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Numero do processo: 13971.907544/2016-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
PRELIMINAR. CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE.
Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos).
ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012
MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL.
As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1os, §3º das Leis nos 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso.
MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES.
Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei no 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições.
MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO.
De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei no 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar.
MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10.
O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo.
MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO.
O art. 47-A da Lei no 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Nas operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja).
REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA.
Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente.
Em observância ao disposto no art. 62, §2o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial no 1.221.170/PR.
INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA.
Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa.
INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO.
Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa.
AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO.
Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias.
INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE.
O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento.
INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação).
INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE
A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas.
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL.
O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei no 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel.
AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE.
Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização.
SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE.
Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa.
Numero da decisão: 3401-012.627
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de Caráter Reflexivo. No mérito, por dar parcial provimento ao recurso da forma a seguir apresentada. 1) Por unanimidade de votos para: a) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior expansão; b) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS que não seja relacionada ao benefício fiscal denominado REINTEGRA e constante nos lançamentos contábeis da Conta 3222003; c) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; d) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior extensão; e) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. 2) Pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso para reverter a majoração da base de cálculo das contribuições de pré misturas para pão de forma, hambúrguer e hot dog, vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Sabrina Coutinho Barbosa. 3) Por maioria de votos, para manter a glosa de frete sobre produtos acabados, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues.
(documento assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o Conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo Conselheiro Joao Jose Schini Norbiato.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PRELIMINAR. CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL. As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1os, §3º das Leis nos 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES. Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei no 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO. De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei no 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. O art. 47-A da Lei no 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Nas operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Em observância ao disposto no art. 62, §2o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343/2015, com redação dada pela Portaria MF no 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial no 1.221.170/PR. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa. INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO. Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa. AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO. Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL. O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei no 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel. AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE. Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização. SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE. Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-23T21:05:40Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-23T21:05:40Z; Last-Modified: 2024-04-23T21:05:40Z; dcterms:modified: 2024-04-23T21:05:40Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-23T21:05:40Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-23T21:05:40Z; meta:save-date: 2024-04-23T21:05:40Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-23T21:05:40Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-23T21:05:40Z; created: 2024-04-23T21:05:40Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 48; Creation-Date: 2024-04-23T21:05:40Z; pdf:charsPerPage: 2382; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-23T21:05:40Z | Conteúdo => S3-C 4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 13971.907544/2016-34 Recurso Voluntário Acórdão nº 3401-012.627 – 3ª Seção de Julgamento / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de fevereiro de 2024 Recorrente BUNGE ALIMENTOS S/A Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 PRELIMINAR. CARÁTER REFLEXIVO. JULGAMENTO CONJUNTO. DESNECESSIDADE. Havendo efetiva vinculação entre processos da Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os mesmos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados, não há a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUBVENÇÕES PARA INVESTIMENTOS. AFASTAMENTO PARCIAL. As subvenções concedidas pelos Estados como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, não integram a base de cálculo das contribuições ao PIS e Cofins, nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX). Necessário o afastamento da majoração da base de cálculo das contribuições dos programas de benefícios fiscais DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. REINTEGRA. SUBVENÇÃO DE CUSTEIO. CONTRIBUIÇÕES. Conforme disposição legal expressa contida no §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2011, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Até a edição da Lei nº 12.844, de 19 de julho de 2013, por inexistir qualquer contrapartida maior do que exportar bens (ou seja, manter a própria atividade empresarial) o AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 90 75 44 /2 01 6- 34 Fl. 1353DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 REINTEGRA é uma subvenção de custeio, integrando a base de cálculo das contribuições. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. PÃO COMUM. ALÍQUOTA ZERO. De acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da Lei n o 11.787/08, que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero, somente deve ser aplicada a alíquota zero nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Não restando caracterizada a suspenção prevista no citado art. 54, correta a majoração da base de cálculo. MAJORAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. ART. 47-A DA LEI 12.546/2011. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. O art. 47-A da Lei n o 12.546/2011 previu a possibilidade da suspensão das contribuições para o PIS e da COFINS nas vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. Nas operações de vendas de óleo de soja degomado, verifica-se não se tratar de matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A, não deixando margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). REGIME NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE E RELEVÂNCIA. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Em observância ao disposto no art. 62, §2 o do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF n o 343/2015, com redação dada pela Portaria MF n o 152/2016, deve ser reproduzido no presente julgado o determinado na decisão preferida no Recurso Especial n o 1.221.170/PR. INSUMOS. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. AUSÊNCIA DE PROVA. Não há que se falar em aproveitamento de créditos de insumos na sistemática da não-cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando ausente a demonstração da utilização dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo da empresa. Fl. 1354DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 INSUMOS. ADITIVO ALIMENTAR (DATEM PANODAN). PALLETS. EMPREGO NO PROCESSO PRODUTIVO. COMPROVADO. Deve-se aproveitar os créditos de insumos na sistemática da não- cumulatividade das contribuições para o PIS e da COFINS quando demonstrada a sua utilização no processo produtivo da empresa. AQUISIÇÃO. NOTAS FISCAIS. CNPJ BAIXADA OU SUSPENSA. PAGAMENTO DO PREÇO. SERVIÇO PRESTADO. Nos termos do artigo 82 da Lei 9.430/96 a priori o simples fato de existirem documentos fiscais emitidos por pessoas jurídicas em situação diferente da regular é suficiente para afastar o direito ao crédito. A presunção legal é afastada quando há a demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE PRODUTOS ACABADOS ENTRE ESTABELECIMENTOS. IMPOSSIBILIDADE. O conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais, está inarredavelmente vinculado ao processo produtivo executado pelo contribuinte. Os fretes para transferência de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma firma, por se tratar de serviço tomado depois de encerrado o processo produtivo, não se subsume no conceito de insumo, e, portanto, os gastos respectivos não ensejam creditamento. INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTE DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Não havendo demonstração de que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. E, em sentido contrário, afirmando que as mercadorias adquiridas foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). INSUMOS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. FRETES. TRANSPORTADORA INAPTA, BAIXADA OU SUSPENSA. EMPRESAS COM CNAE NÃO CORRESPONDENTE A TRANSPORTE DE CARGAS. AUSÊNCIA DE PROVA. IMPOSSIBILIDADE A recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Apenas a juntada de Comprovantes de Consulta do Transportador devidamente habilitados na ANTT não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas, suspensas ou cujo CNAE não corresponde a atividade de transporte de cargas. CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 47 LEI N. 12.546/2011. MATÉRIA-PRIMA. PRODUÇÃO DE ÓLEO. INSUMO DO BIODIESEL. Fl. 1355DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 O crédito presumido previsto no art. 47 da Lei n o 12.546/2011 será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Não há que se falar em aproveitamento de crédito presumido em relação à matéria-prima utilizada na produção de óleo degomado, semi-refinado ou refinado vendido a empresa produtora de biodiesel. AJUSTES. REDUÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES. ACRÉSCIMOS DE CRÉDITOS. AUSÊNCIA DE PROVAS. GLOSA PROCEDENTE. Ausente argumentos objetivos e elementos de provas que corroborassem os ajustes procedidos, deve-se manter as glosas realizadas pela fiscalização. SALDOS CREDORES PERÍODOS ANTERIORES. SOBRESTAMENTO. DECISÃO FINAL ADMINISTRATIVA OUTROS PROCESSOS. DESNECESSIDADE. Desnecessário o sobrestamento do presente processo para aguardar decisão final em outros processos administrativos em virtude de a liquidação deste dever necessariamente observar o resultado administrativo final daqueles, tendo em vista o acolhimento dos devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo”. No mérito, por dar parcial provimento ao recurso da forma a seguir apresentada. 1) Por unanimidade de votos para: a) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior expansão; b) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS que não seja relacionada ao benefício fiscal denominado REINTEGRA e constante nos lançamentos contábeis da Conta 3222003; c) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; d) reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues que dava provimento em maior extensão; e) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. 2) Pelo voto de qualidade, por negar provimento ao recurso para reverter a majoração da base de cálculo das contribuições de pré misturas para pão de forma, hambúrguer e hot dog, vencidos os Conselheiros Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues e Sabrina Coutinho Barbosa. 3) Por maioria de votos, para manter a glosa de frete sobre produtos acabados, vencido o Conselheiro Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues. (documento assinado digitalmente) Fl. 1356DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Marcos Roberto da Silva – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Joao Jose Schini Norbiato (suplente convocado), Matheus Schwertner Ziccarelli Rodrigues, Sabrina Coutinho Barbosa, Marcos Roberto da Silva (Presidente). Ausente o Conselheiro Renan Gomes Rego, substituído pelo Conselheiro Joao Jose Schini Norbiato. Relatório Por economia processual e por relatar a realidade dos fatos de maneira clara e concisa, reproduzo o relatório da decisão de piso: 1. BUNGE ALIMENTOS S/A, empresa acima identificada, apresentou Pedido de Ressarcimento 37424.50937.300915.1.1.08-0850 no valor de R$ 3.966.423,63, referente a crédito de PIS, vinculado às receitas de exportação do 4° trimestre do ano-calendário 2012. Vinculado a este Pedido foram apresentadas as Declarações de Compensação descritas na fl. 458. 2. Após analisar o pleito do contribuinte, a DRF-BLUMENAU proferiu Despacho Decisório de fl. 458, por meio do qual reconheceu parte do direito creditório e homologou parte das compensações vinculadas. 3. Esta decisão foi alicerçada no Relatório Fiscal de fls. 317/445 no qual a fiscalização identificou receitas não oferecidas à tributação, erro no cálculo do rateio dos créditos e créditos apurados indevidamente. 4. O contribuinte foi cientificado desta decisão em 16/05/2018 (fl. 461) e apresentou Manifestação de Inconformidade de fls. 465/537 em 14/06/2018 (fl. 462) onde alega em síntese: - a composição do crédito está atrelada aos pagamentos/compensações efetuadas com créditos pendentes de decisões administrativas, não podendo ser desconsiderado para fins da apuração, visto que foram impugnadas e encontram-se em fase de processo administrativo, o que suspende a exigência do crédito tributário; - o presente processo tem relação direta com o saldo de períodos anteriores e tem reflexo nos processos subsequentes; - os valores lançados na conta “reserva de investimento” transitaram em contas de receita e compuseram a base de cálculo do PIS/COFINS; - O incentivo, que consiste em reduzir o ICMS a Pagar, cujo valor é registrado na Conta de Reserva de Capital, não representa faturamento, mas uma renúncia fiscal por parte do Estado. Se a empresa adotasse outro procedimento contábil, os valores lançados em Reserva de Capital seriam lançados como redutores da Conta de despesa de ICMS e não na conta de Vendas (faturamento); -Portanto, ainda que a empresa não concorde com a tributação separada da subvenção para investimento, como pretendido pelos Srs. AFRFB, cabem os esclarecimentos retro para demonstrar que ainda que de modo diverso e indireto estes valores foram tributados pelo PIS e COFINS da receita/faturamento propriamente dito; Fl. 1357DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 - As subvenções de ICMS não devem ser consideradas faturamento da empresa, por falta de previsão legal; - O PIS/COFINS somente podem incidir sobre o faturamento, jamais sobre o valor referente às subvenções para investimento; - os Srs. AFRB no Parecer Fiscal nem mesmo buscaram enquadrar estas subvenções como passíveis de incidência do PIS e da COFINS sob o argumento de que as mesmas não estão previstas como exclusão nos respectivos §§3°, acima transcritos, como anteriormente adotavam, mesmo que afrontando flagrantemente o princípio da estrita legalidade tributária e também olvidando que sua atividade é plenamente vinculada, nos termos do art. 142 do CTN, na medida que eles próprios afirmaram que a incidência tributária ocorre pelo fato da não exclusão; - os valores da reserva de subvenção para investimento, nem sequer podem ser considerados como "receita de natureza diversa", capaz de suscitar discussões acerca da inconstitucionalidade da exigência fiscal nos termos do art. 1o, §§ 1o e 2o, das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003; - os próprios auditores reconheceram que a subvenção seria uma não despesa; - o Parecer Normativo CST n° 112/78, firma entendimento de que as subvenções não tributáveis são aquelas que se destinam ao emprego em bens ou direitos para implantar ou expandir empreendimentos econômicos, que também é questionável. Quando inclui o vocábulo "inclusive" constante do texto legal citado tem função inclusiva, vale dizer, que todas elas, inclusive, ou seja, também, as recebidas mediante isenção ou redução de impostos, Logo, a regra não tributação atua sempre, desde que observados os requisitos previstos na lei, diante de uma subvenção. Então, para incidência da norma basta que seja recebida uma subvenção e que o seu produto seja destinado a investimentos; - o PRODEPE instituído pelo Estado de Pernambuco exige para a concessão dos benefícios fiscais a aplicação de recursos em investimentos locais; - o programa DESENVOLVE também visa o fomento e desenvolvimento da economia do Estado da Bahia; - estas subvenções não geram “entrada” de dinheiro, ocorre uma redução da carga tributária. Em todos os casos houve investimentos por parte da Bunge, cita investimentos no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso e Piauí; - a lei não define o que venha a ser investimentos, assim deve ser entendido como toda aplicação de capital que trará benefícios futuros à empresa; - a lei diz que não são tributáveis as subvenções que forem recebidas sob a forma de isenções e reduções de impostos concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; - no tópico “demais subvenções para custeio” o contribuinte afirma que os valores em comento se referem a subvenções de investimento, conforme documentação apresentada na fase de fiscalização. Quanto ao REINTEGRA, prossegue o interessado, ainda que tenha ocorrido erro no registro contábil, seria inegável sua natureza de “não despesa”, citao § 12 do artigo 2º da Lei nº 12.546/2011; - as pré-misturas tributadas pela fiscalização não são utilizadas para a fabricação de pães comuns. Soluções de Consulta citadas pela fiscalização não deveriam ser aplicadas ao caso, tendo em vista que tanto o pão de hot dog como o pão de hambúrguer teriam formulações diversas àquelas fabricadas pelo contribuinte. No que toca às sugestões para o preparo dos pães doce, de hot dog e de hambúrguer não teriam o condão de alterar a natureza da pré-mistura; Fl. 1358DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 - as vendas de farelo de soja e farelo de algodão foram efetuadas a pessoas jurídicas dedicadas à criação de bovinos e suínos e à produção de rações para suínos, esta última em relação à Cooperativa Rio do Peixe, conforme declaração em anexo; - as vendas de óleo de soja degomado para COOPERBIO- COOPERATIVA DE BIOCOMBUSTÍVEL, não consistiram em efetivas operações de venda, ademais a legislação teria suspendido a incidência do PIS/PASEP e da COFINS na cadeia produtiva do biodiesel, e cita o art. 47-A da Lei nº 12.546/2011 introduzido pelo art. 55 da Lei nº 12.715/2012. Quanto às vendas realizadas aos demais clientes indicados no Anexo 8 do TIF 03 também deveria ser aplicada a suspensão pelos motivos aduzidos durante a fiscalização; - os combustíveis são utilizados em veículos utilizados na movimentação de insumos, bem como em máquinas e geradores, para comprovar tais destinações foi apresentado o documento denominado “Item 2- Classe do material”; - gastos com tintas, solventes e pallets como de matéria-prima, produto intermediário ou de embalagem utilizados em seu processo industrial, principalmente na linha dos produtos atomatados, maionese e margarinas, devem ser considerados como insumos; -a fiscalização glosou créditos relacionados à aquisição de bens ou devoluções de mercadorias, tendo em vista que as pessoas jurídicas estavam com a situação cadastral baixada ou suspensa no CNPJ na data da emissão dos documentos fiscais, ocorre que estas empresas estavam regulares junto ao SINTEGRA, caso contrário haveria impedimento para a emissão das notas fiscais, cita a Súmula nº 509 do STJ; - a transferência de produto acabado já faria parte do processo de venda, além disso, a transferência destes produtos seria tributada, bem como a operação de transporte; - argumenta que não houve aquisição de mercadorias com fim específico de exportação, mas sim remessas para formação de lote de exportação; - com relação aos fretes em operações sem direito a crédito, trata-se de frete nas remessas para entrada, remessa ou retorno de mercadorias para depósito fechado ou armazém geral, devolução de compra, operações de industrialização por encomenda e venda de energia elétrica; - créditos relativos a despesas com frete foram glosados pois os prestadores de serviço não possuíam o transporte de cargas como atividade econômica constante dos CNPJ, entretanto, junta aos autos cópia dos CNPJ dos prestadores de serviço em tela que demonstram que também exercem a atividade de transporte; - a vinculação entre o frete e a mercadoria transportada não seria correta, pois seriam situações autônomas; - os arts. 47, 47-A e 47-B todos da Lei nº 12.546/2011 assegurariam o direito à apuração de crédito presumido sobre as aquisições de soja em grão e de caroço de algodão aplicados na produção de óleos utilizados como matéria-prima para a produção de biodiesel; - requer o provimento da manifestação de inconformidade. 5. É o relatório. A DRJ em São Paulo/SP julgou procedente em parte a manifestação de inconformidade, reconhecendo em parte o direito creditório conforme ementa do Acórdão n o 16- 87.374 a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Fl. 1359DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 COOPERATIVA AGROINDUSTRIAL. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. As exclusões da base de cálculo efetuadas pelas cooperativas agroindustriais não se confundem com a falta de pagamento da COFINS/PIS o que impediria o aproveitamento de crédito por parte dos adquirentes das mercadorias vendidas pelas cooperativas. SUBVENÇÃO PARA CUSTEIO. A subvenção para custeio integra a base de cálculo do PIS/COFINS, pois compõe a receita bruta da pessoa jurídica. CRÉDITO. DESPESAS COM FRETE. Originam crédito de PIS/COFINS as despesas com fretes na venda de mercadorias, assim como as despesas com fretes na compra de produtos, neste caso, por compor o custo da mercadoria revendida e da matéria-prima utilizada. ALÍQUOTA ZERO. MISTURA PARA PÃES. Somente a pré-mistura destinada à fabricação de pão comum goza da redução a 0 (zero) das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS, assim as demais pré-misturas próprias à fabricação de outros tipos de pães não têm este benefício. SUSPENSÃO DO PAGAMENTO. INSUMOS DE ORIGEM VEGETAL. É suspenso o pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidente sobre a receita bruta da venda no mercado interno de insumos de origem vegetal, classificados nas posições 23.04 e 23.06 da Nomenclatura Comum do Mercosul, quando efetuada por pessoa jurídica vendidos a produtores de carne ou miudeza de suínos ou aves, produtores de rações para suínos ou aves e pessoas físicas Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância com os argumentos a seguir sintetizados: 1) Preliminar de caráter reflexivo; 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal; 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio; 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero); 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM; 6) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão; 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes; 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada; 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa; 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados; 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação; 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP; 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa; 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas; 15) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos; 16) Glosa de Fl. 1360DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos; 17) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições; 18) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores. Dando-se prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Relator. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar A recorrente reitera em sede de preliminar o pedido de reunir os processos listados na manifestação de inconformidade para que sejam julgados conjuntamente, agora no âmbito do CARF de modo que observem os reflexos correspondentes e evitem resultado diverso e conflitante com os demais. Inicialmente destaco que todos os processos se encontram no lote de julgamento de 34 (trinta e quatro) processos que estão sendo julgados nesta 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara de Julgamento. Destaque-se que 9 (nove) destes processos são referentes a análise do direito creditório pleiteado para todo o ano-calendário de 2012 e que culminou no “Relatório Fiscal PIS/PASEP e COFINS” juntados nos referidos processos em julgamento. De todo modo, de fato existiria o risco de haver decisões conflitantes entre Turmas de Julgamento desta Corte Administrativa. Para tanto, há a previsão no RICARF, especificamente no seu art. 67, do Recurso Especial a ser interposto quando houver divergências de entendimento da legislação tributária. Havendo efetiva vinculação entre os processos citados pela Recorrente em virtude de conexão, decorrência ou reflexo, os processos poderão ser distribuídos e julgados conjuntamente. Entretanto, apesar de estarmos diante de diversos processos de pedidos de ressarcimento com declarações de compensação a eles vinculados bem como de AUTO DE INFRAÇÃO (processo 13971.725135/2017-01), entendo não haver a necessária vinculação em face de conexão (fundamentado em fato idêntico), decorrência (a partir de processos formalizados em procedimento fiscal anterior) ou reflexo (processos formalizados com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos). Fl. 1361DF CARF MF Original Fl. 10 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Especificamente no argumento da recorrente (Caráter Reflexivo), em uma análise preliminar, exatamente naquilo que estamos tratando antes do mérito, entendo não terem sido os processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal ou com base nos mesmos elementos de prova. O que pode, e normalmente acontece, é haver alguma matéria idêntica em alguns processos, mas não necessariamente todas. Se houvesse ocorrido, os processos poderiam inclusive ser agrupados em lotes de repetitivos, o que não ocorreu quando da confecção dos lotes de julgamento distribuídos para este relator. De todo modo, todos os processos citados pela Recorrente estão sendo julgados conjuntamente por esta Turma Ordinária de Julgamento do CARF. Diante do exposto, afasto o argumento preliminar de “Caráter Reflexivo”. Mérito No que concerne ao mérito, a Recorrente apresenta argumentos que, no seu entender, estão intimamente ligados a improcedências do procedimento fiscal mantido pela decisão recorrida. São os seguintes pontos a seguir sintetizados em tópicos e que serão adiante abordados individualmente: 1) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal; 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio; 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero); 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM; 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão; 6) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes; 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada; 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa; 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados; 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação; 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP; 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa; 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas; 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos; 15) Glosa de Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos; 16) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições; 17) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores. Antes de adentrar na análise pontual de cada alegação, conforme já descrito no parágrafo anterior, há neste processo glosas de créditos derivados de entendimentos legais, normativos e jurisprudenciais sobre o conceito de insumos na legislação das Contribuições para o PIS e da COFINS. Neste sentido, importante tecer alguns comentários a respeito da conceituação de insumos que vem prevalecendo na jurisprudência deste Tribunal Administrativo. Fl. 1362DF CARF MF Original Fl. 11 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 A sistemática da não-cumulatividade para as contribuições do PIS e da COFINS foi instituída, respectivamente, pela Medida Provisória nº 66/2002, convertida na Lei nº 10.637/2002 (PIS) e pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003 (COFINS). O art. 3º, inciso II de ambas as leis autoriza a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. A Emenda Constitucional nº 42/2003 estabeleceu no §12º, do art. 195 da Constituição Federal o princípio da não-cumulatividade das contribuições sociais, consignando a sua definição por lei dos setores de atividade econômica. Portanto, a constituição deixou a cargo do legislador ordinário a regulamentação da sistemática da não-cumulatividade do PIS e da COFINS. A Secretaria da Receita Federal apresentou nas Instruções Normativas n os 247/02 e 404/04 uma interpretação sobre o conceito de insumos passíveis de creditamento pelo PIS e pela COFINS um tanto restritiva, semelhante ao conceito de insumos empregado para a utilização dos créditos do IPI – Imposto sobre Produtos Industrializados, previsto no art. 226 do Decreto nº 7.212/2010 (RIPI). Este entendimento extrapolou as disposições previstas nas Leis nos 10.637/02 e 10.833/03, contrariando o fim a que se propõe a sistemática da não- cumulatividade das referidas contribuições. Nesta mesma linha de entendimento, igualmente incorre em erro quando se utiliza a conceituação de insumos conforme estabelecido na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, visto que esta seria demasiadamente ampla. Segundo o RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99, poder-se-ia enquadrar como insumo todo e qualquer custo da pessoa jurídica, ou seja, seria insumo na sistemática da não cumulatividade das contribuições sociais todos os bens ou serviços integrantes do processo de fabricação ou da prestação de serviços. Portanto, este Conselho já vinha apresentando entendimento intermediário na conceituação de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, os quais deveriam estar intimamente ligados ao critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. O Superior Tribunal de Justiça, em julgamento do recurso especial nº 1.246.317 MG realizado em 16/06/2011, decidiu pela ilegalidade do art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e do art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins. Nesta mesma decisão, o STJ adotou um conceito de insumo específico e diferenciado quando comparado aos conceitos estabelecidos na legislação do IPI e do Imposto de Renda. Veja a seguir a ementa do referido julgado: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. Fl. 1363DF CARF MF Original Fl. 12 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo únic o, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de não-cumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornando-os impróprios para o consumo. Assim, impõe-se considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido. (REsp 1246317/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 29/06/2015) Diante desta decisão, o CARF passou a adotar este mesmo entendimento na maioria dos seus julgados. Destaco trecho do Acórdão nº 9303-003.069, proferido em 13/08/2014, no qual utilizou um conceito de insumo que vem servindo de base para os julgamentos dos processos relacionados a conceito de insumos neste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei n o 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido Fl. 1364DF CARF MF Original Fl. 13 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade e relevância ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Em julgamento do REsp. nº 1.221.170-PR realizado em 22 de fevereiro de 2018, o Superior Tribunal de Justiça proferiu nova decisão, sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), estabelecendo o conceito de insumo bem como adotando diretrizes para os critérios da essencialidade e/ou relevância. Reproduzo a seguir a ementa do referido julgado: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS. NÃOCUMULATIVIDADE. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. DEFINIÇÃO ADMINISTRATIVA PELAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS 247/2002 E 404/2004, DA SRF, QUE TRADUZ PROPÓSITO RESTRITIVO E DESVIRTUADOR DO SEU ALCANCE LEGAL. DESCABIMENTO. DEFINIÇÃO DO CONCEITO DE INSUMOS À LUZ DOS CRITÉRIOS DA ESSENCIALIDADE OU RELEVÂNCIA. RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE PARCIALMENTE CONHECIDO, E, NESTA EXTENSÃO, PARCIALMENTE PROVIDO, SOB O RITO DO ART. 543C DO CPC/1973 (ARTS. 1.036 E SEGUINTES DO CPC/2015). 1. Para efeito do creditamento relativo às contribuições denominadas PIS e COFINS, a definição restritiva da compreensão de insumo, proposta na IN 247/2002 e na IN 404/2004, ambas da SRF, efetivamente desrespeita o comando contido no art. 3o., II, da Lei 10.637/2002 e da Lei 10.833/2003, que contém rol exemplificativo. 2. O conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou relevância, vale dizer, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item – bem ou serviço – para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo contribuinte. 3. Recurso Especial representativo da controvérsia parcialmente conhecido e, nesta extensão, parcialmente provido, para determinar o retorno dos autos à instância de origem, a fim de que se aprecie, em cotejo com o objeto social da empresa, a possibilidade de dedução dos créditos relativos a custo e despesas com: água, combustíveis e lubrificantes, materiais e exames laboratoriais, materiais de limpeza e equipamentos de proteção individual-EPI. 4. Sob o rito do art. 543-C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentam-se as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não-cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1365DF CARF MF Original Fl. 14 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Diante da decisão proferida pelo Superior Tribunal de Justiça pacificando o entendimento abstrato sobre o conceito de insumos para fins de creditamento na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da Cofins, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional publicou em 03/10/2018 a Nota Explicativa SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFN-MF, com vistas a proferir uma análise do citado julgado, formalizar orientações no âmbito daquela Procuradoria e viabilizar a adequada observância da tese por parte da RFB. Na linha da pacificação do entendimento firmado, relevante reproduzir os itens 14 a 17 da referida nota explicativa: "14. Consoante se depreende do Acórdão publicado, os Ministros do STJ adotara uma interpretação intermediária, considerando que o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância. Dessa forma, tal aferição deve se dar considerando-se a imprescindibilidade ou a importância de determinado item para o desenvolvimento da atividade produtiva, consistente na produção de bens destinados à venda ou de prestação de serviços. 15. Deve-se, pois, levar em conta as particularidades de cada processo produtivo, na medida em que determinado bem pode fazer parte de vários processos produtivos, porém, com diferentes níveis de importância, sendo certo que o raciocínio hipotético levado a efeito por meio do “teste de subtração” serviria como um dos mecanismos aptos a revelar a imprescindibilidade e a importância para o processo produtivo. 16. Nesse diapasão, poder-se-ia caracterizar como insumo aquele item – bem ou serviço utilizado direta ou indiretamente cuja subtração implique a impossibilidade da realização da atividade empresarial ou, pelo menos, cause perda de qualidade substancial que torne o serviço ou produto inútil. 17. Observa-se que o ponto fulcral da decisão do STJ é a definição de insumos como sendo aqueles bens ou serviços que, uma vez retirados do processo produtivo, comprometem a consecução da atividade-fim da empresa, estejam eles empregados direta ou indiretamente em tal processo. É o raciocínio que decorre do mencionado “teste de subtração” a que se refere o voto do Ministro Mauro Campbell Marques." (sem destaques no texto original) Neste mesmo ano de 2018, a COSIT emitiu o Parecer Normativo n o 5/2018 apresentando as principais repercussões no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil decorrentes da definição do conceito de insumos na legislação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins estabelecida pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no julgamento do Recurso Especial n o 1.221.170/PR. A seguir, a ementa do referido Parecer Normativo: Ementa. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. COFINS. CRÉDITOS DA NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. DEFINIÇÃO ESTABELECIDA NO RESP 1.221.170/PR. ANÁLISE E APLICAÇÕES. Conforme estabelecido pela Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça no Recurso Especial 1.221.170/PR, o conceito de insumo para fins de apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser aferido à luz dos critérios da essencialidade ou da relevância do bem ou serviço para a produção de bens destinados à venda ou para a prestação de serviços pela pessoa jurídica. Consoante a tese acordada na decisão judicial em comento: a) o “critério da essencialidade diz com o item do qual dependa, intrínseca e fundamentalmente, o produto ou o serviço”: Fl. 1366DF CARF MF Original Fl. 15 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 a.1) “constituindo elemento estrutural e inseparável do processo produtivo ou da execução do serviço”; a.2) “ou, quando menos, a sua falta lhes prive de qualidade, quantidade e/ou suficiência”; b) já o critério da relevância “é identificável no item cuja finalidade, embora não indispensável à elaboração do próprio produto ou à prestação do serviço, integre o processo de produção, seja”: b.1) “pelas singularidades de cada cadeia produtiva”; b.2) “por imposição legal”. Dispositivos Legais. Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, inciso II; Lei nº 10.833, de 2003, art. 3º, inciso II. Diante da decisão judicial vinculante aos integrantes deste Conselho, nos termos do art. 62, §2 o do Anexo II do Regimento Interno do CARF, no qual o REsp. 1.221.170/PR consolidou o entendimento a respeito da conceituação de insumos na sistemática da não- cumulatividade das Contribuições para o PIS e para a COFINS, adentremos nas circunstâncias fáticas que regem a presente controvérsia, não só no que concerne a análise das glosas dos créditos relacionados a insumos, mas todas as matérias apresentadas pelo recurso voluntário. 1) Da majoração da base de cálculo das contribuições – subvenções para investimentos consideradas como Custeio pelo Relatório Fiscal Neste tópico, em síntese, a fiscalização entendeu por majorar a base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS, incluindo as subvenções governamentais concedidas pelos Estados da Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás por entender que as referidas subvenções possuíam natureza de custeio. Inicialmente a Recorrente destaca as alterações normativas introduzida pela Lei Complementar n o 160/2017 e a consequente edição do Convênio CONFAZ n o 190/2017, trazendo aos autos a comprovação do cumprimento dos requisitos tratados pelas Cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do citado convênio, quais sejam, a publicação dos atos normativos referentes aos incentivos fiscais bem como o registro e o depósito do certificado na Secretaria Executiva do CONFAZ. Afirma ainda que os valores lançados na conta de Reserva de Investimento transitaram em contas de receitas e compuseram a base de cálculo do PIS/COFINS e que o valor total constante das notas fiscais (que inclui ICMS, PIS e COFINS) está 100% lançado na receita e compõe o faturamento da empresa. O valor registrado na conta Reserva de Capital vem a ser uma renúncia fiscal do ICMS por parte do Estado. Entende ainda que na coletânea de leis acerca das contribuições não há indicação de que as Reservas para Subvenção são consideradas como faturamento ou receita bruta, ou que servem de base de cálculo para a apuração, citando os arts. 1 os das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03 e seus respectivos §§3 os e o art. 195, I, “b” da CF88. Ressalta também que as citadas contribuições somente podem incidir sobre o “faturamento” (soma dos valores nas operações de venda ou de prestação de serviços), jamais sobre o valor referente ao ICMS e decorrentes de reserva para subvenções para investimentos. Afirmando ainda que não deve prevalecer o entendimento da fiscalização em tentar transformar subvenção para investimento em subvenção para custeio, não podendo confundir a diferença Fl. 1367DF CARF MF Original Fl. 16 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 entre os dois tipos de subvenções. E que a própria fiscalização reconhece no Relatório Fiscal que o art. 21 da Lei n o 11.941/2009 excluiu as subvenções para investimento da base de cálculo do PIS/COFINS, mas que teria sido revogada pela Lei n o 12.973/14. Ressalta que a fiscalização, ao entender que as subvenções não estão previstas como exclusão nos respectivos §§3os, estariam afrontando flagrantemente o princípio da estrita legalidade tributária, olvidando-se de que sua atividade é plenamente vinculada nos termos do art. 142 do CTN, para tanto apresenta alguns posicionamento doutrinários sobre o princípio da legalidade. Apresenta também argumentos no sentido de diferenciar receita de faturamento, indicando que receita é gênero e faturamento é uma espécie de receita, não podendo entendê-los como sinônimos, conforme destacado no dispositivo constitucional citado. Nesta linha de raciocínio, cita a decisão do STF no RE n o 390.840/MG, que consagrou a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei n o 9.718/98, e que tratou também desta diferenciação entre receita e faturamento. Cita ainda o RE n o 240.785/MG que tratou da necessidade de exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS/PASEP no enfoque de que o tributo estadual “não passa a integrar o patrimônio do alienante quer de mercadoria, quer de serviço”. Ou seja, segundo a recorrente os valores da reserva de subvenção para investimento não podem ser considerados como “receita de natureza diversa”, o que estaria ferindo o Princípio da Segurança Jurídica ao alterar definições de conteúdo, conceitos e formas de direito privado nos termos do art. 110 do CTN. A Recorrente traz ainda diversos entendimentos jurisprudenciais e doutrinários acerca do conceito de Subvenção, exatamente no sentido de que não é uma receita ou faturamento da empresa, mas sim uma renúncia fiscal, com o intuito de incentivar o desenvolvimento de determinados setores da economia. Segundo o art. 182, §1º, alínea “d” da Lei n o 6.404/76, “as doações e as subvenções para investimento” devem ser classificadas como reserva de capital. Destaca que o motivo desta determinação legal é justamente devido ao fato de as subvenções não integrarem a receita e, por consequência, não interferir na apuração do resultado da pessoa jurídica. Apresenta ainda o conceito jurídico de Subvenção constante da Lei n o 4.320/64, legislação que estabelece normas gerais de direito financeiro para a elaboração e controle dos orçamentos e balanços dos entes federativos. A Recorrente enfrenta ainda os fundamentos utilizados pela decisão recorrida, especificamente nos itens 25 e 26 do voto do acórdão recorrido, no sentido de manter a tributação do PIS/COFINS sobre o ICMS. No seu entendimento a então pendência de julgamento em face dos embargos opostos não impede o reconhecimento do quanto ficou decidido acerca do mérito da matéria pelo STF, qual seja, não cabe a incidência das referidas contribuições sobre o ICMS, da mesma forma que restou decidido pelo STJ no REsp. 1319102/RS de que o crédito presumido de ICMS não se enquadra como receita ou faturamento, devendo também ser excluído da base de cálculo das contribuições, tema que teve reconhecida a repercussão geral no RE n o 835.818. A Recorrente acrescenta aos seus argumentos as alterações procedidas na Lei n o 12.973/14, introduzidas pela Lei Complementar n o 160/17, cujo objetivo foi afastar a Guerra Fiscal entre os Estados e consolidar o caráter de “subvenção para investimentos” dos benefícios fiscais concedidos. Ou seja, a fiscalização pretende impor uma restrição legal (requisitos) para as contribuições ao PIS e COFINS que somente devem ser aplicados para fins de IRPJ e CSLL quando da apuração do lucro real, ferindo o princípio da legalidade tributária. Fl. 1368DF CARF MF Original Fl. 17 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Por derradeiro, a Recorrente faz uma breve análise dos incentivos contabilizados, a título de exemplo, com vistas a consolidar o seu entendimento quanto às subvenções. O PRODEPE, concedido pelo Estado de Pernambuco pela Lei n o 11.675/99, em seu art. 1º define a finalidade do incentivo (fomentar investimentos na atividade industrial e comércio atacadista), já o art. 14 estabeleceu as condições para ter os benefícios (empreendimentos novos ou com ampliação mínima da capacidade instalada de 20%). Em seguida, apresenta o programa de incentivo DESENVOLVE do Estado da Bahia, também com a finalidade de desenvolvimento local. Ou seja, todos os incentivos fiscais contabilizados foram efetivamente para fins de investimentos com vistas a fomento e desenvolvimento local cuja contrapartida não seria o recebimento de qualquer valor, mas tão somente o desconto do valor do ICMS devido. Conclui no sentido de que os valores registrados nas Reservas para Subvenção não podem ser caracterizados como faturamento e, via de consequência, serem tributados pelas contribuições para PIS e COFINS. Destaque-se os seguintes fundamentos utilizados pela DRJ para manter a majoração da base de cálculo do PIS/COFINS: - As Leis n os 10.637/02 e 10.833/03 determinam que a base de cálculo das referidas contribuições é qualquer receita auferida pela pessoa jurídica, independente de sua classificação contábil; - O PIS/COFINS incidente sobre o ICMS, que faz parte do faturamento, não se confunde com a tributação exigida pela fiscalização através das subvenções concedidas pelos Estados e incluída na base de cálculo daquelas contribuições, por intermédio da redução ou do crédito presumido de ICMS; - As subvenções (para custeio) possuem natureza jurídica de receita bruta operacional nos termos do art. 44, IV da Lei n o 4.506/64; - A Lei n o 11.941/09 determinou que as subvenções para investimentos não integravam a base de cálculo do PIS/COFINS; - Este entendimento foi mantido pela Lei n o 12.973/14, que alterou as Leis n os 10.637/02 e 10.833/03, incluindo o inciso IX/X nos §§3º dos seus artigos 1 os ; - Com base na interpretação dada pelo Parecer Normativo CST n o 112/78, subvenções para custeio é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com vistas a auxiliá-la em suas despesas e operações relacionadas com seus objetivos sociais. Já a subvenção para investimento é a transferência de recursos para uma pessoa jurídica com a finalidade de aplica-los em projetos apresentados pelo subvencionador para implantação ou expansão do empreendimento econômico; - A alteração do §5º do art. 30 da Lei n o 12.973/14 procedida pela LC n o 160/17 somente passou a ser aplicada com a entrada em vigor desta Lei Complementar e alcançando fatos geradores ocorridos após a sua vigência; - A decisão de piso, para fins de verificar se foi procedente a interpretação dada pela autoridade fiscal de que não se tratava de subvenção para investimento, mas sim para custeio, analisou cada Programa conforme a seguir: Fl. 1369DF CARF MF Original Fl. 18 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 * DESENVOLVE – confirma o entendimento da fiscalização de que o programa não vincula os ganhos da subvenção a aplicação em investimentos em expansão de empreendimento econômico. Podendo os recursos ser utilizados em quaisquer despesas, devem ser caracterizadas como subvenções para custeio; * PRODEPE – também não há vinculação dos recursos recebidos para fins de investimentos. A própria Lei n o 11.675/99 (Estado do Pernambuco) que instituiu o programa é explícita em permitir o uso da subvenção como capital de giro. Portanto, correta a classificação como subvenção para custeio. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso do Sul – conforme Termo de Acordo n o 10/07, constante do processo n o 13971.907537/2016-32, o benefício fiscal concedido ao estabelecimento localizado no município de Dourados não está atrelado a qualquer tipo de investimento, mas somente a operações já existentes. * Subvenção concedida pelo Estado do Piauí – o incentivo fiscal foi concedido para criação e manutenção de 500 postos de trabalho, portanto não pode ser enquadrada como subvenção para investimento. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso – não podem garantir que os valores subvencionados foram efetivamente aplicados em investimento pois não há no protocolo de intenções e no Termo de Acordo (constantes do processo n o 13971.907537/2016-32) obrigatoriedade de aplicação dos recursos em ativo fixo da empresa. * Subvenção concedida pelo Estado de Goiás – a Resolução n o 1806/03 (juntada pelo contribuinte nos autos do processo n o 13971.907537/2016-32) consta como única condição para fruição do benefício é o prazo de 324 meses, desvirtuando da natureza de subvenção para investimento. Diante destas colocações, a decisão de piso entendeu como correta a caracterização das mencionadas subvenções como sendo de custeio e, via de consequência, a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS. Inicio meu voto fazendo uma explanação a respeito da cronologia da legislação afeta ao tema e o entendimento deste relator sobre classificação das subvenções governamentais bem como sobre a sua sujeição à tributação. Conforme bem delineado pelo Parecer Normativo CST n o 112/78, citado e reproduzido pela decisão de primeira instância, as subvenções para custeio dizem respeito a incentivos nos quais destinam recursos a pessoas jurídicas com vistas a auxiliá-las em suas despesas correntes e operacionais. Já as subvenções para investimentos destinam-se ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimento econômico, quer por meio da liberação de recursos ou a concessão de benefícios fiscais – inclusive isenção ou redução de impostos. No que concerne às subvenções para custeio, sendo assim caracterizadas, devem integrar a receita bruta operacional, nos termos do art. 44, inciso IV da Lei n o 4.506/64 e estarão sujeitas a incidência das contribuições para o PIS e da COFINS. Fl. 1370DF CARF MF Original Fl. 19 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Já em relação às subvenções para investimentos, também sendo assim caracterizadas, a regra geral é que não devem integrar as bases de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS, nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX), incluído pela Lei n o 12.973/2014 (vigência a partir de 1º de janeiro de 2015). Reproduzo: Art. 1 o A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Produção de efeito Art. 1 o A Contribuição para o PIS/Pasep, com a incidência não cumulativa, incide sobre o total das receitas auferidas no mês pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. (Redação dada pela Lei nº 12.973, de 2014)(Vigência) § 3 o Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: (...) X - de subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos e de doações feitas pelo poder público; (Incluído pela Lei nº 12.973, de 2014) (Vigência) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos Importante ressaltar que os referidos artigos, bem como outros afetos a este tema, foram revogados pela Medida Provisória n o 1.185/2023, entretanto, a produção de efeitos das revogações nela previstas somente ocorrerão a partir de 1º de janeiro de 2024, conforme disposição contida no art. 16 da MP. Diante das definições acima apresentadas, a questão a ser analisada é verificar se as subvenções governamentais concedidas pelos Estados da Bahia, Pernambuco, Mato Grosso, Piauí, Mato Grosso do Sul e Goiás devem ser consideradas Subvenções para Custeio ou para Investimento. Antes de adentrarmos na análise das questões afetas ao cabimento da tributação das subvenções para investimentos, vejamos o tratamento contábil que deve ser aplicado às concessões governamentais. O §2º do artigo 38 do Decreto-Lei 1.598/77 dispôs que as subvenções para investimentos não seriam computadas na determinação do lucro real, desde que registradas em conta de Patrimônio Líquido (Reserva de Capital): §2º - As subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público não serão computadas na determinação do lucro real, desde que: (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos a) registradas como reserva de capital, que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto nos §§ 3º e 4º do artigo 19; ou (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos Fl. 1371DF CARF MF Original Fl. 20 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 b) feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizadas para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas. (Redação dada pelo Decreto-lei nº 1.730, 1979) (Revogado pela Medida Provisória nº 1.185, de 2023) Produção de efeitos Como estamos diante de uma Sociedade Anônima, a Recorrente está sujeita às normas contábeis determinadas pela Lei n o 6.404/76 que, no mesmo sentido do Decreto-lei n o 1.598/77, determinava o registro das Subvenções para Investimentos na conta Reserva de Capital nos termos do art. 182, §1º, “d”. Contudo, esta determinação legal foi revogada pela Lei n o 11.638/2007, facultando a destinação das doações e subvenções governamentais para investimentos para a conta de Reserva de Incentivos Fiscais, nos termos do art. 195-A da Lei n o 6.404/76. A partir de então, o tratamento contábil a ser aplicado às Subvenções para Investimentos, conforme previsão contida no CPC – 07 R1, todas as subvenções deveriam ser contabilizadas como receitas, ou seja, compor o resultado do exercício. Destaque-se que a Lei n o 11.941/2009 (conversão em Lei da MP n o 449/2008) teve por objetivo a garantia da neutralidade tributária decorrente dos novos métodos e critérios contábeis introduzidos pela Lei n o 11.638/2007. Para tanto instituiu o Regime Tributário de Transição (RTT) de apuração do Lucro Real. O art. 18 da Lei n o 11.941/2009 disciplinou as condições para exclusão das subvenções para investimento do lucro real nos seguintes termos: 1) reconhecer o seu valor em conta de resultado pelo regime de competência; 2) excluir do Livro de Apuração do Lucro Real (LALUR); 3) manter em reserva de lucro a parcela decorrente de subvenções até o limite do lucro líquido; 4) adicionar ao LALUR quando tiver destinação diversa. Repare que, apesar de estar tratando de Lucro Real, o art. 21 ressalta que poderão ser excluídos da base de cálculo da Contribuição para o PIS e da COFINS o valor das subvenções de que trata o referido art. 18. Ou seja, de acordo com a Lei n o 11.941/2009, verifica-se a necessidade de análise do tratamento contábil dispendido às subvenções para investimentos em relação aos requisitos e condições aplicados não só para fins de tributação do imposto de renda pelo lucro real mas também para as contribuições sociais. Passando à análise das questões afetas à tributação. A regra geral para fins de tributação das contribuições para o PIS e da COFINS é que as Subvenções para Investimentos não serão tributadas nos termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX), a princípio a partir de 1º de janeiro de 2015, conforme já exposto parágrafos acima. Entretanto, para que não haja tributação, nos termos da lei, necessário verificar se as subvenções para investimentos de fato devem ser assim classificadas/caracterizadas tal qual enquadradas pelo sujeito passivo. Antes da edição da Lei n o 12.973/2014, utilizavam-se os conceitos de subvenções governamentais contidos no Parecer Normativo CST 112/1978, bem como o tratamento contábil neles aplicados para verificação do seu correto enquadramento. Ou seja, deveriam ser efetiva e especificamente destinadas ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimento econômico e registradas em contas de reserva de capital (até edição da Lei n o 11.638/2007) ou compor contas de resultado do exercício com faculdade de registro em conta de Reserva de Incentivos Fiscais (após a edição da Lei n o 11.638/2007). Não cumprindo estes requisitos, as Subvenções para Investimentos seriam tributadas. Fl. 1372DF CARF MF Original Fl. 21 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Com o advento do novo tratamento contábil dado às subvenções, é editada a Lei n o 12.973/2014 cujo art. 30 traz a determinação de que as subvenções para investimento não serão computadas na determinação do lucro real desde que concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, registradas na conta de reserva de lucros (Reservas de Incentivos Fiscais) e que sua utilização seja apenas para a absorção de prejuízos ou aumento de capital. Até a edição da Lei n o 12.973/2014, inclusive, resta evidente a necessidade de ocorrência das seguintes condições, em síntese, para que os valores recebidos a título de Subvenções para Investimento não sejam sujeitos à tributação federal: 1) concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; 2) registro em conta de Patrimônio Líquido (Reserva de Lucros/Reserva de Incentivos Fiscais); 3) utilizados para absorção de prejuízos ou aumento de capital; 4) aplicação na implantação ou expansão do empreendimento (nos termos do PN 112/78). Entretanto, a partir da vigência da Lei Complementar n o 160/2017, que inseriu os §§4º e 5º do art. 30 da Lei n o 12.973/2014, os incentivos e os benefícios fiscais ou financeiro- fiscais relativos ao ICMS concedidos pelos Estados e pelo Distrito Federal “são considerados subvenções para investimento, vedada a exigência de outros requisitos ou condições não previstos” no caput de tal dispositivo. Já o §5º esclareceu ainda que esse entendimento deve ser aplicado, inclusive, aos processos administrativos e judiciais ainda não definitivamente julgados. Portanto, com a inserção dos mencionados §§4º e 5º ao art. 30 da Lei n o 12.973/2014, entendo que não é mais cabível a exigência a respeito da demonstração pelos sujeitos passivos de que houve a aplicação dos recursos oriundos das subvenções na implantação ou expansão do empreendimento. Destaque-se ainda que, nos termos do art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017, os convênios deverão atender também as seguintes condições a serem observadas pelos entes federativos: 1) publicar, em seus respectivos diários oficiais, relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais; 2) efetuar o registro e o depósito, na Secretaria Executiva do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais mencionados no inciso I deste artigo, que serão publicados no Portal Nacional da Transparência Tributária. Ou seja, além dos requisitos/condições previstos no art. 30 da Lei n o 12.973/2014, exigidos do subvencionado, há ainda exigências a serem cumpridas pelo Estado subvencionador, nos termos do caput do citado art. 30 e do art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017. Relevante aqui fazer um adendo de que, apesar deste relator ter apresentado os requisitos previstos no caput do art. 30 da Lei n o 12.973/2014, especificamente no que concerne a registro das subvenções em reservas de incentivos fiscais (reservas de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei n o 6.404/76) e na verificação da sua utilização para absorção de prejuízo ou aumento de capital social, tais requisitos são determinações legais específicas para fins de apuração do lucro real. Ou seja, não há previsão legal expressa destas condições para fins de exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS. Este entendimento também Fl. 1373DF CARF MF Original Fl. 22 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 se encontra consubstanciado nas conclusões da Solução de Consulta COSIT n o 253/2023 de 25 de outubro de 2023. Após a apresentação deste necessário transcurso da evolução legislativa sobre as subvenções governamentais, entendo que, para todos os processos administrativos (e judiciais) não definitivamente julgados, deve ser analisado o cumprimento dos seguintes requisitos para fins de verificação da possibilidade da sua exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS: 1) concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos; 2) publicação pelo Estado subvencionador, em seus respectivos diários oficiais, da relação com a identificação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais; 3) registro e depósito da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais na Secretaria Executiva do CONFAZ. Passo à análise do caso concreto. A fiscalização entendeu que todos os atos instituidores dos incentivos fiscais possuem características de subvenções para custeio. Inicialmente examino os atos instituidores verificando se de fato foram concedidos como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Vejamos um a um. * DESENVOLVE – apesar de a fiscalização entender que o programa não vincula os ganhos da subvenção a aplicação em investimentos em expansão de empreendimento econômico, entendo que o ato instituidor (Resolução n o 012/2008) em seu art. 1º habilitou a Recorrente aos benefícios do programa DESENVOLVE para o “projeto de ampliação da BUNGE ALIMENTOS S/A CNPJ n o 84.045.101/0228-39, localizado no município de Luiz Eduardo Magalhães”. A própria fiscalização destaca que Lei n o 7.980/2001 que criou o incentivo teve por finalidade a “instalação de novas indústrias e a expansão, a reativação ou a modernização de empreendimentos industriais já instalados, com geração de novos produtos ou processos, aperfeiçoamento das características tecnológicas e redução de custos de produtos e processos já existentes”. Portanto, essas subvenções foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. * PRODEPE – no mesmos sentido do programa instituído pelo Estado da Bahia, apesar de não haver vinculação dos recursos recebidos para fins de investimentos e haver a possibilidade de uso da subvenção como capital de giro, conforme previsão contida na Lei n o 11.675/99 (Estado do Pernambuco) que instituiu o programa, esta mesma lei teve por objetivo atrais e fomentar investimentos na atividade industrial e, conforme consta do seu art. 5º, para o grupo de empresas industriais o incentivo alcançou exclusivamente as “hipóteses de implantação, ampliação ou revitalização de empreendimentos”. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso do Sul – conforme apontado pela fiscalização no Termo de Acordo n o 10/07 de fato o benefício fiscal concedido ao Fl. 1374DF CARF MF Original Fl. 23 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 estabelecimento localizado no município de Dourados não está atrelado a qualquer tipo de investimento. As subvenções foram concedidas para manutenção da empresa instalada no município, sem prever qualquer tipo de implantação ou expansão do empreendimento industrial. Destaque-se que a única condição para fruição do benefício foi no sentido de que a subvencionada não destinasse óleo de soja para fins combustíveis, exceto nas saídas para indústrias fabricantes de biocombustíveis. Portanto, entendo que essas subvenções não foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. * Subvenção concedida pelo Estado do Piauí – a fiscalização entendeu que o incentivo fiscal foi concedido somente para criação e manutenção de 500 postos de trabalho, não pode ser enquadrada como subvenção para investimento. Entretanto, analisando a Lei n o 4.859/96 do Estado do Piauí, previu no seu art. 1º a concessão do incentivo fiscal quando houver acordo com estabelecimentos industriais para “implantação, relocalização, revitalização e ampliação de unidades fabris já instaladas”. O art. 2º definiu como ampliação “o aumento da capacidade instalada do estabelecimento, do qual resulte incremento real de receita e/ou absorção de mão-de-obra, de pelo menos 1/3 (um terço) da já existente, exceto se decorrente de fusão ou incorporação de empresas, de que trata o § 6º do art. 4º”. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos.. * Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso – a fiscalização afirma que não neste caso não há como garantir que os valores subvencionados foram efetivamente aplicados em investimento pois não há no Protocolo de Intenções e no Termo de Acordo firmados 29/09/2005 e 05/05/2008, respectivamente, obrigatoriedade de aplicação dos recursos em ativo fixo da empresa. Esta perspectiva abordada pela fiscalização não encontra base legal, conforme explanado neste voto, para fins de inclusão destas subvenções na base de cálculo das contribuições. Os mencionados incentivos foram concedidos para fins de implantação de uma indústria no Município de Mutum/MT. Portanto, essas subvenções também foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos.. * Subvenção concedida pelo Estado de Goiás – a fiscalização cita a Resolução n o 1806/03 e afirma que consta como única condição para fruição do benefício é o prazo de 324 meses, desvirtuando da natureza de subvenção para investimento. Concordo com a fiscalização. O documento apresentado não faz prova alguma de que o incentivo concedido tenha vínculo com qualquer estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos no Estado de Goiás. Portanto, entendo que essas subvenções não foram concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos. Passo à apreciação dos requisitos referentes à publicação pelo Estado subvencionador da relação de todos os atos normativos relativos às isenções, aos incentivos e aos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais e dos registros e depósitos da documentação comprobatória correspondente aos atos concessivos das isenções, dos incentivos e dos benefícios fiscais ou financeiro-fiscais na Secretaria Executiva do CONFAZ. A Recorrente apresenta os documentos DOC 01, DOC 02 e DOC 03 nos quais constam a publicação dos atos normativos nos respectivos diários oficiais dos Estados objeto desta análise, os certificados de registros e depósito na Secretaria Executiva do CONFAZ dos atos concessórios dos referidos Estados e o Relatório de Diligência do processo n o 13971.723959/2015-76, emitido pela DRF Blumenau, e cuja conclusão foi no sentido de que os requisitos previstos nas cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/17 foram comprovados. Fl. 1375DF CARF MF Original Fl. 24 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Considerando os fundamentos utilizados pela fiscalização para descaracterização das subvenções para investimentos classificadas pela Recorrente e enquadrando-as como subvenções para custeio. Considerando ainda os termos dos arts. 1 os , §3º das Leis n os 10.637/02 (inciso X) e 10.833/03 (inciso IX) bem como as condições estabelecidas no art. 30 da Lei n o 12.973/2014 e no art. 3º da Lei Complementar n o 160/2017. Considerando por fim que os requisitos previstos nas cláusulas 2ª, 3ª e 4ª do Convênio ICMS nº 190/17 (art. 3º, I e II da LC 160/2017) foram atendidos. Voto por dar parcial provimento ao recurso para afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso. 2) Da majoração da base de cálculo das contribuições – demais subvenções para Custeio A Recorrente inicia suas alegações afirmando que “tais valores são representativos das subvenções de investimento exaustivamente esposado no item anterior, para implantação, ampliação, manutenção do poder competitivo dos Estados concedentes, como a industrialização de novas mercadorias ou aumento da produção das já produzidas”. No que tange ao REINTEGRA, a Recorrente afirma que, mesmo se tivesse havido equívoco no lançamento contábil dos valores correspondentes na conta 3222003, não se trata de receita, mas de uma não despesa por se tratar de devolução tributária como estimula à produção nacional e exportação de produtos manufaturados nos termos da Lei n o 12.546/11, especificamente nos termos do que consta no §12 do seu art. 2º, citando nesta linha de entendimento decisão proferida pelo TRF da 4ª Região. Reproduz-se o citado §12: § 12. Não serão computados na apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os valores ressarcidos no âmbito do Reintegra. (Incluído pela Lei nº 12.844, de 2013) No que concerne a primeira parte deste item, verifica-se que a Fiscalização utilizou como fundamento para caracterização da subvenção para custeio apenas a ausência de constituição da reserva de lucros, entendendo ser desnecessária a análise pormenorizada dos atos instituidores do benefício. Conforme já descrito no item anterior, especificamente no que concerne a registro das subvenções em reservas de incentivos fiscais (reservas de lucros a que se refere o art. 195-A da Lei n o 6.404/76), tal requisito é uma determinação legal específica para fins de apuração do lucro real. Ou seja, não existe previsão legal expressa desta condição para fins de exclusão da base de cálculo das contribuições para o PIS/COFINS. Mesmo entendimento constante da Solução de Consulta COSIT n o 253/2023 de 25 de outubro de 2023. Portanto, deve ser afastada a majoração da base de cálculo que não seja relacionado ao benefício fiscal denominado REINTEGRA e constante nos lançamentos contábeis da Conta 3222003. No que concerne a segunda parte deste item, não restam dúvidas de que estamos diante de uma subvenção governamental cuja única contrapartida exigida é a exportação de bens. Fl. 1376DF CARF MF Original Fl. 25 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Os objetivos desta subvenção não vem a ser uma concessão ao estímulo para implantação ou expansão de empreendimentos econômico, ou seja, são caracterizadas como subvenções para custeio em virtude de poderem ser destinadas a manutenção da própria atividade da empresa. Com isso, em tese, as subvenções derivadas do REINTEGRA (programa do Governo Federal de estímulo a exportação de produtos manufaturados) são consideradas receita bruta e comporiam a base de cálculo das contribuições sociais objeto desta análise. Entretanto, conforme disposição legal expressa citada pela própria recorrente, nos termos do §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2911, os valores ressarcidos no âmbito do Reintregra não serão computados na apuração da base de cálculo das Contribuições para o PIS e das COFINS. Para os devidos fins de ressarcimento, o Reintegra será aplicado às exportação procedidas de 04 de junho a 31 de dezembro de 2013. Perceba que estamos diante de majoração da base de cálculo do período de apuração relacionada ao ano de 2012. Não há que se falar em utilização do Reintegra de exportações que ainda iriam acontecer, portanto são concernentes a exportações procedidas antes desse período. Logo, os valores objeto destas subvenções devem integrar a base de cálculo das contribuições por não se enquadrarem na regra estabelecida no §12 do art. 2º da Lei n o 12.546/2911. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso neste particular para afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS que não seja relacionado ao benefício fiscal denominado REINTEGRA e constante nos lançamentos contábeis da Conta 3222003. 3) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Pré-mistura para pães (Alíquota Zero) A Recorrente alega neste tópico que a fiscalização equivocadamente alterou a classificação fiscal da pré-mistura para pão de 1905.90.90 para 1901.20.00, refutando a Solução de Consulta apresentada quando da resposta a Intimação Fiscal e se utilizando de Consultas que trataram de “pão de hot dog e de hambúrguer”. Entende a Recorrente que as Soluções de Consultas utilizadas pela fiscalização não são compatíveis com o seu produto (situações fáticas diversas). Rejeita também a conclusão do relatório fiscal no sentido de utilizar “sugestões” (Benefícios e Modo de Preparo) contidas no sítio da própria recorrente para “Pão doce” e “Pão de hot dog e de hambúrguer” pois tais “sugestões” não tem o poder de alterar a formulação das pré-misturas, nem mesmo desqualifica-las como destinadas a produzir o ”pão comum”. Ou seja, não houve por parte da fiscalização questionamento a respeito da formulação, mas uma interpretação extensiva das características do que se produzirá com as pré-misturas após sua comercialização e aquisição. Um fato posterior não pode alterar a classificação fiscal do produto. Conclui afirmando que o julgador não poderia estabelecer critérios não enfrentados no Relatório Fiscal para definir se uma mistura é para pão comum ou não, considerando as quantidades destes ingredientes. Inicialmente é relevante destacar que o artigo 1° da Lei 10.925/04 reduz a zero as alíquotas das contribuições nas vendas de “pré-misturas próprias para fabricação de pão comum e pão comum classificados, respectivamente, nos códigos 1901.20.00 Ex 01 e 1905.90.90 Ex 01 Fl. 1377DF CARF MF Original Fl. 26 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 da Tipi”. Portanto, necessário verificar se estamos diante de “pré-mistura para pão comum” ou “pão comum”. Mas o que vem a ser “pré-mistura para pão comum” ou “pão comum”? A nota A1 da Posição 19.05 da NESH trata especificamente do pão comum e destaca que este “frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal”. Já a Exposição de Motivos da Lei 11.787/08 que incluiu o inciso XVI no art. 1º da Lei n o 10.925/04 esclarece que o pão comum é “obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar”. Ou seja, o pão comum deve ser constituído apenas por farinhas de cereais, fermento, água, sal e/ou açúcar. Via de consequência, as pré-misturas, para derivarem pães comuns, devem ser apenas ser adicionadas à sua composição o ingrediente água. As pré-misturas desqualificadas pela fiscalização como sendo para pão comum são os destinados a “pão doce”, “”pão de forma”, pão de hot dog” e pão de hambúrguer”. Essa desqualificação decorreu da identificação no sítio da recorrente de que, para cada um dos citados pães, havia a sugestão de adição de ingredientes como recheios (pão doce) e leite em pó (pão de forma). Como estamos tratando de pleito relacionado a direito creditório, e a fiscalização afirma que para ser pré-mistura para pão comum a composição deve ser unicamente de farinha de cereais, fermento e sal, nos termos da nota da NESH já reproduzida, não entendo que a decisão recorrida tenha inovado na fundamentação para afirmar que a pré-mistura não é destinada para produção de “pão comum”, tal qual afirmado pela Recorrente. O que importa neste momento é verificar se a composição das pré-misturas estão de acordo com o estabelecido na NESH combinado com a exposição de motivos da norma (Lei n o 11.787/08) que ampliou o benefício de redução da alíquota das contribuições sociais a zero para tais pré-misturas. Vejamos o que consta como ingredientes da “PRÉ MISTURA PRÉ-MESCLA PÃO DOCE - 25KG” e da “PRÉ MISTURA PRÉ-MESCLA PÃO DE FORMA, HAMBÚRGUER E HOT DOG - 25KG” juntados às e-fls. 478 a 483: * Ingredientes do pão doce – “Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. CONTÉM GLÚTEN.” * Ingredientes dos pães de forma, hambúrguer e hot dog – “farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. CONTÉM GLÚTEN.” Ou seja, verifica-se que as pré-misturas não contém apenas “farinhas de cereais, fermento, água, sal e/ou açúcar”, mas outros ingredientes/aditivos, seja qual for a denominação atribuída pela recorrente para as substâncias/produtos inseridos na mistura. Destaque-se que este relator analisou a Portaria SVS/MS n o 540/1997 e verificou que não há nenhum determinação para utilização de aditivos, mas sim uma regulação por parte daquela Agência de modo a ter Fl. 1378DF CARF MF Original Fl. 27 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 controle sobre a aplicação destes nos ingredientes dos alimentos produzidos. Esta mesma própria portaria assim define o que vem a ser ingredientes: “1.1 Ingrediente: é qualquer substância, incluídos os aditivos alimentares, empregada na fabricação ou preparação de um alimento e que permanece no produto final, ainda que de forma modificada. (grifos do relator) 1.2 - Aditivo Alimentar: é qualquer ingrediente adicionado intencionalmente aos alimentos, sem propósito de nutrir, com o objetivo de modificar as características físicas, químicas, biológicas ou sensoriais, durante a fabricação, processamento, preparação, tratamento, embalagem, acondicionamento, armazenagem, trans-porte ou manipulação de um alimento. Ao agregar-se poderá resultar em que o próprio aditivo ou seus derivados se convertam em um componente de tal alimento. Esta definição não inclui os contaminantes ou substâncias nutritivas que sejam incorporadas ao alimento para manter ou melhorar suas propriedades nutricionais.” Portanto, concordo com a fiscalização e a decisão recorrida que não se trata de pré-misturas de pão comum. Este mesmo entendimento foi o adotado pelo Conselheiro Oswaldo Gonçalves de Castro Neto no voto vencido no Acórdão n o 3401-009.071, desta mesma 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara. Reproduzo a seguir trecho do voto vencido: 2.3.4.1. Em complemento, a NESH ao tratar do pão comum (nota A1 da Posição 19.05) destaca que este “frequentemente, contém apenas farinhas de cereais, fermento e sal” em sentido próximo a Exposição de Motivos da Lei 11.787/08 (que criou o benefício em voga) esclarece que o pão comum é “obtido pela cocção de preparo contendo apenas farinha de trigo, fermento biológico, água, sal e/ou açúcar”. Somando todo o descrito temos que incide alíquota zero das contribuições nas vendas de pré-misturas para fabricação de pães compostos apenas por farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar. 2.3.5. A Recorrente trouxe aos autos com a Impugnação os ingredientes de todas as pré- misturas em discussão. Nela pode-se observar que: 2.3.5.1. A Mistura Pré-Mescla para o preparo de pão congelado contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, sal, açúcar, estabilizantes: ésteres de ácido diacetil tartárico e mono e diglicerídeos de ácidos graxos e/ou estearoil-2-lactil lactato de cálcio e/ou polisorbato 80 e melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.2. A Mistura Bentamix para o preparo de pão doce contém farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos e/ou estearoil-2- lactil lactato de cálcio e/ou polisorbato 80, conservador propionato de cálcio e melhorador de farinha ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.3. A Mistura Bentamix Levain para o preparo de pães rústicos contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, farinha de trigo integral, levedura de cerveja inativa, sal, estabilizante: estearoil-2-lactil lactato de cálcio, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.4. A Mistura Bentamix Levain para o preparo de pães rústicos integrais contém Farinha de trigo integral enriquecida com ferro e ácido fólico, levedura de cerveja Fl. 1379DF CARF MF Original Fl. 28 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 inativa, sal, estabilizante: estearoil-2-lactil lactato de cálcio, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e/ou azodicarbonamida; 2.3.5.5. A Mistura Pré Mescla para o preparo de pães doces contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhorador de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio; 2.3.5.6. A Mistura Pré Mescla para o preparo de pães integrais contém Farinha de trigo integral enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, conservador: propionato de cálcio e melhoradores de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida; 2.3.5.7. Por fim, a Mistura Pré Mescla para o preparo de pão de forma, hambúrguer e hot dog contém Farinha de trigo enriquecida com ferro e ácido fólico, açúcar, sal, emulsificantes: mono e diglicerídeos de ácidos graxos, estearoil-2-lactil lactato de cálcio e polisorbato 80, melhoradores de farinha: ácido ascórbico e azodicarbonamida e conservante: propionato de cálcio. 2.3.6. Em assim sendo, nenhuma das misturas vendidas pela Recorrente atende aos requisitos legais – conter apenas farinhas de cereais, fermento, sal e/ou açúcar – pelos motivos em itálico sendo de rigor a manutenção da tributação tal qual exigida no auto de infração. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 4) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Produtos Classificados nas Posições 23.04 e 23.06 da NCM Neste item a Recorrente alega que não há a limitação apresentada pelo acórdão recorrido e contido no art. 54 da Lei n o 12.350/2010 de que os produtores de ração para aves e suínos tenham necessariamente que comercializá-lo, como é o caso da Cooperativa Rio do Peixe e Eliano Antunes de Oliveira, mas os mesmos teria adquirido os farelos de soja e algodão para criação dos animais necessários à produção de carnes e miudezas. A questão tratada neste tópico se refere a correção do afastamento da suspensão da incidência da COFINS prevista no art. 54 da Lei n o 12.350/2010 em relação às vendas de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) procedidas a determinadas pessoas jurídicas e que, segundo a fiscalização, não produziam as “mercadorias classificadas nos códigos 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1 da NCM” nem as “preparações dos tipos utilizados na alimentação de animais vivos classificados nas posições 01.03 e 01.05, classificadas no código 2309.90 da NCM”. Reproduzo os NCMs indicados na norma e citados no parágrafo anterior. Fl. 1380DF CARF MF Original Fl. 29 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Sintetizando, o benefício da suspensão engloba as vendas realizadas a pessoas jurídicas que produzam carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves e ração para suínos e aves vivos. Conforme consta do Relatório Fiscal, a fiscalização indicou as vendas cujos CNAE não foram compatíveis com as atividades de produção previstas para usufruir do benefício da suspensão. Reproduzo a tabela elaborada pela fiscalização e utilizada como fundamento para incluir as vendas na base de cálculo das contribuições: Ainda segundo a fiscalização, apesar de a recorrente ter informado que as atividades secundárias das empresas adquirentes dos farelos era a criação de bovinos para corte, a criação de suínos e a produção de rações para suínos, esta última em relação à Cooperativa Rio do Peixe, especificamente em relação a cooperativa, a Recorrente não demonstrou que a atividade de produção de ração para suínos ocorreu antes da sua incorporação. A recorrente em nenhum momento logrou êxito em comprovar e demonstrar que as adquirentes do farelo de soja e de algodão possuíam em suas atividades a produção de ração para suínos e animais vivos. Não há que se confundir a criação dos animais com a produção de carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves. Portanto, improcedentes os seus argumentos. Fl. 1381DF CARF MF Original Fl. 30 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Esta mesma Turma, em outra composição, julgando o processo n o 13971.722179/2018-51 da mesma Recorrente, negou provimento sobre o mesmo tema conforme trecho do Acórdão n o 3401-009.071 a seguir reproduzido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 (...) COFINS. PIS. SUSPENSÃO. ART. 54 DA LEI 12.350/10. O artigo 54 da Lei 12.350/2010 permite (entre outras coisas) a suspensão do PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da venda no atacado de farelo de soja (NCM 23.04) e farelo de algodão (NCM 23.06) a pessoa jurídica que produza 1) carne, miudezas e comestíveis de suínos, bovinos e aves (NCM 02.03, 0206.30.00, 0206.4, 02.07 e 0210.1) e ração (NCM 2309.90) para suínos e aves vivas (NCM 01.03 e 01.05). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 5) Da majoração da base de cálculo das contribuições – Receitas de Venda de Óleos Vegetais para Produtores de Biocombustíveis (Vendas com Suspensão) Afirma que as saídas de óleo de soja degomado para COOPERBIO COOPERATIVA DE BIOCOMBUSTÍVEL não consistiam efetivas operações de vendas, mas sim permuta. Ou seja, não ocorreu compra e venda, podendo ser constatado no CFOP das notas fiscais eletrônicas cujo número é 5949 (Outra saída de mercadoria ou prestação de serviço não especificado). Para esta suspensão da incidência do PIS/COFINS cita o art. 47-A da Lei n o 12.546/2011. Já para as vendas realizadas para os demais clientes, aplicou a suspensão pelos motivos já aduzidos durante a fiscalização. O fundamento da fiscalização para incluir essas vendas na base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS foram em virtude de ter havido, no meu entendimento, efetivamente uma operação de compra e venda conforme informações constantes da contabilidade da Recorrente em sua conta de receita operacional 4101010115 – VENDA SUSP PIS E COFINS(subconta da conta 3111 – VENDAS DE PRODUTOS) bem com na EFD ICMS/IPI da COOPERBIO (CFOP 1101 – Compra para industrialização ou produção rural). Ou seja, ambas as empresas efetuaram o registro destas operações como uma operação de compra e venda. Destaca ainda que na auditoria ficou constatado que, inexplicavelmente, em outras operações idênticas entre a Recorrente e a COOPERBIO houve o oferecimento de determinadas vendas à tributação das contribuições. Já para as demais vendas a produtores de biodiesel, ressalta que a suspensão prevista no art. 47-A da Lei n o 12.546/11 somente alcança a venda de matéria-prima in natura, o que não é o caso do óleo de soja que, nos termos do § 2º do art. 78 da Lei nº 12.715/12, foi regulamentado pela IN RFB n o 1.514/2014. Ou seja, não sendo matéria-prima in natura, não há que se falar em suspensão das contribuições. Fl. 1382DF CARF MF Original Fl. 31 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Concordo com os fundamentos utilizados pela fiscalização e corroborados pela decisão recorrida. A Recorrente não logrou comprovar com qualquer documentação hábil e idônea que efetivamente ocorreram operações de permuta com a COOPERBIO. Portanto, improcedentes os argumentos apresentados. Já em relação às demais operações de vendas de óleo de soja degomado, também concordo com os argumentos da fiscalização de que não se trata de uma matéria-prima in natura conforme estabelecido pelo art. 47-A da Lei n o 12.546/11. A norma legal é clara e não deixa margem para ampliação da suspensão a produtos derivados, como é o caso do óleo (derivado da soja). Esta mesma Turma, em outra composição, julgando o processo n o 13971.722179/2018-51 da mesma Recorrente, negou provimento sobre o mesmo tema conforme trecho do Acórdão n o 3401-009.071 a seguir reproduzido: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 (...) COFINS. PIS. SUSPENSÃO. ÓLEO DE SOJA DEGOMADO. A Lei 12.715/2012 incluiu na Lei 12.546/2011 o artigo 47-A que dispõe sobre a suspensão das vendas de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel. A mesma Lei 12.715/2012, em seu artigo 78, descreve que a suspensão começa a produzir efeitos a partir de sua regulamentação, o que ocorreu em 20 de novembro de 2014 com a publicação da Instrução Normativa RFB 1.514/2014. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 6) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de Combustíveis e Lubrificantes Fundamenta o direito ao crédito pleiteado no art. 3º, II das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. Destaca que, para o convencimento da autoridade fiscal, seria necessária uma visita “in loco” a algumas unidades industriais da Recorrente. E, por se tratar de estabelecimento industrial, não faz qualquer sentido a utilização do óleo diesel ser utilizado em outra finalidade que não aquela declarada. A fiscalização glosou estes créditos tendo em vista que a recorrente apresentou apenas o anexo denominado “Item 2 – Classe do Material” cujas telas de sistema informatizado interno da empresa apenas apresentava informações dos produtos “COMBUSTIVEL OLEO DIESEL” e “OLEO LUB AUTO BAS/ADIT” as quais não permitiram concluir que os combustíveis e lubrificantes objeto da intimação foram efetivamente utilizados no processo produtivo da empresa. Conclui que os combustíveis e lubrificantes passíveis de creditamento de PIS/PASEP e COFINS somente são “aqueles comprovadamente utilizados como insumos no processo produtivo da empresa”. Fl. 1383DF CARF MF Original Fl. 32 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 A Recorrente afirma no seu recurso que os combustíveis e lubrificantes são utilizados em caminhões para transportes de insumos, bem como em máquinas e geradores do estabelecimento industrial. Ressalte-se que não houve, desde o início da fiscalização, a comprovação de que os combustíveis e lubrificantes foram efetivamente empregados no processo produtivo da empresa, tal qual requisitado pela fiscalização quando da intimação. Por fim, registre-se que em nenhum momento a recorrente trouxe aos autos qualquer documento que demonstrasse o emprego dos combustíveis e lubrificantes no processo produtivo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 7) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições de cuja Condição de Insumo não foi comprovada A Recorrente sustenta os mesmos argumentos apresentados no item anterior no sentido de que, em resposta ao TIF 03, apresentou documentos que demonstraram a sua efetiva utilização. Destaca que as tintas, solventes e pallets são utilizados como matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem no seu processo industrial e que, para o convencimento da autoridade fiscal, seria necessária uma visita “in loco” a algumas unidades industriais da Recorrente. Basicamente a fiscalização glosou a apropriação dos créditos deste tópico cujas descrições da mercadoria/serviço constante das notas fiscais listadas no anexo à intimação TIF3 não pode chegar a conclusão de que foram empregados no processo produtivo e serem caracterizados como insumos, quais sejam: sabonete líquido; cola bastão; mercadoria descrita como “servido de frete” cuja nota fiscal foi emitida por comerciante varejista de artigos de papelaria; tinta preta e solvente; pallets; dentre outros. De fato, analisando as notas fiscais indicadas nos anexos à intimação sobre este item, verifiquei que havia descrições das mais variadas possíveis e sem nexo com seu processo produtivo. A título de exemplo, e como bem apresentado pela fiscalização, constam: “CANCELADO – UTILIZAR CODIGO 755107”; “ATUM RALADO EM PEDAÇO”; “ROLAMENTO COMP NSK-21311 E“. Entretanto, no meu entender, apesar de a Recorrente não ter trazido elementos que demonstrassem se tratar de insumos utilizados no processo produtivo, identifiquei um item que necessita ser analisado nesse momento: o aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN. De fato este aditivo é utilizado na produção de pré-mistura de farinha de trigo para produtos de panificação conforme análise do item acima relacionado a produção destas pré-misturas. Outro produto constante das notas fiscais deste item sob análise e que merecem uma atenção especial são os pallets. Também no meu entendimento os pallets, via de regra são empregados na função de “embalagens de transporte”. Entretanto, entendo que, ainda assim, atendem ao critério de essencialidade/relevância constante da decisão do STJ, visto que não há como se falar em comercialização de quaisquer produtos produzidos sem que estes sejam devidamente acomodados de forma que permaneçam com a sua integridade intacta. Neste sentido, entendo que os pallets se enquadram no conceito de insumos sob a ótica da essencialidade/relevância dentro do processo produtivo. Fl. 1384DF CARF MF Original Fl. 33 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Nesse mesmo sentido, há diversas decisões do CARF, a exemplo das a seguir colacionadas, em que as despesas com embalagens e/ou pallets restaram admitidas para fins de creditamento de COFINS: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/10/2006 a 31/12/2006 CUSTOS/DESPESAS. FRETES ENTRE ESTABELECIMENTOS, EMBALAGENS PARA TRANSPORTE, FERRAMENTAS E MATERIAIS. MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. LIMPEZA E INSPEÇÃO SANITÁRIA CRÉDITOS. DESCONTOS. POSSIBILIDADE. Os custos/despesas incorridos com fretes entre estabelecimentos para transporte de produtos acabados, com embalagens para transporte dos produtos acabados, com ferramentas e materiais utilizados nas máquinas e equipamentos de produção/fabricação e com limpeza e inspeção sanitária enquadram-se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. (...) CUSTOS/DESPESAS. PALLETS, CRÉDITOS. DESCONTO. POSSIBILIDADE.Os custos/despesas incorridos com pallets utilizados na armazenagem de matérias- primas e/ ou mercadorias produzidas e destinadas à comercialização enquadram- se na definição de insumos dada pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo; assim, por força do disposto no § 2º do art. 62, do Anexo II, do RICARF, adota-se essa decisão para reconhecer o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais custos/despesas. (Acórdão nº 9303-009.736 de 11/11/2019). *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Período de apuração: 01/10/2012 a 31/12/2012 COFINS NÃO CUMULATIVA. CRÉDITO. RESSARCIMENTO. Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Restou caracterizada a essencialidade das despesas de controle de pragas, fretes de aquisição de insumos tributados sob alíquota zero ou com tributação suspensa, despesas com pallets; e as despesas referentes ao ativo imobilizado creditadas extemporaneamente. (...) (Acórdão nº 3401-007.344 de 17/02/2020) (Grifos apostos). *** ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEPPeríodo de apuração: 01/01/2011 a 31/03/2011(...) CRÉDITOS. INSUMOS. PALLETS. EMBALAGENS Os pallets e embalagens são utilizados para proteger a integridade dos produtos, enquadrando-se no conceito de insumos. (Acórdão nº 3302-008.009 de 28/01/2020) (Grifos apostos). Fl. 1385DF CARF MF Original Fl. 34 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Por derradeiro, a Recorrente não trouxe nenhum argumento ou documento adicional que demonstrassem que os demais itens constantes das descrições das notas fiscais foram efetivamente empregados no processo produtivo da empresa. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets. 8) Glosas de Créditos Apurados sobre Aquisições e Devoluções de venda de pessoas jurídicas com inscrição no CNPJ baixada ou suspensa A Recorrente alega que, apesar de constar como CNPJ irregular na base de dados da RFB, esta informação não se repete no SINTEGRA. Entende que houve boa-fé por sua parte e que a validação sobre a regularidade do emitente da nota fiscal cabe tão somente ao Estado de sua emissão. Afirma ainda que o STJ já se pronunciou sobre a questão por intermédio da Súmula 509, que trata do ICMS. Destaque-se que neste tópico a fiscalização glosou os créditos de aquisições e devoluções de venda de pessoas jurídicas com CNPJ baixada ou suspensa, entretanto se utilizou ainda dos fundamentos relacionados a ausência comprovação tanto dos pagamentos das mercadorias objetos da notas fiscais listadas quanto do efetivo recebimento das mercadorias. A decisão de piso já havia analisado o caso com base na súmula 509 do STJ, a seguir reproduzida: Súmula nº 509 É lícito ao comerciante de boa-fé aproveitar os créditos de ICMS decorrentes de nota fiscal posteriormente declarada inidônea, quando demonstrada a veracidade da compra e venda. Ou seja, havendo demonstração da efetiva compra e venda através da comprovação dos pagamentos e recebimentos das mercadorias, considera-se comprovada as respectivas operações comerciais, mesmo que as empresas envolvidas estejam com seu registro no CNPJ baixadas ou suspensas. Contudo, a recorrente não trouxe nenhum documento que demonstrasse os pagamentos e recebimentos das mercadorias. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 9) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Transferência de Produtos Acabados Segundo a Recorrente esta operação de frete na transferência de produtos acabados é uma etapa que faz parte do processo de venda, apenas diferindo da venda direta ao destinatário final por passar por uma filial receptora, não descaracterizando uma operação de venda como um todo. Entende não haver vedação legal aplicada ao caso, destacando três pontos: processo de logística de distribuição da empresa; a transferência é tributada pelo PIS/COFINS; e Fl. 1386DF CARF MF Original Fl. 35 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 que há decisões no CARF a favor deste entendimento de aproveitamento de crédito (cita jurisprudência administrativa). Antes da análise dos argumentos da Recorrente, relevante apresentar as situações nas quais, no entender deste relator, pode-se identificar os dispêndios com frete que geram ou não direito a créditos das contribuições para o PIS e da COFINS. Quando estamos diante de atividade industrial verificamos a existência de diversos tipos de serviços de fretes. A título de exemplo podemos destacar os seguintes: 1) fretes nas aquisições de insumos de fornecedores; 2) fretes utilizados na fase de produção, como por exemplo em decorrência da necessidade de movimentação de insumos e de produtos inacabados, entre estabelecimentos industriais do mesmo contribuinte; 3) fretes de produtos acabados entre estabelecimentos ou armazém geral do próprio contribuinte; e 4) fretes de produtos acabados em operações de venda. Na legislação vigente existe fundamento jurídico para a apropriação de créditos relacionados ao frete quando considerados como parte do custo de aquisição, do custo de produção ou da despesa de venda, conforme será demonstrado a seguir. O fundamento jurídico para apropriação dos créditos da Contribuição para PIS pode ser extraído do art. 289 do Decreto n o 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), em relação ao valor dos gastos com serviços de transporte de bens para revenda, apesar de não haver expressa previsão nos art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003. Destaque-se que, por haver simetria entre os textos das referidas leis, aqui será reproduzido apenas o disposto na Lei n o 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei n o 10.637/2002. Diante desta fato vejamos: Lei 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, (...); (...) § 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; RIR/1999 Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matérias-primas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 14). §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13). §2º Os gastos com desembaraço aduaneiro integram o custo de aquisição. Fl. 1387DF CARF MF Original Fl. 36 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 §3º Não se incluem no custo os impostos recuperáveis através de créditos na escrita fiscal. Tendo por base os referidos dispositivos legais, verifica-se que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens. Portanto, somente nesta condição (frete integrando o custo de aquisição) é que o frete pode compor a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Com isso, de forma análoga, o valor do frete no transporte dos bens somente poderá integrar a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não-cumulativas quando tais fretes sofrerem a incidência das referidas contribuições. Este mesmo entendimento deve ser aplicado na atividade industrial, quando houver o valor do frete relativo ao transporte: a) de bens de produção (matérias-primas, produtos intermediários e material e embalagem) a serem utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e b) de bens em fase de produção ou fabricação (produtos em fabricação) entre estabelecimentos fabris do contribuinte ou não. Veja o disposto na norma de regência relacionado a atividade industrial: Lei 10.833/2003 Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, (...); §1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; (...) RIR/1999 Art. 290. O custo de produção dos bens ou serviços vendidos compreenderá, obrigatoriamente (Decreto-Lei nº 1.598, de 1977, art. 13, §1º): I o custo de aquisição de matérias-primas e quaisquer outros bens ou serviços aplicados ou consumidos na produção, observado o disposto no artigo anterior;. No âmbito da atividade de produção ou fabricação, os insumos representam os meios materiais e imateriais (bens e serviços) utilizados em todas as etapas do ciclo de produção ou fabricação, que se inicia com o ingresso dos bens de produção (matérias-primas ou produtos intermediários) e termina com a conclusão do produto a ser comercializado. Se a pessoa jurídica tem algumas operações do processo produtivo realizadas em unidades produtoras ou industriais situadas em diferentes localidades, certamente, durante o ciclo de produção ou fabricação haverá necessidade de transferência dos produtos em produção ou fabricação para os outros estabelecimentos produtores ou fabris, que demandará a prestação de serviços de transporte. Portanto, em relação à atividade industrial ou de produção, a apropriação dos créditos calculados sobre o valor do frete, normalmente, dar-se-á de duas formas diferentes, a saber: a) sob forma de custo de aquisição, integrado ao custo de aquisição do bem de produção Fl. 1388DF CARF MF Original Fl. 37 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 (matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem); e b) sob a forma de custo de produção, correspondente ao valor do frete referente ao serviço do transporte dos produtos em fabricação nas operações de transferências entre estabelecimentos industriais. Encerrado o ciclo de produção ou industrialização, o art. 3º, IX, e § 1º, II, da Lei 10.833/2003 autoriza a apropriação de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre o valor do frete no transporte dos produtos acabados na operação de venda, desde que o ônus deste frete seja suportado pelo vendedor: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2 o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) §1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2ª desta Lei sobre o valor: (...) II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; Repare que no caso dos dispêndios com fretes de produtos acabados não se enquadram nas situações acima descritas. Isto porque quando da transferência de produtos acabados, o processo produtivo já se encontra encerrado. Ou seja, se o produto acabado foi transportado, culminado está o processo produtivo. Portanto, não há que se falar em direito de apropriar créditos das contribuições para o PIS e da COFINS sobre os dispêndios com frete nas transferências de produtos acabados entre estabelecimentos da mesma empresa ou para seus centros de distribuição que por ventura venha a existir, ou mesmo quando estamos diante de transporte de produtos acabados com fins de formação de lotes para a exportação. Considerando ainda o disposto no REsp. n o 1.221.170/PR, no que concerne ao Teste de Subtração, reproduzo a seguir trecho da decisão do STJ: São "insumos", (...), todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Ou seja, se a retirada do “frete de produtos acabados” não afeta/obsta a obtenção do produto produzido pela empresa, não há que se falar em aproveitamento de crédito destes dispêndios com frete como insumos do processo produtivo. Há diversos julgados neste Tribunal Administrativo que seguem a mesma linha de entendimento deste relator. Apenas a título de exemplo enumero os Acórdãos n os 3302-010.922, 9303-012.936 e 9303-013.785. Fl. 1389DF CARF MF Original Fl. 38 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Há ainda diversos precedentes do STJ, posteriores a decisão consubstanciada no REsp. 1.221.170/PR, que adotaram esta linha de entendimento. Também a título de exemplo, reproduzo a seguir alguns julgados daquele Tribunal Superior: AgInt no AREsp n. 848.573/SP, relator Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, julgado em 14/9/2020, DJe de 18/9/2020 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes (...) *** AgInt no REsp 1890463/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021 PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. DESPESAS COM FRETE. DIREITO A CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA. 1. Com relação à contribuição ao PIS e à COFINS, não originam crédito as despesas realizadas com frete para a transferência das mercadorias entre estabelecimentos da sociedade empresária. Precedentes. 2. No caso dos autos, está em conformidade com esse entendimento o acórdão proferido pelo TRF da 3ª Região, segundo o qual ?apenas os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente a terceiros - atacadista, varejista ou consumidor -, e desde que o ônus tenha sido suportado pela pessoa jurídica vendedora, é que geram direito a créditos a serem descontados da COFINS devida. 3. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp 1890463/SP, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 24/05/2021, DJe 26/05/2021) *** AgInt no REsp n. 1.978.258/RJ, relatora Ministra Regina Helena Costa, Primeira Turma, julgado em 23/5/2022, DJe de 25/5/2022 TRIBUTÁRIO. PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. APLICABILIDADE. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC/1973. INOCORRÊNCIA. DESPESAS COM FRETE. TRANSFERÊNCIA INTERNA DE MERCADORIAS. CREDITAMENTO. ILEGITIMIDADE. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL. NÃO DEMONSTRADO. AUSÊNCIA DE COTEJO ANALÍTICO ENTRE OS JULGADOS CONFRONTADOS. APLICAÇÃO DE MULTA. ART. 1.021, § 4º, DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL DE 2015. DESCABIMENTO. (...) III - É pacífico o entendimento no Superior Tribunal de Justiça segundo o qual as despesas de frete somente geram crédito quando suportadas pelo vendedor nas hipóteses de venda ou revenda, revelando-se incabível reconhecer o direito de creditamento de despesas de frete relacionadas às transferências internas das mercadorias para estabelecimentos da mesma empresa. Fl. 1390DF CARF MF Original Fl. 39 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 10) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação Segundo a Recorrente, trata-se de frete para formação de lote com fim específico de exportação. Afirma que se trata de uma operação entre estabelecimentos da mesma empresa, isto porque não há como enviar todo um lote de soja para exportação num único momento, nem o navio pode ficar esperando a chegada de cada caminhão de soja e que não há a mínima condição portuária para movimentação desta soja de uma única vez. Destaca que o §2º do art. 1º da IN n o 379/2003 extrapolou as determinações legais previstas nas Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. Apresenta ainda jurisprudência deste Conselho no sentido que obteve provimento no processo n o 13971.001080/2004-17, conforme ementa do Acórdão nº 9303-007.286 - 3ª Turma da CSRF. Cita ainda mais dois acórdãos da 1ª Turma da 3ª Câmara deste Conselho julgados neste mesmo sentido, quais sejam: 3301-005.613 e 3301-005.614. Destaque-se que a fiscalização procedeu a glosa dos créditos do presente item tendo em vista se tratar de fretes pagos quando do transporte de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Inicialmente afirma que a legislação de regência veda a apuração de créditos na aquisição de mercadorias com fim específico de exportação nos termos dos artigos 6º e 15 da Lei n o 10.833/03, via de consequência, não há que se falar em apuração de créditos sobre os fretes relacionados àquelas aquisições. Ao manter as referidas glosas, reforçando os fundamentos utilizados pela fiscalização, a DRJ destaca que a Recorrente, como empresa comercial exportadora, não pode apropriar tais créditos visto que tais fretes somente daria direito a créditos se compusessem o custo da mercadoria revendida ou da matéria-prima utilizada. Como são aquisições de mercadorias com fim específico de exportação sem incidência das contribuições, não há que se falar em aproveitamento de crédito em relação ao frete. Inicialmente ressalto que não comungo totalmente com a tese encampada pela fiscalização e pela decisão de piso. No entendimento deste relator, e de grande parte da jurisprudência deste Tribunal Administrativo, o frete pago no transporte de insumos possui natureza jurídica autônoma. Ou seja, se determinado insumo for adquirido e, via de consequência haja o pagamento de frete para o seu transporte, independentemente de o insumo ter sido ou não tributado pelas contribuições, caberá o aproveitamento dos créditos relativos aos dispêndios com o seu transporte. Entretanto, no presente caso não estamos tratando de aquisição de insumos para produção ou prestação de serviços. Relevante destacar que a Recorrente fez uma mistura de duas situações. Primeiramente afirma que as mercadorias (grãos de soja) foram enviadas para seus armazéns/silos, e posteriormente remetidos ao estabelecimento portuário. Em outro momento da sua defesa a Recorrente afirma que o frete tomado para transportar a mercadoria até o porto para fins de formação de lotes destinados à exportação foi tributado pelas contribuições, motivo pelo qual entende se enquadrar no conceito de frete na operação de venda (cita nesta linha o provimento obtido no Acórdão n o 9303-007.286). Fl. 1391DF CARF MF Original Fl. 40 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Analisando os autos, verifico que a Recorrente não trouxe elementos de prova que corroborassem seu argumento de que houve o transporte daquelas mercadorias adquiridas para o porto. Destaque-se que as notas fiscais acostadas aos autos pela fiscalização (onde constam os valores de dispêndios de frete glosados) são efetivamente de aquisições cuja descrição do CFOP é “Entrada de mercadoria recebida com fim específico de exportação”. Na coluna do “CNPJ Participante Destinatário” há diversos destinatários nos quais destaco alguns cuja raiz é 84.046.101, o que se pode concluir que tais mercadorias foram remetidas para unidades da empresa (filiais da empresa) tal qual afirmado pela própria recorrente. Há ainda outros CNPJs cujas raízes são diferentes da raiz da Recorrente, ou seja, de acordo com o constante de algumas notas fiscais de aquisição, tais produtos não foram remetidos para a própria Recorrente nem para o porto para formação do lote de exportação. Neste sentido, entendo que a Recorrente não demonstrou que as mercadorias transportadas adquiridas com o fim específico de exportação foram direta e efetivamente encaminhadas para formação de lote com este fim. Ao contrário, afirma que tais mercadorias foram transportadas para estabelecimentos da própria empresa. Neste sentido, não há que se falar em frete na operação de venda (exportação). Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 11) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes em operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP A Recorrente ressalta que possui diversos tipos de atuação no mercado e que cada filial possui uma atividade específica (produção, venda e transportes). Portanto, alega ser “indiscutível o direito ao crédito do serviço de fretes para remessas de suas mercadorias e insumos a depósito fechado ou armazém geral, devolução de compra, operações de industrialização por encomenda, que passa a ser o insumo para prestação do seu serviço”. Destaque-se que a fiscalização glosou esses créditos sobre fretes em função de os CFOPs das notas fiscais constantes do demonstrativo de glosa 7 (Fretes operações sem direito a crédito, identificados pelo respectivo CFOP) se referirem a operações sem direito a créditos, quais sejam: Os fretes relacionados a operações de devoluções de compra não geram direito a crédito, por absoluta falta de previsão legal. As operações de remessa e retorno de mercadorias para/de depósitos fechados ou armazéns gerais não configuram operação de compra e nem de venda, e por isso os gastos com os fretes associados a essas operações não dão direito a crédito. Os fretes relacionados às operações de industrialização por encomenda, envolvendo a entrada de mercadorias remetidas pelo encomendante, bem como o posterior retorno, também não geram direito a crédito por falta de previsão legal. Nesses casos, ressalte-se que as notas fiscais com CFOP 6902 se referem ao retorno simbólico da mercadoria utilizada na industrialização, não se caracterizando como operação de venda. Ou seja, a fiscalização indicou os motivos da glosa e listou as respectivas notas fiscais a elas correspondentes. Fl. 1392DF CARF MF Original Fl. 41 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Entretanto, de forma genérica, conforme descrito no primeiro parágrafo deste item, a Recorrente tão somente apresenta em sua defesa “ser indiscutível o seu direito ao crédito” em relação a estes serviços de fretes, sem mais nada alegar ou demonstrar que tais dispêndios devem gerar tal direito. Portanto, por estarmos tratando de direito creditório no qual o ônus da prova deve recair sobre quem o vindica (e não sobre a fiscalização), caberia a Recorrente ter trazido argumentos mais contundentes bem como elementos e provas que demonstrassem o seu direito creditório. Mais uma vez reproduzo trecho do voto constante do Acórdão n o 3401-009.071 no qual essa turma negou provimento ao recurso para este mesmo argumento da Recorrente e com os mesmos fundamentos: 2.10.2. É certo que em auto de infração cabe à fiscalização demonstrar os fatos constitutivos do direito do Erário Público. Não menos correto é que a fiscalização solicitou o enquadramento dos créditos de frete pela Recorrente em uma planilha e, a partir dos CFOPs listou aquelas operações que em seu entender não dariam direito ao crédito. Em assim sendo, a acusação fiscal encontra-se lastreada em provas. 2.10.3. Face ao cumprimento do onus probandi pela fiscalização, caberia à Recorrente infirmar, por meio de prova suficiente, a acusação fiscal, i.e., demonstrar que tal ou qual frete é de insumo, ou de venda ou qualquer outra hipótese de creditamento. Ora, se com alguma dificuldade a Recorrente cumpriu o ônus argumentativo, com maior ainda tentou, sem sucesso, desincumbir-se do ônus probatório. É dizer, não obstante a possibilidade genérica da concessão de crédito na aquisição de alguns dos fretes acima listados, impossível, no caso concreto, concedê-lo, por insuficiência probatória. Contudo, mesmo a recorrente não apresentando prova alguma neste tópico, entendo que são auto explicativos os fretes relacionados a industrialização por encomenda, pois tais operações necessariamente estão inseridas dentro do processo produtivo da empresa e, por conseguinte, os fretes a eles vinculados devem ser considerados como insumos. Diante do exposto, voto por dar parcial provimento ao recurso para reverter as glosas de fretes empregados na industrialização por encomenda. 12) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a transportadoras com inscrição no CNPJ inapta, baixada ou suspensa Inicia suas alegações no sentido de que houve cerceamento do seu direito em virtude de não ter sido intimada a prestar informações sobre este tema. E que não se pode deixar de destacar que muitos dos transportadores tiveram baixa no SINTEGRA muito depois das operações realizadas. Finaliza afirmando que o frete tem certa particularidade/complexidade operacional, na medida que as contratações e pagamentos são efetuados por diversas modalidades e agentes, demandando um esforço muito maior. No mesmo sentido do fundamento apresentado pela DRJ, quando da decisão proferida em primeira instância, é o entendimento deste relator para o presente item. Não há que se falar em cerceamento de defesa no procedimento fiscal por estarmos diante de uma atividade Fl. 1393DF CARF MF Original Fl. 42 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 inquisitória por parte da fiscalização. O seu direito de defesa lhe foi assegurado quando da apresentação da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário. Ou seja, a recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transportes realizadas pelas empresas cujas inscrições se encontravam inaptas, baixadas ou suspensas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Contudo, não juntou qualquer documento que demonstrasse, muito menos comprovasse, a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas ou suspensas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 13) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes relacionados a pessoa jurídica com CNAE não correspondente a transporte de cargas Neste tema também alega no sentido de que houve cerceamento do seu direito em virtude de não ter sido intimada a prestar informações. Contudo, apresenta quadro no qual consta que vários transportadores tem o transporte de carga como atividade secundária. Apesar de o acórdão recorrido ter reconhecido este aspecto, trouxe um segundo fundamento para manter a glosa, qual seja, que deveria comprovar a realização dos serviços e o seu respectivo pagamento. Portanto, o fundamento da fiscalização para não aceitação destes fretes foi basicamente por conta do CNAE. Vejamos os fundamentos da DRJ para manutenção da glosa: 161. Ao compulsar os CNPJ de vários prestadores de serviço citados pela fiscalização, nota-se que, de fato, consta a atividade de transporte. 162. Entretanto, não foi apenas esta irregularidade que levou à glosa dos créditos. O auditor-fiscal foi bem claro ao afirmar que não houve comprovação da efetiva prestação do serviço de transporte, bem como dos respectivos pagamentos. Quanto a estas omissões nada disse a defesa, assim, não há como se dar razão ao contribuinte. Estamos diante da mesma situação do item anterior. Ou seja, não há que se falar em cerceamento de defesa no procedimento fiscal por estarmos diante de uma atividade inquisitória por parte da fiscalização. O seu direito de defesa lhe foi assegurado quando da apresentação da manifestação de inconformidade/impugnação e do recurso voluntário. No mesmo sentido, a recorrente teve duas oportunidades para trazer aos autos documentos que comprovassem a efetividade das operações de transporte realizadas pelas empresas com CNAE não correspondente a transporte de cargas, apresentando ainda os respectivos comprovantes de seus pagamentos. Novamente a Recorrente não demonstra, muito menos comprova a efetividade da prestação de serviço de transporte pelas empresas indicadas como inaptas, baixadas ou suspensas. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 14) Glosas de Créditos Apurados sobre Fretes vinculados a aquisições que geram créditos presumidos Fl. 1394DF CARF MF Original Fl. 43 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 Neste ponto, entende a Recorrente que não há que se confundir ou vincular o crédito do serviço de frete com as aquisições dos insumos agropecuários que geram créditos presumidos, pois são situações autônomas geradoras do direito ao crédito nos termos do art. 3º das Leis n os 10.637/02 e 10.833/03. A fiscalização entendeu que o crédito relacionado à despesas com frete na aquisição de determinado insumo, por integrar o custo de aquisição, deve seguir a mesma regra aplicada ao bem adquirido. No caso em tela, como o insumo transportado gerou crédito presumido, a apropriação de crédito do respectivo frete também deve ser com base na regra do crédito presumido. Portanto, a fiscalização glosou os créditos básicos apurados e concedeu os créditos presumidos correspondentes. Conforme já disposto no item que tratou de Fretes na Aquisição de Mercadorias com fim específico de exportação, no entendimento deste relator, e de grande parte da jurisprudência deste Tribunal Administrativo, o frete pago no transporte de insumos possui natureza jurídica autônoma. Ou seja, se determinado insumo for adquirido e, via de consequência haja o pagamento de frete para o seu transporte, independentemente de o insumo ter sido ou não tributado pelas contribuições, caberá o aproveitamento dos créditos relativos aos dispêndios com o seu transporte. Portanto, no presente caso entendo caber o aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso neste particular. 15) Glosa de Créditos relacionados a Falta de Estorno de Créditos Presumidos Neste tópico cita a resposta ao TIF 04 na qual entende que os referidos estornos não seriam aplicáveis, uma vez que lhe seria assegurado o direito ao crédito presumido sobre as aquisições de soja em grão e de caroço de algodão aplicados na produção de óleos utilizados como matéria-prima para a produção de biodiesel com fundamento nos art. 47, 47-A e 47-B da Lei n o 12.546/11. Destaca que muitos produtores de biodiesel não possuem estrutura verticalizada de produção, adquirindo o óleo vegetal degomado, semi-refinado ou refinado para a sua produção. Finaliza afirmando que tais vendas são tributadas pelas contribuições para o PIS e pela COFINS. Em síntese, fiscalização procedeu o estorno de créditos presumidos calculados sobre a aquisição de soja em grão e de caroço de algodão utilizados na fabricação de óleos que foram vendidos a produtores de biodiesel por entender que a Recorrente não é produtora deste combustível, portanto não se enquadraria na previsão legal contida no art. 47 da Lei n o 12.546/2011. Assiste razão à fiscalização. Veja o que dispõe o citado art. 47: Art. 47. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) poderá descontar dessas contribuições, devidas em cada período de apuração, crédito presumido calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas de pessoa física ou Fl. 1395DF CARF MF Original Fl. 44 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 recebida de cooperado pessoa física e utilizados como insumo na produção de biodiesel. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 1o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições de pessoa jurídica que exercer atividade agropecuária ou cooperativa de produção agropecuária. § 1o O disposto no caput deste artigo aplica-se também às aquisições de matérias-primas de origem vegetal, de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária, de cooperativa de produção agropecuária ou de cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar a matéria-prima destinada à produção de biodiesel. (Redação dada pela Lei nº 12.715, de 2012) Produção de efeito e vigência (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos no mesmo período de apuração de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e no § 4o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 3o O montante do crédito a que se referem o caput e o § 1o deste artigo será determinado mediante aplicação, sobre o valor das mencionadas aquisições, de percentual correspondente a 50% (cinquenta por cento) das alíquotas previstas no caput do art. 2º da Lei nº 10.637, de 2002, e no caput do art. 2º da Lei nº 10.833, de 2003. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que trata o § 1o deste artigo o aproveitamento: (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) I – do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; e (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) II – do crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 5o O crédito presumido na forma do caput deverá ser utilizado para desconto do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a recolher decorrente das demais operações no mercado interno. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) § 6o O crédito presumido de que trata este artigo somente se aplicará após estabelecidos termos e condições regulamentadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. (Revogado pela Lei nº 12.865, de 2013) Art. 47-A. Fica suspensa a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins sobre as receitas decorrentes da venda de matéria-prima in natura de origem vegetal, destinada à produção de biodiesel, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referida no § 1o do art. 47 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 12.715, de 2012) Produção de efeito e vigência Art. 47-B. É autorizada a apuração do crédito presumido instituído pelo art. 47 em relação a operações ocorridas durante o período de sua vigência. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) De fato a norma estabelece que o crédito presumido será calculado sobre o valor das matérias-primas adquiridas e utilizadas como insumo na produção do biodiesel. Entretanto, a Recorrente adquire a referida matéria-prima (soja em grão e de caroço de algodão) e produz óleo degomado, semi-refinado ou refinado. Este óleo produzido pela Recorrente então é vendido para uma empresa produtora de biodiesel. Portanto, não há que se falar em aproveitamento de crédito Fl. 1396DF CARF MF Original Fl. 45 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 presumido nos termos aventados pela Recorrente conforme previsão contida no art. 47 da Lei n o 12.546/2011. Destaque-se que o referido art. 47 foi revogado pela Lei n o 12.865/2013 antes da regulamentação por parte da RFB nos termos do seu §6º. Contudo, o art. 47-B incluído pela Lei n o 12.995/2014 convalidou os créditos apurados nos termos do art. 47 durante sua vigência e manteve o entendimento de que somente cabe a apuração dos referidos créditos em relação “à aquisição ou ao recebimento de soja in natura por pessoa jurídica produtora de biodiesel”. Portanto, apesar dessas alterações legislativas, verifica-se que crédito presumido em questão somente pode ser apurado e aproveitado pela empresa produtora de biodiesel, produto este que não é fabricado pela Recorrente e sim por seus adquirentes de óleo degomado, semi-refinado ou refinado. Ressalte-se que a fiscalização foi prudente na sua apuração ao indicar a segregação dos créditos presumidos vinculados a esta venda de óleo para produção de biodiesel daquele crédito presumido apurado nos termos do art. 8º da Lei n o 10.925/04, tendo em vista que procedeu a apuração da quantidade de grãos necessária para a produção do óleo vendido para os produtores de biodiesel e a obtenção dos preços médios de aquisição dos grãos em cada mês. A partir da multiplicação dos valores dessas duas apurações obteve o valor de aquisição utilizado na fabricação de óleos vendidos a fabricantes de biodiesel. Deste valor, aplicou-se os percentuais de 19% (soja) e 11% (algodão) que seriam a quantidade de óleo que pode ser obtido no processamento industrial dos referidos grãos adquiridos. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 16) Glosas de Ajustes de Contribuições e de Créditos encontrados e não encontrados na EFD-Contribuições Afirma que o AFRFB foi restritivo ao não considerar a DACON, especialmente por haver consistências nos valores escriturados. Apesar de a EFD-Contribuições ser mais detalhada, ele não poderia ter desconsiderado a DACON por completo. Ou seja, apesar de a recorrente ter lançado indevidamente na linha de “Ajustes”, quando o correto seria nas linhas de crédito, o erro foi meramente de obrigação acessória. A fiscalização foi bastante detalhista na análise dos ajustes de acréscimos de créditos e de redução de contribuições procedidos e registrados pela Recorrente em seu EFD- Contribuições. Inicialmente, considerando que em todos os ajustes a Recorrente procedeu o seu registro no código 05 (Ajustes Oriundo de Outras Situações), por intermédio do TIF 02, a Recorrente é intimada a apresentar a memória de cálculo dos ajustes, identificando a base legal e a origem dos valores considerados no cálculo. Em sua resposta, afirma que houve falhas nas informações prestadas devido a dificuldades de sistemas mas que através das planilhas apresentadas está pretendendo demonstrar os ajustes efetuados. Ao proceder a análise das planilhas apresentadas, a fiscalização verificou se tratar exclusivamente de operações com mercadorias que deveriam ter sido escrituradas no Bloco C da EFD-Contribuições (Registros C100/C170). Afirma que, segundo a própria Recorrente, houve Fl. 1397DF CARF MF Original Fl. 46 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 falhas nos seus sistemas internos que geraram os respectivos ajustes em função das diferenças de valores de documentos fiscais. Reforça a fiscalização que nesta análise detectou as seguintes inconsistências: O registro da integralidade dos documentos fiscais no bloco C da EFD-Contribuições é imprescindível para o exame da regularidade da apuração das contribuições em comento, haja vista que permite o cruzamento de informações com dados externos, tais como, por exemplo, os cadastros da RFB e as notas fiscais eletrônicas emitidas pelos fornecedores. Ocorre que as informações apresentadas pela contribuinte em suas planilhas não contêm as informações necessárias ao exame da regularidade da apuração das contribuições e dos créditos. Não há, por exemplo, informações acerca do modelo, série e data de emissão da nota fiscal, do CST, e nem da Chave da Nota Fiscal Eletrônica, o que permitiria a verificação automatizada dos valores das entradas escrituradas pelo sujeito passivo com os efetivos valores das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. No caso dos ajustes de redução das contribuições, não há informação do CST e nem do CFOP, que são essenciais à apuração das contribuições devidas. Neste sentido, a fiscalização informa que procedeu o cotejo dos registros C100/C170 da EFD-Contribuições e as planilhas apresentadas e, no item “Ajustes não encontrados na EFD-Contribuições” do Relatório Fiscal afirma que “os ajustes referentes a documentos fiscais que não foram encontrados no bloco C da EFD-Contribuições foram integralmente glosados por esta Fiscalização”. Contudo, em parte, a Fiscalização conseguiu realizar a vinculação de diversos itens com os documentos fiscais conforme tabela a seguir: Desta vinculação, conseguiu gerar as planilhas seguintes planilhas: “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 01 - Contribuição PIS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 02 - Contribuição COFINS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 03 - Créditos de PIS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 04 - Créditos de COFINS - encontrados na EFD.xlsx” “Demonstrativo de Glosa de Ajustes 05 - Linha 13 - encontrados na EFD.xlsx” Nestas planilhas a fiscalização realiza um trabalho de auditoria na qual relaciona para cada nota fiscal o “Valor Fiscal” (informado no EFD), o “Valor Contábil” (segundo a fiscalizada seria a base de cálculo das contribuições) e a “Diferença Sistêmica” (que vem a ser a diferença entre os valor fiscal e o valor contábil, gerando o valor da base de cálculo do ajuste). Nesta análise, a fiscalização demonstra no Relatório Fiscal os critérios utilizados nos “Ajustes de redução de contribuições” e nos “Ajustes de acréscimos de créditos” para fins de Fl. 1398DF CARF MF Original Fl. 47 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 aceitação ou não dos ajustes procedidos pela Recorrente com base na comprovação ou não dos itens listados. Diante das análises procedidas pela fiscalização, a Recorrente restringe sua defesa na alegação genérica de que “o Sr. AFRFB foi bastante restrito ao não considerar o DACON”, que “o DACON não poderia ser desconsiderado por completo”, que o “Sr. AFRFB não considerou os créditos por terem sido lançados em linhas diferentes do SPED”, que “não há como se negar os créditos foram lançados, e se houve algum erro foi de obrigação acessória, e não de obrigação principal” e, por derradeiro, que “embora não tenha conseguido apresentar os documentos comprovadores as operações, continua envidando esforços neste sentido”. Percebe-se que em nenhum momento a Recorrente ataca pontualmente a análise procedida pela fiscalização, nem mesmo qualquer critério de apuração constante das planilhas apresentadas. Portanto, não há como se acatar os genéricos argumentos apresentados pela Recorrente. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. 17) Da Redução de Ofício dos Saldos de Créditos de Períodos Anteriores Afirma a Recorrente que os valores desconsiderados se referem a composição de saldo credor de períodos anteriores e que foram objeto de verificação em outros procedimentos fiscais, conforme citado pela própria autoridade fiscal. Portanto, não podem ser desconsiderados tendo em vista que os autos de infração lavrados em decorrência desta apuração foram impugnados e se encontram em “fase de processo administrativo”, o que suspende a exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 151, III do CTN. Tais valores estão sendo discutidos nos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011). Portanto, cabe a suspensão do presente feito face o caráter reflexivo com os citados processos. Entendo que em parte a Recorrente possui razão. Isto porque os valores desconsiderados pela fiscalização neste processo são decorrentes de saldo credor de períodos anteriores os quais foram refeitos em virtude de procedimentos fiscais instaurados na empresa. Realmente a decisão administrativa final dos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011) irão repercutir diretamente no saldo credor inicial das contribuições para o PIS e da COFINS do presente processo. Entretanto, conforme bem delineado pela decisão recorrida, “Caso, porventura, o posicionamento da fiscalização venha a ser alterado por decisão administrativa final, por certo este novo entendimento deverá refletir em todos os demais casos relacionados”. Portanto, apesar de alguns processos da Recorrente terem sido sobrestados para aguardar a decisão final a respeito de eventual alteração dos saldos credores de períodos anteriores, entendo desnecessário o sobrestamento. Isto porque a unidade de origem, ao liquidar a decisão final do presente processo, deverá necessariamente observar o resultado administrativo final em relação aos processos 13971.723730/2014-51 (10/2009 a 12/2009), Fl. 1399DF CARF MF Original Fl. 48 do Acórdão n.º 3401-012.627 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13971.907544/2016-34 13971.724090/2015-87 (12/2010) e 13971.907537/2016-32 (10/2011 a 12/2011), com vistas a proceder os devidos ajustes de saldos credores anteriores que possam ter sido restabelecidos no transcurso dos julgamentos na esfera administrativa e que venham a afetar os saldos credores iniciais do presente processo. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. Da conclusão Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar de “Caráter Reflexivo” e, no mérito, dar parcial provimento ao recurso para: 1) afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS dos seguintes programas de benefícios fiscais: DESENVOLVE, PRODEPE, Subvenção concedida pelo Estado do Piauí e Subvenção concedida pelo Estado do Mato Grosso; 2) para afastar a majoração da base de cálculo das contribuições para o PIS e da COFINS que não seja relacionada ao benefício fiscal denominado REINTEGRA e constante nos lançamentos contábeis da Conta 3222003; 3) reverter as glosas de créditos relacionados às notas fiscais nas quais constam a aquisição de aditivo alimentar denominado DATEM PANODAN e de pallets; 4) Reverter a glosa de fretes na industrialização por encomenda; 5) conceder aproveitamento de créditos básicos relacionados aos dispêndios de frete no transporte de insumos, mesmo que os insumos adquiridos tenham gerados créditos presumidos. (documento assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 1400DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 12689.720036/2012-42
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 16/05/2007, 07/12/2007, 06/02/2008, 11/04/2008, 21/07/2008, 24/10/2008, 21/12/2008, 05/05/2009, 05/07/2009, 05/08/2009, 21/09/2009, 22/11/2009, 15/01/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11)
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARTIGO 24 DA LEI Nº 11.457/2007. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE.
A norma que estabelece a obrigatoriedade de que a decisão administrativa seja proferida no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias apresenta natureza jurídica programática e não fixa qualquer sanção pelo descumprimento do referido prazo pela autoridade administrativa.
Portanto, descabe afastar a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário em discussão nesses autos, cujo fundamento legal repousa no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/1996, em decorrência do excesso de prazo para emissão da decisão pelo julgador administrativo.
ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 16/05/2007, 07/12/2007, 06/02/2008, 11/04/2008, 21/07/2008, 24/10/2008, 21/12/2008, 05/05/2009, 05/07/2009, 05/08/2009, 21/09/2009, 22/11/2009, 15/01/2010
DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA ARMAZENADA. MULTA.
Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil.
Numero da decisão: 3001-002.513
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e em rejeitar o pedido para que a correção pela taxa Selic ocorra apenas até o 360º dia contado do protocolo da impugnação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
João José Schini Norbiato Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente).
Nome do relator: JOAO JOSE SCHINI NORBIATO
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PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE. SÚMULA CARF nº 11. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Súmula CARF nº 11) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ARTIGO 24 DA LEI Nº 11.457/2007. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DE JUROS. IMPOSSIBILIDADE. A norma que estabelece a obrigatoriedade de que a decisão administrativa seja proferida no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias apresenta natureza jurídica programática e não fixa qualquer sanção pelo descumprimento do referido prazo pela autoridade administrativa. Portanto, descabe afastar a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário em discussão nesses autos, cujo fundamento legal repousa no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/1996, em decorrência do excesso de prazo para emissão da decisão pelo julgador administrativo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 16/05/2007, 07/12/2007, 06/02/2008, 11/04/2008, 21/07/2008, 24/10/2008, 21/12/2008, 05/05/2009, 05/07/2009, 05/08/2009, 21/09/2009, 22/11/2009, 15/01/2010 DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA ARMAZENADA. MULTA. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 68 9. 72 00 36 /2 01 2- 42 Fl. 70DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de prescrição intercorrente e em rejeitar o pedido para que a correção pela taxa Selic ocorra apenas até o 360º dia contado do protocolo da impugnação e, no mérito, em negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Aniello Miranda Aufiero Junior (suplente convocado(a)), Bruno Minoru Takii, Francisca Elizabeth Barreto, Laura Baptista Borges, Wilson Antônio de Souza Côrrea, João José Schini Norbiato (Presidente). Relatório Por economia processual e, sobretudo, por bem sintetizar os eventos processuais até a apresentação da impugnação, reproduzo a seguir o relatório contido na decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE): Trata o presente processo de exigência da multa prevista no art. 107, inciso IV, alínea “f”, do Decreto-lei nº 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei nº 10.833/2003, no valor de R$ 65.000,00, conforme Auto de Infração fls. 02-07. De acordo com a descrição dos fatos contida no Auto de Infração: "A empresa em epígrafe, como recinto alfandegado depositário de mercadorias importadas deixou de cumprir a obrigação estabelecida no art. 31 do Decreto-lei nº 1.455/76, não informando, dentro do prazo legal, o abandono das mercadorias sob sua guarda, constantes dos conhecimentos (bls) relacionados em anexo, conforme determina os arts. 23 e 31 do Decreto-lei acima citado [...]." Após aludir ao artigo 642 do Decreto nº 6.759/2009, que considera abandonada a mercadoria que permanecer em recinto alfandegado sem que o seu despacho de importação seja iniciado no decurso dos prazos que relaciona, o Auditor-Fiscal, afirma que houve o descumprimento do prazo legal, concluindo pela aplicação da multa. Na fl. 10, consta tabela indicando os números dos Conhecimentos de Carga a que se refere o Auto de infração, bem como os respectivos interessados, datas das descargas, datas de vencimento dos prazos para permanência em recinto alfandegado, datas-limite para prestação da informação à Receita Federal e datas em que o depositário comunicou o abandono. Cientificada do auto de infração em 10/02/2012, conforme fl. 14, a interessada apresentou a impugnação de fl. 19, em 23/02/2012, por meio da qual expõe as seguintes razões de defesa: "... cumpre-nos registrar nossa estranheza pela tentativa de imputar a esta EADI uma multa pela alegada 'não prestação de informação sobre carga armazenada...', considerando que as cargas elencadas no auto em comento encontram-se registradas na Relação de Mercadorias Abandonadas por Decurso de Prazo, enviada via Internet em 21/07/2010 (vide anexo), em atenção à convocação do então Gerente de Projeto Maciel para participar do evento "Oficina de Brainstorn", documento igualmente anexo. Fl. 71DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Importa ressaltar, outrossim, que desde a implantação do SISCARGA esta EADI sempre disponibilizou para essa Alfândega o relatório supra mencionado, permitindo inicialmente a verificação dos dados através do nosso sistema SISPLAN e, posteriormente via Internet, tudo de acordo com o Ato Declaratório Conjunto COANA/COTEC nº 02 de 2003 e na mais perfeita consonância com o projeto da "RF" intitulado "Receita sem Papel". Diante do exposto, solicitamos, tempestivamente, seja desconsiderado o aludido auto de infração pela justeza do pleito." [grifo nosso] Ao deliberar acerca da impugnação (acórdão nº 08-049.352, às fls. 38/40), a 7ª Turma da DRJ/FOR, por unanimidade de votos, julgou-a improcedente. O acórdão do colegiado a quo recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 16/05/2007 a 15/01/2010 DEPOSITÁRIO. FALTA DE INFORMAÇÃO SOBRE CARGA ARMAZENADA. MULTA. Aplica-se a multa de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) ao depositário que deixar de prestar informação sobre carga armazenada, ou sob sua responsabilidade, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificado desta decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário, (fls. 53/60), no qual, em âmbito preliminar, 1) suscita a ocorrência da prescrição intercorrente no presente processo e, alternativamente, com fulcro no art. 24 da Lei nº 11.457/07, requer que a atualização do crédito tributário pela taxa SELIC seja feita apenas durante os 360 dias contados do protocolo da impugnação; e, no mérito, 2) aduz que não descumpriu a obrigação de prestar as informações a respeito das cargas consideradas abandonadas que estavam sob sua responsabilidade. Recebido o recurso, o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro João José Schini Norbiato, Relator. Fl. 72DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 1. Da competência para julgamento do feito Em virtude da norma contida no artigo 65 do Anexo da Portaria MF nº 1634, de 21 de dezembro de 2023, a qual aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, este colegiado é competente para apreciar este feito. 2. Do conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos formais de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento e passo à sua análise. 3. Da preliminar Antes de adentrar à questão de mérito, passo à análise da preliminar suscitada em recurso: 3.1. Da prescrição intercorrente Encetando as razões recursais, a Recorrente pugna que no presente processo teria ocorrido a prescrição intercorrente, pois entre a apresentação da impugnação e o julgamento em primeira instância administrativa transcorreram-se mais de 7 anos, sem que houvesse movimentação processual. Diz que “a aplicação da Prescrição Intercorrente Administrativa punitiva contra a Administração Pública Federal é regulada pela Lei nº 9.873/99, que determina o prazo prescricional de 3 anos, conforme previsão do § 1º do artigo 1º” (fls. 56) e acrescenta que a prescrição intercorrente também é tratada no art. 21, § 2º, do Decreto 6.514/08. No mais, requer, alternativamente, que “seja a atualização por SELIC aplicável apenas durante os 360 dias contados do protocolo da Impugnação, uma vez que, de acordo com a regra constante do artigo 24 da Lei nº 11.457/07, a administração Pública tem o prazo de 360 dias para proferir decisão administrativa de defesas apresentadas e o contribuinte não pode se prejudicar única e exclusivamente por sua morosidade, ainda mais considerando que no presente caso, passaram-se 7 anos.” (fls. 57). Exposto o argumento, entendo que não assiste razão à Recorrente. Um primeiro ponto a destacar é que as disposições legais trazidas à baila para amparar a tese da prescrição intercorrente não são aplicáveis à espécie em julgamento. A começar pela Lei nº 9.873/99, pois, o seu art. 1º-A dispõe expressamente acerca da natureza não tributária do crédito por ela tratado. Além disso, o art. 5º desta lei é claro ao dispor que ela não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. Quanto ao art. 21 do Decreto 6.514/08, não é preciso mais do que a leitura do seu caput para concluir que suas disposições aplicam-se apenas aos processos administrativos que visam à apuração de infrações contra o meio ambiente. Vejamos: Fl. 73DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Art. 21. Prescreve em cinco anos a ação da administração objetivando apurar a prática de infrações contra o meio ambiente, contada da data da prática do ato, ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que esta tiver cessado. § 1º Considera-se iniciada a ação de apuração de infração ambiental pela administração com a lavratura do auto de infração. § 2º Incide a prescrição no procedimento de apuração do auto de infração paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação. (Redação dada pelo Decreto nº 6.686, de 2008). § 3º Quando o fato objeto da infração também constituir crime, a prescrição de que trata o caput reger-se-á pelo prazo previsto na lei penal. § 4º A prescrição da pretensão punitiva da administração não elide a obrigação de reparar o dano ambiental. (Incluído pelo Decreto nº 6.686, de 2008). [grifo nosso] Já em se tratando de processo administrativo fiscal, a regência se dá pelas normas contidas no Decreto nº 70.235/72, o qual fora recepcionado pela CF/88 com força de lei e aplica- se aos processos administrativos fiscais de forma abrangente, incluindo obviamente os contenciosos vinculados à exigência de créditos tributários, sejam originários de lançamento de tributos ou de aplicação de multas isoladas, sejam elas relacionadas à tributação interna ou ao comércio exterior. A propósito, acerca da aplicabilidade das disposições do Decreto nº 70.235/72 aos créditos tributários relacionados às operações de comércio exterior, o Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/2009) é claro ao dispor: Art. 768. A determinação e a exigência dos créditos tributários decorrentes de infração às normas deste Decreto serão apuradas mediante processo administrativo fiscal, na forma do Decreto nº 70.235, de 1972 (Decreto-Lei n o 822, de 5 de setembro de 1969, art. 2 o ; e Lei nº 10.336, de 2001, art. 13, parágrafo único). (grifo nosso) Vê-se, portanto, que a própria legislação não fez distinção entre os créditos decorrentes de multas aduaneiras dos demais créditos tributários, dispondo que se aplica eles as mesmas regras processuais. Sendo assim, não haveria sentido que para créditos apurados e julgados dentro de um mesmo rito processual houvesse regras distintas apenas no que se refere à possibilidade de prescrição intercorrente. Não bastasse isso, a matéria da prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal está pacificada no âmbito deste Conselho por meio da Súmula CARF nº 11, in verbis: Súmula CARF nº 11 Aprovada pelo Pleno em 2006 Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Fl. 74DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Por fim, não obstante a duração razoável do processo seja, sem dúvidas, uma meta a ser perseguida pelos órgãos julgadores administrativos, fato é que o prazo do art. 24 da Lei n° 11.457/2007 é o que doutrina classifica como sendo um “prazo impróprio”, ou seja, a norma não prevê qualquer tipo de sanção para as hipóteses em que ele acaba sendo extrapolado. Sendo assim, a inobservância da indigitada disposição legal não tem o condão de afastar a incidência dos juros de mora previstos no parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/1996, de modo que não há embasamento para que o julgador administrativo acate pedido para que a correção do crédito tributário pela taxa Selic seja suspensa depois do 360º dia contado do protocolo da impugnação. Diante do exposto, voto pela rejeição da preliminar de prescrição intercorrente e do pedido para que a correção pela taxa Selic ocorra apenas até o 360º dia contado do protocolo da impugnação. 4. Do mérito Analisada a questão preliminar, passemos à de mérito. 4.1 Da inexistência de descumprimento de obrigação acessória Em tópico da peça recursal que carrega o título acima, a Recorrente defende a inexistência da infração que lhe foi imputada, vez que, segundo ela, a obrigação acessória que ensejou a penalidade teria sido cumprida. Considerando que os argumentos trazidos lastreiam-se basicamente em questões de fato, julgo salutar a reprodução direta de trechos do recurso para que a essência da tese recursal não se perca: Como já adiantado e comprovado na Impugnação, desde a implantação do SISCARGA, a Recorrente sempre disponibilizou para a Alfândega o relatório de cargas abandonadas, permitindo a verificação dos dados pelo sistema SISPLAN e, posteriormente, via Internet, tudo de Acordo com o "Ato Declaratório Conjunto COANA COTEC n2 02 de 2003" e na mais perfeita consonância com o projeto da Secretaria da Receita Federal do Brasil, intitulado "Receita sem Papel". Ou seja, havia, à época dos fatos, por parte da Secretaria da Receita Federal do Brasil, a dispensa do envio de informações em papel toda vez que a carga entrada em abandono, pois havia, com regularidade, a consulta por parte do Órgão Administrativo ao sistema, por meio do Relatório de Mercadorias em Abandono e esse procedimento sempre funcionou com regularidade, em parceria das empresas com a Receita Federal. Apenas em 10/07/2014, posterior, portanto, aos fatos geradores imputados, o Sr. Auditor Fiscal Roberto Neri Reis reviu esse procedimento por dificuldades de controle interno, e solicitou que a Recorrente que viabilizasse, por meio do seu setor de Tecnologia de Informação ("TI"), a possibilidade de o sistema do recinto da Recorrente enviar, automaticamente, um e-mail à Receita Federal toda vez que a carga entrasse em abandono e requereu, formalmente, o seguinte (vide Doc. 02): Fl. 75DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 [...] Ou seja, da análise do e-mail ora anexado, enviado pelo sr. Auditor Fiscal responsável, o procedimento de envio do e-mail apenas foi exigido após o dia 14/07/2014, posterior, portanto, ao Auto de Infração em referência. Ademais, o próprio artigo utilizado pela fiscalização para imputar a multa ora cobrada não estabelece a forma como essa comunicação deveria ocorrer (art. 31 do Decreto-Lei nº 1.455/76), o que corrobora, ainda mais, com a regularidade do procedimento pela Recorrente, com a corriqueira lisura em que atua, sempre disponibilizando o relatório on-line com dados em tempo real (conforme constam desses autos). [grifo nosso] Percebe-se claramente que as razões recursais dão ênfase à forma como a informação deveria ser prestada e buscam demonstrar que o meio utilizado para comunicar os abandonos à RFB fora adequado. De acordo com a Recorrente, somente a partir de 14/07/2014 passou a viger a exigência fiscal de que a comunicação acerca das cargas consideradas abandonadas fosse feita via e-mail, indicando que, antes disso, as informações eram prestadas por outros meios idôneos e dando entender que o motivo para a autuação seria a desconsideração dessas informações pela fiscalização devido à forma de envio. Entretanto, interessante notar que a atuação não discute a forma como as informações deveriam ser prestadas, tanto o é que o auto de infração não faz qualquer ressalva nesse sentido. Basta ver que na planilha anexa ao auto (fls. 10), na coluna “DATA DA COMUNICAÇÃO DO ABANDONO À RFB”, todas as datas são muito anteriores a 14/07/2014, o que demonstra que, a despeito do modo de envio, a fiscalização considerou que houve a comunicação, não fazendo diferença se foi por e-mail ou não. Em verdade, o que se observa no auto de infração é que as multas foram impostas pelo descumprimento do prazo estatuído no art. 31 do Decreto-Lei n° 1.455/76 e não por terem sido apresentadas informações em meio inadequado. Logo, ao pautar-se sobremaneira na forma pela qual as informações deveriam ser prestadas, a Recorrente acaba por desviar o foco do que realmente importa para o deslinde da controvérsia, que é saber quando a informação acerca do abandono das mercadorias sob sua guarda foi efetivamente enviada à fiscalização. A indigitada planilha anexa ao auto apresenta as seguintes informações: Fl. 76DF CARF MF Original Fl. 8 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Por sua vez, a Recorrente, como já destacado, não indica em suas razões recursais quando teria comunicado o abandono das mercadorias à RFB. A única menção nesse sentido está na descrição dos fatos, quando a Recorrente diz que que na impugnação argumentou que “as cargas elencadas no auto encontram-se devidamente registradas na Relação de Mercadorias Abandonadas por Decurso de Prazo, enviada via internet em 21/07/2010, em atenção à convocação do então Gerente de Projetos Sr. Luciano Maciel para participar do Evento 'Oficina de Brainstorm', conforme documentos anexados”. (fls. 55). Entretanto, ainda que todas informações tenham sido prestadas em 21/07/2010, como afirma a Recorrente, o prazo estabelecido no art. 31 do Decreto-Lei n° 1.455/76 não foi cumprido, pois as datas que constam na coluna “DATA LIMITE PARA INFORMAÇÃO À RFB” na planilha acima são todas anteriores ao dia que a Recorrente alega ter feito o envio das informações. No mais, nos autos não resta nem mesmo comprovado que o envio das informações ocorreu na data alegada pela Recorrente, vez que no documento intitulado “MERCADORIAS ABANDONADAS POR DECURSO DE PRAZO” (fls. 21/22), apresentado junto da impugnação, não consta nenhum ateste de recebimento por parte da repartição aduaneira e não há qualquer outra prova de que, conquanto a ausência do recibo de entrega, as informações foram disponibilizadas à RFB dentro do prazo. Portanto, voto por negar provimento ao recurso neste particular. Fl. 77DF CARF MF Original Fl. 9 do Acórdão n.º 3001-002.513 - 3ª Sejul/1ª Turma Extraordinária Processo nº 12689.720036/2012-42 Conclusão Diante do exposto, voto pela rejeição da preliminar de prescrição intercorrente e do pedido para que a correção pela taxa Selic ocorra apenas até o 360º dia contado do protocolo da impugnação e, no mérito, por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) João José Schini Norbiato Fl. 78DF CARF MF Original
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Numero do processo: 11128.000285/2010-49
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Wed May 08 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS
Data do fato gerador: 11/01/2010
RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS.
O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 11/01/2010
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de efetiva análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, por conseguinte, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
Numero da decisão: 3301-014.059
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, em razão do cerceamento do seu direito de defesa, e, por conseguinte, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e encaminhar os autos à DRJ, para proferir nova decisão, com a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos adequados ao caso.
(documento assinado digitalmente)
Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe Presidente
(documento assinado digitalmente)
Wagner Mota Momesso de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jucileia de Souza Lima, Laercio Cruz Uliana Junior, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Wagner Mota Momesso de Oliveira.
Nome do relator: WAGNER MOTA MOMESSO DE OLIVEIRA
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ementa_s : ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 11/01/2010 RESPONSABILIDADE. AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de efetiva análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, por conseguinte, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972.
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AGENTE MARÍTIMO. REPRESENTANTE DO TRANSPORTADOR ESTRANGEIRO. LEGITIMIDADE PASSIVA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/1966, conforme Súmula CARF 185. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 11/01/2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. OMISSÃO DO JULGADOR DE PRIMEIRA INSTÂNCIA NA APRECIAÇÃO DA MATÉRIA ALEGADA NA IMPUGNAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Configura-se cerceamento do direito de defesa a falta de efetiva análise e pronunciamento pela autoridade julgadora dos argumentos apresentados em sede de impugnação pelo sujeito passivo, o que gera, por conseguinte, a nulidade da decisão, nos termos do artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher a preliminar de nulidade suscitada pela recorrente, em razão do cerceamento do seu direito de defesa, e, por conseguinte, dar parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e encaminhar os autos à DRJ, para proferir nova decisão, com a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos adequados ao caso. (documento assinado digitalmente) Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe – Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 00 02 85 /2 01 0- 49 Fl. 170DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-014.059 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000285/2010-49 (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Jucileia de Souza Lima, Laercio Cruz Uliana Junior, Rodrigo Lorenzon Yunan Gassibe (Presidente) e Wagner Mota Momesso de Oliveira. Relatório Trata-se de auto de infração lavrado para aplicação da multa disposta no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do Decreto-Lei 37/66, com a redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/03, consistente no montante de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), juntado às fls. 2-11. Aduz a autoridade aduaneira (fl. 8): Em 11 de janeiro de 2010 foi protocolada nesta Eqvib, solicitação de desbloqueio do seguinte manifesto eletrônico no sistema CARGA: 1510500023586, pois este foi vinculado fora do prazo estabelecido em norma, o que ocasionou bloqueio automático gerado pelo sistema (doc.01). Foram juntados aos autos documentos concernentes à infração (fls. 17-19). Após ciência do auto de infração, a interessada apresentou impugnação, conforme petição juntada às fls. 50-56, por meio da qual, em apertada síntese, (i) suscita a sua ilegitimidade passiva para o caso em questão, pois, segundo ela, se trata de agência marítima e, assim sendo, não pode ser penalizada por multa decorrente de infração imposta pela lei ao transportador marítimo; (ii) afirma que o pedido de desbloqueio de manifesto de contêineres vazios, em que se embasou o presente auto, foi protocolado equivocadamente, uma vez que o manifesto dos vazios n. 1510500023586 já estava vinculado à escala do Porto de Santos desde 06/10/10, conforme Relatório do Mercante juntado como doc. 6 e 7, no prazo de antecedência de 48 horas antes da atracação do navio, tomando por base a atracação do navio no primeiro porto nacional, ocorrido em 10/01/09; e, por fim, (iv) alega que, apesar de juntar a petição equivocada da impugnante, deixou de provar que tenha autorizado o desbloqueio requerido ou que a vinculação tenha sido realizada em data intempestiva, o que, por falta de motivação para sua aplicação, torna o auto de infração insubsistente. Mediante o acórdão juntado às fls. 85-90, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro-RJ julgou improcedente a impugnação e manteve o crédito tributário. A recorrente interpôs recurso voluntário em face do sobredito acórdão, consoante petição juntada às fls. 100-108, por meio do qual, em apertada síntese, repisa os argumentos apresentados na impugnação e aduz que o acórdão recorrido fora proferido sem analisar os argumentos da impugnação, ou seja, se valendo de argumentos genéricos e inaplicáveis ao presente processo, bem como que se trata de um verdadeiro descaso com o contribuinte, que está desde 2010 aguardando decisão, e, quando esta é proferida, sequer analisa os fatos do auto de infração e muito menos os argumentos da impugnação. Fl. 171DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-014.059 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000285/2010-49 Voto Conselheiro Wagner Mota Momesso de Oliveira, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, razões pelas quais o conheço. A recorrente suscita a sua ilegitimidade passiva para o caso em questão, pois, segundo ela, se trata de obrigação tributária acessória atribuída pela Receita Federal do Brasil ao transportador estrangeiro e não de seu agente marítimo. Tal alegação não merece acolhida, uma vez que há súmula deste Conselho acerca da sua responsabilidade: Súmula CARF 185: O Agente Marítimo, enquanto representante do transportador estrangeiro no País, é sujeito passivo da multa descrita no artigo 107 inciso IV alínea “e” do Decreto-Lei 37/66. Logo, afasto a preliminar de ilegitimidade passiva. A recorrente aduz que o acórdão recorrido fora proferido sem analisar os argumentos da impugnação, ou seja, se valendo de argumentos genéricos e inaplicáveis ao presente processo, bem como que se trata de um verdadeiro descaso com o contribuinte, que está desde 2010 aguardando decisão, e, quando esta é proferida, sequer analisa os fatos do auto de infração e muito menos os argumentos da impugnação. Ao analisar o acórdão recorrido, constata-se que, de fato, se trata de decisão genérica, sem apreciação dos argumentos apresentados na impugnação, com menção a fato distinto do objeto da autuação, conforme a seguir transcrito: (...) Os fundamentos para esse tipo de autuação nesse conjunto de processos administrativos fiscais são os seguintes: As empresas responsáveis pela carga lançaram a destempo o conhecimento/manifesto eletrônico, pois segundo a IN SRF nº 800/2007 (artigo 22), o prazo mínimo para a prestação de informação acerca da conclusão da desconsolidação é de 48 horas antes da chegada da embarcação no porto de destino. (...) Deixo de acolher as preliminares trazidas pela interessada, eis que buscam sustentar, através da desconstrução do instrumento de lançamento, a improcedência da aplicação da penalidade, quando o verdadeiro cerne da autuação encontra guarida na necessidade do controle das importações e dos prazos que devem ser cumpridos, antes ainda do respectivo Registro da DI. (...) Corroborando esse entendimento, o tipo infracional em que se enquadra a conduta da autuada dispõe expressamente que ele se aplica ao agente de carga, como se pode constatar da leitura do art. 107, IV, “e”, do Decreto-Lei nº 37/1966, com redação dada pela Lei nº 10.833/2003, a seguir reproduzido: Fl. 172DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-014.059 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000285/2010-49 (...) A autuada era responsável pela desconsolidação da carga, conforme informou a fiscalização, aspecto que não foi contestado pela impugnante. Dessa forma, cabia a ela emitir os conhecimentos eletrônicos referentes às cargas. (...) O caso ora apreciado diz respeito à importação de cargas consolidadas, as quais são acobertadas por documentação própria, cujos dados devem ser informados de forma individualizada para a geração dos respectivos conhecimentos/manifestos eletrônicos (CEs/MEs). Esses registros devem representar fielmente as correspondentes mercadorias, a fim de possibilitar à Aduana definir previamente o tratamento a ser adotado a cada caso, de forma a racionalizar procedimentos e agilizar o despacho aduaneiro. Nesses casos, não é viável estender a conclusão trazida na citada SCI, conforme se passa a demonstrar. (...) Nesse sentido, o lançamento extemporâneo do conhecimento eletrônico, fora do prazo estabelecido na IN SRF nº 800/2007, por causar transtornos ao controle aduaneiro, deve ser mantido na presente autuação. (destaques nosso) A autuação fora lavrada em razão da vinculação extemporânea de manifesto e não em razão de infração concernente à desconsolidação de carga. Ademais, a recorrente era agente marítima e não agente de carga, como considerado pela decisão recorrida. Infere-se que a decisão recorrida não apreciou os supracitados argumentos apresentados pela recorrente na impugnação nem apresentou fundamentos fáticos e jurídicos adequados ao caso sob análise. Conforme disposto no artigo 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, abaixo transcrito, são nulas as decisões proferidas com preterição ao direito de defesa: Art. 59. São nulos: I - os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II - os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprir-lhe a falta. (destaque nosso) Os argumentos apresentados pela recorrente em sua peça de impugnação devem ser enfrentados pela instância de piso, com a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos adequados ao caso, sob pena de preterição do seu direito de defesa. À vista do exposto, acolho, como preliminar de nulidade, em razão do cerceamento do direito de defesa, o argumento da recorrente no sentido de que o acórdão Fl. 173DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3301-014.059 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.000285/2010-49 recorrido fora proferido sem analisar os argumentos da impugnação, ou seja, se valendo de argumentos genéricos e inaplicáveis ao presente processo, e, por conseguinte, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para anular o acórdão recorrido e encaminhar os autos à DRJ, para proferir nova decisão, com a apresentação de fundamentos fáticos e jurídicos adequados ao caso. Em face da decretação de nulidade do acórdão recorrido, restaram prejudicadas as análises dos demais argumentos recursais. (documento assinado digitalmente) Wagner Mota Momesso de Oliveira Fl. 174DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10880.908422/2013-43
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 02 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL)
Ano-calendário: 2011
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE.
Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
Numero da decisão: 1002-003.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(documento assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Miriam Costa Faccin e Luís Ângelo Carneiro Baptista
Nome do relator: FELLIPE HONORIO RODRIGUES DA COSTA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Ano-calendário: 2011 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido.
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PRAZO DE INTERPOSIÇÃO EXTRAPOLADO. INTEMPESTIVIDADE. Revela-se intempestivo o recurso voluntário interposto depois de extrapolado o prazo de 30 (trinta) dias corridos, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/72. Da contagem, exclui-se o dia do recebimento, inclui-se o do término e prorroga-se quando expirar em finais de semana e feriados, na forma do art. 5º do mesmo diploma legal acima referido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (documento assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva - Presidente (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ailton Neves da Silva, Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Miriam Costa Faccin e Luís Ângelo Carneiro Baptista Relatório Trata-se de Recurso Voluntário contra Acórdão 16.076.316 - 8ª Turma da DRJ/SPO, Sessão de 23 de fevereiro de 2017, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Por bem descrever os fatos e por economia processual, adoto o relatório da decisão da DRJ, nos termos abaixo: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 84 22 /2 01 3- 43 Fl. 189DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1002-003.333 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.908422/2013-43 Cuida-se de manifestação de inconformidade, interposta em 15/05/2013, em face do despacho decisório que indeferiu a compensação tributária pretendida - Dcomp nº 07188.53122.141211.1.3.04-0127-, na qual se buscava a extinção de crédito tributário a partir de direito creditório vinculado às retenções realizadas nas operações de prestação de serviços de pessoas jurídicas de direito privado à requerente. No referido despacho decisório, restou assim consignado, verbis: (...) A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2013. Após ter sido notificada do indigitado decisório, em 15/04/2013, a requerente aduz os seguintes argumentos, visando afastar a glosa promovida pela administração tributária: que houve a retenção pela existência fática da prestação dos serviços, que, no entanto, dada a condição da pessoa jurídica contratada, de optante do Simples Nacional, tal retenção foi promovida indevidamente, já que , sob os auspícios da IN RF nº 459/2004, o tomador não tem o dever instrumental de efetuar a retenção dos tributos em operações com contribuintes inseridos na sistemática simplificada de apuração de tributos. Alega que a própria DCTF do período (doc.04) demonstra o valor do crédito do pagamento a maior, pois não foi utilizado o valor total do Darf para adimplemento da dívida. Pugna ainda pela produção de prova pericial, a confirmar o aludido em suas alegações, pelo que requer, ao final, o provimento da manifestação de inconformidade e a homologação do encontro de contas. A 8ª Turma da DRJ/SPO julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ratificando a decisão da Delegacia de jurisdição da contribuinte assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO - CSLL Ano- calendário: 2011 PER/DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVAS DE IRPJ. COBRANÇA DOS DÉBITOS. No caso de retenções legais de tributos, o contribuinte, após preencher a declaração de compensação, espécie de confissão de dívida, ao alegar erro nesta operação, deve comprovar inequivocamente tal fato, notadamente com base na sua escrituração comercial e fiscal do período, com o fito de elidir os efeitos próprios da prova documental. Se não o fizer, não cabe qualquer reparo no instrumento de confissão de dívida e no despacho decisório que indeferiu o encontro de contas. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2011 Fl. 190DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1002-003.333 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.908422/2013-43 PROVA PERICIAL NO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DESNECESSIDADE. COMPROVAÇÃO POR MEIO DE PROVA DOCUMENTAL PRÉ-CONSTITUÍDA A SER APRESENTADA PELO CONTRIBUINTE. Embora haja a previsão de produção de prova pericial no curso do processo administrativo fiscal, esta só se presta, eventualmente, para que se examinem questões eminentemente técnicas, cuja a existência pende de análises mais criteriosas na escrituração do contribuinte e que não foram devidamente avaliadas pela autoridade administrativa, vale dizer, o auditor fiscal da Receita Federal do Brasil. No caso em tela, a alegação deveria vir acompanhada de prova documental a sopesar o erro supostamente cometido no preenchimento da declaração de compensação, ou seja, deveria o contribuinte identificar e demonstrar ao julgador os lançamentos referentes ao erro - estorno, retificações, etc. -, o que não foi realizado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente do acórdão recorrido, e com ele inconformado, a recorrente apresentou Recurso Voluntário defendendo a sua tempestividade, preliminar de nulidade por ausência de perícia, bem como a homologação total do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Fellipe Honório Rodrigues da Costa, Relator. ADMISSIBILIDADE Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do artigo 23-B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais “RICARF”), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017, Portaria CARF n° 6.786/2022, Portaria MF nº 1.634/2023 e Portaria CARF/ME n° 2.605/2022. Demais disso, observo que a ciência do recorrente em relação ao Acórdão nº 16.076.316 - 8ª Turma da DRJ/SPO se deu por via postal, tendo os Correios registrado o Aviso de Recebimento no dia 23 de março de 2017 (quinta-feira), conforme se atesta às e-fls. 91. Fl. 191DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1002-003.333 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.908422/2013-43 Nesse sentido, a contagem do prazo para interposição do Recurso Voluntário se iniciou no dia 24 de março de 2017 (sexta-feira). Logo, a recorrente teria até o dia 24 de abril de 2017 (segunda-feira), já que o trigésimo dia seria no dia 22/04/3017 (sábado), prorrogando-se a data para o primeiro dia útil subsequente, como data limite para interpor o Recurso. No entanto, o Recurso Voluntário às e-fls. 93 demonstra que o recorrente apenas apresentou o Recurso no dia 02 de maio de 2017, ou seja, oito dia após o prazo fatal, portanto, intempestivo, nos termos do art. 5º e art. 33 do Decreto nº 70.235/72, in verbis: Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindo-se na sua contagem o dia do início e incluindo-se o do vencimento. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. e-fls. 93 Fl. 192DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1002-003.333 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.908422/2013-43 Ressalto ainda, que no presente processo tem uma informação de intempestividade às e-fls. 151/152 e um arrazoado produzido pela parte recorrente defendendo a sua tempestividade as e-fls. 155/158 sustentado que o recebimento do documento teria sido no dia 24 de março de 2017, baseado no seguinte consulta no site da Agência dos Correios: Dessa forma, conforme já mencionado, entendo que a ciência do Acórdão se deu no dia 23 de março de 2017 nos termos do AR de e-fls. 91, cujo documento foi recebido com assinatura subscrita pelo Sr. Paulo H. Souza dando a partir de então a ´possibilidade da empresa recorrer se manifestar no prazo legal. Por outro lado, a consulta da Agencia dos Correios, na visão deste relator, não seria capaz de desnaturar o AR supramencionado, vez que há a identificação da data com a assinatura de quem recebeu o documento no endereço indicado, validando, portanto, a veracidade da data ali indicada, razão pela qual entendo que o Recurso é manifestamente intempestivo posto que fora protocolado fora do prazo legal. Portanto, não conheço do Recurso Voluntário em razão de sua intempestividade. Fl. 193DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1002-003.333 - 1ª Sejul/2ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.908422/2013-43 CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por não conhecer do recurso dada a intempestividade de sua apresentação. (documento assinado digitalmente) Fellipe Honório Rodrigues da Costa Fl. 194DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 15504.727858/2014-25
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Fri May 10 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA (IRPJ)
Período de apuração: 31/03/2010 a 31/12/2010
LUCRO PRESUMIDO. PERCENTUAL PARA DETERMINAR BASE DE CÁLCULO. INSTALAÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO.
As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado, ventilação e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ e CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido.
Numero da decisão: 1402-006.808
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos.
(documento assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Ricardo Piza Di Giovanni - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauricio Novaes Ferreira, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente)
Nome do relator: RICARDO PIZA DI GIOVANNI
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PERCENTUAL PARA DETERMINAR BASE DE CÁLCULO. INSTALAÇÃO DE SISTEMAS DE AR CONDICIONADO. As atividades de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado, ventilação e refrigeração, ainda que realizadas sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, não caracterizam obras de construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinar a base de cálculo do IRPJ e CSLL sob o regime de tributação com base no lucro presumido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo integralmente a decisão recorrida e os lançamentos. (documento assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone - Presidente (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Alexandre Iabrudi Catunda, Jandir Jose Dalle Lucca, Mauricio Novaes Ferreira, Ricardo Piza Di Giovanni, Alessandro Bruno Macedo Pinto, Paulo Mateus Ciccone (Presidente) Relatório Trata-se de Auto de Infração no valor original de IRPJ CSLL. período de apuração: 31/03/2010, 30/06/2010, 30/09/2010, 31/12/2010 lavrado em face de empresa que dedica-se a atividade de instalação de ar condicionado central em edificações e que apurou o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) através do lucro presumido, adotando o percentual de 8% e 12%, aplicável às atividades AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 78 58 /2 01 4- 25 Fl. 574DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 de construção por empreitada, sendo que a fiscalização, contudo, considerou que a atividade de instalação de ar condicionado central em edificações prestação de serviço de instalação de equipamentos, sujeita ao percentual de presunção do lucro presumido de 32%. Constatado que o contribuinte, no ano-calendário de 2010, deixou de recolher tributos em virtude da suposta aplicação incorreta do coeficiente de 8%, em vez de 32%, foram lavrados os Autos de Infração de IRPJ (fls. 03/14) e de CSLL (fls. 15/26), que perfazem o crédito tributário de R$ 3.488.001,41 (fls. 02), incluídos neste valor o imposto/contribuição, a multa de ofício de 75% e os juros de mora calculados até outubro/2014. Portanto, o debate no presente caso refere-se a classificação da atividade da Recorrente, sendo necessário definir se trata-se de prestação de serviços ou de construção por empreitada, definição que implica na alíquota de tributo a ser aplicada. Relatou a autoridade fiscal no Termo de Verificação Fiscal de fls. 27/36: que no ano-calendário de 2010, constava no Contrato Social da fiscalizada o seguinte objetivo social: A) Serviços auxiliares e complementares da construção civil de sistema de condicionamento de ar, ventilação, refrigeração, automação, controle de acesso, circuito fechado de TV e manutenção, incluindo instalação nas edificações de rede de água, ar, ar comprimido, cabeamento estruturado e eletricidade. B) Prática de comércio de ar condicionado, ventilação, refrigeração, aquecimento, geração de vapor, equipamentos para geração e transmissão de energia e outros correlatos ao ramo. C) Prática da indústria de ar condicionado, ventilação, refrigeração, aquecimento, geração de vapor, equipamentos para geração e transmissão de energia e outros correlatos ao ramo. D) Locação e manutenção de equipamentos eletromecânicos, de geração de energia e outros. em sua DIPJ constou o CNAE 43.22-3/02, que é o código da atividade econômica “instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, ventilação e refrigeração”; na apuração de seus impostos, a fiscalizada optou pela tributação com base no Lucro Presumido, tendo informado que adotou o Regime de Caixa para apuração de suas receitas; ao analisar os contratos de obras e serviços do contribuinte, a fiscalização verificou que “em sua maioria estes se referiam a contratos de prestação de serviço de instalação, manutenção e reparo de sistemas de ar condicionado, de ventilação e de refrigeração. As notas fiscais de saída eram de venda de mercadorias, como peças de reposição, e de vendas de serviços, basicamente relativos aos contratos anteriores” Ao analisar os contratos apresentados pelo contribuinte, a fiscalização verificou que quase totalidade deles se referia a contrato de prestação de serviços de instalação, manutenção e reparo de sistemas de ar condicionado, de ventilação e de refrigeração. As notas Fl. 575DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 fiscais de saída, também na sua maioria, eram de prestação de serviços, bem como os registros contábeis indicavam a predominância de prestação de serviços. Considerando que o contribuinte optou pela apuração sob o regime do Lucro Presumido, a fiscalização entendeu que a base de cálculo do imposto seria determinada mediante a aplicação do percentual de 32% sobre a receita bruta auferida para as atividades de prestação de serviços, conforme determina artigo 15, caput e § 1º , III, "a", da Lei n° 9.249/1995 (alínea "a" do inciso III do § 1o do art. 519 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/99). A autoridade fiscal relatou que em sua DIPJ 2011 (fls. 76) o contribuinte informou o código CNAE 43.22-3/02 que é o código da atividade econômica “instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, ventilação e refrigeração”. E, da análise de três contratos de obras e serviços celebrados pela fiscalizada, constatou-se que havia cláusulas contratuais prevendo o faturamento direto de itens diretamente entre o contratante e os fornecedores e/ou fabricante destes itens, a revelar que seriam contratos de empreitada parcial. Portanto, é fato incontroverso nos Autos que o contribuinte utilizou os coeficientes de 8% para o IRPJ e 12% para a CSLL, valores menores, portanto, do que os 32%. Nesse cenário, a contribuinte justificou a aplicação do coeficiente de 8% afirmando que seguiu o Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6/97, o qual trata de percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda mensal na atividade de construção por empreitada. Em contrapartida, a fiscalização entendeu que não seria o caso da fiscalizada aplicar Ato Declaratório Normativo Cosit n° 6/97, argumentando que os contratos apresentados à fiscalização se refeririam à prestação de serviços de instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e de refrigeração, porquanto a previsão de fornecimento de material, por si só, não criaria vínculo com construção por empreitada. Argumentou ainda a fiscalização que a atividade do contribuinte é fundamentalmente de instalação de ar condicionado, nos termos do CNAE do contribuinte declarado, qual seja: 4322-3-02 - Instalação e manutenção de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração, e não de construção por empreitada. Relatou a fiscalização que foram também analisados os contratos apresentados e as informações constantes das notas fiscais. Consequentemente, a fiscalização entendeu que seria o caso de tributação reflexa da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido/CSLL com sujeição ao coeficiente de 32% e não de 12%, de acordo com o disposto no art. 20 da Lei n° 9.249/95. A fiscalização fundamentou o Auto de Infração mencionando que o disposto no item I do ADN Cosit n° 6/97, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto, na atividade de construção por empreitada, empregava-se o percentual de 8% quando há emprego de materiais incorporados à obra, em qualquer quantidade (perdendo estes a qualidade de bens móveis, não se tratando dos instrumentos de trabalho utilizados ou dos materiais consumidos na execução do empreendimento, conforme arts. 84 e 610 a 626 do Código Civil instituído pela Lei n° 10.406/02), e 32%, quando há emprego unicamente de mão-de-obra, isto é, sem o emprego de materiais. Fl. 576DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 Fundamentou ainda a fiscalização que uma alteração legislativa deixou o tema ainda mais claro, esclarecendo que o art. 1º da IN SRF n° 539/05, deu nova redação ao art. 32 da IN SRF n° 480/04, no sentido de alterar a aplicação destes percentuais, no que diz respeito aos serviços de construção por empreitada com emprego de materiais de que trata o inciso II do § 7 o do art. 1º da IN SRF n° 480/04, sendo assim considerada a contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo estes incorporados à obra, alteração legislativa esta que tacitamente derrogado o aludido item I do ADN Cosit n° 6/97, a partir de 27 de abril de 2005. Ou seja, a partir de 27 de abril de 2005, para ser considerado empreitada total o contribuinte deve fornecedor todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo estes incorporados à obra, o que significa dizer que o fornecimento parcial de materiais, ou unicamente de mão-de-obra, estaria sujeito ao percentual de 32%. Esclareceu ainda a fiscalização que os equipamentos de ar condicionado, ventilação e refrigeração, fornecidos pelo contribuinte na execução de sua atividade, ainda que sejam instalados em imóveis, destes não fazem parte integrante, continuando na condição de bens móveis, porque susceptíveis, de remoção, sem nenhum prejuízo, dano ou descaracterização do bem que supostamente os incorporou e que a instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado são atividades relativas à área de engenharia mecânica, e não à construção civil, pois, consoante o art. 12 da Resolução do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia — Confea n° 218/73, destinada à fiscalização do exercício profissional das modalidades de engenharia, consta como competência do engenheiro mecânico ou do engenheiro industrial na modalidade mecânica o desempenho de atividades referentes a sistemas de refrigeração e ar condicionado e seus serviços afins e correlatos. Desta forma, a fiscalização definiu que o ramo de atividade do contribuinte, pertinente à instalação, alteração, manutenção e reparo de sistemas centrais de ar condicionado, de ventilação e refrigeração, ainda que com o fornecimento de todos os materiais necessários e mediante empreitada, não caracteriza construção civil, estando sujeitas as receitas assim auferidas à aplicação do percentual de 32% (trinta e dois por cento) para determinação da base de cálculo do IRPJ, apurado com base no lucro presumido, bem como para determinação da base de cálculo presumida da CSLL. A Recorrente apresentou impugnação argumentando que a sua atividade de instalação de ar condicionado central caracteriza-se como serviço de construção civil por empreitada, sujeitando-se ao recolhimento do IR/CSLL no lucro presumido pelo percentual de 8% e 12%, respectivamente. A DRJ manteve o Auto de Infração. O Recurso Voluntário alega não haver controvérsia quanto ao fato da Recorrente prestar serviços de instalação de sistemas centrais de ar condicionado mediante empreitada, com fornecimento de todos os materiais necessários e que controvérsia seria apenas na caracterização ou não da atividade de instalação de sistemas de ar condicionado como obra de construção civil. Nesse cenário, a Recorrente argumenta que a atividade desenvolvida consiste na execução de projetos de instalação de ar condicionado central em edificações, não se tratando de instalação de aparelhos de pequeno porte normalmente fixados em residências e que, por outro Fl. 577DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 lado, o sistema de ar condicionado central consiste num conjunto de partes, materiais e componentes que são especialmente projetados para funcionar de forma indissolúvel, que só pode operar depois que todas as partes, dimensionadas sob medida são interligadas e fixadas à edificação para a qual se destina, sendo o conjunto todo fixado rigidamente à edificação, não pode ser levado para operar em outro local, estando as instalações diretamente incorporadas na estrutura do edifício, de forma que somente poderiam ser retirados com danos ao imóvel, sendo que os dutos de ventilação sequer podem ser retirados, pois passam a fazer parte integrante do imóvel. O Recorrente citou análises de órgãos técnicos e jurisprudência do Poder Judiciário e do CARF. Não fora apresentada contrarrazões pela PGFN. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Piza Di Giovanni, Relator. O Recurso atende aos requisitos regimentais pelo que o recebo e dele conheço. Trata-se de Auto de Infração que versa sobre a caracterização da atividade de instalação e manutenção de sistemas de ar condicionado, sob a modalidade de empreitada, com fornecimento de materiais, como obra de construção civil. A Recorrente argumenta que sua atividade difere da instalação de um ar condicionado “normal” onde se pode retirar o equipamento e transportar para outro local. Alega que sua atividade refere-se a ar condicionado que integra a estrutura do imóvel, fundamentando no sentido de que sua atividade exercida equipara-se a uma obra de construção civil, na modalidade de empreitada global, com emprego de materiais e mão-de-obra. Nestas circunstâncias, no seu entender, teria direito à aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% (oito por cento) aplicável sobre a receita auferida no período em que fora fiscalizada. Destarte, a controvérsia está situada na questão sobre se a atividade desenvolvida pela Recorrente atende aos requisitos referentes à obra de construção civil por empreitada, na modalidade total, com emprego de materiais e incorporação destes à obra. O tema é normatizado pela Lei nº 9.249/1995, art. 15, §1º, inciso III, alínea a, cujo preceito trata do percentual aplicável sobre a receita bruta para a determinação da base de cálculo do IRPJ pela sistemática do Lucro Presumido, abaixo transcrita: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. (Vide Medida Provisória nº 252, de 15/06/2005) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: Fl. 578DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 [...] III trinta e dois por cento, para as atividades de: (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004 ) a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária Anvisa; ( Redação dada pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008 ) b) intermediação de negócios; c) administração, locação ou cessão de bens imóveis, móveis e direitos de qualquer natureza; d) prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring). § 2º No caso de atividades diversificadas será aplicado o percentual correspondente a cada atividade. (grifos não pertencem ao original) (...) Destarte, segundo a legislação do lucro presumido, como regra geral o percentual é de 8%, mas para as atividades de prestação de serviços em geral o percentual a ser aplicado é de 32%. Note-se que o próprio contribuinte fez a opção pelo Lucro Presumido. O contribuinte entende que estava amparado pelo ADN Cosit nº 6, de 1997, que autorizava a aplicação do percentual de 8%. Referido ato interpretativo emitido pela RFB assim dispunha: I - Na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo do imposto de renda mensal será: a) 8% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mão-de obra, ou seja, sem o emprego de materiais. Alega a Recorrente que os seus serviços eram prestados na forma de contrato por empreitada e que a sua atividade, definida como instalação dos sistemas de ar condicionado central, insere-se na hipótese da letra ‘a’, do inciso I, do ADN Cosit 6/97, acima reproduzido, pois todos os materiais indispensáveis à execução da obra são integralmente fornecidos por ele. Entendo, no entanto, que de fato, a Recorrente enquadra-se na regra de prestador de serviço. A legislação tributária excepcionou às prestadoras de serviços a utilização do coeficiente de 8%, de forma expressa, somente para as construtoras civis, ainda assim, que, na modalidade de empreitada, e que utilizam materiais nas edificações, sem o repasse dos custos destes materiais. O fator determinante no presente caso seria interpretar o que seria “materiais incorporados à obra” como maneira de enquadramento na atividade de construção civil e não de prestação de serviço. Fl. 579DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 1402-006.808 - 1ª Sejul/4ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 15504.727858/2014-25 Entendo que para caracterizar obra de construção civil deve-se ter presente a ideia de reunião, de adesão, de um todo único, como resultado final da obra realizada, que ao final se confundam. Tijolo é um material incorporado à obra. Areia é um material incorporado à obra. No presente caso, não existe dúvida de que o ar condicionado é distinto do imóvel, sendo instalado por área de engenharia especializada na condição de bens móveis, antes, durante e depois de instalados, pois plenamente suscetíveis de remoção sem descaracterização ao bem que supostamente os incorporou. Daí advém a noção de que o material empregado na construção civil, além da característica de se incorporar ao bem imóvel, dele deve tornar-se parte integrante e inseparável, sendo indispensável à sua plena utilidade. No caso da atividade da recorrente a retirada do ar condicionado não alteraria a caracterização principal do bem imóvel em que estivessem instalados. Diante o exposto, voto por conhecer e NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão recorrida e mantendo o Auto de Infração. (documento assinado digitalmente) Ricardo Piza Di Giovanni Fl. 580DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10880.924396/2018-13
Turma: Quarta Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/03/2015
DECISÃO RECORRIDA. INCOMPETÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. HIPÓTESES NÃO CARACTERIZADAS NOS AUTOS. NULIDADE. DESCABIMENTO.
São nulos os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não caraterizadas nos autos.
ADMINISTRAÇÃO. ADMINISTRADO. RELAÇÃO. CONFIANÇA. BOA-FÉ. DECLARAÇÕES APRESENTADAS. CONHECIMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PREJUÍZO AO DECLARANTE. DESCABIMENTO.
É descabida a afirmação de inexistência de comprovação dos fatos alegados, já que tal deficiência, no todo ou em parte, poderia ser suprida pela Administração Pública, a qual conhece das declarações apresentadas pelo contribuinte, que, em cotejo com o que instruído no processo, minimamente adotaria providência diversa do mero prejuízo imputado ao administrado, sabendo-se da relação de confiança estabelecida entre as partes e do dever, da Administração, de pautar-se pela moralidade e de agir de boa-fé.
DCTF. PREENCHIMENTO. ERRO. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes por ela desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa.
Numero da decisão: 1004-000.173
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar que em Despacho Decisório complementar a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.
(documento assinado digitalmente)
Efigênio de Freitas Júnior - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Fernando Beltcher da Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior.
Nome do relator: FERNANDO BELTCHER DA SILVA
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INCOMPETÊNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. HIPÓTESES NÃO CARACTERIZADAS NOS AUTOS. NULIDADE. DESCABIMENTO. São nulos os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, hipóteses não caraterizadas nos autos. ADMINISTRAÇÃO. ADMINISTRADO. RELAÇÃO. CONFIANÇA. BOA- FÉ. DECLARAÇÕES APRESENTADAS. CONHECIMENTO. INSTRUÇÃO PROBATÓRIA. PREJUÍZO AO DECLARANTE. DESCABIMENTO. É descabida a afirmação de inexistência de comprovação dos fatos alegados, já que tal deficiência, no todo ou em parte, poderia ser suprida pela Administração Pública, a qual conhece das declarações apresentadas pelo contribuinte, que, em cotejo com o que instruído no processo, minimamente adotaria providência diversa do mero prejuízo imputado ao administrado, sabendo-se da relação de confiança estabelecida entre as partes e do dever, da Administração, de pautar-se pela moralidade e de agir de boa-fé. DCTF. PREENCHIMENTO. ERRO. CONHECIMENTO. AUTORIDADE FISCAL. GARANTIA DO DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Compete à Autoridade Fiscal, da unidade da Secretaria Especial da Receita Federal do Brasil de circunscrição do sujeito passivo, a apreciação e a decisão completa acerca de matérias relevantes por ela desconhecidas, reiniciando-se, dadas as especificidades do caso concreto, o processo administrativo fiscal, evitando-se, assim, supressão de instâncias e garantindo-se, em decorrência, o duplo grau de jurisdição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 43 96 /2 01 8- 13 Fl. 123DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 1004-000.173 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.924396/2018-13 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de nulidade e, no mérito, em dar parcial provimento ao recurso, para determinar que em Despacho Decisório complementar a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. (documento assinado digitalmente) Efigênio de Freitas Júnior - Presidente (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Fernando Beltcher da Silva, Jeferson Teodorovicz, Itamar Artur Magalhães Alves Ruga, Henrique Nimer Chamas, Diljesse de Moura Pessoa de Vasconcelos Filho e Efigênio de Freitas Júnior. Relatório Cuida-se de Recurso Voluntário do contribuinte em face do Acórdão n° 101- 021.249, da 4ª Turma da Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil 01. Na origem, a pessoa jurídica apresentara Declaração de Compensação, mediante a qual buscara liquidar débitos fazendo uso de crédito alusivo a pagamento efetuado a maior para a estimativa do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica de março de 2015, indébito levantado no montante de R$ 116.432,63. Em 4 de abril de 2018, a autoridade fiscal proferiu Despacho Decisório denegando o direito creditório pleiteado, ao argumento de que a integralidade do valor pago (R$ 4.089.982,73) fora alocada à correspondente estimativa devida. Sobreveio Manifestação de Inconformidade, na qual o contribuinte lançou o argumento de que errara ao preencher a respectiva Declaração de Débitos Tributários Federais (“DCTF”), já que o valor correto da estimativa seria de R$ 3.973.550,11, como assim demonstrara na Escrituração Contábil Fiscal (“ECF”) do período. O colegiado de primeira instância julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, pois o contribuinte não lograra êxito em comprovar, inequivocamente, o erro cometido no preenchimento da DCTF, como assim rezam o § 1º do art. 147 do Código Tributário Nacional e a Súmula CARF n° 164. Entendeu, aquela turma julgadora, que por haver sido a DCTF em questão retificada em 16 de agosto de 2018, após a ciência do Despacho Decisório (11 de abril daquele ano), a ECF, na qual de fato consta o valor tido por correto pelo contribuinte, não se prestaria à prova do fato alegado, já que a mesma seria meramente informativa. Fl. 124DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 1004-000.173 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.924396/2018-13 Acrescentou, o voto condutor do acórdão, que a manifestante não instruiu aquele primeiro apelo com documentos contábeis e fiscais que comprovassem o erro cometido na DCTF original. Intimada do acórdão em 6 de fevereiro de 2023, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 7 de março do mesmo ano, alegando, essencialmente, que a ECF, obrigação acessória prestada ao Fisco antes de prolatado o Despacho Decisório, daria suporte aos seus argumentos, sem prejuízo de que a autoridade fiscal, ou o julgador administrativo, buscasse por outros elementos para firmar sua convicção de que a Recorrente errara no preenchimento da DCTF original. Em linha com tal assertiva, a Recorrente invoca o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 28 de agosto de 2015 e precedentes deste Conselho. No entender da Recorrente, a decisão recorrida padeceria de nulidade, já que o encaminhamento dado pelo colegiado a quo contrariaria o entendimento traduzido no citado Parecer. No mérito, pelas mesmas razões, a Recorrente requer a reforma do acórdão combatido. Instrui seu Recurso com cópia do recibo de entrega da referida ECF, datado de 13 de julho de 2016. É o Relatório. Voto Conselheiro Fernando Beltcher da Silva, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e cumpre os demais requisitos de admissibilidade, pelo que dele conheço. Equivoca-se a Recorrente quanto à preliminar de nulidade suscitada. Isso porque o Parecer Normativo Cosit n° 2, de 2015, não obriga o julgador administrativo a adotar o entendimento defendido pelo contribuinte. No caso concreto, a retificação da DCTF se dera após a ciência do Despacho Decisório. Assim, os excertos da ementa do Parecer aplicáveis não seriam os trazidos pela Recorrente, mas estes: Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. Fl. 125DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 1004-000.173 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.924396/2018-13 Ademais, o trecho da ementa do Parecer do qual se socorre a Recorrente é endereçado à autoridade fiscal e apenas abre uma possibilidade de as informações declaradas em DCTF tornarem o crédito apto a ser objeto de PER/DComp, caso não sejam conflitantes com os dados contidos em outras declarações: As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora– que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. De qualquer modo, a turma julgadora fundamentou sua decisão na inexistência da escrituração contábil e fiscal nos autos. Pode-se até questionar a conclusão daquele colegiado, mas o mero inconformismo da Recorrente com o destino dado à Manifestação de Inconformidade não justifica, nem de longe, a declaração de nulidade da decisão recorrida, já que ao julgador é garantida, com base nos elementos que instruem os autos, sua livre convicção (art. 29 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972). A propósito, digo que são nulos somente os atos e termos lavrados por autoridade incompetente, bem como os despachos e decisões proferidos com preterição do direito de defesa, nos termos do artigo 59 do Decreto n° 70.235, de 1972, hipóteses não reveladas ou presentes na decisão de piso. Verifica-se, também, que o acórdão recorrido cumpre integralmente o disposto no art. 31 do Decreto n° 70.235, de 1972, sendo claro e objetivo quanto ao não acolhimento das razões de defesa formuladas pela Recorrente e ora devolvidas ao CARF. Rejeita-se, portanto, a preliminar. Passa-se ao mérito. É incontroverso que a ECF tem natureza meramente informativa. Contudo, dada a situação fática, entendo que sua utilidade vai muito além da substituída Declaração de Informações Econômico-Fiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”). Isso porque a ECF dialoga com a Escrituração Contábil Digital (“ECD”) e contém o Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real (“e-Lalur”). Vejamos, a tal título, os esclarecimentos disponíveis no portal do Sistema Público de Escrituração Digital (“SPED”) 1 : Uma das inovações da ECF corresponde, para as empresas obrigadas a entrega da Escrituração Contábil Digital (ECD), à utilização dos saldos e contas da ECD para preenchimento inicial da ECF. Ademais, a ECF também recuperará os saldos finais das ECF anterior, a partir do ano-calendário 2015. Na ECF haverá o preenchimento e controle, por meio de validações, das partes A e B do Livro Eletrônico de Apuração do Lucro Real (e-Lalur) e do Livro Eletrônico de Apuração da Base de Cálculo da CSLL 1 http://sped.rfb.gov.br/pagina/show/1285 - página consultada em 10 de janeiro de 2024 Fl. 126DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 1004-000.173 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.924396/2018-13 (e-Lacs). Todos os saldos informados nesses livros também serão controlados e, no caso da parte B, haverá o batimento de saldos de um ano para outro. Finalmente, a ECF apresentará as fichas de informações econômicas e de informações gerais em novo formato de preenchimento para as empresas. Portanto, é razoável crer que a apuração da estimativa de IRPJ de março de 2015, contida na ECF (apresentada pelo contribuinte antes da expedição do Despacho Decisório), encontre lastro na escrituração contábil e reflita na demonstração do lucro real até o encerramento daquele mês (especialmente na hipótese de levantamento da base de cálculo por balancete/balanço de suspensão/redução). A ausência de outras peças da ECF poderia ser suprida pelo julgador de piso, as quais possivelmente viriam a referendar o arguido pelo contribuinte, em cotejo com a apuração da estimativa alimentada nos autos. A Administração Pública pauta-se, dentre outros princípios, pela moralidade e deve atuar de boa fé (art. 2º, caput e inciso IV do parágrafo único, da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999). A boa fé, esperada das e pelas partes, é objetiva, ou seja, independe de haver boas ou más intenções. O comportamento pautado na boa fé também é expresso no art. 5º do Código de Processo Civil (Lei n° 13.105, de 16 de março de 2015). Adiciono que o contribuinte, ao apresentar suas declarações, estabelece com o órgão fazendário uma relação de confiança, não podendo lhe ser imputado prejuízo em face de suposta fragilidade do acervo probatório, pautada na ausência, no processo, das mesmas declarações, já que estão ao inteiro dispor da Administração Tributária. Em que pese não restar de todo evidenciado o efetivo erro cometido pelo contribuinte no levantamento da estimativa em questão (de base de cálculo, de alíquota, de deduções admitidas em lei e não utilizadas e afins), julgo haver indícios suficientes de que, ao fim e ao cabo, o contribuinte possa ter razão. Por outro lado, o crédito aqui veiculado decorre de antecipação do imposto devido no ajuste anual. Nessas circunstâncias, e dado o que do processo consta, não se sabe ao certo se o contribuinte levou ao encontro de contas, no encerramento do ano-calendário 2015, o valor integral recolhido a título da estimativa de IRPJ de março de 2015. Como os fatos alegados não foram conhecidos pela autoridade fiscal, entendo pertinente a remessa dos autos à unidade da RFB, para que a douta autoridade se pronuncie quanto ao erro de preenchimento da DCTF original e, em decorrência, quanto ao suposto pagamento efetuado a maior pela Recorrente, permitindo-se, a partir de então, a depender das novas conclusões, o pleno exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa ao contribuinte, bem como o duplo grau de jurisdição administrativa. Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada e, no mérito, dou parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar que em Despacho Decisório complementar a autoridade fiscal se pronuncie quanto ao crédito pleiteado, dado o que veio a constar dos autos, sem prejuízo Fl. 127DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 1004-000.173 - 1ª Sejul/4ª Turma Extraordinária Processo nº 10880.924396/2018-13 das medidas que entender pertinentes, retomando-se, a partir de então, a marcha regular do processo, sob o rito do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. É como voto. (documento assinado digitalmente) Fernando Beltcher da Silva Fl. 128DF CARF MF Original
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Numero do processo: 10783.724998/2011-96
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 09 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Mon May 06 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.873/99. SÚMULA CARF Nº 11
As disposições previstas no art. 1º,§1º da Lei nº. 9.873/99, não se aplica aos processos administrativos fiscais, conforme regra disciplinada em seu art. 5º.
Nos termos da Súmula CARF nº 11:não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
Numero da decisão: 3003-002.517
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
Marcos Antônio Borges - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Keli Campos de Lima- Relatora
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: George da Silva Santos, Jorge Luis Cabral (substituto convocado) Keli Campos de Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Renan Gomes Rego (substituto convocado), Marcos Antônio Borges (Presidente).
Nome do relator: KELI CAMPOS DE LIMA
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.873/99. SÚMULA CARF Nº 11 As disposições previstas no art. 1º,§1º da Lei nº. 9.873/99, não se aplica aos processos administrativos fiscais, conforme regra disciplinada em seu art. 5º. Nos termos da Súmula CARF nº 11:não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2024-04-25T22:15:04Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: Microsoft® Word 2010; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; language: pt-BR; dcterms:created: 2024-04-25T22:15:04Z; Last-Modified: 2024-04-25T22:15:04Z; dcterms:modified: 2024-04-25T22:15:04Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2024-04-25T22:15:04Z; pdf:docinfo:creator_tool: Microsoft® Word 2010; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2024-04-25T22:15:04Z; meta:save-date: 2024-04-25T22:15:04Z; pdf:encrypted: true; modified: 2024-04-25T22:15:04Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; dc:language: pt-BR; meta:creation-date: 2024-04-25T22:15:04Z; created: 2024-04-25T22:15:04Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; Creation-Date: 2024-04-25T22:15:04Z; pdf:charsPerPage: 1793; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2024-04-25T22:15:04Z | Conteúdo => S3-TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Processo nº 10783.724998/2011-96 Recurso Voluntário Acórdão nº 3003-002.517 – 3ª Seção de Julgamento / 3ª Turma Extraordinária Sessão de 9 de abril de 2024 Recorrente MUNICÍPIO DE NOVA VENECIA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INAPLICABILIDADE DA LEI 9.873/99. SÚMULA CARF Nº 11 As disposições previstas no art. 1º,§1º da Lei nº. 9.873/99, não se aplica aos processos administrativos fiscais, conforme regra disciplinada em seu art. 5º. Nos termos da Súmula CARF nº 11:“não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal.” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Marcos Antônio Borges - Presidente (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima- Relatora (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: George da Silva Santos, Jorge Luis Cabral (substituto convocado) Keli Campos de Lima, Onizia de Miranda Aguiar Pignataro, Renan Gomes Rego (substituto convocado), Marcos Antônio Borges (Presidente). Relatório Cuida-se de recurso voluntário interposto contra o acordão nº 04-45.142 - 2ª Turma da DRJ/CGE que julgou parcialmente procedente a impugnação, deduzindo-se da base de cálculo originalmente apurada no auto de infração, os valores transferidos para a formação do FUNDEB, reduzindo-se o valor do principal originalmente cobrado de R$ 213.547,87 para R$150.642,69, a título de PASEP, conforme decisão abaixo ementada: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 49 98 /2 01 1- 96 Fl. 317DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-002.517 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.724998/2011-96 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÃO PARA O PASEP. PESSOAS JURÍDICAS DE DIREITO PÚBLICO INTERNO. BASE DE CÁLCULO E ALÍQUOTA. A Contribuição para o Pasep será apurada mensalmente, à alíquota de 1% (um por cento), pelas pessoas jurídicas de direito público interno, com base no valor das receitas correntes arrecadadas e das transferências correntes e de capital recebidas, deduzidas as transferências efetuadas a outras entidades públicas (arts. 2º, III, 7º e 8º, III, da Lei nº 9.715/98). TRANSFERÊNCIAS CORRENTES. PASEP. BASE DE CÁLCULO. Os recursos recebidos pelo Município do Sistema Único de Saúde (SUS), integram a base de cálculo de contribuição para o PASEP. CONVÊNIOS. As transferências decorrentes de “convênio, contrato de repasse ou instrumento congênere com objeto definido”, nos termos do § 7º do art. 2º da Lei nº 9.715, de 1998 devem se excluídas da base de cálculo do PASEP, a partir de maio de 2013. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Para fins de economia processual adoto o relatório da decisão recorrida a fim de elucidar os fatos que motivaram a autuação, vejamos: Relatório Trata-se de Auto de Infração relativo à falta de recolhimento da contribuição para o PASEP nos períodos de janeiro a dezembro de 2008, fls. 226 a 233, por meio do qual foi constituído o crédito tributário no montante de R$ 443.302,94, somados o principal, multa e juros de mora. - Relatório Fiscal. No Relatório Fiscal do Processo, fls. 238 a 243, a autoridade fiscal faz uma introdução, informando o objetivo do procedimento fiscal, apresentando ainda as receitas utilizadas para a apuração da base de cálculo da contribuição. No item 2 descreve a legislação aplicável à apuração do PASEP, chegando ao item três, onde apresenta as irregularidades apuradas: ... De posse dos documentos que nos foram apresentados, constatamos que em todos os meses os recolhimentos não foram suficientes para saldar o valor devido, isto é, o sujeito passivo deixou de incluir boa parcela de base de cálculo na sua apuração, motivando o presente crédito. Salientamos ainda que nas competências 01/2008; 02/2008 e 03/2008 o sujeito passivo realizou compensações de valores de pagamento indevido ou a maior, referentes à competências anteriores, que juntamente com os DARF's pagos e as retenções realizadas pelo Banco do Brasil, foram devidamente abatidos dos valores devidos. Finalmente informamos que todos os valores que compõem a base de cálculo devida, como também todos os valores pagos, compensados e retidos, foram utilizados na Fl. 318DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-002.517 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.724998/2011-96 composição do presente crédito, conforme demonstrado no Demonstrativo de Apuração do PASEP Devido (Anexo 01). ... O Fisco aplicou a alíquota de 1% à base de cálculo apurada, efetuando o lançamento de ofício com juros moratórios e multa de ofício de 75%. - Impugnação. Cientificada do lançamento de ofício em 10/11/2011, o contribuinte apresentou impugnação tempestiva em 12/12/2011, fls. 246 a 252, cujas alegações apresento em apertada síntese: Alega o Município, que as receitas provenientes de transferências voluntárias, "tais como SUS, SUAS, FNDE assim como transferências do Estado para programas de Saúde e outros diversos ou transferências de capital em convênios com o Estado e as transferências de convênio da União, tanto correntes como de capital vez que estas receitas JÁ FORAM ARRECADADAS PELOS ENTES PÚBLICOS QUE AS REPASSARAM", não devem compor a base de cálculo do PASEP, continuando: ... Veja este Nobre Magistrado Administrativo, ad argumentandum, que o art. 65 da Lei 9.630/96 assim prevê: "o Banco do Brasil S.A. deverá reter, no ato do pagamento ou crédito, a contribuição para o PIS/PASEP incidente nas transferências voluntárias da União para suas autarquias e fundações e para os Estados, Distrito Federal e Municípios, suas autarquias e fundações." Desta forma, em conclusão, a cobrança exigida pela União é indevida pois citado tributo já é recolhido na fonte ou, no caso de repasses formalizados através do Banco do Brasil s.a., por referida Instituição Financeira. ... Continua, através de parecer elaborado pelo corpo técnico do Município, contestando a inclusão na base de cálculo de diversas verbas, conforme segue: ... 2.5 - na base de cálculo do município não foram incluídas as receitas que são consideradas de transferência voluntária pelo órgão repassador, dentre as quais destacamos: as transferências do Sistema Único de Saúde (SUS), as transferências do Fundo Nacional de Assistências Social (SUAS), as transferências do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), as transferências do Estado para programas de Saúde, as transferências do Estado para programas diversos, classificada no Anexo I do AI como "outras Transferências do Estado", as transferências de Capital de Convênios do Estado, classificadas no Anexo I como Receitas de Capital "Outras Transferências Convênios Estado", e as transferências de Convênios da União, tanto as Correntes como as de Capital; ... Entende o Município, que as receitas citadas nos itens 2.5, transcritas acima, não devem ser incluídas na base de cálculo, por já terem sido tributadas anteriormente por outros entes: ... Fl. 319DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-002.517 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.724998/2011-96 2.5.1 - por que as receitas citadas no item 2.5 não foram incluídas na base de cálculo do município? Porque essas receitas já foram arrecadas por outros entes públicos, no caso União Federal e Estado do Espírito Santo. Ao serem arrecadas por esses órgãos e não terem sido deduzidas das suas bases de cálculos como ocorre com os impostos disciplinados nos artigos 153 a 159 da Constituição Federal por não se tratarem de transferência obrigatória, as mesmas já foram incluídas na base de cálculo do agente arrecadador e pagas o PASEP devido, logo, se o município efetuar novamente o pagamento do PASEP sobre essas receitas ocorrerá bitributação, o que é terminantemente proibido no Sistema Tributário Brasileiro. Tanto é assim, que todas as demais transferências de receitas repassadas pela União Federal leiam-se: FPM, ITR, ICMS da Lei Kandir, Royalties do Petróleo já sofrem a retenção de 1% na fonte, quando do crédito junto ao Banco do Brasil. Logo, se essas receitas também fossem tributáveis já seriam retidas na fonte. ... Questiona também, a cobrança do tributo sobre os recebimentos de convênios celebrados pelo Município: ... 2.5.2 - de todas as receitas de transferências voluntárias a mais absurda no que se refere à intenção de tributação por parte da Receita Federal do Brasil são os Convênios. Conforme já falado, a apuração da base de cálculo e o pagamento do PASEP ocorrem mensalmente. Assim, se um ente público - União ou Estado - firma com um município um convênio em novembro de determinado ano, aquela receita foi arrecada em um mês anterior que já sofreu tributação, assim, se ao receber essa transferência voluntária o município pagar novamente o PASEP sobre ela, ocorrerá a bitributação, o que, conforme já manifestado é ilegal, tendo como base o disposto na Constituição Federal em seu art. 154, Inciso I; ... Sobre as transferências para a formação do FUNDEB e dos valores recebidos de volta do FUNDEB, o município apresenta contestação em forma de um exemplo prático: ... 2.6 - no que se refere ao FUNDEB, a tributação sobre o bruto desse valor, conforme relacionado no Anexo I, demonstra mais uma vez que a RFB incorre em bitributação, desrespeitando o art. 154, I da CF. Por meio de um exemplo demonstraremos isso. O FUNDEB, oriundo do FUNDEF, foi instituído pela Lei Federal n° 11.494, de 20/06/2007. Os recursos para composição do FUNDEB são aqueles previstos no art. 3o da referida Lei. Financeiramente o FUNDEB é composto no estado pela retenção de 20% de todas as receitas de impostos a que se refere o art. 3o da Lei 11.494. Logo, por se tratar de receita proveniente de impostos, os que são transferidos pelo Governo Federal via Banco do Brasil já sofre a retenção de 1% para o PASEP, conforme extrato bancário anexo e os que são transferidos pelo Governo do Estado, o pagamento para o PASEP é efetuado via DARF pelo percentual de 1% sobre o valor bruto. Esclarecido isso vamos ao exemplo: suponhamos que no mês de outubro de determinado ano, o Estado do Espírito Santo e todos os municípios do estado tenham recebido das receitas a que se refere o art. 3o da lei acima R$ 10.000.000,00 (dez milhões de reais), logo os 20% que vão para a formação do FUNDEB será de R$ 2.000.000,00. A distribuição dos recursos do FUNDEB (os R$ 2.000.000,00 retidos) entre o estado e os municípios será realizada de acordo com a proporção do número de alunos matriculados nas respectivas redes de educação básica pública presencial, definido dessa forma peio art. 8o da Lei 11.494. Assim, cada ente receberá de volta os recursos conforme o número de alunos que possui. Lembrando sempre que o valor a ser distribuído são apenas os R$ 2.000.000,00. Se Nova Venécia tiver um número de alunos maior do que a média Fl. 320DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-002.517 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.724998/2011-96 receberá mais do que contribuiu - o que é o caso - se tivesse menos, receberia menos. No entanto, como o valor a ser distribuído é tão somente os R$ 2.000.000,00, para um ente receber mais por que tem mais alunos do que a média, outro ente vai receber menos porque tem menos alunos do que a média. Dessa forma, hipoteticamente se Nova Venécia contribui com R$ 150.000,00 e recebeu R$ 180.000,00 esses R$ 30.000,00 não podem ser tributado novamente porque os entes que receberam a menos já pagaram por eles, uma vez que os R$ 2.000.000,00 retidos para composição do FUNDEB já foram tributados à base de 1% para o FUNDEB. ... Pede, ao fim, o recebimento da impugnação por tempestiva e o seu provimento. É o relatório. Intimada da respectiva decisão, a Recorrente apresenta recurso voluntário alegando tão somente a ocorrência da prescrição intercorrente nos termos do art. 1º §1º da Lei nº 9.873/99. É o relatório. Voto Conselheira Keli Campos de Lima, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, portanto deve ser admitido. Conforme se verifica pelas razões do recurso voluntário apresentado, especificamente às fls. 305/309 dos autos, a Recorrente se limita a alegar a ocorrência da prescrição intercorrente uma vez que o processo ficou paralisado pendente de julgamento por prazo superior a 03 (três) anos. A Recorrente argumenta a aplicabilidade da disposição legal prevista no art. 1º, §1º, da Lei nº 9.873/99 concluindo pela ocorrência da prescrição intercorrente ao caso em decorrência da morosidade do julgamento da impugnação, pois do despacho de fls. 281 que encaminhou os autos para julgamento em 03/10/2012 e o despacho de fls. 282 que encaminhou para apreciação em 10/05/2017, decorreu mais de 3 (três) anos. Contudo, nenhuma razão lhe socorre. A Recorrente invoca a aplicabilidade da Lei nº 9.873/99 que regulamenta o prazo de prescrição para o exercício de ação punitiva pela Administração Pública Federal, direta e indireta, e dá outras providência, vejamos especificamente o art. 1º, §1º: Art. 1º Prescreve em cinco anos a ação punitiva da Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de polícia, objetivando apurar infração à legislação em vigor, contados da data da prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em que tiver cessado. § 1º Incide a prescrição no procedimento administrativo paralisado por mais de três anos, pendente de julgamento ou despacho, cujos autos serão arquivados de ofício ou Fl. 321DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-002.517 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10783.724998/2011-96 mediante requerimento da parte interessada, sem prejuízo da apuração da responsabilidade funcional decorrente da paralisação, se for o caso. Contudo, o mesmo diploma legal, frise-se, único fundamento legal invocado para amparar seu argumento, estabelece às exceções de aplicabilidade da prescrição intercorrente, sendo certo que seu art. 5º está claramente previsto que não se aplicará aos processos e procedimentos de natureza tributária, vejamos: Art. 5º O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária.Art.5 o O disposto nesta Lei não se aplica às infrações de natureza funcional e aos processos e procedimentos de natureza tributária. No mesmo sentido, temos a súmula vinculante CARF nº 11, cuja observância é obrigatória a todos os membros deste Colegiado. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Por fim, no que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos jurisprudenciais apresentados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se verifica ao caso. Dispositivo Diante do exposto, voto em conhecer do recurso voluntário e negar-lhe provimento. (documento assinado digitalmente) Keli Campos de Lima Fl. 322DF CARF MF Original
score : 1.0
Numero do processo: 10293.900078/2008-05
Data da sessão: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Data da publicação: Fri Dec 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/04/2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL APRESENTADA PARA CONTRAPOR FATOS OU RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDAS AOS AUTOS. POSSIBILIDADE.
Nos termos da alínea “c”, do § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997, a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso, somente por ocasião do Acórdão proferido pela DRJ, é que a interessada inteirou-se
das verdadeiras razões do indeferimento de seu pedido de
restituição.
Numero da decisão: 3401-001.158
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar
provimento parcial ao recurso para que, por meio da DRJ, ou, a seu mando, da Unidade de origem, sejam examinados os fundamentos e documentos comprobatórios apresentados pela interessada e que se profira novo julgamento acerca do direito postulado.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ODASSI GUERZONI FILHO
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL APRESENTADA PARA CONTRAPOR FATOS OU RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDAS AOS AUTOS. POSSIBILIDADE. Nos termos da alínea “c”, do § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997, a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso, somente por ocasião do Acórdão proferido pela DRJ, é que a interessada inteirou-se das verdadeiras razões do indeferimento de seu pedido de restituição.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/04/2004 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA DOCUMENTAL APRESENTADA PARA CONTRAPOR FATOS OU RAZÕES POSTERIORMENTE TRAZIDAS AOS AUTOS. POSSIBILIDADE. Nos termos da alínea “c”, do § 4º, do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, acrescentado pela Lei nº 9.532, de 10/12/1997, a prova documental pode ser apresentada após a impugnação quando destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. No caso, somente por ocasião do Acórdão proferido pela DRJ, é que a interessada inteirouse das verdadeiras razões do indeferimento de seu pedido de restituição. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que, por meio da DRJ, ou, a seu mando, da Unidade de origem, sejam examinados os fundamentos e documentos comprobatórios apresentados pela interessada e que se profira novo julgamento acerca do direito postulado. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente (assinado digitalmente) Odassi Guerzoni Filho – Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Rodrigo Pereira de Mello, Odassi Guerzoni Filho, Dalton Cesar Cordeiro de Miranda e Gilson Macedo Rosenburg Filho. Ausente o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Fl. 349DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO 2 Relatório Tratase de PER/Dcomp entregue em 20/10/2004 na qual foi indicada a existência de “Crédito Pagamento Indevido ou a Maior PIS/Pasep”, da ordem de R$ 2.646,19, originado da guia Darf paga em 15/04/2004 no valor de R$ 4.411,38, utilizado para a compensação de débito do PIS/Pasep de setembro de 2004. O Despacho Decisório Eletrônico expedido pela DRF em Rio Branco/AC, cientificado à interessada em 13/05/2008, foi pelo indeferimento do pleito sob o argumento de que não se encontrou qualquer valor positivo a título de crédito disponível para utilização em procedimento de compensação. Na Manifestação de Inconformidade a interessada esclareceu que seu pedido decorria do fato de que somente quando da elaboração da DIPJ correspondente ao EF 2005, entregue em 21/06/2005, é que foi constatado o equívoco que ensejou a diferença pleiteada, qual seja, fizera constar na DCTF a existência de um débito a maior que o efetivamente devido, tendo efetuado o recolhimento desta forma, a maior, portanto. Porém, admitiu que não procedera à retificação da informação prestada na DCTF em tempo hábil, daí o Despacho Decisório ter lhe sido desfavorável, situação que buscou corrigir mediante a apresentação, em 04/06/2008, da DCTF retificadora, nela indicando o valor da Cofins que é realmente devida. Juntou cópias da DCTF retificadora e da DIPJ 2005. A 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte/MG, todavia, não acolheu os termos da impugnação em acórdão assim ementado: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que denegou a restituição, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente nãohomologação das compensações pleiteadas. Solicitação Indeferida” No Recurso Voluntário a interessada alegou que, não obstante o § 4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, considere precluído o direito de o Impugnante apresentar a prova documental por ocasião da impugnação, a alínea “c” do mesmo parágrafo 4º estabelece a possibilidade de apresentação de provas em outro momento processual quando as mesmas destinaremse a “contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos”. E, entendeu a Recorrente que a DRJ, ao fundamentar sua decisão, valeuse de fundamentos novos, como, por exemplo, o de alegar a falta de documentos fiscais hábeis capazes de demonstrar o seu direito creditório. Assim, aproveitou o Recurso Voluntário para anexar cópias das folhas do “Livro Diário”. No essencial, é o Relatório. Fl. 350DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO Processo nº 10293.900078/200805 Acórdão n.º 340101.158 S3C4T1 Fl. 331 3 Voto Conselheiro Odassi Guerzoni Filho, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Primeiramente, de se lembrar que, não obstante as inúmeras vantagens e benefícios proporcionados à Administração Tributária e aos contribuintes em geral pela utilização dos sistemas informatizados para a operacionalização dos procedimentos de compensação, o fato é que, em situações tais quais a com que nos deparamos, em que o crédito no qual se funda a compensação não pôde ser explicitado ou detalhado no aplicativo PER/Dcomp e isso em face da limitação dos campos disponibilizados, e em que a sua análise é feita eletronicamente, isto é, sem a intervenção manual e sem o crivo visual de um servidor, ocasião em que poderia haver um questionamento junto à interessada, dáse que os sistemas de informações da Receita Federal, ao fazerem o “batimento” dos débitos declarados em DCTF com os valores recolhidos, e, após, com o pleito contido na PER/Dcomp, não conseguem visualizar diferenças, e, portanto, reconhecer o crédito, especialmente quando, consoante ocorreu aqui neste processo, a interessada não retifica em tempo hábil as informações prestadas em DCTF. Assim, de pronto, perdem os contribuintes a oportunidade de, já na primeira ocasião em que se dirigem ao Fisco, esmiuçarlhes a origem do crédito alegado, o que somente ocorre quando da interposição de manifestação de inconformidade em face do indefectível indeferimento do pleito. Daí porque, no presente caso, a interessada não logrou trazer para o processo já quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade as provas reclamadas pela DRJ, não obstante, admitase, devesse saber que isso, mais cedo ou mais tarde, lhe seria cobrado. Não se olvide os termos e condições em que proferido o referido Despacho Decisório Eletrônico, ou seja, que ele fora exarado a partir da informação na DCTF, de que o débito era, digamos, de $ 100 e que o Darf recolhido também o fora de $ 100, de sorte que, por óbvio, não existiria diferença alguma a ser reconhecida em favor do contribuinte. Mas, foi por ocasião da decisão ora recorrida que a interessada teve o conhecimento pleno acerca das razões pelas quais seu pedido fora indeferido, ou seja, quedara se ela na falta de apresentação de comprovantes dos recolhimentos efetuados a maior, de sorte que, a meu ver, tem razão a Recorrente quando invoca a alínea “c” do § 4º do art. 16, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que trata da possibilidade de apresentação das provas em outro momento processual que não o da impugnação. Pesa ainda em favor da Recorrente o fato de que, quando da Manifestação de Inconformidade ela fizera anexar as cópias da DCTF retificadora, nas quais se verifica, à fl. 87, que o PIS/Pasep do período de apuração de março de 2004 era de R$ 1.827,29, e que o mesma havia sido quitado com dois Darf, um, no valor de R$ 4.411,38, recolhido no dia 15/04/2004, e outro, no valor de R$ 10,79, recolhido no dia 30/04/2004 (ambos os comprovantes de arrecadação também juntados, respectivamente, à fls. 96 e 97). Além disso, a interessada Fl. 351DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO 4 também juntara naquela ocasião a cópia da DIPJ 2005, onde, na fl. 126, está demonstrado com todas as letras que o valor do PIS/Pasep devido no período de apuração de março de 2004 era de R$ 1.827,29. Ou seja, do confronto dessas informações, poderia a DRJ ter percebido que haveria, no mínimo, uma “fumaça” do direito da Recorrente, pois, aqueles R$ 1.827,29 do PIS/Pasep de março de 2004 que foram informados na DIPJ entregue em 21/06/2005, eram os mesmos R$ 1.827,29 que constaram da DCTF retificadora entregue em 04/06/2008. E, caso não satisfeita com a falta de documentos comprobatórios de tais informações, poderia ter feito retornar o processo à Unidade de origem para que esta os conferisse,com a devida vênia, não simplesmente invocar o descumprimento da parte da interessada de um dispositivo que, sabemos todos, não se aplica ao caso em questão, que é o artigo 3º da IN SRF nº 600, de 2005, senão vejamos: Art. 3º A restituição a que se refere o art. 2º poderá ser efetuada: I – a requerimento do sujeito passivo ou da pessoa autorizada a requerer a quantia; ou II – (...) § 1º A restituição de que trata o inciso I será requerida pelo sujeito passivo mediante utilização do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP) ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante o formulário Pedido de Restituição constante do Anexo I, ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório. (....)” Ao destacar no Acórdão a parte final do texto “ao qual deverão ser anexados documentos comprobatórios do direito creditório”, a DRJ quis e3videnciar que o contribuinte não a atendera, daí o pleito não ser atendido. Mas, a impossibilidade de utilização do PER/Dcomp, situação para a qual demandaria a utilização de um “Pedido de Restituição” (em papel), ao qual deveriam ser anexados os documentos comprobatórios, foi tipificada na mesma Instrução Normativa e nela, seguramente, não se enquadra a situação da interessada. Vejase: Art. 76. Ficam aprovados os formulários Pedido de Restituição, Pedido de Cancelamento ou de Retificação de Declaração de Importação e Reconhecimento de Direito de Crédito, Pedido de Ressarcimento de IPI – Missões Diplomáticas e Repartições Consulares, Declaração de Compensação e Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado constantes, respectivamente, dos Anexo I, II, III, IV e V. (...) § 2º Os formulários a que se refere o caput somente poderão ser utilizados pelo sujeito passivo nas hipóteses em que a restituição, o ressarcimento ou a compensação de seu crédito para com a Fazenda Nacional não possa ser requerida ou declarada eletronicamente à SRF mediante utilização do Programa PER/DCOMP. Fl. 352DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO Processo nº 10293.900078/200805 Acórdão n.º 340101.158 S3C4T1 Fl. 332 5 § 3º A SRF caracterizará como impossibilidade de utilização do Programa PER/DCOMP, para fins do disposto no § 2º, no § 1º do art. 3º, no § 3º do art. 16, no § 1º do art. 22 e no § 1º do art. 26, a ausência de previsão da hipótese de restituição, de ressarcimento ou de compensação no aludido Programa, bem como a existência de falha no Programa que impeça a geração do Pedido Eletrônico de Restituição, do Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou da Declaração de Compensação. § 4º A falha a que se refere o § 3º deverá ser demonstrada pelo sujeito passivo à SRF no momento da entrega do formulário, sob pena do enquadramento do documento por ele apresentado no disposto no art. 31. § 5º Aos formulários a que se refere o caput deverá ser anexada documentação comprobatória do direito creditório.(grifei) Ora, à toda evidência, sob hipótese alguma a interessada neste processo poderia invocar tal regramento para formular seu pleito via o tal Pedido de Restituição, visto que o PER/Dcomp, com as limitações a que me referi acima, mostrouse o único caminho a ser percorrido para a obtenção do reconhecimento do direito creditório e da compensação declarada. Se, de um lado, os documentos trazidos pela Recorrente ao processo não são suficientes para o deslinde da questão, ainda mais quando as folhas do Livro Diário que anexou (fls. 289/327) não trazem a escrituração do período de apuração em discussão, de outro, não se pode desprezar os fortes indícios da existência do direito postulado e de que, consequentemente, a exigência do débito cuja compensação não foi homologada pode se configurar como indevida. Invoco aqui a regra do artigo 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, segundo a qual, “Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias”, bem como aos princípios da moralidade, da eficiência, da finalidade, da verdade material, para reformar a decisão da DRJ de modo que, a partir de análise que efetue sobre os documentos comprobatórios apresentados pela interessada, análise esta efetuada, quer pela própria DRJ, quer pela Unidade de origem, seja proferida nova decisão acerca do direito postulado. É como voto. (assinado digitalmente) Odassi Guerzoni Filho Fl. 353DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO 6 Fl. 354DF CARF MF Emitido em 08/02/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO Assinado digitalmente em 07/02/2011 por ODASSI GUERZONI FILHO, 08/02/2011 por GILSON MACEDO ROSENBUR G FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 15374.003388/00-94
Turma: Quarta Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2005
Data da publicação: Wed Jul 06 00:00:00 UTC 2005
Ementa: NORMAS PROCESSUAIS.
PERÍCIA. Estando presente nos autos os documentos necessários para o deslinde da questão, torna-se prescindível a realização de perícia solicitada pela contribuinte de forma genérica e sem documentos comprobatórios que possam justificar a sua realização. PROVA. As informações contidas nas DIPJ preenchidas pela contribuinte constituem prova a favor do Fisco, ainda mais quando a empresa não logrou apresentar documentos comprobatórios que possam fazer prova em sentido contrario.
FALTA DE RECOLHIMENTO. É legitimo o lançamento de ofício da contribuição devida e não recolhida apurada em ação fiscal.
Recurso negado.
Numero da decisão: 204-00.315
Decisão: ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de
Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Nome do relator: NAYRA BASTOS MANATTA
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Segundo Conselho de Contribuintes Publicado no Diário Oficial da Niao Fl. •:" Processo n2 : 15374.003388/00-94 Recurso : 129.256 Acórdão n9 204-00.315 VISTO Recorrente : PARLE SUPERMERCADOS LTDA. Recorrida : DRJ no Rio de Janeiro - RJ • NORMAS PROCESSUAIS PERÍCIA. Estando presente nos autos os documentos- f•. • necessários para o deslinde da questão, toma-se prescindivel a .õ.6;-L r.:151:6-Ntir realização de perícia solicitada pela contribuinte de forma genérica e sem documentos comprobatórios que possam justificar a sua realização. PROVA. As informações contidas nas DIPJ preenchidas pela contribuinte constituem prova a favor do Fisco, ainda mais quando a empresa não logrou apresentar documentos comprobatórios que possam fazer prova em sentido contrario. FALTA DE RECOLHIMENTO. É legitimo o lançamento de ofício da contribuição devida e não recolhida apurada em ação fiscal. Recurso negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por: PARLE SUPERMERCADOS LTDA. ACORDAM os Membros da Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2005. ennque Pinheiro torres C. Presidente • Co Na g yria Bastos Manatta Relatora Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros Jorge Freire, Flávio de Sá Munhoz, Rodrigo Bemardes de Carvalho, Júlio César Alves Ramos, Sandra Barbon Lewis e Adriene Maria de Miranda. •. e. 2° CC-MF Ministério da Fazenda r .1ry. DA FP-Mn - 2 Fl. :• •n 'r Segundo Conselho de Contribuintes cormr.: COM o tn Processo n 15374.003388/00-94 ERAS!L:A _ Recurso re : 129.256 Acórdão n 204-00.315 VISTO Recorrente : PARLE SUPERMERCADOS LTDA. RELATÓRIO Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, que a seguir transcrevo: Trata-se de auto de infração (fls.101/116), lavrado contra a empresa epigrafada, para exigência da COF1NS referente aos meses de fevereiro de 1996 a dezembro de 1999, no valor de R$ 380.930,63, multa de oficio e juros de mora, calculados até a data da lavratura do auto de infração, com base na legislação expressamente consignada às fis. 103, 104 e 111, em função de ter sido apurada falta de recolhimento da contribuição, no período assinalado. 2. Embasando o feito fiscal (fls.95 e 96), consignou o autuante que o procedimento fiscal originou-se na constatação, pela D1SAR/SRRF/7°RF, de que os valores da receita bruta declarados pela contribuinte para fins de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido divergiam daqueles destinados à apuração do PIS e da Cotins, nos anos-calendário de 1996 e 1997. 3. Consignou ainda que os valores referentes à base de cálculo da contribuição (fis. 97/100), foram colhidos nos livros e documentos fiscais da empresa. 4. Inconformada com o lançamento apresentou a contribuinte a impugnação de lis. 118/128, instruída com o documento de fls.129/154, onde aduz, em síntese, que os valores utilizados como base de cálculo da contribuição são incorretos, não refletindo os valores constantes de sua escrituração. 5. Consigna, em seu petitório (fls. 124 e 125), "a título de exemplo", valores que afirma, estes sim, terem sido extraídos de sua escrituração, e que refletiriam os montantes a serem utilizados como base de cálculo da exação, divergentes daqueles apurados na autuação. 6. Aduz a ocorrência de afronta ao art. 9° do Decreto n° 70.235/72 e que são '..fundamentais ao êxito da ação fiscal a descrição precisa dos fatos, a ocorrência com os termos anteriormente lavrados e a consentaneidade com o enquadramento legal." 7. Enfatiza a necessidade de realização de exame pericial contábil, que solicita com vistas à determinação da base de cálculo da contribuição. 8. A análise preliminar dos autos, por esta DAI suscitou a realização da diligência de f1.156, na qual solicitou-se a anexação das cópias do Livro Razão da contribuinte, referentes aos períodos alcançados pela autuação. 9. Notificada a apresentar a referida documentação (lis. 158 e 161), não se manifestou a contribuinte. É o relatório. A autoridade julgadora de primeira instância manifestou-se no sentido de julgar procedente o lançamento, ementando sua decisão nos seguintes termos: 2 if CC-MF Ministério da Fazenda MIN. DA FAZENDA -20 CD • - ;:2 :.A! Segundo Conselho de Contribuintes L - • ." • rtc,), o CÍV Fl. );a1ti?t?.> :!._..\ ..L. Processo n'} : 15374.003388/00-94 Recurso n' : 129.256 VIS T O Acórdão fl2 204-00.315 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 29/02/1996 a 31/12/1999 Ementa: PERÍCIA. Presentes os elementos de convicção necessários e suficientes à solução do litígio, é de se indeferir a solicitação para realização de perícia. FALTA DE RECOLHIMENTO. Verificada a falta de recolhimento da contribuição, é de se constituir o crédito tributário pelo lançamento. Lançamento Procedente A contribuinte tomou ciência do teor do referido Acórdão em 17/07/2003, fl. 174 - verso, e, inconformada com o julgamento proferido interpôs recurso voluntário ao Conselho de Contribuintes, fls. 177/186, no qual alega como razões de defesa, em síntese: 1. requer perícia contábil baseada no princípio da ampla defesa; 2. a necessidade da perícia encontra-se fundamentada no fato de os fiscais autuantes terem cometido equivoco na elaboração do demonstrativo de base de cálculo da contribuição, que não reflete os valores constantes na escrituração fiscal ou comercial da recorrente; 3. apresenta quadro no qual constam as bases de cálculo por ela apuradas e extraídas da sua escrita contábil fiscal; e 4. alega que o lançamento não se encontra embasado em provas que permitam a sua correta verificação por parte do autuado, o que fere o art. 9° do Decreto n° 70.235/72, sendo nulo o lançamento. Segundo documento de fl. 252, intimada a apresentar arrolamento de bens a contribuinte informou, fl. 248, não possuir quaisquer bens Informação esta confirmada pela autoridade competente que, por sua vez, posicionou-se, fl. 255, pelo seguimento do recurso interposto nos termos do art. 32 da Lei n° 10.522/202. É o relatório. • 3 Ministério da Fazenda 20 CC-MF Fl. Segundo Conselho de Contribuintes «.-t; Cy,:r. oq • El' Processo n' : 15374.003388/00-94 -Recurso n° : 129.256 _— Acórdão fl9 : 204-00.315 _— VOTO DA CONSELHEIRA-RELATORA NAYRA BASTOS MANATTA O recurso interposto encontra-se revestido das formalidades legais cabíveis merecendo ser apreciado. Primeiramente, há de se verificar, que a perícia formulada pela recorrente não atende aos requisitos previstos no art. 16, inciso IV combinado com o parágrafo único do art. 17 do Decreto n° 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: ) IV - as diligências que o impugnante pretenda sejam efetuada, expostos os motivos que as justifiquem. Art 17. A autoridade preparadora determinará, de oficio ou a requerimento do sujeito passivo, a realização de diligências, inclusive perícias quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. Parágrafo único. O sujeito passivo apresentará os pontos de discordância e as razões e provas que tiver e indicará, no caso de perícia, o nome e endereço do seu perito. Ademais disto, constam dos autos os elementos nos quais foram embasados o lançamento, e necessários para formação da convicção do julgador, sendo, portanto, prescindível a perícia solicitada. E, de acordo com o disposto no citado art. 17, pode o julgador indeferir o pedido de perícia que entender desnecessária. Vale aqui ressaltar que a recorrente apenas apresenta demonstrativo por ela elaborado no qual constam as bases de cálculo que entende como corretas, não trazendo aos autos quaisquer provas ou documentos que embasem as suas pretensões. Dissociadas de provas materiais que as sustentem as razões de defesa apresentadas tomam-se meras alegações, não podendo ser consideradas no julgamento do litígio. Releva, ainda, atentar para o fato de que, intimada a apresentar comprovação do equivoco alegado na apuração da base de cálculo da contribuição pelo Fisco, a recorrente não se manifestou. Ademais disto, conforme consta do Termo de Verificação e Constatação, fls. 95/96, os demonstrativos, fls. 97/100, das bases de cálculo apuradas pela fiscalização foram baseados em informações prestadas pela própria contribuinte à SRF, por meio de suas DIPJs, cujas cópias encontram-se anexas às fls. 13/94. Observe-se que os valores declarados pela contribuinte em suas DIPJs, a título desta contribuição, foram deduzidos do presente lançamento. O que se está a cobrar é apenas a diferença entre os valores declarados pela recorrente ao Fisco a título de IRPJ e CSLL e os declarados a título da Cofins. As DIPJs são preenchidas pela própria contribuinte e encontram-se revestidas de caráter verdadeiro, até que se prove o contrario. O Fisco acatou as informações prestadas pela MI 4 22 CC-MF Ministério da Fazenda uA F (17EMOA - 2' CC Fl. Segundo Conselho de Contribuintes •, Fit>,' • CO'EERQoj O ORIGINAL61 BPJ;SiLLA Og Processo n : 15374.003388/00-94 Recurso e : 129.256 VISTO Acórdão n9 : 204-00315 empresa em suas DIPJs e, caso houvesse incorreções nas bases de cálculo da Cofins, caberia à recorrente demonstrar por meio de prova documental, o que não foi feito, seja na fase de fiscalização, na fase impugnatória ou recursal. Desta forma, nenhum reparo cabe ao procedimento adotado pela fiscalização. Entendo, pois, como correto os valores apontados pelo Fisco e declarados pela recorrente em suas DIPJs, a titulo de receita bruta para efeitos do IRPJ e CSLL, como sendo base de cálculo também para a Cofins, já que a recorrente não logrou apresentar provas em contrario. • Diante do exposto, nego provimento ao recurso interposto. • É como voto. Sala das Sessões, em 06 de julho de 2005. Qinta NAY 4m34STOS MANATTA • 5 Page 1 _0012000.PDF Page 1 _0012100.PDF Page 1 _0012200.PDF Page 1 _0012300.PDF Page 1
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Numero do processo: 14333.000589/2007-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Apr 05 00:00:00 UTC 2024
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2024
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2005
LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE
EXIGIBILIDADE.
Súmula CARF nº48 - A suspensão da exigibilidade do crédito fiscal, em razão de decisão judicial, não impede que se dê prosseguimento ao contencioso administrativo. No caso de decisão favorável ao Fisco, não mais sujeita a recurso na esfera administrativa, o crédito fiscal só será encaminhado para a Dívida Ativa na hipótese de decisão judicial, com trânsito em julgado, desfavorável ao contribuinte.
Numero da decisão: 2202-010.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Sonia de Queiroz Accioly - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Alfredo Jorge Madeira Rosa - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente)
Nome do relator: ALFREDO JORGE MADEIRA ROSA
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PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Súmula CARF nº48 - A suspensão da exigibilidade do crédito fiscal, em razão de decisão judicial, não impede que se dê prosseguimento ao contencioso administrativo. No caso de decisão favorável ao Fisco, não mais sujeita a recurso na esfera administrativa, o crédito fiscal só será encaminhado para a Dívida Ativa na hipótese de decisão judicial, com trânsito em julgado, desfavorável ao contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Sonia de Queiroz Accioly - Presidente (documento assinado digitalmente) Alfredo Jorge Madeira Rosa - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sara Maria de Almeida Carneiro Silva, Joao Ricardo Fahrion Nuske, Alfredo Jorge Madeira Rosa, Marcelo Milton da Silva Risso, Thiago Buschinelli Sorrentino, Sonia de Queiroz Accioly (Presidente) Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 33 3. 00 05 89 /2 00 7- 73 Fl. 558DF CARF MF Original Fl. 2 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 Trata o presente processo da NFLD-DEBCAD nº 37.085.232-0, para constituição dos créditos previdenciários, face a exclusão do contribuinte do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – SIMPLES, pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 434.742/2003 (e-fl.260), de 07/08/2003, cujos efeitos da exclusão retroagiram a 01/01/2002. NFLD emitida e consolidada em 28/03/2007. Conforme o Relatório Fiscal (e-fls. 49/52), os débitos compreendem o período de 01/2002 a 13/2005, além da DAL (Diferença de Acréscimos Legais) nas competências 09/2000, 02/2001, 06/2001, 09/2001, 12/2001, 11/2003, 04/2005 e 05/2005. A parte do lançamento referente à DAL não deriva diretamente do fato da exclusão do SIMPLES. O lançamento refere-se às contribuições a cargo do contribuinte destinadas à Seguridade Social: de 20% de contribuição patronal; 2%, referente ao percentual destinado para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho e de 5,8% referente a contribuição devida a outras Entidades e Fundos. Foi apresentada impugnação (e-fls. 158/162) na qual alegou resumidamente que: - desde 1997 a empresa se encontrava no SIMPLES e inclusive fez parcelamento de seus débitos que vem cumprindo religiosamente; - questiona administrativamente junto à Receita sobre esta exclusão do Simples; - fez pedido de reinclusão no SIMPLES datado de 29/03/2007 sob o número 10280001065/2007-10. Aos autos do presente processo 14333.000589/2007-73, referentes ao lançamento NFLD-DEBCAD nº 37.085.232-0, foi juntado por anexação, em 10/10/2007, o processo 10280.001502/2007-97, conforme termo à e-fl.155. Em 28/05/2014, processo 10280.001502/2007-97 foi desapensado, conforme termo à e-fl.156. Em 29/05/2014, o processo 10280.001502/2007-97 foi anexado, conforme termo à e-fl.157. Há também documentos referentes ao processo nº10280.001065/2007-10, atinente ao processo de exclusão do Simples que motivou o lançamento NFLD-DEBCAD nº 37.085.232-0. O Parecer SECAT/DRF/Bel nº 0343/2007 (e-fls. 198/200), de 05/09/2007, no curso do processo 10280.001502/2007-97, não conheceu da impugnação por intempestiva, porém concluiu pela revisão da NFLD nº 37.085.232-0, com a exclusão dos valores que foram lavrados para as competências compreendidas no período de 09/2000 a 03/2002, em razão de haver ocorrido a extinção do crédito pela decadência, conforme estabelece o art. 156, V da Lei nº 5.172/66 – CTN. O Parecer SEORT/DRF/Bel nº 95/2012 (e-fls. 208/210), de 06/02/2012, no curso deste processo 14333.000589/2007-73, não conheceu da impugnação por intempestiva, porém também concluiu pela revisão da NFLD nº 37.085.232-0, com a exclusão dos valores que foram lavrados para as competências compreendidas no período de 09/2000 a 03/2002, em razão de haver ocorrido a extinção do crédito pela decadência, conforme estabelece o art. 156, V da Lei nº 5.172/66 – CTN.. Em 21/03/2012 foi emitido DADR – Discriminativo Analítico do Débito Retificado (e-fls. 211/220). A ciência deste parecer foi dada por Edital nº028/2013 entre os dias 05/09/2013 e 23/09/2013, conforme e-fl. 224. Fl. 559DF CARF MF Original Fl. 3 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 À e-fl. 237, referente processo 14333.000589/2007-73, há encaminhamento do processo à PGFN, o qual informa, na data de 05/11/2013, não ter sido localizado o contribuinte, tendo sido emitidos intimação e edital na tentativa de informa-lo do julgamento, porém sem êxito. À e-fl.238 há despacho da PGFN, de 25/11/2013, devolvendo os auto à DRF/BEL, a fim de se manifestar sobre a ocorrência ou não da prescrição em sede da RFB. Às e-fls. 253/259 há Mandado de Segurança, datado de 08/06/2008, tendo sido indeferido o pedido de liminar, mas com decisão de mérito concedendo a segurança “para tornar sem efeito o Ato Declaratório Executivo nº30, de 20.06.2007, que determinou a exclusão da autora do SIMPLES...”. O ADE nº30, de 20/06/2007, está juntado à e-fl. 269. À e-fl. 280 há despacho decisório referente ao processo administrativo nº10280.001065/2007-10. O despacho, de 20/06/2007, aprova o Parecer SECAT/DRF/BEL Nº163/2007 (e-fl.274), e decide deferir o pedido formulado pelo contribuinte, procedendo a revisão de ofício do Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 434.742/2003, “para declarar sua nulidade, tornando sem efeito a exclusão da contribuinte do Simples, reincluindo de ofício a empresa no CNPJ como optante do Simples, com efeitos retroativos a contar de 1º de janeiro de 2002.” Ato contínuo à declaração de nulidade do Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 434.742/2003, houve a edição do Ato Declaratório Executivo nº30, de 20.06.2007 (e-fl.269), o qual exclui o contribuinte novamente do SIMPLES, e cujos efeitos da exclusão retroagiram a 01/01/2002, assim como retroagiam no ADE anterior, declarado nulo. No curso do processo nº10280.001065/2007-10 houve solicitação do contribuinte para reinclusão no SIMPLES, o qual foi indeferido em 13/05/2008. Conforme já exposto, em 08/06/2008 o contribuinte teve concedida segurança que tornou sem efeito o ADE nº30, de 20/06/2007. A referida ação judicial não transitou em julgado até o presente momento. A decisão de DRJ (e-fls.539/544), de 21/11/2014, manteve a decadência do período de 09/2000 a 03/2002, apontada no Parecer SEORT/DRF/Bel nº 95/2012 (e-fls. 208/210), de 06/02/2012. Por unanimidade a Turma a quo julgou improcedente a impugnação. O voto do acórdão traz a seguinte conclusão e ementa: CONCLUSÃO Isto posto e, tendo em vista tudo o mais que consta dos autos, voto no sentido de considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário lançado, observando-se a situação da ação judicial descrita no voto quanto à suspensão de exigibilidade do crédito. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2000 a 31/12/2005 LANÇAMENTO. PREVENÇÃO DE DECADÊNCIA. SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE. Fl. 560DF CARF MF Original Fl. 4 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 A suspensão da exigibilidade do crédito fiscal, em razão de decisão judicial, não impede que se dê prosseguimento ao contencioso administrativo. No caso de decisão favorável ao Fisco, não mais sujeita a recurso na esfera administrativa, o crédito fiscal só será encaminhado para a Dívida Ativa na hipótese de decisão judicial, com trânsito em julgado, desfavorável ao contribuinte. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário no qual alega, resumidamente, que a dívida apontada pelo fisco é inexistente. É o relatório. Voto Conselheiro Alfredo Jorge Madeira Rosa, Relator. Conhecimento O Recurso Voluntário é tempestivo, e dele tomo conhecimento. Preliminares Preliminarmente, destaco que não vislumbro situação de concomitância, haja vista que o objeto da ação judicial corrente não é o mesmo do lançamento ora analisado. O objeto da ação judicial é a exclusão do contribuinte do regime tributário SIMPLES. Entendo não ser caso da aplicação da Súmula CARF nº1. Súmula CARF nº 1 Aprovada pelo Pleno em 2006 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria ME nº 12.975, de 10/11/2021, DOU de 11/11/2021). (grifo do relator) A decisão judicial definitiva refletirá na maior parte do débito lançado, porém não comungam do mesmo objeto. Fl. 561DF CARF MF Original Fl. 5 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 Mérito Conforme ressaltado no relatório acima, a decisão de DRJ manteve o lançamento para fins de prevenção de decadência do direito da fazenda lançar o crédito tributário. Paralelamente, a decisão reconhece a suspensão da exigibilidade do lançamento efetuado enquanto mantida a segurança concedida judicialmente ao contribuinte. O recorrente, por sua vez, alega inexistência dos débitos lançados, posto que decorreriam da exclusão do SIMPLES que foi tornada sem efeito por decisão judicial. Não assiste razão ao recorrente. Primeiramente, destaque-se que nem todos os débitos constantes do DEBCAD nº37.085.232-0 são decorrentes da exclusão do SIMPLES. Os débitos apontados no DAL (e- fl.211), por exemplo, são independentes da confirmação judicial, ou não, da segurança concedida. Não houve, por parte do contribuinte, questionamento de seus valores, seja em sede de impugnação, seja em sede recursal. Em relação a exclusão do SIMPLES, temos que, inicialmente foi determinada pelo Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 434.742/2003 (e-fl.260), de 07/08/2003, cujos efeitos da exclusão retroagiram a 01/01/2002. A NFLD nº37.085.232-0 tomou como referência este ato, ao considerar o fiscalizado excluído desse regime tributário. O Ato Declaratório Executivo DRF/BEL nº 434.742/2003 (e-fl.260), de 07/08/2003, foi posteriormente considerado nulo pelo Parecer SECAT/DRF/BEL Nº163/2007 (e- fl.274), de 20/06/2007. Na mesma data foi exarado o Ato Declaratório Executivo nº30, de 20.06.2007 (e-fl.269), o qual mantinha a exclusão do SIMPLES, no mesmo período e efeitos do ADE anterior, considerado nulo. O Ato Declaratório Executivo nº30, de 20.06.2007, tem como motivação a caracterização da situação prevista na Lei nº 9.317/1996, art. 9º, inciso XIII: “exercício de atividade impeditiva de diretor ou produtor de espetáculos ou assemelhados”. A decisão em mandado de segurança atacou justamente o Ato Declaratório Executivo nº30, de 20.06.2007 (e-fl.269), visto que o anterior já não produzia efeitos. A decisão judicial de 1ª instância (processo 0006418-79.2007.4.01.3900), sem caráter definitivo, declarou a nulidade do ADE atacado, tornando-o sem efeito. O Código Tributário Nacional (CTN), em seu artigo 151, inciso IV, assim dispõe: CAPÍTULO III Suspensão do Crédito Tributário SEÇÃO I Disposições Gerais Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: I - moratória; II - o depósito do seu montante integral; Fl. 562DF CARF MF Original Fl. 6 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 III - as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo; IV - a concessão de medida liminar em mandado de segurança. V – a concessão de medida liminar ou de tutela antecipada, em outras espécies de ação judicial; (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) VI – o parcelamento. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Parágrafo único. O disposto neste artigo não dispensa o cumprimento das obrigações assessórios dependentes da obrigação principal cujo crédito seja suspenso, ou dela conseqüentes. Por sua vez, no artigo 156, inciso X, também do CTN: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I - o pagamento; II - a compensação; III - a transação; IV - remissão; V - a prescrição e a decadência; VI - a conversão de depósito em renda; VII - o pagamento antecipado e a homologação do lançamento nos termos do disposto no artigo 150 e seus §§ 1º e 4º; VIII - a consignação em pagamento, nos termos do disposto no § 2º do artigo 164; IX - a decisão administrativa irreformável, assim entendida a definitiva na órbita administrativa, que não mais possa ser objeto de ação anulatória; X - a decisão judicial passada em julgado. XI – a dação em pagamento em bens imóveis, na forma e condições estabelecidas em lei. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) (Vide Lei nº 13.259, de 2016) Parágrafo único. A lei disporá quanto aos efeitos da extinção total ou parcial do crédito sobre a ulterior verificação da irregularidade da sua constituição, observado o disposto nos artigos 144 e 149. Pelo texto legal, resta claro que não pode prosperar a pretensão do recorrente, de extinguir o crédito tributário enquanto a decisão que o ampara não transitar em julgado. O limite da decisão que possui, é o da suspensão do crédito tributário por ela atingido em caráter provisório. Também não há dúvidas quanto à possibilidade do lançamento ser mantido frente à decisão judicial provisória e posterior ao lançamento. Ainda que a decisão fosse anterior ao lançamento, também assim seria possível efetuar o lançamento para prevenir a decadência. Dispõe a Súmula CARF nº48: Súmula CARF nº 48 Fl. 563DF CARF MF Original Fl. 7 do Acórdão n.º 2202-010.686 - 2ª Sejul/2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 14333.000589/2007-73 Aprovada pelo Pleno em 29/11/2010 A suspensão da exigibilidade do crédito tributário por força de medida judicial não impede a lavratura de auto de infração. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Pelo exposto, visto ainda não haver decisão judicial definitiva que ampare o pleito do contribuinte, mantenho a decisão de DRJ. Conclusão Voto por conhecer do recurso voluntário e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO. (documento assinado digitalmente) Alfredo Jorge Madeira Rosa Fl. 564DF CARF MF Original
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