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Numero do processo: 10469.721561/2012-44
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário.
PROVA PERICIAL. Deve-se negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%.
Numero da decisão: 1103-000.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial, por maioria, para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento.
Assinado Digitalmente
Aloysio José Percínio da Silva Presidente
Assinado Digitalmente
Fábio Nieves Barreira Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: FABIO NIEVES BARREIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008, 2009 SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário. PROVA PERICIAL. Deve-se negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%.
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A suspensão da exigibilidade do crédito tributário, na hipótese de existência de reclamações e recursos, previsto no art. 151 do Código Tributário Nacional, não se aplica aos processos de exclusão do Simples, quando, neste, a autoridade fiscal não constituir o crédito tributário. PROVA PERICIAL. Devese negar o pedido de produção de prova pericial, quando não preenchidos os requisitos do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. QUALIFICAÇÃO DA MULTA. Não se justifica a aplicação da multa de 150%, diante da simples falta de informações fiscais. A jurisprudência pacífica desta Corte, já sumulada, impõe, nestes casos, a redução da multa ao patamar de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, dar provimento parcial, por maioria, para reduzir a multa de ofício ao seu percentual ordinário de 75%, vencidos os Conselheiros André Mendes de Moura e Aloysio José Percínio da Silva, que negaram provimento. Assinado Digitalmente Aloysio José Percínio da Silva– Presidente Assinado Digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 15 61 /2 01 2- 44 Fl. 467DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 468 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo Martins Neiva Monteiro, Roberto Armond, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Gilberto Baptista e Aloysio José Percínio da Silva. Relatório No Relatório Fiscal de fls. 299 a 302, certifica a autoridade fiscal que: a) a recorrente tem atividade cadastrada no CNAE: 8211300 Serviços combinados de escritório e apoio administrativo, e, na prática, faz intermediação de negócios, fazendo empréstimos a funcionários públicos e aposentados do INSS; b) a recorrente, em 09/09/2011, foi intimada, por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal, a apresentar livros Caixa, Diário, Razão e de Registro de Apuração do ISS, sem prejuízo do contrato social e alterações, bem como comprovantes de retenção de IR, CSLL, PIS e COFINS. Todavia, limitouse a exibir, em 29/09/2011, livros de Registro de Apuração do ISS de 2008 e 2009, cópia de Requerimento de Empresário. Informou, contudo, que não localizou o livro Caixa, além disso, os comprovantes de retenção dos tributos solicitados não foram disponibilizados pelas fontes pagadoras; c) em 05/10/2011 informou a contribuinte, que nas dependências da empresa não encontrou livro Caixa e como optante do Simples Nacional está dispensada das retenções na fonte; d) foi solicitada ao Banco Mercantil do Brasil – BMB em 13/09/2011 a relação dos valores pagos de janeiro/2008 a dezembro/2009 à recorrente pelos serviços prestados, cópias dos contratos e nome do responsável/preposto da contribuinte, com quem eram tratados os negócios; e) o BMB apresentou em 06/10/2011 relação dos pagamentos efetuados à recorrente, cópia do contrato de prestação de serviços e informou que a contribuinte era representada por Nelle Cristina Garcia dos Santos; f) a recorrente omitiu receitas de julho a dezembro de 2008 e janeiro a dezembro de 2009, apuradas pela comparação dos valores escriturados nos Livros de Registro de Apuração do ISS e nas Declarações Anuais do Simples Nacional com os valores pagos/creditados pelo BMB, conforme relação de pagamentos efetuados e retenção do imposto de renda na fonte, notas fiscais e recibos apresentados pela fonte pagadora relativos aos anos calendário de 2008 e 2009; g) por não apresentar o livro Caixa e devido à prática reiterada de infração à legislação, foi excluída do Simples Nacional com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2008, conforme Ato Declaratório Executivo DRF/NAT nº 5, de 16 de fevereiro de 2012, do qual foi cientificada em 23/02/2012, conforme Termo anexo, e de que poderia apresentar manifestação de inconformidade no prazo de 30 dias e de que se sujeitaria às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas a partir dos efeitos da exclusão, e que poderia optar pelo IRPJ e CSLL na forma do lucro presumido ou lucro real trimestral ou anual; Fl. 468DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 469 3 h) foi intimada a qual a sua opção pela forma de tributação do IRPJ e CSLL para os exercícios de 2009 e 2010, apresentar livros Caixa (se optou pelo lucro presumido), ou livros Diário e Razão (se optou pelo lucro real), DCTF 1o e 2o semestres de 2098 e 2009, tendo vencido o prazo da intimação em 26/03/2012, tendo a recorrente solicitado prorrogação de prazo até 02/04/2012, que lhe foi concedida, tendo tal prazo vencido sem que a contribuinte apresentasse os livros e documentos solicitados; i) foi intimada em 02/05/2012 a apresentar talonário de notas fiscais de 2008 e 2009 e em resposta informou que “não foi possível” localizálos; j) em 21/05/2012 o BMB foi cientificado de solicitação das notas fiscais originais de aquisição de serviços prestados pela empresa N C MOURA GARCIA DOS SANTOS ME, CNPJ 03.672.214/000100, no período de janeiro de 2008 a dezembro de 2009; l) em resposta, o BMB apresentou, em 05/06/2012, a Relação de Pagamentos Efetuados a N C Moura Garcia dos Santos ME, e as respectivas notas fiscais e recibos, conforme relação e cópias em anexo; m) comparando os valores das notas fiscais e recibos fornecidos pelo Banco Mercantil do Brasil com os valores escriturados pela contribuinte no livro de Registro de Prestação de Serviços e nas Declarações Anuais do Simples Nacional, dos anos calendário de 2008 e 2009, constatouse que a recorrente escriturou apenas uma pequena parte do valor de cada nota fiscal/recibo, conforme TABELA 6 DIFERENÇA ENTRE OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS E OS VALORES ESCRITURADOS, REFERENTES AOS SERVIÇOS PRESTADOS AO BMB, em anexo. Em decorrência, foi lavrado o auto de infração com a fundamentação abaixo descrita: “baseado nas notas fiscais e recibos, emitidos pela contribuinte, que nos foram apresentadas pela fonte pagadora, Banco Mercantil do Brasil S/A, nos Livros de Registro de Prestação de Serviços da contribuinte e nas Declarações Anuais do Simples Nacional, dos anoscalendário de 2008 e 2009, efetuamos o lançamento constante dos autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, com base no lucro arbitrado, conforme demonstrativos de apuração do imposto e das contribuições, que são parte dos autos, eTABELA 1 DEMOSTRATIVO DAS RECEITAS APURADAS, TABELA 2 –DETALHAMENTO DA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS 2008, TABELA 3 DETALHAMENTO DA APURAÇÃO DO PIS E DA COFINS 2009, TABELA 4 DEMOSTRATIVO DO IRPJ APURADO, TABELA 5 DEMOSTRATIVO DA CSLL APURADA e TABELA 6 – DIFERENÇA ENTRE OS VALORES DAS NOTAS FISCAIS E OS VALORES ESCRITURADOS, REFERENTES AOS SERVIÇOS PRESTADOS AO BMB, todos em anexo, tendo sido deduzidos o imposto de renda retido na fonte, como se pode verificar no Demonstrativo de Apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica Lucro Arbitrado, constante do auto de infração do IRPJ, assim como os pagamentos de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS efetuados através de DAS (documento de arrecadação simplificada), conforme TABELAS 7 DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DOS VALORES PAGOS PELO SIMPLES 2008 e TABELA 8 DEMONSTRATIVO DA PARTILHA DOS VALORES PAGOS PELO SIMPLES 2009, em anexo, e demonstrativos de apuração do IRPJ, da CSLL, do PIS e da COFINS, constantes dos respectivos autos de infração” Fl. 469DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 470 4 (...) “Neste processo o PIS e a COFINS foram lançados apenas sobre as receitas omitidas, como reflexo do IRPJ, tendo sido cadastrado o processo n° 10469.723843/201286, para o lançamento dessas contribuições, em relação às receitas escrituradas e não declaradas”; (...) “Considerando que a conduta praticada pela contribuinte se constitui, em tese, crime contra a ordem tributária, formalizamos o processo administrativo n° 10469.726191/201231, com a lavratura da representação fiscal para fins penais, de que trata o art. 1o. da Portaria RFB n° 2439, de 21 de dezembro de 2010, e qualificamos a multa de lançamento de ofício sobre às receitas omitidas, nos termos do art. 44, §§ 1o e 2o da Lei 9.430/96”. A recorrente ofertou impugnação, a qual foi julgada improcedente, conforme ementa abaixo (fls. 354). Foi interposto Recurso Voluntário (fls. 420), com os seguintes argumentos: i) ser optante do SIMPLES NACIONAL, excluída por força do Ato Declaratório Executivo n° 5, de 16 de fevereiro de 2012, cujo efeito retroagiu a 1o de janeiro de 2008. Entretanto, o ato de exclusão foi impugnado, por meio da manifestação de inconformidade, em anexo, pendente de julgamento. A Resolução CGSN n° 15, de 23 de julho de 2007 determina que o ato de exclusão poderá ser impugnado pelo sujeito passivo, momento em que, o ato de exclusão só poderão gerar efeitos após decisão desfavorável contra o contribuinte, i.é., apenas após a conclusão do processo administrativo é que será possível ao contribuinte exercer seu direito de apurar o tributo utilizando outra modalidade de recolhimento tributário (lucro presumido ou real) podendo pagar o tributo no prazo de 30 dias a contar da data de intimação da decisão que confirma o ato de exclusão. Por essa razão, o ato declaratório executivo de exclusão está com seus efeitos suspensos, implicando na nulidade do arbitramento, em razão do princípio do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa; ii) há defeito no lançamento tributário vez que não motivado o lançamento de ofício com base no lucro arbitrado, visto que não desclassificada a escrita fiscal da recorrente; iii) inexistência de fundamento legal para a aplicação da multa de no percentual de 150%, pois o contribuinte entregou a obrigação acessória corrigida, como exigida pela autoridade fiscal, descaracterizando o elemento subjetivo do dolo e da intenção de fraudar o fisco federal, configurando, apenas, erro de direito. Ademais, a multa nesse patamar seria confiscatória; iv) esclarece a recorrente que a sua receita deve ser considerada com os descontos dos valores de repasse à terceiros, já que sua atividade é de intermediação, e, portanto, nem todos os valores que transitam pela sua escrita contábil constituem renda ou serviços seus”; Fl. 470DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 471 5 v) diz ainda, sobre o seu negócio, que cabe à recorrente selecionar para as instituições financeiras os agentes (vendedores) que formam equipes de vendedores autônomos (denominados vulgarmente de pastinhas) que captam consumidores dos serviços bancários das instituições financeiras, após o que os “pastinhas” “encaminham, semanalmente, a produção aos vendedores, contratados pela contribuinte”. De posse dos documentos dos consumidores dos serviços bancários, a contribuinte averigua os dados e documentos coletados pelos agentes vendedores e pastinhas para formalizar o contrato bancário. Pela prestação de serviços de processamento de informações/dados, ganha uma comissão, sendo essa a sua receita e sua atividade é abrangida pelo sistema simplificado de recolhimento de tributos. Assim, pelo “contrato de prestação de serviços firmando com a instituição financeira, a contribuinte é obrigada a repassar comissões relativas a prestação de serviços dos agentes (vendedores sub contratados sob supervisão das instituições financeiras) e dos agentes subordinados a estes, denominado pastinhas”, mas “as instituições financeiras no intuito de simplificar os procedimentos, centralizam o pagamento das comissões pela prestação de serviços, em uma única pessoa, a contribuinte”, ocorrendo de “valores que não compõem receita ou renda da contribuinte transitam em suas contas bancárias e escrita contábil por força do contrato de prestação de serviços ... com as instituições bancárias; vi) esclarece que sua atividade é regulada por Resoluções Bacen n°.s 3.110 e 3.156, de 2003, que autorizavam, os correspondentes bancários, prestar serviços de ordens de pagamentos, pedidos de empréstimos e financiamentos, análise de crédito e cadastro, serviços de cobranças, e, atividades de processamento de dados, atuando sob as diretrizes da instituição financeira bancárias que a contrata conforme art. 2o da Resolução n°. 3.954, de 24 de fevereiro de 2011; vii) além disso, diz que a Resolução BACEN n°. 3.954/2011 enfatizando que esta “prevê que os correspondentes bancários tal como a contribuinte, atuam por conta e diretrizes da instituição bancária contratante, que assume inteira responsabilidade pelo cumprimento da legislação relativa às transações”, sendo “tais fatos ignorados pela autoridade fiscal mesmo diante dos documentos contábeis que teve acesso”, os quais “consubstanciam prova negativa do intuito de fraude”; viii) portanto, o lançamento tributário deve ser anulado face ter apurado como receitas verbas que não consubstanciam resultado de venda e/ou prestação de serviços da contribuinte, tendo a contribuinte atuado por mandato, a conta e ordem da instituição financeira”. Isto porque a autoridade fiscal entendeu como receita a soma dos valores das notas fiscais apresentadas à fiscalização; ix) conforme a recorrente, não se trata de omissão de receita, mas erro de direito do contribuinte e, sendo assim, não se aplica o art. 42 da Lei 9.430/96 que prevê que somente caracteriza omissão de receita ou rendimentos os valores para os quais não se comprove a idoneidade da origem dos recursos, fato que não se aplica aos valores pertencentes a terceiros; x) defende, aplicandose por analogia, a Instrução Normativa SRF n° 152, de 16 de dezembro de 1998, alterada pela IN SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002, que dispõe que “a determinação da base de cálculo de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, relativamente às operações com veículos usados”, o que implicaria em reconhecer que nas operações de intermediação da atividade econômica a Fl. 471DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 472 6 tributação se daria apenas sobre a diferença entre o valor de venda e o custo de aquisição do bem ou mercadoria; xi) produção de prova pericial; e xii) pede a improcedência do lançamento de ofício, ou, no entendimento diverso, a requalificação da penalidade. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Fábio Nieves Barreira Fl. 472DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 473 7 I. PRELIMINARMENTE PENDÊNCIA DE DECISÃO ADMINISTRATIVA SOBRE EXCLUSÃO DO SIMPLES O art. 142 do CTN diz que cabe à autoridade administrativa constituir o crédito tributário. De outro lado, o art. 151, do CTN, determina que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, entre outras hipóteses, as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo. Veja que o art. 151, do CTN, não suspende o direito do Ente Político de constituir o crédito tributário, mas de cobrálo, na pendência do processo administrativo. Por essa razão, a existência de processo administrativo de exclusão de Simples, não tem o condão de inibir a autoridade administrativa de constituir o crédito tributário, nos termos do art. 142, CTN. Nesse sentido, já se pronunciou o CARF: “SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Exercício: 2006, 2007 e 2008 EXCLUSÃO DO SIMPLES E DO SIMPLES NACIONAL. A pessoa jurídica que incorrer nas hipóteses de prática reiterada dolosa de infração à legislação tributária deve ser excluída de ofício do Simples e/ou do Simples Nacional, cujos efeitos começam a operar a partir, inclusive, do mês de ocorrência da infração. SIMPLES. EXCLUSÃO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. EFEITO SUSPENSIVO No âmbito do processo administrativo, o efeito suspensivo não se presume, deve estar expresso em lei, o que impede à Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ) receber a manifestação de inconformidade contra ato de exclusão do Simples com efeito suspensivo, descabendo recorrer ao art. 151, III do CTN, que cuida tão somente de suspensão da exigibilidade de crédito tributário. OMISSÃO DE RECEITA. Mantém se o lançamento decorrente de omissão de receita de vendas de produtos apurada com base em informações fornecidas por terceiros (Mercado Livre) quando não elidida pela contribuinte. ARBITRAMENTO Justificase o arbitramento quando a contribuinte, ao ficar sujeita as regras do lucro real em face de sua exclusão do Simples, deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no § 1º do artigo 44, da Lei n° 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71,1, da Lei n° 4.502/64. MULTA AGRAVADA. NÃO CABIMENTO Não cabe o agravamento de multa fundamentada em não apresentação de livros obrigatórios quando o arbitramento já se deu por esse motivo. RESPONSABILIDADE SOLIDARIA TRIBUTARIA Responde solidariamente com a empresa autuada pelos créditos tributários as pessoas que agiram com excesso de poderes e/ou infração à lei, nos termos do artigo 135, III, do CTN, bem assim aquelas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, nos termos do art. 124,1 do CTN. LANÇAMENTOS REFLEXOS. CABIMENTO Aplicase aos autos do PIS, da COFINS e da CSLL, os mesmos fundamentos dados ao auto de IRPJ, Fl. 473DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 474 8 quando existir relação de causa e efeito entre os mesmos.” (Proc. nº 16004.000076/201015, Rel. GUSTAVO JUNQUEIRA CARNEIRO LEAO). Não se acolhe o pedido da recorrente. II. MÉRITO Conforme se verifica dos autos, os valores recebidos a título de prestação de serviços, espelhados nas notas fiscais emitidas pela recorrente, não foram oferecidos à tributação na sua totalidade (fls. 76/168). A recorrente diz que nem todo esse valor representaria o seu faturamento, pois nele estão contidos as comissão recebidas pelos terceiros, agenciados por ela em nome da instituição financeira contratante. Ocorre, que ainda que os valores relativos as comissão não se considerassem como integrantes da base de cálculo do SIMPLES, nenhuma prova fez quantos às comissões pagas. Não se vê, portanto, nos autos, a prova do que alega, descumprindo o art. 16, do Decreto nº 70.235/72. Por essa razão, provada está a omissão de receitas. Nesse passo, é provada a omissão de receitas. Em decorrência, o art. 34, da LC nº 123/06, dispõe que todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições incluídos no Simples Nacional, se aplicam a elas. Por isso, correta a atitude do fisco de arbitrar a base de cálculo do tributo, utilizandose como critério para tanto a diferença entre as notas fiscais emitidas em favor da instituição financeira, tomadora dos serviços, e o efetivamente declarado. Portanto, mantenho o lançamento fiscal. Quanto à multa, verificase, nos autos, que a fiscalização efetuou lançamentos de ofício com multa de ofício de 75% sobre os tributos derivados das receitas escrituradas e declaradas em valores inferiores aos das notas fiscais, relativo ao confronto entre Livros de Apuração do ISS e as Declarações Anuais do Simples Nacional, as quais, de toda sorte, foram objeto de lançamentos pelo IRPJ e CSLL sobre o lucro arbitrado, em função da exclusão do Simples com efeitos a partir de 1o de janeiro de 2008 e falta de apresentação pela contribuinte dos livros e documentos solicitados pela fiscalização referentes à tributação ou pelo lucro presumido (livro Caixa) ou lucro real (Diário e Razão); e lançou com multa de 150% os tributos incidentes sobre as omissões de receitas em valores para os quais a contribuinte, embora intimada, procurou afastar do conhecimento do Fisco a ocorrência do fato gerador (art. 71 da Lei 4.502/64), caso das receitas da recorrente obtidas pelo Fisco por meio das notas fiscais exibidas pelo tomador dos serviços da recorrente. Entendo que a multa de 150% não se justifica quando se verifica simples falta de informações fiscais, razão pela qual, orientado pela Súmula deste Conselho, reduzoa ao patamar de 75%. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA Processo nº 10469.721561/201244 Acórdão n.º 1103000.984 S1C1T3 Fl. 475 9 Quanto à produção de prova pericial, fica também indeferida, por descumprimento do art. 18, do Decreto nº 70.235/72. Diante do exposto, recebo o recurso da recorrente, para REJEITAR A PRELIMINAR ARGÜIDA e, JULGAR PARCIALMENTE PROCEDENTE o recurso ordinário, PARA REDUZIR A MULTA APLICADA. Assinado Digitalmente Fábio Nieves Barreira – Relator Fl. 475DF CARF MF Impresso em 30/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA, Assinado digitalmente em 23/07/201 4 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/07/2014 por FABIO NIEVES BARREIRA
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Numero do processo: 10140.720867/2011-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO.
INOPONIBILIDADE AO FISCO.
O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco.
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO.
Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real.
CSLL. DECORRÊNCIA.
O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações
Numero da decisão: 1202-001.176
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Presidente da Turma, Carlos Alberto Donassolo, declarou-se impedido, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. O julgamento foi presidido pelo Vice-Presidente da Turma, Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do RICARF.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Vice- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Orlando José Gonçalves Bueno- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando José Gonçalves Bueno
Nome do relator: ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa fé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, negar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Marcelo Baeta Ippolito. O Conselheiro Presidente da Turma, Carlos Alberto Donassolo, declarouse impedido, sendo substituído pela Conselheira Maria Elisa Bruzzi Boechat. O julgamento foi presidido pelo VicePresidente da Turma, Conselheiro Orlando José Gonçalves Bueno, nos termos do RICARF. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Vice Presidente. (documento assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 08 67 /2 01 1- 03 Fl. 1312DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 2 Orlando José Gonçalves Bueno Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito, Maria Elisa Bruzzi Boechat, Orlando José Gonçalves Bueno Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que indeferiu impugnação apresentada contra lançamento de ofício referente aos anos calendário de 2006 e 2007, formalizando exigências relativas ao IRPJ e a CSLL, em decorrência da suposta falta de contabilização do ganho de capital apurado na alienação de bens do ativo permanente, gerando, com efeito, redução indevida do lucro sujeito a tributação. Cumpre consignar que a operação de alienação dos bens deuse entre as empresas SAS Empreendimentos Imobiliários (alienante) e Iaco Agrícola S/A, das quais a Recorrente é sócia controladora. De acordo com a autoridade lançadora, uma vez que a Recorrente pretendia “dar outro rumo à exploração das terras mencionadas, passando para a produção de álcool, foram criadas duas novas empresas, uma imobiliária, de compra e venda de imóvel, e a outra, usina de álcool”.1 O capital social da primeira empresa, denominada SAS Empreendimentos Imobiliários, era constituído em 90% pela Recorrente e outros 10% pela empresa SAS Administração e Participações, que segundo a autoridade administrativa, pertence ao grupo que controla a administração da Recorrente, exercido pela família Schmidt. A Recorrente integralizou sua parte no capital social da referida empresa mediante (i) transferência de 4 imóveis registrados na Comarca de CassilandiaMS; (ii) diversos bens indicados nas respectivas contas contábeis;2 e (iii) parcela em moeda corrente a ser integralizada no prazo de cento e oitenta dias. Contudo, consoante, instrumento de “Re ratificação e Consolidação do Contrato Social” de fls. 114, o segundo item foi substituído por um quinto imóvel, cujo valor de avaliação era idêntico ao dos bens substituídos. De outra sorte, a empresa SAS Administração e Participações integralizou seu quinhão no capital social da SAS Empreendimentos Imobiliários transferindo quatro imóveis urbanos localizados no município de Campo Bom, restando ainda, saldo a integralizar no prazo de 180 dias. Ademais, quanto a outra pessoa jurídica, denominada Iaco Agrícola S/A, inicialmente composta pela (i) Recorrente (95%) e pelo (ii) Sr. Tovar Schmidt (5%), convém 1 Fl. 2 do relatório fiscal. 2 Cláusula Segunda, parágrafo segundo, alínea ‘e’ do Instrumento de Constituição da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários Fl. 1313DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 17 3 mencionar que recebeu a inclusão de outros dois sócios; a empresa (iii) AGP Negócios e Participações, e (iv) Horamars Participações Ltda.. Assim, consoante a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 1º de Junho de 2006, foi deliberado o aumento do capital social desta empresa, e inclusão dos acionistas AGP Negócios e Participações Ltda e Horamars Participações Ltda. Com a disponibilização dos valores recebidos por meio do aumento do capital social, parcialmente integralizado, a empresa Iaco Agrícola S/A adquiriu no dia 31/01/2006, quatro dos imóveis supra mencionados, pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, e, posteriormente, dia 10/01/2007, ela também adquiriu o outro imóvel pertencente a esta. No tocante a primeira operação acima referida, cumpre consignar que os valores recebidos foram contabilizados e tributados pela sistemática do lucro presumido, regime de caixa, sendo que no mesmo dia o resultado das operações foi apurado e distribuído aos sócios na proporção de seus respectivos capitais, tendo sido descontado da sócia SAS Administração e Participações a parcela que faltava para integralizar a totalidade de seu capital social. O mesmo tratamento contábil foi dispensado após a segunda operação de compra e venda, cujo pagamento foi realizado em duas vezes, no dia 11/01/2007 e no dia 20/02/2007. Cumpre asseverar que no dia seguinte ao do primeiro pagamento, a grande maioria dos valores recebidos foram destinados para adiantamento de dividendos e pagamento de empréstimo junto a empresa Schmidt Irmãos. Quanto ao segundo pagamento, ressaltase o pagamento de PIS e COFINS efetivado pela empresa SAS Empreendimentos, e a distribuição a título de adiantamento de lucros de parte do pagamento.3 A autoridade administrativa, por sua vez, desconsiderou o tratamento contábil dedicado às operações por entender que estas foram idealizadas e realizadas com exclusivo intuito de reduzir a tributação que incidiria sobre a venda do ativo imobilizado da Recorrente, invocando a violação do artigo 187 do Código Civil, que dispõe sobre o abuso de direito, nos casos em que o ato praticado excede os limites impostos pela finalidade econômico social daquele que cometeu o ato. Neste sentido, a autoridade administrativa assevera que ao criar uma empresa de empreendimentos imobiliários, a Recorrente se beneficiou do percentual de presunção do lucro presumido, uma vez que a venda dos imóveis em foco à empresa IACO foram contabilizadas como receitas operacionais, distorcendo o percentual de presunção, que na verdade é utilizado para se aproximar da margem real para cada atividade, e não para reduzir a tributação de operações imobiliárias. A fim de reproduzir o entendimento da autoridade fiscal, convém transcrever os trechos abaixo, extraídos do relatório fiscal de fls.. “Embora formalmente lícita, a integralização das terras na SAS Empreendimentos é desprovida de substância essencial ao negócio, pois a vontade Fl. 1314DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 4 materialmente manifestada era a venda de ativo imobilizado da Ribeirão Agropecuária para novos parceiros, aos quais a própria Ribeirão se associaria na IACO, e não a constituição de sociedade capitalizada com i móveis para futura venda. Não há causa econômica na interposição da SAS Empreendimentos, pois essa em nada contribuiu para a venda das terras, conforme denota a simplicidade de seus registros contábeis, que não corroboram a existência de juma verdadeira estrutura empresarial para a compra e venda de imóveis na dimensão do aporte de capital. (...) A sequência de atos formalmente lícitos não garante que deles aparentemente decorreria. Isso porque, conforme ensina Marco Aurélio Greco4, não basta fotografar, mas sim filmar a realidade, analisando o contexto para ao final concluir pelo significado real do que aconteceu. E o contexto demonstra que o sujeito passivo é a Ribeirão Agropecuária, por ser a proprietária original das terras, a beneficiária do produto da venda e porque a operação, vista no todo, revela que a venda não se caracterizou como atividade operacional da SAS Empreendimentos, muito menos como alienação de ativo imobilizado da própria SAS. A integralização das terras pela Ribeirão não teve intenção de compor estoque para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para futura venda e muito menos de constituir ativo imobilizado para consecução do objeto social. Não houve fato gerador tendo como sujeito passivo a SAS Empreendimentos. Houve, sim, ganho de capital na venda de ativo permanente da Ribeirão Agropecuária, sujeito a tributação conforme o art. 418 do RIR/99.” Por tais motivos, a autoridade fiscal sustenta que “A Constituição da SAS Empreendimentos com patrimônio R$ 66 milhões com a finalidade de reduzir a tributação que incidiria sobre a venda do imobilizado da Ribeirão, aliada à sua imediata descapitalização na ordem de 90% atenta contra o disposto no artigo 197 do Código Civil”. Assim, promoveu o lançamento tributário considerando como sujeito passivo da obrigação a Recorrente (Ribeirão Agropecuária), adicionando ao lucro real dos anos calendários de 2006 e 2007 a diferença entre o valor da venda dos terrenos da SAS para a IACO e o custo da aquisição dos referidos bens pela Recorrente, formalizando a exigência de IRPJ e CSLL em decorrência do ganho de capital supostamente auferido por meio das aludidas transações. Além disso, efetuou a compensação integral dos prejuízos fiscais da atividade da Recorrente com o lucro não operacional relativo ao anocalendário de 2006 constatado no curso da fiscalização, bem como compensou os prejuízos fiscais acumulados até o ano calendário de 2005, nas bases de calculo de 2006 e 2007, respeitando o limite de 30%. Por fim, deduziu do lançamento os valores recolhidos pela SAS Empreendimentos Imobiliários por entender que o sujeito passivo da obrigação é a Recorrente. Em sede de impugnação, a Recorrente pleiteou o cancelamento da exigência, salientando que foi constituída na tentativa mal sucedida da Família Schmidt adentrar no ramo agropecuário, amargando seguidos prejuízos fiscais entre os anos de 1997 e 2005. Diante dessa fracassada tentativa, a Família Schmidt resolveu investir no ramo agrícola, razão pela qual criou a empresa IACO Agrícola S/A. Assim, alega preliminarmente o erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária uma vez que a operação em foco foi travada entre duas empresas das quais a Recorrente possui participação societária, mas que, todavia, não realizou qualquer ato de alienação de bens para ser surpreendida por auto de infração. 4 “Planejamento Tributário, 2ª Ed. São Paulo, Dialética, 2008, pg. 123”. Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 18 5 Ademais, quanto a empresa SAS Empreendimentos Imobiliário ressalta que, sempre atenta aos movimentos do mercado, certa vez a Recorrente recebeu proposta irrecusável para vender as referidas terras a um grupo italiano, assinando inclusive termo de preferência com cláusula penal no caso de eventual recuo, mas que, contudo, a venda não se concretizou,. Para comprovar o alegado, a Recorrente juntou os documentos referentes a tentativa de transação. Conquanto o negócio com os Italianos não tenha se concretizado, a Recorrente vislumbrou oportunidade na comercialização de suas terras, criando, para tanto, empresa com única finalidade referente a empreendimentos imobiliários. Aduz, ainda, que no ano de 2005, um grupo argentino também tentou adquirir as terras em questão com o intuito de constituir usina de álcool e açúcar, negócio que também não vingou devido a diversas exigências feitas pelos Argentinos. Assim, aduz “que demonstra a fragilidade da teoria construída pelo auto de infração, no sentido de que ‘o verdadeiro objetivo da Ribeirão Agropecuária era se associar à AGP e à Horamars em novo empreendimento (IACO)”, uma vez que se as mencionadas transações tivessem se concretizado a Recorrente jamais poderia se juntar com as atuais co acionistas na empresa IACO. Após novo fiasco, os grupos AGP e Horamars propuseram parceria à Recorrente, para explorar o ramo de produção de álcool e açúcar, utilizandose, para tanto, das terras que a Ribeirão integralizou quando da constituição da IACO, cujo modelo de negócio não implicava na aquisição de grandes áreas, mas sim naconstrução de uma usina, localizada na área integralizada pela Recorrente. Quanto a aquisição pela IACO das terras pertencentes a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários, objeto do lançamento de ofício em foco, a Recorrente alegou tratarse de uma decisão empresarial tomada em conjunto com os demais acionistas, que decidiram desembolsar valiosa quantia para concretizar a negociação, e que é perfeitamente lícito a empresa SAS alienar imóveis de sua propriedade, sobretudo por que é esse o seu objeto social. Outra situação que a Recorrente alegou para desconstituir a tese do fisco é que além dos imóveis pertencentes a SAS Empreendimentos Imobiliários, a IACO também adquiriu outras propriedades, conhecidas como São José e Fazenda Uterava. Além disso, a fim de comprovar a efetividade das operações imobiliárias da SAS, a Recorrente traz documentos demonstrando que as áreas classificadas como irrisória pela autoridade administrativa na realidade tornaramse um megaloteamento incrustado no coração de Campo Bom/RS, além de ressaltar diversos outros projetos concretizados pela empresa imobiliária. Por fim, no que tange a alegação do Fisco de que o grupo controlador da Recorrente já possuía empresa atuante no ramo imobiliário, e que não seria necessária a criação da SAS Empreendimentos Imobiliários, aduz que a empresa mencionada pelo Fisco destinase a percepção de dividendos e outras rendas de capital oriundas das sociedades em que ela detinha participação. Nesse contexto, aduz que a tese defendida pelo Fisco, no sentido de que a Recorrente agiu com abuso de direito não se sustenta não se sustenta uma vez que: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 6 (i) Ao decidir criar outras empresas a Recorrente agiu em consonância com o artigo 170 da Constituição Federal, não havendo que se falar na ilegalidade em relação a criação destas empresas; (ii) conjunto de provas que demonstram a efetividade das operações da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários; (ii) inexiste a figura do abuso de direito alegado pelo Fisco no direito tributário, não cabendo o uso de lei civil para fundamentar lançamento de ofício em razão do princípio da estrita legalidade; (iv) a SAS Empreendimentos não possuía qualquer impedimento legal para alienar bens de sua propriedade, sendo esta a sua finalidade social; (v) não se pode concordar com a interpretação extensiva, vedada em matéria fiscal, de que o percentual de presunção estabelecido pelo artigo 518 do RIR justificaria que a SAS não possuía estrutura para exercer a atividade para qual foi criada tendo em vista os demonstrativos de resultados dos anos de 2006 e 2007. No que tange a limitação da compensação prejuízos fiscais dos anos anteriores em relação aos períodos fiscalizados em 30%, alegou a Recorrente que a autoridade administrativa (i) utilizou norma inconstitucional para a realização de tal ato, porquanto viola o direito adquirido, ato jurídico perfeito além do próprio conceito de renda constitucionalmente estabelecidos; (ii) caso fosse constitucional, não poderia abranger períodos anteriores a 1995 em respeito ao princípio da anterioridade, razão pela qual o prejuízo fiscal anterior a este período deveria ter sido compensado em 100%. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre – RS manteve o lançamento em foco nos termos da ementa abaixo reproduzida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ABUSO DE DIREITO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O ato ou conjunto de atos praticados com abuso de direito, assim entendido o exercício de direito que manifestamente excede os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boafé ou pelos bons costumes, é inoponível ao fisco. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÃO. Os prejuízos fiscais de períodos anteriores somente podem ser compensados até o limite de trinta por cento do lucro real. CSLL. DECORRÊNCIA. O resultado do julgamento do IRPJ reflete seus efeitos sobre a CSLL lançada em decorrência das mesmas infrações. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 19 7 Neste sentido, sustenta a decisão recorrida que (i) não há erro na apuração do sujeito passivo uma vez que a Recorrente é a titular da disponibilidade econômica ou jurídica (renda); (ii) em pouco mais de um ano todo o ativo imobilizado da Recorrente foi transferido para a IACO; (iii) ao contrário do que foi aduzido na impugnação, a Recorrente não pretendia deixar o ramo da agropecuária, mas sim reorientála, com agregação de novos sócios; (iv) a IACO e a SAS Empreendimentos foram constituídas na mesma data, uma com pequeno aporte de capital e a outra com valor substancial, sendo que os lucros auferidos por esta eram imediatamente repassado aos sócios, havendo nesse conjunto de operações incoerência em relação as atividades empresariais, o que demonstram a relevante motivação de economia fiscal. Ademais, assevera que (v) o curto período entre a criação da IACO e o ingresso dos novos sócios induz que o direcionamento das terras para esta já fora estabelecido desde o início já que um investimento do tamanho do aporte dos novos sócio não é decidido sem um prazo razoável para estudos, além das datas de pagamento pela aquisição das terras ocorrerem em dois períodos distintos, o que permitiu a SAS Empreendimento não fosse obrigada a declarar sua renda pelo lucro real, obtendo a vantagem da tributação pelo lucro presumido. Relativamente a (vi) efetividade das operações da empresa SAS, a autoridade julgadora a quo salienta que durante os primeiros anos de vida praticamente não existiu experiência profissional da aludida empresa, apesar do aporte de capital muito superior ao que era necessário para o início das operações, sendo que, após a transferência das terras para a IACO não há qualquer movimentação de vulto até o ano de 2010. Por fim, quanto a (vi) limitação da compensação do prejuízo fiscal aduz que foram instituídas mediante Lei, e não cabe a autoridade administrativa reconhecer inconstitucionalidade de Lei, competência exclusivamente outorgada ao Poder Judiciário. O recurso voluntário foi interposto com o fito de reverter a decisão recorrida e, consequentemente, anular o lançamento em foco, alegando, em síntese, o erro na identificação do sujeito, aduzindo que a SAS Empreendimentos Imobiliários foi quem realizou a materialidade do fato gerador, auferindo renda pela venda das propriedades, acrescentando, ainda que não se tratasse de receita operacional como alega o Fisco, o ativo imobilizado alienado seria da SAS e não da Recorrente. No tocante ao mérito aduz que tanto o relatório fiscal quanto a decisão recorrida em nenhum momento colocou em dúvida a legalidade das operações, a regularidade e a efetividade da conferência dos imóveis e de sua venda a IACO, que a Recorrente ao optar pela tributação por meio do lucro presumido apenas praticou ato previsto em lei, não podendo ser prejudicada por este motivo. Ademais, assevera que a SAS Empreendimentos realizou diversas vendas de imóveis, sobretudo no período fiscalizado (fls. 1041/1042; 1060/1062), e que a fiscalização sequer cogitou o abuso de direito em relação a tais transações. Ademais, reitera as argumentações dispensadas em impugnação quanto o contexto negocial em que se deram as operações em foco, considerando as ofertas recebidas por grupos estrangeiros no passado, bem como quanto a efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos, que continuou as operações após as transações imobiliárias em foco, acrescentando que o ônus da prova em relação a tese da autoridade administrativa caberia ao Fisco, que não logrou êxito em sua tentativa. Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 8 Além disso, reitera as alegações concernentes a inconstitucionalidade da limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais, bem como a compensação em 100% dos prejuízos fiscais dos anos calendários anteriores a 1995, corrigidos pela taxa SELIC. A Fazenda Nacional apresentou suas contra razões de recurso voluntário, pleiteando a manutenção da decisão recorrida ante a (i) correta identificação do sujeito passivo, porquanto a preliminar confundese com o mérito, e, se considerado o planejamento abusivo, logo o critério pessoal estará correto; (ii) o que houve foi uma verdadeira venda de bens do ativo imobilizado, utilizandose uma empresa de passagem (SAS), o que não passou de uma manobra para evitar o ganho de capital que incidiria se a Recorrente tivesse vendido os bens diretamente, o que fica ainda mais claro se analisados os aspectos temporais e coincidências das operações; (iii) não há que se falar na efetividade das operações imobiliárias da SAS Empreendimentos visto que a Recorrente jamais quis os efeitos societários de uma empresa de compra e venda de imóveis, uma vez que ao fim das vendas em questão, a referida empresa restou praticamente descapitalizada em razão da distribuição dos dividendos, ao passo que nos anos posteriores ela sequer teve o faturamento declarado. Por fim, quanto a limitação das compensações, aduz o Fisco que os Tribunais Administrativos não são competentes para julgar a constitucionalidade de Leis, nos termos da súmula 2 do CARF, bem como já ser pacífico na jurisprudência administrativa e judicial a limitação de 30% da compensação dos prejuízos fiscais a partir do exercício de 1995, acumulados até 31/12/1994. Eis o relatório. Voto Conselheiro Relator Orlando José Gonçalves Bueno Por presentes os pressupostos de admissibilidade recursal dele tomo conhecimento. Inicialmente, cumpre analisar a preliminar arguida, referente ao erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária em foco, uma vez que, segundo as razões do recurso em apreço, as operações que motivaram o lançamento foram celebradas por outras pessoas jurídicas, e não pela Recorrente. Nessa esteira, de acordo com a Recorrente, é incontroverso o fato de que foi a empresa SAS Empreendimentos que alienou os imóveis à empresa IACO S/A, e, portanto, foi ela quem auferiu renda por ocasião destas alienações, sendo que, ainda que se reconhecesse o abuso de direito, ou recolhimento a menor do tributo, a responsabilidade teria de recair, necessariamente, sobre a empresa alienante. Todavia, analisando o contexto em que as operações foram realizadas, cumpre esclarecer algumas situações cruciais para o enfrentamento da matéria, haja vista que os imóveis alienados pertenciam anteriormente à Recorrente. Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 20 9 Tal circunstância, por si só, não configura, qualquer hipótese de responsabilização tributária à Recorrente, mas no caso concreto, as evidências trazidas aos autos permitem atribuir a obrigação tributária decorrente do ganho de capital pela alienação dos imóveis à Recorrente. O lançamento guerreado parte da premissa de que o sujeito passivo da obrigação tributária é a Recorrente, desconsiderando o efeito fiscal sobre a operação realizada entre as empresas criadas por ela. De tal sorte, para se concluir pela sujeição passiva da Recorrente é preciso analisar o mérito de tal desconsideração, realizada pela autoridade fiscal,ou seja, se reconhecida que não houve abuso de direito, de fato, exsurge válida a arguição preliminar de erro na identificação do sujeito passivo, e, ao contrário, prevalecendo o entendimento que se configurou o abuso de direito, patologicamente, não procede a arguição preliminar em comento. Em razão do exposto, devese volta mais adiante, após apreciação do mérito, à presente análise sobre procedência, ou não, do argumento de erro de identificação do sujeito passivo. Ademais, considerando a necessidade de enfrentar outra preliminar arguida, ressaltase a correta interpretação conferida pela autoridade fiscal na aplicação da norma tributária. Neste sentido, não se vislumbra qualquer violação ao artigo 142, do CTN, uma vez que a autoridade administrativa preencheu os requisitos do mencionado dispositivo da seguinte forma: Verificou a ocorrência do fato gerador e identificou o sujeito passivo da obrigação tributária ao imputar à Recorrente a obrigação tributária incidente em decorrência do ganho de capital auferido pelas alienações em foco; Consequentemente identificou a matéria tributável ao enquadrar o fato jurídico na disposição do artigo 418 do RIR, calculando o montante do tributo indevido após realizar a compensação dos prejuízos fiscais anteriores; Por fim, propôs a aplicação da penalidade cabível ao imputar a multa de ofício prevista pelo artigo 44 da Lei 9.430/1996; Superada uma das preliminares, cumpre examinar o mérito do lançamento em questão. A autoridade administrativa considerou o abuso de direito para justificar o lançamento, ressaltando que a criação das empresas configura abuso de direito. Abuso de direito é instituto previsto no artigo 197 do Código Civil, o qual dispõe que “também comete ato ilícito titular de direito que, ao exercêlo, excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico e social, pela boa fé ou pelos bons costumes”. Sobre esse aspecto, a despeito da alegação da Recorrente relativa a violação do artigo 110 do CTN , cumpre salientar que a figura do abuso de direito encontrase positivada na parte geral do Código Civil, e, portanto, sua aplicação como parâmetro da aplicação da lei tributária, como realizado pela autoridade administrativa, observa a disposição do artigo 109 do referido Código, o qual prescreve que os “princípios gerais de direito privado Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 10 utilizamse para pesquisa da definição, do conteúdo e do alcance de seus institutos, conceitos e formas, mas não para definição dos respectivos efeitos tributários”. Assim, considerando o dispositivo acima mencionado, cabe destacar o posicionamento de Silvio Rodrigues sobre a figura do abuso de direito: “As faculdades são conferidas ao homem tão só para a satisfação dos de seus interesses legítimos. Se há interesses legítimo, não há abuso e o titular pode responder vitoriosamente, à vítima lesada por seu ato, feci, sed jure feci. Se tal interesse não se apresenta, o ato é abusivo. Josserand fornece numerosa relação de julgados de tribunais franceses e belgas acolhendo referida concepção e condenando por abusivo o ato praticado pelo titular no exercício de seu direito, em vista de não ser o ato provocado por um interesse respeitável. Acredito que a teoria atingiu seu pleno desenvolvimento com a concepção de Josserand, segundo a qual há abuso de direito quando ele não é exercido de acordo com a finalidade social para a qual foi conferida, pois, como diz esse jurista, os direitos são conferidos ao homem para serem usados de uma forma se acomode ao interesse coletivo, obedecendo sua finalidade, segundo o espírito da instituição”5 Tal conceito, uma vez exercido pelo contribuinte um direito aparentemente legítimo, mas, tendo sido este direito levado a efeito, pelas circunstâncias fáticas relevantes do caso, com o intuito por si ou majoritariamente de somente reduzir ou afastar a incidência tributária prevista em lei, é cabível tal entendimento de que contribuinte agiu com evidente abuso de direito, e, portanto, deverá ser aplicada no caso concreto a legislação “desvirtuada” pela pratica abusiva. Destarte, a autoridade fiscal agiu desta forma ao fundamentar a aplicação do artigo 418 do Decreto 3.000/1999 no abuso de direito praticado pela Recorrente, nos termos do artigo 187 do Código Civil. E não há que se falar em violação da legislação tributária nos casos em que o instituto em questão é utilizado fundamentar a aplicação da norma individual em concreta pela autoridade fiscal. Neste sentido, o professor Marco Aurélio Greco ensina que “abuso de direito e fraude à lei são figuras voltadas às qualidades que cercam determinados fatos, atos ou condutas realizadas, que lhes dão certa conformação á vista das previsões legais. Afirmar que houve abuso ou que o comportamento de alguém se deu em fraude à lei não significa ampliar ou modificar o sentido ou o alcance da lei tributária. Significa, apenas, identificar, nos fatos ocorridos, a hipótese legal, neutralizando o ’excesso’ ou afastando a ’cobertura’ que se pretendeu, para tentar escapar da incidência da Lei.”6 Ainda sobre o abuso de direito em relação ao direito tributário, cumpre trazer à baila o ensinamento do mencionado jurista: “Neste segundo plano, estas categorias são aplicáveis ao direito tributário independente de lei expressa que as preveja. De um 5 RODRIGUES, Silvio. Direito civil, parte geral. Saraiva. 34ª Ed. Pág. 320. 6 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. Dilética. Pág. 420. Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 21 11 lado, porque não interferem com a legalidade e a tipicidade, posto que situadas no plano dos fatos e não das normas; de outro lado, porque são categorias gerais do Direito. O abuso é corolário do uso regular do direito, pois há décadas já se afastou a visão individualista de que um direito comporta qualquer tipo de uso, inclusive o excessivo ou que distorça seu perfil objetivo.” 7 Portanto, reiterese, revelase correto o enquadramento legal realizado pela autoridade fiscal sobre fato jurídico tributário em evidência, uma vez que, em que pese a alegação de que a empresa foi criada com finalidade imobiliária, as evidencias trazidas aos autos demonstram que a criação das empresa SAS Empreendimentos tinha por finalidade inicial exclusivamente a redução do impacto da tributação incidente sobre a transferências dos imóveis, originalmente pertencentes a Recorrente. Ou seja, inicialmente a Recorrente poderia ter feito a operação de venda direta, vale dizer, junto a possível interessado na exploração rural ou mesmo, para a IACO, como negócio que necessitaria de imóvel para seu estabelecimento operar a usina projetada. Em suma, se não existisse alternativa viável operacional e comercialmente, certamente a utilização de empresa imobiliária seria indispensável e necessária, afastando a configuração abusiva, mas que não é o caso em questão. Assim, analisado o contexto em que as alienações ocorreram, é possível identificar a criação da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários pela Recorrente, que possui a ampla maioria das quotas societárias, tendo sido transferido, à título de integralização de capital social, grande parte do ativo imobilizado da Recorrente a aquela. Concomitantemente, a Recorrente criou outra empresa, IACO S/A, inicialmente em conjunto com um de seus sócios, Sr. Tovar Schmidt. Para custear a aquisição das ações desta segunda empresa, a Recorrente transferiu outro quinhão de seu ativo imobilizado. Assim, após criar as duas empresas, a Recorrente transferiu praticamente todo o seu ativo imobilizado a título de integralização de capital social. Relevante reconhecer os fatos descritos pela fiscalização quando constata que a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários possuía por atividade econômica a comercialização de imóveis, e que, seis meses após sua criação alienou parte dos bens que constituíam o capital social pelo valor aproximadamente dez vezes maior do que o valor de aquisição quando da integralização do capital social da referida empresa, e, no mesmo dia em que operaramse os pagamentos, a SAS Empreendimentos Imobiliários distribuiu o resultado aos seus sócios, isto é, à Recorrente, e ao Sr. Tovar Schmidt, sócio da Recorrente e da SAS Empreendimentos Imobiliários, o que, salvo melhor juízo, certamente revelou o interesse inicial da constituição da empresa imobiliária, qual seja, reduzir, via essa empresa, a carga tributária da Recorrente, posto que se fizesse a operação direta, teria que tributar ganho de capital ,como aqui lançado de ofício, não obstante a empresa SAS tenha realizado novas operações na gestão de seu ativo ou negócios imobiliários. Ademais, a SAS Administração seis meses depois realizou outra transação imobiliária. Novamente o valor do bem alienado supera em dez vezes o custo da aquisição do bem integralizado no capital social. Desta vez o resultado da operação foi (i) transferido aos sócios á título de adiantamento de dividendos, (ii) repassada a empresa Schmidt Irmãos, pertencente ao grupo Schmidt, (iii) permanecendo no caixa da empresa, uma pequena 7 GRECO, Marco Aurélio. Planejamento tributário. Dilética. Pág. 420. Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 12 proporção do valor correspondente ao resultado da venda, do qual boa parte fora destinado para o pagamento de PIS e COFINS que a empresa alienante entendeu ser devido. Reiterese, portanto, que em um ano os imóveis integralizados no capital social da empresa fundada pela Recorrente valorizaram praticamente dez vezes o custo da aquisição. Outra peculiaridade das operações é que a adquirente dos imóveis e coincidentemente a outra empresa criada pela Recorrente, a IACO S/A, criada no mesmo dia da empresa alienante. Vislumbra, no caso concreto, diversas circunstâncias societárias e operacionais da SAS Empreendimentos que indicam a realização de planejamento no sentido de reduzir exclusivamente o impacto da tributação incidente sobre a transferências do ativo imobilizado da Recorrente para a empresa IACO S/A. Tais situações foram devidamente contempladas pela decisão recorrida, podendo ser listadas da seguinte forma: Em pouco mais de um ano, praticamente todo o ativo imobilizado da Recorrente havia sido transferido para a empresa IACO Agrícola; seja pela integralização do capital social diretamente realizada pela Recorrente, seja pela aquisição pela IACO, dos imóveis que a Recorrente havia transferido para a empresa alienante; A Iaco e a SAS Empreendimentos foram constituídas na mesma data. A primeira recebe um pequeno aporte de capital e a segunda, um valor bem substancial. No mínimo, é estranho que a primeira não receba as terras com que iria laborar para a produção de cana de açúcar e álcool, enquanto a segunda as recebe (sob a alegação de que serviriam para o redirecionamento de negócios do grupo empresarial para o ramo imobiliário) para logo vendê las à primeira, mediante pagamento com recursos aportados pelos novos sócios. E mais: os recursos recebidos ao final pela SAS Empreendimentos são de imediato repassados aos sócios, prevalentemente como dividendos. Há nesse conjunto de operações uma incoerência entre as atividades empresariais, processadas entre partes interdependentes, articuladas em conexão temporal apropriada e com relevante motivação de economia fiscal; Há elementos nas operações que demonstram a conexão temporal entre os negócios praticados, a fortalecer a presunção de ocorrência do abuso de direito. Um deles é o período relativamente curto em que houve o ingresso dos novos sócios na Iaco, após a constituição da sociedade. Tal observação induz à conclusão de que o direcionamento das fazendas para a Iaco já fora estabelecido desde o início, já que um investimento de R$ 66 milhões normalmente não ocorre sem haver um prazo razoável para estudos de viabilidade econômica. O outro indício é a efetivação do pagamento das terras pela Iaco em dois períodos de apuração tributária, permitindo que a SAS Empreendimentos não fosse obrigada a declarar pelo lucro real e obtivesse, no caso, vantagem financeira com a tributação pelo lucro presumido; Além disso, a Recorrente alega que após as mencionadas transações a empresa SAS Empreendimentos Imobiliários continuou a exercer suas operações no mercado imobiliário, numa tentativa de justificar a efetividade da criação da empresa utilizada para transferir o ativo da Recorrente para a empresa IACO S/A. Tal assertiva pode ser facilmente desconstituída pelo fato de que a DIPJ bem como o livro diário da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários revelam que não houve receita operacional nos anos de 2008, 2009 e 2010, como bem asseverado pela decisão de primeira instância, a fls. 1.170: Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 22 13 “A tese fiscal ganha relevo quando se concebe que a existência operacional da SAS Empreendimentos não teve ganhou corpo nos primeiros anos de vida. Apesar de constituída no início de 2006 e com um aporte de capital muito superior ao que seria necessário para suas operações (ao contrário da Iaco, que iniciou com menor aporte de capitais), essa sociedade empresária não teve outras operações de vulto além das terras vendidas à Iaco até o final de 2010: as DIPJ e livro diário revelam inexistir receita operacional em 2008, 2009 e 2010. As vendas à Iaco foram registradas com simplicidade contábil e as respectivas receitas foram quase todas transferidas prontamente aos seus sócios como dividendos (isentos) ou como empréstimos a pessoas ligadas, evidenciando a inexistência de propósito negocial na capitalização da SAS Empreendimentos.” Além disso, destacase o fato de que a Recorrente possui grande participação no capital social da empresa IACO e da empresa SAS Empreendimentos Imobiliários. De certo modo, mesmo após a entrada das acionistas AGP Negócios e Participações, e (iv) Horamars Participações Ltda, a Recorrente possuía grande participação societária na empresa adquirente, o que justifica o vultoso preço oferecido pela compra dos bens. Portanto, considerando os elementos e circunstâncias fáticas acima descritas, salvo melhor juízo, evidenciase a caracterização do abuso de direito praticado pela Recorrente ao realizar as operações acima explanadas com intuito específico de reduzir a carga tributária que incidiria sobre as operações de transferências imobiliárias de sua efetiva titularidade. A jurisprudência deste Conselho também já se manifestou em outras oportunidades favoravelmente a utilização do instituto do abuso do direito para desconstituir negócios jurídicos formalmente legítimos, mas que formalizados em detrimento da legislação tributária. Neste sentido, cumpre trazer à baila o voto do Ilustre Conselheiro Paulo Roberto Cortez, proferido no acórdão 10195.552: Concordo com a ilustre Conselheira Sandra Faroni no sentido de que não existe ilicitude quando o administrador se empenha na busca de uma direção menos onerosa em matéria de tributos, mesmo que a procura de uma economia tributária seja a razão principal dessa via. Se isso não fosse verdadeiro, teríamos que concluir que o contribuinte estaria sempre obrigado a pagar o imposto pela forma mais elevada. Aliás, na atividade empresarial, a procura da redução da carga tributária trata se de uma necessidade do administrador, ao qual se incumbe tomar conta do patrimônio social com o maior cuidado e interesse. Porém, a questão maior localizase exatamente em se conhecer se as condições para tanto utilizadas são lícitas ou não sob o ponto de vista da lei fiscal. Luciano Amaro, em sua obra "Direito Tributário Brasileiro", expõe que a simulação seria reconhecida pela falta de correspondência entre o negócio que as partes realmente estão praticando e aquele que elas formalizam. As partes querem, por exemplo, realizar uma compra e venda, mas formalizam (simulam) uma doação, ocultando o pagamento do preço. Ou, ao contrário, Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 14 querem este contrato, e formalizam o de compra e venda, devolvendose (de modo oculto) o preço formalmente pago. Define também aquele autor o chamado abuso de direito. Se o direito é utilizado para atingir fins civis ou comerciais que normalmente a ele estão associados, seu exercício não é questionado. O mesmo não se daria quando o direito fosse exercido com o objetivo de obter vantagem fiscal que, de outro modo, não se teria; nessa perspectiva, estaríamos diante do abuso do direito, e o Fisco não estaria obrigado a aceitar os efeitos fiscais que decorreriam da questionada conduta. Marco Aurélio Greco alinhase entre aqueles que censuram o abuso de direito, sustentando que, se a "finalidade exclusiva" de um determinado ato é pagar menos imposto, estaríamos diante de um abuso do direito, não oponível ao Fisco. A elisão e a evasão se diferenciam por uma tênue linha divisória e muitas vezes pouco perceptível entre o planejamento tributário lícito e a sonegação criminosa. O propósito de estudo desses conceitos depende de uma avaliação de conduta que tem o contribuinte para organizar seus negócios de modo a reduzir a incidência tributária. Porém, esse espaço mais ou menos bem delimitado não é infinito, como também o conjunto de ações ou movimentos para alcançar o fim desejado não são ilimitados. O limite fundamental que se impõe ao contribuinte quando planeja a sua economia tributária é o da validade e da consistência dos atos jurídicos que pretenda praticar. Assim, se, de um lado, há que se reconhecer o direito do agente em planejar seu negócio de modo economicamente mais vantajoso, utilizandose de formas jurídicas alternativas e legais para atingir o mesmo fim, não é aceitável o abuso de direito para lograr o mesmo fim. Aquele que pratica determinado ato jurídico com a finalidade única e exclusiva de fugir ao tributo, está abusando das formas jurídicas. Hermes Marcelo Huck, em seu artigo Evasão e Elisão no Direito Tributário Internacional, afirma que: “Muito embora não haja no Brasil, a exemplo de outros países, uma espécie de norma geral tributária permitindo a desconsideração do ato jurídico julgado abusivo e a tributação do resultado econômico alcançado pelo agente, não se pode negar que o planejamento tributário, quando estruturado por uma construção elisiva, mas sem qualquer finalidade negociai senão a da economia fiscal, pode ser taxado como forma de abuso de direito, sujeitando se à desconsideração para efeitos fiscais.” O autor estabelece que é necessária a existência de uma finalidade negociai para o ato praticado, não podendo subsumirse no mero exercício de imaginação destinado a reduzir ou eliminar impostos que, de outra forma, seriam devidos. Na realidade, o procedimento foi articulado a partir de um planejamento tributário, o qual foi construído com abuso da norma de direito, operação pela qual as empresas transacionaram os bens que pretendiam, porém, deixaram de oferecer à tributação o resultado devido. Assim, o Fisco deve exigir o tributo que deixou de ser recolhido, de acordo com os termos constantes no auto de infração. Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO Processo nº 10140.720867/201103 Acórdão n.º 1202001.176 S1C2T2 Fl. 23 15 Portanto, de acordo o entendimento destacado é possível desconsiderar , para fins fiscais, operações realizadas de acordo com a legislação, e, portanto, lícitas, tendo em vista o fato de que estas operações foram na verdade celebradas com o intuito primordial de reduzir a carga tributária incidente sobre a operação que naturalmente deveria ocorrer. Portanto, no caso concreto, a autoridade fiscal acertadamente desconsiderou o efeito fiscal perante a transação realizada entre as empresas SAS Empreendimentos e IACO, revelando a verdadeira e real operação como sendo entre a Recorrente e a empresa agrícola, IACO, aplicando a tributação decorrente do artigo 418 do RIR sobre o ganho de capital auferido pela alienação dos bens. Ao realizar a apuração do montante devido, a autoridade administrativa promoveu a compensação dos prejuízos fiscais obtidos nos anos calendários anteriores, limitados a 30%. A Recorrente, por sua vez, pleiteia a compensação do valor integral dos prejuízos fiscais apurados, alegando ser inconstitucionais os dispositivos utilizados pela autoridade fiscal para limitar a compensação. Todavia, é preciso levar em consideração que o CARF não é órgão competente para decidir ou afastar a constitucionalidades das leis, as quais adentram no ordenamento jurídico, gozando de presunção de constitucionalidade. Neste sentido, cumpre trazer à baila o enunciado da Súmula CARF nº 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Destarte, considerando que os artigos 42 e 58 da Lei 8.981/95 encontramse plenamente vigentes perante o ordenamento jurídico, e considerando que a atividade da autoridade administrativa deve ser vinculada à lei, a autoridade fiscal procedeu corretamente ao aplicar a lei vigente para poder realizar a apuração do débito. Portanto, considerando o acima exposto, e tudo o que mais consta nos autos, negase provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Orlando José Gonçalves Bueno Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO 16 Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO, Assinado digitalmente em 14 /08/2014 por ORLANDO JOSE GONCALVES BUENO
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Numero do processo: 10120.001004/2006-04
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2202-000.310
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na
atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada
a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal.
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Depósitos bancários. Sigilo. Sobrestamento Recorrente SERGIO RAMOS CAIADO Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, decidir pelo sobrestamento do processo, nos termos do voto do Conselheiro Relator. Após a formalização da Resolução, o processo será movimentado para a Secretaria da Câmara que o manterá na atividade de sobrestado, conforme orientação contida no §3º do art. 2º da Portaria CARF nº 001, de 03 de janeiro de 2012. O processo será incluído novamente em pauta após solucionada a questão da repercussão geral, em julgamento no Supremo Tribunal Federal. (Assinado digitalmente) Nelson Mallmann – Presidente (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Lopo Martinez, Guilherme Barranco de Souza, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Júnior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 3ª Turma da DRJ de Brasília/DF que manteve a autuação do Imposto de Renda Pessoa Física IRPF do exercício de 2002 sobre glosa de despesas escrituradas em LivroCaixa e omissão de rendimento caracterizado por depósitos bancários de origem não comprovada, com redução da multa isolada de 75% para 50%, pela alteração da Lei n. 11.488/2007, em Acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002 MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAS. DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS DE LIVROCAIXA. Consideramse não impugnadas, portanto não litigiosas, as matérias que não tenham sido expressamente contestadas pelo contribuinte. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. COMPROVAÇÃO. A presunção legal de omissão de rendimentos autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular das contas bancárias ou o real beneficiário dos depósitos, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em suas contas de depósitos ou de investimentos. QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. Havendo procedimento administrativo regularmente instaurado, não constitui quebra do sigilo bancário a obtenção, pelos órgãos fiscais tributários, de dados sobre a movimentação bancária dos contribuintes com base em valores da CPMF. JUROS DE MORA. ILEGALIDADE DA TAXA SELIC. Inexiste ilegalidade na aplicação da taxa Selic, porquanto o Código Tributário Nacional (CTN) outorga à lei a faculdade de estipular os juros de mora incidentes sobre os créditos não integralmente pagos no vencimento. Lançamento Procedente em Parte. O Auto de Infração a fls. 352/367, referente ao exercício 2002, anocalendário 2001, decorre da revisão da Declaração de ajuste, com apuração das seguintes infrações: 001 Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamen1e (Ajuste Anual) dedução indevida de despesas de livro caixa; 002 Dedução da base de cálculo pleiteada indevidamente (carnê leão) dedução indevida de despesas de livro caixa; Fl. 771DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 3 3 003 Depósitos bancários de origem não comprovada omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancário com origem não comprovada; 004 Multas isoladas pela falta de recolhimento do IRPF devido a titulo de carnêleão. A decisão recorrida de fls. 522 sgts, manteve autuação, pela falta de contestação da glosa das despesas escrituradas no livro caixas e falta de comprovação da origem dos depósitos bancários, reduzindo a multa isolada de 75% para 50% pela alteração da Lei n. 11.488/2007, que deu nova redação ao art. 44, inciso II, alínea "a", da Lei n" 9.430/1996. O Recurso Voluntário a fls. 565 e sgts., sustenta preliminar de vicio do lançamento por tributar 100% da omissão de rendimentos com 27%, quando o Recorrente autuado somente possui atividade rural, cuja base de calculo é a receita menos despesas ou no máximo, de 20% da receita bruta. No mérito sustenta que as despesas glosadas do livro caixa foram tributadas de forma totalmente indevida, como sendo rendimento sujeito ao carne leão, quando caberia apenas glosa da despesa. Tocante a omissão de rendimento sustenta que exerce exclusivamente atividade rural, os depósitos decorrem dessa atividade, sendo que a fiscalização desconsiderou toda a receita para tributar como omissão de rendimento decorrente dos depósitos bancários não comprovados. Pede aproveitamento de sobras de recursos de um mês em outro ou justificativa do dispêndio. Traz planilhas de demonstrativos, com documentos, para justificar a origem dos depósitos bancários. Reitera as razões da impugnação. É o relatório. Voto. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 4 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. Cuidase de Recurso Voluntário da decisão que manteve parte do lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, redução da multa isolada, sobre glosa de despesas escrituradas no LivroCaixa e omissão de rendimentos caracterizados por depósitos bancários de origem não comprovada, apurada mediante a entrega pelo contribuinte de parte dos extratos bancários (fls. 15 e sgts. e 356) e mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte juntos às instituições financeiras (fls. 52 e 356). O C. Supremo Tribunal Federal, no RE 601.314/SP, reconhecer a existência de Repercussão Geral para exame da constitucionalidade da quebra do sigilo bancário, pela fiscalização, sem a prévia autorização judicial, conforme podemos ver da ementa da decisão monocrática: “CONSTITUCIONAL. SIGILO BANCÁRIO. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES SOBRE MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE CONTRIBUINTES, PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS, DIRETAMENTE AO FISCO, SEM PRÉVIA AUTORIZAÇÃO JUDICIAL (LEI COMPLEMENTAR 105/2001). POSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO DA LEI 10.174/2001 PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES A EXERCÍCIOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RELEVÂNCIA JURÍDICA DA QUESTÃO CONSTITUCIONAL. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 563). Brasília, 4 de agosto de 2011. Min. RICARDO LEWANDOWSKI – Relator” O Regimento Interno deste Conselho, aprovado da Portaria MF nº 256, de 2009, estabelece no art. 62A que deve ser sobrestado os recursos sobre a matéria com Repercussão Geral reconhecida pelo C. STF ou em Recurso Representativo da controvérsia, pelo E. STJ (arts. 543B e 543C, do CPC): Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, CPC, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 5 5 O C. STF, pelo Tribunal Pleno reconheceu a inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancários, sem prévia autorização judicial no RE nº 389.808PR, Rel. Min. Marco Aurélio, j., 15.12.2010, mas há Embargos de Declaração com pedido de efeito modificativo ou infringentes pendente de decisão desse RE. Além do RE 389.808PR, com decisão de mérito pendente do transito em julgado, o C. STF vem sobrestando o julgamento de todos os Recursos Extraordinário sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial, pela existência de Repercussão Geral reconhecida no RE nº 601.314SP, conforme podemos confirmar pelas decisões abaixo: DESPACHO: Vistos. O presente apelo discute a violação da garantia do sigilo fiscal em face do inciso II do artigo 17 da Lei n° 9.393/96, que possibilitou a celebração de convênios entre a Secretaria da Receita Federal e a Confederação Nacional da Agricultura CNA e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura – Contag, a fim de viabilizar o fornecimento de dados cadastrais de imóveis rurais para possibilitar cobranças tributárias. Verificase que no exame do RE n° 601.314/SP, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski, foi reconhecida a repercussão geral de matéria análoga à da presente lide, e terá seu mérito julgado no Plenário deste Supremo Tribunal Federal Destarte, determino o sobrestamento do feito até a conclusão do julgamento do mencionado RE nº 601.314/SP. Devem os autos permanecer na Secretaria Judiciária até a conclusão do referido julgamento. Publiquese. Brasília, 9 de fevereiro de 2011. Ministro DIAS TOFFOLI Relator Documento assinado digitalmente (RE 488993, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, j. 09/02/2011, DJe035 DIVULG 21/02/2011 PUBLIC 22/02/2011) REPERCUSSÃO GERAL ADMITIDA – PROCESSOS VERSANDO A MATÉRIA – SIGILO DADOS BANCÁRIOS – FISCO – AFASTAMENTO – ARTIGO 6º DA LEI COMPLEMENTAR Nº 105/2001 – SOBRESTAMENTO. 1. O Tribunal, no Recurso Extraordinário nº 601.314/SP, relator Ministro Ricardo Lewandowski, concluiu pela repercussão geral do tema relativo à constitucionalidade de o Fisco exigir informações bancárias de contribuintes mediante o procedimento administrativo previsto no artigo 6º da Lei Complementar nº 105/2001. 2. Ante o quadro, considerado o fato de o recurso veicular a mesma matéria, tendo a intimação do acórdão da Corte de origem ocorrido anteriormente à vigência do sistema da repercussão geral, determino o sobrestamento destes autos. 3. À Assessoria, para o acompanhamento devido. 4. Publiquem. Brasília, 04 de outubro de 2011. (AI 691349 AgR, Rel.Min. MARCO AURÉLIO, j. 04/10/2011, DJe213 DIVULG 08/11/2011 PUBLIC 09/11/2011) REPERCUSSÃO GERAL. LC 105/01.CONSTITUCIONALIDADE. LEI 10.174/01. APLICAÇÃO PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS REFERENTES À EXERCÍCOS ANTERIORES AO DE SUA VIGÊNCIA. RECURSO EXTRAORDINÁRIO DA UNIÃO PREJUDICADO. POSSIBILIDADE. Fl. 774DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 6 6 DEVOLUÇÃO DO PROCESSO AO TRIBUNAL DE ORIGEM (ART. 328, PARÁGRAFO ÚNICO, DO RISTF ). Decisão: Discutese nestes recursos extraordinários a constitucionalidade, ou não, do artigo 6º da LC 105/01, que permitiu o fornecimento de informações sobre movimentações financeiras diretamente ao Fisco, sem autorização judicial; bem como a possibilidade, ou não, da aplicação da Lei 10.174/01 para apuração de créditos tributários referentes a exercícios anteriores ao de sua vigência. O Tribunal Regional Federal da 4ª Região negou seguimento à remessa oficial e à apelação da União, reconhecendo a impossibilidade da aplicação retroativa da LC 105/01 e da Lei 10.174/01. Contra essa decisão, a União interpôs, simultaneamente, recursos especial e extraordinário, ambos admitidos na Corte de origem. Verificase que o Superior Tribunal de Justiça deu provimento ao recurso especial em decisão assim ementada (fl. 281): “ADMINISTRATIVO E TRIBUTÁRIO – UTILIZAÇÃO DE DADOS DA CPMF PARA LANÇAMENTO DE OUTROS TRIBUTOS – IMPOSTO DE RENDA – QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO – PERÍODO ANTERIOR À LC 105/2001 – APLICAÇÃO IMEDIATA – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º, DO CTN – PRECEDENTE DA PRIMEIRA SEÇÃO – RECURSO ESPECIAL PROVIDO.” Irresignado, Gildo Edgar Wendt interpôs novo recurso extraordinário, alegando, em suma, a inconstitucionalidade da LC 105/01 e a impossibilidade da aplicação retroativa da Lei 10.174/01 . O Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral da controvérsia objeto destes autos, que será submetida à apreciação do Pleno desta Corte, nos autos do RE 601.314, Relator o Ministro Ricardo Lewandowski. Pelo exposto, declaro a prejudicialidade do recurso extraordinário interposto pela União, com fundamento no disposto no artigo 21, inciso IX, do RISTF. Com relação ao apelo extremo interposto por Gildo Edgar Wendt, revejo o sobrestamento anteriormente determinado pelo Min. Eros Grau, e, aplicando a decisão Plenária no RE n. 579.431, secundada, a posteriori pelo AI n. 503.064AgRAgR, Rel. Min. CELSO DE MELLO; AI n. 811.626AgR AgR, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, e RE n. 513.473ED, Rel. Min CÉZAR PELUSO, determino a devolução dos autos ao Tribunal de origem (art. 328, parágrafo único, do RISTF c.c. artigo 543B e seus parágrafos do Código de Processo Civil). Publiquese. Brasília, 1º de agosto de 2011. Ministro Luiz Fux Relator. Documento assinado digitalmente. (RE 602945, Rel. Min. LUIZ FUX, j.,01/08/2011, DJe 158 DIVULG 17/08/2011 PUBLIC 18/08/2011) DECISÃO: A matéria veiculada na presente sede recursal –discussão em torno da suposta transgressão à garantia constitucional de inviolabilidade do sigilo de dados e da intimidade das pessoas em geral, naqueles casos em que a administração tributária, sem prévia autorização judicial, recebe, diretamente, das instituições financeiras, informações sobre as operações bancárias ativas e passivas dos contribuintes será apreciada no recurso extraordinário representativo da controvérsia jurídica suscitada no RE 601.314/SP, Rel. Min. RICARDO LEWANDOWSKI, em cujo âmbito o Plenário desta Corte reconheceu existente a repercussão geral da questão constitucional. Sendo assim, impõese o sobrestamento dos presentes autos, que permanecerão na Secretaria desta Corte até final julgamento do mencionado recurso extraordinário. Publiquese. Brasília, 21 de maio de 2010. (RE 479841, Rel.Min. CELSO DE Fl. 775DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10120001004/200604 Resolução n.º 220200.310 S2C2T2 Fl. 7 7 MELLO, j., 21/05/2010, DJe100 DIVULG 02/06/2010 PUBLIC 04/06/2010) Em face do exposto, parece não existir dúvida sobre a existência da Repercussão Geral no C. STF, instaurado no RE 601.314SP sobre a quebra do sigilo bancário, sem a prévia autorização judicial. Assim, por se cuidar de Recurso Voluntário sobre lançamento realizado com extratos bancários obtidos mediante a Requisição da Movimentação Financeira – RMF do contribuinte, sem autorização judicial, é necessário sobrestar o julgamento destes autos, na forma do art. 62A, do Regimento Interno deste Conselho, até a decisão do Recurso Extraordinário nº 601.314SP. Ante o exposto, pelo meu voto, determino o SOBRESTAMENTO destes autos, na forma do art. 62, § 1o e 2o, do RI deste Conselho, até a decisão do RE 601.314SP, do C. STF. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes, Relator. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 07/10/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 06/10/2012 por ODMIR FERNANDES
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Numero do processo: 11831.003931/2002-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/1992 a 01/06/2002
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62-A, DO RI-CARF.
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considera-se válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastando-se a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62-A, do RI-CARF.
COFINS. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. SUMULA 276 STJ. VINCULAÇÃO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. PERÍODO ANTERIOR A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELO ART. 56, DA LEI N° 9.430/96.
Para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção da COFINS para as sociedades civis de profissão regulamentada, independendo do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ nas reiteradas decisões que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, posteriormente revogada, porém, por motivação diversa relativa à hierarquia das leis.
PER/DCOMP. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 74, §5º, DA LEI Nº 9.430/96.
O poder Público dispõe do prazo de 05 anos, contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, para apreciar o pleito, sob pena de homologação tácita, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96.
REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA A QUO. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO.
Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário e reconhecida a inexistência de condicionante ao regime de tributação do lucro, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento - DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitando-se a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3402-002.316
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
João Carlos Cassuli Junior - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO DEÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA.
Nome do relator: JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR
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J. A. PINOTTI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/1992 a 01/06/2002 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005. PEDIDO PROTOCOLIZADO ANTES DE SUA VIGÊNCIA OU DURANTE A VACATIO LEGIS. DECADÊNCIA. INEXISTÊNCIA. OBSERVÂNCIA DO ART. 62A, DO RICARF. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da Lei Complementar nº. 118/05, considerase válida a aplicação do prazo reduzido para repetição, ressarcimento ou compensação de indébitos tributários, quanto aos pedidos protocolizados após o decurso do prazo de vacatio legis de 120 (cento e vinte) dias da publicação da referida Lei Complementar, ocorrido em 09 de junho de 2005, afastandose a prescrição quanto aos pedidos protocolizados antes desta data, para os quais permanece em vigor o direito de restituir indébitos dos 10 (dez) anos anteriores. Aplicação do entendimento proferido pelo Supremo Tribunal Federal no RE nº 566.621, Rel. Ministra Ellen Gracie, nos termos do art. 62A, do RICARF. COFINS. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. ISENÇÃO. SUMULA 276 STJ. VINCULAÇÃO AO REGIME DE TRIBUTAÇÃO DO LUCRO. PERÍODO ANTERIOR A REVOGAÇÃO DA ISENÇÃO PELO ART. 56, DA LEI N° 9.430/96. Para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção da COFINS para as sociedades civis de profissão regulamentada, independendo do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ nas reiteradas decisões que culminaram na edição da Súmula 276 do STJ, posteriormente revogada, porém, por motivação diversa relativa à hierarquia das leis. PER/DCOMP. PRAZO PARA APRECIAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. ART. 74, §5º, DA LEI Nº 9.430/96. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 83 1. 00 39 31 /2 00 2- 73 Fl. 500DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 2 O poder Público dispõe do prazo de 05 anos, contados da data da transmissão da Declaração de Compensação, para apreciar o pleito, sob pena de homologação tácita, nos termos do §5º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96. REFORMA PARCIAL DA DECISÃO DA INSTÂNCIA “A QUO”. SUPRESSÃO DE INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. REMESSA PARA PROLAÇÃO DE NOVO JULGAMENTO. Afastada a decadência do direito de pleitear a indébito tributário e reconhecida a inexistência de condicionante ao regime de tributação do lucro, deve o processo ser devolvido à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, a fim de que analise o mérito do pedido de restituição, sua certeza, liquidez e exigibilidade, evitandose a supressão de instância e consequente cerceamento do direito de defesa. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho – Presidente Substituto (assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO (Presidente), FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D’EÇA, LUIZ CARLOS SHIMOYAMA (SUPLENTE), SILVIA DE BRITO OLIVEIRA, RAQUEL MOTTA BRANDÃO MINATEL (SUBSTITUTA) E JOÃO CARLOS CASSULI JUNIOR, a fim de ser realizada a presente Sessão Ordinária. Ausente, justificadamente, os conselheiro FRANCISCO MAURÍCIO R DE ALBUQUERQUE SILVA E NAYRA BASTOS MANATTA. Fl. 501DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 501 3 Relatório Tratase de pedido de restituição no montante de R$ 301.959,98, decorrente de recolhimentos de COFINS tidos por indevidos em virtude da isenção prevista no art. 6º, II da LC 70/91, que o contribuinte sustenta que não foi revogada pelo art. 56, da Lei n° 9.430/96. O contribuinte pede a compensação dos referidos pagamentos indevidos, atualizados pela taxa SELIC, com tributos vincendos administrados pela SRF. Por meio de Despacho Decisório de fls.253/264 a DRF/SP indeferiu o pedido de restituição e não homologou as Declarações de Compensação versando acerca de decadência, revogação de isenção de COFINS por lei ordinária, competência constitucional do Poder Judiciário para aplicação da lei e isenção de COFINS à sociedade civil de profissão legalmente regulamentada. DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Inconformada com a referida decisão em 08/10/2008 (AR de fl. 266) o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde, inicialmente, destaca que a manifestação apresentada tem o condão de suspender a exigibilidade dos créditos discutidos, até a decisão final em esfera administrativa. Quanto à decadência, alega que seus termos devem ser reformados, pois que teria o direito de obter a restituição dos valores recolhidos indevidamente no período de dez anos anteriores ao protocolo do pleito administrativo de restituição/compensação, datado de 28/06/2002. Aduz que os argumentos utilizados no despacho decisório seriam inaplicáveis ao caso em discussão, uma vez que se utiliza de interpretações baseados no DecretoLei nº 2.397/1987, enquanto que o inciso II, do art. 6º, da LC 70/91 determina a isenção da COFINS às sociedades civis de que trata o art. 1º, do referido DecretoLei, sem trazer como condição o regime de tributação do lucro, apenas arrolando as espécies de sociedades. Ressalta, ainda, que é dever da Administração analisar os pleitos por ela formulados, inclusive aqueles relacionados à inconstitucionalidade de normativos. Ao fim requer a suspensão da exigibilidade dos valores apresentados, bem como que sejam considerados improcedentes os termos do despacho decisório. DO JULGAMENTO DE 1ª INSTÂNCIA Em análise e atenção aos pontos suscitados pela interessada na impugnação apresentada, a Nona Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I (SP), proferiu o Acórdão de nº. 1624.845, considerando a manifestação de Fl. 502DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 4 inconformidade parcialmente procedente e não reconhecendo o direito creditório, nos seguintes termos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 1992, 1993, 1994, 1996, 1997, 1998, 1999, 2000, 2001 Ementa: RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O direito de requerer restituição restituição por conta de eventuais pagamentos feitos indevidamente ou a maior que o devido extinguese com o decurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário, assim entendido o pagamento antecipado no que toca a lançamento por homologação ex vi art. 150, §§ 1º e 4º da Lei nº 5.172/66 e alterações posteriores. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. REGIME DE TRIBUTAÇÃO DA RENDA. PERÍODO ANTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO, INOCORRÊNCIA. As sociedades de prestação de serviços profissionais relativos ao exercício de profissão legalmente regulamentada, para fazer jus à isenção da COFINS, dependem do regime de tributação da renda por elas adotado. SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS NO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA. COFINS. PERÍODO POSTERIOR A ABRIL DE 1997. ISENÇÃO. INOCORRÊNCIA. No que toca às sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada, não cabe mais falar em isenção da COFINS para os fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, em observância à disposição expressa contida no art. 56 da Lei nº 9.430/96. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. Descabe ser apreciado, no âmbito administrativo, alegação de inconstitucionalidade ou ilegalidade de norma, afora hipótese prevista no art. 26A do Decreto 70.235/72 e alterações posteriores. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. OCORRÊNCIA. A ciência da decisão que não homologa a compensação deve ser efetuada antes do prazo de cinco anos prescritos pelo § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 e alterações posteriores. Após o transcurso desse prazo, não se admite que a Administração Pública pretenda não homologar a compensação. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte. Direito Creditório Não Reconhecido.” No que tange ao pedido do contribuinte, no sentido de obter a restituição dos valores indevidamente recolhidos no período de dez anos anteriores ao protocolo do pleito administrativo de restituição/compensação datado de 28/06/2002, a DRJ utilizou o art. 168, do Fl. 503DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 502 5 CTN, para restringir a 05 anos anteriores ao pedido o que poderia ser restituído. Com base na doutrina e legislação, destaca a improcedência da “tese dos dez anos”, vez que o direito de pedir a restituição decairia em 05 anos da extinção do crédito tributário, e, em sendo tributo sujeito a lançamento por homologação, considerase extinto o crédito com o pagamento antecipado. Finaliza a discussão acerca de decadência aduzindo que o início da contagem do prazo decadencial se dá conforme o AD SRF nº 96/99, portanto encontrase extinto o direito de pleitear os pretensos indébitos realizados até 28/06/1997. No tocante ao gozo da isenção de COFINS para períodos anteriores a abril de 1997, entendeu a DRJ que ela deixou de existir pelo fato do contribuinte ter optado por submeter a tributação dos lucros por um dos regimes da pessoa jurídica, com o que deixou de gozar da isenção pois ela existia no pressuposto de que referidas sociedades eram apenas uma extensão das atividades das pessoas físicas. Quanto aos fatos geradores ocorridos a partir do mês de abril de 1997, utiliza se de legislação e jurisprudência para ressaltar que não há mais que se falar em isenção de COFINS para sociedades civis de prestação de serviços de profissão legalmente regulamentada. Aduz que em virtude do caráter vinculado da atividade fiscal, não lhe cabe questionar legalidade ou constitucionalidade de comando legal, prerrogativa privativa do Poder Judiciário. Deve, portanto, limitarse na aplicação da norma, sem emitir juízo de valor acerca de sua validade. No tocante à homologação tácita, tendo por base o disposto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, conclui que no momento em que foi dada ciência da não homologação à contribuinte, ou seja, 08/10/2008, já havia transcorrido o prazo legal para homologação das declarações de compensação nas datas expostas à fl. 446 – numeração eletrônica, ocorrendo, portanto, a homologação tácita destas. Ressalta, entretanto, que a lei não prevê homologação do direito creditório ao qual estaria vinculada a declaração de compensação e, assim, eventual crédito remanescente é passível de apreciação e indeferimento por parte da autoridade administrativa. Assim, devido ao transcurso do prazo de 05 anos, a autoridade competente fica impedida de apreciar as compensações declaradas antes disso, restando o dever de apreciar o direito creditório pretendido, no que tange sua existência e correção de seus valores. Ao final, votou no sentido de dar provimento parcial a manifestação de inconformidade e pela procedência da decisão a quo, que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as declarações de compensação a este vinculadas, exceto no que toca a declarar tacitamente homologadas as declarações de compensação elencadas à fl. 448 – n.e. DO RECURSO Cientificado do Acórdão de 1ª Instância em 12/05/2010, conforme Aviso de Recebimento de fl. 450 – numeração eletrônica, o contribuinte apresentou tempestivamente, em 09/06/2010, Recurso Voluntário a este Conselho. Fl. 504DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 6 Inicia seu recurso destacando a necessidade de ampliação das compensações tacitamente homologadas, uma vez que a autoridade julgadora teria deixado de considerar diversas compensações apresentadas entre agosto e dezembro de 2002, elencados no item 7, a, b, c e d do recurso apresentado (fls. 467/468 – n.e.). Volta a invocar, assim como o fez na manifestação de inconformidade, a “tese dos cinco mais cinco”, para sustentar a inexistência da decadência do seu direito de requerer a restituição/compensação dos períodos de apuração 04/1994 a 12/2000. Reitera a impossibilidade da LC 118/05 retroagir, sendo aplicável tão somente à novos fatos geradores do direito à repetição de indébito que surgirem a partir da sua vigência, ou seja, dia 09/06/2005, voltando a destacar que a norma aplicável permite a repetição do indébito relativo aos pagamentos havidos nos 10 anos anteriores ao pedido. Quanto ao não reconhecimento da isenção da COFINS referente ao período anterior ao mês de abril de 1997, entende que o art. 6º, II da LC 70/91, ao estabelecer a referida isenção e referirse às sociedades de que tratou o DecretoLei n° 2.397/87, estava referindo às sociedades civis de profissão regulamentada, e não à forma de tributação ali estabelecida para as sociedades civis; colaciona, ainda, a Súmula 276 do STJ, para dar maior ênfase a sua alegação. No que tange o período posterior à pretensa revogação da isenção, ou seja, a partir de abril de 1997, volta a destacar que seria aplicável a isenção ao referido período, uma vez que norma de lei complementar não poderia ser revogada por mera lei ordinária, sendo que após todo o exposto requer a ampliação do reconhecimento das homologações tácitas, bem como a reforma do acórdão reconhecendose o direito creditório, deferindo e homologando as compensações almejadas integralmente. DA DISTRIBUIÇÃO Tendo o processo sido distribuído a este relator por sorteio regularmente realizado, vieram os autos para relatoria, por meio de processo eletrônico, em 02 (dois) Volumes, numerado até a folha 499 (quatrocentos e noventa e nove), estando apto para análise desta Colenda 2ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da 3ª Seção do CARF. É o relatório. Fl. 505DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 503 7 Voto Conselheiro João Carlos Cassuli Junior, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e tempestividade, portanto, dele tomo conhecimento, passando a análise dos fatos articulados pela recorrente. Por objetividade e para melhor compreensão dos entendimentos que perfilham o julgado, passo a abordar, separadamente, as matérias em discussão: 1. Decadência da Restituição Tributária quanto a pagamentos realizados há mais de 05 anos anteriores ao Pedido: Tratando especificamente da questão debatida nos autos, por força do artigo 62A do Regimento Interno deste Conselho, a solução dada ao caso deverá refletir àquela já decidida pelo Supremo Tribunal Federal em caso de repercussão geral ou pelo Superior Tribunal de Justiça, quando em matéria infraconstitucional, reproduzindo o entendimento pacificado pelos Egrégios Tribunais. Lembremos que havia uma posição pacificada na jurisprudência do STJ quanto ao prazo de 10 anos para a restituição de indébitos decorrentes de pagamento indevidos a título de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, quando então, veio a lume a Lei Complementar nº 118, de 2005, que expressamente passou a prever que esse prazo seria de 05 anos do pagamento indevido (art. 3º), pretendendo, inclusive, aplicar referidos ditames a pagamentos feitos anteriormente à edição da referida legislação, ao inserir redação no art. 4o, em que afirmara que essa norma teria caráter meramente interpretativo. Essa atribuição de caráter interpretativo do artigo 3º da Lei Complementar nº. 118/2005, trazida pela redação do inconstitucional artigo 4º (segunda parte) da mesma Lei, trouxe ao meio jurídico a discussão acerca da aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário, confrontando contribuintes e Fisco na busca por seus direitos em face da consideração do princípio da segurança jurídica. Ao passo em que os Tribunais de todo o país deram à Lei Complementar nº 118/2005 a interpretação de que a redução do prazo ali estipulada era válida e aplicavase desde a edição da lei, considerando ainda o caráter retroativo trazido pelo “efeito interpretativo” de seu artigo 3º, os contribuintes consideraram ofendido o princípio da irretroatividade da norma, sendo inconstitucional o dispositivo que determinava o caráter interpretativo do artigo 3º, considerandose o prazo prescricional aquele vigente na data da ocorrência do fato gerador. Foi para apaziguar esse conflito que o v. Acórdão proferido pelo Pretório Excelso, em apertada síntese, considerou descaracterizado o caráter interpretativo da norma sob debate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 4º da Lei Complementar nº 118/2005, segunda parte, e atribuindo ao artigo 3º da mesma Lei Complementar o status de nova norma, ressalvando a aplicação da mesma à relevância das situações jurídicas já existentes. Fl. 506DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 8 A ementa do julgado considerado como norte na solução de discussões que versem sobre a mesma matéria restou assim consignada: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº. 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA – NECESSIDADE DE OBSERVANCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DE PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/2005, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada do art. 150, §4º, 156, VII e 168, I do CTN. A LC 118/2005, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implica inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata as pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção e confiança e de garantia de acesso à justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08 (sic.), que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco, impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/058, considerandose válida a aplicação do novo Fl. 507DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 504 9 prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3º do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (STF RE. 566.621. Rel. Ministra Ellen Gracie. Dt. Jul. 04/08/2011. Dta. Publ. 11/10/2011). Para direcionar a conclusão que o caso concreto irá receber a partir da aplicação do julgado do STF, é necessário avaliar se o direito pleiteado pelo contribuinte se subsume ao entendimento exarado no Acórdão quanto aos seguintes aspectos abordados pela decisão: 1. Pretensões deduzidas tempestivamente, à luz do prazo aplicável na data da publicação da Lei (tese dos 5 + 5 anos, como comumente convencionouse chamar); ou 2. Pretensões deduzidas em até 120 (cento e vinte) dias após a publicação da Lei, ou seja, até 09.06.2005. Da análise dos autos, verificase que a situação do contribuinte interessado repousa na hipótese de nº “1” acima exposta, pois que o protocolo do Pedido de Restituição ora analisado foi efetuado muitos anos antes da edição da Lei Complementar nº 118/2005, mais precisamente em 28 de junho de 2002. Verificado que a Lei Complementar nº 118/2005 foi publicada em 09/02/2005, bem como, à constatação do fato de que a recorrente apresentou seu pedido de restituição muito antes de sua edição, ou mesmo do transcurso de sua vacatio legis (até 09/06/2005), emerge clara a conclusão de que a decisão proferida pelo Pretório Excelso abarca com a contagem do prazo de 10 anos para o pedido de restituição apresentado em período “tempestivo”, qual seja, até a publicação da Lei Complementar já mencionada, ou ainda, se pretendida em tempo de seu prazo de vacância. Outro trecho do referido julgado é expresso em esclarecer a situação posta à baila nestes autos: “Estando um direito sujeito a exercício em determinado prazo, seja mediante requerimento administrativo ou, se necessário, ajuizamento de ação judicial, temse de reconhecer eficácia à iniciativa tempestiva tomada pelo seu titular nesse sentido, pois tal resta resguardado pela proteção à confiança.” Assim sendo, quanto a essa matéria afasto a decadência declarada na decisão recorrida, para considerar tempestivo o pleito do contribuinte à restituição quanto aos fatos geradores anteriores aos 10 anos da data do protocolo do pedido sob análise. 2. Isenção das sociedades civis de profissão regulamentada no período anterior a abril/1997: Neste ponto, há que se concordar com a contribuinte, uma vez que o inciso II, do art. 6º, da LC nº 70/91 estabelece a isenção de COFINS às sociedades civis de profissão Fl. 508DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 10 regulamentada, tratadas pelo DecretoLei 2.397/87, não fazendo menção à forma de tributação adotada pelas mesmas. Para sustentar tal entendimento, fazse necessário colacionar a Súmula 276 do STJ: Sumúla 276. “As sociedade civis de prestação de serviços profissionais são isentas da Cofins, irrelevante o regime tributário adotado.” (grifouse) Resta claro, portanto, que a pretensa isenção de COFINS pleiteada pela contribuinte é justa, não se fazendo necessária a comprovação do regime tributário exigido pela decisão a quo, a qual negou o direito ao indébito perseguido pelo contribuinte, por considerar que o mesmo não possuía o regime de tributação necessário à concessão da isenção (que deveria ser a tributação dos resultados na pessoa física). A análise da decisão da DRJ dá conta de que a isenção da COFINS para referido período foi rejeitada sob o fundamento de que o instituto deixou de existir pelo fato da Recorrente ter optado por submetido a tributação dos lucros por um dos regimes da pessoa jurídica, fato que faz com que deixasse de gozar da isenção da COFINS, pois que esta somente existiria pelo “espírito” de que referidas sociedades civis de profissão regulamentada eram apenas uma extensão das atividades das pessoas físicas. Não penso assim. Na realidade a isenção foi concedida expressamente pela Lei Complementar, que regulou inteiramente a matéria relativa à COFINS, e que previu apenas a vinculação ao faturamento, nem nada mencionar o regime de tributação do lucro, pelo imposto de renda das pessoas jurídicas, e não há como condicionar a isenção de um tributo, por correlacionamento à tributação de um outro tributo, baseado apenas numa análise “teleológica”, ou por mera analogia. Neste sentido, sendo a questão alvo de decisão sedimentada por Súmula de Tribunal Superior (STJ), tenho como simples a solução da controvérsia neste tocante, pelo que, respeitado o fato de que a Autoridade preparadora deverá verificar os recolhimentos ditos como indevidos – bem como seu quantum, é de se reconhecer o direito à isenção de recolhimento da COFINS pelo sujeito passivo, independentemente do regime de tributação adotado pela mesma, nos termos do que determina o art. 62A, do Regimento Interno desta Casa. Não se desconhece que referida Súmula do STJ foi revogada em virtude de posterior decisão do Plenário do Pretório Excelso (STF), razão pela qual, se limite o período do indébito pleiteado pela recorrente até o início da vigência da Lei 9.430/96 que revogou a isenção da COFINS que vinha veiculada no inciso II, do art. 65º da LC 70/91. Todavia, para os períodos anteriores à entrada em vigor da Lei 9.430/96, estava em vigor a isenção e isto independia do regime de tributação do lucro a que estava sujeito o contribuinte, segundo firmado pelo STJ na revogada Súmula 276, já citada. Portanto, o pleito do contribuinte cingese ao período compreendido entre a data do pedido e a data de entrada em vigor da Lei n° 9.430/96 e o óbice do regime de apuração do lucro é afastado pelo entendimento jurídico emanado da Súmula 276 do STJ, que embora revogada, o fora, sabidamente, pelo fato de ter entendido o STF que a LC n° 70/91 era materialmente uma Lei Ordinária, e, como tal, estava apta a ser revogada pela Lei n° 9.430/96 que formalmente era uma Lei Ordinária, não havendo falarse em hierarquia entre tais normas em razão da especialidade em função da competência da matéria. Fl. 509DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 505 11 Desta forma, a discussão que culminou na subseqüente revogação da Súmula 276 do STJ, pela decisão Plenária do STF, centrouse na questão da hierarquia das Leis, não afetando o regime de tributação o lucro como condicionante ao gozo do direito à isenção. Ante o exposto, afastase o referido óbice, para que seja analisado o pleito de restituição, sem aplicarse o condicionante do regime de tributação do lucro. 3. Isenção das sociedades civis de profissão regulamentada no período posterior a abril/1997: Diferente do que ocorre para o período anterior a abril de 1997, uma vez que o art. 56 da Lei nº 9.430/96 revogou a isenção concedida pela LC n° 70/91, para o período subseqüente o direito aplicável não é o mesmo. Quanto à possibilidade de revogação da isenção de COFINS concedida às sociedade civis de prestação de serviços profissionais, o STF firmou seu posicionamento neste sentido: “E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO SOCIEDADE CIVIL DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PROFISSIONAIS RELATIVOS AO EXERCÍCIO DE PROFISSÃO LEGALMENTE REGULAMENTADA COFINS MODALIDADE DE CONTRIBUIÇÃO SOCIAL OUTORGA DE ISENÇÃO POR LEI COMPLEMENTAR (LC Nº 70/91) MATÉRIA NÃO SUBMETIDA À RESERVA CONSTITUCIONAL DE LEI COMPLEMENTAR CONSEQÜENTE POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DE LEI ORDINÁRIA (LEI Nº 9.430/96) PARA REVOGAR, DE MODO VÁLIDO, A ISENÇÃO ANTERIORMENTE CONCEDIDA PELA LC Nº 70/91 INEXISTÊNCIA DE VIOLAÇÃO CONSTITUCIONAL A QUESTÃO CONCERNENTE ÀS RELAÇÕES ENTRE A LEI COMPLEMENTAR E A LEI ORDINÁRIA INEXISTÊNCIA DE VÍNCULO HIERÁRQUICONORMATIVO ENTRE A LEI COMPLEMENTAR E A LEI ORDINÁRIA ESPÉCIES LEGISLATIVAS QUE POSSUEM CAMPOS DE ATUAÇÃO MATERIALMENTE DISTINTOS DOUTRINA PRECEDENTES (STF) RECURSO DE AGRAVO IMPROVIDO” (RE 573.255AgR, Rel. Min. Celso de Mello, Segunda Turma, DJ 23.5.2008). Assim, restou decidido pelo Supremo Tribunal a inexistência de hierarquia de leis no ordenamento jurídico brasileiro, devendo prevalecer a competência especifica relativa a cada espécie normativa. Neste sentido, ensina Celso Ribeiro Bastos, em seu livro Curso de Direito Constitucional: “Não existe hierarquia entre as espécies normativas elencadas no artigo 59 da Constituição Federal. Com exceção das Emendas, todas as demais espécies se situam no mesmo plano. A lei complementar não é superior à lei ordinária, nem esta é superior à lei delegada, e assim por diante. O que distingue uma Fl. 510DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR 12 espécie normativa da outra são certos aspectos na elaboração e o campo de atuação de cada uma delas.” Sob tais fundamentos, e em respeito ao que emana da Corte Suprema, não há que se falar em impossibilidade de revogação de norma da LC 70/91, pelo art. 56 da Lei 9.430/96, sob a pretensa alegação de que lei ordinária não pode revogar norma de lei complementar, devendose, em cumprimento do art. 62A, do RICARF, simplesmente aplicar referido entendimento, de modo que a partir de abril de 1997, falece o pedido de substrato jurídico e deve ser indeferido. 4. Da homologação tácita das compensações: Analisando, por fim, a questão trazida pelo sujeito passivo na qual aduz que, mais precisamente, 04 (quatro) declarações de compensação protocolizadas entre agosto e setembro de 2002 deixaram de ser abrangidas pela “acertada” decisão da DRJ, tenho, conforme os próprios documentos acostados pelo contribuinte em seu recurso, que resta comprovado que os referidos pedidos foram protocolizados dentro do período na qual a própria DRJ entendeu como passível de homologação tácita (pelas razões naquele Acórdão já esposadas), bem como, de que as citadas compensações, se referem ao Pedido de Restituição aqui discutido. Não é claro, e nem ficou expressamente mencionado, o porquê dessas 04 (quatro) declarações de compensação não especificamente citadas pela Instância de Julgamento a quo no voto do acórdão recorrido, todavia, conforme mencionado, estando os documentos trazidos pelo contribuinte, hábeis a comprovar que se referem ao pedido de restituição aqui debatido, bem como de que estão as mesmas dentro do prazo considerado como “de homologação tácita”, ou seja, antes de Out/2003 – como expressamente consignado no voto da DRJ , há de receberem o mesmo destino das outras compensações já analisadas por aquela Delegacia de Julgamento, e pelos mesmos fundamentos. Assim, devem, nos mesmos termos do que lá já foi fundamentado, serem consideradas homologadas tacitamente, eis que incide na espécie o §5, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, pelo transcurso do prazo superior a 05 anos entre a transmissão ou protocolo das declarações de compensação e a data da ciência do despacho que as analisou. 5. Do retorno dos autos à Instância “a quo”: Na esteira das considerações acima, em face do afastamento da decadência do pedido de restituição ora reconhecido e da inexistência da condicionante relativa ao regime de tributação do mesmo, tenho que o feito deva retornar à instância “a quo” a fim de que seja analisado o mérito do pedido de restituição, para que se aquilate a existência de crédito a restituir ou compensar, quanto a existência do indébito pleiteado, legitimidade, montante e disponibilidade dos créditos (descontadas as compensações já homologadas tacitamente). Assim, para se evitar a supressão de instância e, consequentemente, o cerceamento do direito de ampla defesa e contraditório do sujeito passivo – que possui o direito subjetivo de ter todos os fatos analisados em duas instâncias de julgamento administrativo , tenho que o afastamento da decadência e a solução quanto ao também afastamento da condicionante considerada pela DRJ (quanto ao regime para gozo da isenção), deve conduzir ao retorno do julgamento à instância “a quo”, que pode determinar a realização dos cálculos pertinentes, se o caso, a fim de aquilatar a liquidez, certeza, exigibilidade, assim como a existência, legitimidade e montante dos créditos restituiendos, excedentes àqueles que devam ser imputados às compensações já tacitamente homologadas. Dispositivo: Fl. 511DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR Processo nº 11831.003931/200273 Acórdão n.º 3402002.316 S3C4T2 Fl. 506 13 Ante ao exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, nos termos das exposição anterior. É como voto. (Assinado digitalmente) João Carlos Cassuli Junior Relator Fl. 512DF CARF MF Impresso em 11/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSULI JUNIOR, Assinado digitalmente em 18/0 3/2014 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO, Assinado digitalmente em 11/03/2014 por JOAO CARLOS CASSUL I JUNIOR
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Numero do processo: 10880.923794/2009-13
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento.
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO.
Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência.
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso a que se nega provimento.
Numero da decisão: 3802-003.375
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim - Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios - Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO REALIZADA PELO SUJEITO PASSIVO. INCIDÊNCIA DE ACRÉSCIMOS MORATÓRIOS SOBRE O CRÉDITO TRIBUTÁRIO JÁ VENCIDO NO MOMENTO DA PROTOCOLIZAÇÃO DA DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. Vencido o crédito tributário incidem sobre o mesmo os juros de mora e a multa de mora, que passam a integrar o crédito em favor da Fazenda Pública. Na compensação efetuada pelo sujeito passivo o débito será, pois, considerado na situação em que é apresentada a declaração de compensação, ou seja, sujeito à incidência de multa e de juros moratórios se já vencido naquele momento. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. DÉBITO NÃO QUITADO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Um dos pressupostos essenciais à denúncia espontânea é a quitação do débito, sem a qual não há como caracterizar o instituto em evidência. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA NÃO DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 92 37 94 /2 00 9- 13 Fl. 106DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano Damorim Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Francisco José Barroso Rios, Mércia Helena Trajano Damorim, Solon Sehn e Waldir Navarro Bezerra. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 6a Turma da DRJ São Paulo I (fls. 73/77 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada contra o não reconhecimento do direito creditório pleiteado mediante declaração de compensação, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2001 DIREITO CREDITÓRIO. NECESSIDADE DE PROVA Incumbe ao sujeito passivo, na forma da legislação em vigor, demonstrar por meio de documentação contábil idônea a existência do direito creditório informado em declaração de compensação. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA Não havendo provas da existência do crédito utilizado, devese negar homologação à compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado, o contribuinte formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Inconformado, o sujeito passivo apresentou manifestação de inconformidade onde alegou, em síntese: a) que a interposição do recurso em apreço suspende a exigibilidade do crédito tributário a que alude o despacho decisório, consoante dispõe o art. 151, inciso III, do CTN; b) que a RFB entendeu não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados no PER/DCOMP porque não reconheceu o crédito declarado pela empresa em DCTF retificadora; Fl. 107DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923794/200913 Acórdão n.º 3802003.375 S3TE02 Fl. 107 3 c) que não protocolou o PER/DCOMP na data de vencimento do tributo porque ainda não haviam sido disponibilizados o programa e as respectivas instruções de preenchimento, o que só viria a ocorrer mais tarde, com a edição da IN SRF n° 320, de 11/04/2003; d) além disso, não havia à época determinação legal para enviar o PER/DCOMP na referida data de vencimento, o que, em face dos princípios da proporcionalidade e da moralidade, aos quais se subordina a Administração Pública, afasta a possibilidade de exigir da empresa multa e juros; e) em suma, não tendo havido nenhuma lesão aos cofres federais, a eventual exigência de multa e juros de mora por mero erro formal acarretaria o enriquecimento ilícito da Fazenda Pública; f) a revelarse insuficiente a argumentação acima, resta assinalar que houve extinção do crédito tributário via compensação sem nenhum conhecimento ou ação do Fisco Federal, o que configura denúncia espontânea, situação que, nos termos do artigo 138 do CTN, exime a requerente da multa moratória, consoante atestam a jurisprudência e a doutrina referenciadas. A decisão de primeira instância, como já mencionado, indeferiu a manifestação de inconformidade, em síntese, com base na inexistência, nos autos, de qualquer documentação capaz de atestar a liquidez e a certeza do crédito tributário alegado. A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 27/06/2011 (fls. 79). Inconformada, a mesma apresentou, em 27/07/2011, o recurso voluntário de fls. 80/100, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, requerendo, ao final, seja dado provimento ao seu recurso com a conseqüente homologação da compensação vislumbrada, bem como a exclusão de qualquer incidência tributária adicional decorrente da compensação realizada. É o relatório. Voto O recurso merece ser conhecido por preencher os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Conforme relatado, vêse que a contenda envolve aduzido direito creditório com base no qual o sujeito passivo formalizou declaração de compensação que, todavia, não foi homologada em virtude de o pagamento apontado como origem do crédito já haver sido integralmente utilizado para fins de quitação de débitos da interessada. Nos autos não está comprovada, minimamente, a existência do crédito reclamado. Conforme consignado na decisão de primeira instância, a recorrente não apresentou nenhuma documentação necessária à comprovação do reclamado direito, situação que se repete na presente instância recursal. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 4 A compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Assim, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. Para tanto, não é suficiente a simples apresentação de DCTF retificadora, a menos que a mesma esteja lastreada por documentação idônea comprobatória do erro, o que não foi minimamente observado nos autos. A não comprovação da certeza e da liquidez dos reclamados créditos não poderia redundar na extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Com relação à pleiteada suspensão do crédito tributário objeto deste processo, ressaltese que tal está previsto no § 11 do artigo 74 da Lei nº 9.430/96, segundo o qual “a manifestação de inconformidade e o recurso de que tratam os §§ 9º e 10 obedecerão ao rito processual do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e enquadramse no disposto no inciso III do art. 151 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional, relativamente ao débito objeto da compensação”. Por sua vez, o inciso III do artigo 151 do CTN estabelece que suspendem a exigibilidade do crédito tributário, dentre outros, “as reclamações e os recursos, nos termos das leis reguladoras do processo tributário administrativo”. Consequentemente, muito embora, uma vez inadmitida a compensação pleiteada pela recorrente, seja legítima a cobrança dos créditos tributários que esta intentava extinguir por compensação, a exigência permanece suspensa até o fim da presente demanda administrativa, por força do inciso III do artigo 151 do Código Tributário Nacional. No que diz respeito às alegações formalizadas pela interessada sobre a vigência das instruções normativas que tratavam da matéria e inerente aos acréscimos legais sobre os débitos em aberto, apresento, abaixo, as razões pelas quais entendo que também no que diz respeito aos aludidos argumentos não merecem ser acolhidas as alegações do sujeito passivo. Com a edição da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002 (publicada no DOU de 30/08/2002), posteriormente convertida na Lei nº 10.637, de 31/12/2002, o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 30/12/2002, ganhou nova redação segundo a qual as formas de compensação anteriormente existentes foram substituídas pela autocompensação declarada, efetuada mediante a entrega de Declaração de Compensação – DCOMP, onde deverão constar as informações sobre os créditos utilizados e os respectivo débitos compensados, com efeito extintivo do crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Essa nova forma de compensação passou a viger a partir de 1º/10/2002, conforme disposto no artigo 63, inciso I, da Medida Provisória nº 66/2002. A fim de disciplinar a nova sistemática inaugurada pela aludida Medida Provisória, a Secretaria da Receita Federal editou a Instrução Normativa nº 210, de 30/09/2002 (DOU de 1º/10/2002), a qual, em relação às datas a serem consideradas na compensação, estabeleceu o seguinte no que é relevante para a presente contenda: Art. 28. A compensação deverá ser efetuada considerandose as seguintes datas: Fl. 109DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM Processo nº 10880.923794/200913 Acórdão n.º 3802003.375 S3TE02 Fl. 108 5 I do pagamento indevido ou a maior que o devido, no caso de restituição, ressalvadas as hipóteses seguintes; II do ingresso do pedido de ressarcimento, quando destinado à compensação com débito vencido; III do vencimento do débito, quando o pedido de ressarcimento houver ocorrido antes dessa data; [...] (grifo nosso) A redação do aludido artigo 28 da IN SRF nº 210/2002 foi alterada posteriormente pela IN SRF nº 323, de 24/04/2003, vigente a partir de 28/05/2003. Segundo a nova redação, “na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão acrescidos de juros compensatórios [...] e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos moratórios, na forma da legislação de regência, até a data da entrega da Declaração de Compensação”. Esta determinação ainda continua em vigor, nos termos do art. 431 da Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20/11/2012. Portanto, para fins de quitação de débito tributário em aberto sem a incidência dos encargos legais (juros de mora e multa de mora), a declaração de compensação deve ser apresentada até a data do vencimento do referido débito. Com efeito, vencido o débito e não quitado o mesmo incidem os correspondentes encargos previstos na lei. A partir de então o crédito tributário passa a ser constituído pelo principal acrescido de juros de mora e de multa de mora, não tendo a declaração de compensação apresentada posteriormente o caráter de desconstituir parcialmente aludido crédito pela exclusão dos encargos. Ademais, merece ser ressaltado que não existia nenhuma impossibilidade normativa ou técnica que viesse impedir a suplicante de apresentar o pedido de compensação. De fato, conforme ressaltado pela instância recorrida, muito embora e IN SRF nº 320/2003, que introduziu o procedimento eletrônico de declaração – versão 1.0 do PER/DCOMP – só tenha entrado em vigor em 14/05/2003, isso não justifica a inação do sujeito passivo, já que a matéria era regulada completamente pela IN SRF nº 210/2002, que previa a entrega da declaração em formulário de papel. Por fim, no que concerne à reclamada caracterização de denúncia espontânea, tal argumentação não pode ser acatada principalmente pelo fato de inexistir pressuposto essencial para a caracterização do instituto em tela, qual seja, o pagamento do tributo, como se depreende do disposto no artigo 138 do CTN, abaixo transcrito: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos 1 Art. 43 . Na compensação efetuada pelo sujeito passivo, os créditos serão valorados na forma prevista nos arts. 83 e 84 e os débitos sofrerão a incidência de acréscimos legais, na forma da legislação de regência, até a data de entrega da Declaração de Compensação. § 1º A compensação total ou parcial de tributo administrado pela RFB será acompanhada da compensação, na mesma proporção, dos correspondentes acréscimos legais. § 2º Havendo acréscimo de juros sobre o crédito, a compensação será efetuada com a utilização do crédito e dos juros compensatórios na mesma proporção. § 3º Aplicamse à compensação da multa de ofício as reduções de que trata o art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, salvo os casos excepcionados em legislação específica. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM 6 juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifo nosso) Diante do não pagamento do tributo ou de sua quitação via compensação legítima, desnecessário tecer maiores comentários à respeito do assunto. Da conclusão Por todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 111DF CARF MF Impresso em 13/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/ 08/2014 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por MERCIA HELENA TRAJA NO DAMORIM
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Numero do processo: 10380.732631/2011-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jul 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO.
PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE.
Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação.
ARBITRAMENTO DO LUCRO.
O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal.
MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO.
A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos.
Numero da decisão: 1301-001.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
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Recorrente REGINA AGROINDUSTRIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 73 26 31 /2 01 1- 89 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE. Depreendese do presente processo administrativo que em desfavor da ora recorrente foram lavrados autos de infração relativos ao IRPJ e seus reflexos em relação ao anocalendário 2008. A Fiscalização registrou por meio do TVF, que a despeito da indicação da opção pelo lucro presumido na DIPJ, a recorrente estava impedida de adotar tal regime, por desatendimento das condições previstas no art. 46 da Lei 10.637/2002 e art. 26 § 1° da Lei 9.430/96, em função do limite de receita bruta e da ausência de recolhimento do IRPJ, respectivamente, sujeitandose portanto ao lucro real. Dito isso, assinalouse que ao consultar os dados do sistema de arrecadação federal (SINAL), não se encontrava nenhum recolhimento feito pela recorrente no período citado (fls. 68 a 82), ausência esta que seria também revelada nos bancos de dados dos sistemas DACON, em relação à apresentação dessa declaração, assinalandose que as DCTF do período foram entregues sem nenhuma informação de débito, contendo apenas os dados cadastrais da empresa, sendo que essa conduta demonstraria a intenção deliberada dos representantes da pessoa jurídica em apreço de omitir do conhecimento do Fisco Federal os elementos essenciais à apuração dos fatos geradores de suas obrigações tributárias, conduta esta que seria prática reiterada dos seus representantes, conforme já constatado em fiscalizações anteriores encerradas em 2004 (processo 10380.004990/200413) e 2007 (processo 10380.011537/2007 14), que resultaram em arbitramento do lucro. Mencionou a Fiscalização que a indiferença da empresa também ocorre em relação ao dever de escriturar e de apresentar os livros de sua contabilidade, eis que no curso da ação fiscal diversas foram as intimações e reintimações formuladas, mediante os termos próprios lavrados em 18/02/2011, 08/04/2011, 04/05/2011, 21/06/2011 e 21/07/2011, para a apresentação dos livros com a escrituração contábil da empresa, bem como as demonstrações financeiras (fls. 53 a 62), inclusive, em meio magnético, na forma como preconiza o art. 265, parágrafo único, do RIR/99 (Decreto n° 3000/99). Porém, durante todo esse período, a empresa Fl. 377DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 3 3 limitouse a entregar o livro fiscal de apuração do ICMS do seu estabelecimento matriz, além de mapas gerenciais de controle interno, indicando o faturamento de sua filial em Mossoró/RN. Diante da falta de atendimento das intimações, após decorridos mais de oito meses da intimação inicial para a apresentação, sem sucesso, dos livros e arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil e fiscal da empresa, a Fiscalização compareceu, em 28/10/2011, à sede do estabelecimento da recorrente, onde, por parte de seu contador Sr. Manuel Estevam Lima CRC n° 002155/OT6, foram disponibilizados os livros Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, sem terem apresentado os Livros Razão, o LALUR e as Demonstrações Financeiras (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício), nem os arquivos magnéticos da sua contabilidade no formato/leiaute da IN SRF 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS n° 15/2001. Tais fatos foram objeto Termo de Constatação, lavrado naquela ocasião e na presença do contador supracitado que também o assinou (fls. 63 a 65), em diante de tais circunstâncias, concluiu a Fiscalização que a empresa não apresentou os livros ou arquivos magnéticos contendo a sua escrituração contábil e fiscal (Razão, LALUR e Demonstrações Financeiras), inerentes às suas operações realizadas durante o ano de 2008, necessários à apuração do lucro real, na forma como preconizada na legislação comercial e fiscal, impondo se o arbitramento para fins de apuração do lucro sujeito ao IRPJ e à CSLL, adotandose por base a receita bruta conhecida a partir dos dados escriturados nos registros de apuração do ICMS do período, bem como o informado pela própria empresa pelos seus relatórios gerenciais de vendas, que integram o presente auto de infração. Por fim, considerando que os fatos em relato denotariam o intuído sonegatório perpetrado pela empresa tanto em relação à obrigação de pagar os tributos, como em relação à prestação de informações (obrigações acessórias) de interesse do Fisco, aplicouse a multa qualificada de 150% (cento e cinquenta por cento) de que trata o art. 44, § 1° da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488/07. Foram efetivados os lançamentos reflexos de CSLL, COFINS e PIS/Pasep que decorreram exclusivamente da omissão de receitas apurada com base no livro de apuração do ICMS. A contribuinte foi devidamente cientificada das imputações fiscais (fls. 04, 21, 33 e 39), e apresentou Impugnação (fls. 165/185), alegando em síntese que em relação ao livro Razão, embora não encadernado, estava à disposição da outra autoridade fiscal, do mesmo órgão e que foram impressos 07 volumes, contendo 7.702 folhas, nas quais estariam registrados todos os lançamentos pertinentes ao Custo, Despesas, Receitas e Caixa, conforme exposto no Demonstrativo dos Razões Impressos (Doc. n° 84.12 fl. 34), e constatação de forma sintetizada pelo termo de abertura, primeira e última folha, e termo de encerramento de cada livro (Doc. n° 84.13 fls. 35 a 62), sendo entregues, àquela autoridade no cumprimento das intimações retromencionadas. Insistiu que havendo elementos que permitiam ao fisco apurar o seu Lucro Real ou Prejuízo, elementos estes que teriam sido desprezados pelo agente, seria nulo o presente lançamento, afirmando que não se pode admitir que a falta de encadernação do livro razão seja motivo suficiente para aplicar ao contribuinte a pena máxima do arbitramento, pois tal medida não foi senão uma forma do agente fazendário deixar de desincumbir do ônus de analisar uma quantidade enorme de documentos, embora soubesse ele que ali estavam os elementos necessários à apuração do Lucro Real. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 Aduziu que a empresa vem passando por dificuldades financeiras e que o fato do envio das declarações (DCTF, DACON, DIPJ, etc), encaminhadas de forma inadequada a preconizada na legislação tributária que rege às empresas de Lucro Real, resultante da mudança da tecnologia da informação que a empresa teve que proceder para cumprir convenientemente suas obrigações acessórias e, quando a fez, ficou impossibilitada diante a pendência existente no processo de Certificação Digital, salientando que a legislação tributária não distingue entre a obrigação de pagar tributo daquela imposta para o pagamento de multa ou penalidade pecuniária, como se pode constatar da análise do dispositivo do Código Tributário Nacional (artigo 113, §§ 1°, 2° e 3°) e, portanto, sendo a multa fiscal uma longa manus do próprio tributo, criada apenas para lhe dar efetividade, todos os princípios e vedações ao poder de tributar pertinentes ao tributo também terão incidência sobre a multa de natureza tributária, razão pela qual estabelecer penalidade pecuniária em percentual superior a 20% encerra caráter totalmente confiscatório. Reputou que sendo a multa obrigação acessória a principal, por força do dispositivo legal antes mencionado, deve a obrigação tributária ser advinda exclusivamente de Lei e/ou Lei Complementar, submetendose ao Princípio Constitucional da Anterioridade da Lei, verificando que o Termo de Início de Fiscalização (Doc. n° 84.14 Fls. 63 e 64), conteria vício formal insanável, já que sua lavratura foi datada de 18/02/2010 e, o documento que instaura os procedimentos fiscais relativos a tributos federais administrados pela Receita Federal do Brasil, no caso, Mandado de Procedimento Fiscal (MPF), é de 14 de fevereiro de 2011, portanto, trezentos e sessenta e um (361) dias antes do precitado documento (Doc. n° 84.15 Fl. 65). Afirmou que outro ato inconsequente apresentado neste processo, tratase da descrição dos fatos promovida pela Fiscalização, porquanto teria mencionado o arbitramento da CSLL, consoante anexo (Doc. n° 84.04 Fl. 10), entretanto, abordando assunto relacionado ao PIS e COFINS. Aduziu ainda, que estaria em andamento o julgamento final da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, sustentando que pretendia assegurar seu direito no recalculo do crédito apurado nestas contribuições, por comungar da tese que o ICMS, tecnicamente falando, não seria receita da Empresa, apresentando no mérito, os pontos de discordância e as razões e provas que possuiria. Por fim, mencionar o desconforto gerado pelo conflito de intimação lavrado por duas autoridades distintas, do mesmo órgão, no mesmo período, com interesses contrários (tributos e contribuições previdenciárias), inerentes ao mesmo Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) n° 03.1.01.002010.00246 (Doc. n° 84. 15 Fl. 65), o que caracterizaria a limitação do direito constitucional do contraditório e ampla defesa, eis que o entendimento da fiscalização apontado em todo processo administrativo tributário (auto de infração), quer na descrição dos fatos e enquadramento legal dos tributos (IRPJ e CSLL), quer nas contribuições (COFINS e PIS), contradiz com o relato exposto nos tópicos 10 e 11 da peça impugnatória, o que tornaria numa infração administrativa de inadimplemento, pois estão preenchidos todos os requisitos legais de apuração com base no lucro real conceituado no Art. 247 e parágrafos, do RIR/99. Argumentou que o arbitramento promovido não satisfaria nenhum dos requisitos autorizadores porquanto: i) colocou à disposição da auditoria fiscal, consoante o relato no próprio Termo de Verificação Fiscal, o livro Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, todos devidamente autenticados na Junta Comercial do Estado do Ceará, nas datas de: 06/10/2010, 13/10/2010 e 04/01/2011, datas anteriores ao da incorporação real do precitado auditor fiscal, no Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (14/02/2011), onde constam o desmembramento das contas de forma diária com o objetivo de identificar o Lucro Líquido pelo método real; ii) demonstrará, quando da perícia, acompanhada por perito e Fl. 379DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 4 5 auditor fiscal o desmembramento da conta caixa e justificará o movimento bancário no livro auxiliar segundo requisito que leva o auto à improcedência; iii) toda a documentação dos lançamentos de forma detalhada ou resumida — onde se identifica perfeitamente o lucro líquido — esteve à disposição de outra autoridade fiscal, do mesmo órgão e sob a mesma manta do Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização (MPFF) em questão, desde a data da ciência no Termo de Início de Procedimento Fiscal (07/04/10) até a data da ciência do lançamento do crédito previdenciário (09/12/2011); oito dias portanto, posterior, a data da ciência do lançamento do presente crédito tributário lavrado pela autoridade deste processo (01/12/2011); iv) a contabilidade inerente às suas operações realizadas durante o ano de 2008 foi dada como imprestável à apuração do lucro real, na forma preconizada na legislação comercial e fiscal, impondose a aplicação do regime de arbitramento para fins de apuração do lucro sujeito ao IRPJ e à CSLL, pelo simples fato da não apresentação à Fiscalização dos livros ou arquivos magnéticos em poder do Auditor Fiscal (Milton Miranda Viegas – Matrícula 00880030 / 1142253), fato comunicado verbalmente, por várias oportunidades, ao Auditor Fiscal (Edson Moreira Teixeira – Matrícula 00024301/0118213), que permitiria facilmente identificar toda movimentação financeira da contribuinte e visualizar claramente os prejuízos acumulados. Citou doutrina que entende aplicável e aduziu que de acordo com o artigo 148 do CTN, enquanto não esgotados todos os demais meios facultados à autoridade, para proceder ao cálculo do tributo, estará ela impedida de aplicar o recurso do lançamento por arbitramento e reputou que não haveria como justificar que tais documentos, sirvam para uma autoridade fiscal do mesmo órgão, sob o mesmo Mandado de Procedimento Fiscal, realizando fiscalização atinente ao mesmo período (2008), embora que fosse da área previdenciária, reconhecer como válido o livro Diário e o livro Razão e, seja desconsiderado por outra agente que atua na área de tributos/contribuições. Mencionou ainda haver elementos que permitem ao fisco apurar o pífio lucro real, do anocalendário 2008, e reconhecer o montante significativo do prejuízo acumulado até então, elementos estes que foram, desprezados pelo agente, de sorte que não haveria falar em sonegação fiscal da recorrente. Após citar alguns precedentes judiciais que entende aplicáveis à espécie, defendeu a contribuinte que impunhase a realização de prova pericial nos termos do Art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, haja vista que o Auditor Fiscal, alicerçou toda apuração do crédito tributário do processo em questão por meio de arbitramento do lucro, quando poderia adotar a forma de apuração do lucro real, inviabilizando o plano de superação da situação de crise econômico/financeira da autuada, aduzindo que o livro Diário e Razão, em conjunto com os documentos que lastreiam as operações realizadas e lá lançadas são, em razão do volume (mais de 30.000 documentos), impossíveis de serem anexados e aportados na impugnação. A 4ª Turma da DRJ em Fortaleza/CE, nos termos do acórdão e voto de folhas 274 a 292, julgou o lançamentos procedentes em aresto que ficou assim ementado: [...] ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. DIREITO DE DEFESA. PREJUÍZO CONCRETO. PROVA. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Não incide em nulidade do procedimento fiscal ou do lançamento tributário devido a alegado cerceamento do direito de defesa quando o contribuinte não demonstra a existência de prejuízo concreto para a elaboração de sua impugnação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 ARBITRAMENTO DO LUCRO. O imposto será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando o contribuinte, obrigado à tributação com base no lucro real, não mantiver escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ou deixar de elaborar as demonstrações financeiras exigidas pela legislação fiscal. ARBITRAMENTO DO LUCRO. LIVRO RAZÃO. APRESENTAÇÃO NA IMPUGNAÇÃO. Não existe arbitramento condicional. A apresentação, em sede de impugnação, de parcela do Livro Razão, cuja ausência ensejou o arbitramento do lucro, não tem o condão de invalidar o lançamento tributário. ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Anocalendário: 2008 COFINS. PIS/PASEP. ICMS. FATURAMENTO OU RECEITA BRUTA. INTEGRAÇÃO. O ICMS cobrado nas operações próprias integra o conceito de faturamento ou receita bruta. COFINS. PIS/PASEP. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO. IMPOSSIBILIDADE. Para fins de determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, o ICMS pode ser excluído da receita bruta apenas quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 CONFISCO. CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Não cabe ao órgão administrativo de julgamento a discussão sobre constitucionalidade de lei, que autoriza a cobrança de multa de ofício nos percentuais ali indicados, salvo quando ela já tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. MULTA DE OFÍCIO. QUALIFICAÇÃO. A pena pecuniária deve ser qualificada diante de omissão reiterada do contribuinte consistente em não escriturar e apresentar seus livros contábeis ao agente fazendário, além de Fl. 381DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 5 7 não confessar nenhum débito tributário em sua DCTF, apesar de ter auferido vultosos rendimentos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido [...] Cientificada da decisão desfavorável, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 304 324), relatando os fato sucedidos, insistindo na preliminar de nulidade e defendendo, em termos coincidentes aos já relatados, a impossibilidade do arbitramento promovido e a inaplicabilidade da multa qualificada. É o relatório. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 8 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos genéricos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Tal como registrado no relatório acima circunstanciado, tratase de autos de infração referentes ao IRPJ e seus reflexos, atinentes ao anocalendário 2008, lavrados mediante o arbitramento do lucro promovido ante constatada recusa da contribuinte em apresentar os elementos de escrituração que lhe foram solicitados. Como também registrado no relatório acima, a contribuinte apresentou Impugnação sustentando o descabimento do arbitramento, aduzindo ser possível apurar o eventual lucro real do período, insurgindose contra a utilização do ICMS na apuração do PIS e da COFINS, refutando a multa aplicada no patamar de 150% e apresentando outras tantas considerações. Tendo em vista que em boa medida o Recurso Voluntário se ocupa de reavivar as alegações rechaçadas pela decisão recorrida, entendo por bem analisar por tópico o inconformismo da contribuinte, tal como constante em sua peça recursal. I – PRELIMINARES I. 1 – Da Nulidade Sede preliminar postula a contribuinte a “nulidade absoluta” dos autos de infração, porquanto o Mandado de Procedimento Fiscal que lhes albergaria seria extemporâneo. Para concluir pela dita nulidade, sustenta a contribuinte que o ato administrativo que seria decorrente do MPF nº 03.1.01.002010002460, que teria dado suporte aos autos de infração aqui apreciados, não poderia acobertar o início dos trabalhos de fiscalização, eis que sua lavratura teria se dado 18/02/2010, enquanto o documento que autorizaria o procedimento fiscal, o MPF de folha 253, seria de 14/02/2011, ou seja, quase um ano depois. Em resumo, portanto, a recorrente pugna pela nulidade considerado vício formal insanável, eis que o Termo de Início de Fiscalização foi lavrado em 18/02/2010, ao passo que o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) é de 14/02/2011, portanto, a autorização para a ação fiscal ocorreu 361 dias depois da primeira intimação. Acerca da coincidente preliminar, assim se manifestou a decisão recorrida em trecho colhido da folha 281, in verbis: [...] A hipótese levantada pelo sujeito passivo falece de plausibilidade, pois seria altamente improvável que, quase um ano antes da autorização para inspecionar a pessoa jurídica, a autoridade fazendária previsse o futuro Fl. 383DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 6 9 procedimento fiscal, imprimisse a intimação (guardandoa em local seguro) e só cientificasse o contribuinte 361 dias depois. 13. Na espécie, o contribuinte não logrou êxito em demonstrar que o mero erro de fato na data da lavratura da intimação lhe causou qualquer prejuízo concreto, além do que a data de ciência do sujeito passivo (18/02/2011) que conferiu eficácia ao ato administrativo acarretou o saneamento da incorreção na sua data de impressão, na forma do artigo 61 do Decreto nº 70.235, de 1972, não se aplicando, pois, ao caso concreto o artigo 59 do mesmo Decreto. Logo, a falha no Termo de Início de Fiscalização é insuficiente para gerar nulidade do procedimento fiscal. [...] Não vejo como reparar o conteúdo decisório impugnado. Com efeito, mesmo que se verifique eventual divergência nas datas, e ainda que não se atribua a mero equívoco como o fez a decisão recorrida, é fato que nenhum prejuízo adveio ao contribuinte, que pode atuar em todo o procedimento fiscalizatório, tendo apresentado impugnação e recurso voluntário. À mingua de qualquer comprovação de prejuízo, advindo do cerceamento ao direito de defesa, a mera irregularidade apontada não satisfaz qualquer das hipóteses do artigo 59 do Decreto nº 70.235/72, razão pela qual não há falar em nulidade. I. 1 – Da impossibilidade de arbitramento Ainda em sede preliminar cuidou a contribuinte de postular a impossibilidade de, na espécie, a autoridade administrativa ter lavrado os autos de infração mediante arbitramento do lucro. Sustentou para tanto que dispõe de contabilidade formalizada, contendo Livro Diário e Razão, nos quais estão registrado todos os pagamentos e recebimentos do ano base 2008, o que se comprovaria pelo Termo de Constatação de fl. 215 dos autos eletrônicos, e ficaria ainda mais corroborada sua assertiva ao verificarse que no relato do TVF a autoridade administrativa teria afirmado que recebeu o Livro Diário da empresa. Insisti a recorrente que em relação ao Livro Razão, conquanto não o tenha encadernado à época, este estaria à disposição de outra autoridade administrativa, pertencente ao mesmo órgão, defendendo que foram impressos 7 volumes, nos quais estão registrados todos os lançamentos pertinentes aos custos, despesas, receitas e caixa. Aduziu ainda, que a legislação de regência disciplina de forma taxativa as hipóteses em que se permite o arbitramento do lucro e a consequente desconsideração do lucro real apresentado pelo contribuinte, concluindo que no seu caso não há elementos que permitam o combatido arbitramento, situação que indicaria a nulidade do auto de infração e da decisão objetada. Fl. 384DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 10 Muito embora me pareça que a questão do arbitramento seja o próprio mérito do presente processo, considerando que a contribuinte postula a nulidade do feito por alegada impossibilidade de utilização desta modalidade de apuração, necessário o enfrentamento considerado o pedido da contribuinte (de nulidade) aproveitando o ensejo, por inevitável, para verificar de fato a pertinência da medida. No mister do enfrentamento proposto, já antecipo que de nulidade não se cuida. Eventual impropriedade no critério de utilização do arbitramento é medida que imporá a improcedência da ação fiscal, que a esta altura se dará mediante provimento do Recurso Voluntário. Reafirmase, tal como registrado no tópico precedente, que as hipóteses de nulidade no âmbito do Processo Administrativo Fiscal são aquelas atinentes à preterição do direito de defesa ou incompetência da autoridade administrativa que praticou o ato, hipóteses seguramente ausentes na hipótese, razão pela qual, afasto a alegação de nulidade. No entanto, como já adiantado, mesmo que não implique em nulidade a questão do arbitramento merece ser aferida do ponto de vista material, para os fins de verificar se se autos de infração atendem aos critérios legais. Para tal verificação é oportuna a transcrição de breve trecho extraído do Termo de Verificação Fiscal (fl. 46 em diante), in verbis: [...] Em procedimento de fiscalização encerrada nesta data, ficou constatado que a empresa acima citada faturou, durante o anocalendário de 2008, em torno de R$ 113.045.445,00. Porém em que pese esse vultoso faturamento, nada recolheu à título de Imposto de Renda, Contribuição Social s/ o Lucro Líquido, PIS ou COFINS, sendo que as DCTF ( Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais) apresentadas limitavam a informar seus dados cadastrais, sem nenhum registro de débito tributário do referido período. Também permaneceu omissa em relação a apresentação das DACON (Declaração de Contribuições Federais). E, como se não bastasse, a declaração de rendimentos (DIPJ) apresentada para o citado exercício, assinalando o regime de Lucro Presumido, tem seu conteúdo totalmente em branco, indicando apenas os dados cadastrais da pessoa jurídica, omitindo por completo os números resultantes de suas atividades operacionais realizada naquele ano. Também não consta que a referida empresa tenha transmitido os arquivos de sua contabilidade para o banco de dados do SPED (Sistema Público de Escrituração Digital). Por oportuno, em que pese a indicação da opção pelo lucro presumido na DIPJ, cabe registrar que a empresa estava impedida de adotar tal regime, por desatendimento das condições previstas no art. 46 da Lei 10.637/2002 e art. 26 § 1º da Lei 9.430/96, em função do limite de receita bruta e da ausência de recolhimento do IRPJ, respectivamente, sujeitandose portanto ao lucro real. Com efeito, consultandose os dados do sistema de arrecadação federal (SINAL), não se encontra nenhum Fl. 385DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 7 11 recolhimento feito por esta empresa no período citado, (fls. 68 a 82), ausência esta que é também revelada nos bancos de dados dos sistemas DACON, em relação à apresentação dessa declaração. Por seu turno, as DCTF do período foram entregues sem nenhuma informação de débito, contendo apenas os dados cadastrais da empresa. Essa conduta bem demonstra a intenção deliberada dos representantes da pessoa jurídica em apreço, de omitir do conhecimento do Fisco Federal os elementos essenciais à apuração dos fatos geradores de suas obrigações tributárias, conduta esta que é pratica contumaz dos seus representantes, conforme já constatado em fiscalizações anteriores encerradas em 2004 (processo 10380.004990/200413) e 2007 (processo 10380.011537/200714). A indiferença da empresa também ocorre em relação ao dever de escriturar e de apresentar à Fiscalização os livros de sua contabilidade, eis que no curso desta ação fiscal, diversas foram as intimações e reintimações formuladas, mediante os termos próprios lavrados em 18/02/2011, 08/04/2011, 04/05/2011, 21/06/2011 e 21/07/2011, para a apresentação dos livros com a escrituração contábil da empresa, bem como as demonstrações financeiras (fls. 53 a 62), inclusive, em meio magnético, na forma como preconiza o art. 265, parágrafo único, do RIR/99 (Decreto nº 3000/99). Porém, durante todo esse período, a empresa limitouse a entregar a esta fiscalização o livro fiscal de Apuração do ICMS do seu estabelecimento matriz, além de mapas gerenciais de controle interno, indicando o faturamento de sua filial em MossoróRN. Diante da falta de atendimento de nossas intimações, após decorrido mais de oito meses da intimação inicial para a apresentação, sem sucesso, dos livros e arquivos magnéticos contendo a escrituração contábil e fiscal da empresa, comparecemos, na data de 28/10/2011, à sede do seu estabelecimento, onde, por parte de seu contador Sr. Manuel Estevam Lima – CRC nº 002155/OT6, nos foram disponibilizados apenas os livros Diário da empresa, impressos num total de 52 volumes, sem entretanto nos terem sido apresentados os Livros Razão, o LALUR e as Demonstrações Financeiras (Balanço Patrimonial e Demonstração do Resultado do Exercício), nem tampouco os arquivos magnéticos da sua contabilidade no formato/leiaute da IN SRF 86/2001 e Ato Declaratório Executivo COFIS nº 15/2001, todos a que estava a empresa obrigada, por força de Lei, a elaborar e apresentar a esta fiscalização, sob pena de arbitramento de lucro. Os fatos aqui relatados foram objeto Termo de Constatação, Fl. 386DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 12 lavrado naquela ocasião e na presença do contador supracitado que também o assinou, conforme se infere às fls. 63 a 65. Diante da situação acima descrita, formulamos mais uma Intimação à empresa, mediante termo recebido em 31/10/2011, concedendose dez dias para apresentação dos arquivos e documentos supracitados, sob pena do arbitramento do lucro, na forma da legislação pertinente. Entretanto, a exemplo das intimações anteriores, até a presente data nada nos foi apresentado ou justificado pela empresa. Ademais, convém deixar registrado que a não apresentação de livros contábeis à Fiscalização da Receita Federal, já é uma prática reiterada dos representantes dessa empresa, conforme já ocorrido durante fiscalizações anteriores, concluídas em 2004 e 2007, ocasião em aplicouse o arbitramento do lucro da empresa, pela ausência desse documentário, conforme constam dos processos 10380.004990/200413 e 10380.011537/200714. [...] Os fundamentos para que a autoridade administrativa optasse pelo arbitramento do lucro foram bem articulados e constam claramente do TVF acima reproduzido, e se traduzem, em resumo, no fato de a contribuinte ter apresentado DIPJ, DCTF e DACON zeradas e imprestáveis, bem como não teria franqueado a escrituração quando intimada. Atentese que da narrativa dos fatos, contida no TVF, extraise que a Fiscalização descaracterizou a opção do contribuinte pelo lucro presumido, ao se verificar a violação ao artigo 46 da Lei n° 10.637/02 (fls. 83/102), assinalando que a recorrente não informou ter auferido receita ou obrigação de recolher qualquer tributo (Fichas 14A e 18A fls. 85/92), tendo apenas indicado os dados iniciais (fl. 83), cadastrais (fl. 84) e a identificação de sócios (fl. 93), tendo adotado o mesmo expediente em relação à DCTF (fls. 103/108). Registrouse ainda, que antes da medida de arbitramento do lucro, intimouse o contribuinte para apresentar os livros fiscais e as demonstrações contábeis em 18/02/2011 (fls. 53/54), 08/04/2011 (fls. 55/56) e 21/06/2011 (fls. 59/60), solicitandose que apresentasse os “arquivos em meio magnético com os registros do anocalendário 2008, contendo o plano de contas, os saldos mensais e os lançamentos contábeis (fls. 57 e 59). Diante de tais elementos fáticos, anotase que o artigo 47 da Lei nº 8.981/95 (art. 530 RIR/99), enumera as hipóteses permissivas de arbitramento do lucro entre as quais a condita da contribuinte pode ser facilmente amoldada, já que não apresentou, ao menos não de forma válida, sua escrituração. No que toca ao argumento da contribuinte, consagrador de que não teria apresentado o Livro Razão e os arquivos magnéticos do anobase 2008 em virtude de estarem sob a posse do auditor fiscal diverso, bem assinalou a decisão recorrida que não há nos autos prova de efetivamente tais elementos se achavam em posse da Fiscalização, pois a apresentação, pelo contribuinte, dos 52 volumes alusivos ao Livro Diário de 2008 confirmam que a escrituração contábil encontravase de fato na sede da pessoa jurídica, não havendo qualquer documento que comprove a entrega do Livro Razão do anocalendário 2008 ao Fl. 387DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10380.732631/201189 Acórdão n.º 1301001.387 S1C3T1 Fl. 8 13 auditor fazendário que fiscalizava as contribuições previdenciárias, existindo apenas intimações fiscais que requisitavam sua disponibilização na sede da pessoa jurídica, requisições que também constam deste procedimento e nem por isso foram integralmente atendidas. Outra vez assiste razão à decisão recorrida ao propagar que em relação aos arquivos digitais, a entrega desses elementos a um membro da Administração Tributária não impede a entrega de outra cópia a agente fiscal diverso. Por fim, não parece acertado afastarse o arbitramento do lucro ante a tardia impressão e anexação de parte do Livro Razão, depois do lançamento tributário, sob pena de invalidar as hipóteses de desencadeamento desta modalidade de apuração, eternizandose a possibilidade de a contribuinte modificar sua escrituração, viabilizandose assim o inaceitável lançamento condicional. Diante disso, entendo correto, do ponto de vista formal e material, o arbitramento promovido pela Fiscalização. II – MÉRITO No que toca ao mérito do Recurso Voluntário, a contribuinte se ocupou de afirmar, outra vez a “nulidade absoluta”, reavivando as questões atinentes ao Mandado de Procedimento Fiscal e de inviabilidade do arbitramento do lucro, questões que foram afastadas na apreciação preliminar e que no mérito igualmente merecem ser refutadas. Em verdade, afora as citações doutrinárias e de precedentes que entende aplicáveis, as alegações de mérito são meras reproduções das preliminares enfrentadas e, portanto, prescindese de reproduzirse todos os fundamentos. III – DA MULTA QUALIFICADA Quanto à multa qualificada, quer me parecer que a mera narrativa dos fatos, contida no Termo de Verificação Fiscal já reproduzido no tópico I.2, faz sobressair a prevalência do patamar fixado. Com efeito, a conduta de apresentar as DIPJ, DCTF e DACON, sem a indicação das respectivas obrigações tributárias indicou, extremo de dúvidas, a intenção da contribuinte em omitir receitas e dificultar a correta apuração, circunstância que indica a prevalência da multa qualificada. IV – CONCLUSÃO Em vista de todo o exposto, rejeito as preliminares formuladas, assentando a higidez formal do processo administrativo ora apreciado e no mérito voto no sentido de Negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 11 de fevereiro de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 388DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 14 Fl. 389DF CARF MF Impresso em 16/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 16/04/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 09/07/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
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Numero do processo: 15889.000323/2010-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
APRESENTAÇÃO DE GFIP/GRFP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS .
Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime - aplicação do art. 32-A para as infrações relacionadas com a GFIP - e o regime vigente à data do fato gerador - aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea c do CTN.
Numero da decisão: 2301-004.011
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32-A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35-A da Lei 8.212/1991, deduzindo-se as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à
Marcelo Oliveira - Presidente.
Bernadete De Oliveira Barros - Relator.
Mauro José Silva Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS
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Toda empresa está obrigada a informar, por intermédio de GFIP/GRFP, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP e o regime vigente à data do fato gerador aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 23 /2 01 0- 11 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Marcelo Oliveira Presidente. Bernadete De Oliveira Barros Relator. Mauro José Silva – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio De Souza Correa, Mauro Jose Silva, Bernadete de Oliveira Barros, Manoel Coelho Arruda Junior, Adriano Gonzales Silvério. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 140 3 Relatório Tratase de Auto de Infração, lavrado em 06/12/2010, por ter a empresa acima identificada apresentado GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, infringindo, dessa forma, o inciso IV, § 5º, do art. 32, da Lei 8.212/91, c/c o art. 225, IV e § 4o, do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/99. Conforme Relatório Fiscal da Infração (fls. 04), a empresa deixou de incluir, nas GFIPs, todas as remunerações pagas a todos os segurados a seu serviço. A autoridade autuante informa que a empresa foi excluída do SIMPLES por meio do Ato Declaratório Executivo ADE DRF/BAU nº 85, com efeitos a partir de 01/01/2006, e que os fatos geradores foram apurados em folha de pagamento e estão devidamente discriminados no Termo de Verificação e Constatação Fiscal TVCF (fls. 19 a 30) do processo principal 15889.000322/201068 Auto de Infração DEBCAD N.° 37.087.1553, ao qual este processo está apensado, deixando consignado que, conforme disposto no artigo 2º, inciso III, da Portaria RFB n9 666, de 24 de abril de 2008, os elementos de prova constam do processo principal. Esclarece que, em respeito ao artigo 106, inciso II, alínea "c" do CTN, a fim de incidência da penalidade mais benéfica ao contribuinte, comparouse o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, concluindo que, para as competências em que a multa anterior é a mais favorável ao contribuinte, quais sejam, competências 02/2006 a 05/2006, 08/2006 a 02/2007,aplicouse a multa de mora de 24% e lavrouse o presente AI (FLD 68). Naquelas competências em que a multa atual é a mais benéfica, lançouse a multa de ofício de 75%. A autuada impugnou o débito e a Secretaria da Receita Federal do Brasil, por meio do Acórdão 1434.650, da 6a Turma da DRJ/RPO, (fls. 38), julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso tempestivo (fls. 118), repetindo as alegações trazidas na impugnação. Reafirma que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades de obtenção de documentos e esclarecimentos, a recorrente nunca deixou de cumprir com as determinações da legislação pertinente. Assevera que atendeu a fiscalização com suas portas abertas, tentando auxiliar na medida do possível, vez que se trata de documentos antigos. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Informa que o relato do Auto de Infração em tela não corresponde à realidade dos fatos ocorridos, uma vez que houve apenas erro involuntário de preenchimento de GFIP, sendo certo que houve, provavelmente, apenas uma falta de informação do valor das retiradas de pro labore em determinados meses, em razão de dúvida se os valores deveriam ou não serem informados. Entende que deveria ter sido concedido um prazo razoável para sanar eventuais problemas com os fatos geradores. Insurgese ainda contra a multa aplicada, argumentando que a mesma é totalmente absurda e abusiva, ilegal e inconstitucional, e que possuindo efeito de confisco. O recurso foi encaminhado ao CARF que, por meio da Resolução 2301 000.305, de 16/10/2012, decidiu, por maioria, converter o julgamento em diligência, para que fossem apensados, ao presente processo, os autos que discutem os lançamentos por descumprimento de obrigações principais, correlatos ao AI em tela. Em cumprimento ao solicitado por este Conselho, foi informado que os débitos correlatos foram consolidados em parcelamento, a pedido do sujeito passivo, e os dois processos administrativos citados na Resolução foram apensados equivocadamente ao processo de interesse de Magazine Luiza S/A.. É o relatório. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 141 5 Voto Vencido Conselheiro Bernadete De Oliveira Barros O recurso é tempestivo e todos os pressupostos de admissibilidade foram cumpridos, não havendo óbice ao seu conhecimento. Da análise do recurso apresentado, registro o que se segue. Inicialmente, a autuada alega que está enfrentando diversos problemas com a Receita Federal, haja vista problemas que teve com seu antigo contador e que, apesar de todas as dificuldades de obtenção de documentos e esclarecimentos, a recorrente nunca deixou de cumprir com as determinações da legislação pertinente, tendo atendido a fiscalização, tentando auxiliar na medida do possível. Entretanto, a recorrente não cumpriu com a obrigação acessória de informar, em GFIP, todos os fatos geradores da contribuição previdenciária. E ao constatar o descumprimento de obrigação legal a todos imposta, a fiscalização, cuja atividade é vinculada aos ditames legais, lavrou o competente auto de infração, impondo a penalidade cabível, prevista na legislação vigente à época da lavratura do Auto. Quanto ao entendimento de que deveria ter sido concedido um prazo razoável para sanar eventuais problemas com os fatos geradores, cumpre observar que a autuada tomou ciência do AI em 16/12/2010, e da decisão de primeira instância em 06/09/2011. Ou seja, a recorrente teve quase 09 (nove) meses para sanar as faltas apontadas pela fiscalização, e apresentar as GFIP retificadoras, lembrando que todas as alegações feitas pela recorrente poderiam ter sido comprovadas por meio da juntada de documentos, conforme disposto no relatório IPC, ressaltando que o contribuinte ainda dispunha do prazo de recurso para a apresentação de outros elementos. Todavia, a empresa não trouxe outros elementos para serem analisados por este Conselho. E a convicção da autoridade julgadora advém, no processo administrativo fiscal, dos elementos probatórios carreados aos autos. Daí a necessidade de se juntar elementos comprobatórios dos fatos alegados. Observase que as contribuições cuja omissão em GFIP ensejou a lavratura do AI em tela, foram lançadas por meio dos AIs 37.087.1561 e 37.087.1553, objeto dos processos administrativos citados no Relatório Fiscal e na Resolução deste CARF. Em cumprimento à diligência determinada por esta Turma de Julgamento, foi informado que os débitos lançados por meio dos AIs acima mencionados foram incluídos em parcelamento, a pedido do contribuinte. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Assim, os débitos foram julgados procedentes pela primeira instância e, como não foram interpostos recursos, ocorreu o trânsito em julgado administrativo. Ou seja, a recorrente não insurgiuse contra a decisão da DRJ que manteve os lançamentos lavrados por meio dos AIs citados, confessando a ocorrência do fato gerador a fim de incluir o total dos valores lançados em parcelamento. Dessa forma, a, tendo ocorrido o fato gerador da contribuição previdenciária, a sua não informação por meio de GFIP constitui infração à legislação previdenciária, consoante determinação expressa no art. 32, inciso IV, e § 1o, da Lei 8.212/91, na redação vigente à época da ocorrência do fato gerador, transcrita a seguir: Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) § 1° O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações especificas. (Acrescentado pela MP nº 1.59614, de 10/11/97, convertida na Lei nº 9.528, de 10/12/97) Nesse sentido, conforme exposto acima, houve infração à legislação previdenciária e, como não é facultado ao servidor público eximirse de aplicar uma lei, a Autoridade Fiscal, ao constatar o descumprimento de obrigação acessória, lavrou corretamente o presente auto. A autuada insurgese ainda contra a multa aplicada, argumentando que a mesma é totalmente absurda e abusiva, ilegal e inconstitucional, e que possui efeito de confisco. Contudo, a fiscalização aplicou a multa em observância aos normativos legais vigentes à época do lançamento. A autoridade autuante esclarece que, ao se comparar o valor da multa aplicada na forma da legislação vigente à época do fato gerador com aquele resultante da aplicação da legislação vigente à época da lavratura do Auto de Infração, verificouse condição de penalidade menos severa ao Contribuinte quando aplicada a legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador para as competências 01/2006, 06/2006, 07/2006, 03/2007, 04/2007, 05/2007 e 06/2007. Assim, ao tempo da lavratura do presente AI, a fisclalização já procedeu à análise da possibilidade de retroação benéfica. É oportuno esclarecer que, pela legislação vigente à época da ocorrência do fato gerador, quando o não recolhimento das contribuições não declaradas era concomitante com a falta cometida pelo contribuinte pela não declaração em GFIP, existiam dois procedimentos que eram adotados pela fiscalização: a) a aplicação de uma multa pela não Fl. 144DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 142 7 declaração, consubstanciada em auto de infração por descumprimento de obrigação acessória com fundamento no artigo 32, IV e § 5º, da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 9.528/1997 e; b) a cobrança de multa pelo descumprimento da obrigação principal no tempo oportuno, com fundamento no artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com a redação da Lei nº 9.876/1999, além do recolhimento do valor referente à própria obrigação principal. Conforme estabelecido pela na Lei nº 11.941/09, esta mesma infração ficou sujeita à multa de ofício prevista no artigo 44, da Lei nº 9.430/1996, na redação dada pela Lei nº 11.488/2007. Ou seja, a situação descrita, que antes levava à lavratura de, no mínimo, dois autos de infração (um por descumprimento de obrigação acessória e outro levantando a contribuição não recolhida com a devida multa correspondente) passou a ser abordada por meio de um único dispositivo, que remete à aplicação da multa de ofício. Nestas condições, a multa prevista no art. 44, I, da referida Lei nº 9.430/96, é única, no importe de 75% e visa apenar, de forma conjunta, tanto o não pagamento (parcial ou total) do tributo devido, quanto a não apresentação da declaração ou a declaração inexata, sem mensurar o que foi aplicado para punir apenas a obrigação acessória. Pela nova sistemática legal, as duas infrações, a saber, relativamente à obrigação principal e à obrigação acessória, são verificadas simultaneamente e, portanto, haverá a aplicação de apenas uma multa (de ofício). Cumpre ressaltar que, no intuito de regular a aplicação das inovações trazidas pela citada Lei nº 11.941/09, mormente quanto ao entendimento e comparação para fins da mencionada retroação benéfica desta, foi editada a Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14, de 04/12/09, que em seu artigo 3º dispõe: Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212,de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. Assim, as multas mensais referente a obrigações tributárias acessórias deverão ser somadas às multas referentes às contribuições previdenciárias não declaradas em GFIP, referente a obrigações tributárias principais – quota patronal e GIILRAT, para o confronto com a multa que seria aplicada em observância ao acima transcrito. Assim, entendo que, no que se refere à aplicada, o procedimento fiscal não merece reparos. Com relação à alegação de efeito confiscatório da penalidade aplicada, é oportuno esclarecer que a vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo autoridade administrativa apenas aplicála, nos moldes da legislação que a instituiu. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 A vedação de que cuida o art. 150, IV, da Constituição Federal dirigese ao legislador com o intuito de impedir a instituição de tributo que tenha em seu conteúdo aspectos ameaçadores à propriedade ou à renda tributada, mediante, por exemplo, a aplicação de alíquotas muito elevadas. Portanto, a observância desse princípio relacionase com o momento de instituição do tributo ou de determinação da multa a ser aplicada no caso de falta de recolhimento. Concluise que, uma vez vencida a etapa da sua criação, não configura confisco a aplicação da lei tributária. Vale lembrar que a atividade administrativa é plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17ª ed. São Paulo. Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: “o tradicional princípio da legalidade, previsto no art. 5º, II, da CF, aplicase normalmente na administração pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estiver expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coadunase com a própria função administrativa, de executor do direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito à finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservarse a ordem jurídica” Portanto, a penalidade aplicada encontra fundamento nos dispositivos legais discriminados nos relatórios que compõem o Auto de Infração, não podendo ser afastada, como quer a recorrente, não havendo que se falar em ilegalidade da multa aplicada. Ademais, conforme entendimento fixado no Parecer CJ 771/97, “o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional, o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei porque o seu destinatário entende ser inconstitucional quando não há manifestação definitiva do STF a respeito”. Dessa forma, o foro apropriado para questões dessa natureza não é o administrativo. Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme disposto em seu art. 62. Dessa forma, concluo que o auto foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente autuante identificado, de forma clara e precisa, a obrigação acessória descumprida e os fundamentos legais da autuação e da penalidade, bem como demonstrado, de forma discriminada, o cálculo da multa aplicada. Nesse sentido CONSIDERANDO tudo mais que dos autos consta, Voto por CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Bernadete de Oliveira Barros – Relatora Fl. 146DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 143 9 Voto Vencedor Conselheiro Mauro José Silva, Redator Designado Apresentamos nossas considerações em sintonia com os aspectos do Acórdão para os quais fomos designados como Redator do voto vencedor. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei Fl. 148DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 144 11 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões Fl. 149DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 145 13 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 14 Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Redator Designado Fl. 152DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 15889.000323/201011 Acórdão n.º 2301004.011 S2C3T1 Fl. 146 15 Fl. 153DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 06/06/2014 por BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS, Assinado di gitalmente em 04/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 11065.001527/2008-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO.
É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02.
PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS.
Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa.
MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício.
Numero da decisão: 1302-001.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior - Presidente.
(assinado digitalmente)
Eduardo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. PERDA NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. Poderão ser registrados como perda os créditos sem garantia, de valor acima de R$5.000,00 (cinco mil reais) até R$30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém mantida a cobrança administrativa. MULTA QUALIFICADA. Evidenciado pelas provas dos autos que o sujeito passivo incorreu em hipótese de sonegação, fraude ou conluio é cabível a qualificação da multa de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 15 27 /2 00 8- 89 Fl. 469DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior (presidente da turma), Marcio Rodrigo Frizzo, Waldir Veiga Rocha, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Eduardo de Andrade e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Fl. 470DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 470 3 Relatório Tratase de apreciar Recurso Voluntário interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RPO, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, considerar procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, conforme ementa que abaixo reproduzo: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 LEGISLAÇÃO. INCONSTITUCIONALIDADES E ILEGALIDADES. Os julgadores administrativos não têm competência para analisar a constitucionalidade ou legalidade de dispositivos de lei. NULIDADE. IMPROCEDÊNCIA. Não procedem as argüições de nulidade quando não se vislumbra nos autos qualquer das hipóteses previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/72. IRPJ. CSLL. IRFF. CUSTOS AMPARADOS EM DOCUMENTAÇÃO INIDÔNEA. MULTA MAJORADA. PAGAMENTO A PESSOAS NÃO IDENTIFICADAS. Legítima a glosa de custos suportados por documentação inidônea, apurada mediante criterioso trabalho fiscal, inclusive com diligência junto ao suposto prestador de serviço, demonstrando a não realização da operação. A liquidação das pseudo obrigações, implica o lançamento do IRFonte (Pagamento a beneficiário não identificado), com multa majorada de 150%. IRPJ. CSLL PERDAS NO RECEBIMENTO DE CRÉDITOS. REQUISITOS As perdas no recebimento de créditos, quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, somente poderão ser deduzidos como despesa, para efeito de determinação do lucro real, se iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. IRPJ. CSLL. APLICAÇÕES ESCRITURADAS COMO DESPESA. NÃO QUESTIONAMENTO. PRECLUSÃO. Preclui a possibilidade de alegação em 2ª instância sobre matéria não questionada na impugnação ao lançamento. LANÇAMENTOS DECORRENTES. CSLL. Solução dada ao litígio principal, relativo ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas, estendese, no que couber, aos demais Fl. 471DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 lançamentos decorrentes quando tiver por fundamento o mesmo suporte fático. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Em ação fiscal foram lavrados contra a empresa acima, autos de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica – IRPJ (fls. 302), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 316) e Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF (fls. 325). O total do crédito tributário apurado foi de R$ 4.469.271,05, calculado até 30/04/2008. A contribuinte impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 377 a 409. RAZÕES DE AUTUAÇÃO A autuada tem por objeto social a indústria, comércio, importação e exportação de calçados e insumos. Os resultados nos anoscalendário em que houve autuação – 2004, 2005 e 2006 – foram apurados pela sistemática do lucro real trimestral. Foram identificadas três infrações: (a) aplicações de capital escrituradas como despesa; (b) indevida dedução de despesa com perda no recebimento de créditos e, (c) dedução de despesas inexistentes. Essa última infração, além da glosa de despesas, implicou na exigência de IRRF por pagamento sem causa comprovada. Vejamos as infrações. a) Aplicações escrituradas como despesa A autuada teria escriturado, como despesa, a aquisição de materiais elétricos utilizados na confecção de uma nova instalação elétrica, em substituição à existente, que teria se tornado inadequada. O autuante entende que teria ficado caracterizada a aplicação de capital, com base no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR99), já que o conjunto de bens tem valor superior a R$ 326,61 e vida útil superior a um ano, devendo ser ativado para posterior depreciação. Na autuação foi procedida a ativação do bem, observada a taxa anual de depreciação de 10%. b) Dedução de despesa com perda no recebimento de créditos A contribuinte escriturou o valor de R$ 93.739,58, relativo a venda que efetuou para empresa sediada no exterior, a débito da conta de resultado “Devedores Incombráveis”, por considerar que seria inviável economicamente efetuar a cobrança judicial. O autuante entendeu, com base no art. 340 do RIR/99, que as perdas dessa natureza somente podem ser deduzidas como despesa quando referentes a operações sem garantia e em valor superior a trinta mil reais, se vencidas há mais de um ano e desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento. Considerou indedutível a alegada perda em virtude de o contribuinte não ter ajuizado qualquer ação de cobrança. c) Dedução de despesas tidas como inexistentes Fl. 472DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 471 5 A empresa escriturou, no período fiscalizado, um total de R$ 1.790.000,00 a título de despesas com departamento de vendas e apresentou notas fiscais emitidas por Evany Manoel das Neves, CNPJ 91.590.406/000127, que usa o nome de fantasia “Jornal Regional”. Nas notas fiscais a descrição dos serviços prestados consta como “Assessoria e Marketing com desenvolvimento de Produtos e Projetos de Expansão ref. ao mês...”. Não haveria contratação escrita entre as partes e os pagamentos teriam sido efetuados em dinheiro. Intimada, a empresa não apresentou documentos que comprovassem a efetiva prestação de serviços. No entanto, juntou fotos em que o Sr. Evany aparece com políticos e autoridades religiosas, afirmou que ele faz pesquisas na Internet e em revistas de moda para identificar as tendências para novos modelos de produtos. A empresa Evany Neves ME, apresentou declaração de inatividade nos anos calendário de 2004 a 2006, que é o período autuado. Após ciência, pela autuada, de termo de intimação solicitando as notas fiscais emitidas pela Evany Neves ME, esta empresa apresentou declarações de IRPJ retificadoras, informando a opção pelo lucro presumido, com receita bruta igual ao valor das notas emitidas em favor da autuada. Após isso e, em tendo a fiscalização intimado a empresa a apresentar mais quatro notas fiscais referentes ao anocalendário 2004, a Evany Neves ME voltou a retificar sua Declaração de Informações Econômicofiscais da Pessoa Jurídica, agora para incluir mais o valor dessas 4 notas fiscais. O Sr. Evany prestou informações, confirmando a prestação de serviços, mas sem apresentar documentos. Informou que a empresa não tinha funcionários, nem contratou serviço de terceiros. O autuante concluiu que os serviços nunca foram prestados e que as notas fiscais estão eivadas de falsidade ideológica e em função disso, ao efetuar o lançamento dos tributos, agravou a multa para o percentual de 150%, em virtude do evidente intuito de fraude. Foi efetuada a glosa de despesas e exigido Imposto de Renda Retido na Fonte – IRRF – por pagamento sem causa comprovada. Afirma que a contabilidade faz prova de que foram efetuados os pagamentos. RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO a) Perdas no recebimento de créditos A impugnante alega que o art. 340 do RIR/99 permite a dedução de valores até R$ 30.000,00, como perdas no recebimento de créditos, apenas com cobrança administrativa. Pede que o valor da infração seja reduzido em R$ 30.000,00, em obediência ao dispositivo citado. b) Custos e despesas não comprovadas A conclusão do agente fiscal de que uma empresa de comunicação não poderia desenvolver atividade de marketing estaria em frontal desacordo com a a Classificação Nacional de Atividades Econômicas (CNAE) que enquadra a Assessoria em Marketing dentro do grupo Publicidade, bem como, diverge da realidade de centenas de empresas de comunicação autuantes no país. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Afirma que o Sr. Evany tinha qualificação suficiente para prestar serviços de assessoria de marketing. Refere outras histórias de vida em que pessoas com formação em uma área se destacam em área distinta. Diz que foram apresentadas provas relativas à prestação dos serviços, mas desconsiderada pelo agente do fisco, que teria um juízo préestabelecido acerca da existência do delito. A presunção de cometimento de fraude violaria a garantia constitucional de presunção do estado de inocência. A aplicação da penalidade agravada pelo suposto dolo, extrapola os limites da proporcionalidade e razoabilidade. A impugnante ratifica como razões de impugnação os esclarecimentos prestados às fls. 136/138, 162/163, 232/235 e 252/253. A autuada afirma, também, que não incorreu em nenhuma das modalidades da culpa stricto sensu; que a sua conduta não foi dolosa, que não houve fraude e que teria agido de boafé. Diz que a fiscalização não estaria praticando ato discricionário, mas sim, um ato plenamente vinculado e, com isso, não poderia limitarse a citar artigos de lei, pois isso conduziria à nulidade do auto de infração. Não teria sido garantido à empresa o devido processo legal e o contraditório. O ato administrativo atacado feriria o princípio a razoabilidade ou da proporcionalidade, já que a medida imposta à Impugnante não é necessária (fls. 392). A exigência materializada nos autos de infração representa um verdadeiro desvio e abuso de poder, especialmente porque pune confiscatoriamente a contribuinte. Vários outros princípios teriam sido violados, como o da livre iniciativa e da livreconcorrência. Assevera que exigir multa e juros configura bis in idem, invocando o previsto nos arts. 408 até 417 do Código Civil, que assegurariam a impossibilidade de coexistência de duas verbas com a mesma finalidade. Diz que a multa aplicada deveria ser, ao menos, reduzida, por ser abusiva. Invoca o Decretolei nº 1.184/71, que dispõe sobre liquidação dos débitos fiscais de empresas em difícil situação financeira, para concluir que a exigência merece ser reformada para minorar as conseqüências funestas que terá sobre a economia da empresa. Diz que os autos de infração são nulos por conterem vício de forma e ilegalidade do objeto e, também, em face da inexistência de motivos de fato que autorizem a sua lavratura. Afirma (fls. 406): “Portanto, evidenciado que o ato impugnado apresenta: VÍCIO DE FORMA, pela inexistência de fundamentos de fato nele explicitados. NULIDADE DO OBJETO, por não observar regras constitucionais. INEXISTÊNCIA DE MOTIVOS, conforme amplamente suprademonstrado. Impõese o reconhecimento da NULIDADE do AI. “ Entre outros requerimentos, pede que tanto a impugnante quanto o seu procurador sejam intimados dos atos processuais, sob pena de nulidade. Fl. 474DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 472 7 A recorrente, na peça recursal submetida à apreciação deste colegiado, repisou as alegações expendidas na impugnação, em especial que: a) para valores até R$30.000,00 não há necessidade de ajuizamento de demanda judicial, bastando cobrança administrativa. Assim, do total lançado (R$93.739,58) deve ser mantido tão somente o valor de R$63.739,58; b) a glosa das despesas com publicidade (Sr. Evani) foi feita por presunção; c) não há culpa (negligência, imprudência, imperícia) na conduta da recorrente. Não existe responsabilidade objetiva no direito tributário, assim como no direito penal; d) há violação aos princípios da proporcionalidade, da razoabilidade e do não confisco; e) há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos. É o relatório. Fl. 475DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso é tempestivo, e portanto, dele conheço. De acordo com o art. 9º, §1º, II, “c”, da Lei nº 9.430/96 (verbis) podem ser registrados como perda os créditos, sem garantia de valor, superiores a R$30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para seu recebimento. § 1º Poderão ser registrados como perda os créditos: ... II sem garantia, de valor: c) superior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), vencidos há mais de um ano, desde que iniciados e mantidos os procedimentos judiciais para o seu recebimento; A recorrente confessa que não promoveu a competente ação judicial porque era inviável economicamente, postulando a reconsideração do montante de R$30.000,00 reais, que no seu entender estaria dentro do limite estabelecido pela alínea “b”, verbis: b) acima de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) até R$ 30.000,00 (trinta mil reais), por operação, vencidos há mais de um ano, independentemente de iniciados os procedimentos judiciais para o seu recebimento, porém, mantida a cobrança administrativa; (grifo nosso) Ocorre que a alínea “b” é clara ao dispor que os créditos deverão ser considerados por operação. E no caso vertente, tratase de apenas uma operação, no valor de R$93.739,58 (fl.339 Relatório de Ação Fiscal), que levou a apenas um lançamento na conta de resultado 321020600000000 Devedores Incobráveis. Desta forma, o enquadramento da dedução é feito pela alínea “c” e não pela alínea “b”, impossibilitando qualquer dedução. No que tange à glosa de valores pagos ao Sr Evany e ao lançamento de IRRF, remetome ao voto condutor do acórdão recorrido, que abordou com clareza solar o tema. Despesas inexistentes Fl. 476DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 473 9 A empresa escriturou pagamentos em favor de Evany Neves ME ou “Jornal Regional”, a título de “promoção de vendas” ou “despesas de promoção de marcas” ou “despesas de promoção de marcas e produtos”. O valor dos pagamentos foi: Em 2004 R$ 310.000,00 Em 2005 R$ 400.000,00 Em 2006 R$ 1.080.000,00 Total R$ 1.970.000,00 Os pagamentos teriam sido efetuados sempre em dinheiro. A empresa foi intimada a descrever os serviços que teriam sido prestados e a juntar comprovantes (relatórios, atas, correspondências), conforme se vê às fls. 86/90. Afirmou (fls. 138) que a contratada se inseriu num contexto de crescimento e modernização da empresa. Afirma: “E foi aí que se encaixou a empresa de Evany Neves ME credenciada junto ao governo federal, estadual e municipal, bem como na associação de imprensa nacional, para inclusive nos representar nos eventos públicos e sociais no intuito de expansão de nossa marca.”. Não juntou documentos comprobatórios da prestação de serviços. Foi reintimada (fls. 157/159) a comprovar com documentos a prestação de serviços e intimada a informar sobre a equipe profissional da empresa contratada e sobre o tipo de credenciamento que a empresa teria junto a órgãos públicos. Na resposta (fls. 162/163) descreve, agora, as atividades como “complementação do trabalho executado referente desenvolvimento do produto” e foram anexadas algumas fichas técnicas que teriam dado origem a modelos exportados. As fichas técnicas estão às fls. 164/185 e não trazem qualquer dado acerca de quem teria desenvolvido o produto. Foram juntados documentos diversos que mostram que o Sr. Evany atuava como jornalista, participava de eventos e documentos outros acerca da publicação denominada Jornal Regional. Outra vez reintimada a empresa (fls. 228/230) acerca da atuação do Sr. Evany, respondeu (fls. 232/235) que os serviços “consistiam justamente nesta pesquisa, junto a publicações nacionais e internacionais, bem como através de sites da internet.”. Identificando tendências, o Sr. Evany Neves compilava publicações, desenhos e fotografias, com objetivo de, a partir de então, pesquisar quais os insumos e fornecedores que mais ensejariam a relação custo/benefício”. Juntou fotografias e fichas técnicas. Ouvido o Sr. Evany (fls. 290/293), informou que o seu trabalho era fornecer idéias sobre a criação de modelos de calçados, em reuniões que não eram documentadas. Não tinha empregados nem equipe. Disse que pesquisava tendências em revistas e sites de moda, mas, naquele momento, não lembrou de nenhum desses sites. Fl. 477DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 10 Como se vê, a própria empresa tem dificuldade de informar quais os serviços teria recebido do Sr. Evany e pelos quais pagou quase dois milhões de reais. Inicialmente era a representação da empresa em eventos sociais, depois o desenvolvimento de produtos, mais especificamente a pesquisa de tendências em revistas e sítios da internet, com vistas ao desenvolvimento de produtos. Em que pese a liberdade de a empresa gastar seus recursos conforme os proprietários/administradores entenderem conveniente, é desmedido um gasto de, exemplificativamente, um milhão e oitenta mil reais em 2006, para que alguém folheie revistas e visites sítios na internet. E, digase, sítios na internet dos quais o suposto prestador de serviços, quando ouvido pela fiscalização, não conseguiu lembrar de nenhum. Muitas outras são as incoerências na versão apresentada pela empresa. Essas incoerências foram bem apontadas no relatório fiscal e não foram rebatidas na impugnação, por isso, não me alongo. Apenas aponto detalhes como: (1) o fato de a contratante não saber o endereço do contratado – que em final de 2004 passou a ser em São Leopoldo, enquanto a autuada disse que usava o endereço antigo, na cidade de Salvador do Sul; (2) o fato de o contratado não ter tido equipe ou funcionários; (3) o fato de o Sr. Evany não possuir patrimônio no momento e apontar ter gasto os valores recebidos com tratamento de saúde sua esposa, na Santa Casa de Porto Alegre, enquanto essa instituição informou que os gastos foram de menos de R$ 300,00 (notese a disparidade; R$ 1.970.000,00 para R$ 300,00). Ora, a toda evidência, não houve qualquer prestação de serviços. Caso tivesse ocorrido, dada a magnitude dos valores envolvidos, haveria de ter gerado um fluxo de papéis, ainda que mínimo, que poderia demonstrar a atuação do contratado. Mas, mesmo intimada, a empresa não traz um único elemento que demonstre a atuação do Sr. Evani. Depois de a empresa ir mudando as versões acerca do qual trabalho faria efetivamente o contratado, arrematou com o folhear de revistas e navegação na internet, o que é uma agressão à mais mediana das inteligências – dados os valores envolvidos. Afora esses pontos, importante referir que cabe à contribuinte manter os documentos que comprovem as operações que escriturou. O parágrafo único do art. 251 do RIR/99, estabelece que a escrituração dos contribuintes deve abranger todas as operações da empresa. Já o art. 264, do mesmo regulamento, define que cabe à pessoa jurídica conservar em ordem os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, caso em que se enquadram os pagamentos efetuados pela suposta prestação de serviços. Compete ao contribuinte provar a veracidade dos dados que lança em sua escrita. Uma nota fiscal, por si só, não comprova uma prestação de serviços, mais ainda no caso presente, em que há fundados indícios a demonstrar não ter havido a prestação de serviços. É assim que o Egrégio Conselho de Contribuintes tem decidido: Fl. 478DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 474 11 IRPJ CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS Glosa de Despesas Remuneração das Esposas dos Sócios A dedutibilidade de dispêndios a título de despesas operacionais está condicionada à comprovação da efetividade da prestação dos serviços e ao atendimento dos pressupostos fiscais da necessidade, usualidade e normalidade dos gastos aos desenvolvimento das operações da empresa. (Acórdão 103.18474, da 3ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, sessão de 18/03/1997). A contribuinte, intimada e reintimada, nada trouxe que demonstrasse a efetividade da prestação de serviços pelo emitente das notas fiscais. Também com a impugnação nada veio. A empresa se esmera em argumentos para tentar mostrar que o sr. Evany teria condições de prestar os serviços, mas não mostra que tenha efetuado qualquer trabalho. E, mesmo no tocante as habilidades do suposto contratado, nada consegue provar. Frente a isso é forçoso reconhecer o acerto da imposição fiscal. Face ao exposto, é de ser mantida a exigência relativa à glosa de despesas. IRRF Pagamento sem causa comprovada A contabilidade da empresa faz prova de que foram efetuados pagamentos amparados por documentário que, já concluímos, é ideologicamente falso. Os pagamentos não são remuneração pela atuação da empresa “Evany Manoel das Neves ME” prestando “assessoria” à autuada. Com isso, em que pese a escrituração demonstrar que ocorreram pagamentos , a causa dos mesmos não restou comprovada. Assim, é acertada a incidência do art. 674, do RIR/99: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 12 No recurso voluntário não são apresentadas quaisquer provas da execução do serviços contabilizados, o que autoriza a glosa, porquanto a despesa, para ser dedutível, deve ser paga ou incorrida na realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa, devendo ainda ser necessária à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora. Cabível, também, a meu ver, o lançamento do IRRF, porquanto não restou demonstrada a causa do pagamento. Vale lembrar, ainda, porquanto ressaltado no recurso voluntário, que a responsabilidade tributária, em regra, independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. No caso vertente, verificase que a fiscalização aplicou a penalidade de 75% para as glosas de perdas no recebimento de créditos e dedução como despesa de ativo imobilizado. Todavia, para a glosa relativa à despesas inexistentes aplicou a multa de 150%, a qual possui caráter subjetivo, exigindo a comprovação do dolo e da sonegação, fraude ou conluio. Ocorre que, a despeito do esforço produzido pela fiscalização para elucidar a questão, a causa da operação não foi comprovada, e as deduções feitas resultaram na indevida redução do IRPJ e reflexos dos períodos fiscalizados. A recorrente, por sua vez, produziu provas (lançou as despesas) que atestassem no sentido da dedução indevida. Em suma, produziu provas para provar eventos que não existiram, e que resultaram na redução de quase dois milhões de reais de sua base de cálculo. A título exemplificativo, menciona a fiscalização Concluímos que os serviços em tela nunca foram prestados, tratandose, portanto, de despesas inexistentes. Ou seja, as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada para comprovar as despesas são notas fiscais eivadas de falsidade ideológica, por descreverem operações de prestação de serviços que não correspondem à realidade. A fiscalização, por fim, conclui pela presença do dolo e pela prática de fraude, situações que autorizam a exasperação da multa de ofício. A recorrente não logrou desincumbirse das acusações feitas nas peças recursais a que teve oportunidade de apresentar. Neste sentido, meu voto é para manter a multa qualificada. Também se insurgiu a recorrente contra parte da decisão da DRJ que não conheceu de matéria que questionava inconstitucionalidade de lei, em especial, a violação aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade e não confisco. Não lhe assiste razão neste ponto. Ao julgador administrativo, membro de órgão de julgamento vinculado ao Poder Executivo, são impostas condições que não se aplicam aos membros do Poder Judiciário, as quais limitam sua esfera de cognição. Tal restrição não elimina a possibilidade de que, inconformado, deduza o contribuinte sua pretensão em juízo, assegurandose do conteúdo prescritivo do art. 5º, XXXV, da CF. O direito positivou tal restrição no art. 26A do Decreto nº 70.235/72, e, ademais, a matéria já se encontra sumulada, dadas as reiteradas e uniformes decisões tomadas pelo Colegiado no mesmo sentido, através da Súmula CARF nº 02, abaixo transcrita, a qual vincula todos os Conselheiros do Órgão, nos termos do art. 72 do Regimento Interno. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.001527/200889 Acórdão n.º 1302001.340 S1C3T2 Fl. 475 13 Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a alegação de que há vício de forma, pela inexistência dos fundamentos de fato explicitados no auto de infração, nulidade do objeto, por não observar regras constitucionais, e inexistência de motivos, vêse do relatório de ação fiscal e do auto de infração que a forma escrita foi observada, os fundamentos de fato e os motivos foram declinados no corpo do auto de infração e no relatório de ação fiscal. Assim, voto para negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Relator Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/05/2014 por EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 17/05/2014 p or EDUARDO DE ANDRADE, Assinado digitalmente em 10/06/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 19515.722312/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 31 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA.
Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária.
Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96.
O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS.
Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
Numero da decisão: 1302-001.469
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri.
Nome do relator: ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária. Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratando-se da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS.
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Recorrente PANORAMA FUNDIÇÃO DE METAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Há que se negar provimento ao recurso de ofício em face de decisão que cancela parte do lançamento, por restar demonstrada a origem dos respectivos ingressos na conta bancária. Não logrando a recorrente comprovar a origem de ingressos na sua conta bancária, deve ser mantida a presunção de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/96. O fato de a receita que ingressou na conta bancária ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que cabia a contribuinte. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamentos da CSLL, COFINS e Contribuição para o PIS. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos de ofício e voluntário, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 23 12 /2 01 2- 48 Fl. 1239DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto, Waldir Rocha, Eduardo Andrade, Márcio Frizzo e Guilherme Pollastri. Relatório Versa o presente processo sobre recursos de ofício e voluntário, interpostos em face do Acórdão nº 1441.577 da 3ª Turma da DRJ/RPO, cuja ementa assim dispõe: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidencia omissão de receita a existência de valores creditados em conta de depósito mantida em instituição financeira, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. PRESUNÇÃO LEGAL. ÔNUS DA PROVA. A presunção legal tem o condão de inverter o ônus da prova, transferindoo para a contribuinte, que pode refutála mediante oferta de provas hábeis e idôneas. DUPLICATAS. DESCONTO. COBRANÇA. No caso de desconto de duplicatas ou de sua cobrança, a presunção de omissão de receita só é afastada quando comprovada a contabilização da respectiva receita. TRANSFERÊNCIAS. CONTAS DE MESMA TITULARIDADE. COMPROVAÇÃO. Somente excluemse da tributação os créditos bancários que, comprovadamente, forem provenientes de outras contas de mesma titularidade. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 NULIDADE. Não há que se cogitar de nulidade do lançamento quando observados os requisitos previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Aplicase à tributação reflexa idêntica solução dada ao lançamento principal em face da estreita relação de causa e efeito. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O voto vencedor da decisão recorrida assim sustentou: “No caso presente, a fiscalização intimou a empresa a esclarecer e comprovar adequadamente a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes e ela não logrou fazêlo. Ficou bastante claro no processo que não restou comprovada a origem relativamente à totalidade dos depósitos questionados durante a ação fiscal. Portanto, a materialidade do fato gerador ficou evidenciada. Assim descabido qualquer questionamento acerca da possibilidade de utilização dos valores dos depósitos como base de cálculo dos tributos lançados. Na fase impugnatória, a contribuinte alega que o procedimento fiscal ofendeu o § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430/1996, pois o autuante declarou no Termo de Verificação Fiscal que “Tendo em vista que a maioria dos lançamentos contábeis engloba vários valores e não coincide com os valores nos extratos, não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”. Fl. 1240DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.240 3 Não prospera tal alegação, pois o autuante examinou individualmente cada crédito efetuado nas contas correntes da contribuinte, excluindo as transferências entre contas, os empréstimos, os estornos, cancelamentos, etc. Feita essa análise inicial, intimou a contribuinte a comprovar a origem de cada um dos créditos efetuados e, somente depois, quando a autuada não apresentou qualquer documento, é que excluiu os valores contabilizados como débitos nas contas contábeis “Bancos” do livro Razão, estes sim escriturados englobando vários valores. Assim, não houve qualquer desrespeito ao citado dispositivo legal. Alega, também, que ocorreu erro de fato na planilha integrante da peça acusatória, (à fl.02), em relação à diferença existente, no mês de dezembro, entre os valores lançados nas colunas “Total dos Créditos não Justificados (Extratos)” e “Entradas nas contas Contábeis Bancos (Débitos Contábeis)”, em que o valor da coluna “entradas” foi maior que aquele lançado na coluna “Total dos Créditos” no montante de R$ 2.332.683,80. Afirma que tal valor deve ser excluído da base de cálculo do referido mês. Quanto a essa “diferença” existente no mês de dezembro, verificase que a citada planilha espelha o valor dos créditos bancários efetuados naquele mês que a contribuinte não justificou, no total de R$ 2.032.206,07, e discrimina os registros contábeis a débito efetuados no citado mês na conta “bancos”, que totalizam R$ 4.364.889,87. Tais constatações levam à conclusão de que, no mês de dezembro, não houve omissão de receitas apurada com fundamento em depósitos bancários de origem não comprovada. Ou seja, os registros contábeis de entradas nas contas bancárias foram maiores do que aqueles questionados pelo fisco, não implicando, esse fato, que tais entradas na conta “bancos” a maior devem servir como justificativa para os créditos bancários efetuados nos meses anteriores, para os quais a contribuinte não apresentou provas de que se tratavam de valores correspondentes a receitas já tributadas, isentas, não tributáveis, ou a valores não correspondentes a receitas (empréstimos, etc.). É improcedente, portanto, a solicitação para se excluir tal diferença de R$ 2.332.683,80. A contribuinte argumenta, ainda, que devem ser excluídos da tributação os valores relativos a desconto de duplicatas e cobrança desses títulos, uma vez que se originaram de notas fiscais regularmente emitidas por seu titular. Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada. Devese acrescentar que o autuante excluiu da tributação os valores registrados a débito da conta “bancos” do livro Razão, dentre os quais estão aqueles registrados a título de duplicatas recebidas, conforme consta no TVF. Assim, não se altera a tributação do referido valor. Quanto à alegação de que foram feitas transferências eletronicamente diretamente de banco a banco, entre contas correntes de mesma titularidade, conforme relação de fls. 856 a 862, verificase que a simples indicação de que se trata de transferência bancária (como foi feito na impugnação) não é suficiente. É necessário comprovar que as contas de onde vieram os valores transferidos são de titularidade da contribuinte, o que não ficou provado na impugnação. A contribuinte indicou operações bancárias com os seguintes históricos: “Créd.Transf. entre ContasTransf. Da 8/9001337” (fl.148), “Mov.Tit.de 0770/854941” (fl.399), “Mov.Tit. de 0770 848547”, “Ag. TEF 0770.84854 Fl. 1241DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 7” (fl. 399), “Transf.TB” (fl.523), “Transf. Ag. Dinh” (fls.158, 171), ou, ainda “Transferência de Saldo” (fl.538). Entretanto, como se vê, tais históricos não permitem vislumbrar se a conta de onde provêm os valores transferidos são da contribuinte ou de terceiros. Caberia à contribuinte apresentar os documentos bancários que deram suporte a tais transferências, comprovando assim que foram feitas de outras contas de titularidade da autuada. Não tendo sido anexados tais comprovantes, não se altera o lançamento. Consta às fls. 1167 a 1171 a planilha por mim elaborada com os históricos constantes dos extratos bancários, conforme antes relatado, observandose, inclusive, que consta em alguns históricos que a transferência foi feita por outra pessoa jurídica (por exemplo: Asper Jato Ind.Com. – fl.171). Constam nessa planilha os valores por mim considerados como sendo relativos a transferências entre contas de mesma titularidade (cujo histórico é Transf. Ag.Cheq.O próprio favorecido), no valor de R$ 327.219,00 (abril/2008), R$ 151.790,00 (maio/2008), R$ 131.000,00 (setembro/2008), R$ 32.152,47 (outubro/2008), e que serão excluídos da tributação. Relativamente, à argumentação de que foram tributados valores transferidos mediante a emissão de cheques pela própria impugnante (fls. 889 a 1152 e planilha de fls. 850 a 856), anexei às fls. 1172 a 1179 o demonstrativo que contém a indicação dos créditos admitidos como sendo provenientes de depósitos em cheque da própria contribuinte, os quais serão excluídos da tributação, bem assim daqueles não excluídos com a respectiva justificativa. Estão sendo excluídos os créditos bancários relativos a essa alegação nos seguintes valores: TOTAL TRANSF.CHEQUES EXCLUÍDAS ........................................................................................................................................” A contribuinte foi cientificada da decisão recorrida em 24/06/2013 (AR a fls. 1207) e interpôs recurso voluntário em 12/07/2013 (doc. a fls. 1209 e segs.), no qual alega as seguintes razões de defesa: a) que o ato (ou procedimento) administrativo de lavra do Auditor Fiscal é nulo, visto que, ao descumprir o previsto em lei – visto sua atividade ser absolutamente vinculada, não sendo admitida qualquer discricionariedade – veio a preterir o direito de defesa do contribuinte; b) que o próprio autuante reconhece, por meio da peça acusatória, haver adotado procedimento em absoluto descompasso à determinação legal, visto que se manifesta dizendo que “não foi possível fazer a conciliação por lançamento de forma individualizada”, sendo que aquela é clara o suficiente de maneira a não deixar dúvidas, ao determinar que “para feito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente...”; JANEIRO 28.000,00 ABRIL 98.600,00 MAIO 148.000,00 JUNHO 732.740,00 JULHO 571.100,00 AGOSTO 762.760,00 SETEMBRO 427.960,00 OUTUBRO 1.351.343,00 NOVEMBRO 35.000,00 Fl. 1242DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.241 5 c) que os trabalhos fiscais, em sua totalidade, foram realizados em outro local que não o estabelecimento do contribuinte, sem que neste o Auditor Fiscal sequer tenha comparecido, o que ofende o disposto no art. 915 do RIR/99, pois o contribuinte foi compelido, por meio de várias intimações, a apresentar uma série de livros e documentos, sem, entretanto, ter tido a posse de qualquer termo escrito lavrado pela autoridade fiscal, de maneira a comprovar a efetividade do atendimento daqueleas determinações, logo, foram utilizados elementos que, em tese, não deveriam, ao menos oficialmente, encontraremse sob a tutela da Autoridade Fiscal, motivo pelo qual tornam nulas as exigências; d) que a Súmula CARF nº 6 leva a outro significado que não aquele adotado pelo Auditor Fiscal titular da ação fiscal, qual seja, a de que a verificação (de livros e/ou documentos) se dar fora do estabelecimento do contribuinte, por ocasião de flagra de determinada irregularidade praticada, isto é, exemplificadamente, mercadorias desacompanhadas de documentos fiscais detectadas pela fiscalização ou ainda, que sejam objeto de descaminho ou contrabando; e) que, no mês de dezembro de 2008, a somatória dos créditos apontados como não justificados correspondeu a R$ 2.032.206,07, enquanto que os valores escriturados, a débito, na conta “bancos”foi de R$ 4.364.889,87, ou seja, nesta foi escriturado valor superior àquele supostamente omitido, no importe de R$ 2.332.683,80, logo, tal excesso deveria ser excluído da base de cálculo do período correspondente, até porque o contribuinte apurou seus resultados trimestralmente e com base no lucro real, o que levaria com que a base de cálculo do 4º Trimestre do AC 2008 seia reduzida a R$ 2.792.308,06, ao invés de R$ 5.124.991,86, equivocadamente utilizada; f) que, não obstante a recorrente tenha elencado a totalidade de depósitos feitos com cheques de sua própria emissão, inclusive juntado cópia microfilmadas deles, a decisão recorrida reconheceu valores aquém daqueles efetivamente comprovados, razão pela qual, entende que devam ser excluídos das bases de cálculo os seguintes valores: R$ 1.605.173,88 (1º Trimestre/2008), R$ 2.265.217,96 (2º Trimestre/2008), R$ 2.563.888,37 (3º Trimestre/2008) e R$ 1.469.649,22 (4º Trimestre/2008); g) que, com relação à Cofins e PIS/Pasep, deveriam ter sido excluídos os seguintes valores: R$ 210.005,60 (jan/2008); R$ 213.073,36 (fev/2008); R$ 1.182.094,92 (mar/2008); R$ 1.084.080,96 (abril/2008); R$ 593.945,92 (maio/2008); R$ 587.191,08 (junho/2008); R$ 1.225.914,93 (jul/2008); R$ 728.050,88 (agos/2008) R$ 609.922,56 (set/2008); R$ 887.360,46 (out/2008); R$ 334.481,40 (nov/2008); e R$ 147.806,36 (dez/2008); h) que, com relação às inúmeras operações financeiras levadas a efeito pela recorrente junto às mais diversas instituições financeiras, elas se davam mediante a apresentação, pela recorrente, de garantias representadas por títulos de sua emissão e que correspondiam elas a descontos, assim como a cobrança de duplicatas que, na essência, viriam a representar o ingresso (créditos) de valores em contascorrentes bancárias de titularidade da contribuinte, razão pela qual, já que totalmente respaldada em títulos de Fl. 1243DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 sua emissão os créditos advindos de tais operações, deve ser reformado, no tocante a tal item, o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Alberto Pinto Souza Junior. O recurso de ofício atende aos pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço, para negarlhe provimento, pois a planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor da decisão recorrida aponta com amparo em provas coligidas aos autos a razão de cada uma das exclusões da base de cálculo. O recurso voluntário é tempestivo e foi subscrito por mandatário com poderes para tal, conforme procuração a fls. 1227, razão pela qual dele conheço. Inicialmente, afasto a preliminar de nulidade suscitada, relativa ao local onde realizado o trabalho fiscal, pois se equivoca a contribuinte quanto ao sentido da norma insculpida no art. 915 do RIR/99 e da Súmula CARF nº 06, pois o termo de apreensão de documentos não é condição para que os trabalhos fiscais possam se realizar fora do estabelecimento do fiscalizado, mas ato necessário para que o Fisco possa conservar em seu poder os livros da fiscalizada. Ocorre, porém, que a intimação para apresentação de documentos dispensam a lavratura do termo de apreensão e são provas inconteste da detenção de tais documentos em poder do Fisco, quando atendidas pelo contribuinte, como é o caso. Quanto à alegação de que teria sido descumprida a norma que determinaria a conciliação por lançamento de forma individualizada, a recorrente incorre novamente em equívoco, se não vejamos o que se segue. Vale, antes de mais nada, trazer à colação o teor do §3º do art. 42 da Lei nº 9.430/96, in verbis: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º Omissis. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Vide Lei nº 9.481, de 1997) Fl. 1244DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 19515.722312/201248 Acórdão n.º 1302001.469 S1C3T2 Fl. 1.242 7 ............................................................................................................................” Assim, a teor do disposto no dispositivo legal acima transcrito, caberia ao autuante individualizar os depósitos e intimar a recorrente a comprovar a origem de cada um deles com documentação idônea. Isso foi feito, tanto que a fls. 713 e segs, consta o Termo de Intimação datado de 12/06/2012, cujo anexo individualizou cada um dos lançamentos que caberiam a recorrente comprovar a origem do ingresso em conta bancária. Cada um dos depósitos que a contribuinte não conseguiu comprovar a origem deveria compor a base tributável do lançamento fundamentado na presunção de omissão de receitas do art. 42 em tela. Ocorre, entretanto, que a Fiscalização da Receita Federal tem adotado uma interpretação mais favorável aos contribuintes totalmente desprovida de base legal, a qual consiste em abater do valor total dos depósitos não comprovados o valor de entradas contabilizadas, decorrendo disso uma redução indevida da base tributável. Ora, por esse entendimento da Receita Federal, se do total do faturamento, metade é escriturado e a outra metade transita por conta bancária não escriturada, não haveria omissão de receita, já que um valor anula o outro. Essa exegese não cabe nos parâmetros hermenêuticos do art. 42, o qual inverte o ônus da prova, cabendo ao contribuinte provar que o ingresso na conta bancária corresponde a um determinado lançamento contábil, sendo totalmente desarrazoado que o Fisco presuma do jeito que o fez nesse e em outros casos já julgados por este Colegiado. De qualquer forma, a tal conciliação feita pelo autuante nos autos desse processo, embora sem base legal, só beneficiou a contribuinte, pois a ela cabia provar que os registros contábeis correspondiam aos ingressos na conta bancária. O Fiscal, ao abater indevidamente valor de ingressos contabilizados dos ingressos não comprovados na conta bancária, terminou por dispensar a recorrente do ônus que a Lei lhe impunha. Assim, não há que se falar em nulidade do lançamento, nem teria a recorrente legitimidade para alegálo, por ter se beneficiado de uma interpretação equivocada da Fiscalização, a qual reduziu a base tributável (pas de nullité sans grief). Por essa mesma razão, afasto a alegação de que o saldo contabilizado a maior no mês de dezembro de 2008 deveria abater o valor não contabilizado de meses anteriores. Ora, se o valor contabilizado em dezembro de 2008 correspondia a ingressos na conta bancária em meses anteriores, caberia a recorrente demonstrar, com documentação idônea, a correlação entre os lançamentos, a ponto de justificar o equívoco na escrituração. Da mesma forma, não procede a alegação da recorrente de que a decisão recorrida deixou de considerar comprovada a origem de ingressos que teriam sido decorrentes de depósitos com cheques emitidos por ela mesma. A planilha elaborada pelo Relator do voto vencedor (doc. a fls. 1.167) justificou o acolhimento ou não de cada um dos elementos probatórios apresentados pela recorrente. A título de exemplo, vejamos que o cheque no valor de R$ 15.200,00 apresentado pela recorrente (doc. a fls. 889) não foi acolhido por que não correspondia a nenhum ingresso objeto da fiscalização, nem pelo valor nem pela data. Por sua vez, o cheque no valor de R$ 16.000,00 (doc. a fls. 890) foi acolhido e o valor foi excluído da base tributável, conforme informa a referida planilha a fls. 1.172. Ademais, a recorrente não se insurge contra nenhum ponto específico da referida planilha, pois apenas faz alegação genérica de que cheques por ela emitidos não teriam sido acolhido pela decisão recorrida, sem enfrentar as razões apontadas para o não acolhimento. Por essas razões, nego provimento ao recurso voluntário também nesse ponto. Por esses mesmos motivos, também não há que prosperar as alegações de que não teriam sido consideradas operações comerciais respaldadas em títulos emitidos pela recorrente (duplicatas), cujos descontos teriam gerado os ingressos que ora se discute neste autos. Observo que é perfeita a decisão recorrida, quando sustenta que: “Ora, se são valores relativos a notas fiscais regularmente emitidas, deve a contribuinte comprovar a contabilização e a tributação da receita correspondente a tais notas fiscais de venda. A Fl. 1245DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 8 existência de duplicatas denota que houve o faturamento, não podendo ser desconsiderado o crédito dele decorrente sem a comprovação de que a receita correspondente foi tributada”. Ora o art. 42 apenas dispõe sobre um meio de prova indireta da omissão de receita, sendo que o fato de a receita ter sido objeto de nota fiscal ou de duplicata não afasta a caracterização da omissão de receita, caso não provada a sua escrituração e o seu oferecimento a tributação, ônus que caberia a recorrente. Assim, se ingressos em conta bancária decorreram de descontos de títulos, caberia a recorrente provar que, de tais operações de desconto de títulos, decorreram ingressos em conta bancária em valor e data correspondente ao que visa comprovar e, além disso, que as receitas foram oferecidas a tributação. No presente caso, a recorrente sequer trouxe, aos autos, qualquer demonstrativo que visasse comprovar a vinculação de operações de desconto de títulos com ingressos ora discutidos e, muito menos, que tais ingressos foram oferecidos à tributação, razão pela qual também nego provimento ao recurso neste ponto. Em face do exposto, voto por negar provimento aos recursos de ofício e voluntário. Alberto Pinto Souza Junior Relator Fl. 1246DF CARF MF Impresso em 08/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/08/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 07/0 8/2014 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 16561.000183/2007-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
PARCELAMENTO. LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO.
A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso.
Numero da decisão: 1301-001.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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LEI 11.941/2009. CONFISSÃO. DESISTÊNCIA DO RECURSO. A opção do contribuinte, devidamente consignada no processo, pelo parcelamento especial criado pela Lei 11.941/2009 acarreta, conforme a determinação constante no art. 5°, a confissão extrajudicial do débito e a conseqüente desistência de seu recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros deste colegiado, por unanimidade de voto negar provimento ao recurso de ofício e não conhecer do recurso voluntário em virtude de expressa desistência. Ausente, momentaneamente o Conselheiro Valmar Fonseca de Menezes, presente o Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado (Suplente Convocado). O Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães presidiu o julgamento. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmir Sandri, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Carlos Augusto de Andrade Jenier e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 56 1. 00 01 83 /2 00 7- 22 Fl. 565DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 2 Relatório Em síntese o relatório do necessário para decidir. A autuação decorreu de fiscalização empreendida junta a empresa acima identificada com a finalidade de se verificar a observância da legislação relativa a Preços de Transferência no que diz respeito às suas exportações efetuadas no período de 01/01/2002 a 31/12/2005. Do arbitramento O artigo 19 da Lei n° 9.430/96 (artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) determina que estão sujeitas ao controle de preços de transferência as exportações cujo valor não alcance o limite de 90% do respectivo preço de venda no mercado interno. Do cálculo do preço praticado e do preço parâmetro nas exportações o artigo 16 da IN SRF n° 243/2002 considera que o preço médio será apurado em função das quantidades transacionadas. Dos métodos para apuração do preço parâmetro Nas exportações sujeitas ao controle de preços de transferência, o preço parâmetro a ser utilizado na comparação com o preço praticado poderá ser calculado por um dos métodos previstos no artigo 19, § 3o , da Lei n° 9.430/96: PVEx (Preço de Venda nas Exportações); PVA (Preço de Venda por Atacado no País de Destino, Diminuído do Lucro); PVV (Preço de Venda a Varejo no País de Destino, Diminuído do Lucro) e CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Tributos e Lucro). Da metodologia Os itens importados no período foram objeto de análise pela fiscalização por amostragem, com os limites estabelecidos pelos dados informados pela contribuinte, apresentados nas respectivas tabelas de banco de dados, certificadas digitalmente. Ou seja, a fiscalização se pautou exclusivamente, para a realização dos cálculos, nas informações prestadas pela contribuinte, que, mediante a assinatura de Termo de Certificação Digital, atestou sua veracidade e validade jurídica, de modo conclusivo. De acordo com os dados fornecidos pela contribuinte, a fiscalização apurou os preçosparâmetro de todos os itens não dispensados pelo critério da margem de 90% conforme art. 19 da Lei n° 9.430/96 e artigo 14 da IN SRF n° 243/2002) pelo método CAP, conforme disposto no artigo 26 da referida IN SRF n° 243/2002. Todas as planilhas, demonstrativos, cálculos e dados utilizados para a apuração dos ajustes acima constam dos anexos do presente Termo, e são parte integrante deste e do respectivo Auto de Infração. Em todos os cálculos foi utilizado arredondamento para 2 casas decimais. Dos lançamentos Fl. 566DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 12 3 Em face do acima exposto, foram efetuados os seguintes lançamentos, relativos ao ano calendário de 2002: IRPJ no valor de R$ 2.919.693,91 e CSLL no valor de R$ 1.051.089,77, incluídos multa de 75% e juros de mora, com ciência em 21/12/2007. IMPUGNAÇÃO, alega: DA DECADÊNCIA A impugnante apura e recolhe o IRPJ e a CSLL de acordo com o regime de lucro real anual (apurado em bases mensais). Ou seja, nos meses em que há pagamentos, estes são efetuados em bases mensais. E se há pagamentos mensais de tributos ao longo do período base, é evidente que os fatos geradores do IRPJ e da CSLL ocorrem mensalmente. Tanto isso é verdade que, caso o contribuinte não realize os recolhimentos mensais por estimativa, a fiscalização exige a multa isolada e também eventuais diferenças dos tributos, não sendo permitido ao contribuinte sustentar que o fato gerador do IRPJ e da CSLL só ocorre em 31 de dezembro do respectivo ano calendário. Assim, temse que a presente autuação somente poderia se referir a fatos geradores ocorridos a partir de 21/12/2002 (5 anos antes da lavratura do Auto de Infração), não podendo atingir operações realizadas antes desse período. Destaquese que, por serem o IRPJ e a CSLL tributos sujeitos ao lançamento por homologação, e por não ter havido falta de pagamento desses tributos, a contagem do prazo decadencial, no presente caso, deve se pautar no disposto no artigo 150, § 4o., e não no artigo 173, inciso I, do CTN. DA COMPROVAÇÃO DAS REGRAS DE PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. DOCUMENTOS DE EXPORTAÇÃO O artigo 35 da IN SRF n° 243/2002 prevê que o contribuinte pode comprovar a adequação às regras de preços de transferência com os próprios documentos da operação de exportação realizada se, no ano em que foram realizadas tais exportações para pessoas vinculadas, ficar comprovado que foi obtido lucro líquido, antes da provisão do IRPJ e da CSLL, em valor equivalente a, no mínimo, 5% das receitas. No caso em questão, verificase na planilha de resultados da contribuinte (doc. n° 04, fl. 413) que o total de receitas de exportação para pessoas vinculadas em 2002 foi de R$ 333.180.848,87, e o lucro líquido apurado ao final do período foi de R$ 45.671.951,43, que equivale a 13,71% desse total. Em vista disso, a impugnante solicita, preliminarmente, que todas as suas operações de exportação sejam consideradas válidas, com base nos próprios documentos de exportação apresentados à fiscalização, e que o Auto de Infração seja cancelado de plano. DO MÉRITO COLOCAÇÃO DA QUESTÃO Em resumo, a autuação deve ser cancelada pelos seguintes motivos: Fl. 567DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 4 1. no que diz respeito à soja, não devem ser aplicadas as normas de preços de transferência, uma vez que: a) a contribuinte é mera intermediária na exportação; e b) as operação foram analisadas no âmbito da Louis Dreyfus Commodities S.A. ("LDC"); 2. no caso do óleo essencial de laranja, existem ajustes que devem ser feitos, na medida em que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação; e 3. quanto ao suco de lima ácida, ao aroma de laranja em fase aquosa e ao terpeno de laranja, não pode a fiscalização arbitrar um preço de exportação para produto derivado de commodity negociada no mercado internacional, que sofre interferência de inúmeros fatores ambientais e políticos. A seguir, discorre sobre cada um dos produtos contestados pela fiscalização. DA MULTA E DOS JUROS A multa aplicada é abusiva e confiscatória, em total confronto com o artigo 150, inciso, IV, da CF/88, devendo ser reduzida. Quanto aos juros de mora, a taxa SELIC não pode ser aplicada aos créditos tributários, uma vez que não foi criada por lei para esse fim, conforme já decidiu o Superior Tribunal de Justiça. A autoridade julgadora de primeira instancia (DRJ/SPO I ), decidiu a matéria por meio do Acórdão, 1622.818, de 15/09/2009, (fls. 432 e ss), considerando procedente em parte a impugnação, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA. IRPJ Ano calendário: 2002 DECADÊNCIA. RECOLHIMENTOS POR ESTIMATIVA. Em caso de apuração anual do imposto, considerase ocorrido o fato gerador no encerramento do ano calendário, em 31 de dezembro. A partir dessa data, e não da data dos recolhimentos antecipados, tem início a contagem do prazo decadencial. PREÇOS DE TRANSFERÊNCIA. EXPORTAÇÃO. SALVAGUARDA. ("SAFE HARBOUR"). A pessoa jurídica que comprovar haver apurado lucro líquido, antes da provisão da CSLL e do imposto de renda, decorrente das receitas de vendas nas exportações para empresas vinculadas, em valor equivalente a, no mínimo, cinco por cento do total dessas receitas, poderá comprovar a adequação dos preços praticados nessas exportações, no mesmo período, exclusivamente com os documentos relacionados com a própria operação. Condição não satisfeita pela contribuinte. EXPORTAÇÃO DE SOJA. EMPRESA COMERCIAL EXPORTADORA. MÉTODO CAP. Quando a exportação é intermediada por empresa na condição de comercial exportadora, o valor de aquisição pode ser considerado o próprio preço parâmetro segundo o método CAP (Custo de Aquisição ou de Produção mais Fl. 568DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 13 5 Tributos e Lucro), sem novo acréscimo da margem de lucro de 15%. Exigência exonerada. EXPORTAÇÃO DE ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA. MÉTODO CAP. Constatado equívoco na apuração, pela fiscalização, dos ajustes de preço de transferência na exportação do óleo essencial de laranja, exonerase parcialmente a exigência. EXPORTAÇÃO DE COMMODITIES (SUCO DE LIMA ÁCIDA, AROMA DE LARANJA EM FASE AQUOSA E TERPENO DE LARANJA). MÉTODO CAP. Inexistindo impedimento legal para a adoção do método CAP para o cálculo dos ajustes relativos a commodities (suco de lima ácida, aroma de laranja em fase aquosa e terpeno de laranja), mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA À TAXA SELIC. A aplicação da multa de ofício e o cálculo dos juros de mora taxa SELIC têm previsão legal, não competindo à esfera a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. CSLL. DECORRÊNCIA. O decidido quanto ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica aplicase à tributação decorrente dos mesmos fatos e elementos de prova. É o relatório. Fl. 569DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 6 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas De início assinale que a autoridade julgadora de primeiro grau, manteve parcialmente os lançamentos, exonerando a exigência fiscal decorrente dos ajustes realizados pela fiscalização em relação as exportações do Produto Soja e, parcialmente, do Óleo Essencial de Laranja, pelo que recorre de ofício. O valor do crédito exonerado supera o limite que sujeita a decisão à revisão necessária. Em sendo assim, cabe analisar em primeiro plano o Recurso de Ofício. Neste particular tomo de empréstimo a síntese constante da bem fundamentada decisão recorrida. PRODUTO SOJA: Conforme planilhas de fls. 215, 325 e 415/419, a contribuinte adquiriu da Louis Dreyfus Commodities S.A. 24.916.000 Kg de soja, as quais foram totalmente exportadas para Nethgrain B.V. Esse fato, corroborado pelas notas fiscais de fls. 420/425, comprovam a condição de empresa comercial exportadora da contribuinte, com relação a essas operações. Assim, há que se aplicar o disposto no § 4 o do artigo 26 da IN SRF n° 243/2002, adotando, como preçoparâmetro segundo o método CAP o próprio valor de aquisição, ou seja, R$ 0,395268923 (fl. 325), a ser comparado com o preço médio de exportação, de R$ 0,392634148 (fl. 325), resultando num ajuste unitário de R$ 0,002634775. Considerando, no entanto, que o preçoparâmetro e o preço praticado da exportação, divergem em menos de 5%, inexiste ajuste a ser efetuado, nos termos do artigo 38 da IN SRF n° 243/2002, in verbis: Art. 38. Será considerada satisfatória a comprovação, nas operações com empresas vinculadas, quando o preço ajustado, a ser utilizado como parâmetro, divirja, em até cinco por cento, para mais ou para menos, daquele constante dos documentos de importação ou exportação. Parágrafo único. Nessa hipótese, nenhum ajuste será exigido da empresa na apuração do imposto de renda, e na base de cálculo da CSLL. Dessa forma, há que se excluir da tributação o ajuste apurado pela fiscalização com relação à exportação de soja. PRODUTO ÓLEO ESSENCIAL DE LARANJA: Fl. 570DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 14 7 Com relação ao óleo essencial de laranja, alega a impugnante que a fiscalização considerou 2 tipos de produtos distintos no cálculo do preço médio de exportação: óleo especial de laranja e terpeno de laranja na fase oleosa. Ao analisarmos as planilhas relativas ao cálculo do preço médio praticado na exportação (fls. 217/219) e do preçoparâmetro segundo o método CAP (fls. 329/333), observamos que, de fato, a fiscalização considerou, indevidamente, o conjunto de 2 tipos de produtos distintos (observese inclusive, que a planilha de fls. 217/219 referese a "33011290 ORANGE OIL E VARIANTES"), ao passo que a legislação de preços de transferência determina a apuração de ajustes produto a produto. De acordo com os demonstrativos e planilhas apresentados, as informações relativas a apenas o terpeno de laranja na fase oleosa restam validados os cálculos apresentados pela impugnante no demonstrativo de fl. 375. Dessa forma, com relação ao óleo essencial de laranja, há que alterar o ajuste a título de preço de transferência, de1 R$ 3.305.906,92, para R$ 2.341.907,47, conforme cálculos acima efetuados.” Não faço reparos, pois, à decisão recorrida e nego provimento ao Recurso de Ofício, o qual se relaciona ao item “Ajuste do preço de transferência do produto Soja”, exoneração total e, item “Produto de Óleo Essencial de Laranja’, exoneração parcial. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. No entanto, a apreciação de mérito da questão encontrase prejudicada, visto que a interessada protocolizou em 25/07/2011, pedido de desistência do recurso dirigido ao Presidente do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (doc. de fls. 502 e ss), no qual informa que incluiu o débito ora em discussão no programa de parcelamento de débitos tributários instituído pela Lei n° 11.941, de 27/05/2009, dentro do prazo especificado no artigo 1o., inciso IV, da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 2, de 03/02/2011. Aduzindo mais que “Assim sendo, em atenção ao que dispõe a Lei n° 11.941/2009 e o artigo 13 da mesma Portaria n° 2/11, a Requerente manifesta a desistência do Recurso Voluntário interposto no presente processo administrativo, assim como renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se funda o referido recurso. Ao final, a Requerente requer seja arquivado o presente processo.” Por pertinente transcrevo os artigos 9o. e 13 da Portaria Conjunta (RFB/PGFN) 2, de 2011, bem como o art. 78 da Portaria (MF) 256, de 2009 que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Art. 9º Para a consolidação de modalidade de parcelamento ou de pagamento à vista com a utilização de crédito decorrente de Prejuízo Fiscal ou de Base de Cálculo Negativa de CSLL, nos períodos de que trata o art. 1º, o sujeito passivo deverá indicar: I os débitos a serem parcelados ou aqueles que foram pagos à vista; (...) Fl. 571DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 8 § 2º A indicação dos débitos de que trata o inciso I do caput deverá ser efetuada por intermédio dos sítios da RFB ou da PGFN na Internet nos endereços mencionados no § 2º do art. 1º, ainda que o sujeito passivo tenha anteriormente prestado esta informação perante unidade da RFB ou da PGFN ou em razão do cumprimento do disposto na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 29 de abril de 2010, e, sendo o caso, na Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 11, de 24 de junho de 2010. (...) Art. 13. O prazo para desistência de impugnação ou de recurso administrativos ou de ação judicial de que tratam o caput e o § 1º do art. 13 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009, ficam reabertos até o último dia útil do mês subsequente à ciência do deferimento da respectiva modalidade de parcelamento ou da conclusão da consolidação de que trata o art. 28 da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 6, de 2009. § 1º O sujeito passivo deverá selecionar débito com exigibilidade suspensa no momento em que prestar as informações necessárias à consolidação de cada modalidade, ainda que a desistência e a renúncia de que trata o caput sejam: I formalizadas pelo sujeito passivo após a apresentação das informações necessárias à consolidação; ou II analisadas e acatadas pelo órgão ou autoridade competente, administrativo ou judicial, em momento posterior à apresentação das informações necessárias à consolidação. Portaria MF,. 256, de 2009: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. (...) § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Como visto, trata os autos do presente processo de apreciação de recurso de Ofício e Recurso Voluntário, restando, no caso, verificar quais são os débitos discutidos e que foram indicados pela recorrente quando da sua opção ou consolidação do parcelamento de que trata a Lei 11.941/2009 (total ou parcial), haja vista o disposto no § 3º do art. 78 do RICARF acima. Nesse passo, os autos do presente processo foram baixado em diligência (Resolução 1301000.043, em sessão de 31/01/2012), nos seguintes termos: Fl. 572DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES Processo nº 16561.000183/200722 Acórdão n.º 1301001.447 S1C3T1 Fl. 15 9 Neste sentido, em homenagem ao princípio da verdade real, voto por converter o julgamento em diligencia para que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de jurisdição da contribuinte junte aos autos documentação relativo ao pedido do parcelamento em apreço, discriminando com relação aos crédito tributários exigidos nestes autos, quais parcelas foram objeto de sua opção ou consolidação, principalmente, no sentido de elucidar se a desistência fora total ou parcial, visto não restar claro na petição apresentada. Após tal providência deverá ser lavrado relatório consubstanciado com a finalidade de dar ciência à interessada para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo no prazo adequado. A seguir, retornem os autos a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais para conclusão do seu julgamento. Pois bem. Retorna os autos, após diligencia efetuada, da qual reproduzo o relatório. “Da análise Consta as folhas 514/522, o pedido de desistência do Recurso Voluntário interposto pela empresa e protocolado nesse órgão, para ingresso no parcelamento da Lei 11.941/2009. O crédito tributário em questão foi apartado de acordo com o valor mantido em julgamento(DRJ) e transferido para o processo nº 18208.086328/201113(extrato de folhas 547/550). Consta as folhas 551/552, o Extrato da consta PAEX – Consulta Consolidação do Optante na modalidade LEI 11.941/2009 – RFBDEMAISART 1, o processo nº 18208086328/201113, cujos débitos correspondem ao crédito tributário mantido objeto do recurso voluntário (IRPJ, valor original R$ 722.523,33, multa de oficio R$ 541.892,49; e CSLL, principal R$ 260.108,40 e multa de oficio R$ 195.081,30). Face ao exposto, ficou demonstrado quais débitos e valores que foram incluídos no regime de parcelamento da Lei 11.941/2009, em relação ao crédito tributário exigido neste processo. Cientifico a empresa interessada desse relatório, para que, querendo, se manifeste sobre seu conteúdo, no prazo de 15 (quinze) dias.” Através do seu procurador a interessada se manifesta, simplesmente, requerendo seja confirmado o cancelamento da exigência de IRPJ e CSL relacionada às operações soja e óleo essencial de laranja, com o posterior arquivamento dos autos do presente processo. De fato, a Lei 11.941/2009 trouxe vários benefícios para o adimplemento de débitos por parte dos sujeitos passivos, mas, também, trouxe série de obrigações, como a desistência dos recursos administrativos interpostos, com a respectiva confissão (art. 5o. ). Lei 11.941/2009: Art. 5º A opção pelos parcelamentos de que trata esta Lei importa confissão irrevogável e irretratável dos débitos em nome do sujeito passivo na condição de contribuinte ou responsável e por ele indicados para compor os referidos parcelamentos, configura confissão extrajudicial nos termos dos arts. 348, 353 e 354 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Fl. 573DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES 10 Processo Civil, e condiciona o sujeito passivo à aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nesta Lei. Assim, confirmado nos autos de que houve confissão do débito objeto do lançamento de ofício e mantido na decisão de primeira instância, encaminho meu voto no sentido de NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO por expressa desistência e, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 574DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 04/2014 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 09/07/2014 por VALMAR FONSECA DE M ENEZES
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