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Numero do processo: 13956.000073/2003-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/10/2002
CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS.
Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso.
Embargos rejeitados.
Numero da decisão: 3802-002.355
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator designado e presidente em exercício.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma).
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/10/2002 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitam-se os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/10/2002 CONTRADIÇÃO NO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO REJEITADOS. Rejeitamse os embargos de declaração quando não caracterizada a aduzida contradição na decisão recorrida, fundamento único do recurso. Embargos rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos formulados pela Fazenda Pública, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator designado e presidente em exercício. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Adriene Maria de Miranda Veras, Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios e Waldir Navarro Bezerra. Ausente justificadamente a conselheira Mércia Helena Trajano Damorim (presidente da turma). Relatório Em sessão transcorrida em 08 de dezembro de 2010, esta Segunda Turma Especial, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo nos termos do acórdão nº 380200.288, assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 00 73 /2 00 3- 13 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 2 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 31/10/2002 DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO DIVERSAS. MESMO CRÉDITO. REUNIÃO. Os Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas, devem ser reunidos em um único processo administrativo. COMPENSAÇÃO. DÉBITO. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE. A partir de 31/10/2003, com a edição da MP nº 135 – convertida na Lei nº 10.833/03 –, a manifestação de inconformidade e o recurso suspendem a exigibilidade do débito objeto de compensação nãohomologada. Aplicação do princípio tempus regit actum, tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO. Cientificada da referida decisão em 21/09/2011 (vide despacho de encaminhamento de fls. 58), a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, tempestivamente, interpôs embargos de declaração (fls. 60/61) onde alega o seguinte: A decisão fundamentou a suspensão da exigibilidade com base na MP 135/03, posteriormente convertida na Lei n° 10.833/2003, data anterior a intimação do despacho decisório. Dispôs que pelo principio do tempus regit actum, deve ser aplicada a citada lei ao caso concreto tendo como referência a data da intimação do despacho decisório. Ocorre que há contradição no acórdão, pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (30/10/2002) e não a data da intimação do despacho decisório. A declaração de compensação apresentada antes de 30/10/2003, não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído o crédito tributário, e não tem o condão de suspender a exigibilidade do credito. Neste sentido o acórdão nº 280100431 IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE – IRRF. Anocalendário: 2002 2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO APRESENTADA ANTES DE 30/10/2003. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não constituía confissão de divida, razão pela qual deve ser constituído, por meio de lançamento de oficio, o credito tributário relativo aos débitos constantes das declarações de compensação não homologadas até então apresentadas. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. A manifestação de inconformidade contra decisão que considerou não homologada a Declaração de Compensação protocolizada antes de 31/10/2003 não tem o condão de suspender a exigibilidade de crédito tributário lançado em processo distinto. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Ante o exposto, requer a União sejam recebidos e acolhidos os presentes embargos de declaração, para suprir a contradição apontada. Diante da tempestividade do recurso – já que foi observado o prazo de cinco dias contados da ciência do acórdão para a interposição dos embargos de Fl. 78DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS Processo nº 13956.000073/200313 Acórdão n.º 3802002.355 S3TE02 Fl. 65 3 declaração (artigo 65, § 1o, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – aprovado pela Portaria MF no 256, de 22/06/2009) –, os autos foram movimentados para este conselheiro para exame dos argumentos aduzidos pela Fazenda Pública. É o relatório. Voto A Fazenda Nacional, inconformada com a decisão desta Segunda Turma de Julgamento, alega ter havido contradição no acórdão, “[...] pois pelo principio do tempus regit actum, a data a ser considerada seria a do encontro de contas (30/10/2002) e não a data da intimação do despacho decisório”. De fato, ao analisar o pleito, esta Turma entendeu que a nova lei processual “[...] não atinge os atos processuais já praticados, nem seus efeitos, mas se aplica aos atos processuais a praticar, sem limitações relativas às chamadas fases processuais” (conforme extraído de doutrina de Ada Pellegrini Grinover, Cândido R. Dinamarco e Antônio Carlos A. Cintra – Teoria Geral do Processo, 21 ed., 2005, Malheiros: São Paulo, p. 100102). Assim, tendo em conta que o novo regime para as compensações iniciou em 31/10/2003 – data da publicação da MP nº 135/03, posteriormente convertida na Lei nº 10.833/03 – entendeu a Turma, em sintonia com o princípio do tempus regit actum, que a nova norma, de natureza processual na parte que interessa para a lide, deveria ser aplicada a partir da data da intimação do despacho decisório (08/06/2005), quando já vigente a nova sistemática de tratamento das compensações. Com a devida vênia, não há que se falar em contradição no referido acórdão, fundado que está em legítima interpretação da norma por parte do colegiado que julgou a lide. Se a Fazenda Pública não se conforma com aludido entendimento, tem a seu dispor a possibilidade de interpor recurso especial, como faculta o artigo 67 do anexo II do Regimento do CARF. Mas o julgado contestado, definitivamente, não apresenta nenhuma mácula que justifique acolhimento de embargos de declaração, notadamente a contradição a que alude a Fazenda Nacional. Da conclusão Diante do exposto, e considerando que o acórdão recorrido não está eivado de contradição que justifique a oposição de embargos de declaração, voto para que seja rejeitado o recurso formulado pela Fazenda Pública, visto que este carece de pressuposto essencial à sua legitimação. Sala de sessões, em 25 de fevereiro de 2014. Francisco José Barroso Rios – Relator Fl. 79DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS 4 Fl. 80DF CARF MF Impresso em 09/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 18/ 03/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
score : 1.0
Numero do processo: 15586.720260/2011-08
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2008
REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO.
No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES.
Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção.
INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento.
INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP".
Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização.
MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS.
Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção.
DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES.
Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária.
Recurso voluntário provido em parte.
Numero da decisão: 3403-002.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado. OAB/SP nº 154.632.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os bens e serviços que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matéria-prima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não-cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não-cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomando-se como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP". Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime não-cumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratando-se de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2258; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T3 Fl. 4 1 3 S3C4T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.720260/201108 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3403002.758 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 25 de fevereiro de 2014 Matéria COFINS Recorrente ADM DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. CONCEITO. No regime não cumulativo das contribuições o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. FRETES. Os fretes incorridos no transporte de matériaprima entre os armazéns e a fábrica são gastos aptos a gerarem crédito das contribuições no regime não cumulativo por se enquadrarem como custo de produção. INSUMOS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. Nos casos em que a filial do contribuinte, responsável pelos serviços de armazenagem e de embarque das mercadorias, opera com produtos próprios e também presta serviços da mesma natureza a terceiros, o crédito das contribuições no regime não cumulativo em relação à prestação de serviços está contemplado nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, devendo o crédito ser apurado por meio de rateio, tomandose como parâmetro o percentual das mercadorias de terceiros em relação ao volume total das mercadorias movimentadas durante o mês pelo estabelecimento. INSUMOS. SERVIÇOS APLICADOS NA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. "CODESP". Não comprovada a vinculação dos gastos incorridos com a CODESP na prestação de serviços de embarques de mercadorias de terceiros, fica mantida a glosa da fiscalização. MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. AQUISIÇÃO DE PARTES E PEÇAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 72 02 60 /2 01 1- 08 Fl. 871DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Os serviços de manutenção de máquinas e equipamentos e a aquisição de partes e peças só geram direito ao crédito quando esses gastos possam ser enquadrados como custo de produção. DEPRECIAÇÃO DO ATIVO IMOBILIZADO. VAGÕES. Os encargos de depreciação do ativo imobilizado só geram direito ao crédito das contribuições no regime nãocumulativo quando vinculados a bens diretamente empregados na produção. Tratandose de bens empregados no transporte de produtos acabados entre a fábrica e o porto, a depreciação dos vagões não gera direito a crédito. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus da prova dos fatos jurígenos do direito oposto à administração tributária. Recurso voluntário provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Sustentou pela recorrente o Dr. Marcos Vinícius Prado. OAB/SP nº 154.632. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. Relatório Tratase de pedido de ressarcimento de crédito da Cofins nãocumulativa transmitido em 08/07/2008, relativo ao 2º Trimestre de 2008, cumulado com declarações de compensação. Por meio do despacho decisório notificado ao contribuinte em 02/12/2011, a autoridade administrativa reconheceu parcialmente o direito de crédito e homologou parcialmente a compensação. Fl. 872DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 5 3 Foram efetuadas as seguintes glosas no cálculo do crédito: a) Bens utilizados como insumos: foram glosados do cálculo os valores dos insumos empregados no processo produtivo que não exerceram ação direta sobre o produto fabricado e também o crédito tomado com base no custo de aquisição de bens classificados no ativo imobilizado; b) Serviços considerados como insumo: foram glosados os valores dos serviços que não foram diretamente aplicados na produção dos produtos ou na prestação de serviços. Os fretes foram glosados porque se referem a deslocamentos de matériaprima entre o armazém e a fábrica. Dos créditos apropriados pela filial Santos, que atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior (atendendo a própria ADM e também a terceiros), foram glosados os créditos tomados em relação a despesas que a fiscalização não conseguiu correlacionar com serviços prestados a terceiros; c) Créditos sobre a despesa de depreciação de bens do ativo imobilizado: foram glosados os créditos tomados sobre a depreciação de vagões, pois o transporte de produtos ocorre fora da área da fábrica, em fase posterior à produção; d) Crédito presumido da agroindústria: foi glosado o crédito presumido sob a justificativa de que o contribuinte, em vez de adotar o preço consignado nas notas fiscais de aquisição de soja, utilizou como base de cálculo do crédito presumido o valor médio de compra. Também foi glosado o crédito presumido em relação à soja adquirida para revenda, pois a Lei nº 10.925/2004, só autoriza a tomada de crédito em relação às compras para industrialização. Regularmente notificado, o contribuinte apresentou em tempo hábil manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, o seguinte: 1) Conceito de insumo O conceito de insumo para fins de apuração de créditos das contribuições nãocumulativas é mais amplo do que aquele que foi utilizado pela autoridade administrativa. Devem ser considerados todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora porque a materialidade das contribuições é mais próxima da materialidade do IRPJ do que da do IPI, como reconheceu expressamente o próprio art. 27 da IN 900/2008. 2) Crédito sobre fretes Alegou que o transporte de matériaprima entre o armazém e a fábrica é um gasto absolutamente necessário e intrínseco à atividade de produção, pois se não houver essa transferência, não haverá produção. Assim, ao contrário do que sustenta a fiscalização, existe direito ao crédito sobre tais fretes. 3) Crédito sobre serviços portuários Alegou que para garantir que esses créditos sejam apropriados apenas sobre a parcela dos custos incorridos na prestação de serviços a terceiros, adota dois métodos dependendo da natureza dos custos ou despesas. Para os serviços de classificação, inspeção, controle de qualidade, lancha (leitura de calado) e para os valores pagos à Companhia Docas (CODESP), relacionados à quantidade de mercadoria embarcada no porto e ao tempo em que o navio ficou atracado, a segregação dos serviços prestados a terceiros é feita a cada embarque. Fl. 873DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Por outro lado, para custos e despesas não diretamente relacionados aos embarques, tais como almoxarifado, combustíveis, condomínio portuário, manutenção e limpeza, a segregação entre os serviços prestados a terceiros e aqueles prestados à própria ADM é feita com base no volume total movimentado por mês. 4) Serviços de manutenção e reparos e aquisições de partes e peças Tal como ocorre com os fretes, a despeito de os serviços de manutenções e reparos em geral (conta contábil 520018) não serem aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, não há dúvidas de que esses gastos são necessários à atividade da recorrente, garantindo a qualidade e prolongando a prestação desses serviços. Invocou a aplicação das Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e nº 309 de 29/11/2011. 5) Depreciação de itens do ativo imobilizado (vagões) Alegou que o transporte de produtos da fábrica para o porto é essencial às suas atividades fabris, de modo que a depreciação dos vagões deve ser considerada como base para tomada do crédito. Se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/2004 prevê a geração de créditos sobre fretes de produtos acabados, não há motivo para se negar o crédito sobre a depreciação dos vagões que fazem exatamente a mesma função que um transportador terceirizado. 6) Crédito presumido da agroindústria Alegou que a autoridade administrativa não discordou do direito da recorrente ao crédito presumido, apenas discordou do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Explicou que o preço da soja registrado nas notas fiscais emitidas pelos fornecedores não representa o preço da soja, pois o preço efetivo do produto só é conhecido no encerramento do contrato (contratos com preço a fixar). Existe diferença temporal entre o recebimento da soja e a determinação do preço, que somente é ajustado no fechamento do contrato. Assim, o preço consignado na nota fiscal do vendedor pode ser superior ou inferior ao preço que é fixado no fechamento do contrato. Esta forma de contratação é padrão no mercado de commodities e é decorrente da significativa oscilação do preço desse tipo de produto em curtos espaços de tempo. 7) Erros no registro de operações Algumas operações de aquisição de soja foram registradas com CFOP 1102 (compras para comercialização), quando o correto seria com o CFOP 1101 (compras para industrialização). O mero erro material na contabilização, não modifica o fato das aquisições terem sido feitas com o fim de industrialização. A 16ª Turma da DRJ Rio de Janeiro I, julgou a manifestação de inconformidade improcedente. Quanto aos insumos e serviços glosados pela fiscalização, foram aplicados os conceitos estabelecidos nos arts. 8º e 9º da IN 404/2004. Relativamente aos fretes com o transporte de materiais entre estabelecimentos da empresa, a DRJ aplicou a interpretação vertida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 e manteve a glosa efetuada pela fiscalização. Quanto às despesas com serviços de manutenção e reparo e de aquisição de partes e peças (conta 520018) a glosa foi mantida, sob o argumento de que os gastos não foram incorridos diretamente na produção. No que tange aos serviços utilizados como insumo na filial Santos, a glosa foi mantida sob a justificativa de que o art. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 não admitem o rateio de despesas quando a parte da despesa, encargo ou custo é vinculado à prestação de serviços a terceiros e parte é vinculada às despesas de comercialização incorridas pela própria empresa. Em resumo, entendeu a DRJ que não há Fl. 874DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 6 5 previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas comuns, quando uma parte poderia gerar crédito e outra parte são despesas vinculadas à comercialização. Relativamente ao crédito sobre a despesa de depreciação de vagões, entendeu a DRJ que a glosa deveria ser mantida porque os vagões não são empregados diretamente na fabricação dos produtos. No tocante ao crédito presumido, a glosa foi mantida porque a DRJ entendeu que a metodologia empregada pela recorrente afronta o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/2004, uma vez que não considera nem a vinculação com o período de apuração e nem os valores consignados nos documentos fiscais. Por fim, quanto ao erro material que teria sido cometido na contabilização de algumas notas fiscais, entendeu a DRJ que as notas fiscais de produtores rurais do apresentadas não comprovam que as aquisições foram para industrialização e não para consumo. Regularmente notificado do Acórdão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alegou em preliminar a nulidade da decisão recorrida por cerceamento do direito de defesa e, no mérito, reprisou as alegações de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Alegou a recorrente a nulidade do acórdão de primeira instância por falta de motivação e por preterição do direito de defesa. Segundo a recorrente, a impugnação foi detalhada no sentido de demonstrar seu direito aos créditos pleiteados. Foi demonstrado com base na legislação aplicável e nas particularidades de suas atividades a legitimidade dos créditos, mas a DRJ simplesmente desconsiderou as alegações de defesa e proferiu sua decisão de forma desmotivada se limitando a transcrever excertos da legislação. A preliminar deve ser rejeitada, pois o acórdão recorrido escorouse no argumento de que a legislação não prevê o direito de crédito em relação a insumos e serviços indiretos. A decisão recorrida apresenta entendimento explícito no sentido de que as aquisições de insumos, serviços e os encargos de depreciação só geram créditos quando os bens e serviços são aplicados diretamente no produto em fabricação. Especificamente quanto aos fretes, a decisão invocou e adotou a interpretação contida na Solução de Divergência Cosit nº 26/2008 para negar o crédito pleiteado pelo contribuinte, o que atende ao disposto no art. 50, § 1º da Lei nº 9.784/991. 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: (...) § 1º A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 875DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 No que diz respeito à filial Santos, a decisão foi motivada na ausência de previsão legal para a tomada do crédito por meio de rateio de despesas. E quanto à glosa do crédito presumido, a decisão de primeira instância foi fundamentada no fato de o contribuinte ter violado o art. 8º, § 2º, da Lei nº 10.925/04, pois seu procedimento não teria observado a vinculação das aquisições de insumos com o período de apuração do crédito e nem o valor consignado nas notas fiscais. Quantos aos erros materiais alegados, a decisão se fundamentou na falta de provas. Portanto, o contribuinte pode discordar do teor da decisão, mas não tem razão quanto à preliminar de nulidade, pois o acórdão recorrido está motivado e atende ao princípio da persuasão racional do julgador. Preliminar de nulidade rejeitada. BBEENNSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS No que tange aos bens e aos serviços aplicados no processo produtivo da recorrente, a questão consiste em estabelecer se eles podem ou não gerar créditos da contribuição, à luz dos arts. 3º, II das Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Em relação aos bens cujos custos de aquisição foram glosados (ANEXO I), a fiscalização levou em conta o conceito de insumo estabelecido nas normas complementares baixadas pela Receita Federal, as quais, basicamente, adotaram o mesmo conceito de produto intermediário vigente para a legislação do IPI. No caso do IPI são considerados produtos intermediários aptos a gerarem créditos do imposto, apenas aqueles produtos que sofram desgaste, sejam consumidos, ou que sofram perda das propriedades físicas ou químicas em decorrência de ação direta do produto em fabricação (PN CST nº 65/79). A defesa, por seu turno, alegou de forma genérica que os produtos glosados são indispensáveis ao seu processo industrial, enquadrandose perfeitamente ao permissivo legal que dá direito ao crédito. A questão é polêmica, mas uma análise mais detida da Lei nº 10.833/02 revela que o legislador não determinou que o significado do vocábulo “insumo” fosse buscado na legislação deste ou daquele tributo. Se não existe tal determinação, o intérprete deve atribuir ao vocábulo “insumo” um conteúdo semântico condizente com o contexto em que está inserido o art. 3º , II, da Lei nº 10.833/02. Nesse passo, distinguemse as não cumulatividades do IPI e do PIS/Cofins. No IPI a técnica utilizada é imposto contra imposto (art. 153, § 3º, II da CF/88). No PIS/Cofins, a técnica é base contra base (art. 195, § 12 da CF/88 e arts. 2º e 3º , § 1º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/04). Em relação ao IPI, o art. 49 do CTN estabelece que: “A não cumulatividade é efetivada pelo sistema de crédito do imposto relativo a produtos entrados no estabelecimento do contribuinte, para ser abatido do Fl. 876DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 7 7 que for devido pelos produtos dele saídos, num mesmo período, conforme estabelecido neste Capítulo (...)”. E o art. 226 do RIPI/10 estabelece quais eventos dão direito ao crédito: “Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; (...)” (Grifei) A fim de delimitar o conceito de produto intermediário no âmbito do IPI, foi elaborado o Parecer Normativo CST nº 65/79, por meio do qual fixouse a interpretação de que, para o fim de gerar créditos de IPI, o produto intermediário deve se assemelhar à matéria prima, pois a base de incidência do IPI é o produto industrializado. Daí a necessidade do produto intermediário, que não se incorpore ao produto final, ter que se desgastar ou sofrer alteração em suas propriedades físicas ou químicas em contato direto com o produto em fabricação. Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Fl. 877DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 Portanto, no âmbito do regime nãocumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições nãocumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/992. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. O contribuinte invocou a seu favor o art. 27 da IN 900/08, pois esse dispositivo teria encampado o entendimento da recorrente no sentido de que todos os custos e despesas necessários à manutenção da fonte produtora estão aptos a gerarem créditos das contribuições. Tal interpretação não prospera porque a expressão "(...) se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: (...)" contida no art. 27, caput, alude aos gastos incorridos no auferimento das receias especificadas nos incisos I e II e se referem aos créditos das contribuições apurados na forma do art. 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003. A defesa se limitou a fazer alegações genéricas em relação ao seu direito de tomar o crédito em relação a todos os custos e despesas necessários à manutenção da sua atividade, com base no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, mas não trouxe aos autos nenhum elemento hábil à comprovação de que os bens glosados no ANEXO I se enquadram nos requisitos que garantem o direito de crédito com base no custo de aquisição do bem. O exame das referidas planilhas não permite ao julgador constatar que os bens ali discriminados se enquadram no conceito de insumo que vem sendo adotado por este colegiado. Alguns dos itens glosados definitivamente não integram o custo de produção, tais como bebidas, refeições de negócios, despesas de entretenimento, despesas de viagem/gasolina, despesas com hotéis, despesas com postagens, copa cozinha e suprimentos de escritório. 2 Art. 301. O custo de aquisição de bens do ativo permanente não poderá ser deduzido como despesa operacional, salvo se o bem adquirido tiver valor unitário não superior a trezentos e vinte e seis reais e sessenta e um centavos, ou prazo de vida útil que não ultrapasse um ano (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 15, Lei nº 8.218, de 1991, art. 20, Lei nº 8.383, de 1991, art. 3º, inciso II, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). § 1º Nas aquisições de bens, cujo valor unitário esteja dentro do limite a que se refere este artigo, a exceção contida no mesmo não contempla a hipótese onde a atividade exercida exija utilização de um conjunto desses bens. § 2º Salvo disposições especiais, o custo dos bens adquiridos ou das melhorias realizadas, cuja vida útil ultrapasse o período de um ano, deverá ser ativado para ser depreciado ou amortizado (Lei nº 4.506, de 1964, art. 45, § 1º). Fl. 878DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 8 9 Por outro lado, outros itens poderiam gerar o crédito das contribuições, como por exemplo produtos químicos e recipientes utilizados no laboratório, se aplicados na produção; uniformes, se utilizados pelo pessoal da produção; materiais de manutenção/reparos, desde que efetuados na fábrica ou em máquinas utilizadas diretamente na produção. Entretanto, a defesa não trouxe aos autos uma descrição do processo produtivo, que permitisse ao julgador correlacionar os materiais glosados com as formas pelas quais são utilizados no processo produtivo. No caso concreto, tratase de processo de iniciativa do contribuinte, no qual ele compareceu perante a administração para lhe opor o direito aos créditos da contribuição. Competelhe, portanto, o ônus de comprovar que o direito alegado é certo quanto à sua existência e líquido quanto ao valor pleiteado. Não tendo o contribuinte se desincumbido do ônus de comprovar o direito alegado no recurso, há que se manter as glosas consignadas no ANEXO I. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFRREETTEESS No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) Com relação aos fretes, foram glosados os créditos apropriados sobre as despesas relativas às transferências internas, classificadas pelo contribuinte como fretes sobre transferências e frete planta/planta. Esses fretes referemse a deslocamentos entre as unidades da própria ADM, relativos ao envio da matéria prima do armazém para a fábrica. (...)" É incontroverso que esses fretes glosados no ANEXO II se referem ao transporte da matériaprima soja dos armazéns para a fábrica. Logo, não se está diante do transporte de produtos acabados entre estabelecimentos, mas sim do transporte de matéria prima para a unidade de produção a fim de ser processada. Tratandose de movimentação de matériaprima entre o "estoque" e a fábrica, os fretes incorridos no serviço de transporte, embora não vinculados à operação de compra da matériaprima e nem à operação de venda do produto acabado, enquadramse como custo de produção, nos termos do art. 290, I, do RIR/99 e devem gerar o crédito das contribuições com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. SSEERRVVIIÇÇOOSS UUTTIILLIIZZAADDOOSS CCOOMMOO IINNSSUUMMOOSS FFIILLIIAALL SSAANNTTOOSS É fato incontroverso nos autos que a filial localizada no Porto de Santos tem como atividade a recepção, o armazenamento e o embarque de mercadorias próprias quanto de terceiros. No despacho decisório a autoridade administrativa consignou o seguinte: "(...) No que se refere aos créditos apropriados em relação aos serviços utilizados como insumos na filial Santos Armazenadora, cabe o esclarecimento de que a unidade atua na armazenagem e na prestação de serviços relacionados ao comércio exterior e atende tanto à própria ADM quanto a terceiros (outras empresas que contratam seus serviços em razão da sua estrutura física e de sua expertise). Quando atende terceiros, a unidade atua como prestadora de serviços. Quando atende à própria ADM, as despesas relativas aos serviços portuários caracterizamse como despesas vinculadas à comercialização, não havendo, neste caso, previsão Fl. 879DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 10 legal para apropriação de créditos na sistemática da nãocumulatividade (...). Nesse sentido, foram glosados os créditos apurados sobre despesas "Codesp", para as quais não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros, nos termos do art. 8º, § 4º, II "b", da IN SRF nº 404, de 2004, combinado com o art. 3º, II, da Lei nº 10.833, de 2003. Os dados podem ser verificados no anexo II, nas linhas com a identificação "santos armaz" (...)". A leitura do texto reproduzido acima revela que a fiscalização aceitou a segregação efetuada pela recorrente para expurgar do cálculo do crédito a parcela das despesas incorridas com a comercialização de seus próprios produtos. Embora o contribuinte tenha alegado que houve glosa de créditos sobre despesas classificadas como "condomínio portuário", "movimentação", "classificação" e "água (CODESP)", no ANEXO II se pode verificar que neste processo a fiscalização só glosou os gastos com a "Codesp", pois segundo a autoridade administrativa "não foi possível identificar tratarse de insumos diretos vinculados a serviços prestados a terceiros". Neste tópico, a decisão de primeira instância foi mais radical que a própria fiscalização, pois entendeu que a legislação não dá respaldo ao rateio das despesas, encargos e custos comuns, quando uma parte poderia gerar o crédito e a outra parte representa despesas operacionais. A DRJ chegou a essa conclusão analisando a literalidade dos arts. 3º, §§ 7º, 8º e 9º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, os quais se referem ao rateio na hipótese de parte das receitas da pessoa jurídica estarem sujeitas ao regime cumulativo e parte ao regime não cumulativo. Tendo em vista que a lei silenciou quanto à hipótese de rateio com base na despesa, entendeu a DRJ que não haveria direito à tomada do crédito por ausência de previsão legal. A interpretação literal da DRJ não foi correta, pois de um lado, o direito de os contribuintes tomarem o crédito sobre serviços aplicados na prestação de serviços a terceiros foi contemplado no art. 3º, II das Leis nº 10.637/02 e 10833/03. E de outro lado, o art. 299, do RIR/99 conceitua o que são despesas operacionais. Se determinados gastos incorridos pela filial Santos configuram custo na prestação de serviços a terceiros e ao mesmo tempo despesa operacional da própria empresa, se não houver um sistema de custos integrado com a contabilidade, a única forma de garantir o direito estabelecido nos arts. 3º, II, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/02 é fazer o rateio dessas despesas com base no percentual de mercadorias de terceiros em relação ao total de mercadorias movimentado a cada mês. Este foi também o entendimento da fiscalização, pois ela admitiu o crédito obtido mediante rateio e somente glosou as despesas denominadas "Codesp", identificadas no ANEXO II com a indicação "santos armaz", que ela não conseguiu identificar como sendo diretamente relacionadas a serviços prestados a terceiros. Assim, o único fato a ser provado pela defesa para o fim de elidir a glosa é a existência de vinculação dessas despesas com o embarque de mercadorias de terceiros efetuados no trimestre. Em sede de recurso o contribuinte explicou a forma e os critérios utilizados no rateio e alegou que os documentos 3, 4 e 5, anexados com a manifestação de inconformidade, comprovariam a vinculação de parte desses gastos com a prestação de serviços a terceiros. Fl. 880DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 9 11 Entretanto, este processo versa sobre pedido de ressarcimento relativo ao 2º Trimestre de 2008 e o contribuinte apresentou os mesmos documentos dos processos relativos ao 1º Trimestre de 2007. O fato a ser comprovado é a existência de vinculação entres os gastos incorridos nos meses do 2º Trimestre de 2008 com serviços prestados a terceiros no 2º Trimestre de 2008. Tendo apresentado documentos relativos a outro trimestrecalendário, permanece não comprovada a vinculação dos gastos relacionados no ANEXO II sob a rubrica "santos armaz", devendo ser mantida a glosa da fiscalização. SSEERRVVIIÇÇOOSS DDEE MMAANNUUTTEENNÇÇÃÃOO EE RREEPPAARROOSS EE AAQQUUIISSIIÇÇÕÕEESS DDEE PPAARRTTEESS EE PPEEÇÇAASS ((CCOONNTTAA CCOONNTTÁÁBBIILL 552200001188)) Em relação à conta 520018 manutenção e reparos, verificase que foram glosados facas, espátulas, carimbos, borrachas, serviços de análises laboratoriais diversas, assistência técnica calibração de equipamentos de laboratório, combate a insetos, serviços de limpeza de pátio e jardinagem, serviço de água e esgoto, aluguel de toalhas/estopas industriais, serviço de representante junto à ANEEL, serviços de lavanderia, serviços de auditoria e consultoria, desenhos e projetos técnicos, serviços de planejamento e engenharia. Nem todos esses serviços foram glosados em todos os processos ora em julgamento. Dependendo do trimestre, um ou outro serviço está ausente da lista de glosa, mas o que se pretende ao nominálos é demonstrar que a própria denominação dos itens glosados permite ao homem médio inferir que eles não são aplicados na prestação de serviços a terceiros. O art. 290, I do RIR/99, estabelece que: "Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (DecretoLei n º1.598, de 1977, art. 13, §1 º ): I o custo de aquisição de matériasprimas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;(...) " Como se vê, somente bens e serviços aplicados ou consumidos na produção é que integram o custo de produção. Se a própria recorrente reconheceu que não se tratam de gastos aplicados diretamente na prestação de serviços a terceiros, então não há direito ao crédito. No que tange às Soluções de Consulta nº 90, de 18/03/2011 e 309, de 29/11/2011, a interpretação é a mesma contida neste voto. Em outras palavras, embora esses atos administrativos reconheçam o direito ao crédito em relação à manutenção de máquinas e equipamentos e à aquisição de partes e peças para sua manutenção, é preciso que esses gastos sejam incorridos diretamente na produção. DDEEPPRREECCIIAAÇÇÃÃOO DDEE IITTEENNSS DDOO AATTIIVVOO IIMMOOBBIILLIIZZAADDOO ((VVAAGGÕÕEESS)) A fiscalização motivou esta glosa no fato de que os vagões não são bens utilizados diretamente na produção. Fl. 881DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 12 A recorrente alegou, em síntese, que os vagões são utilizados no transporte de produtos entre a fábrica e o porto. Alegou que se o art. 3º, IX, da Lei nº 10.833/03 autoriza a tomada do crédito sobre fretes de produtos acabados, não haveria motivo para negar o crédito sobre a depreciação dos vagões, que cumprem a mesma função de um transportador terceirizado. O problema no argumento da recorrente é que o custo com frete na operação de venda está previsto expressamente na lei como hipótese autorizadora do crédito, enquanto que em relação a bens do imobilizado esse direito só existe em relação aos bens aplicados diretamente na produção, conforme dispõem os arts. 3º, VI, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Também o art. 290, III, do RIR/99 estabelece que a despesa de depreciação só será considerada como custo de produção se estiver vinculada a bem aplicado na produção. No caso concreto, não há direito de tomar o crédito sobre a depreciação dos vagões, pois é incontroverso que os vagões não são utilizados na produção de bens ou na prestação de serviços. CCRRÉÉDDIITTOO PPRREESSUUMMIIDDOO DDAA AAGGRROOIINNDDÚÚSSTTRRIIAA Relativamente à glosa do crédito presumido, apressouse a recorrente em alegar que a autoridade administrativa não discordou do seu direito ao crédito presumido, mas apenas e tãosomente do método de apuração com base no valor médio da soja estocada. Com isso, espera a recorrente que este colegiado se limite às alegações trazidas ao processo pelas partes, esquecendose de que o princípio "tantum devolutum quantum appellatum", albergado no art. 515 do CPC, encerra prescrição no sentido de que a extensão do recurso é determinada pelo recorrente (art. 515, caput), mas a profundidade da análise é determinada pelo tribunal (art. 515, § 2º). Nesse passo, em que pese a relevância da argumentação da recorrente e do Parecer Jurídico elaborado pelo Prof. Roque Antonio Carrazza, que foi encaminhado por e mail aos Conselheiros integrantes deste colegiado, a discussão travada acerca da natureza dos contratos de aquisição de soja e quanto à valoração dessas aquisições para o fim de se apurar o crédito presumido é impertinente a este processo de ressarcimento. Isto porque o crédito presumido de que trata a Lei nº 10.925/2004 não gera direito ao ressarcimento para compensação com outros tributos. O crédito presumido da agroindústria só pode ser utilizado para o abatimento das próprias contribuições ao PIS e Cofins devidas por operações no mercado interno. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado no Acórdão 3403002.057, de 24/04/2013. O problema se resume em estabelecer se o crédito presumido dos arts. 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 pode ser aproveitado na forma estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º, da Lei nº 10.833/03, quando decorrente de exportação. O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 (e também o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02) estabelecem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, se após essas duas formas de utilização ainda restar Fl. 882DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 15586.720260/201108 Acórdão n.º 3403002.758 S3C4T3 Fl. 10 13 crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. Entretanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Acontece, que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. Percebese a nítida intenção do legislador de restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Assim, ainda que os argumentos da recorrente quanto à natureza dos contratos de aquisição de soja e respectiva valoração viessem a ser julgados procedentes por este colegiado, o resultado deste julgamento não poderia ser outro que não o indeferimento do pedido de ressarcimento do crédito presumido da agroindústria. EERRRROOSS NNOOSS RREEGGIISSTTRROOSS DDEE OOPPEERRAAÇÇÕÕEESS Alegou a defesa que algumas operações de aquisição de soja foram registradas com CFOP 1102 (compras para comercialização), quando o correto seria com o CFOP 1101 (compras para industrialização). O contribuinte alegou que o erro material cometido na contabilização não pode suprimir seu direito ao crédito e apresentou as notas fiscais de aquisição da soja acompanhadas dos respectivos tickets de balança. Ora, as notas fiscais de aquisição e os tickets de balança comprovam as datas, os valores e as quantidades adquiridas, mas não comprovam a destinação da soja e tampouco que houve erro na contabilização das operações. Além disso, os documentos fiscais apresentados se referem ao 1º Trimestre de 2007, enquanto que este processo se refere ao 2º Trimestre de 2008. É incontroverso que existem aquisições contabilizadas como compras para comercialização. Segundo o art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77, a contabilidade do contribuinte encerra uma presunção de veracidade e de legitimidade dos fatos nela registrados, que só pode ser elidida por prova em sentido contrário produzida pela autoridade administrativa. No caso concreto, é o contribuinte quem está alegando que a operações registradas em seus livros não condizem com a realidade, pois houve erro na escrituração. Competelhe, portanto, o ônus de provar esse erro a teor do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72. Não tendo produzido a prova que lhe compete só resta a este colegiado manter a Fl. 883DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 14 glosa, levando em conta a presunção de veracidade e legitimidade da escrituração contida no art. 9º, § 1º do DecretoLei nº 1.598/77. Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para reverter as glosas relativas aos "fretes sobre transferências" e "fretes planta/planta". Antonio Carlos Atulim Fl. 884DF CARF MF Impresso em 11/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/03/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 01/03/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13851.001052/2004-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL - COFINS
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003
DESCONTOS INCONDICIONAIS.
Os descontos incondicionais, passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições, são aqueles que não dependem de evento futuro e incerto.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVA.
Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para infirmar o lançamento adequadamente realizado.
LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS.
As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3202-001.044
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a
preliminar de nulidade suscitada; no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarou-se impedido. Fez sustentação oral, pela autuada, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF 14.303.
Nome do relator: Charles Mayer de Castro Souza
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais, passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições, são aqueles que não dependem de evento futuro e incerto. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 ALEGAÇÕES DESPROVIDAS DE PROVA. Meras alegações desacompanhadas de provas não são suficientes para infirmar o lançamento adequadamente realizado. LEI VIGENTE. INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. As instâncias administrativas não são competentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar a preliminar de nulidade suscitada; no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior declarouse impedido. Fez sustentação oral, pela autuada, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF 14.303. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 00 10 52 /2 00 4- 66 Fl. 587DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Irene Souza da Trindade Torres Oliveira – Presidente Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Irene Souza da Trindade Torres Oliveira (Presidente), Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza e Thiago Moura de Albuquerque Alves. Relatório Trata o presente processo de auto de infração lavrado contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito decorrente da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, acrescido de juros e multa proporcional, no valor total de R$ 2.407.837,36. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Contra a empresa qualificada em epígrafe foi lavrado auto de infração de fls.5/15 em virtude da apuração de falta de recolhimento da Cotins do período de março de 1998 a junho de 2003, exigindoselhe o crédito tributário no valor total de R$ 2.407.837,36. O enquadramento legal encontrase a fls. 11 e 15. O lançamento se deu em função de dois fatores: diferença entre os valores devidos e aqueles declarados/pagos em determinados períodos, e em função de descontos concedidos que o autuante entendeu não se coadunarem com a definição de descontos incondicionais. Cabe ressaltar que esses descontos já haviam sido considerados, pela contribuinte, nas planilhas de demonstração da base de cálculo da contribuição, a partir da qual o autuante apurou as diferenças entre valores devidos e declarados/pagos. Cientificada, a interessada apresentou a impugnação de fls. 244/279, na qual suscitou preliminares de nulidade do auto de infração, sendo a primeira delas por decadência do direito de lançar os créditos relativos aos fatos geradores anteriores a 29/09/1999, nos termos do Código Tributário Nacional, art. 150, § 4°, transcrevendo julgados dos Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais e Superior Tribunal de Justiça. Alegou cerceamento de defesa, em razão da exigência de valores que não foram objeto de intimação da requerente para apresentar esclarecimentos. Tais valores referemse a "supostas diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago", que "não foram objeto da fundamentação do Relatório de Verificação Fiscal". Transcreveu trecho do auto de infração que não teria sido discutido em sede de fiscalização (fl. 251). Além Fl. 588DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 3202001.044 S3C2T2 Fl. 588 3 disso, "não foi dada à requerente oportunidade de se manifestar sobre as conclusões—extraídasnoRelatóriode Verificação Fiscal". Por essas razões, transcrevendo trechos de acórdão do Primeiro Conselho de Contribuintes, doutrina, e invocando o art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, combinado com o art. 50, II da Lei n° 9.784, de 1999 (que determinam "que o auto de infração seja lavrado com a descrição e indicação dos fatos e fundamentos jurídicos), propugnou pela nulidade da autuação. No mérito, refutou o valor utilizado na apuração do débito do mês de dezembro de 1999, a título de desconto concedido (R$ 8.002.146,02), pois o valor correto é de R$ 4.378.647,79, conforme folha do Razão que apresenta anexa. Reclamou da "indevida tributação de receitas de exportação" em outubro de 2000. Argumentou que, em setembro de 1999, auferiu receitas de exportação e submeteuas à tributação pela contribuição, resultando em recolhimento indevido que foi utilizado para compensar com o valor devido em outubro de 2000. Repisou os argumentos já apresentados quando do procedimento fiscal, com relação à caracterização de sua conta "descontos concedidos" como descontos incondicionais, dedutíveis da base de cálculo da contribuição. Argumentou que, em sua atividade, é comum o fornecimento da mercadoria mediante a emissão de fatura para pagamento depois de 1 (um) ano. Assim, o preço faturado é composto do valor da mercadoria e dos encargos financeiros exigidos em contrapartida do prazo de pagamento concedido. Quando os clientes adiantam o pagamento em relação à data de vencimento, a impugnante concede o respectivo desconto, registrado na referida conta. A concessão do desconto se dá independente de qualquer dispositivo contratual, tratandose então de desconto incondicional, uma vez que não estava sujeito a evento futuro e incerto. Como a empresa não auferiu tal receita (relativa ao desconto), obviamente a exclui da base de cálculo da contribuição. Prosseguiu discorrendo longamente sobre o tema, transcrevendo jurisprudência e doutrina para suportar sua tese, alegando que "o faturamento de valores que, posteriormente, não se efetivem, não podem ser considerados como receitas, embora num primeiro momento, por mera ficção contábil criada pelo regime de competência, utilizado para apuração e recolhimento daquelas contribuições, pudesse se caracterizar tal ingresso". Dissertou sobre a impossibilidade de incidência da contribuição sobre as receitas financeiras, defendendo, em suma, a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovida pela Lei n° 9.718, de 1998, por contrariar o art. 110 do CTN, pela impossibilidade de sua recepção pela Emenda Constitucional n° 20, de 1998, e por afronta ao princípio da hierarquia das leis, citando jurisprudência e doutrina. Fl. 589DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 Refutou a aplicação da taxa Selic como juros de mora, por não ter sido criada por lei para fins tributários e por não possuir caráter moratória sendo uma mera "taxa de referência" calculada e divulgada unilateralmente pelo BACEN. Por fim, alegou ser abusiva a multa aplicada, pois "as supostas infrações basearamse tão somente em mera presunção de irregularidade apontada pelas DD. Autoridades Fiscais". Taxoua também de "extorsiva, expropriatória, além de confiscatória, na medida em que não houve fraude ou sonegação, acompanhadas de dolo ou máfé". Há que se considerar também que o art. 3°3O—CTNprevêque otributoé uma prestação pecuniária que não constitui sanção por ato ilícito, portanto não pode ser utilizado para punir, da mesma forma que as sanções não podem ser utilizadas como instrumento de arrecadação disfarçado. Além disso, no caso de dúvida quanto a fatos e prática de infrações, a interpretação da legislação deve ser feita favoravelmente ao contribuinte, nos termos do art. 112 do CTN. Em razão de questionamentos da impugnante e dúvidas sabre o lançamento, o presente foi encaminhado à unidade de origem para que o autuante se manifestasse sobre os valores dos "descontos concedidos" utilizados na apuração, conforme despacho de fls. 461/462. Realizada a diligência, o autuante produziu o relatório de fls. 468/470, no qual, em síntese, esclareceu que: a) as planilhas de fls. 134/136 referemse a uma divisão da empresa (APG) e foram elaboradas por ela própria, corroborando os "mapas de receita" (fls. 130/133) apresentados conjuntamente; b) as contas do Razão foram objeto de conciliação contábil, sendo que os documentos que embasaram a conciliação foram considerados pela fiscalização, sem terem sido juntados ao processo devido ao grande volume (o que levou o autuante a verificálos no próprio estabelecimento da autuada); c) as planilhas elaboradas pela autuada foram embasadas nos registros contábeis, conforme informou seu procurador e supervisor contábil às fls. 132/133, tendo servido de base para elaboração dos anexos do Relatório de Verificação Fiscal (fls. 29/31); d) o valor correto da base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep para o mês de fevereiro de 2000 é de R$ 559.621,72, e não o que constou e que havia sido informado erroneamente pela empresa em planilha posteriormente modificada; e) o montante dos descontos concedidos em dezembro de 1999, de R$8.002.142,06, foram informados pela interessada na planilha de fl. 134, com base em seus registros contábeis. Considerando que os documentos de conciliação foram verificados no próprio estabelecimento da empresa, o autuante Fl. 590DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 3202001.044 S3C2T2 Fl. 589 5 solicitou que a empresa apresentasse a conciliação contábil das contas do razão relativo ao mês de dezembro de 1999, para que se pudesse esclarecer o correto valor da base de cálculo. Intimada, a contribuinte apresentou os esclarecimentos de fls. 494/497, acompanhada dos documentos de fls. 500/514. Neles, alegou que o valor correto dos descontos concedidos em dezembro de 1999 é de R$ 4.218.128,92, resultando do valor informado no Razão Contábil (R$ 4.378.647,79), adicionado de reversão de reserva e dedução de baixa de duplicatas e de ajuste em contrato com a empresa Rodoagro, nos termos dos documentos de fl. 501. Aproveitou para esclarecer a composição do referido valor, conforme descreveu à fl. 496/497, composição esta que estaria comprovada pelos documentos de fls.502/512. O equívoco quanto ao valor informado inicialmente e adotado pelo autuante, teria sido cometido em função da soma do montante de R$ 3.784.013,14 ao valor referido, montante esse que corresponde a parte da variação cambial relativa a contratos de hedge, conforme demonstrativo de fl. 428 e documentos de fls. 441/442. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto julgou procedente em parte a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RPO n.º 1422.368, de 20/02/2007 (fls. 535/541), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1998 a 30/06/2003 FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta ou insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de oficio com os acréscimos legais. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Em razão da Súmula Vinculante n° 8, do STF, o prazo para o lançamento das contribuições sociais deve ser contado segundo os critérios estabelecidos no Código Tributário Nacional. DESCONTOS INCONDICIONAIS. Os descontos incondicionais, passíveis de dedução da base de cálculo das contribuições, são aqueles que não dependem de evento futuro e incerto. CONSTITUCIONALIDADE. A instância administrativa é incompetente para se manifestar sobre a constitucionalidade das leis. Fl. 591DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Lançamento Procedente em Parte Irresignada, a interessada apresentou, no prazo legal, recurso voluntário de fls. 476/498, por meio do qual, depois de relatar os fatos: Preliminar de nulidade Ao longo da fiscalização, foi intimada a apresentar esclarecimentos acerca do cancelamento proporcional da exigência dos encargos financeiros com relação a faturas pagas antecipadamente por seus clientes, bem como em relação à ausência de tributação dos valores cancelados pela Cofins. O Relatório de Verificação Fiscal aborda a necessidade de tributação dos encargos financeiros que foram cancelados pela Cofins. Entretanto, para a sua surpresa, foi lavrado o auto de infração para constituir o PIS relativo não somente sobre os encargos financeiros cancelados. Referido auto também possui um capitulo que diz respeito a supostas diferenças entre o valor escriturado e o declarado/pago a titulo de Cofins, o que não foram objeto da fundamentação do Relatório de Verificação Fiscal. Assim, o Relatório de Verificação Fiscal não abordou tais débitos, não tendo sido dado a oportunidade de se manifestar sobre seus termos e oferecer esclarecimentos adicionais, o que torna nulo o auto de infração (reproduz trecho de acórdão do CARF para fundamentar o seu entendimento). Mérito Consoante mencionado anteriormente, a Recorrente dedicase à fabricação e venda de defensivos agrícolas para todo o País. Nessa atividade, é comum o fornecimento da mercadoria mediante a emissão de fatura para pagamento posterior, no prazo de 1 (um) ano. Assim, o preço faturado é composto do valor da mercadoria e dos encargos financeiros exigidos em contrapartida do prazo de pagamento concedido. Ocorre que a Cofins sempre foi apurado sob o regime de competência, de forma que a Recorrente reconhecia integralmente as receitas em apreço (compostas pelo valor da mercadoria e dos encargos financeiros). Contudo, em algumas ocasiões, os clientes efetuaram os pagamentos antes de transcorrido o prazo de 1 (um) ano, inicialmente concedido. Nesses casos, independente de qualquer dispositivo contratual (que não existe) a Recorrente efetuou o cancelamento da exigência dos encargos financeiros proporcionalmente. Consequentemente excluiu os valores cancelados da base de cálculo da Cofins, uma vez que não auferiu tais receitas. Entretanto, surpreendeuse com a exigência e a sua manutenção parcial, em razão de as DD. Autoridades Administrativas haverem discordado da referida exclusão, sob o fundamento de que não se trata de desconto incondicional. De acordo com o entendimento esposado no V. Acórdão recorrido, eventual desconto incondicionado somente poderia ser concedido antes da emissão da fatura. No entanto, não se atentaram para o fato de que estamos diante de situação sui generis, uma vez que o cancelamento dos encargos financeiros se deu em momento anterior ao vencimento da fatura. As DD. Autoridades Administrativas não acostaram aos autos qualquer prova demonstrando que havia disposição contratual anterior prevendo o desconto condicionado ao pagamento. Esse documento não constou da instrução do auto de infração, porque não existe. Em momento algum a Recorrente firmou com seus clientes qualquer compromisso futuro de conceder descontos em decorrência do pagamento antecipado. Portanto, não há que se dizer Fl. 592DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 3202001.044 S3C2T2 Fl. 590 7 que tal exoneração sujeitouse a evento futuro. É importante ressaltar que os clientes da Recorrente firmaram declarações atestando que o cancelamento dos encargos financeiros em comento não se sujeitou a evento futuro ou incerto. O Código Civil (Lei n° 10.406/2002) determina em seu artigo 107 que "a validade da declaração de vontade não dependerá de forma especial, senão quando a lei expressamente a exigir" (fundamentase em ementa de decisão do CARF). Ao contrário do que foi afirmado na decisão recorrida, os encargos financeiros não tinham por objetivo tão somente corrigir monetariamente o valor da mercadoria vendida, de modo que o valor menor recebido antecipadamente correspondesse, financeiramente, ao mesmo valor que seria recebido se houvesse ocorrido a quitação no prazo combinado. Na verdade, os encargos financeiros aplicados pretendiam não apenas corrigir monetariamente tal valor, mas representavam também, e principalmente, juros remuneratórios, que seriam exatamente aqueles obtidos pela Recorrente em aplicações no mercado financeiro caso houvesse recebido o valor da mercadoria no momento da venda. Ou seja, com o desconto concedido a Recorrente deixou efetivamente de receber um valor que fazia parte da sua expectativa. Apesar de haver determinação expressa no sentido de que o regime de apuração é de competência, essa imposição não pode ignorar que somente incidirá a Cofins sobre receitas auferidas. Tratase de imperativo constitucional. A par das diferenciações doutrinárias nos diversos conceitos de receita descritos acima, é possível identificar receita como um ingresso que se incorpore de maneira positiva e definitiva ao patrimônio de uma empresa, decorrente de remuneração ou contraprestação de seus atos ou atividades sociais. O faturamento de valores que, posteriormente, não se efetivem, não podem ser considerados como receitas, embora num primeiro momento, por mera ficção contábil criada pelo regime de competência, utilizado para a apuração e recolhimento daquelas contribuições, pudesse se caracterizar tal ingresso. Entendimento contrário seria admitir, em última análise, a tributação de parcelas sem nenhuma expressão ou substrato econômico, que não representam qualquer ingresso para a empresa, em arrepio à norma constitucional de competência para a instituição da Cofins e ao princípio da capacidade contributiva. É exatamente o caso dos encargos financeiros cancelados, objeto dos autos. Não bastassem os argumentos anteriormente aduzidos, é imperioso observar também a exigência da Cofins no presente caso recai, sem qualquer dúvida, sobre receitas financeiras e que não compõem1 o objeto social da Recorrente, o que representa um completo desrespeito à posição do Pleno do Supremo Tribunal Federal – STF sobre o tema, que, ao julgar os Recursos Extraordinários ("REs") n°s 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, declarou a inconstitucionalidade do parágrafo 10 do artigo 30 da Lei n° 9.718/98, reafirmando seu entendimento de que o PIS e a COFINS somente podem incidir sobre o faturamento, assim entendido como o produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços, ainda que delas não seja expedida uma fatura, sendo inconstitucional a Lei n° 9.718/98 por ofensa aos artigos 195, inciso I, alínea "b" e parágrafo 4°, da Constituição Federal de 1988. Para finalizar, não pode deixar de ser mencionado pela Recorrente que, no caso dos fatos geradores ocorridos em outubro de 2000, houve a sua compensação com créditos derivados de pagamentos indevidos da Cofins. Esclarece que, no mês de setembro/2000, a Fl. 593DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Recorrente auferiu receitas de exportação no valor de R$ 1.019.159,49. Contudo, por equívoco, submeteu essa quantia à tributação pelo PIS/COFINS. Com isso, vemos que houve recolhimentos indevidos de PIS (R$ 6.624,54) e de Cofins (R$ 30.574,78). Sendo assim, no mês de outubro/2000, a Recorrente efetuou a compensação do montante indevidamente recolhido em setembro/2000. Entretanto, as DD. Autoridades Fiscais não levaram esse fato em conta ao lavrarem o auto de infração, sendo essa mais uma razão para que o V. Acórdão recorrido seja parcialmente reformado para afastar também a exigência que foi mantida. A jurisprudência tem reconhecido a inaplicabilidade da referida taxa aos créditos tributários, uma vez que esta não foi criada por lei para fins tributários. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento decorre de duas infrações distintas: DIFERENÇA APURADA ENTRE O VALOR ESCRITURADO E O DECLARADO/PAGO (infração 001) e a DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS FINANCEIRAS (DESCONTOS CONCEDIDOS) DA BASE DE CÁLCULO DO COFINS (infração 002). No Recurso Voluntário, contestamse ambas, muito embora, quanto à primeira, apenas com a alegação de que o lançamento seria nulo, uma vez que, no Relatório de Verificação Fiscal, terseia abordado apenas a segunda. Dizse mais: também quanto à primeira infração, não se teria conferido oportunidade de apresentar esclarecimentos adicionais. De destacar, todavia, que a fiscalização não estava obrigada a promover a intimação da Recorrente para prestar esclarecimentos quanto à falta de recolhimentos (infração 001), se os dados de que dispunha já eram suficientes para exigir o tributo não recolhido. A decisão administrativa referida no recurso não autoriza o entendimento contrário, já que, como nela mesma se pode constatar, aplicase tão somente ao procedimento de revisão de declaração, o que se dá internamente na própria repartição fiscal. O intuito da norma (art. 3º da Instrução Normativa SRF n.º 94, de 1997), é manifesto, é afastar a possiblidade de que lançamentos sejam efetuados, quando as informações recebidas do contribuinte fiscalizado sejam suficientes para esclarecer a eventual falha constatada. Outro equívoco se comete quanto à afirmação de que o Relatório de Verificação Fiscal não tratou do tema, posto que expressamente citado no parágrafo que principia o seu item 2.2 (DA ANÁLISE DOS FATOS E DO DIREITO APLICÁVEL). Eilo: Após análise dos fatos acima relatados e considerando as regularizações efetuadas pela contribuinte fiscalizada, apurouse os valores das contribuições do PIS e da COFINS, cujo resultado foi confrontado com os valores declarados em DCTF e com valores recolhidos através de DARFs, conforme demonstrativos abaixo (denominados Anexo I e II), no qual apurouse diferenças de recolhimento das referidas Fl. 594DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 3202001.044 S3C2T2 Fl. 591 9 contribuições, ou seja, diferenças de PIS e de COFINS que estão sendo Lançadas de Ofício nesta data, conforme Autos de Infrações dos quais este relatório fiscal é parte integrante.(g.n) Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade. Passo ao exame do mérito. E, como se passa a demonstrar, vejo não assistir razão à Recorrente. A primeira infração não foi contestada nas razões de fundo. Limitouse a Recorrente a suscitar a nulidade, já aqui afastada. Segundo afirma, os valores cobrados quanto à segunda infração derivam de receitas financeiras que deixaram de ser auferidas, daí porque reduziu, da base de cálculo da contribuição, os valores não recebidos, conforme se constata dos seguintes trechos do Relatório de Verificação Fiscal: Quanto aos descontos concedidos aos clientes da fiscalizada, em sua divisão APG, cujos valores foram deduzidos da Base de Cálculo do PIS e da COFINS, conforme demonstrativo elaborado pela contribuinte (doc. anexo), estando devidamente registrados nos Livros Contábeis da Fiscalizada, da Divisão APG (cópias anexas do Razão), na conta Descontos Concedidos, classificação contábil 984001 do Grupo Receitas/Despesas Financeiras, os quais foram considerados pela fiscalizada como desconto incondicional, sendo que a fiscalização entende que tais descontos não são incondicionais e sim descontos condicionais (descontos financeiros concedidos posteriormente a vendas, condicionado a pagamentos antecipados), portanto não podem ser deduzidos da Base de Cálculo do PIS e da COFINS . (...) Da análise dos dispositivos legais acima transcritos, ficou claro que os descontos incondicionais podem ser excluídos da Base de Cálculo do PIS e da COFINS, também ficou claro que os descontos incondicionais são os que constam da nota fiscal de venda dos bens ou da fatura de serviços e que não dependam de evento posterior à emissão desse documento, todavia, o fato é que a contribuinte deduziu da Base de Cálculo das referidas contribuições os descontos concedidos no recebimento de duplicatas, decorrente da antecipação de pagamentos efetuados por seus clientes, que no entendimento da fiscalização referese a Despesas Financeiras, ou seja é um desconto concedido condicionalmente, pois tais descontos não constaram das notas fiscais de vendas e dependeram de um evento posterior. (...) Notase, pela análise dos esclarecimentos da contribuinte fiscalizada em sua cartaresposta (doc. anexo), citada na descrição dos fatos, que ficou claro que os descontos concedidos pela FMC aos seus clientes foram condicionais, tratandose nesse caso de descontos financeiros concedidos ao cliente quando este antecipa o pagamento (condição se pagar Fl. 595DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 antecipado haverá o desconto). Vejamos alguns trechos da carta resposta que esclarecem e confirmam que os descontos foram concedidos de forma condicional: "Dessa forma, a FMC financia seus clientes agricultores, concedendolhes como prazo de vencimento, em geral 1 (hum) ano da data do faturamento (cópias do pedido e Nota fiscal anexos). Como o prazo entre a venda e o pagamento é longo, a FMC inclui no preço do faturamento, os respectivos encargos financeiros desse período, na fatura" ... "Ocorre que, em alguns casos, durante a vigência do prazo entre o faturamento e o vencimento, alguns clientes efetuam pagamentos antecipados para a FMC, momento no qual a FMC, por considerar "justo", concede a estes a redução proporcional do montante devido, referente ao encargo financeiro faturado e não incorrido". (...) "A redução/abatimento da dívida, conforme descrito acima, a FMC adota como praxe contabilizar como Descontos Concedidos, na classificação contábil 984001 e o montante gerado dessa natureza, adota como procedimento a dedução na base de cálculo de PIS e COFINS, por julgar tratarse de descontos incondicionais..." (grifos do original). Com efeito, o ponto nodal para dirimir a questão resumese à natureza condicional ou não dos descontos oferecidos pela Recorrente, não importando se resultam do fato de que foram acrescidas ao preço, digamos assim, “básico” do produto expectativas de receitas financeiras. Os descontos financeiros assim concedidos nada mais são do que descontos ofertados com a liquidação antecipada de obrigações. Representam um abatimento do preço a pagar, um desconto por antecipação, sendo, portanto, de natureza inquestionavelmente condicional, porquanto sujeitos apenas e tão só ao alvitre do cliente de promover ou não o pagamento nessas condições (evento futuro e incerto, conforme destacado pela fiscalização). Tratase de despesas financeiras, que não podem ser destacados para o efeito de reduzir a base de cálculo do PIS e da Cofins se, na fatura, não o foram, mas apenas considerados como redução (despesa) na apuração do lucro da pessoa jurídica. Embora se saiba que o PIS e a Cofins estimados sob o regime cumulativo o são apenas sobre valores decorrentes da venda de mercadorias, da prestação de serviços ou da venda de mercadorias e serviços, não se incluindo receitas de origem diversa (RE nº 585.235, Rel. Min. Cezar Peluso, publicado no DJ nº 227 do dia 28/11/2008), a verdade é que, ao não se segregarem os referidos valores na nota fiscal, passaram a representar o valor faturado, vale dizer, o valor que consta da fatura e que corresponde à receita bruta auferida com a operação. Assim, cumpre observar absolutamente irrelevante, para o Fisco, como o contribuinte compôs o valor da mercadoria que vende ou do serviço que presta. O que importa é o valor da venda ou da prestação – aquele que, ao final, vai na fatura. Em conclusão, é de se manter, também nesta parte, o lançamento. Fl. 596DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 13851.001052/200466 Acórdão n.º 3202001.044 S3C2T2 Fl. 592 11 Com relação aos últimos argumentos de defesa aviados pela Recorrente, não lhe assiste razão. Tal como sucedeu na impugnação endereçada à instância a quo, a Recorrente nada trouxe que comprovasse o equívoco que teria cometido no mês de outubro de 2000 (compensação com créditos derivados de pagamentos indevidos do PIS). Já a incidência da taxa Selic fundamentase em lei plenamente vigente, cuja inconstitucionalidade não pode se afastada, à míngua de competência, por esta instância administrativa, conforme preconiza a Súmula CARF n.º 2 (“O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.”). Ante o exposto, rejeito a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. Charles Mayer de Castro Souza Fl. 597DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 Fl. 598DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por MARIA MADALENA SILVA EX CL UÍ DO Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 0 4/02/2014 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 05/02/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 16641.000147/2010-74
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECRETO Nº 70.235/72. VALIDADE. MULTAS. DESCABIMENTO NÃO CONFIGURADO. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Não há como sustentar que disposições do Decreto nº 70.235/72 não estão mais em vigor por colidirem com dispositivos da Constituição, bem como da Lei nº 9.784/96.
As alegações contidas no parágrafo anterior, como se pode observar, são aleatórias, pois o contribuinte não especifica quais disposições do Decreto nº 70.235/72 estão colidindo com a Constituição e com a Lei nº 9.784/96. Há de convir que, alegações aleatórias, como é o caso, são totalmente desprovidas de juridicidade e, portanto, devem ser rejeitadas.
No concernente às multas aplicadas, nota-se que a autoridade administrativa observou as determinações do art. 106, II, c, do CTN, aplicando a retroatividade benigna, tudo em razão da mudança legislativa promovida pelo MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2803-003.064
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECRETO Nº 70.235/72. VALIDADE. MULTAS. DESCABIMENTO NÃO CONFIGURADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Não há como sustentar que disposições do Decreto nº 70.235/72 não estão mais em vigor por colidirem com dispositivos da Constituição, bem como da Lei nº 9.784/96. As alegações contidas no parágrafo anterior, como se pode observar, são aleatórias, pois o contribuinte não especifica quais disposições do Decreto nº 70.235/72 estão colidindo com a Constituição e com a Lei nº 9.784/96. Há de convir que, alegações aleatórias, como é o caso, são totalmente desprovidas de juridicidade e, portanto, devem ser rejeitadas. No concernente às multas aplicadas, nota-se que a autoridade administrativa observou as determinações do art. 106, II, c, do CTN, aplicando a retroatividade benigna, tudo em razão da mudança legislativa promovida pelo MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. DECRETO Nº 70.235/72. VALIDADE. MULTAS. DESCABIMENTO NÃO CONFIGURADO. RETROATIVIDADE BENIGNA. 1. Não há como sustentar que disposições do Decreto nº 70.235/72 não estão mais em vigor por colidirem com dispositivos da Constituição, bem como da Lei nº 9.784/96. 2. As alegações contidas no parágrafo anterior, como se pode observar, são aleatórias, pois o contribuinte não especifica quais disposições do Decreto nº 70.235/72 estão colidindo com a Constituição e com a Lei nº 9.784/96. Há de convir que, alegações aleatórias, como é o caso, são totalmente desprovidas de juridicidade e, portanto, devem ser rejeitadas. 3. No concernente às multas aplicadas, notase que a autoridade administrativa observou as determinações do art. 106, II, “c”, do CTN, aplicando a retroatividade benigna, tudo em razão da mudança legislativa promovida pelo MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 47 /2 01 0- 74 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 3 2 (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a diferenças de contribuições dos segurados empregados nas competências 13/2007, 04/2008, 13/2008, 01/2009 a 04/2009, 12/2009 e 13/2009, cuja responsabilidade pelo desconto e repasse é da empresa autuada. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 23 de maio de 2012 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2009 AI Debcad nº 37.296.6764 AUTO DE INFRAÇÃO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. CONTRIBUIÇÕES DOS SEGURADOS. CERCEAMENTO DE DEFESA. LANÇAMENTO VINCULADO. MULTA. AGRAVAMENTO. ALEGAÇÕES GENÉRICAS E SEM COMPROVAÇÃO. PRODUÇÃO DE PROVAS. Não há que se falar em cerceamento de defesa quando o procedimento fiscal obedece ao princípio da legalidade, sendo prestadas todas as informações necessárias ao sujeito passivo para que este exerça plenamente o seu direito de defesa. A autoridade administrativa está obrigada à constituição do crédito tributário ao verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação e da falta de pagamento do tributo correspondente. A multa definida na legislação tributária não pode ser reduzida ou dispensada. Cabível o agravamento da multa de ofício se o sujeito passivo não atende à intimação no prazo marcado. As alegações genéricas e desacompanhadas de provas são incapazes de desconstituir lançamento regularmente efetuado em conformidade com a legislação. A prova documental deve ser juntada por ocasião da impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, quando não comprovada nenhuma das hipóteses de exceção previstas na legislação. Inexiste previsão legal para a produção de prova testemunhal no processo administrativo fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 164DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 5 4 Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: Nulidade do acórdão. A recorrente reitera e ratifica as arguições, suscitadas, em preliminar e no mérito, na impugnação apresentada, as quais, inclusive, se reporta, requerendo que sejam consideradas como se aqui, também, estivessem transcritas, o que não ocorre, apenas, para evitar tautologia, considerandose a estas alturas, a própria singeleza da matéria. Entretanto, em virtude, data vênia, das estranhas interpretações, contidas no v. acórdão recorrido, entendese que, efetivamente, restou cerceado o direito de defesa da recorrente e, sem dúvida alguma, violação aos princípios do contraditório e de ampla defesa, consagrados no inciso LV, do artigo 5º da Constituição da República. É evidente que não mais encontramse em vigor as disposições do Decreto nº 70.235/72, que colidem com dispositivos da Carta Magna e da Lei nº 9.784/96. Como é pacífico, na doutrina e na jurisprudência, a eventual manutenção, na esfera administrativa, do impugnado “Auto e Infração”, resultará na emissão da Certidão de Dívida Ativa – CDA, que se constituiria em título executivo fiscal. Ora, se o título louvouse em situação irregular, por que continuar, sem antes permitir ao contribuinte o sagrado direito de defesa? Onde encontrase escrito que, ao requerer na defesa administrativa, a realização de perícia contábil, o contribuinte já deverá indicar assistente técnico e formular quesitos? Em decorrência do acima articulado, deverá – o que se requer – ser decretada a nulidade do processo administrativo, reabrindose os prazos, inclusive, para realização de perícia e juntada de novos documentos, conforme suscitados e requerido na defesa, que ora se reitera, para todos os efeitos legais. Mérito. Admitindose ad argumentandum que não seja acolhida a preliminar de nulidade, no mérito propriamente dito, está a merecer reparo o v. Acórdão recorrido. O Acórdão recorrido, em síntese, mantém a atacada autuação fiscal por entender que teria amparo no artigo 10 do Decreto nº 10.235/72, em virtude de que, em pesquisa realizada no sistema da Previdência Social, restou identificado que não teriam sido objeto de parcelamento as contribuições sociais previdenciárias, elencadas no atacado auto de infração, substituindo o pretenso débito e de que não caberia ser reduzida a multa As multas aplicadas são descabidas. Face ao exposto, com amparo nos dispositivos legais citados, entre outros, cabíveis e aplicáveis à espécie, espera a recorrente, que seja dado provimento ao presente recurso e reformado o v. acórdão recorrido, para que não se perpetue flagrante injustiça, Fl. 165DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 6 5 acolhendose todas as arguições, aí compreendida a de nulidade do impugnado Auto de Infração e da rejeição das compensações efetuadas. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 166DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 7 6 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em seu recurso o contribuinte reitera e ratifica as arguições suscitadas em preliminar apresentada na impugnação, às quais se reporta, e requer que tais arguições sejam consideradas como se estivessem transcritas em sua pela recursal. No ponto, não vislumbro a possibilidade de acatamento do pleito formulado pelo contribuinte, tendo em vista que a sua argumentação é contrária às determinações do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Por outro lado, também não entendo que as interpretações contidas no acórdão recorrido cercearam o direito de defesa do contribuinte, violando, assim, o inciso LV do art. 5º da Constituição da República. De igual modo, não há como sustentar que disposições do Decreto nº 70.235/72 não estão mais em vigor por colidirem com dispositivos da Constituição, bem como da Lei nº 9.784/96. As alegações contidas no parágrafo anterior, como se pode observar, são aleatórias, pois o contribuinte não especifica quais disposições do Decreto nº 70.235/72 estão colidindo com a Constituição e com a Lei nº 9.784/96. Há de convir que, alegações aleatórias, como é o caso, são totalmente desprovidas de juridicidade e, portanto, devem ser rejeitadas. Notase, portanto, que a manutenção do auto de infração é medida que se impõe, independentemente da futura emissão de CDA – Certidão da Divida Ativa para embasar execução fiscal. O título, quando emitido, não estará embasado em situação irregular como alega o recorrente. Destarte, não que se falar em nulidade do acórdão recorrido. No mérito, razão alguma assiste ao contribuinte. O lançamento, ao contrário das alegações da recorrente, teve efetivo respaldo no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, tendo em vista que na pesquisa realizada no sistema da Previdência Social identificouse que foram objeto de parcelamento as contribuições sociais previdenciárias, elencadas no auto de infração ora em discussão. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 16641.000147/201074 Acórdão n.º 2803003.064 S2TE03 Fl. 8 7 Ao analisar os autos, resta amplamente evidenciado que a autoridade lançadora cumpriu rigorosamente a legislação em vigor, notadamente os artigos 142 do CTN e 10 do Decreto nº 70.235/72. Assim sendo, correto o lançamento, bem como as multas aplicadas. No concernente às multas aplicadas, notase que a autoridade administrativa observou as determinações do art. 106, II, “c”, do CTN, aplicando a retroatividade benigna, tudo em razão da mudança legislativa promovida pelo MP nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, NEGAR LHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 0 6/03/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 28/02/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10469.729718/2011-07
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF.
O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa).
Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 2802-002.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
German Alejandro San Martín Fernández - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62-A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedando-se a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2116; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 119 1 118 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10469.729718/201107 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.740 – 2ª Turma Especial Sessão de 18 de março de 2014 Matéria IRPF Recorrente MARIA GORETTI FILGUEIRA SOUSA DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 VERBAS SALARIAIS RECEBIDAS EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL (REGIME DE CAIXA). IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTE DO STJ EM SEDE DE REPETITIVO. APLICAÇÃO OBRIGATÓRIA. ARTIGO 62A DO RICARF. O imposto de renda incidente sobre verbas trabalhistas pagas em atraso e acumuladamente, em virtude de condenação judicial, deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas (regime de competência), vedandose a utilização do montante global como parâmetro (regime de caixa). Nulidade do lançamento dada a impossibilidade, na fase recursal, de conferir liquidez e certeza ao crédito tributário indevidamente constituído e em inobservância ao artigo 142 do CTN e à correta interpretação dada pela Corte Federal ao artigo 12 da Lei n. 7.713/88. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Jaci de Assis Júnior que negava provimento. (assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 97 18 /2 01 1- 07 Fl. 91DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 2 (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martín Fernández, Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Dayse Fernandes Leite e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Versam os presentes autos sobre Auto de Infração, no qual é cobrado Imposto de Renda Pessoa Física, relativamente ao anocalendário de 2008, exercício 2009, no valor de R$ 7.136,10, acrescido de multa de ofício e juros de mora (calculados até 31/10/11), perfazendo crédito tributário total de R$ 14.239,36. O crédito tributário constituído se refere, no entendimento da autoridade lançadora, a rendimentos indevidamente considerados como isentos por moléstia grave no valor de R$ 63.440,24. Em sede de Impugnação, a contribuinte ora recorrente alega que por ocasião do recebimento dos valores, em decorrência de indenização judicial recebida em 2008, já se encontrava aposentada, além de ser portadora de moléstia grave (neoplasia maligna de mama). Em sede de julgamento da Impugnação apresentada, a DRJ reconheceu ser a recorrente aposentada e portadora de moléstia grave no ano calendário de 2008. No entanto, houve por julgar a ação fiscal procedente, dada a falta de prova quanto à natureza de rendimentos recebidos em decorrência da ação judicial da qual foi beneficiária. Aliás, pela prova acostada, estes dizem respeito a verbas decorrentes do trabalho na ativa (FGTS/ Conversões Férias – LP –Aviso Prévio), não amparadas, portanto, pela regra isentiva prevista no art. 6º da Lei 7.713/88. Nas razões de Voluntário (fls. 110/117), a recorrente junta cópias das peças da ação judicial, e afirma tratarse de diferenças salariais não pagas e decorrentes de convenção coletiva referente aos anos de 1994 e 1995. Era o der essencial a ser relatado. Passo a decidir. Voto Conselheiro German Alejandro San Martín Fernández, Relator. Por tempestivo e pela presença dos pressupostos recursais exigidos pela legislação, conheço do recurso. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10469.729718/201107 Acórdão n.º 2802002.740 S2TE02 Fl. 120 3 A lide recursal se centra na ausência de prova quanto à qualificação de isentos dos rendimentos recebidos em decorrência de ação judicial. Pela prova dos autos é de se constatar que apesar da recorrente ser aposentada desde 1995 e portadora de moléstia grave desde 2008, os rendimentos tributáveis assim considerados pela autoridade lançadora e conforme afirmado em sede de Voluntário, são decorrentes de correções salariais não pagas à época própria (anos de 1994 e 1995), portanto, rendimentos tributáveis pelo IRPF. O fato de a recorrente ser aposentada à época do recebimento, não supre as exigências legais para fins de fruição da regra isencional, quais sejam, além de ser portadora de moléstia grave, serem decorrentes de aposentadoria ou reserva, nos termos do Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV. Entretanto, a tributação desses valores, conforme demonstrativo de fls. 13, se deu pelo regime de caixa, ou seja, pela aplicação da alíquota de 15% sobre a totalidade dos rendimentos recebidos, em desacordo com o decidido pelo C. STJ, em sede de repetitivo (Resp 1.118.429∕SP) e atualmente sob repercussão geral no STF (Tema 368). Nos termos do artigo 62A do RICARF: As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do dispositivo regulamentar acima transcrito, cuja observância é obrigatória aos membros do CARF, o decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de repetitivo deve ser necessariamente o fundamento decisório nas situações nas quais a tributação de rendimentos acumulados seja objeto da lide. A Primeira Seção do STJ ao julgar o REsp 1.118.429∕SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), de acordo com o regime de que trata o art. 543C do CPC, assim decidiu: "O imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente." O julgado, apesar de se referir ao pagamento a destempo de benefícios previdenciários, não se restringiu, conforme se depreende da leitura da ementa acima transcrita, a afastar somente a tributação pelo regime de caixa naquela hipótese. O debate foi além da situação fática em julgamento e abordou expressamente as demais situações nas quais o recebimento de rendimentos acumulados decorrentes de condenações judiciais sem Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ 4 observância da tabela progressiva vigente à época dos rendimentos, implicaria em desprestígio à capacidade contributiva e isonomia tributária. Não por outra razão, ambas as Turmas da 1ª Seção do STJ, já se pronunciaram favoravelmente à tese de que o decidido em repetitivo no Resp n. 1.118.429∕SP, deve ser aplicado no âmbito das verbas trabalhistas recebidas a destempo em decorrência de condenação judicial. Nesse sentido: AgRg no AgRg no REsp 1.332.443/PR, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 8/2/2013, AgRg no Agravo em Recurso Especial nº 434.044/SP e Recurso Especial nº 1.376.363 – PE, cuja ementa segue abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VERBAS RESCISÓRIAS. VIOLAÇÃO DO ART. 535. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. FGTS. JUROS DE MORA. IMPOSTO DE RENDA. INCIDÊNCIA COM BASE NO MONTANTE GLOBAL. IMPOSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DAS TABELAS E ALÍQUOTAS VIGENTES À ÉPOCA EM QUE AS VERBAS DEVERIAM TER SIDO PAGAS. PRECEDENTES. 1. (...) 2. Este Superior Tribunal de Justiça já decidiu que não incide Imposto de Renda sobre o recebimento do FGTS e dos juros de mora correlatos. Precedentes. 3. O entendimento de que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos em atraso e acumuladamente deve observar as tabelas e alíquotas vigentes à época em que essas verbas deveriam ter sido pagas, vedandose a utilização do montante global como parâmetro, também se aplica ao contexto das verbas trabalhistas. (destaques meus). Precedente. 3. Recurso especial não conhecido. Por fim, é de ressaltar que a discussão ainda pendente no STF, no RE 614.406, sob repercussão geral (Tema 368), em nada afeta a definitividade da decisão em repetitivo proferida pelo STJ. Isso em razão do distinto enfoque dado pela Corte Suprema ao tema, eminentemente em razão da superveniência de decisão do TRF da 4ª Região, pela inconstitucionalidade do artigo 12 da Lei n. 7.713/88, o que em tese, poderia violar a isonomia e o princípio da uniformidade geográfica, pelo fato de apenas os contribuintes submetidos àquela jurisdição serem potencialmente beneficiados. No caso dos autos, é incontroverso que o lançamento do IRPF se deu pela aplicação da alíquota de 15% sobre o total dos rendimentos recebidos, em desconformidade com o decidido pelo STJ; vale dizer, sem observância da alíquota aplicável se os valores tivessem sido recebidos à época própria (94 e 95). De outro lado, não há nos autos elementos suficientes para saber se os rendimentos foram por acaso tributados pela alíquota correta, se observado o regime de competência, ou se se tratavam de rendimentos isentos. Ademais, mesmo se presentes tais elementos, por se tratarem de rendimentos sujeitos a ajuste anual, é possível, ainda que Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ Processo nº 10469.729718/201107 Acórdão n.º 2802002.740 S2TE02 Fl. 121 5 tributáveis, que não gerassem imposto a pagar, dadas as dedutibilidades permitidas na legislação e o montante das retenções realizadas durante o anocalendário. Vale dizer, para a constituição correta do crédito tributário e exigência do imposto devido, necessário se faz o refazimento das declarações do contribuinte referente a todos os anoscalendários aos quais os rendimentos se referem, e o recálculo do imposto a pagar respeitadas as deduções permitidas na legislação. Até mesmo nas hipóteses nas quais o contribuinte, em razão do valor dos rendimentos recebidos se submete à alíquota máxima, o refazimento do lançamento se torna inviável nessa fase recursal. Isso porque, apesar de submetido à alíquota máxima, as deduções permitidas na legislação poderiam gerar imposto a pagar em valor menor daquele que seria devido, se feita singela operação aritmética de aplicação de alíquota máxima sobre a totalidade dos rendimentos brutos recebidos, ainda que respeitado o regime de competência. Logo, não cabe a este órgão de julgamento o refazimento do lançamento nesta fase recursal, cujo vício material de origem se encontra na incorreta aplicação da alíquota, sem observância do regime de competência, a resultar na indeterminação da matéria tributável, requisitos mínimos para atestar a validade do lançamento tributário, nos termos do artigo 142 do CTN. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao recurso voluntário. É o meu voto, sob o crivo dos meus ilustres pares. (assinado digitalmente) German Alejandro San Martín Fernández Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN ALEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ, Assinado digitalme nte em 25/04/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 16/04/2014 por GERMAN A LEJANDRO SAN MARTIN FERNANDEZ
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Numero do processo: 10530.720190/2007-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa.
SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE.
São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.
Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA.
A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização.
ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO.
Admite-se, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Utilização Limitada/Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente.
Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE.
Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental - ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente.
Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil.
VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS - SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO.
O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996.
Numero da decisão: 2101-002.394
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
_____________________________________
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
Presidente
(assinado digitalmente)
___________________________________
CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa.
Nome do relator: CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não é nulo o lançamento que preenche os requisitos do artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, cujos fatos enquadrados como infração estão claramente descritos e adequadamente caracterizados, permitindo ao contribuinte o exercício da ampla defesa. SUJEIÇÃO PASSIVA. COMPROVAÇÃO DA PROPRIEDADE. São contribuintes do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. Comprova a propriedade do bem imóvel a Certidão de Matrícula no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não ficou comprovado que matrícula do imóvel rural tenha sido cancelada, na forma da lei. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. A diligência ou perícia não se presta à produção de prova documental que deveria ter sido juntada pelo sujeito passivo para contrapor aquelas feitas pela fiscalização. ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA/RESERVA LEGAL. COMPROVAÇÃO. Admitese, para o cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, a exclusão da Área de Utilização Limitada/Reserva Legal, desde que, em data anterior à da ocorrência do fato gerador do tributo, tenha sido averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. Na hipótese, não se comprovou a averbação da área de reserva legal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 01 90 /2 00 7- 25 Fl. 204DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para a exclusão da Área de Preservação Permanente declarada da área total do imóvel rural, necessário apresentar Ato Declaratório Ambiental ADA protocolado junto ao órgão de controle do meio ambiente. Na hipótese, a interessada não logrou comprovar a Área de Preservação Permanente por meio de documento hábil. VALOR DA TERRA NUA. ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS SIPT. UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por Município, constante do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, sem considerar levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura da Unidade Federada ou do Município, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, por contrariar o disposto no artigo 14, § 1.º, da Lei n.º 9.393, de 1996. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em afastar a alegação de nulidade do auto de infração, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva e, no mérito, por maioria de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado, vencida a Conselheira Eivanice Canário da Silva, que votou por dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) _____________________________________ LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ___________________________________ CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Francisco Marconi de Oliveira, Ewan Teles Aguiar, Eivanice Canário da Silva, Celia Maria de Souza Murphy (Relatora) e Gilvanci Antonio de Oliveira Sousa. Relatório Trata o presente processo de Notificação de Lançamento contra o contribuinte em epígrafe, na qual foi apurado Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural suplementar do exercício 2003, em decorrência da falta de comprovação do Valor da Terra Fl. 205DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 3 3 Nua – VTN e das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada/Reserva Legal declaradas. A interessada impugnou o lançamento, alegando, em síntese, que: (i) não se pode exigirlhe o ITR, já que inexiste a posse, a área, enfim, a propriedade, elementos fundamentais para a existência do fato jurídico tributário; (ii) a exigência é nula, na medida em que arbitrou um Valor da Terra Nua, sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário; (iii) o lançamento é nulo, vez que ignorou a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. Pediu, ao final, que, no caso de não acolhimento de sua impugnação, fosse realizada diligência para o fim de aferir tecnicamente quantificação da área tributável e o valor da terra nua. A 1.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Brasília (DF) julgou a impugnação improcedente, por meio do Acórdão n.º 0345.171, de 21 de setembro de 2011, que contou com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Tendo o contribuinte compreendido a matéria tributada e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). DO ÔNUS DA PROVA Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, posto que é seu o ônus da prova. SUJEITO PASSIVO DO ITR São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. O registro imobiliário, enquanto não alterado ou cancelado, continua produzindo todos os seus efeitos, inclusive tributários. DAS ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada junto à matrícula do imóvel, em data anterior ao do fato gerador. Fl. 206DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, em consonância com o Sistema de Preço de Terras (SIPT), por falta de documentação hábil comprovando o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2003, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual reiterou todos os argumentos anteriormente suscitados. Posteriormente, apresentou novos documentos. É o Relatório. Voto Conselheira Celia Maria de Souza Murphy O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais previstos no Decreto n° 70.235, de 1972. Dele conheço. A Notificação de Lançamento que integra o presente processo teve origem na falta de comprovação, pelo contribuinte, das Áreas de Preservação Permanente e de Utilização Limitada, bem como do Valor da Terra Nua declarados em sua Declaração do ITR (DIAC/DIAT) correspondente ao exercício 2003. Diante desse fato, a Fiscalização glosou as áreas informadas e procedeu ao arbitramento daquele valor, com base nas informações do SIPT – Sistema de Preços de Terra da Secretaria da Receita Federal do Brasil. Na Declaração do ITR correspondente ao exercício 2003, o contribuinte declarou 6.500,0 hectares como área de preservação permanente e 4.000,0 hectares como área de utilização limitada. Como valor da terra nua do imóvel rural denominado Fazenda Taboleirinho, o contribuinte declarou o montante de R$ 45.000,00, correspondente à área total declarada de 20.000,0 hectares, sendo tributável o valor da terra nua de R$ 21.375,00. Regularmente intimado para comprovar as áreas de preservação permanente e de reserva legal, o contribuinte não apresentou quaisquer documentos que evidenciassem as áreas declaradas, que foram, então, glosadas pela Fiscalização. No que respeita ao Valor da Terra Nua declarado, após regular intimação, não apresentou laudo de avaliação do imóvel, nos termos requeridos. A Fiscalização atribuiu, então, à terra nua, o valor de R$ 4.696.800,00, correspondente à área total de 20.000,0 hectares, de acordo com o valor constante do SIPT – Sistema de Preços de Terra informado por esse sistema como “VTN médio por aptidão agrícola”, com base nas informações constantes das DITR para o exercício 2003, no Município de São Desidério, onde se localiza o imóvel (R$ 234,84 por hectare). 1. Da nulidade do lançamento Fl. 207DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 4 5 Pugnando pela nulidade do lançamento, o contribuinte argumentou que há dúvidas razoáveis sobre a efetiva existência do imóvel, bem como não detém a sua posse e domínio pleno. Por outro lado, mesmo prevalecendo o entendimento de que fosse o sujeito passivo da relação jurídica tributária, ressaltou que a exigência seria nula, na medida em que a Fiscalização arbitrou um VTN sem respeitar os requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário. Inicialmente, no tocante à alegação de nulidade, impende destacar que o lançamento constante deste processo foi decorrente de revisão de declaração, que gerou uma Notificação de Lançamento, anexada aos autos às fls. 1 a 6. Os requisitos de validade da Notificação de Lançamento são aqueles previstos no artigo 11 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que a seguir transcrevese: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A Notificação de Lançamento constante dos autos deste processo, lavrada por Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil (agente competente), preenche todos os requisitos de validade exigidos pela lei que regula o processo administrativo fiscal. O contribuinte está identificado; os fatos enquadrados como infrações estão perfeitamente caracterizados e acompanhados das disposições legais infringidas, de modo a permitir a ampla defesa do contribuinte; o valor do crédito tributário está especificado (imposto, multa e juros), assim como o prazo para recolhimento do valor calculado ou para a impugnação do lançamento. Do exame dos autos, não se verificou qualquer irregularidade que pudesse causar prejuízo à defesa, de modo a justificar uma declaração de nulidade do lançamento. As questões suscitadas pela recorrente não configuram causas de nulidade do lançamento e serão analisadas em seguida. 2. Da sujeição passiva No caso em apreço, o lançamento, referente ao exercício 2003, efetivouse em 18.12.2007, com a ciência do interessado (fls. 10). Em 17 de janeiro de 2008, o lançamento foi impugnado. Em sua defesa, o contribuinte ponderou haver dúvidas razoáveis sobre a efetiva existência do imóvel, Fl. 208DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 6 matriculado sob os nºs 1879 e 1927 do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas de São Desidério (BA) e objeto das dações em pagamento realizadas em 2 de outubro de 1996 e 16 de janeiro de 1997, nos termos das "Escritura Pública de Confissão de Divida e Dação em Pagamento" e "Escritura Pública de Confissão de Dívida, Dação em Pagamento e Outras Avenças", nas quais figuram como dadores Miguel Francisco Alves e Nascimenta Maria Alves. Aduziu ainda que, consoante laudo técnico elaborado pela empresa Topoeste Projetos e Construções Ltda., assinado por engenheiro agrônomo devidamente inscrito no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), concluído em 23 de maio de 2007, concluise que as áreas da Fazenda Taboleirinho existem, porém estão sendo ocupadas pelas Fazendas Condado e Várzea do Guará que também possuem registro no cartório de São Desidério. Complementa que a documentação relativa à Fazenda Taboleirinho apresenta vícios e irregularidades. Sendo assim, não se pode exigirlhe o ITR, tendo em vista que inexiste a posse, a área enfim, a propriedade, elementos fundamentais para a existência do fato imponível do referido imposto. Sobre os argumentos suscitados, impende destacar que a Lei n.º 6.015, de 1973, ao dispor sobre os registros públicos, define, em seu artigo 172, que o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintivos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei é de competência Cartório de Registro de Imóveis: Art. 172 No Registro de Imóveis serão feitos, nos termos desta Lei, o registro e a averbação dos títulos ou atos constitutivos, declaratórios, translativos e extintos de direitos reais sobre imóveis reconhecidos em lei, " inter vivos" ou " mortis causa" quer para sua constituição, transferência e extinção, quer para sua validade em relação a terceiros, quer para a sua disponibilidade. (Renumerado do art. 168 § 1º para artigo autônomo com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975). O sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural, previsto no artigo 153, VI, da Constituição Federal de 1988, é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título, tal qual prescrito no Código Tributário Nacional – Lei n.º 5.172, de 1966: Art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localização fora da zona urbana do Município. Art. 30. A base do cálculo do imposto é o valor fundiário. Art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título. A Lei n.º 9.393, de 1996, que traça a regramatriz de incidência do imposto, prevê, em seu artigo 1.º: Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. [...]. Fl. 209DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 5 7 Na hipótese vertente, o interessado alega não ser sujeito passivo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural do imóvel denominado “Fazenda Taboleirinho”, por haver dúvidas concernentes não só à efetiva existência do imóvel, mas também por haver ocupação irregular de sua área por outros imóveis com registro no Cartório de São Desidério (“sobreposição”) e irregularidades na documentação da própria Fazenda. Ocorre que, se o registro não for expressão da verdade, tal como alegado, o interessado pode pleitear a sua retificação ou anulação, a teor do artigo 1.247 do Código Civil (Lei n.º 10.406, de 2002), cujo texto a seguir transcrevese Art. 1.247. Se o teor do registro não exprimir a verdade, poderá o interessado reclamar que se retifique ou anule. O cancelamento do registro público é feito de acordo com o que prescreve a Lei n.º 6.015, de 1973 (Lei dos Registros Públicos): Art. 249 O cancelamento poderá ser total ou parcial e referir se a qualquer dos atos do registro. (Renumerado do art. 250 com nova redação pela Lei nº 6.216, de 1975) Art. 250 Farseá o cancelamento: (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) I em cumprimento de decisão judicial transitada em julgado; (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) II a requerimento unânime das partes que tenham participado do ato registrado, se capazes, com as firmas reconhecidas por tabelião; (incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) III A requerimento do interessado, instruído com documento hábil.(incluído pela Lei nº 6.216, de 1975) IV a requerimento da Fazenda Pública, instruído com certidão de conclusão de processo administrativo que declarou, na forma da lei, a rescisão do título de domínio ou de concessão de direito real de uso de imóvel rural, expedido para fins de regularização fundiária, e a reversão do imóvel ao patrimônio público. (Incluído pela Lei nº 11.952, de 2009) Na hipótese, tratase de lançamento do ITR referente ao imóvel denominado “Fazenda Taboleirinho”, com área de 20.000,0 hectares, cujo NIRF é 5.696.1642, donde se conclui que corresponde à Área I da Fazenda, cuja matrícula é 1879 (vide fls. 62 e 44 e 45, todas de numeração eletrônica). Em 16 de outubro de 2013, com fulcro no § 4.º, alínea “b”, do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, o sujeito passivo requereu a juntada de novas provas aos autos, consubstanciadas nos seguintes documentos: (i) acórdão do Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), proferido em 12.8.2013, publicado em 30.8.2013, nos autos do processo administrativo n.º 000920757.2013.8.05.0000 e Fl. 210DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 8 (ii) petição apresentada à Secretaria da Receita Federal do Brasil, em 30.9.2013, por meio da qual requereu o cancelamento do NIRF 5.696.1642 (referente à matrícula 1879) e do NIRF 4.838.7053 (referente à matrícula 1927). Em 28 de novembro de 2013, invocando o mesmo fundamento, requereu, no processo administrativo n.º 10530.720214/200746, a juntada dos documentos às fls. 203 e seguintes daqueles autos. Tendo em vista que os documentos foram emitidos em data posterior à da apresentação da impugnação, configurase a situação prevista no § 4.º, alínea “b”, do artigo 16 do Decreto n.º 70.235, de 1972, razão pela qual o pedido da recorrente deve ser deferido. Mencionada documentação foi anexada aos autos, fls. 182 a 201 (numeração eletrônica) e será, a seguir, analisada. Verificase que, no recurso interposto nos autos do processo administrativo n.º 000920757.2013.8.05.0000, o recorrente pretendia o cancelamento das matrículas imobiliárias nº 1879 e 1927 do Ofício de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos de São Desidério (BA), supostamente originadas de títulos falsos. A decisão proferida em 12.8.2013 pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia (TJBA), nos autos do referido processo, foi no sentido de negar provimento ao recurso interposto pela interessada, eis que ficou constatado que a recorrente não possuía autorização legal para formular o pleito. A negativa de provimento ao recurso fundamentouse no artigo 1.º da Lei n.º 6.739, de 1979, que estipula que somente as pessoas jurídicas de direito público estão autorizadas a requerer ao CorregedorGeral da Justiça sejam declarados inexistentes e cancelados a matrícula e o registro de imóvel rural vinculado a título nulo de pleno direito, ou feitos em desacordo com os artigos 221 e seguintes da Lei n.º 6.015, de 1973 (alterada pela Lei n.º 6.216, de 1975). Ante a verificação que havia indícios que os imóveis eram objetos de títulos falsos, por originaremse de matrícula inexistente, foi também determinado, naquela decisão, o bloqueio das matrículas nº 1879, 1927 e 1831, todas do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos de São Desidério (BA) e a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR. O bloqueio das matrículas em questão, determinado pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia tem caráter de medida acautelatória instrumental, caracterizada pela suspensão das matrículas do imóvel, com o objetivo de impedir novos registros, protegendo, assim, os direitos dos adquirentes e terceiros de boafé, até decisão administrativa e judicial ulterior, tal como consta. Do exame do acórdão, depreendese ter o Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia constatado que existem indícios que os imóveis descritos nas matrículas n.º 1879 e 1927 são objetos de títulos falsos, pois supostamente originadas de matrícula inexistente. Por essa razão determinou o seu bloqueio. Às fls. 204 dos autos do processo n.º 10530.720214/200746, foi anexada Certidão do Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas do Primeiro Ofício da Comarca de Barreiras (BA), na qual a Oficiala certifica não constar, nos arquivos do Cartório, a ficha da matrícula R15817 em 4 de maio de 1983 – Protocolo 13.635 de 29 de abril de 1983, em nome Fl. 211DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 6 9 de Ahyrton Carvalho Franca. Por ser relevante para este processo, o documento será também considerado na presente análise. Examinando os autos, verificase que tanto a matrícula 1879 quanto a matrícula 1927 decorreriam da matrícula 5817, transferida para o Cartório de Registro e Hipotecas da Bahia sob o n.º R11831, tal como consta às fls. 44 e 47. Há, portanto, indícios veementes da ocorrência de fraude, com a constatação da inexistência da matrícula 5817, que deu origem às matrículas 1879 e 1927, conforme registrado na decisão no processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000. Todavia, não houve ainda uma decisão definitiva da questão. No processo administrativo nº 000920757.2013.8.05.0000, negouse provimento ao recurso da interessada, que pretendia o cancelamento das matrículas 1879 e 1927 do Ofício de Registro de Imóveis e Hipotecas, Títulos e Documentos da Comarca de São Desidério (BA). Determinouse apenas o seu bloqueio, até decisão definitiva. Também não ficou comprovado nos autos que ocorreu o cancelamento da matrícula do imóvel por uma das modalidades previstas no artigo 250 da Lei n.º 6.015, de 1973 (Lei dos Registros Públicos). Sendo assim, não é possível acolher os argumentos da recorrente. Enquanto não for cancelado o registro público, na forma da lei, não pode o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais considerálo como tal, pois este Conselho não é competente para promover o cancelamento pretendido, por mais veementes que sejam os indícios que se trata de fraude no registro imobiliário. Até que sejam canceladas, no registro público, nos termos do artigo 1.247 do Código Civil e do artigo 250 da Lei n.º 6.015, de 1973, as matrículas dos imóveis sobre os quais recai a tributação do imposto sobre a propriedade territorial rural, as matrículas 1879 e 1927 são válidas. E, com base na Certidão de Matrícula do Imóvel 1879, no Cartório de Registro de Imóveis e Hipotecas de São Desidério (BA), que não foi cancelada até a presente data, e na Escritura Pública de Confissão de Dívida, Dação em Pagamento e outras Avenças, a recorrente era e ainda é legítima proprietária do imóvel objeto da Notificação de Lançamento integrante do presente processo, sujeito passivo do imposto sobre a propriedade territorial rural que sobre ele incidiu, no exercício 2003. 3. Das áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal A recorrente alega que a Fiscalização ignorou a existência das áreas de preservação permanente e de utilização limitada. A Lei n.° 9.393, de 1996, que dispõe sobre o Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, ao tratar da sua apuração e pagamento, no artigo 10, assim prescreveu, verbis: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos Fl. 212DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 10 pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: [...] II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; [...] (g.n.) 3.1. Área de Preservação Permanente O Código Florestal Brasileiro vigente na época dos fatos (Lei n.° 4.771, de 1965, revogada pela Lei n.° 12.651, de 2012) assim dispunha sobre as Áreas de Preservação Permanente (APP): Art. 2° Consideramse de preservação permanente, pelo só efeito desta Lei, as florestas e demais formas de vegetação natural situadas: a) ao longo dos rios ou de qualquer curso d'água desde o seu nível mais alto em faixa marginal cuja largura mínima será: 1 de 30 (trinta) metros para os cursos d'água de menos de 10 (dez) metros de largura; 2 de 50 (cinquenta) metros para os cursos d'água que tenham de 10 (dez) a 50 (cinquenta) metros de largura; 3 de 100 (cem) metros para os cursos d'água que tenham de 50 (cinquenta) a 200 (duzentos) metros de largura; 4 de 200 (duzentos) metros para os cursos d'água que tenham de 200 (duzentos) a 600 (seiscentos) metros de largura; 5 de 500 (quinhentos) metros para os cursos d'água que tenham largura superior a 600 (seiscentos) metros; b) ao redor das lagoas, lagos ou reservatórios d'água naturais ou artificiais; c) nas nascentes, ainda que intermitentes e nos chamados "olhos d'água", qualquer que seja a sua situação topográfica, num raio mínimo de 50 (cinquenta) metros de largura; d) no topo de morros, montes, montanhas e serras; e) nas encostas ou partes destas, com declividade superior a 45°, equivalente a 100% na linha de maior declive; f) nas restingas, como fixadoras de dunas ou estabilizadoras de mangues; g) nas bordas dos tabuleiros ou chapadas, a partir da linha de ruptura do relevo, em faixa nunca inferior a 100 (cem) metros em projeções horizontais; Fl. 213DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 7 11 h) em altitude superior a 1.800 (mil e oitocentos) metros, qualquer que seja a vegetação. Parágrafo único. No caso de áreas urbanas, assim entendidas as compreendidas nos perímetros urbanos definidos por lei municipal, e nas regiões metropolitanas e aglomerações urbanas, em todo o território abrangido, observarseá o disposto nos respectivos planos diretores e leis de uso do solo, respeitados os princípios e limites a que se refere este artigo. Art. 3º Consideramse, ainda, de preservação permanente, quando assim declaradas por ato do Poder Público, as florestas e demais formas de vegetação natural destinadas: a) a atenuar a erosão das terras; b) a fixar as dunas; c) a formar faixas de proteção ao longo de rodovias e ferrovias; d) a auxiliar a defesa do território nacional a critério das autoridades militares; e) a proteger sítios de excepcional beleza ou de valor científico ou histórico; f) a asilar exemplares da fauna ou flora ameaçados de extinção; g) a manter o ambiente necessário à vida das populações silvícolas; h) a assegurar condições de bemestar público. § 1° A supressão total ou parcial de florestas de preservação permanente só será admitida com prévia autorização do Poder Executivo Federal, quando for necessária à execução de obras, planos, atividades ou projetos de utilidade pública ou interesse social. § 2º As florestas que integram o Patrimônio Indígena ficam sujeitas ao regime de preservação permanente (letra g) pelo só efeito desta Lei. No presente caso, a dedução da Área de Preservação Permanente não foi admitida pela Fiscalização por falta de comprovação. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, às fls. 3 e 4 (numeração eletrônica), que a interessada, mesmo tendo sido regularmente intimada, não comprovou a área declarada a título de preservação permanente no imóvel rural. Também não foram anexados, posteriormente, documentos hábeis para comprovar a área de preservação permanente declarada. A partir de 2001, a apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA tornouse obrigatória para a comprovação da Área de Preservação Permanente, a teor do disposto no artigo 17O da Lei n.° 6.938, de 1981, com a redação dada pela Lei n.º10.165, de 2000: Fl. 214DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 12 Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] § 1o A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória.(Redação dada pela Lei nº 10.165, de 2000) [...] (g.n.) No caso em exame, o “fato gerador” do tributo ocorreu em 2003, quando as normas constantes dos dispositivos acima transcritos já estavam em vigor. Sendo assim, exigível o Ato Declaratório Ambiental, protocolizado junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, para que se admita a exclusão da Área de Preservação Permanente da base de cálculo do ITR. No entanto, a recorrente não apresentou o Ato Declaratório Ambiental, nem comprovou, por meio de outros documentos hábeis e idôneos, que a área de preservação permanente declarada na DIAC/DIAT do exercício 2003 foi devidamente informada ao órgão de controle do meio ambiente, na forma da lei. 3.2. Área de utilização limitada/reserva legal O Código Florestal vigente na época dos fatos, Lei n.º 4.771, de 1965, prescrevia ser área de reserva legal aquela localizada no interior de uma propriedade ou posse rural, excetuada a de preservação permanente, necessária ao uso sustentável dos recursos naturais, à conservação e reabilitação dos processos ecológicos, à conservação da biodiversidade e ao abrigo e proteção de fauna e flora nativas. Seu artigo 16, ao regular a supressão de florestas ou outras formas de vegetação nativa, estipulava a manutenção de um percentual da propriedade rural a título de reserva legal, verbis: Art.16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (Redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Regulamento) Ioitenta por cento, na propriedade rural situada em área de floresta localizada na Amazônia Legal; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IItrinta e cinco por cento, na propriedade rural situada em área de cerrado localizada na Amazônia Legal, sendo no mínimo vinte por cento na propriedade e quinze por cento na forma de compensação em outra área, desde que esteja localizada na mesma microbacia, e seja averbada nos termos do § 7o deste artigo; (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IIIvinte por cento, na propriedade rural situada em área de floresta ou outras formas de vegetação nativa localizada nas Fl. 215DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 8 13 demais regiões do País; e (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) IVvinte por cento, na propriedade rural em área de campos gerais localizada em qualquer região do País. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] §2o A vegetação da reserva legal não pode ser suprimida, podendo apenas ser utilizada sob regime de manejo florestal sustentável, de acordo com princípios e critérios técnicos e científicos estabelecidos no regulamento, ressalvadas as hipóteses previstas no § 3o deste artigo, sem prejuízo das demais legislações específicas. [...] .§4° A localização da reserva legal deve ser aprovada pelo órgão ambiental estadual competente ou, mediante convênio, pelo órgão ambiental municipal ou outra instituição devidamente habilitada, devendo ser considerados, no processo de aprovação, a função social da propriedade, e os seguintes critérios e instrumentos, quando houver: I o plano de bacia hidrográfica; II o plano diretor municipal; III o zoneamento ecológicoeconômico; IV outras categorias de zoneamento ambiental; e V a proximidade com outra Reserva Legal, Area de Preservação Permanente, unidade de conservação ou outra área legalmente protegida. [...] §8oA área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) [...] (g.n.). Dos dispositivos legais transcritos, depreendese ser possível suprimir áreas de florestas e outras formas de vegetação nativa (não consideradas áreas de preservação permanente ou de utilização limitada), desde que seja mantida, a título de reserva legal, parte dessas florestas ou vegetações nativas, nos percentuais mínimos fixados. A instituição da reserva legal é uma exigência da legislação ambiental, no caso, a Lei n.° 4.771, de 1965. Aplicase a todo e qualquer imóvel rural, variando seu percentual mínimo de acordo com a localização do imóvel e suas características, na forma prescrita. A lei ambiental impõe, àquele que detém a posse ou a propriedade do imóvel rural, a Fl. 216DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 14 destinação do percentual mínimo para constituição da reserva legal. Deixa, todavia, critério do titular da propriedade ou da posse do imóvel determinar a área efetiva e sua localização, além dos seus limites no interior do imóvel rural, ficando a sua localização, sujeita a aprovação pelo órgão ambiental (artigo 16, § 4.°, da Lei n.° 4.771, de 1965, com a redação dada pela Medida Provisória n.° 2.16667, de 2001). De acordo com a Lei n.° 4.771, de 1965, a área de reserva legal deve ser averbada à margem da matrícula do imóvel rural no Cartório de Registro de Imóveis competente. O condicionamento da exclusão da área de reserva legal, no cômputo do ITR, à prévia averbação dessa área à margem da matrícula do imóvel, nos moldes previstos, assegura o cumprimento dos objetivos do artigo 16, § 2º, do Código Florestal e do artigo 10, inciso II, alínea "a", da Lei n.º 9.393, de 1996. Na hipótese, a interessada não comprovou ter havido averbação da área de reserva legal declarada junto à matrícula do imóvel rural. 4. Do Valor da Terra Nua VTN Regularmente intimada pela Fiscalização a apresentar Laudo de Avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.653 da Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, com grau de fundamentação e precisão II, com Anotação de Responsabilidade Técnica –ART registrada no CREA, contendo todos os elementos identificados que comprovassem o Valor da Terra Nua informado na DITR, a parte interessada permaneceu inerte. Diante disso, a Fiscalização procedeu ao lançamento do ITR sobre o Valor da Terra Nua arbitrado com base nas informações do Sistema de Preços de Terra – SIPT, da Secretaria da Receita Federal do Brasil, lançamento este integralmente mantido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília (DF). Tanto na impugnação quanto em sede de recurso, o contribuinte alegou que o lançamento foi feito com base em arbitramento do VTN em desrespeito aos requisitos legais para utilização desse expediente extraordinário. Neste ponto, entendemos assistirlhe razão. A Lei n.º 9.393, de 1996, estipulou, em seu artigo 14, que, no caso de prestação de informações inexatas em DIAC ou DIAT, cabe à Secretaria da Receita Federal proceder à determinação e ao lançamento de ofício do imposto, considerando informações sobre preços de terras constantes de sistema a ser por ela instituído, e os dados de área total, área tributável e grau de utilização do imóvel, apurados em procedimentos de fiscalização. Seu parágrafo 1.º estipula que as informações sobre preços de terra observarão os critérios estabelecidos no art. 12, § 1º, inciso II, da Lei nº 8.629, de 1993, e considerarão levantamentos realizados pelas Secretarias de Agricultura das Unidades Federadas ou dos Municípios. Com fundamento nesse dispositivo legal, foi instituído o SIPT – Sistema de Preços de Terras, por meio da Portaria SRF nº 447, de 28.3.2002 (DOU de 3.4.2002), com o objetivo de fornecer informações relativas a valores de terras para o cálculo e lançamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR). Segundo o ato normativo que o instituiu, o referido sistema baseiase nos valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e nos valores de terra nua da base de declarações do ITR. No caso em apreço, em razão da inércia do contribuinte, a autoridade fiscal utilizou o Valor da Terra Nua constante no SIPT Sistema de Preços de Terras, para o município de localização do imóvel (vide fls. 10 – numeração eletrônica). Fl. 217DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 9 15 Todavia, examinando os dados fornecidos pelo SIPT, conforme extrato acostado, verificase que o VTN médio informado, utilizado pela Fiscalização para apurar o VTN do imóvel na Notificação de Lançamento (vide fls. 4, numeração eletrônica) baseouse somente no VTN médio informado nas DITR entregues no Município de São Desidério no exercício 2003 (R$ 234,84). Ocorre que, na inexistência de laudo técnico que comprove o VTN declarado, pode ser utilizado o valor da terra nua constante do SIPT, desde que cumpridos os requisitos legais. Salientamos que se, para um determinado Município, não houver informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, o fisco não pode utilizar o VTN médio informado nas DITR, eis que esse valor não atende ao critério da capacidade potencial da terra, tendo em vista que esta informação não consta da declaração, que contém apenas o valor global atribuído à propriedade, sem considerar as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de utilização. Destacamos que, em casos como os que aqui se analisa, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem afastado o arbitramento do VTN com base no SIPT, vez que sem respaldo na lei. Vejamos ementa de julgado da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta Seção de Julgamento: VALOR DA TERRA NUA (VTN). ARBITRAMENTO COM BASE NO SISTEMA DE PREÇOS DE TERRAS (SIPT). UTILIZAÇÃO DO VTN MÉDIO DECLARADO. O VTN médio declarado por município extraído do SIPT, obtido com base nos valores informados na DITR, não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra, contrariando a legislação que rege a matéria. (Acórdão n.º 2202002.339, de 19.6.2013. Rel. Cons. Maria Lucia Moniz de Aragão Calomino Astorga) Transcrevemos, a seguir, trecho do voto condutor do Acórdão n.º 2202 002.339, com o qual estamos de acordo: Entendo que a utilização dos valores constantes do SIPT são válidos para fins de arbitramento do VTN, sempre que o contribuinte não apresente laudo técnico capaz de comprovar o valor por ele declarado e desde que os dados que alimentaram o sistemas atendam aos requisitos exigidos pela legislação, como, por exemplo, o VTN médio por hectare por aptidão agrícola, apurado nas avaliações realizada pelas Secretarias Estaduais de Agricultura, em que os preços de terras são determinados levandose em conta de existência de lavouras, campos, pastagens, matas etc. Ressaltese, entretanto, que o fato de para um determinado município não existirem informações dos órgãos estaduais ou municipais que permitam estimar o VTN/médio por hectare por aptidão agrícola, não autoriza o fisco a utilizar o VTN médio informado nas DITR do mesmo município. Isto porque o VTN médio declarado por município, obtido com base nos valores Fl. 218DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 16 informados na DITR, constitui um parâmetro inicial, mas não pode ser utilizado para fins de arbitramento, pois notoriamente não atende ao critério da capacidade potencial da terra. Isso porque esta informação não é contemplada na declaração, que contém apenas o valor global atribuído a propriedade, sem levar em conta as características intrínsecas e extrínsecas da terra que determinam o seu potencial de uso. Dessa forma, uma vez que o arbitramento foi feito utilizandose o VTN médio declarado pelos contribuintes do mesmo município, valor este que não encontra amparo na legislação, há que se restabelecer o valor originalmente declarado. Também a Câmara Superior de Recursos Fiscais já externou o mesmo entendimento quanto a este tema, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2005 VTN. ARBITRAMENTO. SIPT. REQUISITOS. Incabível a manutenção do arbitramento do VTN Valor da Terra Nua com base no SIPT – Sistema de Preços de Terras, quando não cumpridos os requisitos especificados no art. 14 da Lei n° 9.393, de 1.996. (Acórdão n.º 9202002.699, de 10.6.2013. Rel. Cons. Maria Helena Cotta Cardozo) Posicionandose no sentido que o SIPT, quando informa somente o VTN médio declarado nas DITR do Município, sem considerar a aptidão agrícola da terra, não cumpre os requisitos legais para ser utilizado no arbitramento do valor da terra nua, a Conselheira relatora expressouse nos seguintes termos: Nesse contexto, foi aprovado o Sistema de Preços de Terras SIPT da Secretaria da Receita Federal, pela Portaria SRF nº 447, de 2002, que deve ser alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores da terra nua da base de declarações do ITR (art. 3º da citada Portaria). Portanto, o arbitramento com base no SIPT tem previsão legal e pode ser aplicado, nas situações tipificadas, quando os respectivos valores forem apurados conforme as determinações legais acima especificadas. No caso em apreço, a tela do SIPT às fls. 56, extraída em 26/11/2008, portanto juntada aos autos somente após a apresentação da Impugnação, não deixa dúvidas, no sentido de que o arbitramento foi efetuado com base apenas na média das DITR do Município, sem considerarse a aptidão agrícola, portanto sem atender às determinações legais acima referidas.(g.n.) Fl. 219DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 10 17 Sendo assim, merece reparo a decisão recorrida, para o fim de desconstituir o arbitramento promovido pela Fiscalização, eis que em desacordo com os ditames legais, restabelecendose o Valor da Terra Nua declarado pelo contribuinte em sua DITR. 5. Das diligências e perícias O recorrente pede seja realizada diligência para o fim de aferir tecnicamente quantificação da área tributável e o valor da terra nua. Sobre o alegado, salientase que a realização de diligências e perícias está disciplinada no Decreto n.º 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União sobre matérias administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 9 de dezembro de 1993, art. 1.º). [...] Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto n.º 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei n.º 8.748, de 1993, art. 1.º). [...] Referida produção de provas já havia sido solicitada na impugnação, tendo sido indeferida pela DRJ em Brasília (DF). O contribuinte pede mais uma vez, agora em sede de recurso voluntário, a realização de diligência. O pedido de diligência ou perícia, feito na impugnação, deve ser fundamentado, devendo o requerente formular os quesitos referentes ao exame desejado, acompanhado, no caso de perícia, do nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito, tal como prevê o artigo 36 do Decreto n.º 7.574, de 2011, acima transcrito. Tais exigências não foram atendidas pelo contribuinte. Em situações análogas, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais tem se manifestado no sentido de não deferir pedidos de diligência e perícia, por impertinentes: DILIGÊNCIA CABIMENTO A diligência deve ser determinada pela autoridade julgadora, de ofício ou a requerimento do impugnante, quando entendêla necessária. Deficiências da defesa na apresentação de provas, sob sua responsabilidade, não implicam na necessidade de realização de diligência com o objetivo de produzir essas provas. (Primeiro Conselho de Contribuintes. 4ª Câmara. Turma Ordinária. Fl. 220DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 18 Acórdão nº 10422352 do Processo 11516003285200489. Data: 25/04/2007). PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DILIGÊNCIA DESCABIMENTO Não é de ser acolhido pedido de diligência formulado pelo Recorrente para obtenção de informações que ele próprio poderia trazer aos autos, máxime para contraditar base de cálculo do imposto sobre a qual não existe fundada dúvida. Recurso negado (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Acórdão nº 10611450 do Processo 116180008159914. Data: 16/08/2000). PEDIDO DE DILIGÊNCIA INDEFERIMENTO AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA NECESSIDADE E PERTINÊNCIA A diligência não pode ser utilizada para inverter o ônus da prova em desfavor do fisco. A diligência não é um direito subjetivo do recorrente. Para que o pedido de diligência seja deferido pela autoridade julgadora, o recorrente deve provar sua necessidade (Primeiro Conselho de Contribuintes. 6ª Câmara. Turma Ordinária. Data: 23/01/2008). É dever do particular colaborar com a Administração, fornecendo todos os documentos solicitados, sempre que regularmente intimado, com o objetivo de facilitar o conhecimento do fato jurídico tributário pela autoridade lançadora e de subsidiar a tomada de decisão do julgador. A omissão do sujeito passivo na apresentação de prova documental não pode ser suprida por diligências ou perícias custeadas pelo Poder Público. É que as diligências, no processo administrativo fiscal, prestamse a esclarecer pontos que o julgador entenda necessários para a formação do seu convencimento na apreciação da matéria em litígio e não a suprir prova documental que deveria ter sido providenciada pela defesa e não foi, tal como ocorreu na hipótese. Pelas razões expostas, somos pelo indeferimento do pedido de diligência. 6. Demais considerações No corpo de sua peça recursal, a recorrente citou e transcreveu ementas de julgados dos Conselhos de Contribuintes, que entende refletirem o entendimento da defesa. Sobre este tema, salientamos que as decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não têm caráter normativo. As decisões proferidas no âmbito deste CARF e do antigo Conselho de Contribuintes são válidas somente entre as partes integrantes do processo administrativo. O livre convencimento do julgador, de acordo com as provas dos autos, permite que a decisão proferida, baseada na lei, tenha por supedâneo o argumento que entender razoável ou cabível ao caso concreto, desde que devidamente fundamentada, explicitadas as razões de fato e de direito que o levaram a tal convicção. Salientamos, por fim, que a decisão proferida pelo Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, no processo administrativo n.º 0009207 57.2013.8.05.0000, determinou a suspensão do pagamento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR correspondente aos imóveis cujas matrículas foram bloqueadas, decisão esta que deve ser cumprida pela repartição de origem, nos termos em que foi exarada. Conclusão Fl. 221DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10530.720190/200725 Acórdão n.º 2101002.394 S2C1T1 Fl. 11 19 Ante todo o exposto, voto por afastar as preliminares de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento em parte ao recurso voluntário, para restabelecer o valor da terra nua declarado. (assinado digitalmente) _________________________________ Celia Maria de Souza Murphy Relatora Fl. 222DF CARF MF Impresso em 01/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 20/ 02/2014 por CELIA MARIA DE SOUZA MURPHY, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 10380.900752/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Apr 02 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3101-000.324
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de votos, converteu-se o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
RELATÓRIO
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2105; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T1 Fl. 3 1 2 S3C1T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.900752/200945 Recurso nº 1Voluntário Resolução nº 3101000.324 – 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 30 de janeiro de 2014 Assunto Solicitação de diligência Recorrente CGTF CENTRAL GERADORA TERMELÉTRICA FORTALEZA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Por maioria de votos, converteuse o julgamento do recurso voluntário em diligência, nos termos do voto do Relator.Vencidos os Conselheiros Jacques Maurício Ferreira Veloso de Melo e Leonardo Mussi da Silva. Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 24/02/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (presidente), Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Jacques Mauricio Ferreira Veloso de Melo (Suplente) e Leonardo Mussi da Silva (Suplente). Ausentes os Conselheiros Vanessa Albuquerque Valente e Luiz Roberto Domingo. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. RELATÓRIO Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior de Cofins que pretende utilizar para compensar com débito de CSLL. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 00 75 2/ 20 09 -4 5 Fl. 478DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 4 2 pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, ementando assim o acórdão: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2005 Cofins. PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada. Fl. 479DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 5 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, essa turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. VOTO Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivocada a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 6 4 A incidência nãocumulativa das contribuições de que trata a lei n° 10.637/2002 e a lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...]§2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei Fl. 481DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 7 5 nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como conseqüência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Essa turma de julgamento, em sua composição anterior, na Resolução 3101000.169 que determinou a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou Fl. 482DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 8 6 sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento através da Resolução 3101000.169, foi dividido em duas partes: a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. Fl. 483DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 9 7 O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). Apresentou os seguintes preços dos insumos: INSUMO PREÇO DATA REFERÊNCIA BASE NORMATIVA GÁS NATURAL 0,304 R$/m³ junho/2001 Portaria Interministerial MME, MF 176/2001 (2,581 U$/MBTU, câmbio 2,3436 R$/U$) TUST Pecém 0,831 R$/kW Julho/2002 Anexo I, Resolução ANEEL 358/2002 Foram apresentados os seguintes valores corrigidos dos insumos e do preço praticado na venda da CGTF para a COELCE: DATA GÁS (R$/m³) TUST (R$/Kw) CGTFCOELCE (R$/MWh) ago/02 0,30400 0,831 122,36 dez/03 0,40298 3,431 159,82 jan/04 0,40298 3,431 159,82 fev/04 0,40298 3,431 159,82 mar/04 0,40298 3,431 159,82 abr/04 0,40504 3,431 163,96 mai/04 0,40504 3,431 163,96 jun/04 0,40504 3,431 163,96 jul/04 0,40504 3,431 163,96 ago/04 0,40504 2,675 163,96 set/04 0,40504 2,675 163,96 out/04 0,40504 2,675 163,96 nov/04 0,40504 2,675 163,96 dez/04 0,40504 2,869 163,96 jan/05 0,40504 2,869 163,96 fev/05 0,40504 2,869 163,96 mar/05 0,40504 2,869 163,96 abr/05 0,40632 2,869 163,55 mai/05 0,40632 2,869 163,55 jun/05 0,40632 2,869 163,55 jul/05 0,40632 3,385 163,55 ago/05 0,40632 3,385 163,55 set/05 0,40632 3,385 163,55 out/05 0,40632 3,385 163,55 nov/05 0,40632 3,385 163,55 dez/05 0,40632 3,385 163,55 Fl. 484DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S Processo nº 10380.900752/200945 Resolução nº 3101000.324 S3C1T1 Fl. 10 8 O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. Entretanto, para análise das variações do preço final praticado no contrato de fornecimento para a COELCE em contrapartida com a variação do preço dos insumos, tornase necessário conhecer a composição final do preço com base nesses insumos, ou seja, o fator de ponderação de cada insumo (gás natural e TUST) na composição do preço final da energia vendida. Apenas com base no preço dos insumos ponderados (custo total dos insumos indicados), na mesma base do preço de venda de energia (R$/MWh), é possível confirmar a afirmação dos peritos que “a variação de preço de venda não foi superior à dos insumos”. Diante dos fatos apurados nos presente autos, voto no sentido converter o presente julgamento em diligência, para que a unidade de origem intime novamente a recorrente, para trazer aos autos complemento do laudo pericial com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Sala das sessões, em 30 de janeiro de 2014. Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Fl. 485DF CARF MF Impresso em 02/04/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 01/04 /2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 25/02/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDE S
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Numero do processo: 10410.002031/2009-73
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL.
Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007.
A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS.
Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
Numero da decisão: 1802-001.583
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
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INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 20 31 /2 00 9- 73 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 110 2 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 111 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.82/96 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 73/78) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 17/04/2009, a Contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária, formulário em papel (modelo previsto no Anexo VII da IN RFB n° 900/2008), informando (fls. 02/04): a) débitos previdenciários Fundo de Asistência da Previdência Social FPAS: Código de Receita – FPAS Período de Apuração Vencimento Valor Orginal do Débito (R$) Outras Informações 2100 03/2009 20/04/2009 67.282,04 FPAS 833 2607 03/2009 20/04/2009 611.810,46 FPAS 744 2100 03/2009 20/04/2009 113.175,31 FPAS 604 Obs: Os débitos discriminados acima são da USINA CAETE – Unidade Volta Grande, inscrita no CNPJ/MF sob n° 12.282.034/000871, localizada na Rod: MG.427 KM 43, S/N, Zona Rural, Município de Conceição das Alagoas, Estado de Minas Gerais. b) crédito utilizado (valor original): R$ 792.267,81. que, segundo a Contribuinte, a origem desse direito creditório utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendáro 2008, no montante de R$ 5.484.010,68 (valor original), objeto do Processo de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP: 02581.89116.190309.1.3.028782, protocolizada em 19/03/2009, cópia juntada (fls. 17/19). Não informou o número daquele processo; que o reconhecimento do direito de compensação impõese com base na Lei nº 11.457/2007; A DRF/Maceió (4ª Região Fiscal), por Despacho Decisório de 22/06/2009 (fls. 28/30), sem enfrentar o mérito quanto ao direito creditório pleiteado nestes autos, indeferiu a Compensação tributária informada, em face de utilização pela contribuinte de procedimento de compensação diverso do previsto legalmente. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação constante do Parecer da Seção – SAORT, parte integrante do referido Despacho Decisório (fls. 28/30), in verbis: (...) Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 112 4 Fundamentação 2. De acordo com o que consta às fls. 01 e 02 dos autos, as compensações requeridas têm como alvos débitos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados, demais segurados do regime geral de previdência social e de suas operações normais durante o mês de março de 2.009. No caso, observase que os débitos sobre os quais se requer as compensações são decorrentes do que consta na alínea "a", parágrafo único, art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 3. O requerente fundamentase na Lei n° 11.457, de 2.007, para solicitar o reconhecimento do direito às compensações (ver fls. 01). 4. A Lei n° 11.457, de 2.007, em seu art. 26, parágrafo único, determina que o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 5.Entendo, no caso, que as compensações pretendidas utilizaram como base o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, atualmente com redação dada pela dada pela Lei n° 10.637, de 2.002, tendo em vista que a declaração de compensação de fls. 02 dos autos foi efetivada com base em crédito de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Conclusão 6. Tendo em vista o que consta neste parecer, proponho que seja indeferida a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Despacho decisório À vista dos elementos que instruem este processo e dos fundamentos contidos no parecer que integra este ato, conforme § 1º, art. 50, da Lei n° 9.784, de 1.999, indefiro a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 06/07/2009 (fl. 31), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade para a DRF/Recife em 05/08/2009 (fls. 32/40), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que pela Lei 11.457/2007 ocorreu a unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, dando origem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Super Receita); que, pelo art. 2º da Lei nº 11.457/2007, foi transferida toda a competência sobre a fiscalização e administração das Contribuições Previdenciárias, de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 113 5 que não há, absolutamente, nenhuma vedação expressa na lei no sentido de que não poderia a Contribuinte compensar seu débito correspondente à contribuição previdenciária com crédito originário de outros tributos como, por exemplo, saldo negativo de IRPJ e também não haveria de ter, pois são tributos administrados pelo mesmo órgão; que a Lei 11.457/2007 e a Instrução Normativa n° 900/08 não apresentam quaisquer restrições ou justificativas no sentido da impossibilidade de compensação dos débitos relativos às contribuições previdenciárias com créditos relativos a outros tributos; que se encontra consolidado pelo Supremo Tribunal Federal o reconhecimento de que as contribuições sociais têm natureza tributária e que, antes da edição da Lei 11.457/2007, o único empecilho que permanecia à compensação, entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, era o fato de que àquelas eram administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social; que o art. 7° do DecretoLei n° 2.287/1986 (nova redação dada pelo art. 114 da Lei n° 11.196/2005) já determinava que o fisco, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deveria averiguar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, no caso de existência de débitos, inclusive previdenciários, o valor correspondente ao crédito deveria ser compensado de ofício, total ou parcialmente, com o valor do débito; que atinente a débitos das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91 ou das contribuições instituídas a título de substituição – incidentes sobre o faturamento – Agroindústria (Lei nº 8.212/91, art. 11, § parágrafo único, “d” c/c art. 22A) e em relação à Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, o dispositivo prevê o mesmo procedimento. Ou seja, a autoridade fiscal deve compensar de oficio créditos de tributos federais com débitos previdenciários antes de qualquer ressarcimento ou restituição; que as compensações de créditos de tributos federais com débitos de contribuições administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdencidria já eram realizadas, independentemente de requerimento do contribuinte e, sendo assim, a Lei 11.457/2007 buscou justamente tornar possível também a compensação pelo próprio contribuinte. Ademais, seria injustificável que este procedimento somente pudesse ser realizado de oficio pelo fisco, razão pela qual as compensações, do caso em tela, devem ser aceitas/homologadas com base em declaração da própria Contribuinte, na forma prevista pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que todos os tributos federais passaram a ser administrados pelo mesmo órgão, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatase que a compensação objeto do processo em comento se mostra absolutamente legitima, motivo pelo qual o suposto débito de contribuição previdenciária deve ser extinto; que, caso se entenda pela impossibilidade de realização das compensações, sob hipótese alguma poderia ser fundamentada pela aplicação do artigo 26 da Lei 11.457/2007, pois esse dispositivo se refere, exclusivamente, às contribuições: a) das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos e c) dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, o que, definitivamente, não é o caso dos autos; Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 114 6 que, vale dizer, os artigos 2º e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 somente vedam a compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para as constribuições previdenciárias das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91; que a situação da Contribuinte é diversa, pois tratase de Agroindústria e, por isso, o débito compensado se enquadra na alínea "d" do § único do artigo 11 da Lei 8.212/91, ou seja, contribuição social incidente sobre o faturamento, por força do disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, redação dada pelo art. 1º da Lei 10.256/2001, e que, por conseguinte, a compensação efetuada não é vedada; que, não obstante, a vedação de compensação (alineas a, b e c do § único do art. 11 da Lei 8.212/91), também, não deve prevalecer por ser flagrantemente inconstitucional, por falta de proporcionalidade ou razoabilidade da restrição; que, desta forma, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria, alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91), e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos; que, por fim, pedidu a revisão do indigitado Despacho Decisório. A DRJ/Recife, na mesma esteira do Despacho Decisório, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela vedação da compensação pleiteada no rito do procedimento previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não entrando no mérito do direito creditório, cuja menta do acórdão transcrevo a seguir (fl. 73), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição não se aplicam às disposições relativas à restituição e compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência do art. 26 da Lei n° 11.457/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 115 7 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 22/03/2012sextafeira (fl. 81), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 82/96), juntando ainda os documentos de fls. 98/105, aduzindo, em suma, as mesmas razões já apresentadas na instância a quo, já resumidas anteriormente, neste relatório. Por fim, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, reiterando que, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91) e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos. Aduziu, também, a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação de débitos de contribuição previdenciária com créditos de outros tributos mediante prévio requerimento. É o relatório. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 116 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A Contribuinte, em 20/03/2009 (fls. 02/03), formalizou compensação tributária de débitos das contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com direito creditório saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, utilizando o procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão a quo, assim como acontecera com o despacho decisório, sem entrar no mérito do direito creditório, rejeitou a compensação tributária, pela impossibilidade jurídica do encontro de contas pelo procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que é inaplicável a vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, pelas seguintes razões: a) que a vedação estendese, apenas, às exações fiscais das alínesas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; b) que, por ser agroindústria (contribuições da Agoindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º), os débitos compensados do INSS referemse à alínea “d” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; c) que, caso esse entendimento não seja acatado e ainda assim, a partir da criação da Super Receita Lei nº 11.457/2007 (unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Arrecadação Previdenciária do Ministério da Previdência Social), não deve prevalecer a vedação de aplicação do art. 74 da Lei 9.430/96. Vale dizer: que é inconstitucional o dispositivo legal que veda a compensação tributária, via DCOMP, de débitos do INSS com créditos de tributos federais, pois tais exações fiscais passaram a ser administradas pelo mesmo órgão, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil. d) que, por fim ainda, defende a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação por prévio requerimento entre débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 117 9 Inexistindo preliminar suscitada de natureza processual, passo diretamente à análise do mérito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCEDIMENTOS. O ponto controvertido, que precede à análise de mérito do direito creditório pleiteado, diz respeito ao procedimento utilizado pela Recorrente para viabilizar o “encontro de contas” de débitos de contribuições sociais do INSS (estatuídas na Lei nº 8.212, art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b”, e “c”) e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições sociais da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com créditos de outros tributos federais. Em relação às contribuições previdenciárias do INSS, antes da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária promovida pela Lei nº 11.457/07 (Lei que criou a "Super Receita"), as hipóteses de compensação dessas exações fiscais estavam bem delineadas na legislação de regência. Senão vejamos: a) compensação voluntária, via declaração (GFIP), somente entre débitos tributários de contribuições previdenciárias do INSS e crédito dessas mesmas exações fiscais, decorrente de pagamento indevido ou a maior (Lei nº 8.212/91, art. 89 c/c Lei nº 9.032/95); b) compensação de ofício, entre débitos do sujeito passivo com a Fazenda Nacional e créditos de competência do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Lei nº 8.212/91, art. 89, § 8º, MP 252/2005 e Lei nº 11.196/05); c) compensação de ofício, realizada entre créditos de quaisquer tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias, cuja competência era exercida pela Secretaria da Receita Federal. (DecretoLei nº 2.287/86, art. 7º, § 2º, com redação dada pelo art. 114, da Lei nº 11.196/05). Portanto, enquanto vigente o art. 89, § 2º, da Lei nº 8.212/91, o qual foi objeto de revogação pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, havia expressa disposição de que a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias, por iniciativa voluntária do contribuinte, somente envolvia débitos e créditos tributários decorrentes dessas mesmas contribuições, in verbis: "Art. 89. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei." Quando da entrada em vigor da Lei nº 11.457/07 (unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria de Arrecadação da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social), o caput do art. 26 trouxe uma inovação legislativa atinente à compensação de contribuições previdenciárias, ou seja, além da compensação voluntária entre débitos e créditos de contribuições sociais do INSS, prevê a compensação, por requerimento, em procedimento diverso da Declaração de Compensação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para débitos de contribuições sociais do INSS com créditos de outros tributos federais. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 118 10 Vale dizer, a partir data da entrada em vigor da MP 449/08, restou revogada a restrição contida no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 (norma específica). A mencionada medida provisória foi convertida na Lei nº 11.941/09, que manteve a revogação. Em face disso, e em consonância com o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/07, há previsão legal, em abstrato, de compensação voluntária, por requerimento, de débitos previdenciários com créditos de tributos federais. Já, os Tribunais brasileiros, interpretando a norma inserta no art. 26, e parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, têm enfrentado a questão, apenas, sob o ângulo se cábivel ou não a aplicação do procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para efeito de compensação voluntária, por iniciativa do contribuinte, entre débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos de tributos federais. A propósito da norma insculpida no art. 26, da Lei nº 11.457/07, o Superior Tribunal Justiça (STJ) já se manifestou acerca de compensação entre contribuições federais e os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer, a Segunda Turma desse Excelso Tribunal, em julgado datado 05/04/2011 (STJ. REsp 1235348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 02/05/2011), quanto ao alcance do art. 26, e seu parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, assim concluiu, in verbis: "(...) consignou expressamente que o art. 74 da Lei 9.430/96 não se aplica às exações cuja competência arrecadatória foi transferida, ou seja, vedou a compensação entre créditos de tributos que eram administrados pela antiga Receita Federal com débitos de natureza previdenciária, até então sob o pálio do INSS." (p.08). Em outro julgado, mais recente da mesma Turma julgadora do STJ (AgRg no REsp 1267060/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011), reafirmase o entendimento exposado no início do ano de 2011, in verbis: "É incontroverso que, em regra, os créditos do contribuinte contra a Receita Federal do Brasil podem ser compensados com quaisquer débitos tributários administrados pelo mesmo órgão, por meio da declaração eletrônica (DCOMP), nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.637/2002). Ocorre que o art. 26, parágrafo único, c/c o art. 2º da Lei 11.457/2007 afastou expressamente essa prerrogativa em relação às contribuições sociais do art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei 8.212/1991 (contribuições patronais, dos empregadores domésticos e dos trabalhadores) e àquelas instituídas a título de substituição: Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 119 11 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. A intenção do legislador foi, claramente, resguardar as receitas necessárias para o atendimento aos benefícios, que serão creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei 11.457/2007”. Portanto, conforme entendimento do Poder Judiciário, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (compensação por PER/DCOMP) não se aplica às contribuições sociais aludidas no art. 2º da Lei nº 11.457/07. Não obstante, como já disse alhures, entendo que a partir da revogação do § 2º do art. 89 Lei nº 8.212/91 (norma específica), operada pela Lei nº 11.941/09, abriuse possibilidade legal de compensação voluntária, de iniciativa do contribuinte (prévio requerimento), de débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos dos demais tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que observado específico procedimento legal de compensação a ser implementado, conforme será demonstrado a seguir. Primeiramente, tornase mister transcrever o texto dos arts. 2º e 26 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (...) Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 120 12 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei." No contexto sistemáticonormativo que se insere a Lei nº 11.457/07 (arts. 2º e 26), é cediço que o referido diploma legal procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a cognominada "SUPER RECEITA", cujo órgão passou a ser chamado de Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, no contexto da referida fusão, foram criadas regras para a estrutura administrativa e de procedimentos administrativos para harmonização e operacionalização da reunião das competências de administração, fiscalização e arrecadação dos tributos federais, incluindo agora as contribuições previdenciárias, previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei nº 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição. A norma insculpida no caput do art. 26 da Lei 11.457/07, numa primeira análise, diz respeito apenas à obrigatoriedade do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias do INSS ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Já, a regra contida no parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 dispõe apenas acerca do alinhamento e adaptação do procedimento administrativo de compensação, para operacionalização do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Mas, não é só isso! Em análise detida, o art. 26 da Lei nº 11.457/07 diz mais: busca equalizar o fluxo de arrecadação e manter íntegra a destinação dos valores arrecadados a título de contribuições previdenciárias do INSS, diante da característica das contribuições especiais: a destinação específica do produto de sua arrecadação. A equalização do fluxo de arrecadação, para manutenção da correta destinação dos valores das contribuições previdenciárias ao Fundo do RGPS, somente se justifica se, e apenas se, na compensação (débitos x créditos) os créditos utilizados para o encontro de contas não forem de natureza previdência (contribuições previdenciárias). A propósito, os efeitos financeiros da compensação tributária, se operada apenas entre contribuições previdenciárias ou entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, são os seguintes: Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 121 13 a) compensação de débito de contribuição previdenciária com créditos previdenciários. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária, já descontada a compensação, é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Aqui, não há equalização do fluxo de arrecadação, pois tudo é feito no âmbito da GFIP, conforme será abordado mais adiante. b) compensação débito de contribuição previdenciária do INSS com créditos de tributos federais. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária (valor recolhido pelo contribuinte + o valor compensado) é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei nº 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Quanto ao valor compensado (crédito utilizado de tributos administrado pela RFB), o repasse do respectivo valor pela União (RFB) ao Fundo RGPS deve ocorrer em dois dias úteis (Lei nº 11.457/2007, art. 26). Aqui, destarte, que se dá a equalização para que haja o repasse integral da arrecadação das contribuições previdenciárias. É essa equalização de arrecadação que está regulamentada no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. Tal procedimento financeirocontábil já era adotado desde o ano de 2005, antes mesmo da criação da "Super Receita", com o advento Lei nº 11.196/05, que modificou o DecretoLei nº 2.287/86, instituindo a compensação de ofício entre as contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais. Entretanto, o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 foi além dessa compensação de ofício, ou seja, prevê também a compensação voluntária, mediante requerimento do contribuinte, de débito de contribuição previdenciária (INSS) com créditos de tributos federais, porém, neste último caso, em procedimento diverso do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 deve ser entendido no sentido de que o procedimento de compensação previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96 não se aplica às compensações de débitos previdenciários via DCOMP eletrônica ou em papel, quando estiverem envolvidos créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias. E não se aplica o mencionado procedimento administrativo fiscal do art. 74 da Lei 9.430/96 para as compensações de débitos previdenciários com créditos de outros tributos federais por uma razão lógica e sistêmica após unificação da arrecadação dos tributos federais, promovida pela Lei nº 11.457/07, ou seja, em face da necessidade de equalização do fluxo de arrecadação do INSS (necessidade de repasse em dois dias úteis em procedimento de compensação ágil, diverso do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Como a compensação tributária, no procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dáse imediatamente, ainda que em caráter resolutório, podendo a homologação ocorrer de forma expressa ou tácita, no prazo de até cinco anos. Vêse, logo, que o procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 é incompatível com a necessidade de equalização imediata do fluxo de arrecadação da receita previdenciária. É notório que o procedimento administrativo de compensação, previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96, é o denominado de "Compensação por Declaração", ou seja, o próprio contribuinte realiza a compensação e a informa à RFB, mediante utilização do Programa Gerador PER/DCOMP eletrônica ou, em certos casos, mediante DCOMP em formulário em papel. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 122 14 O procedimento de compensação por declaração (DCOMP) é incompatível com o procedimento de equalização do fluxo de recursos financeiros, prevista no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. É incompatível pelas seguintes razões: necessidade de controle prévio da compensação de crédito de tributos federais (exceto previdenciários) com os débitos de contribuição previdenciária, para fins de determinação do quantum a ser repassado para o Fundo do RGPS; exíguo lapso temporal para o repasse pela União (RFB) ao Fundo do RGPS dos valores compensados, uma vez que fixado dois dias úteis da data da compensação de ofício ou do deferimento do requerimento. Prazo incompatível com a DCOMP que exingue o débito sob condição resolutória na data de sua transmissão. Cabe mencionar, ainda, que a Lei nº 11.457/07 faz referência à data do deferimento do requerimento. Tal REQUERIMENTO somente pode ser considerado o pedido administrativo prévio de compensação voluntária pelo contribuinte. É indubitável que a compensação via requerimento é completamente distinta da compensação por intermédio de declaração. Nesta, o contribuinte realiza a compensação sob condição resolutória e, ato contínuo, informa à RFB, que tem determinado prazo para homologála ou não. Naquela, o contribuinte faz meramente um pedido administrativo de compensação, o qual será analisado pela RFB, que poderá deferilo ou não. De modo que já se sabe, até mesmo por expressa menção do parágrafo único do art. 26 da referida Lei, que o procedimento via DCOMP não se aplica às compensações referidas no caput. E mais, sabese que a compensação entre crédito de contribuição previdenciária e débitos desta mesma contribuição é realizada por declaração, na denominada GFIP, pois desnecessária, nestes casos, a equalização de recursos financeiros entre a União e o INSS (RGPS). Com efeito, não faria qualquer sentido dizer que o vocábulo "requerimento", a que se refere o caput do art. 26, da Lei nº 11.457/07, estaria ligado à compensação entre crédito de contribuições previdenciárias e débitos de natureza prvidênciária. Como visto, há diversos procedimentos de compensação tributária. Resumidamente, a compensação tributária ocorre em momentos distintos a depender do tipo de procedimento adotado, ou seja: a) entre contribuições previdenciárias, conforme legislação de regência da GFIP (Lei 8.212/91, art. 89, c/c art. 44 da IN RFB nº 900/2008); b) entre tributos federais administrados pela RFB, pela legislação de regência da DCOMP (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 1º); Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 123 15 c) entre débitos de contribuição previdenciária do INSS e crédito de tributos federais administrados pela RFB, somente após deferimento de requerimento, em procedimento diverso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Lei 11.457/2007, art. 26). Assim, embora não aplicável o art. 74 da Lei 9.430/96 à compensação tributária entre créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07, ao invés de vedar, está a viabilizar possível compensação tributária por “requerimento” do contribuinte prevista no seu caput. Tanto é assim que, com o fito de eliminar o último óbice quanto à compensação voluntária entre contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais, a Lei nº 11.941/09 revogou, expressamente, o § 2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Significa isso que, acaso o legislador desejasse vedar a compensação, por iniciativa do contribuinte, de crédito de outros tributos federais com os débitos de contribuições previdenciárias, teria mantido a norma inserta no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, modificando apenas o órgão arrecadador para a RFB. Mas assim não o fez, mantendo a coerência lógicosistemática da compensação de tributos administrados pela RFB. Em face do exposto, cabe concluir que a compensação de créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS tem previsão legal, porém deve ser apresentada via “requerimento” do contribuinte, por força do art. 26, caput, da Lei nº 11.457/07, em face de necessidade de controle da compensação para fins de repasse, pela União (RFB), do valor compensado ao Fundo do RGPS, não podendo ser utilizado, por conseguinte, o procedimento de compensação por declaração (DCOMP), prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme dispõe o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07. No caso, inadvertidamente a Recorrente utilizou, para compensação tributária de débitos de contribuição previdenciária – INSS (de que tratam as alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição) com créditos de tributos federais (saldo negativo do IRPJ), o procedimento vedado do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (DCOMP) quando deveria ter utilizado a via requerimento a que alude o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007. A alegação da Recorrente de que as contribuições previdenciárias do INSS da agroindústria (contribuições instituídas a título de substituição) estariam enquadradas, abarcadas, no art. 11, parágrafo único, alínea “d” da Lei 8.212/91) e que não estariam abrangidas pela vedação do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 também não merece prosperar. As contribuições da alínea “d” do parágrafo único do art. 11 (contribuições sobre o faturamento) são diversas das contribuições instituídas para a agroindústria, a título de substituição. Logo, a vedação de compensação tributária pelo sistema do art.74 da Lei n° 9.430/96 aplicase às contribuições instituídas a título de substituição, conforme previsão, de forma expressa, do art. 2º da Lei 11.457/2007. Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 124 16 Nessa parte ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida por serem plusíveis ou pertinentes e que transcrevo a seguir (fls. 72/73), in verbis: (...) O contribuinte pleiteia compensação de crédito referente ao saldo negativo do IRPJ anocalendário 2008 com débitos de Contribuição Social Previdenciária e se insurge contra o Despacho Decisório, fl. 25, que indeferiu o pleito, alegando não haver impedimento legal para a compensação após a Lei n° 11.457/2007 que unificou as competências da Receita Federal com a Receita Previdenciária. E acrescenta que por força do art. 22A da Lei n° 8.212/1991 se enquadra na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da citada lei, por conseguinte, não se encontra atingida pela possível vedação à aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Não lhe assiste razão, é impossível, para o caso em análise, a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, porque, diferente do que afirma a defesa, a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 (Lei de criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil), mediante o art. 26, parágrafo único, veda expressamente a citada aplicação às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) O regime substitutivo está disciplinado no art. 22A da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256. de 2001). ..." (Grifei) Portanto, às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do art. 2o da Lei n° 8.212/1991, bem como as instituídas a título de substituição, não se aplicam as disposições sobre compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é o que determina com clareza o art. 26 c/c art. 2o da Lei n° 11.457/2007, acima transcritos. Sendo assim, diferente do que alega a defesa, a contribuição devida e para a qual se requer compensação, com crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2008, se trata de contribuição previdenciária e seja do tipo das previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei Fl. 124DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 125 17 n° 8.212/1991, seja do tipo das instituídas a título de substituição (agroindústria), se encontra excetuada das determinações contidas no art. 74 da Lei n0 9.430/1996. Pelo exposto, não prospera a tentativa da defesa de enquadrar a contribuição referida na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, a qual abrange, tão somente, às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, ambas já administradas pela Receita Federal. Tanto é assim que o art. 2o da Lei n° 11.457/2007 ao atribuir a nova competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil se referiu às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991 e às contribuições instituídas a título de substituição, cujo regime substitutivo está previsto no art. 22A, referido pela defesa. Corroborando o entendimento acima a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, regulamenta a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e determina: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ....” (Grifei). Também divergente do que interpreta a defesa, as contribuições previdenciárias foram ressalvadas e obedecem a regime próprio de compensação previsto nos artigos 44 a 48 da referida Instrução Normativa. (...) Portanto, conforme demonstrado, às contribuições da agroindústria (contribuições substitutivas) é inaplicável o procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Por outro lado, cabe pequeno reparo na decisão recorrida, ou seja, diversamente do que consta da decisão a quo, a situação dos autos também não se amolda, não se subsume, aos artigos 44 a 48 da IN RFB n° 900/2008, pois esses dispositivos tratam de compensação de créditos decorrentes de pagamento a maior de contribuições previdenciárias com débitos dessas mesmas contribuições. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 126 18 A situação dos autos, como já restou sobejamente demonstrado, tratase de situação diversa, ou seja, de declaração de compensação de crédito de outros tributos (saldo negativo do IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias. Tal fundamento ou possibilidade de compensação tributária não foi enfrentada pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, embora, em abstrato, tenha sido prevista, em tese, no caput do art. 26 da Lei n° 11.457/2007, conforme já fartamente demonstrado. Por conseguinte, se a compensação pleiteada não pode se efetivar pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, e também não pode se efetivar pelos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, cabia ao despacho decisório e à decisão recorrida pronunciarse, de forma expressa, se na data de protocolização da Declaração de Compensação objeto dos autos (20/03/2009) já estava, ou não, implementada a possibilidade de compensação de créditos de outros tributos (saldo negativo de IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias, e não simplesmente denegar o pleito da Recorrente, sob pretexto de que foi utilizado procedimento vedado. Qual seria o procedimento de compensação permitido, no caso? A Recorrente tem direito de compensação tributária, em tese. Para evitar possível cerceamento do direito de defesa, negativa de prestação de jurisdição e evitar supressão de instância de julgamento, tornase necessário devolver os autos à Unidade de origem da RFB (DRF/Maceió), para que enfrente, no mérito, a questão se Recorrente tem, ou não, o direito de compensação tributária, no caso, com fulcro no caput do art.26 da Lei n° 11.457/2007 que estaria permitindo, em tese, a compensação no caso, mediante mero requerimento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Nas razões do seu recurso, a Recorrente arguiu a ilegalidade ou inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007, por afronta a princípios constitucionais, em face da vedação de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 nas compensações, entre créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalide de lei, negar vigência, afastar ou deixar de aplicar disposição legal de regência vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois, em face da adoção do princípio da Jurisdição Una pela Carta da República, o controle de legalidade de lei é da competência do Poder Judiciário. A propósito, esse entendimento é pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, na esfera administrativa o escopo do julgamento não é o controle de legalidade da legislação aplicada (eventuais ou pretensos vícios formais ou materias da lei), Fl. 126DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.002031/200973 Acórdão n.º 1802001.583 S1TE02 Fl. 127 19 mas sim o controle de legalidade do ato administrativo, do despacho decisório e da decisão recorrida, no sentido de aferir se houve, ou não, observância da legislação material e processual de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Maceió para que se pronuncie, no mérito, se a Recorrente tem ou não, no caso, direito à compensação tributária com base no caput do artigo 26 da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação tributária objeto dos autos, haja vista a inaplicabilidade do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e do procedimento dos artigos 44 a 48 da IN SRF n° 900/2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 127DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10935.904607/2012-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Mar 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/06/2007
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA.
Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.390
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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DIREITO CREDITÓRIO. IMPOSSIBILIDADE DE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE EM SEDE ADMINISTRATIVA. Não existindo, na legislação, norma que autorize a exclusão do valor do ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS, não pode o julgador administrativo declara a inconstitucionalidade da norma, já que esta é uma tarefa exclusiva do Poder Judiciário. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Os conselheiros Paulo Sérgio Celani e Flávio de Castro Pontes votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 46 07 /2 01 2- 15 Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904607/201215 Acórdão n.º 3801002.390 S3TE01 Fl. 63 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904607/201215 Acórdão n.º 3801002.390 S3TE01 Fl. 64 3 . Relatório Tratase de pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior formulado pelo ora Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda., que não foi reconhecido pela Delegacia da Receita Federal de origem. Não concordando com o indeferimento do seu pleito, o Recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento. Restou assim ementado o acórdão: COFINS. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO INFORMADO EM PER/DCOMP. Inexistindo o direito creditório informado em PER/DCOMP, é de se indeferir o pedido de restituição apresentado. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. Incabível a exclusão do valor devido a título de ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Pasep e à Cofins, pois aludido valor é parte integrante do preço das mercadorias e dos serviços prestados, exceto quando for cobrado pelo vendedor dos bens ou pelo prestador dos serviços na condição de substituto tributário. CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Inconformado com a decisão proferida e repisando os argumentos apresentados em sua Manifestação de Inconformidade, o Recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual alegou, em síntese, que o seu direito creditório decorre da inconstitucional “cobrança do PIS e COFINS sem a exclusão do ICMS da base de cálculo”. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904607/201215 Acórdão n.º 3801002.390 S3TE01 Fl. 65 4 Voto Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Relatora Presentes os requisitos de admissibilidade do Recurso Voluntário, dele conheço. O Recorrente, Anhambi Alimentos Ltda.., apresentou pedido de restituição de crédito tributário pago indevidamente ou a maior, sob o argumento de que o referido crédito decorre da inconstitucional inclusão, na base de cálculo do PIS e da COFINS, do valor do ICMS devido aos Estadosmembros. Sem trazer nenhum provimento jurisdicional favorável, em suas razões recursais, alega que o ICMS é tributo devido aos Estadosmembros e, por isso, não pode ser considerado como receita ou faturamento dos contribuintes. Coleciona vasta doutrina sobre o tema para embasar suas alegações. Em que pese essa Relatora ter o mesmo entendimento do Recorrente com relação à matéria, ou seja, o ICMS, de fato, não poderia compor a base de cálculo da contribuição do PIS e da COFINS, não pode esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais declarar inconstitucionalidade de norma vigente. Neste sentido, é a súmula nº 02 do CARF: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim, como muito bem colocado no acórdão recorrido, “cumpre registrar que não há na legislação de regência previsão para a exclusão do valor do ICMS das bases de cálculo do PIS e da Cofins, já que esse valor, ainda que assim não entenda a interessada, é parte integrante do preço das mercadorias e serviços vendidos, exceção feita para o ICMS recolhido mediante substituição tributária, pelo contribuinte substituto tributário, consoante se depreende da leitura dos arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998”. Inexistindo na legislação em vigor a possibilidade de o contribuinte excluir da base de cálculo das contribuições em comento o valor do ICMS, não há como reconhecer o direito creditório do Recorrente. Ademais, importante ressaltar que os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em análise ao Recurso Extraordinário nº. 240.785, que discute a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, já haviam proferido seis votos a favor dos contribuintes. Contudo, o julgamento daquele RE teve seu andamento sobrestado por força da propositura, pela União Federal, da Ação Direta de Constitucionalidade nº. 18, ajuizada em 2007 e ainda pendente de julgamento. Assim, não há, até o presente momento, qualquer definição do Poder Judiciário acerca da questão. Fl. 71DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES Processo nº 10935.904607/201215 Acórdão n.º 3801002.390 S3TE01 Fl. 66 5 Por todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário e a ele nego provimento. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Fl. 72DF CARF MF Impresso em 10/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2014 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 06/03/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por FLAVIO DE CASTR O PONTES
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Numero do processo: 13964.000574/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007
DECISÕES DEFINITIVAS DO CRPS. REVISÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE.
Inexiste a possibilidade legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF alterar as decisões definitivas exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS.
FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. DATA DA OCORRÊNCIA. ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991
Aplica-se aos fatos geradores a legislação tributária vigente na data da sua ocorrência. Assim, os critérios para gozo da isenção relativa às contribuições sócias deve ser regulado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, no período de sua vigência.
ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. POSSE DO CERTIFICADO DE ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE OUTROS REQUISITOS.
A certificação como entidade beneficente de assistência social era apenas um dos requisitos legais necessários ao gozo da isenção da cota patronal previdenciária, sendo que para fazer jus ao benefício fiscal a entidade deveria cumprir as demais exigências normativas, havendo, inclusive, durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento da isenção.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS.
A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-003.369
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Kleber Ferreira de Araújo - Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/2006 a 31/12/2007 DECISÕES DEFINITIVAS DO CRPS. REVISÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a possibilidade legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF alterar as decisões definitivas exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social - CRPS. FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. DATA DA OCORRÊNCIA. ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991 Aplica-se aos fatos geradores a legislação tributária vigente na data da sua ocorrência. Assim, os critérios para gozo da isenção relativa às contribuições sócias deve ser regulado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, no período de sua vigência. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. POSSE DO CERTIFICADO DE ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL - CEBAS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE OUTROS REQUISITOS. A certificação como entidade beneficente de assistência social era apenas um dos requisitos legais necessários ao gozo da isenção da cota patronal previdenciária, sendo que para fazer jus ao benefício fiscal a entidade deveria cumprir as demais exigências normativas, havendo, inclusive, durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento da isenção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo Relatório de Vínculos não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Negado.
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REVISÃO PELO CARF. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste a possibilidade legal do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF alterar as decisões definitivas exaradas pelo Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS. FATOS GERADORES. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA NO TEMPO. DATA DA OCORRÊNCIA. ART. 55 DA LEI N.º 8.212/1991 Aplicase aos fatos geradores a legislação tributária vigente na data da sua ocorrência. Assim, os critérios para gozo da isenção relativa às contribuições sócias deve ser regulado pelo art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, no período de sua vigência. ENTIDADES BENEFICENTES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. POSSE DO CERTIFICADO DE ENTIDADES DE ASSISTÊNCIA SOCIAL CEBAS. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE CUMPRIMENTO DE OUTROS REQUISITOS. A certificação como entidade beneficente de assistência social era apenas um dos requisitos legais necessários ao gozo da isenção da cota patronal previdenciária, sendo que para fazer jus ao benefício fiscal a entidade deveria cumprir as demais exigências normativas, havendo, inclusive, durante a vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, a necessidade de pedido à Administração Tributária visando ao reconhecimento da isenção. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RELATÓRIO DE VÍNCULOS. A relação apresentada no anexo “Relatório de Vínculos” não tem como escopo incluir os administradores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 96 4. 00 05 74 /2 00 9- 88 Fl. 303DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Administração, representantes legais ou não do sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo, sua qualificação e período de atuação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Kleber Ferreira de Araújo Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 304DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13964.000574/200988 Acórdão n.º 2401003.369 S2C4T1 Fl. 585 3 Relatório Tratase de recurso interposto pelo sujeito passivo contra o Acórdão n.º 07 18.684 de lavra da 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento – DRJ em Florianópolis (SC), que julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração – AI n.º 37.240.6211. O crédito em questão diz respeito às contribuições patronais para a Seguridade Social, inclusive aquela destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho. De acordo com o relatório fiscal, fls. 21 e segs., a entidade declaravase isenta do recolhimento das contribuições previdenciárias, malgrado tenha esse direito sido cancelado mediante o Ato Cancelatório n. .20.401/001/2000, emitido pelo Serviço de Arrecadação da Gerência Executiva do INSS de Florianópolis/SC, em data de 29/03/2000, sendo este ratificado pelo Acórdão n. .581, da 2.ª . Câmara de Julgamento, do Conselho de Recursos da Previdência Social, de 20 de junho de 2006. Os fatos geradores consistiram das remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, conforme declarações efetuadas mediante a Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP. Inconformado com a lavratura, o sujeito passivo interpôs recurso, fls. 543 e segs., alegando, em apertada síntese, que: a) irá ingressar em juízo com ação anulatória do ato cancelatório que lhe cassou o direito à isenção das contribuições previdenciárias e que motivou a lavratura sob enfoque; b) a mudança da legislação que regula a referida isenção deve beneficiar a recorrente com a suspensão dos efeitos do ato cancelatório, posto que a MP n. 446/2008 e a Lei n. 12.101/2009, prescrevem que a isenção somente é suspensa nas competências em que houve violação da lei; c) nem o ato cancelatório e nem o acórdão do CRPS definiram em que competência ocorreu descumprimento dos requisitos legais, apenas indicando que o cancelamento do benefício fiscal darseia a partir de 01/01/1995, por infringência aos incisos III e IV do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991; d) o ato cancelatório é válido, mas não possui aplicabilidade, uma vez que não definiu o momento em que foram descumpridos os requisitos legais que motivaram sua lavratura; e) teve o seu Certificado de Entidade Beneficente e Assistência Social restabelecido por força do art. 37 da MP n. 446/2008, assim, não é mais procedente a afirmação Fl. 305DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 de que descumpriu o inciso III do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, posto que foi reconhecida como entidade beneficente; f) merece a aplicação retroativa da norma nova, conforme artigo 106, do CTN, posto que não houve fraude por parte da impugnante, mas discordância quanto ao conceito do que se deva considerar como assistência social; g) o fato de promover atividades educacionais remuneradas como forma de se financiar não lhe retira a qualidade de entidade beneficente, conforme entendimento firmado pelo STF no julgamento da ADI n. 2.028/DF; h) a questão da remuneração dos diretores restou prejudicada em razão do indeferimento de perícia técnica no processo relativo ao cancelamento da isenção, sendo que tal discussão será travada no Judiciário em momento oportuno; i) não há o que se falar sobre fraude para impedir a retroação de norma mais benéfica, pois não houve alteração documental de dados ou qualquer outro meio fraudulento, omissão de informação ou alteração de verdade; j) não cabe o argumento da falta de pagamento do tributo a inviabilizar a retroatividade da norma mais benéfica, haja vista que é garantia constitucional a imunidade das contribuições sociais; h) por não mencionar o período em que ocorreram as infrações o ato cancelatório é ilíquido, não podendo gerar qualquer sanção contra a recorrente; i) não há fundamento legal que justifique a inclusão dos administradores no Relatório de Vínculos. Ao final, requereu o cancelamento da lavratura e a exclusão das pessoas arroladas no Relatório de Vínculos. A Fazenda Nacional apresentou contrarazões, para alegar que: a) não há como se rediscutir as questões já analisadas e decididas no processo administrativo de nº 35346.000645/200071, que culminou com a confirmação do Ato Cancelatório de Isenção de nº 20.401/001/2000; b) a decisão do CRPS no processo acima é definitiva, até porque, ao contrário do que afirmou a recorrente, não se tem notícia de qualquer ação judicial anulatória do ato cancelatório em questão; c) sobre a matéria que de fato é objeto do presente processo, ressalvado o requerimento para exclusão dos nomes dos responsáveis, o contribuinte não apresentou qualquer argumento de defesa, seja quando da impugnação, seja quando da interposição do recurso voluntário, o que acarretaria, em tese, a preclusão lógica do tema, tornando o lançamento definitivo nesta parte; d) não é cabível a aplicação da Lei 12.101/2009 ao presente caso, conforme previsão do art. 106 do CTN, posto que não estamos diante de lei interpretativa (inciso I), bem como não se verifica norma que trata de definição de infração ou de cominação de penalidade (inciso II); Fl. 306DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13964.000574/200988 Acórdão n.º 2401003.369 S2C4T1 Fl. 586 5 e) devese aplicar a norma vigente à época do fato gerador da exação, para verificação dos requisitos necessários ao gozo da isenção, qual seja, o art. 55 da Lei 8.212/91; f) a posse do CEBAS era apenas um dos requisitos previstos no art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, portanto, descabe o argumento que sua obtenção seria suficiente para o gozo do benefício fiscal; g) a respeito do cumprimento ou não dos requisitos considerados efetivamente violados pelo contribuinte, a recorrente se limita a afirmar que tais matérias serão rediscutidas em juízo e que anexará cópia da ação anulatória aos autos, assim que proposta; h) constatase que o contribuinte não questiona outros aspectos relativos à validade/legalidade do Auto de Infração, senão aquele referente à possibilidade ou não dele ser lavrado. No que tange ao dispositivo legal infringido, ao efetivo não recolhimento das contribuições, à composição da base de cálculo, à aplicação da multa de ofício e dos juros, não houve qualquer insurgência por parte do sujeito passivo. Ao final, pede o desprovimento do recurso voluntário. É o relatório. Fl. 307DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, Relator Admissibilidade O recurso merece conhecimento, posto que preenche os requisitos de tempestividade e legitimidade. Validade do ato cancelatório Questiona a recorrente a validade do Ato Cancelatório de Isenção n. 20.401/001/2000, posto que este não teria indicado expressamente as competências que houve descumprimento dos requisitos necessários ao gozo da isenção pretendida. Inicialmente cabe ressaltar que embora a entidade afirme que iria ajuizar ação judicial para anular o Ato Cancelatório, não foi trazido ao processo qualquer documento que comprovasse tal providência. Assim, esse argumento fica sem sustentação. O referido ato, datado de 29/03/2000, teve como motivo o descumprimento dos incisos III e IV do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991 e promoveu o cancelamento da isenção da autuada a partir de 01/01/1995. A entidade questionou o ato cancelatório administrativamente e o processo transitou em julgado com a ciência da decisão da Segunda Câmara de Julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social – CRPS, que conheceu do recurso do sujeito passivo e no mérito negoulhe provimento. Essa decisão no âmbito administrativo é imutável, não sendo possível neste momento se retomarem as discussões que levaram o órgão de segunda instância da Previdência Social a decidir que eram procedentes os motivos que levaram ao cancelamento da isenção da recorrente. É de se ter em conta que no transcurso daquele processo administrativo, a contribuinte teve a seu dispor todos os instrumentos para se contrapor as acusações da Autoridade Fiscal e o fez ao apresentar razões e as provas que entendeu cabíveis, todavia, o processo transitou em julgado em seu desfavor. Prescreve o Decreto n. 70.235/1972: Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13964.000574/200988 Acórdão n.º 2401003.369 S2C4T1 Fl. 587 7 III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Portanto, a decisão proferida nos autos do processo administrativo de nº 35346.000645/200071, que concluiu que o autuado não cumpriu na íntegra as condições estabelecidas nos incisos III e IV, do art. 55 da Lei 8.212/91, para o gozo da isenção das contribuições previdenciárias, e decidiu pela validação do ato cancelatório de isenção, é definitiva e não pode ser alterada ou sequer rediscutida nos presentes autos. Não se vislumbra juridicamente a possibilidade do CARF cancelar uma decisão do CRPS já transitada em julgado. Embora tenham os processos administrativos fiscais de exigência de contribuições previdenciárias sido transferidos do CRPS para o CARF por força da Lei 11.457/2207, inexiste a possibilidade jurídica de se reabrirem, no órgão de segunda instância atualmente competente, causas que já tenham tido trânsito em julgado no órgão de julgamento do Ministério da Previdência Social. De se concluir que devem prevalecer a decisão administrativa que negou provimento ao recurso do sujeito passivo contra o ato cancelatório de isenção, o qual foi lavrado em conformidade com o art. 206, §§ 7. e 8. , do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048/2008, assim redigido: Art.206. Fica isenta das contribuições de que tratam os arts. 201, 202 e 204 a pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social que atenda, cumulativamente, aos seguintes requisitos: (...) §7º O Instituto Nacional do Seguro Social verificará, periodicamente, se a pessoa jurídica de direito privado beneficente continua atendendo aos requisitos de que trata este artigo. §8º O Instituto Nacional do Seguro Social cancelará a isenção da pessoa jurídica de direito privado beneficente que não atender aos requisitos previstos neste artigo, a partir da data em que deixar de atendêlos, observado o seguinte procedimento: Ise a fiscalização do Instituto Nacional do Seguro Social verificar que a pessoa jurídica a que se refere este artigo deixou de cumprir os requisitos nele previstos, emitirá Informação Fiscal na qual relatará os fatos que determinaram a perda da isenção; II a pessoa jurídica de direito privado beneficente será cientificada do inteiro teor da Informação Fiscal, sugestões e conclusões emitidas pelo Instituto Nacional do Seguro Social Fl. 309DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 e terá o prazo de quinze dias para apresentação de defesa e produção de provas; III apresentada a defesa ou decorrido o prazo sem manifestação da parte interessada, o Instituto Nacional do Seguro Social decidirá acerca do cancelamento da isenção, emitindo Ato Cancelatório, se for o caso; e IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de quinze dias, contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. IV cancelada a isenção, a pessoa jurídica de direito privado beneficente terá o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão, para interpor recurso com efeito suspensivo ao Conselho de Recursos da Previdência Social. Nos termos do § 8. , acima o cancelamento da isenção deveria ocorrer a partir da data em que a entidade deixou de atender aos requisitos legais. No caso em apreço esse marco foi fixado em 01/01/1995, conforme Informação Fiscal que foi questionada pela entidade em primeira e segunda instância sem sucesso. Consoante a legislação vigente no momento dos fatos geradores (art. 55 da Lei n.º 8.212/1991), a entidade beneficente somente poderia usufruir da isenção caso comprovasse que voltara a atender aos requisitos normativos e requeresse o benefício fiscal ao INSS, conforme previsto no § 1. do referido artigo. A alegada necessidade de que fossem indicadas expressamente as competências em que houve o descumprimento das normas que tratam da isenção decorreu do entendimento da recorrente de que haveria retroatividade das regras contidas na MP n. 446/2008 e da Lei n. 12.101/2000 para alcançar os fatos geradores ocorridos antes da sua vigência. Esse entendimento será rechaçado no item seguinte. Aplicação retroativa da legislação Invoca a recorrente a aplicação do art. 106 do CTN, o qual autorizaria a aplicação da legislação isentiva atualmente a fatos geradores ocorridos anteriormente a sua edição. Como vimos o período do débito vai de 04/2006 a 12/2207 e a autuada pede pela aplicação dos ditames da MP n. 446/2008 e da Lei n. 12.101/2000. Vejamos o que dispõe o art. 106 do CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; Fl. 310DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 13964.000574/200988 Acórdão n.º 2401003.369 S2C4T1 Fl. 588 9 b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática”. Não cabe a aplicação da novel legislação ao caso sob enfoque. É que o art. 106 do CTN é uma exceção a regra geral prevista no art. 144 do mesmo Código, segundo a qual o lançamento regese pela legislação vigente à data do fato gerador, ainda que posteriormente modificada. A regra de exceção prevista no art. 106 tem lugar apenas em situações específicas, quais seja quando há modificação em normas que tratam de definir infrações e penalidades. No presente caso as normas que o sujeito passivo pretende sejam aplicadas para trás não dizem respeito à definição de condutas infracionais ou cominação de penas administrativas, assim, não é cabível à situação sob enfoque a aplicação retroativa da MP n. 446/2008 e da Lei n. 10.101/2000, as quais passaram a reger apenas os fatos geradores ocorridos no período de sua vigência. É de se notar que a recorrente tomou ciência da lavratura em 06/11/2009, momento em que estava em plena vigência o art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, não se podendo sequer suscitar a aplicação de normas procedimentais trazidos pela legislação atual. Posse do CEBAS Outro argumento que não tem força para alterar o lançamento é o de que a entidade obteve o CEBAS por força do art. 37 da MP n. 446/2008. É que o lançamento não foi motivado pela falta do certificado, mas pelo fato da entidade não possuir o reconhecimento pela Administração Tributária de sua condição de isenta. Não custa lembrar que no ano de 1995 a entidade perdeu o benefício fiscal em decisão do CRPS transitada em julgado, portanto, na vigência do art. 55 da Lei n.º 8.212/1991, somente poderia deixar de recolher a cota patronal previdenciária se comprovasse o cumprimento de todos os requisitos legais e requeresse o benefício fiscal ao INSS/Receita Federal. Exclusão dos representantes legais O pedido para exclusão dos representantes legais do polo passivo da relação tributária não merece acolhida. É que não há a vinculação dos mesmos na condição de devedores. No presente caso, a responsabilidade pelo crédito é da entidade autuada. Os administradores, por serem os representantes legais do sujeito passivo, constam da relação anexada ao AI apenas para cumprir formalidade das normas emanadas da Administração, sendo que este rol tem caráter apenas informativo O Fisco não atribuiu responsabilidade direta aos gestores, mas apenas elencou no relatório fiscal, quais seriam os responsáveis legais da empresa para efeitos cadastrais. Assim, a empresa carece de interesse de agir quanto ao pedido exclusão dos representantes legais, posto que inexiste a alegada responsabilização dos mesmos pelo crédito. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 Conclusão Voto por negar provimento ao recurso. Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 13/02 /2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO, Assinado digitalmente em 19/05/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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