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Numero do processo: 11030.904400/2012-05
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2005
PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO.
O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal.
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-003.214
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Paulo Sérgio Celani - Presidente Substituto.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 PIS. COFINS. RESTITUIÇÃO. EXCLUSÃO DO VALOR DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. INDEFERIMENTO. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria integrando assim o faturamento, que é base de cálculo das contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal. INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Paulo Sérgio Celani Presidente Substituto. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani (Presidente Substituto), José Luiz Feistauer De Oliveira, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Jacques Mauricio Ferreira Veloso De Melo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 03 0. 90 44 00 /2 01 2- 05 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 86 2 Fl. 86DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 87 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O interessado transmitiu Per/Dcomp visando a restituir o crédito nele declarado em razão de pagamento indevido ou a maior de Pis, relativo ao fato gerador de 31/01/2005. A Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte emitiu despacho decisório eletrônico no qual indefere a restituição pleiteada, sob o argumento de que o pagamento foi utilizado na quitação integral de débito(s) do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Irresignado com o indeferimento do seu pedido, tendo sido cientificado em 23/01/2013 (fl. 8), o contribuinte apresentou, em 20/02/2013, a manifestação de inconformidade de fls. 11/21, com os argumentos a seguir sintetizados. Informa que pediu a restituição dos valores pagos a maior a título de Pis, uma vez que foram pagos sem a exclusão do ICMS da base de cálculo. Traz entendimentos doutrinários e jurisprudência dos tribunais acerca do conceito de faturamento, o qual entende não abarcar o conceito de “ingresso”. O ICMS seria mero ingresso na escrituração contábil das empresas, para posterior destinação ao Fisco, terceiro titular de tais valores. Cita o recurso extraordinário nº 240785, que se encontra em fase decisória no STF, outros excertos doutrinários e princípios constitucionais, discorrendo acerca da impossibilidade de inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, visto que não representa riqueza do contribuinte, não fazendo parte da receita ou do faturamento. Por fim, requer seja deferido o seu pedido de restituição, tendo em vista ser inconstitucional a cobrança do PIS/Cofins sem a exclusão do ICMS da base de cálculo, e que os créditos sejam acrescidos de juros Selic, desde o seu pagamento indevido até a data da restituição/compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2005 EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 88 4 Não há previsão legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições ao PIS/Cofins apuradas pelos regimes cumulativo e nãocumulativo. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual repisa os argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 89 5 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos em DCTF e não teriam sido demonstradas a liquidez e a certeza dos indébitos. Na análise eletrônica dos PERDCOMPs de pagamento indevido ou a maior o objetivo é confirmar a existência de indébito tributário, confrontando informações das declarações apresentadas com os pagamento realizados. Não se está analisando efetivamente o mérito da questão, o que somente será viável a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. Foi o que sucedeu no recurso apresentado, no qual a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos a maior da contribuição ao PIS e da Cofins, em razão da inclusão do ICMS nas bases de cálculo destas contribuições. A questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é objeto do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852 MG, que não foi ainda julgada até a presente data. Na Ação Declaratória de Constitucionalidade (ADC) nº 18, que trata da mesma matéria, o STF reconheceu a repercussão geral da demanda e deferiu medida cautelar para determinar que, até o julgamento final da ação pelo Plenário do STF, juízos e tribunais suspendessem o julgamento dos processos em trâmite que envolviam a aplicação do art. 3º, § 2º, inciso I, da Lei no 9.718/98. A suspensão dos julgamentos deferida liminarmente foi sucessivamente prorrogada nas sessões plenárias realizadas em 04/02/2009, em 16/09/2009, e, finalmente, em 25/03/2010, quando o Tribunal, pela última vez, prorrogou por mais 180 dias a eficácia da medida cautelar anteriormente deferida. Quanto ao RE nº 240.7852/MG, o mesmo foi também sustado até o julgamento do ADC no 18, já que o Plenário do STF, ao julgar questão de ordem levantada pelo Ministro Marco Aurélio, decidiu que o julgamento da ADC deveria preceder o julgamento do RE em tela, uma vez que a ADC, por tratarse de controle concentrado de constitucionalidade, repercutiria sobre os demais processos relativos à matéria. Contudo, findo o prazo suspensivo liminarmente concedido pelo STF, tendo em vista não haver nenhuma decisão vigente nesse sentido nos julgamentos que versam sobre a matéria, bem como, com a edição da Portaria MF no 545, de 18 de novembro de 2013, que revogou os parágrafos 1º e 2º do artigo 62A do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, que previam o sobrestamento dos julgamentos dos recursos sempre que o STF também Fl. 89DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 90 6 sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, preliminarmente entendo que não há que se falar em sobrestamento dos autos. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. O valor do ICMS compõe o preço da mercadoria sendo calculado “por dentro”, ou seja, o montante do próprio imposto está incluído na sua base de cálculo, nos termos do art. 13, §1º, inciso I da LC 87/96, integrando assim a receita bruta ou faturamento, que é base de cálculo das contribuições, não havendo razão para a sua exclusão sem expressa disposição legal para tanto. A Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 2º, I autoriza apenas a exclusão do ICMS “quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário”. Em nenhum momento, porém, autoriza a exclusão do ICMS das próprias vendas. Em relação ao PIS, a partir da Lei 10.637, de 2002, e à Cofins, a partir da Lei 10.833, de 2003, para aquelas empresas sujeitas ao regime não cumulativo de apuração das referidas contribuições, estas passaram a ter como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, ,porém não trazendo qualquer disposição que se refira à possibilidade de exclusão do ICMS da base de cálculo. O inciso VII do art. 1º das retrocitadas leis, incluído pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009, prevê apenas a exclusão das receitas decorrentes de transferência onerosa de créditos acumulados de ICMS originados de operações de exportação. Em relação ao PIS, a Jurisprudência encontravase pacificada, sendo editada a Súmula nº 68 pelo Superior Tribunal de Justiça, abaixo transcrita: Súmula: 68 A PARCELA RELATIVA AO ICM INCLUISE NA BASE DE CALCULO DO PIS. Em relação ao FINSOCIAL, que também tinha por base de cálculo o faturamento, o Superior Tribunal de Justiça editou a Súmula nº 94, que estabelece: Súmula 94. A PARCELA RELATIVA O ICMS INCLUISE NA BASE DE CÁLCULO DO FINSOCIAL. Este também é o entendimento exarado pelo STJ, superada a suspensão liminar dos julgamentos dos processos envolvendo a matéria determinada pelo STF, no âmbito do REsp no 1.127.877SP (transitado em julgado em 20/06/2012), que foi submetido ao rito do artigo 543C do CPC, no sentido de que o ICMS integra sim a base de cálculo do PIS e da COFINS, através de decisão monocrática que negou seguimento ao recurso, com base em jurisprudência da citada Corte, conforme excerto abaixo: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. OMISSÃO NÃO CONFIGURADA. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. INCLUSÃO DO ICMS. POSSIBILIDADE. PRECEDENTES. RECURSO ESPECIAL A QUE SE NEGA SEGUIMENTO. A jurisprudência deste Tribunal pacificouse no sentido de que "a parcela relativa ao ICMS deve ser incluída na base de cálculo do PIS e da Cofins, nos termos das Súmulas 68 e 94 do STJ" (AgRg no REsp 1.121.982/RS, 2ª T., Min. Humberto Martins, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI Processo nº 11030.904400/201205 Acórdão n.º 3801003.214 S3TE01 Fl. 91 7 DJe de 04/02/2011). Nesse sentido, os seguintes julgados: AgRg no Ag 1.069.974/PR, 1ª T., Min. Francisco Falcão, DJe de 02/03/2009; REsp 1.012.877/PR, 2ª T., Min. Mauro Campbell Marques, DJe de 08/02/2011; AgRg no Ag 1.169.099/SP, 2ª T., Min. Herman Benjamin, DJe de 03/02/2011; AgRg no Ag 1.005.267/RS, 1ª T., Min. Benedito Gonçalves, DJe de 02/09/2009. Ocorre ainda que eventuais alegações acerca de inconstitucionalidade da legislação tributária não são oponíveis na esfera administrativa, uma vez que sua apreciação foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar hipóteses de violação às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador, nos termos da Súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros. Assim, diante do exposto, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 91DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/05/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/05/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por PAULO SERGIO CELANI
score : 1.0
Numero do processo: 10384.721754/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL.
A diligência é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento.
CARGO EM COMISSÃO. RGPS.
Com o advento da EC 20/98, o servidor ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, estar vinculado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS).
APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP.
Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.997
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP - deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A diligência é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. CARGO EM COMISSÃO. RGPS. Com o advento da EC 20/98, o servidor ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, estar vinculado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32-A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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VERBAS REMUNERATÓRIAS Recorrente SECRETARIA DA ASSISTENCIA SOCIAL E CIDADANIA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2009 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO POR SER PRESCINDÍVEL. A diligência é indeferida, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratar de medida absolutamente prescindível, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. CARGO EM COMISSÃO. RGPS. Com o advento da EC 20/98, o servidor ocupante de cargo em comissão deve, obrigatoriamente, estar vinculado ao Regime Geral de Previdência Social (RGPS). APLICAÇÃO DA MULTA DE 75% COMO MULTA MAIS BENÉFICA ATÉ 11/2008. AJUSTE QUE DEVE CONSIDERAR A MULTA DE MORA E MULTA POR INFRAÇÕES RELACIONADAS À GFIP. Em relação aos fatos geradores até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 72 17 54 /2 01 1- 54 Fl. 1870DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.861 2 a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, para retificar a multa, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para, nas competências que a fiscalização aplicou somente a penalidade prevista na redação, vigente até 11/2008, do Art. 35 da Lei 8.212/1999, esta deve ser mantida, mas limitada ao determinado no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a); III) Por voto de qualidade: a) em dar provimento parcial ao recurso para, até 11/2008, nas competências que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% (setenta e cinco pro cento), prevista no art. 44, da Lei 9.430/96, por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas à GFIP deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: *) multa de mora limitada a 20%; e *) multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, nos termos do voto do Redator. Vencidos os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1871DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.862 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação. O processo teve início com os Autos de Infração (AI) nº 37.195.7397 37.243.0910, lavrados em 27/09/2011, que constituíram crédito tributário relativo a contribuições previdenciárias, parte da empresa e parte do empregado, bem como adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT), incidentes sobre verbas tidas como remuneratórias, no período de 01/2008 a 12/2009, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 109.041,68 e R$ 45.137,10, respectivamente, fls. 02 e 14. A motivação para o lançamento foi resumida pelo Acórdão a quo da seguinte maneira: Constituem fatos geradores das contribuições lançadas os valores pagos, devidos ou creditados aos segurados empregados e aos contribuintes individuais que prestaram serviços à Secretaria da Assistência Social e Cidadania SASC, cujos valores encontramse discriminados nos Relatórios de Lançamentos RL, fls. 72/74 e 75/77. Segundo o Relatório Fiscal, o Estado do Piauí possui regime próprio de previdência social regulado pela Lei Ordinária Estadual n° 4.051/86, tendo sido os servidores efetivos da SASC considerados vinculados a tal regime. Contudo, a fiscalização caracterizou os servidores ocupantes de cargos, exclusivamente, comissionados, de livre nomeação e exoneração, consoante dispõe o § 13, art. 40, da Constituição Fl. 1872DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.863 4 Federal, como segurados obrigatórios do Regime Geral de Previdência Social RGPS, na categoria de “empregado” como dispõe o art. 9°, inciso I, alíneas “i” e “l” do Regulamento da Previdência Social. Fato gerador lançado nos levantamentos FP1 e FP2. As contribuições devidas do segurado empregado e da empresa se referem à diferença entre a remuneração mensal constante na folha de pagamento e a remuneração declarada n GFIP, cujo resultado encontrase na coluna “E”, da planilha “Folha de Pagamento”, fls. 47/51, e lançada nos Autos de Infração. Nos levantamentos CI1 e CI2 foram lançadas as contribuições previdenciárias, patronal e do segurado, incidentes sobre os valores pagos ou creditados aos segurados contribuintes individuais que prestaram serviços à Secretaria no decorrer do mês. As contribuições devidas do contribuinte individual e da empresa se referem à diferença entre a remuneração mensal paga, devida ou creditada ao contribuinte individual, através de nota fiscal ou recibo de pagamento, e a remuneração declarada em GFIP, cujo resultado encontrase na coluna “E” e “F”, da planilha “Contribuintes Individuais”, fls. 58/64, e lançada nos Autos de Infração. Os dados foram apurados através de folhas de pagamento, recibos de Fl. 1873DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.864 5 pagamento e notas de empenhos e GFIP. Após tomar ciência pessoal da autuação em 05/10/2011, fls. 02 e 14, a recorrente apresentou impugnação, fls. 1802/1810 e 1811/1819, na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. A 7ª Turma da DRJ/Recife, no Acórdão de fls. 1825/1833, julgou a impugnação improcedente. A interessada foi cientificada em 18/06/2012. O recurso voluntário, apresentado em 02/07/2012, fls. 1836/1845, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos, aproveitando a síntese do Acórdão a quo: a nulidade do AI por faltar informações indispensáveis ao amplo exercício do direito de defesa e deficiência no enquadramento legal, como: a descrição do fato apontado como ilegal, com todos os seus detalhes, e o enquadramento legal da norma jurídica infringida com a respectiva indicação da norma de incidência da obrigação tributária, vulnerando os princípios do contraditório e do devido processo legal; nos AIs lavrados nesse processo não constam a “Descrição Sumária da Infração” e “Dispositivo Legal Infringido”; a fiscalização não nominou quais e quantos seriam os trabalhadores por ela considerados segurados do Regime Geral da Previdência Social; é inquestionável a necessidade de diligências e juntada posterior de documentos acerca de cada indivíduo; no âmbito do Estado do Piauí, seus servidores são contribuintes obrigatórios do Instituto de Assistência e Previdência do Estado do Piauí IAPEP. Muitos deles já figuram no Regime de Previdência do Estado por serem servidores públicos ou, ainda, já são contribuintes individuais. É o relatório. Fl. 1874DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.865 6 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento, conforme veremos a seguir. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento Fl. 1875DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.866 7 de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Diligência requerida – indeferimento As diligências requeridas são indeferidas, com fundamento no art. 18 do Decreto nº 70.235/1972, com as alterações da Lei nº 8.748/1993, por se tratarem de medidas absolutamente prescindíveis, já que constam dos autos todos os elementos necessários ao julgamento. Todas as informações que a recorrente alega justificarem a diligência já foram solicitadas pela fiscalização quando do início do procedimento, fls. 41/42. A documentação constante dos autos é farta em informações necessárias para motivar o lançamento. Ocupantes de cargos em comissão no serviço público. Vinculação ao RGPS. EC 20/98. A Emenda Constitucional n° 20/98, ao alterar o art. 40 da Constituição Federal, restringiu o Regime Próprio de Previdência aos servidores públicos efetivos, sendo que os demais funcionários passaram a se vincular obrigatoriamente ao Regime Geral da Previdência Social: Art.40 Aos servidores titulares de cargos efetivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, incluídas suas autarquias e fundações, é assegurado regime de previdência de caráter contributivo, observados critérios que preservem o equilíbrio financeiro e atuarial e o disposto neste artigo § 13 Ao servidor ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração bem como de outro cargo temporário ou de emprego público, aplica se o regime geral de previdência social.” Eventual inconstitucionalidade da EC 20/98 não pode ser discutida nessa fase por conta da Súmula CARF 02: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Dessa forma, os comissionados e os ocupantes exclusivamente de cargo em comissão são segurados obrigatórios do RGPS, estando o ente público respectivo obrigado a recolher a contribuição previdenciária incidente sobre as suas remunerações. Fl. 1876DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.867 8 Assim, com relação a contribuição previdenciária , parte da empresa, e SAT, não vemos reparos a fazer no lançamento. A reclamação da recorrente quanto a não identificação individualizada dos prestadores de serviço sem vínculo não procede, tendo em conta que nos autos constam informações sobre eles. Podemos observar em fls. 377/477 vários documentos relativos ao assunto. Ademais, a fiscalização intimou a recorrente a apresentar a relação detalhada dos contribuintes individuais em fls. 41/42. Assim, votamos por negar provimento ao Recurso nesses aspectos. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Fl. 1877DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.868 9 Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são Fl. 1878DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.869 10 normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de Fl. 1879DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.870 11 ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. Fl. 1880DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.871 12 § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. Fl. 1881DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.872 13 A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 1882DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 10384.721754/201154 Acórdão n.º 2301003.997 S2C3T1 Fl. 1.873 14 Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário, de modo a: (a) até 11/2008, nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, manter a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1883DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 13971.004760/2010-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009
RECURSO INTEMPESTIVO
Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.235
Decisão: Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Liege Lacroix Thomasi Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n(8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1( do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.(3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2009 RECURSO INTEMPESTIVO Recurso voluntário não conhecido por falta de requisitos de admissibilidade, já que interposto intempestivamente.Art. 126, da Lei n°8.213/91, combinado com artigo 305, parágrafo 1° do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.°3048/99. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos em não conhecer do recurso voluntário pela intempestividade, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Liege Lacroix Thomasi – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, Andre Luís Mársico Lombardi , Leonardo Henrique Pires Lopes, Juliana Campos de Carvalho Cruz, Leo Meirelles do Amaral. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 00 47 60 /2 01 0- 31 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 2 Relatório Trata o presente de Auto de Infração de Obrigação Principal lavrado e cientificado ao sujeito passivo acima identificado em 19/11/2010, de contribuições previdenciárias referentes à cota dos segurados considerados empregados da autuada, frente à desconsideração da prestação de serviço por interposta pessoa jurídica, no período de 10/2005 a 12/2009. O Relatório Fiscal de fls.26/30, assim se manifesta sobre o lançamento: Em auditoria realizada na autuada e, concomitantemente, na empresa INDÚSTRIA TEXTIL CEDRENSE LTDA EPP constatouse que esta não dispunha de patrimônio e capacidade operacional necessários a realização de seu objetivo social. Quando iniciou suas atividades, em 12/01/1999, a empresa operou com o máquinário e também fez uso das instalações da massa falida "FEUZER INDUSTRIA TEXTIL LTDA", CNPJ 80.759.095/000160, cujo sindico era o Sr. Dino Dalcegio, sócio administrador da DALTEX DALCEGIO TEXTIL LTDA, constituída em 28/03/2001. A partir da sua constituição, a DALTEX passou a trabalhar, também, com os empregados da CEDRENSE, e esta, utilizava as instalações e maquinários cedidos pela representada para a realização de seu objetivo social. Pretendeuse desta forma elidirse da incidência da contribuição previdenciária patronal que recairia sobre a folha de pagamento dos empregados e contribuintes individuais da autuada, deixando que os empregados permanecessem na empresa optante pelo SIMPLES e prestassem serviços na DALTEX, cujo faturamento sempre foi muito superior que o da CEDRENSE. Foram CARACTERIZADOS SEGURADOS EMPREGADOS da DALTEX , os sócios e os empregados formalmente registrados na empresa INDUSTRIA TEXTIL CEDRENSE LTDA, a seguir qualificada: EMPRESA: INDÚSTRIA TEXTIL CEDRENSE LIDA EPP CNPJ : 02.981.424/000100 ENDEREÇO: RODOVIA ANTONIO MERiSIO, KM 01 DOM JOAQUIM BRUSQUE/SC Após impugnação, Acórdão de fls. 115/127, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alegou em síntese: a) a irregularidade do MPF porque a expedição eletrônica do mesmo não é suficiente para cientificar o sujeito passivo, devendo ser anulado o lançamento por vício formal; Fl. 173DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.004760/201031 Acórdão n.º 2302003.235 S2C3T2 Fl. 173 3 b) que não houve infração, ou simulação à legislação; c) que as empresas estão situadas a 15km de distância uma da outra, não estando no mesmo prédio e não havendo como a recorrente utilizar empregados da CEDRENSE; d) que não há grupo econômico e a fiscalização apenas presumiu fatos; e) que não há parentesco entre os sócios das empresas, que também praticam atividades diversas; f) que não há qualquer ingerência da recorrente na CEDRENSE; g) que sempre manteve a média de 50 empregados e todos os empregados da linha de produção são seus; h) que possui liquidez para solver seus compromissos, não necessitando de outra empresa para tanto. Requer que seja reconhecida a improcedência do Auto de Infração e afastada a exigência do crédito constituído. É o relatório. Fl. 174DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Da Admissibilidade O recurso é INTEMPESTIVO, razão pela qual dele não se deve tomar conhecimento. Cientificado o sujeito passivo do Acórdão de fls.115/127, em 22/08/2013, fls.129, o prazo para interposição de recurso, que é de 30 (trinta) dias, conforme o art. 126, caput, da Lei n.º 8.213/91, combinado com o art. 305, § 1º, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, iniciou em 23/08/2013, fruindo até 23/09/2013. Entretanto, o recurso foi interposto apenas em 24/09/2013, conforme documento de fls. 152 e Termo de Perempção às fls. 151, configurandose, portanto, sua intempestividade. Lei n° 8213/91 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro SocialINSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art.305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.032 de 1º/2/2007 DOU DE 2/2/2007) § 1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) Pelo exposto, considerando que a recorrente não argúi a tempestividade, na peça recursal e considerando o artigo 35, do Decreto n°70.235/72, que dispõe: “Art. 35. O recurso , mesmo perempto, será encaminhado ao órgão de segunda instância, que julgará a perempção.” Voto por não conhecer o recurso, por falta de requisito para sua admissibilidade, mantendo a decisão de primeira instância proferida. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI Processo nº 13971.004760/201031 Acórdão n.º 2302003.235 S2C3T2 Fl. 174 5 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 176DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/07/2014 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 28/07/201 4 por LIEGE LACROIX THOMASI
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Numero do processo: 11065.724083/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jun 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2009
SIMULAÇÃO. EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros.
INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2402-004.061
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanhou o relator pelas conclusões.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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EMPRESAS INTERPOSTAS OPTANTES PELO SIMPLES. DEMONSTRAÇÃO DO VÍNCULO EM RELAÇÃO AO CONTRIBUINTE PRINCIPAL. LANÇAMENTO, POSSIBILIDADE. Tendo em vista que restou devidamente comprovado que os funcionários empregados segurados registrados nas empresas tidas por interpostas, em verdade, possuem seu vínculo em relação a outra empresa, esta a principal em relação às demais, merece ser mantido o lançamento que entendeu pela prática de simulação para o não pagamento das contribuições previdenciárias patronais e destinadas a terceiros. INCONSTITUCIONALIDADE. MULTA. CONFISCO. Não cabe ao CARF a análise de inconstitucionalidade da Legislação Tributária. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 72 40 83 /2 01 1- 59 Fl. 733DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues acompanhou o relator pelas conclusões. Júlio César Vieira Gomes Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Júlio César Vieira Gomes, Carlos Henrique de Oliveira, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 734DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724083/201159 Acórdão n.º 2402004.061 S2C4T2 Fl. 734 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por CALCADOS NUNES LTDA,em face do v. acórdão que manteve integralmente os seguintes Autos de Infração: a) AI DEBCAD nº 51.006.0412, referente a contribuições previdenciárias patronal sobre o total das remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, apuradas por aferição indireta. b) AI DEBCAD nº 51.006.0420, referente a contribuições devidas pela empresa a Outras Entidades (SENAI, SESI, SEBRAE, INCRA e SALÁRIO EDUCAÇÃO), apuradas por aferição indireta. c). AI DEBCAD nº 51.006.0439, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, por não incluir nas folhas de pagamentos as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais Consta do relatório fiscal que os fatos geradores considerados no presente lançamento foram as remunerações pagas aos segurados empregados e contribuintes individuais apuradas por aferição indireta com base nas GFIP e respectivas folhas de pagamento das empresas SENUN CALÇADOS LTDA, CNPJ nº 02.945.811/000190, e BENEFICIADORA DE CALÇADOS M.N.S. LTDA,CNPJ Nº 02.608.457/000109, os quais foram caracterizados pela fiscalização como segurados da recorrente CALÇADOS NUNES LTDA. Tal caracterização se deu em decorrência da fiscalização ter apurado que as empresa SENUN, MNS e CALÇADOS NUNES eram, em verdade, uma única empresa, sendo que as duas primeiras eram optantes pelo SIMPLES com o intuito de furtarse a recorrente ao pagamento das contribuições previdenciárias. O lançamento compreende o período de 01/2009 a 12/2009, tendo sido o contribuinte cientificado em 22/09/2011 (fls. 01) Devidamente intimado do julgamento de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário através do qual sustenta, em síntese: 1. Alega, em preliminar, que o artigo 116, parágrafo único, do CTN, não é auto aplicável,remetendo à observância de procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária; 2. No mérito, defende a inexistência dos elementos ensejadores da desconsideração dos atos jurídicos praticados pelas empresas Senun Calçados Ltda. E Beneficiadora de Calçados MNS Ltda., baseada apenas em suposição de planejamento tributário da impugnante, com a utilização das empresas citadas, optantes pelo Fl. 735DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 Simples Nacional, com vistas à dissimulação do fato gerador das contribuições previdenciárias por ela devidas; 3. Ressalta não haver sido demonstrado, no Relatório Fiscal, que os atos desconsiderados foram realizados com a finalidade de ocultar fatos geradores de contribuição previdenciária; 4. Pretende demonstrar que se trata de situação jurídica criada de forma independente pelos responsáveis legais das empresas, tendo em vista questões mercadológicas inerentes ao objeto social das empresas relacionadas ao caso, não tendo havido máfé; 5. Atenta à existência de três empresas que atuam de forma independente; ao fato de que a existência de forte vínculo familiar entre os sócios das empresas não pode ser motivo de qualquer desconsideração; e que inexiste qualquer vedação legal a pessoas com vínculo familiar atuar em empresas distintas no mesmo ramo de negócios, tratandose,muitas vezes, de grupo econômico que visa à produção de produtos que se diferenciam em qualidade,quantidade e preço, por questões de competitividade; 6. Ressalta, ainda, por oportuno, a “crise do calçado” que assola o pólo calçadista gaúcho, que já fechou inúmeras empresas, deixando milhares de cidadãos desempregados; 7. Afirma não haver qualquer impedimento ao adequado planejamento dos negócios, de acordo com as necessidades do mercado. Afirma que deve ficar claro que são empresas independentes entre si, o que pode ser provado pelos balancetes que anexa aos autos,comprovando que não existe triangulação entre elas, tendo todas fornecedores e clientes distintos. Junta, também, contas de energia elétrica e de telefonia para comprovação da inexistência de vínculo entre elas; 8. As três empresas relacionadas no Relatório Fiscal possuem parque fabril distinto, com entrada e relógio ponto próprios, inexistindo qualquer meio de comunicação entre seus empregados. Em síntese, possuem endereço, parque fabril, contabilidade, clientes e fornecedores próprios; 9. Com relação à alegada migração de empregados, a contrário do que sustenta a Fiscalização, embora tenha havido oscilação na quantidade dos empregados da impugnante, as demissões não representaram admissões nas demais empresas relacionadas no Relatório Fiscal. Fl. 736DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724083/201159 Acórdão n.º 2402004.061 S2C4T2 Fl. 735 5 10. Ainda, segundo os balancetes, a autuada vem utilizando a prestação de serviço de ateliês terceirizados. Observa existirem períodos – por se tratar de atividade cíclica(sazonal) – em que todas as empresas do ramo calçadista demitem empregados devido a baixas do mercado; 11. Considerando tais informações, afirma que “nada deve impedir um grupo econômico de, dentro dos limites legais, planejar adequadamente seus negócios, ordenandoos de forma a pagar menos impostos”; 12. Destaca que o formato da impugnante, assim como das empresas Senun Calçados Ltda. e Beneficiadora de Calçados MNS Ltda., reflete o objetivo negocial de cada uma delas; 13. Entende que “Não se pode pretender aniquilar a autonomia privada cuja base constitucional é o princípio da liberdade em face da ânsia arrecadadora do Estado”; 14. Alega que “Admitir que o agente fiscal possa desconsiderar uma operação legítima, praticada pelo contribuinte por entendêla como legal e eficiente – do ponto de vista econômico e empresarial – apenas porque, para o Fisco, o melhor seria que o contribuinte tivesse praticado uma outra operação que garantisse aos cofres públicos maior arrecadação, é gerar, permanentemente, a insegurança jurídica”. 15. Expõe que os atos desconsiderados pela fiscalização em momento algum foram realizados com a finalidade de ocultar fatos geradores de contribuições previdenciárias. 16. Afirma que o percentual de multa aplicado configura afronta ao artigo 150,inciso IV, da Constituição Federal de 1988 – CF/88, que não admite a utilização de tributo com efeito de confisco, já que o percentual de 150%, estabelecido na lei fiscal, inviabiliza a cobrança dos tributos. Sem contrarrazões da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 737DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado, Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. PRELIMINARMENTE Defenda a recorrente que o lançamento deveria ser considerado nulo, tendo em vista que veio a ser lavrado com fundamento no parágrafo único do art. 116 do CTN, que ainda prescinde de regulamentação legal, pois não pode ser considerado como dispositivo auto aplicável. Ao analisar o relatório fiscal da infração, no qual o auditor fiscal faz alusão ao artigo de lei supra citado, de fato, tenho que fora acertado neste aspecto o julgamento de primeira instância. Apesar do auditor ter apontado em seu relatório que o referido artigo autorizaria a desconsideração de negócios jurídicos dissimulados para efeitos tributários, a bem da verdade é que o mesmo não valeuse de referido artigo para levar a efeito o lançamento das contribuições previdenciárias ora discutidas. Em momento algum o fiscal apontou que a justificativa legal para o presente lançamento viesse a ser o parágrafo único do art. 116 do CTN. Tal artigo sequer constou no Anexo Fundamentos Legais do Débito que acompanhou o Auto de Infração, de modo que, a conclusão nesta oportunidade, pela sua autoaplicabilidade ou não, não possui força suficiente para macular ou mesmo prejudicar o lançamento, eis que efetuado com fundamento nos artigos 37 da Lei 8.212/91 e 142 do CTN. Assim, rejeito a preliminar aventada. MÉRITO Inicialmente cumpreme transcrever os motivos adotados pela fiscalização para justificar o lançamento e considerar que os empregados das empresas SENUN e MNS, em verdade, eram efetivos empregados da ora recorrente (CALCADOS NUNES). Vejamos, em síntese: 3.3.3. No dia 04/07/2011 fomos novamente até à empresa e solicitamos conhecer o estabelecimento. O prédio onde está instalada a Nunes onde fomos recebidos, funciona somente o escritório do grupo. No pavilhão industrial ao lado da Nunes está instalada a Senun e no pavilhão adjacente funciona a MNS. Entretanto, na realidade as 3 (três) empresas de fato é uma só o qual foi confirmada pelo Sr. Ivo Nunes, sócio administrador da Nunes e Fl. 738DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724083/201159 Acórdão n.º 2402004.061 S2C4T2 Fl. 736 7 administrador de fato da Senun e MNS e pelo Sr. Rubem José Arnold, que nos acompanhavam. Constatamos que a Senun e a MNS possuem linhas de produção (esteiras) distintas e complementares entre si. A linha de produção da Senun se encarrega do corte e costura e a MNS faz a montagem e acabamento, A Nunes não possui linha de produção, cuida do despacho dos produtos industrializados para o comprador. 3.3.4. No mapa extraído do Google Map (figura 1), podemos verificar que o endereço da Nunes, Rua BennoHoffmeister, nº 385, da Senun, Rua Benno Hoffmeister, nº 397 e MNS, Rua Armindo Schmidt, nº 676, na realidade é de uma única empresa ocupando o quarteirão das Ruas Flores da Cunha, Armindo Jacobus e BennoHoffmeister. O prédio onde está instalada a Nunes, conforme indicado no mapa, funciona a administração do grupo. A Senun e a MNS embora instalada em pavilhões com entradas distintas, na realidade é uma única unidade fabril. 3.3.5. Nas notas fiscais emitidas pela Nunes, Senun e MNS consta impresso o mesmo telefone (51) 35982666 e nas mesmas notas fiscais emitidas pela Senun e MNS consta o email calnunes@terra.com.br que pela denominação é fácil concluir que tratase do endereço eletrônico da Calçados Nunes. 3.3.6. Os logotipos da “Nunes” e “Senun” impressas nas respectivas notas fiscais pela sua similaridade não deixam dúvidas que se trata do mesmo grupo empresarial. (cópia das notas fiscais em anexo). 3.3.7. O nome “Senun” foi criada a partir da palavra “Nunes” com a inversão das letras. [...] 3.4.2. As informações dos demonstrativos acima revelam que os sócios das empresas Nunes, Senun e MNS têm forte vínculo familiar e são ou foram vinculadas a estas três empresas. [..] 3.4.11. Ficou evidente que a única pessoa que administra e toma as decisões do grupo é o Sr. Ivo Nunes e os demais sócios, mesmo os que possuem vínculo familiar com ele, têm seus nomes “emprestados” como sócios para formalizar as empresas. [...] Pesquisamos no site da Fundação Estadual de Proteção AmbientalFepam (www.fepam.rs.gov.br) a Licença de Operação da empresas Nunes, Senun e MNS e Fl. 739DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 constatamos que somente a Nunes possui licença para operar no endereço Rua BennoHoffmeister, nº 385, Bairro 25 de Julho – Campo Bom RS. Outro fato que veio corroborar de que as 3 (três) empresas são de fato uma só é o nº de empregados registrados como sendo da Nunes: 251, quando na data da emissão da licença (18/04/2008) o nº de empregados era 42. É evidente que a Nunes declarou como seus os empregados da Senun e MNS. [...] 3.7.3. Constatamos que à medida que diminuía o número de empregados na Nunes que é tributada pelo Lucro Presumido, aumentava os empregados da Senun e MNS, tributadas pelo Simples. Ficou claro que a Nunes utilizou a mãodeobra registrada na Senun e MNS para implementar sua linha de produção. Não é crível que uma empresa mantenha ou aumente suas receitas desproporcionalmente à diminuição de seus empregados. As empresas Senun e MNS, ao contrário, independentemente do aumento do número de empregados, mantiveram suas receitas constantes. Demonstramos pelos quadros de quantitativo de empregados abaixo, a forte relação que existe entre a Nunes, Senun e MNS. [...] 3.7.5. A receita da Nunes mantevese constante a cada ano, mas o nº de empregados diminuiu o que deixa evidente que se utilizou empregado registrados como empregados da Senun e MNS. [...] 3.7.6. No processo nº 000802008372040051 Reclamatória Trabalhista de Moisés Wilirich movido contra as reclamadas Nunes, Senun e MNS podemos verificar a existência do grupo econômico formado por estas 3 (três) empresas as quais respondem de forma solidária pelos créditos deferidos ao reclamante. O mesmo preposto e advogado representa as 3 (três) empresas. (cópia da reclamatória). [...] 3.8.1. A receita da Nunes, é formada exclusivamente de serviços de industrialização por encomenda para terceiros. Identificamos que existe sempre uma grande indústria de calçados da região como seu principal cliente. 3.8.2. Constatamos que a Senun e MNS também prestam serviços de industrialização para os mesmos principais clientes da Nunes. Encontramos notas fiscais de remessa de matéria prima emitida pelo cliente para a Senun e MNS que consta o nome do destinatário Senun ou MNS e Fl. 740DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724083/201159 Acórdão n.º 2402004.061 S2C4T2 Fl. 737 9 entre parênteses o nome “Nunes” o que evidencia que, para o cliente, as 3 (três) empresas é de fato uma só. Exemplificamos a nota fiscal nºs 63618, de 19/11/09 e 64620, de 07/12/09 para a Senun e nºs 10273, de 21/03/07 e 997230, de 26/09/08 para a MNS, todas emitidas pela Calçados Bottero Ltda.(cópia da nota fiscal em anexo). [...] 3.9. Percebese que gradualmente houve uma redução do percentual da massa salarial em relação às receitas da Nunes enquanto que na Senun esse percentual foi aumentando. Já quanto à MNS desde que começou a operar o percentual da massa salarial em relação às receitas era alto. Chama atenção o percentual do ano 2005 da Senun e MNS. Notase que o percentual da Senun diminuiu proporcionalmente ao aumento da MNS comprovando que as 3 (três) empresas de fato é uma só, conforme pode ser verificada no quadro abaixo: [...] Através dos Balanços Patrimoniais das 3 (três) empresas, constatamos que a estrutura de máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de calçados estão registrados na Nunes embora a maior parte dos empregados do grupo estão vinculados à Senun e MNS conforme demonstrativos abaixo [...] a) Pelo exame das contas do Passivo Circulante “21.03.01.2523 –Empréstimo Ivo Nunes” e “21.03.01.2524 – Empréstimo Calçados Nunes”, verificamos que em 2006 a 2008, a Senun dependia de constantes aportes financeiros da Nunes e de seu sócio e verdadeiro “proprietário” do grupo, Sr. Ivo Nunes. Abaixo cópia dos registros extraídos do razão. b) Em relação a 2009 a Senun também dependeu, para a sua sobrevivência, de empréstimos do Sr. Ivo Nunes que foram registradas na conta do Passivo Circulante “2731 – Credores Diversos”. Abaixo cópia dos registros extraídos do razão. c) Constatamos um fato estranho contabilizado na conta do Passivo Circulante 2641 – Adiantamento de Clientes, inúmeros lançamentos de adiantamento do “cliente” MNS em 2009, sendo que não existe nenhum registro de prestação de serviço da Senun para a MNS conforme verificamos na conta “4009 – Beneficiamento Mercado Interno”. Ficou evidente que este lançamento serviu para o propósito de Fl. 741DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 registrar empréstimos da MNS para a Senun. Abaixo cópia dos registros extraídos do razão. A Nunes efetua o pagamento das faturas pelos serviços de industrialização à Senun e MNS de forma parcial várias vezes ao mês de acordo com a necessidade destas para pagar as suas despesas. É o que observamos nos demonstrativo abaixo extraído da conta “21110000002396 – Senun Calçados” da Senun e “21110000002371 – Beneficiadora de Calçados MNS”, por amostragem: As razões, apesar de extensas, merecem consideração nesta assentada. Verifico que o fiscal imputou a prática de simulação a partir de minucioso trabalho de verificação de toda a contabilidade das três empresas envolvidas, bem como e não só, de toda a relação comercial delas entre si e em face de terceiros, bem como sua estrutura societária e de gerenciamento de seus empregados. Da análise de tais apontamentos em contrapartida com as alegações constantes no recurso voluntário, tenho que estas não merecem acolhida. O Relatório Fiscal é por demais enfático em demonstrar que, em verdade, a empresa NUNES CALÇADOS,em verdade é quem possui o poder de comando e gestão de todos os funcionários envolvidos nas empresas SENUN e MNS, que foram constituídas não como pessoas jurídicas absolutamente autônomas, mas como empresas que optantes pelo SIMPLES vieram a abrigar parte dos funcionários anteriormente empregados na NUNES CALÇADOS, o que concluo diante de todos os elementos de prova constantes nos autos, sobretudo pela demonstração de que as empresas SENUN e MNS tiveram em seus quadros societários “exfuncionários” da empresa NUNES; de que a medida em que o número de empregados da NUNES diminuía sua receita se mantinha em alta, aumentando o número de empregados nas demais empresa, restando, ainda demonstrado que em audiências trabalhistas quem se apresentava como preposto era o sócio da empresa NUNES, o que a meu ver confere a tal pessoa o poder de direção sobre a organização de pessoal das demais empresas. A também demonstrada ausência de independência econômica das empresas SENUN e MNS que somente se mantiveram em funcionamento diante dos vários empréstimos da CALÇADOS NUNES e Sr. Ivo, inclusive o fato de que as notas fiscais possuem em comum os nomes de todas as empresas, a assunção de despesas das empresas SENUN e MNS pela NUNES, o fato dos serviços prestados pela SENUN e MNS seram tomados pelos clientes da empresa NUNES, a utilização da mãodeobra das empresas SENUN E MNS pela NUNES, bem como as informações prestadas pela própria empresa NUNES acerca do número de seus funcionários para a obtenção de licença ambiental para funcionamento ali indicando os funcionários vinculados às demais empresas traduzem, em meu sentir, o acerto daquilo o que decidido em primeira instância. De fato as alegações recursais não possuem o condão de afastar a conclusão fiscal, a demonstrar que não havia, in casu, uma estrutura na qual existiam empresas distintas, com parques fabris separados, absolutamente autônomas no que se refere a gestão dos empregados vinculados a cada uma delas.Fato é que a constituição de tais empresas, se deu com o fito de furtarse a empresa NUNES ao pagamento das contribuições previdenciárias relativas aos segurados empregados que em verdade estavam a si vinculados, mas apenas formalmente contratados pelas empresas SENUN e MNS, mas prestando seus serviços diretamente a empresa NUNES. Fl. 742DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 11065.724083/201159 Acórdão n.º 2402004.061 S2C4T2 Fl. 738 11 Por fim, quanto ao percentual da multa aplicada, da análise do relatório fiscal, percebo que o agravamento somente veio a ser realizado relativamente às competências de 12/2008 e 13/2008, em face da edição e alterações legais constantes da Lei 11.941/08. E toda a argumentação da recorrente sobre o assunto resumese ao caráter confiscatório da multa. Todavia, tenho tais irresignações não podem ser analisadas por este Conselho, em respeito a competência privativa do Poder Judiciário, já que, o afastamento da aplicação da Legislação referente as contribuições, indubitavelmente, ensejaria o reconhecimento de inconstitucionalidade de lei em vigor, conforme previsto nos artigos 97 e 102, I, "a" e III, "b" da Constituição Federal, o que é vedado a este Eg. Conselho. Sobre o tema, o CARF consolidou referido entendimento por meio do enunciado da Súmula n. 02, a seguir: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Logo, ante todo o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 743DF CARF MF Impresso em 20/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/04/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 30/05/20 14 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001654/2010-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 14 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2301-000.365
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauros José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauros José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes
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Resolvem os membros do Colegiado: I) Por unanimidade de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA – Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Mauros José Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes, Wilson Antonio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 01 65 4/ 20 10 -9 8 Fl. 860DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.001654/201098 Resolução nº 2301000.365 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Auto de Infração lavrado contra a Recorrente por infração ao disposto no artigo 32, inciso IV e parágrafo 5° da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação dada pela Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, e no artigo 225, inciso IV e parágrafo 4o do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto n.° 3.048, de 06/05/1999, tendo em vista que deixou de informar em GFIP (Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social), fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Segundo a Fiscalização a Recorrente deixou de declarar os seguintes valores: Abono único Levantamento ABU competências 10/2005, 11/2005 e 12/2005 Vale transporte Levantamento VT competências: 01/2005 a 12/2005 e Bônus de contratação Levantamento EE competências 01/2005 a 12/2005. Quanto a multa aplicada no presente AI, face ao art. 106, inciso 11, alínea "c" do CTN, diz a Fiscalização que entendeu ser a mais benéfica a multa da legislação anterior. Foi noticiada do presente AI e tempestivamente apresentou impugnação, cuja qual foi julgada improcedente. Em 11.MAI.2011 foi notificada da Decisão da DRJ e em 06.JUN.2011 aviou o presente Recurso Voluntário com as seguintes alegações: 1) da extinção do crédito tributário pela decadência; 2) vale transporte pago em dinheiro não incidência das contribuições previdenciárias; 3) abono único não incidência das contribuições previdenciárias; 4) da regra matriz de incidência das contribuições previdenciárias; 5) da criação de novas hipóteses de incidência pela regra de isenção – ilegalidade; 6) do enquadramento à hipótese de isenção; 7) inovação do decreto n° 3.048/99 – ilegalidade; 8) da nãoincidência de Contribuição Social sobre o Pagamento de Bônus de Contratação; 9) hiring bónus não subsunção à hipótese de incidência das contribuições previdenciárias; 10) ausência de comprovação da materialidade da suposta obrigação tributária; 11) necessidade de revisão do valor da multa aplicada; 12) da ilegalidade da majoração da multa pelo decurso do tempo; 11) da ilegalidade da cobrança de juros sobre a multa; É a síntese do necessário Fl. 861DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA Processo nº 16327.001654/201098 Resolução nº 2301000.365 S2C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator O presente Remédio Recursivo acode todos os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, dele conheço. Passo para análise das razões apresentadas. Todavia, antes de apreciar o mérito da questão, vejo a existência de uma possível falha no lançamento, cuja qual deverá ser suprida pela informação a ser dada pela autoridade de origem, eis que no lançamento, especificamente no Relatório Fiscal, não há indicação dos fundamentos legais que o baseiam para justificar a obrigação de o contribuinte lançar em GFIP. Ou seja, deverá a autoridade de origem descrever o fato gerador. Portanto, tenho que há de retornar os autos à origem para que a autoridade de origem informe, descritivamente, quais foram os fatos geradores assazes para fulcrarem o lançamento nos presentes autos. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, mas, convertoo em diligência para que pronuncie a autoridade de origem, descritivamente, quais foram os fatos geradores para fundamentar o lançamento. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Fl. 862DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 17/06/2014 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVE IRA
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003357/2009-14
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005
DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2803-003.200
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal, reconhecendo a decadência parcial pelo art. 150, § 4 do CTN e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência.
(Assinado digitalmente).
Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente
(Assinado digitalmente).
Eduardo de Oliveira. Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
Nome do relator: EDUARDO DE OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal, reconhecendo a decadência parcial pelo art. 150, § 4 do CTN e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. -Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato.
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Recorrente CONSTRUTORA LIX DA CUNHA S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 01/01/2005 DIVERGÊNCIA ENTRE O RELATÓRIO FISCAL E O ACÓRDÃO A QUO. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS ESSÊNCIAS À TRIBUTAÇÃO. TAIS COMO: OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. COMPROVAÇÃO DA AUSÊNCIA DO PAGAMENTO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP INICIAL E DA OCORRÊNCIA DO PAGAMENTO REDUZIDO QUANDO DA ENTREGA DA GFIP RETIFICADORA. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Vencido o Conselheiro Paulo Roberto Lara dos Santos que julgou procedente o lançamento fiscal, reconhecendo a decadência parcial pelo art. 150, § 4 do CTN e Helton Carlos Praia de Lima que votou pela conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente). Helton Carlos Praia de Lima. Presidente (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 57 /2 00 9- 14 Fl. 464DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 465 2 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima, Eduardo de Oliveira, Natanael Vieira dos Santos, Paulo Roberto Lara dos Santos, Amílcar Barca Teixeira Júnior, Gustavo Vettorato. Fl. 465DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 466 3 Relatório O presente Processo Administrativo Fiscal – PAF encerra o Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD 37.164.7584, que objetiva o lançamento das contribuições destinadas a terceiros – outras entidades e fundos, decorrentes da remuneração paga, devida ou creditada aos trabalhadores da recorrente da categoria de empregados, conforme Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC, de fls. 23 e 24, com período de apuração de 01/2004 a 12/2004, conforme Mandado de Procedimento Fiscal MPF, de fls. 01. O sujeito passivo foi cientificado da autuação, em 27/08/2009, conforme Folha de Rosto do Auto de Infração de Obrigação Principal – AIOP, de fls. 02. O PAF é composto pelo seguinte levantamento: FP – FOLHA DE PAGAMENTO. Este processo foi juntado por apensação ao processo 19515.003355/200925, conforme Termo de Juntada de Processo, de fls. 53, reafirmado a folha, 436. O contribuinte apresentou sua defesa, em data ilegível, as fls. 54 a 75, acompanhada dos documentos, de fls. 76 a 199; 202 a 398; 403 a 408. O órgão julgador de primeiro grau emitiu o Acórdão Nº 1625.656 14ª, Turma DRJ/SP1, em 10/06/2010, fls. 413 a 426. No qual a impugnação foi considerada procedente em parte. O contribuinte tomou conhecimento desse decisório, em 17/05/2011, conforme AR, de fls. 434. Irresignado o contribuinte impetrou o Recurso Voluntário, petição de interposição, as fls. 437, remetida via postal, em 15/06/2011, conforme envelope de remessa, de fls. 460, com razões recursais, as fls. 438 a 459, desacompanhado de qualquer documento. Mérito. · que a recorrente efetuou o lançamento das contribuições do ano de 2004, promovendo, assim constituição definitiva do crédito, o que se comprova pelas GFIP’s anexadas, as quais possuem exata correlação de funcionários e prestadores de serviços listados pela fiscalização, tendo sendo tais lançamentos ignorados pela fiscalização, apesar de todos os documentos estarem de sua posse; · que o fundamento do fisco para lavratura da autuação de que houve a emissão de GFIP’s retificadores que substituíram as primitivas, sendo que estas últimas não informaram a totalidade dos fatos geradores não prospera, pois as contribuições foram devidamente declaradas pela recorrente, sendo que a apresentação de GFIP’s retificadoras em nada Fl. 466DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 467 4 muda essa situação, conforme artigo 142, do CTN, uma vez que a contribuição previdenciária e tributo cujo o lançamento se dá por homologação, art. 225, do RPS e precedentes do CARF, que cita, ficando submetido ao artigo 150, §4º, do CTN; · que tendo havido a constituição definitiva do crédito pelas GFIP”s declaradas, evidente que a contribuição previdenciária é tributo sujeito ao lançamento por homologação e assim sendo passados cinco anos não pode mais o fisco exigir diferenças, pois homologado tacitamente os lançamentos efetuados, o que foi reconhecido pela acórdão a quo item 14.4 transcrito, cita a consulta 127/2007 e decisões do STJ, estando o crédito definitivamente constituído e sujeito a cobrança e execução; · que não há justificativa para um lançamento exigindo a totalidade dos valores declarados pela recorrente, podendo apenas serem lançadas eventuais diferenças, se existentes, porém as GFIP’s declaradas pela recorrente correspondem a maioria das informações descritas os autos, devendo as diferenças terem sido constituídas em apartado, das contribuições declaradas pela empresa, uma vez que tal crédito estava constituído definitivamente, não devendo haver lançamento pela totalidade da folha; · que a decadência e as prescrição devem ser contadas pelo CTN, tendo em vista a natureza tributária das contribuições sociais previdenciárias, artigo 149, da CF/88, precedentes do CARF, SV 08 STF; · que ocorreu decadência para todas as contribuições anteriores a 27/08/2004, pois o lançamento se deu em 27/08/2009, devendo ser aplicado o artigo 150, §4º, cita decisões do CARF; · que não se pode aplicar ao presente caso o artigo 173, I, do CTN, pois este serve para lançamento substitutivo realizado de ofício pelo fisco ou para os casos de dolo, fraude ou simulação ou para lançamentos de ofício, cita HBM, tendo a recorrente apresentado as declarações do período, citando PBC, não ocorrendo no presente caso dolo, fraude ou simulação, uma vez que a recorrente efetuou os lançamentos pertinentes via GFIP, estando extinto o direito da fazenda constituir o crédito para fatos geradores (posteriores) sic, a 27/08/2004, devendo ser aplicado uo art. 156, V, do CTN, cita decisão do CC e do CARF, reconhecendose a decadência para o período anterior a 27/08/2004; · Do Pedido: a) provimento ao recurso, decretando a reforma da decisão recorrida, com o reconhecimento da decadência para o período anterior a agosto/2004. A autoridade preparadora reconheceu a tempestividade do recurso, fls. 461 e 463. Fl. 467DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 468 5 Os autos foram remetidos ao CARF, fls. 463. É o Relatório. Fl. 468DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 469 6 Voto Conselheiro Eduardo de Oliveira. O recurso voluntário é tempestivo e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade ele merece ser apreciado. Mérito. O Relatório Fiscal do Auto de Infração – REFISC – AI, e fls. 23 e 24, apenas informa no item 4, segundo parágrafo, o que a seguir transcrevo. 0 presente lançamento está sendo efetuado com base nos valores não declarados em GFIP — Guia de Recolhimento de FGTS e Informação à Previdência Social. Todavia, o Acórdão de primeiro grau traz a seguinte justificativa para o lançamento. 14.1.1. Conforme relatório fiscal a empresa não informou na GRP as remunerações pagas aos empregados e as respectivas contribuições previdenciárias, nas competências de 01/2004 a 12/2004, e décimo terceiro salário de 2004, fato apurado quando a empresa, regularmente intimada a apresentar as guias de recolhimento do FGTS e informações Previdência Social GFIP para o período de 01/2004 a 12/2004, apresentou todas as guias, no entanto, constatouse que as GFIP entregues na versão 8.3 apenas contém as informações acerca de algumas contribuições, informações aquelas que retificaram as entregues anteriormente. 14.2. É conhecido que o modelo da GFIP, implementado pela versão 8.0 do SEFIP, trouxe mudanças significativas quanto à forma de geração, definindo que o empregador/contribuinte deve elaborar apenas uma GFIP única para cada chave. A chave é composta por parâmetros extraídos da própria GFIP, não podendo existir mais de uma GFIP com a mesma chave. 0 conceito de GFIP única deve sempre estar associado ao conceito de chave. 14.2.1. Reiterase que a partir da versão 8.0 do SEFIP, o contribuinte deve entregar uma GFIP única para cada chave, sendo que a GFIP retificadora substituiu todos os dados da anterior, com a mesma chave, conforme item 10, do Manual da GFIP/SEFIP, versão 8.4, disponível na Internet, no endereço: www.receita.fazenda.gov.br/previdência/GFIP/GFIP2Aplicativos. htm. 14.3. A chave, em regra, é composta pelo CNPJ/CEI do empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento, e FPAS. Para a Receita Federal do Brasil, deve haver apenas uma GFIP/SEFIP para cada chave. Havendo a transmissão de Fl. 469DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 470 7 mais de uma GFIP/SEFIP para o mesmo empregador/contribuinte, competência, código de recolhimento e FPAS (mesma chave) com número de controle diferente, a GFIP/SEFIP transmitida posteriormente é considerada como retificadora, substituindo a GFIP/SEFIP transmitida anteriormente. 14.4. No caso da autuação a empresa entregou novas GFIP's contendo a mesma chave, informando apenas os valores pagos a alguns empregados assim, como a empresa informou erroneamente suas GFIP's, com a nova entrega a anterior foi retificada. 14.5. Com a retificação procedida pela empresa, temos que os valores das folhas de pagamento da empresa não foram informados em sua integralidade. Motivo pelo qual aplicouse a multa de 100% (cem por cento) do valor devido, por competência em que houve a retificação, como demonstrado em planilha anexada ao auto de infração Debcad n° 37.164.7550, com a discriminação individualizada de cada segurado empregado/contribuinte individual, bases de cálculo e valores descontados referentes a folha de pagamento da empresa, tudo como consta do Anexo I — Relação dos empregados não incluídos em GFIP, apensado Aquele Auto de Infração, lavrado pelo descumprimento de obrigação acessória. 14.6. Os valores não informados também foram considerados neste auto de infração. 14.7. Consultamos o sistema do GFIP WEB e comprovamos que houve retificação pela empresa. Ou seja, o REFISC é de uma singeleza e parcimônia absoluta e não traz as justificativas do lançamento, nem se quer cita a ocorrência da apresentação de GFIP’s retificadoras e a supressão de informações de GFIP apresentadas anteriormente à GFIP retificadoras. Desta forma, a matéria tributável não está devidamente demonstrada e muito menos a ocorrência do fato gerador pela existência de diferenças e existência de divergência de informações. Aliás, ainda, que tenha havido a apresentação de GFIP para a competência XX/XXXX com base de cálculo de R$ 100.000,00 e depois seja está retificada na competência XX+2/XXXX+1, com base de cálculo de 30.000,00, com a retificadora na versão 8.0 em diante, isso não implica necessariamente em pagamento a menor, pois é de se esperar que o pagamento da GFIP na competência original já tenha ocorrido e naquela foi declarado o total da remuneração e das contribuições ou pelo menos tem a GFIP primitiva base de cálculo maior do que a suposta retificadora. Só para constar a versão do SEFIP 8.3 passou a ser exigida apenas em 12/2006, ou seja, mais de dois anos após a primeira competência lançada e com dois anos em relação a última competência lançada. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 471 8 A simples retificação com redução da base de cálculo, não implica necessariamente em ausência de pagamento, quando da apresentação da primeira GFIP, isto é, a GFIP da competência, pois tal pagamento pode ter ocorrido, necessário se faz verificar a situação caso a caso, junto ao sistema de cobrança e controle da instituição, devendo tal circunstância estar demonstrada nos autos. Nas planilhas, de fls. 342 a 347, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Quanto a planilha Construtora Lix da Cunha S/A – Contribuinte Individual, de fls. 348 e 349, não se observa esses trabalhadores na GFIP, da competência 03/2004. Nas planilhas, de fls. 350 a 358, Anexo I – Relação dos Empregados não incluídos em GFIP, da comparação com a própria GFIP juntada aos autos pela recorrente, relativamente para a competência 03/2004, todos os trabalhadores listados na planilha estão na relação de trabalhadores da GFIP, ou seja, não se verifica a omissão suscitada. Por outro lado verificase das GFIP’s, de fls. 89 a 199, para o estabelecimento 46.014.635/000149, que estão ausentes as GFIP’s das competências 01/2004 e 02/2004. No que tange as GFIP’s supramencionadas, verifiquei que na competência 03/2004, ocorre a seguinte discrepância. A capa da GFIP está com cód. Rec. 908; Protocolo de Envio com cód. Rec. 908 e o corpo da GFIP com cód. Rec. 155, o que demonstra que os documentos não têm relação um com o outro. Para as GFIP’s do estabelecimento 46.014.635/000300 estão ausentes as GFIP’s de 01/2004 e 02/2004. Entendo, que o fisco não se desincumbiu de provar a existência do crédito, com a ocorrência do fato gerador e nascimento da obrigação tributária, nos termos do artigo 333, I, da Lei 5.869/73, bem como do artigo 9º e 10, do Decreto 70.235/72, e, ainda, do artigo 37, da Lei 8.212/91 c/c o 243, do Regulamento da Previdência Social – RPS apenso ao Decreto 3.048/99, que lhe permitia promover a constituição do crédito pelo lançamento. Fl. 471DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA Processo nº 19515.003357/200914 Acórdão n.º 2803003.200 S2TE03 Fl. 472 9 Assim com esses esclarecimentos deixo de analisar todas as alegações de mérito, suscitadas pela recorrente. CONCLUSÃO: Pelo exposto voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe provimento. (Assinado digitalmente). Eduardo de Oliveira. Fl. 472DF CARF MF Impresso em 28/05/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 16/05/2014 por EDUARDO DE OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/05/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA
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Numero do processo: 10830.912991/2009-01
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002
BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA.
Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.678
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 Juros Recebidos; 3.23.02 - Descontos Obtidos; 3.23.04- Variação Monetária Ativa; 3.23.05 Créditos de operações diversas; 3.23.06 Taxa Cambial e 3.23.08 Receitas de Aplicação Financeira, homologando-se o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2002 a 30/06/2002 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 91 /2 00 9- 01 Fl. 268DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Cuida os presentes autos de discussão relacionada com compensação de crédito próprio oriundo de pagamento a maior ou indevido com débito do contribuinte não homologado relativamente ao período de apuração de 01/06/2002 a 30/06/2002, referente à contribuição para o Programa de Integração Social – PIS. A razão da não homologação, segundo infere dos autos, decorre da inexistência de saldo credor disponível informado em DCTF por ter sido integralmente utilizados para quitação de débitos confessados. Tomando conhecimento da negativa por meio do Despacho Decisório, apresentou Manifestação de Inconformidade, sustentando ausência da apresentação de DCTF retificadora, fazendoa imediatamente a ciência da decisão. Conhecida a manifestação, restou improcedente ao argumento de ser necessária, além da retificação da DCTF, a demonstração do real motivo que levou o contribuinte a proceder à modificação para menos do débito declarado, afirmando, ainda, que poderia ter sido justificado por meio de documentos contábeis, DIPJ e DACON. Irresignada com o resultado do julgamento em primeira instância apresenta Recurso Voluntário, sustentando a tese de que o pagamento a maior adveio da inclusão de receitas à base de cálculo não sujeitas à incidência das Contribuições para o PIS e a COFINS ao ensejo de que encontra submetida ao regime cumulativo de que trata a Lei nº 9.718/98. Cuidou, nessa fase processual, acostar planilhas destacando as receitas que compõe o grupo de “Outras Receitas” incluído à base de cálculo indevidamente, bem como, cópias de peças contábeis. Argumenta também que o fato de não apresentar DCTF retificadora se traduz em mero erro, passível de correção. Esse caderno processual retorna a esse Colegiado em razão do Acórdão proferido em 07 de julho de 2011, que converteu o julgamento em diligência para que fosse apurado: 1) o verdadeiro faturamento da empresa informado em DIPJ e em outras declarações obrigatórias; 2) se a recorrente estava submetida ao regime cumulativo; 3) que fosse detalhado as receitas que compõe o grupo “Outras Receitas”, informando se as mesmas estavam sujeitas ou não à incidência da contribuição. O resultado da diligência fiscal encontra assim: “INFORMAÇÃO FISCAL PROCESSO N: 10.830.912.991/200901 COMPETÊNCIA: 06/2002 TRIBUTO: PIS/PASEP Contribuinte Nome / Nome Empresarial CPF / CNPJ COIM BRASIL LTDA 65.426.538/000108 Logradouro Número Complemento R. ANGELO BEVILÁQUA, 527 Bairro Cidade / UF CEP DISTRITO INDUSTRIAL VINHEDO /SP 13.280000 Conforme Despacho de Diligência, contido neste processo, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara resolveu converter o Julgamento em Diligência, para: Fl. 269DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912991/200901 Acórdão n.º 3403002.678 S3C4T3 Fl. 9 3 1) que seja averiguado por meio da contabilidade, da DIPJ e outras declarações obrigatórias o verdadeiro faturamento da empresa; 2) verificar se a empresa está realmente sujeita ao regime cumulativo; 3) detalhar as receitas que compõem o grupo “outras receitas”, informando se estão ou não sujeitas à incidência da contribuição. Resposta ao item 1; 1.1 Através da contabilidade e documentos correlatos apuramos o valor de R$ 12.789.595,54 referente ao Faturamento da Empresa, e o valor de R$ 10.252.630,47 referente a Base de Cálculo da contribuição. 1.2 – Conforme solicitado, estamos anexando os Demonstrativos do total Faturamento e da Base de Cálculo original, para o PIS/PASEP e COFINS, declarado pelo contribuinte em suas Fichas 19 A (cálculo da contribuição para o PIS/PASEP) e 20 A (cálculo da contribuição para a COFINS), integrantes da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Juridica DIPJ. ( = R$ 10.252.630,47) 1.3 Estamos também anexando uma planilha “MEMÓRIA DE CÁLCULO” de origem contábil, onde contém todo o Faturamento da empresa e demonstra: A Base de Cálculo PIS/COFINS reconhecida hoje pela empresa: B Base de Cálculo Outras Receitas e Receitas Financeiras (origem do pedido de ressarcimento); C Base de Cálculo original, que é a soma de A + B ( = R$ 10.252.630,47); Resposta ao item 2; 2.1 – A sistemática da Cumulatividade foi alterada com o advento da Medida Provisória n. 66, de 29/08/2002, convertida posteriormente na Lei n. 10.637 de 30/12/2002, que introduziu a sistemática NÃO CUMULATIVA do PIS/PASEP. A NÃO CUMULATIVIDADE da COFINS veio em seguida, por meio da Medida Provisória n. 135, de 30/12/2003, convertida em Lei n. 10.833 de 29/12/2003. Então, a partir de 01/12/2002, em relação ao PIS/PASEP, e 01/02/2004, em relação à COFINS, passamos a conviver com os dois regimes de apuração das contribuições, o CUMULATIVO e o NÃO CUMULATIVO. Portanto neste processo, nesta contribuição aqui tratada, relativamente a este mês de competência, a sistemática utilizada ainda é a CUMULATIVA. Resposta ao item 3; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 3.1 – Antes da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo do PIS/PASEP e da COFINS era sobre o Faturamento da Pessoa Jurídica, porém com a edição da Lei n. 9.718/1998, a Base de Cálculo passou a ser a RECEITA BRUTA da Pessoa Jurídica, ocorrendo o denominado ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. Com a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009 em seu inc. XII do art. 79, foi revogado o dispositivo da abrangência da Base de Cálculo, reconhecido como inconstitucional. Assim, depois disto, somente as receitas decorrentes do objeto social da Pessoa Jurídica são Bases de Cálculos para o PIS e COFINS, ficando de fora as demais Receitas, como por exemplo as Receitas Financeiras e de Aluguéis de Imóveis. 3.2 Entendemos então, que até a edição da Lei n. 11.941/2009 de 28/05/2009, todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: 3.15.01 Receitas Diversas Operacionais Nesta conta foram lançados créditos de R$ 24.008,35 em 2001, R$ 31.429,81 em 2002 e 53.977,25 em 2003, distribuídos em diversos valores lançados ao longo de cada mês. Se referem a descontos concedidos por fornecedores ou juros pagos por clientes, que acabaram por serem registradas nestas contas. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.02 Recuperação de Despesas Lançamento de devolução de prêmio de seguro cobrado a maior. Lançamento de valor recebido de sinistro causado por dano elétrico. Foram oferecidos à tributação e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.03 Amortização de Ágio/Deságio de Investimento Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágio apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.15.05 – Recuperação de Custo Realizado Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS (pois a contribuinte entende que não se enquadram no conceito de faturamento e da Base de Cálculo). Os valores referentes aos meses de outubro e dezembro de 2002 foram tributados, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.15.06 Honorários Advocatícios Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes pagamento de serviços prestados honorários de advogados. 3.15.07 – Despesas com Indenizações a Terceiros Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois não se enquadram no conceito de faturamento. Os valores referentes ao mês de Fl. 271DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912991/200901 Acórdão n.º 3403002.678 S3C4T3 Fl. 10 5 julho de 2002 referese despesa com serviços prestados a empresas Owaco. 3.15.08 Amortização de Ágio Novacote Não foram oferecidos à tributação do PIS/COFINS, pois esta conta contábil é de natureza devedora, e nela foram registrados a débito valores referentes ao ágioNovacote apurado na aquisição da empresa, em 60 (sessenta meses). 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 – Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeira bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa”. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuida de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A discussão travada entre o Fisco e o Contribuinte é da inexistência do indébito apontado oriundo de pagamento a maior decorrente da inclusão à base de cálculo de receitas não provenientes do faturamento da empresa. A negativa da Administração Tributária Fl. 272DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 6 se prende ao episódio da ausência de apresentação de DCTF retificadora antes do Despacho Decisório que negou o pleito. Em sede recursal entendeu o Colegiado em transformar o julgamento em diligência para verificação de três pontos, o que restou a meu sentir esclarecido pelo Agente Fiscal como se infere da transcrição consignada no relatório. Há entendimento de que cabe ao Interessado comprovar no primeiro momento em que consubstancia o direito buscado, em sede administrativa, também existe aqueles cujos juízos são de que esse tempo de comprovação é mais largado, tudo isso em homenagem ao princípio da verdade. É o que ocorreu neste caderno. O rigor em obediência ao rito penso que é necessário em razão da importância do instituto processual, no entanto, cabe ao Julgador Administrativo, em certas oportunidades temperálo, é o caso tratado nesse processado. Vejo que a diligência foi de grande valia e luminosa ao julgamento, tomando como fonte a informação fiscal que, definitivamente esclareceu que há inclusão à base de cálculo de receitas não oriundas do faturamento. Sendo um ponto relevante ao deslinde da querela, portanto, não há como deixar de enxergar o direito subjetivo do contribuinte em estar nessa sede debatendo para ver reconhecido o seu pleito. Nesse sentido a diligência fiscal dissecou as contas: 3.15.00 “Outras Receitas/Despesas Operacionais” e 3.23.00 “Receitas Financeiras” “... todas as Receitas do grupo Outras Receitas, bem como as Receitas Financeiras, tinham a incidência tributária e integravam a Base de Cálculo tanto do PIS/PASEP, quanto da COFINS. O detalhamento das Receitas que compõe o Grupo de contas 3.15.00 Outras Receitas/Despesas Operacionais e 3.23.00 Receitas Financeiras, encontramse abaixo discriminados: Com a segurança traduzida pelas informações colhidas em diligência, a toda evidência, que a contribuinte fez incluir à base de cálculo receitas não sujeita a exação da contribuição exigida. Corrobora ainda com afirmação de que no período de apuração do indébito a recorrente encontrava submetida ao regime cumulativo das contribuições destinadas para o PIS e a COFINS, fato esse suficiente o bastante para aplicar a regra traçada pela Lei nº 9.718/98. Assim, demonstra que as receitas contabilizadas nas contas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras, as formam a base de cálculo, e, sendo assim, apuração da contribuição é maior do que o valor correto a ser apurado incidente sobre o faturamento. Infere da leitura das explicações elaboradas durante a diligência aqui anotadas que tratam de receitas não sujeitas à incidência de contribuição: 3.23.00 Receitas Financeiras 3.23.01 Juros Recebidos Lançamentos de juros recebidos através de duplicatas vencidas de Clientes. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10830.912991/200901 Acórdão n.º 3403002.678 S3C4T3 Fl. 11 7 3.23.02 – Descontos Obtidos Lançamentos de descontos obtidos através de pagamento de Fornecedores. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.04 Variação Monetária Ativa Lançamentos de atualização de créditos de IRPJ e CSLL a recuperar, pela taxa Selic. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.05 – Créditos de operações diversas Lançamento de estorno de recebimento indevido no mês de fevereiro de 2001, referente ao cliente “Maxdel” (houve movimento desta conta somente em Agosto de 2001). Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.06 –mediante a Taxa Cambial utilizada no mês de referência. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos Variação Cambial Ativa Lançamentos de Variação Cambial Ativa de Clientes ou Fornecedores pedidos de restituição apresentados pela Empresa. 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras Lançamento de Receitas obtidas em função das aplicações financeiras bancária mensal, conforme data da aplicação. Foram oferecidos à tributação, e estão incluídos nos pedidos de restituição apresentados pela Empresa”. Assim, em que pese o comentário de que toda e qualquer receita até ao advento da Lei nº 11.941/2009, mesmo sabedor da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 pelo STF, estava sujeita à incidência da contribuição é interpretação subjetiva do Auditor Fiscal. Estando submetida ao regime cumulativo das contribuições, como é de toda sabença, o faturamento é receita proveniente da venda de mercadorias, prestação de serviços, ou venda de mercadorias e prestação de serviços como restou declarado pela mais alta corte do judiciário. Em sendo assim, o entendimento de alcance extendido a todo e qualquer receita há muito restou decididamente sepultada, e, não há como acolher tal entendimento trazido em diligência quanto à eficácia do inciso 1ºm do art. 3º da Lei nº 9.818/98 até ao acontecimento da Lei nº 11.941/2009, não encontra respaldo na doutrina e tampouco na jurisprudência forense, assim como, administrativa. Por força do Regimento Interno, as decisões relativas a declaração de inconstitucionalidade pelo STJ e do STF deve ser aplicadas de pronto ao procedimento administrativo. Confirmado a inclusão à base de cálculo, além do faturamento, de outras receitas que em decorrência da declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei nº 9.818/98 deixou de ser consideradas para efeitos de incidência da contribuição para o PIS e a COFINS. Assim, milita em favor da contribuinte o direito de reaver da Fazenda Pública o que pagou a maior, dúvida não há mais quanto à inclusão de receitas diferentes do faturamento à base de cálculo. Fl. 274DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 8 Há entendimento dessa Turma que a retificação de DCTF não é determinante no reconhecimento do direito de pedir indébito, em sendo assim, mantenho fiel a esse posicionamento. Certo do direito exercido, entendendo administração de que o valor demonstrado em planilha juntada com o resultado da diligência esteja correto embora afiançado pelo Auditor Fiscal encarregado do trabalho, deve ser reconhecido. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial, reconhecendo o direito da contribuinte em afastar da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04 Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeiras, homologandose o resultado da diligência. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 275DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 28/07/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 16/06/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11080.918325/2012-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jul 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009
DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material.
INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718.
Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII.
Recurso Provido.
Numero da decisão: 3801-003.472
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto.
(assinatura digital)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinatura digital)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/11/2009 a 30/11/2009 DIREITO A RESTITUIÇÃO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido.
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LIQUIDEZ E CERTEZA. Havendo prova suficiente nos autos para comprovar o direito à restituição, devem os mesmos serem recebidos como prova do alegado em homenagem ao princípio da verdade material. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718. Matéria pacificada pelo STF,, com dispositivo inclusive, revogado pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. Recurso Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do relatório e voto. (assinatura digital) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinatura digital) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Redator designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 91 83 25 /2 01 2- 66 Fl. 54DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918325/201266 Acórdão n.º 3801003.472 S3TE01 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antônio Borges, Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Flávio de Castro Pontes e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 55DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918325/201266 Acórdão n.º 3801003.472 S3TE01 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão, julgado pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POA), em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte, sendo indeferida a restituição pleiteada. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF de origem em exame de Declaração de Restituição enviada pela empresa, nos quais não foi concedida a restituição por ausência de valores de indébito. Inconformada, insurgese alegando que foi solicitada restituição da contribuição porque houve a tributação sobre receitas financeiras, conforme declarado em DACON, na ficha demais receitas e na ficha contribuição a pagar, refletindo na DCTF mensal, sendo que traz comprovantes bancários dos rendimentos financeiros do período. Estas receitas financeiras não seriam componentes da base de cálculo da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa, pois o art.79, inciso XII da Lei 11.941, de 27/05/2009, com efeito a partir de sua publicação, excluiuas do conceito de faturamento (vendas de bens e serviços), que é o conceito do fato gerador da contribuição (PIS ou Cofins) cumulativa.” A manifestação de inconformidade, embora denominada de “impugnação”, foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente. O acórdão da DRJ/POA possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS LIQUIDEZ E CERTEZA PROVA ÔNUS. A comprovação de liquidez e certeza do crédito solicitado, nos termos do art.165 e 170 do Código Tributário Nacional, é obrigação de quem o requer. Então, cabe ao contribuinte provar, de forma inconteste, os fatos/atos que alega, conforme determina o art.333, inciso II, do Código de Processo Civil. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918325/201266 Acórdão n.º 3801003.472 S3TE01 Fl. 5 4 Inconformada com a improcedência da impugnação, a contribuinte interpôs, recurso a qual denominou de “Impugnação”, onde em suas razões, requer seja concedido o pedido de restituição. Apresenta junto com o recurso os seguintes documentos para provar o seu direito: Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. É o sucinto relatório. Fl. 57DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918325/201266 Acórdão n.º 3801003.472 S3TE01 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. O recurso voluntário, embora denominado pela recorrente de “impugnação” foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço, aplicandose ao caso o princípio da fungibilidade recursal. A recorrente alega suas razões já expostas na manifestação de inconformidade, porém apresentando desta vez documentos para comprovar seu direito, quais sejam, Demonstrativo de cálculo da PIS e DACON do período. Analisandose os documentos juntados, verificase na DACON do período que a contribuinte declara como “demais receitas – alíquota de 0,65%”, valor este idêntico ao considerado como “receita financeira (aplicações financeiras)”, conforme Demonstrativo de cálculo da PIS. Ainda, ao realizar a análise dos rendimentos obtidos pela recorrente no período, através dos extratos de movimentação bancária anexados aos autos, verificase que aqueles são idênticos ao declarados na DACON e no Demonstrativo de cálculo, havendo portanto correspondência entre ambos. A contribuinte comprova ter receitas financeiras em que somadas coincidem com o valor a restituir. Assim, temse que a recorrente traz prova suficiente para comprovar o seu direito à restituição. Diante disto, pelo princípio da verdade material, os documentos juntados em recurso voluntário devem ser recebidos como prova do alegado, inclusive conforme determina o art. 3º, inc. III, da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Necessário ainda destacar que o pedido de restituição elaborado pela contribuinte possui respaldo em firme decisão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, quando do julgamento do RE 357.950, que declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718, sendo possível, consoante restou decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão 9303002.763, 3ª. Turma, sessão de 21 de janeiro de 2014), sua aplicação pelas autoridades julgadoras de segundo grau à contribuinte diverso daquele beneficiado pela decisão do STF, consoante disposição do art. 26A do Decreto 70.235/72, introduzido pelo art. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Processo nº 11080.918325/201266 Acórdão n.º 3801003.472 S3TE01 Fl. 7 6 26 da Lei 11.941. Registrase ainda que a norma tida como inconstitucional pelo STF já foi, inclusive, revogada pela Lei nº 11.941, em seu artigo 79, inciso XII. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É assim que voto. Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator Relator Fl. 59DF CARF MF Impresso em 10/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 09/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 01/07/2014 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 13819.720053/2006-71
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995
RECURSO VOLUNTÁRIO. INOVAÇÃO. PRECLUSÃO.
Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matérias de defesa não suscitadas na Manifestação de Inconformidade apresentada à instância a quo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Direito Creditório Reconhecido
Numero da decisão: 3403-002.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Aldo de Paula Júnior, OAB/SP 174.480.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim Presidente
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Relator
Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ALEXANDRE KERN
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INOVAÇÃO. PRECLUSÃO. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matérias de defesa não suscitadas na Manifestação de Inconformidade apresentada à instância a quo. Recurso Voluntário Não Conhecido Direito Creditório Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. O Conselheiro Ivan Allegretti apresentou declaração de voto. Sustentou pela recorrente o Dr. Aldo de Paula Júnior, OAB/SP 174.480. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim – Presidente (assinado digitalmente) Alexandre Kern Relator Participaram do julgamento os conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Rosaldo Trevisan, Domingos de Sá Filho, Luiz Rogério Sawaia Batista e Ivan Allegretti. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 72 00 53 /2 00 6- 71 Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 2 Bombril S/A transmitiu, entre 11/08/2003 e 10/12/2003, as Declaração de Compensação DComp nº 33687.38343.110803.1.3.578408, 15709.84181.110803.1.3.57 8539, 00833.05316.110803.1.3.570249, 09736.57755.150803.1.7.572170, 26145.53203.150803.1.7.574729, 39132.35744.150803.1.3.573927, 01919.97562.091203.1.7.574968 e 27223.03396.101203.1.3.575870, visando à compensação de débitos próprios Contribuição para o Plano de Integração Social PIS, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins e Imposto sobre Produtos Industrializados IPI com créditos de PIS reconhecidos na sentença judicial que transitou em julgado nos autos do processo nº 94.00131941. A análise do pleito conclui pela procedência parcial do direito creditório informado, no montante de 5.484.124,28 Ufir, tendo em vista que parte dos recolhimentos apresentados (50.918,27 Ufir) não foram certificados, e que a interessada não apresentou os Darfs originais. E no que tange aos débitos compensados, constatouse que parte deles não estão abrangidos pelo provimento jurisdicional obtido pelo declarante, que abrange apenas a compensação dos créditos do PIS com débitos vincendos da própria contribuição, restando parcialmente homologadas as compensações, tudo nos termos do Despacho Decisório DRF/SBC de fls. 940 a 945. Em Manifestação de Inconformidade de fls. 1041 a 1053, o interessado alegou, em síntese e fundamentalmente, o que se consignou na conclusão dessa manifestação e que abaixo se transcreve: V. Conclusões e pedido 36. Diante de todas as considerações tecidas nas seções anteriores, podem ser sintetizadas as seguintes conclusões: i. a Requerente, conforme posicionamento atual do E. Superior Tribunal de Justiça, não estava limitada à compensação dos créditos de PIS [apurados no âmbito da Ação pelo procedimento Ordinário nº 94.001319411 exclusivamente com débitos de PIS, uma vez que nos termos da Lei nº 10.637/02 [Lei superveniente ao trânsito em julgado da Ação pelo procedimento Ordinário nº 94.00131941) lhe era facultado o direito de compensar os créditos com débitos de tributos e contribuições de qualquer natureza; ii. de toda a forma, mesmo que as compensações não sejam homologadas, ainda assim os débitos ora exigidos devem ser cancelados dada a necessidade de que as autoridades administrativas, uma vez reconhecidos os créditos da Requerente, compensem de oficio tais créditos com os débitos tidos como pendentes; e iii. por fim, em relação à glosa no montante de 50.918,27 UFIR, há que se esclarecer que a Requerente apresentou ao SEORT/DRF/SÃO BERNARDO DO CAMPO cópia simples dos DARF comprovantes dos recolhimentos, respaldadas nos livros contábeis da Requerente, que comprovam o efetivo recolhimento e, consequentemente, o direito ao crédito a ser compensado. Ao final, requer a suspensão da exigibilidade do crédito tributário em litígio, e a reforma da decisão com a conseqüente homologação das compensações efetuadas. Em 26/02/2010, o contribuinte apresentou a petição de fls. 1072 a 1075, informando sua adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, para Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13819.720053/200671 Acórdão n.º 3403002.911 S3C4T3 Fl. 1.446 3 regularizar os débitos que foram transferidos aos processos administrativos nº 10923.000140/200895, 10923.000141/200830 e 10923.000142/200884 e enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, tendo em vista a insuficiência do crédito em litígio para a sua eventual liquidação. Informa ainda sua desistência em relação ao item IV da manifestação de inconformidade nestes autos interposta, e requer a homologação de seu pedido de parcelamento. Referida petição foi processada pela DRF de origem, nos termos dos documentos juntados aos autos. A 3ª Turma da DRJ/CPS julgou a Manifestação de Inconformidade procedente e reconheceu o direito da interessada em compensar o direito creditório reconhecido pela DRF/SBC com os débitos informados nas DComp até o limite desse direito creditório, sem restrições quanto à natureza do débito. O Acórdão nº 0540.601, de 13 de maio de 2013, fls. 1203 a 1208, teve ementa vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/1989 a 30/09/1995 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS FAVORÁVEL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes. Manifestação de Inconformidade Procedente Crédito Tributário Mantido em Parte Cuidase agora de recurso voluntário contra a decisão da 3ª Turma da DRJ/CPS. O arrazoado de fls. 1267 a 1276, após síntese dos fatos relacionados com a lide, alega que. embora a Manifestação de Inconformidade tenha sido julgada procedente, a DRJ deixou de apontar qual o critério que deve ser utilizado para a compensação do crédito reconhecido com os débitos remanescentes, o que deu margem para a DRFB utilizar interpretação prejudicial aos interesses da Recorrente. Entende que cabe ao CARF verificar qual o critério correto para a quitação dos débitos controlados pelo presente processo administrativo, a fim de evitar distorções quanto à interpretação das normas que regulamentam a compensação do crédito. No mérito, insurgese contra a inclusão, na compensação, de débitos que já haviam sido incluídos em programa de parcelamento e rechaça a compensação de ofício promovida pela DRF de jurisdição. Conclui, requerendo o provimento do recurso voluntário de maneira a reformar o acórdão recorrido para que sejam estabelecidos os critérios para a compensação do crédito corretamente reconhecido pela DRJ com os débitos remanescentes da Recorrente. O processo administrativo correspondente foi materializado na forma eletrônica, razão pela qual todas as referências a folhas dos autos pautarseão na numeração digitalmente estabelecida. Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 4 É o Relatório. Voto Conselheiro Alexandre Kern, Relator Regularmente intimado da decisão recorrida, em 19/09/2013 (A.R. na fl. 1265), o interessado formulou o recurso de fls. 1267 a 1276, em 21/10/2013, tempestivamente. No que diz respeito às questões trazida pela recorrente na fase recursal relativas à execução do Acórdão DRJ/CPS nº 0540.601, de 13 de maio de 2013, observo que a matéria não foi suscitada na Manifestação de Inconformidade. Com efeito, compulsandose o arrazoado de fls. 1041 a 1053, constato que o Manifestante limitouse ao argumento de que não estava limitado à compensação dos créditos de PIS [apurados no âmbito da ação nº 94.001319411] exclusivamente com débitos de PIS, uma vez que, nos termos da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, eralhe facultado o direito de compensar os créditos com débitos de tributos e contribuições de qualquer natureza. Ainda que assim não fosse, alega que os débitos pendentes deveriam ser extintos por compensação de ofício. A reclamação contra a glosa no montante de 50.918,27 UFIR quedou vazia, haja vista que, posterior, os débitos correspondentes foram incluídos em programa de parcelamento. Sem ter sido provocada a tanto, e não se cuidando de matéria sobre a qual devesse pronunciarse de ofício, a Turma julgadora de primeiro grau silenciou sobre o ora reclamado “critério que deve ser utilizado para a compensação do crédito reconhecido com os débitos remanescentes”. Como é de todos sabido, só é lícito deduzir novas alegações, em supressão de instância, quando relativas a direito superveniente, competir ao julgador delas conhecer de ofício, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. As alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em ônus processual, pois, embora o ato possa ser praticado e é instituído a seu favor, caso não seja praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de praticálo posteriormente, ocorrendo o fenômeno processual denominado de preclusão. Daí, não tendo a contribuinte deduzido a tempo, em primeira instância, as razões apresentadas na fase recursal relativas ao critério correto para a quitação dos débitos, não se pode delas conhecer. Diante de todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso. Sala de sessões, em 24 de abril de 2014 Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI Processo nº 13819.720053/200671 Acórdão n.º 3403002.911 S3C4T3 Fl. 1.447 5 Declaração de Voto Conselheiro Ivan Allegretti O Processo Administrativo Fiscal (PAF) previsto no Decreto nº 70.235/72 foi elaborado originalmente levando em conta exclusivamente a realidade do lançamento fiscal. Apenas depois se fez proveito do mesma sistemática para a discussão dos pedidos de restituição, ressarcimento e compensação, por previsão expressa do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Assim, da mesma forma que a apresentação de defesa (impugnação) pelo contribuinte inaugura o contencioso fiscal de discussão do lançamento, a apresentação de manifestação de inconformidade inaugura o contencioso fiscal em relação ao direito de restituição e compensação. Mas a discussão das restituições e compensações vêm revelando situações que o PAF não consegue resolver, pelo menos não em sua atual formatação. A primeira vista, a matéria a ser discutida no contencioso da restituição resumirseia à existência ou não do direito de crédito e a sua quantificação e suficiência para cobrir os débitos. Ou seja, a discussão seria, a princípio, apenas em relação ao direito de crédito alegado pelo contribuinte. Quanto ao débito nada haveria que discutir, restando apenas fazer sobre ele incidir o resultado do que foi decidido a respeito do crédito: se o crédito não foi reconhecido ou o foi em valor insuficiente, cobrase o débito na parte em que ficou descoberto. Mas na prática não é sempre assim. No pressente caso, por exemplo, a decisão da DRF apenas reconheceu a possibilidade de compensação entre créditos e débitos de PIS, excluindo da compensação os débitos de outros tributos, que ficaram descobertos. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade. Mas o mesmo contribuinte, depois, pediu desistência e realizou o pedido de parcelamento de alguns deste débitos de tributos de outras espécie que haviam ficado a descoberto. Em seguida, a DRJ reconheceu ao contribuinte o direito de que seus créditos fossem utilizados para a compensação com débitos de tributos de outra espécie. Ou seja, a DRJ deu integral provimento à manifestação de inconformidade do contribuinte. Ocorre que no momento de imprimir efeitos ao comando da DRJ, o sistema informatizado da DRF parece ter feito a apropriação dos créditos automaticamente, inclusive Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI 6 em relação aos débitos de tributos de outra espécie em relação aos quais o contribuinte já havia feito o pedido de parcelamento. Ou seja, numa primeira etapa, para o aproveitamento dos créditos em relação aos débitos, o sistema informatizado teria ignorado os débitos que já tinha sido confessados e submetidos ao parcelamento. Apenas depois da alocação automatizada entre créditos e débitos (todos os débitos originalmente apresentados na compensação, sem levar em conta a confissão e parcelamento), é que numa etapa seguinte, antes da emissão cobrança, o sistema informatizado cuidou de excluir única e especificamente os débitos confessados e parcelados que permaneciam a descoberto. Estáse diante, portanto, de um problema de execução prática da decisão da DRJ. Por certo que todo problema de execução traduz, igualmente, uma questão jurídica. O problema, no entanto, está em que a competência deste Conselho é restrita à apreciação do Recurso Voluntário naquilo em que este pretende a reforma de um dos fundamentos da DRJ. Ou seja, apenas se pode cogitar da viabilidade do recurso Voluntário diante de alguma sucumbência do contribuinte no julgamento da DRJ. E neste caso o contribuinte nada perdeu. Tudo ganhou na DRJ. O acórdão da DRJ, com efeito, reconheceu o direito do contribuinte, inclusive detalhando que o direito de crédito deveria ser aplicado em relação aos débitos em aberto. Se há um problema, portanto, não está no acórdão da DRJ, mas na forma como foi concretizado o direito pela DRF, e a respeito disso não cabe recurso voluntário ao CARF. Por esta razão, concordo com o Relator quando diz que não há como tomar conhecimento do recurso. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 02/06/2014 por A NTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/05/2014 por ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 30/05/2014 por IVAN ALLEGRETTI
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Numero do processo: 14033.003355/2008-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004
Ementa:
REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO. PODER-DEVER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA.
A Administração Pública possui o poder-dever de anular de ofício os próprios atos eivados de ilegalidade, decorrente do princípio da autotutela, nos termos das Súmulas nº 346 e 473 do STF. Este poder-dever decai em cinco anos contados da data em que foram praticados, salvo comprovada má-fé, conforme preceito dos artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784, de 1.999.
ARTIGO 21 DA LEI Nº 10.865, DE 2004. VIGÊNCIA DA ALTERAÇÃO PROMOVIDA NO INCISO V DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833, DE 2003.
A alteração do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, promovida pelo artigo 21 da Lei nº 10.865, de 2004, extinguindo a possibilidade de creditamento da não-cumulatividade de Cofins, relativa às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, aplica-se aos fatos geradores a partir de 1º/08/2004.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Direito Creditório Reconhecido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.645
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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PODERDEVER DA ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA. PRINCÍPIO DA AUTOTUTELA. A Administração Pública possui o poderdever de anular de ofício os próprios atos eivados de ilegalidade, decorrente do princípio da autotutela, nos termos das Súmulas nº 346 e 473 do STF. Este poderdever decai em cinco anos contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé, conforme preceito dos artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784, de 1.999. ARTIGO 21 DA LEI Nº 10.865, DE 2004. VIGÊNCIA DA ALTERAÇÃO PROMOVIDA NO INCISO V DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 10.833, DE 2003. A alteração do inciso V do artigo 3º da Lei nº 10.833, de 2003, promovida pelo artigo 21 da Lei nº 10.865, de 2004, extinguindo a possibilidade de creditamento da nãocumulatividade de Cofins, relativa às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos, aplicase aos fatos geradores a partir de 1º/08/2004. Recurso Voluntário Provido em Parte. Direito Creditório Reconhecido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. A conselheira Fabiola Cassiano Keramidas acompanhou o relator pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 33 55 /2 00 8- 43 Fl. 417DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 418 2 (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède, Fabiola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes e Jonathan Barros Vita. Relatório Tratase de Declarações de Compensação, de crédito de Cofins decorrente recolhimento em DARF em 13/08/2004, no valor de R$ 30.190.126,39, com débitos diversos da própria recorrente, conforme DCOMP´s transmitidos entre 15/07/2005 e 27/06/2006, um PER transmitido em 19/07/2007 e outro conjunto de DCOMP´s transmitidos entre 25/02/2009 e 22/04/2009. O primeiro conjunto de DCOMP´s transmitidas utilizou como crédito o valor de R$ 13.901.362,22, de um DARF de R$ 30.190.126,39 de Cofins relativo à competência de julho de 2004. Em 22/09/2008, foi emitido despacho decisório, fls. 158 a 161, homologando as compensações realizadas nas DCOMP´s transmitidas entre 15/07/2005 e 27/06/2006. O fundamento foi a identificação de R$ 14.991.955,84 disponíveis do pagamento de R$ 30.190.126,39, portanto, em montante superior ao indébito pleiteado. O PER transmitido em 19/07/2007 pleiteou crédito de R$ 14.991.955,84, mas não foi analisado no despacho emitido em 22/09/2008. Por fim, as DCOMP´s transmitidas entre 25/02/2009 e 22/04/2009 pleitearam crédito no valor de R$ 1.090.593,62. Em 18/01/2013, foi emitido despacho decisório, revisando o emitido em 22/09/2008, no qual houve manutenção da homologação das DCOMP´s já homologadas, mas sob novo fundamento, o decurso de prazo previsto para a homologação tácita. O segundo despacho ainda indeferiu o PER transmitido em 19/07/2007 e não homologou as DCOMP´s transmitidas entre 25/02/2009 e 22/04/2009. A fundamentação para o indeferimento e não homologações foi a redução do crédito pleiteado pela recorrente dos R$ 14.991.955,84 para R$ 1.090.593,62, devido à recomposição da Cofins devida em julho de 2004, pela exclusão da base de cálculo dos créditos da nãocumulatividade dos valores referentes às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos. O crédito não foi considerado pela Diort da DRF/Brasília por entender que o art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, o qual alterou o art. 3º da Lei nº 10.833, excluindo tais despesas dentre as hipóteses de creditamento, produziria efeitos a partir de 1º/05/2004, concluindo que em julho não poderia a recorrente descontar tais créditos da Cofins devida. Irresignada, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando três fundamentos: Fl. 418DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 419 3 1. A inconstitucionalidade do art. 46, inciso I da Lei nº 10.865, de 2004, por desrespeito ao prazo nonagesimal previsto no art. 195, §6º da Constituição Federal; 2. A própria Receita Federal acatou a tese do prazo nonagesimal em soluções de consulta; 3. A vedação quanto à possibilidade de revisão do lançamento expressamente operado em 2008, por não se enquadrar na hipótese do art. 145, III, combinado com o art. 149 e incisos; por estar extinto o direito de rever/lançar de acordo com o art. 149, parágrafo único. Salientase, ainda, que contra a recorrente foi lavrado Auto de Infração, abrangendo a competência de julho de 2004, questionando a forma de tributação para o PIS/Pasep e Cofins, ao final julgado improcedente, reconhecendose que a recorrente se sujeitava ao regime nãocumulativo das contribuições. A Quarta Turma da DRJ em Brasília proferiu o Acórdão nº 03053.766, no qual julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2004. COFINS. DESPESAS FINANCEIRAS DECORRENTES DE EMPRÉSTIMOS E FINANCIAMENTOS. NÃOGERAÇÃO DE CRÉDITOS. A partir de primeiro de maio de 2004, as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos não geram créditos a serem descontados da contribuição devida no mês. FUNDAMENTO DE INCONTITUCIONALIDADE. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. VEDAÇÃO. É vedado ao órgão de julgamento afastar a aplicação de lei, sob o fundamento de inconstitucionalidade, no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA E JUDICIAL. NÃO VINCULAÇÃO. As decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa vinculam esta instância de julgamento quando houver lei que lhes atribua eficácia normativa. As decisões dos Tribunais Judiciais se aplicam aos Órgãos da Administração Pública Federal quando seu efeito for erga omnes. DEVER DO JULGADOR. OBSERVÂNCIA DO ENTENDIMENTO DA RFB. É dever do julgador observar o entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 419DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 420 4 Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada em 10/10/2013, a recorrente interpôs recurso voluntário em 08/11/2013, reprisando os argumentos deduzidos na manifestação de inconformidade. Ao final, pede a consideração dos créditos das despesas financeiras na apuração da Cofins de julho de 2004, que seja considerado como disponível para compensação o pagamento indevido ou a maior de R$ 14.991.955,84; sejam homologadas as DCOMP´s transmitidas entre 15/07/2005 e 22/04/2009; a anulação da cobrança de débitos no processo 10166.728269/201267; o deferimento e a conseqüente restituição solicitada no PER transmitido em 19/07/2007. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Inicialmente, serão analisados os argumentos quanto à revisão do lançamento. Não há que se confundir o lançamento tributário com os procedimentos de compensação realizados pelo contribuinte. Os débitos informada nas DCOMP´s constituem confissão de dívida nos termos do art. 74, §6º da Lei nº 9.430, de 1996, e, portanto, prescindem de lançamento para a exigência dos valores indevidamente compensados. Não houve lançamento de ofício, nem revisão de lançamento outrora efetuado, portanto, inaplicável o art. 149 do CTN ao caso concreto. Quanto à revisão do despacho decisório emitido em 22/09/2008 efetuada em 18/01/2013, entendese que a Administração Pública possui o poderdever de anular de ofício os próprios atos eivados de ilegalidade, decorrente do princípio da autotutela. Neste sentido as Súmulas nº 346 e 473 do STF e os artigos 53 e 54 da Lei nº 9.784, de 1.999: Súmula nº 346: A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios atos. Súmula nº 473: A Administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se originam direitos; ou revogálos, por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial. Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Fl. 420DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 421 5 Art. 54. O direito da Administração de anular os atos administrativos de que decorram efeitos favoráveis para os destinatários decai em cinco anos, contados da data em que foram praticados, salvo comprovada máfé. Ressaltase que, em relação ao PER transmitido em 19/07/2007 e às DCOMP´s transmitidas entre 25/02/2009 e 22/04/2009, nem se cogita de revisão de despacho, posto que estes documentos não foram analisados no despacho inicial em 22/09/2008. Por outro lado, a recorrente pede a homologação das DCOMP´s transmitidas entre 15/07/2005 e 22/04/2009. Entretanto, as DCOMP´s transmitidas entre 15/07/2005 e 27/06/2006 já estão homologadas tacitamente, de acordo com o segundo despacho emitido, não havendo interesse da contribuinte em recorrer quanto a esta matéria, já que seu pedido foi contemplado no último despacho. Quanto à vinculação da Secretaria da Receita Federal às soluções de consulta mencionadas, esclareçase que tais soluções produzem efeitos apenas para o consulente, conforme art. 46 do Decreto nº 70.235, de 1972, que, aparentemente, não se trata da recorrente. Adicionalmente, a recorrente alega não ser possível a revisão da Cofins devida em julho de 2004, pelo fato de o recolhimento efetuado em 15/08/2004 ter sido homologado em 15/08/2009, ou seja, a revisão da Cofins devida caracterizaria lançamento tributário e não poderia ter sido realizada após o prazo decadencial previsto no art. 150, §4º do CTN e que o primeiro despacho em 22/09/2008 já teria homologado o lançamento. Recordando, houve a transmissão de DCOMP´s entre 15/07/2005 e 27/06/2006, utilizando R$ 13.901.362,22, como indébito, em seguida, um PER transmitido em 19/07/2007, pleiteando R$ 14.991.955,84, e, por fim, DCOMP´s transmitidas entre 25/02/2009 e 22/04/2009, pleiteando R$ 1.090.593,62. A efetivação da restituição e das compensações pressupõe a existência de créditos líquidos e certos, nos termos do art. 170 do CTN. A análise deste direito creditório é prerrogativa da Administração Tributária e não configura lançamento de ofício, mas procedimento para aferir a certeza e liquidez do indébito pleiteado. A recomposição da base de cálculo, seja na base de receita seja no creditamento da nãocumulatividade, pode ser efetivada sem a necessidade de lavratura de Auto de Infração, pois é condição para se concluir pela procedência do pedido. A homologação do pagamento antecipado é atividade privativa da Administração Fazendária. Decorre disto que compete à Administração definir do pagamento antecipado o que é passível de homologação e o que é indébito tributário, a partir da verificação da ocorrência do fato gerador, da matéria tributável, da base de cálculo e do tributo devido. Apurando que parte do pagamento antecipado é homologável, pela existência do tributo devido correspondente, configurado já está o lançamento pelo pagamento antecipado, sendo desnecessário o lançamento de ofício. Ressalvase que, em algumas situações, fazse imprescindível o lançamento de ofício, sem constituição de crédito tributário, apenas para estabelecer o contraditório e ampla defesa, o que se revela desnecessário em análises de declarações de compensação, pois que submetidas ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 1972, a teor do §11 do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Fl. 421DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 422 6 Quanto à alegação da inconstitucionalidade do artigo 46, inciso I da Lei nº 10.865, de 2004, a lide se refere à exclusão de créditos da nãocumulatividade de Cofins, relativos às despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos (inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003), no período de julho de 2004, cuja redação foi alterada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004: Art. 21. Os arts. 1o, 2o, 3o, 6o, 10, 12, 15, 25, 27, 32, 34, 49, 50, 51, 52, 53, 56 e 90 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, passam a vigorar com a seguinte redação: ... "Art. 3o..................................................................... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; ..................................................................... V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; A vigência do art. 21 foi definida na própria Lei nº 10.865, de 2004, de acordo com os artigos transcritos abaixo: Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: I nos arts. 1o, 12, 50 e art. 51, incisos II e IV, da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 21 desta Lei; ... Art. 50. Os arts. 49 e 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em relação às alterações introduzidas pelo art. 21 desta Lei, produzem efeitos a partir de 1o de maio de 2004. Art. 51. O disposto no art. 53 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a alteração introduzida pelo art. 21 desta Lei, produz efeito a partir de 29 de janeiro de 2004. Fl. 422DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 423 7 A alegação é quanto à inconstitucionalidade do art. 46, inciso I da Lei nº 10.865, de 2004. O ponto controverso diz respeito à vigência dos artigos 46, I em face do prazo nonagesimal estabelecido no art. 195, §6º da Constituição Federal. Fato é que a nova redação do inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, excluindo a hipótese de creditamento sobre as despesas financeiras implicou a majoração da contribuição, devendo sua vigência apenas ocorrer após transcorridos o prazo de noventa dias exigido constitucionalmente. Entretanto, o colegiado a quo entendeu pela impossibilidade de afastar a aplicação do art. 46, I, em razão da vedação contida no artigo 26A do Decreto nº 70.235, de 1972. Porém , percebese que não é o caso de afastar a aplicação do art. 46, inciso I, mas validar sua aplicação e estender seus efeitos à modificação efetivada no inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Isto, porque de fato, houve um mero lapso na falta de inclusão desta alteração na regra do inciso I do art. 46. Constatase que a mesma alteração ocorreu relativamente ao PIS/Pasep, no art. 37 do mesmo diploma: Art. 37. Os arts. 1o, 2o, 3o, 5o, 5oA e 11 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passam a vigorar com a seguinte redação: Art. 3o..................................................................... I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e b) no § 1o do art. 2o desta Lei; II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; ..................................................................... V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES;(grifo não original) Todavia, de modo diverso do disposto no inciso I, o inciso IV do próprio art. 46 expressamente aplicou o prazo nonagesimal relativo a esta modificação implementada pelo art. 37 para o PIS/Pasep, conforme abaixo: Art. 46. Produz efeitos a partir do 1o (primeiro) dia do 4o (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei o disposto: Fl. 423DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 424 8 I nos arts. 1o, 12, 50 e art. 51, incisos II e IV, da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, com a redação dada pelo art. 21 desta Lei; ... IV – nos arts. 1o, 2o, 3o e 11 da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, com a redação dada pelo art. 37 desta Lei. Verificase, portanto, que a mesma alteração de legislação (inciso V dos artigos 3º das Leis nº 10.833, de 2003 e 10.637, de 2002) foi implementada com vigência expressa para o PIS/Pasep, aplicandose o prazo nonagesimal e de forma omissa, para a Cofins. Mas a omissão não pode ser entendida como vedação, já que o próprio artigo fez constar expressamente a aplicação do prazo nonagesimal para o PIS/Pasep, demonstrando que não houve propriamente uma vedação no inciso I, mas mero lapso. Percebese que o art. 50 da Lei nº 10.854, de 2004, acima transcrito, quando quis atribuir a vigência a partir de 1º de maio de 2004, o fez expressamente em relação à majoração de alíquota de água mineral, o que levou a questão aos tribunais, sendo recentemente julgado no RE 568.503/RS, submetido à sistemática do art. 503C do CPC (repercussão geral) e transitado em julgado em 26/03/2014, que assim decidiu: EMENTA: TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. ARTIGO 195, § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA: APLICABILIDADE À CONTRIBUIÇÃO AO PIS. LEI DECORRENTE DE CONVERSÃO EM MEDIDA PROVISÓRIA. DISPOSITIVO NÃO CONSTANTE NA MEDIDA PROVISÓRIA, MAS APENAS NA CONVERSÃO: CONTAGEM DA ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. 1. Sujeição da contribuição ao PIS à regra do art. 195, § 6º, da Constituição da República 2. A aplicação da anterioridade nonagesimal à majoração de alíquota feita na conversão de medida provisória em lei. 3. Recurso extraordinário ao qual se nega provimento. O recurso foi interposto contra decisão do TRF 4ª Região, cuja ementa foi: TRIBUTÁRIO.MANDADO DE SEGURANÇA. ANTERIORIDADE NONAGESIMAL. ART 195, §6º, CF. LEI DECORRENTE DE CONVERSÃO DE MEDIDA PROVISÓRIA. Tratandose de Lei decorrente de conversão de medida provisória, com alteração de texto, a contagem do prazo de anterioridade nonagesimal se conta a partir da publicação da lei. A Medida Provisória 164/04 não previa a majoração da alíquota em relação à água mineral, a qual fo introduzida somente com a sua conversão na Lei 10.865/04, devendo, pois, ser observada a anterioridade nonagesimal a partir da publicação desta. Fl. 424DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 425 9 A questão controversa referiuse à majoração de alíquota da água implementada no §1º do art. 49 da Lei nº 10.833, de 2003, pelo mesmo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, cuja vigência foi dada pelo art. 50, já acima mencionado: Art. 50. Os arts. 49 e 51 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, em relação às alterações introduzidas pelo art. 21 desta Lei, produzem efeitos a partir de 1o de maio de 2004. Verificase no voto da Ministra Cármen Lúcia o posicionamento pacífico do STF que, tratandose de lei decorrente de conversão de medida provisória, com alteração de texto, a contagem do prazo nonagesimal ocorre a partir da publicação da lei. É o que ocorreu na conversão da MP nº 164, de 2004, na Lei 10.865, de 2004, tanto no RE 568.503/RS como neste processo, pois as duas alterações promovidas pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, não constavam da MP nº 164, de 2004, e, portanto, configuram alteração de texto em relação à MP e devem viger após transcorridos os noventa dias previstos na Constituição Federal. Percebese claramente que não houve vedação do inciso I do artigo 46 à aplicação do prazo nonagesimal, mas mero lapso, facilmente comprovado pelo inciso IV do mesmo artigo, que aplicou o prazo para a mesma alteração promovida pelo artigo 37, relativamente ao PIS/Pasep. Este entendimento é corroborado por diversas soluções de consulta. Além das soluções de consulta informadas pela recorrente, destacamse ainda: Solução de Consulta SRRF/4º RF/DISIT Nº 101, DE 2004 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: A alteração do art. 3º, V, da Lei nº 10.833, de 2003, efetuada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, não permitindo o desconto, para determinação do valor da Cofins devida, de créditos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos tomados de pessoa jurídica, deve observar o princípio da anterioridade nonagesimal estabelecido no art. 195, § 6°, da Constituição Federal, por força da interpretação sistemática da legislação e em analogia ao que dispõe o art. 46, IV, da citada Lei nº 10.865, produzindo efeitos, portanto, a partir de 01 de agosto de 2004, ainda que esse diploma legal não tenha feito previsão expressa nesse sentido. Dispositivos Legais: Leis n° 10.637, de 2002, n° 10.833, de 2003, e n° 10.865, de 2004. Solução de Consulta SRRF/9º RF/DISIT Nº 135, DE 2005 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Ementa: As alterações efetuadas pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, no caput do art. 3º, V, da Lei nº 10.833, de 2003, submetemse ao prazo nonagesimal previsto no art. 195, § 6º, da Fl. 425DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 426 10 Constituição Federal, produzindo efeitos somente a partir de 1º de agosto de 2004. Dispositivos Legais: CF/88, art. 195, § 6º; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, V; Lei nº 10.865, de 2004, arts. 21, e 46, I. Além das soluções de consulta, citamse ainda acórdãos proferidos por DRJ´s. Acórdão 0223.941, proferido pela Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 REGIME NÃOCUMULATIVO BASE DE CÁLCULO Em consonância com o disposto no artigo 1º da Lei nº 10.833, de 2003, integram a base de cálculo da Cofins os valores do crédito presumido do IPI instituído pela Lei nº 9.363, de 1996, os quais se caracterizam como receitas operacionais da pessoa jurídica e não estão compreendidos entre as hipóteses de exclusão da receita bruta ou de isenção previstas na legislação da contribuição. A pessoa jurídica não poderá descontar créditos com base nos encargos de exaustão, por falta de previsão legal. O princípio da anterioridade nonagesimal, estabelecido no art. 195, § 6°, da Constituição Federal, aplicase à alteração do art. 3º, V, da Lei nº 10.833, de 2003, efetuada pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, que não mais permitiu o desconto, do valor da Cofins a pagar, de créditos relativos a despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos tomados de pessoa jurídica. Acórdão 0223.875, proferido pela Primeira Turma da DRJ em Belo Horizonte: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/05/2004, 30/06/2004, 31/07/2004 Anterioridade nonagesimal A nova redação dada ao art. 3º, inciso V, da Lei nº 10.833, de 2003, pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, produz efeitos a partir do 1º (primeiro) dia do 4º (quarto) mês subseqüente ao de publicação desta Lei, isto é, a partir de 1º de agosto de 2004. Frisese que o Acórdão nº 0223941, acima destacado, menciona em parte de seu voto sobre a Nota Cosit nº 217, de 2004: “Sobre essa questão levantada relativa à vigência da possibilidade de uso dos créditos de despesas financeiras no cálculo da Cofins nãocumulativa, o entendimento corrente no Fl. 426DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 427 11 âmbito da RFB milita em favor da interessada. Neste sentido, além das diversas Soluções de Consulta de Superintendências Regionais, deve ser registrado que a própria Cosit – Coordenação de Tributação manifestouse sobre o assunto por intermédio da Nota Cosit nº 217, de 20 de setembro de 2004, da qual se transcreve o seguinte trecho: “7. Como se observa, a alteração produzida pela Lei no 10.865, de 2004, que em seu art. 21 deu nova redação ao inciso V do art. 3o da Lei no 10.833, de 2003, não respeitou o prazo nonagesimal (anterioridade mitigada), têm as associadas da impetrante o direito aos créditos da Cofins calculados sobre as despesas financeiras, em relação aos fatos geradores ocorridos até o dia 31 de julho de 2004.” Verificase, que de fato, é entendimento de várias superintendências, de DRJ´s e do próprio órgão central da Secretaria da Receita Federal do Brasil, responsável pela interpretação da legislação tributária, que a alteração promovida pelo art. 21 da Lei nº 10.865, de 2004, ao modificar a redação do inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, excluindo as despesas financeiras da base de cálculo do creditamento da Cofins, somente pode produzir efeitos a partir de 1º/08/2004, em respeito ao prazo nonagesimal estatuído no art. 195, §6º da Constituição Federal. Portanto, deve ser reconhecido o direito de a recorrente se creditar de Cofins sobre as despesas financeiras de empréstimo e financiamento, de que tratava o inciso V do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, ficando a cargo da unidade de origem a apuração do reflexo deste creditamento no direito creditório pleiteado. O acórdão será proferido nos termos da Solução de Consulta Interna nº 18, de 20121. Diante do exposto, voto por não conhecer do pedido relativo à homologação das DCOMP´s transmitidas entre 15/07/2005 e 27/06/2006, posto já estarem homologadas, e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a possibilidade de creditamento de Cofins sobre as despesas financeiras apuradas em julho de 2004, devendo a unidade administrativa reapurar o direito creditório e seu reflexo no PER transmitido em 19/07/2007 e nas DCOMP´s transmitidas em 25/02/2009 e 22/04/2009, bem como tomar as devidas providências quanto ao reflexo no processo 10166.728269/201267. 1 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO, RESSARCIMENTO OU REEMBOLSO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. INDEFERIMENTO. RECURSO AO CARF. EXECUÇÃO DO ACÓRDÃO PELA DRF. CÁLCULO DE VALORES. CONTROVÉRSIA. FATO NOVO. Na execução de acórdão do Carf observamse, rigorosamente, os limites materiais estabelecidos por este, inclusive quanto aos valores reivindicados pelo contribuinte, se sobre eles o Colegiado já houver se manifestado e declarado objetivamente no julgado. Se no ato de execução do acórdão pela DRF houver discordância do contribuinte quanto aos valores apurados, e sobre os quais o Carf não tenha se manifestado, devolvemse os autos do processo às mesmas instâncias julgadoras, a fim de ser julgada a controvérsia quanto aos valores, sob o rito do Decreto nº 70.235, de 1972. A controvérsia constitui fato novo que se materializa na forma de impugnação (manifestação de inconformidade) e recurso, com efeito suspensivo, previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, admissíveis a partir da ciência da decisão da DRF quanto aos valores objeto da execução. Dispositivos Legais: Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 151, III; Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, §11 do artigo 74; e Instrução Normativa RFB nº 900, de 30 de dezembro de 2008, art. 66. Fl. 427DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 14033.003355/200843 Acórdão n.º 3302002.645 S3C3T2 Fl. 428 12 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 428DF CARF MF Impresso em 12/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 30/07 /2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 29/07/2014 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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