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Numero do processo: 10580.733639/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 08 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2009
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos.
DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE.
A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal.
PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO.
Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação.
DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE
Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante.
FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO.
Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado através da declaração de rendimentos apresentada pela própria empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável.
DESPESAS. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO.
A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora.
GASTOS COM IPVA E EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS.
Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a título de emplacamento e IPVA pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante.
NOTA FISCAL INIDÔNEA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA.
Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática de contabilização de pagamento, amparada em nota fiscal inidônea.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA.
A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal.
MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA.
A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas
INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC.
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).
LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL.
Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum.
Preliminares rejeitadas.
Pedido de perícia indeferido.
Numero da decisão: 1402-001.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá.
(Assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(Assinado digitalmente)
Paulo Roberto Cortez - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez.
Nome do relator: PAULO ROBERTO CORTEZ
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Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendo-se, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitar-se ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destina-se a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitando-se ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado através da declaração de rendimentos apresentada pela própria empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. DESPESAS. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. GASTOS COM IPVA E EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a título de emplacamento e IPVA pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. NOTA FISCAL INIDÔNEA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática de contabilização de pagamento, amparada em nota fiscal inidônea. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigi-lo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver má-fé do contribuinte não descaracteriza o poder-dever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratando-se de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Preliminares rejeitadas. Pedido de perícia indeferido.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2009 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. CAPITULAÇÃO LEGAL. DESCRIÇÃO DOS FATOS. LOCAL DA LAVRATURA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, mediante impugnação, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. NULIDADE DO PROCESSO FISCAL. MOMENTO DA INSTAURAÇÃO DO LITÍGIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Somente a partir da lavratura do auto de infração é que se instaura o litígio entre o fisco e o contribuinte, podendose, então, falar em ampla defesa ou cerceamento dela, sendo improcedente a preliminar de cerceamento do direito de defesa quando concedida, na fase de impugnação, ampla oportunidade de apresentar documentos e esclarecimentos. DILIGÊNCIA/PERÍCIA FISCAL. INDEFERIMENTO PELA AUTORIDADE JULGADORA DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE DA DECISÃO. IMPOSSIBILIDADE. A determinação de realização de diligências e/ou perícias compete à autoridade julgadora de Primeira Instância, podendo a mesma ser de ofício ou a requerimento do impugnante. A sua falta não acarreta a nulidade do processo administrativo fiscal. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. DESCABIMENTO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 73 36 39 /2 01 1- 14 Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 2 Descabe o pedido de diligência quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. Por outro lado, as perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal. Assim, a perícia técnica destinase a subsidiar a formação da convicção do julgador, limitandose ao aprofundamento de questões sobre provas e elementos incluídos nos autos não podendo ser utilizada para suprir o descumprimento de uma obrigação prevista na legislação. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE Somente à inexistência de exame de argumentos apresentados pelo contribuinte, em sua impugnação, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa do impugnante. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado através da declaração de rendimentos apresentada pela própria empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. DESPESAS. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. GASTOS COM IPVA E EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a título de emplacamento e IPVA pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. NOTA FISCAL INIDÔNEA. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUALIFICADA. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. JUSTIFICATIVA PARA APLICAÇÃO DA MULTA. Cabível a exigência da multa qualificada prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº. 9.430, de 1996, quando o contribuinte tenha procedido com evidente intuito de fraude, nos casos definidos nos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº. 4.502, de 1964. Caracteriza evidente intuito de fraude, autorizando a aplicação da multa qualificada, a prática de contabilização de pagamento, amparada em nota fiscal inidônea. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CARÁTER DE CONFISCO. INOCORRÊNCIA. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa ao lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. A multa de lançamento de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 3 3 em lei é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal. MULTA DE LANÇAMENTO DE OFICIO. RESPONSABILIDADE OBJETIVA. A responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou responsável. O fato de não haver máfé do contribuinte não descaracteriza o poderdever da Administração Tributária de lançar com multa de oficio as irregularidades apuradas INCONSTITUCIONALIDADE. ÓRGÃO ADMINISTRATIVO. MANIFESTAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). ACRÉSCIMOS LEGAIS. JUROS MORATÓRIOS. TAXA SELIC. A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4). LANÇAMENTO DECORRENTE. CSLL. Tratandose de tributação reflexa, o decidido com relação ao principal (IRPJ) constitui prejulgado às exigências fiscais decorrentes, no mesmo grau de jurisdição administrativa, em razão de terem suporte fático em comum. Preliminares rejeitadas. Pedido de perícia indeferido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Ausente justificadamente o Conselheiro Carlos Pelá. (Assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Relator Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 4 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Leonardo de Andrade Couto, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva e Paulo Roberto Cortez. Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 4 5 Relatório IMPERIAL AUTOMOVEIS LTDA, contribuinte inscrita no CNPJ/MF sob nº 06.204.050/000177, com domicílio fiscal na cidade de Salvador, Estado da Bahia, na Rua LRG dos Mares, nº 18 Bairro Mares, jurisdicionada a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA, inconformada com a decisão de Primeira Instância de fls. 1110/1122, prolatada pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA, recorre, a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, pleiteando a sua reforma, nos termos da petição de fls. 1140/1203. Contra a contribuinte, acima identificada, foi lavrado, em 07/12/2011, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador – BA os Autos de Infrações de Imposto de Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido – CSLL (fls. 03/36), com ciência pessoal, em 07/12/2011 (fl. 03), exigindose o recolhimento do crédito tributário no valor total de R$ 1.268.491,07 a título de Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, acrescidos da multa de ofício normal de 75% e multa qualificada de 150% (Infração nº 03) e dos juros de mora de, no mínimo, de 1% ao mês, calculados sobre o valor do tributo e contribuição referente ao exercício de 2009, correspondente ao anocalendário de 2008. A exigência fiscal em exame teve origem em procedimentos de fiscalização onde a autoridade fiscal lançadora entendeu haver as seguintes irregularidades: 1 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS: Despesas não necessárias apuradas conforme o Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995, art. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, do RIR/99. 2 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS DESPESAS NÃO COMPROVADAS: Despesas não comprovadas apuradas conforme o Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2008 e 31/12/2008. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995, art. 247, 248, 249, inciso I, 251, 277, 278, 299 e 300, do RIR/99. Observando, que nesta infração a multa de ofício foi qualificada (150%). 3 CUSTOS, DESPESAS OPERACIONAIS E ENCARGOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESAS: Contabilidade de despesas com base em documentos inidôneos, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores ocorridos entre 01/07/2008 e 31/12/2008. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995, art. 217, 247, 248, 249, inciso I, 251, 256, 277, 278 e 299, do RIR/99. 4 SALDO INSUFICIENTE COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO OPERACIONAL COM RESULTADO DA ATIVIDADE GERAL: O sujeito passivo compensou prejuízos operacionais em montante superior ao saldo desse prejuízo, conforme detalhamento no Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores ocorridos entre 01/10/2008 e 31/12/2008. Infração capitulada no art. 3° da Lei n° 9.249, de 1995, art. 247 e 250, do RIR/99. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 6 5 IRPJ NÃO DECLARADO AUSÊNCIA DE DECLARAÇÃO OU DECLARAÇÃO INEXATA: Ausência de declaração do Imposto de Renda devido, ou declaração inexata detectada pelo confronto dos dados escriturados com os valores declarados com os valores declarados, gerado insuficiência de recolhimento do imposto, conforme Termo de Verificação Fiscal. Fatos geradores ocorridos entre 01/04/2008 e 31/12/2008. Infração capitulada no art. 841, incisos I, III e IV, do RIR/99. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil responsável pela constituição do crédito tributário lançado esclarece o lançamento através do Termo de Verificação Fiscal (fls. 39/52) amparado, em síntese, nas seguintes considerações: 1 – Quanto a Declaração Inexata do IRPJ e Insuficiência de Recolhimento da CSLL: que essa infração foi originada da declaração a menor, em DCTF, da CSLL e do IRPJ apurados pelo sujeito passivo no anocalendário fiscalizado; que levandose em conta os valores apurados em DIPJ e os recolhidos através de DARF, constatouse o recolhimento a maior do IRPJ no primeiro trimestre de 2008, no valor de R$ 5.813,69, e um recolhimento a menor no quarto trimestre, no mesmo valor, sem que a contribuinte tenha apresentado Declaração de Compensação (PER/DCOMP), conforme estabelece o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Também foi verificado um recolhimento a menor do IRPJ, no segundo trimestre de 2008, no valor de R$ 113,73; que levando se em conta os valores apurados na DIPJ e os declarados em DCTF, foram constatadas diferenças maiores, conforme demonstrativo denominado DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS, anexado à fl. 62; que a contribuinte foi intimada a retificar as DCTF do anocalendário de 2008, para ajustálas aos valores efetivamente pagos antes do início do procedimento fiscal, em conformidade com a Instrução Normativa RFB nº 786, de 2007, § 4º do art. 11 e art. 13, entretanto, a interessada retificou somente a DCTF correspondente ao primeiro trimestre de 2008, ajustando apenas o valor do IRPJ declarado a maior; que, dessa forma, os pagamentos efetuados em valores superiores aos créditos tributários declarados em DCTF não foram aproveitados para amortizar os créditos tributários constituídos de ofício, os quais poderão servir para exonerar as multas de ofício pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, caso assim seja pleiteado pelo sujeito passivo, em conformidade com a Solução de Consulta Interna nº 08, de 30 de abril de 2007; que os valores constituídos de ofício estão informados no mencionado DEMONSTRATIVO DAS DIFERENÇAS NÃO DECLARADAS, à fl. 62; 2 – Quanto as Despesas Não Comprovadas: que a fiscalizada intimada a apresentar a comprovação das despesas com serviços de terceiros, aluguel, conservação e manutenção, propaganda e promoções, vendas internas, publicidade e emplacamento e acessórios, apresentou os documentos requeridos, sendo que, após a análise desses documentos, foi efetuada a glosa das despesas consideradas não comprovadas, discriminadas no DEMONSTRATIVO DE GLOSAS, anexado às fls. 53/61, de acordo com os fatos a seguir descritos: Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 5 7 a) SERVIÇOS DE TERCEIROS DIVERSOS (Conta 51201010009) – não foram apresentados os comprovantes referentes a algumas despesas registradas nessa conta, no primeiro trimestre de 2008, no montante de R$ 4.123,78; b) CONSERVAÇÃO E MANUTENÇÃO (Grupo de Conta 5130501) – no segundo trimestre de 2008, a glosa referiuse à não comprovação de serviços de pintura, no valor de R$ 24.900,00, e, no 4º trimestre de 2008, foi glosado o montante de R$ 767,46, referente a pequenas despesas diversificadas; c) PROPAGANDA E PROMOÇÕES (Conta 51307010009) – a glosa ocorreu no segundo trimestre de 2008 e foi decorrente de lançamento em dobro de despesa, dedução de despesa de outra empresa e falta de comprovação, no montante de R$ 5.953,93; d) VENDAS INTERNAS (Conta 51307010024) – as despesas denominadas “Vendas Internas” correspondem a cortesias oferecidas pela contribuinte a seus clientes. Para efeitos gerenciais, a contribuinte efetuou o registro da despesa no departamento que oferece a cortesia e, em contrapartida, registrou uma receita no departamento que “vendeu” o produto. Ex: o departamento de carros novos oferece uma cortesia de um acessório (despesa) e o departamento de acessórios registra uma receita; analisandose as notas fiscais entregues pela interessada, foram constatadas as seguintes situações: o registro de valores a maior, por não serem considerados os descontos consignados nas notas; a não apresentação de documentos comprobatórios; e a existência de notas fiscais de vendas normais para clientes (CFOP 5403 ou 5102) registradas como despesas de vendas internas (CFOP 5949). Cabe salientar que as notas fiscais de vendas tiveram seu custo baixado no estoque e, portanto, não cabe sua dedução como despesa; como exemplo desses lançamentos, temse a Venda de Oficina, CFOP 5403, NF nº 15890, em nome de Marcos Ayrton Soriano de Almeida, emitida em 04/11/2008, no valor de R$ 3.780,00, cujos lançamentos contábeis estão discriminados no demonstrativo às fls. 42 e 43; e) CONSULTORIA E ASSESSORIA (Conta 5120101007) – os valores glosados correspondem a despesas deduzidas pela empresa nos 1º e 2º trimestres de 2008, a título de serviços de consultoria, assessoria em gestão empresarial, honorários CRM e pesquisa, implantação de processos financeiros e operacionais, etc., que teriam sido executados pelas empresas Absoluta Consultoria e Dados Ltda., CNPJ 08.873.329/000179, Jorge Eduardo Oliveira de Vasconcelos Contabilidade e Gestão Empresarial, CNPJ 07.195.136/000143, e Motomarketing Ltda., CNPJ 07.423.115/000138, as duas primeiras com domicílio em Recife/PE e a última em Itabuna/BA, sendo que, em comum, essas empresas tiveram como contador o sr. Jorge Eduardo Oliveira de Vasconcelos, CPF 442.917.36487, CRC 012485/02 – PE; considerando os valores das despesas contabilizadas e os serviços descritos nas notas fiscais correspondentes, a interessada foi intimada a apresentar os comprovantes dos pagamentos dos serviços, os contratos de prestação de serviços e os relatórios ou documentos equivalentes que demonstrassem a efetiva execução desses serviços. Os documentos apresentados pela empresa, no entanto, não comprovam a efetiva realização dos serviços discriminados; Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 8 foi constatado que os pagamentos foram realizados através de cheques, conforme lançamentos no Livro Razão; analisandose as informações constantes dos sistemas informatizados da RFB, foram constatados alguns fatos relevantes: em relação à empresa Absoluta, só consta a entrega da DIPJ do exercício de 2008, com todos os dados zerados; para a empresa Jorge Eduardo, consta que as DIPJ dos exercícios de 2008 e 2009 também foram entregues zeradas; quanto à empresa Motomarketing, consta a entrega das declarações apenas dos exercícios de 2006 e 2007, também zeradas, sendo que essa empresa não consta em nenhuma DIMOF (Declaração de Informações sobre Movimentação Financeira), ou seja, a empresa não teve nenhuma movimentação bancária. Confrontando as assinaturas dos recibos dessa empresa com as constantes no seu contrato social, verificase que elas não coincidem (fls. 336/351 e 369/375); outro fato relevante é que as notas fiscais apresentadas pela fiscalizada, para comprovar as despesas com as citadas empresas, com exceção da NF nº 0075, da Absoluta (R$ 73.600,00), tem a caligrafia semelhante, o que indica que foram preenchidas pela mesma pessoa, apesar de se tratarem de empresas diferentes, com proprietários diferentes, sendo uma delas, inclusive, de outro Estado, tendo apenas em comum o contador; pelos motivos relacionados, tornase imprescindível a efetiva comprovação da execução dos serviços, bem como a apresentação dos cheques microfilmados, utilizados para o pagamento dessas despesas, que não foram entregues pela fiscalizada; 3 – Comprovação Inidônea de Despesa: que na publicidade a contribuinte registrou uma despesa no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, apresentando, como comprovação, a Nota Fiscal nº 044, emitida em 02/09/2008 pela empresa CNF – Comunicação, Publicidade e Marketing, CNPJ nº 03.664.041/000170; que ocorre que esta nota fiscal é inidônea, tendo em vista que o CNPJ da gráfica constante no documento não existe. O CNPJ aposto no documento é 12.325.258/000148, que seria da Gráfica Gastão, localizada em Feira de Santana/BA, quando, na realidade, o CNPJ 12.325.258/000147 pertence a Welington Eduardo da Silva, micro empreendedor individual, cuja atividade é de lanchonete e está localizada no município de Mirassol D’Oeste, no Estado de Mato Grosso. Cabe esclarecer que o último número do CNPJ é denominado de dígito verificador e é calculado pelo sistema da RFB quando da criação do número do CNPJ e só pode existir um, portanto, o dígito “48” não existe e o correto é o número “47”; que considerando esses fatos, a fiscalizada foi intimada a apresentar diversos documentos relacionados a essa operação, conforme Termo de Intimação de fls. 187, sendo que a interessada respondeu que não foram encontrados os documentos solicitados (fls. 199); que em diligência efetuada na empresa CNF – Comunicação, Publicidade e Marketing, foi constatado que: ela apresenta declaração como inativa desde o exercício de 2001; não existe nenhuma DIMOF em seu nome; no endereço cadastral da empresa existe apenas uma casa desabitada e, de acordo com um comerciante vizinho, o citado estabelecimento nunca funcionou, conforme Termo de Constatação apensado a este processo; 4 – Despesa Operacional Não Dedutível: Fl. 1966DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 6 9 que tratamse de despesas com emplacamentos e acessórios, vendas internas e cortesias, as quais, por não serem necessárias às atividades da empresa, não são dedutíveis para a apuração da base de cálculo do IRPJ, nos termos do art. 299 do RIR/1999 e do art. 57 da Lei nº 8.981, de 1995, conforme detalhamento a seguir: a) DESPESA COM VENDAS – EMPLACAMENTO E ACESSÓRIOS (Grupo de Contas 5140101) – intimada a apresentar os comprovantes dessas despesas, a contribuinte, alegando a grande quantidade de documentos envolvidos, apresentou uma amostra desses comprovantes, sendo que cada comprovante correspondia a um conjunto formado por uma nota fiscal de venda do veículo, uma cópia do controle interno de emissão de cheque e um resumo dos valores pagos a título de IPVA, seguro e serviços de emplacamento, com indicação da data, do nome do vendedor e da nota fiscal correspondente; essas despesas correspondem a cortesias concedidas aos clientes da fiscalizada, quando da venda dos automóveis, que não são deduzidas nas notas fiscais de venda a título de desconto; também nesse grupo encontrase a despesa denominada de acessórios, que tem a mesma natureza de cortesia, sendo que, apesar de ter como contrapartida uma conta de receita, houve também a dedução do custo dos produtos em contrapartida de estoque, conforme contas do Razão em anexo, com repercussão no resultado. Também houve a contabilização de despesas que tiveram como contrapartida a conta de fornecedores, não transitando pelo estoque nem sendo reconhecida a receita correspondente; com relação às despesas com emplacamento, os documentos apresentados não foram suficientes para comprovar que tais despesas foram suportadas pela contribuinte; b) VENDAS INTERNAS (Conta 51307010024) – essas despesas, como já esclarecido anteriormente, correspondem a cortesias oferecidas pela contribuinte a seus clientes e, embora tenha como contrapartida uma conta de receita, houve o registro dos custos em contrapartida dos respectivos estoques. A diferença é que os valores glosados nesse item corresponderam às diferenças entre o total dos valores contabilizados como vendas internas e os valores que foram glosados, a título de vendas a terceiros e valores contabilizados a maior, conforme o Demonstrativo de Glosas; c) CORTESIA (Conta 51307010016) – do mesmo modo das vendas internas, as contrapartidas da maioria dos lançamentos foram em conta de receitas, porém, também houve o aproveitamento dos custos em contrapartida dos estoques, conforme conta do Razão. Também ocorreram lançamentos diretos, sem passar pela conta de estoque, ou seja, débito em despesa e crédito em fornecedores, sem lançamento em conta de receita; tais despesas não são dedutíveis por não se enquadrarem como necessárias às atividades da pessoa jurídica, conforme o art. 299 do RIR/1999 (transcreve), representando simples liberalidade da empresa; 5 – Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais: que com as glosas efetuadas no 3º trimestre de 2008, o prejuízo apurado pela contribuinte nesse trimestre passou a ser lucro, com isso, as compensações de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL efetuadas pela empresa no 4º trimestre de 2008 foram consideradas indevidas, o que motivou sua glosa, no montante de R$ 63.762,59. Fl. 1967DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 10 Em sua peça impugnatória de fls. 1026/1088, apresentada, tempestivamente, em 06/01/2012, a autuada se indispõe contra a exigência fiscal, solicitando que seja acolhida à impugnação para declarar a insubsistência do Auto de Infração, com base, em síntese, nos seguintes argumentos: que a contribuinte não teve oportunidade de apresentar, antes do fechamento do auto de infração, elementos que pudessem esclarecer o autuante, tendo em vista que não teve ciência das matéria que estavam sendo objeto de autuação fiscal, prejudicando a possibilidade antecipada do contraditório pleno, assegurado pela Constituição Federal de 1988; que a defendente tem à disposição da RFB, a qualquer tempo, os livros fiscais exigíveis e a documentação correspondente, com os quais a autoridade coatora pode obter, se necessário, os dados sobre a receita submetida à tributação e, sobretudo, sobre a verdade material dos elementos constantes dessa impugnação; que houve um certo cerceamento do direito de defesa, pela narração lacônica do fato fiscal, ou não individualização dos fatos concretos, pois o auto de infração, em muitos itens, está vagamente elaborado e decorre de situação claramente presumida; que a autoridade coatora afirma que elegeu a multa aplicada no inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, considerando que, em tese (afirmação da própria autoridade), a contribuinte teria a intenção de omitir do Fisco o conhecimento da base imponível do imposto, sendo inegável que o auto de infração foi construído com base em presunções e a requerente não foi chamada para prestar os esclarecimentos que se faziam necessários; que a contribuinte, assim, em suas razões de defesa, fará comprovação de situações fáticas que anularão o feito, com evidências técnicas que comprovarão ser improcedentes todas as eleições nomeadas pelo auditor; que em direito tributário, é nulo o auto de infração baseado em flagrante imperfeição, desde que não observadas as regras e os ritos formais, ferindo o princípio do ato regrado ou vinculado à lei (CTN, arts. 97, I e III, 114, 116, I, 141 e 144; CF/1988, arts. 5º, II, 37, caput, e 150, I); que no presente caso, devese concluir não só pela impugnação do mérito do auto de infração, mas pelo intento confiscatório da multa e dos juros moratórios, já que a defendente demonstrará imperfeições gerais que impugnarão a peça básica. Se a autoridade aplicou multas decorrentes, qualificadas ou não, além de juros de mora, sobre um imposto que a rigor não é devido, é inegável que a sua aplicação grava a contribuinte de maneira ilegal, ferindo, inclusive, as disposições do CTN e da própria Constituição Federal em vigor; que, no que diz respeito a contestação dos itens glosados das despesas operacionais do contribuinte. inidoneidade de documentos comprobatórios. despesas não comprovadas por testes de legalidade, é de se dizer, que de acordo com o art. 48 da Instrução Normativa SRF nº 568, de 2005, é considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ tenha sido declarada inapta; que a regra exposta não se aplica aos casos em que o terceiro interessado, o adquirente de bens, direitos e mercadorias, ou o tomador de serviços, puder comprovar o pagamento do preço respectivo e o recebimento dos bens, direitos ou mercadorias ou a utilização dos serviços; Fl. 1968DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 7 11 que nesse sentido, a requerente reproduz trecho de decisão do Conselho Estadual de Contribuintes de Santa Catarina, que analisa caso assemelhado sobre inidoneidade de documentos fiscais; que a interessada, nesse ponto, faz um extenso arrazoado procurando demonstrar a improcedência dos autos de infração lavrados em operações sujeitas ao ICMS, com lastro em dados constantes unicamente no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços – SINTEGRA, por violar dispositivos constitucionais; que, no que diz respeito a aplicação da multa qualificada sobre a glosa do item de despesas de propaganda, é de se dizer, que a pretensa inidoneidade do documento fiscal, ou o fato de não ter prestado a totalidade dos informes à Receita Federal, não teve o condão de prejudicar direito do Fisco ou alterar a verdade dos fatos, não configurando o que a lei chama de “dolo específico”; que o lançamento dessa multa, qualificada basicamente com a pretensão de representação fiscal para fins penais, é apenas genérico, sem a configuração do dolo específico da contribuinte; que a autoridade fiscal reporta que, para comprovar a despesa, a fiscalizada apresentou uma nota fiscal inidônea, por que o CNPJ da gráfica constante do documento fiscal não existe, entretanto, é de se perguntar se o sujeito passivo é obrigado a conferir o CNPJ da gráfica na qual o seu prestador mandou confeccionar o talonário, ou se tal empresa apresenta declaração como inativa; que esta infração foi originada da declaração a menor, em DCTF, da CSLL e do IRPJ apurado pelo sujeito passivo no ano calendário fiscalizado; que no decorrer deste procedimento de fiscalização foi constatado que havia divergências entre os valores apurados em DIPJ, os declarados em DCTF e os recolhidos em DARF pelo contribuinte. Assim, levandose em conta os valores apurados em DIPJ e os recolhidos através de DARF, constatamos que houve o recolhimento a maior dom IRPJ no primeiro trimestre de 2008, no ao mesmo valor, porém o fiscalizado não apresentou PER/DCOMP (Pedido Eletrônico da Restituição ou Ressarcimento e da Declaração de Compensação), conforme estabelece o art. 74 da Lei n° 9.430/96; que houve um recolhimento a menor do IRPJ, no segundo trimestre de 2008, no valor de R$ 112,73 (cento e treze reais e setenta e três centavos); que através do termo de intimação fiscal n° 1, lavrado em 10/05/2011 e recepcionado em 16/05/2011, e demais Termos, o contribuinte foi intimado a apresentar a comprovação das despesas com serviços de terceiros/aluguel, conservação e manutenção; propaganda e promoções, vendas internas; publicidade e, por fim, emplacamento e acessório; que nenhuma destas empresas apresentou os documentos que comprovassem a efetiva realização dos serviços discriminados nas Notas Fiscais que foram deduzidas como despesa, nenhuma copia de cheque, conforme foi requerido, bem como nenhum recibo de transferência entre contas bancarias. Apenas a empresa ABSOLUTA apresentou um contrato de prestação de serviços; Fl. 1969DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 12 que na infração de despesas operacional não dedutível, decorrente da glosa de despesas com emplacamentos e acessórios, vendas internas e cortesias que, por não serem necessárias à atividade da empresa, não são dedutíveis do resultados para efeitos do IR, de acordo com ao RT. 299 do RIR 99 e art. 57 da Lei 8.981/95 para a CSLL; que de um modo geral houve apenas aparente correção dos procedimentos da fiscalização, e por isso a defendente não declina inclusive de seu direito de eleger Preliminares Relevantes Argüidas, que firmemente podem, desde aqui, de alguma maneira, antecipar o conhecimento de mérito, ou medidas que impossibilitarão, desde o inicio, o exercício do Contraditório Pleno; que a multa confiscatória, não há como não só pela impugnação do mérito principal, mas pelo intento confiscatório da Multa, já que a Defendente demonstrara imperfeições gerais que impugnarão a Peça Básica de Infração; que, portanto, a presente autuação fiscal carece mesmo ainda de maior clareza e objetividade quanto à origem da diferença que se entende devida pelo Defendente a titulo de Imposto de Renda o que dificulta e cerceia o seu direito de defesa, amplamente assegurado a nível constitucional (art. 5°, inciso LV), além de comprometer a seriedade dos critérios adotados para a apuração dos valores que lhe vem sendo exigidos; que o lançamento requer a prova segura da ocorrência de todos os fatos geradores do tributo, tratandose de atividade plenamente vinculada (CTN, art. 3 e 142). Cumpre a fiscalização realizar as inspeções necessária à obtenção dos elementos de convicção e certeza indispensáveis a constituição do credito tributário; que os itens glosados das despesas operacionais do contribuinte, inidoneidade de documentos comprobatórios as despesas não comprovadas por testes de legalidade, no entanto, importa agora, neste ínterim, ser trazidos ao campo da melhor análise, conforme insta no art. 48, da Instrução Normativa SRF 568/2005, que é considerado inidôneo, não produzindo efeitos tributários em favor de terceiro interessado, o documento emitido por pessoa jurídica cuja inscrição no CNPJ haja sido declarada inapta; que da aplicação da multa qualificada sobre a glosa do item despesas de propaganda, que ocorrendo o lançamento de oficio submetese estão o contribuinte à lavratura de multa de oficio em virtude de sua ação omissiva quando à obrigação acessória, conforme disposto no art. 44, da Lei 9.430/96; que a multa esta prevista na Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I e parágrafo 1°, e foi aplicada porque o sujeito passivo aparentemente teria praticado os atos enquadrados no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, mais precisaria que se caracterizasse o dolo especifico, e isto não foi feito; que no emplacamento de veículos é claro que a autoridade Coatora parece não conhecer as características básicas do segmento de comercialização de veículos, tanto na glosa das despesas de emplacamentos, mesmo nas despesas de vendas internas, acessórios e o que chama de cortesias; que a autoridade Coatora de fato não conhece as praticas do segmento. Acha que se possa vender um veiculo sem que o cliente possa receber, direta ou indiretamente, a sensação que teve um desconto, uma bonificação, uma vantagem aparente, seja ele materializado em produtos, em serviços, ou em benefícios; Fl. 1970DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 8 13 que se usar a norma para sancionar a atividade. O fato de haver a contrapartida de uma receita a maior, sem descontos na formação do preço de venda é muito maior do que a dedução de um efeito de despesa menor no resultado, sendo ao contrário o contribuinte está gerando maior lucro; que as vendas internas, as notas de débitos internos, todos eles, de peças e acessórios, serviços gerais aplicados em veículos do estoque porque destinam a serem em seguida produtos comercializados, sobretudo de veículos usados. E indisfarçável que o propósito de todos os lançamentos contidos nesta fiscalização foi onerar a atividade de tributação mais onerosa e gravosa, é fazer lançamento; que a autoridade autuante houve por bem aplicar multa no valor de 75%, o que demonstra seu caráter confiscatório; que cobrados como se tributos fossem, as multas tributarias gozam dos mesmos privilégios do credito tributário, e ao atingir o montante aqui aplicado confiscam o patrimônio do Defendente de forma ilegal e inolvidável, de que, o crédito tributário não encontra na multa abusiva albergue para sua proteção; que a lei que instituiu a SELIC é bastante clara ao conferirlhe característica remuneratória, calculada em função da variação do custo do dinheiro, sofrendo, destarte, as influencias do mercado. Após resumir os fatos constantes da autuação e as principais razões apresentadas pela impugnante, em 06 de janeiro de 2012, os membros da Segunda Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Salvador BA concluíram pela improcedência parcial do lançamento, com base, em síntese, nas seguintes considerações: que os lançamentos decorreram das seguintes infrações: falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, apurada através do confronto entre os valores informados pela empresa em DIPJ e aqueles confessados em DCTF; despesas não comprovadas com documentos hábeis e idôneos; e despesas tidas como não dedutíveis. Em função das infrações imputadas, também houve a constatação de compensação a maior de prejuízos fiscais; que a interessada, preliminarmente, requer a anulação dos lançamentos, sob a alegação de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista a descrição lacônica ou a não individualização dos fatos, que decorrem de situações claramente presumidas, além de não terem sido observadas as garantias constitucionais, nos termos das Súmulas 346 e 473 do STF; que os autos de infração foram lavrados por servidor competente, Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, e possuem completa descrição dos fatos e enquadramento legal, atendendo integralmente ao que estabelece o art. 10 do PAF, combinado com o art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), não havendo nenhum vício formal ou cerceamento do direito de defesa, já que, conforme o Termo de Verificação Fiscal de fls. 39/52, o autuante descreve minuciosamente todos os fatos que motivaram os lançamentos e apresenta os elementos de prova que considera suficientes, além dos dispositivos legais pertinentes. Tanto é assim que a impugnação apresentada demonstra total conhecimento, por parte da empresa, dos fatos descritos pelo autuante, já que nela a requerente também descreve, com minúcias, os fatos motivadores dos lançamentos tributários; Fl. 1971DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 14 que em relação ao pedido de juntada posterior de documentos, efetuado de forma genérica, não pode ser analisado por não constar do processo qualquer solicitação específica nesse sentido, o mesmo acontecendo em relação ao pedido de realização de perícia, também formulado pela contribuinte de forma genérica, por não atender ao disposto no art. 16, inciso IV, do PAF; que, no mérito, em função da diversidade de infrações verificadas pela autoridade fiscal, e para melhor entendimento das matérias em litígio, tais infrações serão apreciadas separadamente, na ordem em que se encontram apresentadas no Termo de Verificação Fiscal (fls. 39/52); 1 – Declaração Inexata do IRPJ e Insuficiência de Recolhimento da CSLL: que a interessada não questiona as diferenças apontadas pelo autuante entre os valores relativos ao IRPJ e à CSLL apurados pela empresa, e informados em DIPJ, e aqueles confessados em DCTF, diferenças essas que são objeto dos autos de infração ora em julgamento; que, entretanto, como reconhece o próprio autuante, a contribuinte efetuou recolhimentos espontâneos da CSLL que não foram confessados em DCTF, nos valores de R$67,08, em relação ao primeiro trimestre de 2008, e R$ 41,16, para o segundo trimestre de 2008, conforme DARF anexados às fls. 118 e 126. Nesse caso, a Coordenação Geral de Tributação – COSIT, através da Solução de Consulta Interna nº 8, de 30 de abril de 2007, já se pronunciou no sentido de que, em função de o crédito tributário correspondente não ter sido confessado, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a empresa da multa de ofício correspondente ao valor recolhido; que, portanto, devem ser mantidos os lançamentos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, em relação à infração decorrente de falta de declaração, objeto do item 1 do auto de infração, exonerandose, no entanto, a multa de ofício correspondente às parcelas espontaneamente recolhidas da CSLL, o mesmo acontecendo quanto aos juros moratórios cobrados sobre estas mesmas parcelas, devendo a autoridade competente providenciar a devida alocação dos valores pagos (DARF de fls. 118 e 126) ao crédito tributário ora constituído; 2 – Despesas Não Comprovadas: que, segundo o autuante, a contribuinte teria deixado de comprovar a efetividade de diversas despesas, discriminadas no Demonstrativo de Glosas anexado às fls. 53/61, registradas nas seguintes contas: Serviços de Terceiros; Conservação e Manutenção; Propaganda e Promoções; Vendas Internas; e Consultoria e Assessoria; que, em relação às despesas registradas como Serviços de Terceiros (conta 51201010009), no primeiro trimestre de 2008, a contribuinte deixou de comprovar, tanto durante a ação fiscal, quanto na impugnação apresentada, diversos lançamentos, listados à fl. 53, que totalizam R$4.123,78, razão pela qual deve ser mantida a sua glosa; que a requerente, por sua vez, alega que a autuação foi baseada em presunções e que caberia ao agente fiscal a comprovação da infração; que, entretanto, o artigo 9º do Decretolei nº 1.598, de 1977, matriz legal do art. 276 do RIR/1999, ao tratar do exame dos livros e documentos da escrituração do contribuinte, a ser realizado pela autoridade tributária para fins de verificação da apuração do Fl. 1972DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 9 15 lucro real, determina que a escrituração da contribuinte só faz prova a seu favor dos fatos nela registrados, se mantida com observância das disposições legais e comprovada com documentos hábeis; que quanto às despesas com Conservação e Manutenção (grupo de contas 5130501), também deixaram de ser comprovados, durante os procedimentos de fiscalização, os dispêndios contabilizados a título de Serviço de Pintura, no valor de R$ 24.900,00, relativo ao segundo trimestre de 2008, bem como o montante de R$ 767,46, referente a pequenas despesas diversificadas, no quarto trimestre de 2008. A requerente, em sua impugnação, também não apresentou qualquer documento comprobatório dessas despesas, devendo ser mantida a glosa efetuada pela autoridade fiscal; que no tocante às despesas registradas como Vendas Internas (conta 51307010024), o agente fiscal relata, como irregularidades, as seguintes situações: o registro de valores a maior, por não serem considerados os descontos consignados nas notas fiscais; a não apresentação de documentos comprobatórios; e a existência de notas fiscais de vendas normais para clientes registradas como despesas de vendas internas, sendo que tais vendas tiveram seus custos baixados no estoque, não cabendo sua dedução como despesas; que a impugnante não apresentou questionamento a respeito dos valores registrados a maior, nem quaisquer documentos comprobatórios dos dispêndios listados pelo autuante nesse item. Em relação aos demais registros glosados, restou demonstrado que as vendas foram efetuadas diretamente para clientes da empresa, pessoas físicas e jurídicas, e tiveram seus custos devidamente baixados no estoque, compondo, portanto, os custos das mercadorias vendidas, o que torna indevido o seu aproveitamento também como despesa na apuração do lucro tributável; que quanto às despesas a título de Consultoria e Assessoria (conta 5120101007), o autuante alega que a interessada foi intimada a apresentar os comprovantes dos pagamentos dos serviços, que teriam sido realizados através de cheques, os contratos de prestação de serviços e os relatórios ou documentos equivalentes que demonstrassem a execução desses serviços, no entanto, os documentos apresentados pela interessada não comprovam a efetiva realização dos serviços contabilizados; que aponta ainda o autuante que: as empresas supostamente prestadoras dos serviços não apresentaram DIPJ em diversos exercícios, ou as apresentaram com os dados zerados; as assinaturas constantes dos recibos apresentados pela autuada não coincidem com aquelas apostas nos contratos sociais das citadas empresas prestadoras dos serviços; as notas fiscais apresentadas possuem a mesma caligrafia, apesar de se tratarem de empresas diferentes, sendo uma delas de outro Estado, tendo apenas em comum o contador; que, e importante destacar que a glosa dessas despesas teve como motivação a falta de comprovação das operações correspondentes, já que a interessada foi intimada, através do termo de fls. 149/151, a apresentar os comprovantes dos pagamentos dos serviços (cheques microfilmados), os respectivos contratos e os relatórios que demonstrassem a execução dos serviços, porém, em resposta, a contribuinte apresentou apenas recibos, deixando de comprovar os efetivos pagamentos, que teriam sido realizados através de cheques, conforme registro no Razão, bem como a efetiva realização dos serviços descritos; 3 – Comprovação Inidônea de Despesa: Fl. 1973DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 16 que, segundo o autuante, a empresa registrou uma despesa com publicidade (conta 51307010029), no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, e, para comprovar essa despesa, teria apresentado uma nota fiscal inidônea, emitida pela empresa CNF – Comunicação Publicidade e Marketing (CNPJ nº 03.664.041/000170), tendo em vista que o CNPJ da gráfica que confeccionou o documento fiscal não existe. Além disso, em diligência realizada na CNF, restou constatado que tal empresa apresentou declaração como inativa desde o exercício de 2001, não teve movimentação financeira no período e, conforme Termo de Constatação de fl. 198; não foi encontrada em seu endereço cadastral; que, em decorrência desses fatos, foi aplicada a multa qualificada de 150%, de acordo com o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, alegando o autuante que a empresa, ao utilizar uma nota fiscal inidônea para justificar despesas, praticou, intencionalmente, ato visando sonegar o IRPJ e a CSLL, enquadrandose no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964; que, no caso, a própria empresa reconhece a infração constatada na ação fiscal, ou seja, a falta de comprovação com documento hábil e idôneo da despesa de propaganda, contabilizada no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, questionando apenas a multa agravada de 150%, restando claro que a autuada não tem elementos para comprovar a despesa (fl. 199), elementos esses que foram expressamente solicitados através do Termo de Intimação de fl. 187; que é certo que a requerente não tem a obrigação de conhecer a situação fiscal ou cadastral de seus prestadores de serviços, entretanto, o fato de a contribuinte se apropriar de despesas reconhecidamente sem lastro em documento hábil e, adicionalmente, tentar comprovar a operação se utilizando de um documento fiscal inidôneo, confeccionado por uma gráfica cujo CNPJ é inexistente e emitido por uma empresa que não foi encontrada em seu endereço cadastral, demonstra o intuito claro, por parte da fiscalizada, de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária; que essa conduta encontrase perfeitamente tipificada no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, sendo, portanto, cabível a imposição da multa qualificada de 150% (cento e cinqüenta por cento) sobre os tributos devidos, prevista no citado art. 44, inciso I, c/c o § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, com as modificações da Lei nº 11.488, de 2007; 4 – Despesa Operacional Não Dedutível: que, nesse item, foram glosadas despesas escrituradas a título de Emplacamentos e Acessórios, Vendas Internas e Cortesias, as quais, no entender do autuante, por não serem necessárias às atividades da empresa, seriam indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ. Com relação às despesas com emplacamento, a empresa também não teria comprovado que tais dispêndios foram por ela suportados; que a requerente alega, em síntese, que: se tratam de despesas absolutamente necessárias e vitais para instrumentar a venda de veículos em um segmento econômico de avassaladora concorrência; os pagamentos foram suportados pela requerente, de acordo com os documentos apresentados, e a autoridade autuante não comprovou o contrário, invertendo o ônus da prova; que, os gastos com emplacamentos de veículos novos não são encargos do revendedor do automóvel, mas sim do adquirente do veículo, sendo que, via de regra, as Fl. 1974DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 10 17 revendedoras de automóveis funcionam como intermediárias na operação de emplacamento de veículos, recebendo o dinheiro de seus clientes e repassando para despachantes; que sabese que algumas concessionárias assumem esse ônus, como uma estratégia de marketing, visando atrair mais clientes e incrementar seus negócios. Entretanto, esse fato tem que restar comprovado com documento hábil e, no caso, como bem alega o autuante, foram apresentados apenas controles internos de emissão de cheques e resumos dos valores pagos a título de IPVA, que não são documentos hábeis a comprovar que os dispêndios foram suportados pela contribuinte; que ao contrário do que alega a impugnante, não se trata de inversão do ônus da prova, tendo em vista que a comprovação de qualquer despesa cabe à contribuinte, como já exposto no item 2 do auto de infração; que em relação às despesas denominadas de Acessórios, bem como aquelas descritas como Vendas Internas e Cortesia, tratamse de simples liberalidade da empresa e, por isso, não atendem às disposições do art. 299 do RIR/1999, não podendo tais despesas ser deduzidas na apuração do lucro real, ainda mais nos casos de lançamentos que tiveram seus custos baixados no estoque, já compondo, portanto, os custos das mercadorias vendidas; 5 – Compensação Indevida de Prejuízos Fiscais: que mantidas as infrações apuradas, que redundaram em reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no 3º trimestre de 2008, cabível a recomposição dos prejuízos compensados pela autuada no trimestre subsequente, como efetuado pela autoridade fiscal; 6 – Multa de Ofício e Juros Aplicados: que a impugnante aponta também que a multa lançada, de 75% sobre os tributos devidos, configura confisco, nos termos do art. 150, inciso IV, da Constituição Federal; que, entretanto, o percentual a ser observado pela autoridade administrativa, quando verificado o descumprimento da obrigação tributária, deve ser aquele fixado na legislação pertinente, sendo incabível a alegação de inconstitucionalidade baseada na noção de confisco, por não se aplicar o dispositivo constitucional à espécie dos autos; que, o legislador, ao redigir o artigo 161 do CTN, não determinou outros requisitos para a fixação dos juros moratórios. Desta forma, não cabe a discussão quanto à natureza da taxa SELIC, se remuneratória ou compensatória. A decisão de Primeira Instância esta consubstanciada nas seguintes ementas: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário:2008 NULIDADE. O procedimento fiscal efetuado por servidor competente, no exercício de suas funções, contendo os demais requisitos exigidos pela legislação que rege o Processo Administrativo Fl. 1975DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 18 Fiscal, tais como o enquadramento legal e a perfeita descrição dos fatos, não pode ser considerado nulo. PEDIDO DE PERÍCIA. Considerase não formulada a solicitação de perícia efetuada de forma genérica, por não atender aos requisitos exigidos pela legislação de regência. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI OU ATO NORMATIVO. O afastamento da aplicabilidade de lei ou ato normativo, pelos órgãos judicantes da Administração Fazendária, está necessariamente condicionado à existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal declarando a sua inconstitucionalidade. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do SELIC, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008 FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre o imposto devido, apurado através da declaração de rendimentos apresentada pela própria empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável DESPESAS. NECESSIDADE E COMPROVAÇÃO. A dedutibilidade dos dispêndios realizados a título de custos e despesas operacionais requer a prova documental, hábil e idônea, das respectivas operações e da necessidade às atividades da empresa ou à respectiva fonte produtora. GASTOS COM IPVA E EMPLACAMENTO DE VEÍCULOS. Incabível a dedução, como despesa operacional, dos valores pagos a título de emplacamento e IPVA pela revendedora de veículos, mormente quando não restar devidamente comprovado que tais dispêndios foram suportados pelo comerciante. MULTA QUALIFICADA. INCIDÊNCIA. Apropriarse de despesa com lastro em documentação inidônea constitui ação dolosa, com o intuito de impedir ou retardar o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, justificando Fl. 1976DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 11 19 a imposição da penalidade qualificada, de acordo com a legislação de regência. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 LANÇAMENTO DECORRENTE. Em se tratando de base de cálculo originária das infrações que motivaram o lançamento principal, deve ser observado para o lançamento decorrente o que foi decidido para o matriz, no que couber. FALTA DE RECOLHIMENTO. LANÇAMENTO. Cabível o lançamento de ofício de diferenças verificadas entre a contribuição devida, apurada através da declaração de rendimentos apresentada pela própria empresa, e o valor confessado ou recolhido, em conformidade com a legislação aplicável. CRÉDITO TRIBUTÁRIO PAGO E NÃO CONFESSADO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Na ocorrência de crédito tributário espontaneamente recolhido, mas sem que tenha havido sua confissão em DCTF, deve ser ele constituído de ofício, em sua totalidade, exonerandose a empresa da multa de ofício proporcional à parcela paga. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Cientificado da decisão de Primeira Instância, em 20/11/2012, conforme Termo constante à fl. 1139, e, com ela não se conformando, o contribuinte interpôs, em tempo hábil (12/12/2012), o recurso voluntário de fls. 1140/1203, no qual demonstra irresignação contra a decisão supra, baseado, em síntese, nas mesmas razões expendidas na fase impugnatória, reforçado pelas seguintes considerações: que, ainda nesta instancia cumpre contestar e não há como não se concluir não só pela impugnação do mérito principal, mas pelo intento confiscatório da multa, já que a Defendente demonstrará imperfeições gerais que impugnação a peça Básica de Infração. Se a autoridade aplicou multas decorrentes, qualificadas ou não, sobre um imposto que a rigor não e devido, é inegável que a multa grava o contribuinte de maneira ilegal, ferindo inclusive as disposições do CTN e da própria Constituição Federal em vigor; que, ao longo do processo a Autoridade Coatora atacou também o fragrante desrespeito do auto de Infração, pelos critérios utilizados, no que toca à aplicação dos juros de Mora que a rigor importam sobre um valor calculado que é construído sobre ficções; Fl. 1977DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 20 que, por outro lado, em nenhum momento se fez prova de diferença de base de cálculo alegada pelo Fisco, o que vem também de concorrer para viciar com a pecha da nulidade o auto de infração, ora impugnado; que, no processo administrativo fiscal para apuração e exigência do credito tributário, ou procedimento administrativo de lançamento tributário, autor é o Fisco a ele, portanto, incumbe o ônus de provar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária que serve suporte à exigência do crédito que está a constituir; que, diante dos fatos exposto pela Autoridade Coatora no Auto de Infração em relação ao IRPJ, é de suma importância uma conceituação clara e objetiva do que são despesas dedutíveis. E de acordo com o Artigo 299 do Regulamento do Imposto de Renda – RIR/99 considerase despesas operacionais aquelas necessárias à atividade exercida pela empresa e, à manutenção de sua fonte produtora; que, a presente Consideração, por exemplo, absolutamente cabível de ponderação tem por escopo analisar, à luz da Constituição, a improcedência dos autos de infração lavrados em operações sujeitas ao ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços, com lastro em dados constantes unicamente no Sistema Integrado de Informações sobre Operações Interestaduais com Mercadorias e Serviços – Sintegra como meio de publicação oficial por diversas Secretarias de Fazenda e até mesmo pela Receita Federal; que a pretensa inidoneidade do documento fiscal ou de não ter prestado a totalidade de informes a Receita Federal não teve o condão de prejudicar o direito do fisco ou alterar a verdade sobre os fatos, e por isso não configurar o que a lei chama de dolo especifico; que, diz a autoridade fiscal que a multa seria cabível e aplicada no credito tributário constituído neste Auto de Infração relativo à glosa pela utilização de documentos inidôneos, correspondendo ao percentual de 150%. Reportase que esta multa está prevista na Lei n° 9.430/96, art. 44, inciso I e parágrafo 1°, e foi aplicada mesmo que o contribuinte ou sujeito passivo não tenha praticado os atos enquadrados no art. 71 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964; que, uma redução no preço de venda, sem emplacamento, resultaria para o fisco na formação de uma receita bruta muito menor, exatamente ao contrario, ou seja, com menor geração de lucro, e a inclusão de uma despesa necessária de emplacamento é na verdade uma composição de fator de venda. O lançamento efetuado é porque a autoridade coatora trata pejorativamente como se fosse uma cortesia desnecessária a fonte produtora do negócio; que, desta forma faz uma confusão enorme a autoridade Coatora sob práticas contábeis, em desconhecer praticas comerciais, como se isto fosse nocivo ao negócio à atividade, quando ao contrário, isto é que fomenta atividade econômica, é exatamente esta pratica que alavanca negócios, é isto que gera renda, tributos federais, e não esta visão simplificado da autoridade lançadora; que as empresas podem adquirir veículos novos ou usados, sendo que na primeira opção, o IPVA será devido no momento do licenciamento do veiculo, independentemente do mês de aquisição. Para efeitos tributários, considerase veiculo novo aquele ainda não foi objeto de saída para o consumidor; que, como custo de produção, tratandose de veículos utilizados na produção de bens ou serviços, como, por exemplo, os veículos que compõem a frota das empresas transportadoras ou locadoras de veículos, ou como despesa operacional no caso de Fl. 1978DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 12 21 veículos utilizados na áreas administrativas e de vendas, como, por exemplo, os veículos que compõem a frota utilizada pelo departamento de vendas ou pela diretoria administrativa; que o fundamento e o mesmo no tocante as vendas internas, notas de débitos interno, ou seja, todos eles, de peças e acessórios, serviços gerais aplicados em veículos do estoque porque destinam a serem em seguida produtos comercializados, sobretudo de veículos usados; que a obrigação Tributaria nasce na verdadeira e material ocorrência do fato gerador art. 113, CNT, no entanto, os cálculos da Digníssima Autoridade Coatora, estão nascendo sem fatos geradores comprovados. É o relatório. Fl. 1979DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 22 Voto Conselheiro Paulo Roberto Cortez, Relator O presente recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal e deve, portanto, ser conhecido por esta Turma de Julgamento. O trabalho fiscal apurou a existência das seguintes infrações: (1) falta de recolhimento do IRPJ e da CSLL, apurada através do confronto entre os valores informados pela empresa em DIPJ e aqueles confessados em DCTF; (2) despesas não comprovadas; (3) comprovação inidônea de despesa; (4) despesa operacional não dedutível e (5) compensação indevida de prejuízos fiscais. A decisão recorrida manteve de forma parcial os lançamentos relativos ao Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 418.885,88, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no montante de R$ 154.046,36, e os lançamentos das multas de ofício nos percentuais de 150%, para a infração descrita como Comprovação Inidônea de Despesa, e de 75% para a demais infrações, sendo que devem ser exonerados a multa de ofício e os juros moratórios incidentes sobre as parcelas espontaneamente recolhidas da CSLL. Agora em virtude de não ter logrando êxito total na instância inicial, a contribuinte apresenta a sua peça recursal a este E. Conselho de Contribuintes pleiteando a reforma da decisão prolatada na Primeira Instância onde, argúi uma série de preliminares (nulidade do lançamento, nulidade por cerceamento do direito de defesa, pedido de perícia não acolhida, nulidade da decisão recorrida, etc.), bem como contesta a matéria de mérito, inaplicabilidade da multa de ofício qualificada, caráter confiscatório da multa de ofício, bem como a inconstitucionalidade da aplicação da Taxa Selic a título de juros moratórios. 1 – PRELIMINARES DA NULIDADE DO LANÇAMENTO A recorrente, preliminarmente, requer a anulação dos lançamentos, sob a alegação de que teria havido cerceamento do seu direito de defesa, tendo em vista a descrição lacônica ou a não individualização dos fatos, que decorrem de situações claramente presumidas, além de não terem sido observadas as garantias constitucionais, nos termos das Súmulas 346 e 473 do STF. Quanto às preliminares de nulidade do lançamento argüidas pela suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, entendendo que a autoridade lançadora feriu diversos princípios fundamentais, não devem ser acolhidas pelos motivos abaixo. Entendo, que o procedimento fiscal realizado pelos agentes do fisco foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. O princípio da verdade material tem por escopo, como a própria expressão indica, a busca da verdade real, verdadeira, e consagra, na realidade, a liberdade da prova, no sentido de que a Administração possa valerse de qualquer meio de prova que a autoridade Fl. 1980DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 13 23 processante ou julgadora tome conhecimento, levandoas aos autos, naturalmente, e desde que, obviamente dela dê conhecimento às partes; ao mesmo tempo em que deva reconhecer ao contribuinte o direito de juntar provas ao processo até a fase de interposição do recurso voluntário. O Decreto n.º 70.235, de 1972, em seu artigo 9º, define o auto de infração e a notificação de lançamento como instrumentos de formalização da exigência do crédito tributário, quando afirma: A exigência do crédito tributário será formalizado em auto de infração ou notificação de lançamento distinto para cada tributo. Com nova redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993: A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. O auto de infração e a notificação de lançamento por constituírem peças básicas na sistemática processual tributária, a lei estabeleceu requisitos específicos para a sua lavratura e expedição, sendo que a sua lavratura tem por fim deixar consignado a ocorrência de uma ou mais infrações à legislação tributária, seja para o fim de apuração de um crédito fiscal, seja com o objetivo de neutralizar, no todo ou em parte, os efeitos da compensação de prejuízos a que o contribuinte tenha direito, e a falta do cumprimento de forma estabelecida em lei torna inexistente o ato, sejam os atos formais ou solenes. Se houver vício na forma, o ato pode invalidarse. Ademais, a jurisprudência é mansa e pacífica no sentido de que quando o contribuinte revela conhecer as acusações que lhe foram impostas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante extensa impugnação, abrangendo não só as questões preliminares como também as razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. Da mesma forma, não procede à nulidade do lançamento argüida sob os argumentos de que o auto de infração não foi lavrado dentro dos parâmetros exigidos pelo art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, ou seja, erro de capitulação legal, descrição confusa dos fatos, falta de autenticidade, bem como não houve a devida descrição e capitulação da infração cometida pela recorrente. Inicialmente, verificase que para a contribuinte foi concedido o prazo legal de 30(trinta) dias, a contar da ciência do auto de infração, para apresentar a impugnação, sendolhe assegurado vistas ao processo, bem como a extração de cópias das peças necessárias a sua defesa, caso quisesse, garantindose desta forma o contraditório e a ampla defesa. Quanto ao procedimento fiscal realizado pela agente do fisco, verificase que foi efetuado dentro da estrita legalidade, com total observância ao Decreto n° 70.235, de 1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal, não se vislumbrando, no caso sob análise, qualquer ato ou procedimento que tenha violado ou subvertido o princípio do devido processo legal. Fl. 1981DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 24 Verificase, ainda, que os Autos de Infrações às fls. 03/36, identifica por nome e CPF a autuada, esclarece que foi lavrado na Delegacia da Receita Federal do Brasil em Salvador BA, cuja ciência foi através de AR e descreve, as irregularidades praticadas e o seu enquadramento legal assinado pelo AuditorFiscal da Receita Federal, cumprindo o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, ou seja, o ato é próprio do agente administrativo investido no cargo de AuditorFiscal. Não restam dúvidas de que o lançamento se deu em razão da constatação de depósitos bancários sem que a recorrente comprovasse a respectiva origem destes recursos. Constam dos autos diversos chamados ao sujeito passivo para que esse apresentasse as justificativas acerca das movimentações financeiras pesquisadas. O enquadramento legal e a narrativa dos fatos envolvidos permitem a perfeita compreensão do procedimento adotado, da base tributável apurada e do cálculo do imposto resultante, permitindo a interessada o pleno exercício do seu direito de defesa. Ora, o lançamento, como ato administrativo vinculado, celebrase com estrita observância dos pressupostos estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional CTN, cuja motivação deve estar apoiada estritamente na lei, sem a possibilidade de realização de um juízo de oportunidade e conveniência pela autoridade fiscal. O ato administrativo deve estar consubstanciado por instrumentos capazes de demonstrar, com segurança e certeza, os legítimos fundamentos reveladores da ocorrência do fato jurídico tributário. Isso tudo foi observado quando da determinação do tributo devido, através do Auto de Infração lavrado. Assim, não há como pretender premissas de nulidade do auto de infração, nas formas propostas pelo recorrente, neste processo, já que o mesmo preenche todos os requisitos legais necessários. Da análise dos autos, constatase que a autuação é plenamente válida. Fazse necessário esclarecer, que a Secretaria da Receita Federal é um órgão apolítico, destinada a prestar serviços ao Estado, na condição de Instituição e não a um Governo específico dando conta de seus trabalhos à população em geral na forma prescrita na legislação. Neste diapasão, deve agir com imparcialidade e justiça, mas, também, com absoluto rigor, buscando e exigindo o cumprimento das normas por parte daqueles que faltam com seu dever de participação. Ademais, o Processo Administrativo Fiscal Decreto n.º 70.235, de 1972 manifestase da seguinte forma: Art. 59 São nulos: I Os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II Os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Como se verifica do dispositivo legal, não ocorreu, no caso do presente processo, a nulidade. O auto de infração foi lavrado e a decisão foi proferida por funcionários ocupantes de cargo no Ministério da Fazenda, que são as pessoas, legalmente, instituídas para lavrar e para decidir sobre o lançamento. Igualmente, todos os atos e termos foram lavrados por funcionários com competência para tal. Ora, a autoridade lançadora cumpriu todos os preceitos estabelecidos na legislação em vigor e o lançamento foi efetuado com base em dados reais sobre a suplicante, conforme se constata nos autos, com perfeito embasamento legal e tipificação da infração Fl. 1982DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 14 25 cometida. Como se vê, não procede à situação conflitante alegada pelo recorrente, ou seja, não se verificam, por isso, os pressupostos exigidos que permitam a declaração de nulidade do Auto de Infração. Haveria possibilidade de se admitir a nulidade por falta de conteúdo ou objeto, quando o lançamento que, embora tenha sido efetuado com atenção aos requisitos de forma e às formalidades requeridas para a sua feitura, ainda assim, quer pela insuficiência na descrição dos fatos, quer pela contradição entre seus elementos, efetivamente não permitir ao sujeito passivo conhecer com nitidez a acusação que lhe é imputada, ou seja, não restou provada a materialização da hipótese de incidência e/ou o ilícito cometido. Entretanto, não é o caso em questão, pois a discussão se prende a interpretação de normas legais de regência sobre o assunto. É de se esclarecer, que os vícios formais são aqueles que não interferem no litígio propriamente dito, ou seja, correspondem a elementos cuja ausência não impede a compreensão dos fatos que baseiam as infrações imputadas. Circunscrevemse a exigências legais para garantia da integridade do lançamento como ato de ofício, mas não pertencem ao seu conteúdo material. Por outro lado, quando a descrição defeituosa dos fatos impede a compreensão dos mesmos, e, por conseqüência, das infrações correspondentes, temse o vício material. No presente caso, houve o perfeito conhecimento dos fatos descritos e das infrações imputadas. Além disso, o Art. 60 do Decreto n.º 70.235, de 1972, prevê que as irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no art. 59 do mesmo Decreto não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. 2 – PRELIMINAR DA NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA: FALTA DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA/PERÍCIA TÉCNICA – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA PELA FALTA DE ENFRENTAMENTO DE TODAS AS QUESTÕES No que diz respeito ao pedido de perícia técnica, é de se esclarecer, que da análise dos autos, se verifica que a decisão de Primeira Instância, através do voto do relator da matéria, entendeu que não merece ser acolhida às alegações apresentadas. Entendeu a autoridade julgadora, que é incabível o pedido de realização de perícia técnica para análise de documentos ou instrumentos contratuais registrados na contabilidade, ou de análise dos registros contábeis, pois tais análises ou verificações não requerem conhecimento técnico especial. Por fim, entendeu a autoridade julgadora que a própria contribuinte poderia, durante o procedimento de fiscalização, ter apresentado todos os seus esclarecimentos e documentos ao fiscal autuante, em atendimento às intimações feitas, notadamente em relação à comprovação das operações realizadas que originaram o presente lançamento e não o fez, ficando no mero terreno abstrato das alegações sem prova. Ora, como visto, a autoridade julgadora fundamentou com rigor a negativa da perícia técnica solicitada, com fundamentos convincentes. É de se alertar de que para um pedido de perícia seja deferido é necessário que existam dúvidas de ordem técnica que exijam a manifestação de um profissional capacitado a esclarecêlas, bem como entende que o ônus da Fl. 1983DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 26 prova recai sobre o contribuinte, responsável pela comprovação dos valores contestados e demais documentos. Só posso confirmar a negativa da autoridade de primeira instância, já que, a princípio, a responsabilidade pela apresentação das provas do alegado compete ao contribuinte que praticou a irregularidade fiscal, não cabendo a determinação de diligência ou perícia de ofício para a busca de provas em favor do contribuinte. Ademais, a solução das questões trazidas não demanda conhecimento técnico especializado e complementar, sendo que parte das informações que o contribuinte pretende sejam prestadas por perito são as que cabem a ele produzir. Ora, o Decreto n.º 72.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº. 8.748, de 1993 Processo Administrativo Fiscal diz: Art. 16 – A impugnação mencionará: (...). IV – as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. § 1º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (...). Art. 18 A autoridade julgadora de Primeira Instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. § 1º. Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício, sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados. Como se verifica do dispositivo legal, o colegiado que proferiu a decisão tem a competência para decidir sobre o pedido de diligência ou perícia, e é a própria lei que atribui à autoridade julgadora de primeira instância o poder discricionário para deferir ou indeferir os pedidos de diligência ou perícia, quando prescindíveis ou impossíveis, devendo o indeferimento constar da própria decisão proferida. É de se ressaltar, que o poder discricionário para indeferir pedidos de diligência e perícia não foi concedido ao agente público para que ele disponha segundo sua conveniência pessoal, mas sim para atingir a finalidade traçada pelo ordenamento do sistema, que, em última análise, consiste em fazer aflorar a verdade material com o propósito de certificar a legitimidade do lançamento. Fl. 1984DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 15 27 Já se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância no sentido de que as perícias destinamse à formação da convicção do julgador, devendo limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também já incluídos nos autos. Jamais poderão as perícias estenderse à produção de novas provas ou à reabertura, por via indireta, da ação fiscal. Ademais, descabe o pedido de perícia técnica quando presentes nos autos todos os elementos necessários para que a autoridade julgadora forme sua convicção. As perícias devem limitarse ao aprofundamento de investigações sobre o conteúdo de provas já incluídas no processo, ou à confrontação de dois ou mais elementos de prova também incluídos nos autos, não podendo ser utilizadas para reabrir, por via indireta, a ação fiscal e busca de provas que são de competência exclusiva do recorrente. Ora, o que se questiona nos autos desde o início do procedimento fiscal é a comprovação documental dos fatos. A recorrente somente alega de que comprovou todas as operações questionadas, porém, nada comprova, quer transferir o ônus da prova, que é de sua responsabilidade, para a responsabilidade da autoridade fiscal. Quanto a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância, argüida pelo suplicante, sob o entendimento de que tenha ocorrido ofensa aos princípios constitucionais do devido processo legal, já que a autoridade teria deixado de se manifestar sobre argumentações para que fosse justificado o fato gerador da obrigação tributária, sou pela rejeição pelos motivos abaixo expostos. Como se vê do relatório, no entendimento da suplicante a decisão de Primeira Instância teria deixado de se manifestar sobre pontos questionados na peça impugnatória, em razão disso, entende ser nula a decisão recorrida, eis que atenta contra a garantia do devido processo legal e o direito de ampla defesa do contribuinte. Ou seja, a recorrente alega que em sua peça impugnatória deixou claro que a fiscalização não conseguiu provar quando, efetivamente, as supostas irregularidades, elegendo ilegalmente, por critério próprios, a data de ocorrência do fato gerador e que a Recorrente não conseguiu identificar onde constam na decisão em questão as contra argumentações sobre as alegações da Recorrente de que não ficou comprovada pela autoridade fiscal as irregularidades apontadas. Da análise dos autos, verificase que os pontos centrais do litígio estavam restritos a interpretação das glosas de despesas efetuadas pela autoridade fiscal e diferenças na apuração de receitas tributadas. Ora, com todas as vênias, por qual razão se deveria analisar uma legislação tributária que nada tem haver com o fato gerador em questão. Ademais, a interessada nada comprovou sobre os valores questionados ficou batendo na mesma tecla que estes valores teriam origem em despesas dedutíveis, entretanto, nada comprovou. Alegação por alegação. Assim, não restam dúvidas, nos autos, que a acusação que pesa sobre o suplicante é a glosa de despesa operacional não dedutível, despesas não comprovadas, comprovação inidônea de despesa, declaração inexata do IRPJ e insuficiência de recolhimento de CSLL. Na análise da comparação entre os fundamentos constantes da peça acusatória e os fundamentos constantes da peça decisória, não vislumbro nenhuma Fl. 1985DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 28 desconsideração ou inovação, por parte da autoridade julgadora, do conteúdo fundamental pela qual a autoridade lançadora procedeu ao lançamento. A preliminar levantada pela suplicante, data vênia, não tem nenhum cabimento, por qualquer ângulo que se pretende analisála. Acolher da forma como foi suscitada, seria atrelar o julgador à estrita vontade da autoridade lançadora ou à vontade do autuado. Ou seja, a autoridade julgadora seria obstada de fundamentar a sua própria decisão com base em textos legais ou de emitir juízo próprio, deste que, evidentemente, não contrário à lei. Assim sendo, entendo que não se deva dar razão a suplicante, já que a decisão de Primeira Instância apreciou de forma circunstancial todos os fatos e desdobramentos contidos na imputação feita e objeto de resistência pelo recorrente, com argumentos equivalentes de modo a embasar a manutenção da pretensão tributária. Somente a inexistência de exame de algum argumento apresentado pela suplicante, na fase impugnatória, cuja aceitação ou não implicaria no rumo da decisão a ser dada ao caso concreto é que acarreta cerceamento do direito de defesa da impugnante, ou o acréscimo de algum argumento que acarretasse mudança radical na decisão é que constituiria nulidade da decisão singular. Ora, os autos demonstram claramente, a infração imputada acompanhada da descrição dos fatos, a decisão de Primeira Instância, é cristalina, e se manifesta sobre os principais argumentos apresentados pela suplicante em sua peça impugnatória. Estes são os principais fatos do processo em questão, e estes foram longamente debatidos pela decisão de Primeira Instância, talvez, não a contento da suplicante, ou seja, o resultado não foi como a suplicante gostaria que fosse. No meu entender, não faz nenhum sentido a autoridade julgadora ficar rebatendo argumento por argumento, embasando a sua opinião em teorias jurídicas, textos legais e jurisprudenciais, principalmente, os que não teriam o poder de modificar a decisão da questão discutida, qual seja, a tributação com base em omissão de rendimentos, apurados através de prova indiciária conclusiva. É evidente, que o artigo 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, arrola a incompetência do agente e a preterição do direito de defesa, como hipóteses de nulidades dos atos praticados no curso do processo fiscal. Da mesma forma, é evidente, que a obediência plena ao direito de defesa, igualmente prescrito no artigo 5º, inciso LV da Constituição Federal, exige o atendimento concomitante aos princípios do contraditório e do devido processo legal. Não obstante, a infinidade de situações suscetíveis de ser compreendida no significado da expressão preterição do direito de defesa, ou do direito de ampla defesa é de tal amplitude que se faz necessário distinguir quando existe a falta de apreciação de prova ou argumento de defesa, bem como quando existe inovação no fundamento do lançamento, seja por inovação dos fundamentos legais, seja por alteração dos valores lançados. Os artigos 29 e 30, do Decreto n.º 70.235, de 1972, dizem respeito à liberdade da autoridade julgadora na apreciação das provas, respectivamente. É claro, que essa liberdade, no entanto, não autoriza o julgador, ao seu talante, deixar de apreciálas, pois isso certamente acarretará cerceamento do direito de defesa. Fl. 1986DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 16 29 Por outro lado, devese ter presente, no entanto, que, o não enfrentamento de alguma questão levantada pela impugnante, não necessariamente dá origem à preterição do direito de defesa, e por via de conseqüência, o nascimento do cerceamento do direito de defesa. Para que flore o cerceamento do direito de defesa, que seria uma condicionante para a nulidade da decisão de Primeira Instância, se faz necessário que esta questão tenha relevância, ou seja, tenha o poder de modificar algum item do decisório, não pode ser alegação por alegação, sem nenhuma importância no fato discutido. Como da mesma forma, o acréscimo de algum esclarecimento sem prejudicar a discussão, não torna, necessariamente, nula a decisão recorrida. Assim sendo, rejeito a preliminar de nulidade da decisão de Primeira Instância, baseado no entendimento que a mesma foi proferida dentro dos parâmetros legais, abrangendo os fatos importantes relatados pela suplicante. 3 – MÉRITO DECLARAÇÃO INEXATA DO IRPJ E INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA CSLL Já mencionou a decisão recorrida, que a autuada não questiona as diferenças apontadas pelo autuante entre os valores relativos ao IRPJ e à CSLL apurados pela empresa, e informados em DIPJ, e aqueles confessados em DCTF, diferenças essas que são objeto dos autos de infração ora em julgamento. Assim sendo, devem ser mantidos os lançamentos do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, em relação à infração decorrente de falta de declaração, objeto do item 1 do auto de infração. 4 – MÉRITO DESPESAS NÃO COMPROVADAS Da análise do autos observase que a autoridade fiscal autuante entendeu que a recorrente teria deixado de comprovar a efetividade de diversas despesas, discriminadas no Demonstrativo de Glosas anexado às fls. 53/61, registradas nas seguintes contas: Serviços de Terceiros; Conservação e Manutenção; Propaganda e Promoções; Vendas Internas; e Consultoria e Assessoria. A recorrente alega que a autuação foi baseada em presunções e que caberia ao agente fiscal a comprovação da infração. Ora, inicialmente, devese observar de que as despesas escrituradas, para serem dedutíveis na apuração do lucro real, devem ser comprovadas com documentação hábil e idônea, cuja apresentação é obrigação da contribuinte, sendo que a sua inobservância sujeita a empresa à glosa dos valores não comprovados na determinação do lucro tributável. Resta claro, nos autos de que a recorrente não traz nenhuma documentação comprobatório no que diz respeito a glosa de Serviços de Terceiros; Conservação e Manutenção e Propaganda e Promoções. No tocante às despesas registradas como Vendas Internas (conta 51307010024), a autoridade fiscal lançadora indica como irregularidades, as seguintes situações: o registro de valores a maior, por não serem considerados os descontos consignados nas notas fiscais; a não apresentação de documentos comprobatórios; e a existência de notas fiscais de vendas normais para clientes registradas como despesas de vendas internas, sendo Fl. 1987DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 30 que tais vendas tiveram seus custos baixados no estoque, não cabendo sua dedução como despesas. Como já mencionou a decisão recorrida, a impugnante não apresentou questionamento a respeito dos valores registrados a maior, nem quaisquer documentos comprobatórios dos dispêndios listados pelo autuante nesse item. Em relação aos demais registros glosados, restou demonstrado que as vendas foram efetuadas diretamente para clientes da empresa, pessoas físicas e jurídicas, e tiveram seus custos devidamente baixados no estoque, compondo, portanto, os custos das mercadorias vendidas, o que torna indevido o seu aproveitamento também como despesa na apuração do lucro tributável. No que diz respeito às despesas a título de Consultoria e Assessoria (conta 5120101007), a autoridade fiscal lançadora indica, que a autuada foi intimada a apresentar os comprovantes dos pagamentos dos serviços, que teriam sido realizados através de cheques, os contratos de prestação de serviços e os relatórios ou documentos equivalentes que demonstrassem a execução desses serviços, no entanto, os documentos apresentados pela interessada não comprovam a efetiva realização dos serviços contabilizados. Ora, é importante destacar que a glosa dessas despesas teve como motivação a falta de comprovação das operações correspondentes, já que a autuada foi intimada, através do termo de fls. 149/151, a apresentar os comprovantes dos pagamentos dos serviços (cheques micro filmados), os respectivos contratos e os relatórios que demonstrassem a execução dos serviços, porém, em resposta, a contribuinte apresentou apenas recibos, deixando de comprovar os efetivos pagamentos, que teriam sido realizados através de cheques, conforme registro no Razão, bem como a efetiva realização dos serviços descritos. Assim sendo, e tendo sido dado à contribuinte oportunidade de comprovar as despesas contabilizadas, apresentando provas irrefutáveis da legalidade de tais despesas, o que não logrou fazer a autuada, é de se manter as glosas correspondentes. 5 – MÉRITO COMPROVAÇÃO INIDÔNEA DE DESPESA Da análise da peça acusatória observase que a autoridade fiscal lançadora entendeu, que a empresa registrou uma despesa com publicidade (conta 51307010029), no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, e, para comprovar essa despesa, teria apresentado uma nota fiscal inidônea, emitida pela empresa CNF – Comunicação Publicidade e Marketing (CNPJ nº 03.664.041/000170), tendo em vista que o CNPJ da gráfica que confeccionou o documento fiscal não existe. Observase, ainda, que diligência realizada na CNF, restou constatado que tal empresa apresentou declaração como inativa desde o exercício de 2001, não teve movimentação financeira no período e, conforme Termo de Constatação de fl. 198; não foi encontrada em seu endereço cadastral. No presente caso, não há muito a ser discutido, já que a própria empresa reconhece a infração constatada na ação fiscal, ou seja, a falta de comprovação com documento hábil e idôneo da despesa de propaganda, contabilizada no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, questionando apenas a multa qualificada de 150%, restando claro que a autuada não tem elementos para comprovar a despesa (fl. 199), elementos esses que foram expressamente solicitados através do Termo de Intimação de fl. 187. 6 – MÉRITO DESPESA OPERACIONAL NÃO DEDUTÍVEL Fl. 1988DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 17 31 Da análise da matéria verificase que, nesse item, foram glosadas despesas escrituradas a título de Emplacamentos e Acessórios, Vendas Internas e Cortesias, as quais, no entender da autoridade fiscal lançadora, por não serem necessárias às atividades da empresa, seriam indedutíveis na apuração da base de cálculo do IRPJ. Com relação às despesas com emplacamento, a empresa também não teria comprovado que tais dispêndios foram por ela suportados. Observase, ainda, que a requerente alega, em síntese, que: se tratam de despesas absolutamente necessárias e vitais para instrumentar a venda de veículos em um segmento econômico de avassaladora concorrência; os pagamentos foram suportados pela requerente, de acordo com os documentos apresentados, e a autoridade autuante não comprovou o contrário, invertendo o ônus da prova. Ora, os gastos com emplacamentos de veículos novos não são encargos do revendedor do automóvel, mas sim do adquirente do veículo, sendo que, via de regra, as revendedoras de automóveis funcionam como intermediárias na operação de emplacamento de veículos, recebendo o dinheiro de seus clientes e repassando para despachantes. Quem deve fazer a prova com documentação hábil coincidentes em data e valor é o contribuinte, ou seja, quem deve comprovar a necessidade da despesa é o contribuinte e não a autoridade fiscal lançadora. Com relação às despesas denominadas de Acessórios, bem como aquelas descritas como Vendas Internas e Cortesia, tratamse de simples liberalidade da empresa e, por isso, não atendem às disposições do art. 299 do RIR/1999, não podendo tais despesas ser deduzidas na apuração do lucro real, ainda mais nos casos de lançamentos que tiveram seus custos baixados no estoque, já compondo, portanto, os custos das mercadorias vendidas. 7 – MÉRITO COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZOS FISCAIS Mantidas as infrações apuradas, que redundaram em reversão do prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa da CSLL apurados no 3º trimestre de 2008, cabível a recomposição dos prejuízos compensados pela autuada no trimestre subsequente, como efetuado pela autoridade fiscal. 8 – MÉRITO – DA APLICAÇÃO DA MULTA QUALIFICADA Consta na peça acusatória, que a empresa registrou uma despesa com publicidade (conta 51307010029), no terceiro trimestre de 2008, no valor de R$ 385.000,00, e, para comprovar essa despesa, teria apresentado uma nota fiscal inidônea, emitida pela empresa CNF – Comunicação Publicidade e Marketing (CNPJ nº 03.664.041/000170), tendo em vista que o CNPJ da gráfica que confeccionou o documento fiscal não existe. Além disso, em diligência realizada na CNF, restou constatado que tal empresa apresentou declaração como inativa desde o exercício de 2001, não teve movimentação financeira no período e, conforme Termo de Constatação de fl. 198; não foi encontrada em seu endereço cadastral. Ainda segundo peça acusatória, a fiscalizada, Imperial Automóveis, intimada a apresentar documentos que comprovassem a operação citada (fl. 187), apresentou a seguinte resposta (fl. 199): “(...) após análise feita em nossos registros, não identificamos os Pagamentos Fl. 1989DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 32 da Nota Fiscal referida neste termo de intimação, não foi encontrado também o contrato de prestação de serviço da referida nota fiscal”. Em decorrência desses fatos, foi aplicada a multa qualificada de 150%, de acordo com o art. 44, inciso I e § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, alegando o autuante que a empresa, ao utilizar uma nota fiscal inidônea para justificar despesas, praticou, intencionalmente, ato visando sonegar o IRPJ e a CSLL, enquadrandose no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964. Em sua peça de defesa, a recorrente acata a glosa da despesa em referência, no valor de R$ 385.000,00, por reconhecimento de defeitos formais no custo, no entanto, não aceita a multa qualificada e a representação fiscal, sob os seguintes argumentos: a autoridade fiscal não configurou o dolo especificamente; mesmo se utilizando da nota fiscal emitida pela CNF, a contribuinte não praticou ato intencionalmente visando sonegar o IRPJ e a CSLL, nem produziu ato deliberadamente de fraude, porque é contribuinte de boa fé; o sujeito passivo não é obrigado a conferir a gráfica que confeccionou o talonário de notas fiscais do seu prestador de serviços, nem a saber que tal empresa apresentou declaração de inativa ou não teve movimentação financeira no período. Como se vê nos autos, a ora recorrente foi autuada sob a acusação de ação dolosa e fraudulenta caracterizada pela utilização de “nota fiscal emitida a título gracioso” pela empresa CNF – Comunicação Publicidade e Marketing (CNPJ nº 03.664.041/000170), cujo objetivo único era comprovar junto à contabilidade a saída de recursos financeiros, e que no entender da autoridade lançadora caracteriza evidente intuito de fraude nos termos do Regulamento do Imposto de Renda. Só posso concordar com esta decisão, já que, no meu entendimento, para que ocorra a incidência da hipótese prevista no art. 44, inciso I, § 1º, da Lei nº 9.430, de 1996, é necessário que esteja perfeitamente caracterizado o evidente intuito de fraude, já que sonegação, no sentido da legislação tributária reguladora do IPI, “é toda ação ou omissão dolosa, tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária, da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais ou das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. Porém, para a legislação tributária reguladora do Imposto de Renda, o conceito acima integra, juntamente com o de fraude e conluio da aplicável ao IPI, o de “evidente intuito de fraude”. Como se vê o artigo 957, do RIR/99, que representa a matriz da multa qualificada, reportase aos artigos 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 1964, que prevêem o intuito de se reduzir, impedir ou retardar, total ou parcialmente, o pagamento de uma obrigação tributária, ou simplesmente ocultála. Resta, pois, para o deslinde da controvérsia, saber se o ato praticado pelo sujeito passivo configuraram ou não a fraude fiscal, tal como se encontra conceituada no artigo 72 da Lei nº 4.502, de 1964, verbis: Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido ou a evitar ou diferir o seu pagamento. Entendo que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraude e este está devidamente Fl. 1990DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 18 33 demonstrado nos autos, através da utilização de documentos fiscais inidôneos. Existe nos autos a prova material da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Já ficou decidido por este Conselho de Contribuintes que a multa qualificada somente será passível de aplicação quando se revelar o evidente intuito de fraudar o fisco, devendo ainda, neste caso, ser minuciosamente justificada e comprovada nos autos. Decisão, por si só suficiente para uma análise preâmbular da matéria sob exame. Não seria nem necessário à referência da decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais na medida em que é princípio geral de direito universalmente conhecido de que multas e os agravamentos de penas pecuniárias ou pessoais devem estar lisamente comprovadas. Tratase de aplicar uma sanção e neste caso o direito faz com cautelas para evitar abusos e arbitrariedades. O evidente intuito de fraude não pode ser presumido. Tirando toda a subjetividade dos argumentos apontados, resta apenas de concreto a falta de recolhimento do imposto de renda. Da análise dos documentos constantes dos autos e das suposições da autoridade administrativa se pode dizer que houve o “evidente intuito de fraude” que a lei exige para a aplicação da penalidade qualificada. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos.Como se vê nos autos, a contribuinte foi autuada sob a acusação de realização de pagamento de despesa de publicidade inexistente. Sendo que até o momento a suplicante não apresentou qualquer documento que lhe fosse favorável no sentido de descaracterizar a infração ou atenuar a imputação que lhe é dirigida de ação dolosa e fraudulenta. Não trouxe aos autos documentos que comprovassem a efetiva transferência de valores, bem como a efetiva prestação de serviços pela empresa prestadora da nota fiscal glosada e emitida de forma ilícita e criminosa. Não apresentou documentos e informações lastreadas em documentação emitida por terceiros e que fossem convincentes para comprovar o efetivo pagamento da prestação de serviços e dos serviços porventura prestados. Limitouse na sua defesa a meras alegações, muitas vezes não condizentes com as provas dos autos. Assim, entendo que neste processo, está aplicada corretamente a multa qualificada de 150%, do art. 44, inciso I, § 1º da Lei nº 9.430, de 1996, que prevê sua aplicação nos casos de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta a evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder desta ou daquela forma para alcançar tal ou qual finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista, ao agir. Fl. 1991DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 34 O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária fictícia, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, notas fiscais fornecidas a título gracioso, etc. Não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação das receitas e dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. É cristalino, que nos casos de realização das hipóteses de fato de conluio, fraude e sonegação, uma vez comprovadas estas, e por decorrência da natureza característica dessas figuras, o legislador tributário entendeu presente o intuito de fraude. Enfim, há no caso a prova material suficiente da evidente intenção de sonegar e/ou fraudar o imposto. Há, pois, neste processo o elemento subjetivo do dolo, em que o agente age com vontade de fraudar reduzir o montante do imposto devido, pela inserção de elementos que sabe serem inexatos. 9 – MÉRITO DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO NORMAL E QUALIFICADA – NATUREZA CONFISCATÓRIA DA INCONSTITUCIONALIDADE DA APLICAÇÃO DA TAXA SELIC A TÍTULO DE JUROS DE MORA Da mesma forma, não cabe razão a recorrente no que tange às alegações de ilegalidade / ofensas a princípios constitucionais (razoabilidade, capacidade contributiva, inconstitucionalidade, não confisco e juros abusivos), o exame das mesmas escapa à competência da autoridade administrativa julgadora. Há que se destacar que à autoridade fiscal cabe verificar o fiel cumprimento da legislação em vigor, independentemente de questões de discordância, pelos contribuintes, acerca de alegadas ilegalidades/inconstitucionalidades, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, como previsto no art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Não há dúvidas de que se entende como procedimento fiscal à ação fiscal para apuração de infrações e que se concretize com a lavratura do ato cabível, assim considerado o termo de início de fiscalização, termo de apreensão, auto de infração, notificação, representação fiscal ou qualquer ato escrito dos agentes do fisco, no exercício de suas funções inerentes ao cargo. Tais atos excluirão a espontaneidade se o contribuinte deles tomar conhecimento pela intimação. Os atos que formalizam o início do procedimento fiscal encontramse elencados no artigo 7º do Decreto n.º 70.235, de 1972. Em sintonia com o disposto no artigo 138, parágrafo único do Código Tributário Nacional, esses atos têm o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo e de todos os demais envolvidos nas infrações que vierem a ser verificadas. Em outras palavras, deflagrada a ação fiscal, qualquer providência do sujeito passivo, ou de terceiros relacionados com o ato, no sentido de repararem a falta cometida não exclui suas responsabilidades, sujeitandoos às penalidades próprias dos procedimentos de Fl. 1992DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 19 35 ofício. Além disso, o ato inaugural obsta qualquer retificação, por iniciativa do contribuinte e torna ineficaz consulta formulada sobre a matéria alcançada pela fiscalização. Ressaltese, com efeito, que o emprego da alternativa “ou” na redação dada pelo legislador ao artigo 138, do Código Tributário Nacional, denota que não apenas a medida de fiscalização tem o condão de constituirse em marco inicial da ação fiscal, mas, também, consoante reza o mencionado dispositivo legal, “qualquer procedimento administrativo” relacionado com a infração é fato deflagrador do processo administrativo tributário e da conseqüente exclusão de espontaneidade do sujeito passivo pelo prazo de 60 dias, prorrogável sucessivamente com qualquer outro ato escrito que indique o prosseguimento dos trabalhos, na forma do parágrafo 2°, do art. 7°, do Dec. n° 70.235, de 1972. O entendimento, aqui esposado, é doutrina consagrada, conforme ensina o mestre FABIO FANUCCHI em “Prática de Direito Tributário”, pág. 220: O processo contencioso administrativo terá início por uma das seguintes formas: 1. pedido de esclarecimentos sobre situação jurídicotributária do sujeito passivo, através de intimação a esse; 2. representação ou denúncia de agente fiscal ou terceiro, a respeito de circunstâncias capazes de conduzir o sujeito passivo à assunção de responsabilidades tributárias; 3 autodenúncia do sujeito passivo sobre sua situação irregular perante a legislação tributária; 4. inconformismo expressamente manifestado pelo sujeito passivo, insurgindose ele contra lançamento efetuado. (...). A representação e a denúncia produzirão os mesmos efeitos da intimação para esclarecimentos, sendo peças iniciais do processo que irá se estender até a solução final, através de uma decisão que as julguem procedentes ou improcedentes, com os efeitos naturais que possam produzir tais conclusões. No mesmo sentido, transcrevo comentário de A.A. CONTREIRAS DE CARVALHO em “Processo Administrativo Tributário”, 2ª Edição, págs. 88/89 e 90, tratando de Atos e Termos Processuais: Mas é dos atos processuais que cogitamos, nestes comentários. São atos processuais os que se realizam conforme as regras do processo, visando dar existência à relação jurídicoprocessual. Também participa dessa natureza o que se pratica à parte, mas em razão de outro processo, do qual depende. No processo administrativo tributário, integram essa categoria, entre outros: a) o auto de infração; b) a representação; c) a intimação e d) a notificação (...). Fl. 1993DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 36 Mas, retornando a nossa referência aos atos processuais, é de assinalar que, se o auto de infração é peça que deve ser lavrada, privativamente, por agentes fiscais, em fiscalização externa, já no que concerne às faltas apuradas em serviço interno da Repartição fiscal, a peça que as documenta é a representação. Notese que esta, como aquele, é peça básica do processo fiscal (...). Portanto, o Auto de Infração deverá conter, entre outros requisitos formais, a penalidade aplicável, a sua ausência implicará na invalidade do lançamento. A falta ou insuficiência de recolhimento do imposto dá causa a lançamento de ofício, para exigilo com acréscimos e penalidades legais. É de se esclarecer, que a infração fiscal independe da boa fé do contribuinte, entretanto, a penalidade deve ser aplicada, sempre, levandose em conta a ausência de máfé, de dolo, e antecedentes do contribuinte. A multa que excede o montante do próprio crédito tributário, somente pode ser admitida se, em processo regular, nos casos de minuciosa comprovação, em contraditório pleno e amplo, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal, restar provado um prejuízo para fazenda Pública, decorrente de ato praticado pelo contribuinte. Por outro lado, a vedação de confisco estabelecida na Constituição Federal de 1988, é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado esse princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Além disso, é de se ressaltar, mais uma vez, que a multa de ofício é devida em face da infração às regras instituídas pelo Direito Fiscal e, por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária prevista em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso V, do art. 150 da Constituição Federal, não cabendo às autoridades administrativas estendêlo. Assim, as multas são devidas, no lançamento de ofício, em face da infração às regras instituídas pela legislação fiscal não declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, cuja matéria não constitui tributo, e sim de penalidade pecuniária prevista em lei, sendo inaplicável o conceito de confisco previsto no art. 150, IV da CF., não conflitando com o estatuído no art. 5°, XXII da CF., que se refere à garantia do direito de propriedade. Desta forma, o percentual de multa aplicado está de acordo com a legislação de regência. Ora, os mecanismos de controle de legalidade / constitucionalidade regulados pela própria Constituição Federal passam, necessariamente, pelo Poder Judiciário que detém, com exclusividade, tal prerrogativa. É inócuo, portanto, suscitar tais alegações na esfera administrativa. De qualquer forma, há que se esclarecer que o Imposto Renda da Pessoa Física é um tributo calculado sobre a renda tributável auferida. Ou seja, é calculado levandose em consideração aos rendimentos tributáveis auferidos e em razão do valor é enquadrada dentro de uma alíquota, não estando o seu valor limitado à capacidade contributiva do sujeito passivo da obrigação tributária. Ademais, os princípios constitucionais têm como destinatário o legislador na elaboração da norma, como é o caso, por exemplo, do principio da Vedação ao Confisco, que orienta a feitura da lei, a qual deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco, cabendo à autoridade fiscal apenas executar as leis. Fl. 1994DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 20 37 Da mesma forma, não vejo como se poderia acolher o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade formal da multa de ofício e da taxa SELIC aplicada como juros de mora sobre o débito exigido no presente processo com base na Lei n.º 9.065, de 20/06/95, que instituiu no seu bojo a taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia de Títulos Federais (SELIC). É meu entendimento, acompanhado pelos pares desta Turma de Julgamento, que quanto à discussão sobre a inconstitucionalidade de normas legais, os órgãos administrativos judicantes estão impedidos de declarar a inconstitucionalidade de lei ou regulamento, face à inexistência de previsão constitucional. No sistema jurídico brasileiro, somente o Poder Judiciário pode declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo do Poder Público, através do chamado controle incidental e do controle pela Ação Direta de Inconstitucionalidade. No caso de lei sancionada pelo Presidente da República é que dito controle seria mesmo incabível, por ilógico, pois se o Chefe Supremo da Administração Federal já fizera o controle preventivo da constitucionalidade e da conveniência, para poder promulgar a lei, não seria razoável que subordinados, na escala hierárquica administrativa, considerasse inconstitucional lei ou dispositivo legal que aquele houvesse considerado constitucional. Exercendo a jurisdição no limite de sua competência, o julgador administrativo não pode nunca ferir o princípio de ampla defesa, já que esta só pode ser apreciada no foro próprio. Se verdade fosse, que o Poder Executivo deva deixar aplicar lei que entenda inconstitucional, maior insegurança teriam os cidadãos, por ficarem à mercê do alvedrio do Executivo. O poder Executivo haverá de cumprir o que emana da lei, ainda que materialmente possa ela ser inconstitucional. A sanção da lei pelo Chefe do Poder Executivo afasta sob o ponto de vista formal a possibilidade da argüição de inconstitucionalidade, no seu âmbito interno. Se assim entendesse, o chefe de Governo vetálaia, nos termos do artigo 66, § 1º da Constituição. Rejeitado o veto, ao teor do § 4º do mesmo artigo constitucional, promulguea ou não o Presidente da República, a lei haverá de ser executada na sua inteireza, não podendo ficar exposta ao capricho ou à conveniência do Poder Executivo. Facultaselhe, tãosomente, a propositura da ação própria perante o órgão jurisdicional e, enquanto pendente a decisão, continuará o Poder Executivo a lhe dar execução. Imaginese se assim não fosse, facultandose ao Poder Executivo, através de seus diversos departamentos, desconhecer a norma legislativa ou simplesmente negarlhe executoriedade por entendêla, unilateralmente, inconstitucional. A evolução do direito, como quer o suplicante, não deve pôr em risco toda uma construção sistêmica baseada na independência e na harmonia dos Poderes, e em cujos princípios repousa o estado democrático. Não se deve a pretexto de negar validade a uma lei pretensamente inconstitucional, praticarse inconstitucionalidade ainda maior consubstanciada no exercício de competência de que este Colegiado não dispõe, pois que deferida a outro Poder. Fl. 1995DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ 38 Ademais, matéria já pacificada no âmbito administrativo, razão pela qual o Presidente do Primeiro Conselho de Contribuintes, objetivando a condensação da jurisprudência predominante neste Conselho, conforme o que prescreve o art. 30 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes (RICC), aprovado pela Portaria MF nº 55, de 16 de março de 1998, providenciou a edição e aprovação de diversas súmulas, que foram publicadas no DOU, Seção I, dos dias 26, 27 e 28 de junho de 2006, vigorando para as decisões proferidas a partir de 28 de julho de 2006. Atualmente estas súmulas foram convertidas para o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, pela Portaria CARF nº 106, de 2009 (publicadas no DOU de 22/12/2009), assim redigidas: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2)” e “A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – SELIC para títulos federais (Súmula CARF nº 4).”Resta claro nos autos, que a recorrente solicita a redução da multa de ofício aplicada, invocando os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. Assim sendo, foi correta a aplicação de multa no percentual de 75% e de 150%, bem com esta correto a aplicação da taxa Selic a título de juros de mora. 10 – DA TRIBUTAÇÃO DECORRENTE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO: Como se infere do relato, a exigência da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) decorre do lançamento levado a efeito na área do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e, especificamente, em razão das irregularidades apuradas pela autoridade fiscal lançadora mantida de forma parcial. Em observância ao princípio da decorrência, e sendo certo a relação de causa e efeito existente entre o suporte fático em ambos os processo, o julgamento daquele apelo principal, ou seja, Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), deve, a princípio, se refletir nos presentes julgados, eis que o fato econômico que causou a tributação por decorrência é o mesmo e já está consagrado na jurisprudência administrativa que a tributação decorrente/reflexa deve ter o mesmo tratamento dispensado ao processo principal em virtude da íntima correlação de causa e efeito. Considerando que, no presente caso, a autuada não conseguiu elidir a totalidade das irregularidades apuradas, devese manter, em parte, o exigido no processo decorrente, que é a espécie do processo sob exame, uma vez que ambas as exigências que a formalizada no processo principal quer as dele originadas (lançamentos decorrentes) repousam sobre o mesmo suporte fático. Diante do conteúdo dos autos e pela associação de entendimento sobre todas as considerações expostas no exame da matéria, voto no sentido de indeferir o pedido de perícia e rejeitar as preliminares suscitadas pela Recorrente e, no mérito, negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Paulo Roberto Cortez Fl. 1996DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ Processo nº 10580.733639/201114 Acórdão n.º 1402001.459 S1C4T2 Fl. 21 39 Fl. 1997DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ, Assinado digitalmente em 22/01/2014 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO, Assinado digitalmente em 18/11/2013 por PAULO ROBERTO CORTEZ
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Numero do processo: 10166.906241/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Feb 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2002
ERRO DE FATO. PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO.
Comprovado o erro de fato no preenchimento do pedido de ressarcimento e compensação - PER/DCOMP, é admissível sua retificação, independentemente de ter ou não havido apreciação do direito creditório pela Administração Tributária, devendo o pedido ser analisado pela unidade de origem.
Numero da decisão: 1803-002.003
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo do ano calendário 2002, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Walter Adolfo Maresch Relator e Presidente Substituto.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Roberto Armond Ferreira da Silva (suplente). Ausente momentaneamente a conselheira Meigan Sack Rodrigues e em seu lugar o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho.
Nome do relator: WALTER ADOLFO MARESCH
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PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO. Comprovado o erro de fato no preenchimento do pedido de ressarcimento e compensação PER/DCOMP, é admissível sua retificação, independentemente de ter ou não havido apreciação do direito creditório pela Administração Tributária, devendo o pedido ser analisado pela unidade de origem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que o direito creditório seja apreciado como saldo negativo do ano calendário 2002, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator e Presidente Substituto. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walter Adolfo Maresch (presidente da turma), Sérgio Rodrigues Mendes, Victor Humberto da Silva Maizman, Neudson Cavalcante Albuquerque e Roberto Armond Ferreira da Silva (suplente). Ausente momentaneamente a conselheira Meigan Sack Rodrigues e em seu lugar o conselheiro Antonio Carlos Guidoni Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 90 62 41 /2 00 8- 91 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 2 Relatório ATA AMAZONAS TERRA AMBIENTAL E SERVIÇOS LTDA, atual denominação de DAN HEBERT S/A SISTEMAS E SERVIÇOS, pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida pela DRJ BRASÍLIA (DF), interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. Adoto o relatório da DRJ por bem retratar os fatos. Tratam os autos de declaração de compensação transmitida em 23/07/2004, pelo Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação PER/DCOMP, de débitos no valor de R$ 177.864,41, relativos à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e à Contribuição para o PIS PIS, com créditos relativos a saldo negativo de IRPJ, referente ao exercício 2002, anocalendário 2001. Em despacho decisório (fl. 18) emitido em 24/11/2008, a autoridade fiscal não homologou a compensação declarada no Per/Dcomp n° 22972.55057.300604.1.3.029822, sob a alegação de que analisadas as informações prestadas constatouse que não foi apurado saldo negativo, uma vez que, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, correspondente ao período de apuração do crédito informado no PER/Dcomp, consta imposto a pagar. • Valor original do saldo negativo informado no Per/Dcomp com demonstrativo de crédito: R$ 140,793,48. • Valor do imposto a pagar na DIPJ: R$ 69.920,20. Cientificada da decisão em 02/12/2008, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade ao despacho decisório em 30/12/2008 (fls 01 a 06), alegando, em síntese, que: a) Houve os seguintes erros no preenchimento do Per/Dcomp: • O exercício informado não é 2002, mas sim de 2003. • O valor do saldo negativo de IRPJ não é R$ 140.793,48, mas sim RS 28.350,62. b) Houve o seguinte erro de preenchimento na Ficha 12A (Cálculo do Imposto de Renda sobre o Lucro Líquido) da DIPJ do exercício 2003, anocalendário 2002 • O valor informado da linha 13 (Imposto de Renda Retido na Fonte) não é de RS 123.262,94, mas sim de R$ 124.140,81 c) A diferença entre o valor constante no Per/Dcomp de R$ 140.793,48 e o valor apurado de RS 28.350,63, corresponde a saldo negativo de exercícios anteriores a 2003, ou seja de exercícios de 2002, ano calendário 2001 e anteriores. Solicita ainda esclarecimentos de como proceder para utilizar os Saldos Negativos dos exercícios anteriores a 2003. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10166.906241/200891 Acórdão n.º 1803002.003 S1TE03 Fl. 77 3 Em 23 de novembro de 2009, foi encaminhado despacho (fls. 34 e 35) para que a DRF Brasília tomasse as seguintes providências: • verificar a existência e o valor do crédito decorrente de saldo negativo do IRPJ, exercício 2003, anocalendário 2002, e a possibilidade de compensação desse crédito com os débitos informados na Dcomp n° 22972.55057.300604.1.3.029822; • caso exista crédito parcial disponível para efetuar a compensação pleiteada pela contribuinte, refazer os cálculos elaborando novo demonstrativo de compensação e retornar os autos para essa DRJ para fins de dar prosseguimento ao julgamento. Ressaltese que, para fins de cálculos, cada débito deverá estar acrescido de juros e multa de mora, quando cabíveis; • caso não exista o crédito pleiteado ou ele não esteja disponível para compensação, retornar os autos para essa DRJ para fins de dar prosseguimento ao julgamento. Em resposta, a DRF Brasília esclareceu (fls. 38 e 39) que não poderia efetuar as providências solicitadas tendo em vista a mudança de jurisdição da contribuinte para a DRF Marabá. A DRJ BRASÍLIA (DF), através do acórdão nº 0339.901, de 22 de outubro de 2010 (fls. 40/44), julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a decisão: CIÊNCIA DA DECISÃO ADMINISTRATIVA. ESTABILIDADE DA LIDE. ALTERAÇÃO DE DIREITO CREDITÓRIO. RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Uma vez apreciado o pedido de compensação pela autoridade administrativa, não há previsão para alteração no direito creditório, o que torna inadmissível a retificação da DCOMP. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE CRÉDITO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Uma vez que o crédito apontado não é passível de restituição, não há que se falar em sua utilização para compensação de débitos, devendo, por conseguinte, não ser homologada a compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 21/11/2011, conforme Aviso de Recebimento – AR (fl. 75), apresentou o recurso voluntário em 19/12/2011 fls. 60/71, onde pugna pela nulidade da decisão de primeira instância e reafirma que não cometeu inexatidão material mas sim lapso de escrita. É o relatório. Voto Fl. 78DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 4 Conselheiro Walter Adolfo Maresch O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais para sua admissibilidade, dele conheço. Trata o presente processo de pedido de restituição cumulado com compensação – PER/DCOMP (Fls. 21/25), cujo direito creditório foi informando como sendo saldo negativo de IRPJ relativo exercício 2002. Alega a recorrente em síntese: a) A nulidade da decisão de primeira instância por ter requerido diligência e que não foi cumprida pela unidade de origem sob argumento de mudança de jurisdição; b) Que não cometeu inexatidão material mas sim lapso de escrita e portanto passível de alteração da PER/DCOMP; c) Que cometeu dois equívocos de preenchimento das declarações: o primeiro ao informar o exercício de 2002, quando pretendia informar o ano calendário 2002 na PER/DCOMP; o segundo, no preenchimento da DIPJ do ano calendário 2002, sendo que o saldo negativo importa em apenas R$ 28.350,62, sendo a diferença para o crédito pleiteado de R$ 140.793,48 decorrente de créditos de anos anteriores. Assiste parcial razão à interessada. Inicialmente, com relação a nulidade da decisão de primeira instância, não procedem as alegações da recorrente. A turma julgadora, embora tenha solicitado diligência conforme documento de fls. 34/35 (não atendida pela unidade de origem sob o pretexto de mudança de domicílio – fl 38), convenceuse da desnecessidade da mesma para o deslinde da questão. O fundamento adotado pela turma julgadora de primeira instância foi justamente a impossibilidade de retificação do PER/DCOMP, após o despacho decisório que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações ante a inexistência de direito creditório. Destarte, seria inócua a diligência pois o resultado seria idêntico ante o fundamento adotado pela Delegacia de Julgamento de Brasília para indeferir a manifestação de inconformidade. Rejeito portanto as alegações de nulidade da decisão de primeira instância. Acolho no entanto o pedido, quanto a possibilidade de retificação do PER/DCOMP ante a comprovação de erro de fato no preenchimento da declaração. Com efeito, conforme se observa no formulário do PER/DCOMP, a contribuinte informou tanto no campo exercício (fl. 21) como no campo exercício/ano calendário (fl. 25) o período de 2002. Deixou, outrossim, de informar o detalhamento do período na fl. 21 onde poderia ter informado tratarse do período de 01/01/2002 a 31/12/2002. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH Processo nº 10166.906241/200891 Acórdão n.º 1803002.003 S1TE03 Fl. 78 5 Portanto, plausível e plenamente demonstrado o erro de fato no preenchimento do PER/DCOMP, até pela péssima disposição do PGD ao permitir acumular informações em relação ao “exercício – ano calendário” facilitando a confusão no momento do preenchimento. A utilização do campo “exercício” no PER/DCOMP após as diversas modificações no regime de tributação das pessoas jurídicas, revela uma total falta de sintonia com as normas de tributação e recolhimento dos tributos federais vigentes atualmente, sendo mero resquício do direito financeiro adotado para as contas públicas na implantação do Código Tributário Nacional, induzindo em erro o contribuinte por ocasião de seu preenchimento. A correção do PER/DCOMP, mesmo após o despacho decisório, desde que comprovado o mero erro de fato é de ser admitido não havendo óbice para apreciação por parte da Administração Tributária. Tal medida se impõe ante a prevalência da verdade material e a copiosa jurisprudência administrativa neste sentido, sendo inadmissível a negação ao direito da contribuinte constatado o mero erro de fato cometido no preenchimento da declaração. Situação idêntica está sendo apreciada por esta turma no processo 10166.906242/200835 onde a mesma contribuinte repetiu o equívoco indicando o exercício 2003 no lugar de ano calendário 2003. No tocante ao mérito da demanda, constato que a contribuinte informa que seu saldo negativo do ano calendário 2002 é de apenas R$ 28.350,62 e não de R$ 140.793,48 conforme constou do PER/DCOMP, sendo a diferença decorrente de créditos de períodos anteriores. As informações da DIPJ (fl. 27/30) e da planilha de fl. 31 sugerem a existência do saldo negativo de IRPJ conforme aponta a contribuinte, fato que deverá ser apreciado pela unidade de origem. Deve ser rejeitada no entanto, a pretensão de compensar créditos de períodos anteriores juntamente com o saldo negativo de 2002, por não se evidenciar qualquer erro de fato e sim pedido diverso ao contido na PER/DCOMP e que deveria ter sido objeto de solicitação específica em outro pedido de restituição/compensação. Ante o exposto, voto para dar provimento parcial ao recurso voluntário para que o direito creditório seja apreciado pela unidade de origem, como “saldo negativo de IRPJ do ano calendário 2002”, homologandose as compensações realizadas até o limite do crédito efetivamente apurado. (assinado digitalmente) Walter Adolfo Maresch – Relator Fl. 80DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH 6 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 14/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/02/2014 por WALTER ADOLFO MARESCH, Assinado digitalmente em 12/02/201 4 por WALTER ADOLFO MARESCH
score : 1.0
Numero do processo: 10882.001612/2009-31
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
DESPESAS MÉDICAS COM NÃO DEPENDENTES. DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE.
Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que entregaram declaração de ajuste anual em separado e em modelo simplificado.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.374
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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DEDUÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Descabe a dedução de despesas médicas realizadas com pessoas que entregaram declaração de ajuste anual em separado e em modelo simplificado. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 00 16 12 /2 00 9- 31 Fl. 76DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.001612/200931 Acórdão n.º 2801003.374 S2TE01 Fl. 77 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fls. 46/48 deste processo digital), reproduzido a seguir: Em ação fiscal levada a efeito no contribuinte acima qualificado, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 06/11 (numeração digital), relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física, anocalendário 2005, por meio da qual foi apurado crédito tributário no montante de R$ 11.825,70 (onze mil, oitocentos e vinte e cinco reais e setenta centavos), sendo R$ 5.582,38 referentes ao imposto, R$ 4.186,78, à multa proporcional, e R$ 2.056,54, aos juros de mora (calculados até 29/05/2009). 1.1. Conforme a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (fls. 07/10), a exigência decorreu da seguinte infração à legislação tributária: 1.1.1. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) – Dedução Indevida de Despesas Médicas Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2005 21.711,38 75 Enquadramento legal: art. 8º, inciso II, alínea "a", e §§ 2º e 3º da Lei nº 9.250/95; arts. 73, 80 e 83 do RIR/99. 1.1.2. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) – Dedução Indevida de Dependentes Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2005 1.404,00 75 Enquadramento legal: art. 8º, inciso II, alínea "c", e 35 da Lei nº 9.250/95; arts. 73 e 83, e 841, inciso II, do RIR/99. 1.1.3. Dedução da Base de Cálculo Pleiteada Indevidamente (Ajuste Anual) – Dedução Indevida de Previdência Privada/FAPI Fato Gerador Valor Tributável ou Imposto (R$) Multa (%) 31/12/2005 1.725,77 150 Enquadramento legal: art. 11, § 3º do DecretoLei nº 5.844/43 e art. 4º, inciso V, da Lei nº 9.250/95; art. 11 da Lei nº 9.532/97; arts. 73, 82 e § 1º do RIR/99; art. 61 da Medida Provisória nº 2.15835. 2. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 02/04, juntamente com os documentos de fls. 12/19, alegando, inicialmente, que não atendeu a Intimação para comprovar as deduções efetuadas em sua DIRPF porque mudouse de endereço e quem recebeu a intimação não lhe comunicou nada, não tendo nenhum motivo para deixar de atender qualquer solicitação do órgão, visto possuir todos os comprovantes. Fl. 77DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.001612/200931 Acórdão n.º 2801003.374 S2TE01 Fl. 78 3 Em face dos documentos ora juntados, que comprovam o direito às deduções lançadas na Declaração de Ajuste Anual, requer a improcedência da ação fiscal, cancelandose o crédito tributário. 3. Tendo em vista o disposto na Instrução Normativa RFB nº 1.061, de 04 de agosto de 2010, o órgão local encaminhou o processo à fiscalização (fls. 26) para que fossem analisadas as questões de fato constantes da impugnação, tendo sido elaborado Termo Circunstanciado (fls. 30), acompanhado das planilhas de fls. 27/29, no qual se informa a exoneração da glosa de dependente e exoneração parcial da glosa de despesas médicas, e que embasou o Despacho Decisório/SEFIS nº 012, de 12/01/2011, de fls. 31, que deferiu a manutenção parcial da exigência, alterando o Imposto suplementar de R$ 5.582,38, como notificado, para R$ 4.095,89, e abriu prazo para manifestação de contrariedade do contribuinte. 4. Dentro do prazo assinalado, o contribuinte apresentou (fls. 35/36) sua Manifestação Contrária ao referido Despacho Decisório, alegando que o plano de saúde em questão é empresarial, por adesão a convênio entre a Unimed Paulistana e os órgãos de classe do contribuinte OAB/SP e CAASP, onde o contribuinte é o titular do plano e os demais são seus dependentes no plano por fazerem parte do mesmo grupo familiar, ou seja, esposa, filhos e pais, embora não sejam dependentes no Imposto de Renda, exceto João Victor Barbosa Galina. Sendo os dependentes no plano integrantes do grupo familiar é permitido sim a dedução do imposto lançado na declaração de ajuste anual. Ademais, a questão não estava regulamentada por esta Secretaria e não pode o contribuinte sofrer as consequências da má gestão dos órgãos competentes, tanto que somente após setembro de 2006 é que os informes forma discriminados. Requer seja reconsiderado o crédito tributário reclamado, em face dos documentos ora juntados, que comprovam o direito às deduções lançadas na Declaração de Ajuste Anual, sendo cancelado o crédito tributário. A impugnação apresentada pelo contribuinte foi julgada procedente em parte, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006 DEDUÇÕES COM DEPENDENTES. Caracterizada a relação de dependência conforme a lei tributária, lícita é a sua dedução na base de cálculo do imposto. DEDUÇÃO COM DESPESAS MÉDICAS. CONDIÇÃO DE DEPENDENTE. Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.001612/200931 Acórdão n.º 2801003.374 S2TE01 Fl. 79 4 Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, e devem se referir às despesas do contribuinte ou de seus dependentes. Comprovados que os valores declarados e deduzidos a título de despesas médicas referemse a pessoas não declaradas como dependentes, mantémse a correspondente glosa efetuada. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Cabe restabelecer a dedução das despesas médicas devidamente comprovadas. DEDUÇÃO DA CONTRIBUIÇÃO À PREVIDÊNCIA PRIVADA COMPROVAÇÃO. São indedutíveis da base de cálculo do imposto de renda os valores pagos na modalidade VGBL (Vida Gerador de Benefícios Livres), por não se tratarem de contribuições à previdência privada, mas de prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência, que não gozam desse benefícios fiscal. Cientificado da decisão de primeira instância em 31/10/2011 (fl. 57), o Interessado interpôs, em 29/11/2011, o recurso de fls. 59/62. Na peça recursal, alega prescrição do crédito tributário, a teor do que disciplina o art. 174 do CTN, e reitera os argumentos expendidos na impugnação. Ao fim, requer o cancelamento do crédito tributário e protesta pela juntada de novos documentos, se necessário for. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Registro, inicialmente, que o Interessado não contestou (em ambas as instâncias) a glosa relativa às contribuições vertidas ao plano de previdência privada na modalidade Vida Gerador de Benefícios Livres – VGBL, de modo que não se instaurou o contencioso administrativo em relação à referida matéria, a teor do que dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972 (“Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante”). PRELIMINAR Descabe falar em prescrição no caso em tela, porquanto o prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN (prazo de cobrança) é contado da constituição definitiva do crédito, isto é, após o término do processo administrativo fiscal. Na espécie, tal prazo sequer se iniciou. MÉRITO Em relação à glosa de despesas médicas o Recorrente reitera os argumentos expendidos na peça impugnatória, sem trazer qualquer alegação ou fato novo capazes de alterar Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10882.001612/200931 Acórdão n.º 2801003.374 S2TE01 Fl. 80 5 o resultado do julgamento de 1ª instância. Nesse contexto, utilizo como razões de decidir, em relação à glosa de despesas médicas, os fundamentos mencionados na decisão de piso, reproduzidos a seguir: 7.1. O documento comprobatório das despesas glosadas, referente ao plano de saúde Unimed Paulistana/CAASP, fls. 16, que comprova o pagamento de R$ 21.711,26, traz a relação dos segurados, que são o contribuinte e mais Sueli Aparecida Panca Galina, cônjuge, Rômulo Panca Galina, Aurélio Panca Galina e Jonatan Panca Galina, filhos, e Sebastião João Galina e Áurea de Azevedo Torres Galina, pais, que não foram relacionados como dependentes na DIRPF 2006 do contribuinte, além de João Victor Barbosa Galina, filho e dependente. Verificase dos sistemas da RFB que todos beneficiários do plano de saúde de titularidade do contribuinte, à exceção de João Victor Barbosa Galina, entregaram declaração em separado e em modelo simplificado para o exercício em questão. Portanto, as glosas efetuadas em relação às despesa médicas acima com os beneficiários do plano, esposa, filhos e pais do impugnante, mas que não seus dependentes, estão corretas, sendo que no caso, como foram por ele pagas, aqueles é que poderiam deduzilas em suas próprias declarações (o que de fato foi feito, por se tratarem de declarações em modelo simplificado), por se tratar de despesa médica paga por um membro da entidade familiar. De acordo com a legislação acima mencionada, somente pode ser dedutível a parte correspondente ao próprio contribuinte e ao seu dependente declarado, no caso, R$ 4.001,40, conforme apurado em fls. 27, anexo do Termo Circunstanciado. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
score : 1.0
Numero do processo: 10768.004079/2006-23
Turma: Terceira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2007
Ementa: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2005
Ementa: SIMPLES / INCLUSÃO NO REGIME POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO.
Processo foi apensado pelo de n° 10678.000488/2006-51.
Mandado de segurança coletivo. Extensão dos efeitos
da decisão concessiva de segurança. Vetado administração tributária limitar o alcance da decisão judicial.
Por ser indivisível, o interesse coletivo implica em que a coisa julgada no writ coletivo a todos aproveitem, sejam os filiados à entidade associativa impetrante, sejam os que integram a classe titular do direito coletivo, mormente quando nova Decisão
Judicial ern Agravo de Instrumento deu efeito da coisa julgada extensivo a todas as empresas que visam beneficiar-se do direito concedido, devendo tão-somente comprovar que pertencem ao grupo,
associação ou à classe que foi beneficiada, e não que são associadas à entidade que atuou no pólo ativo do mandamus.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 303-35.041
Decisão: ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso
voluntário, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: Silvio Marcos Barcelos Fiúza
1.0 = *:*
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ementa_s : Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES / INCLUSÃO NO REGIME POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Processo foi apensado pelo de n° 10678.000488/2006-51. Mandado de segurança coletivo. Extensão dos efeitos da decisão concessiva de segurança. Vetado administração tributária limitar o alcance da decisão judicial. Por ser indivisível, o interesse coletivo implica em que a coisa julgada no writ coletivo a todos aproveitem, sejam os filiados à entidade associativa impetrante, sejam os que integram a classe titular do direito coletivo, mormente quando nova Decisão Judicial ern Agravo de Instrumento deu efeito da coisa julgada extensivo a todas as empresas que visam beneficiar-se do direito concedido, devendo tão-somente comprovar que pertencem ao grupo, associação ou à classe que foi beneficiada, e não que são associadas à entidade que atuou no pólo ativo do mandamus. Recurso Voluntário Provido.
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Recorrida DRJ-RIO DE JANEIRO/RJ Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2005 Ementa: SIMPLES / INCLUSÃO NO REGIME POR FORÇA DE DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. Processo foi apensado pelo de n° 10678.000488/2006-51. Mandado de segurança coletivo. Extensão dos efeitos da decisão concessiva de segurança. Vetado administração tributária limitar o alcance da decisão judicial. Por ser indivisível, o interesse coletivo implica em que a coisa julgada no writ coletivo a todos aproveitem, sejam os filiados à entidade associativa impetrante, sejam os que integram a classe titular do direito coletivo, mormente quando nova Decisão Judicial ern Agravo de Instrumento deu efeito da coisa julgada extensivo a todas as empresas que visam beneficiar-se do direito concedido, devendo tão-somente comprovar que pertencem ao grupo, associação ou à classe que foi beneficiada, e não que são associadas à entidade que atuou no pólo ativo do mandamus. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ARCELOS FIÚZA Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acórdão n.° 303-35.041 CC03/003 Fls. 146 ACORDAM os Membros da TERCEIRA CÂMARA do TERCEIRO CONSELHO DE CONTRIBUINTES, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. ANELIS • 'AUD PRIETO Presid nte Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Nanci Gama, Nihon Luiz Bartoli, Marciel Eder Costa, Luis Marcelo Guerra de Castro, Tardsio Campelo Borges e Zenaldo Loibman. O Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acórdão n.° 303-35.041 CCONC03 Fls. 147 Relatório 0 processo versa sobre PEDIDO DE INCLUSÃO no SIMPLES, formulado pela Interessada ora recorrente ao amparo de sentença proferida pela MM. Juiza da 18' Vara Federal do Rio de Janeiro, nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0009406-9, impetrado pelo SINDELIVRE — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, em defesa dos interesses de seus filiados, posteriormente transitado em julgado, após confirmação do Decisum pelo TRF. 0 pleito fora indeferido, sob a justificativa de que a sentença em questão beneficiaria apenas os cursos livres com domicilio no Município do Rio de Janeiro, observada ainda a condição de estarem filiados ao SINDELIVRE, na data de propositura da ação. Inconformada com o indeferimento de seu pedido, a Interessada recorreu a Delegacia de Julgamento no Rio de Janeiro - RJ, alegando, em síntese, que a sentença concessiva de segurança produz efeitos em relação a todos os filiados do Sindelivre (Processo n° 10725.000211/2006-24 — em apenso neste Processo). A DRF de Julgamento no Rio de Janeiro — RJ, através do Acórdão n ° 10.857 de 29/06/2006 indeferiu a solicitação do contribuinte, nos termos que a seguir se transcreve textualmente do original: "Examino o feito somente agora, em face do volume de serviços e das prioridades estabelecidas nos diplomas legais que regem o processo administrativo fiscal e nos atos complementares do Ministro da Fazenda e do Secretario da Receita Federal (art. 27 do Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, com redação dada pelo art. 67 da Lei n° 9.532, de 10/12/1997; Portaria MF n° 29, de 17/02/1998; Portaria SRF n° 1.512, de 30/12/2002; Portaria SRF n° 454, de 29/04/2004; Portaria SRF n°1.365, de 10/11/2004; e Portaria SRF n°826, de 22/03/2005). VOTO Trata-se de manifestação de inconformidade, apresentada tempestivamente pela Interessada, contra despacho decisório que indeferiu pedido de inclusão no regime do Simples. A Interessada é uma sociedade empresária que tem por objeto: curso de idiomas; comércio de livros; comércio de artigos e papelaria,. comércio de discos e fitas; comércio de CD e DVD; comércio de materials didáticos e apostilas (cfr. Contrato Social, fls. 45 — processo em apenso). Por prestar serviços profissionais assemelhados ao de professor, estaria, segundo entendimento da Secretaria da Receita Federal, impedida de optar pelo Simples, haja vista a vedação contida no art. 9°, inciso XIII, cia Lei n°9.317, de 05/12/1996. Na condição, todavia, de filiada ao Sindelivre — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, a Interessada pretende ver-se incluída no regime do Simples, ao abrigo de sentença proferida em mandado de segurança coletivo impetrado por aquela entidade. Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acérddo n.° 303-35.041 CC03/CO3 Fls. 148 A primeira questão a resolver, no presente processo, é a de saber se os efeitos da sentença concessiva de segurança alcançam ou não as empresas que, como a Interessada, se filiaram ao Sindelivre após o ajuizamento da ação mandamental. Conforme se extrai dos documentos acostados aos autos, o Sindelivre impetrou junto à Justiça Federal do Rio de Janeiro, em 12/04/1999, mandado de segurança coletivo, autuado sob o n° 99.0009406-9, objetivando ver reconhecido o direito de seus filiados ingressarem ou permanecerem no regime do Simples. Em 05/07/1999, a MM Juiza da 18" Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro julgou procedente o pedido, nos seguintes termos (cfr. sentença fls. 19/28): "Isto posto, julgo procedente o pedido para conceder a segurança e declarar o direito liquido e certo do impetrante de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas das Empresas de pequeno Porte — SIMPLES, atendidos os demais requisitos previstos no artigo 2° da Lei n°9.317/1996." Temendo interpretações restritivas por parte da Secretaria da Receita Federal, o Sindelivre opôs embargos de declaração para ver explicitado o alcance subjetivo da decisão (cfr. documento anexo). Os embargos foram acolhidos pela MM. Juiza da 18' Vara Federal do Rio de Janeiro, nestes precisos termos (cfr. decisão, também anexa): "Contudo, para afastar quaisquer eventuais dúvidas que possam restar, RECEBO OS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO, esclarecendo que a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, o que integrará a fundamentação e dispositivo da sentença embargada, sem, entretanto, alterá-la." Inconformada com a decisão concessiva de segurança, a Unido Federal ingressou com apelação junto à instância superior. Em 27/08/2002, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 20 Região negou provimento ao recurso, mantendo na integra a sentença proferida em primeira instância (cfr. acórdão — doc. anexo). Ainda em dúvida quanto ao alcance do julgado, o Sindelivre opôs, mais uma vez, embargos de declaração, esperando ver confirmada a aplicabilidade da decisão em favor de todos os seus filiados (cfr. petição — documento anexo). Em 25/11/2003, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 2' Regido deu provimento aos embargos, mas apenas para reiterar os termos da decisão de primeira instância (cfr. acórdão — doc. anexo). Posteriormente, em 20/10/2005, a MM. Juiza da 18' Vara Federal do Rio de Janeiro, ainda nos autos do Mandado de Segurança n° 99.0009406-9, proferiu a seguinte decisão (cfr. pesquisa — doc. anexo). "...Trata-se de Mandado de Segurança impetrado pelo S1NDELIVRE — Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro — contra ato do Delegado da Receita Federal no Rio de Janeiro que indeferiu a inscrição e permanência dos substituidos no regime tributário do Simples. Foi proferida sentença concedendo a segurança e declarando o direito do Impetrante de optar pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES. Foram Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acórdão n.° 303-35.041 opostos embargos de declaração que foram julgados procedentes somente para esclarecer que a segurança concedida beneficia os filiados do Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro. A sentença foi mantida pelo E. TRF conforme Acórdão de fls. 151. 0 Acórdão transitou em julgado em 27/08/2004, conforme certificado h fl. 494. Após a pro/ação do Acórdão várias Sociedades de Ensino Livre requereram a expedição de Oficio a Autoridade Impetrada, ora de Certidões de Objeto e Pé, sempre com a finalidade de garantir as mesmas a opção pelo SIMPLES. Em várias dessas petições foram levantadas questões acerca da execução do Acórdão, as quais passo a analisar. Em primeiro lugar cabe esclarecer acerca do limite subjetivo da coisa julgada. Neste ponto, não cabe razão ao SINDELIVRE ao afirmar que todos os seus associados são beneficiários da segurança deferida. O que foi decidido nos Embargos de Declaração é que a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro, conforme dispositivo de fl. 114. Porém isto não significa dizer que todos os associados do SINDELIVRE são beneficiários da segurança concedida como quer fazer crer o Sindicato, mas, apenas aqueles associados substituidos no momento do ajuizamento, conforme relação de fls. 44/74. Em segundo lugar, deve ficar claro que o Acórdão transitado em julgado não garante aos Impetrantes sua inclusão/manutenção no regime tributário do SIMPLES, mas, tão somente reconhece que as Instituições de Ensino Livre são passíveis de inclusão no mesmo, desde que preenchidos todos os requisitos legais. Assim, determino que seja expedido Oficio à Autoridade Impetrada para que a mesma de cumprimento ao acórdão transitado." Mais uma vez inconformado, o Sindelivre apresentou novos embargos de declaração. O recurso foi rejeitado pela MM. Juiza da 18" Vara da Justiça Federal no Rio de Janeiro (cfr. pesquisa — doc. anexo). Isto não obstante, encontra-se ainda pendente de julgamento, junto a 4° Turma Especializada do Tribunal Regional Federal da 2' Regido, agravo de instrumento interposto pelo mesmo Sindelivre, relativamente ao Mandado de Segurança n°99.0009406-9 (cfr. pesquisa — doc anexo). Como se pode notar, apesar de não haver dúvida quanto ao direito de os filiados do Sindelivre ingressarem no Simples, ainda existem questionamentos acerca da extensão dos efeitos da sentença concessiva de segurança. Tais indefinições quanto ao alcance do julgado tern gerado dúvida ate mesmo entre as repartições fiscais encarregadas do seu cumprimento. Note-se que, após a confirmação da sentença em segunda instância, o Sindelivre requereu, em sede de embargos de declaração, fosse esclarecido pelo Tribunal "a manutenção da sentença constitutiva de direito liquido e certo beneficia todos os filiados do Sindicato ..." (grifo da Relatora). Dando provimento aos embargos, a Terceira Turma do Tribunal Regional Federal da 2" Regido afirmou, expressamente, que "a segurança concedida beneficia os filiados ao Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro", sem quaisquer restrições. Ora, por entender que a sentença prolatada pela Juiza da 18" Vara Federal do Rio de Janeiro, e confirmada pelo Tribunal Regional CO3/CO3 Fls. 149 Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acórdão n.° 303-35.041 CC03/CO3 Fls. 150 Federal da 2" Regido, não estabelecia qualquer limitação quanto a data de filiação dos estabelecimentos de ensino livre, votei, em diversas ocasiões, no sentido de deferir o ingresso no Simples a todos os cursos livres que provassem simplesmente sua condição de filiados ao Sindelivre, ainda que tal filiação tivesse ocorrido após o ajuizamento da agiiio mandamental. Considerando, todavia, que os questionamentos a respeito do alcance da referida sentença ainda não foram solucionados de forma definitiva pelo Poder Judiciário, e levando em conta, também, que os julgadores administrativos encontram-se submissos ao principio da legalidade, passo, de agora em diante, e até que a questão seja dirimida na esfera judicial, a adotar entendimento vinculado ao disposto na Medida Provisória n° 1.798-2, de 11/03/1999, que, acrescentando o art. 2°-A Lei n° 9.494, de 10/09/1997, restringiu a abrangência das sentenças civis prolatadas em ações de caráter coletivo aos substituídos que tenham, na data da propositura da ação, domicilio no âmbito da competência territorial do órgão prolator. Pois bem. Sendo certo que, no caso concreto, a Interessada foi constituída em 09/01/2005 (fls. 99), conclui-se que a filiação ao Sindelivre só poderia ter ocorrido posteriormente à data de ajuizamento da ação mandamental (12/04/1999), razão pela qual voto no sentido de INDEFERIR a solicitação da empresa, confirmando, assim, a manutenção da interessada na sistemática do Simples. o meu voto. Sala de Sessões da 4" Turma de Julgamento da DRJ-RJO-I, em 29/06/2006. Andréa Duek Simantob. Relatora". A recorrente tomou ciência dessa decisão através da Comunicação recebida via AR e apresentou, tempestivamente, seu arrazoado, em que manteve todos os argumentos explanados na exordial, asseverando e anexando elementos que comprovam se encontrar a recorrente perfeitamente enquadrada nos Decisa que integraram a lide, estando rigorosamente beneficiada pelo Decisum transitado em julgado, para que seja incluída no SIMPLES, por não está vedada o desempenho de suas atividades na opção pelo SIMPLES. o Relatório. O Processo n.° 10768.004079/2006-23 Acórdão n.° 303-35.041 CC03/CO3 Hs. 151 Voto Conselheiro SILVIO MARCOS BARCELOS FIÚZA, Relator Tomo conhecimento do recurso, que é tempestivo, tendo em vista que a recorrente tomou ciência da Decisão da DRF de Julgamento do Rio de Janeiro — RJ, através da Intimação DICAT nr. 138/2006 (fls. 112), via AR da ECT em data de 23/08/2006 (fls. 112 verso), tendo apresentado suas razões recursais com anexos, devidamente protocolados na repartição competente da SRF em 01/09/2006 (fls. 01 a 32), estando revestido das demais formalidades legais, bem corno, trata-se de matéria da competência deste Colegiado. Pelas razões acima expostas, é de se concluir que a solicitação de inclusão retroativa da recorrente no SIMPLES (fls. 47/47 verso) foi negada, por tida falta de amparo legal, pelo motivo de que a mesma se enquadraria no inciso XIII, art. 9° da Lei 9.317 de 05/12/1996, por exercer as atividades de serviços profissionais assemelhados ao de professor (fls. 107). Esclarecemos, por oportuno, que este processo foi apensado pelo de N° 10678.000488/2006-51. Entretanto, o que ficou devidamente comprovado no processo ora vergastado, sem embargos, é que a empresa recorrente sendo filiada ao SINDELIVRE (Sindicato dos Estabelecimentos de Ensino Livre no Estado do Rio de Janeiro) faz jus A decisão judicial (Processo 99.0009406-9) transitada em julgado, mormente quando essa sentença concessória de segurança reconhece o direito de ingresso no SIMPLES A todos os filiados da entidade associativa impetrante, sem qualquer consideração acerca do fato de estarem ou não relacionados na petição inicial, assim sendo, não cabe à Secretaria da Receita Federal limitar o alcance da aludida decisão. Mesmo por que, por ser indivisível, o interesse coletivo implica em que a coisa julgada no writ coletivo a todos aproveitam, sejam filiados A entidade associativa impetrante, sejam aos que integram a classe titular do direito coletivo, mormente quando nova Decisão Judicial em Agravo de Instrumento (2005.02.01.013399 -3), as fls. 11 a 14, deu efeito da coisa julgado extensivo a todas as empresas que visam beneficiar-se do direito concedido, devendo tão-somente comprovar que pertence ao grupo, à associação ou a classe que foi beneficiada, e não que é associada A entidade que atuou no pólo ativo do mandamus. Por essas razões, é de se reconsiderar a Decisão que negava a recorrente ter sua inclusão retroativa no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte. Então, VOTO no sentido de que seja dado provimento ao Recurso. Sala das ss es, em 6 de dezembro de 2007 SILVIO MARCOS 9V ELOS FIÚZA - Relator
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Numero do processo: 13886.000108/2008-91
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Feb 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
A verba paga ou creditada aos empregados a título de 13º salário constitui-se em base da contribuição previdenciária, conforme estabelece o art. 28, §7º da Lei nº 8.212/91, além do que tal dispêndio não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91.
Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção.
TAXA SELIC
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Reconhecer a existência de confisco seria o mesmo que admitir a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado ao CARF, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno.
A multa aplicada no lançamento é a que constava da lei na ocorrência do fato gerador.
Aplica-se retroativamente a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados.
Recursos Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2803-002.939
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Natanael Vieira dos Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
Nome do relator: NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga ou creditada aos empregados a título de 13º salário constitui-se em base da contribuição previdenciária, conforme estabelece o art. 28, §7º da Lei nº 8.212/91, além do que tal dispêndio não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Interpreta-se literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Reconhecer a existência de confisco seria o mesmo que admitir a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado ao CARF, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno. A multa aplicada no lançamento é a que constava da lei na ocorrência do fato gerador. Aplica-se retroativamente a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. Recursos Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35-A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima - Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2006 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. A verba paga ou creditada aos empregados a título de 13º salário constituise em base da contribuição previdenciária, conforme estabelece o art. 28, §7º da Lei nº 8.212/91, além do que tal dispêndio não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre exclusão do crédito tributário e outorga de isenção. TAXA SELIC A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. MULTA CONFISCATÓRIA. INCONSTITUCIONALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Reconhecer a existência de confisco seria o mesmo que admitir a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado ao CARF, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno. A multa aplicada no lançamento é a que constava da lei na ocorrência do fato gerador. Aplicase retroativamente a legislação mais benéfica aos atos e fatos não definitivamente julgados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 01 08 /2 00 8- 91 Fl. 298DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 299 2 Recursos Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para que a multa seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. Vencido o Conselheiro Helton Carlos Praia de Lima quanto à multa. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima Presidente. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Amilcar Barca Teixeira Junior, Oséas Coimbra Júnior, Natanael Vieira dos Santos, Gustavo Vettorato e Eduardo de Oliveira. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 300 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa ELETROCAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. em face da decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, no Rio de Janeiro (RJ) que julgou improcedente a impugnação apresentada contra a lavratura do Auto de Infração DEBCAD 37.089.8958 (fl. 04). 2. Consta do relatório fiscal que a autuação ocorreu em razão do não repasse a Previdência Social de contribuições previdenciárias descontadas de segurados empregados e contribuintes individuais, conforme apurado em folhas de pagamento e GFIP's, referentes ao período de dezembro/2006 a fevereiro/2007. 3. Em síntese o relatório fiscal (fls. 44/46) dispõe que: 1. (...). Os valores foram apurados em processo específico de auditoria fiscal, em virtude de divergências constatadas em informações declaradas em GFIP (Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social) e recolhimentos em GPS (Guia de Pagamento da Previdência Social). 2. A situação acima descrita, em tese, configura a prática de crime de Apropriação Indébita Previdenciária, previsto no Código Penal Brasileiro (...), motivo pelo qual será objeto de REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS, com comunicação à autoridade competente para as providências cabíveis. (...). 4. Constituem fatos geradores das contribuições lançadas: 4.1. As remunerações pagas ou devidas aos segurados empregados, relativas ao período citado no item 3 acima (...). 4.2 As remunerações pagas ou creditadas ao segurado sócio gerente, lançadas em folhas de pagamento, declaradas em GFIP's, no período citado no item 3 acima (...).. (...). 8. (...). A multa foi aplicada com red de 10% para os fatos geradores declarados em GFIP, de acordo com o Art. 239 parágrafo 11°. do Decreto n°.3.048 de 06/05/99, na redação dada pelo Decreto n°.3265/99. (...).” Fl. 300DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 301 4 4. A contribuinte foi cientificada do lançamento fiscal, em 24/10/2007, conforme AR do serviço posta da ECT nº RA 003546299 BR (fls. 52/56). 5. Diante da autuação, opondose ao lançamento, em 14/11/2007, junto à DRF – Campinas (fl. 56), Protocolo nº 008727, a recorrente apresentou tempestivamente impugnação (fls. 58/86). 6. Apreciada a impugnação, a instância a quo, por meio da Resolução nº 282, de 30/10/2008, converteu o julgamento em diligência, por entender que os autos não reuniam todos os elementos necessários para formar convicção acerca da matéria. Referida diligência teve por finalidade responder os quesitos abaixo (fls. 192/194): “(...). 3. No Relatório Fiscal, item 1, consta que o lançamento é de contribuições devidas à Seguridade Social arrecadas pela empresa mediante desconto nas remunerações de segurados empregados e contribuinte individual. 4. Analisando o Relatório Discriminativo Analítico de Débito DAD, constatase que NÃO consta no lançamento, a contribuição a cargo do segurado contribuinte individual. Tal contribuição, no entanto, constou no DAD da NFLD DEBCAD 37.089.8940, processo 13886.000107/200747, sem, no entanto, a descrição de tal contribuição no Relatório Fiscal desta NFLD.. 5. Isto posto, fazse necessário o pronunciamento da fiscalização sobre o item anterior, para verificar se as contribuições a cargo do contribuinte individual realmente foram descontadas destes. CASO POSITIVO, tal contribuição deve ser retirada da NFLD DEBCAD 37.089.8940 e lançada num novo lançamento, com a devida identificação da mesma. CASO NEGATIVO, deve ser efetivada informação de diligência informando a inclusão indevida de tal contribuição no Relatório Fiscal. 6. Importante destacar que no Relatório desta NFLD DEBCAD, item 4.1, consta que os descontos das contribuições dos segurados empregados foram verificados pela fiscalização através de folhas de pagamento. Quanto às contribuições de segurado contribuinte individual consta apenas a informação de que AS REMUNERAÇÕES PAGAS AO SEGURADO SÓCIO GERENTE foram LANÇADAS em folhas de pagamento. “NÃO HÁ QUALQUER MENÇÃO A RESPEITO DA VERIFICAÇÃO DO DESCONTO DA MESMA.” 7. Ou seja, na diligência solicitada requereuse que o Auditor notificante se pronunciasse sobre a divergência entre a descrição das contribuições apuradas no Relatório Fiscal com as contribuições lançadas na NFLD, conforme anexo DAD. No relatório fiscal há menção da contribuição do contribuinte individual e no anexo DAD o não lançamento dessa contribuição. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 302 5 8. Em atendimento a diligência solicitada, concluiuse que a NFLD está correta e apenas o relatório fiscal deve ser retificado, com a exclusão das citações sobre o desconto do contribuinte individual, mantendose somente as contribuições dos segurados empregados (fl. 204). Dessas correções resultou o relatório fiscal complementar (fl. 200), nos seguintes termos: “(...). 1. Em virtude das contribuições descontadas do contribuinte individual sóciogerente não terem constado no relatório "DAD — Discriminativo Analítico de Débito", parte integrante da Notificação, tendo sido incorretamente lançados na NFLD n° 37.089.8940 de mesma data, o relatório fiscal deve ser retificado. 2. Uma vez que os débitos cobrados através da Notificação n° 37.089.8958 não consideraram os valores dos descontos do segurado contribuinte individual, a Notificação passou a se referir apenas a contribuições previdenciárias arrecadadas pela empresa mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados, devendo o relatório fiscal ser retificado para deixar de se referir ao desconto do contribuinte individual. Ficam então retificados os seguintes itens do relatório fiscal: 2.1 No item 1 deve ser retirada a referência ao contribuinte individual. 2.2 0 item 4.2 deve ser excluído do relatório. 3. Para saneamento da divergência as contribuições identificadas pela rubrica "lF — Contrib Individual" serão excluídas da Notificação n° 37.089.8940 citada.” 9. Por meio do despacho de 05/03/2009, exarado na fl. 216 dos autos, a autoridade administrativa reabriu o prazo regulamentar para que a contribuinte, se fosse o caso, em razão da diligência efetuada, aditasse suas razões de defesa (fls. 216/218). 10. Concluída a diligência, não tendo a empresa se manifestado a respeito, examinada a peça impugnatória, o acórdão exarado em primeira instância restou ementado nos termos a seguir: CONTRIBUIÇÕES INCIDENTES SOBRE REMUNERAÇÃO DE SEGURADOS EMPREGADOS. GFIP. São devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações pagas aos segurados empregados e descontadas das remunerações destes, que foram declaradas em GFIP, quando não recolhidas pela empresa, nos termos do artigo 30, I, "b", da Lei 8212/91. DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO. O Décimo Terceira Salário integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias conforme o art. 28, § 70 da Lei n° 8.212/91. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 303 6 INCONSTITUCIONALIDADE Não é cabível a declaração acerca da inconstitucionalidade de leis ou atos normativos em via de procedimento administrativo, pois, a teor do artigo 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional. (...). Lançamento Procedente.” 11. Cientificada do acórdão de primeira instância (fl. 246) e trazendo basicamente os mesmos argumentos utilizados em sede impugnação, a recorrente com vistas a reverter a decisão a quo interpôs Recurso Voluntário (fls. 250/286), onde, em síntese, alega que: a) o auto de infração padece de vícios e nulidade, uma vez que o os lançamentos ali realizados foram feitos sem qualquer respaldo legal. b) não é devida contribuição previdenciária sobre gratificação natalina (13º salário, haja vista que referida verba não tem natureza de remuneração, como definido no art. 457 da CLT, sendo tal exigência ilegal. c) a aplicação da taxa SELIC é ilegal. d) A multa imposta é absurda, chegando a possuir caráter confiscatório, o que é vedado pela Constituição Federal, art. 150, IV. e) por fim pugna pela procedência do presente recurso voluntário para que seja anulado o auto de infração. 12. Sem contrarrazões fiscais os autos foram encaminhados à apreciação e julgamento por este Conselho. É o relatório. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 304 7 Voto Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, Relator. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que foi tempestivamente apresentado, preenche os requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº. 70.235, de 6 de março de 1972 e passo a analisálo. DO LANÇAMENTO 2. A recorrente em seu recurso voluntário, em síntese, alega que o auto de infração padece de vícios e nulidade, uma vez que o os lançamentos ali realizados foram feitos sem qualquer respaldo legal, contrapondose exclusivamente a incidência de contribuição previdenciária sobre o 13º salário, a taxa SELIC e a multa, por entender que esta é absurda, chegando a possuir caráter confiscatório, o que é contrário aos ditames previstos no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. 3. Com vistas às alegações acerca da existência de vícios e nulidade do auto de infração, passo inicialmente, ainda que de forma perfunctória, a analisar esses aspectos, uma vez que se presentes, a depender de suas naturezas, são causas que poderiam obstar a exigibilidade do crédito tributário. 4. O auto de infração em análise, como ato administrativo, pode eventualmente ter sido elaborado sem observância dos requisitos necessários a sua validade, os quais se presentes poderão ser ou não corrigidos pela própria administração ou tornar o ato nulo, de forma que passo a examinar sob esse ângulo as alegações da recorrente. 5 Doutrinariamente, os vícios em que podem ser acometidos quando da formação dos atos administrativos podem ser de natureza formal ou de natureza material. Diz se vício formal, quando inerente à omissão de requisito, ou desatenção à solenidade, que se prescreve como necessária à sua validade ou eficácia jurídica, sendo que o vício material, diz respeito à existência da dívida, a exemplo da inocorrência da hipótese de incidência ou identificação errônea dos sujeitos da relação jurídica tributária. 6. Feitas essas observações iniciais, em apertada síntese, ressaltese que na clássica doutrina do administrativista Hely Lopes Meirelles (in Direito Administrativo Brasileiro, Malheiros, 24ª Edição), conceituase como ato administrativo “(...) toda manifestação unilateral de vontade da Administração Pública, que, agindo nessa qualidade, tenha por fim imediato adquirir, resguardar, transferir, modificar, extinguir e declarar direitos, ou impor obrigações aos administrados ou a si própria.” A ausência ou a desatenção dos requisitos necessários à formação do ato administrativo poderá repercutir na sua validade, podendo ele ser nulo (casos em que o vício não tem como ser saneado) ou anulável (situação em que a administração poderá sanar o vício). Fl. 304DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 305 8 7. O citado doutrinador ensina como sendo 5 (cinco) os requisitos necessários à formação do ato administrativo: competência (o agente tem que deter o poder legal para praticálo); finalidade (interesse público); forma (revestimento exteriorizador do ato, conforme a lei); motivo (pressuposto ou situação de direito ou de fato que determina ou autoriza a realização do ato); e objeto (criação, modificação ou comprovação de situações jurídicas sujeitas à ação do Poder Público). 8. Na esfera tributária, importante trazer as lições do Professor Paulo de Barros Carvalho (in Curso de Direito Tributário, Saraiva, 22ª Edição, p. 458) que define o lançamento tributário como sendo “o ato jurídico administrativo, da categoria dos simples, constitutivos e vinculados, mediante o qual se insere na ordem jurídica brasileira uma norma individual e concreta, que tem como antecedente o fato jurídico tributário e, como consequente, a formalização do vínculo obrigacional, pela individualização dos sujeitos ativo e passivo, a determinação do objeto da prestação, formado pela base de cálculo e correspondente alíquota, bem como pelo estabelecimento dos termos espaçotemporais em que o crédito há de ser exigido.” 9. Embora traga em seu texto a expressão “procedimento”, inadequada para o Prof. Paulo de Barros, verificase que o disposto no artigo 142 do Código Tributário Nacional – CTN, está em linha com a doutrina, ao conceituar lançamento como segue: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vincula e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” (Grifei). 10. Desse conceito, cabe a essa altura já registrar que, em relação aos aspectos formais do lançamento, em consonância com o disposto no art. 142 do CTN, são as disposições contidas no art. 10 do Dec. 70.235/72, verbis: “Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula.” Fl. 305DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 306 9 11. Da especificidade que é peculiar ao ato jurídico administrativo do lançamento, quer no conceito dado pela doutrina, quer no conceito estabelecido pelo o art. 142 do CTN, destaco, porque importante, a questão de sua vinculação, a qual nas palavras do Prof. Paulo de Barros significa que referido ato “se coloca entre aqueles para a celebração dos quais não atua o agente com qualquer grau de subjetividade.” (o.citada, p. 463). 12. Assim, o fato de ser o lançamento ato jurídico administrativo vinculado e obrigatório, tenho que o agente fiscal agiu estritamente de acordo com o que a lei tributária dispunha a respeito, ou seja, em nenhum momento ele pautouse de acordo com sua conveniência ou comodidade para efetivação do lançamento, reportando, inclusive, à legislação pertinente e vigente quando da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conforme regra imposta no art. 144 do CTN, verbis: “Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada.” 13. No âmbito do processo administrativo, em relação à nulidades, valome do Dec. 70.235/72, que em seu Capítulo III, art. 59 e seguintes, enumera as hipóteses em que ficam caracterizados os vícios que podem atingir os atos, e portanto, tornandoos nulos, in verbis: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. (...). Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio.” 14. Vejase que, com base nos dispositivos acima colacionados, em regra, e, em consonância com o art. 142 do CTN, em se tratando de lançamento tributário, consideram se nulos os atos administrativos, inclusive as decisões, quando praticados por pessoa ou autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa, sendo que outras irregularidades, se resultar em prejuízo para o sujeito passivo, serão oportunamente, e, de acordo com a legislação pertinente, sanadas. 15. De outro giro significa dizer que, seja com fulcro na doutrina apontada, seja com base no art. 142 do CTN, combinado com os arts. 59 e 60 do Dec. nº 70.235/72, será nulo o lançamento tributário, por vício formal, quando o agente administrativo deixa de obedecer às formalidades necessárias ou indispensáveis à existência do ato, isto é, às disposições de ordem legal para a sua formação. 16. No que tange à afirmativa da recorrente de que se trataria de ato nulo porque o lançamento fora efetuado sem qualquer respaldo legal rechaço tal argumento, uma Fl. 306DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 307 10 vez que os dispositivos que fundamentaram o ato foram adequadamente utilizados pelo agente fiscal, como veremos mais adiante. 17. De todo até aqui exposto, constatase a adequada fundamentação do ato administrativo tributário em análise, com observância, inclusive, da legislação vigente na época da ocorrência dos fatos, ausentes, portanto, causas de sua nulidade, até porque o mesmo foi realizado em conformidade com as exigências legais impostas pelo art. 10 do Decreto nº 70.235/72 (PAF), quanto ao aspecto formal, e em observância aos ditames do art. 142 do Código Tributário Nacional (CTN), quanto ao aspecto material. 18. Assim, com supedâneo no acima alinhavado, rejeito a argüição de nulidade do auto de infração, tendo em vista que este foi editado com obediência a legislação vigente na época da realização ou ocorrência dos fatos geradores. DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO SOBRE O 13º SALÁRIO 19. A contribuinte, basicamente, sustenta a não incidência da contribuição previdenciária sobre o 13º salário, tomando como justificativa a sua natureza não remuneratória, com fulcro no art. 457 da CLT que, na seara do Direito do Trabalho, a remuneração do empregado constituise, tão somente, por verbas representativas de contraprestação de serviços efetivamente prestados pelos empregados. 20. Notese que a discussão trazida aos autos não versa quanto à constitucionalidade da incidência da contribuição previdenciária sobre o décimo terceiro salário, mas apenas quanto à base legal para sua exigibilidade. 21. A legislação previdenciária, notadamente a Lei nº 8.212/91 que dispõe sobre a organização da Seguridade Social e institui Plano de Custeio da Previdência Social, dada a especificidade ou especialidade do referido texto normativo, é nela onde se deve sedimentar o conceito de salário de contribuição, e, por conseguinte, verificar se tal conceito abarca ou não a verba denominada gratificação de natal (13º salário) paga ou creditada aos empregados. 22. Neste diapasão, registrese que, no caso, o conceito de salário de contribuição encontrase previsto no caput, inc. I, do art. 28 da Lei nº 8.212/91. Nesse mesmo art. 28, em seu § 7º, consta que o 13º salário integra a base de cálculo da contribuição previdenciária, in verbis: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Grifei). Fl. 307DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 308 11 (...). § 7º O décimoterceiro salário (gratificação natalina) integra o saláriodecontribuição, exceto para o cálculo de benefício, na forma estabelecida em regulamento. (Redação dada pela Lei n° 8.870, de 15.4.94).” 23. Dos dispositivos ora colacionados, inferese que o conceito jurídico de salário de contribuição, base de incidência das contribuições previdenciárias, foi estruturado de forma a abraçar toda e qualquer verba recebida pelo empregado, a qualquer título, em decorrência não somente dos serviços efetivamente prestados, mas também, no interstício em que o trabalhador estiver à disposição do empregador, nos termos do contrato de trabalho. 24. Nesse conceito amplo, evidentemente, algumas verbas não são computadas para fins de incidência previdenciária, conforme estão expressamente consignadas no § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91, onde ali não se inclui o pagamento a título de 13º salário, como pode ser visto da transcrição a seguir: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: (...). § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (Grifei). a) os benefícios da previdência social, nos termos e limites legais, salvo o saláriomaternidade; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). b) as ajudas de custo e o adicional mensal recebidos pelo aeronauta nos termos da Lei nº 5.929, de 30 de outubro de 1973; c) a parcela "in natura" recebida de acordo com os programas de alimentação aprovados pelo Ministério do Trabalho e da Previdência Social, nos termos da Lei nº 6.321, de 14 de abril de 1976; d) as importâncias recebidas a título de férias indenizadas e respectivo adicional constitucional, inclusive o valor correspondente à dobra da remuneração de férias de que trata o art. 137 da Consolidação das Leis do TrabalhoCLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). e) as importâncias: (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97 1. previstas no inciso I do art. 10 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias; 2. relativas à indenização por tempo de serviço, anterior a 5 de outubro de 1988, do empregado não optante pelo Fundo de Garantia do Tempo de ServiçoFGTS; 3. recebidas a título da indenização de que trata o art. 479 da CLT; Fl. 308DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 309 12 4. recebidas a título da indenização de que trata o art. 14 da Lei nº 5.889, de 8 de junho de 1973; 5. recebidas a título de incentivo à demissão; 6. recebidas a título de abono de férias na forma dos arts. 143 e 144 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 7. recebidas a título de ganhos eventuais e os abonos expressamente desvinculados do salário; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 8. recebidas a título de licençaprêmio indenizada; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). 9. recebidas a título da indenização de que trata o art. 9º da Lei nº 7.238, de 29 de outubro de 1984; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 1998). f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria; g) a ajuda de custo, em parcela única, recebida exclusivamente em decorrência de mudança de local de trabalho do empregado, na forma do art. 470 da CLT; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). h) as diárias para viagens, desde que não excedam a 50% (cinqüenta por cento) da remuneração mensal; i) a importância recebida a título de bolsa de complementação educacional de estagiário, quando paga nos termos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977; j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; l) o abono do Programa de Integração SocialPIS e do Programa de Assistência ao Servidor PúblicoPASEP; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) m) os valores correspondentes a transporte, alimentação e habitação fornecidos pela empresa ao empregado contratado para trabalhar em localidade distante da de sua residência, em canteiro de obras ou local que, por força da atividade, exija deslocamento e estada, observadas as normas de proteção estabelecidas pelo Ministério do Trabalho; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) n) a importância paga ao empregado a título de complementação ao valor do auxíliodoença, desde que este direito seja extensivo à totalidade dos empregados da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) o) as parcelas destinadas à assistência ao trabalhador da agroindústria canavieira, de que trata o art. 36 da Lei nº 4.870, Fl. 309DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 310 13 de 1º de dezembro de 1965; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). p) o valor das contribuições efetivamente pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, desde que disponível à totalidade de seus empregados e dirigentes, observados, no que couber, os arts. 9º e 468 da CLT; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) q) o valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) r) o valor correspondente a vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos ao empregado e utilizados no local do trabalho para prestação dos respectivos serviços; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) s) o ressarcimento de despesas pelo uso de veículo do empregado e o reembolso creche pago em conformidade com a legislação trabalhista, observado o limite máximo de seis anos de idade, quando devidamente comprovadas as despesas realizadas; (Incluída pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) u) a importância recebida a título de bolsa de aprendizagem garantida ao adolescente até quatorze anos de idade, de acordo com o disposto no art. 64 da Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) v) os valores recebidos em decorrência da cessão de direitos autorais; (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) x) o valor da multa prevista no § 8º do art. 477 da CLT. (Alínea acrescentada pela Lei nº 9.528, de 10.12.97) Fl. 310DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 311 14 y) o valor correspondente ao valecultura. (Incluído pela Lei nº 12.761, de 2012).” 25. Com relação às hipóteses isentivas estabelecidas no § 9º do art. 28 da Lei 8.212/91, cabe ressaltar que não comporta ampliações ou entendimentos para abarcar verbas que ali não constem expressamente, em observância ao disposto no art. 111 do CTN: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...); II outorga de isenção; (...)”. 26. Assim, tendo em conta que a legislação que trata de isenção interpretase restritiva e literalmente, não há dúvida de que a verba paga ou creditada aos empregados a título de 13º salário constituise em base da contribuição previdenciária, como previsto no art. 28, §7º, da Lei nº 8.212/91, além do que tal dispêndio não integra o rol numerus clausus de hipóteses legais de não incidência tributária consolidado no §9º do art. 28 da Lei nº 8.212/91. 27. Ademais, não mais se justifica a discussão sobre a incidência ou não das contribuições previdenciárias sobre o 13º salário (gratificação natalina), uma vez que o Supremo Tribunal Federal – STF já reconheceu a tributação da verba paga a esse título. 28. A referida Corte Superior, inclusive, reconheceu o tema como Repercussão Geral no Recurso Extraordinário n° 593.068.8SC, tendo, inclusive aquele Tribunal pacificado o assunto, o que motivou a edição da Súmula nº 688, in verbis: "Súmula 688. É legítima a incidência da contribuição previdenciária sobre o 13° salário." 29. Do exposto, entendo que não assiste razão à recorrente quanto às alegações para a não incidência da contribuição previdenciária sobre a gratificação natalina (13º salário), devendo o lançamento se manter inalterado em relação a essa verba. DA UTILIZAÇÃO DA TAXA SELIC 30. Em relação à taxa SELIC, entendo como regular sua aplicação, eis que na época do fato gerador, a utilização da referida taxa era expressamente prevista no art. 34 da Lei nº 8.212/91. 31. A matéria, inclusive, já foi sumulada por esta Corte Administrativa, cuja observância, nos termos do art. 72, caput, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) é obrigatória pelos conselheiros, verbis: "Súmula CARF N° 4: A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais." Fl. 311DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 312 15 32. No mesmo sentido, devese ressaltar que a utilização da taxa SELIC no caso em análise não ocorreu por determinação do Banco Central, e sim em face do art. 34 da Lei nº 8.212/91, vigente à época do lançamento, que encontra respaldo na Súmula n° 04 deste Conselho. 33. Além disso, em julgado recente, o STF decidiu pela incidência da taxa SELIC para a atualização de débitos tributários: "1. Recurso extraordinário. Repercussão geral. 2. Taxa Selic. Incidência para atualização de débitos tributários. Legitimidade. Inexistência de violação aos princípios da legalidade e da anterioridade. Necessidade de adoção de critério isonômico. No julgamento da ADI 2.214, Rel. Min. Maurício Corrêa, Tribunal Pleno, DJ 19.4.2002, ao apreciar o tema, esta Corte assentou que a medida traduz rigorosa igualdade de tratamento entre contribuinte e fisco e que não se trata de imposição tributária. 3. ICMS. Inclusão do montante do tributo em sua própria base de cálculo. Constitucionalidade. Precedentes. A base de cálculo do ICMS, definida como o valor da operação da circulação de mercadorias (art. 155, II, da CF/1988, c/c arts. 2°, I, e 8°, I, da LC 87/1996), inclui o próprio montante do ICMS incidente, pois ele faz parte da importância paga pelo comprador e recebida pelo vendedor na operação. A Emenda Constitucional n° 33, de 2001, inseriu a alínea "i" no inciso XII do § 2° do art. 155 da Constituição Federal, para fazer constar que cabe à lei complementar "fixar a base de cálculo, de modo que o montante do imposto a integre, também na importação do exterior de bem, mercadoria ou serviço". Ora, se o texto dispõe que o ICMS deve ser calculado com o montante do imposto inserido em sua própria base de cálculo também na importação de bens, naturalmente a interpretação que há de ser feita é que o imposto já era calculado dessa forma em relação às operações internas. Com a alteração constitucional a Lei Complementar ficou autorizada a dar tratamento isonômico na determinação da base de cálculo entre as operações ou prestações internas com as importações do exterior, de modo que o ICMS será calculado "por dentro" em ambos os casos. 4. Multa moratória. Patamar de 20%. Razoabilidade. Inexistência de efeito confiscatório. Precedentes. A aplicação da multa moratória tem o objetivo de sancionar o contribuinte que não cumpre suas obrigações tributárias, prestigiando a conduta daqueles que pagam em dia seus tributos aos cofres públicos. Assim, para que a multa moratória cumpra sua função de desencorajar a elisão fiscal, de um lado não pode ser pífia, mas, de outro, não pode ter um importe que lhe confira característica confiscatória, inviabilizando inclusive o recolhimento de futuros tributos. O acórdão recorrido encontra amparo na jurisprudência desta Suprema Corte, segundo a qual não é confiscatória a multa moratória no importe de 20% (vinte por cento). 5. Recurso extraordinário a que se nega provimento." (g.n.) (grifei) (RE 582.461/SP. Tribunal Pleno. Relator Ministro Gilmar Mendes. DJe 18.08.2011, p. 177). 34. Dessa forma, com vistas o anteriormente explanado e considerando principalmente o entendimento firmado por meio da Súmula 4 do CARF, verificase pela aplicabilidade da taxa SELIC, não tendo, portanto, razão a recorrente em seus argumentos. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 313 16 DA MULTA APLICADA 35. A recorrente ao afirmar que a multa imposta é absurda, chegando a possuir caráter confiscatório, inferese de tais argumentos a pretensão de sustentar que se trata de exigência sem observância ao preceito constitucional do não confisco, previsto Constituição Federal, art. 150, IV, vervis: “Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...). IV utilizar tributo com efeito de confisco. (...).” 36. “Ad argumentandum tantum”, do dispositivo constitucional ora transcrito verifica tratarse de vedação que representa um limite material ao exercício da competência tributária, inspirado, especialmente nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. 37. Das observações no item precedente, o que se pretende discutir é quanto à aplicação do princípio constitucional do não confisco à multa ora imposta ao caso em análise. 38. Ocorre que, reconhecer a existência de confisco seria o mesmo que admitir a inconstitucionalidade da aplicação da multa e dos juros tais como previstos na legislação, o que é vedado a este Conselho, que somente pode reconhecer a inconstitucionalidade de dispositivo legal quando estiver diante de uma das hipóteses previstas no art. 62, parágrafo único, do seu Regimento Interno, quais sejam: “Art. 62. (...). I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993.” 39. No caso dos presentes autos, contudo, não ocorreu qualquer dessas hipóteses. 40. É oportuno reiterar que não cabe a autoridade administrativa decidir se uma lei é, ou não é inconstitucional, inclusive, insistase, que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originária, que é a de Fl. 313DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 314 17 órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuída especificamente ao Poder Judiciário pela Constituição Federal. No Capítulo III, do Título IV, notadamente no que trata do controle da constitucionalidade das normas, observase que o constituinte originário teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. 41. Ademais, o Conselho de Contribuintes, por meio de seu Regimento Interno e Súmula, impuseram regra proibitiva nesse sentido: Súmula 02 do Segundo Conselho de Contribuintes, publicada no DOU de 26/09/2007: “O Segundo Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de legislação tributária.” “Portaria MF n° 147, de 25/06/2007 (que aprovou o Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes): Art. 49. No julgamento de recurso voluntário ou de ofício, fica vedado aos Conselhos de Contribuintes afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” 42. Assim, deixo de apreciar eventuais aspectos relacionados à exorbitância da multa imposta ao presente caso, haja vista que não compete a autoridade lançadora ou julgadora dispensar ou reduzir valores de multas, sob o argumento de inconstitucionalidade, aí compreendida abusividade e ilegalidade. 43. Por outro lado, no caso destes autos o período fiscalizado abrange 12/2006 a 07/2007 que foi lançado em 17/10/2007 (fl. 04), antes, portanto, da vigência da MP nº 449/2008, ou seja, a multa aplicada variaria de 24% a 100%, a depender da fase do processo administrativo. 44. No caso destes autos a multa aplicada é 75%, o que leva a questionar: como isso pode ser mais benéfico ao contribuinte? Este patamar de 75% só será mais benéfico quando a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91 na redação da Lei nº 9.876/99, chegasse a 80%, na fase de execução fiscal, ainda, que não citado o devedor, desde que não houvesse parcelamento. 45. Feitos estes esclarecimentos necessários entendo que deve ser aplicado ao lançamento a multa do artigo 35, da Lei nº 8.212/91 na redação da Lei nº 9.876/99, devendo esta ser limitada a 75% em respeito ao artigo 35 – A, da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei nº 11.941/2009, dependendo, contudo, da época do pagamento, parcelamento ou execução. 46. Aplicando a situação acima, em respeito ao princípio da retroatividade benigna ou lex mitior, prevista no art. 106 do CTN, inciso II, alínea “c”, deve o Fisco perscrutar, na aplicação da multa, a existência de penalidade menos gravosa ao contribuinte. 47. Ressaltese que, no caso, não se pode aplicar a multa do artigo 61, § 2º, “a”, pois o presente auto cuida de lançamento de ofício, isto é, aquele realizado pelo fisco. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA Processo nº 13886.000108/200891 Acórdão n.º 2803002.939 S2TE03 Fl. 315 18 CONCLUSÃO 48. De todo o exposto, conheço do recurso voluntário, para, no mérito, dar lhe parcial provimento, para que a multa seja aplicada nos moldes do artigo 35 da Lei nº 8.212/91, na redação anterior a MP nº 449/2008, devendo a progressão da multa ser limitada ao que determina o artigo 35A da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, tudo a depender da época do pagamento, parcelamento ou execução. É como voto. (Assinado digitalmente) Natanael Vieira dos Santos. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 30/0 1/2014 por NATANAEL VIEIRA DOS SANTOS, Assinado digitalmente em 03/02/2014 por HELTON CARLOS PRAIA D E LIMA
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Numero do processo: 16327.721661/2011-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 04 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INOCORRÊNCIA
É imperiosa a análise das operações societárias realizadas em sequência para que se verifique a ocorrência ou não do fato gerador e a real intenção da contribuinte. A responsabilidade de cada empresa envolvida deve ser apurada quando configurada a hipótese de incidência tributária.
PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em havendo pagamento, o prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do art.150 do CTN. Já nos casos em que não constar pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme disposto no art. 173, inciso I do CTN.
PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO - CRITÉRIOS.
O que determina a incidência ou não de tributo para caracterização de planejamento tributário legítimo é a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico (causa objetiva - propósito negocial), não bastando a existência do conteúdo formal do negócio jurídico, consubstanciado na declaração de vontade.
As operações estruturadas em sequência, realizadas em curto prazo, constituem simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações, que teve como único propósito evitar a incidência de ganho de capital.
FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL - LUCRO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO.
Restando comprovado o lucro na alienação de ações, é de se efetuar a sua tributação, a título de ganho de capital.
INCIDÊNCIA DE JUROS PELA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO.
Jurisprudência pacificada deste Conselho Administrativo no sentido de afastar a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, devendo incidir somente o valor do tributo devido.
Numero da decisão: 1202-001.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento ao recurso integralmente. O Conselheiro Plínio Rodrigues Lima acompanhou pelas conclusões o mérito julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Geraldo Valentim Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: GERALDO VALENTIM NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO - INOCORRÊNCIA É imperiosa a análise das operações societárias realizadas em sequência para que se verifique a ocorrência ou não do fato gerador e a real intenção da contribuinte. A responsabilidade de cada empresa envolvida deve ser apurada quando configurada a hipótese de incidência tributária. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA - INOCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em havendo pagamento, o prazo decadencial inicia-se na data da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do art.150 do CTN. Já nos casos em que não constar pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme disposto no art. 173, inciso I do CTN. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO - CRITÉRIOS. O que determina a incidência ou não de tributo para caracterização de planejamento tributário legítimo é a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico (causa objetiva - propósito negocial), não bastando a existência do conteúdo formal do negócio jurídico, consubstanciado na declaração de vontade. As operações estruturadas em sequência, realizadas em curto prazo, constituem simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações, que teve como único propósito evitar a incidência de ganho de capital. FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL - LUCRO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Restando comprovado o lucro na alienação de ações, é de se efetuar a sua tributação, a título de ganho de capital. INCIDÊNCIA DE JUROS PELA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Jurisprudência pacificada deste Conselho Administrativo no sentido de afastar a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, devendo incidir somente o valor do tributo devido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento ao recurso integralmente. O Conselheiro Plínio Rodrigues Lima acompanhou pelas conclusões o mérito julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 PRELIMINAR DE NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO INOCORRÊNCIA É imperiosa a análise das operações societárias realizadas em sequência para que se verifique a ocorrência ou não do fato gerador e a real intenção da contribuinte. A responsabilidade de cada empresa envolvida deve ser apurada quando configurada a hipótese de incidência tributária. PRELIMINAR DE DECADÊNCIA INOCORRÊNCIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Em havendo pagamento, o prazo decadencial iniciase na data da ocorrência do fato gerador, conforme § 4º do art.150 do CTN. Já nos casos em que não constar pagamento, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme disposto no art. 173, inciso I do CTN. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO CRITÉRIOS. O que determina a incidência ou não de tributo para caracterização de planejamento tributário legítimo é a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico (causa objetiva propósito negocial), não bastando a existência do conteúdo formal do negócio jurídico, consubstanciado na declaração de vontade. As operações estruturadas em sequência, realizadas em curto prazo, constituem simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações, que teve como único propósito evitar a incidência de ganho de capital. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 16 61 /2 01 1- 91 Fl. 774DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 FATO GERADOR DO IRPJ E DA CSLL LUCRO NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Restando comprovado o lucro na alienação de ações, é de se efetuar a sua tributação, a título de ganho de capital. INCIDÊNCIA DE JUROS PELA TAXA SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Jurisprudência pacificada deste Conselho Administrativo no sentido de afastar a incidência de juros de mora sobre multa de ofício, devendo incidir somente o valor do tributo devido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e de decadência e, no mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao Recurso Voluntário apenas para afastar a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Viviane Vidal Wagner e Carlos Alberto Donassolo, que negavam provimento ao recurso integralmente. O Conselheiro Plínio Rodrigues Lima acompanhou pelas conclusões o mérito julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Nereida de Miranda Finamore Horta, Viviane Vidal Wagner, Orlando José Gonçalves Bueno e Geraldo Valentim Neto. Relatório Consiste o presente processo em Autos de Infração lavrados contra a Recorrente, consubstanciados em lançamentos de IRPJ, no valor de R$ 94.921.486,01 (fls. 481/486) e CSLL, no valor de R$ 34.187.915,19 (fls. 487/491), já acrescidos de multa de ofício de 75% e juros à Taxa SELIC, decorrentes de infração apurada pela fiscalização consistente nos ganhos de capital apurados incorretamente mediante a alienação ou baixa de investimentos avaliados pelo valor do patrimônio líquido. Entendeu a fiscalização que a Recorrente incorreu na “falta de contabilização de ganho de capital apurado na alienação de ações da empresa Selenium (28/07/2006) que era investimento avaliado pelo Patrimônio Líquido, gerando, em 2 Fl. 775DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 consequência, redução indevida do lucro sujeito à tributação”, relativa a fatos geradores do anocalendário de 2006. O delineamento fático constante do Termo de Verificação Fiscal (fls. 96/114) foi muito bem sintetizado na decisão recorrida (fls. 622/642) a qual passo a reproduzir: 1.1. Visão geral No termo de verificação fiscal nº 01 (fls. 96 a 114), a fiscalização relata que os fatos ocorreram no âmbito do grupo Bradesco, em operações de reestruturação societária, realizadas em junho e julho de 2006, que antecederam a Oferta Pública Inicial (“Initial Public Offering” – IPO) da Companhia Brasileira de Meios de Pagamentos, conhecida como Visanet, realizada em junho de 2009. Relata a fiscalização que, pouco antes do IPO, as ações da Visanet pertencentes ao grupo Bradesco foram transferidas para a Columbus Holding S.A (Columbus), empresa pertencente ao grupo. Informa que, em 15/04/2009, a Columbus aumentou seu capital social de R$1.000,00 para R$40.158.264,50, sendo o mesmo integralizado pelo Banco Alvorada S/A (Banco Alvorada), Banco Boavista Interatlântico S/A (Banco Boavista) e Alvorada Cartões, Crédito, Financiamento e Investimentos S/A (Alvorada Cartões) mediante a conferência de 106.392.689 ações da Visanet, avaliadas em R$40.157.264,50 (R$0,38 por ação). Nesse caso, não houve ágio na subscrição das ações da Columbus. Em 22/04/2009, a Columbus promoveu novo aumento de capital social no montante de R$66.273.008,58, integralizado por Elba Holdings Ltda. (Elba) mediante a conferência de 175.579.400 ações da Visanet, avaliadas em R$568.590.141,99 (valor patrimonial de R$66.271.356,41 + ágio de R$502.318.785,58), tendo sido registrado pela Columbus ágio na subscrição de ações no valor de R$502.317.133,41. Em 04/05/2009, houve novo aumento de capital na Columbus no valor de R$95.804.095,08, integralizado por Rubi Holdings Ltda. (Rubi) mediante a conferência de 253.820.700 ações da Visanet, avaliadas em R$3.048.063.870,81 (valor patrimonial de R$113.165.236,66 + ágio de R$2.934.898.634,15), tendo sido registrado pela Columbus ágio na subscrição de ações no valor de R$2.952.259.775,73. Informa a fiscalização que, em 30/06/2009, após ajustes de equivalência patrimonial e dividendos, a Columbus registrava em sua contabilidade os seguintes valores para as ações da Visanet e para o ágio associado às mesmas: 1.3.1.1.1.048 – 6300 Visanet – R$205.665.183,97 1.3.1.1.2.026 – Ágio outras empresas – R$3.437.214.726,69 A soma desses valores perfazia o montante de R$3.642.879.910,66, que dividido pelo total de 535.792.992 ações resultava no valor de R$6,80 por ação. 3 Fl. 776DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Em junho de 2009 ocorreu o IPO, no qual foram vendidas 143.302.299 ações e, no mês subsequente, foram vendidas 30.025.244 ações em lote suplementar, totalizando 173.327.543 ações, todas vendidas pelo custo unitário de R$15,00. Logo o valor total da venda foi de R$2.599.913.145,00 (173.327.543 * R$15,00). Sendo o custo contábil de R$1.178.461.521,12 (173.327.543 * R$6,80), foi apurado ganho de capital de R$1.421.451.623,88 pela Columbus. A fiscalização ressalta que esse ganho de capital foi reduzido significativamente pelo ágio, o que a levou a investigar sua origem, mediante a realização de diligências em diversas empresas do grupo Bradesco. A fiscalização esclarece que o presente processo trata das 175.579.400 ações entregues à Columbus pela Elba em 22/04/2009 no valor total de R$568.590.141,99, composto pelo valor patrimonial de R$66.271.356,41 e ágio de R$502.318.785,58. Esclarece, ainda, que as ações da Visanet foram desdobradas em 1/50 no dia 24/08/2007 e em 1/2 no dia 22/09/2008, de modo que, antes de 24/08/2007, as 175.579.400 ações equivaliam a 1.755.794 ações. 1.2. Das reorganizações societárias A fiscalização informa que, inicialmente, as 1.755.794 ações acima referidas pertenciam ao Banco Alvorada. Em 29/06/2009, a Selenium Holdings S.A. (Selenium) aumentou seu capital social em R$48.740.841,44 (de R$11.257.207,00 para R$59.998.048,44) tendo sido o mesmo subscrito e integralizado pelo Banco Alvorada mediante a conferência de 1.755.794 ações da Visanet pelo valor contábil de R$48.740.841,44 (valor unitário de R$0,28, considerando os desdobramentos). Nessa mesma data, o Banco Alvorada subscreveu e integralizou capital na Nova Paiol com as ações da Selenium recém adquiridas. Relata a fiscalização que, depois dessa operação, a Selenium ficou com dois acionistas, a Neon Holdings Ltda. (Neon) e a Nova Paiol Participações Ltda. (Nova Paiol), detentoras de 11.257.207 ações (24,99%) e 33.789.883 ações (75,01%), respectivamente. Nessa data (29/06/2006), a Selenium possuía, entre outros ativos, ações da Visanet (recebidas do Banco Alvorada) e da Usiminas e seu patrimônio líquido era de R$64.979.008,24. Assim, por equivalência patrimonial, a participação Neon (24,99%) correspondia a R$16.238.166,47. Por outro lado, a Elba era subsidiária integral do Banco Bradesco S/A (Banco Bradesco) e possuía, entre outros ativos, 100% das ações da Bradesplan Participações S.A. (Bradesplan). Em 30/06/2006, a Selenium efetuou um aumento de capital no montante de R$196.838.445,31, subscrito e integralizado pela Elba mediante a conferência de 23.945.221.917 ações da Bradesplan avaliadas pelo valor contábil de R$3.079.858.815,53. Assim, a Selenium passou a ter capital social de R$256.836.493,75 e patrimônio líquido de R$3.144.837.823,46. A composição 4 Fl. 777DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 societária passou a ser: Neon (5,84%), Nova Paiol (17,52%) e Elba (76,64%), correspondentes a R$183.587.267,40, R$551.059.626,57 e R$2.410.190.929,80, respectivamente, pelo método da equivalência patrimonial. Com essa operação, a Elba trocou sua participação na Bradesplan pela participação na Selenium. Pela equivalência patrimonial, a participação da Elba na Selenium era de R$2.410.190.929,56 (76,64% de R$3.144.837.823,46). Considerando se que as ações da Bradesplan estavam contabilizadas por R$3.079.858.815,53, a Elba registrou um ágio de R$669.667.885,97 (R$3.079.858.815,53 – R$2.410.190.929,56) em sua contabilidade: D – 1.3.1.1.2.040 – Ágio – Selenium Holdings S.A. – Visanet – R$502.318.785,58 D – 1.3.1.1.2.041 – Ágio – Selenium Holdings S.A. – Usiminas – R$167.349.100,39 C – 1.3.1.1.1.111 – Selenium Holdings S.A – R$669.667.885,97 Informa a fiscalização que a Elba foi intimada a apresentar os laudos de avaliação que respaldassem os ágios acima referidos, tendo a mesma informado que as ações da Usiminas foram avaliadas pelo valor da cotação na Bovespa. Quanto à Visanet, a fiscalização alega que o laudo apresentado se refere apenas a uma avaliação econômico financeira, não citando nem o motivo da avaliação e nem as empresas participantes da operação. Relata a fiscalização que a operação gerou ganho de capital de R$502.318.784,80 (R$551.059.626,57 R$48.740.841,77) para a Nova Paiol e de R$167.349.100,90 (R$183.587.267,40 – R$16.238.166,47) para a Neon. Acrescenta que essa operação permitiu que o ganho obtido pela Nova Paiol, por redução de participação societária na Selenium, não fosse tributado por força do art. 428 do RIR/99. Cabe lembrar que, depois dessa operação, a Selenium tinha como acionistas a Neon, a Nova Paiol e a Elba e possuía ativos relativos a ações da Usiminas, Visanet e Bradesplan. Em 28/07/2006, a Elba incorporou a Selenium com base nos balanços patrimoniais de 30/06/2006. O capital social da Elba foi aumentado em R$759.255.242,00 mediante a emissão de 741.178.389 novas ações, tendo sido atribuídas 185.219.479 ações à Neon e 555.958.910 à Nova Paiol. Relata a fiscalização que a Elba recebeu as ações da Usiminas e incluiu em seu valor contábil o ágio registrado em 30/06/2006 na conta 1.3.1.1.2.041 – Ágio – Selenium Holdings S.A. Usiminas, passando as mesmas a serem contabilizadas pelo valor de R$178.605.307,39. As ações da Visanet foram recebidas pelo valor contábil de R$55.202.116,73 e o ágio, no valor de R$502.318.785,58 ficou segregado na conta 1.3.1.1.2.040 – Ágio – Selenium Holdings S.A. – Visanet. 5 Fl. 778DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Acrescenta a fiscalização que a Neon e a Nova Paiol permaneceram sócias da Elba até 31/12/2009, último período analisado no procedimento fiscal. 1.3. Da interpretação da fiscalização acerca da reorganização societária A fiscalização alega que o grupo Bradesco, antes das operações societárias acima descritas, tinha conhecimento de que as ações da Usiminas e da Visanet estavam contabilizadas em valor inferior ao que elas efetivamente valiam. Assim, argumenta que a reorganização societária em questão teve por objetivo obter a maisvalia das referidas ações. Ressalta que, em 29/06/2006, as ações da Visanet e da Usiminas estavam contabilizadas na Selenium pelos valores de R$48,740 milhões e R$11,256 milhões respectivamente. Em 28/07/2006, essas mesmas ações estavam contabilizadas na Elba por R$557,520 milhões e R$178,605 milhões respectivamente. Sustenta a fiscalização que, para atingir seu objetivo, o grupo Bradesco estruturou operações societárias em sequência, envolvendo as empresas Selenium e Elba, que tiveram por resultado, para a Nova Paiol e para a Neon, a troca da participação societária na Selenium, avaliada em R$64.979.008,24, pela participação societária na Elba, avaliada em R$759.255.604,79. Argumenta que ocorreria ganho de capital tributável caso a Neon e a Nova Paiol aumentassem diretamente o capital da Elba em R$759.255.604,79 mediante a entrega deações da Selenium sem que tivesse ocorrido a operação do dia 30/06/2006. Sustenta que, para contornar a tributação, foi efetuada uma operação intermediária pela qual a Elba adquiriu participação na Selenium com ágio, que acarretou um aumento no valor patrimonial das ações da Selenium detidas pela Neon e pela Nova Paiol, e anulou o ganho de capital que incidiria na troca dessas ações pela participação societária na Elba. Acrescenta que a aquisição de participação societária na Selenium pela Elba com ágio serviu apenas para inflar o valor contábil das ações da Selenium e contornar a tributação do ganho de capital que incidiria quando a Neon e a Nova Paiol trocassem as ações da Selenium pelas ações da Elba. A fiscalização alega que essa reorganização estruturada em sequência, sem qualquer fundamentação econômica e com o único objetivo de contornar uma norma tributária, não pode ser oponível ao fisco, devendo ser a mesma afastada na determinação dos efeitos tributários do aumento do capital da Elba. Para reforçar seu entendimento, cita doutrina de Marco Aurélio Greco e Hermes Marcelo Huck. Ante o exposto, a fiscalização desconsiderou as operações intermediárias realizadas em 30/06/2006 e considerou a operação global como sendo a permuta, em 28/07/2006, pela Neon e pela Nova Paiol, de 100% das ações da Selenium por 18,9361% das ações da Elba. Alega a fiscalização que a permuta de ações é considerada alienação por força do §4º do art. 117 do RIR/99, sendo aplicável o art. 426 do RIR/99, visto que as ações da Selenium eram avaliadas pela Neon pelo método de equivalência patrimonial. Para apurar o ganho de capital tributável, a fiscalização desconsiderou os efeitos da subscrição de capital da Selenium feita pela Elba e chegou aos seguintes valores referentes a 30/06/2006: 6 Fl. 779DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 a) patrimônio líquido da Selenium = R$71.477.319,50. Para chegar a esse montante, a fiscalização considerou o valor de R$3.250.181.500,03 relativo ao patrimônio líquido da Selenium em 30/06/2006 apurado pela empresa Probus Assessoria Contábil e Fiscal e excluiu o valor de R$3.178.704.180,53 correspondente às ações da Bradesplan. b) patrimônio líquido da Elba = R$3.268.430.448,26. Esse valor foi obtido tomandose por base o patrimônio líquido da Elba em 30/06/2006 apurado pela Probus de R$3.250.181.500,03 e subtraindose o valor contábil da Selenium (R$3.160.593.782,12) e adicionandose o valor contábil da Bradesplan (de R$3.178.704.180,53). Para calcular o valor de venda das ações da Selenium, foi utilizada a seguinte fórmula: %ADQE * (PLE + VAS) = VPAE, onde: %ADQE = percentual adquirido de participação societária na Elba = 18,9361% PLE = patrimônio líquido da Elba = R$3.268.430.448,26 VAS = valor de alienação das ações da Selenium = valor que se deseja obter VPAE = valor patrimonial das ações da Elba adquiridas pela Selenium = R$759.255.603,89 Substituindo os valores na fórmula, chegase a: VAS = R$741.145.205,47 Considerandose que o valor contábil das ações da Selenium era de R$71.477.319,50 e o valor de alienação foi de R$741.145.205,47, a fiscalização apurou o ganho de capital obtido na alienação das ações da Selenium no montante de R$669.667.885,97. Sendo de 75,01% a participação da Neon na Selenium, o ganho de capital por ela obtido foi de R$167.349.100,99, sendo esse o valor tributável apurado pela fiscalização. (...) (destaques não constam do original) Intimada da lavratura dos Autos de Infração, a empresa Recorrente apresentou, em 05/01/2012, Impugnação (fls. 523/565), encaminhandose os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I, a qual houve por bem julgar improcedente a defesa ofertada (fls. 622/642), nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. Nas operações estruturadas em sequência, deve a fiscalização apurar se cada uma das etapas realizadas tem propósito negocial. Caso não tenham, devese considerar, para fins tributários, o conjunto das operações como um todo e não as etapas isoladas. PLANEJAMENTO TRIBUTÁRIO. ILÍCITOS ATÍPICOS. 7 Fl. 780DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 O abuso de direito e a fraude à lei configuram ilícitos atípicos, cuja ocorrência torna inválido o planejamento tributário, devendo ser aplicada a norma de tributação que a contribuinte pretendeu evitar. ALIENAÇÃO DE INVESTIMENTO EM CONTROLADA OU COLIGADA. PERMUTA DE AÇÕES. INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA. Sempre que a pessoa jurídica auferir lucro na alienação de ações, quer esta se opere sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ele necessariamente submetido à tributação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 LANÇAMENTO REFLEXO. MESMOS EVENTOS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que representam, ao mesmo tempo, fatos geradores de vários tributos impõe a constituição dos respectivos créditos tributários, e a decisão quanto à ocorrência desses eventos repercute na decisão de todos os tributos a eles vinculados. Assim, o decidido em relação ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ aplicase à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Tendo sido intimada, em 15/05/2012, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário (fls. 646/700) em 14/06/2012, merecendo destaque as seguintes alegações: Nulidade dos autos por erro na identificação do sujeito passivo No longo Relatório elaborado pela zelosa Fiscalização, concluise que a origem do ágio contabilizado pela Columbus não possuiria conteúdo econômico, razão pela qual se procedeu à lavratura dos presentes autos de infração, sem, contudo, observar o Agente Fiscal que a empresa que experimentou o ganho de capital e, por consequência, o recolhimento a menor de tributos em decorrência da contabilização do ágio, foi a Columbus e não a Recorrente, acarretando erro na identificação do sujeito passivo; Razão econômica dos fatos Não há negócio jurídico indireto ou dissimulado, o que ocorre são aumentos de capital das empresas, visando a objetivos bem explícitos e determinados, quais sejam: (a) o de preparar uma empresa para centralizar todas as ações Visanet, (b) bem como despertar o interesse de parceiros/sócios estratégicos, que poderiam exploram o potencial ativo, visando a uma otimização do mesmo; 8 Fl. 781DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Os frutos desta operação iniciada em 2006 foram colhidos em 2009, em que pese as constatações da fiscalização da ‘velocidade ímpar’ usada, quando dá contas que encontrou aumentos de capital em datas sucessivas; Tratamse de operações de aumento de capital social pelo valor contábil das empresas mediante a conferência de bens e direitos, especificamente conferência de ações com base no valor do mercado; sendo que, quando as ações tinham cotação em Bolsa, esta foi o valor adotado e, na ausência de cotação, providenciouse laudo de avaliação de empresa idônea, que usando metodologias adequadas, determinou o valor de mercado dos ativos conferidos; O racional econômico da operação envolvia ações Visanet (seu possível IPO e centralização da governança), e outros ativos que o Bradesco possuía em sua estrutura, com a finalidade dentro da Organização de otimizar ativos através de uma ou mais sociedades com parceiros que tivessem estrutura de capital compatível, expertise em estruturação de operações e alcance mundial; Como consequência, seria possível a flexibilização das estruturas societárias do Bradesco, para uma negociação de ativos, permitindo trazer outros parceiros que viessem somar sinergia ao negócio, agregando sócios com expertise em estruturação e negociação de ativos, sem ter que com eles compartilhar outros ativos, sem a necessidade de compartilhar outros ativos não relacionados com a operação; Se o laudo não explicita qual objetivo da avaliação que está sendo feita, não pode só por isso ser questionado, o que é fundamental é a identificação correta dos ativos e o valor de mercado destes bens e direitos naquele momento; Paradoxalmente, os autos de infração nos dão conta de que o procedimento desaguou no IPO da Visanet e o negócio gerou lucros tributados de quase um bilhão e meio de reais, mas não consegue ver razão econômica para os fatos intermediários praticados pelo contribuinte; Se não fossem os fatos anteriores narrados, que segundo a fiscalização seriam vazios de fundamentação econômica, não teria ocorrido o lucro já realizado e tributado. O risco da empresa é matéria, em nosso ordenamento, completamente fora da jurisdição da Administração Tributária. A escolha destes riscos é que faz o sucesso ou 9 Fl. 782DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 insucesso do empreendimento. Não cabe ao fisco se pronunciar se ele teria preferido que tivesse feito uma operação de compra e venda ao invés de um aumento de capital ou uma dação em pagamento ou então uma permuta, pois todos estes institutos são válidos em direito e, portanto, disponíveis para o cidadão, que os escolhe livremente para atingir seus objetivos; Ausência de violação a qualquer dispositivo legal Todas as operações realizadas ao longo do tempo visando ao objetivo proposto, o lançamento ao público das ações Visanet, mantiveramse dentro dos limites da legalidade, conforme atestado pela a própria fiscalização quando afirma que se trata de uma operação juridicamente perfeita; Os autos devem ser julgados com base na lei em vigor e não na teoria esposada por Marco Aurélio Greco, cujo fundamento não é encontrado em nosso ordenamento jurídico; Juntouse “Relatório de revisão dos efeitos contábeis e fiscais” da PWC, ao presente recurso, para demonstrar a licitude de todos os atos praticados pela Recorrente e analisados na presente autuação; Planejamento tributário às avessas De acordo com as informações e números trazidos pelos próprios autos de infração, o Grupo Bradesco pagou R$ 307.088.771,91 a mais de tributos, em razão da reestruturação societária que fez, pois poderia ter pago R$ 176.204.780,21 de tributos, caso tivesse vendido apenas ações Visanet de propriedade da Rubi Holdings no IPO, contra os R$ 483.293.552,12 efetivamente pagos; De acordo com o Termo de Verificação Fiscal, em 04/05/2009, antes, portanto, do IPO, a empresa Rubi Holdings, também integrante do grupo Bradesco, era proprietária de 253.820.700 ações Visanet, cujo conjunto contábil de cada ação era de R$ 12,01. Portanto, nada seria óbice que apenas as ações de propriedade da Rubi Holdings fossem vendidas ao IPO, já que o número de ações da Visanet de propriedade daquela empresa era bem superior ao número de ações vendidas; De acordo com os números constantes dos autos de infração, o grupo Bradesco pagou R$307.088.771,91 a mais de tributos, em razão da reestruturação societária que fez, pois poderia ter pago R$176.204.780,21, caso tivesse vendido apenas as ações da Visanet de propriedade da Rubi Holdings no IPO, contra os R$483.293.552,12 efetivamente pagos; Ausência de abuso de direito A operação está sim inserida num planejamento rigorosamente feito, mas não com a finalidade sugerida pela fiscalização, e sim com a finalidade, bem definida, de colocar 10 Fl. 783DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 no mercado aberto as ações de uma empresa do grupo, que na origem estavam espalhadas nas mãos de diversas empresas, em conjunto com outros ativos, e não se tem como afirmar que qualquer dos passos intermediários teve única e exclusivamente objetivos fiscais, embora a busca da economia em tributos por caminhos legais não configure nenhum ilícito; Tanto a permuta quanto o ganho de capital auferido pelo aumento de capital da sociedade investida têm, na prática, exatamente o mesmo tratamento tributário, inexistindo qualquer valor tributável nas duas hipóteses; O ganho de capital pelo método de equivalência patrimonial, de R$ 167.349.100,93, apurado pela recorrente em 30/06/2006, é o mesmo apurado pela fiscalização em 28/07/2006 em razão da suposta permuta de ações ocorrida no momento da incorporação da Selenium pela Elba, tendo eles exatamente mesmo valor; O ganho de capital por equivalência patrimonial ocorreu em 30/06/2006, aplicandose o tratamento específico do art. 33 do DL 1598, com a redação que lhe deu o DL 1648/78, abrigado no art. 428 do RIR/99, e não em 28/07/2006, como pretende a fiscalização, sendo vedado o propósito de “arrastar” o fato gerador para 28/07/2006; O dispositivo do artigo 33, parágrafo 2º do Decretolei nº 1.598/77, com a redação do Decretolei nº 1.648/78, manda não computar tal ganho na apuração do lucro real, base do Imposto de Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro; O ganho de capital por equivalência patrimonial ocorreu em 30/06/2006, e não em 28/07/2006, não se compreendendo o propósito da fiscalização em “arrastar” o fato gerador para 28/07/2006; Não significava absolutamente nada para a recorrente a permuta ações de uma empresa por outra, a missão era conduzir as ações Visanet à condição de serem oferecidas no pregão da bolsa de valores; Tenta a fiscalização impedir que se aplique a lei à hipótese que a ela se amolda perfeitamente, não se encontrando, nos fatos, nenhum sinal de abuso de direito. A aplicação do Código Civil na relação tributária Não se questiona que a regra geral estatuída no Código Civil no art. 187, descrevendo o ilícito, possa ter aplicação nas relações tributárias, o que causa perplexidade é que, a partir daí, a fiscalização promova a lavratura dos autos de infração, sem uma lei que estabeleça esses procedimentos; A fiscalização não pode fundamentar sua atuação no § único do art. 116 do CTN, o qual depende, para vigorar, de lei ordinária que o regulamente; Em matéria tributária prevalece o princípio da reserva legal, onde somente a lei, elege os fatos geradores; 11 Fl. 784DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 O presente procedimento fiscal, sem lei que o defina, revela abuso de poder da Administração, uma vez que não há na legislação tributária a previsão para o Fisco afastar a incidência de lei por entender que há abuso de direito; Desnecessidade da aferição da finalidade econômica para caracterizar fatos geradores de tributo A teoria da necessidade econômica do fato não se coaduna com o princípio da estrita legalidade em matéria tributária e com o princípio da separação de poderes, cláusula pétrea da Constituição Federal; A dicção do art. 118 do CTN determina que as normas tributárias que definem o fato gerador sejam interpretadas abstraindose os efeitos – econômicos ou não – que os fatos venham a produzir; Operações estruturadas em sequência Já estava decaído o direito de o Fisco oporse ao ato societário, com fulcro no art. 48 do CC que estabelece prazo de 03 anos para anular decisões coletivas da sociedade, tendo em vista que os autos de infração foram lavrados em 07/12/2011 e a data da incorporação ocorreu em 28/07/2006, decorridos, portanto, mais de 5 anos; Permuta ou deságio? Ainda que a Nova Paiol e a Neon tivessem diretamente integralizado o capital da Elba em R$759.255.604,79, utilizando as ações da Selenium, sem que tivesse percorrido a operação do dia 30/06/2006, ainda assim não incidiria tributo nessa operação uma vez que as empresas investidoras apurariam deságio, visto que receberiam ações da Elba por um custo superior às da Selenium, sendo que o deságio só é tributado quando da sua realização; Nesta situação, a Nova Paiol e a Neon apurariam sua primeira equivalência patrimonial do investimento Elba, sendo que, nos termos do artigo 385 do RIR, a primeira equivalência de um investimento deve ser desdobrada em ágio ou, como no caso, em deságio já que receberiam ações da Elba por um custo superior às da Selenium; Tratamento tributário da permuta A permuta, nos termos do artigo 533 do Código Civil, consiste em operação onerosa onde duas pessoas, ao mesmo tempo, alienam e adquirem ativos; Ainda que ficasse configurada a permuta nada haveria para se exigir do contribuinte, pois não há preço estipulado em que um bem constituise o pagamento do outro; A mera diferença entre o custo dos bens não configura acréscimo patrimonial, pois, conceitualmente, os bens são permutados porque as partes os entendem como sendo da mesma valia; 12 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 A circunstância de que os bens permutados tenham tido custo diferente para seus respectivos proprietários não tem qualquer significado do ponto de vista tributário, pois, para cada um dos intervenientes na operação, o custo do bem recémhavido será o mesmo custo do bem entregue; Acréscimo patrimonial caracterizase como aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda (que foi apurada pela empresa Columbus em percentual de aproximadamente 30%, consistindo este no núcleo do fato gerador do tributo), que, por sua vez, pressupõe riqueza nova agregada ao patrimônio. Não ocorrendo tal acréscimo, não há fato gerador e, portanto, não a tributo a ser exigido; Fica evidente que a permuta não traz qualquer acréscimo patrimonial para os intervenientes, ou mesmo disponibilidade econômica ou jurídica de renda ou proventos, pois nada se agrega ao patrimônio; Na prática, cada um dos envolvidos continuou com o exato valor que possuía antes da operação, não se denotando qualquer ganho de capital; Inaplicabilidade da taxa Selic sobre a multa aplicada Por fim, alegase que não há que falar em incidência da taxa Selic sobre a multa de ofício apurada nos presentes autos, diante da inexistência de previsão legal para inclusão da taxa na multa, seja ela moratória ou de ofício, incidindo somente sobre tributos e contribuições objeto da autuação fiscal. Oportunamente os autos foram enviados a este Colegiado. Tendo sido designado relator do caso, requisitei a inclusão em pauta para julgamento do recurso. Voto Conselheiro Geraldo Valentim Neto, Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os pressupostos de admissibilidade. Dessa forma, dele tomo conhecimento e passo a analisar as questões preliminares e de mérito suscitadas. Cuida o presente processo de examinar eventual ganho de capital decorrente da alienação de ações da empresa Selenium, em 28/07/2006, não contabilizado pela Recorrente, implicando redução indevida do lucro tributado pelo IRPJ e CSLL no anocalendário de 2006, mediante tentativa de obtenção das mais valias a partir de reorganizações societárias em sequência envolvendo as empresas Selenium e Elba, sendo que a primeira era diretamente controlada pela Neon e Nova Paiol, e, a Elba, subsidiária integral do Banco Bradesco. Consoante o Termo de Verificação Fiscal (fls. 111/129), os fatos fiscalizados decorrem de operações societárias, realizadas no âmbito do Grupo em junho e julho de 2006 que antecederam o IPO da empresa “Visanet” em 06/2009. 13 Fl. 786DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Antes do IPO, as ações da Visanet pertencentes ao Grupo foram transferidas à Columbus Holding S/A, mediante a subscrição de 535.792.789 ações de 05 (cinco) empresas do Grupo nos meses de abril e maio de 2009, na seguinte conformidade: AÇÕES DA VISANET ENTREGUES AÇÕES DA COMLUMBUS SUBSCRITAS DATA EMPRESA QTD VALOR PREÇO AÇÃO QTD SUB CAPITAL SUBSCRITO ÁGIO 15/04/09 Banco Alvorada 105.374.499 39.772.957,63 0,38 105.374.499 39.772.957,63 0,00 15/04/09 Banco Boavista 214.100 80.808,32 0,38 214.100 80.808,32 0,00 15/04/09 Alvorada Cartões 804.090 303.498,55 0,38 804.090 303.498,55 0,00 22/04/09 Elba Holdings 175.579.400 568.590.141,99 3,24 175.583.353 66.273.008,58 502.317.13 3,41 04/05/09 Rubi Holdings 253.820.700 3.048.063.870,81 12,01 253.820.695 95.804.095,08 2.952.259. 775,73 TOTAL 535.792.789 3.656.811.277,30 6,83 535.796.737 202.234.368,16 3.454.576. 909,14 No dia 30/06/2009, após ajustes de equivalência patrimonial e dividendos, informa a fiscalização que a Columbus registrava em sua contabilidade os seguintes valores para as ações da Visanet e para o ágio associado às mesmas: 1.3.1.1.1.048 – 6300 Visanet – R$205.665.183,97 1.3.1.1.2.026 – Ágio outras empresas – R$3.437.214.726,69 Esclarece a fiscalização que o presente procedimento enfoca apurar a origem das 175.579.400 ações da Visanet transferidas à Columbus pela Elba em 22/04/2009 no valor total de R$568.590.141.99, composto pelo valor patrimonial de R$66.271.356,61 e ágio de R$502.318.785,58, bem como o custo de aquisição. Esclarece, ainda, que as ações da Visanet foram desdobradas em 1/50 no dia 24/08/2007 e em 1/2 no dia 22/09/2008, de modo que, antes de 24/08/2007, as 175.579.400 ações equivaliam a 1.755.794 ações. Resumidamente, as operações societárias que demonstram a transferência das 175.579.000 ações da Visanet no âmbito das empresas do Grupo antes do IPO são as seguintes: · 29/06/2006 – O banco Alvorada subscreveu o capital da Selenium Holdings S/A (Selenium) com 1.755.794 ações da Visanet avaliadas pelo valor contábil de R$ 48.470.841,44 (custo unitário de R$0,28, considerando os desdobramentos); · 28/07/2006 – A Elba, através da incorporação da Selenium, recebeu as 1.755.794 ações da Visanet avaliadas pelo valor contábil de R$55.202.116,73 (custo unitário de R$0,31, considerando os desdobramentos); 14 Fl. 787DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 · 22/04/2009 – A Elba subscreveu o capital da Columbus com 175.579.400 ações Visanet avaliadas pelo valor contábil de R$ 568.590.141,99 (custo unitário de R$ 3,24). Em resposta à intimação para explicar a diferença entre os valores de aquisição e de alienação das ações Visanet, a empresa Elba respondeu (cf. Termo de Verificação Fiscal à fl. 113) que: “Em relação à diferença entre o valor de R$ 55.202.116,73, referente à entrada do investimento Visanet, em virtude da incorporação da Selenium Holdings e o valor de R$568.590.141,99, relativo ao aumento de capital social da Columbus Holdings, ocorreram como fatos principais a contabilização de equivalências patrimoniais, a provisão de recebimentos de dividendos, além da mais valia apurada nas ações Visanet da Selenium Holdings. Esse montante foi gerado na operação de aumento de Capital Social da Selenium, realizado em 30/06/2006, conforme Ata da Assembleia Geral Extraordinária da Selenium.” (grifos da fiscalização). Para o exame do caso concreto e melhor compreensão da origem da mais valia de aproximadamente R$ 500.000.000,00 das 175.579.400 ações da Visanet, interessa explicitar, com mais vagar, acerca as reorganizações societárias ocorridas entre 29/06/2006 e 28/07/2006 (Termo de Verificação Fiscal de fls. 114/117): Retrato societário em 29/06/2006 Nesta data, o Banco Alvorada subscreveu o capital social da Selenium mediante aumento do seu capital de R$ 11.257.207,00 para R$59.998.048,44, com a conferência de 1.755.794 ações da Visanet pelo valor contábil de R$ 48.740.841.44. Nesta mesma data subscreveu o capital da Nova Paiol com as próprias ações da Selenium recémadquiridas. Com a saída do Banco Alvorada, o quadro societário da Selenium ficou composto pelas empresas Neon (detentora de 11.527.207 ações, representativas de 24,99% de seu capital) e Nova Paiol (detentora de 33.789.883 ações, representativas de 75,01% de seu capital). Nessa data, a Selenium possuía, dentre outros ativos, ações da Visanet (recebidas pelo Banco Alvorada) e ações da Usiminas, sendo as participações societárias na Selenium, por equivalência patrimonial, representadas pelos seguintes valores em reais: Sócio Investida % capital Valor por equivalência Nova Paiol Selenium 75,00% 48.740.841,77 Neon Selenium 24,99% 16.238.166,47 Total PL Selenium 64.979.008,24 15 Fl. 788DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Por sua vez, a Elba, subsidiária integral do Banco Bradesco S/A, possuía, entre outros ativos, 100% das ações da Bradesplan Participações S/A. Retrato societário em 30/06/2006 Nessa data, a Elba subscreveu o capital social da Selenium através do aumento do seu capital de R$ 59.998.048,44para R$ 256.836.493,75, mediante a conferência de 23.945.221.917 ações da Bradesplan, avaliadas pelo valor contábil de R$ 3.079.858.815,53. Deste valor, R$ 196.838.445,31 foram levados à conta “Capital Social” e R$ 2.883.020.370,22 à conta “Reserva de Ágio na Emissão de Ações”. A Selenium passou a ter um patrimônio líquido de R$ 3.144.837.823,46 (R$ 64.979.008,24 + R$ 3.079.858.815,53). Pelo método da equivalência patrimonial, a composição societária passou a ser na seguinte conformidade: Sócio Investida % capital Valor por equivalência Elba Selenium 76,64% 2.490.925.895,24 Nova Paiol Selenium 17,58% 569.518.653,76 Neon Selenium 5,84% 189.736.951,02 Total PL Selenium 3.250.181.500,03 Tendo em conta as ações da Bradesplan contabilizadas por R$ 3.079.858.815,53 e o valor de R$ 2.410.190.929,80, relativo ao percentual de participação adquirido do patrimônio líquido da Selenium, a Elba registrou um ágio no montante de R$ 669.667.885,97 (R$3.079.858.815,53 R$ 2.410.190.929,80) em sua contabilidade: D – 1.3.1.1.2.040 – Ágio – Selenium Holdings S.A. – Visanet – R$502.318.785,58 D – 1.3.1.1.2.041 – Ágio – Selenium Holdings S.A. – Usiminas – R$167.349.100,39 C – 1.3.1.1.1.111 – Selenium Holdings S.A – R$669.667.885,97 Consoante informado pela Fiscalização (fls. 101), ao ser intimada a apresentar os laudos de avaliação que dessem respaldo aos ágios supras, a Elba esclareceu que as ações da Visanet foram avaliadas pelo valor da cotação da Bovespa e que, relativamente às ações da Visanet, o laudo apresentado não cita as empresas envolvidas na operação (Elba e Selenium), tampouco traz os fundamentos da avaliação. Relata, ainda, a Fiscalização que a operação gerou ganho de capital de R$ 502.318.784,80 (R$ 551,059,626,57 – R$ 48.740.841,77) para a Nova Paiol e de R$ 167.349.100,90 (R$ 183.587.267,40 – R$ 16.238.166,47) para a Neon, ora Recorrente. Porém, o ganho obtido pela Neon não foi submetido à tributação, por força 16 Fl. 789DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 do art. 428 do RIR/99, tendo em vista a redução de sua participação societária na Selenium. O total deste ganho de capital (R$ 502.318.784,80 + R$ 167.349.100,90) decorre da soma das maisvalias das ações da Visanet e da Usiminas pertencentes à Selenium e que foram contabilizadas como ágio na Elba, no montante de R$ 669.667.885,70. Retrato societário em 28/07/2006 Nessa data, a Elba incorpora a Selenium, com base nos mesmos balanços de 30/06/2006, aumentando seu capital social em R$759.255.242,00 (R$ 569.518.653,76 + R$189.736.951,02) mediante a emissão de 741.178.389 novas ações, tendo sido atribuídas 185.219.479 ações à Neon e 555.958.910 à Nova Paiol. As ações da Usiminas e da Visanet, que foram recebidas em 29/06/2006 pelo seu valor contábil de R$ 11.256.207,00 e R$55.202.116,73, respectivamente, e foram recebidas pela Elba com a inclusão em seu valor contábil do ágio registrado em 30/06/2006, passando a serem contabilizadas pelo valor de R$178.605.307,39 e R$ 502.318.785,58, respectivamente. Por fim, ressalta a Fiscalização que as empresas Neon e Nova Paiol permaneceram sócias da Elba até 31/12/2009, último período analisado pela fiscalização. No exame do conjunto das reorganizações societários no Grupo Bradesco acima explicitadas, fez constar a fiscalização (Termo de Verificação à fl. 99): “Com um olhar sobre o conjunto das reorganizações societárias implementadas pelo Grupo Bradesco neste período será possível verificar que as empresas Neon e Nova Paiol trocaram as suas ações da Selenium pelas ações da Elba e que uma operação de subscrição de capital com ágio, juridicamente perfeita, realizada em 30/06/2006, porém, vazia de fundamentação econômica, teve como único propósito inflar o custo de aquisição das ações da Selenium e assim “contornar” a tributação que incidiria sobre o aumento de capital da Elba realizado em 28/07/2006”. Alega a Fiscalização que a referida reorganização societária não seria oponível ao Fisco, e desconsiderou as operações intermediárias de 30/06/2006, para reputar como ocorrida a operação global de permuta, em 28/07/2006, pela Neon e pela Nova Paiol, de 100% das ações que detinham da Selenium por 18,9361% das ações da Elba, aplicandose os arts. 117, §4º, e 426 do RIR/99. Com o objetivo de aferir o ganho de capital obtido na referida permuta de ações, a Fiscalização subtraiu em 30/06/2006, do valor da alienação das ações da Selenium apurado em R$ 741.145.205,47, com a apuração do valor contábil das ações da Selenium, de R$ 71.477.319,50, apurando o montante de R$669.667.885,97. Sendo de 24,99% a participação da Neon na Selenium, o ganho de capital obtido pela 17 Fl. 790DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Recorrente seria de R$167.349.100,99, sendo esse o valor tributável pela fiscalização (memória de cálculo a fls. 108/110). PRELIMINARES I. Eleição errônea do sujeito passivo Segundo a Recorrente, “no longo Relatório elaborado pela Fiscalização, concluise que a origem do ágio contabilizado pela Columbus não possuiria conteúdo econômico, razão pela qual se procedeu à lavratura dos presentes autos de infração, sem, contudo, observar o Agente Fiscal que a empresa que experimentou o ganho de capital e, por consequência, o recolhimento a menor de tributos em decorrência da contabilização do ágio, foi a Columbus e não a Recorrente”, acarretando erro na identificação do sujeito passivo. Ao contrário do afirmado pela Recorrente, consoante o Termo de Verificação Fiscal, as operações estruturadas em sequência, objeto de análise da fiscalização e que vieram a resultar na presente autuação, envolvem operações ocorridas entre os meses de junho e julho de 2006, originárias das 175.579.400 ações entregues à Columbus pela Elba em 22/04/2009, antes do IPO da Visanet realizado em julho de 2009. Extraise do próprio teor do Termo de Verificação Fiscal às fls. 98/99: “No presente caso iremos analisar o percurso efetuado pelas 175.579.400 ações da Visanet dentro das empresas do Grupo Bradesco. [...] Durante o trabalho de fiscalização foi verificado que as empresas do Grupo Bradesco usam de uma velocidade de reorganização societária ímpar, que dificulta a correta compreensão dos fatos se olhados isoladamente. [...] Para uma melhor compreensão do conjunto da operação, iremos apresentar os retratos societários dos dias 29/06, 30/06 e 28/07/2006, exibindo as reorganizações ocorridas em cada data após a saída do Banco Alvorada e a entrada da Nova Paiol no quadro societário da Selenium. Com um olhar sobre o conjunto das reorganizações societárias implementadas pelo Grupo Bradesco neste período será possível verificar que as empresas Neon e Nova Paiol trocaram as suas ações da Selenium pelas ações da Elba e que uma operação de subscrição de capital com ágio, juridicamente perfeita, realizada em 30/06/2006, porém, vazia de fundamentação econômica, teve como único propósito inflar o custo de aquisição das ações da Selenium e assim ‘contornar’ a tributação que incidiria sobre o aumento de capital da Elba realizada em 28/07/2006”. (destaque não constam do original) 18 Fl. 791DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 A partir do conjunto dessas operações efetivadas no anocalendário de 2006 é que a Fiscalização glosou o ganho de capital da Recorrente que não teria sido, devidamente, por ela contabilizado, decorrente de alienação de ações da empresa Selenium. Esta operação teria sido encobertada pela realização de duas operações em sequência, quais sejam (i) a subscrição pela Elba do capital social da Selenium em 30/06/2006 e (ii) a incorporação da Selenium pela Elba em 28/07/2006, dissimulando uma verdadeira “permuta de ações”. Assim, rejeito a preliminar de nulidade alegada. II. Decadência Com relação à alegação da Recorrente da ocorrência da decadência, esta também não deve prosperar. No tocante ao prazo decadencial para lançamento dos créditos tributários nos casos de tributos cujo lançamento é por homologação, é de se destacar, inicialmente, que o Egrégio Superior Tribunal de Justiça já se posicionou quanto à matéria na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, ou seja, através da análise dos chamados “Recursos Repetitivos”. O precedente proferido tem a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o 19 Fl. 792DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Com isso, restou consolidado no âmbito do Egrégio Superior Tribunal de Justiça o entendimento de que, nos casos dos tributos cujo lançamento é por homologação, se houver pagamento, o termo inicial do prazo decadencial é o previsto no parágrafo 4º do artigo 150 do mesmo Código, o qual dispõe o seguinte: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o 20 Fl. 793DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. O Regimento Interno do CARF, por sua vez, tem os seguintes comandos nos seus artigos 62 e 62A: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Verificase, assim, que a referida decisão do Egrégio Superior Tribunal de Justiça deve ser reproduzida pelos Conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Assim, nos casos em que houve, efetivamente, o pagamento dos tributos, o prazo decadencial começa a contar a partir da ocorrência do fato gerador. Se por acaso não houve pagamento dos tributos, o prazo decadencial que deve ser considerado é aquele previsto no artigo 173, inciso I do CTN, abaixo transcrito: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: 21 Fl. 794DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; Segundo dispõe o artigo acima transcrito, o prazo decadencial dos tributos sujeitos a lançamento por homologação, cujo pagamento não foi efetuado, começa a correr a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. No presente caso, considerando tratarse de operação com ágio, cujo objetivo era a tentativa de ocultação do fato gerador do IRPJ e da CSLL, como a seguir restará demonstrado, há que se considerar que, diante da falta de pagamento do tributo no respectivo vencimento, aplicase o prazo decadencial previsto no artigo 173, inciso I do CTN, ou seja, o termo inicial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele que poderia ter sido efetuado o lançamento (1/1/2007). Ademais, mesmo que não fosse considerada a aplicação do artigo 173, inciso I do CTN, o que se menciona apenas a título de argumentação, se verificada a disposição do artigo 150, parágrafo 4º do CTN quanto ao prazo aplicável, como já o fez este E. Conselho, a exemplo do Acórdão abaixo, também não há que se falar em decadência, já que, ocorrido o fato gerador em 31/12/2006, e tendo sido lavrado o auto de infração em 07/12/2011, o lançamento teria ocorrido dentro do prazo quinquenal, in verbis: “IRPF PRELIMINAR DE DECADÊNCIA. Nos casos de lançamento por homologação, sujeitandose o rendimento ao regime de tributação na declaração de ajuste anual, o prazo decadencial para a constituição do crédito tributário pela Fazenda Pública, expira após cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, nos termos do art. 150, § 4º do CTN, e este ocorre em 31 de dezembro. IRPF TRIBUTAÇÃO DE IRPJ SUBSCRIÇÃO COM ÁGIO E SUBSEQUENTE CISÃO ALIENAÇÃO DE PARTICIPAÇÃO SOCIETÁRIA DISSIMULAÇÃO LANÇAMENTO DECORRENTE IMPROCEDÊNCIA O lançamento de IRPJ, calcado na acusação de que operações societárias estruturadas pela pessoa jurídica teriam sido dissimuladas, com vistas a ocultar ganho de capital na alienação de participação societária, sob a ótica contábil, é evento do passado que origina obrigação presente (Norma e Procedimento de Contabilidade nº 22 NPC 22) Portanto, não é cabível a desconsideração da parcela do lucro distribuído a título de dividendos, na proporção do lançamento do IRPJ, para fins de lançamento decorrente de IRPF, mormente porque, em verdade, faltaria capacidade contributiva.” (Acórdão nº 10708839 do Processo 10940.002542/200492, Primeiro Conselho de Contribuintes. 7ª Câmara. Turma Ordinária, julgado em 06/12/2006) Sendo assim, não há que se falar em decadência, razão pela qual passo a analisar o mérito. MÉRITO 22 Fl. 795DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 II. A sequência das operações societárias fiscalizadas e o planejamento tributário realizado pelo Grupo Antes de se adentrar no exame do planejamento tributário promovido pelo Grupo, importante trazer breves considerações jurídicas acerca deste instituto, especialmente na esteira da jurisprudência que tem se sedimentado neste E. Conselho. Entre os critérios definidores de um planejamento tributário legítimo, oponível às autoridades fiscais, temse que: (i) os atos que impliquem a redução na carga tributária devem ocorrer cronologicamente antes do fato gerador; (ii) os atos praticados pelo contribuinte que resultaram na redução da carga tributária devem ser lícitos; e (iii) a manifestação/declaração de vontade (causa típica) deve corresponder à sua realização fática (causa objetiva), ou melhor, à sua finalidade econômicosocial. Não é o conteúdo formal do negócio jurídico (causa típica) consubstanciado na declaração de vontade que irá determinar a incidência tributária, mas sim sua causa objetiva (propósito). É preciso verificar a função a que se destina a operação dentro do empreendimento econômico, e não somente a prática de atos baseados em dispositivos legais (princípio da estrita legalidade em matéria tributária). Assim, não se faz suficiente a licitude dos atos realizados, tampouco a máxima argumentativa da liberdade empresarial de autoorganização, para legitimar as alternativas escolhidas em uma reestruturação societária, pois estas devem estar providas de causa econômica, de modo que o motivo da reorganização não seja única ou predominantemente de economizar tributos. Ao se confrontar a legislação tributária, que adota os princípios da tipicidade e da estrita legalidade, com as atividades desenvolvidas pelas empresas, objeto de planejamento tributário, devese também valorizar o propósito das atividades empresariais praticadas e a existência de substância econômica. Nesse sentido seguem alguns precedentes administrativos: (i) [...] OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA – O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA – A liberdade de auto organização não endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício do planejamento tributário.” (1º Conselho de Contribuintes /4ª Câmara/Turma Ordinária. Acórdão nº 10420749. Data 15/06/2005) (ii) [...]NEGÓCIO JURÍDICO INDIRETO. INOPONIBILIDADE AO FISCO. O fato de ser um negócio jurídico indireto não traz a consequência direta de tornar eficaz o procedimento da 23 Fl. 796DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 interessada, pois essa figura não é oponível ao fisco quando, como é o caso concreto, sem propósito negocial algum, visto de seu todo, visar apenas a mera economia de tributos. No caso concreto, houve por conseguinte fraude à lei do imposto de renda que comanda a tributação do ganho de capital na alienação de bens do ativo permanente através da utilização de norma de cobertura. (CARF. 1ª Seção / 1ª Turma da 4ª Câmara / Acórdão nº 140100.582 em 29/06/2011, Publicado no DOU em: 27.03.2012) (iii) Simulação – conjunto probatório – Se o conjunto probatório evidencia que os atos formais praticados (reorganização societária) divergiam da real intenção subjacente (compra e venda), caracterizase a simulação, cujo elemento principal não é a ocultação do objetivo real, mas sim a existência de objetivo diverso daquele configurado pelos atos praticados, seja ele claro ou oculto. Ausência de motivação extra tributária – O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios constitucionais da isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário. (CARF. 1º Conselho de Contribuintes 4a. Câmara/ Acórdão nº 104 21498, Publicação em 06/09/2007) (iv) Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2007 OPERAÇÕES ESTRUTURADAS. SIMULAÇÃO Constatada a desconformidade, consciente e pactuada entre as partes que realizaram determinado negócio jurídico, entre o negócio efetivamente praticado e os atos formais de declaração de vontade, resta caracterizada a simulação relativa, devendose considerar, para fins de verificação da ocorrência do fato gerador do Imposto de Renda, o negócio jurídico dissimulado. OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQUÊNCIA. LEGALIDADE FORMAL. ILEGITIMIDADE MATERIAL. A realização de operações estruturadas em sequência, embora individualmente ostentem legalidade do ponto de vista formal, não garante a legitimidade material do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. CRIAÇÃO DE EMPRESA FICTÍCIA. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL UTILIZAÇÃO DE EMPRESA VEÍCULO. Não produz o efeito tributário almejado pelo sujeito passivo a criação de pessoa jurídica, sem qualquer finalidade negocial ou societária. Nestes casos, resta caracterizada a utilização da aludida empresa como mera empresa veículo para redução ilegal da incidência tributária. [...]. (CARF, 1ª Seção / 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária / Acórdão 1401000.868 Em 18/12/2012 / Data Da Sessão: 18/12/2012 / Publicação em 18/12/2012) – não grifados no original. 24 Fl. 797DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Daí porque não procedem as alegações da Recorrente no sentido de que “a busca da economia de tributos por caminhos legais não configura nenhum ilícito”, concluindo que “não cabe ao fisco se pronunciar se ele teria preferido que tivesse feito uma operação de compra e venda ao invés de um aumento de capital ou uma dação em pagamento ou então uma permuta, pois todos esses institutos são válidos em direito e, portanto, disponíveis para o cidadão, que os escolhe livremente para atingir seus objetivos”, até porque, como visto, esse E. Conselho preza pela busca da verdade material à luz das atividades praticadas e intenções do contribuinte. Como dito entre os critérios jurídicos adotados para verificação da legitimidade do planejamento tributário, consoante o entendimento deste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e do antigo Conselho de Contribuintes, implica verificar, entre outras coisas, se a finalidade da reorganização societária não foi exclusiva e predominantemente tributária e, paralelamente, analisar a existência ou não de um propósito negocial, compreendido como a vontade objetiva final do negócio jurídico. Verificada a divergência entre a realização prática aferida objetivamente (causa objetiva) e a causa típica do negócio jurídico (conteúdo formal), temse um planejamento inválido e, como tal, os negócios jurídicos realizados não são oponíveis às autoridades fiscais. No decorrer do presente procedimento fiscal e nas razões postas no Recuso Voluntário não restou claramente demonstrado o motivo e a finalidade por que e para quê das operações realizadas em 30/06/2006 e em 28/07/2006. A Recorrente buscou aduzir diversos argumentos para tentar demonstrar o fundamento econômico das operações realizadas que, contudo, não parecem ter o condão de desconsiderar e infirmar a autuação, especialmente se levado em consideração (i) o curto lapso temporal entre as operações, (ii) a dependência das empresas envolvidas por pertencerem a um mesmo Grupo Empresarial e (iii) a incongruência entre a operação realizada e os motivos alegados pela Recorrente. Ao justificar a razão econômica dos fatos, aduz a Recorrente que “não há negócio jurídico indireto ou dissimulado, o que ocorre são aumentos de capital das empresas, visando a objetivos bem explícitos e determinados, quais sejam: (a) o de preparar uma empresa para centralizar todas as ações Visanet, (b) bem como despertar o interesse de parceiros/sócios estratégicos, que poderiam explorar o potencial ativo, visando a uma otimização do mesmo”. Observase que a operação intermediária de 30/06/2006 não visava a alcançar os objetivos contemplados pela Recorrente, até porque sua não realização não impediria a obtenção desses objetivos. Pelo contrário, poderiam a Recorrente e a Nova Paiol terem promovido, de forma direta,o aumento do capital social da Elba para que esse fim fosse alcançado. Contudo, optouse por uma reestruturação intermediária em que a Elba subscreveu o capital social da Selenium para simplesmente não incidir a tributação sobre o ganho de capital apurado pela Recorrente, beneficiandose de norma de isenção tributária. Sob a ótica empresarial, a operação não faria sentido sem considerar os benefícios tributários dela decorrentes. 25 Fl. 798DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Em suas razões recursais invoca, ainda, terse valido de um “planejamento tributário às avessas”, uma vez que poderia ter recolhido mais tributo caso tivesse optado por outra alternativa negocial, o que viria a demonstrar os seus propósitos extrafiscais. Nesse contexto, aduz que “de acordo com as informações e números trazidos pelos próprios autos de infração, o Grupo Bradesco pagou R$ 307.088.771,91 a mais de tributos, em razão da reestruturação societária que fez, pois poderia ter pago R$ 176.204.780,21 de tributos, caso tivesse vendido apenas ações Visanet de propriedade da Rubi Holdings no IPO, contra os R$ 483.293.552,12 efetivamente pagos”. Ora, além de a operação societária acima relatada pela Recorrente não se identificar com a discutida neste processo administrativo, é imperioso observar que, caso o Grupo tivesse optado por vender tão somente as ações da Visanet de propriedade da Rubi, no IPO realizado, o seu ganho de capital também seria menor. Ocorre que, no caso concreto, estruturouse uma operação intermediária para não ser tributado o ganho de capital auferido pela Neone pela Recorrente, em razão da norma isentiva prescrita nos arts. 33, §2º, do DL nº 1.598/77 e 428 do RIR/99, ganho este que também seria apurado na mesma proporção econômicoquantitativa sem essa fase societária intermediária, porém repercutindo, aí sim, a norma tributária do IRPJ e da CSLL. Portanto, não se objetivou a simples redução do ganho de capital, mas, sim, a efetiva isenção de sua tributação. Também entendo não merecer razão a alegação da Recorrente de que “os autos de infração nos dão conta de que o procedimento desaguou no IPO da Visanet e o negócio gerou lucros tributados de quase um bilhão e meio de reais, mas não consegue ver razão econômica para os fatos intermediários praticados pelo contribuinte”. Isso porque, como bem assentado na decisão recorrida “as operações questionadas pela fiscalização dizem respeito apenas ao aumento de capital da Selenium integralizado pela Elba e a posterior incorporação daquela por esta”, sendo que eventual subscrição direta, pela Nova Paiol e pela Recorrente, das ações da Selenium no capital social da Elba, sem a operação intermediária de 30/06/2006 e sua subseqüente em 28/07/2006, também capitalizariam as ações da Visanet a valor de mercado, proporcionando um negócio lucrativo quando do IPO em 2009. Outro fator que vem a invalidar o planejamento tributário realizado é que, a partir da ausência de causa econômica das etapas societárias, isoladamente consideradas, é possível aferir que os fatos formalizados juridicamente não parecem corresponder à realidade, vislumbrandose uma simulação para obter vantagens tributárias. Conforme consta no Termo de Verificação Fiscal (fl. 118), o grupo, em 29/06/2006, contabilizava as ações da Visanet na Selenium pelo valor de R$ 48.740 milhões, passando a contabilizar essas mesmas ações na Elba, em 28/07/2006, pelo montante de R$557.520 milhões. 26 Fl. 799DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Para obter a maisvalia das ações da Visanet, o grupo estruturou reorganizações societárias em sequência envolvendo empresas do grupo: Em 29/06/2006, havia a seguinte situação: com a subscrição do capital social pelo Banco Alvorada, mediante conferência de ações da Visanet, avaliadas pelo valor contábil de R$48.740.841,44, o patrimônio líquido da empresa Selenium ficou em R$64.979.008,24, e seus acionistas eram a Neoncom participação societária de 24,99% (R$16.238.166,47) e a Recorrente, com 75,01%. Em 30/06/2006, a Elba subscreveu capital social da Selenium, mediante a conferência de ações da Bradesplan, avaliadas pelo valor contábil de R$3.079.858.815,53, aumentando seu capital social para R$ 3.250.181.500,03 pelo método da equivalência patrimonial. A composição societária da Selenium passou a ser (i) a Recorrente (5,84%) correspondente a R$189.736.951,02; (ii) a Nova Paiol (17,52%) correspondente a R$ 551.059.626,57; e (iii) a Elba (76,64%) correspondente a R$2.410.190.929,80. Essa operação gerou ganho de capital para a Recorrente de R$167.349.100,90, porém não sujeito à tributação diante da redução de sua participação societária, nos termos do art. 428 do RIR/99, in verbis: Art. 428. Não será computado na determinação do lucro real o acréscimo ou a diminuição do valor de patrimônio líquido de investimento, decorrente de ganho ou perda de capital por variação na percentagem de participação do contribuinte no capital social da coligada ou controlada (DecretoLei n º 1.598, de 1977, art. 33, § 2 º ,e DecretoLei n º 1.648, de 1978, art. 1 º , inciso V). Em 28/07/2006, a Elba incorporou a Selenium com base nos mesmos balanços de 30/06/2006, aumentando seu capital social em R$759.255.603,89 e emitindo novas ações, sendo555.958.910atribuídas à Recorrente. Ao final das operações societárias, a Elba tinha como acionistas a Recorrente (4,73%), a Nova Paiol (14,21%) e o Banco Bradesco (81,06%), e possuía, entre outros ativos, ações da Usiminas, da Visanet e da Bradesplan. A participação da Neon e da Nova Paiol na Elba equivalia a R$759.604,79. Ao interpretar as operações societárias conjuntamente, fez constar a Fiscalização os seguintes aspectos: a) Do ponto de vista da Nova Paiol e da Neon – a troca da participação societária na Selenium pela participação societária na Elba; e b) Do ponto de vista da Elba – O recebimento do acervo líquido da Selenium acrescido da mais valia das ações da Visanet e da Usiminas. Ainda, segundo a Fiscalização: 27 Fl. 800DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 “Fica claro que estas operações resultaram, para a Nova Paiol e para Neon, em uma troca de ações da Selenium pelas ações da Elba, sendo que as ações da Selenium que valiam incialmente, em 29/06/2006, R$ 64.979.008,24, foram trocadas, em 28/07/2006, por ações da Elba que valiam R$ 759.255.604,79. Caso a Nova Paiol e a Neon aumentassem diretamente o capital da Elba em R$759.255.604, utilizando as ações da Selenium sem que tivesse ocorrido a operação do dia 30/06/2006, incidiria a tributação do ganho de capital sobre esta troca de ações, pois o valor patrimonial das ações da Selenium seria bem inferior ao valor patrimonial das ações da Elba recebidas em troca. Para contornar esta tributação, o Grupo Bradesco utilizou uma reorganização societária intermediária, em que a Elba adquiriu com ágio a participação na Selenium. Esta operação societária acarretou um aumento no valor patrimonial das ações da Selenium detidas pela Nova Paiol e pela Neon, e anulou o ganho de capital que incidiria na troca destas ações pelas ações da Elba.” – não grifados no original Vale mencionar, ainda, a relevante observação feita na decisão recorrida (à fl. 638) de que as ações da Bradesplan, que inicialmente pertenciam à Elba e foram utilizadas para a integralização de capital na Selenium em 30/06/2006, retornaram à Elba quando a mesma incorporou a Selenium em 28/07/2006. Com base nos elementos consubstanciados no Termo de Verificação Fiscal e diante da insuficiência das alegações da Recorrente para justificar, economicamente, as operações na sequência em que foram estruturadas, há que se concluir que o aumento de capital realizado em 30/06/2006 e a posterior incorporação no mês seguinte, dissimulava, na verdade, uma “permuta de ações”, com a finalidade de economizar tributos mediante a aplicação da isenção prevista no art. 428 do RIR/99 já transcrito. Procedeu corretamente a Fiscalização em examinar o conjunto da reestruturação societária realizada pelo Grupo quando se está diante de operações sucessivas e envolvendo várias empresas, conforme doutrina de Marco Aurélio Greco sobre o assunto: “Uma operação estruturada indica a existência de um objetivo único, predeterminado à realização de todo o conjunto. E mais, indica a existência de uma causa jurídica única que informa todo o conjunto. Nestes casos, cumpre examinar se há motivos autônomos, ou não, pois se estes inexistirem, o fato a ser enquadrado é o conjunto e não cada uma das etapas. [...] 28 Fl. 801DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Na medida em que o conjunto de operações corresponde apenas a uma pluralidade de meios para atingir um único fim, a verificação das alterações relevantes deve ser feita não apenas considerando os momentos anterior e posterior a cada etapa mas, principalmente, os momentos anterior e posterior ao conjunto de etapas” (in Planejamento Tributário, São Paulo, Dialética, 2004, pp. 345347). Na hipótese dos autos, não foram constatados motivos autônomos para a realização de cada etapa societária, de modo que a anterior só tinha sua razão de existir se verificada a etapa posterior. Acertada a decisão recorrida ao afirmar que a partir da análise do conjunto de etapas, com enfoque nos momentos inicial e final, verificase que o que ocorreu foi a troca, pela Neon e Recorrente (Neon), de 100% das ações da Selenium, avaliadas em R$64.979.008,24, por 18,94% das ações da Elba, avaliadas em R$ 759.255.604,79, sem a adição ao lucro real do ganho de capital apurado na operação conforme determinação contida nos artigos 418 e 526 do RIR/99, in verbis: Art. 418. Serão classificados como ganhos ou perdas de capital, e computados na determinação do lucro real, os resultados na alienação, na desapropriação, na baixa por perecimento, extinção, desgaste, obsolescência ou exaustão, ou na liquidação de bens do ativo permanente (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31). § 1º Ressalvadas as disposições especiais, a determinação do ganho ou perda de capital terá por base o valor contábil do bem, assim entendido o que estiver registrado na escrituração do contribuinte e diminuído, se for o caso, da depreciação, amortização ou exaustão acumulada (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, § 1º). Art. 426. O valor contábil para efeito de determinar o ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento em coligada ou controlada avaliado pelo valor de patrimônio líquido (art. 384), será a soma algébrica dos seguintes valores (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 33, e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art. 1º, inciso V): I valor de patrimônio líquido pelo qual o investimento estiver registrado na contabilidade do contribuinte; II ágio ou deságio na aquisição do investimento, ainda que tenha sido amortizado na escrituração comercial do contribuinte, excluídos os computados nos exercícios financeiros de 1979 e 1980, na determinação do lucro real; III provisão para perdas que tiver sido computada, como dedução, na determinação do lucro real, observado o disposto no parágrafo único do artigo anterior. Embora os atos praticados sejam juridicamente válidos sob o ponto de vista legal, o contribuinte valeuse de planejamento a fim de esvairse da norma de 29 Fl. 802DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 incidência tributária. Isso porque se a Recorrente e a Nova Paiol, únicas sócias da Selenium em 29/06/2006, tivessem aumentado o capital social da Elba subscrevendo o total do patrimônio líquido da Selenium, avaliado em 29/06/2006 em R$ 64.979.008,24, estariam submetidas ao ganho de capital decorrente dessa troca de ações. Todavia, a operação intermediária de 30/06/2006, na qual a Elba adquiriu participação societária na Selenium com ágio, figurou a forma jurídica para elevar o valor contábil das ações da Selenium e, com isso, anular o fato gerador do ganho de capital da Recorrente e da Nova Paiol, evitandose a tributação pelo IRPJ e pela CSLL. Demonstradas que as operações estruturadas na sequência exposta tiveram como objetivo obter a maisvalia das ações da Visanet sem a devida tributação, divergindo a causa objetiva (propósito negocial) e o conteúdo do negócio jurídico (formas jurídicas utilizadas), há que se desconsiderar as operações societárias realizadas, qualificandoas juridicamente como um único negócio de permuta, por parte da Neon e da Nova Paiol, de ações da Selenium por ações da Elba. Nesse sentido, seguem alguns precedentes deste E. CARF: SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substância ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. IRPJ GANHOS E PERDAS DE CAPITAL Deve ser adicionado ao lucro líquido do exercício, para efeito de apuração do lucro real, a perda apurada na baixa de investimento decorrente de suposta compra e venda de ações por valor simbólico, liberalidade essa não passível de dedução. (CARF. Acórdão 10195409. 1º Conselho de Contribuintes 1ª Câmara, Publicação em 23/02/2006) SIMULAÇÃO Configurase como simulação, o comportamento do contribuinte em que se detecta uma inadequação ou inequivalência entre a forma jurídica sob a qual o negócio se apresenta e a substancia ou natureza do fato gerador efetivamente realizado, ou seja, dáse pela discrepância entre a vontade querida pelo agente e o ato por ele praticado para exteriorização dessa vontade. INCORPORAÇÃO DE SOCIEDADE AMORTIZAÇÃO DE ÁGIO ARTIGOS 70 E 8° DA LEI N° 9.532/97. PLANEJAMENTO FISCAL INOPONÍVEL AO FISCO INOCORRÊNCIA. No contexto do programa de privatização das empresas de telecomunicações, regrado pelas Leis 9.472/97 e 9.494/97, e pelo Decreto n° 2.546/97, a efetivação da reorganização de que tratam os artigos 7° e 8° da Lei n° 9.532/97, mediante a utilização de empresa veiculo, desde que dessa utilização não tenha resultado aparecimento de novo ágio, não resulta economia de tributos diferente da que seria obtida sem a utilização da empresa veiculo e, por conseguinte, não pode ser qualificada de planejamento fiscal inoponível ao fisco. [...]. (CARF, Processo n° 18471.000999/200529, Acórdão n.° 1301 000.711, 1ª Seção / Sessão de 19 de outubro de 2011). 30 Fl. 803DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 Ademais, a fim de corroborar as assertivas de que as operações realizadas em sequência, acima analisadas, pretenderam a mera economia tributária, sem propósito negocial, bem como a falta de correspondência entre as declarações dos contribuintes e a realidade verificada, há que se observar, ainda, que as operações ocorreram dentro de um pequeno intervalo de tempo, e entre empresas pertencentes a um mesmo grupo. A esse propósito, colacionase mais um precedente deste E. Conselho: OPERAÇÃO ÁGIO SIMULAÇÃO RELATIVA As operações estruturadas, realizadas em prazo ínfimo, de aporte de capital com ágio, capitalização e alienação, constituemse em simulação relativa, cujo ato verdadeiro dissimulado foi a alienação das ações. Seu único propósito foi evitar a incidência de ganho de capital. (1º Conselho de Contribuintes / 1a. Câmara / ACÓRDÃO 10196.087 em 29.03.2007, Publicado no DOU em: 12.03.2008). Ante o exposto, acertadas a autuação e a decisão recorrida em desconsiderarem e negarem os efeitos fiscais aos atos praticados pelo Grupo, desprovidos de motivação econômica ou propósito negocial praticados com o único e principal objetivo de gerar vantagens fiscais para as empresas do Grupo, no caso para a Recorrente, ainda que tais atos, em sua forma, sejam lícitos, na esteira da jurisprudência administrativa. III. A permuta de ações como fato gerador do IRPJ e da CSLL quando verificado o ganho do capital Alega a Recorrente que “ainda que ficasse configurada a permuta nada haveria para se exigir do contribuinte, pois não há preço estipulado em que um bem constituise o pagamento do outro”, bem como “a mera diferença entre o custo dos bens não configura acréscimo patrimonial, pois, conceitualmente, os bens são permutados porque as partes os entendem como sendo da mesma valia”. Todavia, deve ser mantida a decisão recorrida, por força do artigo 117, §4º, do RIR/99, segundo o qual a operação de permuta de ações é tida como uma alienação e, na hipótese de ser auferido ganho de capital, é devido o imposto: Art. 117. Está sujeita ao pagamento do imposto de que trata este Título a pessoa física que auferir ganhos de capital na alienação de bens ou direitos de qualquer natureza (Lei nº 7.713, de 1988, arts. 2º e 3º, § 2º, e Lei nº 8.981, de 1995, art. 21). [...] § 4º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e 31 Fl. 804DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 3º). Colacionase, ainda, o Parecer Normativo CST nº 504, de 03/08/1971, também citado na decisão recorrida: “3 – Também a pessoa jurídica que permutar ações por outras ações de valor equivalente ao de aquisição das cedidas, por consequência, não alterando quantitativamente o patrimônio social, não estará sujeita à imposição de tributo. 4 – Todavia, se resultar lucro para a pessoa jurídica na alienação de ações, quer esta se faça sob a forma de venda, troca por bens de outra natureza ou permuta por outras ações, será ele necessariamente computado no resultado do exercício para fins de tributação. 5 Ressaltese, ainda, quanto à incidência na pessoa jurídica, não ser o valor nominal das ações negociadas a base de apuração do resultado na transação, e sim o valor da aquisição das por ela cedidas, em confronto com o atribuído às que receba na permuta, observandose em qualquer caso, as disposições das alíneas a e b do art. 251 e, na hipótese de prejuízo, as normas dos arts. 192 e 193do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 58.400, de 10/05/66).” (destaque não constam do original) Deste modo, para fins de apuração de ganho de capital, devem ser consideradas todas as operações que impliquem alienação a qualquer título, inclusive a permuta. Se a pessoa jurídica auferiu ganho ou lucro na alienação de ações, quer esta se opere mediante compra e venda, incorporação ou permuta por outras ações, será o ganho ou lucro submetido à tributação, sendo a base tributável, na hipótese dos autos, o resultado entre a diferença do valor de aquisição das ações da Selenium entregues e o valor das ações da Elba recebidas pela Recorrente. Nesta mesma linha, é o entendimento desta 1ª Seção e da Câmara Superior de Recursos Fiscais: “[...] LUCRO NA ALENAÇÃO DE AÇÕES. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. Restando comprovado o lucro na alienação de ações, é de efetuar a sua tributação, a título de ganho de capital. [...].” (CARF. 1ª Seção / 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Acordão 130200.414. Sessão de 11/11/2010) “[...] As operações que importem alienação a qualquer título, de bens e direitos, estão sujeitas à apuração do ganho de capital. A incorporação de ações constitui uma forma de alienação em sentido amplo. O sujeito passivo transferiu ações, por incorporação de ações, para outra empresa, a título de subscrição e integralização que compõem seu capital, pelo valor de mercado. A diferença a maior (entre o valor de mercado e o valor constante na declaração de bens) deve ser tributada como ganho de capital. [...].” 32 Fl. 805DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 (CARF. Câmara Superior de Recursos Fiscais / 2ª Turma / Acórdão 9202 00.662, Sessão de 12/04/2010) IV. Inaplicabilidade dos juros sobre a multa de ofício aplicada Acerca da incidência dos juros sobre o valor exigido a título de multa de ofício, merece ser acolhida a alegação da Recorrente, consoante entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Vejamos: “RECURSO ESPECIAL – CONHECIMENTO. Não se deve ser conhecido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional quando inexiste similitude fática entre o acórdão paradigma e o acórdão recorrido. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO – INAPLICABILIDADE – Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada.” (CSRF, 1ª Turma, Acórdão nº 9101 00.722, data: 08.11.2010) (destaques não constam do original) Neste mesmo sentido, são vários os acórdãos deste E. Conselho. Vejamos: [...] JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A Lei 9,430/96 não prevê a incidência de juros de mora sobre a multa de oficio. O art. 161, § 1 ª, que se subordina ao capta, prevê supletivamente a aplicabilidade de juros de mora à taxa de 1% ao mês. O art.161, capta, do CTN prevê a incidência de juros de mora antes de imposição das penalidades cabíveis. Sobre a multa de oficio são inaplicáveis juros de mora. [...] (CARF 1ª Seção / 3a. Turma da 1a. Câmara / ACÓRDÃO 110300.193 em 18/05/2010 / Publicado no DOU em: 14.03.2011) [...] INCIDÊNCIA DE JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Não incidem os juros com base na taxa Selic sobre a multa de ofício, vez que o artigo 61 da Lei n.º 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de ofício. (1º Conselho de Contribuintes / 1ª Câmara / ACÓRDÃO 10196.523 em 23.01.2008 / Publicado no DOU em: 11.12.2008) [...] JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros com base na taxa Selic não devem incidir sobre a multa de oficio, vez que o artigo 61 da Lei n° 9.430/96 apenas impõe sua incidência sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições. Igualmente, não incidem os juros previstos no artigo 161 do CTN sobre a multa de oficio. As polêmicas e controvérsias sobre esse assunto vem de longa data, o que já fragiliza a tese em favor da incidência, pois, tratandose de norma punitiva, com implicação direta na dimensão da pena, não poderia o texto legal dar margem a tantas dúvidas. No âmbito das normas jurídicas de natureza punitiva, nenhuma pena, via de regra, vai sendo agravada com o decurso do tempo. Para 33 Fl. 806DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 774 que isso pudesse ocorrer (juros sobre a multa/penalidade), a Lei deveria ser muito clara a respeito, o que não se verifica no texto normativo vigente. (CARF 1ª Seção / 2ª Turma Especial / ACÓRDÃO 180200.599 em 03/08/2010 / Publicado no DOU em: 28.03.2011) Tendo em vista todo o acima exposto, voto no sentido de rejeitar as alegações de nulidade por erro na identificação do sujeito passivo e de decadência e, no mérito, dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, no sentido de excluir o valor dos juros sobre a multa de ofício, nos termos do posicionamento deste E. CARF e da CSRF, mantendo nos demais aspectos o teor da decisão de primeira instância proferida pela DRJ/SPI. É como voto. (documento assinado digitalmente) Geraldo Valentim Neto 34 Fl. 807DF CARF MF Impresso em 17/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 10/02/201 4 por GERALDO VALENTIM NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 13896.002853/2008-56
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2003, 2004
RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO ESTABELECIDO EM ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DESCABIMENTO. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece do recurso de ofício, por descabido, quando a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior àquele estabelecido em ato do Ministro da Fazenda.
O lançamento isolado de fração de multa de ofício qualificada, para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ, não encontra respaldo em lei, pois só havia previsão legal para formalização de multa isolada em auto de infração nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 1302-001.216
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Waldir Rocha e Luiz Matosinho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto.
(assinado digitalmente)
Alberto Pinto Souza Junior Presidente e Redator Designado
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Os autos de infração devem ser cancelados, se, em outro julgamento proferido por este Colegiado, foram cancelados os lançamentos dos créditos de Cofins e do PIS sobre os quais incidira a fração de multa de ofício qualificada ora em julgamento. O lançamento isolado de fração de multa de ofício qualificada, para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ, não encontra respaldo em lei, pois só havia previsão legal para formalização de multa isolada em auto de infração nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2003, 2004 RECURSO DE OFÍCIO. VALOR INFERIOR AO ESTABELECIDO EM ATO DO MINISTRO DA FAZENDA. DESCABIMENTO. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece do recurso de ofício, por descabido, quando a decisão de primeira instância exonerou o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa em valor total inferior àquele estabelecido em ato do Ministro da Fazenda. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício e, por maioria, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 00 28 53 /2 00 8- 56 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 300 2 Conselheiros Waldir Rocha e Luiz Matosinho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Alberto Pinto. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior – Presidente e Redator Designado (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Márcio Rodrigo Frizzo, Cristiane Silva Costa, Luiz Tadeu Matosinho Machado, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Alberto Pinto Souza Junior. Relatório PEDRO JOSÉ VERGANI, já qualificado nestes autos, foi autuado e intimado a recolher crédito tributário no valor total de R$ 1.838.340,71, discriminado no Demonstrativo Consolidado do Crédito Tributário do Processo, às fls. 001/002. Por bem descrever o ocorrido, valhome do minucioso relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância, a seguir transcrito. Tratase de auto de infração complementar para qualificar a multa de oficio sobre o PIS e a Cofins, lançados no âmbito do processo administrativo n° 10882.002362/2006121, no período de janeiro de 2002 a dezembro de 2003, no valor total de R$1.838.340,71, em face do responsável tributário pelos débitos da empresa Base Logística e Locação de Transportes Ltda. (CNPJ n° 04.219.027/0001 20), extinta por liquidação voluntária em 08/06/2005, e na qual o autuado detinha 45% da participação. Consta do Termo de Verificação Fiscal de fls. 18/32 a seguinte descrição dos fatos: "0 presente termo destinase a relatar o agravamento da exigência inicial sobre as contribuições ao PIS e a Cofins dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003, mediante duplicação das multas de 75% aplicadas no auto de infração do processo administrativo 10882.002361/200660, resultando em multa total de 150% sobre os valores principais, em decorrência dos fatos relatados nos itens 8.30 a 8.41 do ACÓRDÃO 0520.874 — 5ª TURMA DA DRJ/CPS, conforme detalhado adiante. 0 agravamento das referidas multas será formalizado de forma complementar, ern novo processo administrativo, de numeração 13896.002853/200856, de modo a não sobrestar o andamento do AUTO DE 1 Aqui equivocouse a ilustre relatora. Tratase, na verdade, do processo nº 10882.002360/200615. Esta nota não consta do relatório original transcrito. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 301 3 INFRAÇÃO DO PROCESSO 10882.002360/200615, para o qual já houve decisão do órgão julgador da primeira instância e sobre o qual cabe recurso do CONTRIBUINTE ao CONSELHO DE CONTRIBUINTES. (...) 1. DESCRIÇÃO DOS FATOS Tendo em vista o pleno esclarecimento dos fatos, juntase ao processo 13896.002853/200856 o ANEXO I, contendo 10 volumes, formados pelas cópias das folhas 01 a 1947 do processo administrativo 10882.002360/200615, o qual passa a fazer parte integrante do AUTO DE INFRAÇÃO ora lavrado. Cabe observar que o contribuinte já tem conhecimento dos documentos inseridos as fls. 01 a 1947 do processo administrativo 10882.002360/200615, motivo pelo qual não estão sendo encaminhados ao mesmo neste momento, no entanto, caso julgue necessário, poderá obter vistas ou solicitar a extração de cópias no endereço informado nos demonstrativos do AUTO DE INFRAÇÃO. Os fatos que motivaram a exigência dos valores principais do AUTO DE INFRAÇAO do processo administrativo 10882.002360/200615 encontramse descritos no TERMO DE VERIFICAÇÃO FISCAL, às fls. 107 a 109 do citado, enquanto que os demonstrativos de apuração do AUTO DE INFRAÇÃO encontram se anexados as fls. 110 a 150. O CONTRIBUINTE foi cientificado da exigência fiscal formalizada no processo 10882.002360/200615 em 12/12/2006, tendo apresentado a impugnação e anexos que foram anexados às fls. 154 a 1848 desse processo, cujas cópias fazem parte do ANEXO Ido processo 13896.002853/200856. O órgão julgador de primeira instância procedeu ao julgamento da matéria e elaborou o ACÓRDÃO 0520.874 — 5 a TURMA DA DRJ CAMPINAS, anexado às fls. 1928 a 1947, verso, do processo administrativo 10882.002360/200615, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002853/200856. Através dos itens 8.30 a 8.41 do ACÓRDÃO 0520.874 — 5ª TURMA DA DRJ CAMPINAS, a autoridade julgadora relata as circunstâncias que evidenciam a prática de fraude na apuração do PIS e da COFINS, apuradas em documentos que não foram apresentados no curso do procedimento de fiscalização, mas somente na impugnação, as quais ensejariam o agravamento da exigência inicial, mediante formalização do diferencial da multa de oficio prevista 'para os casos de evidente intuito de fraude, conforme art. 44, inciso II da Lei 9.430/96 em sua redação original, ou já na redação dada pela Lei 11.488/2007, art. 44, §1°. A autoridade julgadora, através do item 8.41 do citado ACÓRDÃO, elaborou representação dirigida à autoridade lançadora, em razão do que dispõe o art. 9°, §3° do Decreto n° 70.235/72, c/c seu art. 15, parágrafo único, para avaliação da possibilidade de agravamento da exigência, em razão dos novos fatos evidenciados nos documentos juntados à impugnação. Transcrevese na seqüência os itens 8.30 a 8.38 do ACÓRDÃO 0520.874— 5ª TURMA DA DRI CAMPINAS, posto que descrevem com clareza a fraude caracterizada pela prestação de informações falsas nas DCTF e DIPJ entregues à RFB, através da qual a empresa declarava débitos de PIS e Cofins em valores sistematicamente próximos a 10% do valor que seria efetivamente devido. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 302 4 8.30. Demais disso, os demonstrativos de apuração da Contribuição ao PIS e da COFINS, juntados A impugnação, confirmam, para os períodos de 2002 e 2003, as receitas informadas na DIPJ e, mais ainda, indicam a apuração de contribuições sobre o faturamento em valor próximo ao aqui exigido, e significativamente superior ao consignado na DCTF e na DIPJ. 8.31. Tais documentos, inclusive, denotam o conhecimento dos fatos geradores ocorridos e das contribuições, por conseqüência, devidas, as quais, todavia, não foram recolhidas pelo valor apurado, mas sim em parcelas sistematicamente menores, determinadas mediante a intencional aplicação do percentual de 10% sobre a contribuição apurada, conforme anotação contida na maioria dos demonstrativos referidos. 8.32. De fato, com referência ao cálculo da COFINS, vêse a seguinte correspondência entre os valores apurados e os exigidos na ação fiscal em questão: [planilha por período de apuração, comparando os demonstrativos de apuração de PIS e Cofins apresentados na impugnação e os valores de PIS e Cofins lançados exofficio nos processos 10882.002360/2006, 10882.002361/2006 e 10882.002362/2006] 8.33. Por sua vez, também consta destes demonstrativos de apuração, alem do valor inicialmente apurado da COFINS, indicações do cálculo de 10% deste montante, cujo resultado equivale aos recolhimentos efetuados: [planilha às fls. 214/215 da sequência do sistema eprocesso] 8.34. Já na DIPJ, as bases de cálculo de tais contribuições são reduzidas mediante o registro de "Outras Exclusões", as quais não constam dos demonstrativos de apuração e permitem a apuração de débitos equivalentes aos recolhidos, como também demonstrado abaixo: [planilha às fls. 215/216 da sequência do sistema eprocesso] 8.35. 0 mesmo se diga relativamente a Contribuição ao PIS, que apresenta a mesma correspondência entre os valores apurados e os exigidos na ação fiscal em questão, A exceção dos períodos a partir de dezembro/2002, nos quais o contribuinte adotou o regime de nãocumulatividade: [planilha às fls. 216/217 da sequência do sistema eprocesso] 8.36. Tais demonstrativos de apuração, inclusive os relativos aos períodos nos quais foi aplicado o regime de nãocumulatividade, também contém a indicação do cálculo de 10% do montante apurado da Contribuição ao PIS, o qual resulta em valor equivalente aos recolhimentos efetuados: [planilha às fls. 218/219 da sequência do sistema eprocesso] Fl. 302DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 303 5 8.37. E na DIPJ, o mesmo procedimento visto na informação dos débitos de COFINS é adotado, mediante o registro de "Outras Exclusões": [planilha às fls. 219/220 da sequência do sistema eprocesso] 8.38. Tais circunstâncias, evidenciadas nos novos elementos que não foram apresentados no curso do procedimento fiscal, mas somente na impugnação, ensejariam o agravamento da exigência inicial, mediante formalização do diferencial da multa de oficio prevista para os casos de evidente intuito de fraude, conforme art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96 ern sua redação original, ou, já na redação dada pela Lei n° 11.488/2007, art. 44, § 1º . A exposição de motivos da autoridade julgadora mostra que a empresa apresentou, em sua impugnação dirigida ao órgão julgador de primeira instância, demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS que confirmam, para os períodos de 2002 e 2003, as receitas informadas nas DIPJ 2003/2002 e 2004/2003, no entanto, esses mesmos demonstrativos apresentam anotações, por vezes manuscritas, que evidenciam a intencional e sistemática aplicação do percentual de 10% sobre a contribuição apurada, em valores que coincidem com os valores recolhidos em DARF e informados nas DCTF, cujos extratos foram anexados às folhas 1904 a 1927 do processo administrativo 10882.002360/200615, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002853/200856. Por sua vez, as DIPJ 2003/2002 e 2004/2003, conforme cópias anexadas às folhas 50 a 102 do processo administrativo 10882.002360/200615, cujas cópias fazem parte do ANEXO I do processo 13896.002853/200856, apresentam valores de exclusões de base de cálculo não justificadas pelo CONTRIBUINTE até a presente data, que conduzem à apuração de valores de PIS e COFINS coincidentes com os valores recolhidos em DARF e informados nas DCTF, evidenciando de vez a tentativa de impedir que a autoridade fiscal tenha conhecimento dos verdadeiros débitos de PIS e COFINS apurados pela empresa. Tendo em vista conceder amplo direito de defesa ao CONTRIBUINTE, lavrouse o TERMO DE INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL — MPF 2008.00124 6/01, cujo original e seus anexos foram anexados às folhas 06 a 113 do processo 13896.002853/200856. O CONTRIBUINTE foi intimado a prestar esclarecimentos sobre os fatos relatados, bem como a apresentar documentos comprobatórios de suas alegações, conforme texto transcrito na seqüência: [...] O TERMO DE INICIO DO PROCEDIMENTO FISCAL MPF 2008.00124 6/01 e seus anexos foram encaminhados ao CONTRIBUINTE pela via postal, sendo recebidos em 13/06/2008, conforme aviso de recebimento anexado à folha 114. O CONTRIBUINTE solicitou a prorrogação do prazo estabelecido no termo de inicio, de cinco dias úteis, em quinze dias, através de carta protocolada 17/06/2008, anexada à folha 115, no entanto, cabe registrar que o prazo adicional solicitado já transcorreu e o mesmo não apresentou quaisquer dos esclarecimentos e documentos solicitados até a data da lavratura do presente termo. Fl. 303DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 304 6 2. AUTO DE INFRAÇÃO LANÇAMENTO DE MULTA COMPLEMENTAR Diante do exposto, restou evidenciada a prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64, cujo teor transcrevese na seqüência. [...] Portanto, esta fiscalização considera cabível a aplicação do disposto no §1º do art. 44 da Lei 9.430/96, que prevê a duplicação da multa de 75% prevista no inciso I do art. 44 da Lei 9430/96, cujo teor transcrevo na seqüência. [...] O AUTO DE INFRAÇÃO do processo administrativo 10882.002360/200615 já efetuou o lançamento dos valores principais do PIS e da COFINS com a aplicação de multas de 75%, de modo que procedemos à lavratura do AUTO DE INFRAÇÃO DE MULTA COMPLEMENTAR, do processo administrativo 13896.002853/200856, para lançamento de multas complementares de 75%, incidentes sobre os valores do PIS e da COFINS mantidos pelo órgão julgador no ACÓRDÃO 0520.874 — 5ª TURMA DA DRJ/CPS, conforme tabelas anexadas às folhas 1946, verso, a 1947, verso, do processo 10882.002360/200615, cujos valores transcrevemse na seqüência, com a inclusão da coluna ‘MULTA COMPLEMENTAR', contendo os valores ora lançados. [demonstrativo por períodos de apuração da exigência de PIS e Cofins e da multa de oficio exigida, excluída e mantida, e a incidência da multa complementar de 75% sobre os valores mantidos das autuações] Cabe reiterar que as multas estão sendo lançadas no CONTRIBUINTE, na condição de responsável tributário pelas infrações constatadas nos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003 na empresa BASE LOGÍSTICA E LOCAÇÃO DE TRANSPORTES LTDA., CNPJ 04.219.027/000120, extinta por liquidação voluntária e na qual o mesmo detinha 45% de participação. A responsabilidade tributária no caso em tela, lançada proporcionalmente a participação social do autuado, encontrase prevista no art. 135, inciso III, do CTN, uma vez que o mesmo exercia a função de gerência e administração da empresa, juntamente com os sócios Marco Antônio Guilhermino e Paulo César Al Behy André, e as obrigações tributárias lançadas são decorrentes de atos praticados com infração a lei, caracterizados pela falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, impedindo ao fisco o conhecimento e a apuração dos tributos efetivamente devidos e conduzindo ao arbitramento na forma do art. 530, incisos I e III, do RIR/99, bem como pela prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64. A constituição do crédito tributário em nome dos sócios Marco Antônio Guilhermino e Paulo César Ai Behy André foi formalizada inicialmente nos processos 10882.002362/200612 e 10882.002361/200660, respectivamente, sendo agora também complementada pelo lançamento das multas de 75%, através dos processos 13896.002850/200812 e 13896.002851/200867, respectivamente. [...] Cientificado do lançamento complementar, por via postal, em 02/08/2008 (AR de fls. 148), o contribuinte por intermédio de seus advogados e bastantes procuradores (Instrumento de Mandato de fls. 165), protocolizou a impugnação de Fl. 304DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 305 7 fls. 150/164, em 27/08/2008, aduzindo em sua defesa as seguintes razões de fato e de direito. Argúi que em sua defesa, protocolizada em 11/01/2007, no âmbito do processo administrativo 10882.002360/200615, teria demonstrado a nulidade dos lançamentos originalmente formalizados, por ausência de capitulação legal e, no mérito, a impossibilidade de atribuição de responsabilidade com base no art. 135, III, do CTN, tendo em conta a ausência de qualquer ato de gestão praticado pelo Impugnante, com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos. Questiona a qualificação da autoridade julgadora acerca dos "novos fatos evidenciados" nos documentos juntados à impugnação, afirmando que "nenhum dos documentos juntados era desconhecido pela Fiscalização, visto que sempre estiveram a disposição para a análise dos fiscais". Aduz que o auto de infração para a exigência complementar da multa qualificada seria eivado de nulidade, em face da ilegitimidade do Impugnante para figurar no pólo passivo da obrigação tributária, e da impossibilidade de qualificação da multa de oficio sem a prova das condutas descritas nos arts. 71, 72 ou 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Contesta a imputação de responsabilidade solidária ao Impugnante, na medida em que a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do CTN, ficaria condicionada à prova de atuação com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos, sendo portanto, decorrente de uma relação jurídica sancionatória (obrigação de pagar tributo em decorrência da prática de ato ilícito). Segundo a defesa, não teria sido regularmente comprovado que as infrações apuradas teriam sido provocadas por atuação dos exsócios com excessos de poderes, infração de Lei, contrato social ou estatutos. E continua: "A simples condição de sócio não implica responsabilidade tributária, menos ainda por solidariedade. Nos exatos termos determinados pela legislação de regência, são atributos da solidariedade a pluralidade subjetiva de credores ou devedores, bem como a unidade objetiva, ou seja, cada devedor responde pela totalidade da prestação, e cada credor tem direito à totalidade do crédito. Afeição societária da empresa que atua sob o regime de cotas de responsabilidade limitada, como diz a própria designação, restringe, nos termos da Lei, o alcance do eventual credor ao patrimônio do eventual devedor. Logo, tal alcance poderá ocorrer se, e somente se, restar exaurida a comprovação de prática de atos que denotem ilícitos, e não com base em presunção de culpa". Assevera que, nem a doutrina, nem a jurisprudência, admitiriam a responsabilidade objetiva, para não se comprometer a autonomia da pessoa jurídica: não se admite que os sócios respondam pela mera inadimplência da pessoa jurídica. Colaciona jurisprudência do Conselho de Contribuintes, para ressaltar a necessidade da prova da prática de atos com excesso de poderes ou infração de Lei, contrato social ou estatutos, para que se configure a responsabilidade tributária dos administradores, prevista no art. 135, III, do CTN. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 306 8 Diz que no curso do processo, nada teria sido suscitado de modo a justificar a inclusão do Impugnante no pólo passivo, não tendo sido sequer apresentado mero indicio da prática de ato doloso ou fraudulento. E ressalta: "(..) 0 que é pior: a própria fiscalização afirma explicitamente no Termo de Verificação Fiscal que 'a extinção da empresa por encerramento de liquidação voluntária, segundo entendimento da SRF, implica automaticamente a fiscalização da empresa em nome dos sócios' Ou seja, a D. Fiscalização afirma expressamente que a simples extinção da pessoa jurídica, mesmo que de modo regular, ressaltese, serviria de fundamento para a responsabilização pessoal dos sócios". Afirma que a responsabilidade tributária e, conseqüentemente, a sujeição passiva tributária, elementos que integram a regra matriz de incidência, somente poderiam ser estabelecidos por Lei e não por interpretação da Administração Tributária. Requer seja afastada a responsabilidade pessoal atribuida ao sócio Impugnante. Quanto à aplicação da multa qualificada pelo evidente intuito de fraude, defende que a sanção deve ser limitada pelos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, sob pena de caracterização de confisco. In casu, questiona uma sanção do porte de um milhão e meio de reais. Contesta a constitucionalidade da incidência. Segundo a defesa, seria leviana a imputação de sonegação ao exsócio da pessoa jurídica, na medida em que a base do presente lançamento complementar seria os documentos apresentados pelo próprio contribuinte, nos autos do processo 10882.002362/200612. Afastada assim a caracterização da conduta tendente a impedir ou retardar o conhecimento da ocorrência do fato gerador pela autoridade fazendária. Em suas palavras: "Logicamente, se o Impugnante apresentou, perante o Órgão competente da Receita Federal, toda a documentação de que dispunha para a análise da legalidade em que operava a empresa de que foi sócio, é porque jamais pretendeu `impedir' ou ‘retardar' o conhecimento da autoridade tributária a respeito da ocorrência de fatos geradores de obrigações tributárias — isto devido a razão primordial de que ele, Impugnante, não é sujeito passivo daquelas obrigações". Diz que toda a documentação juntada nos autos do processo n° 10882.002360/200615 era do conhecimento da fiscalização, e as planilhas encerrariam simplesmente os cálculos, com exclusões legalmente permitidas, pelos quais a pessoa jurídica teria apurado as contribuições devidas. "A apresentação de tais documentos, imprecisos que sejam, só demonstra, com maior clareza de sentido, a boafé do Impugnante. Nenhum indicio sequer aponta para qualquer ato ilícito praticado pela empresa contribuinte e, menos ainda, pelo Impugnante, ex sócio". Invoca a presunção de boafé e inocência dos contribuintes no julgamento dos processos em que a fiscalização impõe multas qualificadas. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 307 9 Protesta contra a exigência porque: não haveria prova nos autos da conduta fraudulenta; não caracteriza fraude "exclusões de base de cálculo não justificadas" e nem o descumprimento de intimações para juntada de documentos ou a prestação de esclarecimentos. Requer o cancelamento do lançamento complementar e protesta pela produção de todos os meios de prova em direito admitidos para reforçar todas as alegações da defesa. A 2ª Turma da DRJ em CAMPINAS/SP analisou a impugnação apresentada pelo sujeito passivo e, por via do Acórdão nº 0524.994, de 03/03/2009 (fls. 207/220v), considerou procedente em parte o lançamento, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2002 a 31/12/2003 Decadência. Pronunciamento de Oficio. Por força do principio da moralidade administrativa, a decadência do direito de efetuar o lançamento, configurando hipótese de extinção da obrigação tributária principal formalizada a destempo, deve ser reconhecida de oficio, independentemente de pedido do interessado. Decadência. Multa de Oficio Qualificada. Sonegação. Comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Devem ser canceladas de oficio as exigências constituídas após o término do prazo decadencial. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Conforme confirmado nos atos constitutivos da pessoa jurídica, o autuado não era apenas sócio da empresa, mas teria exercido a função de gerência e administração juntamente com os outros sócios, em todo o período de funcionamento da sociedade, sendo perfeitamente imputável a responsabilidade pessoal do art. 135, III, do CTN. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Excesso de Poderes, Infração de Lei ou Contrato Social. Sonegação fiscal é atuação com excesso de poderes, é infração de Lei e é infração ao contrato social, porque a grave ilicitude da conduta não deve ser tolerada em qualquer dos universos normativos que prescrevem os limites de atuação dos administradores. Responsabilidade de Terceiros. Administradores. Dolo. Não se admite que os administradores do empreendimento desconheçam a sonegação de noventa por cento do PIS e da Cofins devidos, nas informações prestadas à Secretaria da Fl. 307DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 308 10 Receita Federal do Brasil RFB acerca das bases de cálculo (DIPJ), nas declarações constitutivas de crédito tributário (DCTF), e nos pagamentos (DARF), no mínimo, durante os dois anos, objeto de autuação. Sonegação. Caracterização. As exclusões injustificadas de noventa por cento das bases de cálculo do PIS e da Cofins devidos mensalmente, em dois anos consecutivos, que redundaram num recolhimento de apenas dez por cento dos tributos devidos, e na ocultação dolosa das verdadeiras bases de cálculo, caracterizam sonegação. Constitucionalidade de Lei. Competência do órgão Administrativo de Julgamento. 0 julgamento administrativo está estruturado como uma atividade de controle interno dos atos praticados pela administração tributária, sob o prisma da legalidade, não podendo negar os efeitos à lei vigente, pelo que estaria o Tribunal Administrativo indevidamente substituindo o legislador e usurpando a competência privativa atribuida ao Poder Judiciário Ciente da decisão de primeira instância em 25/05/2009, conforme Aviso de Recebimento à fl. 230, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário em 10/06/2009 conforme carimbo de recepção à folha 231. No recurso interposto (fls. 231/245), o interessado repisa, mais ou menos com as mesmas palavras, os argumentos trazidos em sede de impugnação, os quais podem ser bem resumidos nas próprias palavras do recorrente, à fl. 245: O acórdão ora combatido, enfim, viola preceitos legais e constitucionais dos mais relevantes, valendo destacar: i. viola o art. 135 do Código Tributário Nacional, ao manter a responsabilização pessoal do exsócio da empresa fiscalizada, perpetrada no Auto de Infração de Multa Complementar, sem demonstrar, faticamente, a suposta ação dolosa, fraudulenta ou com excesso de poderes; ii. afronta a letra do art. 150, IV, da Constituição Federal, já que estipula cobrança com verdadeiro caráter confiscatório, atentando, por conseguinte, contra os princípios da proporcionalidade e razoabilidade. Ao final, requer a reforma do acórdão recorrido, na parte que lhe foi desfavorável. A Turma Julgadora também recorreu de ofício a este Colegiado, nos seguintes termos (fl. 208): Deste ato, tendo em conta a conexão fática e probatória do presente (art. 9°, §1° do Decreto n° 70.235/72) com os processos n° 13896.002850/200812 e 13896.002851/200867, relacionados aos lançamentos complementares efetuados em nome dos outros dois administradores da mesma empresa, RECORRESE DE OFÍCIO à Primeira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em Fl. 308DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 309 11 conformidade com o art. 34, inciso I, e art. 37 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, c/c art. 1° da Portaria do Ministro da Fazenda MF nº 3 de 03 de janeiro de 2008 (DOU 07/01/2008). Diante dos fatos aqui expostos e, ainda, em atendimento ao pedido dos interessados, foi proferida por este colegiado a Resolução nº 130200.183, de 03/07/2012 (às fls. 2494/2503 da sequência do sistema eprocesso nos autos do processo administrativo nº 10882.002361/200660). A Resolução determinou que os seis processos administrativos aqui mencionados fossem reunidos e distribuídos a este conselheiro, para julgamento conjunto. Por amor à clareza, são eles: · Interessado Marco Antônio Guilhermino: 10882.002362/200612 13896.002850/200812 · Interessado Pedro José Vergani: 10882.002360/200615 13896.002853/200856 · Interessado Paulo Cesar Al Behy André: 10882.002361/200660 13896.002851/200867. Cumprida a determinação, os processos agora retornam para julgamento conjunto. É o Relatório. Voto Vencido Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator RECURSO DE OFÍCIO Quanto à admissibilidade do recurso de ofício, devese ressaltar o teor do art. 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008, publicada no DOU de 07/01/2008, a seguir transcrito: Art. 1º O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 1.000.000,00 (um milhão de reais). No caso em tela, ao somar os valores correspondentes a multa (não há, aqui, exigência de tributo) afastados em primeira instância (demonstrativo às fls. 220/220v), verifico que totalizam exatos R$ 642.518,18, montante inferior ao limite de um milhão de reais, estabelecido pela norma em referência. Esclareço que, desde que o Fisco dividiu a matéria tributável proporcionalmente à participação de cada sócio na pessoa jurídica extinta e assim efetuou os lançamentos, cada uma das pessoas físicas deve ser considerada individualmente como sujeito passivo das obrigações tributárias que lhe foram imputadas, e o limite para o recurso de ofício deve, da mesma forma, ser considerado de forma individualizada. Ainda que se trate dos Fl. 309DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 310 12 mesmos fatos e da mesma empresa extinta, considero descabido que se pudesse pretender somar os valores afastados em primeira instância neste processo àqueles afastados nos processos nº 13896.002850/200812 (Marco Antônio Guilhermino) e nº 13896.002851/2008 67 (Paulo César Al Behy André), para fins de aferição do limite. Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso de ofício, por ter sido o sujeito passivo exonerado, em primeira instância, de encargos de multa em valor inferior ao limite estabelecido pela legislação aplicável. RECURSO VOLUNTÁRIO O recurso voluntário é tempestivo, e dele conheço. De pronto, dois aspectos devem ser ressaltados. O primeiro é que o julgamento administrativo do presente recurso é indissociável dos fatos descritos no processo administrativo nº 10882.002360/200615, cujo interessado é o mesmo Sr. Pedro José Vergani, e da decisão proferida naqueles autos nesta mesma sessão de julgamento. O segundo aspecto é a delimitação do escopo do recurso voluntário. O crédito tributário constituído mediante os lançamentos aqui discutidos diz respeito ao agravamento da exigência inicial sobre as contribuições ao PIS e à Cofins dos períodos de janeiro/2002 a dezembro/2003, mediante duplicação das multas de 75% aplicadas no auto de infração do processo administrativo 10882.002360/200615, resultando em multa total de 150% sobre os valores principais daquele processo. Em assim sendo, somente serão aqui discutidos os argumentos atinentes à sujeição passiva e à qualificação da multa de ofício. Passo a me manifestar sobre a responsabilidade tributária pelo crédito tributário constituído mediante os presentes lançamentos, imputada ao sócio da pessoa jurídica extinta, com base no art. 135, III, do Código Tributário Nacional. O motivo pelo qual foi imputada a responsabilidade tributária ao sócio, consta do Termo de Verificação Fiscal (fl. 133 da sequência do sistema eprocesso, grifo não consta do original): A responsabilidade tributária no caso em tela, lançada proporcionalmente à participação social do autuado, encontrase prevista no art. 135, inciso III, do CTN, uma vez que o mesmo exercia a função de gerência e administração da empresa, juntamente com os sócios Marco Antônio Guilhermino e Paulo César Al Behy André, e as obrigações tributárias lançadas são decorrentes de atos praticados com infração à lei, caracterizados pela falta de apresentação da escrituração contábil e fiscal, impedindo ao fisco o conhecimento e a apuração dos tributos efetivamente devidos e conduzindo ao arbitramento na forma do art. 530, incisos I e Ill, do RIR/99, bem como pela pratica de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei 4502/64. Foram, assim, dois os fundamentos adotados pelo Fisco para a imputação de responsabilidade ao sóciogerente: a não apresentação da escrituração contábil e fiscal (infração à lei) e a prática de sonegação, conforme definição do art. 71, inciso I, da Lei nº 4.502/1964. A base legal foi o art. 135, inciso III, do CTN, verbis: Fl. 310DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 311 13 Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: [...] III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. A questão deve ser analisada com cuidado no que respeita ao primeiro fundamento, a saber, a não apresentação da escrituração contábil e fiscal, especialmente na situação sob exame, em que, no momento em que se iniciou a fiscalização, a pessoa jurídica já havia sido extinta por liquidação voluntária. O acórdão nº 0520.874, proferido pela DRJ Campinas nos autos do processo nº 10882.002360/200615 (fls. 1928/1947v daquele processo), nos itens 9.1 a 9.28, efetua extensa análise da legislação aplicável. Destaco, por especialmente relevantes, os seguintes pontos: A guarda dos livros e documentos da escrituração contábil e fiscal é dever legal2. Após a dissolução da pessoa jurídica, esse dever é atribuído à pessoa ou às pessoas nominalmente especificadas no distrato social (art. 53, inciso X, do Decreto nº 1.800, de 30/01/1996) 3. 2 Decreto nº 3.000/1999 – Regulamento do Imposto de Renda Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4º). §1º Ocorrendo extravio, deterioração ou destruição de livros, fichas, documentos ou papéis de interesse da escrituração, a pessoa jurídica fará publicar, em jornal de grande circulação do local de seu estabelecimento, aviso concernente ao fato e deste dará minuciosa informação, dentro de quarenta e oito horas, ao órgão competente do Registro do Comércio, remetendo cópia da comunicação ao órgão da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10). §2º A legalização de novos livros ou fichas só será providenciada depois de observado o disposto no parágrafo anterior (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 10, parágrafo único). §3º Os comprovantes da escrituração da pessoa jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios (Lei nº 9.430, de 1996, art. 37). 3 Decreto n° 1.800, de 30 de janeiro de 1996 Regulamenta a Lei n° 8.934, de 18 de novembro de 1994, que dispõe sobre o Registro Público de Empresas Mercantis e Atividades Afins e dá outras providências. Art. 53. Não podem ser arquivados: [...] X o distrato social sem a declaração da importância repartida entre os sócios, a referencia à pessoa ou às pessoas que assumirem o ativo e passivo da sociedade mercantil, supervenientes ou não a liquidação, a guarda dos livros e os motivos da dissolução, se não for por mútuo consenso. [...] Fl. 311DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 312 14 Esse dever legal tem por fundamento permitir ao Fisco aferir a regularidade do cumprimento da legislação tributária por parte da pessoa jurídica, no período que antecedeu sua extinção, visto que o Fisco não é chamado a opinar quanto à regularidade desse processo de extinção. Ademais, permite dar efetividade ao prazo de cinco anos para que a Fazenda Pública se pronuncie e promova o lançamento tributário de eventual diferença não recolhida. O descumprimento desse dever legal de guarda é ato contrário à lei. E não se trata tão somente de descumprimento da lei tributária, mas da lei civil, que regula os atos de constituição e extinção de sociedades, especificando as formalidades e garantias que lhes são inerentes e indispensáveis. Ademais, o descumprimento do dever de guarda é ato praticado com infração de contrato social. Observese que o Distrato Societário firmado entre os sócios e arquivado na repartição competente nada mais é do que um contrato societário, que recebe nome especial, por se tratar de ato que tem por objetivo específico a dissolução da sociedade. Mas é contrato firmado entre as partes e que produz efeitos perante terceiros, especialmente, no que interessa à presente análise, perante a Fazenda Pública, ao indicar o responsável pela guarda dos livros e documentos. Vejamos o que dispõe, no Distrato Social, a cláusula terceira: Terceira A guarda e responsabilidade dos livros e documentos fiscais ficará a cargo do sócio MARCO ANTONIO GUILHERMINO, já qualificado, residente e domiciliado na Alameda Franca, n.° 744, bairro Alphaville, no Município de Santana do Parnaíba, Estado de São Paulo. De seu descumprimento resultam diretamente as obrigações tributárias de que cuida o presente processo, visto que, na impossibilidade de exame dos livros e documentos, a lei impõe o arbitramento dos lucros. Ou, na frase lapidar empregada pela decisão mencionada, “a omissão no dever de guarda de tais documentos, após a extinção da pessoa jurídica, é ato ilícito do qual decorrem alterações na determinação da base de cálculo dos tributos devidos, atribuindose novos contornos à relação jurídicotributária”. E, muito embora o arbitramento somente se refira ao IRPJ e à CSLL, o mesmo se pode concluir no que respeita às exigências de PIS e COFINS, nas quais o lançamento foi feito, originalmente, diante da impossibilidade de exame da regularidade das vultosas “exclusões” feitas nas bases dessas contribuições. De se observar, finalmente, que a lei não exige que a conduta seja dolosa, como quer fazer crer o recorrente, muito embora, no mais das vezes, essa seja a situação de fato. Aqui, no entanto, com a devida vênia, devo divergir da conclusão a que chegou a ilustre julgadora em primeira instância na decisão referida. A decisão a quo concluiu que o descumprimento do dever de guarda dos livros e documentos serviria como fundamento para a imputação de responsabilidade aos três sóciosgerentes. Noutro sentido, entendo que, após a dissolução da pessoa jurídica, o cumprimento desse dever somente pode ser exigido daquela pessoa que formalmente assumiu esse encargo diante de seus sócios e diante do Poder Público. No caso sob exame, o Sr. Marco Antônio Guilhermino. A partir daquele momento, cessadas as atividades e extinta a pessoa jurídica, dos demais sócios (Sr. Paulo César Al Behy André e Sr. Pedro José Vergani, interessado no presente processo) não se pode exigir que apresentem livros e documentos que não mais estão sob sua guarda. Diante disso, concluo que a não apresentação de livros e documentos que não mais estavam sob sua guarda, após a extinção da pessoa jurídica, não pode ser invocada como Fl. 312DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 313 15 ato com infração à lei e ao contrato social, capaz de fundamentar a atribuição de responsabilidade tributária ao sócio Sr. Pedro José Vergani. Como segundo fundamento para a imputação da responsabilidade tributária, passo a apreciar os fatos descritos no relatório que antecede a este voto, relacionados aos demonstrativos de apuração da contribuição para o PIS e da COFINS, elaborados pelo sujeito passivo, não apresentados por ocasião do procedimento de fiscalização, mas juntados em meio à vasta documentação apresentada com a impugnação aos lançamentos nos autos do processo nº 10882.002360/200615. Não pode ser aceita a alegação de que os documentos já seriam de conhecimento da fiscalização desde o procedimento inicial. A uma, porque a não apresentação dos livros e documentos naquela fase ficou documentada nos autos do processo nº 10882.002360/200615, com intimação e reintimação e respectivas respostas. A duas, porque, ainda que assim fosse, o que se admite apenas por hipótese, isso não seria capaz de afastar a conduta comprovada nos demonstrativos. O minucioso exame dos demonstrativos, empreendido pela Turma Julgadora em primeira instância no processo nº 10882.002360/200615, em todos os meses dos anos calendário 2002 e 2003, revelou o procedimento sistemático e intencional de pagar meros e exatos 10% (dez por cento) do valor das contribuições apuradas. Demonstrouse que os valores assim reduzidos correspondiam com exatidão aos DARFs pagos, e que, para que houvesse coincidência de valores com as fichas da DIPJ, o expediente era de informar as vultosas e já mencionadas “exclusões” das bases de cálculo. As exclusões se revelam, assim, artifício empregado para ocultar dolosamente da Autoridade Tributária os montantes efetivamente devidos das contribuições. Revelase, ao mesmo tempo, a falsidade das declarações e informações prestadas à Administração Tributária mediante as DCTFs e DIPJs apresentadas. Tal conduta, praticada por ocasião (ou logo após) a ocorrência dos fatos geradores tributários de PIS e de COFINS, e antes da extinção da pessoa jurídica, por certo deve ser imputada àqueles que detinham e exerciam poderes de administração na sociedade, ou seja, os três sóciosgerentes, Sr. Marco Antônio Guilhermino, Sr. Paulo César Al Behy André e Sr. Pedro José Vergani (interessado no presente processo). Fica aqui evidenciada a prática de atos com infração de lei, nitidamente dolosos, dos quais decorrem as exigências de PIS e COFINS. Por este fundamento, portanto, considero correta a atribuição da responsabilidade tributária ao Sr. Pedro José Vergani, para as exigências de PIS e COFINS aqui discutidas. Superada a questão da responsabilidade, cabe examinar os argumentos contrários à qualificação da multa de ofício. Tais argumentos devem ser divididos, para melhor análise. Quanto à correção do procedimento fiscal ao aplicar a multa no percentual de 150%, resta pouco a acrescentar ao exposto. Tenho que a sonegação (art. 71 da Lei nº 4.502/1964) restou perfeitamente caracterizada, a ocultação dolosa do montante efetiva e sabidamente devido, de tal forma a pagar meros e exatos 10% (dez por cento) dos valores apurados pelo próprio sujeito passivo. Por um lado, os demonstrativos que surgiram somente com a impugnação nos autos do processo nº 10882.002360/200615, com as anotações e cálculos de 10% do valor devido, o que coincide com os DARFs pagos. Por outro, as informações falsas prestadas na DCTF e na DIPJ, de tal forma a fazer parecer a regularidade fiscal, tudo ao longo de, no mínimo, dois anos. O intuito de fraudar o Fisco é evidente, descabendo cogitar de mero equívoco ou de erro escusável. Correta, assim, a qualificação da Fl. 313DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 314 16 multa, sendo lançada nos presentes autos a complementação do percentual já anteriormente lançado no processo nº 10882.002360/200615. O recorrente alega, também, que a multa qualificada de 150% teria efeito confiscatório, afrontando assim o inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Assim reza o dispositivo constitucional invocado pelo recorrente (grifo não consta do original): Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: [...] IV utilizar tributo com efeito de confisco; [...] Por pertinente, reproduzo abaixo o artigo 3º da Lei nº 5.172/1966 (CTN) (grifo não consta do original): Art. 3º Tributo é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Ora, desde que tributo não é sanção de ato ilícito, conforme dispõe o CTN, fica patente a distinção entre tributo e multa, esta, sim, de natureza punitiva. E a vedação constitucional invocada se refere tão somente a tributo. Quanto à multa ora em discussão, inaplicável a limitação constitucional do poder de tributar trazida pela recorrente. E para sepultar de vez qualquer discussão sobre esse ponto, deve ser trazida à colação a súmula nº 2 deste CARF, pelo que desnecessário se faz qualquer outro comentário: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Em conclusão, voto por não conhecer do recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso divergir do seu voto no julgamento do recurso voluntário em tela, pelas razões a seguir aduzidas. Fl. 314DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 315 17 De plano, entendo que os autos de infração em tela devem ser cancelados, tendo em vista que, em julgamento proferido por este Colegiado nesta mesma assentada, foram cancelados os lançamentos dos créditos de Cofins e do PIS sobre os quais incidira a fração de multa de ofício ora em julgamento, lançada para atender a mudança de critério jurídico introduzida pela DRJ no Acórdão nº 0520.874, de 16/01/2008, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP. Todavia, apenas para registro, transcrevo o meu voto vencedor nos autos do PAF nº 10882.002360/200615, no qual, ali mesmo, já aduzia razões pelas quais os autos de infração ora em julgamento deviam ser cancelados: “Com a devida vênia do ilustre Relator, pelas razões a seguir aduzidas, acompanho o seu voto relativo aos lançamentos do IRPJ e CSLL apenas pelas conclusões, pois divirjo dos fundamentos adotados, por sua vez, ouso divergir integralmente (fundamentos e conclusões) do seu voto com relação aos lançamentos de COFINS e PIS. Inicialmente, saliento que há um equívoco grave no trabalho da Fiscalização, pois, se, no entender dela, os sócios eram responsáveis tributários com base no art. 135, III, do CTN, eles deveriam responder solidariamente por todo o crédito tributário devido pela extinta Base Logística e Locação de Transporte Ltda., sendo totalmente desprovido de fundamento legal o rateio da base de cálculo feito à razão da participação de cada sócio no capital social da sociedade extinta e, consequentemente, o desdobramento disso em três diferentes autos de infração. Por sua vez, isso só causará prejuízo ao Fisco, caso mantidos os lançamentos, já que os sócios só responderão, individualmente, por parcelas do crédito tributário, quando, na verdade, eles deveriam ser solidários por todo o crédito tributário apurado. No mérito, antes de se verificar a procedência do arbitramento do lucro, há que se analisar a sujeição passiva indireta do sócio, pois, caso afastada a responsabilidade tributária do recorrente, fica prejudica a análise das razões do arbitramento. A primeira questão posta ao exame deste Colegiado reside em saber se a não apresentação da escrituração fiscal seria conduta enquadrável no inciso III do art. 135 do CTN, a justificar a responsabilização do sócio. Inicialmente, alerto que o art. 135, III, do CTN exige mais do que o simples descumprimento da lei ou do contrato social, para responsabilizar o sócio, ou seja, há que restar demonstrado que agiu com dolo ou culpa, se não vejamos o seguinte excerto da ementa do AgRg no REsp 1340390 / MG, in verbis: “4. A responsabilidade prevista no art. 135 do CTN, único dispositivo prequestionado na origem, não é objetiva, mas depende comprovação de dolo ou culpa por uma das pessoas indicadas nos seus incisos.” De antemão, já verifico o equívoco da Fiscalização ao tentar responsabilizar objetivamente a recorrente que não tinham mais o dever de guarda da escrituração no momento do lançamento. Fl. 315DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 316 18 Peço vênia para transcrever o excerto do TVF (doc. a fls. 183) já citado pelo Relator, in verbis: Conforme destacado acima, os três sócios exerciam a função de gerência e administração da empresa. A não apresentação da escrituração comercial e fiscal constitui por si só infração à lei. A falta de recolhimento de tributos, materializada pela própria constituição de créditos tributários também constitui infração legal. Dessa forma, os sócios são pessoalmente responsáveis pelas obrigações tributárias da empresa. Assim, os créditos tributários são constituídos com base no art. 135 inciso III do CTN e art. 530 Inc. I e III e 532 do RIR199. Notese que, durante o período de atividade da pessoa jurídica, todos os sócios tinham o dever de guarda da escrituração contábil, já que todos tinham poderes de gerente. Ora, diante disso, indago se, caso a Fiscalização tivesse ocorrido ainda quando a sociedade estava ativa, o arbitramento do lucro por falta de apresentação da escrituração contábil implicaria na responsabilização tributária de todos os sócios com base no art. 135, III, do CTN? A resposta é, irrefragavelmente, não. A conseqüência da falta de apresentação da escrituração contábil é apenas o arbitramento do lucro, mas nunca, por si só, a responsabilização pessoal dos sócios, como sustentou o trecho do TVF acima indicado. Ademais, a expressão “por si só” colocada no referido trecho denota o equívoco exegético da Fiscalização, pois não estamos diante de uma responsabilidade objetiva, já que, para o enquadramento no art. 135, III, do CTN, exigese que esteja demonstrado o dolo ou a culpa. Em outras palavras, a Fiscalização não sustentou que a recorrente tenha intencionalmente se recusado a apresentar, ou que tenha voluntariamente destruído a escrituração, ou mesmo, que tenha agido com negligência na guarda da escrituração contábil, mas, segundo afirma, “A não apresentação da escrituração comercial e fiscal constitui por si só infração à lei”, ou seja, equivocase ao sustentar a responsabilização objetiva do sócio na espécie. Vale, ainda, comentar outro trecho da decisão recorrida pinçado pelo ilustre Relator, para sustentar a sua decisão, qual seja: “a omissão no dever de guarda de tais documentos, após a extinção da pessoa jurídica, é ato ilícito do qual decorrem alterações na determinação da base de cálculo dos tributos devidos, atribuindose novos contornos à relação jurídico tributária”. Ora, com a devida vênia do Relator, entendo equivocado tal entendimento do julgador de primeira instância, pois é desprovido de base legal. A omissão no dever de guarda da escrituração contábil, após a extinção da pessoa jurídica, não se torna automaticamente um ato ilícito, pois não há norma que diga isso. Notese que, para fins tributários, o dever de guarda está assim posto: “Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram” (art. 195, par. único, CTN); ou “Os comprovantes da escrituração da pessoa Fl. 316DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 317 19 jurídica, relativos a fatos que repercutam em lançamentos contábeis de exercícios futuros, serão conservados até que se opere a decadência do direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tributários relativos a esses exercícios” (art. 37 da Lei 9430/96). Por sua vez, se esse dever não é cumprido, não se pode, de plano, concluir que isso decorreu de pratica de ato ilícitos dos sócios. Tanto é assim, que, no plano tributário federal, o descumprimento de tal dever não implica em uma sanção, mas apenas no arbitramento do lucro, sendo que, eventual multa de ofício só será aplicado se o tributo apurado sobre essa base restar superior aquele anteriormente apurado pelo contribuinte. A partir, ainda, da análise deste trecho da decisão recorrida, volto a ponto já enfrentado, para reforçar a minha conclusão. Se a Fiscalização não sustentou nem muito menos demonstrou qualquer conduta dolosa dos sócios (tanto que aplicou multa de 75%), concluise, então, que, para ela, das duas uma: ou o art. 135, III, do CTN responsabiliza objetivamente o sócio gerente ou então, ela entende que se pode deduzir a culpa da recorrente pelo simples fato de não ter sido apresentado a escrituração. Já vimos ser um equívoco exegético responsabilizar objetivamente o sócio com base no art. 135 do CTN, por sua vez, parece insustentável uma omissão culposa no dever de guarda de documentos. Em verdade, a hipótese de aplicação do art. 135, III, do CTN por infração culposa à lei ou ao contrato social, de que trata a jurisprudência retro citada, deve decorrer de conduta comissiva do sócio gerente, não de omissão. Assim sendo, reforço mais as minhas conclusões anteriores, pois sustento que, no presente caso, só poderia ser aplicado o art. 135, III, do CTN se restasse demonstrada a omissão dolosa do recorrente na guarda da escrituração contábil. Por sua vez, o evento extinção da pessoa jurídica não tem o condão de alterar a resposta acima, pois o dispositivo que trata da responsabilização de sócio por tributo devido por sociedade extinta é o art. 5º do DecretoLei nº 1.598/77, o qual assim dispõe: “Art 5º Respondem pelos tributos das pessoas jurídicas transformadas, extintas ou cindidas: [...] V os sócios com poderes de administração da pessoa jurídica que deixar de funcionar sem proceder à liquidação, ou sem apresentar a declaração de rendimentos no encerramento da liquidação. § 1º Respondem solidariamente pelos tributos da pessoa jurídica: c) os sócios com poderes de administração da pessoa extinta, no caso do item V.” Notase, assim, que, a situação fática ora sub examine também não se enquadra nesse dispositivo, pois, não resta demonstrado nos autos que os sócios deixaram de proceder à liquidação da sociedade ou de apresentar a declaração de rendimentos. O outro fundamento adotado pelo Fisco para a imputação de responsabilidade aos sócios, com base no art. 135, III, do CTN, qual seja, a falta de recolhimento de tributos, ofende frontalmente a Súmula nº 430 do Superior Tribunal de Justiça, in verbis: Fl. 317DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 318 20 “O inadimplemento da obrigação tributária pela sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sóciogerente.”. Por essas razões, afasto a responsabilidade tributária do recorrente com relação aos créditos tributários de IRPJ e de CSLL. No que tange ao lançamento da contribuição para o PIS e da COFINS, a decisão recorrida modifica o critério jurídico do lançamento, para sustentar conduta dolosa dos sócios, tudo isso com base em uma planilha, por ela elaborada a partir de documentos apresentados pela recorrente junto com a impugnação (vide planilha a fls. 2.551 e segs). Todavia, a decisão recorrida não somente mantém o lançamento, como já representa à Fiscalização (vide parágrafo 8.41 do acórdão recorrido), para que efetue o que denomina de “agravamento da exigência”, se não vejamos o seguinte excerto: “8.41. Por tais razões, esta Relatora representa à autoridade lançadora (Delegacia da Receita Federal em Osasco), em razão do que dispõe o art. 9º, § 3º do Decreto n° 70.235/72, c/c seu art. 15, parágrafo único, para que avalie a possibilidade de agravamento da exigência,em razão dos novos fatos evidenciados nos documentos juntados à impugnação.” Primeiramente, verifico um vício formal na decisão, pois nenhum dos artigos citados autorizam que representações à Fiscalização sejam feitas no próprio acórdão que julga o lançamento, se não vejamos o teor dos arts. 9º, § 3º, e 15 do referido decreto: Art. 9º A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. § 3º A formalização da exigência, nos termos do parágrafo anterior, previne a jurisdição e prorroga a competência da autoridade que dela primeiro conhecer. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Na verdade, o dispositivo que deve ser analisado no presente caso é o § 3º do art. 18 do Decreto 70235/72, o qual assim dispõe: “§ 3º Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizados no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar, devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” Ora, como já dito, ao alterar o critério jurídico do lançamento, por sustentar que a conduta dos sócios seria dolosa, a DRJ alterou o fundamento da responsabilidade tributária imputada aos sócios – já que a Fiscalização não sustentou dolo inicialmente. Logo, toda a matéria deveria ser objeto de novo auto de infração, devolvendose o prazo para que o contribuinte impugnasse Fl. 318DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 319 21 o novo critério jurídico. Não obstante, a DRJ preferiu representar à DRF para que fizesse lançamento complementar apenas de fração complementar da multa de ofício, razão pela qual a contribuinte só pôde apresentar impugnação de parte do agravamento. Digase de passagem que o lançamento de fração complementar da multa de ofício sequer encontrava respaldo em lei, pois a formalização de multa isolada em auto de infração só estava prevista nas hipóteses dos incisos II a V do § 1º do art. 44 da Lei 9.430/96, se não vejamos a redação vigente à época: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1º As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; II isoladamente, quando o tributo ou a contribuição houver sido pago após o vencimento do prazo previsto, mas sem o acréscimo de multa de mora; III isoladamente, no caso de pessoa física sujeita ao pagamento mensal do imposto (carnêleão) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de fazêlo, ainda que não tenha apurado imposto a pagar na declaração de ajuste; IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2º, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente; V isoladamente, no caso de tributo ou contribuição social lançado, que não houver sido pago ou recolhido. [...]” Como se vê, não havia previsão legal para formalização de auto de infração para lançamento isolado de fração de multa de ofício, para atender a novo critério jurídico sustentado em decisão de primeira instância. Não obstante esse não era o problema mais grave. Em verdade, a decisão de primeira instância se constituiu em verdadeiro reformatio in pejus, pois, com base na impugnação da contribuinte e nos documentos por ela coligidos aos autos, a autoridade julgadora de primeira instância agravou a sua situação, não somente com a representação para que a Fiscalização qualificasse a multa, mas, principalmente, pela qualificação da conduta da recorrente como dolosa, o que passaria a justificar o enquadramento no art. 135, III, do CTN. Além disso, houve supressão de instância, pois a contribuinte não pode se defender, em sede de impugnação, do novo critério jurídico sustentado pela decisão de primeira instância, pelo menos, não na parte que alterava o fundamento da responsabilidade tributária da recorrente. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 320 22 Não é essa a melhor exegese do § 3º retro transcrito, pois, nem mesmo à época em que a autoridade julgadora de primeira instância era a própria autoridade lançadora, entendia a doutrina que poderia haver mudança de critério jurídico do lançamento em decisão de primeiro grau administrativo, se não vejamos como se pronunciava Antônio Cabral da Silva (in Processo Administrativo Fiscal, Ed. Saraiva, p. 258): “É claro que o julgador singular não está autorizado a mudar o critério jurídico do lançamento, ou seja, ao julgador compete dizer se aquela obrigação mencionada no lançamento contestado existe (an debeatur) e em que montante (quantum debeatur). Não outra obrigação, que o julgador apure, em razão da mudança de critério jurídico. No Conselho de Contribuintes, no entanto, não pode haver reformatio in pejus, em qualquer sentido que se queira dar à expressão, pois o colegiado não é autoridade lançadora.”. Na mesma linha, sustento que, ao julgador, compete dizer se a responsabilidade tributária existe em face do critério jurídico adotado pela Fiscalização, não em razão de outro critério jurídico. Da mesma forma, a DRJ não é autoridade lançadora, logo, nas sua decisões não pode haver reformatio in pejus. Nessa mesma linha, sustenta Marcos Neder e Maria Lopez (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 3ª edição, p. 319, in verbis: “Agravar significa tornar pior, mais grave, mais pesado, exacerbar. Luiz Henrique Barros de Arruda escreve, com muita propriedade, que ‘O termo agravar, na acepção do Decreto nº 70235/72, não significa apenas tornar a exigência mais onerosa, mas compreende também modificar os argumentos que a suportam ou seus fundamentos, a exemplo do que requer a lavratura de auto de infração ou notificação de lançamento complementar, nos temos do art. 18, parágrafo terceiro’. Só quem pode constituir o crédito tributário por meio do lançamento é quem possui a competência para, em exames posteriores, realizados no curso do processo, verificadas as incorreções, omissões ou inexatidões, proceder ao agravamento da exigência fiscal.” Registro que o art. 146 do CTN não era obstáculo para que os referidos lançamentos da COFINS e do PIS com multa qualificada fossem feitos dentro do prazo decadencial, caso tivessem sido cancelados os lançamentos em tela pela DRJ. Isso porque, o art. 146 do CTN só veda o lançamento de fatos geradores anteriores à decisão que modifica o critério jurídico, em casos nos quais o critério jurídico alterado era amplamente adotado pela administração. No caso em tela, o que houve efetivamente foi uma requalificação da conduta da recorrente a partir de levantamentos feitos pela instância julgadora, o que importou em alteração do critério jurídico tanto da multa de ofício como da sujeição passiva, logo, situação fática diferente daquela regida pelo art. 146 do CTN. Fl. 320DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA Processo nº 13896.002853/200856 Acórdão n.º 1302001.216 S1C3T2 Fl. 321 23 Assim, concluo que a qualificação da multa para 150%, objeto da representação da DRJ à DRF, é demonstração clara de mudança de critério jurídico, o que, no presente caso, não atinge apenas a multa, mas modifica o próprio fundamento de responsabilização da recorrente, pois, caso a prova produzida pela DRJ fosse suficiente para demonstrar o dolo no recolhimento das contribuições em tela, poderseia, então, sustentar o enquadramento no art. 135, III, do CTN. Destarte, limito o meu juízo de valor sobre a responsabilidade tributária da recorrente pelos créditos de COFINS e PIS lançados aos fundamentos expendidos pela Fiscalização nos autos de infração e no TVF, razão pela qual, tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, aos lançamento da Cofins e do PIS.” Em face do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Alberto Pinto S. Jr. – Redator designado. Fl. 321DF CARF MF Impresso em 26/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/11/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 13/1 1/2013 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por WALDIR VEIGA ROCHA
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Numero do processo: 10882.900886/2008-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 30/11/2003
NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE.
Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.484
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/11/2003 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial. Os Conselheiros Nanci Gama e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva votaram pelas conclusões. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Daniel Mariz Gudiño, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Otacílio Dantas Cartaxo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 08 86 /2 00 8- 24 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 163 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação transmitida pela Contribuinte com amparo em direito creditório oriundo de suposto pagamento efetuado a maior. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, sintetizado pelos fragmentos a seguir transcritos: “A empresa acima transmitiu eletronicamente diversos PerdComp comunicando compensações com direito creditório de PIS e COFINS que entende terem sido recolhidos indevidamente nos períodos de apuração compreendidos entre 2000 e 2005. As declarações eletrônicas foram examinadas inicialmente pela DRF Osasco, que considerou inexistente o direito creditório ao constatar que ele correspondia exatamente aos valores das contribuições espontaneamente confessadas pela empresa em suas DCTF. Foram, por isso, expedidos despachos decisórios simplificados não homologatórios das compensações comunicadas. Tais despachos foram objeto de manifestações de inconformidade em que a empresa procurou justificar o seu direito pela afirmação de que teria efetuado recolhimentos das contribuições sobre receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus (ZFM) que ela entende serem isentas de ambas as contribuições em todo o período. Reconheceu não ter retificado as DCTF anteriormente à entrega das Dcomp, mas informou que estava procedendo a isso. A empresa anexou diversos documentos à manifestação de inconformidade. Para a maioria dos processos, mas não a totalidade, entre eles se encontra planilha demonstrativa do valor pretendido, em que é discriminada, por nota fiscal, a receita obtida com aquelas vendas. Mesmo nos processos em que consta tal planilha, ela não veio acompanhada dos próprios documentos fiscais ou livros fiscais ou contábeis. Analisadas pela DRJ Campinas, as manifestações não foram acolhidas, ainda que tenha sido reconhecido que a empresa àquela altura já retificara as DCTF, pondoas em conformidade com as compensações pretendidas. Para não reconhecer o direito creditório, a DRJ ratificou o entendimento administrativo, objeto do Parecer PGFN nº 1789/2002, de que até o período de apuração dezembro de 2000 não há qualquer ato que conceda isenção a tais vendas ou qualquer outra forma de desoneração. No entender da administração, apenas no período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 25 de julho de 2004 há isenção quando as vendas para a ZFM se enquadrem, ademais, nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou Fl. 163DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 164 3 IX da Medida Provisória 2037 e suas reedições. A partir de 26 de julho de 2004, passou a haver desoneração, sob a forma de redução a zero das alíquotas, para toda e qualquer venda realizada para aquela região, mesmo que não enquadrada nas disposições acima. Destarte, para os recolhimentos relativos a fatos geradores ocorridos até 21 de dezembro de 2000 afirmou não haver o direito alegado. Para os recolhimentos relativos ao período compreendido entre 22 de dezembro de 2000 e 26 julho de 2004 afirmou que caberia à empresa provar que as vendas se enquadram nas disposições acima o que, sozinha, a planilha untada (quando presente) não consegue fazer. Para recolhimentos posteriores, a julho de 2004 afirmou não ter a empresa juntado qualquer elemento comprobatório de seu direito, como lhe competia, nem mesmo a mencionada planilha. Os recursos, todos ofertados tempestivamente, requerem preliminarmente a nulidade da decisão porque teria inovado nos fundamentos do despacho decisório, que em nenhum momento analisou o fundamento do pedido nem requereu esclarecimentos adicionais, limitandose a denegálo porque condizente com confissão de dívida anterior. Também porque a DRJ não analisou, com base nas informações de que dispõe internamente, a procedência do pedido ao menos naqueles meses em que reconhece possível o direito alegado, o que também constituiria cerceamento do seu direito de defesa. No mérito, defende haver a isenção em todo o período porque o DecretoLei nº 288, que criou a ZFM, teria equiparado as vendas para lá a uma autêntica exportação para todos os efeitos fiscais e que tal disposição ganhou o status de lei complementar em virtude da edição, na mesma data, do Ato Complementar nº 35/67, em que se estendeu aquela equiparação a todas as zonas francas e áreas de livre comércio. Assim, desde que reconhecida a isenção das contribuições para a receita de exportações (Lei Complementar 85/2002 e Lei nº 7.714/88) esta também se aplicaria às vendas à ZFM e não poderia ter sido revogada por lei ordinária como pretendeu a Medida Provisória 2037. Afirma que esse entendimento já seria assente no Poder Judiciário, inclusive objeto de decisão liminar concedida pelo Ministro Marco Aurélio na ADIn nº 3101 que questionava tal revogação, o que teria provocado a ausência do mesmo dispositivo nas reedições daquela MP. Aduz ainda que já há diversas decisões do STJ reconhecendo a não incidência na hipótese, de que cita exemplo, pugnando pela sua observância na esfera administrativa em respeito ao decreto 2.346/97.” Julgando o feito, a Câmara recorrida negou provimento ao recurso voluntário, em acórdão assim ementado: NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa Fl. 164DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 165 4 determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do nº288/67. Inconformado, o sujeito passivo apresenta recurso especial, onde, em apertada síntese, reedita os mesmos argumentos expendidos no recurso especial. O especial foi admitido pelo presidente da câmara recorrida, em relação às duas questões trazidas no recurso, quais sejam: i) a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus. Regularmente cientificada do apelo do sujeito passivo, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, defendendo a manutenção do acórdão vergastado, pois, segundo entende, o sujeito passivo não fez prova de que as mercadorias foram remetidas à Zona Franca de Manaus, e a ele caberia esse ônus. Ainda, de acordo com a PGFN, as remessas para a ZFM não estavam isentas das contribuições. É o relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, dele conheço. A teor do relatado, duas sãos as questões trazidas a debate: a ausência de lastro probatório mínimo a referendar o pedido de restituição formulado; e, ii) o próprio mérito do pleito, consistente na repetição de PIS/Cofins incidentes sobre as vendas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, que a recorrente defende estar amparada por isenção fiscal. Inicialmente, deve ser enfrentada a questão referente ao ônus da prova. A recorrente defende em seu especial que o Fisco não envidou todos os esforços no sentido de transparecer a realidade dos fatos, de forma a possibilitar a constatação da ocorrência ou não do direito do crédito pleiteado pela Recorrente. Ainda segundo a defesa, é certo o dever da Fiscalização, da DRJ diligenciar para requerer toda documentação necessária, a fim de buscar a realidade dos fatos e, se o caso, decidir em prol da Recorrente. Esta questão de a quem pertence o ônus da prova é muito bem definida no Código de Processo Civil, mais precisamente no art. 333 que assevera: Fl. 165DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 166 5 Art. 333 O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Na realidade, esse artigo nada mais representa do que a positivação do princípio geral de direito, segundo o qual, o ônus da prova recai sobre aquele que alega. Desde Roma já se conhecia esse princípio, verbalizado no brocardo, alegar e não provar é o mesmo que não alegar. A síntese da distribuição do ônus da prova é muito fácil de compreender: todo aquele que demandar alguém tem o dever de provar o direito objeto de sua demanda. No caso de auto de infração, cabe ao Fisco demonstrar as razões de fato e de direito que embasam a acusação fiscal. De outro lado, nos pedidos de repetição de indébito, incumbe ao sujeito passivo a prova do pagamento indevido ou a maior que o devido. Sobre a necessidade de as partes produzirem as provas necessárias à formação da convicção do julgador, preciosas as palavras do Conselheiro Gilson Rosenburg Filho, em julgamento de caso análogo ao aqui em debate. “Um dos principais objetivos do direito é fazer prevalecer a justiça. Para que uma decisão seja justa, é relevante que os fatos estejam provados a fim de que o julgador possa estar convencido da sua ocorrência. A certeza vai se formando através dos elementos da ocorrência do fato que são colocados pelas partes interessadas na solução da lide. Mas não basta ter certeza, o julgador tem que estar convencido para que sua visão do fato esteja a mais próxima possível da verdade. Como o julgador sempre tem que decidir, ele deve ter bom senso na busca pela verdade, evitando a obsessão que pode prejudicar a justiça célere. Mas a impossibilidade de conhecer a verdade absoluta não significa que ela deixe de ser perseguida como um relevante objetivo da atividade probatória. A verdade encontra se ligada à prova, pois é por meio desta que se torna possível afirmar idéias verdadeiras, adquirir a evidência da verdade, ou certificarse de sua exatidão jurídica. Ao direito somente é possível conhecer a verdade por meio das provas. Posto isto, concluímos que a finalidade imediata da prova é reconstruir os fatos relevantes para o processo e a mediata é formar a convicção do julgador. Os fatos não vêm simplesmente prontos, tendo que ser construídos no processo, pelas partes e pelo julgador. Após a montagem desse quebracabeça, a decisão se dará com base na valoração das provas que permitirá o convencimento da autoridade julgadora. Assim, a importância da prova para uma decisão justa vem do fato dela dar verossimilhança às circunstâncias a ponto de formar a convicção do julgador.” Fl. 166DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 167 6 Em outro giro, ao contrário do que quer fazer parecer a defesa, o princípio da verdade material não é remédio para todos os males processuais; não serve para inverter o ônus da prova, tampouco dispensa o demandante de provar o direito alegado. Na realidade, a verdade material contrapõese ao formalismo exacerbado, presente no Processo civil, mas, de maneira alguma, priva o procedimento administrativo das necessárias formalidades. Tampouco altera o papel a ser desempenhado pelas partes. Daí se dizer que no Processo Administrativo Fiscal convivem harmonicamente os princípios da verdade material e da formalidade moderada. De sorte que se busque a verdade real, mas preservando as normas processuais que asseguram a segurança, a celeridade, a eficiência e o bom andamento do processo. Releva ainda transcrever excerto do acórdão recorrido, para arrimar este voto. Sem esquecer as devidas homenagens, com a palavra o Nobre Relator, o Conselheiro Júlio César Alves Ramos: “Não considero caber à Administração a instrução probatória em substituição ao contribuinte nem é isso o que esta Casa tem reconhecido, como postula o recurso. Realmente, há decisões que determinam que a Administração supra a ausência de um dado documento cuja apresentação deveria ter sido promovida pela parte. Mas tal entendimento não tem o alcance pretendido na defesa. Limitase ele aos casos em que o próprio documento já esteja de posse da administração e tenha sido difícil ou impossível à parte sua apresentação tempestiva. Isso se dá, por exemplo, com documentos tais como DARF e declarações entregues. Nesses termos, descabível indeferir uma compensação que aponte com clareza o recolhimento indevido (data, código de recolhimento) simplesmente porque a empresa não tenha juntado sua cópia nos autos, o mesmo se passando com a DCTF ou a DIPJ comprovadamente entregues. Aqui, diferentemente, o que se tem é a necessidade, no entender da instância de piso, de apurar se as vendas alegadas se enquadram nas disposições dos incisos IV, VI, VIII ou IX da MP 2037. Tal apuração passa pela constatação da atividade da empresa compradora e dos requisitos postos na legislação: inscrição no REB, ser comercial exportadora inscrita na SECEX, ser trading company ou ser ship’s Chandler. Nenhum deles se encontra expresso em qualquer documento interno em posse da SRF. Por fim, quanto ao período em que, sem qualquer condição, não deveria ter sido recolhido PIS nem COFINS sobre tais vendas – a partir de julho de 2004 – a empresa nada juntou nos autos que comprovasse as vendas alegadas. O recurso alega que a DRJ estaria obrigada, ainda assim, a promover as diligências que pudessem permitir a ela, recorrente, apresentar suas provas. Não está. De fato, ausente por completo a prova quando primeiramente se defende a empresa, o máximo que temos admitido é a apresentação da mesma em grau de recurso. Notese que, ao fazêlo, ultrapassase a letra fria do decreto 70.235 que a exige, Fl. 167DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10882.900886/200824 Acórdão n.º 9303002.484 CSRFT3 Fl. 168 7 impreterivelmente no momento da apresentação da “impugnação”. Só o fazemos, pois, em respeito ao princípio da verdade material, quando o elemento probante trazido extemporaneamente tem a força de desconstituir lançamento que houver sido mantido pela sua ausência. Do contrário, estarseia a afrontar o princípio constitucional da legalidade. Novamente não é o que se passa aqui. A empresa não aproveitou a oportunidade de coligir e apresentar a prova faltante. Pelo contrário, limitase a postular que a decisão seria nula porque não determinara a DRJ as diligências que a poderiam provar. Ocorre que as diligências previstas no Decreto 70.235 a isso não se destinam. Deveras, elas objetivam apenas permitir a formação da convicção do julgador quando os elementos presentes nos autos não sejam suficientes. Nesse sentido, houvesse a empresa trazido aos autos alguma “prova”, a exemplo da planilha elaborada para o outro período, que constituísse ao menos indício de que as vendas realmente ocorreram, justificarseia um exame mais detalhado. Como já dito, neste último período nada há. Rejeito, por isso, as alegações de nulidade contra a decisão atacada e passo ao mérito.” Diante de todo o exposto, entendo ser totalmente descabida a pretensão da recorrente no sentido de se baixar os autos ao órgão de origem, com a determinação de que a Fiscalização seja instada a apontar, pormenorizadamente, quais documentos a demandante deveria apresentar para provar o seu direito. A ausência da prova do direito alegado, por si só, autoriza o indeferimento da pretensão da recorrente, e por conseguinte, torna prejudicada a análise do mérito do direito pleiteado. Com essas considerações, nego provimento ao recurso especial do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Fl. 168DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por CLEIDE LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/2013 por OTA CILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 35464.003460/2006-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 06 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Dec 11 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA.
Tratando-se de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62-A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos - Resp n° 973.733/SC.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-002.983
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator
EDITADO EM: 11/11/2013
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres - Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (Vice-Presidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire.
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DECADÊNCIA. PRAZO QUINQUENAL. DIFERENÇAS DE TRIBUTOS. ANTECIPAÇÃO DE PAGAMENTO. OCORRÊNCIA. Tratandose de tributo sujeito ao lançamento por homologação, havendo a ocorrência de pagamento, é entendimento uníssono deste Colegiado a aplicação do prazo decadencial de 05 (cinco) anos, contados da ocorrência do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do Códex Tributário, ressalvados entendimentos pessoais dos julgadores a propósito da importância ou não da antecipação de pagamento para efeito da aplicação do instituto, sobretudo após a alteração do Regimento Interno do CARF, notadamente em seu artigo 62A, o qual impõe à observância das decisões tomadas pelo STJ nos autos de Recursos Repetitivos Resp n° 973.733/SC. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 46 4. 00 34 60 /2 00 6- 11 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 (Assinado digitalmente) Henrique Pinheiro Torres Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira – Relator EDITADO EM: 11/11/2013 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres (Presidente em exercício), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Gustavo Lian Haddad, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Elias Sampaio Freire. Relatório PARTIDO DOS TRABALHADORES DIRETÓRIO MUNICIPAL SÃO PAULO, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já devidamente qualificada nos autos do processo administrativo em epígrafe, teve contra si lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito – NFLD nº 35.809.0440, em 16/05/2006, exigindolhe crédito tributário referente às contribuições previdenciárias devidas e não recolhidas pela notificada, concernentes à parte dos segurados, da empresa, do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração os segurados empregados, em relação ao período de 03/2001 a 09/2005, conforme Relatório Fiscal da Notificação, às fls. 43/45, e demais documentos que instruem o processo. Informa o fiscal autuante que os fatos geradores das contribuições ora lançadas encontramse elencados nos seguintes levantamentos: 1) ESR – Remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados sem registro formalizado, não incluídas em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP; 2) DIS – Diferença de remuneração não incluída em folha de pagamento, paga ou creditada a segurados empregados já desligados da empresa, não declarada em GFIP; 3) DFP – Diferença de remuneração paga ou creditada a segurados empregados, não incluída em folha de pagamento e não declarada em GFIP; Após regular processamento, interposto recurso voluntário à Segunda Seção de Julgamento do CARF contra Decisão da então Delegacia da Receita Previdenciária em São Paulo/SP – Sul, DN nº 21.404.4/0522/2006, às fls. 214/225, que julgou procedente o lançamento fiscal em referência, a Egrégia 2a Turma Ordinária da 3a Câmara, em 09/06/2010, por maioria de votos, achou por bem CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, o fazendo sob a égide dos fundamentos inseridos no Acórdão nº 230200.498, sintetizados na seguinte ementa: Fl. 2DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35464.003460/200611 Acórdão n.º 9202002.983 CSRFT2 Fl. 217 3 “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 30/09/2005 Ementa: PERÍCIA. INDEFERIMENTO. POSSIBILIDADE. De acordo com os princípios basilares do direito processual, cabe ao autor provar fato constitutivo de seu direito, por sua vez, cabe 6. parte adversa a prova de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. A Previdência Social provou a existência do fato gerador, com base nos registros contábeis elaborados pela própria recorrente. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. JUROS CALCULADOS A TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei especifica da previdência social, art. 34 da Lei n ° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. SAT. LEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE CONSTITUCIONALIDADE. Quanto ao argumento da ilegalidade da cobrança da contribuição devida em ralação ao SAT — Seguro de Acidente de Trabalho, pois o dispositivo legal não estabeleceu os conceitos de atividade preponderante, nem de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; que são elementos essenciais na definição do tributo, não confiro razão à recorrente. A exigência da contribuição para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente de riscos ambientais do trabalho é prevista no art. 22, II da Lei n ° 8.212/1991, alterada pela Lei n° 9.732/1998; Quanto ao Decreto 612/92 e posteriores alterações (Decretos 2.173/97 e 3.048/99), que, regulamentando a contribuição em causa, estabeleceram os conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave", repelese a argüição de contrariedade ao principio da legalidade, uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para o regulamento a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Assim, os conceitos de atividade preponderante, de risco de acidente de trabalho leve, médio ou grave; não precisariam estar definidos em lei, o Decreto é ato normativo suficiente para definição de tais conceitos, uma vez que tais conceitos são complementares e não essenciais na definição da exação. Recurso Voluntário Negado. Crédito Tributário Mantido.” Irresignada, a contribuinte interpôs Recurso Especial, às fls. 328/367, com arrimo no artigo 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, procurando demonstrar a insubsistência do Acórdão recorrido, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra o Acórdão atacado, alegando ter contrariado entendimento levado a efeito por outras Câmaras/Turmas dos Conselhos/CARF a respeito da mesma matéria, conforme se extrai dos Acórdãos paradigmas trazidos à colação, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, porquanto comprovada a divergência arguida. Em defesa de sua pretensão, assevera que o Acórdão n° 240100.603 acolheu o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento daquele previsto no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, em face da natureza do tributo em epígrafe, sujeito ao lançamento por homologação. Suscita ser equivocada a tese de inexistência de antecipação de pagamento, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas remuneratórias convencionais. Contrapõese ao Acórdão recorrido, sob o argumento de que, mesmo se admitindo a inexistência de qualquer recolhimento de tributo, imporia a adoção do prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do CTN, tendo em vista que a homologação está vinculada à atividade do contribuinte e não ao recolhimento parcial das contribuições eventualmente devidas. Relativamente às contribuições previdenciárias destinadas ao INCRA e ao FUNRURAL, defende que o decisum recorrido malferiu a jurisprudência de nossa Suprema Corte, traduzida no Acórdão exarado nos autos do Recurso Extraordinário nº 363.852, declarando a inconstitucionalidade do INCRA/FUNRURAL. Opõese, ainda, à contribuição destinada ao INCRA, bem como ao SESC, SEBRAE e SENAC, repisando as razões de fato e de direito argüidas em sede de recurso voluntário, alegando ter havido contrariedade à jurisprudência administrativa. Pugna pela realização de perícia, além da aplicação do artigo 106 do Código Tributário Nacional, para fins de recálculo da multa aplicada. Por fim, requer o conhecimento e provimento do Recurso Especial, impondo a reforma do decisum ora atacado, nos termos encimados. Submetido a exame de admissibilidade, o ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF, entendeu por bem admitir em parte o Recurso Especial da Contribuinte, somente em relação ao prazo decadencial, sob o argumento de que a recorrente logrou comprovar que o Acórdão guerreado divergiu de outras decisões exaradas pelas demais Fl. 4DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35464.003460/200611 Acórdão n.º 9202002.983 CSRFT2 Fl. 218 5 Câmaras/Turmas do Conselho a propósito da mesma matéria, conforme Despacho nº 2300 102/2011, às fls. 408/410, ratificado pelo Despacho nº 2300031R/2011, às fls. 411/412, em face de reexame de admissibilidade necessário. Instada se manifestar a propósito do Recurso Especial da Contribuinte, a Fazenda Nacional apresentou suas contrarrazões, às fls. 415/436, corroborando os fundamentos de fato e de direito do Acórdão recorrido, em defesa de sua manutenção, sobretudo quando inobservados os pressupostos para conhecimento da peça recursal. É o Relatório. Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo e acatada pelo ilustre Presidente da 3ª Câmara da 2a Seção de Julgamento do CARF a divergência suscitada, somente em relação ao prazo decadencial, conheço do Recurso Especial da Contribuinte e passo à análise das razões recursais. Conforme se depreende dos elementos que instruem o processo, notadamente Relatório Fiscal da Notificação, no presente lançamento exigese as contribuições previdenciárias referentes à parte dos segurados, da empresa, do SAT e as destinadas a Terceiros, incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados, consubstanciadas nos seguintes levantamentos: 1) ESR – Remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados sem registro formalizado, não incluídas em folhas de pagamento e não declaradas em GFIP; 2) DIS – Diferença de remuneração não incluída em folha de pagamento, paga ou creditada a segurados empregados já desligados da empresa, não declarada em GFIP; 3) DFP – Diferença de remuneração paga ou creditada a segurados empregados, não incluída em folha de pagamento e não declarada em GFIP; Por sua vez, ao analisar a demanda, a Turma recorrida entendeu por bem negar provimento ao recurso voluntário, rejeitando a preliminar de decadência suscitada pela contribuinte, reconhecendo, ainda, a procedência da notificação em seu mérito. Inconformada, a Contribuinte opôs o presente Recurso Especial, suscitando que o Acórdão guerreado malferiu entendimento levado a efeito pela 1a Turma Ordinária da 4a Câmara da 2a SJ do CARF, consubstanciado no Acórdão n° 240100.603, ora adotado como paradigma, a respeito da mesma matéria, impondo seja conhecido o recurso especial da recorrente, uma vez comprovada à divergência argüida. A fazer prevalecer seu entendimento, assevera que o Acórdão paradigma acolheu o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4°, do Código Tributário Nacional, em detrimento daquele previsto no artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal, em face da natureza do tributo em epígrafe, sujeito ao lançamento por homologação, ainda que não tenha ocorrido a antecipação de pagamento. Fl. 5DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 Alega ser equivocada a tese de inexistência de antecipação de pagamento, uma vez que a contribuinte promoveu o recolhimento das contribuições previdenciárias incidentes sobre as verbas remuneratórias convencionais. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, em consonância com a jurisprudência administrativa, impondo a reforma do Acórdão recorrido com o fito de restabelecer a ordem legal nesse sentido, como passaremos a demonstrar. O exame dessa matéria impõe sejam levadas a efeito algumas considerações, senão vejamos. O artigo 45, inciso I, da Lei nº 8.212/91, estabelece prazo decadencial de 10 (dez) anos para a apuração e constituição das contribuições previdenciárias, como segue: “Art. 45 – O direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído; [...]” Por outro lado, o Código Tributário Nacional em seu artigo 173, caput, e inciso I, determina que o prazo para se constituir crédito tributário é de 05 (cinco) anos, contados do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado, in verbis: “Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I – do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; [...]” Com mais especificidade, o artigo 150, § 4º, do CTN, contempla a decadência para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, nos seguintes termos: “Art. 150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. [...] § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” O núcleo da questão reside exatamente nesses três artigos, ou seja, qual deles deve prevalecer para as contribuições previdenciárias, tributos sujeitos ao lançamento por homologação. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35464.003460/200611 Acórdão n.º 9202002.983 CSRFT2 Fl. 219 7 Ocorre que, após muitas discussões a respeito do tema, o Supremo Tribunal Federal, em 11/06/2008, ao julgar os RE’s nºs 556664, 559882 e 560626, por unanimidade de votos, declarou a inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei nº 8.212/91, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante nº 08, abaixo transcrita, rechaçando de uma vez por todas a pretensão do Fisco: “Súmula nº 08: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário.” Registrese, ainda, que na mesma Sessão Plenária, o STF achou por bem modular os efeitos da declaração de inconstitucionalidade em comento, estabelecendo, em suma, que somente não retroagem à data da edição da Lei em relação a pedido de restituição judicial ou administrativo formulado posteriormente à 11/06/2008, concedendo, por conseguinte, efeito ex tunc para os créditos pendentes de julgamentos e/ou que não tenham sido objeto de execução fiscal. Consoante se positiva da análise dos autos, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias, após a aprovação/edição da Súmula Vinculante nº 08, passou a se limitar a aplicação dos artigos 150, § 4º, ou 173, inciso I, do Código Tributário Nacional. Indispensável ao deslinde da controvérsia, mister se faz elucidar, resumidamente, as espécies de lançamento tributário que nosso ordenamento jurídico contempla, como segue. Primeiramente destacase o lançamento de ofício ou direto, previsto no artigo 149 do CTN, onde o fisco toma a iniciativa de sua prática, por razões inerentes a natureza do tributo ou quando o contribuinte deixa de cumprir suas obrigações legais. Já o lançamento por declaração ou misto, contemplado no artigo 147 do mesmo Diploma Legal, é aquele em que o contribuinte toma a iniciativa do procedimento, ofertando sua declaração tributária, colaborando ativamente. Alfim, o lançamento por homologação, inscrito no artigo 150 do Códex Tributário, em que o contribuinte presta as informações, calcula o tributo devido e promove o pagamento, ficando sujeito a eventual homologação por parte das autoridades fazendárias. Dessa forma, estando às contribuições previdenciárias sujeitas ao lançamento por homologação, defende parte dos julgadores e doutrinadores que a decadência a ser aplicada seria aquela constante do artigo 150, § 4º, do CTN, levandose em consideração a natureza do tributo atribuída por lei, independentemente da ocorrência de pagamento, entendimento compartilhado por este conselheiro. Ou seja, a regra para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o artigo 150, § 4º, do Código Tributário, o qual somente não prevalecerá nas hipóteses de ocorrência de dolo, fraude ou conluio, o que ensejaria o deslocamento do prazo decadencial para o artigo 173, inciso I, do mesmo Diploma Legal. Não é demais lembrar que o lançamento por homologação não se caracteriza tão somente pelo pagamento. Ao contrário, tratase, em verdade, de um procedimento complexo, constituído de vários atos independentes, culminando com o pagamento ou não. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Observese, pois, que a ausência de pagamento não desnatura o lançamento por homologação, especialmente quando a sujeição dos tributos àquele lançamento é conferida por lei. E, esta, em momento algum afirma que assim o é tão somente quando houver pagamento. Não fosse assim, o que se diria quando o contribuinte apura prejuízos e não tem nada a recolher, ou mesmo quando encontrase beneficiado por isenções e/ou imunidades, onde, em que pese haver o dever de elaborar declarações pertinentes, informando os fatos geradores dos tributos dentre outras obrigações tributárias, deixa de promover o pagamento do tributo em razão de uma benesse fiscal? Cabe ao Fisco, porém, no decorrer do prazo de 05 (cinco) anos, contados do fato gerador do tributo, nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN, proceder à análise das informações prestadas pelo contribuinte homologandoas ou não, quando inexistir concordância. Neste último caso, promover o lançamento de ofício da importância que imputar devida. Aliás, como afirmado alhures, a regra nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação é o prazo decadencial insculpido no artigo 150, § 4º, do CTN, o qual dispôs expressamente os casos em que referido prazo deslocarseá para o artigo 173, inciso I, na ocorrência de dolo, fraude ou simulação comprovados. Somente nessas hipóteses a legislação específica contempla a aplicação de outro prazo decadencial, afastandose a regra do artigo 150, § 4º. Como se constata, a toda evidência, a contagem do lapso temporal em comento independe de pagamento. Ou seja, comprovandose que o contribuinte deixou efetuar o recolhimento dos tributos devidos e/ou promover o autolançamento com dolo, utilizandose de instrumentos ardilosos (fraude e/ou simulação), o prazo decadencial será aquele inscrito no artigo 173, inciso I, do CTN. Afora essa situação, não se cogita na aplicação daquele dispositivo legal. É o que se extrai da perfunctória leitura das normas legais que regulamentam o tema. Por outro lado, alguns julgadores e doutrinadores entendem que somente aplicarseia o artigo 150, § 4º, do CTN quando comprovada a ocorrência de recolhimentos relativamente ao fato gerador lançado, seja qual for o valor. Em outras palavras, a homologação dependeria de antecipação de pagamento para se caracterizar, e a sua ausência daria ensejo ao lançamento de ofício, com observância do prazo decadencial do artigo 173, inciso I. Ressaltase, ainda, o entendimento de outra parte dos juristas, suscitando que o artigo 150, 4º, do Código Tributário Nacional, prevalecerá quando o contribuinte promover qualquer ato tendente a apuração da base de cálculo do tributo devido, seja pelo pagamento, escrituração contábil, declaração do imposto em documento próprio, etc. Melhor elucidando, o contribuinte deverá adotar algum procedimento com o fito de apurar o tributo para que pudesse se cogitar em “homologação”. Afora posicionamento pessoal a propósito da matéria, por entender que as contribuições previdenciárias devem observância ao prazo decadencial do artigo 150, § 4o, do Códex Tributário, independentemente de antecipação de pagamento, salvo quando comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o certo é que a partir da alteração do Regimento Interno do CARF (artigo 62A), introduzida pela Portaria MF nº 586/2010, os julgadores deste Colegiado estão obrigados a “reproduzir” as decisões do STJ tomadas por recurso repetitivo, razão pela qual deixaremos de abordar aludida discussão, mantendo a tese que a aplicação do dispositivo legal retro depende da existência de recolhimentos do mesmo tributo no período Fl. 8DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35464.003460/200611 Acórdão n.º 9202002.983 CSRFT2 Fl. 220 9 objeto do lançamento, na forma decidida por aquele Tribunal Superior nos autos do Resp n° 973.733/SC, assim ementado: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: Resp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Fl. 9DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 10 Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Na esteira desse raciocínio, uma vez delimitado pelo STJ e, bem assim, pelo Regimento Interno do CARF que nos lançamentos por homologação a antecipação de pagamento é indispensável à aplicação do instituto da decadência, nos cabe tão somente nos quedar a aludida conclusão e constatar ou não a sua ocorrência. Entrementes, a controvérsia em relação a referido tema encontrase distante de remansoso desfecho, se fixando agora em determinar o que pode ser considerado como antecipação de pagamento nas contribuições previdenciárias, sobretudo em face das diversas modalidades e/ou procedimentos adotados por ocasião do lançamento fiscal. In casu, porém, despiciendas maiores elucubrações a propósito da matéria, uma vez que a simples análise dos autos nos leva a concluir pela existência de antecipação de pagamento, por tratase de diferença de contribuições apuradas nos levantamentos ESR, DIS, DFP, consoante restou assentado pela própria fiscalização no item 2 do Relatório Fiscal, fato relevante para a aplicação do instituto, nos termos da decisão do STJ acima ementada, a qual estamos obrigados a observar, senão vejamos: "ESR" Período de 04/2001, 05/2001, 11/2001 a 13/2001, 01/2002 a 10/2002, 12/2002, 13/2002, 01/2003 a 04/2003, 06/2003 a 12/2003 — Remuneração paga ou creditada a empregados sem registro formalizado, não incluídos em Folha de Pagamento, não declarados em GFIP; "DIS" Período de 01/2002 Diferença de remuneração não incluída em Folha de Pagamento, paga ou creditada a empregados que já haviam se desligado da empresa, não declarada em GFIP. "DFP" — Período de 03/2001, 02/2002, 03/2002, 07/2002, 01/2003, 02/2003, 08/2003 a 11/2003, 03/2005 a 06/2005, 09/2005 Diferença de remuneração paga ou creditada a empregados, não incluída em Folha de Pagamento, não declarada em GFIP.” Mais a mais, como se extrai do Termo de Encerramento da Auditoria Fiscal TEPF, às fls. 41/42, no decorrer da ação fiscal a autoridade fazendária examinou Comprovantes de Recolhimento, além de outros documentos, o que nos leva a concluir pela existência de pagamentos parciais realizados pela contribuinte. Fl. 10DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 35464.003460/200611 Acórdão n.º 9202002.983 CSRFT2 Fl. 221 11 Assim, é de restabelecer a ordem legal no sentido de adotar o prazo decadencial inscrito no artigo 150, § 4o, do Código Tributário Nacional, em face do recolhimento parcial das contribuições previdenciárias ora lançadas. Destarte, tendo a fiscalização constituído o crédito previdenciário em 16/05/2006, com a devida ciência da contribuinte constante da folha de rosto da notificação, a exigência fiscal resta parcialmente fulminada pela decadência, relativamente aos fatos geradores ocorridos no período de 03/2001 a 04/2001, fora do prazo decadencial inscrito no dispositivo legal supra, impondo seja decretada a improcedência parcial do feito. Por todo o exposto, estando o Acórdão recorrido parcialmente em dissonância com as normas legais que regulamentam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO ESPECIAL DA CONTRIBUINTE E DAR LHE PROVIMENTO, acolhendo a decadência parcial da exigência fiscal, em relação ao período de 03/2001 a 04/2001, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. (Assinado digitalmente) Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 11DF CARF MF Impresso em 12/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2013 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 10/12/2 013 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 22/11/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 10976.000475/2009-79
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 09 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
ARBITRAMENTO DO LUCRO
Arbitramento do lucro no caso vertente é de rigor, com causas concorrentes para tanto: falta de escrituração do Lalur, falta de escrituração de 7.885 lançamentos bancários, ausência de comprovação do efetivo fornecimento das mercadorias pelas vendedoras à recorrente e saída deste de recursos financeiros, quanto às notais fiscais de entrada, ausência de demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias ou de Registro de Inventário.
ARBITRAMENTO DO LUCRO - JUÍZO DE COERÊNCIA
A adoção da receita bruta com base nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, e a não adoção dos valores do Livro de Entrada de ICMS para reconhecimento de custos não rompeu juízo de coerência ou mesma medida de valor, pois não se sabe se as mercadorias registradas no último livro é que saíram nos períodos de apuração, pois a recorrente não possui escrituração do Livro de Registro de Inventário, nem demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias.
PIS E COFINS - NULIDADE MATERIAL
Os lançamentos de PIS e de Cofins se deram em bases trimestrais. Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos lançamentos. Vício substancial que os inquina de nulidade.
MULTA QUALIFICADA
A conta de resultado 4.101.001- Venda de Mercadorias, embora registrada em partidas mensais, conforme se vê do Razão, contempla os mesmos valores mensais constantes nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS e utilizados como receita bruta para o arbitramento do lucro. Não se divisa aqui o dolo específico, o elemento subjetivo do tipo, para fins de qualificação da multa. Não interfere, para tanto, a questão da solidariedade exposta pelo autuante, que só concorre para impedimento ou retardamento do conhecimento dos que podem vir a ser responsabilizados pelas obrigações tributárias concretizadas pela recorrente, mas não para conhecimento dessas obrigações tributárias. Não subsiste a aplicação da multa qualificada.
Numero da decisão: 1103-000.940
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir as exigências de PIS e Cofins e afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindo-a para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aloysio José Percínio da Silva- Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Takata - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva.
Nome do relator: MARCOS SHIGUEO TAKATA
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camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO Arbitramento do lucro no caso vertente é de rigor, com causas concorrentes para tanto: falta de escrituração do Lalur, falta de escrituração de 7.885 lançamentos bancários, ausência de comprovação do efetivo fornecimento das mercadorias pelas vendedoras à recorrente e saída deste de recursos financeiros, quanto às notais fiscais de entrada, ausência de demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias ou de Registro de Inventário. ARBITRAMENTO DO LUCRO - JUÍZO DE COERÊNCIA A adoção da receita bruta com base nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, e a não adoção dos valores do Livro de Entrada de ICMS para reconhecimento de custos não rompeu juízo de coerência ou mesma medida de valor, pois não se sabe se as mercadorias registradas no último livro é que saíram nos períodos de apuração, pois a recorrente não possui escrituração do Livro de Registro de Inventário, nem demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias. PIS E COFINS - NULIDADE MATERIAL Os lançamentos de PIS e de Cofins se deram em bases trimestrais. Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos lançamentos. Vício substancial que os inquina de nulidade. MULTA QUALIFICADA A conta de resultado 4.101.001- Venda de Mercadorias, embora registrada em partidas mensais, conforme se vê do Razão, contempla os mesmos valores mensais constantes nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS e utilizados como receita bruta para o arbitramento do lucro. Não se divisa aqui o dolo específico, o elemento subjetivo do tipo, para fins de qualificação da multa. Não interfere, para tanto, a questão da solidariedade exposta pelo autuante, que só concorre para impedimento ou retardamento do conhecimento dos que podem vir a ser responsabilizados pelas obrigações tributárias concretizadas pela recorrente, mas não para conhecimento dessas obrigações tributárias. Não subsiste a aplicação da multa qualificada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2475; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 2.785 1 2.784 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10976.000475/200979 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.940 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 9 de outubro de 2013 Matéria IRPJ, CSLL, PIS, Cofins Recorrente SUZANA CEREIAIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 ARBITRAMENTO DO LUCRO Arbitramento do lucro no caso vertente é de rigor, com causas concorrentes para tanto: falta de escrituração do Lalur, falta de escrituração de 7.885 lançamentos bancários, ausência de comprovação do efetivo fornecimento das mercadorias pelas vendedoras à recorrente e saída deste de recursos financeiros, quanto às notais fiscais de entrada, ausência de demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias ou de Registro de Inventário. ARBITRAMENTO DO LUCRO JUÍZO DE COERÊNCIA A adoção da receita bruta com base nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, e a não adoção dos valores do Livro de Entrada de ICMS para reconhecimento de custos não rompeu juízo de coerência ou mesma medida de valor, pois não se sabe se as mercadorias registradas no último livro é que saíram nos períodos de apuração, pois a recorrente não possui escrituração do Livro de Registro de Inventário, nem demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias. PIS E COFINS NULIDADE MATERIAL Os lançamentos de PIS e de Cofins se deram em bases trimestrais. Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos lançamentos. Vício substancial que os inquina de nulidade. MULTA QUALIFICADA A conta de resultado “4.101.001 Venda de Mercadorias”, embora registrada em partidas mensais, conforme se vê do Razão, contempla os mesmos valores mensais constantes nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS e utilizados como receita bruta para o arbitramento do lucro. Não se divisa aqui o dolo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 6. 00 04 75 /2 00 9- 79 Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.786 2 específico, o elemento subjetivo do tipo, para fins de qualificação da multa. Não interfere, para tanto, a questão da solidariedade exposta pelo autuante, que só concorre para impedimento ou retardamento do conhecimento dos que podem vir a ser responsabilizados pelas obrigações tributárias concretizadas pela recorrente, mas não para conhecimento dessas obrigações tributárias. Não subsiste a aplicação da multa qualificada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, DAR provimento parcial ao recurso para excluir as exigências de PIS e Cofins e afastar a qualificação da multa de ofício, reduzindoa para 75%, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Eduardo Martins Neiva Monteiro, André Mendes de Moura, Fábio Nieves Barreira, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.787 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ, CSL, PIS e Cofins, compreendendo fatos geradores do anocalendário de 2005. Aproveitase da síntese feita no relatório do acórdão de origem quanto aos autos de infração e o Termo de Verificação Fiscal que os integra: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o auto de infração de fls. 02/09 para exigência de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), multa de oficio de 150% e juros demora calculados até 31/08/2009, no montante de R$7.843.613,42, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2006. Na descrição dos fatos, constam os seguintes registros: Arbitramento do lucro que se faz, tendo em vista que a escrituração. mantida pelo contribuinte é imprestável para determinação do lucro real, em virtude de erros e falhas enumerados no Termo de Verificação Fiscal (TVF) em anexo. Enquadramento legal: art. 530, inciso II do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR 1999 001 — Receitas Operacionais (Atividade não imobiliária) — Revenda de mercadorias: valor apurado conforme TVF em anexo. Foram também lavrados os autos de infração abaixo especificados, cujos valores indicados representam o montante da contribuição lançada, multa de oficio de 150% e juros de mora calculados até 31/08/2009, abrangendo fatos geradores compreendidos no exercício de 2006: • Contribuição Social s/ Lucro Líquido (CSLL) R$ 3.561.933,68,; :.fls. 10/16; • Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (Cofins) R$ 9.894.260,40 fls. 17/21; • Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) R$2.143.756,35 fls. 22/27. No citado TVF, anexado às fls. 29/39, foram relatados os procedimentos fiscais pertinentes ao período de janeiro a dezembro de 2005, com destaque para as informações acerca da movimentação financeira do contribuinte, além dos dados da Declaração Integrada de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) e das Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Em seguida, discorreu a fiscalização a respeito da ciência do Termo de Início de Ação Fiscal, das intimações expedidas, Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.788 4 diligências realizadas, além das respostas e documentos apresentados pelo contribuinte. A autoridade fiscal deu ênfase ainda a particularidades atinentes à movimentação financeira do contribuinte e sobre os fatos que motivaram o arbitramento do lucro. Nesse contexto, efetuou o lançamento do IRPJ e da CSLL calculados sobre o lucro arbitrado, determinado mediante a aplicação dos percentuais fixados em lei sobre a receita bruta conhecida, retirada dos livros fiscais avistados às fls. 649/1219 e consolidada trimestralmente no Demonstrativo de fl. 40; destacando ainda que o lançamento reflexo da Cofins e do PIS era mera consequência do arbitramento do lucro. Passou então a fiscalização a evidenciar aspectos no tocante à responsabilidade pelo crédito tributário, tendo salientado que a interposição fictícia de pessoas na figura dos sócios da pessoa jurídica, mediante contratos sociais e alterações inverídicas, com a complementar utilização de procurações de administração geral, efetivamente caracteriza o dolo de todas as pessoas físicas nomeadas nos autos, que devem responder pelos créditos constituídos, conforme mandamento contido no art. 135 do Código Tributário Nacional (CTN), incisos II e III, a que deu destaque no TVF. Ao final, a autoridade fiscal registrou que, por via de consequência, caracterizados, em tese, os ilícitos penais tipificados nos arts. 71, inciso II, e 72 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, já revelado o evidente intuito de fraude, há que se aplicar a multa qualificada prevista no art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Os demais documentos que fundamentaram a exigência fiscal constam das 40/1813, enquanto os Termos de Sujeição Passiva Solidária foram juntados às fls. 1814/1820. Cientificados do lançamento, conforme Avisos de Recebimento (AR) de fls. 1821/1822v, os interessados apresentaram impugnação consoante o seguinte quadro: Contribuinte e responsáveis solidários AR Data da ciência Data da apresentação da impugnação Impugnação Doc. Suzana Cereais Ltda. 02/10/2009 03/11/2009 fls. 1823/1984 Euclimaria Ramos Jardim 02/10/2009 03/11/2009 fls. 1985/2014 Leonardo Rodrigues Macieira 01/10/2009 03/11/2009 fls. 2017/2048 Glimarães Correa dos Santos 01/10/2009 03/11/2009 fls. 2049/2076 Nelson Vieira Oliveira 01/10/2009 03/11/2009 fls. 207712105 Edinélio Ramos Jardim 05/10/2009 03/11/2009 fls. 210612134 Gabriel Macieira 01/10/2009 03/11/2009 fls. 2135/2164 Patrícia Flávia Macieira 01/10/2009 DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente apresentou impugnação de fls. 2213 a 2253 (e processo). Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.789 5 Primeiramente, a recorrente alega em sua defesa que o fisco federal não cuidou de buscar a verdade material dos fatos, vez que não comprovou as premissas que fundamentam a exigência fiscal impugnada. Isso porque inexiste nos autos relatório que aponte onde estão as supostas incongruências indicadas pela fiscalização na documentação fornecida, o que dificulta o exercício da ampla defesa/contraditório da contribuinte. Ademais, alega a recorrente que houve tributação desvinculada da limitação imposta pelo princípio da capacidade contributiva, já que não há prova da ocorrência do fato gerador do imposto de renda pessoa jurídica, e, por isso a autuação deve ser cancelada por inconstitucionalidade da exigência fiscal. Abordou também que o lucro foi arbitrado exatamente com base no Livro de Apuração de ICMS, pelo que a conclusão é de que a fiscalização utilizou a escrita contábil apenas na parte em que lhe interessava, quando deveria ser utilizada para definição dos custos e despesas para apuração do lucro real, o que vitima a autuação. Acrescentou, nesse particular, que a receita bruta é o elemento mais importante da contabilidade, aparecendo como a pedra angular de toda escrituração contábil, assim, qualquer escrita contábil que seja utilizada como fonte de apuração da receita bruta da empresa nunca poderia ser desprestigiada, sob pena de tornar o lançamento fiscal nulo. Aduz, ademais, que essa é uma das conclusões apresentadas pelo perito, ao qual foi submetida à apreciação do procedimento fiscal, que apresentou laudo pericial utilizando apenas os dados documentalcontábeis e analisando as bases da fiscalização efetivadas no auto em referência. Salientou, ainda, que o argumento utilizado pela fiscalização para realizar o arbitramento do lucro, qual seja a ausência de nexo lógico entre os lançamentos da conta “disponibilidades” em confronto com os lançamentos consignados na conta corrente, está equivocado. Isso porque a receita bruta obtida no Livro de ICMS, utilizada como base de cálculo do lucro arbitrado pela fiscalização, é superior ao valor total dos créditos ocorridos nas contas correntes, de acordo com a conclusão do laudo pericial anexado à impugnação. A recorrente pugna a ilegalidade do arbitramento do lucro no caso dos autos, pois se a fiscalização utilizou os livros contábeis do impugnante para conhecer a receita bruta, não há razão para apontar que a escrita composta exatamente pelos mesmos livros utilizados para autuação deva ser desconsiderada. Sendo assim, a escrita contábilfiscal da recorrente é regular para apuração de IRPJ pelo lucro real. Proclama a recorrente que as despesas e custos anotados nos livros fiscais devem ser considerados, sobretudo o CMV (custo de mercadoria vendida), o que afasta o arbitramento do lucro. Alega, ademais, que não foi provada a camuflagem de fatos tributáveis. Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.790 6 Entende descabida a suposição de omissão de receitas, já que o confronto entre a movimentação financeira e a receita bruta apontada pela fiscalização, indica que o aporte de créditos em conta corrente se deu em volume menor ao da receita bruta conhecida. Quanto à movimentação financeira, a recorrente questiona a atuação do fisco, que apesar de utilizar dados constantes de extratos bancários para o procedimento de arbitramento, fundamentou a autuação na suposta ausência de comprovação da origem de receitas creditadas nas contas bancárias do contribuinte. Outrossim, alega o descumprimento do dever de prova por parte da fiscalização, que deixou de demonstrar que os créditos em conta corrente apurados importariam em omissão de receitas tributáveis, e, por isso, a exigência fiscal merece ser cancelada. Entende, ainda, que a incidência sobre a receita bruta as alíquotas de 3% para apuração da Cofins e de 0,65% para apuração do PIS está equivocada, já que várias das notas fiscais de entrada das mercadorias apresentadas à fiscalização trazem a anotação “PIS/COFINS RECOLHIDO NA FONTE – LEI 10.147/2000”. Quer dizer, incluir essas notas fiscais na base de cálculo das referidas contribuições implica em bitributação. Salienta, outrossim, que o laudo pericial anexado à impugnação demonstra várias situações em que houve incidência equivocada das contribuições sobre operações em que as mercadorias já tinham sofrido a incidência monofásica do tributo, ou eram alcançadas pela incidência de alíquota zero, ou isenção. Para a multa, sustenta que sua aplicação viola o princípio do nãoconfisco e não observa a capacidade contributiva da recorrente, devendo, então, ser decotada dos autos de infração. Ainda, alega a excessiva onerosidade da multa bem como sua desproporcionalidade. Quanto à multa qualificada, combate sua aplicação, haja vista a ausência de dolo específico. Ressaltou, também, a inexistência de circunstância qualificadora a caracterizar sonegação. Sobre a impossibilidade de aplicação da taxa Selic, tece considerações acerca da ilegalidade de sua exigência, pleiteando a aplicação, tão somente, dos juros previstos no CTN. Por fim, requer sejam julgados improcedentes os lançamentos consubstanciados nos autos de infração, ou, sucessivamente, a retirada ou minoração das multas. Acerca das impugnações apresentadas pelas pessoas físicas arroladas no termo de sujeição passiva solidária, transcrevese a síntese feita no relatório do acórdão da 2ª Turma da DRJBH (fl. 2594 do eprocesso): As pessoas físicas arroladas como responsáveis solidários apresentaram impugnação contrária ao procedimento fiscal, consoante foi identificado no quadro resumo acima. Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.791 7 Os impugnantes teceram considerações específicas pertinentes a peculiaridades de cada um dos envolvidos, além de tratarem sobre aspectos legais da imputação da responsabilidade, tendo desenvolvido seus arrazoados nos seguintes tópicos: • Da tempestividade. • Da responsabilidade tributária imputada ao impugnante no relatório fiscal. • Dos fatos verdadeiros. • Foram abordados ainda aspectos gerais atinentes aos seguintes assuntos em destaque: • Da nulidade por descumprimento ao art. 10 do Decreto 70.235, de 1972 Responsabilização genérica sem declinar os atos ilícitos e ofensa aos princípios do contraditório, ampla defesa e motivação Ofensa ao princípio da legalidade (tipicidade) • Ausência de busca da verdade material para lavratura do auto de infração Inobservância ao dever constitucional de investigação prova da realização do suporte fático tributário. • Da não configuração do art. 135, II e III do CTN. No pedido final, postularam os impugnantes que fosse recebida e julgada procedente a respectiva impugnação, a fim de que fosse cancelada a exigência fiscal e retirados os impugnantes do rol de coobrigados do crédito tributário consubstanciado no PAF em comento, pelo acolhimento das razões que comprovam a sua ilegitimidade passiva. Protestaram, ainda, pela realização de quaisquer tipos de prova e pela juntada de novos documentos capazes de elidir o feito fiscal. DA DECISÃO DA DRJ Em 7 de dezembro de 2009, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Belo Horizonte, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas para, no mérito, julgar improcedente as impugnações mantendo o crédito tributário exigido, conforme o entendimento a seguir sintetizado. Primeiramente, entende a 2ª Turma da DRJBH que a alegação de nulidade não se sustenta, vez que a fiscalização seguiu estritamente os requisitos legais previstos no art. 10 do Decreto nº 70.235 de 1972 para a formalização do lançamento e à constituição das provas. Quanto à sujeição passiva solidária, fundamenta, em síntese: Desta forma, diferentemente das alegações dos impugnantes, em razão das disposições do art. 135, incisos II e III do CTN, e diante das evidências expostas no trabalho fiscal, a caracterização da responsabilidade solidária pelo crédito tributário relativamente às pessoas físicas arroladas no TVF e Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.792 8 nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária encontra sólido amparo legal. Observa que se evidenciara do trabalho fiscal, por provas diretas e indiretas, e cuja contraprova resultara frustrada pela negação geral, a interposição de pessoas que coonestaram com Gabriel Macieira, verdadeiro dono e proprietário do grupo econômico Suzana Cereias Ltda., JM Cereais Ltda. e G.AM. Participações Ltda. – ME, com intuito de frustrar o conhecimento do fato gerador e de simular a transferência de responsabilidade tributária. Em face do supratranscrito, confirma como sujeitos passivos solidários, relativamente ao crédito tributário exigido da empresa Suzana Cereais Ltda., as pessoas físicas qualificadas como tais no TVF e nos respectivos Termos de Sujeição Passiva Solidária, a saber: Euclimaria Ramos Jardim, Leonardo Rodrigues Macieira, Glimarães Correa dos Santos, Nelson Vieira Oliveira, Edinélio Ramos Jardim, Gabriel Macieira e Patrícia Flávia Macieira. Isso tudo conduziu à manutenção também da multa qualificada. Com relação ao arbitramento do lucro, considera as informações disponíveis no Livro Registro de Apuração do ICMS aptos para obter os valores da receita bruta conhecido, cabendo se manterem as exigências de IRPJ e de CSL com base no lucro arbitrado. No que tange ao lançamento de PIS e da Cofins, considera indispensável trabalho completo a fim de afastar a incidência das referidas contribuições sobre toda a receita bruta obtida dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS. Ademais, o Dacon da recorrente não informa receitas isentas, não alcançadas pela tributação, com suspensão ou alíquota zero de PIS e de Cofins. Mantém, assim, as exigências desses tributos. Dessa forma, decidiuse por se manterem integralmente as exigências do IRPJ, da CSL, da Cofins e do PIS consubstanciadas nos autos de infração de fls. 2/27, acrescidas de multa de ofício de 150% e dos juros de mora. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 2633 a 2678 (eprocesso), em 17/2/2010, reiterando o alegado em sede de impugnação. Com intuito de demonstrar as situações em que houve a incidência das contribuições sobre operações em que as mercadorias já tinham sofrido, ou a incidência do tributo monofasicamente, ou a incidência de alíquota zero, ou isenção, acresceu laudo pericial contábil de análise de auto de infração acompanhado dos seguintes anexos: Anexo I: Levantamento entradas de mercadorias – produtos monofásicos e alíquota zero; Anexo II: Valores revisão lançamento fiscal – exclusão produtos sujeitos a alíquota zero e regime monofásico PIS/Cofins; Anexo III: Cópias de notas fiscais de entrada relativa a mercadorias sujeitas à alíquota zero e o regime monofásico. Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.793 9 Com relação à utilização da receita bruta como base de cálculo para PIS e Cofins, aduziu o abaixo transcrito (fl. 2667, eprocesso): (...) Nesse sentido, considerando que grande parte dos produtos comercializados pela Recorrente estão enquadrados nos casos acima indicados(alíquota zero ou isenção), não há que se admitir, como pretendeu fazer a fiscalização, que seja utilizada a Receita bruta de Vendas como base de cálculo indiscriminada para apuração de PIS e Cofins. Grande parte das operações desenvolvidas que resultaram em faturamento componente da receita bruta não estão sujeitas à incidência das referidas contribuições eis que já tributadas em regime monofásico ou alcançadas pela incidência de alíquota zero ou isenção. (...) É que por uma simples leitura das notas fiscais de entrada das mercadorias, que certamente estavam na posse da Fiscalização, é possível identificar que várias delas trazem a anotação “PIS/COFINS RECOLHIDO NA FONTE — LEI 10.147/2000”, pelo que não poderiam ser incluídas na base de cálculo das referidas contribuições, sob pena de incorrer em bitributação, amplamente combatida na égide do atual Estado Democrático de Direito. Ao final, requereu o provimento do recurso com a decretação da improcedência dos lançamentos, a exoneração da recorrente dos gravames do litígio, e, alternativamente, a retirada das multas ou suas reduções. É o relatório. Fl. 2793DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.794 10 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade (fls. 2625, 2629 e 2633 numeração do eprocesso). Dele, pois, conheço. De início, registro que não houve interposição de recurso por parte das pessoas às quais foram imputadas a responsabilização solidária. Houve expedição de RMF (requisição de movimentação financeira) aos bancos, para obtenção dos extratos bancários da recorrente. Porém, os lançamentos de IRPJ, de CSL, de PIS e de Cofins não se fundaram na presunção legal de omissão de receitas do art. 42 da Lei 9.430/96 (depósitos ou créditos bancários de origem incomprovada). O levantamento de receitas se deu com base nos Livros de Entrada e de Saída de ICMS e de Apuração do ICMS. As exigências de IRPJ e CSL se fundaram imediatamente na apuração de lucro arbitrado, com base em receitas conhecidas. Apesar de não se estar diante de receitas omitidas pela presunção legal, juris tantum, do art. 42 da Lei 9.430/96, impõese verificar se o arbitramento do lucro se deu com base na movimentação bancária obtida mediante RMF. A falta de escrituração contábil da movimentação financeira, no caso, a ausência de contabilização dos 7.885 lançamentos bancários correspondentes às 5 contas correntes de depósito à vista mantidas junto a 3 bancos – por si já permitiria o arbitramento do lucro, conforme aduz o autuante. Porém, não foi só a ausência de escrituração contábil da movimentação bancária que deu causa ao arbitramento do lucro, segundo o autuante, que relaciona, na literalidade, como fatores para o arbitramento do lucro, além do supradescrito: a) A falta de escrituração do Lalur; b) A ausência de escrituração do livro de Registro de Inventário e, alternativamente, da apresentação de demonstrativo de levantamento e avaliação de estoques de mercadorias; c) A não apresentação dos livros fiscais da filial; a falta de escrituração de Livro Auxiliar ao Diário, nomeadamente para a abertura analítica dos registros “sintéticos” na conta “Venda de Mercadorias” feitos no Diário; d) A autenticação do Diário somente após ciência do Termo de Início de Ação Fiscal. Para se extrair o juízo de que o arbitramento do lucro teve efetivamente causa na falta de escrituração da movimentação bancária, e não nos demais fatores descritos, ou se Fl. 2794DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.795 11 estes concorreram de fato para se arbitrar o lucro, será necessário o exame da própria questão do arbitramento do lucro. Grande parte da defesa da recorrente se apoia na insubsistência do arbitramento do lucro. A bem ver, as preliminares de nulidade acusadas pela recorrente acabam por desembocar no cabimento ou não da apuração do lucro arbitrado e no critério usado para tanto. A questão do arbitramento do lucro é continente de mérito, cujo conteúdo é o critério eleito e seu exercício. Caso não haja lugar para apuração do lucro arbitrado os lançamentos (IRPJ e CSL) padecem por vício substancial. O mesmo se diga se falecer juridicidade ao critério eleito para o arbitramento do lucro. Segundo a recorrente, se o arbitramento do lucro se deu por ausência de nexo lógico entre os lançamentos na conta “Disponibilidades” e os lançamentos bancários, então aquele resulta derruído, pois se constatou que a receita bruta registrada no Livro de Apuração do ICMS, que foi utilizado pelo autuante para quantificação das receitas omitidas, é bem superior ao total dos créditos bancários. E a apuração do lucro arbitrado com base no Livro de Apuração do ICMS significa o uso da escrita contábil da recorrente somente na parte que interessava ao fisco. Ainda, que a escrita contábil utilizada como fonte de apuração da receita bruta jamais pode ser desprestigiada. Sem razão. A primeira alegação só reforça a imprestabilidade da escrituração contábil da recorrente. As demais, idem. Confunde livro fiscal com livro contábil (escrituração contábil). Vejo que a conta do Razão “4.101.001 – Venda de Mercadorias” figura na fl. 380. Os registros que nele constam são mensais. Os valores a crédito registrados nessa conta de resultado são iguais aos dos levantados dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS e consignados no Demonstrativo de Apuração da Receita Bruta e Lucro Arbitrado que integra do Termo de Verificação Fiscal (TVF). Nesse passo, ecoam as perguntas. Então, apesar da falta de registros auxiliares do Razão (em que pese o autuante ter falado em registros auxiliares do Diário), a escrituração contábil seria prestável? Afinal, se o valor de receita bruta mensalmente levantado com base no Livro de Apuração do ICMS, e utilizado, é coincidente com os registros mensais constantes na conta “4.101.001 – Venda de Mercadorias” do Razão, não caberia reconhecer a prestabilidade da escrita contábil? O contrário não seria usar dois pesos e duas medidas? Num primeiro lance, a resposta a essas perguntas tende a ser positiva. Análise atenta conduz à resposta negativa. Fl. 2795DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.796 12 O fato de os valores utilizados dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS serem iguais às partidas mensais registradas na conta “4.101.001 – Venda de Mercadorias” do Razão não significa, per se, que as contas de resultado de custos e despesas estejam igualmente corretas, bem como as demais contas patrimoniais. A referência a correção de registro das contas patrimoniais (com reflexos ou contrapartidas em contas de resultado) é porque, ainda que possa ter havido receitas omitidas por incorreção no registro das contas patrimoniais, isso não foi constatado pelo fisco. Ou seja, essa identidade de valores mensais (os registros constantes são de um por mês) das receitas de “4.101.001 Venda de Mercadorias” não é bastante a acusar ou ao menos indiciar fortemente que a escrituração contábil da recorrente seja prestável. A diversa conclusão se poderia chegar se houvesse registros auxiliares da conta “4.101.001 – Venda de Mercadorias” do Razão, com a indicação do registro analítico das receitas de vendas. Nesta hipótese, caberia a investigação quanto às contas de resultado de custos e despesas. Se não houvesse tal investigação, seria de despropósito total desprezarse a escrituração contábil. Ainda em tal hipótese, havendo a referida investigação sobre as contas de custos e despesas, se o resultado fosse sua incomprovação, i.e., a glosa “em bloco” de grupo de contas de despesas e/ou de custos, o arbitramento seria de rigor. Sucede que glosar despesas “em bloco” ou de valores substanciais (e de custos) é pretender tributar o que renda não é. Isso vitimaria o lançamento por vício substancial. Diante de tal quadro, imporseia o arbitramento do lucro, pois seria reconhecer que a escrituração contábil é imprestável. Aqui se coloca outro ponto. O arbitramento do lucro não é penalidade. No caso vertente, como a atividade principal da recorrente é de revenda de mercadorias, o coeficiente de arbitramento do lucro aplicável é de 9,6% (8% acrescidos de 20%) das receitas conhecidas, para fins de IRPJ, e de 12% das receitas conhecidas, para a base de cálculo da CSL. A propósito disso, observo o seguinte. A recorrente apresentou as notas fiscais de entrada de 2005, uma vez intimada a tanto. Na sequência, foi instada a comprovar o efetivo fornecimento das mercadorias pelas vendedoras e a saída dos recursos financeiros da recorrente. Diante disso, a recorrente não apresentou tal comprovação, e sequer prestou esclarecimentos a respeito. Simplesmente o prazo decorreu in albis. A intimação para a referida comprovação não se deu quanto a todas as notas fiscais, mas em relação aos mais significativos fornecedores selecionados pelo autuante. Também não se cuida, a bem ver, de adoção de dois pesos e duas medidas. O autuante baseouse na conciliação dos valores dos Livros de Entrada e de Saída com os do Livro de Apuração do ICMS, adotando os valores constantes nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS. Isso, ainda que os valores mensais de saída sejam coincidentes com cada registro mensal na referida conta de resultado. Por outro lado, a adoção dos valores dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, para apuração das receitas, não implica que devessem se ter adotado, pela mesma medida de juízo ou valor (juízo de coerência), os valores do Livro de Entrada de ICMS, para reconhecimento dos custos. Fl. 2796DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.797 13 Sucede que não se sabe se as entradas de mercadorias registradas no Livro de Entrada de ICMS foram essas as que “saíram”, ou seja, as que foram vendidas. E o problema que é a Recorrente, sobre não possuir a escrituração do Livro de Registro de Inventário, não tinha ou não apresentou demonstrativo de estoque e avaliação (critério Peps, Ueps, custo médio) das mercadorias. Isso tudo, para não falar da ausência de escrituração contábil dos 7.885 lançamentos bancários. E o fato de o valor total dos créditos bancários ser significativamente inferior ao total da receita bruta levantada com base nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, não significa ou não tem o condão de reconhecer a higidez da escrituração contábil, ou de haver bons indícios de que a escrituração contábil é ainda prestável. Aliás, não se sabe se parte dos créditos bancários são representativos de receitas diversas às de venda de mercadorias ou não lançadas na partida mensal da conta “4.101.001 Venda de Mercadorias” e nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS. Ressaltese que, com a última frase, não se está a se afirmar ou mesmo “desconfiar” disso. Tratase somente de uma consideração complementar, quanto a ausência da escrituração contábil dos lançamentos bancários ser forte representativa da imprestabilidade da referida escrituração. Tão só isso. Não é demais observar que a adoção dos valores dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS não significa utilização de prova emprestada. Os valores registrados nos referidos livros são “confissão de dívida”, ou melhor, registro de dívidas e de valores feito pela recorrente. Enfim, não vejo eiva de nulidade (vício substancial) para se ter procedido ao arbitramento do lucro para exigência de IRPJ e de CSL. Retomo, nesse passo, a questão: a causa para o arbitramento do lucro foi a ausência da escrituração contábil da movimentação bancária, ou efetivamente outras havia para se apurar o lucro arbitrado? Além da falta de escrituração contábil da movimentação bancária, noto que o Lalur só possui escrituração relativa ao três primeiros meses de 2005 e na Parte A, com ínfimos valores de lucro líquido, assim como a Parte B com registro e baixa (compensação) de prejuízo fiscal de R$ 172,00. Apesar de a recorrente ter apresentado as notas fiscais de entrada de 2005, instada a comprovar o efetivo fornecimento das mercadorias pelas vendedoras e a saída dos recursos financeiros da recorrente, esta não a fez. A intimação para a referida comprovação não se deu quanto a todas as notas fiscais, mas em relação aos mais significativos fornecedores selecionados pelo autuante. Ainda, a recorrente não apresentara demonstrativo de estoque e avaliação de mercadorias (sobre não possuir o Livro de Registro de Inventário). Isso é o bastante, a meu ver, para concluir que o arbitramento teve efetivas causas concorrentes. Ou seja, o arbitramento não se baseou simplesmente na movimentação bancária não escriturada contabilmente. Não é o caso, portanto, para sobrestamento do feito. Fl. 2797DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.798 14 Por toda essa ordem de considerações, nego provimento ao recurso sobre a questão da ilegalidade ou injuridicidade de se proceder ao arbitramento do lucro. Prossigo com o exame da aplicação do critério do arbitramento, qual seja, com base nas receitas conhecidas, extraídas dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS. Para tanto, o autuante alega ter utilizado também o Livro de Entrada de ICMS – certamente para conciliação com o de Apuração do ICMS, juntamente com o de Saída. Analisando o Demonstrativo de Apuração de Receita Bruta e Lucro Arbitrado que integra o TVF, constato o seguinte. a) Para janeiro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1143 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 802 e 803 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 649 a 656; b) Para fevereiro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1145 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 804 a 828 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 657 663; c) Para março, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1147 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 829 a 853 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 664 a 674; d) Para abril, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1149 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 854 a 878 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 675 a 682; e) Para maio, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1203 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 879 a 908 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 683 a 695; f) Para junho, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1205 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 909 a 941 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 697 a 705; g) Para julho, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1207 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 942 a 980 – e o Fl. 2798DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.799 15 valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 706 a 715; h) Para agosto, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1209 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 981 a 1026 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 707 a 731; i) Para setembro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1211 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 1027 a 1068 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 733 a 743; j) Para outubro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1213 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 1069 a 1100 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 745 a 754; k) Para novembro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1215 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 1101 a 1143 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 755 a 769; l) Para dezembro, o valor de receita bruta encontrase em consonância com o indicado na coluna de valores contábeis no Livro de Apuração do ICMS – fl. 1217 – e com os da coluna de valores contábeis indicados Livro de Saída de Mercadorias – fls. 1144 a 1190 – e o valor de entrada no primeiro livro guarda correspondência com os valores de entrada no Livro de Entrada de Mercadorias – fls. 770 a 785. Não vejo, pois, erro nem vício na aplicação do critério de arbitramento com base na receita conhecida. Os coeficientes de arbitramento foram corretamente aplicados para determinação dos lucros arbitrados (que têm sua apuração trimestral) para o IRPJ e para a CSL, respectivamente de 9,6% e de 12% fls. 6 e 14. Por conseguinte, nego provimento ao recurso sobre a questão do arbitramento do lucro, para fins de IRPJ e de CSL. Passo à apreciação da questão de PIS e de Cofins. Alega a recorrente que boa parte das mercadorias por ela comercializadas estão sujeitas ao regime monofásico e à alíquota zero de PIS e de Cofins. Sucede que a recorrente atua no comércio de produtos alimentícios em geral, em que as receitas sobre a venda de tais produtos em grande parte se subordina ao regime monofásico e à incidência de alíquota zero de PIS e de Cofins. Fl. 2799DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.800 16 Para tanto, a recorrente acosta aos autos laudo com levantamento das notas fiscais de entrada da recorrente, com apuração dos valores e percentuais conforme tabelas abaixo transcritas. Fato Gerador Entradas Mercadorias Alíquota Zero e regime Monofásico PIS/Cofins Jan – 05 1.647.222,23 Fev 05 3.449.238,70 Mar 05 1.305.575,93 1º Trim./05 6.402.036,86 Abr 05 1.719.068,22 Mai 05 3.701.203,29 Jun 05 2.532.730,44 2º Trim./05 7.953.001,95 Jul 05 3.819.234,83 Ago 05 5.663.413,56 Set 05 5.391.203,31 3º Trim./05 14.873.851,70 Out 05 867.416,04 Nov 05 4.049.365,29 Dez 05 1.858.310,25 4º Trim./05 6.775.091,58 Fato Gerador Entradas Mercadorias Alíquota Zero e regime Monofásico PIS/Cofins Entradas Mercadorias conforme Livro de apuração de ICMS Proporção entradas alíquotas zero/monofásico sobre TOTAL ENTRADAS Jan – 05 1.647.222,23 5.573.888,44 29,55% Fev 05 3.449.238,70 7.330.979,10 47,05% Mar 05 1.305.575,93 9.282.966,24 14,06% 1º Trim./05 6.402.036,86 22.187.833,78 28,85% Abr 05 1.719.068,22 7.576.244,15 22.69% Mai 05 3.701.203,29 12.380.905,02 29.89% Jun 05 2.532.730,44 9.098.116,85 27.84% 2º Trim./05 7.953.001,95 29.055.266,02 27,37% Jul 05 3.819.234,83 12.490.743,57 30,58% Ago 05 5.663.413,56 13.928.688,59 40,66% Set 05 5.391.203,31 9.909.412,43 54,40% 3º Trim./05 14.873.851,70 36.328.844,59 40,94% Out 05 867.416,04 2.127.397,10 40,77% Nov 05 4.049.365,29 9.852.403,67 41,10% Dez 05 1.858.310,25 8.669.725,58 21,43% 4º Trim./05 6.775.091,58 20.649.526,35 32,81% Referido laudo se encontra com planilhas de detalhamento dos valores e percentuais indicados nas tabelas acima. Também se encontram carreados aos autos cópias das notas fiscais de entrada relativas a mercadorias sujeitas à alíquota zero e regime monofásico, e que se encontram nos dois volumes anexos. Na fase impugnatória, a recorrente carreara laudo incompleto sobre a questão, com base em amostragem de notas fiscais de entrada. O órgão julgador a quo não lhe conferiu valor probante, seja pela incompletude, seja porque no Dacon da recorrente a linha 13 destinada a receitas isentas, não alcançadas pela incidência da contribuição, com suspensão ou com alíquota zero das fichas 7 (PIS) e 13 (Cofins) se encontram zeradas. Nesse passo, discordo do quanto deduzido pelo acórdão de origem. Compulsando o volumes anexos, vêse que as notas fiscais destinadas à recorrente são de vendas de produtos que não se sujeitam à exigência de PIS e de Cofins na sua Fl. 2800DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.801 17 venda pela recorrente. Ou seja, cuidase de materialidades submetidas ao regime monofásico e à alíquota zero de PIS e de Cofins. O autuante simplesmente considerou toda a receita bruta obtida dos Livros de Saída e de Apuração do ICMS para sobre ela exigir o PIS e a Cofins. Diante desse quadro, e no estádio em que se encontra o feito, não vejo como não acolher os dados constantes no laudo juntando aos autos. Significa dizer, é por demais razoável, e no limite da praticabilidade conciliada com a legalidade aplicável, a aplicação do percentual dos produtos sujeitos à incidência monofásica e da alíquota zero de PIS e de Cofins em relação ao total de entradas (conforme as cópias das notas fiscais carreadas aos autos) sobre a receita bruta da recorrente, para excluir dessa o resultado dessa aplicação percentual. I.e., aplicarse o percentual constante na segunda tabela acima colacionada sobre a receita bruta mensal da recorrente, para excluir seu resultado da base de cálculo de PIS e de Cofins. Como disse, é o limite da praticabilidade conciliada com a legalidade aplicável. Porém, verifico ainda o seguinte. Tanto o lançamento de PIS como o de Cofins se deram em bases trimestrais. É o que se constata das fls. 19 a 21, 24 a 26. O dislate aqui é juridicamente incontornável. Não se trata de erro matemático, mas de erro jurídico. A recondução em bases mensais, conquanto aritmeticamente possível, juridicamente não a é, sob pena de refazimento dos autos de infração. Em suma, tratase de eiva que inquina os lançamentos por vício substancial. Por tal ordem de razão, dou provimento ao recurso sobre a questão de PIS e de Cofins. Prossigo com o exame da questão a multa qualificada. As razões para se proceder ao arbitramento do lucro as deduzi alhures. A conta de resultado “4.101.001 Venda de Mercadorias”, embora registrada em partidas mensais, conforme se vê do Razão, contempla os mesmos valores mensais constantes nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS e utilizados como receita bruta para o arbitramento do lucro. Sobre a ausência de escrituração contábil dos 7.885 lançamentos bancários, e quanto ao fato de o total dos créditos bancários ser inferior à receita bruta de venda de mercadorias escriturada contabilmente e registrada nos Livros de Saída e de Apuração do ICMS, também fiz a consideração no momento próprio, ressaltando o sentido da ponderação feita. Em que pese ser cabível o arbitramento do lucro, diante do quanto deduzido acima e, antes, na questão do arbitramento do lucro, não diviso aqui o dolo específico, o elemento subjetivo do tipo, para fins de qualificação da multa. Fl. 2801DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.802 18 Não consigo extrair, no quadro posto e analisado, juízo de convicção quanto a presença do referido elemento subjetivo do tipo para as condutas materializadoras dos suportes fáticos tributários. Não interfere, para tanto, vale dizer, para a consecução dos fatos imponíveis em dissídio, a questão da solidariedade exposta pelo autuante no TVF. A solidariedade, tal como posta e apurada pelo autuante (fls. 35 a 39), em nada denuncia retardamento ou impedimento do conhecimento dos fatos geradores, e, pois, das obrigações tributárias. Só concorre para impedimento ou retardamento do conhecimento dos que podem vir a ser responsabilizados pelas obrigações tributárias concretizadas pela recorrente (contribuinte), mas não para o conhecimento dessas obrigações tributárias. Questão de responsabilização solidária não tem de ver necessariamente com questão do elemento subjetivo do tipo, o dolo específico, no caso, para acobertar os fatos geradores de tributos federais e, pois, as obrigações tributárias federais da contribuinte, e nada há nos autos que acuse isso, conforme a descrição e valoração feita pelo autuante nas fls. 35 a 39. Acórdão em que se valoraram outros fatos, nos limites de tal lide, em que se discute o ICMS (de outra empresa do grupo), não autoriza juízo sobre dolo específico para o caso em discussão – para acobertamento dos fatos geradores de tributos federais da recorrente conforme exposto. Em tais termos, dou provimento ao recurso sobre a questão da multa qualificada. Quanto à suposta agressão aos princípios da capacidade contributiva e da vedação ao confisco perpetradas com a aplicação das multas, descabida sua apreciação, em face da Súmula CARF nº 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. A irresignação da recorrente quanto à taxa Selic para juros de mora é matéria sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Sob essa ordem de considerações e juízo, dou provimento parcial ao recurso para afastar as exigências de PIS e de Cofins e reduzir a multa qualificada para a multa proporcional (75%). É o meu voto. Sala das Sessões, em 9 de outubro de 2013 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 2802DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 10976.000475/200979 Acórdão n.º 1103000.940 S1C1T3 Fl. 2.803 19 Fl. 2803DF CARF MF Impresso em 05/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/10/2013 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 17/10/201 3 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 27/11/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
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