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Numero do processo: 10380.014905/2009-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007
RECURSO VOLUNTÁRIO. APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.
É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois deste prazo, por ser intempestivo.
Recurso Voluntário não Conhecido.
Numero da decisão: 2401-003.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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APRESENTAÇÃO FORA DO PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. É facultado ao contribuinte apresentar Recurso Voluntário contra a decisão desfavorável da autoridade julgadora de 1ª instância administrativa no prazo de 30 dias a contar da ciência dessa decisão. Não se conhece do recurso apresentado depois deste prazo, por ser intempestivo. Recurso Voluntário não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 01 49 05 /2 00 9- 30 Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso. Ausente justificadamente o conselheiro Igor Araújo Soares. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares e Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.014905/200930 Acórdão n.º 2401003.311 S2C4T1 Fl. 1.547 3 Relatório Da autuação Tratase de Auto de Infração nº 37.222.7082, relativo ao lançamento de contribuições sociais destinadas à Seguridade Social, correspondente às parcelas a cargo da empresa, referentes às competências de 01/2004 a 12/2007. Segundo o relatório fiscal (fls. 386/400) os fatos geradores que serviram de base para o lançamento do crédito previdenciário foram remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, bem como pagamentos realizados a cooperativas de trabalho. Os valores pagos considerados para o presente lançamento não foram declarados pela empresa nas Guias do Fundo de Garantia e Informações à PrevidênciaGFIPs porque a Autuada fazia jus à isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91. Ocorre que, como resultado dos procedimentos de auditoria realizados na Fundação Ana Lima, relativamente ao período de 01/01/2004 a 31/12/2007, foi emitida Informação Fiscal à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza informando acerca dos seguintes fatos verificados que configuram descumprimento de requisitos para o gozo da isenção/imunidade de contribuições sociais: · Distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas, o que resulta em desobediência às exigências contidas no art. 14, inciso I e II, do Código Tributário Nacional (CTN). · Não aplicação da totalidade dos seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais, em desobediência às exigências contidas no art. 14, inciso II, do CTN e no inciso V no art. 55 da Lei 8.212/91; bem como, descumprimento do inciso IV do art. 55 da Lei 8.212/91. · A Fundação não faz jus à isenção prevista no art. 55 da Lei 8.212/91, por descumprimento do inciso III, pois a atividade principal da entidade é a prestação de serviço (cessão de mãode obra) ao grupo privado Hapvida. · Não aplicação integral do resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais, descumprindo a exigência contida na Lei 8.212 de 24/07/1991 (art. 55, inciso V). No sistema de arrecadação do Ministério da Previdência, consta que a entidade teve o direito de isenção cancelado desde 01/01/1998, em virtude do Ato Cancelatório de Isenção de Contribuições Sociais nº 004/2002, datado de 09/07/2002. O cancelamento do direito à isenção ocorreu por infração ao inciso II do art. 55 da Lei 8.212/91 (inexistência de CEBAS) c/c o art. 206, inciso III, do Decreto 3.048/99. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 4 Após a emissão do Ato Cancelatório, foi realizada auditoria na empresa em relação ao período de 01/01/1995 a 30/08/2003, tendo sido lançados os créditos tributários devidos através das Notificações Fiscais de Lançamento de Débito NFLS nº 356135926, 356135934, 35613594 2, 356135950, 356135969 e 356135977. Entretanto, por força de decisão judicial de primeira instância (Sentença 3545/2003 na Ação Ordinária 2003.81.00.0259028 da 10ª Vara da Justiça Federal no Ceará), os referidos créditos tributários estão com a exigibilidade suspensa. Na sentença prolatada em primeiro grau de jurisdição foi julgado procedente o pedido da entidade no sentido do reconhecimento de sua imunidade tributária. Considerou o juiz que o descumprimento de aspecto formal (intempestividade no pedido de renovação do CEBAS) não seria suficiente para a perda da imunidade tributária. A procuradoria Federal do INSS apelou. A apelação foi recebida apenas no efeito devolutivo e até a presente data encontrase pendente de julgamento no Tribunal Regional da 5ª Região. Enquanto não houver pronunciamento definitivo do Poder Judiciário, os débitos lavrados para o período de 01/1995 a 08/2003 ficarão com a exigibilidade suspensa. A Fundação Ana Lima, também em face da referida decisão judicial, não recolheu as contribuições sociais destinadas à seguridade social (art. 22 e 23 da Lei 8.212/91) relativamente ao período de 01/2004 a 12/2007. Ocorre que em relação a este período, conforme detalhado na Informação Fiscal, a auditoria constatou descumprimento de requisitos materiais previstos na Lei 8.212/91 (art. 55, inciso III, IV e V) como no CTN (art. 14, inciso I e II), necessários para o gozo de benefício da isenção/imunidade das referidas contribuições sociais. A referida Informação Fiscal resultou no Processo Administrativo nº 10380.011346/200914, tendo a empresa apresentado defesa. Como resultado do julgamento do processo foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/FOR nº 137 de 28/10/2009, cancelando a imunidade tributária e possibilitando o lançamento dos créditos previdenciários devidos pela empresa. A empresa poderá recorrer da decisão administrativa que cancelou sua isenção/imunidade tributária, devendo, nessa hipótese, o presente crédito previdenciário ficar sobrestado até a decisão final, sendo tal lançamento apenas para prevenir a decadência. Da impugnação Intimada da autuação fiscal em 03/12/2009, a recorrente apresentou impugnação em 04/01/2010, aduzindo preliminarmente: · A incompetência da Receita Federal do Brasil (RFB) para promover o cancelamento da imunidade, vez que o cancelamento, com a perda de eficácia do CEBAS é ato de competência privativa do CNAS. · A supressão de instancia, vez que inexistiu julgamento pela DRJ sobre a emissão do Ato Declaratório (ADE nº 137). · A nulidade do Auto de Infração, por ausência de fundamentação apta do despacho decisório que embasou o ato declaratório executivo ora vergastado. No mérito, alegou que: Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.014905/200930 Acórdão n.º 2401003.311 S2C4T1 Fl. 1.548 5 · Exerce atividade assistencial, aplicando suas receitas estritamente dentro do que é exigido pela legislação pátria que regulamenta as atividades e as finanças das EBAS. · Que pauta a sua contabilidade de acordo com as regras consagradas nas ciências contábeis e na legislação, não se olvidando que, no caso das entidades beneficentes de assistência social, a escrituração pode ser mais simplificada, desde que observadas as formalidades capazes de assegurar sua exatidão, nos termos do art. 14, III do CTN. · Que é albergada por uma norma de imunidade e não de isenção, sendo assim, a interpretação dada aos dispositivos imunizantes deve ser a mais ampla possível para beneficiar todas as entidades que satisfaçam as exigências constitucionais. · Que a lei ordinária não pode criar restrições ao gozo da imunidade prevista no art. 195, §7º da CF, sendo apenas os incisos I, II e III do art. 14 do CTN, ou outra lei complementar que venha a ser editada, hábeis a criar as condições de incidência desse benefício constitucional. · Que a Fundação Ana Lima preenche todos os requisitos legais, previstos em lei complementar (art. 14 do CTN), para a fruição e permanência na sistemática especial de imunidade tributária, mormente no que tange às contribuições para a seguridade social, tudo de acordo com o art. 195, §7º da Carta Magna. · Em relação à distribuição de parcela de seu patrimônio ou de suas rendas: 1. Que o requisito previsto no art. 55, V da Lei 8.212/91, mera lei ordinária, não pode impor exigência à Recorrente para fins de imunidade, salvo no que puder ser compatibilizado com o inciso II do art. 14 do CTN. 2. Que compulsando os autos do processo administrativo, não se encontra qualquer tipo de prova ou mesmo mera evidência de que a Fundação Ana Lima tenha realizado qualquer tipo de remessa de valores ao exterior, sendo certo que todos os resultados obtidos pela Recorrente foram devidamente aplicados em território nacional, justamente na manutenção dos seus objetivos institucionais, não havendo que se falar em violação ao art. 14, II do CTN. 3. A vedação constante no CTN (art. 14, I) visa a proibição de se remunerar e conceder vantagens ou benefícios, inclusive distribuição de lucros ou resultados, aos diretores, conselheiros, sócios, dirigentes, instituidores ou benfeitores de uma entidade assistencial; ou seja, o não favorecimento a interesses privados. Que esse requisito foi cumprido à risca Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 6 pela Recorrente, porquanto seus administradores ou gestores nunca participaram dos resultados econômicos positivos da entidade. 4. Quanto à distribuição de valores a título de participação nos resultados, a Fundação Ana Lima nada mais fez do que dar plena consecução às regras laborais que conferem aos trabalhadores o direito de participação nos lucros ou resultados, desvinculada da remuneração. · Em relação a não aplicação da totalidade dos seus recursos na manutenção dos seus objetivos institucionais: 1. É uma entidade sem fins lucrativos, cujos resultados positivos sempre são reinvestidos na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais. 2. Que os vínculos que a Fundação Ana Lima mantém com o Grupo Hapvida são pautados na estrita legalidade e vislumbram apenas o incremento necessário de renda para que a Recorrente possa dar plena continuidade aos seus inúmeros projetos sociais. 3. Não implica suspensão do gozo da imunidade a utilização de critério contábeis que, a despeio de não serem adotados ou mesmo ignorados pela auditoria, cumprem, com rigor, o arcabouço normativo encartado na regra do inciso III do art. 14 do CTN. · Em relação à atividade principal da entidade ser a prestação de serviço (cessão de mão de obra) ao grupo privado Hapvida: 1. Que esse vínculo visa apenas ao incremento das receitas operacionais da Fundação Ana Lima, assegurandolhe a sobrevivência financeira para promover seus fins e objetivos institucionais. 2. Que a Fundação Ana Lima não atua no mercado como empresa de fins lucrativos, mas como entidade beneficente que capta recursos para promover seus fins assistenciais, na condição de coadjuvante do Estado nesse Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.014905/200930 Acórdão n.º 2401003.311 S2C4T1 Fl. 1.549 7 importante múnus público primário. 3. Que não implica suspensão do gozo da imunidade a prática, como atividademeio, de captação de recursos extras para a melhor consecução dos fins institucionais de uma entidade beneficente de assistência social, sendo este o teor da relação entabulada entre a Fundação Ana Lima e o Grupo Hapvida. · Não aplicação integral do resultado operacional na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais: 1. Que os recursos extras captados são oriundos de atividades meio, geradoras de receita, para que os seus objetivos estatutários sejam atingidos. 2. Que não há busca de lucro nem divisão dos mesmos, conforme prescreve o art. 14, I do CTN. · Por fim, requereu o retorno dos autos em diligencia para a realização de prova pericial, onde restará comprovada a sua regularidade contábil e tributária para se manter como entidade beneficente imune, nos termos do art. 195, §7º da CF. Do acórdão da DRJ: Instada a se manifestar acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, porém exonerando o levantamento “ESS Estágio Desacordo Parte Seg.”, no valor de R$ 99.690,63, mantendo parcialmente o crédito tributário exigido (AI/DEBCAD 37.222.7082) em R$ 14.030.585,44. Vejamos o teor da ementa da decisão proferida pela DRJ: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS INCIDENTES SOBRE AS REMUNERAÇÕES DE SEGURADOS EMPREGADOS E CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS. Constituem fatos geradores de contribuições sociais as remunerações pagas, devidas ou creditadas aos segurados empregados e as pagas ou creditadas aos contribuintes individuais. As contribuições previdenciárias incidentes estão previstas no art. 22, incisos I e II (parte da empresa e SAT sobre as remunerações dos empregados), e inciso III (parte da Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM 8 empresa sobre as remunerações dos contribuintes individuais) da Lei 8.212/91. ESTAGIÁRIOS. DESCUMPRIMENTO À LEI 6.494/77. AUSÊNCIA DE ELEMENTOS COMPROBATÓRIOS. COMPROVAÇÃO EM SEDE DE IMPUGNAÇÃO ADMITIDA. Admitese a comprovação, em sede de impugnação, dos elementos caracterizadores da relação de contrato de estágio em conformidade com o preceituado pela Lei 6.494/77, cuja emissão, no curso do procedimento fiscal, deu origem ao lançamento. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. LANÇAMENTO INCONTROVERSO. Consolidase administrativamente a matéria não impugnada, assim entendida aquela que não tenha sido expressamente contestada pela impugnante. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido em parte. Do Recurso Irresignada com a decisão acima, da qual foi cientificada em 18/08/2011 (fls. 1450), a Recorrente interpôs recurso voluntário às fls. 1471/1514 no dia 21/09/2011. Naquele momento, reiterou os termos da impugnação aduzindo, em síntese, (i) a preliminar de incompetência da Receita Federal do Brasil (RFB) para promover o cancelamento de imunidade da Fundação Ana Lima, (ii) a preliminar de nulidade, por ausência de fundamentação apta do despacho decisório que embasou o ato declaratório executivo vergastado, e (iii) no mérito, aduziu a imunidade como limitação à competência impositiva e da necessidade de sua regulamentação por lei complementar, bem como refutou os argumentos suscitados na Informação Fiscal. É o relatório. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM Processo nº 10380.014905/200930 Acórdão n.º 2401003.311 S2C4T1 Fl. 1.550 9 Voto Conselheira Carolina Wanderley Landim Relatora Do exame dos autos verificase que existe uma questão prejudicial à análise do mérito da presente autuação, relacionada com o transcurso do prazo para interposição de Recurso Voluntário. Como se sabe, o contribuinte dispõe do prazo de 30 (trinta) dias, contados da data da ciência da decisão desfavorável proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, para apresentar Recurso Voluntário dirigido a este Conselho. No presente caso, verificase que o Recorrente foi cientificado do acórdão nº 0821.233 – prolatado pela 5ª Turma da DRJ/FOR, via postal, no dia 18/08/2011 (quintafeira), conforme cópia do AR juntado às fls. 1470. Deste modo, o Recorrente deveria ter protocolizado o Recurso Voluntário até o dia 19/09/2011 (segundafeira). No entanto, realizou este protocolo apenas em 21/09/2011 (quartafeira), depois de decorrido, portanto, o prazo preclusivo disposto no art. Art. 33 do Decreto 70.235/72. A data do protocolo do Recurso pode ser comprovada pelo carimbo aposto na peça recursal (fl. 1471), que atesta a data de 21/09/2011. Conclusão Nestes termos, voto por NÃO CONHECER do recurso voluntário, por ser intempestivo. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/07/2014 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 05/08/2 014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Numero do processo: 13558.002082/2008-38
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL.
Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62-A do Regimento Interno.
RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA.
Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizando-se um vício material a invalidá-lo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL SEGREGAR AS VERBAS CONFORME NATUREZA TRIBUTÁRIA.
É dever da autoridade fiscal segregar as verbas que compuseram os rendimentos tributáveis recebidos em ação trabalhista, notadamente quando tem acesso às planilhas da reclamatória trabalhista que discriminaram, entre outras, verbas isentas e de tributação exclusivamente na fonte. O não cumprimento deste dever, aliado à alteração de critério jurídico da tributação de outras verbas tributáveis, implicaria um novo lançamento vedado ao órgão julgador.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.882
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson, que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 19/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Em se tratando de rendimentos recebidos acumuladamente recebidos por força de ação judicial, embora a incidência ocorra no mês do pagamento, o cálculo do imposto deverá considerar os meses a que se referem os rendimentos. Precedentes do STJ e Julgado do STJ sujeito ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil de aplicação obrigatória nos julgamentos do CARF por força do art. 62A do Regimento Interno. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE DECISÃO JUDICIAL. EQUÍVOCO NA APLICAÇÃO DA LEI QUE AFETOU SUBSTANCIALMENTE O LANÇAMENTO. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR PARA REFAZER O LANÇAMENTO. CANCELAMENTO DA EXIGÊNCIA. Ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS EM AÇÃO TRABALHISTA. DEVER DA AUTORIDADE FISCAL SEGREGAR AS VERBAS CONFORME NATUREZA TRIBUTÁRIA. É dever da autoridade fiscal segregar as verbas que compuseram os rendimentos tributáveis recebidos em ação trabalhista, notadamente quando tem acesso às planilhas da reclamatória trabalhista que discriminaram, entre outras, verbas isentas e de tributação exclusivamente na fonte. O não cumprimento deste dever, aliado à alteração de critério jurídico da tributação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 55 8. 00 20 82 /2 00 8- 38 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 de outras verbas tributáveis, implicaria um novo lançamento vedado ao órgão julgador. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Jaci de Assis Júnior e Ronnie Soares Anderson, que davam provimento parcial; o primeiro aplicava o entendimento do Resp 1.118.429/SP porém sem determinar cancelar o lançamento e segundo, considera que o referido entendimento somente é aplicável no caso de percepção de benefícios previdenciários recebidos acumuladamente. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 19/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2005, anocalendário 2004, em virtude de reclassificação para rendimentos tributáveis de rendimentos declarados como sujeitos à tributação exclusiva, tais rendimentos foram recebidos em decorrência de acordo trabalhista (processo 01348.1992.492.05.00 RT, de fls. 15/23), recebidos parceladamente ao longo do anocalendário 2005, conforme alvarás de fls. 24/33. O lançamento foi impugnado sob alegação de não incidência de imposto sobre juros e inconstitucionalidade da multa e dos juros de mora. A 3ª Turma da DRJ Salvador indeferiu a impugnação sob o fundamento de que se sujeitam ao imposto de renda, no mês do seu recebimento, os rendimentos tributáveis pagos acumuladamente, inclusive os juros de mora, mantendo lançamento de IRPF do exercício 2005. O Recurso Voluntário foi interposto em 10/12/2010 contra acórdão proferido pela 3ª Turma da DRJ Salvador do qual o recorrente foi cientificado em 29/11/2010. A peça recursal, em síntese, escorase nos seguintes argumentos: a) não incidência do imposto sobre juros de mora, a partir da vigência do Código Civil de 2002; e b) inconstitucionalidade da multa de ofício e dos juros proibitivos. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Acórdão n.º 2802002.882 S2TE02 Fl. 87 3 O julgamento foi sobrestado por meio da Resolução 2802000.078, porém com a revogação da norma regimental que prescrevia o sobrestamento de processos no CARF, o julgamento foi retomado. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso voluntário já foi conhecido. O exame do mérito requer, primeiramente, aferir a legalidade do lançamento. Do controle de legalidade do lançamento Das verbas que compuseram o rendimento bruto Conforme descrito no Relatório Fiscal (fls. 9/10), no lançamento, o valor dos rendimentos tributáveis foi apurado subtraindose do valor bruto (R$820.972,62) os honorários advocatícios (R$202.751,55). Com isso a omissão de rendimentos foi mensurada em R$618.221,07, tendo sido deduzidos o valor da contribuição ao INSS e compensado o valor do IRRF. Ocorre que a autoridade fiscal não levou em conta que o valor bruto continha itens de tributação exclusivamente na fonte (13º salário) e isentos (FGTS), tal como discriminado nas planilhas de fls. 19/20. Quando das deliberações que conduziram à Resolução 2802000.078, esta Turma Julgadora consignou que: a) uma das matérias a ser decidida é a forma de tributação dos rendimentos recebidos acumuladamente referente ao período de fevereiro de 1989 a setembro de 1994, nos termos do art. 12 da Lei nº 7.713/1988 (p. ex: tabela de fls. 21), in casu são valores recebidos em ação judicial; e b) o acordo foi feito somente na fase de execução de precatório, com efeitos unicamente sobre a parte financeira, sem alterar a natureza das verbas. Desta forma, verificase que o lançamento computou indevidamente como rendimentos tributáveis no ajuste anual a parcela das verbas de FGTS e de 13º salário recebidos pelo recorrente. Discriminar estas verbas era um dever imposto à autoridade lançadora não cumprido adequadamente. A base de cálculo do lançamento também incluiu o valor correspondente aos juros de mora. Da natureza tributária dos juros de mora Fl. 91DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Quanto às alegações acerca de recebimento de juros de mora, notase que o recorrente não demonstra que tenha havido rescisão de contrato de trabalho. Ausente a comprovação da rescisão, os juros de mora são tributáveis, como decidido pelo Superior Tribunal de Justiça – STJ no REsp 1089720/RS, julgado em 10/10/2012 e publicado em 28/11/2012. (No mesmo sentido há o REsp 1234377/RS, AgRg no AgRg no AREsp 190821/RS, AgRg no AREsp 18626/RS; e EDcl no AgRg no REsp 1221039/ RS). Tratase de julgado proferido sob o rito do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, portanto, de reprodução obrigatória neste Conselho, por força do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Dos rendimentos recebidos acumuladamente Já tive oportunidade de manifestar meu entendimento sobre a tributação de rendimentos recebidos acumuladamente em outros julgados, como o foram os acórdãos nº 280200.476 e 280200.477, de 22 de setembro de 2010 e 280200.548, de 20 de outubro de 2010, dessa Turma, todos unânimes. Em um primeiro momento fundamentei meus votos a partir das seguintes premissas: a) consolidação no Superior Tribunal de Justiça (STJ) do entendimento acerca dos rendimentos recebidos acumuladamente; b) decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que negou repercussão geral ao tema; e c) publicação do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, do Despacho do Ministro da Fazenda SN/2009, do Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e do Parecer PGFN /CAT 815/2010, editados com fulcro na Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. O referido Ato Declaratório autorizava a dispensa de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexistisse outro fundamento relevante, "nas ações judiciais que visem obter a declaração de que, no cálculo do imposto renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, devem ser levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global", mencionando os seguintes julgados do STJ: Resp 424225/SC (DJ 19/12/2003); Resp 505081/RS (DJ 31/05/2004); Resp 1075700/RS (DJ 17/12/2008); AgRg no REsp 641.531/SC (DJ 21/11/2008); Resp 901.945/PR (DJ 16/08/2007). Ocorreu que o STF decidiu por reconhecer repercussão geral ao tema e com isso a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) suspendeu a eficácia do Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, e conseqüentemente tornou insubsistentes o Ato Declaratório PGFN nº 1, de 27 de março de 2009 e o Parecer PGFN /CAT 815/2010. A mudança da posição do STF ocorreu no AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, (RE614232 e RE 614406) em que se enfrentou questão provocada pelo fato de o TRF da 4ª Região ter declarado a inconstitucionalidade, sem redução de texto, do art. 12 da Lei 7.713/88, o qual determina a incidência do Imposto de Renda no mês do recebimento de valores acumulados sobre o total dos rendimentos. Com a admissão da repercussão geral e determinação de sobrestamento dos processes no STF, estes processos passaram a ser sobrestados no CARF com fundamento no §1º do art.62A do Regimento Interno do CARF. Todavia, essa norma regimental foi revogada e os julgamentos devem prosseguir seu curso novamente. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Acórdão n.º 2802002.882 S2TE02 Fl. 88 5 Até o momento não há uma decisão final do STF nos Recursos Extraordinários nº 614232 e 614406 que sãos os paradigmas para esse tema. O desafio, portanto, é aplicar a correta interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988, o que demanda uma análise contextualizada da questão. Vejamos. A tese consolidada no STJ foi proferida no REsp 1118429/SP, julgado em 24/03/2010, em acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC, portanto de aplicação obrigatória no CARF. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art.543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008.( REsp 1118429 / SP) Sabese que, neste Conselho, há entendimentos de que o referido julgado está restrito ao recebimento acumulado de benefícios previdenciários ou que sua adoção implicaria deixar de aplicar o art. 12 da lei 7.713/1988. Com devido respeito a essa linha argumentativa, à qual não se adere, passase a analisar, contextualizadamente, a jurisprudência em questão. Os casos que deram origem à jurisprudência do STJ referiamse à revisão de benefícios previdenciários mensais, benefícios previdenciários mensais reconhecidos e pagos com atraso, reajustes mensais de servidores públicos pagos em atraso e pagamentos mensais em atraso devido a retorno ao serviço ativo. Em todos eles os valores foram reconhecidos por competência, possibilitando aplicar a norma tributária a cada caso, implicando em reconhecer que os valores estavam isentos ou definir a alíquota correspondente a cada mês. A título ilustrativo, é possível cotejar alguns do principais julgados que levaram à consolidação da jurisprudência no STJ: a) aposentadoria por tempo de serviço concedida e paga pelo INSS com anos de atraso RESP 758.779/SC; b) revisão de benefícios mensais do INSS – RESP 492.247/RS (Relator Ministro Luiz Fux); RESP 719.774/SC Ministro Teori Zavascki; RESP 901.945 – Relator Ministro Teori Zavascki; RESP 1.088.739/SP– decisão monocrática Ministro Francisco Falcão; c) diferenças salariais mensais da URP – RESP 424.225/SC (Relator Ministro Teori Zavascki); RESP 383.309/SC (Relator Ministro João Otávio Noronha); Fl. 93DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 d) valores mensais de Benefícios previdenciários e assistenciais pagos por precatório – RESP 505.081/RS (Relator Ministro Luiz Fux); e) valores mensais de benefícios previdenciários RESP 1.075.700/RS (Relatora Ministra Eliana Calmon); RESP 723.196/RS – Relator Ministro Franciulli Netto; RESP 667.238/RJ; RESP 667.238/RJ (Relato Ministro José Delgado); RESP 613.996/RS Relator Ministro Arnaldo Esteves Lima; RESP 783.724/RS Relator Ministro Castro Meira; e f) Valores mensais de rendimentos de servidor público – AgReg. AI 766.896/SC, Relator Ministro José Delgado. É fato que as ações de benefícios previdenciários são muito freqüentes, porém se constata que não eram apenas esses casos. Entre inúmeros julgados do Tribunal Superior, elenco alguns para deles extrair os respectivos fundamentos adotados: a) RESP 758.779/SC; tratamento justo ao caso (equidade); b) RESP 492.247/RS; princípios da legalidade e da isonomia.; c) RESP 719.774/SC; princípios da legalidade e da isonomia e vedação ao enriquecimento sem causa da Administração; d) RESP 901.945 – resolução de aparente antinomia entre o art. 521 do RIR1980 (Decreto 85.450/80) e o art. 12 da Lei 7.713/88 se resolve pela seguinte exegese: este último disciplina o momento da incidência; o outro, o modo de calcular o imposto. (Precedentes citados: REsp 617081/PR, 1ª T, Min. Luiz Fux, DJ 29.05.2006 e Resp 719.774/SC, 1ª T, Min. Teori Albino Zavascki, DJ 04.04.2005.); e) RESP 424.225/SC ao dispor sobre os rendimentos recebidos acumuladamente, o art. 12 da Lei 7.713/88 disciplina o momento da incidência do Imposto de Renda, porém nada diz a respeito da alíquota aplicável a tais rendimentos, adotou a jurisprudência dominante e assentou que não havia declaração de inconstitucionalidade da lei d) RESP 505.081/RS – se o rendimento mensalmente era isento, ao ser recebido de uma só vez não perde essa natureza; e e) RESP 1.075.700/RS não há violação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 e art. 56, do Decreto n.º 3.000∕99, pois o acórdão recorrido está alinhado com a jurisprudência. Afastar a aplicação do art. 12 da Lei n.º 7.713∕88 está fora da órbita de competência dos membros desse Conselho, portanto fica vedado adotar como razão precedentes judiciais que tenham esse fundamento, ainda que pautados por ofensa à legalidade, à isonomia e mesmo sob o fundamento de buscar o tributo justo. Outrossim, seria inadequado adotar precedentes que se socorreram da equidade, pois há vedação legal expressa quanto ao emprego da equidade para dispensar a exigência de tributo (§2º do art. 108 do CTN). De outro giro, outras premissas devem ser levadas em conta: a) está implícito na função do CARF contribuir para a segurança jurídica em matéria tributária; Fl. 94DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Acórdão n.º 2802002.882 S2TE02 Fl. 89 7 b) essa Turma já se posicionou diversas vezes sobre esse tema, enquanto não vigorava a norma regimental que impôs o sobrestamento; c) é competência constitucional do STJ atuar como guardião e intérprete da lei federal; d) há jurisprudência consolidada da jurisprudência do STJ sobre o tema e julgada na sistemática do art. 543C do Código de Processo Civil – CPC, cuja reprodução é obrigatória pelos membros do CARF (caput art. 62A do Regimento Interno do CARF, introduzido pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010). Destarte, no CARF, a questão deve ser solucionada com a adoção do entendimento proferido nos acórdãos do STJ que se fundamentaram na interpretação do art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 424.225/SC e RESP 901.945, tese consolidada no RESP 1.118.429/SP). Frisese: é interpretação do art. 12 e não declaração de sua inconstitucionalidade. Diversas vezes, o STF reconheceu que, com esse fundamento, o STJ não está declarando a inconstitucionalidade da norma legal, mas apenas interpretando a legislação infraconstitucional aplicável ao caso: RE 572580/RS, julgado em 03/06/2008; RE 563.347/SC; AI 660.020/SC, e AI 636303/SC, julgado em 01/07/2008. Teria a admissão de repercussão geral, sem decisão definitiva de mérito, o condão de afastar a aplicação do entendimento adotado no STJ e inviabilizar sua aplicação pelo CARF? O Recurso Extraordinário em questão enfrentou um acórdão de Tribunal Regional que declarou a inconstitucionalidade do art. 12 da Lei 7.713/1988. Por essa razão, as razões do deferimento da repercussão geral foram: a declaração de inconstitucionalidade superveniente e a relevância jurídica correspondente à presunção de constitucionalidade das leis, a necessidade de garantir a unidade do ordenamento jurídico, a uniformidade da tributação federal (art. 151, I da Constituição) e a isonomia (art. 150, II da Constituição) (RE 614232 AgRQO/RS, rel. Min. Ellen Gracie, 20.10.2010, RE 614232). Com a aplicação do entendimento consignado no RESP 1.118.429/SP não está sendo afastada aplicação da lei, mas tão somente dando ao dispositivo legal vigente na época de ocorrência dos fatos geradores (art. 144 do CTN) a interpretação pacificada no âmbito de seu intérprete mais abalizado. Em suma: ausente decisão de mérito do STF na sistemática do art. 543B do CPC, nos Recursos Extraordinários paradigmas, o art. 12 está em vigor e sua interpretação se dá nos moldes do julgado do STJ que adotou o rito do art. 543C do CPC, no sentido de que o momento do recebimento dos rendimentos define a ocorrência do fato gerador, porém no cálculo do tributo aplicamse as alíquotas e tabelas próprias das competências a que os valores se referem (RESP 1.118.429/SP). Fl. 95DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 8 Após a análise dos precedentes que levaram à tese firmada no Recurso Especial repetitivo, proferido em sede do art. 543C do CPC, concluise que esse julgado merece uma interpretação sistemática e não apenas literal restrita a sua ementa. Destarte, o referido entendimento deve ser implementado nos casos de condenações trabalhistas que sejam compatíveis com o mesmo entendimento, e não apenas ao casos de benefícios previdenciários. Essa exegese vem sendo adotada pelo próprio STJ. Vejamos: TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. IMPOSTO DE RENDA. VERBAS TRABALHISTAS DECORRENTES DE RESCISÃO. APURAÇÃO DO VALOR DEVIDO. REGIME DE COMPETÊNCIA. JUROS DE MORA. ISENÇÃO. 1. "O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ" (REsp 1.118.429/SP, processado sob o rito do art. 543C do CPC, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, DJe 14/5/2010). 2. A Primeira Seção desta Corte, apreciando o REsp 1.089.720/RS, de relatoria do Ministro Mauro Campbell Marques, DJe 28/11/12, consolidou entendimento no sentido de que: (I) a regra geral é a incidência do imposto de renda sobre os juros de mora (art. 16, caput e parágrafo único, da Lei n. 4.506/1964), inclusive quando fixados em reclamatórias trabalhistas; (II) há isenção de IR: a) quando o pagamento for realizado no contexto de rescisão do contrato de trabalho e b) quando a verba principal for igualmente isenta ou fora do âmbito do imposto, aplicandose o princípio do accessorium sequitur suum principale. 3. Hipótese em que o recorrido, por força de decisão judicial, recebeu, acumuladamente, verbas trabalhistas decorrentes de rescisão de contrato de trabalho. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. (AgRg no REsp 1238127/RS, Data do julgamento 20/02/2014. No mesmo sentido: REsp 1410118/PE, data do julgado25/02/2014) PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. SERVIDOR PÚBLICO MUNICIPAL. DIFERENÇAS SALARIAIS RESULTANTES DE AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO. VIOLAÇÃO DO ARTIGO 269, IV, DO CPC. DEFICIÊNCIA NA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. DISPOSITIVOS APONTADOS COMO VIOLADOS. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. PRESCRIÇÃO. RELAÇÃO DE TRATO SUCESSIVO. SÚMULA 85/STJ. VERBAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. CÁLCULO MÊS A MÊS. IMPOSTO DE RENDA. MONTANTE Fl. 96DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Acórdão n.º 2802002.882 S2TE02 Fl. 90 9 GLOBAL. ILEGITIMIDADE. MATÉRIA SUBMETIDA AO RITO DO ART. 543C, DO CPC. RESP 1.118.429/SP. (...) 3. Na espécie, não se discute nem o direito ao reenquadramento, nem as normas em que se fundou tal ato, mas questionase apenas os valores correspondentes ao reenquadramento salarial do servidor, isso conforme a opção pelo Plano de Cargos e Salários e de acordo com a pontuação obtida pelo Plano de Avaliação de Desempenho, pelo que não há falar em prescrição do fundo de direito, mas tão somente das parcelas anteriores ao quinquênio que precedeu à propositura da ação. Inteligência da Súmula 85/STJ. Precedentes: AgRg no AREsp. 4.355/SP, Rel. Min. Castro Meira, Segunda Turma, DJe 1/7/2011; AgRg no Ag. 1.213.131/SP, Rel. Min. Maria Thereza de Assis Moura, Sexta Turma, DJe 1/6/2011; e AgRg no Ag 1.076.183/SP, Rel. Min. Laurita Vaz, Quinta Turma, DJe 9/3/2009. 4. A Primeira Seção desta Corte, ao julgar o REsp 1.118.429/SP, sob o regime do art. 543C do CPC, assentou o entendimento no sentido de que "o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado", não sendo legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 5. Agravo regimental não provido.(AgRg no AREsp 434044/SP, Data do Julgamento 20/02/2014) Este caso concreto é compatível com a interpretação do art. 12 da Lei 7.713/1988 firmada no RESP 1.118.429/SP. Contudo, ao adotar outra interpretação do dispositivo legal, o lançamento empregou critério jurídico equivocado, o que o afetou substancialmente, pois prejudicou a quantificação da base de cálculo, a identificação das alíquotas aplicáveis e o valor do tributo devido, caracterizandose um vício material a invalidálo. Segregar o quanto dos rendimentos corresponde a juros de mora, a FGTS, a 13º salário e apropriar os demais rendimentos aos meses de competência trabalhista é efetuar um autêntico novo lançamento. Todavia, não compete ao órgão de julgamento refazer o lançamento com outros critérios jurídicos, mas tão somente afastar a exigência indevida. Citamse excertos de ementas de alguns precedentes que operam no mesmo sentido: (...) PIS – LEI COMPLEMENTAR 7/70 – BASE DE CÁLCULO – O parágrafo único do art. 6° da LC 7/70 estabeleceu que a base de cálculo correspondia ao faturamento do 6° mês anterior. Se o lançamento desrespeitou essa norma, e como ao julgador administrativo não é permitido refazer o lançamento, então Fl. 97DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 10 resta apenas cancelar a exigência. (...).( CSRF/0105.163, de 29/11/2004)(grifos acrescidos) Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2008 DESPESA DE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO. NATUREZA JURÍDICOCONTÁBIL. Equivocase o lançamento que considera a despesa de amortização do ágio como despesa com provisão, pois o ágio é a parcela do custo de aquisição do investimento (avaliado pelo MEP) que ultrapassa o valor patrimonial das ações, o que não se confunde com provisões expectativas de perdas ou de valores a desembolsar. MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. A instância julgadora pode determinar que se exclua uma parcela da base tributável e que se recalcule o tributo devido, ou mesmo determinar que se recalcule a base de cálculo considerando uma despesa dedutível ou uma receita como não tributável, mas não pode refazer o lançamento a partir de outro critério jurídico que o altere substancialmente. (Acórdão 1302001.170, de 11/09/2013)(grifos adicionados) NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INALTERABILIDADE DO CRITÉRIO JURÍDICO DO LANÇAMENTO EM RELAÇÃO AO MESMO SUJEITO PASSIVO. Na fase contenciosa, não é admissível a mudança do critério jurídico adotado no lançamento contra o mesmo sujeito passivo em relação aos fatos geradores já concretizados. (...) (Acórdão 2802002.489, de 17/09/2013)(grifos não constam do original) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1996 LANÇAMENTO FISCAL. REDUÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. REDUÇÃO DE SALDO NEGATIVO. DIFERENÇA. No lançamento fiscal, a irregularidade de se lançar sem reduzir o prejuízo fiscal implica em erro na formação da própria base tributável, o que não é passível de correção por parte do julgador administrativo, que não pode alterar o lançamento. Neste sentido, a jurisprudência do CARF é tranqüila no sentido de se cancelar o auto de infração por inteiro. (...) 1401001.086, de 07/11/2013) (grifos acrescentados) Nos termos da Súmula CARF nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária e também não cabe ao CARF afastar aplicação de lei, o que impede apreciar os pleitos acerca do caráter confiscatório (abusivo) da multa e dos juros. Entretanto, a exigência de multa e juros segue a sorte do principal. Diante do exposto, devese DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar o lançamento. (Assinado digitalmente) Fl. 98DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13558.002082/200838 Acórdão n.º 2802002.882 S2TE02 Fl. 91 11 Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 99DF CARF MF Impresso em 04/06/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 19 /05/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 10580.722452/2008-81
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
A apreensão judicial de documentos e o presente lançamento não tem o grau de implicação que a Contribuinte tenta demonstrar, e nem acarretou o alegado cerceamento do direito de defesa. Havia várias formas de a Contribuinte colaborar com a Fiscalização, mas ela optou por apresentar respostas evasivas, simples pedidos de prorrogação de prazo, sem adotar efetivamente qualquer procedimento que pudesse contribuir para a apuração de débitos tributários. A inépcia da Contribuinte para com o Fisco Federal vinha desde pelo menos o ano-calendário de 2004, muito antes da Operação Navalha, e não pode ser justificada pela apreensão judicial de documentos, que somente ocorreu em maio/2007.
EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE.
É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001.
OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA
Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados.
ARBITRAMENTO DO LUCRO
Sujeita-se ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal.
TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS
Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1802-002.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004, 2005, 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A apreensão judicial de documentos e o presente lançamento não tem o grau de implicação que a Contribuinte tenta demonstrar, e nem acarretou o alegado cerceamento do direito de defesa. Havia várias formas de a Contribuinte colaborar com a Fiscalização, mas ela optou por apresentar respostas evasivas, simples pedidos de prorrogação de prazo, sem adotar efetivamente qualquer procedimento que pudesse contribuir para a apuração de débitos tributários. A inépcia da Contribuinte para com o Fisco Federal vinha desde pelo menos o ano-calendário de 2004, muito antes da Operação Navalha, e não pode ser justificada pela apreensão judicial de documentos, que somente ocorreu em maio/2007. EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DO LUCRO Sujeita-se ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA - CSLL, PIS e COFINS Estende-se aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. A apreensão judicial de documentos e o presente lançamento não tem o grau de implicação que a Contribuinte tenta demonstrar, e nem acarretou o alegado cerceamento do direito de defesa. Havia várias formas de a Contribuinte colaborar com a Fiscalização, mas ela optou por apresentar respostas evasivas, simples pedidos de prorrogação de prazo, sem adotar efetivamente qualquer procedimento que pudesse contribuir para a apuração de débitos tributários. A inépcia da Contribuinte para com o Fisco Federal vinha desde pelo menos o anocalendário de 2004, muito antes da “Operação Navalha”, e não pode ser justificada pela apreensão judicial de documentos, que somente ocorreu em maio/2007. EXAME DE INFORMAÇÕES BANCÁRIAS PELO FISCO, SEM ORDEM JUDICIAL. POSSIBILIDADE. É licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS CUJA ORIGEM NÃO FOI COMPROVADA Caracterizam omissão de receitas os valores creditados em contas de depósito ou de investimento mantidas junto a instituições financeiras, em relação aos quais o Contribuinte, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados. ARBITRAMENTO DO LUCRO AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 24 52 /2 00 8- 81 Fl. 479DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 3 2 Sujeitase ao arbitramento do lucro o Contribuinte que deixa de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal. TRIBUTAÇÃO REFLEXA CSLL, PIS e COFINS Estendese aos lançamentos decorrentes, no que couber, a decisão prolatada no lançamento matriz, em razão da íntima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Henrique Heiji Erbano, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 480DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA, que manteve integralmente o lançamento realizado para a constituição de crédito tributário relativo ao Imposto sobre a Renda da Pessoa da Jurídica – IRPJ e tributos reflexos sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 2004 a 2006. Os fatos que antecederam o presente recurso estão assim descritos no relatório da decisão recorrida, Acórdão nº 1523.560, às fls. 372 a 390: Trata o presente processo dos Autos de Infrações de folhas n°s. 03 a 50, lavrados contra a Contribuinte acima identificada, para a exigência de crédito tributário no montante de R$ 670.995,46 (seiscentos e setenta mil, novecentos e noventa e cinco reais e quarenta e seis centavos), estando assim distribuído: Imposto de Renda Pessoa Jurídica .......................R$ 163.267,20; Juros de Mora (calculados até 28/11/2008).........R$ 64.059,58; Multa Proporcional (passível de redução)...........R$ 122.450,35; Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL.......R$ 65.836,62; Juros de Mora (calculados até 28/11/2008)....................R$ 26.051,87; Multa Proporcional (passível de redução)......................R$ 49.377,42; Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS ..........R$ 14.858,89; Juros de Mora (calculados até 28/11/2008) ...........R$ 6.043,05; Multa Proporcional (passível de redução) .............R$ 11.144,07; e, Contr. para Financiamento da Seguridade Social – COFINS........R$ 68.579,80; Juros de Mora (calculados até 28/11/2008).............R$ 27.891,83; Multa Proporcional (passível de redução)...............R$ 51.434,78. 2. De acordo com o Auto de Infração do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica e o “Termo de Verificação Fiscal” (docs. de fls. n°s. 03 a 14 e 52 a 55), o crédito tributário ali lançado foi constituído pelo regime de lucro arbitrado, tendo em vista que a contribuinte notificada a apresentar os livros e documentos da sua escrituração, conforme Termo de Início de Fiscalização e Termo de Intimação em anexo, não os teria apresentado, tendo como enquadramento legal o artigo 530, inciso III, do Regulamento do Imposto sobre a Renda e Proventos de Qualquer Natureza, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/1999), observandose que ali foi apontada a ocorrência de Omissão de Receitas pela ocorrência de “Depósitos Bancários de Origem não Comprovada”, no decorrer dos trimestres dos anoscalendário de 2004, 2005 e de 2006, nos montantes de R$ 510.608,01, R$ 1.104.310,13 e R$ 671.453,84, respectivamente, totalizando R$ 2.286.371,98 de Fl. 481DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 5 4 valor tributável, que estaria caracterizada pela falta de comprovação da origem dos recursos que justificassem os valores creditados em suas contas bancárias mantidas nas seguintes instituições financeiras: Banco BRADESCO S/A, ABN Real S/A e Caixa Econômica Federal, tendo como enquadramento legal os artigos 27, inciso I e 42, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996; e os artigos 532 e 537, do Regulamento do Imposto sobre a Renda, aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 29 de março de 1999 (RIR/1999). 3. Em decorrência dos mesmos fatos e dos mesmos elementos de prova, foi apontada a falta de recolhimento da CSLL, da Contribuição para o PIS e da Cofins, resultando na lavratura dos respectivos autos de infrações, observandose que os enquadramentos legais e as descrições dos fatos constam nos respectivos Autos (docs. de fls. n°s. 15 a 55). 4. Ciente das autuações em 06/12/2008, no dia 21/01/2009, a Interessada apresenta sua impugnação na repartição competente, onde, citando doutrina e jurisprudência, contesta os referidos lançamentos, alegando, em síntese, que (fls. n°s. 312 a 337): a) é nula a autuação em face do cerceamento ao seu direito de defesa ocorrido em razão da apreensão, promovida pela União Federal, via Departamento de Polícia Federal, em sua sede, do seu acervo documental, inclusive sua documentação contábil, bancária e comercial, conforme atesta o anexo Auto de Busca e Apreensão, o que inviabiliza por completo as possibilidades de defesa que lhe deve ser assegurada pela Constituição Federal e pela Lei; b) "não apenas o Decreto n° 70.235/72 inquina de nulidade, em seu art. 59, II, as decisões e atos proferidos com cerceamento do direito de defesa, como também é princípio jurídico fundamental que a ninguém é dado locupletarse de própria torpeza, o que seria exatamente a hipótese em que incorre a União Federal quando apreende a documentação do contribuinte e, seguidamente, o autua exatamente pela ausência de documentação”; c) além da nulidade pelo evidente cerceamento ao seu direito de defesa, constatase, também, a ocorrência da quebra do seu sigilo bancário sem a devida autorização judicial, traduzindose em outro vício em prejuízo da boa validade do processo administrativo, pois o sigilo que cerca os dados bancários do indivíduo é constitucionalmente protegido, conforme decisões proferidas na esfera judicial, inclusive pelo Egrégio Supremo Tribunal Federal nos autos da Medida Cautelar n° 4152 transcrita às fls. 321 a 322; d) ainda que se tome a Lei Complementar n° 105, de 2001, como constitucional, o que não tem sido a postura dos nossos tribunais, o novel diploma aplicarseia apenas aos fatos geradores posteriores à vigência da norma, o que não é o caso aqui tratado, e, sendo assim, configurase a Fl. 482DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 6 5 inconstitucionalidade da aplicação retroativa da lei, com tem decidido a Colenda Corte Regional Federal, no AC 2002.38.00.0224614/MG, Sétima Turma, publicado no DJ de 24/08/2007, pág. 170, cuja ementa transcreve às fls. 325 e 326, e, na mesma linha segue o Egrégio Tribunal Regional da 1a Região, conforme ementa de fl. n° 327; e) os ingressos de recursos identificados nas suas contas correntes decorreram de atividade econômica ora sua, ora de outrem, tratandose por vezes de quantia isenta, não tributada, ou já oferecida à tributação, e, sobretudo, de quantia em trânsito na contacorrente bancária, sem implicar um acréscimo patrimonial específico apto a desencadear a incidência da regra padrão do imposto sobre a renda; f) como empresa de construção que é, operava em todos os contratos que executava, como construtora contratada para executar obra por administração. Assim, de todo o recurso que o cliente/contratante repassa à sua contacorrente, apenas pequena fração é de fato seu faturamento ou receita bruta, concernente à sua comissão contratada, representando todo os demais valores repassados pelo dono da obra para a aquisição de materiais, pagamento de funcionários e todos os demais custos de execução do projeto; g) "tudo isto, o experimentado fiscal autuante não ignora, fornece à auditoria um cenário em que apenas fração dos depósitos apurados são efetivamente tributáveis, de modo que a aproximação do PAF à verdade real, vetor que preside o processamento da lide administrativa, há de considerar a natureza e a titularidade dos valores ingressados nas contas correntes do defendente”; h) a tributação prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430, de 1996, temse como razão uma sanção ao inadimplemento do contribuinte que se nega a fornecer a documentação fiscal, ou mesmo falha em conservála adequadamente; i) entretanto, tal falta se deu por exclusiva responsabilidade da própria União Federal, em virtude de busca e apreensão promovida pelo Departamento de Polícia Federal, e, por não se caracterizar a recusa em apresentar a documentação fiscal, resta aqui inaplicável a norma do referido artigo 42; j) “além de implicar cerceamento de defesa e implicar nulidade que precede o mérito da autuação, a indisponibilização da documentação da Impugnante, de responsabilidade da União Federal, atinge também o mérito da lavratura, que, na presunção em que se fundamenta, deixa de contar com a premissa fática na qual deve ser embasar, qual seja a falha do contribuinte em comprovar a origem idônea dos recursos”; k) "ainda que se adentre na aplicação da presunção de receita ou de renda omitida decorrente da aplicação do art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, é de verse que a apresentação de documentação Fl. 483DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 7 6 que justifica o ingresso de recursos elide a presunção legal, que é sempre relativa, nunca absoluta”; l) “enquanto empresa de construção civil executora de contratos de execução de obra por administração, aufere como receita bruta própria apenas pequena fração dos valores fornecidos pela sua clientela, consubstanciando a fração majoritária dos recursos valores repassados pelo dono da obra para aquisição de materiais, pagamento de mãodeobra e demais custos e despesas relativas à execução do projeto”; m) além disso, outros valores ingressados em sua contacorrente o foram em caráter que não se configura renda, “a exemplo de parcelas de financiamentos liberadas pelos bancos, indenização promovida pela companhia seguradora pelo furto de veículo segurado, dentre outros, nos termos de planilha anexa (Doc. n° 02)”; n) “a planilha anexa, em cotejo com os contratos também anexos (Doc. n° 03) demonstram que os ingressos promovidos a título de execução da obra visam a custear a construção dos empreendimentos,” cabendolhe como receita apenas um percentual da quantia movimentada na edificação da obra, destacandose os seguintes contratos: 1) Contrato de construção por administração celebrado com MANUEL DE LA RICA PASCUAL e IMACULADAREVUELTA SAIZ: Tratouse de construção de imóvel residencial em lote de propriedade dos contratantes, localizado no condomínio Busca Vida, observandose que os contratantes, cidadãos espanhóis e residentes em Madri,Espanha, realizavam repasses periódicos de recursos vindos do exterior, através de contratos de câmbio, sendo que na Cláusula Segunda consta que dos recursos repassados apenas 5,6% correspondia à sua remuneração, entretanto o Fiscal Autuante considerou todo o montante repassado pelos cidadãos espanhóis, via câmbio, pra construção da obra, como renda ou receita tributável, tudo a indicar a improcedência da autuação. "Nesta hipótese, ainda mais, não se pode reputar qualquer valor como tributável, na medida em que as prestações de serviço promovidas para o exterior, que representem ingresso de divisa não são sujeitas à tributação por isentas ou imunes (art. 21 da Lei n° 10.865/2004; art. 149, § 2°, I da Constituição Federal).” 2) Repasse de valores oriundos do CONSÓRCIO NOVA CAMAÇARI: O empreendimento em comento consistiu em projeto oficial da Caixa Econômica Federal denominado PAR Programa de Arrendamento Residencial, para o qual foram exigidos todos os recolhimentos fiscais e certidões respectivas, e, em se tratando de empreendimento promovido por consórcio da qual ela fez parte (contrato anexo), “teve toda a sua tributação devidamente consolidada na pessoa do consórcio referido, de sorte que a Defendente teve repassados tais recursos já devidamente tributados.” Fl. 484DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 8 7 o) "a imposição para que o contribuinte justifique cada ingresso e cada gasto é uma invasão da vida privada do cidadão que o ordenamento não permite. É isso, precisamente, o que o sigilo bancário visa coibir, o constrangimento pessoal e íntimo do individuo para exigirlhe ou, o que é pior, apurar mero indício de obrigação de que seja devedor”. Neste sentido é o entendimento da jurisprudência e das próprias cortes administrativas, a saber (transcrição de fls. n°s. 336 e 337). Finalizando, requer a nulidade da autuação, e, no mérito, caso nele se adentre, seja julgada improcedente a lavratura dos referidos autos de infração. Como mencionado, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Salvador/BA manteve integralmente as exigências fiscais, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006 NULIDADE. AUTO DE INFRAÇÃO. DIREITO DE DEFESA. Incabível a pretensão de nulidade do Auto de Infração, se na descrição dos fatos constam todos os elementos que deram causa ao lançamento, dando suporte material suficiente para que o sujeito passivo possa conhecêlos de forma a permitir o exercício pleno do direito de defesa, em consonância com a legislação que rege a matéria. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. ESFERA ADMINISTRATIVA. COMPETÊNCIA. Incabível a argüição de inconstitucionalidade na esfera administrativa visando afastar obrigação tributária regularmente constituída, por transbordar os limites de competência desta esfera, o exame da matéria do ponto de vista constitucional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DEPÓSITO BANCÁRIO. OMISSÃO DE RECEITAS. Configurase omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em que o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nestas operações. FALTA DE APRESENTAÇÃO DA ESCRITURAÇÃO. ARBITRAMENTO DO LUCRO. Fl. 485DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 9 8 Configurada a falta de apresentação da escrituração pelo contribuinte à autoridade fiscal, é cabível o arbitramento dos lucros cuja base de cálculo é o valor das receitas omitidas . Autos Decorrentes CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Contribuição para o PIS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS IRPJ. MATÉRIA FÁTICA IDÊNTICA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Em se tratando de matéria fática idêntica àquela que serviu de base para o lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Jurídica, “mutatis mutantis”, devem ser estendidas as conclusões advindas da apreciação daquele lançamento aos relativos à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, à Contribuição para o PIS e à COFINS, em razão da relação de causa e efeito existente entre as matérias. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 13/10/2010, a Contribuinte apresentou em 12/11/2010 o recurso voluntário de fls. 399 a 441, onde questiona o lançamento fiscal com os mesmos argumentos de sua impugnação, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Além disso, insurgese contra a decisão de primeira instância administrativa, pelas seguintes razões: [...] III.1 PRELIMINARMENTE: DA NULIDADE DA DECISÃO EM FACE DO CERCEAMENTO DE DEFESA PROPORCIONADO PELA APREENSÃO, PROMOVIDA PELA UNIÃO FEDERAL, DO ACERVO DOCUMENTAL DA IMPUGNANTE, INCLUSIVE SUA DOCUMENTAÇÃO CONTÁBIL, BANCÁRIA E COMERCIAL A boa validade do Processo Administrativo Fiscal (PAF) está condicionada à ampla oportunização de contradita, pelo contribuinte objeto de lançamento de ofício, das imputações consignadas no documento de lavratura, tal garantia devendo homenagens ao princípio da ampla defesa, assegurado constitucionalmente e na lei de regência do PAF na órbita federal (Dcc. n° 70.235/72). O postulado da ampla defesa, a conformar a concretização do princípio do devido processo legal, produz a viabilização concreta do Estado de Direito, assegurando a variação no plano Fl. 486DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 10 9 concreto dos conflitos, ao abrir as portas do sistema jurídico para as comunicações dos cidadãos em litígio, e assim agregando possibilidades e uma legitimidade essencial ao processo, aos atos do Estado que afetam a esfera de direitos do particular. Efetivamente, a efetivação do princípio implica que deve ser assegurada a instrumentalização da voz do particular em litígio, ou seja. que, no processo administrativo fiscal, o contribuinte alvo de lavratura tenha assegurados os meios pelos quais possa produzir suas alegações e comproválas, com possibilidade de êxito. Daí que um dos corolários máximos da garantia de ampla defesa é o direito de produzir provas em juízo, na medida em que a mera alegação, despida dos elementos de prova a instruíla, sabese, não atinge a finalidade de contraditar a pretensão fiscal baseada no auto de infração. E, no bojo do direito de produção de provas em prol da defesa dos seus interesses, dentre os mais fundamentais está em poder dispor da sua própria contabilidade para fazer prova em seu favor, e assim não ser embaraçado pela autoridade administrativa na consulta ao seu acervo documental e contábil para comprovar as suas alegações e lastrear sua pretensão. Mas a decisão combatida não nega, nem poderia fazêlo, que a subtração do acerco documental da contribuinte compromete a higidez do PAF, condenandoo à nulidade por evidente cerceamento de defesa. Daí é que sempre na empresa de sustentar o arbitramento, lança mão de ingenuidades que não se pode admitir pautem o raciocínio da corte administrativa especializada. Ao final, a tese da decisão guerreada é de que realmente a documentação foi apreendida, mas, pensando bem, a documentação não foi exatamente apreendida. Senão vejamos. De fato, a primeira demonstração naïf é sugerir que foram apreendidos documentos em um determinado endereço, porém, indica o acórdão, não se sabe de quem é a titularidade dos documentos apreendidos e a que exercícios se referem. Sugere até mesmo a decisão combatida que não se pode afirmar com certeza se o endereço da empresa é aquele mesmo da apreensão, ao asserir, verbis fl. 378, que “apesar do endereço ali informado ser igual ao indicado como sede da Impugnante nos autos Rua Frederico Simões, n° 85, sala 1111 (fl. N°3)”, quando se sabe que é este o endereço da empresa nos arquivos da Receita Federal desde há mais de década, constando inclusive do cartão CNPJ da empresa. Mas não param aí os desafios ao senso comum e ao padrão informacional difundido na nossa sociedade via fatos notórios e amplamente noticiados na mídia. A decisão combatida afirma que não de pode identificar o período dos documentos apreendidos, ou mesmo a quais exercícios se referem! Ora, sabe se, e aí opera a presunção ominis, que a Polícia Federal, ao promover busca e apreensão de documentos no bojo de inquérito Fl. 487DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 11 10 policial, não promove atividade administrativa de fiscalização pautada por exercícios obrigacionais, mas sim realiza a coleta de toda e qualquer referência documental que possa conter, de forma atual ou eventual, qualquer possibilidade de informação que supostamente venha contribuir à instrução da ação penal. Em outras palavras, isso significa apreender todo e qualquer pedaço de papel que contenha alguma e qualquer informação, completa ou parcial, abrigada no endereço contido no mandado judicial, cabendo apenas ao judiciário e ao Ministério Público valorar as evidências probatórias colhidas e sua prestabilidade ou não à inscrição criminal. Mas não é apenas estas obviedades demonstradas, e registradas no “Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão”, que instrui os autos, que desnudam a incongruência do raciocínio desenvolvido na decisão combatida. O acórdão recorrido, reiterando curiosa ingenuidade, trata as circunstâncias da investigação criminal que envolveu a Recorrente e seu sócio José Edson Vasconcellos Fontenelle como dados circunstanciais, talvez pitorescos, ignorados pela fiscalização tributária, e que, na perspectiva da inteligência fiscal e programação da fiscalização, não guardam qualquer vínculo com a lavratura. Ora, sabese que a Recorrente foi, juntamente com as demais empresas do Sr. Jose Edson Vasconcellos Fontenelle, todos investigados pela denominada Operação Navalha. De tal malfadada operação, hoje nada restou, senão o constrangimento do citado sócio da Recorrente, que adquiriu o estigma de haver sido preso sob o olhar das câmeras de todo o Brasil, prisão que afinal foi declarada pelo Exmo. Ministro Gilmar Ferreira Mendes (decisão em anexo), como absolutamente ilegal e inconstitucional, eis que sequer se imputava qualquer conduta, criminosa ou não, ao Sr. José Edson Vasconcellos Fontenelle. Daí que a “Operação Navalha”, cujo teor a decisão recorrida indica ignorar por completo, resultou de articulação comandada pelo DPF com a participação da Receita Federal, fato amplamente divulgado à época. Não à toa que imediatamente após a deflagração da operação, todas as empresas em que participa o Sr. José Edson Vasconcellos Fontenelle, inclusive a sua pessoa física, foram fiscalizados pela Receita Federal e autuadas com requintes inquisitórios. Chama atenção, dessarte, a ingenuidade e o alheamento da decisão recorrida, quanto a haver sido investigada a Recorrente e seu sócio, mais ainda porque a Operação Navalha, no âmbito judicial e penal, já se encontra devidamente arquivada, morta e enterrada (decisão anexa), pelas evidentes carências de elementos de prova que amparassem os anseios punitivos da sociedade e do Parquet. Pari passu, e a contrario sensu, o lançamento que pauta a lide presente persiste, ignorando e confrontando as circunstâncias em que se deu o lançamento arbitrado, feito verdadeira punição imposta pelo Fisco, fazendo as vezes do juízo penal que absolveu o contribuinte. É nessa esteira que a apreensão de todo o acervo documental da Impugnante, patrocinado pelo próprio ente político que cobra o tributo, inviabiliza por completo as possibilidades de defesa que Fl. 488DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 12 11 lhe devem ser asseguradas, pela Constituição e pela Lei. Mais ainda, porque se tratou de apreensão levada a cabo por autoridade federal, integrante do quadro funcional da mesma pessoa jurídica de direito público que é integrada pela RFB, qual seja a União Federal, tal circunstância implica diretamente a nulidade do PAF. De fato, não apenas o Dec. n° 70.235/72 inquina de nulidade, em seu art. 59,II, as decisões e atos proferidos com cerceamento do direito de defesa, como também é princípio jurídico fundamental que a ninguém é dado locupletarse da própria torpeza, o que seria exatamente a hipótese em que incorre a União Federal quando apreende a documentação do contribuinte e, seguidamente, o autua exatamente pela ausência da documentação. Nestes termos, patente o cerceamento do direito de defesa da Impugnante, ante a apreensão do seu acervo documental, é de ser acolhida a presente prefacial para, nos termos do art. 59, II do Dec. n° 70.235/72, decretar nulidade do acórdão farpeado. II1.2 PRELIMINARMENTE: DA NULIDADE DO ACÓRDÃO PELO CERCEAMENTO DE DEFESA ENSEJADO PELA VIOLAÇÃO AO CONTRADITÓRIO NA CONFRONTAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO ARBITRADA COM AS PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE, NOS TERMOS DO ART. 148 DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL O arbitramento da base de cálculo é procedimento de geração do ato de lançamento que se caracteriza pela premissa fática correspondente à inexistência de base documental idônea sobre a qual a fiscalização tributária possa aferir a ocorrência do fato gerador efetivo e a sua dimensão econômica, para assim apurar o credito tributário e exigilo. Daí porque a decisão combatida insiste copiosamente na circunstância de que a empresa haveria de ter apresentado sua documentação contábil e comercial à fiscalização, a falha em cujo cumprimento autorizaria a promoção do lançamento arbitrado tal qual se deu. Fato é que é apenas a impossibilidade de se aferir a materialidade sob a forma do fato gerador do tributo é que se justifica a presunção que pauta o lançamento arbitrado, sabendose que a verdade real é postulado regra de ouro a presidir o PAF. Não por outro motivo é que a presunção do lançamento arbitrado cede em função de provas da efetiva materialidade do fato imponível, a serem apresentadas pelo sujeito passivo no exercício do contraditório e da ampla defesa. Não apenas a ampla defesa e o contraditório enquanto princípios sobranceiros no sistema tributário implicam tal direito do contribuinte, mas também dicção específica do art. 148 do CTN, que expressamente abre ao contribuinte a oportunidade de contraditar o lançamento arbitrado com elementos do fato Fl. 489DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 13 12 gerador efetivo, não o presumido, havendo então de prevalecer o primeiro, a saber: Art. 148 [...] Vêse que a oportunidade do contraditório oposto pelo contribuinte sujeito ao arbitramento da base de cálculo da obrigação tributária é imanente a esta forma de lançamento, e à condição de sujeito passivo titular de direitos e deveres na ordem tributária. Aqui, a decisão combatida, demonstrando, mais uma vez. o mote de que está imbuída, simplesmente suprimiu à Recorrente o direito de promover o contraditório, afirmando, pasmemos nós, que apenas a escrituração contábil poderia fazer prova em favor do contribuinte sujeito ao lançamento arbitrado. De fato, assevera o decisum, na fl. 387, que a documentação usada para promover o contraditório no arbitramento, para fazer prova a seu favor, deve vir acompanhada da contabilidade regularmente escriturada e de documentação hábil e idônea, conforme dispõe o artigo 923, do RIR/1999. Mas como, se é a própria ausência da escrituração que dá causa ao arbitramento?! Nada mais incoerente, o raciocínio enveredado pela decisão combatida simplesmente inviabiliza o exercício do contraditório pelo contribuinte sujeito ao arbitramento, ao exigir como única forma de prova admissível a “contabilidade regularmente escriturada e de documentação hábil e idônea, quando se sabe que o contribuinte que detém tal acervo documental nunca será sujeito ao lançamento arbitrado. Ora, sabese que prova, no PAF, são todas aquelas em direito admitidas, não sendo diferente na hipótese do lançamento arbitrado. A propósito, cristalina é a lição de Maria Rita Ferragut sobre a matéria, a saber: [...] Eis que, quando o contribuinte, no exercício do direito de defesa e de contraditório, e com espeque na previsão específica do art. 148 do CTN, apresenta documentação comprobatória e referenciada das entradas de recursos nas contas bancárias da empresa, e da natureza jurídica de que se revestem tais recursos, inclusive a proporção correspondente à receita tributável, é simplesmente ignorada pela decisão combatida, resta suprimido o direito de defesa do contribuinte, cerceado o seu acesso ao contraditório. Sendo, portanto, idôneas todas as provas em direito admitidas, a supressão do direito ao contraditório, promovida pela decisão combatida consuma a nulidade do decisório, havendo de ser acolhida a presente preambular para decretálo, o que desde já se requer. Fl. 490DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 14 13 Em 22/06/2012, a teor do § 1º do artigo 62A do RICARF o presente processo restou sobrestado. Todavia, o mencionado dispositivo normativo foi revogado pela Portaria MF nº 545, de 18 de novembro de 2013. Assim, não havendo mais determinação para o sobrestamento, passase ao julgamento do presente processo. Este é o Relatório. Fl. 491DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 15 14 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa, Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. Conforme relatado, a Contribuinte questiona lançamento para exigência de IRPJ e reflexos (CSLL, PIS e COFINS) incidentes sobre fatos geradores ocorridos nos anos calendário de 2004 a 2006. A autuação está baseada em omissão de receita apurada a partir de depósitos bancários sem comprovação de origem. O IRPJ e a CSLL foram calculados no regime do lucro arbitrado, e o PIS e a COFINS no sistema cumulativo. A maioria dos argumentos da Recorrente gira em torno de uma operação realizada pela Polícia Federal em 17/05/2007, designada como “Operação Navalha”, que visava a desarticulação de “uma organização criminosa que atuava desviando recursos públicos federais nos Estados da Bahia, Goiás, Mato Grosso, Sergipe, Pernambuco, Piauí, Maranhão, São Paulo, Alagoas e no Distrito Federal”. A Recorrente juntou aos autos vários documentos referentes a essa operação policial, que resultou na prisão preventiva de 46 pessoas em diversas localidades do país, entre elas o seu sócio administrador, José Edson Vasconcellos Fontenelle. Naquela mesma ocasião, também houve busca e apreensão de documentos da Recorrente, visando a apuração de irregularidades em investimentos públicos na cidade de Camaçari/BA, um dos alvos da investigação determinada pela justiça. Em 22/05/2007, foi determinado pelo Ministro Gilmar Mendes (STF) a expedição de alvará de soltura em favor de José Edson Vasconcellos Fontenelle, com o entendimento de que “não havia, ao menos à primeira vista, no decreto cautelar, a exposição detalhada da concatenação fáticojurídica entre os fatos imputados ao paciente no período de maio de 2006 e a apontada iminência de risco de continuidade delitiva pela suposta organização criminosa.” Na seqüência, a investigação criminal foi desmembrada em razão de sua abrangência, e as peças referentes ao “Evento Camaçari” formaram autos apartados, que tramitaram entre a Justiça Federal e a Justiça Estadual da Bahia, em razão das pessoas envolvidas. Em 28/05/2010, um dos membros do Tribunal de Justiça da Bahia, em decisão monocrática, concluiu que os procedimentos licitatórios, tidos por fraudulentos, não chegaram a ser formalizados, seja em face de impugnações administrativas, seja em face de concessão liminar suspendendo a concorrência pública, o que indicaria a inexistência de materialidade do fato imputado. Fl. 492DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 16 15 Afirmouse que diante da não realização dos certames reputados ilícitos, era impossível imputar aos indiciados a conduta de apropriação indevida de recursos públicos. Nesse contexto, em virtude de ausência de dano ao erário, e, principalmente, em face da não concretização do procedimento licitatório supostamente ilícito, foi determinado o arquivamento do autos relativos ao “Evento Camaçari”. Como mencionado, tanto as preliminares de nulidade quanto parte das alegações de mérito que questionam o crédito tributário debatido neste processo administrativo gravitam em torno da apreensão de documentos da Recorrente, realizada no contexto da mencionada “Operação Navalha”. As circunstâncias dessa operação policial estão acima sintetizadas. É importante relatar agora os detalhes do lançamento fiscal, para que se possa avaliar em que medida há implicação entre eles. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA O procedimento fiscal foi iniciado em 07/03/2008 e encerrado em 22/12/2008, com a ciência dos autos de infração. Além do Termo de Início de Ação Fiscal, a Contribuinte recebeu outros cinco termos de intimação, pelos quais foram solicitados livros e documentos relativos ao período fiscalizado, e também documentos que especificamente comprovassem a origem dos valores que ingressaram em suas contas bancárias. Ao longo de todo o procedimento fiscal, a Contribuinte apresentou apenas duas respostas, em 02/05/2008 e 26/05/2008, pelas quais somente pediu prorrogação de prazo para atendimento do que lhe havia sido solicitado no Termo de Início de Ação Fiscal, conforme transcrito a seguir: A TRANSMITE ENGENHARIA LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 14.738.959/000133, vem através do seu representante legal, expor e solicitar de Vsa. o seguinte: Dos Fatos: A empresa acima identificada recebeu o Termo de Inicio de Ação Fiscal, dos Ilmos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil Sra. Laís Uberato Gondim matrícula n° 14507 e Sr. Perfecto Garrido Carreiro matrícula n.° 5608. A empresa está empenhandose na juntada dos livros e documentos solicitados para os esclarecimentos necessários solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal supracitados afim de disponibilizálos para Ilustres Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Todavia não foi possível reunir todos os documentos. Do Pedido: . Vimos solicitar prorrogação do prazo constante no Termo de Inicio de Ação Fiscal, por mais 30 dias, a partir desta data. Fl. 493DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 17 16 Nestes Termos, Pede e espera deferimento. Salvador, 02 de Maio de 2008. A TRANSMITE ENGENHARIA LTDA, inscrita no CNPJ sob n° 14.738.959/000133, vem através do seu representante legal, expor e solicitar de Vsa. o seguinte: Dos Fatos: A empresa acima identificada recebeu o Termo de Inicio de Ação Fiscal, dos Ilmos Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil Sra. Laís Uberato Gondim matrícula n° 14507 e Sr. Perfecto Garrido Carreiro matrícula n.° 5608. A empresa está empenhandose na juntada dos livros e documentos solicitados para os esclarecimentos necessários solicitados no Termo de Inicio de Ação Fiscal supracitados afim de disponibilizálos para Ilustres Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Todavia não foi possível reunir todos os documentos. Do Pedido: . Vimos solicitar prorrogação do prazo constante no Termo de Inicio de Ação Fiscal, por mais 20 dias, a partir desta data. Nestes Termos, Pede e espera deferimento. Salvador, 26 de maio de 2008 A Contribuinte não fez qualquer menção de que os documentos solicitados pela Fiscalização estavam sob a guarda do Poder Judiciário, que eles compunham autos de inquérito judicial, etc. Enfim, não prestou qualquer informação que pudesse evidenciar a existência de óbices ao atendimento das intimações fiscais, principalmente óbices causados pelo próprio Estado. O Auto Circunstanciado de Busca e Apreensão (fls. 338 a 341) lavrado no contexto da Operação Navalha relaciona 23 itens de objetos apreendidos no endereço da empresa. Nessa relação constam vários HD´s, disquetes e CD´s de computador. Constam também várias caixas contendo memoriais de pesquisa de viabilidade de empreendimento, projetos arquitetônicos, documentos referentes a obras já executadas, planilhas orçamentárias, entre outros. Há dois itens da referida relação de objetos apreendidos que fazem menção a documentos contábeis: Item 13: uma caixa de papelão contendo seis pastas suspensas de documentação contábil. Fl. 494DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 18 17 Item 14: uma caixa de papelão contendo documentos contábeis. A Contribuinte apresenta várias críticas à decisão de primeira instância administrativa, alegando que ela considerou a referida apreensão judicial de documentos como uma questão circunstancial, que não guardava qualquer vínculo com a autuação fiscal, como se não fosse o próprio Estado o causador dos óbices que inviabilizaram a apresentação dos livros e documentos contábeis. Penso que a decisão recorrida não merece as várias críticas que recebeu. Primeiro, porque a própria descrição dos itens apreendidos não indica que a “Operação Navalha” tenha coletado todos os livros e documentos contábeis e fiscais da empresa, a ponto de inviabilizar completamente a apresentação, durante o procedimento fiscalizatório, de um mínimo de informação que fosse sobre as atividades que ela realizou nos anoscalendário de 2004 a 2006. Depois, porque mesmo que toda a documentação contábil e fiscal estivesse sob a guarda do Poder Judiciário, a Contribuinte poderia ter adotado comportamento bastante diferente do que adotou durante o procedimento de fiscalização. Ela poderia ao menos ter prestado informação sobre o paradeiro dos documentos. Poderia também ter diligenciado para recuperar os documentos (ou cópia deles) que entendia necessários ao atendimento das intimações fiscais, ou ainda obter cópia dos registros contábeis com o escritório de contabilidade que indicou em sua própria DIPJ. Diante desse contexto, é importante destacar que a Contribuinte vinha apresentando seguidamente, pelo menos desde o anocalendário de 2004, declarações DIPJ com todos os campos zerados, como se não tivesse auferido receita alguma nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006 (fls. 76 a 134). A mesma coisa se deu com as DCTF referentes a períodos desses mesmos anoscalendário (fls. 136 a 143), contendo ausência total de débitos tributários. A constatação é que a Contribuinte nada informava à Receita Federal e nada recolhia de tributos federais, ao mesmo tempo em que havia movimentado ao longo dos três anos citados recursos financeiros na ordem de R$ 2.286.371,98. Vêse que a inépcia da Contribuinte para com o Fisco Federal vinha desde muito antes da “Operação Navalha”, e não pode ser justificada pela apreensão judicial de documentos, que somente ocorreu em maio/2007. Com o mesmo padrão de comportamento que vinha adotando em relação a suas obrigações tributárias principais e acessórias desde pelo menos o anocalendário de 2004 (período bem anterior à chamada “Operação Navalha”), a Contribuinte seguiu atendendo a Fiscalização no decorrer de todo o ano de 2008 (ano em que se deu a fiscalização), solicitando genericamente prorrogações de prazo, sem prestar qualquer informação que pudesse contribuir para a identificação de suas receitas e apuração dos débitos tributários. As respostas durante o procedimento fiscal em 2008 seguiram o mesmo caminho das declarações que vinham sendo apresentadas desde o anocalendário 2004, eram vazias, sem conteúdo. Fl. 495DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 19 18 O fato é que a conduta da Contribuinte perante o Fisco Federal, que vem desde pelo menos o anocalendário de 2004, não pode ser justificada pela apreensão judicial de documentos, ocorrida somente em 2007. Havia várias formas de a Contribuinte colaborar com a Fiscalização, como já mencionado, mas ela optou por apresentar respostas evasivas, simples pedidos de prorrogação de prazo, sem adotar efetivamente qualquer procedimento que pudesse contribuir para a apuração de débitos tributários. A apreensão judicial de documentos e o presente lançamento não tem o grau de implicação que a Contribuinte tenta demonstrar, e nem acarretou o alegado cerceamento do direito de defesa Nem os autos de infração e nem a decisão de primeira instância administrativa incorreram no alegado vício, e, deste modo, as preliminares de nulidade com base nesse fundamento devem ser rejeitadas. ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS SEM ORDEM JUDICIAL A Recorrente também alega que o exame de informações bancárias sem ordem judicial afronta a Constituição Federal e macula de nulidade o presente processo. Contudo, a obtenção de provas pelo Fisco junto à instituição financeira não constitui violação às garantias individuais asseguradas na Constituição Federal, nem quebra de sigilo, nem ilicitude, porquanto é um procedimento fiscal com amparo legal. O lançamento sob exame tem lastro na Lei Complementar nº 105/2001, que permite expressamente a obtenção e utilização de informações bancárias para fins de apuração e constituição de crédito tributário, e a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) não cabe o controle de constitucionalidade das leis, conforme, inclusive, dispõe a Súmula CARF nº 02, verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A conclusão que se impõe é que é licito ao Fisco examinar informações relativas ao contribuinte constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive contas de depósitos e de aplicações financeiras, quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames forem considerados indispensáveis, independentemente de autorização judicial, mormente após a edição da Lei Complementar 105 de 2001. Outro aspecto importante é que os fatos geradores objeto de lançamento ocorreram nos anoscalendário de 2004 a 2006, enquanto que a Lei Complementar n° 105 teve sua promulgação e vigência em 11 de janeiro de 2001. Portanto, é improcedente a alegação de que a referida LC estaria sendo aplicada retroativamente. Preliminar também rejeitada. Fl. 496DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 20 19 LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS E ARBITRAMENTO DO LUCRO A Contribuinte retoma a referida apreensão judicial de documentos para também contestar a técnica e os critérios utilizados no lançamento Além disso, apresenta várias alegações no sentido de caracterizar a inexistência de matéria tributável, ou pelo menos demonstrar que ela seria bem menor que a apurada pelo Fisco. De acordo com seus argumentos, os ingressos de recursos identificados nas suas contascorrentes decorreram de atividade econômica ora sua, ora de outrem, tratandose por vezes de quantia isenta, não tributada, ou já oferecida à tributação, e, sobretudo, de quantia em trânsito na contacorrente bancária, sem implicar um acréscimo patrimonial específico apto a desencadear a incidência de tributos. O lançamento está fundamentado em omissão de receita apurada com base em depósitos bancários com origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei 9.430/1996: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Também estamos tratando aqui de hipótese de arbitramento de lucro, prevista no art. 47, III, da Lei 8.981/1995, e reproduzida no art. 530, III, do atual Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000/1999, que consiste em técnica para apuração de IRPJ e CSLL quando o Contribuinte não apresenta livros e documentos que possibilitem as outras formas de apuração (lucro real ou presumido). Como já mencionado, no decorrer do procedimento fiscal a Contribuinte nada colaborou com a Fiscalização. O contexto era de uma empresa que vinha apresentando seguidamente, pelo menos desde o anocalendário de 2004, declarações DIPJ com todos os campos zerados, como se não tivesse auferido receita alguma nos anoscalendário de 2004, 2005 e 2006. A mesma coisa se dava com as DCTF, que indicavam total ausência de débitos tributários. A Contribuinte nada informava à Receita Federal e nada recolhia de tributos federais, ao mesmo tempo em que havia movimentado ao longo dos três anos citados recursos financeiros na ordem de R$ 2.286.371,98. Com o mesmo padrão de comportamento que vinha adotando em relação a suas obrigações tributárias principais e acessórias desde pelo menos o anocalendário de 2004 (período bem anterior à chamada “Operação Navalha”), a Contribuinte seguiu atendendo a Fiscalização no decorrer de todo o ano de 2008 (ano em que se deu a fiscalização), solicitando genericamente prorrogações de prazo, sem prestar qualquer informação que pudesse efetivamente contribuir para a identificação de suas receitas e apuração de débitos. Fl. 497DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10580.722452/200881 Acórdão n.º 1802002.228 S1TE02 Fl. 21 20 Nessas circunstâncias, não restou outra alternativa para a Fiscalização senão aplicar a presunção legal de omissão de receitas prevista no art. 42 da Lei 9.430/1996, e também arbitrar o lucro, para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Já na fase contenciosa, a Contribuinte trouxe alguns elementos no intuito de comprovar as alegações que passou a apresentar a partir dessa fase. Ela apresentou planilha em que indica uma origem para os depósitos bancários (fls. 348 a 350), e trouxe cópia de um “instrumento particular de constituição de consórcio” e de um “contrato de obra por administração” (fls. 356 a 366). Na referida planilha ela indica que os ingressos bancários ou vinham do consórcio (que já havia tributado as receitas), ou dos contratos de administração de obra (sendo apenas uma pequena parte de sua alçada, senão totalmente imune por se tratar de serviços prestados ao exterior); ou vinham de transferências entre empresas, ou de empréstimo bancário. Esses elementos realmente não são suficientes para afastar a presunção legal de omissão de receitas ou para comprometer o arbitramento dos lucros. As simples observações na planilha não tem substância para vincular os ingressos bancários às alegadas origens e contratos, e nem para demonstrar que os recursos já estariam tributados em outra entidade, que seriam meros repasses de valores para aquisição de materiais, etc. O histórico da conduta da Contribuinte também não colabora nesse sentido. As DIPJ relativas aos períodos autuados sequer contém informações que possam contribuir na validação de suas alegações, eis que foram apresentadas com os campos totalmente zerados. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares de nulidade, e, no mérito, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) José de Oliveira Ferraz Corrêa Fl. 498DF CARF MF Impresso em 11/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 06/08/2014 por JOSE DE OLIVEIRA FERRAZ CORREA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 13819.910070/2011-66
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 15/01/2002
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 15/01/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/01/2002 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 70 /2 01 1- 66 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 108 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 109 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 110 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 111 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 112 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910070/201166 Acórdão n.º 3801003.436 S3TE01 Fl. 113 7 Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10783.916738/2009-21
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Jul 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.526
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Relatório
Nome do relator: NELSO KICHEL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa- Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel- Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. Relatório
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Nelso Kichel, Gilberto Baptista, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luís Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 16 73 8/ 20 09 -2 1 Fl. 172DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 173 2 Relatório Cuidam os autos do Recurso Voluntário de efls.97/100 contra decisão da 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I (efls. 86/90) que julgou a Manifestação de Inconformidade improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado, não homologando a compensação tributária informada. Quanto aos fatos, consta dos autos que: em 29/12/2008, a Contribuinte transmitiu pela internet o PER/DCOMP nº 20019.94109.291208.1.3.044006 (efls. 53/58), informando compensação tributária: débito informado no valor de R$ 40.808,00, assim especificado: IRPJ, código de receita 2089, PA 3º trimestre/2008 (3ª cota), data de vencimento 30/12/2008, valor R$ 40.808,00. crédito utilizado (valor original na data da transmissão): R$ 38.746,68: que o direito creditório pleiteado decorreu de pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2008 (2º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 31/07/2008, valor original R$ 54.703,91. Saldo de crédito informado na data da transmissão da DCOMP (original): R$ 47.175,75. Em 07/10/2009, houve emissão do Despacho Decisório (eletrônico), efl. 04, pela DRF/Vitória, denegando o direito creditório pleiteado, com a seguinte fundamentação: (...) 3FUNDAMENTACÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL Limite do crédito analisado, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão informado no PER/DCOMP: 47.175,75. A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponivel para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante da inexistência do crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada. (...). Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN) e Art. 74 da Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 173DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 174 3 (...) Ciente dessa decisão em 20/10/2009 (efl. 59), a Contribuinte, em 18/11/2009, apresentou Manifestação de Inconformidade (efls.02/03), juntando ainda documentos de efls. 04/84, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao direito creditório: que efetuou pagamento do IRPJ/1ª cota, no valor de R$ 54.703,91, do PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008 – 1ª cota), data de recolhimento 31/07/2008, código de receita 2089; que em 06/10/2008 confessou na DCTF primitiva débito do IRPJ/2º trimestre/2008, no valor de R$ 164.111,73 (efls. 31/41); que o pagamento restou totalmente vinculado ao débito confessado na referida DCTF primitiva; que, em 15/07/2009, transmitiu a DIPJ 2009, anocalendário 2008, com IRPJ a pagar/2º trimestre, no valor de R$ 7.622,55 e não R$ 164.111,73 (efls. 42/48); que em 23/10/2009 transmitiu a DCTF retificadora do 2º trimestre/2008, reduzindo o IRPJ a pagar de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55; que, destarte, essa 1ª cota do IRPJ/2º trimestre/2008 foi paga a maior, no valor de R$ 47.081,37. que o crédito, por conseguinte, existe. 2) Em relação ao débito do IRPJ confessado na DCOMP: que o IRPJ a pagar, código de receita 2089, PA 3º trimestre/2008, data de vencimento 30/12/2008, valor R$ 40.808,00 informado na DCOMP, na verdade, não existe; que na DIPJ 2009, anocalendário 2008, foi apurado IRPJ a pagar de R$ 11.504,16 do 3º trimestre/2008 (efls. 42/48), e não o valor informado na DCTF primitiva de R$ 189.368,86; que houve retificação da citada DCTF do PA 3º trimestre/2008 em 23/10/2009, reduzindo o débito do IRPJ de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,16 (efls.49/52); que o débito do IRPJ/3º trimestre/2008 de R$ 11.505,16 restou pago mediante DARF no valor de R$ 63.414,37 (informação constante da DCTF retificadora). Por fim, com base nessas razões, a Contribuinte pediu na instância a quo: exclusão/cancelamento do débito do IRPJ do 3º trimestre/2008, informado na DCOMP, valor R$ 40.808,00, alegando que já estaria quitado. A 15ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro I, não acatando a DCTF retificadora que reduziu o débito do IRPJ do 2º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55, julgou a manifestação de inconformidade improcedente (não reconheceu o crédito pleiteado, mantendo Fl. 174DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 175 4 o débito informado na DCOMP), conforme Acórdão, de 22/09/2011, cuja ementa transcrevo a seguir (efl. 86), in verbis: (...) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 RETIFICAÇÃO DA DCTF. REDUÇÃO DO VALOR DO DÉBITO. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DO ERRO. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir tributo, só é admissivel mediante comprovação do erro em que se funde (art. 147, §1º, do CTN). PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO. NÃO ACOLHIMENTO. Não tendo sido provada a alegação do contribuinte de que o débito informado no PER/DCOMP já se encontraria extinto por pagamento, deixase de acolher o pedido de cancelamento da compensação. PER/DCOMP. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DAS COMPENSAÇÕES. Uma vez inexistente o direito credit6rio pleiteado pelo contribuinte, deixam se de homologar as compensações por ele declaradas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio (...) Ciente desse decisum em 14/12/2011 (efl. 96), a Contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 29/12/2011 (efls. 97/100), juntando ainda os documentos de e fls.101/167, cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) – Quanto ao crédito: que já prestou esclarecimentos nos autos do processo nº 10783.917.629/200921; que nos presentes autos deixa de discutir o crédito, pois o débito informado na DCOMP é inexistente (débito informado indevidamente na DCOMP); que, por conseguinte, também não há que se falar em crédito. 2) – Em relação ao débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 (3ª cota) confessado na DCOMP: que o débito é inexistente pelo seguinte: a) quando foi calculado o IRPJ do 3º trimestre/2008 (houve erro de fato na apuração), ao invés da aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% sobre a receita bruta de serviços, houve indevidamente a aplicação do coeficiente de 32%; b) para comprovar a base tributável do 3º trimestre/2008, juntou: cópias de folhas do livro Diário, com receita bruta de serviços de R$ 2.964.411,74, quanto ao 3º trimestre/2008 (efls. 131/134); Fl. 175DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 176 5 cópias do livro Registro de Serviços (ISS) com a receita bruta de serviços dos meses de julho, agosto e setembro/2008 (efls. 135/140); planilha de cálculo do IRPJ com coeficiente de 8% (R$ 11.504,15) e 32% (R$ 189.368,86) (efl. 141); cópias do livro Diário – lançamento da provisão do IRPJ/3º trimestre/2008, no valor de R$ 55.066,69, calculado pelo coeficiente de 8%, e IRRF (efl.142); redução da base de cálculo – valor tributável em R$ 478.487,77, conforme documentos (efls. 143/154); que em 23/10/2009 foi transmitida a DCTF retificadora do 2º semestre/2008, reduzindio o IRPJ do 3º trimestre/2008 de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,15 (efls. 163/167); que o débito do imposto do 3º trimestre/2008 de R$ 11.504,15 foi, integralmente, quitado pelo DARF de R$ 63.414,37; que, por conseguinte, o débito confessado na DCOMP objeto dos presentes autos, de fato, não existe. Por tudo que foi exposto, a Contribuinte pediu o cancelamento do débito confessado na DCOMP e o cancelamento da DCOMP. É o relatório. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 177 6 Voto Conselheiro Nelso Kichel, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Logo, dele conheço. Os autos tratam de processo de compensação tributária. No caso, a Recorrente alegou que a DCOMP perdeu o objeto (deve ser cancelada), pois o débito do IRPJ (3ª cota) no valor de R$ 40.808,00 do 3º trimestre/2008, com vencimento em 30/12/2008, é inexistente. Quanto ao crédito utilizado na DCOMP (valor original na data da transmissão): R$ 38.746,68, referente suposto pagamento indevido ou a maior do IRPJ do período de apuração 30/06/2008 (2º trimestre/2008) – 1ª cota, código de receita 2089 (regime de apuração Lucro Presumido), data de arrecadação 31/07/2008, valor original do pagamento R$54.703,91 (saldo crédito original na data da transmissão da DCOMP: R$ 47.175,75), a Recorrente alegou que deixara de pleitear nos presentes autos, pois esse crédito está sendo pleiteado em outro processo (processo nº 10783.916735/200997). Diversamente do entendimento da Recorrente, não há nos autos elementos de prova que pudessem autorizar, de plano, o cancelamento do débito confessado na DCOMP e o cancelamento da DCOMP, pois a Recorrente não comprovou erro de fato que teria gerado o crédito utilizado na DCOMP e não comprou erro de fato na apuração do débito confessado. Vale dizer, a Recorrente não comprovou a razão pela qual entende que, no caso, a apuração do IRPJ deveria ser com base em coeficiente presunção reduzido, ou seja: a) que o crédito utilizado na DCOMP decorreu de recolhimento do imposto do 2º trimestre/2008 (1ª cota), pela aplicação de coeficiente de presunção do lucro de 32% sobre a receita bruta de prestação de serviço; que o correto é aplicação do coeficiente de 8%; b) que o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 (3ª cota) com vencimento em 30/12/2008, também, foi apurado com coeficiente de presunção do lucro de 32%, mas o correto é a aplicação dos coeficientes de 8%. Para o encontro de contas de crédito com débito (compensação tributária), é necessário que o crédito preencha os requisitos de liquidez e certeza, nos termos do art. 170 do CTN. A propósito, transcrevo o disposto no art. 170 do CTN, in verbis: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(Vide Decreto nº 7.212, de 2010) (grifei) No mesmo sentido dispõe o art. 268 do Decreto nº 7212, de 15/06/2010: Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 178 7 Art.268.O sujeito passivo que apurar crédito do imposto, inclusive decorrente de trânsito em julgado de decisão judicial, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observadas as demais prescrições e vedações legais(Lei nº 5.172, de 1966, art. 170,Lei nº 9.430, de 1996, art. 74,Lei no10.637, de 2002, art. 49,Lei no10.833, de 2003, art. 17, eLei no11.051, de 2004, art. 4o). §1oA compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados(Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º,e Lei nº 10.637, de 2002, art. 49). §2oA compensação declarada à Secretaria da Receita Federal do Brasil extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 2º, eLei nº 10.637, de 2002, art. 49). No caso, a Recorrente utilizou direito creditório (crédito) relativo ao PA 30/06/2008 (2º trimestre/2008), uma vez que teria pago indevidamente o IRPJ relativo a esse período de apuração, no regime do Lucro Presumido. Para a Contribuinte, o imposto a pagar do 2º trimestre/2008 seria de R$ 7.622,55, e não R$ 164.111,73 (que aquele valor já foi quitado quando do recolhimento da 1ª cota). Porém, efetuou recolhimento do IRPJ em DARF – 1ª cota/1º trimestre/2008 no valor de R$ 54.703,91. Ou seja, que o valor recolhido dessa 1ª cota foi a maior R$ 47.081,37 Entretanto, a decisão recorrida, na mesma esteira do despacho decisório, denegou o direito creditório por inexistência do crédito utilizado na DCOMP, mantendo o débito confessado na DCOMP, pois a Recorrente: a) quanto ao crédito utilizado na DCOMP: confessara na DCTF primitiva imposto a pagar do PA – 2º trimestre/2008 no valor de R$ 164.111,73 e fizera pagamento de R$ 54.703,91 (crédito pleiteado inexistente segundo a decisão recorrida , ou seja, valor do pagamento restou consumido integralmente pelo débito confessado). transmitira, eletronicamente, a DCTF retificadora, reduzindo imposto do PA – 2º trimestre/2008 de R$ 164.111,73 para R$ 7.622,55 somente após ciência do despacho decisório, ou seja, após intimação para recolhimento dos débitos confessados na DCOMP, a qual restou não homologada por inexistência do direito creditório alegado; ademais, não comprovou eventual erro de fato que pudesse justificar a redução do imposto pela DCTF retificadora, uma vez que não juntou cópia dos livros contábeis e fiscais de sua escrituração; que, após intimação fiscal para recolhimento dos débitos confessados na DCOMP, a apresentação de DCTF retificadora por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo (para gerar direito creditório), só é admissivel mediante comprovação do erro de fato na apuração. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 179 8 b) atinente ao débito confessado na DCOMP, também não comprovou a existência de erro de fato que pudesse justificar a redução do débito confessado na DCTF primitiva/2º semestre/2008, quanto ao 3º trimestre/2008 e o cancelamento do débito na DCOMP objeto dos autos. Vale dizer, a Contribuinte, na instâcia a quo, não comprovou erro de fato que pudesse justificar a apresentação de DCTF retificadora do 3º semestre/2008 transmitida em 23/10/2009 (efls. 131/143), onde reduziu o débito do IRPJ do 3º trimestre/2008 de R$ 189.368,86 para R$ 11.504,15. Apenas alegou que a DCTF retificadora foi apresentada em conformidade com a DIPJ. Nesta instância recursal, a Recorrente para comprovar o alegado erro de fato, juntou cópia dos livros de sua escrituração contábil/fiscal. Compulsando os autos, observase que a Recorrente, em momento algum, justificou a razão pela qual busca, pretende, a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% (apuração do IRPJ) e coeficiente de 12% (apuração da CSLL) para as receitas de prestação de serviços, e não o coeficiente de 32%. Sem comprovação do alegado erro de fato – ultilização indevida do coeficiente de presunção do lucro não há como admitir como válidas as DCTF retificadoras do 1º e 2º semestres/2008. Em regra, no regime de apuração do Lucro Presumido para a prestação de serviços a legislação tributária do IRPJ e da CSLL impõem a aplicação do coeficiente de 32% e 12%, respectivamente. Nesse sentido, transcrevo o art. 15 da Lei nº 9.249/1995, com redação atualizada pela legislação posterior, in verbis: Art. 15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts. 30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995.(Vide Lei nº 11.119, de 205)(Vide Medida Provisória nº 627, de 2013)(Vigência) § 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de: I um inteiro e seis décimos por cento, para a atividade de revenda, para consumo, de combustível derivado de petróleo, álcool etílico carburante e gás natural; II dezesseis por cento: a) para a atividade de prestação de serviços de transporte, exceto o de carga, para o qual se aplicará o percentual previsto no caput deste artigo; b) para as pessoas jurídicas a que se refere oinciso III do art. 36 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, observado o disposto nos §§ 1ºe 2º do art. 29 da referida Lei; III trinta e dois por cento, para as atividades de:(Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 180 9 a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa;(Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008) (...) Frisese que a Lei nº 11.727 (art. 29), de 23/06/2008, que deu nova redação à alínea “a” do inciso III do § 1º do art. 15 da Lei nº 9.249/95, permite a aplicação do coeficiente de presunção do lucro de 8% para serviços hospitalares e atividades inerentes, in verbis: Art. 29. A alínea a do inciso III do § 1o do art. 15 da Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 15. ............................................................ § 1o .......................................................... ............................................................. III – ...................................................... a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas, desde que a prestadora destes serviços seja organizada sob a forma de sociedade empresária e atenda às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa; ..................................................................” (NR) Desde antes da edição dessa Lei nº 11.727/2008 (art. 29), a jurisprudência do STJ e administrativa deste CARF já admitiam a aplicação de coeficientes de presunção do lucro reduzidos a essas atividades elencadas, desde que fosse comprovada a exploração de atividade organizada sob a forma de sociedade empresária e com observância de normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Entretanto, a Recorrente, em momento algum nos presentes autos, fez alusão que as receitas de prestação de serviços do anocalendário 2008 decorreram de prestação de serviços hospitalares e de auxílio diagnóstico e terapia, patologia clínica, imagenologia, anatomia patológica e citopatologia, medicina nuclear e análises e patologias clínicas. Compulsando os atos constitutivos da pessoa jurídica (Recorrente) – 8ª Alteração Contratual – Consolidação do Contrato Social, de 27/10/2008 (Cláusula Terceira) (e fls. 08/20), observa que ela tem o seguinte objeto social: CLÁUSULA TERCEIRA: A Sociedade tem por Objeto Social: A Prestação de Serviços Médicos Hospitalares, principalmente na especialização em Oncologia Clinica Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 181 10 e Cirúrgica, e Quimioterapia, para Apoio ao Diagnóstico e Terapia de seus pacientes, tendo como responsável técnico perante aos órgãos de saúde o médico ROBERTO DE OLIVEIRA LIMA; O direito creditório utilizado na DCOMP e o pedido de cancelamento de débito confessado na DCOMP referemse a fatos geradores ocorridos antes dessa Alteração Contratual nº 08, de 27/10/2008. Logo, quanto as receitas de serviços do anocalendário 2008 (respectivos trimestres), a Contribuinte não comprou nos autos que elas decorreram de prestação de serviços hospitalares e inerentes, ou se decorreram de serviços de meras consultas médicas. Inclusive não consta dos autos que no anocalendário 2008 a Recorrente, desde o início do ano, já estaria organizada sob a forma de sociedade empresária e que atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa. Há dúvida plausível e insuperável, por conseguinte, se a Recorrente faz jus, ou não, à apuração do IRPJ e da CSLL, anocalendário 2008, com coeficientes reduzidos de presunção do lucro para essas exações fiscais, respectivamente. Nessa situação dos autos (sem tais provas), está prejudicada a aferição da certeza e liquidez do crédito utilizado e o pedido de cancelamento do débito confessado na DCOMP. Como visto, para formação da convicção do julgador, e de acordo com o princípio da verdade material, tornase necessário a realização de instrução processual complementar, para complementação das provas pela Recorrente quanto ao direito creditório pleiteado, relativo ao PA – 2º trimestre/2008 – pagamento da 1ª cota, e quanto ao pedido de cancelamento do débito informado na DCOMP. Diante do exposto, propugno pela conversão do julgamento em diligência, para retorno dos autos do processo à unidade de origem da RFB, ou seja, à DRF/Vitória para que a fiscalização: a) intime a Recorrente a comprovar a natureza das receitas de prestação de serviços, se decorreram de prestação de serviços hospitalares de que trata o art. 29 da Lei nº 11.727/2008 ou se decorreram de consultas médicas ou, ainda, de outra fonte; b) intime a Recorrente a comprovar se, desde o início do anocalendário 2008, estava organizada sob a forma de sociedade empresária e se atendia às normas da Agência Nacional de Vigilância Sanitária – Anvisa (juntar cópia de contrato social abarcando todo o anocalendário 2008 e documentos emitidos pela Anvisa que autorizaram o funcionamento do estabelecimento da Recorrente para todo o período do anocalendário 2008); c) intimar a Recorrente para à luz da legislação de regência e da escrituração contábil e fiscal a comprovar o direito creditório pleiteado, e a alegada inexistência do débito do IRPJ (3ª cota), vencimento 28/11/2008, quanto ao 3º trimestre/2008 informado na DCOMP; d) elabore, ao final da diligência fiscal, relatório minucioso, circunstânciado, conclusivo, se a Recorrente nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres do anocalendário faz jus à apuração do IRPJ e da CSLL com coeficientes de presunção do lucro reduzidos, demonstrando eventual direito creditório (crédito) da Recorrente, na hipótese que reste comprovado que as receitas Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL Processo nº 10783.916738/200921 Resolução nº 1802000.526 S1TE02 Fl. 182 11 decorreram de prestação de serviços hospitalares (Obs: receitas de consultas médicas e outras fontes não implicam aplicação de coeficientes reduzidos na apuração do IRPJ e da CSLL), e se disponível eventual direito creditório para compensação e se o débito confessado na DCOMP é, ou não, existente; e) intime a Recorrente do resultado da diligência para, em querendo, apresentar razões, abrindo prazo de trinta dias a partir da ciência. Por tudo que foi exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/06/2014 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/06/2014 por NELSO KICHEL
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Numero do processo: 10880.004340/2004-37
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 04 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 1802-000.521
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(assinado digitalmente)
Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira.
Nome do relator: LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em declinar da competência. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Gilberto Baptista, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .0 04 34 0/ 20 04 -3 7 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 3 2 Relatório Do Lançamento Tratase de recurso voluntário contra Acórdão nª 1419.519, proferido pela 3ª Turma da DRJ/POR em 12 de junho de 2008. O auto de infração de fls. 12/16 exigiu crédito tributário relativo a multas regulamentares (código de arrecadação:3738), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na InstruçãoNormativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas), no valor total de de R$ 245.000,00 relativamente ao período de 06/2003 a 12/2003. 0 lançamento fundamentouse nas disposições contidas nos seguintes comandos normativos: art. 57, inciso I, da Medida Provisória (MP) n° 2.15835, de 24 de agosto de 2001;art. 16 da Lei n°9.779, de 19 de janeiro de 1999; art. 505 c/c art. 212 do Decreto n°4.544, de26 de dezembro de 2002; art. 3°, inciso I e § 2°, da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30de abril de 2003. Da Impugnação 0 contribuinte protocolou suaimpugnação em 29/09/2004, na qual aduziu,em síntese: a) que, em 17/05/2004, entregou as DIFs — Bebidas em atendimento à intimação fiscal que lhe havia concedido 20 dias para apresentação daquelas declarações; b) que, conforme dispõe o art. 97, inc. V, do Código Tributário Nacional (CTN), somente a lei, em sentido estrito, é o instrumento capaz de cominar penalidades.Nesse sentido, aduz que aobrigação acessória consistente na entrega da DIF — Bebidas não deveria ter arrimo apenas na Instrução Normativa SRF nº 325/03, mas sim em Lei; c) que, com o artigo 16 da Lei n° 9.779/99, o Legislativo apenas confiou ao Executivo a prática de atos normativos tendentes a regulamentar um dado conjunto de regras de sua autoria, não pretendendo transferirlhe o mister deprever os fatos geradores de obrigações acessórias; d) que o artigo 115 do CTN dispõe que a instituição de obrigação acessória,assim como de penalidade pelo seu descumprimento, devem estar previstosem lei; e) que "é um paradoxo facultarse a entrega das declarações em um prazo determinado e, mesmo em face da ocorrência daquele ato — entrega das DIF Bebidas , insistirse na imposição de penalidade"; Fl. 443DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 4 3 f) que a obrigação acessória, instituída no interesse da arrecadação efiscalização, viabilizando a constatação do surgimento da obrigação principal, não pode ser um fim em si mesma. No caso presente, o valor de uma única multa (R$ 5.000,00) supera o montante de todos os tributos recolhidos pela impugnante em um exercício financeiro. g) que, embora não pretenda o reconhecimento de inconstitucionalidades em sede administrativa, não pode conceber "o comportamento adotado pela administração que, sob a alegação de os seus atos se sujeitarem incondicionalmente ao primado da estrita legalidade (artigo 37, da CF), sobrepõe a legislação infraconstitucional ao Texto Magno". h) que a multa aplicada é inconstitucional porque fere os princípios da capacidade contributiva, da igualdade, do direito de propriedade, da vedação ao confisco e da livre iniciativa; i) que é uma empresa de pequeno porte, cujo faturamento médio mensal gira em torno de R$ 2.000,00, não dispondo de qualquer funcionário contratado. Assim sendo, é absolutamente impossível quitar o crédito tributário que lhe está sendo exigido; i) que a multa em questão é aplicada indiscriminadamente a 'todos os contribuintes omissos, havendo benefícios apenas as empresas optantes pelo Simples, o que não é o seu caso, em razão de atividade vedada. Desta forma, uma empresa com grande faturamento está sujeita ao mesmo montante de penalidade. Portanto, está se dispensando o mesmo tratamento a contribuintes que se encontram em situações diferentes; k) que o caso em questão revela um "ultraje ao disposto no artigo 170, IX, da CF", que determina tratamento favorecido a empresas de pequeno porte; l) que a imposição de uma penalidade por descumprimento de obrigação acessória não poderia redundar na aplicação de uma multa de valor superior a todo o patrimônio (bens e direitos) conquistado ao longo de uma vida de trabalho; m) que a imposição da penalidade consubstanciada no presente auto de infração" está acabando por impedir o exercício de uma atividade licita, além de desconsiderar um enorme esforço despendido pelo Empresário Individual para conseguir conquistar o seu espaço em um mercado contaminado pela excessiva concorrência"; n) que "em momento algum houve a intenção por parte da Impugnante em auferir qualquer vantagem com a não entrega da declaração. Por descuido do seu contador é que aquela providência não foi satisfeita na época oportuna, embora, em momento posterior, repitase, o seu cumprimento se consumou". Ao final, pede a impugnante pela desconstituição do auto de infração guerreado, pelas razões por ela expendidas, ou, no mínimo, "pela redução da penalidade no importe de 70% (setenta por cento), consoante se confere as empresas optantes pelo Simples, em homenagem ao disposto no artigo 107, IX, da CF". Pede, outrossim, pela realização de todos os meios de prova em direito admitidos, com vistas ao esclarecimento dos fatos que se mostrarem controvertidos. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 5 4 Do Acórdão Em sessão de 12 de junho de 2008, foi proferido o Acórdão nº 1419.519, da 3ª Turma da DRJ/POR, o qual, por unanimidade de votos, considerou PROCEDENTE O LANÇAMENTO, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos a seguir. A DRJ discorreu sobre o art. 2° da Instrução Normativa (IN) SRF n° 325/2003, verbis: Art. 2° A DIFBebidas deve ser ser apresentada mensalmente, até o último dia útil do mês subseqüente ao da ocorrência dos fatos geradores, por intermédio da Internet, utilizandose o Programa Receitanet, que está disponível no endereço referido no parágrafo 2° do art. I°. § 1° A DIFBebidas deverá ser entregue em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1° de junho de 2003. § 2° 0 Recibo de Entrega será gravado no disquete ou no disco rígido, após a transmissão. A penalidade aplicada está disposta no art. 3° da mesma IN SRF n° 325/2003, verbis: Art. 3° A pessoa jurídica que deixar de apresentar a DIF Bebidas no prazo estabelecido no artigo anterior, ou que apresentála com incorreções ou omissões, sujeitarse á às seguintes multas: I R$ 5.000,00 (cinco mil reais) por mêscalendário, no caso de falta de entrega da declaração ou de entrega após o prazo; II cinco por cento, não inferior a R$100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. § 1° Na hipótese de pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), os valores e o percentual referido neste artigo serão reduzidos em setenta por cento. § 2° Para aplicação da multa de que trata o inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e, como termo final, a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, da lavratura do auto de infração. Alegou a DRJ que na impugnação, o contribuinte não contestou a situação que redundou no lançamento, qual seja, a apresentação intempestiva das DIFs — Bebidas. Ao contrário, o contribuinte expressamente confirma o ocorrido, ao tempo em que considera paradoxal a imposição de penalidade àquele que regularizou sua omissão em atenção à intimação fiscal. Fl. 445DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 6 5 Nesse aspecto, a DRJ entendeu que o paradoxo apontado não existe. Isto porque, ao contrário do que alega, a empresa não foi intimada a apresentar as DIFs — Bebidas que constavam como omissas nos controles da Receita Federal. Foi, isto sim, intimada a apresentar "cópia dos Recibos de Entrega das referidas Declarações ou justificar sua não entrega" (fl. 03). Denotase, pois, que aintimação fiscal visou, na verdade, oportunizar à intimada a possibilidade de eventualmente comprovar que não estava omissa em relação a uma ou outra das declarações, justamente para evitar a aplicação de penalidade baseada, tãosomente, nos registros constantes dos sistemas de controle da Receita Federal. Para impedir o lançamento das penalidades, deveria o contribuinte apresentar, se assim dispusesse, cópias dos recibos de entrega de declarações que teriam sido entregues tempestivamente. Como efetivamente não tinha entregado as declarações nos prazos estipulados na norma regente, a entrega em atraso configurou a ocorrência de infração punida com a penalidade prescrita naquela norma. Dado que não tinha como atacar o mérito da medida, os protestos da impugnante voltaramse para a validade jurídica da norma que fundamentou o lançamento. Entende a impugnante que a obrigatoriedade da apresentação da DIF — Bebidas, assim como a prescrição de penalidade pela sua inobservância, não poderia ser objeto de normas infralegais. Ademais disso, protesta pela inconstitucionalidade da norma que instituiu apenalidade que lhe foi aplicada, porquanto violadora de diversos preceitos estatuídos na Constituição Federal (CF) de 1988. Em que pese o extenso arrazoado desenvolvido pela impugnante para o fim de derrubar a base jurídica das normas que fundamentaram a constituição do crédito tributário exigido através do presente lançamento, entendeu a DRJ que não lhe assistia razão. Quanto à questão da instituição de obrigação acessória (no caso presente, aapresentação da Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas DIFBebidas) por Instrução Normativa, afastouse a tese de ilegalidade esposada pela impugnante dado que estas não decorrem exclusivamente de lei, podendo incorporarse ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária". A este respeito, a DRJ trouxe aos autos os artigos 113, § 2°, 96 e 100, I do CTN. Trouxe ainda o artigo 16 da Lei n° 9.779/99, que outorga poderes à Secretaria da Receita Federal para dispor sobre obrigações assessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, e o art. 212 do RIPI/02. Entendeu, por fim, a DRJ que a lei conferiu sim, amplos poderes para a Receita Federal instituir as obrigações acessórias, "estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável". Prossegue sua explanação quanto à instituição da penalidade por descumprimento da obrigação acessória, pelo artigo 57 da Medida Provisória n° 2.158 35/2001, posteriormente contemplado pelo art. 505 do RIPI/02, que teria observado o princípio da reserva legal, porquanto, a teor do disposto no artigo 62 da CF/88, Medida Provisória tem força de lei. Transcreveuse no Acordão, para esse efeito, o art. 62 da Constituição Federal (CF), o art. 57 da MP n°2.15835 e o art. 505 do RIPI/02. Prosseguiu seu arrazoado informando que no exercício da competência conferida pelo citado art. 16 da Lei n° 9.779/99, o Secretário da Receita Federal expediu a Fl. 446DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 7 6 referida IN SRF n° 325/2003, instituindo a DIF —Bebidas, estabelecendo, inclusive, para fins de aplicação da multa em caso da nãoentrega dadeclaração nos prazos fixados, o termo inicial e o termo final, conforme disposto no seu art. 3°, já transcrito. Nesse passo, pontuou que oartigo 115 do CTN não trata do principio da reserva legal para a instituição de obrigações acessórias e que o termo "legislação", no contexto do CTN, não se resume à lei em estrito senso (art. 96, já transcrito). Quanto aos protestos relativos às inconstitucionalidades da norma, a autoridade fiscal entendeu que é preciso delimitar a competência do julgador administrativo, ressaltando o caráter vinculado daatividade fiscal, e não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal, pois a análise de teses contra a constitucionalidade deleis é privativa do Poder Judiciário. Nesse mister, traz vasta jurisprudência dos colegiados administrativos aos autos, entre elas: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕESE TRIBUTOS FEDERAIS — DCTF. NORMAS LEGAIS. ILEGALIDADE. INCONSTITUCIONALIDADE. COMPETÊNCIA EXCLUSIVA DO PODER JUDICIÁRIO. As instâncias administrativas não têm competência para se pronunciarem sobre inconstitucionalidade/ilegalidade, matéria da competência exclusiva do Poder Judiciário, conforme determinação constitucional. (3° CC — 2°Camara. Acórdão n°30239.094, sessão de 18 de outubro de 2007) Citou ainda o artigo 7° da Portaria do Ministro da Fazenda n° 58, de 17 de março de 2006, que expressamente determina a vinculação do julgador administrativo, nos seguintes termos, verbis: Art. 7° 0 julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei n°8.112, de 11 de dezembro de 1990, bem assim o entendimento da Secretaria da Receita Federal (SRF) expresso em atos normativos." Nesse contexto, entendeu a DRJ que a autoridade administrativa, por força de sua vinculação ao texto da norma legal, e ao entendimento que a ele dá o Poder Executivo, deve limitarse a aplicála, sem emitir qualquer juízo de valor acerca da sua constitucionalidade ou outros aspectos de sua validade. Essa vinculação somente deixa de prevalecer quando a norma em discussão já tiver sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de controle concentrado, ou no difuso, neste caso a partir do momento e na hipótese de produzir efeitos "erga omnes" (na ocorrência de qualquer das situações previstas no ordenamento jurídico). Como, na situação presente, essas hipóteses não ocorreram, a norma inquinada de inconstitucional pela impugnante, continua válida, não sendo licito à autoridade administrativa absterse de cumprila nem declarar sua inconstitucionalidade sob pena de violar o princípio da legalidade, na primeira hipótese, e de invadir seara alheia, na segunda. A respeito do pedido de redução de 70% da multa aplicada, conforme prescrito para as empresas optantes pelo Simples, entendeu a DRJ que não lhe assiste razão, pois a redação da norma não deixa margem de dúvidas quanto à sua proposição. A redução da multa só se aplica às empresas optantes pelo Simples, não sendo o caso do contribuinte. Fl. 447DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 8 7 De resto, quanto à alegada não intencionalidade da empresa em obter qualquer vantagem pela não entrega tempestiva das DIFs — Bebidas, assim como o descuido do responsável pelas entregas, dispôs a DRJ tratarse de argüição impertinente, por conta do princípio da natureza objetiva da responsabilidade pela infração, conformeestatuído no art. 136 do CTN, verbis: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Por todo o exposto, votou a DRJ pela procedência do lançamento, mantendo o crédito tributário tal como lançado. Do Recurso Voluntário Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, no qual aduziu, em síntese, o quanto segue. declara estar sujeita à entrega da declaração denominada DIF —BEBIDAS, consoante determina a Instrução Normativa SRF n° 325, de30 de abril de 2003; que tomou ciência de que nos meses de JUNHO, JULHO, AGOSTO, OUTUBRO, NOVEMBRO E DEZEMBRO DE 2003, através da intimação da Receita Federal e que, ato contínuo, providenciou, em 17/05/2004, a entrega das mencionadas declarações. que não obstante a entrega, recebeu auto de infração no importe de R$ 245.000,00 relativos à multa infracional. que a DRJ de Ribeirão Preto, porunanimidade dos votos, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido. que a autoridade fiscal rechaçou a tese de ilegalidade tendo em vista que a instituição de obrigação acessória não decorre exclusivamente de lei, podendo incorporarse ao ordenamento tributário por meio de outros diplomas que integram o que se denomina de "legislação tributária", como os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas. que a autoridade administrativa reiterou o caráter vinculado da atividade fiscal, entendendo não lhe caber questionar a legalidade ou inconstitucionalidade da norma, devendo limitarse a aplicála sem emitir qualquer juizo de valor. Em sua peça, o contribuinte traz longo arrazoada sobre a violação ao princípio da estrita legalidade e sobre a infração ao disposto nos artigos 96, 97 V e 115 do CTN. Resumidamente, alega que as obrigações acessórias são destituídas de valor patrimonial, representam deveres de fazer e não fazer decorrentes de previsões legais em sentido estrito, ou seja, formal e material, as quais devem obedecer regular processo legislativo. Que o art 97 do CTN é taxativo em estabelecer que somente a lei em sentido estrito é instrumento hábil a regulamentar as matérias capituladas em seus incisos, dentre as quais encontrase a cominação de penalidade. Que a lei cria deveres acessórios e estabelece punições aos seus Fl. 448DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 9 8 descumprimentos, sendo facultado às autoridades administrativas a expedição de atos que sirvam unicamente para darlhe exeqüibilidade. Conclui que a obrigação acessória consistente na entrega da DIF — BEBIDAS, não deveria ter arrimo apenas na InstruçãoNormativa SRF n° 325/03, mas sim em Lei. Traz aos autos extensa doutrina e jurisprudência sobre essa questão. Prossegue a Recorrente dizendo que, ao receber a intimação para entregar as declarações no prazo de 20 (vinte) dias, satisfez a exigência dentro do interstício estipulado pela Secretaria da Receita Federal. Entendeu que a Receita Federal teria oportunizado à Recorrente a regularização de sua situação (leiase: apresentação das declarações), e que não seria crivei que, uma vez atendida aquela solicitação, subsistisse a multa infracional. Entende, ainda, que a obrigação acessória não pode caracterizar um fim em si mesma sob pena de desvirtuamento do sistema tributário e relativização da Justiça Fiscal que é de rigor e, não tendo função fiscal (trazer arrecadação para os cofres públicos), por óbvio que a pena imposta pela sua inadimplência não pode ser tão grave que supere e muito a obrigação principal. Nesse mister informa que ovalor de apenas uma penalidade sem considerar a cumulação (R$5.000,00 cinco mil reais) supera o montante de todos os tributos recolhidos pela Recorrente em um exercício financeiro, fato este que conduz à conclusão de que a intenção do Fisco é incrementar a sua arrecadação mediante a imposição de penalidades pelo descumprimentode obrigações acessórias, circunstância que dá azo ao enriquecimento sem causa. O contribuinte traz também em várias laudas considerações a respeito das inconstitucionalidades alegadas, com doutrina e jurisprudência nesse mister, entre elas, a ofensa aos princípios da capacidade contributiva e igualdade, vez que a Recorrente é firma individual que ostenta capacidade econômica e financeira bastante diminuta, eis que areceita bruta por ela auferida (faturamento) gira em torno mês a mês de R$ 2.000,00 (dois mil reais), numerário com o qual solve religiosamente as suas pendências. O valor das compras de mercadorias adquiridas no respectivo ano calendário, soma a quantia de R$6.844,50 (seis mil, oitocentos e quarenta e quatro reais e cinquenta centavos), valor este que, se dividido por 12, dá o singelo resultado deR$ 537,38 (quinhentos e trinta e sete reais e trinta e oito centavos)por mês. Outra informação que denota a simplicidade da Recorrente, reside na opção de sua escrituração (LIVRO CAIXA), haj vista que, se houvesse uma quantidade considerável de lançamentos, por óbvio que se adotaria o modo contábil. Alega a recorrente que a Fiscalização não levou em conta as disponibilidades materiais ou a situação de riqueza individual da Recorrente, o que ensejou manifesta violação ao primado da capacidade contributiva (§ 1°, do artigo 145, da Constituição Federal), e que o benefício de redução da penalidade aplicase apenas às pessoas jurídicas optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições. Traz, ainda alegações de violação ao princípio da isonomia, na medida em que uma pessoa jurídica que desempenhea mesma atividade que a Recorrente, em que pese fature R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais) mensais, por exemplo, acaso descumpra aquela obrigação estará sujeita à idêntica penalidade. Fl. 449DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 10 9 Por fim, entende ter sido ultrajado o disposto no artigo 170, IX, da CF, que determina seja dispensado tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras que tenham sua sede e administração no país. E entende que, na pior das hipóteses, haveria de ser aplicar a punição à Recorrente de maneira semelhante aos empresários Individuais ou Sociedades empresárias optantes pelo SIMPLES. Em relação à multa, entende ter havido violação aos postulados da razoabilidade e da proporcionalidade, mediante os quais se pretende limitar a discricionariedade de molde a propiciar que as decisões da administração sempre atendam ao interesse público. Traz aos autos farta doutrina e jurisprudência na esfera judicial. Requer, ao final, a desconstituição do auto de infração guerreado, tendo em vista que: a) o fato gerador da obrigação acessória que deu ensejoa imposição da penalidade resultante na sua lavratura, não se encontra descrito em Lei, mas sim em ato administrativo normativo, o que colide com os artigos 96, 97, V e 115, do CTN, além de transgredir o primado constitucional da reserva legal. b) não há espaço para a imposição da multa, dado que a Recorrente, quando intimada, satisfez a exigência com a entrega das declarações, deixando, por este motivo, de existir o ilícito. c) a legislação que dá suporte à multa infracional que motivou a sua lavratura (MP n° 2.15835/2001), transgride irremediavelmente princípios e garantias constitucionais, fazendose imperioso o seu afastamento. Por fim, roga, no mínimo, pela redução da penalidade em respeito aos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, capacidade contributiva,bem como ao principio da igualdade. Do Recurso Apresentado em 26 de dezembrode 2012 Posteriormente ao Recurso Voluntário acima, mais precisamente em 26/12/2012, o patrono da causa protocolou petição mos autos dando notícia de que a IN 325/2003 teria sido revogada pela IN RFB 1213/2011, anexando aos autos seu teor. Invoca em sua defesa o artigo 106, II, a, do CTN, verbis: Art. 106. A Lei aplicase a ato ou fato pretérito II .tratandose de ato não definitivamente julgado: a. quando deixe de definilo como infração. E requer, pelo motivo acima, que o auto de infração seja cancelado. Esse o relatório. Segue o meu voto. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA Processo nº 10880.004340/200437 Resolução nº 1802000.521 S1‐TE02 Fl. 11 10 Voto Conselheiro Luis Roberto Bueloni Santos Ferreira , Relator. A matéria em análise diz respeito à imposição de multas regulamentares (sob o código de arrecadação 3738), aplicadas em razão do descumprimento de obrigação acessória prescrita na Instrução Normativa (IN) SRF n° 325, de 30 de abril de 2003, que instituiu a Declaração Especial de Informações Fiscais relativas à Tributação de Bebidas (DIFBebidas), no valor total de de R$ 245.000,00 relativamente ao período de 06/2003 a 12/2003. Conforme prescrito na Portaria 256, de 22 de junho de 2009, artigo 4º, inciso III, a competência para julgamento do presente caso não é desta, mas sim da Terceira Seção, senão vejamos: "Art. 4º À Terceira Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de primeira instância que versem sobre a aplicação de legislação de: (...) III Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Assim, proponho que seja encaminhado o presente processo para o órgão competente. Esse o meu voto. (assinado digitalmente) LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA Fl. 451DF CARF MF Impresso em 04/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBERTO BUELONI SANTOS FERREIRA, Assinado digitalmen te em 03/08/2014 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 25/07/2014 por LUIS ROBER TO BUELONI SANTOS FERREIRA
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Numero do processo: 10480.031271/99-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jul 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
PIS NÃO DECLARADOS EM DCTF E INFORMADOS EM DIPJ. NÃO PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A DCTF possui natureza de confissão de dívida, enquanto a DIPJ possui caráter, sendo possível a utilização da base de cálculo informada na DIPJ para a lavratura de auto de infração da Contribuição para o PIS/Pasep, no caso de ausência de entrega da DCTF.
Recurso Improvido.
Numero da decisão: 3301-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Rodrigo da Costa Pôssas
Presidente
Antônio Lisboa Cardoso
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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NÃO PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A DCTF possui natureza de confissão de dívida, enquanto a DIPJ possui caráter, sendo possível a utilização da base de cálculo informada na DIPJ para a lavratura de auto de infração da Contribuição para o PIS/Pasep, no caso de ausência de entrega da DCTF. Recurso Improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Bernardo Motta Moreira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 03 12 71 /9 9- 91 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10480.031271/9991 Acórdão n.º 3301002.129 S3C3T1 Fl. 113 2 Relatório Cuidase de recurso em face da decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ), em Recife, que julgou procedente o auto de infração da Contribuição para PIS/Pasep, no anocalendário de 1997, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 Ementa: FALTA DE RECOLHIMENTO. A falta de recolhimento da contribuição para o PIS enseja a constituição de crédito tributário através de procedimento de oficio. LANÇAMENTO PROCEDENTE De acordo com a impugnação apresentada pela Recorrente, a mesma firmar tratarse de Tributação Reflexa, o julgamento do Processo Principal, faz coisa julgada no Processo Decorrente, no mesmo grau de jurisdição ante a mínima relação de causa e efeito existente entre ambos, assim, decidiu o 1° CC no Ac. No. 101.77.120/87 ( DOU de 13.05.87). Vide ainda os Ac. No. 101.77.131/87 (DOU de 13.05.87) e 101.77.064.87 (DOU de 11.03.87), referindose ao processo nº 10480.031279/9901 (IRPJ). A decisão recorrida considerou não tratarse de presente processo de auto reflexo daquele constante do processo n° 10480.031279/9901 (IRPJ), vez que no que concerne ao anocalendário 1997, o Auto de Infração de IRPJ decorreu de omissão de receitas (suprimento de numerários) e de custos ou despesas não comprovadas, enquanto que o Auto de PIS constante do presente processo resultou da falta de pagamento da contribuição, com base nos valores tributáveis (bases de cálculo) informados na declaração de rendimentos do exercício 1998 (fls. 46/48). Não havendo qualquer relação de causa e efeito entre o Auto de PIS e o Auto de IRPJ constante do processo n° 10480.031279/9901. Cientificada em 15/12/2008 (fl. 74), a Recorrente interpôs o recurso voluntário de fls. 77/90, em 13/01/2009, em síntese reiterando as argumentações constantes de sua impugnação, insistindo na tese de processo reflexo. É o relatório. Voto Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e encontrase revestido das demais formalidades legais, devendo o mesmos ser conhecido. Conforme relatado, não há como ser acolhida a alegação de que tratarse de processo reflexo ao processo nº 10480.031279/9901 (IRPJ), vez que nos presentes autos, Fl. 113DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO Processo nº 10480.031271/9991 Acórdão n.º 3301002.129 S3C3T1 Fl. 114 3 apesar da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep ter sido extraída da DIPJ, todavia, não foi utilizada mesma base de cálculo. Ademais disto o lançamento encontrase em perfeita sintonia com a jurisprudência deste colendo CARF, conforme sintetiza a ementa a seguir parcialmente reproduzida, in verbis: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/05/2002 a 31/12/2002 Ementa: PIS NÃO DECLARADOS EM DCTF E INFORMADOS EM DIPJ. NÃO PAGAMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. NÃO PROVIMENTO DO RECURSO VOLUNTÁRIO. É entendimento pacífico de que a DIPJ tem caráter meramente informativo, e a DCTF ostenta caráter declaratório de confissão de dívida. Portanto, débitos informados em DIPJ, mas não declarados em DCTF, e também não pagos, são passíveis de fiscalização e consequente lançamento de ofício. Constatado que não há comprovante de pagamento nos autos, necessário se mostra o não provimento deste Recurso Voluntário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Ac. 3803003.102, rel. Conselheiro João Alfredo Eduão Ferreira, sessão de 26/06/2012). De fato, conforme fundamentou o i. Relator do referido acórdão, de acordo com o art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil, cabe ao autor o ônus de provar os fatos constitutivos de seu direito, na oportunidade, trazendo aos autos comprovante de pagamento dos débitos informados em DIPJ, e então alcançados por lançamento de ofício. Não havendo comprovação do recolhimento de PIS/COFINS no período em análise, em relação a receita não declarada em DCTF, o Auto de Infração foi corretamente lavrado sendo o instrumento adequado para cobrança destes débitos. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 27 de novembro de 2013 Antônio Lisboa Cardoso Fl. 114DF CARF MF Impresso em 18/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 08/05/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/12/2013 por ANTONIO LISBOA CARDOSO
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Numero do processo: 10980.016654/2007-05
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 18 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jul 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
Ementa:
IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA.
Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
Numero da decisão: 2102-002.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
Assinado Digitalmente
Rubens Mauricio Carvalho - Presidente
Assinado Digitalmente
Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti - Relatora
EDITADO EM: 24/05/2013
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA.
Nome do relator: ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova - por quaisquer outros meios - de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1932; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C1T2 Fl. 201 1 200 S2C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.016654/200705 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2102002.545 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de abril de 2013 Matéria IRPF, Depesas Médicas Recorrente RUI OSMAR RAU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 Ementa: IRPF. DEDUÇÃO. DESPESA MÉDICA. Nos termos do art. 8º, § 2º, inc. III da Lei nº 9.250/95, somente podem ser deduzidas as despesas médicas comprovadas por meio de recibo que preencha os requisitos da lei (com indicação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou no CNPJ de quem os recebeu). Quando, porém, os recibos não forem suficientes à comprovação da despesa, cabe ao contribuinte fazer prova por quaisquer outros meios de que os recibos correspondem a serviços efetivamente prestados e pagos, sob pena de prevalecer a glosa das referidas despesas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Assinado Digitalmente Rubens Mauricio Carvalho Presidente Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Relatora EDITADO EM: 24/05/2013 Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros RUBENS MAURICIO CARVALHO (Presidente), ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 01 66 54 /2 00 7- 05 Fl. 207DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 2 NUBIA MATOS MOURA, EWAN TELES AGUIAR, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA. Relatório Em face do contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 74/85 para exigência de IRPF em razão da glosa das despesas médicas e com dependentes pleiteadas por ele em suas Declarações de Ajuste dos exercícios de 2002 a 2006. O lançamento totalizou R$ 52.867,09, já incluídos aí os juros e as multas de ofício (que foram de 75% e 150%). Cientificado do lançamento, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 91/97 por meio da qual alegou as razões assim sintetizadas pela decisão recorrida: Após descrição dos fatos, informa que, dos R$ 22.420,76 de IRPF lançados, parcelou a exigência de R$ 15.789,67 (conforme demonstrativo à fl. 92) e impugna a remanescente, de R$ 6.631,09, dizendo que as despesas médicas correspondentes estão comprovadas. Em relação ao Dr. Elcy P. Arruda, aponta inconsistência nos valores referidos pela autoridade fiscal (R$ 200,00 no exercício 2002 e R$ 2.443,00 no exercício 2003), porquanto tenha, nos exercícios de 2002 e 2003, declarado o pagamento total de R$ 2.819,00, que diz condizer com os recibos anexos e com a declaração de próprio punho do referido profissional. No que tange à falta de comprovação de desembolso dos valores deduzidos em relação aos profissionais Adauto, Márcio e Roseli, defende que as despesas estão devidamente comprovadas por meio de recibos anexos, argüindo que a comprovação do pagamento, segundo o § 2% I1I, do art. 8° da Lei n° 9.250, de 1995, só se faz necessária quando inexiste a documentação com a especificação do nome, endereço e número de inscrição no CPF ou CGC do prestador dos serviços. Cita, a respeito, jurisprudência administrativa e diz anexar declarações dos profissionais envolvidos, de que efetivamente prestaram os serviços e de que receberam os valores questionados, para comprovar sua veracidade. Na análise de tais alegações, os membros da DRJ em Curitiba decidiram pela manutenção integral do lançamento quanto à parcela impugnada, e consideraram como não impugnada a parcela do lançamento com a qual o contribuinte manifestou concordância expressa. O contribuinte teve ciência de tal decisão e contra ela interpôs o Recurso Voluntário de fls. 175/187, por meio do qual reiterou as razões de Impugnação e alegou: a) que o valor impugnado seria diverso daquele apontado na decisão recorrida, afirmando que o processo por meio do qual os débitos objeto do lançamento foi parcelado foi o de nº 10980 001.057/200859, e que o valor total Fl. 208DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10980.016654/200705 Acórdão n.º 2102002.545 S2C1T2 Fl. 202 3 por ele parcelado seria de R$ 15.789,67 e não de R$16.002,53, como apontado na decisão recorrida. b) que seriam idôneos os recibos por ele apresentados, os quais preenchem todos os requisitos da lei para que sejam aceitos. Além disso, a prestação dos serviços a que se referem os recibos foi confirmada pelos respectivos prestadores; e c) que deveria ser suspensa a carta de cobrança objeto do processo nº 14486000195/200852, pois não há diferença de imposto a pagar. Os autos então foram remetidos a este Conselho para julgamento. É o Relatório. Voto Conselheira Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Relatora O contribuinte teve ciência da decisão recorrida em 11.03.2008, como atesta o AR de fls. 172. O Recurso Voluntário foi interposto em 10.04.2008 (dentro do prazo legal para tanto), e preenche os requisitos legais por isso dele conheço. Conforme relatado, tratase de processo originado de Impugnação a lançamento para exigência de IRPF em razão da glosa de despesas médicas declaradas pelo Recorrente em suas DIRPF relativas aos exercícios de 2002 a 2006. Em sede de Impugnação, o Recorrente expressamente concordou com parte do lançamento, e a decisão recorrida manteve a parcela impugnada. No Recurso Voluntário, seu inconformismo se dirige à manutenção da parcela impugnada e também quanto aos cálculos elaborados pela DRJ, que, segundo ele, implicaram na exigência de um diferença que não é devida. Da parcela não impugnada e a diferença nos valores exigidos Conforme relatado, o Recorrente concordou com parte do crédito tributário objeto do lançamento, tanto é que requereu o parcelamento do montante que entendia devido. Em sede de Impugnação, afirmou que a parcela não impugnada corresponderia a R$ 15.789,67 – este foi então o valor por ele parcelado. A decisão recorrida, porém, entendeu que em realidade a parcela não impugnada seria de R$ 16.002,53 (cf. quadro de fls. 162). A justificativa para tal diferença seria a seguinte: Fl. 209DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 4 A divergência de valores se deve ao fato de que o impugnante, equivocadamente, considerou que as despesas glosadas em relação a Elcy P. Amada, no exercício 2003, e Rosani de Fátima Araújo, no exercício 2004, teriam sido de R$ 2.443, e R$ 2.000,00, respectivamente, ao passo que o foram nas parcelas informadas nas declarações correspondentes, de R$ 1.719,00 e R$ 1.950,00, respectivamente, como consta do demonstrativo acima. A autoridade fiscal, na descrição dos fatos (fls. 83/84), relatou que o contribuinte, em relação a tais pessoas, apresentou "recibos" que totalizariam os valores de R$ 2.443,00 (fls. 27/31) e R$ 2.000,00 (fls. 37/38), mas que não foram aceitos, o que implicou, obviamente, a glosa das despesas declaradas, de R$ 1.719,00, à fl. 57, e R$ 1.950,00, à fl. 60. Desse modo, a parcela da exigência que o impugnante não apresenta contestação às glosas de despesas, conforme acima relacionadas, é a referente a R$ 16.002,53 de IRPF, além da multa e dos juros de mora correspondentes, em relação ao qual deve a repartição de cobrança adotar as medidas cabíveis, a teor do § 1° do art. 21 do Decreto n° 70.235, de 1972, observandose, ainda, o parcelamento informado. Em sede de Recurso Voluntário, o Recorrente alega que teria havido um equívoco por parte do relator da decisão recorrida. Antes de mais nada, é imperioso esclarecer que o Recorrente parte de uma premissa equivocada para apurar a matéria nãoimpugnada, pois ele deduz os valores objeto de parcelamento do total lançado. Ademais, a glosa das despesas com o profissional Elcy no ano de 2004 não foi de R$ 2.443,00, e sim de R$ 1.719,00. Analisando os autos, verificase que o Recorrente declarou ter pago ao profissional Elcy Arruda no Exercício de 2002 o valor de R$ 1.100,00 (fls. 55 dos autos) e outros R$ 1.719,00 em 2003 (fls. 57). Destas despesas declaradas a autoridade fiscal procedeu à glosa de R$ 200,00 em relação ao ano de 2002 e da totalidade das despesas para o ano de 2003 – o que significou uma glosa total de R$ 1.919,00 (R$ 200,00 + R$ 1.719,00) em relação ao referido profissional, conforme esclarecimentos de fls. 83). Procedeu assim porque o contribuinte deixou de comprovar a integralidade das despesas declaradas para o ano de 2002 e não comprovara o pagamento das despesas relativas a 2003 (a despeito de ter trazido recibos no total de R$ 2.443,00, que não foram acolhidos). Já em relação à profissional Rosani – exercício 2004, a glosa foi do total do valor declarado (R$ 2.000,00) por falta de comprovação do pagamento. Da decisão recorrida consta um quadro que bem resume os valores impugnados e os não impugnados pelo Recorrente, como se segue: Fl. 210DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10980.016654/200705 Acórdão n.º 2102002.545 S2C1T2 Fl. 203 5 Esta tabela leva em consideração exatamente os valores objeto do lançamento (glosas), enquanto que o Recorrente afirma que a despesa glosada em relação ao profissional Elcy teria sido de R$ 2.443,00 – o que teria implicado no equívoco dos cálculos em questão. Eis o trecho do seu recurso que resume sua pretensão: Houve um equívoco da parte do Relator , uma vez que, não o Impugnante, mas sim o Impugnado, ou seja, a autoridade coatora , foi quem indicou estes valores de R$ 2.443,010 e R$ 2.000,00 no AI de fis, tendo o ora Recorrente afirmado em sua impugnação que os valores corretos seriam de R$ 1719,00 e R$ 1950,00, respectivamente e não R$2.443,00eR$2000,010. No entanto, como demonstrado acima, o Recorrente equivocouse, pois não houve glosa de R$ 2.443,00, estando corretos os cálculos tomados pela decisão recorrida. Diante disso, a decisão recorrida merece ser mantida, pois os cálculos utilizados pelo Recorrente para fins de parcelamento não consideraram de forma correta os valores lançados, o que realmente implicou no parcelamento de um valor inferior ao devido, daí a exigência da diferença em questão. Da parcela Impugnada Fl. 211DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 6 As despesas objeto de glosa e que são objeto de discussão neste Recurso Voluntário são as seguintes: Diz a autoridade fiscalizadora que o contribuinte deixou de comprovar o efetivo desembolso das despesas médicas havidas junto ao Dr. Elcy, no valor de R$ 200,00 e R$ 2.443,00, nos exercícios de 2002 e 2003, respectivamente, totalizando R$ 2.643,00. Neste momento, vale requerer seja o auto de infração revisado, no que tange às despesas médicas havida com o Dr. Elcy Arruda. Se examinarmos a DIRPF dos exercícios 2002 e 2003, temos que declarado o pagamento total de R$ 2.819,00 (dois mil oitocentos e dezenove reais) a referido profissional, o que confere com o montante relacionado nos recibos anexos e com a declaração anexa, de próprio punho. (...) Ainda, no auto de infração foi entendido que o impugnante não comprovou o efetivo pagamento dos profissionais Adauto, Márcio e Roseli, tendo as deduções sido glosadas por falta de comprovação de efetivo desembolso. (...) Além dos recibos preenchendo os requisitos legais, seguem anexas declarações dos prestadores de serviços de que efetivamente prestaram serviços ao impugnante, bem como o recebimento dos valores questionados, não restando, portanto, dúvidas quanto a veracidade dos mesmos. No mesmo sentido, confirase a posição acerca de fichas médicas, como documento hábil: (...) Tais despesas seriam – segundo o Recorrente – comprovadas através de recibos que preencheriam os requisitos da lei, bem como de declarações firmadas pelos prestadores de serviços. Para facilitar a compreensão da pretensão do Recorrente, eis um resumo das despesas cuja comprovação pretende, bem como dos documentos anexados aos autos para tanto: Ano Profissional Especialidade Valor Documento comprobatório Fls dos autos 2002 Elcy Arruda Dentista 200,00 Não consta 2003 Elcy Arruda Dentista 1.719,00 Recibos totalizando R$ 2.443,00 27 a 31 2004 Marcio Luiz Grossi Fisioterapeuta 3.150,00 Não localizado* 2005 Marcio Luiz Grossi Fisioterapeuta 5.800,00 Recibo de 5.500,00 42 Fl. 212DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10980.016654/200705 Acórdão n.º 2102002.545 S2C1T2 Fl. 204 7 2004 Rosani Araujo Fisioterapeuta 1.950,00 Recibos no valor de R$ 2.000,00 36/38 2005 Rosani Araujo Fisioterapeuta 2.540,00 Recibos 41 2006 Marcio Luiz Grossi Fisioterapeuta 6.480,00 Recibo 49 2006 Adauto Gonçalves Dentista 1.500,00 Recibo 49 * Apesar de constar dos esclarecimentos constantes do Auto de Infração que o mesmo fora apresentado. A decisão recorrida deixou de acolher tais documentos como comprobatórios das referidas despesas, pelos seguintes motivos: Como se constata, tratamse de valores elevados e que, caso realmente pagos, seriam facilmente comprovados por meio da movimentação financeira correspondente. Além disso, pelos valores indicados seriam, se verdadeiros, tratamentos de complexidade razoável, passíveis de comprovação de efetivo serviço por meio de exames e de fichas médicas/dentárias. O impugnante, de sua parte, em momento algum aventa ter efetivamente pago os valores que pretendeu deduzir a título de despesas médicas, nem traz elementos outros, limitandose à alegação de que os recibos e as declarações assinadas pelas pessoas envolvidas seriam suficientes para comprovar a veracidade das despesas. (...) De fato, a legislação fiscal prevê que para que o contribuinte possa se beneficiar da dedução de suas despesas médicas do Imposto de Renda, deverá ele ter em mãos, além dos recibos competentes (que devem preencher os requisitos da lei), quaisquer outros documentos que demonstrem, ainda que minimamente, a efetividade dos serviços prestados, bem como o seu pagamento. É o que determina o art. 8º da Lei nº 9.250/95: Art. 8º A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: (...) II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (...) Fl. 213DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO 8 § 2º O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; (...) No caso em exame, o Recorrente apresentou os recibos emitidos pelos profissionais em comento, que atestariam a prestação dos serviços em questão, mas que deixaram de ser acolhidos pelos motivos ali expostos (e acima transcritos). A decisão merece ser mantida. Contribuem para a formação deste entendimento os seguintes fatores, que devem aqui ser levados em consideração pelo seu conjunto: entre os recibos originalmente apresentados pelo Recorrente estavam recibos emitidos por sua própria filha, assim como recibos emitidos por profissionais cuja inidoneidade já havia sido reconhecida; alguns recibos (como os emitidos pela profissional Rosani) não preenchem todos os requisitos da lei; o Recorrente concordou com a maior parte da glosa das despesas médicas em questão, tanto é que requereu parcelamento do imposto assim devido; não foi feita a prova do pagamento dos valores a que se referem os recibos; o valor das despesas glosadas é consideravelmente alto, sendo que a quase totalidade das mesmas foi incorrida com somente duas especialidades: dentistas e fisioterapeutas; e o Recorrente em nenhum momento descreveu quais foram os serviços prestados por tais profissionais e tampouco trouxe documentos, exames ou laudos que as justificassem. Ressaltese mais uma vez que a decisão recorrida esclareceu perfeitamente os motivos pelos quais as glosas deveriam ser mantidas, razão pela qual caberia ao Recorrente ter contraditado tais argumentos e trazido novos documentos no intuito de demonstrar o seu bom direito. Não o tendo feito, devem ser mantidas as glosas em questão. Fl. 214DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO Processo nº 10980.016654/200705 Acórdão n.º 2102002.545 S2C1T2 Fl. 205 9 Por todo o exposto, VOTO no sentido de NEGAR provimento ao Recurso. Assinado Digitalmente Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti Fl. 215DF CARF MF Impresso em 07/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalment e em 24/05/2013 por ROBERTA DE AZEREDO FERREIRA PAGETTI, Assinado digitalmente em 20/11/2013 por RUB ENS MAURICIO CARVALHO
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Numero do processo: 10930.000387/2007-31
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007
DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO.
A teor do Decreto-Lei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ.
DEPÓSITO EM JUÍZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
O depósito em juízo do tributo não aperfeiçoa o lançamento por homologação, pois não se confunde e nem configura o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN.
COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS.
À luz do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78, o ICMS deve ser incluído na base de cálculo da COFINS, por integrar a receita bruta do contribuinte.
INCONSTITUCIONALIDADE.
É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade.
MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA.
Estando a penalidade e os encargos da mora expressamente previstos em lei, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato para sua inflição.
JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso.
Recurso provido em parte.
Numero da decisão: 3403-003.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que: 1) antes da incidência da multa de ofício, o excesso de valor apurado nos meses em que houve depósito em juízo a maior seja imputado aos meses em que o depósito foi considerado insuficiente pela fiscalização; e 2) seja excluída a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação do presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Sustentou pela recorrente a Dra. Flávia Helena Gomes. OAB/PR nº 54.188.
Antonio Carlos Atulim Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti.
Nome do relator: ANTONIO CARLOS ATULIM
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/1999 a 01/01/2007 DIPJ. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A teor do Decreto-Lei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. DEPÓSITO EM JUÍZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O depósito em juízo do tributo não aperfeiçoa o lançamento por homologação, pois não se confunde e nem configura o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do Decreto-Lei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78, o ICMS deve ser incluído na base de cálculo da COFINS, por integrar a receita bruta do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Estando a penalidade e os encargos da mora expressamente previstos em lei, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato para sua inflição. JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso provido em parte.
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DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. NECESSIDADE DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. A teor do DecretoLei nº 2.124/84 e das IN SRF 126/98 e 127/98, é legítimo o lançamento de ofício para a constituição de crédito tributário não declarado em DCTF, ainda que tenha sido informado na DIPJ. DEPÓSITO EM JUÍZO. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. O depósito em juízo do tributo não aperfeiçoa o lançamento por homologação, pois não se confunde e nem configura o pagamento antecipado a que alude o art. 150, § 1º do CTN. COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DO ICMS. À luz do art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e do art. 4º da IN SRF nº 51/78, o ICMS deve ser incluído na base de cálculo da COFINS, por integrar a receita bruta do contribuinte. INCONSTITUCIONALIDADE. É vedado ao CARF negar vigência a acordo internacional, lei ou decreto em razão de arguição de inconstitucionalidade. MULTA DE OFÍCIO E JUROS DE MORA. Estando a penalidade e os encargos da mora expressamente previstos em lei, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato para sua inflição. JUROS DE MORA. IMPOSSIBILIDADE DE INCIDÊNCIA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 00 03 87 /2 00 7- 31 Fl. 769DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Não incidem juros de mora sobre a multa de ofício, por carência de fundamento legal expresso. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que: 1) antes da incidência da multa de ofício, o excesso de valor apurado nos meses em que houve depósito em juízo a maior seja imputado aos meses em que o depósito foi considerado insuficiente pela fiscalização; e 2) seja excluída a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação do presente julgado. Vencido o Conselheiro Alexandre Kern, quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Sustentou pela recorrente a Dra. Flávia Helena Gomes. OAB/PR nº 54.188. Antonio Carlos Atulim – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Luiz Rogério Sawaya Batista e Ivan Allegretti. Relatório Tratase de auto de infração com ciência do contribuinte por via postal em 27/03/2007, lavrado para exigir a COFINS, multa de ofício e juros de mora em relação aos fatos geradores ocorridos no período compreendido entre outubro de 1999 e janeiro de 2007. Segundo o Termo de Verificação de fls. 633 a 638, o contribuinte impetrou o mandado de segurança nº 99.20146030 para contestar a ampliação da base de cálculo da contribuição e a elevação da alíquota para 3% pela Lei nº 9.718/98. A liminar foi deferida, mas ao final do processo ocorreu sucumbência parcial do contribuinte, pois o STF reconheceu a inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98, mas reconheceu a constitucionalidade da elevação da alíquota para 3%. Com base no que restou decidido na decisão judicial, foram apuradas as bases de cálculo da contribuição e os valores efetivamente devidos mês a mês, conforme demonstrativo de fls. 629 a 632. Em seguida, a fiscalização cotejou os valores efetivamente devidos, com os declarados em DCTF e os que foram depositados em juízo, conforme demonstrativo de fls. 634 a 637, constatandose diferenças não declaradas em quase todos os períodos de apuração abarcados pelo lançamento e depósitos judiciais insuficientes, notadamente a partir do período de apuração de outubro de 2001. Foram objeto do lançamento de ofício apenas as diferenças não declaradas em DCTF. A multa de ofício incidiu apenas sobre os valores não depositados em juízo nos meses em que o depósito judicial foi insuficiente. Em sede de impugnação, o contribuinte alegou, em síntese, o seguinte: a) decadência do direito do fisco à luz do art. 150, § 4º do CTN, em relação aos fatos geradores ocorridos até 27/04/2002; b) nulidade do auto de infração, pois o fisco incluiu o ICMS na base de cálculo da contribuição em contrariedade ao que restou decidido pelo STF no RE 240.785 2/MG; c) ilegalidade e inconstitucionalidade dos juros de mora com base na taxa SELIC; d) Fl. 770DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10930.000387/200731 Acórdão n.º 3403003.003 S3C4T3 Fl. 5 3 caráter confiscatório da multa de ofício no patamar de 75%, em flagrante desrespeito à Constituição Federal. Por meio do Acórdão 25.134, de 20 de janeiro de 2010, a 3ª Turma da DRJ Curitiba julgou a impugnação procedente em parte. Foi rejeitada a alegação de nulidade do lançamento. Foi acolhida a alegação de decadência em relação aos períodos de apuração de outubro de 1999 a março de 2002, pois diante da constatação de pagamentos parciais, foram aplicados a Súmula Vinculante nº 8 do STF e o art. 150, § 4º do CTN. Foi decidido que os órgãos administrativos de julgamento não podem apreciar alegações de invalidade de dispositivos da legislação e nem a ofensa a princípios constitucionais. Sendo assim, resta prejudicada a análise das alegações quanto à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e a exigência da multa de ofício no patamar de 75%. Em relação ao RE 240.7852/MG, a DRJ não aplicou a interpretação do STF, sob o argumento de que a decisão foi proferida em controle difuso e não atende aos requisitos do Decreto nº 2.346/97. Foi decidido que não há amparo legal para a exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS, pois tal exclusão não se encontra prevista na Lei nº 9.718/98 e nem na Lei nº 10.833/2003. Foi mantida a exigência dos juros de mora com base na taxa SELIC com base no art. 161, § 1º do CTN e na Súmula CARF nº 4. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 26/02/2010 (fl. 709), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 26/03/2010 (fl. 721), alegando, em síntese, o seguinte: a) nulidade do procedimento e do lançamento, em razão de ausência de notificação do MPF e de ausência de motivação do ato administrativo, pois no entender da recorrente só teria havido motivação em relação à parte das parcelas não cobertas pelos depósitos judiciais; c) em vários períodos de apuração houve depósito em juízo em montante superior ao devido. Os saldos de depósitos a maior não foram considerados no cálculo do tributo supostamente devido. Pleiteia aplicação do art. 7º, § 1º do DecretoLei nº 2.287/86; d) o auto de infração é nulo porque é pacífica a jurisprudência do STJ no sentido de que o depósito em juízo, no caso de tributos sujeitos ao lançamento por homologação, corresponde a efetivo lançamento por homologação. Além disso, no caso o contribuinte confessou ao fisco o que devia a título de COFINS por meio das DIPJ, constituindo parte desses tributos por meio DCTF e o restante por meio de depósito em juízo; e) ocorreu a extinção do crédito tributário pela conversão integral dos depósitos em renda da União; f) é indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, a teor do que restou decidido no RE 240.7852; g) é indevida a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício. Por meio da Resolução 3403000.357 o julgamento do recurso voluntário foi sobrestado, em virtude da questão da inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS estar pendente de julgamento no RE 574.706, em relação ao qual o STF reconheceu a repercussão geral (Tema 69). Com a revogação do art. 62A, § 1º, do Regimento Interno pela Portaria MF nº 545/2013, o processo foi devolvido a este relator para inclusão em pauta de julgamento. É o relatório. Voto Fl. 771DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 Conselheiro Antonio Carlos Atulim, relator. O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Com o advento da Portaria MF nº 545, de 18/11/2013 (DOU de 20/11/2013), foram revogados os §§ 1º e 2º do art. 62A do Regimento Interno do CARF, o que significa que desapareceu a hipótese regimental de sobrestamento do julgamento do recurso administrativo em que se controverta a mesma questão em relação à qual o STF tenha decretado repercussão geral. Sendo assim, passo à análise do recurso. A defesa alegou que o contribuinte não foi notificado do MPF e que tal fato eiva de nulidade o procedimento e o auto de infração. A alegação é improcedente, pois no Aviso de Recebimento de fl. 7 se pode verificar que no dia 24/01/2007 o contribuinte foi notificado por via postal não só do Termo de Início de Fiscalização de fls. 05/06, mas também do MPF de fl. 02. A defesa alegou também que a fiscalização não motivou adequadamente o lançamento, pois fez menção a apenas uma parte do crédito tributário objeto do lançamento, deixando expressamente de motivar seu ato na parte não relacionada aos depósitos judiciais. A alegação não tem fundamento, pois todo o lançamento está relacionado aos depósitos judiciais. O termo de verificação e o demonstrativo de apuração nele contido deixaram bem claro que o lançamento estava sendo efetuado em relação às diferenças não declaradas. É de clareza vítrea que todos os valores lançados de ofício não foram declarados em DCTF, sendo que a parte coberta pelos depósitos judiciais foi lançada de ofício sem a multa de ofício, enquanto que a parte não coberta pelos depósitos sofreu a incidência da referida multa. O contribuinte alega nulidade do lançamento porque as diferenças constatadas pela fiscalização teriam sido confessadas ao fisco, quer pela declaração em DIPJ, quer pelo fato da mera existência de depósitos em juízo. A alegação não prospera porque a DIPJ não se enquadra no disposto no art. 5º, § 1º do DecretoLei nº 2.184/84, ou seja, não constitui confissão de dívida e não serve de instrumento para implementar a cobrança dos valores nela consignados. E isto é assim porque de um lado a IN 126/98 criou a Declaração de Créditos e Débitos Tributários Federais (DCTF), estabelecendo que os valores nela informados poderiam ser encaminhados diretamente para inscrição em dívida ativa, por constituírem confissão de dívida (art. 5º, § 1º do DecretoLei nº 2.184/84) e, de outro lado, a IN 127/98 extinguiu a DIRPJ e instituiu a DIPJ que passou a ter caráter meramente informativo. Assim, a partir da instituição da DCTF, a constituição e cobrança de débitos declarados ao fisco passou a ser efetuada por meio desta declaração, pois é ela que foi eleita pela administração como sendo aquela mencionada no art. 5º, § 1º, do DecretoLei nº 2.184/84. Corrobora tal interpretação no sentido do caráter meramente informativo da DIPJ, o fato da DIPI também ter sido extinta pela IN 127/98, passando as informações alusivas ao IPI a serem prestadas junto com os demais tributos na DIPJ. Fl. 772DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10930.000387/200731 Acórdão n.º 3403003.003 S3C4T3 Fl. 6 5 Ao contrário do alegado, os depósitos em juízo não configuram lançamento por homologação, pois o depósito em juízo não se confunde com o pagamento antecipado do tributo a que alude o art. 150, § 1º do CTN. Somente se pode falar em lançamento por homologação se houver o pagamento antecipado do tributo, antes de qualquer iniciativa do fisco tendente a exigilo. O acórdão do STJ citado pela defesa em seu recurso não é vinculante para este colegiado porque não foi proferido na sistemática dos recursos repetitivos. Também não prospera a alegação de que a conversão dos depósitos em renda da União extinguiram o crédito tributário ora lançado. Isto porque existe uma parcela do crédito tributário exigido no auto de infração que nunca esteve coberta por depósitos judiciais. A conversão em renda da União extinguiu o crédito tributário apenas em relação à parcela do crédito tributário coberta pelos depósitos, exatamente aquela parcela que foi lançada sem a multa de ofício. Contudo, o exame do demonstrativo de apuração (inserto no corpo de termo de verificação) revela que a fiscalização lançou as diferenças nos meses em que o depósito foi insuficiente, sem imputar nesses meses o eventual saldo de depósitos a maior remanescente de meses anteriores. Com a conversão em renda dos depósitos, a qual foi devidamente comprovada pelo contribuinte por meio do ANEXO II ao recurso voluntário (fls. 745 a 753), tornase necessário imputar o excesso de depósito ocorrido no mês "n" à insuficiência verificada no mês "n+1", a fim de que os valores depositados em excesso em determinado mês sejam aproveitados no abatimento das insuficiências detectadas em meses seguintes. Essa imputação deverá ser feita antes da incidência da multa de ofício, a fim de que a penalidade incida apenas e tãosomente sobre as insuficiências efetivamente verificadas. No que concerne à inclusão do ICMS na base de cálculo, deflui dos autos que a fiscalização, em obediência à decisão judicial, apurou a contribuição apenas com base no faturamento, que inclui o ICMS devido pelo contribuinte. A inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS está calcada em entendimento sedimentado desde tempos imemoriais na seara tributária. Tal entendimento tem respaldo legal no art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77 e na Instrução Normativa nº 51, de 03/11/1978, que a regulamentou. O art. 12 do DecretoLei nº 1.598/77, estabelece o seguinte: "Art 12 A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria e o preço dos serviços prestados. § 1º A receita líquida de vendas e serviços será a receita bruta diminuída das vendas canceladas, dos descontos concedidos incondicionalmente e dos impostos incidentes sobre vendas. (...)" (Fonte da transcrição: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decretolei/del1598.htm) Já o item 4 da IN SRF nº 51/78, estabelece o seguinte: 4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos Fl. 773DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 6 descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. (...) 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente (sic) com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra (sic) a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc. 4.3.1 Incluemse também neste item: a) taxas que guardam proporcionalidade com o preço de venda; b) a parcela de contribuição para o Programa de integração Social calculada sobre o faturamento; c) a quota de contribuição, ou retenção cambial, devida na exportação. (Fonte da transcrição: http://sijut.fazenda.gov.br/netahtml/sijut/Pesquisa.htm) Portanto, à luz do direito posto, a apuração efetuada pela fiscalização não merece nenhum reparo por parte deste colegiado. O contribuinte invoca a seu favor o acórdão do STF proferido no RE 240.7852. Entretanto, esse recurso extraordinário ainda não foi definitivamente julgado, não se enquadrando nas disposições do Decreto nº 2.346/97 para que o entendimento seja estendido administrativamente a outros casos concretos. No que diz respeito às alegações relativas à violação da constituição, os argumentos não podem ser analisados pelos órgãos administrativos de julgamento, pois o art. 26A do Decreto nº 70.235/72 proíbe este colegiado de negar vigência a texto legal com hierarquia superior a Decreto, em razão de arguição de inconstitucionalidade. Acrescentese que a Súmula CARF nº 2 estabelece que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária. No que tange à ilegalidade dos juros de mora com base na taxa Selic, a questão está pacificada no sentido da licitude da exigência, a teor do enunciado nº 4 da Súmula de Jurisprudência do CARF. Nesse passo, estando a multa os juros de mora previstos nos dispositivos legais que deram lastro à autuação, só cabe à autoridade administrativa e aos órgãos administrativos de julgamento verificarem a presença dos pressupostos de fato que rendem ensejo à sua incidência. O contribuinte se insurge contra a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, alegando, em síntese, que ela somente poderia incidir sobre o valor do principal. Essa questão já foi enfrentada por este colegiado em inúmeros julgados, entre os quais o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: Fl. 774DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10930.000387/200731 Acórdão n.º 3403003.003 S3C4T3 Fl. 7 7 "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis”. A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Fl. 775DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM 8 § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso) Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10930.000387/200731 Acórdão n.º 3403003.003 S3C4T3 Fl. 8 9 Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Com esses fundamentos, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso para que: 1) antes da incidência da multa de ofício, o excesso de valor apurado nos meses em que houve depósito em juízo a maior seja imputado aos meses em que o depósito foi considerado insuficiente pela fiscalização; e 2) seja excluída a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício na fase de liquidação do presente julgado. Antonio Carlos Atulim Fl. 777DF CARF MF Impresso em 07/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/06/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 02/06/201 4 por ANTONIO CARLOS ATULIM
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Numero do processo: 13819.910084/2011-80
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Jul 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 13/06/2003
Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO - APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL - POSSIBILIDADE.
Nos termos regimentais, reproduz-se as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3801-003.447
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes.
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 13/06/2003 Ementa:COFINS/PIS. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO APLICAÇÃO DA DECISÃO DO STF NA SISTEMÁTICA DA REPERCUSSÃO GERAL POSSIBILIDADE. Nos termos regimentais, reproduzse as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na sistemática de repercussão geral. A base de cálculo das contribuições para o PIS e o Cofins é o faturamento, assim compreendido a receita bruta da venda das mercadorias, de serviços e mercadorias e serviços, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo. 3º da Lei n.º 9.718/98 pelo Excelso STF. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 9. 91 00 84 /2 01 1- 80 Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 111 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Ines Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flavio de Castro Pontes. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 112 3 Relatório Trata o presente de Recurso Voluntário apresentado em face do indeferimento de pedido de restituição (PER). No aludido PER, transmitido eletronicamente, a contribuinte indicou a existência de um crédito que não foi reconhecido pela autoridade por entender que não restava crédito disponível para restituição considerando que todos os valores já estavam alocados para pagamento em DCTF. Cientificada a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que a “autoridade competente deixou de observar que o crédito de restituição pleiteado referese a pagamento indevido da referida contribuição, efetuado nos termos do já declarado inconstitucional § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998”. Cita e transcreve jurisprudência administrativa e judicial, requerendo, a final, o provimento integral do presente recurso. A DRJ julgou a Manifestação de Inconformidade apresentada com base na seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2002 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. BASE DE CÁLCULO. JULGAMENTO PELO STF. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada a Recorrente apresenta o presente recurso apontando os mesmos argumentos ante apontados e juntando balancete e demonstrativos referente ao crédito. É o que importa relatar. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 113 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Conforme apontado tratamse de pedidos de restituição de valores pagos a maior em decorrência da indevida ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718/1998, declarada inconstitucional pelo Pleno do Egrégio Supremo Tribunal Federal (STF), no julgamento dos Recursos Extraordinários n.ºs 357.950/RS, 358.273/RS, 390840/MG, Relator Ministro Marco Aurélio, conforme ementa abaixo colacionada: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Destacase, nesse aspecto, que a matéria foi reconhecida como de “Repercussão Geral” e julgada pelo Supremo Tribunal Federal, conforme decisão proferida no RE 585.235, abaixo colacionado: Decisão: O Tribunal, por unanimidade, resolveu questão de ordem no sentido de reconhecer a repercussão geral da questão constitucional, reafirmar a jurisprudência do Tribunal acerca da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98 e negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, tudo nos termos do voto do Relator. Vencido, parcialmente, o Senhor Ministro Marco Aurélio, que entendia ser necessária a inclusão do processo em pauta. Em seguida, o Tribunal, por maioria, Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 114 5 aprovou proposta do Relator para edição de súmula vinculante sobre o tema, e cujo teor será deliberado nas próximas sessões, vencido o Senhor Ministro Marco Aurélio, que reconhecia a necessidade de encaminhamento da proposta à Comissão de Jurisprudência. Votou o Presidente, Ministro Gilmar Mendes. Ausentes, justificadamente, o Senhor Ministro Celso de Mello, a Senhora Ministra Ellen Gracie e, neste julgamento, o Senhor Ministro Joaquim Barbosa. Plenário, 10.09.2008. Assim, considerandose o disposto no art. 62A da Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, alterada pela Portaria MF n.º 586, de 21 de dezembro de 20101 (Regimento Interno do CARF), devese afastar a tributação do PIS e da COFINS exigidas com base no disposto no art. 3º, § 1º, da Lei n.º 9.718, de 1998. Evidentemente, tais decisões vinculam a autoridade administrativa. Nada obstante, o órgão judicante a quo esqueceuse do dever da autoridade preparadora em zelar pela instrução na busca da verdade material, a teor do disposto na Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, artigo 292, artigo 36, inteligência do artigo 37, artigo 38 e artigo 393. Negar o direito da contribuinte ao aproveitamento de seu crédito configuraria enriquecimento sem causa do Estado. Especificamente quanto à verdade material, transcrevo oportunas lições de Marcos Vinicius Neder e de Maria Tereza Martinez López: Em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material. O 1 Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (alterações introduzidas pela Port. MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010–DOU de 22.12.2010). 2 Art. 29. As atividades de instrução destinadas a averiguar e comprovar os dados necessários à tomada de decisão realizamse de ofício ou mediante impulsão do órgão responsável pelo processo, sem prejuízo do direito dos interessados de propor atuações probatórias. § 1º. O órgão competente para a instrução fará constar dos autos os dados necessários à decisão do processo. § 2º. Os atos de instrução que exijam a atuação dos interessados devem realizarse do modo menos oneroso para estes. 3 Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. Art. 37. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria Administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias. Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1º. Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2º. Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Art. 39. Quando for necessária a prestação de informações ou a apresentação de provas pelos interessados ou terceiros, serão expedidas intimações para esse fim, mencionandose data, prazo, forma e condições de atendimento. Parágrafo único. Não sendo atendida a intimação, poderá o órgão competente, se entender relevante a matéria, suprir de ofício a omissão, não se eximindo de proferir a decisão. Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 115 6 processo fiscal tem por finalidade garantir a legalidade da apuração da ocorrência do fato gerador e a constituição do crédito tributário, devendo o julgador pesquisar, exaustivamente se, de fato, ocorreu a hipótese abstratamente prevista na norma e, em caso de impugnação do contribuinte, verificar aquilo que é realmente verdade, independente do alegado e provado, Odete Medauar preceitua que "o princípio da verdade material ou verdade real, vinculado ao princípio da oficialidade, exprime que a Administração deve tomar decisões com base nos fatos tais como se apresentam na realidade, não se satisfazendo com a versão oferecida pelos sujeitos Para tanto, tem o direito de carrear para o expediente todos os dados, informações, documentos a respeito da matéria tratada, sem estar jungida aos aspectos considerados pelos sujeitos. Segundo Alberto Xavier, a lei concede ao órgão fiscal meios instrutórios amplos para que venha formar sua livre convicção sobre os verdadeiros fatos praticados pelo contribuinte. Nesta perspectiva, é lícito ao órgão fiscal agir sponte sua com vistas a corrigir os fatos inveridicamente postos ou suprir lacunas na matéria de fato, podendo ser obtidas novas provas por meio de diligências e perícias. 4 Em que pese o direito da interessada, do exame dos elementos comprobatórios, constatase que, no caso vertente, os documentos apresentados devem ser devidamente examinados para se apurar se os referidos créditos estão corretos. É importante consignar que compete a autoridade administrativa, com base na escrita fiscal e contábil, efetuar os cálculos e apurar o valor do direito creditório. Ante ao exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pela interessada para reconhecer o direito à restituição dos pagamentos a maior da contribuição, com fundamento na declaração de inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. É como voto. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator 4 NEDER, Marcos Vinicius; LOPEZ, Maria Tereza Martinez. Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado 2ª ed. São Paulo: Dialética, 2004, p. 74. Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 13819.910084/201180 Acórdão n.º 3801003.447 S3TE01 Fl. 116 7 Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/07/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 15/07/2014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 18/07/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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