Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,279)
- Segunda Câmara (27,805)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,712)
- Primeira Turma Ordinária (16,211)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,078)
- Primeira Turma Ordinária (16,039)
- Segunda Turma Ordinária d (15,784)
- Segunda Turma Ordinária d (14,416)
- Primeira Turma Ordinária (13,020)
- Primeira Turma Ordinária (12,379)
- Segunda Turma Ordinária d (12,361)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,416)
- Quarta Câmara (84,742)
- Terceira Câmara (67,310)
- Segunda Câmara (55,745)
- Primeira Câmara (20,136)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,275)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,843)
- Segunda Seção de Julgamen (114,408)
- Primeira Seção de Julgame (76,513)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,961)
- Câmara Superior de Recurs (37,882)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,615)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,754)
- HELCIO LAFETA REIS (3,725)
- ROSALDO TREVISAN (3,220)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,630)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,918)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,503)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2026 (13,419)
- 2022 (13,225)
Numero do processo: 15586.000423/2005-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2002, 2003,2004
QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001.
A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.ATIVIDADE RURAL. Tributam-se como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, ou falta de escrituração quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da receita bruta.
MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS
A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14).
Recurso provido em parte
Numero da decisão: 2202-002.786
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. César Piantavigna, OAB/ES 6.740.
(Assinado digitalmente)
Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator
Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
Nome do relator: ANTONIO LOPO MARTINEZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2002, 2003,2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.ATIVIDADE RURAL. Tributam-se como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, ou falta de escrituração quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da receita bruta. MULTA QUALIFICADA - EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE - OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Recurso provido em parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15586.000423/2005-86
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391678
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 23 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2202-002.786
nome_arquivo_s : Decisao_15586000423200586.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : ANTONIO LOPO MARTINEZ
nome_arquivo_pdf_s : 15586000423200586_5391678.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de oficio, reduzindo-a ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. César Piantavigna, OAB/ES 6.740. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 09 00:00:00 UTC 2014
id : 5673419
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254820978688
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2210; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 2 1 1 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15586.000423/200586 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2202002.786 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 9 de setembro de 2014 Matéria IRPF Recorrente EITEL BORCHARDT Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003,2004 QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO. PREVISÃO NA LEI COMPLEMENTARNº105/2001. A Lei Complementar nº 105/2001 permite a quebra do sigilo por parte das autoridades e dos agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.ATIVIDADE RURAL. Tributamse como rendimentos omitidos da atividade rural as receitas devidamente comprovadas por meio de documentos hábeis e idôneos que não foram informados nas Declarações de Ajuste Anual. Ocorrendo irregularidades na escrituração do livro caixa, ou falta de escrituração quando obrigatória à atividade rural, o imposto devido deve ser apurado por meio de arbitramento em 20% sobre o valor da receita bruta. MULTA QUALIFICADA EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE OMISSÃO DE RENDIMENTOS A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Recurso provido em parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, QUANTO A PRELIMINAR DE PROVA ILÍCITA POR QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO: Por maioria de votos, rejeitar a preliminar. Vencidos os Conselheiros RAFAEL PANDOLFO e PEDRO ANAN JUNIOR, que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 04 23 /2 00 5- 86 Fl. 743DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 2 acolhem a preliminar. QUANTO AO MÉRITO: Por unanimidade de votos, dar provimento parcial para desqualificar a multa de oficio, reduzindoa ao percentual de 75%. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. César Piantavigna, OAB/ES 6.740. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez – Presidente e Relator Composição do colegiado: Participaram do presente julgamento os Conselheiros Dayse Fernandes Leite (Suplente Convocada), Marcio de Lacerda Martins (Suplente Convocado), Antonio Lopo Martinez, Rafael Pandolfo, Odmir Fernandes (Suplente Convocado), Pedro Anan Junior. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000423/200586 Acórdão n.º 2202002.786 S2C2T2 Fl. 3 3 Relatório Contra o contribuinte, EITEL BORCHARDT, foi lavrado o Auto de Infração de fls. 414 a 418, integrado pelos demonstrativos de fls. 419 a 422, pelo qual se exige a importância de R$233.139,46, a título de Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF, acrescida de multa de ofício 150% e juros de mora, em virtude da apuração de omissão de rendimentos da atividade rural. O procedimento fiscal encontra se resumido no Termo de Encerramento da Ação Fiscal de fls. 393 a 413, no qual o autuante esclarece que: o contribuinte foi intimado a comprovar a origem dos recursos que proporcionaram a vultosa movimentação financeira em suas contas bancárias; em resposta, o fiscalizado apresentou documentos (blocos de notas fiscais de produtor, declaração de regularidade emitida pela AVES – Associação dos Avicultores do Estado do E.S, certificado de qualidade e cartões de visitas), comprovando que as contas correntes de no 501.6266 no Banco do Brasil S/A e de no 000845 na Cooperativa de Crédito Rural de Santa Maria de Jetibá eram utilizadas para movimentar receitas derivadas de sua atividade rural como avicultor; A partir da análise dos documentos apresentados, restou evidenciada a omissão de rendimentos tributáveis da atividade rural, no montante de R$914.907,90, nos anos calendário 2001 a 2003, com aplicação da multa qualificada de 150%. Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 429 a 433, cujo resumo se extraí da decisão recorrida (fls. 444 e 445): Após cientificado do Auto de Infração em referência em 04/07/2005 (fl. 424), o Interessado, em 29/07/2005, apresentou a impugnação de fls. 429 a 433, valendose, em síntese, dos seguintes argumentos: 1) os fatos imputados pela Fiscalização não receberam qualquer descrição, sendo nulo o auto de infração; 2) a única referência usada pelos Autuantes para apurar vultoso valor de imposto e multa foi a movimentação bancária dos períodos analisados, sendo nulo o auto de infração; 3) conforme entendimento jurisprudencial, seria uma violência aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal deixar o julgador de examinar qualquer tese de defesa sustentada ao longo de todo procedimento, inclusive na fase pré processual; 4) o simples ingresso de dinheiro na conta do Impugnante não caracterizaria conduta tipificada no art. 1º da Lei nº 8.137, de 1990, como sugeriria o relatório exarado pelas autoridades fiscais; 5) não se poderia apreciar a capacidade financeira e econômica de um produtor rural por meio da análise de depósitos e saques feitos em banco, pois, para produzir determinado produto há que Fl. 745DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 4 se computar as despesas, o que não foi levado em consideração pelos Auditores; 6) o imposto, multa de ofício e juros de mora estampados no demonstrativo de crédito tributário devem ser anulados pelas razões expostas na impugnação, uma vez que o Impugnante não teria cometido nenhum crime de ordem tributária, haja vista não ter sonegado qualquer imposto. Ao final, o Impugnante requer a anulação do auto de infração, tendo em vista o cerceamento de defesa e a não comprovação da ocorrência de sonegação de imposto. Apreciando a impugnação apresentada, a 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Rio de Janeiro II (RJ) manteve integralmente o lançamento, proferindo o Acórdão no 10.650 (fls. 442 a 449), de 11/11/2005, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2002, 2003, 2004 Ementa: ARGUIÇÃO DE NULIDADE Estando o auto de infração em consonância com os requisitos do art. 10 do Decreto nº 70.235, de 1972, e não tendo ocorrido nenhuma das causas apontadas no art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se cogitar de nulidade. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA Inexiste embaraço ao exercício do direito de defesa se o auto de infração e os demais elementos do processo permitem ao Impugnante o conhecimento pleno da motivação da ação fiscal, não dando margem a dúvidas quanto à matéria tida como infringida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DA ATIVIDADE RURAL A existência de rendimentos de atividade rural não declarados espontaneamente pelo Interessado em nenhum dos anos calendário em análise, caracteriza o ilícito fiscal e justifica o lançamento de ofício sobre os valores omitidos do crivo da tributação. MULTA QUALIFICADA É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado que o procedimento adotado pelo contribuinte se enquadra, em tese, nos pressupostos estabelecidos no art. 71 da Lei n.º 4.502, de 1964. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 15/12/2005 (vide AR de fl. 454), o contribuinte apresentou, em 16/01/2006, tempestivamente, o recurso de fls. 455 a 457, apresentando as razões de sua irresignação. Destaca os seguintes pontos: Que os fiscais lavraram auto de infração tomandose por base a movimentação financeira do recorrente, cujo fato foi objeto do recurso mais ignorado por este colegiado. Que os fiscais consideraram apenas os créditos, esquecendose de abordar que haveriam débitos, existentes nas contas objeto da fiscalização. Que o auto de infração levou em consideração os cheques recebidos pelo produtor que não foram compensados, ou seja, não foram lançados como crédito e/ou lucro e tais cheques foram adicionados nas receitas omitidas. Fl. 746DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000423/200586 Acórdão n.º 2202002.786 S2C2T2 Fl. 4 5 O processo foi distribuído Conselheira Dra. MARIA LUCIA MONIZ DE ARAGAO CALOMINO ASTORGA, que por meio do despacho de fls. 471, esta relatora propôs o retorno dos autos a unidade de origem: Numa análise preliminar, constatou se que o Recurso Voluntário juntado às fls. 455 a 457 – volume III encontrase firmado por advogado, Dr. Phelipe M. Carneiro, sem que tenha sido anexado aos autos procuração dandolhe poderes para representar o contribuinte. A proposição foi aceita pelo Presidente da Segunda Câmara da Segunda Seção do CARF (fl. 472). Conforme de despacho da unidade de origem (fl. 476), o contribuinte regularmente intimado a apresentar a procuração que deu poderes ao signatário do recurso voluntário para representálo, não atendeu à solicitação e o processo foi encaminhado para digitalização e posterior envio ao CARF. Acessando os autos distribuídos no eprocesso, esta Conselheira observou que o arquivo magnético digitalizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Vitória não continha a última folha da impugnação (fl. 457 do processo físico), saltando da fl. 456 para a fl. 458. Dessa forma, por meio da Resolução no 220200.148, de 19/01/2012 (fls. 482 a 486), foi determinado a realização de diligência para que a autoridade preparadora digitalizasse e anexasse a última folha da impugnação (fl. 457 do processo físico). Os autos retornaram para julgamento, digitalizados até à fl. 4901. Esta Turma em julgamento de 19/09/2012, decidiu não conhecer do recurso tendo em vista a falta de representação no processo para efetuar o recurso voluntário. O recorrente interpôs embargos de declaração , questionando a decisão da turma, por entender que teria sido contraditória e omissa. O Embargo foi analisado pela Conselheira Relatora que entendeu não existir razões para acolher o embargo. O presidente acompanhou a decisão da Conselheira Relatora,por entender que o recurso apresentado pelo contribuinte não foi conhecido, pois “pelo que dos autos consta, o Dr. Phelipe M. Carneiro, não dispunha de procuração para representar o contribuinte e, portanto, não possuía legitimidade para representálo.” (fl. 495). O recorrente socorreuse na Justiça Federal para que seu recurso administrativo fosse recebido e julgado como for de direito, ficando a exigibilidade suspensa. A decisão da justiça foi nesse sentido, resguardando o pedido do recorrente, tendo sido proferida em sentença em 28/11/2013. Em março de 2014, o recorrente questiona novamente na Justiça Federal por que a decisão não tinha ainda sido cumprida. Nesse sentido o processo é encaminhado para o CARF para novo julgamento. Em abril o processo foi sorteado a este relator. Na sessão de maio de 2014, o processo retorna a pauta, oportunidade na qual o recorrente apresenta documentação adicional, relativa a ação de justificação que teria promovido, na qual foram colhidos depoimentos de diversas pessoas. Com esses depoimentos estaria revelada a verdade real, que a conta bancária seria na verdade movimentada em nome do Sr. Floriano Borchardt. É o relatório. Fl. 747DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 6 Voto Conselheiro Antonio Lopo Martinez, Relator O recurso voluntário está dotado dos pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. O recorrente questiona fundamentalmente o lançamento pelo mesmo ter sido baseado nos depósitos bancários. Da Preliminar de Nulidade por Quebra do Sigilo Bancário O sigilo bancário sempre foi um tema cheio de contradições e de várias correntes. Antes da edição da Lei Complementar n° 105, de 2001, os Tribunais Superiores tinham a forte tendência de albergar a tese da inclusão do sigilo bancário na esfera do direito à privacidade, na forma da nossa Constituição Federal, sob o argumento que não é cabível a sua quebra com base em procedimento administrativo, amparado no entendimento de que as previsões nesse sentido, inscritas nos parágrafos 5º e 6º do artigo 38, da Lei nº 4.595, de 1964 e no artigo 8º da Lei nº 8.021, de 1990, perdem eficácia, por interpretação sistemática, diante da vedação do parágrafo único do artigo 197, do CTN, norma hierarquicamente superior. Pessoalmente, não me restam dúvidas, que o direito ao sigilo bancário não pode ser utilizado para acobertar ilegalidades. Por outro lado, preservase a intimidade enquanto ela não atingir a esfera de direitos de outrem. Todos têm direito à privacidade, mas ninguém tem o direito de invocála para absterse de cumprir a lei ou para fugir de seu alcance. Tenho para mim, que o sigilo bancário não foi instituído para que se possam praticar crimes impunemente. Desta forma, é indiscutível que o sigilo bancário, no Brasil, para fins tributários, é relativo e não absoluto, já que a quebra de informações pode ocorrer nas hipóteses previstas em lei. No comando da Lei Complementar nº. 105, de 10 de janeiro de 2001, notase o seguinte: “Art. 1° As instituições financeiras conservarão sigilo em suas operações ativas e passivas e serviços prestados. (...) § 3º Não constitui violação do dever de sigilo: I a troca de informações entre instituições financeiras, para fins cadastrais, inclusive por intermédio de centrais de risco, observadas as normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; II o fornecimento de informações constantes de cadastro de emitentes de cheques sem provisão de fundos e de devedores inadimplentes, a entidades de proteção ao crédito, observadas às normas baixadas pelo Conselho Monetário Nacional e pelo Banco Central do Brasil; III o fornecimento das informações de que trata o § 2º do art. 11 da Lei nº 9.311, de 24 de outubro de 1996; IV a comunicação, às autoridades competentes, da prática de ilícitos penais ou administrativos, abrangendo o fornecimento de informações sobre operações que envolvam recursos provenientes de qualquer prática criminosa; Fl. 748DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000423/200586 Acórdão n.º 2202002.786 S2C2T2 Fl. 5 7 V a revelação de informações sigilosas com o consentimento expresso dos interessados; VI a prestação de informações nos termos e condições estabelecidos nos artigos 2º, 3º, 4º, 5º, 6º, 7º e 9º desta Lei Complementar. (...) Art. 6º As autoridades e os agentes fiscais tributários da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios somente poderão examinar documentos, livros e registros de instituições financeiras, inclusive a contas de depósitos e aplicações financeiras, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. Parágrafo único. O resultado dos exames, as informações e os documentos a que se refere este artigo serão conservados em sigilo, observada a legislação tributária. (...) Art. Revogase o art. 38 da Lei n°° 4.595, de 31 de dezembro de 1964.”. Se antes existiam dúvidas sobre a possibilidade da quebra do sigilo bancário via administrativa (autoridade fiscal), agora estas não mais existem, já que é claro na lei complementar, acima transcrita, a tese de que a Secretaria da Receita Federal tem permissão legal para acessar os dados bancários dos contribuintes, está expressamente autorizado pelo artigo 6° da mencionada lei complementar. O texto autorizou, expressamente, as autoridades e agentes fiscais tributários a obter informações de contas de depósitos e aplicações financeiras, desde que haja processo administrativo instaurado. Assim, estaria afastada a pretensa quebra de sigilo bancário de forma ilícita, já que há permissão legal para que o Estado através de seus agentes fazendários, com fins públicos (arrecadação de tributos), visando o bem comum, possa ter acesso aos dados protegidos, originariamente, pelo sigilo bancário. Ficam o Estado e seus agentes responsáveis, por outro lado, pela manutenção do sigilo bancário e pela observância do sigilo fiscal. Desta forma, dentro dos limites estabelecidos pelos textos legais que tratam o assunto, os AuditoresFiscais da Receita Federal poderão proceder a exames de documentos, livros e registros de contas de depósitos, desde que houver processo fiscal administrativo instaurado e os mesmos forem considerados indispensáveis pela autoridade competente. Devendo ser observado que os documentos e informações fornecidos, bem como seus exames, devem ser conservados em sigilo, cabendo a sua utilização apenas de forma reservada, cumprido as normas a prestação de informações e o exame de documentos, livros e registros de contas de depósitos, a que alude a lei, não constitui, portanto, quebra de sigilo bancário. Sempre é bom lembrar que o sigilo fiscal a que se obrigam os agentes fiscais constitui um dos requisitos do exercício da atividade administrativa tributária, cuja inobservância só se consubstancia mediante a verificação material do evento da quebra do sigilo funcional, quando, então, o agente envolvido sofrerá a devida sanção. Requisições de Movimentação Financeira – RMF emitidas seguiram rigorosamente as exigências previstas pelo Decreto nº 3.724/2001, que regulamentou o art. 6º da Lei Complementar 105/2001, inclusive quanto às hipóteses de indispensabilidade previstas Fl. 749DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 8 no art. 3º, que também estão claramente presentes nos autos. Em verdade, verificase que o contribuinte foi intimada a fornecer seus extratos bancários, no entanto não os apresentou, razão pela qual não restou opção à fiscalização senão a emissão da Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira – RMF. Desse modo, ausente qualquer ilicitude na prova decorrente da transferência de sigilo bancário para a Receita Federal do Brasil, posto que a Lei Complementar 105, de 2001 confere às autoridades administrativas tributárias a possibilidade de acesso aos dados bancários, sem autorização judicial, desde que haja processo administrativo e justificativa para tanto. E é este o caso nos autos. Ademais, a tese de ilicitude da prova obtida não está sendo acolhida pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme a jurisprudência já consolidada. Rejeito, portanto, o questionamento preliminar argüido quanto ilicitude; inconstitucionalidade da prova por quebra do sigilo bancário. Da Movimentação Financeira para Omissão da Atividade Rural Urge registrar que inobstante o lançamento tenha se iniciado pelo investigação de uma movimentação financeira, incompatível com os rendimentos declarados, o lançamento efetuado foi de omissão da atividade rural. A autoridade recorrida apresentou muito bem esse ponto, tal como se nota as fls 451, no voto condutor do acórdão: Uma vez que o contribuinte teria optado pelo arbitramento de 20% das receitas da atividade rural, utilizouse esse padrão na análise do processo em questão. Observese que nas fls. 405 a 406 do auto de infração indica as notas fiscais que teriam sido omitida. O recorrente confirma que o créditos são decorrentes da atividade rural , confirmando deste modo a pertinência do lançamento. Fl. 750DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000423/200586 Acórdão n.º 2202002.786 S2C2T2 Fl. 6 9 Da Ilegitimidade Passiva Não vejo como dar amparo ao argumento de que o recorrente não seria responsável pelo lançamento. Cabe recordar que o procedimento fiscal partiu da movimentação bancária realizada na conta do recorrente. Ainda que se afirme que não lhe pertencia, o fato concreto é que a mesmo foi realizada em sua conta. Sobre esse ponto o CARF já consolidou entendimento: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros (Súmula CARF No.32) Inobstante as provas apresentadas, mediante as AÇÃO DE JUSTIFICAÇÃO, não estamos diante do caso de uma pessoa interposta que apenas fornece o seu nome. A conta bancária era de responsabilidade do próprio recorrente, que preencheu o cadastro e a movimentava conforme sua conveniência, para atender os interesses de sua família. Acrescentese, por pertinente, que no caso concreto a ilegitimidade fica ainda mais frágil pois apesar do lançamento ter se iniciado de depósitos bancários, por força das investigações foi lançado omissão de rendimentos da atividade rural. Em função da relação de notas fiscais de fl. 279, apurouse a base de cálculo do auto de infração. Outro ponto que suscita a dúvida, é o fato de em sua declaração o recorrente indicar possuir quatro dependentes, e manter dinheiro em espécie em montante significativos, o que dificulta o convencimento de que o mesmo não era detentor de recursos, tal como alegado. Diante dos fatos presentes nos autos, não há como afastar do recorrente a responsabilidade pelo lançamento. Da exclusão do valores lançados em duplicidade. Uma vez que o lançamento foi realizado com base nas notas fiscais, não tem qualquer efeito no lançamento o fato de alguns cheque não terem sido compensados. Da Qualificação da Multa Em face dos elementos presentes nos autos, entendo que as qualificação não é sustentável. No caso concreto em análise, a multa qualificada baseouse no fato de ter a autoridade lançadora verificado à omissão de rendimentos provenientes da atividade rural. A autuante fundamentou a aplicação da multa de 150% sob a consideração de que ficou evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o contribuinte não declarou a totalidade de seus rendimentos omitindo total ou parcialmente, informação que deva ser produzida a agentes da pessoa jurídica de direito privado interno, com a intenção de eximirse, total ou parcialmente, do pagamento de tributos devidos por lei, utilizandose para isso a simulação e pessoas interpostas. A aplicação da multa de lançamento de ofício qualificada, decorrente do art. 44, II, da Lei n° 9.430, de 1996, atualmente aplicada de forma generalizada pela autoridade lançadora, deve obedecer toda cautela possível e ser aplicada, tão somente, nos casos em que ficar nitidamente caracterizado o evidente intuito de fraude, conforme farta Jurisprudência emanada do Egrégio Primeiro Conselho de Contribuintes, bem como da Câmara Superior de Recursos Fiscais. Fl. 751DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ 10 Com a devida vênia dos que pensam em contrário, a simples omissão de receitas ou de rendimentos; a simples declaração inexata de receitas ou rendimentos; a classificação indevida de receitas/rendimentos na Declaração de Ajuste Anual ou a falta de inclusão de algum valor, bem ou direito na Declaração de Bens ou Direitos, não tem, a princípio, a característica essencial de evidente intuito de fraude. Quando a lei se reporta à evidente intuito de fraude é óbvio que a palavra intuito não está em lugar de pensamento, pois ninguém conseguirá penetrar no pensamento de seu semelhante. A palavra intuito, pelo contrário, supõe a intenção manifestada exteriormente, já que pelas ações se pode chegar ao pensamento de alguém. Há certas ações que, por si só, já denotam ter o seu autor pretendido proceder, desta ou daquela forma, para alcançar, tal ou qual, finalidade. Intuito é, pois, sinônimo de intenção, isto é, aquilo que se deseja, aquilo que se tem em vista ao agir. O evidente intuito de fraude floresce nos casos típicos de adulteração de comprovantes, adulteração de notas fiscais, conta bancária em nome fictício, falsidade ideológica, notas calçadas, notas frias, notas paralelas, etc. É de se ressaltar, que não basta que atividade seja ilícita para se aplicar à multa qualificada, deve haver o evidente intuito de fraude, já que a tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Assim, no caso em questão, o fato de o contribuinte ter omitido rendimentos da atividade rural, por si só, não caracteriza o evidente intuito de fraude a que se refere o inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. Para concluir é de se reforçar, mais uma vez, que a simples omissão de rendimentos não dá causa para a qualificação da multa. A infração a dispositivo de lei, mesmo que resulte diminuição de pagamento de tributo, não autoriza presumir intuito de fraude. A inobservância da legislação tributária tem que estar acompanhada de prova que o sujeito empenhouse em induzir a autoridade administrativa em erro, quer por forjar documentos quer por ter feito parte em conluio, para que fique caracterizada a conduta fraudulenta. Nesse sentido segue a jurisprudência administrativa. A simples apuração de omissão de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de oficio, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo (Súmula CARF n°. 14). Incabível a exasperação da multa de oficio quando os atos praticados pelo contribuinte no intuito de tributar na pessoa jurídica sem a efetiva transferência do bem, apesar de extrapolar os permissivos legais, não revelem o evidente intuito de fraude tal qual definido nos art. 71 a 73 da Lei 4.502/1964. Ante ao exposto, voto por rejeitar a preliminar e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício reduzindoa para 75%. (Assinado digitalmente) Antonio Lopo Martinez Fl. 752DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ Processo nº 15586.000423/200586 Acórdão n.º 2202002.786 S2C2T2 Fl. 7 11 Fl. 753DF CARF MF Impresso em 23/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por ANTONIO LOPO MARTINEZ, Assinado digitalmente em 03/10/201 4 por ANTONIO LOPO MARTINEZ
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001244/2010-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. VALIDADE.
No PAF, a intimação dos atos são direcionadas às contribuintes, sendo válida a intimação efetivada nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE.
Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do Recurso Voluntário, contado da data do recebimento da intimação válida direcionada à contribuinte, impossibilitado o conhecimento do recurso quando não observada essa exigência.
Numero da decisão: 1301-001.267
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por intempestivo, nos temos do relatório e voto proferidos pelo Relator.
(Assinado digitalmente)
VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente.
(Assinado digitalmente)
CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201308
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. VALIDADE. No PAF, a intimação dos atos são direcionadas às contribuintes, sendo válida a intimação efetivada nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do Recurso Voluntário, contado da data do recebimento da intimação válida direcionada à contribuinte, impossibilitado o conhecimento do recurso quando não observada essa exigência.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 19515.001244/2010-18
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395665
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Nov 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.267
nome_arquivo_s : Decisao_19515001244201018.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER
nome_arquivo_pdf_s : 19515001244201018_5395665.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por intempestivo, nos temos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES - Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 07 00:00:00 UTC 2013
id : 5699424
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:37 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254825172992
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 2; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1985; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.001244/201018 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.267 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 07 de agosto de 2013 Matéria IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS Recorrente GREENLITE DISTRIBUIÇÃO DE MATERIAL DE ILUMINAÇÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. VALIDADE. No PAF, a intimação dos atos são direcionadas às contribuintes, sendo válida a intimação efetivada nos termos do art. 23 do Decreto 70.235/72. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. Sendo de 30 (trinta) dias o prazo para a interposição do Recurso Voluntário, contado da data do recebimento da intimação válida direcionada à contribuinte, impossibilitado o conhecimento do recurso quando não observada essa exigência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os Membros deste Colegiado, por unanimidade de votos, NÃO CONHECER do recurso voluntário por intempestivo, nos temos do relatório e voto proferidos pelo Relator. (Assinado digitalmente) VALMAR FONSÊCA DE MENEZES Presidente. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), Carlos Augusto de Andrade Jenier, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimaraes, Valmir Sandri e Edwal Casoni De Paula Fernandes Junior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 12 44 /2 01 0- 18 Fl. 2090DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 2 Relatório Adotando o relatório apresentado pela r. decisão de origem, destaco: Em decorrência de ação fiscal levada a efeito junto ao contribuinte acima identificado e, em razão de irregularidades apuradas, foram lavrados 2 (dois) Autos de Infração, em 12/05/2010, com ciência dada em 20/05/2010, por meio dos quais foram constituídos os seguintes créditos tributários (fls.91 a 103): Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ, no valor de R$ 25.132.367,55 e Contribuição Social s/Lucro Líquido, no valor de R$ 9.064.765,56. 2. Totalizaram, portanto, tais lançamentos, a importância de R$ 34.197.133,11, aí incluídos os valores dos tributos, das multas de ofício e dos juros de mora (estes calculados até 30/04/2010). 3. A fiscalização apresenta através do "Termo de Verificação Fiscal" (TVF) (fls.87 a 89), basicamente o seguinte. 3.1. A empresa não foi localizada no endereço de domicílio fiscal informado no CNPJ: Alameda Santos, 1.800, 8o Andar Cerqueira Cezar SP. Neste endereço está estabelecida outra empresa sendo que o contribuinte utiliza a sala somente para reuniões. 3.2. O Termo de Intimação Fiscal foi encaminhado para os endereços dos sócios: FANG JEY JIUN, CPF 083.414.97883 e FANG BIAU, CPF 032.072.7985. 3.3. A fiscalizada foi intimada a apresentar os livros e documentos contábeis e fiscais, do anocalendário de 2007, a saber: Livro Diário e Razão e de Apuração do Lucro Real LALUR; Livro Registro de Entradas e Saídas de Mercadorias; Livro Registro de Inventário; Contrato Social e Alterações correspondentes e Comprovantes de Movimentação Financeira. 3.4. Os livros: Diário, Razão, LALUR e Registro de Inventário não foram apresentados apesar de o contribuinte ser regularmente notificado, por meio de REINTIMAÇÃO FISCAL. 3.5. A fiscalização declara que, "o contribuinte deixou ainda de manifestarse, sob qualquer meio ou forma, mesmo após a lavratura dos TERMOS DE CONSTATAÇÃO, TERMO DE INSTRUÇÃO E TERMO DE INTIMAÇÃO DEFINITIVA, solicitando a entrega dos documentos pendentes de apresentação". 3.6. Foi verificado que no Livro Registro de Saídas de Mercadorias está registrado o montante de R$ 50.850.516,26 como faturamento no anocalendário de 2007. Para o mesmo período, a empresa apresentou DIPJ sem movimento e Receita de Vendas "zerada". 3.7. Informa a fiscalização que, "o contribuinte foi intimado a esclarecer a diferença constatada, reintimado a apresentar o Livro Diário e a comprovar o recolhimento dos tributos envolvidos. Regularmente intimado a prestar os esclarecimentos mencionados e Fl. 2091DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001244/201018 Acórdão n.º 1301001.267 S1C3T1 Fl. 3 3 a apresentar os elementos solicitados, o contribuinte deixou de manifestarse a respeito". 3.8. Continuando, "constatada a diferença não justificada de R$ 50.850.516,26, correspondente ao total do faturamento escriturado no Registro de Saídas, sem a respectiva informação como receita na DIPJ, fica o procedimento caracterizado como Omissão de Receita de Vendas, tendo como conseqüência a insuficiência de recolhimento, sobre a parcela omitida, dos valores tributados pelo IRPJ e CSLL". 4. Os enquadramentos legais utilizados para fundamentar as autuações encontramse nos respectivos autos de infração e são a seguir discriminados: 4.1. IRPJ: artigos: 249, inciso II; 251 e parágrafo único; 278; 279; 280 e 288 do RIR/99. Artigo 24 da Lei n° 9.249/95. 4.2. CSLL: artigo 2 o e §§, da Lei n° 7.689/88; artigo 24 da Lei n° 9.249/95; artigo 1 o da Lei n° 9.316/96 e artigo 28 da Lei n° 9.430/96; artigo 37 da Lei n° 10.637/02. 5. A Empresa tempestivamente apresentou impugnação protocolada em 18/06/2010 (fls. 107 a 135) contestando a lavratura dos Autos de Infração, nos seguintes termos, resumidamente. 5.1. Preliminarmente, menciona o benefício, que deve nortear o julgamento, do "In Dúbio Contra Fiscum", previsto no artigo 112 do CTN. 5.2. Destaca que, sempre que houver dúvida quanto à formação de uma idéia, deverá a mesma sempre pender para o lado favorável do contribuinte, que é e sempre será a parte fraca na relação Fisco Contribuinte. 5.3. A Impugnante apresentou para fiscalização não só o livro de saídas de mercadorias, mas também de entradas que comprovam as operações de compra e venda realizadas, que por si só já demonstram que o valor apontado no auto de infração como "faturamento" não espelha a realidade. 5.4. A fiscalização não poderia considerar como omissão de receita o faturamento escriturado no livro de saídas, pois o mesmo não reflete o acréscimo patrimonial. Não se caracteriza como o fato gerador do IRPJ que é a aquisição de disponibilidade econômica e jurídica de renda ou proventos de qualquer natureza, como previsto no artigo 43, do CTN. 5.5. A fiscalização, não obstante a apresentação do livro de entrada, tinha como verificar o real faturamento da empresa mediante as DCTF's e DACON, constantes na base de dados da própria Receita Federal. Logo, havia informações suficientes para a fiscalização consultar e verificar que inexiste omissão de receita. 5.6. As determinações legais que determinam a omissão de receita artigo 281, RIR/99 e artigo 40, da Lei n° 9.430/96 não se enquadram no caso em tela. (Estes artigos tratam das presunções legais de omissão de receita). 5.7. Em momento algum a legislação dispõe que a falta ou inconsistência da DIPJ configura omissão de receita, mas no máximo determina a aplicação a aplicação de multa por não cumprimento de obrigação acessória. 5.8. A Impugnante não apresentou todos os documentos solicitados, por motivo de força maior, pois, sofreu fiscalização do DIREP e Receita Federal de Fl. 2092DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 4 Jaguarão em 2008 sendo que os documentos apresentados e retirados nunca foram restituídos. 5.9. Finalizando, pede para que, se não forem aceitos os argumentos apresentados e aplicada somente a multa acessória, se providencie diligência a fim de ser realizada nova fiscalização confrontando o livro de saída com os demais documentos (livro de entrada, DCTF, DACON e extratos bancários). Da análise dos argumentos esposados, concluiu da 4a Turma da DRJ/SPI pela improcedência da impugnação e a manutenção do lançamento em acórdão que assim restou ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA I R PJ Anocalendário: 2007 RECEITAS NÃO DECLARADAS Cabe o lançamento de ofício em decorrência de receitas registradas no Livro Registro de Saídas de Mercadorias, porém, não consideradas na DIPJ. AUTO REFLEXO. CSLL.= O decidido quanto ao IRPJ aplicase à tributação dele decorrente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Às fls. 416, verificase a cópia do AR, comprovando a intimação da contribuinte no dia 28/04/2011, tendo sido então protocolado o seu Recurso Voluntário no dia 01/07/2011, destacando, inicialmente, a tempestividade de seu recurso, em decorrência de vício na intimação ocorrida e, no mérito, requerendo a reforma integral da decisão proferida, redargüindo os pontos anteriormente destacados em sua impugnação. No despacho de encaminhamento dos autos pela unidade preparadora, constante às fls. 2086, determinase o envio dos autos a esta Egrégia Primeira Seção de Julgamento, destacandose, no caso, a intempestividade do recurso interposto. É o que se tem a relatar. Fl. 2093DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001244/201018 Acórdão n.º 1301001.267 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER. Antes de analisar quaisquer das matérias relativas ao mérito do recurso interposto, relevante se faz a verificação a respeito da (in)tempestividade do recurso interposto. Conforme sumariamente destacado do relatório, a recorrente, antes de adentrar nas discussões específicas a respeito da matéria discutida nos autos, ressalta a tempestividade do recurso interposto, uma vez que, segundo aponta, somente teriam tido conhecimento dos termos da decisão proferida pela DRJ na tarde do dia 27/06/2011. A respeito das intimações realizadas nos autos, destaca a sua invalidade, uma vez que, segundo destaca, a empresa não mais se encontra no endereço para onde teriam sido encaminhadas as intimações (Alameda Santos, 1800, 8o andar, Cerqueira César, São Paulo SP, CEP 01.418200) ali já se verificando o estabelecimento de outra empresa, e, ainda, que em sua IMPUGNAÇÃO teria formulado requerimento específico no sentido de que todas as intimações fossem encaminhadas aos seus patronos/advogados, signatários daquele instrumento. A questão da regularidade da intimação promovida nestes autos demanda uma análise própria e específica dos elementos contidos no processo, sobretudo porque, conforme se verifica nas informações apresentadas pela fiscalização em seu Termo de Verificação, o endereço eleito pela contribuinte junto aos cadastros fiscais – aquele mesmo indicado como tendo sido o destino da intimação enviada via AR – representa, na verdade, endereço de locação de espaço para reuniões, ali nunca estando a recorrente estabelecida. Vejamos as informações apresentadas pelas autoridades fiscalizatórias às fls. 87: “A empresa não foi localizada no endereço de domicílio fiscal informado no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ, qual seja: Alameda Santos, 1800, 8o Andar Cerqueira César São Paulo/SP. O contribuinte, apesar de informar o endereço mencionado como sede da Pessoa Jurídica, utiliza eventualmente o local apenas para realização de reunião, por meio da locação de sala disponibilizada para esta finalidade e pertencente à empresa ali estabelecida: FULL SERVICE CENTER PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PARA REALIZAÇÃO DE NEGÓCIOS LTDA ME, CNPJ 01.033.942/000139, não tendo esta última, qualquer vínculo com a empresa fiscalizada.” A fiscalização, pretendendo obter informações a respeito da empresa, utilizou, de fato, o endereço disponível em seus cadastros como sendo o endereço dos sócios da empresa (FANG JEY JIUN, CPF 083.414.97883, com domicílio fiscal declarado como: Rua Volta Redonda, 757, Apto. 141, São Paulo/SP e por FANG BIAU, CPF 032.072.79805, com domicílio fiscal na Rua dos Franceses, 498, Apto. 92, São Paulo/SP), verificandose, entretanto, que tanto na IMPUGNAÇÃO apresentada quanto, ainda, no próprio Recurso Voluntário apontado, o endereço indicado como sendo o da “sede” da empresa, ainda é aquele constantes nos registros fiscais (Alameda Santos, 1800, 8o andar, Cerqueira César, São Paulo Fl. 2094DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 6 SP, CEP 01.418200), não se dignando, em momento algum, à indicação de estabelecimento da empresa em outra localidade. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal Federal, é bem verdade, existem regras processuais próprias e específicas para a realização de intimações dos contribuintes a respeito dos termos e atos dele constantes, sendo verificáveis nas expressas disposições do Art. 23 do Decreto 70.235/72 os seguintes e específicos mandamentos: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1o Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado:(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet; (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 12.844, de 2013) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 2095DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001244/201018 Acórdão n.º 1301001.267 S1C3T1 Fl. 5 7 § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 7o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Cont ribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subseqüente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 8o Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior deRec ursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante prot ocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) § 9o Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Con selho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com otérm ino do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procura doria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) (Vigência) A partir da leitura desses dispositivos, verificase que, indubitavelmente, a intimação da contribuinte deve ser realizada nos termos e limites ali então especificamente estabelecidos, sendo certo que, conforme se verifica, no caso da intimação via AR, deve ser utilizado (como o foi no presente caso) o endereço eleito e indicado pela própria contribuinte junto aos competentes registros fiscais, sendo sempre ônus a ela encarregado da manutenção da correta e adequada informação constantes nos respectivos órgãos fazendários. A par dessas considerações, insta ainda ressaltar que, ao contrário do que pretende ver afirmada a recorrente, a simples formulação, em sua peça impugnatória, de requerimento de intimação de seus advogados não se mostra suficiente para a substituição do específico regramento aplicável à matéria, não sendo, portanto, aquele apontado e genérico requerimento suficiente para suplantar a aplicação das específicas normas legais a ele referidas. Aliás, a esse respeito, é já remansosa a jurisprudência deste CARF na inadmissibilidade do argumento da existência de requerimento para a intimação dos advogados como argumento suficiente para suplantar a intempestividade do recurso verificada, sendo, a esse respeito, relevante o destaque ao aresto a seguir apresentado, demonstrando, assim, a manutenção desse entendimento neste Conselho: Número do Processo 10510.001827/201014 Contribuinte COMPANHIA DE BEBIDAS DAS AMERICAS AMBEV Tipo do Recurso RECURSO VOLUNTARIO Data da Sessão Relator(a) MARIA DA CONCEICAO ARNALDO JACO Fl. 2096DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES 8 Nº Acórdão 3302001.802 Tributo / Matéria Decisão Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do voto da Relatora. O Conselheiro Alexandre Gomes declarouse impedido. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA. Presidente (assinado digitalmente) MARIA DA CONCEIÇÃO ARNALDO JACÓ Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, José Antonio Francisco, Fabíola Cassiano Keramidas, Alexandre Gomes, Fábia Regina Freitas e Maria da Conceição Arnaldo Jacó. Ementa Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2006 a 30/11/2008 INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. INTEMPESTIVIDADE DA IMPUGNAÇÃO. COMPROVAÇÃO. Estando devidamente comprovada nos autos a intempestividade da peça impugnatória, devese manter a decisão da autoridade de 1ª instância em não conhecer da impugnação. Recurso Voluntário Negado Em face dessas considerações, completamente infundadas, verificamse, são as pretensões trazidas pela recorrente na tentativa de ver suprida a intempestividade do recurso, uma vez que i) tendo sido encaminhada a intimação para o endereço constante no cadastro mantido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, fornecido pela própria contribuinte; ii) inexistindo qualquer prova da providência administrativa relativa à indicação do novo endereço; iii) tendo sido, pela própria contribuinte, indicado aquele mesmo endereço em suas peças processuais como sendo o seu endereço de estabelecimento; e, ainda, iv) inexistindo fundamento legal no âmbito do PAF para a realização de intimação na pessoa de seu advogado; inexiste outra possibilidade, senão, reconhecer, no caso, a total e completa intempestividade do recurso voluntário interposto, sendo, portanto, completamente impossibilitado o seu conhecimento. Diante dessas ponderações, encaminho o meu voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso Voluntário interposto, em face de sua completa e total intempestividade, nos termos e fundamentos aqui, então, devidamente apontados. É como voto. (Assinado digitalmente) CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER – Relator. Fl. 2097DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES Processo nº 19515.001244/201018 Acórdão n.º 1301001.267 S1C3T1 Fl. 6 9 Fl. 2098DF CARF MF Impresso em 07/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente e m 07/05/2014 por CARLOS AUGUSTO DE ANDRADE JENIER, Assinado digitalmente em 22/10/2014 por VALMAR FO NSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 10840.720535/2011-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2006
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL.
Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presume-se receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê-lo, o contribuinte não comprova.
Numero da decisão: 1301-001.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso
(assinado digitalmente)
Valmar Fonseca de Menezes
Presidente
(assinado digitalmente)
Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201408
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presume-se receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazê-lo, o contribuinte não comprova.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10840.720535/2011-23
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391332
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1301-001.625
nome_arquivo_s : Decisao_10840720535201123.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR
nome_arquivo_pdf_s : 10840720535201123_5391332.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
dt_sessao_tdt : Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
id : 5673302
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254862921728
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1757; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10840.720535/201123 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.625 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 27 de agosto de 2014 Matéria Simples Recorrente TRANSPORTES CMB LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PRESUNÇÃO LEGAL. Segundo regra contida no artigo 42 da Lei nº 9.430/96, presumese receita omitida a manutenção de depósitos bancários cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso (assinado digitalmente) Valmar Fonseca de Menezes Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes, Wilson Fernandes Guimarães, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 72 05 35 /2 01 1- 23 Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada, contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP. Trata o presente processo administrativo acerca do Ato Declaratório Executivo nº 48, de 14/03/2011 que excluiu a empresa do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2007, em face de ter auferido, no anocalendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, e de Autos de Infração de IRPJSimples (fls. 4/12), PISSimples (fls.13/21), CSLLSimples (fls.22/30), CofinsSimples (fls.31/39) e Contribuição Seguridade Social Simples (fls. 40/48), lavrados e cientificados em 22 de março de 2011, contra o Interessado, relativos ao anocalendário de 2006, em razão de verificada omissão de receitas decorrente de depósitos bancários não escriturados. Os valores relativos aos fatos geradores verificados encontramse indicados nos corpos dos autos de infração, nos quais também constam os enquadramentos legais respectivos, atingindo o crédito tributário o montante de R$ 921.356,91 na data da lavratura, compreendendo os valores dos tributos, acrescidos da multa de ofício de 75% e dos juros de mora calculados até 28/02/2011. No Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal (fls. 871 a 891), há a descrição do procedimento fiscal e das irregularidades, apontadas pelo autuante como infrações à legislação tributária, que motivaram a lavratura dos presentes autos de infração. Regularmente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 943/956), e Impugnação (fls. 899 a 942), alegando em resumo, que a despeito da fundamentação legal citada referirse corretamente a motivos excludentes de optantes do Simples Nacional, e mesmo o Ato Declaratório Executivo 49, de 14/03/2011 ter excluído a empresa do sistema Simples Nacional desde 01/01/2007, conforme consta expressamente de seu teor, naquele período ela recorrente não seria optante pelo referido sistema da qual estava sendo excluída. Aduziu ainda, que na referida data nem mesmo era possível ser optante do sistema Simples Nacional e que diante desta constatação, não seria plausível que a empresa fosse excluída de um sistema que nem mesmo era optante, tornandose inócua a exclusão pretendida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto, conforme ADE 49, de 14/03/2011. Na sequência defendeu a inexistência de receitas superiores a R$ 2.400.000,00, alegando que no anocalendário 2006 teria passado por sérias dificuldades financeiras, o que a levou a prática de permuta de cheques com pessoas/empresas de sua confiança para cobrir eventual saldo em sua conta corrente, aduziu que os valores decorrentes dessas trocas de cheques não representam receitas e afirmou que possuía um único caminhão destinado ao transporte de cargas durante o ano de 2006, e que a partir de maio de 2006, prestou serviços para uma única empresa (Transportadora AL Ltda), que por ser uma empresa Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10840.720535/201123 Acórdão n.º 1301001.625 S1C3T1 Fl. 3 3 maior sempre tinha cargas disponíveis para serem transportadas e ficava com parte do frete contratado. Alegou que seria impossível ter um faturamento de R$ 8.011.795,87 com receitas provenientes de transportes efetuados com um só caminhão durante o ano de 2006, como citado no Relatório Fiscal, sendo que tal importância monetária reflete somente o que foi movimentado junto aos bancos, e nem de longe o seu real faturamento. Esclareceu que não foi possível comprovar todas estas operações com coincidência de datas e valores perante o Sr. Auditor Fiscal, eis que os depósitos não eram compostos de troca simples de cheque de um correntista com cheque de outro, mas eram mistos, com parte de cheques da autuada, parte de cheques dos sócios, parte de cheques do Sr. Ângelo Roque de Santis, ou de suas empresas, e alguns até de clientes, porém, caso fosse observada a grande quantidade de operações, de uma empresa com único veículo, já se verifica que não se trata de depósitos oriundos do faturamento. Aduziu ainda, que a totalização destas operações resultou no montante levantado pela auditoria fiscal, da qual não faria ressalvas quanto ao total movimentado, porém esta movimentação não se traduziria em receitas tributáveis. Quanto à Impugnação (fls. 899 a 942), relativas aos autos de infração, apresentou as mesmas razões de defesa relatadas acima, afirmando que explicou ao autuante a origem dos depósitos questionados, e que cumpriria à Fiscalização aprofundar as investigações para comprovar a veracidade de suas alegações. Quanto ao PIS e à Cofins alegou que “a partir do início de suas atividades (que foi posterior a data em que entrou em vigor a MP n° 1.724/99 (fevereiro de 1999), recolheu a Contribuição ao PIS e COFINS (inclusa no Simples) não só sobre o seu faturamento decorrente da venda de mercadorias e serviços, como também sobre as demais receitas por ela auferidas (receitas financeiras e outras receitas não operacionais), e sobre o ICMS. Contudo, ao alterar as Leis Complementares n°s 7/70 e 70/91, a Lei n° 9.718/98, resultado da conversão de medida provisória em lei ordinária, é indiscutivelmente inconstitucional e ilegal, tendo em vista que viola expressamente diversos dispositivos da Constituição Federai e das leis consagradas pelo ordenamento jurídico brasileiro”, solicitando a exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da Cofins. A 1ª Turma da DRJ em Ribeirão Preto/SP, nos termos do acórdão nº 14 45.799, julgou procedentes os autos de infração e indeferiu a solicitação da Manifestação de Inconformidade, rejeitando a preliminar de cerceamento ao direito de defesa eis que, no presente processo, foram dadas a contribuinte oportunidades para que não somente apresentasse os documentos que comprovassem a origem dos depósitos bancários como também esclarecesse aspectos relativos à matéria tributária que estava sendo objeto de análise, que redundou na exigência fiscal. Portanto, as intimações e, principalmente, as respostas a elas trazidas aos autos revelam, sobremaneira, que a descrição dos fatos contida no auto de infração foi amplamente esclarecida e suficiente para permitir ao impugnante a defesa ampla de seus interesses, não havendo nenhuma surpresa ou desvio de função na autuação como quer fazer crer o autuado. Ressaltouse que a contribuinte foi regularmente notificada do Ato Declaratório Executivo nº 48, assim como dos autos de infração (IRPJ e reflexos), em 14/03/2011. A descrição dos fatos que ensejaram a sua exclusão do Simples Federal e da autuação encontrase pormenorizadamente consignada no Termo de Conclusão Fiscal (fls. Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 4 871/891) que lhe foi entregue juntamente com o ADE(fl.869) e os autos de infração (fls.04/65), e não obstante isso, o processo encontrase constituído por cópias de documentos que foram fornecidos pelo próprio impugnante durante a ação fiscal. Diante disso, não se vislumbrou qualquer prejuízo ou cerceamento ao direito de defesa do Contribuinte. Quanto à exclusão do Simples, ressaltou a decisão recorrida que em sua Manifestação de Inconformidade o Contribuinte alega que o ADE nº 49, de 14/03/2011 trata de sua exclusão do Simples Nacional, e que em 01/01/2007 sequer era optante do Simples Nacional, contudo, teria se equivocado o contribuinte, pois neste processo cuidase do ADE nº 48 de 14/03/2011, relativo à sua exclusão do Simples Federal, como se vê da fl. 869. Quanto à sua alegação de que não teria ultrapassado o faturamento máximo estabelecido pelo Simples Federal, entendeuse que não poderia prosperar, eis que se sustentava que todos os depósitos questionados pela Fiscalização referiamse a troca de cheques de sua propriedade ou de propriedade de terceiros, com quem mantinha relação de amizade e mútua confiança, entretanto, como se vê do Termo de Conclusão de Procedimento Fiscal, item VI. “Infrações Apuradas” os documentos apresentados (canhoto de cheques) para justificar suas alegações, comprovam apenas parte de sua movimentação financeira/bancária (R$ 72.788,00) e o próprio contribuinte admitiria em sua impugnação que seria incapaz de comprovar a origem de todos os depósitos questionados, pois, que um depósito, muitas das vezes, acobertava vários cheques de diferentes emitentes. Assim seria impossível, no dizer do Contribuinte, a comprovação desses depósitos em datas e valores coincidentes. No mais, aludiuse à legislação aplicável, elaborouse quadro demonstrativo dos valores e julgouse procedentes as imputações. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando os mesmos argumentos e tópicos já relatados. É o relatório. Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10840.720535/201123 Acórdão n.º 1301001.625 S1C3T1 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O Recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admitoo para julgamento. Cuidase no presente caso de autos de infração, lavrados na sistemática do Simples, relativamente ao anocalendário 2006, constatada omissão de receitas, e da correspondente exclusão da contribuinte do Simples Federal, com efeitos a partir de 2007. A questão relativa à exclusão está atrelada à verificação da prevalência da autuação por omissão de receitas, já que o Ato Declaratório Executivo nº 48, de 14/03/2011 que excluiu a empresa do Simples com efeitos retroativos a partir de 01/01/2007, o fez justamente em face de ter auferido, no anocalendário de 2006, receita bruta superior a R$ 2.400.000,00, considerados, por óbvio, os valores objeto da presente glosa. Quanto à preliminar de nulidade, advinda de um alegado cerceamento ao direito de defesa da contribuinte, alegase em Recurso Voluntário, que a documentação citada pela Fiscalização, traz em seu bojo a própria justificativa para os valores movimentados em sua conta bancária, em relação ao seu efetivo faturamento, pois desde os primeiros arrazoados que teria apresentado, a contribuinte “esclareceu” que salvo os valores já tributados, os demais seriam “depósitos sem lastro” em efetivas receitas advindas do faturamentos, eis que seriam originadas em trocas de cheques entre contas dos sócios com a empresa, e trocas com as empresas Ângelo Roque Santis & Cia Ltda., com o próprio senhor Ângelo Roque de Santis, e com outra empresa da titularidade do Senhor Ângelo, a De Santis & Cia Ltda. O raciocínio desenvolvido pela recorrente, para reputar cerceamento ao seu direito de defesa, a partir dos fatos descritos acima, é de que a Fiscalização deveria ter intimado as pessoas aludidas para os fins de esclarecerem os fatos, o que não ocorreu, prejudicando assim, o seu direito à ampla defesa, já que todos poderiam trazer novas provas. O pleito pela decretação da nulidade é rigorosamente improcedente. Não há ao menos algum indício de cerceamento ao direito de defesa, pretende a contribuinte que a Fiscalização tivesse transferido a terceiros, ônus que cumpria a ela contribuinte, ou seja, comprovar a origem dos depósitos bancários em sua conta corrente, mantidos à margem da escrituração. Para além de existir na espécie hipótese legal de presunção de omissão de receitas e, portanto, clara inversão do ônus probatório, matéria reservada ao mérito, é suficiente verificar nesta análise preliminar que não constitui cerceamento de defesa deixar de intimar terceiro que eventualmente tenha realizado o depósito, transferência ou coisa que o valha, sob pena de renegar à ineficiência a norma do artigo 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES 6 Não vislumbro na espécie, qualquer pecha de nulidade, motivo pelo qual, rejeito a preliminar. Quanto ao mérito, o próprio enfretamento da questão preliminar serve de indicador para o deslinde da questão. A própria contribuinte afirma ser incapaz de atrelar, com exatidão e de valores e datas, as “meras transferências” e “depósitos sem lastros” que reputa meramente não serem ensejadores dos tributos. Com efeito, presente a regra contida no artigo 42, da Lei nº 9.430/96, consagradora de que se presume receita omitida, os valores mantidos em conta bancária cuja origem, intimado a fazêlo, o contribuinte não comprova, cumpria à contribuinte, para além de alegar tratarse de “depósitos sem lastro”, demonstrar o fidedigno liame documental que assim os traduzisse, situação que não verifico na espécie. Convém registrar que não se desconhece que os depósitos bancários por natureza e de imediato, não se constituem em sinônimos de receita. Por outro turno, como já registrado acima, também não é lícito olvidar a expressa disposição do artigo 42 da Lei nº 9.430/96 consagrador de que caracterizamse como omissão de receita ou de rendimento, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove mediante documentação hábil e idônea a origem dos recursos utilizados nessas operações. Temse na espécie, portanto, perfeita subsunção das circunstâncias fáticas à abstrata previsão de presunção legal de omissão de receitas, de sorte que o fato relevante para autuação, não foi a simples existência dos depósitos, como sugere a Recorrente, o critério legal se dá com a ausência de comprovação, por documentação hábil e idônea, da origem da indigitada movimentação financeira, esta sim, a ensejar por disposição legal a presunção de que se omitiu receita. Para infirmar os trabalhos fiscalizatórios, portanto, cumpria à Recorrente afastar o motivo pelo qual se implementou a presunção, que como visto no parágrafo precedente, não era a existência dos depósitos ou sua natureza jurídica incompatível com a definição de receita, consistindo sim, na prova documental das origens de tais depósitos e a consequente demonstração de não se constituírem em parcela tributável. Ausente qualquer justificativa quanto à origem dos depósitos considerados pela Fiscalização, está incidir na espécie a presunção legal versada no artigo 42 da Lei nº 9.430/96 e consoante pacífico entendimento desse Conselho Administrativo Fiscal, observado, por exemplo, no verbete da Súmula CARF nº 26 abaixo reproduzida, o Fisco está dispensado até mesmo de comprovar o consumo da renda representada pelos aludidos depósitos, confira se: Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. SÚMULAS VINCULANTES Acórdão nº CSRF/04 00.157, de 13/12/2005. Por essas razões, consideramse hígidas e suficientes as imputações realizadas pela Fiscalização, amparadas em presunção disposta na legislação de regência, Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES Processo nº 10840.720535/201123 Acórdão n.º 1301001.625 S1C3T1 Fl. 5 7 considerandose suficientemente demonstrada a materialidade tributável apontada e reconhecida pela decisão recorrida. Quanto à exclusão da contribuinte, verificada a prevalência da autuação de omissão de receitas, é medida imperativa, já que transposto o limite legal de permanência no aludido regime. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade e negar provimento ao Recurso Voluntário. Sala das Sessões, em 27 de agosto de 2014. (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior. Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalm ente em 18/09/2014 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDES JUNIOR, Assinado digitalmente em 21/10/2014 p or VALMAR FONSECA DE MENEZES
score : 1.0
Numero do processo: 17546.000777/2007-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA.
Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
Recurso especial provido.
Numero da decisão: 9202-003.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzalez Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Gustavo Lian Haddad - Relator
EDITADO EM: 04/11/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
Nome do relator: GUSTAVO LIAN HADDAD
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201410
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplica-se ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 17546.000777/2007-94
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5398700
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 19 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9202-003.408
nome_arquivo_s : Decisao_17546000777200794.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : GUSTAVO LIAN HADDAD
nome_arquivo_pdf_s : 17546000777200794_5398700.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzalez Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad - Relator EDITADO EM: 04/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior.
dt_sessao_tdt : Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
id : 5720501
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:32:01 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254867116032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 11 1 10 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 17546.000777/200794 Recurso nº 258.722 Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.408 – 2ª Turma Sessão de 21 de outubro de 2014 Matéria Contribuições Previdenciárias Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA MULLER DE BEBIDAS ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase ao lançamento a legislação em vigor à data da ocorrência do fato gerador. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Recurso especial provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Adriano Gonzalez Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado) e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 17 54 6. 00 07 77 /2 00 7- 94 Fl. 1955DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Relator EDITADO EM: 04/11/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Alexandre Naoki Nishioka, Marcelo Oliveira, Adriano Gonzales Silverio (suplente convocado), Pedro Anan Junior (suplente convocado), Maria Helena Cotta Cardozo, Gustavo Lian Haddad e Elias Sampaio Freire. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Manoel Coelho Arruda Junior. Relatório Em face de Companhia Muller de Bebidas, foi lavrada a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito de fls. 01/383, para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes à parte da empresa e as destinadas a terceiros. A Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao apreciar o recurso voluntário interposto pela contribuinte, exarou o acórdão n° 240300.333, que se encontra às fls. 1661/1667 e cuja ementa é a seguinte: “PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. PAGAMENTO A SEGURADOS COM CARTÕES DE PREMIAÇÃO. HABITUALIDADE. VERBA SALARIAL. INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. VALOR ACRESCIDO DE MULTA E JUROS COM BASE NA TAXA SELIC. ART.35 DA LEI N 8.212/91. OBSERVÂNCIA AO ART.106, INCISO II, ALÍNEA C DO CÓDIGO TRIBUTÁRIO NACIONAL. Na presente NFLD, foi verificado que ocorreu o pagamento aos segurados da empresa através de cartões de premiação com habitualidade, revestindose tais verbas de caráter salarial, razão pela qual a contribuição social previdenciária incidirá com o recálculo da multa de mora e dos juros com base na taxa SELIC na forma do art.35 da Lei n 8.212/91, que foi alterado pela Lei n 11.941/2009, devendo, portanto ser observado o art.106, II, c do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte.” Fl. 1956DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 17546.000777/200794 Acórdão n.º 9202003.408 CSRFT2 Fl. 12 3 A anotação do resultado do julgamento indica que a turma, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso para determinar o recálculo da multa de mora, com base na redação dada pela lei 11.941/2009 ao artigo 35, caput, da Lei 8.212/91, com a prevalência da mais benéfica a contribuinte. Intimada do acórdão em 16/05/2011 (fls. 1668), a Fazenda Nacional interpôs recurso especial (fls. 1671/1676v), sustentando divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos n° 230100.283 e 240100.120, no tocante à aplicação da multa requerendo seja determinada a aplicação da penalidade prevista no art. 35A da Lei 8.212/91, com a redação que lhe foi dada pela lei 11.941/09, para fins da retroatividade benigna prevista no artigo 106, II do CTN. Ao Recurso Especial foi dado seguimento, conforme Despacho nº 2400 288/2011, de 20/05/2011 (fls. 1695/1699). Intimada sobre a admissão do recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional, a contribuinte apresentou suas contrarrazões ao recurso especial (fls. 1711/1729). É o Relatório. Fl. 1957DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 4 Voto Conselheiro Gustavo Lian Haddad, Relator Analiso a admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional. O recurso foi interposto em razão da divergência entre o acórdão recorrido e os acórdãos nº 230100.283 e 240100.120. Os acórdãos paradigmas encontramse assim ementados: Acórdão nº 230100.283 “CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. TERMO A QUO. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO SOBRE AS RUBRICAS LANÇADAS. ART. 173, INCISO I, DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento sumulado, Súmula Vinculante de n ° 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n 08.212 de 1991. Não tendo havido pagamento antecipado sobre as rubricas lançadas pela fiscalização, ha que se observar o disposto no art. 173, inciso Ido CTN. Encontramse atingidos pela fluência do prazo decadencial parte dos fatos geradores apurados pela fiscalização. JUROS CALCULADOS À TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A cobrança de juros está prevista em lei específica da previdência social, art. 34 da Lei n° 8.212/1991, desse modo foi correta a aplicação do índice pela fiscalização federal. No sentido da aplicabilidade da taxa Selic, o Plenário do 2° Conselho de Contribuintes aprovou a Súmula de n° 3. RESPONSABILIDADE DOS ADMINISTRADORES. RELAÇÃO DE CORESPONSÁVEIS. DOCUMENTO INFORMATIVO. A relação de coresponsáveis meramente informativa do vinculo que os dirigentes tiveram com a entidade em relação ao período dos fatos geradores. Não foi objeto de análise no relatório fiscal se os dirigentes agiram com infração de lei, ou violação de contrato social, ou com excesso de poderes. Uma vez que tal fato não foi objeto do lançamento, não se instaurou litígio nesse ponto. Ademais, os relatórios de co responsáveis e de vínculos fazem parte de todos processos como instrumento de informação, afim de se esclarecer a composição societária da empresa no período do lançamento ou autuação, relacionando todas as pessoas físicas e jurídicas, representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação. O art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03 de 14/07/2005 determina a inclusão dos referidos relatórios nos processos administrativofiscais. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. PARCELA PAGA EM DESACORDO COM A LEI ESPECÍFICA. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁ RIA. A parcela foi paga em desacordo com a lei, pois não houve participação do sindicato na negociação. A negativa do sindicato em participar, conforme descrito pelo recorrente, não tomou legítimo o instrumento Fl. 1958DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 17546.000777/200794 Acórdão n.º 9202003.408 CSRFT2 Fl. 13 5 realizado. Para solução do caso, se entendesse a empresa ou os trabalhadores ser mais benéfico o acordo de participação nos lucros proposto pelo recorrente deveria valerse do disposto na Consolidação das Leis do Trabalho CLT, além do que a própria Lei n 10.101 em seu art. 40 prevê a forma de resolução de controvérsias relativas ao PLR. Recurso Voluntário Negado" Acórdão nº 240100.120 "SALÁRIO INDIRETO. CARTÕES DE PREMIAÇÃO PARCELA DE INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. JUROS SELIC CONSTITUCIONALIDADE DE LEI. DECLARAÇÃO. VEDAÇÃO. DECADÊNCIA I De acordo com o artigo 34 da Lei nº 8212/91, as contribuições sociais e outras importâncias arrecadadas elo INSS, incluídas ou não em notificação fiscal e lançamento, pagas com atraso ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC incidentes sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevável 2 A teor do disposto no art. 49 do Regimento Interno deste Conselho é vedado ao Conselho afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto sob o fundamento de inconstitucionalidade, sem que tenham sido assim declaradas pelos órgãos competentes. A matéria encontrase sumulada, de acordo com a Súmula nº 2 do 2° Conselho de Contribuintes. 3Tendo em vista a declaração da inconstitucionalidade do artigo 45 da Lei n° 8.212/91, pelo Supremo Tribunal Federal, nos autos dos RE's nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que fora aprovada Súmula Vinculante n° 08, disciplinando a matéria. Termo inicial: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART 150, §4º ). No caso, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação e houve antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 150, §4 ° do CTN" Verifico, ainda, constar dos respectivos votos que integram os acórdãos paradigmas: Acórdão n° 230100283 "Quanto à possibilidade de retroatividade da multa prevista na Medida Provisória n ° 449 de 2008 entendo que a mesma não se aplica. A retroatividade benigna terá aplicação nas hipóteses de a situação gerada pelo ordenamento novel ser mais benéfica que a anterior. In casu, para lançamento de oficio a situação gerada por meio da Medida Provisória n°449 impõe a aplicação da multa prevista no art. 44 da Lei n° 9.430, ou seja a multa seria de 75%. A multa moratória prevista no art. 61 da Lei n° 9.430 somente se aplica para casos de recolhimento não incluídos em lançamento de oficio, o que não é o caso. Fl. 1959DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 6 O fato de ser classificada como multa moratória ou de oficio é irrelevante, o que importa é o comparativo entre situações tendo como referência a nova legislação.” Acórdão n° 240100120 "Nesse sentido, devida a contribuição e não sendo recolhida até a data do vencimento, fica sujeita aos acréscimos legais na forma da legislação de regência. Portanto, correta a aplicação da taxa SELIC, com fulcro no artigo 34, da Lei n°8.212/91, e bem assim da multa moratória, nos termos do artigo 35, do mesmo Diploma Legal. (...) Com relação à solicitação da recorrente, para a aplicação do disposto na Medida Provisória 449, relativamente à multa de mora, importa salientar que a referida MP, além de alterar o art. 35 da Lei n° 8.212/1991, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte: "Art.. 35A Nos casos de lançamento de oficio relativos as contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996". O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serio aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". Entretanto, se ocorreu o lançamento de oficio que é o presente caso, a multa devida seria de 75%, superior ao índice previsto na antiga redação do art. 35 da Lei n° 8.212/1991, correspondente ao percentual devido após ciência do acórdão da segunda instância. Assim, não há como retroagir, ainda que se considere a multa moratória como penalidade, pois a lei atual não é mais favorável ao contribuinte, pelo menos até essa instância." No presente caso, o acórdão recorrido determinou, para fins de cálculo de multa a ser aplicada em decorrência da retroatividade benigna, a comparação entre a multa aplicada no lançamento e a atual multa prevista no artigo 35, caput da Lei nº 8.212/1991 (conforme redação da Lei nº 11.941/2009), no percentual de 20%. Os paradigmas colacionados, no entanto, determinaram que para fins de aplicação da retroatividade benigna fosse comparada a multa lançada com aquela prevista no novel artigo 35A da Lei nº 8.212/191, que, ao fazer remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96, resulta na aplicação de penalidade de 75% do valor do tributo lançado. Destarte, patente a divergência, razão pela qual conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 1960DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 17546.000777/200794 Acórdão n.º 9202003.408 CSRFT2 Fl. 14 7 A discussão no presente recurso é relativa à multa a ser aplicada no presente caso em decorrência do advento da Lei nº 11.941/2009, que alterou os dispositivos da Lei nº 8.212/1991 que tratavam da matéria. Ressalto, antes de tecer maiores comentários, que o presente lançamento tem como objetivo a cobrança de contribuições previdenciárias destinadas a Seguridade Social correspondentes às contribuições devidas pela empresa e às destinadas a terceiros incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais. O acórdão recorrido, ao analisar as razões de recurso do contribuinte, houve por bem manter o lançamento em relação ao principal, determinando o cálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, na redação dada pela lei 11.941/2009, caso mais favorável ao contribuinte. A Fazenda Nacional insurgese contra tal conclusão. Tratase de tema bastante debatido no âmbito deste egrégio colegiado. Para fins de clareza transcrevo, a seguir, a redação dos dispositivos relevantes vigentes à época dos fatos geradores. Lei no 8.212/1991: “Art. 32. A empresa é também obrigada a: I preparar folhasdepagamento das remunerações pagas ou creditadas a todos os segurados a seu serviço, de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo órgão competente da Seguridade Social; II lançar mensalmente em títulos próprios de sua contabilidade, de forma discriminada, os fatos geradores de todas as contribuições, o montante das quantias descontadas, as contribuições da empresa e os totais recolhidos; III prestar ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS e ao Departamento da Receita FederalDRF todas as informações cadastrais, financeiras e contábeis de interesse dos mesmos, na forma por eles estabelecida, bem como os esclarecimentos necessários à fiscalização. IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada Fl. 1961DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 8 aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III – para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houver parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; d) cem por cento, após o ajuizamento da execução, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento.” Esse dispositivo era aplicado às contribuições previdenciárias, administradas pelo INSS, enquanto que aos demais tributos e contribuições federais aplicavamse as penalidades dos artigos 44 e 61 da Lei nº 9.430/1996, in verbis: “Multas de Lançamento de Ofício Fl. 1962DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 17546.000777/200794 Acórdão n.º 9202003.408 CSRFT2 Fl. 15 9 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Lei nº 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. §1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento.” Verificase, desde logo, que existia distinção na aplicação de penalidades para os casos de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias e para os casos de não apuração e recolhimento de outros tributos. De fato, o artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 estabelecia que na hipótese de não apuração e recolhimento de contribuições previdenciárias a multa aplicável era sempre uma dita “de mora” (independentemente do pagamento ser espontâneo ou em decorrência de lançamento de ofício), enquanto que a ausência de apuração e recolhimento tempestivo dos demais tributos e contribuições federais, nos termo da Lei nº 9.430/1996, era apenado com (i) multa de mora, em caso de recolhimento intempestivo de tributo autolançado ou (ii) multa de ofício, em caso de lançamento pela autoridade fiscal. Assim, a distinção entre multa de mora e multa de ofício não era relevante no âmbito das contribuições previdenciárias na medida em que a legislação aplicável a tais contribuições previa a mesma penalidade em qualquer caso. Tal sistemática, no entanto, com o advento da Lei nº 11.941/2009, sofreu profundas alterações em decorrência da unificação da arrecadação dos tributos federais no âmbito da Receita Federal do Brasil. De fato, uma vez unificada a arrecadação não fazia sentido a existência de sistemáticas de aplicação de penalidade diferentes, razão pela qual a Lei nº 11.941/2009 alterou tais dispositivos. Fl. 1963DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD 10 A Lei nº 8.212/1991, após o advento da Lei nº 11.941/2009, passou a tratar das penalidades nos artigos 32A, 35 e 35A, in verbis: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996.” Fl. 1964DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD Processo nº 17546.000777/200794 Acórdão n.º 9202003.408 CSRFT2 Fl. 16 11 No presente caso, considerando que o lançamento decorreu da não apuração e recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, verifico que pela sistemática anterior à MP 449/2008 (convertida na lei nº 11.491/2009), o lançamento estaria sujeito à multa prevista no artigo 35 da Lei 8.212/1991 que, em sua redação à época dos fatos geradores, determinava a aplicação de uma multa de 8% até 100% da contribuição devida em função da fase em que se encontrava a cobrança do débito. Embora o artigo 35 da Lei 8.212/1991 denominasse tal penalidade de mora, tem ela, quando lançada em procedimento de ofício para apuração dos tributos não lançados, sua correspondência no atual artigo 35A da Lei nº 8.212/1991, que rege as hipóteses de lançamento de ofício pela autoridade fiscal, e não no artigo 35 da Lei n. 8.212/1991, que rege as hipóteses de recolhimento espontâneo pelo contribuinte de tributo autolançado. Assim, para aplicação do comando de retroatividade benigna previsto no artigo 106, II, do CTN devese comparar a penalidade prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991 com aquela prevista no artigo 35A da Lei n. 8.212/1991, que remete ao artigo 44 da Lei n. 9.430/1996, ficando limitada ao percentual de 75% prevista neste último dispositivo. Esta conclusão também é a mesma para aqueles que acompanham meu voto neste julgamento pelas conclusões. No entendimento deles a multa pelo descumprimento da obrigação principal deve ser acrescida à multa por descumprimento da obrigação acessória eventualmente lançada em outros autos para fins de comparação com o limite de 75% previsto na Lei n. 11.941. Ante o exposto, conheço do recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO para que seja aplicada a multa prevista na antiga redação do artigo 35 da Lei nº 8.212/1991, limitada ao percentual de 75%. (Assinado digitalmente) Gustavo Lian Haddad Fl. 1965DF CARF MF Impresso em 19/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/11/2014 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/11/2 014 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por GUSTAVO LIAN HADDAD
score : 1.0
Numero do processo: 15771.720198/2012-30
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 06/12/2011
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
Numero da decisão: 3803-006.480
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 06/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 15771.720198/2012-30
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5386243
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.480
nome_arquivo_s : Decisao_15771720198201230.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : BELCHIOR MELO DE SOUSA
nome_arquivo_pdf_s : 15771720198201230_5386243.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma.
dt_sessao_tdt : Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
id : 5650194
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:40 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254870261760
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2127; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 289 1 288 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15771.720198/201230 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.480 – 3ª Turma Especial Sessão de 17 de setembro de 2014 Matéria II/IPI/PISCOFINSIMPORTAÇÃO AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente SOC BENEFICIENTE DE SENHORAS HOSPITAL SÍRIO LIBANÊS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 06/12/2011 MATÉRIA SUBMETIDA AO JUDICIÁRIO. RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 06/12/2011 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e em não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 77 1. 72 01 98 /2 01 2- 30 Fl. 289DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Samuel Luiz Manzotti Riemma. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: Fl. 290DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720198/201230 Acórdão n.º 3803006.480 S3TE03 Fl. 290 3 a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 06/12/2011 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 10/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 23/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Fl. 291DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Fl. 292DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720198/201230 Acórdão n.º 3803006.480 S3TE03 Fl. 291 5 Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 293DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e Fl. 294DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 15771.720198/201230 Acórdão n.º 3803006.480 S3TE03 Fl. 292 7 concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração e por não conhecer do recurso quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário. 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 295DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 296DF CARF MF Impresso em 07/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/09/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 07/10/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.007058/2007-54
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2003
Ementa:
IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA.
Não havendo nos autos elementos suficientes para configurar a presença de dolo, fraude ou simulação, a decadência, regida pelo artigo 150, §4o, do CTN, alcança a autuação relativa ao exercício de 2002.
DESCONSIDERAÇÃO PELO FISCO DE RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE EM DIRPF RETIFICADORA APRESENTADA SOB O ABRIGO DA ESPONTANEIDADE. HARMONIA COM A PROVA DOCUMENTAL DOS AUTOS EM RELAÇÃO AO QUAL NÃO SE APONTAM QUAISQUER VÍCIOS JURÍDICO-TRIBUTÁRIOS. INCABÍVEL. RENDIMENTOS QUE, RECONHECIDOS, ELIDEM A IMPUTAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
Declarados em DIRPF retificadora, sob o pálio da espontaneidade, rendimentos suficientes para afastar a imputação de acréscimo patrimonial a descoberto e estando tais rendimentos em harmonia com a prova documental carreada aos autos, em relação a qual não se apontam vícios jurídico-tributários de qualquer natureza, é de reconhecer-se a percepção dos referidos rendimentos, afastando-se a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto.
MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DOS ATOS QUE SE SUBSUMEM NA HIPÓTESE LEGAL DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE
Não basta para a qualificação de multa de ofício a simples descrição de dispositivos legais, é necessários descrever de forma clara e precisa os atos cometidos pelo Contribuinte que induzem à conclusão de que o mesmo praticou algum dos atos descritos na legislação de regência que autorizam a imposição de tão gravosa penalidade.
Recurso provido.
Numero da decisão: 2802-002.839
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. O conselheiro Jaci de Assis apresentará declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos André Ribas de Mello - Relator.
EDITADO EM: 20/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite e Carlos André Ribas de Mello. O Conselheiro Jimir Doniak Junior declarou-se impedido.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201404
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2001, 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. Não havendo nos autos elementos suficientes para configurar a presença de dolo, fraude ou simulação, a decadência, regida pelo artigo 150, §4o, do CTN, alcança a autuação relativa ao exercício de 2002. DESCONSIDERAÇÃO PELO FISCO DE RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE EM DIRPF RETIFICADORA APRESENTADA SOB O ABRIGO DA ESPONTANEIDADE. HARMONIA COM A PROVA DOCUMENTAL DOS AUTOS EM RELAÇÃO AO QUAL NÃO SE APONTAM QUAISQUER VÍCIOS JURÍDICO-TRIBUTÁRIOS. INCABÍVEL. RENDIMENTOS QUE, RECONHECIDOS, ELIDEM A IMPUTAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Declarados em DIRPF retificadora, sob o pálio da espontaneidade, rendimentos suficientes para afastar a imputação de acréscimo patrimonial a descoberto e estando tais rendimentos em harmonia com a prova documental carreada aos autos, em relação a qual não se apontam vícios jurídico-tributários de qualquer natureza, é de reconhecer-se a percepção dos referidos rendimentos, afastando-se a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DOS ATOS QUE SE SUBSUMEM NA HIPÓTESE LEGAL DE EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE Não basta para a qualificação de multa de ofício a simples descrição de dispositivos legais, é necessários descrever de forma clara e precisa os atos cometidos pelo Contribuinte que induzem à conclusão de que o mesmo praticou algum dos atos descritos na legislação de regência que autorizam a imposição de tão gravosa penalidade. Recurso provido.
turma_s : Segunda Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10880.007058/2007-54
anomes_publicacao_s : 201411
conteudo_id_s : 5395050
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 2802-002.839
nome_arquivo_s : Decisao_10880007058200754.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO
nome_arquivo_pdf_s : 10880007058200754_5395050.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. O conselheiro Jaci de Assis apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello - Relator. EDITADO EM: 20/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite e Carlos André Ribas de Mello. O Conselheiro Jimir Doniak Junior declarou-se impedido.
dt_sessao_tdt : Tue Apr 15 00:00:00 UTC 2014
id : 5694267
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:26 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254875504640
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2273; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 652 1 651 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.007058/200754 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802002.839 – 2ª Turma Especial Sessão de 15 de abril de 2014 Matéria IRPF Recorrente ERNANI BERTINO MACIEL Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2003 Ementa: IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DECADÊNCIA. Não havendo nos autos elementos suficientes para configurar a presença de dolo, fraude ou simulação, a decadência, regida pelo artigo 150, §4o, do CTN, alcança a autuação relativa ao exercício de 2002. DESCONSIDERAÇÃO PELO FISCO DE RENDIMENTOS DECLARADOS PELO CONTRIBUINTE EM DIRPF RETIFICADORA APRESENTADA SOB O ABRIGO DA ESPONTANEIDADE. HARMONIA COM A PROVA DOCUMENTAL DOS AUTOS EM RELAÇÃO AO QUAL NÃO SE APONTAM QUAISQUER VÍCIOS JURÍDICOTRIBUTÁRIOS. INCABÍVEL. RENDIMENTOS QUE, RECONHECIDOS, ELIDEM A IMPUTAÇÃO DE ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Declarados em DIRPF retificadora, sob o pálio da espontaneidade, rendimentos suficientes para afastar a imputação de acréscimo patrimonial a descoberto e estando tais rendimentos em harmonia com a prova documental carreada aos autos, em relação a qual não se apontam vícios jurídico tributários de qualquer natureza, é de reconhecerse a percepção dos referidos rendimentos, afastandose a autuação por acréscimo patrimonial a descoberto. MULTA QUALIFICADA. NECESSIDADE DE DESCRIÇÃO PORMENORIZADA DOS ATOS QUE SE SUBSUMEM NA HIPÓTESE LEGAL DE “EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE” Não basta para a qualificação de multa de ofício a simples descrição de dispositivos legais, é necessários descrever de forma clara e precisa os atos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 70 58 /2 00 7- 54 Fl. 653DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 2 cometidos pelo Contribuinte que induzem à conclusão de que o mesmo praticou algum dos atos descritos na legislação de regência que autorizam a imposição de tão gravosa penalidade. Recurso provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário nos termos do voto do relator. O conselheiro Jaci de Assis apresentará declaração de voto. (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello Relator. EDITADO EM: 20/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, German Alejandro San Martín Fernandez, Cleber Ferreira Nunes Leite e Carlos André Ribas de Mello. O Conselheiro Jimir Doniak Junior declarouse impedido. Relatório Tratase de Auto de Infração de fls.459 e ss., por suposto acréscimo patrimonial a descoberto, referente aos exercícios 2002 e 2004, nos termos da fundamentação do termo de verificação fiscal que acompanha e integra o auto de infração. Inconformado com o lançamento, o contribuinte apresenta impugnação, de fls. 491 e ss., alegando, em síntese, o quanto segue: (i) que o Termo de Inicio da Ação Fiscal teve como objeto a Operação Fiscal no 40.711 IRRF — Variação Patrimonial (fls. 38 e 465). Ocorre que as declarações de rendimentos dos exercícios de 2002 a 2005 não apresentam quaisquer indícios de variação patrimonial a descoberto; não constam no processo provas de bens e/ou valores não declarados ou subavaliados; os sistemas informatizados da SRF nada apresentam para justificar a ação fiscal ou para sustentar o Auto de Infração (fls. 477 — item 44); todos os rendimentos declarados constam das declarações retificadoras processadas e nos informes das fontes pagadoras. Como está evidente, a ação fiscal e a sua programação na citada Operação não se justifica tecnicamente, o que prova que a motivação do exame não decorreu do interesse público; não foram observados os princípios da impessoalidade, da imparcialidade, da finalidade e da razoabilidade e da justiça fiscal, que devem balizar as ações da SRF como órgão da Administração Pública. A ação fiscal é, notoriamente, contra o disposto no art. 10 da Portaria SRF n° 6.087/2005 e da Portaria RFB n° 4.066/2007. A ação fiscal não contraria apenas um simples Ato Administrativo, ela é nula e ilegal por afrontar o disposto no art. 37 da CF/1988. Fl. 654DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10880.007058/200754 Acórdão n.º 2802002.839 S2TE02 Fl. 653 3 (ii) que o Auto de Infração foi lavrado em 29/08/2007 e os fatos geradores, objetos do lançamento, ocorreram em 31/12/2001 e 31/12/2003; as declarações iniciais de ajuste foram entregues dentro do prazo legal. A parcela do lançamento do crédito tributário no valor de R$53.965,42, cujo fato gerador ocorreu no anocalendário 2001, foi realizada após a ocorrência do prazo decadencial, seja pela aplicação do termo inicial na data da entrega da declaração de ajuste anual (parágrafo único do art. 173 da Lei no 5.172/1966 — CTN), seja pela aplicação do termo inicial na data da ocorrência do fato gerador (art. 150 do CTN). (iii) que a aplicação da multa qualificada e a tentativa de justificar o lançamento do crédito tributário decaído, em função do disposto no § 4o do art. 150 do CTN, são totalmente descabidas porque a matéria tributável decorre de presunção legal e, além do mais, não há no processo qualquer prova ou indicio de fraude que justifique tal procedimento. O crédito tributário constituído com base em fatos geradores ocorridos no período base de janeiro a dezembro de 2001, está fulminado pela decadência. (iv) que a apuração do acréscimo patrimonial a descoberto, nos montantes de R$58.253,30 em 2001 e de R$159.869,31 em 2003, decorre da desconsideração — sem provas e sem base legal — do valor integral dos Lucros Recebidos da Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer LtdaME, nos montantes de R$150.000,00 e de R$350.000,00, em 2001 e 2003, respectivamente. (v) que os lucros Recebidos da Fazenda Ribeirão estão comprovados, e foram objeto de esclarecimentos e documentos apresentados durante ação fiscal (fls. 95/97, 104/117, 126/154, 155/156, 157/160, 161/321, 328/334 e 335/367). Os documentos e esclarecimentos foram descartados pelo autuante sem base legal e técnica e em total desacordo ao que dispõe o § 10 do art. 845 do Decreto 3.000/1999. (vi) rebate especificamente as razões enumeradas no termo de verificação fiscal, referenciando sempre os documentos trazidos aos autos e afirmando que estão em conformidade com os registros contábeis e com as declarações de rendimentos espontaneamente retificadas, e comprovam a existência e a distribuição dos lucros apurados pela Fazenda Ribeirão. (vii) que, como demonstrado na documentação, nos esclarecimentos apresentados e nos balancetes juntados na impugnação, está comprovada a existência dos Lucros a Distribuir e a efetividade dos Lucros Recebidos da Fazenda Ribeirão. A desconsideração dos Lucros Recebidos é ilegal e arbitrária, sendo, portanto, improcedente o Auto de Infração lavrado e a multa aplicada. (viii) que mesmo com a arbitrariedade praticada pelo fisco de não considerar os Lucrosrecebidos, o Demonstrativo da Variação Patrimonial em 31/12/2002 apresenta um crédito de R$154.129,25, crédito este não aproveitado no período seguinte. (ix) que a autoridade autuante desconsiderou o disposto no inciso I do art. 957 do RIR99, e aplicou indevidamente a multa qualificada prevista no inciso II do mesmo artigo. A aplicação da multa qualificada é destinada aos casos de evidente intuito de fraude, o que não é o caso deste processo; não ha provas de fraude ou de indícios de fraude, mesmo porque não houve fraude. A impugnação foi julgada pela 7ª Turma da DRJ/SPOII, por unanimidade, pela procedência do lançamento, aos seguintes fundamentos: Fl. 655DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 4 Que o contribuinte não tem a prerrogativa de avaliar e/ou exercer controle sobre os critérios utilizados pela autoridade fiscal para a seleção de contribuintes a serem fiscalizados e os parâmetros aplicados à seleção de contribuintes seguem as diretrizes estabelecidas internamente, observados os princípios do interesse público, da impessoalidade, da imparcialidade, finalidade, razoabilidade e da justiça fiscal. Diversamente do que aduz o impugnante, não há a obrigatoriedade de o Fisco informar ao contribuinte os parâmetros que levaram à sua seleção dentre o universo de contribuintes a serem fiscalizados, nem tampouco por que foi incluído em determinado programa de fiscalização (no caso em tela, Operação Fiscal n° 40711 — IRPF — Variação Patrimonial), razão por que descabe baixar os autos em diligencia, como requer o impugnante, com vista à manifestação pela unidade de programação da ação fiscal sobre os parâmetros aplicados em sua seleção. Acresce que a decadência do lançamento de oficio é regulada exclusivamente pelo que dispõe o inciso I do art. 173 do Código Tributário Nacional CTN (Lei n.° 5.172, de 25 de outubro de 1966), descabendo invocar o § 4o do artigo 150 do CTN, que trata de lançamento por homologação ou o parágrafo único do art. 173 do mesmo dispositivo legal, não se verificando assim sua operação no caso presente; que, sendo o acréscimo patrimonial uma presunção legal, tipo relativa (juris tantum), compete ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação da origem dos recursos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Isso posto, passa, então, análise dos argumentos trazidos pelo autuado, que pretende que os Lucros Recebidos da Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda, CNPJ 02.544.560/000132, informados nas declarações de ajuste anual retificadoras apresentadas em 28/11/2005, referentes aos exercícios 2002 e 2004 anoscalendário 2001 e 2003 (fls. 10/12 e 26/28), nos montantes, respectivamente, de R$150.000,00 e R$350.000,00, sejam considerados como fonte de Recursos/Origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial2001 (fls. 427/428) e 2003 (fls. 431/432). Consoante Termo de Verificação Fiscal (fls.465/483), os Lucros Distribuídos pela Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda, inseridos nas declarações (DIRPF/2002 retificadora de fls. 10/12 e DIRPF 2004 inicial de fls. 22/24 e retificadora de fls. 26/28), não foram aceitos como Recursos/Origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial (fls. 427/428 e 431/432), porque os documentos apresentados pelo contribuinte para comprovação dos valores recebidos a titulo de Lucros Distribuídos restringiramse a Declarações PJSimples Retificadoras (fls. 126/154), aos Livros Razão(fls. 157/160) e Caixa (fls. 161/321), à cópia de recibos assinados pelo sócio Ernani Bertino Maciel dando quitação dos valores recebidos, recibos esses emitidos em papel timbrado da Fazenda Ribeirao Hotel e Lazer, todos idênticos na forma e dizeres, diferindo apenas em sua data de emissão e no valor (fls. 155/156), bem como as declarações assinadas pela Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda — Me relacionando os valores pagos ao sócio Ernani Bertino Maciel a titulo de Distribuição de Lucros (fls. 328/334) e aos recibos assinados por Emani (cópia de fls. 335/367). Por se referirem a declarações, livros fiscais e recibos de responsabilidade do contribuinte, ditos documentos foram considerados insuficientes para fins de comprovação efetiva dos lucros distribuídos. .Sendo, para isso, mister que haja comprovação individualizada dos pagamentos efetuados, per se, com apresentação de documentos hábeis a demonstrar tais operações, comprovação que o contribuinte não logrou apresentar, seja no curso da ação fiscal, seja na impugnação. Fl. 656DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10880.007058/200754 Acórdão n.º 2802002.839 S2TE02 Fl. 654 5 A apresentação na impugnação dos Balancetes mensais da Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda — Me, CNPJ 02.544.560/000132, sita no município de Barra do Pirai/RJ, referentes aos períodos de 01/01/2001 a 31/12/2001 (fls. 509/532) e 01/01/2003 a 31/12/2003 (533/556), é ainda insuficiente para o propósito pretendido pelo impugnante. Chama atenção, os seguintes aspectos levantados no Termo de Verificação Fiscal (fls. 465/483), decorrentes das acuradas análises realizadas pela Autoridade Fiscal nas declarações IRPF (originais e retificadoras) e PJSimples (originais e retificadoras), assim como nos livros Razão e Caixa. Todas as declarações apresentadas nos exercícios 2002 (fls. 06/08), 2003(fls. 14/16), 2004 (fls. 22/24) e 2005 (fls. 30/32) foram retificadas na mesma data de 28/11/2005 (Retificadoras As fls. 10/12 Ex. 2002; fls. 18/20 — Ex. 2003; fls. 26/28 —Ex. 2004; fls. 34/36 — Ex. 2005). 0 recebimento de Lucros Distribuídos, nos montantes de R$150.000,00, no ano calendário de 2001 e de R$250.000,00, no anocalendário de 2004, não constaram nas Declarações de Ajuste Anual originalmente apresentadas. Assim também, a existência de numerário em espécie, no valor de R$100.000,00, em 31/12/2001. Como ocorrido com as Declarações de Ajuste Anual apresentadas pelo contribuinte, também as Declarações PJ Simples da empresa responsável pelos "Lucros Distribuídos", referentes aos exercícios 2002 a 2005, foram retificadas. Nas declarações originais apresentadas por Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer não houve a informação concernente à Distribuição de Lucros ao sócio Ernani Bertino Maciel: a) a Declaração do Exercício 2002 foi retificada 03 vezes, sendo que a informação da Distribuição de Lucros, no montante de R$150.000,00, ao sócio Emani Bertino Maciel, somente foi inserida na última Retificadora apresentada em 11/11/2005; b) a Declaração do Exercício 2003 foi retificada 01 vez, sendo que, naquele ano, não houve distribuição de lucros aos sócios. Naquele ano, o contribuinte Ernani Bertino Maciel e sua filha Marta Maria haviam se retirado da sociedade da Fazenda Ribeirão; c) a Declaração do Exercício 2004 foi retificada 03 vezes, sendo que a informação da Distribuição de Lucros, no montante de R$350.000,00, ao sócio Ernani Bertino Maciel, somente foi informada na última Retificadora apresentada em 11/11/2005; d) a Declaração do Exercício 2005 foi retificada 02 vezes, sendo que a informação da Distribuição de Lucros, no montante de R$250.000,00, ao sócio Ernani Bertino Maciel, somente foi informada na segunda Retificadora apresentada em 11/11/2005. e) também, os saldos iniciais/finais das contas caixa/bancos foram retificados várias vezes. Conforme observou a Autoridade Fiscal no Termo de Verificação Fiscal, a omissão de informação referente à Distribuição de Lucros causa estranheza, já que os valores informados nas declarações são de significativa monta e a retificação delas para sua inclusão ocorreu todas na mesma data (11/11/2005), próxima à apresentação das retificadoras das Declarações de Ajuste Anual do contribuinte Emani Bertino Maciel (28/11/2005). Outro ponto ressaltado pela Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal referese ao fato de que apenas o sócio Ernani Bertino Maciel foi contemplado com a Distribuição de Lucros. A sócia Marta Santos Bertino Maciel recebeu, a titulo de Rendimentos Tributáveis os valores de R$2.160,00 em 2001 e R$7.200,00 em 2004. No ano de 2003, não Fl. 657DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 6 recebeu nenhuma remuneração. Observese, aqui, que, embora a sócia Marta Santos Bertino Maciel detivesse 99% do Capital Social da Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda e o Ernani Bertino Maciel 1% em 2001 (Contrato de Constituição de Sociedade por Cotas de Responsabilidade Ltda datado de 06/04/1998, levado a registro no JUCERJA em 20/05/1998, de fls. 104/106), não há registro de Distribuição de Lucros a ela nem no Livro Razão (fls. 157) nem nos Balancetes (fls. 509/532), enquanto há registros de Distribuição de Lucros a Ernani Bertino Maciel, que recebeu sozinho R$150.000,00 de "Lucros Distribuídos" no ano calendário 2001. Em 2003, a Marta Santos Bertino, que entrou com 10% do Capital Social da referida empresa (2a Alteração Contratual da Sociedade Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda — ME, de 21/01/2003, registro no JUCERJA em 28/10/2003, de fls. 113/117), também, não foi contemplada com a Distribuição de Lucros. Assim, também o outro sócio, Waldomiro Alves Rosa, que tem 10% do Capital Social. Enquanto isso, consta dos Livros Razão (fls. 158/160) e Caixa (fls. 250/321) e Balancetes (fls. 533/556), que o sócio Emani Bertino Maciel, detentor de 80% do Capital Social da Fazenda Ribeirão Hotel em 2003, recebeu sozinho Lucros Distribuídos no montante total de R$350.000,00 em 2003. Em 2002, nenhum dos dois sócios que adquiriram a Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda — ME (Silvio do Espirito Santo Silva e Fernando Aparecido Geraldo, cada qual com 50% do Capital Social), conforme "Alteração do Contrato de Social da Sociedade Por Quotas de Responsabilidade Ltda" de 30/01/2002 (fls. 108/112) recebeu qualquer montante a titulo de Lucros Distribuídos. Apenas o sócio Fernando Aparecido Geraldo recebeu o valor de R$2.880,00, a titulo de Rendimento Tributáveis em 2002. Já o sócio Waldomiro Alves Rosa (anos 2003 e 2004), não recebeu qualquer valor, quer seja isento ou tributável. Notese que a Cláusula 8a do Contrato de Constituição de Sociedade por Cotas de Responsabilidade Ltda (fls. 104/106) e Alteração do Contrato (fls. 108/112) assim dispõe: Os lucros e/ou prejuízos apurados em balanço a ser realizado após o término do exercício social, serão repartidos entre os sócios, proporcionalmente as quotas de cada um no capital social podendo os sócios, todavia, optarem pelo aumento de capital, utilizando os lucros, e/ou compensar os prejuízos em exercícios futuros. A 2a Alteração Contratual de fls. 113/117, também, dispõe de forma semelhante. Ora, a Distribuição de Lucros somente a Emani Bertino Maciel, nos montantes de R$150.00,00 em 2001, R$350.000 em 2003 e R$250.000,00 em 2004, contraria frontalmente o estabelecido no Contrato de Constituição de Sociedade por Cotas de Responsabilidade Ltda (fls. 104/106) e 2a Alteração Contratual (113/117). Ou seja, está totalmente em desacordo com a distribuição de lucros pactuada segundo a participação proporcional de cada sócio no Capital Social da Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda — ME estabelecida nos referidos Contratos. Indagase se os outros sócios concordaram pacificamente em não receber a sua parte do lucro. Tratase, no caso, de constatação que subtrai a credibilidade dos documentos apresentados pelo contribuinte, sejam eles registros contábeis apresentados. Aduz ainda que a distribuição de lucros não ocorreu no final do ano, mas sim em diversas parcelas durante os meses ao longo dos anos de 2001, 2003 e 2004, conforme se verifica da declaração de fls. 328/334 apresentada pela Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer Ltda ME. Chama atenção o fato de serem distribuídos lucros semanais, quase que diários e no final do ano o lucro distribuído ser "redondo": R$150.000,00, R$350.000,00 e R$250.000,00. Diante da distribuição de lucros, em alguns casos a cada dois dias, indaga o autuante, como pode uma empresa saber qual o valor do lucro a ser distribuído durante o mês. Salientese que a Fazenda Ribeirao Hotel de Lazer Ltda Me, intimada a apresentar cópia dos documentos, hábeis e idôneos, que comprovem, de forma inequívoca, o efetivo pagamento dos lucros distribuídos ao Sr. Emani Bertino Maciel, CPF 239.033.84704, como por exemplo: cópia dos cheques, Fl. 658DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10880.007058/200754 Acórdão n.º 2802002.839 S2TE02 Fl. 655 7 depósitos bancários, DOC, transferências eletrônicas, entre outros, consoante Termo de Intimação Fiscal de 08/12/2006 (fl. 324), ciência em 26/12/2006 (AR de fl. 325), limitouse a apresentar a declaração acima referida, de fls. 328/334, acrescendo que os pagamentos foram efetuados a crédito da contacaixa. Para efetuar o pagamento da distribuição de lucros de tal monta (R$150.000,00 em 2001, R$350.000,00 em 2003 e R$250.000,00 em 2004), em várias parcelas conforme informadas na declaração de fls. 328/334, ao sócio Emani Bertino Maciel, que reside em São Paulo/SP, causa estranheza que a Fazenda Ribeirão Hotel de Lazer LtdaMe sita em Barra do Pirai/RJ nunca houvesse utilizado os meios de pagamentos habituais, tais como cheques, depósitos bancários, DOC, transferências eletrônicas. Não obstante as distribuições de lucro constarem do Livro Caixa, a questão que se coloca é por que a empresa não comprovou, mediante apresentação de documentos hábeis e idôneos, os saques/retiradas dos valores utilizados para o pagamento dos lucros ao sócio Emani Bertino Maciel. Salienta a Fiscalização que o efetivo pagamento dos lucros distribuídos, ou seja, sua efetiva transmissão ao sócio Emani Bertino Maciel não foi comprovado com a apresentação de documentos probatórios. E que a simples apresentação de recibos assinados pelo sócio, não possuem o condão para comprovar o efetivo pagamento de tais valores, principalmente pelo fato de o Sr. Ernani ser sócio majoritário da fonte pagadora, logo, responsável pelos atos praticados por ela. Refere, ainda, que o Termo de Abertura e de Encerramento do Livro Caixa do anocalendário 2001 foi assinado pelo Sr. Waldomiro Alves Rosa (fls. 162 e 249), que somente passou a fazer parte do quadro societário da Fazenda Ribeirão a partir de 21/01/2003, conforme 2a Alteração do Contratual às fls. 113/117, demonstrando que sua escrituração foi intempestiva. Como se vê, notase que a documentação apresentada pelo contribuinte é insuficiente e permeada de diversos indícios de inexatidão, demonstrando que a Autoridade Fiscal está correta, quando desconsiderou a Distribuição de Lucros informada nas Declarações de Ajuste Anual como fonte de Recursos/Origens no Demonstrativo de Variação Patrimonial referente aos anoscalendário 2001 (fls. 427/428) e 2003 (fls. 431/432). Correto, também, o procedimento adotado no Demonstrativo da Variação Patrimonial concernente ao anocalendário 2003 (fls. 431/432), em que o saldo disponível apurado no mês de dezembro/2002, no valor de R$154.129,25 (variação positiva: origens de R$170.847,59 menos os dispêndios de R$16.718,34, 6. fl. 430), não foi aproveitado como Recursos/Origens no mês de janeiro/2003. Por inexistir a obrigatoriedade de apresentação de declaração mensal de bens incluindo dividas e ônus reais, o saldo de disponibilidade pode ser aproveitado no mês subseqüente, desde que seja dentro do mesmo anocalendário. Assim, somente poderá ser aproveitado no ano subseqüente, o saldo de disponibilidade que constar na declaração do imposto de renda e declaração de bens devidamente lastreado em documentação hábil e idônea. Notese que na declaração de bens e direitos da DIRPF 2003 (fls. 18/20), situação em 31/12/2002, o contribuinte informou possuir zero de numerário em caixa. Já os numerários em caixa declarados pelo contribuinte na declaração de bens e direitos (DIRPF 2002 de fls. 10/12 e DIRPF 2004 de fls. 26/28), situação em 31/12/2001 (R$100.000,00) e 31/12/2003 (R$200.000,00), foram computados como Dispêndios/Aplicações em 31 de dezembro e como Recursos/Origens em janeiro do ano subseqüente no Demonstrativo da Variação Patrimonial (fls. 427/428, 429/430, 431/432 e 433/434). Fl. 659DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 8 Em relação à aplicação da multa de oficio à aliquota de 150% (cento e cinqüenta por cento) para os rendimentos omitidos, esta foi fundamentada no art. 44 da Lei n° 9.430/96, cuja nova redação dada pelo art. 14 da Lei n° 11.488, de 15/06/2007. Ainda segunda a DRJ, há, nos autos, elementos suficientes para a determinação de atitude dolosa do contribuinte ao, sistematicamente, nos anoscalendário enfocados, inserir no quadro de Rendimentos Isentos e Não Tributáveis da Declaração de Ajuste Anual, rendimentos recebidos a titulo de Lucros Distribuídos, que montam a R$150.000,00 em 2001 e R$350.000,00 em 2003. Distribuição de lucros cujo efetivo pagamento, ou seja, sua efetiva transmissão ao sócio Ernani Bertino Maciel não foi comprovado com a apresentação de documentos probatórios, conforme já amplamente debatido. A situação configurada nos presentes autos fornece evidências da caracterização da conduta dolosa do impugnante, pela inserção de informações inexatas nas declarações de rendimentos, com o fito de encobrir a variação patrimonial, e assim fugir à sua tributação. legitima, portanto, a aplicação da multa de oficio de 150% (cento e cinqiienta por cento), nos termos do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96 (com nova redação dada Lei 11.488, de 2007), supra, sobre o imposto lançado em decorrência das infrações apuradas. Não satisfeito com o resultado do julgamento, do qual foi intimado (fl.580v), o contribuinte interpôs tempestivamente recurso voluntário (fl. 585 e ss.), repisando os argumentos da impugnação e a acrescendo considerações acerca de outros administrativos relativos a fiscalização que atingiu a pessoa jurídica denominada Fazenda Ribeirão, suposta fonte pagadora dos lucros distribuídos ao contribuinte e por ele declarados em suas DIRPFs retificadoras. Nos referidos procedimentos, os lucros distribuídos ao contribuinte, de que aqui se trata, teriam sido examinados e não contestados pelo Fisco, pelo menos no anocalendário 2001. No anocalendário 2003, o Fisco teria considerado as seguintes situações para os lucros distribuídos ao contribuinte: Período de Janeiro a Outubro de 2003 — R$ 294.534,70 — tributados exclusivamente na fonte à aliquota de 35% , com reajuste de base de cálculo (Artigo 674 do RIR199) (em recurso), por terem ocorrido antes da 2a alteração contratual, portanto, pagamentos que não poderiam ser considerados distribuição de lucros, e portanto classificados como tributados exclusivamente na fonte; período de Novembro e Dezembro de 2003 — R$ 55465,30 — Lucros isentos de tributação (Artigo 39 XXXVII do RIR199). É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Ribas de Mello, Relator. Em sede preliminar, o recurso deve ser conhecido, por tempestivo, nos limites de seu objeto, isto é, na impugnação da autuação por acréscimo patrimonial a descoberto referente aos exercícios 2002 e 2004. Em primeiro lugar devese ter em conta que todas as DIRPFs retificadoras apresentadas pelo contribuinte ou mesmo pela pessoa jurídica apontada como fonte pagadora dos rendimentos que pretende considerar comprovados estão cobertas pela espontaneidade, segundo se pode constatar da leitura dos autos. O contribuinte e também a pessoa jurídica a que acima se refere trouxeram aos autos numerosos elementos documentais, sempre instados pela fiscalização, dentre os quais os informes de rendimentos relativos à distribuição de lucros pelo Hotel Fazenda Ribeirão, de fls.9597; os atos constitutivos da referida pessoa jurídica e sucessivas alterações, fls. 104 e ss.; Fl. 660DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10880.007058/200754 Acórdão n.º 2802002.839 S2TE02 Fl. 656 9 o alvará de licença e localização, fls.1245; cópias do livro razão, de fls.157160; cópias do livrocaixa, fls.161320; recibos de distribuição de lucros de fls.335367 e de fls.380390; e, já em fase de impugnação, trouxe o contribuinte aos autos cópias de balancetes da empresa, fls.509556. Ora, o art.44, §1o, da Lei 9.430/07, que na sua redação anterior, quer na posterior a redação introduzida pela Lei 11.488/07, exige a presença do elemento dolo para a imposição de multa qualificada, quer para a configuração do evidente intuito de fraude, na primeira redação, quer para a configuração da sonegação, sempre dolosa. Considerando que o contribuinte trouxe aos autos numerosos documentos, em relação aos quais a rigor o Fisco ou DRJ não apontam quaisquer vícios de relevância jurídicotributária, tampouco apontam incompatibilidades entre os mesmos, não se pode admitir que a imposição da multa qualificada repouse, data venia, sobre ilações a partir de indagações e “estranhezas” apontadas pela fiscalização e pela d. DRJ. A validade dos referidos documentos não é em momento algum questionada, não havendo qualquer comportamento do contribuinte, objetivamente constatado, independentemente da formulação de hipóteses, que aponte para a presença de tal elemento doloso. Sendo assim, afasto de plano a imposição de multa qualificada. Diante disso, há que se apreciar a alegação de decadência. Evidentemente que na hipótese presente, a mesma se rege pelo artigo 150, §4o, do CTN, e, não havendo comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação, operase em cinco anos contados da ocorrência do fato gerador. Sendo assim, em relação ao crédito tributário relativo ao anocalendário 2001, a decadência operouse em 31/12/2006 e, tendo sido, o auto de infração lavrado em 29/08/2007, há de se reconhecêla, quanto ao anocalendário referido. No que tange, ao acréscimo patrimonial a descoberto que se imputa ao contribuinte, no montante de R$ 159.869,31, referente ao anocalendário 2003, tenho que não se questionam, nos demonstrativos elaborados a fls.427454, as despesas efetuadas pelo contribuinte, tudo girando em torno de suas receitas, mais especificamente na rejeição pela Fiscalização de rendimentos consistentes na distribuição de lucros do Hotel Fazenda Ribeirão ao contribuinte no montante de R$ 350.000,00, no referido ano, ultrapassando em muito o acréscimo patrimonial que se lhe imputa e dando plena justificativa, caso acatados, ao suposto acréscimo patrimonial a descoberto. Pelas mesmas razões acima invocadas, de que o contribuinte trouxe aos autos numerosos documentos, em relação aos quais a rigor o Fisco ou DRJ não apontam quaisquer vícios de relevância jurídicotributária, tampouco apontam incompatibilidades entre os mesmos ou questionam sua validade, chegando mesmo o termo de verificação fiscal, em seu item 29, a afirmar que não se trata de considerar falsos tais documentos, mas apenas insuficientes. Ocorre que sua insuficiência deriva das já mencionadas ilações que, data venia, empreende a fiscalização e as quais adere a d.DRJ. Tratase de recibos, cópias de livros escriturados, balancetes e outros elementos, harmônicos com DIRPFs apresentadas ao abrigo da espontaneidade. Outrossim, o documento de fls. 615, trazido com o recurso voluntário, dá conta de que senão os mesmos valores que foram desconsiderados como origem no fluxo elaborado para fins de apuração da variação patrimonial, nos meses de janeiro a outubro de Fl. 661DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR 10 2003, objeto dos presentes autos, mas até outros superiores, também serviram para o lançamento da infração relacionada à falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte – IRRF, tratado no processo nº 17.883.000121/200660, de interesse da referida empresa da qual o contribuinte é sócio. A razão indicada nesse outro procedimento fiscal residiu no fato de haver sido constatado que, juridicamente, o contribuinte somente se tornou sócio daquela empresa a partir do mês de novembro de 2003. Daí, os valores registrados pela empresa como pagamento a título de distribuição de lucros, durante os meses de janeiro a outubro de 2003, uma vez não configurados como isentos do imposto de renda, foram tributados na fonte como pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Por tais razões, considero suficientemente comprovada nos autos a percepção pelo contribuinte de lucros distribuídos pelo Hotel Fazenda Ribeirão no montante acima apontado, largamente suficiente para elidir o alegado acréscimo patrimonial a descoberto. Isto posto, sou pelo provimento do recurso, para reconhecer a decadência em relação ao lançamento relativo ao exercício de 2002 e a considerar insubsistente, pelas razões acima, o lançamento por acréscimo patrimonial a descoberto relativo ao exercício de 2004, restando totalmente desconstituído o lançamento. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos André Ribas de Mello, Relator.. Declaração de Voto Conselheiro Jaci de Assis Junior Em que pese o bem fundamentado voto proferido pelo Ilustre Relator, bem como o fato deste Conselheiro haver acompanhado a votação encaminhada no sentido de dar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, deixo aqui registrado o posicionamento que expus no debate ocorrido durante a sessão de julgamento deste processo e que antecedeu à votação propriamente dita. Do exame das peças que integram os presentes autos, pareceume, num primeiro momento, que o procedimento que resultou na exigência do tributo, relativo ao ano calendário de 2003, se mostrava correto. Isso porque, embora tenha sido intimado pela fiscalização a comprovar a efetividade dos recebimentos dos valores registrados como distribuição de lucros pela empresa, da qual era sócio, o contribuinte em nenhum momento apresentou algum documento que pudesse evidenciar que, de fato, houve a transferência dos referidos valores registrados pela empresa para o patrimônio do seu sócio. Aliese a isso, o fato de tais registros indicarem, em várias oportunidades, o uso de cheques como meio de pagamento da aludida operação de distribuição. Essa primeira impressão, contudo, foise aos poucos sendo desfeita quando, alertado pelos companheiros de votação para o fato trazido pelo recorrente em sua peça Fl. 662DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR Processo nº 10880.007058/200754 Acórdão n.º 2802002.839 S2TE02 Fl. 657 11 recursal, constatei que os mesmos valores que foram desconsiderados como origem no fluxo elaborado para fins de apuração da variação patrimonial, nos meses de janeiro a outubro de 2003, objeto dos presentes autos, também serviram para o lançamento da infração relacionada à falta de recolhimento do Imposto de Renda na Fonte – IRRF, tratado no processo nº 17.883.000121/2006 –60, de interesse da referida empresa da qual o contribuinte é sócio. A razão indicada nesse outro procedimento fiscal residiu no fato de haver sido constatado que, juridicamente, o contribuinte somente se tornou sócio daquela empresa a partir do mês de novembro de 2003. Daí, os valores registrados pela empresa como pagamento a título de distribuição de lucros, durante os meses de janeiro a outubro de 2003, uma vez não configurados como isentos do imposto de renda, foram tributados na fonte como pagamentos sem causa ou de operação não comprovada. Convencido de que a tese defendida nos presentes autos pelos autores do feito fiscal restou enfraquecida, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior. Fl. 663DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 20/10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 20/ 10/2014 por CARLOS ANDRE RIBAS DE MELLO, Assinado digitalmente em 31/10/2014 por JORGE CLAUDIO DUART E CARDOSO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR
score : 1.0
Numero do processo: 13603.900009/2009-11
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO.
A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
Numero da decisão: 3803-006.333
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201407
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI.
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 13603.900009/2009-11
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5387690
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 10 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3803-006.333
nome_arquivo_s : Decisao_13603900009200911.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JORGE VICTOR RODRIGUES
nome_arquivo_pdf_s : 13603900009200911_5387690.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negou-se provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
dt_sessao_tdt : Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
id : 5657888
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:29:53 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254880747520
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE03 Fl. 6 1 5 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13603.900009/200911 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.333 – 3ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria Ressarcimento/Compensação Recorrente RYGON COMÉRCIO IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PRESSUPOSTOS LEGAIS. IMPEDIMENTO. A ausência de comprovação da existência do crédito presumido, mediante a apresentação de documentos hábeis e idôneos, e a inexistência de industrialização no estabelecimento do sujeito passivo desautorizam o reconhecimento de crédito de IPI. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, negouse provimento ao recurso,. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 90 00 09 /2 00 9- 11 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Relatório Peço vênia aos pares para inserir a este excertos do relatório, parte integrante do Acórdão nº 0930.407, pela abordagem concisa e precisa acerca dos fatos e valores fiscalizados, que estou certo colaborará para a compreensão do imbróglio que ora se examina. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de IPI, PER/DCOMP nº 11881.56088.190705.1.1.018804, relativamente ao saldo credor de IPI de que trata a Lei nº 9.779, de 19/01/1999, do 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 17.764,64, apurado pelo estabelecimento 01.397.854/000205. Para a verificação da legitimidade do saldo credor foi instaurado procedimento fiscal de que resultou o Termo de Verificação Fiscal de fls. 30/32. No referido ato, o auditor fiscal asseverou que: 2 DAS INFRAÇÕES GLOSA DE CRÉDITOS IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. Conforme admitido pelo próprio contribuinte, às fls. 05 do arquivo Intimacoes_e_Respostas.pdf,anexo ao SCC Sistema de Controle de Créditos e Compensações, o estabelecimento não industrializa nenhum produto. Apesar das alterações contratuais afirmarem que entre os objetivos sociais, à parte o comércio atacadista, atividade preponderante, encontrarse a "Indústria de Produtos de Panificação", não se observou a saída de qualquer tipo de pães e assemelhados, bem como não foi anotada, nos livros Registro de IPI, nenhuma saída de produto industrializado DENTRO do estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. Da mesma forma, da análise das notas fiscais de entradas com destaque do IPI relacionadas nas PER/DCOMPs, não se observa a entrada de qualquer insumo: são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalha, adquiridos prontos, diretamente da fábrica, e comercializados por atacado no mesmo estado em que chegaram, conforme se observa nas notas fiscais de saídas. Portanto, estes valores solicitados em ressarcimento, e escriturados no Livro Registro de Apuração de IPI pelo contribuinte, se referem a aquisições de produtos de fabricação nacional que são revendidos sem serem submetidos a qualquer tipo de industrialização pela empresa, não ocorrendo o fato gerador do tributo nas suas saídas do estabelecimento. Não se vislumbra como sua atividade e suas saídas de mercadorias se enquadrariam no caso de ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei n° 9.779/99. [...] Diante do exposto, devese então proceder à glosa de todos os valores solicitados a título de ressarcimento pleiteados pelo Fl. 65DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900009/200911 Acórdão n.º 3803006.333 S3TE03 Fl. 7 3 contribuinte, uma vez que este não promove qualquer tipo de industrialização neste estabelecimento. Os pleitos formulados pela contribuinte foram indeferidos por meio do Despacho Decisório DRF/CON nº 383, de 21/03/11, com fundamento no art. 59 da IN RFB nº 900/08, como também não homologados nos termos do art. 63 do mesmo normativo. O motivo do indeferimento é que a contribuinte não faz jus ao crédito alegado, consoante o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, no art. 4º da IN SRF nº 33/99 e no caput e § 2º do art. 195 do Dec. 4.544/02 (RIPI/02), uma vez que não promove nenhum tipo de industrialização em seus estabelecimentos, portanto não é contribuinte de IPI, posição esta admitida pela própria interessada, e comprovado por meio de termos de verificação fiscal, documentos que lhe serviram de base e análise dos créditos suscitados nos pedidos de ressarcimento e declarações de compensação. A exceção foi a DComp nº 37863.76863.100904.1.3.018800, relativamente aos créditos do 4º trimestre/2002, pois transmitida em 10/09/04, que restou homologada por disposição legal, nos termos do § do art. 74 da Lei nº 9.430/96, em razão da ocorrência de decadência, mesmo que a ele não fizesse jus a contribuinte. Manifestando a sua inconformidade a interessada aduziu que, em alguns casos, a própria TIPI equipara estabelecimentos atacadistas a estabelecimentos industriais, o que acarretaria no direito ao crédito de IPI; entretanto que no caso da requerente, a mesma faz jus ao crédito de IPI diante da aplicação do princípio constitucional da não cumulatividade. Aduziu, ainda, que no caso dos PAF nº 10603.903598/200817, 10603.903602/200839 e 10603.903604/200828, houve o reconhecimento parcial do ressarcimento de IPI e, que não poderia ser adotado outro critério neste momento, mesmo porque até os créditos solicitados têm os fundamentos legais. Entendeu que o processo cuja declaração de compensação foi homologada caracteriza o direito da requerente aos créditos de IPI, para requer o cancelamento das glosas efetuadas pela fiscalização e o deferimento dos pedidos de compensação de IPI. Os autos foram conclusos para julgamento pela 3ª Turma da DRJ/JFA que, por meio do Acórdão nº 0946.316, com fulcro no art. 11 da Lei nº 9.779/99, se pronunciou pela improcedência da manifestação de inconformidade e pelo não reconhecimento do direito creditório apurado pela interessada. O voto condutor entendeu que a TIPI é inservível para definir a equiparação de estabelecimento atacadista com o industrial, que essa tarefa diz respeito ao RIPI; que o RIPI/2010 (Dec. 7.212/10) consolida as normas de equiparação desde a publicação da Lei nº 4.502/64, inclusive aquelas vigentes à época dos creditamentos realizados pelo interessado; que traz em seu art. 9º, I a XV, as determinações legais atinentes à matéria. Fl. 66DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Mencionou que a extensa e exaustiva lista de produtos constantes do art. 9º desse mandamus, que poderiam ensejar a referida equiparação, dela não consta nenhum dos produtos comercializados pela interessada; que o estabelecimento, conforme com o relato fiscal, não industrializa produtos e apenas revende aqueles adquiridos, nas mesmas condições, não fazendo jus ao creditamento de IPI, nem ao ressarcimento pleiteado; que a DIPJ relativa ao período em questão informa à fl. 156, que não há apuração e informações de IPI no período para, ao final, manter o entendimento esposado no despacho decisório. A interessada ciente da decisão contida no Acórdão nº em 23/08/2010, contra a mesma insurgindose interpôs recurso voluntário em 09/09/2010, reiterando os argumentos expendidos na exordial. No mais informa que tem cadastro no Siscomex e importava produtos de procedência estrangeira e dava saída a esses produtos, e que por longo tempo procedia à industrialização de produtos para panificação. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. Por meio de Termos de Verificação Fiscal constatou a autoridade administrativa no estabelecimento do sujeito passivo, que o mesmo não industrializa nenhum produto, assim não é contribuinte de IPI, nem foi observada nenhuma saída de qualquer tipo de pães ou assemelhados, ou mesmo há registros nos Livros de Registro de IPI, de saída de qualquer produto industrializado nesse estabelecimento, segundo o Código Fiscal de Operações CFOP. O referido Termo informou que a fiscalização ao proceder à análise das notas fiscais de entradas com destaque de IPI relacionadas nos Per/DComps, não verificou a entrada de nenhum insumo. Ao contrário, são produtos de limpeza, guloseimas, bebidas, papéis toalhas, adquiridos prontos, diretamente da fábrica e comercializados por atacado no mesmo estado em que foram adquiridos, conforme comprovam as notas fiscais de saídas. Concluiu a decisão de piso que sobre tais operações de saída não há incidência de fato gerador de IPI, não se aplicando ao caso o disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99. A premissa ensejadora do fato gerador do IPI é o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo. O direito ao crédito presumido do IPI, originariamente, como forma de ressarcimento do valor do PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, de que trata a Lei nº 9.363/1996, está disciplinada na Instrução Normativa SRF nº 419/2004. Fl. 67DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 13603.900009/200911 Acórdão n.º 3803006.333 S3TE03 Fl. 8 5 A recorrente não logrou refutar as acusações formuladas pela fiscalização seja com argumentos, nem mesmo pela apresentação de documentos hábeis e idôneos. É certo que o inciso I do art. 333 do CPC estabelece que o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito. Neste sentido a fiscalização constatou no estabelecimento do sujeito passivo a inexistência de qualquer processo de industrialização e, pelo exame de documentos fiscais e contábeis que lhe foram apresentados, inclusive nas notas fiscais de entrada e de saída, verificou que a impossibilidade material para o surgimento da incidência do dato gerador do IPI. Da sua parte o recorrente não logrou demonstrar, oportunamente, à a existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor, que pudesse corroborar para a sua pretensão qual seja, de homologação das declarações de compensação e pedido de ressarcimento apresentados por via eletrônica à repartição fiscal. A própria DIPJ/2003 da recorrente, ano calendário de 2002, no que atine ao período em que se deu a apuração do suposto crédito (01/01/2002 a 31/12/2002), informa que não houve apuração e informações de IPI, seja no período integral, ou de apuração mensal. A bem da verdade o que se percebe dos autos é que a recorrente não trouxe em sua defesa nenhum elemento de convencimento material ou jurídico que demonstrasse e que comprovasse à existência dos créditos por ela informados, da sua liquidez e certeza, e o direito à compensação pretendida, eis que não basta constar do objeto social termos como importação e exportação, para lhe assegurar direito à compensação, nos termos da legislação atinente à matéria. Com isso, nos autos constatase apenas a alegação vazia da recorrente acerca do direito creditório à compensação/ressarcimento, sob os auspícios da Lei nº 9.779/99, pois não há substância em sua narrativa. Isto posto pugno por NEGAR provimento ao recurso voluntário interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 68DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Fl. 69DF CARF MF Impresso em 10/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 31/07/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 10675.907434/2009-08
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 9303-000.065
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto
Maria Teresa Martínez López - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201311
camara_s : 3ª SEÇÃO
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10675.907434/2009-08
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5393852
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 9303-000.065
nome_arquivo_s : Decisao_10675907434200908.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10675907434200908_5393852.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62-A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
dt_sessao_tdt : Wed Nov 13 00:00:00 UTC 2013
id : 5689921
ano_sessao_s : 2013
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:31:14 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254882844672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1776; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 307 1 306 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10675.907434/200908 Recurso nº Especial do Contribuinte Resolução nº 9303000.065 – 3ª Turma Data 13 de novembro de 2013 Assunto REPERCUSSÃO GERAL SOBRESTAMENTO Recorrente BANCO TRIANGULO S/A Interessado FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, em sobrestar o julgamento do recurso especial até a decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal em matéria de repercussão geral, em face do art. 62A do Regimento Interno do CARF. Vencido o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente Substituto Maria Teresa Martínez López Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Maria Teresa Martínez López, Susy Gomes Hoffmann e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Tratase de pedido de restituição de PIS ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, na qual foi reconhecida a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 07 43 4/ 20 09 -0 8 Fl. 266DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907434/200908 Resolução nº 9303000.065 CSRFT3 Fl. 308 2 Contra a decisão da DRJ de origem, que negou provimento ao recurso, a contribuinte interpôs recurso voluntário, que por sua vez foi julgado improcedente pela Câmara a quo. Nessa oportunidade, a Recorrente interpôs recurso especial e sustentou que a decisão recorrida interpretou equivocadamente a decisão prolatada pelo eg. Supremo Tribunal Federal no RE 401.348/MG, devendo ser reformada para que a base de cálculo do PIS limitese à receita bruta das vendas de mercadoria e da prestação de serviços, sem a inclusão da receita financeira decorrente das operações bancárias. O i. Presidente da 1ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF deu seguimento ao recurso especial por considerar que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Pede a Fazenda Nacional, em suas contrarrazões, para que seja mantida a decisão guerreada. É o Relatório. Voto Conselheira Maria Teresa Martínez López, Relatora Conforme se verifica nos autos, a questão central neste processo é definir a base de cálculo da contribuição para as financeiras. Ainda que o pedido de restituição de PIS esteja ancorada em ação judicial proposta pela contribuinte, transitada em julgado, esta, reconheceu, tão somente a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98. Então tudo continua na mesma, pois sendo uma empresa financeira, fica a critério dos aplicadores do direito interpretar se as receitas financeiras (remuneração decorrente do pagamento de empréstimos bancários, spreads, prêmios, deságios, juros oriundos da intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, financiamentos, colocação e negociação de títulos e valores mobiliários, aplicações e investimentos, capitalização etc) integram ou não o faturamento. A questão das receitas que devem integrar a base de cálculo da contribuição devida por instituições financeiras é objeto do RE nº 609.096 (Tema 372), em relação ao qual o Supremo Tribunal Federal decidiu que existe repercussão geral e sobrestou os demais feitos judiciais em andamento, conforme se depreende do despacho do Ministro Ricardo Lewandowski, que transcrevo a seguir: “RE 609096 / RS RIO GRANDE DO SUL RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. RICARDO LEWANDOWSK Fl. 267DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907434/200908 Resolução nº 9303000.065 CSRFT3 Fl. 309 3 Julgamento: 10/06/2011 Publicação DJe115 DIVULG 15/06/2011 PUBLIC 16/06/2011 Partes RECTE.(S) : MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL PROC.(A/S)(ES) : PROCURADORGERAL DA REPÚBLICA RECTE.(S) : UNIÃO PROC.(A/S)(ES): PROCURADORGERAL DA FAZENDA NACIONAL RECDO.(A/S) : BANCO SANTANDER (BRASIL) S/A ADV.(A/S):MARCOS JOAQUIM GONCALVES ALVES E OUTRO(A/S) Decisão Petição 73745/2010STF. Federação Brasileira dos Bancos – FEBRABAN requer seu ingresso neste recurso extraordinário na condição de amicus curiae, bem como “a suspensão de todos os processos que tramitam em primeiro e segundo graus de jurisdição, que versem sobre a questão constitucional debatida nestes autos” (fl. 666). No caso, tratase de recursos extraordinários interpostos pela União e pelo Ministério Público Federal contra acórdão que entendeu que as receitas financeiras das instituições financeiras não se enquadram no conceito de faturamento para fins de incidência da COFINS e da contribuição para o PIS. Esta Corte reconheceu a existência de repercussão geral do tema versado neste recurso. Transcrevo a ementa: “CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL” (fl. 1.054). É o breve relatório. Decido. De acordo com o § 6º do art. 543A do Código de Processo Civil: “O Relator poderá admitir, na análise da repercussão geral, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, nos termos do Regimento Interno do Supremo Tribunal Federal”. Por sua vez, o § 2º do art. 323 do RISTF assim disciplinou a matéria: “Mediante decisão irrecorrível, poderá o(a) Relator(a) admitir de ofício ou a requerimento, em prazo que fixar, a manifestação de terceiros, subscrita por procurador habilitado, sobre a questão da repercussão geral”. Fl. 268DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10675.907434/200908 Resolução nº 9303000.065 CSRFT3 Fl. 310 4 A esse respeito, assim se manifestou o eminente Min. Celso de Mello, Relator, no julgamento da ADI 3.045/DF: “a intervenção do amicus curiae, para legitimarse, deve apoiarse em razões que tornem desejável e útil a sua atuação processual na causa, em ordem a proporcionar meios que viabilizem uma adequada resolução do litígio constitucional”. Verifico que a requerente atende aos requisitos necessários para participar desta ação na qualidade de amicus curiae. Quanto ao pedido de suspensão dos processos que tratam da mesma matéria versada nesses autos que tramitam em primeiro e segundo graus, entendo que não merece acolhida. É que os arts. 543B do CPC e 328 do RISTF tratam do sobrestamento de recursos extraordinários interpostos em razão do reconhecimento da repercussão geral da matéria neles discutida, e não de ações que ainda não se encontram nessa fase processual. Além disso, uma vez que esta Corte já reconheceu a repercussão geral da matéria aqui debatida, os recursos extraordinários que versam sobre o mesmo assunto ficarão sobrestados, na origem, por força do próprio art. 543B do CPC. Isso posto, defiro o pedido de ingresso da FEBRABAN na qualidade de amicus curiae e indefiro o pedido de suspensão requerido. Publiquese. Brasília, 10 de junho de 2011. Ministro RICARDO LEWANDOWSKI” (Grifei) Considerando que houve determinação de sobrestamento por parte do STF dos demais feitos relativos à mesma questão que tramitam no Judiciário, voto no sentido de que este E. Colegiado aplique o art. 62A do Regimento Interno do CARF para sobrestar o julgamento do recurso voluntário até que sobrevenha decisão definitiva do STF no RE nº 609.096 (Tema 372). Maria Teresa Martínez López Fl. 269DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 05/ 12/2013 por MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10120.720059/2009-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 21/06/2003 a 30/06/2003
IPI. CRÉDITO FICTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito ficto ou presumido de IPI na aquisição de insumos isento, sujeitos à alíquota zero ou não tributados (Súmulas CARF nº 18 e 20).
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3102-002.274
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201409
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 21/06/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO FICTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito ficto ou presumido de IPI na aquisição de insumos isento, sujeitos à alíquota zero ou não tributados (Súmulas CARF nº 18 e 20). Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_processo_s : 10120.720059/2009-51
anomes_publicacao_s : 201410
conteudo_id_s : 5391308
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Oct 22 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 3102-002.274
nome_arquivo_s : Decisao_10120720059200951.PDF
ano_publicacao_s : 2014
nome_relator_s : JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
nome_arquivo_pdf_s : 10120720059200951_5391308.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito.
dt_sessao_tdt : Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
id : 5673278
ano_sessao_s : 2014
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254906961920
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1704; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 1.821 1 1.820 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10120.720059/200951 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102002.274 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de setembro de 2014 Matéria IPI COMPENSAÇÃO Recorrente INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BEBIDAS IMPERIAL S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 21/06/2003 a 30/06/2003 IPI. CRÉDITO FICTO. INSUMOS ISENTOS, SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO OU NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. O princípio da não cumulatividade não enseja direito de crédito ficto ou presumido de IPI na aquisição de insumos isento, sujeitos à alíquota zero ou não tributados (Súmulas CARF nº 18 e 20). Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa – Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, José Luiz Feistauer de Oliveira, Miriam de Fátima Lavocat de Queiroz e Demes Brito. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 72 00 59 /2 00 9- 51 Fl. 1821DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 2 Por bem descrever os fatos, adotase o relatório contido na decisão de primeiro grau, que segue integralmente transcrito: Tratase de processo de Pedido Eletrônico de Ressarcimento de IPI – PER nº 27466.83978.200307.1.5.011560, retificandoo sendo o último PER transmitido o de nº 38828.82798.101207.1.5.01.7600, no valor de R$ 9.802.432,24, cujo crédito pretendeu compensar apresentando diversas DCOMPS relacionadas às fls. 1448 a 1449, sendo as cópias anexadas às fls. 971 a 1382. O contribuinte foi intimado mediante o Termo de Intimação Fiscal nº 0007, de 04/08/08, (fls. 48) a justificar a origem e os fundamentos legais do crédito de IPI no valor de R$ 9.802.432,24, lançados no RAIPI, no 3º decêndio de junho de 2003. Em resposta o “contribuinte informou, sem nada comprovar, que a origem do referido crédito é basicamente de CRÉDITO PRESUMIDO NAS ENTRADAS DE PRODUTOS COM ALÍQUOTA ZERO (fls. 49/63)” “Em relação às DCOMPS vinculadas ao suposto crédito retrocitado, vale informar que serão aqui tratadas as retificadoras já admitidas em análise eletrônica. Todas as DCOMPS retificadoras (ativas) relacionadas ao PER retificador (ativo) nº 38828.82798.101207.1.5.017600, foram baixadas para tratamento manual e passaram a ser controladas por esse processo administrativo, conforme relação a seguir especificada.” (fls. 971 a 1382). “Como se pode notar, com suporte na documentação e nas informações prestadas pela empresa, o cálculo e a utilização do crédito (suposto) pleiteado não encontram amparo nos dispositivos legais, afastando a possibilidade da compensação pleiteada, ou seja, não existe crédito passível de ressarcimento que possa ser utilizado nas compensações dos débitos informados nas DCOMPS transmitidas à RFB pela requerente.” “Quanto à correção monetária alegada, vale registrar que, em primeiro lugar não existe amparo legal que autorize a atualização de crédito básico de IPI a ser ressarcido. Em segundo lugar, em face das incorreções/irregularidades já apontadas, não há que se falar em atualização de crédito inexistente”. Concluiu a DRF/GOI através do Despacho Decisório de nº 419, cientificado em 24/06/2009, com base na documentação e disposições normativas o que segue: a) pelo indeferimento do PER nº 38828.82798.101207.1.5.01 7600, pela inexistência total do crédito pleiteado; b) pela não homologação dos débitos compensados nas DCOMPS retificadoras de fls. 971 a 1382, em razão da inexistência do crédito. Fl. 1822DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10120.720059/200951 Acórdão n.º 3102002.274 S3C1T2 Fl. 1.822 3 Em 22/07/2009, a empresa apresenta sua manifestação de inconformidade alegando em síntese: a) a não cumulatividade do IPI art. 153, §3º, II CF “É inequívoca, portanto, a manutenção dos créditos do IPI decorrentes das aquisições de insumos isentos ou tributados à alíquota zero ou não tributados pelo aludido IPI, empregados na industrialização de produtos tributados pelo IPI, com base no PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE, cuja aplicação não comporta nenhum tipo de restrição”. (grifo do original) b) direito às compensações Discorre sobre o direito à compensação com outros tributos com os créditos de IPI, cita a legislação e decisão STJ c) correção monetária “A correção monetária de crédito de IPI harmonizase com a legislação tributária, especialmente, o art. 153, parágrafo 3º, inciso II da Constituição Federal, que dispõe sobre o PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE, não podendo significar mera figura contábil, escritural, porque se assim fosse, sequer teria merecido a atenção do legislador constitucional.” “Assim sendo, os valores correspondentes aos créditos de IPI presumidos devem ser atualizados desde as suas ocorrências até a data da efetiva compensação, nos mesmos moldes utilizados pela Secretaria da Receita Federal para atualizar os tributos pagos em atraso, em cumprimento ao PRINCÍPIO DA ISONOMIA.” d) APLICAÇÃO DO ART. 37 “CAPUT” DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL “A validade jurídica do ato administrativo depende do cumprimento dos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade, caso contrário, estará este maculado por vício que compromete a sua validade jurídica...” “Desta forma os créditos pleiteados no PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE Nº 22561.98036.020505.1.1.013771, bem como a correção monetária destes, têm amparo no entendimento jurisprudencial da época do Pedido de Ressarcimento/Aproveitamento e acima de tudo, no vigente Princípio Constitucional da Não Cumulatividade e, por óbvio, no inalterado entendimento da doutrina jurídica.”(grifos do original) Por último requer que seja acatada a manifestação de inconformidade, deferindo integralmente o pedido de ressarcimento do créditos de IPI, bem como as compensações realizadas com os aludidos créditos. Sobreveio a decisão de primeira instância (fls. 1764/1770), em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, não Fl. 1823DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 4 reconhecido o direito creditório constante do PER retificador nº 38828.82798.101207.1.5.01 7600 e não homologada compensação dos débitos relacionados nas DComp relacionadas nas fls. 1455/1458, com base nos fundamentos resumidos nos enunciados das ementas que seguem transcritos: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 21/06/2003 a 30/06/2003 CRÉDITO DO IMPOSTO. AQUISIÇÕES DESONERADAS. É inadmissível, por total ausência de previsão legal, a apropriação, na escrita fiscal do sujeito passivo, de créditos do imposto alusivos a insumos desonerados (isentos, não tributados ou sujeitos à alíquota zero), uma vez que inexiste montante do imposto cobrado na operação anterior. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA PELA INCIDÊNCIA DA TAXA SELIC. É incabível, por falta de previsão legal, a incidência de atualização monetária ou de juros sobre créditos escriturais legítimos do IPI, bem como sobre o saldo credor trimestral acumulado. Em 28/12/2009, a interessada foi cientificada da decisão de primeira instância (fl. 1783). Inconformada, em 25/1/2010, protocolou o recurso voluntário de fls. 1784/1804, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória, com exceção das concernentes ao direito de correção monetária. Em aditamento, alegou que, em que pese posição majoritária da respeitável última instância do STF, o princípio da segurança jurídica rogava que a decisão de inconstitucionalidade fosse dotada de eficácia apenas futura sempre que “sua retroação comprometesse a estabilidade econômica do contribuinte, beneficiando o Estado, autor da inconstitucionalidade, e prejudicando os particulares, que não deram causa ao vício, e teriam sua situação agravada com a decisão retroativa.” É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A controvérsia cingese ao direito de a recorrente a apropriar de suposto “crédito presumido” do IPI. Antes de adentrar na análise das questões jurídicas objeto da controvérsia, cabe ressaltar que, embora intimada, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fl. 49, a justificar a origem e os fundamentos legais do crédito de IPI pleiteado, no valor de R$ 9.802.432,24, lançados no RAIPI, no 3º decêndio de junho de 2003, a recorrente, por intermédio da petição de fls. 50/64 limitouse a informar, sem a apresentação de qualquer elemento probatório, que a origem do referido valor era basicamente de crédito presumido nas entradas de produtos com alíquota zero. Fl. 1824DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10120.720059/200951 Acórdão n.º 3102002.274 S3C1T2 Fl. 1.823 5 Da mesma forma, nas duas oportunidades que a recorrente compareceu aos autos para se defender, ela também não dignou apresentar qualquer elemento que comprovasse a legitimidade do crédito pleiteado. Esse fato, a meu ver, configura condição suficiente para a manutenção da decisão de primeiro grau que manteve na íntegra o despacho decisório que não reconheceu, na totalidade, o valor do crédito pleiteado e não homologou as compensações declaradas. No recurso em apreço, a recorrente limitouse a apresentar algumas razões de defesa de ordem jurídica, atinentes à aplicação do princípio da não cumulatividade do IPI. O citado princípio assegura o direito de crédito somente sobre insumo (matériaprima, produto intermediário e material de embalagem) tributado à alíquota positiva. Se o insumo é isento, tributado à alíquota zero ou não é tributado (imune ou “NT”), inequivocamente, inexiste direito ao crédito do IPI. Nesse sentido, o § 6o do art. 150 da Carta Magna expressamente proíbe a concessão de crédito presumido ou ficto, sem lei que autorize e, no caso em tela, não existe lei que ampare os suposto “créditos presumidos” pleiteados pela recorrente. Aliás, se fosse crédito presumido, só caberia creditarse em situações específicas, previstas em lei, em geral a título de incentivo ao desenvolvimento regional e à exportação e como ressarcimento nas operações previstas no ato legal, a exemplo do previsto no art. 1º da Lei 9393/1996. Não se pode olvidar que, o suposto direito a crédito “ficto” do IPI nas aquisições de insumos desonerados do imposto, está baseado no entendimento equivocado de que o IPI seria um tributo sobre o valor agregado e que, em observância ao princípio da não cumulatividade, se não houve alíquota na entrada, deveria ser utilizada a alíquota da saída. Esta tese é amplamente conhecida e já foi submetida ao crivo do Supremo Tribunal Federal (STF), que decidiu a questão, sem modulação temporal de efeito, no sentido de que não havia qualquer direito a crédito nas aquisições de insumos tributados à alíquota zero ou não tributados. A matéria foi apreciada e decida no âmbito do julgamento dos RREE nºs 353.657/PR e 370.682/SC, cujos enunciados das ementas seguem transcritos: IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO AUSÊNCIA DE DIREITO AO CREDITAMENTO. Conforme disposto no inciso II do § 3º do artigo 153 da Constituição Federal, observase o princípio da nãocumulatividade compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores, ante o que não se pode cogitar de direito a crédito quando o insumo entra na indústria considerada a alíquota zero. IPI INSUMO ALÍQUOTA ZERO CREDITAMENTO INEXISTÊNCIA DO DIREITO EFICÁCIA. Descabe, em face do texto constitucional regedor do Imposto sobre Produtos Industrializados e do sistema jurisdicional brasileiro, a modulação de efeitos do pronunciamento do Supremo, com isso sendo emprestada à Carta da República a maior eficácia possível, consagrandose o princípio da segurança jurídica. (RE 353657, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe041 DIVULG 06032008 PUBLIC 07032008 EMENT VOL0231003 PP00502 RTJ VOL 0020502 PP00807) Fl. 1825DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A 6 Recurso extraordinário. Tributário. 2. IPI. Crédito Presumido. Insumos sujeitos à alíquota zero ou não tributados. Inexistência. 3. Os princípios da nãocumulatividade e da seletividade não ensejam direito de crédito presumido de IPI para o contribuinte adquirente de insumos não tributados ou sujeitos à alíquota zero. 4. Recurso extraordinário provido. (RE 370682, Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO, Relator(a) p/ Acórdão: Min. GILMAR MENDES, Tribunal Pleno, julgado em 25/06/2007, DJe165 DIVULG 18122007 PUBLIC 19122007 DJ 19122007 PP 00024 EMENT VOL0230403 PP00392) No mesmo sentido, consolidouse a jurisprudência deste Conselho, nos termos dos enunciados dos verbetes das súmulas CARF que seguem transcritos: Súmula CARF n° 18: A aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem tributados à alíquota zero não gera crédito de IPI. Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Em relação aos insumos isentos, embora tese do direito ao crédito tenha prevalecido por algum tempo (RE 212.4842/RS), as decisões recentes do STF, também sem modulação de efeito, não têm mais admitido o direito ao crédito do IPI, conforme enunciado da ementa do RE 566.819/RS, a seguir transcrito: IPI – CRÉDITO. A regra constitucional direciona ao crédito do valor cobrado na operação anterior. IPI – CRÉDITO – INSUMO ISENTO. Em decorrência do sistema tributário constitucional, o instituto da isenção não gera, por si só, direito a crédito. IPI – CRÉDITO – DIFERENÇA – INSUMO – ALÍQUOTA. A prática de alíquota menor – para alguns, passível de ser rotulada como isenção parcial – não gera o direito a diferença de crédito, considerada a do produto final. (RE 566819, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 29/09/2010, DJe027 DIVULG 09022011 PUBLIC 1002 2011 EMENT VOL0246102 PP00445) Com respaldo na referida jurisprudência, fica demonstrada a improcedência das alegações da recorrente e, por conseguinte, sem amparo legal o direito dela apropriarse de créditos calculados sobre aquisição de insumos isentos, tributados à alíquota zero ou não tributados. Por todo exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 1826DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A Processo nº 10120.720059/200951 Acórdão n.º 3102002.274 S3C1T2 Fl. 1.824 7 Fl. 1827DF CARF MF Impresso em 22/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21 /10/2014 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 21/10/2014 por RICARDO PAULO ROS A
score : 1.0
Numero do processo: 14098.000076/2010-98
Turma: Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ
Ano-calendário: 2005
REGIME DE CAIXA - GANHO DE CAPITAL - LUCRO PRESUMIDO As normas legais não interditam a adoção do regime de caixa para receitas não operacionais, nas quais se inclui o ganho de capital. REAVALIAÇÃO DE INTANGÍVEL - LUCRO PRESUMIDO - REGIME DE CAIXA Na reavaliação espontânea de bem tangível do permanente, com sua contrapartida registrada em reserva de reavaliação, não se aperfeiçoa o ganho de capital no momento da reavaliação nem no da conferência do bem reavaliado ao capital de outra sociedade, por irrealização da reserva, mesmo para quem apura o lucro presumido. Como o ativo reavaliado do permanente é um intangível, ainda que a contrapartida da mais-valia seja registrada em reserva de reavaliação, ex vi do direito contábil o ganho de capital representado pela mais-valia apurada na reavaliação de intangível é tributável já no momento da reavaliação, para quem apura o lucro presumido, ainda que por regime de caixa. A fortiriori, tal reserva de reavaliação é tributável na conferência do intangível reavaliado ao capital de outra sociedade. O direito contábil vigente interdita a reavaliação de intangível, ainda que do ativo permanente - regramento mais estreito que o da legislação do imposto de renda sob o regime do lucro real, em matéria de reavaliação espontânea.
Numero da decisão: 1103-000.797
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Marcos Takata
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201212
camara_s : Primeira Câmara
ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - IRPJ Ano-calendário: 2005 REGIME DE CAIXA - GANHO DE CAPITAL - LUCRO PRESUMIDO As normas legais não interditam a adoção do regime de caixa para receitas não operacionais, nas quais se inclui o ganho de capital. REAVALIAÇÃO DE INTANGÍVEL - LUCRO PRESUMIDO - REGIME DE CAIXA Na reavaliação espontânea de bem tangível do permanente, com sua contrapartida registrada em reserva de reavaliação, não se aperfeiçoa o ganho de capital no momento da reavaliação nem no da conferência do bem reavaliado ao capital de outra sociedade, por irrealização da reserva, mesmo para quem apura o lucro presumido. Como o ativo reavaliado do permanente é um intangível, ainda que a contrapartida da mais-valia seja registrada em reserva de reavaliação, ex vi do direito contábil o ganho de capital representado pela mais-valia apurada na reavaliação de intangível é tributável já no momento da reavaliação, para quem apura o lucro presumido, ainda que por regime de caixa. A fortiriori, tal reserva de reavaliação é tributável na conferência do intangível reavaliado ao capital de outra sociedade. O direito contábil vigente interdita a reavaliação de intangível, ainda que do ativo permanente - regramento mais estreito que o da legislação do imposto de renda sob o regime do lucro real, em matéria de reavaliação espontânea.
turma_s : Terceira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
numero_processo_s : 14098.000076/2010-98
conteudo_id_s : 5392964
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 30 00:00:00 UTC 2014
numero_decisao_s : 1103-000.797
nome_arquivo_s : Decisao_14098000076201098.pdf
nome_relator_s : Marcos Takata
nome_arquivo_pdf_s : 14098000076201098_5392964.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
dt_sessao_tdt : Wed Dec 05 00:00:00 UTC 2012
id : 5684822
ano_sessao_s : 2012
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:30:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713047254912204800
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 19; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2347; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C1T3 Fl. 186 1 185 S1C1T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14098.000076/201098 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1103000.797 – 1ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 5 de dezembro de 2012 Matéria IRPJ, CSLL Recorrente LINEAR PARTICIPAÇÕES E INCORPORAÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2005 REGIME DE CAIXA GANHO DE CAPITAL LUCRO PRESUMIDO As normas legais não interditam a adoção do regime de caixa para receitas não operacionais, nas quais se inclui o ganho de capital. REAVALIAÇÃO DE INTANGÍVEL LUCRO PRESUMIDO REGIME DE CAIXA Na reavaliação espontânea de bem tangível do permanente, com sua contrapartida registrada em reserva de reavaliação, não se aperfeiçoa o ganho de capital no momento da reavaliação nem no da conferência do bem reavaliado ao capital de outra sociedade, por irrealização da reserva, mesmo para quem apura o lucro presumido. Como o ativo reavaliado do permanente é um intangível, ainda que a contrapartida da maisvalia seja registrada em reserva de reavaliação, ex vi do direito contábil o ganho de capital representado pela maisvalia apurada na reavaliação de intangível é tributável já no momento da reavaliação, para quem apura o lucro presumido, ainda que por regime de caixa. A fortiriori, tal reserva de reavaliação é tributável na conferência do intangível reavaliado ao capital de outra sociedade. O direito contábil vigente interdita a reavaliação de intangível, ainda que do ativo permanente regramento mais estreito que o da legislação do imposto de renda sob o regime do lucro real, em matéria de reavaliação espontânea. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 09 8. 00 00 76 /2 01 0- 98 Fl. 191DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 187 2 (assinado digitalmente) Aloysio José Percínio da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Marcos Shigueo Takata, Mário Sérgio Fernandes Barroso, Eduardo Martins Neiva Monteiro, Sérgio Luiz Bezerra Presta, Hugo Correia Sotero e Aloysio José Percínio da Silva. Fl. 192DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 188 3 Relatório DO LANÇAMENTO Tratase de autos de infração de IRPJ e CSL, referentes ao anocalendário de 2005, cujos instrumentos específicos dos autos de infração se encontram às fls. 68 a 75, com exigência também de multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 31/03/2010. Segundo o Termo de Verificação Fiscal de fls. 76 a 79, que integra os autos de infração, os lançamentos decorreram da falta de declaração e pagamento de IRPJ e de CSL sobre ganho de capital auferido na alienação de direitos de exploração de potenciais hidráulicos, havidos por concessão pública a custo zero, trazidos a preço de mercado por meio de laudos de avaliação utilizados para aquisição de ações de outra empresa. Em 18/03/2010, a recorrente apresentou esclarecimentos (fls. 19 a 30) aos autos de infração, informando que os direitos de exploração dos potenciais hidráulicos não haviam sido obtidos a custo zero. E, ainda, sobre outros aspectos tributários da reavaliação, sem apresentar os Livros Caixa ou Razão e Diário. Não tendo apresentado os livros solicitados no item “1” do termo de início do procedimento fiscal (fls. 2 a 4) a recorrente foi reintimada às fls. 31 e 32, em 20/04/2010. A entrega dos Livros Razão e Diário ocorreu em 23/04/2010, juntamente às cópias dos atos societários, conforme fls. 33 a 63. Restaram infringidas, portanto, as disposições dos arts. 521 do RIR/99, do art. 2º e §§, da Lei 7.689/88 e do art. 29, II, da Lei 9.430/96, bem como do art. 37 da Lei 10.637/02. DA IMPUGNAÇÃO Irresignada, a recorrente, apresentou impugnação em 28/05/2010, de fls. 86 a 99, em que aduz, em síntese, o que segue. Afirma que as operações descritas nos autos de infração não implicam dizer que houve ganho de capital capaz de gerar tributação. Ainda mais pelo fato de a recorrente ter optado por ter sua tributação apurada pelo lucro presumido e pelo regime de caixa. Houve, portanto, equívoco da autoridade fiscal quando confundiu apuração de ganho com realização, tendo em vista que não considerou o fato de não ter havido nenhum fluxo financeiro para a recorrente. Argumenta que, conforme previsão dos arts. 516, 521, § 1º, e 527, I, II e III, e parágrafo único, do RIR/99, bem como do art. 1º, I e II, da IN SRF 104/98 e do art. 30 da MP 1.858/99, é facultado ao contribuinte optar pela tributação com base no lucro presumido e regime de caixa. Assim, o reconhecimento dos seus ganhos ocorre na medida do efetivo recebimento. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 189 4 No mesmo sentido o julgado colacionado. O entendimento do Conselho de Contribuintes é de que, no regime de caixa, a simples troca de bens com outras pessoas jurídicas não pode ser lançada. De forma que o momento do lançamento é anterior ao da realização, que, naquele regime, somente acontece com o fluxo financeiro, que, no caso, foi zero. O exercício da competência tributária deve abranger a fixação dos elementos material, temporal e quantitativo da incidência. Assim, “a adoção do Regime de Caixa para escrituração, e, consequente tributação, não desqualifica a incidência do Imposto de Renda sobre o ganho de capital, já que a alteração de regimes tãosomente adianta ou difere o momento de consumação do fato gerador do referido tributo”. Equivale a dizer que, caso houvesse recebimentos financeiros, e.g. dividendos, juros sobre o capital próprio, realização financeira de uma alienação, seria gerada a realização de ganho. Contudo, não houve qualquer movimentação financeira no caso ora em apreço. Pelo exposto, requereu o cancelamento dos autos de infração e protestou por todos os meios de prova em direito admitidos, notadamente pela juntada de novos documentos. DA DECISÃO DA DRJ Em 17/09/2010, acordaram os membros da 2ª Turma de Julgamento da DRJ de Campo Grande, por unanimidade de votos, indeferir o pedido de produção posterior de provas e, no mérito, negar provimento à impugnação, mantendo os lançamentos de IRPJ e CSL, de acordo com o entendimento que segue. Preliminarmente, acerca do requerimento de produção de provas, salientouse que, no âmbito do procedimento administrativo fiscal, as provas devem ser carreadas aos autos junto à impugnação, a não ser que seja impraticável, nos termos do art. 16, §§ 4º e 5º, do Decreto 70.235/72. No mérito. Sobre as negativas da recorrente acerca da ocorrência de ganho de capital, não há como prosperarem. Isso porque no conceito de alienação se encontra também a dação em pagamento. Nesta, a disponibilidade econômica é evidente, tendo em vista que se está pagando dívida com bem, o que demonstra a ocorrência do fato previsto no art. 43 do CTN. Verificouse a ocorrência do fato gerador quando a empresa MCA e a recorrente subscreveram e integralizaram aumento de capital da empresa Linca, no montante de R$ 29.620.000,00, mediante a conferência dos valores econômicos das concessões de 5 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH). Assim, a alienação dos direitos se deu em 25/11/2005, sob o valor supramencionado, cabendo 50% para cada um dos alienantes. Apontouse, ainda, “que tanto as empresas obrigadas pelo Lucro Real, quanto as demais, têm que oferecer à tributação o ganho de capital obtido em virtude da avaliação do Fl. 194DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 190 5 ativo. Somente diferem quanto à possibilidade desta tributação ser diferida e efetivada quando da realização dos bens e direitos avaliados. Estas benesses da legislação tributária são para as pessoas jurídicas que mantêm contabilidade completa. Não são para as optantes do Lucro Presumido, como é o caso da fiscalizada”. A recorrente afirma que, em tendo optado pelo regime do lucro presumido, o reconhecimento dos seus ganhos ocorre na medida do efetivo recebimento, bem como o registro de suas perdas é feito quando do efetivo pagamento. Contudo, a empresa submetida ao lucro presumido deve apurar o ganho de capital auferido em virtude da avaliação do patrimônio na data da ocorrência da alienação. Não são aplicados a este caso, portanto, as previsões dos arts. 434, 435, 440 e 441, do RIR/99. E, ainda, a adoção do regime de caixa somente é autorizada para a tributação das receitas decorrentes de atividade operacional. De forma que as pessoas jurídicas tributadas pelo lucro presumido, devem emitir nota fiscal quando da entrega do bem ou direito, ou da conclusão dos serviços, e controlar os recebimentos em conta específica. Nesta deverão ser indicadas as notas fiscais a que correspondem os recebimentos, providência que não foi adotada pela recorrente. Ademais, conforme regime instituído pela IN SRF 104/98, as receitas cujo recebimento se dá em bens ou direitos devem ter o mesmo tratamento das recebidas em dinheiro. Devem, portanto, ser reconhecidas para apuração do IRPJ quando do recebimento do pagamento. E, sendo assim, não procede o pleito da recorrente de serem excluídos da base de cálculo os valores recebidos em bens. Estendese à CSL o que decidido quanto ao IRPJ por se tratar de tributação reflexa. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 130 a 162, em 8/11/2010, alegando, em síntese, o que segue. A recorrente historia os acontecimentos do Consórcio Juruena do qual participava ao lado da empresa MCA e, juntas, detinham 60% do referido consórcio. O consórcio foi dissolvido, e, com isso, a recorrente e a empresa MCA ficaram com o direito de exploração de 5 Pequenas Centrais Hidrelétricas (PCH), na fração ideal de 50% cada uma. Os custos incorridos pela recorrente foram registrados em seu ativo diferido, pelo valor total de R$ 726.822,65. A recorrente e a MCA optaram por efetuar reavaliaçãoda 5 PCH, com base em laudo elaborado por empresa especializada. O valor apurado totalizou R$ 29.620.000,00. “Dessa forma, a recorrente registrou esse ativo intangível com lançamento a débito de R$ 14.810.000,00 no seu ativo imobilizado, contra um lançamento a crédito de R$ 726.822,65 na conta de ativo diferido (investimento inicial para obtenção do direito de exploração) e um lançamento a débito na conta de patrimônio líquido Reserva de Reavaliação, no valor de R$ 14.083.177,35 (fls. 247 a 266 do Anexo I).” Fl. 195DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 191 6 Sem ocorrer a realização da reserva de reavaliação, as duas empresas, recorrente e MCA, integralizaram o capital na empresa Linca com os direitos de exploração das 5 PCH, pelo valor reavaliado, na proporção de 50% cada uma. A Linca, por sua vez, integralizou o capital na empresa Juruena, conferindo lhe os mesmos direitos e pelo mesmo valor. Em seguida, um fundo de investimento (Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações) passou a participar da Juruena, aportanto ao capital dessa R$ 134.850.000,00. Posteriormente, a Juruena integralizou o capital de 5 sociedades de propósito específico (SPE) os direitos de exploração das 5 PCH – para cada SPE o direito de exploração a 1 PCH. As SPE são: Campos de Júlio Energia S.A., Parecis Energia S.A., Rondon Energia S.A., Sapezal Energia S.A. e Telegráfica Energia S.A. Todavia, a mera reavaliação dos ativos não dá ensejo ao reconhecimento de receitas ou ganhos contábeis para fins societários e fiscais. A recorrente procedeu de acordo com a legislação vigente à época, art. 182, § 3º, da Lei de S.A., de sorte que as contrapartidas de aumento do valor de avaliação de ativos foram registradas diretamente em conta de reserva de reavaliação, sem trânsito pelo resultado como receita ou ganho. Afirma que mesmo depois da eliminação da conta de reserva de reavaliação pela Lei 11.638/07, seu art. 6º determinou que os saldos existentes poderiam ser mantidos até a sua efetiva realização. E, ainda, que a constituição de reserva de reavaliação sem reconhecimento de receita ou ganho é obrigatória a todas as pessoas jurídicas, independentemente de ser tributada sob lucro presumido ou lucro real. Ademais, a reavaliação de um ativo não possui natureza de receita ou ganho, por lhe faltar característica fundamental, qual seja, a realização. Por essa razão, a reavaliação de bens não poderia transitar pelo resultado de uma empresa, vez que caracteriza mera expectativa sobre o valor de mercado, que ainda não foi realizado. Ainda que a recorrente tenha integralizado o capital da empresa Linca com os 50% das 5 PCHs que lhe pertenciam, não houve receita ou ganho com esta operação, tendo em vista não ter ocorrido a realização contábil necessária para esse registro. E, mais, a recorrente continuou a ser titular de 50% dos direitos de exploração em virtude de sua participação societária na Linca. Somente haveria de se falar em eventual alienação desse direito no momento em que um terceiro independente adquirisse parte dele em uma operação de mercado. Antes desse momento não há realização da aludida reserva de reavaliação. No tocante à opção de regime de contabilidade, afirma que a legislação tributária permite que, em determinadas circunstâncias e obedecidos certos requisitos, os contribuintes optem pela adoção do regime de caixa, exclusivamente para fins de cálculo dos tributos. Neste sentido, a IN SRF 104/98 admite a possibilidade do regime de caixa para apuração do IRPJ e, em seu art. 2º, também para a CSL, o PIS e a COFINS. Contrariando o entendimento demonstrado na decisão recorrida, apresenta duas soluções de consulta da Receita Federal do Brasil, indicando que o regime de caixa deve ser aplicado a todas as receitas, indistintamente. Fl. 196DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 192 7 Neste sentido, colaciona entendimento proferido pelo antigo 1º Conselho de Contribuintes para combater o argumento utilizado pela DRJ de que tal regime somente se aplicaria para o reconhecimento das receitas operacionais, e não para as operações de troca. Acrescenta que, no regime de caixa, o único elemento a passar efetivamente pelo caixa é o numerário. Assim, neste regime, é indispensável a disponibilidade econômica da quantia. Diferentemente do que entendido pela decisão recorrida, ao afirmar que o ingresso de dinheiro no caixa e o ingresso de outros bens no ativo devem ter o mesmo tratamento contábil. Através dos fatos retratados nestes autos, restou claro que inexistiu trânsito de valores que pudessem implicar registro na conta caixa e, consequentemente, ganho tributável pelo regime de caixa. Por essa razão devem ser integralmente cancelados os autos de infração. Ad argumentandum, alega que eventualmente só poderia ser considerado realizado o ganho sob o regime de caixa, quando o terceiro Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações ingressou na Juruena, aportando R$ 134.850.000,00. Só com o ingresso de terceiro independente na empresa da recorrente se poderia falar de reconhecimento do valor de reavaliação dos direitos de exploração das 5 PCH pelo mercado, e, pois, em realização de ganho sob regime de caixa. Segue daí ter havido erro material nos lançamentos que os inquinam de nulidade por vício substancial. Por fim, argui que, ainda que se admita a utilização da taxa Selic para cobrança dos juros de mora incidentes sobre o tributo supostamente devido, não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício por absoluta ausência de previsão legal. Isso porque hipótese diversa da prevista pelo art. 43 da Lei 9.430/96 nos casos de exigência de multa isolada. Cita acórdão dos antigos 1º e 2º Conselhos de Contribuintes e da 2ª Turma da CSRF. Pelo exposto, requereu a reforma integral da decisão recorrida, com o consequente cancelamento das autuações em questão. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 193 8 Voto Conselheiro Marcos Shigueo Takata O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele, pois, conheço. Questão inicial que se põe é se o ganho de capital, i.e., a receita por realização de bem ou direito do ativo permanente (atualmente, de intangível, de imobilizado e de investimentos, que integram o ativo nãocirculante), espécie do gênero receita não operacional, pode ou não se submeter ao regime de caixa, para quem apura o lucro presumido. O art. 13, § 2º, da Lei 9.718/98 deu suporte legal expresso à adoção do regime de caixa aos que apuram o lucro presumido: Art. 13. (...) § 2º. Relativamente aos limites estabelecidos neste artigo, a receita bruta auferida no ano anterior será considerada segundo o regime de competência ou de caixa, observado o critério adotado pela pessoa jurídica, caso tenha, naquele ano, optado pela tributação com base no lucro presumido. Daí a Instrução Normativa SRF 104/98 prever e regulamentar a apuração do lucro presumido segundo o regime de caixa, malgrado não haja remissão à Lei 9.718/98 nem na introdução dessa instrução normativa. Ainda, importa registrar que o art. 18 da Medida Provisória 1.8586/99 (art. 20 da atual Medida Provisória 2.158/01) prevê o seguinte: Art. 18. As pessoas jurídicas submetidas ao regime de tributação com base no lucro presumido somente poderão adotar o regime de caixa, para fins da incidência da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, na hipótese de adotar o mesmo critério em relação ao imposto de renda das pessoas jurídicas e da CSLL. Pois bem. Em que pese a IN SRF 104/98 só regulamentar o regime de caixa quanto à receita de venda de bens e/ou de prestação de serviços, não tenho dúvida de que o regime de caixa alcança tanto as receitas operacionais quanto as não operacionais. A IN SRF 104/98 só regulamenta a receita de venda de bens e/ou de prestação de serviços, pois só esta espécie de receita demandava regulamentação, especialmente no que toca a obrigações acessórias ou deveres instrumentais. Para receitas outras, nomeadamente as não operacionais, era e é despicienda a regulamentação relativa à adoção do regime de caixa no âmbito do lucro presumido. Nem a Lei 9.718/98 nem a MP 2.158/01 estabelecem restrição ao regime de caixa para receitas não operacionais, nas quais se inclui o ganho de capital. Fl. 198DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 194 9 Aliás, entendo que o regime de caixa foi autorizado para quem apura o lucro presumido desde a Lei 8.981/95, ao prever, seu art. 45, parágrafo único, a possibilidade de a pessoa habilitada à apuração do lucro presumido a manutenção somente do Livro Caixa, ao invés da escrituração contábil conforme a legislação comercial, desde que naquele se encontre escriturada toda a movimentação financeira. No mesmo sentido, os arts. 527, parágrafo único e 530, III, do RIR/99. Enfim, não atino com interdição à adoção do regime de caixa no reconhecimento do ganho de capital. Passo, assim, ao exame da questão central. Como se viu do relatório, com a dissolução e liquidação do consórcio Juruena, a recorrente e a MCA ficaram com os direitos de exploração de 5 PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas), cada uma com 50% da fração ideal. Tanto a recorrente como a MCA procederam à reavaliação espontânea dos direitos de exploração das 5 PCH (Pequenas Centrais Hidrelétricas), com base em laudo de empresa especializada. A recorrente já havia incorrido em despesas préoperacionais referentes aos direitos de exploração das PCH no valor de R$ 726.822,65 e que se encontram escrituradas em seu ativo diferido. Os direitos de exploração das 5 PCH foram avaliados em R$ 29.620.000,00, de modo que a fração ideal pertencente à recorrente correspondeu a R$ 14.810.000,00. Ato contínuo à reavaliação do intangível em comentário (das 5 PCH), a recorrente conferiu sua fração ideal ao intangível das 5 PCH, pelo valor reavaliado, ao capital da Linca, que foi nesse momento constituída. A MCA igualmente procedeu à conferência ao capital da Linca sua fração ideal ao intangível das 5 PCH, pelo valor reavaliado. Ou seja, cada qual ficou com 50% de participação societária na Linca, que recebeu em integralização de seu capital social os direitos de exploração das 5 PCH pelo valor de reavaliação. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 195 10 Nesse passo, retomo o lançamento contábil feito pela recorrente na reavaliação do intangível (50% dos direitos de exploração das 5 PCH): Débito de ativo imobilizado (intangível) R$ 14.810.000,00 a Crédito de ativo diferido R$ 726.822,65 a Crédito de reserva de reavaliação R$ 14.083.177,35 Ou seja, houve o aumento no patrimônio líquido (conta de reserva de reavaliação) de R$ 14.083.177,35. Vejo que houve equívoco na descrição do lançamento contábil pela recorrente ao acusar o lançamento a débito de R$ 14.083.177,35 em reserva de reavaliação, quando o lançamento é a crédito (e igualmente a crédito de R$ 726.822,65 em ativo diferido, baixandoo, contra a ativação no imobilizado pelo total a débito de R$ 14.810.000,00). Porém, isso em nada afeta nem prejudica o desate da lide em jogo, porquanto são perfeitamente compreensíveis os registros contábeis e os fenômenos econômico e jurídico ocorridos. Importa aqui é que a maisvalia de R$ 14.083.177,35 decorrente da reavaliação do intangível (fração ideal de 50% dos direitos de exploração das 5 PCH) teve sua contrapartida registrada em reserva de reavaliação, no patrimônio líquido – conta existente até o advento da Lei 11.638/07, que, ao alterar o capítulo das Demonstrações Financeiras da Lei de S.A., extinguiu a referida conta do PL. Na sequência à conferência do intangível por seu valor reavaliado (valor de mercado) ao capital da Linca, esta conferiu ao capital da Juruena os direitos de exploração das 5 PCH, pelo valor que a Linca recebeu na integralização de seu capital. Isto é, a Linca recebeu os direitos de exploração das 5 PCH e as transferiu à Juruena em conferência ao seu capital, constituída nesse momento. Fl. 200DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 196 11 Assim, a recorrente continuou a possuir 50% de participação na Linca e esta, 100% de participação na Juruena, na qual ficaram os direitos de exploração das 5 PCH. Na mesma data, um fundo de investimento passou a ter participação societária na Juruena, o Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações, que ingressou na Juruena aportando a seu capital R$ 134.850.000,00. Com esse aporte na Juruena, o Energia PCH – FIP passou a ter 89,9% de participação no capital na Juruena. Em momento posterior, a Juruena conferiu ao capital de 5 SPE (sociedades de propósito específico) os direitos de exploração das 5 PCH, bem como os recursos financeiros. As 5 SPE foram constituídas para exploração, cada uma, de cada PCH. Eis o diagrama final: Fl. 201DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 197 12 Pois bem. Segundo a recorrente, independentemente da adoção do regime de caixa, a escrituração contábil regular, como era seu caso, autorizava a reavaliação espontânea dos ativos e o registro de sua contrapartida no patrimônio líquido em conta de reserva de reavaliação, consoante o art. 182, § 3º, da Lei de S.A. (antes das alterações da Lei 11.638/07), cujo capítulo das demonstrações financeiras regula o direito contábil. E a mera reavaliação dos ativos não enseja reconhecimento de receita, máxime com o registro da contrapartida em reserva de reavaliação. No regime de caixa, ainda que a recorrente tenha integralizado o capital da Linca com o intangível reavaliado, não há realização de ganho: a recorrente continuou titular de 50% dos direito de exploração das 5 PCH, por conta da participação na Linca. Argui a recorrente que, pelo regime de caixa, a receita (ganho) só se tem por realizada quando se tem por recebida, mediante trânsito de dinheiro na conta “caixa”. Só quando se recebe dinheiro há apuração de receita segundo o regime de caixa. Só aí há disponibilidade econômica, que seria sinônimo de regime de caixa, em contraposição a disponibilidade jurídica – citando doutrina. Articula também a recorrente que, sob o regime de caixa, só poderia ser considerado realizado o ganho, quando terceiro ingressa na sociedade, no caso, o Energia PCH – Fundo de Investimento em Participações, no capital da Juruena, aportando R$ 134.850.000,00. Isso porque, só quando houver relação de troca com o mercado – partes independentes – se pode considerar a realizado o ganho, e isso só ocorreu quando terceiro ingressou na sociedade Juruena, com aporte de recursos. Só aí há fluxo financeiro, com disponibilidade financeira, para se ter como auferido o ganho no regime de caixa. Portanto, só então há concreção de ganho, consequente à reavaliação do intangível a mercado. Posto isso, passo a deduzir as considerações a respeito. O primeiro ponto é quanto à sociedade que adota o regime de caixa poder ou não fazer a reavaliação espontânea dos ativos, com o registro da contrapartida da maisvalia em reserva de reavaliação no patrimônio líquido. Na medida em que o direito contábil posto pela Lei de S.A. agasalha expressamente o princípio da competência, parece paradoxal se proceder à reavaliação de ativos, registrandose a contrapartida da maisvalia em reserva de reavaliação. Todavia, entendo que o procedimento em comentário não se mostra interditado ou defeso à luz do direito contábil da mesma Lei de S.A. O art. 182, § 3º, da Lei de S.A., antes das alterações da Lei 11.638/07, autorizava a reavaliação espontânea de ativos, com registro da contrapartida em reserva de reavaliação: Patrimônio Líquido Art. 182. A conta do capital social discriminará o montante subscrito e, por dedução, a parcela ainda não realizada. (...) Fl. 202DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 198 13 § 3°. Serão classificadas como reservas de reavaliação as contrapartidas de aumentos de valor atribuídos a elementos do ativo em virtude de novas avaliações com base em laudo nos termos do artigo 8º, aprovado pela assembléiageral. Não é o fato de se adotar o regime de caixa que essa contabilização se encontra vedada, desde que, evidentemente, a sociedade tenha escrituração contábil regular. Ressalto que não entro no mérito, nesse momento, quanto à reavaliação espontânea de ativos que sejam intangíveis. De mais a mais, a bem ver, a escrituração contábil da recorrente se fazia por regime de competência, adotandose apenas para fins tributários o regime de caixa. A tributação da maisvalia decorrente da reavaliação de bens somente quando essa reserva se realize não é uma benesse fiscal. Discordo, nesse passo, do órgão julgador a quo. A tributação da reserva de reavaliação na medida de sua realização, a qual se dá na mesma medida da realização do ativo reavaliado, é simplesmente reconhecer a neutralidade tributária da reserva de reavaliação. Assim, se um imóvel é reavaliado e sua contrapartida é registrada em reserva de reavaliação, a despesa de depreciação do imóvel será maior: essa realização a maior da depreciação representa a realização nessa mesma medida da reserva de reavaliação. Logo, a maior despesa de depreciação é neutralizada pela tributação da reserva de reavaliação realizada. Nada há de benesse, tão somente a neutralidade fiscal que se impõe à mais valia apurada. Noutras palavras: é simplesmente não se permitir o efeito de custo ou despesa maior ou de uma receita menor, por conta da reavaliação do bem. Mera neutralidade. A tributação em tais termos dessa maisvalia, porém, só é possível se a contrapartida da reavaliação do ativo for registrada em reserva de reavaliação. Mais. Desde que o bem reavaliado seja do (antigo) ativo permanente: embora seja requisito da norma tributária para quem apura lucro real, ele vale igualmente para quem apura lucro presumido, como oportunamente abordarei. Prossigo. Se a reavaliação de ativo é possível para quem adota o regime de caixa, registrandose a contrapartida em reserva de reavaliação, e se o regime de caixa é possível para quem apura lucro presumido, conforme a lógica contábil e jurídica que acentuei acima, em princípio, nada haveria que obrigasse a tributação da maisvalia da reavaliação, enquanto essa não se realize sob o regime de caixa. Vejase o que disse: realização da reavaliação sob o regime de caixa. Repito. A tributação, em princípio, só se daria sobre a maisvalia da reavaliação, quando e na medida de sua realização sob o regime de caixa. Fl. 203DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 199 14 A recorrente articula que só há realização da reserva de reavaliação sob o regime de caixa, quando o Energia PCH – FIP ingressa na Juruena, aportando R$ 134.850.000,00, pois só aí haveria relação de troca com o mercado, com fluxo financeiro. Não posso concordar com esse argumento. Desde o momento em que o ativo intangível reavaliado foi conferido ao capital da Linca, houve a relação de troca com o mercado, na medida em que há outro sócio na Linca – que igualmente conferiu ao capital dessa a mesma espécie e quantidade do ativo intangível. O outro sócio é igualmente terceiro em relação à recorrente – com o perdão da redundância. O fato de um outro terceiro ingressar na sociedade Juruena, à qual aqueles intangíveis foram conferidos a seu capital pela Linca, aportando dinheiro, em nada modifica a questão da relação de troca com o mercado. Mudase o percentual de participação societária da recorrente, indiretamente, mas isso não é relação de troca com o mercado diversa da que descrevi, pois os intangíveis já estavam a mercado. Quero com isso dizer que não havia maisvalia oculta que tenha sido aflorada ou realizada nesse momento. A bem ver, mesmo sob o regime de competência, não há realização da reserva de reavaliação, nem no momento em que os ativos são conferidos ao capital da sociedade “X”, nem quando outro terceiro ingressa na sociedade “Y”, para a qual são vertidos, por conferência a seu capital, aqueles mesmos ativos pela sociedade “X”. É como entendo. Mas isso, dependendo da espécie de ativo, como irei abordar no momento oportuno. Fazendose abstração da espécie de ativo do imobilizado, só quando a Linca ou a Jurena fossem alienadas, ou só quando os ativos reavaliados fossem realizados (“depreciados”), haveria a realização da reserva de reavaliação da recorrente. Realização essa, ainda sob o regime de competência. Digo isso porque, no caso, a Linca é investimento avaliado por equivalência patrimonial, hipótese em que se considera não realizada a reavaliação, como prevê o item 61 do Pronunciamento IBRACON sobre reavaliação de ativos, e aprovado pela Deliberação CVM 183/951. Embora as deliberações da CVM obriguem somente as cias. abertas, os pronunciamentos do IBRACON, na época, por serem ostensivamente de caráter técnico, compõem o ordenamento jurídico contábil, no seguinte sentido, para quem não seja cia. aberta. São formas de interpretação integrativas do ordenamento jurídico contábil. Nesse sentido, integram o direito contábil brasileiro, em relação a quem não sejam cia. aberta. É como entendo. 1 61. No caso de integralização com imobilizado tangível em capital de controlada ou coligada avaliada pelo método de equivalência patrimonial, se esse acréscimo patrimonial representar resultado não realizado, tal valor deve ser registrado como reserva de reavaliação, líquida do diferimento dos impostos e contribuições incidentes. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 200 15 Dizse, na época, pois, atualmente, temos o CPC – Comitê de Pronunciamentos Contábeis – que elabora seus pronunciamentos técnicos. E seus pronunciamentos técnicos são aprovados por deliberação da CVM (para cias. abertas e, atualmente, para demais sociedades de grande porte) e por resolução do CFC (Conselho Federal de Contabilidade, quanto a demais pessoas), a não haver margem de dúvida para a cogência de suas normas. De mais a mais, a Resolução CFC 1.004/04 aprovou a NBC T 19.6 (Normas Brasileiras de Contabilidade – Técnicas) sobre reavaliação de ativos e que segue a mesma linha do Pronunciamento IBRACON sobre reavaliação de ativos. Pois bem. E quando se teria por realizada a reserva de reavaliação (e, portanto, o ganho de capital em jogo) sob o regime de caixa? Conquanto alhures, por medida de precisão lógica e conceitual tenha sublinhado o ponto sobre realização sob o regime de caixa, penso que o momento da realização de reserva de reavaliação é coincidente sob o regime de competência e de caixa. Ou seja, a realização da reserva de reavaliação sob o regime de competência é também realização dessa reserva de reavaliação sob o regime de caixa. E isso é sintoma, a meu ver, da inusualidade ou da paradoxal possibilidade de se proceder à reavaliação de ativos com registro da contrapartida em reserva de reavaliação, para quem adota o regime de caixa. Por outro lado, disse que a realização da reserva de reavaliação, sob o regime de competência, só se daria na alienação da Linca ou da Juruena, ou na realização dos ativos reavaliados. Então a questão está resolvida? Não. Sucede que, conforme o direito contábil então vigente, só eram passíveis de reavaliação os ativos tangíveis do imobilizado, não havendo lugar para reavaliação espontânea de ativos intangíveis ou de bens não tangíveis, mesmo que do (antigo) ativo permanente. Nesse sentido, o mesmo Pronunciamento IBRACON supracitado, em seus itens 13 e 142. Notese que a regra contábil é mais restrita do que prevê a disciplina do IR para quem apura lucro real, a qual prescreve a tributação da reserva de reavaliação só no momento de sua realização, desde que o bem reavaliado seja do (antigo) ativo permanente. 2 13. A Lei nº 6.404/76 menciona que a reavaliação pode ser feita para os "elementos do ativo", o que pode dar o entendimento de abranger não só itens do imobilizado, como de investimentos e ativo diferido, além de estoques, entre outros. A legislação fiscal é mais restritiva e referese somente a itens do ativo permanente não abrangendo, portanto, os estoques ou outros ativos constantes do Circulante ou Realizável a Longo Prazo. 14. O entendimento neste Pronunciamento é de que a reavaliação seja restrita a bens tangíveis do ativo imobilizado, desde que não esteja prevista sua descontinuidade operacional. Fl. 205DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 201 16 Noutras palavras. A legislação do IR sob o regime do lucro real prevê um rol mais extenso de bens ou direitos reavaliáveis do que admite o direito contábil (e, por conseguinte, com sua tributação somente quando das hipóteses já previstas de realização). Isso, a começar pelo art. 434, caput, do RIR/99 (que reproduz o art. 35, caput, do Decretolei 1.598/77 c/ a redação do Decretolei 1.730/79) que fala somente de reavaliação de bens do ativo permanente (sem colocar restrições). Ainda, o art. 436, § 3º, do RIR/99 – que reproduz o art. 20 do Decretolei 2.323/87 – excepcionava a realização tributária no momento da incorporação ao capital social da reserva de reavaliação de patente ou de direito de exploração de patentes (que são intangíveis), decorrentes de pesquisa ou tecnologia desenvolvida em território nacional por pessoa jurídica domiciliada no País. Disse que o art. 436, § 3º, do RIR/99 “excepcionava”, pois, com o advento do art. 4º da Lei 9.959/00, tal exceção passou a ser regra absoluta para todas as reavaliações permitidas pela lei do IR sob regime do lucro real. Ou seja, a incorporação da reserva de reavaliação ao capital social deixou de ser hipótese de realização tributária da reserva: só a efetiva realização da reserva de reavaliação passou a ser hipótese de realização tributária daquela (com fim de evitar planejamento fiscal sobre o momento da tributação de tal reserva). O ativo envolvido no dissídio é um intangível; é direito de exploração de 5 PCH (pequenas centrais hidrelétricas). Em coerência a tudo quanto deduzi, à vista do que ora acentuei, para quem apure o lucro presumido, mesmo sob o regime de caixa, a maisvalia apurada na reavaliação de intangível é ganho de capital tributável já no momento em que dessa reavaliação. No caso vertente, entendo descabido falar de irrealização da reversa de reavaliação, pelo fato de o investimento na Linca ser avaliado por equivalência patrimonial, exatamente porque a reavaliação em questão, como disse, é incabível, à luz do direito contábil – e, para o lucro presumido, não há regra ampliativa do rol de ativos reavaliáveis espontaneamente. Como não cabia a reavaliação espontânea do ativo intangível, a maisvalia apurada constitui ganho de capital tributável quando da reavaliação. Mais. Não fosse assim, essa concreção do ganho do ganho de capital é inegável com a conferência do ativo intangível, pelo valor reavaliado, ao capital da Linca, à vista do quanto deduzi. Conferência essa, aliás, que se deu no mesmo dia da reavaliação. Ao historiar a respeito do regime de caixa para quem apura o lucro presumido, me referi à lei permissiva mais antiga, a Lei 8.981/95. Por sua vez, dispõem os arts. 52 e 54, da Lei 9.430/96: Art. 52. Na apuração de ganho de capital de pessoa jurídica tributada pelo lucro presumido ou arbitrado, os valores acrescidos em virtude de reavaliação somente poderão ser computados como parte integrante dos custos de aquisição dos bens e direitos se a empresa comprovar que os valores acrescidos foram computados na determinação da base de cálculo do imposto de renda. Art. 54. A pessoa jurídica que, até o anocalendário anterior, houver sido tributada com base no lucro real, deverá adicionar Fl. 206DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 202 17 à base de cálculo do imposto de renda, correspondente ao primeiro período de apuração no qual houver optado pela tributação com base no lucro presumido ou for tributada com base no lucro arbitrado, os saldos dos valores cuja tributação havia diferido, controlados na parte B do Livro de Apuração do Lucro Real LALUR. Nesse passo, diante da interpretação da questão de fundo central conforme deduzi, o art. 52 da Lei 9.430/96 ganha incidência. Quero com isso dizer que não se apresentaria a aplicação do art. 52 da Lei 9.430/96, se o momento da apuração ou do aperfeiçoamento do ganho de capital não fosse a reavaliação espontânea de um ativo intangível do permanente – e com maioridade de razões a conferência ao capital de um ativo intangível do permanente reavaliado. O ganho de capital representado pela maisvalia apurada na reavaliação do intangível, ainda que a contrapartida seja registrada em reserva de reavaliação, é tributável no momento da reavaliação e que se deu no mesmo dia em que o intangível foi conferido ao capital da Linca. Isso, para quem apura o lucro presumido segundo o regime de caixa, por força do direito contábil então vigente, especificamente, no caso, do Pronunciamento IBRACON sobre reavaliação de ativos (itens 13 e 14), e, por tal razão, aplicável o art. 52 da Lei 9.430/96. Cabe apreciar outro ponto. No motivo dos autos de infração se fala de custo zero dos direitos de exploração das 5 PCH, para detectar o ganho de capital tributável e não tributado (ainda) – fls. 78 e 79. Entretanto, vejo que, nos instrumentos específicos dos autos de infração, é considerado como ganho de capital o valor de reavaliação do referido intangível diminuído do valor inicialmente ativado no diferido (e posteriormente deslocado para o imobilizado, quando da reavaliação do intangível) – fls. 68, 71, 72 e 75. Ou seja, a base de cálculo empregada nos lançamentos (ganho de capital) é o valor de R$ 14.083.177,35, e não de R$ 14.810.000,00. As despesas incorridas quanto ao direito de exploração das PCH e registradas no ativo diferido, porquanto préoperacionais, não foram questionadas pelo autuante, como anteriormente deixei apontado. Logo, o ganho de capital (base de cálculo) da autuação se encontra correto. Importante ainda outra verificação quanto ao motivo dos lançamentos. Para não haver dúvidas, transcrevo os excertos centrais (fl. 78): Assim, o que se examina, de acordo com o exposto no Termo de Início, é a ocorrência, ou não, de ganho de capital. Fl. 207DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 203 18 Nessa linha, é evidente que os direitos de concessão havidos a custo zero foram alienados para outra empresa (LINCA), quando da conferência desses direitos para ela, que se tornou proprietária dos mesmos, utilizandoos para aumento de seu capital, sendo que posteriormente usou esses direitos para aumentar seus investimentos na subsidiária integral JURUENA, que por seu turno, com os mesmos direitos, aumentou o valor do investimento em suas subsidiárias integrais (as cinco PCH). No sujeito passivo, não ocorreu aumento de capital nessa operação, mas sim aumento do valor dos investimentos em empresa controlada, por aquisição de ações. De outro lado, se o sujeito passivo tivesse feito a avaliação dos direitos de exploração mediante laudo apenas para trazer a valor de mercado esses direitos, naturalmente que o ganho de capital não estaria configurado, à medida que os direitos, nessa hipótese, não teriam sido alienados. Se o sujeito passivo fosse tributado pelo lucro real, com reserva de reavaliação contabilizada, controlada no LALUR, tal operação teria a tributação diferida, nos termos do art. 439 do RIR/99, para o momento da alienação do investimento, ou seja, preenchendo o vazio entre a obtenção a custo zero e a alienação do valor reavaliado. Já no regime do lucro presumido a tributação é no momento da ocorrência do ganho de capital, quando os direitos de exploração foram alienados para outra empresa pelo valor de R$ 14.810.000,00, donde o sujeito passivo passou a ser detentor de investimento nesse valor, recebendo pela alienação as ações correspondentes de LINCA PARTICIPAÇÕES E INVESTIMENTOS S/A, isto é, realizou o valor dos direitos de exploração avaliados mediante laudos, ao passo que inexiste previsão de adiamento da incidência do imposto para o momento da alienação desse investimento, a teor do que ocorre com a tributação no lucro real (art. 439 do RIR/99). (grifos nossos) Reconheço que o motivo não foi vazado nos melhores moldes. Mas de sua descrição é inferível o seguinte. Para quem apura o lucro presumido, a conferência do ativo intangível em discussão configura alienação, no sentido de realização da maisvalia atribuída ao intangível (cuja contrapartida fora registrada em reservas de reavaliação). E que, por conseguinte, é inevitável a concreção do ganho de capital. A questão que se põe é se, diante de meu juízo de mérito, estaria ou não inovando o motivo e, por conseguinte, o lançamento. Após reflexão, a conclusão a que cheguei é a de que não há propriamente inovação do motivo e, pois, do lançamento. Sucede que o juízo que extraí, com os argumentos deduzidos, é o de que a consecução do ganho de capital em jogo se dá, inclusive, em momento lógico anterior ao posto no lançamento. E que, com maioridade de razões, tal concreção do ganho de capital se tem por consumado no momento lógico exposto no e conforme o motivo do lançamento. Fl. 208DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA Processo nº 14098.000076/201098 Acórdão n.º 1103000.797 S1C1T3 Fl. 204 19 Tratase de argumento jurídico diverso do que ruptura do motivo da exigência fiscal. À vista da fundamentação jurídica que deduzi, conseguisse a recorrente me convencer de que no momento lógico exposto no lançamento não se teria aperfeiçoado o ganho de capital, por decorrência lógica, terseia derruída a argumentação jurídica que eu deduzira para a conclusão. Registro que, a meu ver, conceitualmente fundamentação jurídica não é sinônimo de motivo. Casuisticamente, pode vir a se dar coincidência de círculos ou o motivo ser círculo continente e a fundamentação jurídica se encontrar como círculo conteúdo. Enfim, não chego a atinar, no caso vertente, com inovação do motivo com o juízo de mérito que verti no presente voto. Sob essa ordem de considerações e juízo, nego provimento ao recurso. É o meu voto. Sala das Sessões, em 5 de dezembro de 2012 (assinado digitalmente) Marcos Takata Relator Fl. 209DF CARF MF Impresso em 30/10/2014 por MARIA MADALENA SILVA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/12/2012 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 28/12/201 2 por MARCOS SHIGUEO TAKATA, Assinado digitalmente em 03/01/2013 por ALOYSIO JOSE PERCINIO DA SILVA
score : 1.0
