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Numero do processo: 10380.014208/2007-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006
Ementa:
EMBARGOS INOMINADOS. POSSIBILIDADE.
Cabem embargos inominados para corrigir erro de grafia, conforme o art. 66 do Anexo II ao RICARF.
Numero da decisão: 2202-004.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para alterar a conclusão do voto condutor do acórdão para que nela passe a constar a redação proposta nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Sores Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
1.0 = *:*
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2000 a 31/12/2006 Ementa: EMBARGOS INOMINADOS. POSSIBILIDADE. Cabem embargos inominados para corrigir erro de grafia, conforme o art. 66 do Anexo II ao RICARF.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para alterar a conclusão do voto condutor do acórdão para que nela passe a constar a redação proposta nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Sores Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson.
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POSSIBILIDADE. Cabem embargos inominados para corrigir erro de grafia, conforme o art. 66 do Anexo II ao RICARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos Inominados, para alterar a conclusão do voto condutor do acórdão para que nela passe a constar a redação proposta nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Ronnie Sores Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 42 08 /2 00 7- 17 Fl. 1343DF CARF MF Processo nº 10380.014208/200717 Acórdão n.º 2202004.534 S2C2T2 Fl. 1.344 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias. Tendo a DRJ dado provimento parcial à Impugnação, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, que foi integralmente provido. Retornado à DRF, esta constatou que houve erro material na elaboração do acórdão, o que foi recebido como Embargos Inominados pela Presidência da 3ª Câmara da 2ª SEJUL. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório dos autos. Em 20/11/2007 foi lavrado AI DEBCAD nº 37.138.6233 (fls. 3/130) para constituir crédito tributário referente a Contribuições Sociais Previdenciárias em função de não ter informado na GFIP os valores referentes à contratação de cooperativas. Consta nos autos Relatório Fiscal (fls. 139/160 e docs. anexos fls. 161/228). Intimada, a Contribuinte protocolou Impugnação (fls. 239/259 e docs. anexos fls. 260/475). A DRJ proferiu então acórdão nº 1132.029, de 29/11/2010 (fls. 865/874), que deu provimento parcial à defesa para reconhecer a decadência parcial. Intimada em 12/08/2011 (fl. 902), a Contribuinte protocolou recurso voluntário em 13/09/2011 (fls. 904/945 e docs. anexos fls. 906/1.317). Chegando ao CARF, foi proferido então o acórdão nº 2302003.651, de 12/02/2015 (fls. 1.324/1.330), que deu provimento integral ao recurso voluntário e que restou assim ementado e acordado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração:01/03/2000 a 31/12/2006 CONTRIUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA A CARGO DAS COOPERATIVAS. INCONSTITUCIONALIDADE. REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. Em face do reconhecimento da inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida, deve ser afastado do presente auto de infração em fustigo os lançamentos que tiveram como fundamento os valores a título de contribuição previdenciária, a cargo das cooperativas, no percentual de 15% do total das importâncias pagas, distribuídas ou creditadas a seus cooperados a título de remuneração ou retribuição pelos serviços que prestem a pessoas jurídicas por intermédio delas. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos em dar Fl. 1344DF CARF MF Processo nº 10380.014208/200717 Acórdão n.º 2202004.534 S2C2T2 Fl. 1.345 3 provimento ao recurso voluntário, reconhecendo a declaração de inconstitucionalidade do inciso IV do artigo 22, da Lei n.º 8.212/91, por decisão unânime do Plenário do Supremo Tribunal Federal no RE 595.838/SP, com repercussão geral reconhecida. Intimada, a PGFN informou que não apresentaria Recurso Especial (fl. 1.334). Encaminhados os autos à DRF, esta anexou "despacho de encaminhamento" (fl. 1.337) informando que: Este processo trata do DEBCAD 37.138.6233. No entanto, este DEBCAD é mencionado no início do Acórdão 2302003.651, mas concluído com o DEBCAD 51.035.6990. Diante do exposto, proponho o retorno do presente processo ao CARF para conhecimento e saneamento, se for o caso. O despacho foi então recebido em despacho de admissibilidade (fls. 1.340/1.341) como Embargos Inominados. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Uma vez que os Embargos de Inominados foram interpostos por pessoa legitimada, não há prazo estipulado, e a presidência da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento o admitiu, impende leválo a julgamento. Opôsse a DRF ao acórdão CARF nº 2302003.651, de 12/02/2015 por constatar erro na numeração do DEBCAD. Segundo os Embargos, os autos contém o DEBCAD nº 37.138.6233, e foi inclusive esse o DEBCAD mencionado no início do acórdão (relatório), 37.138.6233 porém na conclusão (dispositivo), restou consignado expressamente o provimento ao recurso voluntário, "cancelando o lançamento fiscal contido no DEBCAD nº 51.035.6990" (fl. 1.330). Efetivamente, consta a NFLD DEBCAD nº 37.138.6233 às fls. 3/129 dos autos. Também, o Relatório da NFLD (fls. 141/59) menciona exclusivamente o DEBCAD nº 37.138.6233. Ainda, a Impugnação (fls. 239/259) e o Recurso Voluntário (fls. 904/944) mencionam expressamente o DEBCAD nº 37.138.6233. Ainda menciona expressamente o DEBCAD nº 37.138.6233 o acórdão da DRJ nº 1132.029, de 29/11/2010 (fls. 865/874). Enfim, o relatório do acórdão embargado é expresso em afirmar que: "Tratase do Auto de Infração por Descumprimento de Obrigação Principal, AI DEBCAD nº 37.138.6233, consolidado em 05/07/2011, em face da ASSOCIAÇÃO CEARENSE DO MINISTERIO PUBLICO, no valor total de R$1.183.939,35 (um milhão, cento e oitenta e três mil novecentos e trinta e nove reais e trinta e cinco centavos) referente ao inadimplemento das contribuições previdenciárias, incidente sobre remunerações pagas a cooperados da Unimed Fortaleza e da cooperativa odontológica de trabalho UnidontoFortaleza, que prestaram Fl. 1345DF CARF MF Processo nº 10380.014208/200717 Acórdão n.º 2202004.534 S2C2T2 Fl. 1.346 4 serviços à entidade,no período de 01/03/2000 a 31/12/2006." fl. 1.325; Constatase, portanto, que houve lapso de grafia na redação do dispositivo do acórdão embargado. Erro esse que se pode corrigir por meio dos Embargos Inominados, conforme esclarece o art. 66 do Anexo II ao RICARF. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, acolho os Embargos Inominados para alterar a conclusão do voto condutor do acórdão para que passe a constar a seguinte redação: Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando o lançamento fiscal contido no DEBCAD nº 37.138.6233. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 1346DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.726878/2014-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2011
LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA ELEMENTOS DE PROVA.
Não há nulidade no lançamento fiscal que se vale de elementos que ampararam a constituição de outro auto de infração controlado pelo mesmo processo administrativo, em particular quando o Relatório Fiscal aponta tais elementos e indica sua fonte de informação, e, ainda, quando tais fontes são documentos do próprio contribuinte.
SAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. ILEGALIDADE. REGIMENTO INTERNO. SÚMULA CARF.
O Poder Executivo, por expressa previsão legal, detém a prerrogativa de alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição ao SAT.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB.
Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa.
Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso.
DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVRO SOLICITADO.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social.
MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS.
A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos. Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física.
Numero da decisão: 2201-004.410
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator) e José Alfredo Duarte Filho, que, ainda, votaram pela exoneração das multas por descumprimento de obrigações acessórias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2011 LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA ELEMENTOS DE PROVA. Não há nulidade no lançamento fiscal que se vale de elementos que ampararam a constituição de outro auto de infração controlado pelo mesmo processo administrativo, em particular quando o Relatório Fiscal aponta tais elementos e indica sua fonte de informação, e, ainda, quando tais fontes são documentos do próprio contribuinte. SAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. ILEGALIDADE. REGIMENTO INTERNO. SÚMULA CARF. O Poder Executivo, por expressa previsão legal, detém a prerrogativa de alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição ao SAT. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVRO SOLICITADO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos. Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de Outros Serviços de Terceiros - Pessoa Física.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator) e José Alfredo Duarte Filho, que, ainda, votaram pela exoneração das multas por descumprimento de obrigações acessórias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2013; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.104 1 1.103 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.726878/201452 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201004.410 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 03 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MUNICÍPIO DE SIMÕES FILHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2011 LANÇAMENTO FISCAL. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA ELEMENTOS DE PROVA. Não há nulidade no lançamento fiscal que se vale de elementos que ampararam a constituição de outro auto de infração controlado pelo mesmo processo administrativo, em particular quando o Relatório Fiscal aponta tais elementos e indica sua fonte de informação, e, ainda, quando tais fontes são documentos do próprio contribuinte. SAT. FIXAÇÃO ALÍQUOTAS. ILEGALIDADE. REGIMENTO INTERNO. SÚMULA CARF. O Poder Executivo, por expressa previsão legal, detém a prerrogativa de alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição ao SAT. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES ESTABELECIDOS PELA RFB. Deixar a empresa de preparar folha(s) de pagamento(s) das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, constitui infração à lei previdenciária passível de multa. Constatado que parte dos pagamentos efetuados a empregados não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção da multa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 68 78 /2 01 4- 52 Fl. 1104DF CARF MF 2 Esta punição pode ser aplicada em conjunto com a multa de ofício decorrente do não pagamento da contribuição, ou até de forma isolada (quando não se reputar contribuições devidas, mas constatar deficiência na folha de pagamento). Também pode haver a aplicação da multa de ofício sem a punição da referida multa pelo descumprimento de obrigação acessória. Inexiste, portanto, nexo de dependência entre as citadas condutas, sendo possível a aplicação de ambas em um mesmo caso. DEIXAR DE APRESENTAR DOCUMENTOS OU LIVRO SOLICITADO. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa de exibir qualquer documento ou livro relacionados com as contribuições para a Seguridade Social. MULTAS PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. NÃO LANÇAR, MENSALMENTE, EM TÍTULOS PRÓPRIOS DA CONTABILIDADE, DE FORMA DISCRIMINADA, FATOS GERADORES, QUANTIAS DESCONTADAS, CONTRIBUIÇÕES E RECOLHIMENTOS. A empresa é obrigada a lançar em sua contabilidade, mensalmente, de forma discriminada e em títulos próprios, os fatos geradores das contribuições previdenciárias, as contribuições por ela devida e as descontadas, bem como os totais recolhidos. Autoriza a lavratura da multa o fato de o contribuinte contabilizar diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados na conta de “Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física”. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Relator) e José Alfredo Duarte Filho, que, ainda, votaram pela exoneração das multas por descumprimento de obrigações acessórias. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, José Alfredo Duarte Filho, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Dione Jesabel Wasilewski, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.105 3 O presente processo trata de Autos de Infração referentes às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho. O Relatório Fiscal de fl. 31 a 52 descreve os motivos que ensejaram o lançamento e os autos de infração decorrentes impugnados assim foram descritos pelo Acórdão de 1ª Instância: AI DEBCAD Nº 51.067.2612: compreende as contribuições da empresa, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (diferença entre a base de cálculo apurada e a base de cálculo declarada em GFIP), no valor de R$ 2.860.316,54 (fls. 3 a 15); 1.2. AI DEBCAD Nº 51.067.2620: referese à diferença apurada a título de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), em razão de informação de valores de RAT e FAP a menor em GFIP, no valor de R$ 808.310,73 (fls. 16 a 25); 1.3. AI DEBCAD Nº 51. 067.2647: compreende a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude da apresentação pelo Contribuinte de documentos relacionados às contribuições previdenciárias com informações diversas da realidade ou com omissão de informação verdadeira, conforme dispõe o art. 33, §§ 2º e 3º, da Lei nº 8.212, de 1991 – Código de Fundamento Legal – CFL 38, no valor de R$ 54.385,29 (fl. 26); 1.4. AI DEBCAD nº 51.067.2655: compreende a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de o Contribuinte deixar de lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme o disposto no art. 32, II, da Lei nº 8.212, de 1991 – Código de Fundamento Legal – CFL 34, no valor de R$ 54.385,29 (fl. 27); 1.5. AI DEBCAD nº 51.067.2663: compreende a aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de o Contribuinte deixar de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas aos segurados empregados de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil – Código de Fundamento Legal – CFL 30, no valor de R$ 3.625,74 (fl. 28). Embora o Relatório Fiscal tenha enumerado o DEBCAD 51.067.5639, lavrado em decorrência de descumprimento de obrigação principal, relativa ao recolhimento da contribuição patronal devida à Seguridade Social, não identifiquei no processo o citado auto de Fl. 1106DF CARF MF 4 infração, tampouco este foi impugnado pelo contribuinte ou mencionado pela Delegacia de Julgamento. Ciente do lançamento em 25 de setembro de 2014, inconformado, o contribuinte apresentou, em 27 de outubro de 2014, segregadas por DEBCAD, as impugnações de fl. 573 (51.067.2620), 613 (51.067.2647), 643 (51.067.2655), 673 (51.067.2663) e 705 (51.067.2612). Em 27 de fevereiro de 2015, a 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba considerou a impugnação improcedente, lastreada nas conclusões que podem ser assim resumidas: Da alegação de nulidade (fl. 796) (...)Dessa forma, no caso presente, tendo sido lavrado o auto de infração por autoridade administrativa competente e não se encontrando presente pressuposto algum dos dispostos no art. 59, antes transcrito, não há que se falar em nulidade, afastando se de plano sua ocorrência, devendo ser analisada a conformidade do lançamento em cotejo com a matéria discutida especificamente pelo Impugnante, sanando irregularidades, acaso existentes. Da alegação de ilegalidade e/ou inconstitucionalidade (fl. 797) (...)Desse modo, a lei cuja invalidade ou inconstitucionalidade não tenha sido declarada, surtirá efeitos enquanto vigente e será obrigatoriamente observada pela autoridade administrativa, sendo inadmissível a apreciação, no contencioso administrativo, de alegações de inconstitucionalidade de leis, cuja competência é exclusiva do Poder Judiciário. Da multa aplicada (fl. 798) (...) Como se vê, com a modificação inserida no § 9º do art. 239 do RPS pelo Decreto nº 6.042, de 2007, deixou de existir óbice à cobrança de multas das pessoas jurídicas de direito público, isso porque a lei previu a incidência da multa de modo genérico, sem excluir da sua incidência as pessoas jurídicas de direito público. (...) Desse modo, no caso presente, que envolve o período de 01 a 12/2011, houve a incidência de multa de ofício de 75% nos autos de infração de obrigação principal (DEBCADs nºs 51.067.2612 e 51.067.2620), em conformidade com a legislação vigente, como se pode observar nos relatórios Discriminativo do Débito – DD, às fls. 5 a 9 e 18/19. Correto, portanto, o procedimento fiscal adotado. Da incidência da contribuição previdenciária (fl. 799) (...) Como se vê, as verbas pagas a título de hora extra, diferença de hora extra, proventos de complementação, abono de férias, diferença de abono de férias, abono de férias 1/3, não integram o rol de verbas sobre as quais não incide a contribuição previdenciária. Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.106 5 10.5. Em relação a abonos de férias, estão excluídas, apenas, as importâncias pagas a título de abono de férias de que tratam os arts. 143 e 144 da CLT (abono pecuniário de férias – 1/3) e a dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da CLT. Contudo, tais verbas não foram consideradas integrantes do saláriodecontribuição, conforme informado no Relatório Fiscal. (...) Dessa forma, por se tratar de norma isentiva, a interpretação deve ser realizada de forma literal, não autorizando estender a referida benesse a situações não contempladas expressamente pela norma, de modo que nenhum reparo merece o lançamento. Da alíquota aplicada ao SAT/RAT. Majoração (fl. 803) Deixo, portanto, de examinar a ilegalidade/inconstitucionalidade da majoração da alíquota de 1% para 2% do SAT/RAT, instituída pelo Decreto n° 6.042, de 2007, suscitada pelo Impugnante, uma vez que esta análise extrapola os limites da competência do julgador administrativo. Das Obrigações Acessórias AI DEBCAD nº51067.2647 (fl. 806) Segundo se extrai do Relatório Fiscal, o presente auto de infração foi lavrado em virtude de o Contribuinte ter apresentado documentos relacionados com as contribuições previdenciárias que continham informações diversas da realidade ou que omitiam a informação verdadeira, conforme §§ 2o e 3o do art. 33 da Lei n° 8.212, de 1991 – apresentou folhas de pagamento que não continham os segurados contribuintes individuais a seu serviço, muito embora os pagamentos a eles efetuados tenham sido registrados na contabilidade(...) Restou informado pela autoridade fiscal que, “Tendo em vista o Contribuinte ter incorrido na prática de nova infração a dispositivo legal, dentro do prazo de 5 anos em que se tornou irrecorrível administrativamente o Auto de Infração n° 51.044.4148 (CFL 38), lavrado em procedimento fiscal anterior, recebido pelo contribuinte em 22/08/2013, incluído em parcelamento especial em 10/09/2013, ficou caracterizada a ocorrência, no procedimento fiscal em curso, de nova infração ao mesmo dispositivo legal (reincidência específica), motivo pelo qual multiplicouse o valor da multa por 3 (três), totalizando o montante de R$ 54.385,29”. 12.4. Tal procedimento encontra respaldo no art. 290 e art. 292 do RPS (...) 12.5. Assim, correta a multa aplicada. AI DEBCAD nº 51.067.2655 (fl. 807) O Auto de Infração em questão (DEBCAD 51.067.2655) foi lavrado em razão de o Contribuinte ter deixado de lançar em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os Fl. 1108DF CARF MF 6 fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos, conforme inciso II do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, combinado com o art. 225, II, e §§ 13 a 17 do RPS. (...) 13.5. No caso presente, em decorrência da infração praticada, foi aplicada a multa cabível, nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 AI DEBCAD nº 51.067.2663 (fl. 809) O AI DEBCAD nº 51.067.2663 foi lavrado em razão de o Contribuinte ter deixado de preparar as folhas de pagamento dos segurados empregados, no ano de 2011, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), Em decorrência da infração cometida, foi aplicada a multa cabível, nos termos dos arts. 92 e 102 da Lei n° 8.212, de 1991 Da alegação de bis em idem (fl. 810) Em que pese a identidade dos fatos geradores que os determinaram, todas as exigências objeto dos créditos tributários constituídos na aludida ação fiscal possuem fundamentos legais distintos, conforme detalhado nos seus respectivos relatórios “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, tendo a autoridade fiscal autuante o dever de ofício de efetuar o lançamento correspondente em estrita conformidade com o que determina a lei, sob pena de responsabilização funcional, nos termos do parágrafo único do art. 142 do CTN. (...) Dessa forma, foram as multas aplicadas nos termos da legislação de regência, conforme demonstrado nos autos, não prosperando as alegações de bis in idem. Ciente da decisão de 1ª Instância em 21 de maio de 2015, o contribuinte apresentou, em 19 de junho de 2015, os Recursos Voluntários de fl. 817 (51.067.2612), 857 (51.067.2639), 902 (51.067.2647), 941 (51.067.2655), 979 (51.067.2663), 1017 (37.054.5540) e 1047 (51.067.2620). A análise do teor das peças recursais e a submissão dos autos ao Colegiado de 2ª Instância motivaram a conversão do julgamento em diligência, nos termos da Resolução 2201000.248, de 04 de abril de 2017 (fl. 1079/1086), a qual apontou inconsistências relacionadas a recursos relativos a exigências não contidas nos autos; determinou que a unidade responsável pela administração do tributo avaliasse as notícias de parcelamento que, caso fossem confirmadas, importariam desistência dos recursos formalizados; sugeriu que o contribuinte fosse convidado a apresentar nova peça recursal que consolidasse e organizasse suas razões de forma mais clara, excluindo os temas incompatíveis como o que se discute nos autos. Em resposta à diligência formalizada, a unidade juntou ao presente as informações de fl. 1088, que indicam a inexistência dos parcelamentos informados nas peças recursais. Por fim, formalizou a intimação de fl. 1090, que foi atendida pelo contribuinte com a apresentação de nova peça recursal (fl. 1095/1100), em que as razões da defesa podem ser assim resumidas: Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.107 7 cerceamento do direito de defesa, por não ter sido demonstrada a base de cálculo considerada na apuração do DEBCAD 51.0672612; inexistência dos autos de infração 51.067.2639 e 37.054.5540, já que aquele não existe nos autos e este teria sido aqui discutido por equívoco, já que é tema de outro processo; das multas por descumprimento de obrigação acessória, remetendo as razões da defesa aos termos da peça recursal originária, por entender que estas não preservam o princípio do não confisco; suspensão da exigibilidade dos débitos em lide administrativa nos termos do art. 150, inciso III do Código Tributário Nacional (CTN). É o relatório necessário. Voto Vencido Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. a) DOS DEBCAD 51.067.2639 E 37.054.5540 Conforme descrito no Relatório supra, embora tenha sido citado no corpo do Relatório Fiscal, item .1, alínea f (fl. 36), o DEBCAD 51.067.2639 (AIOP) não aparece no Relatório de Lançamento inserido nos autos a partir de fl. 61, tampouco foi elencado no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fl. 565, não tendo sido objeto de impugnação e, consequentemente, de julgamento em 1ª instância. Como se vê no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fl. 565, do procedimento fiscal resultaram apenas os DEBCAD 51.067.2612 (AIOP), 51.067.2620 (AIOP), 51.067.2647 (AIOA), 51.067.2655 (AIOA) e 51.067.2663 (AIOA), além de um Auto de Infração relativo a Pasep, que tramita nos autos do processo 10580.726881/201476, atualmente parcelado. Ademais, o valor do crédito tributário lançado expresso no Demonstrativo Consolidado de fl. 02, R$ 1.810.590,14, equivale ao somatório dos valores lançados para os dois AIOP citados no parágrafo precedente (R$ 1.411.194,48 + R$ 399.395,66, fl. 03 e 16, respectivamente). Assim, não há que se falar no presente em qualquer exigência relativa ao Auto em tela. Vale ressaltar que a unidade responsável pela administração do tributo, ainda que instada em sede de diligência fiscal, não se manifestou sobre o destino dado ao citado documento de crédito. Já em relação ao DEBCAD 37.054.5540, o próprio contribuinte reconhece a ocorrência de equívoco, por ser demanda objeto de outro processo administrativo. Fl. 1110DF CARF MF 8 Assim, justificase a sumária desconsideração de eventuais citações a tais autos de infração, sendo certo de que, caso a unidade de origem identifique algum equívoco, que promova a devida correção e, sendo o caso, transporte para o processo correto as peças em que o contribuinte se defende de tais exigências. b) DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE Quanto ao pedido de suspensão da exigibilidade dos débitos ora sob análise em razão do preceito contido no art. 150, inciso II, do CTN1, não há razão para qualquer manifestação deste Colegiado, já que a medida é uma consequência natural da tramitação do presente processo, que deverá perdurar até que findem todos os tramites relacionados ao litígio administrativo regularmente instaurado nos termos do Decreto 70.235/72. c) DEBCAD 51.067.2612 (AIOP), 51.067.2620 (AIOP) Na nova peça recursal apresentada, o contribuinte se restringe a tecer suas considerações sobre a ocorrência de cerceamento de defesa na lavratura do DEBCAD 51.067.2612, por não haver nos autos qualquer relatório específico que liste todas as bases de cálculo do tributo lançado e que a fiscalização teria utilizado o mesmo demonstrativo que lastreou o DEBCAD 51.067.2620. A análise dos autos evidencia que o DEBCAD 51.067.2612 compreende as contribuições da empresa, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), incidentes sobre a remuneração de segurados empregados e contribuintes individuais (diferença entre a base de cálculo apurada e a base de cálculo declarada em GFIP). Já o DEBCAD 51.067.2620: referese à diferença apurada a título de contribuição destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (RAT), em razão de informação de valores de RAT e FAP a menor em GFIP. No item 9.6 do Relatório Fiscal, fl. 38, a Autoridade Lançadora discrimina as rubricas contidas na folha de pagamentos apresentada que não foram consideradas pelo autuado como salário de contribuição e, assim, omitidas em GFIP. No item 9.9 do mesmo Relatório, fl. 40, há a clara indicação de que foram apurados, mensalmente, os valores correspondentes à base de cálculo da contribuição previdenciária incluindo as rubricas citadas no item 9.6, do que, após cotejo com os valores declarados em GFIP, resultou em diferença objeto do Lançamento DF. No relatório de lançamento contido a partir de fl. 64, estão claramente evidenciadas as diferenças apuradas no levantamento DF. Ressaltese que o DEBCAD 51.067.2612 constituise de mais outros dois levantamentos, o E5Elemento de Despesa 35 e o E6Elemento de despesa 36, cujas origens estão devidamente explicadas nos itens 9.10 e 9.11 do Relatório Fiscal. O fato do Agente Fiscal utilizar em uma autuação dados que serviram de base para outro Auto de Infração é medida que se impõe pela prática, pela necessidade de dar maior 1 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) III as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.108 9 celeridade ao procedimento fiscal e pelo Princípio da Eficiência, não justificando, por exemplo, que o levantamento de valores declarados em GFIP apareça em relatórios distintos para cada documento de crédito, sendo, inclusive, dispensável que se inclua nos autos, já que disponíveis para consulta nos arquivos eletrônicos da Receita Federal do Brasil e do próprio contribuinte. Diante da expressa indicação dos valores das bases de cálculos utilizados no lançamento, sendo devidamente aclaradas suas origem e tendo o contribuinte pleno acesso aos documentos que lhe dão lastro (folha de pagamento, GFIP, relatórios contábeis), caso não concordasse com os números indicados, deveria apresentar os valores que entende corretos e não apenas se limitar a alegar cerceamento do direito de defesa, mácula que não identifico no lançamento ora sob análise. Portanto, não procedem os argumentos recursais. Ainda que a nova peça recursal não tenha tratado de outros temas em relação aos lançamentos objeto dos DEBCAD 51.067.2612 e 51.067.2620, entendo relevante analisar, no que for cabível, as demais razões apresentadas nos recursos originalmente apresentados, os quais constam de fl. 818/844 e 1048/2064, respectivamente. c1) Nulidade do decisum por cerceamento de defesa / parcelamento Considerando que existem equívocos na elaboração das peças recursais, os quais, inclusive, motivaram a apresentação de novo recurso voluntário, deixo de tecer qualquer consideração sobre os subitens Violação ao Princípio da Verdade Material e Da inexistência de preclusão temporal no processo administrativo por não ter identificado, na decisão recorrida, nenhuma citação que justificasse os temas. Na mesma esteira, têmse que os argumentos relativos a lançamento de PASEP foram inseridos no recurso por equívoco, o que justifica sua desconsideração. No mesmo sentido, deixo de tecer qualquer consideração sobre o pedido de inclusão no montante das contribuições no parcelamento em tramitação, já que não foram encontrados parcelamentos ativos formalizados nos termos da Lei 12.810/2013. Ainda que não haja parcelamento em curso, o pagamento parcelado poderá ser negociado, nos termos da legislação, diretamente pelo contribuinte na unidade que administra o tributo. Por fim, em relação a alegação de falta de intimação do advogado constituído nos autos, não há qualquer mácula no procedimento, já que o contribuinte autuado sempre esteve devidamente cientificado do tramite processual, já que, de tudo, tomou ciência nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72, prescindindo de cientificações complementares. Além do quê, não há, no âmbito da legislação processual tributária, previsão para realização de sustentação oral, pela defesa, durante a sessão de julgamento administrativo de primeira instância. Rejeito a preliminar de nulidade. c2) Da ilegalidade da multa aplicada Lei 11.941/09. Fl. 1112DF CARF MF 10 Sustenta o recorrente que a multa aplicada é ilegal, por decorrer da aplicação retroativa de norma prejudicial ao ente público, destacando que a lei 11.941/2009 exonerou de responsabilidade os gestores, cabendo aos cofres públicos sofrerem com a aplicação de penalidade fundadas em normas posterior à sua ocorrência. Ora, a discussão no âmbito administrativo sobre a ilegalidade / inconstitucionalidade de comando legal em vigor não se mostra adequada, seja pela expressa vedação contida no art. 26A do Decreto 70.235/72 2, seja por se tratar de tema que já foi objeto de reiteradas e uniformes manifestações deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido emitida Súmula de observância obrigatória, nos termos do art. 72 de seu Regimento Interno, aprovado pela Portaria do Ministério da Fazenda nº 343, de 09 de junho de 2015, cujo conteúdo transcrevo abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Especificamente em relação à responsabilização de gestores pelo descumprimento de obrigações acessórias previdenciárias, da mesma forma, é tema já sumulado por este Conselho, sendo suas conclusões, portanto, de observância obrigatória: Súmula CARF nº 65: Inaplicável a responsabilidade pessoal do dirigente de órgão público pelo descumprimento de obrigações acessórias, no âmbito previdenciário, constatadas na pessoa jurídica de direito público que dirige. Assim, não procedem os argumentos recursais. c3) Da ilegalidade da alteração do percentual SAT/RAT dos entes públicos Insurgese o contribuinte contra a majoração do RAT devido pelos órgãos da Administração Pública promovido pelo Decreto 6.042/07, que, em razão da reclassificação da atividade, alterou as alíquotas aplicadas de 1% para 2%. Cita jurisprudência para fundamentar seu entendimento de que não é legítimo o reenquadramento discutido, o que exige a declaração de ilegalidade da majoração do SAT/RAT para os entes públicos. Resumidas as razões da defesa, é inconteste que a Lei 8.212/91 atribuiu ao Poder Executivo a prerrogativa de alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, o enquadramento das empresas para efeito de contribuição ao SAT, de modo a estimular investimentos em prevenção de acidentes: Art. 22 (...) § 3º O Ministério do Trabalho e da Previdência Social poderá alterar, com base nas estatísticas de acidentes do trabalho, apuradas em inspeção, o enquadramento de empresas para efeito da contribuição a que se refere o inciso II deste artigo, a fim de estimular investimentos em prevenção de acidentes. 2 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.109 11 O Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, em seu anexo V, relaciona os graus de risco conforme a classificação nacional de atividades econômicas, atribuindo às Administrações Públicas em geral uma alíquota de 2%. Assim, quanto à alegação da ilegalidade de reclassificação que alterou as alíquotas aplicadas, os excertos acima são cristalinos e não deixam dúvidas de que esta se deu nos estritos termos da lei. O que resta seria tratar do tema sob a ótica de que o preceito legal em tela não estaria em conformidade com preceitos constitucionais. Contudo, conforme já dito alhures, esta não seria matéria para tratamento em julgamento administrativo de 2ª Instância, que não comporta qualquer juízo sobre a inconstitucionalidade de leis tributárias, sendolhe vedada a possibilidade de afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto sob amparo de inconstitucionalidade, tudo conforme se vê nos comandos abaixo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ricarf. Portaria MF 343/2015. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Portanto, não procedem os argumentos recursais. d) DEBCAD 51.067.2655 (AIOA) Tendo em vista que, na nova peça recursal, o contribuinte remeteu seus argumentos sobre o lançamento em tela aos termos originalmente apresentados (fl. 942/966) e considerando que parte do que lá está expresso já foi objeto de análise do presente voto, deixo de tratar dos tópicos abaixo, para os quais adoto como razão de decidir os mesmos fundamentos legais e fáticos já expressos acima. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11.941/09; Da nulidade do decisum por cerceamento de defesa; Quanto aos demais temas, passemos a sua análise. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11.941/2009 Da Prescrição dos créditos Fatos geradores que remontam a mais de cinco anos. Embora o contribuinte, juntamente como a reedição da discussão, na mesma peça recursal, sobre ilegalidade da multa aplicada, tenha incluído neste título a questão da prescrição dos créditos, no decorrer de sua explanação não traz qualquer argumento específico sobre prescrição. Assim, não há matéria a ser discutida neste item. Da ilegalidade de Multa do AI Insurgese o contribuinte contra a exigência afirmando que cometeu mera falha no envio da GFIP, a qual se configura em vício sanável, não justificando a penalidade aplicada. Fl. 1114DF CARF MF 12 O Auto de Infração em tela trata da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de o Contribuinte deixar de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos (CFL 34). Assim tratou do lançamento o Relatório Fiscal (fl. 46/47): O contribuinte contabilizou, indevidamente, a folha de pagamentos dos segurados vinculados aos Programas Municipais PAEF.FMAS (Programa de Atenção Especializado às Famílias), CRAS.FMAS e CREAS.FMAS (Centro de Referência e Assistência Social), PROJOVEM (Programa Projovem) e PETI.FMAS (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), na conta 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física), durante o ano de 2011, quando o correto seria o lançamento dessas despesas com pessoal civil na conta contábil 3.1.9.0.11 (Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil). Conforme se verifica em fl. 47, o lastro legal para a capitulação da multa aplicada está contido nos art. 92 e 102 da Lei 8.212/91, que assim dispõe: Lei 8.212/91 (...) Art. 92. A infração de qualquer dispositivo desta Lei para a qual não haja penalidade expressamente cominada sujeita o responsável, conforme a gravidade da infração, a multa variável de Cr$ 100.000,00 (cem mil cruzeiros) a Cr$ 10.000.000,00 (dez milhões de cruzeiros), conforme dispuser o regulamento. (...) Art. 102. Os valores expressos em moeda corrente nesta Lei serão reajustados nas mesmas épocas e com os mesmos índices utilizados para o reajustamento dos benefícios de prestação continuada da Previdência Social. A mesma lei 8.212, em seu art. 35A, estabelece: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por sua vez, assim dispõe a Lei 9.430/96: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; A falha de escrituração que levou à autuação está evidenciada no item 9.11 do Relatório Fiscal, fl. 40, tendo lastreado, ao mesmo tempo, a autuação por descumprimento de obrigação principal consubstanciada no DEBCAD 51.067.2612, fl. 41. Como seu viu nos destaques legais acima, o art. 35A da Lei 8.212/91 prevê que, nos casos de lançamento de ofício, aplicamse as penalidades previstas no art. 44 da Lei Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.110 13 9.430/96, cujo inciso I é claro ao estabelecer multa de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. A descrição dos fatos do lançamento é clara ao demonstrar não a ocorrência de falta de registro, mas o registro equivocado da fatos contábeis, o que dá ensejo à reclassificação de ofício da despesa e o recálculo do tributo devido com aplicação da penalidade de ofício. Portanto, o contribuinte efetuava seus registros a partir do que considerava correto e, naturalmente, tal ato se refletia no cálculo do tributo devido. Embora seja certo que a estipulação de uma sanção tem o nítido propósito de inibir o descumprimento de uma norma, há que se ressaltar que a imposição desmedida do poder do Estado por meio de uma reação excessiva ao ato ilícito acaba evidenciando efeito oposto, resultando em maior descumprimento de obrigações. Assim, resta absolutamente necessária a imposição de sanções com moderação, tanto no ponto de vista qualitativo (tipo de pena, por exemplo: multa, privação de liberdade, etc), quanto do ponto de vista quantitativo (valor, percentual, tempo, etc). No âmbito do direito penal, há exemplos de diversos limitadores da pretensão punitiva do Estado, como o concurso formal (quando o agente, mediante uma única conduta, pratica dois ou mais crimes, idênticos ou não), o crime continuado (constitui um favor legal ao delinquente que comete vários delitos. Cumpridas as condições legais, os fatos serão considerados crime único por razões de política criminal), ambos com lastro expresso nos art. 70 e 71 do Código Penal, Decreto 2.848/40. Há, ainda, limitadores que, embora não tenham lastro legal expresso, decorrem da doutrina e da jurisprudência, como o Princípio da Consunção ou Absorção (aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência, em que o delito fim absorve o meio). Embora estejamos diante de Princípios comumente relacionados ao Direito Penal, não há dúvidas de que as multas administrativas assemelhamse a algumas penalidades de mesma natureza impostas na seara penal, razão pela qual impõese a aplicação do Princípio da Consunção também no âmbito administrativo. É inconteste o nexo de dependência entre as condutas de registrar indevidamente na contabilidade e de não recolher o tributo que seria devido se correto fosse o registro. Caso o registro equivocado não tivesse sido identificado, não haveria lançamento da obrigação principal relacionada, do que resulta a conclusão de que, pela aplicação do Princípio da Consunção, o delito fim (não recolhimento) absorve o delito meio (classificação contábil equivocada). Naturalmente, caso o registro equivocado tivesse claro propósito, doloso, de ocultar a ocorrência do fato gerador, a penalidade de ofício deveria ser qualificada, mediante a duplicação de sua alíquota, nos termos do § 1º do citado art. 44 da Lei 9.430/96. Portanto, entendo que não merece prosperar a imputação fiscal, seja em razão de punir a conduta de falta de declaração ou de declaração inexata, para a qual há penalidade prevista (art. 35A da Lei 8.212/91, c/c art. 44 da Lei 9.430/96), não se aplicando o art. 92 da Lei 8.212/91, seja pela inocorrência de falta de lançamento em títulos próprios, seja pelo Fl. 1116DF CARF MF 14 evidente nexo de dependência entre delitos de não laçar em título próprios (ou lançar em com equívoco) e de não efetuar o pagamento do tributo devido, do que resulta a aplicação do Princípio da Consunção, o delito fim (não pagamento) absorve o delito meio (registro contábil equivocado). Assim, neste item, dou provimento ao recurso voluntário. e) DEBCAD 51.067.2647 (AIOA) Tendo em vista que, na nova peça recursal, o contribuinte remeteu seus argumentos sobre o lançamento em tela aos termos originalmente apresentados (fl. 903/928) e considerando que parte do que lá está expresso já foi objeto de análise do presente voto, deixo de tratar dos tópicos abaixo, para os quais adoto como razão de decidir os mesmos fundamentos legais e fáticos já expressos acima. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11941/09; Da nulidade do decisum por cerceamento de defesa; Quanto aos demais temas, passemos a sua análise. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11941/2009 Da Prescrição dos créditos Fatos geradores que remontam a mais de cinco anos. Embora o contribuinte, juntamente como a reedição da discussão, na mesma peça recursal, sobre ilegalidade da multa aplicada, tenha incluído neste título a questão da prescrição dos créditos, no decorrer de sua explanação não traz qualquer argumento específico sobre prescrição. Assim, não há matéria a ser discutida neste item. Da ilegalidade de Multa do AI Insurgese o contribuinte contra a exigência afirmando que cometeu mera falha no envio dos documentos solicitados, a qual se configura em vício sanável, não justificando a penalidade aplicada. O Auto de Infração em tela trata da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude da apresentação pelo Contribuinte de documentos relacionados às contribuições previdenciárias com informações diversas da realidade ou com omissão de informação verdadeira (CFL 38) Assim tratou do lançamento o Relatório Fiscal (fl. 45): O contribuinte, em referência, deixou de apresentar as Folhas de Pagamentos dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, solicitadas no Termo de Início de Fiscalização TIFP, citado no item 1.1 acima. Conforme relatado no item 9.11 acima, encontrase contabilizados no Elemento de Despesa 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física) e 3.3.9.0.35.00 (serviços de consultoria), pagamentos a contribuintes individuais devidamente identificados no relatório de lançamentos, em anexo. Fl. 1117DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.111 15 Conforme se verifica em fl. 45, o dispositivo legal infringido está contido no art 33, §§ 2º e 3º da Lei 8.212/91, com a redação dada pela MP 449/2008, que assim dispõe: Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11, as contribuições incidentes a título de substituição e as devidas a outras entidades e fundos. (...) § 2º A empresa, o segurado da Previdência Social, o serventuário da Justiça, o síndico ou seu representante, o comissário e o liqüidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial são obrigados a exibir todos os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas nesta Lei. § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. De plano identificase uma incompatibilidade entre a fundamentação legal do lançamento e sua descrição dos fatos. O próprio Relatório Fiscal, em fl. 35, aponta que analisou a folha de pagamentos apresentada, a qual consta de fl. 389 e ss, razão pela qual não há que se falar em falta de apresentação da folha de pagamento ou sua apresentação deficiente, até porque tal fato ensejaria o agravamento da penalidade nos termos do § 2º do art. 44 da Lei 9.430/96, do que não se tem notícia nos autos. O que se pode notar é que a penalidade foi motivada pela não inclusão em folha de pagamento de contribuintes individuais específicos, em razão de registro contábil inadequado dos elementos de despesas citados. Ora, o contribuinte efetuava seus registros a partir do que considerava correto, ou seja, a partir do registro de parte de suas despesas nos elementos 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física) e 3.3.9.0.35.00 (serviços de consultoria) e, naturalmente, tal conduta se refletia nas folhas de pagamento elaboradas pela empresa, nas informações prestadas em GFIP e, ao fim, no recolhimento insuficiente do tributo devido. A Ciência Contábil tem por objeto o patrimônio das pessoa físicas e jurídicas e, como tal, eventuais incorreções cometidas no registro de um fato contábil traz algum reflexo nas informações produzidas. Assim, não faria sentido pretendermos que o contribuinte, ao contabilizar uma despesa com pessoal qualquer, não a considerasse, ainda que indevidamente, como remuneração, mas, ao mesmo tempo, estivesse obrigado a registrar em sua folha de pagamento algo incompatível com os demais registros contábeis. Nas palavra do Professor Heleno Taveira Torres3 o princípio da boafé protege o contribuinte que conduz seus negócios, rendas ou patrimônio com transparência e 3 Torres, Heleno Teveira. Artigo Boafé e confiança são ementos do Direito Tribnutário, disponível em https://www.conjur.com.br/2013abr24/consultortributarioboafeconfiancasaoelementaresdireitotributario Fl. 1118DF CARF MF 16 diligência normal de um bom administrador ou de um homem probo. Assim, é de se esperar que o contribuinte não elaboraria sua folha de pagamento com tal incorreção se estivesse convicto da ocorrência das infrações que viriam a ser apuradas pela fiscalização. Portanto, em razão dos mesmos fundamentos legais e considerações expressos no item anterior, entendo que não merece prosperar a imputação fiscal, seja em razão da ter sido apresentada folha de pagamento, ainda que com as lacunas decorrentes do erro contábil, seja por punir a conduta de falta de declaração ou de declaração inexata, para a qual há penalidade prevista (art. 35A da Lei 8.212/91, c/c art. 44 da Lei 9.430/96), não se aplicando o art. 92 da Lei 8.212/91, seja pelo evidente nexo de dependência entre delitos de registrar contabilmente uma despesa, não informar valores em folha de pagamento e de não efetuar o pagamento do tributo devido, do que resulta a aplicação do Princípio da Consunção, o delito fim (não pagamento) absorve o delito meio (não informação em folha). Assim, neste item, dou provimento ao recurso voluntário. f) DEBCAD 51.067.2663 (AIOA) Tendo em vista que, na nova peça recursal, o contribuinte remeteu seus argumentos sobre o lançamento em tela aos termos originalmente apresentados (fl. 980/1004) e considerando que parte do que lá está expresso já foi objeto de análise do presente voto, deixo de tratar dos tópicos abaixo, para os quais adoto como razão de decidir os mesmos fundamentos legais e fáticos já expressos acima. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11941/09; Da nulidade do decisum por cerceamento de defesa; Quanto aos demais temas, passemos a sua análise. Da ilegalidade da multa aplicada Lei nº 11941/2009 Da Prescrição dos créditos Fatos geradores que remontam a mais de cinco anos. Embora o contribuinte, juntamente como a reedição da discussão, na mesma peça recursal, sobre ilegalidade da multa aplicada, tenha incluído neste título a questão da prescrição dos créditos, no decorrer de sua explanação não traz qualquer argumento específico sobre prescrição. Assim, não há matéria a ser discutida neste item. Da ilegalidade da Multa do AI Insurgese o contribuinte contra a exigência afirmando que cometeu mera falha no envio dos documentos solicitados, a qual se configura em vício sanável, não justificando a penalidade aplicada. O Auto de Infração em tela trata da aplicação de multa por descumprimento de obrigação acessória, em virtude de o Contribuinte deixar de preparar as folhas de pagamento das remunerações pagas aos segurados empregados de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (CFL 30). Assim tratou do lançamento o Relatório Fiscal (fl. 48): Fl. 1119DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.112 17 O contribuinte deixou de preparar as folhas de pagamento dos segurados empregados, do ano de 2011, dentro dos padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, deixando de incluir nessas folhas as parcelas pagas a título de jetons contabilizados no Elemento de Despesa 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física), conforme relatado no item 9.10 acima. Conforme se verifica em fl. 47, o lastro legal para a capitulação da multa aplicada está contido nos art. 92 e 102 da Lei 8.212/91 Há alguma dificuldade em entender como uma mesma conduta pode dar azo a quatro penalidade distintas. A primeira resultante de seus reflexos na apuração do tributo devido, com a consequente autuação por descumprimento de obrigação principal, acompanhada da devida penalização de ofício; a segunda resultante de despesas não terem sido registrados em títulos próprios da contabilidade (quando o que ocorreu foi um registro equivocado); a terceira por não ter sido apresentada a folha de pagamento de contribuintes individuais cujos pagamentos foram contabilizados em elemento de despesa incorretos; a quarta por não ter sido preparada folha de pagamento nos padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil. Ainda que, analisando a legislação isoladamente, caso a caso, possa até, apenas em alguns casos, haver lastro legal para tais penalidades, a integração de tais preceitos, s.m.j., parece não amparar a atividade fiscal. Assim, mais uma vez, em razão dos mesmos fundamentos legais e considerações expressos no item "d", entendo que não merece prosperar a imputação fiscal, seja em razão da ter sido apresentada folha de pagamento, ainda que com as lacunas decorrentes do erro contábil, seja por punir a conduta de falta de declaração ou de declaração inexata, para a qual há penalidade prevista (art. 35A da Lei 8.212/91, c/c art. 44 da Lei 9.430/96), não se aplicando o art. 92 da Lei 8.212/91, seja pelo evidente nexo de dependência entre delitos de registrar contabilmente uma despesa, não informar valores em folha de pagamento e de não efetuar o pagamento do tributo devido, do que resulta a aplicação do Princípio da Consunção, o delito fim (não pagamento) absorve o delito meio (não informação em folha). Assim, neste item, dou provimento ao recurso voluntário. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do recurso voluntário. rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, darlhe parcial provimento para exonerar a exigência objeto dos DEBCAD 51.067.2655, 51.067.2647 e 51.067.2663. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Voto Vencedor Fl. 1120DF CARF MF 18 Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Em que pese a qualidade do voto do Relator, assim como os lógicos argumentos e o seu costumeiro acerto, com a devida vênia, ouso discordar do voto apenas em relação ao afastamento das multas aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias. No presente caso, foram lavrados três Autos de Infração relativos a multas pelo descumprimento de obrigações acessórias, quais sejam: DEBCAD 51.067.2647: apresentação de documentos relacionados com as contribuições previdenciárias contendo informações diversas da realidade ou que omitiam a informação verdadeira – CFL 38, no valor de R$ 54.385,29 (fl. 26); DEBCAD 51.067.2655: deixar de lançar fatos geradores em títulos próprios da contabilidade – CFL 34, no valor de R$ 54.385,29 (fl. 27); e DEBCAD 51.067.2663: deixar de preparar folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social – CFL 30, no valor de R$ 3.625,74 (fl. 28). De acordo com os itens 12.3, 12.4 e 12.5 do Relatório Fiscal (fls. 44/48): “12.3 (...) Auto de Infração Código de Fundamentação Legal 38 — AI CFL 38 Descrição da Infração O contribuinte, em referência, deixou de apresentar as Folhas de Pagamentos dos segurados contribuintes individuais a seu serviço, solicitadas no Termo de Início de Fiscalização TIFP, citado no item 1.1 acima. Conforme relatado no item 9.11 acima, encontrase contabilizados no Elemento de Despesa 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física) e 3.3.9.0.35.00 (serviços de consultoria), pagamentos a contribuintes individuais devidamente identificados no relatório de lançamentos, em anexo. (...) 12.4 (...) Auto de Infração Código de Fundamentação Legal 34 — AI CFL 34 Descrição da Infração O contribuinte contabilizou, indevidamente, a folha de pagamentos dos segurados vinculados aos Programas Municipais PAEF.FMAS (Programa de Atenção Especializado às Famílias), CRAS.FMAS e CREAS.FMAS (Centro de Referência e Assistência Social), PROJOVEM (Programa Projovem) e PETI.FMAS (Programa de Erradicação do Trabalho Infantil), na conta 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física), durante o ano de 2011, quando o Fl. 1121DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.113 19 correto seria o lançamento dessas despesas com pessoal civil na conta contábil 3.1.9.0.11 (Vencimentos e Vantagens Fixas Pessoal Civil). (...) 12.5 (...) Auto de Infração Código de Fundamentação Legal 30 — AI CFL 30 Descrição da Infração O contribuinte deixou de preparar as folhas de pagamento dos segurados empregados, do ano de 2011, dentro dos padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, deixando de incluir nessas folhas as parcelas pagas a título de jetons contabilizados no Elemento de Despesa 3.3.9.0.36.00 (Outros Serviços de Terceiros Pessoa Física), conforme relatado no item 9.10 acima. (grifos e negritos no original) A despeito dos perfeitos argumentos expostos pelo ilustre Conselheiro Relator, entendo que tais razões não se aplicam para o afastamento das multas acima mencionadas. Em trecho de seu voto, o Ilustre Conselheiro relator argumentou que “há, ainda, limitadores que, embora não tenham lastro legal expresso, decorrem da doutrina e da jurisprudência, como o Princípio da Consunção ou Absorção (aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas com existência de um nexo de dependência, em que o delito fim absorve o meio)”. Contudo, não enxergo o mencionado "nexo de dependência" entre as multas aplicadas e o “delito fim”. O chamado "delito fim" é, no caso, o não pagamento/recolhimento da contribuição devida em sua totalidade, o que implica na aplicação da multa prevista no art. 35 A c/c o art. 44 da Lei 9.430/96 (75% sobre a totalidade ou diferença da contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata). Sendo assim, é perfeitamente possível a coexistência de uma multa de ofício com as multas lavradas pelo descumprimento de obrigações acessórias no presente caso, conforme abaixo: a) DEBCAD 51.067.2663 (CFL 30): A multa CFL 30 decorre da não elaboração das folhas de pagamento dos segurados empregados dentro dos padrões estabelecidos pela Receita Federal do Brasil, pois a RECORRENTE deixou de incluir nessas folhas as parcelas pagas a título de jetons contabilizados no Elemento de Despesa 3.3.9.0.36.00. Fl. 1122DF CARF MF 20 Assim, foi lavrada a penalidade prevista no art. 283, I, “a”, do RPS, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19 de 10/01/2014 (vigente à época da lavratura do auto): “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (Redação dada pelo Decreto nº 4.862, de 2003) I a partir de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de preparar folha de pagamento das remunerações pagas, devidas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com este Regulamento e com os demais padrões e normas estabelecidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social;” Neste sentido, a multa lavrada decorre da aplicação da norma legal, não havendo motivos para o seu afastamento. Ao contrário do entendimento externado pelo Ilustre Conselheiro Relator, no que diz respeito à multa pela não elaboração de folha de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pela Seguridade Social, não enxergo o mencionado "nexo de dependência" com a multa aplicada para o "delito fim". Entendo ser perfeitamente possível a existência de um caso em que o contribuinte prepare sua folha de pagamento seguindo os padrões e normas estabelecidos e, no entanto, deixe de declarar em GFIP a totalidade dos fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária, com o consequente recolhimento a menor do tributo. Neste caso hipotético, o contribuinte deve ser punido com a aplicação da multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar. De igual forma, em um determinado caso, pode o contribuinte não preparar sua folha de pagamento com os padrões estabelecidos pela Seguridade Social, mas declarar em GFIP todos os fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária. Neste caso, cabe a punição tão somente pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 (CFL 30). Há ainda a possibilidade de o contribuinte não preparar sua folha de pagamento com os padrões estabelecidos pela Seguridade Social e ainda deixar de recolher a totalidade da contribuição previdenciária devida, caso em que se aplicariam ambas as multas (punição de ofício de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar, mais a sanção pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. art. 32, I, da Lei nº 8.212/91 – CFL 30). Portanto, no caso da CFL 30, conforme já acima demonstrado, a não preparação da folha de pagamento de acordo com as normas estabelecidas pode muito bem existir sem que haja nenhuma multa devida pela falta de pagamento da contribuição. Mutatis Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.114 21 mutandis, também é possível aplicar multa de 75% pela falta de pagamento da contribuição sem que haja a imposição da CFL 30 (no caso de o contribuinte preparar corretamente a folha de pagamento, mas deixar de informar em GFIP a totalidade dos fatos geradores da contribuição previdenciária). Assim, com a devida vênia, não verifico o nexo de dependência entre delitos apontado pelo ilustre Relator, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas citadas simultaneamente. b) DEBCAD 51.067.2647 (CFL 38): Esta multa foi lavrada pelo fato de o RECORRENTE ter deixado de apresentar as Folhas de Pagamentos dos segurados contribuintes individuais a seu serviço. A fiscalização solicitou referidos documentos tendo em vista que o RECORRENTE contabilizou pagamentos a contribuintes individuais. Por tal motivo, foi lavrada a penalidade prevista no art. 283, II, “j”, do RPS, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19 de 10/01/2014 (vigente à época da lavratura do auto): “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: (...) j) deixar a empresa, o servidor de órgão público da administração direta e indireta, o segurado da previdência social, o serventuário da Justiça ou o titular de serventia extrajudicial, o síndico ou seu representante, o comissário ou o liquidante de empresa em liquidação judicial ou extrajudicial, de exibir os documentos e livros relacionados com as contribuições previstas neste Regulamento ou apresentálos sem atender às formalidades legais exigidas ou contendo informação diversa da realidade ou, ainda, com omissão de informação verdadeira;” Portanto, quando deixou de apresentar a documentação solicitada pela fiscalização (folhas de pagamento), o RECORRENTE infringiu a norma estabelecida no art. 33 da Lei 8.212/91, combinado com os arts. 232 e 233, parágrafo único do Regulamento da Previdência Social – RPS (Decreto 3.048/99), o que ensejou a aplicação da multa nos termos do art. arts. 283, II, "j". Sendo assim, a lavratura da multa decorre meramente da aplicação da norma legal. Fl. 1124DF CARF MF 22 Em relação a esta multa, pelos mesmos motivos expostos no item anterior, também não verifico o nexo de dependência entre delitos apontado pelo ilustre Relator, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas simultaneamente. O fato de o RECORRENTE ter deixado de apresentar folhas de pagamentos dos segurados contribuintes individuais, quando era evidente a contabilização de pagamentos a estes contribuintes, é, por si só, passível da sanção prevista no art. 283, II, “j”, do RPS. A falta de apresentação de documentos pode, ou não, ensejar um lançamento de obrigação principal. Em qualquer caso, havendo ou não a cobrança do tributo principal, é de rigor o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Não existe nexo de dependência no caso de haver a lavratura da multa de ofício. Conforme paralelo já traçado no item anterior, entendo ser perfeitamente possível a existência de um caso em que o contribuinte apresente todos os documentos exigidos pela fiscalização e, no entanto, seja constatado o recolhimento a menor do tributo. Neste caso hipotético, o contribuinte deve ser punido com a aplicação da multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar. De igual forma, em um determinado caso, pode o contribuinte não apresentar os documentos solicitados pela fiscalização, porém restar verificado que houve o recolhimento integral das contribuições previdenciárias devidas. Neste caso, cabe a punição tão somente pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 283, II, “j”, do RPS (CFL 38). Há ainda a possibilidade de o contribuinte não apresentar os documentos solicitados pela fiscalização e ainda constatado o recolhimento a menor do tributo devido, caso em que se aplicariam ambas as multas (punição de ofício de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar, mais a sanção pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 283, II, “j”, do RPS – CFL 38). Assim, com a devida vênia, não verifico o nexo de dependência entre delitos apontado pelo ilustre Relator, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas citadas simultaneamente. c) DEBCAD 51.067.2655 (CFL 34): Por sua vez, a multa relativa ao CFL 34 foi lavrada pelo fato de o RECORRENTE ter contabilizado, indevidamente, a folha de pagamentos dos segurados empregados. A fiscalização verificou diversos pagamentos a segurados empregados contabilizados como “Outros Serviço de Terceiros – Pessoa Física”, enquanto que o correto seria a contabilização de tais rubricas na conta “Vencimentos e Vantagens Fixas – Pessoal Civil”. Assim, foi lavrada a penalidade prevista no art. 283, II, “a”, do RPS, com valor atualizado pela Portaria Interministerial MPS/MF nº 19 de 10/01/2014 (vigente à época da lavratura do auto): “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivo das Leis nos 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 8 de maio de 2003, para a qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável de R$ 636,17 (seiscentos e trinta e seis reais e dezessete centavos) a R$ 63.617,35 (sessenta e três mil, seiscentos e dezessete reais e trinta e cinco centavos), conforme a gravidade da infração, Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 10580.726878/201452 Acórdão n.º 2201004.410 S2C2T1 Fl. 1.115 23 aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: (...) II a partir de R$ 6.361,73 (seis mil trezentos e sessenta e um reais e setenta e três centavos) nas seguintes infrações: a) deixar a empresa de lançar mensalmente, em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos;” Neste sentido, a multa lavrada decorre da aplicação da norma legal, não havendo motivos para o seu afastamento. Ao contrário do entendimento externado pelo Ilustre Conselheiro Relator, não enxergo o mencionado "nexo de dependência" com a multa aplicada para o "delito fim", pelos mesmos motivos expostos nos itens anteriores, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas simultaneamente. O fato de o RECORRENTE ter deixado de contabilizar, em título próprio de sua contabilidade, diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados é, por si só, passível da sanção prevista no art. 283, II, “a”, do RPS. A contabilização de maneira incorreta pode, ou não, ensejar um lançamento de obrigação principal. Em qualquer caso, havendo ou não a cobrança do tributo principal, é de rigor o lançamento da multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Não existe nexo de dependência no caso de haver a lavratura da multa de ofício. Conforme paralelo já traçado nos itens anteriores, entendo ser perfeitamente possível a existência de um caso em que o contribuinte realize a contabilização correta dos fatos geradores previdenciários e, no entanto, seja constatado o recolhimento a menor do tributo. Neste caso hipotético, o contribuinte deve ser punido com a aplicação da multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar. De igual forma, em um determinado caso, pode o contribuinte efetuar a contabilização deficiente, porém restar verificado que houve o recolhimento integral das contribuições previdenciárias devidas. Neste caso, cabe a punição tão somente pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 283, II, “a”, do RPS (CFL 34). Há ainda a possibilidade de o contribuinte deixar de contabilizar os fatos geradores de todas as contribuições e, ainda, ser constatado o recolhimento a menor do tributo devido, caso em que se aplicariam ambas as multas (punição de ofício de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de pagar, mais a sanção pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 283, II, “a”, do RPS – CFL 34). Portanto, a multa CFL 34 deve ser mantida pois, como amplamente demonstrado, o RECORRENTE deixou de contabilizar, em título próprio de sua contabilidade, diversos valores que integram o salário de contribuição de seus empregados. A autoridade fiscal contatou o lançamento de alguns valores na conta " Outros Serviço de Terceiros – Pessoa Física", o que autoriza a lavratura da multa. Fl. 1126DF CARF MF 24 Assim, com a devida vênia, não verifico o nexo de dependência entre delitos apontado pelo ilustre Relator, sendo plenamente possível a aplicação de ambas as multas citadas simultaneamente. Conclusão Pelos motivos acima expostos, entendo que o princípio da Consunção não pode ser invocado no caso das multas relativas ao CFL 38, CFL 34 e CFL 30, pois é perfeitamente possível que estas multas coexistam em harmonia com a multa de 75% sobre o valor da contribuição que deixou de ser paga, não havendo, pois, razão para o seu afastamento no presente caso. Sendo assim, constatado (i) a não apresentação de documentos relativos às contribuições previdenciárias; (ii) a contabilização deficiente de fatos geradores das contribuições previdenciárias; e (iii) que parte da remuneração paga, devida ou creditada aos segurados a serviço da RECORRENTE não foi incluída nas folhas de pagamento, é de rigor a manutenção das multas em comento. Portanto, deve ser mantida a punição objeto dos DEBCAD 51.067.2655, 51.067.2647 e 51.067.2663. Acompanho o voto do Relator em relação aos demais argumentos expostos. Portanto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Fl. 1127DF CARF MF
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Numero do processo: 15987.000233/2009-70
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jun 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE.
A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária.
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007
SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE.
A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriar-se do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais.
As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014.
Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte.
Numero da decisão: 9303-006.697
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES DE COOPERATIVAS. Recorrente OUTSPAN BRASIL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 RECURSO ESPECIAL. DISSENSO JURISPRUDENCIAL. DEMONSTRAÇÃO. REQUISITO. AUSÊNCIA DE SIMILITUDE FÁTICA. INADMISSIBILIDADE. A demonstração do dissenso jurisprudencial é condição sine qua non para admissão do recurso especial. Para tanto, essencial que as decisões comparadas tenham identidade entre si. Se não há similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos paradigma, impossível reconhecer divergência na interpretação da legislação tributária. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE APURAÇÃO. PRODUTO ADQUIRIDO DE COOPERATIVA. AQUISIÇÃO DE PRODUTOS E SERVIÇOS NÃO SUJEITOS AO PAGAMENTO DAS CONTRIBUIÇÕES. VEDAÇÃO DE CRÉDITO. INAPLICABILIDADE. A pessoa jurídica que adquire produtos de cooperativas tem direito a apropriarse do crédito correspondente, desde que observadas as demais condições e requisitos legais. As reduções da base de cálculo sobre a qual incidem as Contribuições devidas pelas cooperativas não atrai a vedação de apropriação de créditos prevista para os casos em que são adquiridos produtos não sujeitos ao pagamento dessas Contribuições. Parecer Cosit nº 65/2014. Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 98 7. 00 02 33 /2 00 9- 70 Fl. 1541DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer em parte do Recurso Especial. Não foi conhecida a matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa", vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito e Érika Costa Camargos Autran, que conheceram do recurso integralmente. No mérito, na parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em darlhe provimento parcial, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte contra decisão tomada no Acórdão nº 3403002.964, de 27 de maio de 2014, que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. NOTAS FISCAIS SEM CAUSA. GLOSA. Aquisições de mercadorias amparadas por notas fiscais emitidas por “noteiros”, pessoas jurídicas inexistentes de fato, precipuamente constituídas para esse fim, não dão direito a crédito. NÃO CUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. COMPRAS NÃO ONERADAS. VEDAÇÃO LEGAL. A aquisição de bens ou serviços não onerados pela contribuição não dá direito a crédito. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/2007 a 31/12/2007 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL NÃO CUMULATIVA. RESSARCIMENTO. CORREÇÃO. INCIDÊNCIA DE JUROS. VEDAÇÃO LEGAL. Fl. 1542DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 4 3 O aproveitamento de créditos não enseja atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores por expressa vedação legal Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido A divergência suscitada no recurso especial referese (i) à nulidade da decisão recorrida pelo não suprimento de omissão apontada em sede de embargos declaratórios, (ii) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (iii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iv) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. O recurso especial foi admitido em parte, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção do CARF. Contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas requerendo que não se admita o recurso e, no mérito, que lhe seja negado provimento. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.692, de 15/05/2018, proferido no julgamento do processo 10845.720753/200901, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.692): "Conhecimento do Recurso Especial O recurso especial do contribuinte foi admitido apenas em relação (i) ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa; (ii) ao direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas, mesmo quando elas utilizam as reduções a que tem direito a posteriori e (iii) ao reconhecimento de inexistência de suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins na atividade de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café. A Fazenda Nacional, em sede de contrarrazões, esforçase em demonstrar que a recorrente não logrou êxito em comprovar a divergência jurisprudencial em relação ao direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa. Fl. 1543DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 5 4 Colho do recurso especial o excerto que bem retrata a linha de raciocínio defendida pela recorrente. Efetuandose o devido cotejo analítico temse que, enquanto o v. acórdão recorrido entende que deve ser mantida a glosa independentemente da comprovação da efetiva realização e pagamento da operação, o primeiro acórdão paradigma, em sentido oposto, assevera que a inidoneidade do fornecedor não afasta o direito de crédito do adquirente se demonstrado a ocorrência das operações e pagamento das transações. Em momento anterior, a recorrente contesta o entendimento defendido pelo i. Relator do acórdão recorrido. Nesse sentido, nos parece incorreto o voto do Ilustre Relator, dado que ignora a jurisprudência do tribunais, inclusive administrativo, e segue no sentido de que independe (sic) a boafé do adquirente (p. i do acórdão): "A propósito da prolatada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente". É curioso observar que a transcrição acima suprime boa parte do conteúdo do parágrafo da qual foi extraída. A parte suprimida deixa claro em seu preâmbulo, que é justamente o fragmento reproduzido no recurso, não é mais do que um comentário obter dictum, pois o fundamento da decisão é outro, em sentido contrário. Observese a íntegra do parágrafo. A propósito da propalada boa fé da recorrente, digase liminar e definitivamente que, em face da objetividade das infrações tributárias, é desnecessário perquirir a intenção do agente. Dito de outra forma, a despeito do amplo conjunto probatório formado nos autos do processo 15983.720078/201247, reproduzido, em parte, na decisão recorrida, que evidencia que Outspan, não só sabia, como participava ativamente do esquema fraudulento2, é irrelevante para o deslinde do presente litígio saber se a recorrente estava envolvida ou não no esquema revelado pelas sobreditas operações. Para tanto, basta que se ateste, no curso deste processo administrativo, que as notas fiscais que ampararam a tomada de crédito são idôneas para esse fim ou não. (grifos meus) E outras considerações presentes no voto condutor da decisão recorrida. A propósito, esta Turma Recursal já analisou a simulação perpetrada por JC Bins Cafeeira Colatina Ltda., MC da Silva Brasil Blend, Do Grão, L&L, Café Brasile, Giubert Café, Reicafé, WG de Azevedo, Ypiranga, entre outras pessoas jurídicas, por ocasião do recurso voluntário interposto nos autos do processo 10783.724858/201118. Na oportunidade, o Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, no voto condutor do Acórdão nº 3403002.635, de 24 de novembro de 2013, entendeu restar escancarado que ao menos duas dessas pessoa jurídicas (JC Bins e MC da Silva) eram laranjas , cuja própria constituição seria simulada. Quanto às demais, embora não houvesse indício de vício de vontade na sua constituição, a simulação residiria apenas nos próprios contratos de compra e venda que celebravam. As empresas prestavamse ao serviço de troca de notas: recebiam a nota fiscal de produtor, e emitiam nota fiscal de venda à recorrente. O Conselheiro Marcos ainda sublinha que essas empresas... Fl. 1544DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 6 5 “...nada compravam, nada vendiam, não tinham estrutura pessoal, operacional e física nenhuma para operar no “comércio atacadista de café”; não tinham estoque, armazéns, funcionários. Nada.” (...) A propósito desse argumento, retomo aqui as pertinentes observações do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz, quando analisouo em caso que envolvia os mesmos fornecedores: “Há um abismo de diferença entre a situação destes autos e a do precedente jurisprudencial mencionado. O que disse o STJ é que o contribuinte não pode ser prejudicado pela eventual e desconhecida inidoneidade de terceiro com quem contrata de boafé. A leitura do julgado revela que o tribunal condiciona o aproveitamento do crédito à demonstração de que a compra e venda efetivamente se realizou, justamente para alhear de seus comandos a hipótese de simulação. Aqui, as aquisições junto às empresas JC Bins e MC Silva não se amoldam à hipótese julgada já porque não se trata de negócio com terceiros, como se viu. E as demais aquisições tampouco, agora porque não houve entre as partes compra e venda efetiva. O REsp nº 1.148.444, enfim, consolida entendimento diametralmente contrário ao que favoreceria a recorrente. Há alguma dúvida de que o Colegiado recorrido, pelo menos na pessoa daqueles que não foram vencidos, entendeu que a recorrente estava envolvida nas operações fraudulentas de venda de notas fiscais e, por conseguinte, não se lhe aplicava a presunção de boafé consolidada na jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça e resguardada pela própria legislação tributária? No comentário transcrito no recurso, o então Relator do processo apenas registrou que, se a situação fosse outra, tomaria decisão idêntica. Mas a situação que o Colegiado enxergou e sobre a qual decidiu, por óbvio, não era outra e sim aquela narrada nos autos. Sua comparação com os fatos noticiados no paradigma demonstra absoluta ausência de identidade fática, se não vejamos. Excerto obtido do acórdão paradigma nº 3802002.382. Ao indeferir o pedido de ressarcimento assentado nessa fundamentação, a decisão recorrida não demanda qualquer reparo, porque, segundo ensina Paulo de Barros Carvalho, não há incompatibilidade entre o princípio constitucional da não cumulatividade e a exigência, para fins de aproveitamento do crédito, de documento hábil e de prova da efetiva ocorrência das operações documentadas: É, portanto, requisito para o aproveitamento do crédito que esteja ele vertido em documento hábil para certificar a ocorrência do fato que dá ensejo à apuração do crédito. [...] Fl. 1545DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 7 6 Cabe destacar, nesta exigência [3], a necessidade dos documentos atenderem ao que dispõe a legislação, no tocante à sua confecção, tipo, série e demais peculiaridades. Aquilo que se impõe, no caso, é o dever de o contribuinte conferir os documentos que acompanham os bens adquiridos, buscando identificar se atendem ou não ao que estabelecem os dispositivos legais que tratam da matéria. Nada mais. O derradeiro requisito, também percebido na já mencionada legislação, diz respeito à efetiva ocorrência das operações documentadas, o que já foi previamente lembrado letras acima. Ou, por outras palavras, o que estiver registrado – em documento fiscal – deve refletir a efetiva realização do negócio jurídico, com ingresso, real ou simbólico, da mercadoria no estabelecimento adquirente e o respectivo pagamento. Tais providências, quando tomadas em conjunto, evidenciam a boa fé do contribuinte, eximindo de eventuais responsabilidades caso seja posteriormente verificada a prática de ilícitos por terceiros [4] (grifos acrescidos) De fato, não há uma só palavra em todo o acórdão paradigma que faça menção à participação da autuada no esquema de compra de notas fiscais. Assim, uma vez que tenha comprovado o efetivo pagamento e recebimento das mercadorias, o Colegiado eximiua da responsabilidade pelas irregularidades praticadas por terceiros. Com efeito, como já disse, esse excludente de responsabilidade está previsto na própria legislação tributária. Lei 9.430/96 Art. 82. Além das demais hipóteses de inidoneidade de documentos previstos na legislação, não produzirá efeitos tributários em favor de terceiros interessados, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no Cadastro Geral de Contribuintes tenha sido considerada ou declarada inapta. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica aos casos em que o adquirente de bens, direitos e mercadorias ou o tomador de serviços comprovarem a efetivação do pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. As circunstâncias fáticas do paradigma não coincidem com as que são identificadas nos autos. Aqui, considerouse que a empresa fazia parte e atuava no esquema ilícito de compra e venda de notas fiscais que simulavam operações realizadas por pessoas jurídicas, lá, entendeuse que a empresa tinha agido de boafé. Fl. 1546DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 8 7 Assim, nessa parte o recurso especial do contribuinte não deve ser conhecido. Isto posto, uma vez que os demais requisitos de admissibilidade foram observados, passo ao exame de mérito dos assuntos remanescentes. Mérito 1 Direito de crédito nas aquisições realizadas junto a cooperativas A decisão de segunda instância negou o direito de crédito à recorrente para os produtos adquiridos junto às cooperativas tendo em vista essas mercadorias não estarem sujeitas ao pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins por parte do vendedor, por força da redução da base de cálculo prevista em lei. Observemse os fundamentos do voto (e folha 1.133 e 1.134). A afirmação recursal de que o café é um bem sujeito à incidência do PIS é uma impropriedade. As contribuições sociais não incidem sobre o valor dos bens, mas sobre o faturamento, entendido como tal o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica. A contrario sensu, não incidem sobre receita não auferida. É o caso do produto das vendas de café adquirido aos cooperados, que é a eles repassado e, consequentemente, excluído da base de cálculo da contribuição apurada pela cooperativa. Ora, nessas condições, o preço de venda do café não foi onerado pela exação, razão pela qual não enseja direito a crédito da contribuição. Tomar crédito sem ter pagado a contribuição, em franco enriquecimento ilícito, as evidências do processo demonstram, muito agradaria ao recorrente, mas é repudiado por todo o ordenamento jurídico pátrio. Há, contudo, Solução de Consulta editada pela Secretaria da Receita Federal tratando do tema. Para maior clareza, transcrevo excerto dela extraídos. Solução de Consulta Cosit nº 65/2014 A dúvida principal da consulente é saber se a aquisição de produtos junto a cooperativas impede o aproveitamento de créditos no regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. (...) As receitas das coopertativas, regra geral, estão sujeitas ao pagamento das contribuições. As exclusões da base de cálculo às quais as cooperativas têm direito não se confundem com não incidência, isenção, suspensão ou redução de alíquota a 0 (zero) nas suas vendas, o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos compradores de seus produtos. As sociedades cooperativas, além da incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o faturamento, também apuram a Contribuição para o PIS/Pasep com base na folha de salários relativamente às operações referidas na MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, art. 15, I a V. (...) Sabendose que, regra geral, não há impedimento ao aproveitamento de créditos nas aquisições de produtos junto a cooperativas, não há mais questão de interpretação da legislação tributária a ser resolvida. Basta aplicar literalmente a legislação referente à situação descrita na consulta, sendo vedada a apuração de créditos em relação às aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Fl. 1547DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 9 8 Até o anocalendário de 2011, enquanto vigiam para o café os artigos 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004, os exportadores de café não podiam descontar créditos em relação às aquisições do produto com as suspensões previstas nos incisos I e III do art. 9º. Também não havia direito à apuração de créditos nas aquisições do produto com o fim específico de exportação, nos termos do art. 6º, § 4º, e 15, III, da Lei nº 10.833, de 2003, combinado com o art. 39, § 2º, da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. Por outro lado, havia direito ao creditamento nas aquisições de café já submetido ao processo de produção descrito nos §§ 6º e 7º do art. 8º da Lei nº 10.925, de 2004, tendo em vista que sobre a receita de venda do café submetido a esta operação não se aplicava a suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins (art. 9º, § 1º, II, da Lei nº 10.925, de 2004). A partir do anocalendário 2012 não há mais direito ao desconto de créditos do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e da Lei nº 10833, de 2003, em relação às aquisições de café, tendo em vista a suspensão prevista no art. 4º da Lei nº 12.599, de 2012, e, a partir de 10 de julho de 2013, a redução de alíquota a 0 (zero) prevista no art. 1º, inciso XXI, da Lei nº 10.925, de 2004 (dispositivo incluído pela Lei nº 12.839, de 9 de julho de 2013). Ressalvese as hipóteses de crédito presumido previstas nos arts. 5º e 6º da Lei nº 12.599, de 2012. Ou seja, na situação específica, a empresa tem o direito de apurar créditos nas compras realizadas às cooperativas, desde que a saída do produto da cooperativa não tenha ocorrido com suspensão do pagamento das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Quanto a isso, percebese da leitura do acórdão recorrido que foram identificadas diferentes tipos de operações. No curso do procedimento fiscal, verificouse que, entre os fornecedores da Outspan, figuravam diversas sociedades cooperativas de produtores rurais. Intimadas a respeito da natureza de suas operações e dos procedimentos adotados na apuração das contribuições, especificamente com relação às operações que deram origem aos créditos pleiteados pelo recorrente, inclusive a esclarecer se exerceram cumulativamente as atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial6, apurouse que (fls. 19927 e seguintes do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247) algumas cooperativas revenderam produtos adquiridos de cooperados e valeramse da faculdade de excluir da base de cálculo os valores a eles repassados, ao amparo do inc. I do art. 15 da MP nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001. Outras informaram que venderam toda a sua produção com “suspensão do PIS e COFINS”. Nestes dois casos,não se admitiu o creditamento. Um terceiro grupo de cooperativas informou que pequena parte pequena de suas vendas provinha de mercadorias adquiridas a não cooperados, mas que, nada obstante, excluíam da base de cálculo os repasses efetuados a seus cooperados, caso em que a Fiscalização admitiu a tomada de crédito segundo um rateio de receitas, apurado a partir da análise do DACON respectivo, consolidação no demonstrativo “Análise das Cooperativas” com o percentual dos valores aproveitáveis de diversas cooperativas fornecedoras da Outspan (fls. 20015/20016 do processo administrativo apensado nº 15983.720078/201247). Fl. 1548DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 10 9 Com base em todo o exposto, deve ser admitido o direito à apropriação de créditos nas aquisições de cooperativas de produtos que não deram saída com suspensão do pagamento das Contribuições. 2 Inexistência de suspensão da incidência das Contribuições Essa matéria foi tangenciada no tópico anterior uma vez que a Fiscalização Federal, como se viu dos excertos transcritos acima, tratou em conjunto as vendas com suspensão e as vendas com redução da base de cálculo. Cuidase, agora, especificamente das vendas com suspensão. As alegações da recorrente são no sentido de que não houve vendas com suspensão do pagamento das Contribuições, como a seguir se lê. Como o destaque da suspensão consiste em erro das fornecedoras ante a atividade agroindustrial evidenciado nas notas, há que se fazer o crédito integral, e eventualmente fiscalizar tais fornecedores. Diferentemente do que se possa imaginar, o café cru, ou o café verde, que são largamente adquiridos pela Recorrente e objeto destas indigitadas notas fiscais, não é o mesmo que café in natura. O café cru em grão, ou verde, certamente foram submetidos à atividade agroindustrial, por passar por padronização, beneficiamento, mistura etc. Ele não é o café moído ou torrado, mas está longe de ser um café in natura, que a Recorrente não adquiriu e que jamais teria a suspensão informada por alguns fornecedores. A sistemática de tributação do café é deveras complexa. À época, o § 6º do art. 8º da Lei 10.925/04 identificava operações com determinados produtos que, nos termos do § 1º1 do art. 9º, não poderiam sair com suspensão da incidência das Contribuições. § 6o Para os efeitos do caput deste artigo, considerase produção, em relação aos produtos classificados no código 09.01 da NCM, o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial Por seu turno, o inciso I, do § 1º do art. 8º do mesmo diploma legal especificava operações com determinados produtos que davam direito ao crédito presumido por serem vendidos com suspensão das Contribuições. cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM. 1 § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 1549DF CARF MF Processo nº 15987.000233/200970 Acórdão n.º 9303006.697 CSRFT3 Fl. 11 10 Não é de estranhar que o vendedor que exercesse cumulativamente algumas das atividades acima entendesse que se enquadrava na hipótese do inciso I do § 1º do art. 8º e, assim, vendesse seus produtos com suspensão. De toda sorte, cabia à Recorrente requerer a correção das informações contidas nas notas fiscais de compra dos produtos que adquirira, ex vi art. 62 da Lei 4.502/64. Das Obrigações dos Adquirentes e Depositários Art . 62. Os fabricantes, comerciantes e depositários que receberem ou adquirirem para industrialização, comércio ou depósito, ou para emprêgo ou utilização nos respectivos estabelecimentos, produtos tributados ou isentos, deverão examinar se êles se acham devidamente rotulados ou marcados ou, ainda, selados se estiverem sujeitos ao sêlo de contrôle, bem como se estão acompanhados dos documentos exigidos e se êstes satisfazem a tôdas as prescrições legais e regulamentares. (grifos acrescidos) § 1º Verificada qualquer falta, os interessados, a fim de se eximirem de responsabilidade, darão conhecimento à repartição competente, dentro de oito dias do recebimento do produto, ou antes do início do consumo ou da venda, se êste se der em prazo menor, avisando, ainda, na mesma ocasião o fato ao remetente da mercadoria. § 2º Se a falta consistir na inexistência da documentação comprobatória da procedência do produto, relativamente à identificação do remetente (nome e enderêço), o destinatário não poderá recebêlo, sob pena de ficar responsável pelo impôsto e sanções cabíveis. Nestes termos, com fundamento em tudo o que foi exposto até o presente momento, voto pelo não conhecimento do recurso especial do contribuinte em relação à matéria identificada como "direito de crédito integral do tributo quando comprovada a efetiva realização da operação que lhe deu causa" e, no mérito, por dar parcial provimento ao recurso, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial do contribuinte foi conhecido em parte e, no mérito, o colegiado deulhe parcial provimento, para reconhecer o direito de crédito nas aquisições realizadas às cooperativas, mas somente para os produtos por elas vendidos sem a suspensão da incidência das Contribuições. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 1550DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.908839/2010-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. O conselheiro Cássio Schappo acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para oportunizar a juntada de documentos hábeis para comprovar a ocorrência de equívoco, tais como, escrituração contábil/fiscal do período, em especial os Livros Diário e Razão, além da movimentação comercial. O conselheiro Cássio Schappo acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Cássio Schappo. Relatório Despacho Decisório RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 08 83 9/ 20 10 -1 0 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 329 2 A recorrente indica ter submetido à compensação, mediante a respectiva apresentação e envio de DComp, crédito oriundo de pagamento indevido, obtendo, como resposta, despacho cujo teor indicava a Não Homologação do crédito indicado. Manifestação de Inconformidade Em sua narrativa, a recorrente remonta aos fatos que a motivaram no manuseio da sua defesa. Menciona o despacho decisório que não homologou a compensação pretendida. Sustenta suas razões, no argumento cuja essência, correlaciona a análise parametrizada à incapacidade de identificar crédito informado em DCTF. Informa ter sido intimada para apresentar: apresentar o original do livro diário e cópia da página do citado livro que contenha os dados referentes ao débito de Cofins , período de apuração 30/11/2006 DRJ/BHE A manifestação de inconformidade recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0245.110 2 ª Turma ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano calendário: 2006 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O relatório, por bem sintetizar a lide, merece ser transcrito: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 880507507 emitido eletronicamente em 06/09/2010, fls. 7, referente ao PER/DCOMP nº 19357.19621.100107.1.3.046221 (doc. de fls. 156 a 160). O PER/DCOMP foi transmitido com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS, Código de Receita 7987, no valor de R$ 1.669,60, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 15/12/2006. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 330 3 De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE O interessado apresentou manifestação de inconformidade (fl. 2 a 5), alegando que houve erro de prenchimento da DCTF original, que já foi retificada. Argumenta que em janeiro de 2007 a empresa identificou que havia feito o recolhimento indevido de Cofins, código 7987, e promoveu a compensação do respectivo crédito. Esclarece que o presente processo referese ao recolhimento a maior efetuado para o período de apuração nov/2006, no valor de R$1.669,60, que corresponde a diferença exata entre o valor apurado de R$13.071,72 e o valor recolhido de R$14.741,32; que efetuou os ajustes contábeis no livro Razão, ficando comprovado que o valor do crédito ora discutido está registrado e que tal valor foi devidamente compensado em sua contabilidade na época oportuna. Ao longo do seu voto, extraiuse os trechos que demonstram os fundamentos da negativa do crédito, mister ressaltarse em especial o seguinte trecho: Os documentos apresentados não são suficientes para elidir a apuração do débito de COFINS informada no DACON. O demonstrativo de fl. 10 não constitui prova de que os valores nele constantes são verdadeiros. Nas páginas do diário e razão trazidas, fls. 12 e 13, só constam lançamentos referentes ao valor do débito, e não de sua apuração. Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte narra sua pretensão em ver reconhecido o direito à compensação no qual informa ter origem em pagamento indevido de Cofins. Alega ter a autoridade fiscal esquivadose de analisar o fundamento do direito creditório. Informou ter apurado equivocadamente o valor do tributo em questão Erro na Apuração Segundo consta, pretende compensar valor de R$ 1.669,60, correspondente ao valor recolhido, R$ 14.741,32, informado equivocadamente, por repetir, inadvertidamente, o valor informado no mês anterior, e o valor apurado e retificado posteriormente, R$ 13.071,72. DCTF Retificadora Aponta que o crédito efetivo decorre da apuração contábil e que com a retificação da DCTF estaria demonstrado. Da Análise dos Documentos n.º 04 Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 331 4 A recorrente juntou em seu recurso voluntário documentos denominados 04, buscando demonstrar a apuração definitiva cujo valor correto seria R$ 13.071,72. No Mérito Aduz não ser necessário fundar a retificação causada por erro, em fato comprovado, e, que em caso de entendimento diverso por parte deste Conselho, indica os documentos de n.º 04 vez que, ali, estariam comprovadas que o valor correto, seria o já mencionado R$ 13.071,72. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator Tratase de Recurso Voluntário cujo cerne busca convencer da ocorrência de erro material no preenchimento de sua escrita fiscal e contábil. Em seu favor, remonta a fatos relativos a retificação de DCTF e traz ao conhecimento deste Conselho, documentos a fim de de legitimar seu crédito. A questão gira em torno dos meios de prova aptos a comprovar a ocorrência do mencionado pagamento indevido, vez que, para a contribuinte, o pagamento indevido, ocasionado pela equivocada troca do regime cumulativo pelo não cumulativo, bastaria o confronto da DACON, DIPJ e demais declarações enviadas ao fisco, inclusive a DCTF Retificadora, apresentada após o despacho decisório, vez que, em seu conjunto, detém capacidade probatória suficiente para a demonstração do crédito, originalmente apontado na DCTF original. Ainda, a contribuinte indica, em seu Recurso Voluntário, documentos intitulados n.º 03, trazendo cópia de páginas do Livro Diário, Razão; e documento intitulado n.º 04, instruído com demonstrativo de cálculo da apuração do Pis e Cofins e cópia de páginas do Livro Razão. Da Definição Acerca do Tema O tema abordado, qual seja, a práxis processual administrativa considerada como apta à comprovação da existência do crédito tributário, encontra na Resolução 3001 000.020, que converteu o julgamento do caso em diligência, conforma proposta naqueles autos, e, função de: O recorrente apresentou DCTF e Dacon retificadora, informando este fato quando da apresentação da manifestação de inconformidade. No seu entender, com a apresentação dessas declarações retificadora estaria sanada a irregularidade apontada no despacho decisório. Entretanto, o acórdão recorrido manteve o indeferimento do pedido de compensação sob o argumento de que o interessado não apresentou qualquer elemento contábil que demonstrasse ter havido pagamento a maior ou indevido e, deste modo, o recorrente não comprovou a liquidez e certeza do crédito informado na DComp em questão. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 332 5 Portanto, em síntese, o fundamento da decisão recorrida foi a falta de apresentação de documentação probante satisfatória (escrituração contábilfiscal) que corroborasse as informações apresentadas, notadamente, na DCTF retificadora. O interessado, quando da apresentação do recurso voluntário, afirma, com suas próprias palavras, que houve erro quando do preenchimento da DCTF, razão pela qual apresentou a retificadora da DCTF, juntamente com a Dacon, e, no seu entender, seria suficiente para a solução do litígio uma vez que o fundamento do despacho decisório seria apenas a inexistência de débito. Como o acórdão recorrido proferido pela 1ª Turma da DRJ/JFA indeferiu sua manifestação de inconformidade, agora pela falta de apresentação de documentação probante que demonstrasse o seu direito, o recorrente apresentou esses documentos, que entende serem suficientes para a devida comprovação do direito à compensação solicitada. Requer a realização de diligência para o esclarecimento acerca do crédito compensado, caso entendase necessário. Assim, tem se encaminhado, nestes casos, oportunizar, ao recorrente, a apresentação dos documentos necessários à demonstração da origem do crédito, pois, conforme descrito na diligência: Pois bem. Entendo que há razoável dúvida quanto à certeza e liquidez dos alegados direitos ao crédito que o recorrente pretende compensar. É certo que é condição indispensável à compensação de tributos a liquidez e certeza do crédito, nos termos do que dispõe o art. 170A da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN). Necessário, neste sentido, a comprovação cabal da existência desses supostos créditos, o que pode ser demonstrados com base na análise da documentação contábil fiscal do contribuinte. Deste modo, visando propiciar a ampla oportunidade para o recorrente esclarecer e comprovar os fatos alegados, em atendimento aos princípios da verdade material, da ampla defesa e do contraditório, concluo que o presente julgamento deve ser convertido em diligência. Desta forma, por entender que a mencionada retificação (DCTF e Dacon) levada a efeito pelo recorrente, sinaliza com a possibilidade de acerto quanto ao correto valor do indébito de Cofins, e, com isto, o reconhecimento da extinção do débito tributário objeto da compensação, nos termos do inciso II do artigo 156 do CTN.. Precedente Análogo ao Caso Em outras ocasiões, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem admitindo a juntada de documentos em sede recursal, nos exatos termos da resolução retro transcrita, conforma se transcreve abaixo, trechos do voto do Relator Robson Bayerl: A decisão sob vergasta observa que a retificação dos DACONs revelou uma revisão integral do cálculo das contribuições não cumulativas, com alteração de praticamente todos os itens do demonstrativo, sem que nenhuma prova fosse juntada, seja nesses autos, seja no PA Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 333 6 10855.722095/201261, o que implicaria o não reconhecimento do crédito e consequente não homologação da compensação aviada. Sobre essa manifestação do colegiado a quo, ressalto que, diversamente do que foi aduzido, não é possível afirmar que não foi apresentada nenhuma prova contábil, haja vista que esta circunstância não está registrada em lugar algum, sendo apenas uma suposição, haja vista que o contribuinte, no PA 10855.722095/201261, apresentou um Compact Disc com a composição das rubricas dos DACONs, não havendo qualquer intimação para apresentar, especificadamente, qualquer documento fiscal. Demais disso, o fato de se promover uma revisão geral do DACON não encontra óbice para sua realização, desde que feito com observância dos atos normativos baixados pela RFB, como parece ser o caso. Ou seja, entendo que não é possível exigir que o sujeito passivo deva intuir qual documentação as autoridades fiscais reputam necessária à demonstração do direito creditório vindicado, de modo que é esperado que o contribuinte seja intimado a apresentar os documentos específicos, a critério dos agentes públicos, que demonstrem a situação fiscal alegada. Requerer que o contribuinte apresente “provas materiais” que respaldem o crédito e, em seguida, a despeito da apresentação de alguma documentação, sem qualquer reiteração ou detalhamento, indeferir o pleito justamente por falta de prova parece, para dizer o mínimo, contraditório ou, pelo menos, contrário à lógica jurídica. O caso desses autos apresentame sui generis, não recordando de caso análogo nesse colegiado, onde a fiscalização tenha realizado um procedimento fiscal para aferir o crédito postulado e não tenha lavrado qualquer relatório ou termo de verificação narrando o trabalho desenvolvido e suas conclusões, salvo se esse elemento, por equívoco, não tenha sido apensado aos autos, o que me parece mais provável, custandome crer que inexista qualquer manifestação fiscal. Nesse diapasão, cumpre registrar que o recorrente, em recurso voluntário, coligiu diversos documentos, cerca de 1.700 páginas, para demonstrar o pretenso direito creditório, o que, a meu sentir, consubstancia um início de prova razoável a justificar a conversão do julgamento em diligência. Poderseia, em princípio, indagar acerca da preclusão temporal para coleção da prova documental, à luz do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, contudo, dada a singularidade das circunstâncias que envolve o processo, onde não houve um detalhamento dos documentos que o contribuinte deveria apresentar, sequer relacionando quais os livros e/ou documentos deixaram de ser apresentados, não vislumbro essa vicissitude no recurso manobrado. Assim, considerando que o processo não se encontra em condições de julgamento, como antrecipado, proponho sua conversão em diligência para que seja informado e providenciado o seguinte: Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 334 7 Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. Em seguida, abrase vista ao recorrente pelo prazo de 30 (trinta) dias, para, querendo, manifestarse, findos os quais deverão os autos retornar a este Conselho Administrativo para prosseguimento. Proposta de Conversão em Diligência Desta forma, em perfazimento à orientação acima exposta, julgo conveniente a conversão deste processo em diligência, para oportunizar ao contribuinte demonstrar, mediante a apresentação de sua contabilidade, e de seus controles gerenciais, que lastreiam a escrita fiscal colacionada aos autos, a origem dos R$ 3.873,63 trazidos à compensação. A partir de então, temse por prejudicada o momento da apresentação da DCTF Retificadora, bastando, para a decisão, a demonstração contábil das operações que a contribuinte menciona como submetidas ao regime não cumulativo. Demonstradas as operações, e confirmada a estreiteza do regime aplicado, configurado estará o erro material cometido, e, portanto, a legalidade das DIPJ e DACON que condizem com a DCTF retificadora. Assim, determino à autoridade preparadora a análise os documentos intitulados n.º 03, (trazendo cópia de páginas do Livro Diário e Razão); e documento intitulado n.º 04 (instruído com demonstrativo de cálculo da apuração do Pis e Cofins e cópia de páginas do Livro Razão), e, caso julgue necessário como útil à evidenciação do crédito pleiteado, intime o recorrente a apresentar os registros contábeis ou quaisquer outras documentações que considerar robustas o suficiente para a cabal comprovação do erro alegado. Ao final, elabore a: · Aferição da procedência jurídica e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; · Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; · Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, · Elaboração de relatório circunstanciado, minudente e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas Fl. 334DF CARF MF Processo nº 10680.908839/201010 Resolução nº 3001000.061 S3C0T1 Fl. 335 8 (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 335DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000552/2009-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 31/08/2009
AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira.
Numero da decisão: 1301-003.067
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente
(assinado digitalmente)
José Eduardo Dornelas Souza - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: JOSE EDUARDO DORNELAS SOUZA
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H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 31/08/2009 AUTO DE INFRAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. EXCLUSÃO DO SIMPLES. INCOMPETÊNCIA DA PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 3º, IV, do Anexo II do RICARF, os recursos interpostos em processos que versem sobre aplicação da legislação relativa a Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, são da competência da Segunda Seção e, não, desta Primeira. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência à Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros, Roberto Silva Junior, Jose Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Amelia AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 00 05 52 /2 00 9- 24 Fl. 264DF CARF MF Processo nº 11634.000552/200924 Acórdão n.º 1301003.067 S1C3T1 Fl. 264 2 Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente justificadamente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão nº 0639.382, proferido pela 6ª Turma da DRJ/CTA, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada, com a manutenção do crédito tributário constituído. Por bem descrever o ocorrido, valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância, a seguir transcrito: Tratase de Auto de Infração – DEBCAD 37.211.0002, cadastrado no COMPROT sob nº 11634.000552/200924, lavrado contra C. H. SERVIÇOS E SUPRIMENTOS PARA RH LTDA, por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. 1.1. Em decorrência da infração praticada foi aplicada a multa cabível, prevista no art. 32, § 5º, da Lei nº 8.212, de 1991, acrescentado pela Lei nº 9.528, de 1997, e Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, art. 284, inciso II, no valor de R$ 138.234,72 (cento e trinta e oito mil, duzentos e trinta e quatro reais e setenta e dois centavos). 2. Segundo o Relatório Fiscal da Infração, às fls. 08/09, a empresa foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo nº 15, de 16/04/2007, por exercer atividades vedadas aos seus participantes, sendo também excluída do Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES NACIONAL, pelo Ato Declaratório Executivo nº 41, de 09/07/2009. 2.1. Em decorrência de ter se mantido indevidamente nos citados regimes tributários, efetuava suas declarações à Previdência Social, através de GFIP, informando estar enquadrada no SIMPLES/SIMPLES NACIONAL. Consequentemente não foram declarados e apurados, naqueles documentos (GFIP), os valores patronais de contribuições previdenciárias bem como as destinadas a terceiros (FNDE, INCRA, SESC, SENAC e SEBRAE). 3. Cientificada em 03/09/2009, por via postal (fl. 207), a Contribuinte apresentou impugnação às fls. 211/223, em 02/10/2009, alegando, em síntese, que: Fl. 265DF CARF MF Processo nº 11634.000552/200924 Acórdão n.º 1301003.067 S1C3T1 Fl. 265 3 a) afirmar que a Requerente foi excluída do SIMPLES e do SIMPLES NACIONAL é desrespeitar o Princípio Constitucional do Contraditório e da Ampla Defesa, além do que, foi demonstrado no processo administrativo nº 16370.000075/2007 05 que a empresa não foi notificada do ADE de exclusão, lhe sendo negado o constitucional direito de ampla defesa e que as atividades por ela exercidas são compatíveis com o regime jurídico do SIMPLES. Também no processo administrativo nº 11634.000419/200978 restou demonstrado que a empresa exerce atividades totalmente compatíveis com o regime jurídico do SIMPLES NACIONAL, razão pela qual o Auto de Infração é nulo; b) a Lei Complementar nº 128, de 2008, em seu art. 13, prescreveu que ficam revogados os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 1991, e portanto, o prazo prescricional é aquele apresentado no CTN, ou seja, de 5 (cinco) anos, inclusive para as obrigações acessórias. Logo, deverá ser desconsiderado do auto de infração os fatos geradores superiores há cinco anos, em respeito ao prazo decadencial prescrito no § 4º do art. 150 do CTN; c) “A Requerente está sendo penalizada por, presumidamente, ter declarado a GFIP com incorreções de preenchimento”, o que não é verdade, pois como optante pelos regimes do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL, operacionalizou a GFIP nos moldes desta disciplina, não implicando em falta de recolhimento de tributos por ela apurados, nem resultando prejuízos aos cofres públicos. Na verdade, a penalidade (multa) não se sustenta quer pela própria improcedência do auto de infração ou, ainda, pela ilegalidade material frente aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; d) a autoridade administrativa, desvinculandose do Princípio da Legalidade, com base em uma Portaria Ministerial MPSMPF nº 48, de 12/02/2009, adotou a multa variável de R$ 1.382,18 a R$ 132.916,84, elevando o valor da penalidade, prevista em Decreto, pelo que requer seja considerada ilegal qualquer penalidade graduada com base nos valores da citada Portaria. 4. O presente Auto de Infração foi apensado ao processo nº 11634.000419/200978 (fl. 233). 5. É o relatório. Na seqüência, foi proferido o Acórdão recorrido, julgando improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido. Após intimada, a empresa autuada apresenta seu Recurso, pugnando pelo provimento, onde apresenta argumentos que serão posteriormente analisados. É o Relatório. Fl. 266DF CARF MF Processo nº 11634.000552/200924 Acórdão n.º 1301003.067 S1C3T1 Fl. 266 4 Voto Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza, Relator Antes de qualquer outra verificação do recurso interposto, um questão preliminar requer averiguação; I. DA INCOMPETÊNCIA DESTA 1ª SEJUL Analisando os autos, verifico que ao cabo de uma única auditoria, a autoridade encarregada formalizou vários processos administrativos. No caso dos autos, tratase de lançamento, por apresentar Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, em decorrência da exclusão do regime simplificado denominado de SIMPLES. Assim, embora o presente processo seja decorrente do Ato da exclusão do Simples da recorrente, a exigência das contribuições previdenciárias baseiase em remunerações de seus empregados. Sobre a competência desta Seção de Julgamento, transcrevo o inciso IV, artigo 2º do Anexo II, com a redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (G.N) De acordo com tal norma, no que aqui nos interessa, apenas recursos que versem sobre aplicação da legislação relativa à Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta atrairiam a competência para esta Seção de Julgamento, e só se a exigência fosse formalizada com base nos mesmos elementos de provas de eventual lançamento de IRPJ/CSLL. No caso, não se trata de lançamento de Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta. Dispõe ainda o mesmo diploma no art. 3º, IV, que: Fl. 267DF CARF MF Processo nº 11634.000552/200924 Acórdão n.º 1301003.067 S1C3T1 Fl. 267 5 Art. 3º À 2ª (segunda) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (...) IV Contribuições Previdenciárias, inclusive as instituídas a título de substituição e as devidas a terceiros, definidas no art. 3º da Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007; (G.N) A distribuição de competência entre as três Seções de Julgamento do CARF consiste em repartição jurisdicional em razão funcional, para atender o interesse público. Como tal, não é passível de modificação, devendo eventual incompetência ser conhecida de ofício. Assim, tendo em vista que o presente caso trata de exigência de contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração de seus empregados, resta claro que está fora do âmbito de competência de julgamento desta 1ª Seção, devendo ser remetido à 2ª Seção, que tem a efetiva competência para o julgamento. Conclusão Diante do exposto, voto por declinar da competência para julgamento do recurso em favor da Segunda Seção de Julgamento. (assinado digitalmente) José Eduardo Dornelas Souza Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.012727/2009-82
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006
VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA.
Em se verificando a existência de vício na norma introdutora, mais especificamente no que diz respeito ao detalhamento dos fatos que levaram à subsunção à regra matriz de incidência aplicável (vício na motivação, ou seja, descrição do motivo), se está diante de vício de natureza formal.
NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.709
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para reconhecer a natureza do vício como formal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou interesse de fazer declaração de voto a Conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
Nome do relator: HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em dar-lhe provimento para reconhecer a natureza do vício como formal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou interesse de fazer declaração de voto a Conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício).
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CRÉDITO FINANCIAMENTO E INVESTIMENTO ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 VÍCIO NO LANÇAMENTO. NATUREZA. Em se verificando a existência de vício na norma introdutora, mais especificamente no que diz respeito ao detalhamento dos fatos que levaram à subsunção à regra matriz de incidência aplicável (vício na motivação, ou seja, descrição do motivo), se está diante de vício de natureza formal. NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto à PLR e, no mérito, na parte conhecida, por maioria de votos, em darlhe provimento para reconhecer a natureza do vício como formal, vencidas as conselheiras Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, que lhe negaram provimento. Manifestou interesse de fazer declaração de voto a Conselheira Ana Paula Fernandes. Entretanto, findo o prazo regimental, a Conselheira não apresentou a declaração de voto, que deve ser tida como não formulada, nos termos do § 7º, do art. 63, do Anexo II, da Portaria MF nº 343/2015 (RICARF). Votou pelas conclusões a conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 27 27 /2 00 9- 82 Fl. 583DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 584 2 (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em exercício). Relatório Em litígio, o teor do Acórdão nº 2402002.818, prolatado pela 2a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na sessão plenária de 20 de junho de 2012 (efls. 400 a 405). Ali, por maioria de votos, deuse provimento ao Recurso Voluntário, na forma de ementa e a decisão a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2006 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ABONO ÚNICO ESPECIAL PREVISTO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 16/2011. APLICAÇÃO. Não incide contribuição previdenciária sobre o abono único especial pago em decorrência de previsão contida em Convenção Coletiva de Trabalho. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE PARTICIPAÇÃO NOS RESULTADOS. FUNDAMENTAÇÃO EQUIVOCADA DA AUTUAÇÃO. ANULAÇÃO. Constituído o lançamento com base em premissa equivocada, há o desvirtuamento dos procedimentos previstos no art. 142 do CTN, situação que incorre em vício material. AUXÍLIOALIMENTAÇÃO. PAT. INSCRIÇÃO. DESNECESSIDADE. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos a título de auxílioalimentação, independentemente de prévia inscrição do contribuinte no PAT Programa de Alimentação do Ministério do Trabalho, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 03/2011. Recurso voluntário provido. Decisão: por maioria de votos, em acolher a preliminar de nulidade por vício material no levantamento relativo a PLR, Fl. 584DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 585 3 vencidos os conselheiros Ronaldo de Lima Macedo e Ana Maria Bandeira e, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso para exclusão das parcelas relativas ao auxílio alimentação e ao abono único. Enviados os autos à Fazenda Nacional em 23/07/2012 (efl. 406) para fins de ciência da decisão, insurgindose contra esta, sua Procuradoria apresentou, em 13/08/2012 (e fl. 479), Recurso Especial, com fulcro no art. 67 do anexo II ao Regimento Interno deste Conselho Administrativo Fiscal aprovado pela Portaria MF no. 256, de 22 de julho de 2009, então em vigor quando da propositura do pleito recursal (efls. 407 a 427 e anexos). O recurso abrange duas diferentes matérias, as quais serão aqui relatadas na ordem em que apresentadas no pleito. 1. Quanto à inexistência de nulidade material no levantamento relativo à PLR: Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 28/04/2006, no Acórdão 204001.231, de lavra da 4a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, e, ainda, em relação ao decidido, em 18/05/2005, no Acórdão 30131.801, de lavra da 1a. Câmara do então 3o. Conselho de Contribuintes, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20401.231 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE DO LANÇAMENTO. ALEGAÇÃO DE DESCRIÇÃO INSUFICIENTE DOS FATOS. AUSÊNCIA DE PREJUÍZO À DEFESA. A alegação de falta de objetividade, clareza e completude da descrição dos fatos que configuram a infração à legislação tributária não deve ensejar a declaração de nulidade do lançamento caso não tenha havido prejuízo à defesa, configurada pela correta compreensão da acusação fiscal. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE MULTA DE MORA. INCIDÊNCIA. Nos termos do disposto no art. 44, inciso I e § 1º, inciso II, da Lei nº 9.430/96, é devida multa isolada quando o tributo ou contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora. ALEGAÇÃO DE DIREITO À RESTITUIÇÃO DE VALOR RECOLHIDO A MAIOR. COMPENSAÇÃO NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. A compensação de créditos com débitos de tributos e contribuições, ainda que seja de mesma espécie e destinação constitucional, e que prescinda de formalização de pedido, nos termos do disposto no art. 66 da Lei nº 8.383/91, deve ser devidamente declarada em DCTF e comprovada pelo sujeito passivo. PIS. PRAZO DE VENCIMENTO DOS TRIBUTOS. ALEGAÇÃO DE RECOLHIMENTO DENTRO DO PRAZO, JÁ QUE OS Fl. 585DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 586 4 PRAZOS DE VENCIMENTO SÓ SE INICIAM OU VENCEM EM DIAS DE EXPEDIENTE NORMAL. ART. 210 DO CTN. O prazo de vencimento da Contribuição ao PIS não é o dia 15 do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador, e sim o último dia útil da quinzena do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador. Assim, o prazo de vencimento da contribuição ao PIS não é “prorrogado” caso o dia 15 do mês subseqüente ao da ocorrência do fato gerador seja feriado. Recurso negado. Decisão: por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Acórdão 30131.801 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. VÍCIO FORMAL. O descumprimento de requisitos essenciais do lançamento como omissão dos fundamentos pelos quais estão sendo exigidos os tributos e aplicadas as multas e acréscimos legais, além da falta da prévia intimação estabelecida na legislação específica, tudo em contradição ao disposto no art. 142, do CTN e nos art. 11 e 59, do Decreto 70.235/72, autorizam a declaração de nulidade dessa lançamento por vício formal. PRECEDENTES: Ac. 30329972, 30296334 e 30129966. RECURSO DE OFÍCIO NEGADO. Decisão: Por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso de ofício. Em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à matéria que: a) A leitura do Relatório Fiscal e dos demais termos que acompanharam o procedimento fiscal indica, indubitavelmente, que tudo está em plena conformidade com o que estabelece o Decreto nº. 70.235, de 1972 e a Lei nº. 8.212, de 1991. Verificase, portanto, que o acórdão ora guerreado mostrase dissonante da jurisprudência na medida em que decreta uma nulidade sem a comprovação de prejuízo. É patente o fato de que o contribuinte exerceu plenamente a sua defesa. Atentese, pois, que o primeiro acórdão paradigma refuta por inteiro a possibilidade de reconhecimento de nulidade sem prejuízo (pas de nullité sans grief); b) Segundo resulta da disciplina dos arts. 59 c/c 60 do Decreto n.o 70.235, de 1972, os termos do processo administrativo fiscal somente serão declarados nulos na ocorrência de uma das seguintes hipóteses: b.1) quando se tratar de ato/decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente; b.2) resultar em inequívoco cerceamento de defesa à parte; c) Sobre a matéria, a jurisprudência desta CSRF, de longa data, firmou orientação no sentido de que “Não existe prejuízo à defesa quando os fatos narrados e fartamente documentados nos autos amoldamse perfeitamente às infrações imputadas à empresa fiscalizada. Não há nulidade sem prejuízo” (Recurso: 203112290, Segunda Turma, Sessão: 25/04/2006, Relator: Henrique Pinheiro Torres, Acórdão: CSRF/0202.301). Na hipótese dos autos, o acórdão anulou parte do lançamento, sustentando a inexistência de descrição clara dos fatos geradores. Sucede que a descrição dos fatos, bem como a metodologia utilizada para cálculo do crédito tributário encontramse satisfatoriamente postas no auto de infração, no relatório fiscal de fls. 31/41 e nos demais termos que acompanham o procedimento Fl. 586DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 587 5 fiscal. Todos os elementos essenciais à autuação estão presentes, não restando evidenciada situação de prejuízo ao direito de defesa a ensejar a decretação de nulidade do processo; d) Sob o ângulo do Processo Civil, norma subsidiária do processo administrativo fiscal, “o juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta, sendolhe defeso conhecer de questões, não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte” (art. 128, CPC) sendo “defeso ao juiz proferir sentença, a favor do autor, de natureza diversa da pedida, bem como condenar o réu em quantidade superior ou em objeto diverso do que lhe foi demandado” (art. 460, CPC). De tudo, vêse que os termos do procedimento fiscal contêm os elementos necessários e suficientes para o atendimento do Decreto n.º 70.235, de 1972, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; e) Assim, não se vislumbra a ocorrência de vício neste processo, pelo que a decretação da nulidade representa a desnecessária movimentação da máquina pública, com o dispêndio de recursos do erário, para a repetição de atos administrativos válidos, perfeitos e eficazes; f) A descrição dos fatos, a metodologia utilizada para cálculo e constituição do crédito previdenciário e o fato gerador encontramse satisfatoriamente postos no Relatório Fiscal e documentos constantes dos autos. Na remota hipótese dessa Câmara não acolher o entendimento acima exposto, passase a demonstrar que a suposta ausência de clareza na descrição do fato gerador gera nulidade por vício formal. Nesse sentido, impõese a reforma do acórdão recorrido para: a) afastar a nulidade de parte do lançamento; ou caso entenda que houve nulidade, b) declarar a ocorrência de vício formal. 2. Quanto à incidência da contribuições previdenciárias sobre a rubrica de auxílio alimentação, por irregularidade de inscrição no PAT: Alegase, no pleito, divergência em relação ao decidido, em 09/10/2008, no Acórdão 206001.462, de lavra da 6a. Câmara do então 2o. Conselho de Contribuintes, e, ainda, em relação ao decidido, em 04/09/2008, no Acórdão 2061.313, de lavra da mesma Câmara, de ementas e decisões a seguir transcritas: Acórdão 20601.462 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2001 a 31/01/2007 SALÁRIO INDIRETO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. INCIDÊNCIA. INOBSERVÂNCIA LEGISLAÇÃO DE REGÊNCIA. Somente não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias as verbas concedidas aos segurados empregados e/ou contribuintes individuais da empresa que observarem os requisitos inscritos nos dispositivos legais que regulam a matéria, notadamente artigo 28, § 9º, da Lei nº 8.212/91, o qual deverá ser interpretado de maneira literal e restritiva, conforme preceitos do artigo 111, inciso II, e 176, do Códex Tributário. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 588 6 VERBAS PAGAS A TÍTULO DE SALÁRIO IN NATURA ALIMENTAÇÃO. NÃO COMPROVAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO NO PAT. Com fulcro no artigo 28, § 9º, alínea “c”, da Lei nº 8.212/91, as verbas pagas aos segurados empregados a título de salário in natura alimentação, somente não integrarão a base de cálculo das contribuições previdenciárias se comprovada pelo contribuinte sua participação no Programa de Alimentação do Trabalhador PAT, aprovado pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. In casu, houve antecipação de pagamento, fato relevante para aqueles que entendem ser determinante à aplicação do instituto. NORMAS GERAIS DIREITO TRIBUTÁRIO. LIVRE CONVICÇÃO JULGADOR. PROVA PERICIAL. INDEFERIMENTO. De conformidade com o artigo 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora de primeira instância, na apreciação das provas, formará livremente sua convicção, podendo determinar diligência que entender necessária. A produção de prova pericial deve ser indeferida se desnecessária e/ou protelatória, com arrimo no § 2º, do artigo 38, da Lei nº 9.784/99, ou quando deixar de atender aos requisitos constantes no artigo 16, inciso IV, do Decreto nº 70.235/72. Recurso Voluntário Provido em Parte. Decisão: I) por unanimidade de votos, declarar a decadência das contribuições apuradas até a competência 11/2001; e II) por maioria de votos, declarar, também, a decadência das contribuições apuradas até a competência 07/2002. Vencidas as Conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até a competência 11/2001. III) por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de 1a instância; e b) no mérito, em negar provimento ao recurso. Acórdão 20601.313 Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Fl. 588DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 589 7 Período de apuração: 01/04/1999 a 31/03/2006 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. O prazo decadencial para a constituição dos créditos previdenciários é de 05 (cinco) anos, contados da data da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional, ou do 173 do mesmo Diploma Legal, no caso de dolo, fraude e/ou conluio comprovados, tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante nº 08, disciplinando a matéria. CERCEAMENTO DE DEFESA NULIDADE INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em nulidade por cerceamento de defesa se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento e a fundamentação legal que o ampara. INCONSTITUCIONALIDADE/ILEGALIDADE. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade ou ilegalidade e, em obediência ao Princípio da Legalidade, não cabe ao julgador no âmbito do contencioso administrativo afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio. SALÁRIO INDIRETO AJUDA ALIMENTAÇÃO DESACORDO COM O PAT. Integram o salário de contribuição os valores pagos a título de ajuda alimentação fornecidos em desacordo com as modalidades previstas no Programa de Alimentação do Trabalhador aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego, conforme dispõe a alínea “c” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. AUXÍLIO TRANSPORTE EM PECÚNIA IMPOSSIBILIDADE. A contribuição previdenciária sobre parcela paga a título de ValeTransporte é devida se não forem observadas as disposições da lei nº 7.418/85 e do Decreto nº 95.427/87. INDENIZAÇÃO ORIGEM SALARIAL INTEGRA SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A concessão de valores com o objetivo de substituir eventuais perdas salariais confere ao mesmo igual natureza das verbas que originaram a sua existência, não importando a designação que lhe tenha sido dada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Fl. 589DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 590 8 Decisão: I) por unanimidade de votos acolher a preliminar de decadência, para excluir do lançamento as contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 11/2000; II) por maioria de votos declarar a decadência das contribuições incidentes sobre os fatos geradores ocorridos até a competência 10/2001. Vencidas as conselheiras Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Bemadete de Oliveira Barros e Ana Maria Bandeira, que votaram por reconhecer a decadência somente até 11/2000; III) por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de cerceamento de defesa; b) rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento; e c) no mérito, negar provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor, na parte referente à decadência, o(a) Conselheiro(a) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Após ressaltar a existência de divergência interpretativa, em linhas gerais, argumenta a Fazenda Nacional em sua demanda quanto à matéria que: a) De acordo com o previsto no art. 28 da Lei no. 8.212, de 1991, para o seguradoempregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades. Desse modo, a recompensa em virtude de um contrato de trabalho está no campo de incidência de contribuições sociais. Porém, existem parcelas que, apesar de estarem no campo de incidência, não se sujeitam às contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991; b) De fato, conforme disposto na alínea “c”, do § 9º, do art. 28, da Lei nº 8.212, de 1991, o legislador ordinário expressamente excluiu do saláriodecontribuição, a parcela “in natura” recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321. Portanto, para a não incidência da Contribuição Previdenciária é imprescindível que o pagamento seja feito “in natura” e em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, nos termos do art. 3º, da Lei nº 6.321/76; c) Nesse sentido, para fins de beneficiarse da não incidência da contribuição previdenciária, deve o contribuinte satisfazer determinados requisitos exigidos na legislação de regência, dentre eles a comprovação da participação em programa de alimentação aprovado pelo Ministério do Trabalho, mediante a sua inscrição no PAT, o que não foi cumprido pelo contribuinte. Corrobora com esse entendimento o Parecer/CJ nº 1.059/97; d) Assim, inexistindo comprovação de participação do contribuinte no PAT, é inequívoco que a verba paga em pecúnia a título de auxílioalimentação sem adesão ao PAT não está incluída na hipótese legal de isenção, prevista na alínea “c”, §9º, art. 28, da Lei nº 8.212/91. Ademais, ainda que o contribuinte estivesse regularmente inscrito no PAT, outro requisito que deve ser observado pelo contribuinte é que o auxílioalimentação seja “in natura”, de acordo com a expressa disposição do art. 28, da Lei nº 8.212/91 e 3º, da Lei nº 6.321/76. Ressaltese que o Ato Declaratório nº 03/2011, citado no acórdão recorrido, faz referência expressa que o pagamento deve ser “in natura”, não cabendo, portanto, uma interpretação extensiva; Fl. 590DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 591 9 e) O Programa de Alimentação do Trabalhador não admite o fornecimento do auxílioalimentação em pecúnia, consoante se depreende do art. 4º do Decreto nº 5, de 1991 que regulamenta o programa. Dessa forma, no PAT, a empresa somente pode optar pelas seguintes modalidades de execução: a) Autogestão (serviço próprio): a empresa beneficiária assume toda a responsabilidade pela elaboração das refeições, desde a contratação de pessoal até a distribuição aos usuários; b) Terceirização (Serviços de terceiros): o fornecimento das refeições é formalizado por intermédio de contrato firmado entre a empresa beneficiária e as concessionárias. Neste caso, tanto a empresa beneficiária quanto a empresa fornecedora/prestadora do serviço devem estar inscritas no PAT; f) A interpretação para exclusão de parcelas da base de cálculo é literal. A isenção é uma das modalidades de exclusão do crédito tributário, e dessa forma, interpretase literalmente a legislação que disponha sobre esse benefício fiscal, conforme prevê o CTN em seu artigo 111, I. Dessarte, ao se admitir a não incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba, paga aos segurados empregados em afronta aos dispositivos legais que regulam a matéria, teria que ser dada interpretação extensiva ao art. 28, § 9º, e seus incisos, da Lei nº 8.212. de 1991, o que vai de encontro com a legislação tributária. Assim, onde o legislador não dispôs de forma expressa, não pode o aplicador da lei estender a interpretação, sob pena de violarse os princípios da reserva legal e da isonomia. Desse modo, caso o legislador tivesse desejado excluir da incidência de contribuições previdenciárias a parcela paga em pecúnia referente ao auxílioalimentação teria feito menção expressa na legislação previdenciária, mas, ao contrário, fez menção expressa de que apenas a parcela paga “in natura” não integra o saláriodecontribuição. Nesse sentido é a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça (STJ); g) Convém registrar que a Lei n°. 10.243, de 2001 alterou a CLT, mas não interferiu na legislação previdenciária, pois esta é específica. O art. 458 da CLT referese ao salário para efeitos trabalhistas, para incidência de contribuições previdenciárias há o conceito de saláriodecontribuição, com definição própria e possuindo parcelas integrantes e não integrantes. As parcelas não integrantes estão elencadas exaustivamente no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212, de 1991, conforme demonstrado. A prova mais robusta de que a verba para efeito previdenciário não coincide com a verba para incidência de direitos trabalhistas, é fornecida pela própria Constituição Federal. Conforme o art. 195, § 11 da Carta Magna, os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e consequente repercussão em benefícios, nos casos e na forma da lei. Desse modo, pela singela leitura do texto constitucional é possível afirmar que para efeitos previdenciários foi alargado o conceito de salário. Desse modo, não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas, no período objeto do presente lançamento, deve persistir o lançamento. Requer, assim, que seja conhecido o recurso e lhe seja dado provimento, a fim de que seja reformada a decisão recorrida nos pontos objeto de recurso. O recurso foi parcialmente admitido pelos despachos de efls. 481 a 487, exclusivamente no que diz respeito à natureza do vício existente no lançamento, no levantamento de PLR (mas não no que diz respeito à sua existência) e quanto à incidência sobre a rubrica de auxílio alimentação. Fl. 591DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 592 10 Encaminhados os autos à autuada (devedora principal) para fins de ciência, ocorrida em 20/12/13 (efls. 510/511), esta ofereceu, em 06/01/14 (efl. 496), contrarrazões tempestivas de efls. 496 a 509, onde: a) Quanto à natureza do vício existente no lançamento, no levantamento de PLR: a.1) Por ocasião da lavratura do Auto de Infração, os Agentes Fiscais consignaram que, pelas diretrizes da Lei n° 10.101/00, o legislador trouxe a obrigatoriedade de que a PLR fosse "objeto de negociação entre a empresa e seus empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou através de acordo/convenção coletiva" ("Relatório Fiscal"). Examinando toda a documentação que fora entregue quando das diligências que antecederam a lavratura do Auto de Infração, os Agentes houveram por bem autuar a Recorrida e lhe exigir o crédito tributário, porque, em sua concepção, os pagamentos de PLR foram feitos à míngua de qualquer tipo de negociação coletiva. Em outros termos, a autuação se estribou no fato de que os pagamentos de PLR realizados pela Recorrida não estavam lastreados em qualquer espécie de negociação coletiva prévia, razão pela qual a empresa descumpriu o critério legal previsto no art. 2o da Lei n° 10.101, de 2000. Portanto, o critério jurídico adotado pelos Auditores responsáveis pela autuação foi o seguinte: a inexistência de prévia negociação coletiva acarretou o descumprimento das disposições legais relativas à PLR, pelo que os valores pagos a este título deveriam compor a base de incidência das contribuições previdenciárias; a.2) Já no julgamento da Impugnação aforada pela Recorrida, a DRJ, verificando o equívoco dos Auditores ao consignarem a inexistência das Convenções Coletivas de Trabalho, alterou completamente as razões indicadas no "Relatório Fiscal", para consignar, agora, que, embora apresentadas, as tais Convenções não previram um plano de metas que norteasse a distribuição da PLR. Em função disso, a DRJ considerou procedente o lançamento, revisandoo para adotar novo critério jurídico (se antes o critério era "ausência de negociação coletiva", agora o critério passou a ser "ausência de plano de metas"); a.3) Como se vê, a alteração do critério jurídico da autuação acabou por ensejar a nulidade do lançamento, vício esse que, nem de longe, é meramente formal. Veja que o que se modificou, in casu, não foi apenas a indicação do dispositivo legal tido por infringido ou a descrição do fato autuado. O que fez a DRJ foi alterar o próprio fundamento da autuação, realizando, na prática, um novo lançamento. Não se trata, como quer fazer crer a Fazenda Nacional, de "suposta ausência de clareza na descrição do fato gerador". Os fatos que ensejaram a autuação eram amplamente conhecidos pela Fiscalização, de tal sorte que ela tinha plena ciência do pagamento da PLR e dos instrumentos que o lastreavam O que houve, repita se, foi um erro do Auditor Fiscal ao aplicar o direito aos fatos conhecidos e documentados nos autos. E isso, conforme consabido, não é um mero erro formal do procedimento, mas um erro ligado "à validade e a incidência da lei", nos termos da citação colacionada no apelo fazendário ora impugnado; a.4) Ademais, a divergência apontada pela Fazenda Nacional já foi definitivamente solucionada por essa Câmara Superior de Recursos Fiscais. É que essa Corte Administrativa definiu, por meio do acórdão n. 920201.719, que uma vez anulada uma autuação, ainda que por mero erro formal (que não é a hipótese subjacente, repitase), o auto de infração que o substitui não pode trazer novos critérios jurídicos para fundamentálo, mesmo que se refira a fato gerador idêntico ao lançamento anulado. O que diz esse julgado da CSRF, mutatis mutandis, é que a alteração de critério jurídico não é mero erro de forma, mas de Fl. 592DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 593 11 substância/matéria, tanto que não se aplica, neste caso, o art. 173, II, do CTN. Reproduz excertos do Acórdão. Temse, portanto, que andou bem o Órgão Julgador a quo ao anular, por vício material, o trabalho fiscal, pois a alteração do seu critério jurídico, conforme visto acima, configurase, indubitavelmente, erro de direito/material e não mera formalidade do lançamento. Não há, portanto, razões para alterar o acórdão recorrido, razão pela qual deve ser julgado improcedente o recurso fazendário quanto à matéria. b) Quanto à incidência sobre o auxílioalimentação: b.1) Extraise do relatório que acompanhou a autuação, bem como do acórdão proferido pela DRJ, que a referida verba foi classificada como salarial, ao argumento de que a Recorrida não estaria inscrita no PAT. Dessa forma, descumprido esse requisito, estaria desnaturada essa parcelada, passando ela a integrar o salário de contribuição. Como essa questão já foi definitivamente julgada pelo Superior Tribunal de Justiça, ensejando, inclusive, a expedição do Ato Declaratório n.o 03/2011 da PGFN, por meio da qual a Procuradoria reconhece a não tributação dessa verba, o recorrido aplicou esse entendimento ao caso subjacente e, por isso, anulou essa parte da autuação; b.2) Porém, a despeito dos robustos argumentos alinhavados no acórdão recorrido, a Fazenda Nacional houve por bem interpor o presente recurso, alegando, para tanto, que o referido Ato Declaratório n.o 03/2011 seria aplicável apenas nas hipóteses em que o auxílioalimentação é concedido "in natura", não podendo estender essa interpretação à hipótese dos autos, já que a alimentação teria sido fornecida por meio de valealimentação. Ocorre que a Fazenda Pública Federal desconsiderou duas questões que são essenciais para o deslinde da questão: b.2.1) A primeira, é que, in casu, não se pode afirmar que a refeição fornecida pela Recorrida não teria sido "in natura". Isso, porque o trabalho fiscal foi omisso neste ponto, dizendo apenas que as "contribuições foram apuradas com base nos valores pagos a título de alimentação aos segurados empregados, conforme despesas realizadas em pagamento de notas fiscais/recibos, tendo como favorecida a empresa Ticket Serviços S.A.". Como se vê da passagem transcrita acima, a Autoridade Lançadora não questionou e tampouco disse a forma como foi dada a alimentação, sendo que a presunção de que foi por meio de ticket se deu, por parte do Ente Público recorrente, somente em razão do nome da empresa prestadora do serviço. b.2.2) A segunda questão, e a mais relevante de todas, é que o simples fato de a alimentação não ser, supostamente, "in natura", não caracteriza a sua natureza salarial. Isso se dá por uma razão muito simples: essa verba não é dada como contraprestação do trabalho, de tal sorte que a inscrição no PAT e a sua forma de pagamento são irrelevantes para a sua caracterização. Tais aspectos não têm o condão de transformar a alimentação, fornecida para o trabalho (e não pelo trabalho), em salário. Tratase de mera formalidade, inidônea, de per si, de conferir natureza remuneratória à alimentação fornecida aos empregados; b.3) Nesse sentido, é cediço que os dispositivos constitucionais relativos às contribuições previdenciárias e às destinadas a outras entidades ou fundos vinculam a instituição desse tributo sobre parcelas de natureza remuneratória. É o que se extrai da interpretação dos arts. 149; 195, inciso I, alínea "a"; 212, § 5o; e 240, todos da Constituição da República, fontes de competência para a cobrança dessas contribuições. Não por outro motivo, Fl. 593DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 594 12 as leis criadoras dessas exações, em sua grande parte, determinam a incidência dos respectivos gravames exatamente sobre as verbas remuneratórias, que são, no entendimento da doutrina especializada, aquelas dadas pelo empregador, de forma habitual, como retribuição pelos serviços prestados pelo empregado e/ou por sua disponibilidade. É terminantemente vedado, por isso, sob pena de nítida inconstitucionalidade, que o Fisco exija as referidas contribuições sobre parcelas que não se destinem a retribuir o trabalho prestado pelo empregado ou o tempo em que este permaneceu efetivamente à disposição do empregador. É indispensável, portanto, que se verifique a habitualidade e a natureza retributiva de determinada parcela para que se possa submetêla à tributação; b.4) Ressaltese que o oferecimento da alimentação pela Recorrida é opcional. Se assim o faz, é com o único intuito de melhorar as condições de trabalho de seus empregados. Por isso é que não tem a referida prestação o intuito de remunerar o trabalho. E é neste ponto que reside a diferença entre a prestação para o trabalho e pelo trabalho. Se a alimentação fornecida pela Recorrida fosse uma contraprestação pelo trabalho prestado, o trabalhador que tivesse efetuado seu serviço poderia, legitimamente, pleitear o recebimento da alimentação em pecúnia, porquanto esta estaria necessariamente vinculada à prestação do serviço. E não é este o caso. De fato, o fornecimento da alimentação pela Recorrida visa, tão somente, a melhoria das condições para o trabalho e o consequente aumento da produtividade e eficiência funcionais. O auxílio não se presta a remunerar o empregado, que não terá direito de recebêla nos períodos de interrupção do trabalho (férias, licença médica etc). Da análise do auxílio alimentar ofertado pela Recorrida, resta evidente seu caráter não salarial. Tratase de benesse fornecida para o trabalho e não pelo trabalho, sendo, por certo, despida de natureza remuneratória, razão pela qual não pode se sujeitar às contribuições previdenciárias. E, como a alimentação fornecida pela empresa não tem caráter salarial, é irrelevante o fato de ela estar ou não inscrita no PAT ou a sua forma de pagamento. Cita julgado do STJ; b.5) Ademais, as questões relacionadas à inscrição no PAT e à forma de pagamento do auxílioalimentação importam, quando muito, para fins de imposto de renda, e não para a incidência das contribuições previdenciárias. Isso porque, é em relação ao imposto de renda que há a isenção, nos termos do art. 1o da Lei 6.321, de 1976, e não no que se refere às contribuições. Na hipótese versada nestes autos, o caso é de não incidência tributária absoluta (e não de isenção), motivo pelo qual não há falar na aplicação da interpretação literal prevista no art. 111 do CTN. Pugna, assim, pelo não provimento do Recurso também quanto a esta matéria, mantendose integralmente o Acórdão recorrido. De se notar, por fim, que foram devidamente cientificados os devedores solidários (efls. 557 a 576), tendo optado por não oferecer contrarrazões, por entender não haver matéria a ser contrarrazoada de sua parte (efl. 578). É o relatório. Voto Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Relator Fl. 594DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 595 13 As matérias serão abordadas na ordem em que apresentadas no pleito recursal. a) Quanto à natureza do vício existente no lançamento, no levantamento de PLR: Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade, às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, assim, em linha com o exame de admissibilidade de efls. 481 a 487, conheço do Recurso quanto à matéria. Tratase de situação em que o recorrido reconheceu a existência de vício material com base nos seguintes fundamentos (efl. 403): "(...) Primeiramente, cabe pontuar que a exigência das contribuições incidentes sobre os pagamentos realizados a título de PLR se embasou no fato de que a Recorrente não teria comprovado a realização da negociação coletiva, conforme se verifica no Relatório Fiscal. No entanto, podese verificar neste processo que, no curso da ação fiscal, a Recorrente disponibilizou a Convenção Coletiva de Trabalho, haja vista que: (i) a fiscalização solicitou o “instrumento de negociação entre a empresa e empregados relativo a pagamento de Participação nos Lucros ou Resultados”, não fazendo qualquer ressalva quanto ao não recebimento de tal documento; e (ii) como se verifica no Relatório Fiscal, a fiscalização teve acesso à Convenção Coletiva de Trabalho de 2005/2006, que é exatamente o instrumento que trata sobre o pagamento da PLR. Assim, verificase que a exigência das contribuições sobre o PLR foi erroneamente fundamentada. Em vista disso, temse que o lançamento não atendeu aos requisitos previstos no art. 142 do CTN, no que tange à exigência do PLR, haja vista que não verificou corretamente a ocorrência de fatos geradores das contribuições previdenciárias, situação esta que configura flagrante vício material. Desta forma, as contribuições previdenciárias exigidas sobre os pagamentos realizados a título de PLR devem ser anuladas, por motivos de vício material. Notase assim, ter interpretado o Colegiado a quo que a fiscalização, ao ter fundamentado o lançamento na não comprovação da realização de negociação coletiva, não tendo, porém, ressalvado o recebimento de documento destinado a realizar tal comprovação (Convenção Coletiva de Trabalho) ao qual teve acesso, fundamentou erroneamente o lançamento, daí ter concluído pela nulidade por vício material. Fl. 595DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 596 14 A propósito, importante reproduzir o trecho do relatório fiscal que trata especificamente da acusação que deu origem ao lançamento referente ao levantamento de PLR (efls. 35 a 38), verbis: "(...) 2.2 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS competência 01/2006. Referese aos pagamentos ou créditos realizados pela empresa a seus empregados a título de PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS PLR. Para que a participação dos empregados nos lucros ou resultados da empresa não se constitua base de incidência de contribuições previdenciárias, é imprescindível que os pagamentos ou créditos a este título atendam à normatização trazida pela MP 794/94 (reedições posteriores), transformada na Lei n°. 10.101 de 19/12/2000, que regula a referida participação como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o, inciso XI, da Constituição. Notadamente o seu artigo 2o. traz a obrigatoriedade de que a PLR seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados através de uma comissão escolhida pelas partes ou através de acordo/convenção coletiva. No presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos a seus empregados sem comprovar a realização desta negociação, apesar de ter sido intimada para tal conforme Termo de Intimação Fiscal TIF, datado de 07/05/2009. (grifei) Esta ausência de negociação prévia da empresa com os trabalhadores tornou a rubrica similar às demais constantes da folha de pagamento FOPAG e integrantes da base de cálculo das contribuições previdenciárias, sem revestila com a especificidade exigida pelo particular dispositivo legal supra mencionado. Desvirtuouse, assim, do objetivo primeiro mencionado no artigo inicial da Lei n°. 10.101, qual seja, de "integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade, nos termos do art. 7o., inciso XI, da Constituição". Desta forma, os valores pagos ou creditados aos empregados a título de PLR passam a integrar o salário de contribuição, nos termos do art. 28, item " I " não incidindo na exceção do § 9o. , letra " j " , do mesmo art. 28 da Lei n°. 8.212 de 24/07/91, combinado com Art. 214, Inciso I, § 9o., item " X " e § 10°. do RPS, pois foram pagos em desacordo com a lei específica. (...)" Quanto ao posicionamento da DRJ, que daria origem à alegada mudança de critério jurídico, levantada pelo contribuinte em sede de contrarrazões temse (efls. 232 a 234). Fl. 596DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 597 15 "(...) Assim, somente estará excluída da tributação a participação nos lucros ou resultados que for concedida a empregados na fornia da lei específica. Depreendese da interpretação da legislação citada, que é obrigatória a negociação entre a empresa e seus empregados para o ajuste de metas, resultados, prazos, produtividade ou qualquer outro critério dependente do trabalho para a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa antes da concessão de PLR. A exigência legal contida no dispositivo legal transcrito, de estabelecimento de critérios para a participação nos lucros ou resultados está em perfeita consonância com o conceito e natureza próprios da Participação nos lucros ou resultados que pressupõe, como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e de incentivo à produtividade, que a concessão desse direito esteja vinculada à distribuição de resultado vantajoso obtido pelo empregador que tenha sido alcançado pelo esforço e empenho dos empregados num determinado período. Ressaltese que, para que o segurado empregado tenha direito à PLR não há, portanto, necessidade de lucro por parte da empresa, podendo esta ser paga em função de um resultado, que não é o resultado operacional previsto na Demonstração de Resultados do Exercício DRE. O resultado, conforme previsto na Lei n°. 10.101/2000, é um resultado que se baseia em regras claras e objetivas de metas a serem alcançadas e que tem o intuito de incentivar a produtividade. Assim, a PLR tem como causa a obtenção de lucro ou de resultado positivo pela empresa traduzido por metas e resultados preestabelecidos, cujo alcance está diretamente ligado aos esforços e rendimento dos empregados durante o período necessário ao alcance dessas metas e resultados. E parcela instituída para que o empregado se anime a produzir mais e seu pagamento se dá sempre que o trabalhador coletivamente atingir um limite fixado. Tem caráter condicional, não só de obtenção de lucro mas do cumprimento de metas ou resultados ligados à ação dos empregados. Admitir que a verba "participação nos lucros ou resultados" não estivesse condicionada ao alcance de metas e resultados ou a qualquer outro critério objetivo dependente do trabalho, seria admitir o desvirtuamento da rubrica permitindo ao empregador instituir pagamentos, através de CCT, mascarados com o rótulo de "participação nos lucros ou resultados" sem que os mesmos tenham essa natureza. O impugnante em sua defesa alega que conforme comprova Convenção Coletiva de Trabalho CCT firmada, no dia 28/11/2005 com vigência de 01/11/2005 a 31/10/2006, entre o Sindicado das Sociedades de Crédito, Financiamento e Investimentos dos Estado de Minas Gerais e Sindicatos dos Fl. 597DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 598 16 empregados (com cópia juntada às fls. 253/264), o pagamento da PLR decorreu da prévia negociação entre a empresa e os empregados. Aduz ainda que na mencionada CCT estão estabelecidos todos os critérios necessários a tal finalidade, em claro atendimento ao disposto na Lei 10.101/2000. Contudo, a cópia de Convenção Coletiva de Trabalho anexada demonstra que o pagamento a título de "participação dos empregados nos lucros ou resultados" foi efetuado sem qualquer critério dependente do trabalho, como programas de metas e resultados a serem cumpridos. Constatase, que os valores pagos a esse título foram determinados pela simples aplicação de percentual sobre o saláriobase adicionado das demais verbas fixas de natureza salarial reajustadas em 11/2005 e acrescido de valor fixo de R$ 160,04. Não consta na Convenção Coletiva de Trabalho de 28/11/2005 qualquer critério ou meta que denote a existência de negociação prévia fixando metas e resultados preestabelecidos que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal como condição para a fruição do direito previsto na Constituição da Republica de 1988, artigo 7°, inciso XI. Devese atentar, que em razão do já exposto e considerandose que a citada Convenção Coletiva de Trabalho é datada de 28/11/2005 e que tal verba foi creditada ou paga em 01/2006, somente poderiam haver metas ou resultados prefixados para serem perseguidos pelos empregados e gerentes ao período de 28/11/2005 a 31/01/2006. Entretanto, observase que o PARÁGRAFO 4o. da Cláusula 35a da mencionada CCT estabelece que o pagamento de tal verba foi condicionado à obtenção de lucro contábil pelo impugnante no exercício de 2005, que compreende lapso temporal anterior à data da Convenção Coletiva de Trabalho (de 01/01/2005 a 27/11/2005). Tal fato corrobora a informação da Fiscalização de que não ocorreu prévia negociação para fixação de metas. Admitirse o contrario, implicaria em considerar que para receber PLR, o empregado pudesse ser submetido a metas pós estabelecidas (no presente caso isso ocorreria em relação ao período anterior a 28/11/2005), tal hipótese não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento dos empregados por um determinado período para o alcance dos lucros ou resultados. Depreendese, assim, que não foram respeitados os preceitos da Lei 10.101/2000 que distinguem os valores pagos a empregados a título de Participação nos Lucros e Resultados das demais verbas remuneratórias. Tratase , portanto, de pagamento extra de salário e a citada rubrica se enquadra no conceito de salário Fl. 598DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 599 17 de contribuição não constituindo hipótese liberada da tributação pelo disposto na Lei n° 8.212/1991, artigo 28, § 9o. (...)" Finalmente, temse que o termo de intimação citado, datado de 07/05/2009, encontrase à efl. 46 e que a Convenção Coletiva de Trabalho apresentada destinada a comprovar a negociação encontrase arquivada às efls. 186 a 198. Feito tal resumo fático probatório, faço notar que, quanto à existência de vício e quanto à distinção entre vício formal e material, alinhome aqui à corrente que os distingue baseado nas noções de norma introdutora e norma introduzida, de lição de Paulo de Barros Carvalho e muito bem resumida pela Conselheira Celia Maria de Souza Murphy, no âmbito do Acórdão 2101002.191, de lavra da 1a. Turma Ordinária da 1a. Câmara da 2a. Seção de Julgamento e datado de 15 de maio de 2013, expressis verbis: "(...) O tema dos vícios material e formal está intrinsecamente relacionado com o processo de positivação do direito. Tomamos por premissa que o direito positivo é um sistema de normas, regidas por um princípio unitário, no qual normas jurídicas, seus elementos, relacionados entre si, são inseridas e excluídas a todo instante. As normas jurídicas são inseridas no sistema do direito positivo de acordo com regras que o próprio sistema produz. É uma norma que estipula qual é o órgão autorizado a inserir normas no sistema do direito positivo e qual o procedimento para que isso se faça. Toda norma jurídica introduzida no sistema do direito positivo o é por meio de uma norma introdutora. As normas sempre andam aos pares: norma introdutora e norma introduzida, tal como leciona Paulo de Barros Carvalho. A norma introdutora espelha o seu próprio processo de produção; a introduzida regula a uma conduta (que pode ser, inclusive, a produção de outra norma). Nesse sentido, seguindo os ensinamentos de Kelsen, são de direito formal as normas que cuidam da organização e do processo de produção de outras normas; de direito material são as normas que determinam o conteúdo desses atos, isto é, regulam o comportamento humano propriamente dito. O lançamento, norma jurídica que é, não foge à regra: compõese de norma introdutora e norma introduzida. Na norma introdutora fica demonstrado o procedimento que o agente público, autorizado a inserir no ordenamento jurídico a norma individual e concreta que aplica a regramatriz de incidência tributária, seguiu para produzila. A norma introduzida é a própria aplicação da regramatriz. A primeira norma trata da forma; a segunda, da matéria. No lançamento, a norma introdutora tem a ver com o procedimento ao qual alude o artigo 142 da Lei n.° 5.172, de Fl. 599DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 600 18 1966 (Código Tributário Nacional) e as normas de Direito Administrativo, que se completa com a norma introduzida, que efetivamente aplica a regramatriz de incidência. Feitas essas considerações, resta analisar em que ponto se identifica o vício do lançamento perpetrado no presente processo, se no processo de produção do ato administrativo do lançamento ou se na aplicação da regramatriz de incidência tributária. Se na norma introdutora, tratase de erro formal; se na norma introduzida, é erro material. (...) A regramatriz de incidência, como ensina Paulo de Barros Carvalho, é norma jurídica em sentido estrito que institui o tributo, e compõese de antecedente e conseqüente. No antecedente, temos os critérios material, espacial e temporal. No conseqüente, os critérios pessoal (sujeitos ativo e passivo) e critério quantitativo (base de cálculo e alíquota). (...)" Feita tal digressão, passase à aplicação de tais considerações ao litígio em tela. Acedo, inicialmente, integralmente à conclusão do Recorrido, no sentido de estar caracterizado vício ensejador de nulidade no lançamento efetuado (ainda que só esteja em litígio, aqui, a natureza de tal vício). Explico. Entendo se estar diante de situação fática onde o Relatório de Ação Fiscal às efls. 35 a 38 optou por descrição bastante sucinta acerca do motivo do lançamento no que diz respeito ao levantamento de PLR, qual seja: o artigo 2o. da lei no. 10.101, de 2000, traz a obrigatoriedade de que a PLR seja objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, através de uma comissão escolhida pelas partes ou através de acordo/convenção coletiva, sendo que, no presente caso, a empresa fez os pagamentos ou créditos a seus empregados sem comprovar a realização desta negociação, após intimada para tal no curso da ação fiscal. Não há, ali, na acusação da autoridade lançadora, notese, detalhamento maior que permitisse concluir ter o Auditor analisado e rejeitado, por seu teor, a Convenção Coletiva de efls. 186 a 198 como forma de comprovação de negociação (tal como a DRJ o fez em sua fundamentação acima, de efls. 232 a 234), ou se, alternativamente, sequer analisou tal Convenção, sendo porém, notese, ambas as hipóteses suportadas pela acusação genérica de não comprovação de existência de negociação mediante intimação. Assim, indubitavelmente prejudicada a defesa do contribuinte já em sede impugnatória, a partir de tal ausência de maior aprofundamento na acusação acerca do que se quis dizer com "nãocomprovação após intimação", caracterizada, assim, a existência de vício ensejador de nulidade no lançamento, consoante art. 59 do Decreto no. 70.235, de 1972. Todavia, acerca da natureza deste mesmo vício, tenho leitura diversa em relação ao recorrido ao notar, em especial: Fl. 600DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 601 19 a) a inexistência de qualquer dissonância entre a acusação fiscal genérica e o teor do voto condutor da autoridade de 1a. instância, que, em meu entendimento, deve, inclusive, ser interpretado como um dos possíveis detalhamentos do raciocínio do auditor que levaria à rejeição da Convenção citada como elemento comprobatório da negociação e b) que a violação que é apontada pelo Auditor (inexistência de evidência de negociação prévia), elemento aqui ensejador da subsunção à hipótese de incidência dos valores pagos a título de PLR, encontrase perfeitamente caracterizada pelos elementos constantes dos autos (acedendose aqui à argumentação da autoridade de 1a. instância), in verbis, novamente: (...) Constatase, que os valores pagos a esse título foram determinados pela simples aplicação de percentual sobre o saláriobase adicionado das demais verbas fixas de natureza salarial reajustadas em 11/2005 e acrescido de valor fixo de R$ 160,04. Não consta na Convenção Coletiva de Trabalho de 28/11/2005 qualquer critério ou meta que denote a existência de negociação prévia fixando metas e resultados preestabelecidos que deveriam ser perseguidos pelos empregados em favor do empregador durante um determinado lapso temporal como condição para a fruição do direito previsto na Constituição da Republica de 1988, artigo 7°, inciso XI. Devese atentar, que em razão do já exposto e considerandose que a citada Convenção Coletiva de Trabalho é datada de 28/11/2005 e que tal verba foi creditada ou paga em 01/2006, somente poderiam haver metas ou resultados prefixados para serem perseguidos pelos empregados e gerentes ao período de 28/11/2005 a 31/01/2006. Entretanto, observase que o PARÁGRAFO 4o. da Cláusula 35a da mencionada CCT estabelece que o pagamento de tal verba foi condicionado à obtenção de lucro contábil pelo impugnante no exercício de 2005, que compreende lapso temporal anterior à data da Convenção Coletiva de Trabalho (de 01/01/2005 a 27/11/2005). Tal fato corrobora a informação da Fiscalização de que não ocorreu prévia negociação para fixação de metas. Admitirse o contrario, implicaria em considerar que para receber PLR, o empregado pudesse ser submetido a metas pós estabelecidas (no presente caso isso ocorreria em relação ao período anterior a 28/11/2005), tal hipótese não se coaduna com a natureza da PLR prevista pela Constituição, segundo a qual, conforme já mencionado, a concessão desse direito pressupõe o envolvimento dos empregados por um determinado período para o alcance dos lucros ou resultados. Destarte, diante de tais elementos e considerações, verifico inexistir qualquer vício no que diz respeito à norma introduzida através do lançamento, seja em seu critério material, espacial, temporal, pessoal e/ou quantitativo, ou seja, no motivo apontado pela fiscalização para o lançamento: a não comprovação de negociação prévia após intimação, no Fl. 601DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 602 20 curso da ação fiscal (o que, na forma acima, se evidencia a partir dos elementos constantes dos autos). Entendo que o ocorreu, no presente caso, de forma nítida, foi uma demonstração por escrito totalmente insuficiente dos pressupostos de fato (que entendo como comprovados), que levaram o auditor a concluir pela violação à Lei no. 10.101, de 2000, vício cerceador, sim, da defesa do contribuinte em sede impugnatória e assim, ensejador de nulidade, mas, notese, estando o defeito aqui relatado em sede de norma introdutora, ou, caso se prefira assim estabelecer, na motivação do ato administrativo de lançamento. A propósito, conforme já tive oportunidade de me manifestar em outros feitos, entendo ser de natureza formal o vício sempre que se puder estabelecer, com base no arcabouço probatório constante dos autos, a correspondência entre os fatos relatados (ainda que genericamente) e provados nos autos e a hipótese (regramatriz) de incidência utilizada quando do lançamento, ou seja, sempre que se puder garantir a ocorrência do fato gerador na forma apontada pela autoridade fiscal, o que, se verifica no caso em questão. Finalmente, quanto à tese de mudança de critério jurídico levantada em sede de contrarrazões, permanece nítida, em meu entendimento, que não há qualquer conflito entre o motivo (constante do Relatório Fiscal) e aquele sob a égide do qual se manteve o lançamento nas instâncias julgadoras, sendo este, repitase um dos possíveis detalhamentos abarcados pela descrição genérica de "não comprovação mediante intimação da realização de negociação coletiva", no âmbito do programa de PLR em litígio. Ainda, quanto ao Acórdão CSRF trazido em sede de contrarrazões, notese que se está ali a tratar de mudança de critério de apuração do lançamento primitivo, o que em nada contradiz o até aqui exposto, onde se reconheceu que tal violação de critério da regra matriz (que não ocorre no presente caso) ensejaria vício de natureza material. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria, declarandose como de natureza formal o vício existente no lançamento em questão, para o levantamento de PLR. b) Quanto à incidência sobre a rubrica de vale alimentação: Pelo que consta no processo quanto à sua tempestividade e às devidas apresentação de paradigma e indicação de divergência, o recurso atende a estes requisitos de admissibilidade. Quanto ao primeiro Colegiado paradigmático, tratase, em meu entendimento, de situação fática diversa, onde, notese, não houve qualquer comprovação de adesão ao PAT. Caberia, assim, análise adicional, pelo Colegiado paradigmático, dos efeitos acerca da irregularidade apontada nos presentes autos, onde houve tão somente o vencimento da inscrição anteriormente existente e posterior reinscrição, ou seja, com participação anterior no PAT documentada, sem que se possa precisar o resultado de tal análise pelo Colegiado paradigmático. Já quanto ao segundo Colegiado paradigmático, em linha com a insurgência levantada em sede de contrarrazões, noto que as razões de decidir do Colegiado paradigmático envolvem considerações relacionadas à forma de pagamento do auxílioalimentação em litígio (dependendo a incidência da descaracterização como pagamento "in natura"), considerações estas não realizadas pelo relatório fiscal e, assim, nem pelo recorrido. Fl. 602DF CARF MF Processo nº 15504.012727/200982 Acórdão n.º 9202006.709 CSRFT2 Fl. 603 21 Quanto a este segundo paradigma, explico adicionalmente. Notese que não há, aqui, efetiva comprovação ou acusação de que os valores tenham sido disponibilizados em tickets, independentemente da regular inscrição ou não no PAT. O que há é um pagamento que, por ter sido feito à empresa Ticket S.A., podese supor ter sido em tickets e não "in natura" (apesar de, notese, se fazer menção, ali, a despesas realizadas consoante notas fiscais e recibos), sem que haja, porém, nenhuma comprovação ou acusação neste sentido, conforme relatório fiscal à efl. 38, verbis: (...) as contribuições foram apuradas com base nos valores pagos a título de alimentação aos segurados empregados, conforme despesas realizadas em pagamento de notas fiscais/ recibos , tendo como favorecida a empresa Ticket Serviços S.A., CNPJ 47.866.934/000174, lançadas a débito da conta de despesas 8.1.7.27.00.31.10 DESPESAS DE PESSOAL BENEFÍCIOS PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO AO TRABALHADOR. Tais valores encontramse individualizados nas Folhas de Pagamentos ( evento 291 Alimentação Empresa) apresentadas pela empresa em meio magnético (...)" Assim, realizado o teste de aderência, dependeria a ocorrência de decisão divergente quanto à matéria litigada entre os Colegiados recorrido e paradigmático (não incidência vs. incidência), de tal incerta suposição, não se podendo caracterizar, em meu entendimento, assim, a existência de divergência interpretativa. Assim, diante da situação fática sob análise, seria impossível dizer se concluiriam os Colegiados paradigmáticos pela incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre a rubrica de auxílio alimentação e, destarte, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional quanto à matéria. c) Conclusão A partir do acima disposto, voto por conhecer parcialmente do Recurso da Fazenda Nacional, exclusivamente quanto à matéria de vício material no levantamento de PLR, para, na parte conhecida, dar provimento ao Recurso, reconhecendose a natureza formal do vício existente no lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 603DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.917575/2011-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001
DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO.
Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-003.591
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2001 DIREITO CREDITÓRIO. PAGAMENTO INDEVIDO. FALTA DE COMPROVAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO. Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao Processo Administrativo Fiscal, assim como do previsto no art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório DELTA VEÍCULOS LTDA. apresentou Pedido de Restituição (PER) de alegado pagamento indevido da contribuição (PIS/Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico indeferindo o pedido, em razão do fato de que os pagamentos informados pelo declarante já haviam sido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 91 75 75 /2 01 1- 22 Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10480.917575/201122 Acórdão n.º 3201003.591 S3C2T1 Fl. 3 2 integralmente utilizados para quitação de débitos de sua titularidade, não restando crédito disponível. Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente solicitou a reunião para julgamento conjunto dos processos administrativos conexos, arguindo o seguinte: a) o pagamento indevido decorrera da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, declarada em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal (STF), de observância obrigatória por parte dos órgãos da Administração Tributária por força do art. 26 A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972 e do art. 59 do Decreto nº 7.574, de 2011, bem como do art. 62, § 1º, I, do Regimento Interno do CARF (RICARF); b) contrariamente ao disposto no art. 65 da Instrução Normativa SRF nº 900, de 2008, não fora intimado a esclarecer a higidez de seu crédito e que, tivesse isto ocorrido, o pedido de restituição teria sido deferido, na medida em que teria logrado comprovar o direito ao reconhecimento do indébito; c) nos termos do art. 142 do CTN, é dever da Fiscalização aprofundar o exame da situação concreta, de modo que o lançamento e também as demais glosas fiscais se baseiem na correta subsunção dos fatos à lei, não tendo a Fiscalização sequer tomado conhecimento das razões que justificavam o pedido de restituição; d) o art. 62A, caput, do RICARF vincula o Colegiado a adotar as decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF sob o regime previsto no art. 543B do CPC, tal como ocorrera, na situação aqui tratada, no RE nº 585.235, pois “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão de seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência”, sendo ilógico "que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um texto de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”, entendimento esse escorado em diversos precedentes administrativos da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF); e) na base de cálculo da contribuição, “somente deveriam ter sido incluídos pela requerente os valores correspondentes ao seu faturamento, ou seja, os ingressos que correspondem às suas receitas das vendas de mercadorias e da prestação de serviços”. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou, além de documentos de representação processual, (i) planilha com as rubricas sobre as quais apurou o suposto crédito a ser restituído e (ii) cópia de folhas de Balancete correspondente ao período de apuração aqui tratado. Nos termos do Acórdão nº 11040.484, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento (DRJ) decidido que o reconhecimento do direito à restituição exige a comprovação da realização de pagamento de tributo indevido ou a maior, cujo ônus recai sobre o sujeito passivo. Decidiu também a DRJ que, ressalvadas as hipóteses das alíneas “a” a “c” do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972, as provas comprobatórias do direito creditório devem ser apresentadas por ocasião da interposição da manifestação de inconformidade, precluindo o direito de posterior juntada. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10480.917575/201122 Acórdão n.º 3201003.591 S3C2T1 Fl. 4 3 Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, e juntou aos autos cópias de documentos que, segundo ele, comprovariam o direito creditório pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.578, de 21/03/2018, proferido no julgamento do processo 10480.900123/201292, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.578): Conforme o Direito Tributário, a legislação, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Em que pese a brilhante construção de argumentos a favor do contribuinte, não há nos autos nenhuma prova inequívoca do direito creditório, que permita caracterizar as receitas como hipóteses de exclusão da base de cálculo do Pis, mesmo dentro do conceito de faturamento determinado pelo STF. Desse modo, votase para que a decisão de primeira instância seja mantida sob o fundamento da ausência de comprovação do direito creditório por parte do contribuinte, nos mesmos moldes do seguinte trecho: "44. Antes de adentrar no exame da possibilidade, ou não, desta primeira instância administrativa afastar a disposição contida no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, consigno que, para evidenciar o seu direito à restituição, a contribuinte se limitou a apresentar planilha em que lista diversas rubricas que entende escapariam do conceito de receita de vendas de mercadorias e/ou de prestação de serviços e, além disto, cópia de Balancete Mensal em que constam registros de diversas receitas, mas não comprovou que, efetivamente, incluiu, na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep recolhida de acordo com o valor confessado em DCTF, as receitas por ele indicadas na Manifestação de Inconformidade. 45. Para fazer jus à repetição do indébito, a recorrente, além de ter comprovado que auferiu as outras receitas por ela apontada no recurso, deveria ter apresentado demonstrativo, acompanhado dos correspondentes Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10480.917575/201122 Acórdão n.º 3201003.591 S3C2T1 Fl. 5 4 documentos contábeis fiscais/contábeis comprobatórios de sua exatidão, da apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep, devida à alíquota de 0,65%, sobre as receitas de venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, o que aqui é indispensável, pois, diante da atividade exercida pela recorrente, é evidente que ela também comercializa produtos (tais como veículos) cujas receitas sofre a incidência desta contribuição à alíquota zero, pois o produto, a depender do período de apuração, foi submetido em etapa anterior à tributação por substituição tributária ou de forma concentrada5." Conforme reconstrução lógica e expressa de dispositivos da Constituição Federal, do Código Tributário Nacional e da legislação pertinente ao processo administrativo fiscal, assim como do previsto no Art. 16 do Decreto 70.235/72, o contribuinte deve comprovar o direito creditório e o pagamento indevido em casos de pedido de restituição. Diante do exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Voto proferido. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Contribuição para o PIS, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Cofins. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 121DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16643.720001/2011-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. ERRO DE PROIBIÇÃO IDENTIFICADO.
A fraude ou dolo fraudulento exigido para a incidência da multa qualificada deve restar robustamente comprovado nos autos. Se a empresa praticou atos societários respeitando os limites legais e não escondeu tais práticas da fiscalização, não há que se falar em qualificação da multa, mormente quando as práticas do contribuinte foram pautadas pela legislação e jurisprudência vigentes à época da execução dos atos questionados pela fiscalização.
JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
Numero da decisão: 1402-003.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a a 75%, vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva e Evandro Correa Dias, que negavam provimento; ii) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter a imposição dos juros sobre a multa de ofício.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente.
(assinado digitalmente)
Demetrius Nichele Macei - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
Nome do relator: DEMETRIUS NICHELE MACEI
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. ERRO DE PROIBIÇÃO IDENTIFICADO. A fraude ou dolo fraudulento exigido para a incidência da multa qualificada deve restar robustamente comprovado nos autos. Se a empresa praticou atos societários respeitando os limites legais e não escondeu tais práticas da fiscalização, não há que se falar em qualificação da multa, mormente quando as práticas do contribuinte foram pautadas pela legislação e jurisprudência vigentes à época da execução dos atos questionados pela fiscalização. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registre-se, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) para afastar a qualificação da multa, reduzindo-a a 75%, vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva e Evandro Correa Dias, que negavam provimento; ii) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter a imposição dos juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2075; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 3.849 1 3.848 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16643.720001/201118 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1402003.120 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 15 de maio de 2018 Matéria IRPJ AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO Recorrente BIOSINTÉTICA FARMACÊUTICA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 ÁGIO. TRANSFERÊNCIA. EMPRESA VEÍCULO. MULTA QUALIFICADA. FRAUDE. NÃO COMPROVAÇÃO. ERRO DE PROIBIÇÃO IDENTIFICADO. A fraude ou dolo fraudulento exigido para a incidência da multa qualificada deve restar robustamente comprovado nos autos. Se a empresa praticou atos societários respeitando os limites legais e não escondeu tais práticas da fiscalização, não há que se falar em qualificação da multa, mormente quando as práticas do contribuinte foram pautadas pela legislação e jurisprudência vigentes à época da execução dos atos questionados pela fiscalização. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende o tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Registrese, ainda, que tal fato não decorre da autuação, mas sim do vencimento da multa, por ocasião do não pagamento voluntário do valor resultante deste auto de infração no seu respectivo vencimento, momento em que se iniciará o cômputo de juros sobre a multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para: i) para afastar a qualificação da multa, reduzindoa a 75%, vencidos os Conselheiros Ailton Neves da Silva e Evandro Correa Dias, que negavam provimento; ii) por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário para manter a imposição dos juros sobre a multa de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 01 /2 01 1- 18 Fl. 3849DF CARF MF 2 Paulo Mateus Ciccone Presidente. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Dias Correa, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei, Paulo Mateus Ciccone (Presidente), e Ailton Neves da Silva (Suplente convocado). Fl. 3850DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.850 3 Relatório Adoto, integralmente, o relatório do Acórdão de Recurso Voluntário nº 1402 001.310, proferido por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, Primeira Seção de Julgamento, em 05 de dezembro de 2012, complementandoo, ao final, com as atualizações processuais pertinentes. BIOSINTÉTICA FARMACÊUTICA LTDA recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). A contribuinte foi autuada e notificada a recolher ou impugnar os créditos tributários referentes aos anoscalendário de 2006, 2007, 2008 e 2009 nos montantes de R$221.689.121,00, a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ, e R$79.826.975,54, de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL, incluídos nesses valores multas proporcionais às alíquotas de 75% e 150%, além de juros de mora calculados pela taxa Selic até 29/04/2011. Os enquadramentos legais dos tributos exigidos, das penalidades e dos juros moratórios encontramse apontados nos respectivos campos de preenchimento dos autos de infração de fls. 1772/1791 e são os seguintes: Os fundamentos do lançamento estão contidos no “Termo de Verificação Fiscal” de fls. 1719/1771 que, em síntese, apóiamse no fato de que, em um curto intervalo de tempo, Aché Laboratórios Farmacêuticos S/A adquiriu todas as quotas sociais da fiscalizada Biosintética com ágio de R$ 437.552.361,10, transferiu as para Delta Participações Farmacêuticas S/A, mediante integralização de seu capital que, posteriormente, foi incorporada pela Biosintética, que passou a amortizar o ágio acima citado. Segundo os autuantes, a Fl. 3851DF CARF MF 4 reorganização societária empreendida foi desprovida de propósito negocial e objetivou exclusivamente a redução da carga tributária da fiscalizada, motivandoos a glosar as despesas de amortizações de ágio realizadas entre os anoscalendário de 2006/2009, bem como o prejuízo fiscal e a base de cálculo negativa da CSLL compensados no anocalendário 2007, e, por consequência, a lançar os tributos decorrentes das infrações apuradas. Notificada da autuação em 23/05/2011, conforme registrado no “Aviso de Recebimento AR” de fls. 1795, a contribuinte apresentou impugnação ao feito em 21/06/2011, conforme peça de fls. 1827/1889, cujas razões, em resumo, adiante se seguem: (i) A amortização do ágio realizada pela Impugnante é válida, já que preenchidos os requisitos dos artigos 385 e 386 do RIR, tendo origem em atos que obedeceram a forma válida, que tiveram objeto lícito e que foram respaldados em legítimos propósitos negociais e operativos, motivo pelo qual são plenamente oponíveis ao Fisco; (ii) O registro do ágio pela aquisição do novo investimento é legítimo, uma vez que se tratou de aquisição de novas quotas da Impugnante integralmente pagas em dinheiro justificadas na expectativa de sua rentabilidade futura a partir de laudo elaborado pelo Banco Pactual; (iii) A análise dos elementos em que se lastreia o Auto de Infração permite inferir que as operações realizadas jamais tiveram como objetivo levar à amortização do ágio de maneira artificial e em prejuízo aos cofres públicos e, ainda, que a alegada artimanha de realizar os atos societários envolvendo a Delta Par não apresenta qualquer incompatibilidade com o fim econômico pretendido pelas partes ou com a causa do negócio jurídico realizado; (iv) Na verdade, a incorporação da Impugnante pelo Aché levaria a uma substancial redução no valor dos tributos recolhidos aos cofres públicos no período autuado, evidenciando a ausência do viés exclusivamente fiscal na implementação da operação questionada; (v) A constituição de uma nova sociedade com o propósito específico de adquirir e gerir o investimento na Biosintética permitia que todos os cenários de risco pós aquisição vislumbrados fossem mitigados por implementação ágil e menos burocrática; (vi) Enfim, a utilização da Delta Par na operação era um imperativo comercial e que também correspondia à alternativa que melhor atenderia aos diversos deveres fiduciários dos administradores das diversas empresas do Grupo Aché, não se tratando, jamais, de um imperativo fiscal; (vii) A operação trazia consigo relevantes incertezas a respeito do próprio negócio, no qual se colocava substancial volume de recursos, que somente seriam eliminadas após o período mínimo de 6 meses de esforços concentrados de avaliação e diligência após a aquisição do investimento, ou seja, quando a própria administração do Grupo Aché assumisse, também, a administração da Impugnante, determinandose a abertura de dados, informações, o exame detalhado das práticas comerciais e negociais, as contingências tributárias e trabalhistas; (viii) A consolidação das informações com relação aos negócios da Biosintética, combinada com a manifestação do CADE sobre a operação fatos supervenientes à aquisição determinariam a tomada de decisões entre algum dos seguintes cenários estratégicos, que se anteviam no momento da tomada de decisão pela aquisição da Impugnante: (a) manter a Biosintética integrada ao Grupo; (b) cindir a sociedade para a segregação de linhas de negócio que não interessariam ao Grupo Aché por questões de Fl. 3852DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.851 5 rentabilidade, lucratividade, restrições do CADE etc.; ou (c) alienar totalmente a Biosintética, caso suas contingências fossem julgadas excessivas ou fossem identificadas práticas comerciais incompatíveis com aquelas adotadas pelo Grupo Aché, ou, ainda, caso a operação não fosse aprovada pelo CADE. (ix) O próprio autuante reconhece que o suposto interesse fiscal para a utilização da Delta Par na operação não seria a única motivação para a realização da operação questionada, restando evidente que os negócios jurídicos praticados no caso presente são válidos e que o Fisco nada pode objetar, já que inexistente o alegado abuso de direito; (x) Nenhum dos precedentes suscitados pela autoridade lançadora em seu Termo de Verificação Fiscal se prestam como paradigmas para a análise do caso presente, já que envolvem situações totalmente diferentes daquela objeto dos presentes autos e, a análise dos precedentes exarados pelo CARF em situações semelhantes àquela aqui abordada reforça a total improcedência do Auto de Infração; (xi) Em momento algum se demonstrou a prática de atos fraudulentos pela Impugnante; pelo contrário, todos os atos foram praticados às claras e foram inclusive chancelados no passado pelo Fisco; (xii) Subsidiariamente, caso mantida a autuação, não deve prosperar a incidência dos juros moratórios sobre a multa punitiva. A decisão recorrida está assim ementada: INVESTIMENTO. ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. BREVIDADE. SITUAÇÃO ORIGINAL. RETORNO. EMPRESA VEÍCULO. MULTA DE OFÍCIO. FRAUDE. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A operação consistente em constituir pessoa jurídica desprovida de atividade operacional, por breve período de tempo, sem propósito negocial justificado a não ser o de servir de veículo para transferência de ágio da investidora para a investida que lhe deu causa, retornandose o controle societário à situação original, caracteriza fraude, qualificando a conduta infracional e motivando o agravamento da multa de ofício. INVESTIMENTO. ÁGIO. REORGANIZAÇÃO SOCIETÁRIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. ENCARGOS DE AMORTIZAÇÃO. DEDUÇÃO. GLOSA. É indedutível da base de cálculo do IRPJ o encargo de amortização de ágio quando se verifica que foram realizados atos meramente formais de reorganização societária, sem propósito negocial, objetivando exclusivamente transferir a mais valia para a empresa investida que lhe deu causa. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O decidido quanto à infração que implica o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica também se aplica ao lançamento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido naquilo em que for cabível. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Fl. 3853DF CARF MF 6 Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento, nos seguintes termos: V AS CONCLUSÕES 177. Por todo o exposto, concluise que: (i) Apesar de não lançar qualquer questionamento quanto à existência, a mensuração, a justificativa ou a validade do ágio amortizado pela Recorrente, o agente fiscal acabou por realizar uma análise predisposta a condenar a Recorrente de antemão, pretendendo criar uma sensação generalizada, mas não comprovada, de ardil e ilicitude em relação ao procedimento adotado pela Recorrente, o que acabou sendo corroborado pela DRJ; (ii) A amortização do ágio realizada pela Recorrente é válida, já que preenchidos os requisitos dos artigos 385 e 386 do RIR, teve origem em atos que obedeceram a forma válida, que tiveram objeto lícito e que foram respaldados em legítimos propósitos negociais e operativos, motivo pelo qual são plenamente oponíveis ao Fisco. A postura adotada pela DRJ acaba por criar condições para a amortização do ágio que a lei não exige, o que vem sendo veementemente rechaçado por esse E. CARF; (iii) O registro do ágio pela aquisição do novo investimento é legítimo, uma vez que se tratou de aquisição de novas quotas da Recorrente integralmente pagas em dinheiro e justificadas na expectativa de rentabilidade futura da Recorrente a partir de laudo elaborado pelo Banco Pactual; (iv) A análise dos elementos em que se lastreia o Auto de Infração permite inferir que as operações realizadas jamais tiveram como objetivo levar a amortização do ágio de maneira artificial e em prejuízo aos cofres públicos e, ainda, que a alegada artimanha de realizar os atos societários envolvendo a Delta Par não apresenta qualquer incompatibilidade com o fim econômico pretendido pelas partes ou com a causa do negócio jurídico realizado. Na verdade, o laudo da PwC comprova que a incorporação da Recorrente pelo Aché levariam a uma substancial redução no valor dos tributos recolhidos aos cofres públicos no período autuado. Além de evidenciar a ausência do viés exclusivamente fiscal na implementação da operação questionada, demonstra que inexistiu a busca pelo "melhor dos dois mundos"m como sugeriram Fiscalização e DRJ; (v) A constituição de uma nova sociedade com o propósito específico de adquirir e gerir o investimento na Recorrente permitia que todos os cenários de risco préaquisição vislumbrados fossem mitigados por implementação ágil e menos burocrática. Enfim, a utilização da Delta Par na operação era um imperativo comercial e que também correspondia à alternativa que melhor atenderia aos diversos deveres fiduciários dos administradores das diversas empresas do Grupo Aché. Mas jamais se tratou de um imperativo fiscal; (vi) O próprio agente fiscal reconhece que o suposto interesse fiscal para a utilização da Delta Par na operação não seria a única motivação para a realização da operação questionada, restando evidente que os negócios Fl. 3854DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.852 7 jurídicos praticados no caso presente são válidos e que o Fisco nada pode objetar, já que inexiste o alegado abuso de direito; (vii) A análise dos precedentes exarados pelo CARF em situações semelhantes àquela aqui abordada reforça a total improcedência do Auto de Infração; (viii) Auto de Infração implicou a multa majorada de 150% indevidamente, já que em momento algum se demonstrou a prática de atos fraudulentos pela Recorrente; pelo contrário, todos os atos foram praticados às claras e foram inclusive chancelados no passado pelo Fisco. V O PEDIDO 178. Ante o exposto, requer a Recorrente dignemse V.Exas. determinar o cancelamento integral do Auto de Infração, a fim de que sejam desconstituídas as exigências formulas a título de IRPJ e CSLL em razão da indevida glosa das despesas com ágio, pelos motivos expostos ao longo do presente recurso voluntário. 179. A Recorrente protesta ainda pela produção de todas as provas em Direito admitidas e pela oportuna sustentação oral de suas razões de defesa. Passo, agora, a complementar o relatório acima colacionado. Ao Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo foi dado provimento, por unanimidade de votos. Confirase a ementa de tal decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PREMISSAS. As premissas básicas para amortização de ágio, com fulcro nos art. 7o., inciso III, e 8o. da Lei 9.532 de 1997, são: i) o efetivo pagamento do custo total de aquisição, inclusive o ágio; ii) a realização das operações originais entre partes não ligadas; iii) seja demonstrada a lisura na avaliação da empresa adquirida, bem como a expectativa de rentabilidade futura. Cumprida essas premissas, cancelase a glosa. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 7º E 8º DA LEI Nº 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL REGULAR. UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. É regular o planejamento, sob amparo dos artigos 7º e 8º da Lei nº 9.532/97, mediante a utilização de empresa veículo, desde que não tenha resulte em aparecimento de novo ágio, tampouco em economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veículo. Recurso Voluntário Provido. Fl. 3855DF CARF MF 8 Ato contínuo, a PGFN interpôs Recurso Especial (efls. 3388 a 3419), requerendo seja reformado o Acórdão recorrido, de forma a manter o lançamento em sua integralidade. Na sequência, o contribuinte apresentou Contrarrazões (efls. 35423590). Em Acórdão nº 9201002.188, proferido em 20 de junho de 2016, pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, o voto foi, quanto ao mérito do tema ágio, para dar provimento ao recurso. Tal decisão restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 TRANSFERÊNCIA DE ÁGIO. IMPOSSIBILIDADE. A subsunção aos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997, assim como aos artigos 385 e 386 do RIR/99, exige a satisfação dos aspectos temporal, pessoal e material. Exclusivamente no caso em que a investida adquire a investidora original (ou adquire diretamente a investidora de fato) é que haverá o atendimento a esses aspectos, tendo em vista a ausência de normatização própria que amplie os aspectos pessoal e material a outras pessoas jurídicas ou que preveja a possibilidade de intermediação ou de interposição por meio de outras pessoas jurídicas. Não há previsão legal, no contexto dos artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/1997 e dos artigos 385 e 386 do RIR/99, para transferência de ágio por meio de interposta pessoa jurídica da pessoa jurídica que pagou o ágio para a pessoa jurídica que o amortizar, que foi o caso dos autos, sendo indevida a amortização do ágio pela recorrida. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL A decisão prolatada no lançamento matriz estendese ao lançamento decorrente, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 MULTA QUALIFICADA. MATÉRIA NÃO EXAMINADA NA FASE DE RECURSO VOLUNTÁRIO. Uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa qualificada, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essa matéria no recurso voluntário. Recurso Especial do Procurador Provido. No que diz respeito à multa qualificada, a decisão foi pelo retorno dos autos à esta Turma para novo julgamento. Transcrevo abaixo a referida decisão: Fl. 3856DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.853 9 Multa qualificada Importante observar que o acórdão recorrido, em razão de suas próprias conclusões cancelando o lançamento, não adentrou na análise da multa qualificada. Essa matéria foi argüida em sede de recurso voluntário, mas seu exame ficou prejudicado naquela oportunidade. Assim, uma vez restabelecidas as autuações fiscais, deverá haver julgamento quanto à multa qualificada, fazendose necessário o retorno à Turma a quo para análise dos pontos específicos suscitados em relação a essa matéria no recurso voluntário. Desse modo, voto no sentido de: DAR provimento ao recurso especial da PGFN, restabelecendo a autuação fiscal pela glosa da despesa de amortização de ágio e seus reflexos tributários; e DETERMINAR o retorno dos autos à Turma a quo, para prolação de nova decisão quanto a. multa qualificada, após ser dada ciência às partes desta decisão. É o relatório. Fl. 3857DF CARF MF 10 Voto Conselheiro Demetrius Nichele Macei Relator Tratase de recurso voluntário que voltou para novo julgamento nesta Turma em razão de reforma do v. acórdão nº 1402001.310 (05/12/2012 – efl.3.378), pelo v. acórdão nº 9101002.188 (20/01/2016 – efl. 3.683), o qual deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Especial interposto pela PGFN (efl.3.388), reconhecendo como indevida a utilização de despesa com amortização de ágio no caso concreto, de tal forma que fazse necessário o exame de argumentos trazidos pela Recorrente em Recurso Voluntário (efl. 3.035) que deixaram de ser apreciados quando do primeiro julgamento, a saber: qualificação de multa ofício e incidência de juros sobre multa. Partindose, então, de tal premissa, passo a apreciação da qualificação da multa de ofício. MULTA QUALIFICADA Segundo o TVF (efl. 1.769), a motivação para a qualificação da multa seria a ocorrência de fraude, prevista no artigo 72, da Lei nº 4.502/64. Mais especificamente, a autoridade fiscal procurou demonstrar o cabimento da fraude com a seguinte justificativa (efl. 1.770): 133. Não cabe à companhia invocar desconhecimento ou prática de erro escusável: nem quando foi criada a empresa Delta para carrear o ágio, nem quando ele começou a ser amortizado, nem em qualquer outro momento anterior ou posterior, pois esse ágio gerado na aquisição da participação societária da fiscalizada foi transferido para ela própria, mediante a utilização de empresa criada unicamente para esse fim – a Delta. 134. A contribuinte estava perfeitamente consciente da falta de propósito negocial ou societário na incorporação realizada, à luz do ar. 966 do Código Civil, ficando caracterizada a utilização da incorporada como mera “empresa veículo” para transferência do ágio para a incorporadora, apenas com o fim almejado de redução do valor tributável pela amortização do ágio surgido na aquisição da Biosintética pela Aché. 135. Para permitir a incorporação de pessoas jurídicas, e procurar se enquadrar no disposto no art. 8º, Lei nº 9.532/97, foi criada uma empresa veículo, sem qualquer outro propósito que não a redução do valor dos tributos devidos. Empresa que, em seu curto período ativo, não incorreu em custos, despesas ou receitas, apresentando apenas a movimentação decorrente do pretenso investimento na Biosintética Farmacêutica Ltda e seu ágio. 136. Pelo exposto, fica patente a caracterização do intuito fraudulento, justificandose plenamente a aplicação da multa qualificada. Fl. 3858DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.854 11 A DRJ, no v. acórdão nº 1634.315 (efl. 3.106), proferiu entendimento compatível com o exarado pelo TVF, ou seja, pautado na ausência de propósito negocial na constituição da Delta Participações, que serviu apenas como “empresa veículo” para a transferência do ágio pago pelo Aché Laboratórios para a Recorrente. Em sua defesa, a Recorrente alega não ter praticado nenhum comportamento delituoso ou ato ilícito, como a emissão de documentos falsos, inidôneos, alterados, ou mesmo, constituído empresas fantasmas. Também ressalta o fato de que, em momento algum, a fiscalização questionou a legitimidade dos atos societário operados pela autuada. Ainda, como justificativa para afastar a qualificação da multa, a Recorrente destaca o fato de tal agravamento resultar de divergência interpretativa quanto as normas aplicáveis, haja vista o mesmo tipo de procedimento adotado por ela já ter sido aceito pela jurisprudência do CARF em situações análogas; traz exemplos de tais decisões. Com razão a Recorrente. Esclareço. Primeiramente, é necessário registrar que em 2017, mais especificamente na sessão de 16 de maio, pronuncieime sobre esta mesma questão, em relação aos mesmos fatos e contribuinte (operações societárias e fiscais), no v. acórdão nº 1402002.500 e, naquele momento, afastei a qualificação da multa, que inclusive, lá, sequer tinha sido mantida pela DRJ, razão pela qual foi apreciada a questão do agravamento da penalidade em sede de Recurso de Ofício. Para que fique mais claro, adoto, a seguir, a fundamentação que lá manifestei. A qualificação da multa de ofício foi afastada pela r. decisão da DRJ do Rio de Janeiro uma vez que, nos termos do v. acórdão recorrido, não se ter verificado intuito de fraude nas operações societárias realizadas pelo contribuinte, razão da existência do recurso de ofício. Compulsando os autos, notadamente o Relatório de Ação Fiscal Tributária, constatouse que a fiscalização, em nenhum momento, individualizou conduta dolosa de quaisquer dirigentes da Recorrente no sentido de determinar, conscientemente, a realização dos atos societários que redundaram na contabilização de ágio gerado e sua amortização como despesa dedutível, reduzindo o IRPJ e CSLL a pagar. Ao contrário, a autoridade fiscal dedicou pouco mais de uma folha e meia (das 39 páginas do TVF) para fundamentar e justificar a qualificação da multa. Sustentou que houve fraude, mediante dolo, mas não individualizou nenhuma conduta. O único indicativo neste sentido está na Representação Fiscal para fins penais, que se encontra em apenso ao presente processo. Sem ingressar no mérito, alheio à competência deste colegiado, a representação afirma que todos os diretores da empresa seriam responsáveis pelo simples fato de serem diretores à época dos fatos, o que me parece enfraquecer ainda mais o auto de infração, no que tange à qualificadora. Aliás, a autuação não é apenas omissa, mas incongruente, pois se houve menção e qualificação expressa das pessoas físicas responsáveis na representação para fins penais, a lógica seria obviamente responsabilizálos sob o ponto de vista tributário, cujos requisitos são menos rigorosos do que os previstos na legislação penal. Fl. 3859DF CARF MF 12 Não restou demonstrada a intenção do contribuinte, através de seus dirigentes, no sentido de sonegar total ou parcialmente o tributo. Não há prova da existência da fraude. Ao contrário, verificase que todos os atos societários praticados pelo contribuinte estão em conformidade com a legislação societária vigente, devidamente registrados na Junta Comercial competente, tanto que, por ocasião do julgamento do Processo Administrativo nº 16643.720001/2011 18, materializado no acórdão nº 1402001.310, de 05 de dezembro de 2012, esta Turma deu provimento, por unanimidade de votos, ao recurso voluntário do contribuinte para o ágio em si, nem cogitando a ideia de multa, quiçá qualificada. De se observar, ainda, que é lícito ao contribuinte organizar a sua atividade empresarial de maneira livre, desde que respeitados os limites legais. O uso abusivo desse direito, por meio da utilização de empresa veículo, por exemplo, pode dar razão ao fisco para a autuação, mas por si só não traz a reboque a qualificação da multa, sem que haja a demonstração inequívoca dos elementos qualificadores. Da mesma forma, não se trata aqui do chamado "ágio interno", ou de criação fictícia de ágio, mas sim operação societária abusiva para a amortização do mesmo em dissonância com o posicionamento da fiscalização. (Grifos meus) A título exemplificativo, tomese o Acórdão 9101003.374 (Sessão: 19 de janeiro de 2018), em que fui relator designado, ressaltandose que a fundamentação deste precedente auxilia, e muito, no delineamento das motivações para a desqualificação da multa de ofício, razão pela qual o colaciono abaixo: Tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo específico apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. Entendo correta a tese suscitada pela recorrente de que seria aplicável ao caso o conceito de erro de proibição, existente no direito penal. Sempre é bom lembrar que à época em que o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes deu início à mudança de sua antiga jurisprudência, que seguia a corrente da estrita legalidade, bastando que os atos ou negócios jurídicos fossem realizados de acordo com as formalidades previstas em lei, o novo tribunal que o sucedeu CARF passou a adotar o entendimento encampado neste voto, no sentido de que a legalidade dos atos é condição essencial para que a conduta do contribuinte possa ser considerada lícita, mas não suficiente para que se conclua que os efeitos resultantes de seu conjunto estejam em conformidade com o ordenamento jurídico. O planejamento tributário se caracteriza, na maior parte das situações, pelo seu caráter preventivo. Isto significa que as diversas alternativas existentes são analisadas e avaliadas antes da ocorrência do fato gerador do tributo. Desse modo, o contribuinte que pretende planejar, com vistas à economia de impostos, terá de dirigir a sua atenção para o período anterior à ocorrência do fato gerador e nesse período adotar as opções legais disponíveis. Fl. 3860DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.855 13 Alguns autores utilizam expressões para definir o tipo de ato praticado pelo contribuinte. Temos, basicamente: elisão, evasão e elusão. A elisão poderia ser definida como as opções legítimas que o ordenamento apresenta ao contribuinte, já a elisão com abuso de direito, ou elusão, se restringiria aos casos em que o contribuinte, utilizandose de liberdades negociais, utiliza negócio jurídico legítimo e válido, mas com causa alheia àquela natural do negócio, com o intuito único de economia tributária. Já a chamada evasão se dá após a ocorrência do fato gerador, consistindo em sua ocultação "com o objetivo de não pagar o tributo devido de acordo com a lei, sem qualquer modificação na estrutura da obrigação ou na responsabilidade do contribuinte.[...] Compreende a sonegação, a simulação, o conluio e a fraude contra a lei, que consistem na falsificação de documentos fiscais, na prestação de informações falsas ou na inserção de elementos inexatos nos livros fiscais, com o objetivo de não pagar o tributo ou de pagar importância inferior à devida. No caso concreto, não há dúvidas de que a conduta praticada pelo contribuinte enquadrase no conceito de elisão abusiva (ou se preferir, elusão), uma vez que as provas indicam que todos os atos foram praticados antes da ocorrência do fato gerador, devidamente contabilizados e calcados em documentos formalmente corretos, e, nesse cenário, quer se enquadre tal conduta como abuso de direito (o que implica a requalificação dos fatos). Uma vez prevalecendo a interpretação fiscal, está o contribuinte sujeito a punição severa, típica da repressão tributária, que como é notório, é muito superior ao descumprimento das obrigações de outra natureza (civil, administrativa etc). Contudo, a mera divergência interpretativa não pode agravar ainda mais a situação do contribuinte. O erro não pode equipararse ao dolo. E o erro, em matéria tributária, já é punido de forma exemplar. Entendo que, além do exame do caso concreto, é preciso entender a realidade empresarial de Cias. de grande porte, como é o caso do contribuinte em questão. Não podemos presumir que Cias. assim sejam imaculadas. Mas por outro lado, podemos sim presumir que o controle sobre elas é muito mais rigoroso que as demais. Sujeitamse a regras do mercado aberto de capitais, e por essa razão à auditoria independente e consultorias de diversos níveis, conselhos de administração, fiscais, comitês diversos... Assim, é temerário imaginar que neste cenário de intenso controle e sobrecontrole, uma Cia. de grande porte tal qual o contribuinte possa agir sem o acompanhamento e a opinião de empresas internacionais renomadas, sobretudo em planejamentos dessa natureza. O contribuinte, neste caso, teve a má sorte de adotar interpretação que, mesmo "avalizada" por experts, não coincidiu com aquela dada pela fiscalização, nos cinco anos seguintes. E mesmo num pensamento mais rigoroso, em que o contribuinte teve a intenção declarada de única e tão somente "economizar tributo", o que não teria nada a ver com azar, mas com conduta deliberadamente contra os interesses da Receita Federal, ainda assim, entendo não presentes os elementos qualificadores. Aliás, aqui há um paradoxo: quanto mais declarada Fl. 3861DF CARF MF 14 a intenção do contribuinte num determinado sentido, maior as chances de não haver fraude.. Fraude se alia a conceitos de subterfúgio, de subtração, de declaração falsa, de agir às escondidas, camufladamente... Não há deste modo que se falar em sonegação (art. 71 da Lei n° 4.502/64), uma vez que todos os atos foram devidamente declarados à Receita Federal, excluindose a possibilidade de ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais. Portanto, tratandose de planejamento tributário, ainda que abusivo, entendo não restar caracterizado o dolo apto a ensejar a qualificação da penalidade, mormente quando não há ocultação da prática e da intenção final dos negócios levados a efeito. (Grifos meus) Diante do exposto, afasto a qualificação da multa de ofício, por não entender ter se configurado o intuito fraudulento no caso concreto, posto que compreensível o modus operandi da Recorrente quanto ao procedimento que a levou a amortizar o ágio, já que pautou seu comportamento na jurisprudência e legislação vigentes à época da execução dos atos aqui questionados pela fiscalização, que inclusive, não questionou a legitimidade dos atos societários praticados pela contribuinte, restando suficiente a aplicação da multa de ofício no importe de 75%. JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO Ainda, não restou analisado no v. acórdão nº 1402001.310 a questão atinente aos juros de mora sobre a multa de ofício. A Recorrente alega ser ilegítima a incidência dos juros moratórios sobre a multa punitiva, afirmando que o CARF tem interpretado o artigo 61, da Lei nº 9.430/96 no sentido de que os juros moratórios somente podem incidir sobre a exigência da multa isolada, jamais sobre a multa de ofício. Entendo, neste ponto, não assistir razão a Recorrente. Como tal tema é bastante recorrente neste Conselho e como já me pronunciei sobre ele inúmeras vezes, repiso abaixo a fundamentação utilizada em dois acórdãos nos quais fui relator (acórdãos nº 1402002.323 Sessão: 04 de outubro de 2016 e 1402002.721 Sessão: 15 de agosto de 2017, respectivamente): No que se refere ao tema, porém, sendo pacífico o entendimento desta Turma Julgadora, cabe simplesmente registrar que a jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa, como se pode ver abaixo em julgados recentes de todas as turmas da CSRF: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma) JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. Fl. 3862DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.856 15 TAXA SELIC.A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. (Acórdão 9202003.821, CSRF 2ª Turma) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). A respeito do tema, curvome ao entendimento consagrado pela Câmara Superior de Recursos Ficais deste Conselho, e refletido no acórdão n° 910100539, de 11/03/2010, de lavra da Conselheira Viviane Vidal Wagner, in verbis: O conceito de crédito tributário, nos termos do art. 139 do CTN, comporta tanto tributo quanto penalidade pecuniária. Uma interpretação literal e restritiva do caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96, que regula os acréscimos moratórios sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, pode levar à equivocada conclusão de que estaria excluída desses débitos a multa de ofício. Contudo, uma norma não deve ser interpretada isoladamente, especialmente dentro do sistema tributário nacional. No dizer do jurista Juarez Freitas (2002, p.70), "interpretar uma norma é interpretar o sistema inteiro: qualquer exegese comete, direta ou obliquamente, uma aplicação da totalidade do direito". Merece transcrição a continuidade do seu raciocínio: "Não se deve considerar a interpretação sistemática como simples instrumento de interpretação jurídica. É a interpretação sistemática, quando entendida em profundidade, o processo hermenêutico por excelência, de tal maneira que ou se compreendem os enunciados prescritivos nos plexos dos demais enunciados ou não se alcançará compreendêlos sem perdas substanciais. Nesta medida, mister afirmar, com os devidos temperamentos, que a interpretação jurídica é sistemática ou não é interpretação." (A interpretação sistemática do direito, 3.ed. São Paulo: Malheiros, 2002, p. 74). Daí, por certo, decorrerá uma conclusão lógica, já que interpretar sistematicamente implica excluir qualquer solução interpretativa que resulte logicamente contraditória com alguma norma do sistema. O art. 161 do CTN não distingue a natureza do crédito tributário sobre o qual deve incidir os juros de mora, ao dispor que o crédito tributário não pago integralmente no seu vencimento é acrescido de juros de mora, independentemente dos motivos do inadimplemento. Fl. 3863DF CARF MF 16 Nesse sentido, no sistema tributário nacional, a definição de crédito tributário há de ser uniforme. De acordo com a definição de Hugo de Brito Machado (2009, p.172), o crédito tributário "é o vínculo jurídico, de natureza obrigacional, por força do qual o Estado (sujeito ativo) pode exigir do particular, o contribuinte ou responsável (sujeito passivo), o pagamento do tributo ou da penalidade pecuniária (objeto da relação obrigacional)." A obrigação tributária principal referente à multa de ofício, a partir do lançamento, convertese em crédito tributário, consoante previsão do art. 113, §1°, do CTN: Art. 113 A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1° A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito tributário dela decorrente. (destacouse) A obrigação principal surge, assim, com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, o que inclui a multa de ofício proporcional. A multa de ofício é prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, e é exigida "juntamente com o imposto, quando não houver sido anteriormente pago''" (§1°). Assim, no momento do lançamento, ao tributo agregase a multa de ofício, tornandose ambos obrigação de natureza pecuniária, ou seja, principal. A penalidade pecuniária, representada no presente caso pela multa de ofício, tem natureza punitiva, incidindo sobre o montante não pago do tributo devido, constatado após ação fiscalizatória do Estado. Os juros moratórios, por sua vez, não se tratam de penalidade e têm natureza indenizatória, compensarem o atraso na entrada dos recursos que seriam de direito da União. A própria lei em comento traz expressa regra sobre a incidência de juros sobre a multa isolada. Eventual alegação de incompatibilidade entre os institutos é de ser afastada pela previsão contida na própria Lei n° 9.430/96 quanto à incidência de juros de mora sobre a multa exigida isoladamente. O parágrafo único do art.43 da Lei n° 9.430/96 estabeleceu expressamente que sobre o crédito tributário constituído na forma do caput incidem juros de mora a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. O art. 61 da Lei n° 9.430, de 1996, ao se referir a débitos decorrentes de tributos e contribuições, alcança os débitos em geral relacionados com esses tributos e contribuições e não apenas os relativos ao principal, entendimento, dizia então, reforçado pelo fato de o art. 43 da mesma lei prescrever expressamente a incidência de juros sobre a multa exigida isoladamente. Nesse sentido, o disposto no §3° do art. 950 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99) exclui a equivocada interpretação de que a multa de mora prevista no caput do art. 61 da Lei n° 9.430/96 poderia ser aplicada concomitantemente com a multa de ofício. Fl. 3864DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.857 17 Art. 950. Os débitos não pagos nos prazos previstos na legislação específica serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento por dia de atraso (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61). §1°A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do imposto até o dia em que ocorrer o seu pagamento (Lei n° 9.430, de 1996, art. 61, §1°). §2°O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento (Lei n°9.430, de 1996, art. 61, §2°). §3°A multa de mora prevista neste artigo não será aplicada quando o valor do imposto já tenha servido de base para a aplicação da multa decorrente de lançamento de ofício. A partir do trigésimo primeiro dia do lançamento, caso não pago, o montante do crédito tributário constituído pelo tributo mais a multa de ofício passa a ser acrescido dos juros de mora devidos em razão do atraso da entrada dos recursos nos cofres da União. No mesmo sentido já se manifestou a Câmara Superior de Recursos Fiscais quando do julgamento do Acórdão n° CSRF/0400.651, julgado em 18/09/2007, com a seguinte ementa: JUROS DE MORA MULTA DE OFÍCIO OBRIGAÇÃO PRINCIPAL A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de ofício proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Cabe referir, ainda, a Súmula CARF n° 5: "São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral." Diante da previsão contida no parágrafo único do art. 161 do CTN, buscase na legislação ordinária a norma complementar que preveja a correção dos débitos para com a União. Para esse fim, a partir de abril de 1995, temse a taxa Selic, instituída pela Lei n° 9.065, de 1995. No âmbito do Poder Judiciário, a jurisprudência é forte no sentido da aplicação da taxa de juros Selic na cobrança do crédito tributário, como se vê no exemplo abaixo: REsp 1098052 / SP RECURSO ESPECIAL 2008/02395728 Relator(a) Ministro CASTRO MEIRA (1125) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 04/12/2008 Data da Publicação/Fonte DJe 19/12/2008 Ementa PROCESSUAL CIVIL. OMISSÃO. NÃO OCORRÊNCIA. LANÇAMENTO. DÉBITO DECLARADO E NÃO PAGO. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO. DESNECESSIDADE. TAXA SELIC. LEGALIDADE. É infundada a alegação de nulidade por maltrato ao Fl. 3865DF CARF MF 18 art. 535 do Código de Processo Civil, quanto o recorrente busca tão somente rediscutir as razões do julgado. Em se tratando de tributos lançados por homologação, ocorrendo a declaração do contribuinte e na falta de pagamento da exação no vencimento, a inscrição em dívida ativa independe de procedimento administrativo. É legítima a utilização da taxa SELIC como índice de correção monetária e de juros de mora, na atualização dos créditos tributários (Precedentes: AgRg nos EREsp 579.565/SC, Primeira Seção, Rel. Min. Humberto Martins, DJU de 11.09.06 e AgRg nos EREsp 831.564/RS, Primeira Seção, Rel. Min. Eliana Calmon, DJU de 12.02.07). No âmbito administrativo, a incidência da taxa de juros Selic sobre os débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal foi pacificada com a edição da Súmula CARF n° 4, de observância obrigatória pelo colegiado, por força de norma regimental (art. 72 do RICARF), nos seguintes termos: Súmula CARF n° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. No mesmo sentido, aliás, tem decidido o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa abaixo reproduzida: DIREITO TRIBUTÁRIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA FISCAL PUNITIVA. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. Precedentes citados: REsp 1.129.990PR, DJe 14/9/2009, e REsp 834.681MG, DJe 2/6/2010. AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012. (...) (Grifos no original) Assim, afasto a alegação da Recorrente de que não seriam cabíveis os juros de mora sobre a multa de ofício. Os juros moratórios, como restou comprovado, incidem sobre a multa de ofício, como é pacífico na legislação e na jurisprudência deste Conselho e do STJ. Diante do exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário da contribuinte em epígrafe, para reduzir a multa qualificada ao percentual de 75%, por entender não ter se caracterizado o intuito fraudulento no caso concreto e manter a incidência dos juros de mora sobre multa de ofício. É o voto. (assinado digitalmente) Demetrius Nichele Macei Fl. 3866DF CARF MF Processo nº 16643.720001/201118 Acórdão n.º 1402003.120 S1C4T2 Fl. 3.858 19 Fl. 3867DF CARF MF
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Numero do processo: 10320.004200/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 25 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008
CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OPTANTE SIMPLES NACIONAL.
Os optantes pelo Simples Nacional estão dispensados do pagamento das contribuições destinas a terceiros, forte no § 3º do art. 13 da Lei Complementar nº 123/06.
Numero da decisão: 2402-006.100
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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OPTANTE SIMPLES. Recorrente RECANTO DA ILHA REFEIÇÕES E DIVERSOES LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES DESTINADAS A TERCEIROS. OPTANTE SIMPLES NACIONAL. Os optantes pelo Simples Nacional estão dispensados do pagamento das contribuições destinas a terceiros, forte no § 3º do art. 13 da Lei Complementar nº 123/06. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 42 00 /2 00 9- 19 Fl. 130DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10320.004200/200919 Acórdão n.º 2402006.100 S2C4T2 Fl. 131 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) DRJ/BSB, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.255.0860 (fls. 2/25), no qual foram lançados valores referentes às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros): FNDE, SESC, SENAC, SEBRAE e INCRA, relativos aos períodos compreendidos entre 07/2007 a 12/2008. Consta do relatório fiscal que o recorrente foi excluído do Simples em 30/06/2007, todavia, continuou informando referida opção em GFIP, o que ensejou o recolhimento a menor das contribuições objeto do lançamento. Apesar de impugnada (fls. 41/43), a exigência foi mantida no julgamento de primeira instância (fls. 47/52), motivando a interposição de recurso voluntário em 28/10/2011 (fls. 74/77) , no qual foi arguído, em síntese: que a empresa possui um processo em trâmite na Delegacia da Receita Federal de Julgamentos em Fortaleza/CE, sob o n° 10320.003088/200737 e que até a presente data não houve julgamento de seu mérito, sendo esse processo relativo à adesão ao Simples Nacional; que a situação da empresa em relação ao Simples Nacional está pendente, faltando julgamento de mérito. Requer o sobrestamento do presente auto de infração, até que haja decisão de mérito no processo n° 10320.003088/200737. Mediante a prolação em 16/04/2014 da Resolução nº 2402000.441 (fls. 110/112), esta Turma resolveu converter o julgamento em diligência, para que fossem baixados os autos à origem, e o fiscal autuante informasse (i) se o processo 10320.003088/200737 foi definitivamente julgado e realmente se trata do processo de exclusão da recorrente do Simples (ii) juntasse aos autos cópia da última decisão/acórdão que transitou em julgado administrativamente. Cumprida a diligência solicitada (fls. 116/122), retornou o feito ao Colegiado para prosseguimento. É o relatório. Fl. 132DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como visto, versam os presentes autos sobre autuação de contribuições destinadas a terceiros, referente às competências julho de 2007 a dezembro de 2008. O lançamento foi efetuado para prevenir a decadência, eis que estava sob discussão administrativa no bojo do processo nº 10320.003088/200737, à época, ser ou não o contribuinte optante do Simples Nacional. Todavia, em atendimento à Resolução nº 2402000.441, a DRF/SLS/MA assim se esclareceu (fl. 116): Em atendimento à solicitação de diligência na Resolução 2402.000.041 da 4ª. Câmara de Julgamento/ 2ª. Turma Ordinária do CARF, temos a informar que o processo 10320.003088/200737 foi definitivamente julgado, através do Acórdão nº 08.22.676 a 4ª. Turma da Delegacia de Julgamento de FortalezaCE em sessão de 24 de janeiro de 2012 julgou procedente a manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de opção para o SIMPLES e deferiu o pedido de inclusão do contribuinte no SIMPLES Nacional, retroativamente a 1º de julho de 2007, conforme cópia anexa. De fato, compulsando tal decisão (fls. 117/122), definitiva no âmbito administrativo, verificase que o contribuinte foi incluído no Simples Nacional retroativamente a 1º de julho de 2007, não estando mais sujeito ao recolhimento das contribuições destinadas a terceiros objeto do auto ora questionado, forte no § 3º do art. 13 da Lei Complementar nº 123/06: LC nº 123/06 Art. 13. O Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante documento único de arrecadação, dos seguintes impostos e contribuições: (...) § 3o As microempresas e empresas de pequeno porte optantes pelo Simples Nacional ficam dispensadas do pagamento das demais contribuições instituídas pela União, inclusive as contribuições para as entidades privadas de serviço social e de formação profissional vinculadas ao sistema sindical, de que trata o art. 240 da Constituição Federal, e demais entidades de serviço social autônomo. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10320.004200/200919 Acórdão n.º 2402006.100 S2C4T2 Fl. 132 5 Restando assim insubsistente o suporte fáticojurídico do lançamento, impende cancelar a exigência fiscal. Ante o exposto, voto por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 134DF CARF MF
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Numero do processo: 10746.900588/2011-02
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.589
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Henrique Silva Figueiredo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO HENRIQUE SILVA FIGUEIREDO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias, Lizandro Rodrigues de Sousa (suplente convocado) e Luiz Tadeu Matosinho Machado. Relatório Tratase de Recurso interposto em relação ao Acórdão nº 0350.432, de 31 de janeiro de 2013, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (fls. 92 a 99), que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. O presente processo cuida da Declaração de Compensação (DCOMP) nº 19589.56573.200907.1.3.041828 (fls. 23 a 28), por meio da qual a contribuinte compensou débito de sua responsabilidade referente à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 00 58 8/ 20 11 -0 2 Fl. 208DF CARF MF Processo nº 10746.900588/201102 Resolução nº 1302000.589 S1C3T2 Fl. 209 2 terceiro trimestre de 2007, no valor de R$ 240,87, com crédito decorrente de suposto pagamento indevido ou a maior relativo à mesma contribuição. O crédito em questão, no valor de R$ 184,73, originarseia de pagamento efetuado em 28/07/2005, no montante de R$ 1.782,28; e não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 15, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Cientificado, o sujeito passivo apresentou a Manifestação de Inconformidade de fls. 2 a 14, na qual sustentou que, por equívoco, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), relativa ao anocalendário de 2005, e na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), referente ao segundo trimestre do citado ano calendário, informou débito a título de CSLL, regime de apuração baseado no Lucro Presumido, calculado a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta. Contudo, em decorrência da sua atividade, estaria sujeito à CSLL, sobre o Lucro Presumido, calculada com base na aplicação da alíquota de 12% sobre a sua receita bruta. Invocou o princípio da verdade material e apresentou elementos que, no seu entender, comprovariam o erro de fato e o indébito em questão (DIPJ retificadora, cópias parciais dos livros Diário, Razão e Registro de notas fiscais de serviços prestados, bem como cópias das notas fiscais do período). Relatou, ainda, haver procedido à retificação da DIPJ referente ao ano calendário de 2005, e apresentou diversas decisões de Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento que respaldariam o crédito pleiteado. Em dezembro de 2012, o sujeito passivo apresentou o documento de fls. 90 e 91, intitulado "Resumo do Manifesto de Inconformidade P.J.", no qual, além de reiterar os termos da sua Manifestação Inconformidade, esclarece que deixou de retificar a DCTF do 2º trimestre de 2005, uma vez que, no momento em que constatou a necessidade de tal retificação, já se teria operado a decadência do seu direito de alterar o referido documento. A decisão de primeira instância (fls. 92 a 99) considerou que a Recorrente não havia apresentado documentação suficiente capaz de "demonstrar a natureza das atividades a que se referiram os rendimentos declarados e que poderia esclarecer qual(is) o(s) correto(s) percentual(is) aplicável(is), se de 12%, tal como pretendido, se de 32%, ou mesmo de percentuais diversificados, conforme § 2º do artigo 15 da Lei nº 9.249/95", de modo que o alegado indébito não se revestiria da liquidez e certeza necessárias ao reconhecimento do direito creditório, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou, ainda, que as decisões administrativas colecionadas pela pessoa jurídica não possuíam caráter de normas complementares, nem efeitos vinculantes. Deste modo, não reconheceu o direito creditório do sujeito passivo. Após a ciência, comprovada às fls. 100/101, foi interposto o Recurso de fls. 103 a 114, por meio do qual a Recorrente, após reiterar as razões contidas na Manifestação de Inconformidade, sustenta que tem como cliente contratante, na maioria dos serviços prestados, o Poder Público, sendo a prática e costume os contratos de obras públicas serem formalizados sob a sistemática da empreitada global. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 10746.900588/201102 Resolução nº 1302000.589 S1C3T2 Fl. 210 3 Aduz que os documentos já apresentados, em especial as notas fiscais de serviço, são elementos hábeis a demonstrar se tratar de serviços prestados com fornecimento de material. Invoca a aplicação do princípio in dúbio pro contribuinte (calcado no art. 112, inciso II, do CTN) ou, ainda, a realização de diligência para juntada aos autos dos contratos de prestação de serviço. Contudo, com base no art. 16, §4º, alínea c, do Decreto nº 70.235, de 1972, combinado com o §5º do referido dispositivo, já traz aos autos os mencionados contratos de prestação de serviço, que comprovariam o direito pleiteado. É o Relatório. Voto Conselheiro Paulo Henrique Silva Figueiredo Relator Como já relatado, tratase de Declaração de Compensação (DComp) referente a pagamento efetuado, em 28/07/2005, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativo ao 2ª trimestre do anocalendário de 2005. O crédito compensado decorreria do fato de a Recorrente haver confessado na DCTF e recolhido a CSLL, apurada sob o regime de apuração baseado no Lucro Presumido, a partir da aplicação do percentual de 32% sobre a sua receita bruta, quando, em decorrência da receita se referir à atividade de construção civil com fornecimento de material, o percentual aplicável para a determinação do Lucro Presumido ser o de 12%, conforme art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995. O direito creditório invocado não foi reconhecido pelo Despacho Decisório de fl. 15, por se encontrar inteiramente utilizado para quitação de débito da contribuinte, de modo que a compensação declarada não foi homologada. Por outro lado, a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo foi julgada improcedente por se considerar que os elementos juntados aos autos não são suficientes para comprovar que os serviços prestados pela Recorrente incluem o fornecimento de todo o material necessário à sua realização. Nos termos do art. 20 da Lei nº 9.249, de 1995, a base de cálculo da CSLL devida pelas pessoas jurídicas que apuram o IRPJ com base no Lucro Presumido, corresponderá a doze por cento da receita bruta, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do § 1º do art. 15 daquele diploma legal, dentre as quais se inclui a prestação de serviços em geral, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. O citado art. 15 foi interpretado pelo Ato Declaratório Normativo Cosit nº 6, de 1997, que esclareceu que, para a determinação da base de cálculo do IRPJ mensal, a construção por empreitada com emprego de qualquer quantidade de materiais se sujeitaria ao percentual de 8% (oito por cento), enquanto incidiria o percentual de 32% (trinta e dois por cento) sobre a receita das atividades de construção por empreitada unicamente de mãodeobra. Fl. 210DF CARF MF Processo nº 10746.900588/201102 Resolução nº 1302000.589 S1C3T2 Fl. 211 4 A Instrução Normativa SRF nº 93, de 24 de dezembro de 1997, tratava do assunto, nos mesmos moldes do ADN mencionado. Aquele entendimento vigorou até a edição da Instrução Normativa SRF nº 480, de 15 de dezembro de 2004, que definiu como "construção por empreitada com emprego de materiais, a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra". (Destacouse) No caso sob exame, tratandose do anocalendário de 2005, aplicase, portanto, o entendimento que exige o fornecimento de todos os materiais, para a aplicação do percentual favorecido na determinação da base de cálculo da CSLL. A questão que se põe, portanto, é saber se as provas documentais apresentadas pelo sujeito passivo são (ou não) suficientes para comprovar que as receitas tributadas no trimestre em questão se referem a serviços de construção civil prestados com o fornecimento de material. Ocorre que, previamente à apreciação do Recurso, fazse necessário esclarecimento. É que, dentre os contratos apensados ao Recurso, constatase a existência de instrumentos firmados com a mesma Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178 (fls. 151/157, 161/166, 184/193 e 197/202). Por outro lado, os Aditivos de fls. 158/159, 194/195 e 203/204, aos contratos de fls. 151/157, 184/193 e 197/202, respectivamente, são firmados com a própria Recorrente. Do mesmo modo, vêse que notas fiscais são emitidas pela Recorrente, em relação aos contratos firmados com a Construtora Monte do Carmo Ltda, e que os valores das referidas receitas estão contabilizadas nos Livros contábeis e fiscais juntados pela Recorrente, e foram considerados na apuração da CSLL devida no período em questão. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne à Unidade de origem (DRF/PalmasTO), para que: a) intime o sujeito passivo a esclarecer a existência de notas fiscais e contratos referentes à Construtora Monte do Carmo Ltda, CNPJ nº 01.919.293/000178, na base de cálculo utilizada para a determinação da CSLL relativa ao 2º trimestre do anocalendário de 2005 e do indébito de que trata o presente processo; b) informe os valores efetivamente recolhidos pela Recorrente, a título de CSLL, em relação ao referido período de apuração, detalhando a eventual utilização/disponibilidade dos pagamentos efetuados; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, bem como se manifestando em relação aos esclarecimentos prestados pelo sujeito passo, que deve ser cientificado do resultado, com a concessão de prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado. Fl. 211DF CARF MF Processo nº 10746.900588/201102 Resolução nº 1302000.589 S1C3T2 Fl. 212 5 (assinado digitalmente) Paulo Henrique Silva Figueiredo Fl. 212DF CARF MF
score : 1.0
