Sistemas: Acordãos
Busca:
mostrar execução da query
5567503 #
Numero do processo: 13118.000053/2002-25
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1988 a 30/09/1995 EMENTA: PIS - RESTITUIÇÃO. Sendo o pedido de restituição e os fatos geradores envolvidos anteriores a Lei Complementar nº 118 cuja edição se deu em 09.06.2005, de se reconhecer o prazo de dez anos contado da protocolização do pedido, com fundamento no art. 62-A do RICARF.
Numero da decisão: 9303-002.847
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201401

camara_s : 3ª SEÇÃO

ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/1988 a 30/09/1995 EMENTA: PIS - RESTITUIÇÃO. Sendo o pedido de restituição e os fatos geradores envolvidos anteriores a Lei Complementar nº 118 cuja edição se deu em 09.06.2005, de se reconhecer o prazo de dez anos contado da protocolização do pedido, com fundamento no art. 62-A do RICARF.

turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13118.000053/2002-25

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5369737

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 9303-002.847

nome_arquivo_s : Decisao_13118000053200225.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA

nome_arquivo_pdf_s : 13118000053200225_5369737.pdf

secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso especial. Ausentes, momentaneamente, as Conselheiras Nanci Gama e Maria Teresa Martínez López. MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto. FRANCISCO MAURÍCIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Gileno Gurjão Barreto (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).

dt_sessao_tdt : Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014

id : 5567503

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032796545024

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1899; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 395          1 394  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13118.000053/2002­25  Recurso nº               Especial do Contribuinte  Acórdão nº  9303­002.847  –  3ª Turma   Sessão de  23 de janeiro de 2014  Matéria  Restituição/Compensação PIS   Recorrente  Vale do Rio Grande Reflorestamento  Interessado  Fazenda Nacional    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/03/1988 a 30/09/1995  EMENTA:  PIS  ­  RESTITUIÇÃO.  Sendo  o  pedido  de  restituição  e  os  fatos  geradores  envolvidos  anteriores  a  Lei  Complementar  nº  118  cuja  edição  se  deu  em  09.06.2005, de se reconhecer o prazo de dez anos contado da protocolização  do pedido, com fundamento no art. 62­A do RICARF.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento  parcial  ao  recurso  especial. Ausentes, momentaneamente,  as  Conselheiras Nanci  Gama e Maria Teresa Martínez López.    MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO – Presidente substituto.     FRANCISCO  MAURÍCIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA  ­  Relator.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Henrique  Pinheiro  Torres,  Júlio  César  Alves  Ramos,  Rodrigo  Cardozo  Miranda,  Rodrigo  da  Costa  Pôssas,  Francisco  Maurício  Rabelo  de  Albuquerque  Silva,  Joel  Miyazaki,  Gileno  Gurjão  Barreto  (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 8. 00 00 53 /2 00 2- 25 Fl. 445DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO     2 Relatório  Insurge­se a contribuinte em Recurso Especial de fls. 315/328, admitido pelo  despacho  9303.083  de  fls.  365/366  contra  o  Acórdão  203­10.876  de  fls.  303/308  que,  por  maioria de votos, negou provimento ao Recurso Voluntário com a seguinte ementa:    “PIS  –  RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO.  DECADÊNCIA.  PRAZO.  O  direito de pleitear a restituição do tributo recolhido indevidamente prescreve em cinco (5) anos  contados  da  extinção  do  crédito  tributário  caracterizada  pelo  pagamento,  nos  termos  do  art.  168, I, c/c 150, § 1º, do Código Tributário Nacional.  Recurso negado.”  Trata­se de pedido de restituição da Contribuição para o PIS, sem êxito nas  instâncias  transcorridas,  onde  se  insurge  a  Recorrente  contra  o  entendimento  de  eleição  no  Acórdão recorrido para o enfrentamento da questão correspondente à decadência.  Os períodos pretendidos são os de 1988 a 1995, com pleito protocolizado em  16.04.2002, na conformidade do Relatório de fl. 278 da DRJ de Brasília­DF.   Contrarrazões às fls. 369/393.  É o relatório.                              Fl. 446DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 13118.000053/2002­25  Acórdão n.º 9303­002.847  CSRF­T3  Fl. 396          3 Voto             Conselheiro  FRANCISCO  MAURÍCIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA  O Recurso preenche condições de admissibilidade, dele tomo conhecimento.   Tendo  sido  o  pedido  de  restituição  protocolizado  em  16.04.2002  e  os  períodos  pretendidos  os  de  1988  a  1995,  levando­se  em  consideração  o  prazo  de  10  anos  contados do fato gerador, uma vez que tanto o pedido de restituição quanto os fatos geradores  são anteriores a edição da Lei Complementar nº 118 que se deu 09.06.2005, com base no art.  62­A do Ricarf, dou parcial provimento a este Recurso Especial para admitir a restituição dos  períodos base de 1992 a 1995 porque compreendendo o período de dez anos.  Sala das Sessões, 23 de janeiro de 2014.    FRANCISCO  MAURÍCIO  RABELO  DE  ALBUQUERQUE  SILVA  ­  Relator                               Fl. 447DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 24/07/2014 por FRANCISCO MAURICIO RABELO DE ALBUQUERQUE SILVA, Assinado digitalmente em 04/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO

score : 1.0
5586695 #
Numero do processo: 10865.901232/2009-15
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO. No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos termos do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF. Recurso Voluntário Não Conhecido.

turma_s : Primeira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10865.901232/2009-15

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5372230

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3801-004.062

nome_arquivo_s : Decisao_10865901232200915.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

nome_arquivo_pdf_s : 10865901232200915_5372230.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014

id : 5586695

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032809127936

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1732; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE01  Fl. 7          1 6  S3­TE01  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10865.901232/2009­15  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3801­004.062  –  1ª Turma Especial   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  NORMAS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Recorrente  B J AUTO PECAS LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2006  RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. NÃO CONHECIMENTO.  No caso de desistência manifestada em petição nos autos do processo, estará  configurada renúncia ao direito sobre o qual se  funda o recurso, nos termos  do que dispõe o artigo 78 do Regimento Interno do CARF.  Recurso Voluntário Não Conhecido.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer  do recurso voluntário nos termos do relatório e voto.    (assinatura digital)  Flávio de Castro Pontes ­ Presidente.     (assinatura digital)  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Redator designado.    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Marcos  Antônio  Borges,  Paulo  Sérgio  Celani,  Sidney  Eduardo  Stahl,  Maria  Inês  Caldeira  Pereira  da  Silva  Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 12 32 /2 00 9- 15 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901232/2009­15  Acórdão n.º 3801­004.062  S3­TE01  Fl. 8          2    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 4ª.  Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis (DRJ/FNS), em que foi julgada  improcedente  a  manifestação  de  inconformidade  apresentada  pela  contribuinte,  sendo  indeferida a restituição pleiteada.  Por  bem  descrever  os  fatos,  adoto  o  relatório  da  Delegacia  Regional  de  Julgamento de origem, que assim relatou os fatos:    “Trata  o  presente  processo  de  Declaração  de  Compensação  (DCOMP)  eletrônica,  transmitida,  por  meio  da  qual  a  contribuinte  solicita  a  compensação  de  débito  com  crédito  decorrente  de  valor  que  teria  sido  indevidamente  recolhido  a  título  de  contribuição  para  O  Programa  de  Integração  Social  (PIS).  Na apreciação do pleito, manifestou­se a D  elegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  em  Limeira­SP  pela  homologação  da  compensação declarada, mediante Despacho decisório, fazendo­ o com base na contestação da inexistência do crédito informado,  uma vez que o Darf, descriminado na Dcomp, não foi localizado  no sistema.  Inconformada  com  a  não­homologação  da  compensação,  contribuinte apresenta manifestação de inconformidade, na qual  alega que o Darf não foi localizado porque, à época, o programa  gerador  da  Dcomp  não  possibilitava  informar  a  real  data  da  arrecadação. Esclarece que a data da arrecadação é a data do  vencimento  informada,  a  qual  poderá  ser  consultada  nos  sistemas da Receita Federal, confirmando o crédito pretendido.  Informa  que  junta  aos  autos  a  cópia  do  Darf  informado  na  Dcomp, para análise.   A contribuinte passa, então, a apresentar os fundamentos legais  e  tecer  considerações  sobre  o  prazo  para  pleitear  restituição.  Defende a interessada que tratando­se de contribuição sujeita a  lançamento por homologação, o prazo decadencial só começa a  fluir  após  decorridos  5  (cinco)  anos  da  data  do  fato  gerador,  somados mais 5(cinco) anos se a homologação se der de forma  não expressa. Assim, argumenta, dispõe de 10ª nos para pleitear  a restituição, sem prejuízo dos acréscimos e demais cominações.    A DRJ de Florianópolis (SC) decidiu pela improcedência da manifestação de  inconformidade, cuja ementa do acórdão está assim redigida:  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901232/2009­15  Acórdão n.º 3801­004.062  S3­TE01  Fl. 9          3   ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário   PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO DECADÊNCIAL   O direito de pleitear a restituição extingue­se com o decurso do  prazo  decadencial  de  cinco  anos,  contados  da  data  do  pagamento indevido.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  DARF  NÃO  LOCALIZADO. NÃO HOMOLOGAÇÃO.  Não  tendo  sido  localizado  o  Darf  com  as  características  indicadas pelo contribuinte como origem do crédito, ratifica­se o  despacho decisório que não homologou a compensação.    Inconformada com a  improcedência da  impugnação, a contribuinte interpôs,  recurso a qual denominou de Recurso Voluntário, onde em suas razões, requer seja concedido  o pedido de restituição.   Contudo,  a  contribuinte  vem  aos  autos,  consoante  requerimento,  juntando  ainda  documentos  comprobatórios  de  capacidade  postulatória,  requerer  o  cancelamento  do  processo.  É o sucinto relatório.  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901232/2009­15  Acórdão n.º 3801­004.062  S3­TE01  Fl. 10          4   Voto             Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator.    Muito embora o Recurso Voluntário apresentado tenha sido tempestivo, não  deve ser conhecido em decorrência do pedido de desistência apresentado posteriormente pela  Recorrente.  Como  relatado,  a  Recorrente  apresentou  requerimento  de  cancelamento  do  pedido  de  compensação.  Foi  encaminhado  a  este  relator  o  presente  processo  com o  seguinte  Despacho de Encaminhamento:    DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO  Considerando  que  o  contribuinte  apresentou  requerimento  de  desistência da compensação, que o mesmo apresentou Recurso  Voluntário referente ao crédito objeto de Restituição e que não  houve  o  cumprimento  da  Intimação  para  comprovação  da  representatividade  do  signatário  do  Recurso  Voluntário,  encaminho o processo ao CARF/MF/DF para julgamento    O pedido foi formulado pelo sócio­administrador da empresa, consoante pode  ser verificado no art. 8º do contrato social da empresa.   Deste  modo,  entendo  que  o  requerimento  de  cancelamento  do  pedido  formulado pela contribuinte configura­se claramente como desistência do pedido a qual ele se  funda. Logo, compreendo que ocorreu desistência, de forma irrevogável, do recurso voluntário  ora em julgamento.  Assim, entendo que no caso de desistência manifestada através de petição nos  autos do processo, resta configurada a renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso, nos  termos  do  que  dispõe  o  artigo  78  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos Fiscais – RICARF (Portaria MF nº 256, de 2009) em seu Anexo II, in verbis:    Art.  78.  Em  qualquer  fase  processual  o  recorrente  poderá  desistir do recurso  §1º  A  desistência  será manifestada  em petição  ou  a  termo nos  autos do processo.  §2°  O  pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 10865.901232/2009­15  Acórdão n.º 3801­004.062  S3­TE01  Fl. 11          5 modalidades,  ou  a  propositura  pelo  contribuinte,  contra  a  Fazenda  Nacional,  de  ação  judicial  com  o  mesmo  objeto,  importa a desistência do recurso.  §3º No  caso  de desistência,  pedido de parcelamento, confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o  recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de  já  ter  ocorrido  decisão  favorável  ao  recorrente,  descabendo  recurso  da  Procuradoria  da  Fazenda  Nacional  por  falta  de  interesse.    Desse modo, estão configurados todos os requisitos do não conhecimento do  Recurso, quais sejam: apresentação de pedido expresso por escrito, sob a forma de petição, em  qualquer  tempo  por  representante  legítimo  do  contribuinte.  Logo,  operam­se  de  imediato  e  irrevogavelmente  todos os efeitos do pedido de desistência:  renúncia à pretensão do direito e  não conhecimento do recurso.    Ante ao exposto, em observância ao disposto no art. 78 do Regimento Interno  do  CARF,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  256,  de  22/7/2009,  voto  no  sentido  de  NÃO  CONHECER do recurso voluntário interposto pelo Contribuinte.    É assim que voto.  Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira ­ Relator ­ Relator                                Fl. 121DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 07/08/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA

score : 1.0
5611351 #
Numero do processo: 13971.005202/2009-59
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO. Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da não-cumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda. CRÉDITOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação. CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte
Numero da decisão: 3403-003.163
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à tomada de créditos da Contribuição em relação ao custo dos fretes internos no transporte de insumos importados, executados por pessoa jurídica. Vencido nesta matéria o Conselheiro Alexandre Kern. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

camara_s : Quarta Câmara

ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não-cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO. Para fins de créditos na aquisição de insumos, a despesa é considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do serviço, independentemente do pagamento. COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO. Em operações de compra de insumos com preço a fixar, não se admite a tomada de crédito sobre os complementos das remessas que não geravam direito aos créditos, seja porque feitas no regime da cumulatividade, seja porque, embora remetidas no regime da não-cumulatividade, não se caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. Por não integrar o conceito de insumo utilizado na produção e nem ser considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes contratados para as transferências de mercadorias (insumos, produtos acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa. CRÉDITOS. DESPESAS COM FRETES. OPERAÇÕES DE AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE Inexiste previsão legal para a tomada de créditos sobre as despesas de frete nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda. CRÉDITOS. FRETE ENTRE ESTABELECIMENTOS. FORMAÇÃO DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A transferência de produto acabado a estabelecimento filial para “formação de lote” de exportação, ainda que se efetive a exportação, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação, não gerando o direito ao creditamento em relação à contribuição. CRÉDITOS. FRETE NA AQUISIÇÃO. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE. Inexiste norma que autorize desconto de crédito em relação a fretes nas aquisições, por empresas comerciais exportadoras, de mercadorias com fim específico de exportação. CRÉDITOS. FRETE DE BENS QUE CONFIGURAM INSUMOS. SERVIÇO DE TRANSPORTE QUE CONFIGURA INSUMO, INDEPENDENTE DO BEM TRANSPORTADO ESTAR SUJEITO À CONTRIBUIÇÃO. O frete de um produto que configure insumo é, em si mesmo, um serviço aplicado como insumo na produção. O direito de crédito pelo serviço de transporte não é condicionado a que o produto transportado esteja sujeito à incidência das contribuições. Recurso Voluntário Provido em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte

turma_s : Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13971.005202/2009-59

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5378555

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3403-003.163

nome_arquivo_s : Decisao_13971005202200959.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : ALEXANDRE KERN

nome_arquivo_pdf_s : 13971005202200959_5378555.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à tomada de créditos da Contribuição em relação ao custo dos fretes internos no transporte de insumos importados, executados por pessoa jurídica. Vencido nesta matéria o Conselheiro Alexandre Kern. Designado para a redação do voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern – Relator (assinado digitalmente) Ivan Allegretti – Redator designado Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

id : 5611351

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:52 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032826953728

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 33; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2336; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­C4T3  Fl. 1.364          1 1.363  S3­C4T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.005202/2009­59  Recurso nº  13.971.005202200959   Voluntário  Acórdão nº  3403­003.163  –  4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária   Sessão de  20 de agosto de 2014  Matéria  COFINS ­ PAGAMENTO A MAIOR ­ PEDIDO DE RESTITUIÇÃO  Recorrente  BUNGE ALIMENTOS SA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007  Ementa:INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO.  Dada  a  existência  de  determinação  legal  expressa  em  sentido  contrário,  indefere­se  o  pedido  de  endereçamento  das  intimações  ao  escritório  do  procurador.  ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL  SE FUNDAMENTA O PEDIDO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.  Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. As perícias técnicas  e as diligências não se prestam à produção de prova que toca à parte produzir.  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE  SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007  NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.  Insumos,  para  fins  de  creditamento  da Contribuição Social  não­cumulativa,  são  todos  aqueles  bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade  mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a  atividade  empresária,  ou  implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto ou serviço daí resultantes.  NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMOS. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO.  Para  fins  de  créditos  na  aquisição  de  insumos,  a  despesa  é  considerada  incorrida  quando  ocorre  o  consumo  do  bem  ou  do  serviço,  independentemente do pagamento.  COMPRA DE INSUMOS. REMESSAS FUTURAS. COMPLEMENTO  DE PREÇO. DIREITO DE CRÉDITO.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 52 02 /2 00 9- 59 Fl. 1364DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     2 Em  operações  de  compra  de  insumos  com  preço  a  fixar,  não  se  admite  a  tomada  de  crédito  sobre  os  complementos  das  remessas  que  não  geravam  direito  aos  créditos,  seja  porque  feitas  no  regime  da  cumulatividade,  seja  porque,  embora  remetidas  no  regime  da  não­cumulatividade,  não  se  caracterizaram como insumos passíveis de gerarem crédito.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETES  ENTRE  ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.  Por  não  integrar  o  conceito  de  insumo  utilizado  na  produção  e  nem  ser  considerada operação de venda, os valores das despesas efetuadas com fretes  contratados  para  as  transferências  de  mercadorias  (insumos,  produtos  acabados ou em elaboração) entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica  não geram direito a créditos da contribuição social não cumulativa.  CRÉDITOS.  DESPESAS  COM  FRETES.  OPERAÇÕES  DE  AQUISIÇÕES DE PRODUTOS PARA REVENDA. IMPOSSIBILIDADE  Inexiste previsão  legal para a  tomada de créditos sobre as despesas de  frete  nas aquisições de produtos a pessoas físicas, destinados à revenda.  CRÉDITOS.  FRETE  ENTRE  ESTABELECIMENTOS.  FORMAÇÃO  DE LOTE PARA EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.  A transferência de produto acabado a estabelecimento  filial para  formação  de  lote   de  exportação,  ainda  que  se  efetive  a  exportação,  não  corresponde  juridicamente  à  própria  venda,  ou  exportação,  não  gerando  o  direito  ao  creditamento em relação à contribuição.  CRÉDITOS.  FRETE  NA  AQUISIÇÃO.  EMPRESA  COMERCIAL  EXPORTADORA. IMPOSSIBILIDADE.  Inexiste  norma  que  autorize  desconto  de  crédito  em  relação  a  fretes  nas  aquisições,  por  empresas  comerciais  exportadoras,  de mercadorias  com  fim  específico de exportação.  CRÉDITOS.  FRETE  DE  BENS  QUE  CONFIGURAM  INSUMOS.  SERVIÇO  DE  TRANSPORTE  QUE  CONFIGURA  INSUMO,  INDEPENDENTE  DO  BEM  TRANSPORTADO  ESTAR  SUJEITO  À  CONTRIBUIÇÃO.  O  frete  de  um  produto  que  configure  insumo  é,  em  si mesmo,  um  serviço  aplicado  como  insumo  na  produção.  O  direito  de  crédito  pelo  serviço  de  transporte não  é condicionado a que o produto  transportado esteja  sujeito  à  incidência das contribuições.  Recurso Voluntário Provido em Parte  Direito Creditório Reconhecido em Parte      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  ACORDAM  os  membros  do  Colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  dar  provimento parcial ao recurso, para reconhecer o direito à tomada de créditos da Contribuição  em relação ao custo dos fretes  internos no transporte de insumos importados, executados por  pessoa  jurídica.  Vencido  nesta  matéria  o  Conselheiro  Alexandre  Kern.  Designado  para  a  redação do voto vencedor o Conselheiro Ivan Allegretti.  Fl. 1365DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.365          3 (assinado digitalmente)  Antonio Carlos Atulim – Presidente  (assinado digitalmente)  Alexandre Kern – Relator  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti – Redator designado  Participaram  do  julgamento  os  conselheiros  Antonio  Carlos  Atulim,  Alexandre  Kern,  Rosaldo  Trevisan,  Domingos  de  Sá  Filho,  Luiz  Rogério  Sawaya  Batista  e  Ivan Allegretti.  Relatório  BUNGE ALIMENTOS SA.  transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ­  PER nº 20499.78409.290109.1.2.049270 (fls. 2 a 4) e nº 11211.18172.290109.1.2.042900 (fls.  5 a 7), por meio do qual busca repetir pagamentos a título de Cofins, efetuados em 20/12/2007,  referentes ao período de apuração de novembro de 2007, no importe de R$ 9.999.999,00 e R$  9.812.564,44, respectivamente. O pleito, inicialmente, foi indeferido pela Delegacia da Receita  Federal  do  Brasil  em  Blumenau/SC  (Despacho  Decisório  de  fls.  185,  apoiado  no  Parecer  Saort/DRF/Blumenau nº 018/2010, de 15 de março de 2010  (fls. 154 a 184). A 4ª Turma da  DRJ/Florianópolis, no entanto, anulou o Despacho Decisório e determinou que um novo fosse  formalizado. O processo foi então encaminhado à Seção de Fiscalização da DRL/BLU, para a  análise  das  operações  geradoras  de  crédito  registradas  pela  contribuinte  e  a  conseqüente  determinação do valor da contribuição devida no mês de novembro de 2007, correspondente à  linha 27 da ficha 25B do Dacon (Cofins a pagar). Em razão da análise fiscal empreendida no  período de 01/2007 a 11/2007, procederam­se às seguintes glosas (cfe. Relatório de Auditoria  Fiscal ­ RAF, fls. 357 a 383):  a) Glosas de créditos constantes da Linha 01 do Dacon relativo a  Bens para  Revenda ,  os  quais  foram  adquiridos  para  uso  e  consumo  (Arquivo  Digital RVJ), cujo critério para a glosa foi a descrição incompatível com  a  finalidade  de  revenda,  constante  do  demonstrativo  intitulado  Glosa  Produtos Incompatíveis    Linha 1.xls   DVD 2;  b) Glosas  de  Complemento  de  Valor,  relativa  a  aquisições  sem  direito  a  crédito,  constantes dos Arquivos RVJ,  INJ, AGS e AGD, referentes às  operações de compra1 de soja com  preço a fixar  (commoditie), relativa  às  remessas  e/ou  complementações  de  valor  efetuadas  em  períodos  pretéritos,  sem  direito  à  créditos  da  não­cumulatividade.. As  glosas  se  fundamentaram,  em  síntese,  no  fato  de  que  o  direito  ao  crédito  da  contribuição  não­cumulativa  respeita  o  regime de  competência,  não  se  considerando as complementações dos valores ocorridas relativamente a  remessas  (aquisições)  ocorridas  no  período  em  que  a  contribuição  era  cumulativa,  bem  como  em  relação  àquelas  que,  no  regime  da  não­ cumulatividade, não geram direito aos créditos. Glosaram­se também os                                                              1 O contribuinte efetua operações de compra, venda e industrialização de insumos (preponderância de soja) com  preço a fixar a pessoas físicas e jurídicas.  Fl. 1366DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     4 créditos sem a devida comprovação das operações, bem como quanto às  aquisições  de  milho  em  grão  com  fim  específico  de  exportação  (Compl_RVJ),  identificados  no  campo  FEX   do  Demonstrativo  de  percentual de glosas do 2 . Semestre de 2007. Para o cálculo das glosas  dos complementos de valores  foi  considerada a mesma  razão existente  entre as remessas sem direito a créditos e as remessas totais, conforme o  Demonstrativo de Percentual de Glosas dos Contratos de Complemento  de Valores, onde constam todas as remessas de cada contrato informado  no arquivo  Compl . Os itens glosados estão contidos no Demonstrativo  da Glosa de Complementos de Valor, cujas bases de cálculo encontram­ se totalizadas, conforme item 59 do RAF.  c) Glosas do Imobilizado, por falta de comprovação do valor de aquisição e  inexistência de fundamentação  legal para o crédito do bem. Os valores  glosados  encontram  nos  Demonstrativos  de  Glosa  do  Valor  de  Aquisição de bens do Imobilizado, por bem do Ativo Imobilizado e do  arquivo AI_Aq. No arquivo AI_Aq_NF, foram identificadas: diferenças  entre o valor de aquisição do bem constante do arquivo AI_Aq e o valor  comprovado  no  arquivo AI_Aq_NF  no mercado  interno,  valores  estes  glosados por falta de comprovação  registros com o código de operação  fiscal de importação, parte dos quais foram selecionados para instruir o  processo   e  registros  com  o  código  de  operação  fiscal  de  compra  de  material  para  uso  ou  consumo.  Todos  esses  registros  se  encontram  identificados  no  Demonstrativo  de  glosas  do  valor  de  aquisição  do  imobilizado.  Houve,  ainda,  glosa  por  falta  de  comprovação  de  aquisições  em  razão  da  não  apresentação  dos  documentos  fiscais  solicitados, conforme identificados no Demonstrativo de glosas do valor  de  aquisição  do  imobilizado. No  arquivo  AI_Imp ,  foram  localizados  bens do Ativo Imobilizado importados, com tomada de crédito também  no arquivo  AI_Aq , o qual se refere a aquisições de ativo imobilizado  no mercado  interno, os quais  foram glosados, sendo estas  identificadas  no Demonstrativo de glosa por bem do ativo imobilizado.  d) Glosa  de  valores  incluídos  no  demonstrativo  Créditos  sobre  Peças  2007.xlx , relativo à aquisição de serviços e peças de manutenção, onde  foram  incluídas  valores  de  bens  e  serviços  relacionados  à  vigilância,  limpeza,  segurança contra  incêndio,  transporte de pessoas e outros que  não  guardam  qualquer  relação  com  a  manutenção  de  máquinas  e  equipamentos utilizados como insumos na fabricação de bens destinados  à venda.  e) Glosas dos Fretes:  i.  Fretes  internos  em  importações  (após  desembaraço),  correspondentes a operações com CFOP de importação   ii.  Fretes em aquisições com CFOP indicativo de fim específico de  exportação (CFOP 1.501/2.501)   iii.  Fretes  correspondentes  a  operações  de  devolução  de  vendas  ou  de compras de mercadorias   iv.  Fretes em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE;  Fl. 1367DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.366          5 v.  Fretes correspondente a fretes em remessas para armazéns gerais   vi.  Fretes em aquisições de pessoas físicas de bens para revenda,  vii.  Falta  de  comprovação  dos  fretes,  relativas  a  operações  com  remetente  Pessoa  Física  e  CFOP  de  compra  para  comercialização   viii.  Frete  relativo  à  aquisições  de  Pessoa  Física  de  insumos  para  industrializaçâo  que  foram  posteriormente  revendidos/exportados,  não  gerando  créditos,  de  forma  que  as  despesas  com  os  respectivos  fretes  são  glosadas  na  mesma  proporção daqueles estornos (arquivo EST_Rv).  f) Glosa   Falta de Comprovação, por  falta de apresentação de documentos  fiscais comprobatórios do crédito, por amostragem, conforme critério de  relevância das operações.  As  glosas  estão  consolidadas  no  Demonstrativo  das  Glosas,  item  132  do  RAF. As totalizações encontram­se discriminadas nos itens 133 a 135 do RAF.   Em vista do referido RAF, foi proferido Despacho Decisório (fls. 923 a 933),  que  deu  conta  de  que  foi  confeccionada planilha  demonstrativa  da  origem e  aproveitamento  dos créditos, mediante a identificação:  a) do  crédito  apurado  no  mês,  que,  quando  transferidos  de  períodos  de  apuração  anteriores,  não  correspondem  aos  do  Dacon  (contribuinte),  mas  aos  saldos  remanescentes  de  créditos  do  período  de  origem  ajustados pelas glosas fiscais   b) das glosas fiscais aplicadas sobre o crédito apurado no mês   c) da eventual diminuição da glosa pela DRJ   d) da utilização do crédito em descontos   e) dos remanejamentos dos créditos (de ofício, visando ao aproveitamento de  créditos porventura  existentes para cobrir  insuficiências decorrentes de  glosas fiscais, no próprio mês ou em meses seguintes)   f)  da utilização do crédito em compensação ou ressarcimento   g) do saldo de crédito disponível.  Em  razão  das  glosas  fiscais  deste  e  de  períodos  anteriores,  os  créditos  apurados  e  utilizados  em  desconto  das  contribuições  mostraram­se  insuficientes  no  mês  11/2007. Tal  insuficiência consta da planilha  Utilizações de Créditos Bunge   Cofins.xls  e  sua  constatação  pelo  Fisco  repercute  no  valor  da  contribuição  a  pagar  apurado  pelo  contribuinte. De acordo com o Despacho Decisório, após  a análise das operações geradoras  de crédito registradas pela contribuinte , a Auditoria­Fiscal demonstrou que o valor correto do  da contribuição a pagar (Linha 27 da Ficha 25B do Dacon) é R$ 15.565.831,02 e este, então, é  Fl. 1368DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     6 o  valor  que  a  contribuinte  deveria  ter  informado  na  DCTF  como  Débito  Apurado   e,  por  consequência, levado à conta para apuração de eventual pagamento indevido.  Conclui,  por  fim,  que  uma  parte  do  DARF  invocado  como  origem  do  indébito presta­se a solver a contribuição devida no mês, remanescendo crédito em seu favor  no  importe  de  R$  4.246.732,42,  o  que  corresponde  à  diferença  entre  o  pagamento  (R$  19.812.563,44)  e  o  valor  da  contribuição  (R$  15.565.831,02).  Ato  contínuo,  deferiu­se  parcialmente o pleito, com reconhecimento de direito creditório montante a R$ 4.246.732,42.  Em  Manifestação  de  Inconformidade,  (fls.  1.131  a  1.225),  o  interessado  explicou que, com base em diversas Soluções de Consulta, retificou seus Dacon desde 2004 até  2008 para ajustar­se aos termos das mesmas, formulando pedidos de restituição. Disserta sobre  a  legislação  de  regência,  pranteia  as  dificuldades  que  enfrenta  para  produzir  as  provas  documentais específicas em filiais remotas, e reclama do considera burocrático de sistema de  obrigações  acessórias  e  de  pagamento  dos  tributos.  Abordas  ainda  as  questões  a  seguir  sintetizadas:  1.  Questões preliminares de mérito:  a.  Dos antecedentes processuais, em que historia o processo desde as  soluções de consulta formuladas e os pedidos de restituição, o que  a  levou  a  retificar  os  respectivos  Dacon  desde  2004  até  2008.  Salienta que nem todas as alterações foram para reduzir tributo, na  medida  em  que  também  ocorreram  alterações  para  aumentar  o  tributo devido ou diminuir os saldos credores acumulados.  b.  Da  natureza  dos  ajustes  após  2009,  em  que  observa  que  as  alterações efetuadas após 2009 registraram apenas troca de linhas  (reclassificações)  e  para  reduzir  o  saldo  credor  ou  aumentar  o  débito a recolher, nunca para reduzir a contribuição devida.  c.  Da  inexistência  de  preclusão  por  força  maior  demonstrada  e  reconhecida  pela  própria  Receita  Federal  do  Brasil,  em  que  sustenta  que  o  prazo  de  30  (trinta)  dias  é  insuficiente  para  produzir a ampla defesa que lhe é assegurada constitucionalmente,  em  vista  das  assertivas  fiscais  e  dos  relatórios  que  incluem  inúmeras  planilhas  de  cálculos  a  serem  examinados,  e  suscita  a  incidência  da  norma  prevista  no  art.  16,  do  Decreto  70.235/72,  4 ,  por  entender  que  a  força  maior  está  perfeitamente  demonstrada nos autos pela declaração feita pelos agentes da RFB  no  que  tange  aos  prazos  exíguos  para  análise  dos  pedidos  de  restituição   d.  Da contestação das premissas dos Despachos Decisórios e do feito  fiscal, em que alega que os atos da administração pública lesivos  ao  patrimônio  das  pessoas  de direito  privado  são  tipificados  nos  termos  da  Lei  n .  4717/65,  sendo  anuláveis,  segundo  as  prescrições legais;  e.  Da contribuição para o PIS relativa ao período de dezembro/2003,  em  que  alega  que  a  análise  do  crédito  depende  do  desfecho  do  processo  nº  13971.000029/2004­98,  uma  vez  que  se  constatou  a  inexistência  de  saldo  credor  no  final  do  período  de  apuração  do  Fl. 1369DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.367          7 mês  de  dezembro/2003,  e  que  não  se  pode  considerar  a  inexistência de  saldo, enquanto não houver decisão definitiva no  referido processo, sob pena de efetuar­se glosas indevidamente;  f.  Da  Decisão  sobre  alegações  não  contidas  nas  manifestações  de  inconformidade,  em  que  argumenta  que  a  própria  ação  fiscal  demonstra com clareza o montante que julga ser devido, em face  das  circunstâncias  materiais  do  caso  concretamente  examinado,  sem  subterfúgios  a  quaisquer  eventuais  teses  tributárias   que  a  fiscalização  afirma  existirem  fora  destes  autos  (existência  de  tributaristas  que  sustentam  que  o  valor  do  tributo  devido  a  ser  considerado pela  autoridade  administrativa no  exame de pedidos  de  restituição  ou  de  declarações  de  compensação  é  o  valor  do  débito  declarado  pelo  sujeito  passivo  em  DCTF)  e  que  nunca  foram alegadas neste processo e que, portanto, nada tem a ver com  os  lançamentos  contidos  nos  autos  de  infração  impugnados  nem  como  os  despachos  decisórios  objetos  de  manifestações  de  inconformidade protocoladas a tempo e modo. Suscita, ainda, que  a ocorrência de decisões caracterizadamente  chapadas  enseja  e  confirma  a  nulidade  do  feito  em  face  do  vício  de  forma  e  do  desvio de finalidade.  g.  Do pagamento  indevido  e do  direito  a  restituição,  em que  alega  vícios  no  despacho  decisório  que  ensejariam  a  anulação  do  mesmo,  tais  como  a  exiguidade  do  intervalo  de  tempo  entre  a  juntada do feito fiscal e o despacho decisório demonstra que quem  decidiu sobre o assunto foram os agentes fiscais que promoveram  a  fiscalização  direta  e  não  o  Sr.  Delegado  competente   que,  no  caso,  não  existe  previsão  legal  de  delegação  de  competência   e  que esta evidência atrai a regra da Lei n . 4.717/65 que considera  caracterizada  a  incompetência  quando  o  ato  não  se  incluir  nas  atribuições legais do agente que o praticou. Suscita expressamente  e  questiona  a  matéria  para  os  fins  de  evitar­se  a  preclusão,  devendo  a  questão  ser  apreciada  e  julgada  para,  ao  final,  determinar  a  nulidade  do  feito  para  que  novo  despacho  seja  proferido  nos  termos  da  Lei  e  do  Direito  como  expressão  de  justiça.  h.  Da  resistência  ao  cumprimento  de  sentenças,  em  que  acusa  os  procedimentos  fiscais que  embasaram o despacho decisório  (cita  alguns  exemplos)  de  adotarem  os  mesmos  critérios  genéricos  e  sem  fundamento,  tomarem  as  falhas  pontuais  como  reiteradas  e  uniformes, generalizarem sob a  forma de percentual, aplicando­o  durante todo o período de fiscalização, sem levar em conta o fato  concretamente  ocorrido   que,  ao  estabelecer  critérios  genéricos  para determinar o montante a ser glosado, contraria expressamente  o comando da decisão da 4 . Turma da DRJ/FNS, a qual proíbe a  aplicação deste tipo de procedimento  e reitera que o prazo de 30  dias  é  exíguo  para  se  pronunciar  acerca  de  cálculos  produzidos  por  processamento  eletrônico,  o  qual  requer  conhecimento  Fl. 1370DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     8 especializado e estrito,  além do conhecimento da matéria  legal a  ser  examinada  e  contestada.  Alega,  ainda,  que  a  comprovação  desta ocorrência somente poderá ser feita mediante prova pericial,  que o procedimento deve ser refeito, e, suscita a nulidade por falta  de fundamento legal.  i.  Da produção de todas as provas admitidas em direito: Pedido de  Perícia, em que requer expressamente a produção de perícia para  exame e verificação das planilhas  e processamento  eletrônico de  informações  trazidas ao processo pelos auditores.  Indica o perito  assistente, formula 12 quesitos e justifica o pedidos, alegando que,  os  trabalhos  de  perícia  e  diligência  se  fazem  necessários  por  envolver  processamento  eletrônico  automático  e  inúmeras  operações produzidas pela RFB que,  a exemplo de outros  casos,  tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos  de  sentido  e  realidade,  tal  como  os  lançamentos  eletrônicos  em  processamentos  de  DCTF.  Por  outro  lado,  alega  que  há  necessidade  de  testes  de  consistências  impossíveis  de  serem  transpostas  por  meio  de  documentos  porque  envolvem  processamento de  informações,  seus  cruzamentos  e  conciliações,  somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que  em  sendo  constatado  inconsistências,  haverá  necessidade  de  recorrer­se aos documentos físicos.  2.  Das circunstâncias materiais de fato e de direito:  a)  Da  alegação  de  decadência  impossível  de  ser  vista  nos  autos,  em  que  alega  que  o  fundamento  do  indeferimento  parcial  nem  de  longe  sustenta  o  feito  em  face  da  legalidade  e  das  exigências previstas no art. 37 da Constituição Federal  e que, ao  se  recusar  a  examinar  o  que  é  de  seu  ofício,  a  autoridade  fiscal  remeteu o exame e fiscalização à DRJ, o que não pode ser  feito,  em  face  da  incompatibilidade  entre  os  trabalhos  de  exame  da  materialidade tributária (art. 142 do CTN) e a função de julgador  no mesmo caso;  b)  Do  que  se  pode  efetivamente  verificar  nos  autos:  as  retificações dos Dacon, onde alega que a retificação do Dacon em  2012 resultou em um aumento da contribuição devida e somente  ocorreu  devido  a  entendimentos  com  os  auditores  da  RFB,  conforme evidenciado nas mensagens eletrônicas em anexo  que a  retificação,  como  visto,  não  apresentou  alterações  para  acrescer  créditos, e que as afirmações dos auditores fiscais não podem ser  levadas  em  consideração  na  questão  relativa  a  qualquer  decadência dos direitos creditórios;  c)  Da  igualdade de  todos  perante  a  Lei:  onde  alega  que  a  apresentação  do  Pedido  de  Restituição  interrompe  e  extingue  qualquer  pretensão  fazendária  à  decadência  do  direito  da  manifestante  em  se  ver  ressarcida  do  pagamento  a  maior  ou  indevido  das  contribuições  sociais,  afastando  a  possibilidade  de  alegar­se a decadência do seu direito;  Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.368          9 d)  Da exigência de verificação das circunstâncias materiais  necessárias e da situação jurídica definitivamente constituída (art.  116  do  CTN):  em  que  alega,  após  a  citação  de  várias  doutrinas/doutrinadores,  a  razão  pela  qual  o  feito  carece  de  sentido, uma vez que  se prende  ao mero  formalismo abstrato da  norma, sem considerar nem integrar a situação normada ao Direito  a ser aplicado e observado (decisão conforme a lei e Direito   nos  termos do Processo Administrativo Disciplinar), e constitutivo da  fórmula concreta do Devido Processo Legal (...);  e)  Dos  Complementos  de  Valor  por  preços  a  fixar  e  Do  faturamento  no  regime  de  competência    o  fato  gerador  das  contribuições  e  a  comparação  com  outros  tributos  sobre  o  faturamento:  em  que  sustenta  que,  ao  contrário  do  alegado  pela  autoridade fiscal (que o faturamento deve ocorrer no momento da  tradição),  cujo  raciocínio  seria  induzido  pela  analogia  com  os  demais  tributos  (ISS,  ICMS,  IPI),  o  faturamento  no  regime  de  competência,  onde  se  tem  preço  a  fixar,  jamais  pode  ser  considerado no momento da tradição, eis que neste momento não  há, a rigor, nenhum faturamento, pela absoluta ausência do preço  real  da  transação,  constando  somente  o  seu  valor  simbólico  em  nota  exclusivamente  fiscal,  sendo  que  o  faturamento  ocorrerá  somente  quando  da  fixação  do  preço,  oportunidade  em  que  os  contratantes  tomarão conhecimento preciso do valor da operação  outrora  contratada,  o  que  seria  impossível  mensurar  em  tempo  pretérito  (à  época  da  tradição).  Alega,  ainda,  que  a  complementação  de  preço  lastreada  em  remessa  que  detenha  direito a crédito gera o direito de retificar a sua base, no momento  do  faturamento  (quando da  fixação  do  preço  e  não  da  tradição),  para complementar o preço da transação de origem  que, havendo  remessa originária com direito a crédito o mesmo deverá ocorrer  na complementação, sendo que qualquer glosa contrária a tal regra  deve ser repudiada  e que o   4  do art. 3  da lei de regência do  crédito  é muito  clara  ao dispor  expressamente que o  crédito não  apropriado no mês poderá ser aproveitado nos meses posteriores.  f)  Dos  fatos  geradores  pendentes  e  o  alcance da  nova  lei,  em  que  remete  aos  artigos  105  e  116  do  Código  Tributário  Nacional  para  afirmar  que  o  caso  pertinente  ao  tema  Preços  a  Fixar   abrange  as  duas  situações:  de  fato  (manifestação  do  vendedor  para  fixar  o  preço)  e  jurídica  (contrato    como  assinalado  pelos  auditores,  definitivamente  constituído,  porém  pendente de liquidação do preço), e que, “...nestas circunstâncias  os fatos futuros (reajustes e liquidação de preço) são submetidos  definitivamente  à  lei  nova  como  sempre  entendeu  a  Fazenda  Pública  em  termos  de  inovação  legal  para  majoração  da  cobrança de tributos sujeitos à anterioridade anual e consolidada  na  Súmula  577  do  STF  (“Na  importação  de  mercadorias  do  exterior,  o  fato  gerador  do  Imposto  de  Circulação  de  Mercadorias  ocorre  no  momento  de  sua  entrada  no  Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     10 estabelecimento do importado”), e também a Súmula 584 do STF:  “Ao  imposto  de  renda  calculado  sobre  os  rendimentos  do  ano­ base, aplica­se a lei vigente no exercício financeiro em que deve  ser  apresentada  a  declaração.”  Completa  a  sua  argüição  afirmando que os casos específicos sujeitos à norma de transição  foram expressamente contemplados na lei, tais como os casos dos  contratos  de  longo  prazo,  atividades  imobiliárias  e  inúmeros  outros,  o  que  motivou  complexidade  da  legislação  até  então  pendente de consolidação e unificação num regulamento geral.  g)  Do Complemento de preços nas remessas com FEX, em  que  sugere  que  podem  ter  havido  falhas  humanas  eventuais  e  pontuais na execução dos procedimentos internos, principalmente  nos  primeiros  anos  em  face  dos  motivos  já  alegados  e  que  motivaram  tantas  retificações  dos  Dacons,  mas  não  de  procedimento uniforme e reiterado, e que, caso constatado o erro,  estará  sujeito  ao  ajuste  necessário,  mas  jamais  poderá  ser  generalizadamente  calculado  com  base  em  percentuais  para  ser  aplicado em todo o período fiscalizado, o que deverá ser objeto de  reexame para  eventual  constatação,  em homenagem ao Princípio  da  Verdade  Real.  Justifica  a  alegação  pelo  fato  do  feito  fiscal  desconsiderar os valores específicos de cada operação de entrada,  considerando­as  todas  ao  mesmo  preço,  o  que  distorceria  o  cálculo  final,  motivo  pelo  qual  haveria  necessidade  de  perícia  sobre  os  cálculos  efetuados  e  em  especial  quanto  aos  critérios  escolhidos pelos agentes.  h)  Dos  créditos  relativos  aos  contratos  de  transporte  tomados  de  pessoas  jurídicas  ou  a  ela  equiparadas  e  da  situação  normada às  contribuições  sociais  sobre o  faturamento no  regime  da  não­cumulatividade  e  as  atividades  econômicas  empresariais:  em  que  traça  o  perfil  das  atividades  empresariais  e  conclui,  em  síntese, que,  tanto as atividades principais quanto as secundárias,  enquanto atividades que adicionam valor à economia da empresa e  à  renda  nacional  se  habilitam  à  tomada  de  créditos,  sendo  as  atividades  auxiliares  desprovidas  dos  requisitos  que  habilitam  à  tomada de créditos. Com base nas suas conclusões, entende que a  contratação  do  frete  está  relacionado  à  atividade  principal  da  empresa,  estando  atrelados  por  força  das  circunstâncias  de  que  não  há  nem  pode  haver  circulação  de  bens  sem  o  necessário  contrato  de  transporte.  Aduz  que  os  gastos  com  fretes  nas  aquisições de bens destinados ao custeio da atividade econômica  não  se  encontra  expressamente  listado  nos  itens  da  norma  que  autoriza  o  direito  ao  crédito  porque  subsume­se  ao  conceito  de  insumo  necessário  ao  exercício  das  atividades  relacionadas  nos  incisos  I  e  II  da norma  autorizadora dos  créditos. Em  relação às  despesas  de  frete  com  transferência  dos  bens  para  o  armazém,  alega  que  o  mesmo  fundamento  que  motiva  a  glosa,  também  fundamenta  a  contestação:  a  falta  de  fundamento  legal  para  a  glosa.  Sustenta que  falta  autorização  legal  expressa  para  a  glosa  dos  fretes  que  ocorrem  nas  operações  de  transferências  internas  entre estabelecimentos da mesma empresa para fins de remessa de  industrialização  ou  para  fins  de  armazenamento.  Requer,  desta  Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.369          11 forma, que sejam admitidos os créditos relativos aos fretes para a  transferência  entre  estabelecimentos  e  para  armazéns  gerais  ou  depósitos  fechados  (para  simples  armazenamento  ou  para  formação de lotes padronizados para venda). Remete à Solução de  Consulta  nº  210/SRRF/8ª.  RF/DISIT  e  ao  Acórdão  nº  3301­ 00.424,  da  3  Câmara/1  Turma Ordinária.  Sustenta  que  hão  de  ser  considerados  os  créditos  oriundos  de  fretes  sobre  transferências  de  matérias­primas,  produtos  intermediários,  material de embalagem e serviços realizados entre filiais ou entre  parceiros integrados a as filiais do contribuinte, os quais compõem  o custo de produção do produto final, nos termos do art. 3 .  ,  II,  das  leis  nº  10.637,  de  2002,  e  10.833,  de  2003,  o  que  não  se  confunde  com  o  transporte  do  produto  acabado  entre  os  estabelecimentos. Insurge­se, ainda, contra o fato de ser negado o  direito  ao  crédito  em  relação às  compras de produtos  adquiridos  com a finalidade exclusiva de exportação.  i)  Das  glosas  de  créditos  sobre  Fretes  referentes  a  devoluções  de  compra  e  de  venda,  em que  alega  que  devem  ser  analisados funcionalmente para o fim de ensejar direito de crédito,  anulado o feito fiscal que entende em sentido contrário.  j)  Das  glosas  de  créditos  de  Fretes  Internos  em  importações  (após  o  desembaraço),  do  Pedido  Incidental,  em  aquisições  de  pessoas  físicas  para  revenda,  e das  inconsistências  em  relação  à  nota  vinculada:  em  que  alega  que  as  importações  constituem uma operação de compra,  logo devem gerar o direito  ao crédito, e contesta o fundamento da glosa com base no   3  da  Lei  nº  10.833,  de  2003.  Insurge­se,  especificamente,  contra  a  glosa  com  base  no CFOP  das  operações,  alegando  que  o CFOP  das operações não pode ser os mesmos da importação de produtos,  que  não  há  nenhuma  lógica,  evidência,  racionalidade  e  muito  menos  qualquer  indicação  de  documentos  que  amparem  este  procedimento  e  que  possibilite  dar  consistência  aos  argumentos  trazidos  à  colação  neste  tópico   que  não  há  cópias  dos  conhecimentos de  transportes comprovando serem as prestadoras  dos serviços de transportes empresas não domiciliadas no país, e  que não há  justificação  séria nem a  comprovação  requerida para  suportar a motivação do lançamento neste item  que é manifesto o  cerceamento do amplo direito de defesa, como de resto,  todos os  argumentos  contraditórios  entre  si  dificultam  e  impossibilitam  a  defesa. São mencionados os artigos 289 e 290 do RIR/99, que só  se  aplicam  a  insumos  utilizados  na  produção  industrial  ou  em  relação  a mercadorias  para  revenda,  portanto,  não  há  que  deixar  de  reconhecer  tratar­se  da  importação  de  bens  que  eles mesmos  classificam  como  objeto  da  atividade  principal  e  secundária  da  impugnante  e  que,  portanto,  são  geradores  de  créditos  na  importação;  que  o  desvio  de  forma  se  apresenta  configurado  de  modo a atrair a nulidade , senão de todo o processo, pelo menos e  sem  dúvida  deste  tópico.  Em  face  do  exposto  e  considerando  o  Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     12 que  do  processo  de  consulta  nº  13971.000992/2006­33,  que  resultou  na  Solução  de  Consulta  nº  441  de  18  de  dezembro  de  2006,  da  DISIT  da  9 .  RF/SRRF,  formulado  pela  interessada,  pede  que  seja  apensado  a  este  feito  cópia  daquela  Solução  de  Consulta e do respectivo processo, ficando dispensada a produção  de prova por se tratar de documentos emitidos pela própria RFB;  k)  Das  glosas  referentes  à  falta  de  comprovação  e  Das  demais  glosas  referentes,  em que  alega que  a  eventual  e  fortuita  falta  de  comprovação  documental  está  sendo  analisada  e  será  providenciada tão logo tenha completado o ciclo das verificações  necessárias  para  a  presente  defesa  e  contestação,  nos  termos  justificados por motivo de força maior;  l)  Dos  pedidos,  em  que  requer,  em  síntese:  o  direito  à  restituição  requerida  até  a  apreciação  final  de  todos  os  demais  processos  matrizes  do  qual  este  é  parcialmente  decorrente,  em  face da continência dos temas e das matérias  que seja declarada a  improcedência  das  glosas  de  créditos   que,  alternativa  e  sucessivamente,  seja  anulado  o  Despacho  Decisório  para  que  outro  seja  proferido,  sob  pena  de  cerceamento  de  defesa   que  o  presente  processo  seja  convertido  em  diligência  para  o  exame,  verificação  e  constatação  de  quaisquer  elementos  da  situação  normada (nos  termos do art. 114, 116 c/c art. 142 do CTN) e os  termos  do  disposto  no  art.  18  do  Decreto  nº.  70.235,  de  1972.  Protesta  pela  produção  de  todas  as  provas  em  direito  admitidas,  em  especial  a  juntada  de  novos  documentos,  bem  como  a  realização  de  perícia  técnica,  e  requer,  em  suma,  que  seja  assegurado o seu direito de ser notificada da juntada de qualquer  documento  ou  de  qualquer  outro  ato  ou  fato  superveniente  que  venha a ocorrer nos presentes autos.  A  4ª  Turma  da  DRJ/FNS  julgou  a  Manifestação  de  Inconformidade  improcedente. O Acórdão nº 07­31.198, de 19 de abril de 2013, fls. 1.252 a 1.283, teve ementa  vazada nos seguintes termos:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL – COFINS  Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS.  Para  efeito  da  não­cumulatividade  das  contribuições,  há  de  se  entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando­ o  à  necessidade  na  fabricação  do  produto  e  na  consecução  de  sua  atividade­fim  (conceito  econômico),  mas  adstrito  ao  que  determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando  a  caracterização  do  insumo  à  sua  aplicação  direta  ao  produto  fabricado.  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS. CRÉDITOS NA  AQUISIÇÃO.  Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.370          13 Para  fins  de  créditos  na  aquisição  de  insumos,  a  despesa  é  considerada incorrida quando ocorre o consumo do bem ou do  serviço, independentemente do pagamento.  INCIDÊNCIA NÃO­CUMULATIVA. INSUMOS. SERVIÇOS.  Para  efeito  da  não­cumulatividade  das  contribuições,  há  de  se  entender o conceito de insumo não de forma genérica, atrelando­ o  à  necessidade  na  fabricação  do  produto  e  na  consecução  de  sua  atividade­fim  (conceito  econômico),  mas  adstrito  ao  que  determina a legislação tributária (conceito jurídico), vinculando  a  caracterização  do  insumo  à  sua  aplicação  direta  ao  produto  em fabricação.  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007  PEDIDOS  DE  RESTITUIÇÃO,  COMPENSAÇÃO  OU  RESSARCIMENTO.  COMPROVAÇÃO  DA  EXISTÊNCIA  DO  DIREITO  CREDITÓRIO.  ÔNUS  DA  PROVA  A  CARGO  DO  CONTRIBUINTE  No  âmbito  específico  dos  pedidos  de  restituição,  compensação  ou  ressarcimento,  é  ônus  do  contribuinte/pleiteante  a  comprovação minudente da existência do direito creditório.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Cuida­se  agora  de  recurso  voluntário  contra  a  decisão  da  4ª  Turma  da  DRJ/FNS. O arrazoado de fls. 1.286 a 1.356, após protesto de tempestividade síntese dos fatos  relacionados com a lide, argúi a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento do direito de  defesa, asseverando que não poderia  a decisão  atacada simplesmente  alegar que a  recorrente  deixou de produzir prova em momento oportuno, até porque tal momento não encerrou. Alega  a ocorrência de força maior, sobre o que discorre longamente. No mérito, digressiona sobre o  conceito  de  insumo para  fim de  creditamento  das  contribuições  sociais  não  cumulativas  que  entende que deve ser adotado, pugnando por que se admita o creditamento dos custos para o  financiamento do capital (despesas financeiras).  Retoma,  na  continuação,  arguição  de  nulidade do Despacho Decisório,  que  não  teria sido proferido pela autoridade competente, mas pelo auditor­fiscal que procedeu ao  exame  do  pleito.  Acusa  a  autuação  da  autoridade  fiscal  de  ter  sido  desidiosa,  burocrática,  genérica e desapegada da verdade real.  Reitera a necessidade prova pericial.  Sob a rubrica “Cálculo do valor da Cofins”, acusa erro na planilha referente  ao 1º trimestre de 2005, na medida em que o saldo remanescente do 1 °  trimestre, no valor de  R$7.732.130,43, não teria sido transportado para o período seguinte. (Célula T l 4  da planilha  "Utilização de Créditos Bunge ­ Cofins"), deixando de ser utilizado. Da mesma forma, o saldo  remanescente  de  abril  de  2006,  no  valor  de  R$5.632.913,87,  não  foi  somado  ao  saldo  Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     14 remanescente no mês de  junho  (Célula D109). Ele esta demonstrado na coluna Crédito, mas  não esta demonstrado na coluna Saldo Após Descontos.  Em  seguida,  retoma  a  arguição  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  ao  afirmar  que  a  decisão  recorrida,  no  tema Complemento  de  Preços,  ou  reformou  o  despacho  decisório,  omitindo­se  em  declará­lo,  ou  há  erro  material  a  ser  corrigido  de  ofício,  pois  a  autuação, neste item em particular, abrange todos os complementos de preço efetuados após a  entrega  dos  produtos.  Em  suma,  propõe  que  se  prevalecer  o  contido  na  decisão  da  DRJ,  o  despacho  decisório  deve  ser  reformado  e  os  cálculos,  refeitos  como  reflexo  da  decisão  proferida no acórdão; se o acórdão manteve o despacho decisório, então há erro de direito no  julgamento, pois os fundamentos são contraditórios, já que não pronunciou o cerceamento do  direito de defesa do contribuinte. Entende, enfim, que as decisões são incompatíveis entre si.  Reitera, na continuação, a inocorrência de qualquer preclusão legal e que as  menções feitas a este  instituto no despacho decisório representam cerceamento do seu direito  de defesa, na medida em que fizeram a recorrente perder  tempo, desviando­a de sua linha de  defesa  e  obrigando­a  a  tecer  alegações  inúteis  ao  processo.  Pede  que  tais  expressões  sejam  riscadas dos autos.  No  mérito  das  glosas  atinentes  a  (i)  Complemento  de  Valor  por  Preços  a  Fixar, (ii) Complemento de Preço nas Remessas com FEX, (iii) Frete Relativo a Aquisição com  fim Específico de Exportação, (iv) Frete Utilizado para Transporte de Produto Acabado Entre  Estabelecimentos  (para  industrialização  ou  para  armazenamento)  e  para  armazéns  gerais  ou  depósitos fechados (para simples armazenamento ou para formação de lotes padronizados para  venda); (v) Frete Referente a Devolução de Compra e Venda, (vi) Frete Interno em Importação  após o Desembaraço e (vii) Frete Interno na Aquisição de Pessoa Física para Revenda, repete  as razões já oferecidas por ocasião da Manifestação de Inconformidade.  Transcrevo a íntegra dos requerimentos finais:  DOS PEDIDOS  A vista do exposto, e do que se comprova:  1.Reiteram­se  todas  as  razões  aduzidas  na Manifestação  de  Inconformidade  preteritamente ofertada,  requerendo seja considerada parte  integrante e  inseparável  do presente recurso, inclusive no que tange aos pedidos;  2.Seja decretada a nulidade do despacho decisório, já que não reconhecida a  segregação de funções (quem lança não julga, quem  julga não  lança), sendo que a  decisão que fomentou a Manifestação de Inconformidade preteritamente apresentada  foi  proferida  pelo Delegado  integralmente pelas  razões  do  fiscal,  em detrimento  à  análise e confrontação com o quanto alegado pela Recorrente;  3.Demonstrada a insubsistência e improcedência dos fundamentos, motivos e  justificativa do indeferimento total/parcial do despacho decisório, requer­se que seja  acolhido  o  presente  Recurso,  e  reformando  a  decisão  a  quo,  e  declarada  a  improcedência das glosas de créditos contidas nos presentes autos;  4.Alternativa  e  sucessivamente,  à  vista  dos  esclarecimentos  e  informações  prestadas no curso deste processo, seja reformada a decisão recorrida e anulados os  Despachos Decisórios para que, em sendo o caso, outros sejam proferidos em boa e  segura  ordem  de  Direito  e  de  Justiça,  uma  vez  que  apresenta  o  vício  da  incompetência, como demonstrado e comprovado, e também por vício de forma e de  falta  de  fundamentação  que  permitam  a  subsunção  dos  fatos  descritos  aos  Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.371          15 fundamentos jurídicos mencionados (ou não mencionados, na sua maior parte) sob  pena de cerceamento do direito de defesa;  5.Também  seja  considerada  nula  e  sem  efeito  a  r.  decisão  por  manifesto  cerceamento do direito de defesa e não enfrentamento das alegações da Recorrente,  especialmente quanto aos fretes internos de importação ­ tendo inclusive inovado o  feito,  fazendo  alegações  não  contidas  no  Auto  de  Infração  confirmando  as  Preliminares  suscitadas  na  Manifestação  de  Inconformidade  a  respeito  das  obscuridades a cercear o direito de defesa da Recorrente;  a.  E,  também,  pela  manifesta  contradição  no  que  tange  aos  Complementos  de  Preço,  em  que  a  manter  o  Acórdão,  percebe­se  a  reforma  parcial  do  Despacho  Decisório,  ou  observa­se  erro  material  no  cálculo  das  glosas  dos  créditos  a  ser  conhecido  e  corrigido  de  ofício,  diante  da  omissão  flagrante contida no v. Acórdão recorrido, finalmente;  6.Em  não  sendo  supridos  os  pedidos  acima,  requer  ainda  a  que  o  presente  processo seja convertido em diligência para o exame, verificação e constatação de  quaisquer elementos da situação normada (nos termos dos art. 114, 116 c/c art. 142  do  CTN),  nos  termos  do  disposto  no  art.  18  do  Decreto  Federal  70.235/1972  (Processo Administrativo Fiscal);  Protesta pela produção de todas as provas em direito admitidas, em especial a  juntada de novos documentos, comprovado os motivos de força maior, bem como a  realização  perícia  técnica,  tendo  para  isso  preteritamente  indicado  seu  assistente  pericial e formulado os quesitos como requer a legislação de regência;  Outrossim,  com  fundamento  no  art.  5o,  XXXIV,  letra  "b"  da  Constituição  Federal,  requer  seja  ressalvado  o  direito  de  ser  notificada  da  juntada  de  qualquer  documento,  informação pela d.  autoridade fiscal, ou de qualquer outro  ato ou  fato  superveniente  que  venha  a  ocorrer  nos  presentes  autos,  a  fim  de  que  possa  se  manifestar sobre os mesmos, sob pena de violação ao princípio do devido processo  legal (art. 5o, LIV da CF/88), do contraditório, e da ampla defesa (art. 5o, LV), além  de  representar  inequívoca  negativa  de  vigência  ao  princípio  da  verdade  material  (princípio  maior  informador  do  processo  administrativo  fiscal),  principalmente  se  for suscitado fato novo ou novas alegações de direitos;  9.Protesta pela produção de  sustentação sempre que este meio de defesa  for  admitida no PAF, requerendo seja intimada regularmente para tanto.  Afirma instruir seu recurso com mídia ­ DVD ­ com documentos organizados  da seguinte forma:  1.  Pasta ­ Notas Fiscais ­ Abril a Maio de 2005  a.  Arquivo em Excel com a listagem das notas Fiscais  i.   Diversos  arquivos  numerados  de  acordo  com  a  listagem  acima  contendo  as  respectivas notas fiscais.  2.  Pasta ­ Notas Fiscais ­ Junho a Dezembro de 2005  a.  Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais  Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     16 i.  Diversos arquivos numerados de acordo com  a  listagem  acima  contendo  as  respectivas  notas fiscais.  3.  Pasta ­ Notas Fiscais ­ Janeiro a Junho de 2006  a.  Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais  i.  Diversos arquivos numerados de acordo com  a  listagem  acima  contendo  as  respectivas  notas fiscais.  4.  4.Pasta ­ Notas Fiscais ­ Julho a Dezembro de 2006  a.  Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais  i.  Diversos arquivos numerados de acordo com  a  listagem  acima  contendo  as  respectivas  notas fiscais.  5.  Pasta ­ Notas Fiscais – 2007  a.  Arquivo em Excel com a listagem das notas fiscais  i.  Diversos arquivos numerados de acordo com  a  listagem  acima  contendo  as  respectivas  notas fiscais.  6.  Pasta ­ Notas Fiscais de Insumos  a.  Diversas  Notas  Fiscais  divididas  em  20  (vinte)  arquivos  7.  Explicações dos Vícios no Trabalho de Auditoria Fiscal com  relação  à  Composição  dos  Saldos  do  respectivo  tributo  Trabalho de Composição dos Saldos do respectivo tributo —  Refeito ­ planilhas anuais Utilização de Créditos Bunge para  o respectivo tributo ­ planilhas anuais  A autoridade preparadora informa, às fls. 1.360, que vinculou­se ao presente  o processo nº 13971.000.644/2013­95, correspondente a dossiê em papel de processo digital,  tendo em vista a apresentação de Mídia Digital (DVD) junto ao Recurso Voluntário interposto  pelo contribuinte.  O  processo  administrativo  correspondente  foi  materializado  na  forma  eletrônica,  razão pela qual  todas as  referências a  folhas dos autos pautar­se­ão na numeração  digitalmente estabelecida.  É o Relatório.  Voto Vencido  Conselheiro Alexandre Kern, Relator  Presentes os pressupostos recursais, a petição de fls. 1.286 a 1.356 merece ser  conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ­FNS­4ª Turma nº 07­31.198, de 19  de abril de 2013.  Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.372          17 REQUERIMENTOS DIVERSOS  Pedido de perícia  O recorrente, assim como fez o manifestante,  requer a  realização de perícia  para exame e verificação das planilhas e processamento eletrônico de informações trazidas ao  processo pelos auditores. Indica o perito assistente, formula quesitos e justifica o requerimento,  alegando  que  os  trabalhos  de  perícia  e  diligência  fazem­se  necessários  por  envolver  processamento  eletrônico  automático  e  inúmeras  operações  produzidas  pela  RFB  que,  a  exemplo de outros casos, tem dado azo a processos administrativos totalmente desprovidos de  sentido  e  realidade,  tal  como  os  lançamentos  eletrônicos  em  processamentos  de DCTF.  Por  outro  lado,  alega  que  há  necessidade  de  testes  de  consistências  impossíveis  de  serem  transpostas  por meio  de  documentos  porque  envolvem  processamento  de  informações,  seus  cruzamentos e conciliações, somente possível por trabalho de auditoria e perícia, e, ainda, que  em  sendo  constatado  inconsistências,  haverá  necessidade  de  se  recorrer  aos  documentos  físicos.  Repisa  o mesmo  pedido  no  que  se  refere  às  glosas  referentes  aos  complementos  de  preço  nas  remessas  com  o  fim  específico  de  exportação.  Ainda,  a  perícia  técnica  seria  imprescindível  para  a  comprovação  de  sua  alegação  de  que  os  procedimentos  fiscais  que  embasaram  o  despacho  decisório  contrariaram  expressamente  o  comando  da  decisão  da  4   Turma da DRJ/FNS, ao anular o despacho decisório anterior, ao adotarem critérios genéricos e  sem  fundamento;  ao  tomarem as  falhas pontuais  como  reiteradas  e uniformes,  generalizando  sob  a  forma de  percentual  e  estendendo­o  para  todo  o  período  de  fiscalizado,  sem  levar  em  conta o fato concretamente ocorrido.  A  propósito,  a  perícia  técnica  é  um  meio  de  prova  destinado  a  esclarecer  aspectos  técnicos,  cuja  solução  necessite  de  expertise  e  conhecimento  especializados  e  que  escapam do conhecimento das partes. Dito de outra forma, a perícia ­ e mesmo as diligências ­  não  se  presta  para  a  produção  de  provas  que  a  parte  pode  e  deve  produzir,  no  momento  processual oportuno.  O recorrente pretende que o perito certifique os critérios, cálculos e valores  adotados, efetuados e apurados no procedimento fiscal, dentre outros quesitos formulados que  podem  facilmente  ser  respondidos  pelo  próprio  recorrente  mediante  o  exame  de  provas  documentais, cuja guarda e conservação lhe compete, e, ainda, poderiam ser respondidos pela  simples  análise  dos  relatório  de  auditora,  instruído  com  demonstrativos,  explicativos  e  planilhas  que  identificam  minuciosamente  todos  os  valores  que  foram  glosados  e  a  quais  linhas/valores do Dacon a que  estão  relacionados. Cabia ao  interessado apontar os  erros que  porventura  existentes  no  levantamento  fiscal,  já  que  tem  condições  para  isso,  por  possuir  conhecimentos  dos  fatos  e  documentos  e  relatórios  que  serviram  de  base  para  apuração  das  infrações.  Se a realização de perícia técnica, como visto, não se presta para a produção  de provas que toca à parte produzir, muito menos se destina para a confirmação de suspeita do  recorrente. O ônus de provar  suas  alegações  compete  à  recorrente  exclusivamente,  a  teor do  sistema  de  distribuição  do  onus  probandi  adotado  no  Processo  Administrativo  Federal,  consoante com o art. 36 da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.  Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     18 No  mesmo  sentido  o  art.  330  da  Lei  no  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973  (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  [...]  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  Em  sede  de  prova,  nada  alegar  e  alegar,  mas  não  provar  o  alegado  se  equivalem (allegare nihil et allegatum non probare paria sunt). Nesse sentido, a jurisprudência  do Superior Tribunal de Justiça:  Allegare  nihil  et  allegatum  non  probare  paria  sunt  —  nada  alegar  e  não  provar  o  alegado,  são  coisas  iguais.(HABEAS  CORPUS Nº  1.171­0 — RJ,  R.  Sup.  Trib.  Just.,  Brasília,  a.  4,  (39): 211­276, novembro 1992, p. 217)  Alegar  e  não  provar  significa,  juridicamente,  não  dizer  nada.  (INTERVENÇÃO FEDERAL Nº 8­3 — PR, R. Sup. Trib. Just.,  Brasília, a. 7, (66): 93­116, fevereiro 1995. 99)  RECURSO  ORDINÁRIO  EM MANDADO  DE  SEGURANÇA  –  APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL  DE  CONTAS  –  ATOS  ADMINISTRATIVOS  NÃO  COMPROVADOS  –  ART.  333,  INCISO  II,  DO  CPC  –  PAGAMENTO  DOS  PROVENTOS  DE  NOVEMBRO/96  E  DÉCIMO  TERCEIRO  SALÁRIO  DAQUELE  MESMO  ANO  –  IMPOSSIBILIDADE  –  SÚMULAS  269  E  271  DA  SUPREMA  CORTE  –  1.  O  ônus  da  prova  incumbe  ao  réu,  quanto  à  existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito  do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às  Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a  professora  havia  sido  notificada  da  suspensão  de  sua  aposentadoria.  2.  Não  cabe  em  mandado  de  segurança  para  cobrança de proventos não recebidos, a teor das súmulas 269 e  271 da Suprema Corte. 3. Recurso parcialmente provido. (STJ –  ROMS  9685  –  RS  –  6ª  T.  –  Rel. Min.  Fernando  Gonçalves  –  DJU 20.08.2001 – p. 00538) JCPC.333 JCPC.333.II   TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA  – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇA­PRÊMIO  – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL –  ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto  ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de  fato  impeditivo,  modificativo  ou  extintivo  do  direito  do  autor.  Cabe  ao  contribuinte  comprovar  a  ocorrência  de  retenção  na  fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias  e  à  Fazenda  Nacional  incumbe  a  prova  de  eventual  compensação  do  imposto  de  renda  retido  na  fonte  no  ajuste  anual  da  declaração  de  rendimentos.  Recurso  provido.  (STJ  –  REsp  229118  –  DF  –  1ª  T.  –  Rel.  Min.  Garcia  Vieira  –  DJU  07.02.2000 – p. 132)  PROCESSO  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO  –  EXECUÇÃO  FISCAL  –  EMBARGOS  DO  DEVEDOR  –  NOTIFICAÇÃO  DO  LANÇAMENTO  –  IMPRESCINDIBILIDADE  –  ÔNUS  DA  Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.373          19 PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte  do  imposto devido. 2.  Incumbe ao embargado,  réu no processo  incidente  de  embargos  à  execução,  a  prova  do  fato  impeditivo,  modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II).  3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 –  (1999/0099660­7)  –  SP  –  2ª  T.  –  Rel. Min.  Francisco  Peçanha  Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147)  TRIBUTÁRIO  E  PROCESSUAL  CIVIL  –  IRPF  –  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO  –  VERBAS  INDENIZATÓRIAS  –  RETENÇÃO  NA  FONTE  –  ÔNUS  DA  PROVA  –  VIOLAÇÃO  DE  LEI  FEDERAL  CONFIGURADA  –  DIVERGÊNCIA  JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ  ­ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção  do imposto de renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do  seu direito; ao  réu competia a prova de  eventual  compensação  na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto  de  renda  retido  na  fonte,  fato  extintivo,  impeditivo  ou  modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ  –  Recurso  especial  conhecido  pela  letra  a  e  provido.  (STJ  –  RESP  232729  –  DF  –  2ª  T.  –  Rel.  Min.  Francisco  Peçanha  Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294)  Indefiro o pedido de perícia.  Pedido de conversão do julgamento em diligência  Quanto  ao  requerimento  de  diligência  “para  o  exame,  verificação  e  constatação de quaisquer elementos da situação normada”,  repetem­se aqui os  fundamentos  para  o  indeferimento  do  pedido  de  realização  de  perícia:  as  diligências  não  se  prestam  para  suprir  a  desídia  das  partes  na  produção  das  provas  que  só  a  elas  cabe  produzir,  como  tem  reiteradamente decidido esta Turma:  “DILIGÊNCIAS.  PERÍCIAS.  DEFICIÊNCIA  PROBATÓRIA.As  diligências  e  perícias  não  se  prestam  a  suprir  deficiência  probatória, seja em favor do fisco ou da recorrente.  (Acórdãos  nº 3403­002.469 a 477, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes  em relação à matéria, sessão de 24.set.2013)  “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO  QUAL  SE  FUNDAMENTA  A  AÇÃO.  INCUMBÊNCIA  DO  INTERESSADO.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado.  DILAÇÃO  PROBATÓRIA.  DILIGÊNCIAS.  A  realização de diligências destina­se a resolver dúvidas acerca de  questão controversa originada da confrontação de elementos de  prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito  aquilo  que  a  lei  já  impunha  como  obrigação,  desde  a  instauração  do  litígio,  às  partes  componentes  da  relação  jurídica. (Acórdãos nº 3403­002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre  Kern, unânime, sessão de 23.abr.2013)  Ademais,  o  processo  está maduro  e  pode  ser  deslindado  com  os  elementos  que se contêm.  Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     20 Indefiro.  Solicitação de juntada de documentos  Em relação à  solicitação de posterior  juntada de documentos,  formulada na  peça  de  reclamação  e  mecanicamente  repetida  no  recurso  voluntário,  a  possibilidade  de  conhecimento de prova documental não oferecida à instância a quo deve ser avaliada à luz dos  princípios que  regem o Processo Administrativo Fiscal. O Decreto nº 70.235, de 6 de março  1972 – PAF assim regula a matéria:  Art.  14.  A  impugnação  da  exigência  instaura  a  fase  litigiosa do procedimento.  Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída  com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias,  contados da data em que for feita a intimação da exigência.  [...]  Art. 16. A impugnação mencionará:  [...]  III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta,  os  pontos  de  discordância  e  as  razões  e  provas  que  possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993)  [...]  § 4º A prova documental será apresentada na impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna,  por  motivo  de  força  maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997):  b)  refira­se  a  fato  ou  a  direito  superveniente;(Incluído  pela Lei nº 9.532, de 1997);  c)  destine­se a  contrapor  fatos  ou  razões  posteriormente  trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997)  [...]  Art. 17. Considerar­se­á não impugnada a matéria que não  tenha  sido  expressamente  contestada  pelo  impugnante.  (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997).  De  acordo  com  as  normas  processuais  acima,  com  aplicação  analógica  determinada pelo § 4º do art. 66 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30 de dezembro de  2008,  é  no  momento  processual  da  reclamação  que  a  lide  é  demarcada  e  o  processo  administrativo propriamente dito tem início, com a instauração do litígio, não se permitindo, a  partir daí, a abertura de novas teses de defesa ou a apresentação de novas provas, a não ser nas  situações legalmente excepcionadas. A este respeito, Marcos Vinícius Neder de Lima e Maria  Tereza  Martínez  López2  asseveram  que  “a  inicial  e  a  impugnação  fixam  os  limites  da                                                              2   Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado. São Paulo: Dialética, 2002, p. 67.  Fl. 1383DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.374          21 controvérsia,  integrando  o  objeto  da  defesa  as  afirmações  contidas  na  petição  inicial  e  na  documentação que a acompanha”.  Antônio da Silva Cabral, no seu livro “Processo Administrativo Fiscal” (Ed.  Saraiva: São Paulo, 1993, p. 172), assim se manifestou sobre o assunto:  ‘O  termo  latino  é  muito  feliz  para  indicar  que  a  preclusão  significa impossibilidade de se realizar um direito, quer porque a  porta  do  tempo  está  fechada,  quer  porque  o  recinto  onde  esse  direito  poderia  exercer­se  também  está  fechado.  O  titular  do  direito  acha­se  impedido  de  exercer  o  seu  direito,  assim  como  alguém está impedido de entrar num recinto porque a porta está  fechada.’  Na página seguinte, o mesmo autor,  reportando­se aos órgãos  julgadores de  segunda instância, completa:  ‘Se  o  tribunal  acolher  tal  espécie  de  recurso  estará,  na  realidade,  omitindo  uma  instância,  já  que  o  julgador  singular  não apreciou a parte que só é contestada na fase recursal.’  Cintra, Grinover e Dinamarco, no  livro Teoria Geral  do Processo,  assim  se  posicionam sobre a preclusão:   ‘o  instituto  da  preclusão  liga­se  ao  princípio  do  impulso  processual.  Objetivamente  entendida,  a  preclusão  consiste  em  um fato impeditivo destinado a garantir o avanço progressivo da  relação  processual  e  a  obstar  o  seu  recuo  para  as  fases  anteriores  do  procedimento.  Subjetivamente,  a  preclusão  representa a perda de uma faculdade ou de um poder ou direito  processual;  as  causas  dessa  perda  correspondem  às  diversas  espécies de preclusão[..]’  Ensinam, também, estes doutrinadores que:  ‘A  preclusão  não  é  sanção.  Não  provém  de  ilícito,  mas  de  incompatibilidade  do  poder,  faculdade  ou  direito  com  o  desenvolvimento  do  processo,  ou  da  consumação  de  um  interesse.  Seus  efeitos  confinam­se  à  relação  processual  e  exaurem­se no processo.’  As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituem­se em  verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja  instituído em seu favor, não sendo  praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do  direito de fazê­lo posteriormente, pois opera­se, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto  porque  o  processo  é  um  caminhar  para  a  frente,  não  se  admitindo,  em  regra,  ressuscitar  questões já ultrapassadas em fases anteriores.  De acordo com o § 4º do art. 16 do PAF, supratranscrito, só é lícito deduzir  novas  alegações  em  supressão  de  instância  quando:  1)  relativas  a  direito  superveniente;  2)  competir ao  julgador delas conhecer de ofício,  a  exemplo da decadência;  ou 3) por expressa  autorização legal.  Fl. 1384DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     22 O § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve  ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos,  a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior.  Há de se aclarar, aqui, que a apresentação de provas do direito creditório após  a manifestação de inconformidade fora das hipóteses do  já  referido art. 16,   4º do PAF, nas  raras ocasiões em que aceita por este  tribunal, o é em função da verdade material. Oportuno,  neste ponto, transcrever as considerações que o Conselheiro Rosaldo Trevisan teceu a respeito  do tema, objeto do voto condutor do Acórdão nº 3403­002.681, de 28 de janeiro de 2014, por  ocasião do julgamento de recurso do mesmo recorrente:  É preciso, no entanto,  ter uma coerente compreensão do que se entende por  verdade material. Como ensina JAMES MARINS, a verdade material é ladeada pelo  dever  de  investigação  (da  Administração  tributária,  que  encontra  limitações  de  ordem constitucional), e pelo dever de colaboração (por parte do contribuinte e de  terceiros):  As  faculdades  fiscalizatórias  da  Administração  tributária  devem  ser  utilizadas  para  o  desvelamento  da  verdade  material  e  seu  resultado  deve  ser  reproduzido  fielmente  no  bojo  do  procedimento  e  do  Processo Administrativo.  O  dever  de  investigação  da  Administração  e  o  dever  de  colaboração  por  parte  do  particular  têm  por  finalidade  propiciar  a  aproximação  da  atividade  formalizadora  com a realidade dos acontecimentos.   3 Não se pode em nome da verdade material  promover  uma  dilação  probatória  ad  infinitum,  com  análise  em  sede  de  recurso  voluntário de documentos que foram reiteradamente demandados (sem sucesso) no  procedimento  fiscal  de  análise  do  crédito,  prometidos  na  manifestação  de  inconformidade (também sem sucesso), e, em alguns casos, com promessa reiterada  no recurso voluntário. Há que se ter um limite. Daí a importância do disposto no art.  16,   4°do Decreto n°70.235/1972.  Esgotadas as  formas de verificar a efetiva existência e a  liquidez do crédito,  mormente por falta de auxílio da própria interessada, que não conservou/apresentou  documentos  que  permitiriam  apurar  a  liquidez  da  compensação  que  a  favoreceria,  incabível acolher os valores que a empresa alega deter a título de crédito.  É  de  se  endossar  que  a  comprovação  da  certeza  e  da  liquidez  do  crédito  constitui requisito essencial à acolhida de pedidos de compensação. É o que reza o  caput do art. 170 do CTN:  Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja  estipulação  em  cada  caso  atribuir  à  autoridade  administrativa,  autorizar  a  compensação  de  créditos  tributários  com  créditos  líquidos  e  certos,  vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública . (grifo  nosso)”  No  caso  desses  autos,  o  recorrente  não  se  preocupou  em  produzir  oportunamente  os  documentos  que  comprovariam  suas  alegações,  ônus  que  lhe  competia,  segundo o  sistema de distribuição da  carga probatória  adotado pelo Processo Administrativo  Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na  Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei.                                                              3 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 6.ed. São Paulo: Dialética,  2012, p.154.  Fl. 1385DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.375          23 No  mesmo  sentido  o  art.  330  da  Lei  no  5.869,  de  11  de  janeiro  de  1973  (CPC):  Art. 333. O ônus da prova incumbe:  I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito;  II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo  ou extintivo do direito do autor.  O  recorrente  tampouco  comprovou  a  ocorrência  de  qualquer  das  hipóteses  das  alíneas  “a”  a  “c”  do  §  4º  do  art.  16  do  PAF.,  que  justifique  a  apresentação  tardia  de  documentos. A alegada exiguidade do prazo de 30 (trinta) dias para a apresentação de provas,  sob qualquer hipótese, não configura força maior, ainda mais quando se  trata de processo de  iniciativa do próprio contribuinte, em que o direito creditório deve estar previamente revestido  de liquidez e certeza. Aliás, não deixa de ser  irônico que o recorrente, que recorreu ao Poder  Judiciário,  impetrando  mandado  de  segurança,  para  forçar  a  apreciação  prioritária  do  seu  pretenso direito, à revelia da conveniência administrativa e mesmo em detrimento dos demais  contribuintes  em  situação  idêntica,  venha  agora  pedir  mais  prazo  para  comprovar  as  suas  próprias alegações.  Julgo  não  comprovada  a  ocorrência  de  força maior  e  indefiro  o  pedido  de  juntada  de  documentos  após  a  apresentação  da  reclamação.  Nesse  sentido,  todos  os  documentos que instruem o recurso voluntário que inovem a prova documental apresentada na  MI não serão conhecidos neste julgamento.  Pedido de intimação pessoal dos patronos da causa  Com relação ao requerimento de que seja previamente intimado da realização  deste  julgamento,  nas  pessoas  de  seus  patronos,  indefira­se. Na  atual  fase  do  procedimento,  todos os atos administrativos são, via de regra, feitos por meio postal e o PAF, art. 23, II, com a  redação que lhe foi dada pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 67, determina que,  nesta modalidade, sejam endereçados ao domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo. Não há  portanto como deferir a solicitação para que as  intimações sejam encaminhadas ao domicílio  dos procuradores da sociedade.  PRELIMINARES  Nulidade do despacho decisório  O  recorrente,  assim  como  o  reclamante,  suscita  a  nulidade  do  Despacho  Decisório de fls. 923 a 933 com o argumento que a exiguidade do intervalo de tempo entre a  juntada  do  relatório  fiscal  e  o  despacho  decisório  revela  que  quem  decidiu  o  feito  foram  os  agentes fiscais que promoveram a auditoria e não o Sr. Delegado competente  que, no caso, não  existe previsão legal de delegação de competência  e que esta evidência atrai a regra da Lei nº  4.717, de 1965, que considera caracterizada a  incompetência quando o ato não se  incluir nas  atribuições legais do agente que o praticou.  O argumento é risível pois implícito nele está a ideia estapafúrdia de que os  delegados da Receita Federal só podem decidir sobre procedimentos fiscais que eles mesmos  tiverem executados!  Fl. 1386DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     24 Nos  termos  o  art.  280  do  Regimento  Interno  da  Receita  Federal  do  Brasil  então  vigente,  aprovado  pela  Portaria  MF  nº  125,  de  4  de  março  de  2009,  autorizar  ou  determinar a execução de procedimentos fiscais (inc. V) e decidir sobre restituição. Por outro  lado,  o  art.  229  do  mesmo  RI  atribui  à  Seção  de  Fiscalização  –  SAFIS  da  DRF/BLU  a  competência de justamente realizar as atividades de fiscalização.  Enfim,  o  Despacho  Decisório  infirmado  foi,  incontestavelmente,  proferido  pela autoridade administrativa competente para fazê­lo.  Rejeito a preliminar.  Nulidade da decisão recorrida  O recorrente argúi também a nulidade da decisão recorrida, por cerceamento  do direito de defesa, asseverando que não poderia a decisão atacada simplesmente alegar que a  recorrente  deixou  de  produzir  prova  em  momento  oportuno,  até  porque  tal  momento  não  encerrou.  Penso justamente o contrário. A decisão recorrida deu à matéria o tratamento  que  julgo  o mais  correto,  pois  como  já  visto  acima,  precluiu  para  o  recorrente  o  direito  de  produção de prova documental.  É  recorrente,  nos  recursos  da  espécie,  a  arguição  de  nulidade,  por  cerceamento  do  direito  de  defesa,  de  decisão  de  primeira  instância  que  vai  de  encontro  aos  interesses do recorrente.  A  decisão  da  ínclita  4ª  Turma  da  DRJ/FNS  é  hígida  e  enfrentou  a  impugnação sob o ponto de vista que lhe pareceu mais apropriado.  Aqui, cabe ressaltar que o livre convencimento do julgador permite seja uma  decisão amparada em apenas um fundamento, contanto que este seja considerado suficiente ao  deslinde da questão. Não está o órgão julgador obrigado a apreciar, de per si, todas alegações  levantadas. O que não deve, o julgador, sob pena de cerceamento do direito de defesa, é deixar  de  considerar  fato  ou  circunstância  reputada  imprescindível  à  sua  decisão.  E  esse  deslize  a  decisão recorrida não cometeu.  No sentido de que o julgador não está obrigado a analisar todas as questões  suscitadas, cabe mencionar a decisão monocrática proferida em 10/11/2005 pelo Min. do STJ  Francisco Galvão, no Recurso Especial nº 792.497. Observe­se:  Como  é  de  sabença  geral,  o  julgador  não  está  obrigado  a  discorrer  sobre  todos  os  regramentos  legais  ou  todos  os  argumentos  alavancados  pelas  partes.  As  proposições  poderão  ou  não  ser  explicitamente  dissecadas  pelo  magistrado,  que  só  estará obrigado a examinar a contenda nos limites da demanda,  fundamentando  o  seu  proceder  de  acordo  com  o  seu  livre  convencimento, baseado nos aspectos pertinentes à hipótese sub  judice  e  com  a  legislação  que  entender  aplicável  ao  caso  concreto.  Neste sentido, confiram­se os seguintes julgados, verbis:  "RECURSO  ESPECIAL.  IMÓVEL  FUNCIONAL  ADMINISTRADO  PELA  SECRETARIA  DA  ADMINISTRAÇÃO  FEDERAL  DA  PRESIDÊNCIA  DA  REPÚBLICA  ­  SAF.  Fl. 1387DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.376          25 OCUPAÇÃO  POR  SERVIDOR  PÚBLICO  MILITAR.  ALIENAÇÃO.  POSSIBILIDADE.  ART.  535,  DO  CPC.  VIOLAÇÃO.  INOCORRÊNCIA.  PRECEDENTES  DO  STF  E  STJ.  1. Não ocorre violação do art. 535, do CPC, quando o acórdão  recorrido  não  denota  qualquer  omissão,  contradição  ou  obscuridade  no  referente  à  tutela  prestada,  uma  vez  que  o  julgador  não  se  obriga  a  examinar  todas  e  quaisquer  argumentações  trazidas  pelos  litigantes  a  juízo,  senão  aquelas  necessárias e suficientes ao deslinde da controvérsia.  2.  É  passível  de  alienação  o  imóvel  funcional  que,  à  época  de  edição  da  Lei  8.025/90,  era  administrado  pela  Secretaria  da  Administração  Federal  da  Presidência  da  República  –  SAF,  ainda  que  ocupado  fosse  por  servidores  militares,  não  se  aplicando  ao  caso  a  vedação  inscrita  no  art.  1º,  §  2º,  I,  desta  norma.  3.  Precedentes:  REsp  61.999/DF,  REsp  155.259/DF,  REsp  76.493/DF, REsp 59.119/DF, RMS 21.769/DF (STF).  4.  Recurso  Especial  parcialmente  conhecido  e,  nessa  parte,  provido"  (REsp  nº  394.768/DF,  Relator  Ministro  JOSÉ  DELGADO, DJ de 01/07/2002, pág. 00247).  "RECURSO ESPECIAL ­ TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL  ­ ART. 535, I E II, DO CPC ­ EMBARGOS DE DECLARAÇÃO ­  OMISSÃO.  1 ­ Inexiste violação ao art. 535, I e II, do CPC, se o Tribunal a  quo,  de  forma  clara  e  precisa,  pronunciou­se  acerca  dos  fundamentos suficientes à prestação jurisdicional invocada.  2  ­  Agravo  improvido"  (AGREsp  n.º  109.122/PR,  Relator  Ministro CASTRO MEIRA, DJ de 08/09/2003, p. 00263).  Ante  o  exposto,  NEGO  SEGUIMENTO  ao  presente  recurso  especial, com fulcro no art. 557, caput, do Código de Processo  Civil.  Rejeito a preliminar.  MÉRITO  Cálculo do valor da Cofins  A insinuação de ocorrência de erros na planilha referente ao 1º  trimestre de  2005 e no cálculo do valor da Cofins de abril de 2006 não será conhecida, seja por se tratar de  inovação recursal, matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, seja por se tratar  de  períodos  de  apuração  impertinentes  ao  caso  concreto,  que  investiga  indébitos  quanto  a  pagamentos referentes a novembro de 2007.  Da  mesma  forma,  a  invocação  ao  processo  administrativo  13971.000029/2004­98 é disparatada. O recorrente alegou que a análise do crédito depende do  Fl. 1388DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     26 desfecho desse processo, vez que se constatou a inexistência de saldo credor de PIS no final do  período de apuração do mês de dezembro/2003, e que não se pode considerar a inexistência de  saldo,  enquanto  não  houver  decisão  definitiva  no  Carf,  sob  pena  de  efetuar­se  glosas  indevidamente. Como pode haver  interdependência entre processos que tratam de créditos de  contribuições distintas?   Pscitacismos  à  parte,  o  recorrente  reclamou  veementemente  das  menções  feitas ao  instituto da preclusão no despacho decisório, pedindo  inclusive que fossem riscadas  dos  autos,  alegando  que  as mesmas  representaram  cerceamento  do  seu  direito  de  defesa,  na  medida  em  que  fizeram  a  recorrente  perder  tempo,  desviando­a  de  sua  linha  de  defesa  e  obrigando­a a tecer alegações inúteis ao processo. O que dizer do recorrente, que constrange o  julgador a redigir o presente parágrafo?  Seja  como  for,  a  decisão  recorrida  deixou  claro  que  não  se  fez  qualquer  restrição à tomada de créditos em razão da decadência.  Conceito de insumo esposado neste voto  Já está pacificado nesta 3ª Turma Ordinária o entendimento de que o conceito  de insumo para o fim de creditamento das contribuições sociais não cumulativas é mais amplo  do que aquele da legislação do IPI e mais restrito do que aquele da legislação do imposto de  renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que integram o custo de produção.  Particularmente, entendo ainda mais apropriado a especificidade do conceito  deduzido na jurisprudência do STJ, plasmado no REsp 1.246.317­MG, Min. Mauro Campbell  Marques, julgado em 16.06.2011, segundo o qual (sublinhado no original):  Insumos, para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art.  3º,  II,  da Lei n.  10.833/2003  são  todos aqueles bens  e  serviços  pertinentes  ao,  ou  que  viabilizam  o  processo  produtivo  e  a  prestação  de  serviços,  que  neles  possam  ser  direta  ou  indiretamente  empregados  e  cuja  subtração  importa  na  impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção,  isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica  em  substancial  perda  de  qualidade  do  produto  ou  serviço  daí  resultantes.  O  Min.  Campbell  Marques  extraiu  o  que  há  de  nuclear  na  definição  de  insumo para tal fim:  1º O bem ou serviço tenha sido adquirido para ser utilizado na  prestação  do  serviço  ou  na  produção,  ou  para  viabilizá­los  (pertinência ao processo produtivo);  2º  ­  A  produção  ou  prestação  do  serviço  dependa  daquela  aquisição (essencialidade ao processo produtivo); e   3º ­ Não se faz necessário o consumo do bem ou a prestação do  serviço  em  contato  direto  com  o  produto  (possibilidade  de  emprego indireto no processo produtivo).  Com esse conceito em vista, passemos à análise do caso concreto.  Fl. 1389DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.377          27 Glosa dos complementos de valor  O  contribuinte  efetua  operações  de  compra,  venda  e  industrialização  de  insumos  (preponderância  de  soja)  com  preço  a  fixar,  feitas  de  pessoas  físicas  e  jurídicas.  Efetivada  a  contratação,  na  época  oportuna,  o  fornecedor  vai  procedendo  à  entrega  em  remessas,  atribuindo  preço  unitário  provisório  a  elas.  Mais  adiante,  em  conformidade  com  condições  contratuais,  define  o  preço  final  a  ser  aplicado.  Nesse  contexto  operacional,  freqüentemente, há ocorrência de complementação de valores. Se o preço final for superior aos  praticados  nas  remessas,  haverá  uma  complementação  a  ser  paga  pelo  adquirente.  Caso  contrário, ou seja, se o preço nas remessas resultar superior ao definitivo, ocorrerá devolução  simbólica de certa quantidade do bem e acerto financeiro, ensejando o ajuste. Há então emissão  de nota fiscal de mesma natureza, emitida pelo produtor ou pela própria Bunge, neste caso, via  nota  de  entrada,  acobertando  a  operação,  quando  das  remessas.  O  que  diferencia  a  nota  de  complementação  das  relativas  às  remessas  é  o  fato  de  não  haver  movimentação  física  na  operação,  referindo­se  a  complementação  a  uma  cobrança  de  determinado  valor  monetário.  Pode haver a ocorrência de mais de uma nota de complementação.  O  procedimento  fiscal  analisou  as  notas  de  Complemento  de  Valor  nas  operações  de  aquisição  de  insumos  com  contratos  de  preços  a  fixar  e  glosou  todas  as  complementações  de  valor  feitas  quando  o  contribuinte  já  apurava  as  contribuições  sob  a  sistemática  da  não­cumulatividade,  em  aquisições  de  insumos  que  não  geraram  crédito,  seja  por  se  tratar  de  operações  realizadas  sob  a  sistemática  da  cumulatividade,  em  atenção  ao  regime  de  competência,  ou,  sob  a  sistemática  da  não  cumulatividade,  quando  se  tratava  de  operação  sem  direito  a  crédito  (p/ex.,  aquisições  a  pessoas  físicas  para  revendas,  ou  as  a  pessoas  jurídicas  registradas  com  fim  específico  de  exportação).  Enfim,  a  Fiscalização  reconheceu  o  direito  à  tomada  de  crédito  sobre  a  complementação  de  valor  sempre  que  a  operação  complementada  foi  cursada  já  sob  a  sistemática  da  não­cumulatividade  e  com  incidência das contribuições sociais4:  No recurso voluntário a empresa tece considerações sobre as peculiaridades  dos produtos que comercializa, e sobre a fixação de preço em momento futuro, afirmando que  a  complementação  de  preço  está  vinculada  à  aquisição  (e  não  à  tradição). Conclui,  por  fim,  que,  em  sendo  cada  complemento  de  preço  um  faturamento,  certamente  o  vendedor  deve  incluí­lo como faturamento e tributá­lo. Em sendo caracterizado o faturamento para o vendedor  , certamente estará caracterizado o complemento de custo para o comprador, gerando o crédito  necessário para suas operações de faturamento do mesmo período em que ocorreu o respectivo  complemento de preço.  Assim como a decisão recorrida, julgo haver nada a reparar no procedimento  fiscal.  Aliás,  o  procedimento  foi  ao  encontro  do  pleiteado  pelo  próprio  recorrente,  já  que,  efetivamente,  não  houve  glosa  sobre  os  complementos  de  valor  que  se  referiam  remessas  passíveis  de  creditamento,  ocorridas  em  momentos  pretéritos,  mas  já  sob  o  regime  não­                                                             4  quando  as  remessas  (aquisições)  ocorreram  com  direito  a  crédito,  são  considerados  os  créditos  das  complementações, ainda que ocorridas em meses distintos  (os  fatos geradores do crédito ocorrem na efetivação  das remessas e a complementação de valores está associada àquelas remessas);  quando as remessas efetivaram­se no regime anterior (cumulatividade),  não  é  considerada  a  complementação  dos  valores  pagos  já  no  regime  novo,  haja  vista  referir­se  a  aquisições  (remessas)  sem esse direito; quando as  remessas  (aquisições) ocorreram no  regime da não­cumulatividade, mas  não  geram  direito  aos  créditos,  tais  como  as  aquisições  de  pessoas  físicas  para  revenda  ou  industrialização  de  produtos não abrangidos pelo crédito presumido ou registradas com o fim específico de exportação, também não  são consideradas.as eventuais complementações.  Fl. 1390DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     28 cumulativo. Nesse  contexto,  não  se  fale  tampouco  em  cerceamento  do  direito  de  defesa  por  parte  da  Turma  recorrida.  O  voto  condutor  do  acórdão  é  claro  na  sua  fundamentação,  ao  sublinhar  a  vigência  do  regime  de  competência  na  sistemática  da  não­cumulatividade,  ressaltando que o direito ao crédito nasce quando da aquisição e posse do produto  ou seja, as  entradas do produto (remessas).  Quanto  à  glosa  dos  complementos  de  preços  nas  remessas  com  o  fim  específico  de  exportação,  a  recorrente  infirma  o  procedimento  fiscal,  acusando­o  de  generalidade, mas não é específico ao apontar as suas falhas, pedindo que elas sejam apuradas  em perícia técnica.  Desnecessário repetir, o relatório de auditoria fiscal é extenso em esmiuçar os  procedimentos  adotados,  desde  a  instrução  do  processo,  onde  obteve  as  informações,  documentos  e  esclarecimentos  através  das  diversas  intimações,  passando  pela  análise  dos  Dacon, do rateio, da memória de cálculo, dos arquivos digitais, do demonstrativo dos créditos,  das inúmeras tabelas, dentre outros, para chegar à identificação dos créditos indevidos. Tocava  ao manifestante refutá­lo expressa e especificamente, o que não foi feito.  Por outro lado, retomam­se aqui as considerações já feitas a respeito do onus  probandi e da finalidade da prova pericial.  Fretes  Conforme o Relatório de Auditoria Fiscal,  foram glosadas  as despesas  com  fretes  internos  em  importações  (após desembaraço),  correspondentes a operações com CFOP  de  importação   em  aquisições  com  CFOP  indicativo  de  fim  específico  de  exportação  (CFOP  1.501/2.501)  correspondentes a operações de devolução de vendas ou de compras de mercadorias   em transferências de bens entre estabelecimentos BUNGE  em remessas para armazéns gerais  em  aquisições de pessoas físicas de bens para revenda  por falta de comprovação dos fretes, relativas a  operações  com  remetente Pessoa Física  e CFOP de  compra para  comercialização  e  também em  aquisições  de  Pessoa  Física  de  insumos  para  industrialização  os  quais  foram  posteriormente  revendidos/exportados, não gerando créditos, de forma que as despesas com os respectivos fretes  foram glosadas na mesma proporção daqueles estornos.  A  insurgência  recursal  direcionou­se  para  as  glosas  referentes  ao  frete  relativo  a  aquisição  com  fim  específico  de  exportação;  frete  utilizado  para  transporte  de  produto acabado entre estabelecimentos (para industrialização ou para armazenamento) e para  armazéns gerais ou depósitos fechados (para simples armazenamento ou para formação de lotes  padronizados  para  venda);  frete  referente  a  devolução  de  compra  e  venda;  frete  interno  em  importação após o desembaraço e frete interno na aquisição de pessoa física para revenda.  O  argumento  recursal  fundamental  é  o  de  que,  tanto  as  atividades  principais  quanto as secundárias, enquanto atividades que adicionam valor ao negócio da sociedade e à  renda nacional habilitam a tomada de créditos. Entende que, nesse contexto, que a contratação  do frete – de qualquer frete ­ está relacionado à sua atividade principal, já que não há nem pode  haver  circulação  de  bens  sem  o  necessário  contrato  de  transporte.  Aduz  que  os  gastos  com  fretes  nas  aquisições  de  bens  destinados  ao  custeio  da  atividade  econômica  não  se  encontra  expressamente listado nos itens da norma que autoriza o direito ao crédito porque subsume­se  ao conceito de insumo.  A matéria  já  foi  objeto  de  decisão  desta  3ª  TO,  inclusive  em  processo  de  interesse deste mesmo recorrente (Acórdão nº 3403­002.681, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan).   Fl. 1391DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.378          29 Quanto  ao  frete  interno,  nas  aquisições  de  produtos  a  pessoas  físicas  para  revenda, deve­se considerar o fato de que não há direito a créditos nas aquisições de produtor  pessoa física de mercadorias para revenda. Logicamente, não há falar em créditos relativos aos  fretes relacionados às respectivas aquisições  A Fiscalização motiva as glosas em relação a  fretes  (com fim específico de  exportação) entre estabelecimentos – transferência ­ na ausência de base legal para descontar  créditos referentes a produtos acabados entre estabelecimentos. A recorrente, por sua vez, alega  que as transferências referem­se a  formação de lotes  para revenda (no caso, para exportação).  Não haveria  transferência entre  filiais, mas a própria operacionalização da exportação, diante  da impossibilidade de envio total e imediato de todo o produto a ser exportado.  Aparentemente, ambas as afirmações são procedentes. O produto acabado é  enviado  para  filial  estabelecida  em  área  portuária.  Há,  assim,  um  frete  entre  a  Bunge  X­ remetente  e  a  Bunge  Y­destinatária/área  portuária.  Assim,  é  inequívoco  que  se  dá  uma  transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da empresa. E, na sequência, ocorre  uma exportação.  O  art.  3°  da  Lei  nº  10.833,  de  29  de  dezembro  de  2003,  contempla  as  operações  de  venda  e  as  aquisições  de  insumos. As  transferências  entre  estabelecimentos  de  mercadorias  acabadas  –  seja  para  armazéns,  depósitos  fechados  ou  outro  estabelecimento  qualquer,  contudo,  não  geram  crédito,  como  já  vem  decidindo  esta  Turma,  cabendo  transcrever,  pela  pertinência  com  o  caso  aqui  tratado,  excerto  de  voto  do  Cons.  Marcos  Tranchesi Ortiz, unanimemente acatado:  Porque  na  sistemática  da  não­cumulatividade  do  PIS  e  da  COFINS,  os  dispêndios  da  pessoa  jurídica  com  a  contratação  de  frete  pode  se  situar  em  três  diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de  creditamento, referida pelo art. 3°, inciso IX  (b) se associado à compra de matérias­ primas, materiais  de  embalagem  ou  produtos  intermediários,  integrará  o  custo  de  aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo  3°,  inciso  I  e  (c)  finalmente,  se  respeitar ao  trânsito de produtos  inacabados entre  unidades  fabris  do  próprio  contribuinte,  será  catalogável  como  custo  de  produção  (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo  3°.  De  seu  turno,  o  transporte  de  produtos  acabados  entre  estabelecimentos  do  contribuinte  somente  do  ponto  de  vista  logístico  ou  geográfico  pode  ser  compreendido como etapa da futura operação de venda. Juridicamente falando não o  é e, a meu ver, não se enquadra dentre as hipóteses legais em que o creditamento é  concedido.  (Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime,  sessão de 25.abr.2012)  Assim, a transferência a estabelecimento filial para  formação de lote , ainda  que se efetive a exportação, ou ainda que haja emissão de registro de venda no SISCOMEX,  como narra a recorrente, não corresponde juridicamente à própria venda, ou exportação.  Quanto aos fretes nas aquisições com fim específico de exportação, como se  sabe (ou se deveria saber) a contribuição social não incide sobre as vendas a empresa comercial  exportadora com o fim específico de exportação (inc. III do art. 6° da Lei nº 10.833, de 2003).  Como  bem  enfatizado  na  decisão  recorrida,  se  o  custo  das  mercadorias  adquiridas  e  Fl. 1392DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     30 posteriormente  revendidas  para  o  exterior  não  gera  créditos,  logicamente  o  frete  (custo  agregado ao produto adquirido) não será passível de creditamento.  Tampouco  se  vislumbra  autorização  legal  para  o  creditamento  da  contribuição nas operações relacionadas às devoluções de compras ou de vendas. Modo geral,  as despesas com fretes contratados a pessoas jurídicas admitem a toma de crédito em operações  de  venda  de  produto;  de  aquisição  de  insumo  para  a  produção,  agregando­se  ao  custo  do  produto;  de  aquisição  de  produto  acabado  para  as  revenda,  e;  em  que  o  frete  contratado  é  utilizado  como  insumo  na  prestação  de  serviços  de  transportes.  No  caso  da  devolução  de  compras, esta possivelmente já se creditou quando da realização da operação de aquisição, caso  este seja passível de créditos. No que se refere às devoluções de vendas, o frete no retorno da  mercadoria é um custo operacional que não se agrega ao produto, visto que este apenas retorna  ao estabelecimento, diferentemente do que ocorre no caso de uma aquisição.  A  Fiscalização  glosou  também  as  despesas  com  fretes  internos  em  importações  (após  desembaraço),  correspondentes  a  operações  com CFOP de  importação. A  recorrente,  sinteticamente,  alegou  que  as  importações  constituem  uma  operação  de  compra,  logo devem gerar o direito ao crédito, invocando o art. 3 . da Lei nº 10.833, de 2003. Diz que a  Fiscalização  não  provou  tratar­se  de  serviço  de  transporte  prestado  por  sociedades  não  domiciliadas no país e que os CFOP das operações não podem ser os mesmos da importação de  produtos.  Examinando os arquivos digitais fornecidos pelo contribuinte, a Fiscalização  identificou  fretes  relacionados  com  operações  de  aquisição  de  insumos  com  CFO  3101  (compra  para  industrialização­importação)  e  2102  (compra  para  comercialização    importação). Tratando­se de importação de insumos, não há direito à tomada de crédito. Ora,  como já dito acima, a despesa em questão apenas gera créditos quando associada a custos de  aquisição de produtos geradores de créditos no regime não­cumulativo. Nesse sentido, o  fato  de  o  serviço  de  transporte  ser  ou  não  prestado  por  pessoa  jurídica  domiciliada no  exterior  é  absolutamente irrelevante.  Conclusão  Com essas considerações e com os fundamentos da própria decisão recorrida,  que, forte no § 1º do art. 50 da Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, adoto como razão de  decidir e passam a fazer parte integrante desse voto, nego provimento ao recurso.  Sala de sessões, em 20 de agosto de 2014  Voto Vencedor  Conselheiro Ivan Allegretti, redator designado  Conselheiro Ivan Allegretti, redator designado  O presente voto trata da questão jurídica em relação à qual o acórdão da DRJ  concluiu que “Os gastos com o frete incorrido a partir do local onde devam ser cumpridas as  Fl. 1393DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.379          31 formalidades  de  entrada  no  território  aduaneiro  e  com  a  armazenagem,  decorrentes  de  importação de matéria­prima, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada  no País, não geram crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada no  regime não­cumulativo” (fl. 1618).  Entendo  que  não  tem  razão  a  DRJ,  devendo  ser  provido  o  recurso  do  contribuinte para reconhecer­lhe o direito de crédito quanto aos fretes de insumos.  Entendo que deve  ser  reconhecido  o  direito  de  crédito  nos  casos  em que  o  pagamento de frete qualifica­se como aquisição de serviço – pois frete é prestação de serviço  de transporte – necessário para a produção, ou seja, o frete exclusivamente de insumos.  É  preciso  diferenciar  as  hipóteses  dos  incisos  I  e  II  do  art.  3º  das  Leis  nºs  10.637/2002 e 10.833/2003, cujo texto vale a pena relembrar:  I  ­  bens  adquiridos  para  revenda,  exceto  em  relação  às  mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº  10.865, de 2004)  II  ­  bens  e  serviços,  utilizados  como  insumo  na  prestação  de  serviços  e  na  produção  ou  fabricação  de  bens  ou  produtos  destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto  em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485,  de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao  concessionário,  pela  intermediação  ou  entrega  dos  veículos  classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada  pela Lei nº 10.865, de 2004)  Uma  situação  é  a  do  frete  que  integra  o  custo  de  aquisição  dos  bens  adquiridos para a revenda, quando então se estará tratando da hipótese do inciso I.   Mas  outra  é  o  pagamento  do  frete  enquanto  aquisição  de  um  serviço,  enquanto insumo da atividade produtiva.  Se a aquisição deste serviço é pertinente e necessária à atividade produtiva,  deve gerar direito ao crédito de PIS não­cumulativo, com fundamento no art. 3º, II, da Lei nº  10.637/2002.  Inclusive  porque  tal  insumo  foi  onerado  pela  mesma  contribuição  na  etapa  anterior.  Vale  lembrar  que  em  relação  a  todos  os  bens  e  serviços  utilizados  como  insumo na produção, apenas há crédito na proporção das  receitas submetidas à  incidência da  contribuição no regime não­cumulativo:  §  7o  Na  hipótese  de  a  pessoa  jurídica  sujeitar­se  à  incidência  não­cumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas  receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos  custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas.  § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da  Receita  Federal,  no  caso  de  custos,  despesas  e  encargos  vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao  regime  de  incidência  cumulativa  dessa  contribuição,  o  crédito  será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de:  Fl. 1394DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI     32 I ­ apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio  de  sistema  de  contabilidade  de  custos  integrada  e  coordenada  com a escrituração; ou   II  ­  rateio  proporcional,  aplicando­se  aos  custos,  despesas  e  encargos comuns a  relação percentual existente entre a  receita  bruta sujeita à incidência não­cumulativa e a receita bruta total,  auferidas em cada mês.  É assim que se dá cumprimento à não­cumulatividade das contribuições em  relação à atividade produtiva:  apura­se  a proporção entre  as  receitas  submetidas  aos  regimes  cumulativo  e  não­cumulativo  e,  então,  transporta­se  esta  mesma  proporção  para  apurar  o  direito de crédito em relação aos bens e serviços utilizados na produção.  Ou  seja,  o  frete  que  o  contribuinte  paga  é  um  serviço  que  deve  ser  considerado em separado. O frete deve se  referir  ao  transporte de um produto que configure  insumo, mas não se exige que este produto transportado seja tributado.  É a mesma situação apreciada por esta Turma no seguinte julgado:  Contribuição  para  o  Financiamento  da  Seguridade  Social  ­  Cofins   Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005   Ementa:  ANÁLISE  ADMINISTRATIVA  DE  CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar  sobre  a  inconstitucionalidade de lei tributária.   COFINS. NÃO­CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O  conceito  de  insumo  na  legislação  referente  à  COFINS  não  guarda  correspondência  com  o  extraído  da  legislação  do  IPI  (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado).  Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário  ao  processo  produtivo/fabril,  não  havendo  a  possibilidade  de  cogitar­se  a  existência  de  um  produto  final  na  ausência  do  insumo.  Impressos,  materiais  de  escritório,  uniformes  e  equipamentos  de  proteção  individual  não  constituem  insumos  para  uma  empresa  fabricante  e  revendedora  de  adubos  e  fertilizantes.   COFINS.  NÃO­CUMULATIVIDADE.  SERVIÇOS  VINCULADOS  A  AQUISIÇÕES  DE  BENS  COM  ALÍQUOTA  ZERO.  CREDITAMENTO.  POSSIBILIDADE.  É  possível  o  creditamento  em  relação  a  serviços  sujeitos  a  tributação  (transporte,  carga  e  descarga)  efetuados  em/com  bens  não  sujeitos a tributação pela contribuição.  (Acórdão  nº  3403­001.938,  PA  nº  10950.003052/2006­56,  Relator Conselheiro ROSALDO TREVISAN, j. 19/03/2013)  Por esta  razão, voto pelo provimento parcial do  recurso para  reconhecer ao  contribuinte o direito de crédito em relação aos fretes de bens que configuram insumos.  Sala de sessões, em 20 de agosto de 2014  (assinado digitalmente)  Ivan Allegretti    Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13971.005202/2009­59  Acórdão n.º 3403­003.163  S3­C4T3  Fl. 1.380          33                 Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/08/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 01/09/2014 por IVAN ALLEGRETTI

score : 1.0
5633199 #
Numero do processo: 13888.903291/2011-64
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2005 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.207
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/08/2005 MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13888.903291/2011-64

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5382506

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-006.207

nome_arquivo_s : Decisao_13888903291201164.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES

nome_arquivo_pdf_s : 13888903291201164_5382506.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Os conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Wed May 28 00:00:00 UTC 2014

id : 5633199

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:50 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032839536640

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1934; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 19          1  18  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13888.903291/2011­64  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.207  –  3ª Turma Especial   Sessão de  28 de maio de 2014  Matéria  Compensação  Recorrente  INDUSTRIA DE PRODUTOS ALIMENTICIOS CASSIANO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/08/2005  MATÉRIA  TRIBUTÁRIA.  ÔNUS  DA  PROVA.  Cabe  ao  transmitente  do  Per/DComp  o  ônus  probante  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  alegado.  À  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito,  mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes a essa comprovação.  PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito  e  a  prova  documental  deverão  ser  apresentadas  com  a  impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ressalvadas  as  situações  previstas  nas  hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento  ao  recurso,  nos  termos do  relatorio  e votos que  integram o  presente  julgado. Os  conselheiros  Corintho  Oliveira  Machado,  Hélcio  Lafetá  Reis  e  Belchior  Melo  de  Sousa  votaram pelas conclusões.  (Assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 32 91 /2 01 1- 64 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.      Relatório  A  contribuinte  transmitiu  o  Per/DComp  em  20/08/2007  (fl.  ),  referente  ao  período  de  apuração  de  15/08/2005,  sob  a  alegação  de  haver  recolhido  Cofins  a  maior,  proveniente  da  declaração  de  inconstitucionalidade  pelo  STF  do  alargamento  da  base  de  cálculo do PIS e da Cofins (§1, art. 3º, Lei 9.718/98), portanto oriundo da inclusão indevida de  ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins.  A autoridade administrativa, por meio de Despacho Decisório Eletrônico nº  930082649, ao proceder o exame desse fato verificou a inexistência de crédito para à satisfação  da compensação declarada, não a homologando.  Manifestando  a  sua  inconformidade  a  contribuinte  arguiu  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da Cofins  é  o  faturamento mensal,  assim  considerando  a  receita  bruta  das  vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza.  Aduziu que ao realizar as vendas de seus produtos efetuou o recolhimento de  ICMS, imposto esse que repassa ao seu preço,  incluindo­o por tal razão em seu faturamento,  com isso o ICMS compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins e, embora não seja faturamento,  não se constitui como receita operacional da  contribuinte,  como  também que o  ICMS, como  tributo  estadual,  é  considerado  como  despesa  do  sujeito  passivo  da  Cofins  e,  concomitantemente,  receita do erário estadual,  sendo  injurídico  tentar englobá­lo na hipótese  de incidência do PIS e da Cofins. No mais, o STF decidiu que o ICMS não é receita da venda  de  bens  ou  da  prestação  de  serviços  (RE  nºs  346.084,  358.273,  357.950  e  390.840,  DJ  de  06/02/2006),   Ciente da inconstitucionalidade da aplicação dessa sistemática, dissociada da  real base de cálculo do PIS/Cofins, requereu a compensação do valor recolhido indevidamente  em  17/05/2007,  eis  que  o  ICMS  não  deve  fazer  parte  da  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins,  forçando­se  concluir  por  sua  exclusão,  mencionando,  outrossim  jurisprudência  que  trata  do  alargamento da base de cálculo do PIS/Cofins, com a declaração de inconstitucionalidade pelo  STF do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 (18471.000899/2006­83).  A contribuinte também fundamentou acerca da impossibilidade da cobrança  do crédito tributário sob a égide do§ 1º do art. 475­L, do CPC, com a redação dada pela Lei nº  11.232/05, in verbis:  § 1º ­ Para efeito do disposto no inciso II do caput desta artigo,  considera­se  também  inexigível  o  título  judicial  fundado  em  lei  ou  ato  normativo  declarados  inconstitucionais  pelo  supremo  Tribunal Federal, ou fundado em aplicação ou interpretação da  lei ou ato normativo tidas pelo Supremo Tribunal Federal como  Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 20          3  incompatíveis com a Constituição Federal  (Incluído pela Lei nº  11.232, de 2005).  Explicitou a  interessada a maneira como apurou o direito creditório no mês  01/2005,  mediante  a  realização  do  levantamento  do  ICMS  total  para  o  período  que,  multiplicado  pela  alíquota  da  Cofins,  chega­se  ao montante  do  crédito  a  receber,  pois  pago  sobre base de cálculo estranha à contribuição.  Ao  final  requereu  a  anulação  do  despacho  decisório  impugnado  e  o  reconhecimento do direito creditório, com fulcro no art. 26 do Dec. nº 70.235/72 e, não sendo  este o entendimento profligado,  requer a suspensão da cobrança do crédito até a prolação da  decisão em definitivo pelo STF.  Os  autos  foram  conclusos  para  apreciação  pela  6ª  Turma  da DRJ/RPO­SP,  que por meio do Acórdão nº 14­42.267, proferiu decisão, cuja  síntese encontra­se na ementa  adiante transcrita:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 15/08/2007  BASE DE CÁLCULO. ICMS. PIS E COFINS NÃO­CUMULATIVOS  O  valor  do  ICMS  compõe  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  não  cumulativa.  DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO.  Pendente,  nos  autos,  a  comprovação  do  crédito  indicado  na  declaração  de  compensação formalizada, impõe­se o seu indeferimento.  DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.  Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis,  da  composição  e  a  existência  do  crédito  que  alega  possuir  junto  à Fazenda  Nacional  para  que  sejam  aferidas  sua  liquidez  e  certeza  pela  autoridade  administrativa.  COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária,  conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional.  Manifestação de Inconformidade Improcedente.  Direito Creditório Não Reconhecido.     O  voto  condutor  do  acórdão  em  questão,  ao  se  pronunciar  acerca  da  suspensão do processo aduziu que o pleito não encontra amparo na legislação mencionada, pois  o  rito  processual  em  tela  se  aplica  às  controvérsia  acerca  de  pedido  de  restituição  e  compensação formalizados perante a RFB, nos termos do art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/96, com  a redação da Lei nº 10.833/2003, bem assim que o art. 265, IV, do CPC, estabelece a hipótese  de  suspensão  aplicáveis  a  processos  judiciais,  conforme  preceitua  o  art.  1º  do  próprio CPC,  portanto rejeitando o pleito da manifestante.  Relativamente à juntada posterior de documentos aos autos pela contribuinte  entendeu a referida decisão que ocorreu a preclusão temporal, consoante o disposto no art. 15  Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4  do Dec. nº 70.235/72, bem assim que o requerimento nesse sentido foi  genérico, ausentes os  requisitos previstos no art. 16, § 4º, do mesmo diploma legal, rejeitando também este pleito.  A discussão acerca do mérito pautou­se sob dois aspectos, quais sejam: (i) a  questão da comprovação da liquidez e certeza do direito creditório alegado, estando o ônus da  prova  sob  a  responsabilidade  da  manifestante  e,  quanto  a  este  aspecto  não  laborou  a  parte  interessada em demonstrar por meio de prova hábil e idônea o alegado, eis que não fez juntar  aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar a origem  e forma de aproveitamento do suposto crédito, e evidenciar recolhimento indevido ou a maior  no período  resultante do  confronto  entre pagamentos  alocados  e/ou  compensações  realizadas  naquele  período  de  apuração  e  o  débito  apurado,  de  acordo  com  o  disposto  no  art.  923  do  RIR/99; e (ii) a questão da exclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins.   Neste sentido também não logrou êxito a contribuinte, eis que nos termos do  art. 26­A, do Dec. nº 70.235/72, com redação da Lei nº 11.941/09, como também do art. 18 da  Portaria RFB  nº  10.875/07, DOU  de  24/08/07,  no  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo  internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.  Em  consonância  com  essas  premissas,  complementarmente,  aduziu  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  é  o  faturamento,  englobando  a  totalidade  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  diminuído  das  deduções  ex  vi  do  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  que  somente  a  lei  pode  estabelecer  a  hipótese  de  exclusão,  que  tais  possibilidades  estão  elencadas  diploma  legal  retromencionado  e  que  tais  exclusões  não  contemplam  a  exclusão do ICMS incluído no preço da venda, nesse sentido se manifestando o enunciado da  Súmula 94 do STJ.  Por entender não haver a contribuinte comprovado nos autos a existência de  direito  creditório  líquido  e  certo,  do  contribuinte  contra  a  Fazenda  Pública  passível  de  compensação nos termos do art. 170 do CTN, não há se cogitar reparos no despacho decisório,  nem tampouco nos procedimentos de cobrança levados a efeito pela autoridade administrativa.  Cientificada do Acórdão nº 14­42.267 em 25/07/2013, por decurso de prazo,  haja  vista  a  data  de  disponibilização  em  sua  caixa  postal  em  08/07/2013,  dele  recorreu  aduzindo sucintamente:  Em relação à suspensão do presente processo até o julgamento final pelo STF  do afastamento do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins, a decisão a quo não observou  o  condito  no  art.  543­B  do  CPC,  que  trata  do  reconhecimento  da  repercussão  geral  e  do  sobrestamento  dos  autos  quando  houver  multiplicidade  de  recursos  com  fundamento  em  idêntica controvérsia, nem mesmo o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 62­A, do RICARF/09.  A CF/88, por meio do art. 195, I, 'b', ao tratar do financiamento da seguridade  social  por  toda  a  sociedade, mediante  recursos:  do  empregador,  na  forma  da  lei,  incidentes  sobre  a  receita  ou  o  faturamento,  ex  vi  do  decidido  no PAF  nº  18471.000899/2006­83, pelo  afastamento da exigência relativa ao alargamento da base de cálculo PIS/COFINS, declarado  inconstitucional pelo STF.  No  mais  a  contribuinte  reitera  os  termos  expendidos  na  exordial,  minudentemente, resumidamente que o ICMS não traduz em receita do contribuinte, porém do  Estado,  na  medida  em  que  o  contribuinte  apenas  participa  da  operação  como  substituto  tributário. Ou seja, IMPOSTO NÃO É FATURAMENTO OU RECEITA.  Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 21          5  Requer  ao  final  pela  suspensão  do  presente  processo  em  decorrência  da  repercussão  geral  reconhecida  no  RE  nº  574.706,  nos  termos  da  Portaria  MF  nº  586;  ou,  alternativamente,  o  provimento  do  recurso  para  reforma  da  decisão  a  quo  e  para  o  reconhecimento do direito ao crédito pleiteado.  É o relatório.      Voto             Conselheiro Jorge Victor Rodrigues  O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço.  A  matéria  devolvida  ao  Tribunal  ad  quem  se  circunscreve  à  inclusão  do  ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins.  Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por  meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº  88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen  Lúcia (RE 574.706, leading case).  Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os  procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62­A, ou seja  pelo sobrestamento do  julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos  termos do  art.  543­B, da Lei nº 5.869/73  (CPC). Tudo  isto encontra­se consubstanciado no RE 574706  RG / PR, cuja ementa transcreve­se adiante:  REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO.  Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA  Julgamento: 24/04/2008.  Ementa:  Reconhecida  a  repercussão  geral  da  questão  constitucional  relativa  à  inclusão  do  ICMS na  base  de  cálculo  da  COFINS  e  da  contribuição  ao  PIS.  Pendência  de  julgamento  no  Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário  n. 240.785.  Decisão: O  Tribunal  reconheceu  a  existência  de  repercussão  geral  da  questão  constitucional  suscitada.  Não  se  manifestaram  os  Ministros  Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora  Publicação:  DJe­088  DIVULG  15­05­2008  PUBLIC  16­05­2008.  EMENT VOL­02319­10  PP­02174.  Tema  69  ­  Inclusão  do  ICMS  na  base de cálculo do PIS e da COFINS.­ Veja RE 240785.  Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6  Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia  os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do  art. 62­A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º.  Como visto há a decisão pelo STF de  reconhecimento da repercussão geral  nos termos do artigo 543­B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o  sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide dessemandamus, ou  seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam.  Destarte,  recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13,  para  alterar  o  RICARF/09,  notadamente  no  que  atine  aos  §§  1º  e  2º  do  artigo  62­A,  senão  vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria.  Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e  segundo do art. 62­A  do  Anexo  II  da  Portaria MF  nº  256,  de  22  de  junho  de  2009,  publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1,  que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de  Recursos Fiscais ­CARF.     De  sorte  que  resolvida  a  controvérsia  atinente  ao  sobrestamento,  resta  o  pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das  referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confira­se:  A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador  ordinário  (respeitados  os  limites)  institua  a  exação  tributária  cuja  competência  lhe  foi  outorgada.  Para  a  instituição  válida  da  exação,  como  regra,  a  lei  ordinária  deverá  contemplar  alguns  critérios  quais  sejam:  material,  temporal  e  espacial,  localizados  no  antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente  dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária ­ RMIT. Tudo o  que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra.  Feitas  tais  considerações  passo  à  construção  da  norma  jurídica  em  sentido  estrito  (regra matriz de  incidência  tributária) das contribuições  sociais  instituídas nas Leis nº  10.637/02 e 10.833/03, respectivamente.  (a)  Regra­matriz  de  incidência  do  PIS  Não­Cumulativo:  De  acordo  com  o  disposto na Lei nº. 10.637/02, a regra­matriz de incidência tributária do PIS Não­Cumulativo  pode ser construída da seguinte forma, in verbis:  Lei nº. 10.637/02.  “Art.  1º.  A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  tem  como  fato  gerador o faturamento mensal (...);  §  2º  A  base  de  cálculo da  contribuição  para  o PIS/PASEP  é  o  valor do faturamento (...)” (Grifei)     Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput)  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 22          7  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere  faturamento (sujeito passivo) ­ (Art. 4º);  ­ Critério  quantitativo: Base  de  cálculo  – Valor  do Faturamento  (Art.  1º,  §  2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º).  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o  fato  signo  presuntivo  de  riqueza  eleito  pelo  legislador  ordinário  para  instituir  o  PIS  Não­ Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  (b)  Regra­matriz  de  incidência  da  COFINS  Não­Cumulativa:  Assim  estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis:  Lei nº. 10.833/03.  “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador  o faturamento mensal (...);  § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor  do faturamento (...)” (Grifei)     Como dito na lei, tem­se:  ­ Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput);  ­ Critério temporal: mensal (Art. 10);  ­ Critério espacial: no âmbito nacional;  ­  Critério  pessoal:  União  (sujeito  ativo)  e  pessoa  jurídica  que  aufere  faturamento (sujeito passivo) ­ (Art. 4º);  ­ Critério  quantitativo: Base  de  cálculo  – Valor  do Faturamento  (Art.  1º,  §  2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º)  Igualmente ao PIS, observa­se do cotejo entre hipótese de incidência e a base  de  cálculo  que  a  riqueza  eleita  pelo  legislador  ordinário  para  instituir  a  COFINS  Não­  Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer  dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo.  A base  de  cálculo,  em  seu  desiderato  nuclear,  tem por  escopo dimensionar  economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente,  guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência.  Além  da  função  mensuradora,  a  base  de  cálculo  também  tem  o  papel  de  confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou  seja, quando a base de  cálculo  tiver o condão de  infirmá­la, deverá prevalecer o disposto no  Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     8  critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se  cuida.  Na  espécie,  o  critério  quantitativo  afirma  a  hipótese  de  incidência  que  é  o  faturamento.  Assim,  devem  as  contribuições  sociais  relativas  ao  PIS  e  à  COFINS  Não­ Cumulativas  incidir  sobre as  receitas advindas  tão­somente da venda de mercadorias e/ou da  prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei).  A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontra­se no  julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita  para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal,  em  sessão  plenária,  em  fixar  do  conteúdo  semântico  de  faturamento,  como  sendo  o  das  entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para  explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto­ vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo:  “...Ainda  no  universo  semântico  normativo,  faturamento  não  pode  soar  o  mesmo  que  receita,  nem  confundidas  ou  identificadas  as  operações  (fatos)  ‘por  cujas  realizações  se  manifestam essas grandezas numéricas’.  ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa  aí  o  gênero,  compreensivo  das  características  ou  propriedades  de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da  pessoa  jurídica,  se  lhe  incorporam  à  esfera  patrimonial.  Todo  valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos  termos  da  norma,  receita  (gênero). Mas  nem  toda  receita  será  operacional, porque poderá havê­la não operacional.  ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal  sobre  as  distinções  de  gênero  e  espécie,  para  reavivar  que,  nesta,  sempre  há  um  excesso  de  conotação  e  um  déficit  de  denotação  em  relação  àquele.  Nem  para  atinar  logo  em  que,  como  já  visto,  faturamento  também  significa  percepção  de  valores  e,  como  tal,  pertence  ao  gênero  ou  classe  receita, mas  com a diferença específica de que compreende apenas os valores  oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para  a  produção  ou  a  circulação  de  bens  ou  serviços’  (venda  de  mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de  que,  no  juízo  da  lei  contemporânea  ao  início  da  vigência  da  atual Constituição da República, embora  todo faturamento seja  receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos).  No  caso  do  PIS  e  da COFINS Não­Cumulativos  o  que  se  observa  é  que  o  legislador  ordinário,  apesar  de  possuir  a  competência  tributária  para  tributar  a  receita,  novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento,  adotando o como critério material da hipótese e afirmando­o na base de cálculo. Todavia, ao  definir  faturamento,  recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98,  senão  vejamos:  Lei nº. 10.637/02  “Art.  1º.  A  contribuição  para  o  PIS/PASEP  tem  como  fato  gerador  o  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua denominação ou classificação contábil;  Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 23          9  § 2º  A  base  de  cálculo da  contribuição  para  o PIS/PASEP  é  o  valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei)  Lei nº. 10.833/03  “Art.  1º.  A  contribuição  para  a  COFINS  faturamento  mensal,  assim  entendido  o  total  das  receitas  auferidas  pela  pessoa  jurídica,  independentemente  de  sua  denominação  ou  classificação  contábil  §  2º  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no  caput (...)” (Grifei)  Note­se  que  a  definição  legal  apresentada  pelo  legislador  ordinário  ao  faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº.  9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal.  Todavia,  conforme  se  verifica  da  redação  dos  dispositivos  legais  que  instituíram tais exações, bem como das regras­matrizes engendradas outrora, a receita não foi  contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas  contribuições.  Por  isso,  em  obediência  ao  magno  princípio  da  Legalidade  e,  primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir  tão­somente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade.  Admitir­se o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da  Legalidade, Estrita  Legalidade Tributária,  Segurança  Jurídica  e Razoabilidade  e,  além disso,  tem o condão de  infringir entendimento  já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção  entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação  ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar.  Insta  frisar que a definição  legal adotada pelo  legislador ordinário no  caput  dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no §  1º,  do  artigo 3º,  da Lei nº.  9.718/98,  sobre  a qual  recaiu o peso da  incompatibilidade com o  sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção  existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita.  Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a  de equiparar a abrangência dos  fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e  receita –  como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entenda­se receita), então, é indubitável  que  recaiu  em  ilegalidade,  na  medida  em  que  violou  o  disposto  no  artigo  110  do  Código  Tributário Nacional, que alude:  Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo  e o alcance de institutos, conceitos e  formas de direito privado,  utilizados,  expressa  ou  implicitamente,  pela  Constituição  Federal,  pelas  Constituições  dos  Estados,  ou  pelas  Leis  Orgânicas  do Distrito Federal  ou  dos Municípios,  para  definir  ou limitar competências tributárias.  Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento  e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da  Constituição Federal, ipsis litteris:  Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     10  Art.  195.  A  seguridade  social  será  financiada  por  toda  a  sociedade,  de  forma  direta  e  indireta,  nos  termos  da  lei,  mediante  recursos  provenientes  dos  orçamentos  da União,  dos  Estados,  do Distrito Federal  e  dos Municípios,  e  das  seguintes  contribuições sociais:  I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada  na forma da lei, incidentes sobre:...  b) a receita OU o faturamento. (Grifei)  A  distinção  entre  esses  substantivos  foi  aventada  pelo  Ministro  Marco  Aurélio,  no  julgamento  do  RE  380.840/MG,  nos  seguintes  termos:  “A  disjuntiva  ‘ou’  bem  revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”.  Sobre  a  imprescindibilidade  de  se  obedecer  ao  limite  semântico  do  signo  tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa:  “...TRIBUTÁRIO  –  INSTITUTOS  –  EXPRESSÕES  E  VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110  do Código Tributário Nacional  ressalta  a  impossibilidade  de  a  lei  tributária  alterar  a  definição,  o  conteúdo  e  o  alcance  de  consagrados  institutos,  conceitos  e  formas  de  direito  privado  utilizados  expressa  ou  implicitamente.  Sobrepõe­se  ao  aspecto  formal  o  princípio  da  realidade,  considerados  os  elementos  tributários.” (STF, RE 380.940­5/MG, Rel. Min. Marco Aurélio,  por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos.  PROCESSUAL  CIVIL  E  TRIBUTÁRIO.  AGRAVO  REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS  E  DA  COFINS  REALIZADA  PELO  ART.  3º,  §  1º,  DA  LEI  Nº  9.718/98.  ART.  110  DO  CTN.  ALTERAÇÃO  DA  DEFINIÇÃO  DE  DIREITO  PRIVADO.  EQUIPARAÇÃO  DOS  CONCEITOS  DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO  STJ  E  DO  STF.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  PELO  PRETÓRIO  EXCELSO.  PRINCÍPIO  DA  UTILIDADE.  PROCESSUAL.  RESERVA  DE  PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE.  ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da  COFINS  e  criar  novo  conceito  para  o  termo  “faturamento”,  para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger  todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera  da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110  do  CTN....”  (AgRg  no  Ag  954.490/SP,  1ª  T.,  Rel.  Min.  José  Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a  harmonia  do  sistema  jurídico  que  a  atividade  legislativa  se  amolde  aos  limites  traçados  pelo  ordenamento,  principalmente  quando  se  está  diante  do  poder  de  tributar  que  implica,  sem  dúvida  alguma,  na  expropriação  de  parte  do  patrimônio  dos  contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma  abusiva,  alterando  os  conteúdos  semânticos  dos  signos  presuntivos  de  riqueza  e,  desse  modo,  gerar  absoluta  insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o  princípio  da  razoabilidade,  como  bem  explicitou  o  Ministro  Celso de Mello, na ADI­MC­QO 2551 / MG, in verbis:  Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 24          11  “TRIBUTAÇÃO  E  OFENSA  AO  PRINCÍPIO  DA  PROPORCIONALIDADE. ­ O Poder Público, especialmente em  sede  de  tributação,  não  pode  agir  imoderadamente,  pois  a  atividade  estatal  acha­se  essencialmente  condicionada  pelo  princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação  normativa  do  Poder  Legislativo.  ­  O  Estado  não  pode  legislar  abusivamente.  A  atividade  legislativa  está  necessariamente  sujeita  à  rígida  observância  de  diretriz  fundamental,  que,  encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade,  veda  os  excessos  normativos  e  as  prescrições  irrazoáveis  do  Poder  Público.  O  princípio  da  proporcionalidade,  nesse  contexto, acha­se vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos  do Poder Público no exercício de suas  funções, qualificando­se  como  parâmetro  de  aferição  da  própria  constitucionalidade  material  dos  atos  estatais.  ­  A  prerrogativa  institucional  de  tributar, que o ordenamento positivo  reconhece ao Estado, não  lhe outorga o poder de suprimir  (ou de inviabilizar) direitos de  caráter  fundamental  constitucionalmente  assegurados  ao  contribuinte.  É  que  este  dispõe,  nos  termos  da  própria  Carta  Política,  de  um  sistema  de  proteção  destinado  a  ampará­lo  contra  eventuais  excessos  cometidos  pelo  poder  tributante  ou,  ainda,  contra  exigências  irrazoáveis  veiculadas  em  diplomas  normativos  editados  pelo  Estado.”  (ADI­MC­QO  2551  /  MG  ­  MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento:  02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20­ 04­2006 PP­00005 – (grifei.)     (c) Já a Regra­matriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na  CF/88, a regra­matriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art.  155, c/c a LC nº 87/96, in verbis:  CF/88.  “Art.  155. Compete  aos Estados  e  ao Distrito Federal  instituir  impostos sobre:  II  ­  operações  relativas  à  circulação  de  mercadorias  e  sobre  prestações  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal  e de  comunicação, ainda que as operações  e as  prestações  se  iniciem  no  exterior;(Redação  dada  pela  Emenda  Constitucional nº 3, de 1993).     Art.  12.  Considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  do  imposto  no  momento:   I  ­  da  saída de mercadoria de  estabelecimento de  contribuinte,  ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular;  II  ­  do  fornecimento  de  alimentação,  bebidas  e  outras  mercadorias por qualquer estabelecimento;  Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     12  III  ­  da  transmissão  a  terceiro  de  mercadoria  depositada  em  armazém  geral  ou  em  depósito  fechado,  no  Estado  do  transmitente;   IV ­ da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título  que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo  estabelecimento transmitente;  V ­ do início da prestação de serviços de transporte interestadual  e intermunicipal, de qualquer natureza;  VI ­ do ato final do transporte iniciado no exterior;  VII ­ das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita  por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a  transmissão,  a  retransmissão,  a  repetição  e  a  ampliação  de  comunicação de qualquer natureza;  VIII ­ do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços:  a)  não  compreendidos  na  competência  tributária  dos  Municípios;  b)  compreendidos  na  competência  tributária  dos  Municípios  e  com  indicação  expressa  de  incidência  do  imposto  de  competência  estadual,  como  definido  na  lei  complementar  aplicável;   IX  –  do  desembaraço  aduaneiro  de  mercadorias  ou  bens  importados  do  exterior;  (Redação  dada  pela  Lcp  114,  de  16.12.2002)  X  ­  do  recebimento,  pelo  destinatário,  de  serviço  prestado  no  exterior;   XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens  importados  do  exterior  e  apreendidos  ou  abandonados;  (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  XII  –  da  entrada  no  território  do  Estado  de  lubrificantes  e  combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia  elétrica  oriundos  de  outro  Estado,  quando  não  destinados  à  comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP  nº 102, de 11.7.2000)  XIII  ­ da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação  se  tenha  iniciado  em  outro  Estado  e  não  esteja  vinculada  a  operação ou prestação subseqüente.   §  1º  Na  hipótese  do  inciso  VII,  quando  o  serviço  for  prestado  mediante  pagamento  em  ficha,  cartão  ou  assemelhados,  considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  do  imposto  quando  do  fornecimento desses instrumentos ao usuário.  § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a  entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do  exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo  seu  desembaraço,  que  somente  se  fará  mediante  a  exibição  do  comprovante  de  pagamento  do  imposto  incidente  no  ato  do  despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário.   Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 25          13  § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados  do  exterior  antes  do  desembaraço  aduaneiro,  considera­se  ocorrido  o  fato  gerador  neste  momento,  devendo  a  autoridade  responsável,  salvo  disposição  em  contrário,  exigir  a  comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114,  de 16.12.2002)  Art. 13. A base de cálculo do imposto é:  I ­ na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art.  12, o valor da operação;  II  ­  na  hipótese  do  inciso  II  do  art.  12,  o  valor  da  operação,  compreendendo mercadoria e serviço;  III  ­  na  prestação  de  serviço  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço;  IV ­ no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12;  a) o valor da operação, na hipótese da alínea a;  b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na  hipótese da alínea b;  V  ­  na  hipótese  do  inciso  IX  do  art.  12,  a  soma  das  seguintes  parcelas:   a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de  importação, observado o disposto no art. 14;  b) imposto de importação;   c) imposto sobre produtos industrializados;  d) imposto sobre operações de câmbio;  e)quaisquer  outros  impostos,  taxas,  contribuições  e  despesas  aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002)  VI ­ na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do  serviço,  acrescido,  se  for  o  caso,  de  todos  os  encargos  relacionados com a sua utilização;  VII  ­  no  caso  do  inciso  XI  do  art.  12,  o  valor  da  operação  acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos  industrializados  e  de  todas  as  despesas  cobradas  ou  debitadas  ao adquirente;  VIII ­ na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação  de que decorrer a entrada;  IX ­ na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação  no Estado de origem.  § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese  do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114,  de 16.12.2002)  Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     14  I  ­  o  montante  do  próprio  imposto,  constituindo  o  respectivo  destaque mera indicação para fins de controle;   II ­ o valor correspondente a:  a)  seguros,  juros  e  demais  importâncias  pagas,  recebidas  ou  debitadas, bem como descontos concedidos sob condição;  b)  frete, caso o  transporte seja efetuado pelo próprio remetente  ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado.  §  2º  Não  integra  a  base  de  cálculo  do  imposto  o montante  do  Imposto  sobre  Produtos  Industrializados,  quando  a  operação,  realizada  entre  contribuintes  e  relativa  a  produto  destinado  à  industrialização  ou  à  comercialização,  configurar  fato  gerador  de ambos os impostos.  §  3º  No  caso  do  inciso  IX,  o  imposto  a  pagar  será  o  valor  resultante  da  aplicação  do  percentual  equivalente  à  diferença  entre  a  alíquota  interna  e  a  interestadual,  sobre  o  valor  ali  previsto.  § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em  outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do  imposto é:  I  ­  o  valor  correspondente  à  entrada  mais  recente  da  mercadoria;  II ­ o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do  custo  da  matéria­prima,  material  secundário,  mão­de­obra  e  acondicionamento;  III  ­  tratando­se  de  mercadorias  não  industrializadas,  o  seu  preço  corrente  no  mercado  atacadista  do  estabelecimento  remetente.  §  5º  Nas  operações  e  prestações  interestaduais  entre  estabelecimentos  de  contribuintes diferentes,  caso haja  reajuste  do  valor  depois  da  remessa  ou  da  prestação,  a  diferença  fica  sujeita  ao  imposto  no  estabelecimento  do  remetente  ou  do  prestador.  Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15  também tratam de base  de cálculo.  Como dito na lei, tem­se:  ­  Critério  material:  Sair  mercadoria  do  estabelecimento  de  contribuinte;  fornecer  alimentação,  bebidas  e  outras  mercadorias  por  qualquer  estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da  LC nº 87/96.  ­ Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão,  do  início  da  prestação  de  serviços  de  transporte  interestadual  e  intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96);  ­ Critério espacial: no âmbito estadual;  Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 26          15  ­ Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a  saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) ­ (Art. 12);  ­ Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I,  III  e  IV);  Alíquota  –  fixada  pelo  Senado  Federal  as  alíquotas mínimas  e  máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI);  Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verifica­se que o  fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese,  foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo.  Os  elementos  informadores  da  incidência  e  da  base  de  cálculo  da  norma  tributária  ensejadora  do  PIS  e  da  Cofins,  bem  assim  da  constituição  da  relação  jurídico  tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do  ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS,  razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins.  Por outro enfoque:  A  lei  infraconstitucional  deve  identificar,  pormenorizadamente,  todos  os  elementos essenciais da norma  tributária, principalmente no  tocante à hipótese de  incidência,  sob pena de não poder ser exigida pelo fisco.  Nas  palavras  de  XAVIER  apud  CARRAZZA  descreve  o  mesmo  que  “a  tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral  verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003).  Vale  dizer  que  o  princípio  da Tipicidade Tributária  não  dá margem  para  o  intérprete  ou  ao  aplicador  da  lei  para  o  exercício  de  entendimentos  contraditórios,  mais  abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional.  Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do  PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o  faturamento  corresponde  à  receita  bruta  da  pessoa  jurídica,  sendo  irrelevante  o  tipo  de  atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I,  da  LC  87/96,  ex  vi  "cálculo  por  dentro"  ­  fator  aplicado  ao  cálculo  deste  tributo  de  competência  estadual,  inadequado  á  questão  posta  em  discussão),  é  certo  que  esse  conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91.  Por  relevante  cabe  aqui  o  registro  acerca  da  distinção  entre  os  termos  “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce  o  patrimônio  da  pessoa  física/jurídica,  em  decorrência  direta  ou  indireta  da  atividade  econômica  por  ela  exercida.  Já  o  ingresso  pressupõe  tanto  as  receitas  como  os  valores  pertencentes  a  terceiros  (que  integram  o  patrimônio  de  outrem),  pois  não  importam  em  modificação  do  patrimônio  de  quem  os  recebe  e  implica  em  posterior  entrega  para  quem  pertence efetivamente.  É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao  Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma  do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da  Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     16  Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos  últimos dez anos.  Ainda que não concluído o  julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o  STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base  de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou:  "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si,  o  ICMS.  O  valor  deste  revela,  isto  sim,  um  desembolso  a  beneficiar a entidade de direito público que  tem a competência  para cobrá­lo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a  partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que  é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já  agora  da  competência  de  unidade  da  Federação.  (...)  Difícil  é  conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem,  ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a  um  ônus,  como  é  o  ônus  fiscal  atinente  ao  ICMS.  O  valor  correspondente a este último não tem a natureza de faturamento.  Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela  medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito  da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal.  O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente  tributante,  ou  seja,  do Estado,  não  podendo  integrar  a  base  de  cálculo  do PIS  e  da Cofins  a  cargo da empresa sob pena de exigir­se tributo sem o devido lastro constitucional previsto no  art. 195,  inciso  I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a  inclusão do  ICMS na base de  cálculo  do  PIS  e  da  Cofins  fere  os  princípios  da  capacidade  contributiva,  razoabilidade,  proporcionalidade,  equidade  de  participação  no  custeio  da  seguridade  social,  imunidade  recíproca e confisco à Constituição.  Filiaram­se  ao  voto  do  Relator  os Ministros  Ricardo  Lewandowski,  Carlos  Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou  provimento ao  recurso,  faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie  e  Celso Mello.  Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao  contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal  de  incidência  do  tributo,  ou  seja,  sua  descrição  típica.  É  condição  sine  qua  non  para  a  exigibilidade de um tributo.  Neste  contexto,  nas  palavras  de  Alberto  Xavier  (in  Os  Princípios  da  Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter,  em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta  seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que  decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.”  Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos  na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis  devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra  geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao  aplicador da  lei,  especialmente à Administração Pública, para uma  interpretação extensiva,  e  mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer.  Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como  necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo  Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 27          17  e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na  base  de  cálculo  desses  tributos,  eis  que  tanto  o  fato  gerador,  quanto  a  base  de  cálculo  é  totalmente diversa, não se coadunam.  O Ministro Cesar Peluzo,  no  voto­vista  proferido  no  julgamento  do RE  nº.  350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação  do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.”  Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material  e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato  signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas.  Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e  esse  (critério  quantitativo)  –  ad  argumentandum  tantum  –  é  a  base  de  cálculo  que  deverá  prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana.     Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário  foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste  que sobre o PIS e COFINS Não­Cumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto  semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da  operação.  Há  uma  tendência,  tanto  nos  Tribunais  Regionais  Federais  como  nos  Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não  representam faturamento dos Contribuintes.  A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS  e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confira­se:  Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO  ICMS  E  DO  ISS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DAS  CONTRIBUIÇÕES.  COMPENSAÇÃO.  COMPROVAÇÃO.  DESNECESSIDADE  DE  PROVA  PERICIAL.  1.  O  ICMS  não  deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo  em  vista  recente  posicionamento  do  STF  sobre  a  questão  no  julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº  240.785­2. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se  encerrado, não há como negar que  traduz concreta expectativa  de  que  será  adotado  o  entendimento  de  que  o  ICMS  deve  ser  excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS ­ que  como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em  ônus  fiscal  ­ não deve,  também,  integrar a base de cálculo das  aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação  tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de  pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento  indispensável  à  propositura  da  demanda,  deve  ser  julgado  improcedente  o  pedido,  com  relação  ao  período  cujo  recolhimento  não  restou  comprovado  nos  autos.  6.  Deve  ser  resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação  do  crédito  aqui  reconhecido  na  via  administrativa  (REsp  n.  1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do  Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     18  PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação  probatória.  O  pedido  de  compensação  soluciona­se  com  a  apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde  de  exame  por  perito.  8.  Precedentes.  9.  Apelo  parcialmente  provido.  TRF­3  ­  APELAÇÃO  CÍVEL  AC  23169  SP  0023169­44.2011.4.03.6100  (TRF­3)  Data  de  publicação:  07/02/2013.  Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO  ICMS  E  DO  ISS  NA  BASE  DE  CÁLCULO  DA  CONTRIBUIÇÃO.  1.  O  ICMS  e,  por  idênticos  motivos,  o  ISS  não  devem  ser  incluídos  na  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a  questão  no  julgamento,  ainda  em  andamento,  do  Recurso  Extraordinário  nº  240.785­2.  2.  No  referido  julgamento,  o  Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no  que  foi  acompanhado  pelos  Ministros  Ricardo  Lewandowski,  Carlos  Britto,  Cezar  Peluso,  Carmen  Lúcia  e  Sepúlveda  Pertence.  Entendeu  o  Ministro  relator  estar  configurada  a  violação  ao  artigo  195  ,  I  ,  da  Constituição  Federal  ,  ao  fundamento  de  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS  somente  pode  incidir  sobre  a  soma  dos  valores  obtidos  nas  operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a  riqueza  obtida  com  a  realização  da  operação,  e  não  sobre  o  ICMS,  que  constitui  ônus  fiscal  e  não  faturamento.  Após,  a  sessão  foi  suspensa  em  virtude  do  pedido  de  vista  do Ministro  Gilmar Mendes  (Informativo  do  STF  n.  437,  de  24/8/2006).  3.  Embora  o  referido  julgamento  ainda  não  tenha  se  encerrado,  não há como negar que traduz concreta expectativa de que será  adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o  ISS,  devem  ser  excluídos  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os  valores  indevidamente  recolhidos.  No  entanto,  ela  não  comprovou  ter  pago  as  contribuições  que  pretende  compensar,  mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial  do mandado  de  segurança,  em  que  não  há  dilação  probatória,  impõe  que  o  autor  comprove  de  plano  o  direito  que  alega  ser  líquido  e  certo.  E,  para  isso,  deve  trazer  à  baila  todos  os  documentos  hábeis  à  comprovação  do  que  requer.  Sem  esses  elementos de prova, torna­se carecedora da ação. Precedente do  C. STJ. 6. Dessarte,  quanto à  compensação dos  créditos,  cujos  pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve  ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente,  provida..TRF­3  ­  APELAÇÃO  EM  MANDADO  DE  SEGURANÇA  AMS  6072  SP  2007.61.11.006072­2  (TRF­ 3). Data de publicação: 16/06/2011.     Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS  e  da Cofins,  restou  a  questão  de prova  acerca da  certeza  e  liquidez  da  existência  do  crédito  alegado pela Recorrente,  em quantidade o bastante para  solver o débito  existente na data da  transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao  transmitente do  referido  documento,  o  que  deve  ser  efetivado  juntamente  com  a  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade, eis que preclui o direito de fazê­lo em outro momento processual, ressalvadas  as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13888.903291/2011­64  Acórdão n.º 3803­006.207  S3­TE03  Fl. 28          19  No  caso  vertente  o  contribuinte  não  logrou  demonstrar  cabalmente  a  existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se  referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante.  Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o  bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do  crédito  alegado,  assiste  razão  ao  juízo  a  quo,  eis  que  aos  mesmos  deveriam  se  somar,  no  mínimo,  as  DCTF’s  correspondentes  e  o  Livro  Razão  relacionados  ao  período  de  apuração  objeto  do  pedido  de  restituição,  em  observância  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88.  É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal,  por  se  tratar  de  iniciativa  do  próprio  contribuinte,  cabe  ao  transmitente  o  ônus  probante  da  liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na  DComp.   Por  sua  vez  à  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito, mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes  a  essa  comprovação.  Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto.  É como voto.           Jorge Victor Rodrigues ­ Relator                                         Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

score : 1.0
5604013 #
Numero do processo: 11020.003910/2009-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitam-se as preliminares de nulidade suscitadas contra o procedimento administrativo fiscal, quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA É incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO Inexiste disposição legal que determine obrigatória prorrogação de prazo para apresentar as informações e os documentos solicitados pela Fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA O acesso às informações bancárias não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que os atos administrativos reputam-se pautados na impessoalidade e os funcionários da administração tributária tem o dever legal de manter sigilo das informações a que tem acesso em função do cargo. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação por parte das instituições financeiras de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários, não constitui quebra do sigilo bancário, mas somente sua transferência para o Fisco. DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Para a dedutibilidade de despesas referente a serviços prestados por terceiros, não é suficiente a simples apresentação de nota fiscal. É necessário a prova da efetiva prestação dos serviços e/ou do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade da prestação dos serviços e/ou efetivo pagamento, os valores correspondentes não são dedutíveis para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, justificando a sua glosa. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Está sujeito à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. LANÇAMENTOS DECORRENTES A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes do PIS/PASEP, COFINS e CSLL quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO Os procedimentos de escriturar despesas inexistentes ou não comprovadas e de simular pagamentos (de serviços e empréstimos) a uma pessoa jurídica, sob a gerência de uma pessoa física que mantem o controle da pessoa jurídica envolvida nas operações, caracterizam conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, enquadrando-se nos conceitos de fraude e conluio, previstos nos arts. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, justificando a aplicação da multa agravada no percentual de 150%. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. IRRF Tipificada a conduta fraudulenta prevista no § 4° do art. 150 do CTN ou quando não há pagamento antecipado do tributo, aplica-se a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, inciso I, do CTN, quando os cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 1202-001.194
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires (suplente Convocado ), Marcelo Baeta Ippolito (suplente Convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL Rejeitam-se as preliminares de nulidade suscitadas contra o procedimento administrativo fiscal, quando o processo administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante ao contribuinte o contraditório e a ampla defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto n° 70.235, de 1972. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA É incabível a alegação de cerceamento do direito de defesa, quando as infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos autos demonstrarem a que se refere a autuação, dando-lhe suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecê-los e apresentar sua defesa. PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO Inexiste disposição legal que determine obrigatória prorrogação de prazo para apresentar as informações e os documentos solicitados pela Fiscalização. SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA O acesso às informações bancárias não configura quebra do sigilo bancário, haja vista que os atos administrativos reputam-se pautados na impessoalidade e os funcionários da administração tributária tem o dever legal de manter sigilo das informações a que tem acesso em função do cargo. Havendo procedimento de ofício instaurado, a prestação por parte das instituições financeiras de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários, não constitui quebra do sigilo bancário, mas somente sua transferência para o Fisco. DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO Para a dedutibilidade de despesas referente a serviços prestados por terceiros, não é suficiente a simples apresentação de nota fiscal. É necessário a prova da efetiva prestação dos serviços e/ou do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade da prestação dos serviços e/ou efetivo pagamento, os valores correspondentes não são dedutíveis para a determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, justificando a sua glosa. IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO Está sujeito à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo o pagamento efetuado pela pessoa jurídica a beneficiário não identificado. LANÇAMENTOS DECORRENTES A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica-se, no que couber, aos lançamentos decorrentes do PIS/PASEP, COFINS e CSLL quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa. MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO Os procedimentos de escriturar despesas inexistentes ou não comprovadas e de simular pagamentos (de serviços e empréstimos) a uma pessoa jurídica, sob a gerência de uma pessoa física que mantem o controle da pessoa jurídica envolvida nas operações, caracterizam conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação tributária principal, reduzindo desse modo o montante dos tributos devidos e evitando o seu pagamento, enquadrando-se nos conceitos de fraude e conluio, previstos nos arts. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964, justificando a aplicação da multa agravada no percentual de 150%. DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. IRRF Tipificada a conduta fraudulenta prevista no § 4° do art. 150 do CTN ou quando não há pagamento antecipado do tributo, aplica-se a regra do prazo decadencial e a forma de contagem fixada no art. 173, inciso I, do CTN, quando os cinco anos tem como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 11020.003910/2009-79

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5375717

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1202-001.194

nome_arquivo_s : Decisao_11020003910200979.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : PLINIO RODRIGUES LIMA

nome_arquivo_pdf_s : 11020003910200979_5375717.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares suscitadas, em afastar a prejudicial de decadência e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo - Presidente. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio Pires (suplente Convocado ), Marcelo Baeta Ippolito (suplente Convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5604013

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:33 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032854216704

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 32; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2311; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C2T2  Fl. 2          1 1  S1­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  11020.003910/2009­79  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1202­001.194  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  27 de agosto de 2014  Matéria  Processo Administrativo Fiscal  Recorrente  FASOLO ARTEFATOS DE COURO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL  Rejeitam­se  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas  contra  o  procedimento  administrativo  fiscal,  quando  o  processo  administrativo  fiscal  obedece  as  determinações  legais  e  garante  ao  contribuinte  o  contraditório  e  a  ampla  defesa, e não foi provada nenhuma violação aos arts. 10 e 59 do Decreto n°  70.235, de 1972.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  É  incabível  a  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando  as  infrações apuradas estiverem perfeitamente identificadas e os elementos dos  autos  demonstrarem  a  que  se  refere  a  autuação,  dando­lhe  suporte material  suficiente  para  que  o  sujeito  passivo  possa  conhecê­los  e  apresentar  sua  defesa.  PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO  Inexiste disposição legal que determine obrigatória prorrogação de prazo para  apresentar as informações e os documentos solicitados pela Fiscalização.  SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA  O acesso às  informações bancárias não configura quebra do sigilo bancário,  haja vista que os atos administrativos reputam­se pautados na impessoalidade  e  os  funcionários  da  administração  tributária  tem  o  dever  legal  de  manter  sigilo  das  informações  a  que  tem  acesso  em  função  do  cargo.  Havendo  procedimento  de  ofício  instaurado,  a  prestação  por  parte  das  instituições  financeiras  de  informações  solicitadas  pelos  órgãos  fiscais  tributários,  não  constitui  quebra  do  sigilo  bancário,  mas  somente  sua  transferência  para  o  Fisco.  DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 39 10 /2 00 9- 79 Fl. 715DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     2 Para a dedutibilidade de despesas referente a serviços prestados por terceiros,  não é suficiente a simples apresentação de nota  fiscal. É necessário a prova  da  efetiva  prestação  dos  serviços  e/ou  do  respectivo  pagamento.  Não  comprovada a efetividade da prestação dos serviços e/ou efetivo pagamento,  os valores correspondentes não são dedutíveis para a determinação do lucro  real e da base de cálculo da CSLL, justificando a sua glosa.  IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO  Está sujeito à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta e cinco por  cento,  todo  o  pagamento  efetuado  pela  pessoa  jurídica  a  beneficiário  não  identificado.  LANÇAMENTOS DECORRENTES  A  solução  dada  ao  litígio  principal,  relativo  ao  IRPJ,  aplica­se,  no  que  couber,  aos  lançamentos  decorrentes  do  PIS/PASEP,  COFINS  e  CSLL  quanto não houver fatos ou argumentos novos a ensejar decisão diversa.  MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO  Os procedimentos de escriturar despesas inexistentes ou não comprovadas e  de  simular  pagamentos  (de  serviços  e  empréstimos)  a  uma  pessoa  jurídica,  sob a gerência de uma pessoa física que mantem o controle da pessoa jurídica  envolvida nas operações, caracterizam conduta dolosa  tendente a excluir ou  modificar  as  características  essenciais  da  obrigação  tributária  principal,  reduzindo  desse  modo  o  montante  dos  tributos  devidos  e  evitando  o  seu  pagamento, enquadrando­se nos conceitos de fraude e conluio, previstos nos  arts.  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  1964,  justificando  a  aplicação  da  multa  agravada no percentual de 150%.  DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. IRRF  Tipificada  a  conduta  fraudulenta  prevista  no  §  4°  do  art.  150  do  CTN  ou  quando não há pagamento antecipado do  tributo, aplica­se  a  regra do prazo  decadencial  e  a  forma  de  contagem  fixada  no  art.  173,  inciso  I,  do  CTN,  quando  os  cinco  anos  tem  como  termo  inicial  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as  preliminares  suscitadas,  em  afastar  a  prejudicial  de  decadência  e,  no  mérito,  em  negar  provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.   (documento assinado digitalmente)  Carlos Alberto Donassolo ­ Presidente.   (documento assinado digitalmente)  Plínio Rodrigues Lima ­ Relator.   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  Donassolo,  Plínio Rodrigues  Lima, Geraldo Valentim Neto, Marcos Antonio  Pires  (suplente  Convocado ), Marcelo Baeta Ippolito (suplente Convocado) e Orlando José Gonçalves Bueno.  Fl. 716DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 3          3     Relatório  Consta  do Acórdão  n°  18­12.850  –  1ª  Turma  da DRJ/STM,  de  02/09/2010  (Fls. 637 a 660):  Contra  o  Contribuinte  acima  identificado  foram  lavrados  os  Autos de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF),  de Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda, de Ajuste de  Base de Cálculo da Contribuição Social, da Contribuição para o  PIS/PASEP  (PIS/PASEP)  e  da  Contribuição  para  o  Financiamento da Seguridade Social (COFINS), e o Relatório de  Atividade Fiscal de fls. 31­49.  O Auto de Infração do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF)  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  às  fls.  02­ 05, com os demonstrativos de fls. 06­ 11, exige o recolhimento do  alor de R$207.934,96 de impósto, acréscido da multa de 150% e  dos  juros  de  mora,  e  se  refere  a  períodos  de  apuração  de  06/01/2004 a 03/12/2004.  Enquadramento legal: arts. 674 e 725 do RIR/1999.  O Auto de Infração de Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de  Renda,  às  lis.  12­14,  com  o  demonstrativo  de  fl.  15,  reduziu  o  prejuízo  fiscal do anocalendário de 2004 em R$749.292;92, em  razão das seguintes irregularidades apuradas na ação fiscal:  a) Omissão de receita, caracterizada por falta de comprovação  da origem dos recursos depositados em conta bancária, no valor  de R$306.500,00, no ano­calendário de 2004 (09/2004).  Enquadramento  legal:  arts.  249,  inciso  II,  251,  e  parágrafo  único, 279, 282 e 288 do Regulamento do Imposto sobre a Renda  e Proventos de Qualquer Natureza — Decreto n.° 3.000, de 26  de março de 1999 (RIR/1999) e art. 24 da Lei n° 9.249, de 1995.  b) Falta de  comprovação de despesas de prestação de  serviços  de CF Design­Assessoria de Projetos Ltda, no ano­calendário de  2004, no montante de R$442.792,92.  Enquadramento legal: arts. 249, inciso I, 251, e parágrafo único,  299 e 300 do RIR/1999.  O  Auto  de  Infração  de  Ajuste  de  Base  de  Cálculo  da  Contribuição Social, às fls. 16­18, com o demonstrativo de fl. 19,  decorrente  da  fiscalização  do  IRPJ,  reduziu  a  base  negativa  dessa  contribuição,  no  ano­calendário  de  2004,  em  R$749.292,92,  em razão  das  irregularidades  apuradas  no Auto  de Infração de Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda.  Fl. 717DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     4 Enquadramento  legal:  art.  2°,  e  §§,  da  Lei  n°  7.689,  de  1988,  art. 1° da Lei n° 9.316, de 1996, art. 28 da Lei n° 9.430, de 1996  e art. 37 da Lei n° 10.637, de 2002.  O  Auto  de  Infração  da  Contribuição  para  o  PIS/PASEP  (PIS/PASEP), às fls. 20­22, com os demonstrativos de fls. 23­24,  decorrente  da  fiscalização  do  IRPJ,  exige  o  recolhimento  de  R$5.057,25  de  contribuição,  período  de  apuração  12/2004,  acrescido da multa de 150% e dos juros de mora. O lançamento  foi efetuado em razão da omissão de receita apurado no Auto de  Infração de Ajuste de Base de Cálculo do Imposto de Renda.  Enquadramento  legal:  arts.  1°,  30  e  40  da  Lei  n°  10.637,  de  2002.  O Auto  de  Infração  da Contribuição  para  o Financiamento  da  Seguridade  Social  (COFINS),  às  fls.  25­27,  com  os  demonstrativos de fls. 28­29, decorrente da fiscalização do IRPJ,  exige o  recolhimento do  valor de R$23.294,00 de  contribuição,  acrescido da multa no percentual de 150% e dos juros de mora.  O  lançamento  foi  efetuado  em  razão  da  omissão  de  receita  apurado no Auto  de  Infração de Ajuste de Base  de Cálculo  do  Imposto de Renda.  Enquadramento  legal:  arts.  1°,  3°  e  5°  da  Lei  n°  10.833,  de  2003.  Da omissão de receita  A  tributação  do  valor  de R$306.500,00  a  título  de  omissão  de  receita, foi detectada por intermédio de lançamento contábil, no  dia 02/09/2004, a débito da conta Bradesco S/A Disp. 22693 e a  crédito  de CF Design,  com  o  histórico  "receb.  de C.F. Design  Asses.  Projetos  Ltda.",  ou  seja,  registra  um  recebimento  de  numerário por intermédio do banco, proveniente da CF Design.  Intimada a apresentar documentos que comprove o ingresso dos  recursos no patrimônio da Fiscalizada  , bem como a saída dos  recursos do patrimônio da pessoa jurídica CF Design (fl. 332), o  Contribuinte  apresentou  relatório  de  depósitos  totalizando  R$306.500,00 (fl. 341) e extrato bancário do Bradesco de 01/09  a 06/09/2003 (fl. 342 a 345), onde, nesse último, se verifica que  se  trata de diversos depósitos efetuados por  terceiros  (não pela  CF Design).  A  Fiscalização,  entendendo  que  o  valor  de  R$306.500,00  não  tem origem em pagamento, adiantamento ou empréstimos da CF  Design,  mas  de  diversos  depósitos  efetuados  por  terceiros,  intimou  o  Contribuinte  a  comprovar  a  origem  dos  referidos  valores (fl. 431).  Em resposta  (fl.  435),  afirma que  "a princípio confirma que os  depósitos  mencionados  provêem  da  CF  DESIGN  —  ASSESSORIA DE PROJETOS LTDA. A  documentação  contábil  da Contribuinte confirma isto."  A  CF  Design  também  foi  intimada  (fls.  466  e  467)  para:  a)  confirmar se efetuou o pagamento do valor de R$306.500,00; b)  apresentar  os  comprovantes  do  referido  pagamento;  c)  Fl. 718DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 4          5 confirmar, se o pagamento foi efetuado em consonância com os  comprovantes  apresentados  pela  autuada;  d)  identificar  as  pessoas físicas que efetuaram depósitos à autuada, supostamente  em seu nome.  Atendendo a intimação (fl. 470), afirma que realizou em prol de  Fasolo Artefatos de Couro Ltda. o mencionado pagamento e que  houve  a  efetiva  saída  do  Caixa  consoante  documentação  já  entregue.  A  Fiscalização,  entendendo  que  não  restou  comprovada  a  origem do suprimento de numerário de R$306.500,00,  lançou o  referido  valor  como  omissão  de  receita,  com  base  legal  o  art.  282 do RIR/1999.  Da  glosa  de  despesas  e  dos  pagamentos  efetuados  a  beneficiários não identificados  Tendo em vista a  falta de comprovação da efetiva prestação de  serviços pela pessoa jurídica CF Design Assessoria de Projetos  Ltda.,  foi  glosado  o  montante  de  R$442.792.92  referente  a  essa despesa.  Também, foram apurados pagamentos efetuados a beneficiários  não  identificados  nos  valores  discriminados  no  Relatório  de  Atividade Fiscal (fls. 42­43), no montante de R$398.500,00, que  sofreu  o  reajustamento  previsto  no  art.  725  do  RIR/1999.  Os  valores  das  despesas  foram  escriturados  como  pagamentos  de  despesas ou empréstimos e adiantamentos à pessoa jurídica CF  Design, que na realidade não foram para CF Design.  Sobre esses valores incidiu o IRRF à alíquota de 35%, conforme  Auto de Infração do IRRF.  Da multa de ofício agravada  A multa de 150%, prevista no inciso I, § 1° dó art. 44 da Lei n°  9.430,­de 1996 (redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de  2007)  foi aplicada em razão de  ter sido caracterizado  fraude e  conluio, conforme definidos nos arts. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de  1964,  tendo  Contribuinte  escriturado  despesas  inexistentes  ou  não  comprovadas,  omitido  receitas  e  ainda,  mediante  a  simulação de pagamentos a suposta pessoa jurídica (CF Design)  mas  que  na  verdade  foram  realizados  a  beneficiários  não  identificados, na tentativa de acobertar pagamentos efetuados ao  próprio dirigente ou a terceiros não identificados.  Segundo  a  Fiscalização,  esses  procedimentos  evidenciam  conduta dolosa tendente a excluir ou modificar as características  essenciais  da  obrigação  tributária  principal,  reduzindo  deste  modo o montante do imposto devido, e evitando seu pagamento,  enquadrando­se  nos  conceitos  de  fraude  e  conluio,  conforme  arts. 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964.  (...)  Fl. 719DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     6 Discordando  dos  lançamentos,  o  Contribuinte  apresentou,  por  intermédio  de  seu  procurador,  a  impugnação  de  fls.  558­593,  com  os  documentos  de  fls.  594­628,  fazendo  a  sua  defesa,  conforme segue.      1. Preliminar de nulidade dos Autos de Infração  Entende o Contribuinte que os Autos de Infração são nulos, eis  que  ocorreu  cerceamento  de  defesa,  quebra  de  sigilo  bancário  sem observação do devido processo legal e desconsideração da  pessoa jurídica CF Designas regras procedimentais.  1.1 ­ Cerceamento do direito de defesa  Ocorreu  cerceamento  do  direito  de  defesa  o  fato  de  ter  a  Fiscalização indeferido a concessão de prazos para responder as  intimações  e  ser  autuado  ainda  no  decurso  do  prazo  da  prorrogação.  No  caso,  a  preterição  do  direito  de  defesa  é  anterior  aos  lançamentos,  fato  esse  que  os  vicia,  devendo  ser  declarado nulos os Autos de Infração.  1.2 ­ Quebra de sigilo bancário sem a observância do processo  legal  Entende que é ilegal a obtenção da movimentação bancária sem  ordem judicial e sem apresentar qualquer justificativa. O art. 4°  do  Decreto  n°  3.724,  de  2001  autoriza  a  quebra  do  sigilo  bancário  desde  que  existente  relatório  circunstanciado,  indicando e motivando as razões do procedimento. Por mais que  sentissem  o  dever  de  colaborar  com  o  Fisco,  abrir  mão  de  garantias  constitucionais  requeria,  ao  menos,  justificada  fundamentação a demonstrar a necessidade, a razoabilidade e a  finalidade do procedimento instaurado.  Destaca,  que  não  deve  ser  confundido  o  dever  de  prestar  informações, previsto no art. 928 do RIR/1999, com o dever de  entregar  documentos  cuja  proteção  está  amparada  na  Constituição Federal.  Portanto,  eivado  de  nulidade  os  Autos  de  Infração,  eis  que  se  basearam  na  existência  de  registros  bancários  obtidos  com  violação ao direito fundamental de sigilo de dados consagrados  em texto constitucional.  1.3­  Ausência  de  norma  que  autorize  a  desconsideração  da  pessoa jurídica CF Design  A leitura do Relatório Fiscal que integra o Auto de Infração não  deixa  dúvidas  que  foi  procedida  a  desconsideração  dos  efeitos  legais da existência da sociedade empresária CF Design, tratada  pela Fiscalização como "suposta empresa".  O  lançamento  não  encontra  amparo  legal  no  sistema  jurídico  tributário vigente, já que o art. 116, parágrafo único, do Código  Tributário Nacional  (CTN)  não  produz  efeitos  jurídico  válidos,  na  medida  em  que  demanda  necessariamente,  para  sua  Fl. 720DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 5          7 aplicação,  a  observância  de  procedimento  previsto  em  lei  ordinária até hoje não publicada.  Transcreve o art. 116 do CTN e ementa de acórdão do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), pedindo a nulidade  do  ato  fiscal  pelos  seguintes  motivos:  a)  a  Fiscalização,  na  prática,  desconsiderou  a  personalidade  jurídica  da  pessoa  jurídica em desacordo com o procedimento do art. 50 do código  Civil,  que  exige  a manifestação  judicial;  b)  a  desconsideração,  para  fins  fiscais,  de  personalidade  jurídica  de  sociedade  empresária,  como  o  caso  ora  discutido,  está  expressamente  vinculada ao procedimento do art. 50 do CC/2002, por força do  art.  129  da  Lei  n°  11.196,  de  2005;  c)  a  desconsideração  de  negócios  jurídicos  exclusivamente  para  fins  tributários  não  se  faz  possível  enquanto  não  editada  a  lei  a  que  ser  refere  o  art.  116, parágrafo único, do CTN.  2­ Da Decadência  Tratando­se  no  caso  de  tributos  lançados  por  homologação,  a  decadência se opera a partir da ocorrência dos fatos geradores,  conforme o  disposto  no  § 4°  do  art.  150  do Código Tributário  Nacional.  Tendo  entregue  as  DCTFs  e  o  recolhimento  das  competências  dos tributos que constam nos Autos de Infração do PIS, COFINS  e  IRRF,  o  prazo  inicial  para  a  contagem  da  decadência  é  o  momento  do  fato  gerador  e  não  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte a esse momento. No caso, como houve pagamento dos  tributos, a contagem do prazo decadencial se  inicia na data da  ocorrência  do  fato  gerador.  Somente  quando  não  ocorre  o  pagamento é que se aplica a regra do art. 173, I, do CTN, que  não é o caso.  Assim,  operou­se  a  decadência  do  direito  do  Fisco  em  lançar  supostas diferenças de valores , devendo ser cancelado os Autos  de Infração.  3 — Da glosa de despesas  O  Auto  de  Infração  é  mais  um  emaranhado  de  suposições  e  presunções  desautorizados  do  que  uma  peça  fiscal  que  se  consubstancie em dados e fatos efetivos, reais e concretos. Nessa  fase,  o  ônus  de  provar  os  fatos  descritos  é  do  fiscal,  ou  seja,  provar  o  fato  constitutivo  do  direito  a  permitir  a  cobrança  do  crédito tributário.  A CF Design não é uma suposta empresa, ou empresa fantasma  ou de fato inexistente, mas uma prestadora de serviços de forma  efetiva, não sendo motivo para a glosar despesas o fato de existir  no  local  outro  estabelecimento  comercial  ou  de  prestação  de  serviços.  Tratando­se  de  sociedade  cuja  atividade  é  quase  que  intelectual,  caberia  indagar  qual  a  incompatibilidade  física,  fática ou qualquer outra que haveria  em que a  referida pessoa  jurídica tenha sede na residência da própria Carolina Fasolo e  que obviamente não necessita de luminosos ou placa publicitária  Fl. 721DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     8 avisando ou sinalizando estar ali sediada. Também, não há nada  de  errado  que  a  CF Design  tem  uma  sócia  que  é  filha  do  Sr.  Francisco Renan Proença e de Yeda Fasolo ou que tenha a sua  receita integralmente advinda da autuada.  As  afirmativas  da Fiscalização  acerca  da  contabilidade  da CF  Design  de  conteúdo meramente  presuntivo,  sem  suporte  fático,  não  afastam  a  hipótese  de  que  não  ocorreu  a  prestação  dos  serviços.  A  atividade  de  designer  de moda  é  desenvolvida  pela  CF Design, não necessitando qualquer cálculo, nem de estudos  dos materiais. Não há necessidade  de  ter  uma  sede  como a  da  atividade comercial ou industrial.  A  conclusão  de  que  os  projetos  apresentados  pela  CF  Design  não  são  aptos  para  justificar  os  desembolsos  de  valores,  nada  mais  é  do  que  uma  presunção  desautorizada  por  parte  da  Fiscalização.  O relato da Fiscalização de que os serviços não foram prestados  pela  CF  Design  é  equivocado,  tratando­se  de  uma  série  de  conjecturas, suposições e "pressuposições descontextualizadas".  Não  há  nada  de  concreto  a  amparar  as  afirmações  da  Fiscalização,  tratando­se  de  presunções,  indícios,  suposições  decorrentes de uma incorreta interpretação dos fatos.  Afirma  que  os  serviços  foram  prestados  e  pagos  a CF Design,  existindo cheques que comprovam os pagamentos.  4 — Da omissão de receita  Há  comprovação  na  contabilidade  da  CF  Design  da  saída  de  recursos em favor da autuada.  Novamente  o  Agente  Fiscal  parte  de  meras  presunções  sem  .  contar efetivamente dados concretos para imputar a omissão de  receita.  Não  há  demonstração  de  saída  de  mercadoria  sem  o  competente  documento  fiscal,  o  ingresso  do  valor  registrado  tanto  na  sua  contabilidade  como  na  CF  Design,  havendo,  apenas,  suposição  de  que  os  ingressos  de  valores  em  diversos  depósitos  e  não  apenas  um  depósito  represente  omissão  de  receita.  Se  os  valores  em  questão  foram  depositados  por  terceiros, isso não que dizer que não se trata de valores advindos  do Caixa da CF Design, que tinha suporte para tanto.  A  pretensa  omissão  de  receita  está  fundamentada  somente  em  depósitos  bancários  que não  servem de base para  lançamentos  desta  natureza.  A  mera  existência  de  depósitos  bancários  não  pode dar ensejo a lançamento por omissão de receitas.  ­  No  caso,  a  origem  dos  depósitos  está  comprovada­  e  tem  suporte  em  empréstimo  feito  pela CF Design  à  autuada,  sendo  inaplicável o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996.  ­ Pelo  exposto,  é  incabível  os  lançamentos,  principalmente  por  não existir prova da omissão de receita.  5 — Do Imposto de Renda Retido na Fonte  Fl. 722DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 6          9 ­  A  jurisprudência  do  Conselho  Administrativo  de  Recursos  Fiscais tem entendido que a prova de que os pagamentos feitos a  terceiros  beneficiários  não  identificados  é  do  Fisco.  'Tem  os  registros contábeis das operações que justificam os pagamentos,  a  necessidade  e  a  prestação  dos  serviços  que  deram  origem  a  efetivação da despesa glosada, não necessitando outras provas.  ­ Foi demonstrado não apenas a necessidade do serviço, mas a  efetiva  prestação  de  serviços  ocorrida,  seja  pelos  documentos  acostados  no  curso  do  procedimento  administrativo,  seja  pelos  acostados na impugnação.  ­ Considerando  a  atividade,  as  despesas  com  design  feitas  são  absolutamente  razoáveis  quando  comparadas  com  o  seu  faturamento.  ­  A  atividade  de  designer  de moda  não  está  presa  a  conceitos  mais formais de atuação que pudesse dar ensejo a validação das  presunções levantadas no Auto de Infração.  ­ Portanto, descabida a autuação.  6 — Da quantificação da base de cálculo do PIS e da Cofins —  não­cumulatividade  Estando sujeita ao regime não­cumulativo do PIS e da COFINS,  deve­se  efetuar  ajustes  nas  bases  tributáveis  dessas  contribuições, nos termos dos arts. 1° a 3° da Lei n° 10.637, de  2002 e dos arts. 1° a 3° da Lei n° 10.833, de 2003. Se assim não  for  feito,  configurada  está  desobediência  ao  regime  da  não­ cumulatividade.  Assim,  deve  ser  desconstituída  a  autuação  por  equivocada  quantificação das contribuições para o PIS e COFINS.  7 — Da multa agravada de 150%  A Fiscalização partiu de presunções absolutamente equivocadas  para justificar a aludida fraude, não estando presente o evidente  intuito de fraude, o que impede a aplicação da multa qualificada,  devendo ser afastada no remoto caso da manutenção do(crédito  tributário. Nesse sentido, a jurisprudência administrativa impede  a  aplicação  da  multa  agravada.  Transcreve  jurisprudência  administrativa.  8— Do pedido de perícia  Requer  a  produção  dos meios  de  provas  em  direito  admitidas,  nominalmente  a  prova  documental  e  perícia  contábil.  Indica  como perito o contador Roberto Denardi, e formula os seguintes  quesitos:  (a) Considerados os débitos e créditos de PIS e de COFINS nos  períodos de apuração constantes do auto de lançamento haveria  débito a ser pago nos termos das Leis n's 10.637/02 e 10.833/03,  arts, 1° a 3° das respectivas leis?  Fl. 723DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     10 (b)  Nos  períodos  de  apuração  em  questão  a  Impugnante  se  apropriou  de  todos  os  créditos  previstos  na  legislação  concernentes a PIS e COFINS  9 ­ Conclusão  Ante o exposto, requer que seja acolhida a presente impugnação  para  desconstituir  o  auto  de  lançamento  diante  das  nulidades  apontadas,  ou  para,  no mérito,  pelas  alegações  lançadas  nesta  defesa,  desconstituir­se  total  ou  parcialmente  os  Autos  de  Infração.  A decisão em primeira instância encontra­se a seguir ementada:  ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  NULIDADE. PROCEDIMENTO ADMINISTRATIVO FISCAL  Rejeitam­se  as  preliminares  de  nulidade  suscitadas  contra  o  procedimento  administrativo  fiscal,  quando  o  processo  administrativo fiscal obedece as determinações legais e garante  ao  contribuinte  o  contraditório  e  a  ampla  defesa,  e  não  foi  provada  nenhuma  violação  aos  arts.  10  e  59  do  Decreto  n°  70.235, de 1972.  CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA  É  incabível  a  alegação  de  cerceamento  do  direito  de  defesa,  quando  as  infrações  apuradas  estiverem  perfeitamente  identificadas  e  os  elementos  dos  autos  demonstrarem  a  que  se  refere  a  autuação,  dando­lhe  suporte  material  suficiente  para  que o sujeito passivo possa conhecê­los e apresentar sua defesa.  PRORROGAÇÃO DE PRAZO. INTIMAÇÃO  Inexiste disposição legal que determine obrigatória prorrogação  de  prazo  para  apresentar  as  informações  e  os  documentos  solicitados pela Fiscalização.  SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA  O  acesso  às  informações  bancárias  não  configura  quebra  do  sigilo bancário, haja vista que os atos administrativos reputam­ se  pautados  na  impessoalidade  e  os  funcionários  da  administração tributária tem o dever legal de manter sigilo das  informações  a  que  tem  acesso  em  função  do  cargo.  Havendo  procedimento  de  ofício  instaurado,  a  prestação  por  parte  das  instituições  financeiras de informações solicitadas pelos órgãos  fiscais  tributários, não constitui quebra do sigilo bancário, mas  somente sua transferência para o Fisco.  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA ­ IRPJ  Ano­calendário: 2004  SUPRIMENTOS  DE  NUMERÁRIO  EFETUADOS  POR  TERCEIROS  Fl. 724DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 7          11 Por  falta  de  amparo  legal,  não  se  submete  à  presunção  de  omissão de receita estabelecida no art. 282 do do RIR/1999, os  suprimentos  feitos  por  pessoas  que  não  sejam  administradores  ou sócios da sociedade por quotas.  DESPESAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO  Para a dedutibilidade de despesas referente a serviços prestados  por  terceiros,  não  é  suficiente  a  simples  apresentação  de  nota  fiscal.  É  necessário  a  prova  da  efetiva  prestação  dos  serviços  e/ou do respectivo pagamento. Não comprovada a efetividade da  prestação  dos  serviços  e/ou  efetivo  pagamento,  os  valores  correspondentes  não  são  dedutíveis  para  a  determinação  do  lucro  real  e  da  base  de  cálculo  da  CSLL,  justificando  a  sua  glosa.  ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE ­  IRRF  Período de apuração: 06/01/2004 a 03/12/2004  IRRF. PAGAMENTO A BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO  Está sujeito à incidência do imposto na fonte, à alíquota de trinta  e  cinco  por  cento,  todo  o  pagamento  efetuado  pela  pessoa  jurídica a beneficiário não identificado.  LANÇAMENTOS DECORRENTES  A solução dada ao litígio principal, relativo ao IRPJ, aplica­se,  no  que  couber,  aos  lançamentos  decorrentes  do  PIS/PASEP,  COFINS e CSLL quanto não houver fatos ou argumentos novos a  ensejar decisão diversa.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 2004  MULTA DE OFÍCIO. AGRAVAMENTO  Os  procedimentos  de  escriturar  despesas  inexistentes  ou  não  comprovadas  e  de  simular  pagamentos  (de  serviços  e  empréstimos)  a  uma  pessoa  jurídica,  sob  a  gerência  de  uma  pessoa  física  que  mantem  o  controle  da  pessoa  jurídica  envolvida nas operações, caracterizam conduta dolosa  tendente  a excluir ou modificar as características essenciais da obrigação  tributária  principal,  reduzindo  desse  modo  o  montante  dos  tributos  devidos  e  evitando  o  seu  pagamento,  enquadrando­se  nos conceitos de fraude e conluio, previstos nos arts. 72 e 73 da  Lei  n°  4.502,  de  1964,  justificando  a  aplicação  da  multa  agravada no percentual de 150%.  DECADÊNCIA. IRPJ. CSLL. IRRF  Tipificada a conduta fraudulenta prevista no § 4° do art. 150 do  CTN  ou  quando  não  há  pagamento  antecipado  do  tributo,  aplica­se a  regra do prazo decadencial e a  forma de contagem  Fl. 725DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     12 fixada no art. 173,  inciso I, do CTN, quando os cinco anos  tem  como  termo  inicial  o primeiro dia do  exercício  seguinte àquele  em que o lançamento poderia ter sido efetuado.  Impugnação Procedente em Parte  Crédito Tributário Mantido em Parte  Cientificada da referida decisão em 23/09/2010 (Fls. 662 a 665), a Recorrente  interpôs o presente recurso em 27/10/2010 (Fls. 667 a 698) , com o seguinte pedido:  (...)  Diante  de  todo  o  exposto,  requer  a  Recorrente  a  total  procedência do recurso voluntário para o efeito de extinguir as  autuações de IRRF e base negativa de IRPJ e CSLL.  Outrossim, requer a concessão do prazo de 10 dias para juntada  da  procuração  por  instrumento  público  nos  termos  da  MP  507/2010.  Houve encaminhamento  dos  autos  ao CARF em  27/10/2010  e  distribuição,  por sorteio, a este relator em 08/08/2013.  É o relatório.    Voto             Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator.  Trata­se de recurso contra a parte em litígio da decisão em primeira instância  que, por unanimidade de votos:  1 ­ Rejeitou as preliminares de nulidade e da decadência;  2  ­  Julgou  procedente  o Auto  de  Infração  do  Imposto  de Renda Retido  na  Fonte (IRRF), para manter o valor de R$207.934,96 de imposto, acrescido da multa de 150% e  dos juros de mora;  3  ­  Julgou  procedente  em  parte  o  Auto  de  Infração  de  Ajuste  de  Base  de  Cálculo  do  Imposto  de  Renda,  para  alterar  a  redução  do  prejuízo  fiscal  efetuada  pela  Fiscalização, no ano­calendário de 2004, de R$749.292,92 para R$442.792,92.  4  ­  Julgou  procedente  em  parte  o  Auto  de  Infração  de  Ajuste  de  Base  de  Cálculo da Contribuição Social (CSLL), para alterar a redução da base negativa efetuada pela  Fiscalização, no ano­calendário de 2004, de R$749.292,92 para R$442.792,92; e  5 ­ Julgou improcedentes os Autos de Infração do PIS/PASEP e da COFINS.  Em  relação  à  tempestividade,  conforme  consta  do  presente  relatório,  a  Recorrente cumpriu o disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.:  Fl. 726DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 8          13 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Passo à análise dos pontos argumentados no presente recurso.  (...)  II­ PRELIMINARES  A)  DO CERCEAMENTO DE DEFESA — PRODUÇÃO DE  PROVA  PERICIAL  —  NULIDADE  DO  AUTO  DE  INFRAÇÃO  De acordo com o exposto, a decisão recorrida desconsiderou o  pedido de prorrogação de prazo para atendimento de intimação  fiscal antes da lavratura do auto de infração.  (...)  4.  De  acordo  com  as  disposições  da  Lei  n°  9.784/1999,  que  regula  o  processo  administrativo  no  âmbito  da  Administração  Pública  Federal,  o  processo  administrativo  deverá  adotar  critérios de formas simples, suficientes para propiciar adequado  grau  de  certeza,  segurança  e  respeito  aos  direitos  dos  administrados.  (...)  Diante disso,  frente ao ato de cerceamento de defesa, ainda em  fase de fiscalização, o auto de infração deve ser declarado nulo.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  esta  preliminar,  esclarece­nos  os  fundamentos do acórdão recorrido, os quais passo a adotá­los:  Inicialmente, cabe esclarecer que os pressupostos legais para a  validade do Auto de  Infração são determinados pelo art. 10 do  Decreto  n.°  70.235,  de  1972,  que  trata  do  Processo  Administrativo Fiscal, a seguir transcrito:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade  aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  30  (trinta) dias;  VI  ­  a assinatura do autuante  e a  indicação de  seu cargo ou função e o número de matricula.  Fl. 727DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     14 O  mesmo  decreto  dispõe  sobre  a  nulidade  no  processo  administrativo, nos seguintes termos:  Art. 59. São nulos:  I­  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.    (...)  1.1  ­Da  alegação  de  que  ocorreu  cerceamento  do  direito  de  defesa  Constata­se  que  o  Contribuinte  tomou  ciência  da  última  intimação efetuada antes da lavratura dos Autos de Infração, no  dia  09/11/2009  (fls.  431­432),  tendo  o  Contribuinte  pedido  a  prorrogação de prazo de dez dias  (fl. 434­435). A Fiscalização  concedeu  o  prazo  adicional  de  sete  dias  (fl.  434).  No  dia  23/11/2009,  o  Contribuinte  respondeu  a  referida  intimação  (fl.  435). A lavratura dos Autos de Infração foi no dia 10/12/2009.  Desse modo, são equivocados os argumentos do Contribuinte de  que não foi concedido prorrogação de prazo para o atendimento  da  intimação  e  que  foi  autuada  ainda  no  decurso  do  prazo  pedido de prorrogação.  Ademais,  não  há  previsão  legal  para  a  concessão  de  prorrogação  de  prazo  para  atender  as  intimações  solicitadas  pela Fiscalização.  A  disciplina  do  procedimento  de  verificação  do cumprimento das obrigações perante a  legislação  tributária  não  contém  dispositivos  que  tratem  da  prorrogação  do  prazo  para  entrega  de  documentos  em  virtu­de  de  condições  especificas a que estejam submetidas as pessoas jurídicas.  Diante do  exposto,  conclui­se que não ocorreu cerceamento do  direito de defesa, não sendo nulos os Autos de Infração.  Acrescento  aos  referidos  fundamentos  que  não  há  que  se  falar  em  cerceamento do direito de defesa antes da  impugnação,  fase  inaugural do  litígio no processo  administrativo fiscal, conforme dispõe o artigo 14 do Decreto n° 70.235, de 1972:  Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento.  Diante do exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada.  B)  DA  NULIDADE  DO  PROCEDIMENTO  FISCAL  LEVADA  A  EFEITO  SEM  A  OBSERVÂNCIA  DO  DEVIDO  PROCESSO  LEGAL.  QUEBRA  DE  SIGILO  BANCÁRIO  QUE  NÃO  OBSERVOU  AS  REGRAS  PROCEDIMENTIAS CABÍVEIS  Diferentemente  do  que  dispôs  a  Delegacia  de  Julgamento,  o  acesso  às  informações  bancárias  da  forma  como  ocorreu  configura  a  quebra  do  sigilo  bancário,  e  por  isso  viciou  o  ato  Fl. 728DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 9          15 administrativo  pela  manifesta  nulidade  decorrente  da  inobservância do devido processo legal.  Conforme  já disposto,  o § 40 do art. 1° da LCP 105, de 2001,  autoriza  a  quebra  de  sigilo  bancário  para  apuração  de  crimes  contra a ordem tributária nacional, do que não se cogitou e em  nada  havia  referência  seja  nas  Intimações  em  fase  de  fiscalização.  (...)  Desse  modo,  deve  ser  acolhida  a  preliminar  ora  suscitada  reconhecendo­se  a  nulidade  do  lançamento  realizado  por  infração ao  princípio do  devido  processo  legal  na  obtenção de  documentos sigilosos.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  esta  preliminar,  esclarece­nos  os  fundamentos do acórdão recorrido, os quais passo a adotá­los:  Inicialmente, cabe esclarecer que os pressupostos legais para a  validade do Auto de  Infração são determinados pelo art. 10 do  Decreto  n.°  70.235,  de  1972,  que  trata  do  Processo  Administrativo Fiscal, a seguir transcrito:  Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade  aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  30  (trinta) dias;  VI  ­  a assinatura do autuante  e a  indicação de  seu cargo ou função e o número de matricula.  O  mesmo  decreto  dispõe  sobre  a  nulidade  no  processo  administrativo, nos seguintes termos:  Art. 59. São nulos:  I­  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.    (...)  Fl. 729DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     16 1.2 ­ Da alegação de que ocorreu quebra de sigilo bancário sem  a observância do processo legal  O  Contribuinte  foi  intimado  (fls.  332­333)  a  apresentar  os  extratos  bancários  dos  anos  de  2004  a  2007,  das  contas  correntes movimentadas no período. Emreposta, apresentou um  relatório  de  depósitos  e  o  extrato  do  Banco  BRADESCO  (fls.  341­345).  No  caso  ora  discutido,  não  se  verifica  a  ocorrência  de  quebra  indevida do sigilo bancário, pois a cópia do extrato bancário foi  apresentadas pelo próprio Contribuinte no curso da ação fiscal,  sem opor empecilhos, de livre e espontânea vontade, conforme se  verifica nos autos.  Por outro lado, mesmo que o Contribuinte não tivesse fornecido  espontaneamente os documentos da movimentação bancária, no  caso  de  que  a  Fiscalização  solicitasse  esse  documento  às  instituições  financeiras,  mesmo  assim  não  ocorreria  a  quebra  indevida do sigilo bancário.  A autoridade administrativa, ao solicitar à instituição financeira  as informações das operações bancárias do contribuinte, está se  valendo de meios e instrumentos de fiscalização criteriosamente  dados  pelo  ordenamento  jurídico  para  que  a  ação  fiscal  possa  ter o mínimo de eficácia e dar, não só aos órgãos de fiscalização  tributária, mas à toda sociedade um resultado que demonstre, de  maneira  inequívoca,  haver  indícios  de  irregularidade  de  cunho  tributário.  Todos  os  contribuintes,  pessoas  físicas  ou  jurídicas,  estão  obrigados  a  prestar  informações  ao  Fisco  sobre  seus  rendimentos  e  operações  financeiras,  tanto  que  apresentam  regularmente  declarações  de  rendimentos,  ficando  sujeitos  à  auditoria das informações prestadas, momento em que pode ser­ lhes  exigida  a  documentação  comprobatória  (artigo  927  do  Regulamento do Imposto de Renda, Decreto 3.000 de 1999).  Pode  ocorrer,  no  entanto,  de  o  Contribuinte  negar­se  a  apresentar  tais  comprovantes,  ou  até  mesmo  nem  os  possuir,  restando  ao Fisco  buscá­los  nas  instituições  onde  se  deram  as  transações,  como  em  bancos.  Assim,  o  fornecimento  de  informações  por  instituições  bancárias  vem apenas  substituir  o  dever ao qual estão sujeitos os contribuintes por lei.   É  o  próprio  Código  Tributário  Nacional  em  seu  artigo  197,  inciso  II,  que  impõe  a  obrigação  de  os  bancos  e  outras  instituições  financeiras  prestarem  informações  de  que  disponham  com  relação  aos  bens,  negócios  ou  atividades  de  terceiros:  Art.197  ­  Mediante  intimação  escrita,  são  obrigados  a  prestar  à  autoridade administrativa todas as informações de que disponham com  relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros:  II  ­  os  bancos,  casas  bancárias,  Caixas  Econômicas  e  demais  instrtuições financeiras;  (...)  Fl. 730DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 10          17 A matéria em foco foi tratada pela Lei Complementar n° 105, de  10 de janeiro de 2001, que teve seu artigo 6° regulamentado pelo  Decreto  3.724,  da  mesma  data.  Seu  artigo  1°,  §  3°,  inc.  VI,  artigo 5° e artigo 6° preceituam:  Art.  1°  As  instituições  financeiras  conservarão  sigilo  em  suas  operações ativas e passivas e serviços prestados  (...)    §3° Não constitui violação do dever de sigilo:    (...)    VI — a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos  nos artigos 2°, 3°, 4°, 5°, 6°, 7° e 9° desta Lei Complementar.  (...)  Art.  5°  O  Poder  Executivo  disciplinará,  inclusive  quanto  à  periodicidade e aos  limites de valor, os critérios  segundo os quais as  instituições  financeiras  informarão  à  administração  tributária  da  União,  as  operações  financeiras  efetuadas  pelos  usuários  de  seus  serviços.  (...)  § 4° Recebidas as  informações de que  trata este artigo, se detectados  indícios  de  falhas,  incorreções  ou  omissões,  ou  de  cometimento  de  ilícito fiscal, a autoridade interessada poderá requisitar as informações  e os documentos de que necessitar, bem como realizar fiscalização ou  auditoria para a adequada apuração dos fatos.  (...)  Art.  6°  As  autoridades  e  os  agentes  fiscais  tributários  da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão  examinar  documentos,  livros  e  registros  de  instituições  financeiras,  inclusive os  referentes a contas de depósitos e aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em curso  e  tais  exames  sejam considerados  indispensáveis pela  autoridade administrativa competente. (grifei).  Parágrafo  único.  O  resultado  dos  exames,  as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo,  observada a legislação tributária.  Como se percebe, podia a autoridade fiscal, em procedimento de  fiscalização,  solicitar  às  instituições  bancárias  extratos  das  contas  de  depósito  do  interessado,  sem  que  isso  caracterizasse  quebra de sigilo bancário (art. 6° da LC n° 105/2001).  Acrescente­se, ainda, que a obtenção de  informações bancárias  junto  às  instituições  financeiras,  levada  a  efeito  nos  estritos  termos do Decreto n° 3.724, de 2001 que regulamenta o artigo  Fl. 731DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     18 6°  da  Lei  Complementar  n.°  105,  de  2001,  não  está  sujeita  à  prévia  autorização  judicial.  Nem  foram  as  referidas  leis  declaradas  inconstitucionais  pelo  Supremo  Tribunal  Federal.  Trata­se, portanto, de informações e documentos bancários que  seriam  obtidos  de  forma  lícita,  ao  amparo  da  lei. O  acesso  às  informações  bancárias  independe  de  autorização,  não  constituindo  quebra  de  sigilo.  As  informações  obtidas  permanecem  protegidas.  A  Lei  5.172,  de  1.966  (CTN),  em  seu  artigo 198, veda sua divulgação para qualquer fim, por parte da  Fazenda Pública Nacional ou de seus funcionários, sem prejuízo  do disposto na legislação criminal.  (...)  Em face do exposto, afasto a preliminar de nulidade suscitada.  C)  PRELIMINAR:  DA  NULIDADE  DA  AUTUAÇÃO  POR  AUSÊNCIA  DE  NORMA  QUE  AUTORIZE  A  DESCONSIDERAÇÃO DA PESSOA JURÍDICA  O Relatório Fiscal não deixa nenhuma margem de dúvida que foi  procedida a desconsideração dos efeitos legais da existência da  sociedade empresária CF DESIGN.  (...)  Ocorre,  que  a  pretendida  desconsideração  da  personalidade  jurídica  pretendida  no  auto  de  infração  em  questão,  por  força  das  razões  que  o  motivam,  não  encontra  amparo  legal  no  sistema  jurídico tributário vigente,  já que o art. 116, parágrafo  único,  do  Código  Tributário  Nacional  não  produz  efeitos  jurídicos válidos, na medida em demanda necessariamente, para  a  sua  aplicação,  a  observância  de  procedimentos  previstos  em  lei ordinária até hoje não publicada. In verbis:  "Art. 116. (...)  (...)  Parágrafo  único:  A  autoridade  administrativa  poderá  desconsiderar  atos  ou  negócios  jurídicos  praticados  com  a  finalidade de dissimular a ocorrência do  fato gerador do  tributo  ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária,  observados os procedimentos estabelecidos em lei ordinária."  (...)  Desse  modo,  é  mister  dessa  r.  Delegacia  de  Julgamento  reconhecer  a  nulidade  do  presente  Auto  de  Infração  no  que  tange à ora Impugnante.    Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  esta  preliminar,  esclarece­nos  os  fundamentos do acórdão recorrido, os quais passo a adotá­los:  Inicialmente, cabe esclarecer que os pressupostos legais para a  validade do Auto de  Infração são determinados pelo art. 10 do  Decreto  n.°  70.235,  de  1972,  que  trata  do  Processo  Administrativo Fiscal, a seguir transcrito:  Fl. 732DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 11          19 Art.  10.  O  auto  de  infração  será  lavrado  por  servidor  competente,  no  local  da  verificação  da  falta,  e  conterá  obrigatoriamente:  I­ a qualificação do autuado;  II ­ o local, a data e a hora da lavratura;  III ­ a descrição do fato;  IV ­ a disposição legal infringida e a penalidade  aplicável;  V  ­  a determinação da exigência  e a  intimação  para  cumpri­la  ou  impugná­la  no  prazo  de  30  (trinta) dias;  VI  ­  a assinatura do autuante  e a  indicação de  seu cargo ou função e o número de matricula.  O  mesmo  decreto  dispõe  sobre  a  nulidade  no  processo  administrativo, nos seguintes termos:  Art. 59. São nulos:  I­  os  atos  e  termos  lavrados  por  pessoa  incompetente;  II  ­  os  despachos  e  decisões  proferidos  por  autoridade  incompetente  ou  com  preterição  do  direito de defesa.    (...)  1.3  ­  Da  alegação  da  ausência  de  norma  que  autorize  a  desconsideração da pessoa jurídica CF Design  Entende  o  Contribuinte  que  ocorreu  a  desconsideração  da  pessoa jurídica CF Design, procedimento esse que não encontra  amparo legal no sistema jurídico tributário vigente, já que o art.  116,  parágrafo  único,  do  CTN  não  produz  efeitos  jurídicos  válidos  por  falta  de  edição  de  lei  ordinária  até  hoje  não  publicada.  No  presente  caso,  não  ocorreu  a  desconsideração  da  personalidade jurídica da CF Design.  A  desconsideração  da  personalidade  jurídica  acontece  em  situações  jurídicas  nas  quais  há  uma  responsabilidade  obrigacional da pessoa jurídica e, em razão de ter havido "abuso  da  personalidade  jurídica",  o  Direito  autoriza  desconsiderá­la  para responsabilizar  sucessivamente os  responsáveis pelos atos  da  pessoa  jurídica  que  ensejaram  a  relação  obrigacional,  normalmente  os  sócios  e/ou  administradores,  subsidiariamente,  em caso de insolvência da pessoa jurídica.  A  desconsideração da personalidade  jurídica  é  uma  espécie  de  sanção  pelo  ato  ilícito  consistente  no  abuso  da  personalidade;  Fl. 733DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     20 enquanto  a  solidariedade  é  determinada  pelo  interesse  comum  na  situação  que  constitui  o  fato  gerador  do  tributo,  independentemente de ter havido ato ilícito ou não.  (...)  Em razão do exposto, afasto a preliminar suscitada.    III ­ MÉRITO  A)  COMPROVAÇÃO  DE  ORIGEM  DAS  RECEITAS  —  VALORES  DECORRENTES  DOS  SERVIÇOS  PRESTADOS PELA EMPRESA CF DESIGN  Veja­se que a decisão administrativa acabou por desconsiderar  os  atos  de  gestão  contábil  demonstrados  e  de  assimilar  as  informações  prestadas  no  relatório  fiscal  para  manter  a  autuação sem fundamento de validade  (...)  Contudo, como se observa das próprias razões da impugnação, a  Fiscalização  desconsidera  o  fato  de  que  a Empresa  é  familiar,  acabando  por  autuar a Recorrente pelo  fato  de  inexistência  de  negócio  entre  a  Empresa  da  filha  do  Sr.  Renan  Proença  e  a  Recorrente.  (...)  21.  Incabíveis,  na  espécie,  os  argumentos  desenvolvidos  na  decisão  recorrida,  pois  os  projetos  desenvolvidos  pela  CF  Design  são  formalizados  quando  as  sócias  e  a  contratante  entendem  oportuno,  sendo  as  vendas  realizadas  com  base  nos  códigos  lançados  após  a  comercialização  dos  produtos  meras  formalidades não obrigatórias.  (...)  27. Trata­se de presunções,  indícios, suposições decorrentes de  uma incorreta interpretação 4os fatos e muitos deles imputáveis  não  à  Recorrente,  mas  sim  a  outra  empresa.  Não  há  prova  concreta  efetiva  de  que  o  destinatário  dos  recursos  tenha  sido  outrem (terceiro) não identificado. O que se tem, resumidamente  da parte da Recorrente, é:  (a) Os serviços foram prestados;  (b) Os valores foram pagos à empresa CF Design;  (c)  Há  cheques  que  comprovam  tais  pagamentos,  devidamente  lançados na contabilidade da Impugnante.  28.  Diante  dessas  premissas,  andaram  mal  os  Julgadores  de  primeira  instância,  não  havendo  qualquer  fundamento  de  sustentabilidade  ao  ato  de  desconsideração  da  personalidade  jurídica  da  Empresa  CF  Design,  cujas  obrigações  formais  de  contabilização, emissão de notas  fiscais,  prestação de  serviços,  Fl. 734DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 12          21 financeiras,  tributárias,  e  outras  advindas  da  atividade,  estão  regulares.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  o  assunto  esclarece­nos  os  fundamentos do Acórdão Recorrido:    Tendo em vista a falta de comprovação da prestação de serviços  pela pessoa  jurídica CF Design,  foram glosados os valores das  despesas custos discriminados nos Autos de Infração do IRPJ e  na planilha de fls. 51­52.  Conforme Termo de  Intimação de  fls.  55­56, o Contribuinte  foi  intimado a  comprovar  a  efetividade  e  necessidade  dos  serviços  prestados  por  essa  pessoa  jurídica,  escriturados  na  conta  contábil  400101020145  —  Serviços  Tec.  e  Profissional,  nost"anoscalendário de  2004  a  2008.  No  caso,  poderia  ser  apresentados  quaisquer  documentos  (contratos,  projetos,  correspondências,  pareceres,  etc.)  que  comprovassem  a  efetiva  prestação  dos  serviços  descritos  nos  documentos  fiscais, a natureza destes serviços e a sua necessidade.  Em  resposta  a  intimação,  o  Contribuinte  apresentou  os  documentos  de  fls.  57­331  (Notas  Fiscais  de  Prestação  de  Serviços,  recibos  de  pagamentos,  cópias de  cheques,  fotografia  de cintos,  relação de materiais a  serem utilizados nos projetos,  roteiro da produção e informou que "os serviços prestados pela  CF Design envolvem o design e criação de produtos em couro e  são  indispensáveis  à Fasolo. Em anexo,  segue  um dos  projetos  apresentados pela CF Design para a Fasolo."  Analisando os autos, concluiu­se que a glosa das despesas deve  ser mantida, não prosperando os argumentos do Contribuinte.  Constata­se  que  a  Fiscalização  trouxe  aos  autos  consistente  conjunto  de  provas  e  evidências  atestando  que  as  referidas  operações não ocorreram, não tendo as alegações e documentos  trazidos  durante  a  ação  fiscal  e  na  impugnação,  o  condão  de  comprovar a efetiva prestação dos  serviços, afastando, assim a  glosa efetuada pela Fiscalização.  A  apresentação  das  Notas  Fiscais  de  Serviços,  desacompanhadas  das  provas  dos  respectivos  pagamentos,  não  comprovam a efetividade das operações.  Para  que  uma  despesa  ou  custo  seja  dedutível,  além  de  preencherem  os  requisitos  de  necessidade,  normalidade  e  usualidade,  é  necessário  que  os  documentos  emitidos  por  terceiros que lastreiam os lançamentos contábeis sejam hábeis e  idôneos.   A escrituração pura e simples de um fato não lhe dá o grau de  certeza  absoluta;  é  preciso,  acima  de  tudo,  que  fique  provada  sua ocorrência, por intermédio de documentos hábeis e idôneos.  Fl. 735DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     22 Sujeitam­se, pois, à comprovação, sob pena de glosa dos valores  registrados, todas as operações realizadas pela pessoa jurídica.  Neste  ponto,  importa  invocar  o  dever  do  contribuinte  em  comprovar  documentalmente  as  operações  que  onerem  o  resultado de  sua atividade. Os arts.  251,  e § único, 264, 276 e  923 do RIR/1999, assim dispõe:  Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real  deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais  (Decreto­lei n°1.598, de 1977, art. 70).  Parágrafo  único. A  escrituração deverá abranger  todas as  operações  do  contribuinte,  os  resultados  apurados  em  suas  atividades  no  território  nacional,  bem  como  os  lucros,  rendúnentos  e  ganhos  de  capital  auferidos  no  exterior  (Lei  n.°  2.354,  de  29  de  novembro  de  1954, art. 2°., e Lei n.° 9.249, de 1995, art. 25).  (...)  Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto  não  prescritas  eventuais  ações  que  lhes  sejam  pertinentes,  os  livros,  documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos  ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação  patrimonial (Decreto­Lei n.° 486, de 1969, art. 4 °).  (...)  Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à  verificação pela autoridade  tributária, com base no exame de  livros e  documentos  de  sua  escrituração,  na  escrituração  de  outros  contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de  terceiros,  ou  em  qualquer  outro  elemento  de  prova,  observado  o  disposto no art. 923 (Decreto­Lei n.° 1.598, de 1977, art. 9°).  (…)  Art.  923.  A  escrituração  mantida  com  observância  das  disposições  legais  faz  prova  a  favor  do  contribuinte  dos  fatos  nela  registrados  e  comprovados  por  documentos  hábeis,  segundo  sua  naturezajou  assim  definidos em preceitos  legais  (Decreto­Lei n.° 1.598, de 1977, art. 9°,  §1°).  A escrituração contábil, que se destina ao registro ordenado dos  fatos administrativos ocorridos na empresa, não constitui prova,  por si mesma, a favor do contribuinte, mas tão somente quando  lastreada  em  documentação  hábil  e  idônea  que  comprove  de  forma  irretorquível  os  fatos  registrados.  Cabe  ao  contribuinte,  portanto,  manter  sob  sua  guarda,  enquanto  não  prescritas  as  ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação  das  operações  que  alteraram  sua  situação  patrimonial.  Por  conseqüência,  cabe  à  autuada  comprovar  que  os  pagamentos  ocorreram.  No  presente  caso,  o  Contribuinte,  ao  escriturar  as  referidas  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços  assumiu  o  ônus  de  comprovar  a  efetividade  dos  pagamentos  nos  valores  nelas  constantes,  ou  no  caso  de  não  tê­las  pagas,  apresentar  justificativa e provas do não pagamento.  É  verdade  que  o  Contribuinte  escriturou  pagamentos  a  CF  Design,  na  maioria  por  intermédio  de  cheques,  tendo  a  CF  Fl. 736DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 13          23 Design  escriturada  todos  esse  recebimentos  na  conta  Caixa;  porém  não  transitaram  pelas  contas  bancárias  dessa  pessoa  jurídica,  nem  está  comprovado  que  todos  os  cheques  foram  sacados  no  caixa  do  banco,  pois  alguns  foram  compensados,  demonstrando que a escrituração não espelha a realidade.  Portanto,  não  está  devidamente  comprovado  que  as  saídas  de  numerário realmente foram para o pagamento de serviços da CF  Design.  A  apresentação  de  notas  fiscais  de  prestação  de  serviços,  sem  a  efetiva  comprovação  dos  respectivos  pagamentos, são insuficientes para comprovar a efetividade das  referidas despesas.  Além  disso,  outros  importantes  indicativos  demonstram  que  a  prestação  de  serviços  não  ocorreu,  estando  correta  a  glosa  efetuada pela Fiscalização:  ­  Um  dos  sócios  do  Contribuinte  (Fasolo)  é  o  Sr.  Francisco  Renan  Oronoz  Proença,  que  pai  da  principal  sócia  da  CF  Design (Sra. Carolina Fasolo Proença), fato esse que favorece a  escrituração  de  operações  que  efetivamente  não  se  concretizaram.  ­  Em  diligência  feita  pela  Fiscalização  no  endereço  da  CF  Design, constatou­se tão somente uma residência, não indicando  a existência de um estabelecimento comercial ou de serviços. As  fotos tiradas do local demonstram esse fato (fls. 552­554). Deve  ser lembrado que é o mesmo endereço do Sr. Francisco e da sua  filha Carolina.  ­ O Sr. Francisco Renan Oronoz Proença, pai da principal sócia  da CF Design (Carolina) possui ampla procuração para realizar  a grande maioria dos atos de direção, conforme Procuração de  fl. 547­549. É verdade que a procuração, por si só, não retira a  legitimidade das operações e do trabalho, mas demonstra que o  Sr.  Francisco  tem  poderes  de  gerência  sobre  a  CF  Design,  estando  autorizado  a  praticar  a  maioria  dos  atos  referentes  à  sua administração.  ­  Diversos  fatores  indicam  que  a  contabilidade  da  CF  Design  não demonstra a realidade dos fatos (imprestabilidade), entre os  quais que o saldo da conta Caixa em agosto de 2004 é fictício,  pois enquanto apresenta um saldo elevado para o seu porte (R$  496.253,23 — fl. 479) paga juros bancários.  ­ Inexistencia de despesas inerentes a atividade desenvolvida, se  limitando  a  impostos,  multas,  seguros,  despesas  de  veículos,  despesas  bancária,  condomínio,  honorários  do  contador  e  pró­ labore (fls. 533­534). Constata­se que as despesas de escritório  são  irrisórias  e  não  existem  despesas  com  telefone,  água,  luz,  etc. que seriam despesas inerentes à atividade.  ­  As  despesas  inerentes  à  sua  atividade  são  irrisórias,  porém  registra a existência de quatro veículos (Citroen Xsara, Renault  Clio,  Astra Elite  e  Pajero),  indicando  que  tais  veículos  servem  Fl. 737DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     24 para o uso pessoal dos familiares e não para o desenvolvimento  das suas atividades.  ­  Em  alguns  projetos  constata­se  a  existência  de  um  código,  o  qual  foi  utilizados  nas  Notas  Fiscais  de  vendas  emitidas  anteriormente à data do  respectivo projeto,  conforme exemplos  constantes  no  Relatório  de  Atividade  Fiscal  (fl.  37),  demonstrando  que  os  projetos  não  foram  elaborados  pela  CF  Design.  Enfim, todos esses indicativos evidenciam a inexistência de fato  da  CF  Design  e  a  não  realização  dos  serviços  (projetos  de  design  ou  criação  de  produto  ao  Contribuinte),  devendo  ser  glosados os valores das despesas discriminados no item 002 do  Auto  de  Infração  de  Ajuste  de  Base  de Cálculo  do  Imposto  de  Renda, pois não atendem as condições previstas nos artigos 299  e 300 do RIR/1999.    Destarte,  em  relação  à  glosa  de  despesas,  os  fundamentos  da  decisão  recorrida não deixam dúvidas quanto à sua procedência. Razão pela qual nego provimento ao  presente recurso contra a glosa de despesas.  B)  DA INADEQUAÇÃO DA MULTA DE 150%  Quanto  a manutenção  da multa  de  150%,  não  houve  qualquer  argumento dos julgadores para sua manutenção.  Conforme  referido  na  impugnação,  o  auditor  partiu  de  presunções absolutamente equivocadas para justificar a aludida  fraude, tal como a suposta não prestação de serviços, a suposta  ausência  de  depósitos  bancários  de  uma  parte  em  relação  a  outra etc. Como decorre do auto impugnado, há um emaranhado  de  suposições  e  pressuposições  não  se  encontrando  presente  o  evidente intuito de fraude previsto na legislação.  (...)  Diante desses fatos, os quais desqualificam os apontamentos do  Fisco  ao  longo  do  relatório  fiscal  da  autuação  e  na  própria  decisão de primeiro grau, a  imposição de multa de 150% deve  ser  revisada  e  afastada  no  caso,  remoto,  de  manutenção  do  crédito tributário constituído.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.Conforme  os  fundamentos  da  decisão  recorrida:    A multa  agravada  de  150%  está  prevista  no  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996,  com  a  redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  n°  11.488, de 2007, que assim dispõe:  Art. 14. O art. 44 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a  vigorar com a seguinte redação:  "Art.  44.  Nos  casos  de  lançamento  de  oficio,  serão  aplicadas  as  seguintes multas:  Fl. 738DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 14          25 I  ­  de  setenta  e  cinco  por  cento  sobre  a  totalidade  ou  diferença  de  imposto  ou  contribuição,  nos  casos  de  falta  de  pagamento  ou  recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;  (...)  § 1° o percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo  será  duplicado  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,  72  e  73  da  Lei  n°  4.502,  de  30  de  novembro  de  1964,  independentemente  de  outras  penalidades administrativas ou criminais cabíveis."  Como visto, nos termos do § 1° do artigo 44 da Lei n° 9.430, de  1996, só é admitido o agravamento da multa para o percentual  de  150%,  nos  casos  previstos  nos  arts.  71,72  e  73  da  Lei  n°  4.502, de 1964, que assim dispõem:  Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir  ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  o  conhecimento  por  parte  da  autoridade fazendária:  I ­ da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua  natureza ou circunstâncias materiais;  II  ­  das  condições  pessoais  de  contribuinte,  suscetíveis  de  afetar  a  obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente;  Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou  retardar,  total  ou  parcialmente,  a  ocorrência  do  fato  gerador  da  obrigação  tributária  principal,  ou  a  excluir  ou  modificar  as  suas  características  essenciais,  de  modo  a  reduzir  o  montante  do  imposto  devido, ou a evitar ou diferir o seu pagamento.  Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais  ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos artigos 71 e 72.  Como está expresso, a multa mais gravosa de 150% de que trata  o  parágrafo  1°  do  art.  44  da  Lei  n°  9.430,  de  1996  (redação  dada  pelo  art.  14  da  Lei  n°  11.488,  de  2007),  tem  aplicação  sempre  que  em  ação  fiscal  constata­se  a  ocorrência  de  sonegação, fraude ou conluio.  Vê­se  que,  para  enquadrar  determinado  ilícito  fiscal  nos  dispositivos dessa lei, há necessidade que esteja caracterizado o  dolo. O dolo, que se relaciona com a consciência e a vontade de  agir,  é  elemento de  todos os  tipos penais de que  trata a Lei n°  4.502, de 1964, ou seja, a vontade de praticar a conduta, para a  subseqüente obtenção do resultado. Deve ficar demonstrada que  a conduta praticada teve o intuito consciente voltado a suprimir  ou reduzir o pagamento do tributo ou contribuições devidos.  No  presente  caso,  entende­se  que  a  multa  agravada  deve  ser  mantida,  eis  que  os  procedimentos  de  escriturar  despesas  inexistentes  ou  não  comprovadas  e  de  simular  pagamentos  (serviços e empréstimos) a uma pessoa jurídica (CF Design) por  parte  do  Sr.  Francisco  e  sua  filha  Carolina,  caracterizam  conduta  dolosa,  tendente  a  excluir  ou  modificar  as  características  essenciais  da  obrigação  tributária  principal,  reduzindo  desse  modo  o  montante  dos  tributos  devidos  e  evitando  o  seu  pagamento,  enquadrando­se  nos  conceitos  de  Fl. 739DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     26 fraude e de conluio, previstos nos arts. 72 e 73 da Lei n° 4.502,  de 1964.  (...)  Destarte,  os  referidos  fundamentos  não  deixam  dúvidas  quanto  à  exigibilidade  de  conduta  diversa  da  identificada  pelo  Fisco  quanto  aos  pagamentos  e  empréstimos à CF Design. Razão pela qual nego provimento ao presente recurso contra a multa  de 150%.    C)  DA  INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO DA  TAXA  SELIC  PARA  ATUALIZAÇÃO  DE  CRÉDITOS  TRIBUTÁRIOS    Ao  calcular  os  juros  pela  Taxa  SELIC  afrontou  o  lançamento  efetuado preceitos constitucionais.  (...)  Por  conseguinte,  mais  que  patente  a  inconstitucionalidade  da  utilização  da  Taxa  SELIC  para  fins  de  "remunerar  tributos",  deve a sua exigência ser afastada com a improcedência do auto  de infração  lavrado em respeito aos enunciados constitucionais  analisados.  Quanto  ao  recurso  contra  a  aplicação  da  taxa  SELIC,  não  assiste  razão  à  Recorrente por aplicação dos Enunciados n° 2 e 4 da Súmula do CARF, a seguir transcritos:    Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.    Súmula  CARF  nº  4:  A  partir  de  1º  de  abril  de  1995,  os  juros  moratórios  incidentes  sobre  débitos  tributários  administrados  pela  Secretaria  da  Receita  Federal  são  devidos,  no  período  de  inadimplência,  à  taxa  referencial  do  Sistema  Especial  de  Liquidação e Custódia ­ SELIC para títulos federais.  Em face do exposto, nego provimento ao presente recurso contra a aplicação  da taxa SELIC.    D)  DA IMPUTAÇÃO DE PAGAMENTO  É  obrigação  da  Fazenda  Pública,  tendo  conhecimento  do  adimplemento por parte do contribuinte pessoa jurídica, imputar  o valor objeto do lançamento no momento da sua realização.  (...)  Assim,  acaso  sejam  superados  os  inúmeros  argumentos  para  desconstituição  da  autuação  pela  regularidade  das  operações  Fl. 740DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 15          27 realizadas entre a Recorrente e a empresa CF Design, deve ser  levado em conta no momento da autuação os valores adimplidos  pela  pessoa  jurídica  anteriormente  ao  lançamento  de  oficio,  devendo serem alocados ao débito atribuído a Impugnante.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  a  ausência  de  comprovação  dos  referidos pagamentos, fundamentou a decisão recorrida:  (...)  Não  está  comprovado  nos  autos  que  o  Contribuinte,  no  ano­ caleridário  de  2004,  recolheu  IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  IRPJ,  PIS/PASEP,  CSLL,  COFINS.  Os  pagamentos  apresentados  pelo  Contribuinte  (fls.  617­623)  referem­se  a  IRRF  —  outros  rendimentos  (8045),  IRRF  —  rendimento  do  trabalho  sem  vínculo  empregatício (0588) e IRRF — aluguéis e royalties pagos a  pessoa física (3208).  (...)  No presente recurso, a Recorrente não logrou apontar efetivamente as provas  dos pagamentos alegados, da mesma forma que não o fez na impugnação  inicial. Razão pela  qual nego provimento ao presente recurso contra a ausência de comprovação dos pagamentos  alegados.    E)  IMPOSTO DE RENDA FONTE  Diferentemente  do  procedimento  adotado  pelo  Fiscal,  a  jurisprudência do Colendo CONSELHO DE CONTRIBUINTES,  de modo bastante reiterado, tem entendido que a prova de que os  pagamentos  ditos  feitos  a  terceiros  beneficiários  não  identificados é do Fisco. O contribuinte que já tem os registros  contábeis  das  operações  que  justificaram  os  pagamentos,  a  necessidade  e  a  prestação  dos  serviços  que  deram  origem  a  efetivação  da  despesa  glosada,  não  precisa  fazer  prova  além  disto.  (...)  A Recorrente demonstrou não apenas a necessidade do serviço,  mas  a  efetiva  prestação  de  serviços  ocorrida,  seja  pelos  documentos  já  acostados  no  curso  do  procedimento  administrativo,  seja  pelos  documentos  ora  acostados  na  defesa  de primeiro grau, decorrendo a presunção de não prestação de  serviços  de  meras  alegações  desacompanhadas  de  qualquer  suporte probatório do eminente auditor fiscal.  (...)  Portanto,  descabida  a  autuação  levada  a  efeito  e  merece  ser  reformada a decisão recorrida nesse aspecto.  Fl. 741DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     28 Não assiste  razão à Recorrente. Adoto  a  seguir  os  fundamentos do  acórdão  recorrido:  De  acordo  com  a  escrituração,  no  ano­calendário  de  2004,  o  Contribuinte  registrou,  a  título  de  pagamentos  à  CF Design,  o  valor  de  R$642.166,63  (R$415.740,00  de  serviços  prestados  e  R$226.416,63  de  devolução  de  empréstimo).  Desse  montante,  R$604.146,63  foi  das  contas  bancárias  da  autuada,  mediante  emissão de cheques e R$ 38.020,00 mediante retirada da conta  Caixa. O valor de R$ 604.146,63 foi escriturado pela CF Design  como recebimentos de Caixa (em espécie).  Do  valor  de R$604.146,63  que  efetivamente  saíram das  contas  bancárias  da  autuada,  tendo  como  contrapartida  contábil  pagamentos a CF Design, R$205.646,63 teve como beneficiário  o Sr. Francisco Renan Oronoz Proença (sócio da autuada), que  foi alvo de lançamento de imposto de renda nessa pessoa física  (processo n° 11020.003891/2009­74).  O  restante,  R$398.500,00  (R$604.146,63 —  R$205.646,63),  de  acordo  com  os  extratos  bancários  da  CF  Design  e  do  Sr.  Francisco, que não estão anexados ao processo por não ser da  Autuada,  mas  que  não  apresentou  provas  contradizendo  esse  valores,  não  teve  como  beneficiário  a  CF  Design,  não  sendo  possível  ser  identificado  o(s)  beneficiário(s),  tendo  a  Fiscalização,  com  base  no  art.  674  do  RIR/1999,  exigido  o  imposto correspondente.  O art. 674 do RIR/1999, assim dispõe:  Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte,  à alíquota de trinta e cinco por cento,  todo pagamento efetuado pelas  pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto  em normas especiais (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61).  §  1°  A  incidência  prevista  neste  artigo  aplica­se,  também,  aos  pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios,  acionistas  ou  titular,  contabilizados  ou  não,  quando  não  for  compro­ vada­­ a operação ou a sua causa (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, § 1°).  § 2° Considera­se vencido o imposto no dia do pagamento da referida  importância (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, §2°).  § 3° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento  do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n2  8.981, de 1995, art. 61, § 3°).  Como  se  depreende  desse  dispositivo  legal,  está  sujeito  à  incidência do IRRF, exclusivamente na fonte, todo o pagamento  efetuado  pela  pessoa  jurídica  a  beneficiário  não  identificado,  inclusive  recursos  entregues  a  terceiros  ou  a  sócios,  acionistas  ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a  operação ou a sua causa.  No  caso  ora  analisado,  constata­se  que  o  Contribuinte  não  identificou  os  reais  beneficiários  de  parte  dos  pagamentos  relacionados nas planilhas de fls. 50­51.  Fl. 742DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 16          29 Na  impugnação,  se  restringe  a  afirmar  que  não  há  nada  de  concreto a amparar a afirmativa da Fiscalização, tratando­se de  meras presunções e indícios.  Não  apresentou  provas  concretas  dos  reais  beneficiários  dos  pagamentos,  não  afastando  os  argumentos  da  Fiscalização.  Somente a escrituração contábil não é suficiente para comprovar  que  os  pagamentos  foram  para  a  CF  Design,  já  que  não  foi  comprovada  a  efetiva  prestação  dos  serviços  por  essa  pessoa  jurídica.  De  acordo  com  a  escrituração  do Contribuinte,  as  remessas  a  CF Design foram mediante a emissão de cheques. A CF Design  escriturou esses recebimentos na conta Caixa, como recebimento  em  espécie.  Porém,  tais  valores  não  transitaram  pelas  contas  bancárias da CF Design, o que demonstra que não tiveram como  beneficiário essa pessoa jurídica.  Portanto,  não  foram  identificados  os  reais  beneficiários  dos  pagamentos  discriminados  na  planilha  de  fls.  42­43,  fato  esse  que  implica  na  incidência  do  IRRF,  previsto  no  art.  674  do  RIR/1999.  Destarte,  a Recorrente  não  apontou  provas  suficientes  para  desconstituir  os  argumentos do Fisco, da mesma forma que não o fez na impugnação inicial. Razão pela qual  nego provimento ao presente recurso quanto ao IRRF.    D)  DA  DECADÊNCIA  DE  PARTE  DOS  DÉBITOS  PREVIDENCIÁRIOS  LANÇADOS  ­  DA  HERMENÊUTICA  DO  ART.  150,  §  4°,  Do  CÓDIGO  TRIBUTÁRIO NACIONAL  Ao  lavrar  a  autuação  contra  ora  Impugnante,  a  Fiscalização  acabou por inserir competências que teriam sido atingidas pela  decadência.  Como  referido,  no  auto  de  infração  impugnado  estão  incluídas competências do ano de 2004, com a respectiva  intimação da formalização em dezembro de 2009.  (...)  Dessa  feita,  transcorridos  mais  de  cinco  anos  entre  os  fatos  geradores ocorridos no ano de 2004, e a formalização do crédito  tributário  através  do  lançamento  cientificado  em  dezembro  de  2009, merece ser desconstituído o auto de infração.  (...)  Por todo o exposto, deve ser extinto o Auto de Infração na parte  que é objeto desta impugnação.  Não  assiste  razão  à  Recorrente.  Sobre  esta  prejudicial,  esclarece­nos  os  fundamentos do acórdão recorrido, os quais passo a adotá­los:  Fl. 743DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     30 Alega o Contribuinte que ocorreu a decadência, eis que o prazo  inicial para a contagem do prazo, como houve pagamentos, é o  momento  do  fato  gerador  e  não  do  primeiro  dia  do  exercício  seguinte após esse prazo.  Para  análise  do  prazo  decadencial,  relativamente  ao  IRRF,  IRPJ,  PIS/PASEP,  COFINS  e  CSLL,  cabe  os  seguintes  esclarecimentos:  a)  Não está comprovado nos autos que o Contribuinte, no ano­ caleridário  de  2004,  recolheu  IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  IRPJ,  PIS/PASEP,  CSLL,  COFINS.  Os  pagamentos  apresentados  pelo  Contribuinte (fls. 617­623) referem­se a IRRF — outros  rendimentos  (8045),  IRRF  —  rendimento  do  trabalho  sem vínculo empregatício  (0588) e IRRF — aluguéis e  royalties pagos a pessoa física (3208).   b)  restou  caracterizada  conduta  dolosa,  gerando  a  multa  agravada  de  150%  e  a  Representação  Fiscal  para  Fins  Penais.  c)  A  forma de  tributação adotada pelo Contribuinte para  apuração  do  IRPJ  e  a  CSLL,  no  ano­calendário  de  2004, foi o lucro real anual.  A decadência tem como regra geral o disposto no artigo 173 do  Código Tributário Nacional, que assim dispõe:  Art. 173 ­ O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário  extingue­se após 5 (cinco) anos, contados:  I­  do primeiro dia do  exercício  seguinte àquele  em que o  lançamento  poderia ter sido efetuado;  II ­ da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado,  por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado.  Parágrafo  único.  ­  O  direito  a  que  se  refere  este  artigo  extingue­se  definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data  em  que  tenha  sido  iniciada  a  constituição  do  crédito  tributário  pela  notificação,  ao  sujeito  passivo,  de  qualquer  medida  preparatória  indispensável ao lançamento.  No entanto, nas situações em que a legislação impõe ao sujeito  passivo  o  dever  de  antecipar­se  à  atuação  da  autoridade  administrativa, interpretando a legislação tributária, apurando o  montante e efetuando o recolhimento do tributo ou contribuição  devidos, o prazo decadencial é de cinco anos contados da data  do  fato  gerador,  nos  termos  do  artigo  150,  parágrafo  4°,  do  CTN, abaixo transcrito:  Art.  150  ­  O  lançamento  por  homologação,  que  ocorre  quanto  aos  tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar  o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, opera­se  pelo  ato  em  que  a  referida  autoridade,  tomando  conhecimento  da  atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa.  § 1° ­ O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo  extingue o  crédito,  sob  condição  resolutória da ulterior homologação  do lançamento.  Fl. 744DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 11020.003910/2009­79  Acórdão n.º 1202­001.194  S1­C2T2  Fl. 17          31 § 4° ­ Se a lei não fixar o prazo à homologação, será ele de 5 (cinco)  anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem  que  a  Fazenda  Pública  se  tenha  pronunciado,  considera­se  homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se  comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.(Grifou­se)  De  acordo  com  esse  dispositivo,  para  que  se  possa  definir  o  termo  inicial  do  prazo  decadencial,  quando  se  trata  de  lançamento  por  homologação,  é  necessário  considerar  se  o  pagamento foi realmente antecipado,  independentemente de sua  suficiência  para  extinguir  totalmente  o  crédito  tributário  e  da  anuência  da  autoridade  administrativa  sobre  os  procedimentos  envolvidos na sua apuração, excepcionada a ocorrência de dolo,  fraude ou simulação no procedimento do sujeito passivo.  Assim, somente se sujeitam às normas aplicáveis ao lançamento  por homologação os créditos  tributários  já satisfeitos por meio  do pagamento,  ainda que parcialmente efetuado,  e quando não  há a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Caso contrário, a  regra aplicável é a regra geral, prevista no art. 173 do Código  Tributário Nacional.  No caso dos autos, o Contribuinte não comprovou  ter  efetuado  pagamentos  referentes  a  fatos  geradores  ocorridos  no  ano­ calendário  de  2004,  a  título  de  IRRF  sobre  pagamentos  a  beneficiários  não  identificados,  IRPJ,  PIS/PASEP,  COFINS  e  CSLL e existem elementos que­indicam a ocorrência de conduta  dolosa, gerando a multa agravãda de 150% e a Representação  Fiscal para Fins Penais.  Tratando­se  de  Imposto  sobre  a  Renda  da  Pessoa  Jurídica  e  Contribuição Social sobre o Lucro Líquido com apuração anual,  cujo fato gerador mais distante ocorreu em 31/12/2004, o termo  inicial para a contagem do prazo decadencial é o dia 01/01/2006  e o prazo final o dia 31/12/2010 (cinco anos).  O Contribuinte  tomou ciência das autuações em 16/12/2009 (fl.  556). Assim, nessa data,  não  tinha, ainda,  se  esgotado o prazo  para constituir o crédito tributário do IRPJ e da CSLL, de forma  que é descabida a alegação de que ocorreu a decadência.  No  caso  do  IRRF  sobre  beneficiários  não  identificados,  cujo  período  de  apuração  mais  distante  ocorreu  06/01/2004,  o  vencimento do imposto é no mesmo dia do pagamento (art. 61, §  2°, da Lei n° 8.981, de 1995).  Uma  vez  que  o  lançamento  poderia  ser  efetuado  no  dia  útil  subseqüente  ao  do  vencimento  do  tributo,  o  primeiro  dia  do  exercício  seguinte  é  01/01/2005.  Nesta  data,  iniciou­se  a  contagem  do  prazo  decadencial  de  5  (cinco)  anos,  dentro  do  qual  a  Fazenda  Pública  poderia  levar  a  efeito  o  lançamento,  previsto no artigo 173 do CTN, e encerrou­se em 31/12/2009.  O  Contribuinte  tomou  ciência  da  autuação  em  16/12/2009  (fl.  556). Assim, nessa data,  não  tinha, ainda,  se  esgotado o prazo  Fl. 745DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO     32 para constituir o crédito tributário do IRRF sobre pagamentos a  beneficiários não identificados.  Destarte,  não  há  que  se  falar  em  decadência  na  forma  como  alegada  pela  Recorrente. Razão pela qual afasto a prejudicial de decadência.  Em relação à parte mantida do  lançamento da CSLL, por ser decorrente da  Fiscalização do IRPJ, deve seguir o mesmo destino deste.  Em face de todo o exposto, afasto as preliminares suscitadas, a prejudicial de  decadência e nego provimento ao presente recurso.  Plínio  Rodrigues  Lima                                Fl. 746DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO

score : 1.0
5604368 #
Numero do processo: 13971.001392/2003-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29). APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA - A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado
Numero da decisão: 2202-002.752
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 268.729,39. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.
Nome do relator: Antonio Lopo Martinez

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201408

camara_s : Segunda Câmara

ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1999 DEPÓSITO BANCÁRIO - DECADÊNCIA - Nos casos de lançamento por homologação, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador do IRPF, tratando-se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de dezembro de cada ano-calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário é atingido pela decadência após cinco anos da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN). IRPF - OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS - CONTA CONJUNTA - Todos os co-titulares da conta bancária devem ser intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que precede à lavratura do auto de infração com base na presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena de nulidade do lançamento (Súmula CARF no.29). APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI Nº 10.174 DE 2001 E LEI COMPLEMENTAR 105 DE 2001 - POSSIBILIDADE - ART - 144, § 1º - Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA - ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996 - Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. ILEGITIMIDADE PASSIVA - A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF no.32). PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS - DO ÔNUS DA PROVA - A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada (Súmula CARF no.26). Rejeitar a preliminar Recurso negado

turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13971.001392/2003-40

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5375750

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2202-002.752

nome_arquivo_s : Decisao_13971001392200340.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : Antonio Lopo Martinez

nome_arquivo_pdf_s : 13971001392200340_5375750.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO (Relator), FABIO BRUN GOLDSCHMIDT e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. Designado para redigir o voto vencedor nessa parte o Conselheiro ANTONIO LOPO MARTINEZ. QUANTO AS DEMAIS PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de R$ 268.729,39. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.

dt_sessao_tdt : Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014

id : 5604368

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:34 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032881479680

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2517; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C2T2  Fl. 2          1 1  S2­C2T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13971.001392/2003­40  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2202­002.752  –  2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  13 de agosto de 2014  Matéria  IRPF  Recorrente  EDEMAR FRANCISCO SOCCAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 1999  DEPÓSITO BANCÁRIO  ­ DECADÊNCIA  ­ Nos  casos de  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. O fato gerador  do IRPF, tratando­se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31  de  dezembro  de  cada  ano­calendário.  Não  ocorrendo  a  homologação  expressa, o crédito  tributário é atingido pela decadência após cinco anos da  ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º do CTN).  IRPF  ­  OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  ­  CONTA CONJUNTA  ­  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na fase que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção  legal  de  omissão  de  receitas  ou  rendimentos,  sob  pena  de  nulidade  do  lançamento  (Súmula CARF no.29).   APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  Nº  10.174  DE  2001  E  LEI  COMPLEMENTAR 105 DE 2001  ­ POSSIBILIDADE ­ ART ­ 144, § 1º  ­  Pode ser aplicada, de forma retroativa, ao lançamento, a legislação que tenha  instituído  novos  critérios  de  apuração  ou  processos  de  fiscalização,  ampliando os poderes de investigação das autoridades administrativas.   OMISSÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS  DE  ORIGEM NÃO COMPROVADA ­ ARTIGO 42, DA LEI Nº. 9.430, de 1996  ­ Caracteriza omissão de rendimentos a existência de valores creditados em  conta de depósito ou de  investimento mantida junto a instituição financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove, mediante  documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos recursos utilizados nessas operações.  ILEGITIMIDADE  PASSIVA  ­  A  titularidade  dos  depósitos  bancários  pertence  às  pessoas  indicadas  nos  dados  cadastrais,  salvo  quando     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 13 92 /2 00 3- 40 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     2 comprovado com documentação hábil e  idônea o uso da conta por  terceiros  (Súmula CARF no.32).  PRESUNÇÕES  LEGAIS  RELATIVAS  ­  DO  ÔNUS  DA  PROVA  ­  A  presunção  estabelecida  no  art.  42  da  Lei  nº  9.430/96  dispensa  o  Fisco  de  comprovar o consumo da  renda  representada pelos depósitos bancários  sem  origem comprovada (Súmula CARF no.26).  Rejeitar a preliminar  Recurso negado      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR  QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar. Vencidos os  Conselheiros  RAFAEL  PANDOLFO  (Relator),  FABIO BRUN GOLDSCHMIDT  e  PEDRO  ANAN  JUNIOR,  que  acolhem  a  preliminar.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  nessa  parte  o  Conselheiro  ANTONIO  LOPO  MARTINEZ.  QUANTO  AS  DEMAIS  PRELIMINARES: Por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. QUANTO AO MÉRITO:  por unanimidade de votos, dar provimento parcial para excluir da omissão apurada o valor de  R$ 268.729,39.       (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator      Composição  do  colegiado:  Participaram  do  presente  julgamento  os  Conselheiros  Dayse  Fernandes  Leite  (Suplente  Convocada),  Marcio  de  Lacerda  Martins  (Suplente Convocado), Rafael Pandolfo, Pedro Anan Junior e Fabio Brun Goldschmidt.      Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 3          3   Relatório  Em  desfavor  do  contribuinte,  EDEMAR  FRANCISCO  SOCCAL,  acima  identificado foi lançado o valor de R$ 85.354,62 a título de Imposto de Renda, acrescido dos  juros de mora e da multa proporcional, relativo ao ano­calendário de 1998.  A infração se refere à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos  bancários, em relação aos quais o contribuinte não comprovou, mediante documentação  hábil  e  idônea,  a  origem  dos  recursos  utilizados  nessas  operações,  conforme  Termo  de  Verificação Fiscal, anexo ao auto de infração (fls. 161/178).  Foram  apurados  valores  creditados  em  contas­corrente  junto  à  Caixa  Econômica  Federal,  Banco  do  Brasil,  HSBC  Bank  Brasil  S/A,  Unibanco,  Banco  Bilbao  Vizcaya,  Banco  BCN  S/A,  Banco  BCN  S/A  e  Banco  Bandeirantes.,  no  valor  total  de  R$  313.653,19, conforme planilhas de fls. 170/178. Foram considerados no cálculo do imposto a  base  de  cálculo  do  imposto  declarado  na DIRPF/99  de R$  14.400,00  e o  imposto  devido  já  pago de R$ 540,00.  Cientificado  em  08/07/2003.  Insatisfeito,  em  sua  defesa,  às  fls.  185/199,  desenvolve os seguintes tópicos, em síntese:  ­ Irretroatividade da Lei d. 10.174/2001:  Argumenta  que,  quando  da  criação  da  CPMF  pela  Lei  n°.  9.311/96, art. 11, § 3°., existia uma vedação expressa quanto à  utilização  das  informações  referentes  à  CPMF  para  a  constituição de crédito tributário relativo a outras contribuições  ou impostos.   Alega  que  a  prerrogativa  trazida  pela  Lei  n°.  10.174/2001 não  pode  ser  utilizada  pela  autoridade  fiscal  de  forma  retroativa  para  fins  de  alcançar  períodos­base  anteriores  à  edição  desta  lei,  conforme  defendido  pela  administração  tributária,  a  qual  entende  que  o  parágrafo  3°.  do  artigo  11,  da  Lei  n°.  9.311/96  trata  de  questão  procedimental,  permitido  pelo  1  0.  do  artigo  144 do Código Tributário Nacional. Sustenta que não há óbice  na aplicação integral do art. 144 do CTN, desde que não exista  legislação anterior que conflite com a posterior, assim, entender  que  uma  vedação  expressa  à  atuação  do  fisco  possa  ser  posteriormente  revogada  com  efeitos  retroativos  afronta  de  maneira  direta  àquela  que  era  uma  garantia  concedida  ao  contribuinte,  no  caso,  não  ter  procedimento  fiscal  contra  si  instaurado a partir de dados relativos à CPMF, desrespeitando,  por  extensão,  princípios  como  os  da  segurança  jurídica  e  da  irretroatividade.  Termina  este  item  de  sua  defesa  por  pleitear  a  nulidade  do  lançamento,  pelo  que  alega  ser  uma  irregular  utilização  dos  dados  da  CPMF  para  fins  de  inauguração  de  procedimento  fiscal  relativo  ao  ano  de  1998  e  referente  a  outros  tributos  administrados pela SRFB, por ser vedado pela redação original  do parágrafo 3°. do art. 11 da Lei n°. 9.311/96, o que viciaria o  procedimento fiscal.  Fl. 304DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     4 ­Impossibilidade de apresentação das provas da não omissão de  receitas no prazo concedido:  Alega que, em vista das circunstâncias que envolvem a empresa  –  a  situação  de  concordatária  ­  ficou  sem  condições  de  apresentar  as  justificativas  solicitadas  pela  fiscalização;  que  aforou  ação  judicial  contra  as  instituições  financeiras,  requerendo  que  lhe  fossem  entregues  os  documentos  que  lhe  permitiriam  produzir  as  provas  necessárias  à  elucidação  da  matéria  objeto  do  procedimento  fiscal,  pelo  que  foi  deferida  a  medida limitar, conforme documentos em anexo. Não obstante a  liminar judicial, os documentos não teriam sido disponibilizados  até o momento (da defesa).  Pede que, nos termos do parágrafo 4°. do artigo 16 do Decreto  n°.  70.235/72,  lhe  seja  preservado  o  direito  de  apresentar  posteriormente  os  referidos  documentos  e  que  o  curso  do  processo  seja  suspenso  até  que  os  documentos  sejam  apresentados,  para  que  não  tenha  o  seu  direito  de  defesa  comprometido.  ­ Ilegitimidade Passiva:  Sob este  item, o contribuinte  suscita a  falta de aprofundamento  da  investigação  por  parte  da  fiscalização,  visto  que  afirmou  à  autoridade  fiscal  que  os  depósitos  haviam  sido  efetuados  pela  empresa Texblu Têxtil Lida, que eram propriedade desta pessoa  jurídica  e  estavam  associados  a  operações  comerciais  a  esta  vinculadas,  tendo  sido  efetuados  por  terceiros  sob  ordem  da  pessoa  jurídica  e  não  pela  própria  pessoa  jurídica  para  pagamento ao contribuinte.  Termina este item de sua defesa por alegar que a presunção do  artigo 42 da Lei n°. 9.430/1996 opera a favor do fisco, o que não  desobrigo mesmo de evidenciar, de forma exaustiva, aquilo que  o  dispositivo  legal  lhe  atribui  clamo  responsabilidade,  o  que  entende  como  não  suficientemente  feito,  tendo  o  procedimento  redundado  numa  incorreta  identificação  do  verdadeiro  sujeito  passivo, pelo que deve ser anulado.   ­  Inexigibilidade  dos  juros  de  mora  calculados  com  base  na  taxa SELIC:  Insurge­se  contra  a  aplicabilidade  da  taxa  SELIC  como  índice  de  juros  de mora,  por  ser  ilegal  e  inconstitucional  em  face  de  que:  não  foi  criada  por  lei  e  nem  para  fins  tributários;  possui  caráter  remuneratório  e  feições  de  índice  de  correção  monetária;  seu  uso  traz  como  pressuposto  implícito  uma  irregular  equiparação  entre  investidores/aplicadores  e  contribuintes/sujeitos  passivos  da  relação  jurídico­tributária;  representa  aumento  de  tributo,  em  desrespeito  ao  princípio  da  estrita  legalidade  tributária  previsto  no  inciso  I  do art.  150  da  Constituição Federal.  ­ O pedido:  Por fim, pede que seja anulado o auto de infração, reiterando os  motivos  anteriormente  expostos.  Caso  não  seja  acatado  o  pedido, que seja oportunizado ao impugnante a apresentação de  provas que não  se  encontram em seu poder,  embora  já  tenham  sido  requeridas  judicialmente  e  obtida  a  liminar  contra  as  instituições  financeiras;  que  seja  aplicada  a  alínea  "a",  §  40.,  art.  16,  do  Decreto  70.235/72,  para  suspender  o  curso  do  Fl. 305DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 4          5 presente  julgamento  até  a  disponibilização  dos  documentos  requeridos  judicialmente  e  a  posterior  juntada;  e  que  seja  declarada  a  inexigibilidade  dos  juros  de mora  calculados  com  base  na  taxa  SELIC,  sendo  utilizado,  em  substituição,  o  percentual de 1% ao mês previsto no parágrafo 1°. Do art. 161  do Código Tributário Nacional.  A  DRJ­Florianópolis  ao  apreciar  as  razões  do  contribuinte,  julgou  a  impugnação  improcedente, mantendo o  credito  tributário  inalterado, nos  termos da  ementa  a  seguir:   ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­  IRPF  Ano­calendário: 1998  DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA.  OMISSÃO DE RENDIMENTOS.  Caracterizam omissão de rendimentos os valores creditados em  conta de depósito mantida junto à instituição financeira, quando  o contribuinte, regularmente intimado, não comprova, mediante  documentação hábil  e  idônea, a origem dos  recursos utilizados  nessas operações.  DEPÓSITOS  BANCÁRIOS.  SUJEITO  PASSIVO  DA  OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA.  Salvo prova em contrário, o titular da conta de depósito mantida  junto à instituição financeira é o sujeito passivo da tributação da  omissão de rendimentos representada por valores creditados na  referida conta.  ASSUNTO:  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL  LEGISLAÇÃO  TRIBUTÁRIA.  MATÉRIA  PROCEDIMENTAL.  RETROATIVIDADE  Aplica­se  ao  lançamento  a  legislação  que,  posteriormente  à  ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliando os  poderes  de  investigação  das  autoridades  administrativas,  ou  outorgando ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto,  neste  último  caso,  para  o  efeito  de  atribuir  responsabilidade  tributária a terceiros.  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Ano­calendário: 1998  JUROS DE MORA. TAXA SELIC.  A  utilização  da  taxa  SELIC  para  o  cálculo  dos  juros  de  mora  decorre delei,  devendo  ser observada pela autoridade  fiscal no  lançamento de ofício  Impugnação Improcedente  Insatisfeito,  o  contribuinte  interpõe  recurso  voluntário  ao  Conselho  onde  reitera as mesmas razões da impugnação. Apresentados os seguintes novos pontos:  ­ Argumenta pela decadência do lançamento.   ­ Afirma que a Texblu não foi intimada para prestar esclarecimento.   Fl. 306DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     6 ­  Aponta  que  ocorreu  a  falta  de  intimação  de  todos  o  titulares  das  contas  bancárias. Indica que esta faltando a intimação da Sra. Zélia T.E. Soccal.   ­  Indica  que  as  contas  existentes  no  Banco  do  Brasil  (fls.14­29),  na  Caixa  Econômica Federal (fls. 30­43) e no HSBC (fls. 44­49) são mantidas em conjunto com a Sra.  Zélia T.E. Soccal;  ­ Não poderiam ter sido tributados mais de 50% dos recursos;  ­  Não  foram  excluídos  o  créditos  “não  identificados”  inferiores  a  R$  80.000,00 no ano;  ­Irretroatividade da Lei No. 10.174/01;  ­  Ingressos  de  caixa  que  não  podem  ser  desconsiderados.  O  recorrente  recebeu a devolução de parte dos recursos emprestados à empresa Texblu (o valor emprestado,  que  era  de R$  42.007,82  em  31/12/2007,  passou  para R$  33.947,33,  em  31/12/2008). Além  disso,  também vendeu dois veículos cujos valores eram de R$ 26.000,00 (Ford Ranger) e R$  30.000,00 (GM Blazer);  ­ Ilegitimidade passiva dos recurso pertencentes à Texblu;  ­ O fisco não efetuou trabalho de investigação;  ­ Não houve prova de nenhum fato gerador, que diante do art, 112 do CTN  justificaria o cancelamento do Auto de Infração.  Os Membros da 2ª. Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento  do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para: i) anexar ao  processo  a  DIRPF  1999  da  Sra.  Zélia  Terezinha  Espinola  Soccal,  caso  tenha  sido  entregue,  evidenciando  nos  autos  que  a  mesma  apresentou  declaração  em  separado;  ii)  intimar  o  contribuinte a apresentar declaração da Caixa Econômica Federal que ateste a partir de quando  a Sra. Zélia Terezinha E. Soccal passou a ser co­titular da conta corrente objeto do lançamento  (fls.255), verificando especialmente se essa situação se aplicava no ano calendário de 1999 e  iii)  que  a  autoridade  fiscal  se manifeste,  em  relatório  circunstanciado  e  conclusivo,  sobre  os  documentos e esclarecimentos prestados, dando­se vista a recorrente, com prazo de 20 (vinte)  dias para se pronunciar, querendo..  Conforme  diligência  realizada  às  fls.  280/281,  a  Sra.  Zélia  Terezinha  Espíndola Soccal era co­titular da cota corrente na CEF e apresentou declaração em separado  É o relatório.    Fl. 307DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 5          7   Voto             Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator    Os  recursos  estão  dotados  dos  pressupostos  legais  de  admissibilidade  devendo, portanto, ser conhecido.  Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário  O  sigilo  bancário  sempre  foi  um  tema  cheio  de  contradições  e  de  várias  correntes.  Antes  da  edição  da  Lei  Complementar  n°  105,  de  2001,  os  Tribunais  Superiores  tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à  privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua  quebra  com  base  em  procedimento  administrativo,  amparado  no  entendimento  de  que  as  previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e  no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da  vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior.  Pessoalmente,  não me  restam dúvidas,  que o  direito  ao  sigilo  bancário  não  pode  ser  utilizado  para  acobertar  ilegalidades.  Por  outro  lado,  preserva­se  a  intimidade  enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas  ninguém tem o direito de invocá­la para abster­se de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance.  Tenho para mim, que o  sigilo bancário não foi  instituído para que se possam praticar crimes  impunemente.  Desta  forma,  é  indiscutível  que  o  sigilo  bancário,  no  Brasil,  para  fins  tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses  previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, nota­se  o seguinte:   “Art. 1° As  instituições  financeiras conservarão sigilo em suas  operações ativas e passivas e serviços prestados.   (...)  § 3º Não constitui violação do dever de sigilo:  I  ­  a  troca  de  informações  entre  instituições  financeiras,  para  fins  cadastrais,  inclusive  por  intermédio  de  centrais  de  risco,  observadas  as  normas  baixadas  pelo  Conselho  Monetário  Nacional e pelo Banco Central do Brasil;  II  ­  o  fornecimento  de  informações  constantes  de  cadastro  de  emitentes  de  cheques  sem  provisão  de  fundos  e  de  devedores  inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às  normas  baixadas  pelo  Conselho  Monetário  Nacional  e  pelo  Banco Central do Brasil;  III ­ o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art.  11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996;  IV ­ a comunicação, às autoridades competentes, da prática de  ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de  informações  sobre  operações  que  envolvam  recursos  provenientes de qualquer prática criminosa;  Fl. 308DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     8 V  ­  a  revelação  de  informações  sigilosas  com  o  consentimento  expresso dos interessados;  VI  ­  a  prestação  de  informações  nos  termos  e  condições  estabelecidos  nos  artigos  2º,  3º,  4º,  5º,  6º,  7º  e  9º  desta  Lei  Complementar.   (...)  Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  e  dos  Municípios  somente  poderão examinar documentos, livros e registros de instituições  financeiras,  inclusive  a  contas  de  depósitos  e  aplicações  financeiras,  quando  houver  processo  administrativo  instaurado  ou  procedimento  fiscal  em  curso  e  tais  exames  sejam  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  administrativa  competente.  Parágrafo  único. O  resultado  dos  exames, as  informações  e  os  documentos  a  que  se  refere  este  artigo  serão  conservados  em  sigilo, observada a legislação tributária.   (...)  Art. Revoga­se o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de  1964.”.  Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário  via  administrativa  (autoridade  fiscal),  agora  estas  não  mais  existem,  já  que  é  claro  na  lei  complementar,  acima  transcrita,  a  tese de que a Secretaria da Receita Federal  tem permissão  legal  para  acessar  os  dados  bancários  dos  contribuintes,  está  expressamente  autorizado  pelo  artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e  agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras,  desde que haja processo administrativo instaurado.  Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita,  já  que  há  permissão  legal  para  que  o  Estado  através  de  seus  agentes  fazendários,  com  fins  públicos  (arrecadação  de  tributos),  visando  o  bem  comum,  possa  ter  acesso  aos  dados  protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis,  por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal.  Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o  assunto, os Auditores­Fiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos,  livros  e  registros  de  contas  de  depósitos,  desde  que  houver  processo  fiscal  administrativo  instaurado  e  os  mesmos  forem  considerados  indispensáveis  pela  autoridade  competente.  Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames,  devem  ser  conservados  em  sigilo,  cabendo  a  sua  utilização  apenas  de  forma  reservada,  cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de  contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário.  Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais  constitui  um  dos  requisitos  do  exercício  da  atividade  administrativa  tributária,  cuja  inobservância  só  se  consubstancia  mediante  a  verificação  material  do  evento  da  quebra  do  sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção.  Requisições  de  Movimentação  Financeira  –  RMF  emitidas  seguiram  rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º  da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas  no  art.  3º,  que  também  estão  claramente  presentes  nos  autos. Em verdade,  verifica­se  que  o  contribuinte  foi  intimada  a  fornecer  seus  extratos  bancários,  no  entanto  não  os  apresentou,  Fl. 309DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 6          9 razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações  sobre Movimentação Financeira – RMF.  Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência  de  sigilo  bancário  para  a Receita  Federal  do Brasil,  posto  que  a  Lei Complementar  105,  de  2001  confere  às  autoridades  administrativas  tributárias  a  possibilidade  de  acesso  aos  dados  bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para  tanto. E é este o caso nos autos.   Ademais,  a  tese  de  ilicitude  da  prova  obtida  não  está  sendo  acolhida  pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada.  Rejeito,  portanto,  o  questionamento  preliminar  argüido  quanto  ilicitude  da  prova por quebra do sigilo bancário.  Da Decadência  Nos  casos  de  lançamento  por  homologação,  o  prazo  decadencial  para  a  constituição do crédito tributário expira após cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador.  O fato gerador do IRPF, tratando­se de rendimentos sujeitos ao ajuste anual, se perfaz em 31 de  dezembro de cada ano­calendário. Não ocorrendo a homologação expressa, o crédito tributário  é  atingido  pela  decadência  após  cinco  anos  da  ocorrência  do  fato  gerador  (art.  150,  §  4º  do  CTN).  No  caso  concreto,  o  lançamento  refere­se  ao  ano  calendário  de  1998,  e  a  ciência ocorreu em 08/07/2003. Deste modo não há que se falar em decadência.  Da Ilegitimidade Passiva  Incabível a alegação de ilegitimidade passiva, uma vez que está comprovado  nos autos o uso de conta bancária em nome próprio, para efetuar a movimentação de valores  tributáveis, situação que torna lícito o lançamento sobre o próprio titular da conta.  Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento:   A  titularidade  dos  depósitos  bancários  pertence  às  pessoas  indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com  documentação  hábil  e  idônea  o  uso  da  conta  por  terceiros  (Súmula CARF No.32)  É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim,  a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art.  42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi  devidamente  comprovada  pelo  contribuinte,  é  certa  também  a  ocorrência  de  omissão  de  rendimentos  à  tributação,  cabendo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  a  irrealidade  das  imputações  feitas.  Ausentes  esses  elementos  de  prova,  resulta  procedente  o  feito  fiscal  em  nome do contribuinte.  Da Irretroatividade da LC 105/2001 e da Lei nº 10.174/2001.  O  contribuinte  se mostrou  inconformado  com  a  aplicação  retroativa  da  Lei  Complementar 105/2001 e da Lei 10.174/2001. Entendeu que  ao proceder  com base  em  tais  instrumentos legais o Fisco acabou por obter provas de origem ilícita.  Não  procede  tal  argumento. O  parágrafo  1º  do  art.  144  do CTN  permite  a  aplicação  de  legislação  posterior  à  ocorrência  do  fato  gerador,  que  tenha  instituído  novos  critérios de apuração ou processos de fiscalização e ampliado os poderes de investigação das  autoridades administrativas.  Fl. 310DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     10 Desta  forma  é  notória  a  possibilidade  de  aplicação  dos  mencionados  instrumentos  legais  de  forma  retroativa,  uma  vez  que,  tão  somente,  ampliam  os  poderes  de  investigação  do  Fisco.  O  STJ  já  manifestou  o  seu  entendimento  neste  sentido  no  RESP  529818/PR e no ERESP 726778/PR.  De  igual  modo  o  CARF  já  consolidou  a  posição  sobre  a  suposta  irretroatividade:   O art. 11, § 3º, da Lei nº 9.311/96, com a redação dada pela Lei  nº  10.174/2001,  que  autoriza  o  uso  de  informações  da  CPMF  para  a  constituição  do  crédito  tributário  de  outros  tributos,  aplica­se retroativamente. (Súmula CARF No. 35).  É de se negar provimento a essa parte do recurso.  Da Presunção baseada em Depósitos Bancários   A parte questionada do lançamento fundamenta­se em depósitos bancários. A  presunção  legal  de  omissão  de  rendimentos  com  base  nos  depósitos  bancários  está  condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome  do  sujeito passivo,  em  instituições  financeiras,  ou  seja,  pelo  artigo 42 da Lei n° 9.430/1996,  tem­se a autorização para considerar ocorrido o “fato gerador” quando o contribuinte não logra  comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade  do fisco juntar qualquer outra prova.  Via de  regra,  para  alegar  a ocorrência de “fato gerador”,  a autoridade deve  estar  munida  de  provas.  Mas,  nas  situações  em  que  a  lei  presume  a  ocorrência  do  “fato  gerador” (as chamadas presunções legais), a produção de tais provas é dispensada. Neste caso,  ao Fisco cabe provar tão­somente o fato indiciário (depósitos bancários) e não o fato jurídico  tributário (obtenção de rendimentos).  No texto abaixo reproduzido, extraído de “Imposto sobre a Renda ­ Pessoas  Jurídicas” (Justec­RJ; 1979:806), José Luiz Bulhões Pedreira sintetiza com muita clareza essa  questão:  O efeito prático da presunção legal é inverter o ônus da prova:  invocando­a, a autoridade lançadora fica dispensada de provar,  no caso concreto, que ao negócio jurídico com as características  descritas na lei corresponde, efetivamente, o fato econômico que  a  lei  presume  ­  cabendo  ao  contribuinte,  para  afastar  a  presunção (se é relativa) provar que o fato presumido não existe  no caso.  Assim,  o  comando  estabelecido  pelo  art.  42  da  Lei  nº  9430/1996  cuida  de  presunção  relativa  (juris  tantum)  que  admite  a  prova  em  contrário,  cabendo,  pois,  ao  sujeito  passivo  a  sua  produção.  Nesse  passo,  como  a  natureza  não­tributável  dos  depósitos  não  foi  comprovada  pelo  contribuinte,  estes  foram  presumidos  como  rendimentos.  Assim,  deve  ser  mantido o lançamento.  Antes  de  tudo  cumpre  salientar  que  a  presunção  não  foi  estabelecida  pelo  Fisco  e  sim pelo  art.  42 da Lei n° 9.430/1996. Tal dispositivo outorgou ao Fisco o  seguinte  poder: se provar o fato indiciário (depósitos bancários não comprovados), restará demonstrado  o fato jurídico tributário do imposto de renda (obtenção de rendimentos).   Assim, não cabe ao  julgador discutir se  tal presunção é equivocada ou não,  pois  se  encontra  totalmente  vinculado  aos  ditames  legais  (art.  116,  inc.  III,  da  Lei  n.º  8.112/1990), mormente quando do exercício do controle de legalidade do lançamento tributário  (art. 142 do Código Tributário Nacional ­ CTN). Nesse passo, não é dado apreciar questões que  importem  a  negação  de  vigência  e  eficácia  do  preceito  legal  que,  de  modo  inequívoco,  Fl. 311DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 7          11 estabelece  a  presunção  legal  de  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  sobre  os  valores  creditados em conta de depósito mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações (art. 42, caput,  da Lei n.º 9.430/1996).  Das Provas da Origem dos Recursos  É inadmissível aceitar alegações quando desacompanhadas de provas. Assim,  a ocorrência do fato gerador decorre, no presente caso, da presunção legal estabelecida no art.  42 da Lei n° 9.430/1996. Verificada a ocorrência de depósitos bancários cuja origem não foi  devidamente  comprovada  pelo  contribuinte,  é  certa  também  a  ocorrência  de  omissão  de  rendimentos  à  tributação,  cabendo  ao  contribuinte  o  ônus  de  provar  a  irreal  idade  das  imputações feitas. Ausentes esses elementos de prova, resulta procedente o feito fiscal.  Das Contas Conjuntas   Cabe,  entretanto,  reconhecer  um  vício  no  lançamento.  Conforme  se  depreende  dos  autos  3  (três)  das  7  (sete)  contas  bancárias  que  estavam  sendo  objeto  de  apreciação  tratavam­se  de  conta  bancária  conjuntas,  tal  como  se  verifica  da  documentação  acostada aos autos. A conta bancária da Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil  e HSBC  Bank Brasil eram mantida em conjunto com a Sra. Sra. Zélia Terezinha Espinola Soccal.  O fato é que, em momento algum, A Sra. Zélia Terezinha Espinola Soccal foi  chamada aos  autos para  justificar ou  informar a  respeito da movimentação que  lhes cabia na  referida  contas  bancária,  o  que macula  o  procedimento  fiscal  como  um  todo,  para  a  contas  mantida em conjunto   Não há dúvidas de que nas hipóteses de contas conjuntas, deve ser observado  o  comentado  do  parágrafo  6º,  do  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/96,  acrescentado  pela  Lei  nº  10.637/2002. Mas, deve ele ser interpretado conjuntamente com seu caput:   “Art.  42  ­  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado,  não  comprove,  mediante  documentação  hábil  e  idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.  ....  “§  6º  ­  Na  hipótese  de  contas  de  depósito  ou  de  investimento  mantidas  em  conjunto,  cuja declaração de  rendimentos  ou de  informações  dos  titulares  tenham  sido  apresentadas  em  separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos  nos  termos  deste  artigo,  o  valor  dos  rendimentos  ou  receitas  será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos  rendimentos  ou  receitas  pela  quantidade  de  titulares.”   (grifou­se)  Trata­se,  pois,  de  um  comando  impositivo  e  incondicional,  que  prevê  um  critério  objetivo  de  quantificação  da  base  de  cálculo,  justamente  para  conferir  critérios  de  liquidez,  certeza  e  justiça  ao  lançamento.  Constate­se  que  há  dois  requisitos  exigidos  pelo  dispositivo  retro­transcrito:  1º.  que  os  titulares  da  conta  conjunta  tenham  apresentado  declaração  de  rendimentos  em  separado;  2º.  que  todos  os  titulares  da  conta  corrente  sejam  intimados para, querendo, comprovarem a origem dos depósitos bancários.   Fl. 312DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ     12 É dever da Fiscalização, pois, observado o prazo decadencial, intimar o outro  titular da referida conta bancária para que ele, na condição de co­titular e contribuinte do IRPF,  comprove a origem dos  depósitos,  independentemente do percentual de  sua  real participação  em tal conta, e do motivo pelo qual participa como co­titular, o que, todavia, como visto, não  foi feito no caso concreto, nas situações de ambas as contas bancárias.   Aliás, esse é o posicionamento desse Conselho, como se da recente Súmula  do CARF aprovada:  Todos  os  co­titulares  da  conta  bancária  devem  ser  intimados  para comprovar a origem dos depósitos nela efetuados, na  fase  que  precede  à  lavratura  do  auto  de  infração  com  base  na  presunção legal de omissão de receitas ou rendimentos, sob pena  de nulidade do lançamento(Súmula CARF No. 29).    Logo, entendo que não tem como subsistir o lançamento no tocante a contas  conjuntas,  por  desrespeito  ao  comando  cogente  do  parágrafo  6º,  do  artigo  42,  da  Lei  nº  9.430/96,  supra­transcrita, uma vez que a conta corrente cujos depósitos não  tidos como não  comprovados são de titularidade conjunta, não bastando, apenas, reduzir o montante tributável  pelo número dos titulares.   É de se afastar do lançamento todos os depósitos efetuados na conta do Caixa  Econômica  Federal  (R$  205.589,64),  Banco  do  Brasil  (R$  20.731,20)  e  HSBC  Bank  Brasil  (R$16.432,69) no montante de R$ 242.753,53, tal como se depreende do documento de fls. 172  (do e­processo)  Dos Limites previstos no Art. 42 da Lei. 9.430/96  Ainda no que toca aos limites percebe­se da analise dos autos que os valores  movimentados nas contas bancárias da recorrente, após excluído as contas conjuntas, foi de R$  70.899,66  no  ano  calendário  de  1998.  Desta  forma,  resta  verificar  se  o  procedimento  fiscal  atentou  ao  limites  disposto  na  legislação  vigente.  Para  uma  correta  elucidação  acerca  deste  ponto cabe transcrever os excertos legais pertinentes:  Art.  42.  Caracterizam­se  também  omissão  de  receita  ou  de  rendimento  os  valores  creditados  em  conta  de  depósito  ou  de  investimento mantida  junto a  instituição  financeira,  em  relação  aos  quais  o  titular,  pessoa  física  ou  jurídica,  regularmente  intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea,  a origem dos recursos utilizados nessas operações.   §  1º  O  valor  das  receitas  ou  dos  rendimentos  omitido  será  considerado  auferido  ou  recebido  no  mês  do  crédito  efetuado  pela instituição financeira.   § 2º Os  valores cuja origem houver  sido  comprovada, que não  houverem  sido  computados  na  base  de  cálculo  dos  impostos  e  contribuições  a  que  estiverem  sujeitos,  submeter­se­ão  às  normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente  à época em que auferidos ou recebidos.   § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos  serão  analisados  individualizadamente,  observado  que  não  serão considerados:   I ­ os decorrentes de transferências de outras contas da própria  pessoa física ou jurídica;  II ­ no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso  anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00  (doze  mil  reais),  desde  que  o  seu  somatório,  dentro  do  ano­ Fl. 313DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 13971.001392/2003­40  Acórdão n.º 2202­002.752  S2­C2T2  Fl. 8          13 calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil  reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13.8.97) (grifos postos)  Depreende­se do excerto  transcrito que não se pode considerar, para efeitos  de  determinação  da  receita  omitida,  os  depósitos  individuais  inferiores  a  quantia  de  R$  12.000,00, desde que o somatório destes não ultrapassem o valor de R$ 80.000,00.   Com base no quadro de  fls. 175 a 178, apura­se os valores  lançados  como  omissão depósitos bancários por ano, excluindo já os depósitos em conta conjunta, segregando  entre aqueles que restaram quais são iguais ou inferiores a R$ 12.000,00:  Ano Dep. < = R$12.000 Dep. > R$12.000 Total de Depósitos 1998 44.923,80                     25.975,86                     70.899,66                       Pelo  que  se  nota  no  ano  calendário  de  1998,  o  montante  de  depósitos  de  origem  não  comprovada  com  valores  iguais  ou  inferiores  a  R$  12.000,00,  totalizaram  R$  44.923,80. Deste modo é de  se dar provimento  também a essa parte do  recurso,  reduzindo a  base de cálculo do ano calendário o valor de R$ 44.923,80.  Ante o exposto, voto por rejeitar as preliminares, e no mérito, dar provimento  parcial para excluir da base de cálculo dos depósitos bancários o valor de R$.268.729,39 (de  um total de R$ 313.653,19).  (Assinado digitalmente)  Antonio Lopo Martinez                                Fl. 314DF CARF MF Impresso em 09/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/09/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 06/09/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ

score : 1.0
5567501 #
Numero do processo: 19311.720342/2012-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTOENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR. É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer momento. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.448
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. ALÍQUOTAS SAT/RAT. AUTOENQUADRAMENTO. RESPONSABILIDADE DA EMPRESA. VERIFICAÇÃO DE ERRO NO AUTOENQUADRAMENTO. COMPETÊNCIA DO FISCO PARA ORIENTAR E LANÇAR. É responsabilidade da empresa realizar o enquadramento na atividade preponderante, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer momento. Considera-se preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos. Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê-lo a qualquer tempo na hipótese de verificação de erro, situação que permitirá à autoridade administrativa adotar as medidas necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos. A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença. A diferença lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal. Ao contrário do posicionamento da fiscalização e dos julgadores de primeira instância administrativa, a contribuição em debate não decorre da atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Recurso Voluntário Provido

turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção

dt_publicacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 19311.720342/2012-14

anomes_publicacao_s : 201408

conteudo_id_s : 5369735

dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 2803-003.448

nome_arquivo_s : Decisao_19311720342201214.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR

nome_arquivo_pdf_s : 19311720342201214_5369735.pdf

secao_s : Segunda Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014

id : 5567501

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:26:07 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032890916864

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2628; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­TE03  Fl. 2          1 1  S2­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19311.720342/2012­14  Recurso nº  19.311.720342201214   Voluntário  Acórdão nº  2803­003.448  –  3ª Turma Especial   Sessão de  17 de julho de 2014  Matéria  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS  Recorrente  MUNICÍPIO DE FRANCO DA ROCHA ­ PREFEITURA MUNICIPAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO  PRINCIPAL.  ALÍQUOTAS  SAT/RAT.  AUTOENQUADRAMENTO.  RESPONSABILIDADE  DA  EMPRESA.  VERIFICAÇÃO  DE  ERRO  NO  AUTOENQUADRAMENTO.  COMPETÊNCIA  DO  FISCO  PARA  ORIENTAR E LANÇAR.  1.  É  responsabilidade  da  empresa  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante, cabendo ao Fisco revê­lo a qualquer momento. Considera­se  preponderante  a  atividade  que  ocupa,  na  empresa,  o  maior  número  de  segurados empregados e trabalhadores avulsos.  2.  Segundo informa o § 5º do art. 202 do RPS, a responsabilidade do auto  enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê­lo a qualquer tempo na  hipótese  de  verificação  de  erro,  situação  que  permitirá  à  autoridade  administrativa  adotar  as medidas  necessárias  à  sua  correção.  O  Fisco  deve  ainda orientar o responsável pela empresa em caso de recolhimento indevido  e procederá à notificação dos valores devidos.  3.  A regra em relação ao ponto controvertido é muito clara. A empresa faz  o auto enquadramento mensal no grau de risco relativamente à sua atividade  preponderante,  conforme o § 3º do  art.  202 do RPS  e,  se  incorreto,  o  fisco  lançará a diferença.  4.  A diferença  lançada pela autoridade administrativa, embasada em regra  distinta  da  acima  referida  não  merece  prosperar.  O  enquadramento  da  atividade preponderante  baseado no  anexo V do Decreto  nº  3.048,  ou  seja,  CNAE x Alíquota não tem amparo legal.  5.  Ao  contrário  do  posicionamento  da  fiscalização  e  dos  julgadores  de  primeira  instância  administrativa,  a  contribuição  em  debate  não  decorre  da  atividade  econômica  da  empresa,  mas  de  sua  atividade  preponderante,  conforme  dispõe  o  §  3º  do  art.  202  do  RPS,  aprovado  pelo  Decreto  nº  3.048/99.  Recurso Voluntário Provido     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 31 1. 72 03 42 /2 01 2- 14 Fl. 422DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 3          2       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.      Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  em  dar  provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.     (Assinado digitalmente)  Helton Carlos Praia de Lima – Presidente     (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator    Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de  Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior,  Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.  Fl. 423DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 4          3 Relatório    Trata­se  de  Auto  de  Infração  de  Obrigação  Principal  (AIOP)  lavrado  em  desfavor  do  contribuinte  acima  identificado,  tendo  em vista o  descumprimento  de  obrigação  tributária principal,  relativamente às contribuições previdenciárias de que  trata o  inciso  II do  art. 22 da Lei nº 8.212/91, incidente sobre as remunerações pagas aos segurados empregados,  nas competências de 01/2008 a 12/2008, inclusive o 13º.      O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva.      A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2013 e ementada nos seguintes  termos:    ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias  Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008  CONTRIBUIÇÕES  DESTINADAS  AO  FINANCIAMENTO  DOS  BENEFÍCIOS  PREVIDENCIÁRIAS  DECORRENTES  DE  ACIDENTE  DO  TRABALHO.  GRAU  DE  RISCO.  ENQUADRAMENTO  FEITO  POR  REGULAMENTO.  LEGALIDADE.  É  admissível  que  o  Regulamento  promova  a  disciplina  de  aspectos materiais tangíveis pela hipótese de incidência da  contribuição  previdenciária  destinada  ao  financiamento  dos  benefícios  decorrentes  de  acidente  do  trabalho,  na  medida  em  que  se  constituem  aspectos  imprevisíveis  ao  legislador ordinário.  ADICIONAL  AO  GILRAT.  FATOR  DE  PREVENÇÃO  ACIDENTÁRIA. VIGÊNCIA DA LEI NO TEMPO.  Descabe  falar­se  em  aplicação  da  regra  do  Fator  de  Prevenção  Acidentária  –  FAP  em  relação  aos  fatos  geradores ocorridos antes da sua vigência.  JUROS DE MORA. TAXA SELIC. LEGALIDADE.  A  contribuição  previdenciária  não  recolhida  sujeita­se  à  incidência  de  juros,  calculados  com  base  na  taxa  do  sistema Especial de Liquidação de Custódia – SELIC, nos  termos da legislação de regência.  MULTA.  ALTERAÇÃO  LEGISLATIVA.  RETROATIVIDADE BENIGNA. POSSIBILIDADE.  A  lei  aplica­se  a  fato  pretérito  quando  lhe  comine  penalidade menos  severa  que  a  prevista  na  lei  vigente  ao  tempo de sua prática.  DELEGACIA  DE  JULGAMENTO.  COMPETÊNCIA.  REPRESENTAÇÃO  FISCAL.  IMPOSSIBILIDADE  DE  MANIFESTAÇÃO.  Dentre  as  competências  da  Delegacia  de  Julgamento  da  Secretaria  da  Receita  Federal  não  se  encontra  a  manifestação sobre a representação fiscal para fins penais.  Fl. 424DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 5          4   Impugnação Improcedente    Crédito Tributário Mantido    Inconformado  com  resultado  do  julgamento  da  primeira  instância  administrativa,  o  Contribuinte  apresentou  recurso  tempestivo,  onde  alega,  em  síntese,  o  seguinte:      ­ Versa o presente recurso sobre impugnação de auto de infração lavrado por  suposto  descumprimento  de  obrigação  tributária  principal,  referente  à  contribuição  previdenciária,  de  que  cuida  o  inciso  II  do  art.  22  da  lei  nº  8.212/91,  incidente  sobre  as  remunerações pagas aos segurados empregados, no período entre 01/2008 a 12/2008.      ­  Conclui­se  que,  muito  embora  o  Município  recorrente  tenha  realizado  o  auto  enquadramento  no  CNAE  8411­6/00,  cuja  atividade  possui  grau  de  risco  2,  que  corresponde  à  contribuição  de  2%  (dois  por  cento)  para  o  financiamento  dos  benefícios  previdenciários decorrentes de  acidente de  trabalho, ocorreu o  recolhimento pela  alíquota de  1% (um por cento).      ­ O critério utilizado pela auditoria  fiscal  e  salientado no acórdão  recorrido  não  se  revestiu  da  razoabilidade  necessária  para  demonstrar  que  o  auto  enquadramento  efetuado pela recorrente estaria incorreto.      ­ Ao contrário, de acordo com a  legislação que  trata da matéria, bem como  com a documentação anexada aos autos, a atividade preponderante do recorrente concentra­se  na  área  da  EDUCAÇÃO,  cuja  alíquota  é  de  1%  (um  por  cento)  e  que  foi  devidamente  recolhida.      ­  No  caso  dos  autos,  observa­se  que  os  servidores  municipais  da  área  da  educação  suplantam  em  número  os  servidores  públicos  de  outros  setores  da  Administração  Pública Municipal recorrente.      ­ Em havendo mais de uma atividade dentro do órgão público, para  fins de  tributação da aludida exação, deve ser observado o local onde se concentra a maior parte dos  servidores municipais.      ­  Não  há  que  se  falar  que  o  recorrente  deixou  de  cumprir  a  obrigação  previdenciária que lhe era correlata, ante ao atendimento das disposições previstas nas leis de  regência.      ­ A recorrente discorda da aplicação de multa de ofício e de  juros de mora,  uma vez que procedeu devidamente e no prazo legal o recolhimento da exação, não havendo  qualquer diferença a ser lançada referente à Contribuição em questão.      ­ À vista de todo o exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da  ação fiscal, espera e requer a recorrente seja acolhido o presente recurso para o fim de assim  ser decidido, cancelando­se o débito fiscal reclamado.    Não apresentadas as contrarrazões.  Fl. 425DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 6          5   É o relatório.  Fl. 426DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 7          6 Voto             Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator.      O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  e  considerando  o  preenchimento  dos  demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado.      O inciso II do art. 5º da Constituição da República estabelece que “ninguém  será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”.      Fiel ao comando constitucional, o artigo 22, II, da Lei nº 8.212/91 estabelece  que:    Art.  22.  A  contribuição  a  cargo  da  empresa,  destinada  à  Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de:    (...)    II – para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57  e  58  da  lei  nº  8.213,  de  24  de  julho  de  1991,  e  daqueles  concedidos  em  razão  do  grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos  ambientais  do  trabalho,  sobre  o  total  das  remunerações  pagas  ou  creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados  e trabalhadores avulsos:    a)  1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade  preponderante  o  risco  de  acidentes  do  trabalho  seja  considerado leve;    b)  2%  (dois  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade preponderante esse risco seja considerado médio;    c)  3%  (três  por  cento)  para  as  empresas  em  cuja  atividade preponderante esse risco seja considerado grave.      Na regulamentação do artigo acima descrito, ao dispor a respeito da atividade  preponderante, o art. 202 do Decreto nº 3.048/99 previu o seguinte:    Art. 202.  A  contribuição  da  empresa,  destinada  ao  financiamento  da  aposentadoria  especial,  nos  termos  dos  arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau  de  incidência  de  incapacidade  laborativa  decorrente  dos  riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos  seguintes  percentuais,  incidentes  sobre  o  total  da  remuneração paga,  devida  ou  creditada  a  qualquer  título,  no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador  avulso:  Fl. 427DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 8          7 (...)  § 3º Considera­se preponderante a atividade que ocupa, na  empresa,  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos.  (...)  § 5o  É  de  responsabilidade  da  empresa  realizar  o  enquadramento  na  atividade  preponderante,  cabendo  à  Secretaria  da  Receita  Previdenciária  do  Ministério  da  Previdência  Social  revê­lo  a  qualquer  tempo. (Redação  dada pelo Decreto nº 6.042, de 2007).  § 6o  Verificado  erro  no  autoenquadramento,  a  Secretaria  da Receita Previdenciária adotará as medidas necessárias  à  sua  correção,  orientará  o  responsável  pela  empresa  em  caso  de  recolhimento  indevido  e  procederá  à  notificação  dos valores devidos. (Redação dada pelo Decreto nº 6.042,  de 2007).    Como se pode observar da redação do § 3º do art. 202 do RPS, considera­se  preponderante a atividade que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e  trabalhadores avulsos.    Segundo informa o § 5º do já referido art. 202 do RPS, a responsabilidade do  auto enquadramento é da empresa, cabendo ao Fisco revê­lo a qualquer tempo na hipótese de  verificação  de  erro,  situação  que  permitirá  à  autoridade  administrativa  adotar  as  medidas  necessárias à sua correção. O Fisco deve ainda orientar o responsável pela empresa em caso de  recolhimento indevido e procederá à notificação dos valores devidos.    Vê­se, portanto, que a regra em relação ao ponto controvertido é muito clara.  A empresa  faz o  auto  enquadramento mensal no grau de  risco  relativamente à  sua  atividade  preponderante, conforme o § 3º do art. 202 do RPS e, se incorreto, o fisco lançará a diferença.    A  diferença  lançada  pela  autoridade  administrativa,  embasada  em  regra  distinta da acima referida não merece prosperar. O enquadramento da atividade preponderante  baseado no anexo V do Decreto nº 3.048, ou seja, CNAE x Alíquota não tem amparo legal.    Aliás, em se tratando de um município que congrega uma gama de atividade  bem  diversificada,  como  é  o  caso  da  recorrente,  sendo  uma  delas,  a  área  de  educação,  a  autoridade administrativa não pode escolher uma CNAE em um universo também variado para  dizer que a mais gravosa é a que deve preponderar. Tal  situação,  se mantida, não coadunará  com  a  melhor  regra  de  hermenêutica  jurídica,  porquanto  incompatível  com  a  legislação  de  regência.    O  que  é  devido  deve  ser  regiamente  cobrado,  mas  não  se  pode  permitir  a  cobrança de algo que não é correto, como é o caso vertente, notadamente porque a autoridade  administrativa não provou tratar­se de verba devida.    De mais a mais, não se pode perder de vista que o ônus da prova é do Fisco,  como  já havia  se pronunciado a 7ª Câmara do  então Primeiro Conselho de Contribuintes,  in  verbis:   Fl. 428DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 9          8 O  ônus  da  prova  da  ocorrência  de  fatos  que  levam  à  ocorrência  do  fato  gerador  sempre  é  da  autoridade  lançadora.  Não  é  correto,  com  base  em  alguns  indícios  extrair­se  a  conclusão  de  determinado  fato,  imputando­se  ao  contribuinte  o  dever  de  provar  que  não  compensou  prejuízo fiscal indevidamente. Ao contrário, a autoridade é  que  tem  de  provar  que  o  prejuízo  foi  utilizado  de  forma  irregular. Na ausência dos elementos citados, fica bastante  vaga a autuação. (Primeiro Conselho de Contribuintes, 7ª.  Câmara, Sessão de 19/08/1998, Acórdão 107­05.223).       Como se pode verificar, a matéria  tem uma série de peculiaridades que não  foram efetivamente observadas pelas autoridades administrativas incumbidas do lançamento e  também pelos julgadores de primeira instância.      Assim  sendo,  é  de  fundamental  importância  observar  o  magistério  da  professora Cláudia Salles Vilela Vianna (in Previdência Social – Custeio e Benefícios. – São  Paulo:  LTr.  2005.  páginas  218  /  220),  a  partir  da  competência  julho/1997,  a  atividade  preponderante da empresa, para fins de enquadramento na alíquota de grau de risco destinada a  arrecadar recursos para custear o financiamento dos benefícios concedidos em razão de maior  incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho, é aquela que  ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.      Para  a  realização  do  auto  enquadramento,  deverá  o  empregador,  portanto,  obedecer às seguintes disposições, notadamente em relação à empresa com diversas atividades  econômicas, como é o caso da Recorrente:    I.  Inicialmente, deverá se enquadrar por estabelecimento, em cada uma das  atividades  econômicas  existentes,  prevalecendo  como  preponderante  aquela  que tiver o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos.    II.  Em  seguida,  comparará  os  enquadramentos  dos  estabelecimentos  para  definir  o  enquadramento  da  empresa,  cuja  atividade  preponderante  será,  então,  aquela  que  tiver  o  maior  número  de  segurados  empregados  e  trabalhadores avulsos, apurada dentre todos os seus estabelecimentos.      A  título  de  exemplo,  imaginemos  uma  empresa  com  mais  de  um  estabelecimento,  como  matriz  e  filiais,  que  têm  o  mesmo  CNPJ  raiz.  Chamaremos  de  Estabelecimentos  01,  02,  e  03.  O  Estabelecimento  01  tem  a  atividade  “A”  com  10  (dez)  empregados,  a  atividade  “B” com 15  (quinze)  empregados  e  a atividade  “C” com 20  (vinte)  empregados.  A  atividade  preponderante  do  Estabelecimento  01  é  a  “C”,  com  20  (vinte)  empregados.      Continuando o mesmo exemplo imaginemos que o Estabelecimento 02 tem a  atividade “D” com 25 (vinte e cinco) empregados, a atividade “E” com 05 (cinco) empregados  e  a  atividade  “F”  com  15  (quinze)  empregados.  Assim,  a  atividade  preponderante  no  Estabelecimento 02 é a “D”, com 25 (vinte e cinco) empregados.    Fl. 429DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 10          9   Finalmente,  o  Estabelecimento  03  tem  a  atividade  “G”  com  10  (dez)  empregados,  a  atividade  “H”  com  20  (vinte)  empregados  e  a  atividade  “I”  com  15  (quinze)  empregados.  A  atividade  preponderante  no  Estabelecimento  03  é  a  “H”,  com  20  (vinte)  empregados.      A  conclusão  a  que  se  chega  do  exemplo  acima  é  que  a  ATIVIDADE  PREPONDERANTE NA EMPRESA É A “D”, COM 25 EMPREGADOS.      Assim sendo, percebe­se que a fórmula acima é que deve ser utilizada para se  determinar a atividade preponderante relativamente ao correto enquadramento no grau de risco,  metodologia que foi totalmente ignorada pela fiscalização.      Ao  realizar  o  enquadramento  de  ofício  somente  porque,  em  tese,  preponderaria  a  atividade  referente  à  CNAE  sob  o  código  nº  8411­6/00  –  Administração  pública  em  geral,  efetivamente  não  é  a  maneira  mais  correta  de  aferição  para  sustentar  o  lançamento.      O  Fisco  para  realizar  o  enquadramento  de  ofício  deveria  ter  verificado,  in  loco, no caso a Prefeitura como um todo, incluindo aí a área educacional hospital, bem como as  diversas  atividades  existentes  nos  estabelecimentos  da  recorrente,  e  não  arbitrar  utilizando  a  CNAE como elemento suficiente para se cumprir seu mister.      No  que  diz  respeito  à  Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômica  ­  CNAE,  segundo  a  apresentação  constante  do  site  da  RFB  (www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/CNAEFiscal/txtcnae.htm),  a  CNAE­Fiscal  é  o  instrumento de padronização nacional dos  códigos de atividade  econômica e dos critérios de  enquadramento utilizados pelos diversos órgãos da Administração Tributária do país.        Trata­se  de  um  detalhamento  da  CNAE  ­  Classificação  Nacional  de  Atividades  Econômicas,  aplicada  a  todos  os  agentes  econômicos  que  estão  engajados  na  produção de bens e serviços, podendo compreender estabelecimentos de empresas privadas ou  públicas,  estabelecimentos  agrícolas,  organismos  públicos  e  privados,  instituições  sem  fins  lucrativos e agentes autônomos (pessoa física).        A CNAE ­ Fiscal resulta de um trabalho conjunto das três esferas de governo,  elaborada sob a coordenação da Receita Federal do Brasil e orientação técnica do IBGE, com  representantes da União, dos Estados e dos Municípios, na Subcomissão Técnica da CNAE ­  Fiscal,  que  atua  em  caráter  permanente  no  âmbito  da Comissão Nacional  de Classificação  ­  CONCLA.        A  tabela  de  códigos  e  denominações  da  CNAE  ­  Fiscal  foi  oficializada  mediante  publicação  no  DOU  ­  Resolução  IBGE/CONCLA  01  de  25/06/98  e  atualizações  posteriores.        Sua  estrutura  hierárquica mantém  a mesma  estrutura  da CNAE  (5  dígitos),  adicionando  um  nível  hierárquico  a  partir  de  detalhamento  de  classes  da  CNAE,  com  07  dígitos,  específico  para  atender  necessidades  da  organização  dos  Cadastros  de  Pessoas  Jurídicas no âmbito da Administração Tributária.      Fl. 430DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 11          10   Na Receita Federal do Brasil, a CNAE ­ Fiscal é o código a ser informado na  Ficha  Cadastral  de  Pessoa  Jurídica  (FCPJ)  que  alimentará  o  Cadastro  Nacional  de  Pessoa  Jurídica/CNPJ.        A responsabilidade em relação à gestão e manutenção da CNAE está a cargo  do IBGE, a partir das deliberações da Comissão Nacional de Classificação ­ CONCLA.        Das  definições  e  responsabilidades  acima mencionadas,  restou  evidenciado  que as possibilidades aventadas pela fiscalização são totalmente incompatíveis com a realidade  fática das empresas de um modo geral.        No que concerne à responsabilidade mensal pelo enquadramento no grau de  risco, observada a atividade econômica preponderante, a legislação previdenciária determinou  que  tal  função  esteja  a  cargo  do  próprio  sujeito  passivo,  cabendo  ao  fisco  rever  o  auto  enquadramento em qualquer tempo.        Ora, querer atribuir ao  sujeito passivo o ônus  tributário pretendido somente  porque  ele  tem  a  responsabilidade  de  realizar  o  enquadramento  mensal  no  grau  de  risco  e  utilizar  a  CNAE  ­  Fiscal  como  balizador  de  tal  obrigação  é,  sem  dúvida,  querer  ignorar  completamente o princípio da verdade material que informa o processo administrativo fiscal.        O enquadramento na CNAE é realizado uma única vez quando a empresa faz  seu  cadastramento  no  CNPJ  do  Ministério  da  Fazenda.  Depois  disto,  haverá  modificações  somente na hipótese de alteração da sua natureza jurídica.        Destarte,  não  resta  nenhuma  dúvida  em  relação  à  impossibilidade  de  a  empresa,  mensalmente,  alterar  suas  informações  cadastrais  na  CNAE,  como  é  de  sua  responsabilidade,  ao  contrário,  a  realização  de  seu  enquadramento  no  grau  de  risco,  observando­se, como já mencionado, a sua atividade econômica preponderante.        Para  deixar  bem  clara  a  impossibilidade  de  respaldar  a  pretensão  do  fisco,  tomamos como exemplo uma empresa da indústria da construção civil, cujo grau de risco é o  máximo (3%).        Nesse caso, é correto afirmar que tal empresa poderá em algum momento de  sua  existência  estar  sem  qualquer  obra  em  curso.  No  entanto,  os  empregados  da  área  administrativa  e  diretiva  são  mantidos  e  estão  aguardando  a  contratação  de  novos  empreendimentos.        De acordo com o entendimento do fisco, no exemplo acima, tendo em vista a  CNAE da empresa de construção civil, o enquadramento teria que ser aquele de grau máximo,  ou seja, de 3% (três por cento).       Todavia,  seguindo  as  determinações  da  legislação  previdenciária,  caso  a  empresa tenha realizado o enquadramento mensal em grau de risco distinto do máximo, não há  que se falar em revisão do auto enquadramento embasado apenas na CNAE.       Bem  se  percebe  que  a  fiscalização,  nestes  autos,  não  observou  adequadamente  as  regras  dispostas  no  art.  142  do  CTN.  Além  do  mais,  os  membros  deste  Fl. 431DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 12          11 colegiado devem se ater às disposições do Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20 de dezembro de  2011, in verbis:      Ato Declaratório PGFN nº 11, de 20.12.2011    A  Procuradora­Geral  da  Fazenda  Nacional,  no  uso  da  competência  legal  que  lhe  foi  conferida,  nos  termos  do  inciso  II  do  art.  19,  da  Lei  nº  10.522,  de  19  de  julho  de  2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de  1997,  tendo  em  vista  a  aprovação  do  Parecer  PGFN/CRJ/nº  2.120/2011,  desta  Procuradoria­Geral  da  Fazenda  Nacional,  pelo  Senhor  Ministro  de  Estado  da  Fazenda,  conforme  despacho  publicado  no  DOU  de  15.12.2011,  declara  que  fica  autorizada  a  dispensa  de  apresentação de contestação, de interposição de recursos e  a  desistência  dos  já  interpostos,  desde  que  inexista  outro  fundamento relevante:     "nas ações  judiciais que discutam a aplicação da alíquota  de  contribuição  para  o  Seguro  de  Acidente  do  Trabalho  (SAT),  aferida  pelo  grau  de  risco  desenvolvido  em  cada  empresa,  individualizada  pelo  seu CNPJ,  ou  pelo  grau  de  risco da atividade preponderante quando houver apenas um  registro."     JURISPRUDÊNCIA:  Súmula  nº  351  do  STJ,  DJe  19.06.2008;  AgRg  no  Ag  1178683/RS,  Rel.  Min. MAURO  CAMPBELL MARQUES,  SEGUNDA TURMA,  julgado  em  19.08.2010, DJe 28.09.2010; AgRg no Ag 1008620/BA, Rel.  Min.  MAURO  CAMPBELL  MARQUES,  SEGUNDA  TURMA, julgado em 23.03.2010, DJe 12.04.2010; AgRg no  AgRg  no  AgRg  no  REsp  1114033/SP,  Rel.  Min.  HUMBERTO MARTINS,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  05.11.2009, DJe 17.11.2009; AgRg no Ag 1134164/SP, Rel.  Min.  HERMAN  BENJAMIN,  SEGUNDA  TURMA,  julgado  em  25.08.2009,  DJe  24.09.2009;  REsp  947920/SC,  Rel.  Min. ELIANA CALMON,  SEGUNDA TURMA,  julgado  em  06.08.2009, DJe 21.08.2009; e REsp 842838/SC, Rel. Min.  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA  TURMA,  julgado  em  16.12.2008,  DJe 19.02.2009.       Como  se  pode  perceber,  embasada  na  jurisprudência  predominante  do  Superior Tribunal de  Justiça,  à PGFN não  restou alternativa a não ser a de concordar com o  posicionamento  do  STJ,  revendo,  inclusive,  o  entendimento  idêntico  ao  que  fundamentou  o  lançamento discutido nestes autos.    Por  outro  lado,  ao  contrário  do  posicionamento  da  fiscalização  e  dos  julgadores  de  primeira  instância  administrativa,  a  contribuição  em  debate  não  decorre  da  atividade econômica da empresa, mas de sua atividade preponderante, conforme dispõe o § 3º  do art. 202 do RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99.  Fl. 432DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 19311.720342/2012­14  Acórdão n.º 2803­003.448  S2­TE03  Fl. 13          12   CONCLUSÃO.      Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DAR­LHE­  PROVIMENTO.       É como voto.      (Assinado digitalmente)  Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator.                              Fl. 433DF CARF MF Impresso em 20/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 8/08/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR

score : 1.0
5612371 #
Numero do processo: 10935.907131/2011-93
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.
Numero da decisão: 3803-005.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201402

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2003 PIS E COFINS. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins é o faturamento, assim compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, afastado o disposto no § 1º do art. 3º da Lei nº 9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006. MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Recurso negado.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 10935.907131/2011-93

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5378720

dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-005.631

nome_arquivo_s : Decisao_10935907131201193.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES

nome_arquivo_pdf_s : 10935907131201193_5378720.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso. (Assinado Digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado Digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Thu Feb 27 00:00:00 UTC 2014

id : 5612371

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:27:58 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032908742656

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2083; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 6          1  5  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10935.907131/2011­93  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­005.631  –  3ª Turma Especial   Sessão de  27 de fevereiro de 2014  Matéria  Compensação  Recorrente  COTRIGUAÇU COOPERATIVA CENTRAL  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Data do fato gerador: 15/12/2003  PIS  E  COFINS.  AMPLIAÇÃO  DA  BASE  DE  CÁLCULO.  A  base  de  cálculo  da  contribuição  para  o  PIS  e  da  Cofins  é  o  faturamento,  assim  compreendido o ingresso proveniente da venda de mercadorias, de serviços e  mercadorias  e  serviços,  afastado  o  disposto  no  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9718/98, por sentença proferida pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal  em 09/11/2005, transitada em julgado 29/09/2006.  MATÉRIA  TRIBUTÁRIA.  ÔNUS  DA  PROVA.  Cabe  ao  transmitente  do  Per/DComp  o  ônus  probante  da  liquidez  e  certeza  do  crédito  tributário  alegado.  À  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito,  mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes a essa comprovação.  PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito  e  a  prova  documental  deverão  ser  apresentadas  com  a  impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê­lo  em  outro  momento  processual,  ressalvadas  as  situações  previstas  nas  hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.  Recurso negado.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso.  (Assinado Digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 90 71 31 /2 01 1- 93 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2    (Assinado Digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo De Sousa E Jorge Victor Rodrigues.      Relatório  O Despacho Decisório eletrônico (Rastreamento nº 015070586),  indeferiu o  Per/DComp transmitida em 15/12/2003, sob a alegação de que, a partir do DARF apresentado,  o  crédito  nele  informado  foi  integralmente  utilizado  no  pagamento  de  outros  débitos,  não  restando saldo credor para a restituição pleiteada.    Manifestando  a  sua  inconformidade  a  contribuinte  alegou  que  apurou  as  contribuições  ao  PIS  e  à Cofins,  com  base  no  art.  3º  da  então  vigente  Lei  nº  9.718/98;  que  ampliou o conceito de base de cálculo dessas contribuições e que o Supremo Tribunal Federal,  por meio do RE 346.084,  julgou  inconstitucional a ampliação da base de cálculo  trazido por  esse dispositivo legal; que a comprovação do recolhimento efetuado a maior se dá através de  planilhas de apuração do PIS, as quais demonstram que compuseram a base de cálculo a receita  da  venda  de mercadorias,  da  prestação  de  serviços  e  outras  receitas  –  financeiras,  aluguéis,  recuperação de despesas, bem assim dos DARF’s correspondentes anexos, que comprovam o  pagamento  do  valor  apurado.  Ao  final  postula  pela  restituição  dos  valores  pagos  a maior  a  título de PIS, nos  termos  do  art.  165 do Código Tributário Nacional  e  art.  2º,  III,  ‘c’,  da  IN  RFB 900/08, acrescidos de juros com base na taxa Selic.    Em julgamento realizado em 18/04/2013, por meio do Acórdão nº 06­40.377,  a  decisão  proferida  pela  3ª  Turma  DRJ/CTA  indeferiu  a  manifestação  de  inconformidade  aviada, consoante transcrição da ementa a seguir    ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO  Data do Fato Gerador: 15/12/2003  PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF.  É  perfeitamente  aplicável  a  disposição  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718,  de  1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez  que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de  cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo  Fl. 43DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907131/2011­93  Acórdão n.º 3803­005.631  S3­TE03  Fl. 7          3  as partes envolvidas, posto que a decisão não foi em ADIN, mas em Recurso  Extraordinário.    Em apertada síntese a decisão de primeira instância limitou­se à alegação de  que a declaração de inconstitucionalidade do STF não gerou efeito erga omnes, porém apenas  inter partes; que até a edição da Lei nº 11.941, DOU de 29/05/09, que revogou tal dispositivo  inconstitucional  contido  no  §  1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  o  mesmo  era  perfeitamente  aplicável;  e  que  as  condições  para  o  afastamento  da  aplicação  da  norma  julgada  inconstitucional, não se coadunaram com o disposto nos artigos 1º e 4º do Decreto nº 2.346/97,  o que  fez em observância ao disposto no artigo 26­A do Decreto nº 70.235/72, com redação  dada pela Lei nº 11.941/09.    Por  tal  razão  deixou  o  voto  condutor  de  reconhecer  o  direito  creditório  pleiteado, consoante consta da fl. 03 da decisão vergastada.    No que atine à questão probatória a referida decisão entendeu que não há nos  autos  provas  do  direito  alegado,  eis  que  a  contribuinte  não  demonstrou  fazer  parte  de  ação  judicial  na  qual  foi  declarada  a  inconstitucionalidade  do  dispositivo  informado  na  peça  inaugural, bem assim não trouxe aos autos documentos e livros fiscais, que demonstrassem de  forma inequívoca, a base de cálculo utilizada para o pagamento a maior da contribuição, a teor  do  artigo  147,  §  1º,  do  CTN,  eis  que  incumbe  à  interessada  trazer  aos  autos  junto  à  peça  contestatória, o direito em que se fundamenta e as provas a que se alude, em conformidade ao  art. 16, III, do Dec. Nº 70.235/72.    Cientificado  do  teor  da  decisão  de  primeira  instância  por meio  de  AR  em  29/04/2013  e,  com  ela  irresignado,  o  contribuinte  ingressou  com  Recurso  Voluntário  em  17/05/2013,  reiterando  os  termos  expendidos  na  exordial,  de  forma minudente,  para  pugnar  pela reforma da decisão hostilizada.    É o relatório.    Voto             Jorge Victor Rodrigues ­ Relator    O recurso interposto preenche os requisitos necessários à sua admissibilidade,  dele conheço.  Fl. 44DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4    O  apelo  devolvido  a  esta  Corte  versa  acerca  da  inconstitucionalidade  da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins, bem assim acerca da  liquidez e certeza do  crédito,  cuja  restituição  foi  suscitada  pela  contribuinte,  com  a  devida  atualização  de  acordo  com a taxa Selic.    O Supremo Tribunal  Federal  – STF,  reconheceu  a  inconstitucionalidade  da  ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98, e  em  decisão  unânime,  o  Plenário  resolveu  a  questão  de  ordem  constitucional  no  sentido  de  reconhecer  a  repercussão  geral,  para  reafirmar  a  jurisprudência  do  Tribunal  acerca  da  inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Confira­se:    RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL.  PIS.  COFINS.  Alargamento  da  base  de  cálculo.  Art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR,  Rel.  orig.  Min.  ILMAR  GALVÃO,  DJ  de  1º.09.2006;  REs  357.950/RS,  358.273/RS  e  390.840/MG,  Rel.  Min.  Marco  Aurélio,  DJ  de  18.08.2006)  Repercussão  Geral  do  tema.  Reconhecimento  pelo  Plenário.  Recurso  Improvido.  É  inconstitucional  a  ampliação  da  base  de  cálculo  do  PIS  e  da  COFINS,  prevista  no  art.  3º,  §  1º,  da  Lei  nº  9.718/98.  (RE  585235/MG,  Relator: Min. Cézar Peluso, julgado em 10/09/2008).    Nos  julgamentos  realizados  no  âmbito  do  CARF  a  regulação  acerca  deste  tema encontra supedâneo no disposto artigo 62­A do RICARF/09, que assim estabelece:    Art.  62­A.  As  decisões  definitivas  de  mérito,  proferidas  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  e  pelo  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  matéria  infraconstitucional,  na  sistemática prevista pelos  artigos 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 11  de  janeiro de 1973,  Código  de  Processo  Civil,  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos no âmbito do CARF.    Reiteradas vezes como julgador, ao deparar com o tema sob exame, tenho me  pronunciado de forma a observar o contido no artigo 62­A do Regimento Interno do CARF/09,  e  igualmente  o  faço  nesta  oportunidade,  com  o  fito  de  solucionar  a  questão  atinente  ao  reconhecimento do direito alegado pela Recorrente.    No  que  atine  à  questão  probatória,  bem  se  vê  que  a  decisão  a  quo  esteve  silente  em  relação  à  eficácia  da  planilha  e  dos  DARF’s  correspondentes,  colacionados  aos  autos pela Recorrente, quando da sua manifestação de inconformidade.  Quanto a este aspecto o aresto recorrido  limitou­se a  indicar a ausência nos  autos  de  documentos  “inominados”  e  de  livros  fiscais,  que  demonstrassem  de  forma  Fl. 45DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10935.907131/2011­93  Acórdão n.º 3803­005.631  S3­TE03  Fl. 8          5  inequívoca,  a base de  cálculo utilizada para o pagamento  a maior da contribuição,  a  teor do  artigo  147,  §  1º,  do  CTN.  Logo,  a  conclusão  a  que  chegou  a  referida  decisão  é  que  os  documentos apresentados pela Recorrente foram considerados insuficientes para demonstrar a  legitimidade de sua pretensão.    Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o  bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do  crédito  alegado,  assiste  razão  ao  juízo  a  quo,  eis  que  aos  mesmos  deveriam  se  somar,  no  mínimo,  as  DCTF’s  correspondentes  e  o  Livro  Razão  relacionados  ao  período  de  apuração  objeto  do  pedido  de  restituição,  em  observância  aos  princípios  da  segurança  jurídica,  da  verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88.    É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por  se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez  e certeza do crédito tributário alegado.   Por  sua  vez  à  autoridade  administrativa  cabe  a  verificação  da  existência  e  regularidade  desse  direito, mediante  o  exame  de  provas  hábeis,  idôneas  e  suficientes  a  essa  comprovação.  Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas  com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê­lo em outro  momento  processual,  ressalvadas  as  situações  previstas  nas  hipóteses  previstas  no  §  4o  do  artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, sobre as quais a contribuinte não se manifestou.  Os juros de mora apurados com base na taxa Selic, por força de norma legal  vigente, Conforme Dispõe o art. 13 da Lei nº 9.065, de 1995, c/c o art. 61, § 3º da Lei nº 9.430,  de 1996, são devidos, entretanto deles não fará proveito a Recorrente pelas razões explicitadas.  Com  tais  observações  oriento  o  meu  voto  para  NEGAR  provimento  ao  recurso interposto.    É assim que voto.    Sala de Sessões, em 27 de fevereiro de 2014.      Jorge Victor Rodrigues ­ Relator    Fl. 46DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6                                    Fl. 47DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 28/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

score : 1.0
5624595 #
Numero do processo: 19515.000750/2007-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1401-000.306
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.
Nome do relator: Não se aplica

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201405

camara_s : Quarta Câmara

turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção

dt_publicacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 19515.000750/2007-94

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5380956

dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Sep 22 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 1401-000.306

nome_arquivo_s : Decisao_19515000750200794.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : Não se aplica

nome_arquivo_pdf_s : 19515000750200794_5380956.pdf

secao_s : Primeira Seção de Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva – Presidente (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Marcelo Baeta Ippolito, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.

dt_sessao_tdt : Wed May 07 00:00:00 UTC 2014

id : 5624595

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:28 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032919228416

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1489; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T1  Fl. 1.456          1 1.455  S1­C4T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  19515.000750/2007­94  Recurso nº  999.999Voluntário  Resolução nº  1401­000.306  –  4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  07 de maio de 2014  Assunto  Sobrestamento de processo  Recorrente  VIAÇÃO CACHOEIRA LTDA (responsáveis tributários: HENRIQUE  CONSTANTINO, RICARDO CONSTANTINO, JOAQUIM  CONSTANTINO NETO E CONSTANTINO DE OLIVEIRA JÚNIOR)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento  em  diligência,  nos  termos  do  relatório  e  voto  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.   (assinado digitalmente)  Jorge Celso Freire da Silva – Presidente   (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto – Relator    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros: Antonio Bezerra Neto,  Alexandre  Antônio  Alkmim  Teixeira,  Fernando  Luiz  Gomes  de  Mattos,  Marcelo  Baeta  Ippolito, Sergio Luiz Bezerra Presta e Jorge Celso Freire da Silva.        RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 00 75 0/ 20 07 -9 4 Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.457          2 RELATÓRIO  Trata­se de recurso voluntário contra o Acórdão nº 16­16.364, da 7ª Turma da  Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I­SP.  Por economia processual, adoto e transcrevo o relatório constante na decisão de  primeira instância:  Contra  a  pessoa  jurídica  acima  identificada,  em  procedimento  de  ação  fiscal  externa,  foram  lavrados  em 28/03/07 Autos  de  Infração  para  constituição  de  créditos  tributários decorrentes de omissão de receitas oriundas de movimentação financeira no  ano  calendário  de  2002,  relativos  ao  Imposto  de  Renda  da  Pessoa  Jurídica  –  IRPJ  (fls.671/673),  no  montante  de  R$  24.917.677,75,  e  os  reflexos:  Contribuição  para  o  Programa  de  Integração  Social  ­  PIS  (fls.678/681),  em R$  652.608,19,  Contribuição  para  Financiamento  da  Seguridade  Social  –  COFINS  (fls.  686/688),  em  R$  3.013.523,52, e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido­CSLL (fls. 692/694), em R$  9.004.942,21, inclusos acréscimos legais calculados até 28/02/07.  Conforme Termo de Verificação e Constatação Fiscal (fls.653/665), em especial  os itens 6 e 7(fls.664), a contribuinte, intimada em 09/02/07(fls.424), não comprovou a  origem  dos  valores  depositado/creditados  nas  contas  bancárias  mantidas  junto  aos  bancos Bradesco, BBV e Sudameris, relação de fls.425/439.  Justifica­se  o  agente  fiscal  no  referido  Termo  dizendo  que  os  balancetes  e  listagem  do  livro  Razão,  apresentados  após  o  prazo  da  intimação,  não  têm  poder  probatório suficiente para comprovação, mormente porque não se conformam com os  valores  informados  à  Secretaria  da  Receita  Federal  do  Brasil  ­  RFB  através  da  Declaração  de  Informações  Econômico­fiscais  da  Pessoa  Jurídica­DIPJ  do  ano  calendário de 2002, exercício de 2003, a qual se encontra com os valores zerados em  todas as fichas. Ademais, não foram apresentados também os documentos contábeis e  fiscais que lastreariam os lançamentos dos valores solicitados.  Em face da não comprovação, a autoridade  fiscal considerou como omissão de  receitas, sob o respaldo do art.42 da Lei nº 9.430/96, os seguintes valores consolidados  mensalmente no ano de 2002 (fls.665):  Mês matéria tributável   Janeiro 3.641.497,94  Fevereiro 3.740.728,11  Março 3.802.334,87  Abril 2.701.367,90  Maio 2.491.481,47  Junho 2.309.017,80  Julho 2.606.577,95  Agosto 2.316.363,16  Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.458          3 Setembro 1.064.246,39  Outubro 83.341,09  Novembro 27.652,50  Dezembro 12.593,73  Total 24.797.202,91  Aos  valores  principais  dos  tributos/contribuições,  foi  aplicada  multa  agravada(225%), pelo fato do agente fiscal caracterizar a omissão como deliberada e a  empresa ostentar em seu quadro societário nomes de pessoas que, pela baixa capacidade  econômica, supostamente encobrem a identidade dos seus verdadeiros administradores,  os  sócios  das  empresas  Áurea  Administração  e  Participações  S/A,  CNPJ  00.362.938/0001­51,  detentora  de  96%  da  autuada,  e  Constante  Administração  e  Participações  Ltda,  CNPJ  02.101.885/0001­40,  detentora  de  4%,  o  que  caracterizaria  falsidade ideológica na transferência da pessoa jurídica por essas empresas a interpostas  pessoas, aliado ainda ao fato de ter sido declarado à RFB a ausência de receitas no ano­ calendário em referência, com o intuito doloso de impedir ou retardar o conhecimento  da autoridade fiscal da ocorrência do fato gerador.  Ainda  no  referido  Termo,  pelo  fato  da  transferência  da  contribuinte  pelas  empresas Áurea  e Constante, ser  supostamente  fraudulenta, o  agente  fiscal  arrolou  as  seguintes pessoas como responsáveis pelo crédito tributário apurado na ação fiscal:  1) na qualidade de acionistas/sócios das empresas Áurea e Constante:  ∙ HENRIQUE CONSTANTINO, CPF 443.609.911­34 e  ∙ RICARDO CONSTANTINO, CPF 546.988.806­10;  2) na qualidade de administradores das empresas Áurea e Constante:  ∙  JOAQUIM CONSTANTINO NETO, CPF 084.864.028­40 e  ∙ CONSTANTINO de OLIVEIRA JÚNIOR, CPF 417.942.901­25.  Em decorrência ainda da caracterização, em tese, do dolo e falsidade ideológica,  pela  suposta  fraude  na  transferência  das  quotas  da  contribuinte,  o  autor  do  procedimento fiscal lavrou REPRESENTAÇÃO FISCAL para FINS PENAIS contra as  seguintes pessoas (processo apenso de nº 19515.000751/2007­39):  1)  os responsáveis tributários acima identificados   2)  os  sócios  adquirentes  da  pessoa  jurídica:  Juraci  Avelino,  CPF  635.852.608­10, João Marcelo Ferreira Nunes, CPF 947.644.766­49, e Cláudio Risis de  Carvalho, CPF 144.619.276­87, bem como os administradores/sócios ocultos: Antonio  Avelino  Cruz,  CPF  559.243.018­34,  Tomaz  Estáquio  de  Aquino  Nunes,  sem  identificação de CPF, Marcelo Ângelo D’almeida Silva, CPF 071.471.528­08, Marcelo  Cleomar  Madureira  Costa,  CPF  217.752.998­05  e  José  Araújo  Costa,  CPF  045.184.898­53.  A  fundamentação  legal  dos  lançamentos  encontra­se  descrita  no  Termo  de  Verificação Fiscal e respectivos Autos de Infração.  Cientificados  o  sujeito  passivo  e  responsáveis  tributários  dos  lançamentos  referidos,  por  via  postal,  em  02/04/07  (fls.696/700),  houve  a  apresentação  de  5  Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.459          4 impugnações,  a  saber:  em  30/04/07,  individualmente,  pelos  responsáveis  tributários  arrolados  (fls.705/744,  746/785,  787/829  e  831/870),  e  em  02/05/07,  pela  pessoa  jurídica (fls.871/894).  As impugnações apresentadas pelos responsáveis tributários acima identificados  apresentam as mesmas  razões de  argumentação,  cujos pontos pertinentes e  relevantes  das alegações podem ser assim resumidos (fls.705/870):  ∙  a nulidade dos lançamentos havidos, uma vez que o Mandado de Procedimento  Fiscal  –  MPF  que  deu  suporte  à  fiscalização  só  foi  prorrogado  após  expirar  sua  validade, em 03/07/06;  ∙  a  insubsistência  da  condição  de  responsáveis  tributários  a  eles  atribuídos  em  face da  inaplicabilidade do  art.135 do CTN ao presente  caso, posto que  impossível  a  aplicação retroativa dos efeitos dos fatos geradores com o fim de responsabilização de  terceiros;  ∙  a  ilegalidade  do  ato  da  autoridade  fiscal  ao  desconsiderar  a  2ª  alteração  contratual da contribuinte, haja vista que deveriam ser  responsabilizados os sócios da  empresa autuada nomeados na referida alteração, bem como os administradores por eles  nomeados;  ∙  a  impossibilidade  de  imputação  aos  responsáveis  da  conduta  de  embaraço  à  fiscalização, pois a conduta em tese foi verificada antes dos mesmos serem intimados  pela autoridade fiscal;  ∙  a  decadência  dos  lançamentos  relativos  aos  fatos  geradores  de  janeiro  e  fevereiro de 2002, pelo decurso do prazo de 5 anos estatuído no art.150, caput e § 4º do  CTN;  ∙  a  impossibilidade  de  presumir­se  omissão  de  receitas  em  face  de  que  os  documentos juntados não foram analisados pela autoridade fiscal.  Por seu turno, a contribuinte, em sua peça impugnatória, em resumo e substância,  expõe os seguintes argumentos (fls.871/894):  ∙  a incompetência da autoridade fiscal em face do domicílio fiscal da empresa ser  diverso de sua área de atuação;  ∙  a inexistência do embaraço à fiscalização;  ∙  houve cerceamento do direito de defesa e de exibição de documentos;  ∙  requer­se a perícia contábil para o fim de levantar­se a correta base de cálculo  do IRPJ e CSLL;  É o relatório.    A DRJ, manteve integralmente o lançamento, nos termos da ementa abaixo:    ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  A  RENDA  DE  PESSOA  JURÍDICA  ­  IRPJ  Ano­calendário: 2002  Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.460          5 IMPUGNAÇÃO.  RESPONSABILIDADE  TRIBUTÁRIA.  POSSIBILIDADE.  É  possível  a  apresentação  da  impugnação  por  pessoa  incluída  no  rol  dos  responsáveis  tributários  com  vista  à  discussão de aspectos do lançamento tributário.  CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.  Não há cerceamento de direito de defesa quando é facultada ao sujeito  passivo a  oportunidade para  se  defender  plenamente,  por  ocasião  da  impugnação,  das  imputações  e  documentos  em  que  se  baseia  a  autuação.  MPF.VALIDADE.  O  MPF  tem  como  função  regular  os  procedimentos  no  âmbito  do  direito  administrativo,  não  podendo  confundir­se  com  as  regras  de  controle  postas  na  legislação;  por  conseguinte,  qualquer  eventual  desrespeito a prazos não implica na nulidade dos atos administrativos  posteriores e nem interfere na investidura de competência do Auditor­ fiscal de fiscalizar e promover o lançamento.  DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE.  Não será realizada diligência que se mostre prescindível em face dos  elementos probantes que já instruem o processo.  DECADÊNCIA.  LANÇAMENTO  DE  OFÍCIO.  IRPJ/PIS/COFINS/CSLL.  O Imposto de Renda da Pessoa Jurídica  insere­se no rol dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação.  Entretanto,  não  ocorrido o  pagamento  do  imposto,  não  há  o  que  homologar,  e,  tratando­se  de  lançamento  de  ofício,  conta­se  o  prazo  decadencial  na  forma do  art.  173, I, do CTN. Para as Contribuições Sociais, o prazo de decadência  é de 10 anos do fato gerador, na forma da legislação específica.  DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RE CEITA. Caracterizam­se  como omissão de receita os valores creditados em conta­corrente, sem  que  haja  a  comprovação, mediante  documentação hábil  e  idônea,  da  origem desses recursos.  MULTA QUALIFICADA. AGRAVAMENTO   A  declaração  ao  Fisco  de  receita  substancialmente  inferior  ao  efetivamente auferida durante o  transcurso de  todo o ano­calendário,  reforçada  pelo  não  atendimento  a  intimações  por  parte  do  sujeito  passivo,  bem  como  evidências  de  uso  de  interpostas  pessoas  na  transferência  da  pessoa  jurídica,  caracteriza  infração  à  legislação  tributária  praticada  com  evidente  intuito  de  fraude,  impondo­se  a  aplicação de multa de ofício qualificada.  TRIBUTAÇÕES  REFLEXAS.  Aplica­se  aos  lançamentos  reflexos  de  PIS,  COFINS,  CSLL  o  que  foi  decidido  quanto  à  exigência  matriz,  devido à íntima relação de causa e efeito existente entre eles.    Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.461          6 O processo  foi  sobrestado, nos  termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº  001,  Irresignadas  com  a decisão de primeira  instância,  as  interessadas  interpuseram  recursos  voluntários a este Conselho, repisando os tópicos trazidos anteriormente na impugnação.  O processo  foi  sobrestado, nos  termos do § 2º do art. 2º da Portaria CARF nº  001, de janeiro de 2012, visto que no presente recurso se discutia questão idêntica àquela que  está sendo apreciada pelo STF no RE 601.314­RG/SP (sob a sistemática do art. 543­B do CPC)  e RE 410.054 – AgR/MG).  O  processo  retornou  foi  redistribuído  à  minha  relatoria  novamente,  pois  a  Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II  da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais (CARF).  Tendo  em vista  a  edição  desse  ato  normativo  tornou­se  obrigatória  a  inclusão  em pauta para julgamento os processos referentes às matérias que estão em repercussão geral  no Supremo, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972.  É o relatório.  Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.462          7 VOTO  Conselheiro ANTONIO BEZERRA NETO, Relator.  Os  recursos  preenchem  os  requisitos  de  admissibilidade,  portanto,  deles  tomo  conhecimento.  O  Termo  de  Verificação  Fiscal  acusa  tentativa,  fora  do  prazo,  de  a  empresa  infirmar a presunção de omissão de receitas a partir de depósitos bancários cujas origens não  havia ainda sido comprovadas:  Entendendo  estar  cumprindo  a  intimação  datada  de  07/02/2007,  em  05/03/2007, o senhor Dr. Adenias Alves Pereira ­ OAB­SP n° 73.470,  trouxe à repartição fiscal balancetes de janeiro a dezembro de 2002 e  listagem  relativa  ao  livro  razão,  recém  emitidos,  a  título  de  cumprimento do item 1 da citada intimação.  O  item 1 da  intimação pedia a apresentação dos  seguintes elementos  para fins de exames fiscais:  Demonstrar e comprovar a origem dos valores depositados/creditados  nas contas bancárias mantidas pela empresa, conforme relação anexa  ao referido termo.  A  simples  apresentação  de  balancetes  e  listagem  do  livro  razão  não  tem  poder  probatório,  suficiente  para  demonstrar  e  comprovar  a  origem  dos  valores  depositados/creditados  nas  contas  bancárias  da  empresa, mormente porque não se conformam os balancetes e listagem  apresentados  com  os  valores  informados  à  SRF  na  Declaração  de  Informações  Econômico­Fiscais  da  Pessoa  Jurídica­DIPJ  do  ano  calendário de 2002/exercício de 2003, a qual informa com o valor zero  em todas as fichas.  Não foram apresentados também os documentos contábeis e fiscais que  lastreariam os  lançamentos a que  se  referem os valores  relacionados  no termo de intimação datado de 07/02/2007 A DRJ por sua vez assim  se pronuncia a esse mesmo respeito:  A empresa insinua que os documentos apresentados (fls.444/578), fora do prazo  da  intimação,  comprovariam  essa  origem  e  que  não  teriam  sido  analisados  pelo  Auditor­fiscal.  Sabemos  que  um  dos  princípios  que  informam  o  processo  administrativo  é  o  princípio  da  verdade material.  Por  seu  turno,  a  comprovação  dessa  verdade material,  seu  ônus,  recai  sobre  a  contribuinte  quando  a  fiscalização  demonstra  a  omissão  de  receitas mediante documentação robusta (extratos bancários em nome da contribuinte).  Esse  ônus  significa  que  a  comprovação  da  origem  e  tributação  dos  valores  indicados,  evidentemente,  deve  vir  acompanhada  de  elementos  que  mostrem  coincidência de valores, datas e histórico esclarecedor dos lançamentos. Compulsando  os documentos, não se apreende os elementos solicitados, não existe correlação entre os  valores dos extratos com a listagem do Razão.   Era de se esperar da contribuinte, a indicação dos valores dos extratos solicitados  e seus correspondentes lançamentos e, conforme o caso, com pormenores, detalhes de  Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.463          8 sua  origem  e  documentos  lastreando  a  origem.  Ao  juntar  a  listagem  do  razão,  sem  apresentar,  ao menos,  nenhum demonstrativo  com  correspondência  de  valores,  fica  a  clara  impressão  tratar­se  de  procedimento  protelatório,  de  descaso  com  a  autoridade  fiscal  que  fez  a  solicitação,  como  a  dizer  que  a  comprovação  da  origem  estaria  ali,  como uma agulha perdida no palheiro.  Ademais,  apesar  da  impugnante  alegar  que  a  fiscalização  não  se  ateve  a  esses  documentos,  não  é  o  que  se  depreende  de  sua  conclusão  no  relatório  fiscal. Neste,  o  Auditor­fiscal refuta a documentação dizendo que não se prestavam à comprovação da  origem, principalmente pelo fato da DIPJ não apresentar valores de receitas.  Portanto,  por  não  haver  coincidência  de  valores,  datas,  histórico  esclarecedor,  bem  como  documentos  que  lastreiam  os  lançamentos  contábeis  e,  ainda,  principalmente, por estar caracterizada a omissão, conforme comprovado pela entrega  da DIPJ com ausência de receitas, é de se confirmar os lançamentos realizados.  Por  outro  lado,  compulsando­se  os  autos  verifico  que  os  balancetes  de  fls  445/578  onde  constam  receitas  e  despesas,  estas  discrepam  completamente  do  que  fora  informado em DIPJ (fls.601/652), uma vez que nesta os valores contábeis encontram­se todos  zerados.  Cabe  salientar  neste  ponto  que  uma  vultuosa movimentação  financeira  identificada  pelo autuante a partir de extratos bancários é inconciliável com a total ausência de custos. Não  há empresa que funcione com custo zero.  O  regime  de  tributação  adotado  pela  recorrente  no  período  da  atuação  foi  o  Lucro Real. Nesse contexto onde o autuante não arbitrou o lucro, existem fortes indícios de que  a  recorrente  cometera  erros  de  contabilização  de  custos.  É  que,  apesar  de  os  documentos  apresentados (fls.444/578), fora do prazo da intimação, não poderem ser considerados como se  prova fosse para o fim de comprovar­se a origem dos depósitos bancários, demonstra sim que a  empresa teria uma contabilidade e registros contábeis de custos que deveriam ter sido levados  em  consideração  na  apuração  do  lucro  real  e não  tão  somente  se  basear  na DIPJ, mormente  quando esta se mostra totalmente zerada. As fls. 464 consta o registro de despesas no valor de  R$ 719.214,98.  Causa  estranheza  o  contribuinte  tendo  custos,  apresentar  declaração  zerada  dando  ensejo  quiçá  a  um  possível  arbitramento  que  o  favoreceria.  Isso  merece  também  ser  investigado.  Assim, em nome do princípio da verdade material, para que não paire dúvidas  quanto  à  validez  e  legalidade  do  lançamento,  inclino­me  pela  realização  de  uma  diligência  específica para que seja adotada as seguintes providências pela Fiscalização:  ­ Aprofundar melhor a investigação do conjunto probatório e outros documentos  contábeis que possam ainda ser necessários para complementar a prova trazida e esclarecer as  inconsistências acima apontadas ­ Se for o caso, refazer o cálculo do lucro real, ajustando sua  base de cálculo com os custos reais apurados;   ­ Apresentar outras informações ou mesmo intimar o contribuinte a apresentar  novas informações e esclarecimentos que entender pertinentes à solução da lide.   ­  A  autoridade  fiscal  deverá  elaborar  relatório  conclusivo  das  verificações  efetuadas nos itens anteriores.  Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA Processo nº 19515.000750/2007­94  Resolução nº  1401­000.306  S1­C4T1  Fl. 1.464          9 Ao  final  entregar  cópia  do  relatório  aos  interessados  e  conceder  prazo  de  30  (trinta) dias para que ela se pronuncie sobre as suas conclusões, após o que, o processo deverá  retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.  (assinado digitalmente)  Antonio Bezerra Neto        Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 22/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 20/06/2014 por ANTONIO BEZERRA NETO, Assinado digitalmente em 11/07/2014 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA

score : 1.0
5632741 #
Numero do processo: 13603.903619/2008-96
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.354
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES

toggle explain
    
1.0 = *:*

  
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021

anomes_sessao_s : 201407

ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.

turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção

dt_publicacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014

numero_processo_s : 13603.903619/2008-96

anomes_publicacao_s : 201409

conteudo_id_s : 5382428

dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014

numero_decisao_s : 3803-006.354

nome_arquivo_s : Decisao_13603903619200896.PDF

ano_publicacao_s : 2014

nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES

nome_arquivo_pdf_s : 13603903619200896_5382428.pdf

secao_s : Terceira Seção De Julgamento

arquivo_indexado_s : S

decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.

dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014

id : 5632741

ano_sessao_s : 2014

atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:28:44 UTC 2021

sem_conteudo_s : N

_version_ : 1713047032939151360

conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1699; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3­TE03  Fl. 6          1 5  S3­TE03  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13603.903619/2008­96  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  3803­006.354  –  3ª Turma Especial   Sessão de  24 de julho de 2014  Matéria  Ressarcimento/Compensação  Recorrente  RYGON COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/04/2003 a 30/06/2003  CRÉDITO PRESUMIDO DE  IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO.  AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.  A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a  apresentação  de  documentos  hábeis  e  idôneos,  e  a  inexistência  de  industrialização  no  estabelecimento  do  sujeito  passivo  desautorizam  o  reconhecimento de crédito de IPI.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou­se provimento  ao recurso,.    (Assinado digitalmente)  Corintho Oliveira Machado ­ Presidente.     (Assinado digitalmente)  Jorge Victor Rodrigues ­ Relator.  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Corintho  Oliveira  Machado  (Presidente),  João  Alfredo  Eduão  Ferreira,  Juliano  Eduardo  Lirani,  Hélcio  Lafetá  Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 36 19 /2 00 8- 96 Fl. 145DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     2   Relatório  Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do  Acórdão  nº  09­46.323,  pela  abordagem  concisa  e  precisa  acerca  dos  fatos  e  valores  fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina.  Trata  o  presente  processo  de Pedido  de Ressarcimento  de  IPI,  PER/DCOMP  nº  02321.47258.200904.1.1.01­5597,  relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779,  de  19/01/1999,  do  2º  trimestre  de  2003,  no  montante  de  R$  77.435,50, apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205.  Para  a  verificação  da  legitimidade  do  saldo  credor  foi  instaurado  procedimento  fiscal  de  que  resultou  o  Termo  de  Verificação Fiscal de fls. 66/73. No referido ato, o auditor fiscal  asseverou que:  2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE  PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS.  Conforme  admitido  pelo  próprio  contribuinte,  às  fls.  05  do  arquivo  Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo  ao  SCC  Sistema  de  Controle  de  Créditos  e  Compensações,  o  estabelecimento  não  industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais  afirmarem  que  entre  os  objetivos  sociais,  à  parte  o  comércio  atacadista,  atividade  preponderante,  encontrar­se  a  "Indústria  de  Produtos  de  Panificação",  não  se  observou  a  saída  de  qualquer  tipo  de  pães  e  assemelhados,  bem  como  não  foi  anotada, nos  livros Registro de  IPI, nenhuma  saída de produto  industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código  Fiscal de Operações CFOP.  Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com  destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa  a  entrada  de  qualquer  insumo:  são  produtos  de  limpeza,  guloseimas,  bebidas,  papéis  toalha,  adquiridos  prontos,  diretamente  da  fábrica,  e  comercializados  por  atacado  no  mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas  fiscais de saídas.  Portanto,  estes  valores  solicitados  em  ressarcimento,  e  escriturados  no  Livro  Registro  de  Apuração  de  IPI  pelo  contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação  nacional  que  são  revendidos  sem  serem submetidos a  qualquer  tipo  de  industrialização  pela  empresa,  não  ocorrendo  o  fato  gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento.  Não  se  vislumbra  como  sua  atividade  e  suas  saídas  de  mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto  no artigo 11 da Lei n° 9.779/99.  [...]  Diante  do  exposto,  deve­se  então  proceder  à glosa  de  todos  os  valores  solicitados  a  título  de  ressarcimento  pleiteados  pelo  Fl. 146DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903619/2008­96  Acórdão n.º 3803­006.354  S3­TE03  Fl. 7          3 contribuinte,  uma  vez  que  este  não  promove  qualquer  tipo  de  industrialização neste estabelecimento.    Os  pleitos  formulados  pela  contribuinte  foram  indeferidos  por  meio  do  Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº  900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo.  O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado,  consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e §  2º  do  art.  195  do  Dec.  4.544/02  (RIPI/02),  uma  vez  que  não  promove  nenhum  tipo  de  industrialização  em  seus  estabelecimentos,  portanto  não  é  contribuinte  de  IPI,  posição  esta  admitida  pela  própria  interessada,  e  comprovado  por  meio  de  termos  de  verificação  fiscal,  documentos  que  lhe  serviram  de  base  e  análise  dos  créditos  suscitados  nos  pedidos  de  ressarcimento e declarações de compensação.  A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.01­8800, relativamente aos  créditos  do  4º  trimestre/2002,  pois  transmitida  em  10/09/04,  que  restou  homologada  por  disposição  legal,  nos  termos  do  §  do  art.  74  da Lei  nº  9.430/96,  em  razão  da  ocorrência  de  decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte.  Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a  própria  TIPI  equipara  estabelecimentos  atacadistas  a  estabelecimentos  industriais,  o  que  acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus  ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade.  Aduziu,  ainda,  que  no  caso  dos  PAF  nº  10603.903598/2008­17,  10603.903602/2008­39  e  10603.903604/2008­28,  houve  o  reconhecimento  parcial  do  ressarcimento  de  IPI  e,  que  não  poderia  ser  adotado  outro  critério  neste  momento,  mesmo  porque  até  os  créditos  solicitados  têm os  fundamentos  legais. Entendeu  que o  processo  cuja  declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de  IPI,  para  requer  o  cancelamento  das  glosas  efetuadas  pela  fiscalização  e  o  deferimento  dos  pedidos de compensação de IPI.  Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por  meio do Acórdão nº 09­46.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade  e  pelo  não  reconhecimento  do  direito  creditório apurado pela interessada.  O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de  estabelecimento  atacadista  com  o  industrial,  que  essa  tarefa  diz  respeito  ao  RIPI;  que  o  RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº  4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que  traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria.  Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     4 Mencionou  que  a  extensa  e  exaustiva  lista  de  produtos  constantes  do  art.  9º  desse mandamus,  que  poderiam  ensejar  a  referida  equiparação,  dela  não  consta nenhum dos  produtos  comercializados  pela  interessada;  que  o  estabelecimento,  conforme  com  o  relato  fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições,  não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao  período em questão  informa à  fl. 156, que não há apuração e  informações de  IPI no período  para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório.  A  interessada  ciente  da  decisão  contida  no Acórdão  nº  em  15/10/13,  contra  a  mesma  insurgindo­se  interpôs  recurso  voluntário  em  08/11/13,  reiterando  os  argumentos  expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos  de procedência  estrangeira e dava  saída  a  esses  produtos,  e que por  longo  tempo procedia  à  industrialização de produtos para panificação.  É o relatório.       Voto             Conselheiro Jorge Victor Rodrigues  O  recurso  é  tempestivo  e  preenche  os  demais  requisitos  necessários  à  sua  admissibilidade, dele conheço.  Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa  no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim  não  é  contribuinte  de  IPI,  nem  foi  observada  nenhuma  saída  de  qualquer  tipo  de  pães  ou  assemelhados,  ou  mesmo  há  registros  nos  Livros  de  Registro  de  IPI,  de  saída  de  qualquer  produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações ­ CFOP.  O  referido Termo  informou que  a  fiscalização ao proceder  à análise das notas  fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada  de  nenhum  insumo.  Ao  contrário,  são  produtos  de  limpeza,  guloseimas,  bebidas,  papéis  toalhas,  adquiridos prontos,  diretamente da  fábrica e  comercializados por  atacado no mesmo  estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas.  Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência  de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99.  A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos  industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo.  O  direito  ao  crédito  presumido  do  IPI,  originariamente,  como  forma  de  ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins  incidentes  sobre as aquisições, no mercado  interno,  de MP,  PI  e ME,  de  que  trata  a  Lei  nº  9.363/1996,  está  disciplinada  na Instrução  Normativa SRF nº 419/2004.  Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.903619/2008­96  Acórdão n.º 3803­006.354  S3­TE03  Fl. 8          5 A recorrente não  logrou  refutar as acusações  formuladas pela  fiscalização seja  com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos.  É  certo  que  o  inciso  I  do  art.  333  do  CPC  estabelece  que  o  ônus  da  prova  incumbe  ao  autor,  quanto  ao  fato  constitutivo  do  seu  direito.  Neste  sentido  a  fiscalização  constatou  no  estabelecimento  do  sujeito  passivo  a  inexistência  de  qualquer  processo  de  industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados,  inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o  surgimento da incidência do dato gerador do IPI.  Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência  de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a  sua  pretensão  qual  seja,  de  homologação  das  declarações  de  compensação  e  pedido  de  ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal.  A  própria  DIPJ/2003  da  recorrente,  ano  calendário  de  2002,  no  que  atine  ao  período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que  não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal.  A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em  sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou  jurídico que demonstrasse e que  comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito  à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação  e  exportação,  para  lhe  assegurar  direito  à  compensação,  nos  termos  da  legislação  atinente  à  matéria.  Com isso, nos autos constata­se apenas a alegação vazia da recorrente acerca do  direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não  há substância em sua narrativa.  Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto.  É como voto.    Jorge Victor Rodrigues ­ Relator                              Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO     6   Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO

score : 1.0