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Numero do processo: 19740.720135/2009-04
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005
Ementa:
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS. SÚMULA.
"A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." (Súmula CARF nº 88)
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA.
"O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." (Súmula CARF nº 28)
PREVIDÊNCIA PRIVADA. APORTES DA INSTITUIDORA.
O método incomum de apurar os aportes ao Plano de Previdência Privada não afasta o caráter previdenciários desses pagamentos efetuados pela Instituidora.
Numero da decisão: 2202-004.798
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que lhe negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio - Redatora ad hoc
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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SÚMULA. "A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa." (Súmula CARF nº 88) REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. SÚMULA. "O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais." (Súmula CARF nº 28) PREVIDÊNCIA PRIVADA. APORTES DA INSTITUIDORA. O método incomum de apurar os aportes ao Plano de Previdência Privada não afasta o caráter previdenciários desses pagamentos efetuados pela Instituidora. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que lhe negava provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 01 35 /2 00 9- 04 Fl. 814DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 815 2 (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, José Ricardo Moreira (suplente convocado), Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente Relatório Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de acórdão inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor da Contribuinte para constituir crédito referente Contribuições Sociais Previdenciárias. Intimada, esta protocolou impugnação, que foi julgada improcedente pela DRJ. Inconformada, interpôs recurso voluntário, ora levado a julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Em 07/07/2009 foi formalizado auto de infração DEBCAD nº 37.179.6032 (fl. 2 e demais documentos fls. 3/14) para constituir crédito referente a Contribuições Sociais Previdenciárias, especificamente o salárioeducação. Conforme o Relatório Fiscal (fls. 15/30), "03. A contribuição social que integra este lançamento é aquela prevista no art. 212, § 5º, da Constituição da República, regulamentada pelas Leis nº 9.424/96, 9.766/98 (Salário educação 2,5%). Tendo sido lançada separadamente das contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos em virtude da existência, à época dos fatos, de convênio do sujeito passivo com o Fundo Naconal de Desenvolvimento da Educação FNDE. 04. O débito levantado nesta autuação decorre de remuneração, vinculada a avaliação de desempenho, paga pelo sujeito passivo a seus empregados. (...) 07. É fato que a transferência de parcela do patrimônio de uma pessoa jurídica para outra sociedade empresarial, ainda que a cindida continue a existir, caracteriza a cisão parcial. Para esse tipo de sucessão o legislador tributário definiu, artigos 124 e 132 do Código Tributário Nacional (Lei nº 5.172/66), que a responsabilidade será solidária em relação às obrigações ocorridas até a data do evento. (...) 16. Buscando a origem desse benefício identificouse a Ata de Reunião do Conselho de Administração de 19 de junho de 2001 Fl. 815DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 816 3 (Anexo IV). Neste documento, observase que um dos objetivos da reunião é a discussão de uma nova proposta de remuneração variável elaborada pela empresa William M. Mercer Limitada, que foi, ao final, aprovada pelo Conselho de Administração para implementação a partir do segundo semestre daquele ano. 17. Em relação a esse projeto, foi entregue ao fisco cópia da apresentação da proposta (Anexo V), solicitada pelo Presidente do Conselho de Administração naquela mesma reunião. Vêse nesta apresentação que a proposta divide a remuneração variável em função de medidas de sucesso quantitativo do sujeito passivo, 'privilegia o desempenho das equipes na busca do Resultado Institucional', e de medidas qualitativas a serem avaliadas pelo Conselho de Administração. 18. Verificouse, em relação aos aportes realizados em julho de 2004 e janeiro de 2005, que os mesmos foram autorizados, respectivamente, por reuniões do Conselho de Administração realizadas em 29 de junho de 2004 e 14 de dezembro de 2004, nas quais foram aprovadas as avaliações de desempenho dos empregados, como se fez registrar em Atas (Anexo VI). (...) 29. No presente caso, podese inferir, com base nos documentos dos Anexo IV e V, que o benefício financeiro nada mais é do que uma remuneração em função de avaliações quantitativas e qualitativas, isto é, constitui forma de incentivo ao empregado visando o aumento de sua produtividade. 30. Diante disso, resta claro que este benefício é uma vantagem auferida em decorrência do trabalho realizado pelos empregados, sendo o aporte em Plano Gerador de Benefício Livro PGBL apenas um meio encontrado pelo sujeito passivo de tentar desvirtuar a natureza remuneratória do mesmo. 31. Há que se salientar a habitualidade do pagamento do benefício, uma vez que pelos fatos já apresentados (itens 16 e 17) essa modalidade de remuneração tem sido implementada semestralmente, desde o segundo semestre de 2001. Além disso, a própria existência do contrato de adesão a plano de previdência complementar privada, cujo pagamento era de responsabilidade da associação, demonstra a intenção do empregador de que a despesa não seja eventual. 32. Por fim, ressaltase que não há na legislação hipótese de exclusão do referido benefício financeiro da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como pode ser observado no disposto nas alíneas do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91. 33. Concluise, então, que a forma pela qual foi feito pagamento do benefício financeiro não desconfigura o seu caráter, nem macula sua natureza remuneratória. 34. A legislação (Leis nº. 8.212/91, art. 94 e 1.457/07, art. 3º) aplica às contribuições devidas a Outras Entidades e Fundos, as Fl. 816DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 817 4 mesmas regras gerais da contribuição previdenciária, portanto, comum a basedecálculo. Assim sendo, deve a referida remuneração integrar a base de cálculo da contribuição social ora lançada." Foi formalizado Termo de Sujeição Passiva Solidária (fls. 75/76), no qual se incluiu no polo passivo a CETIP S.A. Balcão Organizado de Ativos e Derivativos. Tanto a Contribuinte quanto a Responsável Solidária foram intimadas em 14/07/2009 (fls. 77/78), protocolando uma única Impugnação em 11/08/2009 (fls. 82/119 e docs. anexos fls. 120/645). Analisando a defesa, a DRJ proferiu o acórdão nº 1235.616, de 10/02/2011 (fls. 658/667), no qual manteve integralmente o crédito tributário e que restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2004 a 31/07/2004, 01/01/2005 a 31/01/2005 PREVIDÊNCIA PRIVADA. Os aportes extraordinários em conta de previdência privada, com a intenção de premiar os trabalhadores pelo seu desempenho e cumprimento de metas possuem natureza remuneratória, integrando o saláriodecontribuição, independentemente da forma legal utilizada. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA DOS ADMINISTRADORES. O Relatório de Representantes Legais REPLEG é peça necessária à instrução do processo administrativo de débito, não importando, por si só, em efetiva responsabilização solidária dos representantes legais na esfera administrativa. MULTA DE MORA. RETROATIVIDADE DE NORMA BENIGNA. O cálculo para aplicação da norma mais benéfica ao contribuinte deverá ser efetuado na data da quitação do débito, comparandose a legislação vigente a época da infração com os termos da Lei nº 11.941/2009. INFRAÇÃO PENAL. COMPETÊNCIA. O contencioso administrativo fiscal não é o foro competente para julgar a ocorrência de infração penal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimadas em 18/05/2011 (fls. 670/671), e ainda inconformadas, a Contribuinte e a Responsável Solidária protocolaram um único Recurso Voluntário (fls. 672/689), em 15/06/2011, argumentando, em síntese, Fl. 817DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 818 5 · Que o julgamento do presente processo deve ser feito em conjunto com aquele dos DEBCAD's nº 37.179.6040; nº 37.179.6059; nº 37.179.602 4; nº 37.179.5982; nº 37.179.5974 e nº 37.179.5990, uma vez que todos têm por base os mesmos fatos; · Que os representantes legais da empresa foram incluídos na qualidade de coresponsáveis, não havendo, porém, nenhuma norma que lhes atribua a responsabilidade sem que sejam preenchidos os requisitos do art. 135 do CTN. Outrossim, que o art. 13 da Lei nº 8.620/1993, já foi afastado pelo STJ e revogado expressamente pela Lei nº 11.941/2009, devendo haver retroatividade benigna, nos termos do art. 106 do CTN; · Que o lançamento tem por base a tese de que os pagamentos de previdência privada compõem o saláriodecontribuição para fins das Contribuições Previdenciárias. Porém, o art. 202, § 2º, da CF/1988 expressamente determina que a previdência complementar não integra a remuneração dos beneficiários. Também o art. 28, § 9º, 'p', da Lei nº 8.212/1991 excluiu tais valores da base de cálculo das contribuições previdenciárias. Que a regra ainda foi ratificada pelo art. 458, § 2º, VI, da CLT; · Que a única regra estabelecida pela legislação é que o benefício seja disponível à totalidade dos empregados e dirigentes das empresas. Não impõe nenhuma outra exigência; · Que o lançamento se lastreou em fundamentos contrários à legislação, criticando a habitualidade dos pagamentos e a forma de apuração dos mesmos (política de metas e avaliação de desempenho); · Que a fiscalização em momento algum contesta que a Contribuinte oferecia o benefício da previdência privada a todos os seus empregados; · Que, subsidiariamente, a Lei nº 11.941/2009 apresenta penalidade mais benéfica, limitando a multa de mora no percentual de 0,33% por dia de atraso, limitado ao percentual de 20%, mas que o lançamento aplicou a multa de 24% contida na redação anterior do art. 35, II, 'a', da Lei nº 8.212/1991. Nessa linha, deve ser aplicada a Lei mais benéfica retroativamente, nos termos do art. 106 do CTN; e · Que a representação para fins penais só pode ser apresentada após a constituição definitiva do lançamento, o que ainda não ocorreu. De qualquer sorte, que não houve infração à legislação tributária, assim como não houve atos praticados dolosamente com fins de reduzir ou evadirse ao pagamento de tributos e eventuais multas ou encargos, não havendo conduta a ser tipificada como crime. O presente processo foi apensado aos autos do processo de nº 19740.720137/200995 (fl. 80). É o relatório. Fl. 818DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 819 6 Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Redatora ad hoc. Como Redatora ad hoc, sirvome da minuta de voto inserida pelo Relator no repositório oficial do CARF, de sorte que o posicionamento abaixo esposado não necessariamente tem a aquiescência desta Conselheira: O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Julgamento Conjunto Argumenta a contribuinte pelo julgamento conjunto do presente processo com aqueles que contém os demais débitos tributários constituídos em função dos mesmos fatos. Constatase que, conforme despacho de fl. 80, o presente processo já foi apensado ao de nº 19740.720137/200995, que contém o crédito referente à parte da empresa, no qual foram apensados os demais AI's, bem como vieram todos a julgamento conjunto. Relatório de Representantes Legais Argumenta a Contribuinte que os representantes legais da empresa foram incluídos na qualidade de coresponsáveis, não havendo, porém, nenhuma norma que lhes atribua a responsabilidade sem que sejam preenchidos os requisitos do art. 135 do CTN. Outrossim, que o art. 13 da Lei nº 8.620/1993, já foi afastado pelo STJ e revogado expressamente pela Lei nº 11.941/2009, devendo haver retroatividade benigna, nos termos do art. 106 do CTN. Acontece que esse e.CARF já consolidou o entendimento de que Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Nessa linha, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. Da Representação Fiscal para Fins Penais Argumenta ainda a Recorrente que a representação para fins penais só pode ser apresentada após a constituição definitiva do lançamento, o que ainda não ocorreu. De qualquer sorte, que não houve infração à legislação tributária, assim como não houve atos praticados dolosamente com fins de reduzir ou evadirse ao pagamento de tributos e eventuais multas ou encargos, não havendo conduta a ser tipificada como crime. Acontece que já foi consolidado nesse Conselho o seguinte entendimento: Fl. 819DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 820 7 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Nessa linha, não é possível dar provimento ao recurso nesse ponto. MÉRITO Dos aportes ao PGBL Ultrapassadas as preliminares, impende analisar o mérito do Recurso Voluntário. Especificamente, o ponto crucial do presente PAF é identificar se deve ou não incidir Contribuições Sociais Previdenciárias sobre os valores pagos pela Contribuinte a plano de previdência privada de seus colaboradores. Retornando ao Relatório Fiscal, percebese que o presente lançamento tem por objeto constituir crédito de Contribuições Previdenciárias sobre os valores pagos pela Contribuinte ao PGBL de seus colaboradores. Conforme a autoridade lançadora, os montantes configuramse saláriodecontribuição porquanto (1) não há norma legal autorizando a exclusão desses aportes da base de cálculo do tributo; 2) os aportes habituais, sendo feitos semestralmente desde 2001; e (3) os aportes eram calculados levando em consideração avaliações quantitativas e qualitativas de produção do colaborador. Em sua defesa, a Contribuinte argumentou (1) que o art. 202, § 2º, da CF/1988 e o art. 28, § 9º, da 'p', da Lei nº 8.212/1991, são claros em determinar que a contribuição à previdência privada não compõe o saláriodecontribuição; (2) que a única regra legal para a isenção é que o benefício seja oferecido a todos os empregados e dirigentes da empresa, o que ela fazia e que a fiscalização não contesta isso; e (3) que a fiscalização criou requisitos ilegais. Analisando a questão, a DRJ manteve o lançamento ao fundamento de que "21. Pela leitura dos dispositivos acima transcritos, e diversamente do que entendeu a interessada, o pagamento de contribuições a programa de previdência complementar não será considerado como saláriodecontribuição, desde que, além de estar disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, não seja utilizado com finalidade diversa da intenção da lei (art. 9º, da CLT). (...) 23. Assim, como se verifica no bem explanado relatório fiscal, não se questionou a observância formal da legislação, mas tão somente a finalidade do pagamento da referida verba, caracterizandoa como de autêntico teor remuneratório não apenas pelo fato de terem sido considerados para aferição dos aportes extraordinários o atingimento de metas e avaliação de desempenho individual, como também o fato de a empresa também possuir um plano de previdência complementar fechado para todos os empregados e dirigentes destinado a garantir a complementação da aposentadoria, nos moldes previstos constitucionalmente. Fl. 820DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 821 8 24. Ora, se já existe um programa de previdência privada fechada, com participações mensais tanto dos segurados como da empresa (vide Anexo I –fls. 146/176), qual o sentido da existência de outro plano de previdência custeado apenas pela empresa, cujos valores são aferidos de acordo com o atingimento de metas e desempenho individual, senão a de premiar empregados e dirigentes, pelo seu desempenho? (...) 27. Assim, o conceito de saláriodecontribuição não se restringe apenas ao salário base do trabalhador, tem como núcleo a remuneração de forma mais ampliada, alcançando outras importâncias pagas pelo empregador, sem importar a forma de retribuição ou o título. São vantagens econômicas acrescidas ao patrimônio do trabalhador decorrentes da relação laboral. 28. Apesar dos esforços da interessada, sua tese de que a verba em questão não tem caráter remuneratório, não há de prosperar. A remuneração variável, sob a roupagem jurídica de plano de previdência privada, na verdade objetivava reconhecer o atingimento das metas institucionais e o desempenho individual, e portanto vinculados a fatores de ordem pessoal do trabalhador, seja individualmente ou em grupo, sendo assim alcançados pelo conceito de saláriodecontribuição estabelecido no artigo 28, inciso I, da Lei nº 8.212/1991. 29. Isto posto, não resta qualquer dúvida de que a referida parcela,concedida pela empresa a seus empregados, tem cunho remuneratório, trazendolhes uma vantagem econômica ou benefício." fls. 664/666. Em suma, podese entender que a decisão recorrida manteve o lançamento pelo seu terceiro fundamento, qual seja, que a forma como eram apurados os aportes retirava lhe o caráter de previdência privada. Para tanto, aprofundou na análise da questão, esclarecendo que ao utilizar como critério de apuração do aporte a ser feito avaliação quantitativa e qualitativa dos beneficiários, atribuiu aos aportes claro caráter remuneratório Convém analisar individualmente os fundamentos o lançamento. Da base legal: No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirmou expressamente que: "32. Por fim, ressaltase que não há na legislação hipótese de exclusão do referido benefício financeiro da base de cálculo das contribuições previdenciárias, como pode ser observado no disposto nas alíneas do § 9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91." fl. 21. Com a devida vênia, a verdade é que o referido art. 28, § 9º, da Lei nº 8.212/1991, comando contém a alínea 'p', que traz a seguinte redação: p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, Fl. 821DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 822 9 aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; Em outras palavras, há sim uma norma específica, no próprio comando legal citado pela autoridade lançadora, que expressamente exclui do saláriodecontribuição os valores aportados à previdência privada. Essa norma se encontra em clara consonância com a regra estabelecida no art. 202, § 2º, da CF/1988. Portanto, há sm base legal para excluir os presentes valores do saláriode contribuição. Da habitualidade No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirmou expressamente que: 31. Há que se salientar a habitualidade do pagamento do benefício, uma vez que pelos fatos já apresentados (itens 16 e 17) essa modalidade de remuneração tem sido implementada semestralmente, desde o segundo semestre de 2001. Além disso, a própria existência do contrato de adesão a plano de previdência complementar privada, cujo pagamento era de responsabilidade da associação, demonstra a intenção do empregador de que a despesa não seja eventual." fl. 21. Tratase de constatação relevante, consoante posicionamento já adotado por este relator em diversas outras oportunidades. A verdade é que o art. 28, I, da Lei nº 8.212/1991 são expressos em estabelecer que: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; Portanto, se os pagamentos identificados pela autoridade lançadora não tivessem habitualidade e.g., tivesse ocorrido um único aporte , então não seriam preenchidos os requisitos do caput e, por esse motivo já não se configuraria saláriodecontribuição. Ou seja, se não houvesse habitualidade, nem mesmo seria necessário analisar se os pagamentos eram ou não aportes para a previdência privada. Nessa linha, esse elemento é necessário para se identificar se estão preenchidos os requisitos gerais. Contudo, em nada influenciam na configuração ou não da natureza dos aportes à previdência privada. Ou seja, e plenamente possível que os aportes Fl. 822DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 823 10 sejam feitos de maneira habitual, constante, reiterada, mas que continuem sendo aportes à previdência privada e, por isso, não componentes do saláriodecontribuição. A verdade é que a periodicidade dos aportes à previdência privada é estabelecida pelas partes. Os aportes podem ser mensais, bimestrais, semestrais como no presente caso , anuais, únicos ou pontuais, aleatórios, sem qualquer referência lógica de periodicidade. Contanto que o Plano permita o aporte feito daquela maneira, em nada isso influenciará na configuração da natureza tributável do recurso. Da forma de apuração do montante dos aportes e do caráter remuneratório No Relatório Fiscal, a autoridade lançadora afirmou expressamente que: "29. No presente caso, podese inferir, com base nos documentos dos Anexo IV e V, que o benefício financeiro nada mais é do que uma remuneração em função de avaliações quantitativas e qualitativas, isto é, constitui forma de incentivo ao empregado visando o aumento de sua produtividade. 30. Diante disso, resta claro que este benefício é uma vantagem auferida em decorrência do trabalho realizado pelos empregados, sendo o aporte em Plano Gerador de Benefício Livro PGBL apenas um meio encontrado pelo sujeito passivo de tentar desvirtuar a natureza remuneratória do mesmo." fl. 21. A par dos argumentos já superados nos itens (1) e (2) acima, esse é, única e exclusivamente, o argumento utilizado pela autoridade lançadora. NÃO há nos autos nenhuma alegação de que o benefício não era pago à integralidade dos trabalhadores, de que os valores eram altos demais, de que eram incompatíveis com a remuneração "ordinária" dos trabalhadores, de que eram integralmente sacados no prazo limite ou mesmo de que não respeitavam os prazos para levantamento dos aportes , impedindo assim a formação de uma poupança, de que os trabalhadores dependiam desses recursos para sua subsistência, de que a Contribuinte não demonstrou os cálculos atuariais etc. O lançamento tem como fundamento, apenas e exclusivamente, a vinculação da metodologia de apuração dos aportes a serem feitos pela Contribuinte a critérios quantitativos e qualitativos. Pois bem. O objetivo de toda atividade empresarial é o lucro e qualquer despesa que tenha outro objetivo foge ao propósito intrínseco da atividade empresária. Nesse sentido, como regra, os dispêndios incorridos terão o objetivo de maximizar o lucro, ainda que de forma indireta, como é o caso do patrocínio esportivo, que se faz não pelo amor ao esporte e sim como forma de propagar a marca. No mesmo sentido, se institui um Plano de Previdência, não o faz por mera liberalidade em favor dos beneficiários, mas sim com o objetivo de reter seus talentos. Não apenas no plano suplementar, mas também no plano geral. Isso porque, ao escolher entre duas possíveis empregadoras em condições idênticas de trabalho, de ambiente de trabalho, de salário etc., se uma delas oferecer esse benefício e a outra não, então é certo que o profissional escolherá ela. Acontece que a Constituição Federal expressamente desvinculou os Planos de Previdência Privada dos contratos de trabalho, estipulando como cláusula constitucional que Fl. 823DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 824 11 não serão tidos como remuneração. Em outras palavras, não é tido como contraprestação do trabalho. Fêlo com o objetivo exatamente de incentivar as empresas a instituir tais benefícios aos seus empregados. Diversas rubricas têm o mesmo objetivo de incentivar a retenção de talentos e, ao mesmo tempo, não configuram remuneração para fins do contrato de trabalho. Por todas, citase a Participação nos Lucros e Resultados. Tal benefícios não é obrigatório, podendo ou não ser instituídos pelas empresas; as empresas que o oferecem, fazemno com o objetivo de reter talentos, ou seja, para incentivar seus trabalhadores a permanecerem nos empregos, e não por fundamentos absolutamente altruístas como se poderia querer. Ainda assim, quando pagos em conformidade com a Lei, não configuram remuneração para fins previdenciários. Em suma, o fato de que os aportes ao Plano de Previdência em apreço são feitos para reter incentivar a produtividade dos trabalhadores não é elemento apto a desnaturá lo. Antes, é mera constatação da realidade prática, como são quaisquer aportes feitos a quaisquer Planos de Previdência. Afinal, ao se conscientizar que recebe um benefício em determinada empresa, que poderia não receber em outra, o colaborador se esforça para manter o seu vínculo e, em última análise, aumenta a lucratividade, que é o objetivo final de qualquer empresa. Conquanto o aporte seja feito em Plano de Previdência Privado regularmente constituído, que respeite todas as Leis e regramentos específicos, e que não seja utilizado como substituição do salário, nada há que se criticar. Diferente seria se a autoridade lançadora tivesse demonstrado, por exemplo, que o salário desses trabalhadores era inferior àquele observado em relação a outros trabalhadores no mesmo cargo, ou que tivesse comprovado que a empresa deixou de pagar o salário, de dar aumentos ou promoções, substituindo tais valores por esses aportes. Aí sim haveria fraude, porquanto o PGBL estaria sendo utilizado para substituir a remuneração oficial. Frisase que a Lei não estabeleceu o critério matemático para apuração dos aportes a serem feitos. Nessa linha, não pode a autoridade lançadora estabelecer critério ao seu alvitre, nem tomar como indevidos critérios adotados pela empresa exclusivamente porque não concorda com a sua forma de calcular. Conclusões Em suma, não se identificou no lançamento nenhum argumento apto a demonstrar a fraude à Lei, nem a desconfigurar a natureza de aporte à previdência privada dos pagamentos efetuados pela Contribuinte. Por essa razão, entendo ser necessário cancelar o AIOP ora em análise. Por essa razão, deixase de analisar os argumentos da Contribuinte tocantes à multa, especificamente à forma como deve ser aplicada a retroatividade benigna e aos limites percentuais. Dispositivo Diante de tudo quanto exposto, voto por dar provimento ao recurso. Fl. 824DF CARF MF Processo nº 19740.720135/200904 Acórdão n.º 2202004.798 S2C2T2 Fl. 825 12 (assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio (voto de Dilson Jatahy Fonseca Neto) Fl. 825DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.006485/2006-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-007.383
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em Exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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RECURSO ESPECIAL. PRESSUPOSTOS. CONHECIMENTO. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta demonstrado o alegado dissídio jurisprudencial, tendo em vista a ausência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em Exercício e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 64 85 /2 00 6- 20 Fl. 2038DF CARF MF 2 Tratava o presente processo, inicialmente, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, referente aos anoscalendário de 2001 e 2002, acrescido de multa de ofício, multa isolada do carnêleão e juros de mora, tendo em vista as seguintes infrações: a) omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa física sujeito ao CarnêLeão; b) dedução indevida com dependente; c) dedução indevida com despesas médicas; d) dedução indevida de despesas de livrocaixa; e) dedução indevida de previdência privada; e f) dedução indevida de doações ao fundo da criança e do adolescente. No julgamento em Primeira Instância foram acolhidos alguns argumentos e provas apresentados pelo Contribuinte, prolatandose decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002 LIVRO CAIXA. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DAS DESPESAS. A legislação exige que as despesas de livro caixa estejam acompanhadas de documentação que comprove sua efetividade. Tendo sido observado que houve aproveitamento no livro caixa de despesas que não adequadamente comprovadas e/ou não correspondem a gastos usuais e necessários à manutenção da fonte produtora da renda, concluise pela correção das glosas efetuadas com combustíveis, juros, multa de mora, imposto de renda. LIVRO CAIXA. DESPESAS COM TRANSPORTE FRETADO INTERMUNICIPAL. Não se enquadra na regra geral de dedutibilidade do art. 6°, inciso III da Lei 8.134/90, o dispêndio com transporte intermunicipal de funcionários em ônibus fretado, pois caracterizase como liberalidade do responsável pelo cartório. LIVRO CAIXA. ASSESSORIA JURÍDICA DE OFICIAL DE CARTÓRIO. DEDUTIBILIDADE. Em razão do tipo de atividade que desenvolve e considerando a razoabilidade dos valores envolvidos, devem ser tidas como dedutíveis as despesas com assessoria jurídica de oficial de cartório, por se enquadrarem na regra geral de dedutibilidade do art. 6°, inciso III da Lei 8.134/90. LIVRO CAIXA. AQUISIÇÃO DE EQUIPAMENTOS E MÓVEIS. Fl. 2039DF CARF MF Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 9202007.383 CSRFT2 Fl. 2.039 3 As aquisições de móveis e equipamentos configuramse como aplicação de capital e não como despesas de custeio, logo não podem ser deduzidas no livro caixa. ERROS NA ESCRITURAÇÃO E NA DECLARAÇÃO. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Portanto, ainda que tenha ocorrido o pagamento a menor do imposto por conta de erro, é devida a aplicação de sanção pecuniária. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE CARNÊLEÃO. HIPÓTESE QUE AUTORIZA O LANÇAMENTO DE OFICIO. A declaração falsa ao fisco que resulta em pagamento a menor de tributo autoriza o lançamento de ofício segundo o art. 149, incisos IV, VI e VII do CTN. MULTA ISOLADA POR FALTA no PAGAMENTO no CARNÊ LEÃO. O contribuinte que deixa de fazer o recolhimento mensal obrigatório sujeitase à multa de 50% sobre o valor do imposto devido, não havendo previsão legal para excluíla caso haja aplicação conjunta da multa de ofício. DA VEDAÇÃO AO CONFISCO COMO NORMA DIRIGIDA AO LEGISLADOR E NÃO APLICÁVEL AO CASO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA O Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, e é dirigido ao legislador de forma a orientar a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa de ofício é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Impugnação Procedente em Parte" Contra esta decisão, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, julgado em sessão plenária de 14/08/2014, prolatandose o Acórdão nº 2201002.496 (efls. 1.938 a 1.957), assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003 IRPF. CARTÓRIO DE REGISTRO. LIVRO CAIXA. DEDUÇÕES AUTORIZADAS. Fl. 2040DF CARF MF 4 O titular de serviços notariais e de registro pode deduzir da receita decorrente do exercício da respectiva atividade as despesas de custeios pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, tais como os encargos trabalhistas e previdenciários e os emolumentos pagos a terceiros. Gastos com combustível, transporte de funcionários, despesas com investimentos, pagamentos à pessoas físicas sem vínculo empregatício quando não vinculados à atividade desempenhada, aviso prévio pago a servidor público não se enquadram nas hipóteses legais de dedução. IRPF. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA ISOLADA. CARNÊLEÃO. CONCOMITÂNCIA. Improcede a exigência de multa isolada com base na falta de recolhimento do Imposto Sobre a Renda de Pessoa Física devido a título de carnêleão, quando cumulada com a multa de ofício decorrente da apuração de omissão de rendimentos recebidos de pessoas físicas, uma vez possuírem base de cálculo idênticas.” A decisão foi assim registrada: “Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de LivroCaixa, nos valores de R$ 773.750,00, R$ 14.000,00 e R$ 11.992,25, e de Contribuição a Previdência Privada, no valor de R$ 44.071,51, nos termos do voto da Relatora, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício.” Em 12/09/2014, a Presidente da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento opôs os Embargos de Declaração de efls. 1.958/1.959, prolatandose, em 12/04/2016, o Acórdão de Embargos nº 2201003.051 (efls. 1.972 a 1.977), assim ementado: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2007, 2008 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. AUSÊNCIA DE CONTRADIÇÃO, OMISSÃO OU OBSCURIDADE NO ACÓRDÃO EMBARGADO. EVIDENTE PRETENSÃO MODIFICATIVA. QUESTÕES JÁ APRECIADAS NO JULGAMENTO DO RECURSO. EMBARGOS REJEITADOS. A via dos embargos não pode conduzir à renovação do julgamento que não se ressente do vício apontado. Na concreta situação dos autos, o que se procura, sob pretexto de vícios inexistentes, é o reexame da fundamentação do aresto que deu provimento parcial ao recurso para restabelecer as deduções de livrocaixa e de Contribuição a Previdência Privada, bem como para excluir da exigência a multa isolada do carnêleão, aplicada concomitantemente com a multa de ofício." A decisão foi assim registrada: Fl. 2041DF CARF MF Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 9202007.383 CSRFT2 Fl. 2.040 5 "Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, não conhecer dos Embargos, vencido o Conselheiro relator que conhecia e negavalhe provimento. Designada para elaboração do voto vencedor a Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz." O processo foi encaminhado à PGFN em 31/05/2016 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.979) e, em 14/07/2016, foi interposto o Recurso Especial de efls. 1.980 a 1.996 (Despacho de Encaminhamento de efls. 1.997), com fundamento no art. 67, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, visando rediscutir a possibilidade de dedução, em livrocaixa, de pagamentos a prestadores de serviços sem vínculo empregatício. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme despacho de 26/12/2016 (efls. 1.998 a 2.002). Em seu apelo, a Fazenda Nacional apresenta as seguintes alegações: o cerne da controvérsia diz respeito à possibilidade de dedução, da base de cálculo do IRPF, de pagamentos a prestadores de serviços sem vínculo empregatício; o primeiro paradigma deixou bastante claro que as despesas apenas são dedutíveis quando vinculadas à necessidade, normalidade e usualidade da profissão exercida, sejam indispensáveis à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora e sejam pagas a pessoas com vínculo empregatício; as despesas em questão não são vinculadas de forma usual e normal à atividade do contribuinte, de tabelião público e não foram pagas a pessoas com vínculo empregatício com o contribuinte; o primeiro acórdão paradigma estabelece que para serem dedutíveis, as despesas de custeio devem ser cumulativamente necessárias à manutenção da fonte produtora ou à percepção da receita, usuais e normais, e pagas a pessoas que possuam vínculo empregatício com o contribuinte; o segundo paradigma vincula a dedutibilidade à existência de vínculo empregatício; por outro lado, o acórdão recorrido entendeu que basta estar caracterizada a necessidade com relação à atividadefim, não sendo necessária a existência de vínculo empregatício nem ser usual a despesa. Ao final, a Fazenda Nacional requer seja conhecido e provido o Recurso Especial, reformandose a decisão recorrida. Cientificado dos acórdãos, do Recurso Especial da Fazenda Nacional e do despacho que lhe deu seguimento em 18/05/2017 (AR Aviso de Recebimento de efls. 2.014/2.015), o Contribuinte ofereceu, em 01/06/2017 (carimbo de efls. 2.018), as Contrarrazões de efls. 2.018 a 2.025, contendo os seguintes argumentos: a recorrente aponta como o cerne da controvérsia a possibilidade de dedução, da base de cálculo do IRPF, de pagamentos realizados a prestadores de serviços sem vínculo empregatício, apesar de o relator ter acolhido a pretensão da dedução em questão, vez que restou caracterizada a necessidade à atividade da fonte pagadora (sic), nos termos das respostas da Receita Federal do Brasil em seu sítio na internet; Fl. 2042DF CARF MF 6 conforme orientações da Receita Federal do Brasil, pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício podem ser deduzidos, desde que se caracterizem como despesas necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora; os acórdãos apontados como paradigmas não são similares, já que a despesa com o terceiro sem vínculo empregatício se deu visto que este possuía vínculo empregatício de muitos anos junto ao Contribuinte e, após o encerramento de seu contrato de trabalho, visando à necessidade, normalidade e usualidade da profissão exercida, indispensáveis à percepção da receita e manutenção da fonte produtora, prestou serviços de treinamento de outra pessoa para o exercício da função exercida, e nos termos do art. 75, do RIR/99 e Decreto 3.000, de 1999, houve a dedução da despesa em questão do livrocaixa; assim, conforme comprovado nos presentes autos, as despesas em questão são vinculadas de forma usual e normal à atividade do Contribuinte de tabelião público, e nesse caso não é necessário o vínculo empregatício, nos termos do art. 75, inciso III, do RIR/99; os acórdãos elencados pelo recorrente, supostamente paradigmas da decisão ora recorrida, não condizem com o caso em tela; a decisão objeto do presente Recurso Especial deve ser mantida, visto que caracterizada a necessidade à atividade da fonte pagadora (sic), relativa a pagamento de terceiro sem vínculo empregatício. Ao final, o Contribuinte requer seja negado provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo, restando perquirir se atende aos demais pressupostos de admissibilidade. Trata o apelo, de exigência de Imposto de Renda Pessoa Física, tendo em vista a glosa de despesas de livrocaixa, referente aos anoscalendário de 2001 e 2002. No acórdão recorrido, deuse provimento parcial ao Recurso Voluntário, restabelecendose, dentre outras, a dedução do pagamento efetuado a Neusa Lima Ferreira, prestadora de serviço sem vínculo empregatício, referente à realização de treinamento de funcionário no Cartório, tendo em vista restar caracterizada como despesa de custeio necessária à atividade da fonte produtora. A Fazenda Nacional, por sua vez, pede que seja mantida a glosa, ao argumento de que somente são dedutíveis despesas relativas a pagamentos realizados a pessoa com vínculo empregatício com o Contribuinte. Em sede de Contrarrazões, oferecidas tempestivamente, o Contribuinte alega inexistência de similitude fática entre os acórdãos recorrido e paradigmas. Antes de proceder à análise dos paradigmas, importa salientar que se trata de Recurso Especial de Divergência, e que esta somente se caracteriza quando, diante de situações fáticas similares, são adotadas soluções diversas, em face do mesmo arcabouço jurídico normativo. Nesse passo, de plano fica descartada a alegação de divergência que envolva a Fl. 2043DF CARF MF Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 9202007.383 CSRFT2 Fl. 2.041 7 valoração de provas, já que, no que tange ao arcabouço probatório, cada processo constitui um universo específico. A impossibilidade de caracterização de divergência jurisprudencial em situações que envolvem a valoração de provas foi reconhecida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, em decisão proferida no Acórdão CSRF/0104.592, de 11/08/2003, assim ementado: “GLOSA DE DESPESAS COM VEÍCULOS COMBUSTÍVEIS – MATÉRIA DE PROVA. A divergência jurisprudencial, necessária à admissibilidade do recurso especial de que trata o artigo 5° inciso II, do Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, não se estabelece em matéria de prova e sim na interpretação das normas. Recurso especial não conhecido.” Com estas considerações, constatase que, no caso do acórdão recorrido, restabeleceuse a dedução, considerandose que a despesa referente a treinamento de funcionário caracterizase como de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora, com fundamento no art. 6º, incisos I e III, da Lei nº 8.134, de 1990, e no art. 75, incisos I e III, do Decreto nº 3.000, de 1999, o acórdão restabeleceu a dedução. Confirase: "1.2.6. Pagamentos sem Vínculo Empregatício (Neusa Lima Ferreira) O Contribuinte informou à fiscalização que os pagamentos efetuados à Neusa Lima Ferreira foram decorrentes de prestação de serviços (sem vínculo empregatício) ao Cartório, após a sua aposentadoria, a fim de treinar outro funcionário para sua função. Por se tratar de prestação de serviço sem vínculo empregatício, a fiscalização glosou a dedução procedida pelo Contribuinte. Como justificativa para manutenção da dedutibilidade, o Contribuinte afirma a simples correlação de trabalho bastaria para dedutibilidade da despesa. O inciso I do art. 6º da Lei nº 8.134/90 é expresso ao determinar que a remuneração de terceiros são dedutíveis, desde que com vínculo empregatício. Porém, a Receita Federal do Brasil em seu sítio na INTERNET (http://www.receita.fazenda.gov.br /PessoaFisica/IRPF/2010/Perguntas/DeducoesLivroCaixa.htm) respondeu em relação à dedutibilidade de pagamentos efetuados por profissionais autônomos a terceiros: 401 — São dedutíveis os pagamentos efetuados por profissional autônomo a terceiros? Sim. O profissional autônomo pode deduzir no livro Caixa os pagamentos efetuados a terceiros com quem mantenha vínculo empregatício. Podem também ser deduzidos os pagamentos efetuados a terceiros sem vínculo empregatício, desde que caracterizem despesa de custeio necessária à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Fl. 2044DF CARF MF 8 (Lei nº 8.134, de 27 de dezembro de 1990, art. 6º, incisos I e III; Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 75, incisos I e III; Parecer Normativo Cosit nº 392, de 9 de outubro de 1970; Ato Declaratório Normativo Cosit nº 16, de 1979) (grifos nossos) Logo, acolho a pretensão do Contribuinte em deduzir pagamento a prestador de serviço, ainda que sem vínculo empregatício, pois resta caracterizada a necessidade à atividade da fonte pagadora." (grifei) Nesse contexto, o paradigma apto a demonstrar a alegada divergência seria representado por julgado em que, diante de situação fática similar dedução de despesa de livrocaixa, referente a gastos com treinamento de funcionário, ausente o vínculo empregatício do prestador se entendesse que tal despesa não deveria ser considerada como de custeio, mantendose a glosa, ou entendendose, ainda, que despesas de custeio não podem ser deduzidas, no caso de prestador de serviço sem vínculo empregatício. Entretanto, analisandose o inteiro teor do primeiro paradigma Acórdão nº 2301004.423 verificase que as despesas ali tratadas em nada se assemelham à situação do acórdão recorrido. Confirase: "Neste item, relativamente à Infração de Dedução Indevida de Despesas de Livro Caixa, argumenta que "[...]embora a recorrente tenha escriturado as despesas inerentes à sua atividade profissional nos anos calendário em exame, a autoridade fiscal entendeu por rejeitar seus registros e documentos apresentados, glosando as despesas declaradas." Aduz que "as despesas se referem à contratação dos serviços prestados por autônomos (gesseiro, pintor, pedreiro), materiais necessários à obras e como se confere nos recibos acostados às fls. 248/250)." Consoante o que estabelece o art. 6º da Lei nº 8.134/90, submete a atividade da Recorrente as receitas auferidas com a sua atividade, deduzidas das despesas admitidas, à tributação do Imposto de Renda Pessoa Física, apurado através de escrituração realizada em Livro Caixa e ajustada ao final do anocalendário, através da Declaração de Ajuste Anual. Podemos verificar que o artigo 6º da Lei nº 8.134 de 27 de dezembro de 1990, permite a dedução das despesas no livro caixa: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: (Vide Lei nº 8.383, de 1991) I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários; II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica (Lei nº 8.134, de 1990, art. 6º, § 1º, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 34): Fl. 2045DF CARF MF Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 9202007.383 CSRFT2 Fl. 2.042 9 I a quotas de depreciação de instalações, máquinas e equipamentos, bem como a despesas de arrendamento; II a despesas com locomoção e transporte, salvo no caso de representante comercial autônomo; III em relação aos rendimentos a que se referem os arts. 47 e 48 Nos termos da legislação que rege a matéria todas a despesas de custeios pagas pelo contribuinte e necessárias à percepção da receita e a manutenção da fonte produtora, são passíveis de dedução do livrocaixa. Desta forma, podemos concluir que uma despesa, para ser considerada como dedutível, deverá preencher uma série de requisitos cumulativos, a saber: (i) deve ser usual e normal, face às atividades desenvolvidas pelo contribuinte que a suportou; (ii) se não paga, ao menos deve ter sido incorrida por esse contribuinte; e, por fim, (iii) deverá ser necessária a atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Todavia, como se verifica da legislação supra, a remuneração paga à terceiros (no caso, gesseiro, pintor e pedreiro), somente podem ser deduzidas se houver vínculo empregatício, o que não ocorre o caso dos autos, bem como, verificase que o serviço prestado por estes terceiros e o material utilizado pela Contribuinte no serviços de decoração foram arcados por seus clientes, de modo que os honorários da Recorrente remuneram tão somente o seu trabalho prestado, não podendo assim, ser deduzidas tais despesas da base de cálculo do IRPF." (grifei) De plano, contatase que, no caso deste paradigma, as despesas analisadas (gesseiro, pintor e pedreiro) não foram consideradas despesas de custeio, especialmente porque sequer foram pagas pelo Contribuinte. Ademais, o voto elenca expressamente os requisitos para uma despesa ser considerada de custeio, não se verificando entre eles a exigência do vínculo empregatício do prestador do serviço. Não caracterizada a despesa como de custeio, prevista no inciso III, do art. 6º, da Lei nº 8.134, de 1990, restou apenas ao colegiado analisála conforme o disposto no inciso I, como remuneração paga a terceiros. Com efeito, a leitura dos excertos colacionados permite concluir pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. No recorrido, constatouse a existência de uma despesa de custeio necessária à atividade do Contribuinte, o que não se verificou no paradigma. Nestas circunstâncias, a divergência somente estaria caracterizada se as despesas em confronto guardassem alguma similitude, o que não se verificou. Quanto ao segundo paradigma Acórdão 2202003.216 constatase mais uma vez que as despesas ali tratadas em nada se assemelham à do acórdão recorrido. Confira se (destaques acrescidos): "Observo, a partir das razões do recurso, peça na qual o Contribuinte deve expor expressamente as razões de sua Fl. 2046DF CARF MF 10 inconformidade com aquilo que foi assentado pela decisão recorrida, que a única contestação objetivamente efetuada em relação às glosas perpetradas e mantidas pela 1ª Instância referese à questão da dedução com o pagamento de empregados, que já tinha sido especificada em sede de Impugnação, onde citou Luciana Santos Souza, Fernando Antonio dos Santos Júnior, Deny Pereira Costa e Silva, Alex Rodrigues Aragão, Matheus Estevam Souza e Iracema Pereira Gama. Transcrevo da Lei nº 8.134, de 1990: Art. 6° O contribuinte que perceber rendimentos do trabalho não assalariado, inclusive os titulares dos serviços notariais e de registro, a que se refere o art. 236 da Constituição, e os leiloeiros, poderão deduzir, da receita decorrente do exercício da respectiva atividade: I a remuneração paga a terceiros, desde que com vínculo empregatício, e os encargos trabalhistas e previdenciários;(sublinhei/destaquei) II os emolumentos pagos a terceiros; III as despesas de custeio pagas, necessárias à percepção da receita e à manutenção da fonte produtora. (...) § 2° O contribuinte deverá comprovar a veracidade das receitas e das despesas, mediante documentação idônea, escrituradas em livrocaixa, que serão mantidos em seu poder, a disposição da fiscalização, enquanto não ocorrer a prescrição ou decadência.(sublinhei/destaquei) Bem, a leitura do dispositivo acima, em especial das partes destacadas, leva ao entendimento que não é "qualquer remuneração paga a terceiros" que pode ser deduzida, mas aquela onde esteja caracterizado o vínculo empregatício e, não obstante as considerações efetuadas em sede preliminar, "o contribuinte deverá comprovar, mediante documentação hábil e idônea, à disposição da fiscalização" tal situação, para que se mantenha a dedução. Ou seja, a lei não diz que cabe à fiscalização comprovar que não havia vínculo empregatício, caracterizador da dedução em discussão, mas ao contribuinte demonstrálo. (...) O Contribuinte alegar que "não se paga a quem não lhe presta serviço" não atende ao comando legal, como se pode observar. A deduções da base de cálculo do imposto são benefícios concedidos e portanto devem atender aos requisitos impostos pela legislação tributária. Por exemplo, se o Contribuinte pagar as despesas com instrução de pessoa não dependente, nos termos da lei tributária, ainda que comprove o pagamento, não pode deduzir a despesa na apuração de seu imposto devido. Se pagar, neste caso, àquele com o qual não mantenha o regular vínculo Fl. 2047DF CARF MF Processo nº 10830.006485/200620 Acórdão n.º 9202007.383 CSRFT2 Fl. 2.043 11 trabalhista, ainda que tenha havido a despesa, não será dedutível. Diz a Fiscalização, na autuação (fl. 17/19): Relativamente às despesas declaradas como pagamento de pessoal, o autuado alega que são seus funcionários e todos exercem atividades no escritório de contabilidade. Apresentou os documentos para comprovação do vinculo empregatício. Passaremos a tecer considerações acerca dos documentos apresentados e dos registros consubstanciados no livro caixa. Primeiramente, foi apresentado contrato de experiência relativo à Sra. Elda Batista Pereira com inicio de vigência a partir de 14 de janeiro de 2003, prorrogado até abril de 2003. Igualmente, foi firmado contrato de experiência com a Sra. Luciana Santos Souza, com vigência a partir de 01 de fevereiro de 2003, com duração de noventa dias. Em virtude da natureza do deste contrato, entendemos que foram satisfeitas às exigências legais trabalhistas, por isso foram mantidas as despesas escrituradas correspondentes aos pagamentos feitos às senhoras acima referidas, incorridas no período de vigência de tais documentos. As demais despesas escrituradas pertinentes aos pagamentos de salários foram glosadas em virtude de o autuado não ter comprovado a existência do vínculo empregatício sob regime da legislação trabalhista. Também foi firmado contrato de idêntica natureza com o Sr. Fernando Antonio dos Santos Junior, com inicio em 01 de novembro de 2003, com duração de 90 dias. Da mesma forma, foram aceitas as despesas incorridas com este funcionário, por estarem amparadas pelo referido documento. As demais, foram glosadas pelos mesmos motivos acima citados. Com relação às profissionais Deny Pereira Costa e Silva, Iracema Pereira Gomes e Ana Paula Cabral da Rocha não foram apresentados documentos que caracterizassem a formalização do vinculo empregatício sob regime da legislação trabalhista alegado, mediante recolhimentos das obrigações trabalhistas e previdenciárias devidas, pois o pagamento de salário, por si só, não caracteriza a existência do vinculo exigida pela legislação em apreço. Diante deste fatos, efetuouse a glosa das despesas incorridas com os pagamentos dos salários das profissionais citadas, por não atenderem aos requisitos estabelecidos na legislação pertinente, qual seja, não restou comprovada a existência do vinculo empregatício sob regime da legislação trabalhista, entre o autuado e tais profissionais. (...) Ou seja, a Autoridade Fiscal não desconheceu genericamente a existência desses empregados, mas analisou períodos e contratos especificamente, expondo as razões para aceitar a dedução em alguns casos/períodos e negála em outros. Fl. 2048DF CARF MF 12 Em sua defesa o Contribuinte diz que todas essas pessoas receberam pagamentos e passaram por seu escritório de assessoria e consultoria contábil, citando que se pode verificar suas grafias em alguns registros, para demonstrar a prestação de serviços. Vejamos, à guisa de exemplo, a declaração de folha 581, onde Alex Rodrigues Aragão diz que manteve relações de trabalho com o Recorrente de 15/01/2001 a 16/08/2005, assim como na folha 584, Matheus Estevam Souza o diz fixando o período entre 01/12/2001 e 31/08/2005. Conforme transcrito acima e sublinhado, a Fiscalização não desconsiderou que tais pessoas tivessem trabalhado para o Recorrente, mas, com base no Livro Registro de Empregados, fixou que Matheus fora contratado em agosto de 2003 e Alex em setembro de 2004. Assim, entendo que não logrou êxito o Recorrente em atender ao disposto na lei, para fazer jus ao direito de dedução escriturada em Livro Caixa, tampouco instruiu seu recurso, onde tem a oportunidade de exercer sua ampla defesa, com a contestação específica dos fatos que lhe foram imputados, acompanhada da devida documentação hábil." De plano, constatase que o paradigma não trata, em absoluto, de situação similar à do recorrido. No caso deste paradigma, tratase de dedução de despesas declaradas como pagamento de pessoal, em que o Contribuinte não conseguiu comprovar a existência de vínculo empregatício de todos os seus funcionários. Já no caso do acórdão recorrido, constatouse a existência de uma despesa de custeio necessária à atividade do Contribuinte. Com efeito, forçoso concluir mais uma vez pela inexistência de qualquer dissídio interpretativo, uma vez que as diferentes soluções a que chegaram os acórdãos recorrido e paradigma não decorreram de divergência jurisprudencial, mas sim do conjunto fático específico de cada processo. Diante do exposto, tendo em vista que os paradigmas indicados efetivamente não logram caracterizar a divergência alegada, não conheço do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 2049DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.721520/2013-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005
NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA.
Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou-se a extinção do crédito tributário pela decadência.
Numero da decisão: 2401-005.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada).
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou-se a extinção do crédito tributário pela decadência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e dar-lhe provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier - Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada).
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MONTREAL INFORMÁTICA S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 NULIDADE DO LANÇAMENTO ANTERIOR. VÍCIO MATERIAL. NOVO LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Reconhecido, no lançamento anterior, o cerceamento de defesa na realização de auditoria em endereço diverso do domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo, que levou à decretação da invalidade da autuação fiscal fundamentada na ausência de apresentação de documentos, fica caracterizada a existência de vício material. Uma vez efetuado o novo lançamento em relação aos mesmos fatos geradores somente ao final do ano de 2013, operou se a extinção do crédito tributário pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e darlhe provimento para reconhecer a decadência do crédito tributário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 15 20 /2 01 3- 24 Fl. 1272DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.273 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (suplente convocada). Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (DRJ/JFA), por meio do Acórdão nº 0963.966, de 14/07/2017, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido (fls. 1.225/1.237): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2001 a 31/05/2005 VÍCIO FORMAL. AUTO DE INFRAÇÃO SUBSTITUTIVO. Vício formal se caracteriza nos elementos extrínsecos do ato administrativo. O novo auto de infração deve ser efetuado com os mesmos elementos do anterior, a menos do fato irregular efetuado e tem, por prazo de decadência, o previsto no art. 173, II do CTN. Impugnação Improcedente Extraise do Relatório Fiscal, às fls. 61/80, que o processo administrativo é composto do Auto de Infração (AI) nº 37.410.6002, relativo às contribuições devidas a terceiros Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial (Senac), Serviço Social do Comércio (Sesc) e Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) incidentes sobre valores pagos pela empresa a seus empregados a título de "assistência médica e odontológica", nas competências 07/2001 a 05/2005. Segundo o agente fazendário, o auto de infração teve por finalidade a substituição da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 37.004.8342, controlada no Processo nº 35301.013532/200609, que foi tornada nula em razão da constatação de vício formal, conforme decidido no Acórdão nº 20500.879, de 05/08/2008, prolatado pela Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda. Os pagamentos de despesas de assistência médica e odontológicas em benefício de segurados empregados foram constatados em diversas contas contábeis, para as quais a pessoa jurídica deixou de apresentar os respectivos documentos indispensáveis à análise da natureza dos dispêndios, tais como contratos e aditivos, notas fiscais e faturas, relação de usuários e relatórios de comprovação de despesas. Fl. 1273DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.274 3 Por tais motivos, e com base nos documentos constantes do Processo nº 35301.013532/200609, a fiscalização considerou os desembolsos efetuados pela empresa como salário indireto pago a segurado empregado, integrante da base de cálculo das contribuições previdenciárias, assim como das contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros). A falta de apresentação de documentos justificou o levantamento do crédito tributário por arbitramento, mediante aferição indireta, a partir dos registros da contabilidade do contribuinte. A autuada tomou ciência do auto de infração, por via postal, em 16/12/2013, tendo impugnado a exigência fiscal (fls. 879 e 889/898). Intimada da decisão de primeira instância em 09/08/2017, data em que efetuou consulta no endereço eletrônico atribuído pela administração tributária, a empresa autuada protocolou recurso voluntário no dia 08/09/2017, em que aduz os seguintes argumentos de fato e de direito (fls. 1.238/1.241 e 1.242/1.255): (i) ao contrário do que afirmou a decisão de piso, o lançamento original não foi anulado por vício formal, mas em função do cerceamento do direito de defesa da recorrente; (ii) em diversos acórdãos, sobre os mesmos fatos, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais se pronunciou pela existência de vício material, ante a impossibilidade de apresentação de documentos e a prestação de esclarecimentos úteis à ação fiscalizatória; (iii) considerando que o lançamento fiscal em discussão diz respeito a obrigações tributárias do período de 07/2001 a 05/2005, há que se reconhecer a extinção do crédito tributário pela decadência; e (iv) alternativamente, mesmo que o lançamento substitutivo não estivesse fulminado pela decadência, houve nítido cerceamento do direito de defesa da recorrente ao constituir o crédito tributário por arbitramento, na medida em que o único documento exigido pela fiscalização para a lavratura do auto de infração foi a última alteração do contrato social da recorrente. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Fl. 1274DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.275 4 Decadência Como se observa da narrativa acima, tratase de lançamento substitutivo relativo às competências de 07/2001 a 05/2005, com ciência do auto de infração pelo sujeito passivo em 16/12/2013. Quanto ao lançamento original, que compõe o Processo nº 35301.013532/2006 09, apenso aos autos, em nenhum momento as decisões administrativas explicitaram a natureza do vício, se formal ou material, que levou à decretação da nulidade da NFLD nº 37.004.8342. Em contrapartida, se reconheceu o cerceamento do direito de defesa do contribuinte na realização de auditoria em endereço diverso do seu domicílio tributário. Com efeito, toda a celeuma instaurouse com a exigência de documentos pela fiscalização previdenciária em estabelecimento da empresa distinto daquele eleito como seu local centralizador, a partir de orientação dada pela ProcuradoriaGeral Federal, à época responsável pela área de assessoramento e consultoria em matéria jurídica no âmbito do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Desde o início do procedimento fiscal, nos anos de 2005/2006, a empresa questionou a determinação do agente fazendário para apresentação de documentos na sua filial da cidade do Rio do Janeiro, em razão de que o seu domicílio fiscal, conforme indicado no respectivo contrato social, localizavase no estabelecimento sede no município de Rio das Flores (RJ). Posteriormente ao término da ação fiscal, no processo autuado originalmente sob o nº 2003.51.01.0224300, o Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF/2ª Região) proferiu decisão, transitada em julgado, em que considerou procedente o pedido da empresa, ora recorrente, para declarar como domicílio tributário a sua sede, na Rua Capitão Jorge Soares nº 04, município de Rio da Flores (RJ). Além de vincular a Administração Tributária, a declaração de validade do domicílio eleito pelo sujeito passivo, conforme acórdão do TRF/2ª Região, acarretou a ilegalidade do atos praticados pela fiscalização que, desprovidos de justificação válida, desconsideraram o estabelecimento da empresa localizado no município de Rio das Flores (RJ) como aquele onde a pessoa jurídica deveria manter os elementos necessários aos procedimentos fiscais, com obrigação legal de disponibilizálos à fiscalização sempre que solicitados. A postura do agente fiscal em exigir a apresentação dos documentos em estabelecimento, ainda que da mesma empresa, localizado em município diverso do eleito pelo contribuinte como centralizador, no qual estava a documentação necessária e suficiente à fiscalização integral, configura, após a avaliação do caso concreto, evidente prejuízo ao autuado. Não foi outro o entendimento do Acórdão nº 20500.879, de 05/08/2008, da Quinta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, ao julgar o recurso voluntário no Processo nº 35301.013532/200609. Para melhor compreensão do decidido, reproduzo excertos do votocondutor do acórdão (fls. 81/92): (...) Fl. 1275DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.276 5 11. No caso sob exame temos que o sujeito passivo, logo após a ciência dos MPF e TIAD, manifestouse através de requerimento sobre o domicílio tributário eleito, apontando alteração de seus atos constitutivos e informando que sua documentação se encontrava no estabelecimento centralizador eleito. 12. A resposta ao requerimento se limitou a negar o pleito do contribuinte, sem entretanto justificar devidamente a recusar nas hipóteses do §2°, do art. 127, do codex tributário, ou seja, qual hipótese legal, impossibilidade ou dificuldade para a realização da ação fiscal.: (...) 14. No entanto, ao se sujeitar a fiscalização integralmente aos argumentos trazidos pela Procuradoria do INSS, sem mencionar a hipótese para a recusa do domicílio tributário eleito e, após, demonstrála, o órgão fiscalizador assumiu que prevaleceria o desfecho do processo judicial, isto é, quando a sentença transitasse em julgado. Entendo que, equivocadamente, aplicou se ao caso o disposto no artigo 126, §3° da Lei n° 8.213/91 combinado com o artigo 307 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99: (...) 15. E digo equivocadamente porque se desejasse fazer uso da prerrogativa de recusar o domicílio eleito pelo sujeito passivo, caberia ao fisco tão somente demonstrar a ocorrência de uma das hipóteses previstas no citado artigo 127, §2° do CTN, j á que não havia à época tutela judicial que o impedisse. Ao fazêla apenas sob o argumento de que havia discussão sobre a matéria em processo judicial, o órgão fiscalizador adotou, desnecessariamente, postura de verdadeira submissão ao seu desfecho. 16. Registrese, porque importante que deve ser reconhecido o cerceamento do direito de defesa, o que acabou se evidenciando através das autuações por falta de documentos e recusa em prestar esclarecimentos além dos inúmeros lançamentos por arbitramento, todos realizados com enorme gravame para o sujeito passivo. 17. Sem falar que ficou prejudicado o direito da empresa em acompanhar a ação fiscal e prestar os esclarecimentos necessários, o que denota clara afronta aos preceitos constitucionais garantidores da ampla defesa e do contraditório. 18. Por fim, diante de todo o exposto e uma vez transitada em julgado a sentença reconhecendo que o domicílio tributário e estabelecimento centralizador do recorrente está situado na Rua Capitão Soares, 04 Rio das Flores Volta Redonda/RJ, somente resta a este órgão administrativo julgador acatar a decisão judicial e, conseqüentemente, a preliminar ora examinada, restando prejudicado o exame de mérito. Fl. 1276DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.277 6 CONCLUSÃO 19. Assim, voto pela anulação do lançamento. (...) Dessa decisão administrativa, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional interpôs recurso especial na forma regimental, que foi negado provimento, conforme Acórdão nº 920201.445, de 12/04/2011, da 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 93/98). Na sequência, foram rejeitados os embargos declaratórios que solicitaram o pronunciamento sobre a espécie do vício no lançamento (fls. 99/101). Como assentado na doutrina e jurisprudência, o lançamento substitutivo decorrente de vício formal deve pautarse nos mesmos elementos de prova do procedimento anterior, mediante o saneamento do defeito do instrumento de constituição do crédito tributário, ficando vedada, por outro lado, qualquer inovação no próprio lançamento. No entanto, o lançamento anterior, consubstanciado na NFLD nº 37.004.8342, foi anulado em decorrência do cerceamento do direito de defesa do sujeito passivo, evidenciado pela exigência do crédito tributário com fundamento na falta de apresentação de documentação pela empresa para demonstrar a inexistência de natureza remuneratória das parcelas pagas. Em tal hipótese de invalidade, o lançamento substitutivo não é executável sem alteração do conteúdo do lançamento, porque, antes de mais nada, sob pena de acarretar um outro cerceamento de defesa, a autoridade fiscal deve oportunizar ao contribuinte, no seu domicílio tributário, a apresentação de todos os documentos e informações necessários à atividade fiscalizatória, para só depois, se for o caso, proceder ao novo lançamento. É de se notar, portanto, que no caso em apreço não se reconheceu a existência de vício formal, na medida em que o defeito do lançamento, segundo a decisão no Processo nº 35301.013532/200609, afetou a própria fundamentação em que se sustentou a imputação infracional. De fato, a conduta fiscal não implicou tão somente desrespeito às normas atinentes à realização de procedimento de auditoria, concentradas que são, via de regra, no estabelecimento centralizador da empresa. É inegável que o vício no procedimento fiscal tem relação direta com os fundamentos adotados para a autuação, haja vista que o lançamento de ofício estava escorado na existência de conduta omissiva da empresa na apresentação de documentação comprobatória, autorizando a lei ordinária a constituição do crédito tributário, com inversão do ônus probatório quanto à natureza não remuneratória das parcelas apuradas pelo agente fiscal (art. 33, § 3º, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991). Em razão disso, a falha do lançamento original está associada ao conteúdo do ato e, desse modo, a mácula atinge a própria motivação do ato administrativo, configurando um vício material. O lançamento fiscal controlado no Processo nº 35301.013532/200609 revelou vício intrínseco, na sua origem, que contaminou o fundamento do arbitramento por ausência de apresentação de documentação comprobatória da natureza das despesas com assistência médica e odontológica em benefício dos segurados empregados, de modo que a validade do Fl. 1277DF CARF MF Processo nº 10680.721520/201324 Acórdão n.º 2401005.859 S2C4T1 Fl. 1.278 7 lançamento fiscal somente era possível a partir da edição de um novo ato administrativo com alteração de conteúdo (motivação). Nesse cenário, o prazo decadencial para o novo lançamento não se submete à regra do inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional (CTN), veiculado pela Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, como acatado pelo colegiado de primeira instância, que se posicionou pela existência de vício formal. Na hipótese de vício material, como ora se cuida, a contagem do prazo decadencial para o novo lançamento segue a disciplina do § 4º do art. 150 ou do inciso I do art. 173, ambos do CTN. Em qualquer das duas regras, levandose em consideração que o AI nº 37.410.6002, lavrado em substituição à NFLD nº 37.004.8342, diz respeito a fatos geradores do período de 07/2001 a 05/2005, com ciência do lançamento fiscal pelo sujeito passivo no dia 16/12/2013, é forçoso reconhecer a extinção do crédito tributário, em virtude da decadência quinquenal (art. 156, inciso V, do CTN). Não obstante o reconhecimento da decadência, acrescento que mesmo na hipótese de vício formal e, portanto, um lançamento substitutivo dentro do prazo de cinco anos da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou o lançamento anteriormente efetuado, o que se cogita apenas para fins de raciocínio, também não prospera o presente lançamento fiscal. É que, de acordo com os termos de intimação carreados aos autos pela própria fiscalização, o único documento exigido do contribuinte para a lavratura do AI nº 37.410.6002 foi a última alteração do contrato social. Nada mais foi pedido pela autoridade fiscal, segundo consta, lastreando o lançamento tributário exclusivamente nos fatos verificados no procedimento anterior (fls. 35/43). Assim sendo, avultase, novamente, o cerceamento do direito de defesa, dado que a fiscalização justificou o lançamento com base na omissão do contribuinte na apresentação de documentos e/ou informações, sem oferecer a oportunidade para a sua exibição e/ou prestar esclarecimentos. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e DOULHE PROVIMENTO, reconhecendo a decadência do crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 1278DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.016269/2007-50
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período.
MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO.
Não há dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do ano-calendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo .... e não ainda que venha a ser apurado prejuízo..., numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso.
REVOGAÇÃO DE NORMA LEGAL. INOCORRÊNCIA.
A Lei nº 11.488/2007 não implicou em qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, b, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%).
CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA.
Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devem ser aplicados à CSLL os mesmos fundamentos adotados para o IRPJ.
Numero da decisão: 9101-003.869
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Flávio Neto, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo Relator e Presidente em exercício.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002, 2003 FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANO-CALENDÁRIO. Não há dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do ano-calendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada ainda que tenha sido apurado prejuízo .... e não ainda que venha a ser apurado prejuízo..., numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. REVOGAÇÃO DE NORMA LEGAL. INOCORRÊNCIA. A Lei nº 11.488/2007 não implicou em qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, b, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devem ser aplicados à CSLL os mesmos fundamentos adotados para o IRPJ.
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MULTA ISOLADA. A falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL por contribuinte optante pela tributação com base no lucro real anual, enseja a aplicação da multa isolada, independentemente do resultado apurado pela empresa no período. MULTA ISOLADA. POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO DO ANOCALENDÁRIO. Não há dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do anocalendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. REVOGAÇÃO DE NORMA LEGAL. INOCORRÊNCIA. A Lei nº 11.488/2007 não implicou em qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, “b”, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). CSLL. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS. MULTA ISOLADA. Em relação à multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais, devem ser aplicados à CSLL os mesmos fundamentos adotados para o IRPJ. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 62 69 /2 00 7- 50 Fl. 371DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 3 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa e Luis Flávio Neto, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo – Relator e Presidente em exercício. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flávio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto à manutenção do lançamento de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 180100.722, de 17/10/2011, por meio do qual a 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, por unanimidade de votos, manter a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ e CSLL nos anoscalendário de 2002 e 2003. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2002, 2003 COMPENSAÇÃO CONTÁBIL. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A partir de 01/10/2002, a sistemática para a compensação de tributos alterou, ainda que de mesma espécie, só sendo possível mediante a apresentação de Declaração de Compensação, não sendo mais admitida a compensação efetuada somente na forma contábil. MULTA DE OFÍCIO. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. PENALIDADE. O contribuinte que opta mas não cumpre a obrigação de antecipar os recolhimentos de tributos apurados em bases de cálculos estimadas, como impõe a norma tributária, sujeitase à aplicação de penalidade consoante norma tributária vigente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 372DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 4 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento do recurso, ela desenvolve os seguintes argumentos: DO CABIMENTO DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL. DOS ACÓRDÃOS PARADIGMAS. para demonstrar a divergência das decisões, apresentase o Acórdão Paradigma n.° 910100.430, exarado 03 de novembro de 2009, pela egrégia Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho (doc. 01), no Processo Administrativo Fiscal n,° 11453.004296/200459 (inteiro teor extraído do sítio do CARF) cuja ementa foi assim lavrada: Assunto: Imposto sobe a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 1999, 2000 Ementa: IRPJ. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso Especial do Procurador Negado. no caso paradigma apresentado, havia a exigência de multa de ofício isolada aplicada em função de estimativas não recolhidas, em função da concomitância com a incidência de multa de ofício cobradas juntamente com o tributo apurado no procedimento; a Fazenda Nacional, autora do Recurso Especial, sustentava a legalidade da exigência das duas multas de ofício, pois, no seu entendimento, envolveriam infrações e bases de cálculo distintas; assim como no caso da Recorrente, a exigência fiscal do recurso paradigma também trata da aplicação da multa isolada em razão do descumprimento do recolhimento por estimativa mensal do IRPJ e da multa incidente juntamente com o tributo devido pela apuração final do exercício; da forma como foi efetuado o lançamento, a Recorrente foi duplamente penalizada, a uma porque foi exigida a aplicação de multa isolada pela falta de recolhimento do IRPJ e da CSSL por estimativa mensal, e a duas porque foi exigida a multa de ofício em razão Fl. 373DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 5 4 da suposta falta de recolhimento do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da CSSL apurados em 31.12.2002; no referido acórdão, a Colenda Câmara Superior decidiu pela improcedência do feito fiscal, considerando incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa por falta de recolhimento do tributo apurado no balanço; conforme se extrai da leitura do voto da ilustre relator, tal decisão fundamentouse no entendimento de que não se justificaria a aplicação da multa após o encerramento do período de apuração, quando já teriam sido realizados os devidos ajustes. Nesse caso, bastaria a cobrança do imposto apurado no juste, acompanhado, aí sim, da respectiva multa; e continua o nobre relator: "o que não pode ser acatado, na visão do CARF, é a cobrança de multa sobre duas bases implicando na duplicidade de punição. Foi exatamente o que ocorreu no presente caso. A Fiscalização formalizou a exigência do IRPJ apurado no ajuste do anocalendário de 2000, imputando corretamente multa de ofício e juros de mora sobre esse valor. Aqui, não há mácula a ser imputada ao procedimento fiscal. Entretanto, o Fisco exige também a multa de ofício isolada sobre as estimativas que não foram recolhidas. Admitindose tal prática, estarseia admitindo que, sobre o imposto apurado de ofício, se aplicassem duas punições, atingindo valores superiores ao das penalidades cominadas para faltas qualificadas. Tal penalidade seria desproporcional ao proveito obtido com a falta"; o entendimento acima se contrapõe ao voto do Acórdão recorrido de fls. 9: "Equivocase a recorrente ao afirmar justamente o contrário, que no decorrer do anocalendário é devida a multa ora aplicada. Não, durante o anocalendário, constado que a contribuinte não recolheu as estimativas cabe somente exigir os valores dos tributos estimados. Encerrado o anocalendário só se pode exigir a multa pelo não recolhimento efetuado a tempo próprio, e não mais o tributo, cujo valor final é apurado no ajuste anual"; na mesma linha do Acórdão paradigma e contrária à tese esposada pela d. Relatora, é a jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela ementa do Acórdão 91.01.00.375 1ª Turma (Doc. 2): Assunto: Multa Isolada Exercício: 2001 Ementa: IRPJ. MULTA ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativa no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. RETROATIVIDADE BENIGNA. O CTN consagra o princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades art. 106, inciso II, "a" do CTN. ao tratar do artigo 106 do CTN, assim se manifestou o relator: "Não fossem os argumentos acima que por si só já são suficientes, no meu entendimento, para afastar a presente exigência, é de se observar que o dispositivo legal que lhe dava supedâneo inciso IV, § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/96, restou revogado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007, Fl. 374DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 6 5 apagando, portanto, os efeitos do ato que antes era considerado ilícito, em respeito ao princípio da aplicação retroativa da lei posterior mais benéfica às penalidades tributárias, ex vi do disposto no art. 106, do CTN"; resta cristalino que na situação paradigma foi dada uma interpretação diversa para exigência da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa após apurado o tributo efetivamente devido ao final do ano calendário; portanto, em situações idênticas e prequestionada no presente processo, conforme se verifica da Impugnação e do Recurso Voluntário que o instruem, o ordenamento jurídico tributário foi aplicado de maneira diversa, uma vez que, no acórdão recorrido, data vênia, houve uma interpretação equivocada que feriu frontalmente princípios basilares do ordenamento pátrio. Desta forma, cabível o presente Recurso Especial; DA IMPOSSIBILIDADE DE EXIGÊNCIA DE MULTA ISOLADA APÓS ENCERRADO O EXERCÍCIO FISCAL. o Acórdão da DRJ, em que pese tenha afastada a exigência do IRPJ e da CSLL dos exercícios 2003 e 2004, manteve a exigência de multa isolada pela suposta falta de recolhimentos em alguns meses desses exercícios em face de compensações efetuadas pela Recorrente no tocante ao Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido apurados pelo regime de estimativa; assim, a Recorrente efetuou a compensação de valores relativos ao Imposto de Renda e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, recolhidos a maior em exercícios anteriores constante da DIPJ anocalendário 2001 (vide planilha doc. 4 da Impugnação) com o débito desses tributos nos meses de agosto, outubro (somente para a CSLL) e novembro de 2002; da mesma forma, exigese multa isolada relativo ao mês de agosto 2003, em face da compensação de imposto de renda na fonte pago a maior, no valor de R$ 6.000,00, decorrentes de juros sobre o capital próprio em contrapartida com o Imposto de Renda da Pessoa Jurídica, não considerada pela Fiscalização; nesses dois casos, a Recorrente deixou de informar na DCTF Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, o valor do débito total e o valor do crédito utilizado para fins da compensação, por entender desnecessária tal informação, uma vez que os dois valores tanto do débito como crédito se equivalem; no anocalendário 2002, os débitos do IRPJ devido nos meses de agosto e novembro foram compensados com o Imposto de Renda pago a maior do ano calendário 2001; da mesma forma, a CSLL devida nos meses de agosto, outubro e novembro de 2002 foi compensada com a CSLL paga a maior no ano calendário 2001; em relação ao ano calendário 2003, o IRPJ foi compensado parcialmente, no valor de R$ 6.000,00, com o pagamento indevido do Imposto de Renda na Fonte Juros sobre o Capital Próprio; Fl. 375DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 7 6 ainda que fosse exigível a cobrança de multa em razão da falta de informação na DCTF, o enquadramento correto seria a multa prevista §1º do art. 6º da Instrução Normativa 126/98, in verbis: Art. 6° A falta de entrega da DCTF ou a sua entrega após os prazos referidos no art. 2°, sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento da multa correspondente a cinqüenta e sete reais e trinta e quatro centavos, por mês calendário ou fração de atraso, tendo como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para a entrega da declaração e como termo final da data da efetiva entrega (Decretolei n° 1968, de 1982, art. 11, parágrafos 2° e 3°, com as modificações do Decretolei n° 2065, de 1983, art. 10; Lei n° 8383, de 1991, art. 3º, inciso I; da Lei n° 9249, de 1995, art. 30). Parágrafo 1º Para cada grupo ou fração de cinco informações inexatas, incompletas ou omitidas, apuradas na DCTF, será cobrada multa de cinco reais e setenta e três centavos. ainda que vencido os argumentos acima, eventual exigência de multa isolada só seria cabível antes de encerrado os exercícios 2002 e 2003, na situação da exigência após apurados os tributos no fechamento do ano calendário não há que se falar em multa isolada por falta do tributo devido por antecipação; esse também tem sido o posicionamento deste E. Conselho, conforme se verifica pelos seguintes julgados: ACÓRDÃO CSRF/0105.327 IRPJ Ex: 1998 IRPJ RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA MULTA ISOLADA LANÇAMENTO DEPOIS DE ENCERRADO O ANO CALENDÁRIO Encerrado o período anula de apuração do imposto de renda, a exigência de recolhimento por estimativa deixa de ter eficácia, uma vez que prevalece a exigência do imposto efetivamente devido, apurado com base no lucro real, em declaração de rendimentos apresentada tempestivamente, revelandose improcedente a cominação de multa sobre eventuais diferenças se o imposto recolhido antecipadamente superou o efetivamente devido. Grifouse. Recurso especial negado. [...] DO PEDIDO em face de todo exposto, e comprovado de forma cabal a existência de divergência de interpretação das normas tributárias entre Câmaras deste Egrégio Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais, conforme analiticamente demonstrado, REQUERSE que o presente Recurso Especial seja conhecido e provido para fins de que seja reformado o Acórdão guerreado, de sorte a considerar totalmente improcedente as exigências das multas isoladas presentes na medida fiscal. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 8 7 Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 13/2014, exarado em 14/02/2014, deu seguimento ao recurso, fundamentando sua decisão na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] A recorrente argumenta, em síntese, que a jurisprudência administrativa diverge do acórdão recorrido por entender que após o encerramento do exercício não cabe a exigência de multa isolada concomitante com a multa de ofício aplicada. Indica como paradigmas: o Acórdão nº 910100.430, proferido em sessão de 03/11/2009 e o Acórdão nº 910100.375, proferido em 01/10/2009, ambos pela 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais –CSRF. [...] Tratase da mesma matéria analisada nos acórdãos paradigmas e no acórdão recorrido, com conclusões distintas. A conclusão dos acórdãos paradigmas é a de que após o encerramento do exercício não cabe a exigência de multa isolada se o sujeito passivo apura base de cálculo negativa ao final do exercício ou o imposto apurado ao final do exercício é inferior às estimativas apuradas. O acórdão recorrido, por seu turno, traz entendimento que é cabível a aplicação das multas isoladas, independente do resultado apurado ao final do exercício, pois estas têm natureza diversa da multa de ofício aplicada em face da insuficiência de recolhimentos do imposto apurado anualmente pelo lucro real. Assim, entendo estar presente a divergência jurisprudencial apontada pela recorrente. Em 07/04/2014, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, e em 11/04/2014, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES QUE JUSTIFICAM A MANUTENÇÃO DO V. ACÓRDÃO RECORRIDO. nos autos de infração que compõem o presente processo, também houve o lançamento das multas isoladas pertinentes à falta de recolhimento das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL nos períodos especificados; argumentou a contribuinte que efetuou as compensações conforme planilha anexa (fls. 227/228), tendo deixado de informar em DCTF o valor do débito total e o valor do crédito utilizado para fins de compensação, por entender desnecessária tal informação, uma vez que os dois valores se equivaliam. Em seguida, apontou os supostos créditos por ele utilizados; no tocante ao assunto em pauta, cumpre salientar que a compensação encontra previsão nas disposições do art. 156, III e art. 170 do CTN, como modalidade de extinção do crédito tributário: [...]; Fl. 377DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 9 8 com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, foi autorizada a compensação entre quaisquer débitos e créditos administrados pela SRF, ainda que de espécies distintas ou destinação constitucional diversa; esta lei foi regulamentada pelo Decreto nº 2.138, de 29 de janeiro de 1997; a matéria foi regulada pela Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. No § 3º do art. 12, foi estabelecido que a compensação a requerimento, formalizada no "Pedido de Compensação", poderia ser efetuada inclusive com débitos vincendos, desde que não existisse débitos vencidos, ainda que objeto de parcelamento, de obrigação do contribuinte; por sua vez, o seu art. 14 estipulava que os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderiam ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subsequentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Nesse caso, evidentemente, que a escrituração do contribuinte deveria retratar as compensações levadas a efeitos nessas condições, ganhando relevância maior as DCTF, nas quais deveriam ser informadas as compensações realizadas; com o advento da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, em seu art. 49, que deu nova redação ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, as compensações ficaram condicionadas à entrega pelo sujeito passivo de Declaração de Compensação (DComp). Essa norma entrou em vigor a partir de 1º de outubro de 2002 e a citada MP foi convertida posteriormente na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, passando o assunto a ser regulado ainda na IN SRF nº 210, de 30 de setembro de 2002; nesse sentido, notese que, assim como para proceder à constituição do crédito tributário, a fiscalização deve observar os ritos legais pertinentes, notadamente os previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, e o prazo decadencial, sob pena de ser imputado nulo ou improcedente o lançamento, também em relação a eventuais indébitos tributários devem ser observadas as normas vigentes e procedimentos específicos quanto à formalização da compensação e atenção aos prazos prescricionais do direito creditório; em relação ao lançamento em questão, para os fatos geradores ocorridos até outubro de 2002, deveria ter sido apresentado o Pedido de Compensação ou comprovados os registros contábeis das compensações, para o caso de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional. No tocante aos fatos geradores ocorridos a partir de outubro de 2002, a compensação somente estaria legitimada mediante a apresentação da DComp; na sua defesa, a contribuinte apresentou tão somente as planilhas de fls. 227/228, nas quais procura demonstrar a existência de créditos compensáveis, entretanto esses documentos são insuficientes para as comprovações legais necessárias, conforme acima explicitado; na situação dos autos, portanto, ficou constatada a infringência das normas pertinentes às compensações das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL nos períodos especificados, legitimando a exigência das multas isoladas, no percentual de 50%, uma vez caracterizada a falta de recolhimento dessas estimativas, nos termos estabelecidos no art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430, de 1996, alterado pelo art. 14 da Medida Provisória nº 351, de Fl. 378DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 10 9 22 de janeiro de 2007, c/c o art. 106, inciso II, alínea ‘c’ do CTN, consoante consignado nos autos de infração correspondentes. DO PEDIDO. diante do exposto, a União (Fazenda Nacional) requer sejam REJEITADOS os argumentos trazidos no Recurso Especial da contribuinte, mantendose o teor do v. acórdão recorrido. É o relatório. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. O presente processo tem por objeto lançamento para constituição de crédito tributário a título de IRPJ e CSLL no anocalendário de 2002 (lucro real anual), e também para exigência de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas mensais desses tributos nos anoscalendário de 2002 e 2003. O lançamento de IRPJ se deu em razão da falta de recolhimento/confissão de uma parte do imposto apurado em DIPJ. O auto de infração apresenta as seguintes informações sobre esse item: Conforme Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2002 DIPJ 2003, a empresa apurou, naquele anocalendário, imposto no valor de R$741.448,80. A empresa possuía saldo de IRPJ a compensar de anos anteriores no valor de R$234.596,19 (razão fls.), e IRRF a compensar no valor de R$114.677,77 (razão fls.), efetuou recolhimentos relativo a estimativa no valor de R$168.132,92, restando portanto um saldo a pagar no valor de R$252.569,33. A Fiscalização constatou também a falta/insuficiência de recolhimento/ confissão de débitos de estimativas mensais de IRPJ relativamente aos meses de agosto e novembro de 2002, e agosto de 2003. Isso motivou o lançamento da multa isolada prevista no art. 44, §1°, inciso IV, da Lei n° 9.430/96, reduzida para 50% em razão do art. 14 da Medida Provisória n ° 351/07 c/c art. 106, inciso II, alínea "c" da Lei n° 5.172/66. A Fiscalização registra que a contribuinte procurou demonstrar que tinha quitado essas estimativas faltantes por meio de compensação, mas a justificativa não foi aceita. Em relação à CSLL, o lançamento seguiu o mesmo padrão. Quanto à falta de recolhimento/confissão de uma parte da contribuição apurada em DIPJ, consta a seguinte informação no auto de infração: Conforme Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica do anocalendário de 2002 DIPJ 2003, a empresa apurou, naquele anocalendário, contribuição no valor de R$275.159,81. A empresa possuía saldo de CSLL a compensar de anos anteriores no valor de R$108.990,71 e efetuou recolhimentos relativo a estimativa no valor de R$75.364,67, restando portanto um saldo a pagar no valor de R$90.804,43. A multa isolada por falta de recolhimento/confissão de estimativas de CSLL foi aplicada em relação aos meses de agosto, outubro e novembro de 2002. A contribuinte Fl. 380DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 12 11 também procurou demonstrar que tinha quitado essas estimativas faltantes por meio de compensação, mas a justificativa não foi aceita pela Fiscalização. A decisão de primeira instância cancelou a exigência de IRPJ e CSLL, porque restou comprovado que a contribuinte mantinha a escrituração do Lalur em conformidade com a legislação fiscal, contendo o registro de exclusões e compensações de prejuízos fiscais de períodos anteriores que quitavam completamente o tributo no ajuste, sem remanescer saldo em aberto. Mas foi mantida a exigência da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas mensais. Seguindo esse mesmo passo, a decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido) também manteve a exigência da multa isolada. E é exatamente esse o objeto do recurso especial da contribuinte. É importante registrar que o recurso especial não traz paradigma para comprovar divergência sobre a quitação das estimativas, mediante compensação. O que a contribuinte questiona como objeto de divergência jurisprudencial é a aplicação da multa isolada em si, porque, segundo ela: seria incabível a aplicação concomitante da multa isolada e da multa por falta de recolhimento do tributo apurado no balanço; o dispositivo legal que dava supedâneo à multa aplicada (inciso IV, § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/96) teria sido revogado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007; e não seria possível exigir a multa isolada após encerrado o exercício fiscal. Entretanto, também cabe esclarecer que o caso não é de concomitância de multas. Para o anocalendário de 2003, nem mesmo houve lançamento de IRPJ no ajuste. Apenas houve lançamento da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento da estimativa de IRPJ referente ao mês de agosto de 2003. E para o anocalendário de 2002, embora tenha havido lançamento de IRPJ e CSLL referentes ao ajuste anual, o contexto da decisão de primeira instância administrativa evidencia que a situação não é de concomitância de multas. Conforme já mencionado, a decisão de primeira instância cancelou as exigências de IRPJ e CSLL, porque as compensações de prejuízos fiscais, registradas no Lalur (efls. 100/126), comprovaram que não havia saldo de débito em aberto no ajuste anual. Essa decisão inclusive acatou as informações constantes da DIPJ retificadora para o anocalendário de 2002 (efls. 177/225), transmitida no curso da ação fiscal, porque essa nova declaração apenas visava ajustar suas informações à escrituração do Lalur. Ocorre que, mesmo após o registro das compensações de prejuízos fiscais (e de bases negativas de CSLL), a DIPJ retificadora continuou apontando saldo devedor para as estimativas faltantes de IRPJ nos meses de agosto e novembro de 2002, e de CSLL nos meses de agosto, outubro e novembro de 2002. Ou seja, as compensações de prejuízos fiscais e de base negativa de CSLL que serviram para cancelar os tributos no ajuste, não tiveram o mesmo efeito em relação às Fl. 381DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 13 12 estimativas mensais. Por isso, a multa isolada em relação às estimativas faltantes continuou sendo exigida. O caso, portanto, não é de concomitância de multas, e nem de aplicação da Súmula CARF nº 105, porque não se está exigindo nenhum tributo no ajuste anual (com multa de ofício). O débito que a Fiscalização apurou em relação ao ajuste anual (e que já foi cancelado) decorreu do fato de a contribuinte não ter registrado na DIPJ a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas da CSLL, enquanto que a falta das estimativas (que motivou a aplicação da multa isolada) estava relacionada ao fato de a contribuinte ter pretendido quitar essas estimativas mediante compensação, mas sem observar os procedimentos legais para tanto. Essa questão poderia comprometer, inclusive, a própria admissibilidade do recurso, porque o primeiro paradigma apresentado (Acórdão nº 910100.430) aborda exclusivamente a questão da concomitância de multas. O conhecimento do presente recurso especial só é possível em razão do segundo paradigma (Acórdão nº 910100.375), porque essa decisão vai além da questão da concomitância, defendendo o entendimento de que a multa isolada só pode ser exigida durante o anocalendário em curso, e também que o dispositivo legal que dava supedâneo à multa aplicada (inciso IV, § 1° do art. 44 da Lei nº 9.430/96) teria sido revogado pelo art. 14 da Lei n° 11.488/2007. Diferentemente das questões relativas à concomitância, esses argumentos podem sim ser confrontados com a situação do acórdão recorrido, e é nessa perspectiva que se toma conhecimento do recurso especial. Em primeiro lugar, não procede o argumento no sentido de que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996 teria sido revogada em razão das alterações promovidas pela Lei nº 11.488/2007. Com efeito, não houve qualquer revogação da norma que prevê a aplicação de multa isolada para o caso de falta ou insuficiência de recolhimento de estimativa mensal. Houve apenas uma nova disposição do texto normativo, que não se confunde com a norma que dele se extrai. A referida norma legal, antes prevista no art. 44, § 1º, IV, da Lei 9.430/1996, apenas passou a constar do art. 44, II, “b”, da mesma lei, com um percentual menor do que o anteriormente previsto (50% e não mais 75%). Também não há nenhuma dúvida quanto à possibilidade de aplicação da multa isolada após o fim do anocalendário a que corresponde a estimativa faltante. O texto da lei diz que a pessoa jurídica que deixar de recolher estimativa fica sujeita à multa isolada “ainda que tenha sido apurado prejuízo ....” e não “ainda que venha a ser apurado prejuízo...”, numa clara indicação de que a multa deve ser aplicada mesmo com o período já encerrado, e não apenas no ano em curso. Fl. 382DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 14 13 Cabe ainda registrar que essa alegação de que a multa isolada só pode ser aplicada no curso do próprio anocalendário sempre está relacionada ao argumento de que com o encerramento do anocalendário desaparece a base imponível da referida penalidade (as próprias estimativas); e de que a exigência de recolhimentos por estimativa deixa de ter sua eficácia, uma vez que prevalece a exigência do tributo efetivamente devido, conforme a apuração no ajuste anual. Em síntese, esse tipo de argumentação é no sentido de que se não há tributo a ser exigido no ajuste, também não há razão para exigir estimativas mensais, e nem para aplicar multa isolada pela falta de seu recolhimento. Quanto aos presentes autos, já se esclareceu que não há débito a ser exigido em relação ao ajuste anual. Esta 1ª Turma da CSRF já examinou esse tipo de situação, quando exarou o Acórdão nº 9101002.604, na sessão realizada em 15/03/2017. Aquele julgado também analisou exigência de multa isolada relativamente a períodos anteriores a 2007, em que não houve a aplicação concomitante das multas isolada e de ofício. E tratou de anoscalendário em que o contribuinte ou não tinha apurado tributo a pagar no final do ano, ou tinha apurado prejuízo fiscal, ou tinha apurado tributo no ajuste em valor inferior ao montante das estimativas que seriam devidas ao longo do ano. Vale transcrever trechos do voto do Conselheiro André Mendes de Moura que orientou a referida decisão, e também declaração de voto por mim apresentada naquela ocasião: Acórdão nº 9101002.604 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1997, 1999, 2000, 2001 APLICABILIDADE DE SÚMULAS. IDENTIDADE ENTRE FATOS. A aplicação de entendimento sumular só pode se consumar caso os fatos da autuação fiscal guardem similitude com os fatos dos acórdãos paradigmas. Diante de suportes fáticos diferentes, não há que se falar em aplicação de súmula. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA MENSAL. MULTA ISOLADA. BASE DE CÁLCULO. PRAZO. A sanção imposta pelo descumprimento da apuração e pagamento da estimativa mensal do lucro real anual é a aplicação de multa isolada incidente sobre percentual do imposto que deveria ter sido antecipado. O lançamento, sendo de ofício, submetese a limitador temporal estabelecido por regra decadencial do art. 173, inciso I do CTN, não havendo óbice que se seja efetuado após encerramento do anocalendário. [...] Fl. 383DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 15 14 Voto Conselheiro André Mendes de Moura [...] Mérito. A matéria devolvida trata da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa mensal, no decorrer dos anoscalendário de 1997, 1999, 2000 e 2001, conforme relato da autoridade fiscal (efls. 57/58): [...] A multa isolada, após ter sido mantida na decisão de primeira instância, foi mantida parcialmente pela decisão recorrida. Para os anos calendário de 1997, foi afastada integralmente, porque não se apurou tributo a pagar ao final do anocalendário. Para o anocalendário de 1999, também foi afastada a autuação porque se apurou prejuízo fiscal em 31 de dezembro. Para os anoscalendário de 2000 e 2001, a decisão recorrida manteve a autuação fiscal até o limite apurado de IRPJ a pagar, pautando se nas seguintes conclusões (efls. 3223/3225): [...] Tomandose por base todo o exposto até o momento, entendo que não há reparos a fazer na autuação fiscal, sendo necessário apenas tecer considerações complementares. O lucro real é um dos regimes de tributação existentes no sistema tributário, atualmente regido pela Lei nº 9.430, de 1996, aplicado a partir do anocalendário de 1997: Capítulo I IMPOSTO DE RENDA PESSOA JURÍDICA Seção I Apuração da Base de Cálculo Período de Apuração Trimestral Art. 1º A partir do anocalendário de 1997, o imposto de renda das pessoas jurídicas será determinado com base no lucro real, presumido, ou arbitrado, por períodos de apuração trimestrais, encerrados nos dias 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada anocalendário, observada a legislação vigente, com as alterações desta Lei. (grifei) No lucro real, podese optar pelo regime de apuração trimestral ou anual. Vale reforçar que é uma opção do contribuinte aderir ao regime anual ou trimestral. E, no caso do regime anual, a lei é expressa ao dispor sobre a apuração de estimativas mensais. Transcrevo redação vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação: Fl. 384DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 16 15 Lei nº 9.430, de 1996 Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. ................................................................................ Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 Art. 35. A pessoa jurídica poderá suspender ou reduzir o pagamento do imposto devido em cada mês, desde que demonstre, através de balanços ou balancetes mensais, que o valor acumulado já pago excede o valor do imposto, inclusive adicional, calculado com base no lucro real do período em curso. § 1º Os balanços ou balancetes de que trata este artigo: a) deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário; b) somente produzirão efeitos para determinação da parcela do Imposto de Renda e da contribuição social sobre o lucro devidos no decorrer do anocalendário. § 2º Estão dispensadas do pagamento de que tratam os arts. 28 e 29 as pessoas jurídicas que, através de balanço ou balancetes mensais, demonstrem a existência de prejuízos fiscais apurados a partir do mês de janeiro do anocalendário. Observase, portanto, com base em lei, a obrigatoriedade de a contribuinte optante pelo regime de lucro real anual, apurar, mensalmente, imposto devido, a partir de base de cálculo estimada com base na receita bruta, ou por balanço ou balancete mensal, esta que, inclusive, prevê a suspensão ou redução do pagamento do imposto na hipótese em que o valor acumulado já pago excede o valor de imposto apurado ao final do mês. Contudo, a hipótese de não pagamento de estimativa deve atender aos comandos legais, no sentido de que os balanços ou balancetes deverão ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário. Tratase de obrigação imposta ao contribuinte que optar pelo regime do lucro real anual. E o legislador, com o objetivo de tutelar a conduta legal, dispôs penalidade para o seu descumprimento. No caso, a prevista no art. 44 da mesma Lei nº 9.430, de 1996 (redação à época dos fatos geradores): Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 17 16 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; Registrese que o percentual da multa isolada sobre estimativa mensal não recolhida, foi alterado de 75% para 50%, com base na Lei nº 11.488, de 2007. A sanção imposta pelo sistema é claríssima: caso descumprido o pagamento da estimativa mensal, cabe imputação de multa isolada, sobre a totalidade (caso em que não se pagou nada a título de estimativa mensal) ou diferença entre o valor que deveria ter sido pago e o efetivamente pago, apurado a cada mês do anocalendário. A sanção tem base legal. A sanção expressamente dispõe que é cabível ainda que a pessoa jurídica tenha apurado prejuízo fiscal. E se trata de multa, gênero, isolada, espécie, a ser lançada de ofício e cujo prazo decadencial é regido pelo art. 173, inciso I do CTN. Pode sim ser efetuado lançamento após o anocalendário, naturalmente dentro do período não atingido pela decadência. Nesse contexto, não obstante as substanciosas argumentações da decisão recorrida, entendo que, no caso concreto, não há base legal para se afastar a multa isolada para o anocalendário de 1997 porque a contribuinte, ao final do anocalendário, não apurou lucro, e para o anocalendário de 1999 porque a contribuinte não apurou tributo a pagar. Tampouco carece de base legal limitar a aplicação de multa isolada ao valor de imposto apurado ao final do anocalendário, como ocorreu para os anoscalendário de 2000 e 2001. Consumarseia situação de exceção, e um prêmio para as pessoas jurídicas que descumprissem deliberadamente a lei tributária. Por qual razão a pessoa jurídica que descumpre conduta prevista em lei deve receber tratamento diferente (e vantajoso) daquela que cumpriu com suas obrigações, apurou mensalmente a estimativa mensal a pagar e efetuou os recolhimentos? Fl. 386DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 18 17 Como acolher conduta de contribuinte que ignorou a legislação tributária vigente, e se considerou apto a receber um tratamento especial, diferente das demais pessoas jurídicas que cumpriram com suas obrigações? Não se trata de legalidade por legalidade. O sistema jurídicotributário deve ser respeitado, assim como os contribuintes que seguem suas determinações. Não se deve fomentar lacunas para se ignorar a lógica do sistema, para conceder tratamentos vantajosos para condutas lesivas, em afronta à proporcionalidade e razoabilidade. Correto, portanto, o procedimento adotado pela autoridade fiscal. Diante do exposto, voto no sentido conhecer e dar provimento ao recurso especial da PGFN, para restabelecer a aplicação da multa isolada no percentual de 50%. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Declaração de Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo. A presente declaração de voto se faz necessária tendo em vista que, em relação à matéria objeto do recurso especial ora sob exame, passo a adotar entendimento distinto daquele por mim acolhido no âmbito de alguns antigos acórdãos. A matéria trazida à apreciação desta 1ª Turma diz respeito à divergência interpretativa quanto à exigência de multa isolada imposta pela autoridade fiscal por falta de pagamento de estimativas mensais de IRPJ devidas. Inicialmente considero importante registrar que, conforme bem enfatizado pelo Relator, no presente caso a multa isolada foi imposta sobre os valores das estimativas já declaradas pelo sujeito passivo, não alcançando os valores referentes às provisões não autorizadas, objeto de lançamento de ofício para exigência de IRPJ e CSLL. Noutras palavras, não houve aqui exigência concomitante entre a multa isolada imposta por falta de pagamento de estimativas de IRPJ, e a multa de ofício imposta por falta de pagamento do IRPJ devido ao final dos respectivos anoscalendário, razão pela qual também não se aplica aqui o disposto na Súmula CARF nº 105. Pois bem, no caso a Turma recorrida afastou integralmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas ao longo dos anos de 1997 e 1999, e parcialmente a multa isolada imposta pela falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ devidas no decorrer dos anos de 2000 e 2001. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 19 18 Relativamente aos períodos objeto da presente autuação, acima mencionados, a referida multa isolada encontra previsão legal no art. 44, § 1º, da Lei nº 9.430/96, em sua redação original, o qual faz remissão ao art. 2º da mesma Lei, também na redação original, ambos a seguir transcritos: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (...) Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. §1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; (g.n.) (...) Pelo exame do acórdão recorrido é possível resumir da seguinte maneira a interpretação que a Turma emprestou às normas acima reproduzidas: a) a multa isolada deve ser aplicada em caso de falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ e/ou CSLL devidas ao longo do ano calendário; b) todavia, encerrado o anocalendário, o valor total da multa isolada está limitado a 50% (percentual previsto na MP 351/2007, aplicado retroativamente) do valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do mesmo ano; c) como corolário da afirmativa acima, encerrado o anocalendário com apuração de prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, incabível a Fl. 388DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 20 19 imposição de multa isolada pois inexistentes IRPJ e/ou CSLL devidos ao final do ano; d) entretanto, a multa isolada poderá ser imposta sem observância do afirmado nos itens "b" e "c", desde que o lançamento seja realizado antes de encerrado o respectivo anocalendário. Bem, como se verá a seguir, das quatro afirmações acima apenas aquela contida no item "a" é correta. As outras três ("b", "c" e "d") são incorretas. Da fato, a construção interpretativa levada a efeito pela Turma recorrida para chegar às conclusões contidas nos itens "b" e "c" retro parte do disposto no caput do art. 44 da Lei nº 9.430/96 segundo o qual as multas ali previstas (isoladas ou não) só podem incidir sobre o valor do "tributo ou contribuição". E como a Turma recorrida entendeu que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição", concluiu que a multa isolada prevista no art. 44, § 1º, IV, não poderia incidir sobre o valor daquelas estimativas. A multa, assim, incidiria sobre um valor equivalente ao da estimativa mensal, desde que tal valor não ultrapassasse o valor do IRPJ e/ou da CSLL devidos ao final do anocalendário (afirmativa "b"). E acaso apurado prejuízo fiscal e/ou base negativa da CSLL, a multa isolada sequer poderia ser exigida, pois inexistentes IRPJ e CSLL devidos ao final do ano calendário (afirmativa "c"). Ocorre que, embora sob o ponto de vista científico até seja possível considerarse correta a premissa de que as estimativas mensais de IRPJ e de CSLL não são "tributo ou contribuição" (e não estou afirmando aqui que são, ou que não são), o fato iniludível é que a própria Lei nº 9.430/96, ao se referir àquelas estimativas mensais, expressamente às denominou de "imposto" ou "contribuição" mensais, com vistas a distinguilas do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vejamos novamente o que estabelece o art. 2º: Art. 2º A pessoa jurídica sujeita a tributação com base no lucro real poderá optar pelo pagamento do imposto, em cada mês, determinado sobre base de cálculo estimada, mediante a aplicação, sobre a receita bruta auferida mensalmente, dos percentuais de que trata o art. 15 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 e nos arts. 30 a 32, 34 e 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com as alterações da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995. (g.n.) (...) §4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: (...) IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. (g.n.) Como dito, a norma acima textualmente denomina as estimativas mensais de IRPJ como "imposto". E não é só. Outras normas da mesma Fl. 389DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 21 20 Lei, ao se referirem às estimativas mensais de IRPJ previstas no art. 2º, expressamente às denominam de "imposto", senão vejamos: Art. 3º A adoção da forma de pagamento do imposto prevista no art. 1º, pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime do lucro real, ou a opção pela forma do art. 2º será irretratável para todo o anocalendário. Parágrafo único. A opção pela forma estabelecida no art. 2º será manifestada com o pagamento do imposto correspondente ao mês de janeiro ou de início de atividade. (g.n.) (...) Art. 6º O imposto devido, apurado na forma do art. 2º, deverá ser pago até o último dia útil do mês subseqüente àquele a que se referir. (g.n.) (...) Quanto às estimativas mensais de CSLL, o art. 30 da Lei nº 9.430/96 textualmente denomina as estimativas mensais de CSLL como "contribuição social sobre o lucro líquido". Vejamos: Art. 30. A pessoa jurídica que houver optado pelo pagamento do imposto de renda na forma do art. 2º fica, também, sujeita ao pagamento mensal da contribuição social sobre o lucro líquido, determinada mediante a aplicação da alíquota a que estiver sujeita sobre a base de cálculo apurada na forma dos incisos I e II do artigo anterior. (g.n.) (...) Ora, se a própria Lei nº 9.430/96, em diversos de seus artigos, expressamente conferiu às estimativas mensais de IRPJ e CSLL a denominação de "imposto" ou "contribuição", a Turma recorrida jamais poderia interpretar as expressões "imposto de renda", "contribuição social sobre o lucro líquido" e apurados "na forma do art. 2º", todas contidas no art. 44, § 1º, IV daquela Lei, como se tais expressões se referissem ao IRPJ e à CSLL devidos ao final do anocalendário, e não às próprias estimativas mensais de IRPJ e de CSLL. Essa premissa inicial equivocada, de que ao empregar as expressões "imposto de renda" e "contribuição social sobre o lucro líquido" o art. 44, § 1º, IV não poderia estar se referindo às estimativas mensais, mas sim ao IRPJ e à CSLL devidos final do ano, causou grande dificuldade à Turma recorrida para interpretar a parte final daquela mesma norma, à qual estabelece que a multa isolada é exigida "ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente". Foi a partir da dificuldade da Turma recorrida em compatibilizar essa (equivocada) premissa inicial com a parte final da norma que surgiu a "interpretação", descrita na afirmativa "d" retro, segundo à qual na hipótese de a autuação ser realizada no decorrer do próprio anocalendário (e só nessa hipótese) a multa isolada poderá incidir sobre o valor das estimativas mensais, sem qualquer limitação aos valores do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano, já que no decorrer do anocalendário a fiscalização não poderia Fl. 390DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 22 21 saber qual o valor de IRPJ ou CSLL seriam devidos ao final do ano, se é que algum valor seria devido. Ocorre que essa imaginativa "interpretação" do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 levou à Turma recorrida a violar a sua própria premissa inicial, que tanto lhe era cara. De fato, veja que a premissa inicial da Turma (a multa isolada não pode incidir sobre o valor da estimativa mensal, pois esta não é tributo ou contribuição) colide frontalmente com a afirmativa "d" (a multa isolada incide sobre a estimativa mensal, desde que a autuação seja realizada ao longo do ano calendário respectivo). Ora, o fato de a autuação ser realizada no decorrer do anocalendário nada pode dizer sobre a natureza do valor sobre o qual incide a multa isolada (se sobre o valor das estimativas ou sobre o valor do IRPJ e da CSLL devidos ao final do ano). Em verdade, como sugerido antes, a correta interpretação do art. 44, § 1º, IV, da Lei nº 9.430/96 deve levar em consideração o fato de que essa Lei, em diversos momentos, denominou as estimativas mensais de IRPJ e CSLL como "imposto" ou "contribuição". E ainda que seja possível afirmar se que essa denominação não seja cientificamente correta (e, novamente, não acolho nem afasto aqui essa proposição), o fato é que, como essa denominação foi empregada ao longo do texto legal, não haveria razão para o intérprete deixar de considerála justamente ao examinar a multa isolada de que trata o art. 44. Somese a isso o fato de que, ao empregarse a denominação legal (estimativa mensal como "imposto" ou "contribuição"), a interpretação do art. 44 tornase linguisticamente muito mais fluida (ao contrário do esforço interpretativo hercúleo empreendido pela Turma recorrida), além de consentânea com a finalidade da multa isolada, que é de reprimir a falta dos pagamentos mensais por estimativa. Tendo em vista o exposto, voto por manter integralmente as exigências das multas isoladas por falta de pagamento das estimativas mensais de IRPJ verificada ao longo dos anos de 1997, 1999, 2000 e 2001. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Adoto os mesmos fundamentos acima transcritos, para dizer que a aplicação da multa isolada por falta/insuficiência de recolhimento de estimativas referentes aos anos calendário de 2002 e 2003 não fica prejudicada pelo fato de não se estar exigindo débito de IRPJ e CSLL em relação ao ajuste anual desses períodos. Finalmente, embora a questão da quitação das estimativas mediante compensação não esteja no escopo da divergência jurisprudencial suscitada (conforme já esclarecido anteriormente), reforço o registro de que não se pode reconhecer como válidas as compensações alegadas pela contribuinte, em razão da falta de atendimento dos requisitos legais previstos para esse tipo de procedimento, conforme bem esclarecido no acórdão recorrido. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10980.016269/200750 Acórdão n.º 9101003.869 CSRFT1 Fl. 23 22 Para os débitos surgidos até outubro de 2002, a contribuinte deveria ter apresentado ou Pedidos de Compensação ou os registros contábeis das compensações, para o caso de compensação entre tributos e contribuições de mesma espécie. Já no tocante aos débitos surgidos de outubro de 2002 em diante, a compensação somente estaria legitimada mediante a apresentação da DComp. E nenhuma dessas providências foi adotada. Desse modo, voto no sentido de NEGAR provimento ao recurso especial da contribuinte. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 392DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.977992/2009-05
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84.
Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano-calendário, cabe a devolução do saldo negativo.
Numero da decisão: 1301-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.977995/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.977995/2009-31, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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DCOMP. AFASTAMENTO DO ÓBICE DO ART. 10 DA IN SRF Nº 460/04 E REITERADO PELA IN SRF Nº 600/05. SÚMULA CARF Nº 84. Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa mensal caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação, desde que comprovado o erro de fato.Não comprovado o erro de fato, mas existindo eventualmente pagamento a maior de estimativa em relação ao valor do débito apurado no encerramento do respectivo ano calendário, cabe a devolução do saldo negativo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.977995/200931, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente), a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, a conselheira Bianca Felícia Rothschild. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 79 92 /2 00 9- 05 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de Acórdão que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade da contribuinte, para manter na íntegra o Despacho Decisório que não homologou as compensações pleiteadas, em razão do impedimento de se compensar as estimativas mensais, já que se tratava de saldo negativo compensável apenas após o período, de acordo com a IN 600/2005. Em sua Manifestação de Inconformidade a contribuinte afirmou que apurou lucro fiscal no ano, porém os recolhimentos por estimativa foram maiores que os tributos devidos, aduzindo que o crédito é existente e comprovado, e que o débito seria inexistente. O Acórdão recorrido manteve o decidido em despacho decisório sob o argumento da impossibilidade de se utilizar os créditos decorrentes de pagamentos indevidos de estimativas mensais, que seria somente passível de utilização após o final do período de apuração na forma de saldo negativo. No Recurso Voluntário apresentado a recorrente defende a prevalência da verdade material, o reconhecimento do crédito e sua homologação. Em síntese, que houve pagamento a maior nas estimativas recolhidas e que as declarações respectivas foram retificadas. É o relatório. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.371, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977995/2009 31, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. No processo paradigma o contribuinte solicitou a compensação de débitos com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior de IRPJ, recolhido em 30/12/2004 e, nos presentes autos, o contribuinte solicita a compensação de débitos com crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior que o devido de CSLL recolhido em 11/11/2004. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.371): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. A recorrente apresentou PerdComps, onde se utilizou de créditos decorrentes de pagamento a maior de estimativa mensal. Segundo o Despacho Decisório, a compensação não foi homologada pois o pagamento era de estimativa mensal de pessoa tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período, nos termos do artigo 10 da IN SRF 600/2005. De igual forma entendeu o acórdão recorrido, na impossibilidade de se utilizar como crédito valores decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, nos mesmos termos da IN mencionada. Passemos aos fatos. O crédito a que refere a recorrente é de IRPJ, antecipação, e segundo a recorrente ao final do ano apurouse que os recolhimentos por estimativas foram maiores que o devido. Entretanto, o crédito utilizado na PerdComp foi informado equivocadamente tomandose como base os DARFs recolhidos. Ressalta que retificou as DIPJ em que não havia sido lançado os recolhimentos por estimativa, e que os valores das compensações foram efetivamente informados em DCTF. Assim, Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 5 4 diante do erro formal e com base na verdade material requer a consideração do crédito. Em que pese a recorrente não ter trazido aos autos documentações que efetivamente comprovem o seu erro que gerou o pagamento a maior, a verdade é que desde o início tanto do despacho decisório, quanto na decisão de primeira instância, foram baseados no argumento da impossibilidade de se utilizar como crédito os valores decorrentes de estimativas mensais, com base no art. 10 da IN 600/2005. E nesse aspecto, tal óbice foi superado com a edição da IN 900/2008, desde que reste comprovado o erro de fato que deu origem ao crédito pleiteado. No mesmo sentido, a Súmula CARF 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. É certo que compete ao recorrente, o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito de crédito alegado, mediante apresentação de elementos de prova hábeis e idôneos da existência do crédito utilizado para compensação com débito próprio objeto da DCOMP, para que seja aferida a liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do Código Tributário Nacional. Em sede recursal, alegou que em nenhum momento foi intimado para apresentação de documentos, mas de igual forma não fez prova de seu crédito, o que o gerou, como determina os arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72. Frisa que retificou a DIPJ, onde estavam lançados os valores das estimativas, porém, o que deveria ter sido retificado seriam as DCTFs, justamente para se identificar os créditos. Entretanto, diante da possibilidade de se utilizar créditos decorrentes de pagamentos de estimativas mensais, a comprovação do erro que gerou tal crédito é fundamental e determinante. E a recorrente em que pese alegar eventual erro, bem como a busca pela verdade material. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL provimento para se supere o óbice relacionado ao art. 10 da IN 600/2005, aplicandose a Súmula 84, e determinar o retorno para a unidade de origem, refazendo sua análise diante da documentação apresentada, inclusive intimando o contribuinte para que apresente documentos que julgar necessários, retomando a partir daí o rito processual ordinário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para superar os óbices da IN SRF 600 (Súmula CARF Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.977992/200905 Acórdão n.º 1301003.375 S1C3T1 Fl. 6 5 nº 84) no que diz respeito à impossibilidade de indébito relativo a pagamento de estimativas em que se basearam o despacho decisório e a decisão de primeira instância, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do direito creditório pleiteado, proferindo despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15504.724488/2017-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR
Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros;
A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
Numero da decisão: 2202-004.815
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente)
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2006 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS - PLR Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido
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Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso, vencida a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, que negava provimento. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Jorge Henrique Backes (suplente convocado), Júnia Roberta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 44 88 /2 01 7- 17 Fl. 1090DF CARF MF 2 Gouveia Sampaio, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson (Presidente) Relatório Foram lavrados Autos de Infração em nome da empresa Anglo American Minério de Ferro do Brasil para constituição dos seguintes créditos tributários: De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 158/161), a fiscalização identificou a ocorrência dos fatos geradores da Contribuição Social incidente sobre os pagamentos realizados pela empresa Anglo American aos segurados empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados em desacordo com a legislação pertinente (Lei nº 8.212/91, Lei nº 10.101/2000 e Decreto nº 3.048/99) nos seguintes termos: c) O Acordo Coletivo Específico sobre a Participação dos Empregados nos Resultados Variável da Empresa e Missão: Primeiro Embarque – Exercício 2013 foi assinado no dia 04/06/2013, tendo como signatários a Anglo American Minério de Ferro Brasil S/A e o Sindicato dos Trabalhadores na Indústria de Extração de Ferro e Metais Básicos. d) Este Acordo Coletivo foi previsto e autorizado pela Assembléia Geral Extraordinária, realizada no dia anterior, ou seja, 03/06/2013. e) Porém, a questão central diz respeito exatamente ao próprio Programa de Participação nos Resultados e Lucros – PLR, pois foi assinado no dia 04/06/2013 e, no entanto, estabeleceu metas e critérios de aferições para todo o ano calendário de 2013. f) A Participação nos Lucros ou Resultados da empresa referente ao exercício de 2013 com efeitos financeiros em setembro/2013 e março/2014 (e alguns complementos em abril/2014), foi paga com base em Acordos de Participação nos Lucros ou Resultados firmados na metade do exercício (junho) a que se refere, ou seja, as regras do programa de participação foram estabelecidas quando já haviam transcorridos vários meses compreendidos no período definido como base de avaliação dos resultados e aferição das metas. Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.091 3 g) Conforme disposto no art. 1° da Lei nº 10.101 de 19/12/2000, a participação dos trabalhadores nos Lucros ou Resultados da empresa é um instrumento de integração entre o capital e o trabalho e um incentivo à produtividade. h) Dessa forma, o grande objetivo do pagamento pela participação nos Lucros ou Resultados das empresas é promover a participação do empregado de tal sorte que ele se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento. Desse engajamento resultará maiores ganhos para ele e para o empreendedor. i) Assim, não há como falar em estímulo ao empregado se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de sua participação. j) Para que ocorra um incentivo à produtividade, é necessário que as regras para a implementação do programa sejam discutidas, acordadas e divulgadas aos empregados previamente ao início do exercício, findo o qual, a empresa pretende dividir os lucros com os seus empregados. l) Sendo assim, os pagamentos efetuados pela empresa a seus empregados, a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”, face à ausência de comprovação de programas de metas, resultados e prazos pactuados previamente, não se enquadram no previsto no art. 214, § 9º, inciso X do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 06 de maio de 1999. A Anglo American apresentou impugnação (fls. 216/248) alegando, resumidamente, o seguinte: a) A fiscalização não se atentou para existência de dois programas distintos de PLR com fundamentos e metas distintas todas devidamente acordada com o sindicato em período anterior à assinatura do plano; b) que já havia sido intimada a apresentar os documentos e informações relacionados aos instrumentos de negociação de PLR em relação aos anos de 2012 a 2015, disponibilizando à RFB todas as informações relevantes, inclusive, no que tange ao Acordo Coletivo de PLR 2013. Diante desse fato, o lançamento seria nulo, uma vez que a fiscalização fez a revisão de fatos já fiscalizados anteriormente. c) que cumpriu os requisitos e critérios estabelecidos na Lei nº 10.101 de 19/12/2000 e que não cabe a Autoridades Fiscais exigir outros requisitos, somente os expressamente previstos na legislação. Enfatizou que o Acordo Coletivo de PLR 2013 foi desqualificado com base no argumento de que a assinatura do plano aconteceu em junho de 2013, depois de transcorridos apenas alguns meses do ano calendário; d) o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 somente admite os acréscimos moratórios referentes aos débitos decorrentes de tributos e não sobre as penalidades pecuniárias. Nesse sentido, inclusive, já reconheceu a C. CSRF no julgamento do Acórdão n° 9101000.722. Fl. 1092DF CARF MF 4 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador (BA) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 950): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2014 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INOBSERVÂNCIA DAS NORMAS. INTEGRA O SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Integram o saláriodecontribuição, para fins de incidência de contribuição social, as parcelas pagas a título de participação nos lucros e resultados da empresa em desacordo com a legislação. NULIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. Somente há nulidade do Auto de Infração quando ocorrer violação aos requisitos dos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235/72. JUROS SELIC. MULTA DE OFÍCIO. NÃO APLICAÇÃO. De acordo com as normas que tratam dos acréscimos legais, os juros cobrados incidem apenas sobre a contribuição lançada, não alcançando as multas de ofício. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. APRESENTAÇÃO DE PROVAS APÓS O PRAZO REGULAMENTAR. PRECLUSÃO. No processo administrativo fiscal, o direito de apresentar provas preclui após o prazo regulamentar. Cientificado (fls. 978), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário (fls.981/1017), no qual reitera as alegações suscitadas quando da impugnação. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço. 1) PRELIMINAR NULIDADE POR VÍCIO DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO Alega a Recorrente que o presente lançamento é nulo por vício de motivação, uma vez que o agente fiscal não "analisou devidamente o Plano de PLR 2013 implementado Fl. 1093DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.092 5 pela Recorrente" se limitando a desconsiderálo em razão de único fundamento: o de que a assinatura do Plano ocorreu em junho de 2013. Em relação as nulidades apontadas pela Impugnante, ora Recorrente, a Delegacia de Julgamento se limitou a afirmar, com fundamento no art. 59 do Decreto nº 70.235/72, que não haveria que se falar em nulidade, uma vez que, sob o aspecto formal, os atos praticados no processo foram lavrados por pessoa competente (inciso I) e os despachos e decisões foram igualmente lavrados por autoridades competentes e sem preterição do direito de defesa (inciso II). Entendo que o inconformismo quanto análise dos planos de PLR realizada pelo fiscal se confunde com o mérito e, por isso, será juntamente com ele analisada. 2) A REGULAMENTAÇÃO DA PLR PELA LEI Nº 10.101/2000 Antes de passarmos a análise da fundamentação utilizada pelo relatório fiscal é importante expor como se deu a normatização da PLR por parte da Lei nº 10.101/2000. A Constituição Federal, ao tratar dos direitos conferidos aos trabalhadores assegurou, em seu artigo 7º, dentre outros, o direito a Participação nos Lucros e Resultados: "Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: (...) XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Tratase de norma de eficácia limitada, cuja regulamentação se deu por meio da Medida Provisória (MP) nº 794, de 29 de dezembro de 1994. De forma harmônica com a Constituição Federal, a Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, também determinou que a participação nos lucros ou resultados da empresas somente não integraria o salário de contribuição, quando paga ou creditada de acordo com lei específica, nestes termos: "Art. 28. Entendese por salário de contribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (...) Fl. 1094DF CARF MF 6 § 9º Não integram o salário de contribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; A Lei nº 10.101, de 19 de dezembro de 2000, determina os requisitos da participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa, tendo resultado da conversão em lei da já citada Medida Provisória nº 794, de 1994, após sucessivas reedições.São esses os termos da lei reguladora: Art. 1o Esta Lei regula a participação dos trabalhadores nos lucros ou resultados da empresa como instrumento de integração entre o capital e o trabalho e como incentivo à produtividade,nos termos do art. 7o, inciso XI da Constituição. Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. § 2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. (...) Art. 3º A participação de que trata o art. 2o não substitui ou complementa a remuneração devida a qualquer empregado, nem constitui base de incidência de qualquer encargo trabalhista, não se lhe aplicando o princípio da habitualidade. (...) § 2 É vedado o pagamento de qualquer antecipação ou distribuição de valores a título de participação nos lucros ou resultados da empresa em periodicidade inferior a um semestre civil, ou mais de duas vezes no mesmo ano civil. (grifamos) Fl. 1095DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.093 7 A leitura dos artigos acima transcritos nos permite verificar a existência de normas prescritivas (determinam a conduta a ser observada) e normas permissivas Essa distinção, a nosso ver, é fundamental para interpretação da obediência ou não do plano de PLR ao estabelecido na mencionada lei. Em primeiro lugar, observase que o artigo 1º da lei é norma de conteúdo programático, ou seja, trata da finalidade da lei que seria, em suas palavras, "integração entre o capital e o trabalho" "incentivo à produtividade O artigo 2º traz uma norma prescritiva ao determinar que a participação deverá ser objeto de negociação coletiva realizada por comissão paritária, acordo ou convenção coletiva. O §1º do artigo 2º, por sua vez, traz normas prescritivas e permissivas ao determinar que "dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas" e que, para essa finalidade poderão, ser considerados, dentre outros, os índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa, bem como os programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Da leitura do referido parágrafo constatase que a norma prescritiva nele prevista referese a imposição de regras claras e objetivas. Tais regras podem utilizar como parâmetro a produtividade, a lucratividade ou a realização de programas de metas e resultados a depender da especificidade do setor econômico e do tipo de negociação realizada. Em outras palavras, a lei não determinou quais as regras deveriam constar do Programa de Participação dos Lucros. Apenas exigiu que tais regras fossem claras e objetivas. Isso fica ainda mais claro quando, em seu artigo 3º, §2º, veda, expressamente, que o pagamento seja feita em periodicidade inferior à 6 (seis) meses. Feitas essas observações iniciais, passaremos a análise do Plano de Participação de Lucros e Resultados da Recorrente, bem como das objeções utilizadas pela Autoridade fiscal para descaracterizálo. 2.1.2 DATA DA ASSINATURA AO FINAL DO ANO BASE O argumento da auditoria fiscal de que o fato do contribuinte assinar os acordos coletivos em junho de 2013 descaracterizaria a natureza da verba paga a título de PLR, ao meu ver, não merece prosperar. Isso por que a data de assinatura dos acordos coletivos não possui o condão de desnaturar a validade do acordo realizado entre as parte, tampouco retira a natureza jurídica do pagamento da rubrica. Conforme será analisado mais detidamente a seguir, a maior parte das metas previstas nos referidos programas tinha data de conclusão posterior à assinatura do plano e as metas anteriores contaram com ampla divulgação por parte da empresa o que demonstra o conhecimento das metas pelos empregados. Fl. 1096DF CARF MF 8 Ademais, há que se mencionar que a própria norma, não estabelece momento exato para a assinatura dos acordos coletivos referente à participação nos lucros.Nesse sentido já se manifestou a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme se verifica pela ementa abaixo transcrita: CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. INEXISTÊNCIA. AUTO DE INFRAÇÃO. SALÁRIO INDIRETO. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS. OBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO REGULAMENTADORA. METAS. PRESCINDIBILIDADE. LUCROS. NEGOCIAÇÃO POSTERIOR AO SEU ADVENTO. INEXISTÊNCIA DE VEDAÇÃO LEGAL. I Ação fiscal precedente ao lançamento é procedimento é inquisitório, o que significa afastar qualquer natureza contenciosa dessa atuação, de forma que a prévia oitiva do contribuinte, quanto a eventuais dados levantados durante ação fiscal, podem ser plenamente descartados acaso a autoridade fiscal já se satisfaça com os elementos de que dispõe; II A discussão em torno da tributação da PLR não cingese em infirmar se esta seria ou não vinculada a remuneração, até porque o texto constitucional expressamente diz que não, mas sim em verificar se as verbas pagas correspondem efetivamente a distribuição de lucros; III Para a alínea "j" do § 90 do art. 28 da Lei n° 8.212/91, e para este Conselho, PLR é somente aquela distribuição de lucros que seja executada nos termos da legislação que a regulamentou, de forma que apenas a afronta aos critérios ali estabelecidos, desqualifica o pagamento, tornandoo mera verba paga em decorrência de um contrato de trabalho, representando remuneração para fins previdenciários; IV Os instrumentos de negociação devem adotar regras claras e objetivas, de forma a afastar quaisquer dúvidas ou incertezas, que possam vir a frustrar o direito do trabalhador quanto a sua participação na distribuição dos lucros; VI A legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após sua realização, é dizer, a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente advento do lucro obtido. Recurso especial negado. (Processo nº 14485.000329/200764, Recurso nº 160.087, Acórdão nº 9202002.484– 2ª Turma, Sessão de 29 de janeiro de 2013) (grifamos) A jurisprudência desse Conselho tem reconhecido que “a legislação regulamentadora da PLR não veda que a negociação quanto a distribuição do lucro, seja concretizada após a sua realização,baseandose no fato de que a negociação deve preceder ao pagamento, mas não necessariamente ao advento do lucro obtido” (2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 2ª Seção de Julgamento do CARF, Ac. 2402.00.508, de 22/2/2010, Rel. Rogério de Lellis Pinto, processo nº 14485.000326/200721). Merece transcrição, pela clareza e profundidade com que aborda a questão, parte do voto do Conselheiro Rogério de Lellis Pinto: Fl. 1097DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.094 9 . “Sem embargos, se analisarmos de forma mais detida a exigência contida no §1º do art. 2º ut mencionado, veremos que os instrumentos de negociação deverão prever regras "claras e objetivas" , e esse é o ponto central da questão, porque o que a Lei exige não são metas ou resultados, mas sim preceitos que não sejam geradores de dúvidas que impeçam a qualquer das partes envolvidas o direito de observar o quanto fora acordado. Talvez o que aqueles que defendem que a implementação de um plano de participação nos lucros deve sempre prever metas ou resultado, inadvertidamente esteja, confundindo essa distribuição com incentivo à produção, confusão essa que a melhor doutrina não aceita. É obvio que o incremento da produção e a obtenção de lucros são questões que interessam a ambas as partes envolvidas no pagamento da verba em questão mas não é seu objetivo principal. a origem da PLR não remonta a busca por resultados ou lucros em si, mas como consagrado pela própria CF e visto acima, representa uma forma de socializar o capital alcançado pela empresa, mediante distribuição entre aqueles que ajudaram a construílo (trabalhadores). Portanto, a previsão constitucional de conferir aos trabalhadores o direito a PLR existe não para se alcançar resultados ou metas, incentivar a produção etc., mas sim para viabilizar a integração entre capital e trabalho, conferindo a estes últimos o direito ao acesso a riqueza produzida com seu esforço”. (grifamos) Como bem esclarece o voto acima transcrito, a participação nos lucros ou resultados é uma modalidade negocial na qual um empregador (diretamente ou por meio do sindicato) negocia junto aos seus empregados (representados por comissão ou sindicato) a distribuição de valores atrelados a metas empresariais e não a execução dos contratos de trabalho. De resto, é importante ressaltar que a Lei n. 10.101/2000 silencia quanto o momento da assinatura dos acordos coletivos, não cabendo à fiscalização, de ofício, limitar aspecto temporal que a própria norma não se preocupou em restringir. Entender que não houve negociação prévia antes da assinatura do acordo significa tomar o produto (convenção) pelo processo (negociação). Conforme esclarece Amauri Mascaro Nascimento em sua obra Direito Sindical: "Negociação é um procedimento de discussões sobre divergências trabalhistas entre as partes visando um resultado. Convenção é o resultado desse procedimento, o produto acabado da negociação. A negociação pode ou não ser bem sucedida. Se frustrada, não haverá convenção. O conflito terá outra forma de composição. A negociação é obrigatória. A convenção é facultativa. Assim, como há norma e o seu processo de elaboração, há convenção e negociação. A relação entre as duas é de meio e fim, sendo a negociação o meio que produzi o fim. Fl. 1098DF CARF MF 10 (NASCIMENTO, Amauri Mascaro Direito Sindical ed. Saraiva, p.316) Além disso, ao analisar a documentação trazida com a impugnação, é possível identificar a negociação e o conhecimento das metas por parte dos empregados, conforme se constata pelos seguinte documentos: a) Informativo enviado aos funcionários em 30/03/2013 sobre o programa Primeiro Embarque (fls. 442); b) Detalhamento das metas do programa Primeiro Embarque (fls. 449/500) c) Apresentação das metas relativas ao Acordo Coletivo (fls. 502/554) d) Comunicado sobre a conclusão da 1ª meta do programa Primeiro Embarque em 15 de abril de 2013 (fls. 569); e) Comunicado sobre a conclusão da 2ª meta do programa Primeiro Embarque em 02 de maio de 2013 (fls. 696); f) Comunicado sobre ausência de conclusão da 3ª meta do programa Primeiro Embarque em 30 de junho de 2013; g) Calendário das metas 4 à 14 (fls 573/605) g.1 Finalização a montagem eletromecânica 20/08/2013; g.2 Montagem e operação do primeiro caminhão fora de estrada 01/09/2013; g.3 Decapeamento de 2 milhões de m3 01/12/2013; g.4 Conclusão de 520 Km de abertura de pista no mineroduto 30/12/2013; g.6 Finalização da montagem eletromecânica do primeiro moinho de bolas 30/12/2013; g.7 Energização da linha de transmissão 230 Kv 28/02/2014 g.8 Protocolar a solicitação de conversão de LI´s para LO´s 31/03/2014; g.9 Alimentação de minério na britagem primária 21/06/2014; g.10 Alimentação de minério na moagem primária 21/07/2014; g.11 Início do bombeamento de minério no mineiroduto 20/08/2014; g.12 Primeiro embarque de minério de ferro 30/11/2014; Da análise da documentação acima mencionada é possível concluir que as metas foram "pactuadas previamente " como exige a Lei 10.101/00. Com efeito o informativo sobre as metas foi enviado aos funcionários em 30/03/2013 e a primeira meta tinha previsão para ser concluída em 15/04/2013. Das 14 metas estipuladas, somente duas tiveram sua conclusão previstas em datas anteriores à assinatura do plano em 04/06/2013. Fl. 1099DF CARF MF Processo nº 15504.724488/201717 Acórdão n.º 2202004.815 S2C2T2 Fl. 1.095 11 3) CONCLUSÃO Em face de todo exposto, rejeito a preliminar e, no mérito, dou provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 1100DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.911722/2015-28
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.307
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 17 22 /2 01 5- 28 Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.668. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10680.911722/201528 Acórdão n.º 3301005.307 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720648/2016-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, trata-se de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a intenção de permanência (contabilização no ativo não circulante).
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012
TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR.
As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, trata-se de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a intenção de permanência (contabilização no ativo não circulante).
Recurso de Ofício Negado.
Numero da decisão: 3301-005.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente
(assinado digitalmente)
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora
Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a “intenção de permanência” (contabilização no ativo não circulante). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/11/2011, 31/01/2012, 30/06/2012, 31/12/2012 TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO CIRCULANTE OU NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. PROVA INEQUÍVOCA DA INTENÇÃO DO DETENTOR. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 48 /2 01 6- 29 Fl. 346DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 347 2 produção de prova. O desamparo de prova da intenção de venda não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações (contabilização no ativo circulante) seria incompatível com a “intenção de permanência” (contabilização no ativo não circulante). Recurso de Ofício Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Participaram da presente sessão de julgamento os Conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Por economia processual, adoto o relatório da decisão recorrida: Tratase de Autos de Infração da Contribuição para Financiamento da Seguridade SocialCOFINS e da contribuição para o Programa de Integração Social PIS que constituíram o crédito tributário total de R$ 28.065.305,85, somados o principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/09/2016. No Termo de Verificação Fiscal que acompanha o lançamento, a autoridade fiscal assim contextualiza a autuação: 1 – Autuada ITAÚ CORRETORA DE VALORES S/A, doravante denominada AUTUADA, constituída sob a forma de sociedade anônima, é instituição financeira jurisdicionada pela Delegacia Especial da Receita Federal do Brasil de Instituições Financeiras (DEINF), exercendo a atividade de corretora de valores. (...) Neste TVF cuidaremos do tratamento tributário aplicado quando a autuada realizou a venda de ações da empresa Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos (CETIP) e da BMF Bovespa nos anoscalendário de 2011 e 2012. 2 Dos Fatos Fl. 347DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 348 3 No curso da fiscalização sobre os anoscalendário 2011 e 2012 foram verificadas inicialmente as seguintes infrações: Insuficiência de recolhimento da PIS e Insuficiência de recolhimento da COFINS, relacionadas à receita decorrente de alienação de ações da Cetip. As infrações se deram quando da alienação de ações que estavam indevidamente classificadas como Investimento, no Ativo Não Circulante, conforme discorreremos ao longo deste TVF. O histórico da forma de aquisição das referidas ações, e o porquê da classificação contábil estar incorreta, remonta aos eventos de desmutualização das bolsas de valores e posterior unificação da Bolsa de Valores de São Paulo (BOVESPA) e a Bolsa Mercantil e de Futuros (BM&F), eventos que descreveremos abaixo de forma resumida. 2.1. Breve histórico das Bolsas e da desmutualização Convencionouse chamar de desmutualização o conjunto de alterações societárias ocorridas em agosto de 2007, amplamente divulgadas na mídia, em que a Bovespa, então associação civil sem fins lucrativos, transferiu suas atividades para uma companhia aberta (sociedade anônima). Assim, o acervo que pertencia à entidade civil passou a ser acervo da sociedade empresarial Bovespa Holding S/A. A associação Bovespa, cuja representação do patrimônio estava fracionada em títulos de propriedade dos associados , aprovou sua desmutualização na Assembleia Geral Extraordinária (AGE) de 28/08/2007, que consistiu no seguinte: o primeiro procedimento foi a cisão parcial da associação Bovespa, com redução do seu patrimônio em 99,7%; em seguida, a parcela do patrimônio cindido foi incorporado às empresas Bovespa Serviços e Participações S/A (BVSP) e da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC) pela Bovespa Holding S/A. Resumidamente a operação da desmutualização da Bovespa ocorreu da seguinte forma: i) criação da Bovespa Holding S/A e Bovespa Serviços e Participações S/A (BVSP); ii) cisão parcial da antiga associação Bovespa; iii) incorporação do capital cindido, parte diretamente na Bovespa Holding e parte na BVSP S/A; iv) incorporação pela Bovespa Holding S/A das ações da BVSP e da CBLC. Com essas operações, o patrimônio que era de associação sem fins lucrativos foi transferido para uma associação anônima com fins lucrativos. Em outros termos, a natureza jurídica que era associação civil passou a ser sociedade anônima. Desta forma, com o recebimento dessas ações, os antigos associados passaram a ser acionistas da nova companhia em que se converteu a Bolsa. Encerrada a desmutualização, partiuse para a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding, venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. Fl. 348DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 349 4 Também a BM&F passou por processo semelhante ao acima descrito. O processo de desmutualização que resultou na reestruturação da BM&F consistiu na sua cisão parcial, com versão da parcela cindida de seu patrimônio para a BM&F S/A. Encerrada a devolução de capital da BM&F, houve o IPO da BM&F, no curso do qual foram negociadas 299.184.846 ações ao valor unitário de R$20,00, alcançando o montante de R$5.983.696.920,00 (cinco bilhões, novecentos e oitenta e três milhões, seiscentos e noventa e seis mil e novecentos e vinte reais). 2.1.1. A Itaú Corretora como acionista da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A Em 31/12/2007 a autuada possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa Holding, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 – Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. 2.1.2. Incorporação das ações da Bovespa e da BM&F por Nova Bolsa S/A Em 17/04/2008 a Bovespa Holding S/A e a BM&F S/A publicaram um fato relevante, comunicando ao mercado o objetivo de integrar suas atividades através da incorporação de ambas pela pessoa jurídica Nova Bolsa S/A, CNPJ 09.346.601/000125, doravante denominada Nova Bolsa, que a partir de 08 de maio de 2008 incorporaria as ações de ambas as bolsas. Segundo o documento, a reorganização societária tinha por objetivo integrar as atividades das duas entidades visando “atingir uma estrutura mais eficiente, com potencial de economia nas despesas combinadas das duas Bolsas, além de possibilitar o maior crescimento e rentabilidade dos negócios por elas desenvolvidos”. (...) Nessa ocasião a autuada possuía as já citadas 20.376.818 ações da Bovespa Holding ao valor contábil de R$44.563.947,88. (...) No processo de incorporação de ações, uma ação da Bovespa Holding passou a valer 1.424.856.43 ações da Nova Bolsa, de forma que pelas 20.376.818 ações BOVH3 que a autuada detinha foram recebidas 29.034.040 ações de emissão da Nova Bolsa. Os acionistas da Bovespa Holding também receberam ações PN resgatáveis da Nova Bolsa, na proporção de uma ação PN resgatável para cada 10 ações da Bovespa Holding. A autuada recebeu 2.037.682 ações PN resgatáveis da Nova Bolsa em maio/2008 passando a deter o total de 31.071.722 ações da Nova Bolsa. Com o resgate das ações PN em 08/05/2008 a autuada voltou ao total de 29.034.040 ações da Nova Bolsa que posteriormente passou a denominarse BMF BOVESPA. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 350 5 Nos meses de janeiro, junho e dezembro de 2012 a autuada alienou 22.232.960 ações BMF BOVESPA ON por um valor total de R$236.030.404,67, conforme demonstrativo e notas de corretagem apresentadas no item 1 do anexo à resposta II do Termo de Intimação 7 (CRTUAF345/2015 protocolada junto à DEINF em 14/10/2015). 2.2 Títulos Cetip A Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP iniciou suas operações em 1986, como uma câmara de compensação e liquidação para propiciar mais segurança e agilidade às operações do mercado financeiro brasileiro. Para ter direito de acesso aos serviços e sistemas disponibilizados pela CETIP Câmara de Custódia e Liquidação, a autuada estava obrigada a deter título patrimonial desta entidade que, na ocasião da aquisição do título, era constituída sob a forma de associação sem fins lucrativos. As associações civis sem fins lucrativos são disciplinadas pelos arts. 53 a 61 da Lei nº. 10.406, de 2002 (Código Civil de 2002) e gozam de isenção prevista no artigo 15 da Lei nº 9.532 de 1997. No momento da constituição das bolsas, foram emitidos títulos patrimoniais representativos do patrimônio de cada uma, que foram adquiridos pelas empresas associadas. Em 29/05/2008 foi aprovada em Assembléia Geral Extraordinária (AGE) a desmutualização da associação Cetip, e como consequência de um processo de reestruturação, houve uma série de alterações na estrutura societária da CETIP Associação, denominada desmutualização, que por meio de cisão parcial, entre outras alterações, transformou a CETIP Associação (associação sem fins lucrativos) em CETIP S/A – Balcão Organizado de Ativos e Derivativos (sociedade com finalidade lucrativa), que recebeu 99,84% do patrimônio cindido. De acordo com o Instrumento de Protocolo e Justificativa de Operação de Cisão Parcial da Cetip, as decisões só produziriam efeitos a partir de 1º de julho de 2008. (...) A autuada detinha à época da desmutualização 2 títulos patrimoniais CETIP, tendo 1 sido adquirido em 1986, diretamente da CETIP, e o 2º quando a Itaú Corretora incorporou a Itauvest S/A Corretora de Valores. No mês de novembro de 2011 a autuada alienou 1.626.600 ações CETIP S/A, pelo valor total de R$ 38.378.868,60, conforme demonstrativo e notas de corretagem apresentadas no item 1 do anexo à resposta II do Termo de Intimação 7 (CRTUAF345/2015 protocolada junto à DEINF em 14/10/2015). 3 – Da Legislação Aplicável e do objeto social das corretoras A Itaú Corretora S/A é sociedade corretora de valores mobiliários sob a Lei 4.728, de 14 de julho de 1965, tendo sido constituída e organizada nos termos da Resolução CMN n' 1.655, de 26/10/1989, em seu regulamento anexo no qual disciplina a constituição, organização e o funcionamento das sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários. A Resolução CMN n' 1.655 estabelece em seus incisos II e IV do artigo 2' de seu regulamento anexo, em relação ao objeto social das corretoras, que: “Art. 2°A sociedade corretora tem por objeto social: Fl. 350DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 351 6 (...) II subscrever, isoladamente ou em consórcio com outras sociedades autorizadas, emissões de títulos e valores mobiliários para revenda; (...) IV comprar e vender títulos e valores mobiliários por conta própria e de terceiros, observada regulamentação baixada pela Comissão de Valores Mobiliários e Banco Central do Brasil nas suas respectivas áreas de competência; (...)” Desta forma, vender ou revender ações ou outros títulos e valores mobiliários por conta própria compõe o objeto social das sociedades corretoras de valores, sendo portanto parte de suas atividades típicas, operacionais, e cujas receitas compõem seu faturamento/receita bruta operacional. Neste sentido, e de modo ainda mais evidente no caso das corretoras de valores, a receita da venda de ações integra o conceito de faturamento/receita bruta das instituições financeiras, devendo, portanto, ser oferecido à tributação do PIS e da COFINS. Logo, a Itaú Corretora deveria ter tributado as receitas auferidas com a venda de suas ações BMF Bovespa e Cetip. (...) 3.2 Entendimento do CSRF em mesmo sentido entendeu o Conselho Superior de Recursos Fiscais (CSRF) em recente decisão para os mesmos tributos e contribuinte ora autuado. Em sessão de 06 de julho de 2016, ao julgar o processo 16327.000280/201093, foi proferido o acórdão 9303004.182 – 3ª Turma com seguinte teor: “Desta forma, o montante recebido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação das ações emitidas pela BM&F S.A e pela Bovespa Holding S.A., integra a sua receita bruta operacional, uma vez que as corretoras de valores mobiliários têm como objeto social ou como atividade principal a subscrição e venda de títulos no mercado financeiro, conforme se depreende do contido no art. 2° da Resolução CMN n° 1.655/1989: (...) Portanto, as receitas auferidas pela alienação das ações da BM&F S.A e Bovespa Holding S.A, decorrentes de atividade típica de seu ramo de atuação, devem ser enquadradas como receitas brutas operacionais e por isso se sujeitarem à incidência da Contribuição para o PIS e da Cofins, nos termos do art. 3° da Lei n° 9.718/1998.” 3.3 Informações complementares Não obstante a já caracterização da hipótese de incidência tributária acima demonstrada, cabe trazer algumas informações complementares relativas aos fatos ocorridos, tendo em vista que a autuada deu às ações BMF Bovespa e Cetip a mesma classificação contábil anteriormente aplicada aos Títulos Patrimoniais das associações que antecederam BMF Bovespa S/A e Cetip S/A, a despeito de suas distintas naturezas. Os Títulos Patrimoniais compunham o Ativo Permanente – Investimentos (atualmente denominado Ativo nãocirculante) da autuada, enquanto as ações BMF Bovespa e Cetip deveriam ter sido classificadas como Ativo Circulante, conforme se depreende de dispositivos legais, bem como de normativos emanados pelo Comitê de Pronunciamento Contábeis (CPC), Comissão de Valores Fl. 351DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 352 7 Mobiliários (CVM), Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), ou mesmo orientações dadas pela Bovespa. 3.3.1 Da contabilização dos Títulos Patrimoniais O COSIF, Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, inclui os títulos patrimoniais em seu Capítulo 1, item 11, subitem 3 “Outros Investimentos”, 1b. Desta forma, os títulos patrimoniais das bolsas de valores e da Cetip, quando ainda eram associações sem fins lucrativos, deveriam ser contabilizados em conta COSIF do Ativo Permanente – Investimentos. Tal contabilização no ativo permanente (atualmente sob denominação de Ativo não circulante) encontrava respaldo na compulsoriedade da propriedade do título para que seus detentores pudessem operar no ambiente das respectivas associações das quais possuíam os títulos, ou seja, sua titularidade e manutenção estavam diretamente ligados à possibilidade das empresas detentoras poderem continuar atuando no objeto de suas respectivas atividades regularmente. Em mesmo sentido dispõe a Lei 6.404/76 em seu art. 179, III: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa.” Destaquese que a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo legal. 3.3.2 Da necessária reclassificação quando do recebimento das ações Tanto as ações BMF Bovespa quanto as ações Cetip S/A foram adquiridas pela autuada em virtude do processo de desmutualização, todavia, tais ações não apresentam as características de permanente que possuíam os títulos patrimoniais, o que é reafirmado na alienação que ocorreu das ações quando do resgate das ações preferenciais da BMF Bovespa logo após sua emissão, dada sua disponibilidade e grau de liquidez. Diferente dos títulos patrimoniais, as ações não são condição para que seus detentores operem na agora nova bolsa BMF Bovespa, ou mesmo na Cetip, pelo contrário, são ativos financeiros comercializáveis livremente em bolsa de valores como qualquer outro, assumindo natureza de ativo circulante. Esta característica de ativo circulante se torna ainda mais marcante no caso das corretoras de valores, em virtude de terem como objeto social a comercialização de ações. Assim, os antigos detentores de títulos patrimoniais passaram a possuir ações que: a) não tinham obrigatoriedade alguma de permanecerem nos ativos de seus detentores, sendo desnecessárias às suas atividades essenciais e compondo o giro do negócio; b) constituemse em papeis de pronta liquidez, dada a livre comercialização em bolsa de valores; Fl. 352DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 353 8 c) possuem liquidez incomparavelmente superior à dos títulos patrimoniais, o que já nos orienta a uma diferente classificação contábil em face da ordenação dos ativos em ordem decrescente de liquidez; d) são o principal objeto de comercialização das corretoras de valores. e) constituemse em Instrumentos Financeiros à luz do pronunciamento CPC 14. (...) O termo título patrimonial, aqui utilizado no CPC 14 em sentido amplo, abarca também as ações, visto que constituemse em títulos patrimoniais, porém não se confunde com os Títulos Patrimoniais das associações existentes pré desmutualização em sentido estrito, o qual é excepcionado pelo próprio CPC 14 em seu item 2, alínea “d” combinada com alínea “a” do mesmo item. Assim, as características de circulante do ativo (ações BMF Bovespa e Cetip) não são alteradas por terem sido classificadas no ativo permanente ou mesmo pela sua manutenção no ativo por maior ou menor tempo. Vale destacar alguns trechos da Circular Bacen 1273/87, que positiva o COSIF: 2 Escrituração, item 5 “5 – A forma de classificação contábil de quaisquer bens, direitos e obrigações não altera, de forma alguma, as suas características para efeitos fiscais e tributários, que se regem por regulamentação própria.” (...) Podese depreender dos dispositivos Cosif acima: a) A disposição das contas do ativo se dá em ordem decrescente de liquidez, logo, a abissal diferença de liquidez existente entre os Títulos Patrimoniais de manutenção compulsória pelas corretoras para operarem em bolsa , e as ações BMF Bovespa e Cetip – passiveis de realização imediata em face da possibilidade de comercialização em bolsa de valores sem qualquer óbice , impõe que se dê diferente classificação contábil a esses ativos, devendo as ações serem classificadas em conta Cosif de posição bem acima da usada para os Títulos Patrimoniais no Ativo Permanente, qual seja, no Ativo Circulante; b) Destaquese que o Cosif também elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo normativo; c) A alusão temporal de máximo de 12 meses, descrito para o Ativo Circulante, referese à capacidade de realização do ativo, o que remete à liquidez inerente ao bem ou direito, e não se confunde com o tempo de permanência do ativo que tenha sido decidido de forma voluntária e discricionária pela empresa. Liquidez é qualidade intrínseca ao bem ou direito em questão, característica distinta do tempo de manutenção do bem ou direito, seja por intenção inicial, seja por se aguardar o momento que a empresa entenda como mais oportuno para a venda. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 354 9 Não fosse assim, uma reserva financeira em caixa e que a empresa só quisesse dispender após mais de 12 meses, não poderia ser classificada no Ativo Circulante, o que seria absurdo em face do caixa possuir realização imediata; d) A classificação no Ativo Circulante não encontra óbice a tempo máximo de permanência com o ativo, mas sim a tempo máximo de possibilidade de realização/liquidez do ativo. (...) Novamente remetemos ao art. 179 da Lei n° 6.404/76, que define que devem ser considerados no grupo investimentos do ativo as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou empresa: Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: I no ativo circulante: as disponibilidades, os direitos realizáveis no curso do exercício social subseqüente e as aplicações de recursos em despesas do exercício seguinte; II no ativo realizável a longo prazo: os direitos realizáveis após o término do exercício seguinte, assim como os derivados de vendas, adiantamentos ou empréstimos a sociedades coligadas ou controladas (art. 243), diretores, acionistas ou participantes no lucro da companhia, que não constituírem negócios usuais na exploração do objeto da companhia; III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa; Em síntese, as distinções doutrinárias ou legais entre ativos circulante e permanente estão relacionadas à destinação operacional dos ativos, à sua aplicação na atividade ordinária da empresa ou na manutenção desta atividade. Só podem ser considerados permanentes aqueles bens e direitos que a empresa manterá em caráter permanente, seja para se obter o controle acionário ou por interesses econômicos, ainda que os possa vender algum dia, e ainda que não se preveja um tempo mínimo para mantêlos. Por outro lado, a contabilização de um determinado bem do ativo circulante ou realizável a longo prazo está relacionado ao tempo necessário para sua realização. Será classificado como permanente somente se não enquadrado nos incisos I ou II, e não se destinar a manutenção da atividade da empresa. Destaquese novamente que esses elementos objetivos sobrepõemse e tornam secundário, ou mesmo irrelevante, o tempo durante o qual se manteve por mera liberalidade um ativo de pronta realização. (...) Em igual sentido, a intenção de permanência foi referida pelas autoridades fiscais quando da edição do Parecer Normativo CST n° 108/78 que trouxe importantes esclarecimentos acerca do conteúdo da rubrica contábil "Investimentos". O item 7.1 desse Parecer Normativo diz, textualmente: "7.1. Por participações permanentes em outras sociedades, se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter o Fl. 354DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 355 10 controle societário, seja por interesses econômicos, como por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda". (...) Com isso, podemos deduzir que o registro tanto das ações da CETIP S.A., quanto das BMF BOVESPA, foi equivocadamente considerado na conta 2.1.5.10.005 do subgrupo investimentos, pois se trataram de investimentos sem a característica de permanente, que deveriam ter sido classificados no ativo circulante. Estes ativos não apresentaram interesse operacional, conforme definido anteriormente no Parecer de Orientação CVM nº 17/89, porque as ações da CETIP S.A. e as ações da BMF Bovespa possuem características de investimento temporário, completamente diferentes dos títulos patrimoniais da CETIP Associação e da Bovespa Associação, de natureza perpétua. A manutenção deliberada desses ativos por tempo superior a 12 meses não tem o condão de alterar sua natureza de ativo circulante, dado sua possibilidade de pronta realização, ou seja, os ativos em questão nunca deixaram de ser ativos realizáveis em menos de 12 meses, ainda que tivessem sido realizados em prazo superior por opção da empresa. A Itaú Corretora de Valores S/A não tinha necessidade de manter as ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa no seu ativo permanente, porque após a desmutualização de ambas as associações precedentes extinguiuse a exigência de propriedade de títulos patrimoniais para que se pudesse usufruir dos serviços por elas prestados. Assim, na desmutualização houve uma devolução do patrimônio das entidades isentas (CETIP Associação e Bovespa Associação) e não uma mera substituição de títulos por ações. Com isso, a classificação dessas ações no ativo permanente não é automática, e considerando a expectativa de negociação em Bolsa de Valores dessas ações, a consequência normal é de se esperar o rendimento produzido pela valorização e negociação das ações, uma vez que não se vislumbra a obtenção de rendimentos produzidos pelas operações das empresas investidas, ou sequer benefício produzido pela melhoria operacional da empresa investidora. Caracterizando, portanto, como um investimento temporário. A alienação desses ativos em 2011 e 2012 não tem o condão de transmutar sua natureza para permanente, pois as negociações efetuadas apenas aguardaram um momento mais oportuno às necessidades de caixa da Autuada e/ou ao valor de mercado dessas ações. Nesse diapasão, a classificação correta para essas ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa seria no ativo circulante, desde 2008 quando foram adquiridas, gerando, consequentemente, receita operacional quando alienadas, que não é passível de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme previsão legal da Lei nº 9.718/98. Cientificada, a interessada apresentou Impugnação alegando, em síntese, que: Como mencionado no Termo de Verificação Fiscal (TVF), em maio de 2008 a Impugnante recebeu ações da Nova Bolsa S.A. em virtude da incorporação das ações que detinha da Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. por aquela companhia. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 356 11 Do mesmo modo, em julho de 2008 a Impugnante recebeu ações da CETIP S.A. em decorrência do processo de desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP. Atendendo às regras previstas na legislação societária atinentes à elaboração das demonstrações financeiras então em vigor, a Impugnante classificou aqueles títulos em seu balanço no Ativo Permanente, posteriormente alterado para Ativo Não Circulante, subconta Investimentos (Lei n°6.404, de 15.09.1976, art. 179, inciso III). Após mais de 3 anos do recebimento das ações da CETIP S.A. (novembro de 2011) e aproximadamente após 4 anos do recebimento das ações da Nova Bolsa S.A. (janeiro, junho e dezembro de 2012), a Impugnante alienou parte desses títulos, excluindo os montantes recebidos da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP por se tratar de "receitas nãooperacionais, decorrentes de venda do ativo permanente", nos termos do art. 30, § 2°, inciso IV, da Lei n°9.718, de 27.11.1998. Nada obstante, ao verificar a regularidade do procedimento adotado pela Impugnante, o i. Fiscal autuante partindo de premissa claramente equivocada no tocante aos critérios de classificação contábil das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. entendeu que as mesmas deveriam ter sido registradas em seu ativo circulante. (...) De acordo com a fiscalização, não se justificaria a classificação das ações daquelas companhias no Ativo Permanente (Investimentos), uma vez que não haveria "obrigatoriedade alguma" de a Impugnante permanecer com as mesmas em seu patrimônio, além do que tais ações seriam títulos patrimoniais com alta liquidez que poderiam ser alienados a qualquer momento na Bolsa de Valores. (...) No entanto, "data máxima venia", o lançamento tributário ora impugnado não pode ser mantido, devendo ser integralmente cancelado, pois ao tributar a "receita" da venda daquelas ações, sem deduzir o custo correspondente, implicou manifesta modificação de critério jurídico do lançamento. Além disso o "novo critério" não reflete à correta apuração da base de cálculo daquela contribuição social, bem como acaba exigindo em duplicidade a essa exação, posto que já exigida nos autos do processo n° 16327.720595/201301. Ademais, ao contrário do que alega o i. Fiscal autuante, a classificação das ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. no Ativo Circulante não se sustenta nas normas da Lei n° 6.404/76, tampouco encontra guarida nas manifestações doutrinárias, no precedente jurisprudencial e na orientação do Fisco citados no TVF. (...) Além disso, nos períodos autuados, a saber novembro de 2011, janeiro, junho e dezembro de 2012, a legislação de regência da Contribuição para o PIS/PASEP não admitia a tributação das receitas decorrentes da "atividade ou objeto principal da pessoa jurídica", limitandose a onerar a sua receita bruta, assim entendido "o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados", como decidido pelo Supremo Tribunal Federal, em sua composição Fl. 356DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 357 12 plenária, no julgamento dos Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.390 e 390.840. 1 DAS PRELIMINARES 1 VIOLAÇÃO AO ART. 146 DO CTN: MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO QUANTO À BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Pelo que se depreende do TVF, a fiscalização pretende exigir da Impugnante a Contribuição para o PIS/PASEP incidente nas vendas de ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. realizadas nos meses de novembro de 2011, janeiro, junho e dezembro de 2012, tendo computado na base de cálculo dessa contribuição a receita apurada nessas operações (...). No entanto, o i. Fiscal autuante não observou o critério jurídico de lançamento tributário anterior formalizado contra a Impugnante (doc. 02), mediante o qual a fiscalização exige a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS supostamente incidentes sobre a diferença verificada entre o valor contábil das ações ordinárias da Bovespa Holding S.A. e o valor de mercado das mesmas no momento de sua suposta alienação em razão de sua incorporação pela Nova Bolsa S.A. (...). Salientese que o critério de apuração da base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP observado pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração que deu origem ao processo n° 16327.720595/201301 (doc. 02) está em sintonia com as regras da Instrução Normativa SRF n° 247, de 21.11.2002. De acordo com o art. 95 dessa instrução normativa, as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo Banco Central do Brasil (BACEN) deveriam apurar aquela contribuição social de acordo com a planilha de cálculo constante do Anexo I. Nesse contexto, parece claro que a lavratura do Auto de infração ora impugnado ao considerar a receita bruta apurada com a venda das ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. sem a dedução do correspondente custo de aquisição, para fins de determinar a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP, representa manifesta modificação de critério jurídico do lançamento, além de conflitar com a orientação do Fisco aplicável aos períodos autuados, sendo certo que o novo critério não pode alcançar fatos geradores ocorridos anteriormente à sua introdução, nos exatos termos do art. 146 do CTN (...). (...) No caso concreto, comparandose o resultado da fiscalização anterior (processo n° 16327.720595/201301) com o da fiscalização que redundou na lavratura do Auto de infração ora impugnado, verificase que houve nítida mudança de critério jurídico, na medida em que naquela o agente fiscal considerou o resultado líquido apurado na suposta alienação das ações, enquanto nesta a fiscalização computou a receita bruta correspondente ao preço de venda das ações, sem a dedução do correspondente custo. Sendo assim, forçoso concluir que o novo critério jurídico adotado pela fiscalização no caso concreto somente poderia ser aplicado a fatos geradores ocorridos posteriormente à adoção desse critério, nos exatos termos do art. 146 do CTN, sendo manifesta a improcedência da exigência fiscal em comento. Fl. 357DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 358 13 (...) 1.2 — DO CRITÉRIO DE CONTABILIZAÇÃO DOS RESULTADOS DA ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA POR INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS Como mencionado acima, em fiscalização anterior os agentes fiscais computaram na base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP supostamente incidente na incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. o valor correspondente ao pretenso "ganho" verificado nessa operação, nos termos da Instrução Normativa SRF n° 247/02. Com efeito, o art. 95 dessa instrução normativa prescreve que as instituições financeiras e demais instituições autorizadas a funcionar pelo BACEN deveriam apurar a mencionada contribuição social de acordo com a planilha constante de seu Anexo I, que relaciona as contas do Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional (COSIF) que compõem a base de cálculo dessa exação. Analisandose a relação das Contas COSIF de que trata o Anexo I da Instrução Normativa SRF n° 247/02, verificase que é mencionada a Conta 7.1.5.20.00 "RENDAS DE TÍTULO DE RENDA VARIÁVEL", na qual devem ser registradas as rendas de títulos de renda variável, que incluem as ações de companhias abertas. Desse modo, admitindose na linha da acusação fiscal que as ações da Nova Bolsa S.A. seriam "ativos financeiros", o que se faz apenas para fins de argumentação, de acordo com as regras contábeis deveria ser lançado naquela conta o resultado apurado na alienação de tais ações, correspondente à diferença entre o valor contábil das mesmas e o seu valor de alienação. (...) Parece claro, portanto, que não pode ser mantido o Auto de Infração ora impugnado, na medida em que deixou de considerar o custo das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A., em desconformidade com as determinações da Instrução Normativa SRF n° 247/02. No caso das ações da Nova Bolsa S.A. evidentemente o custo contábil seria aquele que a fiscalização anterior considerou no lançamento que deu origem ao processo n° 16327.720595/201301, correspondente a R$ 13,5811 por ação. E, quanto às ações da CETIP S.A,. segundo a lógica da fiscalização o custo das mesmas seria aquele pelas quais essas ações teriam sido "adquiridas" por ocasião da desmutualização, a saber R$ 1.572.309,62 (doc. 03). 1.3 DA DUPLICIDADE DE COBRANÇA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Como acima mencionado, a fiscalização exige da Impugnante em Auto de Infração anterior (doc. 02) a Contribuição para o PIS/PASEP sobre o suposto ganho apurado na incorporação das ações da Bovespa Holding S.A., correspondente à diferença entre o valor contábil dessas ações e o seu valor de mercado no momento em que foram incorporadas pela Nova Bolsa S.A. Muito embora a exigência do suposto ganho antes de sua efetiva realização não se conforme aos princípios constitucionais, tampouco às normas legais que disciplinam a incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, no caso concreto a Fl. 358DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 359 14 lavratura do Auto de Infração tendente a exigir essa contribuição social sobre aquele mesmo ganho agora realizado redunda em verdadeiro "bis in idem". Com efeito, ainda que se admita a possibilidade de a Contribuição para o PIS/PASEP ser cobrada sobre o ganho potencial, estimado, que a Impugnante experimentaria se tivesse alienado as ações da Bovespa Holding S.A., no momento em que foram incorporadas pela Nova Bolsa S.A., o que se faz apenas para fins de argumentação, não se pode admitir em absoluto nova cobrança da mesma contribuição no momento em que aquele ganho é realizado. Isso porque quando da venda das ações da Nova Bolsa S.A. a Impugnante não apurou um novo ganho mas apenas realizou o ganho anterior, que já foi taxado pela fiscalização. Ou seja, não há que se falar no caso concreto que houve um novo ganho, sujeito à nova incidência da Contribuição para o PIS/PASEP, mas mera realização do ganho anterior. Dúvida não remanesce assim de que o lançamento ora impugnado deve ser cancelado, visto que a sua manutenção implicará duplicidade de cobrança da contribuição social em comento sobre o mesmo ganho, que foi objeto de Auto de Infração lavrado anteriormente (doc. 02). (...) II DO MÉRITO 11.1 DA CORRETA CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL DAS AÇÕES DA NOVA BOLSA S.A. E CETIP S.A. (ATIVO PERMANENTE / INVESTIMENTO) A fiscalização sustenta que as ações da Nova Bolsa S.A. e CETIP S.A. não poderiam ser classificadas pela Impugnante no Grupo Ativo Permanente, Subgrupo Imobilizado, pois, a seu ver, possuiriam características de aplicação temporária ou especulativa, representando supostamente ativos financeiros. Muito embora o i. Fiscal autuante não olvide que a Impugnante de fato vendeu parte das ações da Nova Bolsa S.A. no anocalendário 2012, portanto 4 anos depois da incorporação das ações da Bovespa Holding S.A. e BM&F S.A. e parte das ações da CETIP S.A. no final do anocalendário 2011, ou seja mais de 3 anos após a desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos CETIP, alega que "a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente". (...) Nesse contexto, "data maxima venia", a alegação de que as ações detidas pela Impugnante deveriam ter sido classificadas no ativo circulante não encontra guarida nas determinações do art. 179 da Lei n° 6.404/76, que trata da classificação das contas do ativo, pois a manutenção daquelas ações em seu patrimônio por período superior a 3 anos demonstra que a sua intenção foi de permanecer como titular das mesmas. Salientese que, ao contrário do que pretende levar a crer o i. Fiscal autuante, a Lei n° 6.404/76 não prevê um critério objetivo de classificação dos itens do Ativo que imponha que as ações recebidas pela Impugnante sejam classificadas em seu Ativo Circulante, no qual o prazo de manutenção das mesmas em seu patrimônio seria irrelevante. Fl. 359DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 360 15 Como bem apontado pelo acórdão n° 9303004.182 mencionado no TVF o que determina se as ações ou quotas de capital devem ser classificadas no Ativo Circulante (Instrumentos Financeiros) ou no Permanente/Não Circulante (Investimentos) é justamente a intenção de seu titular. Tratandose de aplicação de capital de forma temporária ou especulativa, os títulos patrimoniais devem ser classificados no Ativo Circulante, por outro lado, se os mesmos possuírem a características de investimento permanente, isto é quando não houver a intenção de realizálos até o término do exercício social subsequente, os respectivos valores devem ser contabilizados no Ativo Permanente. Esse entendimento está alinhado com a orientação do Fisco, consubstanciada no Parecer Normativo CST n° 108/78 que tratou justamente da "classificação de determinadas contas, na escrituração comercial, para os efeitos da correção monetária de que trata o Decretolei n° 1.598, de 26 de dezembro de 1977". De acordo com essa manifestação do Fisco, a classificação de participações societárias no Ativo Permanente, nos termos do art. 179, inciso III, da Lei n° 6.404/76, deve ser feita em função da intenção de seu titular de mantêlas em caráter permanente. (...). Como se vê, diferentemente do que consta no TVF (p. 16), o Parecer Normativo CST n° 108/78 não ampara a pretensão fiscal, na medida em que deixa claro o entendimento do Fisco no sentido de que o que determina se a participação societária adquirida deve ser contabilizada no Ativo Circulante ou Permanente é a intenção do adquirente, a qual deve ser manifestada no momento em que tal participação é adquirida. Além disso, as orientações do referido parecer normativo infirmam o argumento do i. Fiscal autuante no sentido de que a "questão temporal" seria irrelevante para fins de classificar as ações no Ativo Permanente, na medida em que determinam expressamente que as mesmas devem ser reclassificadas caso tenham sido contabilizadas no Ativo Circulante e não tenham sido alienadas até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiverem sido adquiridas. Em linha com o Parecer Normativo CST n° 108/78, a prova de que a Impugnante no momento em que recebeu as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não tinha a intenção de vendêlas, mas sim permanecer com essas ações como investimento, reside justamente no fato de que ela só vendeu parte das mesmas depois de 4 anos do processo de incorporação de ações da Bovespa Holding S A. e BM&F S.A. e mais de 3 anos após a desmutualização da Central de Custódia e de Liquidação Financeira de Títulos — CETIP, ou seja, no caso concreto aquelas ações permaneceram no ativo da Impugnante durante anos, o que demonstra inequivocamente a sua "intenção de permanência". (...) Destarte, aplicandose o entendimento da C. Câmara Superior a este processo, forçoso concluir que a Impugnante classificou corretamente as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. em seu Ativo Permanente, não se sujeitando à incidência do PIS e da COFINS o resultado apurado com a venda dessas ações realizada anos após o seu recebimento. Pelas razões acima expostas, é inconteste que a Impugnante registrou corretamente em seu Balanço as ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. em Fl. 360DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 361 16 conta do Ativo Permanente (Investimentos), não restando dúvida quanto à impossibilidade de ser mantido o lançamento da Contribuição para o PIS/PASEP. (...) 11.2 DA NÃO INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E DA COFINS SOBRE RECEITAS ESTRANHAS AO CONCEITO DE FATURAMENTO Como se sabe, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou inconstitucional o alargamento das bases de cálculo do PIS e da COFINS (Lei n° 9.718/98, art. 30, § 1°), restringindo o campo de incidência dessas contribuições ao faturamento, assim entendido a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, o que afasta de plano a pretensão fiscal de exigir tais contribuições sobre o suposto ganho verificado na alienação de ações, que não se identifica com venda de mercadorias, nem com prestação de serviços. Com efeito, enquanto sociedade corretora a Impugnante está sujeita ao recolhimento da Contribuição para o PIS/PASEP e COFINS pelo regime cumulativo, regulado pela Lei n° 9.718/98, não lhe se aplicando as regras das Leis n° 10.637, de 30.12.2002, e 10.833, de 29.12.2003. Nesse contexto, com a declaração de inconstitucionalidade do § 10 do art. 30 da Lei n° 9.718/98 (Recursos Extraordinários n° 346.084, 357.390, 358.273 e 390.840), que ampliou os conceitos de faturamento e receita bruta para neles incluir "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica", a Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS devidas pelas sociedades corretoras passaram a recair apenas sobre o preço dos serviços por elas prestados, visto que tais instituições não vendem mercadorias de qualquer espécie. Apesar de ser até certo ponto óbvio que a alienação das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não se identifica com os negócios jurídicos abrangidos pelo caput do art. 3° da Lei n° 9.718/98, não podendo, pois, ser onerada pelas contribuições sociais em comento, a fiscalização tenta justificar a lavratura do Auto de Infração ora impugnado com base no argumento de que a alienação daquelas ações decorre do "exercício de atividade prevista no objeto social" da Impugnante. (...) Com efeito, destinandose precisamente a analisar a repercussão da jurisprudência do STF para as instituições financeiras e sociedades seguradoras, e considerando que mercadoria é necessariamente, por definição, um bem corpóreo, o Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 concluiu que "a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros pode ser classificada como serviços para fins tributários, estando sujeita à incidência das contribuições em causa, na forma dos arts. 2°, 3°, caput e nos §§ 5°e 6° do mesmo artigo exceto no que diz respeito ao 'plus' contido no 1° do art. 3° da Lei n° 9.718, de 1998, considerado inconstitucional por meio do Recurso Extraordinário 357.9509/RS e dos demais recursos que foram julgados na mesma assentada." Vêse que a conclusão do parecer que Parecer PGFN/CAT n° 2773/2007 é no sentido de que as receitas auferidas pelas instituições financeiras podem ser tributadas pela Contribuição para o PIS/PASEP e pela COFINS se correspondentes a uma prestação de serviços. Fl. 361DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 362 17 No caso concreto, o resultado apurado pela Impugnante com a venda das ações da Nova Bolsa S.A. e da CETIP S.A. não se conforma ao conceito de faturamento, uma vez que não decorre de uma operação de compra e venda de mercadorias (bens corpóreos), muito menos de prestação de serviços, razão pela qual é manifestamente indevida a exigência da Contribuição para o PIS/PASEP. Somese a isso que, até o advento da Medida Provisória n° 627, de 11.11.2013, posteriormente convertida na Lei n° 12.973, de 13.05.2014, o significado das expressões "faturamento" e "receita bruta" não comportava a extensão que lhe pretendeu conferir o i. Fiscal autuante para nelas incluir todo e qualquer resultado decorrente do exercício das atividades empresariais. (...) Considerandose que as normas legais, em regra, se aplicam aos fatos ocorridos após a sua entrada em vigor, salvo nos casos em que as mesmas são interpretativas, o novo comando legal não pode ser aplicado a fatos verificados antes de sua introdução no ordenamento jurídico. Sendo assim, tratandose o caso concreto de fatos ocorridos antes da edição da Medida Provisória n° 627/13, não encontra amparo legal a pretensão do i. Fiscal autuante de ampliar as bases de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS para nelas incluir outras receitas decorrentes "da atividade ou objeto principal" da pessoa jurídica, que não se identifiquem com o produto da venda de mercadoria ou da prestação de serviços. Em outras palavras, somente a partir da edição da mencionada medida provisória, é que a base de cálculo da contribuição passou a abarcar "as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidas nos incisos I a III" (não só para as instituições financeiras, mas para qualquer pessoa jurídica sujeita ao regime cumulativo), o que revela o claro equívoco da pretensão fiscal. (...) III DA NÃO INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO Prevalecendo o lançamento tributário ora impugnado, o que se admite apenas a título de argumentação, certamente será exigido da Impugnante os juros de mora sobre o valor da multa de ofício, procedimento adotado noutros casos pelas autoridades fiscais. Daí porque a Impugnante vem desde já impugnar a pretensão, até para que não se alegue posteriormente que tal matéria não pode ser objeto de exame porque não foi abordada na defesa apresentada. Com efeito, pelo que se infere da legislação tributária, esta somente autoriza a incidência dos juros sobre o valor atualizado do tributo ou da multa isolada. Contudo, não autoriza, como pretende o Fisco, o cálculo dos juros sobre o montante da multa de ofício. (destaques da impugnante) Consta do Termo de Verificação Fiscal que foram formalizados processos separados para cuidar dos lançamentos de Contribuição para o Programa de Integração Social, que tomou o número aqui considerado, e de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, que foi identificado com o nº 16327.720649/201673. Fl. 362DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 363 18 Pelo Termo de Apensação de efl. 306, tomase conhecimento de que o processo de COFINS foi apensado ao presente. Diz a autoridade: Contra o contribuinte supra foram lavrados dois autos de infração, sendo um de PIS – processo 16327.720648/201629, e outro de COFINS – processo 16327.720649/201673. Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação em ambos processos que foram encaminhados à DRJ em 04/11/2016 para julgamento. Porém, 08/11/2016, a DRJ os devolveu a esta Deinf para cumprimento do disposto na Portaria RFB nº 354, art 2º, b, de 11 de março de 2016, revogada pela Portaria RFB nº 1668, de 29 de novembro de 2016, que dispõe sobre a formalização de processos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Para atender ao solicitado, efetuei a desapensação dos dois processos citados e transferi todos os créditos tributários cadastrados no presente para o processo 16327.720648/201629, ficando o presente na situação ENCERRADO. Como não foi possível realizar a juntada dos processos acima referidos por anexação, devido a uma REGRA DE SISTEMA que só permite a referida juntada se o processo a ser anexado estiver na situação de précadastrado, foi necessário copiar para o processo 16327.720648/201629, todos os documentos constantes no presente. Nesse contexto, veio ao presente processo a Impugnação voltada para a contestação da exigência da COFINS que, por ter idêntico teor daquela resumida acima e que tem por tema a contribuição ao PIS, será tratada em conjunto, como se uma só fossem. A 14ª Turma da DRJ/RPO, acórdão nº 1464.970, deu provimento à impugnação, com decisão assim ementada: TÍTULOS MOBILIÁRIOS. AÇÕES. DESMUTUALIZAÇÃO. CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. ATIVO NÃO CIRCULANTE. CONDIÇÕES. Classificamse no Ativo não Circulante os direitos cuja realização não se pretenda que ocorra no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), podem ser registradas no Ativo Circulante ou não Circulante de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Negociados após mais de três anos da aquisição, admitese a classificação dos títulos no Ativo não Circulante, hipótese na qual o faturamento obtido pode ser excluído da base de cálculo das contribuições sociais. Em virtude da desoneração, foi interposto o recurso de ofício. É o relatório. Fl. 363DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 364 19 Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, Relatora O recurso de ofício reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme relatado, a autuação se deu por insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS na alienação das ações obtidas em virtude da desmutualização das entidades operadoras do mercado financeiro e de capitais. Para a fiscalização, as ações deveriam desde a aquisição serem classificadas contabilmente como ativo circulante, considerando critério objetivo da natureza do ativo, em função de sua realização. Por isso, ao vender ou revender ações ou outros títulos e valores mobiliários por conta própria, tal atividade compõe o objeto social das sociedades corretoras de valores, sendo portanto parte de suas atividades típicas. Assim, receitas auferidas com a venda das ações BMF/Bovespa e Cetip, por comporem o faturamento/receita bruta operacional, deveriam ter sido oferecidas à tributação pelo PIS e pela COFINS. Por outro lado, a Recorrente sustenta que a classificação das ações no ativo circulante ou no ativo não circulante, antigo ativo permanente, teria por base a intenção do detentor dos títulos em realizálos ou não no curto prazo. E que teria ficado demonstrado nos autos que a intenção era de permanecer com as ações. Logo, sendo tais títulos integrantes do seu ativo não circulante (permanente, investimentos), a venda não seria tributada, nos termos do art. 3°, § 2°, IV da Lei n° 9.718/98. A DRJ cancelou a autuação por entender, em suma, que classificamse no ativo não circulante os direitos cuja realização não se pretenda que ocorra no curso do exercício social subsequente. Dessa forma, as ações da Bovespa e da BM&F, recebidas em virtude da operação de desmutualização, poderiam ser registradas no ativo circulante ou não circulante, de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. No acórdão recorrido, restou consignado que se negociados após mais de três anos da aquisição, admitese a classificação dos títulos no ativo não circulante, hipótese na qual a receita obtida pode ser excluída da base de cálculo das contribuições sociais, nos termos do art. 3°, § 2°, IV da Lei n° 9.718/98. Cumpre fixar a diferença entre as premissas da fiscalização e da decisão de piso, na análise do presente recurso de ofício. É o que faço a seguir. i) Premissas da Fiscalização: Erro de escrituração imputado pela fiscalização – critério utilizado da disponibilidade e grau de liquidez. E, a irrelevância do tempo de manutenção do ativo para sua classificação como ativo permanente Fl. 364DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 365 20 Aduz a autoridade fiscal que a Recorrente deu às ações BMF Bovespa e Cetip a mesma classificação contábil anteriormente aplicada aos títulos patrimoniais das associações que antecederam a BMF Bovespa S/A e Cetip S/A, a despeito de suas distintas naturezas. Os títulos patrimoniais compunham o ativo permanente – investimentos (atualmente denominado ativo nãocirculante) da autuada, enquanto as ações BMF Bovespa e Cetip deveriam ter sido classificadas como ativo circulante. Observese a fundamentação dada para a classificação das ações no ativo circulante: Da contabilização dos Títulos Patrimoniais O COSIF, Plano Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional, inclui os títulos patrimoniais em seu Capítulo 1, item 11, subitem 3 “Outros Investimentos”, 1b. Desta forma, os títulos patrimoniais das bolsas de valores e da Cetip, quando ainda eram associações sem fins lucrativos, deveriam ser contabilizados em conta COSIF do Ativo Permanente – Investimentos. Tal contabilização no ativo permanente (atualmente sob denominação de Ativo não circulante) encontrava respaldo na compulsoriedade da propriedade do título para que seus detentores pudessem operar no ambiente das respectivas associações das quais possuíam os títulos, ou seja, sua titularidade e manutenção estavam diretamente ligados à possibilidade das empresas detentoras poderem continuar atuando no objeto de suas respectivas atividades regularmente. Em mesmo sentido dispõe a Lei 6.404/76 em seu art. 179, III: “Art. 179. As contas serão classificadas do seguinte modo: (...) III em investimentos: as participações permanentes em outras sociedades e os direitos de qualquer natureza, não classificáveis no ativo circulante, e que não se destinem à manutenção da atividade da companhia ou da empresa” Destaquese que a lei elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo legal. Da necessária reclassificação quando do recebimento das ações Tanto as ações BMF Bovespa quanto as ações Cetip S/A foram adquiridas pela autuada em virtude do processo de desmutualização, todavia, tais ações não apresentam as características de permanente que possuíam os títulos patrimoniais, o que é reafirmado na alienação que ocorreu das ações quando do resgate das ações preferenciais da BMF Bovespa logo após sua emissão, dada sua disponibilidade e grau de liquidez. Diferente dos títulos patrimoniais, as ações não são condição para que seus detentores operem na agora nova bolsa BMF Bovespa, ou mesmo na Cetip, pelo contrário, são ativos Fl. 365DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 366 21 financeiros comercializáveis livremente em bolsa de valores como qualquer outro, assumindo natureza de ativo circulante. Esta característica de ativo circulante se torna ainda mais marcante no caso das corretoras de valores, em virtude de terem como objeto social a comercialização de ações. Assim, os antigos detentores de títulos patrimoniais passaram a possuir ações que: a) não tinham obrigatoriedade alguma de permanecerem nos ativos de seus detentores, sendo desnecessárias às suas atividades essenciais e compondo o giro do negócio; b) constituemse em papeis de pronta liquidez, dada a livre comercialização em bolsa de valores; c) possuem liquidez incomparavelmente superior à dos títulos patrimoniais, o que já nos orienta a uma diferente classificação contábil em face da ordenação dos ativos em ordem decrescente de liquidez; d) são o principal objeto de comercialização das corretoras de valores. e) constituemse em Instrumentos Financeiros à luz do pronunciamento CPC 14. O CPC 14 traz as seguintes definições: “Instrumento financeiro é qualquer contrato que origine um ativo financeiro para uma entidade e um passivo financeiro ou título patrimonial para outra entidade. Ativo financeiro é qualquer ativo que seja: (a) caixa; (b) título patrimonial de outra entidade; (c) direito contratual” O termo título patrimonial, aqui utilizado no CPC 14 em sentido amplo, abarca também as ações, visto que constituemse em títulos patrimoniais, porém não se confunde com os Títulos Patrimoniais das associações existentes prédesmutualização em sentido estrito, o qual é excepcionado pelo próprio CPC 14 em seu item 2, alínea “d” combinada com alínea “a” do mesmo item. Assim, as características de circulante do ativo (ações BMF Bovespa e Cetip) não são alteradas por terem sido classificadas no ativo permanente ou mesmo pela sua manutenção no ativo por maior ou menor tempo. Vale destacar alguns trechos da Circular Bacen 1273/87, que positiva o COSIF: 2 Escrituração, item 5 Fl. 366DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 367 22 “5 – A forma de classificação contábil de quaisquer bens, direitos e obrigações não altera, de forma alguma, as suas características para efeitos fiscais e tributários, que se regem por regulamentação própria.” 5 Classificação das contas “5. Classificação das Contas 1 – Ativo – as contas dispõemse em ordem decrescente de grau de liquidez, nos seguintes grupos: a) Circulante: I – disponibilidades; II – direitos realizáveis no curso dos doze meses seguintes ao balanço; III – aplicações de recursos no pagamento antecipado de despesas de que decorra b) Realizável a Longo Prazo: I – direitos realizáveis após o término dos doze meses subseqüentes ao balanço; II – operações realizadas com sociedades coligadas ou controladas, diretores, acionistas ou participantes no lucro da instituição que, se autorizadas, não constituam negócios usuais na exploração do objeto social; III – aplicações de recursos no pagamento antecipado de despesas de que decorra obrigação a ser cumprida por terceiros após o término dos doze meses seguintes ao balanço; c) Permanente: 1 – Investimentos: – participações permanentes em outras sociedades, inclusive subsidiárias no exterior; – capital destacado para dependências no exterior; – investimentos por incentivos fiscais; – títulos patrimoniais; – ações e quotas; – outros investimentos de caráter permanente;” Podese depreender dos dispositivos Cosif acima: a) A disposição das contas do ativo se dá em ordem decrescente de liquidez, logo, a abissal diferença de liquidez existente entre os Títulos Patrimoniais de manutenção compulsória pelas corretoras para operarem em bolsa , e as ações BMF Bovespa e Cetip – passiveis de realização imediata em face da possibilidade de comercialização em bolsa de valores sem qualquer óbice , impõe que se dê diferente classificação contábil a esses ativos, devendo as ações serem classificadas em conta Cosif de posição bem acima da usada para os Títulos Patrimoniais no Ativo Permanente, qual seja, no Ativo Circulante; b) Destaquese que o Cosif também elegeu critério objetivo e independente de tempo de manutenção do ativo para sua classificação como Ativo Permanente. Ou seja, o cumprimento das condições acima se sobrepõe ao tempo durante o qual o Fl. 367DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 368 23 ativo foi mantido. A questão temporal é irrelevante e não possui o condão de alterar a natureza de Ativo Permanente dos bens e direitos abarcados pelo dispositivo normativo; c) A alusão temporal de máximo de 12 meses, descrito para o Ativo Circulante, referese à capacidade de realização do ativo, o que remete à liquidez inerente ao bem ou direito, e não se confunde com o tempo de permanência do ativo que tenha sido decidido de forma voluntária e discricionária pela empresa. Liquidez é qualidade intrínseca ao bem ou direito em questão, característica distinta do tempo de manutenção do bem ou direito, seja por intenção inicial, seja por se aguardar o momento que a empresa entenda como mais oportuno para a venda. Não fosse assim, uma reserva financeira em caixa e que a empresa só quisesse dispender após mais de 12 meses, não poderia ser classificada no Ativo Circulante, o que seria absurdo em face do caixa possuir realização imediata; d) A classificação no Ativo Circulante não encontra óbice a tempo máximo de permanência com o ativo, mas sim a tempo máximo de possibilidade de realização/liquidez do ativo. A fiscalização distingue ativos circulante e permanente, em função da destinação operacional dos ativos, ou seja, à sua aplicação na atividade ordinária da empresa ou na manutenção desta atividade. Dessa forma, só poderiam ser considerados permanentes aqueles bens e direitos que a empresa manterá em caráter permanente, seja para se obter o controle acionário ou por interesses econômicos, ainda que os possa vender algum dia, e ainda que não se preveja um tempo mínimo para mantêlos. Por outro lado, a contabilização de um determinado bem do ativo circulante ou realizável a longo prazo estaria relacionado ao tempo necessário para sua realização. Será classificado como permanente somente se não enquadrado nos incisos I ou II do art. 179 da Lei n° 6.404/76, e não se destinar à manutenção da atividade da empresa. A partir do que conclui que os elementos objetivos sobrepõemse e tornam secundário, ou mesmo irrelevante, o tempo durante o qual se manteve por mera liberalidade um ativo de pronta realização. Assim, aponta que o registro tanto das ações da Cetip S.A., quanto das BMF/Bovespa, foi equivocadamente considerado na conta 2.1.5.10.005 do subgrupo investimentos, pois se trataram de investimentos sem a característica de permanente, que deveriam ter sido classificados no ativo circulante. No dizeres da fiscalização, a “manutenção deliberada” desses ativos por tempo superior a 12 meses não teria o condão de alterar sua natureza de ativo circulante, dado sua possibilidade de pronta realização, ou seja, os ativos em questão nunca deixaram de ser ativos realizáveis em menos de 12 meses, ainda que tivessem sido realizados em prazo superior por opção da empresa. Aduz que “A Itaú Corretora de Valores S/A não tinha necessidade de manter as ações da CETIP S.A. e da BMF Bovespa no seu ativo permanente, porque após a desmutualização de ambas as associações precedentes extinguiuse a exigência de propriedade de títulos patrimoniais para que se pudesse usufruir dos serviços por elas prestados. Assim, na desmutualização houve uma devolução do patrimônio das entidades Fl. 368DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 369 24 isentas (CETIP Associação e Bovespa Associação) e não uma mera substituição de títulos por ações.” A classificação dessas ações no ativo permanente não seria automática e a alienação desses ativos em 2011 e 2012 não teria o condão de transmutar sua natureza para permanente, pois as negociações efetuadas apenas aguardaram um momento mais oportuno às necessidades de caixa da Autuada e/ou ao valor de mercado dessas ações. Por conseguinte, a classificação correta para essas ações da Cetip S.A. e da BMF/Bovespa seria no ativo circulante, desde 2008, quando foram adquiridas, gerando, consequentemente, receita operacional quando alienadas, que não é passível de exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, conforme previsão legal da Lei nº 9.718/98. ii) Premissas da decisão recorrida: Importância dos aspectos volitivos do detentor das ações como parâmetro de classificação contábil dos ativos A decisão de piso consignou que a interpretação para a correta classificação contábil dos ativos deve privilegiar o elemento volitivo em detrimento de uma visão objetiva da legislação. Consequentemente, entendeu que a intenção do agente é determinante na classificação contábil dos ativos adquiridos. O tempo efetivo de manutenção dos ativos no patrimônio da pessoa jurídica constitui também indício da sua correta alocação patrimonial. Observese trecho do voto condutor do acórdão: Lembrese, ainda, que as ações sob foco não foram adquiridas no giro bursátil quotidiano e operacional da autuada, mas passou a integrar seu patrimônio no bojo de operações de natureza societária que transformou entidade da qual participava como membro efetivo. É de se considerar, no mesmo sentido, que as ações sofreram variações positivas e negativas ao longo dos anos em que permaneceram no patrimônio da autuada e, nem por isso, foram alienadas na busca do ganho momentâneo. Portanto, na medida em que as ações cuja alienação se pretende tributar a título de receita foram mantidas por cerca de quatro anos no patrimônio da autuada, é de se concluir que constituíam antes elementos não circulantes que circulantes. Sendo assim, não hão de ser tributados pelas contribuições sociais por expressa determinação legal que retiram os valores provenientes de alienações dessa natureza da base tributável. Ao se optar, nesse voto, pela interpretação que dá relevo à vertente subjetiva da classificação contábil, é importante salientar o inegável fato de que ativos tais como ações, podem tanto ser levados a registro no ativo circulante, quando assumem natureza de aplicação com objetivos de valorização de curto prazo ou mesmo especulativos, quanto no não circulante, hipótese em que representem participação acionária de caráter estratégico ou com vistas à percepção de dividendos. Disso resulta que um mesmo ativo pode assumir dois papéis Fl. 369DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 370 25 patrimoniais distintos, dependentes das decisões da gestão. Daí se conclui que não há, nesse tipo de ativo, uma natureza única, objetiva, que determine sua classificação patrimonial em todos os casos. O grupo patrimonial que irá abrigar as ações adquiridas sempre dependerá da vontade do agente, vontade essa que, a toda evidência, tem caráter subjetivo. Para tal conclusão, a DRJ apoiouse nos seguintes dispositivos normativos: PRONUNCIAMENTO TÉCNICO CPC 26 (R1) Ativo circulante 66. O ativo deve ser classificado como circulante quando satisfizer qualquer dos seguintes critérios: (a) esperase que seja realizado, ou pretendese que seja vendido ou consumido no decurso normal do ciclo operacional da entidade; (b) está mantido essencialmente com o propósito de ser negociado; (c) esperase que seja realizado até doze meses após a data do balanço; ou (d) é caixa ou equivalente de caixa (conforme definido no Pronunciamento Técnico CPC 03 Demonstração dos Fluxos de Caixa), a menos que sua troca ou uso para liquidação de passivo se encontre vedada durante pelo menos doze meses após a data do balanço. Todos os demais ativos devem ser classificados como não circulantes. Ofício Circular BOVESPA nº 225/2007 DG, de 18 de setembro de 2007 Os detentores de títulos patrimoniais da BOVESPA deverão promover a baixa do valor convertido em ações da BOVESPA Holding S.A. do Ativo Permanente (Títulos Patrimoniais de Bolsa de Valores conta COSIF nº 2.1.4.10). Em contrapartida, à sua opção: registrar o correspondente valor Ativo Circulante, em subconta específica da conta Títulos de Renda Variável (conta do COSIF nº 1.3.1.20.) das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como sendo “títulos disponíveis para negociação ou venda”, ou manter esse valor no Ativo Permanente, em subconta específica da conta Ações e Cotas (conta do COSIF nº 2.1.5.10.) das ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. recebidas em substituição, se a decisão for a de considerar essas ações como investimento. Fl. 370DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 371 26 Os detentores de ações de emissão da CBLC deverão também reconhecer os efeitos do processo de desmutualização, baixando o valor convertido em ações de emissão da BOVESPA Holding S.A. e, conforme a sua opção: Lembramos que os acionistas da Bovespa Holding S.A., a seu critério, considerando seus objetivos de investimento, poderão realizar uma alocação mista, entre Ativo Circulante e Ativo Permanente. Parecer Normativo CST nº 108, de 28 de dezembro de 1978 Investimentos: (...) 7.1 Por participações permanentes em outras sociedades se entendem as importâncias aplicadas na aquisição de ações e outros títulos de participação societária, com a intenção de mantêlas em caráter permanente, seja para obter controle acionário, seja por interesses econômicos, como, por exemplo, a constituição de fonte permanente de renda. Essa intenção será manifestada no momento em que se adquire a participação, mediante a sua inclusão no subgrupo de investimentos – caso haja interesse de permanência – ou registro no ativo circulante, não havendo esse interesse. Será, no entanto, presumida a intenção de permanência sempre que o valor registrado no circulante não for alienado até a data do balanço do exercício seguinte àquele em que tiver sido adquirido.” (grifamos) Parecer Normativo CST nº 3 de 28 de janeiro de 1980 Procurase examinar a licitude do procedimento, perante a legislação do imposto de renda, das pessoas jurídicas que, obrigadas a promover a correção monetária de contas integrantes do balanço patrimonial (…) pretendem transferir, para o ativo circulante, o valor de bens escriturados em contas do ativo permanente, sob a alegação de que iriam ser destinados à venda. … 8 (…) a simples pretensão da pessoa jurídica no sentido de alienar bens destinados a utilização na exploração do objeto social ou na manutenção das atividades da empresa não autoriza, para os efeitos da legislação do imposto de renda, a exclusão dos elementos correspondentes registrados em contas do ativo permanente, devendo a cifra respectiva continuar integrando aquele agrupamento até a alienação, baixa ou liquidação do bem. Postos os conceitos e premissas da autuação e da decisão recorrida, passo a expor a posição deste voto. Fl. 371DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 372 27 Premissas deste voto Escrituração das ações como ativo circulante ou não circulante A falta de prova da intenção da Recorrente Vários são os louvores que se dá à decisão recorrida. Em primeiro lugar, cita se a distinção que se faz entre o caso ora em comento e os casos “clássicos” sobre o tema julgados neste CARF. A exemplo, cito acórdão recente 3ª Turma da CSRF, que expressa a posição adotada em julgamentos do gênero: Acórdão n° 9303007.409, julgado em 18/09/2018, Relator Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos: TÍTULOS MOBILIÁRIOS. REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F S/A recebidas em decorrência da operação denominada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo BOVESPA e da Bolsa de Mercadorias & Futuros de São Paulo BM&F, que foram negociadas dentro do mesmo ano ou poucos meses após o seu recebimento, devem ser registradas no Ativo Circulante. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA BRUTA OPERACIONAL. OBJETO SOCIAL. VENDA DE AÇÕES. Nas instituições financeiras, que têm as operações de compra e venda de ações compreendidas no objeto social, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento/receita bruta operacional, o que inclui, necessariamente, as receitas típicas da empresa auferidas com a venda de ações da BM&F S.A. e da Bovespa Holding S.A., recebidas em decorrência das operações societárias denominadas desmutualização. Observase nesse julgado que a classificação em ativo circulante se deu em virtude da venda operada no mesmo ano da aquisição, o que não se observa no presente processo em análise. Em segundo lugar, de fato, as ações recebidas em virtude da desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo, podem ser registradas tanto no ativo circulante ou não circulante, de acordo com a intenção do detentor quanto à sua realização. Esta Turma já se pronunciou nesse mesmo sentido, no acórdão n° 3301 002.882, de Relatoria do Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira: CLASSIFICAÇÃO CONTÁBIL. MANIFESTA INTENÇÃO DE VENDA. ART. 179 DA LEI N° 6.404/76 E PRINCÍPIO DA OPORTUNIDADE". A classificação contábil de um bem deve ser efetuada de acordo com sua natureza e a intenção o não de mantêlo no patrimônio de forma duradoura, à luz da atividade da empresa. Diante dos documentos que comprovam que havia intenção de venda, as ações da BOVESPA S/A e da BM&F S/A deveriam ter sido classificadas no ativo circulante. E a receita da alienação como operacional, integrante do faturamento da instituição financeira e, por conseguinte, tributável pelo PIS e Fl. 372DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 373 28 COFINS. Observância do art. 179 da Lei n° 6.404/76 e do "Princípio da Oportunidade", que é um dos princípios contábeis geralmente aceitos que devem ser adotados, por força do art. 177 da Lei n° 6.404/76, e dos art.2°e 3° da Lei n° 9.718/98. A ressalva que se faz ao voto da DRJ é quanto à conclusão inexorável de que se as ações foram mantidas por cerca de quatro anos no patrimônio da autuada, logo são elementos não circulantes. Entendo que a questão primordial é a prova da intenção de venda, que é ônus da autoridade fiscal. Explico. Encerrada a desmutualização, houve a oferta das ações no mercado, via IPO (Initial Public Offering) Oferta Pública Inicial, que ocorreu em 26/10/2007, momento em que as corretoras, agora acionistas da Bovespa Holding e BM&F venderam parte de suas ações em oferta ao público em geral. No relatório fiscal, a autoridade informou que em 31/12/2007 a autuada possuía um saldo de 20.376.818 ações da Bovespa, contabilizadas na rubrica 2.1.5.10.20.1 Ações e Cotas Bovespa S/A – Holding (Razão 2150 008), perfazendo o montante de R$ 44.563.947,88. Em relação à BM&F, em 31/12/2007, possuía 8.860.584 ações da BM&F S/A, com um custo unitário de R$ 1,00, perfazendo um montante contabilizado na rubrica 2.1.5.10.005 – Ações e Cotas BMF S/A (Razão 2150 009) de R$ 8.860.584,00. Todavia, a fiscalização não anexou aos autos as provas sobre qual percentual a Recorrente se comprometeu a vender nos IPO ou posteriormente. Observo, em outro processo administrativo, que a Itaú Corretora foi autuada quanto à tributação de receitas obtidas com a venda de ações nos dois últimos meses de 2007, cujo acórdão nº 9303004.182 prescreveu: TÍTULO MOBILIÁRIOS. VENDA DE AÇÕES. "DESMUTUALIZAÇÃO". REGISTRO. ATIVO CIRCULANTE. Classificamse no Ativo Circulante as disponibilidades e os direitos realizáveis no curso do exercício social subsequente. As ações da Bovespa Holding S/A e da BM&F, recebidas em virtude da operação chamada desmutualização da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa e BM&F), negociadas dentro do mesmo ano, devem ser registradas no Ativo Circulante. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA OPERACIONAL. CORRETORA DE VALORES MOBILIÁRIOS. Para as pessoas jurídicas que exercem atividade de corretora de valores mobiliários, que têm por objeto a subscrição e a compra e venda de ações, por conta própria e de terceiros, a base de cálculo das contribuições sociais é o faturamento ou receita bruta operacional, que abrange as receitas decorrentes da alienação de ações classificadas no Ativo Circulante. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 374 29 Logo, presumese que a Recorrente tenha se comprometido a vender as ações ou parte delas no momento de sua aquisição, mas não há nestes autos a informação de percentual e prazo de efetivação da venda. Não consta nestes autos a fixação de prazos para venda das ações acordadas entre as companhias e seus acionistas ou o quantum disponibilizado das ações recebidas para compor o lote destinado à Oferta Pública Inicial (IPO), ou ainda, para a alienação da integralidade das ações. No acórdão n° 3301002.882 mencionado acima, está clara a necessidade de comprovação documental do intuito da detentora das ações, verifiquese: A intenção ou não de vender um direito determina sua classificação contábil, conforme estabelecido no já transcrito art.179 da Lei n° 6.404/76, a qual, naturalmente, produz reflexos tributários. Em sendo um critério subjetivo, cabe àquele que aplicar a norma a obrigação de encontrar evidências que levem à classificação contábil mais adequada às circunstâncias que se apresentarem. No caso em comento, a Fiscalização concluiu que havia a intenção de venda, com base nos seguintes documentos: "Termo de Adesão e Procuração à Oferta Pública de Distribuição Secundária de Ações da Bolsa de Mercadorias e de Futuros – BM&F S/A", "Termo de ReRatificação do Acordo de Acionistas da BM&F S/A" e "CartaMandato enviada à Bovespa pelo HSBC" (fls. 168 e 169). Portanto, não se baseou em "indícios e presunções", porém em documentos em que constam compromissos firmados pela Recorrente. E os fatos de o inc. IV do § 2° do art 3° da Lei n° 9.718/98 dispor que as contribuições não incidem sobre receita da venda de bens do ativo permanente e de o STF ter declarado a inconstitucionalidade do § 1° do art 3° da Lei n° 9.718/98, afastando o PIS e a COFINS das receitas que não sejam típicas da atividade do contribuinte, também não a socorrem. Conforme expus no tópico anterior, a Fiscalização concluiu tratarse de venda de direitos classificáveis no ativo circulante, cuja receita de venda era operacional, integrante do faturamento e, assim tributável para fins de PIS e COFINS. E chegou à tal conclusão, baseada nos compromissos de venda firmados pela Recorrente e de tratarse de instituição financeira, em cujo objeto social incluise este tipo de transação. Assim, também neste particular, andou bem a Fiscalização. Diferentemente do precedente desta 1ª Turma, não consta anexado aos autos nenhum instrumento particular de contrato que autorizasse a alienação, no âmbito da oferta inicial ou posteriormente. Não logrou êxito a fiscalização em diligenciar junto ao contribuinte autuado, à Bovespa/BM&F e à CETIP para anexar aos autos a comprovação da existência de instrumentos de assunção de encargos ou documentos equivalentes, firmados por estas entidades e a autuada, que impusessem a disponibilização de quantitativo mínimo de ações recebidas em devolução de capital para realização da oferta pública primária (IPO). Isso com Fl. 374DF CARF MF Processo nº 16327.720648/201629 Acórdão n.º 3301005.323 S3C3T1 Fl. 375 30 vistas a permitir o esclarecimento se as alienações lançadas neste auto de infração correspondem ao total alienado, à parcela mínima compromissada ou apenas à parte remanescente. Sendo assim, não há como se afirmar que as ações cujas vendas ocorreram nos anos de 2011 e 2012, foram negociadas anteriormente. A presunção neste caso não é admitida. Não há obviedade na intenção de alienação das ações, tratase de matéria sujeita à produção de prova pela autoridade fiscal. Isso porque a existência de compromisso de alienação das ações seria incompatível com a pretensa “intenção de permanência”. O desamparo de prova não permite se aferir a inadequação da contabilização efetuada pela Recorrente em ativo não circulante, motivo pelo qual são improcedentes as exigências de PIS e COFINS constituídas nos autos de infração. Conclusão Do exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 375DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.722514/2016-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DEPENDENTE
As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
Numero da decisão: 2002-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO INDEVIDA - DESPESA MÉDICA - DEPENDENTE As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 - Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 6. 72 25 14 /2 01 6- 30 Fl. 99DF CARF MF 2 Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 13 a 19), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a glosa de despesas médicas indevidamente deduzidas com dependentes. Tal autuação gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 788,91, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 a 09 dos autos, que, conforme decisão da DRJ: Depois da ciência, o Contribuinte impugna o lançamento e apresenta documentos comprobatórios, fls. 2/9. O Impugnante protesta pelo restabelecimento de todas as despesas glosadas, pois a depedente é filha incapacitada física ou mental para o trabalho. Menciona que os documentos apresentados comprovam o direito ao restabelecimento das despesas glosadas. Requer a procedência da Impugnação. A impugnação foi apreciada na 3ª Turma da DRJ/BSB que, por unanimidade, em 30/05/2017, no acórdão 0375.126, às efls. 41 a 44, julgou a impugnação improcedente. Recurso Voluntário Ainda inconformada, a contribuinte, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 51 a 95, no qual alega, em resumo, que a senhora Ana Cláudia Lelis Ferreira deve constar como dependente do contribuinte, vez que incapaz. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 14/07/2017, efls. 48, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 15/08/2017, efls. 51, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 100 3 As despesas com médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, seja para tratamento do próprio contribuinte ou de seus dependentes, desde que devidamente comprovadas, conforme artigo 8º da Lei nº 9.250/95 e artigo 80 do Decreto nº 3.000/99 Regulamento do Imposto de Renda/ (RIR/99): Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o ano calendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; : Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, inciso II, alínea "a"). §1ºO disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, §2º): I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento (grifos nossos) O trecho em destaque é claro quanto a idoneidade de recibos e notas fiscais, desde que preenchidos os requisitos legais, como meios de comprovação da prestação de Fl. 101DF CARF MF 4 serviço de saúde tomado pelo contribuinte e capaz de ensejar a dedução da despesa do montante de IRPF devido, quando da apresentação de sua DAA. O dispositivo em comento vai além, permitindo ainda que, caso o contribuinte tomador do serviço, por qualquer motivo, não possua o recibo emitido pelo profissional, a comprovação do pagamento seja feita por cheque nominativo ou extratos de conta vinculados a alguma instituição financeira. Assim, como fonte primária da comprovação da despesa temos o recibo e a nota fiscal emitidos pelo prestador de serviço, desde que atendidos os requisitos legais. Na falta destes, pode, o contribuinte, valerse de outros meios de prova. Ademais, o Fisco tem a sua disposição outros instrumentos para realizar o cruzamento de dados das partes contratantes, devendo prevalecer a boafé do contribuinte. Nesta linha, no acórdão 2001000.388, de relatoria do Conselheiro deste CARF José Alfredo Duarte Filho, temos: (...) No que se refere às despesas médicas a divergência é de natureza interpretativa da legislação quanto à observância maior ou menor da exigência de formalidade da legislação tributária que rege o fulcro do objeto da lide. O que se evidencia com facilidade de visualização é que de um lado há o rigor no procedimento fiscalizador da autoridade tributante, e de outro, a busca do direito, pela contribuinte, de ver reconhecido o atendimento da exigência fiscal no estrito dizer da lei, rejeitando a alegada prerrogativa do fisco de convencimento subjetivo quanto à validade cabal do documento comprobatório, quando se trata tão somente da apresentação da nota fiscal ou do recibo da prestação de serviço. O texto base que define o direito da dedução do imposto e a correspondente comprovação para efeito da obtenção do benefício está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Lei nº 9.250/95. (...) É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (dedução tributação). Ou seja: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 101 5 para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, neste caso, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Somese a isso a realidade de que o órgão fiscalizador tem plenas condições e pleno poder de fiscalização, na questão tributária, com absoluta facilidade de identificação, tão somente com a informação do CPF ou CNPJ, sobre a outra banda da relação pagador recebedor do valor da prestação de serviço. O dispositivo legal (inciso III, do § 1º, art. 80, Dec. 3.000/99) vai além no sentido de dar conforto ao pagador dos serviços prestados ao prever que no caso da falta da documentação, assim entendido como sendo o recibo ou nota fiscal de prestação de serviço, poderá a comprovação ser feita pela indicação de cheque nominativo pelo qual poderia ter sido efetuado o pagamento, seja por recusa da disponibilização do documento, seja por extravio, ou qualquer outro motivo, visto que pelas informações contidas no cheque pode o órgão fiscalizador confrontar o pagamento com o recebimento do valor correspondente. Além disso, é de conhecimento geral que o órgão tributante dispõe de meios e instrumentos para realizar o cruzamento de informações, controlar e fiscalizar o relacionamento financeiro entre contribuintes. O termo “podendo” do texto legal consiste numa facilitação de comprovação dada ao pagador e não uma obrigação de fazêlo daquela forma." Ainda, há várias outras jurisprudências deste Conselho que corroboram com os fundamentos até então apresentados: Processo nº 16370.000399/200816 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2001000.387 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 18 de abril de 2018 Matéria IRPF DEDUÇÃO DESPESAS MÉDICAS Recorrente FLÁVIO JUN KAZUMA Fl. 103DF CARF MF 6 Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS. AUSÊNCIA DE INDÍCIOS QUE JUSTIFIQUEM A INIDONEIDADE DOS COMPROVANTES. Recibos de despesas médicas têm força probante como comprovante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. A glosa por recusa da aceitação dos recibos de despesas médicas, pela autoridade fiscal, deve estar sustentada em indícios consistentes e elementos que indiquem a falta de idoneidade do documento. A ausência de elementos que indique a falsidade ou incorreção dos recibos os torna válidos para comprovar as despesas médicas incorridas. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. RECONHECIMENTO DO DÉBITO. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo contribuinte. Processo nº 13830.000508/200923 Recurso nº 908.440 Voluntário Acórdão nº 220201.901 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de julho de 2012 Matéria Despesas Médicas Recorrente MARLY CANTO DE GODOY PEREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 DESPESAS MÉDICAS. RECIBO. COMPROVAÇÃO. Recibos que contenham a indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem prestou os serviços são documentos hábeis, até prova em contrário, para justificar a dedução a título de despesas médicas autorizada pela legislação. Os recibos que não contemplem os requisitos previstos na legislação poderão ser aceitos para fins de dedução, desde que seja apresenta declaração complementando as informações neles ausentes. Com relação aos dependentes, o artigo 77 do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto nº 3.000/99), assim dispõe: Art. 77. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto, poderá ser deduzida do rendimento tributável a quantia equivalente a noventa reais por dependente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 4º, inciso III). Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13116.722514/201630 Acórdão n.º 2002000.371 S2C0T2 Fl. 102 7 § 1º Poderão ser considerados como dependentes, observado o disposto nos arts. 4º, § 3º, e 5º, parágrafo único (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35): I o cônjuge; II o companheiro ou a companheira, desde que haja vida em comum por mais de cinco anos, ou por período menor se da união resultou filho; III a filha, o filho, a enteada ou o enteado, até vinte e um anos, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; IV o menor pobre, até vinte e um anos, que o contribuinte crie e eduque e do qual detenha a guarda judicial; V o irmão, o neto ou o bisneto, sem arrimo dos pais, até vinte e um anos, desde que o contribuinte detenha a guarda judicial, ou de qualquer idade quando incapacitado física ou mentalmente para o trabalho; VI os pais, os avós ou os bisavós, desde que não aufiram rendimentos, tributáveis ou não, superiores ao limite de isenção mensal; VII o absolutamente incapaz, do qual o contribuinte seja tutor ou curador. (grifos nossos). § 2º Os dependentes a que referem os incisos III e V do parágrafo anterior poderão ser assim considerados quando maiores até vinte e quatro anos de idade, se ainda estiverem cursando estabelecimento de ensino superior ou escola técnica de segundo grau (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 1º). § 3º Os dependentes comuns poderão, opcionalmente, ser considerados por qualquer um dos cônjuges (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 2º). § 4º No caso de filhos de pais separados, poderão ser considerados dependentes os que ficarem sob a guarda do contribuinte, em cumprimento de decisão judicial ou acordo homologado judicialmente (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 3º). § 5º É vedada a dedução concomitante do montante referente a um mesmo dependente, na determinação da base de cálculo do imposto, por mais de um contribuinte (Lei nº 9.250, de 1995, art. 35, § 4º). A DRJ glosou as despesas médicas com dependente sob fundamento de que o contribuinte não comprovou a condição de tutor ou curador da dependente, absolutamente incapaz. Contudo, conforme às efls. 07 há certidão de nascimento confirmando que a senhora Ana Cláudia Lelis Ferreira é filha do contribuinte. Fl. 105DF CARF MF 8 Ainda, às efls. 74 há documento do INSS constatando a incapacidade laborativa de sua filha, motivo pelo qual a possível dedução das despesas médicas conforme artigo 77, III acima destacado. Diante do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito darlhe provimento para reconhecer a condição de dependente e afastar a glosa das despesas médicas. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.722394/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PER/DCOMP SALDO NEGATIVO. COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DOS VALORES COMPROVADOS.
Na análise de saldo negativo de IRPJ o valor do crédito em favor do contribuinte decorre da comprovação dos valores de composição efetivamente aferidos em diligência determinada por este CARF. Reconhecimento parcial das parcelas efetivamente comprovadas.
Numero da decisão: 1401-002.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento parcial ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO. RECONHECIMENTO DOS VALORES COMPROVADOS. Na análise de saldo negativo de IRPJ o valor do crédito em favor do contribuinte decorre da comprovação dos valores de composição efetivamente aferidos em diligência determinada por este CARF. Reconhecimento parcial das parcelas efetivamente comprovadas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade dar provimento parcial ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Abel Nunes de Oliveira Neto, Livia De Carli Germano, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 72 23 94 /2 01 1- 18 Fl. 1477DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.478 2 Zanin, Sergio Abelson (suplente convocado), Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga e Luiz Augusto de Souza e Gonçalves (Presidente). Relatório Tendo em vista que o processo, após iniciado o julgamento no âmbito deste CARF, teve o julgamento convertido em diligência, tendo sido baixado à Delegacia de Origem, peço a devida venia aos ilustres colegas de turma para transcrever o relatório que consta da referida resolução de conversão. Tratase de pedido de compensação de créditos decorrentes de suposto saldo negativo de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ do ano calendário de 2004, com valor original de R$ 25.045.033,45, controlados por meio de processos de cobranças de n°10805.722397/201143, n° 10805.722400/2011 29 e n°10735.722517/201183, conforme extratos de fls.168/180. Conforme se denota nas Declarações de Compensação (fls.168/180)a empresa Recorrente “Via Varejo S/A”, atualmente denominada de “GLOBEX UTILIDADES S/A”realizou diversas compensações que foram parcialmente reconhecidas pela autoridade fiscal que chancelou a existência de saldo negativo no montante de R$ 2.252.719,23. Em seu despacho decisório de fls. 401/407, a autoridade esclareceu que sua análise focou em dois pontos, conforme segue: O primeiro enfoque dizia respeito à verificação de comprovação de retenção de tributos analisadas por meio de DIRF’s transmitidas ou comprovantes emitidos pelas fontes pagadoras, nos termos do artigo 943, § 2° do Decreto n. 3000/99, bem como da verificação de declaração de tais retenções por meio de DIPJ. Assim, em primeiro lugar, a autoridade fiscal constatou que dos R$ 25.104.024,97 declarados como passíveis de dedução de imposto devido, R$ 22.742.280,50 foram reconhecidos pelos sistemas da RFB ou por meio de comprovantes anuais. Após essa conclusão inicial, a autoridade fiscal passou a verificar se os rendimentos que sofreram retenção de imposto de renda na fonte foram incluídos na DIPJ de 2005. Para tanto, dividiu a análise em rendimentos financeiros e não financeiros. Com relação aos rendimentos não financeiros (fls. 404, quadro II), do total de R$ 266.417,63 declarados como valores retidos de Imposto de Renda(IRRF) somente R$ 112.219,39 foram confirmados por meio de DIRF’s transmitidas Fl. 1478DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.479 3 por meio de fontes pagados, não apresentando o contribuinte qualquer comprovante capaz de elidir a conclusão da autoridade fiscal. Já com relação aos rendimentos financeiros, entendeu a autoridade tributária que do total de receitas financeiras de R$ 118.750.879,07, a que seria correspondente o valor de R$ 23.750.175,81 de IRRF aproveitados, apenas R$ 39.117.587,33 haviam sido oferecidos à tributação. Assim, o saldo negativo foi recomposto pela autoridade administrativa, tendo sido reconhecido apenas o montante de R$ 2.252.719,23, resultando, portanto, numa glosa R$ 22.792.314,22. O contribuinte tomou ciência da decisão em 15/12/2012 (fls. 409/410), apresentando manifestação de inconformidade tempestiva (fls. 412/431), na qual alegou, primeiramente a ocorrência da homologação tácita das seguintes Declarações de Compensação: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Em seguida, contestou a conclusão da autoridade fiscal de que parte das receitas financeiras não haviam sido oferecidas à tributação. Segundo ele, os rendimentos financeiros a que se referia o IRRF no valor total de R$ 21.860.912,48 vinham sendo oferecidos à tributação desde o anocalendário de 2001, ocasião em que foram firmados contratos de investimento com instituições financeiras, sendo todas as apropriações declaradas nos livros razão dos anos de 2001 a 2004. Afirmou também que somente em 2004 tais receitas sofreram retenção, pois haviam sido cedidas a terceiros (empresa Vale Couros Trading S/A). Desta forma, entende ter comprovado o oferecimento destes rendimentos à tributação, rendimentos estes que originaram o IRRF deduzido do IR devido de 2004, principal elemento na constituição do Saldo Negativo em questão. Os julgadores da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Campinas acordaram, por unanimidade, em considerar procedente em parte a manifestação de inconformidade. Para tanto, consideraram homologadas por decurso de prazo as Declarações de Compensação de abaixo transcritas tendo em vista que entre a data da ciência do Despacho Decisório (ocorrida em 15/10/2012) e a transmissão das declarações (ocorridas até 25/04/2007) transcorreram mais de cinco anos. Assim, foram homologadas as seguintes declarações: 11878.79221.220307.1.7.028268; 42805.49095.220307.1.7.025512; 29946.94901.220307.1.7.029246; 20250.86762.220307.1.7.029597; Fl. 1479DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.480 4 20708.62286.220307.1.7.028027; 37973.92071.220307.1.7.020442; 08679.66132.220307.1.7.026870; 19731.78982.250407.1.3.026968. Com relação ao mérito, propriamente dito, afirmou aquela Delegacia de Julgamento que apesar de plausível o argumento de que somente no momento do resgate, transferência ou repactuação é que há retenção de IR nos investimentos financeiros, o Contribuinte não apresentou documentação satisfatória para comprovar a sua tese. Apesar disso, a DRJ buscou nos bancos de dados da RFB as DIPJ’s elaboradas pelo contribuinte desde 2001, a fim de verificar se os investimentos haviam sido informados pelo Contribuinte. E a conclusão a que chegou a DRJ é a de que os valores declarados, em especial na linha “outras receitas Financeiras”é bem superior ao valor informado pelo contribuinte como valor de aplicação financeira. Tais valores, porém, não permitem que se chegue a nenhuma conclusão, pois da mesma forma que os rendimentos questionados poderiam estar inseridos nas declarações, outros rendimentos que não dizem respeito ao presente processo poderiam ser os responsáveis pelos somatórios declarados na DIPJ. Assim, concluindo que o contribuinte não juntou provas suficientes, indeferiu a DRJ o direito creditório e deixou de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616; 28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Por sua vez, o contribuinte apresentou recurso voluntário pugnando pelo reconhecimento creditório. Nesta fase recursal, alega que teve bastante dificuldades de provar suas alegações, em razão de processos de fusões e aquisições sofridos pela empresa e que dificultaram a obtenção de documentos. Porém, pugna pelo princípio da verdade material para requerer a análise de documentos apresentados após a elaboração da impugnação. Requer também a conversão do julgamento em diligência, nos termos do artigo 18 do Decreto 70.235/72 para verificar a comprovação documental das declarações realizadas. No mérito, propriamente dito reitera as alegações realizadas em primeira instância afirmando que o IRRF aproveitado na formação do saldo negativo provém de receitas financeiras decorrentes de cessão de sete títulos de CDB, ressaltando que as cessões ocorreram em 2004 e a aquisição dos títulos ocorreu em 2001. Afirma que todas as alegações estão lastreadas nos livros razões os quais foram anexados e que todos foram oferecidos à tributação. Fl. 1480DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.481 5 Com base neste relatório foi convertido o julgamento em diligência a fim de devolver o processo à Delegacia de Origem para a análise da documentação apresentada pelo contribuinte e que não havia sido objeto de análise na decisão da manifestação de inconformidade. Antes mesmo de propor solução do mérito, fazse necessário apreciar a documentação de comprovantes sobre IRRF e outros elementos oferecidos para análise da conta “outras Receitas Financeiras” com o recurso voluntário, uma vez pertinentes ao pedido original do presente processo e que, alegando insuficiência de demonstração não foram apreciados pela autoridade julgadora de primeira instância, deixando de homologar as seguintes declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Como se tratam de elementos subsidiários relevantes para o conhecimento efetivo da completude dos fatos inicialmente já oferecidos pela Recorrente, é de se propor a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade de origem, conferindo a veracidade da documentação juntada e a pertinência a justificar as declarações supra citadas, emita seu parecer conclusivo sobre a procedência legitimadora, ou não, dos documentos suplementares juntados e acolhidos nesta instância recursal, para efeito de decomposição das receitas financeiras e constatação da correção, ou não, do pedido da Recorrente, no que se refere as declarações: 31063.37731.100210.1.3.027616;28530.82004.100210.1.3.020013; 12135.49796.230210.1.3.021756 e 35863.04507.240210.1.7.029681. Abrase vista para a Recorrente, depois, pelo prazo de 30 (trinta) dias. Após o que, retorne os autos com as conclusões e prosseguimento do julgamento. Na realização da diligência a empresa foi intimada a apresentar documentos comprobatórios do direito de crédito que alega possuir. Respondeu apresentado as justificativas e documentação a fim de demonstrar que os valores das receitas financeiras foram efetivamente oferecidos à tributação em anos anteriores. De posse da documentação apresentada e dos dados do processo a fiscalização emitiu informação fiscal na qual reconheceu a maior parte do crédito, de acordo com o demonstrado nos registros contábeis da empresa nos seguintes termos: Fl. 1481DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.482 6 1. Do I mposto de R enda R etido na F onte pela P essoa J urídica Vale Couros Trading S/A – CNPJ 91.489.542/000125 ............. No Recurso Voluntário, a interessada apresentou as planilhas de fls.930/935 e os razões contábeis de fls.986/1.107, referentes ao período de novembro de 2001 a dezembro de 2004. Após serem confrontados os valores constantes das planilhas com os valores constantes dos razões contábeis e ainda, com os valores constantes do Livro Diário referente aos meses de janeiro a junho de 2004 (fls.1.338/1.387), nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados, devendo o IRRF anteriormente glosado, no valor de R$ 16.003.208,83, ser incluído na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. 2. Do Imposto de Renda Retido na Fonte pela Pessoa Jurídica Banco Citibank S/A – CNPJ 33.479.023/000180 .......... No Recurso Voluntário, a interessada apresentou a planilha de fls.939/941 e os razões contábeis de fls.1.114/1.137, referentes ao período de março de 2002 a dezembro de 2004. Após serem confrontados os valores constantes da planilha com os valores constantes dos razões contábeis e ainda, com os valores constantes do Livro Diário referente aos meses de janeiro a junho de 2004 (fls.1.338/1.387), nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados, devendo o IRRF anteriormente glosado, no valor de R$ 5.204.564,39, ser incluído na apuração do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2004. E ao final concluiu que: 3. Conclusão Com a inclusão do valor de R$ 21.207.773,22 (R$ 16.003.208,83 + R$ 5.204.564,39) relativo ao IRRF, o saldo negativo de IRPJ de 31.12.2004, foi recalculado, resultando no valor de R$ 23.460.492,45: Fl. 1482DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.483 7 A diferença de R$ 1.584.541,00 entre o valor do saldo negativo de IRPJ encontrado (R$ 23.460.492,45) e o valor pleiteado pela interessada (R$ 25.045.033,45) consiste nas seguintes parcelas: • R$ 1.430.342,73 referentes à diferença entre o IR retido na fonte pela empresa Banco Citibank S/A, declarado pela interessada na Ficha 53 da DIPJ 2005 (R$ 6.634.907,12) e o valor informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 5.204.564,39); • R$ 154.198,24 referentes ao IR retido na fonte sobre receitas não financeiras, não comprovado em DIRF, conforme discriminado nos quadros I e II do Despacho Decisório de fls.401/407. Diante do exposto, tendo sido prestadas as informações solicitadas, proponho o retorno do presente processo ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para prosseguir o julgamento. Cientificado das informações apresentadas em diligência o contribuinte se manifestou, requerendo o reconhecimento de um valor um pouco maior relativo aos rendimentos do Citibank. Assim se pronunuciou: É o relatório. Fl. 1483DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.484 8 Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto O recurso é tempestivo, assim dele tomo conhecimento. Na análise do presente processo verificase que, com a realização da diligência determinada pela antiga turma julgadora do CARF, foram esclarecidos praticamente todas as dúvidas antes existentes no processo. Após a realização da diligência a fiscalização da receita federal reconheceu os seguintes valores em favor do contribuinte de acordo com o verificado nos livros e registros contábeis do contribuinte: Em relação a dois itens, abaixo discriminados, a fiscalização deixou de reconhecer integralmente o valor pleiteado pela empresa em razão de entender que, dos registros contábeis apresentados, não constavam os valores de retenção e oferecimento à tributação pretendidos pela empresa. Segue o texto da fiscalização: A diferença de R$ 1.584.541,00 entre o valor do saldo negativo de IRPJ encontrado (R$ 23.460.492,45) e o valor pleiteado pela interessada (R$ 25.045.033,45) consiste nas seguintes parcelas: • R$ 1.430.342,73 referentes à diferença entre o IR retido na fonte pela empresa Banco Citibank S/A, declarado pela interessada na Ficha 53 da DIPJ 2005 (R$ 6.634.907,12) e o valor informado em DIRF pela fonte pagadora (R$ 5.204.564,39); • R$ 154.198,24 referentes ao IR retido na fonte sobre receitas não financeiras, não comprovado em DIRF, conforme discriminado nos quadros I e II do Despacho Decisório de fls.401/407. Fl. 1484DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.485 9 A recorrente, tomando conhecimento da informação apresentada pela fiscalização pretende aumentar o valor do crédito reconhecido apenas em relação ao Banco Citibank, para o montante de R$ 5.462.113,32, por alegar que, conforme os anexos de números 32 a 41 do recurso voluntário os valores dos créditos estariam devidamente comprovados. Assim, a dúvida em relação aos valores reconhecidos pela fiscalização e o pretendido pelo recorrente prendese apenas por mais de R$ 250.000,00 de IRRF que a empresa alega estar comprovado. Para se evitar novo envio à diligência, possuindo conhecimentos neste tipo de assunto, analisei a documentação constante dos anexos 32 a 41 do recurso voluntário. Constatei que no anexo 31 a recorrente apresenta contrato firmado com o Banco Citibank relativo à proteção cambial relativa à contratos de emissão de Fixed Rate Notes (FRN's) que deveriam ser pagos pela empresa. Assim, em tese, os valores dos rendimentos auferidos pela empresa em relação a este contrato decorreriam dos ganhos de variação cambial do contrato firmado. Ora, consultando os anexos informados pela empresa verificase que constavam não só anexos com contas do razão relativas à ganhos cambiais, como também contas relativas a ganhos com juros e rendimentos de aplicação financeira de renda fixa. Mais ainda, compulsando os referidos anexos, que não contém muitas páginas, não se consegue determinar o montante do rendimento e retenções na fonte que o contribuinte alega existirem e comprovarem seu direito. Existem apenas diversas totalizações de valores que não conferem, no somatório, com os rendimentos e retenções pretendidos pela empresa. Assim, não existindo a efetiva comprovação clara dos valores de retenção e respectiva tributação de rendimentos da forma como pretendida pela empresa, entendo que deve prevalecer o valor de crédito informado pela fiscalização em sua diligência. Destaquese que, em sede de sustentação oral o patrono do recorrente indicou que o valor do crédito, neste caso, poderia ser apurado pela aplicação da alíquota do imposto proporcionalmente aos valores totais tributados/retidos. Em razão desta argumentação há de se indicar, conforme já apresentado quando do julgamento, que as retenções na fonte não podem ser apuradas desta forma. Presumese, de antemão, que as alíquotas aplicadas pelas instituições financeiras são fixas e, assim, aplicandose a alíquota às retenções obterseia a proporção ideal do valor das retenções. Infelizmente não é bem isso o que ocorre na prática. Diversos são os casos em que as alíquotas aplicadas pelas instituições para as retenções na fonte variam. Por isso, e de acordo com as normas do Regulamento do Imposto de Renda, exigese que os valores de retenção na fonte utilizados pela empresa na composição dos créditos (dedução do IR devido) sejam baseados nos comprovantes de rendimentos apresentados pelos beneficiários. Não havendo comprovante específico no caso que abarque todo o valor apresentado pela empresa, os registros contábeis tanto do oferecimento da renda, quanto das retenções a eles relativas tem de apresentar, sem qualquer dúvida, os exatos valores computados pela empresa, sob pena de não reconhecimento da parcela do direito que não restar comprovada, como ocorreu, em parte, no presente caso. Fl. 1485DF CARF MF Processo nº 10805.722394/201118 Acórdão n.º 1401002.978 S1C4T1 Fl. 1.486 10 Desta forma, oriento meu voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso a fim de reconhecer o direito de crédito relativo ao saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2004, no montante de R$ 23.460.492,45, já estando incluído neste valor os créditos reconhecidos anteriormente pelas Delegacia de Origem e de Julgamento. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 1486DF CARF MF
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