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Numero do processo: 16327.002165/2005-96
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício:1999
CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇA VALOR DECLARADO. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Em caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento a aplica-se o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do ato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, por observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
Numero da decisão: 1803-002.298
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Arthur José André Neto Relator
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: ARTHUR JOSE ANDRE NETO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício:1999 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇA VALOR DECLARADO. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Em caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento a aplica-se o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do ato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, por observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇA VALOR DECLARADO. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Em caso de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento a aplicase o prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do ato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, por observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Arthur José André Neto – Relator Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Artur José André Neto, Ricardo Diefenthaeler, Roberto Armond Ferreira da Silva e Carmen Ferreira Saraiva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 21 65 /2 00 5- 96 Fl. 576DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa IGS FACTORING EMPREEND E NEGÓCIOS LTDA, em face da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de São Paulo (SP) que julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o lançamento de débito. 2. Conforme termo de verificação (fls. 6/9) tratase de recolhimento insuficiente de CSLL para o anocalendário 1999. Diante dessa constatação, a autoridade fiscal promoveu a lavratura do presente auto de infração composto, pela contribuição não recolhida, multa proporcional e juros de mora, até 30/11/2005 e lançou a diferença, a título de CSLL, entre o que foi declarado na DIPJ 2000 e o que foi declarado nas DCTF’s do mesmo período.. 3. Após devidamente intimada, a recorre apresentou impugnação às fls. 244/245. No entanto, não obstante ao arrazoado apresentado pela recorrente, a primeira instância administrativa manteve o lançamento. O acórdão a quo restou ementado nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Nos termos do PAF, se o interessado alega quitação de determinado débito, deve comprovar que houve o pagamento ou compensação alegados, anteriormente ao início do procedimento fiscal. (fls. 456/459) 4. Inconformada com a manutenção do crédito tributário, eis as razões do Recurso Voluntário (fls. 489/509) endereçado a esse Conselho: a) Preliminarmente, aduz que o crédito foi alcançado pelo instituto da decadência, haja vista, transcorrido mais de cinco anos entre o período fiscalizado e a lavratura do auto de infração; b) No mérito, afirma que os débitos referentes à CSLL inexistem. Pois as diferenças encontradas pela fiscalização foram compensadas com saldo negativo apurado em exercícios anteriores, não havendo o que se falar em valores devidos a título de contribuição; c) Sustenta que por mero equívoco, a recorrente não informou as compensações , que estava realizando em sua escrita fiscal, nas DCTF’s dos trimestres correspondentes. Isso ao seu ver, configura mero erro formal que não possui o condão de macular o credito da recorrente; d) Os documentos acostados nos autos, são aptos a comprovar a regularidade da compensação realizada; 5. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. Fl. 577DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Artur José André Neto, Relator DA ADMISSIBILIDADE 1. O recurso é tempestivo e presentes se encontram os demais requisitos para a sua admissibilidade, razão pela qual dele eu conheço. DA DECADÊNCIA 2. Preliminarmente, aduz que o crédito foi alcançado pelo instituto da decadência, haja vista, transcorrido mais de cinco anos entre o período fiscalizado e a lavratura do auto de infração. 3. Sobre a decadência, o Supremo Tribunal Federal STF, por unanimidade, declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “(...) Resultam inconstitucionais, portanto, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/91 e o parágrafo único do art.5º do Decretolei n° 1.569/77, que versando sobre normas gerais de Direito Tributário, invadiram conteúdo material sob a reserva constitucional de lei complementar. Sendo inconstitucionais os dispositivos, mantém se hígida a legislação anterior, com seus prazos quinquenais de prescrição e decadência e regras de fluência, que não acolhem a hipótese de suspensão da prescrição durante o arquivamento administrativo das execuções de pequeno valor, o que equivale a assentar que, como os demais tributos, as contribuições de Seguridade Social sujeitamse, entre outros, aos artigos 150, § 4º, 173 e 174 do CTN. Diante do exposto, conheço dos Recursos Extraordinários e lhes nego provimento, para confirmar a proclamada inconstitucionalidade dos arts. 45 e 46 da Lei 8.212/91, por violação do art. 146, III, b, da Constituição, e do parágrafo único do art. 5º do Decretolei n° 1.569/77, frente ao § 1º do art. 18 da Constituição de 1967, com a redação dada pela Emenda Constitucional 01/69. É como voto.” ............................................................. “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” 4. Os efeitos da Súmula Vinculante são previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei 11.417, de 19/12/2006, in verbis: Fl. 578DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 5 4 “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 5. Ainda sobre o assunto, a Lei 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o seguinte: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 6. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional CTN se aplicar ao caso concreto. 7. Acerca das regras de verificação da decadência, frisese, posto que importante, que a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça consolidouse no seguinte sentido: “(...) 1. Está assentado na jurisprudência desta Corte que, nos casos em que não tiver havido o pagamento antecipado de tributo sujeito a lançamento por homologação, é de se aplicar o art. 173, inc. I, do Código Tributário Nacional (CTN). Isso porque a disciplina do art. 150, § 4º, do CTN estabelece a necessidade de antecipação do pagamento para fins de contagem do prazo decadencial. Precedente em recurso representativo de controvérsia (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18.9.2009). [...] 3. Recurso especial parcialmente provido”. (REsp 1015907/RS, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 10/09/2010) “(...) 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). Fl. 579DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 6 5 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o ‘primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado’ corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, ‘Decadência e Prescrição no Direito Tributário’, 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199) (...) 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008”. (REsp 973733/SC, Rel. Min. Luiz Fux, DJe 18/09/2009). 8. Dessa forma, as contribuições destinadas a Seguridade Social estão sujeitas ao lançamento por homologação, e por consequência, a regra decadencial a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, tendo em vista que o lançamento tratase de diferença entre o valor devido de CSLL e aquele efetivamente recolhido, conforme Termo de Verificação (fl. 6): “Trata o presente procedimento fiscal de irregularidade quanto aos débitos declarados e o pagamento dos mesmo. Foi detectado em revisão interna, a incompatibilidade entre os valões da CSLL a recolher na DIPJ 2000, nas DCTF’s – Declaração de Contribuições e Tributos Federais e no valor efetivamente pago. Verificouse que o contribuinte havia declarado o valor total de CSLL a pagar de R$ 202.157,61, na DIPJ e na DCTF R$ 10.518,48. Os pagamentos com DARFs totalizaram R$ 10.518,48 e nada compensou e/ou deduziu (...)”. Fl. 580DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 7 6 9. Insta mencionar o posicionamento da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no sentido de reconhecer a aplicabilidade da regra decadência insculpida no art. 150, §4º do CTN, nos casos em que houve recolhimento parcial do tributo, ou divergência entre o valor declarado e o efetivamente recolhido, in verbis: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDOCSLL. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇA VALOR DECLARADO. ANTECIPAÇÃO PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso Extraordinário Negado. (Ac. 9900000.260, 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF. Data de julgamento 7/12/11, Conselheiro Relator: Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator) 10. Ressaltese que eximese a aplicação da regra para esculpida no art. 150, §4º do CTN somente nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, circunstância que pressupõem a aplicação do art. 173, inciso I do CTN. 11. Assim, concluise que houve recolhimentos – antecipação de pagamento , em face de recolhimentos declarados e recolhidos na DCTF no valor de R$ 10.518,48 (fl. 6). Fato esse relevante para a aplicação do entendimento do STJ supra mencionado, dando margem à aplicação do art. 150, §4º do CTN. 12. Considerando que a fiscalização cientificou o contribuinte do lançamento em 21/12/2005, referente a fato gerador ocorrido em 1999 (anocalendário 1999), o prazo limite para o lançamento seria até o ano de 2004. Resta, portanto, fulminado pelo instituto da decadência o crédito tributário. CONCLUSÃO 13. Em face do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Artur José André Neto Fl. 581DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 16327.002165/200596 Acórdão n.º 1803002.298 S1TE03 Fl. 8 7 Fl. 582DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/09/2014 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/20 14 por ARTHUR JOSE ANDRE NETO, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904806/2009-11
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/04/2004
COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO.
É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência.
RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO.
Numero da decisão: 9303-002.574
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente.
(assinado digitalmente)
RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO - Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/04/2004 COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTOS INDEVIDOS DE COFINS/PIS. AUSÊNCIA DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO DIREITO CREDITÓRIO. É ônus do contribuinte comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório, conforme determina o caput do art. 170 do CTN, devendo demonstrar de maneira inequívoca a sua existência. RECURSO ESPECIAL DO CONTRIBUINTE NEGADO. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial do sujeito passivo. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente. (assinado digitalmente) RODRIGO DA COSTA PÔSSAS Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño (Substituto convocado), AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 48 06 /2 00 9- 11 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 2 Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela pelo sujeito passivo, contra acórdão proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que deu provimento, por maioria de votos, ao Recurso Voluntário, sob a seguinte ementa: COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/04/2004 PROVA DOCUMENTAL. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO TEMPORAL. A prova documental deverá ser apresentada com a manifestação de inconformidade, sob pena de ocorrer a preclusão temporal. Não restou caracterizada nenhuma das exceções do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 (PAF). Recurso Voluntário Negado. É o relatório. Voto Os requisitos para se admitir o Recurso Especial foram todos cumpridos e respeitadas a formalidades previstas no RICARF. Os objetos da presente lide são o ônus probatório nos casos de repetição de indébito e também o momento legal para a apresentação das provas (preclusão temporal), nos termos do art. 16 do decreto 70.235/72. Primeiramente cabe dizer que todo direito pleiteado deve ser acompanhado das provas que trazem a certeza daquele direito, principalmente quando se trata de um direito creditório pleiteado por um particular contra o Estado. Aqui o ônus probante é daquele que pleiteia o direito creditório, nos exatos termos do art. 333 do CPC. A comprovação de uma das partes de determinado fato ou situação jurídica decorre das distribuição legal do ônus da prova. Há que se “convencer” o julgador da existência do direito e a parte contrária dos fatos impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do sujeito ativo. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904806/200911 Acórdão n.º 9303002.574 CSRFT3 Fl. 423 3 O que ocorre é a assunção dos riscos de uma decisão desfavorável de quem efetivamente tinha o ônus probatório, ou seja, o encargo jurídico de demonstrar a veracidade de fatos ou a existência de situações jurídicas que ensejassem que os julgadores tomassem uma decisão que lhe fosse favorável. Não há a obrigatoriedade das partes em se produzir a prova. È interesse de ambas as parte em fazêlo. Mas se o ônus decaí em uma parte e ela não o faz, assume os riscos e as conseqüências estabelecidos no arcabouço jurídico relacionado àquela matéria. O ônus da prova não é um dever e nem um comportamento necessário da parte interessada, mas um direito de a parte poder convencer os julgadores acerca da veracidade de suas alegações, aumentando as chances de uma decisão favorável. In casu, o titular do direito creditório, em tese, é que tem que provar, por meio de provas sufuciciente para demosntrar a certeza e liquidez do direito. A meu ver o contribuinte não se desimcimbiu desse ônus. Destarte, apenas com a retificação da DCTF não gera direito creditório. Mesmo que haja uma retificação a destempo, o fato é que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais vem relativizando o entendimento da preclusão tanto da retificação da DCTF quanto ao momento da apresentação de provas, desde sejam provas cabais, necessárias e suficientes. A prova deve exaurir em si mesma, ou seja, a sua simples apresentação é suficiente para a comprovação do direito , não tento que se fazer outras averiguações. Reforçando: quando demonstrado pelo contribuinte, que o seu direito creditório é líquido e certo, tudo em homenagem ao Princípio da Verdade Material, desde que sejam apresentadas as provas necessárias e sufucientes para embasar a operação, temse relativizado a ocorrência da preclusão temporal. Nesse sentido, há diversos julgados, tais como: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DCTF. RETIFICAÇÃO CONSIDERADA NÃO ESPONTÂNEA EM PROCESSO ANTERIOR. VERDADE MATERIAL. DCTF retificadora apresentada de forma não espontânea, em virtude de transmissão efetivada após a ciência de despacho decisório de não homologação de compensação, que não reconhecer o direito creditório alegado, viabiliza compensações posteriores, relativas a esse mesmo crédito se for comprovada através dos documentos fiscais competentes em virtude do princípio da verdade material. DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF deve ter por fundamento, como no caso, os dados da escrita fiscal do contribuinte, para a comprovação da existência de direito creditório decorrente de pagamento indevido (Acórdão 130201.015– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária) Fl. 142DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO 4 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2004 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da DCTF, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. A simples retificação, desacompanhada de suporte probatório, não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. (Acórdão3802001.550– 2ª Turma Especial) Observese que para que seja aceito o direito creditório, ainda que a DCTF não tenha sido retificada espontaneamente, deve ser comprovado de maneira cabal o direito creditório, mediante a comprovação dos valores pagos a maior pela apresentação da contabilidade escriturada à época dos fatos, acompanhada por documentos que a embasam. É dizer, planilha confeccionada pela empresa, desacompanhada de quaisquer outros documentos, não se prestam à finalidade almejada. Aliás, a consulta ao banco de dados da jurisprudência deste Conselho, demonstra que há diversos pedidos de compensação da Recorrente, que foram denegados pela ausência de prova, como os Acórdãos 3802001.602, 3801001.660, 3801001.659, 3802 001.598, 3802001.599, 3802001.593, entre outros. Tampouco procede a argumentação da Recorrente no sentido de que haveria a obrigação do Fisco em comprovar a inexistência de indébito, pois não se está diante de lançamento de ofício. Não há motivos para a pleiteada inversão do ônus da prova. Também não se verificou nehumas da exceções previstas no PAF para apresentação a posteriori das provas alegadas. Assim, voto por negar provimento ao Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO Processo nº 10120.904806/200911 Acórdão n.º 9303002.574 CSRFT3 Fl. 424 5 Fl. 144DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 31/07/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 01/08/2014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO
score : 1.0
Numero do processo: 10410.720030/2005-81
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Jan 23 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004, 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. LIMINAR JUDICIAL. POSTERIOR JULGAMENTO DE IMPROCEDÊNCIA.
Não se pode homologar compensação intentada com base em liminar que não opera mais nenhum efeito favorável ao contribuinte. Aplicação, ao presente caso, do então vigente Art. 30 da IN 210/2002 que, com base no art.170 do CTN, dispunha ser ...vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros.
REVISÃO DE SALDO NEGATIVO. FORMA DE QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS. DECADÊNCIA.
Glosa de saldo negativo apontado pelo contribuinte, quando baseada exclusivamente nas parcelas a deduzir mencionadas no §4º, IV do Art. 2º da Lei 9.430/1996 - e não no imposto devido apurado pelo contribuinte - não se caracteriza como lançamento (CTN, Art. 142), não se sujeitando ao prazo decadencial do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1801-002.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente.
(assinado digitalmente)
Alexandre Fernandes Limiro - Relator.
Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. LIMINAR JUDICIAL. POSTERIOR JULGAMENTO DE IMPROCEDÊNCIA. Não se pode homologar compensação intentada com base em liminar que não opera mais nenhum efeito favorável ao contribuinte. Aplicação, ao presente caso, do então vigente Art. 30 da IN 210/2002 que, com base no art.170 do CTN, dispunha ser ...vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros. REVISÃO DE SALDO NEGATIVO. FORMA DE QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS. DECADÊNCIA. Glosa de saldo negativo apontado pelo contribuinte, quando baseada exclusivamente nas parcelas a deduzir mencionadas no §4º, IV do Art. 2º da Lei 9.430/1996 - e não no imposto devido apurado pelo contribuinte - não se caracteriza como lançamento (CTN, Art. 142), não se sujeitando ao prazo decadencial do Código Tributário Nacional.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich - Presidente. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro - Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004, 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DE TERCEIROS. LIMINAR JUDICIAL. POSTERIOR JULGAMENTO DE IMPROCEDÊNCIA. Não se pode homologar compensação intentada com base em liminar que não opera mais nenhum efeito favorável ao contribuinte. Aplicação, ao presente caso, do então vigente Art. 30 da IN 210/2002 que, com base no art.170 do CTN, dispunha ser “...vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros”. REVISÃO DE SALDO NEGATIVO. FORMA DE QUITAÇÃO DAS ESTIMATIVAS. DECADÊNCIA. Glosa de saldo negativo apontado pelo contribuinte, quando baseada exclusivamente nas parcelas a deduzir mencionadas no §4º, IV do Art. 2º da Lei 9.430/1996 e não no “imposto devido” apurado pelo contribuinte não se caracteriza como lançamento (CTN, Art. 142), não se sujeitando ao prazo decadencial do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 72 00 30 /2 00 5- 81 Fl. 220DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 2 Alexandre Fernandes Limiro Relator. Participaram da sessão de julgamento, os conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Fernando Daniel de Moura Fonseca, Neudson Cavalcante Albuquerque, Alexandre Fernandes Limiro, Rogério Aparecido Gil e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório Tratamse de diversos pedidos de compensação discriminados nas efls. 02/42, transmitidos entre o período de 15/01/2004 a 30/06/2005. Em 28/03/2008 foi proferido o PARECER SAORTDRFB/MAC n. 260/2007 e com base nele Despacho Decisório (efls. 68/70), que homologou apenas parcialmente as compensações intentadas. As DCOMP’s indicaram como crédito, o saldo negativo de IRPJ, do exercício 2001 no valor de R$ 556.265,82, composto por Estimativas Mensais no valor de R$ 403.446,69 e de IR Retido na Fonte, R$ 319.095,59. No parecer que serviu de base ao despacho decisório, concluiuse que os valores do IRRF foram não apenas confirmados pelas DIRF`s (efl. 63 e ss), mas que terseia de fonte valor de R$ 415.002,79, portanto, maior do que o montante declarado (R$ 403.446,69). Em relação às Estimativas Mensais, todavia, concluiuse que o valor considerado pelo contribuinte deveria ser de R$ 305.815,86, ao invés de R$ 403.446,69 e que este, mesmo assim, não teria sido objeto de qualquer pagamento ou compensação. Vejamos: Quanto às Estimativas Mensais que compõem o saldo negativo, declaradas na linha 17, ficha 12 A, fl. 47, o valor deve ser R$ 305.815,86, ao invés de R$ 403.446,69 (este valor é resultante do somatório do imposto de renda a pagar, conforme ficha 11, fl. 44, dos meses de janeiro a março/ R$ 16.012,67 + 147.865,26 + 141.937,93 = R$ 305.815,86). Estes valores de imposto a pagar, que constituem as estimativas no ajuste, não estão confessados nas DCTFs, conforme cópias de fls. 48 a 53. Também não foram pagos, conforme pesquisa realizada nos códigos 2362, 5993, 2089, SINAL de fls. 54 a 57. E não há comprovação nem indício de que foram compensados, por inexistência de crédito decorrente de saldo negativo de exercício anterior, uma vez que o saldo do IR a Pagar no encerramento do anocalendário 1999, exercício 2000, é positivo, conforme ficha 13A, fl. 58. Em consequência, o valor das estimativas não pode ser considerado como dedução do imposto apurado na ficha 12 A, fl. 47. Eis a síntese do despacho decisório: Síntese do Despacho Decisório (efl. 6869) Valores DIPJ (Ficha 12A – efl. 48) Pretensão fiscal IRPJ e ADICIONAL ( + ) R$ 1.087.212,75 Sem contestação DEDUÇÕES ( ) Fl. 221DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10410.720030/200581 Acórdão n.º 1801002.156 S1TE01 Fl. 221 3 PAT R$ 26.669,11 Sem contestação Isenção ou redução R$ 894 267,18 Sem contestação IRRF R$ 319.095,59 R$ 415.002,79 Estimativas R$ 403.446, 69 Ausência de pagamento ou compensação IMPOSTO DE RENDA A PAGAR ( = ) R$ 556.265, 82 R$ 250.446,96 SALDO NEGATIVO R$ 556.265, 82 R$ 250.446,96 Como se vê, reconheceuse como saldo negativo para a compensação apenas o valor de R$ 250.446,96, homologandose parcialmente as DCOMP’s deste processo. O contribuinte foi intimado dessa decisão em 11/08/2008 (efls. 75) e, irresignado, apresentou Manifestação de Inconformidade em 10/09/2008 (efls. 76/77). A DRJ que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (efls. 142/144) e, de início chamou atenção para erro material no resultado contido no despacho decisório: “A vista desses fatos, teve por reconhecido o saldo negativo no valor de R$ 250.446,96. Registro que o valor correto resultante da soma algébrica seria de R$ 248.726,33 (R$ 166.276,46 R$ 415.002,79)”. Sobre as alegações do contribuinte de que as estimativas no valor de R$ 305.815,86 foram extintas através de compensação com créditos de terceiros (efl. 89) alude o órgão recorrido que tal compensação não teria sido declarada em DCTF e que o documento de efl. 89 demonstra que houve tal pedido, mas não se ele foi deferido. Argumenta então que para o saldo negativo ser restituído ou compensado, é necessário que ele seja líquido e certo, nos termos do art. 170 do CTN. Registrou ainda que, embora o mérito do pedido de compensação não estivesse em discussão, na época em que tal pedido foi formulado já estava vigente o art. 1º da IN SRF n° 41/2000, o qual veda a compensação com créditos de terceiros. O contribuinte foi intimado desta decisão em 23/03/2012 (efl. 149) e em 24/04/2012 interpôs Recurso Voluntário (efls. 151/161), onde: a) Esclarece a origem da compensação n. 10410.002781/200198, onde a empresa utilizou crédito transferido por terceiro (Usina Caeté S/A), o qual foi discutido na Ação Judicial n. 99.00079892, que concedeu antecipação de tutela à Usina Caeté S/A para restituição sob a forma de compensação, permitindolhe, inclusive, a compensação com débitos de outros contribuintes. Deste modo, alega que esta compensação foi realizada com amparado nesta decisão judicial, a qual teria autorizado a escrituração do crédito na escrita fiscal da cedente (Usina Caeté S/A), bem como autorizou sua transferência a terceiros. Assim, argumenta que devem ser acatados os valores das estimativas compensadas, sob pena de se caracterizar cobrança em duplicidade. Fl. 222DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 4 b) Alega a impossibilidade de revisar a DIPJ 2001 em função da decadência. Isto porque decorridos 05 anos das informações prestadas na DIPJ, esta se torna imutável, cabendo a DRFB/AL homologar integralmente o crédito requestado. Entende que ao não homologar o referido crédito, a DRFB/AL, por via transversa, revisou a DIPJ 2001. Registrou que este entendimento não confronta o argumento de que houve observância do prazo de 05 anos contados na entrega do PER/DCOMP, nos termos do §5º do art. 74 do Lei n. 9.430/96, pois este dispositivo não estabelece regra interruptiva dos prazos previstos nos arts. 150, § 4º c/c parágrafo único do art. 173 do CTN, ou seja, o pedido de ressarcimento não interrompe o prazo decadencial. c) Alega a decadência do direito da DRFB/AL glosar a compensação realizada, uma vez que o pedido de compensação n. 10410.002781/200198 foi protocolado em 04/07/2001 e a glosa/desconsideração das estimativas ocorreu em agosto/2008. Lembrou que à época a compensação não constituída confissão de débito. Invocou a Solução de Consulta Interna n. 03 de 08/01/2004, onde a COSIT entende pela necessidade de lançamento tributário para as compensações formuladas. Concluiu então que se a compensação não pode ser revista em virtude da decadência, consequentemente, o crédito dela resultante não poderia ser glosado pela DRFB/AL. Colacionou julgado administrativo. Ao final, requer o provimento do recurso, a fim de que se reforme a decisão para reconhecer a totalidade do crédito do Saldo Negativo de CSLL do AnoCalendário 2000 (exercício 2001), homologue integralmente os débitos não homologados que se encontram controlados neste processo e que o crédito tributário compensado permaneça com sua exigibilidade suspensa até julgamento final do recurso, nos termos do art. 151, III do CTN. Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro, Relator Presentes os pressupostos recursais, conheço do presente recurso. Compensação realizada com amparo em decisão judicial A liminar proferida em ação judicial colacionada pelo contribuinte não ampara o procedimento por ele adotado, podendose assim concluir independentemente de se entrar na seara de a recorrente ter sido ou não parte nesse processo. Consulta ao sítio do TRF (< http://www.trf5.jus.br/processo/002782710.2000.4.05.0000 >) revela que a ação na qual foi proferida a malsinada liminar foi julgada improcedente, tendo, posteriormente, sido renunciado, pelo seu autor, o direito que em se funda a ação. O processo continua em andamento, todavia, a quaestio juris pendente resumese à condenação em honorários em prol da Fazenda Nacional. A improcedência do pedido leva à cassação da liminar com efeitos ex tunc, consoante, exemplificadamente, dispõe a Súmula 405 do STF. Vejamos: STF Súmula nº 405. Denegado o mandado de segurança pela sentença, ou no julgamento do agravo, dela interposto, fica sem efeito a liminar concedida, retroagindo os efeitos da decisão contrária. Assim, não se pode homologar a compensação intentada com base em liminar que não opera mais nenhum efeito favorável ao contribuinte. Aplicase ao presente caso, portanto, o então vigente Art. 30 da IN 210/2002 que, com base no art.170 do CTN, Fl. 223DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES Processo nº 10410.720030/200581 Acórdão n.º 1801002.156 S1TE01 Fl. 222 5 dispunha ser “...vedada a compensação de débitos do sujeito passivo, relativos a impostos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, com créditos de terceiros”. Rejeitase, portanto tal pretensão. Da alegação de decadência quanto à revisão do Saldo Negativo declarado em 2001 e da forma como quitadas as estimativas que o compuseram A composição do saldo de imposto a pagar (positivo) ou a compensar (negativo), dentro da sistemática de pagamentos por estimativas é prevista no Art. 2º da Lei 9.430/1996, sendo obtido das deduções abaixo discriminadas a partir do imposto a pagar como resultado da apuração do lucro real em 31 de dezembro de cada ano: Lei 9.430/1996, Art. 2º. [...] § 3º A pessoa jurídica que optar pelo pagamento do imposto na forma deste artigo deverá apurar o lucro real em 31 de dezembro de cada ano, exceto nas hipóteses de que tratam os §§ 1º e 2º do artigo anterior. § 4º Para efeito de determinação do saldo de imposto a pagar ou a ser compensado, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor: I dos incentivos fiscais de dedução do imposto, observados os limites e prazos fixados na legislação vigente, bem como o disposto no § 4º do art. 3º da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995; II dos incentivos fiscais de redução e isenção do imposto, calculados com base no lucro da exploração; III do imposto de renda pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real; IV do imposto de renda pago na forma deste artigo. Infirmações, pelo fisco, de saldo negativo eventualmente declarado pelos contribuintes, devem, portanto, ser cabalmente analisadas. Acaso impliquem na revisão do “montante do tributo devido” apurado pelo contribuinte, encaixamse no conceito de lançamento (CTN, Art. 142), estando tal direito do Fisco temporalmente limitado pelo instituto da decadência (CTN, Art. 173 ou 150, §4º a depender de cada caso). No presente caso, entretanto, o despacho decisório, prolatado em 2008 subsumese à constatação de ausência de pagamento ou compensação das estimativas, assim consideradas as declaradas pelo próprio contribuinte em DIPJ no exercício de 2001. A glosa do saldo negativo apontado pelo contribuinte, portanto, se deu sobre parcelas a deduzir do imposto – especificamente a prevista no §4º, IV do Art. 2º da Lei 9.430/1996 – não sendo revolvido o “imposto devido” apurado pelo contribuinte no exercício de 2000. Tal atividade fiscal, de conferência da liquidez e certeza dos créditos que lhe são imputados nada mais é do que o exercício do “poderdever” da Administração Tributária de conferir a liquidez e certeza (CTN, Art. 170 do CTN) dos créditos que lhe são imputados, não se submetendo a prazo decadencial. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES 6 Ante o exposto, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 225DF CARF MF Impresso em 23/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 27/1 1/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 20/01/2015 por ANA DE BARROS FERNAND ES
score : 1.0
Numero do processo: 13770.001015/2007-09
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1997 a 30/11/2006
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias.
Caracteriza-se grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria.
Numero da decisão: 2403-002.687
Decisão: Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminares: por maioria de votos em conhecer dos recursos voluntários dos devedores solidários. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. No Mérito: Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações previdenciárias. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estão sob a direção, o controle ou a administração de outra, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, ainda que cada uma delas tenha personalidade jurídica própria. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, em Preliminares: por maioria de votos em conhecer dos recursos voluntários dos devedores solidários. Vencido o conselheiro Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. No Mérito: Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas e Daniele Souto Rodrigues AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 77 0. 00 10 15 /2 00 7- 09 Fl. 1700DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Marcelo Magalhães Peixoto, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Ivacir Julio de Souza, Daniele Souto Rodrigues e Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro. Fl. 1701DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro, Acórdão 1231.114 da 15ª Turma, que julgou a impugnação procedente em parte. A decisão de primeira instância, conforme abaixo, reconheceu a decadência do crédito lançado até a competência 05/2002, com base na regra do § 4º do artigo 150 do CTN. Disso resultou a permanência do levantamento ADG pagamentos efetuados a contribuintes individuais a título de Adiantamentos/Empréstimos, referente ao período não decadente, ou seja, de 06/2002 a 11/2005 e do levantamento DAL, até 11/2006. 56.5. Assim sendo, tendo em vista que o crédito foi constituído em 22/06/2007 e que houve pagamento parcial da obrigação tributária em tela, verificase que o período de 01/1997 a 05/2002 encontrase fulminado pela decadência nos termos do art. 150, §4° do Código Tributário Nacional. 56.6. Portanto, os levantamentos abaixo relacionados serão excluídos do presente lançamento pela ocorrência da decadência: AD01/1997 a 10/1998 ADG 01/1999 A 05/2002 AL01/1997 A 12/1998 ALG01/1999 A 12/1999 Cl01/1997 A 12/1998 56.7. Só serão analisadas, por conseguinte, as questões impugnadas relativas ao levantamento ADG pagamentos efetuados a contribuintes individuais a título de Adiantamentos/Empréstimos, referente ao período não decadente, ou seja, de 06/2002 a 11/2005. O lançamento e a impugnação foram assim relatadas no julgamento de primeira instância: Da autuação Fl. 1702DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 A presente autuação referese ao AI 37.020.1868 que, tendo em vista a extinção da Secretaria da Receita Previdenciária do Ministério da Previdência Social e a conseqüente transferência dos processos administrativofiscais para a Secretaria da Receita Federal do Brasil, conforme art. 4o da Lei n° 11.457, de 16 de março de 2007, recebeu nova numeração, passando a consubstanciar o processo de n° 13770.001015/200709. 2. Tratase de crédito tributário lançado pela Fiscalização contra o interessado acima identificado, que, de acordo com o Relatório Fiscal de fls. 113/128, é relativo às contribuições destinadas à Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e de segurados a partir de 04/2003 conforme o art. 4o da Lei 10.666/2003, seguindo o limite estabelecido no artigo 28, § 5o da lei 8.212/91, para o período de 01/97 a 11/05. 3. Ainda segundo o Relatório Fiscal: 3.1. Da empresa: 3.1.1. É uma Sociedade Anônima de Capital Fechado, conforme Estatuto Social. 3.1.2. Possui matriz, filiais 1 e 2 e depósito fechado, todos com atividades relacionadas ao objeto social da empresa (atividades relacionadas à importação e exportação). 3.2. Do grupo econômico: Constatouse que a notificada faz parte de um conjunto de empresas juridicamente independentes, tendo cada uma personalidade jurídica própria. Tais empresas possuem o mesmo objeto social, outras dentro do mesmo seguimento econômico e outras exercem atividades que se completam; às vezes são prestadoras de serviços umas das outras em atividade de apoio, tudo no sentido de tornar o grupo mais rentável possível, com o barateamento dos custos e com otimização dos procedimentos. Examinando os Contratos, Estatutos e Atas de Assembléias das diversas empresas integrantes do grupo, verificouse haver co responsáveis em comum nas Ltdas (sócios) e nas Sociedades Anônimas (diretores), além da nítida relação de parentesco entre eles. Algumas empresas exercem suas atividades dentro das instalações da BARTER, não tendo as mesmas seu estabelecimento e endereço próprios. A contabilidade das empresas componentes do grupo é feita no mesmo local onde é realizada a contabilidade da BARTER, em suas dependências, pelo mesmo Contador, que assina como responsável pela escrituração contábil de todas elas. 3.2.5. Anexa Termo de Distrato do Contrato de Prestação de Servii/os entre a BETRA TRADING S/A e a BARTER, cujo funcionamento seria nas mesmas dependências, além do termo de Transferência, em que se dá a transferência de segurados empregados das empresas do mesmo grupo sem a correspondente rescisão do contrato de trabalho, assumindo, Fl. 1703DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 4 5 dessa forma, a BARTER, total responsabilidade pela continuidade do contrato celebrado entre as partes. Essa situação evidencia a caracterização do grupo econômico (item 3 do citado Termo de Transferência), onde as empresas admitem, inclusive, integrar o mesmo grupo econômico. Concluise pela formação de um grupo econômico por excelência. São as empresas formadoras do grupo econômico: Barter Comércio Internacional S/A; Betra Trading S/A; Flexpar Investimentos e Participações Ltda; Expar Investimentos e Participações Ltda; INNPAR Investimentos Nacionais e Participações Ltda; NEW Participações Ltda; Base Transportes e Locações Ltda; Nova Importação e Exportação Ltda; Agropecuária Modelo Ltda; FRH Fornecedora de Recursos Humanos; 3.3. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 3.3.1. Pagamentos efetuados a contribuintes individuais autônomos através de RPA's e empresários a título de pró labore discriminados nos Recibos de Pagamentos e confirmados no Livro Diário, (levantamento Cl até 12/98) 3.3.2. Pagamentos efetuados a contribuintes individuais a título de Adiantamentos/Empréstimos que não foram ressarcidos à empresa, haja vista não haver discriminação de tais valores como baixa ou devolução em conta específica. Alguns pagamentos permanecem em aberto até 30/10/2006, última competência fiscalizada, e outros em contrapartida de conta de despesas, não havendo o efetivo ressarcimento, (levantamentos AD até 12/98 e ADG a partir de 01/99). Em análise da Contabilidade percebese a evolução do saldo da conta Adiantamentos/Empréstimos, ocorrendo apenas o débito e, eventualmente, o crédito da mesma. A empresa transfere saldo de conta empréstimo para adiantamentos e vice versa, dificultando sua análise. Conclui que é uma forma da empresa remunerar contribuintes individuais, utilizandose de outra conta contábil, configurandose portanto salário de contribuição. 3.3.3. Pagamentos efetuados a título de aluguéis para os sócios Raul de Paula Machado e Arnaldo Assis Martins Júnior, (levantamentos AL até 12/98 e ALG a partir de 01/99). Fl. 1704DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 6 3.4. Foram aproveitados para fins de dedução todos os pagamentos efetuados pela empresa, verificados no conta corrente da mesma, assim como os depósitos judiciais convertidos em renda para o INSS. Os elementos examinados para apuração do débito foram GPSs, RPAs, Recibos de Pagamentos a Aluguéis por meio de cópias de cheques e Livros Diário e Razão. A empresa não informou os fatos geradores em GFIP a partir da competência 01/1999. Foi lavrada Representação Fiscal para Fins Penais tendo em vista a configuração, em tese, do crime de sonegação de contribuição previdenciária. Da impugnação da Barter 4. O interessado acima apresentou, em 31/07/2007, sua impugnação conforme instrumento de fls. 146/209, anexando cópias de documentos às fls. 210/372. Alega, em síntese: Decadência para se constituir créditos tributários cujo fato gerador seja anterior a cinco anos da data da notificação do lançamento. Da inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária: A Barter não forma com as demais empresas um grupo econômico de qualquer espécie, sendo inaplicável a responsabilidade solidária de que trata o art. 30, IX da lei 8.212/91. A responsabilidade solidária das empresas integrantes de um grupo econômico é tributária, devendo obedecer aos princípios norteadores do direito tributário, dentre eles os da legalidade estrita. Sendo assim, devese ter por base o conceito legal da lei 8.212/91 e não só construções doutrinárias e/ou jurisprudenciais. Devese também considerar as definições da Lei 6.404/76, assim como da CLT. Norteia sua defesa no sentido de que o indispensável para a caracterização de um grupo econômico é a unidade de direção. Não cabe a interpretação elastecida do Direito do Trabalho para embasar a conclusão pela existência de um grupo econômico de fato. Assim, mesmo no caso de um grupo econômico por coordenação, haveria a necessidade de haver uma direção comum, o que não restou comprovado durante a fiscalização. 4.2.6. Admite a existência de participação pela impugnante em um grupo econômico, pelo período de 30/03/2001 a 23/04/2004, em que a impugnante era controlada pela empresa INNPAR, Fl. 1705DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 5 7 conforme documentos anexos. Nesta ocasião, a INNPAR possuía participações em outras empresas, dentre as quais a BETRA TRADING S/A, quando cedia mãodeobra à Impugnante. Foi em virtude dessa relação e neste contexto que foram confeccionados os seguintes documentos: Distrato do Contrato de Prestação de Serviços e o Termo de Transferência dos segurados empregados da BETRA para a impugnante. 4.2.7. De fato, atualmente admite que a Barter compõe juntamente com a sua controladora (FLEXPAR) um grupo econômico, conforme se vê em seu estatuto social, mas entende ser um exagero estender este grupo a todas as empresas elencadas pela auditoria. Verificase que estas nuances não foram consideradas pela auditora fiscal a qual deixou de esclarecer que o grupo econômico, se é que pode ser assim denominado, só existiu de 28/02/2001 a 10/10/03 e não englobava todas as empresas indicadas na NFLD, não podendo a responsabilidade solidária de que trata a Lei 8.212/91 ser estendida indiscriminadamente como ocorreu. A responsabilidade é tributária, daí ser necessária a comprovação dos requisitos dos artigos 134 e 135 do CTN para fins de responsabilização de pessoas físicas, o que não houve. Também não merece guarida o argumento de que as empresas exerciam suas atividades dentro da Barter e de que não teriam estabelecimento próprio, apresentando suas justificativas a respeito. Contesta a alegação de que a contabilidade de todas as empresas relacionadas seria feita no mesmo local onde é feita a contabilidade da impugnante. Pelo exposto, conclui pela total improcedência da inclusão das empresas e respectivos sócios e acionistas como responsáveis solidários. Contesta o Relatório de Representantes Legais e o Relatório de Vínculos. Quanto ao Relatório de Representantes Legais, o mesmo deve ser corrigido, haja vista que a fiscalização se equivocou quando indicou algumas pessoas físicas como diretores, assim como os seus períodos de atuação. Quanto ao Relatório de Vínculos, alega a inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária, a seguir. 4.3. Da inexistência de vínculo empregatício 4.3.1. A fiscalidade não se ateve aos critérios da norma consolidada para caracterização do vínculo empregatício, tendo considerado como empregados pessoas que não mantém relação de emprego com a impugnante. Descreve suas razões de impugnação conforme fls. 173/185. Fl. 1706DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 8 4.4. Do contribuinte individual. 4.4.1. Alega que houve a decadência dos valores lançados sobres esta rubrica com base no artigo 173,1 do CTN. 4.5. Adiantamentos/Empréstimos Inexistência da Exigibilidade de Contribuição. A auditoria limitouse a analisar casos excepcionais em que os empréstimos adiantamentos não foram integralmente ressarcidos, presumindo a partir daí que todos os demais tratavamse na verdade de remuneração paga a contribuintes individuais. Contudo esta presunção não condiz com a realidade. No art. 9o, inc. V do Decreto 3.048/99 não se vislumbram entre os contribuintes individuais muitas das pessoas elencadas pela auditoria no Relatório de Lançamentos RL. A auditoria não apontou de forma clara os dispositivos legais que deram embasamento à presente notificação em relação a este fato gerador, ferindo os princípios do contraditório e ampla defesa. Alega que não são todos os empréstimos que ainda não foram quitados, destacando especificadamente vários deles, conforme fls. 189/192, dentre eles os empréstimos à: Luiz Phelippe de Araújo Schneider Padilha: parte da dívida foi quitada pelo Sr. Luiz Phelippe mediante depósito, conforme razão em anexo. Os demais valores foram transferidos para a Schneider Assessoria em Comércio Exterior Ltda, mediante assunção de débito, nos termos do art. 299 do Código Civil e estão sendo quitados mediante compensação com créditos decorrentes de comissões devidas a esta empresa pela ora impugnante. Vitor de Pinho: a dívida do Sr. Vitor foi integralmente transferida para a VPR Consultoria mediante assunção de débito, nos termos do art. 299 do Código Civil, conforme se vê no Razão em anexo. Tais débitos estão sendo gradualmente quitados mediante compensação com créditos oriundos de comissões devidas a esta empresa pela ora impugnante. Múcio Machado Borges: todos os empréstimos concedidos ao Sr. Múcio foram integralmente quitados, conforme se vê no extrato razão em anexo. Carlos Renato Pinheiro Fontes: parte da dívida foi compensada com créditos do Sr. Carlos Renato em relação à ora impugnante, oriundos da aquisição dos haveres do BANDES contra a impugnante, conforme Ata de Assembléia Extraordinária em anexo. A parte restante foi repactuada por meio de novação de dívida, conforme se vê no contrato em anexo. Fl. 1707DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 6 9 Leonardo Braga de Assis: parte da dívida do Sr. Leonardo foi transferida para a Sra. Adriana Braga de Assis, que a assumiu como parte do pagamento das cotas da empresa NOVA Importação e Exportação Ltda que adquiriu, conforme se vê no contrato de cessão de direitos, em anexo. A dívida restante foi repactuada, conforme contrato de novação de dívida em anexo. 4.5.5. Conforme afirmado anteriormente, os registros contábeis não coadunam com o asseverado pela auditoria fiscal, haja vista que a quase totalidade dos adiantamentos/empréstimos foram restituídos à impugnante. Portanto, não se pode considerar remuneração os valores devolvidos por quem os recebeu. Desconsiderar as relações de direito privado no que tange aos empréstimos/mútuo, é agir com arbitrariedade. Invoca o art. 104 do Código Civil. Entende que foram cumpridos todos os requisitos para a celebração de um negócio jurídico válido: agente capaz (por tratarse a Barter de uma empresa regularmente constituída e de outro lado pessoas físicas ou jurídicas plenamente capazes), objeto lícito (sendo o empréstimo regulamentado legalmente, com fulcro no art. 586, cujos valores são discriminadamente contabilizados, se trata, pois, de um objeto lícito) e forma prescrita ou não defesa em lei (não há base legal que exija para os contratos de empréstimos a forma escrita, de outro modo, não se proíbe que estes contratos sejam feitos verbalmente, sendo assim, os empréstimos que não se materializam em contrato formal, não deixam de ter validade jurídica, resultando no completo cumprimento dos requisitos de validade dos empréstimos celebrados). A partir da CF 88 as contribuições previdenciárias readquiriram a sua natureza tributária, assim, alude ao art. 110 do CTN a fim de justificar seu entendimento que não pode o Fisco descaracterizar um instituto do Dir. Privado, como é o caso do mútuo, a fim de caracterizálo como remuneração. Mútuo e remuneração apresentam conceitos diferentes, não podendo o mútuo se enquadrar no conceito de salário de contribuição do art. 28, I da Lei 8.212/91. Assim, não se pode considerar o mútuo como fato gerador de contribuição previdenciária. Tal instituto exige a restituição do que foi emprestado, e, pela documentação em anexo, verificase que os referidos contratos não foram descartados pela mutuante (a impugnante) como se jamais existissem., mas pelo contrário. Fl. 1708DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 10 Se existem empréstimos que ainda não foram pagos, a impugnante ainda tem prazo legal para cobrálos de acordo com o Código Civil. Se existem contratações que ainda não foram pagas, outras tantas o foram, divergindo do afirmado pela auditoria. Assim, não há uma determinação sobre a temporalidade em que os empréstimos devem ser restituídos, tampouco que sua indeterminação do prazo traria a sua descaracterização. Portanto, não há que se falar em infração ao artigo 32, IV, §5 ° da lei 8.212/91 e nem no crime de sonegação de contribuição previdenciária. 4.6. Da inexistência do pagamento in natura Alega que inexistiu pagamento in natura aos sócios Raul e Agnaldo, haja vista que os imóveis não se encontravam disponíveis exclusivamente aos mesmos, mas sim ao acomodamento de diversas outras pessoas, visando à consecução dos trabalhos da empresa. Apresenta jurisprudência a respeito. 4.7. Do Relatório de Representantes Legais 4.7.1. Contesta o Relatório de Representantes Legais e o Relatório de Vínculos; Quanto ao Relatório de Representantes Legais, há de se corrigir os erros constantes no mesmo porquanto se vê que a auditoria se equivocou quando indicou algumas pessoas físicas na função de "diretores", bem como os seus "períodos de atuação". Segundo a definição do art. 47 do Código Civil de 2002 e art.17 da lei 3.071 de 1916, não poderiam ser incluídos neste relatório os sócios cotistas ou acionistas que não detiveram qualquer função de administração junto à impugnante. Patrícia Marques Rodrigues de Sousa (em 13/10/95 a 30/03/01), Andréa Braga de Assis (em 13/10/95 a 30/03/01), Emílio Álvares Coppola (em 13/10/95 a 30/03/01) e Leônidas José Braga de Assis (em 31/03/00 a 30/03/01), não atuaram na função de diretores, devendo ser excluídos da relação em comento. 4.7.5. Outros períodos de atuação também foram indicados equivocadamente, devendo ser corrigidos: Alcione Vaz de Assis (04/07/89 a 30/03/01), Carlos Renato Pinheiro Fontes (03/04/96 a 17/02/06), Erika de Paula Machado Martins (03/04/96 a 13/01/98) e Raul de Paula Machado (13/01/98 a 30/03/00). Fl. 1709DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 7 11 Da impugnação da Flexpar Investimentos e Participações Ltda 5. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 143, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 394/407, em 27/08/2007, procuração às fls. 393 e documentos às fls. 408/456. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior a 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Base Transportes e Locações Ltda 6. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 142, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 459/471, em 24/08/2007, procuração às fls. 458 e documentos às fls. 472/492. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Expar Investimentos e Participações Ltda 7. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 376, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 494/505, em 26/08/2007 e documentos às fls. 506/544. Alega em síntese: 7.1. Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; 7.2. A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Agropecuária Modelo Ltda 8. A empresa foi notificada em 31/07/2007, fls. 377, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 547/559, em 24/08/2007, procuração às fls. 546 e documentos às fls. 560/591. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; Fl. 1710DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 12 A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da New Participações Ltda 9. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 145, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 594/609, em 24/08/2007 e documentos às fls. 610/630. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Nova Importação e Exportação Ltda 10. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 377, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 633/645, em 24/08/2007, procuração às fls. 632 e documentos às fls. 646/702. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da FRH Fornecedora de Recursos Humanos Ltda 11. A empresa foi notificada em 26/07/2007, fls. 144, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 705/717, em 24/08/2007, procuração às fls. 704 e documentos às fls. 718/733. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Betra Trading S/A 12. A empresa foi notificada em 21/08/2007, fls. 384, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 734/746, em 20/09/2007, procuração às fls. 748 e documentos às fls. 749/777. Alega em síntese: DRJ/RJ1 Fls. 1.043 Fl. 1711DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 8 13 Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da impugnação da Innpar Investimentos Nacionais e Participações Ltda 13. A empresa foi notificada em 21/08/2007, fls. 382/3, apresentando defesa conforme instrumento de fls. 778/789, em 20/09/2007, procuração às fls. 803 e documentos às fls. 790/843. Alega em síntese: Decadência dos créditos havidos em período anterior à 2001, com fulcro no art. 156, V do CTN; A inexistência de Grupo Econômico e a inaplicabilidade da responsabilidade solidária. Da Diligência O presente processo foi encaminhado à DRJ/RJOII para julgamento, sendo, então, requerida a diligência fiscal conforme fls. 845/847, para manifestação da auditoria a respeito das alegações da empresa sobre o levantamento com base nos pagamentos efetuados aos segurados contribuintes individuais a título de adiantamento/empréstimos não ressarcidos e para proceder às atualizações cadastrais de acordo com as alterações contratuais apresentadas pela empresa. Em resposta é emitido despacho, fls. 849/851, cujas informações são, a seguir, reproduzidas, em síntese: 15.1. São feitas considerações em relação a cada contribuinte individual, e com relação aos seguintes segurados foram incluídos no período decadente:Alcione Vaz de Assis, Raul de Paula Machado, Tomás Janos Bodolay, Dalva Marchiori, Coriolando Aurélio de Almeida, Ildiko de Paula Machado, Carlos Alberto Silva Vieira, Luciana Martins, Paulo Sérgio Salviano, Marilene Vilano. 15.2. A seguir, são apresentadas as considerações em relação aos segurados inseridos em período não decadente: Luiz Phelippe de Araújo Scheneider Padilha: Apesar da impugnante alegar que parte da dívida foi quitada mediante depósito e parte foi transferida mediante assunção de Fl. 1712DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 14 débito, a mesma não apresentou nenhum documento que desse suporte para corroborar o lançamento efetuado na contabilidade. Quanto a assunção do débito não foi apresentado nenhum documento que comprovasse a transferência da dívida, ou seja, um consentimento expresso ao credor (Barter). Verificase também através da contabilidade que no período de 06/02 a 08/03 foi pago ao Sr. Luiz Phelippe um valor constante de R$ 3.000,00, desamparado de qualquer contrato. Os contratos de mútuo às fls. 299 e 300 não estão revestidos das formalidades legais, uma vez que não encontramse registrados nos órgãos competentes para que possam fazer provas junto a terceiros, o que impede que façam prova junto ao fisco. Desta forma, os fatos apresentados pelo Sr. Luiz Phelippe não modificam o valor do débito ora lançado. Vitor de Pinho Conforme lançamentos efetuados no Razão Analítico às fls. 338 a 341 verificase a habitualidade dos valores constantes a ele pagos, a título de adiantamento e empréstimocontrato de mútuo. A empresa não apresenta documentos que sustentem tal alegação. Quanto à transferência da dívida mediante assunção do débito do Sr. Vítor de Pinho para a VPR Consultoria S/C da qual é sócio, também não comprova expressamente o consentimento do credor (Barter). Os fatos novos anexados pela impugnante ao processo não modificam em nada o valor do débito ora lançado. Múcio Machado Borges Conforme lançamentos efetuados no Razão Analítico verificase pagamentos com habitualidade de valores constantes a ele pagos, a título de empréstimocontrato de mútuo. A impugnante não comprova documentalmente tais lançamentos e em especial que tais empréstimos foram realizados por contrato de mútuo. Carlos Renato Pinheiro Fontes Todos os elementos apresentados pela empresa já foram analisados quando da ação fiscal, não apresentando fatos novos que pudessem modificar o débito ora lançado. Leonardo Braga de Assis Todos os elementos apresentados pela empresa já foram analisados quando da ação fiscal, não apresentando fatos novos que pudessem modificar o débito ora lançado. 15.3. Com relação a proceder às atualizações cadastrais de acordo com as alterações contratuais apresentadas pela empresa, a auditora notificante informa: Esclarecemos que essa Auditoria procedeu a inclusão dos sócios quando limitada e acionistas quando sociedade anônima que não faziam parte da administração da empresa, com o objetivo de Fl. 1713DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 9 15 evidenciar que os mesmos eram comuns ao quadro societário das outras empresas que formam o grupo econômico. Por uma limitação do sistema, em se tratando de S/A a única opção é de Diretor, ainda que não façam parte da direção.| De acordo com as alterações contratuais constantes do processo e as apresentadas na diligência, foram procedidas as atualizações cadastrais com a devida qualificação dos responsáveis legais e período de atuação a partir da competência janeiro/2002, uma vez que até a competência dezembro/2001já está decadente. Sócio Gerente/Diretor Agnaldo de Assis Martins Júnior Período: até 21/08/02 sócio gerente na LTDA Período: até 22/08/02 em diante Diretor na S/A Carlos Renato Pinheiro Fontes Período: até 21/08/02 sócio gerente na LTDA Período: até 22/08/02 a 17/02/06 e de 14/12/06 em diante Diretor na S/A Carlos Alberto Silva Vieira Período: 14/03/06 em diante Diretor na S/A 15.4. Em relação à decadência, considerando a edição da Súmula Vinculante n° 8 e o Parecer da PGFN 1.617, manifesta se pela decadência a partir da competência Janeiro/2002. Da manifestação das notificadas após a realização da diligência 16. A empresa notificada e as responsabilizadas solidariamente foram cientificadas do resultado da diligência conforme fls. 860/893. 16.1. A Barter junta pedido às fls. 894, vol. V, para que seja intimada à Av. Acesso Rodoviário, Quadra 09, Módulos 02/03, TIMS, Serra/ES, CEP: 29.161376. Da Innpar Investimentos Nacionais e Participações Ltda 17. A empresa foi notificada do resultado da diligência através de seu sócio em 11/09/2009, fls. 893, tendo protocolado sua manifestação em 18/09/2009, fls. 895/896. Alega em síntese: Fl. 1714DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 16 A defendente recebeu comunicação enviada pelo SECAT/Vitória na qual foi cientificada que foi elaborado relatório fiscal complementar relativo à NFLD em comento, entretanto, não recebeu relatório fiscal complementar correspondente, tal como ocorrido na primeira intimação do ofício, oportunidade na qual sequer recebeu os autos da NFLD. Em sendo assim, a mesma se vê impossibilitada de oferecer nova impugnação ou aditar as razões de defesa já apresentadas. Desta forma, requer sejam ratificados os termos da impugnação já apresentada (20/09/2007), a qual fundase na decretação de decadência, inexistência de grupo econômico e de responsabilidade solidária, de modo que, mais uma vez, não entra no mérito do Relatório Fiscal elaborado em face da empresa BARTER, posto não possuir os subsídios necessários à defesa de seus direitos, haja vista não ter recebido, como dito anteriormente, o relatório objeto da presente comunicação. Da Betra Trading S/A 18. A empresa foi notificada do resultado da diligência através de sua sócia em 12/09/2009, fls. 892, tendo protocolado sua manifestação em 18/09/2009, fls. 899/900. Alega em síntese: A defendente recebeu comunicação enviada pelo SECAT/Vitória na qual foi cientificada que foi elaborado relatório fiscal complementar relativo à NFLD em comento, entretanto, não recebeu relatório fiscal complementar correspondente, tal como ocorrido na primeira intimação do ofício, oportunidade na qual sequer recebeu os autos da NFLD. Em sendo assim, a mesma se vê impossibilitada de oferecer nova impugnação ou aditar as razões de defesa já apresentadas. Desta forma, requer sejam ratificados os termos da impugnação já apresentada (20/09/2007), a qual fundase na decretação de decadência, inexistência de grupo econômico e de responsabilidade solidária, de modo que, mais uma vez, não entra no mérito do Relatório Fiscal elaborado em face da empresa BARTER, posto não possuir os subsídios necessários à defesa de seus direitos, haja vista não ter recebido, como dito anteriormente, o relatório objeto da presente comunicação. Da Agropecuária Modelo Ltda 19. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 22/07/2009, fls. 877, tendo protocolado sua manifestação em 28/07/2009, procuração às fls. 905. Alega em síntese: Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento, haja vista Fl. 1715DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 10 17 não ser conhecedora de toda matéria alegada no relatório fiscal complementar, bem como não possuir elementos necessários para contrapor as considerações do aludido relatório. Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 817/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não entrando no mérito do Relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da Barter Comércio Internacional SA 20. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls 871, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 914/926, procuração às fls. 927. Alega em síntese: Primeiramente, conforme fls. 817/818, o período do lançamento passou a ser determinado somente a partir da competência janeiro/2002. Assim, não contradiz ou adita defesa em relação a este ponto. Em seguida, passa a contrapor as considerações a respeito de cada segurado contribuinte individual, não mencionadas as pessoas físicas na qual se apurou a decadência. Assim, apresenta suas razões de defesa às fls. 915/926 em relação à: Luiz Phelippe de Araújo Scheneider Padilha, Edivaldo Santos, Vitor de Pinho, Múcio Machado Borges, Carlos Renato Pinheiro Fontes e Leonardo Braga de Assis. A seguir são reproduzidas em síntese: Luiz Phelippe de Araújo Scheneider Padilha: 20.2.1. Conforme se depreende dos documentos que acompanham a impugnação originária, é forçoso asseverar que a auditoria ignora um depósito bancário feito pelo Sr. Luiz Phelippe, no valor de R$ 16.252,50, o que corrobora a existência do empréstimo concedido pela Barter. 20.2.2. Mútuo e remuneração apresentam conceitos diferentes. Assim, não somente pelo comprovante de depósito acima mencionado como forma de quitação parcial do mútuo, mas também pela regular e válida escrituração contábil, os valores cedidos pela Barter o foram a título de empréstimo. 20.2.3. Não se contentando com as provas documentais, requer o depoimento pessoal do Sr. Luiz Phelippe, nos termos do § único do art. 221 do Código Civil. Fl. 1716DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 18 Baseia seus argumentos nos artigos 226, 229 e seguintes do Código Civil, entendendo que os registros contábeis neste caso fazem prova a favor da impugnante, e, com relação à assunção de dívida, pelo fato de o Código Civil não determinar a obrigatoriedade de contrato escrito para validação da assunção, mas apenas consentimento expresso do credor, o consentimento da empresa Barter pode ser cristalinamente observado mediante a inclusão do saldo transportado para a empresa Schneider Assessoria em Comércio Exterior Ltda, no seu respectivo razão analítico, que compreende expressa declaração de vontade. Ademais, a dispensa de formalidade foi peculiar do caso, uma vez que o Sr. Luiz Phelippe é sóciogerente da empresa Schneider, ou seja, não se trata de uma empresa totalmente estranha à relação. Com relação às alegações da fiscalidade que os contratos de mútuo não estão revestidos de formalidades legais por não se encontrarem registrados nos órgãos públicos, bem como com que habitualidade os valores foram depositados no período de 06/02 a 08/03, a defendente prossegue a sua defesa da seguinte forma: Com relação à habitualidade, para a configuração do mútuo, não importa quantas vezes fora pactuado o empréstimo, mas sim, que o mesmo seja restituído no mesmo gênero e quantidade, tal como ocorrido na relação entre as partes contratantes e, divergindo neste ponto da natureza da remuneração. 20.2.8. O fundamento de que os contratos apresentados não estão revestidos de formalidade também não deve prosperar, isso porque, são princípios basilares do Direito Contratual a autonomia da vontade e a liberdade contratual, conforme se observa do disposto no art. 421 do Código Civil. 20.2.9. Defende também, com base no art. 104 do CC, que não há previsão para o contrato em espécie o registro nos órgãos públicos. Edivaldo Santos A auditoria informa que a impugnante não apresentou os documentos que deram suporte ao lançamento contábil referente à quitação integral feita pelo Sr. Edivaldo, entretanto, ignora os documentos anexados pela impugnante, pois como se observa dos documentos em apenso à impugnação primitiva, há comprovantes de depósitos realizados da empresa subscritora, a título de restituição do empréstimo obtido pelo Sr. Edivaldo. Não obstante o supra mencionado, o fato de não haver os comprovantes correspondentes à quitação integral do mútuo, não é fundamento suficiente para descaracterizar os empréstimos, pois os livros da sociedade provam a seu favor, podendo ser confirmado pelo depoimento pessoal do Sr. Edivaldo (§ú do art. 221 do CC). Vitor de Pinho Fl. 1717DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 11 19 Primeiramente, com relação às alegações da fiscalidade de que os valores pagos pela empresa ao Sr. Vitor foram realizados sem que tenha apresentado documentos que sustentem a alegação de adiantamento/empréstimo, defendese alegando que o fato de inexistir contrato que materialize a existência de mútuo não é suficiente para descaracterizar os empréstimos cedidos pela Barter. Isto porque, com base nos artigos 421 e 104 III do Código Civil, não há previsão que determine que o mútuo seja exteriorizado mediante contrato escrito, podendo as partes convencionálo verbalmente. Com relação à assunção do crédito, baseiase nos artigos 226 e 299 do Código Civil, entendendo que o consentimento da empresa Barter pode ser cristalinamente observado mediante a inclusão do saldo transportado para a empresa VPR Consultoria S/C, no seu respectivo razão analítico, que compreende expressa declaração de vontade, já em apenso aos autos. Ademais, a dispensa de formalidade foi peculiar do caso, uma vez que o Sr. Vitor é sóciogerente da empresa VPR, ou seja, não se trata de uma empresa totalmente estranha à relação. 20.2.15. Não se contentando com as provas documentais, requer o depoimento pessoal do Sr. Vitor, nos termos do § único do art. 221 do Código Civil. 20.2.16. Por fim, quanto ao argumento em que se verificou a habitualidade dos valores constantes a ele pagos a título de adiantamento/empréstimocontrato de mútuo, não é fator que descaracterize o mútuo, pois o que configura a relação de empréstimo não é quantas vezes o mesmo é pactuado, mas sim a restituição de quem recebeu a coisa, no mesmo gênero, qualidade e quantidade (Art. 586, CC). Múcio Machado Borges Em relação à habitualidade alegada pela fiscalidade, mais uma vez consubstancia sua defesa nos princípios basilares do Direito Contratual, quais sejam, a autonomia de vontade e a liberdade contratual, conforme se observa do disposto no artigo 421 do Código Civil, ratificado pelo art. 104, III do CC. Assim, as partes contratantes, em regra geral, possuem liberdade para contratarem entre si, o que pode ser observado quanto ao mútuo firmado entre a impugnante e o Sr. Múcio. O fato de inexistir contrato que materialize esta relação, não descaracteriza o mútuo. Os dispositivos legais que tratam do contrato de mútuo no CC não prevêem a necessidade de materialização da relação contratual estabelecida, apenas afirma que uma das determinações para a configuração do mútuo é o empréstimo de coisa fungível, no qual o mutuário fica obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu no mesmo gênero, qualidade e quantidade. Assim, o fato de inexistir contrato que materialize esta relação não descaracteriza o mútuo. Fl. 1718DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 20 Mesmo que a relação contratual não esteja corporificada por meio de contrato, se encontra materializada por meio de razão analítico, o que, conforme asseverado anteriormente, faz prova em favor da sociedade a que pertence (art. 226 e §ú do CC), podendo, ainda, ser corroborada pelo depoimento pessoal do Sr. Múcio, nos termos do §ú do art. 221 do CC. 20.2.21. Refuta o argumento da habitualidade alegando que para a configuração do mútuo necessário se faz que haja a restituição dos respectivos valores, os quais foram integralmente quitados, constando, inclusive, nos documentos oportunamente juntados quando do protocolo da impugnação originária, um recebimento de caixa, escrito de próprio punho, datado de 30/12/2003 no valor de R$ 65.010,00. Carlos Renato Pinheiro Fontes Em relação aos argumentos da auditoria de que os elementos já foram analisados e de que não há fatos novos que modifiquem o débito lançado, alega que realmente não há fatos novos, haja vista que os documentos já em apenso são suficientes para retratar a relação de mútuo existente entre o Sr. Carlos Renato e a Barter. Da análise dos documentos, é límpido observar que o Sr. Carlos Renato confessou ser devedor de saldo apurado em diversos contratos de mútuo. Contudo, consoante documento intitulado "Aquisição de Direito Referentes a contrato de Financiamentos no Leilão FUNDAP n° 85", considerando que a Barter não possuía recursos para a liquidação do leilão, o Sr. Carlos Renato, em parceria com outros sócios, resolveu participar do leilão, em face do que despendeu de dinheiro próprio para tanto. Assim, os valores despendidos pelo Sr. Carlos Renato para o leilão FUNDAP foram compensados mediante quitação parcial dos empréstimos, de modo que a parte restante foi pactuada por meio de novação de dívida. As provas apresentadas em apenso à impugnação primitiva retratam, de fato e de direito, que os valores disponibilizados pela Barter ao sr. Carlos Renato tratamse de empréstimos, tendo sido referidos valores compensados com o valor que o Sr. Carlos Renato despendeu para com a quitação dos haveres do BANDES em favor da Barter. Conclui alegando que a autoridade fiscal ignora todos os documentos apresentados pela impugnante, e que, pela análise dos mesmos, verificase a insubsistência da autuação, por restar comprovado, mediante restituição e compensação, tratarse de mútuo e não remuneração, como pretende a auditoria. Leonardo Braga de Assis Em relação aos argumentos da auditoria de que os elementos já foram analisados e de que não há fatos novos que modifiquem o débito lançado, alega que mais uma vez a fiscalidade desconsiderou os documentos apresentados pela impugnante. Fl. 1719DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 12 21 Os documentos apresentados pela empresa subscritora são válidos e eficazes para demonstrar a relação de mútuo pactuada entre o Sr. Leonardo e a Barter. Há nos autos um contrato de confissão e novação de dívida no qual o Sr. Leonardo confessa ser devedor dos saldos apurados nos diversos contratos de mutuo. Não obstante o supra mencionado, o sr. Leonardo possuía cotas de uma empresa (Nova Importação e Exportação LTDA), as quais foram transferidas para a Sra. Adriana Braga de Assis, de modo que, como forma de pagamento pelas cotas, esta última assumiu a condição de devedora principal e por assunção de débito, em face da dívida daquele perante a empresa Barter, situação está devidamente documentada e já em apenso aos autos. A dívida restante foi repactuada mediante novação. Assim, os registros contábeis não se coadunam com o asseverado pela auditoria fiscal, haja vista que quase a totalidade dos adiantamentos/empréstimos foram restituídos à impugnante, o que pode ser confirmado mediante depoimento pessoal. Significa agir com arbitrariedade desconsiderar as relações de direito privado no que tange aos mútuos/empréstimos. Todos os requisitos necessários para a validade do negócio (art. 104 CC) jurídico se encontram presentes nos casos em análise. Não há base legal que exija para os contratos de empréstimos a forma escrita, de outro modo, não se proíbe que estes contratos sejam feitos verbalmente, sendo assim, os empréstimos que não se materializaram em contrato formal, não deixam de ter validade jurídica, resultando no completo cumprimento dos requisitos de validade dos empréstimos celebrados. Remetese à CF/88 e ao art. 110 do CTN a fim de afirmar que não pode a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado. Conclui que somente um entendimento poderseia ter frente às conceituações do mútuo e da remuneração: não há que se falar em arrecadação ou recolhimento das contribuições previdenciárias ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social, porquanto o contratado entre as pessoas mencionadas na NFLD foi mútuo, o quajjião se constitui em fato gerador de nenhum tributo previdenciário. Ratifica as alegações em relação à inexistência de grupo econômico e à responsabilização dos sócios. Por último, em sendo necessário para a confirmação dos documentos apresentados em apenso a impugnação originária, requer o depoimento pessoal das pessoas físicas elencadas, nos termos do § ú do art. 221 do Código Civil. Fl. 1720DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 22 Da Nova Importação e Exportação Ltda 21. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls. 873, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 942/943, procuração às fls. 944. Alega em síntese: Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento, haja vista não ser conhecedora de toda matéria alegada no relatório fiscal complementar, bem como não possuir elementos necessários para contrapor as considerações do aludido relatório. Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 817/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não entrando no mérito do Relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da FRH Fornecedora de Recursos Humanos Ltda 22. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls. 875, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 956/957, procuração às fls. 958. Alega em síntese: Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento, haja vista não ser conhecedora de toda matéria alegada no relatório fiscal 1 1 9 Fl. 1721DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 13 23 complementar, bem como não possuir elementos necessários para contrapor as considerações do aludido relatório. Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 817/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não entrando no mérito do Relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da Base Transportes e Locações Ltda 23. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls. 876, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 973/974, procuração às fls. 975. Alega em síntese: Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento, haja vista não ser conhecedora de toda matéria alegada no relatório fiscal complementar, bem como não possuir elementos necessários para contrapor as considerações do aludido relatório. Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 817/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não encontrando no mérito do relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da New Participações Ltda 24. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls. 878, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 987/988, procuração às fls. 989. Alega em síntese: Fl. 1722DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 24 Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 8^7/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não entrando no mérito do Relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da Flexpar Investimentos e Participações Ltda 25. A empresa foi notificada do resultado da diligência em 13/07/2009, fls. 880, tendo protocolado sua manifestação em 22/07/2009, fls. 1003/1004, procuração às fls. 1005. Alega em síntese: Quando da primeira intimação, por não possuir os subsídios necessário e por não ter recebido a NFLD, a defendente ficou impossibilitada de apresentar impugnação em face de toda matéria possivelmente elencada, tendo, por conseguinte, fundadose tão somente na existência da decadência e na inexistência de grupo econômico. Mais uma vez se vê impossibilitada de apresentar manifestação quanto aos pontos tratados na diligência em comento, haja vista não ser conhecedora de toda matéria alegada no relatório fiscal complementar, bem como não possuir elementos necessários para contrapor as considerações do aludido relatório. Não obstante o supramencionado, da leitura das fls. 817/818, verificase que a diligência concluiu, com base na Súmula Vinculante n° 8 do STF, que o prazo decadencial de 10 anos é inconstitucional, tal como sustentado na primeira impugnação. Assim, ratifica os termos da impugnação já apresentada, restando para análise a decretação da inexistência de grupo econômico e da responsabilidade solidária, não entrando no mérito do Relatório Fiscal da empresa Barter, por não possuir os subsídios necessários. Da petição apresentada pela Barter Fl. 1723DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 14 25 26. A empresa Barter apresenta documento, juntado às fls. 1018/1019, entretanto a petição não é relativo a este processo, mas sim ao de n° 13770.000981/200709. Inconformada com a decisão, a BARTER apresentou recurso voluntário onde alega/questiona, em síntese: · Inexistência de grupo econômico e inaplicabilidade da responsabilidade solidária. · Questiona o lançamento incidente sobre empréstimos/adiantamentos. · Inexistência do pagamento in natura (aluguel). Os demais devedores solidários apresentaram recurso questionando a questão do grupo econômico e a solidariedade. À folha 1251 consta requerimento de desistência do recurso por parte da Barter (inclusão em parcelamento especial). É o relatório. Fl. 1724DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 26 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. Tendo em vista a desistência do recurso por parte da Barter, resta decidir acerca da questão do grupo econômico e solidariedade. GRUPO ECONÔMICO – SOLIDARIEDADE A solidariedade entre os grupos de empresas de qualquer natureza, quanto ao cumprimento das obrigações previdenciárias, está estabelecida na Lei n°. 8.212/91, em seu art. 30, inciso IX. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; O legislador, na Lei 8.212/91, especificou que a solidariedade é para grupo econômico de qualquer natureza. Portanto, não fica restrito aos grupos econômicos regularmente constituídos. O CTN, no artigo 124, estabelece regras para a solidariedade tributária. São elas: as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal ou as pessoas expressamente designadas por lei. Art. 124. São solidariamente obrigadas: Fl. 1725DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 15 27 I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Também a Consolidação das Leis do Trabalho Decretolei 5452/43 , em seu artigo 2º, § 2º estabelece a solidariedade (trabalhista) entre integrantes do mesmo grupo econômico e critérios legais para definição de grupo econômico. Conforme essa orientação, existe grupo econômico quando uma ou mais empresas, embora tendo cada uma delas personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra (grupo econômico por subordinação). Tratase de grupo econômico de dominação, que pressupõe uma empresa principal ou controladora e uma ou várias empresas controladas (subordinadas). Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. § 1º Equiparamse ao empregador, para os efeitos exclusivos da relação de emprego, os profissionais liberais, as instituições de beneficência, as associações recreativas ou outras instituições sem fins lucrativos, que admitirem trabalhadores como empregados. § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Entretanto, o entendimento prevalente na Justiça do Trabalho é no sentido de que também é possível a configuração de grupo econômico sem relação de dominação, bastando que haja uma relação de coordenação entre as diversas empresas, como acontece quando o controle das empresas está nas mãos de uma ou mais pessoas físicas, detentoras de um número de ações suficiente para criar um elo entre todas (unidade de comando). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO CARACTERIZAÇÃO Para configuração do grupo econômico, não mister que uma empresa seja a administradora da outra, ou que possua grau hierárquico ascendente. Ora, para que se caracterize um grupo econômico basta uma relação de simples coordenação dos entes empresariais envolvidos. A melhor doutrina e jurisprudência Fl. 1726DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 28 admitem hoje o grupo econômico independente da controle e fiscalização de uma empresalíder. Basta unia relação de coordenação, conceito obtido por uma evolução na interpretação meramente literal do art. 2", parágrafo 2° da CLT," (TR7' 3° R. 4T RO/8486/01 Rel. Juiz Márcio Flávio Salem Vidigal DJMG 18/08/2001 P.14). "EMENTA: GRUPO ECONÔMICO Empresas que embora tenham personalidade jurídica distinta, são dirigidas pelas mesmas pessoas, exercem sua atividade no mesmo endereço e uma delas presta serviços somente á outra formam um grupo econômico a teor das disposições trabalhistas,sendo solidariamente responsáveis pelos legais direitos do empregado de qualquer delas." (TRT 3"R, 2T RO/1551/86 Rel. Juiz Édson Antônio Fiúza Gouthier DJMG 12/09/1986P.). "EMENTA : GRUPO ECONÔMICO DE FATO CARACTERIZAÇÃO, O parágrafo 2º do art. 2º da CLT deve ser aplicado de forma mais ampla do que o seu texto sugere, considerandose a finalidade da norma, e a evolução das relações econômicas nos quase sessenta anos de sua vigência. Apesar da literalidade do preceito, podem ocorrer; na prática, situações em que a direção, o controle ou a administração não estejam exatamente nas mãos de uma empresa, pessoa jurídica. Pode não existir uma subordinação especifica em relação a uma empresa mãe, mas sim uma coordenação, horizontal, entre as empresas, submetidas a um controle geral, exercido por pessoas jurídicas ou físicas, nem sempre revelado nos seus atos constitutivos, notadamente quando a configuração do grupo quer ser dissimulada. Provados, fartamente, o controle e a direção por determinadas pessoas tísicas que, de fato, mantém a administração das empresas„ sob um comando único, configurado está o grupo econômico, incidindo a responsabilidade solidária." (PROCESSO TRT/15ª REGIÃON00902200108315000R0 (22352/2002RO9) RECURSO ORDINÁRIO DA 3ª VARA DO TRABALHO DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS). Em atenção ao princípio da verdade material, a responsabilidade solidária recai sobre grupos de empresas constituídos formal (contrato social ou estatuto social) ou informalmente, sendo que estes últimos são identificados a partir da análise da relação entre a empresa empregadora e as demais. Isto porque nem sempre é fácil a identificação da existência de grupo econômico, porque as empresas se utilizam de diferentes expedientes para ocultar o liame existente entre elas. A Justiça do Trabalho tem identificado grupos de empresas constituídos informalmente a partir dos seguintes indícios, conforme comentários da Juíza do Trabalho Regina M. V. Dubugras ao art. 2º, § 2º, da CLT (in CLT interpretada: artigo por artigo, parágrafo por parágrafo. Antonio Cláudio da Costa Machado (org.). Domingos Sávio Zainaghi (coord). 2ª ed. Barueri, SP: Manole, 2009. p. 4): Fl. 1727DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 16 29 · a direção e/ou administração das empresas pelos mesmos sócios e gerentes e o controle de uma pela outra; · a origem comum do capital e do patrimônio das empresas; · a comunhão ou a conexão de negócios; · a utilização da mãodeobra comum ou outros elos que indiquem o aproveitamento direto ou indireto por uma empresa da mãodeobra contratada por outra. No recurso e na impugnação apresentados pela Barter, existe o reconhecimento parcial do grupo econômico, conforme apresentado no relatório acima: 4.2.6. Admite a existência de participação pela impugnante em um grupo econômico, pelo período de 30/03/2001 a 23/04/2004, em que a impugnante era controlada pela empresa INNPAR, conforme documentos anexos. Nesta ocasião, a INNPAR possuía participações em outras empresas, dentre as quais a BETRA TRADING S/A, quando cedia mãodeobra à Impugnante. Foi em virtude dessa relação e neste contexto que foram confeccionados os seguintes documentos: Distrato do Contrato de Prestação de Serviços e o Termo de Transferência dos segurados empregados da BETRA para a impugnante. 4.2.7. De fato, atualmente admite que a Barter compõe juntamente com a sua controladora (FLEXPAR) um grupo econômico, conforme se vê em seu estatuto social, mas entende ser um exagero estender este grupo a todas as empresas elencadas pela auditoria. Por concordar com a decisão de primeira instância e por entender bem fundamentada em fatos, reproduzo aqui parte do texto, que também motiva meu posicionamento. 45. A Fiscalização constatou que a notificada "faz parte de um conjunto de empresas juridicamente independentes, tendo cada uma personalidade jurídica própria. Tais empresas possuem o mesmo objeto social, outras dentro do mesmo seguimento econômico e outras exercem atividades que se completam; às vezes são prestadoras de serviços umas das outras em atividade de apoio, tudo no sentido de tornar o grupo mais rentável possível, com o barateamento dos custos e com otimização dos procedimentos." Fl. 1728DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 30 46. Ou seja, verificase que a Barter e as outras empresas trabalham conjunto, no sentido de se obter cooperação e vantagens na atuação das mesmas. 47. Aliado a isso, a fiscalização verificou que no quadro administrativo encontrase, preponderantemente parentes cosanguíneos e afins, ficando evidenciado que o controle das empresas é exercido por um grupo familiar. A seguir, serão demonstradas as relações empresarias identificadas, para o período de 06/2002 em diante, haja vista que o período anterior foi abrangido pela decadência, como será demonstrado mais adiante. 47.1. A empresa Barter apresenta em seu quadro societário para o período de 2002 até 2004 as empresas INNPAR Invest. Nac. e Partic. Ltda e NOVA Import. e Export. Por sua vez a INNPAR possui como sócios Emílio Alvares Coppola, Andréia Braga de Assis e Patrícia Marques R.S. Álvares que faziam parte do quadro societário da BARTER. Estes se retiraram em 2001 da Barter e passaram a fazer parte do quadro societário da INNPAR. 47.2. A NOVA fazia parte do quadro societário da Barter até 04/2004, sendo que após este período se retirou e o que se verifica é que o seu quadro societário também modificase, passando a fazer parte também da sua composição a empresa EXPAR Invest. e Partic. Ltda. Esta compõe o quadro societário da Barter durante um ano, de abril de 2004 a abril de 2005. 47.3. A FLEXPAR Invest. E Partic. Ltda por sua vez, passa a fazer parte da composição social da Barter a partir de aril de 2005 assim como Carlos Alberto Silva Vieira passa a fazer parte da composição social da barter em março de 2006, sendo que também é sócio da empresa FRH Fornecedora de Recursos Humanos. 47.4. Pois bem, a FLEXPAR tem como sócios, entre eles, Raul de Paula machado e Emílio Álvares Coppola, que também são sócios da EXPAR, INNPAR, NEW e FRH. 47.5. A empresa BETRA Trading tem em sua composição social a partir de 2001 as empresas INNPAR e o sócio Alcione Vaz de Assis, sendo que em sua composição também entraram a empresa BARTER e NOVA, assim como outras pessoas físicas que comprovadamente apresentam relação de parentesco conforme restará demonstrado. 47.6. Também, as empresas FLEXPAR, EXPAR, INNPAR, NEW, BASE, NOVA, AGROPECUÁRIA MODELO E FRH possuem em seu quadro social a identidade de vários sócios, como resta demonstrado no Relatório Fiscal às fls. 116/123. 47.7.A BASE além de possuir identidade de sócios com as outras empresas do grupo, também teve a participação da Betra em 2001 , da INNPAR ao longo doano de 2002 até 2003, e atualmente conta com a participação da NEW. 47.8 Outrossim, a NOVA também conta com identidade de sócios do grupo e, a título de exemplo, teve a participação da INNPAR Fl. 1729DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 13770.001015/200709 Acórdão n.º 2403002.687 S2C4T3 Fl. 17 31 de 2002 a 2004, assim como da EXPAR de abril de 2004 em diante. 47.9.A Agropecuária Modelo também tem em sua composição empresas do grupo, sendo elas INNPAR, NEW e EXPAR, além de possuir sócio pessoa física em comum com as outras, o Sr. Raul de Paula Machado. 47.10. A FRH contém em seu quadro societário vários sócios pessoas físicas em comum com as outras empresas do grupo, destacandose Raul de Paula Machado, Emílio Álvares Coppola, Adriana Braga de Assis, Andréia Braga de Assis, Patrícia Marques R.S. Álvares, Ildiko de Paula Machado e Agnaldo de Assis Martins Júnior, que, à época do presente lançamento, era o Diretor Presidente da Barter. 47.11. Como se observa da Ata de Assembléia Geral Extraordinária da BARTER às fls. 214, a FLEXPAR se apresenta como principal acionista da BARTER, sendo que verificase também neste documento que o Sr. Agnaldo de Assis Martins Júnior, Carlos Alberto Silva Vieira e Carlos Renato Pinheiro Fontes se apresentam como sócios minoritários, com uma só ação cada um e a FLEXPAR com mais de 3 milhões de ações. A FLEXPAR também apresenta o Sr. Agnaldo e Carlos Renato como seus sócios. 47.12. Além disso, a título exemplificativo, corroborando o entendimento emanado pela auditoria em seu Relatório fiscal, verificase vínculo familiar ou afim entre os seguinte sócios: Agnaldo de Assis Martins Júnior casado com Erika de Paula Machado Martins, Andréa Braga de Assis casada com Carlos Alberto Silva Vieira, Raul de Paula Machado casado com Ildiko de Paula Machado e, também, Carlos Renato Pinheiro Fontes, Alcione Vaz de Assis, Patrícia Marques Rodrigues de Souza Álvares e Emílio Álvares Coppola. 48.Como se não bastasse, a fiscalização constatou que as empresas praticam a transferência de empregados entre elas, sem que haja a rescisão do vínculo empregatício na empresa de origem, como pode se verificar no Termo de Transferência dos empregados da Betra para a Barter. 49.Ainda, a impugnante traz os cartões CNPJ das empresas responsabilizadas, o que só confirma o verificado pela auditoria, bem como descrito no relatório fiscal: que a empresas possuem o mesmo endereço, e que algumas exercem suas atividades dentro da Barter, não tendo as mesmas estabelecimento e endereço próprio. Portanto, também em relação a este ponto, entendo que não logrou êxito a impugnante com relação aos seus argumentos e documentos trazidos aos autos. 50. Outrossim, a impugnante se defende em relação ao fato apontado pela fiscalização de que todas as empresas teriam um mesmo contador, fato este não negado pela mesma e que, portanto, traduzse em fato incontroverso. A rigor, realmente, a existência de um contador não é requisito para caracterização Fl. 1730DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 32 de um grupo econômico, mas, entretanto, diante de tantas evidências de que há uma unidade de direção e mais o fato de que há uma única empresa que controla a contabilidade de todas elas, entendese que este fato traduzse em prova indiciária da existência de um grupo econômico. Entendo bem caracterizado o grupo econômico. CONCLUSÃO Voto por negar provimento aos recursos voluntários. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 1731DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI, Assinado digitalmente em 2 7/11/2014 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000207/2007-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Jan 08 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 04/06/2005
RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
A falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito aproveitado em DCOMP justifica a não homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito aproveitado em DCOMP justifica a não homologação da compensação. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 04/06/2005 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito aproveitado em DCOMP justifica a não homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os conselheiros Alexandre Gomes, Gileno Gurjão Barreto e Fabiola Cassiano Keramidas acompanharam a relatora pelas conclusões. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 02 07 /2 00 7- 16 Fl. 1315DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 2 (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratase de Recurso Voluntário em face do Acórdão nº 0531.513 proferido pela 3ª Turma da DRJ/CPS, na Sessão de 26 de novembro de 2010. Na origem, a contribuinte apresentou Declarações de Compensação eletrônicas, visando a compensação de diversos débitos de IOF, IRRF e CPMF com créditos provenientes de recolhimentos a maior dos mesmos tributos, conforme quadro a seguir: Nº DCOMP Retificada Data Crédito Pagto Valor Compensado R$ 32447 35526* 10//11/2004 IOF 21/7/2004 1.821.905,11 30227 34112 32447 35526* 20/8/2008 IOF 21/7/2004 1.821.905,11 11250 69870* 10/11/2004 IOF 21/7/2004 1.037.453,89 22857 07783 11250 69870* 20/8/2008 IOF 21/7/2004 1.037.453,89 38242 06165 18/11/2004 IOF 23/6/2004 1.785.195,04 29498 09349 24/11/2004 IOF 18/8/2004 1.843.243,22 06379.97892* 19/1/2005 IOF 19/1/2005 1.834.582,05 17502 45038 06379.97892* 10/3/2008 IOF 5/8/2004 1.834.582,05 23772.82631** 6/7/2005 IOF 8/6/2005 1.805.276,63 32103 21760 25/10/2006 IRRF 10/10/2006 1.996.527,33 34701.60611** 5/1/2005 CPMF 8/12/2004 1.990.341,48 *DCOMP retificadas ** DCOMP não homologadas O relatório do Acórdão recorrido assim esclarece os fatos: “A Divisão de Orientação de Análise Tributária da Delegacia Especial de Instituições Financeiras em São Paulo iniciou procedimento com o fim de verificar o direito de crédito aproveitado pela contribuinte nas citadas declarações de compensação, tendo sido a interessada intimada em 27/02/2008 (fl. 50) para apresentar a documentação que comprovasse o direito creditório. Ao final dos trabalhos, a unidade local elaborou o Despacho Decisório de fls. 1049/1060 mediante o qual foram admitidas as DCOMP retificadoras e homologadas as compensações tratadas nas DCOMP n° 30227.34112, n° 22857.07783, n° 38242.06165, n° 29498.09349, n° 17502.45038 e n° 32103.21760. Não foram homologadas as compensações objeto das DCOMP n° 23772.82631 e n° 34701.60611. O motivo da não homologação das compensações tratadas nas duas DCOMP citadas está expresso às fls. 1059/1060: Fl. 1316DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.315 3 ‘Quanto à DCOMP n° 23772.82631 (fls. 06 a 10), em que o contribuinte pretende compensar débitos de IOF sobre operações de crédito a pessoa jurídica (código de receita 1150) do período de apuração da 1 ° semana de julho de 2005, no valor de RS 1.805.276,63, e à DCOMP n° 34701.60611 (fls. 31 a 35), em que o contribuinte pretende compensar o débito de CPMF sobre lançamento de débito em conta (código de receita 5869) do período de apuração da 5° semana de dezembro/2004, no valor de RS 1.990.341,48, não houve apresentação de qualquer documento ou justificativa que comprovassem os créditos pleiteados, apesar de ter sido intimado ainda em 27102/2008 (fl. 51) e reintimado em 19/06/2009 (fl. 708). Dessa forma, as Dcomps n° 23772.82631 e n° 34701.60611 não podem ser homologadas por falta de comprovação. [..]’ Notificada do Despacho Decisório em 14/09/2009, em 14/10/2009 a contribuinte protocolou a Manifestação de Inconformidade de fls. 1.080/1.087, na qual argumenta, em síntese, que a documentação que compõe os autos é suficiente para demonstrar o seu direito à compensação. Prossegue: [..] o Manifestante procedeu à retenção de valores de IOF incidente sobre as movimentações bancárias realizadas por alguns de seus clientes. Não obstante, em decorrência de um problema sistêmico no programa interno que calcula e promove a retenção do IOF, houve cômputo de importâncias a mais a título do referido imposto quando do cálculo dos juros de cheque especial. Tal circunstância acarretou, pois, num repasse de valores indevidos aos cofres públicos. Por via de consequência, inexorável o direito creditório em voga, haja vista a caracterização do indébito. A título exemplificativo, passase a explicar um dos casos pontuais: na data de 02.05.05, houve cômputo de juros de cheque especial no montante de R$ 35.127,84. E, ato contínuo, foi retido o respectivo valor do IOF incidente sobre a operação creditícia. Porém, num segundo momento, constatouse que o sistema que calcula, promove a retenção e gera o valor do IOF a ser recolhido no faro gerador, houve por bem considerar a parcela referente à operação de crédito (débito dos juros sobre cheque especial) como se IOF fosse; e, assim, computando erroneamente na base de cálculo o referido valor. Ou seja, além do próprio IOF devido (que foi escorreitamente retido e repassado aos cofres públicos), por um erro, juntamente foi também recolhido — como se o IOF fosse —os juros sobre o cheque especial. No que diz respeito ao direito creditório decorrente de pagamento a maior de CPMF alega a interessada que: ‘Com fundamento no artigo 8° da Lei n° 9.311/96, são isentos de tributação do IOF os lançamentos efetuados entre contas de mesma titularidade, agência e instituição financeira. Fl. 1317DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 4 Na hipótese, foi o que de fato se verificou, isto é, houve lançamentos realizados entre contas de mesma titularidade. Porém, por um lapso, verificase que os correntistas optaram pelo incorreto instrumento eletrônico para transferência de numerário, haja vista que pretendiam promover transferência entre contas correntes da mesma titularidade, pelo que deviam ter optado "De conta corrente para conta corrente (mesma titularidade)", ao passo que erroneamente optaram por "De conta corrente para conta corrente (outra titularidade)". Ora, in casu, há de ser aplicada a "teoria da prevalência da substância sobre a forma", pois o equívoco perpetrado pelos correntistas quando da transferência dos recursos revelase meramente formal, sem qualquer influência sobre a efetiva operação financeira ocorrida, qual seja, a transferência de uma conta corrente para outra de mesma titularidade. A operação não pode ser descaracterizada.’ A empresa junta à manifestação de inconformidade a documentação de fls.1114 a 1138 composta de cópias de extratos de conta corrente e telas de consulta a histórico de eventos fiscais, além do documento de arrecadação indicado como origem do crédito.” Os membros da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas (SP), por meio do Acórdão nº 0531.513, de 26 de novembro de 2010 (efl 1165 a 1170), julgam a Manifestação de Inconformidade Improcedente, não Reconhecem o Direito Creditório e não Homologam as Compensações, nos termos do relatório e voto que integrou aquele julgamento, consoante se demonstra pela ementa a seguir transcrita: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 01/11/2004 a 31/07/2005 RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO.COMPROVAÇÃO. A falta de comprovação da liquidez e certeza do crédito aproveitado em DCOMP justifica a não homologação da compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Devidamente cientificada em 15/12/2010 do Acórdão 0531.513, de 26 de novembro de 2010, conforme COMUNICADO DEINF/SPO/DIORT nº 864/2010 e Aviso de Recebimento – AR de efl. 1173 e 1176, respectivamente, a contribuinte, irresignada, apresentou em 14/01/2011, o Recurso Voluntário (efls. 1177 a 1182), reprisando os argumentos de mérito quanto aos fatos aduzidos na manifestação de inconformidade, acostando aos autos outras documentações, tais como: extratos bancários de clientes não identificados; razões contábeis relacionados ao registro do crédito da CPMF (doc.14) de R$ 1.970.635,13 na contabilidade e o momento de sua respectiva utilização (doc.15); planilha de controle gerencial (doc. 03), relativa às retenções indevidas de IOF que, segundo alega, totalizam o valor do crédito pleiteado; Por amostragem:a) Telas do sistema MIS que realizava o pagamento de IOF Fl. 1318DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.316 5 no período em análise; e b) Extrato da conta corrente, para mostrar que o ônus do equívoco em tela recaiu sobre o Recorrente em detrimento de seus correntistas. Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O Recurso Voluntário foi apresentado com observância do prazo previsto no art. artigo 33 do Decreto n.º 70.235/1972 e das regras de competência previstas nos artigos 1º e 4º do Anexo II da Portaria MF nº. 256, de 22/06/2009, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento. Relembrando, das Oito (8) DCOMP apresentadas, apenas duas não foram homologadas, quais sejam: DCOMP 23772.82631.060705.1.3.041842 (Crédito pleiteado de IOF) e 34701.60611.0501052.3.040990 (Crédito pleiteado de CPMF ). Da análise dos autos, constatase que o litígio resumese à questões meramente probatórias. Vejamos: Do Crédito do IOF utilizado na Dcomp n° 23772.82631.060705.1.3.04 1842 O crédito utilizado para compensação na Dcomp nº 23772.82631.060705.1.3.04184 referese à IOF, supostamente pago a maior, segundo informação que se retira das e fls 9 a 13: Data de Transmissão da DCOMP: 06/07/2005 CRÉDITO: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR IOF Código da Receita: 1150 Período de Apuração: 04/06/2005 (Sábado) Data de Vencimento: 08/06/2005 (3º dia útil da semana subseqüente à cobrança) Valor do Principal recolhido: R$ 4.006.054,83 Data de Arrecadação: 08/06/2005 VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO PLEITEADO: R$ 1.787.402,60 CRÉDITO ATUALIZADO:R$ 1.805.276,63 COMPENSAÇÃO COM DÉBITO IOF Operações de crédito/Pessoa Jurídica – Código da Receita: 1150 Fl. 1319DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 6 Período de Apuração: 1ª Sem. / Julho / 2005 Data de Vencimento do Tributo/Quota: 06/07/2005 VALOR COMPENSADO R$ 1.805.276,63 Acerca desse crédito de IOF a Autoridade Administrativa indeferiu o pleito e não homologou as compensações porque, segundo ela,” não houve apresentação de qualquer documento ou justificativa que comprovassem os créditos pleiteados, apesar de ter sido intimado ainda em 27/02/2008 (fl. 51) e reintimado em 19/06/2009 (fl. 708)”. Na Manifestação de Inconformidade a contribuinte alega que procedeu à retenção de valores de IOF incidente sobre as movimentações bancárias realizadas por alguns de seus clientes. Não obstante, em decorrência de um problema sistêmico no programa interno que calcula e promove a retenção do IOF, houve o cômputo de importâncias a mais a título do referido imposto quando do cálculo dos juros de cheque especial. Menciona um caso exemplificativo (um dos casos pontuais: na data de 02.05.05) e traz cópia de um DARF (PA 07/05/2005, CÓDIGO 1150, PAGO EM 11/05/2005, R$ 4.510.632,58), extratos de contas correntes dos quais omitiu o nome do titular por conta de respeito ao sigilo bancário e, acompanhando cada extrato, as telas extraídas do sistema de consulta ao histórico de eventos fiscais. Com esses documentos pretende a contribuinte demonstrar que, além do IOF devido na operação de crédito, parcela da referente à operação de crédito (débito dos juros sobre cheque especial) teria sido computado erroneamente como se fosse IOF devido. A Autoridade Julgadora a quo, no entanto, entendeu que os documentos que acompanharam a manifestação de inconformidade não eram consistentes no sentido de atestar a liquidez e certeza do crédito tratado na DCOMP em referência. Assim ela manifestouse: “Por outro lado, instada em 27/02/2008 (fl. 51) a apresentar a documentação de suporte do direito de crédito aproveitado nas DCOMPs de n° 23772.82631 e n° 34701.60611 a interessada não exibiu nenhum documento relacionado aos supostos créditos de IOF e de CPMF tratados nas citadas declarações. Ao contrário portanto, do que afirmou a contribuinte no texto da manifestação de inconformidade, os presentes autos não traziam quaisquer elementos de prova que demonstrassem minimamente a detenção dos créditos compensados pela instituição nas DCOMPs n° 23772.82631 e n° 34701.6061, donde sobressai o acerto da unidade local em não reconhecer o direito de crédito. Mesmo em sede de manifestação de inconformidade a contribuinte não obtém sucesso na demonstração do direito de crédito que diz possuir contra a Administração Fiscal. (...) Nem durante o procedimento de investigação pela autoridade local, pelo qual a contribuinte (fl. 51) foi intimada a apresentar a documentação de suporte do crédito utilizado na DCOMP n° 23772.82631 e nem na oportunidade de sua manifestação de inconformidade a contribuinte foi capaz de comprovar, com documentos de sua contabilidade, como balancetes ou registros no livro Razão, que os supostos valores de IOF indevidos calculados por erro no sistema tenham sido levados à apuração Fl. 1320DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.317 7 do montante de IOF no período, de tal forma que se possa vincular os extratos bancários com o pagamento indicado como indevido.” O Extrato de Conta Corrente de e fl 1139 e as respectivas telas extraídas do sistema de consulta ao histórico de eventos fiscais de e fls 1140 e 1141, referemse ao mês de maio /2005 e refletem o exemplo citado na Manifestação Inconformidade, contendo débito juros de R$ 35.127,84 (depois, estornado) e IOF sobre operações de.crédito no valor de R$ 1.640,00. Por referiremse ao mês de maio 2005, não se encontram contemplados no caso, ora sob análise, quanto ao Crédito do IOF utilizado na Dcomp n° 23772.82631.060705.1.3.04184, pois este, como demonstrado acima referese à período da 1ª semana de junho de 2005, cujo IOF foi lançado em 04/06/2005. Igual observação se faz quanto ao Darf de cópia anexada à e fl 1138. Da mesma forma, os demais extratos e respectivas telas extraídas do sistema de consulta ao histórico de eventos fiscais de e fls 1142 a 1162 referemse ao mês de maio e por isso não comprovam o alegado, posto referirse à período distinto daquele do IOF (1ª semana de junho de 2005, lançado em 04/06/2004), cujo crédito foi requerido na DCOMP n° 23772.82631.060705.1.3.04184. No Recurso Voluntário, incorreu a contribuinte no mesmo engano, posto que, mais uma vez, faz alusão ao IOF apurado em 07/05/2005, trazendo documentos relativos a esse período, que, repitase, diverge do período de apuração do crédito de IOF apontado na DCOMP n° 23772.82631.060705.1.3.04184. De fato, a recorrente afirma que “Em 07/05/2005 foi apurado o valor devido de IOF no valor de R$ 4.510.632,58 o qual foi devidamente recolhido (doc. 02)”. Vejase que o valor aqui indicado diverge do Valor do Principal recolhido referente ao crédito de IOF apontado na DCOMP n° 23772.82631.060705.1.3.04184, qual seja R$: R$ 4.006.054,83. E, no intuito de comprovar o alegado acerca do equívoco do sistema na apuração do IOF, além do Darf imediatamente acima mencionado, faz acompanhar de seu recurso os seguintes documentos de e –fls 1189 a 1254: i. planilha de controle gerencial relativa aos movimentos dos dias 05 e 06/05/2005 (doc. 03), elaborada na data de 12/01/2011, no qual, afirma constar todas as retenções indevidas de IOF que totalizam o valor do crédito aqui pleiteado, de R$ 1.787.402,60; ii. documentos 4 a 8,que compreendem, Telas do sistema MIS que realizava o pagamento de IOF no período em análise; e Extratos da conta corrente, atinentes à amostragem aleatória de algumas retenções indevidas, com os quais pretende a contribuinte, segundo suas palavras, evidenciar os débitos de IOF efetuados das contas dos correntistas e o respectivo crédito de mesmo valor, corroborando, dessa forma, que o ônus do equívoco em tela recaiu sobre o Recorrente em detrimento de seus correntistas; Fl. 1321DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 8 iii. documentos 09 a 11, relativos à demonstração dos registros contábeis das seguintes operações: apuração do IOF no período, recolhimento do IOF, constatação e registro do IOF recolhido indevidamente e compensação do valor do IOF indevido; iv. comprovantes de arrecadação do dia 11/05/2005. À efl 1255 a recorrente traz página do Balancete diário, no dia 27/06/2005, o qual registra à débito na conta do ativo 1884500052 IMP/CONTR A COMP MF, o valor de R$ 1.787.402,60, demonstrando unicamente o registro do valor a compensar a título de IOF, sem contudo comprovar o direito ao referido crédito, posto que os documentos anteriores, mesmo que fossem hábeis a demonstrar os alegados equívocos do sistema, não se referem ao mesmo período da DCOMP sob litígio, consoante já demonstrado. Portanto, mais uma vez, a contribuinte não logrou comprovar a efetiva ocorrência das alegações aduzidas, para o período relativo à 1ª semana de junho de 2005, que levou ao lançamento do IOF em 04/06/2005 e recolhimento do valor de R$ 4.006.054,83, em 08/06/2005, em consonância com o prazo determinado na legislação vigente à época dos fatos, qual seja o art. 10 do Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002 , que assim estabelece: “Decreto nº 4.494, de 3 de dezembro de 2002 CAPÍTULO V DA COBRANÇA E DO RECOLHIMENTO Art.10. O IOF será cobrado: Ino primeiro dia útil do mês subseqüente ao de apuração, nas hipóteses em que a apuração da base de cálculo seja feita no último dia de cada mês; IIna data da prorrogação, renovação, consolidação, composição e negócios assemelhados; IIIna data da operação de desconto; IVna data do pagamento, no caso de operação de crédito não liquidada no vencimento; Vaté o décimo dia subseqüente à data da caracterização do descumprimento ou da falta de comprovação do cumprimento de condições, total ou parcial, de operações isentas ou tributadas à alíquota zero ou da caracterização do desvirtuamento da finalidade dos recursos decorrentes das mesmas operações; VIaté o décimo dia subseqüente à data da desclassificação ou descaracterização, total ou parcial, de operação de crédito rural ou de adiantamento de contrato de câmbio, quando feita pela própria instituição financeira, ou do recebimento da comunicação da desclassificação ou descaracterização; VIIna data da entrega ou colocação dos recursos à disposição do interessado, nos demais casos. Parágrafo único.O IOF deve ser recolhido ao Tesouro Nacional até o terceiro dia útil da semana subseqüente à de sua Fl. 1322DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.318 9 cobrança (Lei n º 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 83, inciso II, alínea "b")”. (grifei) Desta forma, no que atine ao crédito do IOF e às compensações efetuadas na DCOMP n° 23772.82631.060705.1.3.04184, não merece reforma a decisão recorrida. Do Crédito da CPMF utilizado na Dcomp n° 34701.60611.0501052.3.04 0990 Da DCOMP n° 34701.60611.0501052.3.040990, cópia anexa às efls 34 a 38, retirase as seguintes informações: Data de Transmissão da DCOMP: 05/01/2005 CRÉDITO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR CPMF CÓDIGO RECEITA 586902 Período de Apuração: 01/12/2004 (relativa à semana de 25 de nov 2004 a 01 dez 2004) Data de Vencimento: 08/12/2004 (3º dia útil da semana seguinte à apuração) Valor do Principal PAGO: 31.987.310,21 Data de Arrecadação: 08/12/2004 VALOR ORIGINAL DO CRÉDITO R$ 1.970.635,13 CRÉDITO ATUALIZADO R$ 1.990.341,48 COMPENSAÇÃO COM DÉBITO CPMF PERÍODO DE APURAÇÃO: 5° Sem. / Dezembro / 2004 DATA DE VENCIMENTO DO TRIBUTO/QUOTA: 05/01/2005 VALOR PRINCIPAL R$ 1.970.635,13 MULTA R$ 0,00 JUROS R$ 19.706,35 TOTAL R$ 1.990.341,48 Igual ao que se deu com a DCOMP nº n° 23772.82631 acima já analisada, embora instada em 20/02/2008 (efl. 50) a apresentar a documentação de suporte do direito de crédito aproveitado na DCOMP de n° 34701.60611 a contribuinte, no decorrer da fiscalização, não exibiu nenhum documento relacionado ao suposto crédito de CPMF tratado na citada declaração, motivo pelo o qual a Autoridade Administrativa não reconheceu o crédito de CPMF pleiteado e nem homologou a compensação declarada. Fl. 1323DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 10 Em sua manifestação de inconformidade, a contribuinte apresenta alegação de recolhimento indevido de CPMF decorrente de informações equivocadas de alguns clientes que informaram equivocadamente terem efetuado transferências entre contas correntes de diferentes titulares, quando as contas se referiam ao mesmo titular, tratandose, afirma, de operações isentas, em conformidade com o disposto no artigo 8 º da Lei n.° 9.311/96. Não obstante a contribuinte, em sua manifestação de inconformidade, faça referência a um “doc. 4” como documento que comprovaria a sua alegação acerca do crédito pleiteado da CPMF, não se localiza nos autos nenhum documento anexado à manifestação que comprove tal alegação, posto que os extratos de Conta Corrente referentes ao mês de maio /2005 e as telas de “Consulta de Histórico de Eventos Fiscais Valor Evento” são documentos a partir dos quais pretendia a contribuinte comprovar o crédito pleiteado de IOF por meio da DCOMP n° 23772.82631.060705.1.3.04184. Por tal razão é que a Autoridade Julgadora a quo não reconheceu tal crédito, tendo assim se pronunciado a respeito: “Vejase que, com relação ao crédito aproveitado na DCOMP de n° 34701.6061, proveniente de suposto pagamento a maior de CPMF pago em 08/12/2004 no montante de R$ 1.970.635,13, limitouse a contribuinte a afirmar haver recolhido CPMF sobre operações não submetidas à tributação por consistirem de transferência bancária entre contas correntes de mesmos titulares. A tributação à alíquota zero sobre as movimentações financeiras entre contas correntes de mesma titularidade foi estabelecida pelo art. 8° da Lei n° 9.311, de 1996:. Lei n° 9.311, de 1996 Art. 8º A alíquota fica reduzida a zero: II nos lançamentos relativos a movimentação de valores de conta corrente de depósito, para conta de idêntica natureza, dos mesmos titulares, exceto nos casos de lançamentos a crédito na hipótese de que trata o inciso II do art. 2º'; Tem razão a instituição financeira também quando invoca o princípio de que a forma não deve prevalecer sobre a substância, no sentido de defender que a escolha de alternativa incorreta pelos correntistas no sistema eletrônico ao realizarem a transferência não justifica, por si só, a incidência da contribuição. No entanto, a míngua de qualquer documentação que comprove cumulativamente: a efetiva realização de transferências entre contas de mesma natureza dos mesmos titulares, o montante dessas operações que sofreram a indevida tributação da CPMF, a inclusão dessas operações no montante pago desse tributo e, por fim e, não menos importante, a comprovação de que o ônus tributário não recaiu sobre os próprios correntistas — já que a instituição financeira atua apenas como responsável pelo recolhimento da CPMF nessas operações — leva ao não reconhecimento do direito de crédito e à consequente não homologação da compensação declarada.” Em função da decisão assim proferida é que no Recurso Voluntário a contribuinte a título de exemplo, apresenta rol de documentos afirmando pertencer a correntista Fl. 1324DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.319 11 que sofreu a maior retenção indevida de CPMF nesse período (única amostragem), cuja identidade afirma ser preservada, em vista do sigilo bancário (LC 105/01 e art. 5º, X e XII, CF/88). Os documentos carreados aos autos no Recurso Voluntário (doc. 13; efls 1257 a 1291) são: a) Planilha de transferência de valores entre contas correntes; b) extratos bancários das contas mencionadas na planilha; c) Balancete Diário– dia 04/Jan 2005 lançamento a débito na Conta 1.8.8.45.00.052 Imp/Cont a compens MF (Conta do Ativo), em 04/01/2005, R$ 4.626.342,31; d) Tabela de Composição de valores originais de créditos a compensar contabilizado pela UNIBANCO em 04/01/2005, R$ 4.626.342,31, no qual se inclui o valor original de R$ 1.970.635,13, referente à DCOMP 34701.60611.050105.2.3.040990 da CPMF; e) Balancete Diário– dia 04/Jan 2005 Lançamento a crédito na Conta 1.8.8.45.00.052 Imp/Cont a compens MF, em 05/01/2005, R$ 6.242.835,40; f) Tabela de Composição de valores originais de créditos contabilizados pela UNIBANCO em 05/01/2005, R$ 6.242.835,40, no qual se inclui o valor original de R$ 1.970.635,13, referente à DCOMP 34701.60611.050105.2.3.040990 da CPMF. Afirma que esse cliente transferiu valores, na semana de 25/11/2004 a 01/12/2004, entre quatro contas correntes de mesma titularidade de nºs 1501257, 1500630, 1501257 e 1502503, e indica os valores da CPMF, que segundo ela, incidiu sobre tais operações, conforme ilustrado no quadro elaborado. Acerca de tais documentos cabe esclarecer: O documento anexado às efls 1257/1259 referese a uma planilha elaborada pela contribuinte (documento pós constituído), na qual informa transferência entre contas correntes que identifica e os respectivos valores da CPMF, sem mencionar a titularidade das contas. Tal documento, por si só, não tem valor probatório, mas sim informativo, que devem ser acompanhados de documentos hábeis a comprovar as informações; Os extratos das contas correntes 150.1257 e 150.1513, 150.0630 e 150.2503, de efls 1260 a 1267, efls 1268 a 1275, efls. 1276 a 1282 e efls 1283 a 1287, respectivamente, referentes ao período de 24/11/2004 a 06/12/2004, contém os registros dos valores relacionados nas planilhas de efls 1257, 1258 e 1259, sob os históricos “crédito por conta de terceiros” e “débito terceiro”, demonstrando a contrapartida dos lançamentos entre as contas indicadas. Porém, não há comprovação de que as contas indicadas sejam de mesma titularidade e da mesma natureza, de modo a que as operações possam subsumirse à regra Fl. 1325DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 12 disposta no art. 8º da Lei n° 9.311, de 1996, já acima transcrita, que estabelece alíquota “zero” nas transferências de valores entre contas de mesma titularidade e de mesma natureza. A recorrente alega o sigilo bancário para excluir a informação acerca da titularidade das contas. No entanto, agiu diferentemente quando da comprovação da duplicidade de lançamento de IOF — SEGUROS nas DCOMPs que tiveram os valores a restituir reconhecidos pela unidade de origem. È que, consoante se constata, a contribuinte, no transcurso da auditoria, apresentou Guias Analíticos de clientes devidamente identificados (efls 129, 140 a 221). A Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, que Instituiu a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF, assim estabeleceu: “Art. 11. Compete à Secretaria da Receita Federal a administração da contribuição, incluídas as atividades de tributação, fiscalização e arrecadação. (Vide Medida Provisória nº 2.15835, de 2001 ) § lº No exercício das atribuições de que trata este artigo, a Secretaria da Receita Federal poderá requisitar ou proceder ao exame de documentos, livros e registros, bem como estabelecer obrigações acessórias. § 2º As instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da contribuição prestarão à Secretaria da Receita Federal as informações necessárias à identificação dos contribuintes e os valores globais das respectivas operações, nos termos, nas condições e nos prazos que vierem a ser estabelecidos pelo Ministro de Estado da Fazenda. § 3 o A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações prestadas, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 da Lei n o 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores. (Redação dada pela Lei nº 10.174, de 2001) Assim, não tem sentido tal alegação, haja vista que a Portaria MF nº 244, de 23 de agosto de 2004, vigente à época dos fatos, em conformidade com o disposto na Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996, também reproduzia em seu art. 5º a obrigatoriedade de as instituições responsáveis pela retenção e pelo recolhimento da CPMF prestarem à então Secretaria da Receita Federal, as informações sobre cada contribuinte, determinando, contudo, em seu art. 6º, que esta resguardaria o sigilo das informações, o que, da mesma forma, se aplica, em decorrência, aos órgãos julgadores administrativos, quando da análise e julgamentos de processos administrativos fiscais. “Art. 6º A Secretaria da Receita Federal resguardará, na forma da legislação aplicável à matéria, o sigilo das informações de que trata o art. 5º, facultada sua utilização para instaurar procedimento administrativo tendente a verificar a existência de crédito tributário relativo a impostos e contribuições e para lançamento, no âmbito do procedimento fiscal, do crédito tributário porventura existente, observado o disposto no art. 42 Fl. 1326DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 16327.000207/200716 Acórdão n.º 3302002.775 S3C3T2 Fl. 1.320 13 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, e alterações posteriores”. Por outro lado, da análise dos extratos das contas correntes 150.1257 e 150.1513, 150.0630 e 150.2503, anexados às efls 1260 a 1287, verificase que para o período de apuração de 25/11/2004 (quinta) a 01/12/2004 (quarta) (período de apuração citado na DCOMP, ora sob litígio), há registros a débito de CPMF nas mencionadas Contas Correntes unicamente no dia 26/11/2004. Não há comprovação de retenção da CPMF nas contas mencionadas para os demais dias do período sob análise. E, a recorrente não logrou demonstrar a composição desses valores da CPMF retidos do(s) cliente(s), estes trazido(s) a título de exemplo, e a comprovação de inclusão de valores indevidos. Desta forma, não há comprovação de que tais operações sofreram a tributação indevida. Aliás, a Portaria MF nº 244, de 23 de agosto de 2004, que dispõe sobre a Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira – CPMF estabelece em seu artigo 1º o seguinte: “Portaria MF nº 244, de 23 de agosto de 2004 Retenção e Recolhimento da Contribuição Art. 1º A Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF será, pelas instituições e pessoas referidas no art. 5º da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996 I retida diariamente ou a cada lançamento; (...).”(grifei). As páginas do Balancete Diário anexadas às efls 1288 e 1290, traduzem os lançamentos na conta contábil nº 1.8.8.45.00052 Imp/Cont a compens MF (Conta do Ativo), a débito em 04/01/2005, no valor R$ 4.626.342,31 e a crédito em 05/01/2005, no valor R$ 6.242.835,40. Tal conta é representativa de todos os tributos e contribuições a compensar,. Por tal razão, necessita que seja demonstrada a composição desses valores. E, fazse necessário comprovar que a recorrente possui esse direito creditório lançado. As tabelas apresentadas trazem o somatório dos valores a compensar, que foram lançados nos balancetes, ali incluindo o valor total de R$ 1.970.635,13 apresentado na DCOMP ora questionada, mas não são documentos contábeis hábeis a demonstrar a composição de valores.Tratamse de planilhas pós constituídas informativas. É sabido que o PAF utilizase da aplicação subsidiária do Código de Processo Civil e da Lei nº 9.784/1999, principalmente, em questões de prova, haja vista a pouca regulação da matéria no Decreto 70.235/72. Pois bem, o artigo 333 do CPC, que trata do ônus da prova, estipula: “Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. [...]” Fl. 1327DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA 14 Tal dispositivo é a tradução do princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. No caso cuidase de Pedido de Compensação cujo crédito a favor da contribuinte deve ser por ela comprovado. Porém, a Recorrente não logrou comprovar: (i) a efetiva realização de transferências entre contas de mesma titularidade e de mesma natureza; ii) que as ditas operações sofreram a tributação indevida; (iii) que as possíveis incidências da CPMF sobre as operações compuseram o valor recolhido de CPMF referente ao período de apuração citado na DCOMP; e (iv) que efetivamente assumiu o encargo da CPMF dita como retida e recolhida a maior. Portanto, também nesta questão do suposto direito de crédito da CPMF, igualmente não merece reforma a decisão recorrida. CONCLUSÃO Em face da fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de Negar Provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 1328DF CARF MF Impresso em 13/01/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 18/11/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10983.908288/2009-46
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 05 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2002
VÍCIO. REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO.
A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a saná-la, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 3801-004.739
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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REPRESENTAÇÃO PROCESSUAL. AUSÊNCIA DE SANEAMENTO. A não regularização da representação processual da recorrente, embora regularmente intimada a sanála, impossibilita o conhecimento do recurso voluntário. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Marcos Antônio Borges, Demes Brito, Paulo Sérgio Celani, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Cássio Schappo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 90 82 88 /2 00 9- 46 Fl. 122DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 12 2 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação DCOMP, apresentada pela contribuinte com o fim de ver compensado débito seu com crédito relativo a pagamento indevido ou a maior, referente a Contribuição para o Programa de Integração Social PIS. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis/SC pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado. Irresignada com a não homologação integral de suas compensações, encaminhou a contribuinte manifestação de inconformidade, na qual expõe suas razões de irresignação. Inicialmente, alega a contribuinte que o recolhimento efetuado via DARF se conforma como "pagamento indevido ou a maior", porque no cálculo da contribuição devida teria sido indevidamente utilizado como base de cálculo o critério definido na Lei n.o 9.718/1998 (teria havido a indevida inclusão das receitas financeiras e não operacionais). Entende a contribuinte que o alargamento da base de cálculo promovida por este ato legal é inconstitucional, e elenca extensivamente as razões pelas quais assim entende (tais razões não serão, entretanto, aqui minudentemente relatoriadas, em face daquilo que se prolatará no voto deste acórdão). Assim, em razão da pretensa inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo das contribuições sociais trazido pela Lei n.o 9.718/1998 e da conseqüente majoração indevida da contribuição devida apurada, entende a contribuinte que há recolhimento a maior a ensejar a compensação pleiteada. Ao final, defende a contribuinte seu direito genérico à compensação, afirmando não ter incorrido em qualquer das vedações legais ao procedimento repetitório. A DRJ em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: ARGÜIÇÃO DE ILEGALIDADE E INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS PARA APRECIAÇÃO As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para Fl. 123DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 13 3 a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade de atos legais regularmente editados. COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: se a lei já foi declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Egrégio Supremo Tribunal Federal, podem os órgãos de julgamento entender pela sua inconstitucionalidade e afastar a sua aplicação; tratase da possibilidade de um órgão da administração deixar de aplicar urna norma inconstitucional, desde que essa já tenha sido assim declarada em decisão plenária pelo órgão máximo do Poder Judiciário; se a lei autoriza os órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade quando o órgão máximo do Poder Judiciário assim já declarou, em decisão plenária, DEVE esse Colendo Conselho afastar a aplicação do disposto no parágrafo 1° do artigo 3° da Lei n° 9.718/98 e reconhecer a legitimidade do crédito pleiteado pela Requerente e, por consequência, declarar homologada a compensação, visto que foram observados todos os ditames do artigo 74 da Lei n° 9430/96. Assim, requereu que esse Colendo Conselho desse provimento integral ao presente Recurso Voluntário. Em face do bom direito da recorrente, o processo, em julgamento unânime, foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem apurasse a correta composição da base de cálculo da contribuição com base na escrituração fiscal e contábil, segundo o conceito de faturamento adotado na Lei Complementar nº 70, de 1991, qual seja, a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. Além disso, solicitouse que fosse informado se a recorrente havia proposto ação judicial com o mesmo objeto deste processo administrativo fiscal. A DRF de origem atendeu parcialmente o solicitado na Resolução. Após a realização da diligência fiscal, a autoridade fiscal arguiu que o prazo para apresentação do Recurso Voluntário transcorreu sem qualquer manifestação válida do contribuinte, devendo ser procedida a imediata cobrança dos débitos indevidamente compensados. Sustenta que houve um equívoco no encaminhamento anterior do processo ao CARF, visto que o recurso voluntário foi assinado pelo Sr. Maurício Alvarez Mateos, o qual não tem legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). Fl. 124DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 14 4 Outrossim, apurouse com fundamento na escrita fiscal e contábil a base de cálculo e o valor devido da contribuição para o período de apuração em discussão. Em face da constatação da irregularidade na representação processual, o processo foi convertido novamente em diligência para que a Delegacia de origem intimasse à interessada no prazo de 15 (quinze) dias a regularizar a representação processual. A Delegacia atendeu o solicitado e intimou a recorrente a apresentar documento que permita a comprovação de poderes representação da pessoa jurídica pelo signatário do Recurso Voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos (p.p. Vicente Greco Filho) para atuação perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil em nome da empresa, à época (20 de julho de 2009). A interessada foi cientificada da diligência e não se manifestou no prazo assinalado e tampouco apresentou qualquer documento. Assim, os autos administrativos retornaram mais uma vez a esse colegiado para julgamento. É o relatório. Fl. 125DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 15 5 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes Embora o recurso seja tempestivo, ele não atende os demais pressupostos recursais, portanto dele não se toma conhecimento pelas razões a seguir expostas. Como relatado, a autoridade fiscal constatou em diligência fiscal a irregularidade na representação processual, isto é, o signatário do recurso voluntário, Sr. Maurício Alvarez Mateos, não tinha legitimidade para representar a interessada perante a Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) quando da apresentação do recurso voluntário. O vício na representação processual não resultou na cobrança imediata dos débitos, pois a recorrente foi intimada a regularizar a representação processual. Ocorre, todavia, embora intimada, que a interessada não regularizou a representação processual. O vício na representação processual implica a revelia do réu, segundo o disposto no 13 do Código de Processo Civil, inciso II: “Art. 13. Verificando a incapacidade processual ou a irregularidade da representação das partes, o juiz, suspendendo o processo, marcará prazo razoável para sanar o defeito. Não cumprindo o despacho dentro do prazo, se a providência couber: (...) II – ao réu, reputarseá revel.”(grifo nosso) No mesmo sentido, a Lei 9.784, de 29 de janeiro de 1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, dispõe no art. 6º, inciso V, que o requerimento inicial do interessado deve conter assinatura do requerente ou de seu representante: Art. 6o O requerimento inicial do interessado, salvo casos em que for admitida solicitação oral, deve ser formulado por escrito e conter os seguintes dados: I órgão ou autoridade administrativa a que se dirige; II identificação do interessado ou de quem o represente; III domicílio do requerente ou local para recebimento de comunicações; IV formulação do pedido, com exposição dos fatos e de seus fundamentos; Fl. 126DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10983.908288/200946 Acórdão n.º 3801004.739 S3TE01 Fl. 16 6 V data e assinatura do requerente ou de seu representante. (grifouse) Deste modo, não há nos autos documentos que comprovem que o signatário do recurso voluntário tinha poderes para representar a recorrente no momento da interposição do recurso, logo este colegiado não pode conhecer do mesmo. Insistase, quando da apresentação do recurso voluntário ficou caracterizada a falta de procuração hábil para o signatário do aludido recurso. Em face do exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário em face de irregularidade na representação processual. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 127DF CARF MF Impresso em 05/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 04/02/2 015 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10880.677973/2009-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 29 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Feb 03 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3302-000.471
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Walber José da Silva
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto.
RELATÓRIO
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Walber José da Silva Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Gileno Gurjão Barreto, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Paulo Guilherme Déroulède e Antonio Mário de Abreu Pinto. RELATÓRIO Trata o presente de declaração de compensação, relativa a crédito de junho/2004 indeferida pela autoridade administrativa sob o fundamento de que o DARF informado como origem do crédito fora utilizado para quitação de outros débitos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 77 97 3/ 20 09 -7 3 Fl. 290DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 291 2 A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que: 1. A maior parte das receitas decorrem da prestação do serviço de transmissão de energia elétrica de acordo com contrato firmado em 13/09/1999 (CONTRATO CPST Nº 006/1999), firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico ONS; 2. Estas receitas estariam sujeitas à incidência cumulativa da Lei nº 9.718/98, por decorrerem de contratos de longo prazo, a preço predeterminado e firmado anteriormente a 31/10/2003, por disposição prevista no inciso XI, alíneas "b" e "c", do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; 3. A Nota Técnica nº 224/2006, expedida pela SFF/ANEEL, apresentou entendimento sobre o tema, concluindo que as receitas decorrentes dos Contratos de Prestação de Serviço de Trasmissão CPST, firmados anteriormente a 31/10/2003, e reajustados anualmente pelo IGPM, se sujeitam à incidência cumulativa das contribuições prevista na Lei nº 9718/98; 4. Recolheu, equivocadamente, as contribuições para o PIS e Cofins no regime nãocumulativo, não separando as sujeitas ao regime cumulativo, e, posteriormente, transmitiu várias DCOMPs para aproveitar o crédito originado do pagamento indevido; 5. Estava providenciando a retificação das DCTF e Dacons, quando foi surpreendida com a ciência dos despachos decisórios, não homologando as compensações; 6. Foi necessária a retificação dos Dacons e das DCTF, após a ciência dos despachos decisórios, para corrigir o erro de fato cometido e que as DCOMPs não foram retificadas em razão da intimação para ciência dos despachos decisórios, de acordo com a vedação constante nos artigos 77 e 95 da IN RFB nº 900/2008; 7. Os erros cometidos no preenchimento dos DARFs, DCTFs, Dacons e DCOMP não causaram prejuízo ao erário e devem ser reconhecidos pela Administração Tributária, nos termos do art. 147 do CTN e em atendimento ao princípio da verdade material; 8. Poderá disponibilizar os documentos como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, Contratos, normas da ANEEL para realização de diligência, caso seja necessária; A Terceira Turma da DRJ/BEL em Belém proferiu decisão nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário:2004 DCOMP. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ÔNUS DA PROVA. Considerase não homologada a declaração de compensação quando não reste comprovada a existência do crédito apontado como compensável. Em sede de compensação, o contribuinte possui o ônus de prova do seu direito. DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. DCTF E DACON RETIFICADORES. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 292 3 A DCTF e o DACON Retificadores, na condição de documentos confeccionados pelo próprio interessado, não exprimem nem materializam, por si só, o indébito fiscal. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A recorrente interpôs tempestivamente recurso voluntário, alegando resumidamente que: 1. O IGPM deve ser considerado índice que reflete a variação ponderada dos custos e, portanto, enquadrado no art. 109 da Lei nº 11.196/2005; 2. Ainda que se negue a inclusão do IGPM no art. 109 da Lei n 11.196/2005, tal índice é mero reajuste do preço contratado, e não modificação deste preço, e que se o art. 109 da Lei nº 11.196/2005 estipulou que a variação dos custos não descaracteriza o preço predeterminado, com maior razão, um índice geral de correção não deveria descaracterizálo; 3. As IN SRF 468/2004 e 658/2006 consistem em flagrante ofensa ao princípio da legalidade insculpido no art. 150, inciso I da Constituição Federal; 4. O indébito decorre de erro na aplicação da alíquota; 5. Não disponibilizou toda a documentação, como Diário, Razão, Faturas, Balancetes, normas da ANEEL em razão do grande volume, vez que foram apresentadas 51 defesas administrativas; 6. Em momento algum, afirmou que a retificação do DACON e da DCTF constituem o direito creditório líquido e oponível à RFB, mas que pretendeu apenas cumprir os deveres instrumentais quanto ao erro alegado e que tais informações estão consubstanciadas em sua escrituração contábil; Cita, ainda, jurisprudência deste Conselho e do STJ e apresenta cópia do balancete, demonstrativos das receitas, indicação da conta contábil, de modo a corroborar suas alegações. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. VOTO Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A autoridade administrativa indeferiu a homologação pelo fato de o DARF apontado como origem do crédito pleiteado estava alocado a débitos em DCTF. Após a ciência do despacho, a recorrente providenciou a retificação do Dacon e da DCTF, demonstrando os valores alegados como corretos. Fl. 292DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 293 4 A DRJ considerou a manifestação de inconformidade improcedente, sob os argumentos de que o contrato CPST 006/1999, apresentado pela recorrente, não era apto a demonstrar que não houve após 31/10/2003 a implementação de quaisquer das ocorrências que descaracterizassem o preço predeterminado; que a Cláusula 53 assegurava às partes a prerrogativa de solicitar a revisão das cláusulas e condições avençadas; que a competência da ANEEL não alcança a interpretação da legislação tributária; que o IGPM não constitui índice que reflete a variação dos custos de produção nem reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; que a desconstituição dos créditos confessados não se efetiva com a apresentação da DCTF e Dacon retificadores, mas com a apresentação da escrita fiscal e contábil e respectiva documentação de suporte. Por sua vez, a recorrente, em recurso voluntário, alega que o reajuste pelo IGP M não descaracteriza o preço determinado, e apresenta cópias dos balancetes e demonstrativos de forma a comprovar seu direito. Vêse que a lide se refere ao alcance da expressão "preço predeterminado", e, consequentemente, da sujeição das receitas auferidas à incidência nãocumulativa ou cumulativa das contribuições. Passase, assim, à análise dos requisitos para exclusão das receitas em questão da incidência nãocumulativa das contribuições e da definição de preço predeterminado. As receitas decorrentes de determinados contratos firmados antes de 31/10/2003 foram excluídas da incidência nãocumulativa das contribuições, a partir da vigência do inciso XI do artigo 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicado ao PIS/Pasep pelo art. 15 da referida lei: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: (Produção de efeito) [...]XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: a) com prazo superior a 1 (um) ano, de administradoras de planos de consórcios de bens móveis e imóveis, regularmente autorizadas a funcionar pelo Banco Central; b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; c) de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem como os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas, em processo licitatório, até aquela data; [...]Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...]V no art. 10, incisos VI, IX e XI a XXI desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 293DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 294 5 V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) V nos incisos VI, IX a XXVII do caput e nos §§ 1o e 2o do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Regulamentando o dispositivo, a RFB editou a IN SRF 468/2004, que, em seu art.2º, estipulou que a implementação do primeiro reajuste ou a revisão para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro dos contratos, após 31/10/2003, descaracterizariam o preço predeterminado, nos seguintes termos: Art. 2o Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. § 1 o Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2 o Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1 o . § 3 º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei n º 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1 º . Posteriormente, a Lei nº 11.196/2005, em seu art. 109, dispôs que o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos não será considerado para fins de descaracterização do preço determinado: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Novamente, regulamentando a matéria, a RFB editou a IN SRF nº 658/2006, revogando a IN SRF nº 468/2004 e incorporando as disposições do art. 109 acima mencionado, nos seguintes termos: Do Preço Predeterminado Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. Fl. 294DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 295 6 § 1º Considerase também preço predeterminado aquele fixado em moeda nacional por unidade de produto ou por período de execução. § 2º Ressalvado o disposto no § 3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º1, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. § 3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado.(grifo não original) Art. 4º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarseão à incidência não cumulativa das contribuições. Verificase que a Receita Federal considerou que as hipóteses de reajuste e de revisão dos contratos administrativos, destinados à manutenção do equilíbrio econômico financeiro, expressos no art. 55, inciso III, 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666/93, descaracterizariam o preço predeterminado, excetuando o reajuste não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. A revisão contratual decorre de fatos imprevisíveis, ou previsíveis, porém de conseqüências incalculáveis, retardadores ou impeditivos da execução do ajustado, ou, ainda, em caso de força maior, caso fortuito ou fato do príncipe, configurando álea econômica extraordinária e extracontratual2. Já o reajuste é cláusula necessária nos contratos administrativos3 e "objetiva reconstituir os preços praticados no contrato em razão de fatos previsíveis, é dizer, álea econômica ordinária, no momento da contratação, ante a realidade existente, como a variação inflacionária. Por decorrência, o reajuste deve retratar a alteração dos custos de produção a fim de manter as condições efetivas da proposta contratual, embora muitas vezes não alcance este desiderato relativamente a certo segmento ou agente econômicos". A legislação distingue as duas figuras, como se observa na Lei nº 8.987/95, que, dispondo sobre o regime de concessão de serviços públicos, especifica em seu art. 9º, §3º4, a 1 A data é 31/10/2003. 2 Art. 65, inciso II, alínea "d" da Lei nº 8.666/93 3 Art. 55, inciso III da Lei nº 8.666/93 4 Lei 8.987/95: Art. 9o A tarifa do serviço público concedido será fixada pelo preço da proposta vencedora da licitação e preservada pelas regras de revisão previstas nesta Lei, no edital e no contrato. [..~] § 2o Os contratos poderão prever mecanismos de revisão das tarifas, a fim de manterse o equilíbrio econômicofinanceiro. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 296 7 possibilidade de revisão da tarifa decorrente da criação ou alteração de tributos. Já o artigo 18 da referida lei dispõe que o edital de licitação deverá prever os critérios de reajuste e revisão da tarifa, também ocorrendo a referida distinção nos artigos 23 e 29. A situação aqui tratada referese a reajuste e não a revisão contratual e se o procedimento altera o preço predeterminado. A definição desta expressão adotada pela RFB era a disposta na IN SRF nº 21/79: 3 Produção em Longo Prazo O contrato de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens e serviços a serem produzidos, com prazo de execução física superior a 12 (doze) meses, terá seu resultado apurado, em cada períodobase, segundo o progresso dessa execução: 3.1 Preço predeterminado é aquele fixado contratualmente, sujeito ou não a reajustamento, para execução global; no caso de construções, bens ou serviços divisíveis, o preço predeterminado é o fixado contratualmente para cada unidade. A instrução normativa acima foi utilizada como fundamento em diversas soluções de consulta da RFB, após a edição do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. O entendimento era pacífico neste sentido até a edição da IN SRF 468/2004. Porém a RFB editou a referida instrução, modificando o entendimento sobre a definição de preço predeterminado, sem que qualquer lei tenha sido publicada alterando tal definição. Foi meramente nova interpretação normativa que suscitou rebates por parte dos contribuintes, tendo o STJ se pronunciado sobre a ilegalidade da IN SRF 468/2004: AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.310.284 PR (2012/00355487) EMENTA TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 557 DO CPC. INEXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO GENÉRICA. SÚMULA 284/STF. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. A eventual nulidade da decisão monocrática calcada no art. 557 do CPC fica superada com a reapreciação do recurso pelo órgão colegiado, na via de agravo regimental, como bem analisado no REsp 824.406/RS de Relatoria do Min. Teori Albino Zavascki, em 18.5.2006. § 3o Ressalvados os impostos sobre a renda, a criação, alteração ou extinção de quaisquer tributos ou encargos legais, após a apresentação da proposta, quando comprovado seu impacto, implicará a revisão da tarifa, para mais ou para menos, conforme o caso. [...] Art. 23. São cláusulas essenciais do contrato de concessão as relativas: [...] IV ao preço do serviço e aos critérios e procedimentos para o reajuste e a revisão das tarifas; Art. 29. Incumbe ao poder concedente: [...] V homologar reajustes e proceder à revisão das tarifas na forma desta Lei, das normas pertinentes e do contrato; Fl. 296DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 297 8 2. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços" e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 3. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. Precedentes: REsp 1.089.998RJ, DJe 30/11/2011; REsp 1.109.034 PR, DJe 6/5/2009; e REsp 872.169RS, Dje 13/5/2009. RECURSO ESPECIAL Nº 1.169.088 MT (2009/02357184) EMENTA PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. INTIMAÇÃO PESSOAL DA FAZENDA. FUNDAMENTO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. NATUREZA PREVENTIVA. SÚMULA 7/STJ. ART. 10, XI, "B' DA LEI 10.833/03. CONCEITO DE PREÇO PREDETERMINADO. IN SRF 468/04. ILEGALIDADE. PRECEDENTE. ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. MULTA. AFASTAMENTO. SÚMULA 98/STJ. [...]4. O preço predeterminado em contrato, previsto no art. 10, XI, "b", da Lei 10.833/03, não perde sua natureza simplesmente por conter cláusula de reajuste decorrente da correção monetária. Ilegalidade da IN n.º 468/04. Precedente. 5. A multa fixada com base no art. 538, parágrafo único, do CPC, deve ser afastada quando notório o propósito de prequestionamento dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 98/STJ. 6. Recurso especial conhecido em parte e provido também em parte. RECURSO ESPECIAL Nº 1.089.998 RJ (2008/02056082) EMENTA TRIBUTÁRIO. COFINS. REGIME DE CONTRIBUIÇÃO. LEI N. 10.833/03. INSTRUÇÃO NORMATIVA N. 468/2004. VIOLAÇÃO DO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE. 1. Cuidase de recurso especial interposto pelo contribuinte, questionando o poder regulamentar da Secretaria da Receita Federal, na edição da Instrução Normativa n. 468/04, que regulamentou o art. 10 da Lei n. 10.833/03. 2. O art. 10, inciso XI, da Lei n. 10.833/03 determina que os contratos de prestação de serviço firmados a preço determinado antes de 31.10.2003, e com prazo superior a 1 (um) ano, permanecem sujeitos ao regime tributário da cumulatividade para a incidência da COFINS. (Grifo meu.) 3. A Secretaria da Receita Federal, por meio da Instrução Normativa n. 468/04, ao definir o que é "preço predeterminado", estabeleceu que "o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a Fl. 297DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 298 9 implementação da primeira alteração de preços " e, assim, acabou por conferir, de forma reflexa, aumento das alíquotas do PIS (de 0,65% para 1,65%) e da COFINS (de 3% para 7,6%). 4. Somente é possível a alteração, aumento ou fixação de alíquota tributária por meio de lei, sendo inviável a utilização de ato infralegal para este fim, sob pena de violação do princípio da legalidade tributária. 5. No mesmo sentido do voto que eu proferi, o Ministério Público Federal entendeu que houve ilegalidade na regulamentação da lei pela Secretaria da Receita Federal, pois "a simples aplicação da cláusula de reajuste prevista em contrato firmado anteriormente a 31.10.2003 não configura, por si só, causa de indeterminação de preço, uma vez que não muda a natureza do valor inicialmente fixado, mas tão somente repõe, com fim na preservação do equilíbrio econômico financeiro entre as partes, a desvalorização da moeda frente à inflação ." (Fls. 335, grifo meu.) Mantenho o voto apresentado, no sentido de dar provimento ao recurso especial. De fato, a IN SRF nº 468/2004 extrapolou a legislação vigente ao estipular que o reajuste implicaria em descaracterização do preço predeterminado. Entretanto, o advento do art. 109 da Lei nº 11.196/2005 alterou a configuração legislativa sobre a matéria. O art. 109 mencionou expressamente que "o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069/95, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado". Se a intenção da modificação era permitir que o reajuste não descaracterizasse o preço predeterminado, não foi o que restou publicado. O art. 109 faz referência à Lei 9.069/95, conversão das MPs que criaram o Plano Real, na qual estipulava que a correção monetária, em virtude de estipulação legal ou em negócio jurídico, deveria darse pelo Índice de Preços ao Consumidor, Série r IPCr, de acordo com o art. 27 da Lei nº 9.069/95, mas ressalvadas as hipóteses de seu parágrafo primeiro: § 1º O disposto neste artigo não se aplica: I às operações e contratos de que tratam o Decretolei nº 857, de 11 de setembro de 1969, e o art. 6º da Lei nº 8.880, de 27 de maio de 1994; II aos contratos pelos quais a empresa se obrigue a vender bens para entrega futura, prestar ou fornecer serviços a serem produzidos, cujo preço poderá ser reajustado em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; III às hipóteses tratadas em lei especial. Foi justamente sobre o inciso II do §1º que o art. 109 fez a ressalva quanto ao reajuste não descaracterizar o preço predeterminado e não sobre o IPCr. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 299 10 Salientase que a Lei nº 10.192/2001, conversão de MPs que se originaram da MP nº 1.503/95, extinguiu o IPCr em seu art. 8º: Art. 8o A partir de 1o de julho de 1995, a Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IBGE deixará de calcular e divulgar o IPCr. § 1o Nas obrigações e contratos em que haja estipulação de reajuste pelo IPCr, este será substituído, a partir de 1o de julho de 1995, pelo índice previsto contratualmente para este fim. § 2o Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, deverá ser utilizada média de índices de preços de abrangência nacional, na forma de regulamentação a ser baixada pelo Poder Executivo. A mesma lei, em seu artigo 2º, dispôs que: Art. 1o As estipulações de pagamento de obrigações pecuniárias exeqüíveis no território nacional deverão ser feitas em Real, pelo seu valor nominal. Parágrafo único. São vedadas, sob pena de nulidade, quaisquer estipulações de: I pagamento expressas em, ou vinculadas a ouro ou moeda estrangeira, ressalvado o disposto nos arts. 2o e 3o do DecretoLei no 857, de 11 de setembro de 1969, e na parte final do art. 6o da Lei no 8.880, de 27 de maio de 1994; II reajuste ou correção monetária expressas em, ou vinculadas a unidade monetária de conta de qualquer natureza; III correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados, ressalvado o disposto no artigo seguinte. Art. 2o É admitida estipulação de correção monetária ou de reajuste por índices de preços gerais, setoriais ou que reflitam a variação dos custos de produção ou dos insumos utilizados nos contratos de prazo de duração igual ou superior a um ano. § 1o É nula de pleno direito qualquer estipulação de reajuste ou correção monetária de periodicidade inferior a um ano. § 2o Em caso de revisão contratual, o termo inicial do período de correção monetária ou reajuste, ou de nova revisão, será a data em que a anterior revisão tiver ocorrido. § 3o Ressalvado o disposto no § 7o do art. 28 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, e no parágrafo seguinte, são nulos de pleno direito quaisquer expedientes que, na apuração do índice de reajuste, produzam efeitos financeiros equivalentes aos de reajuste de periodicidade inferior à anual. O Decreto nº 1.544/95 estipulou que, na hipótese de não existir previsão de índice para substituir o IPCr e na falta de acordo entre as partes, deveria ser utilizada a média Fl. 299DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 300 11 aritmética entre o Índice Nacional de Preços ao Consumidor INPC do IBGE e o Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna IGPDI da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Art. 1º Na hipótese de não existir previsão de índice de preços substituto, e caso não haja acordo entre as partes, a média de índices de preços de abrangência nacional a ser utilizada nas obrigações e contratos anteriormente estipulados com reajustamentos pelo IPCr, a partir de 1º de julho de 1995, será a média aritmética simples dos seguintes índices: I Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); II Índice Geral de Preços Disponibilidade Interna (IGPDI), da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Observase que a própria legislação, já em 1995, cuidou de diferenciar o reajuste em função de índices gerais ou setoriais do reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, inicialmente no art. 27 da Lei 9.069/95 e posteriormente nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.192/2001 (na realidade, a diferença temporal entre as disposições é de apenas 10 dias). O art. 109, ao se referir apenas ao reajuste em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, acabou inovando a definição de preço predeterminado, estabelecendo uma distinção até então inexistente. Quisesse apenas referirse a reajuste em geral, bastaria têlo feito nos termos do art. 2º da Lei nº 10.192/2001. Reforçam este entendimento, as emendas feitas à MP 252/2005, citadas na Nota Técnica 224/2006 SFFANEEL: Emendas n° 224 (Dep. Eduardo Gomes), 225 (Dep. Eduardo Sciarra), e 353 (Dep. Max Rosenmann): EMENDA ART. 44A. O art. 10, inciso XI,da Lei nº 10.833, de 2003, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 10........................................................................... ........................................................................................ XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais." JUSTIFICATIVA: a redação proposta , com adição da locução "independentemente de a eles serem aplicados reajustamentos previstos em cláusulas contratuais" fazse necessária, visto que o Poder Executivo através da Instrução Normativa nº 468/2004, da SRF, mudou a interpretação do conceito de "preço predeterminado" passando a impedir que os contratos abrigados pela Lei nº 10.833/2003, deixem de usufruir o direito de permanecer sob o regime da cumulatividade. A IN em questão entende que o simples reajuste de preço por índices oficiais já caracteriza uma mudança da base do preço e desta forma afasta a eficácia do dispositivo legal. No fundo o que a IN faz é, na prática, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 301 12 equiparar o conceito de preço predeterminado " ao conceito de preço fixo, uma vez que praticamente não existe contrato com prazo superior a um ano sem previsão de reajustamento. Tivesse sido assim publicado o artigo 109, a interpretação forçosamente retornaria ao texto da IN SRF nº 21/79, mas não foi o ocorrido. Todavia, a redação da IN SRF 658/2006 modificou, sutilmente, a redação do art. 109, ao dispor no §3º do art. 3º: § 3 º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1 º do art. 27 da Lei n º 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. A redação da lei que era "reajuste de preços em função do" foi regulamentada como "reajuste de preços em percentual não superior". Esta redação não exclui, a priori, a utilização de qualquer índice, desde que ele não ultrapasse o acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Assim, se a fórmula de reajuste utilizada não ultrapassar aqueles limites, deve tal fórmula de reajuste não descaracterizar o preço predeterminado. Ressaltase que o art. 109 está em consonância com o fundamento econômico para o reajuste que é a variação dos custos, como dispõe o inciso XI do art. 40 da Lei nº 8.666/93 e o inciso XVIII do art. 3º da Lei nº 9.427/96, que instituiu a Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL: Lei nº 8.666/93: Art. 40. O edital conterá no preâmbulo o número de ordem em série anual, o nome da repartição interessada e de seu setor, a modalidade, o regime de execução e o tipo da licitação, a menção de que será regida por esta Lei, o local, dia e hora para recebimento da documentação e proposta, bem como para início da abertura dos envelopes, e indicará, obrigatoriamente, o seguinte: [...]XI critério de reajuste, que deverá retratar a variação efetiva do custo de produção, admitida a adoção de índices específicos ou setoriais, desde a data prevista para apresentação da proposta, ou do orçamento a que essa proposta se referir, até a data do adimplemento de cada parcela; (Redação dada pela Lei nº 8.883, de 1994) Lei nº 9.427/96: Art. 3o Além das atribuições previstas nos incisos II, III, V, VI, VII, X, XI e XII do art. 29 e no art. 30 da Lei no 8.987, de 13 de fevereiro de 1995, de outras incumbências expressamente previstas em lei e observado o disposto no § 1o, compete à ANEEL: (Redação dada pela Lei nº 10.848, de 2004) (Vide Decreto nº 6.802, de 2009). [...]XVIII definir as tarifas de uso dos sistemas de transmissão e distribuição, sendo que as de transmissão devem ser baseadas nas seguintes diretrizes: (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Fl. 301DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 302 13 a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para cobertura dos custos dos sistemas de transmissão; e (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) a) assegurar arrecadação de recursos suficientes para a cobertura dos custos dos sistemas de transmissão, inclusive das interligações internacionais conectadas à rede básica; (Redação dada pela Lei nº 12.111, de 2009) b) utilizar sinal locacional visando a assegurar maiores encargos para os agentes que mais onerem o sistema de transmissão; (Incluído pela Lei nº 10.848, de 2004) Estabelecidas as condições para a definição de preço predeterminado, passase à análise do contrato apresentado. A recorrente auferiu receitas decorrentes da prestação de serviço de transmissão de energia elétrica, regulado pela Agência Nacional de Energia Elétrica ANEEL instituída pela Lei nº 9.427/1996, e pelo contrato firmado com o Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS em 13/09/1999, intitulado Contrato de Prestação de Serviço de Transmissão de Energia Elétrica (CONTRATO CPST Nº 006/1999). O ONS é entidade de direito privado sem fins lucrativos, cabendolhe, dentre outras atribuições, a de contratar e administrar os serviços de transmissão de energia elétrica e respectivas condições de acesso, bem como dos serviços ancilares, nos termos do art. 13, parágrafo único, alínea “d” da Lei nº 9.648/98, sob fiscalização e regulação da ANEEL (Resolução nº 351/98 e Decreto nº 2.655/98). O contrato celebrado denominase CONTRATO DE PRESTAÇÃO DE SERVIÇO DE TRANSMISSÃO e tem por objeto regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão pela Transmissora (recorrente). Seu prazo de vigência é a partir de 13/09/1999 e permanece até a extinção da concessão da transmissora. A claúsula 36º dispõe que a recorrente teria direito a receber dos usuários, mediante os Contratos de Uso do Sistema de Transmissão, um duodécimo da receita anual permitida, e seu parágrafo 1º dispôs que os serviços de operação de rede básica, serviços de telecomunicações e serviços ancilares seriam remunerados pela RAP até a assinatura de contratos específicos, a serem assinados até 30/06/2000 e 31/12/2002. A cláusula 37º menciona ainda a existência de Contrato de Concessão de Serviço Público de Transmissão de Energia Elétrica. A cláusula 40º estipula que o pagamento mensal à transmissora será realizado de acordo com as datas e condições definidas nos Contratos de Uso do Sistema de Transmissão. Cláusula 40º O pagamento mensal, definido na Cláusula 36*, devido pelos USUÁRIOS à TRANSMISSORA pela Prestação dos Serviços de Transmissão, será realizado em 3 (três) vencimentos, cada um equivalente a 1/3 (um terço) do valor global devido, nas datas e condições definidas nos CONTRATOS DE USO DO SISTEMA DE TRANSMISSÃO. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 303 14 Verificase que o contrato apresentado é entre o ONS e a recorrente e destinase a regular as condições de administração e coordenação por parte da ONS, da prestação de serviço de transmissão, mas não corresponde aos contratos dos quais decorrem as receitas auferidas. Assim, nestes contratos é que estão previstos as condições que permitem aferir sua caracterização como de longo prazo e do preço predeterminado, como: data de assinatura, prazo de vigência, data em que ocorreu o primeiro reajuste, fórmula estabelecida para cálculo do reajuste, e outros. Por outro lado, a Nota Técnica nº 224/2006, elaborada pela Superintendência de Fiscalização Econômica e Financeira – SFF/ANEEL, apresenta os modelos de contratos utilizados na concessão do serviço público de transmissão, contratos de prestação de serviços de transmissão CPST e contratos de uso do sistema de transmissão CUST. Da análise das cláusulas dos modelos apresentados, são necessários alguns esclarecimentos por parte da recorrente para melhor compreendêlos, bem como detalhar a receita auferida, vinculando cada parcela ao contrato que lhe deu origem. Diante do exposto, voto para converter o presente julgamento em resolução para que a autoridade administrativa intime a recorrente a: 1. Relacionar as receitas auferidas ao contrato do qual decorrem; 2. Apresentar o Contrato de Concessão do Serviço Público de Transmissão, especificando a data de assinatura, o prazo de vigência, as condições contratadas para o reajustamento fórmula e datas de reajuste; 3. Identificar o primeiro reajustamento ocorrido após 31/10/2003, relativamente às receitas auferidas; 4. Esclarecer se houve alguma revisão do contrato visando a manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro; 5. Apresentar as resoluções da ANEEL relativas a novos acréscimos ao preço originalmente contrato Receita Anual Permitida identificando a origem destes acréscimos; 6. Esclarecer se na receita auferida constam revisões de que trata a cláusula abaixo reproduzida: Oitava Subcláusula A ANEEL procederá, anualmente, à revisão da RECEITA ANUAL PERMITIDA do SERVIÇO PÚBLICO DE TRANSMISSÃO, pela execução de modificações, reforços e ampliações nas INSTALAÇÕES DE TRANSMISSÃO, inclusive as decorrentes de novos padrões de desempenho técnico determinados peia ANEEL, conforme procedimentos definidos na Oitava Subcláusula da Cláusula Quarta deste CONTRA TO DE CONCESSÃO 7. Esclarecer se na receita auferida há parcela recebida devida à ultrapassagem do sistema de transmissão e da sobrecarga; 8. Informar a existência de Contratos de Conexão à Transmissão firmados após 31/10/2003, de acordo com a Resolução nº 489/2002; Fl. 303DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE Processo nº 10880.677973/200973 Resolução nº 3302000.471 S3C3T2 Fl. 304 15 9. Se houve parcela de ajuste na Receita Anual Permitida, relacionada com a majoração das alíquotas de PIS e Cofins, nos termos do disposto no item 69 da Nota Técnica 224/2006: PA (PIS/COFINS) = parcela a ser adicionada a PA de cada concessionária de serviço público de transmissão de energia elétrica, resultante do impacto financeiro decorrente da majoração das alíquotas do PIS/PASEP e da COFINS 10. Esclarecer se consta receita auferida de novas instalações de transmissão, de acordo com o item 70 da Nota Técnica 224/2006 e a data em que foram autorizadas pela ANEEL: Dessa forma, é possível, e freqüentemente ocorre, a necessidade da realização de obras visando a implantação de novas instalações de transmissão de energia elétrica integrantes da Rede Básica do Sistema Interligado Nacional SIN. Tais obras são então autorizadas por esta ANEEL, mediante a publicação de Resoluções Autorizativas, nas quais é fixada respectiva receita.. 11. Esclarecer se existe algum índice setorial que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados; 12. Elaborar comparativo entre a evolução dos custos da prestação do serviço e da variação do índice mencionado no item anterior e o reajuste adotado, relativo ao período correspondente ao reajuste ocorrido imediatamente anterior a 31/10/2003 e os ocorridos até a competência do crédito objeto da DCOMP. Após concluída a resposta à intimação, elaborar relatório fiscal, separando as receitas que entender sujeitas à incidência nãocumulativa das sujeitas à incidência cumulativa, a partir das premissas contidas nesta resolução, facultando à recorrente o prazo de trinta dias para se pronunciar sobre as conclusões obtidas, nos termos do parágrafo único do artigo 35 do Decreto nº 7.574, de 2011. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 304DF CARF MF Impresso em 03/02/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 02/02 /2015 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 30/01/2015 por PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Numero do processo: 18088.720389/2011-17
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Dec 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2008
NULIDADE. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA.
A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1803-002.464
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM NÃO COMPROVADA. A pessoa jurídica fica sujeita à presunção legal de omissão de receita caracterizada pelos valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimada, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 03 89 /2 01 1- 17 Fl. 760DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 678 2 mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Sérgio Rodrigues Mendes, Arthur José André Neto, Fernando Ferreira Castellani, Antônio Marcos Serravalle Santos, Meigan Sack Rodrigues e Carmen Ferreira Saraiva. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 615621, com a exigência do crédito tributário no valor de R$15.961,82, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada, apurado no regime tributário do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples), referente ao período de janeiro a junho do anocalendário de 2007. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: Fl. 761DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 679 3 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Art. 24 da Lei nº 9.249/95; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "a", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; art. 42 da Lei nº 9.430/96.; Art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186, 188 e 199, do RIR/99. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96 c/c art. 3º da Lei nº 9.732/98.; Arts. 186 e 188, do RIR/99. Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II O Auto de Infração às fls. 622628 com a exigência do crédito tributário no valor de R$11.528,00 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art. 1º, parágrafo único, da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº 1.249/95 e suas reedições; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "b", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. [...] 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 3º, alínea "b" da Lei Complementar nº 7/70 c/c art.1º, parágrafo único da Lei Complementar nº 17/73 e arts. 2º, inciso I, 3º e 9º, da Medida Provisória nº1.249/95 e suas reedições; art. 5º da Lei nº9.317/96; Art. 3º da Lei nº 9.732/98. III – O Auto de Infração às fls. 629636 com a exigência do crédito tributário no valor de R$19.029,93 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Fl. 762DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 680 4 Art. 1º da Lei nº 7.689/88; arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "c", 5º, 7º, § 1º, 18, da Lei nº 9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 1º da Lei nº 7.689/88; art. 5º da Lei nº 9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. IV – O Auto de Infração às fls. 637644 com a exigência do crédito tributário no valor de R$56.719,42 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Arts. 1º e 2º da Lei Complementar nº 70/91; arts. 2º,§ 2º, 3º, § 1º, alínea "d", 5º, 7º, § 1º, e 18 da Lei n º9.317/96.Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 1º da Lei Complementar nº 70/91; art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. V O Auto de Infração às fls. 645652 com a exigência do crédito tributário no valor de R$154.859,21 a título de Contribuição para a Seguridade Social (INSS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: 001 OMISSÃO DE RECEITAS DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO ESCRITURADOS Valor apurado conforme relatório de fiscal às fls 595/603 do eprocesso. [...] Arts. 2º, § 2º, 3º, § 1º, alínea "f", 5º, 7º, § 1º, e 18, da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. 002 INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO Insuficiência de valor recolhido apurada conforme relatório de fiscalização [...] Art. 5º da Lei nº 9.317/96. Art. 3º da Lei nº 9.732/98. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação, fls. 669695, com as alegações abaixo sintetizadas. Fl. 763DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 681 5 Tece esclarecimentos sobre a ação fiscal e suscita que: PRELIMINARMENTE A fiscalização a qual resultou no Auto de Infração referente ao período de Janeiro a Junho de 2007 (SIMPLES FEDERAL), ora impugnado, também procedeu a elaboração de mais 2 (dois) Autos de Infração de números 18088.720390/201141 (período de Julho a Dezembro de 2007 SIMPLES NACIONAL) e 18088.720391/201196 (PAGAMENTO SEM CAUSA/OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA;. Diante disso, requerse o julgamento em conjunto dos Autos de Infração acima mencionados, pois possuem como fundamento o mesmo fato (a suposta cessão de conta corrente de pessoa física para pessoa jurídica Impugnante). I DO LANÇAMENTO [...] Os depósitos bancários tidos por não escriturados foram acrescidos às receitas declaradas, ocasionando o surgimento de nova base de cálculo que foi submetida aos percentuais determinantes das incidências dos impostos e contribuições compreendidos no Simples Federal (IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e INSS), e em função do reajuste do valor das receitas, formalizouse a exigência rotulada de insuficiência de recolhimentos. A descrição dos fatos noticia o início do procedimento fiscal na pessoa física de Joel Marciano, que juntamente com Maria Sônia Marciano Furlan eram titulares de conta bancária n° 0100501, mantida junto ao Banco Bradesco, Agência 192, cuja movimentação apresentarase incompatível com os rendimentos declarados. Intimado a justificar a origem dos créditos/depósitos efetuados na referida conta, o Sr. Joel Marciano informou que a mesma era utilizada exclusivamente em negócios de interesse da outra titular, sua filha. Esta, por sua vez, confirmou a circunstância, acrescentando ter operado a movimentação financeira mediante descontos habituais e sistemáticos de cheques prédatados de terceiros, adquiridos da empresa da qual era sócia, no caso, a autuada. Em resposta a nova indagação fiscal, aduziu que a atividade, mesmo se exercida de maneira informal, como é o seu caso, não demanda apenas a saída de recursos da conta bancária analisada, mas também o depósito de valores concernentes aos cheques/títulos adquiridos cujos vencimentos vão se operando a cada dia, o que, como é sobejamente conhecido, propicia a continuidade das operações. Com base nessa realidade, de domínio público, salientou o engodo semeado mediante a falsa premissa de ser necessária a disponibilidade antecipada e imediata de R$2,2 milhões de reais, para justificar a prática dessas operações de fomento mercantil, que realizadas no curso de determinado ano reproduziram a movimentação bancária daquele valor. O raciocínio concebido pela fiscalização descarta, sumariamente, o giro normal desse tipo de negócio. E para evidenciar o fato, a intimada demonstrou que no ano examinado as operações dessa natureza envolveram R$1.769.422,77 de cheques emitidos e R$309.401,48 de pagamentos debitados, o que totaliza R$2.078.824,25 de saídas da conta, enquanto os depósitos efetuados no mesmo período, representados pelos cheques adquiridos, somaram R$2.218.149,52, números por si só suficientes para desacreditar a afirmação do item 4, do Termo de Intimação n° 003 173 2011, que Fl. 764DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 682 6 assegura ter a fiscalizada ANTECIPADO R$2,2 milhões à empresa da qual faz parte, sem ter declarado o referido valor. Destacou, ainda, que os lançamentos constantes dos extratos bancários, de um lado cheques emitidos e pagamentos autorizados, e de outro, depósitos na mesma conta dos valores correspondentes aos cheques vencidos, evidenciam o vínculo desses novos depósitos com as liquidações (recebimentos) de cheques/títulos adquiridos anteriormente, e a utilização dos recursos depositados em nova compra de direitos creditórios. Sob a ótica fiscal, essa vinculação é fantasiosa e desprovida de lógica matemática, afirmação que se afigura totalmente descabida e tendenciosa, a revelar total despreparo na apreciação de movimentação bancária oriunda da atividade de factoring. O Relatório da Fiscalização informa que devidamente intimada, a Impugnante confirmou a efetivação dessas operações, mas além de não comproválas, também não as escriturou no livro Caixa a que está obrigada. Também acrescenta que em diligências efetuadas junto a fornecedores constatou o pagamento de obrigações da pessoa jurídica mediante cheques emitidos pelos titulares da conta conjunta. Destaca, por fim, ter constatado a existência de 27 cheques nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios e também funcionário da empresa. Intimado, este declarou que fora encarregado de cumprir serviços bancários, efetuar pagamentos de boletos emitidos por fornecedores da empresa, e também promover retiradas ordenadas por sua progenitora, sendo que por vezes o Caixa do banco exigiu que seu nome constasse como beneficiário dos cheques e após endossado no verso. Ante o exposto, a fiscalização concluiu pela cessão para uso da empresa da conta conjunta n° 0192100501, de titularidade de Joel Marciano e Maria Sônia Marciano Furlan, mantida junto ao Banco Bradesco, com ofensa ao princípio contábil da Entidade, porque mistura o patrimônio dos sócios com o da pessoa jurídica. [...] Enfatiza, uma vez mais (item 21), que o contribuinte não cumpriu o dever de escriturar toda a movimentação financeira inclusive bancária, apesar de intimado a refazer a escrituração do livro Caixa, para que TODAS essas operações fossem registradas. Justifica, finalmente, não ter compensado os créditos bancários atribuídos à empresa com as receitas por ela declarada porque a tributação decorre de recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita, e também porque dentro do faturamento declarado pelo contribuinte há valores que presumidamente foram recebidos em espécie (dinheiro), e, "como não houve a regular escrituração dos livros, não há como se saber, dentre os R$ 1,02 milhões declarados, o que o contribuinte recebeu em cheque (ou depósito bancário), e o que foi recebido em dinheiro não depositado nas contas bancárias utilizadas pela mesma". Com essas conclusões, imputou à pessoa jurídica, a título de omissão de receitas, todos os créditos/depósitos bancários registrados nas contas 101966 e 100501, Agência 192, do Banco Bradesco, no período de janeiro a dezembro de 2007, formalizando a exigência dos tributos e contribuições alcançados pelo Fl. 765DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 683 7 SIMPLES FEDERAL (janeiro a junho/2007) e SIMPLES NACIONAL (julho a dezembro/2007). O crédito tributário foi constituído com multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, § 1º da Lei n° 9.430/96, penalidade também aplicada no lançamento de imposto de renda na fonte, a título de pagamento sem causa/operação não comprovada prevista no artigo 674 do RIR/99. II DA IMPUGNAÇÃO 1. Preliminarmente 1.2 Erro na Identificação do Sujeito Passivo A síntese da narrativa constante do Relatório Fiscal deixa latente o afastamento do Sr. Joel Marciano do pólo passivo da ação, providência corretamente tomada pelo servidor que presidiu os trabalhos. Todavia, não agiu com o mesmo tirocínio em relação ao tratamento adequado das operações praticadas pela outra titular da conta conjunta n° 100501, mantida na Agência 192, do Banco Bradesco, Sra. Maria Sônia Marciano Furlan. Os esclarecimentos por ela prestados contemplam declaração expressa de que a movimentação financeira ocorrida na indigitada conta repousa no exercício informal e contínuo da atividade de descontos de cheques/títulos de terceiros mediante pequeno deságio. Essas operações, também confirmadas pela Impugnante, foram não só confessadas, mas também demonstradas mediante o confronto da soma de cheques emitidos e pagamentos debitados na aludida conta (R$2.078.824,25) com os créditos nela ingressados (R$2.218.149,52). Ademais, a grande quantidade de depósitos (mais de 250 efetuados em cheques e em dinheiro), o volume de cheques emitidos (mais de 600), cheques depositados e devolvidos (691), por si só apontam para a existência de uma atividade econômica explorada de forma empresarial, ainda que de maneira informal. Essa movimentação não pode ser imputada à Impugnante, mesmo que por razões de conveniência e oportunidade a iniciativa dessa atividade tenha objetivado atender suas necessidades financeiras. Inequivocamente, a utilização da conta bancária para a efetivação reiterada de negócios envolvendo a compra de direitos creditórios, recebimentos dos valores a eles pertinentes e o depósito desse produto configuram operação de natureza empresarial, de iniciativa e responsabilidade da mencionada cotitular, e não da empresa beneficiária dos descontos de cheques pré datados. Mesmo diante dos esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos, a ação fiscal preferiu ignorar o enquadramento da atividade exercida e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. O fato de a empresa utilizar os cheques recebidos daquela pessoa física para quitar obrigações contraídas com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios praticados, mas substancial economia de CPMF. O mesmo se diga em relação aos débitos autorizados por aquela titular, com idêntico objetivo. A pretensão indisfarçável da ação fiscal era obter da empresa borderôs de desconto de cheques, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições Fl. 766DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 684 8 financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas para a prática de operações de envolvendo a aquisição de direitos creditórios. Talvez desconheça que em se tratando de operações informais, materializadas em simples troca de cheques e títulos, esses documentos não são emitidos. Tendo demonstrado, à exaustão, o desenvolvimento da atividade econômica de fomento mercantil, aflora a nítida e determinante providência indispensável para a equiparação daquela pessoa física à pessoa jurídica, para tributação da atividade exercida segundo os contornos da legislação aplicável. Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da Impugnante. E, a evidência dos fatos econômicos que ensejaram os depósitos/créditos bancários impede a tributação dos mesmos não só na Impugnante, mas também na pessoa física da cotitular da conta bancária, em respeito ao artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. [...] Como se verifica, a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária, realizada sob o patrocínio da pessoa física titular de direito. Destituída de provas concretas, robustas e objetivas, não pode prosperar a infundada denúncia fiscal de participação conjunta em situação deliberada de omitir do fisco parte da receita auferida, visando o interesse econômico de reduzir tributos. O erro na identificação do sujeito passivo macula o lançamento de vício insanável, impondose o reconhecimento de sua nulidade. O procedimento açodado da fiscalização exorbita os contornos do razoável. Atende julgamento precipitado e interesse subjetivo no desfecho do procedimento até mesmo na noticiada Representação Fiscal para Fins Penais, onde arrola, além do Sr. Joel Marciano afastado pólo passivo, o funcionário da empresa Reginaldo Furlan encarregado da execução de serviços bancários e Antonio Valdeci Jacob, sócio de cliente da Impugnante, pessoas estas totalmente estranhas ao pretenso fato gerador do tributo. 2. O Mérito do Lançamento 2.1 Movimentação financeira não contabilizada Segundo a fiscalização, a Impugnante, optante pelo Simples é a titular de fato da conta bancária n° 0100501, mantida por Maria Sônia Marciano Furlan, junto ao Banco Bradesco, agência 192, que no ano calendário de 2007 teria movimentado cerca de R$ 2,2 milhões, sem qualquer escrituração no livro Caixa. Em reiterados tópicos, entre eles os itens 14 e 15 , o Relatório Fiscal denuncia afronta ao Princípio da Entidade que impõe autonomia patrimonial da empresa em relação aos sócios, e também ao artigo 7º , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/96, e artigo 26, § 2o , da Lei Complementar n° 123/2006, "que determina que toda a movimentação da empresa, INCLUSIVE BANCÁRIA, deve ser escriturada no livro Caixa". Fl. 767DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 685 9 Acrescenta nos itens 16 e 21 que mesmo estando obrigada a tais registros, a Contribuinte não o fez. Por isso, foi intimada a refazer a escrituração do livro Caixa, para que TODA a movimentação financeira fosse efetivamente registrada, mas não providenciou essa regularização sob o argumento de não ser a titular da conta e também tendo em conta o caráter informal das operações de desconto de cheques. A fiscalização não considerou os esclarecimentos prestados tanto pelas pessoas físicas Maria Sônia Marciano Furlan (também nominada no Relatório Fiscal Sônia Maria Marciano Furlan e Sônia Maria Camargo Furlan) e Reginaldo Furlan, como pela Impugnante em resposta as diversas e ameaçadoras intimações formalizadas, e imputou a esta a titularidade da conta bancária n° 0100501, e também o IRRF sobre Pagamento Sem Causa ou Operação Não Comprovada. Desse procedimento resulta a denúncia de violação ao artigo 7o , § I o , "a", da Lei 9.317/1996 e artigo 26, § 2º da Lei Complementar n° 123/2006, que encerram a obrigatoriedade de as empresas optantes pelo Simples manterem escrituração da movimentação financeira, inclusive bancárias, no livro Caixa. [...] Ao denunciar reiteradamente que a escrituração da Impugnante não reflete a realidade da movimentação financeira, inclusive bancária, realizada no período, porque não registra movimento da conta n° 100501, do Bradesco, o Relatório Fiscal deixa latente o descumprimento da obrigação a que estava subordinada a pessoa jurídica. Tendo o Fisco tomado a iniciativa de atribuir a titularidade da conta bancária à Impugnante, e em conseqüência formalizar a acusação de afronta a dispositivos que regem a escrituração das empresas optantes pelo Simples, também deveria submeter a apuração do imposto aos critérios estabelecidos na legislação tributária, promovendo, de imediato, sua exclusão do Simples e lançamento com base no arbitramento de lucros. [...] Tendo a legislação pátria alçado a escrituração da movimentação bancária como um dos pressupostos básicos a condicionar a permanência no Regime Simplificado e Arrecadação de Tributos e Contribuições, a inobservância desse requisito basilar configura ofensa ao critério legal de apuração dos tributos e contribuições compreendidos nessa modalidade. Como se verifica, ao não escriturar a movimentação bancária assinalada, a empresa teria incorrido em falta, cuja essência é determinante para o arbitramento de lucros, não se permitindo ao servidor encarregado de presidir os trabalhos fiscais esposar alternativa diferente. Resta consagrado pela doutrina e jurisprudência administrativa que a falta dessa escrituração macula de forma irremediável a manutenção da tributação pelo Simples, quer Federal ou Nacional, impondo ao Fisco excluir o sujeito passivo dessa sistemática de tributação, e ex officio, adotar o regime do arbitramento. A incidência dessa hipótese prevista objetivamente em comando legal específico da legislação tributaria, não pode passar despercebida às autoridades lançadoras e julgadoras, em tudo e por tudo subordinadas ao princípio da legalidade. Mesmo quando a pessoa jurídica tenha determinado seus resultados sob qualquer outro regime tributário, este não pode prevalecer em face de constatação da deficiência destacada na ação fiscal, notadamente quando a empresa declara não ter condições de refazer sua escrituração para incluir pretensa movimentação bancária que lhe é atribuída. [...] Fl. 768DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 686 10 O contexto da decisão guarda perfeita sintonia com o caso vertente, cabendo ressaltar a inaplicabilidade do artigo 24 da Lei n° 9.249/95, ante a disposição impositiva do arbitramento de lucros. [...] A condição da regular escrituração contemplando toda a movimentação financeira, inclusive bancária, seja em livro Caixa ou através de contabilidade comercial é suficiente para descaracterizar não só a apuração do lucro real. Também alcança as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro presumido e na sistemática do Simples, quer Federal, quer Nacional, que devem ser subordinadas ao arbitramento do lucro no próprio ano da ocorrência da falta. [...] Não tendo a autoridade administrativa promovido a exclusão ex officio do Simples, quer Federal quer Nacional, mediante a edição de Ato Declaratório especifico, e a indispensável reversão do regime tributário de Simples para lucro arbitrado, os lançamentos não podem prosperar. Por outro lado, afigurase impossível postergar para o exercício seguinte os efeitos da exclusão motivada pela acusação delineada nos autos, "falta da escrituração da movimentação financeira inclusive bancária", pois as determinações constantes dos artigos 14, 15 e 16, da mesma Lei n° 9.317/96, [...]. Segundo a fiscalização, a irregularidade motivadora dos lançamentos, denunciada em seu Relatório, configura procedimento continuado, repetido a cada movimentação da conta bancária, o que compreende todos os meses do ano calendário de 2007, circunstancia inequivocamente enquadrada como prática reiterada da pretensa infração. A qualificação dos fatos, sua tributação mediante fato gerador mensal, a aplicação da multa exasperada de 150% e a elaboração de Representação Fiscal para Fins Penais são providências resultantes desse enfoque de prática reiterada de infração I 1 à legislação tributária, prevista no inciso V desse artigo 14. E, a conseqüência legal desse enquadramento é a exclusão de oficio imediata do Sistema Integrado de Pagamentos de Tributos e Contribuições SIMPLES, não sendo permitido compatibilizar a incidência dos fatos denunciados com a permanência da pessoa jurídica no regime. Essa a determinação constante do artigo 15, da mencionada Lei n° 9.317/1996, e artigo 24, da Instrução Normativa n° 608/2006. [...] A objetividade dos textos legais espanca qualquer dúvida. Verificada a prática reiterada de infração à legislação tributária, os fatos verificados pelo servidor encarregado dos trabalhos serão objeto de representação ao Sr. Delegado da Receita Federal, que promoverá a exclusão de ofício, mediante Ato Declaratório Executivo, assegurado o contraditório e ampla defesa. E, os efeitos dessa exclusão operamse a partir, inclusive, do mês de ocorrência de qualquer dos fatos mencionados nos incisos II a VII do artigo anterior, isto é, a partir do próprio mês de janeiro de 2007, quando a fiscalização verifica sucessivos depósitos na conta bancária cuja titularidade atribuiu à Impugnante, não escriturados. Nos termos do artigo 16, já a partir daquele o mês de janeiro de 2007, a empresa deveria ser desenquadrada do Simples, e submetida aos regimes de tributação aplicáveis as demais pessoas jurídicas, no caso o arbitramento de lucros. Fl. 769DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 687 11 A sucessão de equívocos patrocinados pela autoridade fiscalizadora afeta a legalidade da tributação, tornando insubsistentes seus fundamentos. 2.2 A Receita Declarada [...] Ancorado no interesse subjetivo em produzir crédito tributário de elevada monta, já manifestado através de intimações ameaçadoras e também demonstrado na insegurança quanto a correta identificação do sujeito passivo, apuração e enquadramento da matéria tributável, o servidor autuante produziu os sofismas abaixo: "...não há de se falar em "descontar" dos valores a serem tributados aqueles DECLARADOS pelo contribuinte, haja vista que estamos TRIBUTANDO os recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita". [...] Tamanha falácia não pode prosperar, pois foi da própria fiscalização a iniciativa de atribuir a titularidade da conta bancária à Impugnante. Tendo a empresa movimentado apenas UMA conta bancária (n° 101966), com movimento de apenas R$53 mil, obviamente o faturamento registrado e declarado mensalmente não transitou por ela, não se podendo presumir que a receita recebida e oferecida à tributação, não tenha transitado por contas bancárias. [...] Tendo a empresa declarado no primeiro semestre de 2007, ainda sob a égide do Simples Federal, receitas da ordem de: R$47.436,26 em janeiro; R$54.617,14 em fevereiro; R$100.005,68 em março; R$86.239,70 em abril; R$97.882,34 em maio e R$87.486,57 em junho, e recolhido os tributos sobre elas incidentes, não se afigura lícito presumir a volatilização desses recursos. No âmbito da tributação de depósitos bancários, a pacífica e remansosa jurisprudência administrativa tem sido pródiga em acolher rendimentos tempestivamente declarados por pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas, como aptos a justificar a origem de recursos depositados/creditados em contas bancárias. [...] Se os recursos ingressaram na empresa através da conta bancária n° 100501 como assegura a fiscalização (item 23.2), evidentemente tornaramse disponíveis para depósito, mesmo se recebidos em dinheiro ou cheques. Se ela própria confirma que não há como saber, dentre os R$1,02 milhões declarados, o que foi recebido em cheque (ou depósito bancário) ou em dinheiro, e o que foi depositado, não há como legitimar o fantasioso raciocínio engendrado pela ação fiscal para negar a inclusão dos valores pertinentes a receita declarada na movimentação da conta bancária. Não bastassem todas as contradições, incertezas, dúvidas e inseguranças que permeiam os lançamentos perpetrados, também nesse aspecto a base de cálculo eleita pela fiscalização não condiz com os preceitos da legalidade, pois encontrase majorada mensalmente em importância equivalente a receita declarada. 2.3 Multa Qualificada A latente improcedência das exigências formalizadas através dos autos de infração de IRPJ, CSLL, COFINS, PIS e INSS, aos quais estendemse os argumentos esposados na presente constatação, determina o cancelamento integral da multa porque é parte integrante do crédito tributário constituído à revelia da legislação aplicável. Fl. 770DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 688 12 Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Expostas e comprovadas as razões determinantes da nulidade das exações, postula a Impugnante o acolhimento de seu pleito, por configurar homenagem ao Direito e a Justiça! Todavia, a nulidade pode deixar de ser declarado, pois no mérito todos os lançamentos são improcedentes. Está registrado como ementa do Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 14 38.224, de 15.07.2012, fls. 703712: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE. Incabível a nulidade do lançamento por erro na identificação do sujeito passivo, quando devidamente demonstrado nos autos que a pessoa jurídica autuada tem relação direta com a situação que constitui o fato gerador do tributo. ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2007 OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITO BANCÁRIO. Por presunção legal, os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. REGIME DE TRIBUTAÇÃO. Apurada omissão de receita e estando a empresa submetida às regras de tributação do Simples, já que dele não houve a exclusão para o período fiscalizado, os lançamentos devem ser realizados de acordo com as regras dessa sistemática de tributação, relativa ao período de apuração a que corresponder a receita omitida. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Notificada em 17.09.2012, fl. 723, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 17.10.2012, fls. 726738 e 751, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Acrescenta que: I DOS FATOS Fl. 771DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 689 13 O litígio foi instaurado em decorrência de autuação formalizada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para exigência dos tributos compreendidos no Simples Federal, relativos ao período de janeiro a junho de 2007. A autuação fundamentase em suposta omissão de receitas caracterizada por movimentação de recursos da empresa em conta bancária de sócio sem o correspondente registro contábil a ela pertinente, o que ensejou o lançamento do tributo acrescido da multa de 150%. II DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a Recorrente apresentou Impugnação tempestiva onde suscita, preliminarmente, erro na eleição do polo passivo da obrigação tributária, tendo em vista que apenas socorreuse de descontos de cheques e outros direitos creditórios junto a sócia Maria Sônia Marciano Furlan, que exercia a atividade habitual de fomento mercantil, caracterizada mediante operações de desconto de cheques pré datados e outros efeitos comerciais, prática determinante de sua equiparação à pessoa jurídica. A movimentação financeira foi efetuada no interesse da própria titular da conta bancária, mesmo quando utilizados para quitar obrigações da pessoa jurídica. E, o volume de depósitos, cheques emitidos, cheques depositados e devolvidos, bem como o diferencial existente entre o montante de depósitos e saques da aludida conta, R$139.325,27, evidenciam, por si só, a prática da atividade empresarial. A equivocada atribuição de titularidade da movimentação financeira, em detrimento da equiparação da pessoa física à jurídica prevista no artigo 150, inciso II, do RIR/99, reflete no lançamento questionado, configurando o vício material consubstanciado em erro na identificação do sujeito passivo, mácula suficiente para decretar sua nulidade. Na sequência, reclama que a fiscalização ignorou os esclarecimentos prestados desde o início dos trabalhos reveladores da atividade exercida pela titular, recusando o enquadramento legal correspondente e a correta identificação do sujeito passivo de eventual obrigação tributária. Aduziu que o fato da empresa utilizar os cheques recebidos da pessoa física para quitar obrigações com fornecedores não descaracteriza a natureza dos negócios por ela praticados, sendo descabida a pretensão da existência de borderôs de descontos de cheques, como se aquelas operações fossem praticadas por instituições financeiras ou pessoas jurídicas regularmente constituídas com o objetivo de praticar a aquisição de direitos creditórios. Colacionando ementas de diversos acórdãos desse Colegiado, defende que a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária realizada sobre o patrocínio da pessoa física titular da conta. No mérito, salienta a contradição assumida na conclusão do procedimento fiscal, que após atribuir a conta bancária à pessoa jurídica Recorrente aponta infração ao artigo 7º , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/96, decorrente da não escrituração obrigatória daquela movimentação bancária no livro Caixa, mesmo após intimada a refazer tais registros. No entanto, apesar da reiterada denuncia esposada nos autos de que a escrituração não reflete a realidade da movimentação financeira, inclusive bancária, Fl. 772DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 690 14 deixou de promover a exclusão ex officio do Simples Federal e exigir os tributos segundo o critério do arbitramento de lucros, tal como previsto no artigo 530, inciso II, "a", do RIR/99, que conjugado com o artigo 7º §1°, "a", da Lei n° 9.317/96, constitui procedimento impositivo e não faculdade. O artigo 47, da Lei n° 8.981/1995, não usa a expressão "o lucro poderá ser arbitrado", mas sim "o lucro será arbitrado" Ilustrando seu questionamento com ementas de acórdãos desse E. Colegiado, argumenta que a falta de escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária, constitui prática reiterada de infração à legislação tributária, eleita pelos artigos 14 e 15 da Lei n° 9.317/1996, como circunstância determinante da imediata exclusão do Simples Federal, a partir, inclusive, do mês da ocorrência desse fato. O detalhamento mais analítico das articulações constantes da peça vestibular afiguramse inevitáveis ante a omissão do voto condutor no enfrentamento das questões colocadas a seu juízo. Com efeito, em apenas dois parágrafos aborda o alegado erro na identificação do sujeito passivo, limitandose a afirmar que a conta bancária n° 0100501, ag. 192, mantida no Banco Bradesco, sob a titularidade de Joel Marciano e Maria Sônia Marciano Furlan é utilizada pela pessoa jurídica, sendo a movimentação financeira nessa conta oriunda de suas atividades operacionais. Nada mais além disso. Nenhuma alusão a atividade habitual de fomento mercantil exercida pela Sra. Maria Sônia Marciano Furlan e a equiparação dessa pessoa física à pessoa jurídica, com fundamento no artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda. O confessado exercício da atividade empresarial de compra de direitos creditórios, recebimentos dos valores a eles pertinentes e o depósito desse produto podem ser constatados pelo expressivo volume de depósitos, cheques emitidos e também daqueles depositados e devolvidos, a revelar a exploração de uma atividade econômica, ainda que de maneira informal, distinta do objeto social da pessoa jurídica e que participa. E como já salientado, o fato da empresa utilizar os cheques recebidos da pessoa física na contrapartida dos descontos para quitar suas obrigações normais de funcionamento não descaracteriza a natureza dos negócios com ela realizados, mas substancial economia de CPMF. Também ficou demonstrado na inauguração do contraditório que o confronto entre a soma dos cheques sacados e pagamentos debitados na aludida conta (R$2.078.824,25) com os depósitos nela efetuados (R$2.218.149,52), resulta em importância equivalente ao redito das operações de fomento praticadas durante o ano de 2007. À míngua do enfrentamento por parte da decisão recorrida, vem reiterar o questionamento lançado as fls. 10 e 11, da impugnação, nos termos seguintes. "Deixando de promover a tributação mediante equiparação da pessoa física à jurídica em razão do confessado e comprovado exercício da atividade empresarial que envolveu a conta bancária assinalada, a fiscalização incidiu em erro na identificação do sujeito passivo, pois as operações que ensejaram os créditos bancários verificados no período auditado são de titularidade de pessoa física e não da Impugnante. Fl. 773DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 691 15 E, a evidência dos fatos econômicos que ensejaram os depósitos/créditos bancários impede a tributação dos mesmos não só na Impugnante, mas também na pessoa física da cotitular da conta bancária, em respeito ao artigo 150, inciso II, do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99. [...] Como se verifica, a atribuição de titularidade de conta bancária a terceiro não prescinde do afastamento irrecusável e definitivo de qualquer outra explicação para a movimentação bancária, realizada sob o patrocínio da pessoa física titular de direito. Destituída de provas concretas, robustas e objetivas, não pode prosperar a infundada denúncia fiscal de participação conjunta em situação deliberada de omitir do fisco parte da receita auferida, visando o interesse econômico de reduzir tributos". 2. Exclusão do Simples e Arbitramento de Lucros Na análise do mérito do lançamento a Turma Julgadora limitase precariamente a defender, a tributação com depósitos bancários, prevista no artigo 42, da Lei n° 9.430/1996, acrescendo ao dispositivo o imperativo de coincidência de datas e valores. Resvala no questionamento da Impugnação apenas para mencionar que o artigo 7o , § 1º , "a", da Lei n° 9.317/1996, determina que toda a movimentação financeira da empresa, inclusive a bancária, deve ser escriturada no livro Caixa. Nada mais acrescenta. Essa omissão no enfrentamento das questões colocadas a seu juízo, constitui a tônica de todo o voto condutor. Nenhuma menção a incidência dos motivos determinantes da exclusão de ofício do Simples e tributação com base no arbitramento de lucros já a partir do primeiro mês em que não escriturada a movimentação financeira, inclusive bancária, argumentos substancialmente enfocados na impugnação. [...] Evidentemente compete ao Fisco proceder a exclusão da contribuinte do Simples. Todavia, a negligência nesse proceder não pode ser invocada como sustentáculo para manter tributação formalizada sob critério incompatível com a legislação vigente. A exclusão de oficio não é uma faculdade concedida ao servidor que preside os trabalhos fiscais, mas uma imposição da norma legal quando presente a prática reiterada da infração, no caso, a suposta interposição de pessoa e não escrituração da movimentação financeira, inclusive bancária. Se a Recorrente utilizou interposta pessoa para movimentar recursos financeiros, não escriturou em seu Livro Caixa essa movimentação, omitiu em todos os meses do ano calendário receitas operacionais, tais suportes táticos não podem ser descartados na aplicação das normas determinantes da exclusão do Simples, previstas nos artigos 14 a 16 da Lei n° 9.317/1996 e reproduzidos na Impugnação e também na Instrução Normativa SRF n° 608/2006. A previsão de tributação pelo lucro arbitrado é consequência natural dos fatos denunciados pela fiscalização, pois tem previsão expressa no artigo 530, inciso II, "a", do RIR/99. 3. A Receita Declarada Fl. 774DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 692 16 Também nesse enfoque as razões de decidir limitamse a informar que a contribuinte não comprovou que a origem dos depósitos listados pelo Fisco correspondem a receitas declaradas, não sendo possível presumir que tais valores tenham transitado nas contas bancárias auditadas. Com uma só frase a Turma Julgadora espanca o equilíbrio e o desinteresse subjetivo na solução da lide. Inadmissível é presumir que os valores ingressados na conta bancária atribuída à pessoa jurídica e até mesmo na conta onde ela figura como titular são estranhas ao faturamento declarado e tributado. A contradição permeia não só o lançamento mas também as débeis conclusões do voto condutor, que um uma vez mais invade a competência da autoridade lançadora para introduzir inovações e aperfeiçoar o feito. Os fatos denunciados foram eleitos para respaldar a tributação e justificar a aplicação da multa qualificada de 150%, mas mesmo continuados afiguramse inócuos para determinar a exclusão da pessoa jurídica do Simples Federal. Inegavelmente o raciocínio engendrado pela fiscalização e homologado pela Turma Julgadora agride o bom senso. No entender de ambas os recursos movimentados na conta bancária são presumidamente de titularidade da Recorrente, mas embora os saques e demais débitos nela efetuados correspondam ao pagamento de obrigações de sua responsabilidade, os créditos presumemse não originados de receitas faturadas. Nos esclarecimentos prestados e também na Impugnação, a Recorrente argumentou que a receita declarada pela pessoa jurídica no primeiro semestre de 2007, da ordem de R$473 mil não poderia ser descartada na apuração da pretensa omissão de receita. Eis as razões esposadas: "Tendo a empresa declarado no primeiro semestre de 2007, ainda sob a égide do Simples Federal, receitas da ordem de: R$47.436,26 em janeiro; R$54.617,14 em fevereiro; R$100.005,68 em março; R$86.239,70 em abril; R$97.882,34 em maio e R$87.486,57 em junho, e recolhido os tributos sobre elas incidentes, não se afigura lícito presumir a volatilização desses recursos. No âmbito da tributação de depósitos bancários, a pacífica e remansosa jurisprudência administrativa tem sido pródiga em acolher rendimentos tempestivamente declarados por pessoas físicas e jurídicas fiscalizadas, como aptos a justificar a origem de recursos depositados/creditados em contas bancárias. [...] Se os recursos ingressaram na empresa através da conta bancária n° 100501 como assegura a fiscalização [...], e ficou demonstrada que a demonstração financeira nessa conta originase da atividade da pessoa jurídica autuada como salienta o voto condutor, evidentemente aí se inclui o faturamento declarado e tributado mesmo se recebido em dinheiro ou cheques. Se ela própria confirma que não há como saber, dentre os R$1,02 milhões declarados no ano de 2007, o que foi recebido em cheque (ou depósito bancário) ou em dinheiro, e o que foi depositado, não há como legitimar o fantasioso raciocínio engendrado pela ação fiscal para negar a inclusão dos valores pertinentes à receita declarada na movimentação da conta bancária." Fl. 775DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 693 17 A decisão também noticia que o motivo da aplicação da multa de 150% não foi aquele apontado pela Impugnante. Todavia, não traduz qual o motivo por ela alegado. Por fim, resta notar outra infidelidade da decisão recorrida no desfecho do relatório assumido pelo voto condutor. Ali diz que as pessoas físicas não se manifestaram sobre a responsabilidade tributária. E nem poderiam fazêlo, já que o Relatório Fiscal e os Autos de Infração não cogitam dessa responsabilidade solidária, inexistindo nesses documentos qualquer menção de sujeição passiva solidária e intimação aos sócios da pessoa jurídica e a seu funcionário Reginaldo Furlan. 4. Multa Qualificada Embora haja presunção legal para a tributação da parcela de depósitos bancários cuja origem não foi suficientemente comprovada, não prospera a presunção simples de titularidade da conta bancária para justificar a multa de 150%, inexigível quando constatadas presunções relativas. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui que: Expostas as razões determinantes para o reconhecimento da nulidade do auto de infração e a consequente reforma do julgador recorrido, postula a Recorrente o acolhimento de suas razões, para, mesmo se não decretada a nulidade seja reconhecida a improcedência do lançamento perpetrado. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. No que se refere ao argumento da Recorrente de que foi excluída no Simples, temse que nos presentes autos essa situação não é ocorrente na espécie e por não ser objeto desse procedimento de ofício não pode aqui ser analisada. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Fl. 776DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 694 18 Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. As manifestações unilaterais da RFB foram formalizadas por ato administrativo, como uma espécie de ato jurídico, deve estar revestido dos atributos que lhe conferem a presunção de legitimidade, a imperatividade e a autoexecutoriedade, ou seja, para que produza efeitos que vinculem o administrado deve ser emitido (a) por agente competente que o pratica dentro das suas atribuições legais, (b) com as formalidades indispensáveis à sua existência, (c) com objeto, cujo resultado está previsto em lei, (d) com os motivos, cuja matéria de fato ou de direito seja juridicamente adequada ao resultado obtido e (e) com a finalidade visando o propósito previsto na regra de competência do agente. Tratandose de ato vinculado, a Administração Pública tem o dever de motiválo no sentido de evidenciar sua expedição com os requisitos legais2. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal, nos termos do art. 142 do Código Tributário Nacional. A autoridade tributária tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos3. As Autoridade Fiscais agiram em cumprimento com o dever de ofício com zelo e dedicação as atribuições do cargo, observando as normas legais e regulamentares e 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 2º da Lei nº 4.717, de 29 de junho de 1965, Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 3 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999. Fl. 777DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 695 19 justificando o processo de execução do serviço, bem como obedecendo aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. 4 Desse modo, não tem validade jurídica a alegação da Recorrente. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Ainda, na apreciação da prova, a autoridade julgadora formou livremente sua convicção, em conformidade do princípio da persuasão racional5. Assim, os Autos de Infração, fls. 605654 e o Acórdão da 3ª TURMA/DRJ/RPO/SP nº 1438.224, de 15.07.2012, fls. 703712, contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos no processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pelas defendentes, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos6. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo constantes nos dados informados à RFB ou ainda quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente discorda da apuração da omissão de receitas com base em depósitos bancários. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a 4 Fundamentação legal: art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 21 de janeiro de 1999 e art. 37 da Constituição Federal. 5 Fundamentação legal: art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. 6 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 170 do Código Tributário Nacional. Fl. 778DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 696 20 que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Fica sujeita a todas as presunções de omissão de receitas existentes na legislação tributária a pessoa jurídica optante pelo Simples. O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido denominado Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (Simples) é mensal e uma opção do sujeito passivo para todo anocalendário, desde que observados os requisitos legais, devendo ser manifestada mediante a alteração cadastral no prazo previsto em lei. É determinado pela aplicação do percentual correspondente ao valor acumulado mensalmente da receita bruta o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado nas operações em conta alheia, não incluídas as vendas canceladas e os descontos incondicionais concedidos. Abrange o IRPJ, Pis, CSLL, Cofins, INSS e IPI, se for estabelecimento industrial. Está dispensada de escrituração comercial desde que mantenha o Livro Caixa, no qual deve estar escriturada toda a sua movimentação financeira, inclusive bancária, o Livro de Registro de Inventário, no qual deve constar registrados os estoques existentes no término de cada anocalendário, bem como todos os documentos e demais papéis que serviram de base para sua a escrituração7. Caracteriza omissão de receitas os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Positivada em uma norma com os atributos de ser abstrata, geral, imperativa e impessoal, há presunção de ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, o que afasta a obrigatoriedade de a Fazenda Pública comprovar a relação de causalidade entre o fato e o ilícito tributário. A Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, determina: Art. 18º Aplicamse à microempresa e à empresa de pequeno porte todas as presunções de omissão de receita existentes nas legislações de regência dos impostos e contribuições de que trata esta Lei, desde que apuráveis com base nos livros e documentos a que estiverem obrigadas aquelas pessoas jurídicas. 7 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 2º e art. 5º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996. Fl. 779DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 697 21 Cabe à pessoa jurídica o ônus de provar a veracidade de fatos registrados na sua escrituração de modo a desconstituir inequivocamente a relação jurídica presumida. Assim, se o ônus da prova, por presunção legal, é da Recorrente, cabe a ela comprovar a origem dos recursos informados para acobertar a movimentação financeira. É determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que deve ser analisado de forma individual, observando que os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. A sua titularidade, via de regra, pertence à pessoa jurídica indicada nos dados cadastrais. Podem ser excluídos, mediante demonstração inequívoca, os créditos decorrentes de transferências de outras contas do própria pessoa jurídica, de mútuos destinados a fins econômicos, de cheques objeto de devolução e de resgates de aplicações financeiras. Assim, é regular o procedimento de fiscalização que, após a análise da sua escrituração, examina os documentos referentes à sua movimentação financeira para verificar a compatibilidade entre as informações. Ademais, a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996 dispensa o Erário de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes, em conformidade com as Súmulas CARF nºs 26 e 30. Constatada a disparidade a pessoa jurídica é intimado a demonstrar a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito. Os valores, em relação aos quais não foram evidenciadas as origens, presumem receitas omitidas, o que dispensa a autoridade administrativa de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada8. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo9. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade10, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. A matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) é objeto de recuso extraordinário com repercussão geral em análise no Supremo Tribunal Federal (STF), tema de nº 225, sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil 8 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º e art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 2º, art. 5º e art. 18 da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996 e Súmulas CARF nºs 06, 30, 32 e 61. 9 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 10 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 780DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 698 22 CPC) 11 e por essa razão não se pode aplicar o art. 62A do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. A Recorrente sendo optante pelo Simples a autuada sujeitase às determinações contidas na alínea “a” do § 1º do art. 7º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, que determina que toda sua movimentação financeira, inclusive bancária, seja devidamente escriturada no Livro Caixa. Entretanto tal procedimento não se verificou, conforme está registrado no Relatório de Fiscalização – Simples Federal de 01/2007 a 06/2007, fls. 656664, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1) Este procedimento teve como origem a auditoria fiscal no contribuinte JOEL MARCIANO (MPF 08122 2011 00021), pai da sócia MARIA SONIA MARCIANO FURLAN, onde se constatou movimentação financeira no Banco Bradesco, agência 192, Conta 0100501 incompatível com os rendimentos declarados. 2) Cabe frisar que a citada conta corrente era conjunta entre JOEL MARCIANO e SONIA MARIA MARCIANO FURLAN. Não tendo o titular da conta atendido á intimação para entregar os extratos bancários – termo 01/21/2011 de 12.01.2011 (fls 163) e respostas às fls 164/165, eles foram requisitados diretamente à instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira (RMF) – Lei Complementar 105/2001 – fls. 166/169. As informações foram requisitadas com fulcro no artigo 3°, incisos VII e XI do Decreto nº 3.724/2011. 3) Analisando os extratos bancários (fls. 170/213), constatouse: 3.1 Mais de 250 depósitos (feitos em cheques e em dinheiro) cuja soma resultou em valores totais superiores a R$2,2 milhões – anexo 2 do termo 02/021/2011 – fls 229/233 3.2 Mais de 600 cheques compensados e/ou pagos em dinheiro, num valor total de cerca de R$1,7 milhões. Cabe frisar que na declaração de IRPF do ano de 11 Disponível em: <http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudenciaRepercussao/verAndamentoProcesso.asp?incidente=2689108&numero Processo=601314&classeProcesso=RE&numeroTema=225>. Acesso em 16 ago. 2014. Fl. 781DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 699 23 2007 não consta aquisição de bens pelos titulares da conta – anexo 1 do termo 02/021/2011 – fls 216/228 3.3 Vinte e sete (27) débitos com a rubrica “pagamento de contas” num valor total de cerca de R$309 mil – anexo 4 do termo 02/021/2011 – fls 235. 3.4 Seiscentos e noventa e um (691) cheques depositados e posteriormente devolvidos, num total de cerca de R$141 mil. 4) O Sr. Joel Marciano foi intimado item 5.1 do termo 02/021/2011 (fls 214/215) a esclarecer se tinha cedido suas contas correntes para o uso de terceiros (pessoa física ou jurídica). Em caso positivo, deveria informar o nome, CPF/CNPJ e endereço de quem, de fato, se utilizou a conta corrente. Também foi intimado a apresentar: 4.1) Cópias dos cheques emitidos constantes no anexo 1 (item 5.2 da intimação) 4.2) Cópias dos cheques depositados na conta constantes no anexo 2 (item 5.3) 4.3) Informar quem foi/foram os beneficiários dos pagamentos constantes no anexo 4 (item 5.5) 5) Em resposta à intimação feita por este auditor (fls 237/238), o Sr. Joel Marciano informou que a conta era conjunta com Maria Sonia Marciano Furlan e ainda, textualmente: “não me consta a utilização da referida conta por terceiros ou em negócios alheios aos interesses da outra titular”. Declarou também que não possuía cópia dos documentos solicitados e nem guardava registro dos pagamentos. 6) Também devidamente intimada – termo 01/173/2011 (fls 126/127), a sócia Maria Sonia declarou (fls 148/150) que a movimentação da conta era exclusivamente de sua responsabilidade e que “operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituindose de descontos de cheques prédatados da empresa em que participo” 7) Declarou ainda que se tratava de “prática informal e continuada de operações de factoring”. Não apresentou quaisquer documentos que corroborassem tal assertiva. Não justificou como praticou operações de factoring na ordem de mais de R$ 2,2 milhões sem recursos declarados em sua declaração de IRPF. 8) A movimentação da conta corrente é totalmente incompatível com os rendimentos declarados pelo Sr. Joel Marciano e pela Sra. Maria Sonia Marciano Furlan. 9) Ainda denotouse movimentação bancária típica de pessoa jurídica na citada conta, como “pagamento a fornecedores”, pagamento de contas, etc.. Devese salientar que a única pessoa jurídica que a Sra. Sonia participa é a empresa Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda. 10) O própria pessoa jurídica ora fiscalizada, devidamente intimado através do termo 03/407/2011 (fls 86/87), também alegou (fls 89/92) que a movimentação era de “factoring”, mas não logrou comprovar tais operações. Também não escriturou tais operações no livro caixa a que estaria obrigado. 11) Centenas de cheques da conta conjunta de Joel Marciano e Maria Sonia (fls 246/531) foram emitidos para pagamento de fornecedores da empresa Fl. 782DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 700 24 fiscalizada, conforme rol constante na planilha às fls. 216/228. Em procedimento de diligência junto aos fornecedores do contribuinte, os mesmos confirmaram os pagamentos e os vincularam às notas fiscais emitidas contra Furlan Distribuidora de Produtos Alimentícios Ltda, conforme abaixo discriminado: 11.1) Ponto de Dose Comercial e Distribuidora de Produtos Alimentícios – Resposta ao termo de intimação 02/428/2011 (fls 93/94). Confirmou (fls 107) o recebimento de 15 cheques emitidos da conta 100501 (conta corrente de Joel Marciano e Sonia), vinculandoos a 37 (trinta e sete) notas fiscais emitidas à empresa Furlan. 11.2) Kambé Industria e Comércio de Embalagens Ltda – Resposta ao termo de intimação 02/442/2011 (fls 100), onde declarou (fls 108/110) que os cheques recebidos num valor total de R$12.326,18 foram recebidos como pagamento de prateleiras vendidas à empresa Furlan. 11.3) Sukest Indústria e Comércio de Alimentos Ltda – resposta ao termo de intimação 02/430/2011 (fls 95) – declarou (fls. 111/113) que tem como tradição receber cheques de terceiros nas transações. 11.4) Ki Kakau Indústria e Comércio de Chocolates Ltda – resposta ao termo 02/440/2011 (fls 98) – Declarou (fls. 106), através de seu sócio ANTONIO VALDECI JACOB, que “tomou emprestados cheques prédatados” de Joel Marciano e descontou os títulos. Declarou que tinha uma amizade particular com o Sr. Joel. 11.4.1 Porém, o sr. Joel foi devidamente intimado através do termo 03/02/2011 (fls. 534) a esclarecer se conhecia o Sr. Antonio Valdeci Jacob e já havia feito negócios com o mesmo. 11.4.2 Em resposta (fls. 536/537) o Sr. Joel declarou que “não se lembrava da fisionomia do Sr. Antonio Valdeci Jacob”. Disse ainda que “pode ser que eu o conheça, mas não se trata de pessoa que eu mantenha freqüente relacionamento, seja de amizade ou de qualquer outra natureza” 11.4.3 Ficou claro então a incongruência da resposta dada pela pessoa jurídica Ki Kakau, que se beneficiou de cheques emitidos pela conta de Joel Marciano, num total de R$24.827,49 e declarou que “pegou emprestado” e o “mutuante”, Sr Joel, não se lembra do fato. 12) Constam também 27 cheques sacados da conta conjunta de Joel e Maria Sonia, num valor total de R$125.972,02 (fls 381/531 e rol constante no termo 01/458/2011 – fls 116/117). Os cheques eram nominais a Reginaldo Furlan, filho dos sócios da pessoa jurídica. 12.1 Devidamente intimado (fls 116/117) , o mesmo declarou (fls. 119/120) que, “na qualidade de filho da Sra. Sonia e funcionário da empresa, fui encarregado de efetuar pagamentos por ela selecionados e também promover as retiradas em dinheiro mediante cheques por ela emitidos”. Vale salientar que o Sr. Reginaldo Furlan tem vinculo empregatício com a empresa fiscalizada. 12.2 Posteriormente, através do termo 02/458/2011 (fls. 121) o mesmo foi INTIMADO a esclarecer: a quem se destinavam tais pagamentos e se os valores retirados pertenciam à Sra. Sonia ou à empresa. 12.3 Em resposta, declarou que “fui apenas encarregado de fazer pagamentos e retiradas”... “não mantive controles individuais ou quaisquer outros registros...” Fl. 783DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 701 25 13) De todo o exposto nesse termo, inferese que houve a cessão, para USO pela pessoa jurídica FURLAN DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, da conta corrente do Banco Bradesco n° 0192/100501, cujos titulares são JOEL MARCIANO e MARIA SONIA MARCIANO FURLAN 14) Assim, destacase a afronta ao princípio contábil da Entidade (Resolução 750/93 do Conselho Federal de Contabilidade) que determina a autonomia patrimonial, ou seja, o patrimônio dos sócios não pode se misturar com o patrimônio de empresa. 15) Destacase ainda a afronta ao artigo 7°, parágrafo 1°, “a”, da Lei 9.317/96 e artigo 26, parágrafo 2° da Lei Complementar nº 123/2006, que determina que toda a movimentação da empresa, INCLUSIVE BANCÁRIA, deve ser escriturada no livro caixa. 16) Isso posto, sendo constatada a utilização da conta do sócio pela pessoa jurídica, o contribuinte foi devidamente intimado através do termo 03/407/2011, de 21/06/2011 (fls 86/87), a refazer a escrituração do livro caixa, para que TODA a movimentação financeira da empresa fosse devidamente registrada. Em resposta (fls 89/92), o contribuinte declarou que as operações eram “informais” e que impossibilitaria promover a reescrituração. 17) A empresa fiscalizada, devidamente intimada, apresentou extratos relativos a UMA conta corrente em nome da pessoa jurídica, no Banco Bradesco, Agência 0192, conta 101966 (fls 564/576) . Nessa conta consta movimento de apenas R$53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no AC de 2007 ter sido de R$473 mil (1° semestre – SIMPLES FEDERAL – fls 577/588) e de R$547 mil (2° semestre – SIMPLES NACIONAL – fls 589/594), totalizando cerca de R$1,02 milhões. 18) Finalizando, devido à cessão da conta corrente já citada no item 13, o contribuinte foi intimado através do termo 05/407/2011 de 24.10.2011 (fls 538/542) a, num prazo de 30 (TRINTA) dias, a contar da ciência, a: 18.1 Comprovar, com documentos hábeis e idôneos, as ORIGENS dos recursos creditados na conta corrente 100501 (titularidade de Joel Marciano e de Sonia Maria Marciano Furlan) e na conta corrente 101966 (titularidade da pessoa jurídica). Os créditos, num total de 278, foram listados no anexo 1 da intimação, numerados de 1 a 278 – fls. 543/548. 18.1.1 As justificativas deveriam ser feitas de forma INDIVIDUAL e o contribuinte deveria trazer elementos comprobatórios, coincidentes em datas e valores, para CADA crédito a comprovar. 18.1.2 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação do item 18.1 acarretaria na tributação dos valores como OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS – artigo 42 da Lei 9.430/1996 18.2 Justificar e comprovar, com documentos hábeis e idôneos, quem foram os beneficiários dos 27 pagamentos listados no anexo 2 da intimação (fls 549), num valor total de R$309.401,48. 18.2.1 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação deste item acarretaria na tributação dos respectivos valores como “Omissão de Receitas Falta de escrituração de pagamentos efetuados”, conforme artigo 281, II do RIR/99. 18.3 Na mesma intimação o contribuinte foi INTIMADO a justificar e comprovar (com documentos hábeis e idôneos) o motivo pela qual emitiu os Fl. 784DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 702 26 cheques abaixo listados, cujo beneficiário foi REGINALDO FURLAN, conforme descrito no item 12: DATA CHEQUE CHEQUE VALOR 04/09/2007 8561 4.979,55 05/11/2007 8685 4.000,00 05/11/2007 8686 4.000,00 05/11/2007 8687 4.000,00 05/11/2007 8688 4.781,68 07/11/2007 8689 6.762,47 12/12/2007 8741 10.065,11 13/12/2007 8742 4.812,48 13/12/2007 8743 4.812,48 13/12/2007 8744 4.812,48 14/12/2007 8761 4.359,82 14/12/2007 8762 4.000,00 14/12/2007 8763 4.000,00 14/12/2007 8764 4.000,00 17/12/2007 8765 4.000,00 17/12/2007 8766 4.000,00 17/12/2007 8767 4.000,00 18/12/2007 8768 4.366,00 18/12/2007 8769 4.366,00 18/12/2007 8770 4.366,00 18/12/2007 8771 4.366,00 18/12/2007 8772 4.366,00 18/12/2007 8773 4.366,00 18/12/2007 8774 4.367,45 28/12/2007 8780 4.674,00 28/12/2007 8789 4.674,00 28/12/2007 8790 4.674,00 TOTAL 125.972,02 18.3.1 Constou ainda na intimação que a falta de comprovação do item 18.3 acarretaria na tributação, sobre os respectivos valores, com base de cálculo reajustada, do Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) –pagamento sem causa e/ou a beneficiários não identificados, conforme artigo 674 do RIR/99. 19 Findo o prazo, o contribuinte apresentou a resposta às fls. 551/555, porém não apresentou as comprovações solicitadas pela fiscalização e tampouco justificou quaisquer itens do termo 05/407/2011. Declarou que a pessoa jurídica não era titular da conta 100501 de Joel Marciano. Também voltou a alegar que “negociou direitos da empresa com os titulares da conta”. 20 Não há como prosperar as alegações do contribuinte, pois ficou claro que a conta corrente da pessoa física era utilizada para movimentar recursos da pessoa jurídica. Isso se prova: 20.1 pelos vultosos valores movimentados e pelos “pagamento a fornecedores” e pagamento de contas, os quais indicam que a conta bancária utilizada foi efetivamente utilizada por pessoa jurídica; 20.2 pela circularização feita com os fornecedores que receberam cheques oriundos da conta 100511 (de Joel Marciano e Sonia Maria Camargo Furlan). Tais Fl. 785DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 703 27 cheques foram utilizados para pagamento de notas fiscais emitidas contra a empresa fiscalizada; 20.3 nem o Sr. Joel Marciano nem a Sra. Sonia Maria Camargo Furlan comprovaram que exerciam outras atividades (atividade rural, prestação de serviços como autônomo etc) que dessem origem à movimentação de R$2,2 milhões na conta bancária cujo os mesmos figuram como titulares e 20.4 nem o Sr. Joel Marciano nem a Sra. Sonia Maria Camargo Furlan comprovaram ter realizado qualquer tipo de operação de alienação de bens móveis e imóveis que dessem origem à movimentação de R$2,2 milhões na conta bancária cujo os mesmos figuram como titulares. 21 Assim, era dever do contribuinte escriturar toda a movimentação financeira da empresa (inclusive bancária), mas não o fez. Cabe salientar que no curso do procedimento fiscal o contribuinte foi intimado (através do termo 03/407/2011, de 21/06/2011 – fls. 86/87), a refazer a escrituração do livro caixa, para que TODA a movimentação financeira da empresa fosse devidamente registrada. Em resposta (fls 89/92), o contribuinte declarou que as operações eram “informais” e que impossibilitaria promover a reescrituração. 22 Cabe aqui também discorrer sobre os argumentos levantados pela sócia Sonia acerca da movimentação financeira da conta 100511 (cuja a mesma é co titular). 22.1 Em resposta à intimação 01/173/2011 (fls. 126/127), declarou (fls. 148/150) que a movimentação da citada conta era de sua inteira responsabilidade. 22.2 Em resposta à intimação 02/173/2011 (fls. 151), declarou (fls. 153/156) que a “movimentação da conta examinada operouse para atender a negócios relacionados com meus interesses particulares, constituídos de descontos de cheques prédatados recebidos pela empresa na qual participo” 22.3 Em resposta à intimação 03/173/2011 (fls. 157/158), onde foi intimada a esclarecer as ORIGENS dos recursos utilizados para descontar tais cheques, não conseguiu explicar, apesar da prolixa resposta, como fez tais operações sem recursos declarados no IRPF. Declarou (fls. 160/162) que as origens dos recursos eram os próprios recursos recebidos, um argumento totalmente fantasioso e desprovido de lógica matemática, semelhante ao “quem veio primeiro, o ovo ou a galinha” DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS 23 De todo exposto, conforme já relatado no item 13, caracterizada a CESSÃO da conta corrente da pessoa física para a jurídica e NÃO COMPROVADO a origem dos valores creditados na citada conta, estou tributando os valores listados nas fls. 558/563 como OMISSÃO DE RECEITAS – DEPÓSITOS BANCÁRIOS NÃO COMPROVADOS. Os valores foram totalizados mês a mês. Na planilha abaixo consta o resumo, onde foram excluídas as devoluções: Mês Créditos Bancários () Devoluções = Valor Líquido a Tributar Jan/07 199.788,66 (10.203,92) 189.584,74 Fev/07 144.920,86 (10.748,20) 134.172,66 Mar/07 166.733,43 (11.200,23) 134.172,66 Abr/07 283.398,15 (25.920,23) 257.477,92 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 704 28 Mai/07 177.207,82 (20.925,21) 156.282,61 Jun/07 164.132,27 (10.912,67) 153.219,60 23.1 Em resposta ao termo 05/407/2011 (fls. 538/542) o contribuinte declarou (fls. 551/555) que o faturamento declarado não “poderia ser ignorado” no desfecho do procedimento. 23.2 Porém, salientase que não há de se falar em “descontar” dos valores a serem tributados aqueles DECLARADOS pelo contribuinte, haja vista que estamos TRIBUTANDO os recursos que ingressaram na empresa através de conta bancária, cuja comprovação das origens não foi feita. 23.3 Obviamente que dentro do faturamento declarado pelo contribuinte há valores que foram recebidos em espécie (dinheiro). Assim, como não houve a regular escrituração dos livros, não há como se saber, dentre os R$1,02 milhões declarados, o que o contribuinte recebeu em cheque (ou depósito bancário) e o que foi recebido em dinheiro não depositado nas contas bancárias utilizadas pela mesma. FALTA DE ESCRITURAÇÃO DE PAGAMENTOS EFETUADOS PAGAMENTOS ESCRITURADOS COM RECURSOS ESTRANHOS À ESCRITURAÇÃO 24 Não estou tributando os pagamentos listados na planilha às fls 557, totalizando R$ 309.401,48, os quais, devidamente intimado, o contribuinte NÃO logrou comprovar a que título tais valores saíram do caixa da empresa. Isso porque, os pagamentos saíram da mesma conta em que está sendo feita a tributação dos depósitos bancários. Assim, considerada como OMISSÃO DE RECEITAS os depósitos não comprovados, inferese que há origem para os citados pagamentos. Caso contrário, estaria incorrendo em bitributação dos valores. A omissão de receita foi determinada mensalmente pelo somatório de cada crédito, que foi analisado de forma individual, procedimento que foi rigorosamente observado pelas autoridades fiscais, de modo que cada valor creditado em conta de depósito ou de investimento mantida junto às instituições financeiras, a Recorrente titular foi regularmente intimada não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. No que se refere aos valores a serem excluídos do montante dos depósitos tributados, os valores declarados, ressaltese que a Recorrente foi intimada a comprovar a origem dos depósitos listados pelo Fisco, no anexo 1 da intimação nº 05 407 2011 (fls. 538 548)), não só da conta que lhe foi cedida para movimentação mantida junto ao Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente de nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, mas também a do Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente de nº da contacorrente nº 101966, de titularidade da Recorrente. Embora deva ser observado o disposto no art. 42 da Lei n° 9.430, 27 de dezembro de 1996, sobre a totalidade dos depósitos cuja origem a Recorrente não logrou comprovar, é possível presumir que os valores a título de receita bruta contidas da DSPJ tenham transitado nas contas bancárias que foram objeto de análise nos presentes autos. Assim sendo, há como acatar a pretensão da Recorrente de excluir da base de cálculo os valores a título de receita bruta informadas da DSPJ, fls. 577594 no período de janeiro a junho do ano calendário de 2007, conforme Tabela 1. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 705 29 Tabela 1 – Receita omitida no período de janeiro a junho de 2007 AnoCalendário 2007 Mês (A) Créditos Bancários Líquidos Apurados de Ofício AI R$ (B) Valores Informados na DSPJ R$ (C) Receita Omitida R$ D = (BC) Jan/07 189.584,74 (47.436,26) 142.148,48 Fev/07 134.172,66 (54.617,14) 79.555,52 Mar/07 155.533,20 (100.005,68) 55.527,52 Abr/07 257.477,92 (86.239,70) 171.238,22 Mai/07 156.282,61 (97.882,34) 58.400,27 Jun/07 153.219,60 (87.486,57) 65.733,03 Devem ser revistos os percentuais de apuração dos tributos do Simples, em face da redução da matéria tributável aqui procedida. Desse modo que o conjunto probatório produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto em parte. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, é acertada em parte. A Requerente diz que houve erro na identificação do sujeito passivo. Sobre a matéria, o Código Tributário Nacional determina: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; O contribuinte direto é aquele indicado na lei para ocupar o pólo passivo da obrigação tributária é também quem deve recolher o tributo devido. A conta mantida no Banco Bradesco S/A, agência 192, contacorrente nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan, é utilizada pela Recorrente, conforme os fatos demonstrados nos autos. Conquanto mantida à margem de sua escrituração ficou demonstrada a movimentação financeira nessa conta, decorrente do exercício da atividade econômica pela Recorrente, conforme diligências realizadas junto a fornecedores e demais informações comprovadas nos autos. Além disso, as alegações da sócia não estão demonstradas de forma, clara precisa e congruente. Inferese que houve cessão da referida conta bancária, mantida no Banco Bradesco S/A, agência. 192, contacorrente nº 0100501, de titularidade do Sr. Joel Marciano e sua filha Maria Sonia Marciano Furlan para movimentação financeira da Recorrente, à margem da sua escrituração. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 706 30 Considerando a análise da movimentação bancária e constatada a omissão de receita de que trata o art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996 ficou evidenciada a materialidade do fato gerador e o sujeito passivo da obrigação tributária é de fato a Recorrente. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente afirma que os tributos deveriam ter sido apurados com base no lucro arbitrado. A autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Em relação à receita bruta ser conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o lucro presumido acrescido de 20% (vinte por cento). Quando se tratar de pessoa jurídica com atividades diversificadas serão adotados os percentuais específicos para cada uma das atividades econômicas, cujas receitas deverão ser apuradas separadamente. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia incluído o ICMS. Somente podem ser excluídos da receita bruta as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos e os impostos não cumulativos cobrados destacadamente do comprador dos quais o vendedor ou prestador é mero depositário, uma vez que se presume que uma parcela da receita bruta foi consumida na produção dos rendimentos decorrentes da atividade econômica. Vale esclarecer que permanece a obrigatoriedade de comprovação das receitas efetivamente recebidas ou auferidas. Este regime não é uma sanção, tanto que a pessoa jurídica, desde que preencha as condições legais, pode optar pelo lucro arbitrado com base na receita conhecida mediante o pagamento da primeira quota ou da quota única do imposto devido correspondente ao período. No presente caso, não foram identificados os requisitos indispensáveis para que os lançamentos dos tributos fossem apurados com base no lucro arbitrado, mesmo porque a Recorrente, optante pelo Simples, mantinha a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais, ainda que de forma incompleta. A alegação assinalada pela defendente, desta forma, não tem fundamento. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 707 31 Em relação à aplicação da multa de ofício proporcional qualificada, via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações12. Temse que a multa de ofício proporcional pode ser reduzida nos seguintes percentuais, se o sujeito passivo, uma vez notificado, efetuar o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício: – 50% (cinquenta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 40% (quarenta por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado do lançamento; – 30% (trinta por cento), se efetuar o pagamento ou a compensação no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância; e – 20% (vinte por cento), se requerer o parcelamento no prazo de 30 (trinta) dias, contado da data em que foi notificado da decisão administrativa de primeira instância13. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito e a Recorrente não efetuou o pagamento, a compensação ou o parcelamento dos tributos lançados de ofício até a notificação da decisão administrativa de primeira instância. 12 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. 13 Fundamentação legal: art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996 com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 14 de julho de 2007 e art. 6º Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991 com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 708 32 Está registrado no Relatório de Fiscalização – Simples Federal de 01/2007 a 06/2007, fls. 656664, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: DA QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO 25 No que tange às infrações descritas, entendo que a conduta do contribuinte enseja a aplicação da multa de ofício duplicada, conforme reza o artigo 44 § 1° da Lei 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007, pois a omissão de receita descrita caracterizase como sonegação e a utilização da conta dos sócios para movimentar recursos à MARGEM da contabilidade é fraude, conforme se depreende da leitura do artigo 71 da Lei 4502/1964, abaixo transcrito: Art . 71. Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. 26 Mesmo após o início da fiscalização, o contribuinte faltou com a verdade ao responder à intimação do auditor (fls 08/09), alegando que os recursos foram movimentados apenas na conta 101966 (de titularidade do contribuinte). 27 Posteriormente, indagado sobre a utilização da conta 100501, alegou de maneira falaciosa que “negociou créditos” com a titular da conta. NÃO APRESENTOU quaisquer comprovações do fato. Alegou que a negociação se deu de maneira “informal” apesar de se tratar de R$2,2 milhões. 28 Na conta citada no item 27 (10.1966 – de titularidade do contribuinte) houve movimento de apenas R$53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte ser de R$1,02 milhões no ano. 29 Assim, não há de se falar em erro, haja vista que está caracterizada a intenção dolosa de esconder do fisco o real movimento financeiro da empresa em conta de terceiros, cujo titular principal é um senhor de 79 anos, pai de um dos sócios da Furlan. 30 Isso posto, estou elaborando a respectiva representação fiscal para fins penais, nos termos da Portaria RFB nº 2.439, de 21 de dezembro de 2010, pelo fato de a conduta do sujeito passivo caracterizar crime contra a ordem tributária, conforme disposto nos artigos 1º e 2º da Lei nº 8.137/90, abaixo transcritos: Art. 1º Constitui crime contra a ordem tributária suprimir ou reduzir tributo, ou contribuição social e qualquer acessório, mediante as seguintes condutas: I omitir informação, ou prestar declaração falsa às autoridades fazendárias; Art. 2º Constitui crime da mesma natureza: II – deixar de recolher, no prazo legal, valor de tributo ou de contribuição social, descontado ou cobrado, na qualidade de sujeito passivo de obrigação e que deveria recolher aos cofres públicos; Fl. 791DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 709 33 31 Na citada representação, estou apondo como responsáveis os sócios da pessoa MARIA SONIA MARCIANO FURLAN e REYNALDO CAMARGO FURLAN; JOEL MARCIANO, titular da conta corrente 100501, que foi utilizada para movimentar recursos da empresa à margem da contabilidade; REGINALDO FURLAN, que efetuou saques da conta 100501; ANTONIO VALDECI JACOB, sócio da empresa KiKakau, fornecedora da Furlan, por ter prestado falsas informações ao fisco, conforme narrado no item 11.4 32 Esse relatório é parte integrante e indissociável do auto de infração, processo administrativo fiscal digital (eprocesso) 18088.720389/201117 – SIMPLES FEDERAL. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pelo grau de reprobabilidade da conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata com intenção de omitir sistematicamente dos rendimentos escriturados em seus assentos contábeis referente ao meses de janeiro a junho do anocalendário 2007. Não se trata assim de simples apuração de omissão de receita, mas restou comprovado o evidente intuito de fraude da Recorrente. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso14. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade15. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 16. Os lançamentos de PIS, de CSLL, de COFINS e de INSS sendo decorrentes das mesmas infrações tributárias, a relação de causalidade que os informa leva a que os resultados dos julgamentos destes feitos acompanhem aqueles que foram dados à exigência de IRPJ. 14 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 15 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 16 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 710 34 Ressaltese que devem ser revistos os percentuais de apuração dos tributos do Simples, em face da redução da matéria tributável aqui procedida. Em assim sucedendo, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Declaração de Voto Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes Diz a decisão recorrida (fls. 712 – numeração digital ND): [...], não sendo possível presumir que os valores relativos à receita declarada tenham transitado nas contas bancárias auditadas. Assim sendo, não há como acatar a pretensão da contribuinte de excluir, do montante considerado omitido, o valor das receitas que foram declaradas na DIPJ. Indagase: se não é possível presumir que os valores relativos à receita declarada tenham transitado nas contas bancárias auditadas, o que dizer, então, da presunção de que os valores relativos à receita omitida tenham transitado naquelas mesmas contas? Deixaria de existir, embora referendada pela lei? Ora, da mesma forma que não é admissível a divisão da prova, também não o é a divisão da presunção: ou se presume o trânsito pelas contas bancárias de todas as receitas auferidas, sejam elas tributadas ou não – de modo a tornar válida e admissível a presunção legal – ou não se presume aquele trânsito. O que não é possível é a “presunção gravosa”, contrária, em todas as situações, ao sujeito passivo. Do contrário, não se estaria diante de uma presunção legal (formada, como se sabe, a partir de uma presunção hominis), mas, sim, de uma ficção legal, o que não é o presente caso. De outro lado, o que está a fiscalização fazendo, senão presumindo que os valores relativos à receita declarada não transitaram nas contas bancárias auditadas, embora reconheça expressamente que, na conta bancária em nome da própria empresa “consta movimento de apenas R$ 53 mil, apesar do faturamento declarado pelo contribuinte no AC de 2007 ter sido de 473 mil (1º semestre – SIMPLES FEDERAL – fls. 577/588)” (fls. 539, item 12, e 659, item 17 – ND)? Fl. 793DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES Processo nº 18088.720389/201117 Acórdão n.º 1803002.464 S1TE03 Fl. 711 35 Menciono, por fim, o seguinte precedente, citado pela própria Recorrente: IRPF. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO VALOR DOS RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE. Nos termos da jurisprudência hoje majoritária do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, devem ser considerados como origem, para fins de apuração do IRPF devido nos casos em que a tributação se dá nos termos do art. 42 da Lei nº 9.430/96, o valor dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Tal medida se justifica pelo fato de que não se pode presumir que os rendimentos recebidos e declarados (e por isso já oferecidos à tributação, quando for o caso) tenham sido utilizados de qualquer outra forma, e não tenham transitado pelas contas bancárias do contribuinte. (Acórdão nº 210200.469 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 03 de fevereiro de 2010). Dou provimento parcial ao Recurso, acompanhando o Voto da Relatora. (assinado digitalmente) Sérgio Rodrigues Mendes Fl. 794DF CARF MF Impresso em 05/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/12/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 05/12/2 014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA, Assinado digitalmente em 04/12/2014 por SERGIO RODRIGUES MENDES
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Numero do processo: 10480.725916/2012-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Dec 02 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
Não é nula a decisão de primeira instância que enfrentou a matéria constante da Impugnação.
IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS.
A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE.
Não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado.
Numero da decisão: 2201-002.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno à DRF de origem, para verificar acerca da pertinência da compensação relativa aos pagamentos relacionados às fls. 123 a 137 (arquivo pdf), nos termos do voto do Relator.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH Relator
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH.
Nome do relator: EDUARDO TADEU FARAH
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INOCORRÊNCIA. Não é nula a decisão de primeira instância que enfrentou a matéria constante da Impugnação. IRRF NÃO DECLARADO EM DCTF. PAGAMENTOS ESPONTÂNEOS. A falta de registro em DCTF do Imposto de Renda Retido na Fonte impõe a necessidade do lançamento, para constituição do crédito tributário correspondente, sem considerar os pagamentos efetuados, os quais deverão ser utilizados na sua amortização quando da fase de cobrança. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. ART. 112 DO CTN. INAPLICABILIDADE. Não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno à DRF de origem, para verificar acerca da pertinência da compensação relativa aos pagamentos relacionados às fls. 123 a 137 (arquivo pdf), nos termos do voto do Relator. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 59 16 /2 01 2- 16 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 2 Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), NATHALIA MESQUITA CEIA, GERMAN ALEJANDRO SAN MARTÍN FERNÁNDEZ, GUSTAVO LIAN HADDAD, FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA e EDUARDO TADEU FARAH. Relatório Trata o presente processo de lançamento de ofício relativo ao Imposto Sobre a Renda Retido na Fonte (IRRF), anocalendário 2010, consubstanciado no Auto de Infração, fls. 71/79, pelo qual se exige o pagamento do crédito tributário total no valor de R$ 25.566,71. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 53/57), o lançamento decorreu de falta de recolhimento do imposto sobre trabalho assalariado, sobre trabalho sem vínculo empregatício e sobre remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas. As infrações foram apuradas cotejandose as DIRFs e DCTFs apresentadas com os DARFs de códigos 0561, 0588 e 1708. Cientificada do lançamento, a interessada apresentou tempestivamente impugnação, alegando, conforme se extrai do relatório de primeira instância, verbis: 3. Apresentouse impugnação (fls. 91 a 93) contrapondose, em síntese, que teriam sido efetuados recolhimentos indevidos, “face a ocorrência de equívocos nos prazos de recolhimento”, mas que esses equívocos teriam sido regularizados no curso da fiscalização, por meio de retificações de DCTFs, elaboração de PERDCOMPS e recolhimento das diferenças. 4. Solicitouse a nulidade e a improcedência do auto de infração e a observação do art. 112 do CTN. A 3ª Turma da DRJ em Recife/PE julgou integralmente procedente o lançamento, consubstanciado na ementa abaixo transcrita: IRRF. PAGAMENTO APÓS INCÍCIO DA AÇÃO FISCAL. ESPONTANEIDADE. PERDA. LANÇAMENTO. Pagamento efetuado após o início da ação fiscal, dado a perda de espontaneidade pelo sujeito passivo, não tem o condão de interromper o lançamento de ofício. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Intimada da decisão de primeira instância em 04/02/2013 (fl. 151), a autuada apresenta Recurso Voluntário em 05/03/2013 (fls. 153/156), sustentando, essencialmente, os mesmos argumentos defendidos em sua impugnação. É o relatório. Fl. 163DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.725916/201216 Acórdão n.º 2201002.608 S2C2T1 Fl. 3 3 Voto Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH, Relator O recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade. Cuidam os autos de lançamento fiscal decorrente de procedimento de auditoria, que constatou a falta de recolhimento do imposto de renda retido na fonte sobre o trabalho assalariado, trabalho sem vínculo empregatício e sobre remuneração de serviços prestados por pessoas jurídicas, referente ao período de janeiro a dezembro de 2010. Antes de se entrar no mérito, cumpre enfrentar, de antemão, a preliminar suscitada pela recorrente. Alega a suplicante, em linhas gerais, que a decisão recorrida padece de nulidade por carência de amparo legal. Pois bem, do exame do julgamento de primeira instância, constatase que todos os questionamentos efetuados por ocasião da impugnação foram analisados e fundamentados em todas as matérias, inclusive no momento em que concordou com o lançamento. Portanto, como a decisão da Delegacia de Julgamento encontrase fundamentada e revestida de legalidade, não pode ser invalidada sem provas, demonstrando de forma clara e objetiva sua improcedência. Assim, não vislumbro nenhum vício na decisão recorrida. No mérito, cumpre transcrever trecho do Termo de Verificação Fiscal (fl. 53): Anocalendário Código DIRF DCTF DARF 2010 0561 58.803,58 9.278,80 50.723,59 2010 0588 2.250,35 562,22 2.501,05 2010 1708 1.445,58 710,07 1.183,08 (...) 06 A Apresentação de DCTF´s Retificadoras Em 15/03/2012 foram apresentadas as DCTF´s retificadoras cujos números são descritos a seguir: janeiro/10 (1891675519), fevereiro/10 (1811680754), março/10 (1821679522), abril/10 (1831679116), maio/10 (1841678723), junho/10 (1851678139), julho/10 (1861677093), agosto/10 (1871676840), setembro /10 (1881676266), outubro/10 (1891675520), novembro/2010 (1811680755), dezembro/ 10 (1831679117). (...) Fl. 164DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH 4 07 Os Valores Lançados de Ofício Em decorrência dos fatos acima expostos, de conformidade com o art. 841, inciso II, do RIR/99 serão lançados de ofício os valores do IRRF, códigos 0561, 0588 e 1708 descritos a seguir: a) IRRF, código 0561: setembro (R$ 3.829,31) e dezembro (R$ 8.821,25); b) IRRF, código 0588: janeiro (R$ 101,56), maio (R$ 29,74) e agosto (R$ 101,56); c) IRRF, código 1708 : janeiro (R$ 45,78), fevereiro (R$ 22,14) março (R$ 33,90), maio (R$ 27,34), junho (R$ 114,18), julho (R$ 99,20), setembro (R$ 212,47), outubro (R$ 27,34) e novembro (R$ 84,59). Do exposto, verificase que a autoridade fiscal formalizou a exigência em razão das divergências apuradas entre os valores apontados nas DCTFs retificadoras, declarados em DIRF e pagos por meio de DARFs. Em seu apelo, alega a recorrente que a julgadora a quo não poderia deixar de considerar as diferenças espontaneamente recolhidas, conforme DARFs às fls. 123/137. De fato, penso que assiste razão à recorrente. Como a autoridade fiscal identificou a omissão, em razão das divergências apuradas entre os valores apontados nas DCTFs retificadoras, declarados em DIRF e pagos por meio de DARFs, entendo que o pagamento efetuado pela recorrente deve ser utilizado para amortização do crédito tributário apurado, caso esses pagamentos não tenham sido utilizados anteriormente. Não se pode perder de vista que as autoridades fiscais devem colher as provas que entender indispensáveis para verificar a ocorrência do fato gerador efetivo, já que no processo administrativo tributário deve sempre prevalecer à verdade material. Assim, reafirmando o posicionamento da autoridade recorrida, deve “... à DRF de origem verificar a disponibilidade dos pagamentos efetuados e, se for o caso, abatê los do crédito em questão”. Ressaltese que não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionada à infração, consoante prevê o Parágrafo Único do art. 138 do CTN: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração. (grifei) Por fim, não havendo divergência acerca da interpretação da lei tributária, o art. 112 do CTN não pode ser aplicado. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH Processo nº 10480.725916/201216 Acórdão n.º 2201002.608 S2C2T1 Fl. 4 5 Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para determinar o retorno dos autos à DRF de origem para verificar acerca da pertinência da amortização dos pagamentos efetuados às fls. 123 a 137, com crédito tributário apurado. Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 166DF CARF MF Impresso em 03/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO, Assinado digitalmente em 26/11/2014 por EDUARDO TADEU FARAH
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Numero do processo: 12898.001077/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2013
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ
Ano-calendário:2006
CRÉDITOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. RECOLHIMENTO
EFETUADO.
Nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário, sendo a cobrança, acaso feita, indevida. A prestação equivocada da DCTF que não os contemplou, é infração que possui penalidade específica
(art. 7º da Lei nº 10.426/02).
Numero da decisão: 1302-001.099
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar
provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator.
Nome do relator: EDUARDO DE ANDRADE
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RECOLHIMENTO EFETUADO. Nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, o pagamento extingue o crédito tributário, sendo a cobrança, acaso feita, indevida. A prestação equivocada da DCTF que não os contemplou, é infração que possui penalidade específica (art. 7º da Lei nº 10.426/02). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto proferidos pelo relator. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) EDUARDO DE ANDRADE Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eduardo de Andrade (presidente da turma em exercício), Paulo Roberto Cortez, Alberto Pinto Souza Junior, Márcio Rodrigo Frizzo, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 10 77 /2 00 9- 75 Fl. 605DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 606 2 Relatório Tratase de apreciar Recurso de Ofício interposto em face de acórdão proferido nestes autos pela 5ª Turma da DRJ/RJ1, no qual o colegiado decidiu, por unanimidade, dar provimento parcial à impugnação, para julgar procedentes em parte os lançamentos efetuados, mantendo a cobrança do IRPJ no valor de R$1.271,98, e da CSLL, no valor de R$457,92, com multa de ofício e juros de mora, conforme ementa que abaixo reproduzo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário:2006 Ementa: IRPJ DIVERGÊNCIA DIPJ X DCTF Cabe o lançamento dos tributos informados na DIPJ, e não declarados em DCTF, devendo ser exonerados os valores cujos recolhimentos forem comprovados. DIPJ DCTF – CONFISSÃO DE DÍVIDA Nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida. A DIPJ tem a função meramente informativa, cabendo o lançamento dos valores nelas informados, quando não recolhidos ou não confessados. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CSLL DIVERGÊNCIA DIPJ X DCTF – Cabe o lançamento dos tributos informados na DIPJ, e não declarados em DCTF, devendo ser exonerados os valores cujos recolhimentos forem comprovados. DIPJ – DCTF – CONFISSÃO DE DÍVIDA – Nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida. A DIPJ tem a função meramente informativa, cabendo o lançamento dos valores nelas informados, quando não recolhidos ou não confessados. Os eventos ocorridos até o julgamento na DRJ, foram assim relatados no acórdão recorrido: Trata o processo do auto de infração, com ciência em 02/07/2009, referente ao anocalendário de 2006, através do qual é exigido da interessada o imposto de renda da pessoa jurídica IRPJ, no valor de R$ 934.419,54 (fls. 28/32), e da Contribuição Fl. 606DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 607 3 Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 318.734,69 (fls. 33/38), acrescido da multa de 75% e encargos moratórios. A exação teve como motivo a constatação de divergências entre os valores informados na DIPJ/2007 (Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica) e os valores declarados nas DCTF (Declaração de Créditos Tributários Federais), referentes ao IRPJ e CSLL. Abaixo, tabela com as diferenças apuradas: IRPJ CSLL PA DIPJ DCTF Diferença DIPJ DCTF Diferença 2º Trim/2006 310.212,14 0,00 310.212,14 105.030,42 0,00 105.030,42 3º Trim/2006 367.785,82 0,00 367.785,82 123.775,74 0,00 123.775,74 4º Trim/2006 384.707,34 128.285,79 256.421,55 134.892,79 44.964,20 89.928,59 TOTAL 934.419,51 TOTAL 318.734,75 Enquadramento legal: 516, §§ 4° e 5°, 541, 841, incisos I e IV, do RIR/99. Inconformada, a autuada ingressou com impugnação em face à cobrança de IRPJ, em 31/07/2009, fls. 53/66, alegando: é tributada com base no Lucro Presumido, e não realizou corretamente a declaração do IRPJ na DCTF. a autoridade fiscal lavrou auto de infração ao verificar as divergências entre a DIPJ e DCTF, presumindo a falta de recolhimento, sem levar em consideração a documentação apresentada. efetuou os seguintes recolhimentos: Data de Apuração Vencimento Código de Receita Data de Arrecadação Valor DARF 30/6/2006 31/7/2006 2089 31/7/2006 R$ 103.404,05 30/6/2006 31/8/2006 2089 31/8/2006 R$ 104.438,09 30/6/2006 29/9/2006 2089 29/9/2006 R$ 105.740,98 30/9/2006 31/10/2006 2089 31/10/2006 R$ 122.171,28 30/9/2006 30/11/2006 2089 30/11/2006 R$ 123.392,99 30/9/2006 28/12/2006 2089 3/1/2007 R$ 126.654,96 31/12/2006 31/1/2007 2089 31/1/2007 R$ 128.285,79 31/12/2006 28/2/2007 2089 28/2/2007 R$ 129.518,14 31/12/2006 30/3/2007 2089 30/3/2007 R$ 130.633,79 os supostos débitos de IRPJ estão extinto por pagamento, conforme artigo 156, I do CTN. da leitura dos artigos 113 e 115, ambos do CTN, temse que a obrigação acessória existe em função da obrigação principal, servindo para documentar e auxiliar a atividade privativa de verificação da ocorrência dos fatos geradores; o seu descumprimento acarreta cobrança de multas fixas, e não multas punitivas, que cabem quando descumprida a obrigação principal. mesmo com informações incorretas na DCTF, é possível comprovar os recolhimentos a título de IRPJ, efetuados no prazo devido. Fl. 607DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 608 4 assim, demonstrada a inaplicabilidade da multa de ofício de 75% por descumprimento de obrigação acessória, cabendo elucidar que o artigo 7º da Lei nº 10.426/2002 prevê multa de R$ 20,00 para grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas na DCTF. não deve pagar a multa de ofício de 75%, e também a multa estabelecida pela Lei 10.426/2002 e pela Instrução Normativa nº 903/2008, tendo em vista a natureza de confissão de divida. da DIPJ/ 2007, regularmente apresentada Na mesma data, apresentou impugnação com relação ao lançamento da CSLL, fls. 328/340, trazendo os mesmos argumentos. Abaixo, transcrevo a tabela onde discrimina os pagamentos da CSLL para este período: Data de Apuração Vencimento Código de Receita Data de Arrecadação Valor DARF 30/6/2006 31/7/2006 2372 31/7/2006 R$ 35.010,14 30/6/2006 31/8/2006 2372 31/8/2006 R$ 35.360,24 30/6/2006 29/9/2006 2372 29/9/2006 R$ 35.801,36 30/9/2006 31/10/2006 2372 31/10/2006 R$ 41.105,94 30/9/2006 30/11/2006 2372 30/11/2006 R$ 41.516,99 30/9/2006 28/12/2006 2372 3/1/2007 R$ 42.614,51 31/12/2006 31/1/2007 2372 31/1/2007 R$ 44.964,26 31/12/2006 28/2/2007 2372 28/2/2007 R$ 45.413,90, 31/12/2006 30/3/2007 2372 30/3/2007 R$ 45.805,09 A parcela exonerada não mereceu remanescer porque, no entender do colegiado, a recorrente efetivamente provou ter efetuado os recolhimentos, embora o valor não estivesse declarado em DCTF. É o relatório. Fl. 608DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 609 5 Voto Conselheiro Eduardo de Andrade, Relator. O recurso satisfaz os requisitos de admissibilidade, por ser o montante do crédito exonerado superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 34, inciso I, do Decreto n° 70.235, de 1972, com a redação dada pela Lei n° 9.532, de 1997, e do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03 de janeiro de 2008, e portanto, dele conheço. Débitos não pagos mas declarados em DCTF O presente lançamento decorreu de divergências entre os valores declarados na DIPJ/2007 com aqueles declarados em DCTF. A recorrente afirma que embora tenha se equivocado no preenchimento da DCTF, efetuou os recolhimentos devidos, relativamente aos fatos geradores autuados, fazendo o ainda sob espontaneidade, anteriormente ao início do procedimento fiscal. A DRJ constatou, analisando os documentos acostados pela recorrente, que os recolhimentos espontâneos foram efetivamente realizados, verificando, ainda, que a quitação se deu em 03 quotas, com os acréscimos de juros de mora. Vejase a este ponto seu pronunciamento: Abaixo, tabela com os valores declarados na DIPJ/2007 e os recolhimentos, a partir da qual se constata que o recolhimento do IRPJ e CSLL do 3º trimestre de 2006 não foi integral. Cumpre ainda adicionar que, em pesquisas aos sistemas da Receita Federal do Brasil, os pagamentos não foram objeto de pedido de restituição ou compensação: PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 2º Trim/2006 310.212,14 31/07/2006 103.404,05 0,00 103.404,05 31/08/2006 103.404,05 1.034,04 104.438,09 29/09/2006 103.404,05 2.336,93 105.740,98 IRPJ Pago 310.212,15 PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 3º Trim/2006 367.785,82 31/10/2006 122.171,28 0,00 122.171,28 30/11/2006 122.171,28 1.221,71 123.392,99 03/01/2007 122.171,28 4.483,68 126.654,96 IRPJ Pago 366.513,84 Fl. 609DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 610 6 PA IRPJ DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 4º Trim/2006 384.707,34 31/01/2007 128.285,79 0,00 128.285,79 28/02/2007 128.285,79 1.232,35 129.518,14 30/03/2007 128.285,79 2.348,00 130.633,79 IRPJ Pago 384.857,37 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 2º Trim/2006 105.030,42 31/07/2006 35.010,14 0,00 35.010,14 31/08/2006 35.010,14 350,10 35.360,24 29/09/2006 35.010,14 791,22 35.801,36 CSLL Pago 105.030,42 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 3º Trim/2006 123.775,74 31/10/2006 41.105,94 0,00 41.105,94 30/11/2006 41.105,94 411,05 41.516,99 03/01/2007 41.105,94 1.508,57 42.614,51 CSLL Pago 123.317,82 PA CSLL DIPJ/2007 Data Arrec. Valor Principal Juros de mora Valor recolhido 4º Trim/2006 134.892,79 31/01/2007 44.964,26 0,00 44.964,26 28/02/2007 44.964,26 449,64 45.413,90 30/03/2007 44.964,26 840,83 45.805,09 CSLL Pago 134.892,78 Assim, considerando a legislação acima citada, a constituição do crédito tributário deverá se limitar a diferença apurada entre o montante recolhido e aquele declarado na DIPJ/2007, cabendo a cobrança com multa de ofício de 75%. Diferente do que alega a autuada, a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica não possui natureza de confissão de dívida, pois é considerada meramente informativa para a Administração. Cabe esclarecer que a DCTF é instrumento próprio para confissão de dívida, nos termos do artigo 11 da IN SRF nº 583/2005, já que os valores informados, e não pagos, são enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, prescindido de lançamento de ofício. Na ordem de intimação do acórdão, ficou ainda determinado à Secat proceder à vinculação a este processo dos pagamentos apresentados pela autuada em sua defesa, evitando possível restituição ou compensação dos mesmos. Considerando que o objetivo principal de toda a comunicação dentro do processo jurídico tributário se destina a apurar os créditos tributários e promover sua extinção, não há melhor forma para que isto ocorra que com a extinção por pagamento. Sendo os pagamentos vinculados ao débito, e mais que isso, vinculados a este processo, ficam definitivamente destinados a extinguir os créditos aqui constituídos. Assim sendo, a prestação equivocada da DCTF constituise em mero descumprimento de obrigação acessória, o qual possui penalidade específica (art. 7º da Lei nº Fl. 610DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE Processo nº 12898.001077/200975 Acórdão n.º 1302001.099 S1C3T2 Fl. 611 7 10.426/2002), sendo a cobrança do principal indevida, nos termos do inciso I do art. 156 do CTN, verbis: Art. 156. Extinguem o crédito tributário: I o pagamento; Isto posto, voto para negar provimento ao Recurso de Ofício. Sala das Sessões, 8 de maio de 2013. (assinado digitalmente) Eduardo de Andrade Fl. 611DF CARF MF Impresso em 04/06/2013 por SUELI TORRES SILVESTRE CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2013 por EDUARDO DE ANDRADE
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