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Numero do processo: 11030.904073/2012-83
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009
BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS.
Inclui-se na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos.
Numero da decisão: 3803-005.511
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado- Presidente.
(assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator).
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/08/2009 a 31/08/2009 BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Incluise na base de cálculo da contribuição a parcela relativa ao ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte, eis que toda receita decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços corresponde ao faturamento, independentemente da parcela destinada a pagamento de tributos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues que davam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Hélcio Lafetá Reis. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 40 73 /2 01 2- 83 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 65 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Redator designado), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues (Relator). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em contraposição à decisão da DRJ Belo Horizonte/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada por Indústria de Plásticos Marau Ltda., esta manejada em decorrência da emissão de despacho decisório em que a repartição de origem denegara o Pedido de Restituição formulado, pelo fato de que o pagamento declarado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegara que o indébito decorreria de pagamento a maior da contribuição, em razão do cálculo efetuado com base na totalidade da receita bruta auferida no período, sem a exclusão da parcela referente ao ICMS, que, no seu entender, por se revestir da qualidade de ingresso, não integraria o conceito de faturamento. A DRJ Belo Horizonte/MG não reconheceu o direito creditório por considerar que inexistiria previsão legal que autorizasse a exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. Registrese que, em sua decisão, a Delegacia de Julgamento não fez qualquer juízo de valor ou mesmo qualquer referência ao conjunto probatório trazido aos autos pelo contribuinte, restringindo sua análise à matéria de direito. Cientificado da decisão de primeira instância em 27 de setembro de 2013, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 22 de outubro do mesmo ano e reiterou seu pedido de restituição, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. A matéria devolvida ao Tribunal ad quem se circunscreve à inclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. Acerca desta matéria há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Fl. 65DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 66 3 Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que não há a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 67 4 Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios, quais sejam: a) material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica; b) critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também de nominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03,respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presumível de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2o do artigo 1o da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 67DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 68 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento.(Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: Fl. 68DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 69 6 “[...] Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. [...] Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. [...] Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). [...] Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, adotandoo como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 70 7 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor dofaturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobre princípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Fl. 70DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 71 8 Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na formada lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento.(Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A normapedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL.AMPLIAÇÃO DA BASE DECÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos Fl. 71DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 72 9 contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitaçãomaterial à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado aamparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 72DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 73 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, considerase ocorrido o Fl. 73DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 74 11 fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; Fl. 74DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 75 12 VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Fl. 75DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 76 13 Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 77 14 Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 78 15 Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer porter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Nestesentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – eisso não há dúvidas – então, essa há que preponderar.Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre ofaturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a SupremaCorte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Fl. 78DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 79 16 Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 0023169 44.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, Fl. 79DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 80 17 mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida.. TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF3). Data de publicação: 16/06/2011. Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo provimento parcial do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator. Voto Vencedor Fl. 80DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 81 18 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Tendo sido designado pelo Presidente da 3ª Turma Especial para redigir o voto vencedor, passo a expor os fundamentos de fato e de direito em que ele se baseia. Com base no relatório supra, contatase que a controvérsia nos autos se restringe à existência ou não do direito de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição. De início, ressaltese que permanece pendente, pelo prisma constitucional, a discussão acerca da exclusão do valor do ICMS da base de cálculo das contribuições para o PIS e Cofins. A matéria encontrase sob análise do Supremo Tribunal Federal (STF) que já reconheceu a sua repercussão geral, estando pendente de julgamento o mérito do Recurso Extraordinário nº 574.706, cuja ementa tem o seguinte teor: Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Encontrase pendente de julgamento, também, a Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) 1, cuja ementa da medida cautelar assim dispõe: EMENTA Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei nº 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal Por não se ter ainda uma decisão definitiva de mérito no STF, não há que se invocar o art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), em que se prevê a obrigatoriedade de os conselheiros reproduzirem o teor de decisão transitada em julgado em processos submetidos à regra da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil – CPC). Além do mais, tendo a Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013, revogado os parágrafos primeiro e segundo do mesmo art. 62A do Anexo II do RICARF, desde então, não se perscruta mais acerca de possível sobrestamento de julgamentos no âmbito deste Colegiado enquanto pendente decisão definitiva no regime do art. 543B do CPC. 1 ADC n° 18/DF Fl. 81DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 82 19 Para a análise do mérito da presente controvérsia, não se pode perder de vista que o ICMS é imposto cujo cálculo se processa pelo método denominado “por dentro”, ou seja, o montante do imposto integra a sua própria base de cálculo; logo, pretender excluir o valor do imposto para cálculo do PIS e da Cofins é pretender reduzir o próprio faturamento. Em conformidade com esse entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou a súmula n° 68 com o seguinte teor: a parcela relativa ao ICM incluise na base de calculo do PIS. Essa mesma conclusão tem sido exarada em outros julgados, como por exemplo na decisão contida no Recurso Especial n° 501.626/RS e no AMS 2004.71.01.0050408/PR do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, in verbis: REsp 501626 / RS TRIBUTÁRIO PIS E COFINS: INCIDÊNCIA INCLUSÃO NO ICMS NA BASE DE CÁLCULO. 1. O PIS e a COFINS incidem sobre o resultado da atividade econômica das empresas (faturamento), sem possibilidade de reduções ou deduções. 2. Ausente dispositivo legal, não se pode deduzir da base de cálculo o ICMS. (grifei) 3. Recurso especial improvido. AMS APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA Processo: 2004.70.01.0050408 Ementa: PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DA PARCELA DO ICMS. Incluise na base de cálculo do PIS e da COFINS a parcela relativa ao ICMS devido pela empresa na condição de contribuinte (Súmula 258, TFR e Súmula 68, STJ), eis que tudo o que entra na empresa a título de preço pela venda de mercadorias corresponde à receita faturamento , independente da parcela destinada a pagamento de tributos. (grifei) Nesse sentido, temse que a receita de vendas de mercadorias configura o faturamento da pessoa jurídica, base de cálculo da contribuição, sendo irrelevante haver ou não tributo nela incluso, pois a Constituição Federal, ao atribuir competência à União para instituir a contribuição, não disseca os elementos constituintes do termo linguístico “faturamento”, prevendose a incidência sobre todo o montante assim constituído. Além do mais, nos termos do art. 110 do Código Tributário Nacional (CTN), “[a] lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias”. Fl. 82DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11030.904073/201283 Acórdão n.º 3803005.511 S3TE03 Fl. 83 20 Nos termos do art. 1º da Lei nº 10.833, de 2003, a Cofins não cumulativa tem como fato gerador o faturamento, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, encontrandose previstas no § 3º do mesmo artigo as exclusões autorizadas, havendo a previsão de exclusão de créditos de ICMS transferidos onerosamente a outros contribuintes do imposto, nos casos de operações de exportação (inciso VI do § 3º do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003), mas somente nessa hipótese. Dessa forma, concluise pela impossibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins. Diante do exposto, voto por NEGAR provimento ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Redator designado Fl. 83DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 04/04/2014 p or JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 14/04/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assina do digitalmente em 12/03/2014 por HELCIO LAFETA REIS
score : 1.0
Numero do processo: 10950.904834/2009-57
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
PRAZO PARA INTERPOSIÇÃO DE RECURSO
Não se conhece do recurso voluntário cujo protocolo ocorra posteriormente a 30 dias contados da ciência da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento, conforme art. 33 do Decreto 70.235/72 c/c art. 210 do Código Tributário Nacional - CTN.
Numero da decisão: 1802-002.136
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Luis Roberto Bueloni Ferreira, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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Numero do processo: 10380.733025/2011-81
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu May 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
Ementa:
IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE.
O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do ano-calendário (ajuste) não se confundem com os débitos de estimativa apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de estimativa perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (ajuste).
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO.
O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO.
Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal.
JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO.
É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento.
Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
Numero da decisão: 1102-000.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos; b) em relação à multa isolada, emergiram três soluções distintas: cancelamento integral, cancelamento parcial e manutenção integral; em primeira votação, por maioria de votos, decidiu-se reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e Francisco Alexandre dos Santos Linhares que cancelavam a multa isolada integralmente, e em segunda votação, por maioria de votos, decidiu-se pela redução da base de cálculo da multa isolada para os valores já mencionados, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes que a mantinham integralmente; c) Por maioria de votos, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) que os excluía; d) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor, a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima
(assinado digitalmente)
João Otávio Oppermann Thomé Presidente e Redator designado ad hoc.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Guidoni Filho Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS GUIDONI FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2009 Ementa: IRPJ. CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE. O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do ano-calendário (ajuste) não se confundem com os débitos de estimativa apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de estimativa perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (ajuste). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento.
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CSLL. LANÇAMENTO. AJUSTE. O IRPJ e a CSLL devidos após o encerramento do anocalendário (“ajuste”) não se confundem com os débitos de “estimativa” apurados ao longo do exercício fiscal. Encerrado este (exercício fiscal), a declaração relativa aos débitos de “estimativa” perde eficácia, remanescendo ao contribuinte a obrigação de pagar o tributo informado na declaração anual de rendimentos (“ajuste”). MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. NÃO LIMITAÇÃO AO VALOR DO IMPOSTO APURADO NO ENCERRAMENTO DO ANO CALENDÁRIO. O fato de as estimativas não mais poderem ser exigidas após o encerramento do exercício fiscal não elide a aplicação da penalidade isolada sobre essas mesmas estimativas, não recolhidas em momento próprio. A lei não impõe restrição para o lançamento da multa isolada, no sentido de que a sua aplicação deva ser limitada ao valor do imposto devido ao final do ano calendário. Pelo contrário, o art. 44 da Lei 9.430/96 expressamente prevê a aplicação da multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal no ano calendário correspondente, caso em que o imposto devido seria zero, o que bem evidencia não existir tal limitação. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFÍCIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de ofício exigida no lançamento para AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 30 25 /2 01 1- 81 Fl. 697DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 3 2 cobrança de tributo, quando calculadas sobre os mesmos valores, apurados em procedimento fiscal. JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFICIO. É legítima a incidência de juros de mora, à taxa Selic, sobre o valor da multa de ofício proporcional, não paga no seu vencimento. Recurso voluntário a que se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, nos seguintes termos: a) Por unanimidade de votos, REJEITAR as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos; b) em relação à multa isolada, emergiram três soluções distintas: cancelamento integral, cancelamento parcial e manutenção integral; em primeira votação, por maioria de votos, decidiuse reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL, vencidos os Conselheiros Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) e Francisco Alexandre dos Santos Linhares que cancelavam a multa isolada integralmente, e em segunda votação, por maioria de votos, decidiuse pela redução da base de cálculo da multa isolada para os valores já mencionados, vencidos os Conselheiros João Otávio Oppermann Thomé e José Sérgio Gomes que a mantinham integralmente; c) Por maioria de votos, manter os juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, vencido o Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho (relator) que os excluía; d) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. Designado para redigir o voto vencedor, a Conselheira Albertina Silva Santos de Lima (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Presidente e Redator designado ad hoc. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Relator Participaram do julgamento os conselheiros Albertina Silva Santos de Lima (Presidente à época), João Otávio Oppermann Thomé, José Sérgio Gomes, Antônio Carlos Guidoni Filho, Francisco Alexandre dos Santos Linhares e Marcos Vinicius Barros Ottoni. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia Regional de Julgamento de São Paulo SP, que acolheu parcialmente impugnação Fl. 698DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 4 3 da Contribuinte relativa a exigência de Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (“CSLL”) referente ao anocalendário de 2008, assim ementado, verbis: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade por cerceamento do direito de defesa se a descrição dos fatos e o enquadramento legal das infrações estão corretamente indicados no auto de infração e são suficientes a permitirem a plena compreensão do conteúdo das imputações, mormente quando o contribuinte tem reiteradas oportunidades de prestar esclarecimentos durante a fiscalização e não o faz. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo o contribuinte logrado comprovar o pagamento ou parcelamento da estimativa indevidamente deduzida no ajuste anual, procedente a respectiva glosa e o conseqüente lançamento de ofício do IRPJ anual. A falta de recolhimento da estimativa, ainda que declarada em DCTF, enseja a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. As estimativas devidas ao longo do anobase a título de antecipação e o IRPJ apurado no ajuste anual constituem débitos distintos, sujeitos a distintas disciplinas de constituição e exigência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. Não tendo o contribuinte logrado comprovar o pagamento ou parcelamento da estimativa indevidamente deduzida no ajuste anual, procedente a respectiva glosa e o conseqüente lançamento de ofício da CSLL anual. A falta de recolhimento da estimativa, ainda que declarada em DCTF, enseja a aplicação da multa isolada prevista no artigo 44, II da Lei nº 9.430/96. As estimativas devidas ao longo do anobase a título de antecipação e a CSLL apurada no ajuste anual constituem débitos distintos, sujeitos a distintas disciplinas de constituição e exigência. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido.” O caso foi assim relatado pela instância a quo, verbis: Fl. 699DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 5 4 Contra o contribuinte acima identificado foram lavrados autos de infração para constituição do Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ e multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de IRPJ, no valor total de R$ 20.153.032,81 (fls. 2 a 09); Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL e multa isolada por falta de recolhimento de estimativa de CSLL, no valor total de R$ 7.275.792,37 (fls. 10 a 17), perfazendo um crédito tributário consolidado total na data do lançamento, no valor de R$ 27.428.825,18, já incluídos os acréscimos legais vinculados. 2. As infrações imputadas ao sujeito passivo, referentes ao ano base 2008, foram: a) dedução indevida, na apuração do ajuste anual do IRPJ, da estimativa de setembro de 2008, não recolhida; com o seguinte enquadramento legal: art. 11 e § 3º da Lei nº 9.249/95 e RIR/99 – arts. 231, III e IV; 841, III e IV e 943, § 2º. b) falta de recolhimento da estimativa do IRPJ de setembro/2008; com o seguinte enquadramento legal: art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843; c) dedução indevida, na apuração do ajuste anual da CSLL, da estimativa de setembro de 2008, não recolhida; com o seguinte enquadramento legal: art. 2º e §§ da Lei nº 7.689/88; art. 1º da lei nº 9.316/96; art. 28 da Lei nº 9.430/96 e art. 3º da Lei nº 7.689/88; d) falta de recolhimento da estimativa da CSLL de setembro/2008; com o seguinte enquadramento legal: art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96, alterado pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843. 3. Ciente do lançamento através de procurador em 12/12/2011 (fls. 4 e 12), o sujeito passivo apresentou impugnações em 09/01/2012 (fls. 68 a 108 – CSLL e fls. 308 a 348 – IRPJ), com as alegações que passamos a reproduzir sinteticamente abaixo. Nas preliminares. a) Levantamento e acusações precárias a acusação fiscal foi precária, carecendo de elementos suficientes a permitirem à impugnante compreender as bases em que foi realizado o lançamento. b) Cerceamento do direito de defesa – da forma como foi lavrado, o auto de infração não permitiu à autuada compreender como pode ser possível sua lavratura; c) O AI contraria o art. 63 da Lei nº 9.430/96 e art. 142 do CTN os lançamentos são nulos por ofensa aos referidos dispositivos, uma vez que os créditos Fl. 700DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 6 5 tributários objeto de lançamento estavam previamente constituídos em DCTF e com exigibilidade suspensa por parcelamento; d) A possibilidade da constituição de crédito tributário apenas da diferença não declarada os autos são nulos porque, conforme artigo 90 da MP 2.15835, vigente à época, somente está autorizada a constituição de crédito tributário mediante lançamento de oficio das diferenças apuradas nas declarações do contribuinte e no presente caso não há diferenças, já que os valores foram integralmente declarados em DCTF e DIPJ; e) Débito declarado não pode ser objeto de AI e deve seguir o procedimento previsto no artigo 933 do RIR/99 de acordo com o referido dispositivo, o documento que formaliza a existência do crédito tributário através de obrigação acessória constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, excluindo a necessidade de lançamento; f) O AI implica a quebra do parcelamento por ato unilateral e por pessoa incompetente – (i) as estimativas IRPJ e de CSLL foram constituídas na DCTF e DIPJ, antes da lavratura do AI e parceladas conforme regras previstas na Lei nº 11.941/2009, por ter a empresa realizado Pedido de Parcelamento, no dia 17/06/2010; (ii) o lançamento, sem prévia e regular exclusão do contribuinte do parcelamento, mediante procedimento em que lhe seja assegurada defesa, constitui ofensa aos artigos 1° e seguintes da Lei n° 11.941/2009 e artigos 1º e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6/2009; (iii) em relação ao parcelamento realizado pela impugnante, ocorreu um fato que está sendo discutido no âmbito administrativo envolvendo a consolidação dos débitos, conforme demonstra a integralidade do processo nº 10380731120/201140; g) O artigo 16 da IN nº 93/97 – Impossibilidade do lançamento de ofício – de acordo com referido dispositivo somente é permitida a realização de lançamento na hipótese de falta de pagamento da estimativa, situação totalmente diversa do caso concreto em lide, em que as estimativas foram declaradas em DCTF/DIPJ, antes do AI. h) Erro de direito e capitulação infracional incorreta – conforme consta do AI, o objetivo da fiscalização foi constituir crédito tributário de IRPJ e CSLL com fato gerador em 31/12/2008, não obstante isso, o conteúdo da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal Fl. 701DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 7 6 tratam unicamente de glosa de dedução de IRPJ por estimativa; i) Falta de provas da inexistência de pagamento de tributo – o AI deve ser cancelado por falta de prova da existência de débito tributário envolvendo o IRPJ e a CSLL, com fato gerador ocorrido em 31/12/2008; j) Falta de MPFD – o AI deve ser cancelado porque as diligências que culminaram com a intimação da impugnante foram realizadas por auditores fiscais sem que tivesse sido emitido previamente Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência, nos termos do artigo 10, § 1º da Portaria RFB 3.014/2011; k) Termo de início – perda de eficácia – o AI deve ser cancelado em razão de falta de emissão de Termo de Início de Ação Fiscal, que tem validade pelo prazo de 60 dias, salvo se dentro desse período tivesse sido prorrogado, nos termos do artigo 7º, § 2º do Decreto nº 70.235/72; l) Falta de intimação para a impugnante se manifestar sobre o fim da instrução – art. 44 da Lei nº 9.784/99 – a impugnação merece ser provida porque a impugnante não foi previamente intimada para manifestarse sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, nos termos do dispositivo acima indicado; m) Inexistência de fundamentação jurídica e motivos de direito do AI – para a validade dos lançamentos, seria imprescindível que o AFRF demonstrasse os respectivos fundamentos jurídicos, que não foram demonstrados; n) Falta de apresentação de cópia integral do AI e seus anexos – cerceamento do direito de defesa – os autos de infração devem ser nulos porque os AFRF cientificaram a impugnante do seu inteiro teor, sem apresentarem seus anexos e todo o material que fundamentou a sua elaboração na data da intimação da empresa. No mérito. a) Constituição de crédito tributário em duplicidade – IRPJ declarado em DCTF – as estimativas de IRPJ e CSLL foram declaradas em DCTF, tornando se débitos constituídos e exigíveis. b) Impossibilidade de glosa – débito confessado e parcelado – a impugnante não pode ser considerada infratora à legislação tributária, porque, considerandose terem sido o IRPJ e CSLL estimativas declarados em DCTF e parcelados, Fl. 702DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 8 7 jamais poderia a fiscalização ter glosado referidos valores. c) Impossibilidade de aplicação da multa de lançamento de ofício e da multa isolada – denuncia espontânea – não existe a possibilidade de aplicação das multas acima referidas, porque a empresa praticou a denuncia espontânea ao declarar em DCTF e parcelar as estimativas objeto de glosa. d) Impossibilidade da aplicação das penalidades e dos juros de mora – referidos encargos só podem ser constituídos na hipótese de lançamento de ofício sobre valores de tributos não pagos, não sendo o caso da impugnante, que declarou e parcelou os débitos; e) Multa e juros da Lei n 11.941/2009 – uma vez que a empresa confessou e parcelou os débitos, não cabe a incidência dos acréscimos legais aplicados no AI, mas os encargos moratórios previstos na referida lei. f) Multa isolada – principio da consumação e duplicidade – não existe permissão na legislação para aplicação da multa isolada, por já ter sido a impugnante penalizada com a multa de ofício. g) Juros de mora sobre a multa – é inconstitucional a exigibilidade dos juros de mora sobre as multas. 4. Ao final, solicita a impugnante a realização de diligência, para que seja constatada a improcedência dos lançamentos e requer provimento integral da impugnação ou, caso não se julgue integralmente procedente a impugnação, que pelo menos e sucessivamente: (i) cancele a multa isolada; (ii) afaste a incidência dos juros de mora sobre as penalidades e (iii) reduza a multa de lançamento de ofício para 20%, haja vista o instituto da denúncia espontânea. A fim de checar as alegações do sujeito passivo frente às informações constantes dos bancos de dados da RFB procedi às pesquisas nas declarações do contribuinte nos sistemas correspondentes, resultando os extratos que anexei às fls. 555 à 562”. O acórdão recorrido rejeitou a impugnação apresentada pela Contribuinte, sob os fundamentos de que: (i) a diligência pretendida seria prescindível, já que os sistemas da RFB atestam que não existe o parcelamento de débitos citado pela Contribuinte em sua defesa; (ii) não haveria nulidade do procedimento fiscal por ausência de MPF, seja porque se trata de procedimento de “revisão de declaração”, seja porque Fl. 703DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 9 8 eventual irregularidade ou falta de emissão de MPF não implicaria nulidade do julgamento, a teor da jurisprudência do CARF; (iii) não haveria cerceamento do direito de defesa, pois os fatos e infrações estão adequadamente descritos no lançamento e “enquadradas na legislação”; (iv) não haveria perda de eficácia do termo de intimação, pois “não houve descontinuidade no procedimento, que se pudesse caracterizar pela ausência de ato escrito da autoridade lançadora por prazo superior a 60 dias, uma vez que os despachos do Auditor Fiscal nos termos de solicitação de prorrogação, cumpriram o papel dos “atos escritos”, a que ser refere o § 3º do artigo 33 do Decreto nº 7.574/2011 (Processo Administrativo Tributário – PAT) 4. Ademais, apenas para argumentar, ainda que houvesse descontinuidade, isso não acarretaria a nulidade do lançamento, pois seu efeito restringirseia apenas ao restabelecimento da espontaneidade do contribuinte, permitindo que retificasse suas declarações e pagasse os tributos abrangidos pela intimação sem penalidades, o que efetivamente não aconteceu”; (v) no mérito em sentido estrito, embora seja procedente a alegação da Contribuinte de que os débitos de estimativas no exercício de 2009 estejam confessados em DCTF, o auto de infração é procedente pois o lançamento não se refere a “estimativas não pagas”, mas sim ao IRPJ devido ao final do anocalendário (“ajuste”), que não foi objeto de confissão pela Contribuinte; (vi) merecem ser rejeitados todos os argumentos da Contribuinte que tenham como premissa o alegado “parcelamento das estimativas”, pois citado parcelamento foi indeferido, conforme sistemas informatizados da RFB; (vii) a multa isolada por não recolhimento de tributos sobre bases estimadas e os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício merecem ser mantidos, em vista de expressa previsão legal nesse sentido. Em sede de recurso voluntário, a Contribuinte suscita preliminar de nulidade do acórdão recorrido por alegado cerceamento do direito de defesa e, no mais, reproduz suas razões de impugnação, especialmente no que se refere: (i) à preliminar de nulidade do lançamento por cerceamento do direito de defesa, em virtude de a infração não estar devidamente descrita e enquadrada na legislação vigente e não ter sido apresentada memória de cálculo do tributo lançado; (ii) contrariedade aos artigos 63 da Lei n. 9.430/96 e artigo 142 do CTN, em virtude do fato de o débito lançado estar confessado em DCTF e parcelado segundo as regras da Lei n. 11.941/2009; Fl. 704DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 10 9 (iii) ilegitimidade da constituição de crédito tributário que já seja objeto de prévia declaração (confissão), o qual deveria seguir o procedimento previsto no art. 933 do RIR/99; (iv) o auto de infração implica “quebra de acordo de parcelamento” “por ato unilateral e por pessoa competente”, especialmente se considerado o fato de que a Contribuinte não teria sido intimada da decisão da RFB de indeferimento do parcelamento. Segundo a Contribuinte, “todos os contribuintes que optaram pelo parcelamento no âmbito da Lei n. 11.941/2009 caso sejam excluídos ou tenham seu parcelamento rescindido devem ser comunicados e com o direito de apresentarem Recurso Administrativo no prazo de 10 (dez) dias com efeito suspensivo, que serão apreciados por representantes da PGFN ou pelo titular da DRF da jurisdição da contribuinte, como estabelece o artigo 23 e seguintes da Portaria Conjunta PGFN/RFB n. 06/2009. Até a emissão de uma decisão final administrativa acerca da exclusão ou rescisão, os débitos parcelados estarão submetidos aos efeitos do parcelamento, como algo que deve ser considerado pelas autoridades fiscais por estarem impedidas de realizarem o lançamento de ofício envolvendo valores parcelados pelo contribuinte. Como esta decisão não foi emitida até o momento por representantes da PGFN e pelo titular da DRF, jamais os efeitos do parcelamento poderiam ter sido desconsiderados e a autoridade lançadora não teria sequer a competência de apreciar tais questões por não se enquadrar naquelas descritas na supracitada legislação.”; (v) o lançamento seria ilegítimo também por força do disposto no art. 16 da IN n. 93/97, em vista da prévia declaração do débito e do parcelamento respectivo pela Contribuinte; (vi) o lançamento deveria ser cancelado por força (a) da ausência de prova sobre a inexistência de pagamento das estimativas no caso; (b) da ausência de MPFD; (c) da perda de eficácia da intimação de início de ação fiscal; (d) da falta de intimação para a Contribuinte se manifestar sobre o fim da instrução; (e) da ausência de fundamentação jurídica e motivos de direito do auto de infração; (f) da falta de apresentação de cópia integral do auto de infração e seus anexos, em manifesto cerceamento do direito de defesa; (vii) não haveria possibilidade de (a) constituição de crédito em duplicidade (IRPJ estimado e CSLL estimada declarados em DCTF); (b) glosa de débito parcelado e confessado; (c) lançamento de multa de ofício e de multa isolada por força da denúncia espontânea e por força do princípio da “consunção e duplicidade”; (d) aplicação de penalidades e juros de mora, sendo certo que a Contribuinte tem direito à aplicação dos encargos moratórios previstos na Lei n. 11.941/2009 e (e) exigência de juros de mora sobre a multa de ofício; Reiterase, ao final, o pedido de diligência para “que este juízo constate o andamento perante a DRF/Fortaleza do parcelamento formalizado pela empresa” e para “serem Fl. 705DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 11 10 constatados por este juízo a improcedência do lançamento tributário como garante do Princípio da verdade material”. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho O recurso voluntário é tempestivo e interposto por parte legítima, pelo que dele tomo conhecimento. A preliminar de nulidade do acórdão recorrido merece ser rejeitada. Conforme se depreende de seu inteiro teor, o ato decisório tratou satisfatoriamente de todas as questões aduzidas no processo. Os argumentos tidos pela Contribuinte como não contraditados foram expressamente superados pelo acórdão recorrido pois as premissas fáticas que os embasam não eram procedentes no seu entender, quais sejam: (i) (in)existência de parcelamento válido e eficaz dos débitos lançados e (ii) (inexistência de) prévia constituição dos débitos lançados por intermédio de declaração, ante a distinção jurídica entre “valores devidos a título de estimativa” e o tributo devido após o encerramento do anocalendário (“ajuste”). Em suma, o acórdão recorrido é suficientemente claro ao justificar a improcedência da impugnação, conforme argumentos sintetizados na ementa transcrita e nos argumentos sintetizados em sede de relatório. As preliminares de nulidade do lançamento e o pedido de perícia também não merecem ser acolhidos. No ponto, pelo fato de o recurso voluntário meramente reproduzir as razões de impugnação, peço vênia para transcrever as razões do acórdão recorrido sobre o tema e adotálas como razão de decidir neste voto, verbis: “Do Pedido de Diligência. 6. Cabe inicialmente apreciar o pedido de diligência formulado pela impugnante. Solicita ela, genericamente, “a realização de diligências para serem constatados por este juízo a improcedência do lançamento”.... e prossegue: “ a diligência se justifica para que este juízo constate o andamento perante a DRF Fortaleza do parcelamento formalizado pela empresa”. 7. Conforme será abordado em tópicos seguintes deste Voto, as pesquisas internas nos sistemas informatizados da RFB atestaram que inexiste o parcelamento alegado pela impugnante. Em assim sendo, a diligência solicitada evidenciase prescindível, pelo que a indefiro, com fundamento no § 2º do Fl. 706DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 12 11 artigo 36 do Decreto 7.574/2011 (Regulamento do Processo Administrativo Tributário) Da Ausência de MPFD. 8. Alega o sujeito passivo, em defesa indireta, que o lançamento seria nulo pela ausência de Mandado de Procedimento Fiscal – Diligência (MPFD). Sobre essa questão, esclareçase que o lançamento em causa resulta de procedimento de fiscalização da espécie “Revisão de Declaração”, conforme expresso no Termo de Intimação de fl. 21. 9. O procedimento fiscal da espécie “Revisão de Declaração” caracterizase por ser realizado internamente, com base em dados extraídos das declarações dos contribuintes, prescindindo da presença do Auditor Fiscal no domicílio do sujeito passivo. Por essa razão, as normas internas da RFB dispensam a emissão de Mandado de Procedimento Fiscal para a realização dessa espécie de procedimento. É o que prescreve expressamente o inciso IV do artigo 10 da Portaria RFB nº 11.371/2007. (...) Do Regular Exercício da Defesa. 12. Ainda em defesa indireta, alega a impugnante que a acusação fiscal foi precária, carecendo de elementos suficientes para permitir a compreensão das bases em que foi realizado o lançamento. 13. Não é o que se constata dos autos. 14. Conforme se verifica da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal de fls. 5 e 6, o Auditor Fiscal assim descreve as infrações: a) quanto às deduções indevidas de estimativas de IRPJ não pagas: “Glosa de deduções a título de imposto de renda sobre a base de cálculo estimada, cujo recolhimento, no valor de R$ 8.946.045,80, não foi comprovado pela empresa”. b) quanto à multa isolada: “falta de recolhimento de IRPJ sobre base de cálculo estimada” 15. Como se vê, as infrações estão corretamente descritas. Observese que no caso da glosa da dedução, a data do fato gerador está indicada no AI como 31/12/2008. Isso torna claro que se trata de lançamento do IRPJ anual e não da estimativa não paga. Essa diferença é fundamental para compreensão do conteúdo desta decisão, conforme veremos em tópicos seguintes. Pois bem, ao recompor o IRPJ anual, após a glosa da estimativa não paga (R$ 8.946.045,80), o resultado da DIPJ passou de saldo negativo de imposto de R$ 1.187.121,60, para imposto a pagar de R$ 7.759.924,20. É exatamente esse valor e respectivos acréscimos que estão sendo exigidos nos presentes autos. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 13 12 16. No caso da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa, o auto de infração descreve: “O contribuinte optou por pagar a base de cálculo do Imposto de Renda com base em Balanço ou Balancete de Suspensão ou Redução, tendo em setembro de 2008 apurado e declarado em DCTF débito de IRPJ, sob o código 599301– N OBR L REAL ESTIMATIVA, no valor de R$8.946.045,80, porém não recolhido aos cofres públicos...”. 17. Para ambas as infrações, a autoridade lançadora indicou corretamente os enquadramentos legais, a saber: a) dedução indevida de estimativas de IRPJ não pagas: art. 11 e § 3º da Lei nº 9.249/95 e RIR/99 – arts. 231, III e IV; 841, III e IV e 943, § 2º; b) multa isolada: art. 44, II, “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 e RR/99 – arts. 222 e 843; 18. O mesmo raciocínio despendido acima para a demonstração da suficiência da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” no AI do IRPJ (fls. 5 e 6), vale, mutatis mutandis para o AI da CSLL (fls. 13/14). 19. Portanto, os fatos estão suficientemente descritos e corretamente enquadrados na legislação, de modo que não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, seja por falhas ou imprecisão na descrição dos fatos, seja por erro de indicação de dispositivos legais ou ainda por ausência de fundamentos jurídicos. 20. Alega também a impugnante que deixou de ser intimada para manifestarse sobre o encerramento da fase instrutória dos trabalhos fiscais, restando violado o artigo da Lei nº 9.784/99. Referido diploma legal trata da disciplina geral do Processo Administrativo da União, sendo que de acordo com seu artigo 69, os processos administrativos específicos continuam a regeremse por suas regras próprias, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos da referida norma geral. No presente caso, o ato impugnado tem tratamento processual próprio, claramente delineado no Decreto 7.574/2011 Processo Administrativo Tributário – PAT, que regulamentou o Decreto n° 70.235/72 – PAF, não havendo necessidade de integrar subsidiariamente uma norma à outra. 21. Ademais, mister observarse que, na prática, a impugnante teve por duas vezes a oportunidade de manifestarse previamente ao lançamento, e não o fez ao longo de mais de quatro meses, desde a ciência da primeira intimação, em 28/07/2011 (fl. 23), até a ciência da lavratura do auto de infração, em 12/12/2011. 22. Não prospera também o argumento da impugnante de que sua defesa teria restado cerceada por não haver tomado conhecimento da integralidade dos autos de infração e seus Fl. 708DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 14 13 anexos. Com efeito, da análise dos autos verificase que a impugnante foi regularmente notificada dos autos de infração e seus anexos, conforme ciência do seu representante legal (fls 4 e 12). Além do mais, o respectivo processo esteve na repartição fiscal, na íntegra, à disposição do autuado, durante o prazo para impugnação. 23. Logo, não há também que se falar em cerceamento do direito de defesa por obstáculos ao acesso ao conteúdo dos autos e seus anexos. Das Prorrogações do Termo de Intimação. 24. Outro argumento de defesa indireta apresentado pela impugnante é o da perda de eficácia do Termo de Início da Ação Fiscal, pela ausência de prorrogação de sua validade no prazo de 60 dias. 25. A esse respeito, verificase que a impugnante tomou ciência da primeira intimação em 28/07/2011 (fl. 23.), cuja resposta foi no sentido de solicitar a prorrogação do prazo para atendimento. Tal solicitação foi atendida por despacho escrito do Auditor Fiscal no próprio pedido do contribuinte, prorrogando o prazo para 03/10/2011(fl. 24). Decorrido o novo prazo, a impugnante voltou a solicitar prorrogação, mais uma vez atendida pelo Auditor Fiscal, que desta feita prorrogou o prazo para 03/11/2011 (fl. 31). Finalmente, não atendida novamente a intimação, a fiscalização procedeu ao lançamento de ofício, cientificando o sujeito passivo em 12/12/2011(fl. 4 e 12) 26. Como se vê, não houve descontinuidade no procedimento, que se pudesse caracterizar pela ausência de ato escrito da autoridade lançadora por prazo superior a 60 dias, uma vez que os despachos do Auditor Fiscal nos termos de solicitação de prorrogação, cumpriram o papel dos “atos escritos”, a que ser refere o § 3º do artigo 33 do Decreto nº 7.574/2011 (Processo Administrativo Tributário – PAT). Ademais, apenas para argumentar, ainda que houvesse descontinuidade, isso não acarretaria a nulidade do lançamento, pois seu efeito restringir seia apenas ao restabelecimento da espontaneidade do contribuinte, permitindo que retificasse suas declarações e pagasse os tributos abrangidos pela intimação sem penalidades, o que efetivamente não aconteceu.” No mérito, em que pese tenha sido dividida em inúmeros capítulos, a insurgência da Contribuinte embasase notadamente em apenas dois pilares, quais sejam: (i) impossibilidade de constituição, por lançamento, de crédito tributário já constituído por declaração (DCTF); e (ii) impossibilidade de constituição de crédito tributário já parcelado na forma da Lei n. 11.941/2009. Citados pilares de defesa foram adequadamente refutados pelo acórdão recorrido, porquanto: (i) há notória distinção entre “débitos decorrentes de estimativas recolhidas e não pagas” – os quais não são objeto do lançamento – e créditos tributários de IRPJ e CSLL devidos após o encerramento do anocalendário respectivo (estes sim objeto de Fl. 709DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 15 14 lançamento); e (ii) não existe o alegado parcelamento dos débitos de estimativa alegados pela Contribuinte em impugnação. Quanto ao primeiro deles, por sua concisão e pertinência ao caso, pedese vênia para novamente transcrever trecho do acórdão recorrido, verbis: “27. No mérito, a primeira alegação da impugnante é de que confessou os débitos das estimativas em DCTF e que, por isso, não caberia o lançamento. 28. Quanto à declaração em DCTF das estimativas não pagas, as provas dos autos e as pesquisas internas nos sistemas da RFB confirmam a alegação da impugnante, conforme extrato de fl. 555. Contudo, o objeto do presente lançamento não são as estimativas declaradas em DCTF, mas o IRPJ e a CSLL apurados em 31 de dezembro do ano base, recompostos a partir da glosa das estimativas que deixaram de ser pagas. 29. A estimativa e o tributo anual apurado na declaração de ajuste constituem créditos tributários distintos, sujeitos a diferentes vencimentos, regimes de apuração e regras de exigibilidade. As estimativas são apuradas com base na receita bruta e recolhidas no próprio anobase, tendo natureza de antecipação do tributo devido na declaração anual de ajuste. Por essa razão, as têm exigibilidade efêmera, subsistindo somente até o momento do ajuste anual. Uma vez procedido ao ajuste, as estimativas tornamse inexigíveis, ainda que declaradas em DCTF. Por sua vez, o imposto/contribuição anual é apurado com base no lucro real, em caráter definitivo, resultando exigível somente a partir do ano seguinte ao da apuração. 30. Essa distinção confirmase na diferente codificação das respectivas receitas, a saber: (..._ 32. Nesse sentido, observese que o débito declarado em DCTF pelo sujeito passivo é o do código 5993. O entendimento de que os débitos correspondentes a este código (estimativas) não são exigíveis após ajuste anual, mesmo declaradas em DCTF, constitui entendimento pacifico na Administração Tributária. Nesse sentido, reportome ao recente Parecer PGFN nº 1658/2011. 33. No caso em espécie, analisandose o lançamento do IRPJ, verificase da Ficha 12A da DIPJ do contribuinte, (fl. 558), que mesmo não tendo o sujeito passivo pago a estimativa de setembro/2008 (R$ 8.946.045,80), esse valor foi abatido na apuração do imposto anual, fazendo gerar um saldo negativo fictício de IRPJ de R$ 1.187.121,60. Assim, recomposto o saldo do IRPJ, após a glosa da estimativa deduzida indevidamente, restou IRPJ a pagar de R$ 7.759.924,20. Esse valor, que foi objeto de lançamento, não se confunde, repitase, com a estimativa declarada em DCTF. Fl. 710DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 16 15 34. Ainda sobre a apuração do IRPJ anual, registrese por fim que na DCTF do 1º semestre de 2009 (fl. 556), correspondente ao vencimento do imposto anual, não há débitos declarados. 35. O mesmo raciocínio acima despendido para o IRPJ vale para a CSLL. Conforme Ficha 17 da DIPJ, reproduzida no extrato de fl. 559, a estimativa de CSLL deduzida indevidamente foi de R$ 3.227.056,49, fazendo gerar um saldo negativo fictício de R$ 425.203,78, que após a glosa, converteuse em CSLL a pagar no valor de R$ 2.801.852,71. 36. Eis os códigos de receita da CSLL: (..._ 37. Observese que o débito de CSLL que está declarado na DCTF é do código 2484 (estimativa), da mesma forma que não há débitos declarados na DCTF do 1º semestre de 2009 (fl. 556) em que ocorreu o vencimento da CSLL anual – Código 6773. 38. Portanto: (i) os débitos de estimativas declarados em DCTF são inexigíveis; (ii) os débitos de que trata este processo, vencíveis no primeiro semestre de 2009 e classificáveis nos códigos 2362 e 2484, não foram objeto de DCTF, sendo portanto passíveis de lançamento de ofício e exigíveis. 39. Essa distinção fulmina todos os argumentos da defesa fundados na sofista premissa da declaração dos débitos em DCTF.” Quanto ao item (ii) supra (parcelamento), consta dos autos (fls. 562) que o alegado parcelamento de débitos foi indeferido pela RFB, razão pela qual não produz qualquer efeito jurídico. O fato (alegado e não provado) de a Contribuinte não ter sido intimada do indeferimento do parcelamento deve ser objeto de contraditório no processo de parcelamento e não neste PA. Para esta lide, releva apenas constatar que não há parcelamento de débitos vigente, o que afasta, de per si, todos os argumentos de defesa relacionados com essa premissa fática. Por fim, não prospera o argumento da Contribuinte no sentido de que a Fiscalização deveria ter feito a prova da inexistência do pagamento das estimativas declaradas em DCTF. A existência de pagamento caracterizase em fato extintivo do direito da Fazenda Nacional de constituir o crédito tributário, cujo ônus da prova é do contribuinte. Ficam integralmente mantidos, pois, os lançamentos do montante principal do tributo, acrescidos da respectiva multa de ofício aplicada de 75% e de juros moratórios equivalentes à taxa selic. Quanto à multa de ofício isolada, filiome à corrente jurisprudencial majoritária no sentido de que a exigência da multa de lançamento de ofício isolada, sobre diferenças de IRPJ e CSLL não recolhidos mensalmente, somente se justifica se operada no curso do próprio anocalendário ou, se após o seu encerramento, se da irregularidade praticada pela contribuinte (falta de recolhimento ou recolhimento a menor) resultar prejuízo ao fisco, como a insuficiência de recolhimento mensal frente à apuração, após encerrado o ano calendário, de tributo devido maior do que o recolhido por estimativa. Vejase, nesse sentido, Fl. 711DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 17 16 ementas de v. acórdãos proferidos pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, verbis: CSLL – MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – TRIBUTO APURADO INFERIOR AO VALOR CALCULADO POR ESTIMATIVA. O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 determina que a multa de ofício seja calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, grandeza que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. Na apuração do lucro real anual, o tributo devido pelo contribuinte só é conhecido ao final do período de apuração quando ocorre a aquisição de renda pelo contribuinte fato gerador do Imposto sobre a Renda. Improcede a aplicação de penalidade pelo não recolhimento de estimativa quando o valor do cálculo estimado ultrapassa o tributo devido na escrita fiscal ao final do exercício. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10680.005834/200312, Relator Marcos Vínícius Neder de Lima, Acórdão 105 139794) No mesmo sentido: CSLL – MULTA ISOLADA – FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA – O artigo 44 da Lei nº 9.430/96 preceitua que a multa de ofício deve ser calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo, materialidade que não se confunde com o valor calculado sob base estimada ao longo do ano. O tributo devido pelo contribuinte surge quando é o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano. Improcede a aplicação de penalidade pelo nãorecolhimento de estimativa quando a empresa recolhe, ao longo do ano, valor superior ao apurado em sua escrita fiscal ao final do exercício. Recurso especial provido. (CSRF, Primeira Turma, Processo n. 10665.001042/9948, Ac. 108133750, Rel.: Marcos Vinícius Neder de Lima) No mesmo sentido: RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO: Encerrado o período anual da apuração, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência efetivamente devida, apurada com base no balanço anual, revelandose improcedente a cominação de multa, mormente se o contribuinte optou, antes da ação fiscal, em incluir a referida no REFIS. (CSRF, 10140.001362/200247, Ac. 107133806, José Henrique Longo) No mesmo sentido: IRPJ – RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA – MULTA ISOLADA – LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANOCALENDÁRIO: Encerrado o período anual de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no Fl. 712DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 18 17 lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Recurso especial negado. (CSRF, Primeira Turma, Ac. 103124926, Rel.: José Carlos Paussuelo, Processo n. 10280.009389/9926) Também é entendimento assente em seara administrativa o de que é ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de IRPJ sobre bases estimadas e da multa de ofício lançada conjuntamente com o montante principal do imposto, quando ambas tiverem por base o mesmo fato apurado em procedimento fiscal. Verbis: “MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO CONCOMITÂNCIA MESMA BASE DE CÁLCULO A aplicação concomitante da multa isolada (inciso III, do § 1º, do art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996) e da multa de ofício (incisos I e II, do art. 44, da Lei n 9.430, de 1996) não é legítima quando incide sobre uma mesma base de cálculo. Recurso especial negado. (Processo n. 10510.000679/200219, Recurso n. 106 131314, Ac. CSRF/0104.987, Primeira Turma, Relator: Leila Maria Scherrer Leitão, 15/06/2004) Do exame dos autos verificase que no anocalendário autuado houve lançamento de tributos com multa de ofício (em auto de infração apartado) e de multas isoladas por não recolhimento do imposto sobre bases estimadas por conta dos mesmos fatos, razão pela qual se impõe, por este fundamento, o afastamento das multas isoladas. Quanto ao último item recursal (juros de mora sobre multa de ofício), entendo que procede a alegação da Contribuinte quanto à (ilegítima) incidência de juros sobre a multa de ofício aplicada. Para que esse voto não se alongue em demasia, reportome aos argumentos aduzidos pelo Ilustre Conselheiro Caio Marcos Cândido para fundamentar esse entendimento, verbis: “Entendo caber razão à recorrente quanto à não aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, nem mesmo no percentual de 1%. Reproduzo parte dos argumentos de defesa esposados pela recorrente. O artigo 139 do CTN estabelece que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Já o artigo 113 do CTN estatui que a obrigação tributária pode ser principal (de pagar tributo ou penalidade pecuniária) ou acessória (de fazer), sendo que a obrigação acessória “pelo simples fato de sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária”, nos termos do parágrafo 3º do citado artigo 113. Assim, a penalidade pecuniária que se converte em obrigação principal é exatamente aquela que decorre da inobservância da obrigação acessória. É somente sobre esta penalidade, que por si só consubstancia (ou se converteu em) obrigação principal, que se não integralmente paga no respectivo vencimento podem incidir os Fl. 713DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 19 18 juros de mora, seja de 1% ao mês com base no art. 161 do CTN, seja com base na taxa SELIC como atualmente previsto no artigo 43 da Lei nº 9.430/1996. Portanto, sobre a penalidade incidente pelo não pagamento da obrigação principal, exigida conjuntamente com o tributo não pago, não pode incidir juros moratórios, posto que se já estivesse incluída na expressão “crédito” sobre o qual incidem os juros de mora previstos no artigo 161 do CTN, não haveria razão alguma para a ressalva final constante do mesmo dispositivo, no sentido de que esta incidência de juros se dá “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis.”. Corrobora tal entendimento o voto condutor do ilustre Conselheiro Antônio Zomer, nos autos do recurso nº 125.436, que deu origem ao acórdão 202 16.397: Restaria, por derradeiro, a possibilidade de aplicação, sobre as multas de ofício não pagas no vencimento, dos juros previstos no artigo 161 do Código Tributário Nacional, que assim determina: (...) Entretanto, nem aqui a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício encontra guarida. Isto porque a redação do art. 161 do CTN permite inferir que o termo crédito nele referido não engloba o tributo e a multa de ofício, mas apenas o tributo, pois se assim não fosse, deixaria de ter sentido a expressão “sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis” que aparece logo depois da previsão dos juros sobre o crédito. Se a multa de ofício está contida no termo crédito, de que penalidade estaria tratando a parte final do art. 161 do CTN? A conclusão a que chego, mais uma vez, é que o CTN também não buscou regular a cobrança de juros de mora sobre a multa de ofício. Pelo quê, entendo não ser cabível a cobrança de juros moratórios, à taxa de 1% ao mês, sobre a multa de ofício imposta no lançamento.” (Processo n. 16327.004079/200275, Acórdão n. 10196.008, sessão de 01 de março de 2007). Por tais fundamentos, oriento meu voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para rejeitar as preliminares de nulidade do acórdão recorrido e dos lançamentos e, no mérito, darlhe parcial provimento para cancelar os lançamentos de multa de ofício isolada e a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício remanescente. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Guidoni Filho Fl. 714DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 20 19 Voto Vencedor Conselheiro João Otávio Oppermann Thomé Colhidos os votos em sessão, restou o relator vencido com relação aos seguintes pontos: (i) lançamento da multa isolada sobre as estimativas, em relação ao qual o relator propunha o seu cancelamento; (ii) juros de mora sobre a multa de ofício, calculados com base na taxa Selic, que o relator excluía. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Albertina Silva Santos de Lima, esta não mais integra o colegiado. Neste caso, dispõe o art. 17 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 (RICARF): “Art. 17. Aos presidentes de turmas julgadoras do CARF incumbe dirigir, supervisionar, coordenar e orientar as atividades do respectivo órgão e ainda: III designar redator ad hoc para formalizar decisões já proferidas, nas hipóteses em que o relator original esteja impossibilitado de fazêlo ou não mais componha o colegiado; (...)” Nestes termos, na condição de atual presidente da Turma, e tendo participado daquele julgamento, designo a mim como redator ad hoc para o voto vencedor. Inicialmente, cumpre esclarecer que minha posição pessoal é pela manutenção integral das multas isoladas aplicadas, uma vez que não partilho do entendimento de nenhuma das inúmeras teses que vicejaram no CARF propondo o seu cancelamento, em função das circunstâncias específicas que cercam a determinação do seu montante em cada caso concreto. A meu modo de ver, a penalidade pelo descumprimento da obrigação de recolher as antecipações devidas está expressamente prevista em lei e não guarda qualquer correlação com o montante do imposto devido ao final do ano, nem tampouco pode ser afastada sob o argumento de concomitância com a multa proporcional eventualmente aplicada. Contudo, tal entendimento também restou superado por ocasião da votação, tendo prevalecido, por maioria de votos, a posição da conselheira Albertina Silva Santos de Lima, então presidente da Turma. A posição da ilustre conselheira, por diversas vezes manifestada em outros julgados, e que restou vencedora, centrase no entendimento de que não há na lei qualquer limitação quanto a não poder a base de cálculo da multa isolada aplicada (i.e., as estimativas devidas) ser superior à base de cálculo apurada no ajuste anual. Ou seja, a ilustre conselheira defende a manutenção da multa isolada inclusive nos casos em que a base de cálculo do tributo ao final do ano resultar negativa (prejuízo fiscal), bem como nos casos em que, como ocorre no presente, a base de cálculo apurada no ajuste resulta inferior às estimativas devidas. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 21 20 Por outro lado, a ilustre conselheira rejeita a chamada “aplicação concomitante” da multa de ofício isolada e da multa de ofício proporcional sobre uma mesma base. Para ilustrar de forma sintética o seu posicionamento, trago à colação trecho do voto por ela proferido nos autos do processo 18471.002644/200311: “(...) Os valores cuja insuficiência foi detectada pela fiscalização são de R$ 4.571,75 para janeiro, R$ 52.294,24 para agosto, R$ 11.227,93 para setembro, e R$ 38.746,19 para outubro. O valor total das estimativas corresponde a R$ 106.840,11 Esses valores de estimativas foram incluídos no PAES, mas durante a ação fiscal. Teria de ser efetuado lançamento da multa por falta de recolhimento de estimativas? Entendo que sim, porque a contribuinte estava sob a ação fiscal quando aderiu ao PAES. Entretanto, sobre a base de R$ 60.569,80 (valor do ajuste) foi lançada a multa de oficio. Assim, houve dupla incidência de multa sobre esse valor. Meu entendimento pessoal é de que deveria ser excluída a multa isolada que incidiu sobre o valor do ajuste, em razão da concomitância com a multa de oficio, mantendose o valor restante reduzido de 75% para 50% em função da alteração na legislação posterior.” Transpondo para o presente caso, a situação que emerge é a seguinte: No caso do IRPJ, as estimativas devidas e não recolhidas apuradas pelo fisco foram de R$ 8.946.045,80, e o valor do imposto devido no ajuste, e também lançado de ofício, foi de R$ 7.758.924,20. Assim, resta como estimativa devida e não recolhida o montante de R$ 1.187.121,60, que corresponde à base de cálculo sobre a qual deve ser mantida a multa isolada de 50%. E, no caso da CSLL, as estimativas devidas e não recolhidas apuradas pelo fisco foram da ordem de R$ 3.227.056,49, e o valor da contribuição devida no ajuste, e também lançada de ofício, foi de R$ 2.801.852,71. Assim, resta como estimativa devida e não recolhida o montante de R$ 425.203,78, que corresponde à base de cálculo sobre a qual deve ser mantida a multa isolada de 50%. Com relação aos juros de mora sobre a multa de ofício, o entendimento majoritário do colegiado é no sentido da manutenção de sua exigência, em síntese, pelos fundamentos a seguir expostos. A previsão de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício está plenamente configurada no bojo do art. 161, do CTN, que possui a seguinte redação: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de 1% (um por cento) ao mês. Fl. 716DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 22 21 (......)” A acepção da palavra crédito deve ser feita em consonância com o fato de que, após o lançamento de ofício efetuado, a multa aplicada passa a integrar aquele valor. Afinal, se o crédito tem a mesma natureza da obrigação principal e esta tem por objeto o pagamento de tributos e penalidades pecuniárias, é evidente que o crédito tributário compreende um e outro. Pela própria localização do referido artigo no CTN, inserido em um capitulo que versa sobre a extinção do crédito tributário, e numa seção que trata do pagamento, não se vislumbra amparo ao entendimento que visa a reduzir o alcance da palavra crédito, como se o artigo estivesse se referindo exclusivamente ao tributo, e não ao crédito tributário. Os juros de mora são devidos para compensar a demora no pagamento. O vencimento da multa por lançamento de oficio se dá no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração, momento a partir do qual, se não paga a multa, passa o contribuinte a encontrarse em mora. Conforme dispôs o próprio CTN, somente a lei pode dispor em sentido diverso, eventualmente cogitando da não aplicação de juros sobre alguma parcela do crédito tributário. Historicamente, o DecretoLei nº 1.736/1979 já previa a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, nos seguintes termos: Art 1° O débito decorrente do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza, do imposto sobre produtos industrializados, do imposto sobre a importação e do imposto único sobre minerais, não pago no vencimento, será acrescido de multa de mora, consoante o previsto neste Decretolei. (......) Art 2° Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1°. Art 3° Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1° do Decretolei n°. 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis n°. 1.569, de 8 de agosto de 1977, e n°. 1.645, de 11 de dezembro de 1978. (......) O parágrafo único do art. 2º acima transcrito expressamente ressalvava a não incidência de juros apenas sobre a multa de mora, mas não sobre a multa de oficio, prescrevendo o seu caput a incidência de juros sobre o “valor originário” dos “débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional”. O art. 3o, por sua vez, referia todas as Fl. 717DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 23 22 parcelas do débito que não se consideram incluídas no “valor originário” do débito, não se encontrando ali também a previsão para a exclusão, deste valor, da multa de ofício. Houve, contudo, de fato, períodos em que, apesar da previsão geral de incidência de juros de mora contida no CTN, a lei expressamente restringiu os juros de mora apenas aos tributos e contribuições atualizados monetariamente, o que implicou, portanto, na sua não incidência, naqueles períodos, sobre a multa de ofício. Por exemplo, houve a Lei nº 7.738/89, cujo art. 23 possuía a seguinte redação: Art. 23. Os tributos e contribuições administrados pelo Ministério da Fazenda, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de trinta por cento e a juros de mora na forma da legislação pertinente, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição atualizado monetariamente. (........) Contudo, já com a Lei nº 8.218/91, retornou a incidência dos juros de mora sobre “os débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, juros estes que eram então calculados com base na TRD, confirase: Art. 3º Sobre os débitos exigíveis de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional, bem como para o Instituto Nacional de Seguro Social INSS, incidirão: I juros de mora equivalentes à Taxa Referencial Diária TRD acumulada, calculados desde o dia em que o débito deveria ter sido pago, até o dia anterior ao do seu efetivo pagamento; e Sem estender a análise histórica de modo a contemplar todos os diplomas legais que trataram do assunto, o que se verifica é que, sempre que o legislador visou a restringir o alcance dos juros a apenas parte (ou partes) do crédito tributário, o fez de modo expresso, ou usando a expressão “tributos e contribuições” para referir que somente estes se sujeitariam aos juros de mora, ou então mencionando expressamente todas as parcelas do crédito tributário (débito para com a Fazenda Nacional) que não deveriam sofrer a incidência daqueles juros. No caso dos autos, há que se levar em consideração o que dispõe o art. 61 da Lei nº 9.430/96, verbis: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a Fl. 718DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO Processo nº 10380.733025/201181 Acórdão n.º 1102000.816 S1C1T2 Fl. 24 23 partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Rogando vênia à corrente desta Corte que se tem manifestado em sentido oposto, entendo que a expressão “decorrentes de tributos e contribuições” deva ser interpretada de modo a incluir a multa de ofício, e não a excluíla. Os débitos para com a Fazenda Nacional podem ser de diversas naturezas, não apenas tributária. Assim, tenho que a expressão “débitos decorrentes de tributos e contribuições” visa a apenas ressaltar a natureza tributária dos débitos a que se refere o dispositivo em questão, em contraste com a mais abrangente expressão “débitos de qualquer natureza com a Fazenda Nacional”, anteriormente empregada pela legislação de regência. Ademais, cumpre destacar ainda que o entendimento aqui exposto coaduna se com o que se vem consolidando no STJ, conforme se pode verificar na ementa abaixo transcrita: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 – PR, Relator Min. Benedito Gonçalves, DJe: 10/12/2012: “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. 2. Agravo regimental não provido.” Com estas considerações, entendo cabível a incidência de juros de mora sobre a multa punitiva aplicada, os quais, nos termos da legislação de regência, são atualmente calculados com base na taxa Selic. Pelo exposto, dou parcial provimento ao recurso para reduzir a base de cálculo da multa isolada para R$ 1.187.121,60, em relação ao IRPJ, e para R$ 425.203,78 em relação à CSLL. (assinado digitalmente) João Otávio Oppermann Thomé – Redator designado ad hoc Fl. 719DF CARF MF Impresso em 08/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 16/ 04/2014 por JOAO OTAVIO OPPERMANN THOME, Assinado digitalmente em 02/05/2014 por ANTONIO CARLOS GUID ONI FILHO
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Numero do processo: 11080.722683/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 18 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. GLOSA
Não estando comprovadas as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantida a presente glosa.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.864
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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GLOSA Não estando comprovadas as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantida a presente glosa. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 26 83 /2 00 9- 70 Fl. 42DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Tratase de Notificação de Lançamento nº 2006/610410113433028, lavrada em 05/06/2008 (fls. 05/09), contra o contribuinte acima qualificado, relativo ao Ano Calendário 2005, Exercício 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 8.825,44, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 05/06/2008. Consta da Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal às fls. 06/07, que o contribuinte regularmente intimado, não atendeu a intimação do Fisco, e em decorrência, foi glosado o valor de R$ 16.555,72, deduzido indevidamente à título de despesas médicas por falta de comprovação e glosou o valor de R$ 9.058,94, deduzido indevidamente à título de Contribuição à Previdência Privada e Fapi, também por falta de comprovação. Cientificado da exigência tributária em 18/06/2008, e, irresignado com o Lançamento lavrado pelo Fisco, o contribuinte apresentou Impugnação em 16/07/08 (fls. 01/02), instruída com os documentos de fls. 04 e seguintes. Inicialmente alegou o não recebimento de qualquer intimação para a apresentação de documentos em momento antecedente ao do recebimento da presente notificação fiscal. Quanto ao valor da Previdência Privada e FAPI disse que em 31/10/02 foi feita uma migração do Plano Único da Fundação CEEE para o Plano de Benefícios CEEEPREV Previdência Privada da Cia. Estadual de Energia Elétrica administrado pela Fundação CEEE Anexo I. Em 10/2002, o valor pago como complementação de aposentadoria por tempo de serviço era de R$ 6.062,25, com a contribuição de R$ 517,66. Após a assinatura do Anexo I, em 11/2002, passou a ser de R$ 5.500,59. Ficando retido pela Fundação CEEE de Seguridade Social o valor da contribuição para a Previdência Privada e FAPI Anexo II. Destaca que no demonstrativo para opção da migração para o CEEPREV Participante Assistido consta que o benefício saldado corresponde ao valor do benefício do Plano Único deduzida a contribuição. Concluindo suas razões, reafirmou que o valor da Contribuição à Previdência e Fapi vem sendo retido mensalmente pela Fundação CEEE, que restou comprovado pela redução do valor recebido conforme Anexo II. A Turma de Primeira Instância, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação apresentada, conforme excertos transcritos abaixo: “Preliminarmente convém destacar que, conforme informado às fls. 01 e fls 25, foi transferido para o processo n° 11080.008.639/200872 o valor originário (principal) de R$ 1.907,22 relacionado à parte não impugnada do lançamento (despesas médicas). Assim, registro que o presente julgamento restringirseá à parte litigada. Na defesa, o contribuinte alegou ter sido retido o valor da contribuição para a Previdência Privada e FAPI. Mencionou a existência de anexos I, II e III, porém conforme verifico nos autos, não apresentou no prazo de defesa quaisquer elementos probatórios das suas alegações. [...] De acordo com os dispositivos transcritos, todas as deduções estão sujeitas a comprovação por parte do contribuinte. Conforme verifico nos autos, o contribuinte não apresentou no prazo de defesa elementos comprovadores das suas afirmações Fl. 43DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 11080.722683/200970 Acórdão n.º 2102002.864 S2C1T2 Fl. 43 3 que permitissem o entendimento diverso daquele apontado pela fiscalização. Assim, mantenho o crédito tributário relativamente a parte em litígio na forma lançada. [...]” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1031.950 da 8ª Turma da DRJ/POA em 22/06/2011 (fl. 34). Sobreveio Recurso Voluntário em 14/07/2011 (fl. 41), desacompanhado de documentos. Em suma, alegou que: “Como não possui outro tipo de rendimento, a não ser a complementação da Aposentadoria pela Fundação CEEE de Seguridade Social e a aposentadoria propriamente dita, do INSS, cujos cálculos do imposto de renda retido na fonte são de acordo com as tabelas emanadas da Receita Federal, solicita exame deste cálculo, pois entende que o mesmo já contempla o fisco com os valores devidos. Outrossim, gostaria que também fosse levado em conta que possa estar havendo bitributação, o eu também fosse levado em conta que possa estar havendo bitributação, o eu já tem ocasionado demandas judiciais, com ganho de causa aos contribuintes.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. O presente recurso se cinge à controvérsia acerca dos valores da contribuição para a Previdência Privada e FAPI. Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que o contribuinte não acostou nenhum documento que fundamente suas razões junto ao Recurso. Inclusive, cabe consignar que na impugnação o interessado alega ter acostado anexos I, II, e III, contudo, compulsando os autos, verificase que não há quaisquer documentos apresentados pelo contribuinte, tanto na impugnação quanto no presente recurso. Conforme dispõe o Regulamento do Imposto de Renda, as deduções informadas pelo contribuinte na Declaração de Ajuste Anual são passíveis de comprovação. Nesse sentido, transcrevo abaixo os arts. 73, §1º, 797 e 835 do RIR/99: “Art. 73.Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, ajuízo da autoridade lançadora. Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 §1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte. Art. 797. E dispensada a juntada, à declaração de rendimentos, de comprovantes de deduções e outros valores pagos, obrigandose, todavia, os contribuintes a manter em boa guarda os aludidos documentos, que poderão ser exigidos pelas autoridades lançadoras, quando estas julgarem necessário. Ari. 835. As declarações de rendimentos estão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários.” Portanto, não estando comprovadas nos autos as despesas com contribuição a Previdência Privada e FAPI, deve ser mantido o presente lançamento. Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10410.001469/2009-34
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL.
Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007.
A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008.
LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS.
Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
Numero da decisão: 1802-001.576
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA DE DÉBITOS DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS COM SALDO NEGATIVO DE IMPOSTO. INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento.
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INAPLICABILIDADE DO PROCEDIMENTO DO ART. 74 DA LEI N° 9.430/96. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) não se aplicam as disposições relativas à restituição e compensação do art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência dos artigos 2° e 26, parágrafo único, da Lei n° 11.457/2007. A declaração de compensação tributária apresentada de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais também não se subsume ao procedimento dos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa RFB n° 900/2008. LEI Nº 11.457/2007, ART. 26, PARÁGRAFO ÚNICO. ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. EXISTÊNCIA DE DIVERSOS PROCEDIMENTOS INAPLICÁVEIS À HIPÓTESE DOS AUTOS. COMPENSAÇÃO MEDIANTE PRÉVIO REQUERIMENTO DE QUE TRATA O ARTIGO 26, CAPUT, DA LEI N°11.457/2007. FUNDAMENTO NÃO ENFRENTADO PELAS DECISÕES ANTERIORES NOS AUTOS. Sendo inaplicável o procedimento do artigo 74 da Lei n° 9.430/96 para a declaração de compensação apresentada e, também, sendo situação que não se subsume às hipóteses da Instrução Normativa RFB n° 900/2008 (artigos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 14 69 /2 00 9- 34 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 106 2 44 a 48), é incabível a denegação do pleito pelas decisões anteriores sem apreciar, sem enfrentar a questão se a declaração de compensação apresentada pelo contribuinte se subsume, ou não, à hipótese do artigo 26, caput, da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação de débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos federais, mediante requerimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à DRF de origem. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 107 3 Relatório Cuidam os autos de Recurso Voluntário de fls.79/93 contra decisão da 3ª Turma da DRJ/Recife (fls. 70/75) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos: que, em 20/03/2009, a Contribuinte protocolizou Declaração de Compensação Tributária, formulário em papel (modelo previsto no Anexo VII da IN RFB n° 900/2008), informando (fls. 02/04): a) débitos previdenciários Fundo de Asistência da Previdência Social FPAS: Código de Receita – FPAS Período de Apuração Vencimento Valor Orginal do Débito (R$) Outras Informações 2100 02/2009 20/03/2009 169.165,60 FPAS 604 2607 02/2009 20/03/2009 192.889,51 FPAS 744 2100 02/2009 20/03/2009 90.254,58 FPAS 833 Obs: Os débitos discriminados acima são da Filial da Contribuinte USINA CAETÉ, unidade de São Miguel dos Campos – AL. b) crédito utilizado (valor original): R$ 452.309,69. que, segundo a Contribuinte, a origem desse direito creditório utilizado seria o saldo negativo do IRPJ do anocalendáro 2008, no montante de R$ 5.484.010,68 (valor original), objeto do Processo de restituição/ressarcimento – PER/DCOMP: 02581.89116.190309.1.3.028782, protocolizada em 19/03/2009, cópia juntada (fls. 17/19). Não informou o número daquele processo; que o reconhecimento do direito de compensação impõese com base na Lei nº 11.457/2007; A DRF/Maceió (4ª Região Fiscal), por Despacho Decisório de 22/06/2009 (fls. 26/28), sem enfrentar o mérito quanto ao direito creditório pleiteado nestes autos, indeferiu a Compensação tributária informada, em face de utilização pela contribuinte de procedimento de compensação diverso do previsto legalmente. A propósito, transcrevo, no que pertinente, a fundamentação constante do Parecer da Seção – SAORT, parte integrante do referido Despacho Decisório (fls. 26/28), in verbis: (...) Fundamentação Fl. 107DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 108 4 2. De acordo com o que consta às fls. 01 e 02 dos autos, as compensações requeridas têm como alvos débitos relativos a contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a seus empregados, demais segurados do regime geral de previdência social e de suas operações normais durante o mês de fevereiro de 2.009. No caso, observase que os débitos sobre os quais se requer as compensações são decorrentes do que consta na alínea "a", parágrafo único, art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 3. O requerente fundamentase na Lei n° 11.457, de 2.007, para solicitar o reconhecimento do direito às compensações (ver fls. 01). 4. A Lei n° 11.457, de 2.007, em seu art. 26, parágrafo único, determina que o disposto no art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, não se aplica às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 1.991. 5.Entendo, no caso, que as compensações pretendidas utilizaram como base o art. 74 da Lei n° 9.430, de 1.996, atualmente com redação dada pela dada pela Lei n° 10.637, de 2.002, tendo em vista que a declaração de compensação de fls. 02 dos autos foi efetivada com base em crédito de saldo negativo de imposto de renda pessoa jurídica (IRPJ). Conclusão 6. Tendo em vista o que consta neste parecer, proponho que seja indeferida a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Despacho decisório À vista dos elementos que instruem este processo e dos fundamentos contidos no parecer que integra este ato, conforme § 1º, art. 50, da Lei n° 9.784, de 1.999, indefiro a petição de fls. 01 e 02 dos autos. (...) Ciente dessa decisão monocrática em 06/07/2009 (fl. 29), a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade para a DRF/Recife em 05/08/2009 (fls. 30/38), cujas razões, em síntese, são as seguintes: que pela Lei 11.457/2007 ocorreu a unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social, dando origem à Secretaria da Receita Federal do Brasil (Super Receita); que, pelo art. 2º da Lei nº 11.457/2007, foi transferida toda a competência sobre a fiscalização e administração das Contribuições Previdenciárias, de que tratam as alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil; Fl. 108DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 109 5 que não há, absolutamente, nenhuma vedação expressa na lei no sentido de que não poderia a Contribuinte compensar seu débito correspondente à contribuição previdenciária com crédito originário de outros tributos como, por exemplo, saldo negativo de IRPJ e também não haveria de ter, pois são tributos administrados pelo mesmo órgão; que a Lei 11.457/2007 e a Instrução Normativa n° 900/08 não apresentam quaisquer restrições ou justificativas no sentido da impossibilidade de compensação dos débitos relativos às contribuições previdenciárias com créditos relativos a outros tributos; que se encontra consolidado pelo Supremo Tribunal Federal o reconhecimento de que as contribuições sociais têm natureza tributária e que, antes da edição da Lei 11.457/2007, o único empecilho que permanecia à compensação, entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, era o fato de que àquelas eram administradas pela Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social; que o art. 7° do DecretoLei n° 2.287/1986 (nova redação dada pelo art. 114 da Lei n° 11.196/2005) já determinava que o fisco, antes de proceder à restituição ou ao ressarcimento de tributos, deveria averiguar se o contribuinte era devedor da Fazenda Nacional e, no caso de existência de débitos, inclusive previdenciários, o valor correspondente ao crédito deveria ser compensado de ofício, total ou parcialmente, com o valor do débito; que atinente a débitos das contribuições previdenciárias previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/91 ou das contribuições instituídas a título de substituição – incidentes sobre o faturamento – Agroindústria (Lei nº 8.212/91, art. 11, § parágrafo único, “d” c/c art. 22A) e em relação à Divida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social, o dispositivo prevê o mesmo procedimento. Ou seja, a autoridade fiscal deve compensar de oficio créditos de tributos federais com débitos previdenciários antes de qualquer ressarcimento ou restituição; que as compensações de créditos de tributos federais com débitos de contribuições administrados pela extinta Secretaria da Receita Previdencidria já eram realizadas, independentemente de requerimento do contribuinte e, sendo assim, a Lei 11.457/2007 buscou justamente tornar possível também a compensação pelo próprio contribuinte. Ademais, seria injustificável que este procedimento somente pudesse ser realizado de oficio pelo fisco, razão pela qual as compensações, do caso em tela, devem ser aceitas/homologadas com base em declaração da própria Contribuinte, na forma prevista pelo art. 74 da Lei n° 9.430/1996; que todos os tributos federais passaram a ser administrados pelo mesmo órgão, ou seja, pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatase que a compensação objeto do processo em comento se mostra absolutamente legitima, motivo pelo qual o suposto débito de contribuição previdenciária deve ser extinto; que, caso se entenda pela impossibilidade de realização das compensações, sob hipótese alguma poderia ser fundamentada pela aplicação do artigo 26 da Lei 11.457/2007, pois esse dispositivo se refere, exclusivamente, às contribuições: a) das empresas, incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados a seu serviço; b) dos empregados domésticos e c) dos trabalhadores, incidentes sobre o seu salário de contribuição, o que, definitivamente, não é o caso dos autos; Fl. 109DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 110 6 que, vale dizer, os artigos 2º e 26, parágrafo único, da Lei 11.457/2007 somente vedam a compensação nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para as constribuições previdenciárias das alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei 8.212/91; que a situação da Contribuinte é diversa, pois tratase de Agroindústria e, por isso, o débito compensado se enquadra na alínea "d" do § único do artigo 11 da Lei 8.212/91, ou seja, contribuição social incidente sobre o faturamento, por força do disposto no art. 22A da Lei 8.212/91, redação dada pelo art. 1º da Lei 10.256/2001, e que, por conseguinte, a compensação efetuada não é vedada; que, não obstante, a vedação de compensação (alineas a, b e c do § único do art. 11 da Lei 8.212/91), também, não deve prevalecer por ser flagrantemente inconstitucional, por falta de proporcionalidade ou razoabilidade da restrição; que, desta forma, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria, alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91), e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos; que, por fim, pedidu a revisão do indigitado Despacho Decisório. A DRJ/Recife, na mesma esteira do Despacho Decisório, julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente pela vedação da compensação pleiteada no rito do procedimento previsto no art. 74 da Lei n° 9.430/96, não entrando no mérito do direito creditório, cuja menta do acórdão transcrevo a seguir (fl. 70), in verbis: (...) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO DE IRPJ. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO LEGAL. Às contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c" da Lei n° 8.212/1991 e às instituídas a título de substituição não se aplicam às disposições relativas à restituição e compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9430/1996, inteligência do art. 26 da Lei n° 11.457/2007. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2008 ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a arguição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de Fl. 110DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 111 7 competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. (...) Ciente desse decisum em 22/03/2012sextafeira (fl. 78), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 23/04/2012 (fls. 79/93), juntando ainda os documentos de fls. 94/100, aduzindo, em suma, as mesmas razões já apresentadas na instância a quo, já resumidas anteriormente, neste relatório. Por fim, a Recorrente pediu a revisão da decisão recorrida, reiterando que, em face da inexistência de vedação pelo art. 26 da Lei 11.457/2007 ao caso em apreço (Agroindústria alínea "d" do § único do art. 11 da Lei n° 8.212/91) e considerando que a justificativa de fato e de direito que existia para se vedar a compensação entre créditos antes administrados separadamente pelo INSS e pela Secretaria da Receita Federal deixou de existir com a criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil, merece ser homologada a compensação formalizada, objeto dos autos. Aduziu, também, a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação de débitos de contribuição previdenciária com créditos de outros tributos mediante prévio requerimento. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 112 8 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. Conforme relatado, os autos tratam de processo de compensação tributária. A Contribuinte, em 20/03/2009 (fls. 02/03), formalizou compensação tributária de débitos das contribuições previdenciárias previstas no art. 11, parágrafo único, alíneas "a", "b", e "c" da Lei n° 8.212/1991 e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com direito creditório saldo negativo do IRPJ do anocalendário 2008, utilizando o procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. A decisão a quo, assim como acontecera com o despacho decisório, sem entrar no mérito do direito creditório, rejeitou a compensação tributária, pela impossibilidade jurídica do encontro de contas pelo procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Nesta instância recursal, a Recorrente rebelase contra a decisão a quo, argumentando que é inaplicável a vedação do art. 26, parágrafo único, da Lei nº 11.457/2007, pelas seguintes razões: a) que a vedação estendese, apenas, às exações fiscais das alínesas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; b) que, por ser agroindústria (contribuições da Agoindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º), os débitos compensados do INSS referemse à alínea “d” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91; c) que, caso esse entendimento não seja acatado e ainda assim, a partir da criação da Super Receita Lei nº 11.457/2007 (unificação da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria de Arrecadação Previdenciária do Ministério da Previdência Social), não deve prevalecer a vedação de aplicação do art. 74 da Lei 9.430/96. Vale dizer: que é inconstitucional o dispositivo legal que veda a compensação tributária, via DCOMP, de débitos do INSS com créditos de tributos federais, pois tais exações fiscais passaram a ser administradas pelo mesmo órgão, ou seja, a Secretaria da Receita Federal do Brasil. d) que, por fim ainda, defende a tese de que o art. 26, caput, da Lei nº 11.457/2007 estaria permitindo a compensação por prévio requerimento entre débitos de contribuições previdenciárias com créditos de outros tributos. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 113 9 Inexistindo preliminar suscitada de natureza processual, passo diretamente à análise do mérito. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. PROCEDIMENTOS. O ponto controvertido, que precede à análise de mérito do direito creditório pleiteado, diz respeito ao procedimento utilizado pela Recorrente para viabilizar o “encontro de contas” de débitos de contribuições sociais do INSS (estatuídas na Lei nº 8.212, art. 11, parágrafo único, alíneas “a”, “b”, e “c”) e/ou das instituídas a título de substituição (contribuições sociais da Agroindústria, Lei nº 8.212/91, art. 22A, redação da Lei nº 10.256/2001, art. 1º) com créditos de outros tributos federais. Em relação às contribuições previdenciárias do INSS, antes da fusão da Receita Federal com a Receita Previdenciária promovida pela Lei nº 11.457/07 (Lei que criou a "Super Receita"), as hipóteses de compensação dessas exações fiscais estavam bem delineadas na legislação de regência. Senão vejamos: a) compensação voluntária, via declaração (GFIP), somente entre débitos tributários de contribuições previdenciárias do INSS e crédito dessas mesmas exações fiscais, decorrente de pagamento indevido ou a maior (Lei nº 8.212/91, art. 89 c/c Lei nº 9.032/95); b) compensação de ofício, entre débitos do sujeito passivo com a Fazenda Nacional e créditos de competência do Instituto Nacional do Seguro Social INSS (Lei nº 8.212/91, art. 89, § 8º, MP 252/2005 e Lei nº 11.196/05); c) compensação de ofício, realizada entre créditos de quaisquer tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias, cuja competência era exercida pela Secretaria da Receita Federal. (DecretoLei nº 2.287/86, art. 7º, § 2º, com redação dada pelo art. 114, da Lei nº 11.196/05). Portanto, enquanto vigente o art. 89, § 2º, da Lei nº 8.212/91, o qual foi objeto de revogação pela Medida Provisória nº 449/08, convertida na Lei nº 11.941/09, havia expressa disposição de que a restituição ou compensação de contribuições previdenciárias, por iniciativa voluntária do contribuinte, somente envolvia débitos e créditos tributários decorrentes dessas mesmas contribuições, in verbis: "Art. 89. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo INSS, valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta Lei." Quando da entrada em vigor da Lei nº 11.457/07 (unificação da Secretaria da Receita Federal e da Secretaria de Arrecadação da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social), o caput do art. 26 trouxe uma inovação legislativa atinente à compensação de contribuições previdenciárias, ou seja, além da compensação voluntária entre débitos e créditos de contribuições sociais do INSS, prevê a compensação, por requerimento, em procedimento diverso da Declaração de Compensação do art. 74 da Lei nº 9.430/96, para débitos de contribuições sociais do INSS com créditos de outros tributos federais. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 114 10 Vale dizer, a partir data da entrada em vigor da MP 449/08, restou revogada a restrição contida no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91 (norma específica). A mencionada medida provisória foi convertida na Lei nº 11.941/09, que manteve a revogação. Em face disso, e em consonância com o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/07, há previsão legal, em abstrato, de compensação voluntária, por requerimento, de débitos previdenciários com créditos de tributos federais. Já, os Tribunais brasileiros, interpretando a norma inserta no art. 26, e parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, têm enfrentado a questão, apenas, sob o ângulo se cábivel ou não a aplicação do procedimento do art. 74 da Lei nº 9.430/96 para efeito de compensação voluntária, por iniciativa do contribuinte, entre débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos de tributos federais. A propósito da norma insculpida no art. 26, da Lei nº 11.457/07, o Superior Tribunal Justiça (STJ) já se manifestou acerca de compensação entre contribuições federais e os demais tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vale dizer, a Segunda Turma desse Excelso Tribunal, em julgado datado 05/04/2011 (STJ. REsp 1235348/PR, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, DJe 02/05/2011), quanto ao alcance do art. 26, e seu parágrafo único, da Lei nº 11.457/07, assim concluiu, in verbis: "(...) consignou expressamente que o art. 74 da Lei 9.430/96 não se aplica às exações cuja competência arrecadatória foi transferida, ou seja, vedou a compensação entre créditos de tributos que eram administrados pela antiga Receita Federal com débitos de natureza previdenciária, até então sob o pálio do INSS." (p.08). Em outro julgado, mais recente da mesma Turma julgadora do STJ (AgRg no REsp 1267060/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 24/10/2011), reafirmase o entendimento exposado no início do ano de 2011, in verbis: "É incontroverso que, em regra, os créditos do contribuinte contra a Receita Federal do Brasil podem ser compensados com quaisquer débitos tributários administrados pelo mesmo órgão, por meio da declaração eletrônica (DCOMP), nos termos do art. 74 da Lei 9.430/1996 (redação dada pela Lei 10.637/2002). Ocorre que o art. 26, parágrafo único, c/c o art. 2º da Lei 11.457/2007 afastou expressamente essa prerrogativa em relação às contribuições sociais do art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei 8.212/1991 (contribuições patronais, dos empregadores domésticos e dos trabalhadores) e àquelas instituídas a título de substituição: Fl. 114DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 115 11 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei. A intenção do legislador foi, claramente, resguardar as receitas necessárias para o atendimento aos benefícios, que serão creditadas diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, nos termos do art. 2º, § 1º, da Lei 11.457/2007”. Portanto, conforme entendimento do Poder Judiciário, o disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/96 (compensação por PER/DCOMP) não se aplica às contribuições sociais aludidas no art. 2º da Lei nº 11.457/07. Não obstante, como já disse alhures, entendo que a partir da revogação do § 2º do art. 89 Lei nº 8.212/91 (norma específica), operada pela Lei nº 11.941/09, abriuse possibilidade legal de compensação voluntária, de iniciativa do contribuinte (prévio requerimento), de débitos de contribuições previdenciárias do INSS com créditos dos demais tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, desde que observado específico procedimento legal de compensação a ser implementado, conforme será demonstrado a seguir. Primeiramente, tornase mister transcrever o texto dos arts. 2º e 26 da Lei nº 11.457/2007, in verbis: Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (Vide Decreto nº 6.103, de 2007). § 1º O produto da arrecadação das contribuições especificadas no caput deste artigo e acréscimos legais incidentes serão destinados, em caráter exclusivo, ao pagamento de benefícios do Regime Geral de Previdência Social e creditados diretamente ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social, de que trata o art. 68 da Lei Complementar nº 101, de 4 de maio de 2000. (...) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 116 12 Art. 26. O valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições de que trata o art. 2º desta Lei será repassado ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social no máximo 2 (dois) dias úteis após a data em que ela for promovida de ofício ou em que for deferido o respectivo requerimento. Parágrafo único. O disposto no art. 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, não se aplica às contribuições sociais a que se refere o art. 2º desta Lei." No contexto sistemáticonormativo que se insere a Lei nº 11.457/07 (arts. 2º e 26), é cediço que o referido diploma legal procedeu à fusão da Secretaria da Receita Federal com a Secretaria da Receita Previdenciária, criando a cognominada "SUPER RECEITA", cujo órgão passou a ser chamado de Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). E, no contexto da referida fusão, foram criadas regras para a estrutura administrativa e de procedimentos administrativos para harmonização e operacionalização da reunião das competências de administração, fiscalização e arrecadação dos tributos federais, incluindo agora as contribuições previdenciárias, previstas no art. 11, parágrafo único, "a", "b" e "c", da Lei nº 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição. A norma insculpida no caput do art. 26 da Lei 11.457/07, numa primeira análise, diz respeito apenas à obrigatoriedade do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias do INSS ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social (RGPS). Já, a regra contida no parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 dispõe apenas acerca do alinhamento e adaptação do procedimento administrativo de compensação, para operacionalização do repasse, pela União (RFB), do valor correspondente à compensação de débitos relativos às contribuições previdenciárias ao Fundo do Regime Geral de Previdência Social. Mas, não é só isso! Em análise detida, o art. 26 da Lei nº 11.457/07 diz mais: busca equalizar o fluxo de arrecadação e manter íntegra a destinação dos valores arrecadados a título de contribuições previdenciárias do INSS, diante da característica das contribuições especiais: a destinação específica do produto de sua arrecadação. A equalização do fluxo de arrecadação, para manutenção da correta destinação dos valores das contribuições previdenciárias ao Fundo do RGPS, somente se justifica se, e apenas se, na compensação (débitos x créditos) os créditos utilizados para o encontro de contas não forem de natureza previdência (contribuições previdenciárias). A propósito, os efeitos financeiros da compensação tributária, se operada apenas entre contribuições previdenciárias ou entre contribuições previdenciárias e demais tributos federais, são os seguintes: Fl. 116DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 117 13 a) compensação de débito de contribuição previdenciária com créditos previdenciários. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária, já descontada a compensação, é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Aqui, não há equalização do fluxo de arrecadação, pois tudo é feito no âmbito da GFIP, conforme será abordado mais adiante. b) compensação débito de contribuição previdenciária do INSS com créditos de tributos federais. O produto da arrecadação da contribuição previdenciária (valor recolhido pelo contribuinte + o valor compensado) é creditado diretamente ao Fundo RGPS (Lei nº 11.457/2007, art. 2º, § 1º). Quanto ao valor compensado (crédito utilizado de tributos administrado pela RFB), o repasse do respectivo valor pela União (RFB) ao Fundo RGPS deve ocorrer em dois dias úteis (Lei nº 11.457/2007, art. 26). Aqui, destarte, que se dá a equalização para que haja o repasse integral da arrecadação das contribuições previdenciárias. É essa equalização de arrecadação que está regulamentada no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. Tal procedimento financeirocontábil já era adotado desde o ano de 2005, antes mesmo da criação da "Super Receita", com o advento Lei nº 11.196/05, que modificou o DecretoLei nº 2.287/86, instituindo a compensação de ofício entre as contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais. Entretanto, o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 foi além dessa compensação de ofício, ou seja, prevê também a compensação voluntária, mediante requerimento do contribuinte, de débito de contribuição previdenciária (INSS) com créditos de tributos federais, porém, neste último caso, em procedimento diverso do art. 74 da Lei n° 9.430/96. Logo, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007 deve ser entendido no sentido de que o procedimento de compensação previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96 não se aplica às compensações de débitos previdenciários via DCOMP eletrônica ou em papel, quando estiverem envolvidos créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias. E não se aplica o mencionado procedimento administrativo fiscal do art. 74 da Lei 9.430/96 para as compensações de débitos previdenciários com créditos de outros tributos federais por uma razão lógica e sistêmica após unificação da arrecadação dos tributos federais, promovida pela Lei nº 11.457/07, ou seja, em face da necessidade de equalização do fluxo de arrecadação do INSS (necessidade de repasse em dois dias úteis em procedimento de compensação ágil, diverso do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96). Como a compensação tributária, no procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96, dáse imediatamente, ainda que em caráter resolutório, podendo a homologação ocorrer de forma expressa ou tácita, no prazo de até cinco anos. Vêse, logo, que o procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 é incompatível com a necessidade de equalização imediata do fluxo de arrecadação da receita previdenciária. É notório que o procedimento administrativo de compensação, previsto no art. 74, da Lei nº 9.430/96, é o denominado de "Compensação por Declaração", ou seja, o próprio contribuinte realiza a compensação e a informa à RFB, mediante utilização do Programa Gerador PER/DCOMP eletrônica ou, em certos casos, mediante DCOMP em formulário em papel. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 118 14 O procedimento de compensação por declaração (DCOMP) é incompatível com o procedimento de equalização do fluxo de recursos financeiros, prevista no caput art. 26, da Lei nº 11.457/07. É incompatível pelas seguintes razões: necessidade de controle prévio da compensação de crédito de tributos federais (exceto previdenciários) com os débitos de contribuição previdenciária, para fins de determinação do quantum a ser repassado para o Fundo do RGPS; exíguo lapso temporal para o repasse pela União (RFB) ao Fundo do RGPS dos valores compensados, uma vez que fixado dois dias úteis da data da compensação de ofício ou do deferimento do requerimento. Prazo incompatível com a DCOMP que exingue o débito sob condição resolutória na data de sua transmissão. Cabe mencionar, ainda, que a Lei nº 11.457/07 faz referência à data do deferimento do requerimento. Tal REQUERIMENTO somente pode ser considerado o pedido administrativo prévio de compensação voluntária pelo contribuinte. É indubitável que a compensação via requerimento é completamente distinta da compensação por intermédio de declaração. Nesta, o contribuinte realiza a compensação sob condição resolutória e, ato contínuo, informa à RFB, que tem determinado prazo para homologála ou não. Naquela, o contribuinte faz meramente um pedido administrativo de compensação, o qual será analisado pela RFB, que poderá deferilo ou não. De modo que já se sabe, até mesmo por expressa menção do parágrafo único do art. 26 da referida Lei, que o procedimento via DCOMP não se aplica às compensações referidas no caput. E mais, sabese que a compensação entre crédito de contribuição previdenciária e débitos desta mesma contribuição é realizada por declaração, na denominada GFIP, pois desnecessária, nestes casos, a equalização de recursos financeiros entre a União e o INSS (RGPS). Com efeito, não faria qualquer sentido dizer que o vocábulo "requerimento", a que se refere o caput do art. 26, da Lei nº 11.457/07, estaria ligado à compensação entre crédito de contribuições previdenciárias e débitos de natureza prvidênciária. Como visto, há diversos procedimentos de compensação tributária. Resumidamente, a compensação tributária ocorre em momentos distintos a depender do tipo de procedimento adotado, ou seja: a) entre contribuições previdenciárias, conforme legislação de regência da GFIP (Lei 8.212/91, art. 89, c/c art. 44 da IN RFB nº 900/2008); b) entre tributos federais administrados pela RFB, pela legislação de regência da DCOMP (Lei nº 9.430/96, art. 74, § 1º); Fl. 118DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 119 15 c) entre débitos de contribuição previdenciária do INSS e crédito de tributos federais administrados pela RFB, somente após deferimento de requerimento, em procedimento diverso do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (Lei 11.457/2007, art. 26). Assim, embora não aplicável o art. 74 da Lei 9.430/96 à compensação tributária entre créditos de tributos federais e débitos de contribuições previdenciárias, o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07, ao invés de vedar, está a viabilizar possível compensação tributária por “requerimento” do contribuinte prevista no seu caput. Tanto é assim que, com o fito de eliminar o último óbice quanto à compensação voluntária entre contribuições previdenciárias e créditos de outros tributos federais, a Lei nº 11.941/09 revogou, expressamente, o § 2º do art. 89 da Lei nº 8.212/91. Significa isso que, acaso o legislador desejasse vedar a compensação, por iniciativa do contribuinte, de crédito de outros tributos federais com os débitos de contribuições previdenciárias, teria mantido a norma inserta no § 2º, do art. 89, da Lei nº 8.212/91, modificando apenas o órgão arrecadador para a RFB. Mas assim não o fez, mantendo a coerência lógicosistemática da compensação de tributos administrados pela RFB. Em face do exposto, cabe concluir que a compensação de créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS tem previsão legal, porém deve ser apresentada via “requerimento” do contribuinte, por força do art. 26, caput, da Lei nº 11.457/07, em face de necessidade de controle da compensação para fins de repasse, pela União (RFB), do valor compensado ao Fundo do RGPS, não podendo ser utilizado, por conseguinte, o procedimento de compensação por declaração (DCOMP), prevista no art. 74 da Lei nº 9.430/96, conforme dispõe o parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07. No caso, inadvertidamente a Recorrente utilizou, para compensação tributária de débitos de contribuição previdenciária – INSS (de que tratam as alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei no 8.212/91 e das contribuições instituídas a título de substituição) com créditos de tributos federais (saldo negativo do IRPJ), o procedimento vedado do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (DCOMP) quando deveria ter utilizado a via requerimento a que alude o caput do art. 26 da Lei nº 11.457/2007. A alegação da Recorrente de que as contribuições previdenciárias do INSS da agroindústria (contribuições instituídas a título de substituição) estariam enquadradas, abarcadas, no art. 11, parágrafo único, alínea “d” da Lei 8.212/91) e que não estariam abrangidas pela vedação do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/07 também não merece prosperar. As contribuições da alínea “d” do parágrafo único do art. 11 (contribuições sobre o faturamento) são diversas das contribuições instituídas para a agroindústria, a título de substituição. Logo, a vedação de compensação tributária pelo sistema do art.74 da Lei n° 9.430/96 aplicase às contribuições instituídas a título de substituição, conforme previsão, de forma expressa, do art. 2º da Lei 11.457/2007. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 120 16 Nessa parte ainda, como razão de decidir, adoto os fundamentos do voto condutor da decisão recorrida por serem plusíveis ou pertinentes e que transcrevo a seguir (fls. 72/73), in verbis: (...) O contribuinte pleiteia compensação de crédito referente ao saldo negativo do IRPJ anocalendário 2008 com débitos de Contribuição Social Previdenciária e se insurge contra o Despacho Decisório, fl. 25, que indeferiu o pleito, alegando não haver impedimento legal para a compensação após a Lei n° 11.457/2007 que unificou as competências da Receita Federal com a Receita Previdenciária. E acrescenta que por força do art. 22A da Lei n° 8.212/1991 se enquadra na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da citada lei, por conseguinte, não se encontra atingida pela possível vedação à aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996. Não lhe assiste razão, é impossível, para o caso em análise, a aplicação do art. 74 da Lei n° 9.430/1996, porque, diferente do que afirma a defesa, a Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007 (Lei de criação da Secretaria da Receita Federal do Brasil), mediante o art. 26, parágrafo único, veda expressamente a citada aplicação às contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) O regime substitutivo está disciplinado no art. 22A da Lei n° 8.212/1991: "Art. 22A. A contribuição devida pela agroindústria, definida, para os efeitos desta Lei, como sendo o produtor rural pessoa jurídica cuja atividade econômica seja a industrialização de produção própria ou de produção própria e adquirida de terceiros, incidente sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção, em substituição às previstas nos incisos I e II do art. 22 desta Lei, é de: (Incluído pela Lei n° 10.256. de 2001). ..." (Grifei) Portanto, às contribuições previdenciárias previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do art. 2o da Lei n° 8.212/1991, bem como as instituídas a título de substituição, não se aplicam as disposições sobre compensação previstas no art. 74 da Lei n° 9.430/1996 é o que determina com clareza o art. 26 c/c art. 2o da Lei n° 11.457/2007, acima transcritos. Sendo assim, diferente do que alega a defesa, a contribuição devida e para a qual se requer compensação, com crédito de saldo negativo do IRPJ apurado no anocalendário 2008, se trata de contribuição previdenciária e seja do tipo das previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei Fl. 120DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 121 17 n° 8.212/1991, seja do tipo das instituídas a título de substituição (agroindústria), se encontra excetuada das determinações contidas no art. 74 da Lei n0 9.430/1996. Pelo exposto, não prospera a tentativa da defesa de enquadrar a contribuição referida na alínea "d" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991, a qual abrange, tão somente, às contribuições incidentes sobre o faturamento e o lucro das empresas, ou seja, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, CSLL, e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, COFINS, ambas já administradas pela Receita Federal. Tanto é assim que o art. 2o da Lei n° 11.457/2007 ao atribuir a nova competência à Secretaria da Receita Federal do Brasil se referiu às contribuições sociais previstas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 da Lei n° 8.212/1991 e às contribuições instituídas a título de substituição, cujo regime substitutivo está previsto no art. 22A, referido pela defesa. Corroborando o entendimento acima a Instrução Normativa RFB nº 900/2008, regulamenta a restituição e a compensação de quantias recolhidas a título de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e determina: Art. 34. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive o reconhecido por decisão judicial transitada em julgado, relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos administrados pela RFB, ressalvadas as contribuições previdenciárias, cujo procedimento está previsto nos arts. 44 a 48, e as contribuições recolhidas para outras entidades ou fundos. ....” (Grifei). Também divergente do que interpreta a defesa, as contribuições previdenciárias foram ressalvadas e obedecem a regime próprio de compensação previsto nos artigos 44 a 48 da referida Instrução Normativa. (...) Portanto, conforme demonstrado, às contribuições da agroindústria (contribuições substitutivas) é inaplicável o procedimento de compensação previsto no artigo 74 da Lei n° 9.430/96. Por outro lado, cabe pequeno reparo na decisão recorrida, ou seja, diversamente do que consta da decisão a quo, a situação dos autos também não se amolda, não se subsume, aos artigos 44 a 48 da IN RFB n° 900/2008, pois esses dispositivos tratam de compensação de créditos decorrentes de pagamento a maior de contribuições previdenciárias com débitos dessas mesmas contribuições. Fl. 121DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 122 18 A situação dos autos, como já restou sobejamente demonstrado, tratase de situação diversa, ou seja, de declaração de compensação de crédito de outros tributos (saldo negativo do IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias. Tal fundamento ou possibilidade de compensação tributária não foi enfrentada pelo despacho decisório e pela decisão recorrida, embora, em abstrato, tenha sido prevista, em tese, no caput do art. 26 da Lei n° 11.457/2007, conforme já fartamente demonstrado. Por conseguinte, se a compensação pleiteada não pode se efetivar pelo art. 74 da Lei n° 9.430/96, e também não pode se efetivar pelos artigos 44 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 900/2008, cabia ao despacho decisório e à decisão recorrida pronunciarse, de forma expressa, se na data de protocolização da Declaração de Compensação objeto dos autos (20/03/2009) já estava, ou não, implementada a possibilidade de compensação de créditos de outros tributos (saldo negativo de IRPJ) com débitos de contribuições previdenciárias, e não simplesmente denegar o pleito da Recorrente, sob pretexto de que foi utilizado procedimento vedado. Qual seria o procedimento de compensação permitido, no caso? A Recorrente tem direito de compensação tributária, em tese. Para evitar possível cerceamento do direito de defesa, negativa de prestação de jurisdição e evitar supressão de instância de julgamento, tornase necessário devolver os autos à Unidade de origem da RFB (DRF/Maceió), para que enfrente, no mérito, a questão se Recorrente tem, ou não, o direito de compensação tributária, no caso, com fulcro no caput do art.26 da Lei n° 11.457/2007 que estaria permitindo, em tese, a compensação no caso, mediante mero requerimento. ARGUIÇÃO DE ILEGALIDADE OU INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSIÇÃO LEGAL. Nas razões do seu recurso, a Recorrente arguiu a ilegalidade ou inconstitucionalidade do parágrafo único do art. 26 da Lei nº 11.457/2007, por afronta a princípios constitucionais, em face da vedação de aplicação do art. 74 da Lei nº 9.430/96 nas compensações, entre créditos de tributos federais com débitos de contribuições previdenciárias do INSS. Não cabe aos órgãos de julgamento administrativo conhecer, no mérito, da arguição de inconstitucionalide de lei, negar vigência, afastar ou deixar de aplicar disposição legal de regência vigente sob pena de responsabilidade funcional, pois, em face da adoção do princípio da Jurisdição Una pela Carta da República, o controle de legalidade de lei é da competência do Poder Judiciário. A propósito, esse entendimento é pacífico neste Egrégio Conselho Administrativo cuja matéria já se encontra sumulada: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Na verdade, na esfera administrativa o escopo do julgamento não é o controle de legalidade da legislação aplicada (eventuais ou pretensos vícios formais ou materias da lei), Fl. 122DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10410.001469/200934 Acórdão n.º 1802001.576 S1TE02 Fl. 123 19 mas sim o controle de legalidade do ato administrativo, do despacho decisório e da decisão recorrida, no sentido de aferir se houve, ou não, observância da legislação material e processual de regência. Por tudo que foi exposto, voto para DAR provimento PARCIAL ao recurso, para devolver os autos do processo à unidade de origem da RFB, no caso à DRF/Maceió para que se pronuncie, no mérito, se a Recorrente tem ou não, no caso, direito à compensação tributária com base no caput do artigo 26 da Lei 11.457/2007 que, em tese, estaria permitindo a compensação tributária objeto dos autos, haja vista a inaplicabilidade do procedimento do art. 74 da Lei n° 9.430/96 e do procedimento dos artigos 44 a 48 da IN SRF n° 900/2008. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 123DF CARF MF Impresso em 07/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 07/03/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 27/02/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10882.002779/2009-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS.
Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86).
Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição.
Recurso Negado
Numero da decisão: 2102-002.876
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS. Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86). Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Recurso Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi - Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho.
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CANCELAMENTO DOS VALORES DECLARADOS. Transcorrido o prazo regulamentar para a entrega da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, não se admite mais a retificação que tenha por objetivo a troca da forma de tributação dos rendimentos (Súmula CARF nº 86). Ademais não há como zerar e cancelar valores constantes da declaração, restando comprovado que o contribuinte tinha o intuito de obter restituição indevida, isso porque o próprio contribuinte reconheceu que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Recurso Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Jose Raimundo Tosta Santos Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 27 79 /2 00 9- 10 Fl. 60DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura e Rubens Maurício Carvalho. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento nº 2007/608450765864099, lavrada em 21/09/2007 (fls. 03/07), contra o contribuinte acima qualificado, relativa ao Anocalendário 2006, que exige crédito tributário no valor de R$ 13.326,35, acrescida multa de ofício e juros de mora, calculados até 03/11/2009. Costa da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 04 e seguintes, que foi efetuada a glosa do valores descritos abaixo, conforme segue: a) R$ 5.056,44, indevidamente deduzido a título de "contribuição à Previdência Oficial", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. b) R$ 4.673,84, indevidamente deduzido a título de "Despesas com Instrução", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. c) R$ 9.097,92, correspondente à "dedução indevida com Dependentes", por falta de comprovação da relação de dependência de: Severino Luiz Lima; Vinícius Lima Barbosa; Murilo Medeiros Souza; Mayquila Lima Barbosa; Neusa Freitas Alves e Maria Ferreira Lima. d) R$ 17.180,00, indevidamente deduzido a título de "Despesas Médicas", por falta de comprovação ou por falta de previsão legal para sua dedução. O contribuinte não apresentou comprovação documental das despesas declaradas. e) R$ 6.124,88, à título de compensação indevida do Imposto de Renda Retido na Fonte. Inconformado com o lançamento lavrado pelo Fisco, o autuado apresentou impugnação, escrita à mão, datada de 24/11/2009, acompanhada dos documentos de fls. 08 e seguintes, alegando, em síntese que: “Não tinha a necessidade de declarar no ano base de 2006, pois ganhava salário anual abaixo de R$ 16.000,00, conforme xerox do contrato de trabalho do ano de 2006. Até agora ganha salário mínimo, conforme cópias da carteira de trabalho, do holerith e de rescisão do contrato de trabalho. Solicita zerar, bem como cancelar todos valores declarados a título de "dependentes", "despesas médicas", "despesas de instrução", valores estes lançados aleatoriamente. Não possui comprovantes e não tem direito a nada a ser restituído, devendo a declaração ser zerada.” Fl. 61DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002779/200910 Acórdão n.º 2102002.876 S2C1T2 Fl. 61 3 A Turma de primeira instância ao examinar a impugnação do contribuinte, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, conforme excertos transcritos abaixo: “[...] somente a caracterização do erro de fato torna viável a retificação da declaração de rendimentos antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. [...] A mera juntada dos documentos de fls. 09 a 14 ("Contrato de Trabalho a Título de Experiência", datado de 01/09/2006, "Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho" datado de 28/08/2007, folhas da carteira de trabalho e de holeriths do ano de 2009), não é suficiente para ilidir o procedimento fiscal.” O contribuinte foi cientificado do Acórdão n° 1751.380 da 9ª Turma da DRJ/SP2 em 13/07/2011 (fl. 39). Sobreveio Recurso Voluntário em 15/07/2011 (fl. 42), escrito à mão, acompanhado dos documentos de fls. 44/52. Em suma, o Recorrente aduziu que: “Venho encarecidamente, solicitar o cancelamento e anulação de cobrança das multas pelos seguintes motivos, abaixo discriminados: Por estar mal informado, de como preencher formulário foi feito lançamentos aleatoriamente indevidos, ou seja: Não tinha necessidade de fazer declaração pois ganhava salário mínimo com renda anual abaixo de R$ 16.000,00 – até ao ano de 2009 – conforme xerox carteira trabalho. Impossibilitado de fazer, qualquer acordo, desempregado desde DEZ/2010 – conforme xerox aviso prévio, rescisão de contrato de trabalho. Venho pedir, sinceramente, anulação do ref. Processo de multa anulada.” É o relatório. Passo a decidir. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui todos os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS 4 Dá análise dos autos, ratifico a decisão de primeira instância, tendo em vista que o Recorrente não acostou nenhum documento que fundamente suas razões junto ao Recurso. Ademais, o entendimento sobre a Retificação de Declaração de Ajuste Anual, visando a troca de tributação dos rendimentos, está pacificado no âmbito deste Egrégio Conselho, através da Súmula nº 86, de aplicação obrigatória pelos seus Conselheiros. In verbis: “É vedada a retificação da Declaração de Ajuste Anual do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física que tenha por objeto a troca de forma de tributação dos rendimentos após o prazo previsto para a sua entrega.” No tocante a matéria em litígio, o artigo 832 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, dispõe que: "Art. 832. A autoridade administrativa poderá autorizar a retificação da declaração de rendimentos, quando comprovado erro nela contido, desde que sem interrupção do pagamento do saldo do imposto e antes de iniciado o processo de lançamento de oficio (DecretoLei n 1.967, de 1982, art. 21, e DecretoLei n° 1.968, de 23 de novembro de 1982, art. 6£)." Portanto, de acordo com o artigo supra, somente a caracterização do erro de fato torna viável a retificação da declaração de rendimentos antes de iniciado o processo de lançamento de ofício. Por pertinência, cabe transcrever excertos da decisão a quo, que bem analisou os documentos acostados aos autos, conforme segue: “A mera juntada dos documentos de fls. 09 a 14 ("Contrato de Trabalho a Título de Experiência", datado de 01/09/2006, "Termo de Rescisão do Contrato de Trabalho" datado de 28/08/2007, folhas da carteira de trabalho e de holeriths do ano de 2009), não é suficiente para ilidir o procedimento fiscal.” Ademais, não há como se atender ao pedido do contribuinte de zerar e cancelar valores constantes da declaração, visto que restou comprovado que o Recorrente tinha o intuito de obter restituição indevida, reconhecendo que não possui comprovantes e não tem direito a restituição. Inclusive, cabe ressaltar que por ocasião do presente recurso, o Contribuinte limitouse a juntar cópia dos mesmos documentos acostados na impugnação (fls. 43/57), os quais não bastam para ilidir a ação fiscal. Assim, ratifico a decisão singular pelos seus próprios fundamentos. Diante do exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 63DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10882.002779/200910 Acórdão n.º 2102002.876 S2C1T2 Fl. 62 5 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/04/2014 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 10/04/2014 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 24/04/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10283.720090/2013-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon May 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio-educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.195
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIO-EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio-educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1937; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10283.720090/201314 Recurso nº 10.283.720090201314 Voluntário Acórdão nº 2803003.195 – 3ª Turma Especial Sessão de 14 de abril de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente YAMAHA MOTOR DA AMAZÔNIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara Dos Santos. Sustentação oral Advogado Dr Tiago Vieira, OAB/SP nº 286.790. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 00 90 /2 01 3- 14 Fl. 2743DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Paulo Roberto Lara dos Santos, Eduardo de Oliveira, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 2744DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, relativamente a Contribuições Previdenciárias a cargo da empresa, incidentes sobre as remunerações dos empregados, contribuições para o SAT/RAT, bem como as contribuições destinadas às terceiras entidades, apuradas sobre o salário indireto pago pela empresa aos empregados a título de auxílio educação. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 15 de agosto de 2013 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 INCONSTITUCIONALIDADE. ILEGALIDADE. O exame da legalidade e da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao poder judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. ASSUNTO: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009 EDUCAÇÃO SUPERIOR PARCELA INTEGRANTE DO SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Os valores relativos a plano educacional que visem à educação superior integram o salário de contribuição. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A recorrente foi submetida à fiscalização da Receita Federal que, equivocadamente, apontou suposta insuficiência de recolhimento da contribuição previdenciária da empresa sobre a remuneração dos empregados, do RAT, bem como daquelas contribuições destinadas a outras entidades, FNDE, INCRA e SEBRAE, relativamente às verbas pagas no exercício de 2009, a título de auxílioeducação aos colaboradores que frequentam o curso superior. A educação é um dever do estado, assegurado pela Constituição Federal. De acordo com o inciso II do § 2º do art. 458 da CLT, a verba destinada à educação não tem caráter salarial, segundo a jurisprudência pacífica do TST. Fl. 2745DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 5 4 O art. 22 da Lei nº 8.212/91, elegeu a base de cálculo da contribuição previdenciária a cargo do empregador, o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas a qualquer título destinadas a retribuir o trabalho. O artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/91, determinada que o saláriode contribuição do empregado para a Previdência Social é a totalidade da remuneração auferida pelo trabalhador no mês, destinada a retribuirlhe o trabalho. É consenso na doutrina e na jurisprudência especializada que o auxílio educação não é pago em retribuição ao trabalho desenvolvido pelo colaborador, tanto é que a própria CLT excluiu tal verba do conceito de salário. No exercício de 2009, a empresa forneceu aos seus colaboradores, sem distinção, programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pósgraduação e MBA (nível de especialização – lato sensu) visando proporcionar condições para que os profissionais possam ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação. A matéria aqui debatida foi analisada pelo CARF com decisão favorável ao contribuinte, conforme se infere do teor do Acórdão nº 2301.001.875, prolatado no julgamento do recurso voluntário em 15 de março de 2001, pela Terceira Câmara da Primeira Turma Ordinária da Segunda Seção de julgamento. A capitulação da multa de 75%, com base no artigo 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, não tem suporte fático ante a inexistência de diferença de contribuição previdenciária a recolher, no exercício de 2009, a título de auxílioeducação pago aos colaboradores que frequenta cursos universitários relacionados à sua área de atuação e ramo de atividade da empresa. O Acórdão recorrido deve se reformado para que os autos de infração sejam anulados porque contém grave ofensa aos preceitos constitucionais, não se coadunando com a legislação trabalhista e previdenciária, contrariando a jurisprudência pacífica do TST e do STJ. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 2746DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Como bem apontado pelo julgador ao quo, a discussão constante destes autos reside em saber se o reembolso de parte das mensalidades de cursos de ensino superior frequentado pelos empregados da empresa, e que foram realizados pelo empregador a título de auxílio educação, integram, ou não, o saláriodecontribuição, que é essencialmente a base de cálculo das contribuições sociais ora exigidas. Por seu turno, o contribuinte afirma tratarse de verba não alcançada pela tributação, tendo em vista as peculiaridades afetas ao caso, notadamente no que se refere ao inciso II do § 2º do art. 458 da CLT. Para consolidar seu posicionamento, o contribuinte faz referências à jurisprudência do TST e do STJ. De sua parte, os julgadores de primeira instância administrativa, asseveram que o conceito de remuneração prevista na Lei nº 8.212/91 deve prevalecer sobre o mesmo conceito quando visto sob a ótica da CLT. In casu, entendo que o contribuinte está com a razão, como se pode verificar da jurisprudência pacífica do STJ: Processo AgRg no AREsp 182495 / RJ AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL 2012/01083566 Relator(a) Ministro HERMAN BENJAMIN (1132) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 26/02/2013 Data da Publicação/Fonte DJe 07/03/2013 Ementa PREVIDENCIÁRIO. AUXÍLIOEDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Fl. 2747DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10283.720090/201314 Acórdão n.º 2803003.195 S2TE03 Fl. 7 6 IMPOSSIBILIDADE. 1. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. 2. In casu, a bolsa de estudos é paga pela empresa para fins de cursos de idiomas e pósgraduação. 3. Agravo Regimental não provido. Vêse, portanto, tratarse de verba utilizada para o trabalho e não pelo trabalho, situação que afasta a hipótese de incidência perseguida pela autoridade administrativa incumbida da constituição do crédito tributário. Ademais, verificase nos autos que a empresa forneceu aos seus colaboradores, no exercício de 2009, sem distinção, o programa de assistência educacional, nos níveis de graduação, pósgraduação e MBA, visando proporcionar condições para que os profissionais por ela contratados pudessem ampliar seus conhecimentos em sua área de atuação. Destarte, não vislumbro a possibilidade de manutenção do lançamento e muito menos de seus consectários legais, tendo em vista que a verba ora em discussão não tem caráter remuneratório, situação que a coloca fora do alcance da tributação. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 2748DF CARF MF Impresso em 07/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 3 0/04/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 23/04/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 15578.000206/2007-57
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2000, 2003
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CABIMENTO.
Verificada contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração com o fito de alterar o resultado do julgamento publicado erroneamente.
Numero da decisão: 1201-000.829
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração.
(assinado digitalmente)
MARCELO CUBA NETTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (Vice-Presidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado).
Nome do relator: JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
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EXISTÊNCIA DE CONTRADIÇÃO. CABIMENTO. Verificada contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado merecem ser acolhidos os Embargos de Declaração com o fito de alterar o resultado do julgamento publicado erroneamente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração. (assinado digitalmente) MARCELO CUBA NETTO Presidente. (assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 57 8. 00 02 06 /2 00 7- 57 Fl. 1041DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Marcelo Cuba Neto (Presidente Substituto), Roberto Caparroz de Almeida, José Sérgio Gomes (Conselheiro substituto), Rafael Correia Fuso, João Carlos de Lima Junior (VicePresidente) e Marcos Vinicius Barros Ottoni (Suplente convocado). Relatório Tratase Embargos de Declaração opostos por conselheiro deste Colegiado com fundamento no artigo no artigo 65, § 1º do Regimento Interno do CARF, em face do acórdão 1201000.737, exarado por este Colegiado no dia 08 de agosto de 2012. A finalidade dos presentes Embargos é o saneamento de contradição existente entre o resultado de julgamento publicado em ata e o efetivo julgamento realizado, ou seja, ao disposto nos votos proferidos e que integram o acórdão nº1201000.737, ora embargado. É o relatório. Voto Conselheiro JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Relator. No caso, tendo em vista que na data do julgamento do Recurso Voluntário apresentado neste processo também foram julgados outros três recursos interpostos pelo mesmo contribuinte, todos em razão de lançamento que se deu com base nos mesmos fatos, por equívoco, constou do acórdão ora embargado, o resultado de julgamento do processo nº 15578.000207/200700. Assim, o resultado de julgamento do acórdão 1201000.737 constante da ata publicada, foi: “DERAM provimento parcial ao recurso, por unanimidade de votos, para homologar a compensação relativa ao benefício da redução do imposto com base no lucro da exploração, até 13/07/2007, data em que sobreveio a decisão definitiva que afastou o benefício e, pelo voto de qualidade, não homologar a compensação do crédito apurado em virtude da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.” O resultado transcrito é contraditório ao efetivo julgamento realizado, ou seja, ao disposto nos votos proferidos e que integram o acórdão embargado. Para sanear a contradição exposta, devem ser acolhidos os Embargos de Declaração opostos para que o resultado de julgamento do acórdão nº 1201000.737 seja alterado, devendo constar a seguinte redação: Fl. 1042DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR Processo nº15578.000206/200757 Acórdão n.º 1201000.829 S1C2T1 Fl. 964 3 “NEGARAM provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros João Carlos de Lima Junior (relator), Rafael Correia Fuso e Plínio Rodrigues Lima que votaram para cancelar o auto de infração referente à glosa da correção monetária da depreciação, amortização e baixa do ativo permanente. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Cuba Netto.” É como voto. (Assinado digitalmente) JOÃO CARLOS DE LIMA JUNIOR Relator Fl. 1043DF CARF MF Impresso em 21/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR, Assinado digitalmente em 20/0 3/2014 por MARCELO CUBA NETTO, Assinado digitalmente em 24/02/2014 por JOAO CARLOS DE LIMA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10530.721613/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
Ementa:
PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato.
CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
Numero da decisão: 3201-001.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior.
(documento assinado digitalmente)
VALMAR FONSECA DE MENEZES
Presidente
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: DANIEL MARIZ GUDINO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS - A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE - Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 Ementa: PROVAS INDICIÁRIAS A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza desta matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. AUSÊNCIA DE PROVA GLOSA IMPROCEDENTE Se os indícios apontados pela fiscalização são insuficientes para consubstanciar a prova indireta da acusação, não se sustenta o lançamento que nela se lastreia. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da PRIMEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, DAR provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Procurador da Fazenda Nacional Dr. Paulo Roberto Riscado Júnior. (documento assinado digitalmente) VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 53 0. 72 16 13 /2 01 1- 19 Fl. 6761DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 3 2 Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de recurso voluntário em face de decisão da 4ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA), que manteve integralmente a exigência formalizada em face do contribuinte MK Eletrodomésticos Ltda., decorrente de glosa de créditos. Na descrição dos fatos que integra o auto de infração, consta que o estabelecimento industrial ou equiparado não recolheu ou recolheu a menor o IPI, devido à utilização indevida de créditos fiscais. O procedimento fiscal compreendeu um conjunto de verificações efetuadas nas empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda.; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., que levaram a autoridade fiscal a concluir que as 4 empresas, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A constituição de diferentes empresas, segundo a autoridade fiscal, foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente. Ressalta o autuante que, atualmente, a MK Eletrodomésticos Ltda. é a única empresa que mantém atividade industrial e comercial utilizando a marca “Mondial”, além de ter em seu quadro societário o efetivo responsável pelas operações das empresas, o sócio Alberto Baggiani. Relata que a partir de suas conclusões, foi necessário consolidar as operações das empresas para se apurar o efetivo resultado tributário da empresa única. A empresa resultante da consolidação foi a MK Eletrodomésticos Ltda., na qual foi efetuado o lançamento. Descreve ainda outros fatos que levaram a esta conclusão, e que a seguir reproduzo, a partir do que consta da decisão recorrida: 1) Mesmo endereço: A empresa MK Eletrodomésticos foi criada em agosto de 2005, com a sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a, Centro, mas somente iniciou suas atividades em novembro de 2006, após transferir sua sede , em junho de 2006, para a cidade de Conceição do Jacuípe/BA., Estrada da Volta, 1200, galpão 2, Colônia Brasília. Nesse mesmo endereço funcionam/funcionavam as outras 3 outras empresas: (i) ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., CNPJ nº 06.272.816/000150, constituída em 2004, na cidade de Simões Filho/BA. Em maio de 2006, abriu uma filial em Fl. 6762DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 4 3 Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, Colônia Brasília, local para onde foi transferida a matriz, no mês de setembro, ocasião em que o estabelecimento de Simões Filho foi fechado e aberta uma filial em Lauro de Freitas/BA.; (ii) AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda., CNPJ nº 08.387.026/000146, constituída em outubro de 2006, com sede em Lauro de Freitas/BA, 1ª travessa 11a. Centro. Em maio de 2007, transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Trav. da Volta, 155, galpão 2, Colônia Brasília, iniciando efetivamente suas atividades a partir de julho de 2007; e (iii) Mondial Eletrodomésticos Ltda., CNPJ nº 08.002.985/000104, criada em abril de 2006, com sede na cidade de Lauro de Freitas/BA, 1° travessa 11a, Centro. Em outubro de 2006 transferiu sua sede para Conceição do Jacuípe, Estrada da Volta, 1200, galpão 3B, Colônia Brasília, onde iniciou suas atividades em fevereiro de 2007. A empresa tem atualmente como sócios a MK Eletrodomésticos e ME Indústria Eletrônica 2) Mesma Atividade As empresas MK Eletrodomésticos, ML Indústria Eletrônica e AlphaPro Cuidados Pessoais, conforme contrato social, têm como principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. A empresa Mondial Eletrodomésticos tem como atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletroeletrônicos. 3) Uso da mesma marca comercial/Licenciamento da marca Todas as empresas fabricam, importam e comercializam produtos com a marca comercial "Mondial". Conforme informação do site da empresa (www.mondialine.com.br), sob essa marca são comercializados eletroportáteis (ventiladores, batedeiras, liquidificadores, aquecedores, etc.), produtos para cuidados pessoais (secadores, prancha cerâmica, etc.), eletroeletrônicos e ferramentas; Os manuais dos produtos comercializados com a marca "Mondial" mostram ora uma empresa, ora outra como fabricante/importador dos produtos. Em todos os manuais consta o mesmo número da central de atendimento ao consumidor; A empresa Crowland S/A., sócia majoritária da ME Indústria Eletrônica, solicitou junto ao Instituto Nacional de Propriedade Industrial (INPI) o registro da marca "Mondial" para produtos da linha eletroportáteis e eletroeletrônicos. A Crowland também solicitou, nos Estados Unidos da América, o registro da marca '"Mondial". A empresa Sillman International S/A. também solicitou o registro da marca "Mondial" para ventilador, liquidificador, aquecedor, cafeteira, aspirador de pó, ferro de passar, entre outros; No site da empresa sempre aparece a marca "Mondial" como referência. A página principal mostra o galpão da empresa em Conceição do Jacuípe como sendo a empresa "Mondial", inclusive com o logo pintado no teto, ou seja, não há distinção entre MK, ME, ALPHA ou Mondial eletrodomésticos. Tudo é Mondial. A única referência feita às empresas é quando se refere aos certificados ISO obtidos pela ME e MK, quando as duas empresas aparecem em destaque, porém, abrigadas dentro do site "mondialine.com.br". 4) Mesma Direção Fl. 6763DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 5 4 A Marca ''Mondial" começou a ser fabricada na Bahia em 2002, na cidade de Camaçari, por meio da empresa ML do Nordeste Ltda. CNPJ nº 04.871.016/000120, que tinha o seguinte quadro societário: Sócio CPF/CNPJ Participação Sillman doBrasil 04.757.321/000196 85% Alberto Baggiani 576.799.75868 7,5% Giovanni Marins Cardoso 371.336.67991 7,5% A empresa Sillman do Brasil tem como sócio majoritário (99.99%) a Sillman sociedade anônima, estabelecida nas Bahamas, cujo representante no Brasil é Luis Henrique Aguilar Monteiro, também sócio da Sillman do Brasil, com 0,01% de participação; Posteriormente, em 2003, o sócio Alberto Baggiani transferiu suas cotas na ML, para Giovanni Marins, o qual, em 12/2006, transferiu suas cotas para a Sillman (95%) e Manoel Nascimento Weber Neto (5%), após o que o capital social da ML ficou 99% para Sillman e 1% para Manoel Weber (087.149.32504). Manoel Weber mora em Mussurunga, bairro popular de Salvador/BA, e não aparenta possuir capacidade econômica, tendo feito recentemente concurso para agente de trânsito na cidade de Lauro de Freitas/BA. De 2003 a 2009 foi funcionário do escritório contábil PLIMA, responsável pela escrituração contábil das empresas MK, ML, AlphaPro e Mondial, e pertencente a Valdirene Pinto Lima. A partir de janeiro de 2010 passou a ser funcionário da empresa Valdirene Pinto Lima ME; Alberto Baggiani é um dos sócios da empresa MK eletrodomésticos, com 18% do capital social. Os outros 82% pertencem à empresa Estremoz S/A., sediada no Uruguai, e que, através de procuração, concedeu a Alberto Baggiani amplos poderes para representála; Os bancos onde as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial possuem conta corrente foram intimados a apresentar os dados cadastrais, procurações, autorizações e fichas de assinatura referentes às contas correntes mantidas pelas empresas. Da análise destes documentos, verificamos que Alberto Baggiani possui procurações outorgadas pelas empresas AlphaPró e ME eletrônica lhe concedendo amplos, gerais e ilimitados poderes, inclusive para movimentar as contas correntes das respectivas empresas. Também é o responsável pela conta corrente das empresas MK, na qualidade de acionista direto, e Mondial, na qualidade de acionista indireto. Giovanni Marins possui procuração outorgada pelas empresas ME Indústria Eletrônica, MK Eletrodomésticos, M. Climatização (atualmente AlphaPró cuidados pessoais); Alberto Baggiani e Giovanni Marins figuravam como representantes das empresas MK e MONDIAL nos contratos comerciais celebrados por estas empresas com clientes (MAKRO Atacadista S/A., Supermercado da Família Ltda., G. Barbosa Comercial Ltda., WalMart Ltda., Magazine Luiza, Ricardo Eletro, Lojas Insinuante Ltda.), assinando os contratos e assumindo obrigações perante terceiros em nome das empresas. Nesses contratos, o Sr. Giovani Marins assina ora como presidente da Eletrodomésticos Mondial, ora como Diretor Comercial/Marketing ou apenas representante do Fl. 6764DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 6 5 fornecedor, quando os contratos são celebrados em nome da MK. O Sr. Alberto Baggiani tem sido designado nesses contratos ora com o termo genérico de representante, ora como diretor; A contabilidade da empresa ME Indústria Eletrônica registra, em 2008 e 2009, lançamentos em contas contábeis de clientes, e também na conta de resultado "devedores inadimplentes", cujo histórico aparece as seguintes informações: "liquidação duplicatas/solução, Sr. Alberto solicitou que fosse baixado na conta", "liquidação duplicata ex funcionários sr. Alberto aut. lançar em perdas". Estes lançamentos são feitos em conta de despesa, com contrapartida em conta de ativo, reduzindo o valor a receber de clientes. A contabilidade da empresa MK Eletrodomésticos também registra esse tipo de lançamento, conforme escrituração na conta de resultado devedores inadimplentes, em 16/10/2009, com o seguinte histórico: "liquidação duplicata sem solução – baixa em perdas aut. pelo Sr. Alberto". Não foi identificado na folha de pagamento da empresa ME nenhum funcionário com nome Alberto. Na MK, o único funcionário com esse prenome é Alberto dos Santos Bastos, que ocupa a função de auxiliar de produção. Este fato sugere que a pessoa que autorizou a baixa das duplicatas nas empresas ME e MK é a mesma e, pela natureza da autorização, de baixa de créditos de clientes com valores elevados, essa pessoa possui poderes de gestão nas empresas, levando a crer que se trata de Alberto Baggiani; Quando se pesquisa a marca "Mondial" na internet, com data inicial em 2002, Giovanni Marins é o único que aparece em reportagens sobre a empresa, ora figurando como presidente, ora como diretor comercial e de marketing. Em matéria sobre o lançamento de um novo produto, Giovanni Marins figura como pessoa responsável pela aprovação da campanha publicitária. 5) Sócios majoritários com sede no Uruguai As empresas MK, ME e ALPHA têm como acionistas majoritários empresas constituídas no Uruguai. Todas elas foram fundadas da mesma forma e pelas mesmas pessoas, e possuem o mesmo endereço: Rua Juncal, 1327, unidade 2201, Montevidéu, Uruguai. Todos os sócios das empresas são sócios/funcionários da empresa Posadas, Posadas e Vecino, também com sede em Montevideu, Uruguai. Outra característica comum é que os sócios brasileiros possuem procuração outorgada pelos sócios estrangeiros concedendo amplos poderes sobre as empresas. Abaixo quadro com a composição acionária das empresas: MK Eletrodoméstico Sócio País Participação Estremoz S.A. Uruguai 82% Alberto Baggiani Brasil 18% ME Indústria Eletrodoméstico Sócio País Participação Crowland S.A. Uruguai 97% Carlos Eduardo Marchi Brasil 3% Fl. 6765DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 7 6 AlphaPró Cuidados Pessoais Sócio País Participação Racan Corp S.A. Uruguai 98,5% Geraldo Terrível Brasil 1,5% Reportagens publicadas em jornais e revistas de circulação nacional mostram que a empresa Posadas, Posadas e Vecino, e alguns de seus sócios/funcionários, são utilizados para criar empresas de fachada, conforme reportagens da revista ISTO É, edição 1671, publicada em 10/10/2001, jornal Folha de São Paulo, edição de 03/01/2001, e revista Época, de 16/08/1999. 6) Utilização de terceiros na constituição de empresas: Valdirene Pinto Lima, proprietária da empresa PLIMA Serviços Ltda., é contadora das 4 empresas. Constatouse junto aos cadastros da Receita Federal que familiares e funcionários de Valdirene Pinto foram utilizados na constituição das empresas ML do Nordeste, Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró; As empresas Mondial Eletrodomésticos e AlphaPró tiveram, respectivamente, como sócias iniciais: (i) Tanildes Pinto Lima e Yeda Pinto dos Santos; e (ii) Angela Lima Batista e Noeliton Pinto Lima; Conforme cadastro da Receita Federal, Tanildes Lima, Ângela Lima e Noeliton Lima são filhos de Eronildes Maria Pinto Lima, que também é irmã de Yeda Pinto dos Santos; Informações de DIRF e GEFIP mostram que à época da constituição da Mondial, Tanildes Lima era funcionária da empresa Escola Lopes de Assis Ltda. Nas declarações de Imposto de Renda Pessoa física (DIRPF) de Yeda Pinto e Ângela Lima não consta nenhuma informação sobre a constituição ou posse de cotas de empresas. Tanildes Pinto informou deter cotas da empresa MEP Montagens, e Noeliton Pinto informou a posse de cotas da empresa Premoldados Lima. A situação patrimonial desses contribuintes era a seguinte: Tanildes Pinto Lima 0,00 9.000,00 Yeda Pinto dos Santos 0,00 0,00 Ângela Lima Batista 0,00 0,00 Noelilon Pinto Lima 100,00 100,00 Yeda Pinto também é sócia da empresa Global Injeções, que funciona no mesmo endereço das 4 empresas, e presta serviço de industrialização por encomenda para a AlphaPró. Essa empresa é inscrita no SIMPLES, e também foi objeto de autuação para cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a folha de salário, pois ficou comprovado que a empresa foi constituída com o fim de abrigar funcionários da AlphaPró, e, por estar inscrita no SIMPLES, evadir o pagamento da contribuição previdenciária patronal. Fl. 6766DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 8 7 7) Divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação A análise dos dados da folha de pagamento das empresas mostra que as funções de gerência/coordenação/análise foram divididas entre as empresas. Cada empresa possuía pelo menos um funcionário em cargos que são essenciais em uma estrutura fabril e comercial, que foram divididos entre as empresas, conforme se segue: CARGO MK ME ALPHAPRO Gerente de Produção * X X Gerente de Engenharia X Gerente de Suprimento X Coordenador de Produção * X X Coordenador de Qualidade X Coordenador de Sistemas de Materiais X Coordenador de Recursos Humanos X Coordenador de Comércio Exterior X Analista de Exportação X Analista de Importação ** X Analista de Suporte * A empresa Alpha tinha em sua folha de pagamento o funcionário Moisés Santos da Costa que, de outubro/2007 a janeiro/2008, ocupava o cargo de gerente de produção e, a partir de fevereiro/2008, passou a ocupar o cargo de coordenador de produção. ** A Alpha passou a ter um funcionário desempenhado esta função a partir de julho de 2008. 8) Transações entre as empresas As empresas ME e MK vendiam os produtos com a marca '"Mondial"' diretamente aos clientes finais – empresas varejistas como Casas Bahia, WalMart, Carrefour, Bom Preço, Insinuante, entre outros. A partir de agosto de 2007 passaram a vender exclusivamente para a Mondial Eletrodomésticos, que revendia para os clientes finais. A empresa Alpha só efetuou vendas para a Mondial Eletrodomésticos, pois iniciou suas operações em julho de 2007; A análise dos preços praticados pelas empresas mostram que esta transição foi apenas aparente, pois o valor dos produtos vendidos aos clientes finais não sofreu nenhuma alteração. Os preços dos produtos, que antes eram vendidos da ME e MK para os clientes finais, continuou o mesmo após a Mondial Eletrodomésticos vender para estes mesmos clientes. Ou seja, a relação comercial continuou a mesma. Outro detalhe é que, na passagem do mês de julho para agosto, a ME e MK aumentaram o preço dos produtos vendidos à Mondial, resultando, na maior parte dos casos, em um preço maior do que o vendido aos clientes finais. 9) Processos Trabalhistas As empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como "plúrima réu”, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada. Em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas. 10) Mesmo contador/contabilidade Fl. 6767DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 9 8 As empresas têm a mesma contadora, Valdirene Pinto Lima, e apresentam idêntica estrutura contábil, com as contas contábeis com a mesma denominação e o mesmo número. 11) Compartilhamento de contas de consumo As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas. A empresa que possuía o contrato com a COELBA era a ME Indústria Eletrônica. Depois, o contrato passou para o nome da AlphaPró, com o detalhe de que o número do contrato permaneceu o mesmo, ou seja, houve apenas a troca de titularidade do contrato. 12) Compartilhamento de informações contábeis e financeiras As empresas foram cientificadas das conclusões acerca da existência da empresa única e intimadas a apresentar a consolidação contábil e também a apuração consolidada dos tributos IRPJ, CSLL, PIS, COFINS e IPI (intimação lavrada em 21/12/2010). Tal intimação foi atendida pelas empresas, que informaram também os valores pagos dos tributos. Esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas. 13) Encerramento de atividades e transferência de empresas para Osasco/São Paulo A empresa ME Indústria Eletrônica manteve suas atividades comerciais até dezembro de 2009. Em 12/05/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, baixando sua filial, modificando seu nome empresarial e objeto social para gestão e administração de bens próprios e participação em outras sociedades. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa AlphaPró desenvolveu suas atividades até o mês de dezembro de 2009. Em 13/04/2010, efetuou alteração contratual transferindo sua sede para Osasco/SP, e alterando seu objeto social para escritório administrativo. Tal alteração foi registrada na JUCEB em 10/06/2010; A empresa ML, precursora da marca '"Mondial" na Bahia, operou até abril de 2009 na cidade de Camaçari, tendo sido a primeira que se transferiu para Osasco/SP. Mudou também de atividade, passando a ter como objeto social ''administração de escritórios em geral”; A Mondial Eletrodomésticos continua com sede na cidade de Conceição de Jacuípe, porém, reduziu suas atividades a quase zero, demonstrando intenção de descontinuidade das operações; Todo esse conjunto de indícios levou à conclusão de que as empresas MK, ME, Mondial e AlphaPró, apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só, com o mesmo responsável administrativo e financeiro, ocupando o mesmo espaço físico, desenvolvendo atividades de importação, produção, montagem e comercialização de produtos eletrodomésticos e eletroeletrônicos; Fl. 6768DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 10 9 Essa conclusão vai ao encontro do conceito de estabelecimento previsto no art. 518 do Dec. nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/2002); De acordo com o Parecer Normativo CST n° 572/71, a doutrina civil conceitua o "prédio" como o terreno com as edificações nele implantadas. Assim, a expressão "estabelecimento" não está vinculada à edificação, mas às edificações situadas em um mesmo e determinado terreno, ainda que estejam separadas. A constituição de diferentes empresas foi feita com o objetivo de reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa, conforme se segue: 1. IRPJ e CSLL As empresas MK e ME optaram pela apuração pelo lucro presumido nos anos calendário de 2007 e 2008. Nesta modalidade, pagavam Imposto de Renda e CSLL sobre o lucro presumido calculado às alíquotas de 8% e 12%, respectivamente, incidentes sobre a receita bruta. A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e CSLL a pagar; A existência das empresas MK e ME, como optantes pelo lucro presumido, possibilitou uma redução na base tributável de R$ 4.469.125,43 e R$ 13.715.674,05 em 2007 e 2008, respectivamente. As outras 2 empresas, Mondial e AlphaPró optaram pela apuração com base no lucro real anual, apurando os seguintes resultados: Ano calendário 2007 2008 Empresa Mondial AlphaPró Mondial AlphaPró Receita bruta 112.028.63,67 30.994.998,51 274.186.094,63 63.702.795,74 Lucro antes do IR 82.392,86 597.674,76 107.178,38 5.639.285,21 Como se vê, as empresas optantes pelo lucro presumido obtiveram uma margem de lucro bastante superior às de lucro real. Isto se explica em parte pelas vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos, conforme explicado no item 31. Outra explicação é a concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como, por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC. transportes, etc. 2. ICMS As empresas MK, ME a ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém, ao venderem para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. O ICMS era calculado pelas empresas à alíquota aplicável para operações dentro do estado (17%). Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com a alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretariada Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos; 14) Critérios de Consolidação Fl. 6769DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 11 10 Em resposta à intimação, para apresentar a apuração consolidada do IPI, anos calendário de 2007 a 2009, a empresa entregou planilha em que soma os saldos dos créditos e débitos mensais das 4 empresas, consolidandoos em uma só empresa; A forma de consolidação utilizada pela contribuinte não é a correta, pois diante dos indícios que apontam a existência real de uma única empresa na Estrada da Volta, 1200, conforme demonstrado anteriormente, a tributação do IPI deve ser feita considerando esse fato, ou seja, as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto. Cita e transcreve o art. 518, do Dec. nº 4.544, de 2002 (RIPI/2002), que define o conceito de estabelecimento; Desta forma, na apuração do IPI efetuada pela fiscalização, foram eliminados os créditos e débitos decorrentes das transações entre as empresas MK, ME, Alphapró e Mondial; Para fins de apuração do IPI, foram utilizados os arquivos de notas das empresas, sendo que os arquivos referentes ao período de 2007 e 2008 foram entregues pela contribuinte e os arquivos do período de 2009 foram extraídos do SINTEGRA, conforme convênio firmado entre a Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia e a Receita Federal; Para apuração dos créditos do imposto, consideramos as disposições do RIPI/2002, capítulo X, seções I, II e III. Foram levantados os valores das entradas, de acordo com as notas fiscais respectivas, bem como as devoluções de vendas. O crédito considerado foi o IPI destacado nas notas fiscais, conforme disposto no artigo 163, sendo concedido o crédito a partir da entrada dos produtos no estabelecimento; Os produtos que foram considerados no cálculo do crédito do IPI são aqueles que se enquadram no conceito de matériaprima e produto intermediário, conforme disposto no art. 164 do RIPI/2002; As empresas lançaram, no livro registro ele apuração do IPI, valores a título de "outros créditos'". De acordo com as informações dos arquivos de notas fiscais, estes valores não estavam destacados nas notas fiscais de entrada. Intimadas a explicar a origem destes créditos, e apresentar a documentação comprobatória, as empresas se limitaram a responder que os valores se referiam a créditos de operações próprias oriundas de fornecedores diversos. Não foram apresentados documentos que corroborassem esta afirmação. Assim, considerando que o artigo 163 do RIPI dispõe que o contribuinte pode se creditar do imposto relativo a produtos entrados nos seu estabelecimento, e que o direito ao crédito está condicionado à apresentação de documentação comprobatória, os valores escriturados pelos contribuintes sob o título “outros créditos” não foram incluídos na apuração do IPI realizada pela fiscalização; O crédito referente ao IPI importação, pago pelo contribuinte sob código 1038 (IPI vinculado à importação), foi creditado no mês em que ocorreu a efetiva entrada dos produtos no estabelecimento, conforme notas fiscais de entrada; Para apuração dos débitos, consideramos as saídas tributadas, conforme as notas fiscais de saída, bem como as devoluções de compras. O valor tributável foi o imposto destacado nas notas fiscais; Do IPI apurado, abatemos os valores declarados em DCTF pelas empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial; Fl. 6770DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 12 11 De acordo com os fatos narrados nesse Termo de Verificação Fiscal, as empresas ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos foram arroladas como sujeito passivo solidário, nos termos do artigo 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional); As empresas escrituraram créditos indevidos nos livros de apuração do IPI, sob o título “outros créditos”. Dessa forma, reduziram o tributo devido nos períodos de apuração. Esta infração é prevista no inciso II, artigo 1º da Lei n° 8.137, de 1990, que dispõe sobre os crimes contra a ordem tributária. Em vista disso, e atendendo ao disposto no artigo 1º da Portaria RFB nº 2.439, de 2010, formalizamos representação fiscal para fins penais, de acordo com o artigo 4° da citada portaria. Cientificada da exigência fiscal, em 31/03/2011, a autuada apresentou, em 02/05/2011, impugnação às fls. 6.273 a 6.310, assim sintetizada no relatório que integra a decisão recorrida: 1. Dos fatos A empresa autuada MK Eletrodomésticos Ltda., juntamente com as empresas ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., AlphaPró Cuidados Pessoais Ltda. (antiga MC Climatização Ltda., que por sua vez, antes se chamava Supreme) e Mondial Eletrodomésticos Ltda., faz parte de um grupo econômico que fabrica, importa e vende, para todo o Brasil, os eletrodomésticos da marca Mondial; Cada empresa do grupo tem área de atuação específica, não se confundindo, em momento algum, quais os tipos de eletrodomésticos que cada uma fabrica ou importa e para quais clientes vende. Além disso, todas as empresas têm os seus próprios empregados, contabilidade própria, onde são registradas as respectivas despesas e receitas e, apesar de estarem no mesmo parque industrial, cada uma tem o seu galpão específico (sede própria); 2. Dos motivos da existência das 4 empresas A marca Mondial decidiu se instalar na Bahia em razão do benefício fiscal de ICMS oferecido por este Estado (Dec. Estadual n°. 4316/1995). Para tanto foi criada a empresa M.L. do Nordeste Ltda., em Camaçari/BA, no ano de 2002; Em face do alto grau de endividamento da ML do Nordeste Ltda., mas diante da percepção de que a marca já havia obtido uma boa penetração no mercado, decidiuse, em 2004, criar a ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda., inicialmente instalada em Simões Filho/BA, que era uma empresa que, essencialmente, iria apenas realizar importações de produtos prontos da China (pranchas alisadoras, cafeteiras, etc.), os quais eram totalmente diferentes daqueles produzidos pela ML do Nordeste Ltda.; Como a criação da ME foi um sucesso, e as operações da ML ainda continuavam problemáticas (falta de lucratividade, endividamento, alta rotatividade de pessoal, etc.), no final de 2005 foi decidido que deveria ser feita a transferência das operações de Camaçari/BA para outra localidade; Assim, criouse a MK Eletrodomésticos Ltda., que nasceu para produzir liquidificadores, batedeiras e espremedores, os quais deixaram de ser produzidos pela ML, e Fl. 6771DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 13 12 também para importar outros itens de cozinha (forninho e tostadeira, por exemplo), que também não eram produzidos ou importados por nenhuma outra empresa do grupo; A ME, então, comprou um terreno em Conceição do Jacuípe/BA e começou a construção de galpões para as suas instalações, como também para as da MK. Frisese, desde já, que a ME sempre cobrou um aluguel da MK pela locação do espaço físico (doc. 02). A MK iniciou as operações em Conceição do Jacuípe/BA em janeiro de 2006 e, para tanto, comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MK (produtos de cozinha); A situação financeira da ML continuava piorando e, assim, no final de 2006, foi iniciada a segunda etapa de transferência da fabricação dos produtos (Ventilação), ficando prevista a mudança definitiva para Julho de 2007, quando foi criada a M. Climatização Ltda. (MC) (atual Alpha Pro), dandose início à construção de mais dois galpões no terreno da ME para a acomodação da fábrica da MC; Assim como no caso da MK, a MC também pagava à ME o aluguel pela utilização dos balcões (doc. 02). Além disso, após as suas instalações ficarem totalmente prontas, a MC comprou da ML todas as máquinas, moldes e matérias primas que eram utilizadas na fabricação dos produtos que passaram, então, a ser produzidos pela MC (produtos de ventilação); A criação das empresas ME, MK e MC decorreu de decisões administrativas que visaram tornar o negócio mais viável do ponto de vista operacional, buscando reduzir o risco financeiro, pois o mercado brasileiro de eletro portáteis é muito competitivo: são pelo menos 18 concorrentes fortes (Arno, Britânia, Walita, Faet, Mallory, Contei, De Lar, Eletrolux, Blacker & Decker, Ion, Suggar, Cadenee, Fan Kitichen NKS, Precisión, Vicini, Zcex, Eterny); Os riscos do negócio, que antes eram concentrados na ML, foram assim divididos. A ME atuou essencialmente com importações, ramo no qual o risco é a variação cambial. A MC ficou concentrada em produtos sazonais (ventiladores e aquecedores), ramo no qual há grande risco de se ter estoques elevados e não vender em virtude do tempo. Já a MK se concentrou em produtos de cozinha, os quais possuem vendas mais estáveis durante o ano inteiro não sofrendo oscilação em virtude do clima; As empresas enfrentavam a dificuldade de realizar vendas para fora do Estado da Bahia, em razão da guerra fiscal travada entre os Estados da Federação. Explicase: as três empresas (ME, MK e MC) gozavam do benefício fiscal de ICMS previsto no Dec. Estadual n° 4316/1995 (doc. 03); assim, quando iam realizar vendas para outros Estados, tinham dificuldades, pois as empresas adquirentes (localizadas fora da Bahia) não conseguiam se apropriar do crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores perante os seus Estados (SP, MG etc.), os quais não reconheciam o crédito do ICMS, nada obstante o imposto estar destacado nas notas fiscais (requer juntada posterior de tais documentos); assim, em razão da impossibilidade de se creditar do ICMS, as empresas de fora da Bahia preferiam não comprar produtos das empresas MK, ME e MC, pois acabavam tendo que arcar com uma carga tributária muito maior de ICMS (cumulativo), o que gerava grandes prejuízos para as três empresas. Cita e transcreve legislação dos Estados de São Paulo (§ 3º do art. 36 da Lei nº 3.674/1989 e Comunicado CAT nº 36/2004) e Minas Gerais (art. 62 do Dec. nº 43.080/2002 e Resolução nº 3.166/2001), que vedavam a apropriação de créditos do ICMS oriundos de benefício fiscal na origem; Fl. 6772DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 14 13 Diante de tal situação, o grupo decidiu criar uma quarta empresa (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) com o fim exclusivo de vender os produtos fabricados ou importados pelas outras três empresas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia. Como essa quarta empresa (Mondial) não se utilizava do benefício fiscal concedido às outras empresas, a antiga clientela da ME, MK e MC localizada fora da Bahia pode voltar a comprar os produtos da marca Mondial, pois não tinham mais problemas perante os seus Estados quanto ao creditamento do ICMS incidente nas operações anteriores, uma vez que a empresa vendedora (Mondial Eletrodomésticos Ltda.) não gozava de benefício fiscal; A Mondial Eletrodomésticos Ltda., inicialmente, teve a sua sede instalada em Lauro de Freitas/BA, transferindose, depois, para o parque industrial localizado em Conceição do Jacuípe/BA, onde alugou um galpão específico, pagando o respectivo aluguel para a ME (doc. 02). A partir do surgimento desta nova empresa, a ME, MK e MC continuaram vendendo os seus produtos diretamente para os clientes localizados dentro da Bahia e passaram a vender outra parte de seu estoque para a Mondial, para que esta realizasse as vendas para os clientes localizados fora do Estado da Bahia (em razão da citada guerra fiscal). As três primeiras praticamente não mais faziam venda para fora da Bahia, salvo raríssimas exceções, nos casos de clientes que não tinham problemas com o aproveitamento do crédito fiscal de ICMS. Já a Mondial realizava, em praticamente 95% das suas vendas, operações interestaduais (doc. 07). Fica claro, portanto, que não há que se falar em fraude ou em criação de empresas fictícias com o único fim de redução do tributo a ser pago, pois, conforme amplamente explanado, cada uma das empresas possuía sede e empregados próprios, além de fabricar e importar produtos diversos, os quais eram vendidos para clientes diversos. Ou seja, cada empresa tinha a sua razão de existir, e não foram criadas para "reduzir a carga tributária incidente sobre as atividades da empresa", como alegam os Agentes Fiscais Autuantes; 3. Do direito Ainda que a criação das várias empresas tivesse como objetivo a redução da carga tributária, ainda assim, nenhum ilícito teria cometido à autuada, acaso a criação de cada empresa fosse verdadeira, tivesse funcionalidade. O que é vedado pelo ordenamento é a utilização do formal pelo formal, do formalismo, para servir de meio a se atingir determinado objetivo. Nesse sentido cita e transcreve trecho do acórdão relatado pelo Ministro Américo Luz (Ap. Cic. Nº 115.478RS, julg. 18.02.87); Não cabe falar que a situação em análise se trata de um “plano concebido”, uma vez que a criação de cada uma das empresas teve uma razão e um motivo empresarial: a) criouse a ME para a realização de importações; b) resolveuse dividir os riscos das atividades da ML, criandose duas novas empresas, em duas etapas, primeiro, uma parte dos produtos que eram fabricados por ela passou a sêlo pela MK, e, depois, a parte restante passou a ser fabricada pela MC, ambas já alocadas em Conceição do Jacuípe/BA, pois a ML enfrentava muitos problemas financeiros e também com a contratação de pessoal; e c) criouse a Mondial Eletrodomésticos para que fosse possível realizar as vendas dos produtos fabricados ou importados para fora da Bahia, a fim de fugir da guerra fiscal. Cita trecho de decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF); Fl. 6773DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 15 14 Existe um grupo econômico legítimo, e não uma empresa única, conforme quiseram fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. A constituição de um grupo econômico, além de ser plenamente permitido pelo ordenamento jurídico pátrio, não tem como objetivo a prática de uma suposta evasão tributária, como tentam demonstrar os Agentes Fiscais Autuantes. Tratase, no máximo, de um procedimento de elisão fiscal, uma vez que é direito do contribuinte planejar a sua atuação na economia da maneira que melhor lhe convier, desde que atue licitamente. Cita trecho de textos dos tributaristas Paulo de Barros Carvalho, Ives Gandra da Silva Martins e Paulo Lucena de Menezes, e Sacha Calmon Navarro Coelho; Que não houve nenhuma tentativa de evasão tributária. O que ocorreu foi um caso típico de elisão fiscal, a qual é plenamente permitida pelo ordenamento jurídico, não havendo que se falar na constituição de uma empresa única; 4. Dos pretensos indícios que motivaram a conclusão dos agentes fiscais autuantes Alegam os Agentes Fiscais Autuantes que as empresas estão localizadas no "mesmo endereço", o que caracterizaria, portanto, a seu ver, uma suposta identidade societária. Da simples leitura dos endereços citados, já se nota que não há que se falar em endereços idênticos (doc. 09); Apesar de estarem localizadas lado a lado, formando um parque industrial, cada empresa tem o seu galpão específico. Aliás, nada diferente de qualquer outro grupo econômico brasileiro. A empresa dona do imóvel é a ME, enquanto que as outras três empresas são locatárias da primeira. Ademais, o fato de algumas empresas serem vizinhas não significa que se trata de uma única empresa. É perfeitamente possível que várias sociedades se utilizem cada uma de um espaço (um galpão, como no caso em análise) situado em um espaço maior, como ocorre, por exemplo, no pólo industrial de Camaçari/BA, no qual estão aglomeradas diversas indústrias que comumente partilham gastos, com o fito de maximizar a sua operacionalidade e minimizar as suas despesas, como é de praxe em qualquer atividade empresária. Cita decisão do CARF sobre o tema; Quanto à alegação de que as quatro empresas exerciam a "mesma atividade" e que, por isso, deveriam ser consideradas uma empresa única, há de se observar que ela não tem pertinência. Conforme amplamente demonstrado acima, a MK, ME e MC eram responsáveis isoladamente pela fabricação/importação de produtos específicos, e acabados, cada qual sendo fabricado ou importado por apenas uma dessas empresas. Assim, uma empresa fabrica ventilador, outra fabrica liquidificador e espremedor de fruta etc. Não há partilhamento na fabricação dos produtos para montagem posterior; além disso, a ME, MK e MC vendiam, precipuamente (salvo raras exceções), para dentro do Estado da Bahia, enquanto que a Mondial Eletrodomésticos (exclusivamente, revendedora) comprava dessas três empresas para vender os produtos para fora da Bahia, fugindo da guerra fiscal. Assim, resta claro que as empresas tinham atividades distintas. Os objetos das empresas, constantes dos seus contratos sociais, têm uma conotação genérica em relação à atividade indicada, como sempre acontece. É preciso focar os documentos que revelam a atividade em si de cada uma das empresas. Estes sim dirão da atividade específica praticada por cada uma delas. Cita e transcreve trecho do acórdão CARF nº 10323.357 sobre indícios de simulação; Da mesma forma, não há qualquer problema na utilização da mesma marca comercial (Mondial) pelas quatro empresas que juntas compõe o polo passivo da presente autuação fiscal. Este fato em nada implica na existência de uma empresa única, como quiseram Fl. 6774DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 16 15 fazer parecer os Agentes Fiscais Autuantes. Conforme amplamente discorrido acima, resta claro que essas empresas compõem um grupo econômico, no entanto, isso não significa que elas constituam uma empresa única. Também aqui é esta a prática do mercado; No pertinente às alegações de que as empresas têm a mesma direção, igualmente há de se perceber que as conclusões dos Agentes Fiscais Autuantes apenas atestam o que nunca foi negado pelas empresas, ou seja, que o Sr. Alberto Baggiani, além de sócio da empresa MK, era também o executivo responsável pelo grupo econômico; A transferência de ínfimo 1% do capital social da ML para o Sr. Manoel Weber, que é uma pessoa sem muitas posses, em nada implica fraude ou simulação. A transferência decorreu da confiança que o Sr. Manoel adquiriu dos sócios da empresa, para os quais prestava serviço. Ademais, há de se ressaltar que a empresa ML era uma empresa praticamente falida; portanto, essa participação tinha pequeno valor. Por fim, note se que os outros 99% do capital social continuaram com a empresa Sillman do Brasil, a qual detém totais condições de arcar com as obrigações da ML. Ora, acaso a intenção fosse de fraude, o sócio majoritário seria uma pessoa sem posses ("laranja"), e não uma empresa com liquidez”. Quanto à constatação de que as empresas têm "sócios majoritários com sede no Uruguai", não há nada a ser acrescentado, pois tal fato não constitui fraude alguma. Todavia, a presunção feita pelos Agentes Fiscais Autuantes de que tais sócios estão relacionados à criação de empresas de fachada e que, portanto, as quatro empresas fiscalizadas configuram uma empresa única, é um completo absurdo; Vejase que os Agentes Fiscais Autuantes utilizam reportagens de revistas e em pesquisas na Internet para fundamentar as suas conclusões; Notese que as notícias colacionadas pelos Agentes Fiscais Autuantes nem mesmo informam sobre alguma condenação dos supostos sócios das empresas fiscalizadas no Uruguai pela prática de algum crime ou fraude. São meras denúncias vazias. Logo, resta impossível subtrair de tais denúncias alguma relação com as empresas fiscalizadas; Da mesma forma, a suposta "utilização de terceiros na constituição de empresas", aduzida pelos Agentes Fiscais Autuantes, também não tem qualquer relação com a tese de que as quatro empresas fiscalizadas representariam uma empresa única. O fato de alguns sócios (todos eles super minoritários) serem parentes entre si e um deles ser funcionário da Sra. Valdirene Pinto Lima não significa dizer que são interpostas pessoas. Ademais, observese que essas pessoas apenas constaram como sócias das empresas fiscalizadas na fase inicial de constituição dessas, saindo, todas elas, logo depois, antes mesmo das empresas começarem as suas atividades, conforme comprovam as alterações contratuais anexadas (docs. 05 e 06). Isso foi feito apenas para agilizar os trâmites burocráticos, em razão da urgência de se obter a inscrição no CNPJ, inscrição estadual, habilitação no benefício de ICMS etc.; Por sua vez, a "divisão de funcionários com cargos de gerência/coordenação" também não representa fato capaz de induzir à existência de uma empresa única. Ora, nada impede que uma pessoa exerça um cargo administrativo em mais de uma sociedade. É para isso que se formam os grupos econômicos, para que haja a minimização de despesas e a uniformização das operações; Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, as "transações entre as empresas" eram apenas aparentes, pois a Mondial Eletrodomésticos vendia os produtos aos clientes pelos Fl. 6775DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 17 16 mesmos preços praticados pelas empresas MK e ME. Ora, conforme já explicitado, a criação da Mondial Eletrodomésticos se deu exclusivamente para fugir da guerra fiscal do ICMS. Ela era uma mera revendedora assim, não tinha porque aumentar os preços praticados pelas outras empresas do grupo; Por outro lado, a ocorrência eventual de vendas aos clientes, pela Mondial, em preço menor do que o da venda das outras empresas do grupo para ela, reflete estratégias comercias (promoções), que decorrem das leis do mercado (oferta e procura), não tendo, portanto, qualquer relação com fraude ou simulação. Vale notar que os próprios fiscais registraram que isto ocorreu em apenas um mês ("na passagem do mês de Julho para Agosto de 2007"), pois não era prática corriqueira da empresa. Tratouse, como dito, de estratégia comercial pontual. Cita ementas e trecho de relatório do CARF sobre o tema; Comparando com a situação da autuação fiscal ora impugnada, percebese que duas das premissas utilizadas no caso citado no parecer do CARF não se aplicam, pois, as quatro empresas fiscalizadas (MK, ME, MC e Mondial) têm quadro de funcionários próprio (doc. 08), além disso, a MK, ME e MC não vendiam seus produtos exclusivamente para a Mondial, haja vista que as vendas para os clientes internos (dentro da Bahia) era feita diretamente pelas três empresas (MK, ME e MC); O fato das empresas figurarem no pólo passivo de "processos trabalhistas", bem como a declaração em um dos processos de que há um grupo econômico, reconhecendo a solidariedade das empresas, apenas corroboram a tese aqui esposada, ou seja, de que as empresas configuram um grupo econômico, e não uma empresa única. Ademais, a solidariedade para fins de responsabilização na Justiça do Trabalho em nada guardam similitude com a responsabilização solidária para pagamento de tributo. E prática corriqueira na Justiça do Trabalho a indicação, como responsável solidária, de empresa que mantenha a mínima relação de qualquer tipo com a empresa reclamada; Da mesma forma, a existência de "mesmo contador/contabilidade" também apenas atesta a existência do grupo econômico, mas não da empresa única. Outra prática corriqueira no mercado, a fim de uniformizar o tratamento das operações e minimizar os seus custos; O "compartilhamento de contas de consumo", no caso as contas de energia perante a COELBA, também corroboram a existência do grupo econômico, pois, conforme atestaram os próprios Agentes Fiscais Autuantes: "as contas de energia são rateadas perante as empresas". A empresa que possui contrato perante a COELBA é a ME (dona do imóvel). O contrato da COELBA com a MC (atual AlphaPro) se refere exclusivamente ao galpão em que está localizada esta empresa, pois, quando ela foi instalada, se decidiu assim proceder, ao invés de manter a conta total em nome da ME e permanecer fazendo o rateio das despesas, como continuou sendo feito com as demais empresas (MK e MC). Tudo isto está provado através das contas e do contrato, os quais serão apresentados posteriormente. O rateio das despesas, como visto, foi atestado pela própria fiscalização, o que dispensa a apresentação de novas provas; Sobre o "compartilhamento de informações contábeis e financeiras", há de se perceber que o Termo de Intimação lavrado em 21/12/2010 determinou que as empresas apresentassem a consolidação contábil e a apuração consolidada das quatro empresas juntas, como se fossem uma só. No termo de intimação, os Agentes Fiscais Autuantes determinam às empresas: 01 Apresentar a apuração consolidada do resultado das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Fl. 6776DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 18 17 Eletrodomésticos, bem como a apuração dos tributos IRPJ e CSLL, de acordo com o regime de apuração do lucro real trimestral; 2. Apresentar a apuração consolidada do IPI, PIS e COFINS das empresas MK Eletrodomésticos. ME Indústria Eletrônica, AlphaPró Cuidados Pessoais e Mondial Eletrodomésticos, sendo que o PIS e COFINS devem ser apurados de acordo com o regime da nãocumulatividade; Notese, portanto, que os documentos apresentados pelas empresas decorreram de uma exigência dos Agentes Fiscais Autuantes, exigência essa a qual as empresas estavam obrigadas a cumprir, sob pena de multa. No entanto, os documentos apresentados em nada refletem a realidade já amplamente discorrida na presente Impugnação e, portanto, devem ser desconsiderados. Ao contrário, deduzse ser fruto de uma tentativa, ardilosa, dos fiscais em fazer a autuada construir uma prova contra si. Ocorre que tais apurações consolidadas de resultado das empresas em conjunto, encomendadas pelos fiscais, não servem para nada, pois não refletem a realidade; A conclusão dos Agentes Fiscais Autuantes de que "esta resposta demonstra a ligação entre as empresas, que compartilham informações contábeis e financeiras que, por natureza, são estritamente sigilosas e restritas" está em total consonância com tudo o quanto foi esposado até aqui, ou seja, de que as empresas formam um grupo econômico que, logicamente, compartilha informações contábeis e financeiras. Contudo, isso não acarreta, repita se, a existência de uma empresa única; O "encerramento das atividades e transferência de empresas para São Paulo" decorreu de decisão administrativa sobre a qual as dificuldades em encontrar mão de obra qualificada no Estado da Bahia tiveram muito peso. Tal fato em nada acarreta a configuração de empresa única, ademais, decorre da livre iniciativa garantida constitucionalmente; Por sua vez, os conceitos de estabelecimento, citados no Termo de Verificação Fiscal, prescritos no Regulamento do IPI e no Parecer Normativo CST n° 572/71, não vedam que existam empresas, situadas lado a lado em terrenos contíguos, estabelecidas em regime de condomínio. Acaso prevaleça o entendimento dos Agentes Fiscais Atuantes, chegar seia à conclusão absurda de que um condomínio com várias salas comerciais representaria uma empresa única. Ademais, conforme exposto no ponto 39, o CARF admite a existência de mais de uma empresa em um mesmo espaço geográfico; Ao analisarem os recolhimentos de IRPJ e CSLL das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes aduzem que as empresas MK e ME (optantes pelo lucro presumido) obtiveram lucro líquido contábil bastante superior ao presumido: "A análise dos resultados das empresas mostra que estas obtiveram um lucro líquido contábil bastante superior ao presumido, o que possibilitou às empresas reduzirem o IRPJ e o CSLL a pagar" (item 44 do Termo de Verificação Fiscal); Segundo os Agentes Fiscais Autuantes, os motivos de o lucro contábil verificado ter sido muito maior do que o presumido teriam sido o seguinte: "as vendas feitas pela MK e ME à Mondial, onde os produtos eram vendidos por preço superior ao que a Mondial vendia aos clientes externos" e a "concentração de despesas na empresa Mondial, que, por sua vez, repassava parte dessas despesas à empresa AlphaPró, como por exemplo, as despesas decorrentes de contratos comerciais com os varejistas, como bônus, comissões, VPC, transportes, etc." (trechos retirados do item 46 do Termo de Verificação Fiscal); Fl. 6777DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 19 18 No pertinente ao primeiro "motivo", já foi explicitado amplamente no item 52 que os próprios Agentes Fiscais Autuantes somente identificaram tais vendas "na passagem de julho para agosto" de 2007, as quais decorreram de questões comerciais (promoções); Quanto ao segundo "motivo", observese que os Agentes Fiscais fazem acusações genéricas e sem provas de que as despesas seriam concentradas nos registros contábeis das empresas de lucro real. Ora, tal fato não é verdade, pois cada uma das empresas registrava as suas próprias despesas. Notese que os próprios Agentes Fiscais Atuantes atestam tal fato no item 34 do Termo de Verificação Fiscal, quando prescrevem que "As empresas possuem um único contrato junto à Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia (COELBA), onde as contas de energia elétrica são rateadas entre as empresas; E concluise, então, que a diferença entre o lucro contábil e o lucro presumido da MK e da ME decorreram exclusivamente da opção feita por essas empresas. Frisese, desde já, que salvo algumas exceções previstas em lei, as quais não se aplicam ao caso das empresas MK e ME, a apuração do IRPJ/CSLL pelo lucro presumido é uma faculdade do contribuinte e não representa evasão fiscal o fato dessa opção gerar economia tributária; Ao analisarem a questão dos recolhimentos do ICMS das quatro empresas fiscalizadas, os Agentes Fiscais Autuantes demonstraram desconhecer totalmente a sistemática de apuração do imposto, como também a legislação (Dec. Estadual n° 4.346/95) referente ao benefício fiscal gozado pelas empresas MK, ME e MC (atual AlphaPró). Segundo eles, a Mondial Eletrodomésticos teria acumulado crédito de ICMS indevido; Vejase o que dizem os Agentes Fiscais Autuantes: "As empresa MK, ME e ALPHA possuem benefício fiscal de incentivo do ICMS. Nesta modalidade obtinham um crédito presumido do imposto incidente nas vendas, reduzindo o valor a recolher. Porém ao venderam para a Mondial, efetuavam o destaque do ICMS cheio na nota fiscal, possibilitando que essa se creditasse normalmente. Porém, como a Mondial vendia grande parte dos produtos para fora do estado, acabava debitando o ICMS com alíquota de 12%. Esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto. Em 2010, segundo informação da Secretaria da Fazenda do Estado, a Mondial teria negociado estes créditos." (item 47 do Termo de Verificação Fiscal)”. Note se que tal procedimento é totalmente normal e está de acordo com a legislação aplicável ao ICMS, não merecendo, portanto, qualquer reparo”. O Benefício fiscal em tela prevê que as empresas de eletroeletrônicos podem "lançar como crédito em sua escrita fiscal, em cada período de apuração, o valor equivalente ao saldo devedor do imposto apurado em cada mês, relativo às operações e prestações com tais produtos" (Dec. 4.316/95, art. 2ºA6). Assim, a MK, ME e MC (atual Alpha) destacavam normalmente o ICMS em cada nota fiscal, pois sobre tais vendas é cobrado o imposto, e, ao final do mês, quando da apuração do imposto mediante a conta corrente fiscal (encontro de débitos com créditos), lançavam como crédito eventual saldo devedor que fosse identificado; Primeiramente, há de se ressaltar que o creditamento feito pela Mondial é autorizado pela Constituição (art. 155, §2° da, I, da CF/88) e pela legislação infraconstitucional Fl. 6778DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 20 19 (art. 19 da LC 87/96, art. 28 da Lei estadual 7.014/96 e art. 114 do RICMS/BA), uma vez que ICMS é um imposto não cumulativo, assim, o contribuinte deve lançar como crédito o imposto incidente nas operações anteriores, o qual vem destacado em cada nota fiscal. Assim, como as notas fiscais das vendas realizadas pelas empresas MK, ME e MC para a Mondial, vinham com o destaque do ICMS incidente sobre elas (documento idôneo, conforme prescrição do art. 23 da LC/87/ 967), o creditamento do imposto, feito pela Mondial, está em total consonância com a legislação; Frise se que o fato das empresas, quando da apuração mensal do ICMS, lançarem como crédito o eventual saldo devedor de imposto, em razão do benefício fiscal concedido, não impede que a empresa adquirente escriture o crédito do ICMS incidente nas etapas anteriores e que veio destacado nas notas fiscais. As únicas hipóteses de exceção ao princípio da não cumulatividade são a isenção e não incidência, as quais não se confundem com a hipótese ora analisada, haja vista que, no caso, houve a incidência do ICMS sobre cada venda. Cita e transcreve trecho de decisão do STF sobre lançamento de crédito; Conforme demonstrado nos pontos 1718, alguns Estados da Federação criam dificuldades para o aproveitamento dos créditos em aquisições interestaduais de empresas que gozam de benefício fiscal, no entanto, as vendas realizadas pela MK, ME e MC para a Mondial foram realizadas dentro do Estado da Bahia, o qual não cria nenhuma dificuldade à utilização do referido crédito de ICMS. Pelo contrário, o Estado da Bahia, à época, além de reconhecer o crédito referente ao ICMS destacado na nota fiscal, que é garantido por lei, conferia ainda mais um crédito presumido de ICMS no percentual 5% do valor da nota fiscal (art. 3° do Dec. Estadual n° 4.316/95)”: Art. 3º. O estabelecimento comercial que promover a saída interna de produtos resultantes da industrialização, com aplicação de componentes, partes e peças, desde que oriundos de estabelecimento industrial deste Estado que os tenha recebido com o tratamento previsto no art. 1º lançará a crédito o montante equivalente a 5% (cinco por cento) do valor da operação. Destarte, não há qualquer irregularidade no fato da Mondial se creditar do ICMS destacado nas notas fiscais de venda emitidas pelas empresas MK, ME e MC, pois tal procedimento é permitido e incentivado pela legislação; também não há qualquer irregularidade na tributação à alíquota de 12% sobre as vendas realizadas pela Mondial. Conforme amplamente já explicitado, a Mondial realizava, precipuamente, vendas interestaduais, as quais são tributadas a uma alíquota menor, uma vez que a empresa adquirente paga, complementa, ao Estado de origem, o diferencial de alíquota (alíquota interna alíquota interestadual), tal sistemática está prevista no art. 155, §2°, VII, "a" e VIII, da CF/88; Em suma vejase que os Agentes Fiscais Autuantes tentam sustentar que: "esta situação, aliada ao preço elevado que a Mondial comprava das empresas, fez com que ela acumulasse um saldo crescente do imposto". Conforme explicitado acima, o procedimento de recolhimento do ICMS adotado pela Mondial está em total conformidade com a lei, ademais, o suposto preço elevado aduzido pelos Agentes Fiscais Autuantes foi verificado em 01 mês apenas (vide ponto 52). Por fim, a venda dos créditos de ICMS acumulados, pela Mondial, também é totalmente legal e permitido pelo Estado da Bahia; Fl. 6779DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 21 20 O artifício retórico utilizado pelos Agentes Fiscais Autuantes não merece guarida, uma vez que todos os indícios e presunções por eles utilizados, para tentar embasar a sua autuação, caem perante a verdade material dos autos: a de que não existe nem jamais existiu uma única empresa, que seria dissimulada na pessoa de várias outras, mas, sim, um conglomerado de várias sociedades, as quais compõem um grupo econômico; Confirase, por oportuno, a lição de Marco Aurélio Greco: “Em matéria tributária, e tratandose da ocorrência do fato gerador, o respectivo ônus da prova é expressamente atribuído ao Fisco, por força do artigo 142, caput do CTN. Com efeito, este dispositivo prevê que o lançamento é o procedimento "tendente a verificar a ocorrência do fato gerador". Ou seja, o ônus da prova da ocorrência (pelos diversos meios admitidos em Direito) é do Fisco. Fato gerador é fato constitutivo do direito do Fisco. Não cabe ao contribuinte o ônus da prova negativa, vale dizer, prova da inexistência do fato gerador (p.189 190)”. “Misabel Derzi, por sua vez, aduz que”: “A simulação tem de ser demonstrada pela Fazenda Pública, a quem cabe desconstituir a presunção de legitimidade de que gozam os atos e negócios jurídicos em geral. Competelhe o ônus de provar que o negócio jurídico é mera aparência ou oculta uma outra relação jurídica de natureza diversa, ou seja, esconde a ocorrência do fato gerador (p.226)”. Confirase, também, o posicionamento de Aurélio Pitanga Seixas: Quando o fato econômico puder ser representado juridicamente de mais de uma forma, sem disfarce ou camuflagem, não é vedado ao contribuinte escolher a alternativa que resulte em menor pagamento de tributo. Cabe à autoridade fiscal provar o artifício ou disfarce utilizado pelo contribuinte para se evadir do pagamento do tributo, e, naturalmente, ao Judiciário, fixar a interpretação consentânea com o fato questionado (p.19). “O CARF tem constantemente repelido autuações iguais à discutida no presente caso, como pode ser verificado nos acórdãos abaixo”: IPI MULTA REGULAMENTAR RECURSO DE OFICIO – Cabe à fiscalização detectar e provar por meios e elementos precisos a efetiva ocorrência do ilícito fiscal, não sendo seus indícios ou fatos que possam dar idéia de uma elisão fiscal, circunstâncias capazes de ensejar a pretendida exigência tributária. Recurso de ofício negado. (2º Conselho de Contribuintes 3a. Câmara Relator Valdemar Ludvig Acórdão 20309634 Recurso 124415 16/ 06/2004). IRPJ — EVASÃO ILÍCITA — Improcede o lançamento se não restou suficientemente caracterizada a evasão ilícita, uma vez que não ficou provado que os negócios praticados com empresa interligada foram feitos com objetivo único de escapar ao tributo, mas efetuado sob a justificativa de atender legítimos Fl. 6780DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 22 21 interesses empresariais (Recurso 101.351, Acórdão 10184.907, Relator Raul Pimentel). Os Agentes Fiscais Autuantes não poderiam, à míngua de qualquer previsão legal que os autorizassem a tanto, ter reunido as receitas de todas as empresas mencionadas na autuação, para concluir que, em verdade, se trataria de uma única receita, uma vez que, como dito, são oriundas de sociedades diversas e autônomas entre si, com objetos sociais distintos muito embora Integrem um mesmo grupo econômico. Se as autoridades autuantes entenderam se tratar de uma sociedade única, elas deveriam ter cabalmente demonstrado as suas alegações, o que não o fizeram, tendose baseado tão somente em meros indícios e presunções, oriundas de reportagens veiculadas em revistas populares e em informações pesquisadas na Internet, para embasar o seu pleito temerário. Cita e transcreve texto de diversos tributarista sobre planejamento fiscal; Em verdade, o que pretende o Fisco é instituir um inconstitucional, ilegal e novel "imposto sobre planejamento fiscal", diante da situação de perda de receita que se deparou em virtude da prática crescente e perfeitamente lícita dos contribuintes em adotar meios contábeis e jurídicos para que economizem com o recolhimento de tributos; Diante do exposto, resta claro que o lançamento deve ser julgado nulo de pleno direito, diante da carência de provas que comprovem as alegações fiscais e diante da total irrazoabilidade que a macula, ao confundir os institutos da evasão fiscal (conduta ilícita, que visa ao não pagamento de tributo) com o da elisão fiscal (conduta lícita, que visa promover uma economia tributária por meio do planejamento fiscal da empresa) para que, à míngua de qualquer previsão legal, fossem somadas as receitas de todas as empresas com o único fim de aumentar a arrecadação tributária; 5. Critérios de consolidação – IPI A discussão acerca dos critérios de consolidação utilizados na autuação fiscal, ora objurgada, resta totalmente prejudicada, posto que o lançamento foi estribado em premissa falsa, qual seja, a existência de uma única empresa. Foi vastamente comprovado no bojo da presente Impugnação, que, na realidade, existe sim um grupo econômico e não uma mesma empresa; Para o caso dos julgadores, por absurdo, vierem afastar toda a argumentação trazida alhures, o que não se espera, a Impugnante vem apresentar outros equívocos materiais da consolidação efetivada no presente lançamento; Inicialmente, logo no ponto "49" do Termo de Verificação Fiscal, emerge mais uma prova da inexistência da suposta empresa única, que teria o intuito de cometer fraude. Isto porque ali consta que, durante o período fiscalizado, cada empresa fez a sua opção pelo regime de apuração do resultado, demonstrando a autonomia existente entre elas; A ME e MK apuraram os seus resultados em 2007 e 2008 pelo lucro presumido; Neste mesmo período as empresas AlphaPró e a Mondial apuraram os seus resultados pelo lucro real anual; já em 2009, todas as empresas optaram pelo regime de apuração do lucro real anual. Esta constatação fora feita pela fiscalização no ponto "49"; Perguntase: se as empresas foram criadas para fraudar o fisco, com base na opção diferenciada de regime de apuração das empresas, por qual motivo elas optaram, em Fl. 6781DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 23 22 2009, pelo regime de apuração do lucro real? A resposta a esta pergunta fulmina a elucubração indiciária da existência de uma empresa única; Diante de equívoco tão significativo na autuação fiscal, o lançamento está completamente destoante da realidade, prejudicando, de certo modo, a própria defesa da impugnante neste. Nesse sentido, o lançamento não merece outra sorte que não a nulidade; 6. Conclusão Diante de todo o exposto, requer o reconhecimento da NULIDADE/IMPROCEDÊNCIA do auto de infração ora impugnado; Requer, ainda, a juntada posterior de documentos. Pede deferimento. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão nº1528. 134, de 30/08/2011, cuja ementa tem a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. Não há ofensa à garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa quando todos os fatos estão descritos e juridicamente embasados, possibilitando à contribuinte contestar todas razões de fato e de direito que instruíram o lançamento fiscal. PROVAS INDICIÁRIAS. A comprovação material de uma dada situação fática pode ser feita, indiretamente, por um conjunto de elementos e indícios que, se isoladamente nada atestam, agrupados têm o condão de estabelecer a certeza dessa matéria de fato. CRÉDITO INDEVIDO DE IPI. GLOSA. Mantémse a glosa de crédito para os quais a contribuinte não apresenta documentação hábil e idônea, capaz de legitimar os valores escriturados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da decisão em 16/09/2011, a interessada interpôs recurso em 18 de 10 seguinte, reiterando, os argumentos suscitados em sua impugnação, bem com apresentando novos documentos. Os sujeitos passivos solidários não apresentaram impugnação nem interpuseram recurso voluntário. O recurso foi distribuído à 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara, que declinou a competência para a Primeira Câmara. Fl. 6782DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 24 23 É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. Reconheço a competência declinada, nos termos do artigo 2º, inciso IV, do Anexo II do Regimento Interno do CARF aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por se tratar de exigência de IPI lastreada em fatos cuja apuração serviu para configurar a prática de infração à legislação pertinente à tributação do IRPJ, objeto do processo nº 10530.721612/201166, julgado pela 1ª Turma da 1ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento em 05/03/2013 (Acórdão nº 1101000.852). O recurso é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. Como visto do extenso relatório, o litígio tem por base a acusação fiscal de que as empresas MK Eletrodomésticos Ltda.; ME Indústria Eletrônica do Nordeste Ltda; AlphaPro Cuidados Pessoais Ltda. e Mondial Eletrodomésticos Ltda., apesar de estarem constituídas em empresas diferentes, na realidade formam uma empresa só. A partir dessa conclusão, assentou autoridade fiscal que as operações entre as empresas MK, ME, AlphaPró e Mondial não devem gerar débitos ou créditos do imposto e fez nova apuração do IPI, eliminando os créditos e débitos decorrentes das transações entre as mencionadas empresas. Portanto, esta é a questão preliminar a ser resolvida: a existência real de uma ou de quatro empresas. Essa matéria, a meu ver, foi com muita profundidade analisada pelo Conselheiro Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro, relator do recurso relativo ao IRPJ, lastreado nos mesmos fatos, e que esse é decorrente. Peço vênia ao ilustre Conselheiro para adotar suas razões de decidir, que transcrevo: “ (...) cabe analisar a linha central da auditoria para esgotar o exame da lide. Para tanto, é necessário examinar se cada uma das empresas perseguia seus objetivos sociais com recursos físicos e humanos próprios. Ou seja, cabe examinar se as empresas: tinham vontade própria; tinham um espaço físico específico, mantido às suas custas; possuíam maquinários próprios ou alugados; adquiriam seus próprios insumos, matériasprima, ou mercadorias; eram as contratantes de seus empregados; efetuavam suas vendas; respondiam por seus contratos, produtos, empréstimos e atos; etc. Quanto a haver ou não uma vontade própria de cada empresa, a análise feita pela fiscalização do quadro social da ML do Nordeste, empresa da qual teriam se originado as quatro empresas, em nada respalda a tese do lançamento. De fato, tal análise apenas apontaria os membros da direção da ML como possíveis membros da direção das quatro empresas, já que estas Fl. 6783DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 25 24 são resultantes do desmembramento da ML. Restaria que a fiscalização conseguisse demonstrar que as quatro empresas tinham órgãos de direção compostos por membros da direção da ML e que todas as empresas perseguiam em conjunto um mesmo objetivo social. A análise do fiscal do quadro social da MK, ME, e MC (Alpha Pró), também não traz nenhum esclarecimento. Ela apenas indica os nomes dos sócios formais como potenciais membros da direção da aventada empresa única. Já a acusação de que as empresas uruguaias, que participam das três sociedades, foram criadas pelo escritório Posadas, Posadas e Vecino, que seria especializado em criar empresas de fachada, pouco colabora com a tese da fiscalização. Primeiro, porque não foi feita a demonstração de que as empresas uruguaias eram empresas de fachada, já que o Fisco simplesmente fez a afirmação tomando por base matérias de jornais e revistas, sem qualquer outro elemento de prova. Segundo, porque, mesmo que as empresas uruguaias fossem de fachada, seria preciso identificar e comprovar a existência de uma verdadeira sociedade e direção escondidas por trás de tais empresas de fachada, conduzindo as quatro empresas para um objetivo social comum. Mas isso não foi feito. Ao fim, este ponto da análise fiscal apenas sugere que os verdadeiros sócios das empresas buscam se manter anônimos, já que as empresas uruguaias são sociedades de ação ao portador. Também a informação da fiscalização de que participaram do quadro social inicial da ML, Mondial e MC (AlphaPró) pessoas ligadas à contadora das quatro empresas, não corrobora a tese base do lançamento, porque isso não refuta o quadro social e a direção das quatro empresas nos períodos autuados, nem indica uma determinada composição societária nas quatro empresas, nem demonstra confusão de objetivos sociais. Por outro lado, nos itens do relatório fiscal que essa matéria é abordada, a fiscalização consigna que a empresa Global Injeções presta serviço de industrialização por encomenda para a MC (AlphaPró) e que foi autuada para cobrança do INSS sobre folha de salários, por ter ficado provado que existia para abrigar empregados da MC (AlphaPró). Ora, tal autuação a um passo indica que a fiscalização reconhece que a MC (AlphaPró) tem atividade específica e empregados próprios (embora, em tese, alocados na Global), e a outro passo sugere que a fiscalização deveria ter considerado mais uma empresa (a Global) como componente da empresa única que disse existir. No fim, a menção à Global trabalha contra o que a fiscalização afirma no presente auto de infração. Em resumo, mesmo tomadas em conjunto, estas análises da fiscalização não conseguem de modo algum refutar o quadro social e direção das quatro empresas formalmente registrados. Muito menos conseguem demonstrar a existência de uma mesma Fl. 6784DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 26 25 direção em todas as quatro empresas atuando para a realização de um objetivo social único. Ainda pretendendo comprovar a direção única, a fiscalização diz que: 1) Alberto, sócio da MK e exsócio da ML, possui procurações da ME e AlphaPró para representar estas duas empresas em bancos, bem como da Mondial; 2) Giovanni também representa a MK, ME e AlphaPró junto a bancos; 3) Alberto e Giovani representam a MK e Mondial junto a clientes; 4) a ME e MK têm registros contábeis que indicam que Alberto era o gestor das empresas; 5) pesquisa na internet aponta Giovanni como membro da direção. Por sua vez, o contribuinte diz que jamais negou o fato de que as empresas teriam a mesma direção e que Alberto era o executivo responsável pelo grupo econômico. O que o contribuinte não admite é a acusação de que as quatros empresas formassem uma única empresa. Neste aspecto, o contribuinte está correto. O fato de existir um mesmo diretor, ou até a mesma direção, não implica haver identidade ou confusão de objetivos sociais das empresas e confusão de recursos com os quais estes objetivos são perseguidos. Deste modo, as investigações da fiscalização que apontam Alberto e Giovanni como efetivos gestores da empresa, fato que é admitido pelo contribuinte, poderiam servir para apontar e responsabilizar estas pessoas como diretores das empresas (se os demais requisitos legais estivessem presentes), mas não servem como prova de que as quatro empresas seriam apenas uma empresa. Portanto, para verificar a tese da fiscalização, é preciso verificar se os outros pontos de seu relatório demonstram a mistura de recursos e finalidades. O ponto de partida do relatório fiscal é sustentar que as quatro empresas “funcionavam no mesmo endereço”. Para manter a acusação, a fiscalização informa a localização inicial da sede de cada empresa e conta que elas se transferiram para Conceição do Jacuípe. Indica o endereço de cada empresa dizendo que: a MK se localizava na Estrada da Volta, 1200, galpão 2; a ME, na Estrada da Volta, 1200; a Alpha, na Trv. da Volta, 155, galpão 2; e a Mondial, na Estrada da Volta, 1200, galpão 3B. Já o contribuinte explica que as empresas ocupavam galpões vizinhos, construídos em terreno da ME, e que pagavam alugueis pelo uso do espaço. Para comprovar suas alegações, juntou o registro contábil dos alugueis pagos por diversas empresas (MK, MC, AlphaPró, M Service, Margel, Global, Mondial, SPD) para a ME (proc. fls. 18893 a 18899). Também, juntou cópia dos cartões CNPJ, que mostram os endereços cadastrados (proc. fls. 19010 a 19014). Portanto, percebese que a fiscalização e o contribuinte concordam em que as empresas estavam localizadas em galpões vizinhos. Fl. 6785DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 27 26 Mas, se as empresas ocupam cada uma um galpão diferente, não é possível dizer que dividem um mesmo espaço físico. Ou seja, mesmo admitindose que o endereço do terreno onde estão localizados os galpões pudesse ser um só, cada empresa tem suas instalações em um local (galpão) diferente. Assim, não se pode falar em compartilhamento de espaço físico. Além disso, as empresas pagavam aluguel pelo uso do espaço físico, sendo irrelevante que os galpões fossem de propriedade de uma delas. Quanto à efetividade desses alugueis, a fiscalização teve acesso aos livros que registram esses aluguéis e não fez qualquer exame adicional para verificar se foram ou não pagos. Inclusive, sequer mencionou que as empresas pagavam alugueis pelos galpões que ocupavam. Portanto, não é possível falar em confusão de espaço físico e nem em empréstimo gracioso de espaço. Até onde está demonstrado nos autos, cada empresa ocupava um galpão e arcava com os custos deste imóvel. Por oportuno, a alegação da fiscalização de que as empresas rateavam a conta de energia, também é explicada pelo aluguel dos galpões. Ou seja, se as empresas alugavam os galpões da ME, é razoável que a energia fosse rateada entre elas. Além disso, é a própria fiscalização que diz que cada empresa pagava sua despesa, já que a conta era rateada, e não põe em cheque o critério de rateio, obrigando que este seja aceito como correto. Por outro lado, o contribuinte explica que a dona do terreno (ME) é a titular do contrato com a Coelba e que divide as despesas com a MK. Também, informa que a AlphaPró tem seu próprio contrato com a Coelba, em relação ao seu galpão alugado. Deste modo, nenhumas das acusações acima são aptas para demonstrar que, ao invés de quatro empresas, existia uma única empresa. Por esta razão, cabe continuar o exame das demais acusações da fiscalização, para verificar se comprovariam a confusão de objetivos e recursos. Outro ponto levantado pelo Fisco para sustentar suas conclusões é que a MK, ME e a AlphaPró têm por principal atividade a fabricação, montagem e comércio de eletrodomésticos e eletrônicos e a Mondial tem por atividade principal o comércio atacadista de eletrodomésticos e eletrônicos, sendo que todas comercializam os produtos e mercadorias sob a marca Mondial. A fiscalização explica que marca é de titularidade de empresas ligadas (Crowland SA e Silman Internacional SA) e que o logo da Mondial aparece no teto dos galpões. Com base nisso, conclui que não existe distinção entre a MK, ME, AlphaPró e Mondial, pois tudo é Mondial. Por sua vez o contribuinte explica que se trata de um grupo econômico e que cada uma das empresas tinha uma linha de produto e atividade específica. Explica que: 1) a ME importa alguns tipos de produtos da China, diferentes dos produzidos pelas outras empresas; 2) a MK produz a linha de cozinha e Fl. 6786DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 28 27 importa alguns produtos afins; 3) a AlphaPró produz a linha de ventilação e aquecedores; 4) a Mondial comercializa os produtos das três empresas quando os cliente são de outro estado. Enfatiza que cada empresa possui seu próprio maquinário e moldes, que compram sua própria matéria prima, e que não existe partilhamento na fabricação dos produtos. Insiste que o uso da mesma marca não faz as empresas perderem a personalidade. Quanto a estes aspectos, cabem algumas ponderações. Inicialmente, vale notar que o uso da mesma marca pelas quatro empresas não permite concluir que elas seriam uma só. As empresas podem vender produtos com uma mesma marca sem perder sua personalidade. Inclusive, a própria fiscalização destaca, que a titularidade da marca é de outras empresas (Crowland SA e Silman Internacional SA) que não foram afetadas pelo lançamento. Isso fragiliza a tese do lançamento, pois de um lado a própria fiscalização admite o uso da marca de titularidade de uma empresa por outra empresa, mas de outro lado argumenta que o uso da mesma marca caracteriza confusão de personalidade. Além disso, o contribuinte informa que a MK e a AlphaPró compraram todas as máquinas e moldes da ML. Isso mostra que cada empresa tinha no seu galpão os seus próprios maquinários e equipamentos, necessários para sua atividade. Assim, não se pode falar em compartilhamento de instalações. De outra banda, a fiscalização teve acesso às instalações, livros e documentos. Portanto, é de supor que tenha verificado se as máquinas, moldes e demais ativos haviam sido adquiridos por cada uma das empresas, se estavam registrados na contabilidade, e se estavam instalados no galpão correto. Logo, se a fiscalização nada disse sobre este aspecto tão importante, é necessário admitir como verdadeira a informação do contribuinte de que as instalações de cada empresa era da própria empresa. A fiscalização também não efetuou qualquer diligência para demonstrar que as empresas dividiam maquinário na fabricação de seus produtos. Portanto, também é preciso supor que não existe partilhamento de equipamentos na produção. Assim, se os bens são das empresas, se estão instalados nos seus respectivos galpões, e se cada empresa usa suas próprias máquinas, o fato das empresas usarem a mesma marca para comercializar seus produtos apenas indica tratarse de um grupo econômico, e não de uma única empresa. De qualquer modo, cabe continuar a análise das demais afirmações do Fisco. Outro ponto levantado pela fiscalização para sustentar suas conclusões é a divisão de empregados. Para sustentar esta posição a fiscalização diz que analisou a folha de pagamento e concluiu que as empresas dividiam alguns quadros gerenciais, Fl. 6787DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 29 28 pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Para informar quais gerentes seriam compartilhados, o Fisco apresenta uma tabela. Mas, tal tabela não permite compreender quais gerencias seriam divididas, nem a descrição dos fatos traz qualquer explicação. Além disso, a falta de indicação da localização nos autos dos elementos comprobatórios impede a verificação do afirmado e um maior esforço de compreensão da posição da fiscalização. Portanto, este ponto da acusação fica parcialmente prejudicado. Também para comprovar esta acusação de compartilhamento de empregados, a fiscalização diz que “as empresas ME, MK, Mondial e Alpha figuram em vários processos trabalhistas como ‘plúrima réu’, ou seja, partes que tinham relação com o fato/empresa reclamada” e que “em um dos processos, há uma sentença declarando a existência do mesmo grupo econômico, e reconhecendo a solidariedade entre as empresas”. No entanto, a simples menção a ações trabalhistas, onde as empresas teriam relações com a reclamada, não é suficiente para se concluir que o processo trabalhista indique uma ou várias pessoas que trabalhassem para as quatro empresas. Se acaso algum destes processos tivessem elementos que demonstrassem a utilização do mesmo empregado pelas 4 empresas, a fiscalização deveria ter detalhado tal situação. Do mesmo modo, a existência de sentença reconhecendo o grupo econômico ou a solidariedade entre as empresas não obra em favor da tese da fiscalização. Ao contrário, tal sentença confirma que existe um grupo econômico e não uma empresa. Por sua vez, o contribuinte afirma que cada empresa tem seus próprios funcionários e junta a folha de pagamento das quatro empresas (proc. fls. 18962 a 19009). Ora, se a fiscalização examinou as folhas de pagamentos e os locais de trabalho, e se não encontrou empregados de uma empresa trabalhando no espaço físico de outra, não é razoável afirmar que haveria divisão de empregados. De fato, a fiscalização poderia ter feito diligências nas sedes das empresas e anotado os nomes das pessoas que lá se encontravam, para verificar se eram ou não empregadas pela empresa onde estavam atuando. Mas, tal exame não foi feito e o Fisco pretende dizer que existe divisão de empregados pela construção da hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas industriais. Mesmo supondo a hipótese de que alguns cargos seriam necessários nas duas empresas fabris e que as duas empresas compartilhariam gerentes nesses postos (o que não restou provado), seria preciso ponderar a significância desta circunstância com o total da mão de obra empregada em cada empresa. Mas, esta ponderação não foi apresentada pelo Fisco. Por isso este ponto do relatório não é apto a comprovar a tese da fiscalização. Ao contrário, a juntada das folhas de pagamento Fl. 6788DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 30 29 pelo contribuinte e a ausência de exames fundamentais, que poderiam ser feitos pela fiscalização, demonstram não haver divisão ou confusão no uso da mão de obra. Deste modo, cabe analisar se as outras acusações da fiscalização têm o condão de comprovar a tese do lançamento. Outro aspecto levantado pela fiscalização é que a ME, MK e AlphaPró deixaram de vender seus produtos diretamente para clientes finais e passaram a vendêlos para a Mondial, que revendia para os antigos clientes das três empresas pelo mesmo preço anteriormente praticado. O Fisco adiciona que no mês da transição, as vendas para a Mondial foram por preços acima dos praticados quando das vendas diretas e que a Mondial manteve o preço que os clientes costumavam pagar. Conclui que as transações entre as empresas era apenas aparente. Por sua vez o contribuinte explica que a constituição da Mondial buscou concentrar em uma empresa comercial as vendas para fora do estado, visando resolver questões de ICMS. Também, esclarece que a fiscalização só fez a comparação de preços em um mês e os valores se justificam por questões comerciais. A contraposição das posições mostra alguns aspectos. Em primeiro lugar, o fato de empresas fabris e importadoras do mesmo grupo venderem seus produtos para uma empresa comercial do grupo, não revela nenhuma confusão de objetivos ou recursos. Tratase de decisão empresarial sobre a organização do negócio. De outro lado, a explicação dada pelo contribuinte, independente da adequação ou não à legislação do ICMS, é bastante razoável para explicar a criação da Mondial e justificar a alteração na forma de venda para antigos clientes. Além disso, não foi comprovada pela fiscalização, que só fez o levantamento para alguns produtos e em um mês, a alegação de que as três empresas venderam para a Mondial por um preço acima do praticado pela Mondial. Ainda, a explicação dada pelo contribuinte, de que foram concedidos descontos pela Mondial, é plausível. Ademais, mesmo que ficasse comprovada a prática de venda para a Mondial por valor acima do de mercado, isso poderia implicar em glosa de custos na Mondial (por simulação), mas não implicaria em nenhuma convicção sobre existir confusão de objetivos e de recursos das quatro empresas. Refutada mais esta linha de argumento, cabe continuar a análise das acusações. O Fisco também diz haver confusão na contabilidade das empresas. Sustenta esta posição dizendo que a contadora é a mesma e que a contabilidade apresenta a mesma estrutura. A fiscalização também diz que intimou o contribuinte a consolidar a contabilidade das quatro empresas e que o contribuinte apresentou tal consolidação, embora apenas fazendo a soma de cada conta. Afirma que este compartilhamento de dados, que seriam sigilosos, mostra a ligação entre as empresas. Fl. 6789DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 31 30 O contribuinte diz que isso não demonstra nenhuma confusão entre as empresa e que é comum um grupo empresarial ter um mesmo escritório de contabilidade e ter contabilidade com estrutura semelhante. Também, transcreve texto de intimação no qual o Fisco exige a apresentação da consolidação das quatro contabilidades sob pena de aplicação de multa e explica que apenas atendeu ao exigido pela fiscalização. Ora, salta aos olhos que o fato das empresas terem o mesmo responsável pela contabilidade e mesma estrutura de contas não implica em qualquer confusão. No caso, o que a fiscalização poderia ter pesquisado era se as empresas assumiam cada uma o custo do escritório de contabilidade ou se este era arcado por apenas uma delas ou por um caixa comum. Mas, este trabalho não foi feito. Quanto ao fato das empresas apresentarem a consolidação exigida pelo Fisco, isso também não comprova a existência de uma empresa única, mas sim de um grupo com acesso a informações uma das outras, fato admitido pelo contribuinte. Também a circunstância das empresas serem criadas e extintas em momento semelhante e de terem suas sedes nas mesmas cidades não implicam na perda da personalidade jurídica. Ainda mais se for considerado que as empresas se originam do desmembramento racional da ML. Ou seja, como o nascimento e atividade de cada empresa foi planejado, alguns dos pontos indicados pela fiscalização seriam de se esperar em um desmembramento planejado. Assim, se constata que nenhum dos argumentos apresentados pela fiscalização consegue demonstrar a existência de uma empresa única no lugar das quatro empresas. Mesmo considerando o conjunto probatório, a fiscalização não comprovou sua tese. Inclusive, alguns dos aspectos levantados pela fiscalização são naturais em empresas componentes de um grupo econômico. Também, se percebe que a fiscalização buscou enfatizar apenas os aspectos que considerou relevante para sua tese. Em contrapartida, fica evidente que desconsiderou outros aspectos mais relevantes que não foram examinados. Assim, também pela falta de demonstração do fato imputado, o lançamento não é procedente. Por oportuno, cabe destacar que a decisão da turma julgadora, além de referendar o lançamento, adicionou alguns argumentos. De fato, a turma buscou sustentar o lançamento afirmando que tudo não passou de um planejamento tributário feito para reduzir a carga tributária. Quanto a este ponto da decisão, a par do desborde de competência, pois a turma julgadora não pode acrescentar argumentos para fundamentar o lançamento, a turma incorre em erro. Fl. 6790DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 32 31 O planejamento não é proibido, nem implica em fraude à lei, abuso de direito, ou simulação. Também, os negócios feitos com base em planejamento tributário não podem ser desconsiderados sob a alegação de não terem conteúdo negocial. Cabe analisar as teses sustentadas pela turma da DRJ. Uma das teses diz que é possível usar as figuras de abuso de direito e de fraude a lei, existentes no Código Civil, para efetuar o lançamento. Mais especificamente, se argumenta ser possível refutar planejamentos tributários com a simples afirmação de que os efeitos legais pretendidos pelo contribuinte não são oponíveis ao Fisco porque estaria havendo abuso de direito ou fraude a lei. Para avaliar a procedência desta tese, é necessário examinar se o uso destas figuras extrapola ou não os poderes referentes ao lançamento. Constatado que implica em inovação de poderes, cabe pesquisar se existe permissão no sistema para que o Fisco utilize estas figuras. Portanto, inicialmente, é preciso comparar o que o lançamento permite, com o que a aplicação das figuras permitiria. No lançamento, o Fisco diz os fatos ocorridos e o direito aplicável a estes fatos, mesmo contradizendo os fatos declarados e o direito aplicado pelo contribuinte. Já com a aplicação das figuras de abuso de direito ou de fraude a lei, o Fisco não reconhece a incidência do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional, e em consequência deixa de reconhecer os efeitos de determinada situação ou negócio. Assim, é evidente que a aplicação dessas figuras do Código Civil vai além do que o lançamento permite. Resta ver se o sistema permitiria ao Fisco o uso delas na formalização do crédito tributário. Porém, só se o planejamento tributário fosse proibido é que se poderia dizer que os atos e os negócios motivados por economia fiscal seriam casos de abuso de direito ou de fraude a lei. Mas, este pressuposto não é verdadeiro, pois o sistema jurídico não proíbe o planejamento tributário. Ademais, o fato do sistema positivar o abuso de direito e a fraude a lei não defere ao Fisco o poder de utilizálas para efetuar lançamento. Estas figuras existem para serem utilizadas por juízes imparciais nas soluções de litígios judiciais e não pela própria parte. Logo, sem previsão legal, essas figuras não poderiam ser usadas pelo Fisco, muito menos agindo no seu próprio interesse. Assim, a tese defendida pela turma julgadora não procede. Na verdade, a tese inverte o princípio de que a Administração só pode o que a lei permite, e que o administrado é livre, salvo norma em contrário. Fl. 6791DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 33 32 A outra tese da DRJ é a de que os atos praticados na execução de planejamento tributário poderiam ser desconsiderados porque não teriam conteúdo econômico ou propósito negocial, já que teriam sido praticados com o único objetivo de economia tributária. Novamente, o exame da procedência da tese consiste em verificar se sua aplicação implica em atuação além dos poderes inerentes ao lançamento. Constata diferença de alcance, caberá indagar se o sistema autorizaria a formalização do crédito tributário por este mecanismo. Como é evidente, também esta teoria pretende autorizar a formalização do crédito, não pela aplicação do direito aos fatos, mas pela desconsideração do direito aplicável aos fatos, com o argumento de que a situação é excepcional. Assim, é claro que a aplicação desta formulação estende os poderes da fiscalização inerentes ao lançamento. Frente a ausência de base legal que permita a constituição de crédito tributário por tal mecanismo, a tese só seria viável partindose da idéia de que o planejamento tributário é proibido e que esta motivação viciaria o negócio. Só assim, haveria amparo no sistema para considerar o negócio nulo. Resta testar esta hipótese. Para tanto, é preciso distinguir motivo do negócio e causa do negócio. As razões de ordem subjetiva que levam a pessoa a concluir algum negócio jurídico denominamse motivos. Já o efeito que o negócio produz nas esferas jurídicas dos partícipes chamase causa ou função econômica do negócio. Assim, independente da causa do negócio jurídico, se ele é praticado visando redução da carga tributária, podese dizer que o motivo do negócio foi economia fiscal. Conforme o Código Civil, apenas o motivo ilícito (se for determinante do negócio e comum às partes) implica em nulidade (inciso III, art. 166 do CC). Mesmo assim, tal nulidade precisa ser declarada por um juiz. No entanto, salvo disposição de lei em contrário, não há como supor que a intenção de economizar tributos é ilícita. Portanto, o inciso III, art. 166 do Código Civil não poderia ser aplicado, sequer por juízes, aos negócios jurídicos pelos quais a pessoa executa seu planejamento tributário. Muito menos, poderia ser aplicado pela fiscalização, para efetuar lançamento de ofício. Destarte, não há nenhuma característica específica na motivação “reduzir a carga tributária” que implique em ineficácia ou nulidade nos negócios em que tal motivação esteja presente, mesmo se for a única motivação. Deste modo, o dispositivo do Código Civil não pode ser aplicado para descaracterizar negócios que visam economia tributária. Fl. 6792DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10530.721613/201119 Acórdão n.º 1301001.329 S1C3T1 Fl. 34 33 De outra banda, não existe nenhuma outra regra tributária, federal ou nacional, que considere negócio jurídico inexistente ou sem efeito se o motivo de sua prática foi apenas economia fiscal. Somente se existisse uma lei com este conteúdo é que a fiscalização poderia desconsiderar os efeitos jurídicos dos negócios praticados por economia tributária. Assim, também a adoção desta tese pela turma julgadora implica em atuação além da lei. Novamente, existe uma inversão dos princípios que regem a atuação da Administração e dos administrados. Deste modo, se vê que os argumentos com os quais a turma julgadora inovou a fundamentação são improcedentes.” Portanto, tendo o Nobre Relator do processo principal esgotado a análise da acusação fiscal, e sendo este decorrente daquele, aplicase aqui a mesma decisão, razão porque, DOU provimento ao recurso voluntário. É como voto. Sala das Sessões, em 07 07 de novembro de 2013 (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 6793DF CARF MF Impresso em 28/03/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por VA LMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 26/03/2014 por VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 10735.004489/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 17 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
ILEGITIMIDADE PASSIVA. RECURSO NÃO CONHECIDO.
A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2102-002.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos - Presidente
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho Relator.
EDITADO EM: 26/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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RECURSO NÃO CONHECIDO. A Impugnação e o Recurso devem ser apresentados pelo sujeito passivo ou seu representante legal. Não se conhece do recurso apresentado por terceiro sem a devida procuração outorgada pelo interessado. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho – Relator. EDITADO EM: 26/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alice Grecchi, Atilio Pitarelli, Jose Raimundo Tosta Santos, Núbia Matos Moura, e Rubens Maurício Carvalho. Ausente, justificadamente, a Conselheira a Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 44 89 /2 00 8- 13 Fl. 39DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 3 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 22/23 : O contribuinte acima qualificado foi autuado a recolher o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar(IRPF), relativo ao exercício 2006, anocalendário 2005, no total do credito tributário de R$ 11.264,00, conforme Notificação de Lançamento e demonstrativos de fls. 0204 e 9. O lançamento decorre da revisão de sua declaração onde apurouse dedução indevida de despesas médicas de R$ 20.000,00, pois os recibos emitidos por Camila B. Licurci, Maria Otacília M. Porcello e Joyce Procópio da Silva, não informam o usuário dos serviços, nem o endereço do beneficiário dos pagamentos; e o recibo emitido por Daniele L. Correa não informa o usuário dos serviços. A fundamentação legal encontrase às fls. 09. Intimado em 13/10/2008 (fls. 10), o contribuinte apresentou impugnação em 05/11/2008 (lis. 01), alegando, em síntese, que em virtude dos recibos apresentados estarem incompletos, anexa aos autos as declarações dos profissionais que o trataram comprovando assim, as deduções efetuadas. Juntou os documentos de fls. 05 e seguintes. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente em parte o lançamento, reduzindo o valor do imposto para R$1.925,00, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. REVISÃO. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. São dedutíveis na declaração os gastos com despesas médicas que sejam comprovadas por meio de documentação hábil e idônea, nos termos legais. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado o sujeito passivo acerca do julgamento na DRJ, fl. 24, foi apresentado o documento de fl. 25, requerendo pelo restabelecimento da despesa de R$7.000,00 referente a fisioterapeuta Daniele Leite da Silva. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Fl. 40DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 4 3 É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE De pronto devese analisar a preliminar de legitimidade passiva do recurso. A unidade de origem, recepcionou o documento de fl. 25, entregue em 04/08/2011, como recurso voluntário e deu seguimento para julgamento de segunda instância, conforme DESPACHO DE ENCAMINHAMENTO de fl. 36, emitido em 01/09/2011. Contudo, o documento de fl. 25, tratase apenas de uma declaração da prestadora de um dos serviço glosado, Daniele Leite Correa da Silva, fisioterapeuta. De outro lado, não encontramos nos autos qualquer procuração do interessado, outorgando poderes para a Sra. Daniele. A legitimidade de parte ou legitimidade para a causa (ad causam) se refere ao aspecto subjetivo da relação jurídica processual e nesse aspecto Daniele Leite Correa da Silva não possui legitimidade para figurar no pólo passivo da lide em que se discute a cobrança de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar(IRPF) em nome de Norival Rangel Pereira, senão vejamos: Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973, que institui o Código de Processo Civil. Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. Art. 4oO interesse do autor pode limitarse à declaração: I da existência ou da inexistência de relação jurídica; II da autenticidade ou falsidade de documento. Parágrafo único. É admissível a ação declaratória, ainda que tenha ocorrido a violação do direito. Art. 5o Se, no curso do processo, se tornar litigiosa relação jurídica de cuja existência ou inexistência depender o julgamento da lide, qualquer das partes poderá requerer que o juiz a declare por sentença.(Redação dada pela Lei nº 5.925, de 1973) Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. (grifei) Pelo exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso, por ilegitimidade da parte impetrante. Fl. 41DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10735.004489/200813 Acórdão n.º 2102002.625 S2C1T2 Fl. 5 4 Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 42DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 26/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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