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Numero do processo: 10783.904839/2009-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Mar 27 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3202-000.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
Irene Souza da Trindade Torres - Presidente
Gilberto de Castro Moreira Junior - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda.
Nome do relator: GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR
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Resovem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Irene Souza da Trindade Torres Presidente Gilberto de Castro Moreira Junior Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luis Eduardo Garrossino Barbieri, Gilberto de Castro Moreira Junior, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Rodrigo Cardozo Miranda. Relatório Cuidase de recurso voluntário (fls. 94/96) interposto por GRANITA GRANITOS ITABIRA LTDA. contra decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora MG (DRJ/JFA) (fls. 85/90) que, por unanimidade de votos, considerou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a não homologação da compensação declarada no PER/DCOMP n° 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.016743, 22204.40862.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740. RE SO LU Çà O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 83 .9 04 83 9/ 20 09 -5 9 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 141 2 Para melhor elucidação dos fatos ora analisados, transcrevo o relatório do acórdão proferido pela DRJ/JFA, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade constante do presente processo, in verbis: Trata o presente processo de Declarações de Compensação Eletrônica, PER/DCOMP’s 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.01 6743, 2220440862.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740, onde o estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento em epígrafe solicita a compensação de débitos próprios com o saldo credor de IPI do estabelecimento matriz relativo ao 4° trimestre do anocalendário de 2004, no montante de R$20.840,16, apurado segundo o art. 11 da Lei 9.799, de 19/01/1999. A análise da petição do interessado se deu por via eletrônica, de que resultou o Despacho Decisório de fl. 09, com o deferimento do saldo indicado homologação parcial das compensações, fundamentandose o ato nos seguintes termos: Valor do crédito solicitado/utilizado: R$20.840,16 Valor do crédito reconhecido: R$0,00 O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subsequentes ao semestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada nos seguintes PER/DCOMP 31702.36470.010805.1.3.017868, 39091.63860.150905.1.3.01 6743, 22204.4082.150805.1.3.012901 e 18459.74933.141005.1.3.018740. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos individualmente compensados, para pagamento até 30/04/2009. PRINCIPAL MULTA JUROS 20.840,19 4.167,99 9.557,50 Inconformado, o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 01/03, onde vem argumentando que houve erro do sistema na apuração do saldo credor apurado ao final do 1° trimestre de 2005 (que será o saldo credor de período anterior do mês de abril de 2005). Segundo alega, o saldo credor do livro de registro e apuração de IPI era de R$ 62.920,11, sendo que o sistema apurou um saldo de R$ 11.358,32. No seu entendimento essa diferença, transportada para os períodos de apuração subsequentes, teria feito com que o saldo credor apurado em junho de 2005 fosse reduzido para R$ 0,00, quando o correto deveria ser R$ 51.561,79. A utilização deste saldo, que entende ser o correto, provocaria a superação do motivo do indeferimento. Alega ainda, que tal erro teria sido ocasionado pelo preenchimento errado do formulário PER/DCOMP 39595.13730.311005.1.3.019009, que continha a informação que foi corrigida no formulário retificador 07551.88741.270509.1.7.010775. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 142 3 Ao final vem solicitar o reconhecimento do crédito com a consequente homologação da compensação e a suspensão da cobrança até o julgamento definitivo dos recursos administrativos. Este é o relatório. A decisão proferida pela DRJ/JFA foi assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração 01/01/2005 a 31/03/2005 RESSARCIMENTO. APURAÇÃO DO SALDO CREDOR. CRÉDITO JÁ RESSARCIDO. EXCLUSÃO. O saldo credor já ressarcido deve ser excluído da apuração do saldo credor dos períodos posteriores sob pena de se apurar erroneamente o valor a ser ressarcido. RESSARCIMENTO. SALDO CREDOR QUE PERMANECE NA ESCRITA. UTILIZAÇÃO NA AMORTIZAÇÃO DE DÉBITOS. O saldo credor que permanece na escrita deve ser utilizado, prioritariamente, na amortização dos saldos devedores eventualmente apurados no decorrer do tempo em que esse saldo permaneceu na escrita sem que fosse solicitado o seu ressarcimento. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Inconformada com a decisão da DRJ/JFA, a Recorrente apresentou recurso voluntário, objetivando reformar integralmente a decisão em tela. Cumpre esclarecer que a Recorrente entendeu por bem se reportar integralmente às razões apresentadas anteriormente na manifestação de inconformidade, destacando os seguintes argumentos: O saldo inicial correto para o mês de janeiro de 2005 é de R$ 189.345,26, e não o valor de R$ 11.358,32 conforme informado no despacho decisório; Os débitos informados na DCOMP sob análise estão prescritos, visto que a simples declaração de compensação não tem o condão de suspender o prazo prescricional. Dessa forma, os débitos estão prescritos desde 31.10.2010, o que impediria a cobrança destes, no caso de restar algum débito pendente. É o relatório. Voto Conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior, Relator Presentes os requisitos de admissibilidade e tendo sido apresentado tempestivamente o recurso voluntário, dele tomo conhecimento. Fl. 142DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 143 4 Conforme já mencionado, a ora Recorrente objetiva a reforma da decisão proferida pelo órgão julgador de 1ª instância que julgou improcedente a manifestação de inconformidade com base em argumentos que passo a descrever brevemente. De acordo com a DRJ/JFA o erro de preenchimento alegado pela Recorrente não tem relação com a divergência de saldos para o final de mês de junho/2005, qual seja, R$ 51.561,79 no PER/DCOMP e R$ 0,00 na apuração pelo Sistema de Controle de Créditos (SCC). Dessa forma, mesmo após o formulário retificador, as referidas informações (valores dos créditos e débitos do período anterior) permaneceram idênticas, não podendo, assim, causar divergências entre as informações. Esclarece ainda que o SCC já faz a exclusão dos valores deferidos em ressarcimento no final do trimestre a que se refere o saldo credor, não importando o momento em que o ressarcimento foi solicitado, o que evita o aproveitamento dos créditos em duplicidade. Com base nesses argumentos a DRJ/JFA entendeu que o saldo credor de período anterior da 1ª quinzena de janeiro/2004, que foi calculado pelo SCC, está correto pois expurgou da apuração os valores que foram considerados deferidos para o 1°, 2° e 3° trimestres do ano de 2003, resultando, após a adição dos créditos e subtração dos débitos dos períodos de apuração envolvidos, no saldo R$ 0,00 para o mês de junho/2005. Menciona ainda que o indeferimento do valor solicitado em ressarcimento ocorreu devido à existência de elevados lançamentos a débito no período de apuração de março e junho de 2005. Em breves linhas, essas são as razões que levaram a instância de piso a julgar improcedente a manifestação de inconformidade. Da análise dos autos, é possível verificar que a decisão proferida pela DRJ/JFA não demonstra de forma clara a composição dos saldos iniciais das compensações e consequente formação do saldo credor/devedor. Nas fls. 7 há um detalhamento dos créditos para o período do 1° e 2° Trimestres de 2005 através do quadro denominado Demonstrativo de Créditos e Débitos (Ressarcimento de IPI). No entanto, não há uma explicação de qual a origem dos valores, como exemplo, cito o valor apontado para o período de janeiro de 2005, qual seja, R$ 20.226,77, o qual não tem sua origem demonstrada. A decisão da DRJ/JFA explica a sistemática adotada pelo SCC para calcular os valores passíveis de compensações através das DCOMPs, porém, não demonstra a origem, bem como a formação dos valores utilizados no caso concreto. A ausência de detalhes na decisão proferida pelo órgão de 1ª instância acaba por prejudicar a defesa da ora Recorrente que não possui condições para exercer plenamente seu direito de defesa, pois, da maneira como a decisão foi elaborada, a Recorrente não tem condições de identificar a origem dos valores mencionados, e consequentemente, não consegue contestálos de maneira apropriada. A decisão proferida pela DRJ/JFA é um ato administrativo, assim, com requisito intrínseco, sendo assim deve estar bem fundamentada, permitindo à parte contrária conhecer todas as razões que levaram à conclusão nela vazada, permitindo a plenitude da defesa. Embora trate do auto de infração, o artigo 10 do Decreto 70.235/72 lista, dentre os requisitos essenciais do lançamento: Fl. 143DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 144 5 Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...) III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; (...)”É inequívoco que o dispositivo legal em apreço, ao impor como requisito do lançamento a descrição do fato e a indicação da disposição legal infringida, o fez com o objetivo de garantir ao contribuinte plenitude de sua defesa, enfrentando os pontos que entende controversos. Dessa forma, é necessário que a DRJ explicite em sua decisão os fatos que motivaram o indeferimento do crédito. Entendo que é de suma importância para o deslinde do caso que o órgão de 1ª instância apresente os cálculos, planilhas, e eventuais telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, principalmente aquelas extraídas do SCC, que auxiliaram na composição dos valores. Ou seja, é imperioso a demonstração de qual o saldo credor inicial utilizado pela DRJ/JFA para calcular a suficiência ou não de créditos para a consequente homologação da DCOMP, bem como qual a origem deste saldo. De acordo com o artigo 18 do Decreto n. 70.235/72, deverá ser realizada diligência quando esta for considerada necessária, in verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in ine. (grifamos) A diligência mostrase necessária quando o fato a ser provado necessite de conhecimento técnico especializado, fora do alcance do julgador. Tendo em vista que a diligência referente ao sistema usado pela Receita Federal traria aos autos relevante elucidação para o deslinde da controvérsia, que, de outro modo, não poderia ser resolvida, senão com lastro em singelas alegações das partes, que pouco contribuem para o desfecho da questão; diligência no sentido de carrear aos autos cálculos, planilhas, e eventuais telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, mostrase necessária, senão indispensável ao deslinde da controvérsia. Não obstante a cristalina necessidade da diligência, verifico que a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário seu livro de apuração do IPI (fls. 113137). Da análise da documentação acostada aos autos, DCOMPs e Livro de IPI, é possível verificar que no período janeiro a março de 2005 existe divergência entre o valor escriturado no livro, e o valor declarado na DCOMP nº 31702.36470.010805.1.3.017868. No Livro de IPI a ora Recorrente não menciona débitos para o período em análise, no entanto, a DCOMP mencionada anteriormente apresenta débitos para o mesmo período. O processo administrativo é norteado por diversos princípios, entre eles, destaco o princípio da busca pela verdade real (verdade material) e o da economia processual. Com base nestes princípios e à vista da remessa em diligência à instância de piso, entendo oportuna a manifestação da DRJ/JFA sobre a inconsistência supracitada, visto que o objetivo do processo administrativo é, dentre outros, a maximização do resultado da atuação do direito com a minimização das atividades processuais. Fl. 144DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 10783.904839/200959 Resolução nº 3202000.084 S3C2T2 Fl. 145 6 Ora, não há motivos para o silêncio do órgão de 1ª instância sobre o assunto em questão, visto que futuramente este poderá ser questionado sobre o assunto, gerando um prolongamento desnecessário do feito. De acordo com MARCOS VINÍCIUS NEDER e MARIA TEREZA MARTÍNEZ LÓPES, “O princípio da eficiência comunga os propósitos da razoabilidade (ou proporcionalidade) na medida em que este contribui para a escolha da solução mais adequada ao interesse público, de modo a satisfazer plenamente a demanda social (...) “é possível inferir que a ligação entre o princípio da eficiência e o princípio da economia processual, eis que este último “preconiza o máximo resultado na atuação do direito com o mínimo emprego possível de atividades processuais” (Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 1ª edição, pág. 61) Dessa forma, entendo que cabível a manifestação da DRJ/JFA sobre a manutenção de sua decisão, frente ao fato de o livro de apuração do IPI da Recorrente não indicar débito para o período em questão. Diante de todos os apontamentos, converto o presente julgamento em diligência para que seja apurada a composição dos valores utilizados pela DRJ/JFA para determinar a suficiência ou não de créditos, com a consequente homologação ou não da DCOMP. Para tanto, a DRF competente deverá informar com precisão a origem e a formação dos saldos credores, com a apresentação de planilhas, cálculos, e as telas extraídas dos sistemas da Receita Federal, em especial, o sistema SCC. Após a realização da(s) diligência(s), é mister que seja dado o prazo de trinta dias para que a Recorrente e a fiscalização se manifestem acerca do tema. É como voto. Gilberto de Castro Moreira Junior Fl. 145DF CARF MF Impresso em 27/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 19/03/2013 por GILBERTO DE CASTRO MOREIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 26/03/2013 por IRENE S OUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10283.900182/2009-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2005
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME.
O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA.
Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
Numero da decisão: 1803-001.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Selene Ferreira de Moraes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Trata-se de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes - Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit nº 19, de 2011). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2005 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. ESTIMATIVA MENSAL. SALDO NEGATIVO. REEXAME. O pagamento de estimativa mensal, indicado como direito creditório no correspondente Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), compõe o saldo negativo apurável, devendo, a esse título, ser apreciado pelo órgão jurisdicionante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. PLEITO DE CONSIDERAÇÃO DE BENEFÍCIOS FISCAIS. MATÉRIA ESTRANHA. Tratase de matéria estranha aos autos em que se discute Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp), não se comportando em seus estreitos limites, pleito de consideração de eventuais benefícios fiscais a que faça ou venha a fazer jus o sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 01 82 /2 00 9- 91 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo de IRPJ, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Selene Ferreira de Moraes Presidente. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Selene Ferreira de Moraes (presidente), Walter Adolfo Maresch, Sergio Rodrigues Mendes, Meigan Sack Rodrigues, Cristiane Silva Costa e Victor Humberto da Silva Maizman. Relatório SHOWA DO BRASIL LTDA, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BELÉM (PA), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratase de declaração de compensação transmitida em 25/05/2005 pela contribuinte acima identificada, na qual indicou crédito de R$ 41.840,86 resultante de pagamento indevido ou a maior originário de DARF relativo à receita de código 2362, do período dc apuração de 30/06/2004, no valor originário de R$ 481.859.31. A Delegacia de origem, em análise datada de 18/02/2009 (fl. 06), asseverou que "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Assim, não homologou a compensação declarada. Cientificada em 05/03/2009, a interessada apresentou, em 03/04/2009, manifestação de inconformidade na qual alega (íls. 10/16): a) O equívoco decorre do fato de que a Manifestante apurou erroneamente o valor do tributo a pagar, o que será corrigido através desta manifestação com a disponibilidade dos documentos comprobatórios do crédito. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.900182/200991 Acórdão n.º 1803001.600 S1TE03 Fl. 111 3 b) Após têlo apurado e efetuado o pagamento, foi detectado pelo setor de contabilidade do contribuinte o pagamento a maior, bem como saldo credor decorrente de saldo negativo da C S L L , que resultara no pedido de compensação, na forma prevista na legislação que trata do assunto. c) Inadvertidamente não houve a retificação da DCTF na qual deveria constar o valor do crédito a ser compensado e o efetivo valor do imposto apurado pela Manifestante. (Demonstrativo Anexo). Pelo demonstrativo que segue anexo a manifestação de inconformidade constatase o valor do tributo pago a maior, conforme DARF, sendo o crédito objeto de compensação decorrente de saldo negativo da contribuição social sobre o lucro líquido. d) Além do saldo credor da CSLL, a manifestante possui ainda crédito originário de benefício fiscal amparado no Ato Declaratório n° 58, de 04 de abril de 2005 e no DecretoLei n° 756/69, o primeiro expedido pelo Sr. Delegado da Receita Federal, com efeito retroativo ao ano de 2004. e) Enquanto aguardava a expedição do ato declaratório, a requerente apurou e efetuou o pagamento do imposto, o que gerou crédito passível de compensação após a publicação do documento. f) Para aferição do crédito e até mesmo do débito, é indispensável que a autoridade administrativa autorize a realização de diligência nos livros fiscais e contábeis do contribuinte. Todos os valores objeto do pedido de ressarcimento/restituição e compensação dizem respeito ao exercício de 2005 ano calendário de 2004, abrangendo todo o ano de 2004 e. por esse motivo, fica inviável anexar a esta manifestação todos os livros e documentos que comprovam a apuração do crédito. Diante do exposto, requer: a) seja dado efeito suspensivo à presente Manifestação de Inconformidade na forma do artigo 151, inciso II, do CTN, possibilitando a obtenção da Certidão Conjunta Positiva de Debito com Efeito de Negativa, prevista no artigo 206 do Código Tributário Nacional; c b) a reforma total do despacho decisório a fim de determinar a realização da diligencia para comprovação efetiva do crédito alegado pelo contribuinte; c) o reconhecimento do crédito, amparado nos documentos anexos a esta Manifestação de Inconformidade e naqueles examinados por ocasião da diligência, autorizando a compensação do crédito reconhecido com o débito informado pelo contribuinte; d) pedese finalmente a Vossa Senhoria autorização para juntada de documentos, antes da decisão dessa augusta Câmara. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 A DRJ BELÉM (PA), através do acórdão nº 0120.480, de 25 de janeiro de 2011 (fls. 72/74), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. OBJETO. CRÉDITO. LIMITE. A análise da Declaração de Compensação efetuase em relação à data de sua transmissão, encontrandose vinculada também aos exatos limites do crédito originalmente identificado pelo contribuinte como compensável. Ciente da decisão em 23/02/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 78 eproc), apresentou o recurso voluntário em 24/03/2011 fls. 79/86, onde reitera os argumentos da inicial acrescentando que deve ser revista a decisão de primeira instância que indeferiu o pedido de diligência. É o relatório. Voto Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação (PER/DCOMP), cujo direito creditório se refere a pagamento a maior ou indevido de IRPJ (estimativa) relativo ao ano calendário 2004, conforme DARF recolhido em 30/07/2004. Afirma a recorrente em síntese: a) Que a decisão de primeira instância deve ser revista pois é dever da Administração Tributária realizar a diligência e examinar a procedência de seu pleito; b) Que efetivamente detém direito creditório relativo ao ano calendário 2004, decorrente de saldo negativo de IRPJ, conforme demonstrativos apresentados; c) Que também tem direito à redução do Imposto de Renda, correspondente a 75% de seu IRPJ incidente sobre o lucro da exploração, tendo em vista projeto implantado na área de atuação da extinta SUDAM, conforme reconhecido pelo Ato Declaratório nº 58, de 04/04/2005. Efetivamente, a negativa contida na decisão de primeira instância deve ser revista amparada que está tão somente nas Instruções Normativas 460/2004 e 600/2005, restando prejudicada com a superveniência da Instrução Normativa 900/2008, conforme Fl. 113DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10283.900182/200991 Acórdão n.º 1803001.600 S1TE03 Fl. 112 5 entendimento sintetizado na Solução de Consulta Interna Cosit nº 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. De outro giro, a recorrente afirma categoricamente que o valor indevidamente recolhido compõe o saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2004, devendo sobre este ponto de vista ser apreciado pela Administração Tributária, juntamente com outras PER/DCOMP que indiquem o mesmo direito creditório. Com relação a redução de imposto de renda de 75% decorrente de projeto em área de atuação da extinta SUDAM é matéria estranha à lide não devendo ser apreciada por esta turma julgadora. Ante o exposto, voto no sentido de que o direito creditório pleiteado seja apreciado pela unidade de origem, a título de saldo negativo de IRPJ. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch Relator Fl. 114DF CARF MF Impresso em 12/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 05/03/201 3 por SELENE FERREIRA DE MORAES, Assinado digitalmente em 25/02/2013 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 13896.904172/2008-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL SEM A DEVIDA
COMUNICAÇÃO AO FISCO. VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR
EDITAL.O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por
edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si.
IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação,conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235,de 1972, há de se ratificar a perempção.
Numero da decisão: 1301-000.867
Decisão: Acordam os membros da Turma, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator
Nome do relator: PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS
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ementa_s : MUDANÇA DE DOMICÍLIO FISCAL SEM A DEVIDA COMUNICAÇÃO AO FISCO. VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL.O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE.Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação,conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235,de 1972, há de se ratificar a perempção.
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VALIDADE DE NOTIFICAÇÃO POR EDITAL. O processo administrativo fiscal possibilita que a intimação seja feita, tanto pessoalmente, quanto pela via postal, inexistindo qualquer preferência entre os meios de ciência. Assim, não é inquinada de nulidade a intimação por edital, quando resultarem improfícuos os meios de intimação pessoal e via postal, em virtude de mudança do domicílio fiscal do contribuinte, sem a devida comunicação ao fisco, já que de sua desídia não pode advir vantagem para si. IMPUGNAÇÃO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. Intimado o contribuinte por edital sem divergência de identificação, conforme determina o artigo 23, parágrafo 1o., item II, do Decreto n°. 70.235, de 1972, há de se ratificar a perempção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (assinado digitalmente) Fl. 317DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Relatório Fl. 318DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13896.904172/200824 Acórdão n.º 1301000.867 S1C3T1 Fl. 2 3 Tratase das DCOMP apresentadas pela HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A. (CNPJ n° 03.541.297/000190), e apreciadas no Despacho Decisório n° 783781385 da DRF Barueri/SP, emitido em 26/08/2008 (fls. 06), vinculadas ao saldo negativo de IRPJ de 01/01/2003 a 31/12/2003, no valor originário de R$ 2.451.504,49. No processamento eletrônico da compensação, verificouse a falta de apuração de saldo negativo de IRPJ na DIPJ 2004 (anocalendário 2003), pelo que foram não homologadas as compensações e cobrados os débitos no valor total de R$4.215.324,72. Consta dos autos, a tentativa de intimação da empresa, por via postal, tendo a correspondência sido devolvida em 09/09/2008 (cf docs. de fls. 07/08 e 13), pelo que teria sido providenciada a ciência, mediante o Edital n° 1495/2008 (fls. 09/12), afixado na DRF Barueri/SP, em 02/10/2008. Em 04/06/2009, a TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ n° 02.558.134/000158 (sucessora por incorporação da HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 16/20, na qual aduz em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito: 1. Preliminares: a. protesta pela nulidade da intimação por edital, pela tempestividade da manifestação apresentada e pela suspensão da exigibilidade dos débitos, cuja compensação não fora homologada; b. afirma que o descumprimento da intimação, por via postal, teria decorrido de erro cometido pelo próprio Fisco no endereçamento da intimação, para o endereço da sucedida e incorporada, ao invés de encaminhar para o domicílio da sucessora e incorporadora, fato que teria impossibilitado a ciência do Despacho Decisório; c. a intimação por edital seria nula porque a intimação postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa; d. em decorrência, a manifestação de inconformidade deveria ser recebida sob pena de violação do princípio da ampla defesa; 2. Mérito: a. invoca erro material de preenchimento da DCOMP, pois o saldo negativo de IRPJ, no valor de R$ 1.221.207,06, referírseia ao Exercício 2005 (anocalendário de 2004) e não ao Exercício 2004 (anocalendário de 2003), conforme DIPJ 2005; b. com fundamento no princípio da verdade material e na existência do crédito, diz que o mero erro de preenchimento da DCOMP não poderia obstar o seu direito; c. que o direito à compensação seria decorrente do princípio da moralidade. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a matéria por meio do Acórdão 0530.749 da DRJ/CAMPINAS, em 21/09/2010, (doc. fls.168 e 202), não conhecendo da manifestação de inconformidade por se configurar intempestiva, tendo sido lavrada a seguinte ementa: Fl. 319DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de,apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 Nulidade. Intimação por Edital. Quando resultar improfícuo qualquer dos meios primários de intimação (pessoal, por via postal ou por meio eletrônico), a intimação deve ser feita por edital afixado em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação. Considerase feita a intimação 15 (quinze) dias após a publicação do edital. Quando a lei prescrever determinada forma, sob pena de nulidade, a decretação desta não pode ser requerida pela parte que lhe deu causa. A nulidade da intimação por edital, efetuado em função de a pessoa jurídica não ter sido localizada no endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, não pode ser invocada pela sucessora e incorporadora, quando não adotados os procedimentos cabíveis tendentes à atualização das informações cadastrais perante o CNPJ. É intempestiva e não instaura o contraditório a manifestação de inconformidade apresentada após o prazo de 30 (trinta) dias da data da ciência. É o relatório. Passo ao voto. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 13896.904172/200824 Acórdão n.º 1301000.867 S1C3T1 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso é tempestivo e assente em lei.Dele conheço. Tratase de recurso voluntário contra decisão que não conheceu da manifestação de inconformidade por esta se configurar intempestiva. Em breve síntese, a decisão do Despacho Decisório negando homologação à compensação pleiteada, foi encaminhada ao contribuinte, via correio, não tendo sido recebida no endereço constante do Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, devolvida em 09/09/2008, conforme documentos de fls.07 08/ e 13. Na data da postagem da intimação, em 29/08/2008, a empresa HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A. (CNPJ n° 03.541.297/000190) encontravase no CNPJ na situação cadastral ATIVA e sediada na Alameda Araguaia, 933, 8o andar, Conjunto 88, Alphaville, Barueri/SP (fls. 177), este era o domicílio tributário eleito ou o endereço postal fornecido pela contribuinte, para fins cadastrais, à administração tributária. Em seguida foi providenciado a ciência por Edital afixado na DRF de origem em 02/10/2008 (fls. 09/12). Somente em 04/06/2009, a TELE NORTE PARTICIPAÇÕES S.A., CNPJ n° 02.558.134/000158 (sucessora por incorporação da HICORP COMUNICAÇÕES CORPORATIVAS S.A.) apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 17/22, na qual aduz em sua defesa que a intimação por edital seria nula porque a intimação postal teria sido efetuada em endereço diverso do domicílio tributário eleito pela empresa. Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (I) o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (II) o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo (Decreto 70.235/1972, art. 23, par. 4o.e Lei 11.196/2005, art. 113). Diante disso, no âmbito do processo administrativo tributário entendo como válida a citação por edital. Uma vez transcorrido o prazo regulamentar e não havendo apresentação de impugnação no prazo legal, encerrase o direito do contribuinte, não cabendo apreciação a posteriori. Em que pese os argumentos suscitados, a intimação postal só tem validade quando realizada no domicílio fiscal do contribuinte, que para todos os efeitos é aquele declarado e constante nos sistemas da Receita Federal. Por sua vez para que a intimação por edital seja válida, a autoridade fiscal deve ter esgotado, sem sucesso, as tentativas de intimação por via postal. No caso concreto utilizouse a citação por edital, instrumento jurídico válido, quando o sujeito passivo não é localizado no domicílio tributário constante nos cadastros da Receita Federal. Acolher a pretensão do suplicante implicaria grave ofensa aos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal, já que é valida a intimação via edital. Nestes termos, posicionome no sentido de negar provimento ao recurso, por extemporânea a peça impugnatória. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 322DF CARF MF Impresso em 29/05/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 27/ 03/2012 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 03/05/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 10469.903391/2009-19
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 1802-000.154
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Marciel Eder Costa, Nelso Kichel, Gustavo Junqueira Carneiro Leão e Marco Antonio Nunes Castilho. Relatório. Por economia processual e considerar pertinente, adoto o Relatório da decisão recorrida (fls.123/124) que a seguir transcrevo: A interessada acima qualificada apresentou PER/Dcomp — Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação, fls. 111 a 115, em 15/04/2005, relativamente ao pretenso crédito originário de pagamento indevido ou a maior no código de receita 2372 — CSLL com débitos de sua responsabilidade, conforme fl. 02. 2. Por meio do Despacho Decisório Eletrônico, fl. 02, a Autoridade Competente decidiu por NÃO HOMOLOGAR a compensação, fundamentandose no fato de o DARF informado no PER/Dcomp já ter sido utilizado integralmente para quitar débitos da contribuinte, não RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 69 .9 03 39 1/ 20 09 -1 9 Fl. 280DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 3 2 restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/Dcomp objeto do presente processo. 3. Cientificada do Despacho Decisório de fl. 02, em 03/06/2009, conforme fl. 1 consta manifestação de inconformidade apresentada em 29/06/2009, consoante fl. 117, na qual alega que: 3.1. "No 3° trimestre de 2003 e demais trimestres de 2004, a empresa calculou a sua CSLL equivocadamente com aliquota de 32% quando seria com 12% por se tratar, de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais"; 3.2. ao recalcular este imposto, "verificou o engano e o crédito de imposto a ser compensado, sendo feitas as PER/DCOMP de número porém, não foram retificadas a tempo as Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais — DCTF, como também as DIPJ 2004 e 2005", sendo este o motivo pelo qual a Receita Federal do Brasil não constatou a existência de crédito, não homologando a compensação declarada; 3.3. para corrigir a situação foram feitas retificações nas DCTF e DIPJ para demonstrar o seu direito de compensar o valor. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento (DRJ/Recife/PE) indeferiu o pleito, conforme decisão proferida no Acórdão nº 1134.901, de 15 de setembro de 2011 (fls.122/128), cientificado ao interessado em 08/11/2011. A decisão recorrida possui a seguinte ementa (fl.122): ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LIQUIDO CSLL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. PERCENTUAL. CONSTRUÇÃO CIVIL. A partir de setembro de 2003, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção por empreitada é de 32% quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou de 12% quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade, incorporados à obra. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 DCOMP. ERRO DE FATO EM DCTF. NÃO COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não comprovado o erro de fato no preenchimento da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, com base em documentos hábeis e idôneos, não há que se acatar a retificadora para Fl. 281DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 4 3 fins de comprovar a liquidez e certeza do crédito oferecido para a compensação com os débitos indicados na PER/DCOMP eletrônica. COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2004 a 30/06/2004 PROVAS. As provas devem ser apresentadas na forma e no tempo previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A pessoa jurídica interpôs recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em 07/12/2011, no qual transcreve trechos da decisão recorrida para demonstrar que a negativa ao crédito se deu em virtude de a empresa não ter anexado os documentos comprobatórios do direito ao crédito, quais sejam: Contrato de prestação de serviços, mencionando que os materiais aplicados são de responsabilidade da contratada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais e escrituração fiscal destes documentos. Argumenta que, ciente de seu direito creditório está apresentando as cópias dos contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Alega que, com a anexação dos documentos e livros fiscais que comprovam o direito da empresa em compensar recolhimentos feitos indevidamente, está atendendo a todos os requisitos e suprindo todas as falhas e erros cometidos no desenrolar do processo. Assim, requer seja julgado procedente o pedido de homologação da compensação em lide. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Ester Marques Lins de Sousa O recurso voluntário é tempestivo. Dele conheço. O presente processo tem origem no PER/DCOMP nº 28492.98237.150405.1.3.043709 (fls.111/115), transmitido em 15/04/2005, em que a contribuinte pretende compensar débitos de PIS: R$ 814,86, código 8109, e Cofins: R$ 3.760,90, código 2172, relativos ao mês de março de 2005, com a utilização de crédito no valor de R$ 4.899,15, decorrente de pagamento indevido ou a maior de CSLL (DARF: código Fl. 282DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 5 4 – 2372; Período de Apuração: 30/06/2004; Data de Arrecadação: 28/07/2004, Valor: R$ 7.478,33). Consta de outro PER/DCOMP nº 06886.98049.290405.1.3.042360, tratado no processo nº 10469.904113/200989, que o crédito no valor de R$ 846,22 a ser utilizado tem origem no DARF acima. O que significa dizer que o crédito total objeto do PER/DCOMP nº 28492.98237.150405.1.3.043709 (fls.111/115), dos presentes autos, e o outro nº 06886.98049.290405.1.3.042360, diz respeito ao suposto pagamento a maior de CSLL relativo ao DARF: código – 2372; Período de Apuração: 30/06/2004; Data de Arrecadação: 28/07/2004, Valor: R$ 7.478,33). Conforme relatado, por intermédio do despacho decisório de fl.02, emitido em 25/05/2009 não foi reconhecido qualquer direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, nãohomologada a compensação declarada no PER/DCOMP, ao fundamento de que o pagamento informado como origem do crédito foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, "não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". A alegação da pessoa jurídica expressa na manifestação de inconformidade é que no 3º trimestre de 2003 e trimestres de 2004 a reclamante calculou a base de cálculo de sua CSLL equivocadamente com o percentual de 32% quando o correto seria 12% por se tratar de Construção Civil, onde as receitas são relativas a contratos de empreitada que abrange tanto mãodeobra quanto o fornecimento de materiais. A decisão de primeira instância com fundamento no art. 20 da Lei 9.249/1995 (alterado pela Lei 10.684/2003), o art. 15 da mesma Lei 9.249/2005, e o Ato Declaratório Normativo da Coordenação Geral do Sistema de Tributação ADN Cosit n° 6, de 13 de janeiro de 1997, assim esclarece sobre a base de cálculo da CSLL (fl.126/127), itens 11 e 12: [...] 11. Concluise, portanto, que até agosto de 2003, as receitas relativas às atividades construção por empreitada, com ou sem utilização de materiais, ficam sujeitas ao percentual de 12%, para definição da base de cálculo da CSLL, e a partir de setembro de 2003, na atividade de construção por empreitada, o percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para determinação da base de cálculo da CSLL mensal será: a) 12% (oito por cento) quando houver emprego de materiais, em qualquer quantidade; ou b) 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, ou seja, sem o emprego de materiais. 12. No "Perguntas e respostas" constante do endereço eletrônico http://www.receita.fazenda. gov.br/Publico/perguntao/dipj2011/CapituloXIII IRPJLucroPresumido2011.pdf, consulta em setembro/2011, verificase o seguinte esclarecimento na pergunta 19, referente ao IRPJ, sendo tal entendimento aplicável no caso da CSLL, com a diferença que a alíquota no caso da contribuição, CSLL, para o caso de contratação de construção civil por empreitada com a utilização de material fornecido pela própria empresa empreiteira, é de 12%. Fl. 283DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 6 5 019. Qual a base de cálculo para as empresas que executam obras de construção civil e optam pelo lucro presumido? 0 percentual a ser aplicado sobre a receita bruta para apuração da base de cálculo do lucro presumido na atividade de prestação de serviço de construção civil é de 32% (trinta e dois por cento) quando houver emprego unicamente de mãodeobra, e de 8% (oito por cento) quando se tratar de contratação por empreitada de construção civil, na modalidade total, fornecendo o empreiteiro todos os materiais indispensáveis à sua execução, sendo tais materiais incorporados à obra. Notas: As pessoas jurídicas que exerçam as atividades de compra e venda, loteamento, incorporação e construção de imóveis não poderão optar pelo lucro presumido enquanto não concluídas as operações imobiliárias para as quais haja registro de custo orçado (IN SRF n°25, de 1999, art. 2°;) Não serão considerados como materiais incorporados à obra, os instrumento trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. (IN SRF n° 480, de 2004, art. 1°, §9º) O entendimento acima está consentâneo com as disposições contidas no art. 1º, §§ 7º e 9º, c/c art. 32 da IN SRF 480/2004 (com as alterações da IN SRF 539/2005) que admitem a aplicação do percentual de 12% no caso de contratação por empreitada de construção civil realizada na modalidade total, em que o empreiteiro forneça todos os materiais indispensáveis à sua execução, e que tais materiais sejam incorporados à obra, não sendo considerados como materiais incorporados à obra os instrumentos de trabalho utilizados e os materiais consumidos na execução da obra. Para o indeferimento do pleito da recorrente, consta do voto condutor do acórdão recorrido o seguinte: [...] 13. No caso em apreço, a contribuinte apenas anexou cópia de seu Contrato Social e Aditivo n° 05, fls. 03 a 10, onde consta descrição de seu objeto social, no qual não há especificação de que os serviços seriam prestados sob a modalidade por empreitada, e nem que haveria a utilização de material fornecido pela própria contribuinte, ou que isso ocorresse sempre ou mesmo ocasionalmente. 14. Esclareçase, de toda sorte, que não bastaria a apresentação do contrato social com descrição de seu objeto social nestes termos, pois a simples menção no contrato social, por si só, não seria suficiente se não esta acompanhada de documentação hábil e idônea comprobatória de que os serviços foram efetivamente contratados na modalidade de empreitada, de que os materiais foram fornecidos pela própria empresa, essa na qualidade de empreiteira, e sem que haja comprovação da efetiva utilização de tais materiais, fornecidos pela empresa, conjuntamente com a mãodeobra. Observese que não consta dos autos qualquer documentação comprobat6ria nesse sentido, Fl. 284DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 7 6 a exemplo de contrato de empreitada, notas fiscais e escrituração que viessem a espelhar fielmente a utilização de tais materiais. 15. Assim, não restou comprovado, através de documentação hábil e idônea, fiscal (notas fiscais), comercial (contratos de empreitada) e contábil (escrituração), erro de fato no preenchimento das declarações originais da contribuinte que justificasse a apresentação de declarações retificadoras, inclusive não espontâneas relativamente ao período de apuração do suposto crédito a ser compensado, no intuito de alterar a apuração da CSLL devida para aquele período, procurando, com isso, justificar o pretenso crédito. [...] Contraditando os fundamentos da decisão acima e no intuito de comprovar o crédito alegado, a Recorrente juntou ao seu recurso voluntário cópia de contratos de empreitada, notas fiscais de compra de material e o livro de registro de entrada de notas fiscais do período a que se refere a compensação. Das 9 notas fiscais (000156/00158, 000160/000163, 000165 e 000166), emitidas pela Recorrente, consta um percentual do valor da fatura referente ao material aplicado. E, dos contratos de empreitada consta cláusula que obriga a contratada a “ prover e administrar, sob as suas expensas, todos os materiais, equipamentos e mãodeobra necessários à fiel execução do contrato...” o que aparentemente denota a prestação de serviços na área de construção civil com emprego de materiais fornecidos pela própria contribuinte. O livro Registro de Entradas indica para o segundo trimestre de 2004 a aquisição de materiais e as notas fiscais relativas às compras feitas pela Recorrente neste período demonstram a aquisição de vários materiais normalmente aplicados em obras de construção civil. Como dito acima, a Recorrente apresentou cópia de notas fiscais por ela emitidas no período de apuração do segundo trimestre de 2004. As notas fiscais intercaladas (000155, 000159, 000164 e 000167), dizem respeito ao processo nº 10469.904113/200989 também referente ao segundo trimestre de 2004.Porém não se sabe qual a nota fiscal última do primeiro trimestre de 2004 e qual a primeira nota fiscal do terceiro trimestre de 2004, para que se tenha objetivamente conhecido o faturamento do segundo trimestre de 2004. Portanto, não se sabe qual a receita bruta total do mencionado trimestre declarada na DIPJ/2005 com a comprovação de que a Recorrente forneceu aos seus clientes os materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e que, portanto, o coeficiente para a presunção da base de cálculo da CSLL deveria ser de 12%. Desse modo, fazse mister que sejam encaminhados os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Natal/RN para que seja verificado e especificado, à luz da documentação fiscal (notas fiscais emitidas), comercial (contratos de empreitada), contábil (escrituração) e DIPJ/2005, qual o valor total da receita bruta obtida pela interessada com fornecimento de materiais necessários aos serviços de construção civil por ela prestados, e qual o montante da receita declarada e CSLL devida. Fl. 285DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA Processo nº 10469.903391/200919 Resolução nº 1802000.154 S1TE02 Fl. 8 7 Realizada a diligência, deve ser elaborado relatório circunstanciado, do qual deve ser dada ciência à Contribuinte para sua manifestação, se do seu interesse, no prazo de 30 (trinta dias). Apresentada a manifestação ou transcorrido o prazo, deve os autos retornarem ao CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 21/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 20/ 03/2013 por ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Numero do processo: 10830.011074/2002-22
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1997, 1998, 1999, 2000
NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE Á LEI - DECADÊNCIA - CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS -
Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma.
NORMAS PROCESSUAIS - NULIDADE DO LANÇAMENTO PROMOVIDO POR AUTORIDADE JULGADORA - ADMISSIBILIDADE. DO RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. -
Além de os paradigmas tratarem de situações fáticas totalmente distintas da tratada no recorrido, não se prestando para o confronto, não houve divergência jurisprudencial, pois todos os acórdãos confrontados afastaram a majoração promovida pela decisão de primeira instância.
NORMAS PROCESSUAIS - DECADÊNCIA - ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL - DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. -
No que respeita à decadência, não se configura divergência jurisprudencial entre o acórdão guerreado, que afastou a majoração feita pela decisão de primeira instância, seja porque o novo lançamento estaria parcialmente abarcado pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício, e os acórdãos paradigmas que afastaram o aperfeiçoamento do lançamento porque já se havia operado a decadência.
Numero da decisão: 9101-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do contribuinte. Ausente, justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann.
(documento assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres
Presidente Substituto
(documento assinado digitalmente)
Valmir Sandri
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann.
Nome do relator: VALMIR SANDRI
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997, 1998, 1999, 2000 NORMAS PROCESSUAIS RECURSO ESPECIAL POR CONTRARIEDADE Á LEI DECADÊNCIA CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS Uma vez que o STF declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91, tendo editado, a respeito, em 12.06.08, a Súmula Vinculante nº 8, não se conhece do recurso da Fazenda Nacional fundado no descumprimento daquela norma. NORMAS PROCESSUAIS NULIDADE DO LANÇAMENTO PROMOVIDO POR AUTORIDADE JULGADORA ADMISSIBILIDADE. DO RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. Além de os paradigmas tratarem de situações fáticas totalmente distintas da tratada no recorrido, não se prestando para o confronto, não houve divergência jurisprudencial, pois todos os acórdãos confrontados afastaram a majoração promovida pela decisão de primeira instância. NORMAS PROCESSUAIS DECADÊNCIA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DIVERGÊNCIA NÃO COMPROVADA. No que respeita à decadência, não se configura divergência jurisprudencial entre o acórdão guerreado, que afastou a majoração feita pela decisão de primeira instância, seja porque o novo lançamento estaria parcialmente abarcado pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício, e os acórdãos paradigmas que afastaram o aperfeiçoamento do lançamento porque já se havia operado a decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 01 10 74 /2 00 2- 22 Fl. 2355DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 3 2 ACORDAM os membros da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso da Fazenda Nacional. Por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso do contribuinte. Ausente, justificadamente a Conselheira Susy Gomes Hoffmann. (documento assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente Substituto (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Henrique Pinheiro Torres (Presidente Substituto, Mario Sérgio Fernandes Barroso (Substituto), José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Junior, Karem Jureidini Dias, Plínio Rodrigues de Lima, Valmir Sandri e Jorge Celso Freire da Silva. Ausente justificadamente a Conselheira Suzy Gomes Hoffmann. Fl. 2356DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório São objeto deste processo Autos de Infração relativos ao IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, alcançando fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1997 a 2000, dos quais o contribuinte tomou ciência em 20/12/2002. A fiscalização arbitrou o lucro do contribuinte para o período alcançando o 2º trimestre de 1997 ao 1º trimestre de 2002, pela falta de apresentação dos livros e documentos da sua escrituração. Foi também constatada omissão de receitas: (i) da revenda de mercadorias sem emissão da(s) respectiva(s) nota(s) fiscal (is) no 3º e 4º trimestres de 1997 e no 2º trimestre de 1998, apurada pelo confronto da totalidade dos valores extraídos das notas fiscais de venda exibidas pelo contribuinte e os valores e rendimentos efetivamente declarados pelo mesmo; (ii) de prestação de serviços gerais em todos os trimestres de 1997 ao 1º de 2002 e (iii) apurada com base na confrontação dos totais de depósito/créditos bancários não comprovados com os totais de faturas. Em razão das alegações de defesa apresentadas na impugnação, o julgamento foi convertido em diligência a fim de que a autoridade fiscal, entre outros esclarecimentos pedidos pelo julgador, se manifestasse a respeito das divergências existentes na determinação do valor das receitas de serviços constantes das notas fiscais emitidas no período fiscalizado, precisando se elas provocam alterações nos valores exigidos e prestasse esclarecimentos de forma a determinar se há valores que, por sua natureza, deveriam ser excluídos dos créditos/depósitos de origem não comprovada. A partir do resultado da diligência, a autoridade fiscal recalculou todos os créditos, com majoração dos valores em alguns períodos. Cientificado em 26/12/2003, o contribuinte apresentou manifestação em 22/01/2003. O julgador de primeira instância, apreciando as duas impugnações apresentadas, considerou parcialmente procedentes as exigências, afastando, porém, em virtude da decadência, os acréscimos formulados em diligência, relativos à exigência do lRPJ no 2° e 3° trimestres de 1997. As exigências de CSLL, PIS e COFINS relativas a este período, aumentadas pela revisão do cálculo pelo agente fazendário no procedimento de diligência, foram mantidas, dado o entendimento exposto pela DRJ de Campinas quanto ao prazo de dez anos para constituição dos créditos atinentes a tais contribuições. Apresentado recurso ao Conselho, foi o julgamento convertido em diligência em sessão de 18 de maio de 2005. Como resultado, a autoridade fiscal executora da diligência recalculou as infrações fiscais de OMISSÃO DE RECEITA DE DEPÓSITO DE ORIGEM NÃO COMPROVADA (1998), cujo resultado consta do Termo de Verificação Diligência Fiscal, às folhas 1656 a 1777. Fl. 2357DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 5 4 No prazo de 30 dias concedido para impugnar as majorações decorrentes da diligência, o contribuinte contraditouas e requereu, afinal, que o Conselho reconhecesse a natureza de decisãolançamento no ato expedido pela DRJCampinas, que requalificou matérias e incluiu novas operações que não constavam do lançamento primitivo, majorando as exigências iniciais, bem como o reconhecimento da decadência para os fatos geradores compreendidos nos anos de 1997, 1998.e primeiro trimestre de 1999, uma vez que a decisão lançamento só foi cientificada à empresa em 22.04.04 (fls.1798 a 1817). Em 31 de agosto de 2006 o contribuinte desistiu parcialmente do recurso, permanecendo o litígio apenas em relação aos tributos lançados para os anoscalendário de 1997 e 1998. Em sessão de 21/09/2006 o recurso foi julgado pela 8ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes que, por unanimidade de votos, rejeitou as preliminares suscitadas e, no mérito, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para: (1) reduzir as multas de oficio de 225% e 150% para o percentual' de 75%; (2) por decorrência, reconhecer a decadência para o 2° e3° trimestres de 1997 para o IRPJ e CSL e até novembro de 1997 para o COFINS e PIS; (3) afastou todas as majorações efetuadas pela fiscalização nas diligências requeridas nos julgamentos de primeira e segunda instâncias; (4) excluiu os valores apontados pela diligência de fls. 16578 como não oriundas de terceiros, conforme planilha retificada pela fiscalização (Acórdão 10809.009). O voto condutor apresentou a seguinte motivação para afastar as majorações efetuadas nas diligências: Finalmente, quanto aos ajustes efetuados nas diligências solicitadas, que implicaram em majoração do lançamento, verificase que nesta parte houve novo lançamento. Se houve novo(s) lançamento(s), todas as majorações efetuadas nas diligências ocorridas no curso do julgamento em primeira e segunda instância devem ser afastadas, seja porque estaria abarcado (parcialmente) pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do lançamento de ofício (abertura de prazo para impugnação ou pagamento com redução de multa, dentre outros). A Fazenda Nacional apresentou recurso especial, ao qual foi dado seguimento, contestando a não observância do prazo de dez anos para a decadência das contribuições sociais. Para a Cofins e a CSLL, cujas decisões foram não unânimes, alega contrariedade à lei. Para o PIS, invoca divergência com o decidido pelo Acórdão 20306655 de 05/07/2000. Em face da planilha elaborada pela DRF/Campinas (executora da decisão) para demonstrar a aplicação do acórdão do Conselho de Contribuintes, o contribuinte apresentou embargos de declaração alegando: (a) obscuridade/dúvida, pois entendeu que o Conselho teria decidido que os únicos valores possíveis de cobrança seriam os constantes nos Autos de Infração, mas que no demonstrativo elaborado pela DRF os valores exigidos continuam a ser definidos na decisão exarada pela primeira instância; (b) omissão quanto aos rendimentos tributados com base no artigo 42 da Lei 9.430/96, pois o acórdão embargado não trouxe, em detalhes, exame do tópico "6 — VALORES DE DEPÓSITOS JÁ Fl. 2358DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 6 5 COMPROVADOS CONTINUAM RELACIONADOS NO DEMONSTRATIVO PÓS DILIGÊNCIA”. Pelo Acórdão nº 10809.590 (sessão de 16 de abril de 2008) os embargos foram acolhidos para sanar dúvidas de execução, sem contudo alterar a decisão contida no Acórdão n° 10809.009 de 21/09/06. Ciente, o contribuinte interpôs recurso especial, que foi admitido em relação a duas divergências de interpretação apontadas (quanto à formalização da exigência por autoridade incompetente e quanto à argüição de decadência para o lançamento feito por meio de decisão de primeira instância), as quais estão assim apresentadas: DIVERGÊNCIA UM — Nulidade do lançamento, tendo em vista vício na formalização da exigência por autoridade (julgadora) incompetente. Entende o recorrente ter havido "novo lançamento" pela autoridade julgadora, incompetente para o feito, já que a exigência inicial formalizada pelo auto de infração foi agravada com base no resultado de diligência realizada na fase de julgamento em primeira instância. Tenta demonstrar sua alegação transcrevendo parte o voto da relatora dado no acórdão recorrido (n° 10809.009), e parte do que foi decidido no acórdão proferido após os embargos de declaração (n° 10809.590), como abaixo reproduzido: Acórdão n° 10809.009 "Finalmente, com os ajustes efetuados nas diligências solicitadas, que implicaram em majoração do lançamento, verificase que nesta parte houve novo lançamento”. Acórdão n° 10809.590 "No que tange à obscuridade/dúvida quanto às exclusões das majorações efetuadas após instaurado litígio, entendo que a decisão restou clara que o que existe é erro no cumprimento do decidido, o que pelo princípio da economia processual, acolho, como dúvida a ser sanada. Pois bem, o acórdão embargado deixa claro que os ajustes efetuados na diligência implicaram novo lançamento. Ao mencionar momento em que estes ajustes foram feitos, expressamente referiuse às diligências ocorridas no curso do julgamento, não só em segunda instância, mas também em primeira instância” Os acórdãos paradigmas e suas ementas são os seguintes: Acórdão 10320754 fl. 2145 LR.P.J. INOVAÇÃO QUANTO AO LANÇAMENTO NO ATO DECISÓRIO DA DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DE JULGAMENTO. IMPOSSIBILIDADE O dever poder de decidir conferido ao Delegado da Receita Federal de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não cabendolhe aperfeiçoálo ou transformálo de qualquer forma, sob pena de transposição de sua competência. CSLL ERRO NA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO IMPOSSIBILIDADE DE APERFEIÇOAMENTO POR ESTE ÓRGÃO JULGADOR Não tendo a autoridade lançadora obedecido aos preceitos legais para afixação da base de cálculo Fl. 2359DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 7 6 da contribuição, não cabe a este órgão aperfeiçoar o lançamento, mas apenas afastar a exigência, diante do erro ocorrido: PIS e COFINS OMISSÃO DE RECEITAS SIMULAÇÃO DESCONSTITUIÇÃO DE CONTRATO PARA EFEITOS TRIBUTÁRIOS Verificada mácula nos contratos celebrados pelo contribuinte por decorrência de simulação, não deve persistir, para efeitos tributários, o negócio jurídico praticado, restando, via de conseqüência, reconhecida a omissão de receitas e, portanto, a subsunção do fato às normas pertinentes a estes tributos. Acórdão n° 10417.447 fl. 2146 IRPF DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA LANÇAMENTO Desconstituindo a autoridade julgadora o lançamento inicial, não tem a mesma competência ao decidir, exigir valores não reclamados no Auto de Infração, sob nova acusação, uma vez que o lançamento é ato de competência privativa da autoridade lançadora. DIVERGÊNCIA DOIS: Reconhecimento da decadência para novo lançamento. Argui a embargante que, em se tratando de segundo lançamento, ou melhor, de "novo lançamento", como descrito no argumento precedente; é preciso reconhecer que somente em 22/04/2004, conforme Aviso de Recebimento de fl. 1587, se consumou a sua regular notificação, impondose que a decadência seja estendida ao anocalendário de 1988. Como prova de que a contagem do prazo de decadência, na situação em exame, tem como termo final a "decisãolançamento", posição já adotada em outras Câmaras dos Conselhos de Contribuintes, traz as ementas a seguir reproduzidas, na parte objeto da discussão: Acórdão 10513.336 ementa de fl. 2147 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL DECADÊNCIA INOVAÇÃO DA EXIGÊNCIA INICIAL NA DECISÃO DE 1° GRAU O direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário somente se extingue após decorridos cinco anos da entrega da declaração de rendimentos do período de apuração correspondente, salvo se a entrega ocorrer a partir do exercício seguinte a que se referir. É legítimo o agravamento da exigência por parte do julgador singular, desde que observado o prazo decadencial e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, o que pressupõe, no processo administrativo fiscal, a devolução do prazo para impugnação da matéria agravada, em homenagem ao princípio do duplo grau de jurisdição. Acórdão 10614.542 ementa de fls. 2148/2149 Fl. 2360DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 8 7 AUTO DE INFRAÇÃO COMPLEMENTAR — CABIMENTO PRAZO PARA O LANÇAMENTO Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à parte modificada (§ 3º, do art. 18, do Dec. no 70.235, de 1972, com a redação dada pelo artigo lo da Lei no 8.748, de 1993). No entanto, o aperfeiçoamento do lançamento de oficio limitase temporalmente, vez que somente pode ocorrer enquanto não ultrapassado o prazo determinado para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, conforme exposto no parágrafo único, do artigo 149 do CIN. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Fl. 2361DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 9 8 Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator Do Recurso da Fazenda Nacional Conforme se depreende do relatório, a questão levantada pela PFN reside no fato de não ter sido considerada, no caso, a aplicabilidade do art. 45 da Lei 8.212/91, que estabelece o prazo de dez anos para o lançamento das contribuições para a seguridade social. Ocorre que o dispositivo legal cuja aplicação pleiteia a PFN foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, que editou, a respeito, a Súmula Vinculante nº 8. Dessa forma, nos termos do que dispõe o art. 103 da Constituição Federal, referido dispositivo não pode ser invocado como contrariado, para justificar recurso especial. Da mesma forma, os Acórdãos que decidiram de forma contrária à Súmula não se prestam como paradigma. Isto posto, NÃO conheço do recurso especial da Fazenda Nacional. Do Recurso do Contribuinte. Como visto do relatório, duas são as divergências de interpretação apontadas pelo contribuinte e admitidas como ensejadoras de recurso especial, ambas ligadas à questão do agravamento da exigência pela decisão de primeira instância, a partir de resultado de diligência. Na petição recursal, a Recorrente centra sua exposição no anocalendário de 1998, esclarecendo que o grande volume de crédito tributário remanescente a ele diz respeito, em razão de já ter liquidado, em fase anterior ao julgamento, as exigências tributadas nos anos calendário de 1999, 2000, 2001 e 2002, e do acatamento da decadência para o IRPJ e CSLL lançados nos três primeiros trimestres do ano de 1997, assim como da decadência das contribuições do PIS e COFINS cujos fatos geradores ocorreram até novembro de 1997. Inicialmente, diz o contribuinte que o Acórdão recorrido, embora tenha reconhecido que "os ajustes efetuados na diligência implicaram novo lançamento", a Câmara pecou pela convalidação da exigência requalificada, quando deveria ter pronunciado a nulidade do novo lançamento com apoio no art. 59 do Decreto 70.235/72, uma vez que aperfeiçoado por autoridade incompetente. Traz decisões das antigas Terceira e Quarta Câmaras do Primeiro Conselho alegando que a 3ª Câmara rejeita a possibilidade de convalidação, por vício de competência que implica (Ac. 10320754), e a 4ª Câmara que, ante a inovação do lançamento pela autoridade julgadora, não titubeou sobre o vício de competência e, à unanimidade, deliberou pelo provimento integral do recurso, cancelando o lançamento viciado (Ac. 10417.477). Fl. 2362DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 10 9 As situações fáticas tratadas nos acórdãos confrontados são as seguintes: I Acórdão recorrido: a. Auto de infração apurou omissão de receitas de revenda de mercadorias, de prestação de serviço, e apurada com base na confrontação dos totais de depósito/créditos bancários não comprovados com os totais de faturas. b. Diligência determinada pela Delegacia de Julgamento alterou os valores das omissões apuradas, para mais ou para menos. Foi dado prazo ao contribuinte para impugnar o resultado da diligência. c. DRJ, ao julgar as duas impugnações, manteve os valores de omissões apuradas na diligência, afastando apenas os aumentos relativos aos períodos que, quando da diligência, estavam alcançados pela decadência. d. O Conselho afastou todos os aumentos resultantes de diligência (ou seja, não prevaleceram às alterações para maior procedidas em relação ao que constou do auto de infração). II Paradigma Ac. 10320.754 a. Auto de infração apurou omissão de receita e tributou na forma do arts. 43 e 44 da Lei 8.541/92 (tributação em separado de 100% da receita omitida); b. Decisão de primeira instância considerou inaplicável a tributação em separado dos artigos 43 e 44 da lei 8.542 para as empresas sujeitas à tributação pelo lucro presumido, hipótese da autuada, e reformulou o lançamento de IRPJ para reduzir a receita omitida ao percentual de 50%; c. O Conselho cancelou o lançamento ao fundamento de que o Delegado de Julgamento está adstrito aos termos do lançamento efetuado pela autoridade fiscal, não tendo poderes para reformular lançamentos equivocados. III Paradigma Ac. 104 17447 a. Auto de Infração inicial é composto de dois itens (Acréscimo Patrimonial a Descoberto de Bens e Direitos e Ganhos de Capital na Alienação de Bens e Direitos, pela venda de um deles; b. A decisão de 1ª instância considerou justificados os acréscimos patrimoniais, excluindo os respectivos valores da exigência, porém, além do ganho de capital, exigiu o IRPF relativos aos rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas nos anoscalendário de 1994 e 1995, tomando por base os valores Fl. 2363DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 11 10 informados pelo contribuinte, muito embora tal exigência não conste do lançamento; c. O Contribuinte recorreu apenas quanto ao IRPF relativos aos rendimentos recebidos de pessoas físicas e pessoas jurídicas nos anoscalendário de 1994 e 1995; d. O Conselho cancelou a exigência ao fundamento de que, se a autoridade lançadora não exigiu o tributo, a autoridade julgadora não pode fazêlo, inovando o lançamento, já que lhe falta competência para tal. Como se vê, as situações fáticas são totalmente distintas, não se prestando para identificar divergência jurisprudencial. No presente processo, a alteração promovida pela decisão de primeira instância foi apenas na apuração do valor da receita omitida. No primeiro paradigma, a decisão de primeira instância alterou o regime de tributação, de “em separado” para “lucro presumido”. No segundo paradigma, a decisão de primeira instância incluiu infração que sequer foi cogitada pela autoridade lançadora. Além disso, ainda que os paradigmas indicados se prestassem ao confronto, não há divergência, pois nos três julgados (o guerreado e os paradigmas) não foi mantida a majoração promovida pela decisão de 1ª instância, que caracterizaria um “novo lançamento”. A segunda divergência apontada diz respeito ao termo inicial do prazo de decadência para o “segundo lançamento”. Postula o contribuinte que uma vez reconhecida à natureza de “decisãolançamento” no ato expedido pela DRJ Campinas, como expressamente declarado no voto condutor do Acórdão Recorrido, “é preciso reconhecer que somente em 22.04.2004 (AR de fls. 1.587) é que se consumou a sua regular notificação, impondose que a decadência reconhecida pela 8ª Câmara seja estendida para o anocalendário de 1998, ainda objeto de litígio”. Indica, como paradigma, acórdão da Quinta Câmara (10513.336), que assentou que “É legítimo o agravamento da exigência por parte do julgador singular, desde que observado o prazo decadencial e assegurado o pleno exercício do direito de defesa, o que pressupõe, no processo administrativo fiscal, a devolução do prazo para impugnação da matéria agravada, em homenagem ao princípio do duplo grau de jurisdição”. Indica, ainda, como paradigma, o Ac. 106.542, que trata de auto de infração complementar lavrado para agravamento da exigência inicial, tendo a 6ª Câmara decidido ser legítimo o aperfeiçoamento do lançamento de ofício que, contudo, somente pode ocorrer enquanto não ultrapassado o prazo determinado para que a Fazenda Pública efetue o lançamento, conforme exposto no parágrafo único, do artigo 149 do CTN. Também nesse tema não foi feliz o Recorrente. Os paradigmas consideraram válida a majoração feita pela decisão de primeira instância ou pelo autocomplementar, mas cancelaramna porque, à data da ciência da decisão ou ciência do auto complementar, já se havia operado a decadência. Por seu turno, o Acórdão guerreado não validou a majoração feita pela DRJ (que considerou segundo lançamento), afastandoa seja porque o novo lançamento estaria abarcado (parcialmente) pela decadência, seja porque não foram seguidos os trâmites legais do Fl. 2364DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI Processo nº 10830.011074/200222 Acórdão n.º 9101001.603 CSRFT1 Fl. 12 11 lançamento de ofício (abertura de prazo para impugnação ou pagamento com redução de multa, dentre outros). Portanto, não configurada a alegada divergência jurisprudencial, não cabe recurso especial. Pelas razões acima expostas, NÃO conheço de ambos os recursos. É como voto. Sala das Sessões, em 20 20 de fevereiro de 2013. (documento assinado digitalmente) Valmir Sandri Fl. 2365DF CARF MF Impresso em 11/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por HE NRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 04/04/2013 por VALMIR SANDRI
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Numero do processo: 10314.007866/2007-46
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 31/05/2004 a 16/07/2007
MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁ-FÉ.
A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158- 35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou má-fé por parte do sujeito passivo, bastando para caracterizá-la e acarretar a multa regulamentar equivalente a um por cento do valor aduaneiro o erro de classificação.
Numero da decisão: 3401-002.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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Recorrente BRISTOLMYERS SQUIBB FARMACÊUTICA S/A Recorrida DRJ SÃO PAULO ISP ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 31/05/2004 a 16/07/2007 AUTO DE INFRAÇÃO CONTENDO IDENTIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTADA E ENQUADRAMENTO LEGAL. ALEGAÇÃO DE RETROATIVIDADE DE ATO INFRALEGAL. NULIDADE NÃO CARACTERIZADA. Não é nulo o auto de infração que atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. A alegação de que a autuação teria aplicado retroativamente ato infralegal, de modo ilegal, constitui matéria de mérito que, caso acatada, implicaria na improcedência do auto de infração, não na sua nulidade. ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 31/05/2004 a 16/07/2007 MULTA REGULAMENTAR PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. ERRO NA CLASSIFICAÇÃO FISCAL. INFRAÇÃO QUE INDEPENDE DE DOLO OU MÁFÉ. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de 24 de agosto de 2001, independe de dolo ou máfé por parte do sujeito passivo, bastando para caracterizála e acarretar a multa regulamentar equivalente a um por cento do valor aduaneiro o erro de classificação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 78 66 /2 00 7- 46 Fl. 413DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. Relatório O processo trata de auto de infração relativo à multa regulamentar equivalente a 1% do valor aduaneiro, prevista no art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, combinado com os arts. 69 e 81 da Lei nº 10.833, de 29/12/2003. A infração foi apurada com base em diversas Declarações de Importação (DI), registradas entre 31/05/2004 e 16/07/2007 (ver fls. 11/19). O importador classificou o produto descrito como "TAXOL medicamento utilizado no tratamento de neoplasias SUBSTÂNCIA ATIVA: PACLITAXEL" na posição 3004.90.29 da Tarifa Externa Comum (TEC), aplicando as alíquotas de 8% para o Imposto de Importação e de 0% para o Imposto sobre Produtos Industrializados. A fiscalização, por sua vez, em revisão aduaneira das DI o classificou na posição 3004.90.59 da TEC, cujas alíquotas para os dois impostos são as mesmas da posição adotada pelo contribuinte. A autuação considerou o seguinte (fl. 06/07): A mercadoria descrita como "Taxol" tratase de medicamento utilizado no tratamento de neoplasias, apresentado na forma de doses, sendo constituído por produtos misturados, cuja Substância Ativa é o Paclitaxel. 0 texto da posição 3004.90.2 se refere a medicamentos contendo produtos das posições 2916 a 2920, mas não contendo produtos dos itens 3004.90.1. Utilizandose a RGI/SH verificase que o Taxol não se enquadra nesta posição, já que o Paclitaxel (substância ativa) caracterizase, quando apresentado isoladamente, como um composto heterociclico exclusivamente de heteroatomos de oxigênio, devendo por isso, ser classificado na posição "2932 Compostos heterociclicos exclusivamente de heteroatomo(s) de oxigênio" da TEC. Os medicamentos contendo produtos (compostos orgânicos) da posição 2932 devem ser classificados no item "3004.90.5 contendo produtos das posições 2930 a 2932, mas não contendo produtos dos itens 3004.90.1 a 3004.90.4". Por não se encontrar especificamente citado em nenhum dos códigos tarifários específicos desse item, o Taxol é classificado na posição genérica "3004.90.59 Outros". A reclassificação da mercadoria tem como Base Legal a IN n. 80/1996, com última alteração dada pela IN n. 701/2006 da SRF. Em seu Anexo Único encontramse relacionadas as mercadorias cuja indicação de NVE é obrigatória. 0 Valor Aduaneiro e Estatístico NVE tem por base a Nomenclatura Fl. 414DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10314.007866/200746 Acórdão n.º 3401002.148 S3C4T1 Fl. 414 3 Comum do Mercosul NCM acrescida de atributos e suas especificações. Na relação dessas mercadorias verificase a inclusão da substância Paclitaxel no Subitem 2932.99.99 Outros, na Especificação de no 0022. Verificase também no subitem 3004.90.59 Outros, Especificação 0063, medicamentos à base de Paclitaxel. Ou seja, já está normatizada, pela Secretaria da Receita Federal, a classificação destes produtos. Impugnando o lançamento a contribuinte alega o seguinte, conforme o relatório da primeira instância que reproduzo: Preliminar de nulidade. Inicialmente, há que se salientar a patente nulidade do auto de infração ora atacado, que, pretende, com base em Instrução Normativa editada em 27 de dezembro de 2006, proceder à reclassificação das Declarações de Importações registradas e desembaraçadas desde o ano de 2004. Tratase, inequivocamente, de pretensão de se dar à Instrução Normativa em questão efeitos retroativos, a fim de se alcançar situações pretéritas, que estão, efetiva e concretamente, fora do seu campo de ação. Isto quer significar que somente poderia a fiscalização utilizar se da IN 701/06 para a reclassificação das DI’s 07/00442809, 07/00594188, 07/01541304, 07/02017188, 07/02718160, 07/03869769, 07/03976987, 07/04881882, 07/04893228, 07/06210829, 07/06224960, 07/06538166, 07/06661057, 07/08418036, 07/08634189 e 07/09255718, que foram registradas após o início de sua vigência. Por tais motivos há que se cancelar o auto de infração ora atacado no que diz respeito a todas as DI’s registradas anteriormente ao início de vigência da referida instrução normativa. No mérito. A fiscalização ao aplicar a multa pela suposta prática de classificação incorreta de mercadoria na nomenclatura comum do Mercosul, não encontra amparo na realidade dos fatos. A mercadoria importada está corretamente descrita nas Declarações de Importação processadas. Isto porque o importador descreveu tais produtos como “taxol injetável”, medicamento utilizado no tratamento de neoplasias, tendo como substância ativa o paclitaxel, o que confere com a descrição adotada como correta pela fiscalização no presente Auto de Infração. Nesse ponto, não é demais recordar que declaração inexata de mercadoria é aquela que não permite a compreensão de qual é a espécie de produto que está sendo importado, o que acarreta a impossibilidade de se enquadrar corretamente a mercadoria importada. Fl. 415DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 4 Logo, é forçosa a conclusão de que não ocorreu qualquer espécie de declaração inexata da mercadoria, visto que a descrição feita foi confirmada pela fiscalização no próprio auto de infração ora impugnado. Demonstrado que não há qualquer espécie de declaração inexata de mercadoria no caso vertente, é imperativa a conclusão pela improcedência da aplicação da multa feita pela fiscalização em relação às DI’s objeto da autuação ora impugnada. Da leitura dos dispositivos que tratam da citada multa, o artigo 84 da Medida Provisória n° 2.158/01 e o artigo 636 do Regulamento Aduaneiro aprovado pelo Decreto n° 91.030/85, verificase que o princípio informador da aplicação de tal multa é justamente o de punir as classificações incorretas que dificultem a identificação da mercadoria e que, por via de conseqüência, redundem em prejuízos ao Erário Público. Isto porque a finalidade é justamente a de coibir expedientes através dos quais o importador faz a classificação incorreta da mercadoria com o objetivo de efetuar pagamento dos tributos aduaneiros em valor inferior àquele que seria realmente devido. Logo, tratase de multa punitiva que tem por objetivo precípuo evitar a imposição de danos ao erário público, punindo a máfé dos importadores. Não pode prevalecer semelhante penalidade em face do impugnante que agiu movida por clara boafé, que é facilmente constatável do fato de que a descrição dos produtos foi feita de modo correto e preciso, com o que inocorreu qualquer espécie de dificuldade na identificação do produto. Aliás, a proteção conferida ao contribuinte que age de boafé ao descrever as mercadorias importadas e que não causa dano ao Erário já é corrente na jurisprudência do próprio Conselho de Contribuintes. O Ato Declaratório Normativo COSIT n° 10 afasta a imposição da multa nos casos em que ocorrer classificação tarifária errônea, mas o produto estiver corretamente descrito, inexistindo qualquer espécie de máfé por parte do importador. Prosseguindo, não se pode olvidar que a reclassificação tarifária operada pela fiscalização não redundou na exigência de qualquer diferença de Imposto de Importação e de Imposto sobre Produtos Industrializados, visto que tanto o código 3004.90.29 adotado pela ora Impugnante quanto o código 3004.90.59 adotado pela fiscalização são tributados pelo Imposto de Importação e pelo Imposto sobre Produtos Industrializados pelas alíquotas de 8% e 0%, conforme restou atestado pela própria fiscalização. Assim sendo, o suposto erro de classificação tarifária praticado pelo importador não redundou em qualquer espécie de prejuízos ao Erário Público, visto que todos os tributos foram recolhidos adequadamente, nos mesmos valores que seriam devidos quer se adotasse o código 3004.90.29, quer se informasse o código Fl. 416DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10314.007866/200746 Acórdão n.º 3401002.148 S3C4T1 Fl. 415 5 3004.90.59, razão pela qual é certa a conclusão de que inocorreu qualquer espécie de prejuízos aos cofres públicos. De outro modo, solicita a relevação da penalidade conforme dispõe o artigo 654, inciso I, do Regulamento Aduaneiro, que prevê tal possibilidade nos casos em que a infração não tenha resultado falta ou insuficiência do recolhimento de tributos. Portanto, é imperativa a conclusão pela improcedência da presente autuação fiscal, visto que a reclassificação tarifária que não enseja o recolhimento de diferenças de tributos não pode ser apenada com a multa prevista para os casos de classificação errônea das mercadorias importadas, visto que inocorreu máfé ou dano ao Erário Público. E, ainda que assim não o fosse, caberia a relevação da penalidade. Ademais, a fiscalização pretender agora reavaliar a classificação fiscal dos produtos que foram por ela importados em todo esse período revela mudança de critério jurídico, o que é vedado pelo artigo 146 do Código Tributário Nacional. E o próprio fato de todas essas importações terem sido normalmente desembaraçadas já fez nascer a presunção de sua tácita homologação, razão pela qual a pretensão da fiscalização de efetuar sua reclassificação, aplicandose a correlata multa em razão da supostamente indevida classificação tarifária, revelase totalmente descabida, sob pena de que se perpetue verdadeira alteração de critério jurídico. Ante todo o exposto, requer a ora impugnante seja julgado improcedente o Auto de Infração ora atacado, cancelandose integralmente a exigência fiscal nele lançada, pelas razões acima postas. A 23ª Turma da DRJ manteve o lançamento, considerando que a IN RFB n° 701, de 2006 versa sobre matéria sem qualquer relação com o caso destes autos; o art. 84 da MP nº 2.15835, de 2001, não previu exclusão de punibilidade, não dependendo a responsabilidade pela infração em tela da máfé do importador ou de prejuízos ao Erário; o presente litígio não trata de imunidade, isenção ou redução do Imposto de Importação e preferência percentual, sendo, portanto, inaplicável o ADN COSIT n° 10/97; em momento algum a fiscalização procedeu com a modificação de critérios jurídicos, nem com os aspectos de direito da importação; e que a relevação da pena de perdimento é de competência exclusiva do Ministro de Estado da Fazenda. Considerou, ainda, não ter havido por parte do impugnante qualquer questionamento em relação à classificação fiscal do produto importado TAXOL no código NCM 3004.90.59 da TEC, adotado pela fiscalização. No Recurso Voluntário, tempestivo, insiste na nulidade do auto de infração ou na sua improcedência, repisando os termos da Impugnação. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Fl. 417DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 6 Voto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos do Processo Administrativo Fiscal, pelo que dele conheço. Preliminarmente rejeito a nulidade do auto de infração, arguida pela contribuinte com base na suposta retroatividade ilegal da IN SRF nº 701, de 2006, por não verificar mácula na autuação. O auto de infração atende ao disposto no art. 10 do Decreto nº 70.235/72, identifica a matéria tributada e contém o enquadramento legal correlato, demonstrando com clareza a exigência. Tratase de erro na classificação fiscal do produto descrito como "TAXOL medicamento utilizado no tratamento de neoplasias SUBSTÂNCIA ATIVA: PACLITAXEL", enquadrado pela contribuinte na posição 3004.90.29 da Tarifa Externa Comum (TEC), que a fiscalização reclassificou para a posição 3004.90.59. Não foi exigido Imposto de Importação, tampouco IPI, porque as alíquotas dos dois impostos, nas duas classificações, são idênticas. A multa, equivalente a um por cento do valor aduaneiro, foi aplicada em face da classificação incorreta. A alegação de que a autuação teria aplicado retroativamente, de modo ilegal, a IN SRF nº 701, de 2006, constitui matéria de mérito. Caso acatada implicaria na improcedência do lançamento, não na sua nulidade. De todo modo, parece descabida porque não demonstrado, nem na Impugnação nem nesta etapa recursal, que a mercadoria vinha sendo classificada na posição 3004.90.29, antes da referida Instrução Normativa. No mérito também não assiste razão à Recorrente, porque a multa em questão, exigida com base no art. art. 84, I, da Medida Provisória nº 2.158, de 24/08/2001, independe de máfé da contribuinte ou de dano ao Erário. Basta a classificação incorreta. Observese a redação do dispositivo: Art.84. Aplicase a multa de um por cento sobre o valor aduaneiro da mercadoria: Iclassificada incorretamente na Nomenclatura Comum do Mercosul, nas nomenclaturas complementares ou em outros detalhamentos instituídos para a identificação da mercadoria; ou IIquantificada incorretamente na unidade de medida estatística estabelecida pela Secretaria da Receita Federal. §1oO valor da multa prevista neste artigo será de R$ 500,00 (quinhentos reais), quando do seu cálculo resultar valor inferior. §2oA aplicação da multa prevista neste artigo não prejudica a exigência dos impostos, da multa por declaração inexata prevista noart. 44 da Lei no 9.430, de 1996, e de outras penalidades administrativas, bem assim dos acréscimos legais cabíveis. Como se vê no inciso I, a aplicação da penalidade possui caráter objetivo. Daí a manutenção desta penalidade, que visa proteger o controle aduaneiro. Fl. 418DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10314.007866/200746 Acórdão n.º 3401002.148 S3C4T1 Fl. 416 7 A corroborar a interpretação ora adotada, os seguintes acórdãos: Multa de 1% do Valor Aduaneiro. A infração capitulada no art. 84 da Medida Provisória n° 2.158 35, de agosto de 2001, inserese no plano da responsabilidade objetiva, não reclamando, portanto, para sua caracterização, a presença de intuito doloso ou máfé por parte do sujeito passivo. Demonstrado o erro de classificação, impõese a aplicação da multa. (Processo nº 11128.001728/200217, Recurso nº 137.523 Embargos, Matéria II/CLASSIFICAÇÃO FISCAL, Acórdão n° 30335.361, Sessão de 21 de maio de 2008, Relator Cons. LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO) MULTA POR CLASSIFICAÇÃO INCORRETA A multa de 1% sobre o valor aduaneiro, prevista no art. 84 da Medida Provisória nº 2.15835/2001, deve ser aplicada sempre que for apurada a classificação incorreta da mercadoria importada, observados os limites impostos pela legislação de regência. (Processo n° 12466.005190/200233 Recurso n° 131.721 Voluntário Matéria II / CLASSIFICAÇÃO FISCAL Acórdão n° 30134.068 Sessão de 16 de outubro de 2007, Relator Cons. José Luiz Novo Rossari) Pelo exposto, rejeito a preliminar de nulidade do auto de infração e, no mérito, nego provimento ao Recurso. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 419DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 10240.001605/2009-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 1402-001.006
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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EPP Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005, 2006 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 558DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10240.001605/200995 Acórdão n.º 140201.006 S1C4T2 Fl. 0 2 Relatório MADEIREIRA E TRANSPORTES PAIVA LTDA. EPP recorre a este Conselho contra a decisão de primeira instância administrativa, que julgou procedente a exigência consubstanciada no presente processo, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235/1972 Versa o presente processo sobre auto de infração de Imposto de Renda Pessoa Jurídica — IRPJ, Contribuição Social sobre o Lucro Liquido — CSLL, Programa de Integração Social — PIS e Contribuição para Financiamento da Seguridade Social — COFINS, no valor total de R$ 2.568.514,28, incluídos os acréscimos legais, referente ao anocalendário de 2005 e 2006. A autuação fiscal arbitrou o lucro com base na receita bruta conhecida e fundamentouse nos depósitos bancários não comprovados, tendo sido o contribuinte devidamente intimado para isso durante a ação fiscal e não logrou êxito. Cientificado do lançamento em 23/09/2009 apresentou impugnação em 23/10/2009, contestando a exigência de tributos com base na presunção legal do art. 42 da Lei. 9.430 de 1996. A decisão recorrida está assim ementada: OFENSA AO PRINCÍPIO DA CAPACIDADE CONTRIBUTIVA – Não ha de se cogitar da materialização das hipóteses de confisco e de ofensa ao Principio da Capacidade Contributiva quando os lançamentos se pautaram nos pressupostos jurídicos, declarados no enquadramento legal, e faticos, esses coadunados com o conteúdo econômico das operações comerciais do contribuinte.' DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITAS. Os valores creditados em conta de depósito mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações são caracterizados como omissão de receitas. LANÇAMENTO REFLEXO Aplicase ao lançamento da CSLL/PIS/Cofins o que foi decidido em relação ao lançamento de IRPJ, tendo em vista a convergência dos fatos imponiveis. Impugnação Improcedente Cientificada da aludida decisão em 31/03/2010 (fl. 231), a contribuinte apresentou recurso voluntário em 30/04/2010, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 559DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10240.001605/200995 Acórdão n.º 140201.006 S1C4T2 Fl. 0 3 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Conforme relatado, em litígio a omissão de receitas com base na presunção legal em face da falta de comprovação da origem dos depósitos bancários. A auditoria fiscal foi motivada pelo fato de a empresa não ter apresentado Declaração de Informações Fiscais da Pessoa Jurídica, Declaração de Débitos e Créditos de Tributos Federais, assim como não fez qualquer recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, enquanto as Instituições Financeiras informaram retenção de Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira. De acordo com o demonstrativo de fl. 62, os depósitos bancários líquidos não comprovados atingiram 6.506.901,96 em 2005 e 3.886.209,52 em 2006. Em que pese a decisão de primeira instancia ter asseverado que cabe ao contribuinte fazer prova da origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, que ultrapassam em muito a receita contabilizada, o recorrente nada apresentou. No caso em concreto, a fiscalização fundamentou o lançamento justamente em uma presunção legal. Com a edição do art. 42 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, a partir de 01/01/1997, a existência de depósitos bancários, cuja origem não seja comprovada, foi erigida a condição de presunção legal de omissão de receita. A partir de 01/01/1997, a existência de depósitos não escriturados ou de origens não comprovadas tornouse uma nova hipótese legal de presunção de omissão de receitas, que veio se juntar ao elenco já existente. Com essa nova previsão legal, sempre que o titular de conta bancária, pessoa fisica ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea coincidente em datas e valores, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento, está o fisco autorizado e obrigado a proceder ao lançamento do imposto correspondente, não havendo a necessidade de se estabelecer o nexo causal entre cada depósito e o fato que represente omissão de receita. Outrossim, correto o procedimento fiscal em arbitrar o lucro da contribuinte, nos exatos termos do artigo 539 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/99). Isso porque , diante de tamanha discrepância entre o total dos recursos/receitas contabilizadas, com os depósitos bancários, em se tratando de atividade de revenda de mercadorias, não há que se falar em reconstituição do lucro real, pois, estarseia tributando receitas e não lucro. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 560DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 10240.001605/200995 Acórdão n.º 140201.006 S1C4T2 Fl. 0 4 Fl. 561DF CARF MF Impresso em 06/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 06/ 06/2012 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 31/05/2012 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
score : 1.0
Numero do processo: 10580.727052/2009-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Apr 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005, 2006, 2007
Ementa:
INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA.
Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2)
IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE.
Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12)
IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV.
Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda.
ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI.
Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN).
IRPF. MULTA. EXCLUSÃO.
Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
Numero da decisão: 2201-001.997
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pela Contribuinte. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso.
Assinado Digitalmente
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente.
Assinado Digitalmente
Eduardo Tadeu Farah - Relator.
EDITADO EM: 13/04/2013
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pela Contribuinte. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah - Relator. EDITADO EM: 13/04/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2131; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10580.727052/200943 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201001.997 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 19 de fevereiro de 2013 Matéria IRPF Recorrente LICIA DE CASTRO LARANJEIRA CARVALHO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005, 2006, 2007 Ementa: INCONSTITUCIONALIDADE. APRECIAÇÃO. INCOMPETÊNCIA. Falece competência a este órgão julgador para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2) IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. RESPONSABILIDADE. Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. (Súmula CARF nº 12) IMPOSTO DE RENDA. DIFERENÇAS SALARIAIS. URV. Os valores recebidos por servidores públicos a título de diferenças ocorridas na conversão de sua remuneração, quando da implantação do Plano Real, são de natureza salarial, razão pela qual estão sujeitos aos descontos de Imposto de Renda. ISENÇÃO. NECESSIDADE DE LEI. Inexistindo lei federal reconhecendo a alegada isenção, incabível a exclusão dos rendimentos da base de cálculo do Imposto de Renda (art. 176 do CTN). IRPF. MULTA. EXCLUSÃO. Deve ser excluída do lançamento a multa de ofício quando o contribuinte agiu de acordo com orientação emitida pela fonte pagadora, um ente estatal que qualificara de forma equivocada os rendimentos por ele recebidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 70 52 /2 00 9- 43 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar arguida pela Contribuinte. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da exigência a multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo, que negaram provimento, e Rayana Alves de Oliveira França, que deu provimento integral ao recurso. Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Relator. EDITADO EM: 13/04/2013 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Ricardo Anderle (suplente convocado), Gustavo Lian Haddad, Pedro Paulo Pereira Barbosa e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Rodrigo Santos Masset Lacombe. Relatório Adoto o relatório de primeira instância por bem traduzir os fatos da presente lide até aquela decisão. Tratase de auto de infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF correspondente aos anos calendário de 2004, 2005 e 2006, para exigência de crédito tributário, no valor de R$ 154.975,14, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes no auto de infração, o crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurada classificação indevida de rendimentos tributáveis na Declaração de Ajuste Anual como sendo rendimentos isentos e não tributáveis. Os rendimentos foram recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. As diferenças recebidas teriam natureza eminentemente salarial, pois decorreram de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, conseqüentemente, estariam sujeitas à incidência do imposto de renda, sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento. Na apuração do imposto devido não foram consideradas as diferenças salariais que tinham como origem o décimo terceiro salário, por estarem sujeitas à tributação exclusiva na fonte, nem as que tinham como origem o abono de férias, em atendimento ao despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 16 de novembro de 2006, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 2.140/2006. Foi atendido, também, o despacho do Ministro da Fazenda publicado no DOU de 11 de maio de 2009, que aprovou o Parecer PGFN/CRJ nº 287/2009, que dispõe sobre a forma de apuração do imposto de renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727052/200943 Acórdão n.º 2201001.997 S2C2T1 Fl. 3 3 O contribuinte foi cientificado do lançamento fiscal e apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: a) o lançamento fiscal é improcedente, pois teve como objeto valores recebidos pelo impugnante a título de diferenças de URV, que não estão sujeitos à incidência do imposto de renda, em razão do seu caráter indenizatório, conforme legislação instituidora da referida verba. Tais valores não se enquadram nos conceitos de renda ou proventos de qualquer natureza, previstos no art. 43 do CTN; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; e) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; f) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado nas ementas abaixo transcritas: DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Fl. 99DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 4 Intimada da decisão de primeira instância, Licia de Castro Laranjeira Carvalho apresenta tempestivamente Recurso Voluntário, sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua Impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Tadeu Farah O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Cuidam os presentes autos de lançamento originário de verbas recebidas do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Antes de adentrarmos no mérito da questão insta examinar, de antemão, a preliminar aventada pela defesa. Ilegitimidade da União Federal Quanto à alegada ilegitimidade ativa para exigir o tributo penso que o art. 153, inciso III, da Constituição Federal atribui a União competência exclusiva para legislar sobre imposto de renda e proventos de qualquer natureza. Assim, em que pese o produto da arrecadação do IRRF pertencer ao Estado da Bahia, tal fato não tem o condão de alterar a competência da União relativa ao Imposto sobre a Renda, conforme prevê o art. 6º, parágrafo único, do Código Tributário Nacional (CTN). Além do mais, não procede à alegação de que a União não poderia exigir o imposto pela falta de retenção do Estado da Bahia, pois o contribuinte, na qualidade de beneficiário dos rendimentos, não pode se furtar da tributação do imposto porque a fonte pagadora não procedeu à retenção. A lei, ao disciplinar a elaboração da Declaração Anual de Ajuste, determina a inclusão na base de cálculo do imposto de todos os rendimentos percebidos no ano, independentemente de ter ou não havido retenção do imposto na fonte (artigos 7º e 8º da Lei nº 9.250, de 26/12/1995). É neste sentido a Súmula CARF nº 12: Constatada a omissão de rendimentos sujeitos à incidência do imposto de renda na declaração de ajuste anual, é legítima a constituição do crédito tributário na pessoa física do beneficiário, ainda que a fonte pagadora não tenha procedido à respectiva retenção. Destarte, imprópria a tentativa de vincular a responsabilidade tributária tão só ao Estado da Bahia. No mérito, verifico que as verbas recebidas a título de “Valores Indenizatórios de URV” advêm de diferenças salariais ocorridas na conversão da remuneração do servidor público, quando da implantação do Plano Real. Logo, as verbas recebidas visam recompor parte do salário e, neste sentido, configurase fato gerador do tributo, pois se trata de aquisição de disponibilidade econômica de renda, conforme prevê o artigo 43 do CTN: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727052/200943 Acórdão n.º 2201001.997 S2C2T1 Fl. 4 5 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. (Incluído pela Lcp nº 104, de 10.1.2001) Portanto, a definição prevista no artigo 43 do CTN se subsume ao caso em questão, isto porque as quantias percebidas pelo contribuinte de fato constitui produto do trabalho (diferença salarial). No que tange à alegada afronta ao princípio constitucional da isonomia, percebo que a Resolução do Supremo Tribunal Federal (STF) nº 245, de 2002, conferiu natureza jurídica indenizatória ao abono variável apenas aos Magistrados do Poder Judiciário Federal e, posteriormente, aos membros do Ministério Público da União (Lei nº 9.655/1998 e Lei nº 10.474/2002). Neste caso, não há como estender o entendimento a outros contribuintes, haja vista inexistir lei federal determinando o mesmo tratamento tributário. Transcrevese, outrossim, o art. 111, inciso II, do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; Pensar diferente implicaria na concessão de isenção sem lei federal própria, o que ofenderia o art. 150, § 6º, da CF e art. 176, do CTN. Ressaltese que a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, por meio do Parecer PGFN/Nº 529/2003, aprovado pelo Ministro da Fazenda, também reconheceu a natureza indenizatória do abono apenas aos Magistrados da União, respeitando a interpretação do STF. Importa também acrescer que este Órgão Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, conforme dispõe a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Destarte, pelos fundamentos expostos, entendo que a verba em exame deve ser tributada. Em relação à incidência do imposto de renda sobre juros de mora, penso que não é o caso de se utilizar à sistemática prevista no art. 62A do Anexo II do RICARF (art. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 6 543C do Código de Processo Civil – CPC), pois a matéria aqui tratada não é exatamente igual à decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ). Confira a ementa do Resp. nº 1227133/RS: RECURSO ESPECIAL. REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. JUROS DE MORA LEGAIS. NATUREZA INDENIZATÓRIA. VERBAS TRABALHISTAS. NÃO INCIDÊNCIA OU ISENÇÃO DE IMPOSTO DE RENDA. – Não incide imposto de renda sobre os juros moratórios legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em decisão judicial. (grifei) Com efeito, o STJ reconheceu a não incidência de imposto de renda sobre juros de mora legais vinculados a verbas trabalhistas reconhecidas em despedida ou rescisão do contrato de trabalho, bem como incidentes sobre verba principal isenta ou fora do campo de incidência do IR. No caso dos autos, o pagamento da verba ocorreu, em verdade, com a edição da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Assim sendo, deve incidir o imposto de renda sobre juros de mora. Quanto a imposição da multa de ofício, penso que a mesma deve ser excluída, pois o sujeito passivo foi de fato induzido ao erro pela fonte pagadora. É cediço que o comprovante de rendimento elaborado pela fonte pagadora classificou a referida verba como rendimentos isentos e não tributáveis, e ao apresentar sua Declaração de Ajuste o sujeito passivo meramente copiou os dados constantes do comprovante, acreditando estar agindo de forma correta. Assim, se houve erro no apontamento da natureza dos rendimentos tributáveis auferidos, este erro não foi provocado pelo sujeito passivo. Deste modo, o erro é escusável e, portanto, inaplicável a multa de ofício. Aliás, nesta vertente, vem decidindo a Câmara Superior de Recursos Fiscais, a exemplo da ementa destacada: IRPF – MULTA DE OFÍCIO Não é possível imputar ao contribuinte a prática de infração de omissão de rendimentos quando seu ato partiu de falta da fonte pagadora, que elaborou de forma equivocada o comprovante de rendimentos pagos e imposto retido na fonte. O erro, neste caso, revelase escusável, não sendo aplicável a multa de ofício. Recurso especial negado. (Ac. CSRF/0400.045, Rel. Cons. Wilfrido Augusto Marques, julgado em 08.06.2005) Sobre a matéria supra, dispensável tecer maiores comentários, eis que o tema já foi pacificado recentemente pelo CARF, conforme se verifica da transcrição da Súmula nº 73: Erro no preenchimento da declaração de ajuste do imposto de renda, causado por informações erradas, prestadas pela fonte pagadora, não autoriza o lançamento de multa de ofício. Destarte, deve ser excluída a multa de ofício aplicada ao lançamento em exame. Por fim, o julgador não está obrigado a rebater todas as questões levantadas pela defesa, mormente quando os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (art. 31 do Decreto nº. 70.235, de 1972). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10580.727052/200943 Acórdão n.º 2201001.997 S2C2T1 Fl. 5 7 Esse entendimento é pacifico neste Órgão Administrativo, consoante a ementa destacada: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – DEFESA DO CONTRIBUINTE APRECIAÇÃO Conforme cediço no Superior Tribunal de Justiça STJ, a autoridade julgadora não fica obrigada a manifestarse sobre todas as alegações do recorrente, nem a todos os fundamentos indicados por ele ou a responder, um a um, seus argumentos, quando já encontrou motivo suficiente para fundamentar a decisão. (REsp 874793/CE, julgado em 28/11/2006). (Acórdão 10248620) Ante o exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir a aplicação da multa de ofício. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH 8 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº: 10580.727052/200943 TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovados pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto a Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência do Acórdão nº 2201001.997. Brasília/DF, 19 de fevereiro de 2013 Assinado Digitalmente Maria Helena Cotta Cardozo Presidente Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/04/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/04/2013 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 13/04/2013 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 10830.912955/2009-39
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO.
Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologa-se a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito.
Numero da decisão: 3401-002.129
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772.
JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente
EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologa-se a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS - Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos.
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Recorrente COIM BRASIL LTDA Recorrida DRJ CAMPINAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/05/2003 a 31/05/2003 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INDÉBITO DO CONTRIBUINTE RECONHECIDO PARCIALMENTE EM DILIGÊNCIA. HOMOLOGAÇÃO. Reconhecido em diligência o indébito decorrente de pagamento a maior da Contribuição homologase a compensação respectiva, ainda que a retificação da DCTF seja posterior ao despacho decisório que indeferiu o pleito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Esteve presente ao julgamento a Drª Isabella Bariani Tralli OAB/SP 198772. JÚLIO CESAR ALVES RAMOS Presidente EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Clauter Simões Mendonça, Odassi Guerzoni Filho, Ângela Sartori, Fernando Marques Cleto Duarte e Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 55 /2 00 9- 39 Fl. 112DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão da 3ª Turma da DRJ que manteve a não homologação de compensação cujo crédito alegado tem origem em pagamento a maior da Cofins. Na origem a análise se deu por meio de despacho decisório eletrônico. Na manifestação de inconformidade a contribuinte alega que não foi retificada a DCTF no momento em que recalculados os débitos e identificados os valores pagos a maior, e que o problema será sanado com a simples retificação. A 3ª Turma da DRJ constatou que a DCTF foi retificada após o despacho decisório, mas manteve o indeferimento por não haver prova de erro cometido na original. Observou que a contribuinte trouxe aos autos apenas a cópia da retificação extemporânea da DCTF. No recurso voluntário, tempestivo, a contribuinte explica que a retificação na DCTF decorre da tributação de “outras receitas” – além do faturamento –, incluídas na base de cálculo da Contribuição, asseverando que a realização de simples diligência permitiria constatar na sua escrituração o seu direito creditório. Anexa à peça recursal cópias de Diário e Razão, dentre outros documentos, invoca o princípio da verdade material e cita em prol de sua argumentação o Acórdão nº 203 09.788 e a Solução de Consulta da 3ª Região Fiscal nº 35, de 30/08/2005. Em diligência determinada por este Colegiado a unidade de origem verificou o indébito, informando haver recolhido a maior no montante de R$ 7.430,36 (fl. 95). A contribuinte, cientificada da diligência realizada, expressamente concorda com o seu resultado. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Diante do resultado da diligência, que reconhece integralmente o indébito informado no PER/DCOMP, cabe dar provimento parcial ao Recurso. Ao deixar de homologar a compensação, a DRJ considerou não haver prova de erro cometido na DCTF original. O apurado na diligência, contudo, verificou o contrário, pelo que cabe admitir o novo valor posto na DCTF retificadora, entregue depois do despacho decisório na origem. Na situação dos autos, de despacho decisório eletrônico, convém sempre investigar em maior profundidade a escrita fiscal e contabilidade da empresa, o que foi feito por ocasião da diligência. Somente assim, com apuração dos valores devido e recolhido do tributo, é possível decidir a lide. O despacho eletrônico requer maior cautela por parte das autoridades julgadoras, especialmente porque antes a contribuinte não tem oportunidade de se manifestar. Fl. 113DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10830.912955/200939 Acórdão n.º 3401002.129 S3C4T1 Fl. 113 3 Por oportuno, observo que a confissão constante de DCTF admite em sentido contrário. Tal confissão, que inclusive dispensa o lançamento tributário, conforme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, encontra amparo nos 348, 353, 354 e 585, II, do Código de Processo Civil. Segundo esses dispositivos há confissão quando uma parte (sujeito passivo da obrigação tributária principal) admite a verdade de um fato (ser devedora do tributo confessado), contrário ao seu interesse e favorável à outra parte (Fisco), o que pode ser feito de forma judicial ou extrajudicial. A confissão extrajudicial feita por escrito à parte contrária, como se dá mediante a DCTF, ou se deu por meio da DIPJ até o anocalendário 1998, tem o mesmo efeito da judicial. Assim, em sede tributária a confissão de dívida serve como título executivo extrajudicial que, contudo, admite provas contrárias, especialmente a de não ocorrência do fato gerador ou a de extinção do crédito tributário confessado. Daí se admitir a retificação das DCTF, mesmo depois do despacho decisório ou, quando for o caso, do início da ação fiscal. Pelo exposto, nos termos do resultado da diligência dou provimento ao Recurso Voluntário, reconhecendo o indébito da Cofins no montante informado no PER/ DCOMP e homologando a compensação pleiteada. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 114DF CARF MF Impresso em 20/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 10/03/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/03/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
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Numero do processo: 19515.000711/2003-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 14 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 1998
ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA.
MATÉRIA SUMULADA.
Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos
depósitos.
TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA.
De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC
para títulos federais.
Numero da decisão: 2102-001.245
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 51809-5 do Banco Itaú, nos termos do voto do relator.
Matéria: IRPF- ação fiscal - Dep.Bancario de origem não justificada
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula nº 02, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DEPÓSITO BANCÁRIO A DESCOBERTO. ÔNUS DA PROVA. MATÉRIA SUMULADA. Para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de janeiro de 1997, o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, autoriza a presunção legal de omissão de rendimentos com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo. Não comprovada a origem dos depósitos em conta corrente bancária, deve ser mantido o lançamento tributário. De acordo com a Súmula CARF nº 26, a presunção estabelecida pelo citado dispositivo legal dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. MATÉRIA SUMULADA. De acordo com o disposto na Súmula CARF nº 04, a partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 295 2 ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 518095 do Banco Itaú, nos termos do voto do relator. ASSINADO DIGITALMENTE Giovanni Christian Nunes Campos Presidente ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator EDITADO EM 15/04/2011 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Giovanni Christian Nunes Campos, Eivanice Canário da Silva, Núbia Matos Moura, Rubens Maurício Carvalho, Acácia Sayuri Wakasugi e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 272 a 286, interposto contra decisão da DRJ em Campo Grande/MS, de fls. 256 a 260, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 227 a 230 dos autos, lavrado em 22/04/2003, relativo ao anocalendário 1998, com ciência do RECORRENTE em 23/04/2003 (fl. 227). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 169.254,42, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. De acordo com a descrição dos fatos à fl. 228, o lançamento teve origem nas seguintes infrações: 001 OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS OMISSÃO DE RENDIMENTOS DO TRABALHO SEM VINCULO EMPREGATÍCIO RECEBIDOS DE PESSOAS JURÍDICAS Omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, decorrente do trabalho sem vínculo empregatício, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato Gerador 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 21.905,61 Multa(%) 75,00 Enquadramento legal: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 296 3 Arts. 1º, 2º e 3º. E §§, da Lei nº 7.713/88; Art. 1º ao 3º, da Lei nº 8.134/90; Art. 21 da Lei nº 9.532/97. 002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS COM ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fato Gerador 31/01/1998 28/02/1998 31/03/1998 30/04/1998 31/05/1998 30/06/1998 31/07/1998 31/08/1998 30/09/1998 31/10/1998 30/11/1998 31/12/1998 Valor Tributável ou Imposto R$ 7.586,56 R$ 6.073,54 R$ 2.281,50 R$ 12.007,28 R$ 57.072,40 R$ 29.112,70 R$ 2.538,90 R$ 17.730,10 R$ 73.428,90 R$ 36.395,90 R$ 1.326,70 R$ 1.227,20 Multa(%) 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 75,00 Enquadramento legal: Art. 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 4º da Lei nº 9.481/97; Art. 21 da Lei nº 9.532/97. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 219 e 224, a fiscalização foi instaurada com base nas informações de retenção da CPMF prestadas pelas instituições financeiras, de acordo com o art. 11, §2º, da Lei nº 9.311/96, conforme Termo de Início de Fiscalização à fl. 17. No decorrer da ação, a autoridade fiscal verificou que o RECORRENTE encontravase omisso com a obrigação acessória da entrega da declaração de rendimentos do anocalendário 1998 (fl. 21). É parte do Termo de Verificação Fiscal: “O Relatório de Movimentação Financeira Base CPMF que originou a presente ação fiscal, indicavanos o total de movimentação financeira da pessoa física em R$ 19.591.746,82, sendo R$ 466.570,16 no Bradesco, R$ 19.125.176,55 no Itaú e Fl. 3DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 297 4 R$ 0,11 no Banco Santander Noroeste, assim como, a situação da Declaração como omisso para o EX/99 AC/98. O Dossiê de Contribuinte SIGA PF extraído em 10/10/2001 mostranos uma movimentação financeira, já atualizada para o Banco Itaú, de R$ 4.576.622,95 com o valor da CPMF em R$ 9.145,79, não havendo modificações dos valores das movimentações financeiras do Bradesco e Santander Noroeste. Através do Sistema de Grande Porte da Secretaria da Receita Federal Consulta Base CPF constatamos que o contribuinte, em atendimento a Intimação de 26/09/2001, entregou sua Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 em 16/01/2002. Ainda, no cotejamento dos valores da CPMF base extratos de todas contas correntes versus os valores apresentados no relatório SIGA PF constatamos que os valores acumulados anuais do relatório SIGA para o Banco Itaú é maior em R$ 59,99; enquanto para o Bradesco o relatório SIGA é maior em R$ 35,65 em relação aos valores da CPMF levantadas através dos extratos. A mesma comparação feita para o Banco Santander Noroeste não apresentou diferenças. Com base nas análises realizadas nos extratos bancários apresentados pelo contribuinte, constatamos que no: a) Bradesco agência 22209 conta corrente 7.0009 depósitos no valor total anual de R$ 448.643,18, sendo que, R$ 405.045,60 foi justificado e R$ 43.597,58 não justificado; b) Banco Itaú agência 0734 todas contas correntes depósitos no valor total anual de R$ 3.129.695,00, sendo que, R$ 2.911.428,90 foi justificado e R$ 218.266,10 não justificado através de documentos hábeis e idôneos. A base de cálculo para efeito da apuração do crédito tributário já leva em consideração os cheques devolvidos e posteriormente reapresentados. Todos os dados dos depósitos justificados e não justificados e cheques devolvidos levantados através dos extratos bancários, conforme planilhas anexas, fazem parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. (...) Em função da não comprovação através de documentos hábeis e idôneos, dos depósitos em contas correntes de movimentação financeira dos bancos Itaú e Bradesco conforme já relatado anteriormente, exigimos o crédito tributário proveniente desses depósitos, acrescido da multa de oficio e dos juros de mora (...) Tendo em vista a entrega da Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 durante a ação fiscal, estamos considerando o valor declarado como base de cálculo R$ 21.905,61 como omissão de Rendimentos Tributáveis Recebido de Pessoa Jurídica.” Fl. 4DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 298 5 Em suma, conforme planilha de fl. 218, a base de cálculo do crédito tributário, em relação aos depósitos não justificados, foi de R$ 246.781,68 (após desconto dos cheques devolvidos), que somado ao valor de R$ 21.905,61 (declarado em DIRPF entregue durante a ação fiscal), perfaz o total de R$ 268.687,29, que é a base de cálculo do lançamento. Os extratos bancários acostados aos autos são os seguintes: conta nº 010.602949.54 do Banco Santander Noroeste (fl. 85); conta 7.0009 do Banco Bradesco (fls. 87 a 94); e contas nºs 585177, 477797 e 518095, todas do Banco Itaú (fls. 105 a 191). A relação dos depósitos não justificados foi acostada às fls. 50 a 54 e fl. 57, enquanto que a relação dos depósitos justificados encontrase às fls. 192 a 206 e fl. 209. DA IMPUGNAÇÃO Em 20/05/2003, o RECORRENTE apresentou, tempestivamente, sua impugnação de fls. 232 a 242, através de procurador devidamente habilitado à fl. 243. O RECORRENTE não concorda com o lançamento por presunção de omissão de receita com base no art. 42 da Lei nº 9.430/96, e defende o seguinte: A disponibilidade econômica de rendas e/ou proventos em seu beneficio (do Impugnante), dos valores depositados em suas contas bancárias, não restou provada nos autos como sendo capaz de justificar a pretensão de ocorrência de fato gerador do IRPF. (...) O Fisco teve contrariada a sua suposição de rendimentos ocultados à tributação. Tendo em vista que a prova desse "rendimento tributável" é necessária e obrigatória à constituição do fato gerador do imposto de renda, sendo do Fisco o ônus (art. 333 do CPC), a conseqüência é a de que ilegítima se apresenta a pretensão. O método presuntivo utilizado pelo Fisco Federal para apuração do suposto crédito tributário constante do lançamento, como resultado do confronto de dados relativos aos depósitos não contabilizados e os valores tomados a título de imposto de renda, não tem sido admitido como suficiente para a manutenção de acusações como as lançadas. Valores em trânsito por contas bancárias não significam omissão de receita, não correspondem a lucro tributável. Não se justifica ainda o critério de soma de depósitos lançados, já que é lógico, normal e natural que em operações como as narradas, montantes sejam creditados e debitados numa operação circular e não linear. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 299 6 (...) Pelo que foi relatado e demonstrado os depósitos e saques realizados nas contas bancárias do Impugnante, sem sequer conciliação, o que está sendo feito agora por ela, não podem ser tomados como renda ou proventos. A uma, porque não resultado de trabalho ou capital ou ainda resultado da combinação de ambos. A duas, porque o seu acréscimo patrimonial foi nenhum. Assim, não basta o artigo 42 da referida Lei 9430/96 estabelecer constituir omissão de receita valores creditados em conta bancária, sem sequer dar importância a seus saldos, causas e circunstâncias específicas. Por tal razão, afirmou que seria nulo o lançamento, já que embasado em simples indícios. Ademais, demonstrou a sua discordância em relação à aplicação da taxa SELIC ao alegar que: Por outro lado, tendo em vista a utilização da SELIC, ainda que algo fosse devido o que se admite apenas e tão somente para argumentar e, "ad cautelam", em razão do princípio da eventualidade restaria ilegítimo o valor ao fmal reclamado, na exata medida em que inconcebível a utilização de tal "indexador", criado e utilizado para a remuneração de títulos privados, na atualização de relações de direito público tributos federais. Portanto, o RECORRENTE requereu fosse declarada a insubsistência do lançamento. DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 121 a 137 dos autos, julgou procedente o lançamento, através de acórdão com a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 1998 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. É defeso em sede administrativa discutir a constitucionalidade e ou legalidade das leis em vigor. Sujeitase ao imposto a omissão de rendimentos caracterizada pelos valores creditados em contas de depósito, não tendo o Fl. 6DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 300 7 contribuinte comprovado a origem dos recursos utilizados nessas operações. Lançamento Procedente” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora esclareceu que o RECORRENTE não apresentou defesa em relação à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. Assim, determinou a imediata cobrança do crédito tributário relacionado à mencionada infração. No mérito, rebateu as alegações do RECORRENTE ao afirmar que as presunções (prova indiciária) são meios de prova admitidos no ordenamento jurídico brasileiro. No caso, o art. 42 da Lei nº 9.430/96 criou presunção legal de que os valores depositados configuram rendimentos tributáveis. Com relação à taxa SELIC, afirmou a autoridade julgadora que, em sede administrativa, não cabe a discussão da constitucionalidade ou legalidade de lei, consoante estabelecem o Parecer Normativo CST/SRF n° 329/1970, o Parecer PGFN/CRF n° 439/1996 e Parecer PGFN/CAT n° 1.649/2003.Citou também a Súmula n° 2 do antigo Primeiro Conselho de Contribuintes, a qual estabelece que “O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Ademais, citou também a Súmula n° 4 do antigo Terceiro Conselho de Contribuintes, que prevê: “A partir de 1º de abril de 1995 é legítima a aplicação/utilização da taxa Selic no cálculo dos juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal”. Portanto, julgou procedente o presente lançamento. DO RECURSO VOLUNTÁRIO O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 03/11/2008, conforme faz prova o “Aviso de Recebimento” de fl. 265v, apresentou em 03/12/2008 o recurso voluntário de fls. 272 a 286, através de procurador habilitado à fl. 243. Em suas razões de recurso, o RECORRENTE não concorda com o entendimento da DRJ, de que o mesmo não se insurgiu quanto à omissão de rendimentos de trabalho sem vínculo empregatício recebido de pessoa jurídica. No que diz respeito aos depósitos bancários, o RECORRENTE afirmou, com base na planilha de fl. 218, que: “(...) 18. Para um total de depósitos bancários de R$ 3.578.338,18 (três milhões quinhentos e setenta e oito mil trezentos e trinta e oito reais e dezoito centavos), conseguiu o Recorrente Fl. 7DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 301 8 comprovar os depósitos de R$ 3.316.474,50 (três milhões trezentos e dezesseis mil quatrocentos e setenta e quatro reais e cinqüenta centavos), como sendo de terceiros. Dessa situação resultou uma exigência sobre R$ 261.863,68 (duzentos e sessenta e um mil oitocentos e sessenta e três reais e sessenta e oito centavos). 19. Tal equivale a uma diferença de 7% (sete por cento) como não justificado. Equivale ainda a um salário mensal, para cobrança de duplicatas, de mais de R$ 21.000,00 (vinte e um mil reais), o que jamais em tempo algum ganhou o Recorrente. (...)” Mais adiante, cita o esclarecimento por ele apresentado durante a ação fiscal (fl. 74), informando, em suma: “(...) c) que tinha dificuldade em arranjar emprego, restandolhe aceitar a fazer cobranças para a "Ipal", uma empresa do Estado do Mato Grosso; d) que como remuneração tinha acertado 1,5% do que conseguisse receber, passando os valores por sua conta, após entregues à "Ipal"; e) que foram várias as vezes que esteve no MS em busca de comprovação de suas afirmações, tendo a "Ipal" encerrado falência as suas atividades (doc.2), não tendo sido possível completar a documentação necessária (7%), à prova devida. (...)” E continuou sua defesa, expondo os argumentos transcritos a seguir: “(...) 21. Às fls. 81, se encontra mais um contrato envolvendo o Recorrente e outra empresa: "MAFROL MADEIREIRA FRONTEIRA COMÉRCIO E IMPORTAÇÃO LTDA", para cobranças (cláusula segunda), enquanto que a remuneração se encontra cuidada na cláusula sexta, num percentual de 1,5%. 22. Assim, cabendo ao Fisco fazer a prova em sentido contrário à prova realizada pelo Recorrente, o possível seria então, quando muito, reclamar o valor correspondente a 1,5% sobre o valor de 3.578.338,18, o que equivale a R$ 53.675,07, contra os R$ 268.687,29, considerados pelo Fisco como base de cálculo. 23. Daí que o procedimento adotado pelo Fisco vulnera o artigo 142 do Código Tributário Nacional, eis que a ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda não foi cabalmente comprovada: (...) 24. Notese, que o Recorrente levou ao conhecimento do Fisco a prova de que a movimentação em suas contas bancárias estava Fl. 8DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 302 9 relacionada, também, ao contrato de prestação de serviços firmado com a Madeireira Fronteira Comércio e Importação Ltda. Mafrol, consoante o "Termo de Verificação Fiscal" (página 4), in verbis: (...) 25. Se os documentos não eram suficientes para esclarecer as origens dos numerários que transitaram pelas contas correntes do Recorrente (100%), inclusive declarações das empresas em anexo, cabia ao Fisco dar continuidade às diligências para demonstrar a ocorrência do fato gerador. Vedado lhe era, por presunção, depois de toda a prova realizada 93% concluir por sonegação, mesmo quando ausente acréscimo patrimonial. (...)” Assim, requereu a reforma da decisão recorrida. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima, Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. De acordo a Descrição dos Fatos de fl. 228/229 e com o Termo de Verificação Fiscal de fls. 219 a 224 dos autos, a autoridade fiscal lavrou o presente auto de infração pelo fato de o RECORRENTE (i) ter omitido rendimentos, no valor de R$ 21.905,61, recebidos de pessoa jurídica no anocalendário 1998; e (ii) não ter comprovado a origem dos depósitos efetuados em suas contas bancárias mantidas no Banco Itaú S/A e no Banco Bradesco, no valor total de R$ 246.781,68, durante o anocalendário 1998. A autoridade julgadora de primeira instância entendeu que deveria ser realizada a cobrança definitiva da infração constante do item “i” acima, visto que não foi apresentada impugnação sobre essa parcela do lançamento. Em suas razões de apelo, o RECORRENTE afirmou ter questionado ambas as acusações, e se defende arguindo que o lançamento referese tãosomente a não comprovação da origem dos depósitos bancários. Fl. 9DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 303 10 Porém, entendo que assiste razão à DRJ. Ao contrário do que afirma o RECORRENTE, a autoridade lançadora expressamente acusao de haver omitido rendimentos recebidos de pessoa jurídica, apurado com base nas informações prestadas em declaração de ajuste anual apresentada no curso da ação fiscal, conforme exposto no Termo de Verificação Fiscal: Tendo em vista a entrega da Declaração de Ajuste Anual do EX/99 AC/98 durante a ação fiscal, estamos considerando o valor declarado como base de cálculo R$ 21.905,61 como omissão de Rendimentos Tributáveis Recebido de Pessoa Jurídica. Assim, caberia ao RECORRENTE defenderse de tal acusação de forma expressa em sua impugnação, sendo certo que a falta de contestação implica na revelia da parte do lançamento, conforme prevê o art. 17 do Decreto nº 70.235/72, verbis: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Notese que foi procedida a cobrança do imposto referente ao valor tributável informado pelo próprio RECORRENTE na DIRPF entregue de forma extemporânea (fl. 60). Portanto, pelo fato de o RECORRENTE não ter se manifestado a respeito da omissão de rendimentos, deve ser decretada a revelia sobre a matéria não impugnada, a qual fica sujeita a cobrança definitiva. Acerca da omissão de rendimentos caracterizada pelos depósitos bancários de origem não comprovada, também é procedente o lançamento tributário. Em princípio, devese esclarecer que o art. 42 da Lei nº 9.430/1996 prevê expressamente que os valores creditados em conta de depósito que não tenham sua origem comprovada caracterizamse como omissão de rendimento para efeitos de tributação do imposto de renda, nos seguintes termos: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. A referida matéria já foi, inclusive, sumulada por este CARF, razão pela qual é dever invocar a Súmula nº 26 transcrita a seguir: SÚMULA CARF Nº 26 A presunção estabelecida no art. 42 da Lei Nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 304 11 Desta forma, é legal a presunção de omissão de rendimentos por depósitos bancários de origem não comprovada, a qual pode ser elidida por prova em contrário, o que não aconteceu no presente caso. O RECORRENTE apenas alega que conseguiu comprovar, durante a ação fiscal, a origem de 93% dos depósitos bancários, e que o restante dos valores não comprovados foram recebidos por serviços de cobranças prestados para as empresas “Ipal” e “Mafrol Madeireira Fronteira Comércio e Importação Ltda.”. Sobre esta última, afirmou que o contrato de fls. 81 a 84 comprovaria tal alegação. Ocorre que a origem dos recursos depositados em contas bancárias deve ser comprovada através de documentação hábil e idônea. Desse modo, o contrato de fls. 81 a 84 não é bastante para comprovar a origem dos depósitos efetuados nas contas correntes do RECORRENTE. Quando da apresentação de sua impugnação de fls. 232 a 242, o RECORRENTE teve a oportunidade de comprovar a origem dos recursos que ocasionaram o presente lançamento através de documentação hábil e idônea. Ocorre que o RECORRENTE limitouse a declarar, dentre outras coisas, que o presente lançamento seria nulo e que não poderia prosperar por ter sido efetuado com base em presunções. Revelese que o RECORRENTE não declarou ao Fisco nem mesmo as comissões que, agora, reconhece como devidas, no percentual médio de 1,5% dos créditos recuperados. A declaração de ajuste anual do anocalendário, inclusive, somente foi apresentada após o início da ação em fiscal, já em 2002. Quando da apresentação de seu recurso voluntário, também não trouxe aos autos qualquer documentação capaz de comprovar a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias. Nas razões de apelo, o RECORRENTE reiterou o alegado em sua impugnação e inovou ao apontar suposto desrespeito ao principio da não retroatividade da lei. Desta forma, o RECORRENTE deveria ter comprovado a origem dos recursos depositados na suas contas bancárias, pois o crédito em seu favor é incontestável. Sobre o mesmo tema, importante transcrever acórdão do antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF PERÍCIA OU DILIGÊNCIA NÃO COMPROVAÇÃO DA IMPRESCINDIBILIDADE REJEIÇÃO A prova pericial surge como meio para suprir a carência de conhecimentos técnicos do julgador para solução do litígio. Afinal, não é admissível que o julgador seja detentor de conhecimentos universais para examinar cientificamente todos os fenômenos possíveis de figurar na seara tributária. Por seu turno, a diligência objetiva trazer luzes sobre algum ponto obscuro apreendido nos autos. Não comprovada a necessidade da diligência ou perícia para subsidiar a solução da controvérsia, devese rejeitar a pretensão do recorrente. Fl. 11DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 305 12 IMPOSTO DE RENDA TRIBUTAÇÃO EXCLUSIVAMENTE COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS REGIME DA LEI Nº 9.430/96 POSSIBILIDADE A partir da vigência do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o fisco não mais ficou obrigado a comprovar o consumo da renda representado pelos depósitos bancários de origem não comprovada, a transparecer sinais exteriores de riqueza (acréscimo patrimonial ou dispêndio), incompatíveis com os rendimentos declarados, como ocorria sob égide do revogado parágrafo 5º do art. 6º da Lei nº 8.021/90. Agora, o contribuinte tem que comprovar a origem dos depósitos bancários, sob pena de se presumir que estes são rendimentos omitidos, sujeitos à aplicação da tabela progressiva. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ATIVIDADE RURAL E ATIVIDADE ECONÔMICA DESENVOLVIDA POR FIRMA INDIVIDUAL AUSÊNCIA DE DOCUMENTAÇÃO COMPROBATÓRIA DO ALEGADO REJEIÇÃO DA COMPROVAÇÃO Não basta simplesmente alegar que os depósitos bancários de origem não comprovada são provenientes da atividade rural ou de atividade econômica desenvolvida por firma individual. Ausente a prova do alegado, cujo ônus era do recorrente, hígida a presunção de omissão de rendimento estribada no art. 42 da Lei nº 9.430/96. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS TRAZIDA NA FASE DA AUTUAÇÃO AUSÊNCIA DE INVESTIGAÇÃO DO DEPOSITANTE PELA FISCALIZAÇÃO DESNECESSIDADE DA COMPROVAÇÃO DA CAUSA DOS DEPÓSITOS E DA EVENTUAL TRIBUTAÇÃO DESSES VALORES NÃO APERFEIÇOAMENTO DA PRESUNÇÃO DO ART. 42 DA LEI Nº 9.430/96 Comprovada a origem dos depósitos bancários, caberá a fiscalização aprofundar a investigação para submetê los, se for o caso, às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos, na forma do art. 42, § 2º, da Lei nº 9.430/96. Não se pode, simplesmente, ancorarse na presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/96, obrigando o contribuinte a comprovar a causa da operação, e se esta foi tributada. Conhecendo a origem dos depósitos, inviável a manutenção da presunção de rendimentos com fulcro no art. 42 da Lei nº 9.430/96. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA CRÉDITOS BANCÁRIOS EXCLUÍDOS PELA FISCALIZAÇÃO MATÉRIA ESTRANHA AO AUTO DE INFRAÇÃO AUSÊNCIA DE LITÍGIO Excluídos determinados créditos bancários pela autoridade autuante, não remanesce qualquer controvérsia a ser solucionada no rito do contencioso administrativo fiscal. Recurso voluntário provido em parte. (recurso voluntário nº 159994; 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção do Conselho Fl. 12DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 306 13 Administrativo de Recursos Fiscais; julgamento em 04/02/2009)” Portanto, não há que se falar em nulidade do lançamento visto que existe previsão legal que autoriza ao Fisco tributar os depósitos de origem não comprovada. Esclareçase, também, que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, devendo a autoridade fiscal agir conforme estabelece a lei, sob pena de responsabilidade funcional, nos termos do art. 102 do Código Tributário Nacional – CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. No entanto, compulsando os autos, verifico que a conta corrente nº 518095 do Banco Itaú, na realidade, pertence a Wagner Monteiro Mohr, e não ao RECORRENTE, conforme indica o documento do fl. 100 e o extrato de fls. 159 a 191 dos autos. De acordo com a planilha de fl. 218, a referida conta representou, no lançamento, o montante tributável de R$ 4.954,90. Desta forma, pelo fato de a conta bancária não ser de titularidade do RECORRENTE, o valor de R$ 4.954,90 deve ser excluído da tributação. Nos demais aspectos, são insubsistentes as alegações do RECORRENTE, devendo o lançamento ser mantido. Da aplicação da taxa SELIC O RECORRENTE afirma em sua impugnação que o índice do SELIC não poderia ser utilizada como taxa de juros moratórios. No entanto, de acordo com a Súmula nº 04 deste CARF, são devidos os juros moratórios calculados à taxa referencial do SELIC, a conferir: SÚMULA CARF Nº 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Da arguição de inconstitucionalidade Fl. 13DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS Processo nº 19515.000711/200363 Acórdão n.º 2102001.245 S2‐C1T2 Fl. 307 14 Quanto às alegações genéricas de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador administrativo, esta é matéria estranha à sua competência: SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em razão do exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para serem excluídos do lançamento apenas os depósitos da corrente nº 518095 do Banco Itaú, mantendo o lançamento em relação às demais acusações. ASSINADO DIGITALMENTE Carlos André Rodrigues Pereira Lima Fl. 14DF CARF MF Impresso em 07/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 19/09/2011 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 20/09/2011 por GIO VANNI CHRISTIAN NUNES CAMPOS
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