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Numero do processo: 11176.000216/2007-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Apr 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1995 a 30/07/2003
LAVRATURA DE AUTUAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DA SÚMU8LA CARF N. 06.
Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte.
COMPETÊNCIA DO AUDITOR-FISCAL PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 08.
Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - LANÇAMENTO - NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal.
DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99.
Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN.
TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91.
Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia - Selic para títulos federais. Acrescente-se que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic.
LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA C, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008.
A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea c, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2301-003.971
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva Relator
Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira.
Nome do relator: Relator
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Recorrente NASCIMENTO SOUZA CIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1995 a 30/07/2003 LAVRATURA DE AUTUAÇÃO FORA DO ESTABELECIMENTO DO CONTRIBUINTE. APLICAÇÃO DA SÚMU8LA CARF N. 06. Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. COMPETÊNCIA DO AUDITORFISCAL PARA EFETUAR O LANÇAMENTO. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N. 08. Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL LANÇAMENTO NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Não há nulidade no auto de infração lavrado com observância do art. 142 do CTN e 10 do Decreto 70.235 de 1972, mormente quando a descrição dos fatos e a capitulação legal permitem ao autuado compreender as acusações que lhe foram formuladas no auto de infração, de modo a desenvolver plenamente suas peças impugnatória e recursal. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF 99. Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Como a fiscalização declarou ter verificado os recolhimentos no período fiscalizado, deve ser aplicada a regra do art. 150,§4º do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 17 6. 00 02 16 /2 00 7- 64 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 TAXA SELIC. LEGALIDADE. SÚMULA 4 DO CARF E ART. 34 DA LEI 8.212/91. Em conformidade com a Súmula 4 do CARF, é cabível a cobrança de juros de mora sobre os débitos para com a União decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liqüidação e Custódia Selic para títulos federais. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. LANÇAMENTOS REFERENTES FATOS GERADORES ANTERIORES A MP 449. MULTA MAIS BENÉFICA. APLICAÇÃO DA ALÍNEA “C”, DO INCISO II, DO ARTIGO 106 DO CTN. LIMITAÇÃO DA MULTA MORA APLICADA ATÉ 11/2008. A mudança no regime jurídico das multas no procedimento de ofício de lançamento das contribuições previdenciárias por meio da MP 449 enseja a aplicação da alínea “c”, do inciso II, do artigo 106 do CTN. No tocante à multa mora até 11/2008, esta deve ser limitada ao percentual previsto no art. 61 da lei 9.430/96, 20%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento parcial ao recurso, nas preliminares, para excluir do lançamento, devido à regra decadencial expressa no § 4º, Art. 150 do CTN, as contribuições apuradas até a competência 09/2001, anteriores a 10/2001, nos termos do voto do(a) Relator(a); b) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a); II) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva – Relator Participaram, do presente julgamento, a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/200764 Acórdão n.º 2301003.971 S2C3T1 Fl. 1.036 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância que julgou procedente em parte o lançamento. O processo teve início com a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.847.0722, lavrada em 11/02/2005, que constituiu crédito tributário relativo a contribuição previdenciária, parte empresa, parte empregado, adicional para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho(GILRAT/SAT) e contribuições de terceiros incidentes sobre a remuneração, no período de 01/95 a 07/2003, tendo resultado na constituição do crédito tributário de R$ 111.286,17, fls. 01. A fiscalização apurou que contribuições devidas não foram pagas quando confrontou a Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações Previdência Social (GFIP) com Folha de Pagamento (FP) e outros documentos contábeis. Após tomar ciência pessoal da autuação em 13/10/2005, fls. 01, a recorrente apresentou impugnação na qual apresentou argumentos similares aos constantes do recurso voluntário. Na DecisãoNotificação de fls. 944/956, a DRP/Londrina concluiu pela procedência em parte do lançamento, tendo a recorrente sido cientificada do decisório em 25/02/2008, fls. 971. O recurso voluntário, apresentado em 28/03/2008, fls. 976/1029, apresentou argumentos conforme a seguir resumimos. Pleiteia a exclusão do lançamento de fatos geradores atingidos pela decadência, tendo esta prazo de cinco anos e dies a quo aquele do art. 150, §4º do CTN. Sustenta a nulidade do lançamento, por não ter sido obedecido o art. 142 do CTN e demais normas aplicáveis. Insiste na nulidade por ter sido a autuação lavrada fora do domicílio fiscal. Aponta a falta de habilitação técnica do fiscal. Entende que a Taxa Selic não pode ser aplicada, pois utiliza componentes e cálculos não especificamente previstos em lei, mas em norma do BACEN. Conclui ser inaplicável a multa de ofício ao caso, requerendo seu afastamento ou a redução para 20%. É o relatório. Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Nulidade por inconsistências no lançamento Ao contrário do que afirma a recorrente, o lançamento foi lavrado de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam a matéria, tendo o agente notificante demonstrado, de forma clara e precisa, a ocorrência do fato gerador da contribuição previdenciária e das obrigações acessórias, fazendo constar, nos relatórios que compõem a autuação, os fundamentos legais que amparam o procedimento adotado e as rubricas lançadas, cumprindo adequadamente os preceitos do art. 142 do CTN. O Relatório Fiscal, juntamente com todos os anexos do AI constantes dos autos, traz todos os elementos que motivaram a lavratura do lançamento e o relatório Fundamentos Legais do Débito – FLD, encerra todos os dispositivos legais que dão suporte ao procedimento do lançamento, separados por assunto e período correspondente, garantindo, dessa forma, o exercício do contraditório e ampla defesa à notificada. Incabível a declaração de nulidade de lançamento que traz um enquadramento legal das infrações que permite ao sujeito passivo identificar os dispositivos legais aplicáveis de modo a construir adequadamente sua defesa. O enquadramento legal contido no lançamento de ofício não contém qualquer vício que resulta na nulidade. No mesmo sentido há vários julgados deste Colegiado: CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA INEXISTÊNCIA Inexiste nulidade no auto que contém a descrição dos fatos e seu enquadramento legal, permitindo amplo conhecimento da alegada infração. ( Ac. 1º CC 10805.383) PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL NULIDADE Contendo o auto de infração completa descrição dos fatos e enquadramento legal, mesmo que sucintos, atendendo integralmente ao que determina o art. 10 do Decreto nº 70.235/72, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, especialmente quando a infração detectada foi simples falta de recolhimento de tributo. ( Ac. 2º CC 20211700) PRELIMINAR DE NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DE DEFESA Incabível a argüição de nulidade do procedimento fiscal quando este atender as formalidades legais e for efetuado por servidor competente. Estando o enquadramento legal e a descrição dos fatos aptos a permitir a identificação da infração imputada ao sujeito passivo, não há que se falar em nulidade do lançamento por cerceamento de defesa. O cerceamento do direito de defesa não prevalece quando todos os valores utilizados na autuação se originam de documentos e demonstrativos constantes nos autos do processo. (Acórdão 1º CC, 10613409) Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/200764 Acórdão n.º 2301003.971 S2C3T1 Fl. 1.037 5 Entendemos que o lançamento cumpriu as exigências do art. 142 do CTN, o que resulta em afastarmos o argumento de nulidade do referido ato administrativo. Decadência. Súmula CARF 99. Com fundamento no art. 72, §4º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), com relação à decadência aplicamos o conteúdo do Súmula CARF 99, in verbis: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Observamos que a fiscalização declarou no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal (TEPF), fls. 359 ter analisado comprovantes de recolhimento no período fiscalizado, logo, conforme acima explanado, é de ser aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN. Tendo sido o lançamento cientificado em 13/10/2005, o fisco poderia efetuar o lançamento para fatos geradores posteriores a 09/2000. Todos ao fatos geradores anteriores a tal competência, inclusive esta, estão atingidos pelo prazo de caducidade. Sobre a autuação em local diverso do estabelecimento do contribuinte temos a Súmula CARF nº 06: Súmula CARF nº 6: É legítima a lavratura de auto de infração no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do estabelecimento do contribuinte. Portanto, válida a autuação nesse aspecto. A habilitação do AuditorFiscal para o lançamento já foi objeto da Súmula CARF Nº 08: Súmula CARF nº 8: O Auditor Fiscal da Receita Federal é competente para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Incabível, portanto, qualquer reparo nesse aspecto. Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 6 Legalidade da Taxa SELIC como juros de mora A insurgência da recorrente contra a aplicação da Taxa Selic como juros moratórios não pode prosperar, uma vez que se trata de matéria sumulada neste Tribunal Administrativo no sentido de sua legalidade, conforme podemos conferir a seguir: Súmula CARF No 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais.. Acrescentese que, para os tributos regidos pela Lei 8.212/91, o art. 34 do referido diploma legal prevê a aplicação da Taxa Selic. Multa de mora e juros. Legalidade. A multa de mora e os juros de mora tem previsão legal no art. 35 da Lei 8.212/091, não havendo fundamento para sua relevação ou fixação em percentual daquele constante do lançamento, pelos motivos aventados pela recorrente. Multa de mora confisco A recorrente suscita em sua defesa o Princípio de Vedação ao Confisco está previsto no art. 150, IV, da Constituição Federal, que veda à União utilizar tributo com efeito de confisco. É descabida a alegação de confisco quanto à exigência da multa, pois a vedação estabelecida na Constituição Federal é dirigida ao legislador. Tal princípio orienta a feitura da lei, que deve observar a capacidade contributiva e não pode dar ao tributo a conotação de confisco. Não observado o princípio, a lei deixa de integrar o mundo jurídico por inconstitucional. Portanto, uma vez positivada a norma, é dever da autoridade fiscal aplicála . Além disso, é de se ressaltar que a multa é devida em face da infração à legislação tributária e por não constituir tributo, mas penalidade pecuniária estabelecida em lei, é inaplicável o conceito de confisco previsto no inciso IV do art. 150 da Constituição Federal. Multas no lançamento de ofício após a edição da MP 449 convertida na Lei 11.941/2009. Enfrentamos a seguir a questão do regime jurídico das multas, ainda que tal questão não tenha sido suscitada no Recurso Voluntário, por entendermos tratarse de questão de ordem pública. Antes da MP 449, se a fiscalização das contribuições previdenciárias constatasse o não pagamento de contribuições, sejam aquelas já declaradas em GFIP, omitidas Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/200764 Acórdão n.º 2301003.971 S2C3T1 Fl. 1.038 7 da GFIP ou mesmo omitidas da escrituração ocorria a aplicação de multa de mora, sendo que esta partia de 12% e poderia chegar a 100%, segundo o inciso II do art. 35 da Lei 8.212/91. Além disso, a fiscalização lançava as multas dos §§4º, 5º e 6º do art. 32 por incorreções ou omissões na GFIP. O §4º tratava da não apresentação da GFIP, o §5º da apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores e o §6º referiase a apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. Com a edição da referida MP, foi instituído o art. 32A da Lei 8.212/91 que trata da falta de apresentação da GFIP, bem como trata da apresentação com omissões ou incorreções. Porém, foi também previsto, no art. 35A, a aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 para os casos de lançamento de ofício. Interessanos o inciso I do referido dispositivo no qual temos a multa de 75% sobre a totalidade do imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. Tais inovações legislativas associadas ao fato de a fiscalização realizar lançamento que abrangem os últimos cinco anos e de existirem lançamentos pendentes de definitividade na esfera administrativa no momento da edição da novel legislação colocamnos diante de duas situações: · Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta; · Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Vamos analisar individualmente cada uma das situações. Lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta Para os lançamentos realizados após a edição da MP 449 e referentes a fatos geradores posteriores a esta, o procedimento de ofício está previsto no art. 35A da Lei 8.212/91, o que resulta na aplicação do art. 44 da Lei 9.430/96 e na impossibilidade de aplicação da multa de mora prevista no art. 35 da Lei 8.212/91. Assim, se constatar diferença de contribuição, a fiscalização, além do próprio tributo, lançará a multa de ofício que parte de 75% e pode chegar a 225% nas hipóteses de falta de recolhimento, falta de declaração ou declaração inexata. A falta de recolhimento é uma hipótese nova de infração que, portanto, só pode atingir os fatos geradores posteriores a MP 449. Por outro lado, com relação às contribuições previdenciárias, a falta de declaração e a declaração inexata referemse a GFIP e são infrações que já eram punidas antes da MP 449. A falta de GFIP era punida pelo §4º do art. 32 da Lei 8.212/91 e a declaração inexata da GFIP era punida tanto pelo §5º quanto pelo 6º do mesmo artigo, a depender da existência (§5º) ou não (§6º) de fatos geradores da contribuição relacionados com as incorreções ou omissões. Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 8 É certo que, a princípio, podemos vislumbrar duas normas punitivas para a não apresentação e a apresentação inexata da GFIP relacionada a fatos geradores de contribuições: o art. 32A da Lei 8.212/91 e o inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96. Tendo em conta o princípio geral do Direito Tributário de que a mesma infração não pode ser sancionada com mais de uma penalidade, temos que determinar qual penalidade aplicar. Numa primeira análise, vislumbramos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 seria aplicável para os casos relacionados à existência de diferença de contribuição ao passo que o art. 32A da Lei 8.212/91 seria aplicável aos casos nos quais não houvesse diferença de contribuição. No entanto, tal conclusão não se sustenta se analisarmos mais detidamente o conteúdo do art. 32A da Lei 8.212/91. No inciso II, temos a previsão da multa de “de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, (...)”. Claramente, o dispositivo em destaque estipula a multa aplicável quando houver contribuições apuradas, recolhidas ou não, nos casos nos quais a GFIP não for apresentada ou for apresentada fora de prazo. Logo, podemos concluir que tal inciso aplicase também àquelas situações em que há apuração de diferença de contribuição. Confirmando tal conclusão, temos o inciso II do §3º do mesmo artigo que estipula a multa mínima aplicável nos casos de omissão de declaração com ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária. Portanto, diversamente do que preliminarmente concluímos, tanto o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 quanto o art. 32A da Lei 8.212/91 são aplicáveis aos casos de falta de declaração ou declaração inexata de GFIP quando for apurada diferença de contribuição em procedimento de ofício. Temos, então, configurado um aparente conflito de normas que demanda a aplicação das noções da teoria geral do Direito para sua solução. Três critérios são normalmente levados em conta para a solução de tais antinomias: critério cronológico, critério da especialidade e critério hierárquico. O critério cronológico (norma posterior prevalece sobre norma anterior) não nos ajuda no presente caso, uma vez que a determinação de aplicarmos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e a inclusão do art. 32A da Lei 8.212/91 foram veiculados pela mesma Lei 11.941/2009. O critério hierárquico também não soluciona a antinomia, posto que são normas de igual hierarquia. Restanos o critério da especialidade. Observamos que o art. 44, inciso I da Lei 9.430/86 referese, de maneira genérica, a uma falta de declaração ou declaração inexata, sem especificar qual seria a declaração. Diversamente, o art. 32A faz menção específica em seu caput à GFIP no trecho em que diz “o contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei(...)”. Logo, consideramos que no conflito entre o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 e o art. 32A da Lei 8.212/91, este último é norma específica no tocante à GFIP e, seguindo o critério da especialidade, deve ter reconhecida a prevalência de sua força vinculante. Em adição, a aplicação do art. 32A da Lei 8.212/91 pode ser justificada pelo nítido caráter indutor que a penalidade do art. 32A assume, facilitando , no futuro, o cálculo do benefício previdenciário. Pretende a norma do art. 32A estimular a apresentação da GFIP na medida em que a penalidade é reduzida à metade se a declaração for apresentada antes de qualquer procedimento de ofício (§2º, inciso I); ou reduzida a 75% se houver apresentação da Fl. 1051DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/200764 Acórdão n.º 2301003.971 S2C3T1 Fl. 1.039 9 declaração no prazo fixado em intimação(§2º, inciso II). Esse estímulo pode ser compreendido em benefício do trabalhador na medida em que as informações da GFIP servirão como prova a favor deste no cálculo da benefício previdenciário, tendo em conta que, segundo o §3º do art. 29 da Lei 8.213/91, “serão considerados para cálculo do saláriodebenefício os ganhos habituais do segurado empregado, a qualquer título, sob forma de moeda corrente ou de utilidades, sobre os quais tenha incidido contribuições previdenciárias, exceto o décimo terceiro salário (gratificação natalina).” Se o cálculo do saláriodebenefício considerará a base de cálculo das contribuições, certamente a GFIP é um importante meio de prova dos valores sobre os quais incidiram as contribuições. Se aplicássemos o art. 44, inciso I da Lei 9.430/96, não haveria qualquer mecanismo de estímulo ao empregador para apresentar a GFIP. Iniciado o procedimento de ofício, seria aplicada, no mínimo, a multa de 75% sobre a diferença das contribuições sem que a apresentação da GFIP pudesse alterar tal valor. O empregador poderia simplesmente pagar a multa e continuar omisso em relação à GFIP, deixando o empregado sem este importante meio de prova para o cálculo do benefício de aposentadoria. Assim, a hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário reforça a necessidade de prevalência do art. 32A. Portanto, seja pela aplicação do critério da especialidade ou pela hermenêutica sistemática considerando o regime jurídico previdenciário, temos justificada a aplicação do art. 32A no caso de omissão na apresentação da GFIP ou apresentação desta com informações inexatas. Acrescentamos que não há no regime jurídico do procedimento de ofício previsto na MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, a previsão para multa de mora pelo fato de ter ocorrido atraso no recolhimento. Tratase de infração – o atraso no recolhimento que deixou de ser punida por meio de procedimento de ofício. Outra infração similar, mas não idêntica, foi eleita pela lei: a falta de recolhimento. Apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. Podemos assim resumir o regime jurídico das multas a partir de 12/2008: · A multa de mora, se aplicada, deve ser mantida e limitada a 20%; · A multa de ofício de 75% é aplicada pela falta de recolhimento da contribuição, podendo ser majorada para 150% em conformidade com o §1º do art. 44 das Lei 9.430/96, ou seja, nos casos em que existam provas de atuação dolosa de sonegação, fraude ou conluio. A majoração poderá atingir 225% no caso de não atendimento de intimação no prazo marcado, conforme §2º do art. 44 da Lei 9.430/96; · A multa pela falta de apresentação da GFIP ou apresentação deficiente desta é aquela prevista no art. 32A da Lei 8.212/91. Fl. 1052DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 10 Nesses termos, temos como delineado o novo regime jurídico das multas em lançamento de ofício das contribuições previdenciárias previsto pela MP 449, convertida na Lei 11.941/2009, aplicável aos fatos geradores ocorridos após a edição da referida MP. Lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Com base nesse novo regime jurídico vamos determinar a penalidade aplicável à outra situação, ou seja, para os casos de lançamento relacionado aos fatos geradores anteriores à edição da MP porém ainda não definitivamente julgados na esfera administrativa. Para tanto, devemos tomar o conteúdo do art. 144 do CTN em conjunto com o art. : Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. § 2º O disposto neste artigo não se aplica aos impostos lançados por períodos certos de tempo, desde que a respectiva lei fixe expressamente a data em que o fato gerador se considera ocorrido. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. A interpretação conjunta desses dois dispositivos resulta na conclusão de que devemos aplicar o regime jurídico das penalidades conforme a lei vigente na data da ocorrência dos fatos geradores, salvo se lei posterior houver instituído penalidade menos severa ou houver deixado de definir um fato como infração. Fl. 1053DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 11176.000216/200764 Acórdão n.º 2301003.971 S2C3T1 Fl. 1.040 11 O que devemos ressaltar é que o art. 106 do CTN determina a comparação da penalidade mais benéfica por infração e não em um conjunto. Assim, cada infração e sua respectiva penalidade deve ser analisada. Para os lançamentos referentes a fatos geradores anteriores a MP 449, de plano devemos afastar a incidência da multa de mora, pois a novo regime jurídico do lançamento de ofício deixou de punir a infração por atraso no recolhimento. O novo regime pune a falta de recolhimento que, apesar de similar, não pode ser tomada como idêntica ao atraso. O atraso é graduado no tempo, ao passo que a falta de recolhimento é infração instantânea e de penalidade fixa. No regime antigo, o atraso era punido com multa de mora de 12% a 100%, ao passo que no regime atual o atraso não é punível em procedimento de ofício e pode atingir até 20% nos casos em que não há lançamento de ofício. Nossa conclusão de afastar a multa de mora pode também ser amparada no princípio da isonomia. Vejamos um exemplo. Duas empresas, A e B, atuam no mesmo ramo, tem a mesma estrutura de pessoal e de remuneração, bem como utilizam o mesmo escritório contábil para tratar de sua vida fiscal. A empresa A foi fiscalizada em 2007 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, a multa de mora e a multa por incorreções na GFIP prevista no art. 32, §5º da Lei 8.212/91. Quando do julgamento de seu processo, considerando o novo regime de multas segundo nossa interpretação, o órgão julgador manteve o lançamento, mas determinou que a multa relacionada à GFIP fosse comparada com a multa do 32A da Lei 8.212/91. A empresa B foi fiscalizada em 2009 com relação aos fatos geradores de 2006 e teve contra si lançada a contribuição, sem aplicação de multa de mora, e a multa pela declaração inexata da GFIP com base no art. 32A da Lei 8.212/91 ou com base no art. 32, §5º da Lei 8.212/91, o que lhe for mais favorável. Facilmente pode ser notado que a empresa B responde por crédito tributário menor que a empresa A, pois não foi aplicada a multa de mora. Somente com a aplicação do art. 106, inciso II, alínea “a” do CTN para afastar a multa de mora no caso da empresa A é que teremos restaurada a situação de igualdade entre as empresas A e B. Conforme já assinalamos, apesar de mantermos nossa posição a respeito da inexistência de multa de mora no novo regime do procedimento de ofício, deixamos de apresentar tal voto em homenagem ao princípio da eficiência devido às reiteradas decisões do Colegiado no sentido de manter a multa de mora que registraram nossa posição isolada. Assim, nosso voto é no sentido de, acompanhando os demais membros do Colegiado, manter a aplicação da multa de mora. No entanto, mantida a multa de mora, esta deve ser limitada a 20% com a retroatividade benéfica do art. 61 da Lei 9.430/96. No tocante às penalidades relacionadas com a GFIP, deve ser feito o cotejamento entre o novo regime – aplicação do art. 32A para as infrações relacionadas com a GFIP – e o regime vigente à data do fato gerador – aplicação dos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, prevalecendo a penalidade mais benéfica ao contribuinte em atendimento ao art. 106, inciso II, alínea “c”. Tal procedimento aplicase, inclusive, para a multa de ofício aplicada com fundamento no art. 44, inciso I da Lei 9.430/96 motivada por falta de declaração ou declaração inexata. Fl. 1054DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA 12 Passamos a resumir nossa posição sobre o regime jurídico de aplicação das multas para fatos geradores até 11/2008. A aplicação do art. 106, inciso II, alínea “c” do CTN deve ser feita ato ou fato pretérito considerado como infração no lançamento de modo que até 11/2008: · As multas por infrações relacionadas a GFIP (falta de apresentação ou apresentação deficiente), previstas nos parágrafos do art. 32 da Lei 8.212/91, devem ser comparadas com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91, devendo prevalecer aquela que for mais benéfica ao contribuinte; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou somente a penalidade relativa ao atraso no pagamento, a multa de mora, esta deve ser mantida, mas limitada a 20%; · Nas competências nas quais a fiscalização aplicou a penalidade de 75% prevista no art. 44 da Lei 9.430/96 por concluir se tratar da multa mais benéfica quando comparada aplicação conjunta da multa de mora e da multa por infrações relacionadas a GFIP, deve ser mantida a penalidade equivalente à soma de: multa de mora limitada a 20% e multa mais benéfica quando comparada a multa do art. 32 com a multa do art. 32A da Lei 8.212/91. Por todo o exposto, voto no sentido CONHECER e JULGAR PROCEDENTE EM PARTE o Recurso Voluntário de modo a: (a) afastar os fatos geradores até 09/2000, inclusive, por conta da decadência; (b) limitar a multa de mora a 20%. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator Fl. 1055DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/07/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por MAURO JOSE SILVA
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Numero do processo: 10783.724558/2011-39
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 14 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 15 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE FALHA DO CONTRIBUINTE. PLANO DE ASSISTÊNCIA PAGO A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA.
A expressão não integram o salário-de-contribuição constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN.
Se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado.
Tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar conformidade com o comando do art. 142 do CTN.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 2803-003.559
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima.
(Assinado digitalmente)
Helton Carlos Praia de Lima Presidente
(Assinado digitalmente)
Amílcar Barca Teixeira Júnior Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos.
Nome do relator: AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PREVIDENCIÁRIO. CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE FALHA DO CONTRIBUINTE. PLANO DE ASSISTÊNCIA PAGO A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA. A expressão não integram o salário-de-contribuição constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN. Se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea q do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado. Tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar conformidade com o comando do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido
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CUSTEIO. AUTO DE INFRAÇÃO. FOLHA DE PAGAMENTOS. ELABORAÇÃO DE ACORDO COM AS NORMAS PREVISTAS. NÃO CONFIGURAÇÃO DE FALHA DO CONTRIBUINTE. PLANO DE ASSISTÊNCIA PAGO A DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA. 1. A expressão “não integram o saláriodecontribuição” constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN. 2. Se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea “q” do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado. 3. Tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar conformidade com o comando do art. 142 do CTN. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 45 58 /2 01 1- 39 Fl. 570DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Oseas Coimbra Junior e Helton Carlos Praia de Lima. (Assinado digitalmente) Helton Carlos Praia de Lima – Presidente (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Helton Carlos Praia de Lima (Presidente), Oseas Coimbra Júnior, Caio Eduardo Zerbeto Rocha, Amilcar Barca Teixeira Junior, Gustavo Vettorato e Natanael Vieira dos Santos. Fl. 571DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória lavrado em desfavor do contribuinte acima identificado, tendo em vista que a empresa deixou de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, referentes ao pagamento de valores relativos aos serviços de assistência médica, concedidos aos dependentes de seus trabalhadores. Segundo a fiscalização, tais pagamentos não estão abrangidos pela isenção prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q” da Lei nº 8.212/91. O Contribuinte devidamente notificado apresentou defesa tempestiva. A impugnação foi julgada em 24 de maio de 2014 e ementada nos seguintes termos: ASSUNTO: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 ELABORAÇÃO DE FOLHA DE PAGAMENTO EM DESACORDO COM OS PADRÕES E NORMAS ESTABELECIDOS PELO ÓRGÃO COMPENTENTE. Constitui infração deixar a empresa de preparar sua folha de pagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente. PAGAMENTO DE PLANO DE SAÚDE AOS DEPENDENTES DO TRABALHADOR. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. Integra a base de cálculo das contribuições previdenciárias o pagamento de plano de saúde aos dependentes do trabalhador. INTERPRETAÇÃO RESTRITITIVA DA NORMA DE ISENÇÃO. As isenções diante da inteligência do art. 111, II, do CTN devem ser interpretadas literalmente, ou seja, restritivamente, pois sempre implicam renúncia de receita. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformado com resultado do julgamento da primeira instância administrativa, o Contribuinte apresentou recurso tempestivo, onde alega, em síntese, o seguinte: A Turma de julgamento, por unanimidade, acompanhou o volto do relator no sentido de manter o Auto de Infração, o qual exigiu o recolhimento de multa em virtude de a Recorrente ter descumprido a obrigação acessória de incluir, na folha de pagamentos, os valores referentes ao plano de saúde pago para os dependentes do trabalhador, sob o Fl. 572DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 5 4 fundamento de que a isenção prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q”, da Lei nº 8.212/91, deve ser interpretada restritivamente, conforme disposto no art. 111 do CTN, abrangendo estritamente a parcela do plano de saúde paga ao trabalhador, não se aplicando à parcela referente aos dependentes. O entendimento do fisco não deve prosperar, pois contrariam o critério material de incidência das referidas contribuições, bem como a própria isenção fiscal prevista no dispositivo legal anteriormente citado. Preliminarmente haverá a necessidade de reunião e julgamento conjunto dos autos de infração, ambos vinculados ao processo nº 10783.724513/201164. Considerar como remuneração o pagamento pelo empregador de plano de saúde ao trabalhador e seus dependentes contraria o art. 458, § 2º, IV, da CLT, que refuta o caráter remuneratório da assistência médica, hospitalar e odontológica prestada pela empresa, mediante a exclusão destas utilidades do conceito de salário. A afirmação do relator em seu voto apenas corrobora a tese da Recorrente de que não há relação de trabalho entre o empregador e os dependentes do trabalhador. Mesmo que se entendesse que o pagamento do plano de saúde em favor dos dependentes do trabalhador não fosse beneficiado pela isenção prevista em lei, hipótese admitida apenas para fins de discussão – tal pagamento não seria fato gerador das Contribuições Previdenciárias, por se tratar de mera liberalidade do empregador sem caráter prestativo, uma vez que os dependentes nunca prestaram serviço para a Recorrente, não se verificando, no caso em tela, qualquer retribuição pelo trabalho. Ante o exposto, requerse o presente Recurso voluntário seja conhecido e provido para a reforma total do acórdão recorrido, a fim de cancelar o débito fiscal ora em questão, em face da inexigibilidade das contribuições apuradas, reconhecendose a insubsistência do lançamento tributário e determinandose a baixa definitiva dos autos. Não apresentadas as contrarrazões. É o relatório. Fl. 573DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 6 5 Voto Conselheiro Amílcar Barca Teixeira Júnior, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Conforme consta do acórdão recorrido, repetindo informação contida no relatório Fiscal (fls. 6/8), o lançamento ocorreu em razão de o contribuinte ter deixado de incluir em sua folha de pagamento as remunerações dos segurados empregados a seu serviço, referentes ao pagamento de valores relativos aos serviços de assistência médica, contratados, e concedidos aos dependentes de seus trabalhadores. Diz a fiscalização que tais pagamentos não estão abrangidos pela isenção prevista no art. 28, I, § 9º, alínea “q”, uma vez que a legislação mencionada, no seu entender, só isenta os pagamentos relativos aos planos de saúde contratados para os trabalhadores da empresa contratante, não abrangendo a contratação de plano de saúde para os dependentes dos trabalhadores. Portanto, os recursos destinados à cobertura da assistência médica dos dependentes dos segurados, por não estarem expressamente previstos no art. 28, § 9º, “q”, da lei nº 8.212, de 1991, foram considerados como componentes da remuneração para fins de incidência das contribuições previdenciárias. De início, há que se destacar que o dispositivo legal utilizado não cuida de isenção, mas sim, de uma situação clara de não incidência. Para melhor compreender a distinção, é necessário conhecer o texto da lei. Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: I – para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços, nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa. (...) § 9º. Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: Fl. 574DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 7 6 (...) q) O valor relativo à assistência prestada por serviço médico ou odontológico, próprio da empresa ou por ela conveniado, inclusive o reembolso de despesas com medicamentos, óculos, aparelhos ortopédicos, despesas médicohospitalares e outras similares, desde que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa. A expressão “não integram o saláriodecontribuição” constante da parte inicial do § 9º do art. 28 da Lei nº 8.212, de 1991, é uma claríssima situação de não incidência, e não de isenção. A isenção invocada pela fiscalização e adotada também pelos julgadores a quo, esbarra na regra estabelecida no inciso II do art. 111 do CTN, in verbis: Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: (...) II – outorga de isenção. Ora, se a interpretação sobre outorga de isenção deve ser literal, lendo a alínea “q” do § 9º do art. 28 da lei nº 8.212, de 1991, não se pode chegar à mesma conclusão da autoridade lançadora e autoridade julgadora de primeira instância administrativa. Em parte alguma do texto da referida alínea consta qualquer objeção para que o plano de assistência à saúde seja estendido para dependentes do segurado empregado. Portanto, tendo em vista que o fundamento para a manutenção do lançamento não se amolda à regra do art. 111 do CTN e muito menos à própria regra do dispositivo tido como descumprido, ele padece de vício insanável por não estar em conformidade com o comando do art. 142 do CTN. Sobre a questão da não incidência, em 16 de agosto de 2012, no Acórdão 2803001.772, a 3ª Turma Especial da Segunda Seção do CARF, assim se posicionou: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 AUXÍLIOSAÚDE. DEPENDENTES. NÃO INCIDÊNCIA DA TRIBUTAÇÃO. O art. 28, par. 9º, alínea q, da Lei n. 8.212/1991, não limita que o plano de saúde deva limitarse apenas à pessoa do funcionário ou dirigente da empresa, mas que deve ser oferecido a todos os seus colaboradores. (...) Recurso Voluntário Provido Em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte. Fl. 575DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR Processo nº 10783.724558/201139 Acórdão n.º 2803003.559 S2TE03 Fl. 8 7 Notase, portanto, que o lançamento não está em conformidade com a legislação de regência, em especial o art. 142 do CTN, motivo pelo qual dou provimento ao recurso aviado pelo contribuinte. CONCLUSÃO. Pelo exposto, voto por CONHECER do recurso para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. É como voto. (Assinado digitalmente) Amílcar Barca Teixeira Júnior – Relator. Fl. 576DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, Assinado digitalmente em 1 0/09/2014 por HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA, Assinado digitalmente em 05/09/2014 por AMILCAR BARCA TEI XEIRA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 10315.001588/2007-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 11 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003,2004
NULIDADE.
No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio.
PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL.
A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais.
LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADOÇÃO.
O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real.
DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO.
Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.
OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS.
Caracteriza-se como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações financeiras, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente.
SIGILO BANCÁRIO.
Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal.
MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA.
A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL
Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação.
PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA.
As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto.
DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA.
Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
LANÇAMENTOS DECORRENTES.
O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
Numero da decisão: 1801-001.889
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, que reduziam a multa de ofício qualificada (150%) para a aplicação da multa de ofício regular (75%) e, por consequência, reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro do ano-calendário de 2002 (3º trimestre de 2002, inclusive). Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela insubsistência dos lançamentos tributários por entender que o lucro da Recorrente deveria ter sido apurado pelo regime do arbitramento. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentará Declaração de Voto.
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003,2004 NULIDADE. No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADOÇÃO. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Caracteriza-se como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações financeiras, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantê-los no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, que reduziam a multa de ofício qualificada (150%) para a aplicação da multa de ofício regular (75%) e, por consequência, reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro do ano-calendário de 2002 (3º trimestre de 2002, inclusive). Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela insubsistência dos lançamentos tributários por entender que o lucro da Recorrente deveria ter sido apurado pelo regime do arbitramento. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentará Declaração de Voto. Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora (assinado digitalmente) Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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No caso de o enfrentamento das questões na peça de defesa denotar perfeita compreensão da descrição dos fatos que ensejaram o procedimento não há que se falar em nulidade do ato em litígio. PRODUÇÃO DE PROVAS. ASPECTO TEMPORAL. A peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses de defesa e instruída com os todos os documentos em que se fundamentar, sob pena de preclusão, ressalvadas as exceções legais. LUCRO ARBITRADO. CRITÉRIO DE ADOÇÃO. O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. DEVER DE CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO PELO LANÇAMENTO. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, na atribuição do exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil em caráter privativo, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. OMISSÃO DE RECEITA. RENDIMENTOS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS. Caracterizase como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações financeiras, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 00 15 88 /2 00 7- 11 Fl. 983DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.075 2 oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente. SIGILO BANCÁRIO. Havendo previsão legal e procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL QUALIFICADA. A multa de ofício proporcional qualificada é uma penalidade pecuniária aplicada em razão de inadimplemento de obrigações tributárias apuradas em lançamento direto com a comprovação da conduta dolosa. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o prazo decadencial se rege pela regra do inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional no caso de comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. PIS. COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA FINANCEIRA. As receitas financeiras não compõem a base de cálculo do PIS e da Cofins, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. DOUTRINA. JURISPRUDÊNCIA. Somente devem ser observados os entendimentos doutrinários e jurisprudenciais para os quais a lei atribua eficácia normativa. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. LANÇAMENTOS DECORRENTES. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que o informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aquele que foi dado à exigência de IRPJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por voto de qualidade, dar provimento em parte ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencidos os Conselheiros Alexandre Fernandes Limiro, Leonardo Mendonça Marques e Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, que reduziam a multa de ofício qualificada (150%) para a aplicação da multa de ofício regular (75%) e, por consequência, reconhecer a decadência dos fatos geradores ocorridos anteriormente a novembro do anocalendário de 2002 (3º trimestre de 2002, inclusive). Vencido o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques que votou pela insubsistência dos lançamentos tributários por entender que o lucro da Recorrente deveria ter sido apurado pelo Fl. 984DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.076 3 regime do arbitramento. O Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro apresentará Declaração de Voto. Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório I Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração às fls. 0921, com a exigência do crédito tributário no valor de R$383.761,35 a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada apurado pelo regime de tributação com base no lucro real trimestral referente aos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002 e 2003, em conformidade com o Relatório Fiscal, fls. 5159. O lançamento se fundamenta na omissão rendimentos de aplicações financeiras, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados: na contacorrente nº 31.1477 da agência nº 3700 do Banco Safra S/A, fls. 313471; na contacorrente nº 30254 da agência nº 0019 do Banco Panamericano S/A, fls. 486489; e na contacorrente nº 060013130 da agência nº 0022 do Banco Rural S/A, fls. 511533. Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituições financeiras, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 134136, 310312, 472485, 508510, nas informações constantes no Livro Diário, fls. 534545, no Livro Razão, fls. 546634, Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 635 648, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores de receita financeira iguais a zero, fls. 649872 e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 873966. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 249, art. 251, art. 521 e art. 841 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999). Fl. 985DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.077 4 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foram constituídos os seguintes créditos tributários pelos lançamentos formalizados neste processo: II – O Auto de Infração às fls. 2229 a exigência do crédito tributário no valor de R$333.435,00 a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: §§ do art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 20 e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 29 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, bem como art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 6º da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999. III O Auto de Infração às fls. 3039 com a exigência do crédito tributário no valor de R$24.204,87 a título de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 8º, e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524 de 17 de dezembro de 2002. IV – O Auto de Infração às fls. 4049 com a exigência do crédito tributário no valor de R$111.716,14 a título de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), juros de mora e multa de ofício proporcional qualificada. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998 e art. 2º, art. 3º, art. 10, art. 22 e art. 51 do Decreto nº 4.524, de 17 de dezembro de 2002. Cientificada em 10.01.2008, fl. 968, a Recorrente apresentou a impugnação em 10.01.2008, fls. 974978. Faz um relato sobre a ação fiscal e suscita que: Como estava diante de período no qual o direito de lançar já havia sido alcançado pela decadência, considerou que a simples omissão seria o bastante para agravar a multa de 75% para 150% e — com isso — fugir da aplicação do § 4º, do art. 150, do CTN, para tentar aplicar o inciso I, do art. 173. [...] A exigência fiscal em causa, todavia, realmente está em sua maior parte alcançada pela decadência. Além disso, é no todo improcedente, como se passa a demonstrar. Em relação à quebra do sigilo bancário diz que: A Impugnante não autorizou e não admite o acesso às contas bancárias referidas pelo agente fiscal autuante como objeto desta ação fiscal — nas quais foram movimentados recursos que não pertencem à Impugnante e sim aos seus clientes — sendo indevida a quebra do seu sigilo bancário, o que torna nula toda a exigência em causa. No que se refere à decadência argui que: De inicio é importante destacar que a Impugnante rejeita a insinuação de que teria agido com fraude. [...] Em verdade, a Impugnante sofreu longa e rigorosa Fl. 986DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.078 5 fiscalização, com todos os seus procedimentos contábeis e fiscais verificados e considerados regulares pela fiscalização. O mero equívoco de não ter contabilizado contas correntes bancárias não pode — de forma alguma — ser considerado como evidente intuito de fraude. [...] A Impugnante é tributada com base no lucro real e apurou e pagou regularmente os tributos devidos trimestralmente. Além disso, não se tem dúvida quanto ao regime jurídico do lançamento por homologação a que estão sujeitos o IRPJ, a CSLL, o PIS e a Cofins. Sendo assim, é de se aplicar o § 4º, do art. 150 do CTN, que determina o prazo de cinco anos, contados do respectivo fato gerador, para a extinção definitiva do crédito tributário correspondente. [...] No caso, os autos de infração aqui atacados foram lavrados em 10.12.2007, contendo exigência dos referidos tributos relativos a fatos que teriam ocorrido antes de novembro de 2002. Tal cobrança, portanto, é ilegal por ofensa frontal à regra de decadência contida no § 4°, do art.150, do CTN. Atinente ao erro no lançamento procura demonstrar que: Além de em parte atingida pela decadência, como acima restou demonstrado, a exigência — no seu todo — é indevida, pois, em verdade, o lançamento de que se cuida é totalmente baseado em presunção que parte apenas de anteriores depósitos realizados em contas bancárias. Por isso mesmo, não se sustenta diante do principio da tipicidade cerrada que guia o Direito Tributário. [...] Também o fiscal autuante não poderia considerar apenas os valores referentes às aplicações financeiras realizadas através de tais contas bancárias, que, por não estarem contabilizadas motivariam o arbitramento do lucro relativo ao período. Como não foi feito tal arbitramento — também por essa razão — este lançamento é nulo. Sobre o PIS e a Cofins ressalta que: Além dos vícios acima referidos, não cabe a exigência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras. [...] O Supremo Tribunal Federal já declarou inconstitucional o §1°, do art. 3°, da Lei n° 9.718/98, afastando a incidência da Cofins e do PIS sobre receita estranha ao faturamento — receita operacional — do contribuinte. [...] Não tem qualquer validade — desse modo — a exigência dirigida contra a Impugnante relativa ao PIS/COFINS calculados sobre uma suposta receita financeira. No que se refere ao indevido agravamento da multa aduz que: Como demonstrado acima, o caso presente enfoca apenas a omissão de receitas que o fiscal presumiu a partir do exame da movimentação financeira de contas bancárias de titularidade da Impugnante — embora os recursos não lhe pertençam. [...] Não está presente o necessário evidente intuito de fraude que poderia vir a justificar o agravamento da multa. [...] Em verdade, pretendeu o fiscal autuante criar uma situação de fraude ou simulação, para que tal fato provoque o deslocamento do prazo decadencial previsto no § 4º, do art. 150, para no art. 173, ambos do CTN. [...] Fl. 987DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.079 6 A fraude, o dolo, ou a simulação, contudo, exigem prova inconteste. Não podem resultar de meras alegações ou ilações. Não podem decorrer de presunções. [...] Não é razoável, portanto, a imputação de práticas com evidente intuito de fraude a darem ensejo à pena qualificada, pelo que deve ser afastada a multa de 150%. Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referência a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Protesta por todos os meios de prova em direito admitidos, especialmente pela juntada posterior de documentos, requisição de informações, perícias técnicas, o que tudo desde logo requer. [...] Por todo o exposto, pede a Vossas Senhorias que julguem no todo improcedente esta ação fiscal, ou, se assim não o fizerem, considerem extinto o direito de a Fazenda lançar IRPJ, CSLL. PIS e Cofins sobre os fatos que ocorreram antes de novembro de 2002, e nulo o lançamento da multa agravada por ausente a necessária motivação. Termos em que, Pede Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 4ª TURMA/DRJ/FOR/CE nº 0813.356, de 29.05.2008, fls. 10331042: “Lançamento Procedente”. Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO NULIDADE DECADÊNCIA IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS DE APLICAÇÕES FINANCEIRAS SIGILO BANCÁRIO. OBTENÇÃO DE INFORMAÇÕES RELATIVAS A ARRECADAÇÃO DA CPMF. LEI COMPLEMENTAR n° 105/2001 MULTA DE LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Não restando configurados os alegados vícios no procedimento fiscal, descabe a nulidade do lançamento pleiteada pelo sujeito passivo. Para fins de contagem do prazo decadencial dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, aplicase a regra contida no artigo 173, I, do CTN, nos casos em que se comprove a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Caracteriza omissão de receita, a falta de escrituração e/ou declaração de rendimentos de aplicações financeiras auferidos pelo sujeito passivo legitima a obtenção de informações sobre a movimentação financeira do contribuinte diretamente junto as instituições bancárias, as quais ficam resguardadas pelo sigilo fiscal. Aplicase, no lançamento de oficio, a multa prevista no artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996, sobre os fatos descritos no Auto de Infração que se ajustam à hipótese nele preconizada. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP, CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) E CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (CSLL) Fl. 988DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.080 7 DECADÊNCIA LANÇAMENTOS DECORRENTES ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. Tendo em vista o que dispõe o artigo 45, a Lei n° 8.212, de 1991, é de dez anos o prazo de decadência das contribuições para a Seguridade Social. Tratandose de lançamentos reflexos, a decisão prolatada no lançamento matriz é aplicável, no que couber, aos decorrentes, em razão da intima relação de causa e efeito que os vincula. Os órgãos julgadores da Administração Fazendária afastarão a aplicação de lei, tratado ou ato normativo federal, somente na hipótese de sua declaração de inconstitucionalidade, por decisão do Supremo Tribunal Federal. Quando essa declaração se dá em julgamento de recurso extraordinário, o afastamento fica condicionado edição de resolução do Senado Federal, suspendendo a execução do dispositivo julgado inconstitucional. Notificada em 06.06.2008, fl. 1049, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.06.2008, fls. 10561067, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge reiterando os argumentos apresentados na impugnação. Acrescenta: Cuidase da exigência de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, assim como da multa agravada de 150%, com base em suposta omissão de receitas financeiras. [...] Na impugnação foi demonstrada a invalidade da cobrança, pois (a) houve indevida quebra do sigilo bancário; (b) o lançamento em sua maior parte foi atingido pela decadência; (c) houve grave erro no lançamento, procedido com base na desconsideração das informações apresentadas pelo contribuinte, mas sem o regular procedimento de arbitramento; (d) as receitas que supostamente teriam sido omitidas seriam de natureza financeira, fora, portanto, do âmbito de incidência do PIS e da COFINS; e (e) não houve o evidente intuito de fraude, sendo ilegal o agravamento da multa para 150%. A decisão recorrida, contudo, confirmou o lançamento no seu todo por razões que a Recorrente, data vênia, entende insubsistentes, como passa a demonstrar. [...] Da quebra do sigilo bancário A Impugnante insiste que não autorizou e só admite o acesso as contas bancárias referidas pelo agente fiscal autuante como; objeto desta ação — nas quais foram movimentados recursos que não pertencem à Impugnante e sim aos seus clientes — sendo indevida a quebra do sigilo bancário, o que torna nula toda a exigência em causa. A Lei Complementar n.° 105/2001, regulamentada pelo Decreto n.° 3.724/2001, não se presta para autorizar a quebra de sigilo bancário, até porque tem a sua constitucionalidade atacada junto ao C. Supremo Tribunal Federal. [...] Da decadência A Turma julgadora rejeitou a preliminar de decadência com base no infundado argumento de que a Recorrente teria agido com fraude, que motivaria a aplicação do art. 173, I do CTN. Isso, contudo, não ocorreu. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.081 8 A boafé da Recorrente foi reconhecida pelo próprio órgão julgador de primeiro grau, que, para tentar fugir do outro grave vicio no lançamento decorrente da falta de arbitramento, foi forçado a admitir que: [...] A leitura desse trecho da decisão recorrida, por si só, atesta sobejamente a inexistência de evidente intuito de fraude e afasta a aplicação ao caso do art. 173, I do CTN. Na verdade, aplicase ao caso o §4º, do art.150 do CTN, que leva à inevitável conclusão de que o direito de a Fazenda Nacional constituir o crédito tributário em causa restou extinto em novembro de 2002. Não pode, portanto, alcançar fatos ocorridos antes dessa data. Notese, ainda, que a CSLL, a COFINS e a contribuição para o PIS, sendo — como efetivamente o são — tributos sujeitos ao regime do lançamento por homologação, também estão sujeitos à contagem do prazo decadencial previsto no §4.° do art. 150, CTN, pois recentemente o Supremo Tribunal Federal pacificou essa questão com a edição da Súmula Vinculante n.° 08/2008, [...] Essa súmula vincula as autoridades administrativas, que não podem deixar de aplicála ao caso de que se cuida.[...] Do erro no lançamento A decisão recorrida tentou fugir do vicio no lançamento provocado pela falta de arbitramento admitindo que a Recorrente agiu de boafé, cometendo apenas um equívoco na consideração dos valores da sua receita financeira. Isso, segundo a Turma Julgadora, afastaria a necessidade do arbitramento. É certo que não ter ocorrido fraude — como de fato não ocorreu — afasta a aplicação da alínea "a", do inciso II, do art. 530 do RIR. Existem, contudo, outras hipóteses que levam à necessidade de arbitramento. Realmente, a decisão singular destaca, desta feita tentando justificar o agravamento da multa, que o fiscal autuante teria posto no seu relatório a observação de que "analisando o livro Razão, observase que as contascorrentes e de aplicações financeiras não estão listadas no plano de contas de 2002 e 2003, nem foram registrados os lançamentos referentes à movimentação dessas contas, nem dos rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos." (fls.932) [...]. E da maior evidência que o fato que o fiscal diz ter constatado levaria — se verdadeiro — à necessidade do lançamento por arbitramento. A decisão recorrida se vale também de outra afirmação do fiscal autuante, segundo a qual a Recorrente teria "feito declarações inexatas, seja por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as informações solicitadas no curso da fiscalização"... (fls. 933) Por sua vez, o inciso III, do referido art.530 determina que também é caso de arbitramento do lucro quando o contribuinte: "deixar de apresentar autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal," [...] Assim, por essas razões deveria o fiscal ter arbitrado o lucro da Recorrente, antes de lançar o IRPJ e a CSLL que entendesse devidos. Como não o fez, o lançamento de que se cuida é nulo por erro de procedimento. [...] Da inocorrência de omissão de receita Fl. 990DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.082 9 A Recorrente não omitiu receita à tributação. Os valores que o fiscal assim considerou, na verdade, não constituem receita da Recorrente. De fato, o lançamento fiscal de que se cuida é totalmente baseado em presunção que parte de movimentação bancária de recursos que não pertencem à Recorrente. O fiscal autuante e os Julgadores de primeiro grau não demonstraram o menor interesse em comprovar que tais recursos seriam da Recorrente. Por isso, o mesmo não se sustenta diante do princípio da tipicidade cerrada que guia o Direito Tributário. O simples fato de existirem depósitos na conta da Recorrente, decorrentes de anteriores operações financeiras, não significa que tais valores lhe pertencem. Essa é a única razão pela qual a Recorrente não declarou tais valores como receita. Assim, não estando comprovado nos autos — como não está — que esses valores integrariam o patrimônio da Recorrente, não há como incluilos na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da COFINS. O Lançamento é improcedente. [...] Das contribuições para o PIS e COFINS De todo modo, a exigência das contribuições para o PIS e COFINS não podem prevalecer. Primeiro porque os valores assim considerados pela fiscalização não são receita da Recorrente. Além disso, mesmo que receita fossem — o que não são — não cabe a incidência do PIS e da COFINS sobre receitas financeiras. [...] A Decisão recorrida, tentando mais uma vez contornar mais esse grave vício, entendeu que "não cabe a autoridade administrativa deixar de dar validade aquela norma, conforme o Decreto n.° 2.346, de 1997". Esse dispositivo, contudo, não se aplica ao caso em tela. Assim, como sobre essa questão já existe decisão definitiva do Plenário do Supremo Tribunal Federal, o Conselho de Contribuintes não só pode como deve afastar a incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras apontadas pela fiscalização. [...] Do indevido agravamento da multa Por fim, o agravamento da multa em causa não tem qualquer fundamento. Na verdade, os agentes fiscais somente aplicaram tal agravamento para tentar fugir à aplicação da regra estabelecida no §4°, do art. 150, do CTN. Aqui a Recorrente se reporta às razões contidas no item "6" desta mesma peça de recurso. O simples fato de a decisão recorrida ter afastado a aplicação ao caso do inciso II, do art. 530 do RIR/99, representa direto e insofismável reconhecimento de que não houve fraude neste caso. Além disso, a fraude não se presume. O lançamento de que se cuida está fincado na presunção de que os recursos das aplicações financeiras pertenciam à Recorrente, quando de fato não lhe pertencem. Tal presunção não pode servir para fundar a cobrança do imposto e muito menos para caracterizar fraude. [...] Resta demonstrada, portanto, a total falta de fundamento para o agravamento da multa em causa. Conclui: Fl. 991DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.083 10 Por todo o exposto, pede a Vs. Sas. que acolham as razões de Recurso e reformem a decisão recorrida, para julgar no todo IMPROCEDENTE o lançamento de que se cuida, ou, caso assim não entendam, pede: (a) a improcedência do lançamento do PIS e da COFINS sobre a receita financeira; (b) o reconhecimento da ocorrência da decadência e a anulação do lançamento com base em fatos que tenham ocorrido antes de novembro de 2002; (c) a anulação do lançamento da multa agravada. Em relação ao sobrestamento do julgamento do presente processo (Despacho de 23.02.2012 da 1ª TE/3ª Câmara/1ª SJ/CARF, fls. 0102), vale esclarecer que a Portaria MF nº 545, de 28 de novembro de 2013, revogou os §§ 1º e 2º do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). Tendo em vista a edição desse ato normativo foi cancelado o sobrestamento do julgamento do processo referente à matéria (art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 de janeiro de 2001) que está em repercussão geral no Supremo Tribunal Federal (STF) sem trânsito em julgado (art. 543B do Código de Processo Civil CPC). Assim, o julgamento do presente processo deve prosseguir, em conformidade com as normas do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Fez sustentação oral pela Recorrente Dr. Schubert de Faria Machado, OAB/CE nº 5.213. Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos. Cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no exercício da competência da RFB, em caráter privativo constituir o crédito tributário pelo lançamento. Esta atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, ainda que ele seja de jurisdição diversa da do domicílio tributário do sujeito passivo. É a autoridade legitimada para proceder ao exame da escrita fiscal da pessoa jurídica, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador. Nos casos em que dispuser de elementos suficientes à constituição do Fl. 992DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.084 11 crédito tributário, os Autos de Infração podem ser lavrados sem prévia intimação à pessoa jurídica no local em que foi constatada a infração, ainda que fora do seu estabelecimento, os quais devem estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. Estes atos administrativos, sim, não prescindem da intimação válida para que se instaure o processo, vigorando na sua totalidade os direitos, deveres e ônus advindos da relação processual de modo a privilegiar as garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. Os Autos de Infração foram lavrados por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, que verificou a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinou a matéria tributável, calculou o montante do tributo devido, identificou o sujeito passivo, aplicou a penalidade cabível e determinou a exigência com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprila ou impugnála no prazo legal. A decisão de primeira instância está motivada de forma explícita, clara e congruente e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente solicita a realização de todos os meios de prova. Sobre a matéria, vale esclarecer que no presente caso se aplicam as disposições do processo administrativo fiscal que estabelece que a peça de defesa deve ser formalizada por escrito incluindo todas as teses e instruída com os todos documentos em que se fundamentar, precluindo o direito de a Recorrente praticar este ato e apresentar novas razões em outro momento processual, salvo a ocorrência de quaisquer das circunstâncias ali previstas, tais como fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior, refirase a fato ou a direito superveniente ou se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos2. Consta no Relatório Fiscal, fls. 5153, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 1. ATOS DA FISCALIZAÇÃO 1.1 No exercício das funções de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil e, com fulcro nos artigos 835, 844, 904, 907, 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n° 3000, de/26 de março de 1999 (RIR/99), procedeuse h. fiscalização no contribuinte acima identificado. 1.2 A referida ação fiscal teve início em 22 de março 2007, com a ciência por via postal com Aviso de Recebimento (AR) do Termo de Inicio de Fiscalização 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional. art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 9º, art. 10, art. 23 e 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, Decreto nº 6.104, de 30 de abril de 2007, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 6, 8, 27 e 46. 2 Fundamentação legal: art. 16 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 993DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.085 12 lavrado em 21/03/2007 e do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) no 03.1.02.00 2007000433, emitido em 21/03/2007, tendo como escopo o Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) em 01/2002 a 12/2002, e a Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) no período de 01/2004 a 12/2004 no referido MPF. 1.3 No Termo de Inicio de Fiscalização o contribuinte foi intimado a apresentar cópias dos extratos bancários de todas as contascorrente, de poupança e/ou de aplicações financeiras mantidas pela empresa, ainda que de outra titularidade, junto a instituições financeiras no Brasil e no exterior, no ano calendário 2002, e os livros Diário e Razão de 2002 e 2004, entre outros documentos. 1.4 Em 12/04/2007, a empresa apresentou os referidos livros e extratos bancários de 2002 uma conta bancária n° 14.0516410 no BIC, agência Juazeiro, e de uma conta bancária n° 14.0523187 no BIC, agência Bezerra (Fortaleza). 1.5 Reintimado a apresentar cópias dos extratos de outros bancos, o contribuinte não o fez, tendo se limitado a apresentar pedidos de prorrogação cujo caráter protelatório se confirmou pelo fato de que os referidos extratos nunca foram entregues; conseqüentemente, foi feita Requisição de Movimentação Financeira (RMF) aos bancos Rural, Safra, Panamericano e Bradesco. 1.6 Em 03/09/2007 foi emitido MPF — Complementar n° 03.1.02.002007 0004331, do qual o contribuinte tomou ciência em 04/09/2007, juntamente com Termo de Intimação Fiscal n° 0003, através do qual ele foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão do anocalendário 2003, e o Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur) dos anoscalendário 2002 e 2003. 1.7 Embasado pela ampliação do escopo da fiscalização, inclusive, para IRPJ, CSLL, PIS e COFINS de 2002 e 2003, o referido TIF no 0003 solicitava ainda cópias dos extratos bancários de todas as contas de aplicações financeiras mantidas pela empresa. Em 12/09/2007 foi pedida prorrogação de prazo, ao final do qual só foram apresentadas cópias de extratos de aplicações do Bradesco e cópias de notas de negociação de títulos do BIC Banco. Mais uma vez, a falta de apresentação dos extratos de aplicações financeiras das outras instituições financeiras motivou novas RMF’s. 1.8 Em 09/10/2007 foram entregues os livros Lalur e Diário e Razão do ano calendário 2003. 1.9 Com a formalização dos Autos de Infração de IOF e IRRF nos processos n° 10315.001238/200747 e 10315.001292/200792, respectivamente, foi lavrado Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal, e foram devolvidos os livros de ISS (2002, 2003 e 2004), Diário (2002 e 2003), Razão (2002 e 2003) e Lalur (a partir de 20»2), conforme cópia do Termo de Devolução de Documentos n° 0001, lavrado em 31/10/2007. 1.10 Através dos Termos de Intimação Fiscal n° 0005 e 0006, o contribuinte foi intimado a prestar esclarecimentos relativos a valores de rendimentos de aplicação financeira auferidos nos anoscalendário 2002 e 2003 que não foram escriturados, conforme será tratado no tópico 2 adiante. 1.11 Foi feita pelo contribuinte uma "solicitação do processamento das DIPJs 2003 e 2004 retransmitidas". De fato, verificouse que essas declarações foram retificadas em 08/11/2007. Fl. 994DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.086 13 1.12 Em resposta ao TIF n° 0006, foi entregue em 28/11/2007 declaração dando conta de que a empresa constatara que os rendimentos de aplicações financeiras demonstrados nos anexos a esse TIF não foram declarados em DIPJ. Embora lhe fossem oferecidas várias oportunidades no curso do processo (Mandado de Procedimento Fiscal nº 03.1.02.002007000433, fls. 0307, Termo de Início de Fiscalização, fls. 6061, Termos de Reintimação Fiscal, fls. 7677 e 8472, Termos de Intimação Fiscal, fls. 7983, 9699, 184, 189194 e 197206, Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, fls. 9394, 185186, 195196 e 204, Mandado de Procedimento Fiscal Complementar nº 03.1.02.0020070004331, fls. 100101, Termo de Encerramento Parcial da Ação Fiscal, fl. 187, Termo de Encerramento, fl. 968, bem como a Intimação do Resultado do Julgamento, fls. 10441049) a Recorrente não apresentou a comprovação inequívoca de quaisquer fatos que tenham correlação com as situações excepcionadas pela legislação de regência. A realização desses meios probantes é prescindível, uma vez que os elementos probatórios produzidos por meios lícitos constantes nos autos são suficientes para a solução do litígio. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, não se comprova. A Recorrente diz que o tributo deveria ter sido apurado com base no lucro arbitrado, tendo em vista a falta de escrituração dos rendimentos financeiros. Em relação ao regime de tributação com base no lucro arbitrado, vale esclarecer que a autoridade fiscal verificando que a pessoa jurídica deixou de cumprir as obrigações acessórias relativas à determinação do lucro real ou presumido, conforme o caso, deve adotar regime de tributação com base no lucro arbitrado trimestral válido para todo ano calendário, sendo conhecida ou não a receita bruta, de acordo com as determinações legais. Este regime aplicase no caso de a pessoa jurídica não mantiver a escrituração na forma das leis comerciais e fiscais ou a escrituração revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências ou deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal ou optar indevidamente pela tributação com base no lucro presumido ou deixar de escriturar e apurar o lucro da sua atividade separadamente do lucro proveniente do exterior. Nesse sentido, a existência de deficiências na escrituração contábil da pessoa jurídica, manifestada pela não escrituração de livros auxiliares que possam suportar os lançamentos resumidos em partidas mensais no livro Diário, tornaa imprestável para determinação do lucro líquido do exercício e, por conseqüência, inviabiliza a apuração do lucro real, restando como única forma de tributação o arbitramento do lucro tributável. A legislação específica é no sentido de que em que a receita bruta é conhecida, o lucro arbitrado é determinado pelo somatório do ganho de capital, da receita financeira e das demais receitas auferidas incluindo os valores recuperados correspondentes a custos e despesas inclusive com perdas no recebimento de créditos, bem como do valor resultante da aplicação do coeficiente legal correspondente a sua atividade econômica sobre a receita bruta total auferida no período de apuração fixado para o pelos art. 15 e art. 16 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 acrescido de 20% (vinte por cento), em conformidade com o art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e que produziu efeitos financeiros a partir de 01.01.19973. 3 Fundamentação legal: art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 9º e art. 47 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 15, art. 16 e art. 24 da Lei nº Fl. 995DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.087 14 O lucro arbitrado é uma forma de apuração de tributos utilizado de ofício no caso em que há desclassificação dos registros contábeis por conterem vícios insanáveis, sendo medida extrema que somente se legitima na ausência de elementos concretos que permitam a apuração dos tributos pelo lucro real. Diferentemente do entendimento da Recorrente, restou comprovado nos autos que ela possui assentamentos capazes de demonstrar o preenchimento dos requisitos para utilização do regime de tributação com base no lucro real, tais como no Livro Diário, fls. 534 545, no Livro Razão, fls. 546634 e Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 635648, regularmente escriturados, os quais foram apresentados às autoridades fiscais. A tese protetora exposta ela defendente, assim sendo, não está demonstrada. A Recorrente menciona que o lançamento não poderia ter sido formalizado. Na atribuição do exercício da competência da RFB, em caráter privativo, cabe ao AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil, no caso de verificação do ilícito, constituir o crédito tributário pelo lançamento, cuja atribuição é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Cabe ressaltar que o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação à pessoa jurídica, nos casos em que a autoridade dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. Também pode ser efetivado por autoridade de jurisdição diversa do domicílio tributário da pessoa jurídica e fora do estabelecimento, não lhe sendo exigida a habilitação profissional de contador4. O Auto de Infração foi lavrado com a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinação da matéria tributável, cálculo do montante do tributo devido, identificação do sujeito passivo, aplicação da penalidade cabível e validamente cientificada a Recorrente, o que lhe conferem existência, validade e eficácia. A contestação aduzida pela defendente, por isso, não pode ser sancionada. A Recorrente discorda da apuração da omissão de rendimentos financeiros. A autoridade fiscal tem o direito de examinar a escrituração e os documentos comprobatórios dos lançamentos nela efetuados e a pessoa jurídica tem o dever de exibilos e conserválos até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial, bem como de prestar as informações que lhe forem solicitadas e colaborar para o esclarecimento dos fatos. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada, independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. O lucro real, trimestral ou anual, é determinado pelo lucro líquido do período de apuração ajustado, nos termos legais, pelas adições dos valores que não sejam dedutíveis e dos os ganhos e rendimentos de capital e pelas exclusões dos valores autorizados, do prejuízo 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 1º, art. 25, art. 26 e art. 27 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e Súmula CARF nº 59, e ainda art. 8º do DecretoLei nº 1.648, de 18 de dezembro de 1978. 4 Fundamentação legal: art. 142 e art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 10 e art. 59 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, art. 2º e art. 4º da Lei nº 9.784 de 29 de janeiro de 1999 e Súmulas CARF nºs 8, 27 e 46. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.088 15 fiscal apurado em períodos de apuração anteriores, das perdas no recebimento de créditos decorrentes das suas atividades e das provisões expressamente autorizadas. A receita bruta das vendas e serviços compreende o produto da venda de bens nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta excluídos, via de regra, as vendas canceladas, os descontos concedidos incondicionalmente e os impostos incidentes sobre vendas. Excepcionalmente a legislação prevê taxativamente as hipóteses em que a pessoa jurídica pode deduzir outras parcelas da receita bruta. O lucro bruto é o resultado da atividade de venda de bens ou serviços que constitua seu objeto e corresponde à diferença entre a receita líquida das vendas e serviços e o custo dos bens e serviços vendidos. O lucro operacional é o lucro bruto excluídos os custos e as despesas operacionais necessárias, usuais e normais à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora incorridas para a realização operações exigidas pela sua atividade econômica apropriadas simultaneamente às receitas que gerarem, em conformidade com o regime de competência e com o princípio da independência dos exercícios. O lucro líquido é a soma algébrica do lucro operacional, dos resultados não operacionais e das participações e deve ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial. Caracterizase como omissão a falta de registro do rendimento das aplicações financeiras, ressalvada à pessoa jurídica a prova da improcedência, oportunidade em que a autoridade determinará o valor dos tributos a serem lançados de acordo com o sistema de tributação a que estiver submetida no período de apuração correspondente5. Em relação à possibilidade jurídica de obtenção dos dados bancários pela autoridade tributária da RFB temse que no caso em que há processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso o agente fiscal pode examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive os referentes a contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que tais exames sejam considerados indispensáveis. É certo que o resultado dos exames, as informações e os documentos devem ser conservados em sigilo6. Prevalece o entendimento de que o sigilo bancário, fundado constitucionalmente no direito à privacidade7, não se reveste de caráter absoluto, possibilitando a lei o seu afastamento em determinadas hipóteses. Não há que se confundir quebra de sigilo bancário com solicitação de informações cadastrais lastreada em processo administrativo fiscal regularmente instaurado e subscrita por autoridade administrativa competente. Ressaltese que o exame dos dados financeiros afigurase como medida necessária e não afeta esfera de privacidade da pessoa jurídica, mormente quando há previsão legal permissiva expressa e esta se destina a identificar a materialidade do ilícito tributário. Além disso esses dados devem ser mantidos em sigilo pela autoridade fiscal. Assim, não há que se falar em obtenção de prova por meio ilícito. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelo órgão fiscal tributário não constitui 5 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 6 Fundamentação legal: art. 6º da Lei Complementar nº 105, de 10 e janeiro de 2001. 7 Fundamentação Legal: incisos X e XII do art. 5º da Constituição Federal. Fl. 997DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.089 16 quebra do sigilo bancário, mas de mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantêlos no âmbito do sigilo fiscal. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. O lançamento se fundamenta na omissão rendimentos de aplicações financeiras, cuja apuração foi efetivada a partir do cotejo entre os valores creditados na conta corrente nº 31.1477 da agência nº 3700 do Banco Safra S/A, fls. 313471, na contacorrente nº 30254 da agência nº 0019 do Banco Panamericano S/A, fls. 486489 e na contacorrente nº 06 0013130 da agência nº 0022 do Banco Rural S/A, fls. 511533. Esses valores constam nos extratos bancários apresentados pelas instituição financeira, em atendimento às Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF), fls. 134136, 310312, 472485, 508510, nas informações constantes no Livro Diário, fls. 534545, no Livro Razão, fls. 546634, Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur), fls. 635 648, na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) com valores de receita financeira iguais a zero, fls. 649872 e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 873966. Verificouse que a Recorrente não incluiu na base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins declarados em DCTF os valores dos rendimentos de aplicação financeiras auferidos no período. Analisando o Livro Razão, observase que as contascorrente e de aplicações financeiras não estão listadas no plano de contas dos anoscalendário de 2002 e de 2003, tampouco foram registrados lançamentos referentes à movimentação dessas contas, nem dos rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos. Tabela 1 – Demonstrativo dos valores omitidos Movimentação Financeira (B) Mês (A) No Mês R$ No Trimestre R$ AnoCalendário 2002 Janeiro 51.705,64 Fevereiro 121.287,93 Março 71.132,48 244.126,05 Abril 129.295,83 Maio 71.232,06 Junho 3.769,35 204.297,24 Julho 132.055,40 Agosto 9.061,69 Setembro 223.649,32 364.766,41 Outubro 81.930,20 Novembro 41.460,12 Dezembro 29.298,74 152.689,06 Ano Calendário de 2003 Janeiro 9.958,46 Fevereiro 9.444,72 Março 9.417,78 28.820,96 Abril 10.084,70 Maio 54.504,10 75.045,88 Fl. 998DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.090 17 Junho 10.457,08 Julho 11.850,22 Agosto 10.380,43 Setembro 9.843,40 32.074,05 Outubro 9.591,43 Novembro 6.253,98 Dezembro 624,75 16.470,16 Consta no Relatório Fiscal, fls. 5153, cujas informações estão comprovadas nos autos e cujos fundamentos cabem ser adotados de plano: 2 RENDIMENTOS DE APLICAÇÃO FINANCEIRA OMITIDOS 2.1 Verificouse que o contribuinte não havia incluído na base de cálculo de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins declarados em DCTF os valores dos rendimentos de aplicação financeiras auferidos no período de 2002 e 2003, por intermédio das seguintes instituições financeiras: Banco Rural S A, Banco Panamericano S/A, Banco Safra S/A e Safra Corretora de Valores e Cambio Ltda./ 2.2 Analisando o livro Razão, observase que as contascorrente e de aplicações financeiras não, estão listadas no plano de contas de 2002e 2003, nem foram registrados lançamentos referentes à movimentação dessas contas, nem dos rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos. 2.3 Além de ter apresentado DIPJs "zeradas", impedindo que a RFB, sem a instauração de procedimento fiscal, pudesse verificar os cálculos dos valores dos tributos declarados, e de ter mantido totalmente à margem de sua contabilidade os recursos movimentados nessas instituições financeiras, deixando de oferecer à tributação, exceto pelo fato de haver retenção na fonte de parte do IRPJ, os rendimentos das aplicações financeiras que produziram resultados positivos nos anoscalendário 2002 e 2003, e dificultando a verificação dessa omissão justamente por não fazer constar esses valores em seus registros contábeis, o contribuinte não atendeu as intimações feitas no curso da fiscalização no que se refere a esses rendimentos, a não ser por ter apresentado declaração de que "do exame feito no anexo 1 ao Termo de Intimação, constatamos que os valores nele discriminados, tanto de rendimento bruto de aplic. Financeiras, quanto de IRRF, efetivamente não constaram na DIPJ relativa ao anocalendário 2002". 2.4 Enfim verificouse que, seja por ter feito declaração inexata, seja por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as informações solicitadas no curso da fiscalização a respeito de suas aplicações financeiras (exceto as realizadas por intermédio do Bic Banco e do Bradesco), o contribuinte tentou manter desconhecidos pelo fisco os valores que serviram de base para os autos de infração lavrados nesta fiscalização, com multa regulamentar de oficio agravada para o percentual de 150%, motivo pelo qual será feita Representação Fiscal para Fins Penais. 2.5 Nos anexos 1 a 5 deste Relatório estão demonstrados os valores das aplicações financeiras não escrituradas do anocalendário 2002 (anexo 1) e 2003 (anexo 2), as aplicações financeiras escrituradas de 2003 (anexo 3, do Bic Banco e do Bradesco, deixando claro que os valores dos rendimentos de aplicações financeiras auferidos por intermédio dessas instituições não foram utilizados como base de cálculo dos lançamentos de oficio, em virtude de que eles já constavam nas DIPJs retificadoras apresentadas pelo contribuinte em 08/11/2007 e seus reflexos Fl. 999DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.091 18 tributários já haviam sido declarados em DCTF), bem como os valores de IRPJ (anexo 4), CSLL, PIS e COFINS (anexo 5) calculados com base nos rendimentos omitidos, cujos valores estão consolidados. Não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A inferência denotada pela defendente, nesse caso, não é acertada. A Recorrente discorda da aplicação da multa de ofício proporcional qualificada. Via de regra, a norma jurídica secundária impõe uma sanção em decorrência da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A multa de natureza tributária, penalidade que tem como fonte a lei, é imposta em razão do inadimplemento de uma obrigação legal principal ou acessória e expressa a obrigação de dar determinada quantia em dinheiro ao sujeito passivo. A aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pressupõe a constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, diante da constatação da falta de pagamento ou recolhimento, pela falta de declaração e pela declaração inexata de obrigações tributárias pelo sujeito passivo. Tem como requisito necessário a comprovação, de plano, da conduta dolosa, que é a vontade livre e consciente de o agente praticar um fato ilícito, ainda que por erro, mas desde de evidenciada a máfé, da qual decorre prejuízo a outrem. Caracterizase pela sonegação, que é a ação ou omissão dolosa do agente de encobrir fatos tributários da Administração Pública, pela fraude, que é a ação ou omissão dolosa de não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo ou pelo conluio, que é o ajuste doloso entre pessoas, seja para encobrir fatos tributários da Administração Pública, seja para não revelar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há que se perquirir se houve simulação, vício ou falsificação de documentos ou a escrituração de livros fiscais ou comerciais, ou utilização de documentos falsos para iludir a fiscalização ou fugir ao pagamento do imposto. A mesma conduta reprovável deve ser reiterada, ou continuada, assim entendida em relação à qual tenham sido lavrados diversos autos ou representações8. Restou comprovado que nos quatro trimestres dos anoscalendário de 2002 e 2003 a Recorrente reiteradamente omitiu rendimentos de aplicações financeiras apurados em razão do cotejo entre os valores constantes na contacorrente nº 31.1477 da agência nº 3700 do Banco Safra S/A, fls. 313471, na contacorrente nº 30254 da agência nº 0019 do Banco Panamericano S/A, fls. 486489 e na contacorrente nº 060013130 da agência nº 0022 do Banco Rural S/A, fls. 511533 e as informações constantes na Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ), fls. 649872 e nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), fls. 873966. Constatase que a Recorrente não incluiu na base de cálculo dos tributos em DCTF, não escriturou as receitas financeiras no Livro Razão, tampouco informou qualquer valor na DIPJ. Ademais, não houve atendimento às intimações com esclarecimentos explícitos, 8 Fundamentação legal: art. 142 e art. 149 do Código Tributário Nacional, art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 68, art. 70, art. 71, art. 72, art. 73, art. 74 e art. 85 da Lei n.º 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 13 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 20 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.092 19 claros e congruentes a respeito dos fatos relacionados à infração fiscal apurada de ofício. Tampouco a Recorrente apresenta comprovação robusta nos autos de que os valores que serviram de base de cálculo que foram objeto do lançamento seriam de titularidade de terceiros. No presente caso, houve constituição do crédito tributário pelo lançamento direito, de modo que está correta a aplicação da multa de ofício proporcional qualificada pela conduta reiterada de omissão de receitas e ainda por declaração inexata, seja por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as informações solicitadas no curso da ação fiscal. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. A Recorrente argui que os lançamentos foram alcançados pela decadência. A decadência é matéria de ordem pública que pode ser conhecida a requerimento da parte ou de ofício, a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Este instituto pode ser definido como a perda do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário pelo lançamento, tendo em vista decurso do lapso temporal de cinco anos previsto em lei. Em se tratando de tributo sujeito ao lançamento por homologação, no caso em que o sujeito passivo efetue o pagamento antecipado sem a necessidade do exame prévio por parte da Administração Pública, o prazo decadencial começa a fluir da ocorrência do fato gerador. Por seu turno, comprovada a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação, bem como se verificada a inexistência do pagamento antecipado, o prazo de cinco anos se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Esse é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em recurso especial repetitivo nº 973.733/SC9, cujo trânsito em julgado ocorreu em 29.10.2009 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF10. Ademais, o art. 45 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em conformidade com a Súmula Vinculante nº 8 e assim foi afastado definitivamente do ordenamento jurídico. No presente caso, tratandose de tributos sujeitos ao lançamento por homologação o prazo se inicia a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, uma vez que se comprovou a conduta qualificada pelo dolo, pela fraude ou pela simulação. As notificações dos Autos de Infração dos quatro trimestres dos anos calendário de 2002 e 2003 foram efetivadas em 10.01.2008, fl. 968. Desse modo não se verificou o transcurso do prazo legal de caducidade das exigências, porque o termo do prazo de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos poderiam ter sido efetuados ocorreria em 31.12.2008 e 9 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 973733/SC. Ministro Relator: Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 12 de agosto de 2009. Dsponível em: <https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=901905&sReg=200701769940&sData=2009 0918&formato=PDF> .Acesso em: 26 ago. 2011. 10 Fundamentação legal: § 4° do art. 150 e inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 269 do Código de Processo Civil. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.093 20 31.12.2009, respectivamente, para os anoscalendário de 2002 e 2003. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que sobre os rendimentos de aplicações financeiras não incidem o PIS nem a Cofins. Pertinente à Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), cabe ressaltar que foram criadas para o custeio da seguridade social, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, devem ser calculadas com base na receita bruta, podendo ser excluídos os valores das vendas canceladas, dos descontos incondicionais concedidos, do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário. Por esta razão as receitas financeiras não compõem a base de cálculo destes tributos, no caso em que a pessoa jurídica não exerça atividade econômica tendo estas como objeto. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS11 que reconheceu a Repercussão Geral com mérito julgado no Recurso Extraordinário nº 527.602/RS12, que reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, em conformidade com o Relatório Repercussão Geral do STF13, e deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF14. Os presentes créditos tributários de PIS e de Cofins foram constituídos a partir da omissão de rendimento de aplicação financeira nos quatro trimestres dos anos calendário de 2002 e 2003. Tendo em vista o fato de que estes valores não compõem a receita bruta decorrente das atividades econômicas exercidas pela Recorrente, os Autos de Infração de Pis e de Cofins são improcedentes. Ademais, a atividade da factoring é a compra e venda de títulos e sua receita operacional não é de natureza de aplicação financeira. A justificativa arguida pela defendente, por essa razão, está comprovada. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem 11 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Agravo de Instrumento/Questões de Ordem nº 715.423/RS. Ministra Relatora: Ellen Gracie, Plenário, Brasília, DF, 11 de junho de 2008. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=546303>. Acesso em: 22 set.2011. 12 BRASIL.Supremo Tribunal Federal. Recurso Extraordinário nº 527.602/RS. Ministro Relator Originário: Eros Grau, Ministro Relator Acórdão: Marco Aurélio, Tribunal Pleno, Brasília, DF, 5 de agosto de 2009. Disponível em: <http://redir.stf.jus.br/paginadorpub/paginador.jsp?docTP=AC&docID=605653>. Acesso em: 22 set.2011. 13 BRASIL. Supremo Tribunal Federal.Jurisprudência. Repercussão Geral. Relatório da Repercussão Geral. Disponível em: < http://www.stf.jus.br/portal/cms/verTexto.asp?servico=jurisprudenciaRepercussaoGeralRelatorio>. Acesso em: 22 set.2011. 14 Fundamentação legal: art. 195 da Constituição Federal, art. 1º e art. 3º da Lei Complementar nº 7, de 7 de setembro de 1970, art. 2º, art. 3º e art. 8º da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, art. 8º e art. 9º da Lei nº 9.715, de 25 de novembro de 1998, art. 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.094 21 ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso15. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade16. Temse que nos estritos termos legais o procedimento fiscal está correto, conforme o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 41 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de julho de 2009). A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. O nexo causal entre as exigências de créditos tributários, formalizados em autos de infração instruídos com todos os elementos de prova, determina que devem ser objeto de um único processo no caso em que os ilícitos dependam da mesma comprovação e sejam relativos ao mesmo sujeito passivo 17. O lançamento de CSLL sendo decorrente da mesma infração tributária, a relação de causalidade que os informa leva a que o resultado do julgamento deste feito acompanhe aqueles que foi dado à exigência de IRPJ. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para cancelar os lançamentos de PIS e de Confins incidentes sobre a base de cálculo de aplicações financeiras. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 15 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 16 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. 17 Fundamentação legal: art. 9º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.095 22 Declaração de Voto Conselheiro Alexandre Fernandes Limiro Em acréscimo ao relatório apresentado pela Ilma. Conselheira, Sra. Carmen Ferreira Saraiva, destaco que em sua irresignação, a recorrente formula o seguinte pedido (fl. 360): [...] Por todo o exposto, pede a Vs. Sas. que acolham as razões de Recurso e reformem a decisão recorrida, para julgar no todo IMPROCEDENTE o lançamento de que se cuida, ou, caso assim não entendam, pede: (a) a improcedência do lançamento do PIS e da COFINS sobre a receita financeira; (b) o reconhecimento da ocorrência da decadência e a anulação do lançamento com base em fatos que tenham ocorrido antes de novembro de 2002; (c) a anulação do lançamento da multa agravada. Iniciado o julgamento, a Ilma. Conselheira Relatora, Sra. Carmen Ferreira Saraiva votou por dar provimento em parte ao recurso voluntário para excluir a exigência de PIS e de Cofins por tratarse de omissão apurada sobre rendimentos de aplicação financeira. O entendimento foi o de que que estes valores “...não compõem a receita bruta decorrente das atividades econômicas comerciais exercidas pela Recorrente...”. Ato contínuo, pedi vista dos autos e, na forma do Art. 63, §7º da Portaria nº 256/2009 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF), apresento a seguinte declaração de voto. Declaração de voto A recorrente insurgese contra a constitucionalidade da quebra de sigilo bancário através de Requisição de Movimentação Financeira. A proteção constitucional ao sigilo de dados não é absoluta, mas exige a observância dos critérios fixados pela Magna Carta para seu afastamento. No julgamento do Recurso Extraordinário nº 389808/PR (Relator: Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 15/12/2010, Publicado em 10052011) o STF reconheceu que o Art. 5º, XII da CR/88, a resguardar a dignidade do cidadão, somente autoriza o afastamento do sigilo mediante ordem judicial. Embora sujeita ao sigilo fiscal (CTN, Art. 198), a Administração Tributária não pode tomar o lugar do órgão eqüidistante (Estadojuiz) constitucionalmente competente para avaliar a presença de indícios a autorizar o afastamento desta garantia constitucional. Ocorre, todavia, que o controle de constitucionalidade in concreto, com alcance limitado às partes daquele processo, não autoriza, em sede administrativa, o afastamento da aplicação do dispositivo legal que subsidiou a obtenção de informações pela autoridade fiscal junto a instituição financeira através de Requisição de Movimentação Financeira (RMF), qual seja o Art. 6º da LC 105/2001. Incidência, no presente caso, do óbice Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.096 23 previsto no Art. 26A do Decreto 70.235/1972, repetido no Art. 62 da Portaria MF nº 256/2009 e na Súmula CARF Nº 2. Em suas razões, o recorrente também pugna pela declaração de inexistência de evidente intuito de fraude de modo a afastar tanto a multa qualificada do Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96, como contagem prazo prescricional pelo art. 173, I do CTN. No Relatório Fiscal (fl. 51), a autoridade responsável pelo lançamento, assim justificou a aplicação da penalidade de 150,00%, prevista no Art. 44, inciso II, da Lei n° 9.430/96: Enfim verificouse que, seja por ter feito declaração inexata, seja por ter omitido os rendimentos de sua escrituração contábil, seja por não ter apresentado as informações solicitadas no curso da fiscalização a respeito de suas aplicações financeiras (exceto as realizadas por intermédio do Bic Banco e do Bradesco), o contribuinte tentou manter desconhecidos pelo fisco os valores que serviram de base para os autos de infração lavrados nesta fiscalização, com multa regulamentar de oficio agravada para o percentual de 150%, motivo pelo qual será feita Representação Fiscal para Fins Penais. Na avaliação de configuração do tipo legal “evidente intuito de fraude”, mister se faz avaliar a conduta do agente por inteiro, para fins de enquadramento nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. No presente caso, se verifica que a omissão de rendimentos do contribuinte nas declarações efetivadas no cumprimento de obrigações acessórias e em sua própria contabilidade foram insuficientes para: a) “...impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: (I) da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; ou (II) das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente”. (Sonegação – Art. 71 da Lei nº 4.502/1964) b) “...impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais...” (Fraude – Art. 72 da Lei nº 4.502/1964); c) caracterizar “...ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72...” (Conluio – Art. 73 da Lei nº 4.502/1964). Isso por que a ausência de registros contábeis ou de declarações pelo sujeito passivo tornase inócua diante do fato de que, ao efetivar aplicações financeiras, deu azo para que fossem encaminhadas à Administração tributária federal as informações dos rendimentos obtidos com tal atividade: LC 105/2001 Art. 5º. O Poder Executivo disciplinará, inclusive quanto à periodicidade e aos limites de valor, os critérios segundo os quais as instituições financeiras informarão à administração Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.097 24 tributária da União, as operações financeiras efetuadas pelos usuários de seus serviços. Decreto nº 4.489/2002 Art. 2º. As informações de que trata este Decreto, referentes às operações financeiras descritas no § 1º do art. 5º da Lei Complementar nº 105, de 2001, serão prestadas, continuamente, em arquivos digitais, de acordo com as especificações definidas pela Secretaria da Receita Federal, e restringirseão a informes relacionados com a identificação dos titulares das operações e com os montantes globais mensalmente movimentados, relativos a cada usuário, vedada a inserção de qualquer elemento que permita identificar a sua origem ou a natureza dos gastos efetuados. ... § 3º A identificação dos titulares das operações ou dos usuários dos serviços será efetuada pelo número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF) ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ) e pelo número ou qualquer outro elemento de identificação existente na instituição financeira. Nessa linha, adoto como razão para afastar a incidência do Art. 44, II da Lei 9.430/96 a seguinte conclusão externada pelo Ilmo. Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva, quando relator do Acórdão nº 10248736, nesta casa, em 12 de setembro de 2007: Na exigência de crédito tributário constituído a partir de depósitos bancários de origem não comprovada não se pode falar em omissão qualificada do contribuinte com a finalidade de sonegar, ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador, pois ao efetuar transação financeira dáse o oposto, isto é, possibilita, conforme artigo 5° da Lei Complementar n° 105, de 2001, e arts. 1°, 2°, §§ 2° e 3°, do Decreto n° 4.545, de 2002, que seja encaminhado à Fiscalização informações acerca de todos os recursos que movimentou. ... Se por força das disposições legais antes referidas, mais precisamente o art. 2°, § 3º, do Decreto n° 4.489, de 2002, as informações são mensalmente, em arquivos digitais, prestados à Secretaria da Receita Federal, identificando cada uma das operações realizadas por seus respectivos titulares, não se pode falar em sonegação ou omissão com o intuito de ocultar ou retardar o conhecimento do fato gerador. Se estivéssemos no campo do direito penal estaria configurada situação de crime impossível, pois em fazendo aplicação financeira o contribuinte não tem como impedir o conhecimento desta por parte da fiscalização. Deveras, verificase verdadeira impropriedade do objeto para prática da infração tributária em tela – infrações definidas nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964 – a destinação de rendimentos supostamente omitidos a operações financeiras de conhecimento da Administração tributária da União. Afastado o potencial de perigo na produção do resultado delitivo, resta caracterizado, no presente caso, a configuração de mera omissão de receita ou rendimentos, a ensejar a aplicação do Enunciado da Súmula 14 do CARF, que assim dispõe: Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.098 25 Súmula n° 14 A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Deve, portanto, ser afastada a aplicação da multa de lançamento de oficio prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996, sobre as correspondentes bases tributáveis. Por consequência, quanto à questão relativa ao termo inicial da decadência, tenho que razão assiste ao contribuinte. Incide no presente caso o Art. 150, §4º do CTN, o que enseja na declaração de decadência quantos aos tributos com fatos geradores anteriores a novembro de 2002. Para tanto, procedo a avaliação tendo em conta o entendimento do STJ firmado no REsp 973.733/SC (Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 18/9/2009, submetido ao regime do art. 543C do CPC) de que aplicase exclusivamente o art. 150, § 4°, do CTN, sem a possibilidade de cumulação com o art. 173, I, do mesmo diploma, quando o contribuinte a) efetua pagamento parcial e b) não for constatado dolo, fraude ou simulação. Havendo nos autos informação que dá pela efetivação de pagamento parcial (fls. 873 a 966) e, uma vez não configurada fraude no comportamento do contribuinte, aplico ao presente caso o Art. 150, §4º para fins de cômputo do prazo decadencial. Considerando que o lançamento, na forma do Art. 145 do CTN, considerase efetivado no dia em que notificado o sujeito passivo (no caso em 12.12.2007 – fl. 59), mister se faz a declaração da perda do direito do Fisco em constituir o crédito tributário quanto aos tributos objeto de lançamento cujos fatos imponíveis se verificaram antes de novembro de 2002. A recorrente também contesta a validade do lançamento sob o argumento de que deveria o fiscal ter arbitrado o lucro, antes de lançar o IRPJ e a CSLL que entendesse devidos. À fl. 57/8, se verifica que a autoridade fiscal apura IRPJ e CSLL diretamente sobre os valores dos rendimentos omitidos, sendo que, ao mesmo tempo, no relatório fiscal, reconhece: “...as contascorrente e de aplicações financeiras não estão listadas no plano de contas de 2002 e 2003, nem foram registrados lançamentos referentes à movimentação dessas contas, nem dos rendimentos que foram auferidos a partir desses investimentos” (fl. 52). Tal referência, entretanto, abrange apenas as contas correntes referentes ao Banco Rural S/A, Banco Panamericano S/A, Banco Safra S/A e Safra Corretora de Valores e Cambio Ltda, pois às fls. 430 e 491 (Plano de Contas), se vê referências às contas “BIC”, “BIC Fortaleza” e “Bradesco”. Por esse motivo, o acórdão da DRJ (fl. 1.038) concluiu “...embora as aplicações financeiras correspondam a uma parcela da movimentação bancária, esta não foi dada como omitida na escrituração da autuada, para se subsumir ao tipo eleito pelo legislador como condição para o arbitramento dos lucros da pessoa jurídica (artigo 530, inciso II, alínea "a", do RIR199)”. De fato se mostra acertada tal posição. A aplicação do Art. 530, II, “a” do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47), exige que a escrituração esteja configurada como Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.099 26 “imprestável” (“...Que não presta ; inútil...” in Dicionário Aurélio, Ed. Nova Fronteira, Rio de Janeiro : 1986, pg. 925): RIR, Art. 530. O imposto, devido trimestralmente, no decorrer do anocalendário, será determinado com base nos critérios do lucro arbitrado, quando (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 1º): II a escrituração a que estiver obrigado o contribuinte revelar evidentes indícios de fraudes ou contiver vícios, erros ou deficiências que a tornem imprestável para: a) identificar a efetiva movimentação financeira, inclusive bancária; ou b) determinar o lucro real; Tendo os registros contábeis servido de auxílio para a determinação do lucro real e da efetiva movimentação financeira, não pode a escrituração do contribuinte ser tida por imprestável. A desclassificação da escrita, com o consequente arbitramento do lucro é poder/dever de medida extrema outorgada ao poder público pela própria lei, o que não é o caso dos autos. Rejeito, portanto o pedido de aplicação de arbitramento da base de cálculo por inaplicabilidade ao presente caso do Art. 530, II, “a” do RIR/99 (Lei nº 8.981, de 1995, art. 47). Alega também o contribuinte não estar comprovado nos autos que as omissões apontadas no auto de infração integrariam o patrimônio da Recorrente, razão pela qual não poderiam ser incluídas na base de cálculo do IRPJ, da CSLL, da Contribuição para o PIS e da COFINS. Improcede, todavia, tal argumento. Como ato administrativo, o lançamento deve ser motivado, sendo tal mister dever – e não ônus, pois não confere uma faculdade – da autoridade fiscal (CTN, Arts. 142 e 149). No presente caso, todavia, a existência de norma de presunção legal do Art. 42 da Lei 9.430/1996 (RIR, Art. 287) apenas desloca a prova do fato imponível (auferição de renda), para o fato indicado pelo legislador “a partir do qual se estabelece o raciocínio presuntivo” (TOMÉ, Fabiana Del Padre. A prova no Direito Tributário. São Paulo : Noeses, 2011, pg. 273): “... descabe falar em inversão do ônus da prova, qualquer que seja a figura presuntiva: (i) sendo caso da chamada presunção legal, impõese a comprovação, por parte do Fisco, da situação ensejadora da relação implicacional prescrita em lei; (ii) na presunção simples, além da prova do acontecimento tomado como fato presuntivo, é preciso demonstrar o vínculo lógico entre este e o fato presumido”. (TOMÉ, ob. cit. 2011, pg. 276) Diferentemente, portanto, da tese expendida pelo contribuinte, no presente caso, na comprovação da omissão de rendimentos, é despicienda a demonstração de relação causal entre o fato presuntivo (“...valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira...” – Art. 42 da Lei 9.430/96) e o fato presumido Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.100 27 (omissão de rendimentos). A operação intelectual do aplicador do direito (presunção simples) foi substituída pela presunção legal que estabeleceu essa relação causal no âmbito pré legislativo. Rejeito, portanto, tal pretensão. A título expletivo – pois tal discussão não foi trazida aos autos, e nem poderia, face a vedação do Art. 26A do Decreto 70.235/1972 e Súmula 2 do CARF – cumpre acrescentar que a presunção estabelecida pelo Art, 42 da Lei 9.430/96 deverá, na seara própria, ter sua validade aferida face a) normas constitucionais de competência tributária, e b) normas que asseguram direitos e garantias individuais aos contribuintes, como bem destacado por TOMÉ (2011, ob. cit. pg. 338). Neste cenário, nos adiantamos para concluir que esta viola o direito à ampla defesa (CF, Art. 5º, LV), pois exige que a comprovação pelo contribuinte quanto à origem dos recursos utilizados nas operações envolvida se dê não através de todos os meios de prova em direito admitidos, mas sim apenas “...mediante documentação hábil e idônea” (Art. 42, parte final, da Lei 9.430/96). Enquadrase, portanto, no rol das presunções mistas, cuja aplicação no direito tributário deve ser vista com restrição: “...não encontram guarida em nosso ordenamento as presunções absolutas nem as chamadas presunções mistas. As primeiras são obstadas pela rígida repartição constitucional das competências para instituir tributos, bem como pelos princípios da estrita legalidade tributária, da tipicidade e da capacidade contributiva. Quanto às presunções mistas, violam não apenas os primados da tipicidade e capacidade contributiva, mas também o direito à ampla defesa, já que restringem as provas possíveis de serem utilizadas para ilidir o fato presumido” (TOMÉ, 2011, ob. cit. pg. 338). Ainda que não se faça presente prova documental, é direito do contribuinte valerse de qualquer tipo de prova em Direito admitida para comprovar a não ocorrência do fato imponível tributário. No presente caso, insta, por fim, ressaltarse que não há nos autos qualquer prova produzida pelo contribuinte para afastar a presunção legal. Pleiteia ainda, o contribuinte, a exclusão da incidência do PIS e da COFINS sobre receitas discriminadas no auto de infração, por se tratarem de receitas financeiras. Merece reforma a decisão recorrida quando formula exigência de COFINS e PIS sobre receitas que não compõe a base tributável destes tributos (conceito de faturamento), tendo em vista o Supremo Tribunal Federal ter declarado inconstitucional o §1.°, do art. 3.°, da Lei n.° 9.718/98. Aquele tribunal, mais recentemente, tem consolidado a posição de que o faturamento abrange não só o produto de venda de mercadorias e de serviços, mas “também a soma das receitas oriundas do exercício de outras atividades empresariais." (RE 444.601ED, Rel. Min. Cezar Peluso, julgamento em 7112006, Segunda Turma, DJ de 15122006, no mesmo sentido: AI 843.086AgR, Rel. Min. Luiz Fux, julgamento em 22112011, Primeira Turma, DJE de 13122011). Neste mesmo sentido, tem caminhado o STJ (1ª Seção, REsp 929521/SP, LUIZ FUX, set/09, submetido ao regime do artigo 543C do CPC). À luz da Lei n.° 9.718/98, a base de cálculo do PIS e da COFINS devidas pelas empresas de fomento comercial (factoring) é o valor do faturamento mensal, Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.101 28 compreendida, entre outras, a receita bruta advinda da atividade principal da empresa, que nos termos da Lei nº 9.249/95 é “prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring)”. O mesmo não se pode dizer dos rendimentos de aplicação financeiras auferidos por intermédio de instituições financeiras. Enquanto a receita bruta está relacionada com a atividade principal da empresa, estes se inserem no conceito de receita financeira, posto referirse a atividades acessórias, tais como juros recebidos e descontos obtidos. Todavia, importa ressaltar que a insurgência do contribuinte, quanto a este ponto, não mereceria, a princípio amparo integral. Em 30 de dezembro de 2002 e 29 de dezembro de 2003, foram editadas, respectivamente, as Leis 10.637 e 10.833, já sob a égide da Emenda Constitucional nº 20∕98. Essas leis, elegeram, como base de cálculo do PIS e da COFINS, quando apuradas sob o regime nãocumulativo, o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil (artigo 1º, caput), sobejando certo que, nos aludidos diplomas legais, estabeleceuse ainda que o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica (artigo 1º, § 1º). A partir de então, fezse presente a existência de dois regimes normativos quanto às bases de cálculo do PIS e da COFINS: (i) para o regime cumulativo, a definição de faturamento mensal∕receita bruta, dada pela Lei Complementar 70∕91, como o que decorra das vendas de mercadorias ou da prestação de serviços de qualquer natureza, vale dizer a soma das receitas oriundas das atividades empresariais, não se considerando receita bruta de natureza diversa, a qual se perpetuou com a declaração de inconstitucionalidade do § 1º, do artigo 3º, da Lei 9.718∕98; e (ii) para o regime nãocumulativo, por imposição das Leis 10.637∕2002 e 10.833∕2003 (observado o princípio da anterioridade nonagesimal), o conceito de faturamento mensal como a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. O contribuinte, para o anocalendário de 2002 apurou IRPJ pelo lucro real (consoante se pode observar na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF 2.1, à fl.875). De fato, as empresas de fomento comercial (factoring) estão obrigadas ao lucro real (Lei nº 9.718, art. 14, inciso VI). Isso implica sua sujeição à incidência nãocumulativa do PIS com base de cálculo majorada a partir de abril de 2002 (Art. 8º, II da Lei 10.637/2002) e, portanto, à apuração da base de cálculo sobre a totalidade das receitas auferidas, consoante na forma do Art. 1º, §1º da referida lei. Sendo assim, mister seria ser afastada a exigência de PIS, até 04/2002, e de COFINS – esta integralmente constantes do lançamento objurgado. Considerando, entretanto, que o auto de infração não aplicou o novel dispositivo legal, fica impedida a aplicação da conclusão acima em função do Art. 146 do CTN, razão pela qual, neste ponto, acompanho a relatora para excluir a incidência de PIS e COFINS no presente caso. Pelo exposto, voto em dar provimento em parte ao recurso voluntário para a) afastar a aplicação da multa de lançamento de oficio prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9.430, de 1996; b) declarar a decadência do direito de lançamento dos tributos Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 10315.001588/200711 Acórdão n.º 1801001.889 S1TE01 Fl. 1.102 29 cujos fatos imponíveis ocorreram antes de novembro de 2002; c) e para afastar a exigência de PIS e COFINS contidas no auto de infração. (assinado digitalmente) Alexandre Fernandes Limiro Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 21/0 5/2014 por ALEXANDRE FERNANDES LIMIRO, Assinado digitalmente em 17/09/2014 por ANA DE BARROS FERNAND ES, Assinado digitalmente em 11/06/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 11610.002999/2003-11
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL.
No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora.
IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASIL-ARGENTINA.
A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior.
PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO.
Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos.
Numero da decisão: 1801-001.711
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora
(assinado digitalmente)
Leonardo Mendonça Marques Redator Designado
Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASIL-ARGENTINA. A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior. PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes.
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No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. IRPJ. VALOR RETIDO NA FONTE NO EXTERIOR. COMPENSAÇÃO NA TRIBUTAÇÃO INTERNA. LIMITES LEGAIS E CONVENCIONAIS. ACORDO BRASILARGENTINA. A pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. A norma interna, refletindo o padrão adotado internacionalmente nos acordos contra dupla tributação, busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro, sem, contudo, submeter o direito à compensação à percepção de lucro na operação no exterior. PROCESSO CONEXO. FORMAÇÃO DO SALDO NEGATIVO. Deve ser apropriada a decisão proferida no processo conexo, no qual se discutiu componente do saldo negativo utilizado no creditamento destes autos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso voluntário. Vencida a Conselheira (Relatora) Carmen Ferreira Saraiva que dava AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 29 99 /2 00 3- 11 Fl. 1155DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.154 2 provimento em parte ao recurso voluntário. Designado para redigir o Voto Vencedor o Conselheiro Leonardo Mendonça Marques. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques – Redator Designado Composição do colegiado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Massao Chinen, Marcos Vinícius Barros Ottoni, Carmen Ferreira Saraiva, Leonardo Mendonça Marques, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira e Ana de Barros Fernandes. Relatório A Recorrente formalizou os Pedidos de Ressarcimento ou Restituição/Declarações de Compensação (Per/DComp) em 26.02.2003, fls. 0708, nº 19468.94119.190906.1.7.026140 em 19.09.2006, nº 36241.12762.190906.1.7.021887 em 19.09.2006, nº 17882.19449.190906.1.7.022366 em 19.09.2006, nº 38134.12940.271207.1.3.026556 em 27.12.2007 e nº 42102.60975. 271207.1.3.023733 em 27.12.2007, fls. 546548, utilizandose dos créditos relativos ao anocalendário de 2002 apurados com base no lucro real anual de: a) saldo negativo de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$1.730.985,45; e b) saldo negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) no valor de R$418.938,14. Cabe ressaltar que foram apensados aos presentes autos os processos de nºs 11610.004211/200319 e 11610.005952/200317, fl. 551. Na Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2002, fls. 263295, foram apurados os seguintes saldos negativos: a) IRPJ no valor original de R$4.430.660,78; e b) CSLL no valor original de R$503.398,74. O processo está instruído com a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), fls. 296300, com os Informes de Rendimentos, fls. 352372, 532533 e 554 771, e ainda com o Livro Razão, fls. 35260 e 373531. Fl. 1156DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.155 3 Em conformidade com o Despacho Decisório, fls. 772779, as informações relativas ao reconhecimento do direito creditório foram analisadas das quais se concluiu pelo deferimento em parte do pedido. Restou informado que em relação ao anocalendário de 2002 foram reconhecidos os seguintes direitos creditórios a título de saldos negativos de: a) IRPJ no valor original de R$4.300.852,64 e b) CSLL no valor original de R$114.390,68. Restou esclarecido que o saldo negativo de IRPJ não reconhecido no valor de R$129.807,14 é decorrente da dedução indevida de valor de IRRF do anocalendário de 2002. No que diz respeito ao saldo negativo de CSLL não reconhecido no valor de R$398.008,06, é originário da falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001 e da dedução indevida do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital não declarados no anocalendário de 2000. Conclusão RECONHEÇO O DIREITO CREDITÓRIO contra a Fazenda Nacional a SOLVAY INDUPA DO BRASIL S.A., CNPJ n° 61.460.325/000141, na importância de R$4.300.852,64 (quatro milhões, trezentos mil, oitocentos e cinqüenta e dois reais e sessenta e quatro centavos), correspondente ao saldo credor de IRPJ do AC 2002 e na importância de R$114.390,68 (cento e catorze mil, trezentos e noventa reais e sessenta e oito centavos), correspondente ao saldo credor de CSLL do AC 2002, sobre as quais incide o acréscimo de juros da taxa referencial SELIC, nos termos do artigo 52 da IN/SRF n° 600/2005; HOMOLOGO AS COMPENSAÇÕES constantes das Declarações de Compensação das fls. 01 do presente processo e de seus apensos, e das DCOMP eletrônicas de nos 19468.94119.190906.1.7.026140, 36241.12762.190906.1.7.02 1887, 17882.19449.190906.1.7.022366, 38134.12940.271207.1.3.026556 e 42102.60975.271207.1.3.023733, até o limite do direito creditório reconhecido; NÃO CONVALIDO as compensações sem processo dos débitos de fls. 291 a 293, compensados com o saldo credor de CSLL do AC 2000; [...] Cientificada em 03.03.2008, fl. 780, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade em 02.04.2008, fls. 804824, argumentando em síntese que discorda da conclusão da análise do pedido. Defende a tese de que os débitos objeto de compensação estão com a exigibilidade suspensa. Argúi que os procedimentos apuração de saldos credores dos anoscalendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a decadência pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório em 03.03.2008 (§ 4º do art. 150 do Código Tributário Nacional). No que se refere à mencionada falta de informação em DCTF do valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no ano calendário de 2001, enfatiza que: Fl. 1157DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.156 4 [...] é certo que o saldo credor de CSLL de 2001, atualmente, encontrase, em discussão, com sua exigibilidade suspensa, no processo acima apontado (11610.021229/200296), em virtude de apresentação de Manifestação de Inconformidade pela ora Manifestante (doc. 03), razão pela qual não pode ser objeto de cobrança. Atinente à dedução do valor de R$146.956,18 do IRRF pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital do anocalendário de 2000, esclarece que efetivamente informou esta quantia na linha a “receita de prestação de serviços” e não na linha “rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior” da Ficha 06A da DIPJ, fls. 263295 (art. 21 da Medida Provisória nº 2.15835 de 24 de agosto de 2001 e art. 26 da Lei nº 9.249, de dezembro de 1995 Afirma que Tais compensações foram efetuadas com a própria CSLL devida, por estimativa, apurado mediante balancetes de suspensão/redução, nos primeiros meses do anocalendário de 2002, conforme atestou a DIPJ 2003 anobase 2002 e DCTF's, nas quais o valor do débito já é considerado liquido (com a dedução do crédito compensações sem processo). Com o objetivo de fundamentar as razões apresentadas na peça de defesa, interpreta a legislação pertinente, indica princípios constitucionais que supostamente foram violados e faz referências a entendimentos doutrinários e jurisprudenciais em seu favor. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecida e provida a presente Manifestação de Inconformidade, para que seja CANCELADA a decisão ora atacada, CONVALIDANDOSE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311 e apensos, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco de questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos do período de 2002. Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, a Manifestante requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de se verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago no exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento ao princípio da verdade material que norteia o processo administrativo. Termos em que, P. Deferimento. Está registrado como resultado do Acórdão da 5ª TURMA/DRJ/SPO I/SP nº 1617.912, de 28.07.2008, fls. 904911: “Compensação Homologada em Parte”, uma vez que foi homologada tacitamente a compensação constante na Per/DComp apresentada em 26.02.2003, fls. 0708. Fl. 1158DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.157 5 Restou ementado ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. Consideramse homologadas as declarações se compensação após cinco anos de seu protocolo, nos termos do § 5º, do art. 74, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 10.833/03. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS NO EXTERIOR IMPOSTO PAGO A contribuinte tem direito à compensação de imposto pago no país em que prestou serviços, desde sue atenda aos requisitos previstos na Legislação Brasileira. Notificada em 28.05.2009, fl. 919, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 26.06.2009, fls. 922946, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Reitera todos os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Requer a produção de todos os meios de prova e que sejam aceitos todos os documentos acostados aos autos. Conclui Por todo o exposto, requer seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, para que seja reformada a decisão ora atacada, CONVALIDANDO SE E HOMOLOGANDOSE INTEGRALMENTE o crédito objeto do pedido de compensação n° 11610.002999/200311, bem assim as compensações com débitos dele decorrentes, pelo reconhecimento destes D. Julgadores da ocorrência da decadência do fisco questionálo em cotejo com o direito à compensação da contribuição social paga no exterior no ano de 2000 com os débitos apurados. Ainda, requer seja suspensa a exigibilidade dos débitos de IRPJ/CSLL referentes ao período de 2002, cujos pedidos de compensação foram atrelados ao crédito em comento, até o julgamento definitivo do presente processo administrativo. Caso os I. julgadores não cancelem de plano a totalidade dos valores glosados, nesse caso, requer sejam os autos devolvidos à instância fiscal de origem, a fim de verificar os cálculos relativos aos rendimentos auferidos no exterior, em cotejo com as compensações do montante do imposto pago exterior daí decorrentes, com os débitos apurados no Brasil, nos períodos subseqüentes, autorizandose, para tanto, a retificação e ajuste dos instrumentos acessórios, tais como DIPJ, DCTF, LALUR, em cumprimento aos princípios da verdade material que norteia o processo administrativo e ampla defesa. Termos em que, Pede Deferimento. Tendo em vista a controvérsia entre a alegação do Erário e o argumento da Recorrente, a realização da diligência se torna imprescindível para esclarecer a situação fática com o escopo de privilegiar o principio da verdade material. Por esta razão, o julgamento do feito foi convertido na realização de diligência em conformidade com a Resolução da 1ª Fl. 1159DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.158 6 TURMA ESPECIAL/3ª CÂMARA/1ª SJ nº 180100.057, de 29.03.2011, fls. 0107 para que para que sejam tomadas as seguintes providências em relação ao anocalendário de 1998: a) a Recorrente deve ser intimada a: a.1) apresentar a legislação do país de origem do lucro, rendimento ou ganho de capital (Argentina) que prevê a incidência do imposto de renda que houver sido pago, por meio do documento de arrecadação apresentado, regularmente traduzida em vernáculo por tradutor juramentado (§ 3º do art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972); a.2) se houver, cópia dos balancetes mensais registrados no Diário e fichas do Razão demonstrando os pagamentos recebidos e os valores relativos às retenções efetuadas; a.3) apresentar planilha demonstrando efetivamente os valores recebidos e retidos pelas fontes pagadoras; a.4) apresentar planilha compondo os valores escriturados a título de receita auferida, relacionandoos com os valores recebidos das fontes pagadoras que alega haver sofrido retenção no período fiscalizado referente ao valor de R$146.956,18 de fonte paga no exterior; b) a Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdiciona a Recorrente deve: b.1) juntar ao presente processo cópias das pesquisas efetuadas nos sistemas internos da RFB, em especial naquele em que contenham dados a receita oferecida à tributação pela Recorrente no anocalendário de 2002; b.2) confrontar os referidos valores com aqueles apresentados pela Recorrente em resposta à Intimação Fiscal; b.3) juntar ao presente processo cópias dos autos do processo nº 11610.021229/200296 em que possa constatar se o valor de R$139.538,63 do tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no anocalendário de 2001, compôs o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2001 e se está disponível para utilização para compor o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 constante neste processo; b.4) verificar todas as informações elaborando um demonstrativo analítico com todas as informações referentes ao valor de R$146.956,18 e ao valor de R$139.538,63, que compuseram o saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2002. Foi proferido o Relatório de Diligência, fls. 10131018, do qual a Recorrente foi regularmente noticiada em 24.06.2013, fls. 10191020 e apresentou seu arrazoado em 04.07.2013, fls. 10211033, com as alegações a seguir resumidas. Diz que [...] a diligência aponta de forma categórica a comprovação, nos termos da legislação aplicável, das retenções de imposto sofridas sobre receitas apuradas em decorrência de serviços prestados no exterior, bem como o oferecimento dessas receitas [...] no respectivo período de competência. [...] Contudo, ao finalizar suas considerações, [afirma que] não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, [e] o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor Fl. 1160DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.159 7 de R$146.956,18, relativa a dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$60.029,20, conforme Despacho Decisório à f1.754. Suscita que a houve extrapolação dos limites da diligência, de modo que há ilegitimidade nas conclusões fiscais e assim é necessária sua desconsideração no julgamento do litígio. Afirma que O trabalho fiscal [...] preocupouse em buscar argumentos e adotar um critério novo e discrepante da discussão tida nos autos para justificar a legitimidade da glosa perpetrada pela autoridade fiscal [...], nos termos da Portaria n. 3.014, de 29 de junho de 2011 [e] do art. 18 do Decreto nº 70.235 [de 06 de março de 1972]. Defende que não cabe “ao Agente Fiscal, ao cumprir a diligência requerida e elaborar o relatório de suas conclusões, considerar aspectos que não estejam circunscritos aos próprios questionamentos formulados, sob pena de, indevidamente instaurar uma nova discussão no bojo do feito, o que é inapropriado para a fase processual em questão”, inclusive no que se refere “sobre as receitas auferidas em virtude da prestação de serviços no exterior” Menciona que a inovação dos argumentos no Relatório de Diligência é descabida, haja vista que é “necessária a limitação do trabalho fiscal aos argumentos constantes no feito fiscal”. Discorda de que houve uma “suposta ausência de apuração de lucro”, ou seja, “falta de apuração de lucro sobre os serviços prestados pela Recorrente no exterior”. Expressa que “as normas que disciplinam as referidas deduções não impõem nenhuma limitação nesse sentido, pois com o advento da Lei n° 9.430 de 27 de dezembro de 1996, qual trouxe normas de cunho procedimentais, os documentos acostados pela Recorrente são suficientes para demonstrar o imposto pago no exterior e, consequentemente, respaldar o direito da Recorrente em compensálos na forma da legislação aplicável”. No que se refere “à premissa equivocada adotada pelo agente fiscal quanto à glosa relativa à dedução da CSLL com imposto pago no exterior [, ou seja,] deduções efetuadas com base em imposto incidente sobre as receitas de serviços exportados” relata que “a autoridade fiscal entendeu pela manutenção da glosa efetuada, [pois] “os serviços faturados [no] o exterior seriam iguais ao custo dos serviços, [...] não tendo sido auferido [...] nenhum lucro quando da prestação dos serviços” e que “nesse particular as assertivas fiscais padecem de qualquer substancia”. Argui que (i) a pessoa jurídica possui o direito de compensar o imposto pago no exterior sobre a receita de prestação de serviços; (ii) referido direito encontrase limitado apenas ao disposto no artigo 26 da Lei n. 9.249/1995 (repisado pela parte final do caput do artigo 395 do RIR); (iii) esse limite consiste na fixação de um valor para compensação no Brasil; (iv) referido valor é fixado mediante o cálculo do imposto e das contribuições que seriam aqui devidos sobre as receitas de prestação de serviços no exterior. Fl. 1161DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.160 8 Dessa forma, na medida em que o farto conjunto probatório, acostado aos presentes autos, dão conta de que as compensação efetuadas pela empresa são oriundas de imposto incidente e retido no exterior, nos termos da legislação estrangeira, sobre receitas decorrentes da prestação de serviços para clientes situados naqueles países, e não sobre o lucro auferido no exterior, tal fato por si só invalida, peremptoriamente, todo o raciocínio montado pela fiscalização no relatório em epígrafe. [...] Por essa razão, fica claro que a premissa adotada pela autoridade fiscal na confecção do Relatório de Diligência discrepa com a situação concreta envergada nos autos, de modo que, também sob esse prisma, não se prestam os esclarecimentos oferecidos pelo fisco a direcionar o entendimento dessa E. Turma de Julgamento sobre a matéria. No que tange à “compensação da estimativa [abril de 2002] com saldo negativo AC 2001 por fim, constatase que a autoridade fiscal atestou ter restado reconhecido, por força de acórdão proferido pelo CARF no processo n. 11610.021229/200296, a convalidação da compensação sem processo, do saldo credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de apuração [abril de 2002], no montante total de R$114.468,53. Dessa forma, constatase que o saldo credor de CSLL AC 2002 foi de R$228.859,21, conforme atesta as conclusões da diligência. Conclui À vista de tudo que foi aqui exposto, a Recorrente manifesta sua discordância com as conclusões exaradas pela fiscalização na elaboração do Relatório de Diligência em epígrafe, no tocante aos esclarecimentos prestados nos itens 16 e 17 do trabalho fiscal, seja em virtude (i) da extrapolação, pelo I. Agente Fiscal, dos limites da diligência requerida pelo CARF; seja pela (ii) comprovada discrepância entre as premissas adotadas pela fiscalização, a fim de justificar a glosa efetuada com os contornos fáticos e jurídicos do caso em tela. Por fim, ante constatação quanto à convalidação da compensação sem processo do saldo credor de CSLL AC 2001, com estimativa de CSLL período de apuração abril/2002, no montante total de R$114.468,53, a glosa referente o referido montante deverá ser em definitivo afastada. Termos em que, Pede e espera Deferimento Toda numeração de folhas indicada nessa decisão se refere à paginação eletrônica dos autos em sua forma digital ou digitalizada. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Fl. 1162DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.161 9 O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§ 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996). A parcela litigiosa devolvida para reexame nesta segunda instância de julgamento referese ao saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 não reconhecido no valor total de R$398.008,06: pela compensação indevida do valor de R$146.956,18 da fonte paga no exterior; e pela falta de informação em DCTF no valor de R$139.538,63 atinente ao tributo determinado sobre a base de cálculo estimada no período de abril anocalendário de 2002. A Recorrente diz que os procedimentos apuração de saldos credores dos anoscalendário de 2000 e 2001 não mais poderiam ser retificados de ofício, uma vez que sobre eles houve a homologação tácita e se operou a prescrição pelo decurso do prazo superior a cinco anos até a ciência do Despacho Decisório. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde do exame de todos os valores que compõem o montante pleiteado. Necessária é a constatação da sua liquidez e certeza, já que não há norma que atribua ao reconhecimento do direito creditório pleiteado essa presunção absoluta. Os créditos do sujeito passivo para com a Fazenda Pública somente são passiveis de restituição quando revestidos destes requisitos, os quais devem restar evidenciados. Por esta razão, a Recorrente é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969 e art. 170 e art. 195 do Código Tributário Nacional). Não tem cabimento, assim, alegar que o direito de a Fazenda Pública verificar se a escrituração está prescrita, pois cabe à Recorrente, com observância das disposições legais, demonstrar o seu direito creditório líquido e certo por documentos hábeis. Neste sentido, o reconhecimento do direito creditório alegado e a conseqüente homologação da compensação efetivada impõe que a Recorrente apresente comprovação inequívoca dos elementos que integraram o valor objeto de repetição. No presente caso, tratase de Per/DComp originalmente entregues em 2003, fls. 784799, referentes a direito creditório do anocalendário de 2002, que contém fragmentos de valores referentes aos anoscalendário de 2000 e 2001, cujos débitos não foram alcançados pela homologação tácita da compensação. Por conseguinte, diferente do entendimento da Recorrente, não há que se falar em prescrição do direito de o Erário de averiguar a liquidez e certeza dos valores objeto do pedido de reconhecimento do direito creditório. A ilação designada pela defendente, a despeito de tudo, não se destaca como procedente. A Recorrente alega que os atos administrativos são nulos, porque a Autoridade Fiscal supostamente analisou os fatos de forma abrangente. Fl. 1163DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.162 10 O Despacho Decisório foi lavrados por servidor competente que verificou a regularidade do Per/DComp, com a regular intimação para que a Recorrente pudesse cumprilo ou impugnálo no prazo legal, ou seja, com observância de todos os requisitos legais que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos. As garantias ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes foram observadas. Ademais o ato administrativo está regularmente motivado, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos de modo explícito, claro e congruente1. O enfrentamento das questões na peça de defesa denota perfeita compreensão da descrição dos fatos e dos enquadramentos legais que ensejaram os procedimentos de ofício, que foi regularmente analisado na decisão de primeira instância de julgamento administrativo e da qual a pessoa jurídica foi regularmente cientificada. Assim, estes atos contêm todos os requisitos legais, o que lhes conferem existência, validade e eficácia. As formas instrumentais adequadas foram respeitadas, os documentos foram reunidos nos autos do processo, que estão instruídos com as provas produzidas por meios lícitos, em observância às garantias ao devido processo legal. Na busca da verdade material no processo administrativo fiscal podem ser examinados mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e feitos comerciais ou fiscais e os comerciantes, industriais ou produtores são obrigados a exibilos. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados devem ser conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Assim, a autoridade administrativa que proceder ou presidir a quaisquer diligências de fiscalização deve lavrar os termos necessários para que se documente o procedimento. (art. 197 do Código Tributário Nacional). Por essas razões, a Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência procedeu corretamente as investigações abrangentes observando as especificidades dos fatos objeto de exame de forma explícita, clara e congruente. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. A Recorrente suscita que as compensações formalizadas nos Per/DComp devem ser homologadas. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo. Posteriormente, ou seja, em de 30.12.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. O procedimento de apuração 1 Fundamentação legal: inciso LIV e inciso LV do art. 5º da Constituição Federal, art. 142 do Código Tributário Nacional, art 6º da Lei nº 10.593, de 6 de dezembro de 2001, art. 10 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999. Fl. 1164DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.163 11 do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de tributo pago a maior2. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais3. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos. Para que haja o reconhecimento do direito creditório é necessário um cuidadoso exame do pagamento a maior de tributo, uma vez que é absolutamente essencial verificar a precisão dos dados informados em todos os livros de escrituração obrigatórios por legislação fiscal específica bem como os documentos e demais papéis que serviram de base para escrituração comercial e fiscal. Desta forma, a comprovação, de maneira inequívoca, a liquidez e a certeza do valor pleiteado a título de restituição gera direito à compensação de débito até o valor reconhecido 4. Em relação à dedução de tributo retido na fonte a legislação prevê que no regime de tributação com base no lucro real a pessoa jurídica pode deduzir do valor apurado no encerramento do período, o valor retido na fonte sobre as receitas que integraram a base de cálculo correspondente5. Para tanto, as pessoas jurídicas são obrigadas a prestar aos órgãos da RFB, no prazo legal, informações sobre os rendimentos que pagaram ou creditaram no ano calendário anterior, por si ou como representantes de terceiros, com indicação da natureza das respectivas importâncias, do nome, endereço e número de inscrição no CNPJ, das pessoas que o receberam, bem como o imposto de renda retido da fonte, mediante a Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Também as pessoas jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte devem fornecer à pessoa jurídica beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, que no caso é o 2 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Códido Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003. 3 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. 4 Fundamentação legal: art. 37 da Constituição Federal, art. 14, art. 15, art. 16, art. 17, art. 26A e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 e inciso i do art. 333 do Código de Processo Civil. 5 Fundamentação legal: Lei 10.833 de 29 de dezembro de 2003. Fl. 1165DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.164 12 Informe de Rendimentos. Assim, o valor retido na fonte somente pode ser compensado se a pessoa jurídica possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora para fins de apuração do saldo negativo de CSLL no encerramento do período6. Ademais, em conformidade com o enunciado da Súmula CARF nº 80 “na apuração do IRPJ, a pessoa jurídica poderá deduzir do imposto devido o valor do imposto de renda retido na fonte, desde que comprovada a retenção e o cômputo das receitas correspondentes na base de cálculo do imposto”. I) Valor de R$146.956,18 de tributo retido na fonte paga no exterior O Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 (Decreto Legislativo nº 74, de 05 de dezembro de 1981 e Portaria MF nº 22 de 20 de janeiro de 1983) que promulga a Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Matéria do Imposto sobre a Renda determina que ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Argentina, o Brasil, ressalvado o disposto no parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na Argentina. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina. Atendendo às circunstâncias peculiares do fato de tratado nos autos, temse que pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante. Além disso, a pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Para efeito de determinação do limite o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto.O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. 6 Fundamentação legal: art. 86 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 11 do DecretoLei nº 1.968, de 23 de novembro de 1982 e art. 10 do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. Fl. 1166DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.165 13 Aa pessoas jurídicas que tiverem lucros, rendimentos ou ganhos de capital oriundos do exterior estão obrigadas ao regime de tributação com base no lucro real7. Observese que o tributo pago no exterior que tem possibilidade jurídica de ser compensado com o tributo pago no Brasil, deve ser aquele necessariamente incidente sobre a mesma base de cálculo como mecanismo para evitar dupla tributação internacional, em conformidade com o tratado internacional correspondente do qual o Brasil seja signatário. Vale ressaltar que em conformidade com o Relatório de Diligência, fls. 1014 1018, restaram confirmadas as seguintes informações: 9. O imposto pago no exterior informado como dedução da CSLL devida relativo ao ano calendário de 2000 deve atender às condições estabelecidas pela Lei n° 9.249/1995, art.25, e pela Lei no 9.430/1996, art.16, para que possa fazer parte da apuração do saldo negativo de CSLL. 10. Conforme solicitado na intimação, o interessado apresentou o artigo 93 da Lei n° 20.628, juntamente com tradução oficial às fls.975/979. 11. Juntou aos autos certificados de retenção de imposto emitidos por órgão competente argentino (fls.831/840/847). As informações do faturamento bem como dos valores. 12. De acordo com os demonstrativos as fls.829/830, os rendimentos constantes nos certificados de retenção n° 85842000007195 e 8584200076 correspondem ao ano calendário 2000 e o de n° 85842000003220 ao ano calendário de 1999. Tais rendimentos constam devidamente registrados no Livro Diário. Certificado nº 85842000007196 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Imposto de Renda Contribuição Social Diário Fl. AC 2000 2923 132.184,47 67.482,37 1010 2915 132.913,73 69.653,98 1007 Total 265.098,20 137.136,35 43.197,57 43.197,57 67.025,40 17.426,60 Certificado nº 85842000007195 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD 2924 220.733,47 112.343,99 1014 2925 1.259.376,00 640.969,06 1014 Total 1.480.109,47 753.313,05 237.291,54 237.291,54 368.727,90 95.869,26 7 Fundamentação legal:art. 15 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995. Fl. 1167DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.166 14 Certificado nº 85842000003220 Imposto Pago no Exterior Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD Valor Retenção USD (31,5%) Valor retenção AS (31,5%) Fatura Solvay Faturamento Valor R$ Faturamento Valor USD 2806/07 54.187,42 27.757,10 1003 2789 62.034,18 32.284,25 997 2756 449.083,89 234.398,40 994 33.223,02 25.507,28 (64.109,95) Total 565.305,49 289.060,10 91.053,93 163.123,12 129.462,80 33.660,32 13. Anexo 3 — Detalhamento da Receita de Serviços, Valores Recebidos e Retenção do Imposto (fl.1026) demonstra o valor liquido recebido que confere com os contratos de câmbio juntados aos autos (fls.1027/1040). 14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no 9.430/1996, a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. 15. Para efeito de cálculo do limite do valor do imposto compensável, o contribuinte foi intimado (fl.1043) a apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000. 16. Em resposta foi apresentado Demonstrativo da Receita de Serviços e Custos dos Serviços— 1999 e 2000 — Faturamento para a Solvay Indupa S.A.I.C. Argentina (fl.1047) onde consta a informação de que o valor dos serviços faturados para o exterior é igual ao custo dos serviços acrescentados somente do ISS, não tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços. 17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor de R$146.956,18, relativa à dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$60.029,20, conforme Despacho Decisório fl.754 (grifos acrescentados). Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência por estarem explícitas, claras e congruentes com as determinações legais de que a pessoa jurídica pode compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. Não há previsão legal para compensar o tributo pago no exterior com o tributo não pago no Brasil, incidente sobre a mesma base de cálculo, já que nesse caso não há que se falar em dupla tributação internacional, em conformidade com o Decreto nº 87.976, de 22 de dezembro de 1982 que promulgou a Convenção entre a República Federativa do Brasil e a República Argentina destinada a Evitar a Dupla Tributação e Prevenir a Evasão Fiscal em Fl. 1168DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.167 15 Matéria do Imposto sobre a Renda. Logo, não deve ser reconhecido qualquer valor a esse título. A conclusão oferecida pela defendente, porém, não pode subsistir. II) Valor de R$139.538,63 atinente à CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no período de abril anocalendário de 2002. A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como o IRPJ ou a CSLL determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ ou de CSLL a pagar ou a ser compensado no encerramento do anocalendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza8. No que se refere à dedução de IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada, temse que a pessoa jurídica que adota o regime de tributação do lucro real pode optar pela apuração anual de IRPJ e de CSLL, o que lhe impõe o pagamento destes tributos em cada mês, determinados sobre base de cálculo estimada, ainda que venha a apurar prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa no balanço encerrado em 31 de dezembro do anocalendário. Pode, todavia, suspender ou reduzir os pagamentos dos tributos devidos em cada mês, desde que demonstre, mediante de balanços ou balancetes mensais, que as quantias acumuladas já recolhidas excedem os valores dos tributos devidos referentes ao período em curso. Para tanto, estes balanços ou balancetes devem ser levantados com observância das leis comerciais e fiscais e transcritos no livro Diário e a demonstração do lucro real relativa ao período deve ser transcrita no Livro de Apuração do Lucro Real (Lalur). O regime de tributação com base no lucro real anual prevê que a pessoa jurídica que efetuar pagamento de tributo a título de estimativa mensal pode utilizálo ao final do período de apuração na dedução do devido ou para compor o saldo negativo, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza9. Cabe esclarecer que em conformidade com o Relatório de Diligência, fls. 10141018, restaram confirmadas as seguintes informações: 18. Com relação ao processo n° 11610.021229/200296, que trata da análise do saldo negativo de IRPJ e CSLL ano calendário 2001, verificouse que foi emitido Acórdão pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — CARF, que deu provimento ao recurso e determinou que fosse calculada as compensações (cópia do Acórdão às fls.1081/1089). 8 Fundamentação legal: art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996. 9 Fundamentação legal: art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 9º do Decreto Lei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, 1º e art. 2º, art. 51 e art. 74 da Lei nº 9.430, de 26 de dezembro de 1996, art. 49 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, art. 73 da Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 4º da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, art. 30 da Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, art. 96, inciso I do art. 100, inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional, Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012, art. 269 do Código de Processo Civil, Lei Complementar nº 118, de 9 de fevereiro de 2005 e art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF e art. 83 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Fl. 1169DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.168 16 19. Em atendimento ao referido Acórdão, foi emitido despacho onde consta a convalidação da compensação sem processo do saldo credor de CSLL AC 2001 com a estimativa de CSLL período de apuração abril/2002 no valor de R$114.468,53. 20. Por todo exposto, concluise que o saldo credor de CSLL AC 2002 foi de R$228.859,21, conforme demonstrado abaixo: AC 2002 Valor Pleiteado Ficha 17 Observação CSLL Devida () CSLL mensal paga por estimativa (114.390,68) Confirmado cf Despacho Decisório (fls.750/757) () CSLL mensal paga por estimativa (114.468,53) Confirmado cf tens "18" e "19" () Imposto pago no exterior CSLL a Pagar (228.859,21) Nesse sentido, devem ser acolhidas como corretas as análises realizadas pela Autoridade Fiscal responsável pela realização da diligência por estarem explícitas, claras e congruentes, em conformidade com as decisões constantes processo n° 11610.021229/200296, com o qual esse é conexo. Portanto deve ser reconhecido em sede de segunda instância de julgamento o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002. Ressaltese que já foi reconhecido no Despacho Decisório, fls. 772779 o valor de R$114.390,68 a título de saldo negativo de CSLL no anocalendário de 2002. A contestação aduzida pela defendente, por isso, pode ser sancionada em parte. No que concerne à interpretação da legislação e aos entendimentos doutrinários e jurisprudenciais indicados pela Recorrente, cabe esclarecer que somente devem ser observados os atos para os quais a lei atribua eficácia normativa, o que não se aplica ao presente caso10. A alegação relatada pela defendente, consequentemente, não está justificada. Atinente aos princípios constitucionais que a Recorrente aduz que supostamente foram violados, cabe ressaltar que o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária, uma vez que no âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade11. A proposição afirmada pela defendente, desse modo, não tem cabimento. Em assim sucedendo, voto por dar provimento em parte ao recurso voluntário para reconhecer o valor de R$114.468,53 a título de saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2002 de para fins de homologar da compensação dos débitos até o limite do crédito reconhecido. 10 Fundamentação legal: art. 100 do Código Tributário Nacional e art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. 11 Fundamentação legal: art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 e Súmula CARF nº 2. Fl. 1170DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.169 17 (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Voto Vencedor Conselheiro Leonardo Mendonça Marques, Redator Designado Pedi vista dos autos para apreciar, especialmente, a questão da apropriação dos tributos incidentes no exterior sobre os rendimentos da Recorrente, na composição do saldo negativo de CSLL. Para bem delimitar a lide sob análise, vejamos o que restou definido em cada etapa processual: No Despacho Decisório de fls. 750 e seguintes, assentouse que (fl. 754): “26. Em relação ao Imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, deve ser considerada a Instrução Normativa SRF nº. 213, de 7 de outubro de 2002, que trata do assunto em questão. De acordo com tal IN: 27. Analisandose DIPJ 2001, no entanto, foi constatado que não foram declarados rendimentos e ganhos de capital no exterior na ficha 06ª – Demonstração do Resultado (fl. 307), e também não foi adicionado, na ficha 17 – Cálculo da CSLL, nenhum montante nas linhas 05 – Lucros disponibilizados no Exterior e 06 Rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior, à Base de Cálculo da CSLL (fl. 321 – Ficha 17). Assim sendo, a dedução no montante de R$ 146.956,18, referente a imposto pago no exterior sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital, não pode ser considerada. 28. Assim, no AC 2000, em vez de saldo credor, foi apurado um saldo devedor de CSLL, no montante de R$ 60.029,20, conforme demonstrado abaixo. 29. Desta forma, as compensações sem processo com o saldo do AC 2000 não podem ser convalidadas. 30. No que se refere à compensação sem processo com o saldo credor de CSLL do AC 2001, foi constatado, através da leitura do despacho decisório do processo 11610.012229/200296 (fls. 296 a 303), que essa não foi convalidada. ... 33. Tendo em vista o constante no presente processo, e a análise feita, PROPONHO: ... Fl. 1171DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.170 18 d) a NÃO CONVALIDAÇÃO das compensações sem processo dos débitos de fls. 291 a 293, compensados com o saldo credor de CSLL do AC 2000;” Em manifestação de inconformidade, no que tange ao aproveitamento da tributação havida no exterior, alegouse que as receitas respectivas foram oferecidas à tributação e computadas na DIPJ 2001 na linha “Receita de Prestação de Serviços”, anexando também os “certificados de retenção de imposto no exterior”. Argumenta que aquela seria a linha correta na DIPJ, e que “lucros, rendimentos e ganhos de capital no exterior” abrangeria esses ingressos, mas não as receitas de prestação de serviços. Quanto ao saldo credor de CSLL de 2001, confirmou que o despacho decisório de indeferimento (no processo nº. 11610.021229/200296) ainda estava submetido à tramitação do contencioso administrativo. O julgamento na d. DRJ em São Paulo (fl. 882 e ss.) proclamou a homologação tácita da DCOMP apresentada em 24/02/2003. Por outro lado, manteve a glosa da dedução da tributação no exterior, arguindo óbice diverso daquele invocado no despacho impugnado: o problema seria a falta de revestimento formal previsto na lei, dos documentos estrangeiros comprobatórios da tributação na Argentina. Em recurso voluntário foram reiterados os argumentos submetidos à 1ª Instância, com questionamento dos requisitos formais suscitados na DRJ e com considerações sobre o pedido de diligência que restou indeferido. Nos termos da Resolução nº. 180100.057, esta E. 1ª Turma Especial converteu o julgamento em diligência, no sentido de aperfeiçoar a instrução processual, de modo a viabilizar a mais adequada decisão sobre a lide administrativa. No relatório de diligência (fl. 1.092 e ss.), restou confirmado que os rendimentos constantes nos certificados de retenção (na Argentina), foram devidamente registrados no Livro Diário. E referese que a Recorrente trouxe aos autos documentação traduzida para confirmar a tributação na fonte efetivada no exterior. Porém, nova argumentação foi invocada para obstar o aproveitamento dos créditos da tributação estrangeira. Ao pretender dar cumprimento à diligência determinada, a repartição responsável, interpretando a legislação aplicável, intimou a Recorrente a “apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000.” E, apurando ausência de lucro na prestação de serviços específica, aduz que “o limite do imposto compensável é zero”. Quanto ao saldo negativo de 2001, o relatório informa que houve julgamento no processo nº. 11610.021229/200296, definindo o saldo credor de 2001 (anocalendário), com despacho de convalidação da compensação do saldo credor no valor de R$ 114.468,53. Conclui apontando saldo credor de CSLL para o anobase 2002, no montante de R$ 228.859,21. As razões postas nos autos para rejeitar o aproveitamento do tributo retido na Argentina, não merecem acolhimento. Fl. 1172DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.171 19 Em primeiro lugar, revelase nos presentes autos uma sequência de inovações argumentativas, a cada instância, surpreendendo a Recorrente e denotando violação das regras do processo administrativo fiscal. No processo de insurgência contra o ato administrativo original, as instâncias julgadoras devem apreciar os questionamentos do sujeito passivo, e não implementar o aperfeiçoamento das imputações ou dos óbices lançados pela autoridade preparadora. Mais grave ainda, se ao inovar, a instância seguinte nem mesmo firma posição quanto aos fundamentos contrários ao contribuinte adotados pela autoridade anterior. Ademais, a repartição fiscal, ao dar cumprimento à diligência requerida pelo CARF, deve atuar nos limites da demanda instrutória. Descabe sacar novo argumento, nunca cogitado nos autos, nem pela DRJ, nem no despacho decisório. Foi o que ocorreu no cumprimento da diligência em tela. O processo assim desenvolvido aponta para nulidade, para cerceamento do direito de defesa, para negativa de prestação da atividade judicante administrativa. No entanto, atentando para a ressalva disposta no parágrafo 3º do artigo 59 do Decreto nº. 70.235/72 (“quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta”), o prosseguimento na apreciação da lide mostrase pertinente. Pelo que se apura do conjunto probatório trazido ao processo, tanto com as peças de defesa, como no contexto da diligência determinada por esta E. Turma, há comprovação: das retenções efetivadas na fonte localizada na Argentina; de que o valor líquido (pós retenção) recebido confere com os contratos de câmbio juntados aos autos; de que os rendimentos/receitas do exterior foram registrados no Livro Diário da Recorrente; de que tais receitas foram incluídas na DIPJ 2001, na linha “Receitas de Prestação de Serviços”; de que o tributo retido na Argentina atende ao requisito de ser “congênere” com os tributos sobre a renda no Brasil, embora incidindo sobre base imponível bruta (não lucro, tal qual nosso IRRF). Portanto, nada mais faltaria para o deferimento do pleito inicial da Recorrente. Tenho que esses elementos todos suprem os defeitos apontados no despacho decisório e na DRJ quanto à comprovação dos créditos de retenções no exterior e sua dedutibilidade nos termos da lei interna. Ocorre que o relatório de diligência aponta prejudicialidade de cunho jurídico, inédita na lide dos autos, contra o deferimento do pedido da Recorrente. Por tudo o que já referimos, resta clara a impertinência processual da inovação em comento. Cabe trazer à colação trecho conclusivo do voto condutor do Acórdão nº 180300.482, que tratou da mesma matéria, com a mesma Recorrente (relativamente a período anterior, processo nº. 11610.021229/200296, já citado), de lavra do Conselheiro Sérgio Rodrigues Mendes: Quanto a esse ponto, dispõe o art. 128 do Código de Processo Civil – CPC (Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973), aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal (PAF) (sublinhouse): Art. 128. O juiz decidirá a lide nos limites em que foi proposta sendolhe defeso conhecer de questões não suscitadas, a cujo respeito a lei exige a iniciativa da parte. Fl. 1173DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.172 20 Observase que, em nenhum momento, nos autos, foi levantada, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil (DRF), a questão de o documento de imposto de renda emitido pelo país onde o Recorrente prestou os serviços no ter o reconhecimento pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. Assim sendo, não é admissível que a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) e, menos ainda, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) atropelando a procedimento adotado pela DRF, exijam novas comprovações anteriormente não requeridas, obstando, dessa forma, por vias transversas, o pleito da recorrente. A 3ª Turma Especial, no aresto acima mencionado, encerrou a apreciação da lide diante da inovação vedada ocorrida na DRJ. Nos presentes autos, a E. Turma determinou o avanço na instrução probatória. Em retorno, recebeu nova argumentação, além dos documentos e dados requeridos. Para bem concluir o julgamento, passase a analisar a alegação vinda com o relatório de diligência, tendose em vista a ressalva de que a análise é possível porque a solução de mérito favorece a Recorrente. Eis o que se alega no relatório de diligência: 14. Nos termos do art.26 da Lei n° 9.249/1995 e art.16 da Lei no 9.430/1996, a pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. 15. Para efeito de cálculo do limite do valor do imposto compensável, o contribuinte foi intimado (fl.1043) a apresentar os custos relativos às operações de prestação de serviços no exterior nos anos de 1999 e 2000. 16. Em resposta foi apresentado Demonstrativo da Receita de Serviços e Custos dos Serviços — 1999 e 2000 — Faturamento para a Solvay Indupa S.A.I.C. Argentina (fl.1047) onde consta a informação de que o valor dos serviços faturados para o exterior é igual ao custo dos serviços acrescentados somente do ISS, não tendo sido auferido nenhum lucro no faturamento dos serviços. 17. Uma vez que não houve apuração de lucro sobre os serviços prestados no exterior, o limite do imposto compensável é zero. Portanto, a glosa no valor de R$ 146.956,18, relativa à dedução de imposto pago no exterior, deve ser mantida, o que resulta em saldo devedor de CSLL AC 2000, no montante de R$ 60.029,20, conforme Despacho Decisório à fl. 754. Grifamos o trecho supra em que o entendimento equivocado foi sintetizado. A autoridade fiscal interpretou as normas aplicáveis, considerando que o limite para a compensação, no caso em tela, repousaria no lucro obtido na operação no exterior. Fl. 1174DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.173 21 Os dispositivos legais diretamente envolvidos tem o seguinte teor: Lei 9.430/96 Art. 15. A pessoa jurídica domiciliada no Brasil que auferir, de fonte no exterior, receita decorrente da prestação de serviços efetuada diretamente poderá compensar o imposto pago no país de domicílio da pessoa física ou jurídica contratante, observado o disposto no art. 26 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 Lei 9.249/95 Art. 26. A pessoa jurídica poderá compensar o imposto de renda incidente, no exterior, sobre os lucros, rendimentos e ganhos de capital computados no lucro real, até o limite do imposto de renda incidente, no Brasil, sobre os referidos lucros, rendimentos ou ganhos de capital. § 1º Para efeito de determinação do limite fixado no caput, o imposto incidente, no Brasil, correspondente aos lucros, rendimentos ou ganhos de capital auferidos no exterior, será proporcional ao total do imposto e adicional devidos pela pessoa jurídica no Brasil. § 2º Para fins de compensação, o documento relativo ao imposto de renda incidente no exterior deverá ser reconhecido pelo respectivo órgão arrecadador e pelo Consulado da Embaixada Brasileira no país em que for devido o imposto. § 3º O imposto de renda a ser compensado será convertido em quantidade de Reais, de acordo com a taxa de câmbio, para venda, na data em que o imposto foi pago; caso a moeda em que o imposto foi pago não tiver cotação no Brasil, será ela convertida em dólares norteamericanos e, em seguida, em Reais. A leitura do caput do artigo 26 tem que ser promovida correlacionando cada valor econômicocontábil referido no início, com o mesmo signo linguístico empregado pelo legislador na parte final, quando define os limites. Assim, o tributo incidente no exterior sobre determinado lucro, terá como limite de aproveitamento máximo o montante do tributo congênere incidente no Brasil sobre esse mesmo lucro. O teto para dedução do imposto incidente no exterior sobre o ganho de capital, será o imposto resultante da tributação desse mesmo ganho, segundo as leis brasileiras. E, como no caso dos autos, a limitação da dedução do imposto de renda recolhido na fonte, no exterior, sobre receitas de prestação de serviços (rendimentos), encontra parâmetro no montante da incidência interna sobre esses mesmos rendimentos brutos (não delineados por subtração de custos, como se sugeriu na diligência fiscal). Fl. 1175DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.174 22 A fórmula veiculada no artigo 26 adota modelo tradicional em termos de tributação internacional, que busca a equalização de crédito/débito, na transposição de um Estado para outro. Evitase que um Estado que utilize alíquotas mais reduzidas, tenha que conceder crédito mais elevado para quem tenha obtido lucros, ou receitas, no exterior, em Estado que aplique alíquotas mais elevadas. Aquele primeiro Estado teria arrecadado menos em sua tributação interna, e ainda arcaria com renúncia fiscal desvinculada dos parâmetros nacionais. A norma legal brasileira refletiu o que já figurava desde 1982 no Acordo para evitar a bitributação entre Brasil e Argentina (Decreto nº 87.976/82) ARTIGO XXII Outros rendimentos Os rendimentos de um residente de um Estado Contratante não tratados nos artigos anteriores e provenientes do outro Estado Contratante são tributáveis nesse outro Estado. ARTIGO XXIII Métodos para evitar a dupla tributação 1. Quando um residente do Brasil receber rendimentos que, de acordo com as disposições da presente Convenção, sejam tributáveis na Argentina, o Brasil, ressalvado o disposto no parágrafo 2, permitirá que seja deduzido do imposto que cobrar sobre os rendimentos desse residente um montante igual ao imposto sobre a renda pago na Argentina. Todavia, o montante deduzido não poderá exceder à fração do imposto sobre a renda, calculado antes da dedução, correspondente aos rendimentos tributáveis na Argentina. Portanto, não procede o entendimento de que, no caso ora analisado, o limite para a dedução do imposto incidente sobre as receitas tributadas na fonte na Argentina, estaria delimitado pelo tributo incidente sobre os lucros na prestação de serviços específica. O limite deve ser fixado no montante obtido pela incidência, no Brasil, do imposto de renda computado sobre os rendimentos (receitas) auferidos na prestação de serviços no exterior, tal como procedeu a Recorrente. Por fim, com relação ao saldo negativo do anocalendário de 2001, diante do julgamento favorável no processo nº. 11610.021229/200296, já apropriado no relatório de diligência, deve ser reconhecido o saldo credor dele decorrente. Pelo exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. Fl. 1176DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA Processo nº 11610.002999/200311 Acórdão n.º 1801001.711 S1TE01 Fl. 1.175 23 (assinado digitalmente) Leonardo Mendonça Marques Fl. 1177DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES, Assinado digitalmente em 14/06 /2014 por ANA DE BARROS FERNANDES, Assinado digitalmente em 28/04/2014 por LEONARDO MENDONCA MARQUES , Assinado digitalmente em 08/05/2014 por CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Numero do processo: 10580.720904/2009-71
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2201-000.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Nome do relator: Não se aplica
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, SOBRESTAR o recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, nos termos do voto da Conselheira Relatora. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO – Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). RELATÓRIO Contra a contribuinte JANETE FADUL DE OLIVEIRA, foi lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário de IRPF, referente aos exercícios de 2005, 2006 e 2007, no valor de R$172.978,55, incluída a multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora, originado da constatação de classificação indevida na Declaração de Ajuste Anual, de rendimentos tributáveis recebidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia. O procedimento fiscal encontrase resumido na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, na qual o autuante esclarece que a contribuinte classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, a título diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei Estadual nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, do Estado da Bahia. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .7 20 90 4/ 20 09 -7 1 Fl. 147DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 148 2 Cientificada do lançamento, a contribuinte apresentou Impugnação, cujos principais argumentos estão sintetizados pelo relatório do Acórdão de primeira instância, o qual adoto, nesta parte: a) não classificou indevidamente os rendimentos recebidos a título de URV, pois o enquadramento de tais rendimentos como isentos de imposto de renda encontrase em perfeita consonância com a legislação instituidora de tal verba indenizatória; b) o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais, e que por esse motivo estariam isentas da contribuição previdenciária e do imposto de renda. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; c) o Estado da Bahia abriu mão da arrecadação do IRRF que lhe caberia ao estabelecer no art. 5º da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, a natureza indenizatória da verba paga, sendo a União parte ilegítima para exigência de tal tributo. Além disso, se a fonte pagadora não fez a retenção que estaria obrigada, e levou o autuado a informar tal parcela como isenta em sua declaração de rendimentos, não tem este último qualquer responsabilidade pela infração; d) independentemente da controvérsia quanto à competência ou não do Estado da Bahia para regular matéria reservada à Lei Federal, o valor recebido a título de URV tem a natureza indenizatória. Neste sentido já se pronunciou o Supremo Tribunal Federal, o Presidente do Conselho da Justiça Federal, Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, Poder Judiciário de Rondônia, Ministério Publico do Estado do Maranhão, bem como, ilustres doutrinadores; e) caso os rendimentos apontados como omitidos de fato fossem tributáveis, deveriam ter sido submetidos ao ajuste anual, e não tributados isoladamente como no lançamento fiscal; f) ainda que as diferenças de URV recebidas em atraso fossem consideradas como tributáveis, não caberia tributar os juros e correção monetária incidentes sobre elas, tendo em vista sua natureza indenizatória; g) mesmo que tal verba fosse tributável, não caberia a aplicação da multa de ofício e juros moratórios, pois o autuado teria agido com boafé, seguindo orientações da fonte pagadora, que por sua vez estava fundamentada na Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 2003, que dispunha acerca da natureza indenizatória das diferenças de URV; h) o Ministério da Fazenda, em resposta à Consulta Administrativa feita pela Presidente do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, também, teria manifestadose pela inaplicabilidade da multa de ofício, em razão da flagrante boafé dos autuados, ratificando o entendimento já fixado pelo AdvogadoGeral da União, através da Nota AGU/AV 12/2007. Na referida resposta, o Ministério da Fazenda reconhece o efeito vinculante do comando exarado pelo Advogado Geral da União perante à PGFN e a RFB. Antes do julgamento, foi determinada diligência fiscal para que o órgão de origem adotasse as medidas cabíveis para ajustar o lançamento fiscal ao Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009, para que fossem levadas em consideração as tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, devendo o cálculo ser mensal e não global. Fl. 148DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 149 3 Não obstante, essa diligência fiscal ficou prejudicada com a edição do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2.331/2010, que concluiu pela suspensão das medidas propostas pelo Parecer PGFN/CRJ/Nº 287/2009 até que a questão fosse apreciada pelo Supremo Tribunal Federal. A 3ª Turma da DRJ em Salvador/BA julgou procedente o lançamento, nos termos da ementa a seguir: “DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos membros do Ministério Público do Estado da Bahia, em decorrência do art. 2º da Lei Complementar do Estado da Bahia nº 20, de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte.” Cientificada da decisão de primeira instância, a contribuinte interpôs, em 02/05/2011, Recurso Voluntário Tempestivo de fls. 100/137, utilizandose dos mesmos fatos e fundamentos legais da peça impugnatória. VOTO O Recurso preenche as condições de admissibilidade. Dele conheço. Antes da apreciação do presente recurso, é cediço que se registre que a exigência em questão versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente – RRA, por pessoa física, em períodos diversos daquele de sua competência, calculado de forma anual, considerando as tabelas e alíquotas do período do recebimento. Essa é matéria reconhecida de repercussão geral, que aguarda julgamento dos Recursos Especiais nº 614.232/RS e 614.406/RS, pelo Supremo Tribunal Federal, no tocante a constitucionalidade do art. 12 da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, in verbis: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Vejase a ementa do julgado: TRIBUTÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO. IMPOSTO DE RENDA SOBRE VALORES RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. ART. 12 DA LEI 7.713/88. ANTERIOR NEGATIVA DE REPERCUSSÃO. MODIFICAÇÃO DA POSIÇÃO EM FACE DA SUPERVENIENTE DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEI FEDERAL POR TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL. 1. A questão relativa ao modo de cálculo do imposto de renda sobre pagamentos acumulados se por regime de caixa ou de competência vinha sendo considerada por esta Corte Fl. 149DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 150 4 como matéria infraconstitucional, tendo sido negada a sua repercussão geral. 2. A interposição do recurso extraordinário com fundamento no art. 102, III, b, da Constituição Federal, em razão do reconhecimento da inconstitucionalidade parcial do art. 12 da Lei 7.713/88 por Tribunal Regional Federal, constitui circunstância nova suficiente para justificar, agora, seu caráter constitucional e o reconhecimento da repercussão geral da matéria. 3. Reconhecida a relevância jurídica da questão, tendo em conta os princípios constitucionais tributários da isonomia e da uniformidade geográfica. 4. Questão de ordem acolhida para: a) tornar sem efeito a decisão monocrática da relatora que negava seguimento ao recurso extraordinário com suporte no entendimento anterior desta Corte; b) reconhecer a repercussão geral da questão constitucional; e c) determinar o sobrestamento, na origem, dos recursos extraordinários sobre a matéria, bem como dos respectivos agravos de instrumento, nos termos do art. 543B, § 1º, do CPC. (RE 614406 AgRQORG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 20/10/2010, DJe043 DIVULG 03032011 PUBLIC 04032011 EMENT VOL0247601 PP 00258 LEXSTF v. 33, n. 388, 2011, p. 395414 ).(Grifei.) Conforme se vê, o Supremo Tribunal Federal reconheceu a repercussão geral do tema em questão, qual seja, incidência de imposto de renda sobre rendimentos da pessoa física pagos acumuladamente e determinou o sobrestamento na origem dos recursos extraordinários sobre a matéria. O Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF determina que os Conselheiros deverão reproduzir as decisões proferidas Supremo Tribunal Federal STF na sistemática prevista pelo art. 543B do Código de Processo Civil – CPC, nos seguintes termos: Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes. (grifei) Para regulamentar referido dispositivo foi editada em 03 de janeiro de 2012, a Portaria CARF n° 001/2012, que determina os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o §1o do art. 62A do anexo II do Regimento Interno do CARF, nos seguintes termos: Fl. 150DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 151 5 Art. 1º. Determinar a observação dos procedimentos dispostos nesta portaria, para realização do sobrestamento do julgamento de recursos em tramitação no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, em processos referentes a matérias de sua competência em que o Supremo Tribunal Federal STF tenha determinado o sobrestamento de Recursos Extraordinários RE, até que tenha transitado em julgado a respectiva decisão, nos termos do art. 543B da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Parágrafo único. O procedimento de sobrestamento de que trata o caput somente será aplicado a casos em que tiver comprovadamente sido determinado pelo Supremo Tribunal Federal STF o sobrestamento de processos relativos à matéria recorrida, independentemente da existência de repercussão geral reconhecida para o caso. Art. 2º. Cabe ao Conselheiro Relator do processo identificar, de ofício ou por provocação das partes, o processo cujo recurso subsumase, em tese, à hipótese de sobrestamento de que trata o art. 1º. Diante de todo o exposto, voto no sentido de SOBRESTAR o julgamento do presente recurso, conforme a Portaria CARF nº 1, de 2012, devendo o processo ser novamente incluído em pauta, após o pronunciamento definitivo do Supremo Tribunal Federal, de acordo com o disposto no art. 543B, §1o, do Código de Processo Civil, ou que haja alteração na legislação vigente, referente a sobrestamento dos feitos. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Fl. 151DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10580.720904/200971 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2201000.123 S2C2T1 Fl. 152 6 Fl. 152DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 05/02/2013 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10675.000593/2004-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000
COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO.
Excluem-se dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência.
PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora.
RO Negado e RV provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.685
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora.
(Assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(Assinado digitalmente)
MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó.
Nome do relator: MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF Ano-calendário: 1999, 2000 COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Excluem-se dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência. PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. RO Negado e RV provido em Parte.
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DISTRIBUIÇÃO SA FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Anocalendário: 1999, 2000 COMPROVAÇÃO PAGAMENTOS. PROCEDIMENTO ANTERIOR AO LANÇAMENTO. Excluemse dos lançamentos os valores retidos e pagos pelos Bancos a títulos de CPMF anteriormente ao procedimento fiscal, devidamente comprovados em diligência. PAGAMENTO FORA DO PRAZO SEM A DEVIDA MULTA DE MORA Constitui inovação ao lançamento o fato mencionado na decisão recorrida acerca de pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. RO Negado e RV provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário e negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto da relatora. (Assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ – Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 00 05 93 /2 00 4- 67 Fl. 442DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 443 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), Gileno Gurjão Barreto (VicePresidente), Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Paulo Guilherme Deroulede e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Relatório Tratamse de Recurso de Ofício, de acordo com o art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997, e Portaria MF nº 003, de 03 de janeiro de 2008 e de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte MARTINS COMÉRCIO E SERV. DISTRIBUIÇÃO SA, ambos em face do Acórdão nº . 0923.792 I a Turma da DRJ/JFA, que revisa o Acórdão n° 0917.004, de 29de agosto de 2007, anteriormente prolatado. Por bem relatar os fatos, transcrevese a seguir o relatório do Acórdão recorrido: “Tratase de auto de infração (fls. 1/10), lavrado contra o contribuinte em epígrafe, relativo à falta de recolhimento da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF, relativamente a fatos geradores ocorridos de 17/06/1999 a 05/04/2000, no montante de R$ 6.834.089,13, incluídos o principal, a multa de ofício e os juros de mora devidos até a data da lavratura do auto. Segundo a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal constante do Auto de Infração, o lançamento decorreu de "FALTA DE RECOLHIMENTO DA CONTRIB. PROV. S/ MOVIM.OU TRAMSM. VAL. E CRÉD. E DIR. DE NAT. F1NANC. A PARTIR DE 17/06/1999", conforme discriminado nos demonstrativos de fls. 02/10. Inconformada com a autuação, a contribuinte apresenta impugnação de fls.31/44, carreando aos autos os documentos de fls. 63/128 a fim de comprovar as alegações abaixo: 1) Em preliminar informa pagamento parcial do auto de infração, relativamente aos valores não retidos e não recolhidos pelos bancos Banestado e Banco do Brasil, após a cassação da medida judicial em 03/03/2000, que ampara o não recolhimento da CPMF. Afirma ter procedido ao recolhimento da respectiva contribuição, acrescida da SELIC e da multa de 75%, totalizando um crédito tributário recolhido nos valores de R$17.524,69 (Banestado) e R$20.923,66 (Banco do Brasil). Do mesmo modo procedeu a autuada a pagamento parcial do montante relativo a CPMF apurada em decorrência de operações bancárias efetuadas junto à Caixa Econômica Federal. 2) Propugna pela nulidade do auto de infração por afronta aos princípios constitucionais de defesa do contribuinte, Fl. 443DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 444 3 configuração do crime de excesso de exação, alegando a inexistência de qualquer crédito tributário relativo a CPMF pendente de quitação. 3) Defende ainda a nulidade da autuação por ilegitimidade passiva aduzindo ser a autuada parte ilegítima para figurar no pólo passivo do presente feito vez que a obrigação pela retenção e recolhimento da contribuição é por lei atribuída às instituições financeiras. 4) No mérito aduz que esteve acobertada por liminar no Mandado de Segurança n° 1999.38.03.0016988 e que os débitos da CPMF tornaramse exigíveis somente em 03/03/2000, quando a decisão proferida em primeira instância tornouse eficaz. 5) Conclui com base no artigo 63, parágrafo 2o , da Lei 9.430/96, que, no presente caso, considerando que a decisão judicial que considerou devido o tributo somente em 03/03/2000 (uma sextafeira), o prazo de 30 dias para pagamento do respectivo tributo sem incidência de multa de mora terminou em 05/04/2000. 6) Assegura a autuada que, após a análise da questão relativamente a cada uma das instituições financeiras citadas no presente auto de infração,apurou o que se segue. Em 31/03/2000, o Banco ABN AMRO Real S.A. debitou na conta corrente n° 20012094, a CPMF no valor de R$2.415.020,04, cinco dias antes do término do prazo para recolhimento. Afirma que a referida instituição financeira enviou correspondência à autuada informando equívocos nos lançamentos internos, que ocasionaram informação para a Receita Federal de pendência de recolhimento da CPMF por parte da autuada, na qual atesta que toda a contribuição devida em face da revogação da decisão judicial de que era beneficiária a autuada (de 174/06/1999 a 01/03/2000) foi retida em 31/03/2000 e recolhida em 05/04/2000. Com relação ao banco Bradesco, informa que foi debitado na contacorrente n° 00087041, mantida pela autuada, junto à referida instituição financeira, o montante de R$33.266,59, relativamente aos valores devidos a título da CPMF informados no demonstrativo apresentado à Receita Federal. A Caixa Econômica Federal informou para Receita Federal que os valores devidos a título da CPMF totalizavam R$285.077,15, no entanto após minucioso levantamento conclui a autuada que o valor efetivamente devido era R$10.462,16. Assim, procedeu ao recolhimento com a devida atualização pela SEL1C e aplicação da multa de 75%. Entende a autuada que a justificativa da diferença encontrada entre os valores apontados pela instituição financeira e aqueles efetivamente devidos pela autuada devem ser buscados junto à citada instituição financeira. Fl. 444DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 445 4 Insurgese a contribuinte contra a imposição da multa de 75%, por ser injusta uma vez que comprovado o pagamento integral do crédito tributário objeto da autuação. Contesta também a cobrança de juros de mora tendo em vista que o suposto crédito tributário foi devidamente pago, não devendo também em relação a esta parcela o auto de infração prevalecer. Por fim, requer o reconhecimento da nulidade do auto de infração, o deferimento da sua impugnação e a realização de perícia visando apurar os lançamentos bancários sujeito à incidência da CPMF. Do exame dos elementos constantes dos autos, verificouse divergências entre os valores devidos a título da CPMF informados à Receita Federal pelas instituições financeiras Banco ABN AMRO Real S/A e Caixa Econômica Federal e as informações prestadas pela autuada em sua impugnação. Constatouse que o documento de fls. 75, não se mostrou suficiente, inclusive no seu aspecto formal, para comprovar cabalmente a alegação da autuada no sentido de que a retenção da CPMF para o período de 17/06/1999 a 01/03/2000 fora efetivada. Já com relação aos documentos de fls. 105/128, extratos da Caixa Econômica Federal, verificouse ainda que a quase totalidade dos lançamentos a débito foi efetuada com não incidência da CPMF, apurandose ao final um valor total devido de CPMF no montante de R$ 10.462,16. Por outro lado, os valores declarados pela CEF como devidos a título da CPMF, resumidos no demonstrativo de fls. 14, totalizam R$ 285.077,15. Em vista do exposto, e por conta do princípio da verdade material que norteia o julgamento administrativotributário, o processo foi enviado à Repartição de origem a fim de efetuar diligência junto às instituições financeiras para apurar: "l)No caso do BANCO ABN AMRO REAL S/A: o total dos valores debitados a título da CPMF e as datas dos respectivos débitos nas contas correntes do contribuinte em epígrafe, relacionados às movimentações financeiras sujeitas à cobrança da mencionada contribuição no período de 17/06/1999 a 01/03/2000. 2) No caso da Caixa Econômica Federal, o valor total das movimentações financeiras sujeitas à retenção da CPMF, os valores debitados a título da CPMF e as datas dos respectivos débitos nas contas correntes do contribuinte em epígrafe, tudo relativamente ao período de 17/06/1999 a 22/03/2000.". Da diligência efetuada junto à autuada resultou o Relatório Fiscal de fls.280/281, por meio do qual o Auditor Fiscal conclui: Fl. 445DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 446 5 a CPMF devida relativamente às movimentações financeiras junto ao Banco ABN AMRO REAL está quitada. a movimentação financeira da correntista junto à CAIXA ECONÔMICA FEDERAL CEF gerou na verdade um montante de CPMF não retida no valor de R$12.435,68, relativamente aos fatos geradores de 17/06/1999 a 22/03/2000, restando descaracterizado o valor de R$285.077,15 a título de CPMF que originou o presente auto de infração. do valor devido de CPMF de R$12.435,68, a autuada comprovou o pagamento de R$10.432,96 (correspondente a R$10.462,16 R$29,20, que é o valor devido de abril de 2000 não contemplado no auto de infração), remanescendo portanto o valor da CPMF ainda não recolhida de R$2.002,72 (valor original). A interessada teve ciência do referido Relatório Fiscal em 29/06/2007, conforme "AR" de fls. 308. Em sua manifestação, às fls. 309/310, informa a impugnante que efetuou, em 18/07/2007, o recolhimento do saldo apurado, devidamente acrescido da multa e dos juros aplicáveis. Em sessão de julgamento realizada em 29/08/2007, foi exarado pela 2ª Turma de Julgamento da DRJ/Juiz de Fora o Acórdão de n.° 0917.0042, fls. 326/336, que decidiu pela procedência em parte do lançamento para exigir da contribuinte valor devido de CPMF, no importe de R$28.123,77 (R$7.150,60 + R$8.537,09 e R$12.435,68). Conforme despacho de fls. 340, a Sacat/DRF/Uberlândia aponta divergência entre os valores exigidos por meio do citado acórdão e aqueles registrados no sistema de controle de processos fiscais — Profisc, solicitando a verificação de eventuais inconsistências entre os saldos dos débitos relacionados no acórdão e a informação do resultado do julgamento.” Em face da divergência apontada pela a Sacat/DRF/Uberlândia a Turma emite o Acórdão n.° 0923.792 , ora recorrido, em substituição do citado Acórdão, com guarida no art. 32 do Decreto n° 70.235, de 1972, que dispõe que as inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes na decisão poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, e, ainda, de acordo com o art. 22, § 1º , da Portaria MF n° 58/2006, que determina que para a correção de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e a erros de escrita ou de cálculo existentes no acórdão, no qual julga procedente em parte o lançamento, consoante se demonstra pela ementa e dispositivo a seguir transcritos: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA C P MF Anocalendário: 1999, 2000 Fl. 446DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 447 6 INEXATIDÕES MATERIAIS. SUBSTITUIÇÃO DE ACÓRDÃO. As inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculos existentes no Acórdão, poderão ser corrigidos de ofício ou a requerimento do sujeito passivo, havendo para tanto que ser proferido novo Acórdão. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Descabe a nulidade do lançamento quando a exigência fiscal foi lavrada por pessoa competente e sustentase em processo instruído com todas as peças indispensáveis à constituição do lançamento, inexistindo qualquer prejuízo ao exercício do direito de defesa da pessoa jurídica autuada. Lançamento Procedente em Parte Acórdão Acordam os membros da I a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte o lançamento para: eximir os valores da CPMF, ora exigidos, decorrentes das movimentações financeiras havidas juntos aos bancos ABN AMRO Real e Bradesco nos importes de R$2.427.178,50 e de R$28.438,89, respectivamente; eximir parte do valor da CPMF devida em relação às movimentações financeiras junto à Caixa Econômica Federal no importe de R$272.641,47, remanescendo um saldo no valor R$12.435,68; manter o saldo mencionado no item anterior, nos moldes do demonstrativo ao final do voto, parte integrante do presente julgado, ressalvada a utilização dos pagamentos efetuados, conforme DARF de fls. 104, 255 e 317 na amortização da parcela mantida; manter parcela da CPMF devida em relação às movimentações financeiras realizadas junto ao Banestado, Banco do Brasil, nos valores de R$7.072,44, de R$8.537,09, correspondentes aos fatos geradores listados no demonstrativo de fls. 12, 13 el4, exceto o fato gerador de 16/06/1999, observandose os pagamentos efetuados conforme DARF de fls. 72, para amortização dessa parcela mantida.” Assim decidindo, recorre de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235/1972 e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532/1997 e Portaria MF n° 3, de 03/01/2008. Cientificada da decisão de 1ª Instância de Julgamento administrativo em 13/10/2011 (Aviso de Recebimento – AR de efl 386), por meio Ofício 0619 de efl 385, a contribuinte, ainda insatisfeita, apresenta em 10/11/2011, o seu recurso voluntário, por meio do qual, com base nos argumentos apresentados, pretende: Fl. 447DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 448 7 “i. o recebimento do presente Recurso Voluntário, já que cabível e tempestivo; ii. a reforma do r. Acórdão da 1 Turma da DRJ/JFA para reconhecer a não incidência da multa de mora face o recolhimento da CPMF sobre as operações havidas com os Bancos Real e Bradesco, em estrita observância ao prazo de que trata o § 2 o do Art. 63 da Lei n° 9430/96, ou, caso não seja este o entendimento destes i. Conselheiros, o que admitese somente em atenção ao princípio da eventualidade, que seja declarada expressamente a necessidade de prévio lançamento da multa de mora e a sua conseqüente impossibilidade, face a já consumada decadência.” Suas argumentações encontramse dispostas nos seguintes itens e subitens do seu recurso voluntário: I DO CABIMENTO E TEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO II DO ACÓRDÃO RECORRIDO III DAS RAZÕES PARA REFORMA DO ACÓRDÃO 3.1. DA COMPROVAÇÃO DA QUITAÇÃO TOTAL DA PARTE DO LANÇAMENTO MANTIDO MULTA DE MORA MATÉRIA ESTRANHA A LIDE 3.2. DA NÃO INCIDÊNCIA DE MULTA DE MORA SOBRE O RECOLHIMENTO DA CPMF SOBRE AS OPERAÇÕES COM OS BANCOS ABN AMRO REAL S/A E BRADESCO 3.2.1. DA NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA DE MORA PAGAMENTO ESPONTÂNEO DO TRIBUTO NO PRAZO LEGAL (ART. 63, § 2° DA LEI N° 9.430/96) – EFEITO SUSPENSIVO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO 3.2.2. DA IMPOSSIBILIDADE DE LANÇAMENTO DECADÊNCIA CONSUMADA IV DA CONCLUSÃO Na forma regimental, o processo foi a mim distribuído. É o relatório. Voto Conselheira MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ O recurso voluntário da contribuinte é tempestivo. E atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. Fl. 448DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 449 8 Igualmente deve ser conhecido o recurso de Ofício, em face da exoneração parcial do Crédito Tributário em valor superior ao limite imposto na Portaria MF nº 003, de 03 de janeiro de 2008, em conformidade com os dispositivos do art. 34 do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei nº 9.532, de 10 de dezembro de1997. DO RECURSO DE OFÍCIO O crédito tributário relativo à CPMF objeto da autuação, decorre de operações realizadas junto a diversas instituições financeiras abaixo relacionadas, no período de 17/06/1999 a 05/04/2000, período em que esteve amparada por medida liminar nos autos do mandado de segurança n° 1999.38.03.0016988, posteriormente cassada e cujos Valores foram apurados conforme informações constantes das Declarações da CPMF apresentadas pelas instituições financeiras: 1) ABN Amro Real S/A R$ 2.427.178,50 2) Bradesco – R$ 28.438,89 3) Banestado – R$ 7.150,50 4) Banco d o Brasil R$ 8.537,25 5) Caixa Econômica Federal R$ 285.077,15 Constatase dos autos que em decorrência de diligência solicitada pela Autoridade Julgadora de 1ª Instância Administrativa, consoante Relatório de Diligência Fiscal de efl 284 e 285, restou comprovado que: · As instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco, após a decisão denegatoria da segurança, mais precisamente em 31/03/2000, efetuaram retenções na respectiva conta corrente da cliente, a contribuinte ora recorrente, e os recolhimentos da CPMF, considerandose somente o débito principal e juros de mora, sem incidência de multa de mora; · A Caixa Econômica Federal teria consolidado e retificado as informações anteriormente prestadas, declarando que, na verdade, a movimentação financeira do correntista teria gerado um montante de CPMF não retida no valor de R$ 12.435,68 (CPMF decorrente da movimentação financeira período de 17/06/1999 a 22/03/2000, equivalente aos fatos geradores de 23/06/1999 a 22/03/2000). Sendo indevido, portanto, parte do valor de CPMF de R$ 285.077,15 lançado originalmente no Auto de Infração desse processo. As razões para eximir os lançamentos da CPMF referentes às operações com a ABN Amro Real S/A e com o Bradesco foram assim destacadas pela autoridade a quo: “Relativamente aos valores devidos a título de CPMF sobre operações na conta corrente a interessada mantida junto ao Banco ABN AMRO Real S/A, após a diligência, conforme Relatório Fiscal de fls. 280/281, assim conclui o Auditor Fiscal: ‘Nas folhas 179/180, constam extratos de conta corrente do banco Real, onde estão registrados os débitos na conta corrente do contribuinte, a título de CPMF, nos valores de R$2.415.020,04 e R$122.291, 94, na data de 31/03/2000, totalizando R$2.537.311,98. Por outro lado, conforme planilha de fl. 307, denominada 'Calculo da CPMF' — Banco ABN AMRO REAL', elaborada por este Auditor Fiscal que subscreve, demonstrase que o valor devido até 31/03/2000, calculado com incidência de juros de mora apenas, era de R$2.529.371,78, o que permite concluir que a CPMF relativa a esse Fl. 449DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 450 9 banco está quitada pelo contribuinte Martins. Nesse mesmo sentido é a informação prestada pelo banco, nas fls. 305/306 (resposta datada de 11 de maio de 2007).’ Do mesmo modo, consta do extrato de fls. 88 de conta corrente da autuada junto ao banco Bradesco, o registro da retenção a título de CPMF em 31/03/2000, no valor de R$30.646,16, relativamente aos fatos geradores do período de 23/06/1999 a 22/03/2000, cujos recolhimentos efetuados por meio dos DARF de fls. 90/103 totalizam R$29.694,65, calculados com juros de mora apenas. O valor declarado para a Receita Federal pelo Bradesco, conforme demonstrativo de fls. 13, relativamente aos mesmos fatos geradores, importa o valor de R$28.438,89, o que permite concluir que a CPMF relativa a esse banco está quitada pela autuada. Desse modo temse por improcedente as parcelas do auto de infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF decorrente de operações financeiras junto aos bancos Real e Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida.” Diante de tal constatação, conforme se verifica na parte dispositiva da decisão recorrida, restaram eximidos os valores relativos às operações com ABN Amro Real S/A e Bradesco, bem como quanto ao montante de R$ 272.641,47 da CEF. Foram mantidos os lançamentos relativos ao Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe de R$ 12.435,68, tendo a Autoridade julgadora a quo determinado a amortização de tais valores com os pagamentos comprovados nos autos. É que, conforme consta registrado no Relatório Fiscal de diligência e devidamente provado nos autos, do saldo devedor apurado e retificado pela CEF no valor de R$ 12.435,68, a contribuinte teria apresentado, em resposta protocolada em 30/05/2007, comprovantes de pagamento da maior parte do valor acima referido, de forma que da CPMF devida de R$ 12.435,68, o valor de R$ 10.432,96 (equivalente a 10.462,16 () 29,20 que é o valor de abril/2000 não contemplado no auto de infração) já foi recolhido aos cofres públicos, cujo recolhimento deuse com a devida atualização pela SEL1C e aplicação da multa de 75%. Portanto, o valor da CPMF ainda não recolhida seria de R$ 2.002.72 (valor de principal). E, tal valor, foi posteriormente recolhido pela contribuinte, acrescido de juros de mora e multa de ofício. Também, consta noticiado no recurso voluntário e comprovado nos autos o recolhimento por parte da Recorrente da CPMF em face das movimentações junto às instituições financeiras do Banco do Brasil e do Banestado considerando principal, juros de mora e multa de ofício, após intimação da autuação fiscal, quando, afirma a contribuinte, teve ciência de que essas Instituições não cumpriram com sua obrigação de retenção e recolhimento do tributo em questão. Assim verificado e comprovado nos autos, é de se concordar plenamente com a decisão proferida no Acórdão nº .0923.792, ora recorrido, cuja fundamentação adoto e ratifico, com fulcro no art. 50, § 1º, da Lei nº 9.784/99, ressalvada a análise que se faz quando do julgamento do recurso voluntário, a seguir. Fl. 450DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 451 10 DO RECURSO VOLUNTÁRIO Detectase que no recurso voluntário a contribuinte não mais apresenta alegações preliminares de nulidade e não mais questiona o saldo devedor da CPMF decorrente da movimentação financeira junto à CEF, no valor de R$ 12.435,68 que restou mantido na Acórdão recorrido, tendo, inclusive, efetuado o recolhimento. Igualmente, a contribuinte efetuou os recolhimentos dos créditos tributários da CPMF lançados em face da sua movimentação financeira junto à Instituições financeiras BANESTADO e BANCO DO BRASIL, nos importe de R$17.524,69 e R$20.923,66, em 30/03/2004 e 29/03/2004, respectivamente. E, conforme destacado pela relatora do voto da decisão recorrida, “o pagamento do crédito tributário exigido encerra o litígio quanto à parcela paga, visto que caracterizada a concordância da autuada com o lançamento efetuado, tornandoo definitivo na esfera administrativa.” A única motivação que levou a contribuinte a apresentar o seu recurso voluntário foi uma ressalva feita no voto do Acórdão nº 0923.792, quando a relatora assim se pronuncia: “Desse modo temse por improcedente as parcelas do auto de infração, correspondente aos valores devidos a título da CPMF decorrente de operações financeiras junto aos bancos Real e Bradesco, recolhidas conforme acima explicitado antes do início da ação fiscal, o que implica a impossibilidade de aplicação da multa de ofício por falta de recolhimento da CPMF devida. Por outro lado, em que pese o entendimento contrário da autuada, a multa de mora, nos termos do artigo 61 da Lei 9.430/96, é devida no caso em tela, uma vez que a retenção e o recolhimento da CPMF devida se deu após findo o prazo de que trata o artigo 63, § 2o , da mesma lei, abaixo transcrito:” E, fundamenta o seu entendimento da seguinte forma: “Afirma a autuada em sua defesa que esteve acobertada por liminar no Mandado de Segurança n° 1999.38.03.0016988 e que os débitos da CPMF tornaramse exigíveis somente em 03/03/2000, quando a decisão proferida em primeira instância tornouse eficaz, razão pela qual reputa corretos os recolhimentos efetuados sem incidência da multa de mora, a título da CPMF, conforme disposto no artigo 63, § 2, da Lei 9.430/96: (...) Contudo, não procede tal afirmação visto que a sentença (fls.63/67), que denegou a segurança e cassou a liminar anteriormente deferida, foi publicada em 29/01/2000, passando a produzir seus efeitos a partir dessa data (fls. 321). A referida publicação datada de 03/03/2000, referese à decisão proferida nos embargos de declaração apresentados contra a sentença que denegou a segurança. Referidos embargos não têm o condão de restabelecer a liminar cassada, para gerar os efeitos que lhe são próprios. Fl. 451DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 452 11 Isto porque, a regra no mandado de segurança é o recebimento dos recursos apenas no efeito devolutivo. Para este lado inclina se a jurisprudência majoritária: (...)”. A Recorrente alega que a multa de mora é matéria estranha à lide. Nesta questão é de se dar razão à recorrente. No presente lançamento não houve acusação da autoridade lançadora acerca do fato mencionado na decisão recorrida quanto ao pagamento da CPMF em atraso sem a devida multa de mora. Tratase de uma inovação efetuada na decisão da 1ª Instância administrativa. Nos presentes autos não se cogitou de lançamento e/ou cobrança de multa de mora isolada, devido a pagamento de CPMF em atraso sem os respectivos acréscimos. Veja que da parte dispositiva do r. decisum restaram eximidos exatamente os valores relativos às operações com ABN Amro Real S/A e Bradesco, bem como quanto ao montante de R$ 272.641,47 da CEF, tendo sido mantidos apenas os lançamentos relativos ao Banco do Brasil, Banestado e saldo remanescente da CEF no importe de R$ 12.435,68. A Análise acerca da decisão que cancelou os créditos tributários em face das movimentações efetuadas com as Instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco já foi efetuada acima quando do julgamento do recurso de Ofício, na qual entendeu essa relatora pela manutenção do cancelamento do lançamento da CPMF em face das respectivas instituições. É possível, sim, a cobrança da multa de mora, quando haja recolhimento em atraso sem a devida cobrança da multa de mora, na forma prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Mas, fazse necessário o respectivo lançamento, mencionando a sua ocorrência, posto tratarse de penalidade diferente da multa de ofício, aqui lançada e eximida, consoante se denota pela redação contida no art. 43 da mesma lei, in verbis: “Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 Normas sobre o Lançamento de Tributos e Contribuições Auto de Infração sem Tributo Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Acréscimos Moratórios Multas e Juros Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, Fl. 452DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 453 12 cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998)” Anteriormente, havia a previsão na Lei nº 9.430/96 de lançamento da multa de ofício isolada quando se detectava o recolhimento do tributo em atraso sem a devida multa de mora. Contudo, tratase esse, de fato diferente ao que foi motivador do lançado sob litígio nos presentes autos. Ademais, conforme a própria autoridade julgadora a quo destacou, tal dispositivo foi revogado por força da Medida Provisória n° 371, de 22 de janeiro de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007, e do princípio da retroatividade benigna, é incabível a imposição da multa de ofício isolada, aplicada em virtude da falta de pagamento de multa de mora. Portanto, a questão da multa de mora não está contemplada no lançamento sob litígio no presente processo, motivo pelo o qual se torna desnecessária a análise sobre as alegações de decadência e do efeito suspensivo dos embargos declaratórios, o que, alíás, registrese, tratase, esta última, de uma questão polêmica, posto que os embargos de declaração são um recurso sui generis e o que ocorre com os embargos de declaração é que, a princípio poderseia defender que, com a sua interposição, paralisase a eficácia da decisão embargada. Mas, como disse, a questão da multa de mora não está contemplada no presente lançamento. Por, fim, cabe ressaltar a falta de amparo legal para que as intimações doravante expedidas sejam encaminhadas para o endereço do advogado da contribuinte, haja vista as disposições contidas no inciso II e no § 4º do artigo 23 do Decreto 70.235/72, as intimações via postal deverão ser realizadas sempre no domicílio tributário do contribuinte, o qual não se confunde com o endereço de seu patrono na causa: Art. 23. Farseá a intimação: (...) Fl. 453DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 10675.000593/200467 Acórdão n.º 3302002.685 S3C3T2 Fl. 454 13 II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) CONCLUSÃO De acordo com a fundamentação acima posta, conduzo o meu voto no sentido de negar provimento ao Recurso de Ofício, mantendo o cancelamento do Lançamento da CPMF atinente às operações efetuadas junto com as Instituições financeiras ABN Amro Real S/A e Bradesco e de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário para reconhecer que a multa de mora não está contemplada no presente lançamento. É como voto. (Assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora Fl. 454DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 02/09/2014 por MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
score : 1.0
Numero do processo: 19740.720250/2009-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
SERVIÇOS CONTRATADOS. DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE.
Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL.
Numero da decisão: 1202-001.193
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito Plínio Rodrigues Lima e Geraldo Valentim Neto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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DEMONSTRAÇÃO DA EFETIVIDADE DA PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. CONDIÇÃO DE DEDUTIBILIDADE. Somente são admitidas como dedutíveis na apuração do lucro real e da base de cálculo da CSLL, as despesas operacionais necessárias, usuais ou normais ao tipo de transações, operações ou atividades da empresa. Cabe ao contribuinte demonstrar a efetividade da execução dos serviços prestados que contratou, sob pena dos pagamentos a esse título se tornarem indedutíveis na apuração do IRPJ e da CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Donassolo, Orlando José Gonçalves Bueno, Marcos Antonio Pires, Marcelo Baeta Ippolito Plínio Rodrigues Lima e Geraldo Valentim Neto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 50 /2 00 9- 71 Fl. 2146DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.147 2 Relatório Tratase do exame dos Autos de Infração para exigência do IRPJ e da CSLL, do anocalendário de 2004, onde a fiscalização glosou despesas de prestação de serviços contabilizadas pela autuada que foram consideradas não necessárias, com aplicação da multa de ofício, no percentual de 75%, e dos juros de mora, com base na taxa Selic. Por bem retratar os fatos ocorridos, passo a transcrever parte do Relatório do Acórdão nº 1234363 da DRJ/RJ1, de fls. 2092 à 2098 do eprocesso, o qual também passo a adotar: “Conforme o termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 893/901, a auditoria teve início com a identificação de elevadas deduções de despesas a título de serviços contratados, fato que deu azo à intimação da interessada para comprovar tanto a efetiva prestação de tais serviços quanto a realização dos pagamentos, com a apresentação dos contratos firmados, notas fiscais recebidas e documentos correlatos. Ainda segundo o TVF, em resposta aos questionamentos fiscais, a interessada, após sucessivas prorrogações do prazo para atendimento à intimação, limitouse a apresentar alguns contratos, os lançamentos contábeis das despesas em análise e algumas notas fiscais, todas com descrições genéricas como “assessoria” e “serviços de consultoria”. Dando prosseguimento ao feito, a fiscalização houve por bem circularizar a auditoria, intimando as empresas prestadoras de serviços a apresentar talonários das notas fiscais utilizadas no período, descrição dos serviços prestados à interessada e documentos que demonstrassem que as receitas auferidas de pagamentos realizados pela interessada eram decorrentes de serviços efetivamente prestados. Os fornecedores alcançados pela ação fiscal responderam com a mostra de documentos similares aos que a fiscalizada já havia exibido. Para a fiscalização, os documentos apresentados não eram idôneos e hábeis a comprovar as despesas contabilizadas, tampouco permitiam constatar o atendimento, por estas, dos requisitos à dedutibilidade das bases de cálculo dos tributos lançados, posto que não demonstrada a conexão dos pagamentos supostamente realizados nem com a atividade explorada, nem com a manutenção da fonte de receita. O enquadramento legal da exigência fiscal foi o mencionado nos autos de infração de fls. 902/915. Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 16/12/2009 (fls. 901, 904 e 909), a interessada interpôs, no dia 15 do mês seguinte, a impugnação de fls. 922/940, nas quais, em síntese, alega: • que, em razão do objeto do seu negócio, “há todo um critério e controle que deve ser apregoado para fomentar suas carteiras, requerendo toda uma logística capaz de operacionalizar os créditos, empréstimos e financiamentos concedidos aos mutuários (clientes)”. Para tanto, contratou prestadores de serviços especializados em prospecção e captação de clientes, procedimento este que seria “usual nas atividades financeiras de fomento de crédito pessoal e consignado”. • que incumbia a seus contratados: prospectar clientes, intermediar operações com os clientes que contatava e encaminhar documentos cadastrais dos clientes; Fl. 2147DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.148 3 • que seus contratados eram comissionados, em regra, à razão de 5% (cinco por cento) do valor do negócio, remuneração esta paga contra nota fiscal ou recibo, acompanhados de relatórios acerca dos contratos intermediados; • que, embora, o autuante tenha tido acesso à documentação afeta aos serviços prestados, ainda assim considerou desnecessárias à atividade fim da interessada as despesas a eles relacionadas, sendo que não cabe ao Fisco desprezar documentos que considere “desprovidos de aspectos formais capazes de comprovar a efetiva prestação de serviços”; • que, a despeito de o TVF mencionar, que, pela iminência da decadência, o fornecedor Família Paulista Promotora de Vendas Ltda deixou de ser diligenciado, a fiscalização considerou que esta prestadora de serviços não comprovou o efetivo recebimento pelos serviços que realizou; e • que, em conseqüência de tudo que expôs, não cabe a recomposição do prejuízo fiscal e da base de cálculo da CSLL. Em reforço aos seus argumentos, a interessada acostou à peça de bloqueio amostras dos documentos que havia apresentado ao autuante e transcreveu dispositivos normativos que tomou como concernentes à matéria, bem assim farta jurisprudência. Culminou o recurso com os pedidos de diligência e perícia e para que seja declarada a procedência da impugnação. É o relatório.” Na seqüência foi emitido o Acórdão nº 1647.325da DRJ/SP1, de fls. 2092 à 2098 do eprocesso, julgando a impugnação improcedente, com o seguinte ementário: Ementa: PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. COMPROVAÇÃO. Somente são admitidas, como operacionais, as despesas com prestação de serviços, quando efetivamente comprovada a sua realização, não bastando como elemento probante apenas a apresentação de notas fiscais e documentos gerados pela própria interessada, mormente quando com descrição insuficiente dos serviços supostamente prestados. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Contra essa decisão foi impetrado recurso voluntário, de fls. 2110 a 2117 , repisando praticamente as mesmas alegações trazidas na peça impugnatória. É o Relatório. Voto Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, Relator. Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.149 4 O recurso é tempestivo e nos termos da lei. Portanto, dele tomase conhecimento. A matéria em litígio diz respeito em verificar se há nos autos a comprovação da efetividade da prestação de serviços de terceiros para a autuada. As despesas glosadas pela fiscalização dizem respeito a notas fiscais com descrições genéricas, tais como “serviços prestados”, “assessoria”, “serviços de consultoria”, “comissão de intermediação de negócios”, cuja efetividade da prestação dos serviços não teria sido adequadamente comprovada. O acórdão recorrido manteve a autuação sob o argumento de que a autuada, com base na documentação apresentada (notas fiscais, contratos de prestação de serviços e relatórios), não logrou sucesso em demonstrar a efetividade da prestação dos serviços. Já em seu recurso, a defesa repisa os argumentos de que para atingir o seu objeto social contratou prestadores de serviços especializados em prospecção e captação de clientes, procedimento este que seria usual nas atividades financeiras de fomento de crédito pessoal e consignado”. O que se verifica é que os documentos juntados aos autos não comprovam a efetividade dos serviços prestados pelas empresas contratadas. Os contratos de prestação de serviços e as notas fiscais não são documentos suficientes para comprovar a dedutibilidade dos gastos na apuração do IRPJ e da CSLL. Necessário, ainda, que o contribuinte demonstre, mediante documentação hábil e idônea, que os pagamentos se refiram a serviços efetivamente prestados e necessários à atividade da empresa contratante. Nos termos da legislação do imposto de renda, para ser considerada uma despesa operacional e admitida como dedutível da base de cálculo do IRPJ a despesa deverá ser, necessária, usual ou normal para o tipo de operação, a teor do art. 299 e parágrafos do RIR/99: Art. 299. São operacionais as despesas não computadas nos custos, necessárias à atividade da empresa e à manutenção da respectiva fonte produtora (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47). § 1º São necessárias as despesas pagas ou incorridas para a realização das transações ou operações exigidas pela atividade da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 1º). § 2º As despesas operacionais admitidas são as usuais ou normais no tipo de transações, operações ou atividades da empresa (Lei nº 4.506, de 1964, art. 47, § 2º). (grifei) Em outras palavras, a dedutibilidade da despesa é condicionada à comprovação da efetiva realização do gasto e que estes tenham relação direta com pessoas ligadas à pessoa jurídica e, ainda, que se refiram a eventos relacionados com a atividade fim da mesma. Conforme se depreende da leitura do Termo de Verificação Fiscal, de fls. 886 a 901, houve todo um esforço da fiscalização, por meio de intimações e reintimações ao contribuinte para que este demonstrasse a efetividade da prestação dos serviços que pagou. A Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.150 5 apresentação de contratos de prestação de serviços e das notas fiscais não tem o condão de comprovar a efetividade dos serviços foram prestados. Os relatórios juntados com a impugnação (fls. 1032 e seguintes) demonstram o “cálculo” das “comissões” por serviços pretensamente prestados, mas não comprovam a execução desses serviços. Necessária a apresentação de provas adicionais, tais como relatórios de consultoria e de assessoria que teriam sido executados, contratos dos clientes que o fornecedor dos serviços diz ter captado para a autuada, material de treinamento, enfim, todo e qualquer meio de prova que viesse ao encontro do alegado e que materialize a execução dos serviços, o que tornariam hábeis e idôneas as notas fiscais emitidas, o que não foi feito pela defesa. Para confirmar as suas conclusões, o agente fiscal ainda circularizou os principais fornecedores de serviços, intimandoos a demonstrarem a efetiva prestação de serviços realizados, o que também não ocorreu. Limitaramse a descrever, de forma genérica e sucinta, tratarse da prestação de “serviços de consultoria comercial na intermediação e promoção de negócios na captação de clientes e assessoria no treinamento da equipe de promoção de vendas”(fls.847), sem apresentar qualquer documento que atestasse a execução desses serviços, conforme se verifica nas respostas dadas, de fls. 830 a 879. Vejase o que relatou a fiscalização, fls. 896: “Com a finalidade de firmar o convencimento do fisco em face da falta de documentação comprobatória não apresentada por parte da fiscalizada, deuse início a um procedimento de circularização nas empresas prestadoras de serviços (Fls. 830 a 879). As empresas circularizadas foram intimadas a apresentar a) talonarios de Notas Fiscais utilizados ao longo do anocalendário de 2004; b) descrição dos serviços prestados ao Banco Morada 5/A e c) documentação comprobatória que demonstrasse que as receitas decorrentes de negócios realizados com o Banco Morada S/A corresponderam a bens ou serviços efetivamente prestados. De forma resumida, foram seis empresas circularizadas de um montante de sete (a empresa FAMILIA PAULISTA PROMOTORA DE VENDAS LTDA deixou de ser circularizada por falta de tempo hábil). A exceção de duas prestadoras de serviços (1 PLANEI ASSESSORIA LTDA; 2IDEAL ASSESSORIA E CONSULTORIA S/C LTDA), nem a fiscalizada nem as demais prestadoras de serviços circularizadas apresentaram qualquer documentação comprobatória de que os serviços prestados foram efetivamente executados, limitaramse a fornecer, conforme já visto, cópias de contratos, pagamentos e notas fiscais de serviços cujas descrições dos serviços foram feitas de forma genérica e resumida, não permitindo a identificação do serviço prestado. Quanto aos serviços em si, não se encontra nos autos um único documento que confirme suas prestações. Os termos, respostas e conclusões sobre as diligências encontramse em diversos demonstrativos elaborados e anexados ao presente termo (Fls. 830 a 879). O fato concreto é que não há nos autos provas concretas da execução dos serviços contratados pela autuada. Assim, não há como respaldar a dedutibilidade de uma despesa caracterizada pela liberalidade da empresa em pagar prestadores de serviços sem comprovação da efetividade dos serviços prestados. Portanto, não atendidos os critérios de necessidade, usualidade e normalidade dos serviços prestados, necessários à atividade da empresa, previstos no art. 299 do RIR/99, não resta outra alternativa senão glosar referidas despesas. Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 19740.720250/200971 Acórdão n.º 1202001.193 S1C2T2 Fl. 2.151 6 Em face do exposto, voto para que seja negado provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 08/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO, Assinado digitalmente em 08/09/ 2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
score : 1.0
Numero do processo: 10950.001001/2006-90
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NÃO APONTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhecem dos embargos que não apontam a omissão ou contradição no acórdão embargado, mas restringe-se a alegar a existência de equívoco em sua fundamentação, em face dos elementos dos autos. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta.
Numero da decisão: 1302-001.440
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR - Presidente.
(assinado digitalmente)
LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Declarou-se impedido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo,
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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OMISSÃO OU CONTRADIÇÃO NÃO APONTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhecem dos embargos que não apontam a omissão ou contradição no acórdão embargado, mas restringese a alegar a existência de equívoco em sua fundamentação, em face dos elementos dos autos. O objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão, não se prestando, a corrigir eventual decisão incorreta. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer dos embargos interpostos, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente. (assinado digitalmente) LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Marcio Rodrigo Frizzo, Guilherme Pollastri Gomes da Silva, Luiz Tadeu Matosinho Machado e Helio Eduardo de Paiva Araújo. Declarouse impedido o Conselheiro Marcio Rodrigo Frizzo, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 10 01 /2 00 6- 90 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 178 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional em face do Acórdão nº 1302001.282 proferido por esta 2a. Turma Ordinária da 3a. Câmara, em 05/12/2013, com a seguinte ementa: MULTA REGULAMENTAR. FUNDAMENTO LEGAL EQUIVOCADO. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. CARACTERIZAÇÃO. Restando evidenciado que a indicação de fundamentação legal equivocada causou incerteza na discussão da matéria por parte da recorrente, prejudicando o pleno exercício de seu direito de defesa, o lançamento deve ser declarado nulo, nos termos do art. 59, inc. II do Decreto nº 70.235/1972. O colegiado negou provimento ao recurso de ofício, por unanimidade de votos, cancelando a exigência da multa regulamentar em face da fundamentação legal equivocada ter prejudicado o direito de defesa da recorrente. Encaminhados os autos à Procuradoria da Fazenda Nacional em 27/01/2014, para fins de ciência do acórdão, nos termos do § 3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 26/02/2014, nos termos do § 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional, com base no art. 65 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF. 256/2009, opôs, em 28/01/2014, embargos de declaração, sustentando que o acórdão recorrido negou provimento ao recurso invocando para tanto as razões da decisão da DRJ, sendo que esta teria se equivocado quanto ao fundamento da acusação de omissão na apresentação dos arquivos magnéticos, imputada pela fiscalização. Alega que existe total adequação entre a acusação fiscal e a conduta omissa. Ao final, a embargante requer “o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas”. É o relatório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 179 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Os embargos interpostos são tempestivos, pelo que passo a examinar se preenchem os requisitos de admissibilidade previsto no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF. Alega, a embargante que a decisão recorrida ao negar provimento ao recurso de ofício teria se amparado em fundamento equivocado contido na decisão de primeiro grau. A embargante, todavia, não aponta qualquer omissão ou contradição no acórdão embargado, mas tão somente alega a perpetração de um suposto equívoco de entendimento originado no acórdão de primeiro grau. Não obstante o acórdão embargado tenha transcrito trecho parcial da decisão de primeiro grau o certo é que indicou como razão de decidir a existência de prejuízo ao direito de defesa da recorrente em face da indicação de enquadramento legal equivocado. Assim, o que a embargante pretende é o reexame do entendimento acolhido no acórdão embargado. Como cediço, “o objetivo dos embargos é a revelação do verdadeiro sentido da decisão. Não se presta, portanto, esse recurso, a corrigir uma decisão errada” 1. Desta feita, ainda que o acórdão recorrido não tivesse adotado o melhor entendimento na análise dos elementos dos autos, como sustenta a embargante, não cabe em sede de recurso de embargos rediscutir a valoração dada pelo colegiado ao conjunto probatório apreciado. Assim, entendo que o recurso não pode ser conhecido, pois não preenche os requisitos de admissibilidade previstos no art. 65 do RICARF. Ante ao exposto, voto no sentido de não conhecer dos embargos interpostos. Sala de sessões, em 29 de Julho de 2014. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator 1 WAMBIER, Luiz Rodrigues e TALAMINI, Eduardo. CURSO AVANÇADO DE PROCESSO CIVIL, volume I: Teoria Geral do Processo e Processo de Conhecimento. 12 ed. São Paulo Editora Revista dos Tribunais, 2011. p. 714. Fl. 179DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR Processo nº 10950.001001/200690 Acórdão n.º 1302001.440 S1C3T2 Fl. 180 4 Fl. 180DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 15 /08/2014 por LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ALBERTO PINTO SOU ZA JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000858/2007-87
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 30 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002, 2003
Despesas Operacionais. Assistência Médica de Empregados e Dirigentes
Não existe previsão legal que imponha a condição da dedutibilidade da despesa à extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, indistintamente.
Tributação Reflexa. CSLL
O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula.
Numero da decisão: 1801-002.031
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto.
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Presidente
(assinado digitalmente)
Maria de Lourdes Ramirez Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1809; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1TE01 Fl. 2 1 1 S1TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000858/200787 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1801002.031 – 1ª Turma Especial Sessão de 30 de julho de 2014 Matéria AI IRPJ e CSLL Recorrente SANOLI INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE ALIMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002, 2003 DESPESAS OPERACIONAIS. ASSISTÊNCIA MÉDICA DE EMPREGADOS E DIRIGENTES Não existe previsão legal que imponha a condição da dedutibilidade da despesa à extensão do benefício a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, indistintamente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL O entendimento adotado nos respectivos lançamentos reflexos acompanha o decidido acerca da exigência matriz, em virtude da intima relação de causa e efeito que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque que negava provimento ao recurso e apresentará Declaração de Voto. (assinado digitalmente) Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 08 58 /2 00 7- 87 Fl. 547DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 2a. Turma de Julgamento da DRJ em Brasilia/DF que, por unanimidade de votos, manteve integralmente as exigências de IRPJ e de CSLL consubstanciadas nos autos. Por resumir os fatos adequadamente adoto o relatório da DRJ em Brasília/DF: Contra a contribuinte identificada no preâmbulo foram lavrados os autos de infração às fls. 366/386, formalizando lançamentos de ofício do crédito tributário abaixo discriminado, relativo aos anoscalendário de 2002 e 2003, incluindo juros de mora calculados até 28/09/2007 e multa proporcional de 75%, totalizando R$ 545.671,68: Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ 401.229,22 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL 144.442,46 A descrição dos fatos dos autos de infração remete ao Relatório de Verificação Fiscal lavrado às fls. 369/373, que conclui pela glosa das seguintes despesas deduzidas indevidamente na apuração dos resultados tributáveis:' a) despesas consideradas não necessárias à atividade da empresa e a manutenção da respectiva fonte produtora dos rendimentos, no valor de R$ 42.419,53, em 31/12/2003; b) custo de aquisição de bens que deveriam ter sido contabilizados no ativo permanente, no valor de R$ 119.856,36, em 31/12/2003; e c) despesas efetuadas a título de “assistência médica”, correspondentes a pagamentos à empresa Amil Assistência Médica Internacional Ltda., que só são dedutíveis quando destinadas indistintamente a todos os empregados e dirigentes da pessoa jurídica, na forma do art. 13, inciso V, da Lei n º.9.249, de 1995, c/c o art. 360 do Dec. n°. 3.000, de 1999 (RIR/99), condição não satisfeita pela contribuinte, nos importes de R$ 244.341,59 e R$ 271.796,46, em 31/12/2002 e 2003, respectivamente. Cientificada pessoalmente das exigências em 15/10/2007 (fls. 366 e 379), a contribuinte apresentou em 14/11/2007 a petição acostada às fls..39l/398, impugnando parcialmente as matérias objeto dos autos de infração, como se detalha a seguir. Quanto às infrações capituladas como DESPESAS NÃO NECESSÁRIAS e BENS DO ATIVO PERMANENTE, a interessada abdica expressamente de questionálas, informando que recolheu os valores exigidos no auto de infração, com o benefício da redução da multa de oficio em 50%, como atesta o DARF exibido à fl. 411, no total de R$ 106.319,94. No tocante à glosa dos valores relativos a despesas de assistência médica, a impugnante argumenta que a dedução é cabível, na medida em que a redação do art. 13, inciso V, da Lei n º. 9.249, de 1995, que reproduz, não condiciona a dedução à Fl. 548DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 3 3 destinação indistinta do beneficio da espécie a todos os, funcionários e dirigentes da pessoa jurídica. Essa condição, que foi a causa motivadora da glosa procedida pela fiscalização, foi expressa pelo art. 360 do Dec. n º. 3.000, de 1999 (RIR/99), cuja redação introduziu restrição não originalmente prevista no texto da lei, desviandose, assim, o Poder Executivo, de sua função constitucional de regulamentar a lei (art. 84, IV, da CF/88), incorrendo em violação do princípio da legalidade tributária e do que determina o art. 99 do CTN. Ressalva que se fosse vontade do legislador restringir o direito à dedução de despesas com assistência médica, o faria expressamente, de modo análogo ao aconteceu em relação às despesas com alimentação, cujo art. 13, § l º, da própria Lei n º. 9.249, de 1995, admite a dedução somente quando o fornecimento alcançar indistintamente todos os empregados da empresa. A Turma de Julgamento de 1a. Instância, ao justificar a manutenção da parcela remanescente das exigências, cuja infração foi impugnada, consignou que não haveria contradição entre o que dispôs o art. 360 do RIR/99 e o que fora previsto no art. 13, V da Lei n º 9.249, de 1995. Nesse sentido, consignou: Em uma análise minudente dos dois textos, podese depreender que não há entre eles a antinomia apontada pela interessada. Vejase que o legislador, ao definir o universo dos beneficiários, elegeu que os seguros e planos de saúde e de previdência complementar devem ser instituídos em favor dos (preposição de + artigo definido os) empregados e dirigentes, o que traduz abrangência dos benefícios a todos eles. Caso contrário, se o legislador pretendesse autorizar a dedução sem que os benefícios tivessem como destinatários todos os empregados e dirigentes, mas apenas alguns, bastaria utilizar simplesmente a preposição de, ou seja, benefícios da espécie instituídos em favor de empregados e dirigentes poderiam ser dedutíveis. No texto regulamentar constante do art. 360 do Dec. n º 3.000, de 1999, o Poder Executivo limitouse a declarar (no sentido de tornar claro) a condicionante estabelecida na dicção da própria lei ordinária, empregando, em lugar de “instituídos em favor dos empregados e dirigentes”, a expressão “destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes.” Nec plus ultra. Notificada da decisão, em 23/10/2008 (AR fl. 526 p.d.), apresentou a interessada, em 24/11/2008, recurso voluntário (fls. 527 e ss p. d.). Preliminarmente sustenta a tempestividade da peça de defesa e a inexigibilidade de depósito prévio ou de arrolamento de bens para conhecimento do recurso interposto. No mérito defendeu que a dedutibilidade das despesas com pagamentos de planos de saúde a funcionários e diretores estaria justificada pelo caráter que dela se revelaria de substituição da função Estatal pelo particular, acrescentando que a norma legal – art. 13, V da Lei 9.249/95 não teria estabelecido qualquer condição para referida dedutibilidade, extrapolando, nesse sentido, a norma regulamentadora – art. 360 do RIR/99. Tece comentários a respeito do princípio da legalidade em matéria tributária e reafirma que o Poder Executivo, ao regulamentar o texto legal, extrapolou em seu poder introduzindo condição não prevista pelo legislador ordinário. Fl. 549DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 Ao final pede pelo provimento do recurso. Fez sustentação oral pela recorrente, Dr. Alberto de Medeiros Filho, OAB/DF nº 24.741. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Como se constata do relato a parte controvertida dos presentes autos diz respeito às despesas efetuadas pela recorrente com convênios médicos, consideradas indedutíveis pelo agente fiscal, porque os benefícios contratados não teriam sido destinados indistintamente a todos os empregados e dirigentes da empresa. A recorrente, a seu turno, aduz que a Lei n º 9.249, de 1995, que autorizou a dedutibilidade de tais despesas, não menciona qualquer condição para sua fruição e que somente o Regulamento do Imposto de Renda, ato unilateral do Poder Executivo, aprovado pelo Decreto n º 3.000, de 1999, ao compendiar os atos legais, inseriu, indevidamente, na redação do dispositivo, condição não prevista em lei para a dedutibilidade desse tipo de despesa. Com efeito, a Lei n º 9.249, de 1995, autorizou, no art. 13, V, a dedutibilidade de despesas efetuadas com planos de assistência médica a empregados e dirigentes das pessoas jurídicas, nos seguintes termos: Art. 13. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, são vedadas as seguintes deduções, independentemente do disposto no art. 47 da Lei nº 4.506, de 30 de novembro de 1964: ... V das contribuições não compulsórias, exceto as destinadas a custear seguros e planos de saúde, e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Fl. 550DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 4 5 (*) destaques acrescidos A IN SRF n º 11, de 1996, que dispõe “sobre a apuração do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro das pessoas jurídicas a partir do anocalendário de 1996”, também se referiu expressamente a tais despesas, no art. 28, § 1º, “a”: Art. 28. Para efeito de apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro é vedada a dedução das despesas com doações e contribuições não compulsórias. § 1º A vedação de que trata este artigo não se aplica, exclusivamente, em relação às: a) contribuições destinadas a custear seguros e planos de saúde e benefícios complementares assemelhados aos da previdência social, instituídos em favor dos empregados e dirigentes da pessoa jurídica; Contudo, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto n º 3.000, de 1999 – RIR/99, prevê, no art. 360: Art. 360. Consideramse despesas operacionais os gastos realizados pelas empresas com serviços de assistência médica, odontológica, farmacêutica e social, destinados indistintamente a todos os seus empregados e dirigentes. (Lei nº 9.249, de 1995, art. 13, inciso V). (*) negritei e sublinhei Interessante notar que o art. 360 do RIR/99 tem, expressamente, por base legal, o artigo 13, V da Lei n º 9.249, de 1995. Contudo, como visto nos parágrafos anteriores, na redação do art. 13, V, da Lei n º 9.249, de 1995, não constou a expressão “indistintamente”, tampouco tal expressão foi inserida no art. 28, § 1º, “a” da IN SRF n º 11/96, que, a rigor, mantémse em vigor, pois não foi revogada por nenhum outro ato legal ou infralegal. Verificase, assim, que o Decreto n º 3.000, de 1999 – RIR/99, inseriu no texto do diploma da Lei n º 9.249, de 1995, e no texto da norma complementar – IN SRF 11/96, condição para dedutibilidade de despesas com pagamento de planos de assistência médica de empregados e dirigentes que não existia nesses comandos normativos. A Turma Julgadora de 1a. Instância justificou a manutenção da glosa à gramática adotada nos textos do art. 13, V da Lei n º 9.249, de 1995 e do art. 360 do RIR/99, consignando que o uso da expressão “dos” – na frase “em favor dos” – como resultado da junção da preposição “de” e do artigo “os”, obrigatoriamente traduziria a abrangência do benefício a todos os empregados e dirigentes, sem distinção, o que seria diferente se o legislador tivesse se utilizado no texto apenas da preposição “de”, significando que não haveria a obrigatoriedade de disponibilizar o benefício a todos indistintamente. Assim, ao aplicador da Lei restaria a clareza do raciocínio: a expressão “dos” levaria a concluir, sem qualquer de dúvida, que o benefício somente seria dedutível se estendido a todos os funcionários e dirigentes, indistintamente. Como dito, o Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, reproduz comando legais e normativos, organizandoos de modo a facilitar o Fl. 551DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES 6 entendimento de tais normas. E como visto, na base legal do art. 360 do RIR/99 13, V, da Lei n º 9.249, de 1995 não foi prevista qualquer outra condição para dedutibilidade da despesa, além daquelas previstas no próprio comando legal. Assim, não havendo base legal que sustente a manutenção da indedutibilidade das despesas com pagamento de assistência médica de empregados e diretores, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Declaração de Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque A presente Turma de Julgamento decidiu por dar provimento ao recurso voluntário em análise. Manifesto meu respeito pelo entendimento dos ilustres Conselheiros, mas peço vênia para discordar e utilizo a presente declaração para registrar minhas razões de divergência. Conforme já foi muito bem relatado, o presente processo trata de lançamento tributário de IRPJ e CSLL em razão de terem sido glosadas despesas com convênios médicos. A glosa foi motivada pelo fato de os convênios não beneficiarem a todos os empregados e dirigentes da empresa. O recorrente alega que o artigo 13 da Lei n º 9.249, de 1995, autoriza a dedução de despesas com planos de saúde, sem exigir que beneficie a todos os empregados, embora reconheça que tal exigência esteja normatizada no artigo 360 do Regulamento do Imposto de Renda, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999. Embora eu reconheça que o Decreto nº 3.000, de 1999, trouxe limitação não prevista na Lei nº 9.249, de 1995, curvome à força normativa do Decreto nº 70.235, de 1972, que tem status de lei ordinária, quando o seu artigo 26A veda aos órgãos de julgamento afastar a aplicação de decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade: Fl. 552DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 14041.000858/200787 Acórdão n.º 1801002.031 S1TE01 Fl. 5 7 Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Assim, o Decreto nº 3.000, de 1999, não pode deixar de ser aplicado por este órgão de julgamento, mesmo que esteja violando o princípio da legalidade. Por tais razões, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 553DF CARF MF Impresso em 01/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/08/2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 08/08/ 2014 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQU ERQUE, Assinado digitalmente em 12/08/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 13827.000653/2005-30
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3401-000.777
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62-A, do Regimento Interno do CARF.
Júlio César Alves Ramos Presidente
Ângela Sartori - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori.
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 4ª câmara / 1ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento em respeito ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF. Júlio César Alves Ramos – Presidente Ângela Sartori Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Cesar Alves Ramos, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson José Bayerl, Fernando Marques Cleto Duarte, Ângela Sartori. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 27 .0 00 65 3/ 20 05 -3 0 Fl. 1259DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 6 2 RELATÓRIO Cuidase de pedido de restituição, referente ao período de 01/06/2000 a 31/10/2002, protocolado, no valor equivalente na qual se pleiteia a repetição de indébito de PIS e COFINS em razão da inclusão do Imposto sobre Produtos Industrializados na base de cálculo das contribuições, em razão das previsões das Instruções Normativas SRF n. 54/00 e artigo 44 da Medida Provisória n. 199115, de 10 de março de 2000, MP 215835 de 24 de agosto de 2001. O referido pedido de restituição restou indeferido por meio de Despacho Decisório proferido pela Seção de Orientação e Análise Tributária – SAORT, da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Bauru/SP, que obteve a seguinte ementa: DESPACHO DECISÓRIO SAORT Assunto: Restituição de PIS e COFINS referente ao IPI da base de cálculo. Período – 07/2000 a 10/2002 Valor Solicitado – R$ 210.702,85 Ementa: Não há previsão legal para a exclusão do IPI na base de cálculo do PIS e COFINS de revendedor de veículos. RESTITUIÇÃO INDEFERIDA e COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Diante do indeferimento do pedido de restituição em menção, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, fls. 1204/1211. Ao analisar os argumentos ali contidos, a 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, DRJ/RPO, prolatou o Acórdão nº. 1434.639, fl. 1218/1222, na qual não reconheceu o direito creditório pretendido, julgandoa improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL – COFINS Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da Cofins devida pelos fabricantes ou importadores de veículos, na condição de substitutos tributários dos comerciantes varejistas, conforme Medida Provisória n. 1.99115 e reedições, é o preço da venda da pessoa jurídica fabricante, o qual inclui o IPI cobrado na operação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 VEÍCULOS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. BASE DE CÁLCULO. Fl. 1260DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 7 3 A base de cálculo da Cofins devida pelos fabricantes ou importadores de veículos, na condição de substitutos tributários dos comerciantes varejistas, conforme Medida Provisória n. 1.99115 e reedições, é o preço da venda da pessoa jurídica fabricante, o qual inclui o IPI cobrado na operação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2000 a 31/10/2002 PRIMEIRA INSTÂNCIA. VINCULAÇÃO. O julgador administrativo de primeira instância está vinculado ao entendimento da RFB expresso em atos normativos. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada com a decisão da DRJ, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, sustentando, em suma, que a Instrução Normativa SRF n. 54/00 carece de validade, posto que não compete à SRF inovar ou majorar a base de cálculo de tributos, violando o art. 100, I, do CTN, inovando na ordem jurídicotributária. É o relatório. VOTO Conselheira Ângela Sartori, Relatora. O recurso é tempestivo, conforme documento de fl., e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Apesar de o Recorrente inicialmente lançar seus argumentos em face da legalidade ou não da IN SRF n. 54/2000, em verdade, a questão enfrenta necessariamente a definição do conceito constitucional de faturamento. Oocrre que, a matéria teve reconhecida a Repercussão Geral pelo Supremo Tribunal Federal – STF, em 09/09/2010, através do RE 605506RG, de relatoria da então Ministra Ellen Gracie, consubstanciado no tema 303, in verbis: TRIBUTÁRIO. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA PARA FRENTE. MONTADORAS DE VEÍCULOS. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO PRESUMIDA. POSSIBILIDADE DA CONSIDERAÇÃO DO IPI PARA FINS DE CÁLCULO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. (RE 605506 RG, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, julgado em 09/09/2010, DJe224 DIVULG 22112010 PUBLIC 23112010 EMENT VOL0243602 PP00334 ) Fl. 1261DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS Processo nº 13827.000653/200530 Resolução nº 3401000.777 S3C4T1 Fl. 8 4 Os argumentos tecidos pelo recorrente no processo acima são os mesmos do contribuinte do presente processo administrativo, para tanto, vejase trecho do voto da repercussão geral, in verbis: 1. A empresa recorrente entende que as Medidas Provisórias 2.15835/01 e 1.99115/00 e a IN 54/00 teriam violado os arts. 145, parágrafo 1o, 150, parágrafo 7o e 195, I, b, da Constituição, na medida em que o IPI Não constitui receita da empresa substituída, mas da própria União. Estaria, assim, desbordando do conceito de receita que constitui a base econômica dada à tributação. 2. Se a argumentação tem consistência ou não, é matéria de mérito, sendo certo, contudo, que a questão sempre foi colocada pela empresa recorrente sob a perspectiva constitucional justificandose o seu conhecimento. Em relação ao sobrestamento esclarece o site do STF: 10/09/2010 Decisão pela existência de repercussão geral PLENÁRIO VIRTUAL Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada,. Sendo assim, é o caso de aplicação §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF que assim dispõe: § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543 B. Ex positis, em atendimento ao §1o, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, voto pelo sobrestamento do julgamento do presente Recurso Voluntário, até o julgamento definitivo do Recurso Extraordinário nº 605506RG pelo STF. Ângela Sartori Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2013 por ANGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 09/12/2013 por A NGELA SARTORI, Assinado digitalmente em 30/01/2014 por JULIO CESAR ALVES RAMOS
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