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Numero do processo: 13609.721178/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Sep 13 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora.
João Bellini Júnior Presidente
(Assinado digitalmente)
Alice Grecchi Relatora
(Assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza
Nome do relator: ALICE GRECCHI
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. João Bellini Júnior – Presidente (Assinado digitalmente) Alice Grecchi – Relatora (Assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior (Presidente), Gisa Barbosa Gambogi Neves, Julio Cesar Vieira Gomes, Andrea Brose Adolfo, Alice Grecchi e Fabio Piovesan Bozza Relatório Pela Notificação de Lançamento nº 06113/00015/2013, de fls. 06/09, emitida em 17/06/2013, o Contribuinte em referência foi intimado a recolher o crédito tributário de R$ 829.398,77 resultante do lançamento suplementar do ITR/2010, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora, tendo como objeto o imóvel rural denominado “Fazenda Curralinho ou Engenho Velho” (NIRF 2.733.7413), com área total declarada de 3.209,6 ha, localizado no município de Paracatu MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2009, incidente em malha valor, iniciouse com o Termo de Intimação Fiscal Nº 06113/00005/2013, de fls. 02/03, encaminhado ao Contribuinte em 17/01/2013 (fls. 04), porém devolvido em RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 09 .7 21 17 8/ 20 13 -1 3 Fl. 248DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 249 2 23/01/2013. Tendo em vista a impossibilidade de intimar o Contribuinte por via postal, foi emitido e afixado o Edital nº 1, de 15/04/2013, com data de ciência para 30/04/2013, fls. 05. O referido Termo solicitava ao Contribuinte que apresentasse, além dos documentos inerentes à comprovação dos dados cadastrais relativos à sua identificação e do imóvel (matrícula atualizada e CCIR/INCRA), os seguintes documentos: fichas de vacinação expedidas por órgão competente, acompanhadas das notas fiscais de aquisição de vacinas; demonstrativo de movimentação de gado/rebanho (DMG/DMR emitidos pelos Estados); notas fiscais de produtor referente a compra/venda de gado, para comprovação do rebanho existente no período de 01/01/2009 a 31/12/2009; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. A falta de apresentação do laudo de avaliação ensejará o arbitramento do valor da terra nua, com base nas informações do SIPT da RFB, nos termos do art. 14 da Lei 9.393/96. Por falta de manifestação do Contribuinte e procedendo à análise das informações constantes da DITR/20010, a fiscalização lavrou a referida Notificação de Lançamento, onde glosou integralmente as áreas de produtos vegetais (35,0 ha) e de pastagens (2.600,0 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 200.000,00 (R$ 62,31/ha), arbitrando o valor de R$ 4.814.400,00 (R$ 1.500,00/ha), com base no SIPT da RFB, com consequente redução da área utilizada na atividade rural e do Grau de Utilização e aumentos do VTN tributável e da alíquota aplicada, disto resultando imposto suplementar de R$ 413.438,40, conforme demonstrado às fls. 08. Resumo da autuação: Distribuição da Área Utilizada pela Atividade Rural (ha) Declarado Apurado 12. Área de Produtos Vegetais 35,0 0,0 15. Área de Pastagens 2.600,0 0,0 19. Área utilizada pela Atividade Rural (12 + ... + 18) 2.635,0 0, 0 20. Grau de Utilização (19 /11) * 100 82,5 0,0 Cálculo do Valor da Terra Nua (R$) Declarado Apurado 21. Valor Total do Imóvel 1.950.000,00 6.564.400,00 22. Valor das benfeitorias 350.000,00 350.000,00 23. Valor das Culturas, Pastagens Cultivadas e Melhoradas e Florestas Plantadas 1.400.000,00 1.400.000,00 Fl. 249DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 250 3 24. Valor da Terra Nua (21 22 23) 200.000,00 4.814.4000,00 A descrição dos fatos e os enquadramentos legais das infrações, da multa de ofício e dos juros de mora constam às fls. 07 e 09. Cientificado do lançamento em 24/06/2013 (fls. 10), o contribuinte, por meio de seu procurador, fls. 22, ofertou em 23/07/2013 a impugnação de fls. 11/21 e documentos de fls. 22/64. Em síntese, alegou e requereu o seguinte: embora a área registrada seja de 3.209,6 ha, a área real é de 3.014,8 ha, conforme georreferenciamento; transcreve o art. 12, incisos I, II e III, do Decreto nº 70.235/1972, para afirmar que o Fisco deveria ter esgotado todas as formas de intimação previstas no citado dispositivo legal, antes que fosse providenciada a publicação do Edital, ensejando a nulidade da intimação via edital e, por conseguinte, a desconstituição do lançamento; transcreve, parcialmente, jurisprudência do STJ para referendar suas alegações; informa que seu endereço à época da intimação e da impugnação permanece o mesmo; diante disso, requer seja decretada a nulidade do Termo de Intimação Fiscal ITR 06113/00005/2013, efetuado via edital, e, conseqüentemente, seja desconstituída a notificação de lançamento n° 06113/00015/2013, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DITR; no mérito, afirma que foi declarada na DITR/2010 uma área de 2.600,0 ha de pastagens, entretanto, comprova por meio de laudo técnico, elaborado por engenheiro agrônomo, que da área total do imóvel, 1.410,7396 ha são utilizados como área de pastagens; por isso não se pode considerar que no imóvel inexista área de pastagens, quando, em verdade, a área utilizada para essa modalidade encontrase comprovada por meio de laudo técnico; quanto ao VTN, o Fisco considerou como valor total do imóvel o montante de R$ 6.564.400,00, sendo que na DITR/2010 havia sido declarado o valor total de R$ 1.950.000,00, conforme consta do laudo de avaliação elaborado por engenheiro agrônomo; não é possível admitir fixação do valor do imóvel nos parâmetros estabelecidos pelo fisco, razão pela qual requer a modificação da declaração para fazer constar o valor acima indicado; o fisco considerou 100% da área total do imóvel como sendo passível de tributação, contudo o laudo técnico comprova que 1.443,3379 ha são áreas de preservação permanente, 147,7915 ha são áreas cobertas com florestas nativas e 12,9363 ha são áreas com benfeitorias úteis/necessárias à atividade rural; nos termos do art. 10, § 1º, II, "a" e "e", da Lei n° 9393/96, é tributável a área total do imóvel, menos as áreas de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei n° 4.771/1965, com a redação dada pela Lei n° 7.803/1989 e as áreas cobertas por florestas nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração; Fl. 250DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 251 4 de igual forma, nos termos do art. 10, § 1º , IV, "a" da Lei n° 9393/96, da área aproveitável, deverão ser excluídas aquelas áreas ocupadas por benfeitorias úteis e necessárias; cita jurisprudência de Tribunais para referendar suas alegações; nesse contexto, devem ser excluídas da área tributável, as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as áreas cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as áreas ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363 ha), tudo conforme comprovado através do laudo técnico que segue anexado, promovendo, inclusive, a modificação do DIAT; Requer: • em preliminar, seja decretada a nulidade do termo de intimação e desconstituída a notificação de lançamento, determinando a renovação do ato com reabertura do prazo para comprovação das informações constantes da DIAT; • no mérito, seja considerada a área de pastagens de 1.410,7396 ha, o VTN como sendo de R$ 1.950.000,00, sejam excluídas da área tributável as áreas de preservação permanente (1.443,3379 ha), as cobertas por florestas nativas (147,7915 ha) e as ocupadas com benfeitorias úteis/necessárias á atividade rural (12,9363ha). A Turma de Primeira Instância julgou a impugnação improcedente, restando a decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2010 DA PRELIMINAR DE NULIDADE. Tendo o contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal (PAF). A intimação inicial (Termo de Intimação Fiscal) feita por Edital é o procedimento legal previsto nos casos em que não foi possível intimar o interessado pessoalmente ou por via postal, não sendo razão para a nulidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. DA RETIFICAÇÃO DA DECLARAÇÃO PERDA DA ESPONTANEIDADE. O início do procedimento administrativo ou medida de fiscalização exclui a espontaneidade do sujeito passivo, em relação aos atos anteriores, para alterar as informações da DITR original. DA REVISÃO DE OFÍCIO ERRO DE FATO. A revisão de ofício de dados informados pelo Contribuinte na sua DITR somente cabe ser acatada quando comprovada nos autos, com documentos hábeis, a hipótese de erro de fato, observada a legislação aplicada a cada matéria. DAS ÁREAS AMBIENTAIS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE FLORESTAS NATIVAS. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 252 5 Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA. DA ÁREA DE PASTAGEM. A área de pastagem a ser aceita será a menor entre a área de pastagem declarada e a área de pastagem calculada, observado o respectivo índice de lotação mínima por zona de pecuária, fixado para a região onde se situa o imóvel. O rebanho necessário para justificar a área de pastagem aceita cabe ser comprovado com prova documental hábil. DA ÁREA DE PRODUTOS VEGETAIS MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada a glosa integral feita pela Autoridade Fiscal na área declarada de produtos vegetais, por não ter sido expressamente contestada nos autos, nos termos da legislação processual. DO VALOR DA TERRA NUA (VTN) SUBAVALIAÇÃO. Para fins de revisão do VTN arbitrado pela fiscalização, com base nos VTN/ha apontados no SIPT, exigese que o Laudo de Avaliação, emitido por profissional habilitado, atenda aos requisitos das Normas da ABNT, demonstrando, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preço de mercado, à época do fato gerador do imposto, e que esteja acompanhado da necessária Anotação de Responsabilidade Técnica (ART). DA INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi cientificado do Acórdão 03060.978 1ª Turma da DRJ/BSB em 19/05/2014 (fl. 86), mediante Aviso de Recebimento AR. Em 16/06/2014, sobreveio recurso voluntário (fls. 102/112), acompanhado de documentos (fls.113/246). Em suas razões, alega preliminar de nulidade do lançamento, tendo em vista que a intimação do Termo de Intimação Fiscal se deu via edital. Acosta jurisprudência e cita legislação que entende pertinente. O recorrente acosta documentação elencada à fl. 113 e no mérito aduz que: Da Área Total do Imóvel que a fazenda Engenho Velho ou Curralinho está registrada na SRF sob o NIRF nº 2.733.7413, dotada de área total de 3.209,6 hectares, que após a certificação do georreferenciamento emitida pelo Instituto de Colonização e Reforma Agrária de Minas Gerais (INCRAMG), datada de 03 de junho de 2013, a área total da propriedade passou a ser 3.028.9671 hectares, que as áreas supracitadas foram registradas no dia 08/04/2014 no Cartório de Registro de Imóveis Geraldo Campos; Fl. 252DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 253 6 que desse valor total da área, restou dividido em três: área da gleba 1 (2.744,7174 hectares), área da gleba 2 (278,5756 hectares), totalizando como área do imóvel 3.023.2930 hectares, acrescido ainda da área da rodovia MG 188 (5,6741 hectares). que foram emitidas 3 novas matrículas pelo cartório de Registro de Imóveis, a fim de englobar toda a propriedade georreferenciada; que o trabalho realizado de georreferenciamento foi elaborado e executado de acordo com Norma Técnica de Georreferenciamento de Imóveis Rurais do INCRA, conforme declarado pelo responsável técnico Denilson Aparecido da Silva Das Áreas Ambientas de Preservação Permanente e de Florestas Nativas que os membros da 1ª Turma não acataram as pretendidas áreas apresentadas por não terem sido apresentados documentos satisfatórios. que apesar da inobservância quanto à apresentação da ADA do exercício de 2010, junto ao IBAMA, o contribuinte trouxe aos autos um conjunto probatório que baliza as informações prestadas. Acosta jurisprudência que através das matrículas nº 4.131, 17.912 e 12.873, acolhidas pela nova matrícula do imóvel, a existência de 647 hectares de reserva florestal legal, como norteadora da existência de áreas ambientais de preservação permanente APP, o contribuinte apresenta a Planta do Imóvel Georreferenciado, pontuando as APP, AFN, etc que através da planta verificase que há extensivo rio e suas áreas de APP margeando o leito maior sazonal, conforme determinada art. 10, inciso II, alínea "b" da Lei 14.309/2002; que há inúmeras veredas com suas APP; que o somatório das APP representam 796,337 hectares que a Área de Floresta Nativa AFN, totaliza 147,791 hectares. que o ADA Ato Declaratório Ambiental referente ao exercício de 2013 e 2014 consolida essas informações. Requer seja considerado como Área de Preservação Permanente APP a área de 796,337 hectares, Área de Reserva Legal ARL a área de 647,0 e Área de Floresta Nativa AFN a área de 147,791 hectares, excluídas da área tributável. Da Área de Pastagem que a autoridade fiscal manteve a glosa no que diz respeito à área de pastagens em 2.600,00 hectares, constantes da DITR/2010 que para comprovar a quantidade de cabeças de animais apascentados no imóvel, o contribuinte apresenta a Ficha Sanitária do ano de 2009, emitida pelo Órgão de Defesa da Agropecuária do Estado de Minas Gerais, contendo 149 cabeças de até 12 meses, 238 cabeças de 13 a 24 meses e 180 cabeças com mais de 36 meses, totalizando 567 bovinos. Requer que a área total de pastagem seja considerada em 1.410,6 hectares. Do Valor da Terra Nua Alega que o Valor da Terra Nua VTN, a preços da época do fato gerados do imposto, ou seja, no exercício de 2010, estava avaliado em R$ 577,44/ha (por hectare), totalizando R$ 1.749.046,76. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 254 7 Aduz que não cabe prosperar a manutenção da tributação arbitrada pela autoridade fiscal, com base na SIPT, razão pela qual o contribuinte requer a modificação da declaração para fazer constar o valor mencionado. Da Área de Benfeitorias Úteis e Necessárias Informa que na matrícula nº 24.858 é apresentada faixa da Rodovia MG 1898, totalizando 5,6741 hectares. Alega que o Laudo Técnico de Avaliação e a Planta do Imóvel Georreferenciado comprova as áreas de benfeitorias úteis e necessárias a atividade rural, totalizando a área de 21,565 hectares. Requer seja excluída da área tributável a área de 27.2391 hectares. Resumidamente, o contribuinte postula que seja considerado: * Área total do Imóvel 3.028.9671 hectares *Área de Preservação Permanente APP de 796,337 hectares * Área de Reserva Legal ARL de 647,0 hectares *Área de Floresta Nativa AFN de 147,791 hectares *Áreas de Benfeitorias Úteis de 27.2391 hectares * Área de Pastagem 1.410,6 hectares * Valor da Terra Nua VTN para 2010 de R$ 577,44/ha, totalizando R$ 1.749.046,76. Que seja excluída da área tributável as APP, ARL, AFN e ocupadas com benfeitorias úteis e necessárias. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Alice Grecchi O recurso voluntário ora analisado, possui os requisitos de admissibilidade do Decreto nº 70.235/72, motivo pelo qual merece ser conhecido. A autoridade fiscal glosou integralmente a área de pastagens de 2.600,0ha por falta de comprovação. A Turma Julgadora "a quo" consignou: No caso, constitui documento hábil para comprovação do rebanho apascentado no imóvel no decorrer do ano de 2009 (exercício 2010), por exemplo: ficha registro de vacinação e movimentação de gado e/ou ficha do serviço de erradicação da sarna e piolheira dos ovinos, fornecidas pelos escritórios vinculados à Secretaria de Agricultura; notas fiscais de aquisição de vacinas; declaração/certidão firmada por órgão vinculado à respectiva Secretaria Estadual de Agricultura; anexo da atividade rural (DIRPF); laudo de acompanhamento de projeto fornecido por instituições oficiais; declaração anual de produtor rural, dentre outros. O recorrente postula que seja considerada como área de pastagem 1.410,6ha e, para tanto, acosta Ficha Sanitária de Vacinação do Órgão de Defesa Agropecuária do Estado de Fl. 254DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR Processo nº 13609.721178/201313 Resolução nº 2301000.625 S2C3T1 Fl. 255 8 Minas Gerais, em que demonstra a existência de 567 bovinos (149 cabeças até doze meses, 238 cabeças de 13 a 24 meses e 180 cabeças com mais de 36 meses em fls. 240/243). Assim, para melhor deslinde do feito, entendo que o julgamento do recurso deve ser convertido em diligência, e encaminhado os autos ao Auditor Fiscal autuante, a fim de que o mesmo analise os documentos trazidos pelo contribuinte em relação a existência de rebanho apascentado na área destinada a pastagem. Importa salientar que a área declarada foi de 2.600,0 ha. No entanto, em sede recursal, o contribuinte postula o reconhecimento de 1.410,6 ha de pastagem. Por fim, requer seja verificado pelo Sr. Auditor Fiscal se há compatibilidade entre a área pretendida de 1.410,6 ha de pastagem, e o rebanho existente conforme documentos de fls. 239/242. Após apresentadas as conclusões pelo Auditor Fiscal autuante, seja dado vista ao contribuinte pelo prazo de 30 dias, e após, retorno dos autos ao CARF para julgamento do recurso. Ante o exposto, proponho a conversão do julgamento em diligência. (Assinado digitalmente) Alice Grecchi Relatora Fl. 255DF CARF MF Impresso em 13/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/09/2016 por ALICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por AL ICE GRECCHI, Assinado digitalmente em 12/09/2016 por JOAO BELLINI JUNIOR
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Numero do processo: 10325.000992/2010-46
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006
PREVIDENCIÁRIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA - SUB-ROGAÇÃO.
O Acórdão do RE 333.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição. Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de sub-rogação, previsto no art. 30,IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional.
Recurso especial conhecido e negado.
Numero da decisão: 9202-004.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/07/2003 a 31/12/2006 PREVIDENCIÁRIO AUTO DE INFRAÇÃO AQUISIÇÃO DE PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA SUBROGAÇÃO. O Acórdão do RE 333.852/MG declarou a inconstitucionalidade do art. 25 da Lei nº 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.528/1997, “até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional nº 20/98, venha a instruir a contribuição”. Com o advento da lei 10.256/2001, ficou legitimada a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, sem prejuízo do procedimento de subrogação, previsto no art. 30,IV, da lei 8.212/1991, que em momento algum foi considerado inconstitucional. Recurso especial conhecido e negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer o Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Patrícia da Silva, que lhe deu provimento integral. Votaram pelas conclusões os conselheiros Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 5. 00 09 92 /2 01 0- 46 Fl. 4404DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Gerson Macedo Guerra e Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri. Ausente, justificadamente o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, AI DEBCAD nº 37.289.6863 (efl. 02), no qual foi constituído crédito e contribuições previdenciárias não recolhidas, incidentes sobre a aquisição de produto rural, identificado pela aquisição de gado para abate de produtor rural pessoa física. As contribuições são devidas pela empresa na condição de sub rogada, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT e contribuições previdenciárias rurais devidas. O AI foi consolidado em 20/07/2010, no valor de R$ 15.763.288,39, com ciência por edital à contribuinte em 13/09/2010 (efl. 3616) e o correspondente relatório fiscal está posto às efls. 19 a 21 dos autos. A empresa, intimada por edital, não apresentou impugnação, apenas alguns sujeitos passivos a ela solidários (efls. 3827 a 4145), pessoas jurídicas, e Roberto Luiz da Silva Logrado (efl. 3633 a 3659), pessoa física, impugnaram o auto de infração. As impugnações apresentadas das pessoas jurídicas eram idênticas entre si, mas distintas daquela apresentada por Roberto Logrado. As impugnações possuíam diversas preliminares que implicariam nulidade ou afastamento da sujeição passiva e questão de mérito relativa à suposta inconstitucionalidade da legislação que estabelecia a subrogação da autuada. A 5ª Turma da DRJ/FOR considerou procedente as impugnações, por unanimidade, conforme disposto no acórdão n° 0822.911 de 15/02/2012, às efls. 4200 a 4229, exonerando o crédito lançado, em face de acatar a inconstitucionalidade, reconhecida pelo STF, do artigo que dera base à subrogação combatida. Todavia, em razão de o crédito exonerado ser superior ao limite de alçada previsto no Decreto n° 70.235/72, art. 34, I, c/c art. 1° da Portaria do Ministro da Fazenda n° 3 de 2008, recorreu de ofício do acórdão. O recurso de ofício foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento, em 14/05/2013, no acórdão 2402003.557, às efls. 4248 a 4255, que tem a seguinte ementa: CONTRIBUIÇÃO PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. RESPONSABILIDADE DO ADQUIRENTE. A empresa adquirente fica subrogada nas obrigações do produtor rural pessoa física com empregados e do segurado especial, relativas ao recolhimento da contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural estabelecida no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei nº 10.256/2001. Fl. 4405DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 18 3 INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. A inconstitucionalidade declarada pelo STF no Recurso Extraordinário nº 363.852 não produz efeitos aos lançamentos de fatos geradores ocorridos após a Emenda Constitucional nº 20/98. Recurso de Oficio Provido. O acórdão, por sua vez, tinha a seguinte redação: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso de ofício. A Fazenda Nacional, em 03/10/2014, foi cientificada do resultado e sobre ele não se manifestou (efl. 4257). A contribuinte e todos os sujeitos passivos solidários foram intimados do resultado (efls. 4270 a 4289 e 4369 a 4384), mas apenas o sujeito passivo solidário Roberto Logrado apresentou recurso especial de divergência RE, tempestivamente (de acordo com o despacho de efl. 4385) , às efls. 4290 a 4315. Em seu RE a contribuinte traz à discussão matéria relativa a responsabilidade tributária mediante subrogacão, prevista no art. 30? inciso IV. da Lei n° 8.212/1991, alegando que esta teve sua inconstitucionalidade reconhecida pelo STF em julgado com repercussão geral, da mesma forma que os incisos I e II do art. 25 do mesmo diploma foram reconhecidos com inconstitucionais pelo Excelso Pretório no RE 596.177/RS, fazendo desaparecer a responsabilidade da empresa subrogada. Invoca a divergência pela aplicação daqueles julgados que são trazidas nos paradigmas do CARF explicitados pelos acórdãos 2403002.693 e 2403002.274, ambos da 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento. A Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF através do Despacho s/n, às efls. 4387 a 4392, deu seguimento ao RE por entender preenchidos os requisitos legais para sua admissibilidade em 15/07/2015. Cientificada em 29/09/2015, a Procuradoria da Fazenda apresentou contrarrazões em 05/10/2015, às efls. 4394 a 4402. Naquela peça, no fechamento, afirma: "A análise da extensão da decisão do STF demonstra que a lei que lastreou o lançamento não foi apreciada na decisão paradigma, e, portanto, eventual cancelamento do auto de infração, importa em afastamento da aplicação de lei ao caso fora das hipóteses regimentais, de modo que viola a Súmula CARF nº 2. Além disso, a Procuradora afirma que o decidido no RE nº 596.177/RS apenas reforçou o que já havia sido disposto no RE nº 363.852/MG, mas, relativamente aquele acórdão, houve Embargos de Declaração da Fazenda Nacional, que ao ser apreciado resultou na conclusão de que a constitucionalidade da tributação com base na Lei nº 10.256/2001 não foi analisada nem teve repercussão geral reconhecida, além de afastar da ementa suposta ofensa ao art. 150, inc. II, da CF/1988 em virtude de dupla tributação do produtor rural empregador. Fl. 4406DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Como conclusão dessa ideia, afirma que a constitucionalidade da Lei nº 10.256/2001 ainda está por ser apreciada como matéria de repercussão geral no RE nº 718.874/RS, pendente de julgamento, e por isso não competiria ao colegiado a quo pronunciar se sobre a inconstitucionalidade de tal dispositivo, por força do enunciado nº 2 da Súmula do CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Pelo que consta no processo, o recurso atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Entendo que o recurso deve ser desprovido, haja vista que a referida decisões do STF não se referiu à inconstitucionalidade do art. 30, inc. IV, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei nº 9.528 de 10/12/1997, mas à inconstitucionalidade da própria tributação do produtor rural, pessoa física, com base na receita bruta ou no faturamento, pois, até a vigência da EC 20 de 15/12/1998, essa receita demandaria lei complementar para sua tributação. Se esta não pode ser tributada a subrogação inexistiria por mera conseqüência lógica e não por inconstitucionalidade própria. A partir da referida emenda constitucional e da existência de nova lei regulando a relação jurídica da pessoa física com o fato gerador, a subrogação do art. 30, inc. IV, automaticamente incide. Argumentos que apóiam tal entendimento constam de forma clara e didática em voto da ilustre Conselheira Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira no acórdão nº2401 003.896 da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara desta Segunda Seção, por isso peço vênia para transcrevêlo: Quanto ao mérito cumprenos apreciar não apenas os dispositivos legais que abarcam a matéria, mas também as decisões emanadas pelo STF a respeito da matéria, considerando o recurso apresentado pelo recorrente. O presente AIOP referese a contribuições devidas à seguridade social, parcela devida pelo produtor rural, pessoa física (conforme relatório fiscal), incidentes sobre o valor da receita bruta proveniente da comercialização da produção rural, (compra de bovinos para abate) bem como da contribuição destinada ao SENAR e ao SAT/RAT no período de 01/2010 a 12/2010. A contribuição sobre a comercialização da produção está descrita no art. 25 da Lei 8212/91: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação alterada pela Lei n° 10.256/01. Fl. 4407DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 19 5 Vigência a partir de 01/11/01, ver § 3° do art. 4° da MP n° 83/02, convertida na Lei n° 10.666/03 e nota no final do art I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação alterada pela Lei n° 9.528/97. Vigência a partir de 11/12/1997 II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para o financiamento das prestações por acidente do trabalho. (Redação alterada pela MP n° 1.523/96, reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97 A subrogação descrita nesta NFLD está respaldada no que dispõe o art. 30, IV, da Lei 8.212/91, com redação da lei 9528/97: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação alterada pela Lei n° 8.620/93) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação alterada pela MP n° 1.5239/97 e reeditada até a conversão na Lei n° 9.528/97) Sobre tais valores foi aplicada a alíquota de 0,1% até 12/2001 e 0,2% a partir de 01/2002, de acordo com o FPAS 744. A alíquota de contribuição devida ao SENAR foi alterada face nova redação dada pelo art. 3° da Lei 10.256/2001 no art. 6° da Lei 9.528/1997. "Art.6° A contribuição do empregador rural pessoa física e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, para o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (SENAR), criado pela Lei n° 8.315, de 23 de dezembro de 1991, é de zero vírgula dois por cento, incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização de sua produção rural." (NR) Com base no exposto, devidamente respaldado encontrarseia o trabalho da auditoria fiscal. O problema surge a partir do não fosse o julgamento pelo STF o Recurso Extraordinário n° 363.852, cujo Plenário deu provimento ao recurso em acórdão com a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO PRESSUPOSTO ESPECÍFICO VIOLÊNCIA À CONSTITUIÇÃO ANÁLISE CONCLUSÃO Porque o Supremo, na análise Fl. 4408DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 6 da violência à Constituição, adota entendimento quanto à matéria de fundo extraordinário, a conclusão a que chega deságua, conforme sempre sustentou a melhor doutrina José Carlos Barbosa Moreira , em provimento ou desprovimento do recurso, sendo impróprias as nomenclaturas conhecimento e não conhecimento. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL COMERCIALIZAÇÃO DE BOVINOS PRODUTORES RURAIS PESSOAS NATURAIS SUBROGAÇÃO LEI N° 8.212/91 ART. 195, INCISO I, DA CARTA FEDERAL PERÍODO ANTERIOR À EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/98 UNICIDADE DE INCIDÊNCIA EXCEÇÕES COFINS E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PRECEDENTE INEXISTÊNCIA DE LEI COMPLEMENTAR Ante o texto constitucional, não subsiste a obrigação tributária sub rogada do adquirente, presente a venda de bovinos, por produtores rurais, pessoas naturais, prevista os artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e 9.528/97. Aplicação de leis no tempo considerações (g.n.) Discutese, naqueles autos, a constitucionalidade da contribuição exigida com base no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com redação dada pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/97, incidente sobre o valor da comercialização da produção rural, tendo como contribuinte o Empregador Rural Pessoa Física. É sabido que a Constituição da República de 1988 estabeleceu a tributação incidente sobre a comercialização da produção rural para os casos de economia familiar (art. 195, § 8° da CR). Em face disso, a Lei n° 8.212/91, art. 25, originariamente determinava que apenas os segurados especiais (produtor rural individual, sem empregados, ou que exerce a atividade rural em regime de' economia familiar) passariam a contribuir de forma diversa, mediante a aplicação de uma alíquota sobre a comercialização da produção. Todavia, com a edição das Leis n. 8.540, 9.528, que alteraram a redação do art. 25 da Lei n° 8.212/91, passouse a exigir tanto do empregador rural pessoa física como do segurado especial a contribuição com base no valor da venda da produção rural. Quanto a este ponto o Supremo Tribunal Federal manifestouse pela inconstitucionalidade da exação questionada, conforme decisão proferida no RE 363.852, no sentido de que houve a criação de uma nova fonte de custeio da Previdência Social e que tal iniciativa teria de ser tomada mediante a aprovação de lei complementar, conforme prevê o § 4° do art. 195 da Constituição da República. Impende saber se este modelo previdenciário trazido pela atual redação do art. 25 da Lei n° 8.212 (introduzida pela Lei 10.256 e demais dispositivos já mencionados) se amoldaria aos preceitos constitucionais previstos no art. 195 da Constituição Federal. Portanto, de pronto podemos concluir que a exigência de contribuições sobre a aquisição da produção rural de pessoas Fl. 4409DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 20 7 físicas até a edição da lei 10.256/2001, ou seja, para lançamentos que envolvem competências até a edição da referida lei, encontramse abarcada pelo manto da inconstitucionalidade conforme decisão proferida pelo STF, acima transcrita. (...) Notase que o objeto do RE 363.852 referese à discussão da constitucionalidade dos dispositivos da Lei n° 8.212/1991 nas redações dadas pelas Leis 8.540/1992 e 9.528/1997, ambas anteriores à Emenda Constitucional n° 20/1998. Portanto, decidiu o STF que a inovação da contribuição sobre comercialização de produção rural da pessoa física não encontrava respaldo na Carta Magna até a Emenda Constitucional 20/98, decidindo expressamente pela inconstitucionalidade acerca das Leis 8.540/92 e 9.528/97, razão pela qual compete a este Conselho, em observância ao art. 62A determinar a improcedência dos lançamento envolvendo períodos anteriores. Confirmando, ainda mais o posicionamento a ser adotado o referido precedente RE 363.852 foi ao depois aplicado em regime de repercussão geral por meio do julgamento do Recurso Extraordinário n° 596.177/RS (art. 543B do Código de Processo Civil)5, cuja ementa encontrase abaixo transcrita: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PREVIDENCIÁRIA. EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA.INCIDÊNCIA SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO.ART. 25 DA LEI 8.212/1991, NA REDAÇÃO DADA PELO ART. 1° DA LEI 8.540/1992. INCONSTITUCIONALIDADE. I Ofensa ao art. 150, II, da CF em virtude da exigência de dupla contribuição caso o produtor rural seja empregador. II Necessidade de lei complementar para a instituição de nova fonte de custeio para a seguridade social. III RE conhecido e provido para reconhecer a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei 8.540/1992, aplicandose aos casos semelhantes o disposto no art. 543B do CPC. (RE 596.177, Relator Min. RICARDO LEWANDOWSKI, Tribunal Pleno, julgado em 01/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO, DJe165 de 29082011) Vale também transcrever posição do Dr. Rafael de Oliveira Franzoni, Procurador da Fazenda Nacional, que em seu artigo: "A CONSTITUCIONALIDADE DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL DO EMPREGADOR RURAL PESSOA FÍSICA: Análise da jurisprudência do STF e do TRF da 4aRegião", assim conclui acerca das decisões proferidas no âmbito do STF: Ou seja, o que era apenas um precedente tornouse um posicionamento consolidado no âmbito do Supremo Fl. 4410DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 8 Tribunal Federal sobre a inconstitucionalidade da contribuição previdenciária prevista no art. 25 da Lei n° 8.212/1991, inclusive com as alterações decorrentes das Leis n°s 8.540/1992 e 9.528/1997, no que atine ao empregador rural pessoa física. Sendo assim, em face da força persuasiva especial e diferenciada6 proveniente dos julgamentos proferidos sob a nova sistemática da repercussão geral, é muito provável que seja tal entendimento seja seguido pelos demais órgãos do Poder Judiciário, independentemente da não existência de efeito vinculante a qualificar o controle difuso de constitucionalidade. Vale registrar, por oportuno, que a contribuição previdenciária do segurado especial, também regulada pelo art. 25 da Lei n° 8.212/1991, não foi afetada pela decisão da Suprema Corte no Recurso Extraordinário n° 596.177/RS, haja vista que o seu fundamento constitucional é distinto e independente da exação incidente sobre o empregador rural pessoa física. O daquela reside ele no § 8°; ao passo que o desta, no inciso I, ambos do art. 195 do Texto Magno. Se assim é, a declaração de inconstitucionalidade de que se cuida foi parcial, isto é, apenas parte da norma contida no texto do já citado art. 25 foi julgada nula e, portanto, extirpada do ordenamento jurídico. Mas este ponto será mais amiudemente examinado em tópico apartado. Assim, até a edição da Emenda Constitucional n° 20/98 o art. 195, inciso I, da CF previa como bases tributáveis de contribuições previdenciárias a folha de salários, o faturamento e o lucro, não havendo qualquer menção à receita como base tributável, o que macula a contribuição criada com base na receita da comercialização. Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: (Redação dada pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998) b) a receita ou o faturamento; (Incluído pela EmendaConstitucional n°20, de 1998) c) o lucro; (Incluído pela Emenda Constitucional n°20, de 1998 Fl. 4411DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 21 9 Assim, há que se destacar que a Lei n° 10.256/2001, deu nova redação ao art. 25 da Lei n° 8.212/1991 que passou a assim vigorar: Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256, de 2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528, de 10.12.97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento das prestações por acidente do trabalho. Assim, a partir da referida lei, existiria respaldo para o lançamento de contribuições, conforme acima descrito e consolidado tal entendimento por decisão proferida pelo Ministro Joaquim Barbosa no julgamento do RE 585.684, senão vejamos: No julgamento do RE 363.852 (rel. min. Marco Aurélio, DJe de 23.04.2010), o Pleno desta Corte considerou inconstitucional o tributo cobrado nos termos dos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com as redações decorrentes das Leis n° 8.540/92 e n°9.528/97. Assim, o acórdão recorrido divergiu dessa orientação. Ante o exposto, conheço do recurso extraordinário e doulhe parcial provimento, para proibir a cobrança da contribuição devida pelo produtor rural empregador pessoa física, cobrada com base na Lei 8.212/1991 e as que se seguiram até a Lei 10.256/2001. [grifo nosso] (RE .568 4, Relator Min. JOAQUIM BARBOSA, julgado em 01/02/2011, publicado no DJe038 de 25/02/2011) Isto posto, com a entrada em vigor da Lei n° 10.256/2001, editada sob o manto constitucional aberto pela Emenda Constitucional n° 20/98, passam a ser devidas as contribuições sociais a cargo do empregador rural pessoa física, às alíquotas de 2% e 0,1% incidentes sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, nos termos assinalados no art. 25 da Lei n° 8.212/91, com a redação que lhe foi introduzida pela Lei n° 10.256/2001. O caso ora sob análise, conforme acima destacamos, envolve contribuições para o período de 01/2010 a 12/2010, ou seja, em período integralmente coberto pela regência da Lei n° 10.256/2001, não havendo que se falar em inconstitucionalidade da exação, pois esta decorre diretamente da norma tributária inserida no ordenamento pelo diploma legal, e não sob as Fl. 4412DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 10 contribuições descritas nas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, declaradas inconstitucionais pelo STF. Esse entendimento já vinha sendo corriqueiramente aplicado nos julgados desta turma do colegiado, contudo, ao adentrarmos a questão da subrogação descrita no art. 30, IV da lei 8212/91, nas redações dadas pelas leis n° 8.540/92 e 9.528/97, entendeu a turma, que a subrogação, acabou no resultado do julgamento sendo por derradeira também declarada inconstitucional, o que resultava na inviabilizando da utilização da sistemática de sub rogação nos casos de aquisição de produção rural de produtores rurais pessoas físicas. Todavia, as decisões proferidas no âmbito dos Tribunais Regionais Federais ao apreciar diversos casos incidentais envolvendo a mesma questão, bem como a decisão de outras turmas deste mesmo Conselho, nos levaram a reapreciar posicionamento antes adotado e a interpretar a decisão do próprio STF sob outra ótica, como passamos abaixo a discorrer. Citese do TRF: "TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO INCIDENTE SOBRE A COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO RURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA EMPREGADOR. PRESCRIÇÃO. LC 118/05. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. 1 O STF, ao julgar o RE n° 363.852, declarou inconstitucional as alterações trazidas pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92, eis que instituíram nova fonte de custeio por meio de lei ordinária, sem observância da obrigatoriedade de lei complementar para tanto. 2 Com o advento da EC n° 20/98, o art. 195, I, da CF/88 passou a ter nova redação, com o acréscimo do vocábulo "receita". 3 Em face do novo permissivo constitucional, o art. 25 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 10.256/01, ao prever a contribuição do empregador rural pessoa física como incidente sobre a receita bruta proveniente da comercialização da sua produção, não se encontra eivado de inconstitucionalidade." (Apelação n° 000242212.2009.404.7104, Rel. Des. Fed. Mª de Fátima Labarrère, 1ª Turma do TRF4, julgada em 11/05/10) Quanto a este ponto, apreciando os diversos julgamentos realizados no âmbito do CARF, valhome de um especificamente, do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, datado de 18 de abril de 2013 Acórdão 230202.445, da FRIGO VALE INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CARNES LTDA, que de forma fantástica analisou profundamente os efeitos das decisões dos tribunais sobre a sistemática da SUBRROGAÇÃO, determinando a procedência da autuação. O posicionamento referenciado no acórdão mostroume muito mais acertada, do que aquele até então por mim adotado, razão pela qual adotoo como razão de decidir, transcrevendo a parte pertinente abaixo: 3.1.4.DA SUBROGAÇÃO Por derradeiro, mas não menos importante, restanos apreciar a questão atávica à subrogação do adquirente, do consignatário ou da cooperativa pelo cumprimento das obrigações do empregador rural pessoa física e do segurado especial assentadas no art. 25 da Lei n° 8.212/91. Fl. 4413DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 22 11 Verificase no voto condutor acima revisitado, que a matéria atinente à subrogação em momento algum foi discutida no julgamento do Supremo Sodalício. Com efeito, o Supremo não se pronunciou acerca de nenhum vício de inconstitucionalidade a macular a subrogação, até porque esta foi expressamente prevista na própria Lex Excelsior. Constituição Federal, de 03 de outubro de 1988 Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) §7° A lei poderá atribuir a sujeito passivo de obrigação tributária a condição de responsável pelo pagamento de imposto ou contribuição, cujo fato gerador deva ocorrer posteriormente, assegurada a imediata e preferencial restituição da quantia paga, caso não se realize o fato gerador presumido. (Incluído pela Emenda Constitucional n° 3, de 1993) Assim proclamou o Min. Marco Aurélio, ad litteris et verbis: "Ante esses aspectos, conheço e provejo o recurso interposto para desobrigar os recorrentes da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, declarando a inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial, invertidos os ônus da sucumbência.” Olhando com os olhos de ver, o Min. Marco Aurélio não declarou a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, mas, tão somente, a inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual, dentre outras tantas providências, "deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91". Lei n°8.540, de 22 de dezembro de 1992 Art. 1° A Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, passa a vigorar com alterações nos seguintes dispositivos: Art. 12... V ... a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade agropecuária ou pesqueira, em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de Fl. 4414DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 12 empregados, utilizados a qualquer título, ainda que de forma não continua; a pessoa física, proprietária ou não, que explora atividade de extração mineral garimpo , em caráter permanente ou temporário, diretamente ou por intermédio de prepostos e com auxilio de empregados, utilizados a qualquer titulo, ainda que de forma não continua; o ministro de confissão religiosa e o membro de instituto de vida consagrada e de congregação ou de ordem religiosa, este quando por ela mantido, salvo se filiado obrigatoriamente à Previdência Social em razão de outra atividade, ou a outro sistema previdenciário, militar ou civil, ainda que na condição de inativo; o empregado de organismo oficial internacional ou estrangeiro em funcionamento no Brasil, salvo quando coberto por sistema próprio de previdência social; o brasileiro civil que trabalha no exterior para organismo oficial internacional do qual o Brasil é membro efetivo, ainda que lá domiciliado e contratado, salvo quando coberto por sistema de previdência social do pais do domicilio; Art. 22 ................................. §5° O disposto neste artigo não se aplica à pessoa fisica de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 desta Lei. Art. 25. A contribuição da pessoa física e do segurado especial referidos, respectivamente, na alínea "a" do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: I dois por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; II um décimo por cento da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção para financiamento de complementação das prestações por acidente de trabalho. §1° O segurado especial de que trata este artigo, além da contribuição obrigatória referida no "caput", poderá contribuir, facultativamente, na forma do art. 21 desta Lei. §2° A pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12, contribui, também, obrigatoriamente, na forma do art. 21 desta Lei. §3° Integram a produção, para os efeitos deste artigo, os produtos de origem animal ou vegetal, em estado natural ou submetidos a processos de beneficiamento ou industrialização rudimentar, assim compreendidos, entre outros, os processos de lavagem, limpeza, descaroçamento, pilagem, descascamento, lenhamento, pasteurização, resfriamento, secagem, fermentação, embalagem, cristalização, fundição, carvoejamento, cozimento, destilação, moagem, torrefação, bem como os subprodutos e os resíduos obtidos através desses processos. §4°Não integra a base de cálculo dessa contribuição a produção rural destinada ao plantio ou reflorescimento, nem sobre o produto animal destinado a reprodução ou criação pecuária ou Fl. 4415DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 23 13 granjeira e a utilização como cobaias para fins de pesquisas científicas, quando vendido pelo próprio produtor e quem a utilize diretamente com essas finalidades, e no caso de produto vegetal, por pessoa ou entidade que, registrada no Ministério da Agricultura, do Abastecimento e da Reforma Agrária, se dedique ao comércio de sementes e mudas no País. § 5º (VETADO) (...) Art. 30 ... IV o adquirente, o consignatário ou a cooperativa ficam sub rogados nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; X a pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e o segurado especial são obrigados a recolher a contribuição de que trata o art. 25 desta Lei no prazo estabelecido no inciso III deste artigo, caso comercializem a sua produção no exterior ou, diretamente, no varejo, ao consumidor." Ora, caros leitores, o fato de o art. 1° da Lei n° 8.540/92 ter sido declarado, na via difusa, inconstitucional, não implica ipso facto que todas as modificações legislativas por ele introduzidas sejam tidas por inconstitucionais. A pensar assim, seria inconstitucional a fragmentação da alínea 'a' do inciso V do art. 12 da Lei n° 8.212/91, nas alíneas 'a' e 'b' do mesmo dispositivo legal, sem qualquer modificação em sua essência, assim como a renumeração das alíneas 'b', 'c' e 'd' do mesmo inciso V acima citado para 'c', 'd' e 'e', respectivamente, sem qualquer modificação de texto. (...) E o que falar, então, sobre a constitucionalidade do Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91, o qual, embora citado pelo Sr. Min. Marco Aurélio, sequer se houve por tocado pelo art. 1° da Lei n° 8.540/92. Seria, assim, o Inciso VII do art. 12 da Lei n° 8.212/91 inconstitucional simplesmente e tão somente porque fora citado pelo Min. Marco Aurélio em seu voto? Não nos parece ser essa a melhor exegese do caso em debate. (...) Aditese que o inciso IX do art. 93 da CF/88 determina, taxativamente, que todos os julgamentos dos órgãos do Poder Judiciário, aqui incluído por óbvio o STF, devem ser públicos, e fundamentadas todas as suas decisões, sob pena de nulidade. Ora ... No julgamento do RE 363.852/MG inexiste qualquer menção, ínfima que seja, a possíveis vícios de inconstitucionalidade na subrogação encartada no inciso . V do art. 30 da Lei n° 8.212/91. Aliás, o vocábulo "subrogação" assim como a referência ao "inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91" somente são mencionados na conclusão do Acórdão, ocasião em que o Sr. Fl. 4416DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 14 Min. Relator desobriga os recorrentes do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social ou do seu recolhimento por subrogação sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, e que é declarada inconstitucionalidade do art. 1° da Lei n° 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97. Realmente, ao verificar o texto integral da decisão do Ministro Marco Aurélio no acórdão RE 363.852, o mesmo não adentrou em momento algum a apreciação da inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, o que ao meu ver, impede a extensão dos efeitos da inconstitucionalidade das contribuições instituídas lei 8.540/92, o qual deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, para as contribuições lançadas após a lei 10.256/2001. Todavia, não foi apenas esse fato mencionado no voto do ilustre Conselheiro Arlindo da Costa, que me levou a alterar o posicionamento até então adotado. Senão vejamos, outro texto do acórdão que novamente adoto como razões de decidir: A quatro, porque a responsabilidade pelo recolhimento das contribuições de que trata o art. 25 da Lei n° 8.212/91 foi determinada ao adquirente, ao consignatário e à cooperativa, expressamente, pelo inciso III do art. 30 da Lei n° 8.212/91, o qual não foi igualmente atingido, sequer de raspão, pelos petardos da declaração de inconstitucionalidade aviada no RE n° 363.852/MG, permanecendo tal obrigação tributária ainda vigente e eficaz, mesmo em relação ao empregador rural pessoa física após a publicação da Lei n° 10.256/2001, produzindo todos os efeitos jurídicos que lhe são típicos. Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 Art. 25. A contribuição do empregador rural pessoa física, em substituição à contribuição de que tratam os incisos I e II do art. 22, e a do segurado especial, referidos, respectivamente, na alínea a do inciso V e no inciso VII do art. 12 desta Lei, destinada à Seguridade Social, é de: (Redação dada pela Lei n° 10.256/2001). I 2% da receita bruta proveniente da comercialização da sua produção; (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). II 0,1% da receita bruta proveniente da comercialização da suaprodução para financiamento das prestações por acidente dotrabalho. (Redação dada pela Lei n° 9.528/97). Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas, observado o disposto em regulamento: (...) Fl. 4417DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 24 15 III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) IV a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa ficam subrogadas nas obrigações da pessoa física de que trata a alínea "a" do inciso V do art. 12 e do segurado especial pelo cumprimento das obrigações do art. 25 desta Lei, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, exceto no caso do inciso X deste artigo, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) É certo que o disposto no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91 já seria bastante e suficiente para impingir ao adquirente, consumidor, consignatário e à cooperativa o dever jurídico de recolher as contribuições incidentes sobre a comercialização de produção rural. Mas o Legislador Ordinário foi mais seletivo: Isolou, propositadamente, no inciso III do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, a obrigação tributária do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa de recolher a contribuição de que trata o art. 25 dessa mesma lei, no prazo normativo, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física, outorgando ao Regulamento da Previdência Social a competência para dispor sobre a forma de efetivação de tal obrigação acessória. Acomodou no inciso IV do art. 30 da Lei n° 8.212/91, de maneira genérica, a subrogação do adquirente, do consumidor, do consignatário e da cooperativa nas demais obrigações, de qualquer naipe, do empregador rural pessoa física e do segurado especial decorrentes do art. 25 desse Diploma Legal, independentemente de as operações de venda ou consignação terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário pessoa física. Da análise dos dispositivos legais acima selecionados, restou visível que a obrigação da empresa adquirente, consumidora, consignatária e a cooperativa pelo recolhimento das contribuições previstas no art. 25 da Lei n° 8.212/91, na redação dada pela Lei n° 10.256/2001, decorre não da norma inscrita no inciso IV do art. 30 da Lei de Custeio da Seguridade Social, mas, sim, do preceito assentado no inciso III desse mesmo dispositivo legal, em atenção ao princípio jurídico da especialidade na solução dos conflitos aparentes de normas jurídicas, que faz com que a norma específica prevaleça sobre aquela editada de Fl. 4418DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 16 maneira genérica, princípio eternizado no brocardo latino "lex specialis derogat generali". A cinco, porque o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG declara a "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97, até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição, tudo na forma do pedido inicial". Salta aos olhos que a sanatória da inconstitucionalidade vislumbrada pela Suprema Corte depende, tão somente, da promulgação de legislação nova, arrimada na EC n° 20/98, que institua a contribuição então viciada. Tais exigências houveramse por integralmente supridas com a promulgação da Lei n° 10.256, de 09 de julho de 2001, sob cuja égide ocorreram todos os fatos geradores contidos no presente lançamento tributário. (...) Avulta, de todo o exposto, que o provimento permeado no Acórdão do STF em tela visou a desobrigar o recorrente do RE 363.852/MG da retenção e do recolhimento da contribuição social sobre a "receita bruta proveniente da comercialização da produção rural" de empregadores, pessoas naturais, fornecedores de bovinos para abate, ou do seu recolhimento por subrogação, não por defeito jurídico no instituto da subrogação, mas, sim, por vício de inconstitucionalidade da própria exação em si considerada. Ou seja, face aos argumentos colacionados pelo voto condutor no processo acima transcrito, concluo que deve ser julgado procedente o lançamento por subrogação em relação a aquisição da produção rural do produtor rural pessoa física sob os seguintes aspectos. Primeiramente a não apreciação no RE 363.852/MG dos aspectos relacionados a inconstitucionalidade do art. 30, IV da Lei 8212/2001; sendo que o fato de constar no resultado do julgamento "inconstitucionalidade do artigo 1° da Lei n° 8.540/92, que deu nova redação aos artigos 12, incisos V e VII, 25, incisos I e II, e 30, inciso IV, da Lei n° 8.212/91, com redação atualizada até a Lei n° 9.528/97" não pode levar a interpretação extensiva de que fora declarada também a inconstitucionalidade do art. 30, IV, considerando a ausência de fundamentos jurídicos no próprio voto condutor. Segundo, o próprio dispositivo do Acórdão do RE 363.852/MG que declarou a inconstitucionalidade fez constar: "até que legislação nova, arrimada na Emenda Constitucional n° 20/98, venha a instituir a contribuição". Ou seja, considerando que a lei 10.256/2001, cobriu de legitimidade a cobrança de contribuições sobre a aquisição do produtor rural pessoa física, por derradeiro, não tendo o RE 363.852 declarado a inconstitucionalidade do art. 30, IV da lei 8212/91, a subrogação consubstanciada neste dispositivo encontrase também legitimada. Ademais a obrigação legal de arrecadar as contribuições descritas no art. 25 não encontra respaldo apenas no art. 30, IV da lei 8212/91, mas também na obrigação legal esculpida no inciso III do mesmo artigo: III a empresa adquirente, consumidora ou consignatária ou a cooperativa são obrigadas a recolher a contribuição de que trata o art. 25, até o dia 2 do mês subsequente ao da operação de venda ou consignação da produção, independentemente de estas operações terem sido realizadas diretamente com o produtor ou com intermediário Fl. 4419DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10325.000992/201046 Acórdão n.º 9202004.335 CSRFT2 Fl. 25 17 pessoa física, na forma estabelecida em regulamento; (Redação dada pela Lei 9.528/97) (grifos nossos) Quanto a utilização do inciso III do art. 30 da lei 8212/91, como fundamento para legitimação da sistemática de adoção da sub rogação, destacamos, que esse critério só precisa ser utilizado, caso se entendesse que realmente o art. 30, IV da lei 8212/91, tivesse sido declarado inconstitucional no RE 363.852, fato, que no meu entender restou superado, pelos argumentos trazidos anteriormente no presente voto. (...) Por fim, como bem notou a Procuradora da Fazenda em seu contraarrazoado, questões relativas à constitucionalidade da Lei nº 10.265/2001 ainda estão no aguardo de apreciação do STF como matéria de repercussão geral, e nem mesmo o próprio recorrente pretende ver a apreciação da constitucionalidade dessa norma , mas apenas o efeito dos acórdãos dos RE 363.852 e RE 596.177 sobre a subrogação, acima debatidos. Pelas razões acima expostas, voto por negar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte, mantendo o crédito tributário lançado. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 4420DF CARF MF Impresso em 19/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/09/2016 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 16/09/2 016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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Numero do processo: 13161.001797/2008-27
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 23 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Nov 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE.
Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE
Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições.
ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA.
A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial.
CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE.
1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro.
2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária.
COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições.
VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF.
As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes.
CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE.
Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-003.276
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède.
Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Redator Designado.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelece-se o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANO-CALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir ano-calendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do ano-calendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.158-35/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 CRÉDITO BÁSICO. GLOSA POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. PROVA APRESENTADA NA FASE IMPUGNATÓRIA. RESTABELECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. POSSIBILIDADE. Se na fase impugnatória foram apresentados os documentos hábeis e idôneos, que comprovam o custo de aquisição de insumos aplicados no processo produtivo e o gasto com energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica, restabelecese o direito de apropriação dos créditos glosados, devidamente comprovados. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE. TRANSPORTE DE BENS SEM DIREITO A CRÉDITO OU DE TRANSPORTE MERCADORIAS ENTRE ESTABELECIMENTOS. DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE Por falta de previsão legal, não gera direito a crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins os gastos com o frete relativo ao transporte de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, bem como os gastos com frete relativo às operações de compras de bens que não geram direito a crédito das referidas contribuições. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. BENEFICIAMENTO DE GRÃOS. INOCORRÊNCIA. A atividade de beneficiamento de grãos, consistente na sua classificação, limpeza, secagem e armazenagem, não se enquadra na definição de atividade de produção agroindustrial, mas de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 16 1. 00 17 97 /2 00 8- 27 Fl. 323DF CARF MF 2 Por expressa determinação legal, é vedado às cooperativas de produção agropecuária a apropriação de crédito presumido agroindustrial. CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. UTILIZAÇÃO MEDIANTE RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. CRÉDITO APURADO A PARTIR DO ANOCALENDÁRIO 2006. SALDO EXISTENTE NO DIA 26/6/2011. POSSIBILIDADE. 1. O saldo dos créditos presumidos agroindustriais existente no dia 26/6/2011 e apurados a partir anocalendário de 2006, além da dedução das próprias contribuições, pode ser utilizado também na compensação ou ressarcimento em dinheiro. 2. O saldo apurado antes do anocalendário de 2006, por falta de previsão legal, não pode ser utilizado na compensação ou ressarcimento em dinheiro, mas somente na dedução do débito da respectiva contribuição. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA COM SUSPENSÃO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por expressa determinação legal (art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004), é vedado a manutenção de créditos vinculados às receitas de venda efetuadas com suspensão da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária. COOPERATIVA DE PRODUÇÃO AGROPECUÁRIA. RECEITA DE VENDA EXCLUÍDA DA BASE DE CÁLCULO. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, não é permitido à pessoa jurídica que exerça atividade de cooperativa de produção agropecuária a manutenção de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins vinculados às receitas de venda excluídas da base de cálculo das referidas contribuições. VENDA DE BENS E MERCADORIAS A COOPERADO. EXCLUSÃO DO ARTIGO 15, INCISO II DA MP Nº 2.15835/2001. CARACTERIZAÇÃO DE ATO COOPERATIVO. LEI Nº 5.764/1971, ARTIGO 79. NÃO CONFIGURAÇÃO DE OPERAÇÃO DE COMPRA E VENDA NEM OPERAÇÃO DE MERCADO. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. APLICAÇÃO DO RESP 1.164.716/MG. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62, §2º DO RICARF. As vendas de bens a cooperados pela cooperativa caracteriza ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, não implicando tais operações em compra e venda, de acordo com o REsp nº 1.164.716/MG, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos e de observância obrigatória nos julgamentos deste Conselho, conforme artigo 62, §2º do RICARF. Destarte não podem ser consideradas como vendas sujeitas à alíquota zero ou não incidentes, mas operações não sujeitas à incidência das contribuições, afastando a aplicação do artigo 17 da Lei 11.033/2004 que dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. CRÉDITO ESCRITURAL DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP E COFINS. DEDUÇÃO, RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 49 3 Independentemente da forma de utilização, se mediante de dedução, compensação ou ressarcimento, por expressa vedação legal, não está sujeita atualização monetária ou incidência de juros moratórios, o aproveitamento de crédito apurado no âmbito do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer o direito ao crédito básico correspondente às notas fiscais nº 112421, 13951, 40721 e 7331 referente a insumos básicos e o crédito correspondente aos gastos com energia elétrica, quanto aos últimos, excepcionadas as notas fiscais 27643, 987063 e 541925. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário para manter a glosa integral dos créditos relativos aos fretes de transferência entre estabelecimentos e nas compras sem direito a crédito, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e a Conselheira Lenisa Prado e, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Pelo voto de qualidade, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação aos gastos com frete na aquisição de produtos tributados a alíquota zero, vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, Walker Araújo e as Conselheiras Lenisa Prado e Maria do Socorro Ferreira Aguiar, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à apropriação de créditos presumidos agroindustriais, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator e a Conselheira Lenisa Prado, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referentes ao direito de manutenção dos créditos vinculados às receitas de vendas com suspensão e de vendas excluídas da base de cálculo, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Por maioria de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário em relação às glosas referente ao direito de manutenção do crédito de custos, despesas e encargos comuns vinculados às transações com associados de bens e serviços à alíquota zero, devendo ser refeito o rateio excluindo os valores destas operações da definição de receita. Vencidos os Conselheiros Domingos de Sá, Relator, e o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. Por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário em relação à incidência de juros de mora sobre o valor objeto do pedido de ressarcimento, vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator que dava provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. Fl. 325DF CARF MF 4 (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Redator Designado. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário em razão do Acórdão que negou o direito ao crédito pleiteado referente aos anos calendários de 2004, 2005, 2006 e 2007, e, manteve o indeferimento parcial da pretensão do reconhecimento do direito creditório relativo ao PIS/PASEP e a COFINS, conforme se vê do voto. Em sede de Embargos Declaratórios foram acolhidos os argumentos da Embargante, aqui Recorrente, para o exame da Manifestação de Inconformidade em toda a sua plenitude, diante de omissão quando da análise procedida que resultou num Acórdão da 2ª Turma da DRJ/CGE. Em sendo assim, está em exame o Acórdão de nº 3302003.276. O pleito foi deferido parcialmente pelos motivos elencados no relatório fiscal, o que restou acolhido pelo julgador de piso. Em sua conclusão resume os ajustes nos cálculos realizados pela contribuinte: “I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 50 5 IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a matéria circunscrevese a questão se Recorrente é considerada agroindustrial ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); VI. Deferimento dos créditos básicos vinculados às operações de exportações realizados no período.” Do relatório fiscal constatas as razões das glosas: 1. CRÉDITO BÁSICO 1.1 AQUISIÇÃO DE INSUMOS No período em análise a contribuinte registrou créditos integrais da não comutatividade das contribuições para o Pis e da Cofins sobre as compras de pessoa jurídica. Através do Termo de Intimação Fiscal 003, por amostragem, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição registradas na memória de cálculo do Dacon. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.2 FRETES / DESPESAS DE ARMAZENAGEM O contribuinte apurou créditos da contribuição para Pis e da Cofins sobre os fretes de operações de venda/armazenagem, transferência e compras de mercadorias. Conforme será demonstrado, apenas os fretes vinculados a operações de venda geram direito a apuração de crédito da contribuição para Pis e da Cofins. 1.2.1 FRETE SOBRE OPERAÇÕES DE VENDAS / ARMAZENAGEM Nas operações com fretes sobre vendas somente existe direito ao crédito da nãocumulatividade das contribuições para o Pis e da Cofins se for comprovado que o ônus foi suportado pelo vendedor (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IX c/c art. 15, inciso II e art. 93) Através do Termo de Intimação Fiscal 003 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia digitalizada dos comprovantes de pagamento a título de fretes sobre venda/despesa de armazenagem as pessoas jurídicas. Fl. 327DF CARF MF 6 Pela análise da documentação solicitada, a contribuinte comprovou que, no período entre agosto de 2004 e dezembro de 2007, foi a responsável pelo pagamento dos serviços de fretes contratados. Portanto, atende ao requisito legal para apuração do crédito, ou seja, o ônus foi suportado pela vendedora. 1.2.2 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA As transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte implicam em mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores. Portanto, não integram a “operação de venda” referida no art. 3º, inciso IX da Lei nº 10.833/2003. Somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias para o consumidor final, desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, gera direito ao crédito do PIS/PASEP e da Cofins. Cumpre registrar que somente os valores das despesas realizadas com fretes contratados para a entrega de mercadorias diretamente aos clientes adquirentes é que geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, consoante entendimento da CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), exarado na Solução de Divergência nº 11, de 27 de setembro de 2007, cuja ementa está disponível no sítio da RFB na internet. A exclusão das transferências de mercadorias foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.2.3 FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA Os fretes sobre compras, quando por conta do comprador, integram o custo dos bens. Se tais bens geram direito a crédito de PIS e Cofins, logo, indiretamente, o frete incidente na compra dos mesmos também gerará. Porém, se a aquisição destes bens não gerarem crédito, o frete sobre a compra também não gerará direito ao crédito. As mercadorias transportadas nos fretes das operações de compra foram fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero (conforme, inciso I e III do art. 1º da Lei 10.925/2004). Portanto, nos fretes de operações de compra não existe a apuração do crédito. A exclusão dos valores relativos a estas operações foi realizada a partir das informações prestadas através do Termo de Intimação Fiscal 005 (ver Tabela 04 e 06). 1.3 ENERGIA ELÉTRICA Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 51 7 As despesas com energia elétrica geram créditos da cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins contratadas com pessoa jurídica domiciliada no País, incorridas a partir do período de apuração de fevereiro de 2004 (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso III e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IX do caput). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitadas cópias das notas fiscais de aquisição conforme os registros da memória de cálculo do Dacon apresentado pelo contribuinte. O contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais registradas (Tabela 04 e 05). 1.4 ALUGUÉIS PESSOA JURÍDICA É permitida a apropriação de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o Pis e da Cofins sobre os valores relativos as despesas utilizadas na atividade da empresa, em relação a aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados na atividade da empresa (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, inciso IV e Lei nº 10.637/2002, art. 3º, inciso IV). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos decorrentes de despesa com aluguéis. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04) 1.5 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A partir do mês de agosto 2004 é possível calcular créditos da não cumulatividade da contribuição para Pis e da Cofins somente em relação: a máquinas e equipamentos e outros bens incorporados ao Ativo Imobilizado, adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no País ou importados, utilizados na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços (Lei nº 10.833/2003, art. 3º, incisos VI do caput e inciso II do § 3º). Através do Termo de Intimação Fiscal 003, foram solicitados todos os comprovantes relativos aos créditos de aquisição de imobilizado. A análise da documentação apresentada comprovou apenas parte dos valores registrados no Dacon (ver Tabela 04). 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA A luz do dispositivo transcrito, o enquadramento legal para utilização do crédito presumido decorre das seguintes condições: que as mercadorias produzidas estejam classificadas na(s) NCM(s) estabelecidas pela lei; que a contribuinte exerça a atividade de produção de mercadoria (agroindústria); e, que os produtos fabricados sejam destinados à alimentação humana ou animal. Fl. 329DF CARF MF 8 2.1 PRODUTOS DE ORIGEM ANIMAL OU VEGETAL O art. 8º da Lei nº 10.925/2004 estabeleceu os capítulos de classificação na NCM dos produtos de origem animal ou vegetal que dão direito ao crédito presumido da atividade agroindustrial. No caso em tela, conforme a memória de cálculo do DACON, no período em análise, os produtos exportados pela contribuinte foram soja NCM 1201.90.00 e milho NMC 1005.90.10. Assim, referidos produtos estão classificados entre os capítulos 8 a 12 da NCM, conforme a determinação do art. 8º da Lei 10.925/2004, com a regulamentação reproduzida na alínea d, inciso I, do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 660. 2.2 AGROINDÚSTRIA A Lei nº 10.925, de 2004, não faz nenhuma menção explícita a atividade de agroindústria. O art. 8º do referido diploma legal aponta a necessidade de produção de mercadorias para apuração do crédito presumido, nos seguintes termos: “Art. 8º As pessoas jurídicas […] que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal […]”. Grifouse O termo agroindústria foi definido no art. 6º da IN RFB 660/2006, abaixo transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e (...) Grifouse Conforme os aludidos dispositivos legais, somente possui direito de apurar o crédito presumido em análise a pessoa jurídica que produza mercadoria. O inciso III, § 1º, art. 8º, da Lei nº 10.925/2004, estabelece que o direito de apurar o crédito presumido nele previsto aplicase também nas aquisições efetuadas de pessoa de cooperativa de produção agropecuária. 3.3 DESTINAÇÃO À ALIMENTAÇÃO HUMANA OU ANIMAL Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em resposta a intimação fiscal a contribuinte limitouse a reproduzir o disposto no Regulamento Técnico Anexo a Instrução Normativa nº 11 do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, bem como, a afirmar que “ Como visto, conforme padrões exigidos pelo Ministério da Agricultura, as mercadorias relacionadas no Caput do Art. 8º da lei 10.925/2004, produzidas pela contribuinte estão dentro nos padrões a serem destinadas a alimentação humana ou animal, atendendo todos os requisitos para apuração do Crédito Presumido de Pis e Cofins. A comprovação dos requisitos destinação a alimentação humana ou animal é ônus da agroindústria interessada. A exportação, na maior parte dos casos pode inviabilizar a comprovação de tal Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 52 9 requisito, se a venda se der, por exemplo, para comerciantes no exterior (Solução de Consulta nº 24 – SRRF09/Disit). 2.3 UTILIZAÇÃO DO CRÉDITO PRESUMIDO O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para dedução da Contribuição para o PIS e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência não cumulativa. Art. 15. As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem vegetal, classificadas no código 22.04, da NCM, poderão deduzir da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Vigência) Grifouse 3. CRÉDITOS MERCADO INTERNO NÃO TRIBUTADO Os créditos relativos ao mercado interno não tributado estão vinculados as seguintes operações: vendas suspensas; vendas com alíquota zero e exclusões de base de cálculo permitidas as sociedades cooperativas. Como se demonstrará, nestas situações não existe o direito a manutenção do crédito previsto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004. Desta maneira, os créditos vinculados a operações não tributadas no mercado interno foram integralmente indeferidos. 4.1 – VENDAS SUSPENSAS Conforme analisado no subitem 3.2, a Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista. Assim, nas operações realizadas no período a contribuinte faz jus a suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (art. 9º), mas deve providenciar o respectivo estorno dos créditos da não cumulatividade (inciso II, § 4o, art. 8º Tabela 04). 4.2 VENDAS COM ALÍQUOTA ZERO A partir do mês de agosto/2004 os insumos vendidos pela contribuinte aos associados (adubos, fertilizantes e sementes) tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero (art. 1º da Lei 10.925/2004). Entretanto, a venda de insumos a associados deve ser registrada como exclusão de base de cálculo nos termos da MP nº 2.158, de 24 de Fl. 331DF CARF MF 10 agosto de 2001 e não como uma venda não tributada sujeita à alíquota zero. O art. 17 da Lei nº 11.033 garantiu o direito à manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a operações com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência da Contribuição para o Pis e da Cofins. Portanto, ao registrar indevidamente as exclusões de base de cálculo como vendas sujeitas à alíquota zero, houve a manutenção indevida dos créditos vinculados a estas operações. O valor do crédito vinculado as operações de venda com alíquota zero foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) 4.3 EXCLUSÕES DE BASE DE CÁLCULO O legislador estabeleceu tratamento diferenciado para operações praticadas pela sociedade cooperativas. Em referidas operações, o procedimento previsto é o de excluir os valores respectivos das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Nesta sistemática, NÃO existe previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo. O direito a manutenção do crédito nas operações não tributadas foi estipulado pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. No presente caso, conforme a memória de cálculo de Dacon, a contribuinte manteve indevidamente o direito a crédito nas operações de entradas vinculadas as exclusões de base de cálculo permitidas as cooperativas (art 15 MP 215835/01 e art 17 leis 10.684/03). O valor do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusão de base de cálculo admitidas as cooperativas foi integralmente glosado (tabelas 03 e 04) O julgado encontrase resumido a ementa: ACÓRDÃO. OMISSÃO. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. Deve ser apreciada como embargos de declaração a manifestação do contribuinte na qual se alegue omissão quanto a questões suscitadas na defesa ou impugnação, acerca das quais o órgão julgador deveria ter se pronunciado. COMPENSAÇÃO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. HOMOLOGAÇÃO INDEFERIDA. Não se homologa compensação quando o direito creditório não ficar comprovado. RESSARCIMENTO. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. O reconhecimento do direito creditório objeto de pedido de ressarcimento de PIS e Cofins depende da comprovação documental do respectivo direito. Fl. 332DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 53 11 CRÉDITO PRESUMIDO. COOPERATIVAS. ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. REQUISITO. O crédito presumido destinado às cooperativas agroindustriais beneficiam apenas aquelas entidades que realizam algum processo que possa ser consideração como industrialização, observadas nas exclusões contidas na lei. CRÉDITO PRESUMIDO. LEI Nº 10.925/2004, ARTS 8º E 15. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. VEDAÇÃO. O crédito presumido previsto nos artigos 8º e 15 da Lei nº 10.925/2004 só pode ser utilizado para deduzir o PIS e a Cofins apurados no regime de incidência nãocumulativa, vedada a compensação ou o ressarcimento do valor do crédito presumido. JUROS. COMPENSAÇÃO E RESSARCIMENTO. NÃO INCIDÊNCIA. Não incidirão juros compensatórios no ressarcimento de créditos de IPI, de PIS e de Cofins, bem como na compensação dos referidos créditos. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte.” Em sede recursal debate a contribuinte em relação aos tópicos: 1. Créditos de aquisições de insumos, comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 2. Créditos de aquisições de energia elétrica – comprovantes das aquisições desconsiderados pela fiscalização; 3. Fretes sobre a transferência de insumos entre estabelecimentos; 4. Fretes sobre compras de fertilizantes e sementes; 5. Créditos Presumido sobre aquisições de pessoas físicas, processo produtivo; 6. Forma de utilização do crédito presumido, restrições da colocadas pela Receita Federal ao ressarcimento; 7. Manutenção dos créditos vinculados as receitas com suspensão de incidência de PIS e Cofins; 8. Receitas sujeitas a alíquotas zero, reclassificação indevidas das vendas efetuadas pela fiscalização considerando como venda de bens a associados; Fl. 333DF CARF MF 12 9. Ressarcimento de créditos vinculados as receitas sem incidência de PIS e Cofins, exclusões permitidas as sociedades Cooperativas; 10. Previsão legal para incidência da SELIC. Inicialmente, faz introdução quanto aquisições de matéria prima e do processo produtivo: “O critério da nãocumulatividade permite a realização de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, tudo descrito no Art. 3o das respectivas Leis (10.637 e 10.833). Para o exercício regular de suas atividades, dentre os custos, despesas e encargos suportados, a contribuinte adquire de fornecedores pessoas físicas residentes no país e jurídicas situadas no mercado interno, bens e serviços utilizados como insumos (Inciso II do Art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003) para a produção de mercadorias classificadas na NCM nos Capítulos 8 a 12, constantes do Caput do artigo 8 o da lei 10.925/2004. Estes bens e serviços utilizados como insumos (Inc. II do art. 3 das Leis) decorrem de uma extensa e complexa cadeia produtiva, onde vários itens ao longo da mesma estão sujeitos à incidência das denominadas Contribuições ao Fundo de Participação no Programa de Integração Social PIS (Lei Complementar n° 7, de 7.9.70) , e Contribuição Social sobre o Faturamento COFINS (Lei Complementar n° 70, de 30.12.91), exemplo: óleo diesel, caminhões, colhedeiras, máquinas, peças, ferramentas, etc. Daí, o direito ao crédito sobre as aquisições de pessoas físicas e de pessoas jurídicas com suspensão, ser presumido, conforme constante nas Leis 10.637/2002, 10.833/2003 e no art. 8 o da Lei 10.925/2004. Os créditos sobre os bens e serviços utilizados como insumos conforme descritos no inciso II do art. 3 o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 devem ser apurados no mês da aquisição, conforme Inciso I do parágrafo 1 o do art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, combinado com o parágrafo 2o do art. 8o da lei 10.925/2004, independente da finalidade que se dará a mercadoria produzida, ou seja, do momento da venda.” Considerando que estes 56 (cinqüenta e seis) processos estão vinculados ao MPF 0140200.2011.00053 e: a) que possuem igual teor, pois o mérito discutido é o mesmo em todos os processos; b) considerando os princípios da economia e celeridade processual; c) o propósito de evitar o desperdício de recursos (papel, cópias, impressões, tempo utilizados pelos agentes fiscais para digitalização e vinculação das informações apresentadas para cada processo); d) o tempo utilizado pelo julgador para análise individual de cada processo; e) a possibilidade de julgamento simultâneo. Optou a Contribuinte ao invés de anexar em cada processo (56 vezes), os mesmos documentos que intencionam evidenciar seu direito, discorrer longamente em cada processo em 56 Fl. 334DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 54 13 manifestações de inconformidade idênticas, contendo 73 páginas cada uma, sobre os fundamentos que entende lhe assegurar o direito a crédito complementar; em ANEXAR todos os documentos, bem assim, EM APRESENTAR na versão estendida da manifestação de inconformidade todos os fundamentos legais que entende assegurar o melhor direito para todos os processos mencionados na página inicial, no processo n. 13161.001928/200795, conforme consta anexado nas folhas 84 à 267 do referido processo” Em síntese argumenta em suas razões que: III DAS RAZÕES DE REFORMA Fundamentos legais, discorre sobre o tema: “DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS DIREITO AO RESSARCIMENTO DOS CRÉDITOS 3.1.1 DAS PREMISSAS DO SISTEMA NÃO CUMULATIVO DE PIS E COFINS E SUA INTERPRETAÇÃO Para o adequado enfrentamento dos importantes temas aqui versados, cumprenos trazer a baila, as premissas que nortearam a instituição do sistema não cumulativo para o PIS e a Cofins, marcos históricos de enunciação do direito positivo, constantes respectivamente das Justificativas dos Senhores Ministros da Fazenda, por ocasião dos Projetos de Medidas Provisórias que resultaram nas Leis 10.637/2002 (PIS) e 10.833/2003 (Cofins) 3.1.2 – DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS DE EXPORTAÇÕES Tanto a lei 10.637/2002 quanto a lei 10.833/2003, determinam que as empresas poderão descontar, dos seus débitos apurados, créditos calculados sobre os itens relacionados no Art. 3o de ambas as Leis. Sendo inicialmente autorizado o ressarcimento dos créditos vinculados as exportações conforme disposto para o PIS no Art. 5 o da Lei 10.637/02 e para a COFINS no Art. 6 o da Lei 10.833/03. Portanto, partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não comutatividade e também, evitar a incidência das Contribuições quando da realização de Exportações, ainda que indiretamente. Ao contrário, importaria em afirmar que incidem as referidas contribuições quando da realização de exportações, pois, não teria o Contribuinte o direito de ressarcir o montante pleno que incidiu nas etapas anteriores ao ato de exportar, o que representaria custo, ônus tributário, o que é vedado pelo Legislador Constitucional e, que contraria a prática internacional de não exportar tributos. 3.1.3 DOS CRÉDITOS VINCULADOS AS RECEITAS NO MERCADO INTERNO. Fl. 335DF CARF MF 14 Inicialmente, na introdução do sistema não cumulativo, o Saldo de crédito de PIS e Cofins remanescente após o aproveitamento com os débitos das próprias contribuições, somente poderia ser utilizado para ressarcimento ou compensação, a parcela de créditos proporcional às receitas de exportação, imunidade, ao que as Leis (10.637 e 10.833) denominaram de isenção conforme disposto art. 5o da lei 10.637/2002 para o PIS e art. 6 o da lei 10.833/2003 para a Cofins. Na seqüência, mediante evolução legislativa, visando esclarecer dúvidas relativas a interpretação da legislação do PIS e Cofins, conforme consta no item 19 da exposição de motivos 111 MF, foi editada a medida provisória 206/2004, posteriormente convertida na lei 11.033/2004 que assim dispõem em seu art.17. Portanto, resta muito claro que o art. 17 da lei 11.033/2004 confirmou o direito a manutenção dos créditos apurados na forma do art. 3 o das 10.637/2002 e 10.833/2003 e vinculados às receitas nele mencionadas. Assim, também partindo desta premissa, estamos diante de mecânica própria do PIS e COFINS, sistemática prevista pelo Legislador, que de modo coerente, assegura a manutenção dos créditos, de forma a respeitar o Princípio Constitucional da não cumulatividade, evitando o efeito cascata, ou seja, a cumulatividade. Portanto, as leis não deixam dúvidas quanto a possibilidade de manutenção dos créditos, bem como da recuperação dos mesmos (saldo credor), mediante dedução, compensação ou ressarcimento do saldo de créditos decorrentes de saídas com suspensão, isenção, alíquota zero e não incidência das contribuições para o PIS e Cofins, acumulados a partir de 09 de agosto de 2004. 3.1.4 DA MATERIALIDADE DO PIS E COFINS Ainda cabe destacar que a não cumulatividade do PIS e Cofins, possuiu sistemática de apuração própria, diferente da sistemática adotada em outros tributos como o IPI. No caso, não estamos tratando de apuração de créditos IPI, estamos diante de créditos de PIS e Cofins, cuja materialidade é diversa, sendo que o conceito de insumos e produção para PIS e Cofins é mais amplo que o conceito adotado para o IPI, não guardando nenhuma relação a apuração de créditos de PIS e Cofins com a incidência ou não de IPI no produto produzido. IV Análise do Relatório/Despacho Decisório da RFB No período analisado, em conformidade com o art. 3o das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, a contribuinte apurou créditos sobre insumos utilizados na produção adquiridos de pessoas jurídicas e, sobre a energia elétrica consumida em seus estabelecimentos. Porém, ao julgar o tema entendeu a 2 a Turma da DRJ/CGE que o direito ao crédito sobre estes itens não poderia ser deferido, pois Fl. 336DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 55 15 segundo seu entendimento, o direito não teria sido comprovado devendo ser considerada encerrada a fase probatória. Todavia, não concorda a contribuinte, pois estas aquisições como se demostrará a seguir, estão efetivamente comprovadas. Ressaltase, que a fiscalização durante sua análise teve várias maneiras e oportunidades de efetivamente comprovar a existência destas aquisições, uma vez que todos os livros e registos contábeis estavam em seu poder, conforme apresentado em atendimento as diversas intimações, sejam por meio dos documentos físico ou digital. Assim, considerando que para o caso em questão há documentos que comprovam a efetiva aquisição, entende a contribuinte que o crédito deve ser deferido, em observância ao principio da verdade material. 4.1.1 AQUISISÕES DE INSUMOS Mencionase que a fiscalização indeferiu parte dos créditos apurados sobre as aquisições de insumos utilizados na produção, sob o argumento que parte destas aquisições não foram comprovadas, uma vez que, segundo seu entendimento, não teriam sido apresentadas pela contribuinte, as notas fiscais (documento físico) relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuia ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, e que ora, para melhor análise do colegiado, novamente seguem anexo ao recurso. Ocorre, que o direito ao crédito apurado sobre estas aquisições não pode ser desconsiderado, pelo simples fato de a Contribuinte não ter conseguido encontrar parte destas notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização. Registrese que estas aquisições, constam registradas na escrituração contábil e fiscal da contribuinte, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. Assim, considerando que estas Notas Fiscais de aquisições de insumos foram devidamente registradas e escrituradas, a fiscalização poderia considerar estes meios para confirmar estas aquisições, uma vez que, estas informações estão relacionadas em documentos, tais como: livros digitais de entradas e saídas, razões contábeis, arquivos contábeis, arquivos digitais de entradas e saídas formato SINTEGRA, todos apresentados a fiscalização pela contribuinte em atendimento as intimações recebidas. Para além disso, todos os comprovantes que evidenciam a ocorrência da efetiva aquisição dos insumos referente as notas Fl. 337DF CARF MF 16 fiscais relacionadas Tabela 05 elaborada pela fiscalização anexa ao Relatório Fiscal, seguiram no ANEXO I da manifestação de inconformidade então protocolada para melhor análise da DRJ, onde foram anexados, cópia das notas fiscais n° 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos de demais registros, conforme podese observar nos documentos constantes nas folhas 166 a 225 do processo 13161.001928/200795, e que ora, para melhor analise deste colegiado, novamente são apresentados anexo a este recurso, confirmando o direito ao crédito. Portanto, considerando que estão comprovadas as aquisições de insumos anteriormente desconsideradas pela fiscalização, conforme relação constante na Tabela 05, que seguiu anexa ao Relatório Fiscal para ciência, requer a contribuinte a manutenção do crédito sobre estas as aquisições. 4.1.2 DA ENERGIA ELÉTRICA Relativo às despesas de energia elétrica, da mesma forma que manifestou entendimento sobre as aquisições de insumos, entendeu a fiscalização que algumas aquisições não estariam comprovadas, argumentando que não teriam sido apresentadas pela contribuinte as faturas relacionadas pela fiscalização nas Tabelas 04 e 05 cuja ciência tomou a contribuinte juntamente com o Relatório Fiscal, indeferindo desta forma, o crédito apurado sobre estas faturas. Todavia s.m.j., o argumento da fiscalização está equivocado, pois tais notas fiscais, foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentou cópia digitalizada destes documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004 onde a contribuinte apresentou os originais destes documentos, sendo que estas faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Ademais, evidenciado o equivoco da fiscalização, comprovado a existência destes documentos, juntamente com manifestação de inconformidade então protocolada para melhor analise da DRJ, contribuinte apresentou novamente as faturas de energia elétrica, que foram desconsideradas pela fiscalização (Tabela 05 elaborada pela fiscalização), conforme pode ser verificado nos documentos (ANEXO II) constantes nas folhas 226 a 267 do processo 13161.001928/200795, e que ora, em virtude de não terem sido considerados no julgamento da DRJ, no intuito de facilitar a análise deste colegiado a contribuinte novamente os apresenta, anexo, a este recurso. Assim, considerando o principio da verdade material, uma vez que existem os comprovantes das despesas de energia elétrica e, que foram desconsideradas pela fiscalização sob o argumento de Fl. 338DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 56 17 não apresentação da documentação, requer a contribuinte a manutenção do crédito de PIS e Cofins apurados sobre a totalidade das despesas com Energia Elétrica. 4.2 DOS FRETES SOBRE OPERAÇÃO DE TRANFERÊNCIAS DE MERCADORIAS Dentre os custos, despesas e demais encargos elencados no Art. 3o das Leis 10.637/02 e 10.833/03, no inciso IX do art. 3o estão relacionados ás despesas de armazenagem e frete na operação de venda. Todavia, ao efetuar a verificação dos créditos apurados pelo contribuinte, a fiscalização entendeu que não seria possível apurar créditos sobre os fretes, relativo às transferências de insumos, mercadorias entre estabelecimentos, entendendo que estas operações não integrariam as operações de venda, argumentando se tratar de mero deslocamento das mercadorias. Ocorre que este "deslocamento" como denominado pela fiscalização, não se dá pela simples vontade da contribuinte em transferir a mercadoria de um estabelecimento para outro, mas decorre da necessidade de se realizar esta operação, em virtude de diversos fatores interligados a operação de produção e venda destas mercadorias. O fato é que estas transferências representam custos necessários a atividade da contribuinte, sendo certo que se houvesse alguma forma de evitar o ônus destes custos, certamente seriam evitados, pois nenhuma empresa almeja ter seus custos e despesas majorados sem que realmente seja estritamente necessário. Portanto, os fretes relativos a transferências entre estabelecimentos também fazem parte dos custos de produção necessários à atividade, pois sem eles não haveria como concluir todas as etapas de produção, não podendo a mercadoria ser comercializada, enviada para o destino. 4.3 DOS FRETES SOBRE COMPRAS DE FERTILIZANTES E SEMENTES A contribuinte no período analisado, adquiriu mercadorias para revenda, dentre as quais fertilizantes e sementes sujeitas a alíquota 0% de PIS e Cofins. Sobre a aquisição de sementes e fertilizantes não houve aproveitamento de crédito, pois a contribuinte observou o disposto no § 2o do art. 3° das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 que veda o aproveitamento de crédito sobre as aquisições não sujeitas ao pagamento das contribuições. Todavia, ao adquirir os fertilizantes e as sementes para revenda, é necessário que estas mercadorias sejam transportadas do Fl. 339DF CARF MF 18 estabelecimento do fornecedor até o estabelecimento do comprador, para isso, é preciso contratar os serviços de transportes de uma terceira empresa que realizará o frete destas mercadorias até o seu destino. Logo, quando o ônus desta despesa é suportado pelo adquirente, (caso da recorrente) esta despesa será agregada ao custo da mercadoria adquirida. Estes fretes (serviços), são onerados pelas contribuições para o PIS e Cofins, uma vez que estes fretes foram tributados na etapa anterior, pois para a pessoa jurídica que prestou o serviço de frete, estas operações representam sua receita/faturamento, portanto base de calculo das contribuições nesta fase da operação. Ademais, o frete não é aquisição com alíquota zero ou suspensão e, sim, operação regularmente tributada de PIS e Cofins, daí a não cumulatividade prever o direito ao crédito pelo adquirente. Ou seja, uma coisa é a mercadoria outra coisa é o frete. Que apesar de ser custo de aquisição, todavia, são operações distintas, de fornecedores igualmente distintos, mediante Notas Fiscais específicas. O fundamento utilizado pelo Agente Fiscal para vedar o crédito nas aquisições de fretes aplicados no transporte de mercadorias tributadas a alíquota zero não tem Isto porque, fundou seu entendimento no Inciso II do Parágrafo 2 o do art. 3 o da Lei 10.833/2003. Neste fundamento, claro está à vedação do direito ao crédito na aquisição de mercadorias ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Definitivamente, este não é o caso. Posto que, os fretes são alcançados pelas Contribuições. O fato de a mercadoria adquirida ser tributada a alíquota zero, não autoriza a extensão da interpretação no sentido de afastar o direito ao crédito nos serviços contratados (fretes) e aplicados no transporte daquelas mercadorias. 4.4 DO CRÉDITO PRESUMIDO ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL – PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS DE ORIGEM VEGETAL CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM. A Contribuinte diante da mecânica do PIS e da COFINS não cumulativa, para o período, apurou crédito presumido sobre insumos adquiridos de pessoas físicas e pessoas jurídicas com suspensão, utilizados na produção de mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, com fundamento, no inciso II do artigo 3o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 combinado com o § 10 do Art.3° da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3o da Lei 10.833/2003 e a partir de agosto de 2004 no artigo 8o da lei 10.925/2004. Todavia entendeu a fiscalização que a contribuinte não se enquadraria como empresa produtora, por conseguinte e não faria jus a apuração do referido crédito. Mas vejamos mais informações. 4.4.1 ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL CONCEITO PROCESSO PRODUTIVO. Fl. 340DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 57 19 A Recorrente de acordo com o inciso I do artigo 6 o da IN SRF 660 exerce atividade econômica de produção de mercadorias relacionadas no artigo 5º da referida IN. 4.4.3 AQUISIÇÃO DE INSUMOS UTILIZADOS NA PRODUÇÃO A Contribuinte adquire de pessoas físicas e jurídicas que desempenham atividade rural insumos, utilizados no processo produtivo em conformidade com o inciso II do art.3 o das leis 10.637/2002 e 10.833/2003 e art. 7 o da IN SRF 660. Ressaltamos que os produtos agropecuários resultantes da atividade rural, são adquiridos pela contribuinte, são os insumos (daí o Inciso II do Art. 3 o das Leis) que após processo produtivo atividade agroindustrial (definição da IN 660, art. 6), resultam nas mercadorias classificadas nos capítulos 10, e 12 da NCM Nomenclatura Comum do MERCOSUL (§ 10 do Art. 3 o da Lei 10.637/2002, § 5, do Art. 3 o da Lei 10.833/2003 e Caput do art. 8 o da Lei 10.925 e Inciso II do art. 3o das Leis 10.637 e 10.833). Portanto, faz jus a Contribuinte ao crédito de PIS e COFINS, calculados sobre estes insumos, considerando as disposições da Lei e IN, nas alíquotas previstas na legislação. 4.4.4 DA ATIVIDADE ECONÔMICA DE PRODUÇÃO DAS MERCADORIAS CLASSIFICADAS NOS CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL. O contribuinte é equiparado a estabelecimento produtor de acordo com o artigo 4 o da lei 4.502/65: Art. 4o Equiparamse a estabelecimento produtor, para todos os efeitos desta Lei: IV os que efetuem vendas por atacado de matériasprimas, produtos intermediários, embalagens, equipamentos e outros bens de produção. (Incluído pelo DecretoLei n° 34, de 1966) (grifo acrescido) Por conseguinte, realiza o beneficiamento das mercadorias (grãos) através de procedimentos próprios e necessários para obtenção do Padrão Oficial, previsto em Legislação Federal e, requisito necessário para o comércio.” Submetido a julgamento, a Turma decidiu, em razão do apelo da contribuinte, confirmado pelo patrono em sustentação oral, a necessidade de se baixar o feito em diligência para que fosse anexada cópia integral dos autos do processo administrativo 13161.001928/200795, ao argumento de que as provas capazes de nortear a decisão teriam sido carreadas, por essa razão os autos retornaram a origem. Fl. 341DF CARF MF 20 Retorna os autos para apreciação das matérias, registrase, em que pese a diligência determinada, restou esclarecido, posteriormente, que os documentos objeto da determinação tinham sido anexados pela própria Recorrente. Era o que tinha a relatar, sendo essa a matéria a ser apreciada. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, relator. Cuidase de recurso tempestivo, atendido os pressupostos de admissibilidade, deve ser conhecido. O debate encontra focado em glosas. No tocante aos créditos básicos oriundos de aquisição de insumos, o indeferimento decorre de falta de comprovação. O deferimento parcial dos créditos se refere aos insumos: ENERGIA ELÉTRICA, ALUGUÉIS PAGOS A PESSOAS JURÍDICAS, FRETE e AQUISIÇÃO DE IMOBILIZADO. GLOSA DE CRÉDITO DE INSUMOS TRIBUTADOS ALÍQUOTA ZERO, EXTORNO DE CRÉDITO VENDA MERCADO INTERNO, ETC. A fiscalização reconhece o direito a apropriação de créditos para as contribuições do PIS e da COFINS. Afirma que a solicitação dos comprovantes das aquisições de insumos aconteceu por meio do “Termo de Intimação – 003”, atendido, o contribuinte apresentou diversos documentos, entretanto, insuficientes a comprovar totalidade do crédito almejado, cabendo glosar parte. É cristalino o direito de tomar crédito relativo as contribuições a descontar referentes ao PIS e a COFINS é o que se extraí do relatório fiscal. Em resposta a Interessada sustenta que os livros de registros de entrada estavam à disposição e foram examinados pelo Fisco, além do que, anexou com o recurso os documentos a justificar a totalidade do crédito pretendido. Registrase, na fase inicial o julgador de piso determinou diligência no sentido de apurar a existência dos créditos desejados em razão da negativa total pelo fato da contribuinte deixar de apresentar documentação ao fundamento da incapacidade de pessoal, vez que a mesma encontrava e encontra em processo de liquidação. Concluído os trabalhos fiscais, o resultado mostrou existência de crédito o que foi reconhecido, tanto para o PIS quanto para a COFINS. Insatisfeita por diversas razões advém o voluntário, o que passase a examinar item a item: 1. DAS GLOSAS DOS CRÉDITOS BÁSICOS. As glosas em sua totalidade, como se vê do relatório fiscal aconteceu por insuficiência documental a título de comprovação. Há enorme dificuldade de aferir com precisão se os documentos colecionados junto com o voluntário fazem parte do rol da documentação examinado pela fiscalização em trabalhos diligenciais, visto que, o relatório fiscal menciona o número das planilhas (tabela), entretanto, essas planilhas não encontram nos autos. Fl. 342DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 58 21 Considerando que a Recorrente cuidou de trazer com o voluntário cópia das faturas de energia, bem como, aquisição de insumos básicos adquiridos, soja, trigo e sementes, cujo crédito foi glosado, devese reconhecer o direito de descontar crédito das contribuições com ressalvas, visto que, no caso da energia o relatório fiscal menciona ter reconhecido parcialmente com base da documentação apresentada, em sendo assim, o reconhecimento ao direito de apurar credito se restringe se as faturas anexadas aos autos, não sendo as mesmas aferidas pela fiscalização. Assim, sou inclinado reconhecer o direito a tomada do crédito das notas de aquisições de insumos colecionada aos autos referente às aquisições ali mencionadas por serem pertinentes a atividade da cooperativa, bem como, relacionadas com as faturas de energia, desde que não sejam as mesmas incluídas no rol daquelas que serviram para deferimento parcial pela fiscalização. 1.1 DA GLOSA DOS INSUMOS. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição dos insumos de produção foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF FORNECEDOR VALOR 23/03/05 10161 EURO GRAOS LTDA 281.400,00 14/04/05 467141 AGROPECUARIA ESCALADA DO NORTE 493.884,30 26/04/05 7771 KAZU CEREAIS LTDA 290.000,00 26/04/05 13951 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 286.000,00 08/08/05 40721 GRAO D'GIRO COMERCIO DE GRAOS 269.898,44 13/10/05 288801 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 650.000,00 19/12/05 29481 D'OESTE CEREAIS LTDA 409.500,00 15/03/06 112421 PROCOMP AGROPECUARIA LTDA 271.238,49 20/03/06 3097301 AGROPASTORIL JOTABASSO LTDA 416.800,00 14/03/07 18731 KAZU CEREAIS LTDA 273.400,00 11/04/07 73311 KASPER E CIA LTDA 1.490.000,00 20/04/07 658241 LR AGROPECUARIA LTDA 363.635,39 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre tais aquisições não podia ser desconsiderado, pelo simples fato de a contribuinte não ter conseguido encontrar parte das notas em seu arquivo (extenso e histórico), para apresentar a fiscalização, haja vista que as respectivas operações de aquisição constavam registradas na sua escrituração contábil e fiscal, com a plena identificação, a qual a fiscalização teve acesso irrestrito durante o processo de análise do crédito. A recorrente asseverou ainda que anexada à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 166/225), as cópias das notas fiscais de nºs 1395, 2948, 11242 e 7331, bem como os comprovantes de pagamentos, referente às demais aquisições. E para melhor análise, anexara tais documentos aos presentes autos. Com efeito, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que foram apresentados os referidos documentos. Porém, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, as demais cópias de documentos apresentados não se prestam para comprovar a respectiva operação de aquisição de insumos, por não serem os documentos hábeis e idôneos a Fl. 343DF CARF MF 22 comprovar as supostas operações de aquisição. A cópia da nota fiscal de nº 2948 não fora localizada nos autos. Assim, os créditos relativos as notas fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331 devem ser restabelecidos. 1. 2 GLOSA DE ENERGIA. O motivo da glosa dos créditos calculados sobre parte do custo de aquisição de energia elétrica foi a falta de comprovação com documentação adequada. Segundo a autoridade fiscal, a contribuinte não logrou êxito em apresentar parte das notas fiscais discriminadas na Tabela 05, que integra o processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado, a seguir parcialmente reproduzida: DATA Nº NF CNPJ FORNECEDOR VALOR 09/08/04 27643 15.413.826/000150 12.632,67 13/08/04 273527 15.413.826/000150 14.016,00 19/08/04 28157 15.413.826/000150 35.147,35 19/08/04 28159 15.413.826/000150 31.133,05 20/08/04 28160 15.413.826/000150 10.689,13 01/09/04 28444 15.413.826/000150 40.973,62 09/09/04 616170 15.413.826/000150 14.040,33 14/09/04 28948 15.413.826/000150 42.539,70 14/09/04 28950 15.413.826/000150 29.725,81 14/09/04 910115 15.413.826/000150 17.213,00 06/12/04 758100 15.413.826/000150 12.143,06 10/12/04 841834 15.413.826/000150 11.270,00 14/12/04 987063 15.413.826/000150 32.906,66 21/12/04 92633 15.413.826/000150 30.573,39 07/01/05 406656 15.413.826/000150 11.001,64 15/03/05 58958 15.413.826/000150 21.085,00 16/03/05 149601 15.413.826/000150 20.394,47 16/03/05 149599 15.413.826/000150 19.717,11 06/06/05 604193 15.413.826/000150 18.076,86 06/07/05 541925 15.413.826/000150 14.470,31 26/09/05 317457 15.413.826/000150 20.696,10 03/10/05 579804 15.413.826/000150 19.708,12 04/10/05 579814 15.413.826/000150 34.273,16 08/09/06 576517 03.747.565/000125 19.361,01 19/02/07 233576 15.413.826/000150 10.158,24 08/03/07 1924 15.413.826/000150 10.123,00 19/03/07 151839 15.413.826/000150 30.148,74 10/04/07 605375 03.747.565/000125 10.026,33 08/05/07 316013 15.413.826/000150 11.167,38 20/07/07 24102 15.413.826/000150 10.043,49 21/08/07 19789 15.413.826/000150 10.132,90 21/08/07 19928 15.413.826/000150 10.076,62 01/10/07 41729 15.413.826/000150 30.678,69 3389 15.413.826/000150 13.561,00 No recurso em apreço, a recorrente alegou que o direito ao crédito apurado sobre valor de aquisição da energia elétrica acobertado pelas notas fiscais discriminadas na referida Tabela não podia ser desconsiderado, porque tais documentos foram devidamente apresentadas à fiscalização, em atendimento ao termo de intimação fiscal 003, onde a contribuinte apresentara cópia digitalizada dos citados documentos, e também em atendimento ao termo de intimação fiscal 004, em que apresentara os originais dos citados documentos, inclusive as faturas originais ficaram em poder da fiscalização até a finalização dos seus trabalhos, sendo devolvidas a contribuinte somente após ocorrer a ciência do Relatório Fiscal. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 59 23 A recorrente asseverou ainda que anexara à manifestação de inconformidade, constante dos autos do processo nº 13161.001928/200795 (fls. 226/267), as cópias das notas fiscais discriminadas na citada Tabela. E para melhor análise, anexara tais notas fiscais aos presentes autos. De fato, compulsando os documentos anexados aos presentes autos e os autos do processo nº 13161.001928/200795, verificase que, com exceção das cópias das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925, as demais foram apresentadas. Assim, deve ser mantida a glosa apenas dos créditos calculados sobre o valor das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925. 1.3 FRETES SOBRE OPERAÇÕES DE TRANSFERÊNCIA. O motivo da glosa deuse ao fundamento de que tratase de meras transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, implicaria em mero deslocamento com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores, motivo pelo qual, entendeu não integrar operação de venda. Ao contrário da posição do fisco, sustenta o contribuinte tratarse de transferência necessárias a atividade, afirma, se houvesse meios de evitar o ônus destes custos, não há dúvida de que seriam evitados. Não há como ignorar que algumas atividades a armazenagem dos insumos são necessários, bem como, o seu remanejamento posterior. É de conhecimento notório, constantemente divulgado pelos veículos de comunicação o déficit de locais de armazenamento das safras de grão. A imprensa, repetidamente, divulga que no auge da colheita de grãos os produtores são obrigados a estocar os grãos em carrocerias de caminhões e em outros locais muitas vezes inusitados. Acontece, ainda, venda para exportação antecipada por falta de local adequado a estocagem, ninguém dúvida disso, pois essas notícias são facilmente comprovadas por intermédio das publicações dos periódicos. Essa Turma é sensível ao entendimento da necessidade de estocagem de insumos e sua transferência posteriormente para outro estabelecimento, desde que, não se revele transferência pura e simples estratégica de comercialização. Em outras oportunidades já reconheceu essa necessidade de se estocar em determinado local e o remanejamento para sede e ou outro estabelecimento industrial da mesma pessoa jurídica, nesses casos os custos de transferência configura insumo necessário a atividade da empresa. Bem afirmou a Recorrente, o frete nesses casos de transferência possui o único objetivo é de concluir todas as etapas de produção, pois a soja colhida no campo e adquirida pela Interessada ainda não está pronta a comercialização, precisa passar por processo industrial, seja aquela destinada ao mercado interno, quanto as destinadas a exportação. Não pode esquecer, que tratase de agroindústria, cuja atividade industrial se refere ao processo de beneficiamento de grãos, seja de soja, trigo e milho, a secagem, limpeza, padronização e classificação dos grãos, deixa os produtos prontos a exportação, bem como, ao consumo humano ou animal. Fl. 345DF CARF MF 24 Considerando que a razão da glosa foi simplesmente pelo fato de tratarse de transferência entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica, sem análise apurada quanto ao destino dos insumos, inclino no sentido de afastar a glosa e reconhecer o direito quanto aos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06” que se refere a exclusão de transferência conforme demonstrado pela fiscalização. 1.4 – GLOSA DE VALOR PAGO DE FRETE NAS OPERAÇÕES DE COMPRA DE INSUMO QUE NÃO GERA DIREITO A CRÉDITO. Tratase de glosa de crédito oriundo do frete de transporte de mercadoria pago a pessoa jurídica nacional. No entendimento da fiscalização o fato dos insumos objeto do transporte não gerarem o direito a tomada, consequentemente, o frete também não pode gerar o direito. O motivo preponderante para glosar é simplesmente por tratarse de frete de operações de aquisições de fertilizantes e sementes submetidos à alíquota zero, inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004. Penso diferente, o evento da aquisição de produtos sujeitos à alíquotas zero não veda o direito de tomar crédito dos custos relativamente ao transporte desses produtos. Se a legislação prevê incidência à alíquota zero, mas não tem a amplitude de vedar outros créditos decorrentes de operações e prestações adquiridas por parte da Recorrente, que, por sua vez, está sujeita ao regime não cumulativo. Não se pode perder de vista que o inciso I e III do art. 1º da Lei nº 10.925/2004 realmente fixa alíquota igual a zero, sendo assim, para aqueles insumos veda o crédito de produto adquirido justamente porque essa operação não é tributada pelo PIS/COFINS, o que não ocorre com outras operações autônomas, e.g., frete e armazenagem, que são regularmente tributadas, não havendo razão jurídica nenhuma para não outorgarem o direito ao crédito. A esse respeito, calha trazer à colação ementa de decisão havida na Segunda Turma Ordinária, da Quarta Câmara, da Terceira Seção, veiculada no Acórdão no 3402 002.513, de relatoria do Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, que mediante raciocínio semelhante ao do presente processo, admitiu o crédito de frete e armazenagem de contribuinte que adquiriu tais prestações em cuja operação de venda estava sujeita ao regime monofásico: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COFINS. INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA. REVENDA DE PRODUTOS COM INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. O distribuidor atacadista de mercadorias sujeitas ao regime monofásico de incidência das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS (produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador e de higiene pessoal) não pode descontar créditos sobre os custos de aquisição vinculados aos referidos produtos, mas como está sujeito ao regime não cumulativo de apuração das citadas contribuições, tem o direito de descontar créditos relativos às despesas com frete nas operações de venda, quando por ele Fl. 346DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 60 25 suportadas na condição de vendedor, nos termos do art. 3°, IX, das Leis n°s. 10.637/2002 e 10.833/2003. Direito de Crédito Reconhecido. Recurso Voluntário Provido. A transferência direcionada a estabelecimentos da mesma pessoa jurídica com o objetivo de processamento gera direito a tomada de crédito sobre o dispêndio a título de frete, bem como, o frete decorrente da entrega de mercadorias vendidas, no caso resta patente que o ônus foi da cooperativa recorrente. Recentemente, em voto impa proferido pela Conselheira Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, 2ª T. 3ª Câmara, 2ª Seção, processo administrativo nº 10925.720202/201415, afastou glosa em caso semelhante. Considerando à ausência das “tabelas 04 e 06 nestes autos, confiante na consignação da fiscalização, afasto também glosa, para reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete. 1.5 ALUGUEIS PESSOA JURÍDICA. A glosa procedida decorreu de análise da documentação apresentada e julgada insuficiente a comprovar todo custo de aluguéis registrados no DACON. A fiscalização elaborou a “TABELA 04””, concluiu tratarse de valores inferiores ao montante declarado pela Interessada. Nestes autos não se enxerga resistência a glosa, sendo assim, mantémse intacta a decisão de piso nesta parte. 1.6 CRÉDITO IMOBILIZADO (VALOR DA AQUISIÇÃO) A glosa ocorreu em decorrência da ausência de comprovação total do crédito pleiteado. Segundo consta do relatório fiscal, que o contribuinte fez prova apenas de parte dos créditos registrados no DACON provenientes de aquisição de imobilizado. Também não se vê resistência e tampouco irresignação com referência a essa glosa. 2. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. O crédito presumido apontado pelo contribuinte restou glosado ao fundamento da inexistência de comprovação da atividade agroindustrial, e, pela ausência de comprobação da destinação, isso é, se era para alimentação humana e/ou animal, conforme dispõe o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Consta que o contribuinte teria sido intimado para comprovar se os produtos fabricados foram destinados à alimentação humana ou animal. Em síntese teria a recorrente sido considerada tãosó cooperativa de produção agropecuária, para a qual existe a suspensão das contribuições, obrigandoa proceder o estorno dos créditos da não cumulatividade, e, não podendo apurar crédito presumido nos moldes ocorrido. Fl. 347DF CARF MF 26 Em resposta a posição do fisco, afirmou tratarse de produtos classificados no CAPÍTULOS 8 a 12 da NCM NOMENCLATURA COMUM DO MERCOSUL, por essa razão é considerada agroindústria. Endossa seu entendimento de que todas as Pessoas Jurídicas que produzam as mercadorias classificadas nas posições da NCM descritas no caput do art. 8º da Lei nº 10.825/2004, gozam do direito de descontar o crédito oriundo das aquisições de insumos, para tanto, basta produzir as mercadorias de origem animal ou vegetal, desde que classificadas conforme determina o art. 8º do mencionado diploma legal. A Interessada justifica sua condição agroindústria, sustentando tratarse de exportação de produtos submetidos a processo industrial, impõe, assim, buscarse a saber se o beneficiamento dispensado a soja, milho e o trigo enquadram no rol das mercadorias classificadas nos capítulos 8 a 12, da NCM. Não há dúvida de que os produtos agrícolas, soja, trigo e milho, passam por procedimento tecnológico de beneficiamento, embora em sua maior parte sejam exportados in natura. O beneficiamento de grãos e sementes é realizado por máquinas projetadas com base em uma ou mais características físicas do produto e dos contaminantes a serem retirados. O processo de secagem dos grãos visa melhor qualidade dos produtos, mantendo as propriedades físicoquímicas, permitindo acondicionamento e armazenagem resguardar qualidade. A pesquisa universitária divulgada notícias que o beneficiamento se revela etapa importante na qualidade dos grãos e sementes: “´´E na unidade de beneficiamento que o produto adquire, após a retirada de contaminantes como: sementes ou grãos imaturos, rachados ou partidos; sementes de ervas daninhas, material inerte, pedaços de plantas etc., as qualidades físicas, fisiológicas e sanitárias que possibilitam sua boa classificação em padrões e qualidade.” No processo de beneficiamento surge a padronização e classificação, essa última configura prática obrigatória em todos os segmentos de marcado, seja interno ou externo. A comercialização do produto depende do tratamento após colheita, tornando indispensável. Essa melhora busca a certificação, que constitui documento hábil para todas as transações. Em trabalho elaborado pela professora Maria A. B. Regitano d’Arce, Depto. Agroindústria e Nutrição ESALQ/USP, intitulado “PÓS COLHEITA E ARMAZENAMENTO DE GRÃOS” , colhe informação de suma importância: “Nos países desenvolvidos, os problemas de colheita, armazenamento e manuseio (secagem, limpeza, movimentação, etc.)de grãos, constituem objeto de estudo permanente, visando prolongar a vida comercial dos produtos. Uma prioridade das nações mais pobres deve ser a redução do trágico desperdício que se verifica a partir das colheitas, porfalta de silos adquados, secagem mal processada, transporte inadequado, controle de qualidade, etc. ...” Recentemente foi noticiado pela imprensa a união das duas maiores indústrias de beneficiamento da América Latina, Camil Alimentos, beneficiadora de arroz e Fl. 348DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 61 27 feijão e Cosan Alimentos, dona das marcas de varejo de açúcar união e da Barra, e, capitaneadas pela Gávea Investimentos. O destaque dáse em razão da união de duas maiores indústrias de beneficiamento, como se vê o beneficiamento é parte do processo industrial, necessariamente os produtos não precisam passar por transformações e resultar em produto novo. Sendo assim, não dúvida alguma de as atividades desenvolvidas pela Recorrente enquadraa na qualidade agroindústria e o benefício do art. 8º da Lei 10.925/2004. As informações trazidas colaboram para formação de juízo, não estão sujeitos a provas, os fatos que possuem presunção de legalidade, portanto, o beneficiamento configura uma etapa da industrialização, motivo pelo qual deve a interessada ser considerada agroindústria. De modo que resta assegurado pelo legislador ordinário o direito ao crédito presumido da Contribuição ao PIS e a COFINS em favor agroindústria, que realizar exportações, podendo compensar os referidos créditos com os débitos das contribuições ou com outros tributo dos desde que seja administrados pela Receita Federal. Nesse sentido os Acórdãos nºs 3102.002.231; 3402.002.113, que reconhece o direito, desnecessário tecer outros fundamentos, pois essa matéria encontra pacificado perante o CARF. Assim, reverter as glosas dos créditos procedido pela fiscalização. MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS DE AQUISIÇÕES VINCULADO VENDA COM SUSPENSÃO, ISENÇÃO, ALÍQUOTA ZERO OU NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PIS/COFINS. Outro ponto de discórdia se refere ao direito a manutenção do crédito previsto pelo art. 17 da Lei nº 11.033/2004. A glosa encontra consubstanciada ao fato de que a Lei 10.925/2004 exclui do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal, por essa razão foram consideradas típicas de cerealista. Sustenta a Interessada, passado apenas cinco dias do inicio da vigência do parágrafo 4º do art. 8º da lei 10.925/2004, dispositivo que vedava às pessoas jurídicas o aproveitamento do crédito, foi derrogado pela Medida Provisória nº 206, de 06 de agosto de 2004, publicada em 09.08.2004. É verdade, a vedação foi afastada pela novel norma introduzida pela MP 206, convertida em Lei nº 11.033/2004, art. 17: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/P ASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Em sendo, assim, inexiste óbice a manutenção de crédito proveniente de aquisições com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Fl. 349DF CARF MF 28 Assim, impõe restabelecer esse direito de manutenção de crédito a Recorrente. DIREITO DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITO VENDA A ASSOCIADOS INCLUSÃO À BASE DE CÁLCULO No que tange a manutenção do crédito vinculado as operações sujeitas à exclusões da base de cálculo da contribuição para o PIS e da Cofins referentes a Repasses aos associados, a fiscalização sustenta inexistência de previsão legal para a manutenção do direito ao crédito vinculado as operações, razão pela qual ocorreu a glosa. É de conhecimento geral com o advento da Medida Provisória 2.15835 de 2001, a sociedades cooperativas passaram a ser tributadas sobre a totalidade de suas receitas conforme encontra disciplinado pela Lei nº 9.718 de 1998. Restou assegurado, tanto pela Lei nº 9718, bem como, as seguintes, o direito de excluir da base de cálculo uma série de itens. Exclusão de receitas da base de cálculo só deve acontecer quando encontrar respaldada por permissivo legal, por essa razão a lei descreve minunciosamente os caso em que se autoriza as exclusões. Nesse mesmo sentido o conjunto de leis norteadoras da incidência da Contribuição Social para o PIS/PASEP e a COFINS, são explícitas em relação aos créditos, não deixam dúvida que só podem ser utilizados para desconto dos valores da contribuição apurados sobre as receitas sujeitas à incidência não cumulativa. Todas as vezes que a intenção do legislador foi no sentido de se manter o crédito, menciona com clareza, pois os créditos em si não ensejam compensação ou restituição, salvo expressa disposição legal. O exemplo mais comum é o crédito apurado em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, manifestamente a legislação pertinente autoriza. No caso específico tratase negócio com o associado da cooperativa, também possui caráter de alienação, assim sendo, encontra respaldo legal na norma prevista pelo art. 17º da Lei 11.033/2004, que se refere a operação de venda: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações” Sendo assim, é cabível se cogitar da possibilidade de manutenção de créditos nessas operações tendo por base o disposto no art. 17 da Lei nº 11.033/2004, a manutenção de créditos da contribuição, nas hipóteses autorizadas por lei, tem por pressupostos necessários a possibilidade legal do respectivo crédito, é vedado quando não se verificando esses pressupostos. Assim, dou provimento para modificar a decisão recorrida e assegurar o direito de manutenção do crédito. APLICAÇÃO DA TAXA SELIC DECORRENTE DE ÓBICE DA ADMINISTRAÇÃO. No tocante à aplicação da taxa SELIC sobre os créditos após o ingresso do pedido de compensação, não há, na legislação, dispositivo que reconheça aludido direito, mas o Superior Tribunal de Justiça, por meio do Recurso Especial no 1.037.847RS, julgado na Fl. 350DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 62 29 sistemática dos Recurso Repetitivos (artigo 543C do CPC), reconheceu a correção monetária dos créditos quando há oposição do Fisco, in verbis: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IP. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização direto de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direto pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo lídima necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: REsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09205, DJ 10.205; REsp 613.97/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.1205, DJ 05.1205; REsp 495.3/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09206, DJ 23.10206; REsp 52.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.1206, DJ 24.09207; REsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03208, DJe 07.4208; e REsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavscki, julgado em 12.1208, DJe 24.1208). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido a regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/208. Desse modo, tendo havido oposição do Fisco à compensação, sendo que houve o reconhecimento de um item controverso em favor da Recorrente, devese aplicar a correção monetária sobre os créditos da Recorrente, em conformidade com o julgado cuja ementa foi acima transcrita, resultante de julgamento de Recurso Repetitivo, que o CARF está obrigado a observar, por conta de seu Regimento Interno. Diante do exposto, conheço do recurso e dou provimento parcial para: 1 em relação a glosa dos créditos básicos, restabelecer somente o direito aos valores dos créditos calculados sobre o custo de aquisição (i) dos insumos, relativos às notas Fl. 351DF CARF MF 30 fiscais de nºs 112421, 13951, 40721 e 7331, e (ii) da energia de elétrica, exceto das notas fiscais de nºs 27643, 987063 e 541925; 2 afastar, também, glosa dos valores pagos a título de frete tomados de pessoas jurídicas constantes nas “Tabelas 04 e 06”, que se refere à exclusão de transferência entre estabelecimento, conforme demonstrado pela fiscalização; 3 reconhecer o direito da tomada do crédito com base nos valores constante da tabela que serviu de base para exclusão dos valores relativos a operações de frete, cujos insumos adquiridos não geram créditos; 4 – reconhecer o direito do credito presumido, por tratarse de agroindústria; 5 afastar glosa e manter o crédito proveniente de aquisições vinculado a venda com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência de contribuição para o PIS/Pasep e COFINS; 6 – tornar sem efeito glosa dos créditos das aquisições de mercadorias vendidas aos associados da cooperativa; 7 – reconhecer o direito aplicação da Taxa Selic tendo em razão ter havido oposição do Fisco à compensação/restituição. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Inicialmente, cabe consignar que a controvérsia cingese (i) a glosa de créditos básicos e agroindustriais da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, (ii) restrições quanto a forma de utilização do crédito presumido agroindustrial e (iii) não incidência de taxa Selic sobre a parcela do crédito pleiteado. A) DA ANÁLISE DOS CRÉDITO GLOSADOS As glosas dos créditos básicos foram motivadas por falta de comprovação, falta de cumprimento de requisitos legais e por falta de amparo legal, conforme a seguir demonstrado. De acordo com a conclusão apresentada no Relatório Fiscal colacionado aos autos, a seguir parcialmente reproduzida, os créditos não admitidos foram motivados por: I. Glosa parcial dos créditos básicos decorrentes de aquisição de insumos, energia elétrica, aluguéis de pessoa jurídica, fretes e aquisições do imobilizado, (Tabela 04); II. Glosa integral do valor referente ao crédito presumido da atividade agroindustrial por NÃO restar comprovado que a contribuinte exerceu atividade agroindustrial, bem como, pela ausência de comprovação da destinação à alimentação humana ou animal, nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 (Tabela 04); Fl. 352DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 63 31 III. Estorno dos créditos decorrentes das saídas com suspensão da incidência da contribuição para Pis e da Cofins (inciso II, § 4o, art. 8º – da Lei nº 10.925/2004 Tabela 03 e 04); IV. Glosa integral dos créditos decorrente da proporção de saídas sujeita a alíquota zero, considerando que as operações realizadas estavam efetivamente sujeitas à exclusão da base de cálculo e, por decorrência, inexiste suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 – Tabela 03 e 04); V. Glosa integral dos créditos decorrentes da proporção de saídas não tributadas decorrentes de operações sujeitas à exclusão de base de cálculo, considerando a ausência de suporte legal para a manutenção de crédito (art. 17 da Lei nº 11.033/2004 Tabela 03 e 04); [...]. O órgão colegiado de primeiro grau manteve, integralmente, as referidas glosas, com base nos mesmos fundamentos aduzidos na citado relatório fiscal. Inconformada com o resultado do citado julgamento, no recurso voluntário em apreço, a recorrente contesta a manutenção das referidas glosas. Assim, uma vez apresentadas as razões gerais da controvérsia, a seguir serão apreciadas apenas as questões específicas, para as quais este Conselheiro foi designado redator, a saber: a) em relação aos créditos básicos, a totalidade da glosa das despesas com fretes relativos às operações de transferência entre estabelecimentos e de compras sujeitas à alíquota zero; b ) crédito presumido agroindustrial. I) DA GLOSA DOS CRÉDITOS BÁSICOS. A glosa parcial dos créditos básicos realizada pela fiscalização está relacionada a: a) parte das aquisições de bens utilizados como insumos de fabricação de bens destinados à venda não comprovadas; b) parte do custo de aquisição de energia elétrica não comprovada; c) parte das despesas com aluguéis da pessoa jurídica não comprovada; d) a totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, por falta de amparo legal; e e) parte dos encargos de depreciação de bens do ativo imobilizado não comprovada. Aqui será analisada apenas a questão referente à totalidade da glosa das despesas com fretes nas operações de (i) transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte e (ii) de compras de mercadorias que não geraram direito a crédito das referidas contribuições (compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero). De acordo com citado relatório fiscal, por falta de amparo legal, a fiscalização procedeu a glosa da totalidade das despesas com fretes relativos às operações de transferência e de compras, discriminadas nas Tabelas de nº 04 e 06, integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), a este processo apensado. No entendimento da fiscalização, gera direito ao crédito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins somente o valor do frete contratado para o transporte de mercadorias diretamente para entrega ao consumidor final e desde que o ônus seja suportado pelo vendedor, Fl. 353DF CARF MF 32 bem como os gastos com frete sobre as operações de compras de bens que geram direito a crédito, quando o comprador assume ônus com o frete, cujo valor integra o custo de aquisição dos bens. De outra parte, não gera direito a crédito os gastos com frete relativos aos serviços de transportes prestados: a) nas transferências de mercadorias entre estabelecimentos da contribuinte, que implicam mero deslocamento das mercadorias com o intuito de facilitar a entrega dos bens aos futuros compradores; e b) nas compras de mercadorias que não geram direito a crédito das referidas contribuições, no caso, nas operações de compra de fertilizantes e sementes, sujeitos à alíquota zero, conforme art. 1º, I e III, da Lei 10.925/2004. O entendimento da fiscalização está em consonância com o entendimento deste Relator explicitado no voto condutor do acórdão nº 3302003.207, de onde se extrai os excertos pertinentes, que seguem transcritos: No âmbito da atividade comercial (revenda de bens), embora não exista expressa previsão legal, a partir da interpretação combinada do art. 3°, I e § 1°, I, das Leis 10.637/2002 e 10.833/20031, com o art. 289 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda de 1999 RIR/1999), é possível extrair o fundamento jurídico para a apropriação dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins calculados sobre o valor dos gastos com os serviços de transporte de bens para revenda, conforme se infere dos trechos relevantes dos referidos preceitos normativos, a seguir transcritos: Lei 10.833/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, [...]; [...]§ 1o Observado o disposto no § 15 deste artigo, o crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2º desta Lei sobre o valor: I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; [...] (grifos não originais) RIR/1999: Art. 289. O custo das mercadorias revendidas e das matériasprimas utilizadas será determinado com base em registro permanente de estoques ou no valor dos estoques existentes, de acordo com o Livro de Inventário, no fim do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 14). 1 Por haver simetria entre os textos dos referidos diplomas lgais, aqui será reproduzido apenas os preceitos da Lei 10.833/2003, por ser mais completa e, em relação aos dispositivos específicos, haver remissão expressa no seu art. 15 de que eles também se aplicam à Contribuição para o PIS/Pasep disciplinada na Lei 10.637/2002. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 64 33 §1º O custo de aquisição de mercadorias destinadas à revenda compreenderá os de transporte e seguro até o estabelecimento do contribuinte e os tributos devidos na aquisição ou importação (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 13). [...] (grifos não originais) Com base no teor dos referidos preceitos legais, podese afirmar que o valor do frete, relativo ao transporte de bens para revenda, integra o custo de aquisição dos referidos bens e somente nesta condição compõe a base cálculo dos créditos das mencionadas contribuições. Assim, somente se o custo de aquisição dos bens para revenda propiciar a apropriação dos referidos créditos, o valor do frete no transporte dos correspondentes bens, sob a forma de custo de aquisição, também integrará a base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas. Em contraposição, se sobre o valor do custo de aquisição dos bens para revenda não for permitida a dedução dos créditos das citadas contribuições (bens adquiridos de pessoas físicas ou com fim específico de exportação, por exemplo), por ausência de base cálculo, também sobre o valor do frete integrante do custo de aquisição desses bens não é permitida a apropriação dos citados créditos. Neste caso, apropriação de créditos sobre o valor do frete somente seria permitida se houvesse expressa previsão legal que autorizasse a dedução de créditos sobre o valor do frete na operação de compra de bens para revenda, o que, sabidamente, não existe. [...] Em suma, chegase a conclusão que o direito de dedução dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados sobre valor dos gastos com frete, são assegurados somente para os serviços de transporte: a) de bens para revenda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos sob forma de custo de aquisição dos bens transportados (art. 3º, I, da Lei 10;637/2002, c/c art. 289 do RIR/1999); b) de bens utilizados como insumos na prestação de serviços e produção ou fabricação de bens destinados à venda, cujo valor de aquisição propicia direito a créditos, caso em que o valor do frete integra base de cálculo dos créditos como custo de aquisição dos insumos transportados (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002, c/c art. 290 do RIR/1999); c) de produtos em produção ou fabricação entre unidades fabris do próprio contribuinte ou não, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como serviço de transporte utilizado como insumo na produção ou Fl. 355DF CARF MF 34 fabricação de bens destinados à venda (art. 3º, II, da Lei 10;637/2002); e d) de bens ou produtos acabados, com ônus suportado do vendedor, caso em que o valor do frete integra a base de cálculo do crédito da contribuição como despesa de venda (art. 3º, IX, da Lei 10.637/2002). Enfim, cabe esclarecer que, por falta de previsão legal, o valor do frete no transporte dos produtos acabados entre estabelecimentos da mesma pessoa jurídica (entre matriz e filiais, ou entre filiais, por exemplo), não geram direito a apropriação de crédito das referidas contribuições, porque tais operações de transferências (i) não se enquadra como serviço de transporte utilizado como insumo de produção ou fabricação de bens destinados à venda, uma vez que foram realizadas após o término do ciclo de produção ou fabricação do bem transportado, e (ii) nem como operação de venda, mas mera operação de movimentação dos produtos acabados entre estabelecimentos, com intuito de facilitar a futura comercialização e a logística de entrega dos bens aos futuros compradores. O mesmo entendimento, também se aplica às transferência dos produtos acabados para depósitos fechados ou armazéns gerais. 2 Com base nesse entendimento, rejeitase as alegações da recorrente de que gerava direito ao crédito das referidas contribuições o custo com o frete no transporte relativo a: a) transferências das mercadorias entre estabelecimentos, porque representava uma etapa intermediária da operação de venda e para exportação, logo, tais despesas, quando suportadas pela recorrente, eram complementares as despesas com fretes sobre vendas no ato da entrega da mercadoria ao adquirente; e b) das compras das mercadorias sujeitas a alíquota zero, porque os fretes sobres essas compras estavam oneradas pelas citadas contribuições, estando desta forma onerado o custo final da aquisição da mercadoria, pelos gravames na proporção do custo com fretes sobre tais aquisições. Por essas considerações, por falta de amparo legal, deve ser mantida integralmente as glosas dos referidos créditos, conforme determinado pela fiscalização. II) DA GLOSA DO CRÉDITO PRESUMIDO AGROINDUSTRIAL. A falta de amparo legal foi o motivo da glosa do valor integral do crédito presumido agroindustrial apropriado pela recorrente no período fiscalizado. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia a atividade de cooperativa de produção agroindustrial e não comprovara que os produtos por ela exportados foram destinados à alimentação humana ou animal, conforme exigência determinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que segue transcrito: Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2 BRASIL. CARF. 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção. Ac. 3302003.207, Rel. Cons. José Fernandes do Nascimento, Sessão de 19 mai 2016. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 65 35 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM;3 (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2º O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1º deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4o do art. 3o das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. [...] Da leitura do referido preceito legal, extraise que não são todos os produtos de origem animal ou vegetal nele relacionados que proporcionam o direito de apropriação de crédito presumido agroindustrial, mas apenas aqueles destinados à alimentação humana ou animal. Segundo a fiscalização, a recorrente não exercia atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária, uma vez que a sua atividade econômica limitavase a “limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura”, atividade típica de cerealista, que a própria Lei 10.925/2004 havia excluído do conceito de agroindústria. Para melhor análise, transcrevese os excertos pertinentes extraídos do relatório fiscal: Através do Termo de Intimação Fiscal 003, a contribuinte foi intimada a comprovar que exerceu a atividade de produção de mercadorias (agroindústria). Em resposta a intimação fiscal, a contribuinte descreveu o processo produtivo realizado que pode 3 A atual redação do inciso é a seguinte: "I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, e 18.01, todos da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM);" (Redação dada pela Lei nº 12.865, de 2013) Fl. 357DF CARF MF 36 ser sintetizado nas seguintes etapas: 1º ETAPA: Recebimento e Classificação; 2º ETAPA – Descarga das Mercadorias; 3º ETAPA – Prélimpeza dos Grãos; 4º ETAPA – Secagem; 5º ETAPA – Póslimpeza; 6º Armazenagem e Controle de Qualidade; 7º ETAPA Expedição. As etapas produtivas descritas subsumemse as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura. A própria Lei 10.925/2004 excluiu do conceito de agroindústria as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal. Referidas atividades foram consideradas típicas de cerealista, sendolhe vedado apurar o mencionado crédito presumido (§ 4º, art. 8º da Lei 10.925/2004). Para a fiscalização, para que fosse considerada cooperativa de produção agroindustrial, a recorrente deveria receber a produção de seu cooperado, industrializála e vender o produto industrializado, o que não fora feito. De outra parte, a contribuinte alegou que desenvolve o processo produtivo/atividade econômica de beneficiamento, por meio do qual eram alteradas as características originais e obtidos os grãos aperfeiçoados/beneficiados a serem comercializados/exportados. Nos excertos a seguir transcritos, a recorrente expõe as razões pelas quais entende que fazia jus ao crédito presumido em questão: As aquisições de matériasprimas (produtos resultantes da atividade rural) realizadas junto a pessoas físicas ou jurídicas com suspensão, são os insumos necessários para a obtenção das mercadorias soja beneficiada, trigo beneficiado, e milho beneficiado, classificados na NCM respectivamente nos capítulos 12 e 10. Não há que se falar em mercadorias classificadas nos capítulos 12, 10, da NCM, sem que tenhamos as matériasprimas provenientes da atividade rural, que são o principal "insumo" destas mercadorias. Como se vê, as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente são por ela produzidas. E, diante de mecânica do PIS e da COFINS nãocumulativa, tem fundamento para apuração o crédito presumido, no inciso II do artigo 3º das leis 10.637/2002 e art. 3º da lei 10.833/2003 combinado com o Caput do artigo 8º da lei 10.925/2004. Do cotejo entre o entendimento da fiscalização e o da recorrente, fica evidenciado que o cerne da controvérsia reside no tipo da atividade exercida pela recorrente, ou seja, se a atividade por ela exercida era de produção agroindustrial ou, simplesmente, de produção agropecuária. A Lei 10.925/2004 não contém a definição da atividade de produção agroindustrial nem da atividade de cooperativa de produção agropecuária, no entanto, nos termos do art. 9º, § 2º, atribuiu à RFB a competência para regulamentar a matéria. E com base nessa competência, por meio da Instrução Normativa SRF 660/2006, o Secretário da RFB definiu a atividade de produção agroindustrial no art. 6º, I, da referida Instrução Normativa, a seguir transcrito: Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: Fl. 358DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 66 37 I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e [...] As atividades de produção de que trata o art. 2º4 da Lei 8.023/1990, são as atividades rurais típicas, não exercidas pela recorrente, conforme se infere dos elementos coligidos aos autos. E as mercadorias comercializadas/exportadas pela recorrente encontramse mencionadas no art. 5º, I, “d”, da citada Instrução Normativa, que, no período de apuração dos créditos, tinha a seguinte redação: Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: [...] d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; 5 [...](grifos não originais) No período de apuração dos créditos presumidos em apreço, os produtos exportados pela recorrente foram grãos de milho, classificados no código NCM 1005.90.10, e grãos de soja, classificados no código NCM 1201.90.00. Portanto, inequivocamente, produtos pertencentes aos capítulos 8 a 12 da NCM. Além disso, inexiste controvérsia quanto ao fato de que tais produtos foram submetidos a processo de classificação, limpeza, secagem e armazenagem, conforme se extrai da descrição do processo produtivo apresentada pela própria recorrente. Porém, embora esse processo seja denominado de beneficiamento de grãos, ele não se enquadra na modalidade de industrialização, denominada de beneficiamento, que se encontra definida no art. 4º, II, do Decreto 7.212/2010 (RIPI/2010), porque, apesar de serem submetidos ao citado processo de “beneficiamento”, os grãos de milho e soja exportados pela recorrente permanecerem na 4 "Art. 2º Considerase atividade rural: I a agricultura; II a pecuária; III a extração e a exploração vegetal e animal; IV a exploração da apicultura, avicultura, cunicultura, suinocultura, sericicultura, piscicultura e outras culturas animais; V a transformação de produtos decorrentes da atividade rural, sem que sejam alteradas a composição e as características do produto in natura, feita pelo próprio agricultor ou criador, com equipamentos e utensílios usualmente empregados nas atividades rurais, utilizando exclusivamente matériaprima produzida na área rural explorada, tais como a pasteurização e o acondicionamento do leite, assim como o mel e o suco de laranja, acondicionados em embalagem de apresentação. (Redação dada pela Lei nº 9.250, de 1995) Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica à mera intermediação de animais e de produtos agrícolas." (Incluído pela Lei nº 9.250, de 1995) 5 A redação autualmente vigente tem o seguinte teor: "d) nos capítulos 8 a 12, e 15, exceto os códigos 0901.1 e 1502.00.1;" (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) Fl. 359DF CARF MF 38 condição de produtos in natura e, portanto, com a anotação NT (Não Tributado) na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), o que os exclui da condição de produtos industrializados e, portanto, fora do campo de incidência do imposto, nos termos do parágrafo único do art. 2º do RIPI/2010. Aliás, em relação ao IPI, a vedação de apropriação de créditos sobre insumos utilizados na produção de produtos com a anotação NT na TIPI foi objeto da Súmula CARF nº 20, que tem o seguinte teor, in verbis: “Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.” Assim, por se tratar de comercialização/exportação de produto in natura, a atividade de produção realizada pela recorrente representa típica atividade de beneficiamento de produtos agropecuários, que não se caracteriza como operação de industrialização, conforme definido na legislação do IPI, mas atividade de beneficiamento de produtos in natura de origem vegetal (grãos), conforme definição estabelecida no art. 3º, § 1º, III, da Instrução Normativa SRF 660/2006, a seguir transcrito: Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. [...] (grifos não originais) Assim, com base nas referidas definições e tendo em conta que a atividade da recorrente limitase a mero beneficiamento dos grãos de milho e soja exportados, chegase a conclusão de que a recorrente não exerce a atividade de cooperativa de produção agroindustrial, mas de cooperativa de produção agropecuária. E no âmbito da cooperativa de produção agropecuária, a diferenciação entre a atividade de beneficiamento e atividade de industrialização encontrase nitidamente Fl. 360DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 67 39 evidenciada, por exemplo, no art. 15, IV, da Medida Provisória 2.15835/2001, a seguir reproduzido: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] IV as receitas decorrentes do beneficiamento, armazenamento e industrialização de produção do associado; [...] (grifos não originais) Outro dado relevante que ratifica a conclusão de que a recorrente exercia a atividade de produção agropecuária, em vez da atividade de produção agroindustrial, está no fato de ela ter declarado, nos respectivos Dacon do período de apuração (fls. 131/154 do citado processo nº 10010.031138/041361), as receitas de venda no mercado interno dos referidos produtos de origem vegetal sob regime de suspensão6, regime de tributação não aplicável às cooperativas de produção agroindustrial, mas às cooperativas de produção agropecuária, nos termos do art. 9º, III, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1odo art. 8odesta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso;(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1odo art. 8odesta Lei; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8º desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1º do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] (grifos não originais) Assim, se acatada a pretensão da recorrente, o que se admite apenas por hipótese, ela seria duplamente beneficiada, pois, além de não submeter a tributação das referidas contribuições a receita da venda dos produtos de origem vegetal comercializados no mercado interno, ainda se apropriaria, indevidamente, do valor do crédito normal vinculado às referidas receitas, o que é expressamente vedado pelo art. 8º, § 4º, II, da Lei 10.925/2004, a seguir analisado. Não se pode olvidar que a dedução de tais créditos somente é assegurada às cooperativas de produção agroindustrial, cujas receitas de venda dos produtos fabricados com 6 Os valores e o percentual de participação da receita submetida ao regime de suspensão encontramse discriminados na Tabelas de nº 03 (fls. 644/645), integrante do processo nº 10010.031138/041361 (dossiê memorial), apenso a este processo. Fl. 361DF CARF MF 40 insumos de origem vegetal, realizadas no mercado interno, sujeitamse ao regime de tributação normal das citadas contribuições. Também não procede a alegação da recorrente de que processo produtivo de grãos encontravase disciplinado na Lei 9.972/2000 e regulamentado pelo Decreto 6.268/2007 e pelas Instruções Normativas do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, pois, diferentemente do alegado, os referidos diplomas normativos não tratam de processo produtivo de grãos, mas da classificação dos produtos vegetais, incluindo a classificação dos grãos. Dada essa finalidade específica, certamente, tais preceitos normativos não têm qualquer relevância para a definição do tipo de processo produtivo realizado pela recorrente, para fins de atribuição da forma de incidência das referidas contribuições. Portanto, fica demonstrado que se trata de alegação estranha ao objeto da controvérsia em apreço. Dessa forma, por se caracterizar como cooperativa de produção agropecuária, independentemente da destinação dos produtos produzidos e comercializados (se destinada ou não à alimentação humana ou animal), a recorrente não faz jus ao aproveitamento do crédito presumido em apreço, conforme determina o art. 8º, § 4º, I, da Lei 10.925/2004, a seguir transcrito: Art. 8º [...] § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. (grifos não originais) Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos presumidos agroindustriais, indevidamente apropriados pela recorrente. III) DO INDEFERIMENTO DOS CRÉDITOS VINCULADAS ÀS OPERAÇÕES NÃO TRIBUTADAS REALIZADAS NO MERCADO INTERNO. De acordo com relatório fiscal e os dados apresentados nas Tabelas de nºs 03 e 04 (fls. 643/653), integrantes do processo nº 10010.031.138/041361 (dossiê memorial), a fiscalização propôs o deferimento apenas dos valores dos créditos básicos vinculados às receitas de exportação. No que tange aos créditos básicos vinculados às receitas de venda realizadas no mercado interno, a fiscalização manifestouse pelo indeferimento integral, sob o argumento de que tais operações de aquisição estavam vinculadas às receitas de venda no mercado interno não sujeitas à tributação, especificamente, as receitas de venda com suspensão e sujeitas à Fl. 362DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 68 41 alíquota zero, bem como as exclusões da base de cálculo permitidas, exclusivamente, às sociedades cooperativas, efetivamente utilizadas. Aqui serão analisadas apenas as questões atinentes às receitas (i) das vendas com suspensão e (ii) das vendas excluídas da base de cálculo. III.1) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas das Vendas Com Suspensão. Segundo a fiscalização, na condição de cooperativa agropecuária de produção, as operações de venda realizadas pela recorrente no mercado interno estavam amparadas pela regime de suspensão da incidência da Contribuição para PIS/Pasep e da Cofins, nos termos do art. 9º da Lei 10.925/2004, em decorrência, ela deveria ter providenciado o estorno dos correspondentes créditos, conforme determinação expressa no inciso II do § 4º do art. 8º do citado diploma legal. Art. 8º [...] § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1º deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. [...] (grifos não originais) Por sua vez, a recorrente alegou que a restrição contida no citado preceito legal fora revogada pelo art. 17 da Lei 11.033/2004, nos termos do § 1º do art. 2º da Lei 4.657/1942 (Lei de Introdução às normas do Direito Brasileiro), a seguir transcrito: Art. 2º Não se destinando à vigência temporária, a lei terá vigor até que outra a modifique ou revogue. § 1º A lei posterior revoga a anterior quando expressamente o declare, quando seja com ela incompatível ou quando regule inteiramente a matéria de que tratava a lei anterior. § 2º A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das já existentes, não revoga nem modifica a lei anterior. § 3º Salvo disposição em contrário, a lei revogada não se restaura por ter a lei revogadora perdido a vigência. Sem razão a recorrente, porque, embora tenha entrado em vigor posteriormente, o novo preceito legal não é incompatível e tampouco regula inteiramente a matéria disciplinada no art. 8º da Lei 10.925/2004, que instituiu o crédito presumido agroindustrial e as vedações às manutenções tanto do referido crédito presumido quanto dos créditos vinculados as receitas de venda efetuadas com suspensão por pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e por cooperativa de produção agropecuária. Diferentemente do alegado, como o citado art. 17 da Lei 11.033/2004 instituiu norma de nítido caráter geral sobre manutenção, pelo vendedor, dos créditos Fl. 363DF CARF MF 42 vinculados às operações de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, ao caso em apreço, aplicase o disposto no § 2º do art. 2º da Lei 4.657/1942, que determina que a lei nova não revoga nem modifica a lei anterior. Dessa forma, uma vez demonstrado que o inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004 estava em plena vigência no período de apuração dos créditos em questão e ainda se encontra em vigor, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1972 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), aprovado pela Portaria MF 343/2015, aos membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Com base nessas considerações e tendo em conta que ficou anteriormente demonstrado que a recorrente, no período de apuração dos créditos, exercia atividade de cooperativa de produção agropecuária, com respaldo no inciso II do § 4º do art. 8º da Lei 10.925/2004, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados as receitas de venda com suspensão. III.2) Do Indeferimento dos Créditos Vinculados às Receitas de Venda Excluídas da Base de Cálculo. De acordo com relatório fiscal, no período analisado, a contribuinte registrou exclusões de base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, previstas no art 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, em relação as quais não lhe eram assegurado a manutenção dos créditos vinculados, sob o argumento de que como o ato cooperativo, definido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não representava operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria, logo, não existia “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS”, conforme estabelece o art. 17 da Lei 11.033/2004. Por decorrência, não havia suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo. Já a recorrente alegou que o conceito de ato cooperativo, contido no art. 79 da Lei 5.764/1971, não influenciava na apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, porque, atualmente, o cálculo das ditas contribuições independiam de tal conceito, uma vez que tanto a base de cálculo e o fato gerador destas contribuições correspondiam ao faturamento total, independente da denominação e classificação contábil, conforme determinado pelo art. 1º das Leis 10.637/2003 e 10.833/2004. Para a recorrente, posteriormente ao advento da Medida Provisória 1.858 6/1999, cuja redação definitiva foi mantida na vigente Medida Provisória 2.15835/2001, os dispositivos que asseguravam isenção das citadas contribuições foram revogados, passando desde então as sociedades cooperativas a serem tributadas sobre a totalidade de suas receitas da mesma forma que as demais pessoas jurídicas, nos termos dos arts. 2º e 3º da Lei 9.718/1998. Em decorrência, todos os fatos que não tinham a aptidão de gerar tributos integravam o campo da não incidência, logo o resultado obtido das exclusões da base de cálculo permitidas às sociedades cooperativas, efetuadas pela contribuinte, correspondiam as receitas sem incidência das referidas contribuições, em virtude de não gerar receita tributável. Não assiste razão à recorrente. No caso em tela, a não tributação das referidas contribuições não decorreu do fato de as receitas auferidas não serem submetidas à incidência das referidas contribuições, ou em razão das respectivas operações de venda estarem fora do campo incidência das referidas contribuições, conforme alegado pela recorrente, mas pelo fato Fl. 364DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 69 43 de não existir base cálculo ou a base de cálculo ter sido zerada, após efetivadas as exclusões, especificamente, asseguradas à recorrente na condição de sociedade cooperativa de produção agropecuária. E a falta de tributação motivada pela inexistência de base cálculo, certamente, não se enquadra em nenhuma das hipóteses de manutenção do crédito das referidas contribuições, previstas no art. 17 da Lei 11.033/2004. Com base nessas considerações, deve ser mantida a glosa integral dos créditos vinculados à base cálculo zerada, em razão das exclusões da base de cálculo das referidas contribuições, autorizadas no art. 15 da Medida Provisória 2.15835/2001 e no art 17 da Lei 10.684/2003, e efetuadas pela recorrente no curso do período da apuração dos créditos glosados. IV) DA ATUALIZAÇÃO PELA TAXA SELIC Em relação aos créditos escriturais da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins, decorrentes da aplicação do regime da nãocumulatividade, cabe consignar que, independentemente da forma de aproveitamento (dedução, compensação ou ressarcimento), existe vedação expressa a qualquer forma de atualização ou incidência de juros, conforme expressamente consignada no artigo 13, combinado com o disposto no inciso VI do art. 15, ambos da Lei n° 10.833, de 2003, que seguem transcritos: Art. 13. O aproveitamento de crédito na forma do § 4o do art. 3o, do art. 4o e dos §§ 1o e 2o do art. 6o, bem como do § 2o e inciso II do § 4o e § 5o do art. 12, não ensejará atualização monetária ou incidência de juros sobre os respectivos valores. [...] Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] VI no art. 13 desta Lei. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Dessa forma, como se trata de preceito legal vigente, por força do disposto no art. 26A do Decreto 70.235/1996 e em cumprimento ao que determina o art. 62 do Anexo II RICARF/2015, os membros das turmas de julgamento deste Conselho não podem afastar a aplicação do mencionado preceito legal. Cabe consignar ainda que, no caso em tela, não se aplica o entendimento exarado no acórdão proferido no julgamento do Recurso Especial (REsp) nº 1.035.847/RS, submetido ao regime do recurso repetitivo, previsto no artigo 543C do CPC, transitado em julgado em 3/3/2010, por duas razões: a) o referido julgado trata da atualização de crédito escritural oriundo da aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI e não de crédito escritural decorrente da aplicação do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins; b) a referida decisão não trata da vedação da atualização monetária determinada no art. 13 da Lei 10.833/2003 e tampouco afasta a aplicação do referido preceito legal, bem como se enquadra em nenhuma das hipóteses excepcionais elencadas no art. 62, § 1º, do Anexo II do RICARF/2015. Para melhor compreensão, transcrevese a seguir o enunciado da ementa do mencionado acórdão: Fl. 365DF CARF MF 44 PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977∕RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953∕PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796∕PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498∕RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921∕RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.7 (grifos não originais) Com base nessas considerações, fica demonstrada a impossibilidade de acolher a sua pretensão da recorrente, com vistas à atualização dos valores dos créditos em apreço com base na variação da taxa Selic. VI) DA CONCLUSÃO Por todo o exposto, em relação às questões aqui analisadas, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 7 BRASIL. STJ. REsp 1035847/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/06/2009, DJe 03/08/2009. Fl. 366DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 70 45 Voto Vencedor 2 Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, redator designado. Com o devido respeito aos argumentos do ilustre relator, divirjo de seu entendimento quanto à reversão total da glosa relativa aos créditos vinculados às vendas de adubos, fertilizantes e sementes pela recorrente aos seus associados, as quais tiveram as alíquotas da contribuição para o PIS e da COFINS reduzidas a zero pelo art. 1º da Lei 10.925/2004. Salientase que tais créditos foram glosados originalmente por falta de apresentação de documentos, como todos os demais créditos solicitados. Porém em diligência requerida pela DRJ, restou consignado em relatório fiscal a manutenção da referida glosa em razão de tais valores consistirem em exclusões da base de cálculo das cooperativas, nos termos do artigo 15 da MP nº 2.15835/2001: Art. 15. As sociedades cooperativas poderão, observado o disposto nos arts. 2o e 3o da Lei no 9.718, de 1998, excluir da base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP: [...] II as receitas de venda de bens e mercadorias a associados; [...] No tópico seguinte "EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO", a autoridade fiscal justificou a glosa dos créditos vinculados a exclusões do artigo 15 da MP nº 2.158 35/2001, em razão da não previsão da manutenção de créditos vinculados à exclusões de base de cálculo na redação do artigo 17 da Leinº 11.033/2004, a seguir transcrito: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Acrescentou ainda que tais operações são atos cooperativos conforme definição contida no artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e, portanto, não configurariam operações de compra e venda, conforme extraise do excerto abaixo do relatório fiscal: "O conceito de ato cooperativo está disposto na Lei nº 5.764/71 (que “define a Política Nacional de Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas”): Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Grifouse. Fl. 367DF CARF MF 46 A luz do dispositivo legal, o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. Portanto, não existe “vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS e da COFINS (art. 17 da Lei nº 11.033/2004). Por decorrência, não há suporte legal para manutenção do direito ao crédito em operações não tributadas pela exclusão de base de cálculo decorrente de ato cooperativo." Verificase, de fato, que as operações consideradas como vendas de adubos, fertilizantes e sementes aos associados se subsumem à definição de ato cooperativo nos termos do artigo 79 da Lei nº 5.764/1971, e neste sentido, impende8 reproduzir a recente decisão do STJ no REsp nº 1.164.716/MG, transitado em julgado em 22/06/2016 e submetido à sistemática de recursos repetitivos, na qual restou decidido que os atos cooperativos não implicam operações de compra e venda, conforme ementa abaixo transcrita: EMENTA TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. NÃO INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS NOS ATOS COOPERATIVOS TÍPICOS. APLICAÇÃO DO RITO DO ART. 543C DO CPC E DA RESOLUÇÃO 8/2008 DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO. 1. Os RREE 599.362 e 598.085 trataram da hipótese de incidência do PIS/COFINS sobre os atos (negócios jurídicos) praticados com terceiros tomadores de serviço; portanto, não guardam relação estrita com a matéria discutida nestes autos, que trata dos atos típicos realizados pelas cooperativas. Da mesma forma, os RREE 672.215 e 597.315, com repercussão geral, mas sem mérito julgado, tratam de hipótese diversa da destes autos. 2. O art. 79 da Lei 5.764/71 preceitua que os atos cooperativos são os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. E, ainda, em seu parág. único, alerta que o ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria. 3. No caso dos autos, colhese da decisão em análise que se trata de ato cooperativo típico, promovido por cooperativa que realiza operações entre seus próprios associados (fls. 126), de forma a autorizar a não incidência das contribuições destinadas ao PIS e a COFINS. 4. O parecer do douto Ministério Público Federal é pelo desprovimento do Recurso Especial. 5. Recurso Especial desprovido. 8 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 368DF CARF MF Processo nº 13161.001797/200827 Acórdão n.º 3302003.276 S3C3T2 Fl. 71 47 6. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 8/2008 do STJ, fixandose a tese: não incide a contribuição destinada ao PIS/COFINS sobre os atos cooperativos típicos realizados pelas cooperativas. ACÓRDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros da PRIMEIRA Seção do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, por unanimidade, negar provimento ao recurso especial, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Benedito Gonçalves, Assusete Magalhães, Sérgio Kukina, Regina Helena Costa, Gurgel de Faria, Diva Malerbi (Desembargadora convocada do TRF da 3a. Região) e Humberto Martins votaram com o Sr. Ministro Relator. Ausente, justificadamente, o Sr. Ministro Herman Benjamin. Sustentaram, oralmente, a Dra. HERTA RANI TELES, pela recorrente, e o Dr. JOÃO CAETANO MUZZI FILHO, pela interessada: ORGANIZAÇÃO DAS COOPERATIVAS BRASILEIRAS OCB Brasília/DF, 27 de abril de 2016 (Data do Julgamento). NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO MINISTRO RELATOR Assim, tais operações não podem ser consideradas como mercantis, e, portanto, não se tratam de vendas, configurando operações não incidentes e não receitas de vendas não incidentes. Salientase que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 dispôs especificamente sobre vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência, mas não genericamente sobre parcelas ou operações não incidentes. Destarte, entendo ser inaplicável o referido artigo para efeito de vinculação de créditos a estas parcelas. Porém, a glosa pura e simples dos créditos vinculados a estas operações, conforme realizada pela autoridade fiscal, pareceme equivocada. É que tais créditos referemse a custos, despesas e encargos comuns que foram vinculados a estas parcelas mediante rateio entre receitas. Assim, não sendo tais operações receitas de vendas, também não podem compor o rateio para vinculação de créditos tomados sobre custos, despesas e encargos comuns (por exemplo, energia elétrica), devendo tal rateio ser refeito, excluindo estas operações de seu denominador, e redistribuindo os créditos comuns às demais parcelas de receitas consideradas, devendo ser reanalisada a possibilidade de desconto, compensação ou ressarcimento, de acordo com a nova natureza e conforme o decidido neste julgamento. Frisese que a decisão não se refere às aquisições específicas de adubos, sementes e fertilizantes, as quais não geraram créditos, pois que sujeitaramse à alíquota zero, como, inclusive, confirmado pelo patrono da recorrente em sustentação oral. É como voto. Fl. 369DF CARF MF 48 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 370DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13808.000397/99-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 20 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Oct 26 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 1992
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO.
A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destina-se apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso ou abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado.
No caso, observa-se que houve intimação do contribuinte para a apresentação de documentos e foi materialmente alterado o valor lançado, configurando-se um lançamento diverso e não um lançamento substitutivo.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2202-003.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. A reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso ou abrangente do que não estava abrangido no anterior. Assim, o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. No caso, observase que houve intimação do contribuinte para a apresentação de documentos e foi materialmente alterado o valor lançado, configurandose um lançamento diverso e não um lançamento substitutivo. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marco Aurélio de Oliveira Barbosa – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 8. 00 03 97 /9 9- 91 Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 324 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa (Presidente), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Rosemary Figueiroa Augusto, Martin da Silva Gesto, Cecília Dutra Pillar, Wilson Antonio de Souza Correa (Suplente Convocado) e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Adoto como relatório, em parte, aquele elaborado pela Autoridade Julgadora de 1ª instância (fl. 162), complementandoo ao final: Trata o presente processo de autuação contra a empresa em epígrafe, que resultou no lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte, incidente sobre o lucro liquido ILL (fls. 12 a 16), em decorrência de ajustes do lucro liquido do exercício. 2. No Termo de Verificação Fiscal (fl. 10), a Fiscalização informa que o contribuinte, através do Processo n° 13805.009748/9615, impugnou o Lançamento Suplementar do Imposto de Renda Retido na Fonte sobre o Lucro Liquido 1992, consubstanciado na notificação n° 0302582 (fls. 03 e 04), decorrente da revisão sumária de sua declaração de rendimentos IRPJ — Exercício 1992 — PeríodoBase 1991, onde foi retificado o item 04 do Quadro 04 do Anexo 4. 3. 0 referido Lançamento Suplementar foi declarado nulo de oficio pela autoridade julgadora, em obediência ao disposto no artigo 6°, inciso I, da Instrução Normativa SRF n° 94/1997, conforme Decisão DRJ/SPO/SP/N° 16991/98 (fls. 05 e 06). 4. 0 contribuinte foi cientificado da decisão citada em 23/02/1999, conforme termo de fl. 02. 5. Com base nos dados extraídos do referido processo, a Fiscalização constatou que a DIRPJ/1992, continha, ainda, o seguinte equivoco: Anexo 4 (item 04/04) 4 não preenchimento do campo destinado A. exclusão do valor "Ajustes por aumento no valor de Investimentos avaliados pelo Patrimônio Liquido", no valor de Cr$ 19.882.267,00. 6. Por fim, foi elaborada pela Fiscalização tabela na qual estão contidos os ajustes efetuados no Anexo 04 — Quadro 04 da DIRPJ/1992 (fl. 11) em conseqüência da ação fiscal, tendo sido lavrado o auto de infração abaixo discriminado: 6.1. ILL — fls. 12 a 16— FALTA DE RECOLHIMENTO DO IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE SOBRE 0 LUCRO LÍQUIDO — Enquadramento legal: Artigo 35 da Lei n° 7.713/1988, com as alterações do artigo 1° da Lei n° 7.959/1989. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 325 3 7. Tendo tomado ciência da autuação em 05/05/1999 (fl. 15), a Autuada apresentou impugnação em 02/06/1999 (fls. 19 a 24), na qual, por meio de seu Diretor Presidente (fls. 25 a 57), alega, em síntese, que: 7.1. Ocorreu a decadência do direito do Fisco realizar o lançamento em 31/12/1996 ou, na pior das hipóteses, no dia 01/01/1997. A doutrina e o próprio Conselho de Contribuintes reconhecem que o ILL submetese ao disposto no artigo 150 do Código Tributário Nacional — CTN, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação (fls. 22 e 23). 7.2 0 Supremo Tribunal Federal, em vários julgados, declarou a cobrança do ILL inconstitucional, quando não há uma efetiva distribuição do lucro aos sócios. 7.3 Como se depreende do documento n° 04 — Balanço Social encerrado em 31.12.1991, a sociedade apurou um prejuízo de Cr$ 215.743.038,66, que, somado ao prejuízo acumulado, importou, na data de 31/12/1991, em um saldo de prejuízo no valor de CR$ 916.795.208,46. 7.4. Por conseguinte, não ocorreu disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação pelo ILL, acarretando a inconstitucionalidade da cobrança. O contribuinte apresentou impugnação, que foi assim tratada pela DRJ em São Paulo/SP, em resumo: 1 Disse que este lançamento decorreu da nulidade da Notificação de Lançamento Suplementar do Imposto 1992, portanto, o prazo decadencial deve ser contado na forma do artigo 173, II, do CTN. Concluiu pela não ocorrência de decadência. 2 Com relação as alegações de inconstitucionalidade da cobrança do ILL, uma vez que não teria ocorrido disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação, observese que a base de cálculo apurada pela Fiscalização foi positiva (Cr$ 27.822.154,00), apesar da empresa ter apurado prejuízo contábil. A decisão do STF, proferida no julgamento do Recurso Extraordinário n° 172.0581/SC, reconhece a conformidade do artigo 35 da Lei n° 7.713/1988 com a Lei Maior, salvo quando, segundo o contrato social, não dependa do assentimento de cada sócio a destinação do lucro liquido a outra finalidade que não a distribuição. Analisando a questão, concluiu que somente é indevido o ILL nos casos em que o contrato social prevê a obrigatoriedade de destinação do lucro liquido a finalidade diversa da distribuição. O Contrato Social da empresa determina que, após a constituição da Reserva Legal (5% do lucro liquido, não excedendo essa reserva a 20% do capital social) e Da Reserva de Investimento e Capital de Giro (10% do lucro liquido), o saldo remanescente ficará à disposição da Assembléia Geral, que poderá deliberar por sua capitalização, total ou parcial ou por sua distribuição entre os sócios. Não há que se falar, então, em inconstitucionalidade da exigência o ILL em relação a 85% do lucro liquido, devendo ser aplicado esse percentual no montante de ILL a ser mantido. Deuse, então, provimento parcial à impugnação. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 326 4 Cientificado dessa decisão em 28 de março de 2008 (sexta feira), conforme AR na folha 173, o contribuinte apresentou recurso voluntário em 28 de abril de 2008, com protocolo na folha 180. Em sede de recurso, alega, em síntese: 1 preliminar de decadência, fundamentandose na contagem do prazo na forma do artigo 150, § 4º do CTN; 2 enfatiza que o STF declarou inconstitucional o ILL, quando não há uma efetiva distribuição do lucro aos sócios. Ressalta que se não ocorreu disponibilidade econômica ou jurídica passível de tributação pelo ILL, inexiste fato gerador, ainda que de forma presumida, razão pela qual a incidência do Imposto de Renda na Fonte sobre o Lucro Liquido não pode prevalecer. PEDE o acolhimento de seu recurso para que seja anulado o lançamento debatido. É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. O recurso é tempestivo, conforme relatado, e, atendidas as demais disposições legais, dele tomo conhecimento. A numeração de folhas a que me refiro é a existente após a digitalização do processo, transformado em meio magnético (formato .pdf) PRELIMINAR. DECADÊNCIA. O lucro líquido aqui tributado referese ao ano calendário de 1991, exercício de 1992. Foi emitida a Notificação de Lançamento de fls. 06, em 12/07/1996. Na decisão DRJ/SPO Nº 1.6991/98, que consta da folha 10, diz que: 0 presente processo versa sobre Lançamento Suplementar de Tributo/Contribuição, cuja notificação não observou os requisitos estabelecidos no artigo 142 do Código Tributário Nacional Lei n° 5172/66. Em conformidade com o artigo 6°, I, da Instrução Normativa SRF n° 94/97, publicada no DOU de 29/12/97, os lançamentos efetuados em desacordo com as normas legais supracitadas, quando impugnados, serão declarados nulos pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, mesmo que essa preliminar não tenha sido suscitada pelo sujeito passivo.(destaquei) Não identifico, na supracitada decisão, qual requisito a Notificação não haveria observado, apenas destaco que é mencionado expressamente o artigo 142, do CTN. Fl. 326DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 327 5 O artigo 142 do CTN dispõe que o ato de lançamento constituise na atividade atinente à autoridade administrativa para: verificar a ocorrência do fato gerador e determinar a matéria tributável (antecedentes), calcular o montante devido e identificar o sujeito passivo (consequentes). Portanto, esses elementos constituemse em aspectos da hipótese de incidência tributária. Socorrendome na doutrina de Regina Helena Costa: Os aspectos pessoal e quantitativo compõem o chamado "consequente" da hipótese de incidência tributária, isto é, descrita a materialidade e indicadas as coordenadas espacial e temporal do fato no antecedente da norma, exsurge uma relação jurídica mediante a qual um sujeito possui o direito de exigir o tributo e outro sujeito o dever de pagálo (aspecto subjetivo), apontandose o valor da prestação correspondente (aspecto quantitativo).(COSTA. Regina Helena, Curso de Direito Tributário, 2ª ed. São Paulo : Saraiva, 2012, p. 205) No Termo de Verificação Fiscal (fl. 20), emitido em 05/05/1999, portanto após a decisão da DRJ que anulou o lançamento anteriormente efetuado, a Auditora Fiscal diz que "como não houve apreciação de mérito no lançamento anulado" e após intimação do contribuinte e "correção de erro de forma constante da notificação", "a matéria tributável ... passa a ser o seguinte". No Auto de Infração, cujo demonstrativo está na folha 24/26, o valor da autuação em UFIR foi de 3.727,89. Na Notificação original (fl. 06), que fora anulada, o valor de ILL exigido foi de 6.391,90 UFIR. Ou seja, além de não especificados "erros de forma", houve ainda, nesse novo lançamento, correções de cunho material, que significaram alterações no valor lançado (aspecto quantitativo). Colho os seguintes julgados, da Câmara Superior deste CARF: Acórdão 9202002.731– 2ª Turma Sessão de 11 de junho de 2013 Período de apuração: 01/05/1996 a 30/04/1997, 01/06/1998 a 30/06/1998 DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Saliento que, não estou aqui reapreciando a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento. Estou sim, apreciando a conformidade do novo lançamento com o lançamento a que pretende substituir. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 328 6 Neste contexto, é lícito concluir que as investigações intentadas no sentido de determinar, aferir, precisar o fato que se pretendeu tributar anteriormente, revelamse incompatíveis com os estreitos limites dos procedimentos reservados ao saneamento do vício formal. Com efeito, sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar o contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e o vício apurado não seria apenas de forma, mas, sim, de estrutura ou da essência do ato praticado. Ocorre que, para que se aplique o art. 173, II do CTN o novo lançamento deve conformarse materialmente com o lançamento anulado. Fazendose necessária perfeita identidade entre os dois lançamentos, posto que não pode haver inovação material no lançamento substitutivo ao lançamento anulado anteriormente. O que não ocorreu no presente caso, posto que o novo lançamento introduziu inovação material no que diz respeito à caracterização da cessão de mão de obra. Em suma, não há coincidência material entre o primeiro lançamento, tornado nulo, e o presente lançamento, que, em tese, teria o condão de substituílo. Destarte, o presente lançamento deve ser analisado como um novo lançamento e não como um lançamento substitutivo, o que acarreta a conclusão de que, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Acórdão 9202003.185 – 2ª Turma Sessão de 07 de maio de 2014 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/1995 a 31/05/1995, 01/11/1995 a 30/11/1995 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO DECLARADO NULO. LANÇAMENTO SUBSTITUTIVO OU NOVO LANÇAMENTO. No presente caso a nulidade do primeiro lançamento foi declarada em face da ausência da perfeita descrição do fato gerador do tributo, em virtude da não caracterização da existência da cessão de mão de obra, o que caracteriza violação ao art. 142 do CTN. Não se está aqui a reapreciar a natureza do vício declarado por ocasião da anulação do primeiro lançamento, mas sim, a conformidade do novo lançamento com o Fl. 328DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 329 7 lançamento a que pretende substituir. Sob o pretexto de corrigir o vício formal detectado, não pode o Fisco intimar a contribuinte para apresentar informações, esclarecimentos, documentos, etc. tendentes a apurar a matéria tributável. Se tais providências forem efetivamente necessárias para o novo lançamento, significa que a obrigação tributária não estava definida e não há que se falar em lançamento substitutivo, mas, sim, em novo lançamento. Assim, no momento em que foi lançado, o crédito tributário a que se referia já se encontrava extinto pela decadência. Em seu Voto, esclareceu o Conselheiro Relator Luiz Eduardo de Oliveira Santos: Faço notar se estar aqui diante de caso já analisado por esta mesma Câmara Superior em situação análoga, que envolvia a mesma autuada, mas com diferente prestadora de serviço (Acórdão CSRF nº 9.20200.2.729, 2a. Turma, de 11 de junho de 2013). A propósito, também ali se tratava de refazimento de lançamento por conta de anulação de NFLD anterior, tendo, tanto no caso ali tratado como no caso aqui sob análise, se intimado a contribuinte a apresentar, no curso da nova ação fiscal, livro diário, razão, contratos, notas fiscais e outros documentos referentes à serviços realizados pelas empresas prestadoras. Verifico, a propósito, que o entendimento esposado de forma unânime por esta Câmara Superior, ao qual me filiei e continuo a me filiar, é no sentido de que se está a tratar, aqui, de novo lançamento e não de mero refazimento anterior do lançamento nulo, tendo em vista a inovação material proporcionada pelos novos elementos carreados aos autos, objeto da intimação acima citada. Ou seja, não se está aqui a discutir novamente a natureza do vício do lançamento anteriormente declarado nulo (questão que entendo abrangida pela preclusão sustentada no âmbito das contrarrazões), mas sim a defender a descaracterização do lançamento anterior como substitutivo, o que gera como necessária conseqüência o reconhecimento da decadência para as competências de 05/1995 e 11/1995 objeto de lançamento, visto que só cientificado o presente auto em 30 de dezembro de 2005. (...) Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, no mérito, dar provimento ao recurso especial da contribuinte, visto que, em se tratando de novo lançamento (e não de lançamento substitutivo) por conta da inovação material realizada no âmbito da nova ação fiscal, os créditos aqui em questão, referentes às competências de 05/1995e 11/1995 já haviam sido fulminados pelo efeito decadencial, no momento de sua constituição. O mesmo raciocínio também foi reproduzido no Acórdão 9202003.186. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 330 8 Como se pode observar, o entendimento consolidado da Câmara Superior, em questão idêntica a essa aqui em debate, é que o novo lançamento, de caráter substitutivo, que se faz em decorrência do lançamento anterior, anulado por vício formal, não pode trazer inovações materiais, mas apenas corrigir o vício apontado. Sequer aceitouse que o Fisco novamente intimasse o contribuinte a prestar novos esclarecimentos ou apresentar novos documentos, sob o argumento de que se isso era necessário, o lançamento anteriormente anulado continha outras deficiências, além da forma. Leandro Paulsen esclarece que, no que toca ao inciso II, do artigo 173, do CTN: Cuidase de hipótese de reabertura do prazo decadencial, caracterizando, pois, efetiva interrupção do prazo que estava em curso. (in Direito Tributário: Constituição e Código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência, 15 ed, ESMAFE:2013, pp 1196/7) Segundo Hugo de Brito Machado: Relevante é ressaltarmos que a reabertura do prazo para a feitura de um novo lançamento destinase apenas a permitir que seja sanada a nulidade do lançamento anterior, mas não autoriza um lançamento diverso, abrangente do que não estava abrangido no anterior (in Aspectos do Direito de Defesa no Processo Administrativo Tributário, RDDT 175/106, abr 2010) Pois bem, verificandose no TVF e no Auto de Infração que houve alteração da matéria tributável, destaco (fl. 42): A matéria tributável, após os ajustes efetuados na declaração de rendimentos — IRP] — Exercício 1992/1991, em decorrência de erros cometidos pelo contribuinte, no seu preenchimento, passa a ser o seguinte:(...) Assim, no lançamento original não haviam tão somente erros de forma, mas propriamente esteve errado o cálculo do montante devido, que foi também retificado. Não há de ser aplicado, portanto, o artigo 173, II, do CTN. Ora, se houve equívoco reconhecido na apuração do montante devido (aspecto quantitativo da hipótese de incidência) o lançamento encontrase viciado e, para sanar o problema, necessário ser feito um novo lançamento. Não é possível, data maxima venia, "corrigir" ou "emendar" um lançamento onde se reconhece que houve erro na apuração do tributo. Não entendo que se trate de mero erro de forma, de inobservância de aspectos formais, mas que esteve ferida a própria substância do lançamento, na aferição do montante devido. Seria necessário um novo lançamento, porque se feriram aspectos substanciais da hipótese de incidência tributária. Nesses casos, o novo lançamento só seria possível enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública e observadas todas as normas pertinentes, na legislação tributária. Em conclusão, ocorrido o fato gerador em 31/12/1991, o lançamento efetuado em 05/05/1999 está alcançado pela decadência e, dessa feita, VOTO por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 330DF CARF MF Processo nº 13808.000397/9991 Acórdão n.º 2202003.565 S2C2T2 Fl. 331 9 Marcio Henrique Sales Parada Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.900957/2008-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-004.023
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SHERWINWILLIAMS DO BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 09 57 /2 00 8- 99 Fl. 162DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801004.987, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 163DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 164DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 165DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 166DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 167DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 168DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10882.900957/200899 Acórdão n.º 9303004.023 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 169DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16682.721118/2012-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Oct 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009
BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO
Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações.
Recurso de ofício provido.
Numero da decisão: 3201-002.387
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente-Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo.
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COFINS. MULTA Recorrente DROGARIAS PACHECO S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 BONIFICAÇÕES/PRÊMIOS. RECEITAS FINANCEIRAS. DESCARACTERIZAÇÃO Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. Recurso de ofício provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Cassio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisario, que negavam provimento ao recurso. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 11 18 /2 01 2- 25 Fl. 2637DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 2 Charles Mayer de Castro Souza PresidenteRelator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Mércia Helena Trajano D'Amorim, Jose Luiz Feistauer de Oliveira, Cássio Schappo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Tatiana Josefovicz Belisario, Winderley Morais Pereira e Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo. Relatório Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a contribuinte acima identificada, constituindo crédito tributário decorrente da Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS e para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, referente a períodos de apuração compreendidos nos anos de 2008 e 2009, no valor total de R$ 4.981.126,50, incluídos multa de ofício proporcional e juros de mora. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, transcrevo o Relatório da decisão de primeira instância administrativa, in verbis: Do lançamento: O presente processo tem origem nos autos de infração, lavrados pela Difis da Demac/RJ em 05/12/2012, de Contribuição para o Programa de Integração Social/PIS, no valor de R$ 421.600,92 e de Contribuição para Financiamento da Seguridade Social – COFINS, no valor de R$ 1.941.919,39, acrescidos da multa de ofício, no percentual de 75% e demais encargos moratórios, decorrentes das seguintes infrações apuradas: Item 1 do auto de infração – Incidência não cumulativa padrão. Apuração mensal de insuficiência de recolhimento de PIS e COFINS por falta de oferecimento à tributação dos valores lançados na conta contábil 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, nos montantes de R$ 10.139.720,96 em 2008 e R$ 15.414.886,21 em 2009, que a interessada teria declarado em seus Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais/DACON à linha 04 das fichas 07A e 17A – “Receita Tributada à Alíquota Zero”. O Termo de Verificação Fiscal/TVF, parte integrante dos autos de infração, discorre sobre o objeto social da interessada conforme seu estatuto, sua forma de tributação pelo Lucro Real anual nos anos de 2008 e 2009 e DACON mensais apresentados com apuração das contribuições pelo regime não cumulativo nos períodosbase respectivos, elenca as intimações fiscais e respectivas respostas e assim discorre sobre a autuação: Que o somatório anual das receitas informadas em DACON e nas Declaração de Informações da Pessoa Jurídica/DIPJ se mostraram compatíveis, fazendo a correlação das receitas declaradas na DIPJ como "Outras Receitas operacionais" com as receitas incluídas na base de cálculo do PIS e da COFINS na linha " Demais Receitas", passando a investigar a composição da Linha 4 "Receita Tributada à Alíquota Zero" das Fichas 07A e 17A do DACON, nas quais os valores ali consignados Fl. 2638DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.637 3 correspondem aos valores registrados nas Linha 22 (DIPJ/2009) e 23 (DIPJ/2010) – OUTRAS RECEITAS FINANCEIRAS da Ficha 06ª, que por sua vez correspondem exatamente ao saldo do grupo de contas contábeis 0306020000 – Receitas Financeiras, cuja composição elenca na planilha de fl. 2199. Destaca a conta nº 0061200008 "Descontos Obtidos Promocionais", que registraria o reconhecimento de valores a receber dos fornecedores, via depósitos bancários, cujo histórico de lançamento faria menção a "acordos comerciais" ou "acordos promocionais" com determinado fornecedor. Intimada a explicar qual o tipo de operação registrada em tal conta e apresentar documentação comprobatória, a interessada teria apresentado extratos da conta 19925, da agência 2373, do Banco Bradesco e assim explicado: "A empresa antes de anunciar uma campanha promocional dos medicamentos em sua rede de lojas, contata os seus fornecedores com o objetivo de receber um desconto financeiro nas mercadorias adquiridas, o que proporcionará ao seu cliente a aquisição de produtos com menor custo. Este desconto financeiro é depositado em conta corrente da empresa com a identificação do parceiro (fornecedor), que aderiu à campanha promocional”. Entendeu a fiscal autuante que o valor depositado estaria vinculado a uma campanha promocional, cujo objetivo seria a venda de produto ao cliente por um preço menor do que o praticado anteriormente, ocorrendo esse "desconto financeiro" em momento posterior ao da compra do produto ao Fornecedor. Intimada a apresentar documentação comprobatória (contratos com os fornecedores) e explicar se os descontos estariam vinculados a alguma nota fiscal de compra de mercadoria, a interessada enviou cópias de emails com os fornecedores, documento denominado "Autorização de Fornecimento" emitido pela própria e algumas notas fiscais, tendo a fiscal autuante, em alguns casos, conseguido relacionar o pedido feito através da "Autorização de Fornecimento" com as notas fiscais correspondentes. Respondeu ainda a interessada que: “Essa negociação com os fornecedores tem como intuito final baratear o preço desses produtos em nossas lojas e alavancar vendas. Isto se dá pelo volume de compras praticado pela companhia. Exemplo: campanha promocional de protetor solar para o verão. Os produtos vendidos por esses fornecedores fazem parte de uma lista NEGATIVA, cuja tributação de PIS e Cofins acontece na origem, sendo para nós sujeito à alíquota zero. Fl. 2639DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 4 Esses valores recebidos através de depósitos bancários caracterizamse por negociações como acordos promocionais, são lançados como receita financeira pois a companhia repassa esses valores ao consumidor final como descontos, lança como despesa financeira anulando a referida receita desses valores não tributando PIS e Cofins, pois já são na origem." A autuante não teria encontrado na contabilidade da interessada o registro desses valores nas contas de descontos financeiros. A autuante destacou às fls. 10/14 do TVF parte dos emails da interessada com os fornecedores COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE, concluindo que os valores lançados na conta 0061200008 – “Descontos Obtidos – Promocionais” decorreriam de acordos promocionais vinculados a volumes de compras que geravam créditos a serem depositados pelo fornecedor em momento posterior ao da compra. Intimada e Reintimada mais uma vez a apresentar os contratos firmados com os fornecedores e explicar detalhadamente a operação que deu origem aos lançamentos selecionados, a interessada repetiu suas argumentações já transcritas. Consideradas não satisfatórias as justificativas, a autuante cientificou a interessada de que a documentação (notas fiscais de compra de produtos) por ela apresentada não foram suficientes para estabelecer um vínculo com os valores depositados posteriormente pelos fornecedores e comprovar sua tese de que tais valores caracterizarseiam como ressarcimento de descontos concedidos por ordem do fornecedor sobre produtos com alíquota diferenciada de PIS/COFINS, cuja incidência acontece apenas na origem. A autuante, então, diligenciou junto aos cinco maiores fornecedores da interessada (COLGATEPALMOLIVE, BELOCAP L’OREAL, JOHNSON & JOHNSON, UNILEVER e PROCTER&GAMBLE) que juntos representaram 62.95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos créditos lançados na conta “Descontos Obtidos Promocionais”, tendo às fls. 19/34 do TVF narrado o histórico das intimações, confirmando junto aos diligenciados que os pagamentos à interessada se deram através de depósito bancário, e destacado o seguinte: COLGATEPALMOLIVE COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 00.382.468/003375): O TVF transcreve trechos dos contratos firmados entre a ColgatePalmolive e a interessada, denominados “Acordo Aliança Comercial 20072008 e 20082009”, destacando as cláusulas que determinam as concessões dos “descontos incondicionais”, quais sejam: eficiências, desenvolvimento de negócios (que conclui ser uma verba calculada em função do volume de venda de produtos, conforme metas préestabelecidas no Plano de Crescimento), antecipação de pagamentos e pacote logístico, sendo que o pagamento se dá por via bancária, ou outra forma de pagamento e os descontos do pacote logístico são aplicados sobre o valor faturado líquido de impostos IPI, ICMS e PIS/COFINS. Fl. 2640DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.638 5 Nas planilhas apresentadas pela diligenciada foram identificados depósitos referentes a devoluções de mercadorias, e após intimação e resposta da interessada, somente foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS oito deles, comprovados pela mesma em nota fiscal. Concluiu a autuante que com exceção do desconto por antecipação de pagamentos, todos os outros itens previstos no Acordo Promocional, a despeito da nomenclatura adotada, revestemse da natureza de bonificações ou prêmios a serem pagos pela ColgatePalmolive pelo cumprimento das condições prédefinidas no Acordo. PROCTER&GAMBLE INDUSTRIAL E COMERCIAL LTDA. (CNPJ nº 01.358.874/000935): A Procter&Gamble também disponibilizou contratos que formalizaram condições dos acordos comerciais com a interessada, denominados “Fundo para atividades chaves do negócio (KDB)” e “Fundo de desenvolvimento de marcas”, tendo o TVF transcrito algumas cláusulas e condições estabelecidas, em especial a de que os pagamentos poderão ser feitos por depósito bancário ou desconto em nota fiscal e a das condições para uso do Fundo, das quais consta a redução temporária de preços. Quanto a isso, o TVF assim discorre: “Percebese que a redução de preços é apenas uma das modalidades do acordo comercial e que deverá ser comprovada por parte da fiscalizada. Com base nesta informação, intimouse a apresentar tais provas, item 1 do Termo de Constatação Fiscal, o que não foi atendido.” JOHNSON & JOHNSON COMÉRCIO E DISTRIBUIÇÃO LTDA. (CNPJ nº 61.192.57/001131): O TVF destaca trechos da resposta da diligenciada, em especial o que declara inexistir formalização por contrato e que os pagamentos se deram “em razão de acordos promocionais comumente celebrados, que visam trazer, no ponto de venda, uma melhor divulgação ou localização de produtos, buscando maior impacto no consumidor final no momento da compra.", ou seja, que “os pagamentos tinham por objeto permitir uma melhor exposição de produtos J&J no pontodevenda, com a instalação de pontosextras, ilhas de produtos no centro da loja, exposição em pontas de gôndola e também nos próprios caixas da loja. Os pagamentos também objetivavam a exposição das ofertas relacionadas aos produtos J&J nos encartes e tablóides distribuídos nas lojas das Drogarias Pacheco." UNILEVER BRASIL LTDA. (CNPJ nº 61.068.276/019468): O TVF conclui que a diligenciada esclareceu que os pagamentos à interessada foram feitos “a título de bonificação efetuada a clientes por vendas e que a formalização dos mesmos ocorre após o "De acordo" do cliente, através de ferramenta Fl. 2641DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 6 disponibilizada na web, com acesso individual e restrito por cliente, mediante usuário CNPJ e senha”. L’OREAL BRASIL COMÉRCIO DE COSMÉTICOS LTDA (CNPJ nº 30.278.428/000595): O TVF transcreve trechos da resposta da diligenciada, em especial o que esclarece que "Com relação à negociação comercial realizada com a empresa DROGARIAS PACHECO S.A., que detém grande representatividade no canal varejo (farmácias), verificamos que foram concedidas verbas comerciais, na forma de bônus, atrelados ao crescimento das vendas da referida empresa durante os anos de 2008 e 2009. (...)" Destaca ao final, que “Alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão, por esta razão ela elaborou um quadro, por ela denominado de Anexo IV, no qual discriminou todos os pagamentos a título de contrato de bônus, atrelados ao crescimento das vendas, relativos aos meses indicados no TIF n° 02. Embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela fiscalizada; o que os torna compatíveis entre si.” Por fim, em 23 de outubro de 2012, a Autuante lavrou o Termo de Constatação Fiscal nº 11, transcrito às fls. 34/36 do TVF, elaborando quesitos respondidos pela interessada em 05/11/2012. Apurando infração de insuficiência de recolhimento, a autuante discorreu sobre os contribuintes do PIS e da COFINS Faturamento e seu fato gerador, transcrevendo a legislação de regência quanto à base de cálculo e suas exclusões, concluindo que os valores apurados constituem receitas e não estariam entre as exclusões da base de cálculo. Apurou os valores tributáveis mês a mês e ajustou os saldos dos meses de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008, por ter a interessada comprovado a existência de lançamentos de valores depositados em decorrência de devolução de compras de mercadorias, conforme quadro de fl. 42 do TVF. Item 2 do auto de infração – Créditos Descontados indevidamente em decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores. Glosa do crédito utilizado pela interessada no mês de fevereiro de 2008, referente ao mês de janeiro/2008, tanto para o PIS como para a COFINS, nos valores respectivos de R$ 11.484,79 e R$ 52.899,62, uma vez que tais créditos foram realocados para janeiro, em face da autuação do item anterior. Da Impugnação: Inconformada, a interessada apresentou sua impugnação, em 04/01/2013, onde, em síntese, argui a tempestividade, descreve a autuação e: Fl. 2642DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.639 7 Argüi a nulidade do procedimento administrativo por ferir o princípio da legalidade, uma vez estar em desacordo com os arts. 3º e 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) ; por não ter se subordinado à reserva legal, uma vez que inexistentes os fatos geradores das obrigações principal e acessória; e pelo auto de infração não conter, na devida forma, a descrição dos fatos e a determinação da exigência, assim impossibilitando ao sujeito passivo verificar, com segurança e exatidão, a procedência da exigência tributária e, como tal, exercer seu direito constitucional de ampla defesa. Destaca que os autos foram lavrados com base em amostragem, inversão do ônus da prova e documentos de valor probante insuficiente ou favoráveis às suas afirmativas. Protesta que os Autos de Infração contiveram apenas o enquadramento legal e valores mensais de base de cálculo, e o TVF restringiuse a qualificar a empresa, descrever a ação fiscal e transcrever parte da legislação do PIS e da Cofins, determinando imediatamente os valores tributáveis, sem fazer qualquer ligação entre o que discorre e a determinação da matéria tributária, ou mesmo especificar o fato gerador da obrigação, tendo descritoos nos Autos de Infração apenas como "insuficiência de recolhimento". Destaca que no item V do TVF, com o título de "Da Infração Apurada", deveria ter sido especificado o fato gerador da autuação e determinado a matéria tributável, tendo ali constado simplesmente a legislação de PIS e Cofins, e apenas um parágrafo para dizer que "As receitas decorrentes dos Acordos Promocionais, descritos no item 2 deste relatório, por parte da fiscalizada, não foram consideradas na base de cálculo das contribuições devidas...", sem explicar porque deveriam ter sido consideradas. Protesta que a falta de especificação e descrição dos motivos que levaram à autuação confunde, atrapalhando a compreensão da autuação e, por conseguinte, a sua defesa, mormente quando, interpretando que a autuante considerou os valores autuados como reduções de custos ou recebimentos de fornecedores com vistas à redução de preços, nenhuma dessas hipóteses seria base de cálculo de PIS e Cofins. Assim, argui a nulidade com base no art. 142 do CTN. Protesta contra ilegítima inversão do ônus da prova, sem qualquer previsão legal, e frágeis e insuficientes suposições baseadas em amostragem, sem qualquer comprovação, nas quais teria se baseado a autuação. Transcrevendo textos de ilustres juristas e Ementa do TRF5, protesta contra a inversão do ônus da prova pelo Fisco, julgando que este deveria saber que as exações eram, no mínimo, de legitimidade duvidosa, ferindo o art. 9º do Decreto nº 70.235/1972, que também transcreve, destacando que o auto de infração deveria estar instruído com todos os termos, Fl. 2643DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 8 depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Alega que os valores contabilizados em sua conta contábil n° 61200008, com o título "Descontos Obtidos Promocionais", não foram oferecidos à tributação de PIS e Cofíns, primeiramente por terem sido considerados contabilmente como Receitas Financeiras, sobre as quais incide alíquota zero de PIS e Cofíns, conforme art. 1º do Decreto n° 5.442, de 09 de maio de 2005; segundo por se tratar de valores recebidos através de depósitos bancários efetuados por alguns de seus fornecedores com vistas a redução do preço de venda de seus produtos, também incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS e Cofins, por força do art. 2º da Lei n° 10.147, de 21 de dezembro de 2000. Reafirma que caberia à autuante a prova de que os valores, em sua totalidade, e não por amostragem, seriam tributáveis pelas alíquotas aplicadas no Auto de Infração de 1,65% para o PIS e de 7,60% para a Cofins. Destaca que a quase totalidade de sua receita advém da comercialização de produtos sobre os quais, segundo determina o art. 2º da Lei n° 10.147/2000, incide alíquota zero de PIS e Cofins, concluindo que qualquer receita relacionada às vendas de tais produtos nunca poderia servir como base de cálculo de PIS e Cofíns. Reafirma que os valores lançados na conta 0061200008 “Descontos Obtidos Promocionais” referemse a depósitos em suas contas bancárias, efetuados por alguns de seus fornecedores, com vistas ao ressarcimento de redução de preços de seus produtos aos consumidores finais, conforme negociação promocional feita prévia e diretamente com tais fornecedores e que tais produtos tem sua tributação de PIS e Cofíns apenas na origem. Desta forma, ao receber de forma indireta parte dos valores referentes ao preço final da mercadoria, tais valores também não estariam sujeitos à tributação do PIS e da Cofíns, uma vez que representam parte dos valores de receita de vendas de tais produtos, sobre a qual não incide PIS e Cofíns na venda ao consumidor final. Alega que assim também teria entendido a autuante, pois não contradisse que tais valores, uma vez representativos de redução de preços, seriam base de cálculo de PIS e Cofíns, tanto que teria balizado toda a ação fiscal em buscar a comprovação que os mesmos se referiam a outras receitas que seriam tributáveis. Destaca que também não seriam base de cálculo do PIS e Cofins os valores recebidos a título de "redução de custos", como concluído na pág. 14 do TVF. Justifica que, diante do imenso volume de suas documentações e o longo período de tempo transcorrido entre os anos autuados e o início da fiscalização, pouco pôde obter, ainda mais quando as negociações eram, em sua maioria, feitas on line e sem qualquer acordo ou recibo formal, procedimento este que teria modificado, emitindo atualmente, para cada valor depositado, os documentos juntados à impugnação, referentes ao ano de 2012. Fl. 2644DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.640 9 Alega que o TVF destaca, em caixa alta, que as autorizações de fornecimento, diretamente vinculadas às notas fiscais dos fornecedores, apresentavam o termo de acordo que previa que o pedido geraria uma verba adicional percentual para rebaixa de preço que teriam resultado nos depósitos efetuados por nossos fornecedores que motivaram os lançamentos contábeis na conta 0061200008 glosada. Além disso, também teria em destaque no TVF o reconhecimento que em alguns documentos constavam expressamente: "Será depositado no mês AGOSTO/ 09. O valor de R$ 180.000,00. Para ações onais (redução de preços e packs promocionais).", confirmando que os valores depositados pelos fornecedores teriam como objetivo a redução de preços finais dos seus produtos nas lojas da interessada. Destaca que, no ano de 2012, todos os depósitos efetuados pelos fornecedores, pela mesma motivação e nas mesmas condições dos feitos em 2008 e 2009, estariam sendo devidamente documentados com "Registro de verbas promocionais", assinado pela interessada e o respectivo fornecedor, individualizados por depósito e elencando as notas fiscais a que se referem, os produtos e respectivos subsídios para redução de preços individualizado e os novos preços de venda ao consumidor final, além do período do acordo comercial respectivo e o prazo para o depósito, se ainda não efetuado. Acredita que tais documentos, apesar de referentes a fatos de 2012 e não dos anos autuados de 2008 e 2009, mostrariam não ser ficção o fato dos depósitos bancários efetuados por seus fornecedores terem como objetivo a redução do preço dos produtos em suas lojas, não havendo como imaginar que tal prática teria surgido somente em 2012, ainda mais com os mesmos fornecedores e nas mesmas condições de 2008 e 2009. Considerando absurda a fiscalização “por amostragem”, argui a nulidade da autuação, uma vez que embasada em conclusões precipitadas da Fiscal com base em parte dos documentos obtidos de alguns dos seus fornecedores. Protesta que, mesmo que a autuante tivesse comprovado que a totalidade dos valores depositados pelos cinco fornecedores diligenciados representavam valores de receitas tributáveis pelo PIS e Cofins, assim mesmo a conta 0061200008 deveria ser glosada em, no máximo, 62,95% em 2008 e 68,13% em 2009, conforme percentuais constantes da pág. 17 do TVF, nunca em sua totalidade. Protesta que a correlação efetuada pela Autuante entre os valores contabilizados na conta glosada e os apresentados pelos fornecedores foi feita "em ordem de grandeza”, inaceitável quando, no caso do fornecedor ColgatePalmolive, exemplifica, à pág. 24 do TVF consta que parte dos valores apresentados pela mesma foram contabilizados na conta 0071300004 “Aluguel de espaço para demonstração de produtos” e devidamente incluídos na base de cálculo do PIS e Cofins, não Fl. 2645DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 10 tendo sido especificado quanto dos valores apresentados por este fornecedor já teriam sido oferecidos à tributação de PIS e Cofíns e, da diferença, quanto representaria valores não tributáveis, tendo sido autuado todo o valor. No caso do fornecedor L'oreal Brasil Comércio de Cosméticos Ltda, constaria à pág. 34 do TVF que "alguns pagamentos mensais não foram identificados pela diligenciada em sua totalidade ou exatidão'' e que "embora haja divergências entre os montantes mensais registrados, o valor total de pagamentos, nos dois exercícios, localizado pela diligenciada foi ligeiramente superior ao registrado pela, fiscalizada, o que os torna compatíveis entre si", arguindo a interessada como valores “tão imprecisos e não identificados em sua totalidade” poderiam servir de base para a autuação. Destaca que, no caso do fornecedor Procter&Gamble Industrial e Comercial Ltda, a própria autuante teria admitido que parte dos valores dos depósitos se refeririam a compensações para reduções de preços, não tendo excluídoos da autuação. Quanto ao fornecedor Unilever Brasil Ltda, destaca que a Autuante teria se limitado a narrar a diligência, confirmar suas afirmativas de que as negociações foram feitas "online" através de ferramenta disponibilizada na web e concluir que os pagamentos eram efetuados "a título de bonificação por vendas", sem contradizer que tal bonificação era exatamente para compensação de redução de preços de venda, não tendo justificado o motivo de manter a glosa dos mesmos. Quanto à Johnson & Johnson Comércio e Distribuição Ltda, teria a mesma confirmado que os depósitos bancários não foram formalizados por contratos, tendo o TVF se limitado a transcrever parte da resposta daquela diligenciada à intimação fiscal. Resume que a autuação teria sido sustentada em material probatório "por amostragem e em ordem de grandeza", tendo a autuante invertido o ônus da prova, não especificando as razões da autuação. Com relação à autuação de “Créditos Descontados Indevidamente em Decorrência de aproveitamento de ofício em períodos anteriores”, alega que, tendo sido tal autuação resultado direto da autuação de insuficiência de recolhimento de PIS e Cofins, sendo esta julgada nula ou improcedente, aquela igualmente será nula ou improcedente. Encerra pedindo a decretação da improcedência dos lançamentos, cancelamento das exigências fiscais e arquivamento do processo administrativo fiscal respectivo. Em 08/08/2013 foram juntados, às fls. 2.392/2.600, os documentos apresentados pela interessada em 29/07/2013. É o relatório. Fl. 2646DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.641 11 A 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro I julgou procedente a impugnação, proferindo o Acórdão DRJ/RJI n.º 1259.850, de 19/09/2013 (fls. 2601 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009 NULIDADE. INOCORRÊNCIA. O atendimento aos preceitos estabelecidos no art. 142 do CTN, a presença dos requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235/1972 e a observância do contraditório e do amplo direito de defesa do contribuinte afastam a hipótese de nulidade do lançamento. FISCALIZAÇÃO POR AMOSTRAGEM. AUTUAÇÃO DE VALORES QUE NÃO COMPUSERAM A AMOSTRA. DESCABIMENTO. Somente é válida a fiscalização por amostragem se os resultados e conclusões assim obtidos, bem como a autuação, não extrapolarem para as operações, valores e períodos que não sofreram auditoria, por não terem composto a amostra. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de PIS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem PIS à alíquota de 1,65%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009 DESCONTOS OBTIDOS. ALÍQUOTA ZERO. Conforme conceitua o art. 373 do RIR/1999, os descontos recebidos são considerados receitas financeiras, desta forma incidindo sobre os mesmos alíquota zero de COFINS, por força do art. 1º do Decreto nº 5.442/2005. Fl. 2647DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 12 EXIGÊNCIA POR INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA INCIDÊNCIA. DESCABIMENTO. Devem ser excluídos da autuação os valores cujo Fisco não comprovou incidirem COFINS à alíquota de 7,60%, e não alíquota zero como declarou a autuada, mormente quando algumas provas trazidas pela própria fiscal autuante confirmaram ou não contraditaram, a contento, as alegações da autuada. Impugnação Procedente Crédito Tributário Exonerado Em face do valor exonerado, a DRJ recorreu de ofício. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. O lançamento constituiu crédito tributário decorrente do PIS e da Cofins, apurados na sistemática não cumulativa, sobre valores que, segundo a fiscalização, não compuseram as suas respectivas bases de cálculo. Tratase, especificamente, de valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, subconta do grupo de Receitas Financeiras. Preliminarmente, a contribuinte autuada sustentou, na impugnação, a nulidade do feito, alegação rechaçada pela instância de piso e também aqui, pelos motivos que se passam a ressaltar. Com efeito, os autos de infração inquestionavelmente apresentamse com todos os requisitos previstos no art. 142 do CTN (fato gerador, base de cálculo etc.), notadamente a descrição dos fatos – detalhados, minuciosamente, no Termo de Verificação Fiscal, o que possibilitou à contribuinte autuada a exata compreensão da controvérsia, como se pode observar de sua impugnação. Ademais, como se verá na análise do mérito da autuação, o lançamento não se baseou em presunção, mas em provas robustas, não contaminadas por quaisquer vícios. Rejeitadas as preliminares de nulidade, passamos à análise das razões de mérito. Durante a ação fiscal, a contribuinte autuada informou que, antes de anunciar uma campanha promocional de medicamentos em sua rede de lojas, costuma contatar seus fornecedores com o objetivo de receber “descontos financeiros” na aquisição de mercadorias, o que reduziria o custo para seus clientes. Afirmou que estes descontos financeiros são depositados em sua própria contacorrente com a identificação do fornecedor que aderiu à campanha promocional (intimados, os fornecedores alegaram que os valores depositados referemse a uma negociação para o incremento de vendas ou para a realização de campanhas promocionais dos produtos). Tais valores seriam posteriormente repassados, como descontos, a seus clientes no momento da venda. Fl. 2648DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.642 13 Para melhor ilustrar como se operacionalizava o acordo celebrado pela contribuinte autuada e seus fornecedores, vale transcrever a seguinte passagem da resposta recebida da PALMOLIVECOLGATE COMERCIAL LTDA.: (...) Nesse contexto, entendeu a DRJ que o fato destacado na impugnação – realização, pelos fornecedores, de depósitos em conta bancária, em vez de redução em compras futuras – não descaracterizaria os valores envolvidos como descontos financeiros obtidos, daí que considerou improcedente o lançamento. O conceito de receitas financeiras encontrase insculpido no art. 373 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto de Renda – RIR/1999, in verbis: Art. 373. Os juros, o desconto, o lucro na operação de reporte e os rendimentos de aplicações financeiras de renda fixa, ganhos pelo contribuinte, serão incluídos no lucro operacional e, quando derivados de operações ou títulos com vencimento posterior ao encerramento do período de apuração, poderão ser rateados pelos períodos a que competirem. Fl. 2649DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 14 Desta forma, em sendo os valores glosados representativos de descontos obtidos pela interessada junto aos seus fornecedores, mesmo que condicionais (seja à rebaixa de preços como alega, seja ao atingimento de metas, como propõe a autuante), seriam os mesmos receitas financeiras e, como tal, estariam sujeitos à alíquota zero de PIS e COFINS, por força do caput do art. 1º do Decreto nº 5.442, de 9 de maio de 2005: Art. 1º. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas financeiras, inclusive decorrentes de operações realizadas para fins de hedge, auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de incidência nãocumulativa das referidas contribuições. O fato dos valores terem sido depositados em conta bancária, em vez de utilizados como redução em compras futuras, não afasta a interpretação de serem os mesmos descontos recebidos pela interessada, bem como a sua nomeação pela autuante como “bonificações” não altera as suas características. (grifamosl) Discordamos. Primeiro, e conforme se pode perceber, o relator da decisão recorrida valeuse apenas do termo “desconto” para qualificar, como se de receita financeira tratasse, a operação combinada e realizada pelo contribuinte autuado e seus fornecedores, desprezando a variedade com que esse tipo de ajuste ocorre no plano da realidade. Um desconto registrado no ato da venda também não deixa de ser um desconto, mas, porque incondicional, não pode ser tratado como financeiro, pois apenas reduz o preço da venda no momento mesmo em que ocorre, daí que, sobre o valor descontado, não incide, por exemplo, o ICMS. Segundo, porque os valores assim recebidos – as receitas financeiras – originamse, ao contrário, de pagamentos antecipados de duplicatas ou de outros títulos emitidos por fornecedores. É como sustentam Sérgio de Iudícibus e Eliseu Martins: (...) Como receitas financeiras, há: descontos obtidos, oriundos normalmente de pagamentos antecipados de duplicatas de fornecedores e de outros títulos. (...) Prêmio de resgate de título e debêntures, conta que registra os prêmios auferidos pela empresa em tais resgates, operações essas relativamente incomuns. (IUDÍCIBUS, Sérgio de. MARTINS, Eliseu. GELBCKE, Ernesto Rubens. Manual de contabilidade das sociedades por ações: aplicável às demais sociedades. 6. ed. Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras, FEA/USP (FIPECAFI). Atlas: São Paulo, 2003. pp. 354356). Fl. 2650DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA Processo nº 16682.721118/201225 Acórdão n.º 3201002.387 S3C2T1 Fl. 2.643 15 Também para Silvério das Neves e Paulo Viceconti, os descontos financeiros são aqueles ligados ou condicionados ao pagamento ou recebimento de títulos por antecipação: “são os descontos obtidos na liquidação antecipada de obrigações”. Diferem, portanto, dos descontos incondicionais, que são “parcelas redutoras dos preços de compra e venda, constantes da nota fiscal ou da fatura de serviço e não dependentes de evento posterior à emissão desses documentos” (NEVES, Silvério das. VICECONTI, Paulo Eduardo Vilchez. Contabilidade básica. 12. ed. rev. e atual. São Paulo: Frase Editora, 2004. p. 115116). A situação aqui é outra, pois não há desconto por liquidação antecipada de obrigações. Os valores recebidos em pecúnia pela contribuinte autuada têm, de fato, como entendeu a fiscalização, a natureza de prêmios/bonificações pagos por fornecedores em cumprimento das condições prédefinidas nos acordos celebrados com a contribuinte autuada. Todavia, não se qualificam como receita financeira, em ordem a possibilitar a aplicação da alíquota zero, motivo por que devem integrar a receita operacional do período de apuração do PIS/Cofins. Em caso idêntico, esse foi o entendimento adotado pela 4ª Câmara desta 3ª Seção do CARF: RECEITAS FINANCEIRAS. BONIFICAÇÕES. Não se considera receita financeira o montante recebido de fornecedores a título de bonificação pelo cumprimento de metas e ações. (CARF, 3ª Seção, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Rosaldo Trevisan, Acórdão nº 3403001.683, de 17/07/2012). Outro argumento que serviu de esteio à decisão recorrida de ofício foi o de que o lançamento baseouse em fiscalização por amostragem para comprovar a natureza dos valores contabilizados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”. Diz o relator que, a despeito de reconhecer significativa a amostra (62,95% em 2008 e 68,13% em 2009 dos valores totais lançados naquela conta contábil), não haveria como aceitar que a exação extrapolasse os valores efetivamente analisados e fiscalizados (a amostra) para glosar a totalidade dos valores lançados na referida conta, “autuandose assim por ‘presunção’ não prevista na legislação, os 37,05% em 2008 e 31,87% em 2009 restantes...”. Também discordamos. Primeiro, porque nada obsta que assim se faça. Aliás, aqui não se trata de presunção – aquela operação mental feita pelo aplicador da lei, presunção hominis, ou autorizada pelo legislador, presunção legal, destinada à comprovação de outro fato diverso do indiciário. Aqui o que se provou foi o próprio fato em si: a origem inequívoca dos valores contabilizados em determinada conta contábil. A intimação de alguns fornecedores serviu para evidenciar o modo pelo qual se dava o recebimento dos valores e para possibilitar o cotejo das informações assim obtidas com as prestadas pela própria contribuinte autuada. Portanto, não havia necessidade de investigar cada um dos valores depositados na conta contábil nº 0061200008 “Descontos Obtidos – Promocionais”, notadamente porque a sua origem foi afirmada e reafirmada por aquela que assim os escriturou – a contribuinte Fl. 2651DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA 16 autuada, que se ateve a insurgirse apenas contra a qualificação jurídica conferida a tais valores pela fiscalização. O relator da decisão recorrida de ofício ainda questiona o fato de devoluções de compras não terem sido excluídas da autuação, porém, tais exclusões, na verdade, ocorreram, como se constata do Termo de Verificação Fiscal (fl. 2235), em que expressamente registrado que os saldos da conta nº 0061200008 de fevereiro, maio, junho e setembro de 2008 foram ajustados no valor das respectivas devoluções. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência do crédito tributário lançado. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 2652DF CARF MF Impresso em 11/10/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA, Assinado digitalmente em 1 1/10/2016 por CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Numero do processo: 10435.721632/2014-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 16 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Oct 24 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2012
DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea a, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR).
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-005.425
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; pelo voto de qualidade dar-lhe provimento parcial, no sentido de que sejam restabelecidas as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN - Secretaria de Saúde e dos serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araújo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho, mantendo-se a glosa relativa à dedução referente à empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda., vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões em relação às despesas do Plano de Saúde Ronnie Soares Anderson, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para fazer o voto divergente o Conselheiro Ronnie Soares Anderson.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
Bianca Felicia Rothschild - Relatora
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior.
Nome do relator: BIANCA FELICIA ROTHSCHILD
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COMPROVAÇÃO PARCIAL. DEDUTIBILIDADE PARCIAL. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com profissionais de saúde e dentista, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos. Inteligência do art. 8°, inciso II, alínea “a”, da Lei 9.250/1995 e do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 72 16 32 /2 01 4- 68 Fl. 66DF CARF MF 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso; pelo voto de qualidade darlhe provimento parcial, no sentido de que sejam restabelecidas as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN Secretaria de Saúde e dos serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araújo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho, mantendose a glosa relativa à dedução referente à empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda., vencidos os Conselheiros Bianca Felícia Rothschild (Relatora), Amílcar Barca Teixeira Júnior, Theodoro Vicente Agostinho e João Victor Ribeiro Aldinucci, que davam provimento em maior extensão. Votaram pelas conclusões em relação às despesas do Plano de Saúde Ronnie Soares Anderson, Mário Pereira de Pinho Filho e Kleber Ferreira de Araújo. Designado para fazer o voto divergente o Conselheiro Ronnie Soares Anderson. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild Relatora (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Bianca Felicia Rothschild, Mario Pereira de Pinho Filho, João Victor Ribeiro Aldinucci, Theodoro Vicente Agostinho, Túlio Teotônio de Melo Pereira e Amilcar Barca Teixeira Junior. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Conforme relatório da decisão recorrida, foi lavrada a Notificação de Lançamento de fls. 4 a 11, contra o recorrente acima identificado, na qual é cobrado, relativamente ao anocalendário de 2011, exercício 2012, o Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar no valor de R$ 9.102,19, sujeito à multa de ofício, e o Imposto de Renda Pessoa Física (código 0211), sujeito à multa de mora, no valor de R$ 8.659,08, acrescidos ainda de juros de mora. A autoridade tributária expôs na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, fls. 6 a 9, os motivos que deram ensejo ao lançamento acima: 1. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi no valor de R$ 8.659,08, por falta de comprovação; 2. Dedução Indevida de Despesas Médicas no valor de R$ 24.439,79, por falta de comprovação ou de previsão legal; 3. Compensação Indevida de Imposto Complementar no valor de R$ 8.659,08, por falta de comprovação. Devidamente cientificado das autuações em 28 de Maio de 2014, fl. 34, o contribuinte apresentou em 17 de Junho de 2014, a impugnação de fls. 02 e 03 alegando em síntese que: Fl. 68DF CARF MF 4 Em sessão realizada em 10 de Dezembro de 2015, a DRJ/PE julgou a impugnação procedente em parte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2012 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. Somente são dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea, nos termos da legislação que rege a matéria. Serão mantidas as glosas de despesas médicas, quando não apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços, a dar validade plena aos recibos. Cabe ao contribuinte, mediante apresentação de meios probatórios consistentes, comprovar a efetividade da despesa médica para afastar a glosa. DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Em obediência ao Princípio da Verdade Material, deve ser admitido o erro de fato para conduzir à revisão do lançamento; contudo, a existência do erro de fato deve ser cabalmente demonstrada pelo contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2012 COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE IMPOSTO COMPLEMENTAR. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte A recorrente foi intimada da decisão em 05/01/2016 e interpôs recurso voluntário em 26/01/2016, aduzindo, em síntese, que: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 4 5 a) No tocante a dedução indevida de previdência privada e Fapi, alega que uma vez reconhecida a ocorrência de erro de fato pela DRJ/PE, determinando a inclusão da dedução como despesas médicas, devese anular o lançamento de dedução indevida com previdência privada e Fapi. b) Por sua vez, quanto a dedução indevida de despesas médicas, alega legitimidade aos recibos apresentados visto que atendem ao previsto na lei civil (art. 219, CC/02) e contem os requisitos previstos em legislação tributária (art. 80 do RIR/99) para fins de dedutibilidade do imposto de renda. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF 6 Voto Vencido Conselheira Bianca Felicia Rothschild Relatora O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade pelo que deve ser conhecido. Dedução Indevida de Previdência Privada e Fapi Inicialmente, cabe observar que a própria DRJ/PE atesta a ocorrência de erro de fato cometido pelo contribuinte, uma vez que a dedução declarada não tem natureza de previdência privada ou Fapi, mas de despesas médicas/odontológicas conforme documentos anexados às fls. 20 e 22, que trazem, respectivamente o comprovante de rendimentos da FUNAFIN Secretaria de Saúde e comprovante de rendimentos do Ministério da Saúde, os quais informam a natureza de despesas médicas/odontológicas incorridas pelo recorrente. O contribuinte anexou à fl. 20 o comprovante de rendimentos da FUNAFIN Secretaria de Saúde e à fl.22 o comprovante de rendimentos do Ministério da Saúde, os quais informam despesas médicas/ odontológicas/ hospitalares nos valores de R$ 4.021,32 e R$ 4.637,76, respectivamente. Assim, entendo comprovada a ocorrência de erro de fato, devendo ser mantido integralmente o lançamento da dedução indevida com previdência privada e Fapi e ser incluída a dedução com despesas médicas no valor de R$ 8.659,08. (grifos) Apesar de comprovada a ocorrência de erro de fato, no entanto, a DRJ opta por manter integralmente o lançamento da dedução indevida com previdência privada e Fapi, pois alega que não foram apresentados comprovantes da efetividade dos pagamentos e prestação de serviços médicos, a dar validade plena aos recibos oferecidos. Sendo assim, tendo em vista que o erro de fato foi aceito para reconduzir a natureza das despesas previdenciárias para despesas médicas, passo a analisar a validade da comprovação de efetividade dos pagamento e prestação dos serviços médicos junto com as demais despesas de mesma natureza no tópico abaixo. Dedução Indevida de Despesas Médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, a título de despesas com médicos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos e dentistas, os pagamentos especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 5 7 II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou cópias dos pagamentos efetuados aos seguintes prestadores (fls 18 a 33): 1. Plano de Saúde do Ministério da Saúde, no valor de R$ 4.637,76, serviços médicos prestados ao próprio contribuinte; 2. Despesas médicas no âmbito da FUNAFIN Secretaria de Saúde, no valor de R$ 4.021,32, relativo a serviços médicos prestados ao próprio contribuinte; 3. José Antonio Araújo Lima, recibo referente a tratamento de fisioterapia prestado ao próprio contribuinte no valor de R$ 10.000,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; 4. Luiz Roberto Alves Coelho, recibo referente a tratamento odontológico prestado a dependente do contribuinte no valor de R$ 2.500,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; e, ainda, acompanhado de declaração afirmando que o pagamento foi devidamente realizado pelo contribuinte. 5. Luiz Roberto Alves Coelho, recibo referente a tratamento odontológico prestado ao contribuinte no valor de R$ 3.700,00, constando data, nome, endereço e inscrição no CPF do prestador; e, ainda, acompanhado de declaração afirmando que o pagamento foi devidamente realizado pelo contribuinte. 6. Maritza Condé de S. Verçosa, recibo referente a tratamento fonoaudiólogo prestado a dependente do contribuinte no valor de R$ 2.500,00, constando data, nome e inscrição no CRF do prestador. 7. Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda, nota fiscal eletrônica a compra de equipamentos médicos ao dependente do contribuinte o valor de R$ 5.739,79. Fl. 72DF CARF MF 8 A decisão de primeira instancia reconheceu a existência de erro de fato em relação a declaração dos itens 1 e 2 descritos acima como despesas de previdência privada e Fapi, conforme extrato acima mencionado. Não obstante, como se pode notar, a DRJ manteve integralmente o lançamento de despesa indevida com previdência complementar e Fapi. Em análise aos comprovantes apresentados (fls 20 e 22), verificase que tratamse de comprovantes de rendimentos pagos emitido pelo Ministério da Saúde e Secretaria de Saúde em que são destacadas as despesas médicas incorridas pelo contribuinte. Não vejo razão para que tais documentos não sejam considerados legítimos para justificar a dedução prevista em lei, visto conferem com os originais,conforme carimbo da própria Receita Federal. Em relação aos itens 3 a 7, a DRJ entendeu que o Recorrente não comprovou qualquer das despesas médicas acima citadas, nos seguintes termos: 13.1 Primeiramente, devemos salientar que inexiste previsão legal para dedução relativa à Nota Fiscal da Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda; 13.2. Em se tratando das demais despesas médicas glosadas, o interessado não apresentou documentação comprobatória do efetivo pagamento ou da prestação do serviço médico. Acrescentese ainda que as declarações dos profissionais anexadas pela defesa possuem, na essência, o mesmo grau probante dos recibos, sem acrescer robustez ao conjunto probatório. 14. Quando o contribuinte tem a intenção de utilizar suas despesas médicas como dedução da base de cálculo do imposto de renda, ele deve ter em mente que o pagamento a ela correspondente não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do desembolso e da realização do serviço. 15. Ademais, devese salientar que o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato: “Art. 219. As declarações constantes de documentos assinados presumem se verdadeiras em relação aos signatários. Parágrafo único. Não tendo relação direta, porém, com as disposições principais ou com a legitimidade das partes, as declarações enunciativas não eximem os interessados em sua veracidade do ônus de proválas.” (grifos acrescidos) 15.1. Assim, se os recibos apresentados atendem os requisitos previstos naquela lei, o contribuinte tem sua dívida quitada com os profissionais da área de saúde. Entretanto, para que tais pagamentos sejam utilizados para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda, os documentos apresentados à fiscalização devem atender os requisitos previstos na legislação tributária. 16. Pelos motivos acima citados e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, previsto no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, entendo que deve ser mantida a Fl. 73DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 6 9 glosa da dedução com despesas médicas no valor total de R$24.439,79. (grifos) Ao meu entender, em relação aos itens 3 a 5 acima mencionados, entendo que os recibos, acompanhados da declaração do profissional que prestou os serviços à Recorrente, são suficientes para demonstrar a efetividade dos pagamentos com despesas médicas e odontológicas, pois evidenciam todos os dados necessários conforme legislação tributaria. Os recibos apresentados atendem aos requisitos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995 (art.80 do RIR/99) conforme acima explicitado, uma vez que indicam nome, endereço e CPF do profissional, além de outros detalhes relacionados a prestação do serviço e/ou seu prestador. No tocante ao item 6, apesar do mesmo não conter o endereço profissional e CPF da prestadora, entendo que tal documento deve ser considerado como legítimo a comprovar despesas com fonoaudióloga, mesmo que ausente indicação de tais aspectos formais. Primeiramente porque está claro no próprio recibo que se trata de profissional fonoaudióloga, pois consta do recibo o número da inscrição no CRF; e, em segundo lugar, porque, como costumar advir, os recibos emitidos pelos profissionais da área de saúde por vezes não observam rigorosamente as formalidades por simples falta de ciência quanto aos detalhes exigidos pela legislação tributária. Neste sentido já decidiu a 2a Turma deste Conselho unanimidade de votos: Processo nº 10805.000300/200419 Recurso nº 162.270 Acórdão nº 220101.033 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 17 de março de 2011 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Ementa: DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. Os recibos fornecidos por profissionais de saúde são documentos hábeis a comprovar as despesas médicas, salvo se presentes indícios de irregularidades, quando, então, o Fisco pode exigir elementos adicionais de prova da efetividade da prestação dos serviços ou dos pagamentos. Eventuais deficiências nos aspectos formais dos recibos não são suficientes para invalidálos como meio de prova. (grifos) Recurso provido. Processo nº 10280.720158/201034 Acórdão nº 2201002.146 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2013 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF Anocalendário: 2007 DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS. ASPECTOS FORMAIS. REGISTRO CONFIRMADO. Apresentados os recibos de despesas médicas solicitados, com a identificação dos profissionais emitentes, confirmação dos registros Fl. 74DF CARF MF 10 profissionais, identificação a posteriori da beneficiária dos serviços e esclarecimentos sobre os serviços prestados, restando sem indicação o endereço profissional sem que outros elementos tenham sido exigidos da contribuinte, forçoso considerar as despesas informadas. (grifos) Processo nº 11080.008492/200811 Acórdão nº 2102002.534 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 17 de abril de 2013 DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. DESCRIÇÃO DOS SERVIÇOS PRESTADOS. A mera falta da indicação do endereço do profissional ou até mesmo a ausência da descrição dos serviços médicos prestados nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que permitem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. (grifos) Com relação ao item 7, em análise da nota fiscal emitida pela Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda vis a vis legislação tributária, notase que somente há previsão legal para dedução de gastos com compra de equipamentos médicos quanto se tratarem de aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. Em análise aos NCMs indicados no corpo da nota fiscal, verificase que não se encaixam em tais hipóteses legais, desta forma entendo que não devem ser reconhecidos como dedução legal válida, mantendose a glosa da dedução a ela relativa. Ademais, mesmo que fossem aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, para que tais pagamentos possam ser aceitos como dedução para fins de imposto de renda, devem vir acompanhados de receituário médico, conforme inciso V, parágrafo 1º do artigo 80 do RIR/99, cuja cópia não foi anexada aos autos. Tendo em vista todo o acima, julgo procedente o recurso voluntário em parte, para que seja restabelecida a glosa referente as deduções médicas do plano de saúde do Ministério da Saúde e FUNAFIN Secretaria de Saúde e das serviços médicos prestados pelos profissionais José Antonio Araujo Lima, Luiz Roberto Alves Coelho e Maritza Condé de S. Verçosa, mas mantida a glosa da dedução relativa a empresa Pinheiro Comércio Importação e Exportação de Equipamentos Médicos Ltda. (no valor de R$ 5.739,79) por falta de previsão legal. Recurso parcialmente provido. (assinado digitalmente) Bianca Felicia Rothschild. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10435.721632/201468 Acórdão n.º 2402005.425 S2C4T2 Fl. 7 11 Voto Vencedor Conselheiro Ronnie Soares Anderson – Redator Designado Acompanho as razões da D. Relatora, com exceção no que se refere ao recibo no valor de R$ 2.500,00 constante à fl. 24, assinado por Maritza Condé de S. Verçosa. Nele não consta o endereço da prestadora de serviços, estando assim descumpridos dois requisitos estabelecidos no inciso III do § 2º do art. 8º da Lei nº 9.250/95 para que tal despesa pudesse ser dedutível. Assim sendo, cabe manter essa glosa nos termos da decisão de primeiro grau. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson. Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.915901/2008-59
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 07 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Aug 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2000
PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA.
Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do Decreto-Lei nº 288/67.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-003.959
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Incidência sobre receitas de vendas a empresas sediadas na ZFM. Recorrente SPECTRUM BRANDS BRASIL INDUSTRIA E COMERCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2000 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, pelo voto de qualidade, negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Vanessa Marini Cecconello, Tatiana Midori Migiyama, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Maria Teresa Martínez López, que davam provimento. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Érika Costa Camargos Autran, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 01 /2 00 8- 59 Fl. 247DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, meio pelo qual busca a reforma do Acórdão nº 3801003.843, que negou provimento ao recurso voluntário. Decidiu o colegiado a quo pela incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Cientificado do mencionado acórdão o sujeito passivo apresentou recurso especial suscitando divergência jurisprudencial quanto à isenção das contribuições sobre as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas com domicílio na Zona Franca de Manaus. O recurso foi admitido por intermédio de despacho do Presidente da Câmara recorrida, e a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório, em síntese. Voto Carlos Alberto Freitas Barreto, Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303003.934, de 07/06/2016, proferido no julgamento do processo 10650.902444/201141, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303003.934): "A matéria, única, posta ao exame do colegiado não é nova. Com efeito, já tivemos oportunidade de nos pronunciar sobre ela em diversas ocasiões, tendo eu firmado convicção pela inaplicabilidade de qualquer medida desonerativa (seja isenção, imunidade ou alíquota zero) aos fatos geradores anteriores a julho de 2004. No relatório da Dra. Vanessa consta que o contribuinte aduziu em seu recurso: "que: (a) o DecretoLei nº 288/67 equipara os efeitos das operações de venda para a Zona Franca de Manaus às exportações para o estrangeiro, sendolhes aplicáveis as vantagens fiscais estabelecidas pela legislação para as exportações, nos termos do seu art. 4º; (b) o Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento no sentido da não incidência de PIS sobre as receitas decorrentes das vendas para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus; (c) o Supremo Tribunal Fl. 248DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 4 3 Federal, ao proferir liminar na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 2.3489, suspendeu a eficácia da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’, contida no inciso I, do §2º do art. 14 da MP nº 2.03724/00, expressão suprimida do diploma legal pelo Poder Executivo ao editar, na mesma data, a MP nº 2.03725/2000; e, por fim, (d) não incide o PIS para os fatos geradores ocorridos em fevereiro de 2002, tendo em vista a revogação da expressão ‘na Zona Franca de Manaus’ do inciso I, §2º do art. 14 da MP nº 2.03725/2000 e a equiparação dos efeitos fiscais das vendas para a Zona Franca de Manaus às exportações para o exterior". Consideroos todos abarcados no voto que segue, proferido em sessão de 2011, no qual enfrentei ainda outros argumentos. Reconheço haver decisões do STJ em sentido oposto, mas, como nenhuma delas cumpre os requisitos do art. 62 do atual regimento interno desta Casa, peço vênia para continuar teimando. Disseo eu naquela ocasião: Vale iniciálo reenunciando o criativo entendimento da recorrente: a) não há necessidade de previsão legal expressa concessiva da isenção porque o decretolei 288 e o Ato Complementar 35/67 bastam; b) deferida isenção para exportações em geral, a vendas à ZFM está imediata e automaticamente estendida; c) tendo o Ato Complementar à Constituição de 67 a natureza de lei complementar, como pacificado em nossos Tribunais,. nenhuma lei ordinária o poderia revogar; d) a “revogação” pretendida somente vigorou entre ___ e ___, sendo de rigor reconhecer a isenção, ao menos, nos períodos anterior e posterior. Ainda que criativo, o raciocínio desenvolvido na defesa não merece prosperar cabendo a manutenção da decisão recorrida pelos motivos que se expõem em seguida. Em primeiro lugar, a premissa de que o decretolei 288 teria assegurado que todo e qualquer incentivo direcionado a promover as exportações deveria, imediata e automaticamente, ser estendido à Zona Franca de Manaus não resiste sequer ao primeiro dos métodos interpretativos consagradamente admitidos: a literalidade. É que tal extensão somente caberia se o citado decreto tivesse afirmado que as remessas de produtos para a Zona Franca de Manaus são exportação. Nesse caso, a equiparação valeria mesmo para outros efeitos, não fiscais. Poderia, para o que interessa, restringila a “todos os efeitos fiscais”. Se o tivesse feito, dúvida não haveria de que qualquer mudança posterior na legislação que viesse a afetar as exportações, no que tange a tributos, afetaria do mesmo modo e na mesma medida aquela zona. Fl. 249DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 5 4 Mas já foi repetidamente assinalado que o artigo 4º daquele ato legal, embora traga de fato a expressão acima, apôs a ressalva “constantes da legislação em vigor”. Não vejo como essa restrição possa ser entendida de modo diverso do que tem sido interpretado pela Administração: apenas os incentivos às exportações que já vigiam em 1 de fevereiro de 1967 estavam “automaticamente” estendidos à ZFM por força desse comando. E ponho a palavra entre aspas porque nem mesmo o Poder Executivo – e vale assinalar que estamos falando de um período de exceção, em que o Poder executivo quase tudo podia – pareceu estar tão seguro desse automatismo, visto que fez editar, na mesma data, o Ato Complementar 35, cujo artigo 7º assegurou aquela extensão ao ICM. Aliás, da interpretação dada pela recorrente a este último ato também divergimos. Deveras, pretende ela que ele teria alçado ao patamar de lei complementar a equiparação já prevista no decretolei. A meu ver, porém, tudo o que faz é definir com maior precisão o que se entende por produtos industrializados para efeito da não incidência de ICM nas exportações já prevista na Constituição de 67. Defineos no parágrafo 1º, recorrendo à tabela do então criado imposto sobre produtos industrializados (tabela anexa à Lei 4.502). No parágrafo segundo, estende, também para efeito de ICM, aquela imunidade às vendas a zonas francas. Essa interpretação me parece forçosa quando se sabe que, segundo a boa técnica legislativa, os parágrafos de um dado artigo não acrescentam matéria ao disposto no caput, apenas esclarecem sobre o alcance daquela matéria. E ao esclarecer podem impor uma definição restritiva, como no parágrafo primeiro, ou extensiva, como no segundo. O que não pode um simples parágrafo é tratar de matéria que não esteja contida no caput e nos seus incisos. E não parece haver dúvida de que aí apenas se cuida da imunidade do ICM. Assim, o ato legal nem previu imunidade genérica, nem estendeu ao IPI a imunidade do ICM, como afirma a empresa. Ora, se a previsão do decretolei deveria alcançar “todos os efeitos fiscais” e já havia previsão de imunidade de ICM sobre produtos industrializados, para que tal parágrafo no ato complementar? Há, contudo, razões mais profundas do que a mera literalidade. É que a zona franca de Manaus não é meramente uma área livre de restrições aduaneiras, característica das chamadas zonas francas comerciais. O que se buscou com a sua criação foi induzir a instalação naquele distante rincão nacional de empresas de caráter industrial, que gerassem emprego e renda para a região Norte. Para tanto, definiuse um conjunto de incentivos fiscais que, à época de sua criação, seria suficiente, no entender dos seus formuladores, para gerar aquela atração. Tais incentivos, e apenas eles, configuram diferenciação em favor dos produtos importados e industrializados naquela área. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 6 5 Foi essa diferença tributária que induziu a criação do parque industrial que ali se veio a instalar e, assim, é apenas a retirada de algum daqueles incentivos que pode ser taxada de “quebra de contrato”. A contrário senso, novos incentivos fiscais que se venham a instituir podem ou não ser a ela estendidos conforme entenda útil o legislador por ocasião de sua instituição. Isso não se dá automaticamente com os incentivos genéricos à exportação cujo objetivo comum tem sido a geração das divisas imprescindíveis ao pagamento dos compromissos internacionais durante tanto tempo somente alcançáveis por meio das exportações. Por óbvio, a ninguém escapa que vendas à ZFM não geram divisas. Diferentes, pois, os objetivos, nenhum automatismo se justifica. Prova desse raciocínio é que dois anos apenas após a criação da ZFM, inventaram os “legisladores executivos” de então novo incentivo à exportação, o malsinado “crédito prêmio” posteriormente tão combatido nos acordos de livre comércio a que o País aderia. Sua legislação expressamente incluiu a Zona Franca. Fêlo, no entanto, apenas para os casos em que, após serem “exportados” para lá, fossem dali efetivamente exportados para o exterior (“reexportados”, na linguagem do declei). Em outras palavras, já em 1969 dava o executivo provas de que aquela extensão nem era automática, nem tinha que se dar sem qualquer restrição. Logo, ainda que se avance na interpretação da norma, ultrapassando o método literal e adentrandose o histórico e o teleológico, se chega à mesma conclusão: o decretolei 288 apenas determinou a adoção dos incentivos fiscais à exportação já existentes e acresceu incentivos específicos voltados a promover o desenvolvimento da região menos densamente povoada de nosso território. Nessa linha de raciocínio, portanto, há de se buscar na legislação específica do PIS e da COFINS, tributos somente instituídos após a criação da ZFM, dispositivo que preveja alguma forma de desoneração nas vendas àquela região, seja a não incidência, alíquota zero ou isenção. E não se precisa ir longe para ver que ela somente começa a existir em 2004, com a edição da Medida Provisória 202. De fato, a “exclusão das receitas de exportação” da base de cálculo do PIS tratada na Lei 7.714 e a isenção da COFINS sobre receitas de exportação prevista na Lei Complementar 70 e objeto da Lei complementar 85 não incluíram expressamente as vendas à ZFM ainda que tenham estendido o benefício a outras operações equiparadas a exportação. Um exame cuidadoso dessas extensões vai revelar o que se disse acima: todas elas geram, imediata ou mediatamente, divisas internacionais. A conclusão que se impõe, assim, é que não havia, até o surgimento da Medida Provisória 1.858 qualquer benefício fiscal Fl. 251DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 7 6 que desonerasse de PIS e de COFINS as receitas obtidas com a venda de produtos para empresas sediadas na ZFM. É certo que esse entendimento não era uníssono, muita peleja tendo se travado entre o fisco e os contribuintes que pretendiam estarem tais vendas amparadas pelos atos legais mencionados. E essas divergências somente se agravaram com a edição da MP, cuja redação padece de diversas inconsistências. Com efeito, tal MP, que revogou a Lei 7.714 e a Lei Complementar 85, disciplinando por completo a isenção das duas contribuições nas operações de exportação trouxe dispositivo expresso “excluindo” as vendas à ZFM. Isso, por óbvio, aguçou a interpretação de que já havia dispositivo isentivo e que esse dispositivo estava sendo agora revogado. Defendo que não, embora seja forçoso reconhecer que o dispositivo apenas criou desnecessário imbróglio. Com efeito, ouso divergir da conclusão exposta no Parecer PFGN 1789 no sentido de que tal ressalva se destinava apenas aos comandos insertos nos incisos IV, VI, VIII e IX. A razão para tanto é que aí ventilamse hipóteses intrinsecamente ligadas ao objetivo que o ato pretende incentivar: vendas para o exterior que trazem divisas para o país. Refirome aos incisos VIII (vendas com o fim de exportação a trading companies e demais empresas exportadoras) bem como o fornecimento de bordo a embarcações em tráfego internacional (ship’s Chandler). Além disso, a interpretação não apenas retira um incentivo, ela pressupõe um desincentivo: qualquer trading do decretolei 1.248/72, exportadora inscrita na SECEX ou ship’s Chandler instalada em outro ponto do território nacional terá vantagem em relação à que ali se instale. Não faz sentido tal discriminação contra a ZFM. A interpretação dada pela douta PGFN parece buscar um sentido para o comando do parágrafo de modo a não tornálo redundante. Fêlo, todavia, da pior forma, a meu sentir, pois fixouse no método literal esquecendose de considerar o motivo da norma. Realmente, uma cuidadosa leitura do parecer permite ler o artigo, com o respectivo parágrafo segundo, da seguinte forma: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, desde que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) NÃO esteja situada na ZFM. Com a exclusão do parágrafo: há isenção quando se vende com o fim específico de exportação, mesmo que a empresa compradora (trading ou simples exportadora inscrita na SECEX) esteja situada na ZFM. Ora, o objeto da isenção versada nesses dispositivos nada tem a ver com a localização da compradora mas com o que ela faz. É a atividade (exportação com conseqüente ingresso de divisas) que se quer incentivar. O que se tem de decidir é se a mera venda à ZFM, que não gera divisa nenhuma, deve a isso ser equiparado. Foi isso, em meu entender, que o parágrafo quis dizer: não é o que o Parecer da PGFN consegue nele ler. Fl. 252DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 8 7 Em conseqüência desse parecer, surgem decisões como as que ora se examinam: o pedido tinha a ver com venda a ZFM. A decisão abre a possibilidade de que tenha mesmo havido recolhimento indevido, mas por motivo completamente diverso. E mais, atribui ao contribuinte a prova dessa outra circunstância, que não motivara o seu pedido. Nonsense completo. Esse meu reconhecimento implica aceitar que o malsinado parágrafo estava sim se referindo, genericamente, às vendas à ZFM, ou, mais claramente, está ele a dizer que, para efeito do incentivo de PIS e COFINS, a mera venda a empresa sediada na ZFM não se equipara à exportação de que cuida o inciso II do ato legal em discussão. Mas, ao fazêlo, não está revogando dispositivo isentivo anterior: está simplesmente cumprindo o seu papel esclarecedor, ainda que nesse caso melhor fosse nada ter tentado esclarecer... Aliás, idêntico dispositivo esclarecedor poderia ter estado presente na LC 85 e na Lei 7.714 como já estivera no decretolei 491. Com isso, muita discussão travada administrativamente teria sido evitada ou transferida para o Judiciário. É a ausência de tal dispositivo e sua presença na nova lei que cria o imbróglio. Ele não leva, contudo, em minha opinião, à interpretação simplória de que tal ausência implicasse haver isenção. Para isso, primeiro, se tem de admitir que basta o Decretolei 288. Essa interpretação, pareceme, está em maior consonância com o espírito legisferante, pois não faz sentido considerar que uma norma que procura incentivar as exportações tenha instituído uma discriminação contra uma região (região, aliás, que sempre se procurou incentivar) em operações que produzem o mesmo resultado: a geração de divisas internacionais. A minha conclusão é, assim, de que mesmo entre 1º de fevereiro de 1999 e 31 de dezembro de 2000 há, sim, isenção das contribuições naquelas hipóteses, ainda que a empresa esteja situada na ZFM. Em outras palavras, a localização da empresa não é impeditivo à fruição do incentivo à exportação, desde que cumprido o que está previsto naqueles incisos. Mas tampouco há isenção APENAS PORQUE A COMPRADORA LÁ ESTEJA. Nos recursos ora em exame, esse foi o fundamento do pedido e a ele deveria terse restringido a DRJ. Nesses termos, só causa mais imbróglio a afirmação constante no acórdão recorrido de que “haveria direito” no período de 1º de janeiro de 2001 a julho de 2004 mas não estava ele adequadamente comprovado. Simplesmente não há o direito na forma requerida. E por isso mesmo não cabe a pretensão do contribuinte de que a Administração adapte o seu pedido fazendo as pesquisas internas que permitam apurar se alguma das empresas por ele listadas na planilha referida se enquadra naquelas disposições. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10880.915901/200859 Acórdão n.º 9303003.959 CSRFT3 Fl. 9 8 O máximo que se poderia admitir, dado o teor da decisão, era que, em grau de recurso, trouxesse a empresa tal prova. Não o fez, porém, limitandose a postular a nulidade da decisão porque não determinou aquelas diligências. Não sendo obrigatória a realização de diligências, como se sabe (art. __ do Decreto 70.235), sua ausência não acarreta nulidade da decisão proferida por quem legalmente competente para tal. Cabe sim manter aquela decisão dado que o contribuinte não comprovou o seu direito como lhe exigem o Decreto 70.235, a Lei 9.784 e o próprio Código Civil (art. 333). Com tais considerações, nego provimento ao recurso do contribuinte. Com essas mesmas considerações, votei, também aqui, pelo não provimento do recurso do contribuinte, sendo esse o acórdão que me coube redigir." Aplicandose as razões de decidir, o voto e o resultado acima do processo paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso especial do contribuinte, em razão da incidência das contribuições sobre as receitas oriundas de vendas efetuadas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus, no período tratado neste processo. Carlos Alberto Freitas Barreto Fl. 254DF CARF MF Impresso em 17/08/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/08/2016 por CLEUZA TAKAFUJI, Assinado digitalmente em 16/08/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 16306.000004/2011-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 09 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Sep 12 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.416
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular o despacho decisório DERAT de fls. 167/173, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
LIVIA DE CARLI GERMANO - Relatora.
EDITADO EM: 18/08/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano.
Relatório
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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Recorrida Fazenda Nacional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, anular o despacho decisório DERAT de fls. 167/173, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Ricardo Marozzi Gregorio, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Antonio Bezerra Neto. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) LIVIA DE CARLI GERMANO Relatora. EDITADO EM: 18/08/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto (Presidente), Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Aurora Tomazini de Carvalho e Livia De Carli Germano. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 00 4/ 20 11 -5 4 Fl. 885DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 886 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs eletrônicas formalizadas pela ora Recorrente visando a compensar os débitos nelas especificados com crédito de saldo negativo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), referente ao anocalendário 2002, no montante de R$ 87.295.801,56. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) reconheceu parcialmente o direito creditório, no importe de R$ 64.496.289,50, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido a título de saldo negativo de IRPJ (fls. 167/173), em face das seguintes inferências caracterizadas pela autoridade administrativa na análise inaugural das PER/DCOMPs: Cientificado do aludido despacho decisório em 11/02/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2011 (fls. 213/246), na qual contesta as conclusões firmadas na decisão administrativa, conforme reproduzido pelo acórdão recorrido (fls. 376381), in verbis: Fl. 886DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 887 3 Fl. 887DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 888 4 Fl. 888DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 889 5 Fl. 889DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 890 6 Fl. 890DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 891 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) julgou a insurgência improcedente, em acórdão assim ementado (fls. 372/413): Fl. 891DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 892 8 Intimado da referida decisão em 08/09/2011 (fls. 536), o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário, em 10/10/2011 (fls. 538689), argumentando, em síntese: (i) nulidade da decisão recorrida por inobservância do artigo 65 da IN SRF 900/08, ante a necessidade de determinação de diligência para comprovação do direito do contribuinte, tendo em vista tratarse de pedido de compensação e não de exigência fiscal; (ii) violação dos artigos 9o e 12 do Decreto 70.235/72, segundo os quais caso a DERAT possua qualquer dúvida sobre os valores lançados na DIPJ, caberia a ela informar a DEFIC para que verificasse eventual irregularidade, mas nunca retificar o saldo negativo de IRPJ do período; (iii) decadência do direito de retificar, em fevereiro de 2011 (data da ciência do despacho decisório) o valor de IRPJ apurado como devido na DIPJ 2003, ano calendário 2002. Quanto à efetiva comprovação de seu direito creditório, sustenta que há saldo negativo de IRPJ a compensar, pois: a) está correta a apuração (zerada) do Adicional de IRPJ realizada na DIPJ 2003/2002, pois: a.1) O benefício fiscal previsto no §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95, que permitia expurgar da base de cálculo do Adicional as receitas de aplicações financeiras de renda fixa, é aplicável a Fundos de Investimento Multimercado (FIMM), pois estes, segundo a classificação fiscal dos fundos de investimento, consistem em aplicação financeira de renda fixa, submetendose, inclusive, à antecipação do imposto nos meses de maio a novembro conhecida como "comecotas". Nesse passo, a Recorrente ressalta, ainda, que quando da análise de seus pedidos de restituição de saldo negativo de IRPJ relativos aos anoscalendário de 1999 e 2000 (respectivamente processos administrativos no. 13807.008425/0015 e 13808.003046/200126), obteve confirmação deste E. CARF Fl. 892DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 893 9 quanto ao acerto no procedimento de expurgar da base de cálculo do Adicional do IRPJ o valor das receitas de aplicações financeiras existentes até 1994, nos termos do §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95. b) estão corretos os valores de IRRF indicados como retidos e que formaram o valor do saldo negativo em discussão, pois: b.1) o erro das fontes pagadoras ao preencher a DIRF não tem o condão de afastar o direito creditório do contribuinte que sofreu a retenção, bastando que o imposto tenha sido efetivamente descontado pela fonte pagadora para tanto, sustenta ser suficiente a comprovação da retenção, por meio de informes de rendimentos indicando o recebimento do valor do rendimento líquido, após a retenção do IRRF, nos termos do artigo 837 do RIR/99 e Parecer Normativo Cosit 1/2002. b.2) as receitas financeiras correspondentes às retenções em tela foram oferecidas à tributação e autorizam a utilização do crédito de IRRF na composição do saldo negativo (Fichas 06A e 43 da DIPJ 20032002, linhas "Outras Receitas Financeiras" e "Receitas de Juros sobre o Capital Próprio", códigos de receita 6800 e 5706). Após tecer observações específicas quanto às três retenções em discussão respectivamente no valor de R$ 337.255,34, R$ 3.521.995,86 e R$ 26.181.006,03 , pleiteia ainda pela realização de diligência ou perícia de modo a confirmar que a glosa do crédito de IRRF determinada pelo despacho decisório e mantida pela DRJ não deve prevalecer, indicando perito e quesitos. Alega, ademais, violação ao artigo 74, §1o, da Lei 9.430/96 e ao artigo 34, §7o da IN RFB 900/2008, na medida em que: (i) a autoridade administrativa não poderia alterar "de ofício" os valores indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs, incluindo débitos que não se encontravam confessados, quais sejam, multa moratória sobre débitos de estimativa (estes sim confessados); (ii) não é possível cobrar juros e multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL porque tais débitos não são definitivos, não havendo, portanto, que se falar em atraso de seu recolhimento ou mora do contribuinte; e (iii) não há incidência de multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL objeto de denúncia espontânea ("pagamento" por meio da apresentação de PER/DCOMP). Aduz seu pedido pelo "integral provimento ao presente Recurso Voluntário, para reformar o v. acórdão recorrido de fls. 372/413, a fim de que seja computado no cálculo do saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2002 o crédito de IRRF no valor de R$18.194.954,16, totalizando o montante de R$87.295.801,56, utilizandoo para homologar integralmente os débitos declarados em PER/DCOMP, sem a compensação de quaisquer valores a título de juros e/ou multa moratória". Após, em 05/08/2013, a Recorrente apresentou Memoriais, solicitando a juntada de demonstrativos e informes de rendimentos já apresentados por ocasião da manifestação de inconformidade (doc. 6, fls. 335347), bem como de um "Extrato de Movimentação" emitido pela Votorantim Asset relativamente ao FIC VOT Multimercado, segregado por data de aplicação e número de cautelas em cada aplicação, segundo o qual as aplicações em tal fundo anteriores a 31/12/1994 só foram resgatadas a partir de 22/12/2010, o que comprovaria estar correto o cálculo do adicional de IRPJ. Fl. 893DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 894 10 Os autos foram, então, encaminhados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, que opinou pela desconsideração da documentação juntada a posteriori, em face da preclusão, conforme disposto no artigo 16 do Decreto nº 70.235/72, considerando que o contribuinte não logrou demonstrar a existência de qualquer das hipóteses que autorizam a apresentação da prova documental em momento posterior à manifestação de inconformidade. Ressalta, ainda, que a admissão de tais documentos, apresentados de forma extemporânea, representaria supressão de instância e violação ao devido processo legal. Então, em dezembro de 2014, a Recorrente novamente requereu a juntada do "Extrato de movimentação" apresentado em 5/08/2013. É o relatório. Voto O recurso voluntário é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1632.410, da 7a Turma da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações declaradas em PER/DCOMPs, visando à utilização de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2003, ano calendário 2002. Passo a tratar dos argumentos trazidos para a reforma do acórdão recorrido. Primeiramente, a Recorrente reitera o quanto já observado na manifestação de inconformidade, de que a decisão recorrida é nula por não ter sido observado o artigo 65 da IN SRF 900/08, nem deferida a realização de diligência para comprovação de seu direito. Referido artigo, em vigor à época da análise das PER/DCOMPs apresentadas pela Recorrente, dispunha o seguinte: Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...) Compulsando os autos verificase que, de fato, antes da decisão que homologou apenas parcialmente os pedidos de compensação, não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos ou esclarecimentos, ou seja, (i) não se questionou a razão da ausência de informação do valor do adicional do IRPJ na ficha 12A da DIPJ anocalendário 2002, e (ii) a insuficiência de IRRF retido baseouse exclusivamente na divergência entre o valor declarado pelo contribuinte como imposto retido e o informado na DIRF pelas fontes pagadoras. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 895 11 Sobre o tema, a DRJ/SP1 considerou que a análise seguiu a aplicação de rotinas definidas pela legislação objetivando a análise conclusiva das informações atinentes à declaração de compensação e seus elementos conexos, "obedecendo a critérios e parâmetros técnicos de interesse fiscal que poderão demandar ou não a expedição de intimação vertente a requisitar a apresentação de esclarecimentos por parte do contribuinte", e que, no caso, "inexistindo indícios veementes que desabonem os dados informados na declaração, bem como identificados os elementos necessários ao exame dos pressupostos de existência e validade da compensação declarada, denotase plenamente admissível a lavratura do despacho decisório pela autoridade fiscal competente, uma vez que o preceito estabelecido no art. 65 da Instrução Normativa RFB no 900, de 30/12/2008, nada mais representa do que uma prerrogativa legal específica colocada à disposição do AuditorFiscal designado pela execução da análise das PER/DCOMP, visando exclusivamente corroborar na formação de suas convicções em relação às particularidades vinculadas ao exame de determinado caso concreto." Não compartilho da posição da DRJ/SP1 de que o artigo 65 traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova, como se depreende da seguinte passagem do acórdão recorrido, a fls. 394: É verdade que, em regra, a atividade fiscal se desenvolve segundo um procedimento inquisitório o que se faz inclusive necessário, do contrário facilmente o sujeito passivo conseguiria se evadir de sua obrigação. Assim e ainda tratando da regra o contraditório só tem lugar após a lavratura do auto de infração, como demonstram as seguintes decisões: NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.O contraditório e a ampla defesa só se instauram após a lavratura do auto de infração; antes, tratase de procedimento inquisitório (AC 1102001.079, de 08/04/2014). PRELIMINAR. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.Por se amoldar a efetivo e próprio caráter inquisitório, a atuação dos agentes da fiscalização fazendária não se submetem à necessária observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, sendo esta reservada para a chamada fase litigiosa do procedimentos, nos termos, Fl. 895DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000004/201154 Resolução nº 1401000.416 S1C4T1 Fl. 896 12 inclusive, especificamente apontados pelas disposições do Decreto 70.235/72 (AC 1301001.563, de 04/06/2014). PROCEDIMENTO DE FISCALIZAÇÃO. CONTRADITÓRIO. AMPLA DEFESA.É no processo administrativo fiscal que estão contidas as garantias constitucionais do contraditório e ampla defesa e não no procedimento inquisitório de preparação do lançamento. O processo formase pela instauração da fase litigiosa com a impugnação da exigência (AC 1102001.032, de 11/03/2014). Todavia, no caso em questão não estamos diante do que chamei de "regra" ou seja, não é caso de procedimento inquisitório de lavratura de auto de infração. O presente processo trata de pedidos de compensação, nos quais o próprio sujeito passivo provocou a Administração solicitando a compensação de débitos com créditos que entendia ter direito. Neste caso, o procedimento instaurouse desde o início como genuíno "processo", merecedor da garantia do contraditório, sendo assim fundamental que todos os fatos, provas e documentos que vierem a embasar a decisão proferida se submetam ao exame das partes o que inclui o direito de indicar o motivo de estar zerado o valor do adicional do IRPJ, bem o direito de se manifestar sobre documentos de terceiros, aos quais somente a Administração tinha acesso (as DIRFs das fontes pagadoras). Ademais, ao retificar o valor de IRPJ devido na DIPJ 2003, anocalendário 2002, acabouse por formalizar a exigência de crédito tributário sem observância do disposto no artigo 9o do Decreto 70.235/72 (grifamos): "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Tais circunstâncias revelam que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, seja por violação ao tão caro princípio do contraditório, seja porque, ao não se proceder ao devido lançamento tributário, cobrandose débitos não declarados em PER/DCOMP, houve preterimento do direito de defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto 70.235/1972). Por todas essas razões, voto por anular a decisão da DERAT/SP de fls. 167/173. Livia De Carli Germano Relatora Fl. 896DF CARF MF Impresso em 12/09/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 18/08/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/09/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 10880.724440/2013-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 14 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Nov 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL.
Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária.
MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE.
É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas.
JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO.
Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2008
IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO.
Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
Numero da decisão: 1301-002.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator
(assinado digitalmente)
Roberto Silva Junior - Redator Designado
O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarou-se impedido.
Nome do relator: MARCOS PAULO LEME BRISOLA CASEIRO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2008 PRÊMIO. TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL. Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária. MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE. É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2008 IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro - Relator (assinado digitalmente) Roberto Silva Junior - Redator Designado O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarou-se impedido.
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TRANSFERÊNCIA DE CONTROLE TOTAL OU COMPARTILHADO. GANHO TRIBUTÁVEL. Caracteriza ganho sujeito à incidência do Imposto de Renda o prêmio recebido pela transferência do controle, total ou compartilhado, de sociedade empresária. MULTA VINCULADA E MULTA ISOLADA. APLICAÇÃO CONCOMITANTE. VALIDADE. É cabível a aplicação de multa isolada, prevista no art. 44, inciso II, alínea"b" da Lei nº 9.430/96, cumulada com a multa de ofício vinculada ao tributo, por se tratarem de penalidades distintas, cominadas a infrações também distintas. JUROS MORATÓRIOS. INCIDÊNCIA SOBRE A MULTA. CABIMENTO. Os juros moratórios incidem sobre a totalidade da obrigação tributária principal, nela compreendida, além do próprio tributo, a multa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008 IRPJ E CSLL. IDENTIDADE DE MATÉRIA FÁTICA. MESMA DECISÃO. Quando os lançamentos de IRPJ e CSLL recaírem sobre a mesma base fática, há de ser dada a mesma decisão, ressalvados os aspectos específicos inerentes à legislação de cada tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 44 40 /2 01 3- 74 Fl. 1633DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.634 2 Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NEGAR provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Relator reafirmou seu voto pelo acolhimento da preliminar de nulidade do lançamento. O voto do Conselheiro Hélio Eduardo de Paiva Araújo, ausente nesta sessão, foi proferido na reunião de julgamento de agosto de 2016, no sentido de acompanhar o relator nesta preliminar. O Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza também acompanhou o Relator. Os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Waldir Veiga Rocha divergiram, rejeitando a preliminar. A preliminar de nulidade do lançamento foi REJEITADA, por maioria de votos, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro (Relator), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e José Eduardo Dornelas Souza. No mérito, por maioria de votos, o Colegiado decidiu NEGAR provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e José Eduardo Dornelas Souza, que davam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Roberto Silva Junior. (ASSINADO DIGITALMENTE) Waldir Veiga Rocha Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado O julgamento teve início na sessão realizada em 10 de agosto de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro e Hélio Eduardo de Paiva Araújo. Prosseguiu e foi concluído na sessão realizada em 14 de setembro de 2016, da qual participaram os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Junior, Milene de Araújo Macedo e Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro. O Conselheiro José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) declarouse impedido. Fl. 1634DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.635 3 Relatório Por bem sintetizar a lide em questão, adoto parte do relatório elaborado pela 4ª Turma da DRJ/RJ1 no Acórdão n° 1264.382 (fls. 1380/1429): Versa o processo sobre a controvérsia instaurada em razão da lavratura pelo fisco dos autos de infração relativos ao IRPJ (fls. 86/93), no valor de R$ 272.382.818,97 e de CSLL (fls. 94/100), no valor de R$ 115.776.662,46, todos acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora. Além da multa isolada pelo não recolhimento das estimativas para o período de 50%, nos valores de R$ 141.480.882,06 para o IRPJ e de R$ 59.917.065,26 para a CSLL. Os fundamentos da autuação encontramse descritos no Termo de Verificação (fls. 03/85), cujo teor, em síntese, a seguir, reproduzo: No primeiro momento foram programadas ações de diligência fiscal no Banco Itaú e Banco Itaú Holding (atual Itaú Unibanco Holding) e posteriormente ação de fiscalização no Banco Itaú, no Itaú Unibanco Holding e na própria Itausa, além das pessoas físicas que eram controladoras da E. Johnston Participações, a qual era a detentora direta das ações da Unibanco Holdings, que por seu turno controlava o Banco Unibanco; I – Linhas gerais da operação a) Neste tópico, foram apresentadas as linhas gerais da transação ocorrida entre os controladores do Itaú Holding, aqui chamada de Itaú Unibanco Holding (sua denominação atual) e os controladores do Unibanco Holdings – UUBBH, a qual tinha por objetivo final a associação entre os dois grupos financeiros com a unificação das atividades bancárias praticadas pelos bancos Itaú e Unibanco; b) A associação se formalizou pela migração da totalidade dos acionistas do grupo Unibanco para o grupo Itaú, através da entrega das participações societárias detidas no conglomerado Unibanco e o recebimento de ações de capital aberto e que detém a totalidade das ações do Itaú Unibanco S/A, nova denominação que foi dada ao Banco Itaú; c) Até a data do evento, na estrutura organizacional do grupo Itaú, a ITHF (atual Itaú Unibanco Holding) era a empresa financeira que controlava integralmente o Banco Itaú, detendo 100% do seu capital. O Banco Itaú, por seu turno, era a companhia operacional que atua nos diversos segmentos do mercado financeiro. Esta distinção inicial é fundamental para facilitar o entendimento dos atos que se seguiram; Sob o aspecto estritamente negocial a operação em muito se assemelhou ao que se chama de fusão de companhias, com a unificação das estruturas para formar uma nova empresa, na qual se agregou o patrimônio dos sócios daqueles dois grupos econômicos. No entanto, na formalização jurídica do novo negócio não foram praticados os atos que estão previstos no direito societário para caracterizar tecnicamente a operação neste instituto jurídico, nos termos do artigo 228 da Lei nº 6.404/1976; Fl. 1635DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.636 4 e) No bojo da operação foi também incluída a transferência da empresa Itausa Export, que controlava o Banco Unibanco (UBB) com 97% do capital votante, correspondentes a 56% do capital total. Unibanco Holdings e Banco Unibanco eram empresas de capital aberto e as ações preferenciais estavam dispersas no mercado, negociadas principalmente sob a forma de certificados UNITS, os quais representavam uma ação PN da Unibanco Holdings combinada com uma ação PN do Banco Unibanco; (...) g) A transação ocorreu em definitivo na data de 03/11/2008, sob o âmbito de “contrato de associação” firmado entre os controladores do Grupo Unibanco e controladores do Grupo Itaú. Nesta mesma data foi publicado “fato relevante” comunicando ao mercado a efetivação do negócio tratado; h) Na transação, a ITAUSA, na qualidade de controladora da Itaú Unibanco Holding e a E. Johnston Participações – E. JOHNSTON, empresa de propriedade da família Moreira Salles e controladora da Unibanco Holdings, comprometeramse a criar uma nova companhia controladora, a qual recebeu o nome de IUPARItaú Unibanco Participações S/A, através da qual passou a ser exercido o controle da Itaú Unibanco Holding; i) O controle do Unibanco era então exercido pela sociedade Unibanco Holdings, que por seu turno era controlada pela E. Johnston, esta última de propriedade das pessoas físicas pertencentes à família Moreira Salles. O controle do grupo Itaú era exercido pela ITAÚSA; j) Em resumo, do Contrato de Associação extraímos o seguinte: Os sócios do Unibanco e do Unibanco Holdings entregariam suas ações e passariam a deter ações da ITHF, a qual passou a se denominar ITAÚ UNIBANCO HOLDING; Para tanto, a ITAÚ UNIBANCO HOLDING emitiria novas ações para serem entregues aos antigos acionistas do Grupo Unibanco; Decidiuse pela constituição, para viabilizar o controle compartilhado do conglomerado financeiro, de uma nova empresa de participação, chamada de IUPAR, a qual passaria a deter 51% do capital votante da Itaú Unibanco Holding; Estabeleceuse que os controladores do Unibanco iriam deter 8,68% da ITAÚ UNIBANCO HOLDING, exclusivamente por via indireta através da IUPAR; O capital votante da IUPAR seria dividido em iguais partes entre os controladores do UNIBANCO e a ITAUSA, sendo que esta deveria aportar na IUPAR tantas ações ordinárias da ITAÚ UNIBANCO HOLDING quantas fossem necessárias para completar o número de ações para que a IUPAR alcançasse o 51% do capital votante da ITAÚ UNIBANCO HOLDING; A ITAÚSA aumentaria sua participação na ITAÚ UNIBANCO HOLDING em 8,28%, considerando o número de ações que detinha no capital da ITHF, de tal forma que sua participação foi incrementada de 1.344.702.828 ações para 1.456.117.286 (749.947.121 ações mantidas diretamente e 706.170.165 ações mantidas indiretamente através da IUPAR); A ITAÚSA apesar de continuar titular de direitos de voto que a permitisse controlar isoladamente a ITAÚ UNIBANCO HOLDING, passaria a compartilhar este controle com o antigo controlador do UNIBANCO, tendo em vista o compromisso firmado no contrato; Fl. 1636DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.637 5 k) Em resumo, para se concretizar a associação, as partes decidiram que os exsócios do UNIBANCO e da UNIBANCO HOLDINGS iriam receber ações da ITAÚ UNIBANCO HOLDING, que permaneceu como a “nova” holding financeira do grupo, sendo que o excontrolador da UNIBANCO HOLDINGS se obrigou a aportar suas ações ordinárias recebidas na IUPAR, empresa através da qual se viabilizaria o compartilhamento do controle da holding financeira e, por consequência, dos bancos Itaú e Unibanco. As ações aportadas pelo antigo controlador do UNIBANCO corresponderiam, no final da operação, a 50% do capital votante da IUPAR. Em complemento, a ITAUSA obrigouse a aportar na IUPAR tantas ações quantas necessárias para que a IUPAR atingisse o percentual de 51% do capital votante da ITAÚ UNIBANCO HOLDING; l) A troca de ações se materializou pelo que os grupos denominaram de “incorporações de ações” e se realizou em níveis distintos, de tal forma que pelas ações ordinárias do UNIBANCO HOLDINGS, que pertenciam majoritariamente à E. JOHNSTON e do Banco Unibanco foram entregues ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding, enquanto pelas ações preferenciais do UNIBANCO HOLDINGS e do Banco UNIBANCO foram entregues ações preferenciais do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; m) No quadro abaixo, demonstrase as ações que foram entregues a cada uma das sociedades separadamente, atentando para o fato que a emissão das ações na incorporação de ações do UNIBANCO HOLDINGS não contemplou as ações que eram de propriedade da E JOHNSTON, da mesma forma que a emissão de ações para a incorporação de ações do Banco Unibanco também excluiu as ações que estavam na titularidade da UNIBANCO HOLDINGS, ou seja, não foram trocadas as ações que pertenciam diretamente ao Grupo Itaú: n) Considerada a totalidade de ações emitidas pela Itaú Unibanco Holding na transação, valoradas ao preço de mercado das preferenciais praticado na BOVESPA (R$ 26,2648), o valor atribuído a 100% das ações emitidas atingiria a cifra de R$ 29.546.276,26; o) Finalmente, ainda se esclarece que independente das partes terem negociado na formação da relação de troca a transação em bases de mercado, tais valores não foram efetivamente reconhecidos na subscrição de ações realizadas, que Fl. 1637DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.638 6 deu vida à associação que culminou com aumento de capital da Itaú Unibanco Holding, o qual se efetivou com base no valor do Patrimônio Líquido da ação, equivalente a R$ 10,51 por ação; p) Entretanto, os grupos desejavam reconhecer a maisvalia do investimento Unibanco recebido e utilizar esta mais valia para registrar, deduzir e amortizar ágio no próprio Banco Itaú e nas empresas coligadas congêneres, além de permitir o aumento de capital no Banco Itaú, na soma de R$ 29.973.000.000,00; q) Por todo o que se vislumbra da situação criada na montagem dessa operação societária, resta evidente que o fato efetivamente ocorrido foi o ingresso dos antigos acionistas do UNIBANCO no capital da ITAÚ UNIBANCO HOLDING. Este ponto é incontestável não somente pela total falta de propósito da ordem e dos valores praticados, como pelas declarações, publicações e respostas apresentadas pelo contribuinte, nas quais nunca pairaram dúvidas que o destino final dos antigos acionistas do grupo Unibanco seria a propriedade definitiva das ações ITAÚ UNIBANCO HOLDINGS, sendo fundamental deixar desde logo consignado que tal entrada se deu a valor de R$ 10,51 por ação, a qual acarretou aumento de seu capital de R$ 12.000.000,00; r) Entende o fisco que o aumento do capital do Banco Itaú, mediante a entrega dos investimentos do grupo Unibanco e o reconhecimento da mais valia destes investimentos em sua contabilidade foi jurídica e economicamente realizado pela Itaú Unibanco Holding; s) Portanto, não se materializou o fato que a Itaú Unibanco Holding chamou de ganho por redução de participação societária, sendo este apenas fruto da criação de um passo intermediário no qual os antigos acionistas do Unibanco entraram no capital do Banco Itaú para saírem poucas horas depois; t) Desde o início da transação já estava estabelecido que a associação contemplaria a migração dos acionistas do Unibanco Holdings e do Unibanco para a Itaú Unibanco Holding Financeira, não havendo possibilidades que esta deixasse de possuir 100% das ações do Banco Itaú; II – Da constituição da nova Controladora – IUPAR – e o seu reflexo na ITAÚSA a) Aqui serão abordados os reflexos percebidos pela ITAUSA decorrentes da operação de subscrição da IUPAR, fato esse que deu origem à esta ação fiscal; b) A solução encontrada para compartilhar o controle do novo grupo que se formava entre a ITAUSA e o UNIBANCO foi a criação da companhia IUPAR, que teria sob seu domínio 51% do capital votante da Itaú Unibanco Holding; c) A Itaúsa fez a entrega das suas ações gravando todos os frutos futuros advindos. Do lado da E. Johnston (Unibanco) foi utilizado o mesmo expediente em 70% das ações entregues, as quais corresponderam a 311.980.630 ações; d) As partes se utilizaram do expediente de transferir, somente pelo lapso temporal necessário, para as pessoas físicas da família Moreira Salles as ações que a E. Johnston detinha no capital da Unibanco Holdings, as quais, tão logo a operação se formalizou, retornaram para a pessoa jurídica, que agora se denomina Cia. E. Johnston; Fl. 1638DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.639 7 e) Esta transferência efêmera da titularidade das ações para as pessoas físicas refletiu no valor de integralização da ITAUSA no capital da IUPAR na parcela correspondente às ações que foram entregues na formação de seu capital (IUPAR); f) Não se justifica “incorporar ações” e transformar uma companhia em subsidiária integral, quando se pretende de fato “incorporar uma sociedade”. Tais institutos jurídicos não se confundem, principalmente pelo fato de que na incorporação de ações a empresa incorporada permanece com sua personalidade jurídica intacta; g) Sob a ótica dos alienantes, a “incorporação de ações” da E. Johnston foi ato desprovido de qualquer propósito justificável. De início porque atentou contra o próprio objetivo social da companhia, que em sua essência era uma holding, depois porque afrontou o que dispunha o Acordo de Acionistas da Unibanco Holdings, datado do ano de 2000, segundo o qual a E. Johnston era sua controladora e finalmente porque alijoua de realizar um ganho que estava naquela altura dos acontecimentos materializado; h) Ainda que os argumentos acima não fossem suficientes para validar a conclusão do despropósito da operação, logo após a aprovação pelo Banco Central, as pessoas físicas aportaram suas participações em uma nova companhia que recebeu o nome de “CIA. E. JOHNSTON”; i) O valor do aporte de capital somou os mesmos R$ 3.078.574.552,00, ou seja, o fato ocorrido é que as ações da Itaú Unibanco Holding apenas passearam pelos patrimônios das pessoas físicas e depois retornaram para a pessoa jurídica que originalmente as detinha, ainda que esta pessoa jurídica tenha “outro” nome e “outro” CNPJ, mas que na essência representa exatamente o que representava a E.Johnston Participações; j) O aporte de ações na IUPAR realizado pelas pessoas físicas a custo histórico acabou por beneficiar a outra subscritora, no caso a ITAUSA; k) A reorganização societária ocorrida deve ser analisada de forma uma e que todos os atos societários praticados visaram o atingimento de um fim comum, o qual estava desde logo expresso no Fato Relevante publicado em 03/11/2008, dentre os quais o incremento em 8,3% da quantidade de ações detidas, direta e indiretamente, pela ITAÚSA no capital social da Itaú Unibanco Holding, conforme previsto no item 3 do Fato Relevante de 03/11/2008; (grifos do original) (...) l) O quadro abaixo reflete as diferenças entre as vantagens políticas e patrimoniais das ações do Unibanco e da Unibanco Holdings comparadas às ações do Unibanco e da Unibanco Holdings comparadas às ações do Itaú Holding que seus acionistas receberão em contrapartida pela efetivação das operações aqui descritas; Fl. 1639DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.640 8 m) A incorporação das ações da E. Johnston, da Unibanco Holdings, do Unibanco e da Export, conjuntamente, implicará aumento de capital do Banco Itaú, no valor de R$ 29.973.000.000,00, devendo ser emitidas 527.750.941 ações ordinárias e 614.237.130 ações preferenciais do Banco Itaú, as quais serão atribuídas aos atuais acionistas da E. Johnston, da Unibanco Holdings, do Unibanco e da Expor; n) A incorporação das ações do Banco Itaú implicará aumento de capital do Itaú Holding, no valor de R$ 12.000.000.000,00, devendo ser emitidas 527.750.941 ações ordinárias e 614.237.130 ações preferenciais da Itaú Holding, as quais serão Fl. 1640DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.641 9 atribuídas aos atuais acionistas da E. Johnston, da Unibanco Holdings e do Unibanco; o) O capital social do Itaú Holding após as incorporações passará a ser de R$ 29.000.000.000,00, representado por 4.155.396.563 ações escriturais, sem valor nominal, sendo 2.081.169.523 ordinárias e 2.074.227.040 preferenciais; IV) Dos fatos verificados e conclusões: a) Neste item serão analisados os efeitos fiscais decorrentes da reorganização societária no tocante à ITAUSA, correspondente ao argumento de sua participação no capital da ITHF (Itaú Holding Financeira); b) A retificação promovida na subscrição de capital da IUPAR decorreu da contabilização pela ITAUSA do valor do MEP que refletiu no seu ativo ITHF, por conta do registro do ganho de R$ 18 bilhões na controlada ITHF; c) Inferese da alteração praticada que os valores de emissão das ações da IUPAR foram calculados de forma a manter a participação percentual de cada um dos sócios conforme inicialmente estabelecido no contrato de associação, ou seja, aos antigos controladores do Unibanco subsistiria a participação de 8.68% do novo conglomerado que se formava; d) Intimado a apresentar esclarecimento acerca do fato, a IUPAR trouxe a seguinte alegação: e) Posteriormente, na correspondência CRT UAF 335/2012, a IUPAR complementou: f) Quanto à avaliação dos ativos entregues, pronunciouse: Fl. 1641DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.642 10 g) Acerca das alterações promovidas para retificação, teceu os seguintes comentários: h) No que se refere à diferença no preço de emissão das ações da IUPAR, não obstante a alegação de que tal procedimento seja legalmente previsto na lei societária, não legitima o efeito previsto no caso concreto. Seja pelo fato de que a combinação do preço de emissão com o valor de recebimento do ativo ITHF beneficiou e na penalizou a ITAUSA, como quer fazer parecer a resposta inicialmente apresentada, seja pelo fato de que o direito de eleger maior número de administradores no ITAÚ não se sobressai ao direito do controle compartilhado que está expresso no Acordo de Acionistas, ou ainda, pela evidência da retificação ocorrida, na qual se alterou o preço de emissão e o valor de recebimento ao ativo a fim de se manter ao final e ao cabo a participação percentual combinada; i) A ITAUSA também foi intimada sobre a questão e apresentou a resposta, cujo teor a seguir reproduzse e que corrobora o entendimento sobre os fatos: Fl. 1642DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.643 11 Fl. 1643DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.644 12 j) Indagado sobre quais teriam sido os motivos econômicos que fizeram com que os controladores do Unibanco terminassem a operação detendo aproximadamente 355 milhões de ações ante aos 445 milhõesde ações inicialmente recebidos, com a transferência de aproximadamente 90 milhões de ações à ITAUSA, esta respondeu: k) Considerando a informação extraída da Teleconferência realizada em 04/11/2008, na qual se indagou acerca da redução da participação do grupo Moreira Salles verificada após a subscrição da IUPAR, conforme trecho a seguir reproduzido: Fl. 1644DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.645 13 l) O fisco diligenciou as pessoas físicas sócias da E.Johnston Participações para que, em relação à informação veiculada no Fato Relevante de 03/11/2008, no tocante ao controle compartilhado da Itaú Unibanco Holdings, entre a ITAUSA e os antigos controladores do Unibanco Holdings, prestassem esclarecimentos de qual foi o custo do controle compartilhado, informando como se deu o pagamento e data a partir da qual o mesmo se efetivou; m) Em atendimento foi apresentada a seguinte resposta, remetendo a questão ao estabelecido no contrato de associação: “Conforme explicado no Contrato de Associação foi contratada associação com vistas a permitir a unificação dos negócios do Itaú e do Unibanco e o compartilhamento de controle através da IUPAR, nas bases acordadas pelas partes contratantes”. n) Com base no exposto, passase a analisar os efeitos contábeis e fiscais da subscrição de capital na IUPAR, no que se refere ao sócio ITAUSA; o) Entendese como incontroverso o fato de que a subscrição e integralização do capital da IUPAR, cuja existência se justifica como instrumento de compartilhamento de controle da ITHF a ser exercido entre os antigos controladores dos grupos Unibanco e Itaú, trouxe benefícios à ITAUSA, acarretando aumento de sua participação acionária total detida na ITHF; p) O que está em pauta é o ingresso de um direito, representado pela participação societária recebida, não decorrente da atividade operacional da pessoa jurídica, nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico o acréscimo patrimonial da ITAUSA, na forma prevista no inciso II do artigo 43 do CTN; q) A questão que ora se impõe analisar é se o tratamento fiscal dado pelo contribuinte aos efeitos dos fatos ocorridos encontra amparo na legislação tributária do IRPJ; Fl. 1645DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.646 14 r) Neste quesito, entende o fisco que a ITAUSA não atendeu ao que dispõe a lei fiscal por deixar de reconhecer o ganho ocorrido na operação societária que culminou no evento de subscrição da IUPAR, o qual acarretou aumento de sua participação no capital da ITHF, refletindo diretamente nos seus direitos de sócio, tanto quanto aos reflexos contábeis e fiscais decorrentes de equivalência patrimonial, quanto ao de recebimento de juros sobre o capital próprio, dividendos, bonificações e outras distribuições de lucros porventura existentes; s) Ao subscrever o capital na IUPAR os sócios decidiram gravar os frutos futuros advindos das ações entregues, de tal maneira a preservar seus direitos em relação à participação percentual inicialmente acordada. Não foi outra a resposta apresentada pela IUPAR quando intimada em 17/05/2012, a apresentar esclarecimentos sobre os motivos econômicos e financeiros para o gravame da forma como realizado; t) A resposta foi dada conforme abaixo: u) Em 04/12/2012, novo Termo de Intimação foi lavrado para que a IUPAR esclarecesse quais foram os motivos econômicos e negociais que justificaram a “manutenção do fluxo de renda dos acionistas”, conforme informado no CRT UAF 335/2012. Indagouse por que teriam a ITAÚSA e os exsócios de continuar a receber renda da ITAÚ HOLDING como se ainda detivessem ações daquela companhia; v) Em 18/12/2012, foi protocolada a resposta que tratou de esclarecer sobre a natureza da IUPAR enquanto instrumento de controle compartilhado, conforme trecho que se reproduz: w) Da resposta apresentada, consideramos relevante a informação mencionada no item 1 em contraposição à justificativa anteriormente dada para a existência de preços diferentes na emissão de ações da IUPAR: “...Uma das razões que levaram o acionista ITAUSA Investimentos ITAÚ a subscrever por um valor maior suas ações IUPAR é o fato de ter direito de eleger o maior número de Administradores do Itaú Unibanco.”; Fl. 1646DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.647 15 x) Quanto ao item segundo, a alegação apresentada não justifica o fato em si. Conforme demonstrado no tópico INTRODUÇÃO – CONSTITUIÇÃO DA NOVA CONTROLADORA deste TVF, o não gravame de 30% das ações pertencentes aos excontroladores é parte de uma equação matemática criada para resultar no recebimento de cada um dos sócios dos frutos correspondentes a 66,5% e 33,5% respectivamente. Não seria supor que apenas os antigos acionistas do UNIBANCO teriam sacrificado seus ganhos para suprir a IUPAR “em montante se estimava suficiente para pagar as despesas necessárias à existência”, como alegado; y) Assim, temos que os contribuintes foram incapazes de apresentar qualquer justificativa econômica plausível para o fato dos antigos controladores do UNIBANCO terem recebido de início 445.686.615 ações ON ITHF e terminado com a participação indireta equivalente a 355.227.092 ações ON ITHF, via IUPAR, as quais na sequência, foram entregues na integralização de capital da CIA E. JOHNSTON DE PARTICIPAÇÕES, onde estão registrados até a presente data; V – Da contabilização na IUPAR a) Na contabilização da operação na IUPAR, temos que a subscrição de capital realizada pelos antigos controladores do UNIBANCO deu origem a lançamento de deságio no montante de R$ 3.616.403.146,75, conforme analiticamente apresentado no quadro abaixo: b) Em 30/08/2012, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal no qual foi solicitado à IUPAR apresentar a memória de cálculo no valor do deságio e os motivos econômicos que fundamentaram seu lançamento; c) A resposta veio em 13/09/2012, quando a IUPAR encaminhou à fiscalização o CRT UAF 571/2012 no qual apresentou o cálculo do deságio registrado, mas silenciouse quanto à sua fundamentação; Fl. 1647DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.648 16 d) Considerandose que, desde o início da operação, estava estabelecido que os antigos controladores do UNIBANCO receberiam, dada a relação de troca acordada de 1,1979/1, a quantidade de 445.686.615 ações ON ITHF; que a totalidade das ações recebidas pelos antigos controladores do UNIBANCO seria obrigatoriamente entregue na integralização da IUPAR; que a IUPAR iria deter a quantidade exata de 1.061.396.457 ações ON ITHF, necessárias à manutenção do controle da ITHF e correspondente a 51% do capital votante; que a ITAUSA se comprometeu a entregar na subscrição de capital da IUPAR 615.706.842 ações ON ITHF, de tal modo a perfazer a quantidade de 1.061.396.457 ações acima mencionadas; como poderiam as partes atender as condições de negociação pactuadas de forma que após a integralização da IUPAR a participação percentual indireta final dos antigos controladores do UNIBANCO no capital de ITHF correspondesse a 8,68% equivalentes a 355.227.092 ações ordinárias, implicando a redução indireta de sua participação quando comparado ao inicialmente recebido? Como poderiam ainda obter o resultado esperado na ITAUSA, o qual implicou aumento de 8,3% na quantidade de ações detidas no capital da ITHF? e) A solução adotada para a questão se deu pela criação de ações ordinárias de classes distintas destinadas a cada um dos sócios e estabelecimento de preços de emissão diversos para estas ações; f) O método utilizado resolveu matematicamente a questão, mas evidentemente não se coaduna com a natureza da IUPAR, sociedade cujo único propósito é o compartilhamento de controle e na qual a disparidade no preço da emissão de ações carece de lógica econômica; g) Ademais, nas respostas apresentadas, os contribuintes atestam que o objetivo final a ser alcançado era a participação societária inicialmente definida; VI – Da contabilização escriturada pela ITAUSA a) Ao registrar a baixa do investimento ITHF e a subsequente entrada no capital da IUPAR a ITAUSA procedeu aos seguintes lançamentos contábeis: Fl. 1648DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.649 17 b) Pois bem. A avaliação dos impactos sofridos pela ITAUSA na associação dos dois grupos econômicos deixa evidente a ocorrência do ganho patrimonial na companhia decorrente de seu resultado não operacional, o qual se encontrava delineado já nos primeiros atos escritos, formalizados no Contrato de Associação de 03/11/2008 e no Fato Relevante da mesma data, que tinham presentes em seu corpo os elementos correspondentes às participações societárias que seriam detidas pelas partes envolvidas no final do processo o qual se completou com o evento de subscrição e integralização de capital na IUPAR; c) Este evento de subscrição da IUPAR deve ser analisado apenas como último ato de todo o conjunto de rearranjos societários praticados que almejaram o fim inicialmente declarado. Neste sentido, não é admissível supor que um agente econômico receba 455.686.615 ações, para logo em seguida transformar essa riqueza em 355.227.092 de ações e em contrapartida que a ITAUSA contribua com 615.709.842 ações para receber em troca 706.169.365; d) A aquisição da participação societária correspondente a 66,5% da IUPAR exigiria da ITAUSA a baixa em seu investimento ITHF o número de 706.169.365 ações ON e não apenas das 615.709.842 contabilizadas, de tal forma que tal aquisição se deu em realidade com a baixa destas ações somadas às 90.459.523 ações ON que foram diretamente entregues pelos antigos acionistas do grupo UNIBANCO; e) Segue o fluxo contábil desta operação: f) Podese concluir que o fato das 90.459.523 ações terem sido formalmente subscritas pelos antigos controladores do UNIBANCO, para na sequência, tornarse investimento da propriedade da própria ITAUSA, do qual usufrui em sua integralidade em relação aos direitos e deveres do sócio, não altera o negócio realizado que resultou em acréscimo patrimonial favorável à ITAUSA, contextualizado no conjunto da operação; g) Desta forma, deve ser aplicada a norma tributária com seus efeitos a qual alcança todo o acréscimo patrimonial havido em razão da apuração de renda ou de proventos outros, sendo irrelevantes a forma escrita aplicada pelos contratantes; h) Assim, será adicionado ao lucro líquido apurado no encerramento do ano calendário de 2008 para fins de apuração do IRPJ e da CSLL o valor tributável de R$ 1.411.168.558,80, conforme demonstrativo de cálculo: (...) Além disso, também foi lançada a multa com base estimada de 50% conforme Lei nº 9.430/1996, artigo 44, inciso II, conforme a seguir se demonstra. Fl. 1649DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.650 18 (...) Devidamente cientificada em 04/12/2013 (fls. 85; 87 e 95), a interessada apresentou, em 02/01/2014, impugnação (fls. 1.334/1.349), alegando, em síntese, o que se segue: a) A autuação reportase à operação de integração das atividades dos grupos Itaú e Unibanco ocorrida no citado anocalendário; b) Essa integração deuse em duas etapas: a) na primeira, todas as operações do grupo Unibanco foram absorvidas pelo Banco Itaú, mediante incorporação de ações do Unibanco S/A e de suas holdings; b) na segunda, as ações do Banco Itaú emitidas para os antigos acionistas do grupo Unibanco, foram incorporadas pelo ITAÚ HOLDING de modo que 100% dos acionistas, controladores minoritários, do grupo Unibanco passaram a integrar o quadro de acionistas do Itaú Unibanco Holding, inclusive, portanto, FMS (antiga controladora de E. Johnston); c) Em operação que envolveu apenas os antigos controladores do ITAÚ e os antigos controladores do UNIBANCO, foi criada a HOLDING IUPAR, cujo capital foi integralizado com o aporte de ações ordinárias do ITAÚ UNIBANCO HOLDING possuídas por ambos os grupos de controladores; d) A holding IUPAR passou a deter 51% do capital votante (e, portanto, o controle) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A; e) O capital votante da IUPAR ficou dividido em partes iguais entre os antigos controladores do UNIBANCO (FMS) e a ITAÚSA, ora impugnante, que até então detivera, sozinha, o controle do então ITAÚ HOLDING (atual ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A); f) A impugnante passou então desse modo a compartilhar o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING com a FMS; g) Na integralização do capital da IUPAR, a contribuição de cada grupo de controladores não foi idêntica. A ITAÚSA detinha, até então, o controle do ITAÚ HOLDING; sua contribuição foi feita mediante o aporte de 615.709.842 ações ordinárias de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; a contribuição de FMS foi de 445.686.615 ações ordinárias de emissão do Itaú Unibanco Holding; h) Porém, com esses aportes, FMS ficou com 50% do capital votante do ITAÚ UNIBANCO HOLDING e a ITAÚSA ficou com 50% do capital votante mais 100% do capital não votante. Ou seja, embora aporte feito pela ITAÚSA tenha sido maior, ela recebeu igual quantidade de ações ordinárias (sendo o restante em ações preferenciais), de modo que o controle da IUPAR e, portanto, do ITAÚ UNIBANCO HOLDING restou partilhado entre os dois blocos acionários; i) Entendeu o fisco que, por ter sido a contribuição da FMS (em quantidade de ações) proporcionalmente maior do que a ITAÚSA – ou seja, para “x” ações da IUPAR a FMS contribuiu com um número de ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING maior do que o número de ações aportadas pela ITAÚSA para receber igual quantidade (“x”) de ações da IUPAR a ITAÚSA teria auferido ganho tributável no valor das açõe do Itaú Unibanco Holding que, na visão do autuante, teria “recebido a mais”; j) No auto de infração, a família Moreira Salles (FMS) é identificada como E. Johnston (nome da antiga holding controladora do Unibanco); Fl. 1650DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.651 19 k) Sobre esse alegado ganho é que incide a exigência fiscal, exigência esta ilegal; Da Preliminar a) O auto de infração deve ser considerado nulo, dado que ele omite fundamento legal indispensável para atender ao pressuposto constitucional da legalidade tributária; b) O autuante não aponta nenhum fato típico nem o seu respectivo enquadramento legal; c) A linguagem do auto é evasiva e não demonstra qual dispositivo tem a ver com os autos; d) Ficou faltando a coisa mais importante e indispensável, qual seja, a indicação de qual seria a disposição do RIR que mandaria cobrar imposto de renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista; e) O auto, portanto, começa pela indicação de disposições do CTN que, sabidamente, não cria tributo, apenas dispõe sobre normas gerais; f) Não se trata de mero erro ou ausência de capitulação legal, mas de total ausência de situação abstrata descrita em lei que pudesse qualificar a situação concreta como fato gerador do tributo; Do mérito a) O ITAÚ e o UNIBANCO, antes de os respectivos controladores pactuarem a associação de ambos os conglomerados (“associação”), integravam grupos financeiros independentes, cada qual com suas respectivas estruturas societárias, quadros de acionistas e operações bancárias; b) No grupo Itaú, as operações bancárias eram desenvolvidas, principalmente, pelo BANCO ITAÚ S/A (BANCO ITAÚ), subsidiária integral do BANCO ITAÚ HOLDING FINANCEIRA S/A (ITAÚ HOLDING), companhia aberta; c) Já no grupo UNIBANCO, as operações bancárias eram desenvolvidas pelo UNIBANCO, controlado pela UNIBANCO HOLDINGS S/A, que, por sua vez, era controlada pela E. Johnston Representação e Participações S/A (E. Johnston) que, por seu turno, era controlada pela família Moreira Salles(FMS). UNIBANCO e UNIBANCO HOLDINGS era companhias abertas; d) O objetivo da Associação foi o de promover a unificação das operações financeiras do ITAÚ e do UNIBANCO. Ou seja, o objetivo das partes era o de unificar ambas as estruturas financeira em uma só. Na sequência, visouse também congregar as estruturas de controle; e) Além de unificar as operações, as partes queriam também congregar todos os acionistas dos grupos ITAÚ e UNIBANCO numa única companhia aberta, a fim de, entre outras razões, evitar as situações de potencial conflito de interesses que poderiam ocorrer caso os acionistas fossem mantidos em companhias distintas, e permitir o maior aproveitamento possível das sinergias operacionais entre os dois bancos; f) Com efeito, era necessário que todos os acionistas dos dois grupos detivessem ações de uma única companhia aberta: o ITAÚ HOLDING; g) Para regrar o controle da holding aberta (ITAÚ UNIBANCO HOLDING S/A), foi estruturada a IUPAR, cujo controle direto foi dividido entre a ITAÚSA e a FMS; h) O auto de infração reportase a esta última etapa do processo de integração do ITAÚ e do UNIBANCO, de modo que não serão abordadas as considerações registradas no TVF sobre as etapas anteriores (incorporação de ações do grupo UNIBANCO pelo BANCO ITAÚ e incorporação das ações do BANCO ITAÚ pelo ITAÚ HOLDING, atual ITAÚ UNIBANCO HOLDING) que em nada interferem com o tema em discussão; Fl. 1651DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.652 20 i) Antes da associação, o controle do ITAÚ HOLDING era detido pela ITAÚSA, ora impugnante; j) Com a associação, a ITAÚSA aportou na IUPAR uma quantidade de ações votantes de emissão do ITAÚ HOLDING suficientes para que ela (IUPAR) detivesse o controle do ITAÚ HOLDING; k) FMS aportou todas as ações ordinárias de emissão do ITAÚ HOLDING que detinha, recebidas em razão da incorporação de ações das empresas UNIBANCO. E em troca, recebeu ações ordinárias da IUPAR que lhe deram o controle direto (compartilhado) da IUPAR e o controle indireto (também compartilhado) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; l) Em troca das ações ordinárias de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING aportadas pela ITAÚSA, esta recebeu da IUPAR uma combinação de ações ordinárias e preferenciais; m) Ou seja, foram diferentes os aportes feitos na integralização das ações subscritas pela ITAÚSA e das ações subscritas pela FMS, e foram também diferentes as contrapartidas recebidas pela ITAÚSA e pela FMS: enquanto a FMS aportou ações votantes (do ITAÚ UNIBANCO HOLDING), a ITAÚSA recebeu, em troca de parte das ações de controle (de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING) que aportou na IUPAR, ações preferenciais sem direito de voto( de emissão da IUPAR); n) Se forem consideradas apenas as quantidades de ações (ignorandose as espécies e os direitos, patrimoniais e políticos, atrelados a cada pacote acionário), poderia parecer estranho, como pareceu ao autuante, que a ITAÚSA tenha aportado 615.709.842 ações do ITAÚ HOLDING para adquirir 706.169.365 ações de emissão da IUPAR (relação de 615.709.842/706.169.365=0,87), enquanto a FMS aportou 445.686.615 ações do ITAÚ HOLDING para adquirir 355.227.092 ações de emissão da IUPAR (relação de 455.686.615/355.227.092 = 1,25); o) O autuante parece presumir que um dos blocos de acionistas da IUPAR (a FMS) teria feito um mau negócio por receber, no aporte, menos do que lhe caberia; p) Porém, quando se leva em conta que os aportes foram diferentes e que foram também diferentes as contrapartidas entregues pela IUPAR, fica evidente que o valor de emissão para cada bloco acionário tinha que ser diferente; q) O valor de contrapartida das ações aportadas pela ITAÚSA foi maior, obviamente, pela circunstância de que, com a integralização do capital da IUPARpela ITAÚSA, a IUPAR passou a deter 51% das ações ordinárias do ITAÚ UNIBANCO HOLDING e, portanto, o controle dessa holding, ao passo que as ações aportadas pela FMS, embora com direito de voto, não atribuíram a seus titulares o poder de controle (nem isolado nem compartilhado) do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; r) A FMS passou a partilhar esse poder de controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING com a ITAÚSA, indiretamente, pelo meio da IUPAR, onde cada bloco (ITAÚSA e FMS) passou a deter 50% do capital votante; s) Foi exatamente para viabilizar essa partilha de controle que, de um lado, a FMS recebeu seu quinhão no capital da IUPAR totalmente em ações ordinárias, enquanto a ITAÚSA recebeu o respectivo quinhão dividido em duas partes: ações Fl. 1652DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.653 21 ordinárias (em quantidade igual à atribuída à FMS) e o restante em ações preferenciais sem direito a voto; t) Em suma, a subscrição de ações da IUPAR pelos dois blocos (ITAÚSA e FMS) tinha que darse, e deuse, efetivamente, por valores diferentes, dada a diferença de atributos (direitos) dos ativos conferidos pelos dois blocos e a diferença de atributos (direitos) do pacote de ações entregues pela IUPAR a cada bloco; u) No fato de a subscrição de ações da IUPAR pelos dois blocos terse dado por valores diferentes, não há nada que fuja da lógica econômica empresarial; v) Aliás, ilogicidade econômica haveria se não tivesse sido assim. Numa negociação entre partes independentes (uma das quais, a ITAÚSA, companhia aberta), não se imaginaria que duas contribuições diferentes para a formação do capital de uma companhia nova recebessem, como contrapartida, valores iguais; w) Se a ITAÚSA aportou o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING, o esperado, logicamente, é que esse aporte implicasse um aporte economicamente adequado por parte de outro bloco acionário; x) Do mesmo modo, não poderia conceberse que a contrapartida das ações de controle aportadas pelaITAÚSA fosse uma combinação de ações ordinárias e preferenciais e a contrapartida das ações aportadas pela FMS fosse totalmente em ações ordinárias, sem que isso implicasse uma redução na quantidade de ações entregues para a FMS, no montante negociado entre as partes; y) Ao autuante pareceu estranho que os antigos controladores do UNIBANCO (FMS) concordasse em trocar a titularidade direta de 445.686.615 ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING pela titularidade indireta de 355.227.092 ações da mesma instituição; z) Ocorre que, com a entrega da referida quantidade de ações, a FMS recebeu, em contrapartida, ações de controle (compartilhado) da IUPAR e, indiretamente, o controle (compartilhado) do próprio ITAÚ UNIBANCO HOLDING; aa) A FMS considerou economicamente justo entregar aquela quantidade de ações em troca de metade das ações ordinárias da IUPAR; bb) Por seu turno, a ITAÚSA também considerou justo entregar 615.709.842 ações de emissão do ITAÚ UNIBANCO HOLDING por uma contrapartida representada por metade das ações ordinárias da IUPAR e o restante em ações preferenciais que lhe garantiram cerca de 2/3 do capital total da IUPAR; cc) Não é demais lembrar que a operação se deu entre partes independentes e reconhecidamente conhecedoras do mercado em que atuavam e atuam; dd) A diversidade de valores de emissão de ações ocorre, com enorme frequência, em operações de associação de empresas, ou de ingresso de novos sócios numa dada empresa; ee) Os valores das contribuições para o capital feitas ou por sócios diferentes ou em épocas diferentes, ou com ativos diferentes raramente irão coincidir; ff) Aliás, é essa diversidade de valores que explica a existência de ágios e deságios na aquisição de participações societárias. É isso também que provoca os fenômenos da diluição ou da concentração de participações societárias; Fl. 1653DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.654 22 gg) Em todas essas situações, há razões econômicas para determinar os valores relativos de ações, mesmo quando emitidas por uma mesma companhia, em função dos direitos políticos e patrimoniais a elas atrelados; hh) A variação de valores é identificada também nas operações de aporte na integralização de capital, conforme a espécie de ação, ou conforme o ativo aportado (dinheiro, bens), podendo, ainda, variar em razão de outros fatores, como ativos intangíveis ou passivos contingentes que eventualmente já integrem o patrimônio da companhia; ii) No caso dos autos, razões empresariais e econômicas explicam a diversidade de valores de emissão: a contribuição da ITAÚSA implicou o aporte do controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING na IUPAR; em razão disso, recebeu parte da contrapartida desse aporte em ações preferenciais; jj) Outro bloco (FMS) não aportou controle e recebeu a contrapartida de sua contribuição para o capital da IUPAR totalmente em ações ordinárias, que lhe deram o controle (compartilhado) da IUPAR e, indiretamente, do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; em compensação, a FMS recebeu uma quantidade nominal menor de ações de emissão da IUPAR (e, indiretamente do ITAÚ UNIBANCO HOLDING) do que aquela que deteria caso não tivesse feito a subscrição de ações da IUPAR; kk) Portanto, o valor de subscrição, necessariamente, tinha que ser diferente; ll) Muitas razões podem definir a diversidade de valores das ações de uma mesma companhia: entre outras, a diversidade de espécies ou, ainda de classes, mas, fundamentalmente, a diversidade dos direitos atrelados à ação; mm) É evidente a diversidade de direitos atrelados aos pacotes acionários entregues à IUPAR pelos dois blocos acionários e a diversidade dos direitos dos pacotes acionários entregues pela IUPAR a cada um dos blocos; nn) É de conhecimento de todos que a contribuição do subscritor para a formação do capital da empresa não é renda desta; oo) Também não representa renda dos demais acionistas, ainda que estes tenham contribuído com um valor menor (ou com um valor nominal menor); pp) Nem a diluição de participação societária nem a concentração da mesma participação, ensejam dedução fiscal ou incidência fiscal; qq) O TVF aponta um ágio da parcela da ITAÚSA no investimento na IUPAR; rr) A legislação do imposto de renda e da CSLL tributa a aquisição de renda manifestada mediante a prática de fatos típicos (fatos geradores de obrigação tributária), descritos nessa legislação. São esses fatos tipificados em lei que, na sua ocorrência concreta, dão nascimento à obrigação tributária; ss) Já vimos, em preliminar, que o autuante não aponta nenhum dispositivo de lei que descreva hipótese de incidência na qual pudessem enquadrarse os fatos narrados na autuação; tt) Assim sendo, mesmo que não seja acolhida a preliminar de nulidade, também no mérito o auto não prospera, dado que não existe dispositivo na legislação do imposto de renda que qualifique a situação descrita no auto como passível de incidência. Em suma, não há fato gerador que suporte a pretensão fiscal; Fl. 1654DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.655 23 uu) A diversidade de aportes correspondeu à diversidades de contrapartidas que não representam ganho da impugnante. Não há concretização de ganho ou renda para ela; vv) Aliás, a impugnante chegou a apurar ágio em razão dos diferentes aportes. Esse ágio não foi questionado pelo autuante, nem quanto à sua existência, nem quanto à sua quantificação; ww) É claro que não houve aquisição de renda quando se apurou ágio na substituição da participação societária; xx) Poderia ter ocorrido deságio, em face de diferentes contribuições por sócios distintos e dos valores relativos das ações (com diversos direitos atreladosàs ações recebidas) e, igualmente, não haveria, nessa hipótese, aquisição de renda; yy) Exatamente pela diversidade de direitos atrelados às ações, como contrapartida necessária e correspondente à diversidade de aportes, não houve materialização de ganho, não ocorreu nenhuma situação que seja descrita em lei como fato gerador de tributo; zz) Não há renda tributável nem da companhia emissora das ações (IUPAR), subscritas pela FMS, nem da outra acionista, ITAÚSA, ora impugnante; aaa) Desse modo, se não for acolhida a preliminar de nulidade do auto de infração, o qual carece de fundamentação legal, deve ele, no mérito, ser cancelado, dada a inexistência de fato gerador, que a fiscalização, apesar de sua exuberante narrativa no TVF, não conseguiu identificar; bbb) Releva notar ainda que há usufruto constituído sobre parte das ações aportadas pelos acionistas da IUPAR. Essa circunstância em nada altera os dados da questão discutida; ccc) O autuante não fundamenta a exigência fiscal na existência de usufruto, embora discorra longamente sobre ele; ddd) A base do auto é o ganho que a impugnante supostamente teria tido pelo fato de outros acionistas da IUPAR (família MOREIRA SALLES) ter, comparativamente com a ITAÚSA, aportado mais ações na integralização do capital subscrito na IUPAR; eee) Mas cabem algumas observações sobre o usufruto até para esclarecer eventuais dúvidas que o TVF possa eventualmente suscitar; fff) O usufruto foi constituído pela razão básica de que a IUPAR não necessita da totalidade dos dividendos ou juros sobre o capital próprio distribuídos pelo ITAÚ UNIBANCO HOLDING para investimentos, dado que seu objeto é apenas o controle do ITAÚ UNIBANCO HOLDING; ggg) Por isso (e por força do usufruto), apenas parte dos dividendos ou JCP distribuídos é que é recebida pela IUPAR, o que em nada prejudica o direito dosacionistas, já que, por meio do usufruto, auferem os mesmo valores que poderiam, indiretamente, caber a eles por meio da IUPAR; hhh) Enfim, com ou sem usufruto, a ITAÚSA e a FMS receberiam exatamente o mesmo proveito econômico, conforme, aliás, o próprio autuante acabou por demonstrar no TVF; Fl. 1655DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.656 24 iii) Em resumo, a existência de usufruto patrimonial gravando parte das ações possuídas pela IUPAR não interfere nem com o proveito econômico a que cada bloco faz jus em razão de sua participação societária, direta na IUPAR e indireta no ITAÚ UNIBANCO HOLDING; jjj) E, por isso mesmo, a existência do usufruto não é relevante para a discussão objeto da autuação; Da multa isolada em concomitância com a multa de ofício a) O fisco exige o IRPJ e a CSLL supostamente não recolhidos no ajuste, bem como a multa de ofício sobre os tributos lançados, concomitantemente, com a multa de ofício isolada, sobre a insuficiência calculada em decorrência da mesma infração; b) Não se pode acolher a duplicidade de penalidades de ofício sobre uma mesma infração, pois o valor do tributo (supostamente não recolhido), tanto fez parte do crédito tributário lançado de ofício e sobre o qual incidiu a multa de 75%, quanto foi utilizado a título de base de cálculo da multa isolada por falta de recolhimento de estimativa; c) Frisese que, no caso deste processo, tratase de dupla incidência sobre a mesma materialidade, pois o valor do pagamento mensal é exatamente a totalidade ou diferença do tributo incluído pela autoridade fiscal no cálculo do ajuste anual; d) Descabe a multa por falta de recolhimento de estimativa quando já aplicada a multa de ofício. No caso, resta caracterizada a dupla punição por uma mesma infração, devendo ser cancelada a multa de ofício isolada; Da não incidência de juros sobre a multa de ofício a) A Lei nº 9.430/1996 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multade mora e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora. Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora; b) Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 3º do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício; c) Também o art. 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN; d) Por consequência, não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § 1º do artigo 161 do CTN; e) Requer, assim, a nulidade do auto de infração ou alternativamente a sua improcedência. A 4° Turma da DRJ/RJ1 julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação apresentada, considerando devido o IRPJ no valor de R$ 272.382.818,97 e a CSLL no valor de R$ 115.776.662,46, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora, bem como das multas isoladas pelo não recolhimento das estimativas, respectivamente, nos valores de R$ 141.480.882,06 e R$ 59.917.065,26. Fl. 1656DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.657 25 Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário às fls. 1440/1528, em que repisa os argumentos apresentados em sede de impugnação e combate as alegações trazidas pela DRJ. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso voluntário (fls. 1569/1606). Eis a síntese do necessário. Passo a decidir. Fl. 1657DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.658 26 Voto Vencido Conselheiro Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro O recurso voluntário é tempestivo, razão pela qual dele tomo conhecimento. Cuida o presente processo de autos de infração que procederam ao lançamento de ofício de créditos tributários de IRPJ e de CSLL referente ao anocalendário de 2008. Em apertada síntese, alega a autoridade autuante que o contribuinte não ofereceu à tributação o acréscimo patrimonial auferido em função da associação dos grupos ITAU e UNIBANCO. Em sede recursal, o contribuinte alega que: (i) o auto de infração é nulo por inexistir fundamento legal à autuação; (ii) inexiste acréscimo patrimonial passível de tributação pelo IRPJ e CSLL; (iii) a empresa IUPAR foi constituída mediante emissão de ações de tipos diferentes, sendo, por conseguinte, atribuídos valores distintos a cada tipo de ação; (iv) o valor de subscrição pago por um acionista não é renda tributável nem da companhia emissora da ação nem do outro acionista; (v) o usufruto existente sobre parte das ações aportadas é irrelevante para os efeitos da autuação. Protesta, ainda pela aplicação da multa isolada concomitantemente à multa de ofício e pela não incidência de juros sobre a multa de ofício. Passemos à análise da preliminar suscitada. O contribuinte alega a nulidade da autuação por ausência de fundamento legal aplicável. Afirma que a autoridade autuante não indicou qual seria a situação abstrata prevista em lei como fato gerador do tributo, limitandose a elencar normas gerais de incidência tributária. Por seu turno, a DRJ rejeitou a preliminar nos seguintes termos: Verificou o fisco que ocorrera um ingresso de um direito representado pela participação societária recebida não decorrente de atividade operacional da pessoa jurídica nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico um acréscimo patrimonial da interessada na forma prevista no inciso II do artigo 43 do CTN. Ora, diante de tal premissa, com a descrição dos fatos pormenorizadamente trazida à baila pelo fisco, não vejo qualquer mácula que deflagre hipótese de nulidade do auto de infração, já que a interessada deixou de adicionar ao lucro líquido valores que estariam diretamente ligados ao resultado da empresa objeto de fiscalização. Fl. 1658DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.659 27 Entendera o fisco que a ITAUSA (interessada) não atendeu ao disposto pela lei fiscal, por deixar de reconhecer o ganho ocorrido na operação societária que culminou no evento de subscrição da IUPAR, o qual acarretou aumento de sua participação no capital da ITAÚ HOLDING FINANCEIRA (ITHF), refletindo diretamente nos seus direitos de sócio, tanto quanto aos reflexos contábeis e fiscais decorrentes da equivalência patrimonial, quanto ao de recebimento de juros sobre o capital próprio, dividendo e bonificações e outras distribuições de lucros porventura existentes. Portanto, o fato de se fazer menção, no enquadramento legal, a diversos dispositivos não constitui, por si só, qualquer irregularidade, nem é suficiente para cercear o direito de defesa. No enquadramento legal, devem ser citados todos os dispositivos pertinentes, sejam eles numerosos ou não. Não houve, portanto, cerceamento do direito de defesa, afronta ao princípio da legalidade nem inobservância do art. 10, IV, do Decreto n° 70.235/72, pois no enquadramento legal são citados os dispositivos que, no entender do autuante, foram infringidos. Além disso, ainda que houvesse deficiência na fundamentação de direito, esta poderia ser suprida pela fundamentação de fato, ou seja, não há nulidade se o autuado demonstra, através da própria Impugnação, que entendeu quais infrações lhe foram imputadas. Pois bem. O auto de infração enquadra a infração cometida pelo Recorrente como “omissão de receitas não operacionais” e aponta como infringidas as seguintes disposições legais: 1) Art. 3° da Lei n° 9.249/95: Art. 3º. A alíquota do imposto de renda das pessoas jurídicas é de quinze por cento. 2) Arts. 247, 248, 249, inciso II, 251, 278, e 288 do RIR/99: Art. 247. Lucro real é o lucro líquido do período de apuração ajustado pelas adições, exclusões ou compensações prescritas ou autorizadas por este Decreto (Decretolei nº 1.598, de 1977, art. 6º). § 1º A determinação do lucro real será precedida da apuração do lucro líquido de cada período de apuração com observância das disposições das leis comerciais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 37, §1º ). § 2º Os valores que, por competirem a outro período de apuração, forem, para efeito de determinação do lucro real, adicionados ao lucro líquido do período de apuração, ou dele excluídos, serão, na determinação do lucro real do período de apuração competente, excluídos do lucro líquido ou a ele adicionados, respectivamente, Fl. 1659DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.660 28 observado o disposto no parágrafo seguinte (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 4º ). § 3º Os valores controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR, existentes em 31 de dezembro de 1995, somente serão atualizados monetariamente até essa data, observada a legislação então vigente, ainda que venham a ser adicionados, excluídos ou compensados em períodos de apuração posteriores (Lei nº 9.249, de 1995, art. 6º). Art. 248. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §1º, Lei nº 7.450, de 1985, art. 18, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 4º ) Art. 249. Na determinação do lucro real, serão adicionados ao lucro líquido do período de apuração (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, §2º ): I os custos, despesas, encargos, perdas, provisões, participações e quaisquer outros valores deduzidos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, não sejam dedutíveis na determinação do lucro real; II os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real.(...) Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 7º). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2º, e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). Art. 278. Será classificado como lucro bruto o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua objeto da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 11, §2º). Parágrafo único. O lucro bruto corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços (art. 280) e o custo dos bens e serviços vendidos Subseção III (Lei nº 6.404, de 1976, art. 187, inciso II). Art. 288. Verificada a omissão de receita, a autoridade determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no Fl. 1660DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.661 29 período de apuração a que corresponder a omissão (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24). Além disso, no Termo de Verificação Fiscal, é mencionado o art. 43 do Código Tributário Nacional1, o qual circunscreve o âmbito de incidência do imposto de renda. Da leitura atenta dos artigos acima transcritos, observase que estes tratam das seguintes matérias: (i) alíquota do imposto aplicável às pessoas jurídicas; (ii) apuração do lucro real; (iii) apuração do lucro líquido; (iv) escrituração fiscal e comercial: (v) apuração do lucro bruto; e (vi) lançamento de ofício no caso de omissão de receitas. Todos esses dispositivos tratam, portanto, de aspectos gerais relativos à incidência do imposto de renda para as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, inexistindo disposição específica para a infração legal supostamente cometida. Ademais, no presente caso, discutese se o contribuinte auferiu, ou não, ganho de capital decorrente da alienação de um direito, qual seja: o poder de controle do grupo ItaúUnibanco. Com a formação do conglomerado, ficou decidido que o seu controle seria partilhado entre os acionistas controladores do Itaú e do Unibanco. Para que essa divisão fosse possível, foram realizadas as seguintes operações: a) os acionistas do UNIBANCO receberam ações do BANCO ITAU HOLDING FINANCEIRA S/A BIHF; b) o BIHF emitiu 1.121.033.136 novas ações, da quais os integrantes controladores do grupo UNIBANCO (Família Moreira Sales FMS) receberam 445.686.615 ações ordinárias; c) para possibilitar o compartilhamento do controle do novo conglomerado, o Recorrente e a FMS efetuaram a subscrição de capital da ITAU UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S/A IUPAR com as ações ordinárias do BIHF. A FMS subscreveu 445.686.615 ações pelo valor unitário de R$ 6,90748945, já o Recorrente subscreveu 615.709.842 ações pelo valor unitário de R$ 16,02389874; d) Em contrapartida à subscrição, a FMS recebeu 355.227.092 ações ordinárias da IUPAR pelo valor unitário de R$ 8,6665. Por seu turno, o Recorrente recebeu, também, 355.227.092 ações ordinárias, porém o valor unitário era de R$ 13,97125484537270. Além disso, a ITAÚSA recebeu 350.942.273 de ações preferenciais. 1 Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. § 2o Na hipótese de receita ou de rendimento oriundos do exterior, a lei estabelecerá as condições e o momento em que se dará sua disponibilidade, para fins de incidência do imposto referido neste artigo. Fl. 1661DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.662 30 Diante desse cenário, a autoridade autuante sustenta que a FMS recebeu 445.686.615 ações e, logo em seguida, aceitou transformálas em 355.227.092 ações. Por sua vez, o Recorrente contribuiu com 615.709.842 ações, contudo, recebeu 706.169.365 ações como retorno. Logo, a FMS teria transferido 90.459.523 ações ordinárias à ITAÚSA. O fisco adota a tese de que este valor seria uma contrapartida recebida em função da cessão do controle do grupo. Entendo, portanto, que de acordo com o raciocínio adotado pelo fiscal, o Recorrente alienou um direito seu aos antigos controladores do Banco Itaú, auferindo acréscimo patrimonial em função dessa alienação. Ocorre que o acréscimo patrimonial, nessa hipótese, deve ser mensurado pela diferença entre o custo deste direito e o seu preço de venda, pois se trata de um ganho de capital. Não basta, portanto, apurar qual valor foi recebido como prêmio de controle, deve, ainda, a autoridade fiscal verificar qual foi o efetivo acréscimo de riqueza do contribuinte. Nos termos do art. 31 do DecretoLei n° 1.598/77, com redação anterior à Lei n° 12.973/14, devem ser classificados como ganhos ou perdas de capital os resultados na alienação de bens do ativo permanente. Entendo, portanto, que os dispositivos legais que embasam a autuação não são suficientes para que ocorra a subsunção do fato à norma, haja vista que, em momento algum, a autoridade autuante mencionou a hipótese de apuração de ganho de capital, limitando se a afirmar que se trata de omissão de receitas não operacionais e que estas receitas devem ser computadas na determinação do lucro líquido e do lucro real. Logo, a infração objeto da autuação, bem como os dispositivos legais infringidos, não foram identificados de forma correta, de modo que, quando não atendidas as formalidades previstas na legislação, deve se impor o cancelamento da autuação. Observase que fora cometido um erro, insanável, no objeto da autuação, vez que a autoridade autuante não soube identificar a infração, podendo ter sido atribuída, inclusive, base de cálculo equivocada ao lançamento. Entendo, portanto, que a preliminar de nulidade da autuação invocada pelo contribuinte merece guarida, visto que não houve a subsunção do fato à norma jurídica supostamente infringida, o que constitui afronta ao art. 10, inciso IV, do Decreto n° 72.035/72. Não pode a autoridade fiscal realizar lançamentos com fundamentação legal genérica e insuficiente para determinar qual infração foi cometida. Conforme prevê o art. 142 do CTN, a autoridade administrativa deve verificar a ocorrência do fato gerador e a matéria tributável para constituição do crédito tributário por lançamento. Ausente esses requisitos, entendo que o lançamento encontrase eivado por vício material, pois há falta de materialização do ilícito cometido e da hipótese de incidência tributária. No que tange ao mérito, entendo que seu julgamento resta prejudicado em razão da nulidade verificada. Explico: considerando que o presente caso trata da hipótese de não recolhimento do IRPJ e da CSLL sobre o ganho de capital auferido na alienação de direitos, o agente fiscal deveria ter apurado a base de cálculo dos tributos devidos considerandose a Fl. 1662DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.663 31 diferença entre o custo de alienação e o custo contábil do investimento, nos termos do art. 425 do RIR/99, vigente à época do fato gerador: Art. 425. O ganho ou perda de capital na alienação ou liquidação de investimento será determinado com base no valor contábil (art. 418, §1º) (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 31, §3º). Parágrafo único. A provisão para perdas constituídas até 31 de dezembro de 1995, quando dedutível na apuração do lucro real nos termos da legislação aplicável, deverá ser considerada na determinação do ganho ou perda de capital. Logo, qual seria, na hipótese dos autos, o valor do ganho de capital? Os documentos societários juntados aos autos demonstram que o contribuinte trocou 615.709.842 ações, cujo valor unitário de R$ 16,02389874, totalizando R$ 9.866.072.161,43, por 355.227.092 ações ordinárias e 350.942.273 ações preferenciais, cujo valor unitário era de R$ 13,97125484537270, totalizando R$ 9.866.072.162,41. Portanto, a diferença entre o custo de aquisição e o custo de alienação, conforme demonstram os documentos societários, seria de R$ 0.02. Caso o fiscal discordasse dos valores atribuídos às ações subscritas e aportadas, deveria ter embasado seu posicionamento em documentos e provas, porém, isto não ocorreu. Durante a fiscalização, o contribuinte explicou que a diferença do valor de emissão das ações entregues pela Itaúsa à IUPAR decorre de correção do valor de equivalência patrimonial (fl. 76 do Termo de Verificação Fiscal). Contudo, o fiscal não provou que o valor contábil atribuído às ações da Itaúsa estaria incorreto, tendo realizado o lançamento com base em presunções. Registro, novamente, que, a meu ver, esse lançamento só poderia subsistir caso a autoridade autuante tivesse demonstrado a diferença existente entre o valor contábil das ações aportadas e o valor das ações recebidas em contrapartida, hipótese em que restaria caracterizada a apuração de ganho de capital. Portanto, em consonância com a preliminar acolhida, o mérito não deve prevalecer por ausência de base de cálculo para a autuação. Ante todo o exposto, conheço do recurso voluntário e acato a preliminar de nulidade suscitada, devendo ser declarado nula a autuação por vício material. É como voto. (ASSINADO DIGITALMENTE) Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro – Relator Fl. 1663DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.664 32 Voto Vencedor Conselheiro Roberto Silva Junior O ilustre Relator acolheu a preliminar de nulidade do lançamento por vício material, aduzindo que, se tivesse de examinar o mérito, o ato administrativo igual sorte teria em razão da ausência de base de cálculo. Respeitosamente, divirjo do preclaro Conselheiro Relator. Não me parece ter havido erro na descrição do fato e tampouco no enquadramento legal, apesar das "divagações" e das "digressões" do Termo de Verificação Fiscal TVF, apontadas pela recorrente. O que se exige do lançamento é que ele faça uma descrição objetiva e inequívoca do fato imputado ao sujeito passivo. Isso o TVF fez. Ele talvez seja extenso, talvez contenha digressões, divagações, conjecturas desnecessárias, mas descreve com clareza e precisão o fato imputado à recorrente e que serve de motivo ao lançamento. O conteúdo do recurso mostra que a recorrente bem compreendeu o fato que lhe era imputado. A prova disso é o trecho abaixo transcrito: 18. No ponto específico objeto do auto de infração em tela, entendeu o autuante que, por ter sido a contribuição da FMS (em quantidade de ações) proporcionalmente maior do que a da ITAÚSA (ou seja, para "x" ações da IUPAR a FMS contribuiu com um número de ações de emissão do Itaú Unibanco Holding maior do que o número de ações aportadas pela Itaúsa) e ambas receberam igual quantidade ("x") de ações da IUPAR a ITAÚSA teria auferido ganho tributável no valor das ações do Itaú Unibanco Holding que, na visão do autuante, teria "recebido a mais". No auto de infração, a família Moreira Salles (FMS) é identificada como E. Johnston (que era o nome da antiga holding controladora do Unibanco). 19. Ou seja, se a FMS, por exemplo, entrega 100 moedas na integralização de 10 ações e a Itaúsa entrega apenas 80 moedas para integralizar uma quantidade igual, de 10 ações, a Itaúsa teria tido um "ganho de capital"de 20 moedas; como ela comprou mais barato, teria tido, na compra, um ganho tributável! Essa é a lógica da autuação. 20. Sobre esse alegado ganho da Recorrente é que incide a exigência fiscal de IRPJ e CSL, referentes ao anocalendário de 2008, acrescidos de juros, multa de ofício e multa isolada, e juros sobre estas multas, exigência essa que é ilegal, conforme a Recorrente demonstrará. (fl. 1.444) Os grifos não são meus, são do original, e têm o claro propósito de enfatizar o que havia de mais importante nessa descrição, revelando que a recorrente entendeu perfeitamente a autuação, embora com ela não concordasse. Porém são duas coisa inconfundíveis. Uma é compreender; outra, concordar. A validade do lançamento não exige o casamento da compreensão com a concordância. O Fl. 1664DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.665 33 lançamento será juridicamente válido ser contiver descrição inteligível dos fatos imputados ao sujeito passivo. Essa exigência foi atendida. A recorrente, entretanto, afirma que se omitiu o fundamento jurídico legal do lançamento. E mais: disse que não existe preceito tributário que embase a autuação. Lêse no recurso: 25. Realmente, o autuante não aponta nenhum fato típico nem o seu respectivo enquadramento legal. Fundamenta a autuação no CTN, como se este contivesse normas de incidência (descritivas de fatos típicos, cuja ocorrência gerasse a obrigação de pagar tributo). (...) 27. Achando que, com isso, teria descrito o "fato gerador", o auto passa à descrição da base de cálculo (RIR, art. 219), do lucro real (art. 247) e do lucro líquido (art. 248), para, antes de concluir com o registro de que o contribuinte deve manter escrituração de acordo com a lei (art. 251), afirmar que, na determinação do lucro real (art. 249, II) devem ser computados "quaisquer outros valores não incluídos na apuração do lucro líquido que, de acordo com este Decreto, devam ser computados na determinação do lucro real" (O negrito e o itálico são do TVF; o sublinhado é da Recorrente). 28. Faltou, porém, a indicação de qual seria a disposição "deste Decreto" (o texto referese ao RIR) que mandaria cobrar imposto de renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. (fl. 1.445) (grifos da recorrente) Mais adiante, no mesmo recurso, se lê: 42. A gravidade do vício é maior, na medida em que, mais do que a simples omissão do preceito legal, ou erro de capitulação, foi demonstrado que não existe esse imaginário preceito que pudesse tipificar a situação concreta como fato gerador de tributo. (fl. 1.447) A recorrente afirma que no lançamento não existe indicação do dispositivo legal que manda cobrar Imposto de Renda de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. Esse dispositivo não poderia mesmo ser indicado, pois não existe. Mas não existe também dispositivo mandando cobrar Imposto de Renda de uma empresa, quando aliena bens do seu ativo imobilizado, ou quando realiza operações financeiras, ou quando realiza venda de mercadorias ou presta serviços. Isso porque, nenhuma dessas situações, individualmente consideradas, é fato gerador do Imposto de Renda das empresas. O fato gerador do Imposto de Renda das empresas é o lucro, que pode ser real, presumido ou arbitrado, conforme a sistemática de apuração. No caso da recorrente, que é instituição financeira, o lucro tributável é apurado conforme as regras do lucro real. E o que seria lucro? Numa definição simplista, lucro é a diferença positiva entre dois somatórios: de um lado, a soma das receitas e de todos os outros ganhos; de outro, a soma de todas as despesas, dispêndios e custos. Fl. 1665DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.666 34 Partindo desse pressuposto, é possível afirmar que a venda, com "lucro", de um bem do ativo imobilizado, por si só, não é fato gerador do Imposto de Renda, mas entra no cômputo do lucro tributável, como um de seus componentes, assim como o são as receitas oriundas do exercício da atividade principal da empresa. Notese que é possível a obtenção de lucro na venda de um bem do ativo imobilizado e, ainda assim, não haver imposto devido no período. Para tanto, basta que as perdas em outras operações ou o prejuízo operacional sejam maiores e absorvam inteiramente aquele ganho. As receitas, ganhos, despesas, custos se comunicam dentro do mesmo período de apuração. Na apuração do lucro entram todas as receitas e todos os ganhos, exceto os que lei expressamente excluir. Portanto, em se tratando de entidade de fins econômicos, se a lei nada disser acerca de determinado ganho, ele comporá o lucro, porque essa é a regra do Imposto de Renda. É verdade que a legislação do Imposto de Renda menciona de forma expressa uma série de receitas e ganhos tributáveis. Mas, quando ela o faz, busca dois objetivos. O primeiro é estabelecer um tratamento específico, diante da especificidade da situação, indicando as despesas a serem deduzidas, os valores a serem excluídos e o momento em que os ganhos devam ser oferecidos à tributação. O segundo objetivo é didático. Visa a afastar discussões acerca da tributação de determinados valores. Em suma, diante de um ganho ou de uma receita, a lei do Imposto de Renda pode adotar as seguintes formas de tratamento. A primeira é silenciar e, assim, o valor será tributável, compondo o lucro real. A segunda, disciplinar o modo específico pelo qual o ganho ingressará no cômputo lucro tributável. E a terceira, conceder isenção ou reconhecer alguma forma de intributabilidade. Por essas razões, se percebe a impropriedade e inadequação de se exigir, como requisito de validade do lançamento aqui contestado, a indicação de um dispositivo, dentre tantos que compõem a vasta legislação do Imposto de Renda, que mande de forma literal e expressa cobrar imposto de um acionista de certa companhia em razão do valor do aporte feito por outro acionista. Basta, para a validade formal do lançamento, que determinada operação seja caracterizada como geradora de um ganho, não existindo para este nenhuma norma de isenção, não incidência ou imunidade. O enfoque do problema por esse ângulo revela que a referência feita pela autoridade lançadora, no auto de infração, aos dispositivos regulamentares não é genérica, nem tão ociosa como supôs a recorrente. Os dispositivos regulamentares foram citados para mostrar que, de acordo com a legislação aplicável, os resultados, rendimentos, receitas e quaisquer outros valores devem compor o lucro real. E, na esteira dessas regras, estender ao ganho auferido pela recorrente o mesmo tratamento tributário. Não se concebe que dispositivos legais desçam ao nível de detalhamento pretendido pela recorrente. Lembrese de que, em sentido material, lei é norma de caráter geral e abstrato, que disciplina relações jurídicas entre os sujeitos de direito. Aplicase, pois, a um número indeterminado de indivíduos, sendo que o comando nela contido tende a se repetir sucessivas vezes, desde que se configure no mundo real a situação hipotética descrita na norma. Fl. 1666DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.667 35 Isso também se verifica com a lei tributária, que não pode ser tão genérica que delegue ao aplicador da lei a atribuição completar a cada nova incidência os elementos da hipótese; mas também não pode ser tão específica a ponto de deixar de ser geral e abstrata, tornandose disfuncional, pois serviria para pouquíssimos casos, ou para caso nenhum. Portanto, não tem razão a recorrente quando afirma inexistir situação abstrata descrita em lei que pudesse qualificar a situação concreta como fato gerador do Imposto de Renda. Por essas razões, rejeito a preliminar de nulidade. Mérito No mérito, a recorrente negou ter havido acréscimo patrimonial passível de tributação. Admitiu que a controvérsia reside na capitalização da IUPAR e no recebimento da contrapartida, que foi diferente da contrapartida entregue pela IUPAR ao outro acionista, identificado no recurso como Família Moreira Sales, ou apenas, FMS. Aduziu que o valor de subscrição pago por um acionista não é renda tributável. Reiterou que foram diferentes os aportes feitos na integralização das ações subscritas pela recorrente e pela FMS, e, por isso, diferentes também foram as contrapartidas recebidas. Disse que essa prática é comum no mercado. Nas contrarrazões ao recurso, a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN sustenta que o lançamento apurou acréscimo patrimonial decorrente do recebimento de prêmio de controle pela associação dos grupos Itaú e Unibanco. Os argumentos da PFN podem ser compreendidos pela leitura do trecho abaixo: Não obstante a insistência do contribuinte, sua tese não é válida. Isso porque, ao contrário do que afirma, a Fiscalização não apurou o acréscimo patrimonial auferido por um acionista em razão do aporte de outro acionista, mas sim o acréscimo oriundo decorrente do recebimento de um prêmio, ou seja, um aumento patrimonial sem o correspondente custo. Com efeito, afastando a leitura tendenciosa do auto de infração proposta pelo recorrente, vêse que o lançamento se pautou no acréscimo patrimonial auferido pela ITAUSA em face do prêmio de controle que recebeu pela associação dos grupos ITAÚ e UNIBANCO. Nesse diapasão, o auto de infração destaca em inúmeros momentos o aumento da participação da ITAUSA no ITAÚ UNIBANCO HOLDING como consequência da referida associação, assim como ressalta a realização de uma teleconferência na qual o presidente do antigo grupo ITAÚ reconhece o pagamento desse prêmio à ITAUSA. A fim de ilustrar o que ora se defende, citamse as seguintes passagens do Termo de Verificação Fiscal: Fl. 06 do TVF A diferença de 90.459.523 de ações foi repassada à ITAUSA no evento de subscrição da IUPAR, quando foram valoradas por preços diferentes as mesmas ações ordinárias da Itaú Unibanco Holding entregues na integralização do capital subscrito. Fl. 1667DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.668 36 (...) Fl. 76 do TVF (...) Entendemos como incontroverso o fato de que a subscrição e integralização do capital da IUPAR, cuja existência se justifica como instrumento de compartilhamento de controle da ITHF a ser exercido entre os antigos controladores dos grupos Unibanco e Itaú, trouxe benefícios à ITAUSA, acarretando aumento de sua participação acionária total detida na ITHF. O que está em pauta é o ingresso de um direito, representado pela participação societária recebida, não decorrente da atividade operacional da pessoa jurídica, nascido da reorganização societária dos dois grupos econômicos e que acabou por produzir como efeito econômico e jurídico o acréscimo patrimonial da ITAUSA, na forma prevista no inciso II do artigo 43 do Código Tributário Nacional. (...) Fls. 78/79 (...) Pois bem, a avaliação dos impactos sofridos pela ITAUSA na associação dos dois grupos econômicos deixa evidente a ocorrência de ganho patrimonial na companhia, decorrente de resultado não operacional, o qual se encontrava delineado já nos primeiros atos escritos, formalizados no Contrato de Associação de 03/11/2008 e no Fato Relevante da mesma data, que tinham presentes em seu corpo os elementos correspondentes às participações societárias que seriam detidas pelas partes envolvidas no final do processo, o qual se completou com o evento de subscrição e integralização de capital na IUPAR. Este evento de subscrição da IUPAR deve ser analisado apenas como o último ato de todo o conjunto de rearranjos societários praticados que almejaram o fim inicialmente declarado. Neste sentido, não é admissível supor um agente econômico receba 455.686.615 ações para logo em seguida transformar esta riqueza em 355.227.092 de ações e em contrapartida que a ITAUSA contribua com 615.709.842 ações para receber em troca 706.169.365. (...) Podemos concluir que o fato das 90.459.523 ações terem sido formalmente subscritas pelos antigos controladores do Unibanco, para na sequência se tomar Investimento de propriedade da ITAUSA, do qual usufrui em sua integralidade em relação aos direitos e deveres de sócio, não altera o negócio realizado que resultou em acréscimo patrimonial favorável à ITAUSAf contextualizado no conjunto da operação. Desta forma deve ser aplicada a norma tributária, com seus efeitos, a qual alcança todo o acréscimo patrimonial havido em razão da apuração de renda ou de proventos outros, sendo irrelevante a forma escrita aplicada pelos contratantes, (grifos nossos) Portanto, notase claramente que o lançamento não se pautou no acréscimo patrimonial auferido pela ITAUSA em face do aporte realizado pela Família Moreira Sales na subscrição da empresa ITAÚ UNIBANCO PARTICIPAÇÕES S.A., mas sim no aumento de patrimônio causado pelo recebimento do prêmio por meio dessa Fl. 1668DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.669 37 subscrição e que fora previsto desde a assinatura do contrato e da publicação do primeiro Fato Relevante. (fls. 1.573 a 1.575) (grifos do original) A PFN, nas contrarazões, reproduz um diálogo travado numa teleconferência, em que um dos diretores da recorrente reconhece, de forma incontestável, que o montante colhido no lançamento como acréscimo patrimonial é, na verdade, um prêmio de controle. Eis o trecho: No entanto, esse aumento de 8,3% não corresponde exclusivamente ao prêmio de controle. Tal como consta da teleconferência realizada pelos grupos ITAU e UNIBANCO aos seus investidores no dia 04/11/2008, esse aumento englobava, tanto as ações recebidas pela ITAUSA em face da incorporação do BANCO ITAU EUROPA pelo BANCO ITAÚ, como o prêmio, senão vejamos: Marcelo Telles, Credit Suisse: Boa tarde a todos. Parabéns pela transação. Eu tenho uma pergunta em relação à participação da Itaúsa no Itaú Unibanco. Quando a gente olha o número de ações que o grupo Moreira Salles tinha na Unibanco Holdings, e um número equivalente de ações recebidas dentro do Itaú Unibanco, eu chegaria a um número por volta de 445 milhões de ações. No entanto, quando a gente olha pela estrutura final, após a transação, você teria por volta de 350 milhões de ações. Então eu queria saber se houve alguma venda de ações por parte do grupo Moreira Salles para a Itaúsa, dado que vocês colocaram no release que a participação da Itaúsa aumentou em 8,3%, o que seria bem acima dos 21 milhões de ações que foram emitidos em função da venda do Banco Itaú Europa para o Banco Itaú. Obrigado. Roberto Egydio Setúbal: Você observou corretamente. E isso mesmo. Essa relação de troca traduz um prêmio implícito, que é o prêmio exatamente de participação no controle do Banco. Acho muito importante deixar bem claro. De fato, o grupo de controladores do Unibanco passa a fazer parte do grupo de controle do Itaú Unibanco Holding, e isso se traduz exatamente nesse prêmio que foi aí identificado por você. Marcelo Telles: Perfeito. E o pagamento disso é caixa, como funciona o settlement dessa transação? Roberto Egydio Setúbal: Não houve pagamento em dinheiro mesmo, foi na troca de ações na integralização da holding. (grifo nosso) Portanto, pelos trechos citados, não há como fechar os olhos ao prêmio incontestavelmente recebido pela ITAUSA em face da associação dos grupos ITAÚ e UNIBANCO. Não há como, portanto, analisar a subscrição do capital da IUPAR sem levar em conta que, por meio de tal operação, a ITAUSA recebeu seu prêmio. Como já dito, esse fato fora informado pelo presidente de um dos grupos. (fls. 1.583 a 1.584) (grifos do original) O diálogo acima reproduzido (encontrado no seguinte endereço: http://ww13.itau.com.br/portalri/html/port/download/PCA_ITAU_3T08_Port.pdf) deixa clara a Fl. 1669DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.670 38 origem da diferença detectada pela Fiscalização. Tratase de um "prêmio" pago pela participação no controle do Itaú Unibanco Holding. A fórmula engendrada para pagamento desse "prêmio" teve participação da IUPAR, como fica evidenciado no quadro abaixo: FMS QUANTIDADE DE AÇÕES TIPO APORTE DE AÇÕES NA IUPAR 445.686.615 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 355.227.092 ORDINÁRIAS DIFERENÇA 90.459.523 ORDINÁRIAS ITAUSA QUANTIDADE DE AÇÕES TIPO APORTE DE AÇÕES NA IUPAR 615.709.842 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 355.227.092 ORDINÁRIAS AÇÕES RECEBIDAS DA IUPAR 350.942.273 PREFERENCIAIS TOTAL DE AÇÕES RECEBIDAS 706.169.365 ORD/PREF DIFERENÇA +90.459.523 PREFERENCIAIS Observese que a FMS transfere à IUPAR, em integralização de capital, uma determinada quantidade de ações da Itaú Unibanco Holding IUH, recebendo, em contrapartidade, uma quantidade menor de ações da IUPAR. A diferença é 90.459.523 ações. Do outro lado, a recorrente, ITAUSA, integraliza o capital da IUPAR mediante a entrega de 615.709.842 ações ordinárias da IUH. Recebe a mesma quantidade de ações ordinárias da IUPAR entregues ao outro acionista, ou seja, 355.227.092. Com isso ambos os acionistas, ITAUSA e FMS, passam a ter o controle compartilhado da IUPAR e, consequentemente da Itaú Unibanco Holding IUH. Porém, a ITAUSA recebe 350.942.273 ações preferenciais da IUPAR, que, somadas às 355.227.092 ações ordinárias, perfaz um total de 706.169.365, que ultrapassa a quantidade de ações entregues à IUPAR. A diferença é exatamente 90.459.523 ações. Não é preciso muita perspicácia para perceber que as diferenças são as mesmas, porém com os sinais invertidos. O acionista que recebeu o controle compartilhado do Itaú Unibanco recebeu uma quantidade de ações menor do que a quantidade que havia integralizado. O que cedeu o controle recebeu uma quantidade de ações maior. Eis aí o "prêmio implícito" a que se referia o diretor da recorrente. O adjetivo implícito a qualificar o substantivo prêmio, decerto, se deve ao fato de o prêmio não ter sido pago diretamente pela companhia que adquiriu o controle compartilhado, mas por um terceiro. Entretanto, se o prêmio foi pago de forma direta ou indireta, do ponto vista tributário, esse aspecto é irrelevante. O "prêmio", tal como aqui observado, é um ganho tributável ao qual não corresponde nenhum custo ou despesa específica. Não se trata de receita oriunda da venda de um bem tangível do estoque de mercadoria ou do ativo imobilizado que tenha um custo de aquisição ou de fabricação determinado; nem é receita de serviço cuja prestação envolve despesas. Fl. 1670DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.671 39 O "prêmio", além de não ter custo, tem o seu valor determinado pela conjugação de diversos fatores, e tem existência e se materializa apenas no momento da realização do negócio. Tal valor não se confunde com o preço das ações negociadas. Este é passível de ser mensurado conforme cotações de mercado, o outro não. Por isso, é um equívoco tentar apurar o ganho da recorrente a partir do cotejo dos valor unitário das ações aportadas na IUPAR com o valor unitário das ações recebidas em contrapartida, conforme constante dos documentos societários. Está claro que as 90.459.523 ações preferenciais da IUPAR são o "prêmio implícito" pelo controle compartilhado. O "prêmio" poderia ter sido pago mediante a entrega de qualquer bem cujo valor fosse passível de avaliação em dinheiro. Poderia, inclusive, ter sido pago em dinheiro, mas as partes envolvidas preferiram liquidar o negócio mediante a entrega de ações preferenciais da IUPAR. Isso fica muito claro pela resposta do diretor da recorrente dada a uma das perguntas que lhe foram feitas, quando da teleconferência acima referida. Para que não reste dúvida, estas são a pergunta e a resposta: Marcelo Telles: Perfeito. E o pagamento disso é caixa, como funciona o settlement dessa transação? Roberto Egydio Setúbal: Não houve pagamento em dinheiro mesmo, foi na troca de ações na integralização da holding. A pergunta se referia à forma pela qual a transação havia sido liquidada. A resposta não podia ser mais clara: não houve pagamento em dinheiro, mas sim com ações. O pagamento do prêmio foi precisamente a diferença das ações preferenciais da IUPAR. Diante disso, à Fiscalização cabia verificar o valor de mercado das 90.459.523 ações preferenciais da IUPAR, adicionando o montante à base de cálculo do IRPJ e da CSLL, a fim de apurar o valor dos tributos devidos, o que efetivamente foi feito. O lançamento, portanto, também nesse ponto não merece reparo. Cumulação de multa vinculada com a multa isolada No que concerne à exigência concomitante da multa vinculada (multa de ofício) com as multas isoladas, o colegiado tem entendimento majoritário no sentido da validade dessa cumulação. A validade da exigência de ambas as penalidades estaria na circunstância de existirem duas infrações distintas, cada qual a ensejar a imposição de sanções autônomas. Nesse sentido, decidiu esta 2ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301002.132, cuja ementa, naquilo que interessa à questão examinada, tem a seguinte redação: MULTA ISOLADA. MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. APLICABILIDADE. Cabível a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/96 concomitantemente com a multa de ofício por se tratarem de penalidades distintas e com Fl. 1671DF CARF MF Processo nº 10880.724440/201374 Acórdão n.º 1301002.133 S1C3T1 Fl. 1.672 40 previsões legais específicas. A Súmula CARF nº 105 não é aplicável aos fatos geradores a partir de 2007 em virtude das alterações legislativas ao art. 44, §1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/96, sobre o qual se fundamenta referida súmula. Firmado nessas razões, ressalvado o meu entendimento pessoal, mantenho a imposição de ambas as penalidades. Incidência de Juros sobre a multa Também em relação a esse ponto, o colegiado tem posição firmada quanto à validade da incidência de juros sobre a multa proporcional aplicada em lançamento de ofício. O fundamento legal estaria nos art. 61 da Lei nº 9.430/1996, e nos artigos 161 e 139 ambos do Código Tributário Nacional CTN. Nessa linha de interpretação emprestase um sentido amplo à expressão "débitos para com a União, decorrentes de tributos", constante do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, de modo a abarcar tanto o tributo, quanto a multa. Nesse mesmo sentido, decidiu esta 2ª Turma Ordinária no Acórdão nº 1301 002.154, cujo ementa naquilo que diz respeito ao ponto a aqui tratado tem a seguinte redação: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. PROCEDÊNCIA. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu não pagamento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre o qual, assim, devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Portanto, com base nesses fundamentos, ressalvado o meu entendimento pessoal, não acolho a pretensão da recorrente. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito negarlhe provimento. (ASSINADO DIGITALMENTE) Roberto Silva Junior Redator Designado Fl. 1672DF CARF MF
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