instância que vai de encontro aos interesses do recorrente. A decisão da ínclita 3ª Turma da DRJ em Campinas é hígida e enfrentou a Manifestação de Inconformidade sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado. Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar de considerar fato ou circunstância reputada imprescindível à sua decisão. Fl. 1334DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.332 7 No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observese: Como é de sabença geral, o julgador não está obrigado a discorrer sobre todos os regramentos legais ou todos os argumentos alavancados pelas partes. As proposições poderão ou não ser explicitamente dissecadas pelo magistrado, que só estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda, fundamentando o seu proceder de acordo com o seu livre convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub judice e com a legislação que entender aplicável ao caso concreto. Neste sentido, confiramse os seguintes julgados, verbis: "RECURSO ESPECIAL. IMÓVEL FUNCIONAL ADMINISTRADO PELA SECRETARIA DA ADMINISTRAÇÃO FEDERAL DA PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA SAF. OCUPAÇÃO POR SERVIDOR PÚBLICO MILITAR. ALIENAÇÃO. POSSIBILIDADE. ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO. INOCORRÊNCIA. PRECEDENTES DO STF E STJ. 1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão recorrido não denota qualquer omissão, contradição ou obscuridade no referente à tutela prestada, uma vez que o julgador não se obriga a examinar todas e quaisquer argumentações trazidas pelos litigantes a juízo, senão aquelas necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia. 2. É passível de alienação o imóvel funcional que, à época de edição da Lei 8.025/90, era administrado pela Secretaria da Administração Federal da Presidência da República – SAF, ainda que ocupado fosse por servidores militares, não se aplicando ao caso a vedação inscrita no art. 1º, § 2º, I, desta norma. 3. Precedentes: REsp 61.999/DF, REsp 155.259/DF, REsp 76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF). 4. Recurso Especial parcialmente conhecido e, nessa parte, provido" (REsp nº 394.768/DF, Relator Ministro JOSÉ DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247). "RECURSO ESPECIAL TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL ART. 535, I E II, DO CPC EMBARGOS DE DECLARAÇÃO OMISSÃO. 1 Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a quo, de forma clara e precisa, pronunciouse acerca dos fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada. 2 Agravo improvido" (AGREsp n.º 109.122/PR, Relator Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263). Fl. 1335DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 8 Ante o exposto, NEGO SEGUIMENTO ao presente recurso especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo Civil. Rejeito a preliminar. Mérito – glosa dos créditos amparados em notas fiscais infirmadas nas operações “Tempo de Colheita”, “Broca” e “Robusta” O argumento recursal fundamental é o de que jamais participou das fraudes apontadas nessas operações e que nunca obteve vantagens econômicas em decorrências das práticas ilícitas, sempre adquirindo o café a preço de mercado. Diz ter pesquisado sempre a situação da empresa vendedora no CNPJ e SINTEGRA. Lembra, além disso, que o mercado de compra e venda de café é complexo e que as suas peculiaridades não foram consideradas nas conclusões alcançadas ao fim das citadas operações. Assim, não seria possível afirmar que necessariamente as pessoas jurídicas que emitiram as notas fiscais examinadas sejam de fachada. Ainda, entende que eventuais fraudes verificadas em determinados elos da cadeia comercial do café não podem ser estendidas para os demais atores sem prova inconteste, o que não ocorreria nos autos. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. A culpa da recorrente é objeto do processocrime no qual ela foi denunciada. O fato é que, na extensa e profunda auditoria levada a cabo, segregaramse do pedido de ressarcimento formulado pela Outspan todas as notas fiscais emitidas por pessoas jurídicas comprovadamente interpostas com o fito de “inchálo”, admitindose tão somente as notas fiscais idôneas. A quantidade de empresas "laranja" explica a magnitude da glosa: Columbia Comércio de Café Ltda.; L & L Com. Exp. De Café Ltda.; Do Grão Com. E Exp. E Imp. Ltda.; Nova Brasília Com. De Café Ltda.; J. C. Bins; Café Brasile Com. E Exp. Ltda.; G. H. Moschem; V. Munaldi ME; Miranda Com. Imp. e Exp. de Café Ltda.; F. G. Comissária Ltda.; W.R. da Silva; Reicafé Com. de Café; R. Araújo Mercantil CAFECOL; M. C. da Silva Brasil Blend; Cafeeira Arruda; Ypiranga Com. de Café; P. A. de Cristo; Acádia Comércio Ltda.; V. & F. Comercial; C. Dario ME; GB. Armazéns; Enseada Com. de Café; Luciano Giubert Alves Café; Conara; Ceiba Com. Imp.; Roma Com. de Café e Sacaria; Café Arabilon; WG de Azevedo Brasil Coffee; Do Norte Café; Aracê Mercantil; Agrosanto Comércio de Cereais; Cafeeira JJ.; Cafeeira São José; Canaã Café; Meriades Distr. Ind. e Com. de Alimentos; BR 2 Cito apenas a título exemplicativo, muito de longe de esgotar todos os elementos existentes, a prova testemunhal dos depoimentos de Paulo Zache, Luiz Fernandes Alvarenga, Renato Mielke, Gabriel Francisco Krohling, Marcelo Fausto Tamanini, entre outros; e documental, como a confirmação de pedido nº 6/00, de 05/01/2007, da Case de Café Corretora, e a planilha de fls. 19773 do processo 15983.720078/201247, elaborada pela recorrente, que demonstra o total controle que mantinha sobre seus fornecedores pessoas físicas, sobre os vendedores (empresas "laranjas" noteiras) e qual a origem do café fornecido. Fl. 1336DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.333 9 Armazéns Gerais; Continental Trading Ltda.; Caparão Com. de Cereais; Comercial de Café e Cereais Ilha Bela Ltda. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” Contra essas glosas o recorrente tergiversa. Insurgese contra retroação de declarações de inaptidão de empresas, que lista. A propósito, a ineficácia de documentos fiscais emitidos por pessoa jurídica inexistente de fato tem previsão na Portaria MF nº 187, de 26 de abril 19933 e no art. 824 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, diploma que instituiu também (art. 815) a Declaração de 3 Portaria MF nº 187, de 1993 Art. 3º Com base no procedimento administrativo a que se refere o art. 1º e mediante Ato Declaratório do Secretário da Receita Federal, publicado no Diário Oficial da União, será declarado ineficaz, para todos os efeitos tributários, o documento emitido em nome de pessoa jurídica que: I não exista de fato e de direito; ou II apesar de constituída formalmente, não possua existência de fato; ou III esteja desativada, extinta ou baixada no órgão competente. Parágrafo único. O Ato de que trata este artigo, quando referente a pessoa jurídica mencionada nos incisos II e III, deverá declarar a data a partir da qual são considerados tributariamente ineficazes os documentos por ela emitidos, bem como o cancelamento da correspondente inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Art. 4º Sempre que, no decorrer de ação fiscal, forem encontrados documentos emitidos em nome das pessoas jurídicas referidas no art. 3º, o contribuinte sob fiscalização deverá ser intimado para comprovar o efetivo pagamento e recebimento dos bens, direitos, mercadorias ou da prestação dos serviços, sob pena de: I ter glosados os custos e as despesas decorrentes do pagamento não comprovado; II ter glosado o crédito fiscal originário de documento inidôneo; e III ter lançado o crédito tributário relativo ao imposto de renda na fonte incidente sobre pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado. 4 Lei nº 9.430, de 1996, art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. 5 Lei nº 9.430, de 1996, art. 81. Poderá, ainda, ser declarada inapta, nos termos e condições definidos em ato do Ministro da Fazenda, a inscrição da pessoa jurídica que deixar de apresentar a declaração anual de imposto de Fl. 1337DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 10 Inaptidão de Pessoa Jurídica. No período de apuração de interesse, 01/07/2007 a 30/09/2007, vigia a Instrução Normativa RFB nº 568, de 8 de setembro de 2005 (mais tarde revogada pela Instrução Normativa RFB nº 748, de 28 de junho de 2007 DOU de 2.7.2007), que, em sintonia com a Lei e a Portaria MF recém mencionadas, assim dispunha (negrito na transcrição): IN SRF 568, de 2007 Da Situação Cadastral Inapta Art. 34. Será declarada inapta a inscrição no CNPJ de entidade: I – omissa contumaz: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar, por cinco ou mais exercícios consecutivos, DIPJ, Declaração de Inatividade ou Declaração Simplificada das Pessoas Jurídicas Simples, e, intimada, não tenha regularizado sua situação no prazo de sessenta dias, contado da data da publicação da intimação; II – omissa e não localizada: a que, embora obrigada, tenha deixado de apresentar as declarações referidas no inciso I, em um ou mais exercícios e, cumulativamente, não tenha sido localizada no endereço informado à RFB; III – inexistente de fato; IV – que não efetue a comprovação da origem, da disponibilidade e da efetiva transferência, se for o caso, dos recursos empregados em operações de comércio exterior, na forma prevista em lei. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à pessoa jurídica domiciliada no exterior. Quanto à inexistência de fato de pessoa jurídica, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que: Da Pessoa Jurídica Inexistente de Fato Art. 41. Será considerada inexistente de fato a pessoa jurídica que: I – não disponha de patrimônio e capacidade operacional necessários à realização de seu objeto; II – não for localizada no endereço informado à RFB, bem assim não forem localizados os integrantes de seu QSA, o responsável perante o CNPJ e seu preposto; III – tenha cedido seu nome, inclusive mediante a disponibilização de documentos próprios, para a realização de operações de terceiros, com vistas ao acobertamento de seus reais beneficiários; IV – se encontre com as atividades paralisadas, salvo quando enquadrada nas situações a que se referem os incisos I, II e V do caput do art. 33. renda em um ou mais exercícios e não for localizada no endereço informado à Secretaria da Receita Federal, bem como daquela que não exista de fato. Fl. 1338DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.334 11 Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, o procedimento administrativo de declaração de inaptidão será iniciado por representação formulada por AFRFB, consubstanciada com elementos que evidenciem qualquer das pendências ou situações referidas. Ainda, a INRFB nº 568, de 2005, estabelece que é presumidamente inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiros, o documento emitido por pessoa jurídica declarada inapta. O § 3º do seu art. 48 dispõe sobre os efeitos temporais da declaração de inidoneidade dos documentos: Art. 48. Será considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta. § 1º Os valores constantes do documento de que trata o caput não poderão ser: I – deduzidos como custo ou despesa, na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); II – deduzidos na determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Físicas (IRPF); III – utilizados como crédito do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e das Contribuições para o PIS/Pasep e para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) não cumulativos; e IV – utilizados para justificar qualquer outra dedução, abatimento, redução, compensação ou exclusão relativa aos tributos administrados pela RFB. § 2º Considerase terceiro interessado, para os fins deste artigo, a pessoa física ou entidade beneficiária do documento. § 3º O disposto neste artigo aplicarseá em relação aos documentos emitidos: I – a partir da data da publicação do ADE a que se refere: a) o art. 37, no caso de pessoa jurídica omissa contumaz; b) o art. 39, no caso de pessoa jurídica omissa e não localizada. II – a partir da data desde a qual esteja caracterizada a situação prevista no inciso III do art. 41; III – na hipótese dos incisos I, II e IV do art. 41, desde a paralisação das atividades da pessoa jurídica ou desde a sua constituição, se ela jamais houver exercido atividade; e Fl. 1339DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 12 V – na hipótese de pessoa jurídica com irregularidade em operações de comércio exterior, desde a data de ocorrência do fato. § 4º A inidoneidade de documentos em virtude de inscrição declarada inapta não exclui as demais formas de inidoneidade de documentos previstas na legislação, nem legitima os emitidos anteriormente às datas referidas no § 3º. § 5º O disposto no § 1º não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços. § 6º A entidade que não efetuar a comprovação de que trata o § 5º sujeitarseá ao pagamento do IRRF na forma do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, calculado sobre o valor pago constante dos documentos. Portanto, quanto ao efeito temporal objetado pelo recorrente, frisese que, no caso de créditos por compras a fornecedores pessoas jurídicas inexistentes de fato, segundo a IN vigente, a inidoneidade dos documentos retroage à data da constituição das mesmas, não havendo falar portanto em vedação à retroação dos efeitos da inidoneidade. Sustenta, também, a recorrente que os fornecedores mantinham cadastro ativo no CNPJ, e cita em seu favor o entendimento do E. STJ consolidado no REsp n 1.148.444, segundo o qual “a boa fé do adquirente em relação às notas fiscais declaradas inidôneas após a celebração do negócio jurídico (que fora efetivamente realizado), uma vez caracterizada, legitima o aproveitamento dos créditos de ICMS”. A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Importante salientar que a Fiscalização deferiu o crédito presumido, quando foi o caso, reconhecendo o negócio jurídico subjacente. Fl. 1340DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN Processo nº 15987.000234/200914 Acórdão n.º 3403002.965 S3C4T3 Fl. 1.335 13 A recorrente não logrou convencerme de que as glosas procedidas pelas DRF/Santos – uma sequer – foram improcedentes. Por essa razão, julgoas corretas, ratifico a decisão recorrida e nego provimento ao recurso quanto a essa matéria. Mérito – glosa dos créditos por aquisições de mercadorias não oneradas pela contribuição social não cumulativa No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). A base da contestação dirigida pela interessada contra a glosa dos créditos referente aos bens adquiridos de sociedades cooperativas diz respeito ao fato de que o mencionado art. 3º, §2º da Lei nº 10.637, de 2002, não se aplicaria ao café, já que este é um bem sujeito à incidência das contribuições. Assim, ainda que a legislação autorize a exclusão, pelas cooperativas, dos valores repassados aos associados, decorrente da comercialização, no mercado interno, de produtos por eles entregues à cooperativa, isto não impediria a apropriação de créditos pelos adquirentes já que a legislação não cogita de isenção ou imunidade das cooperativas. Diz ainda que a suspensão de PIS e Cofins praticada por algumas cooperativas não se aplicava às operações de venda de café por força do que diz o art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004. Aduz que as notas fiscais de cooperativas nas quais houve suspensão de PIS e Cofins tratavase de operações nas quais as sociedades cooperativas procederam à redução do grão de acordo com os tipos da classificação oficial, não sendo aplicável, assim, a possibilidade de suspensão de PIS e Cofins prevista no caput do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, e consequentemente, incabível a glosa do crédito sobre as correspondentes aquisições. A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario 6 As respostas estão às fls. 19.539 e seguintes do processo administrativo nº 15983.720078/201247. Os dados referentes a cada uma das cooperativas que forneceram grãos à interessada estão consolidados na tabela de fls. 20015 e 20016. Fl. 1341DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN 14 sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Quanto à alegação de erro na emissão de notas fiscais com suspensão por cooperativas que de alguma forma beneficiaram o grão, a insurgência recursal, mais uma vez, é inespecífica e omitiuse em denunciar em quais casos o trabalho fiscal mereceria reparos. Compulsandose a planilha de fls. fls. 20015 e 20016 do processo 15983.720078/201247, anexo ao presente, constato que o Fiscalização foi minuciosa, detalhando, cooperativa por cooperativa, fornecedoras da recorrente, quais executavam o beneficiamento excepcionado no art. 9º, §1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004, e, simultaneamente, excluíam de sua base de cálculo, o valor das receitas repassados aos cooperados, caso em que o creditamento não foi admitido, muito embora não fosse caso de suspensão. Omitindose a recorrente em infirmar especificamente esse levantamento, que considerou a condição de cada cooperativa fornecedora individualmente para decidir sobre a admissibilidade da tomada de crédito, tenho o com correto. Mérito – atualização monetária ao valor do ressarcimento Por fim, o aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores, a teor do art. 13 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, aplicável ao caso pela norma de remissão do art. 15 da mesma Lei. Conclusão Em face do exposto, voto por negar provimento ao recurso. Sala de sessões, em 27 de maio de 2014 Fl. 1342DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por ALEXANDRE KERN
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Numero do processo: 13884.900361/2009-48
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002
BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE.
O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
Numero da decisão: 3803-005.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
João Alfredo Eduão Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani.
Nome do relator: JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado o ônus da prova dos fatos que tenha alegado em seu favor. Na falta de provas o direito creditório deve ser negado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/2002 a 31/03/2002 BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DE VALORES TRANSFERIDOS A TERCEIROS. IMPOSSIBILIDADE. O inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718 não teve eficácia em seu período de vigência. Inexiste permissivo legal para exclusão da base de cálculo tributável dos valores faturados repassados a terceiros. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani votaram pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 90 03 61 /2 00 9- 48 Fl. 52DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 2 (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Belchior Melo de Sousa, Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Juliano Eduardo Lirani. Relatório Tratase de PER/DCOMP, através do qual Loja do Pintor Tintas e Materiais para Construção busca compensar crédito de COFINS referente ao período de apuração março de 2002, no valor original de R$ 5.333,37, com débitos de IRPJ que totalizam o mesmo valor. A DRF em São José dos Campos/SP através de despacho decisório eletrônico não homologou o pedido do sujeito passivo sob o argumento de que localizou o pagamento indicado, contudo, o mesmo estava totalmente alocado para pagamento de outros débitos do contribuinte, não restando saldo suficiente para a compensação requerida. Irresignado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, por meio da qual alega que: a) realizou pagamento indevido a maior, pois não considerou os termos do § 2º, do inciso III, do artigo 3º, da Lei 9.718/98 (inferese tratar do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98) quando apurou a base de cálculo das contribuições; b) o crédito foi devidamente apurado e compensado na forma da legislação em vigor; c) o único fundamento para a glosa das compensações efetuadas pela recorrente é uma pretensa inexistência de créditos; d) sequer foi solicitado ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito; e) a autoridade fiscal teria acesso às planilhas de apuração e poderia verificar a regularidade do encontro de contas efetuado se tivesse solicitado ao contribuinte a prova dos créditos; f) o despacho decisório deve ser anulado, determinando que a autoridade efetue as diligências para comprovar a origem e existência do crédito utilizado; ou, que seja logo homologada a compensação declarada. Ao final pede deferimento da manifestação de inconformidade. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou improcedente a manifestação de inconformidade afirmando que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900361/200948 Acórdão n.º 3803005.709 S3TE03 Fl. 11 3 a) o contribuinte é responsável pelas informações sobre os créditos e os débitos em DCOMP, cabendo a autoridade tributária a sua necessária verificação e validação; b) o despacho decisório foi emitido corretamente, pois foi baseado nas informações prestadas pelo contribuinte para a administração tributária; c) é indevido o crédito reclamado, pois o dispositivo legal invocado pelo interessado quedouse inaplicável, por falta de regulamentação, até sua formal revogação; d) a não homologação da compensação declarada foi baseada nas informações declaradas pelo contribuinte, dispensando, a priori, o aprofundamento das investigações; e) não há motivos que justifiquem a realização de diligências ou a anulação do despacho; f) o contribuinte não conseguiu provar a existência de direito creditório capaz de suportar a compensação declarada. Inconformado, o sujeito passivo protocolou Recurso Voluntário, onde alega: a) a não localização dos darfs, por si só, não pode gerar a não homologação da compensação, pois os valores indicados à compensação foram resultados de uma análise contábil e fiscal realizada por empresa contratada que identificou os créditos fiscais passíveis de compensação com tributos, estando as informações e documentos de posse da mesma; b) a ausência de norma regulamentadora não pode prejudicar o contribuinte pela omissão do Poder Executivo, principalmente porque não poderia contrariar o dispositivo, mas apenas explicitálo; Ao final requer o acolhimento do recurso para determinar a apresentação dos documentos à comprovar o crédito, que estão em poder de escritório que realizou o levantamento dos créditos fiscais para então julgar a homologação ou não da compensação. É o relatório. Voto Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira – Relator O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Percebese que a lide se restringe a dois pontos: a) a comprovação do crédito, bem como o momento de apresentação das provas; e b) a possibilidade de creditamento com base no do inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 4 Da comprovação do crédito. As compensações se prestam ao encontro de contas, entre um débito tributário e um crédito líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública, conforme determina o artigo 170 do CTN. “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.” Neste mesmo sentido expressase o artigo 74 da Lei 9.430/96. Daí concluirse que o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento a maior do tributo, desse modo, a fim de comprovar a existência do crédito alegado, o interessado deve instruir sua defesa, em especial a manifestação de inconformidade, com documentos que respaldem suas afirmações, considerando o disposto nos artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/1972: “Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)” A defesa não trouxe nenhuma prova na qual pudesse sustentar a existência do direito creditório pretendido, limitase a informar que os cálculos foram feitos por empresa contratada e pede para que seja determinada a apresentação dos documentos em posse desse terceiro. No processo administrativo fiscal, assim como no processo civil, o ônus de provar a veracidade do que afirma é de quem alega a sua existência, ou seja, do interessado, é assim que dispõe a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999 no seu artigo 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido os artigos 333 e 396 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973CPC: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados a provar lhe as alegações. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900361/200948 Acórdão n.º 3803005.709 S3TE03 Fl. 12 5 Pelo exposto é fácil concluir que a alegação do recorrente de que não pode apresentar as provas porque estariam em posse de terceiro não deve prosperar, por que lhe compete o ônus de provar suas alegações. Da apresentação das provas. O artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 em seu § 4º determina, ainda, o momento processual para a apresentação de provas no processo administrativo fiscal, bem como as exceções albergadas que transcrevemos a seguir: “§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” A análise da norma supracitada é clara e direta ao estabelecer o momento correto a serem carreadas as provas a fim de substanciar os argumentos da interessada, qual seja, na manifestação de inconformidade, contudo, esta turma recursal tem firmado entendimento no sentido de admitir, excepcionalmente, a análise de provas trazidas em sede de recurso voluntário, quando estas não dependam de análise técnica aprofundada e sejam complementares às provas trazidas em Manifestação de Inconformidade, contudo, mesmo neste momento processual, nenhuma prova foi carreada aos autos, como escrita fiscal, escrita contábil, planilhas de cálculo e outras informações e documentos que a recorrente poderia ter trazido em sua defesa. Da impossibilidade de creditamento A insuficiente comprovação por parte do contribuinte é bastante para impossibilitar o creditamento, mas vale abordar o ponto que se refere ao inciso III do § 2º do artigo 3º da Lei 9.718/98, citase: Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 2º Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2º, excluemse da receita bruta: [...] Fl. 56DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO 6 III os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo; (Grifo Nosso) A interpretação literal da norma acima transcrita revela que é necessária norma regulamentadora, expedida pelo Poder Executivo, para que se possa excluir da base de cálculo as receitas transferidas para outra pessoa jurídica. O legislador tem a possibilidade de outorgar o poder e condicionar a eficácia das normas a atos do Poder Executivo. Nesse caso o chefe do Poder Executivo estava no direito, inclusive, de negar eficácia à norma e assim o fez por meio de medida provisória. Verificase que nunca houve norma regulamentadora de tal dispositivo até o momento de sua revogação por meio de medida provisória. Essa situação, diferentemente do alegado pelo contribuinte, impede sua aplicação. O CARF tem acompanhado esse entendimento, inclusive em relação ao mesmo contribuinte no Acórdão nº 340301.086 da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF que foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIALCOFINS Período de apuração: 01/01/1999 a 30/09/2000 COFINS. LEI Nº 9.718/98. RECEITAS TRANSFERIDAS PARA TERCEIROS.INEFICÁCIA. O inciso III do § 2º do art. 3º, da Lei nº 9.718 ao prever que os “valores que, computados como receita tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, observadas normas regulamentares expedidas pelo Poder Executivo", embora vigente temporariamente, não logrou eficácia no ordenamento em face de sua revogação pelo art. 47, inciso IV, da MP nº 199118 antes de qualquer iniciativa regulamentar. Recurso Voluntário Negado Logo, o crédito é inexistente por falta de eficácia da norma alegada que permitiria a exclusão de receitas transferidas para terceiros. Conclusão O pleito do contribuinte carece de provas suficientes à comprovação de suas alegações, pois não trouxe aos autos nenhuma prova fiscal e/ou contábil capaz de demonstrar o seu direito creditório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO Processo nº 13884.900361/200948 Acórdão n.º 3803005.709 S3TE03 Fl. 13 7 Ainda que trouxesse robusta documentação probatória, entendemos que o crédito pleiteado é inexistente, uma vez que a norma autorizadora não chegou a ser regulamentada e, consequentemente, nunca foi eficaz. Pelo exposto voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso e por NÃO RECONHECER o direito creditório pretendido. (assinado digitalmente) João Alfredo Eduão Ferreira Relator Fl. 58DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 11/ 04/2014 por JOAO ALFREDO EDUAO FERREIRA, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA M ACHADO
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Numero do processo: 19311.720392/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA
Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91
A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.993
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a).
MARCELO OLIVEIRA - Presidente.
BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 RETENÇÃO 11% - CESSÃO DE MÃO-DE-OBRA -. NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mão-de-obra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo.
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NÃO CONFIGURADA Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 A falta da exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária dificulta o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso de Ofício, nos termos do voto do(a) Relator(a). MARCELO OLIVEIRA Presidente. BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 92 /2 01 1- 11 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 2 Relatório Tratase de crédito previdenciário lançado contra o sujeito passivo acima identificado, referente a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondente à retenção de 11% incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura emitida pelo prestador de serviços. Conforme Relatório Fiscal, a autuada foi contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra e deixou de reter e recolher, em época própria, as contribuições incidentes sobre o valor bruto dos serviços, em desacordo com o que estabelece o art. 31 da Lei 8.212/91. Segundo a fiscalização, a autuada, na condição de tomadora dos serviços executados mediante cessão de mãodeobra, fica diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros do subsistema estrutural da ÁREA 2, no município de São Paulo, prestado pela empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA. A autoridade lançadora traz o histórico da legislação municipal que trata do transporte público da cidade de São Paulo para tentar demonstrar que as empresas que prestaram os serviços deixaram de ser permissionárias, passando a efetiva condição de contratadas, com a remuneração fixada em função do custo do serviço prestado, considerando a frota de veículos, equipamentos, mãodeobra e instalações alocados à disposição do sistema. Informa que a operadora deixa de ser remunerada diretamente pela apropriação da tarifa paga pelo usuário, sendo que a arrecadação tarifária centralizada pela contratante é a principal fonte de recursos para o pagamento das empresas contratadas, modelo estabelecido por lei e que ficou conhecido como “municipalização do sistema de transporte”. Esclarece que os contratados têm obrigação de colocar permanentemente à disposição do usuário os serviços especificados pela contratante, nos horários, percursos e demais critérios operacionais, conforme cláusulas contratuais “Das Obrigações da Contratada”, e que a tomadora do serviço determina estritamente todas as condições para sua adequada execução, especificando o percurso e os horários dos ônibus, bem como a quantidade e a qualidade dos recursos (materiais e humanos) a serem disponibilizados pela cedente. A seguir, discorre sobre contratos e como o serviço era prestado, trazendo a legislação correlata sobre a matéria e reafirma o entendimento de que incide retenção de 11% sobre os serviços de operação de transportes de passageiros, pois prestados mediante cessão de mãodeobra, nos termos da Lei 8.212/1991. Conclui que, em que pese as concessionárias prestadoras de serviços de transporte coletivo urbano de passageiros na cidade de São Paulo terem deixado de destacar os valores das retenções, a Secretaria Municipal de Transportes, contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra é a responsável pelo recolhimento das importâncias que deixou de reter, por expressa determinação legal. Defende ainda que o lançamento deva ser feito em face da tomadora do serviço, com fundamento no art. 31, caput e § 1º e art. 33, § 5º da Lei 8.212/91, ficando a prestadora de serviços solidariamente responsável pelo débito, nos termos dos arts. 124, I e II e Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720392/201111 Acórdão n.º 2301003.993 S2C3T1 Fl. 1.041 3 128 do CTN, bem como art. 71 da Lei 8.666/93, pois entende que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota, uma vez que a lei não excluiu a responsabilidade do contribuinte nesses casos em que não há retenção pelo tomador, nem destaque na nota, permanecendo ambos (tomador e prestador) responsáveis pelo recolhimento das contribuições devidas, também com fulcro no artigo 128 do CTN. A autoridade lançadora esclarece, ainda, que foi feito um comparativo entre as multas vigentes antes e depois da MP 449/2008, e aplicada a mais benéfica ao contribuinte para os fatos geradores anteriores a 04/12/2008, conforme o princípio da retroatividade benigna, previsto no art. 106, inciso II, “c”, do CTN, ou seja, aplicouse a multa de mora prevista no art. 35, da Lei nº 8.212/91, nas competências de 02/2007 a 11/2008, haja vista ter se demonstrado mais benéfica ao contribuinte, e a multa de 75% da legislação vigente na competência 12/2008. O Município de São Paulo apresentou defesa, alegando, em apertada síntese, que não há notícia de que a auditoria tenha averiguado se as concessionárias recolheram ou não as contribuições cuja ausência de retenção é objeto do auto de infração impugnado. No mérito, defende que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãodeobra e, por isso, ausente a ocorrência do fato gerador relativo ao tributo cobrado no AI em tela. A empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA que, no entendimento da fiscalização, é responsável solidária pelo débito, também apresentou defesa, alegando, preliminarmente, nulidade do AI por utilizar a IN 971/2009 para fatos apurados entre 01/2006 a 12/2008, ou seja, retroagiu a norma tributária sem a demonstração de que tal fato tenha se dado de forma benéfica ao contribuinte. Assevera, ainda, que se o procedimento fiscal tivesse executado uma verificação a respeito da situação previdenciária do contribuinte, constataria que suas obrigações estão sendo rigorosamente cumpridas, e anexa documentos que, segundo entende, comprovam suas alegações. Requer que o julgamento seja convertido em diligência e, no caso da manutenção do débito, que seja reconhecido desde logo o direito do impugnante à restituição dos valores recolhidos a título de contribuições previdenciárias no período em questão. No mérito, tenta demonstrar a inexistência de cessão de mão de obra a justificar a retenção de 11% nos serviços prestados pela impugnante na qualidade de concessionária de serviço público de transporte de passageiros. Reitera que houve cobrança em duplicidade de contribuições previdenciárias, uma vez que os tributos incidentes sobre os fatos geradores ocorridos no período já se encontram extintos pelo pagamento. A Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 05039.632, da 6a Turma da DRJ/CPS (fls. 922), julgou a impugnação procedente, exonerando o crédito tributário e recorrendo dessa decisão a este Conselho de Contribuintes. Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 4 Entenderam os julgadores de primeira instância que os serviços de transporte coletivo público de passageiros noticiados nos autos não foram executados mediante cessão de mãodeobra. Cientificadas da decisão de primeira instância e do recurso de ofício, apenas a empresa solidária SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA se manifestou, apresentando recurso voluntário. Entende que deva reforçar algum dos elementos apontados em sua impugnação, para o caso de eventual provimento do recurso de ofício por este CARF. Reitera que inexiste cessão de mão de obra nos serviços prestados pela recorrente na qualidade de concessionária.de serviços públicos de transporte de passageiros, mas sim uma delegação de uma atividade a um particular. Repete que inexistiu verificações básicas por parte da fiscalização, por meio das quais restaria evidente cobrança em duplicidade de contribuições previdenciárias, já que os tributos em tela já se encontram extintos pelo pagamento, e questiona como pode a empresa concessionária ser contribuinte e responsável ao mesmo tempo. Argumenta que, se a empresa recolheu a totalidade das contribuições sobre a sua folha de salários, em razão da ausência da antecipação do tributo, consubstanciada na retenção de 11%, imputarlhe responsabilidade solidária por essa equivale a exigirlhe pagamento em duplicidade. Insiste na realização de diligência para que se verifique a efetiva existência de débitos, para que se evita cobranças em duplicidade e o locupletamento indevido por parte do poder público. Finaliza requerendo, caso se mantenha a cobrança do débito, a restituição do valor pago pela empresa a título de contribuições previdenciárias sobre sua folha de pagamento. É o relatório. Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720392/201111 Acórdão n.º 2301003.993 S2C3T1 Fl. 1.042 5 Voto Conselheiro Bernadete de Oliveira Barros Todos os requisitos de admissibilidade do recurso de ofício foram cumpridos, não havendo óbice para seu conhecimento. A 6a Turma da DRJ/CPS recorre de ofício a este Conselho da decisão que julgou procedente as impugnações apresentadas e que exonerou o débito lançado contra o MUNICÍPIO DE SÃO PAULO e outros. Entenderam os julgadores de primeira instância, assim como a autuada, que não houve cessão de mão de obra nos serviços prestados. Já a fiscalização entende que o serviço de transporte coletivo público de passageiros do Município de São Paulo foi realizado com cessão de mão de obra. Impõe, portanto, verificar a modalidade com que os serviços públicos de transporte de passageiros do município foram prestados. A fiscalização alega que o Município tomou serviços com cessão de mãode obra da empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA e, nessa condição, está diretamente responsável pela retenção de 11% sobre o valor da prestação de serviços de transporte coletivo público de passageiros, fundamentando a autuação no art. 31, da Lei 8.212/91. A autuada se defende do débito argumentando que a prestação de serviço relacionada com o transporte coletivo efetivado pelas concessionárias não é cessão de mãode obra e, sim, uma concessão de prestação de serviços públicos, e que a prestação de serviços/terceirização não se confunde com a concessão/permissão De fato, a Administração Pública pode recorrer à colaboração de terceiros para melhor cumprir suas atividades e realizar suas funções. Contudo, há que se distinguir terceirização na Administração Pública, das chamadas concessões e permissões de serviços públicos. A terceirização é o instituto pelo qual a Administração busca a parceria com o setor privado para a realização de suas atividades. Tudo aquilo que não é objetivo institucional do órgão público pode ser transferido para terceiros. A Lei nº 8.666/93 define “serviços” como a atividade destinada a obter determina utilidade de interesse para a Administração (art. 6º, II). Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 6 Portanto, o serviço objeto de terceirização é uma tarefa prestada pelo particular (contratado), imediatamente à Administração, para apoio ao exercício de suas atribuições. Ou seja, o Órgão Público contrata uma empresa de limpeza, para manutenção de suas instalações, ou de segurança, para guardar suas repartições, ou mesmo de construção civil, para reformas e obras em suas edificações, ou mesmo de transporte de passageiros, para transportar seus funcionários. Assim, a Administração estaria terceirizando suas atividadesmeio. O objetivo da terceirização restringese ao repasse a empresas privadas especializadas de determinadas atividadesmeio ou atividades executivas e bucrocráticas de apoio (serviços administrativos), realizadas no âmbito interno da Administração Pública, a fim de que o ente ou órgão público possa se empenhar nas suas competências finalísticas dispostas em lei. Já as atividades fins são voltadas diretamente aos administrados, e sua prestação é obrigatória pelo Estado, que o fará como serviço público, sob regime de direito público. Constatase que, cada vez mais, prestações de serviços públicos vêm sendo repassadas para a iniciativa privada, por meio dos institutos da concessão e da permissão, formas de descentralização de serviços por colaboração. Da mesma forma, a Administração vem enxugando seus quadros e dinamizando a execução de suas atividades através da contratação de terceiros, vale dizer, por meio da terceirização. No entanto, a diferença é que, na terceirização, a Administração Pública apenas transfere a execução material de determinadas atividades, ao passo que as concessionárias e permissionárias de serviços públicos também recebem a gestão operacional. O art. 175 da CF/88, estabelece que Art. 175 "Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos". Segundo Maria Sylvia Di Pietro (2005, p. 239): A concessão tem por objeto um serviço público; não uma determinada atividade ligada ao serviço público, mas todo o complexo de atividades indispensáveis à realização de um específico serviço público, envolvendo a gestão e a execução material. [...] A Administração transfere o serviço em seu todo, estabelecendo as condições em que quer que ele seja desempenhado; a concessionária é que vai ter a alternativa de terceirizar ou não determinadas atividades materiais ligadas ao objeto da concessão. A locação de serviços tem por objeto determinada atividade que não é atribuída ao Estado como serviço público e que ele exerce apenas em caráter acessório ou complementar da atividadefim, que é o serviço público." Na lição de Celso Antônio Bandeira de Mello (2010, p. 703): [...] Nos simples contratos de prestação de serviço, o prestador do serviço é simples executor material para o Poder Público contratante. Daí que não lhe são transferidos poderes públicos. Persiste sempre o Poder Público como o sujeito diretamente relacionado com os usuários e, de conseguinte, como responsável direto pelos serviços. O usuário não entretém relação jurídica alguma com o contratadoexecutor material, mas com a entidade pública à qual o serviço está afeto. Por isto, quem cobra pelo serviço prestado – e o faz para si próprio – é o Poder Público. O contratado não é remunerado por tarifas, Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720392/201111 Acórdão n.º 2301003.993 S2C3T1 Fl. 1.043 7 mas pelo valor avençado com o contratante governamental. Em suma: o serviço continua a ser prestado diretamente pela entidade pública a que está afeto, a qual apenas se serve de um agente material. Já na concessão, tal como se passa igualmente na permissão – e em contraste com o que ocorre nos meros contratos administrativos de prestação de serviços, ainda que públicos –, o concedente se retira do encargo de prestar diretamente o serviço e transfere para o concessionário a qualidade, o título jurídico, de prestador do serviço ao usuário, isto é, o de pessoa interposta entre o Poder Público e a coletividade. A Locação de Serviços é regida pela Lei 8.666/93, e a Concessão/Permissão de Serviços Públicos pela Lei Federal 8.987/95. Na Terceirização não há a transferência da gestão do Serviço Público ao Privado. É só uma modalidade de execução No caso dos presentes autos, verificase que o Município firmou um contrato de concessão de um serviço público, o de transporte coletivo. E, entendo que não restou demonstrada, nos autos, a cessão de mãodeobra nos serviços prestados pela concessionária SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA. O conceito legal de cessão de mãodeobra é a colocação à disposição da empresa contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de trabalhadores que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com sua atividade fim, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação, inclusive por meio de trabalho temporário na forma da Lei nº 6.019, de 1974. Dependências de terceiros são aquelas indicadas pela empresa contratante, que não sejam as suas próprias e que não pertençam à empresa prestadora dos serviços. Por colocação à disposição da empresa contratante entendese a cessão do trabalhador, em caráter nãoeventual, respeitados os limites do contrato. Serviços contínuos são aqueles que constituem necessidade permanente da contratante, que se repetem periódica ou sistematicamente, ligados ou não a sua atividade fim, ainda que sua execução seja realizada de forma intermitente ou por diferentes trabalhadores. Da análise dos contratos firmados entre a Prefeitura do Município de São Paulo e o Consórcio Bandeirante de Transporte, constatase que não houve contratação de serviços de mero fornecimento de mão de obra, mas sim uma concessão de execução do serviço de transporte coletivo de passageiros. Verificase que a empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA assumiu a prestação de serviços públicos como um todo, diretamente ao usuário. E a fiscalização não demonstrou, nos autos, que houve cessão de mão de obra à Prefeitura nos serviços prestados. Para que sejam apuradas contribuições com base no art. 31, da Lei 8.212/91, é necessária que a cessão de mãodeobra fique devidamente configurada no relatório fiscal, parte integrante do AI, em observância ao disposto no art. 37, da Lei 8.212/91 Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 8 Assim entendo que a fiscalização não demonstrou que o serviço público de transporte de passageiros prestado pela concessionária SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA se enquadra na definição legal, porque somente serão alcançados pela obrigação tributária da retenção se realizados mediante cessão de mãodeobra. A atividade administrativa de lançamento requer a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, como preceitua o CTN, em seu art. 142: E, para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizado o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal, que os requisitos necessários para configuração da cessão de mãodeobra foram cumpridos, ou seja, que o serviço prestado se enquadra no conceito legal de cessão de mãodeobra, que houve colocação de empregados à disposição do contratante, submetidos ao seu poder de comando, e que o serviço tenha sido prestado no estabelecimento do tomador ou de terceiros. No caso em estudo, verificase que houve transferência da execução e exploração de um serviço público, e as empresas concessionárias é que desenvolvem as atividades materiais, por sua conta e risco, e diretamente em face dos usuário, com a finalidade de atender as necessidades de “deslocamento da população” urbana do município de São Paulo. Mesmo estando a modalidade de concessão de transporte de passageiros no rol do § 2o, do art. 219, do Decreto 3.048/99, entendo que para o implemento da condição expressa no caput tem que ficar demonstrada a cessão de mão de obra, o que não ocorreu nos autos. Não restou comprovado que a autuada tomou mão de obra das contratadas, pois os serviços eram prestados diretamente aos passageiros, usuários finais, e não à Prefeitura Municipal. O contrato apresentado não demonstra que a concessionária tenha se obrigado a colocar mão de obra por ela contratada à disposição da Prefeitura. Pela cláusula 4.1.5, citada no Relatório Fiscal, verificase apenas que a empresa assumiu o compromisso de operar com pessoal devidamente capacitado e habilitado, e de cumprir as obrigações decorrentes da legislação trabalhista. E, como observou com muita propriedade o relator do acórdão recorrido, a constituição, manutenção e a permanente utilização de uma estrutura material e humana na execução dos serviços contratados se trata “de uma das mais elementares obrigações de qualquer concessionária de serviço público”. E o fato de os serviços serem executados nas vias públicas, indicadas pela contratante, não configura, por si só, a cessão de mão de obra que enseja a retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91. Da mesma forma, a determinação de condições e especificação do percurso e dos horários dos ônibus são características dos contratos administrativos em geral, conforme disposto na Lei 8.987/95, que dispõe sobre o regime de concessão e permissão da prestação de serviços públicos, pois, nesse tipo de contrato, as cláusulas são fixadas unilateralmente pela Administração, já que o serviço continua público, sendo delegada à concessionária apenas a execução dos serviços. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 19311.720392/201111 Acórdão n.º 2301003.993 S2C3T1 Fl. 1.044 9 Como também é incumbência do poder público concedente a fiscalização dos serviços prestados, nos termos do art. 29, da citada Lei 8.987/95, que também não conceituou a forma de remunerar a concessionária pela execução dos serviços. Assim, a forma como a empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA foi remunerada pelos serviços de transporte público não descaracteriza a concessão, como não também não demonstra a ocorrência da situação fática do art. 31, da Lei 8.212/91. Observase ainda que a autuada não teve ônus algum, já que não arcou com o custo de tais serviços. Conforme palavras do próprio auditor notificante, “Com o total da arrecadação da tarifa (fonte primária de recursos), mais os subsídios autorizados (quando previstos), a SPTrans efetua os pagamentos às empresas prestadoras, de acordo com a participação das mesmas no custo total do sistema...”.(...) Os pagamentos aos operadores do transporte são registrados na contabilidade da SPTrans em uma conta própria (“Conta Sistema”), que não afeta seu resultado, ou seja, não gera receita, nem despesa para a empresa. (...). Basicamente, temos a entrada de recursos representada pela venda dos bilhetes de passagem (atualmente venda de créditos do Bilhete Único), mais os valores repassados pela Prefeitura (gratuidades e compensação tarifária) e as saídas quando do pagamento aos operadores que prestam serviços no sistema de transporte coletivo. O fato de constar, da cláusula 19.1.25, do contrato de concessão do serviço público de transporte de passageiros, a previsão de criação de Grupo de Trabalho para apresentar critérios para desconto da parcela da remuneração de cada concessionária a ser destinado ao pagamento do INSS, não prova que tal parcela se refere à retenção de que trata o art. 31 da Lei 8.212/91, ou que tenha sido efetivado o desconto. Mesmo porque, se se tratasse da retenção de 11%, não seria necessária a constituição de um Grupo de Trabalho para apresentação de critérios, uma vez que a aplicação do referido art. 31 é imediata e obrigatória. Por tudo que foi exposto, entendo que não restou configurada a cessão de mão de obra na prestação de serviço público de transporte urbano no Município de São Paulo, assistindo razão à primeira instância administrativa em julgar o lançamento improcedente. A fiscalização imputou à concessionária, ainda, a responsabilidade solidária pelo débito. Fundamenta seu entendimento nos arts. 124, I e II e 128 do CTN, bem como no art. 71 da Lei 8.666/93, argumentando que a prestadora continua responsável por recolher as contribuições nas hipóteses em que não houve a retenção pelo tomador, nem o destaque na nota. Contudo, não assiste razão ao auditor autuante. Após o advento da retenção não há mais que se falar em responsabilidade solidária do tomador para com o contratante de serviços mediante cessão de mãodeobra, pois aquele passa a ter como obrigação reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal de serviços. Portanto, não há que se falar em solidariedade pelo débito correspondente à retenção de 11%, nos casos em que não houve a retenção pelo tomador, como entendeu de Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA 10 forma equivocada a fiscalização, pois, conforme consta do próprio relato fiscal, o desconto se presume feito pela empresa a isso obrigada, nos termos do § 5o, do art. 33, da Lei 8.212/91. A fiscalização é contraditória em seu relatório, pois, ao mesmo tempo em que cita o mencionado § 5o para fundamentar o débito, o auditor autuante retira a aplicabilidade do referido dispositivo legal ao afirmar que permanece a responsabilidade solidária da tomadora nos casos em que ela “não realizar a obrigação que está a seu cargo”. A retenção é uma obrigação principal legal imposta à empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mãodeobra. Ou seja, a obrigação é somente da contratante, de proceder ao recolhimento da retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91 e, ao contrário do que afirma a autoridade lançadora, não há omissão de qualquer natureza nesse sentido na lei de custeio. Portanto, concluo que assiste razão aos julgadores da DRJ e à empresa recorrente, no que diz respeito à ausência de responsabilidade solidária da empresa contratada pelo débito relativo à retenção de que trata o art. 31, da Lei 8.212/91. Dessa forma, a empresa SAMBAÍBA TRANSPORTES URBANOS LTDA deve ser excluída do pólo passivo do AI em tela. Nesse sentido e, CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, VOTO no sentido de CONHECER DO RECURSO DE OFÍCIO E NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros Relator Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 13706.002400/2008-10
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. SÚMULA CARF Nº 1.
A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. (Aplicação da Súmula CARF nº 1)
Recurso voluntário não conhecido
Numero da decisão: 2802-002.654
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior.
Nome do relator: JACI DE ASSIS JUNIOR
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SÚMULA CARF Nº 1. A opção pela via judicial importa renúncia às instâncias administrativas, não cabendo as razões de defesa quanto à matéria sob o crivo do Poder Judiciário. (Aplicação da Súmula CARF nº 1) Recurso voluntário não conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NÃO CONHECER do recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Dayse Fernandes Leite, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Melo e Jimir Doniak Junior. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 24 00 /2 00 8- 10 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Tratase de exigência de crédito tributário lavrada em notificação de lançamento, de fls. 10 a 13, relativa ao exercício 2003, anocalendário 2002. De acordo com as fls. 12, o valor de R$ 103.604,84, recebido do Ministério do Trabalho, foi considerado rendimento tributável tendo em vista que a data da aposentadoria teria ocorrido em 23/09/2003. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 01 a 09, juntamente com os documentos de fls. 14 a24, alegando, em síntese, ser idoso, portador de moléstia grave desde outubro de 2001, com direito à isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Transcreve ementas do Superior Tribunal de Justiça que, a seu ver, corroboram o seu entendimento. Examinando a impugnação a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro II (RJ) decidiu pela improcedência da impugnação, nos termos da seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 MOLÉSTIA GRAVE. ISENÇÃO. Para serem isentos do imposto de renda pessoa fisica, os rendimentos deverão necessariamente ser provenientes de pensão, aposentadoria ou reforma, assim como deve estar comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da Unido, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que o interessado é portador de uma das moléstias apontadas na legislação de regência. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Regularmente notificado do Acórdão em 13/11/2010, fls. 41, verso, o contribuinte interpôs recurso voluntário em 29/11/2010, fls. 44 a 53, onde reitera os argumentos da impugnação e ainda informa que ingressou com uma ação ordinária nº 2008.51.01.0057003, tendo sido declarada a inexistência de relação jurídica tributária no que toca ao Imposto de Renda anocalendário 2002, exercício 2003, em razão da decadência do direito de efetuar o lançamento, bem como reconhecida a isenção do imposto de renda, desde outubro de 2001, data da constatação da doença, conforme Sentença, fls. 58 a 65, e Acórdão proferido pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região, fls. 67 a 71. Por meio do Memorando nº 058/2013/DRF/RJI/DICAT EQCAJ, fls. 87 (digital) a autoridade administrativa encaminhou as principais peças da mencionada, fls. 88 a 104, informando sobre o trânsito em julgado da em julgado da decisão “anocalendário 2002, exercício 2003”. É o relatório. Voto Fl. 106DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13706.002400/200810 Acórdão n.º 2802002.654 S2TE02 Fl. 107 3 Conselheiro Jaci de Assis Junior, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo, devendo ser examinadas os demais requisitos para sua admissibilidade. Conforme relatado, há concomitância da questão tratada nos presentes autos com o objeto examinado na esfera judicial, em face de ação ordinária ingressada pelo contribuinte. Observese que o assunto encontrase pacificado no âmbito do julgamento administrativo, consoante Súmula CARF nº 1, nos seguintes termos: Súmula CARF Nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura, pelo sujeito passivo, de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação de matéria distinta da constante do processo judicial.” Observese, finalmente, que a decisão judicial que declarou a inexistência de relação jurídica de direito tributário no tocante ao imposto de renda referente ao exercício de 2003, anocalendário de 2002, assunto do presente processo, transitou em julgado nos termos do Memorando nº 058/2013/DRF/RJI/DICAT EQCAJ, fls. 87. Voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 107DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinado digitalmente em 24/01/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10580.720568/2009-67
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2005, 2006
LANÇAMENTO FISCAL. ANO-CALENDÁRIO 2005. DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA, CONFUSA, CONTRADITÓRIA.. PREJUÍZO À DEFESA. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL.
A inobservância de formalidades legais na constituição do crédito tributário, como descrição dos fatos imprecisa, confusa ou contraditória, que dificulta, não permite o entendimento ou a compreensão acerca da imputação fiscal, configura vício insanável, implicando a nulidade do ato administrativo de lançamento por cerceamento do direito de defesa.
LANÇAMENTO FISCAL. ANO-CALENDÁRIO 2006. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE. PRELIMINAR REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa
OMISSÃO DE RECEITAS. ANO-CALENDÁRIO 2006. NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS NÃO ESCRITURADAS. VALOR TRIBUTÁVEL. PARCELAS A EXPURGAR OU EXCLUIR. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Configura Omissão de Receitas a diferença entre o somatório de valor das notas fiscais de vendas (saídas) e a receita informada na declaração do Simples Federal.
Não restando comprovada a existência de parcelas a excluir ou expurgar do valor tributável, mantém-se a infração omissão de receitas conforme imputada no auto de infração.
IPI-SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO 2006. COMERCIANTE IMPORTADOR. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL.
Além do IPI vinculado - pagamento por ocasião do desembaraço aduaneiro de mercadoria industrializada importada, a empresa comercial importadora enquadrada no Simples Federal pagará unificadamente os tributos e contribuições federais acerca de suas vendas no mercado interno, acrescendo-se, ao percentual correspondente à sua faixa de receita bruta acumulada, 0,5% (meio ponto percentual) a título de IPI-SIMPLES, por ser equiparada a estabelecimento industrial.
OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. ANO-CALENDÁRIO 2006. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
O comportamento do contribuinte consistente em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada.
A reiteração da omissão de receitas em todos os meses do ano-calendário, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro de fato ou material cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadir-se do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA. ANO-CALENDÁRIO 2006.
Mantida a infração principal Omissão de Receitas, segue a mesma sorte a infração reflexa, inexistindo razão fática e jurídica para decidir de modo diverso.
TRIBUTOS REFLEXOS. csll-simples, cofins-simples, pis-simples, IPI-Simples, contribuição para seguridade social - inss-simples. ANO-CALENDÁRIO 2006.
Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ-Simples), devido à íntima relação de causa e efeito, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
Numero da decisão: 1802-002.147
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para declarar a nulidade dos lançamentos relativos ao ano-calendário 2005 e quanto ao ano-calendário 2006 rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, manter integralmente os lançamentos tributários.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2005, 2006 LANÇAMENTO FISCAL. ANO-CALENDÁRIO 2005. DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA, CONFUSA, CONTRADITÓRIA.. PREJUÍZO À DEFESA. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. A inobservância de formalidades legais na constituição do crédito tributário, como descrição dos fatos imprecisa, confusa ou contraditória, que dificulta, não permite o entendimento ou a compreensão acerca da imputação fiscal, configura vício insanável, implicando a nulidade do ato administrativo de lançamento por cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO FISCAL. ANO-CALENDÁRIO 2006. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa OMISSÃO DE RECEITAS. ANO-CALENDÁRIO 2006. NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS NÃO ESCRITURADAS. VALOR TRIBUTÁVEL. PARCELAS A EXPURGAR OU EXCLUIR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Configura Omissão de Receitas a diferença entre o somatório de valor das notas fiscais de vendas (saídas) e a receita informada na declaração do Simples Federal. Não restando comprovada a existência de parcelas a excluir ou expurgar do valor tributável, mantém-se a infração omissão de receitas conforme imputada no auto de infração. IPI-SIMPLES. ANO-CALENDÁRIO 2006. COMERCIANTE IMPORTADOR. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Além do IPI vinculado - pagamento por ocasião do desembaraço aduaneiro de mercadoria industrializada importada, a empresa comercial importadora enquadrada no Simples Federal pagará unificadamente os tributos e contribuições federais acerca de suas vendas no mercado interno, acrescendo-se, ao percentual correspondente à sua faixa de receita bruta acumulada, 0,5% (meio ponto percentual) a título de IPI-SIMPLES, por ser equiparada a estabelecimento industrial. OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. ANO-CALENDÁRIO 2006. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O comportamento do contribuinte consistente em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada. A reiteração da omissão de receitas em todos os meses do ano-calendário, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro de fato ou material cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadir-se do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA. ANO-CALENDÁRIO 2006. Mantida a infração principal Omissão de Receitas, segue a mesma sorte a infração reflexa, inexistindo razão fática e jurídica para decidir de modo diverso. TRIBUTOS REFLEXOS. csll-simples, cofins-simples, pis-simples, IPI-Simples, contribuição para seguridade social - inss-simples. ANO-CALENDÁRIO 2006. Aplica-se às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJ-Simples), devido à íntima relação de causa e efeito, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente.
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ANOCALENDÁRIO 2005. DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA, CONFUSA, CONTRADITÓRIA.. PREJUÍZO À DEFESA. VÍCIO FORMAL INSANÁVEL. A inobservância de formalidades legais na constituição do crédito tributário, como descrição dos fatos imprecisa, confusa ou contraditória, que dificulta, não permite o entendimento ou a compreensão acerca da imputação fiscal, configura vício insanável, implicando a nulidade do ato administrativo de lançamento por cerceamento do direito de defesa. LANÇAMENTO FISCAL. ANOCALENDÁRIO 2006. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. NULIDADE. PRELIMINAR REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa OMISSÃO DE RECEITAS. ANOCALENDÁRIO 2006. NOTAS FISCAIS DE SAÍDAS NÃO ESCRITURADAS. VALOR TRIBUTÁVEL. PARCELAS A EXPURGAR OU EXCLUIR. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Configura Omissão de Receitas a diferença entre o somatório de valor das notas fiscais de vendas (saídas) e a receita informada na declaração do Simples Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 05 68 /2 00 9- 67 Fl. 455DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 456 2 Não restando comprovada a existência de parcelas a excluir ou expurgar do valor tributável, mantémse a infração omissão de receitas conforme imputada no auto de infração. IPISIMPLES. ANOCALENDÁRIO 2006. COMERCIANTE IMPORTADOR. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. Além do IPI vinculado pagamento por ocasião do desembaraço aduaneiro de mercadoria industrializada importada, a empresa comercial importadora enquadrada no Simples Federal pagará unificadamente os tributos e contribuições federais acerca de suas vendas no mercado interno, acrescendo se, ao percentual correspondente à sua faixa de receita bruta acumulada, 0,5% (meio ponto percentual) a título de IPISIMPLES, por ser equiparada a estabelecimento industrial. OMISSÃO DE RECEITAS. FRAUDE/SONEGAÇÃO FISCAL. DOLO. MULTA QUALIFICADA. ANOCALENDÁRIO 2006. CARÁTER CONFISCATÓRIO. O comportamento do contribuinte consistente em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada. A reiteração da omissão de receitas em todos os meses do anocalendário, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro de fato ou material cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos, caracterizando o intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. INFRAÇÃO REFLEXA. ANO CALENDÁRIO 2006. Mantida a infração principal Omissão de Receitas, segue a mesma sorte a infração reflexa, inexistindo razão fática e jurídica para decidir de modo diverso. TRIBUTOS REFLEXOS. CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES, PISSIMPLES, IPI SIMPLES, CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES. ANO CALENDÁRIO 2006. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJSimples), devido à íntima relação de causa e efeito, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Fl. 456DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 457 3 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso para declarar a nulidade dos lançamentos relativos ao ano calendário 2005 e quanto ao anocalendário 2006 rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, manter integralmente os lançamentos tributários. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 457DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 458 4 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls. 413/432 contra decisão da 4ª Turma da DRJ/Salvador (efls. 388/400) que julgou a impugnação improcedente, mantendo integralmente o crédito tributário lançado pelos autos de infração do IRPJSimples e reflexos, quanto aos anoscalendário 2005 e 2006. Quanto aos fatos, consta que na DRF/Salvador, em 04/03/2009, foram lavrados pela fiscalização da RFB os autos de infração do Simples Federal (IRPJSimples, PISSimples, CSLL – Simples, Cofins – Simples, IPISimples e Contribuição para a Seguridade Social INSS – Simples)(efls. 186/300), em face das seguintes infrações imputadas: Anocalendário 2006: (...) 001 – OMISSÃO DE RECEITAS RECEITAS NÃO ESCRITURADAS Valor apurado conforme notas fiscais de saída emitidas pelo contribuinte e escrituradas parcialmente. (...) ENQUADRAMENTO LEGAL: Art. 24 da Lei nº 9.249/95;Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea “a”, 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei 9.317/96; Art. 3º, da Lei 9.732/98; Arts. 186, 188 e 189 do RIR/99. (...) Valor tributável da infração omissão de receitas: R$ 2.038.590,60, ano calendário 2006, conforme demonstrativo a seguir transcrito extraído da efl. 146, anexo do Relatório Fiscal parte integrante do lançamento fiscal (efls. 178/185): (...) Demonstrativo das Receitas Omitidas Anocalendário 2006 – Valores em Reais (R$) Mês Vendas com Notas Fiscais Receitas declaradas União Receitas declaradas fisco estadual Receita Omitida Janeiro 542.754,96 267.099,96 275.655,00 Fevereiro 275.995,93 270.823,13 5.172,80 Fl. 458DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 459 5 Março 250.154,57 241.803,97 8.350,60 Abril 188.636,65 182.257,04 6.379,61 Maio 195.580,48 191.850,48 3.730,00 Junho 141.883,68 130.368,67 11.515,01 Julho 536.794,54 156.764,54 380.030,00 Agosto 168.546,52 160.566,52 7.980,00 Setembro 279.468,82 175.368,82 104.100,00 Outubro 589.249,51 132.735,07 456.514,44 Novembro 498.234,90 88.423,97 409.810,93 Dezembro 467.272,86 97.920,65 369.352,21 TOTAL ANUAL 4.134.573,42 2.095.982,82 3.788.554,19 2.038.590,60 (...) Ainda, quanto à descrição dos fatos (infração Omissão de Receitas) do ano calendário 2006, consta do Relatório Fiscal, parte integrante do lançamento fiscal (efls. 178/185): (...) II) DA SISTEMÁTICA DO "SIMPLES" O contribuinte fiscalizado é optante pelo SIMPLES Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno, na condição de empresa de pequeno porte. O SIMPLES é um regime tributário diferenciado, simplificado e favorecido, estabelecido em cumprimento ao disposto no art. 179 da Carta Magna de 1988. Neste sistema, o recolhimento de tributos se dá de forma simplificada e unificada, através da aplicação de percentuais favorecidos e progressivos (alíquotas), incidentes sobre a receita bruta mensal. (...) III – (...) (...) OMISSÃO DE RECEITAS – ANOCALENDÁRIO 2006 (...) Contabilidade escriturada pelo contribuinte reconheceu receitas de vendas de R$ 2.095.982,82, no ano de 2006 (página 00074 do livro Razão). Por outro lado, declarou o contribuinte receita de venda de mercadorias de R$ 3.788.554,19, através de DME prestada ao fisco do estado da Bahia. Pela impossibilidade de se aferir através da DME, o faturamento mensal, as receitas foram apuradas através das notas fiscais de saída emitidas, obtidas mediante intimação. Estas foram digitadas e estão apresentadas Fl. 459DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 460 6 nos autos sob a forma de planilha intitulada “Notas Fiscais de Vendas de Mercadorias”. A soma das notas emitidas totalizou R$ 4.134.573,42, sendo objeto de lançamento de ofício a diferença mensal de receita omitida. (Obs: relação de notas fiscais de saídas do anocalendário 2006 constantes dos demonstrativos de efls. 146/176). (...) Infração reflexa (anocalendário 2006): (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme planilha “Demonstrativo da Receitas Omitidas”, parte integrante dos autos de infração (...) Enquadramento legal: Lei nº 9.317/96, art.5º, c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98; RIR/99, arts. 186 e 188. Obs: (i) Quanto ao anocalendário 2006, a infração reflexa – insuficiência de recolhimento diz respeito à insuficiência de pagamento das exações fiscais do Simples (IRPJ, PIS, Cofins, CSLL, IPI e INSS) em relação às receitas informadas na declaração do Simples do anocalendário 2006, em face da mudança de faixa de alíquota, efeito reflexo da infração principal Omissão de Receitas. (ii) Demonstrativo de percentuais aplicados sobre a receita bruta receita acumulada, mês a mês, para anocalendário 2006 (efl. 186) e demonstrativo das diferençasinsuficiências de recolhimento do IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, IPI e Contribuição INSS (efls.187/300). (ii) Em relação ao lançamento do IPI para a infração Omissão de Receitas (anocalendário 2006) e Insuficiência de Recolhimento (anocalendário 2006), consta adicionalmente do referido Relatório Fiscal, a seguinte narrativa, descrição dos fatos (efls. 180/183): (...) I) DOS FATOS A presente fiscalização fora aberta para apuração de irregularidades no recolhimento dos tributos devidos no sistema do SIMPLES, incluindo o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). A Global Comercial Ltda é uma sociedade empresária limitada do ramo comercial varejista especializada na venda de equipamentos e suprimentos de informática, cadastrada na base da Receita Federal do Brasil sob o CNAE fiscal 4751200. A situação cadastral do CNPJ do contribuinte é de INAPTIDÃO, face à prática irregular de operação no comércio exterior, conforme processo n° 12689.000.180/200882, da Receita Federal do Brasil, conforme Fl. 460DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 461 7 ato 00002, publicado em 27/06/2008, com efeitos a partir de 29/03/2005. (...) Em novembro de 2004 o contribuinte solicitou à Receita Federal do Brasil habilitação para operar no comércio exterior, tendo sido procedida a mencionada habilitação do seu responsável legal na modalidade ordinária em 03/03/2005, nos moldes da Instrução Normativa IN SRF n° 455/04. (...) II) DA SISTEMÁTICA DO “SIMPLES” (...) O contribuinte fiscalizado se encontrava habilitado, nos anos de 2005 e 2006, no sistema SISCOMEX da Receita Federal do Brasil, conforme consulta efetuada ao mesmo. Referida habilitação autoriza o contribuinte a operar no comércio exterior, efetuando operações de importação e exportação. Em anexo apresentamos listagem de todas as declarações de importação realizadas pelo contribuinte neste período, cujas adições se referem a entradas de partes e peças para automóveis, máquinas, equipamentos de informática e de automação industrial, materiais elétricos, etc. Anexamos também consulta ao sistema do Banco Central (BACEN), o qual registra todas as transações vinculadas a contratos de câmbio no período de 01/01/2000 a 07/11/2007. (Anexos – vide efls. 89/135). (...) 02) FALTA DE RECOLHIMENTO DO IPI No tocante ao Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), o art. 24 do Regulamento do IPI (RIPI, Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002), dispõe sobre a obrigatoriedade do recolhimento deste tributo: "Art. 24 São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar". Por outro lado, o art. 9º do mesmo diploma legal traz: "Art. 9º Equipaaramse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos" A obrigatoriedade pelo recolhimento do IPI decorre do fato do produto nacionalizado não perder a procedência estrangeira, Fl. 461DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 462 8 sujeitandose às obrigações previstas no RIPI aplicáveis aos produtos estrangeiros em circulação no território nacional. A base de cálculo adotada pelo fisco para determinação do IPI devido e não recolhido nos anos de 2005 e 2006 é a receita de venda, implicando acréscimo de 0,5% na alíquota mensal do SIMPLES, conforme determina a Lei n° 9.317/96, in verbis: Art. 5o O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: ................................. § 2o No caso da pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. No ano de 2005, a base de cálculo foi a receita escriturada, conforme consta nas páginas 00037 e 00038 do livro Razão, conta "Receita de Vendas". Para o ano de 2006, a base de cálculo do IPI também foi a receita bruta mensal escriturada, porém a base de cálculo foi o total de vendas, apurado através das notas de vendas, face à receita omitida neste ano. (...) Obs: Ainda, por lapso, foi imputada infração reflexa Insuficiência de Recolhimento do anocalendário 2005, como decorrência de Omissão de Receitas desse ano. Porém, não houve imputação de infração Omissão de Receitas para o ano calendário 2005. O crédito tributário lançado de ofício, no âmbito do Simples Federal, perfaz o montante de R$ 894.068,22 para os anocalendário 2005 e 2006, valor na data da lavratura dos autos de infração, que está assim especificado por exação fiscal: Auto de Infração Principal Juros de Mora (calculados até 27/02/2009) Multa de Ofício (*) Total IRPJSimples 22.806,31 6.250,12 31.401,64 60.458,07 IPI – Simples 14.261,02 4.043,24 19.345,20 37.649,36 PISSimples 16.857,50 4.642,48 23.112,58 44.612,56 CSLL – Simples 23.375,40 6.502,38 31.828,48 61.706,26 CofinsSimples 67.445,24 18.611,65 92.459,59 178.516,48 INSS – Simples 192.599,31 52.667,55 265.858,53 511.125,39 Total 894.068,22 Obs: Nos autos de infração respectivos, houve qualificação da multa de ofício (150%) apenas em relação à infração principal – omissão de receitas, anocalendário 2006. À infração reflexa – insuficiência de recolhimento – foi aplicada a multa de 75% para os anoscalendário 2005 e 2006. A Contribuinte tomou ciência do lançamento fiscal em 09/03/2009, por intermédio de representante legal, no corpo dos próprios autos de infração; apresentou impugnação em 08/04/2009 (efls.303/322), juntou demonstrativo de conferência dos Fl. 462DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 463 9 lançamentos de saída (efls.342/385 ), cujas razões, em síntese, constam do relatório da decisão a quo, o qual, nessa parte, transcrevo (efls.), in verbis: (...) Em 09/03/2009, a autuada foi cientificada, conforme assinatura do Sócio às fls. 223/224 do auto de infração principal (IRPJ), bem como nas folhas de rosto dos demais autos de infração reflexos e no Termo de Encerramento à fl. 299. Em 08/04/2009, apresentou a impugnação de fls. 303/322, requerendo a declaração de nulidade do Auto de Infração por vício insanável que lhe macula a validade, haja vista o não atendimento das formalidades legais, quanto ao pleno exercício do direito de defesa e do contraditório. A peça de defesa apresentada resumese aos pontos (...) a seguir: (i) O fisco teria procedido a um irregular Levantamento Fiscal, sem qualquer amparo legal, ocasionando um Auto de Infração (AI) ilegítimo, por não ter obedecido a ordem legal de demonstrar corretamente e de forma clara o débito tributário exigido, faltando discriminar a base de cálculo e o suposto tributo devido, como define o art. 10 do Decreto n°70.235, de 06 de março de 1972. E por prejudicar o exercício do direito de defesa por parte daimpugnante, o AI seria passível de nulidade nos termos do art. 59 do mesmo diploma legal. (ii) Insiste a impugnante que, em seu confuso levantamento, a autuante incluira notas fiscais (NFs) de simples remessas, vendas canceladas e devoluções. Como seria o caso das NFs que e numera na peça de defesa. (iii) Outro grave equívoco, fora considerar erroneamente o valor da nota fiscal n° 625 como R$ 13.080,00, em lugar do real valor de R$ 3.080,00. Assim também a nota fiscal n° 665, cujo valor real é de R$ 2.440,00, tendo a autuante considerado o valor exorbitante de R$ 24.440,00 (sic). Também a nota fiscal n° 706, no valor de R$ 5.550,00, foi considerada como de R$ 5.500,00. A nota fiscal 89, por sua vez, no valor de R$ 815,00, foi considerada como de R$ 915,00. (iv) Vêse assim abalada a segurança jurídica, pois se encontra o presente lançamento eivado de vícios e conseqüentes nulidades. E também a inexistência de uma descrição perfeita dos fatos motivadores do suposto ilícito tributário e de uma planilha capaz de demonstrar as apurações a acréscimos realizados, constituiu um grave e flagrante cerceamento de defesa. Assim, vêse a impugnante na contingência de fazer uma defesa às cegas, haja vista que o teor da descrição dos fatos no Auto de Infração e os demonstrativos anexos ao Termo de Fiscalização não permitem saber perfeitamente a que se referem as quantias tidas como imposto não recolhido, nem como concluiuse pelo montante do suposto débito. (v) Neste sentido, a imputação não teria sequer sido imposta se no momento da auditoria, a autuante estivesse imbuída do senso Fl. 463DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 464 10 investigativo e fiscalizatório, e não unicamente do ofício de promover a lavratura do AI. Bastava ter sido feita uma verificação precisa na documentação apresentada (eis que todos os documentos solicitados foram entregues pela empresa), para se realizar uma fiscalização idônea. (vi) Teria sido equivocada a exigência do valor do IPI à razão de 0,5% sobrea receita bruta da autuada, como se fosse empresa equiparada a estabelecimento industrial por importar bens do exterior e revendêlos, devendo pagar o IPI na saída dessas mercadorias. Mas a impugnante é uma empresa comercial que importa mercadorias que depois são vendidas no mesmo estado em que importadas, sem sofrer qualquer processo de industrialização. Resulta daí, de forma clara, que a impugnante somente pratica atos sujeitos a incidência do IPI uma única vez, qual seja, no momento do desembaraço aduaneiro dos bens importados. (vii) Insiste que, à luz do art. 46 do CTN, seria flagrante a impossibilidadede exigir IPI sobre a totalidade das receitas da impugnante, uma vez que simples comercialização de produto importado não é fato gerador do IPI. (viii) Teria havido equivoco da autuante ao aplicar penalidade agravada de 150% com base no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, pois a impugnante não teria agido com intuito de fraude ou sonegação fiscal. Destaca que a auditora ignorou a justificativa dada pela empresa de que a divergência entre os valores declarados aos fiscos estadual e federal não fora fruto de máfé ou, menos ainda, tentativa de sonegação, e sim por falhas na mudança do sistema interno do escritório de contabilidade. Repisa que a fraude exigida na legislação para aplicação da multa agravada precisa ser demonstrada pelo fisco, sobretudo quando se trata de empresas de pequeno porte às quais a Constituição expressamente determina que seja dado tratamento especial. Conclui, afinal, que a auditora interpreta os fatos sempre presumindo a máfé, tratando a contribuinte, que aliás, sempre cumpriu seus deveres fiscais, como inimigo público, criminoso. (ix)A impugnante faz citações de doutrina e jurisprudência que entende correlacionadas com os seus argumentos. (x)Pelas razões aduzidas, requer a Impugnante, caso superada a preliminar de nulidade, que se reconheça a improcedência total do feito. Por fim, requer a produção de todos os meios de prova em direito admitidas, em especial a juntada posterior de documentos. Foram anexados à impugnação os seguintes documentos: Contrato Social e alterações (fls. 324/337); Listagem de Outras Receitas (fls. 338/340); Impugnação Complementar, pedindo que se reconheça a improcedência total do feito (fl. 341); Conferência dos Lançamentos de Saída (fls. 342/385); e procuração do seu advogado (fl. 386). Fl. 464DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 465 11 (...) A DRJ/Salvador, enfrentando as questões suscitadas pela Contribuinte, julgou a impugnação improcedente, mantendo o lançamento fiscal, conforme Acórdão de 30/09/2009 (efls. 388/400), cuja menta transcrevo, in verbis: (...) Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2005, 2006 SIMPLES. RECEITA OMITIDA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. É procedente o lançamento realizado com base em receita bruta não contabilizada e não informada na Declaração Anual Simplificada, seja proveniente de vendas ou prestação de serviços. SIMPLES. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de recolhimento de tributos, devido a utilização de alíquota inferior a efetivamente aplicável, apurada em procedimento fiscal enseja o lançamento de ofício com os acréscimos legais. SIMPLES. IPI VINCULADO. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. A pessoa jurídica enquadrada no Simples, por ocasião do desembaraço aduaneiro, pagará o IPI em conformidade com a legislação específica, ao passo que o percentual de 0,5% (meio por cento) previsto nas normas do Simples incidirá sobre a receita bruta total do período de apuração em que ocorrer a venda do bem importado. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Correta a aplicação da multa proporcional qualificada nos casos em que se verifica evidente intuito de sonegação fiscal, caracterizado pela redução deliberada da base de cálculo dos tributos devidos. NULIDADE FORMAL. INOCORRÊNCIA. Inexiste nulidade quando o auto de infração se encontra revestido das formalidades legais e foi garantido o direito de defesa na impugnação. DOCUMENTOS APÓS A IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. O prazo para entrega de documentos é o definido para impugnação, sob pena de preclusão, ressalvadas as hipóteses do art. 16, § 4°, alíneas "a", "b" e "c" do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 466 12 Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 18/02/2010 (efl. 412), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 22/03/2010 (efls. 413/432), reiterando as razões já aduzidas na primeira instância, ou seja: I Preliminar de nulidade do Lançamento Fiscal: que a decisão a quo deve ser reformada, para reconhecimento da nulidade suscitada; que é equivocada a decisão que acolhe ou mantém auto de infração como válido, quando não são precisos, nem claros, os dados ali descritos; que auto de infração contém inúmeros erros materiais, o que caracteriza sua nulidade, uma vez que torna impossível o exercício do direito do contraditório e da ampla defesa por parte da autuada; que o legislador federal fixou as premissas de formalização de lançamento ex officio, conforme art. 10 do Decreto n° 70.235 de 06 de março de 1972; que estão ausentes requisitos obrigatórios como a descrição dos fatos e a determinação da exigência; que, para elencar alguns dos erros da autuação, temos: (i) que não foi demonstrada de forma clara o débito tributário lançado, nem discriminada a base de cálculo e tampouco o suposto tributo devido. Existe sim um confuso levantamento das notas de simples remessa, vendas canceladas e devoluções; (ii) que foi considerado erroneamente o valor da nota fiscal n° 625 como R$ 13.080,00, o real valor do referido documento fiscal é de R$ 3.080,00; que também ao se referir à nota fiscal de n° 665, cujo valor real é de R$ 2.440,00, tendo a autuação considerado o valor majorado de R$ 24.440,00; que a nota fiscal n° 706, no valor de R$ 5.550,00, foi considerada como de R$ 5.500,00; que a nota fiscal n° 89, no valor de R$ 815,00 foi considerada como valor de R$ 915,00. II – IPI na comercialização interna de produtos importados pela Recorrente: que a decisão a quo manteve o auto de infração de exigência do IPI no âmbito do Simples, por ser a Contribuinte obrigada ao recolhimento do IPI tanto no desembaraço aduaneiro, quanto na revenda, saída do estabelecimento de produtos importados (equiparação a estabelecimento industrial, com base no Decreto n° 4.544/2002); que, diversamente do entendimento do fisco, a Recorrente é empresa comercial (revenda de mercadorias); que está obrigada a recolher o IPI apenas uma única vez, qual seja, quando pratica os atos de importação de produtos industrializados (IPIvinculado à importação), no momento do desembaraço aduaneiro dos bens importados. Diferente disso, Fl. 466DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 467 13 configura dupla cobrança desse imposto sobre o mesmo fato jurídico, ofendendo garantias do estado democrático de direito e principalmente o princípio da vedação ao confisco; que, por ser empresa optante pelo simples, incabível imaginar que a Recorrente terá que pagar 0,5% (meio por cento) de IPI sobre o faturamento de algo que ela já recolheu, quando do desembaraço aduaneiro; que é indevida a cobrança do IPI sobre a totalidade das receitas da Recorrente, uma vez que a comercialização de produtos industrializados não é fato gerador do IPI. Ademais, a obrigação tributária do recolhimento do IPI do fato gerador de importação de produtos industrializados já foi cumprida quando do desembaraço aduaneiro das mercadorias industrializadas importadas. III – Multa qualificada. Dolo. Percentual de 150%: que, em relação à omissão de receitas e diferença de recolhimento (infração reflexa), não restou configurado dolo, máfé da Recorrente; que é vedada a aplicação de multa no patamar de 150% por ofender o princípio da razoabilidade, por ter caráter confiscatório. Por fim, a Recorrente pediu a nulidade do lançamento fiscal e, na hipótese de restar vencida nessa preliminar suscitada, no mérito pediu a reforma da decisão recorrida, com base nas razões aduzidas, para afastar a exigência fiscal, mormente o auto de infração do IPI e da multa confiscatória. É o relatório. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 468 14 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam da exigência de crédito tributário do Simples Federal, por intermédio dos autos de infração do IRPJSimples e reflexos (CSLL, PIS, Cofins, Contribuição para o INSS e IPI), pela imputação das seguintes infrações: a) quanto ao anocalendário 2005, insuficiência de recolhimento em relação às receitas informadas na declaração do Simples (infração reflexa); b) quanto ao anocalendário 2006: omissão de receitas infração principal (receitas não declaradas à RFB e não escrituradas); e, insuficiência de recolhimento das exações fiscais quanto às receitas informadas na declaração do Simples (infração reflexa da omissão de receitas – mudança de faixa de alíquota). LANÇAMENTO FISCAL. ANOCALENDÁRIO 2005. PRELIMINAR DE NULIDADE. Nesta instância recursal, a Recorrente suscitou preliminar de nulidade quanto aos lançamentos do anocalendário 2005, por imprecisão, falta de clareza, confusão ou contradição na descrição dos fatos, quanto à infração imputada pelo fisco, implicando impossibilidade de compreensão ou entendimento da imputação fiscal, ou seja, cerceamento do direito de defesa. Procede a irresignação da Recorrente. Compulsando os autos, observase que em relação ao anocalendário 2005 não houve imputação de infração Omissão de Receitas (infração principal); porém, foi lançada de ofício infração reflexa de Omissão de Receitas, ou seja, Insuficiência de Recolhimento do Simples Federal (IRPJ, CSLL, PIS, Cofins, INSS e IPI), em face de mudança de faixa de alíquota, em relação às receitas informadas na declaração do Simples, com multa de 75% e juros de mora. Ora, se não houve imputação da infração principal (Omissão de Receitas), não há que se falar em infração reflexa – Insuficiência de Recolhimento. A propósito, transcrevo a equivocada, imprecisa, confusa, contraditória, descrição dos fatos da infração reflexa imputada – Insuficiência de Recolhimento, ano calendário 2005 (efls.226, 240, 254, 268, 282 e 296), in verbis: Fl. 468DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 469 15 (...) 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme planilha “Demonstrativo da Receitas Omitidas”, parte integrante dos autos de infração. (...) Como visto, a descrição dos fatos é equivocada, imprecisa, confusa e contraditória, não corresponde à realidade dos fatos, pois não houve imputação de Omissão de Receitas para o anocalendário 2005 (infração principal). Logo, não tem sentido a imputação de infração reflexa de Omissão de Receitas. Além disso, inexiste a aludida planilha “Demonstrativo de Receitas Omitidas” para o anocalendário 2005. No Relatório Fiscal, parte integrante, do lançamento fiscal, também, nada consta acerca de suposta imputação de infração Omissão de Receitas do anocalendário 2005. Consta, de forma breve do Relatório Fiscal apenas) que (efl. 181): (...) No ano de 2005, o fiscalizado declarou ao fisco federal receita bruta de R$ 1.727.170,78, (...) O sistema de pagamentos (SINAL05) acusou, de fato, recolhimentos cuja base de cálculo acumulada é de R$ 1.727.170,78 no ano de 2005, com percentual majorado (10,32%) em 20% nos meses de novembro e dezembro/2005, conforme §3° do art. 23 da lei n° 9.317/96, sem registro de recolhimento de IPI em nenhum dos meses do ano. (...) Conforme demonstrado, inexistindo imputação da infração principal Omissão de Receitas para o anocalendário 2005, não há que se falar em exigência de crédito tributário a título de infração reflexa “Insuficiência de Recolhimentos”, em face de Omissão de Receitas para esse anocalendário. Ademais, caso se entendesse que a Insuficiência de Recolhimento das exações fiscais lançadas de ofício do anocalendário 2005 fossem decorrentes de aplicação incorreta de faixa alíquota ou simplesmente de recolhimentos efetaudos a menor por parte da Contribuinte, ainda assim não devem prevalecer essas exigências, pois a infração imputada é diversa, ou seja: Insuficiência de valor recolhido apurada conforme planilha “Demonstrativo da Receitas Omitidas”, parte integrante dos autos de infração. Como visto, os lançamentos do Simples do anocalendário 2005 estão eivados de vício insanável, pois houve errônea descrição dos fatos, ou seja, equivocada, imprecisa, confusa e contraditória narrativa dos fatos, reportandose como infração decorrente (reflexa) de infração principal a qual não restou apurada, nem imputada. Fl. 469DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 470 16 Por ser incompreensível a infração imputada nos autos quanto ao anocalendário 2005, não permitindo aquilatar, identificar, qual o real motivo ou razão do lançamento da Insuficiência de Recolhimento de exações fiscais do anocalendário 2005 (lançamentos reflexos), gerando prejuízo à defesa, ou seja, cerceamento do direito de defesa. Logo, devem ser declarados nulos os autos de infração do anocalendário 2005, objeto destes autos, pois a infração Insuficiência de Recolhimento desse anocalendário, com imposição de multa de 75% e juros de mora, não tem razão de ser, não pode ser reflexa de Omissão de Receitas (infração inexistente), pois tal infração Omissão de Receitas sequer foi imputada nos autos para o anocalendário 2005. Por tudo que exposto, acolho a preliminar de nulidade dos lançamentos de ofício quanto ao anocalendário 2005, ficando exonerado o crédito tributário respectivo. LANÇAMENTO FISCAL. ANOCALENDÁRIO 2006. NULIDADE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. PRELIMINAR REJEITADA. Em relação aos autos de infração do anocalendário 2006, rejeito, de plano, a preliminar suscitada, pois as infrações imputadas Omissão de Receitas (infração principal) e a Insuficiência de Recolhimento (infração reflexa) estão devidamente narradas, os fatos estão descritos de forma adequada, objetiva e com precisão, com respectivo enquadramento legal. Há demonstrativos da matéria tributável, base de cálculo, valores das exações fiscais apuradas/lançadas e motivação da qualificação da multa qualificada de 150%, tudo conforme autos de Autos de Infração (efls. 186/300) e Relatório Fiscal, parte integrande do lançamento fiscal (efls. 146/176 e 178/185). Frisese que, no âmbito do Processo Administrativo Tributário, as nulidades do lançamento fiscal estão cominadas no art. 60 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), e dizem respetito à incompetência do agente do fisco e prejuízo ao direito de defesa (cerceamento do direito de defesa) em decorrência de vícios formais ou materiais no lançamento fiscal, por inobservância do art. 10 do citado PAF e art. 142 do Codigo Tributário Nacional – CTN. Vale dizer, em sede de preliminar devem ser suscitados vícios formais do ato administrativo de lançamento fiscal que impliquem prejuízo ao direito de defesa, em face de falta de descrição dos fatos ou narrativa dos fatos confusa, imprecisa, deficiente, insuficiente e falta de capitulação legal e vício material como: falta de competência do agente do fisco. No caso dos autos, diversamente do alegado pela Recorrente, não restou configurado vício formal ou material no lançamento fiscal do anocalendário 2006 que pudesse gerar prejuízo à defesa ou cerceamento do direito de defesa, cujas infrações imputadas, matéria tributável, valores apurados e enquadramento legal, estão em consonância com o art. 10 do Decreto nº 70. 235/72 e art. 142 do CTN. Vale dizer, em relação ao anocalendário 2006, não se contata, não se vislumbra, vício algum que pudesse inquinar o lançamento de nulidade das exações fiscais objeto dos autos. Ainda, o lançamento fiscal foi efetuado por agente competente. Reiterando: as infrações imputadas, anocalendário 2006, Omissão de Receitas (infração principal) e Insuficiência de Recolhimento (infração reflexa) têm descrição Fl. 470DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 471 17 completa e precisa dos fatos, demonstrativo da matéria tributável, base de cálculo, e demonstrativo de cálculo da apuração das exações fiscais, pertinente capitulação legal e correta identificação do sujeito passivo, conforme art. 10, e seus incisos, do Decreto nº 70.235/72 e art. 142 do Código Tributário Nacional. Aqui, cabe o seguinte esclarecimento: se a infração imputada “Omissão de Receitas” (infração principal) e a Insuficiência de Recolhimentos (infração reflexa), quanto anocalendário 2006, estão configuradas, ou não, ou se precisam de ajuste no valor tributável ou na base de cálculo, são matérias de mérito, que requerem análise de elementos de provas; são questões que demandam análise probatória. Não são matérias para serem suscitadas, nem enfrentadas, em sede de preliminar. O lançamento fiscal quanto muito, na hipótese de falta de comprovação pelo fisco das infrações imputadas, poderá ser improcedente, mas não nulo. A matéria de mérito será enfrentada oportunamente, mais adiante. Ainda, conforme mansa e pacífica jurisprudência deste Conselho, não sendo hipótese de incompetência do agente para o lançamento fiscal, não sendo hipótese de cerceamento do direito de defesa (o auto de infração contém adequada descrição dos fatos e pertinente capituação legal), não há que se falar em nulidade do lançamento fiscal. A propósito, transcrevo, nesse sentido, precedentes deste CARF, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do Fl. 471DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 472 18 corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Ainda, na mesma linha de raciocínio, é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Como demonstrado, não restou configurado, nem caracterizado, o alegado prejuízo à defesa ou cerceamento de defesa, em relação à infração imputada Omissão de Receitas (infração principal) e Insuficiência de Recolhimentos (infração reflexa), quanto ao anocalendário 2006. Portanto, rejeito a preliminar de nulidade quanto aos lançamentos do ano calendário 2006. VALOR TRIBUTÁVEL DA INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS. ANO CALENDÁRIO 2006. Nas razões do recurso, a Recorrente alegou que a fiscalização, além de computar valores de notas fiscais de simples remessa, vendas canceladas e devoluções, cometeu erros materiais, invertendo alguns dígitos quanto a valores das notas fiscais de vendas (saídas) – planilhas (efls. 146/176) e que o valor tributável da infração Omissão de Receitas deveria ser revisto, para ajustálo, expurgando o excesso. Vale dizer, a Recorrente pediu ajuste no valor tributável da infração omissão de receitas, para os seguintes itens: que houve confuso levantamento das notas fiscais de simples remessa, vendas canceladas e devoluções; Fl. 472DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 473 19 que foi considerado erroneamente o valor da nota fiscal n° 625 como R$ 13.080,00, o real valor do referido documento fiscal é de R$ 3.080,00 – demonstrativo de conferência dos lançamentos de saída (efl.342); que relativo à nota fiscal de n° 665, cujo valor real é de R$ 2.440,00, tendo a autuação considerado o valor majorado de R$ 24.440,00 – demonstrativo de conferência dos lançamentos de saída (efl.344); que a nota fiscal n° 706, no valor de R$ 5.550,00, foi considerada como de R$ 5.500,00 – demonstrativo de conferência dos lançamentos de saída (efl.346); que a nota fiscal n° 89, no valor de R$ 885,00 foi considerada como valor de R$ 915,00 – demonstrativo de conferência dos lançamentos de saída (efl.361). Não procedem as alegações da Recorrente. Durante o procedimento de fiscalização, a Contribuinte: a) foi intimada a apresentar notas fiscais de saídas do anocalendário 2006 – Termo de Intimação Fiscal nº 001, ciência em 07/10/2008 (efls. 74/75), juntou expediente nos autos informando que entregara à fiscalização as notas fiscais de saídas do anocalendário 2006 (efl. 78). b) foi intimada a elaborar planilha, a ser rubricada em todas as folhas pelo seu representante legal da empresa, com as informações constantes das notas fiscais fornecidas ao fisco, a saber: número da nota fiscal, natureza da operação (venda), razão social do destinatário, CNPJ do destinatário, data de emissão, valor da venda (R$) e, para que cumprisse a solicitação fiscal, houve na mesma data devolução das notas fiscais à Contribuinte, tudo conforme Termos de Intimação Fiscal nº 003 e Termo de Devolução de Documentos nº 004, ao representante legal da Contribuinte, Sr. Ricardo Pimental Marback, em 17/12/2008 (efls. 83/84). A Contribuinte não elaborou e não entregou a planilha solicitada, embora reintimada para tanto, por via postal, conforme AR em 23/01/2009 (efls. 85/86) e AR de 16/02/2009 (efls.87/88). Não obstante, com base nas notas fiscais de saídas, a fiscalização da RFB elaborou planilha demonstrativo resumo do somatório de valores das notas fiscais de vendas (saídas), mês a mês do anocalendário 2006, anexo ao Auto de Infração, complementado pelo demonstrativo circunstânciado que discrimina todas as notas fiscais de saídas (vendas), operação por opepração, contendo: indicação do nº da respectiva nota fiscal, data de emissão, natureza da operação, destinatário, CNPJ destinatário e valor em reais da operação, também anexo ao auto de infração (efls. 146/176). A propósito, neste particular consta do Termo de Verificação, parte integrante do lançamento fiscal (efl.182 ), in verbis: (...) Omissão de Receitas Anocalendário 2006 (...) Fl. 473DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 474 20 Contabilidade escriturada pelo contribuinte reconheceu receitas de vendas de R$ 2.095.982,82, no ano de 2006 (...) Pela impossibilidade de se aferir através da DME o faturamento mensal, as receitas foram apuradas através das notas de saídas emitidas, obtidas mediante intimação. Estas foram digitadas e estão apresentadas nos autos sob a forma de planilha intitulada “Notas Fiscais de Vendas de Mercadorias”. A soma das notas emitidas totalizou R$ 4.134.573,42, sendo objeto de lançamento de ofício a diferença mensal de receita omitida. (...) Cabia, então, à Recorrente, quanto às pretensas incongruências suscitadas em relação ao valor tributável da infração omissão de receitas, juntar cópias das notas fiscais respectivas para comprovação da necessidade de ajustes no valor tributável da infração Omissão de Receitas. Pois, a fiscalização fez a devolução das notas fiscais à Contribuinte, tudo conforme Termo de Devolução de Documentos nº 004, ao representante legal da Contribuinte, Sr. Ricardo Pimental Marback, em 17/12/2008 (efls. 83/84). Entretanto, tanto na instância a quo, quanto nesta instância recursal a Recorrente não juntou cópia da notas fiscais para justificar suas alegações. Por conseguinte, tratase de meras alegações da Recorrente sem produção de provas, pois não juntou elemento de prova, de convicção, da existência dos alegados pretensos equívocos ou erros matériais na apuração pela fiscalização da RFB do valor tributável da infração omissão de receitas. Alegar sem provar, é mesma coisa que não alegar. A propósito, quanto a alegação de fatos modificativos, impeditivos ou extintivos do direito constitutivo do fisco (fato gerador de tributo), o ônus probante é do réu, ou seja, do sujeito passivo. Nesse sentido, quanto ao ônus da prova, dispõe o art. 333, II, do Código de processso Civil Brasileiro – CPC: "Art. 333. O ônus da prova incumbe: 1 – (...) II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...)” Quanto ao momento da produção das provas, dipõem os artigos 15 e 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: Fl. 474DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 475 21 I – (....) II – (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) Ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida que, com propriedade, vale dizer, de forma lapidar já enfrentou a questão, naquela oportunidade (efls.394/396), in verbis: (...) III NOTAS FISCAIS DE REMESSA E DE VENDAS CANCELADAS. ERRO DE TRANSCRIÇÃO DE VALOR. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. MATÉRIA DE MÉRITO A impugnante diz que a autuante incluiu equivocadamente no lançamento notas fiscais de simples remessas, vendas canceladas e devoluções, tendo cometido erro na transcrição de valor das notas fiscais que menciona na peça de defesa. E que tudo isso abalaria a segurança jurídica, eis que o feito está eivado de vícios e conseqüentes nulidades. Contudo, os erros e incorreções apontados pela impugnante, por serem diferentes daqueles descritos no art. 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, não importam em nulidade, e devem ser resolvidos nos termos do art. 60 do mesmo decreto, in verbis: Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifei) Como se vê, os supostos equívocos indicados pela contribuinte são uma questão de mérito e assim serão apreciados. As notas fiscais de saída (NFs/saída) requisitadas mediante o Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 0001 (fls. 74/75), foram apresentadas pela contribuinte, conforme Termo de Constatação Fiscal n° 0002, cientificado por AR em 20/10/2008 (fls. 76/77). Essas NFs foram devolvidas à fiscalizada em 17/12/2008, conforme consta do TIF n° 0003 (fl. 83), assinado pessoalmente pelo sócio da empresa fiscalizada. Ao passo que no referido termo era pedido que fosse elaborada planilha, devidamente assinada pelo representante da empresa, com as informações contidas nas NFs fornecidas ao fisco, a saber: n° da nota, natureza da operação (venda), razão social e CNPJ do destinatário, data da emissão e valor total da venda (R$). Consta do Termo de Devolução de Documentos n° 0004 (fl. 84), que foram devolvidas as NFs de saída referentes às operações do Fl. 475DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 476 22 AC/2006, para cumprimento do TIF n° 0003. Esse termo de devolução foi assinado pelo sócio da PJ em 17/12/2008. Logo se vê que as NFs que embasaram a apuração fiscal foram devolvidas à fiscalizada, ficando nas peças processuais a relação constante do demonstrativo intitulado NOTAS FISCAIS DE VENDAS DE MERCADORIAS, AC/2006 (fls. 147/176), contendo as características do documento, tais como: número da nota; data de emissão; natureza da operação; destinatário; CNPJ e valor. Então, para infirmar o lançamento fiscal, embasado em valores de NFs fornecidos pela impugnante e que lhe foram devolvidas após o exame do Fisco, esta deveria ter anexado cópia das NFs que comprovassem ser, como alegado, de remessas, vendas canceladas e devoluções, bem como aquelas em que teria havido erro na transcrição de valor. No que toca às supostas NFs de remessas, vendas canceladas e devoluções, caso houvessem informações que identificassem tais operações nas NFs auditadas, certamente a auditora afastaria o respectivo valor do lançamento. A impugnante apresentou a chamada Listagem de Outras Receitas, do ano de 2006, que não serve de meio de prova hábil e idônea na falta dos documentos que teriam lhe dado respaldo. O mesmo se pode dizer da planilha intitulada Conferência dos Lançamentos de Saída (fls. 342/385), com data de emissão em 24/03/2009, que apesar de ter o formato de livro de saídas, dela não constam os termos de aberturada e de encerramento, autenticação no registro público, nem assinatura dos responsáveis legais. Vejase, pois, o disposto nos arts. 226, 1.181 e 1.194 do atual Código Civil: Art. 226. Os livros e fichas dos empresários e sociedades provam contra as pessoas a que pertencem, e, em seu favor, quando, escriturados sem vício extrínseco ou intrínseco, forem confirmados por outros subsídios. Art. 1.181. Salvo disposição especial de lei, os livros obrigatórios e, se for o caso, as fichas, antes de postos em uso, devem ser autenticados no Registro Público de Empresas Mercantis. Parágrafo único. A autenticação não se fará sem que esteja inscrito o empresário, ou a sociedade empresária, que poderá fazer autenticar livros não obrigatórios. Art. 1.194. O empresário e a sociedade empresária são obrigados a conservar em boa guarda toda a escrituração, correspondência e mais papéis concernentes à sua atividade, enquanto não ocorrer prescrição ou decadência no tocante aos atos neles consignados. (grifei) Fl. 476DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 477 23 No caso específico da PJ optante do Simples, o art. 7° da Lei n° 9.317, de 5 de dezembro de 1996, por via de consequência, estabelece que: Art. 7° A microempresa e a empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES apresentarão, anualmente, declaração simplificada que será entregue até o último dia útil do mês de maio do anocalendário subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores dos impostos e contribuições de que tratam os arts. 3° e 4°. § 1 ° A microempresa e a empresa de pequeno porte ficam dispensadas de escrituração comercial desde que mantenham, em boa ordem e guarda e enquanto não decorrido o prazo decadencial e não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes: Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária; Livro de Registro de Inventário, no qual deverão constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário; todos os documentos e demais papéis que serviram de base para a escrituração dos livros referidos nas alíneas anteriores. (grifei) Portanto, na ausência de documentação probante, na forma prevista em lei, que pudesse comprovar os alegados equívocos supostamente cometidos pela fiscalização, só resta concluir que os lançamentos devem prosperar, sem qualquer alteração. (...) Nesta instância recursal, como já frisado, também a Recorrente não trouxe elemento de prova algum que pudesse justificar o pleito de revisão do valor tributável da infração omissão de receitas para expurgos das parcelas suscitadas, que estão elencadas ou resumidas no relatório. Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a infração Omissão de Receitas, pois, diversamente do alegado pela Recorrente, não há ajustes a fazer no valor tributável da infração Omissão de Receitas, anocalendário 2006. SIMPLES. AUTO DE INFRAÇÃO DO IPI. ANOCALENDÁRIO 2006. A Contribuinte, nas razões do recurso, alegou que não é contribuinte do IPI; que em relação às importações efetuadas já pagou o IPI –Vinculado quando do desembaraço aduaneiro; que a exigência de IPI na venda ou revenda interna dessas mercadorias importadas (produtos industrializados no exterior) não tem incidência do IPI; que a pretensão do fisco implica, no caso, bis in dem. Entretanto, conforme narrativa dos fatos constante do Relatório Fiscal (parte integrante do lançamento fiscal), já transcrito no relatório, a Recorrente efetuou, de forma sistemática, importações de mercadorias industrializadas do exterior, nos anos calendário 2005 e 2006, sendo equiparada a estabelecimento industrial para efeito do IPI (RIPI/2002, Decreto nº 4.544/2002 art. 9º), em relação a vendas (revendas) no mercado interno de mercadorias industrializadas importadas. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 478 24 Há nos autos, ainda, demonstrativos – planilhas – como base em dados do SISCOMEX, que informam, revelam, de forma minuciosa, as operações de importação de produtos industrializados nos anoscalendário 2005 e 20006 pela Recorrente (efls.89/135). Pelas razões já transcritas no relatório, a Recorrente, empresa do Simples, autorizada a operar no mercado de importação, é sim contribuinte do IPI por equiparação, por força do art. 9º do RIPI/2002. Ademais, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida que enfrentou a questão de forma pertinente (efls.394/398): (...) IV EMPRESA OPTANTE PELO SIMPLES. IMPOSTO SOBRE PRODUTO INDUSTRIALIZADOS. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO. Verificase no Contrato Social e alterações subseqüentes que a impugnante exerce, entre outras, a atividade de importação (fls. 46/60). A Fiscalização verificou que no período fiscalizado a PJ realizou diversas operações de importação de produtos industrializados do exterior, como atestam notas fiscais e declarações de importação (DI) anexas às fls. 89/135. Mas a defendente alega que não seria contribuinte do IPI, porque é uma empresa comerciante, que no desempenho de sua atividade empresarial importa mercadorias que, posteriormente, são vendidas no mesmo estado em que importadas, sem sofrer qualquer ação que pudesse caracterizar processo de industrialização. Quer dizer a impugnante que somente praticaria atos sujeitos a incidência do IPI uma única vez, qual seja, no momento do desembaraço aduaneiro dos bens importados. Então, o cerne da questão consiste em ver se a PJ optante pelo Simples que importa produtos de procedência estrangeira é contribuinte do IPI, estando, por conseguinte, obrigada ao pagamento do imposto na saída (venda) desses produtos. Notese, de início, que o art. 5º da Lei nº 9.317, de 1996, estabelece que: Art. 5° O valor devido mensalmente pela microempresa e empresa de pequeno porte, inscritas no SIMPLES, será determinado mediante a aplicação, sobre a receita bruta mensal auferida, dos seguintes percentuais: (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) [...]. § 2° No caso de pessoa jurídica contribuinte do IPI, os percentuais referidos neste artigo serão acrescidos de 0,5 (meio) ponto percentual. [...]. Fl. 478DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 479 25 § 5° A inscrição no SIMPLES veda, para a microempresa ou empresa de pequeno porte, a utilização ou destinação de qualquer valor a título de incentivo fiscal, bem assim a apropriação ou a transferência de créditos relativos ao IPI e ao ICMS. (grifei) O campo de incidência do IPI se encontra definido no art. 2°, parágrafo único, do Decreto n° 4.544, de 26 de dezembro de 2002 (RIPI/2002), verbis: Art. 2° O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1°, e Decretolei n° 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1°). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei n° 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6°). (grifei) Equiparamse a estabelecimento industrial os importadores de produtos de origem estrangeira que derem saída a esses produtos, consoante art. 9° do RIPI/2002, verbis: Art. 9° Equiparamse a estabelecimento industrial: 1 os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei n° 4.502, de 1964, art. 4°, inciso I); (grifei) [...]. Por outro lado, são obrigados ao pagamento do imposto (contribuintes do IPI) o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, em conformidade com o art. 24, inciso III, do RIPI/2002: Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: [...]. III o estabelecimento equiparado a industrial, quanto ao fato gerador relativo aos produtos que dele saírem, bem assim quanto aos demais fatos geradores decorrentes de atos que praticar (Lei n° 4.502, de 1964, art. 35, inciso I, alínea a). Ademais, constitui fato gerador do IPI tanto o desembaraço do produto estrangeiro como a saída deste do estabelecimento equiparado a industrial, como se depreende do disposto no art. 34, incisos I e II, do RIPI/2002, in verbis: Fl. 479DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 480 26 Art. 34.Fato gerador do imposto é (Lei nº 4.502, de 1964, art. 2º): I o desembaraço aduaneiro de produto de procedência estrangeira; ou II a saída de produto do estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial. (grifei) Conforme a legislação supracitada, não há dúvidas de que a impugnante se equipara a estabelecimento industrial, e na condição de PJ optante pelo Simples, deve pagar unificadamente o IPI com os demais tributos do regime simplificado, mediante utilização da alíquota majorada de 0,5% (meio por cento). Corrobora esse entendimento a Solução de Consulta SRRF/8a RF/DISIT n° 288, de 7 de outubro de 2004, cuja conclusão por sua clareza merece transcrição: 15. Diante do exposto e com base nos atos legais e normativos supracitados, solucionase a consulta declarandose que a empresa comercial importadora enquadrada no Simples, por ocasião do desembaraço aduaneiro, deverá recolher o IPI em conformidade com a legislação específica e, em decorrência de suas vendas, pagará unificadamente os tributos e contribuições federais, acrescendose ao percentual correspondente à sua faixa de receita bruta acumulada, 0,5% (meio ponto percentual) devidos como contribuinte daquele imposto. (...) Diante do exposto, deve ser mantida a exigência do IPI do anocalendário 2006. MULTA DE OFICIO QUALIFCADA. DOLO. INFRAÇÃO OMISSÃO DE RECEITAS. ANOCALENDÁRIO 2006. A Recorrente alega que a multa qualificada, em relação à infração omissão de receitas do anocalendário 2006, é indevida porque não houve caracterização de conduta fraudulenta ou intuito de sonegação fiscal; que, além disso, a multa no patamar de 150% seria desproporcional, ou seja, confiscatória; que a Constituição Federal veda o confisco. Não merece prosperar a irresignação da Recorrente. Cabe destacar que os tributos federais no Sistema SIMPLES são apurados, mensalmente, com base na receita bruta total acumulada até o respectivo mês objeto de apuração. A Recorrente, nos anoscalendário 2006 omitiu, praticamente metade de suas receitas totais, ou seja, R$ 2.038.590,60 = (R$ 4.134.573,42 somatório das notas fiscais de saídas, menos R$ 2.095.982,82 receita informada na declaração do Simples), relativo aos meses desse ano, conforme demonstrativo de omissão de receitas já transcrito no relatório. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 481 27 É evidente, salta aos olhos, a conduta dolosa da Contribuinte, ao informar, sistematicamente ao fisco federal, as receitas decorrentes da exploração de sua atividade com valor a menor (omitiu 49,31% das receitas do no anocalendário 2006), configurando conduta de impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. O que é suficiente para manter a qualificação da infração Omissão de Receitas por conduta de fraude/sonegação fiscal. O crédito tributário objeto dos autos quanto ao anocalendário 2006, em relação à omissão de receitas, só restou a salvo da decadência, em face do procedimento repressivo e tempestivo de fiscalização da RFB. Como demonstrado, a Contribuinte impediu ou retardou, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal dos tributos federais, sua natureza ou circunstâncias materiais, ao informar à RFB, na declaração do Simples, apenas parte de receita bruta total, omitindo parcela superir a 49% de suas receitas totais relativas ao anocalendário 2006. Os precedentes jurisprudencias deste CARF, também, são pela manutenção da qualificação da multa de ofício pela infração imputada “Omissão de Receitas”. Vale dizer, nos casos em que os contribuintes declaram receita bruta integral, ou próximo disso, ao fisco estadual e apenas valor parcial, significativamente menor, de receita bruta ao fisco federal. Senão vejamos: MULTA POR INFRAÇÃO QUALIFICADA. A omissão expressiva de receitas em vários períodos consecutivos demonstra ter a autuada agido com dolo, caracterizando o evidente intuito de fraude, que dá ensejo à aplicação da multa por infração qualificada, no percentual de 150%.(Acórdão nº 10709.340, sessão de 16/08/2008, Relator Jayme Juzrez Grotto). MULTA QUALIFICADA. IRPJ. Comprovado que o contribuinte omitiu integralmente suas receitas e o imposto de renda devido em suas declarações de rendimentos (DIPJ) e de tributos devidos (DCTF), durante períodos de apuração sucessivos, visando retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal pela autoridade fazendária, caracterizase a figura da sonegação descrita no art. 71 da Lei nº 4.502/196, impondose a aplicação da multa de ofício qualificada, prevista no § 1º do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996.(Acórdão nº 910101.202, sessão de 17/10/2011, Relator Alberto Pinto S. Jr.). MULTA QUALIFICADA. A reiteração da omissão de receita, bem como a significância dos valores omitidos, permitem concluir que a infração não decorreu de mero erro cometido pelo sujeito passivo, e sim de sua vontade livre e consciente de evadirse do pagamento dos tributos devidos.(Acórdão nº 1201 00.483, sessão de 25/05/2011, Relator Regis Magalhães Soares de Queiroz e Marcelo Cuba Netto Redador do voto vencedor). Fl. 481DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 482 28 MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. (Acórdão nº 140200.505, sessão de 31/03/2011, Relator Antônio José Praga de Souza). MULTA QUALIFICADA. O comportamento consistente do contribuinte em declarar parcela ínfima de suas receitas ao fisco federal, para fins de apuração do pagamento unificado de tributos pelo sistema SIMPLES torna notório o intuito de retardar o conhecimento, por parte da autoridade fiscal, das circunstâncias materiais da obrigação tributária, justificando a aplicação da multa qualificada.(Acórdão nº 9101001.197, sessão de 07/10/2011, Relator Valmir Sandri). O princípio do não confisco insculpido na Constituição, em seu art. 150, IV, dirigese ao legislador infraconstitucional e não à Administração Tributária, que não pode furtarse à aplicação da norma, baseada em juízo subjetivo sobre a natureza confiscatória da exigência prevista em lei. Tal princípio não se aplica às multas, conforme precedente de jurisprudência administratriva, pois em matéria de penalidade não há que se falar em capacidade contributiva, incide na pena em concreto apenas quem assume o risco de ser flagrado cometendo ilícito tributário, acreditando no baixo risco de ser fiscalizado. Nesse sentido, transcrevo o seguinte precedente deste CARF: "CONFISCO – A multa constitui penalidade aplicada como sanção de ato ilícito, não se revestindo das características de tributo, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do artigo 150 da Constituição Federal (Ac. 10242.741, sessão de 20/02/1998). Ainda, não cabe ao órgão de julgamento administrativo conhecer, no mérito, de arguição de inconstitucionalidade de lei, cuja questão está sumulada neste CARF: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais, como razão decidir, adoto também os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida que muito bem enfrentrou essa questão (efls.398/399): (...) V MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA A impugnante alega que a multa qualificada é indevida porque não houve caracterização de prática fraudulenta ou intuito de sonegação fiscal por parte da empresa. A multa proporcional qualificada é cabível nos casos em que se verifica evidente intuito de fraude ou sonegação fiscal, em face Fl. 482DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 483 29 da adoção de práticas visando impedir o conhecimento pelo Fisco da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. O enquadramento legal utilizado pela autuante foi o art. 957 do RIR/1999 (matriz legal no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 1996), combinado com os arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, conforme Relatório Fiscal (fls. 178/185). Ainda segundo a autuante, a multa qualificada ensejou a propositura de Representação Fiscal para Fins Penais, nos termos do art. 1° da Lei n° 8.137, de 1990, que define os crimes contra a ordem tributária, objeto do processo nº 10580.720569/200910, que se encontra no órgão de origem, aguardando a decisão final sobre o crédito tributário na esfera administrativa, para a sua conclusão. Pois bem, os agentes do Fisco, no exercício de suas atividades, não podem deixar de exigir, sob pena de responsabilidade funcional, quaisquer imposições fiscais que estejam regularmente previstas em lei, uma vez ocorridas as hipóteses de incidência, como é o caso da multa qualificada estabelecida originariamente no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, agora prevista no § 1°, da mesma lei, por força da redação dada pela Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007. Assim, a exigência da multa qualificada não pode ser afastada, já que na espécie ocorreram as hipóteses indispensáveis à sua tipificação, quais sejam: a impugnante escriturou parcialmente a receita auferida (...); a receita anual de vendas com notas fiscais de saída fornecidas pela impugnante foi de R$ 4.134.673,42; a receita bruta declarada ao fisco federal, através da DSPJ Simples, foi de R$ 2.095.982,82 (declaração inexata); (...) resultando em receita omitida à RFB no total de R$ 2.038.059,60; a omissão de receitas aconteceu em todos os períodos de apuração do AC/2006, como se confere no Demonstrativo das Receitas Omitidas Anocalendário 2006 (fl. 146), elaborado pela autuante com base nas NFs listadas às fls. 147/176 dos autos. Discutível seria o caso em que se estivesse diante de uma ou outra operação isolada, envolvendo valor de pequena monta, não reincidente, em que se pudesse concluir pela ocorrência de um erro eventual, de conotação meramente material, cabendo, aí sim, tributação sem a caracterização de qualquer intuito fraudulento. Mas, no caso concreto, a omissão de receitas foi sistemática em todos os períodos do ano fiscalizado, demonstrando o propósito deliberado de impedir ou retardar o conhecimento por parte da RFB da ocorrência do fato gerador dos tributos devidos. Essa atitude da contribuinte evidencia consciente intuito de eximirse da obrigação tributária principal e se enquadra perfeitamente nas hipóteses previstas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, como sonegação fiscal. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 484 30 Como disse a autuante no item IV do Relatório Fiscal, o fisco defrontouse com o evidente intuito de fraude de impedir, ou no mínimo retardar, o conhecimento da RFB da ocorrência de fato gerador decorrente da percepção das receitas não escrituradas e não oferecidas à tributação, receitas estas declaradas em valor muito maior à SEFAZ/Ba, em valor ainda menor do que evidenciou o montante das notas fiscais de saída emitidas. Assim, tendo sido constatado o intuito doloso de sonegar, inconteste é a aplicação da multa qualificada. (...) Portanto, uma vez caracterizada a situação fática que motivou a imposição da multa qualificada no percentual de 150%, é de se manter a sua cobrança. Ressalvese, por oportuno, que é inócua a afirmação de que a auditora ignorou a justificativa da empresa de que a divergência entre os valores declarados aos fiscos estadual foi por falhas na mudança do sistema interno do escritório de contabilidade. Em primeiro lugar, porque a defendente teve tempo suficiente para corrigir o suposto erro, quer dizer, antes da instauração da fiscalização. Em segundo, não apresentou qualquer prova concreta que pudesse justificar as divergências de valores entre a receita bruta escriturada e a declarada aos fiscos estadual e federal. (...) Por tudo que foi exposto, deve ser mantida a multa qualificada para a infração omissão de receitas (infração principal) do anocalendário 2006. E quanto à infração reflexa – insuficiência de recolhimento – o lançamento foi efetuado com a aplicação da multa mínima de 75%. Decisão recorrida mantida. INFRAÇÃO REFLEXA INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO DOS TRIBUTOS DO SIMPLES, EM RELAÇÃO À RECEITA DECLARADA.. ANO CALENDÁRIO 2006. Na apuração mensal do IRPJ Simples e reflexos, levase em consideração a receita bruta acumulada mês a mês, inclusive para efeito de definição da alíquota aplicável. A infração omissão de receitas, reflexamente, implica insuficiência de recolhimentos das exações do Simples sobre a receita bruta declarada (informada na declaração do Simples), pois para definição da alíquota de recolhimento levase em conta a receita bruta total acumulada até o respectivo mês de apuração do imposto (receita declarada e receita omitida). A recomposição da receita bruta, implica mudança de faixa de alíquota ao novo patamar da receita bruta acumulada até o respectivo mês, na tabela de alíquotas. Por isso, da insuficiência de recolhimento sobre a receita informada na declaração do Simples, pois os pagamentos efetuados foram feitos com aplicação de alíquota inferior. Fl. 484DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10580.720568/200967 Acórdão n.º 1802002.147 S1TE02 Fl. 485 31 Mantida a infração Omissão de Receitas do Auto de infração IRPJ Simples, anocalendário 2006, mantémse a Insuficiência de Recolhimentos (infração reflexa), inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. LANÇAMENTO REFLEXO. CSLLSIMPLES, COFINSSIMPLES. PIS SIMPLES. CONTRIBUIÇÃO PARA SEGURIDADE SOCIAL INSSSIMPLES E IPI SIMPLES. ANO CALENDÁRIO 2006. Aplicase às exigências reflexas o que foi decidido quanto à exigência matriz (IRPJSimples), devido à íntima relação de causa e efeito, inexistindo razão fática e jurídica para decidir diversamente. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao Recurso: a) DECLARAR a nulidade dos lançamentos do anocalendário 2005; e, b) quanto ao anocalendário 2006, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, MANTER integralmente os lançamentos fiscais. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 485DF CARF MF Impresso em 25/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10183.006356/2005-22
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jul 03 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin
Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: SANDRO MACHADO DOS REIS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis.
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AÇUCAR E ALCOOL Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente do Colegiado na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Presidente Antonio de Pádua Athayde Magalhães, e Redatora ad hoc na data de formalização da decisão (25/06/2014), em substituição ao Relator Sandro Machado dos Reis. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Sandro Machado dos Reis. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto por Usina da Barra S/A Açúcar e Álcool (fls. 173 a 179) em face de acórdão proferido pela Colenda P Turma da DRJ de Campo Grande — MS (fls. 157 a 162), que, por unanimidade de votos, considerou procedente o lançamento referente ao lançamento do ITR do exercício 2000, consubstanciado no auto de infração de fls. 01 a 07. Conforme se depreende do demonstrativo de apuração do ITR de fls. 02, bem como da descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 06, constantes do auto de infração, RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .0 06 35 6/ 20 05 -2 2 Fl. 251DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.006356/200522 Resolução nº 2801000.193 S2TE01 Fl. 251 2 foi glosada a área objeto de exploração extrativa (2.000 ha) porque não foi apresentada nota fiscal de venda ou transferência, ou outro documento qualquer, comprobatório da extração do produto vegetal no imóvel em questão, conforme o art. 10, § 1°, inciso V, letra "c", da Lei n° 9.393/96 e arts. 27 e 28 do Decreto n° 4.382/2002. Outrossim, no que tange ao VTN — valor da terra nua, apontouse que não foi apresentado laudo de avaliação de imóveis rurais, conforme NBR 8799 da ABNT, sendo, conforme o art. 14, § 1°, da Lei n° 9.393/96, substituído o Valor da Terra Nua por Hectare Declarado pelo Valor da Terra Nua por Hectare constante no SIPT (Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal) (fls. fl. 14). O acórdão ora recorrido manteve o auto de infração, conforme a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Rural — ITR Exercício: 2000 Ementa: Exploração Extrativa Para que a área de exploração extrativa seja considerada, relativa ao ano base do lançamento, tal exploração deverá ser comprovada. Além da autorização do órgão ambiental, são fundamentais o relatório de cumprimento do cronograma preestabelecido e notas fiscais, ou outro documento equivalente, comprovando a comercialização do produto no referido ano base. Valor da Terra Nua VTN O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Preços de Terras da Secretaria da Receita Federal — SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, como solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas — ABNT. Lançamento Procedente O contribuinte interpôs, tempestivamente, recurso voluntário, aduzindo, em síntese, no tocante ao VTN, que a alegação da decisão recorrida, no sentido de que o laudo não foi elaborado em consonância com as normas da ABNT, não pode servir de base para a manutenção do auto de infração, especialmente porque não menciona em que ponto o referido laudo contrariou as citadas normas técnicas. Concluiu, neste ponto, que impunhase à Decisão recorrida esclarecer quais os itens da norma ABNT não foram atendidos pelo laudo e porque. Já com relação à área de exploração extrativa, asseverouse, em suma, que a autorização de exploração do IBAMA comprovam suficientemente a destinação e a exploração extrativista da área. Por meio da Resolução n° 310100.042 — 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, os membros da Terceira Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais converteram o julgamento para que a autoridade lançadora informasse sobre a origem dos Fl. 252DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN Processo nº 10183.006356/200522 Resolução nº 2801000.193 S2TE01 Fl. 252 3 dados e os critérios utilizados para chegar à apuração do valor atribuído como VTN no SIPT utilizado no lançamento. Em cumprimento à referida diligência, foi juntada aos autos a Informação Fiscal de fls. 234/236. É o Relatório Voto Conselheiro Sandro Machado dos Reis, Relator. Conforme relatado, foi realizada diligência para esclarecer questões relativas ao arbitramento do VTN. No que se refere à glosa da área de exploração extrativa, sustenta a Recorrente que a autorização de exploração do IBAMA comprovam suficientemente a destinação e a exploração extrativista da área. O Termo de Compromisso para Averbação de Plano de Manejo Florestal de fls. 130/131 foi firmado pelo IBAMA e pela Companhia Agrícola Pedro Ometto, incorporada pela contribuinte. À fl. 132 encontrase anexada autorização do IBAMA para realização de Plano de Manejo Sustentável Floresta, datada de 19/08/1999, firmado com a antiga proprietária, posteriormente incorporada. Face o acima exposto, com vistas a formar convicção acerca da lide, voto pela conversão do julgamento diligência para que o órgão competente, no caso o IBAMA, se pronuncie sobre o cumprimento do plano de manejo constante dos autos. Após tais providências e ciência à Contribuinte (para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo e conclusões, em prazo adequado), devem os autos retornar a este colegiado, devidamente instruídos com as peças que confirmam as informações prestadas, para que se prossiga no julgamento do recurso voluntário. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Redatora ad hoc, em substituição ao Conselheiro Relator Sandro Machado dos Reis. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 25/06/201 4 por TANIA MARA PASCHOALIN
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Numero do processo: 10660.905892/2011-88
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002
INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea.
Numero da decisão: 3803-006.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2002 a 31/05/2002 INDÉBITO. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa baseada em dados declarados pelo sujeito passivo, não infirmada com documentação hábil e idônea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Jorge Victor Rodrigues. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 58 92 /2 01 1- 88 Fl. 161DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905892/201188 Acórdão n.º 3803006.054 S3TE03 Fl. 162 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte em contraposição à decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência do indeferimento do Pedido de Restituição. O contribuinte havia transmitido Pedido de Restituição (PER) referente a crédito decorrente de alegado pagamento a maior da Cofins, no valor de R$ 219.625,81. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem indeferiu a restituição pleiteada, pelo fato de que o pagamento declarado no PER já havia sido integralmente utilizado na quitação de outros débitos da titularidade do sujeito passivo. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu o reconhecimento do direito creditório, bem como o deferimento da restituição pleiteada, alegando que o indébito reclamado decorria do reconhecimento pelo Supremo Tribunal Federal (STF) da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Reportandose aos princípios da verdade material e da moralidade administrativa, requereu a realização de diligências e perícias, para fins de se confirmar o crédito pleiteado. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação, assim como cópias do despacho decisório, do DARF e de planilha por ele elaborada. A DRJ Juiz de Fora/MG não reconheceu o direito creditório, fundamentando sua decisão (i) na inaplicabilidade, no presente caso, da decisão exarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em sede de recurso extraordinário, (ii) na incompetência da Administração tributária para se manifestar sobre ofensa a princípios constitucionais, (iii) na ausência de eficácia normativa da doutrina e da jurisprudência administrativa e judicial colacionadas na peça recursal, (iv) na ausência de nulidade no despacho decisório e (v) na desnecessidade de realização de diligências e perícias. Constou, ainda, do voto condutor da decisão recorrida que, “no presente caso, não foram trazidos ao processo, quaisquer elementos que viessem a comprovar o direito alegado e mais, a legislação tributária, determina que juntamente com a manifestação de inconformidade devem ser apresentadas as provas que fundamentem de modo concreto e veemente a discordância da contribuinte do entendimento adotado pela administração, precluindo seu direito de fazêlo em outro momento processual”. Cientificado do acórdão da DRJ Juiz de Fora/MG em 7 de novembro de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 5 de dezembro do mesmo ano, e reiterou seu pedido de reconhecimento do direito creditório e de deferimento integral da restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. Aduziu, ainda, o ora Recorrente, que a Delegacia de Julgamento deveria ter avançado na matéria fática e convertido o julgamento em diligência para que fossem prestados esclarecimentos e apresentada a documentação comprobatória do crédito pleiteado, sem o que tevese por configurado cerceamento do seu direito de defesa. Fl. 162DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905892/201188 Acórdão n.º 3803006.054 S3TE03 Fl. 163 3 Ressaltou, também, que a inobservância da inconstitucionalidade declarada pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo da contribuição promovido pela Lei nº 9.718, de 1998, “representa inegável afronta à Constituição Federal e negativa de prestação administrativa”. Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários e de representação. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme se verifica do relatório supra, o pedido de restituição foi indeferido pela repartição de origem pelo fato de que o pagamento informado já se encontrava vinculado a outro débito da titularidade do contribuinte, decisão essa mantida pela DRJ Juiz de Fora/MG. De início, registrese que, para se apreciarem pleitos da espécie, não basta que se alegue, em tese, o direito assegurado pela ordem jurídica, havendo necessidade de que os argumentos fáticos trazidos aos autos sejam demonstrados e comprovados, sob pena de total inviabilidade da apreciação do pedido. Não há dúvidas que este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, encontrase obrigado a reproduzir decisões definitivas do Supremo Tribunal Federal (STF) submetidas à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC), mas desde que comprovada, com documentação hábil e idônea, a ocorrência de pagamento indevido relativo à parcela do tributo apurada sobre a base de cálculo prevista em dispositivo legal declarado inconstitucional. No que tange ao material probatório do seu direito, o contribuinte trouxe aos autos apenas cópias de documentos societários, do DARF e de uma planilha por ele elaborada, documentos esses insuficientes à comprovação do indébito, dado que desacompanhados de qualquer elemento da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia, estes, sim, consistentes em prova hábil e idônea. Destaquese que, na planilha trazida aos autos pelo contribuinte na primeira instância administrativa, não são identificadas as outras receitas, além do faturamento, que teriam ensejado a tributação indevida decorrente da inconstitucionalidade do preceptivo legal. Para decidir acerca do pedido de reconhecimento do direito creditório decorrente do pagamento da contribuição apurada sobre outras receitas que não o faturamento, em razão da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1988, este Colegiado necessita, além de conhecer os valores envolvidos nas operações mercantis, como o faturamento, o total das outras receitas, a contribuição devida etc., confirmar sua ocorrência na contabilidade da pessoa jurídica. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905892/201188 Acórdão n.º 3803006.054 S3TE03 Fl. 164 4 Em processos da espécie ao ora analisado, a falta da devida instrução dos autos por parte da pessoa obrigada não pode ser suprida por diligência à repartição de origem, dada a inexistência de um início de prova que convença o julgador quanto à probabilidade de efetiva existência do direito creditório pleiteado, isso em conformidade com os princípios constitucionais da celeridade processual e da eficiência, princípios esses que regem a atuação da Administração Pública, previstos, respectivamente, no art. 5º, inciso LXXVIII, e no art. 37, caput, da Constituição Federal de 1988. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio sujeito passivo, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão a uma possível inversão do ônus da prova. Mesmo depois de ter sido alertado pelo julgador administrativo de primeira instância acerca da necessidade de apresentação de documentos comprobatórios do crédito pleiteado o Recorrente não se predispôs a instruir o processo nesta segunda instância. Bastaria que o interessado tivesse trazido aos autos cópias da escrituração contábilfiscal abrangendo o período sob análise, observandose as formalidades exigidas pela legislação tributária, para que se tivesse por configurado o início de prova requerido para justificar a realização de diligência ou perícia destinada à confirmação do crédito pleiteado. Uma simples planilha elaborada pelo próprio interessado não supre a necessidade de apresentação da documentação fiscal apta a comprovar os fatos alegados. A não apresentação de provas dos fatos apontados encontrase em total desacordo com a disciplina do art. 16, inciso III, e § 4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), verbis: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10660.905892/201188 Acórdão n.º 3803006.054 S3TE03 Fl. 165 5 Em conformidade com o excerto supra, temse que o ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório, amparada em informações declaradas pelo próprio sujeito passivo, presentes nos sistemas da Receita Federal, informações essas não infirmadas com documentação hábil e idônea. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, em razão da ausência de prova hábil e idônea do direito creditório reclamado. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 165DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/04/2014 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 25/04/2014 por HELCIO LAFETA REIS
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