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Numero do processo: 19515.003494/2004-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 17 00:00:00 UTC 2013
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Exercício: 1999
DECADÊNCIA - TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial inicia-se no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, ex-vi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN.
Numero da decisão: 9101-001.723
Decisão: ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SUPERIOR DE
RECURSOS FISCAIS, por unanimidade dos votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declarou-se impedido o conselheiro João Carlos de Lima Júnior.
Nome do relator: Valmir Sandri
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 1999 DECADÊNCIA TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO TERMO INICIAL Conforme decisão do STJ em Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008, em não havendo pagamento do tributo, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial iniciase no primeiro dia do exercício/período seguinte aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, exvi do disposto no inciso I, art. 173, do CTN. ACORDAM os membros da 1ª Turma da CÂMARA SSUUPPEERRIIOORR DDEE RREECCUURRSSOOSS FFIISSCCAAIISS, por unanimidade dos votos, DAR provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Declarouse impedido o conselheiro João Carlos de Lima Júnior. (documento assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente (documento assinado digitalmente) VALMIR SANDRI Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Aurélio Pereira Valadão, José Ricardo da Silva, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, Jorge Celso Freire da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Valmar Fonseca de Menezes e Suzy Gomes Hoffmann. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 34 94 /2 00 4- 44 Processo nº 19515.003494/200444 Acórdão n.º 9101001.723 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Em sessão de 27 de agosto de 2005, a 5ª Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo julgou improcedente a impugnação do contribuinte em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1999 IRPJ. DECADÊNCIA. 0 prazo (de 5 anos) para constituir o lançamento do IRPJ inicia se no 1º. dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Alegação de decadência rejeitada. DIVERGÊNCIA ENTRE LIVROS FISCAIS E DIPJ. OMISSÃO DE RECEITA. MÉRITO NÃO CONTESTADO. Não contestado o mérito da autuação relativa ao IRPJ, decorrente de omissão de receita devido divergência entre os livros fiscais e a DIPJ, mantémse a exigência. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1999 CSLL. DECADÊNCIA. 0 prazo (de 10 anos) para constituir o lançamento da CSLL iniciase no 1º dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Alegação de decadência rejeitada. DIVERGÊNCIA ENTRE LIVROS FISCAIS E DIPJ. OMISSÃO DE RECEITA. INAPLICABILIDADE DE LEGISLAÇÃO POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Mantémse a exigência decorrente de omissão de receita relativa à divergência entre os livros fiscais e a DIPJ, visto que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. Processo nº 19515.003494/200444 Acórdão n.º 9101001.723 CSRFT1 Fl. 4 3 A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. Lançamento Procedente Interposto recurso voluntário, foi ele provido em parte pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento que, pelo Acórdão 140100.170, acolheu a preliminar de decadência do IRPJ e da CSLL para o 3° (terceiro) trimestre de 1999. É a seguinte a ementa do julgado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 30/09/1999, 31/12/1999 Ementa: CSLL LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO DECADENCIAL DE CINCO ANOS. No caso de tributos sujeitos a situação típica de lançamento por homologação sua decadência regerseá, independentemente de haver ou não pagamento, sempre pela regra do art. 150, §4° do CTN, excetuandose os casos de dolo, fraude ou simulação, em que se aplicaria o art. 173, I do CTN. MULTA DE OFÍCIO. INCONSTITUCIONALIDADE. A aplicação da multa de oficio tem previsão legal, não competindo à esfera administrativa a análise da legalidade ou inconstitucionalidade de normas jurídicas. No prazo legal, a Fazenda Nacional ingressou com embargos de declaração ponderando que faltou, no Acórdão embargado, declaração explícita da existência ou não de pagamento no período, aspecto relevante para consideração da decadência. Apontou a embargante que "(..) no caso em epígrafe, não houve recolhimento antecipado ‘ ver fl. 35 e 44, da DIPJ, onde consta saldo zero a pagar a título de IRPJ e CSLL)." Os embargos não foram admitidos. No despacho que os rejeitou constou que não se configurar a omissão, uma vez que o Acórdão adotava a tese de independência dos pagamentos, ou seja, usava sempre o art. 150, § 4° do CTN. Inconformada, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial, aduzindo haver interpretação divergente conferida por outros colegiados à lei tributária, consubstanciada nos seguintes julgados: TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei nº 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n.º 08 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4º). Recurso Especial do Sujeito Passivo Negado. (Acórdão CSRF nº 0203.331, 2ª Turma, de 01/07/08) Processo nº 19515.003494/200444 Acórdão n.º 9101001.723 CSRFT1 Fl. 5 4 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LAPSO MANIFESTO. RERATIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatada a ocorrência de erro no acórdão embargado, devem ser acolhidos os embargos interpostos para a devida retificação do julgado anterior. Deve ser acolhida a proposta de saneamento do Acórdão nº 20214.058, para suprimir do voto condutor a consideração sobre a semestralidade da base de cálculo do crédito tributário remanescente (08/98 a 05/99 e 08/99, sem modificação da conclusão do acórdão, mantendose a ementa anterior: "PIS PRAZO DECADENCIAL Nos tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, havendo pagamentos, a decadência do direito de constituir o crédito tributário se rege pelo artigo 150, § 4°, do CTN, de modo que o prazo para esse efeito será de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador. Não havendo pagamentos, configurase a situação em que a constituição do crédito tributário deverá observar o disposto no artigo 173, inciso I, do CTN, com a decadência do direito de constituir o crédito tributário pelo lançamento. (Precedentes do STJ REsp n°58.9185/ Ri, REsp n° 199560/SP). Recurso provido nesta parte (...). Embargos acolhidos. (2ºCC, 2ª Câmara, Acórdão nº 20218.684, de 13/12/07). O recurso foi admitido com fulcro nas seguintes considerações: Na decisão recorrida, para fins de apreciação da decadência, não se perquiriu sobre a existência de recolhimentos, tendo prevalecido a interpretação de que, na hipótese de lançamentos por homologação, a contagem deve obedecer ao art.150, §4º, do Código Tributário Nacional, exceto se comprovada a ocorrência de dolo, fraude e simulação. Ressaltese, conforme despacho supramencionado, a informação de que não teria havido antecipação de pagamento. A seu turno, os acórdãos paradigmas consideraram como condição essencial a atrair a incidência do art.150, §4º, do CTN, a antecipação de pagamento, o que basta à identificação da divergência jurisprudencial relacionada à contagem do prazo decadencial. É o relatório. Voto Conselheiro Valmir Sandri, Relator. O recurso atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, razão pela qual dele tomo conhecimento. Processo nº 19515.003494/200444 Acórdão n.º 9101001.723 CSRFT1 Fl. 6 5 A questão controvertida, cuja interpretação se busca uniformizar, diz respeito ao termo inicial para a contagem do prazo de decadência do direito de a Fazenda Pública de proceder ao lançamento de ofício, no caso de tributos sujeitos a lançamento por homologação. O acórdão vergastado não considerou relevante o fato de ter ou não havido pagamento, decidindo que, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, o termo inicial para a contagem do prazo de extinção do direito da Fazenda de proceder ao lançamento de ofício se rege pelo art. 150, § 4º, do CTN. A tese de irrelevância do fato de ter ou não havido pagamento encontrase totalmente superada pela recente jurisprudência deste CARF que, em comprimento ao art. 62A do Regimento, acolhe o entendimento expressado no item 1 da ementa da decisão do STJ, na apreciação do REsp nº 973.333SC, na sistemática de recursos repetitivos, no sentido de que “O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito”. A DIPJ do anocalendário de 1999, inserta nos autos, acusa lucro líquido negativo nos três primeiros trimestres (assim como negativos os valores de lucro real e base de cálculo da CSLL para os mesmos períodos), o que significa que o termo inicial para a decadência desses tributos se rege pelo art. 173, I, do CTN. Pelas razões expostas, dou provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para declarar não decadentes os lançamentos de IRPJ e de CSLL relativos ao terceiro trimestre de 1998, mantendo a correspondente exigência. É como voto. Sala das sessões, em 17 de setembro de 2013. Valmir Sandri Relator.
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Numero do processo: 10680.722546/2010-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006
CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de suposta obscuridade na apuração dos valores lançados e na fundamentação legal.
VALE-ALIMETAÇÃO OU VALE-REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO PAT. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM O PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ALIMENTAÇÃO IN NATURA.
Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura - ou seja, que não em dinheiro -, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011.
JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE.
O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos.
Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal.
AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM.
As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91.
Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio.
MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO NO PRAZO MARCADO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS.
O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar os arquivos digitais solicitados pela autoridade lançadora.
CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2401-004.099
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) excluir do lançamento os valores relativos à alimentação fornecida em vale-refeição/ ticket. Vencidos os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA, que entendem não se aplicar o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 à hipótese em comento; ii) que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos o Relator e os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que entenderam correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará ainda o voto vencedor sobre a matéria em que o Relator restou vencido. Ausente momentaneamente a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA.
(assinado digitalmente)
André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator
(assinado digitalmente)
Arlindo da Costa e Silva Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de suposta obscuridade na apuração dos valores lançados e na fundamentação legal. VALE-ALIMETAÇÃO OU VALE-REFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO PAT. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM O PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura - ou seja, que não em dinheiro -, tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. JUROS(SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35-A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35-A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, c, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO NO PRAZO MARCADO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar os arquivos digitais solicitados pela autoridade lançadora. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) excluir do lançamento os valores relativos à alimentação fornecida em vale-refeição/ ticket. Vencidos os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA, que entendem não se aplicar o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 à hipótese em comento; ii) que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos o Relator e os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que entenderam correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará ainda o voto vencedor sobre a matéria em que o Relator restou vencido. Ausente momentaneamente a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Presidente e Relator (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (Vice-Presidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva.
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MULTA AGRAVADA Recorrente PRES SERVICE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Se o Relatório Fiscal e as demais peças dos autos demonstram de forma clara e precisa a origem do lançamento, não há que se falar em nulidade oriunda de suposta obscuridade na apuração dos valores lançados e na fundamentação legal. VALEALIMETAÇÃO OU VALEREFEIÇÃO SEM INSCRIÇÃO PAT. INCIDÊNCIA CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. ALINHAMENTO COM O PARECER PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. Na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura. Assim, se a não incidência da contribuição previdenciária sobre alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT, deixam de sofrer a incidência da contribuição previdenciária, em razão da compreensão exposta no Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011. JUROS/SELIC. MULTA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE. O sujeito passivo inadimplente tem que arcar com o ônus de sua mora, ou seja, os juros e a multa legalmente previstos. Nos termos do enunciado no 4 de Súmula do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora com base na taxa SELIC para débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 25 46 /2 01 0- 47 Fl. 150DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 2 AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE PELO DESCUMPRIMENTO. PRINCÍPIO TEMPUS REGIT ACTUM. As multas decorrentes do descumprimento de obrigação tributária principal foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual deu nova redação ao art. 35 e fez acrescentar o art. 35A à Lei nº 8.212/91. Na hipótese de lançamento de ofício, por representar a novel legislação encartada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, inserida pela MP nº 449/2008, um tratamento mais gravoso ao sujeito passivo do que aquele previsto no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99, inexistindo, antes do ajuizamento da respectiva execução fiscal, hipótese de a legislação superveniente impor multa mais branda que aquela então revogada, sempre incidirá ao caso o princípio tempus regit actum, devendo ser aplicada em cada competência a legislação pertinente à multa por descumprimento de obrigação principal vigente à data de ocorrência do fato gerador não adimplido, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio. MULTA AGRAVADA. NÃO ATENDIMENTO NO PRAZO MARCADO DE INTIMAÇÃO PARA APRESENTAÇÃO DE ARQUIVOS DIGITAIS. O percentual da multa de ofício será aumentado de metade quando o contribuinte deixar de apresentar os arquivos digitais solicitados pela autoridade lançadora. CARÁTER CONFISCATÓRIO DA MULTA. INOCORRÊNCIA. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a penalidade de multa nos moldes da legislação em vigor. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, por CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para: i) excluir do lançamento os valores relativos à alimentação fornecida em valerefeição/ ticket. Vencidos os Conselheiros CLEBERSON ALEX FRIESS e ARLINDO DA COSTA E SILVA, que entendem não se aplicar o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011 à hipótese em comento; ii) que a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício seja calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, em atenção ao princípio tempus regit actum. Vencidos o Relator e os Conselheiros CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA e CLEBERSON ALEX FRIESS, que entenderam correto o critério de aplicação da multa estipulado na Portaria PGRF/RFB 14/2009. O Conselheiro ARLINDO DA COSTA E SILVA fará ainda o voto vencedor sobre a matéria em que o Relator restou vencido. Ausente momentaneamente a Conselheira LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA. Fl. 151DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 3 3 (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi – Presidente e Relator (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva –Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi (Presidente), Luciana Matos Pereira Barbosa (VicePresidente), Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Theodoro Vicente Agostinho, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 152DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 4 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 18/08/2010 (fls. 01 e 02). Adotamos trechos do relatório do acórdão do órgão a quo (fls. 105/118), que bem resumem o quanto consta dos autos: “[...] Tratase de crédito lançado pela fiscalização contra PRES SERVICE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA, CNPJ 65.149.379/000141, no montante de R$49.360,05 (Quarenta e nove mil, trezentos e sessenta reais e cinco centavos), relativo ao período de apuração compreendido entre 01/01/2006 a 31/12/2006, com valor consolidado em 02 de agosto de 2010. De acordo com o Relatório Fiscal do Auto de Infração, fls. 55/70, o crédito referese a contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte dos segurados, sem que houvesse apropriação indébita. Segundo a autoridade lançadora, a empresa encontrase paralisada desde setembro de 2008. Assinala que o crédito tributário apurado decorre dos seguintes fatos geradores: a) remunerações pagas a sócios e empregados constantes das folhas de pagamento apresentadas à fiscalização e que resultaram em recolhimentos a menor das contribuições previdenciárias – levantamento FN1 – período 13/06 – Anexo I do processo 10680.722545/201001; b) fornecimento de vale refeição sem a devida inscrição no programa de alimentação do trabalhador – levantamentos AL1 e RE1 – período 01/06 a 12/06 – Anexos II e III do processo 10680.722545/201001; c) pagamentos efetuados a contribuintes individuais contidos na contabilidade da empresa e não incluídos em folhas de pagamento e nem em GFIP – levantamento CI1 – período 01/06 a 12/06 – Anexo IV do processo 10680.722545/201001; Pontua que os gastos com fornecimento de alimentação foram contabilizados nas contas de despesas 3.1.2.01.028 – Alimentação e 3.2.1.03.024 – Lanches e Refeições. Aduz que o contribuinte, em resposta escrita formulada ao Termo de Início de Procedimento Fiscal, informou que a empresa não estava inscrita no Programa de Alimentação do Trabalhador, em ofensa ao artigo 28, §9º, “c”, da Lei nº 8.212/91. Fl. 153DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 4 5 Argumenta que não foi possível individualizar nos levantamentos RE1 e AL1 os valores recebidos por cada um dos segurados, pois o contribuinte, apesar de intimado no TIF nº 01, expôs que não identificou o valor gasto com cada trabalhador em razão da não localização dos controles de pagamentos. Esclarece que os pagamentos efetuados a contribuintes individuais foram apurados nas contas de despesas 3.2.1.03.030 – Serviços Prestados – Outras PF e 3.1.2.01.009 – Honorários e são fato gerador por observância do artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91. Expôs que a sociedade arcou com diversos gastos particulares do diretor Antônio Pedro Razazzi, contabilizandoos na conta de despesa 3.2.1.02.003 – despesas diversas diretoria, razão pela qual é saláriodecontribuição em respeito ao definido no artigo 28, III, da Lei nº 8.212/91. Informa que na constituição do crédito foram considerados os recolhimentos efetuados pela empresa em GPS código 2100, retenções de 11% e parcelamento LDC Debcad nº 36.227.1429. Discrimina as alíquotas utilizadas na apuração do crédito tributário, bem como o seu fundamento legal. Declara que os fatos geradores não foram informados em GFIP. A fundamentação legal do débito encontrase descrita em fls. 31/33. Foi observado o artigo 106, II, “c”, do Código Tributário Nacional na aplicação das multas. Empregouse a multa de 112,50% em razão de o contribuinte ter deixado de apresentar à fiscalização, apesar de intimado, os arquivos digitais das folhas de pagamento e da contabilidade no formato do manual de arquivos digitais. Lavrouse o termo de arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, nos termos do artigo 64 da Lei nº 9.532/97. Os fatos descritos deram ensejo à formalização de Representação Fiscal para Fins Penais por, em tese, configurarem crime contra a seguridade social. O contribuinte foi cientificado do presente lançamento em 18 de agosto de 2010, conforme assinatura aposta no Auto de Infração, fls. 02. O contribuinte apresentou defesa em 15/09/2010, fls. 77/101, alegando, em síntese, que: Preliminar a impugnação é tempestiva; houve cerceio do direito de defesa; Fl. 154DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 6 a NFLD é nula, pois não observou o enunciado do artigo 293 do Decreto nº 3048/99; o relatório FLD é genérico; a descrição das supostas infrações é incorreta e peca pela ausência de clareza; cita decisões administrativas e judiciais; Direito Programa de Alimentação do Trabalhador não existe contribuição previdenciária incidente sobre valores contabilizados a título de fornecimento de valerefeição a empregados, mas tãosomente sobre salários; a Lei não pode desvirtuar o que foi determinado pela Constituição, pois esta elegeu como base de cálculo o salário e rendimentos pagos ao trabalhador, sob pena de ferila frontalmente; os registros contábeis da empresa fazem prova a seu favor e não foram considerados pelo agente fiscal; a imputação fiscal não indica quais teriam sido os empregados beneficiados com os supostos salários in natura; Despesas pessoais da diretoria os critérios utilizados pela fiscalização foram aleatórios e subjetivos, sem respaldo em dispositivo de lei; as fontes de custeio da previdência social são as previstos na Constituição Federal e outras que sejam criadas por lei complementar; as despesas de diretoria não podem ser tomadas como base de cálculo da contribuição previdenciária; os atos administrativos devem ser justificados; Taxa Selic a taxa selic é manifestamente inconstitucional; a exigência de juros sobre juros, execrável anatocismo, é proibida; a Constituição Federal impôs limite à taxa de juros em 12% ao ano; Multa abusiva a multa aplicada de 112,50% é inconstitucional, por ser abusiva e confiscatória; por ter apresentado os documentos, tornase necessária a exclusão da multa de 50% ou redução da mesma nos percentuais mínimos previstos na Lei; [...]” Fl. 155DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 5 7 Como afirmado, a impugnação apresentada pela recorrente foi julgada improcedente, tendo a recorrente apresentado, tempestivamente, o recurso voluntário, no qual efetua as alegações da peça de impugnação. É o relatório. Fl. 156DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 8 Voto Vencido Conselheiro André Luís Mársico Lombardi, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente alega que não consta no lançamento fiscal a necessária e adequada descrição dos fatos e motivação da autuação, existindo dúvidas na caracterização do fato gerador e na fundamentação legal. Assim, diante de tais irregularidades, deve ser declarado nulo o lançamento fiscal. Tal alegação não será acatada, pois os elementos probatórios que compõem os autos são suficientes para a perfeita compreensão do fato gerador e das multas lançadas. Cuidase de lançamento de ofício e apurase a contribuição patronal oriunda da remuneração paga ou creditada aos segurados em pregados e contribuintes individuais. Os valores apurados foram constituídos por meio dos seguintes levantamentos: 1. levantamento FN1 à remunerações pagas a sócios e empregados constantes das folhas de pagamento apresentadas à fiscalização e que resultaram em recolhimentos a menor das contribuições previdenciárias (Anexo I do processo 10680.722545/201001); 2. levantamentos AL1 e RE1 à fornecimento de vale refeição sem a devida inscrição no programa de alimentação do trabalhador (Anexos II e III do processo 10680.722545/201001); 3. levantamento CI1 à pagamentos efetuados a contribuintes individuais contidos na contabilidade da empresa e não incluídos em folhas de pagamento e nem em GFIP (Anexo IV do processo 10680.722545/201001). Percebese que o lançamento fiscal ora analisado atende aos pressupostos essenciais para sua lavratura, contendo de forma clara os elementos necessários para a sua configuração e caracterização. Com isso, não há que se falar em vícios no lançamento fiscal, já que estão estabelecidos de forma transparente nos autos (fls. 01/100) todos os seus requisitos legais, conforme preconizam o art. 142 do CTN e o art. 10 do Decreto 70.235/1972, tais como: local e data da lavratura; caracterização da ocorrência da situação fática da obrigação tributária (fato gerador); determinação da matéria tributável; montante da contribuição previdenciária devida; identificação do sujeito passivo; determinação da exigência tributária e intimação para cumprila ou impugnála no prazo de 30 dias; disposição legal infringida e aplicação das penalidades cabíveis; dentre outros. Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, Fl. 157DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 6 9 identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. ......................................................................................................... Decreto 70.235/1972: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O Relatório Fiscal (fls. 55/70) e seus anexos (fls. 01/54) são suficientemente claros e relacionam os dispositivos legais aplicados ao lançamento fiscal ora analisado, bem como descriminam o fato gerador da contribuição devida. A fundamentação legal aplicada encontrase no Relatório de Fundamentos Legais do Débito (FLD), que contém todos os dispositivos legais por assunto e competência. Há o Discriminativo de Débito (DD), que contém todas as contribuições sociais devidas, de forma clara e precisa. Ademais, constam outros relatórios que complementam essas informações, tais como: Relatório de Lançamentos (RL); Relatório de Documentos Apresentados (RDA); Anexos I a V; planilhas de cálculos comparativos de aplicação da multa; dentre outros. Esses documentos, somados entre si, permitem a completa verificação dos valores e cálculos utilizados na constituição do crédito tributário. Com isso, ao contrário do que afirma a Recorrente, o lançamento fiscal foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente fiscal demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador das contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, fazendo constar nos relatórios que o compõem (fls. 01/100) os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas. Também não se pode esquecer que a nulidade do lançamento fiscal está diretamente ligada à ocorrência de prejuízo ao direito de defesa da Recorrente, observandose o princípio do pás de nullité sans grief, o que não foi demonstrado nos autos. Logo, essas alegações da Recorrente de nulidade do lançamento fiscal e do cerceamento ao seu direito de defesa são genéricas e inócuas, não se permitindo configurar qualquer nulidade e não serão acatadas. Com relação aos valores apurados em decorrência da verba paga a título de valealimentação ou valerefeição (ticket), levandose em conta o campo de incidência Fl. 158DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 10 das contribuições previdenciárias, que se extrai da conjugação do artigo 195, I, a, com os artigos 11, 22 e 28 da Lei n° 8.212/91, depreendese que os pagamento a título de fornecimento de alimentação são fatos geradores de contribuição previdenciária. No entanto, a norma inscrita no art. 28, § 9º, alínea “c” estabelece que não integra o salário de contribuição “a parcela in natura recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976”. Esta Lei, dispõe em seu art. 3º que: Art 3º Não se inclui como salário de contribuição a parcela paga ´in natura´, pela empresa, nos programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho. À evidência dos preceitos legais em comento, concluise que sobre o valor da alimentação fornecida pela empresa aos trabalhadores não incidem contribuições previdenciárias, quando, nos termos da Lei n° 6.321, de 1976, o fornecimento ocorra de acordo com programa de alimentação previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE). A adesão ao PAT não constitui mera formalidade. É através do conhecimento da existência do programa em determinada empresa que o Ministério do Trabalho e Emprego, por seu órgão de fiscalização, verificará o cumprimento do disposto no artigo 3° acima transcrito. Ao incentivo fiscal há uma contraprestação por parte da empresa: fornecimento de alimentação com teor nutritivo adequado em ambiente que atenda as condições aceitáveis de higiene. Todavia, é preciso considerar que o Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.117/2011, aprovado pelo Ministro da Fazenda em Despacho de 24/11/2011, concluiu pela dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e pela desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, com relação às ações judiciais que visem obter a declaração de que sobre o pagamento in natura do auxílioalimentação não há incidência de contribuição previdenciária. Como na relação de emprego, a remuneração representada por qualquer benefício que não seja oferecido em pecúnia configura o denominado salário utilidade ou prestação in natura e o referido Parecer referese a pagamentos in natura, concluo que a não incidência da contribuição previdenciária sobre a alimentação abarca todas as distribuições/prestações in natura ou seja, que não em dinheiro , incluindo tanto a alimentação propriamente dita como aquela fornecida ticket, mesmo sem a devida inscrição no PAT. No caso sob exame, o fornecimento ocorreu em ticket, razão pela qual, independentemente da inscrição, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária, de sorte que o lançamento deve ser revisto, a fim de que sejam excluídos os valores relativos à alimentação fornecida em valerefeição/ ticket. No que tange à arguição de inconstitucionalidade ou ilegalidade da legislação previdenciária que dispõe sobre a utilização da taxa de juros (taxa SELIC) e da multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis as normas reguladas na Lei 8.212/1991. Isso está Fl. 159DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 7 11 em consonância com o Enunciado nº 2 de Súmula do CARF: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cumpre esclarecer que foi correta a aplicação do índice pelo Fisco, pois o art. 144 do CTN dispõe que o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária e regese pela lei então vigente, ainda que modificada ou revogada, e a cobrança de juros (taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC) estava prevista em lei específica da previdência social, art. 341 da Lei 8.212/1991. Nesse sentido já se posicionou o STJ no Recurso Especial n° 475904, publicado no DJ em 12/05/2003, cujo relator foi o Min. José Delgado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. EXECUÇÃO FISCAL. CDA. VALIDADE. MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 07/STJ. COBRANÇA DE JUROS. TAXA SELIC. INCIDÊNCIA. A averiguação do cumprimento dos requisitos essenciais de validade da CDA importa o revolvimento de matéria probatória, situação inadmissível em sede de recurso especial, nos termos da Súmula 07/STJ. No caso de execução de dívida fiscal, os juros possuem a função de compensar o Estado pelo tributo não recebido tempestivamente. Os juros incidentes pela Taxa SELIC estão previstos em lei. São aplicáveis legalmente, portanto. Não há confronto com o art. 161, § 1º, do CTN. A aplicação de tal Taxa já está consagrada por esta Corte, e é devida a partir da sua instituição, isto é, 1º/01/1996 (REsp 439256/MG). Recurso especial parcialmente conhecido, e na parte conhecida, desprovido. A propósito, convém mencionar que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 4 (Portaria MF no 383, publicada no DOU de 14/07/2010), nos seguintes termos: Súmula CARF nº 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic para títulos federais. Não tendo o contribuinte recolhido à contribuição previdenciária em época própria, tem por obrigação arcar com o ônus de seu inadimplemento. Caso não se fizesse tal exigência, poderseia questionar a violação ao principio da isonomia, por haver tratamento similar entre o contribuinte que cumprira em dia com suas obrigações fiscais, com aqueles que não recolheram no prazo fixado pela legislação. 1 Art. 34. As contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas pelo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de CustódiaSELIC, a que se refere o art. 13 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável. (Artigo restabelecido, com nova redação dada e parágrafo único acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Parágrafo único. O percentual dos juros moratórios relativos aos meses de vencimentos ou pagamentos das contribuições corresponderá a um por cento. Fl. 160DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 12 Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança de juros, estando os valores descritos no lançamento fiscal, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária, já que o art. 34 da Lei 8.212/1991 dispunha que as contribuições sociais não recolhidas à época própria ficavam sujeitas aos juros SELIC e multa de mora, todos de caráter irrelevável. Isso está em consonância com o próprio art. 161, § 1°, do CTN2, pois havendo legislação especifica dispondo de modo diverso, abrese a possibilidade de que seja aplicada outra taxa e, no caso das contribuições previdenciárias pagas com atraso, a taxa utilizada é a SELIC. O disposto no art. 161 do CTN não estabelece norma geral em matéria de legislação tributária. Portanto, sendo materialmente lei ordinária pode ser alterado por outra lei de igual status, não havendo necessidade de lei complementar. Ainda, conforme estabelecia os arts. 34 e 353 da Lei 8.212/1991, sem as alterações da Lei 11.941/2009, a multa de ofício é bem aplicável pelo não recolhimento em época própria das contribuições previdenciárias. Além disso, o art. 136 do CTN descreve que a responsabilidade pela infração independe da intenção do agente ou do responsável, e da natureza e extensão dos efeitos do ato. Cumpre esclarecer que a Medida Provisória (MP) 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009, revogou o artigo 32, parágrafo 5º da Lei 8.212/91, alterou o artigo 35 e incluiu os artigos 32A e 35A nessa mesma lei, e, com isso, houve modificação nas regras para aplicação de multa tanto do descumprimento de obrigações acessórias relativas à GFIP como também do pagamento fora do prazo legal da obrigação principal, que é o caso dos autos. Em decorrência das modificações promovidas pela MP 449 nos artigos 32 e 35 da Lei 8.212/91, convertida na Lei 11.941/2009, o Fisco apresentou comparativo das penalidades previstas à época dos fatos e à época da autuação, e aplicou a multa benéfica ao contribuinte, conforme previsão do inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Diante desse quadro e conforme Anexos VII a XVIII do Relatório Fiscal, aplicouse a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, além do 2 Lei 5.172/1966 – Código Tributário Nacional (CTN): Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º. Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. 3 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99) (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pelo art. 1º, da Lei nº 9.876/99). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). (...) § 4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.876/99) Fl. 161DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 8 13 lançamento do valor relativo às contribuições devidas (item 61 do Relatório Fiscal e Anexo XVIII). Assim, afastamse tanto a alegação da Recorrente de que deveria ser aplicada a multa prevista no art. 32A da Lei 8.212/1991, na redação dada pela Lei 11.941/2009, para a obrigação acessória, como a alegação de que não se deveria aplicar a multa de ofício prevista no artigo 44 da Lei 9.430/1996, na redação dada pela Lei 11.488/2007, já que a situação apresentada pelo Fisco no quadro comparativo entre o total da multa anterior e o total multa atual (itens 46 a 61 do Relatório Fiscal, Anexo XVIII) representa um contexto fático mais benéfico ao contribuinte, conforme preconiza o princípio da retroatividade benéfica tributária, previsto no inciso II do artigo 106 do Código Tributário Nacional. Ao não apresentar ao Fisco os arquivos digitais da folha de pagamentos e da contabilidade no formato do Manual de Arquivos Digitais (MANAD), devidamente solicitados por meio do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF), lavrado em 12/01/2010, a multa de ofício de 75%, aplicada nas competências 01/2006 a 13/2006, foi agravada pela metade, nos termos do art. 44, § 2o, da Lei 9.430/19964. Isso resultou na aplicação da multa de 112,5% (75% + 37,5%). Dessa forma, não há que se falar em ilegalidade de cobrança da multa ou da Taxa Selic, estando os valores descritos no lançamento fiscal, bem como os seus fundamentos legais, em consonância com o prescrito pela legislação previdenciária. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, já que ela seria abusiva e desproporcional, e deveria ser relevada, razão não confiro ao Recorrente, já que a multa foi aplicada em conformidade à legislação previdenciária descrita acima. Ademais, conforme registramos anteriormente, a verificação de inconstitucionalidade de ato normativo é inerente ao Poder Judiciário, não podendo ser apreciada pelo órgão do Poder Executivo. Logo, essa verificação de que a multa aplicada vai de encontro ao princípio constitucional da isonomia e teria caráter confiscatório, ora pretendida pela Recorrente, exacerba a competência originária dessa Corte administrativa, que é a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal. Registramos que a vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à multa pecuniária ora discutida pela recorrente, sendo esta 4 Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488, de 2007) Fl. 162DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 14 última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV, da Constituição Federal de 1988: Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; Portanto, não possui natureza de confisco a exigência da multa moratória, conforme prevê o art. 35 da Lei 8.212/1991, já que se trata de uma multa pecuniária. Não recolhendo na época própria o sujeito passivo tem que arcar com o ônus de seu inadimplemento. Por fim, pela apreciação do processo e das alegações da Recorrente, não encontramos motivos para decretar a nulidade nem a modificação do lançamento ou da decisão de primeira instância, pois o lançamento fiscal e a decisão encontramse revestidos das formalidades legais, tendo sido lavrados de acordo com o arcabouço jurídicotributário vigente à época da sua lavratura. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para excluir do lançamento os valores relativos à alimentação fornecida em valerefeição/ ticket. (assinado digitalmente) André Luís Mársico Lombardi Relator Fl. 163DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 9 15 Voto Vencedor Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Redator designado DA PENALIDADE PECUNIÁRIA PELO DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL FORMALIZADA MEDIANTE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Em que pesem as valiosas considerações expostas pelo Ilustre Relator, não comungo data venia a tese aviada no Parecer PGFN CAT nº 443/2009, que na aplicação do princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna, prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, pugna pelo comparativo entre a multa de ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, acrescentado pela MP nº 449/2008, e a soma da sanção decorrente de infração à obrigação principal (recolhimento do tributo) com a sanção decorrente de infração à obrigação acessória (declaração dos fatos geradores em GFIP), como se estas ambas tivessem sido substituídas por aquela multa de ofício, ora estipulada na novel legislação. E para fincar os alicerces sobre os quais será erigida a opinio iuris que ora se escultura, atinese que o nomem iuris de um instituto jurídico não possui o condão de lhe alterar ou modificar sua natureza jurídica. JULIET: ”Tis but thy name that is my enemy; Thou art thyself, though not a Montague. What's Montague? it is nor hand, nor foot, Nor arm, nor face, nor any other part Belonging to a man. O, be some other name! What's in a name? that which we call a rose By any other name would smell as sweet; So Romeo would, were he not Romeo call'd, Retain that dear perfection which he owes Without that title. Romeo, doff thy name, And for that name which is no part of thee Take all myself”. William Shakespeare, Romeo and Juliet, 1600. Iluminese, inicialmente, que no Direito Tributário vigora o princípio tempus regit actum, conforme expressamente estatuído pelo art. 144 do CTN, de modo que o lançamento tributário é regido pela lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 16 Código Tributário Nacional CTN Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. §1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. §2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Nessa perspectiva, dispõe o código tributário, ad litteram, que o fato de a norma tributária haver sido revogada, ou modificada, após a ocorrência concreta do fato jurígeno imponível, não se constitui motivo legítimo, tampouco jurídico, para se desconstituir o crédito tributário correspondente. O princípio jurídico suso invocado, no entanto, não é absoluto, sendo excepcionado pela superveniência de lei nova, nas estritas hipóteses em que o ato jurídico tributário, ainda não definitivamente julgado, deixar de ser definido como infração ou deixar de ser considerado como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda, quando a novel legislação lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A questão ora em apreciação trata de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício. Com efeito, o regramento legislativo relativo à aplicação de aplicação de penalidade pecuniária em decorrência do descumprimento de obrigação tributária principal, vigente à data inicial do período de apuração em realce, encontravase sujeito ao regime jurídico inscrito no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). Fl. 165DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 10 17 II Para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cinquenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). §1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. §2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. §3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o §1º deste artigo. §4º Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora Fl. 166DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 18 a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinquenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876/99). No caso vertente, o lançamento tributário sobre o qual nos debruçamos promoveu a constituição formal do crédito tributário, mediante lançamento de ofício consubstanciado em Autos de Infração de Obrigação Principal referentes a fatos geradores ocorridos nas competências de janeiro/2006 a dezembro/2006. Nessa perspectiva, de acordo com o art. 144 do CTN, tratandose de lançamento de ofício formalizado mediante Auto de Infração de Obrigação Principal, para os fatos geradores ocorridos no período anterior à vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui denominada “multa de mora”, variando de 24%, se paga até quinze dias do recebimento da notificação fiscal, até 50% se paga após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, hoje CARF, enquanto não inscrito em Dívida Ativa. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias, porém não incluídas em lançamentos Fiscais de ofício, ou seja, quando o recolhimento não for resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado, no horizonte temporal em relevo, em conformidade com a memória de cálculo assentada no inciso I do mesmo dispositivo legal acima mencionado, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, variando de oito por cento, se paga dentro do mês de vencimento da obrigação, até vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da exação. Tal discrimen encontrase tão claramente consignado na legislação previdenciária que até o organismo cognitivo mais rudimentar em existência – o computador – consegue, sem margem de erro, com uma simples instrução IF – THEN – ELSE unchained, determinar qual o regime jurídico aplicável a cada hipótese de incidência: IF lançamento de ofício THEN art. 35, II da Lei nº 8.212/91 ELSE art. 35, I da Lei nº 8.212/91. Traduzindose do “computês” para o “juridiquês”, tratandose de lançamento de ofício, incide o regime jurídico consignado no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Ao revés, nas demais situações, tal como na hipótese de recolhimento espontâneo de contribuições previdenciárias em atraso, aplicase o regramento assinalado no Inciso I do art. 35 desse mesmo diploma legal. Com efeito, as normas jurídicas que disciplinavam a cominação de penalidades pecuniárias decorrentes do não recolhimento tempestivo de contribuições Fl. 167DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 11 19 previdenciárias foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, posteriormente convertida na Lei nº 11.941/2009. Tais modificações legislativas resultaram na aplicação de sanções que se mostraram mais benéficas ao infrator no caso do recolhimento espontâneo a destempo pelo Obrigado, porém, mais severas para o sujeito passivo, no caso de lançamento de ofício, do que aquelas então derrogadas. Nesse panorama, a supracitada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, revogou o art. 34 e deu nova redação ao art. 35, ambos da Lei nº 8.212/91, estatuindo que os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/91, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, seriam acrescidos de multa de mora e juros de mora nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/96. Mas não parou por aí. Na sequência da lapidação legislativa, a mencionada Medida Provisória, ratificada pela Lei nº 11.941/2009, fez inserir no texto da Lei de Custeio da Seguridade Social o art. 35A, que fixou, nos casos de lançamento de ofício, a aplicação de penalidade pecuniária, então batizada de “multa de ofício”, à razão de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição, verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II de 50% (cinquenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) a) na forma do art. 8o da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) Fl. 168DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 20 b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488/2007) §1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) II (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) III (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) IV (revogado); (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) V (revogado pela Lei nº 9.716, de 26 de novembro de 1998). (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) §2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o §1o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea "a", pela Lei nº 11.488/2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei no 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea "b", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea "c", com nova redação pela Lei nº 11.488/2007) §3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. §4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subsequente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. §2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até Fl. 169DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 12 21 o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964 Art. 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art. 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Como visto, o regramento da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal a ser aplicada nos casos de recolhimento espontâneo feito a destempo e nas hipóteses de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias encontravamse assim previstos na legislação tributária: a. Antes da vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos incisos I e II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 9.876/99; b. Após a vigência da MP nº 449/2008, respectivamente, nos art. 35 e 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009, os quais, nessa ordem, remetem aos artigos 61 e 44 da Lei nº 9.430/96. Nesse novo regime legislativo, a instrução de seletividade invocada anteriormente passa a ser informada de acordo com o seguinte comando: Fl. 170DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 22 IF lançamento de ofício THEN art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. ELSE art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Diante de tal cenário, a contar da vigência da MP nº 449/2008, a parcela referente à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício há que ser dimensionalizada de acordo com o critério de cálculo insculpido no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que prevê a incidência de penalidade pecuniária, aqui referida pelos seus genitores com o nome de batismo de “multa de ofício”, calculada de acordo com o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Por outro viés, em se tratando de recolhimento a destempo de contribuições previdenciárias não resultante de lançamento de ofício, o montante relativo à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal há que ser dimensionalizado em conformidade com as disposições inscritas no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008 e convertida na Lei nº 11.941/2009, que estatui multa, aqui também denominada “multa de mora”, calculada de acordo com o disposto no art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Não demanda áurea mestria perceber que o nomem iuris consignado na legislação previdenciária para a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, que nas ordens do Ministério da Previdência Social recebeu a denominação genérica de “multa de mora”, art. 35, II da Lei nº 8.212/91, no âmbito do Ministério da Fazenda houvese por batizada com a singela denominação de “multa de ofício”, art. 44 da Lei no 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008. Mas não se iludam, caros leitores ! Malgrado a diversidade de rótulos, as suas naturezas jurídicas são idênticas: penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. No que pertine à penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal não incluída em lançamento de ofício, o título designativo adotado por ambas as legislações acima referidas é idêntico: “Multa de Mora”. Não carece de elevado conhecimento matemático a conclusão de que o regime jurídico instaurado pela MP nº 449/2008, e convertido na Lei nº 11.941/2009, instituiu uma apenação mais severa para o descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício (75%) do que o regramento anterior previsto no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99 (de 24% a 50%), não havendo que se falar, portanto, de hipótese de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, durante a fase do contencioso administrativo. Código Tributário Nacional Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 171DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 13 23 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Conforme acima demonstrado, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, antes do advento da MP nº 449/2008, encontravase disciplinada no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91. Contudo, após o advento da MP nº 449/2008, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício passou a ser regida pelo disposto no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela citada MP nº 449/2008. Não é cabível, portanto, efetuarse o cotejo de “multa de mora” (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99) com “multa de mora” (art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008), pois estarseia, assim, promovendo a comparação de nomem iuris com nomem iuris (multa de mora) e não de institutos de mesma natureza jurídica (penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício). Tal retroatividade não se coaduna com a hipótese prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN, a qual se circunscreve a penalidades aplicáveis a infrações tributárias de idêntica natureza jurídica, in casu, penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício. Lé com lé, cré com cré (Jurandir Czaczkes Chaves, 1967). Reiterese que não se presta o preceito inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN para fazer incidir retroativamente penalidade menos severa cominada a uma infração mais branda para uma transgressão tributária mais grave, à qual lhe é cominado em lei, especificamente, castigo mais hostil, só pelo fato de possuir a mesma denominação jurídica (multa de mora), mas naturezas jurídicas distintas e diversas. Como visto, a norma tributária encartada no art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela MP nº 449/2008, c.c. art. 61 da Lei nº 9.430/96, só se presta para punir o descumprimento de obrigação principal não formalizada mediante lançamento de ofício. Nos casos de descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, tanto a legislação revogada (art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99), quanto a legislação superveniente (art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96) preveem uma penalidade pecuniária específica, a qual deve ser aplicada em detrimento da regra geral, em atenção ao princípio jurídico lex specialis derogat generali, aplicável na solução de conflito aparente de normas. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 24 Entendo também não proceder a tese que defende a comparação entre a multa de ofício prevista no art. 35A com a soma da multa de mora prevista no art. 35, II, e a multa pelo descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, todos da Lei nº 8.212/91, para fins de determinação da penalidade mais benéfica ao infrator, visando à aplicação do Princípio da Retroatividade Benigna inscrito no art. 106, II, ‘c’, do CTN. Não procede, ao meu sentir, a alegação de que a multa pelo descumprimento de Obrigação Principal formalizada mediante Lançamento de Ofício prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, estaria apenando, conjuntamente, tanto descumprimento da Obrigação Tributária Principal lançada quanto o Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91, a justificar o somatório de multas. Tratamse de duas condutas absolutamente distintas, autônomas e independentes, portando cada uma natureza jurídica diferenciada, regramento jurídico diverso, tipificação específica e distinta, e penalidade própria. Tanto que o Contribuinte pode proceder das seguintes maneiras: I. Recolher o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. II. Recolher o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. III. Recolher o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. IV. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. V. Recolher parcialmente o tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VI. Recolher parcialmente o tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. VII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. VIII. Não recolher qualquer tributo devido e declarar parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP. IX. Não recolher qualquer tributo devido e não entregar as GFIP correspondentes. A declaração de todos os Fatos Geradores de Contribuição Previdenciária nas GFIP é uma obrigação acessória prevista no inciso IV da Lei nº 8.212/91. A declaração parcial dos fatos geradores na GFIP (hipóteses II, V e VIII) constituise violação à obrigação acessória acima citada, e implica a aplicação imediata da penalidade prevista no §5º do mesmo artigo 32 já mencionado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Fl. 173DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 14 25 Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528/97) (...) §4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528/97) 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo §5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97) De outro eito, a não declaração dos fatos geradores na GFIP (hipóteses III, VI e IX) também se configura como violação à mesma obrigação acessória assentada no inciso IV da Lei nº 8.212/91, e importa na aplicação imediata da penalidade prevista no §4º do mesmo artigo 32 já citado, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação de tal multa caso tenha ocorrido lançamento de ofício da Obrigação Tributária Principal correspondente. De outro giro, o não recolhimento total ou parcial da Obrigação Tributária Principal (hipóteses IV a IX) configurase caso determinante para o lançamento de ofício, nos termos do art. 37 da Lei nº 8.212/91 c.c. art. 142 do CTN, inexistindo qualquer regramento que exclua a aplicação da multa pelo descumprimento da obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, nas hipóteses em que os fatos geradores correspondentes não Fl. 174DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 26 tenham sido declarados, ou tenham sido declarados de maneira incompleta na GFIP correspondente. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. §1º Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). §2º Por ocasião da notificação de débito ou, quando for o caso, da inscrição na Dívida Ativa do Instituto Nacional do Seguro Social INSS, a fiscalização poderá proceder ao arrolamento de bens e direitos do sujeito passivo, conforme dispuser aquela autarquia previdenciária, observado, no que couber, o disposto nos §§ 1º a 6º, 8º e 9º do art. 64 da Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de 1997. (Incluído pela Lei nº 9.711/98). Código Tributário Nacional Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Ora... A extinção do crédito tributário decorrente de infração a obrigação tributária constituise hipótese de anistia, a qual se encontra contida no campo da reserva legal, nos termos do art. 97, VI, do CTN, somente podendo ser concedida mediante lei específica federal (in casu) que regule exclusivamente a anistia, ou a correspondente contribuição, a teor do §6º do art. 150 da CF/88. Código Tributário Nacional Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades. Art. 175. Excluem o crédito tributário: I a isenção; II a anistia. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 15 27 Parágrafo único. A exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente. Constituição Federal de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §6º Qualquer subsídio ou isenção, redução de base de cálculo, concessão de crédito presumido, anistia ou remissão, relativos a impostos, taxas ou contribuições, só poderá ser concedido mediante lei específica, federal, estadual ou municipal, que regule exclusivamente as matérias acima enumeradas ou o correspondente tributo ou contribuição, sem prejuízo do disposto no art. 155, §2º, XII, ‘g’. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3/93) Notese que de acordo com o disposto no inciso I do art. 111 do CTN, só há que se falar em exclusão de crédito tributário nas hipóteses expressamente previstas na lei específica, o que, convenhamos, não é o presente caso, uma vez que inexiste qualquer previsão no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, que exclua o Crédito Tributário decorrente do descumprimento da Obrigação Tributária Acessória estampada no art. 32, IV, da Lei nº 8.212/91. Código Tributário Nacional Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; Merece ser citado que antes da vigência da MP nº 449/2008 pairava uma dúvida na Fiscalização a respeito do procedimento a ser adotado nos casos em que o Contribuinte declarava os fatos geradores nas GFIP, mas não procedia ao recolhimento do tributo devido. A legislação tributária afirmava que o Crédito Tributário encontravase lançado (art. 33, §7º, da Lei nº 8.212/91), contudo, o art. 37 da mesma lei determinava a lavratura do lançamento de ofício, uma vez que restava configurado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições em foco. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 33. Ao Instituto Nacional do Seguro Social – INSS compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’ e ‘c’ do parágrafo único do art. 11, bem como as contribuições incidentes a título de substituição; e à Secretaria da Receita Federal – SRF compete arrecadar, fiscalizar, lançar e normatizar o recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas ‘d’ e ‘e’ do parágrafo único do art. 11, cabendo a ambos os órgãos, na esfera de sua competência, promover a respectiva cobrança e aplicar as Fl. 176DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 28 sanções previstas legalmente. (Redação dada pela Lei nº 10.256/2001). §7º O crédito da seguridade social é constituído por meio de notificação de débito, autodeinfração, confissão ou documento declaratório de valores devidos e não recolhidos apresentado pelo contribuinte. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528/97). Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de benefício reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. Parágrafo único. Recebida a notificação do débito, a empresa ou segurado terá o prazo de 15 (quinze) dias para apresentar defesa, observado o disposto em regulamento. A MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, veio a estabelecer um novo procedimento, na medida em que estatuiu que o lançamento de ofício não seria mais necessário nas hipóteses em que houvesse declaração dos fatos geradores nas GFIP, conforme se depreende da nova redação do citado art. 37 da Lei nº 8.212/91. Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 37. Constatado o nãorecolhimento total ou parcial das contribuições tratadas nesta Lei, não declaradas na forma do art. 32 desta Lei, a falta de pagamento de benefício reembolsado ou o descumprimento de obrigação acessória, será lavrado auto de infração ou notificação de lançamento. (Redação dada pela Lei nº 11.941/2009). (grifos nossos) Portanto, a contar da vigência da MP nº 449/2008, as hipóteses de conduta do Contribuinte passaram a receber o seguinte tratamento por parte da Fiscalização: I. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Conduta regular. Nada a fazer. II. O Contribuinte recolheu o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. III. O Contribuinte recolheu o tributo devido e não entregou a GFIP Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. IV. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 16 29 V. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP – Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. VI. O Contribuinte recolheu parcialmente o tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício da parcela não recolhida, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou integralmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Não cabe lançamento de ofício. Cobrança administrativa do débito declarado e não recolhido, com a multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. VIII. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e declarou parcialmente os fatos geradores correspondentes nas GFIP Cobrança administrativa do débito correspondente aos fatos geradores declarados e não recolhido, acrescido da multa de mora prevista no art. 35 da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009; Lançamento de ofício da parcela não recolhida correspondente aos fatos geradores não declarados, acrescida da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso I do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, em relação aos fatos geradores não declarados. IX. O Contribuinte não recolheu qualquer tributo devido e não entregou a GFIP Lançamento de ofício do tributo devido, acrescido da multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91, e Aplicação de multa pelo descumprimento de Obrigação Acessória, conforme inciso II do art. 32A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009. Assim, o Lançamento de Ofício somente deve ocorrer nas hipóteses em que não tenha havido o recolhimento do tributo e, cumulativamente, não tenha havido declaração ou tenha havido declaração incorreta dos fatos geradores nas GFIP correspondentes, como assim determina o art. 44 da Lei nº 9.430/96 c.c. art. 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009, in verbis: Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 11.941/2009). Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Fl. 178DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 30 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488/2007) Ou seja, o disposto no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/96 apenas restringe a lavratura do lançamento de ofício às hipóteses em que não houve recolhimento total ou parcial do tributo devido e, cumulativamente, não se operou a entrega da GFIP ou entregouse a GFIP com informações inexatas ou omissas. Não se deslembre que a legislação previdenciária tomou “emprestada” uma norma tributária que havia sido redigida em conformidade com a Legislação Fazendária já preexistente, fato que explica o não casamento perfeito dos termos utilizados em ambos os ramos do Direito Tributário em questão. Nessa perspectiva, nos casos de lançamento de ofício, o cotejamento de normas tributárias para fins específicos de incidência da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, ‘c’, do CTN somente pode ser efetivado, exclusivamente, entre a norma assentada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, c.c. art. 44 da Lei no 9.430/96 com a regra encartada no art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, uma vez que estas tratam, especificamente, de penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício, ou seja, penalidades de idêntica natureza jurídica. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro de 2008, exclusive, o cotejo entre as hipóteses acima elencadas revela que a multa de mora aplicada nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, sempre se mostrará menos gravosa ao contribuinte do que a multa de ofício prevista no art. 35A do mesmo Diploma Legal, inserido pela MP nº 449/2008, contingência que justifica a não retroatividade da Lei nº 11.941/2009, uma vez que a penalidade por ela imposta se revela mais ofensiva ao infrator. Nesse contexto, vencidos tais prolegômenos, tratandose o vertente caso de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, o atraso objetivo no recolhimento de tais exações pode ser apenado de duas formas distintas, a saber: a. Tratandose de fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores, circunstância que implica a incidência de multa de mora nos termos do art. 35, II, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, na razão variável de 24% a 50%, enquanto não inscrito em dívida ativa, por ser mais benéfica ao infrator que a multa de ofício de 75% prevista na novel legislação; b. Tratandose de fatos geradores ocorridos após a vigência da MP nº 449/2008: De acordo com a MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, que promoveu a inserção do art. 35A na Lei de Custeio da Seguridade Social, situação que importa na incidência de multa de ofício de 75%, salvo nos casos de sonegação, fraude ou conluio, em que tal percentual é duplicado. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI Processo nº 10680.722546/201047 Acórdão n.º 2401004.099 S2C4T1 Fl. 17 31 Dessarte, para os fatos geradores ocorridos até a competência novembro/2008, inclusive, o cálculo da penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser efetuado com observância aos comandos inscritos no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela lei nº 9.876/99. Na mesma hipótese especifica, para os fatos geradores ocorridos a partir da competência dezembro/2008, inclusive, a penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada consoante a regra estampada no art. 35A da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009. O raciocínio acima delineado é válido enquanto não for ajuizada a correspondente ação de execução fiscal. Como se depreende do art. 35 da Lei n° 8.212/91, na redação da Lei nº 9.876/99, o valor da multa de mora decorrente de lançamento de ofício de obrigação principal é variável em função da fase processual em que se encontre o Processo Administrativo Fiscal de constituição do crédito tributário. De fato, encerrado o Processo Administrativo Fiscal e restando definitivamente constituído, no âmbito administrativo, o crédito tributário, não sendo este satisfeito espontaneamente pelo Sujeito Passivo no prazo normativo, será inscrito em Dívida Ativa da União, para subsequente cobrança judicial. Ocorre que, após o ajuizamento da execução fiscal, a multa pelo atraso no recolhimento de obrigação principal é majorada para 80% ou 100%, circunstância que torna a multa de ofício (75%) menos ferina, operandose, a partir de então, a retroatividade da lei mais benéfica ao infrator, desde que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Assim, em relação aos fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a dezembro/2008, exclusive, considerando a necessidade de se observar o preceito insculpido no art. 106, II, "c", do CTN concernente à retroatividade benigna, o novo mecanismo de cálculo da penalidade pecuniária decorrente da mora do recolhimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício trazido pela MP n° 449/08 deverá operar como um limitador legal do quantum máximo a que a multa poderá alcançar, in casu, 75%, mesmo que o crédito tributário seja objeto de ação de execução fiscal. Nestas hipóteses, somente irá se operar o teto de 75% nos casos em que não tenha havido sonegação, fraude ou conluio. Da conjugação das normas tributárias acima revisitadas concluise que, nos casos de lançamento de ofício de contribuições previdenciárias, a penalidade pecuniária pelo descumprimento da obrigação principal deve ser calculada de acordo com a lei vigente à data de ocorrência dos fatos geradores inadimplidos, conforme se vos segue: a. Para os fatos geradores ocorridos até novembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada conforme a memória de cálculo exposta no inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, Fl. 180DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI 32 observado o limite máximo de 75%, desde que não estejam presentes situações de sonegação, fraude ou conluio, em atenção à retroatividade da lei tributária mais benigna inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. b. Para os fatos geradores ocorridos a partir de dezembro/2008, inclusive: A penalidade pecuniária decorrente do descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser calculada de acordo com o critério fixado no art. 35A da Lei nº 8.212/91, incluído pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. No caso dos autos, considerando ser de 01/01/2006 a 31/12/2006 o período de apuração do Crédito Tributário ora lançado, e considerando não haver sido verificada a presença dos elementos objetivos e subjetivos de conduta que, em tese, se qualifica como fraude e/ou sonegação, tipificadas nos artigos 71 e 72 da Lei nº 4.502/64, resulta que a penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação tributária principal formalizada mediante lançamento de ofício deve ser aplicada de acordo com o art. 35, II, da art. Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99, vigente e eficaz na data da ocorrência dos fatos geradores, em atenção ao disposto no art. 144, caput, do Código Tributário Nacional, limitada a 75%, em honra ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna, previsto no art. 106, II, ‘c’, do CTN. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, CONHEÇO do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, devendo o regramento a ser dispensado à aplicação de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal formalizada mediante lançamento de ofício obedecer à lei vigente à data de ocorrência do fato gerador, nos termos expostos no caput do art. 144 do Código Tributário Nacional, observado o limite máximo de 75%, em atenção ao princípio da retroatividade da lei tributária mais benigna ao Contribuinte, inscrita no art. 106, II, ‘c’, do CTN. (assinado digitalmente) Arlindo da Costa e Silva Redator designado Fl. 181DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 21/ 03/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOM BARDI
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Numero do processo: 11020.907126/2008-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 06 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Apr 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2001
Restituição.Compensação. Saldo Negativo de IRPJ. IRRF.
Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor do IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ, restitui-se o crédito e homologam-se as compensações até o limite comprovado.
Numero da decisão: 1302-001.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(documento assinado digitalmente)
ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente
Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
Nome do relator: ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH - Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix.
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SALDO NEGATIVO DE IRPJ. IRRF. Comprovado nos autos, mediante apresentação da contabilidade, o valor do IRRF que compõe o saldo negativo de IRPJ, restituise o crédito e homologamse as compensações até o limite comprovado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (documento assinado digitalmente) ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH Relatora (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente Participaram do julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 71 26 /2 00 8- 51 Fl. 2113DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 2 Relatório Este litígio foi objeto da Resolução nº 1801000.253, deliberada em 06 de agosto de 2013, efls. 315 a 323, pelo que aproveito trechos do Relatório e Voto já redigidos para historiar os fatos: A empresa recorre do Acórdão nº 1236.246/11 exarado pela Primeira Turma de Julgamento da DRJ no Rio de Janeiro/RJ 1, fls. 115 a 118, que julgou improcedente o direito creditório pleiteado pela contribuinte, bem como não homologar as pertinentes compensações deste crédito com débitos tributários, formalizados nos Per/Dcomp (pedidos de restituição e declaração de compensação) – fls. 01 a 10. Aproveito trechos do relatório e voto do aresto vergastado para historiar os fatos: “[...] O despacho contém a seguinte fundamentação: PARCELAS DE COMPOSIÇÃO DO CRÉDITO INFORMADAS NO PER/DCOMP PARC.CRED1TO RETENÇÕES FONTE SOMA PARC. CRED. PER/DCOMP 31.603,92 31.603,92 CONFIRMADAS 24.641,85 24.641,85 Valor original do saldo negativo informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R$ 31.603,92 Somatório das parcelas de composição do crédito na DIPJ: R$ 31.603,92 IRPJ devido: R$ 0,00 Valor do saldo negativo disponível = (Parcelas confirmadas limitado ao somatório das parcelas na DIPJ) (IRPJ devido), observado que quando este cálculo resultar negativo, o valor será zero. Valor do saldo negativo disponível: R$ 24.641,85 O interessado, cientificado do despacho decisório em 15/10/2008 (fl. 108), apresentou manifestação de inconformidade em 14/11/2008 (fls. 12/18). Nesta peça, confirma o montante de R$ 31.603,92 informado a título de IRRF na DIPJ e no PER/DCOMP. Requer a reforma da decisão administrativa. Solicita ainda a retificação de DCOMP e cancelamento de débitos. [...] De plano, impende afirmar que a presente lide cingese à confirmação do IRRF informado na DIPJ 2002 (fls. 33/39) e no PER/DCOMP (fls. 01/10), o qual gerou o saldo negativo de IRPJ, alusivo ao anocalendário 2001, no valor de R$ 31.603,92. Não compete à DRJ manifestarse sobre pedido de retificação de DCOMP e de cancelamento de débito. Fl. 2114DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11020.907126/200851 Acórdão n.º 1302001.829 S1C3T2 Fl. 3 3 A retificação da Declaração de Compensação somente pode ser admitida antes do Despacho Decisório que não homologou a compensação (art. 77 da IN n° 900/2008). Por meio do despacho decisório n° 795086241 foi confirmado o IRRF de R$ 24.641,85 e reconhecido o saldo negativo no mesmo valor. Ou seja, não foi confirmado o IRRF no valor de R$ 6.962,07 (vide termo de fls. 111/112). Por outro lado, a comprovação do direito à restituição, para que seja homologada a declaração de compensação, requer que o crédito seja líquido e certo, conforme prevê o artigo 170 do CTN, abaixo transcrito: [...] Cumpre então observar, em conformidade com o disposto no art 64 da Lei n" 9.430/1996 e no art. 773, inciso I, do RIR/1999, que para as pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no Lucro Real, as retenções de Imposto de Renda somente são passíveis de compensação se os rendimentos forem levados à apuração do Lucro Real e, por consequência, estejam tais receitas incluídas na base de cálculo do IRPJ e da CSLL. Devese salientar ainda que a retenção na fonte de tributos incidentes sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa jurídica, se o interessado possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, nos termos do art. 55 da Lei n° 7.450/1985, e do § 2o do art. 943 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n.° 3.000, de 26/03/1999. Na peça de impugnação, o interessado confirma o valor de R$ 31.603,92 informado a título de IRRF na DIPJ e no PER/DCOMP. Acosta aos autos do processo, como elemento de prova do seu pleito, os Comprovantes Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica de fls. 40/87. Antes de analisar tais documentos, é importante frisar que os rendimentos informados na Ficha 43 Demonstrativo de Imposto de Renda Retido na Fonte totalizam o valor de R$ 2.125.118,80. Confrontandoos com a receita da prestação de serviços, no valor de R$ 2.131.763,07, constante da Ficha 06 A Demonstração do Resultado, é razoável admitir que os rendimentos que ocasionaram as retenções na fonte de IR foram devidamente oferecidos à tributação (fls. 34/39 e 113/114). Contudo, observase que somente os Comprovantes Anual de Rendimentos Pagos ou Creditados e de Retenção de imposto de Renda na Fonte Pessoa Jurídica de fls. 79/84 foram desconsiderados pelo despacho decisório atacado, isto é, os demais documentos tratam de retenções de IR já devidamente consideradas na referida decisão: CNPJ fonte pagadora Código da Receita Valor PER/DCOMP Valor Confirmado DRJ 90.260.985/000187 1708 3.659,11 3.345,64 91.687.160/000106 1708 136,42 136,42 92.693.019/000189 1708 19,50 19,50 Total 3.501,56 Destarte, tendo em vista que a legislação vigente exige a apresentação do comprovante de retenção para que o IRRF seja compensado na declaração de pessoa jurídica, entendo que somente os valores discriminados na planilha acima podem compor o montante do saldo negativo disponível referente ao anocalendário de Fl. 2115DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 4 2001, visto que inexiste comprovação dos demais valores informados a título de retenção na fonte no PER/DCOMP e na DIPJ. Destarte, além das retenções na fonte confirmadas no despacho decisório, no montante de R$ 24.641,85, devem compor o saldo negativo as retenções na fonte de IR ora confirmadas, no valor de R$ 3.501,56: [...]” A empresa interpôs tempestivamente (AR – 20/10/2011, fls. fls 141; Recurso – 16/11/2011, efls 158) o Recurso de efls. 158 a 189, reiterando os termos da defesa exordial, em síntese: a) o Despacho Decisório está eivado de vícios e deve ser anulado em vista da recorrente não ter sido intimada a apresentar esclarecimentos e documentos antes de sua emissão, possibilitando o exercício do amplo direito de defesa e a apresentação de documento retificatório; b) o direito de retificar o Per/Dcomp está previsto na IN RFB nº 900/2008, artigos 76, 77 e 78; c) ao analisar o Per/Dcomp objeto deste processo, houve a inclusão de outros Per/Dcomp e não homologação das compensações veiculadas nestes outros documentos, o que prejudica a recorrente por não ter oportunidade de se manifestar sobre cada um e retificálos, ensejando a cobrança por parte da Administração Tributária de tributo indevido; d) No mérito, esclarece que informou todas as fontes pagadoras que retiveram IR tanto na DIPJ quanto no Per/Dcomp pertinente, mas restou desprovido o crédito de R$ 3.460,51 (foi solicitado R$ 31.603,92), registrado os tributos retidos nas fontes pagadoras nas Notas Fiscais; e) a recorrente declarou R$ 2.131.763,07 de faturamento, oferecendo à tributação as receitas respectivas ao IRRF pleiteado; o percentual a ser aplicado sobre o faturamento é de 1,5%, resultando, por conseguinte, em R$ 31.976,45; f) no próprio acórdão recorrido reconhecese que as receitas foram oferecidas à tributação; g) por ser empresa prestadora de serviços, as fontes pagadoras são obrigadas por lei a reter os impostos devidos, no caso, IRRF, à alíquota de 1.5%, consoante disposto no art. 647 do Regulamento do Imposto de Renda vigente (Decreto nº 3.000/99 – RIR/99); h) portanto, a recorrente faz jus a compensar este IRRF independentemente da responsabilidade da substituta tributária haver ou não recolhido a parcela descontada, declarado ou não os pagamentos e IRRF respectivos, sendo dever da União fiscalizar e exigir a parcela retida sobre os pagamentos efetuados e não recolhidas aos cofres públicos; i) anexa ao recurso cópias das Notas Fiscais que comprovam as retenções sofridas; j) os Per/Dcomp informados no Despacho Decisório como não homologados somente foram juntados ao processo após o julgamento em primeira instância e não devem compor a presente lide; os períodos são diferentes; os valores declarados não são devidos porque foram emitidas de forma acumulada, quando o correto seria o resultado do mês; não tendo sido intimada a esclarecer ou apresentar o documento retificador, os valores informados são indevidos; k) explicita que o saldo de IRPJ a pagar relativo ao anocalendário de 2003 foi quitado com os saldos negativos de IRPJ dos anoscalendários de 2001, 2002 e Fl. 2116DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11020.907126/200851 Acórdão n.º 1302001.829 S1C3T2 Fl. 4 5 correção monetária destes valores; comprova os erros cometidos nos Per/Dcomp não homologados com a apresentação de registros contábeis no Livro Diário; l) todos os erros cometidos poderiam ter sido corrigidos a tempo, nas declarações pertinentes, se a recorrente houvesse sido intimada antes do Despacho Decisório emitido eletronicamente; m) desta forma, os tributos estão sendo cobrados por flagrante erro material; n) cita jurisprudência administrativa e judicial para corroborar a sua defesa. [...] VOTO [...] I) Da Preliminar suscitada de nulidade do Despacho Decisório A recorrente argúi de forma veemente que a falta de intimação fiscal para prestar esclarecimentos, ou para retificar os Per/Dcomp e demais declarações prestadas ao fisco, antes da emissão do Despacho Denegatório, causa cerceamento de defesa e, por conseqüência, nulidade do ato administrativo. [...] Afasto a argumentação de nulidade do ato administrativo. II) Do Mérito Antes de adentrar aos fatos litigados, cumpre primeiramente salientar nesta decisão que o ônus probatório da existência do crédito tributário, no caso de pedido de repetição do indébito, é da empresa. Este princípio é consagrado pelo art. 333, inciso I, do Código de Processo Civil – CPC, aplicado subsidiariamente ao processo administrativo fiscal – Decreto nº 70.235/72 (PAF): [...] Não se pode repetir o que não se recolheu aos cofres públicos, por não se ter formado o indébito tributário. Cumprese, ainda, invocar a Súmula nº 80 editada por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – Carf no seguinte sentido: Súmula CARF nº 80: Na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto. Partindo das premissas acima, comporta, no mérito, verificar se assiste razão, ou não, à recorrente a respeito dos valores informados como efetivamente retidos pelas fontes pagadoras espelhados, segundo alega, nas Notas Fiscais emitidas pela prestação de serviços. Fl. 2117DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 6 Como explicitado no acórdão combatido, o documento hábil para comprovar a retenção efetuada pelas fontes pagadoras é o informe de rendimentos ou a própria declaração de informações de retenções – DIRF. A jurisprudência deste Conselho é mansa neste sentido, não sendo suficiente a apresentação de Notas Fiscais desprovida de prova efetiva da retenção e do oferecimento à receita bruta respectiva à tributação. Por esta razão, a exigência do informe de rendimentos anual por parte do beneficiário é condição sine qua non para proceder à contabilização dos valores retidos e que consistirão em eventuais créditos. Observese que a obrigatoriedade de exigir os referidos informes de rendimentos é sua. Não pode a recorrente, por omissão sua na época da ocorrência dos fatos e em que deveria ter procedido à contabilização dos valores, requerer que a administração tributária aja em seu favor, a destempo. Dispõem os arts. 942 e 943 do RIR/99: [...] A recorrente é obrigada por lei a manter em guarda e em bom estado os documentos sobre os quais se firmam direitos ou obrigações discutidos em litígios, até que estes se findem na esfera administrativa, ou judicial. Regulamento do Imposto de Renda – Decreto 3.000/99 (RIR/99) Art.264.A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). Recentemente, no posicionamento ora esposado, foi proferido o Acórdão nº 1301000.872, em 10 de abril de 2012: “SALDO NEGATIVO. ANTECIPAÇÕES. IMPOSTO DE RENDA RETIDO N A FONTE. A divergência verificada entre os registros de retenção na fonte apontados pela contribuinte em sua DCOMP e os respectivos registros de dados mantidos pela Fazenda Pública podem/devem ser elididos pela apresentação dos respectivos documentos emitidos pela fonte pagadora que comprovem a efetivação da retenção (Informe de rendimentos). A ausência de comprovação pela contribuinte, apesar de reiteradamente intimada para tanto, atua contra ela, fazendo prevalecer, assim, a incerteza do crédito apontado, e a impossibilidade de admissão da compensação pretendida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Os membros da Turma acordam, por unanimidade, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto proferidos pelo Relator.” No mesmo diapasão, decisão proferida pela Primeira Câmara/1ª Seção/Carf – Acórdão nº 110100.688, em 16 de março de 2012: Fl. 2118DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11020.907126/200851 Acórdão n.º 1302001.829 S1C3T2 Fl. 5 7 “COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO. DEDUÇÃO DE RETENÇÕES. PROVA. Na ausência de comprovantes de retenção e ante a declaração a menor de retenções pela fonte pagadora em DIRF, cabe à interessada trazer aos autos as correspondentes notas fiscais de serviço e a prova de seu recebimento pelo valor líquido do IRRF, bem como declaração fidedigna da fonte pagadora de que estes valores especificamente retidos foram recolhidos aos cofres públicos. Evidências contábeis destas alegações são insuficientes para o reconhecimento do crédito pretendido, especialmente quando fonte pagadora e beneficiária são geridas pelo mesmo diretor presidente.” Uma vez apresentadas as Notas Fiscais pela recorrente, ainda que em fase recursal, e em virtude da omissão da autoridade tributária em facultar à recorrente as retificações que poderiam ter sido realizadas antes da emissão do Despacho Decisório, ou intimála a prestar esclarecimentos, RESOLVO converter o julgamento do litígio na realização de diligências. A recorrente deverá ser intimada a: 1) apresentar um quadro analítico de quais empresas (com CNPJ) requer o reconhecimento dos valores de IRRF, não admitidos ou parcialmente admitidos, abstendose de relacionar aquelas empresas cujo IRRF já foi reconhecido no Despacho Decisório (fls. 111 e 112) ou no acórdão recorrido; 2) no demonstrativo acima deverá informar as fls. do Razão que registraram tanto a percepção das receitas, quanto a retenção de imposto sofrida, bem como o cômputo desta receita no faturamento informado em DIPJ pela recorrente (decompor analiticamente por empresa, o valor de receita bruta); 3) este demonstrativo deverá ser acompanhado das cópias das Notas Fiscais que coincidam com os valores de receitas e IRRF devidamente escriturados, bem como as pertinentes fls. do Razão mencionadas no item 2; 4) intimar as fontes pagadoras a esclarecer eventual diferença entre os valores de IRRF controversos (Notas Fiscais versus Dirf ); 5) apresentar a contabilidade à autoridade fiscal que comprove os erros materiais cometidos nos Per/Dcomp objetos deste processo, que veiculam os débitos relacionados ao crédito solicitado. A autoridade fiscal designada ao cumprimento da realização das diligências, de posse das respostas, da contabilidade e documentos apresentados, deverá: a) conferir o recebimento dos valores líquidos expressos nas Notas Fiscais, na conta contábil Caixa/Banco, e contrapor os valores das receitas percebidas aos registros em Diário para verificar a efetiva tributação; b) verificar, em face à contabilidade, se procedem os alegados erros materiais nos Per/Dcomp em que não foram homologadas as compensações e, em caso afirmativo, tomar as devidas providências para os acertos necessários na confissão de débitos e sistema conta corrente da recorrente; c) lavrar um Termo/Relatório de Diligência Fiscal explicitando os resultados dos procedimentos fiscais, destacando as conclusões quanto aos valores controversos de IRRF (indicados pela recorrente), se devidamente comprovados, ou não, como retidos pelas fontes pagadoras. Fl. 2119DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 8 Às efls. 2101 a 2104, a autoridade fiscal designada para o cumprimento das diligências solicitadas informou nos autos: [...] Com relação ao saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2001, o IRRF não confirmado por esta diligência é de R$ 166,61, conforme planilha de fls. 2099. Assim, é passível de reconhecimento o crédito de R$ 3.293,90 (R$3.460,51 R$ 166,61). 3. A interessada, conforme demonstra a Declaração de Rendimentos Imposto de Renda Pessoa Jurídica DIPJ retificadora n° 1264820, transmitida em 04/11/2006, apresentou lucro real no anocalendário de 2002, sendo o imposto devido (R$ 5.649,23) inferior ao valor informado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF, conforme demonstrativo abaixo. Descrição dados da Ficha 12A Valor em R$ Imposto Sobre o Lucro Real 5.649,23 Imposto de Renda Retido na Fonte 40.525,27 Imposto de Renda a Pagar (34.876,04) 3.1. Do IRRF acima informado, apenas não foi confirmada a soma de R$ 23,19, conforme planilha de fls. 2100. Assim, o saldo negativo confirmado é de R$ R$ 34.852,85. 3.2. Porém, cabe registrar que do crédito confirmado de R$ 34.852,85, a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário 2002, o valor de R$ 20.810,84 foi objeto da declaração de compensação n° 30522.42293.061106.1.3.029696, doc. de fls. 1719/1729, a qual foi homologada por meio do processo administrativo n° 11020.907206/201110, onde a contribuinte quitou o débito de IRPJ, código de arrecadação 5993, período de apuração outubro de 2003, vencimento 28/11/2003, valor principal R$ 20.784,70. Assim, remanesce um crédito do referido ano calendário no valor de R$ 14.042,01. 4. Com relação aos erros materiais alegados em relação aos débitos confessados nos PER/Dcomp, foi procedida a comparação dos valores apurados na DIPJ do anocalendário 2003, exercício 2004, n° 0603260, transmitida em 23/06/2004, com o Livro de Apuração do Lucro Real LALUR e os balancetes do respectivo anocalendário, ambos apresentados pela contribuinte. 4.1. Percebese que, na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa, em todos os meses a interessada apurou imposto de renda por estimativa com base em balanço/balancete de suspensão e redução e que a linha 06 Imposto de renda devido de meses anteriores não foi preenchida. Apenas a linha 07 Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF apresenta os valores do IRRF acumulados apurados pela contribuinte. Assim, a partir de junho apresentou IRPJ a pagar. 4.2 Refazendo os cálculos e preenchendo corretamente a linha 06 da referida ficha os valores coincidem com o item 2 da resposta à intimação protocolizada em 09/12/2013, doc. de fls. 328/335. Ocorre que as estimativas a pagar referentes as competências junho e agosto de 2003, nos valores de R$ 23.525,74 e R$ 19.638,92, respectivamente, não foram confessadas e nem pagas, em conseqüência, não podem ser deduzidas do valor apurado na competência outubro de 2003, permanecendo o débito confessado em DCTF e declarado em dcomp no valor de R$ 62.129,02. 4.3. Com relação aos débitos confessados nos períodos de apuração novembro e dezembro de 2003, cabe a revisão para R$ 8.918,12 e R$ 5.370,82, respectivamente. Fl. 2120DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11020.907126/200851 Acórdão n.º 1302001.829 S1C3T2 Fl. 6 9 Devidamente intimada do Relatório Fiscal acima mencionado, a recorrente não se manifestou a respeito das conclusões. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, Relatora O Recurso Voluntário já foi conhecido, por tempestivo. Da preliminar Nulidade do despacho decisório. Esta matéria já foi enfrentada quando da deliberação da Resolução, pelo que transcrevo os fundamentos de decidir expostos anteriormente, os quais afastaram a nulidade do despacho denegatório proferido pela autoridade a quo: A recorrente argúi de forma veemente que a falta de intimação fiscal para prestar esclarecimentos, ou para retificar os Per/Dcomp e demais declarações prestadas ao fisco, antes da emissão do Despacho Denegatório, causa cerceamento de defesa e, por conseqüência, nulidade do ato administrativo. Em parte, há que se concordar com a recorrente. A falta de intimação fiscal, antes de ser emitido o Despacho Denegatório impede, posteriormente, a retificação dos valores previamente informados nos Per/Dcomp, conforme determinado pela norma tributária de regência. E pode ocorrer da contribuinte equivocarse ao apresentar a Per/Dcomp e só se flagrar do erro cometido após a ciência de que a Administração Tributária não referenciou o Per/Dcomp. É direito da recorrente retificar os débitos informados, ainda que os tenha confessado em Per/Dcomp. A confissão é meio de prova e, como tal, ainda que excelente, pode ser contraposta à verdade material dos fatos, desde que esta verdade seja comprovada por documentos hábeis (materialidade da prova), no caso aqueles que lastreiam a contabilidade da recorrente, em razão do princípio da indisponibilidade do crédito tributário. No presente caso, em nenhum momento a autoridade revisora da Per/Dcomp intimou a recorrente à retificar as declarações para que correspondessem à Per/Dcomp (DIPJ e DCTF), ou a apresentar a contabilidade para análise do direito creditório. Tampouco o fez a turma de julgamento de primeira instância. O procedimento acertado da Administração Tributária é, antes de emitir o Despacho Eletrônico, intimar o contribuinte a apresentar a contabilidade completa e, após a emissão do Despacho, conceder prazo para o contribuinte proceder a eventuais retificações de declarações. Os Despachos Decisórios recentemente emitidos pela Administração Tributária já constam em seu texto esta advertência. Por outro lado, entendo não ser causa de nulidade do ato administrativo. O cerceamento de defesa não se configura a partir do momento em que o Despacho é instruído com a causa motivadora da decisão tomada pela autoridade a quo, no caso, inconsistência entre os valores declarados pela recorrente a título de IRRF e aqueles Fl. 2121DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA 10 informados pelas próprias fontes pagadoras. A recorrente tomou ciência da causa exata do indeferimento parcial do Per/Dcomp – análise do crédito às fls. 111 e 112 – podendo exercer seu direito ao contraditório e à ampla defesa na manifestação de inconformidade, aliás, o que fez. A prévia intimação fiscal é, de fato, medida que pode evitar o litígio administrativo, mas não é exigida pela norma tributária de regência dos Per/Dcomp. Afasto a argumentação de nulidade do ato administrativo. Do mérito erros materiais Cumpre salientar que o Per/Dcomp objeto do presente litígio está acostado às efls. 1 a 10, cujo objeto é o saldo negativo de IRPJ pleiteado no valor de R$ 31.603,92, salientandose que o despacho decisório de efls. 11 confirmou o valor de R$ 24.641,85 (proveniente de IRRF confirmadas pelos sistemas da RFB Secretaria da Receita Federal do Brasil). A Turma Julgadora de Primeira Instância admitiu, ainda, o valor de R$ 3.501,36, consoante relatado, obtendose, então um saldo negativo de IRPJ para o ano calendário de 2001 no valor de R$ 28.143,21. A recorrente argumenta diversos erros materiais cometidos quando dos preenchimentos dos Per/Dcomp reprisando que muitos poderiam ter sido prontamente corrigidos se houvesse sido previamente intimada. Na manifestação de inconformidade cita quatro Per/Dcomp, sendo duas referentes ao anocalendário de 2001 e duas ao anocalendário de 2002, explicitando que, por flagrante erro e interpretações indevidas da legislação tributária à época, compensou débitos em valores acumulados, mês a mês, devendo ser corrigidos os Per/Dcomp nºs 11773.69474.061106.1.7.027706; 0168.50027.061106.1.7.022172; 34773.60091.241203.1.3. 021061; 05260.92572.300104.1.3.025266 (vide tabela demonstrativa às efls. 15 a 17). O colegiado que primeiramente apreciou este litígio no âmbito deste Conselho (extinta Primeira Turma Especial) entendeu que a contabilidade da contribuinte deveria ser de fato analisada, tanto quanto às retenções de IR requeridas e que foram devidamente informadas na DIPJ e no Per/Dcomp, quanto no que respeita ao oferecimento das receitas correlatas à tributação, não bastando para o deslinde do litígio a apresentação de parte do Livro Diário e Notas Fiscais que comprovariam as retenções sofridas, mas concordando que constituem estes documentos início de prova que impõem a busca da verdade material dos fatos. Desta forma, foram realizadas as diligências solicitadas intimações fiscais, esclarecimentos e docs juntados às efls. 325 a 2100, que culminaram na conclusão fiscal que: PARA O ANOCALENDÁRIO DE 2001, a recorrente faz jus ao saldo negativo de IRPJ no valor total de R$ 31.437,111, ao invés do valor requerido de R$ 31.603,92, pois não restou confirmada a retenção de IR no valor de R$ 166,61, consoante demonstrativo de efls. 2099; No que respeita aos débitos confessados no Per/Dcomp objeto deste litígio e aos demais erros materiais de preenchimentos dos demais Per/Dcomp citados pela recorrente, a autoridade fiscal em extenso e minucioso trabalho auditou a contabilidade da recorrente junto a DIPJ entregues e DCTF, consoante relatado nos itens 3 e 4, e respectivos subitens, do relatório fiscal de efls. 2101 a 2104, e demonstrativos em anexo, sendo que COMPETE À 1 valor reconhecido até a primeira instância + valor apurado na diligência = R$ 28.143,21 + R$ 3.293,90 Fl. 2122DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA Processo nº 11020.907126/200851 Acórdão n.º 1302001.829 S1C3T2 Fl. 7 11 AUTORIDADE A QUO observar estas conclusões para proceder às retificações de ofício dos Per/Dcomp entregues pela contribuinte e ajustes nos sistemas informatizados da RFB, por força do princípio da verdade material. Pelo exposto, voto em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito creditório consubstanciado no saldo negativo de IRPJ, relativo ao ano calendário de 2000, no valor total de R$ 31.437,11 (observandose que parte deste valor já foi reconhecida anteriormente na decisão de primeira instância) e homologar as compensações dos débitos declarados com as ressalvas feitas pela autoridade fiscal, consoante relatório de efls. 2101 a 2104. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Fl. 2123DF CARF MF Impresso em 29/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente e m 28/04/2016 por ANA DE BARROS FERNANDES WIPPRICH, Assinado digitalmente em 28/04/2016 por EDELI PER EIRA BESSA
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Numero do processo: 16004.720189/2011-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Jun 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007,2008,2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Não havendo obscuridade no Acórdão embargado, os embargos não devem ser conhecidos.
MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 105 DO CARF.
O acórdão embargado deixou claro que multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (seja qual for o seu fundamento) não pode ser exigida de forma cumulada com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, uma vez que encerrado o ano-calendário, as estimativas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Neste sentido são os acórdãos paradigmas que serviram de base para a edição da Súmula nº 105 do CARF.
Numero da decisão: 1401-001.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER dos Embargos, por entenderem ausência de obscuridade. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que conheciam e acolhiam em parte os embargos para cancelar as multas isoladas dos anos calendário 2007 em diante, dando-lhes efeitos infringentes. Designada a Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Antonio Bezerra Neto - Relator e Presidente
(assinado digitalmente)
Aurora Tomazini de Carvalho - Redatora Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: ANTONIO BEZERRA NETO
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ADMISSIBILIDADE. Não havendo obscuridade no Acórdão embargado, os embargos não devem ser conhecidos. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO PAGAS. IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. APLICAÇÃO DA SÚMULA 105 DO CARF. O acórdão embargado deixou claro que multa isolada por falta de recolhimento de estimativas (seja qual for o seu fundamento) não pode ser exigida de forma cumulada com a multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, uma vez que encerrado o ano calendário, as estimativas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Neste sentido são os acórdãos paradigmas que serviram de base para a edição da Súmula nº 105 do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER dos Embargos, por entenderem ausência de obscuridade. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos que conheciam e acolhiam em parte os embargos para cancelar as multas isoladas dos anos calendário 2007 em diante, dandolhes efeitos infringentes. Designada a Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Relator e Presidente (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Redatora Designada AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 00 4. 72 01 89 /2 01 1- 11 Fl. 1371DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.039 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Fernando Luiz Gomes de Souza, Aurora Tomazini de Carvalho e Antonio Bezerra Neto. Fl. 1372DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.040 3 Relatório Tratase de embargos de declaração interpostos pela FAZENDA NACIONAL na decisão proferida no Acórdão n° 1401001.367, desta 1a Turma da 4ª Câmara da 1a Seção do CARF que julgou o recurso voluntário cujo Acórdão restou assim ementado e decidido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008, 2009 DILIGÊNCIA E PERÍCIA. Indeferese o pedido de diligência e perícia quando presentes nos autos elementos capazes de formar a convicção do julgador. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. DESPESAS FINANCEIRAS RELATIVAS A EMPRÉSTIMOS REPASSADOS. GLOSA. Tendo a pessoa jurídica emprestado determinada importância à sua coligada e, no mesmo período, contraído empréstimo bancário a taxas de juros superiores, este financiamento não pode ser tido como necessário e, conseqüentemente, as despesas dele oriundas são passíveis de glosa. DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC. Em se tratando de um contrato híbrido de contacorrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do contacorrente que foi integralizada. IOF. CONTRATO HÍBRIDO. MÚTUO ENTRE PESSOAS JURÍDICAS E AFAC. Verificada a existência de mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas, regular é a exigência do IOF incide sobre tais operações. Em se tratando de um contrato híbrido de contacorrente (mútuo) e AFAC (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital) deve ser abatido de forma proporcional a parte efetiva do saldo do contacorrente que foi integralizada. APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA. Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consumação, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano Fl. 1373DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.041 4 calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Súmula CARF nº 105) TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Lavrado o Auto principal, devem também ser lavrados os Autos reflexos, nos termos do art. 142, parágrafo único do CTN (lei n° 5.172/66), devendo estes seguir a mesma orientação decisória daquele do qual decorrem Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, DAR provimento PARCIAL ao recurso, nos seguintes termos: 1) Por unanimidade de votos, RETIRAR do cálculo do percentual de rateio a ser aplicado na apuração das despesas desnecessárias o valor de capital social efetivamente integralizado (R$ 100.000.000,00), tomando como marco inicial e final, respectivamente as datas de 01/01/2008 e 30/04/2009; 2) Por unanimidade de votos, cancelar as multas isoladas referentes aos anoscalendários de 2007 e 2009, aplicandose a Súmula CARF nº 105; 3) Por maioria de votos, CANCELAR a multa isolada relativa ao anocalendário de 2008. Vencidos o Conselheiro Antonio Bezerra Neto (Relator) e Fernando Luiz Gomes de Mattos. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta; 4) Pelo voto de qualidade DAR provimento PARCIAL ao IOF, tirando da base de cálculo dos empréstimos o valor do capital efetivamente integralizado, por se tratar AFAC. Vencidos os Conselheiros Maurício Pereira Faro, Sérgio Luiz Bezerra Presta e Karem Jureidini Dias que davam provimento integral ao IOF; 5) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento em relação às demais matérias. A FAZENDA NACIONAL tomou ciência (presumida) do referido Acórdão em 18/10/2015 (trinta dias após a remessa eletrônica 18/09/2015) e interpôs os presentes embargos no dia 16/10/2015. Em seu arrazoado, alega implicitamente uma contradição e obscuridade do Acórdão embargado, nos seguintes termos: Entendeu a Turma, em suma, ser inviável a cobrança da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas em concomitância com a multa de ofício prevista no art. 44, inciso I, da Lei n° 9.430/96, tendo utilizado, como razão de decidir, a Súmula n° 105 do CARF, a qual dispõe o seguinte: Súmula CARF n° 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Ocorre que a citada súmula não tem aplicação ao caso concreto. Com efeito, é importante atentar para o fato de que a súmula enuncia ser inviável o lançamento concomitante da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual com a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas lançada com fundamento no art. 44 § 1°, inciso IV da Lei n° 9.430/1996. A multa isolada lançada no presente caso, entretanto, foi fundamentada pela autoridade fiscal no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, com redação dada pela Lei n° 11.488/2007 (...) Fl. 1374DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.042 5 Pois bem. Considerando que: 1) tanto no voto proferido pelo Conselheiro Antonio Bezerra Neto, quanto no voto elaborado pelo Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, afirmase ser aplicável ao caso a Súmula CARF n° 105 (o que não se confirma, conforme acima delineado); 2) nos citados votos há diversas referências ao art. 44, § 1°, IV, da Lei n° 9.430/96, o qual não foi utilizado como base legal pela autoridade fiscal, que fundamentou o lançamento no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, dado que o auto de infração abarca períodos de apuração posteriores às modificações promovidas pela Lei n° 11.488/2007; exsurge a dúvida se o Colegiado proferiu sua decisão tendo como parâmetro o art. 44, § 1°, IV da Lei n° 9.430/96 ou o art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação alterada pela Lei n° 11.488/2007. É o relatório. Fl. 1375DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.043 6 Voto Vencido Conselheiro Antonio Bezerra Neto, Relator Os embargos são tempestivos, mas para preencher todos os requisitos de admissibilidade, há que se verificar a existência contradição apontada. Analisando os autos, verifiquei que assiste razão à embargante. Vejase o trecho inicial do voto condutor que excluiu as multas isoladas referentes aos anoscalendário de 2007 e 2009: MULTA ISOLADA – ESTIMATIVAS NÃO PAGAS A recorrente pleiteia o cancelamento da multa isolada de 50% apurada em face de falta de recolhimento da estimativa do tributo devido, feito sob argumento de impossibilidade de cumulação com a multa de ofício de 75%. Em primeiro lugar, cabe salientar que tal raciocínio só é válido para os anos calendários de 2007 e 2009 que tiveram tributos devidos. Em relação ao ano calendário de 2008 houve prejuízo fiscal e base de cálculo negativa. Portanto a Súmula nº105 só aplicase para os anoscalendário de 2007 e 2009, motivo pelo qual devem ser canceladas, subsistindo as multas isoladas para o ano calendário de 2008: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) O voto vencedor em relação apenas ao anocalendário de 2008, que apresentou prejuízo fiscal e bases negativas, assim fez referência à referida Súmula para efeito de cancelamento das mesmas: (...) As turmas ordinárias e a Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF têm reiteradas decisões no sentido da impossibilidade de aplicação concomitante das duas multas, que levou ao entendimento ser sumulado por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, nos termos da súmula CARF nº 105, aprovada pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais na sessão de 08/12/2014, com a seguinte disposição: “Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício.” Diante dos sólidos argumentos e os termos da súmula CARF nº 105 demonstram a ampla, geral e irrestrita impossibilidade de exigência concomitante de multa de oficio por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. (...) Fl. 1376DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.044 7 Como se vê tanto o voto do relator (voto condutor da exoneração das multas de 2007 e 2009) quanto o voto vencedor (redator designado para a exoneração do ano calendário de 2008) são obscuros, bem assim caem em contradição na medida em que se utilizam para aplicação da Súmula CARF nº 105, da premissa fática de que o lançamento foi efetuado com base no art. 44, § 1°, IV da Lei n° 9.430/96, sem a redação alterada pela Lei n° 11.488/2007, tal qual consta na Súmula; e ao mesmo tempo, mas em sentido contrário fica patente que a Súmula está sendo aplicada para fatos geradores a partir de 2007, justamente quando a Lei nº Lei n° 11.488/2007 já estava em vigor e incidindo sobre os referidos fatos. Em síntese, partiram do entendimento que estarseia diante dos casos de lançamentos efetuados com base no art. 44, § 1°, IV da Lei n° 9.430/96, tal qual consta da Súmula; e não no art. 44, II, da Lei n° 9.430/96, com a redação alterada pela Lei n° 11.488/2007. Nesse sentido, foram obscuros ao não deixar claro os requisitos necessários para aplicação da Súmula e gerando por consequência uma contradição. Então, resolvendo a obscuridade, deixo claro o meu entendimento, como tenho me pautado nos outros votos, no sentido de que a referida Súmula só tem aplicação para cancelar a multa isolada nos anoscalendário anteriores a 2007, eis que precisam se lastrear no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, alterado depois pela Lei n° 11.488/2007, bem assim que aja imposto devido e não apuração de prejuízos fiscais ou bases negativas da CSLL, pois se trata de um súmula que trata da cumulação de multas. Eis abaixo o teor da referida Súmula que ampara perfeitamente tal entendimento: Súmula CARF n. 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 105) Pelo exposto, concluo que o Acórdão n° 1401001.367, de 04 de fevereiro de 2015, foi obscuro quanto à aplicação da Súmula CARF nº 105, pelo que proponho sejam ACOLHIDOS os embargos para que sejam mantidas as multas isoladas dos anoscalendário de 2007, 2008 e 2009, dandolhes efeitos infringentes. (assinado digitalmente) Antonio Bezerra Neto Fl. 1377DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.045 8 Voto Vencedor Conselheira Aurora Tomazini de Carvalho, Relatora Designada. Examinando os presentes autos, em especial o acórdão embargado, entendo que não há obscuridade a ser sanada. Como bem ressaltou o Ilustre Conselheiro Antonio Bezerra Neto, alega a Embargante que o acórdão recorrido é obscuro, na medida em que decidiu pela inaplicabilidade da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas sem considerar a alteração legislativa promovida no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Tratase de alegação de “obscuridade” entre a decisão e os seus fundamentos, o que, nos termos do art. 65 do RI/CARF, permitiria o conhecimento e apreciação dos Embargos de Declaração propostos pela FAZENDA NACIONAL. Já tive a oportunidade de lecionar que: “Quando o aplicador produz a norma individual e concreta, resultante da aplicação, ele diz qual é o fato e diz qual é o direito do caso concreto. A linguagem produzida positiva suas escolhas, por meio dela temos acesso à decisão, o que possibilita o controle de sua valoração. A tomada de posição sobre o fato e sobre a norma a ser aplicada é um ato valorativo, mas não desregrado. De acordo com critérios estabelecidos pelo próprio sistema é vedado ao aplicador constituir o fato jurídico com base em elementos diversos dos constantes na linguagem das provas, assim como também lhe é vedado construir a norma a ser aplicada sem fundamentação jurídicopositiva. O controle da decisão é feito pela objetivação dos valores constantes no ato de aplicação, por isso, a necessidade de sua fundamentação e justificação. Como conteúdo dos atos de aplicação, encontramos as fundamentações e justificações: (i) do fato; e (ii) do direito. A fundamentação do fato, consiste na indicação dos enunciados factuais, constantes do processo que influenciaram a convicção do aplicador para conformação do fato jurídico. A justificação do fato jurídico, consistente nas razões que levaram o aplicador a utilizar aqueles enunciados factuais e não outros, na conformação do fato jurídico; A fundamentação do direito, consiste em indicar os enunciados prescritivos, presentes no sistema, tomados como base para construção da norma aplicada. E a justificação do direito, consiste nas razões que levaram o aplicador a construir aquela norma (aplicada) e não de outra. (Curso de Teoria Geral do Direito, o Constructivismo LógicoSemântico, 4a. ed. pg. XXX) Nos termos do art. 65 do Regimento Interno do CARF de 2015: Art. 65. Cabem embargos de declaraca̧õ quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. O dispositivo legal, acima transcrito, aponta os requisitos necessários ao cabimento e provimento dos Embargos de Declaração. Assim, caberá Embargos de Declaração: (i) quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão Fl. 1378DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.046 9 e seus fundamentos, ou (ii) quando for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Tais requisitos são necessários na medida em que somente na presença deles os Embargos de Declaração poderão ser conhecidos e apreciados. Em qualquer outra situação, em que não se fazem presentes tais requisitos a norma processual não autoriza o conhecimento e apreciação de Embargos de Declaração. Há de se destacar também que a obscuridade, contradição ou omissão devem ser demostradas entre a decisão (norma individual e concreta produzida na peça processual recorrida) e seus fundamentos, que se constituem na justificação e fundamentação do fato ou do direito. Em outro giro, tratase de um vício intranormativo, presente no documento, aferível mediante o confronto realizado no acórdão, e somente nele, entre a norma individual e concreta produzida (decisão) e a fundamentação e justificação do fato ou do direito (seus fundamentos aparentes – presentes no voto condutor). Partese, assim, do acórdão, e nele se finda. Outras informações presentes no processo não devem nele interferir. O termo obscuridade denota falta de claridade, estado do que é ininteligível, incerto, duvidoso ou mal conhecido. Considerando a separação acima, a obscuridade suscitada pela Recorrente é a falta de clareza / estado de dúvida / incerteza quanto a questão de direito, mais especificamente à justificação do direito, pois não parece claro, para a Embargante, os motivos do afastamento da multa isolada, tendose em conta a alteração legislativa promovida no art. 44 da Lei nº 9.430/96. Não há duvidas com relação aos enunciados tomado como base para construção da norma aplicada (art. 44 da Lei nº 9.430/96 e súmula 150 do CARF), mas sim quanto à interpretação dada aos enunciados na construção da norma a ser aplicada que, segundo a Embargante, não teria considerado as alterações promovidas pela MP nº 351/07 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07). Haveria, assim, nos termos dos Embargos propostos, uma falta de clareza com relação à justificação do direito no acórdão, que poderia acarretar mudança na fundamentação (não aplicação da súmula) e, portanto, efeitos infringentes. Esta falta de clareza com relação à justificação do direito se enquadraria, assim, dentre os requisitos necessários ao cabimento e provimento dos Embargos de Declaração – “(i) obscuridade entre a decisão e seus fundamentos” e autorizaria seu conhecimento, nos termos do citado art. 65 do RI/CARF. Analisando, no entanto, a decisão embargada, não vejo qualquer obscuridade, nem quanto à fundamentação, nem quanto a justificação do direito com relação ao afastamento da multa isolada por estimativa. Com efeito, o Conselheiro André Mendes de Moura, no voto condutor do acórdão, deixa claro que o afastamento da multa isolada se deu porque uma vez encerrado o anocalendário, as estimativas são absorvidas pelo tributo apurado no ajuste, de modo que não há mais base para a sua aplicação. Expondo, portanto, com clareza, a justificativa da interpretação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/96 quando da construção da norma aplicada no acórdão ora embargado. Vejamos alguns trechos do voto: [...] encerrado o anocalendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Até porque, encerrado o anocalendário, não há mais base de Fl. 1379DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.047 10 cálculo para exigência da multa, eis que, com o deslocamento do fato gerador da obrigação tributária para 31 de dezembro de cada ano, para as empresas que optem por recolher o imposto de renda e a contribuição social sobre o lucro real anual, desaparece o bem tutelado pela norma jurídica, no caso as antecipações que deveriam ter sido recolhidas no decorrer do ano calendário, surgindo, com a apuração do lucro real ao final do ano calendário, o imposto efetivamente devido, única base imponível que sofrerá a sanção caso o mesmo não seja recolhido pelo sujeito passivo da obrigação tributária. (fl. 1344) Ou seja, é inerente ao dever de antecipar a existência da obrigação cujo cumprimento se antecipa, e sendo assim, a penalidade só pode ser exigida durante aquele ano calendário, de vez que, com a apuração do tributo e da contribuição social efetivamente devida ao final do ano calendário (31/12), desaparece a base imponível daquela penalidade (antecipações), pela ausência da necessária ofensa a um bem juridicamente tutelado que a justifique. (fl. 1345) Diante dos sólidos argumentos e os termos da súmula CARF nº 105 demonstram a ampla, geral e irrestrita impossibilidade de exigência concomitante de multa de ofício por falta de recolhimento de tributo devido ao final do exercício e por falta de recolhimento de estimativas no mesmo período. Isso porque, a suposta infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consumação, a primeira conduta é meio de execução da segunda. (fl. 1345) Tendo em conta os trechos supragrifados, a meu modo de ver, o acórdão embargado foi muito claro ao expor a justificativa e a fundamentação da decisão quanto ao não cabimento da aplicação concomitante de multa de ofício pelo não recolhimento do IRPJ e da CSLL e multa isolada pelo não recolhimento de estimativas. Sem adentrar na análise do mérito, mas expondo as razões que me levam a entender não existir a obscuridade alegada, me parece claro que o afastamento da multa isolada na decisão embargada está pontualmente justificado sob o argumento segundo o qual: encerrado o anocalendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Significa dizer: o valor não recolhido a título de estimativa será incluído no montante apurado por ocasião do ajuste anual. Assim, após o encerramento do anocalendário, não há mais que se falar em dever de recolhimento das estimativas e consequentemente em multa pelo não recolhimento das estimativas. Isto me parece claro nos trechos do voto acima por mim grifados. Esta foi exatamente a interpretação que motivou a edição da Súmula CARF nº 105, também utilizada como fundamentação da decisão embargada. Vejamos as ementas de alguns dos acórdãos que serviram de paradigma para sua redação: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação Fl. 1380DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.048 11 concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Cons. Valmir Sandri, ACÓRDÃO nº 9101001.261, julgado em 22/11/2011) MULTA ISOLADA – APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Cons. Valmir Sandri, ACÓRDÃO nº 9101001.307, julgado em 26/04/2012) APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CARF, Câmara Superior de Recursos Fiscais, Rel. Cons. Selene Ferreira de Moraes, ACÓRDÃO nº 1803001.263, julgado em 10/04/2012) Examinado referidas ementas, notase que o argumento (justificação) utilizado, para afastar a aplicação concomitante da multa isolada pelo não recolhimento de estimativas e da multa de ofício sobre o valor do tributo apurado no ajuste, na produção da súmula no. 105 do CARF tem como base a seguinte justificativa: A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final Fl. 1381DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O Processo nº 16004.720189/201111 Acórdão n.º 1401001.567 S1C4T1 Fl. 1.049 12 do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda.” O que equivale dizer: encerrado o anocalendário, não mais cabe aplicar a multa isolada por falta ou insuficiência de estimativas, pois essas ficam absorvidas pelo tributo incidente sobre o resultado anual. Mesmo argumento utilizado como justificação da interpretação do direito no voto condutor do acórdão ora embargado, que fundamenta a decisão no art. 44 da Lei nº 9.430/96 e na referida súmula. Se considerarmos a justificação do direito exposta de forma clara voto condutor do acórdão, as alterações promovidas pela MP nº 351/07 (posteriormente convertida na Lei nº 11.488/07) na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96 não acarretam nenhuma modificação na interpretação dada aos enunciados do artigo e da súmula 105 que fundamentam a decisão. Esta foi a razão pela qual, sem ser mencionada a nova redação, prevaleceu o posicionamento segundo o qual a multa isolada não pode ser aplicada em nenhum dos anos calendários da autuação (2007, 2008 e 2009). O que a Embargante alega como obscuridade (não consideração das aleterações legislativas trazidas pela Lei nº 11.488/07, na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96) não se trata de falta de clareza quanto à justificação do direito da decisão (“obscuridade entre a decisão e seus fundamentos”). Mas, a meu modo de ver, de discordância de argumentação (interpretação), o que não é cabível em sede de embargos de declaração, nos termos do art. 65 do RI/CARF. Diante do exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER dos Embargos de Declaração, uma vez que ausente qualquer obscuridade. (assinado digitalmente) Aurora Tomazini de Carvalho Fl. 1382DF CARF MF Impresso em 17/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/ 06/2016 por AURORA TOMAZINI DE CARVALHO, Assinado digitalmente em 17/06/2016 por ANTONIO BEZERRA NET O
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Numero do processo: 16641.000135/2007-44
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005
DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM COBRANÇA. INCOMPETÊNCIA.
Havendo desistência integral do recurso voluntário, expressamente declarada pelo Contribuinte, o CARF não tem competência para analisar discussões voltadas tão somente para a análise da legislação aplicável na cobrança do tributo reconhecidamente devido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2202-003.449
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por incompetência do CARF.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1553; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 471 1 470 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16641.000135/200744 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202003.449 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 14 de junho de 2016 Matéria IRPF Recorrente LAUVIR DE QUEVEDO BARBOZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005 DESISTÊNCIA DE RECURSO VOLUNTÁRIO. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM COBRANÇA. INCOMPETÊNCIA. Havendo desistência integral do recurso voluntário, expressamente declarada pelo Contribuinte, o CARF não tem competência para analisar discussões voltadas tão somente para a análise da legislação aplicável na cobrança do tributo reconhecidamente devido. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por incompetência do CARF. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 1. 00 01 35 /2 00 7- 44 Fl. 471DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto (suplente convocada), Martin da Silva Gesto e Márcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de auto de infração lavrado em desfavor do Recorrente no qual se constituiu IRPF em função da Omissão de Rendimentos. O Contribuinte impugnou o lançamento, mas a DRJ manteve integralmente o crédito fazendário. Tendo interposto Recurso Voluntário, o próprio Recorrente desistiu do processo administrativo, afirmando ter quitado o débito. Posteriormente, havendo discussão acerca da efetiva quitação do débito, foram apresentadas Manifestação de Inconformidades e, após tramitações diversas, vieram os autos para decisão neste e.CARF. Feito o resumo dos fatos, passamos ao relatório pormenorizado dos autos. Em 11/12/2007 foi lavrado auto de infração (fls. 5/15) para constituir IRPF em desfavor do Contribuinte Lauvir de Quevedo Barboza, em decorrência da Omissão de Rendimentos. Intimado em 14/12/2007 (fl. 280), o Contribuinte apresentou impugnação em 14/01/2008 (fls. 299/305 e docs. anexos fls. 306/358). Levado a julgamento, a DRJ proferiu o acórdão 1030.096, de 25/02/2011 (fls. 360/370), mantendo integralmente o crédito lançado. O Contribuinte, intimado da decisão de 1º grau em 24/03/2011 (fl. 373), interpôs Recurso Voluntário (fls. 374/382), visando a reforma da decisão recorrida. Chegando ao CARF, foi proferida a Resolução nº 2202000.504, de 19/06/2013 (fls. 386/391), determinando o sobrestamento do processo em função da existência de declaração de repercussão geral pelo STF da questão do Sigilo Bancário. Em 06/05/2015, o Contribuinte protocolou petição (fl. 393) declarando a “Desistência do Recurso Voluntário face haver quitado o débito objeto deste processo administrativo mediante pagamento a vista”. Também juntou DARFs e Comprovantes de Arrecadação (fls. 394/401). Foram então proferidos despachos de encaminhamento (fls. 416/417) determinando que os autos fossem levados à DRF, onde deveria ser averiguada a regularidade do parcelamento do Contribuinte. Conforme informações de fls. 418 e 422/424, a DRF não identificou o recolhimento do crédito fazendário. Intimado a pagar o tributo em 16/07/2015 (fl. 426), o Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 28/07/2015 (fl. 429/436 e docs. anexos 437/451), contestando a referida cobrança. Em suma, argumentou que efetivou o pagamento integral, e que calculou o quantum debeatur pela aplicação das regras das Leis nº 11.941/2009 e nº 12.996/2014. A DRF proferiu então despacho (fls. 453/455) no qual embasava a manutenção da cobrança. Os autos foram então encaminhados para a DISIT, em 12/08/2015, Fl. 472DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 16641.000135/200744 Acórdão n.º 2202003.449 S2C2T2 Fl. 472 3 nos termos do art. 56 da Lei nº 9.784/1999 (fl. 456). Na DISIT foi proferido Despacho em 15/12/2015 (fls. 458/460), no qual se afirmou que: “não está em conformidade com a Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, a decisão de enviar, para apreciação desta Disit da SRRF10, a petição intitulada ‘manifestação de inconformidade’ apresentada pelo sujeito passivo a fim de contestar a cobrança a que se reporta a Carta Cobrança das folhas 422 a 426. (...) Desse quadro normativo decorre que o conteúdo da Carta Cobrança das folhas 422 a 426 não permite enquadrála como uma decisão administrativa que atenda aos requisitos dos arts. 48 e 50 da Lei nº 9.784, de 1999. É fácil constatar que decisão administrativa com essas características, no presente processo, temse no documento exarado pela Sacat da DRF/PEL, juntado às folhas 453 a 455. Corretamente, a DelegadaAdjunta da DRF/PEL determinou que essa decisão fosse cientificada ao sujeito passivo. A partir da ciência dessa decisão, teria o interessado, então, o prazo de dez dias para, querendo, apresentar o recurso hierárquico previsto no art. 56 da Lei nº 9.784, de 1999, no qual poderia contrapor argumentos que visassem a infirmar os fundamentos apontados pela Sacat da DRF/PEL no documento das folhas 453 a 455. Se apresentado esse recurso, somente então, instaurarseia a competência recursal desta Superintendência.” – fl. 459 Em outras palavras, esclareceu que a sua competência é para análise dos recursos hierárquicos, hipótese na qual não se encaixa a petição de fls. 429/436, protocolada pelo Contribuinte. Entretanto, dando continuidade à sua exposição, e buscando resolver o problema processual do Contribuinte, ressaltou a existência do Despacho de Encaminhamento de fl. 417, no qual se afirmou que: “Em cumprimento ao disposto no art. 18, inciso XIX, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009: ¿XIX determinar a devolução do processo à repartição de origem, quando manifestada a desistência do recurso;¿ e de ordem da Srª Presidente da 2ª Câmara/2ª Sejul, tendo em vista a DESISTÊNCIA DO RECURSO da parte interessada, conforme documento de fls. 393 a 401, restituamse os presentes autos à repartição de origem, para confirmação da regularidade do parcelamento, bem como a efetivação do pagamento, nos termos da Lei 11.941/2009. 1) Em se confirmando, fica configurada a desistência e as demais providências cabem à repartição de origem; 2) Em não se confirmando, retornese a este Conselho para prosseguimento.” Observando que há discussão sobre a existência de saldo a pagar, concluiu enquadrarse a presente hipótese no item 2, supra, segundo o qual os autos deveriam retornar ao CARF em caso de inocorrência de pagamento. Fl. 473DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 4 Foi dada ciência ao Contribuinte por decurso de prazo, em 04/01/2016, uma vez que a intimação foi disponibilizada no eCAC em 17/12/2015 (fl. 646). Enfim, vieramme os autos. É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Em resumo do relatório, o conflito ora observado nos autos gira em torno da definição de quem tem competência para analisar a Manifestação de Inconformidade e, após a definição dessa questão, a análise dos pedidos e dos argumentos ali elencados propriamente dito. Equivocouse a DISIT em seu Despacho de Devolução. É que esse órgão entendeu pela necessidade de devolução do processo ao CARF com base no despacho de encaminhamento de fl. 417. O RICARF vigente à época da desistência do processo era aquele instituído pela Portaria MF nº 256/2009 e alterações seguintes. Ali, encontravamse reguladas as consequências da desistência do Recurso Voluntário no art. 18, XIX e no art. 78 e §§1º a 3º. Impende reconhecer que o RICARF ora vigente mantém, em linhas gerais, os mesmos comandos legais, agora descritos no art. 18, IX e art. 78, §§1º a 5º. Destarte, transcrevemos a seguir os comandos ora vigentes, que são aplicáveis por se tratarem de regras procedimentais. Art. 18. Aos presidentes de Câmara incumbe, ainda: (...) IX determinar a devolução do processo à repartição de origem, quando manifestada a desistência do recurso; (...) Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, Fl. 474DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA Processo nº 16641.000135/200744 Acórdão n.º 2202003.449 S2C2T2 Fl. 473 5 estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Em outras palavras, o Contribuinte pode, a qualquer momento, inclusive após decisão que lhe seja favorável, desistir do recurso voluntário. In casu, não apenas houve a confissão e a extinção (havendo dúvidas se se tratou de extinção parcial ou integral) do débito, como o contribuinte expressamente desistiu do recurso voluntário. Não há que se duvidar, ademais, acerca de desistência integral do Recurso Voluntário. Nos termos da petição de fls. 393, o Contribuinte pede a “Desistência do Recurso Voluntário face haver quitado o débito objeto deste processo administrativo”. Em segundo lugar, o Contribuinte alegou, tanto em sua petição de desistência quanto em sua referida “Manifestação de Inconformidade”, que “quitou à vista o débito fiscal em seu nome vertido no processo administrativo 16641000135/200744” (fl. 430). Nos termos do art. 78, §5º, do RICARF ora vigente, havendo desistência total do recurso voluntário, pelo sujeito passivo, como é o caso ora sob análise, os autos devem ser encaminhados à unidade de origem para cobrança, o que efetivamente foi feito. Portanto, não há mais que se falar em análise do Recurso Voluntário de fls. 374/382, posto que os argumentos ali ventilados não são mais relevantes. Esclarecese, ademais, que o despacho de fl. 417 traz regras gerais de tramitação para os casos de parcelamento e de pagamento do débito: se o parcelamento for negado ou se não for reconhecido, por qualquer motivo, então não haverá efetiva desistência do recurso voluntário, que poderá ser julgado. No presente caso, houve pagamento. Questionase, tão somente, o valor efetivamente devido a título de juros, em decorrência de regras de desoneração do crédito fiscal para a adesão ao parcelamento daquela Lei específica. Logo, não há que se falar em desistência parcial ou em vício na desistência do processo. Enfim, não se tratando de Recurso Voluntário, nem tampouco de Recurso de Ofício, não tem competência esse e.CARF para julgar as matérias suscitadas na Manifestação de Inconformidade (fls. 429/436). Mais, conflito material de interesses gira hoje não sobre a legislação do IRPF, e sim sobre as Leis nº 11.941/2009 e nº 12.996/2014, que tratam de parcelamento de débitos fiscais. Essas matérias não vêm incluídas dentro das matérias de competência do CARF, conforme o seu regimento interno (arts. 2º a 4º do Anexo II ao RICARF). Fl. 475DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA 6 Portanto, concluise que este e.CARF não tem competência para analisar a Manifestação de Inconformidade oposta à Carta de Cobrança pela DRF. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto no sentido de não conhecer da Manifestação de Inconformidade haja vista a incompetência desse e.CARF para o julgamento da petição bem como da matéria ali discorrida. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator Fl. 476DF CARF MF Impresso em 19/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/0 7/2016 por DILSON JATAHY FONSECA NETO, Assinado digitalmente em 18/07/2016 por MARCO AURELIO DE OLIV EIRA BARBOSA
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Numero do processo: 10855.724591/2012-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: SIMPLES NACIONAL
Ano-calendário: 2013
EXCLUSÃO. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA.
O contribuinte que possui débitos com a Fazenda Pública Federal e comprova que sua exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN, pode permanecer no regime do Simples Nacional, a teor da exceção prevista no artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123, de 2006 e artigo 73, II, “d”, da Resolução CGSN nº 94, de 2011.
Numero da decisão: 1402-002.221
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo que excluiu o sujeito passivo do SIMPLES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: PAULO MATEUS CICCONE
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DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE SUSPENSA. O contribuinte que possui débitos com a Fazenda Pública Federal e comprova que sua exigibilidade está suspensa, nos termos do art. 151, II, do CTN, pode permanecer no regime do Simples Nacional, a teor da exceção prevista no artigo 17, V, da Lei Complementar nº 123, de 2006 e artigo 73, II, “d”, da Resolução CGSN nº 94, de 2011. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo que excluiu o sujeito passivo do SIMPLES, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE - Relator. Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Leonardo de Andrade Couto (presidente), Demetrius Nichele Macei, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Gilberto Baptista, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone e Roberto Silva Junior. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 3 3 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte acima identificado em face de decisão exarada pela 2ª Turma da DRJ/CGE, em sessão de 13 de maio de 2014 (fls. 47/48) 1 , que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada perante aquela Turma Julgadora e manteve a exclusão da recorrente do regime do SIMPLES NACIONAL, em Acórdão assim ementado ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano-calendário: 2013 EXCLUSÃO. DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA FEDERAL COM EXIGIBILIDADE NÃO SUSPENSA. A empresa que possui débitos com a Fazenda Pública Federal, e não comprova que sua exigibilidade está suspensa, não pode permanecer no Simples Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Sem Crédito em Litígio Conforme Ato Declaratório Executivo DRF/SOR nº 810484, de 10/09/2012 (fls. 26, abaixo reproduzido), a recorrente foi excluída do SIMPLES NACIONAL em “virtude de possuir débitos com a Fazenda Pública Federal em, com exigibilidade não suspensa, conforme disposto no inciso V do art. 17 da Lei Complementar nº 123, de 2006, e na alínea “d” do inciso II do art. 73, combinada com o inciso I do art. 76, ambos da Resolução CGSN nº 94, de 2011” (art. 1º do ADE), com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2013 (art. 2º): 1 A numeração referida das fls., quando não houver indicação contrária, é sempre a digital Fl. 85DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 4 4 Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando que os débitos encontram-se com exigibilidade suspensa por força de embargos à execução que opôs à execução proposta pela Fazenda Pública, além de ter feito o depósito do montante questionado o que impediria a exclusão do regime do Simples Nacional. DA DECISÃO RECORRIDA Analisando o litígio, a 2ª Turma da DRJ/CGE negou provimento à manifestação de inconformidade entendendo que as alegações da manifestante não se confirmaram em face da informação da PGFN de que “o débito não estava com a exigibilidade suspensa, tendo em vista que o depósito foi realizado em desacordo com a Lei nº 9.703/1998 (v. fls. 42) o que também se verifica pelo extrato de consulta Informações de Apoio para Emissão de Certidão, onde consta que encontra-se ativa ajuizada (fls. 32-37)” Disse ainda o Acórdão recorrido que, “o valor do débito era de R$ 59.306,88 (fls. 27) e foi depositado R$ 51.981,31 (fls. 21-22)”. Para concluir que, “em face do exposto e considerando tudo mais que dos autos consta, julgo improcedente a manifestação de inconformidade e mantenho a exclusão da empresa do Simples Nacional, nos termos do ADE nº 810484 (fls. 26-27)”. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Cientificada do R. decisum em 27/05/2014 (fls. 51), a recorrente interpôs Recurso Voluntário em 13/06/2014 (fls. 53/59), no qual, basicamente, repisa os argumentos anteriormente expendidos e junta mais informações acerca da ação judicial na qual alega estar o débito questionado sob embargos e seu valor depositado, requerendo a anulação do ADE e a sua manutenção no regime do SIMPLES NACIONAL. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 5 5 Voto Conselheiro Paulo Mateus Ciccone O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Prescrevem os dispositivos invocados pela Autoridade Tributária para perpetrar a exclusão do regime do Simples Nacional ora contestada: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, dar-se-á: (...) II - obrigatoriamente, quando: (...) d) possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, hipótese em que a exclusão: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V; art. 30, inciso II) --- Art. 76. A exclusão de ofício da ME ou da EPP do Simples Nacional produzirá efeitos: I - quando verificada a falta de comunicação de exclusão obrigatória, a partir das datas de efeitos previstas no inciso II do art. 73; (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 29, inciso I; art. 31, incisos II, III, IV, V e § 2º) Portanto, a refrega restringe-se em definir se a exclusão do contribuinte do regime simplificado do Simples Nacional (LC nº 123/2006) foi corretamente procedida em face da existência de débitos fiscais, ou, se como alega a recorrente, tais débitos, mesmo que Fl. 87DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 6 6 existentes, estariam com exigibilidade suspensa pelo fato de ter sido providenciado o depósito de seu montante integral. Já na sua primeira presença nos autos, contrapondo-se ao ADE, a recorrente bateu-se contra a decisão de afastá-lo do Simples Nacional asseverando (fls. 5) estar em trâmite na 2ª Vara Judicial da Comarca de Piedade-SP, processo de execução fiscal nº 443.01.2005.00014-3 (nº de Ordem 16/2005 – CDA nº 80.4.04.001869-96) intentado pela Fazenda Nacional para cobrar débito fiscal para o qual “realizou (...) depósito judicial do valor integral exigido, garantindo integralmente o Juízo, fato este que suspende a exigibilidade do crédito”. E mais, que, “não obstante, apresentou Embargos à Execução Fiscal, atualmente sob a numeração 443.01.2008.005343-2 (nº de Ordem 139/2008), tramitando apenso à ação executiva”. Para comprovar suas alegações, juntou cópia do depósito judicial (fls. 19/22). Pelos motivos elencados entendeu indevida a exclusão do Simples, pois estaria albergado não só pelo artigo 151, II, do CTN 2 , como pelos próprios dispositivos invocados pela Autoridade Tributária para praticar a exclusão. Às fls. 41 consta despacho de encaminhamento do Seort da DRF/Sorocaba dirigido à Procuradoria da Fazenda Nacional solicitando informações acerca do alegado pela recorrente, especificamente “a manifestação da PSFN/Sorocaba sobre a exigibilidade da mencionada inscrição”. Em 10/06/2013 (fls. 42), a PGFN informou que: “Analisado o processo verifica-se que o depósito realizado nos autos da Execução Fiscal, proc. nº 443.01.2005.00014-3 (16/2005), CDA nº 80.4.04.01869-96, foi realizado em desacordo com o disposto na Lei nº 9.703/98, regulamentado pelo Decreto nº 2.850/98. Logo, NÃO poderá lhe ser atribuído o efeito de suspender a exigibilidade nos termos do art. 151, inc. II, do CTN, porquanto mesmo que se afaste a formalidade quanto à guia, que deveria ser na DJE, a destinação do valor depositado e a correção são diferentes. Com efeito, nosso parecer é no sentido de que o crédito tributário em questão não está com a exigibilidade suspensa”. (gn) Finalmente, às fls. 45, a autoridade preparadora ratificou a informação de que não havia suspensão da exigibilidade e deu prosseguimento ao processo, encaminhando-o para julgamento. Na decisão de 1ª Instância, o Relator concordou com a informação da PFGN e confirmou o procedimento da Autoridade Tributária no sentido de excluir a recorrente do 2 Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II - o depósito do seu montante integral; Fl. 88DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 7 7 Simples Nacional, aduzindo, adicionalmente, que, “aliás, o valor do débito era de R$ 59.306,88 (fls. 27) e foi depositado R$ 51.981,31 (fls. 21-22)”. No Recurso Voluntário, a recorrente complementou informações anteriores e reiterou os pedidos já formulados para cancelamento do ADE e seus efeitos e sua manutenção no regime simplificado estatuído pela Lei Complementar nº 123/2006. Pois bem, com referência ao Processo de Execução Fiscal e ao posteriormente apensado processo de embargos à execução, pesquisas realizadas por esta Relatoria nos sites do Judiciário que os contemplam, mostram o seguinte quadro na data deste julgamento: 1. o processo inicial (execução) foi distribuído em 01/02/2005 sob nº 0000140-93.2005.8.26.0443 - nº ordem 16/2005 junto à 2ª Vara Cível da Comarca de Piedade – Estado de São Paulo; 2. o valor inicial da execução (valor da ação) foi de R$ 41.759,86; 3. em 08/04/2009, a ele foi apensado o Processo 443.01.2008.005343-2 – embargos à execução, depois renumerado como 0005343.31.2008.8.26.0443; 4. no processo de embargos nº 0005343-31.2008.8.26.0443, o valor da execução, inicialmente de R$ 41.759,86, atingia em 14/10/2008, quando a executada fez o depósito, o montante de R$ 51.981,31; 5. em 17/04/2013, foi prolatada a decisão de 1ª Instância, 2ª Vara da Comarca de Piedade/SP, DJSP, pg. 2275, vazada no seguinte teor: “0005343-31.2008.8.26.0443 (443.01.2008.005343- 2/000000-000) Nº Ordem: 000139/2008 - (apensado ao processo 0000140-93.2005.8.26.0443 - nº ordem 16/2005) - Embargos à Execução - Efeito Suspensivo / Impugnação / Embargos à Execução -BECKER & COSTA LTDA X FAZENDA NACIONAL - Ficam as partes e seus advogados intimados do tópico final da R. Sentença de fls. 282, datada de 18/03/2013, a seguir transcrito: “... Ante o exposto, JULGO PROCEDENTE os presentes embargos e declaro a prescrição para a cobrança do crédito tributário. JULGO RESOLVIDO o processo, nos termos do artigo 269, inciso IV, do Código de Processo Civil. Custas e despesas na forma da Lei. Condeno a embargada em honorários advocatícios que fixo em 10% sobre o valor da causa, atualizado. Certificado o trânsito em julgado e nada sendo requerido, determino o levantamento do depósito judicial realizado na execução, em favor do embargante, devendo ser expedido o necessário. Após, arquivem-se. P.R.I. Piedade, d.s.” (negrito acrescido) 6. vencida, a Fazenda interpôs apelação que, em 12/09/2014, teve o seguinte despacho: Fl. 89DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE http://www.jusbrasil.com/topicos/10712666/artigo-269-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com/topicos/10712516/inciso-iv-do-artigo-269-da-lei-n-5869-de-11-de-janeiro-de-1973 http://www.jusbrasil.com/legislacao/91735/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73 http://www.jusbrasil.com/legislacao/91735/c%C3%B3digo-processo-civil-lei-5869-73 Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 8 8 Processo nº: 0005343-31.2008.8.26.0443 Classe - Assunto Embargos À Execução - Efeito Suspensivo / Impugnação / Embargos à Execução Embargante: Becker & Costa Ltda Embargado: Fazenda Nacional Juiz(a) de Direito: Dr(a). Francisca Cristina Müller de Abreu Dall'aglio Vistos. Recebo o Recurso de Apelação, tempestivamente interposto, em seus regulares efeitos. Processe-se. Manifeste-se a parte contrária em contrarrazões de apelação, no prazo legal. Após, encaminhem-se estes autos ao Egrégio Tribunal Regional Federal - 3ª Região, observadas as formalidades legais. Int. Piedade, 12 de setembro de 2014. 7. Subindo os autos ao TRF3, encontram-se distribuídos ao Desembargador Federal, Dr. Johonsom Di Salvo, para Relatoria conforme reprodução abaixo: Data Descrição Documentos 18/03/2015 CONCLUSOS AO RELATOR GUIA NR.: 2015059442 DESTINO: GAB.DES.FED. JOHONSOM DI SALVO - 11/03/2015 DISTR. POR DEPENDÊNCIA/PREVENÇÃO Distribuição por dependência por processo 2009.03.00.009745-8 do dia 11.03.2015 18:14:46 Por tudo o que foi exposto, é possível concluir o que se segue. Primeiramente, em relação aos débitos que levaram à exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional. Neste caso, indiscutível que existiam os débitos estampados às fls. 31/37, objeto da inscrição em dívida ativa nº 80.4.04.001869-96 e da subsequente ação executiva fiscal (Processo nº 0000140-93.2005.8.26.0443). Neste instante inicial, razão caberia à Autoridade Tributária quando promoveu a exclusão da recorrente do Simples Nacional por débitos pendentes. Todavia, não é menos verdade que, a tal ação executiva, a recorrente interpôs “embargos à execução”, formalizados no Processo nº 0005343-31.2008.8.26.0443, posteriormente apensado aos autos principais. Referidos embargos foram julgados procedentes, tendo a V. decisão de 1ª Instância pugnado por declarar prescrita “a cobrança do crédito tributário”. Na sequência, houve apelação da Fazenda Federal que ainda se encontra pendente de julgamento pelo TRF da 3ª Região Fiscal. Também é inquestionável que houve depósito por parte do contribuinte de modo a garantir a execução (cópia da guia de depósito às fls. 21/22 e novamente às fls. 56), restando ver aspectos suscitados pela Autoridade Tributária da DRF (fls. 45), pela PGFN (fls. 42) e pelo Acórdão recorrido (fls. 48), que o descaracterizaria. Inicialmente, no que tange à informação da PGFN, fls. 42, quando assenta: a) que o depósito “realizado nos autos da Execução Fiscal, proc. nº 443.01.2005.00014-3 (16/2005), CDA nº 80.4.04.01869-96, Fl. 90DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 9 9 foi realizado em desacordo com o disposto na Lei nº 9.703/98, regulamentado pelo Decreto nº 2.850/98”; b) que, por isso, “NÃO poderá lhe ser atribuído o efeito de suspender a exigibilidade nos termos do art. 151, inc. II, do CTN”; c) que, a guia utilizada estaria incorreta no seu aspecto formal, “que deveria ser na DJE”; d) que, “a destinação do valor depositado e a correção são diferentes”; De prefácio, já se vê que a própria Procuradoria não discorda da existência do depósito e nem se manifesta se ele foi feito “no montante integral ou não”, apenas circulando por aspectos de cunho formal que impediriam a suspensão da exigibilidade do crédito tributário. Não vejo desta forma. Ao contrário, como bem salientado pela recorrente, a execução intentada pela Fazenda foi distribuída na Vara Cível da Comarca de Piedade, no interior de São Paulo (e não em Vara Federal), o que pode ter levado à utilização da guia que se encontra juntada, por cópia, aos autos. Se, como alega a PGFN, tal documento não estaria correto, deveria (e talvez o tenha feito) ter se manifestado nos autos requerendo sua correção ou certidão comprobatória do depósito. Mais, que fossem explicitadas as verbas que pertenciam a cada rubrica (tributo) como forma a dar a devida destinação do valor depositado e a correção sobre eles incidente. Medidas, smj, de rotina e que regularizariam eventuais equívocos. O que não é aceitável é que um depósito comprovadamente realizado, que visou a garantia da execução e foi aceito pelo Magistrado, tanto que o processo teve regular seguimento, possa ser descaracterizado por possível descumprimento de aspectos puramente formais (modelo de guia, “que deveria ser na DJE”), quando o principal, o animus da recorrente em depositar em juízo o montante da execução e assim lhe ser possível discutir cobrança que entendeu indevida, restou comprovado. Afasto, pois, o assentado pela PGFN. Com relação ao suscitado pela DRF (fls. 45) de que “em consonância com os sistemas de controle da RFB e PGFN, em fls. 28-37 e 40, verifica-se que a inscrição em DAU nº 80 4 04 001869-96 não foi objeto da suspensão noticiada acima”, trata-se de informação baseada em sistemas e controles internos da RFB e que, logicamente são implementados à vista de documentos e comunicações vindas de órgãos ou seções, que podem não ter sido coligidos à época oportuna. Exprima-se, embora tenham relevância para os trabalhos desenvolvidos no Órgão, não têm conotação de imutabilidade e podem estar dependentes de informações supervenientes que necessitariam ser atualizadas. Neste dizer, sequencialmente ao que foi atrás explanado, a informação ali presente deve ser tomada com as reservas devidas e sujeita a contestação, posto que, confirmada a existência do depósito recursal – como confirmada está -, Fl. 91DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 10 10 desde que “no montante integral do débito pendente”, a exigibilidade do crédito tributário estaria, sem nenhuma sombra de dúvidas, suspensa. Por tal motivo e pela conclusão que virá a seguir, igualmente afasto a informação de fls. 45. Finalmente, acerca da colocação feita pelo Relator da decisão recorrida (fls. 48): Contudo, consultada, a PGFN informou que o débito não estava com a exigibilidade suspensa, tendo em vista que o depósito foi realizado em desacordo com a Lei nº 9.703/1998 (v. fls. 42) o que também se verifica pelo extrato de consulta Informações de Apoio para Emissão de Certidão, onde consta que encontra-se ativa ajuizada (fls. 32-37). Aliás, o valor do débito era de R$ 59.306,88 (fls. 27) e foi depositado R$ 51.981,31 (fls. 21-22). A respeito das duas assertivas iniciais, já se discorreu acima. Fixo-me, assim, na parte final do voto: “Aliás, o valor do débito era de R$ 59.306,88 (fls. 27) e foi depositado R$ 51.981,31 (fls. 21-22)”. De fato, o montante depositado foi em R$ 51.981, 31 e o débito inserido no documento de fls. 32/33 aponta R$ 59.306,88. Todavia, uma análise mais acurada dos documentos e das duas ações judiciais aqui citadas, mostra que os valores acima, embora diferentes em determinado momento do tempo, são os mesmos em sua origem, e a desconformidade tem como única razão a incidência de juros e encargos sobre o valor do principal. Este (assim como a multa), IMUTÁVEIS. O quadro abaixo, tomado em uma determinada linha do tempo, com informações e documentos presentes nos autos ou em outras fontes, resume o tema: Data Doc. Fonte Valor 01/02/2005 Distribuição do Processo de Execução nº 0000140-93.2005.8.26.0443 Site do TJSP 41.759,86 14/10/2008 Depósito Judicial efetuado no Processo de Embargos à Execução fls.55/56 dos autos 51.981,31 10/09/2012 Emissão do ADE de exclusão do Simples ADE DRF/SOR nº 810484, 10 fls.26/27 dos autos 59.306,88 08/11/2012 PGFN - Consulta - Informações sobre os Valores da Inscrição fls. 33 dos autos 59.419,35 15/04/2016 PGFN - Consulta - Informações sobre os fls. 787 Valores da Inscrição PA 10855.001480/98-15 65.912,61 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 11 11 Ou seja, i) o valor atualizado do débito quando feita a inscrição; ii) o valor quando do depósito judicial feito pela recorrente; iii) o valor no momento da emissão do ADE; iv) o valor registrado às fls. 33 dos autos; e, v) o valor estampado às fls. 787, do Processo Administrativo nº 10855.001480-98/15, de interesse da recorrente, é – comprovadamente – O MESMO VALOR, apenas com sua atualização por força da legislação que impõe a incidência de juros e encargos. As reproduções abaixo, ratificam o explanado: Fls. 20 dos autos: Fls. 33 dos autos: Fls. 787 (Processo Administrativo nº 10855.001480-98-15 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 12 12 Veja-se, os valores do principal (R$ 15.380,77) e da multa – 20% (R$ 3.076,10), permanecem constantes. As alterações são derivadas dos juros e encargos legais. Em face do exposto, fora de dúvidas de que o valor depositado pela recorrente para garantir a execução foi feito de forma integral, atendendo, assim os dizeres do artigo 151, II, do CTN, verbis: Art. 151. Suspendem a exigibilidade do crédito tributário: (...) II - o depósito do seu montante integral; Por via direta, suspensa a exigibilidade, o mesmo dispositivo assumido pela Autoridade Tributária da DRF/Sorocaba para “excluir” a recorrente do regime do Simples Nacional, via emissão do Ato Declaratório Executivo DRF/SOR nº 810484, de 10/09/2012 (fls. 26), acabou por lhe socorrer e impedir a eficácia do ato excludente. Veja-se a tipificação legal adotada pelo ADE, com o destaque em negrito da exceção que alberga a recorrente: Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006: Art. 17. Não poderão recolher os impostos e contribuições na forma do Simples Nacional a microempresa ou a empresa de pequeno porte: (...) V - que possua débito com o Instituto Nacional do Seguro Social - INSS, ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa; Resolução CGSN nº 94, de 29 de novembro de 2011: Art. 73. A exclusão do Simples Nacional, mediante comunicação da ME ou da EPP à RFB, em aplicativo disponibilizado no Portal do Simples Nacional, dar-se-á: (...) II - obrigatoriamente, quando: (...) d) possuir débito com o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), ou com as Fazendas Públicas Federal, Estadual ou Municipal, cuja exigibilidade não esteja suspensa, hipótese em que a exclusão: (Lei Complementar nº 123, de 2006, art. 17, inciso V; art. 30, inciso II) Deste modo, comprovado que o depósito do débito se fez em “montante integral” (art. 151, II, do CTN), cai por terra a exclusão da recorrente do regime do Simples Nacional procedida pela DRF/Sorocaba, posto que, inquestionavelmente, os débitos elencados Fl. 94DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Processo nº 10855.724591/2012-59 Acórdão n.º 1404-002.221 S1-C4T2 Fl. 13 13 no ADE encontravam-se com exigibilidade suspensa (art. 17, V, da LC nº 123/2006 e art. 73, II, “d”, da Resolução CGSN nº 94, de 2011) e por isso o ato não pode ter efeitos. Há mais. Na forma do que consta no Processo nº 10855.001480-98-15, de interesse da recorrente e que controla administrativamente os valores de execução fiscal antes referidos, “o contribuinte obteve decisão favorável ao seu pleito conforme disposto na informação fiscal acostada às fls.769 a 770” (Despacho datado de 18/04/2016 - fls.799/800 do citado processo). E ainda segundo o retro Despacho, a CDA nº 80.4.04.001869-96 “deverá ser cancelada e o processo 10855.001207/2003-55 deverá retornar a este SEORT/DRF/SOR para prosseguimento e conclusão dos procedimentos de compensação”. Deixo de me manifestar sobre os demais argumentos expendidos no Recurso Voluntário da recorrente, em virtude da decisão lhe ser favorável. Por todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para cancelar os efeitos do Ato Declaratório Executivo que excluiu o sujeito passivo do SIMPLES NACIONAL. É como voto. Brasília (DF), Sala das Sessões, em 09 de junho de 2016. (documento assinado digitalmente) PAULO MATEUS CICCONE – Relator Fl. 95DF CARF MF Impresso em 12/07/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE, Assinado digitalmente em 11/07/2016 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 05/07/2016 por PAULO MATEUS CICCONE Relatório Voto
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Numero do processo: 13888.005260/2008-41
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 15 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 26/11/2008
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-004.080
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado.
André Luís Mársico Lombardi Presidente de Turma.
Arlindo da Costa e Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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NÃO CONHECIMENTO. O recurso interposto intempestivamente não pode ser conhecido por este Colegiado, em razão de carência de requisito essencial de admissibilidade, eis que interposto após exaurimento do prazo normativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em NÃO CONHECER do Recurso Voluntário, em razão de sua apresentação intempestiva, nos termos do Relatório e Voto que integram o presente Julgado. André Luís Mársico Lombardi – Presidente de Turma. Arlindo da Costa e Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: André Luís Mársico Lombardi (Presidente de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Cleberson Alex Friess, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira, Carlos Henrique de Oliveira, Theodoro Vicente Agostinho e Arlindo da Costa e Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 52 60 /2 00 8- 41 Fl. 346DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 2 Relatório Período de apuração: 01/11/2003 a 31/12/2007. Data da lavratura do AIOA: 26/11/2008. Data da Ciência do AIOA: 26/11/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo Sujeito Passivo do Crédito Tributário formalizado mediante o Auto de Infração de Obrigação Acessória nº 37.201.9811, AIOA CFL 68, decorrente do descumprimento de obrigação acessória prevista no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212/91, lavrado em desfavor do Recorrente em virtude de este ter apresentado GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme descrito no Relatório Fiscal a fls. 08/49. CFL 68 Apresentar a empresa GFIP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural) Art. 284, II, na redação do Dec.4.729, de 09/06/2003. De acordo com o Relatório Fiscal, foi constatado que no período auditado o Contribuinte deixou de lançar em suas GFIP os pagamentos efetuados a segurados empregados, a título de abono pecuniário de ajuda de custo, bem como a Segurados Contribuintes Individuais. A obrigação tributária principal referente aos mesmíssimos fatos geradores houveramse por lançadas mediante o Auto de Infração de Obrigação Principal nº 37.201.974 9, objeto do Processo Administrativo Fiscal nº 13888.005257/200827, tendo a DRJ/RPO julgado procedente em parte o lançamento, tão somente para excluir as Obrigações Tributárias a decorrentes dos fatos geradores ocorridos em competências atingidas pela decadência. Após a interposição do Recurso Voluntário, a Recorrente formulou pedido expresso de desistência do recurso, mediante o Memorial nº 10010.006044/051155, a fls. 642 do Processo Administrativo Fiscal nº 13888.005257/200827. A multa corresponde a 100% do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada, por competência, aos valores previstos na tabela do § 4° do artigo 32 da Lei n° 8.212/91, com a redação da Lei n° 9.528/97, atualizada pela Portaria Interministerial MPS/MF n° 77, de 11 de março de 2008, consoante Relatório Fiscal de Aplicação da Multa a fls. 09/49. Fl. 347DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13888.005260/200841 Acórdão n.º 2401004.080 S2C4T1 Fl. 346 3 Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 53/67. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo Grande/MS baixou o feito em diligência para que a Autoridade Lançadora se pronunciasse a respeito de questões de fato arguidas pelo Sujeito Passivo em sede de defesa administrativa, conforme Despacho de Diligência a fls. 284/285. Em atendimento à diligência requestada, a Autoridade Lançadora se pronunciou formalmente nos autos, por meio da Informação Fiscal a fls. 287/303. Formalmente notificado do conteúdo do resultado da Informação Fiscal acima mencionada, em 01/06/2010, o Sujeito Passivo apresentou aditamento à impugnação a fls. 308/309. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto/SP lavrou Decisão Administrativa aviada no Acórdão nº 1430.332 9ª Turma da DRJ/RPO, a fls. 314/319, julgando procedente em parte o lançamento, tão somente para fazer excluir do lançamento as Obrigações Tributárias decorrentes das Notas Fiscais Lançadas em Duplicidade, conforme explicitado no Informação Fiscal a fls. 287/303, retificandose o Crédito Tributário de R$ 89.514,43 (oitenta e nove mil e quinhentos e quatorze reais e quarenta e três centavos) para o montante final de R$ 88.724,67 (oitenta e oito mil e setecentos e vinte e quatro reais e sessenta e sete centavos). O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/08/2010, conforme Aviso de Recebimento a fl. 322. Inconformado com a decisão exarada pelo órgão administrativo julgador a quo, o ora Recorrente, em 23/09/2010, interpôs recurso voluntário, a fls. 323/336, requerendo a extinção do Crédito Tributário lançado. Relatados sumariamente os fatos ora relevantes. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 4 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida no dia 20 de agosto de 2010, sextafeira, dia útil, conforme Termo de Intimação nº 0563/2010, a fl. 321 e Aviso de Recebimento a fl. 322. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário de natureza previdenciária, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada à Lei nº 8.213/91, a qual concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de bloqueio em face de decisão de 1º grau que lhe tenha sido desfavorável. Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 Art. 126. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social INSS nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da Seguridade Social caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social, conforme dispuser o Regulamento. (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 1997) Regulamento da Previdência Social/ Decreto n° 3.048/99 Art. 305. Das decisões do Instituto Nacional do Seguro Social e da Secretaria da Receita Previdenciária nos processos de interesse dos beneficiários e dos contribuintes da seguridade social, respectivamente, caberá recurso para o Conselho de Recursos da Previdência Social (CRPS), conforme o disposto neste Regulamento e no Regimento do CRPS. (Alterado pelo Decreto nº 6.03/2007) §1º É de trinta dias o prazo para interposição de recursos e para o oferecimento de contrarrazões, contados da ciência da decisão e da interposição do recurso, respectivamente. (Redação dada pelo Decreto nº 4.729/2003) Cumpre trazer à baila que os processos administrativos fiscais relativos aos créditos em fase de constituição foram transferidos, por força do art. 4º da Lei nº 11.457/2007, para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, cujo iter procedimental passou a ser regido, desde então, pelo rito fixado pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, em atenção às disposições insculpidas no art. 25 daquele Diploma Legal. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13888.005260/200841 Acórdão n.º 2401004.080 S2C4T1 Fl. 347 5 Lei nº 11.457, de 16 de março de 2007. Art. 2º Além das competências atribuídas pela legislação vigente à Secretaria da Receita Federal, cabe à Secretaria da Receita Federal do Brasil planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas a tributação, fiscalização, arrecadação, cobrança e recolhimento das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, e das contribuições instituídas a título de substituição. (...) Art. 3º As atribuições de que trata o art. 2º desta Lei se estendem às contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, na forma da legislação em vigor, aplicando se em relação a essas contribuições, no que couber, as disposições desta Lei. (...) Art. 4º São transferidos para a Secretaria da Receita Federal do Brasil os processos administrativofiscais, inclusive os relativos aos créditos já constituídos ou em fase de constituição, e as guias e declarações apresentadas ao Ministério da Previdência Social ou ao Instituto Nacional do Seguro Social INSS, referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei. Art. 25. Passam a ser regidos pelo Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972: I a partir da data fixada no §1º do art. 16 desta Lei, os procedimentos fiscais e os processos administrativofiscais de determinação e exigência de créditos tributários referentes às contribuições de que tratam os arts. 2º e 3º desta Lei; II a partir da data fixada no caput do art. 16 desta Lei, os processos administrativos de consulta relativos às contribuições sociais mencionadas no art. 2º desta Lei. §1º O Poder Executivo poderá antecipar ou postergar a data a que se refere o inciso I do caput deste artigo, relativamente a: I procedimentos fiscais, instrumentos de formalização do crédito tributário e prazos processuais; II competência para julgamento em 1a (primeira) instância pelos órgãos de deliberação interna e natureza colegiada. §2º O disposto no inciso I do caput deste artigo não se aplica aos processos de restituição, compensação, reembolso, imunidade e isenção das contribuições ali referidas. §3º Aplicamse, ainda, aos processos a que se refere o inciso II do caput deste artigo os arts. 48 e 49 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 350DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 6 Ao dispor sobre prazos, o antecitado Decreto nº 70.235/72 determinou que os prazos recursais devem ser contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Estatuiu, igualmente, que os prazos recursais só se iniciam ou vencem em dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. É mister salientar, por relevante, que o art. 6º do referido Decreto concedia à autoridade preparadora, em circunstâncias especiais, a faculdade de acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência. Tal prerrogativa, contudo, lhe foi excluída pela lei nº 8.748/1993, que expressamente revogou o mencionado art. 6º, em sua integralidade, de molde que, a contar de então, não mais dispõe a referida autoridade de poder discricionário para prorrogar os prazos recursais. Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Art. 6º A autoridade preparadora, atendendo a circunstâncias especiais, poderá, em despacho fundamentado: (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) I acrescer de metade o prazo para a impugnação da exigência; (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) II prorrogar, pelo tempo necessário, o prazo para a realização de diligência. (Revogado pela Lei nº 8.748, de 1993) (grifos nossos) No presente caso, o sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/08/2010, sextafeira, dia útil, iniciandose, por conseguinte, a fluência do trintídio recursal na segundafeira imediatamente seguinte, digase, dia 23/08/2010, dia útil. Sendo de 30 dias contínuos o prazo para o oferecimento de recurso voluntário, este se encerraria aos 21 dias do mês de setembro do mesmo ano, terçafeira, dia útil. Salientese, de maneira a nocautear qualquer dúvida, que o prazo recursal é contínuo, não sendo suspenso ou interrompido por fins de semana ou feriados nacional, estadual ou municipal, salvo se estes coincidirem com a data de início ou de término do referido prazo. Nesse contexto, o dies a quo do aludido prazo recursal recaiu, para todos os efeitos jurídicos, exatamente no dia 23/08/2010, o que implica a fixação do dia 21/09/2010, terçafeira, dia útil, como o dies ad quem para a protocolização do competente recurso. Aditese que o próprio extrato do Processo a fl. 338 informa como data de ciência do Recurso Voluntário o dia 20/08/2010 e a data de expiração do prazo para a interposição do Recurso Voluntário o dia 21/09/2010. No caso vertente, havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 23 de setembro de 2010, como assim denuncia o carimbo de protocolo da DRF/PIRACICABA aposto no canto superior direito da folha de rosto do instrumento de Recurso Voluntário, a fl. Fl. 351DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13888.005260/200841 Acórdão n.º 2401004.080 S2C4T1 Fl. 348 7 323, há que se reconhecer a intempestividade do recurso interposto, circunstância que impede o seu conhecimento por parte deste Colegiado. Tal compreensão caminha em harmonia com as disposições expressas no art. 63, I, da Lei nº 9.784/99, a qual estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Lei nº 9.784 , de 29 de janeiro de 1999. Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: (grifos nossos) I fora do prazo; (grifos nossos) II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. §1º Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. §2º O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Nas circunstâncias do caso em apreciação, o não oferecimento de Recurso no prazo normativo implica o trânsito em julgado da decisão de 1ª instância, tornandoa definitiva no âmbito administrativo, a teor dos artigos 22 e 26, I, ‘a’ da Portaria RFB nº 10.875/2007: Portaria RFB nº 10.875, de 16 de agosto de 2007 Art. 22. Decorrido o prazo sem que o recurso tenha sido interposto, será o sujeito passivo cientificado do trânsito em julgado administrativo e intimado a regularizar sua situação no prazo de trinta dias, contados da ciência da intimação. (grifos nossos) Parágrafo único. Esgotados os meios de cobrança amigável, o processo será encaminhado ao órgão competente para inscrição em DAU. Art. 26. São definitivas as decisões: I de primeira instância: a) depois de esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) b) na parte que não foi objeto de recurso voluntário e não estiver sujeita a recurso de ofício; c) quando não couber mais recurso; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 352DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI 8 §1º Na hipótese da alínea "a" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. (grifos nossos) §2º Na hipótese da alínea "b" do inciso I do caput, o trânsito em julgado administrativo, relativamente à parte não recorrida, darseá no primeiro dia útil seguinte ao término do prazo para apresentação de recurso voluntário. §3º Nos julgamentos em que não couber mais recurso, o trânsito em julgado ocorre com a ciência da decisão ao sujeito passivo. §4º Nos casos de interposição dos recursos previstos no art. 56 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007, o trânsito em julgado da decisão somente ocorrerá após a ciência da nova decisão ao sujeito passivo. Óbvio está que os selecionados dispositivos da Portaria MPS em realce não ousaram ultrapassar o âmbito da norma que rege a matéria ora em relevo, sendo, antes, desta, mero reflexo, conforme se vos segue: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; (grifos nossos) II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício. Por tais razões, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, por falta de requisito essencial para a sua admissibilidade. 3. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso, em virtude de sua apresentação intempestiva. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 353DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI Processo nº 13888.005260/200841 Acórdão n.º 2401004.080 S2C4T1 Fl. 349 9 Fl. 354DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 26/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 20/03/2016 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBAR DI
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Numero do processo: 11070.001541/2007-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon May 09 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO.
DECADÊNCIA.
O direito de pleitear ressarcimento do crédito presumido de IPI decai em cinco anos, contados do final do período de apuração a que se refere o benefício.
CÁLCULO. EXCLUSÃO. CRÉDITO. DECADÊNCIA.
Constatado a manutenção de crédito lançado após lapso temporal de cinco anos, impõe excluir do total apurado no período.
MULTA. REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE.
O advento da Lei nº 11.488/2007 não revogou o art. 80 da Lei nº 4.502, que continuou vigendo com nova redação, mantendo a multa a ser aplicada nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do Imposto sobre Produtos Industrializados de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.919
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dra. Camila Gonçalves de Oliveira - OAB 15791
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. DECADÊNCIA. O direito de pleitear ressarcimento do crédito presumido de IPI decai em cinco anos, contados do final do período de apuração a que se refere o benefício. CÁLCULO. EXCLUSÃO. CRÉDITO. DECADÊNCIA. Constatado a manutenção de crédito lançado após lapso temporal de cinco anos, impõe excluir do total apurado no período. MULTA. REVOGAÇÃO DA LEGISLAÇÃO, IMPOSSIBILIDADE. O advento da Lei nº 11.488/2007 não revogou o art. 80 da Lei nº 4.502, que continuou vigendo com nova redação, mantendo a multa a ser aplicada nos casos de falta de lançamento do valor, total ou parcial, do Imposto sobre Produtos Industrializados de 75% do valor do imposto que deixou de ser lançado ou recolhido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. Fez sustentação oral: Dra. Camila Gonçalves de Oliveira OAB 15791 – Ricardo Paulo Rosa Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 15 41 /2 00 7- 22 Fl. 284DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (presidente), Jose Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Helcio Lafeta Reis, Sarah Maria Linhares de Araujo e Walker Araujo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto visando modificar a decisão de piso que manteve o lançamento referente crédito presumido de IPI do período de apuração de 01.01.1998 a 31.12.1998. A contenda se refere à prescrição do direito de apurar crédito presumido de IPI em consonância com a Lei nº 9.363/1996 do período de janeiro a julho de 1998 lançados extemporâneo no Livro de Apuração de IPI causando reflexo no montante final. Há acusação de que o Contribuinte apurou crédito de IPI de modo centralizado pela Matriz sem utilização de sistema de apuração de custos coordenada e integrado. Transcrevese o Relatório da Decisão recorrida por espelhar a realidade dos autos: “Relatório. Tratase de auto de infração lavrado pela fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santo Ângelo, para exigência do montante de R$ 1.996.321,02, à data da autuação, que corresponde ao IPI acrescido de juros de mora e da multa de ofício de 75% de que trata o art. 80, inc. I, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996. Esse valor foi apurado em procedimento de auditoria com o objetivo de verificar a legitimidade do crédito presumido do IPI, autorizado pela Lei nº 9.363, de 13 de dezembro de 1996, referente à Contribuição para o PIS/Pasep e ä Contribuição para a Seguridade Social (Cofins), incidentes nas aquisições de matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e material de embalagem (ME), empregados na industrialização de produtos exportados. Referido benefício corresponde aos períodos de apuração entre janeiro e dezembro de 1998, como mencionado acima, e foi escriturado extemporaneamente pelo contribuinte no terceiro decêndio de agosto de 2003. Após examinar as planilhas e memórias de cálculo efetuados para apuração dos créditos, 0 Livro Registro de Apuração do IPI, e Demonstrativos de Crédito Presumido DCP correspondentes aos períodos auditados, a fiscalização constatou que o estabelecimento matriz apurou o crédito presumido de IPI de forma centralizada e sem a utilização de sistema de apuração de custos coordenada e integrado. Também foi verificado que os parte dos créditos (períodos de janeiro a julho de 1998) estavam prescritos por ocasião da escrituração, o que teve reflexos no montante final, como será Fl. 285DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001541/200722 Acórdão n.º 3302002.919 S3C3T2 Fl. 8 3 detalhado a seguir, motivando a glosa integral do valor que foi aproveitado na escrita do estabelecimento matriz e filiais, mediante transferência. Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls. 146 a 151 em síntese que: tendo em vista a aplicação do art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, e o entendimento constante no Parecer Normativo CST n° 515, de 1971 e demais normas que tratam da matéria, a parcela de crédito presumido correspondente aos períodos entre janeiro e 2 de julho de 1998 se encontrava prescrita no momento de sua escrituração, por Já haver transcorrido cinco anos desde o encerramento dos respectivos períodos de apuração. o crédito presumido referente aos períodos prescritos (janeiro a julho de 1998) totalizou R$ 1.700.465,04; devido à exclusão da base de cálculo do crédito presumido do valor das matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados em produtos não acabados e/ou acabados mas não vendidos, existentes em 31/12/1998, consoante prevê a legislação, o valor do crédito presumido relativo a dezembro de 1998 resultou em negativos R$ 726.839,82, e 0 valor acumulado no ano de 1998 seria R$ 1.455.817,23, de acordo com o cálculo do contribuinte. Todavia, não haveria direito a esse valor, porque é menor que o apurado em relação ao período prescrito; a reconstituição da escrita, após a glosa do crédito presumido considerado indevidamente aproveitado resultou em saldo devedor do IPI, tanto para 0 estabelecimento matriz, que aproveitou parte do valor acumulado (R$ 860.260,72) para dedução do IPI devido nas saídas para o mercado interno do próprio estabelecimento, como para as filiais que receberam os restantes R$ 595.556,34, mediante notas de transferência de crédito, para dedução do imposto por elas devido. o presente processo tem por objeto a exigência da parcela que foi utilizada pelo estabelecimento matriz, enquanto os valores transferidos para as filiais de Ribeirão Preto (SP), CNPJ n° 89.674.782/000662 e Pato Branco, (PR), CNPJ n° 89.674.782/000824, no montante de R8 595.556,34, estão sendo exigidos nos autos de infração objeto dos processos administrativos 11070.01542/200777 e 11070.01543/200711, respectivamente. lrresignado, o contribuinte apresentou a impugnação tempestiva de fls 160/175, na qual sustenta, em síntese, com base na Portaria MF n° 129, de 1995, artigos 1" a 4°, que a apuração do crédito presumido seria anual, e assim, válida somente no final do exercício, independente da faculdade de apropriálo mensalmente, por antecipação, não havendo, por isso, que se falar em prescrição mensal. Entende que a utilização antecipada não modificaria a forma de apuração anual, pois segundo o art. 4° da citada norma, o exportador que tiver optado pela Fl. 286DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 4 antecipação deverá confrontar os valores presumidos com o crédito apurado anualmente, recolhendo a diferença, se for 0 caso, até 31 de março do ano seguinte ao do encerramento do balanço. Sustenta que o cálculo do crédito presumido teria como fundamento a praticabilidade, usando a presunção como meio mais simples de atingir o objetivo da lei, não podendo o auditor modificalo, e que a escrituração poderia ser feita até 31/12/2003. Alega que o autuante também teria adotado a apuração anual, uma vez que teria subtraído os créditos de agosto a novembro do resultado negativo encontrado no final do ano 1998 0 que denotaria, no seu entendimento, a nulidade da glosa (e do auto de infração) seja pela incorreta interpretação dada á forma de apuração, seja pela dualidade de premissas. Segue argumentando que, sendo a apuração anual, a prescrição do direito a utilização do crédito teria por termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte ao do ano calendário da apuração. Transcreve ementas de Acórdãos proferidos pelo antigo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, bem como a ementa da Solução de Consulta n° 149, de 2001, exarada pela 6” Região Fiscal, que entende aplicáveis ao seu caso. Com relação à multa de ofício, argumenta que a base legal apontada no auto de infração (art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996) foi revogado pelo art. 40 da Lei n° 11.488, de 2007, que transcreve. Cita decisões do CC que determinaram o cancelamento da exigência, baseadas no art. 106, inc. II, alínea ”c” do Código Tributário Nacional e, com base nisso, solicita a relevação da penalidade aplicada. Por fim, apenas a titulo de argumentação, sugere que, sendo mantida a posição de que os créditos são mensais, devese admitir o creditamento de RS 482.192,01, relativo aos períodos de agosto a novembro de 1998., para que se evite a utilização de dois pesos e duas medidas.”É o relatório. Regularmente notificado do acórdão de primeira instância em 13/12/2010, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 12/01/2011 no qual reprisou as alegações da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001541/200722 Acórdão n.º 3302002.919 S3C3T2 Fl. 9 5 O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A contenda gira em torno da intempestividade de apuração do crédito presumido de IPI do período de janeiro a julho de 1998. O entendimento trazido pelo Contribuinte é de que apuração do crédito presumido disciplinado pela Portaria nº 129/1995 do Ministério da Fazenda davase anualmente, isto é, no último mês do ano calendário, motivo pelo qual o seu direito estaria assegurado, em não prescrito. Sustentando o contrário, a Fazenda afirma que a apuração é mensal em consonância com a Portaria do Ministério da Fazenda de nº 38/1997, vigente a época em que ocorreram as exportações que deram origem ao crédito presumido, bem como, a Portaria nº 64, de 2003, vigente à época da escrituração extemporânea. Com evento da Portaria nº 38/1997 restou revogado a norma da Portaria do Ministério da Fazenda de nº 129/1995 por ser expressa nesse sentido, impondo a partir então que o crédito presumido fosse determinado pela regra traçada para apuração encerrada a partir de janeiro de 1997: “Art.. 13. Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação, aplicandose em relação aos créditos presumidos correspondentes aos períodos de apuração encerrados a partir de janeiro de 1997.” A novel norma trazida pela Portaria nº 38/97 traçou apuração ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora: “Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. § “1º Para efeito de determinação do crédito presumido correspondente a cada mês, a empresa ou o estabelecimento produtor e exportador deverá:” Assim, não assiste razão a argumentação de que apuração davase em harmonia com disciplinamento da Portaria MF de nº 129/95, haja vista ter sido revogada pela Portaria nº 38.. Constatado que a escrituração do crédito presumido deuse de forma extemporânea, no terceiro decêndio de agosto de 2003, verificase em relação aos créditos apurados do período de janeiro de 1998 a julho de 1998 que foram efetuados após o transcurso do quinquênio legal quando havia decaído o direito, o que impede o aproveitamento. Tratandose de crédito presumido de IPI, o prazo de cinco anos referido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32 somente começa a fluir após o encerramento de cada trimestre calendário, que é o momento em que nasce o direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido. Portanto, certo o julgado recorrido, devendo ser mantido. DA GLOSA E O MÉTODO DE APURAÇÃO. Fl. 288DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA 6 Em relação ao demais período não alcançado pela decadência sustenta o contribuinte que apuração é anual e o agente Autuante errou na quantificação do crédito tributário, resultando em saldo negativo, que deveria ter sido apurado aplicando a sistemática de cálculo préestabelecida em lei, isso é, à luz do art. 2º da Lei nº 9.363/1996. A glosa procedida em relação aos créditos de agosto de 1998 a 31.12.1998 teria o agente apurado pela sistemática anual, o que no entendimento da Recorrente estaria convalidando a tese de que a sistemática de apuração é anual. “Devido ao ajuste previsto na legislação, ou seja, a exclusão da base de cálculo do crédito presumido do valor das matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados em produtos não acabados e/ou acabados, mas não vendidos existente em 31/12/1998, o valor do crédito presumido no último mês de apuração do ano resultou em negativo R$ 726.839,82 e o valor acumulado de todos os períodos de apuração do ano de 1998 ficou reduzido a R$ 1.455.817,23. Constatase, então, que o valor apurado, acumulado no ano, no montante de R$ 1.455.817,23, resultou menor que a apurado em relação ao período prescrito no montante de R$ 1.700.465,04. Em decorrência, inexiste ao contribuinte o direito ao crédito presumido de IPI no montante apurado de R$ 1.455.817,23." Ora, não assiste razão a Recorrente, o agente fiscal respeitou apuração do contribuinte, certo a decisão que manteve o lançamento, pois por simples cálculo aritmético constatase a inexistência de saldo credor ao final do período. Portanto, a Fiscalização não utilizou dois critérios distintos, apuração é mensal, aconteceu que, deduzido o montante do crédito apurado de janeiro/1998 a julho de 1998, considerado prescrito, no valor de R$ 1.700.465,04 do saldo encontrado em dezembro de 1998, de R$ 1.455.817,23, o saldo é negativo. O demonstrativo elaborado pela Fiscalização e reproduzido pela decisão recorrida é cristalino e não deixa dúvida de que o Contribuinte no final do ano de 1998 não possuía saldo credor. Por essa razão deve ser mantida a decisão pelos seus próprios contornos jurídicos. DA MULTA APLICADA DE 75%. Também não assiste razão a Recorrente. A penalidade aplicada encontra assentada no art. 80, inciso I, da lei nº 4.502/1964, vigente ao tempo dos fatos geradores. Bem explicitado na motivação da decisão recorrida que a Lei nº 11.488 de 2007 não revogou o art. 80 da Lei 4.502, apenas deu nova redação sem afastar aplicação da pena. Diante do exposto, nego provimento ao recurso. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 289DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 11070.001541/200722 Acórdão n.º 3302002.919 S3C3T2 Fl. 10 7 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 09/05/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 12/04/2016 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 07/05/2016 por RICARDO PAULO ROSA
score : 1.0
Numero do processo: 13830.722427/2013-64
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 10 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Jun 02 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
IMPOSTO DE RENDA. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2402-005.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Lourenço Ferreira do Prado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: LOURENCO FERREIRA DO PRADO
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ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. LAUDO MÉDICO OFICIAL. CARDIOPATIA GRAVE RECONHECIDA. RETENÇÃO NA FONTE. RESTITUIÇÃO. PROCEDÊNCIA. Tendo em vista que o último laudo médico oficial trazido aos autos, atesta que o recorrente é portador de cardiopatia grave, deve ser reconhecida isenção dos proventos da incidência ao imposto de renda. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 72 24 27 /2 01 3- 64 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Lourenço Ferreira do Prado Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, Ronnie Soares Anderson, Natanael Vieira dos Santos, Kleber Ferreira de Araújo, Marcelo Oliveira, Marcelo Malagoli da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722427/201364 Acórdão n.º 2402005.241 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto por YASUO ASHIKAGA, em face de acórdão que manteve a integralidade da Notificação de Lançamento através da qual fora negado pedido de restituição do imposto retido na fonte sobre a parcela do décimo terceiro salário no ano de 2011. O pedido de restituição decorre do fato do recorrente considerarse como portador de moléstia grave, nos termos da legislação do imposto de renda, o que não restou comprovado, em razão dos motivos a seguir elencados. Consta dos autos que quando da entrega de sua DIRPF original o contribuinte informou o total dos rendimentos recebidos do INSS como sendo rendimentos tributáveis, sendo que, ao apresentar a Declaração Retificadora em 02/07/2013, passou a informar parte dos rendimentos como isentos e não tributáveis, em razão de ter obtido declaração médica oficial o considerando como portador de cardiopatia grave. Também se apura dos autos, que às fls. 62, o médico Dr. André Fernando Teixeira Coelho Filho, subscritor do laudo pericial oficial que atestou a existência de cardiopatia grave no autor desde 20/07/2008, veio a ser intimado pela Secretaria da Receita Federal, a confirmar as conclusões de seu laudo, diante da realização de uma angioplastia em 20/08/2008, emitido pelo médico Dr. Pedro Beraldo de Andrade. Ademais o médico também foi intimado a esclarecer se tinha conhecimento da realização de tal procedimento. Em resposta, o médico intimado afirmou que após o procedimento de angioplastia, a lesão no coração do contribuinte diminuiu para menos de 5% e, por este motivo, o mesmo não mais poderia ser considerado como portador de uma lesão GRAU III ou IV, mas de GRAU I ou II, situações que não se enquadrariam no conceito de cardiopatia grave. Devidamente intimado do julgamento em primeira instância, a recorrente interpôs o competente recurso voluntário, através do qual sustenta: 1. que é portador de cardiopatia grave, o que foi atestado por 02 (dois) médicos peritos do INSS, além de outros 03 laudos médicos, dois subscritos por especialista cardiologista e outro subscrito por médico de serviço médico oficial estadual; 2. que somente um dos peritos que subscreveram a perícia oficial realizada é que mudou as suas conclusões do contribuinte ser possuidor de cardiopatia grave; 3. que é desnecessária a apresentação de laudo médico oficial para a concessão da isenção do imposto de renda, bastando, para tanto, a apresentação de laudos que comprovem a cardiopatia grave; Fl. 90DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 4 4. diante da contradição de laudos, deve prevalecer o entendimento mais favorável ao contribuinte; Processado o recurso sem contrarrazões da Procuradoria da Fazenda Nacional, subiram os autos a este Eg. Conselho. É o relatório. Fl. 91DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722427/201364 Acórdão n.º 2402005.241 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Lourenço Ferreira do Prado Relator CONHECIMENTO Tempestivo o recurso e presentes os demais pressupostos de admissibilidade, dele conheço. Sem preliminares. MÉRITO Reitero que, no presente caso, a discussão resumese tão somente a avaliar se a condição do recorrente de isento ao pagamento do imposto de renda, em razão de ser portador de cardiopatia grave, está comprovada nos autos. Com relação ao tema, o artigo 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, com redação dada pelo art. 47, da Lei nº 8.541/92, preceitua o seguinte: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......................................................................................................... XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) XXI os valores recebidos a título de pensão quando o beneficiário desse rendimento for portador das doenças relacionadas no inciso XIV deste artigo, exceto as decorrentes de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão.” Pois bem, o não reconhecimento do autor se portador de cardiopatia grave, decorreu do fato de que um dos médicos subscritores do laudo pericial oficial, quando intimado pela SRFB, veio a apresentar declaração no sentido de que a realização de um procedimento de Fl. 92DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 6 angioplastia em 20/08/2008 trouxe melhora no quadro de saúde do autor, que ainda possuía cardiopatia, mas não mais uma cardiopatia grave, em decorrência das lesões no coração terem diminuído para menos de 5%. Em face da mudança de entendimento, o recorrente trouxe aos autos outros laudos médicos, sendo um deles, subscrito por serviço médico oficial, cujo avaliador foi o Dr. José Dorivaldo Zaia. Os demais laudos foram subscritos por médicos particulares. A DRJ entendeu por afastar os argumentos do contribuinte pois entendeu que o laudo médico realizado pelo Dr. André, perito do INSS deveria prevalecer sobre os demais, tendo em vista que é realizado com a observância de metodologia específica, observando os critérios do Manual de Perícias, a seguir elencados: “4. CONCEITUAÇÃO: 4.1 Para o entendimento de cardiopatia grave tornase necessário englobaremse no conceito todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. 4.2 São consideradas Cardiopatias Graves: a) as cardiopatias agudas, que, habitualmente são rápidas em sua evolução, tornaremse crônicas, caracterizando uma cardiopatia grave, ou as que evoluírem para o óbito, situação que, desde logo, deve ser considerada como cardiopatia grave, com todas as injunções legais; b) as cardiopatias crônicas, quando limitarem, progressivamente, a capacidade física, funcional do coração (ultrapassando os limites de eficiência dos mecanismos de compensação) e profissional, não obstante o tratamento clínico e/ou cirúrgico adequado, ou quando induzirem à morte prematura. 4.3 A limitação da capacidade física, funcional e profissional é definida habitualmente, pela presença de uma ou mais das seguintes síndromes: a) insuficiência cardíaca; b) insuficiência coronária; c) arritmias complexas; d) hipoxemia e manifestações de baixo débito cerebral secundárias a uma cardiopatia. 4.4 A avaliação da capacidade funcional do coração permite a distribuição dos pacientes em Classes ou Graus, assim descritos: a) GRAU I Pacientes portadores de doença cardíaca sem limitação para a atividade física. A atividade física normal não provoca sintomas de fadiga acentuada, nem palpitações, nem dispnéias, nem angina de peito; b) GRAU II Pacientes portadores de doença cardíaca com leve limitação para a atividade física. Estes pacientes sentemse bem Fl. 93DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O Processo nº 13830.722427/201364 Acórdão n.º 2402005.241 S2C4T2 Fl. 5 7 em repouso, porém os grandes esforços provocam fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito; c) GRAU III Pacientes portadores de doença cardíaca com nítida limitação para a atividade física. Estes pacientes sentem se bem em repouso, embora acusem fadiga, dispnéia, palpitações ou angina de peito, quando efetuam pequenos esforços; d) GRAU IV Pacientes portadores de doença cardíaca que os impossibilitam de qualquer atividade física. Estes pacientes, mesmo em repouso, apresentam dispnéia, palpitações, fadiga ou angina de peito. 6. NORMAS DE PROCEDIMENTO: 6.1 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus III ou IV da avaliação funcional descrita no item 4.4 destas Normas serão considerados como portadores de Cardiopatia Grave. 6.2 Os portadores de lesões cardíacas que incidem nas especificações dos Graus I e II da avaliação funcional do item 4.4 destas Normas, e que puderem desempenhar tarefas compatíveis com a eficiência funcional, somente serão considerados incapazes por Cardiopatia Grave, quando, fazendo uso de terapêutica específica e depois de esgotados todos os recursos terapêuticos, houver progressão da patologia, comprovada mediante exame clínico evolutivo e de exames subsidiários. 6.2.1 A idade do paciente, sua atividade profissional e a incapacidade de reabilitação são parâmetros que devem ser considerados na avaliação dos portadores de lesões citadas no item 6.2. Em que pesem os argumentos dos julgadores de primeira instância, tenho outro entendimento quanto ao presente caso. Fato é que este julgador carece do conhecimento técnico suficiente a diferenciar uma cardiopatia grave, de uma simples cardiopatia. E é exatamente por isso, que tal incumbência é reservada aos médicos oficiais do Estado, conforme prevê a Instrução Normativa SRF nº 15, de 2001, dispôs sobre o tema da seguinte forma: “Art. 5º Estão isentos ou não se sujeitam ao imposto de renda os seguintes rendimentos: [...] 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só pode ser deferida se a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. No caso dos autos, não vislumbrei que o médico Dr. Mario Katsutani Sobrinho, também subscritor do laudo inicialmente utilizado pelo contribuinte a justificar a Fl. 94DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O 8 cardiopatia grave, também tenha sido intimado manifestarse sobre a necessidade de ratificação de suas conclusões quanto ao diagnóstico de cardiopatia grave, mesmo após a realização da angioplastia. Creio que a sua intimação deveria ser medida imperiosa a ser tomada pela Secretaria da Receita Federal, considerando que subscreveu o laudo em conjunto com o Dr. André, médico que retificou o seu diagnóstico. Em não tendo sido intimado ou provocado a sustentar ou não suas conclusões, tenho que a respeitável mudança de entendimento do médico, Dr. André, não pode ser simplesmente estendida ao médico não intimado, de modo que, a meu ver, num primeiro momento, devo considerar como válida a conclusão inicial sobre o assunto do Dr. Mário. Ademais, o contribuinte trouxe aos autos outro laudo oficial, que se adequa ao disposto na IN/SRF nº 15, de 2001, o qual, já considerando a realização da angioplastia, entendeu que o mesmo é portador de cardiopatia grave desde 20/08/2008. Assim, das provas coligidas as autos, verifico que da manifestação de 03 (três) médicos oficiais, ainda existem duas conclusões pelo diagnóstico de que o recorrente é portador de cardiopatia grave, considerando, ademais, que o laudo mais recente atesta a existência da moléstia grave. Assim, não vejo como deixar de considerar os argumentos trazidos no recurso voluntário. Ante todo o exposto, voto no sentido de DAR PROVIMENTO ao recurso para reconhecer o direito creditório do recorrente. É como voto. Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 02/06/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 01/06/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/0 6/2016 por LOURENCO FERREIRA DO PRADO, Assinado digitalmente em 01/06/2016 por RONALDO DE LIMA MACED O
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Numero do processo: 10707.001416/2007-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.571
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: João Bellini Júnior
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O auto de infração (fls. 881 a 897, volume V) é referente ao imposto sobre a renda da pessoa física (IRPF), e diz respeito à omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, correspondentes ao ano-calendário 2002, por intermédio do qual é exigido crédito tributário de R$595.300,95, dos quais R$242.870,94 correspondem a imposto, R$182.153,20 à multa proporcional e R$170.276,81 a juros de mora. O termo de verificação fiscal (fls. 881 a 891) descreve que o contribuinte foi intimado a comprovar, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos depositados em suas contas bancárias, tendo a fiscalização efetuado relação de cada depósito/crédito individualizado e intimado a contribuinte a comprovar a origem de cada depósito (fls. 196 a 215 e 216 a 230). Lavrou-se o auto de infração com fundamento no art. 849 do Regulamento de Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000, de 1999 (RIR 99) e no art. 1º da Medida Provisória 22, de 2002, convertida na Lei 10.451, de 2002. O auto de infração foi lavrado em 30/11/2007 e cientificado à contribuinte em 02/12/2007. Em sua impugnação, o contribuinte alegou, em síntese (fls. 904 a 949): 1) a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o lançamento relativo ao meses de janeiro a novembro de 2002, nos termos do art. 150, §4°, do CTN; 2) a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo quando presume omissão de rendimentos equivalentes a 50% do valor dos créditos efetuados em Fl. 1496DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/2007-26 Resolução nº 2301-000.571 S2-C3T1 Fl. 344 2 contas conjuntas cuja titularidade dos recursos foi integralmente reconhecida pelo primeiro titular das contas; 3) a nulidade ou insubsistência, por cerceamento do direito de defesa, do lançamento calcado em depósitos realizados na conta n° 355607 (Banco Bradesco), porque a fiscalização não forneceu a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração, sendo da mesma forma nula a decisão que deixa de apreciar tal questão; 4) estar comprovada a origem dos depósitos relacionados no auto de Infração e ser absurdo o cômputo dos mesmos valores por várias vezes na base de cálculo do imposto; 5) tendo a própria fiscalização reconhecido que os depósitos teriam origem nas duplicatas endossadas, não haveria como aplicar ao caso as regras previstas no art. 42 da Lei 9.430, de 1996; 6) se a Fiscalização entende não comprovados os seus créditos, os depósitos teriam sido efetuados sem causa, sendo inevitável considerá-los doações isentas do IRPF; 7) a causa dos endossos das duplicatas cujos pagamentos foram depositados nas contas suas e de seu marido estaria demonstrada de maneira insofismável; 8) a iverossimilhança da presunção erigida nos autos, que levou a fiscalização a desconsiderar a origem verdadeira e declarada dos depósitos concedidos à Caolim para tratá- los individualmente como receitas omitidas, olvidando-se de que os pagamentos retornavam às suas contas bancárias e eram novamente empregados em favor daquela sociedade, chegando a um montante estratosférico, incompatível com as dimensões da Caolim e o seu patrimônio real. Pediu o cancelamento do auto de infração. A DRJ julgou a impugnação improcedente, e o acórdão recebeu as seguintes ementas: ALEGAÇÃO DE DECADÊNCIA O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extingue-se após cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. DECISÕES ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões administrativas não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. ALEGAÇÃO DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexiste cerceamento de defesa se a Contribuinte foi devidamente intimada a esclarecer a origem dos depósitos efetuados em conta de sua co-titularidade, podendo apresentar todas as justificativas e provas que entendesse pertinentes. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Fl. 1497DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/2007-26 Resolução nº 2301-000.571 S2-C3T1 Fl. 345 3 Para os fatos geradores ocorridos a partir de 01/01/1997, a Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de rendimentos com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. CONTA CONJUNTA. Na hipótese de conta bancária mantida em conjunto, se os titulares da conta apresentarem declarações em separado e não havendo a comprovação da origem dos depósitos nela efetuados, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. A alegação da existência de empréstimo realizado com terceiro, pessoa física ou jurídica, deve vir acompanhada de provas inequívocas da natureza da operação, com a comprovação de que cada depósito corresponde ao pagamento de um valor anteriormente emprestado. PEDIDO DE PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS Deve ser indeferido o pedido de produção de novas provas, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. A ciência dessa decisão ocorreu em 1º/10/2010 (comparecimento do procurador à unidade preparadora, fl. 1432). Em 03/11/2010, foi apresentado recurso voluntário (fls. 1437 a 1485), reiterando, em síntese, os termos da impugnação, e asseverando, ainda, a nulidade da decisão recorrida, que teria deixado de apreciar a questão da nulidade ou insubsistência do lançamento por cerceamento do direito de defesa, do lançamento calcado em depósitos realizados na conta n° 355607 (Banco Bradesco), porque a fiscalização não forneceu a fonte da qual teria extraído os valores arrolados no auto de infração. Pediu que o recurso voluntário seja julgado procedente, exonerando-a da exigência tributária. O processo foi distribuído para este relator em 12/02/2015 (fl. 1495). É o relatório. Conselheiro João Bellini Júnior No processo 10707.001524/2008-80, que trata da auditoria das mesmas contas correntes, e atinentes ao ano-calendário 2003 e 2004, foi alegado que as contas correntes bancárias 17457-2 (Banco do Brasil) e 6507335 (Unibanco) eram exclusivamente provenientes de recursos de seu marido, conforme pôde ser confirmado na fiscalização em curso perante seu cônjuge, a teor da resposta por ele prestada. A referida fiscalização originou o processo 10707.001523/2008-35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, Fl. 1498DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/2007-26 Resolução nº 2301-000.571 S2-C3T1 Fl. 346 4 marido da autuada e cotitular das referidas contas conjuntas. Tais processos possuem como elemento de conexão a cotitularidade das contas correntes. Essa Turma, nesta mesma reunião de julgamentos, resolveu sobrestar processos em idêntica situação, em face do disposto no art. 6º, §§ 2º e 5º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 2015 (Ricarf), em proposição de lavra do Conselheiro Julio César Vieira Gomes, que reproduzo: De acordo com o novo Regimento Interno deste CARF - RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, no caso de não estarem os processos conexos localizados na mesma Seção do processo principal, deverá se providenciar por resolução de diligência o sobrestamento daqueles na câmara: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observando-se a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I - conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; ... § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. ... § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. Assim, de acordo com o artigo 6º, 5§º do RICARF, quando os processos se encontram em seções diferentes o reconhecimento da vinculação é ordinariamente realizado pela turma julgadora que aprecia o processo conexo ao principal, determinando por resolução seu sobrestamento. Acontece que no caso em exame o processo conexo se encontra no SECOJ, portanto ainda pendente de distribuição. Assim, combinado com o artigo 6º, §§2º e 5º e artigo 46, inciso II, a solução seria a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta turma. Diante do exposto, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para as providências acima, observado o disposto no artigo 46, inciso II do RICARF. Considerando a conexão existente entre o presente processo e o processo 10707.001524/2008-80, e a conexão deste (10707.001524/2008-80) com o processo 10707.001523/2008-35, do qual é sujeito passivo o Sr. Sergio Arthur Fabiano Leão Menescal, marido da autuada e cotitular de contas conjuntas, voto no sentido de converter o julgamento Fl. 1499DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 10707.001416/2007-26 Resolução nº 2301-000.571 S2-C3T1 Fl. 347 5 em diligência para a juntada dos processos no SECOJ para posterior retorno por prevenção à esta Turma, observado o disposto no artigo 46, II, do Ricarf. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 1500DF CARF MF Impresso em 26/04/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR, Assinado digitalmente em 23/03/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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