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Numero do processo: 10880.915957/2008-11
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/09/2001
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO.
A partir da edição da Medida Provisória nº 1.858-6, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-003.863
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. ZONA FRANCA DE MANAUS. ISENÇÃO. A partir da edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de Junho de 1999, não são isentas das contribuições PIS e Cofins as receitas decorrentes de vendas de mercadorias às empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. Vencidos os Conselheiros Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Sidney Eduardo Stahl que davam provimento integral, e a Conselheira Maria Inês Caldeira Pereira da Silva que convertia em diligência para a apuração do direito creditório. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl fará declaração de voto. Fez sustentação oral pela recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes– Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 59 57 /2 00 8- 11 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 11 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 12 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, uma vez que narra bem os fatos: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)/Declaração de Compensação (DComp) de fl 1, por falta de crédito no Darf da contribuição acima citada (código de receita: 2172; fato gerador: 30/09/2001). O valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito confessado nesta declaração é de: Cofins Não Cumulativa; código de receita: 5856; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 14.787,09 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e o art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base da compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. A DRJ em São Paulo I (SP) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência de direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 13 4 a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÃO SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4o do DecretoLei no 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos, cujo teor é sintetizado a seguir. Em breve arrazoado, inicialmente, descreve os fatos inconformada com as premissas do acórdão recorrido. Em preliminar sustenta a nulidade do acórdão recorrido. Menciona que a leitura da decisão em referência não possibilita apontar com clareza e precisão qual a fundamentação utilizada pela autoridade julgadora para negar provimento à manifestação de inconformidade e não homologar o crédito compensado. Destaca que a referida decisão não deixa claro se a premissa para negar provimento à manifestação de inconformidade foi (i) a falta de comprovação de que a recorrente realizou operações de vendas com destino à Zona Franca de Manaus; (ii) se a recorrente não demonstra no mérito qual o fundamento de sua pretensão; (iii) ou se a recorrente não tinha direito à isenção da contribuição sobre as vendas com destino à Zona Franca de Manaus, ou qualquer outra. Insiste que a decisão foi construída com base em afirmações descuidadas, “soltas”, caracterizando verdadeiras ilações, mencionando institutos tributários (imunidade, isenção, alíquota zero) não discutidos na manifestação de inconformidade. No mérito, alega que recolheu indevidamente a contribuição, tendo em vista que suas operações de venda com destino à Zona Franca de Manaus estavam alcançadas por norma de isenção, conforme estabelecem o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 c/c art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) e art. 14, inciso II, da Medida Provisória nº 2.13535. Pontua que o artigo 4º do DecretoLei n° 288/67 equiparou mencionadas vendas à ZFM as operações de exportações para o exterior e que o art. 40, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) manteve os incentivos fiscais da Zona Franca de Manaus. Após histórico da evolução legislativa, esclarece que dentre as hipóteses de exclusão das isenções estabelecidas pelo § 2º, do art. 14, da Medida Provisória n° 2.158, vigente no período no período de apuração em estudo, não se inserem as receitas de vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus. Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 14 5 Colaciona jurisprudência administrativa. Aduz que não se aplica a este caso o entendimento consolidado através da Solução de Divergência Cosit nº 07. Demonstra a internação das mercadorias vendidas à ZFM no período sob exame. Por fim, requer a reforma integral do acórdão recorrido para que seja homologado o crédito compensado. Por meio de petição e em razão dos julgamentos dos diversos processos por colegiados diferentes, a interessada junta cópias das notas fiscais e planilha de recomposição da base de cálculo das contribuições sociais. É o relatório. Fl. 117DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 15 6 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) em face de que a decisão recorrida foi construída com base em premissas confusas e obscuras o que impossibilitou o pleno exercício do direito de defesa. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Exemplificando, a propósito da alegada isenção, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa. Confirase trecho do voto condutor: Mas a empresa parece não estar falando de Isenção ou de Alíquota Zero, pois estes institutos jurídicos pressupõem a incidência e afetam o crédito tributário nascido do fato gerador, ou seja a obrigação surge e o crédito tributário dela decorrente não é cobrado, ou por que é excluído (e.g.: Isenção) ou por que o produto da Base de Cálculo pela Alíquota é nulo (Alíquota Zero). Ao dizer que não gerava obrigação fiscal e que havia equiparação à exportação, o defensor da inconformada parece querer falar de Imunidade. A Imunidade é instituto constitucional. Logo, se a empresa estiver desejando alegar inconstitucionalidade deverá fazêlo perante o Judiciário, pois a DRJ não é o foro competente para apreciar esse pleito. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que o direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea, tanto é assim que as notas fiscais de venda de produtos à Zona Franca de Manaus somente foram juntadas posteriormente Fl. 118DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 16 7 a apresentação do recurso voluntário. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por cerceamento de direito de defesa. No mérito, a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins. A interessada sustenta que a isenção das contribuições teria como fundamento legal o art. 4º do DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, abaixo transcrito: “Art. 4° A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro.” (Grifouse) Esta tese não pode prevalecer, visto que o próprio dispositivo legal estabeleceu um limite temporal, qual seja, nos termos da legislação em vigor, isto é, a legislação tributária vigente em 1967. Assim sendo, este diploma legal e o DecretoLei nº 356/1968, que estendeu às áreas pioneiras, zonas de fronteira e outras localidades da Amazônia Ocidental os favores fiscais concedidos pelo DecretoLei nº 288/67, não têm o condão de produzir efeitos em relação à legislação superveniente. É certo que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, segundo dispõe o Código Tributário Nacional no art. 111, inciso II. Em relação à isenção da Cofins, no período objeto do lançamento, estava em vigor o art. 14 da Medida Provisória no 2.15835, de 2001. Art.14.Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: Fl. 119DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 17 8 I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.(grifouse) Fl. 120DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 18 9 Mister se faz ressaltar que este diploma legal já havia sido ajustado de acordo com a medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Este diploma legal foi ajustado na Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em razão de medida cautelar deferida pelo Excelso Supremo Tribunal Federal STF, na ADI n° 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória n° 2.03724, de 2000, suspendendo ex nunc a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. Não se pode perder de vista que o Supremo Tribunal Federal em 02 de fevereiro de 2005 declarou a perda de objeto da referida ADI, decisão transitada em julgado. Destarte, da inteligência do artigo citado, concluise que até a edição da Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, em relação às vendas para empresas situadas na Zona Franca de Manaus, não havia isenção da contribuição e posteriormente a esta data a isenção alcança somente as receitas de vendas enquadradas nos incisos IV, VI, VIII e IX do citado diploma legal. Além do mais, em face de entendimentos divergentes, a então Secretaria da Receita Federal por meio da Solução de Divergência Cosit nº 22, de 19 de agosto de 2002, DOU de 22/08/2002, pacificou no âmbito da administração a tese de que não há isenção específica para as vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus. SOLUÇÕES DE DIVERGÊNCIA DE 19 DE AGOSTO DE 2002 Nº 22 ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: A isenção do PIS/Pasep prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase somente para os fatos geradores ocorridos a partir do dia 18 de dezembro de 2000, e, exclusivamente, sobre às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº7.714, de 1988; Lei nº9.004, de 1995; Medida Provisória nº1.212, de 1995, e reedições, atual Lei nº9.715, de 1995; Art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/Nº1.769, de 2002. ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins EMENTA: A isenção da Cofins prevista no art. 14 da Medida Provisória nº2.03725, de 2000, atual Medida Provisória Fl. 121DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 19 10 nº2.15835, de 2001, quando se tratar de vendas realizadas para empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus, aplicase, exclusivamente, às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do referido artigo. A isenção da Cofins não alcança os fatos geradores ocorridos entre 1o de fevereiro de 1999 e 17 de dezembro de 2000, período em que produziu efeitos a vedação contida no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória nº1.8586, de 1999, e reedições, (atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001). DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei Complementar nº70, de 1991; Lei Complementar nº85, de 1996; Art. 14 da Medida Provisória nº 1.8586, de 1999, e reedições, e da Medida Provisória nº 2.037 25, de 2000, atual Medida Provisória nº2.15835, de 2001; Medida liminar deferida pelo STF, na ADI nº 2.3489; e Parecer/PGFN/CAT/n º1.769, de 2002. Registrese, por oportuno que as jurisprudências administrativas e judiciais colacionadas no recurso voluntário não se constituem em normas gerais de direito tributário, e produzem efeitos apenas em relação às partes que integram os processos e com estrita observância do conteúdo dos julgados. Vale lembrar, que esse status somente foi modificado pela Lei 10.996/2004, com vigência em 16/12/2004, que estabeleceu a alíquota zero da contribuição em tela incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus: “Art. 2o Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. § 1o Para os efeitos deste artigo, entendemse como vendas de mercadorias de consumo na Zona Franca de Manaus ZFM as que tenham como destinatárias pessoas jurídicas que as venham utilizar diretamente ou para comercialização por atacado ou a varejo. § 2o Aplicamse às operações de que trata o caput deste artigo as disposições do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003.” Como visto, o legislador de forma acertada reconheceu que não havia isenção das contribuições para o PIS e da Cofins sobre a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, pois não tinha lógica reduzir a alíquota zero uma receita que, em tese, estava isenta, como defendeu a interessada. Em suma, a receita de vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus no período de apuração em discussão não era isenta ou imune da mencionada contribuição, nos termos da legislação de regência. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 20 11 Por fim, resta evidente que as alegações sobre o direto creditório ficaram prejudicadas. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 123DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 21 12 Declaração de Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl, Em que pesem os argumentos apontados pelo ilustre relator ouso dele discordar. Conforme bem apontado a controvérsia cingese em definir se as receitas de vendas as empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições PIS e Cofins e já é conhecido por essa turma o meu entendimento referente à questão, pois entendo que às mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus, deve ser aplicado o disposto no artigo 149, § 2º da Constituição Federal c/c. o artigo 40 do ADCT considerandose que, a partir da análise do Decretolei 288/67, o legislador claramente objetivou que todos os benefícios fiscais instituídos para incentivar a exportação fossem aplicados, também, à mencionada localidade. Desta forma, a destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais. A questão se origina na Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, que criou a COFINS, o dispositivo que tratou da isenção para as vendas de mercadorias ou serviços destinados ao exterior, como pode se ver, não fez qualquer menção expressa àquelas realizadas para a Zona Franca de Manaus: “Artigo 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: (Redação dada pela LCP nº 85, de 15/02/96) I de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II de exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; V de fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações ou aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; VI das demais vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, nas condições estabelecidas pelo Poder Executivo.” Na regulamentação de referido dispositivo, o artigo 1º do Decreto nº 1.030, de 1993, referiuse expressamente às vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus, para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, não reconhecendo a isenção, consoante se vê abaixo: Fl. 124DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 22 13 “Art. 1º Na determinação da base de cálculo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social COFINS, instituída pelo artigo 1º da Lei Complementar nº 70, de 30 de dezembro de 1991, serão excluídas as receitas decorrentes da exportação de mercadorias ou serviços, assim entendidas: I vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; II exportações realizadas por intermédio de cooperativas, consórcios ou entidades semelhantes; III vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras, nos termos do Decretolei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IV vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras, registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério da Indústria, do Comércio e do Turismo; e V fornecimentos de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível. Parágrafo único. A exclusão de que trata este artigo não alcança as vendas efetuadas: a) a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em Área de Livre Comércio; b) a empresa estabelecida em Zona de Processamento de Exportação; c) a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados a exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992. d) no mercado interno, às quais sejam atribuídos incentivos concedidos à exportação.”(grifos e destaques meus) Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que também cuidou das regras da Cofins, não se verificou a existência de qualquer dispositivo versando sobre a incidência ou da não incidência de tais contribuições nas as receitas de exportação, o que, presumese, tenha sido feito com a edição da Medida Provisória nº 1.8586, de 29/06/1999, e reedições, até a Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000, ao dispor, no seu artigo 14, caput e parágrafos sobre tais casos, revogando expressamente todos os dispositivos legais relacionados à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até 30/06/1999, senão vejamos: “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; Fl. 125DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 23 14 (...) § 1º (...) § 2º As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; “(grifei) Até aqui, resta claro que a intenção do legislador fora a de não estender a isenção da COFINS às receitas de vendas a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus, na Amazônia Ocidental e nas áreas de livre comércio. Entretanto, tal regramento veio a ser contestado quando, em 07/11/2000, alegando afronta ao DecretoLei nº 288, de 28 de fevereiro de 1967, bem como às determinações constitucionais que garantem tratamento beneficiado à Zona Franca de Manaus, o Governador do Estado de Amazonas, Sr. Amazonino Mendes, impetrou a Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADI nº 2.3489 (DOU de 18/12/2000) –, requerendo a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus e que constou da citada MP nº 2.037. Neste sentido, o Supremo Tribunal Federal STF deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”, disposta no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724/00. A essa decisão foi conferido, expressamente, efeito ex nunc. Da consulta no sítio do Supremo Tribunal Federal na Internet, obtémse a informação de que, de fato, em 7/12/2000 (DOU 14/12/2000) fora deferida a Medida Cautelar pelo Pleno, com efeitos ex nunc, suspendendo a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus” constante do inciso I, do § 2º, do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23/11/2000. Certamente por conta de tal decisão, o Executivo editou a Medida Provisória nº 1.95231, de 14/12/2000, modificando aquele dispositivo cuja eficácia fora suspensa pelo STF, da seguinte forma: “Art. 11. O inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, passa a vigorar com a seguinte redação: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (NR)” Notese que foi retirada a expressão “na Zona Franca de Manaus”, o que indica que não mais estava estabelecida em lei a vedação expressa da isenção dessas operações. Assim, esteve em vigor a referida liminar de 14/12/2000 até 02/02/2005, quando o processo foi encerrado. Logo em seguida, editouse a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória no 2.15835, de 2001, que manteve a supressão apenas da expressão “na Zona Franca de Manaus”, retroagindo seus efeitos aos fatos geradores a partir de 1º de fevereiro de 1999. Vale a pena transcrever tal enunciado: Fl. 126DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 24 15 “Artigo 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II da exportação de mercadorias para o exterior; III dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial BrasileiroREB, instituído pela Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o artigo 11 da Lei no 9.432, de 1997; VIII de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei no 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; IX de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o artigo 13. §1o São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. §2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; Revogado pela Lei no 11.508, de 2007 ; Fl. 127DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 25 16 III a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do artigo 3o da Lei no 8.402, de 8 de janeiro de 1992.”(grifei) Com base nessas breves considerações sobre a evolução legislativa, podemos afirmar que à época da ocorrência do fato gerador em comento havia, de um lado, uma disposição expressa não estendendo a isenção das vendas de mercadorias ao exterior para as vendas para a Amazônia Ocidental e para as Áreas de Livre Comércio, e, de outro, inexistindo qualquer menção à incidência ou não das vendas para a Zona Franca de Manaus. Verdade seja dita, essa “omissão” do legislador decorreu de uma adequação à referida decisão do STF, e, de qualquer modo, a não ser por conta dessa peculiaridade, a de ter o poder público se ajustado ao caminho delineado pelo STF, o rumo tomado pelo citado julgamento da Adin nº 2.3489 pouca ou nenhuma influência há de exercer neste julgamento, seja por que a mesma foi arquivada, seja porque o Poder Executivo acabou por curvarse ao entendimento do STF e tratou de retirar a expressão considerada inconstitucional (“Zona Franca de Manaus”), do dispositivo que vedava a isenção da COFINS. Assim, o que está em vigor desde 1º de fevereiro de 1999 e que abrangeu o período de apuração objeto deste julgamento, é a seguinte regra, na parte que nos interessa: “Art.14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – (...) II da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 2o As isenções previstas no caput e no § 1o não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) “ Na verdade, a celeuma só existe por conta dessa omissão, aparentemente deliberada do legislador, pois, mesmo conhecendo a posição do STF acerca da desvinculação das receitas para a Zona Franca de Manaus das receitas de exportação em geral, preferiu não enfrentar diretamente a questão ao estabelecer a vedação expressa da isenção apenas para as vendas efetuadas para a Amazônia Ocidental e para as áreas de livre comércio, quedandose inerte, ou melhor, omisso, em relação às vendas para a Zona Franca de Manaus. Lembremonos que, para fins de interpretação da regra, estamos sob a égide da Constituição Federal e com a instituição de um novo ordenamento jurídico pela Constituição Federal de 1988, o artigo 40 do ADCT expressamente prorrogou os benefícios fiscais concedidos anteriormente à Zona Franca de Manaus, in verbis : Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Fl. 128DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 26 17 Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. A aludida norma, ao preservar a Zona Franca de Manaus como área de livre comércio, recepcionou expressamente o Decretolei nº 288/67, que prevê que a exportação de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será, para todos os efeitos fiscais, equivalente a uma exportação brasileira para o exterior. Após, a Emenda Constitucional nº 42, de 19/12/2003, que acrescentou o artigo 92 ao ADCT, prorrogou por mais 10 (dez) anos o prazo fixado no mencionado artigo 40. No que se refere ao PIS, a Lei nº 7.714/88, com a redação dada pela Lei nº 9.004/95, dispôs que: Art. 5º Para efeito de cálculo da contribuição para o Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PASEP) e para o Programa de Integração Social (PIS), de que trata o DecretoLei nº 2.445, de 29 de junho de 1988, o valor da receita de exportação de produtos manufaturados nacionais poderá ser excluído da receita operacional bruta. Prevê, ainda, a Lei nº 10.637/2002, em seu art. 5º: Art. 5º A contribuição para o PIS/Pasep não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: I exportação de mercadorias para o exterior; Em relação à COFINS, a Lei Complementar nº 70/91, com as modificações trazidas pela Lei Complementar nº 85/96, afirmou expressamente que: Art. 7º São também isentas da contribuição as receitas decorrentes: I – de vendas de mercadorias ou serviços para o exterior, realizadas diretamente pelo exportador; Da leitura das normas acima, verifico que os valores resultantes de exportações foram excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS e, por extensão, em razão do disposto no Decretolei nº 288/67 e nos artigos 40 e 92 do ADCT, da CF/88, às operações destinadas à Zona Franca de Manaus. Essa disposição se reforça pela interpretação da determinação dada pelo artigo 149, § 2º, I da Carta Magna: Art. 149. Compete exclusivamente à União instituir contribuições sociais, de intervenção no domínio econômico e de interesse das categorias profissionais ou econômicas, como instrumento de sua atuação nas respectivas áreas, observado o disposto nos arts. 146, III, e 150, I e III, e sem prejuízo do previsto no art. 195, § 6º, relativamente às contribuições a que alude o dispositivo. Fl. 129DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 27 18 (...) § 2º As contribuições sociais e de intervenção no domínio econômico de que trata o caput deste artigo:(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) I não incidirão sobre as receitas decorrentes de exportação;(Incluído pela Emenda Constitucional nº 33, de 2001) A regra constitucional desonerativa, conforme visto, foi devidamente observada pela legislação infraconstitucional, a exemplo do artigo 7º da LC 70/91 (COFINS) e do artigo 5º da Lei 10.637/02 (PIS). Diante desse quadro e, especialmente, em razão da forma contundente e reiterada com que tem se posicionado nossas cortes judiciais superiores, tenho que considerar que as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus estão isentas das contribuições para o PIS e a COFINS em face da regras constantes do inciso II do caput, e do inciso I, do § 2º, ambas do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, combinadas com as do artigo 4º do DecretoLei nº 288/67 e do artigo 40 do ADCT da Constituição Federal de 1988. Vejamos algumas decisões do Superior Tribunal de Justiça (cujos destaques são meus): PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 2. No caso, a recorrente apontou violação do art. 535, II, do CPC, porque o aresto impugnado teria sido omisso quanto aos arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN, sem explicitar, contudo, os diversos requisitos acima mencionados. Limitouse a defender a Fl. 130DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 28 19 necessidade de prequestionamento para fins de interposição dos recursos extremos. Incidência da Súmula 284/STF. 3. A ausência de prequestionamento – arts. 110, 111, 176 e 177, do CTN – obsta a admissão do apelo, nos termos da Súmula 211/STJ. 4. A tese de violação do art. 110 do CTN não se comporta nos estreitos limites do recurso especial, já que, para tanto, fazse necessário examinar a regra constitucional de competência, tarefa reservada à Suprema Corte, nos termos do art. 102 da CF/88. Precedentes. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4o do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. STJ 2º TURMA RECURSO ESPECIAL Nº 1.276.540 AM (2011/00820963) – Rel: MIN. CASTRO MEIRA. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. ART. 3º DA LEI COMPLEMENTAR 118/2005. PRECLUSÃO. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. MERCADORIAS DESTINADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. PIS E COFINS. NÃOINCIDÊNCIA. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. REVISÃO. SÚMULA 7/STJ. 1. A questão do prazo prescricional das Ações de Repetição de Indébito Tributário, à luz do art. 3º da Lei Complementar 118/2005, não foi atacada no Recurso Especial. A discussão do tema em Agravo Regimental encontrase vedada, diante da preclusão. 2. Não se conhece de Recurso Especial quanto a matéria não especificamente enfrentada pelo Tribunal de origem, dada a ausência de prequestionamento. Incidência, por analogia, da Súmula 282/STF. 3. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/1967. Não incidem Fl. 131DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 29 20 sobre elas as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 4. A revisão da verba honorária implica, como regra, reexame da matéria fáticoprobatória, o que é vedado em Recurso Especial (Súmula 7/STJ). Excepcionamse apenas as hipóteses de valor irrisório ou exorbitante, o que não ocorreu no caso dos autos. 5. Agravo Regimental parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (AgRg no Ag 1.295.452/DF, Rel. Min. Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 01.07.10) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535. INEXISTÊNCIA DE INDICAÇÃO DE VÍCIO NO ACÓRDÃO RECORRIDO. MERAS CONSIDERAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. APLICAÇÃO DA TESE DOS CINCO MAIS CINCO. PRECEDENTE DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO N. 1002932/SP. OBEDIÊNCIA AO ART. 97 DA CR/88. PIS E COFINS. RECEITA DA VENDA DE PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. EQUIPARAÇÃO À EXPORTAÇÃO. ISENÇÃO. 1. Não merece acolhida a pretensão da recorrente, na medida em que não indicou nas razões nas razões do apelo nobre em que consistiria exatamente o vício existente no acórdão recorrido que ensejaria a violação ao art. 535 do CPC. Desta forma, há óbice ao conhecimento da irresignação por violação ao disposto na Súmula n. 284 do STF, por analogia. 2. Consolidado no âmbito desta Corte que nos casos de tributo sujeito a lançamento por homologação, a prescrição da pretensão relativa à sua restituição, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da Lei Complementar n. 118/05 (em 9.6.2005), somente ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita. 3. Precedente da Primeira Seção no REsp n. 1.002.932/SP, julgado pelo rito do art. 543C do CPC, que atendeu ao disposto no art. 97 da Constituição da República, consignando expressamente a análise da inconstitucionalidade da Lei Complementar n. 118/05 pela Corte Especial (AI nos ERESP 644736/PE, Relator Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 06.06.2007). 4. A jurisprudência da Corte assentou o entendimento de que a venda de mercadorias para empresas situadas na Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decretolei n. 288/67, não incidindo a contribuição social do PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Fl. 132DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 30 21 5. Precedentes: REsp 1084380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.3.2009; REsp 982.666/SP, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 18.9.2008; AgRg no REsp 1058206/CE, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 12.9.2008; e REsp 859.745/SC, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 3.3.2008. 6. Recurso especial não provido. (REsp 817.847/SC, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25.10.10) TRIBUTÁRIO ZONA FRANCA DE MANAUS PRESCRIÇÃO REMESSA DE MERCADORIAS EQUIPARADA À EXPORTAÇÃO CRÉDITO PRESUMIDO DO IPI ISENÇÃO DO PIS E DA COFINS. 1. Prevalência da tese dos “cinco mais cinco” na hipótese dos autos, relativa à prescrição dos tributos sujeitos à lançamento por homologação Inaplicabilidade da Lei Complementar 118/2005. 2. A destinação de mercadorias para a Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, segundo interpretação do Decreto lei 288/67. 3. Direito da empresa ao crédito presumido do IPI, nos termos do art. 1o da Lei 9.363/96, e à isenção relativa às contribuições do PIS e da COFINS. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, improvido. (REsp 653.975/RS, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJ 16.02.07) TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TESE DOS “CINCO MAIS CINCO”. RESP 1.002.932/SP. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. AGRAVO NÃO PROVIDO. 1. O prazo prescricional para o contribuinte pleitear a restituição do indébito, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação, referente a pagamento indevido efetuado antes da entrada em vigor da LC 118/05, continua observando a “tese dos cinco mais cinco” (REsp 1.002.932/SP, Rel Min. LUIZ FUX, Primeira Seção, DJ 18/12/09). 2. A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça declarou a inconstitucionalidade da segunda parte do art. 4o da LC 118/05, que estabelece aplicação retroativa de seu art. 3o, por ofensa dos princípios da autonomia, da independência dos poderes, da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa Fl. 133DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 31 22 julgada (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, Corte Especial, DJ 27/8/07). 3. Este Superior Tribunal possui entendimento assente no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67 (REsp 802.474/RS, Rel. Min. MAURO CAMPBELL MARQUES, Segunda Turma, DJe 13/11/09). 4. Agravo regimental não provido. (AgRg no REsp 1.141.285/RS, Rel. Min. Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26.05.11) PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. DEFICIÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. CONSTITUCIONAL E TRIBUTÁRIO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PRESCRICIONAL. ISENÇÃO. PIS E COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. 1. A interposição de embargos declaratórios é pressuposto do especial fundado na violação ao art. 535 do CPC, sob pena de não conhecimento do recurso quanto ao ponto, dada a ausência de prequestionamento. 2. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 3. Sobre a prescrição da ação de repetição de indébito tributário de tributos sujeitos a lançamento por homologação, a jurisprudência do STJ (1a Seção) assentou o entendimento de que, no regime anterior ao do art. 3o da LC 118/05, o prazo de cinco anos, previsto no art. 168 do CTN, tem início, não na data do recolhimento do tributo indevido, e sim na data da homologação – expressa ou tácita do lançamento. Assim, não havendo homologação expressa, o prazo para a repetição do indébito acaba sendo de dez anos a contar do fato gerador. 4. Nos termos do art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias ADCT, da Constituição de 1988, a Zona Franca de Manaus ficou mantida “com suas características de área de livre comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, por vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição”. Ora, entre as “características” que tipificam a Zona Franca destacase esta de que trata o art. 4º do Decreto lei 288/67, segundo o qual “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, durante o período previsto no art. 40 do ADCT e Fl. 134DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10880.915957/200811 Acórdão n.º 3801003.863 S3TE01 Fl. 32 23 enquanto não alterado ou revogado o art. 4º do DL 288/67, há de se considerar que, conceitualmente, as exportações para a Zona Franca de Manaus são, para efeitos fiscais, exportações para o exterior. Logo, a isenção relativa à COFINS e ao PIS é extensiva à mercadoria destinada à Zona Franca. Precedentes: RESP. 223.405, 1a T. Rel. Min. Humberto Gomes de Barros, DJ de 01.09.2003 e RESP. 653.721/RS, 1a T., Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 26.10.2004) 5. “O Supremo Tribunal Federal, em sede de medida cautelar na ADI n. 23489, suspendeu a eficácia da expressão 'na Zona Franca de Manaus', contida no inciso I do § 2o do art. 14 da MP n.o 2.03724, de 23.11.2000, que revogou a isenção relativa à COFINS e ao PIS sobre receitas de vendas efetuadas na Zona Franca de Manaus.” (REsp 823.954/SC, 1a T. Rel. Min. Francisco Falcão, DJ de 25.05.2006). 6. “Assim, considerando o caráter vinculante da decisão liminar proferida pelo E. STF, e, ainda, que a referida ação direta de inconstitucionalidade esteja pendente de julgamento final, restam afastados, no caso concreto, os dispositivos da MP 2.037 24 que tiveram sua eficácia normativa suspensa” (REsp n.º 677.209/SC, Rel. Min. LUIZ FUX, DJ de 28/02/2005). 7. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. (REsp 1.084.380/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJe 26.03.09) Assim, evidente que, enquanto não alterado o artigo 4º do Decretolei 288/1967 que equiparou as vendas destinadas à Zona Franca de Manaus às exportações, as vendas destinadas à região estão desoneradas das contribuições para o PIS e a COFINS. Nesse sentido, voto pela procedência do presente recurso voluntário para reconhecer o direito creditório da Recorrente decorrente dos valores indevidamente pagos. É como voto, (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Fl. 135DF CARF MF Impresso em 25/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 22/09/2 014 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 24/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10940.900529/2011-20
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 24 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Aug 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/12/2002
INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ.
Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões.
COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA
O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-004.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1923; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3TE01 Fl. 72 1 71 S3TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10940.900529/201120 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3801004.026 – 1ª Turma Especial Sessão de 24 de julho de 2014 Matéria COMPENSAÇÃO Recorrente VALERIA DE FATIMA GALVAO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. CERTEZA E LIQUIDEZ. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. COMPENSAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA O instituto da denuncia espontânea não se aplica nos casos de débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 05 29 /2 01 1- 20 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 73 2 (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 74 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº 916016983 emitido eletronicamente em 01/04/2011, referente ao PER/DCOMP nº 18909.90013.220607.1.3.046204. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de Cofins, Código de Receita 2172, no valor original na data de transmissão de R$6.851,05, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 28/01/2003. De acordo com o Despacho Decisório, a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório por meio de edital, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade em 31/05/2011, tendo feito um resumo dos fatos. Em seguida, nas questões de mérito, tece considerações acerca de aspectos constitucionais, cita jurisprudência do Judiciário e entendimentos doutrinários sobre o assunto em pauta, enfatizando a legislação pertinente às exclusões da base de cálculo da Cofins e do PIS para as pessoas jurídicas em geral e para as instituições financeiras. Constata que, enquanto as instituições financeiras gozam do benefício da exclusão/compensação plena e irrestrita de suas despesas operacionais, no cômputo da base de cálculo da Cofins e do PIS, os demais contribuintes se sujeitam à cobrança daquelas exações sobre uma base muito maior, desequilibrando se uma relação que efetivamente não encontra nenhuma razão de ordem material ou até mesmo qualquer justificativa de ordem econômica ou social para que se estabeleça. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 75 4 Afirma que não restam dúvidas de que as empresas privadas que foram alijadas dos benefícios outorgados às instituições financeiras, no que diz respeito à base de cálculo da Cofins e do PIS, devem usufruir do mesmo privilégio fiscal concedido à essas, adequandose ao texto constitucional, art. 150, inciso II, assim como à cláusula pétrea da igualdade constante do art. 5o. Com base nas planilhas anexas, notase que o contribuinte vem recolhendo a Cofins e o PIS sem as devidas exclusões a que tem direito, não restando dúvida acerca do crédito correspondente aos pagamentos efetuados a maior desde aquela competência até os dias atuais. Diante das razões invocadas, o manifestante requer seja reconhecido o seu direito à compensação referente aos indevidos pagamentos a título de Cofins, em virtude da não dedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das atividades do contribuinte, bem como não haja a incidência de multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. Anexa aos autos um “Relatorio aproveitamento”, no qual indica o valor atinente às diferenças de Cofins apuradas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/12/2002 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência e suficiência do crédito postulado. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. ACRÉSCIMOS LEGAIS. Os débitos indevidamente compensados serão exigidos com os respectivos acréscimos legais. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada, a contribuinte recorre a este Conselho, conforme recurso voluntário apresentado, no qual alega, em síntese, que não pode haver qualquer diferenciação entre o tratamento tributário dado às instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas sujeitas ao recolhimento da COFINS e do PIS, conforme o disposto nos artigos 5o e 150, II, ambos da Constituição, e de acordo com jurisprudência dominante do STF, devendo ser reconhecido o seu direito à restituição referente aos indevidos pagamentos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época Fl. 75DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 76 5 própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades, bem como, não haja a incidência da multa moratória, tendo em vista o instituto da denúncia espontânea. É o relatório. Fl. 76DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 77 6 Voto Conselheiro Relator Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. No mérito, a recorrente alega que os créditos pleiteados referemse a pagamentos indevidos a título de PIS/COFINS, em virtude da nãodedução da base de cálculo daquelas exações, na época própria, da totalidade das despesas operacionais incorridas em cada mês de competência, decorrentes das suas atividades. A recorrente defende a isonomia de tratamento fiscal no que diz respeito à exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins de despesas operacionais previstas na legislação aplicável às instituições financeiras. Isto posto, no mérito, veremos que não assiste razão à recorrente. A Lei nº 9.718/98, que dispõe sobre as contribuições para o PIS/Pasep e para a Cofins, em seu art. 3º, § 6º, explicita as exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo das referidas contribuições para as instituições financeiras, seguradoras e assemelhadas, além daquelas facultadas as demais pessoas jurídicas. A recorrente alega que esse tratamento tributário diferenciado ofende ao princípio da igualdade encontrado no art. 5º, caput, da Constituição Federal, bem como o conseqüente princípio da isonomia ou igualdade tributária assegurado na Carta Magna, em seu art. 150, II.. No entanto, o referido tratamento está baseado em disposição literal de norma válida legitimamente inserida no ordenamento jurídico nacional cuja apreciação acerca de eventual inconstitucionalidade foge à alçada da autoridade administrativa de qualquer instância, não dispondo esta de competência legal para examinar tais hipóteses. Com efeito, a apreciação dessas questões achase reservada ao Poder Judiciário, pelo que qualquer discussão quanto aos aspectos de validade das normas jurídicas deve ser submetida àquele Poder. Portanto, é inócuo suscitar tais alegações na esfera administrativa, pois à autoridade administrativa é vedado desrespeitar textos legais em vigor, sob pena de responsabilidade funcional, sendo defeso a apreciação da matéria por esse órgão julgador. Para firmar esse entendimento, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009, por força do disposto no Anexo II, art. 62, caput, veda aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo Fl. 77DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900529/201120 Acórdão n.º 3801004.026 S3TE01 Fl. 78 7 internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas hipóteses de decisão vinculante do STF ou acolhida pela administração tributária. A alegação de inconstitucionalidade de lei também é objeto da abaixo transcrita súmula n° 2 do CARF, de observância obrigatória por parte de seus membros, por força do disposto no art. 72, caput, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF n° 256/2009: Súmula CARF nº 2 (D.O.U de 22/12/2009, Seção 1) O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária No mais, considerandose que em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, o que não ocorreu no caso em tela, faltando ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. No tocante ao instituto da denuncia espontânea, de que trata o art. 138 do Código Tributário Nacional, este não se aplica ao caso vertente uma vez que tratamse os débitos indevidamente compensados de tributos sujeitos a lançamento por homologação anteriormente declarados pelo contribuinte e que já se encontravam vencidos na data do pedido de compensação, sujeitos portanto aos acréscimos moratórios previstos no artigo 61, da Lei nº 9.430/96. Nesse sentido, segundo a Súmula 360 do STJ, “o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo”, mesmo que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco. Assim, voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antônio Borges Fl. 78DF CARF MF Impresso em 27/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/08/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 16682.721207/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2007, 2008
IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE.
Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizam-se como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. A ocorrência de uma operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo.
IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS.
A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta-corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo.
IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS.
A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta-corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo.
IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO.
Nos termos do § 10 e 11 do art. 7º do RIOF, há a incidência do IOF nos negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição do devedor, sendo que sua base de cálculo é o valor renegociado da dívida.
IOF. DECADÊNCIA.
O prazo decadencial para lançamento do IOF é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4º do CTN.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE.
As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento.
Recurso de Ofício Provido
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3301-002.282
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Sustentou pela Fazenda Nacional a Procuradora Indiara Arruda Almeida Serra e pela Recorrente o Advogado Luiz Felipe Gonçalves, OAB/RJ 36785. Ausente justificadamente a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro.
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
Antônio Lisboa Cardoso Relator
Andrada Márcio Canuto Natal - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira e Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente).
Nome do relator: ANTONIO LISBOA CARDOSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF Ano-calendário: 2007, 2008 IOF. RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE. Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizam-se como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. A ocorrência de uma operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta-corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma conta-corrente, devendo-se apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO. Nos termos do § 10 e 11 do art. 7º do RIOF, há a incidência do IOF nos negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição do devedor, sendo que sua base de cálculo é o valor renegociado da dívida. IOF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento do IOF é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4º do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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RECURSOS CONTABILIZADOS EM ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. POSSIBILIDADE. Não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital (AFAC), o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente caracterizamse como uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. A ocorrência de uma operação de crédito, para fins de incidência do IOF, independe da formalização de um contrato de mútuo. IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 12 07 /2 01 1- 91 Fl. 987DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 988 2 Nos termos do § 10 e 11 do art. 7º do RIOF, há a incidência do IOF nos negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição do devedor, sendo que sua base de cálculo é o valor renegociado da dívida. IOF. DECADÊNCIA. O prazo decadencial para lançamento do IOF é de 5 anos contados da ocorrência do fato gerador nos termos do art. 150, § 4º do CTN. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. POSSIBILIDADE. As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. Recurso de Ofício Provido Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento, pelo voto de qualidade, em dar provimento ao recurso de ofício. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator), Fábia Regina Freitas e Adriana Oliveira e Ribeiro. Por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Antônio Lisboa Cardoso (relator) e Fábia Regina Freitas. Designado redator o Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Sustentou pela Fazenda Nacional a Procuradora Indiara Arruda Almeida Serra e pela Recorrente o Advogado Luiz Felipe Gonçalves, OAB/RJ 36785. Ausente justificadamente a Conselheira Maria Teresa Martinez Lopez, que foi substituída pela Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro. Rodrigo da Costa Pôssas Presidente Antônio Lisboa Cardoso Relator ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Moraes, Antônio Lisboa Cardoso (relator), Andrada Marcio Canuto Natal, Fabia Regina Freitas, Adriana Oliveira e Ribeiro e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente). Fl. 988DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 989 3 Relatório Cuidase de recursos de ofício e voluntário em face da decisão da DRJ/RJ que exonerou parcialmente o crédito tributário referente ao IOF apurado nos anoscalendários de 2007 e 2008, envolvendo as operações sobre “Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFC” cujas operações foram equiparadas a negócio de mútuo, conforme sintetiza a ementa a seguir reproduzida: Acórdão 12049.093 15ª Turma da DRJ/RJ1 Sessão de 27 de agosto de 2012 Processo 16682.721207/201191 Interessado GLOBO COMUNICAÇÃO E PARTICIPAÇÕES S/A CNPJ/CPF 27.865.757/000102 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2007, 2008 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO DOS RECURSOS APÓS O PRAZO ESTABELECIDO NO PARECER NORMATIVO CST Nº 17/1984. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. IMPOSSIBILIDADE. A legislação do IOF não prevê nenhuma hipótese em que os adiantamentos para futuro aumento de capital sejam equiparados a negócios de mútuo, por decurso de prazo para capitalização dos recursos. A fixação de um limite de 120 dias para a aprovação do aumento de capital, com base no Parecer Normativo CST nº 7/1984, é descabida, posto que o referido ato não guarda pertinência com o tributo em causa. IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO FRUSTRADA. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. Frustrada a capitalização dos recursos originados de adiantamento para futuro aumento de capital, fica caracterizada a existência de um mútuo de recursos financeiros, sujeito à incidência do IOF. Fl. 989DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 990 4 IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS. A utilização de uma rubrica contábil com a finalidade de pagamento de despesas de empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS. A utilização de uma rubrica contábil para registrar transferências de recursos entre empresas ligadas, sem contrato formal de mútuo, caracteriza a existência de uma contacorrente, devendose apurar o IOF devido segundo as regras próprias das operações de crédito rotativo. IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO. A assunção de uma dívida de mútuo, quando consentida expressamente pelo credor, equivale a uma renegociação do crédito, com substituição do devedor original, operação esta sujeita à incidência do IOF. Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. A decisão recorrida tratou das questões discutidas no presente processo da seguinte forma: 1 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO DOS RECURSOS APÓS O PRAZO ESTABELECIDO NO PARECER NORMATIVO CST Nº 17/1984. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO. IMPOSSIBILIDADE “Conforme relatado anteriormente, a Fiscalização entendeu que os Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital AFAC realizados em favor das empresas DISTEL HOLDING S/A, DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A, EDITORA GLOBO S/A, GET EMPREENDIMENTOS TEMÁTICOS LTDA, GLB PARTICIPAÇÕES LTDA, GLOBO CABO PARTICIPAÇÕES S/A, INTERPRO INTERNATIONAL PROMOTIONS LTDA e SIGEM SISTEMA GLOBO DE EDIÇÕES MUSICAIS estariam sujeitos à incidência de IOF. A Interessada contesta a exigência, alegando que, na condição de pessoa jurídica nãofinanceira, só estaria obrigada a recolher IOF sobre operações de mútuo (art. 13 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999), hipótese que não se aplicaria aos AFAC’s aqui examinados. O Auditor Fiscal autuante, por sua vez, defendeu a incidência de IOF sobre os AFAC’s realizados pela Interessada, sob a justificativa de que as respectivas capitalizações Fl. 990DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 991 5 só ocorreram depois do prazo máximo de 120 dias estabelecido pelo Parecer Normativo CST nº 17, de 20/08/1984, sendo que, numa das empresas, o aumento de capital sequer se concretizou. 2 IOF. ADIANTAMENTO PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL. CAPITALIZAÇÃO FRUSTRADA. EQUIPARAÇÃO A NEGÓCIO DE MÚTUO Segundo consta da decisão recorrida, “Resta examinar o caso do AFAC efetuado na empresa DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A. Com base nos documentos acostados aos autos, verificase que a referida sociedade sofreu cisão total em 15/07/2008, sendo que uma parte do seu patrimônio foi vertida para a empresa DISTEL HOLDING S.A. e a outra parte, para a própria Interessada (docs. fls. 721/754). Especificamente em relação à conta de passivo “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – Globo Comunicação e Participações S/A”, o balançobase da cisão indica que a DISTEL HOLDING S.A. ficou com uma parcela da referida rubrica, no valor de R$1.241.500,99 (fl. 739), enquanto que a Interessada ficou com a parcela restante, no valor de R$861.255,32 (fl. 737). 3 IOF. ADIANTAMENTOS EFETUADOS PARA EMPRESAS LIGADAS COM A FINALIDADE DE PAGAMENTOS DE DESPESAS “Com relação aos adiantamentos realizados em favor das empresas GLB PARTICIPAÇÕES LTDA, TT2 TELECOMUNICAÇÕES LTDA e TEMPARQUE S/A, a Interessada limitase a questionar a forma de apuração do imposto. Alega, no caso em apreço, que as importâncias adiantadas às referidas empresas não poderiam ser tributadas como operações de crédito rotativo, uma vez que tinham valor certo e definido. 4 Da Dívida Assumida pela POWER COMPANY “Com relação a este item, a Fiscalização entendeu que o contrato de assunção de dívida pactuado entre as empresas POWER COMPANY S.A. (“assuntora”) e WORLDWIDE FINANCIAL TRADING LTD (“devedora”), com anuência da Interessada (“credora”), estaria sujeito à incidência do IOF. A impugnante questiona a cobrança de imposto sobre a referida operação, alegando que a assunção de dívida não envolveu transferência de recursos financeiros, requisito indispensável para a caracterização do mútuo. 5 IOF. MÚTUOS PACTUADOS VERBALMENTE ENTRE EMPRESAS LIGADAS “Com relação aos contratos verbais de mútuo, realizados com as empresas GB EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A, UGB PARTICIPAÇÕES S/A, GLOBOPAR OVERSEAS LTD e TELECINE PROGRAMAÇÃO DE FILMES LTDA, a Interessada questiona, basicamente, o critério de apuração do imposto. Afirma que os Fl. 991DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 992 6 empréstimos não poderiam ser tributados como operações de crédito rotativo, posto que os recursos possuíam valores certos e definidos. Também aqui, a impugnante não trouxe nenhuma prova de que os valores disponibilizados através das contas “133200528 GB EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES S/A”, “133200576 UGB PARTICIPAÇÕES S/A”, “133200539 GLOBOPAROVERSEAS LTD” e “133200573 TELECINE PROGRAMAÇÃO DE FILMES LTDA” eram oriundos de operações de crédito fixo. 6 IOF. ASSUNÇÃO DE DÍVIDA DE MÚTUO “Por fim, referindose especificamente ao mútuo realizado com a empresa GLOBOPAR OVERSEAS LTD, a Interessada sustenta a improcedência da cobrança do IOF, sob a alegação de que a mutuária teria domicílio no exterior, estando, portanto, fora do alcance da legislação tributária brasileira. Com relação a este último ponto, não assiste razão à impugnante. O fato de a mutuária possuir domicílio no estrangeiro não afasta a incidência do IOF. Afinal, conforme explicado anteriormente, a responsabilidade pelo pagamento do imposto é da mutuante (pessoa jurídica que concede o crédito), e não da mutuária.” 7 Das Conclusões Por fim, considerou recorrida que “À vista de todo o exposto, concluo pela manutenção parcial da exigência, no sentido de reduzir o IOF devido de R$ 21.359.348,69 para R$ 1.351.606,90 (cfr. ANEXOS XX a XLIV), valor este sujeito à incidência de multa de ofício de 75% e juros de mora, na forma da legislação vigente.” A Recorrente foi cientificada em 03/01/2013 (às 13:41h), através do eCAC (cf. certificação às fls. 838), interpondo o recurso voluntário de fls. 851/890 em 09/01/2013 (cf. despacho fl. 855), onde reitera as alegações constantes de sua impugnação, e requer a reforma da decisão recorrida na parte em que lhe foi desfavorável. Do Fato Gerador do IOF Incidente sobre Operações de Crédito Realizadas por Pessoas Jurídicas não Financeiras Aduz que existem quatro hipóteses distintas de incidência de IOF: (i) operações de crédito, (ii) operações de câmbio, (iii) operações de seguro, e (iv) operações relativas a títulos ou valores mobiliários. Em relação às operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras e que não tenham por objeto a atividade de factoring, a cobrança do IOF na modalidade crédito tem por base o art. 13, da Lei nº 9.779/99, prevendo a incidência do imposto apenas sobre “operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física”. De forma que, apenas estariam sujeitas ao IOF as operações de crédito realizadas por pessoas jurídicas não financeiras que se qualifiquem como mútuo, qualquer outra operação realizada por pessoa jurídica não financeira, ainda que se qualifique como de Fl. 992DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 993 7 crédito, não estará sujeita à incidência do IOF se não se qualificar também como mútuo, na forma conceituada no art. 586, do Código Civil, sendo um de seus elementos essenciais “a obrigação do mutuário de restituir ao mutuante coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade”, não estando presente esse requisito não estará caracterizado o mútuo. Da não Incidência de IOF sobre o AFAC A decisão de primeira instância reconheceu que, considerou que o IOF somente incide sobre mútuos e que, em tese, os AFAC´s com eles não se confundem, especialmente por inexistir norma determinando um prazo especifico para a capitalização dos AFAC, cancelando, por isso, a exigência sobre aqueles que já haviam sido capitalizados (objeto do recurso de ofício), requerendo o desprovimento do recurso de ofício. Em favor da decisão recorrida, cita o Acórdão nº 20180220, de 25/04/2007. Em relação aos AFAC não capitalizados, a despeito disso, não os transforma em mútuo, já que este caracterizase pelo fato da obrigatoriedade do beneficiário restituilos, vez que não houve prévia pactuação entre as partes para sua posterior restituição entre a Recorrente e a DTH, sendo improcedente a exigência de IOF sobre os valores objeto dos AFAC realizados pela Recorrente. Da não Incidência de IOF sobre Adiantamentos de Despesas (alega também Decadência) Diz que o fato gerador do IOF é a única e exclusiva entrega dos recursos mutuados (art. 13, inciso I, da Lei 9.779/99), o que não ocorre quando uma pessoa jurídica apenas paga despesas em nome de outra, por não haver obrigação de haver a sua restituição. Ademais disso, afirma que a maior parte desses adiantamentos se deram antes de 29.12.2006, pelo que ainda que houvesse incidência de IOF, estando decadente qualquer pretensão de exigência, vez que o auto de infração se deu em 29.12.2011. Da Improcedência da Exigência do IOF sobre Valores Objeto de Contratos Verbais de Mútuo com Empresas Ligadas (também por Decadência) Ainda que houvesse incidência de IOF sobre os valores objeto de contratos verbais com empresas coligadas, estaria decaída a pretensão da exigência sobre os fatos ocorridos anteriormente a 29.12.2006 (vez que a lavratura do Auto de infração se deu em 29.12.2011), e sobre a suposta parte exigível (não decaída) deveria ser aplicada as regras aplicáveis aos créditos fixos, “uma vez que os valores mutuados têm valor certo e definido”. Da Improcedência da Exigência do IOF sobre Valores Objeto de Assunção de Dívida Ocorrida no Exterior Alega que, em se tratando de operações realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, o IOF somente seria devido se a nova obrigação surgida com a alteração do devedor pudesse se classificar como mútuo de recursos financeiros, o que pressuporia a entrega de recursos financeiros ao novo devedor, o que no caso da assunção de dívida da Fl. 993DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 994 8 WORLDWIDE pela POWER COMPANY, não ocorreu, recurso indispensável para a própria caracterização do mútuo. Exigência de Juros sobre a multa de ofício Contesta, por fim, a exigência de juros sobre a multa de ofício, por entender que implicaria em penalidade indireta, majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora da exigência da multa. Em favor de sua tese cita o Resp nº 243.239/SC (STJ, de Relatoria do Min. Humberto Gomes de Barros, DJ 11.12.2000, p. 176), com a seguinte ementa: TRIBUTÁRIO MULTA MORATÓRIA DISPENSA CTN, ART. 138 DISTINÇÃO ENTRE MULTA PUNITIVA E REMUNERATÓRIA INEXISTÊNCIA I O Art. 138 do CTN não permite a distinção entre multa punitiva e remuneratória, até porque "não disciplina o CTN as sanções fiscais de modo a extremálas em punitivas ou moratórias, apenas exige sua legalidade." (STF RE 79.625). II A multa moratória foi concebida como forma de punir o atraso no cumprimento das obrigações fiscais, tornandoo oneroso. Seu escopo final é intimidar o contribuinte, prevenindo sua mora. Inegável sua natureza punitiva. O ressarcimento pelo atraso fica por conta dos juros e eventual correção monetária. Nro. Registro: 1999/01184622 RESP 00243239/SC PAUTA: 24/10/2000 JULGADO: 24/10/2000 Rel. Ministro HUMBERTO GOMES DE BARROS). Cita ainda os Acórdãos CARF: Fl. 994DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 995 9 É o relatório. Fl. 995DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 996 10 Voto Vencido Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Relator Os recursos se encontram revestido das formalidades legais necessárias, inclusive quanto à tempestividade, merecendo ser conhecidos. Analiso inicialmente o recurso de ofício, relativamente aos AFAC´s (Adiantamento para Futuro Aumento de Capital), vez que a decisão recorrida considerou não haver incidência de IOF sobre tais rubricas, ainda que a capitalização dos recursos tenham ocorrido após o prazo estabelecido no Parecer Normativo CST nº 17/1984, por entender não ser possível sua equiparação ao negócio de mútuo. Em razão de estar integralmente de acordo com a decisão recorrida, especialmente pelo fato de inexistir na legislação específica do IOF qualquer disposição estabelecendo o prazo destinado à capitalização dos AFAC´s, peço vênia para adotar a seguinte fundamentação do v. voto condutor do Acórdão recorrido: Assim, a controvérsia reside, precisamente, em saber se a autoridade lançadora poderia equiparar os AFAC’s efetuados pela Interessada a contratos de mútuo, para fins de incidência do IOF. Em tese, os dois negócios não se confundem. O mútuo constitui uma espécie de empréstimo, pelo qual o mutuante transmite a propriedade de coisa móvel fungível, com a obrigação do mutuário de restituir coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade (art. 586 do Código Civil). Já o AFAC corresponde a uma importância entregue à sociedade, por seus acionistas ou quotistas, vinculada a um futuro aumento de capital. Em condições normais, esperase que o aumento de capital seja aprovado e os recursos, capitalizados. A confusão surge quando a sociedade recebedora dos recursos posterga, indefinidamente, a deliberação acerca do aumento do capital, adiando, sem motivo aparente, a capitalização do AFAC. Mesmo admitindo que o procedimento de aprovação do aumento de capital seja por vezes demorado, em razão do cumprimento de formalidades societárias, não parece razoável que o adiantamento permaneça anos a fio no passivo da sociedade tomadora dos recursos, sem que haja uma deliberação acerca de sua capitalização. O retardamento injustificado do aumento do capital autoriza supor que o AFAC tenha sido apenas a vestimenta jurídica de um maldisfarçado negócio de mútuo. Neste contexto, afigurase perfeitamente legítimo que a lei tributária estabeleça um prazo máximo para a aprovação do aumento de capital, findo o qual o AFAC passaria a ser equiparado a mútuo, para efeitos fiscais. O problema, todavia, é que não existe, na legislação do IOF, nenhuma norma neste sentido. Fl. 996DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 997 11 A tentativa de equiparação de AFAC’s a contratos de mútuo, para fins de cobrança do IOF, com base no Parecer Normativo CST nº 17, de 20/08/1984, e no Ato Declaratório Normativo CST nº 09, de 11/06/1976, é fruto, a meu ver, de uma leitura descontextualizada das referidas normas. Com efeito: — o Parecer Normativo CST nº 17, de 20/08/1984, não tem nenhuma relação com o IOF, antes sim com o imposto de renda. Para entender a motivação do referido parecer, convém lembrar que a legislação do imposto de renda tratava como hipótese de distribuição disfarçada de lucros o empréstimo de dinheiro a pessoa ligada, se a sociedade mutuante tivesse, na data do negócio, lucros acumulados ou reservas de lucros (art. 60, inciso V, do Decretolei nº 1.598, de 26/12/1977). Tal presunção era afastada quando a mutuante reconhecia, para efeito de apuração do lucro real, pelo menos o valor correspondente à correção monetária (art. 21 do Decretolei nº 2.065, de 26/10/1983). Diante da dúvida existente quanto à aplicação da referida regra aos adiantamentos para futuro aumento de capital, a Coordenação do Sistema de Tributação da Receita Federal normatizou o entendimento de que, se a capitalização não ocorresse na primeira AGE ou alteração contratual, nem viesse a ser efetivada no prazo máximo de 120 dias contados da data de encerramento do períodobase da sociedade tomadora dos recursos, o AFAC seria equiparado a um contrato de mútuo, ficando a mutuante obrigada a reconhecer a correção monetária do valor mutuado, sob pena de restar caracterizada a distribuição disfarçada de lucros. A finalidade do Parecer Normativo CST nº 17, de 20/08/1984, em última análise, era prevenir a distribuição disfarçada de lucros entre empresas ligadas, que poderia ser intentada, num ambiente inflacionário, mediante a realização de AFAC’s sem perspectiva de aprovação do aumento de capital. O referido entendimento foi parcialmente incorporado à Instrução Normativa SRF nº 127, de 08/09/1988, mas seu alcance permaneceu restrito ao imposto de renda: — “Os adiantamentos de recursos financeiros, sem remuneração ou com remuneração inferior às taxas de mercado, feitos por uma pessoa jurídica à sociedade coligada, interligada ou controlada, não configuram operação de mútuo, sujeita à observância do disposto no art. 21 do Decretolei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983, desde que: a) entre a prestadora e a beneficiária haja comprometimento, contratual e irrevogável, de que tais recursos se destinem a futuro aumento de capital; e b) o aumento de capital seja efetuado por ocasião da primeira Assembleia Geral Extraordinária ou alteração contratual, conforme o caso, que se realizar após o ingresso dos recursos na sociedade tomadora”. Com o fim da correção monetária das demonstrações financeiras, decretado pela Lei nº 9.249, de 26/12/1995, a instrução em comento deixou de ter qualquer aplicação prática, tendo a sua revogação sido expressamente reconhecida pela Instrução Normativa SRF nº 79, de 01/08/2000. Também o Ato Declaratório Normativo CST nº 09, de 11/06/1976, não possui qualquer ponto de contato com a legislação do IOF. A classificação dos adiantamentos para futuro aumento de capital como “empréstimos ativos”, determinada pelo referido ato, tinha a ver, única e exclusivamente, com o cálculo da reserva de manutenção do capital de giro próprio, matéria afeta à legislação do imposto de renda — lembrar que, em fins dos anos 1960, o Governo Federal autorizou que as empresas abatessem do lucro tributável Fl. 997DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 998 12 um montante equivalente à perda inflacionária do capital de giro próprio (art. 19 do Decretolei nº 401, de 30/12/1968, e atos posteriores). Na falta, portanto, de uma norma específica do IOF que imponha prazo limite para a capitalização dos AFAC’s, reputo improcedente a cobrança de imposto sobre os adiantamentos realizados em favor das empresas DISTEL HOLDING S/A, EDITORA GLOBO S/A, GET EMPREENDIMENTOS TEMÁTICOS LTDA, GLB PARTICIPAÇÕES LTDA, GLOBO CABO PARTICIPAÇÕES S/A, INTERPRO INTERNATIONAL PROMOTIONS LTDA e SIGEM SISTEMA GLOBO DE EDIÇÕES MUSICAIS, todos capitalizados antes do início da ação fiscal.” Assim, reputo improcedente a exigência de IOF sobre os AFAC´s, ainda que capitalizados além do prazo estabelecido pelo Parecer Normativo CST Nº 17/84 (além de 120 dias), ensejando o improvimento do recurso de ofício. Recurso Voluntário Em relação ao recurso voluntário, constam as alegações da Recorrente quanto aos AFAC´s, cuja capitalização restou frustrada, sendo que a exigência de IOF restou mantida pela decisão recorrida, por esse mesmo motivo (capitalização frustrada) conforme os seguintes fundamentos: Com relação à parcela de R$ 1.241.500,99, observase que a mesma acabou sendo capitalizada na sucessora DISTEL HOLDING S.A., em 28/11/2008, não havendo, portanto, IOF a ser exigido nesta operação. Já no que diz respeito à parcela de R$ 861.255,32, que reverteu para o patrimônio da própria Interessada, penso que aí cabe, sim, a cobrança de IOF, haja vista que o AFAC não cumpriu sua destinação, tendo funcionado como verdadeiro mútuo. Neste ponto, como argumento subsidiário de defesa, a Interessada alega existência de erro na forma de apuração do imposto. Argumenta que, se existiu de fato um negócio de mútuo, conforme entende a Fiscalização, então este mútuo só poderia ser tributado como operação de crédito fixo, nunca como crédito rotativo. O raciocínio desenvolvido pela impugnante é o seguinte: — se, nos negócios de mútuo, o mutuário é obrigado a devolver coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, então é preciso que haja uma prévia definição do valor mutuado. O que demonstraria que todo mútuo é uma operação de crédito fixo. Ora, a falha na argumentação da impugnante está na premissa implícita de que todo mútuo é tributado individualmente, como um negócio autônomo. Isto só é verdade nos casos em que o mútuo constitui uma operação única, isolada no tempo. Nas operações de crédito estruturadas em regime de contacorrente, os empréstimos são realizados de forma contínua e aleatória, à medida da necessidade do tomador dos recursos. Cada liberação constitui, em si mesma, uma operação de mútuo, mas não é tributada isoladamente. A incidência do imposto, por uma questão de técnica fiscal, se dá sobre o somatório dos valores disponibilizados em um determinado período de apuração. Fl. 998DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 999 13 Considerando que, no caso concreto, os adiantamentos de recursos foram sendo realizados de forma contínua, à semelhança do que ocorre num conta corrente, reputo correta a apuração do IOF segundo as regras do crédito rotativo. Os novos demonstrativos mensais de apuração do imposto devido, referentes ao mútuo realizado com a empresa DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A, encontramse nos ANEXOS I a XIX do presente voto.” Ora, o simples fato de não ter ocorrido integralização do capital, com a reversão dos AFAC à Recorrente, não tem o condão de transformar a natureza da operação em negócio de mútuo e o fato da Interessada manter um contacorrente com cada uma das referidas empresas, através do qual efetuava adiantamentos para fins de pagamento de despesas, não tem o condão de transformar essas operações mercantis em mútuo, inclusive pelo fato de não haver um contrato formal de mútuo com valores previamente ajustados, não devendo incidir IOF. Sobre as dívidas assumidas pela Power Companhy S.A. (“assuntora”) e Wordwide Financial Trading Ltda (“devedora”), com anuência da Interessada (“credora”), pelos mútuos pactuados verbalmente entre empresas coligadas, e ainda nas operações de assunção de dívidas de mútuo, considerou a decisão recorrida que estaria sujeito à incidência do IOF. A impugnante questiona a cobrança de imposto sobre as referidas operações, alegando que a assunção de dívida não envolveu transferência de recursos financeiros, requisito indispensável para a caracterização do mútuo. De fato, de acordo com o art. 13 da Lei nº 9.779, de 19/01/1999, só prevê a incidência de IOF sobre as operações de mútuo de recursos financeiros, não restando caracterizada a ocorrência do fato gerador do imposto, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso VI, do Decreto nº 6.306, de 14/12/2007. Decadência Consta ainda do recurso voluntário, alegação de ter ocorrido a decadência do direito de lançar em relação aos fatos geradores ocorridos anteriormente a 29/12/2006, considerando o auto de infração ter sido lavrado em 29/12/2011. Apesar da Recorrente alegar ter ocorrido exigência de IOF sobre fatos geradores ocorridos anteriormente a 29/12/2006, todavia a afirmação não procede, vez que os fatos geradores se deram nos anoscalendários 2007 e 2008, devendo ser afastada a referida preliminar de mérito. Exigência de Juros sobre a multa de ofício Contesta, por fim, a exigência de juros sobre a multa de ofício, por entender que implicaria em penalidade indireta, majoração da própria penalidade e não se pode falar em mora da exigência da multa. Esta matéria já foi apreciada por este colendo CARF (então Primeiro Conselho de Contribuintes, antes da unificação dos três conselhos), na sessão de 03/12/2003, Fl. 999DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1000 14 através do Acórdão n° 10194.441, relatora a ilustre Conselheira Sandra Maria Faroni, assim ementado: EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Acolhemse os embargos de declaração para deixar claro que, na execução do acórdão, os juros de mora à taxa Selic só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa aplicada. Sobre a multa podem incidir juros de mora à taxa de 1% ao mês, contados a partir do vencimento do prazo para impugnação. Peço vênia para tomar minhas as palavras da Conselheira Sandra Faroni, que, com muita objetividade, manifestouse a respeito da inaplicabilidade da taxa SELIC para a exigência dos juros moratórios sobre a multa de oficio: "O art. 161 do CTN determina que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, ressalvando apenas a pendência de consulta formulada dentro do prazo legal para pagamento do crédito. O § 1º do mesmo artigo determina que, se a lei não dispuser de forma diversa, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. No caso de multa por lançamento de ofício, seu vencimento dáse no prazo de 30 dias contados da ciência do auto de infração. Assim, o valor da multa lançada, se não pago no prazo de impugnação, sujeitase aos juros de mora. As disposições legais que tratam dos juros de mora são as seguintes: Lei 8.383/91 Art. 59. Os tributos e contribuições administrados pelo Departamento da Receita Federal, que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento e a juros de mora de um por cento ao mêscalendário ou fração, calculados sobre o valor do tributo ou contribuição corrigido monetariamente. Lei 8.981/95 Art. 84. Os tributos e contribuições sociais arrecadados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores vierem a ocorrer a partir de 1° de janeiro de 1995, não pagos nos prazos previstos na legislação tributária serão acrescidos de: I juros de mora, equivalentes à taxa média mensal de captação do Tesouro Nacional relativa à Dívida Mobiliária Federal Interna; Lei 9.065/95 Art. 13. A partir de 1° de abril de 1995, os juros de que tratam a alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei n°8.847, de 28 de janeiro de 1994, com a redação dada pelo art. 6° da Lei n° 8.850, de 28 de janeiro de 1994, e pelo art. 90 da Lei n° 8.981, de 1995, Fl. 1000DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1001 15 o art. 84, inciso I, e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei n° 8.981, de 1995, serão equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente. ( Obs. A alínea c do parágrafo único do art. 14 da Lei 8.847/94 e o art. 91, parágrafo único, alínea a.2, da Lei 8.981/95 referemse a juros sobre parcelamentos). Lei 9.430/96 Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Como se vê, só há dispositivo legal autorizando a cobrança de juros de mora à taxa SELIC sobre a multa no caso de lançamento de multa isolada, não porém quando ocorrer a formalização da exigência do tributo acrescida da multa proporcional. Nesse caso, só podem Incidir juros de mora à taxa de 1%, a partir do trigésimo dia da ciência do auto de infração, conforme previsto no § lodo art. 161 do CTN Pelas razões expostas, voto no sentido de acolher os embargos e reratificar o Acórdão 10193.953, de 19 de setembro de 2002, para dar provimento parcial ao recurso apenas para declarar que sobre a multa lançada não incidem juros à taxa SELIC, por falta de previsão legal, podendo incidir juros de 1% ao mês, com base no § lodo art. 161 do CTN." Conforme se vê, em que pese o assunto aparentemente ser simples, todavia não o é, nem mesmo após tantos outros acórdãos julgados sobre o assunto, conforme bem afirmou o ilustre Conselheiro Valmir Sandri, no voto condutor do Acórdão CSRF nº 9101 001.863, julgado na sessão de 30/01/2014, que apesar de entender devidos a incidência de juros à Taxa Selic sobre a multa de ofício, in verbis: Após tantos debates neste CARF, que trazem a lume aspectos nem sempre considerados, convencimento da necessidade de repensar o tema. E o revisitei, quando do julgamento do recurso objeto do processo nº 16327.001043/200914, com uma reflexão sobre o alcance dos dispositivos do Código Tributário Nacional e demais atos legais que tratam dos juros de mora. Tudo gira em torno de uma relação obrigacional, que consiste num vínculo jurídico que une duas pessoas em torno de um objeto. Quando esse objeto se traduz numa prestação em dinheiro, vista pelo lado de um dos polos da relação (o do sujeito ativo), essa prestação representa um crédito, e vista pelo lado do outro polo (o do sujeito passivo), essa prestação representa um débito. Portanto, débito e crédito são dois ângulos da mesma prestação, objeto da obrigação. Fl. 1001DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1002 16 O art. 161 e seu § 1º do CTN dispõem que o crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas em lei, e que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. A 1ª conclusão a que se chega é que sobre o crédito tributário não pago no vencimento incidem sempre juros de mora (exceto na pendência de consulta, conforme § 2º do mesmo artigo 161). A pergunta que se segue a essa conclusão é: o que é crédito tributário? O CTN não o define diretamente, mas diz, no seu art. 139. que ele “decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta”. Por seu turno, o § 1º do art. 113 do Código dispõe que “a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente”. Portanto, concretizada a situação definida em lei como necessária e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo, nasce a obrigação principal (art. 114 c.c . 113, § 1º), mas não nasce o crédito dela decorrente. Ensina Hugo de Brito Machado: “A obrigação é um primeiro momento na relação tributária. Seu conteúdo ainda não é determinado e o seu sujeito passivo ainda não está formalmente identificado. Por isso mesmo a prestação não é exigível. Já o crédito tributário é um segundo momento da relação de tributação. No dizer do CTN, ele decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta (art. 139). Surge com o lançamento, que confere à relação tributária liquidez e certeza;1 (1 Curso de Direito Tributário, 12ª edição, Malheiros, 1997, p. 87.) O crédito, que decorre da obrigação principal (ou seja, da concretização do fato gerador), surge com o lançamento, que, conforme define o art. 142 do CTN, implica identificar o sujeito passivo e calcular o montante do tributo devido e, se for o caso, aplicar a multa. Portanto, a multa de ofício proporcional decorrente do descumprimento da obrigação principal compõe o crédito tributário (é parte dele). Constituído o crédito tributário pelo lançamento, o montante a ele correspondente, sob a ótica do sujeito ocupante do polo passivo da relação obrigacional, constitui um débito para com a Fazenda.. Dispõe o artigo 61 da Lei nº 9.430/1996: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1° de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 1002DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1003 17 § 1° A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2° O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3° Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3° do art. 5°, a partir do primeiro dia se refere do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Nos termos deste artigo, a multa de ofício, se não paga do vencimento (que se dá o prazo de 30 dias da ciência do lançamento), sujeitase a juros de mora segundo a taxa Selic (§ 3° do art. 5° da Lei 9.430/96), a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Por vezes, a essa interpretação (de que expressão “débitos para com a União” contida no art. 61 da Lei 9.430/1996, alcança o tributo e a multa) é oposto o argumento de que ela implicaria concluir que os juros de mora deveriam também incidir sobre a multa de mora, o que, sabidamente, não ocorre. Contudo, o Decretolei nº 1.736, de 1979, ao dispor sobre os acréscimos moratórios incidentes sobre os débitos para com a Fazenda Nacional previu expressamente que os juros de mora não incidem sobre a multa de mora (Parágrafo único do art. 1º) e definiu, no seu artigo 3º, valor originário, como a seguir: Art. 1º Os débitos para com a Fazenda Nacional, de natureza tributária, não pagos no vencimento, serão acrescidos de multa de mora, (...) (...) Art 2º Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional serão acrescidos, na via administrativa ou judicial, de juros de mora, contados do dia seguinte ao do vencimento e à razão de 1% (um por cento) ao mês calendário, ou fração, e calculados sobre o valor originário. Parágrafo único. Os juros de mora não são passíveis de correção monetária e não incidem sobre o valor da multa de mora de que trata o artigo 1º. Art. 3º Entendese por valor originário o que corresponda ao débito, excluídas as parcelas relativas à correção monetária, juros de mora, multa de mora e ao encargo previsto no artigo 1º do Decretolei nº 1.025, de 21 de outubro de 1969, com a redação dada pelos Decretosleis nº 1.569, de 8 de agosto de 1977, e nº 1.645, de 11 de dezembro de 1978) Ou seja, o valor originário do débito, sobre o qual incidem os juros de mora, exclui a multa de mora, mas não exclui a multa de ofício. Fl. 1003DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1004 18 Portanto, nos termos da legislação transcrita, procede a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício não paga no vencimento. Conforme bem explicitado nos dois paradigmas aqui citados, não há um consenso sobre a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício aplicada, ao que parece, há concordância com a incidência sobre a multa aplicada isoladamente, mas não sobre a multa de ofício, expressam concordância sobre a incidência de juros na forma prevista no CTN, 1% ao mês, todavia, no caso concreto houve expressa aplicação da Taxa Selic sobre a totalidade do crédito constituído, pelo que entendo não ser possível determinar de ofício, a incidência de juros de mora de 1% ao mês em substituição à Selic. Diante do exposto, é de se prover o recurso também sobre este item, não devendo incidir os juros de mora à Taxa Selic sobre a multa de ofício. Em face do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a preliminar de decadência, e dar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 27 de março de 2014 Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso Fl. 1004DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1005 19 Voto Vencedor Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal Com todo respeito ao voto do Conselheiro Relator Antônio Lisboa Cardoso, ouso discordar das suas conclusões analisando o recurso de ofício e voluntário pela ordem das questões colocadas. RECURSO DE OFÍCIO A decisão da DRJ/Rio de Janeiro I resolveu cancelar o lançamento relativo a todos os adiantamentos realizados para empresas ligadas que tenham sido utilizados para aumento de capital. Para tanto entendeu que os atos normativos citados pela fiscalização, além de não estarem em vigor na data do lançamento, não se referem ao IOF e sim ao IRPJ e concluiu que não existe nenhuma norma específica do tributo IOF que imponha prazo limite para a capitalização dos AFAC. De fato tanto o Ato Declaratório Normativo CST nº 09/76 quanto o Parecer Normativo CST nº 17/84 citados na autuação não referemse ao IOF e sim ao imposto de renda, porém o que fizeram estes dois atos foi investigar a natureza do adiantamento para futuro aumento de capital e a conclusão, que na minha opinião, é válida até hoje, é que não se pode utilizar do artifício do adiantamento para futuro aumento de capital para descaracterizar a verdadeira natureza da operação realizada. A fiscalização efetuou a seguinte constatação a respeito dos AFAC (TVF fl. 276): (...) “A tabela abaixo apresenta os aportes de recursos efetuados pelo contribuinte nas contas contábeis representativas dos Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital. Pela análise destas contas constatamos ser prática da empresa disponibilizar recursos para as empresas ligadas de forma sistemática, a título de AFAC, e só integralizar ao capital social o referido adiantamento dois, três ou até quatro anos depois.” (...) Ressaltese que este procedimento não é controverso. Está comprovado e não foi objeto de contestação por parte da recorrente. A recorrente fazia aporte de recursos financeiros às empresas ligadas e contabilizava como adiantamento para futuro aumento de capital. Estes recursos ficaram um longo tempo (dois a quatro anos) contabilizados como investimento, sendo que nas operações para aumento de capital o normal é que a empresa investida providencie a transferência de ações ou quotas de capital, para a investidora, na primeira oportunidade, obedecendo somente os trâmites burocráticos para esta ação, o que em hipótese alguma seria razoável aguardar anos para que se concretize. Da forma que a operação foi realizada está demonstrado que houve o aporte de recursos financeiros, para atender necessidades de caixa das empresas ligadas, sem compromisso de data ou prazo para a Fl. 1005DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1006 20 capitalização. Não havendo este compromisso, a operação realizada revestese de mútuo e deveria ter sido contabilizada como tal. A decisão recorrida entendeu que como houve a capitalização estaria afastada a realização da operação de mútuo. Entendendo desta forma, somente poderia se considerar as operações de mútuo a depender de evento futuro e incerto sob o domínio do sujeito passivo. Somente a título exemplificativo, se invés de capitalização, os recursos contabilizados como AFAC tivessem sido devolvidos ao investidor em espécie, porém decorridos mais de cinco anos da data do fato gerador. O que seria então? AFAC não seria pois não foi capitalizado. Seria mútuo, mas a sua caracterização somente veio a acontecer em evento futuro, quando não mais possível a exigência do IOF. Assim o fato gerador do IOF não pode ser dependente de evento futuro. Assim, não estando demonstrado que os recursos repassados representavam realmente um pagamento antecipado para aquisição de ações ou quotas de capital, o aporte de recursos financeiros efetuados sistematicamente correspondem a uma operação de crédito correspondente a mútuo, nos exatos termos da configuração do fato gerador do IOF, previsto no art. 13 da Lei nº 9.779/99. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. § 1o Considerase ocorrido o fato gerador do IOF, na hipótese deste artigo, na data da concessão do crédito. § 2o Responsável pela cobrança e recolhimento do IOF de que trata este artigo é a pessoa jurídica que conceder o crédito. § 3o O imposto cobrado na hipótese deste artigo deverá ser recolhido até o terceiro dia útil da semana subseqüente à da ocorrência do fato gerador. Também não concordo com a decisão recorrida quando afirma que não existe norma específica do tributo IOF que imponha prazo limite para a capitalização das AFAC. Não cabe à norma tributária estabelecer regras de cunho societário. Não podemos é admitir que alguém adquira um bem ou direito (ações) sem definição de sua quantidade e nem o prazo de sua entrega. Não se pode conceber uma operação de aquisição ou investimento sem estas características. Agindo desta forma, o que a recorrente estava fazendo era a efetivação de aporte de recursos financeiros às coligadas e controladas, para atender esta necessidade e, se for o caso, num futuro não definido receber de volta em ações ou em dinheiro. O normal seria, fazer o aporte de recursos e receber de imediato a realização do seu objeto que é o aumento do capital social. De acordo com o art. 13 da Lei 9779/99 o que se tributa são as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros. De fato, esta tributação não pode ficar à dependência do contribuinte em fazer ou não um contrato específico de mútuo. Se fizer o Fl. 1006DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1007 21 aporte de recursos financeiros com contrato de mútuo, seria tributado pelo IOF, ao contrário, se fizer o mesmo aporte, sem determinar a devolução em dinheiro, não seria tributado. Entendo que se fizer o aporte financeiro, dependente de evento futuro e incerto, caracterizase como mútuo, independente da forma como ele tenha sido quitado, se em dinheiro, ações, ou outro bem. O contribuinte cita jurisprudência administrativa que conclui pela falta de amparo legal para o lançamento de IOF sobre adiantamento para futuro aumento de capital. De fato não existe a incidência do IOF sobre os AFAC. Não é este o objeto de discussão. A fiscalização efetuou a exigência do IOF sobre operações de crédito correspondentes a mútuo cuidando de descaracterizar a operação realizada como sendo de adiantamento para futuro aumento de capital. Podemos citar as seguintes decisões deste CARF que concluem no mesmo sentido, ressaltando que o importante é a caracterização correta da operação efetuada. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS – IOF Anocalendário: 2004, 2005 AQUISIÇÃO DE ATIVOS PARA LOCAÇÃO AO VENDEDOR. SALE LEASE BACK. RECURSOS APLICADOS. ADIANTAMENTO. CONDUTA ATÍPICA. MÚTUO. CARACTERIZAÇÃO. INCIDÊNCIA. Ainda que a transação conhecida por Sale Lease Back, identificada pela aquisição de ativos para imediata locação pelo comprador ao vendedor, seja uma forma de financiamento do capital de giro não compreendida entre as hipóteses de incidência do Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou Relativas a Títulos e Valores Mobiliários – IOF, a identificação de uma conduta atípica na operacionalização do negócio, mediante adiantamento de valores expressivos somente muito mais tarde empregados no objeto avençado, caracteriza operação de crédito (mútuo) para fins de incidência do Imposto. (Destaquei) Recurso de Ofício Provido.(Acórdão nº 3102001764, Processo nº 12898.001181/200960, Conselheiro Relator Ricardo Paulo Rosa) ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2006 DECADÊNCIA. Na hipótese em que o pagamento deixa de ser efetuado no prazo legal, a possibilidade de promover o correspondente lançamento Fl. 1007DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1008 22 de oficio extinguese após decorridos cinco anos do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que tal lançamento poderia ser efetuado. Aplicação do art. 62A do RICARF e da orientação jurisprudencial assentada no REsp 973.733SC, submetido ao art. 543C do CPC. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Período de apuração: 31/01/2004 a 30/11/2006 Operações de Crédito entre Pessoas Jurídicas. Restando demonstrado, a partir dos elementos carreados ao processo, que a intenção dos contratantes era a realização de operação de credito correspondente a mútuo de recursos financeiros, correta é a incidência do IOF sobre tais operações. (Destaquei) Recurso Voluntário Negado (Acórdão nº 3102000.988, de 04/05/2011, Processo nº 10510.003050/200999. Conselheiro Relator Luis Marcelo Guerra de Castro) Desta forma, voto por dar provimento ao recurso de ofício, para restabelecer a exigência tributária constante do auto de infração. RECURSO VOLUNTÁRIO DECADÊNCIA O contribuinte desde a sua impugnação alega a decadência dos fatos geradores ocorridos antes de 29/12/2006. Não existe fato gerador tributado nesta lançamento anterior a 29/12/2006. Como pode se constatar do auto de infração, fls. 652/653, os fatos geradores do presente lançamento vão de 31/01/2007 a 31/12/2008. Assim dispõe o art. 150, § 4º a respeito da decadência: Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, Fl. 1008DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1009 23 considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. Nesta condição o fato gerador mais antigo, 31/01/2007, só viria a decair em 31/01/2012, cinco anos contados do fato gerador. Como o lançamento foi efetuado em 29/12/2011, não houve o transcurso do prazo decadencial. Portanto não há nem necessidade de perscrutar se houve ou não a antecipação de pagamento, o que poderia transferir o início do prazo decadencial para a regra prevista no art. 173, inc. I do CTN. Diante do exposto, voto por afastar a preliminar de decadência. MÉRITO Antes de adentrar ao mérito de cada uma das operações objeto do recurso voluntário, registro que nos termos do art. 13 da Lei nº 9.779/99, anteriormente transcrito, o IOF incide sobre as operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros e sua incidência não está condicionada à existência de contrato de mútuo, como defende a recorrente. Ele incide sobre a operação de crédito correspondente a mútuo, independente da existência de contrato formalizado de empréstimo de recursos financeiros. Fosse assim, sua incidência estaria sempre dependente da vontade do sujeito passivo da incidência tributária, o que seria inadmissível do ponto de vista jurídico. Neste sentido, assim decidiu o STJ no RESP nº 1.239.101/RJ, cuja ementa transcrevo abaixo: TRIBUTÁRIO. IOF. TRIBUTAÇÃO DAS OPERAÇÕES DE CRÉDITO CORRESPONDENTES A MÚTUO DE RECURSOS FINANCEIROS ENTRE PESSOAS JURÍDICAS. ART. 13, DA LEI N. 9.779/99. 1. O art. 13, da Lei n. 9.779/99 caracteriza como fato gerador do IOF a ocorrência de "operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas" e não a específica operação de mútuo. Sendo assim, no contexto do fato gerador do tributo devem ser compreendidas também as operações realizadas ao abrigo de contrato de conta corrente entre empresas coligadas com a previsão de concessão de crédito. (Destaquei) 2. Recurso especial não provido. DO AFAC REALIZADO NA EMPRESA DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A No caso, a empresa DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A sofreu cisão total em 15/07/2008, sendo que uma parte de seu patrimônio foi vertida para empresa DISTEL HOLDING S.A e a outra parte para a própria recorrente. Desta forma, assim ficou dividida a destinação da conta “Adiantamento para Futuro Aumento de Capital – Globo Comunicações e Participações S/A”: o valor de R$ 1.241.500,99 para a Distel e R$ 861.255,32 para a recorrente. A decisão recorrida considerou não tributável o primeiro valor pois teria sido Fl. 1009DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1010 24 capitalizada na Distel Holding S/A e tributável o segundo valor pois foi devolvido para a recorrente não configurando portanto o AFAC. Entendo que aqui está caracterizada uma contradição da decisão recorrida ao decidir como não tributável ou como tributável parte de valores que vieram de uma mesma origem. Como já dito anteriormente o fato gerador do tributo não pode ficar a mercê do que acontecerá no futuro. Aqui não vejo saída, ou se tributa pelo IOF toda a operação ou não se tributa nada. Ou se considera desde a origem que a operação é um adiantamento para futuro aumento de capital e neste caso não há incidência do IOF, ou se considera que desde o início houve aporte de recursos financeiros caracterizados como operação de crédito correspondente a mútuo e, neste caso, sem dúvida com incidência do IOF. Entendo que não há como classificar de forma diferente a mesma operação. No caso os recursos financeiros disponibilizados à DTH COMÉRCIO E PARTICIPAÇÕES S/A e registrados em conta de AFAC, têm as mesmas características das operações analisadas no âmbito do recurso de ofício e pelos mesmos fundamentos já alinhavados anteriormente devem ter a sua tributação mantida. O contribuinte argumenta ainda que, mesmo se houvesse a incidência do IOF esta deveria darse na sistemática do crédito fixo e não no crédito rotativo. A este respeito assim dispõe o art. 7º do Decreto nº 6.306/2007 (RIOF): Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: (...) b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: (...) No caso a fiscalização adotou a regra da alínea “a” (crédito rotativo) para apuração do IOF e o contribuinte defende a aplicação da alínea “b” (crédito fixo). Reputo correta a apuração efetuada pela fiscalização. De acordo com o termo de verificação fiscal foi constatado que a empresa disponibilizava recursos para as empresas ligadas de forma sistemática. Portanto não há que falar em valor de principal, pois ele é desconhecido ante a ausência de contrato formal de mútuo, ou seja, são operações de crédito em que o valor do principal é desconhecido e muito menos se havia parcelamentos no seu desembolso. Fl. 1010DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1011 25 Neste tópico também fica afastada a tese de decadência apontada pelo contribuinte para os recursos disponibilizados antes de 29/12/2006, pois, no caso o fato gerador e a base de cálculo não são definidas pela data da disponibilidade dos recursos e sim pelo somatório dos saldos devedores diários, conforme apurado pela fiscalização. DOS ADIANTAMENTOS PARA PAGAMENTO DE DESPESAS Quando do atendimento às intimações efetuadas pela fiscalização o recorrente confirmou que os valores constantes das conta contábeis “133200530 – GLB PARTICIPAÇÕES LTDA”, “133200574 – TT2 TELECOMUNICAÇÕES LTDA” e “133200599 – TEMPARQUE S/A” referiamse a adiantamento para pagamento de despesas destas empresas ligadas. Na mesma oportunidade afirmou que não estão sujeitas à incidência do IOF, por não se enquadrarem como contratos de mútuo. Mantido o lançamento pela decisão recorrida, o contribuinte, em seu recurso voluntário, afirma que o disposto no inciso VII do § 1º do art. 3º do Decreto nº 6.306/2007 (RIOF – Regulamento do IOF), só seria aplicável ao IOF devido pelas instituições financeiras, pois, no caso das pessoas jurídicas não financeiras, o fato gerador do IOF seria única e exclusivamente a entrega de recursos mutuados, o que não ocorre quando ela apenas paga despesas em nome de outra. Afirma ainda que, neste caso, não haveria o pressuposto legal que caracteriza o mútuo que seria a obrigação de restituir o respectivo valor. Não há como concordar com este argumento. O adiantamento para pagamento de despesas são aportes financeiros efetuados às empresas ligadas e tem exatamente a mesma configuração de operação de crédito correspondente a mútuo de que trata o art. 13 da Lei nº 9.779/99, já transcrito. Por sua vez, não tem razão o contribuinte ao alegar que o inciso VII do § 1º do art. 3º do RIOF só se aplicaria a pessoas jurídicas financeiras. Veja abaixo o conteúdo do citado ato legal: Art. 2o O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei no 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1o); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à Fl. 1011DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1012 26 disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. § 2o O débito de encargos, exceto na hipótese do § 12 do art. 7o, não configura entrega ou colocação de recursos à disposição do interessado. § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei no 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1o, inciso I); II alienação, à empresa que exercer as atividades de factoring, de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo (Lei no 9.532, de 1997, art. 58); III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Como visto a tese do contribuinte é que para existir a incidência do IOF há que necessariamente existir um contrato de mútuo. Esta questão já foi enfrentada na análise do Fl. 1012DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1013 27 recurso de ofício e devem ser mantidos os mesmos fundamentos lá abordados. Nada da leitura do inc. VII do § 1º acima transcrito nos leva à conclusão de que ele só seria aplicado às pessoas jurídicas financeiras. Observe que no art. 2º, inc. I, “c” há o comando legal da incidência do IOF sobre operações de crédito realizadas por pessoas jurídicas não financeiras, que é exatamente o presente caso. Já o inciso VII vem justamente definir o fato gerador naquelas operações que, por sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. É justamente o caso do adiantamento para pagamento de despesas. Também não se sustenta o argumento do contribuinte de que não se trataria de operações de mútuo pois no caso não haveria a obrigação de restituir o respectivo valor, o que seria pressuposto legal para caracterizar a operação como mútuo. No caso estas operações foram registradas em contas do ativo, representando naturalmente um direito do contribuinte e uma obrigação por parte das referidas empresas. Portanto são operações que tem a natureza de operação de crédito, conforme definido no citado inc. VII do § 1º do art. 3º do RIOF. O contribuinte argumenta ainda que, mesmo se houvesse a incidência do IOF esta deveria darse na sistemática do crédito fixo e não no crédito rotativo. Aqui valem as mesmas conclusões adotadas no tópico anterior, ante a inexistência de valor do principal, está correta a apuração efetuada nos termos do disposto na alínea “a” do inciso I do art. 7º do RIOF já transcrito. Da mesma forma fica afastada a tese de decadência apontada pelo contribuinte para os recursos disponibilizados antes de 29/12/2006, pois, no caso o fato gerador e a base de cálculo não são definidas pela data da disponibilidade dos recursos e sim pelo somatório dos saldos devedores diários, conforme apurado pela fiscalização. CONTRATOS DE MÚTUO PACTUADOS VERBALMENTE Contratos verbais têm o mesmo efeito de um contrato formal para fins de incidência do IOF, conforme já explanado nos itens anteriores. Aqui no presente caso o contribuinte não nega a existência do contrato verbal. Porém defende que o IOF deveria ter sido calculado segundo as regras aplicáveis aos créditos fixos e não na sistemática do crédito rotativo, o que implicaria na decadência do lançamento, pois os créditos teriam sido disponibilizados em data anterior a 29/12/2006. Conforme já analisado nos dois tópicos anteriores, reputo correta a apuração efetuada pela fiscalização. De acordo com o termo de verificação fiscal foi constatado que a empresa disponibilizava recursos para as empresas ligadas de forma sistemática. Portanto não há que falar em valor de principal, pois ele é desconhecido ante a ausência de contrato formal de mútuo, ou seja, são operações de crédito em que o valor do principal é desconhecido e muito menos se havia parcelamentos no seu desembolso. Neste tópico também fica afastada a tese de decadência apontada pelo contribuinte para os recursos disponibilizados antes de 29/11/2006, pois, no caso o fato gerador e a base de cálculo não são definidas pela data da disponibilidade dos recursos e sim pelo somatório dos saldos devedores diários, conforme apurado pela fiscalização. CONTRATO DE CESSÃO DE CRÉDITO Com relação a este item, a Fiscalização entendeu que o contrato de assunção de dívida pactuado entre as empresas POWER COMPANY S.A. (“assuntora”) e Fl. 1013DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1014 28 WORLDWIDE FINANCIAL TRADING LTD (“devedora”), com anuência da Interessada (“credora”), estaria sujeito à incidência do IOF. A recorrente questiona a cobrança de imposto sobre a referida operação, alegando que a assunção de dívida não envolveu transferência de recursos financeiros, requisito indispensável para a caracterização do mútuo. Pondera, ainda, a Interessada que as eventuais obrigações tributárias decorrentes do contrato de assunção de dívida estariam fora do alcance da legislação brasileira, em razão de as partes contratantes serem domiciliadas no exterior. Invoca, no caso em questão, as disposições sobre vigência espacial das normas jurídicas em geral, constantes da Lei de Introdução do Código Civil (“Art. 9° Para qualificar e reger as obrigações, aplicarseá a lei do país em que se constituírem. ... § 2º A obrigação resultante do contrato reputase constituída no local em que residir o proponente). O lançamento fiscal está fundamentado no art. 7º, § 10 e 11 do Decreto nº 6.306/99 – RIOF, abaixo transcrito: Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): (...) § 10. No caso de novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor renegociado na operação. § 11. Nos casos dos §§ 8o, 9o e 10, a alíquota aplicável é a que estiver em vigor na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida ou negócio assemelhado. O contribuinte entende e discorre, citando doutrina, que não houve novação da dívida, pois não teria havido renegociação conforme exige o § 10, acima transcrito. Ela afirma que só houve substituição do devedor o que caracterizaria somente assunção de dívida, que não importaria em incidência do IOF. Porém não faço a mesma leitura do dispositivo acima transcrito. O § 10 trata de várias operações e conclui ainda “e negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição do devedor”. O dispositivo legal determina a incidência do IOF em diversas situações em que ocorre a substituição do devedor e determina que a base de cálculo é o valor renegociado na operação. O contribuinte afirma que não houve qualquer renegociação, porém a análise do “Instrumento Particular de Assunção de Dívida e Outras Avenças”, fls. 183/185, confirma que houve várias alterações em relação ao contrato de crédito original. Não houve somente mudança do devedor, houve também mudanças de valores, prazo de vencimento, fixação de juros, etc. Observe que a Assuntora assumiu somente parcela da dívida da Devedora. A exigência fiscal também está amparada no art. 3º, § 1º, inciso VI do RIOF, abaixo transcrito: Fl. 1014DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1015 29 Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). § 1o Entendese ocorrido o fato gerador e devido o IOF sobre operação de crédito: I na data da efetiva entrega, total ou parcial, do valor que constitua o objeto da obrigação ou sua colocação à disposição do interessado; II no momento da liberação de cada uma das parcelas, nas hipóteses de crédito sujeito, contratualmente, a liberação parcelada; III na data do adiantamento a depositante, assim considerado o saldo a descoberto em conta de depósito; IV na data do registro efetuado em conta devedora por crédito liquidado no exterior; V na data em que se verificar excesso de limite, assim entendido o saldo a descoberto ocorrido em operação de empréstimo ou financiamento, inclusive sob a forma de abertura de crédito; VI na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida e dos negócios assemelhados, observado o disposto nos §§ 7o e 10 do art. 7o; VII na data do lançamento contábil, em relação às operações e às transferências internas que não tenham classificação específica, mas que, pela sua natureza, se enquadrem como operações de crédito. Em relação ao alcance da lei tributária de incidência do IOF, entendo que o recorrente é o sujeito passivo da obrigação tributária, figurando no contrato como interveniente e mutuante, ou seja, detentor da operação de crédito que foi tributada. Não procede a alegação de que o contrato de cessão de crédito teria sido pactuado somente por pessoas jurídicas não domiciliadas no país. No caso a recorrente, detentora do crédito, é a responsável legal pela cobrança e recolhimento do IOF, nos termos do § 2º do art. 13 da Lei nº 9.779/99. Esta operação somente estaria fora do campo de incidência do IOF, caso o mutuante não tivesse domicílio no país, nos exatos termos previsto no § 2º do art. 2º do RIOF. DOS JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO Esta matéria estaria preclusa, nos termos dos art. 16 e 17 do Decreto nº 70.235/72, pois não fora objeto da impugnação submetida a julgamento pela DRJ. Porém, considerando que o contribuinte só toma conhecimento da exigência por ocasião da emissão da carta de cobrança utilizada para ciência da decisão da DRJ, entendo que ela deva ser conhecida Fl. 1015DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1016 30 em nome do princípio do direito à ampla defesa no processo administrativo (art. 5º, inc. LV da CF). De acordo com o art. 161 do CTN, o crédito tributário não pago no vencimento deve ser acrescido de juros de mora, qualquer que seja o motivo da sua falta. Dispõe ainda em seu parágrafo primeiro que, se a lei não dispuser de modo diverso, os juros serão cobrados à taxa de 1% ao mês. De forma que o art 61 da Lei nº 9.430/96 determinou que, a partir de janeiro/97, os débitos vencidos com a União serão acrescidos de juros de mora calculados pela taxa Selic quando não pagos nos prazos previstos na legislação tributária, até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Entendo que os débitos a que se refere o art. 61 da Lei nº 9.430/96 correspondem ao crédito tributário de que dispõe o art. 161 do CTN. O art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação tributária e tem a mesma natureza desta. Já o art. 113, parágrafo primeiro, do mesmo diploma legal, define que a obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. Assim, se o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta, necessariamente deve abranger o tributo e a penalidade pecuniária. A multa de ofício aplicada ao presente lançamento está prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96 que prevê expressamente a sua exigência juntamente com o tributo devido. Ao constituir o crédito tributário pelo lançamento de ofício, ao tributo somase a multa de ofício, tendo ambos a natureza de obrigação tributária principal, devendo incidir os juros à taxa Selic sobre a sua totalidade. Tanto é assim, que a própria Lei 9.430/96, em seu art. 43, prevê a incidência de juros Selic quando a multa de ofício é lançada de maneira isolada. Não faria sentido a incidência dos juros somente sobre a multa de ofício exigida isoladamente, pois ambas tem a mesma natureza tributária. Neste mesmo sentido, transcrevo abaixo algumas recentes decisões da CSRF: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2000 a 30/06/2000 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. (CSRF, 3ª Turma, Processo nº 10835.001034/0016, Sessão de 15/08/2013, Acórdão nº 9303002400. Relator Joel Miyazaki). Fl. 1016DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 16682.721207/201191 Acórdão n.º 3301002.282 S3‐C3T1 Fl. 1017 31 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO As multas de ofício que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos, estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês do pagamento. (CSRF, 1ª Turma, Processo nº 13839.001516/200664, Sessão de 15/05/2013, Acórdão nº9101001657. Relator designado Valmir Sandri). Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso de ofício e negar provimento ao recurso voluntário. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. Fl. 1017DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assinado digitalmente em 25/08/20 14 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por ANTONIO LISBOA CARDOSO, Assi nado digitalmente em 23/07/2014 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 13603.003857/2008-08
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2008
COFINS. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DO REGIME JURÍDICO.
O regime de substituição tributária para o PIS/Pasep e Cofins que vigia sob a égide da Lei nº 9.718/98, e que amparava o direito à restituição da parcela correspondente ao varejo, pela venda a consumidor final diretamente pelas distribuidoras (IN SRF 06/99), foi revogado, a partir de 01/07/2000, com a publicação da MP 1.991-15/00, que o substituiu pela sistemática da incidência monofásica, não mais subsistindo o direito à repetição.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3401-002.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2001 a 30/06/2008 COFINS. PIS/PASEP. COMBUSTÍVEIS. SUBSTITUIÇÃO TRIBUTÁRIA. ALTERAÇÃO DO REGIME JURÍDICO. O regime de substituição tributária para o PIS/Pasep e Cofins que vigia sob a égide da Lei nº 9.718/98, e que amparava o direito à restituição da parcela correspondente ao varejo, pela venda a consumidor final diretamente pelas distribuidoras (IN SRF 06/99), foi revogado, a partir de 01/07/2000, com a publicação da MP 1.99115/00, que o substituiu pela sistemática da incidência monofásica, não mais subsistindo o direito à repetição. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Robson José Bayerl, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios, Raquel Motta Brandão Minatel, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori e Cláudio Monroe Massetti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 3. 00 38 57 /2 00 8- 08Fl. 177DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Relatório Cuidase, na espécie, de pedido de ressarcimento de PIS/Pasep incidente sobre as aquisições de combustíveis por consumidor final diretamente da distribuidora, relativo ao período janeiro/2001 a junho/2008. A DRF Contagem/MG denegou o pedido aludindo à extinção do regime de substituição tributária incidente sobre os combustíveis, substituído pelo regime de tributação monofásica, vigente a partir de 01/07/2000, de modo que não mais haveria previsão legal para tal ressarcimento. O contribuinte contestou o despacho decisório aduzindo que, nada obstante a alteração do regime, a carga tributária se manteve inalterada; que a legislação que modificou aludido sistemática inobservou o art. 150, § 7º da CF/88; que houve prejuízo aos contribuintes que adquirem combustíveis diretamente das distribuidoras; que a União aufere receita de uma operação de venda “inexistente”, em verdadeiro locupletamento sem causa, que as alterações promovidas na legislação pelas MP’s 1.99115/2000 e 2.15835/2001 afrontam o art. 246 da CF/88; que o valor a ressarcir deve ser atualizado monetariamente pela taxa selic; e que as compensações aviadas não podem ser exigidas enquanto não extinta a discussão administrativa. A DRJ Belo Horizonte/MG julgou a manifestação de inconformidade improcedente com o mesmo argumento do despacho decisório. Em recurso voluntário o contribuinte, com alguma variação, reprisou os fundamentos do recurso vestibular. Na sessão de maio/2012, através da Resolução nº 340300.329, o julgamento foi convertido em diligência. Em maio/2014 o processo retornou ao CARF. É o relatório. Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos para sua admissibilidade. Defende o recorrente o direito à restituição das parcelas de PIS/Pasep incidentes sobre as aquisições de combustíveis, na condição de consumidor final, diretamente das distribuidoras, nos moldes das Leis nºs 9.715 e 9.718, ambas de 1998, mesmo após a mudança no regime tributário implementado pelo art. 15 da Medida Provisória nº 1.991/2000 (atual MP 2.15835/2001). Para melhor balizar a situação, transcrevo a legislação atinente à sistemática de tributação dos combustíveis. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13603.003857/200808 Acórdão n.º 3401002.699 S3C4T1 Fl. 11 3 Neste compasso, o art. 4º da Lei Complementar nº 70/91, relativamente à Cofins, assim dispunha: “Art. 4° A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas.” Para o PIS/Pasep, disposição semelhante foi veiculada pelo art. 6º da Medida Provisória nº 1.212/95, verbis: “Art. 6º A contribuição mensal devida pelos distribuidores de derivados de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes, na condição de substitutos dos comerciantes varejistas, será calculada sobre o menor valor, no País, constante da tabela de preços máximos fixados para venda a varejo, sem prejuízo da contribuição incidente sobre suas próprias vendas.” Posteriormente, com a edição da Lei nº 9.718/98, o tratamento tributário foi unificado neste diploma, cuja matriz era o seu art. 4º: “Art. 4º As refinarias de petróleo, relativamente às vendas que fizerem, ficam obrigadas a cobrar e a recolher, na condição de contribuintes substitutos, as contribuições a que se refere o art. 2º, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, a contribuição será calculada sobre o preço de venda da refinaria, multiplicado por quatro.” Como se observa dos textos coligidos, originariamente as distribuidoras eram substitutas tributárias dos comerciantes varejistas (substituídos), sendo que, com a superveniência da novel legislação, as refinarias de petróleo passaram a ocupar esta posição, como substitutas tributárias das distribuidoras e dos comerciantes varejistas, passando ambos à condição de substituídos. Ato contínuo, em 03/02/1999, a então Secretaria da Receita Federal baixou a instrução normativa nº 06, que, através do seu art. 6º, garantiu o direito à repetição ora vindicada nos seguintes termos: “Art. 6° Fica assegurado ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento dos valores das contribuições referidas no artigo anterior, correspondentes à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de gasolina automotiva ou óleo diesel, diretamente à distribuidora. § 1° Para efeito do ressarcimento a que se refere este artigo, a distribuidora deverá informar, destacadamente, na nota fiscal de sua emissão, a base de cálculo do valor a ser ressarcido. § 2º A base de cálculo de que trata o parágrafo anterior será determinada mediante a aplicação, sobre o preço de venda da refinaria, calculado na forma do parágrafo único do art. 2º, multiplicado por dois inteiros e dois décimos ou por um inteiro e oitenta e oito décimos, no caso de aquisição de gasolina automotiva ou de óleo diesel, respectivamente. (Redação dada pela IN SRF nº 24/99, de 25/02/1999) Fl. 179DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 § 3° O valor de cada contribuição, a ser ressarcido, será obtido mediante aplicação da alíquota respectiva sobre a base de cálculo referida no parágrafo anterior. § 4° O ressarcimento de que trata este artigo darseá mediante compensação ou restituição, observadas as normas estabelecidas no Instrução Normativa SRF n° 021, de 10 de março de 1997, vedada a aplicação do disposto nos arts. 7° a 14 desta Instrução Normativa.” Referido ato normativo ostentava a seguinte ementa: “Estabelece normas relativas à substituição tributária da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, bem assim os procedimentos para a compensação da parcela da COFINS com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL.” Resta claro, portanto, que o ato normativo sub examine tinha por escopo estabelecer normas relativas à substituição tributária nas situações que tratava, sendo o seu pressuposto a existência deste regime tributário. Na sequência, a Medida Provisória nº 1.99115/2000, com eficácia a partir de 01/07/2000, dentre outros dispositivos, modificou o art. 4º da Lei nº 9.718/98, que passou a ostentar a seguinte redação: “Art. 4o As contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e para o Financiamento da Seguridade Social COFINS devidas pelas refinarias de petróleo serão calculadas, respectivamente, com base nas seguintes alíquotas: I três inteiros e vinte e cinco centésimos por cento e quinze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolina automotiva e de gás liqüefeito de petróleo GLP; II dois inteiros e oito décimos por cento e treze por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de óleo diesel; III sessenta e cinco centésimos por cento e três por cento, incidentes sobre a receita bruta decorrente das demais atividades.” No mesmo diploma, por intermédio de seu art. 43, foram as alíquotas dos combustíveis, alhures referenciados, reduzidas a zero para as distribuidoras de combustíveis e os comerciantes varejistas: “Art. 43. Ficam reduzidas a zero as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de: I gasolina automotiva, óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas; II álcool para fins carburantes, auferida pelos comerciantes varejistas. Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica às hipóteses de venda de produtos importados, que se sujeita ao disposto no art. 6o da Lei no 9.718, de 1998, com a redação atribuída pelo art. 2o desta Medida Provisória.” Oportuna, também, a transcrição do dispositivo que determina a eficácia das normas em questão: Fl. 180DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 13603.003857/200808 Acórdão n.º 3401002.699 S3C4T1 Fl. 12 5 “Art. 46. Esta Medida Provisória entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: (...) II no que se refere à nova redação dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, e ao art. 43 desta Medida Provisória, em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1o de julho de 2000, data em que cessam os efeitos das normas constantes dos arts. 4o a 6o da Lei no 9.718, de 1998, em sua redação original, e dos arts. 4º e 5º desta Medida Provisória. (...)” Do exame dos sobreditos preceitos, concluise que a partir de 01/07/2000 houve a extinção do regime de substituição tributária e simultânea criação da incidência monofásica nas refinarias de petróleo, restando as alíquotas das operações seguintes, realizadas pelas distribuidoras e comerciantes varejistas, reduzidas a zero. A partir deste entendimento é irrefragável que a restituição prevista no art. 6º da IN SRF 06/99 foi tacitamente revogada, como conseqüência do fim do regime de substituição tributária pela MP 1.99115/00. Logo, não há mais respaldo na legislação para a repetição ora pleiteada. De outra banda, as razões de natureza econômica, como a manutenção da carga tributária ou a cobrança embutida de “operação inexistente” (operação de varejo), nas palavras do recorrente, não se prestam como argumentos válidos à sua pretensão, eis que se voltam contra a própria legislação, não cabendo, em sede contenciosa administrativa, o debate a respeito dos motivos que nortearam o legislador na elaboração das normas que compõem o sistema legal tributário, normas estas válidas e vigentes, que gozam de presunção de constitucionalidade. Por derradeiro, respeitante à alegada inconstitucionalidade da extinção do regime de substituição tributária pelas MP’s 1.99115/00 e 2.15835/2001, por ofensa ao art. 246 da CF/88, é entendimento assente neste Conselho Administrativo, inclusive com edição de súmula de jurisprudência, que às instâncias administrativas não compete se manifestar sobre o assunto, prerrogativa exclusiva do Poder Judiciário, que detém o monopólio da jurisdição. A súmula CARF nº 2 assim dispõe: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” Esta situação ficou ainda mais evidente com a edição da Lei nº 11.941/09, que, alterando o Decreto nº 70.235/72, incluiu o art. 26A, cuja redação é a seguinte: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 1o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 2o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 3o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 6 § 4o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 5o (Revogado). (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Por derradeiro, relativamente ao direito à atualização monetária sobre o indébito ora questionado, uma vez negada a procedência do pedido principal, entendo que resta prejudicado o seu exame, por tratarse de acessório. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. Robson José Bayerl Fl. 182DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/08/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/08/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
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Numero do processo: 10380.900767/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 07 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 31/03/2005
CONTRATO. PRAZO SUPERIOR A UM ANO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RECEITAS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA.
As receitas decorrentes de fornecimento de bens e serviços, mediante contrato com prazo superior a um ano a preço predeterminado sujeitam-se à contribuição para o PIS com incidência cumulativa.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 31/01/2006
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.
Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) transmitido, homologa-se a compensação do débito fiscal nele declarado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO.
Numero da decisão: 3301-001.154
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: José Adão Vitorino de Morais
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PRAZO SUPERIOR A UM ANO. FORNECIMENTO DE BENS E SERVIÇOS. RECEITAS. INCIDÊNCIA CUMULATIVA. As receitas decorrentes de fornecimento de bens e serviços, mediante contrato com prazo superior a um ano a preço predeterminado sujeitamse à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2006 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) transmitido, homologase a compensação do débito fiscal nele declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 190DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Maurício Taveira e Silva, Fábio Luiz Nogueira, Maria Teresa Martínez López e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Fortaleza que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito fiscal de IRPJ, vencido na data de 31/01/2006, declarado no Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (Per/Dcomp) às fls. 02/06, transmitida na data de 31/01/2006, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior de PIS, cujo recolhimento foi efetuado na data de 15/04/2005. A DRF em Fortaleza não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o fundamento de que o crédito financeiro declarado foi integralmente utilizado na extinção do débito fiscal declarado na respectiva DCTF, não restando saldo passível de restituição/compensação, conforme despacho decisório eletrônico às fls. 06. Inconformada com a decisão da DRF, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 10/17), insistindo na homologação, alegando razões que foram assim resumidas por aquela DRJ: “ seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado o PIS com alíquota de não cumulatividade; embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; tem por objeto a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos. só auferiu receitas decorrentes da exploração do contrato no mês de março de 2005 e estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea ‘b’ do inciso XI do art. 10 da Lei n° 10.833/2003; sem atentar para esse aspecto, ao indicar na DCTF o valor do PIS devido no período, o setor incumbido informou de maneira errada que aquelas receitas estavam sujeitas ao regime nãocumulativo calculando à alíquota de 1,65%, assim recolhendo, conforme faz prova o DARF anexo; ao perceber esses erros calculou o valor do PIS efetivamente devido no período de apuração de 03/2005, no regime cumulativo, estornando a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação nos exatos R$ 450.522,35 relativa à diferença acima apontada, mas se olvidou de retificar a DCTF correspondente, fato que induziu a DRF/Fortaleza a supor inexistir o crédito a restituir/compensar, conforme exposto no Despacho Decisório. Em 20/10/2009, o contribuinte entregou os documentos de folhas 118/130, que classificou como ‘Aditamento à Manifestação de Inconformidade’, onde Fl. 191DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900767/200911 Acórdão n.º 330101.154 S3C3T1 Fl. 180 3 informa conter: demonstrativo da composição da correta base de cálculo do PIS no período, acompanhado de balancete e das folhas do Livro Razão correspondente e declarações prestadas pelos profissionais responsáveis pela sua escrituração comercial e fiscal, atestando a veracidade de tais informações.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado, conforme Acórdão nº 0816.521, datado de 13/11/2009, às fls. 132/140, sob as seguintes ementas: “PIS PREÇO PREDETERMINADO REAJUSTE CONTRATUAL. A partir de 31/10/03, para fins de apuração do PIS, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1° reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO. Diante da constatação de que não ocorreu recolhimento indevido, não se configura o direito do sujeito passivo ao reconhecimento do crédito pleiteado, com a conseqüente não homologação da compensação declarada.” Cientificada dessa decisão, inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 154/172), requerendo a sua reforma a fim de que se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, erro na apuração do PIS correspondente ao mês de competência de março de 2005 para o qual apurou e declarou na respectiva DCTF a contribuição pelo regime nãocumulativo, quando o correto seria pelo cumulativo. Para fundamentar seu recurso expendeu arrazoado sobre suas receitas decorrentes do fornecimento de energia elétrica, o contrato com o comprador, a formação do preço e seus ajustes, concluindo, ao final, que aquelas estão sujeitas ao PIS com incidência cumulativa, nos termos da Lei nº 10.833, de 29/12/2003, art. 10, inciso XI, alínea “b”, combinado com o art. 15 desta mesma lei. Assim, faz jus à restituição/compensação do valor pago, a título dessa contribuição, referente à competência de março de 2005, recolhida em 15/04/2005, excedente à alíquota de 0,65 %, devendo ser homologada a compensação do débito fiscal declarado. É o relatório. Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele conheço. Fl. 192DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 A questão de mérito oposta nesta fase recursal se restringe à sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS com incidência cumulativa. A recorrente alega que, equivocadamente apurou a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto, segundo seu entendimento, seria com incidência cumulativa. Contudo, a autoridade julgadora de primeira instância assim não entendeu e manteve a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado sob o fundamento de que a contribuição é devida pelo regime nãocumulativo, inexistindo, portanto, o crédito (indébito) financeiro declarado. A Lei nº 10.637, de 30/12/2002, que instituiu a contribuição para o PIS com incidência nãocumulativa assim dispõe: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. (...).” Posteriormente, a Lei nº 10.833, de 29/12/2003, que instituiu a Cofins com incidência nãocumulativa dispôs: “Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1º a 8º: (...). XI as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); b) com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...).” Por sua vez, o art. 15, desta mesma lei, com vigência a partir de 01/05/2004, determinou: “Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP não cumulativa de que trata a Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...); V nos incisos VI, IX a XXV do caput e no § 2º do art. 10 desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) Fl. 193DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900767/200911 Acórdão n.º 330101.154 S3C3T1 Fl. 181 5 (...).” Assim, de conformidade com estes dispositivos, as receitas decorrentes de contratos de fornecimento de bens e/ ou serviços, a preço predeterminado, com prazo superior a 1 (um) ano, a priori, estariam sujeitas à contribuição para o PIS com incidência cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, o Secretário da Receita Federal expediu a IN SRF nº 468, de 08/11/2004, para efeito de aplicação destes dispositivos legais, assim dispondo: “Art. 1º Permanecem tributadas no regime da cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins, as receitas por ela auferidas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...); II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; e III de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços contratados com pessoa jurídica de direito público, empresa pública, sociedade de economia mista ou suas subsidiárias, bem assim os contratos posteriormente firmados decorrentes de propostas apresentadas em processo licitatório até aquela data. Art. 2º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. (...). §2º Se estipulada no contrato cláusula de aplicação de reajuste, periódico ou não, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação da primeira alteração de preços verificada após a data mencionada no art. 1º. §3º Se o contrato estiver sujeito a regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993, o caráter predeterminado do preço subsiste até a eventual implementação da primeira alteração nela fundada após a data mencionada no art. 1º. Art. 3º Na hipótese de pactuada, a qualquer título, a prorrogação do contrato, as receitas auferidas depois de vencido o prazo contratual vigente em 31 de outubro de 2003 sujeitarse ão à incidência nãocumulativa das contribuições. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase ainda que o preço permaneça inalterado quando da prorrogação. Fl. 194DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 Art. 4º Considerase com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha prolongado por mais de 1 (um) ano contado da data em que foi firmado. Parágrafo único. Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 2º. No presente caso, o contrato para fornecimento de energia elétrica, cópia às fls. 56/77, por parte da recorrente, a seu cliente, foi firmado em 31 de agosto de 2001, dentre as cláusulas destacamse: 2.1) objeto: aquisição por parte da COELCE da energia contratada...; 3.1) prazo de duração: 20 (vinte) anos, contados a partir da data inicial de fornecimento...as partes acordam que a data inicial de fornecimento será uma data entre o dia 1º de outubro de 2003 ...; 3.2) prorrogação: períodos mínimos adicionais e consecutivos de 2 (dois) anos...; 6.1) preço da energia: ... será equivalente a 115,0 % do Valor Normativo estabelecido pela ANEEL através da Resolução nº 256/01 (1,15 x VN = 1,15 x 106,40 = 122,36 R$/MWh), este preço será reajustado segundo a cláusula 6.3, tomandose como data a base de referência de 1º de junho de 2001; 6.3) fórmula do reajuste: ... será determinada com base na Resolução ANEEL nº 22/01, sendo que o primeiro reajuste será efetuado na data inicial de fornecimento e os demais serão efetuados no dia 22 de abril de cada ano. Posteriormente, foi firmado em 10 de outubro de 2001 o Termo de Rerratificação desse Contrato de Compra e Venda de Energia confirmando todas suas cláusulas. No entanto, em 04 de julho de 2006, o Secretário da Receita Federal editou e publicou a INSRF nº 658, dispondo sobre o PIS incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1º de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: “Art. 2º Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita à incidência não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: (...). II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; (...). Art. 3º Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. (...). §2º Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio econômicofinanceiro do contrato, nos termos dos arts. 57, 58 e 65 da Lei nº 8.666, de 21 de junho de 1993. Fl. 195DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10380.900767/200911 Acórdão n.º 330101.154 S3C3T1 Fl. 182 7 §3º O reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o preço predeterminado. Art. 5º Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único. Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2º e 3º do art. 3º. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1º de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; (...).” Assim, levandose em conta a natureza do contrato da recorrente e o reajuste do preço dos serviços, por meio de índice que reflete a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, conforme consta do contrato entre a recorrente e a adquirente da energia elétrica produzida por ela cuja cópia foi anexada aos autos, as receitas auferidas em março de 2005, objeto deste processo, estavam sujeitas ao PIS cumulativo, à alíquota de 0,65%, e não ao PIS nãocumulativo, à alíquota de 1,65 %, conforme inicialmente apurado e declarado na respectiva DCTF. Portanto, provado o erro material, o valor do pagamento do PIS referente àquela competência, excedente à alíquota de 0,65 %, constitui indébito tributário passível de repetição/compensação, mediante a transmissão de Per/Dcomp. A planilha às fls. 130, bem como a cópia do balancete às fls. 137 comprova uma receita operacional bruta de R$53.585.039,16, resultando PIS cumulativo (0,65%) de R$348.302,75. Como a recorrente declarou e pagou R$798.825,10, gerouse um indébito tributário, no valor de R$450.522,35. A compensação de débitos fiscais, mediante a transmissão de Per/Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado no Per/Dcomp em discussão. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, no Per/Dcomp em discussão, no valor original de R$450,522,35 (quatrocentos e cinquenta mil quinhentos e vinte e dois reais e trinta e cinco centavos), cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação do débito declarado. Fl. 196DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 8 (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 197DF CARF MF Emitido em 09/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 31/10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 31 /10/2011 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 04/11/2011 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10805.906624/2009-77
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/11/2008 a 30/11/2008
MATÉRIA TRIBUTÁRIA. ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação.
PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72.
Numero da decisão: 3803-006.401
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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ÔNUS DA PROVA. Cabe ao transmitente do Per/DComp o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado. À autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Os motivos de fato, de direito e a prova documental deverão ser apresentadas com a impugnação/manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as situações previstas nas hipóteses previstas no § 4o do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso. Os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Hélcio Lafetá Reis e Belchior Melo de Sousa, votaram pelas conclusões. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 66 24 /2 00 9- 77 Fl. 88DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O sujeito passivo ingressou com Manifestação de Inconformidade contra despacho que não homologou a compensação declarada na Dcomp, por meio da qual pretendia extinguir um débito referente à Cofins. Assim a DRF em Campinas não homologou a compensação pela inexistência de saldo credor suficiente, em virtude de utilização para quitação de débitos anteriores à presente compensação. O sujeito passivo aduz em sua Manifestação de Inconformidade que o ICMS não poderia compor a receita bruta apurada para fins fiscais, afirmando que a incidência de um imposto estadual (ICMS) sobre tributos federais (PIS e COFINS) gera a incidência de tributo sobre tributo, o que seria Inconstitucional. Reitera que a inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS apresentase inconstitucional, trazendo à baila diversos Recursos Extraordinários. A 7ª Turma da DRJ Campinas, na sessão de julgamento de 24 de abril de 2012, por meio do acórdão 0537.738 indeferiu o pedido de restituição e não reconheceu o direito creditório, consoante a ementa adiante transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/11//2008 a 31/11/2008 COMPENSAÇÃO INDEFERIDA. CERTEZA. LIQUIDEZ. COMPROVAÇÃO. Somente podem ser objeto de restituição créditos líquidos e certos, cuja comprovação deve ser efetuada pelo contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. ICMS. BASE DE CÁLCULO. O ICMS integra a base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS e do PIS, não havendo falar em direito creditório. INCONSTITUCIONALIDADE. INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. COMPETÊNCIA. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de arguições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringese a instância Fl. 89DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 19 3 administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do Fisco. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificado do acórdão em 21/03/2013 e irresignado com o resultado do julgamento, o contribuinte ingressou com Recurso Voluntário em 17/04/2013, portanto, tempestivo. Aduz em seu Recurso os mesmos argumentos utilizados em sua Manifestação de Inconformidade, não incorporando às suas razões de defesa nenhum novo argumento ou prova. É o relatório. Voto Conselheiro Relator O recurso preenche os pressupostos de admissibilidade, dele conheço. No que tange à inconstitucionalidade alegada há o reconhecimento da repercussão geral pelo STF, por meio de acórdão publicado no DJE de 16/05/2008, ex vi da Ata nº 11 de 12/05/2008, DJE nº 88, divulgado em 15/05/2008. Em 27/08/2013 restaram os autos conclusos à Min. Rel. Cármen Lúcia (RE 574.706, leading case). Para os fatos acima narrados o RICARF/2009 orientava ao colegiado quais os procedimentos a serem adotados, ex vi do disposto nos §§ 1º e 2º do seu artigo 62A, ou seja pelo sobrestamento do julgamento do recurso até que seja proferida a decisão nos termos do art. 543B, da Lei nº 5.869/73 (CPC). Tudo isto encontrase consubstanciado no RE 574706 RG / PR, cuja ementa transcrevese adiante: REPERCUSSÃO GERAL NO RECURSO EXTRAORDINÁRIO. Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA Julgamento: 24/04/2008. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Fl. 90DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. Decisão: O Tribunal reconheceu a existência de repercussão geral da questão constitucional suscitada. Não se manifestaram os Ministros Gilmar Mendes e Ellen Gracie. Ministra CÁRMEN LÚCIA Relatora Publicação: DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008. EMENT VOL 0231910 PP02174. Tema 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Veja RE 240785. Por fim foi editada a Portaria CARF nº 001, de 03/01/2012, que estabelecia os procedimentos a serem adotados para o sobrestamento de processos de que trata o § 1º do art. 62A do RICARF/09, por meio do caput e parágrafo único do seu artigo 1º. Como visto há a decisão pelo STF de reconhecimento da repercussão geral nos termos do artigo 543B, da Lei nº 5.869/73, como também há a orientação expressa para o sobrestamento do julgamento que verse sobre a mesma matéria sob a égide desse mandamus, ou seja, as orientações emanadas dos respectivos Regimentos Internos se coadunam. Destarte, recentemente, veio a Portaria MF nº 545/2013, DOU de 20/11/13, para alterar o RICARF/09, notadamente no que atine aos §§ 1º e 2º do artigo 62A, senão vejamos os dispositivos contidos no artigo 1º desta Portaria. Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. De sorte que resolvida a controvérsia atinente ao sobrestamento, resta o pronunciamento acerca da questão da legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das referidas contribuições, por conseguinte da cobrança do tributo nessa condição. Confirase: A Constituição Federal criou o tributo e traça a moldura para que o legislador ordinário (respeitados os limites) institua a exação tributária cuja competência lhe foi outorgada. Para a instituição válida da exação, como regra, a lei ordinária deverá contemplar alguns critérios quais sejam: material, temporal e espacial, localizados no antecedente da estrutura da norma jurídica, e os critérios pessoal e quantitativo no conseqüente dessa norma, também denominados de Regra Matriz de Incidência Tributária RMIT. Tudo o que se refere a tributo e a exação tributária passa por esta regra. Feitas tais considerações passo à construção da norma jurídica em sentido estrito (regra matriz de incidência tributária) das contribuições sociais instituídas nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03, respectivamente. (a) Regramatriz de incidência do PIS NãoCumulativo: De acordo com o disposto na Lei nº. 10.637/02, a regramatriz de incidência tributária do PIS NãoCumulativo pode ser construída da seguinte forma, in verbis: Lei nº. 10.637/02. “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal (...); Fl. 91DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 20 5 § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput) Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 1,65% (Art. 2º). Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o PIS Não Cumulativo foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. (b) Regramatriz de incidência da COFINS NãoCumulativa: Assim estabelece o caput e o § 2º do artigo 1º da Lei nº 10.833/03, in verbis: Lei nº. 10.833/03. “Art. 1º. A contribuição para a COFINS tem como fato gerador o faturamento mensal (...); § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento (...)” (Grifei) Como dito na lei, temse: Critério material: auferir FATURAMENTO (Art. 1º, caput); Critério temporal: mensal (Art. 10); Critério espacial: no âmbito nacional; Critério pessoal: União (sujeito ativo) e pessoa jurídica que aufere faturamento (sujeito passivo) (Art. 4º); Critério quantitativo: Base de cálculo – Valor do Faturamento (Art. 1º, § 2º); Alíquota – 7,6% (Art. 2º) Igualmente ao PIS, observase do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo que a riqueza eleita pelo legislador ordinário para instituir a COFINS Não Cumulativa foi o faturamento, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Fl. 92DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 Pela dicção legal dos artigos 1º das Leis ordinárias vertentes não há qualquer dissonância entre a hipótese de incidência e a base de cálculo. A base de cálculo, em seu desiderato nuclear, tem por escopo dimensionar economicamente o valor do fato que ensejou a tributação e, por isso, precisa, necessariamente, guardar estreita relação com o critério material consignado na hipótese de incidência. Além da função mensuradora, a base de cálculo também tem o papel de confirmar, afirmar ou infirmar a hipótese de incidência, sendo certo que nesse último caso, ou seja, quando a base de cálculo tiver o condão de infirmála, deverá prevalecer o disposto no critério quantitativo, por servir como discrímen na averiguação da espécie tributária de que se cuida. Na espécie, o critério quantitativo afirma a hipótese de incidência que é o faturamento. Assim, devem as contribuições sociais relativas ao PIS e à COFINS Não Cumulativas incidir sobre as receitas advindas tãosomente da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços, ou seja, o faturamento. (Grifei). A definição de faturamento pelo STF, sem maiores delongas, encontrase no julgamento da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/98. No que tange à base de cálculo eleita para a incidência do PIS e da COFINS, decidiram os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em sessão plenária, em fixar do conteúdo semântico de faturamento, como sendo o das entradas decorrentes da venda de mercadorias e/ou da prestação de serviços. Nesse passo, para explicitar o conteúdo semântico do signo “faturamento” transcrevemos abaixo trecho do voto vista proferido pelo Ministro Cesar Peluzo: “...Ainda no universo semântico normativo, faturamento não pode soar o mesmo que receita, nem confundidas ou identificadas as operações (fatos) ‘por cujas realizações se manifestam essas grandezas numéricas’. ...Como se vê sem grande esforço, o substantivo receita designa aí o gênero, compreensivo das características ou propriedades de certa classe, abrangente de todos os valores que, recebidos da pessoa jurídica, se lhe incorporam à esfera patrimonial. Todo valor percebido pela pessoa jurídica, a qualquer título, será, nos termos da norma, receita (gênero). Mas nem toda receita será operacional, porque poderá havêla não operacional. ...Não precisa recorrer às noções elementares da Lógica Formal sobre as distinções de gênero e espécie, para reavivar que, nesta, sempre há um excesso de conotação e um déficit de denotação em relação àquele. Nem para atinar logo em que, como já visto, faturamento também significa percepção de valores e, como tal, pertence ao gênero ou classe receita, mas com a diferença específica de que compreende apenas os valores oriundos do exercício da ‘atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou serviços’ (venda de mercadorias e de serviços). (...) Donde, a conclusão imediata de que, no juízo da lei contemporânea ao início da vigência da atual Constituição da República, embora todo faturamento seja receita, nem toda receita é faturamento.12” (grifamos). No caso do PIS e da COFINS NãoCumulativos o que se observa é que o legislador ordinário, apesar de possuir a competência tributária para tributar a receita, novamente contemplou, através de lei, que tais contribuições incidissem sobre o faturamento, Fl. 93DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 21 7 adotando o como critério material da hipótese e afirmandoo na base de cálculo. Todavia, ao definir faturamento, recaiu no mesmo equívoco deflagrado em relação à Lei 9.718/98, senão vejamos: Lei nº. 10.637/02 “Art. 1º. A contribuição para o PIS/PASEP tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil; § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Lei nº. 10.833/03 “Art. 1º. A contribuição para a COFINS faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil § 2º A base de cálculo da contribuição para a COFINS é o valor do faturamento, conforme definido no caput (...)” (Grifei) Notese que a definição legal apresentada pelo legislador ordinário ao faturamento nas Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/03 é exatamente a mesma veiculada na Lei nº. 9.718/98, que foi repelida, brilhantemente, pelo Supremo Tribunal Federal. Todavia, conforme se verifica da redação dos dispositivos legais que instituíram tais exações, bem como das regrasmatrizes engendradas outrora, a receita não foi contemplada como critério material da hipótese muito menos como aspecto quantitativo dessas contribuições. Por isso, em obediência ao magno princípio da Legalidade e, primordialmente, o sobreprincípio da Segurança Jurídica, as exações vertentes deverão incidir tãosomente sobre o faturamento, sob pena de inconstitucionalidade e de ilegalidade. Admitirse o contrário implica na violação dos princípios constitucionais da Legalidade, Estrita Legalidade Tributária, Segurança Jurídica e Razoabilidade e, além disso, tem o condão de infringir entendimento já assentado pela Suprema Corte acerca da distinção entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita que, por sua vez, resulta na violação ao disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, cuja afronta passamos a ponderar. Insta frisar que a definição legal adotada pelo legislador ordinário no caput dos artigos 1º das Leis nºs. 10.637/02 e 10.833/01 é simplesmente a mesma que a revista no § 1º, do artigo 3º, da Lei nº. 9.718/98, sobre a qual recaiu o peso da incompatibilidade com o sistema jurídico, consoante decisum da Suprema Corte que, pontificou, claramente, a distinção existente entre os conteúdos semânticos de faturamento e de receita. Sendo assim, uma vez que novamente a intenção do legislador ordinário foi a de equiparar a abrangência dos fatos signos presuntivos de riqueza – faturamento e receita – como se albergassem a mesma qualidade de ingressos (entendase receita), então, é indubitável que recaiu em ilegalidade, na medida em que violou o disposto no artigo 110 do Código Tributário Nacional, que alude: Fl. 94DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 Art. 110. A lei tributária não pode alterar a definição, conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. Tanto há discrepância entre os conteúdos semânticos dos signos faturamento e receita, que o legislador constituinte inseriu o disjuntivo “ou” no artigo 195, inciso I, “b”, da Constituição Federal, ipsis litteris: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I – do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre:... b) a receita OU o faturamento. (Grifei) A distinção entre esses substantivos foi aventada pelo Ministro Marco Aurélio, no julgamento do RE 380.840/MG, nos seguintes termos: “A disjuntiva ‘ou’ bem revela que não se tem a confusão entre o gênero ‘receita’ e a espécie ‘faturamento”. Sobre a imprescindibilidade de se obedecer ao limite semântico do signo tratado pelo direito privado, segue a maciça jurisprudência excelsa: “...TRIBUTÁRIO – INSTITUTOS – EXPRESSÕES E VOCÁBULOS – SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários.” (STF, RE 380.9405/MG, Rel. Min. Marco Aurélio, por maioria, j. 09/11/2005, DJ 15/08/2006) – Destacamos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL. AMPLIAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS REALIZADA PELO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/98. ART. 110 DO CTN. ALTERAÇÃO DA DEFINIÇÃO DE DIREITO PRIVADO. EQUIPARAÇÃO DOS CONCEITOS DE FATURAMENTO E RECEITA BRUTA. PRECEDENTES DO STJ E DO STF. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE PELO PRETÓRIO EXCELSO. PRINCÍPIO DA UTILIDADE. PROCESSUAL. RESERVA DE PLENÁRIO. INAPLICABILIDADE. ...2. A Lei nº 9.718/98, ao ampliar a base de cálculo do PIS e da COFINS e criar novo conceito para o termo “faturamento”, para fins de incidência da COFINS, com o objetivo de abranger todas as receitas auferidas pela pessoa jurídica, invadiu a esfera da definição do direito privado, violando frontalmente o art. 110 do CTN....” (AgRg no Ag 954.490/SP, 1ª T., Rel. Min. José Delgado, v.u., j. 24/03/2008, DJ 24/08/2008)É imperiosa para a harmonia do sistema jurídico que a atividade legislativa se Fl. 95DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 22 9 amolde aos limites traçados pelo ordenamento, principalmente quando se está diante do poder de tributar que implica, sem dúvida alguma, na expropriação de parte do patrimônio dos contribuintes. Por isso, não pode o ente tributante agir de forma abusiva, alterando os conteúdos semânticos dos signos presuntivos de riqueza e, desse modo, gerar absoluta insegurança das relações jurídicas, posto que tal conduta fere o princípio da razoabilidade, como bem explicitou o Ministro Celso de Mello, na ADIMCQO 2551 / MG, in verbis: “TRIBUTAÇÃO E OFENSA AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE. O Poder Público, especialmente em sede de tributação, não pode agir imoderadamente, pois a atividade estatal achase essencialmente condicionada pelo princípio da razoabilidade, que traduz limitação material à ação normativa do Poder Legislativo. O Estado não pode legislar abusivamente. A atividade legislativa está necessariamente sujeita à rígida observância de diretriz fundamental, que, encontrando suporte teórico no princípio da proporcionalidade, veda os excessos normativos e as prescrições irrazoáveis do Poder Público. O princípio da proporcionalidade, nesse contexto, achase vocacionado a inibir e a neutralizar os abusos do Poder Público no exercício de suas funções, qualificandose como parâmetro de aferição da própria constitucionalidade material dos atos estatais. A prerrogativa institucional de tributar, que o ordenamento positivo reconhece ao Estado, não lhe outorga o poder de suprimir (ou de inviabilizar) direitos de caráter fundamental constitucionalmente assegurados ao contribuinte. É que este dispõe, nos termos da própria Carta Política, de um sistema de proteção destinado a amparálo contra eventuais excessos cometidos pelo poder tributante ou, ainda, contra exigências irrazoáveis veiculadas em diplomas normativos editados pelo Estado.” (ADIMCQO 2551 / MG MINAS GERAIS, Relator Min. CELSO DE MELLO, Julgamento: 02/04/2003, Órgão Julgador: Tribunal Pleno, Publicação DJ 20 042006 PP00005 – (grifei.) (c) Já a Regramatriz de incidência do ICMS: De acordo com o disposto na CF/88, a regramatriz de incidência tributária do ICMS pode ser construída nos moldes do art. 155, c/c a LC nº 87/96, in verbis: CF/88. “Art. 155. Compete aos Estados e ao Distrito Federal instituir impostos sobre: II operações relativas à circulação de mercadorias e sobre prestações de serviços de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, ainda que as operações e as prestações se iniciem no exterior;(Redação dada pela Emenda Constitucional nº 3, de 1993). Fl. 96DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 Art. 12. Considerase ocorrido o fato gerador do imposto no momento: I da saída de mercadoria de estabelecimento de contribuinte, ainda que para outro estabelecimento do mesmo titular; II do fornecimento de alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer estabelecimento; III da transmissão a terceiro de mercadoria depositada em armazém geral ou em depósito fechado, no Estado do transmitente; IV da transmissão de propriedade de mercadoria, ou de título que a represente, quando a mercadoria não tiver transitado pelo estabelecimento transmitente; V do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, de qualquer natureza; VI do ato final do transporte iniciado no exterior; VII das prestações onerosas de serviços de comunicação, feita por qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza; VIII do fornecimento de mercadoria com prestação de serviços: a) não compreendidos na competência tributária dos Municípios; b) compreendidos na competência tributária dos Municípios e com indicação expressa de incidência do imposto de competência estadual, como definido na lei complementar aplicável; IX – do desembaraço aduaneiro de mercadorias ou bens importados do exterior; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) X do recebimento, pelo destinatário, de serviço prestado no exterior; XI – da aquisição em licitação pública de mercadorias ou bens importados do exterior e apreendidos ou abandonados; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) XII – da entrada no território do Estado de lubrificantes e combustíveis líquidos e gasosos derivados de petróleo e energia elétrica oriundos de outro Estado, quando não destinados à comercialização ou à industrialização; (Redação dada pela LCP nº 102, de 11.7.2000) XIII da utilização, por contribuinte, de serviço cuja prestação se tenha iniciado em outro Estado e não esteja vinculada a operação ou prestação subseqüente. § 1º Na hipótese do inciso VII, quando o serviço for prestado mediante pagamento em ficha, cartão ou assemelhados, Fl. 97DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 23 11 considerase ocorrido o fato gerador do imposto quando do fornecimento desses instrumentos ao usuário. § 2º Na hipótese do inciso IX, após o desembaraço aduaneiro, a entrega, pelo depositário, de mercadoria ou bem importados do exterior deverá ser autorizada pelo órgão responsável pelo seu desembaraço, que somente se fará mediante a exibição do comprovante de pagamento do imposto incidente no ato do despacho aduaneiro, salvo disposição em contrário. § 3o Na hipótese de entrega de mercadoria ou bem importados do exterior antes do desembaraço aduaneiro, considerase ocorrido o fato gerador neste momento, devendo a autoridade responsável, salvo disposição em contrário, exigir a comprovação do pagamento do imposto. (Incluído pela Lcp 114, de 16.12.2002) Art. 13. A base de cálculo do imposto é: I na saída de mercadoria prevista nos incisos I, III e IV do art. 12, o valor da operação; II na hipótese do inciso II do art. 12, o valor da operação, compreendendo mercadoria e serviço; III na prestação de serviço de transporte interestadual e intermunicipal e de comunicação, o preço do serviço; IV no fornecimento de que trata o inciso VIII do art. 12; a) o valor da operação, na hipótese da alínea a; b) o preço corrente da mercadoria fornecida ou empregada, na hipótese da alínea b; V na hipótese do inciso IX do art. 12, a soma das seguintes parcelas: a) o valor da mercadoria ou bem constante dos documentos de importação, observado o disposto no art. 14; b) imposto de importação; c) imposto sobre produtos industrializados; d) imposto sobre operações de câmbio; e)quaisquer outros impostos, taxas, contribuições e despesas aduaneiras; (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) VI na hipótese do inciso X do art. 12, o valor da prestação do serviço, acrescido, se for o caso, de todos os encargos relacionados com a sua utilização; VII no caso do inciso XI do art. 12, o valor da operação acrescido do valor dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e de todas as despesas cobradas ou debitadas ao adquirente; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 12 VIII na hipótese do inciso XII do art. 12, o valor da operação de que decorrer a entrada; IX na hipótese do inciso XIII do art. 12, o valor da prestação no Estado de origem. § 1o Integra a base de cálculo do imposto, inclusive na hipótese do inciso V do caput deste artigo: (Redação dada pela Lcp 114, de 16.12.2002) I o montante do próprio imposto, constituindo o respectivo destaque mera indicação para fins de controle; II o valor correspondente a: a) seguros, juros e demais importâncias pagas, recebidas ou debitadas, bem como descontos concedidos sob condição; b) frete, caso o transporte seja efetuado pelo próprio remetente ou por sua conta e ordem e seja cobrado em separado. § 2º Não integra a base de cálculo do imposto o montante do Imposto sobre Produtos Industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configurar fato gerador de ambos os impostos. § 3º No caso do inciso IX, o imposto a pagar será o valor resultante da aplicação do percentual equivalente à diferença entre a alíquota interna e a interestadual, sobre o valor ali previsto. § 4º Na saída de mercadoria para estabelecimento localizado em outro Estado, pertencente ao mesmo titular, a base de cálculo do imposto é: I o valor correspondente à entrada mais recente da mercadoria; II o custo da mercadoria produzida, assim entendida a soma do custo da matériaprima, material secundário, mãodeobra e acondicionamento; III tratandose de mercadorias não industrializadas, o seu preço corrente no mercado atacadista do estabelecimento remetente. § 5º Nas operações e prestações interestaduais entre estabelecimentos de contribuintes diferentes, caso haja reajuste do valor depois da remessa ou da prestação, a diferença fica sujeita ao imposto no estabelecimento do remetente ou do prestador. Complementarmente ao artigo 13 os artigos 8º e 15 também tratam de base de cálculo. Como dito na lei, temse: Critério material: Sair mercadoria do estabelecimento de contribuinte; fornecer alimentação, bebidas e outras mercadorias por qualquer Fl. 99DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 24 13 estabelecimento; a transmissão, dentre outros estabelecidos no artigo 12 da LC nº 87/96. Critério temporal: é o momento da saída, do fornecimento, da transmissão, do início da prestação de serviços de transporte interestadual e intermunicipal, etc, (Art. 12, LC 87/96); Critério espacial: no âmbito estadual; Critério pessoal: Estado/DF (sujeito ativo) e pessoa jurídica que promove a saída de mercadorias do estabelecimento (sujeito passivo) (Art. 12); Critério quantitativo: Base de cálculo – O valor da operação (vide art. 12, I, III e IV); Alíquota – fixada pelo Senado Federal as alíquotas mínimas e máximas (CF/88, art. 155, § 1º, IV e § 2º, IV e VI); Do cotejo entre hipótese de incidência e a base de cálculo verificase que o fato signo presuntivo de riqueza eleito pelo legislador ordinário para instituir o ICMS, em tese, foi o VALOR DA OPERAÇÃO, o qual foi afirmado pela base de cálculo. Os elementos informadores da incidência e da base de cálculo da norma tributária ensejadora do PIS e da Cofins, bem assim da constituição da relação jurídico tributária não guarda nenhuma relação com aqueles elementos orientadores para incidência do ICMS, ou seja, as regras matrizes do PIS e da Cofins em nada se assemelha àquela do ICMS, razão o bastante para que o ICMS seja afastado da base de cálculo do PIS e da Cofins. Por outro enfoque: A lei infraconstitucional deve identificar, pormenorizadamente, todos os elementos essenciais da norma tributária, principalmente no tocante à hipótese de incidência, sob pena de não poder ser exigida pelo fisco. Nas palavras de XAVIER apud CARRAZZA descreve o mesmo que “a tipicidade pressupõe (...) uma descrição rigorosa dos seus elementos constitutivos, cuja integral verificação é indispensável para produção de efeitos” (p. 386, 2003). Vale dizer que o princípio da Tipicidade Tributária não dá margem para o intérprete ou ao aplicador da lei para o exercício de entendimentos contraditórios, mais abrangentes ou restritivos ao descrito pela norma constitucional. Dito isto e, considerando que o ICMS passou a integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins em razão da interpretação do contido no art. 2º da Lei nº 9.718/98, de que o faturamento corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, sendo irrelevante o tipo de atividade que ela exerça e a classificação contábil adotada para essas receitas (art. 13, § 1º, I, da LC 87/96, ex vi "cálculo por dentro" fator aplicado ao cálculo deste tributo de competência estadual, inadequado á questão posta em discussão), é certo que esse conceito é totalmente distinto daquele fixado na LC 7/70 e na LC 70/91. Por relevante cabe aqui o registro acerca da distinção entre os termos “receita” e “ingresso”, eis que a primeira é a quantia recebida/apurada/arrecadada, que acresce o patrimônio da pessoa física/jurídica, em decorrência direta ou indireta da atividade Fl. 100DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 14 econômica por ela exercida. Já o ingresso pressupõe tanto as receitas como os valores pertencentes a terceiros (que integram o patrimônio de outrem), pois não importam em modificação do patrimônio de quem os recebe e implica em posterior entrega para quem pertence efetivamente. É que o ICMS para a empresa é mero ingresso, para posterior destinação ao Fisco, entendido este como o titular de tais valores. Este é o entendimento da Terceira Turma do TRF da 3ª Região, que decidiu que o ICMS não deve integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins, reconhecendo outrossim o direito à compensação dos valores pagos indevidamente nos últimos dez anos. Ainda que não concluído o julgamento da ADC 18 e do RE 240785/MG, o STF já sinalizou acerca do entendimento sobre a impossibilidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS/Cofins, cujo relator, o Exmº. Min. Marco Aurélio, assim ressaltou: "Descabe assentar que os contribuintes da Cofins faturam, em si, o ICMS. O valor deste revela, isto sim, um desembolso a beneficiar a entidade de direito público que tem a competência para cobrálo. A conclusão a que chegou a Corte de origem, a partir de premissa errônea, importa na incidência do tributo que é a Cofins, não sobre o faturamento, mas sobre outro tributo já agora da competência de unidade da Federação. (...) Difícil é conceber a existência de tributo sem que se tenha uma vantagem, ainda que mediata, para o contribuinte, o que se dirá quanto a um ônus, como é o ônus fiscal atinente ao ICMS. O valor correspondente a este último não tem a natureza de faturamento. Não pode, então, servir à incidência da Cofins, pois não revela medida de riqueza apanhada pela expressão contida no preceito da alínea "b" do incido I do artigo 195 da Constituição Federal. O fundamento da tese reside no fato de que o ICMS constitui receita do ente tributante, ou seja, do Estado, não podendo integrar a base de cálculo do PIS e da Cofins a cargo da empresa sob pena de exigirse tributo sem o devido lastro constitucional previsto no art. 195, inciso I, alínea "b" da Constituição Federal. Assim, a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins fere os princípios da capacidade contributiva, razoabilidade, proporcionalidade, equidade de participação no custeio da seguridade social, imunidade recíproca e confisco à Constituição. Filiaramse ao voto do Relator os Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Ayres Britto, Cezar Peluso, Sepúlveda Pertence e Carmem Lúcia; o Ministro Eros Grau negou provimento ao recurso, faltando votar os Senhores Ministros Gilmar Mendes, Ellen Gracie e Celso Mello. Diante de todo o exposto a Administração Pública somente poderá impor ao contribuinte o ônus da exação quando houver estrita adequação entre o fato e a hipótese legal de incidência do tributo, ou seja, sua descrição típica. É condição sine qua non para a exigibilidade de um tributo. Neste contexto, nas palavras de Alberto Xavier (in Os Princípios da Legalidade e da Tipicidade da Tributação, São Paulo, RT. 1978, pág. 37/38) “a lei deve conter, em seu bojo, todos os elementos de decisão no caso concreto, de forma que a decisão concreta seja imediatamente dedutível da lei, sem valoração pessoal do órgão de aplicação da lei, o que decorre do artigo 150, inciso I, da Constituição Federal de 1988.” Fl. 101DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 25 15 Assim, toda a atividade da Administração Tributária e os critérios objetivos na identificação do sujeito passivo, do valor do montante apurado e das penalidades cabíveis devem ser tipificados de forma fechada na lei. É a norma jurídica, consubstanciada, em regra geral, na lei ordinária que deverá descrever as hipóteses de incidência, não deixando brechas ao aplicador da lei, especialmente à Administração Pública, para uma interpretação extensiva, e mais, para o uso da analogia, ao seu bel prazer. Portanto, sendo a definição de fato gerador a situação definida em lei como necessária e suficiente ao nascimento da obrigação tributária principal, àquela de pagar tributo e, no caso do PIS e da Cofins, é auferir faturamento, não há se falar em inclusão do ICMS na base de cálculo desses tributos, eis que tanto o fato gerador, quanto a base de cálculo é totalmente diversa, não se coadunam. O Ministro Cesar Peluzo, no votovista proferido no julgamento do RE nº. 350.950, foi peremptório ao atestar que: “A base de cálculo é tão importante na identificação do tributo, que prevalece em relação ao fato gerador no caso em conflito.” Na hipótese sob exame não há qualquer discrepância entre o critério material e a base de cálculo preceituados em lei, posto que ambas contemplam o faturamento como fato signo presuntivo de riqueza para que as contribuições vertentes pudessem ser exigidas. Contudo, mesmo que houvesse divergência entre aquele (critério material) e esse (critério quantitativo) – ad argumentandum tantum – é a base de cálculo que deverá prevalecer por ter o condão, inclusive, de desnaturalizar o tributo, conforme decisão pretoriana. Neste sentido, uma vez que a base de cálculo eleita pelo legislador ordinário foi o faturamento – e isso não há dúvidas – então, essa há que preponderar. Assim, é inconteste que sobre o PIS e COFINS NãoCumulativos devem incidir sobre o faturamento, cujo aspecto semântico difere de receita, conforme já assentou a Suprema Corte. Não há se falar em valor da operação. Há uma tendência, tanto nos Tribunais Regionais Federais como nos Superiores, notadamente no STF, de enxugar a base de cálculo dos tributos, de valores que não representam faturamento dos Contribuintes. A decisão Plenária do STF excluindo o ICMS da base de cálculo da COFINS e do PIS nas operações envolvendo importações confirma esta tendência. Confirase: Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DAS CONTRIBUIÇÕES. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. DESNECESSIDADE DE PROVA PERICIAL. 1. O ICMS não deve ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS deve ser excluído da base de cálculo do PIS e da COFINS. 3. O ISS que como o ICMS não se consubstancia em faturamento, mas sim em Fl. 102DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 16 ônus fiscal não deve, também, integrar a base de cálculo das aludidas contribuições. 4. A parte que pretende a compensação tributária deve demonstrar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior. 5. Na ausência de documento indispensável à propositura da demanda, deve ser julgado improcedente o pedido, com relação ao período cujo recolhimento não restou comprovado nos autos. 6. Deve ser resguardado ao contribuinte o direito de efetuar a compensação do crédito aqui reconhecido na via administrativa (REsp n. 1137738/SP). 7. A não inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é matéria de direito que não demanda dilação probatória. O pedido de compensação solucionase com a apresentação das guias de recolhimento (DARF), que prescinde de exame por perito. 8. Precedentes. 9. Apelo parcialmente provido. TRF3 APELAÇÃO CÍVEL AC 23169 SP 002316944.2011.4.03.6100 (TRF3) Data de publicação: 07/02/2013. Ementa: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. NÃO INCLUSÃO DO ICMS E DO ISS NA BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO. 1. O ICMS e, por idênticos motivos, o ISS não devem ser incluídos na base de cálculo do PIS e da COFINS, tendo em vista recente posicionamento do STF sobre a questão no julgamento, ainda em andamento, do Recurso Extraordinário nº 240.7852. 2. No referido julgamento, o Ministro Março Aurélio, relator, deu provimento ao recurso, no que foi acompanhado pelos Ministros Ricardo Lewandowski, Carlos Britto, Cezar Peluso, Carmen Lúcia e Sepúlveda Pertence. Entendeu o Ministro relator estar configurada a violação ao artigo 195 , I , da Constituição Federal , ao fundamento de que a base de cálculo do PIS e da COFINS somente pode incidir sobre a soma dos valores obtidos nas operações de venda ou de prestação de serviços, ou seja, sobre a riqueza obtida com a realização da operação, e não sobre o ICMS, que constitui ônus fiscal e não faturamento. Após, a sessão foi suspensa em virtude do pedido de vista do Ministro Gilmar Mendes (Informativo do STF n. 437, de 24/8/2006). 3. Embora o referido julgamento ainda não tenha se encerrado, não há como negar que traduz concreta expectativa de que será adotado o entendimento de que o ICMS e, consequentemente, o ISS, devem ser excluídos da base de cálculo do PIS e da COFINS. 4. A impetrante tem direito, na espécie, a compensar os valores indevidamente recolhidos. No entanto, ela não comprovou ter pago as contribuições que pretende compensar, mediante a juntada das guias de recolhimento. 5. A via especial do mandado de segurança, em que não há dilação probatória, impõe que o autor comprove de plano o direito que alega ser líquido e certo. E, para isso, deve trazer à baila todos os documentos hábeis à comprovação do que requer. Sem esses elementos de prova, tornase carecedora da ação. Precedente do C. STJ. 6. Dessarte, quanto à compensação dos créditos, cujos pagamentos não restaram comprovados nos autos, a parte deve ser considerada carecedora da ação. 7. Apelação, parcialmente, provida..TRF3 APELAÇÃO EM MANDADO DE SEGURANÇA AMS 6072 SP 2007.61.11.0060722 (TRF 3). Data de publicação: 16/06/2011. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10805.906624/200977 Acórdão n.º 3803006.401 S3TE03 Fl. 26 17 Finalmente vencida a questão da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da Cofins, restou a questão de prova acerca da certeza e liquidez da existência do crédito alegado pela Recorrente, em quantidade o bastante para solver o débito existente na data da transmissão do Per/DComp, haja vista que o ônus probante cabe ao transmitente do referido documento, o que deve ser efetivado juntamente com a apresentação da manifestação de inconformidade, eis que preclui o direito de fazêlo em outro momento processual, ressalvadas as hipóteses previstas no § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72. No caso vertente o contribuinte não logrou demonstrar cabalmente a existência de crédito suficiente à satisfação da compensação, pois os documentos acostados se referem tão somente à existência de crédito, o que não é o bastante. Neste aspecto, de os documentos apresentados pela Recorrente não serem o bastante e suficientes para demonstrar cabalmente acerca do quantum e da liquidez e certeza do crédito alegado, assiste razão ao juízo a quo, eis que aos mesmos deveriam se somar, no mínimo, as DCTF’s correspondentes e o Livro Razão relacionados ao período de apuração objeto do pedido de restituição, em observância aos princípios da segurança jurídica, da verdade material, da razoabilidade e da proporcionalidade, esculpidos no artigo 37, CF/88. É cediço que quando da apresentação de Per/DComp à repartição fiscal, por se tratar de iniciativa do próprio contribuinte, cabe ao transmitente o ônus probante da liquidez e certeza do crédito tributário alegado em valores superiores ao débito informado na DComp. Por sua vez à autoridade administrativa cabe a verificação da existência e regularidade desse direito, mediante o exame de provas hábeis, idôneas e suficientes a essa comprovação. Ex positis oriento o meu voto pelo não provimento do recurso interposto. É como voto. Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 104DF CARF MF Impresso em 24/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/09/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 11/09/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10830.720631/2011-91
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 15 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3801-000.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relatório Transcrevo o relatório do acórdão recorrido para resumir o caso. “O interessado em epígrafe pediu o ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, a ser utilizado na compensação dos débitos que declarou. O processo foi encaminhado à fiscalização, a qual contatou que houve falta de lançamento de IPI por ter o estabelecimento, em operações que o caracterizava como equiparado a industrial, promovido a saídas de produtos tributados, sem o devido destaque. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 20 63 1/ 20 11 -9 1 Fl. 661DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.720631/201191 Resolução nº 3801000.750 S3TE01 Fl. 3 2 Conseqüentemente, foi refeita a escrita fiscal em decorrência do auto de infração lavrado no processo nº 10830.720891/201166. Diante disso, apenas parte do direito creditório foi reconhecido e parcialmente homologadas as compensações declaradas. Tempestivamente, o sujeito passivo manifestouse reportandose à impugnação do indigitado lançamento argumentando, em síntese, que sua defesa administrativa contra o Auto de Infração culminaria pelo retorno do saldo credor e que, pela decorrente suspensão da exigibilidade dos débitos lançados no processo nº 10830.720891/201166, as compensações declaradas no presente processo deveriam ser homologadas.” A Delegacia da Receita Federal do Julgamento em Ribeirão PretoDRJ/RPO julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa a seguir: “Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO. LANÇAMENTO DE OFÍCIO QUE ESGOTOU O SALDO CREDOR DO IPI. Comprovada a procedência do lançamento de ofício que reduziu o saldo credor do IPI, não se homologa as compensações declaradas pela inexistência de crédito.” Após, a contribuinte interpôs recurso voluntário, no qual transcreve as alegações apresentadas no processo nº 10830.720891/201166, que trata do auto de infração formalizado para exigência de IPI e consectários legais. Ao final, solicita que “seja acolhido integralmente o Recurso Voluntário interposto, para o fim de serem decretadas insubsistentes as exigências tributárias com o decorrente cancelamento da exigência fiscal, legitimando o procedimento de compensação adotado pela Recorrente...” É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos para ser julgado por esta turma especial. São apresentados argumentos apenas em relação às exigências contidas no auto de infração, objeto do processo nº 10830.720891/201166. Nada foi dito com relação à DRJ ter assentado não se poder considerar líquidos e certos os créditos pleiteados, o que impediria a homologação da compensação. Fl. 662DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10830.720631/201191 Resolução nº 3801000.750 S3TE01 Fl. 4 3 Apesar disto, verifico no voto da decisão recorrida e no recurso voluntário que a fiscalização reconstituiu a escrita fiscal da contribuinte, de modo que os créditos dos períodos de apuração foram consumidos pelos débitos normais dos períodos e pelos débitos apurados na ação fiscal, tendo concluído a autoridade fiscal pela inexistência de saldo credor passível de ressarcimento nos anos de 2006 a 2010. O pedido de ressarcimento que se discute neste processo fundase em saldo credor da contribuinte que só passou a ser questionado pelo Fisco com a instauração de procedimento fiscal que resultou na lavratura de auto de infração e instauração do processo nº 10830.720891/201166. Assim, a incerteza e a falta de liquidez dos créditos estão baseadas nos fatos e direito discutidos naquele processo administrativo. Não se pode julgar sobre o direito de crédito aqui pleiteado sem o conhecimento do que finalmente decidido no processo administrativo nº 10830.720891/201166. Em consulta aos sistemas da Secretaria da Receita Federal do BrasilRFB, verifiquei que foi interposto recurso voluntário contra a decisão de primeira instância proferida naquele processo, logo, ele não se encontra definitivamente julgado na esfera administrativa. Por estas razões, voto por baixar o processo em diligência para que a unidade de origem aguarde decisão administrativa definitiva do CARF no processo administrativo nº 10830.720891/201166; após, junte a estes autos cópias das decisões proferidas pelo CARF naquele processo; finalmente, devolva os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Fl. 663DF CARF MF Impresso em 15/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 11/08/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 14/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 12466.723940/2012-24
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Sep 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 18/07/2007 a 27/07/2009
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA.
A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966).
IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO.
Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste.
DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL.
Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
Numero da decisão: 3403-003.188
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários.
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente.
ROSALDO TREVISAN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 18/07/2007 a 27/07/2009 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do Decreto-Lei no 1.455/1976), configura-se a interposição e aplica-se o perdimento. Segue-se, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto-Lei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presume-se por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do Decreto-Lei no 1.455/1976 enumeram-se as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente. ROSALDO TREVISAN - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista.
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PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966). IMPORTAÇÃO POR CONTA E ORDEM. PRESUNÇÃO. RECURSOS DE TERCEIRO. Conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002, a operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste. DANO AO ERÁRIO. PERDIMENTO. DISPOSIÇÃO LEGAL. Nos arts. 23 e 24 do DecretoLei no 1.455/1976 enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento das mercadorias. É inócua, assim, a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 72 39 40 /2 01 2- 24 Fl. 2777DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos recursos voluntários. ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente. ROSALDO TREVISAN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Alexandre Kern, Ivan Allegretti, Domingos de Sá Filho e Luiz Rogério Sawaya Batista. Relatório Versa o presente sobre auto de infração lavrado em 01/11/2012 (fls. 2 a 7, com ciência à empresa “VITORIACORK” Comercial Importadora e Exportadora LTDA em 20/11/2012 fl. 7231), para exigência de multa substitutiva do perdimento (prevista no art. 23, § 3o do Decretolei no 1.455/1976), no valor de R$ 816.035,40). No Relatório de Ação Fiscal (RAF) de fls. 8 a 28, narrase que: (a) a ação fiscal buscou o esclarecimento das origens dos recursos aportados nas contas Caixa e Bancos e a comprovação dos recebimentos das vendas representadas pelas Notas Fiscais de saída dos produtos importados, visto que os lançamentos contábeis são feitos mediante siglas que não permitem esclarecer o fato contábil ocorrido (v.g. “rec. cf. crédito” e “rec. cf. depósito”); (b) a empresa não apresentou duplicatas ou boletos bancários atestando o recebimento as vendas, informando apenas que os pagamentos se deram por TED e DOC (transferências bancárias ou documentos de ordem de crédito bancário); (c) tendo em conta que os valores, em regra, transitavam pela contacorrente 18309 (Banco do Brasil), e examinando os correspondentes extratos bancários 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 2778DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.778 3 fornecidos, foram localizados depósitos, tendo sido considerados como comprovados todos os pagamentos de Notas Fiscais que puderam ser associados a tais depósitos, chamando a atenção alguns valores que representaram antecipações de clientes para cobrir gastos na importação de produtos que em seguida lhes eram destinados; (d) são apontados, na sequência, vários indícios de que a empresa “CORTICEIRA” era a verdadeira interessada em algumas importações patrocinadas pela “VITORIACORK”: (1) no período fiscalizado foram importados basicamente rolhas de cortiça destinadas à indústria vinícola e cortiça natural (material no qual é especializada a “CORTICEIRA”, que detém 70% do mercado nacional no ramo de cortiça); (2) a “VITORIACORK” sempre atuou somente com um funcionário, em Vitória/ES, com salário de R$ 533,00, e sede em sala de no máximo 35m2 (para acompanhar a ação fiscal, foi designada pela empresa uma contadora que possuía escritório em outro município); (3) o despachante aduaneiro da empresa, encontrado na sede, respondeu que o único funcionário da empresa havia pedido demissão há alguns meses, e que ele utilizava aquele espaço gratuitamente, e que a maioria de despachos em que atua é da “VITORIACORK”, já estando ali há cerca de um ano e meio, destacando que os sócios da empresa apareciam no máximo de dois em dois meses, sendo que o sócio José NORBERTO Pinto Coelho comparece na empresa acompanhado pela senhora ALAIDE dos Santos Cunha, funcionária da “CORTICEIRA”; (4) sobre a sistemática de importação, respondeu o despachante que as negociações e contatos com clientes e com a transportadora são feitos pela senhora ALAIDE (“CORTICEIRA”), que as contas recebidas por ele (água, aluguel, condomínio...) são escaneadas e enviadas à empresa EXACTA Contabilidade, que cuida do assunto, que os pedidos dos clientes são dirigidos para a senhora ALAIDE (“CORTICEIRA”), que retransmite a ele, para que ele emita as Notas Fiscais de Venda, devolvendoas a ela, com cópia para o depósito particular e para a transportadora, e que o controle da cobrança das vendas é feito pela “CORTICEIRA”, em São Paulo, e pela senhora ALAIDE; (5) a “VITORIACORK” tem capital social de R$ 124.263,00, incompatível com os dispêndios do ano de 2010 (R$ 2,10 milhões), e não conseguiu comprovar, por exemplo, diversos empréstimos de sócios registrados na contabilidade, mesmo reintimada por Fl. 2779DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 4 diversas vezes, limitandose a afirmar, por fim, que haviam sido os documentos extraviados; (6) os sócios da “VITORIACORK” sempre tiveram domicílio em Jundiaí/SP, cidade onde está localizada a “CORTICEIRA”, que também pertence aos sócios e está sob ação fiscal; (7) a própria empresa “VITORIACORK” reconhece que quem a representa em tratativas internacionais de comércio exterior são os sócios e a senhora ALAIDE, funcionária da “CORTICEIRA”; (8) a senhora ALAIDE (“CORTICEIRA”) é quem assina os contratos de câmbio para pagamento das importações (ainda que não tenha sido apresentado instrumento de procuração que a autorize a representar a “VITORIACORK”); (9) a “VITORIACORK” não detém informação pormenorizada sobre custos, despesas, margem e lucro operacional, necessários à formação de preços de venda; e (10) a “VITORIACORK”, mesmo tendo efetuado diversas compras e vendas em 2009, apresentou DCTF e DIPJ com campos zerados no período; (e) com base nos indícios, foram verificadas objetivamente cinco importações efetuadas pela “VITORIACORK”, comprovandose que seu nome foi cedido para acobertar o verdadeiro sujeito passivo na importação, a “CORTICEIRA”, que ainda adiantava recursos sem os quais as importações não se realizariam; (f) em relação à declaração de importação (DI) no 07/09463213 (ref. Despacho vixcork 01/07), registrada em 18/07/2007 (desembaraço em 20/07/2007), por conta própria da “VITORIACORK”, sem a informação de existência de terceiros, destacase que: (1) mesmo considerando regulares os empréstimos dos sócios, não havia recursos disponíveis na “VITORIACORK” para pagar sequer os tributos devidos na importação (o saldo da conta caixa era R$ 2.981,52, e o da conta bancos era zero), tendo havido no dia 17/07/2007 transferência de crédito bancário de R$ 65.000,00 da “CORTICEIRA” para a “VITORIACORK”, e, logo depois (09/08 e 19/09/2007), a emissão de notas fiscais de venda para a “CORTICEIRA”, totalizando R$ 97.666,80 (valor que na “VITORIACORK” foi compensado contabilmente do crédito de R$ 65.000,00, havendo transferência bancária posterior no valor da diferença); (g) na DI no 08/20266595 (ref. Despacho Vitoriacork 01/08), registrada em 19/12/2008 (desembaraço em 22/08/2008), também por conta própria da “VITORIACORK”, sem a informação de existência de terceiros, o adiantamento foi de R$ 40.000,00 (na Fl. 2780DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.779 5 conta indicada para débito dos tributos devidos na importação, que foi efetuado sete dias depois, no valor de R$ 40.004,75), tendo também sido transferidos recursos pouco antes do correspondente fechamento de câmbio (caso contrário, não haveria saldo para cobrir a remessa cambial); (h) na DI no 09/05083681 (ref. Despacho VC 02), registrada em 24/04/2009 (desembaraço em 27/04/2009), também por conta própria da “VITORIACORK”, sem a informação de existência de terceiros, houve adiantamentos para pagamento de transporte (R$ 5.000,00), para pagamento de ICMS/multa (R$ 12.000,00), sendo que o contribuinte, mesmo intimado por diversas vezes, não comprovou a origem de depósito em conta mantida no Banco Banestes (valor de R$ 33.139,37), a título de antecipação de clientes; (i) na DI no 09/071135590 (ref. Despacho VC 03), registrada em 05/06/2009 (desembaraço em 08/06/2009), também por conta própria da “VITORIACORK”, sem a informação de existência de terceiros, houve adiantamento (de R$ 30.000,00) necessário ao débito dos tributos devidos na importação, sem o qual não haveria saldo para o registro da declaração; (j) na DI no 09/09668510 (ref. Despacho VC 04), registrada em 27/07/2009 (desembaraço em 28/07/2009), também por conta própria da “VITORIACORK”, sem a informação de existência de terceiros, o adiantamento, também às vésperas do registro da declaração, suprindo saldo que seria insuficiente para o pagamento dos tributos devidos na importação, é de R$ 32.705,17 (depositados pela “CORTICEIRA”); (k) pela intensa atuação nas operações, pela sociedade em comum (com prática de conluio para ocultação do sujeito passivo), pelo fato de a gerência dos negócios da “VITORIACORK” ser efetuada por funcionária da “CORTICEIRA”, funcionária essa que também assinava contratos de câmbio da “VITORIACORK” sem demonstração de procuração específica, e pela remessa sistemática de recursos antecipadamente às importações, foi arrolada como responsável solidária a empresa “CORTICEIRA”; Fl. 2781DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 6 (l) acrescentase ainda que nas descrições das mercadorias nas DI registradas pela “VITORIACORK” havia indicações de vinícolas tradicionais brasileiras, que coincidiam com as vinícolas clientes e constantes das notas fiscais de saída da “CORTICEIRA”; e (m) tipificada assim está a conduta prevista no art. 23, V do Decretolei no 1.455/1976, e, considerando que as mercadorias já forma revendidas, aplicase o disposto no § 3o do mesmo art. 23 (substituição do perdimento por multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria), cabendo ainda ao ocultante a multa por cessão de nome (prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007). A empresa “VITORIACORK” apresenta impugnação em 19/12/2012 (fls. 760 a 789), sustentando que: (a) a autuação é nula por erro na identificação do sujeito passivo, visto que a pena de perdimento pode ser aplicada somente ao real importador da mercadoria, que seria o beneficiário das importações, podendo a “VITORIACORK” ser responsabilizada tão somente pela multa por cessão de nome (prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007), conforme jurisprudência do CARF (Acórdão no 310200.599), e tal penalidade foi de fato aplicada no processo administrativo no 12466.723940/201224; (b) a existência de empregados não é requisito para que se caracterize o funcionamento da pessoa jurídica, e o exercício da atividade da “VITORIACORK” não exige que ela possua empregados, bastando que seus administradores (no caso, sócios ou procuradores) pratiquem os atos necessários ao regular funcionamento; (c) para importar bens e revendêlos no mercado nacional, a “VITORIACORK” não precisa possuir espaço além de um escritório comercial, podendo a armazenagem (como é o caso) ser terceirizada; (d) não se nega a relação entre a “VITORIACORK” e “CORTICEIRA”, porque ambas estão praticamente sob o mesmo controle societário, mas tal fato não pode ser indicativo de simulação; (e) a senhora ALAIDE dos Santos Cunha, funcionária da “CORTICEIRA” há 30 anos, é pessoa de confiança dos sócios das duas empresas, e por isso assumia a condição de mandatária, tendo sim procuração (que se junt aos autos) para assinar contratos de câmbio; (f) a ideia de que cada sociedade deve corresponder a um conjunto de recursos materiais pessoais e financeiros prevaleceu até o fim do século XIX, sendo hoje comum o grupo de sociedades, com controle comum, permitindo a colaboração de sociedades sem perda das vantagens da separação de personalidades e patrimônios (assim, o fato de uma empresa utilizar alguma estrutura de outra empresa do mesmo grupo econômico, ou efetuar adiantamento de recursos, não é suficiente para afastar a distinção de personalidade e patrimônio); Fl. 2782DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.780 7 (g) as importações em análise não se deram por interesse da “CORTICEIRA”, mas tiveram por objetivo predominante a venda a outras empresas, sendo que em todas as operações a “VITORIACORK” teve lucro, conforme demonstrações individualizadas por DI fls. 774 a 780; (h) a empresa realizou ainda detalhamento dos custos das demais importações do período, que não forma objeto de autuação; (i) a empresa retificou DCTF e DIPJ do período, que, por lapso, havia deixado de ser apresentada pela assessoria fiscal e contábil contratada, tendo todas as importações realizadas pela “VITORIACORK” sido declaradas ao fisco e devidamente oferecidas à tributação; (j) os documentos apresentados (planilhas, notas fiscais e cópias de contratos de mútuo, entre outros), ao lado dos já existentes no processo, revelam a efetiva ausência de qualquer elemento que possa ensejar a aplicação da pena de perdimento; (k) o capital social de uma sociedade não revela seu patrimônio, mas apenas quanto os sócios contribuíram para a sociedade, existindo outras formas (como empréstimos, financiamentos ou o próprio produto resultante da capacidade operacional) para a sociedade obter capital de giro; (l) há acórdãos do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes (no 104 21279, no 10420364 e no 10323357) afastando autuações diante da ausência de efetiva comprovação de simulação; (m) nas importações objeto da autuação não houve simulação, pois os produtos foram vendidos também a outras empresas, sempre com lucro, a clientes de longa data da empresa, existindo provas dos pagamentos em, extratos bancários e prova de que a senhora ALAIDE tinha procuração para assinar contratos de câmbio pela “VITORIACORK”; e (n) não há qualquer comprovação de nexo de causalidade entre a simulação e resultado fiscal mais vantajoso, não se podendo aceitar lançamento de ofício com base em mera presunção. Na impugnação da responsável solidária “CORTICEIRA” (fls. 729 a 746), apresentada na mesma data (19/12/2012), alegase que: (a) a “CORTICEIRA” não teve oportunidade de contraditório e ampla defesa no procedimento administrativo fiscal, pois o auto decorreu de fiscalização a outras empresa (“VITORIACORK”); (b) sem a prévia oportunidade de a “CORTICEIRA” participar da fiscalização, a atribuição de responsabilidade solidária é inválida; Fl. 2783DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 8 (c) a pena de perdimento é de natureza administrativa, e não tributária, sendo que a responsabilidade solidária foi atribuída com base no art. 124 do Código Tributário Nacional (CTN); (d) há nulidade da autuação por indevida sujeição passiva da outra empresa “VITORIACORK”, contra a qual foi lançado o perdimento, substituído pela multa (em excerto da impugnação da “CORTICEIRA” comum à da impugnação da “VITORIACORK”); (e) não houve interposição fraudulenta, como comprovam os documentos anexados à impugnação da “VITORIACORK”; (f) o art. 124, I do CTN exige ainda comprovação de interesse comum, e jurídico, ligado ao fato gerador, inexistente nos autos (a responsabilidade solidária só poderá subsistir quando todos os sujeitos passivos tiverem realizado conjuntamente o fato gerador); e (g) os interesses das empresas, no caso, não são comuns (uma deseja importar e outra comprar/vender no mercado interno), e ainda que fossem, seriam econômicos (e não jurídicos, na nomenclatura do REsp no 884.845/SC), sendo as condutas também distintas (ocultar e ser ocultada), beneficiando apenas uma empresa (a ocultada). A decisão de primeira instância é proferida em 26/11/2013 (fls. 2656 a 2684), acordandose unanimemente pela manutenção do lançamento em relação a ambos os autuados, concluindose que não houve nulidade processual, e, no mérito, que: (a) houve ocultação do real adquirente (“CORTICEIRA”) pela “VITORIACORK”, nas importações objeto da autuação, o que de depreende da inexistência de estrutura para importação, da não comprovação de empréstimos, da não comprovação do pagamento de vendas de uma empresa à outra, em detrimento do princípio contábil da entidade, da falta de apresentação de declarações (ainda que retificadas após a fiscalização), e do mando externo em relação às transações comerciais da “VITORIACORK”; (b) o processo administrativo admite o uso de presunções simples (que não se confundem com conjecturas ou suposições), que se coadunam com a verdade material, manifestandose na livre convicção do julgador, e os documentos apresentados pelas impugnantes não chegaram a alterar as conclusões sobre o quadro probatório produzido pela fiscalização; (c) o fato de haver apenas importações não autuadas no período fiscalizado não significa que nas cinco DI objeto da autuação não houve ocultação (é perfeitamente possível haver ocultação em parte das importações); (d) a “CORTICEIRA” participou ativamente das importações da “VITORIACORK”, com recursos humanos e financeiros, cabendo a responsabilização solidária, conforme art. 27 da Lei no 10.637/2002 (também constante no Termo de Sujeição Passiva); (e) a multa substitutiva do perdimento tem natureza mista (administrativa e tributária), cabendo a referência ao art. 124 do CTN na responsabilização, pois as prestações estabelecidas na legislação aduaneira são obrigações acessórias, que, quando descumpridas, convertemse em obrigação principal; e (f) a aplicação da penalidade prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007 não afasta a aplicação da pena de perdimento (como entendeu recentemente o CARF de forma unânime Acórdão no 3202 00.276). Fl. 2784DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.781 9 Cientificada da decisão de piso em 05/02/2014 (fl. 2691) a empresa “VITORIACORK” apresenta seu recurso voluntário em 18/02/2014 (fls. 2693 a 2726), basicamente reiterando a argumentação exposta na impugnação, acrescentando que a decisão da DRJ é contraditória, pois defende a autuação mesmo sendo a maior parte das operações de importação da empresa reconhecidas como legítimas, e incluindo ao final quadro comparativo com as premissas adotadas na decisão recorrida e os elementos apresentados pela empresa no processo. A empresa “CORTICEIRA”, por sua vez, cientificada da decisão de piso em 24/01/2014 (fl. 2731), apresenta seu recurso voluntário em 18/02/2014 (fls. 2733 a 2773), também reiterando a argumentação exposta na impugnação, e fazendo menção à mesma contradição apontada no recurso da “VITORIACORK”, também agregando ao final quadro comparativo de teor semelhante, inclusive com menção às imputações efetuadas em face da “VITORIACORK”. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator Os recursos preenchem os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, deles se toma conhecimento. Preliminarmente, há que se analisar a alegação recursal de que a “CORTICEIRA” não teve oportunidade de contraditório e ampla defesa no procedimento administrativo fiscal, pois o auto decorreu de fiscalização a outras empresa (“VITORIACORK”), e que sem a prévia oportunidade de a “CORTICEIRA” participar da fiscalização, a atribuição de responsabilidade solidária é inválida. É de se destacar que ambas as empresas tiveram oportunidade de defesa, assegurado o contraditório, durante toda a fase contenciosa do processo fiscal, e que comprovada a previsão legal de responsabilidade solidária, a ausência de procedimento fiscal prévio específico não tem o condão de invalidar a imputação em relação à empresa. No que se refere à alegação, ainda em sede preliminar, de que houve erro na identificação do sujeito passivo, visto que a pena de perdimento pode ser aplicada somente ao real importador da mercadoria, que seria o beneficiário das importações, podendo a “VITORIACORK” ser responsabilizada tão somente pela multa por cessão de nome (prevista no art. 33 da Lei no 11.488/2007), cabe esclarecer que a pena de perdimento (assim como a multa que a substitui) pode, por força do disposto no art. 95 do Decretolei no 37/1966, expressamente referido na autuação, ser aplicada a ambas as empresas, como já assentou esta turma: “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENALIDADES. CUMULATIVIDADE. MULTA. PERDIMENTO. Fl. 2785DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 10 A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Em tal hipótese, não há que se cogitar da aplicação da multa pelo acobertamento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do DecretoLei no 37/1966) e a multa por acobertamento afeta somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”.” (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30.jan.2014) (grifo nosso) “INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PRESUMIDA E COMPROVADA. A interposição, em uma operação de comércio exterior, pode ser comprovada ou presumida. A interposição presumida é aquela na qual se identifica que a empresa que está importando não o faz para ela própria, pois não consegue comprovar a origem, a disponibilidade e a transferência dos recursos empregados na operação. Assim, com base em presunção legalmente estabelecida (art. 23, § 2o do DecretoLei no 1.455/1976), configurase a interposição e aplicase o perdimento. Seguese, então, a declaração de inaptidão da empresa, com base no art. 81, § 1o da Lei no 9.430/1996, com a redação dada pela Lei no 10.637/2002. A interposição comprovada é caracterizada por um acobertamento no qual se sabe quem é o acobertante e quem é o acobertado. A penalidade de perdimento afeta materialmente o acobertado (em que pese possa a responsabilidade ser conjunta, conforme o art. 95 do Decreto Lei no 37/1966), embora a multa por acobertamento (Lei no 11.488/2007) afete somente o acobertante, e justamente pelo fato de “acobertar”. (Acórdão no 3403002.894, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 27.mar.2014) (grifo nosso) A autuação deriva de procedimento iniciado com a verificação das origens dos recursos aplicados em operações de comércio exterior pela empresa “VITORIACORK”. A partir da constatação de diversos indícios de irregularidades (lançamentos contábeis feitos mediante siglas que não permitem esclarecer o fato contábil ocorrido; não apresentação de duplicatas pela empresa, atestando o recebimento das vendas; estrutura precária, sem funcionários, com sede modesta, na qual só foi encontrado o despachante, que enviava contas escaneadas para escritório contábil e pedido de clientes para funcionária de empresa diversa “CORTICEIRA”; capital social incompatível com o volume transacionado e com dispêndios; falta de domínio sobre custos, despesas e margem de lucro operacional; e apresentação de DIPJ e DCTF em 2009 com campos zerados, apesar de intensa movimentação de compras/vendas; entre outros), a fiscalização aduaneira detecta relação íntima entre a “VITORIACORK” e a “CORTICEIRA” (relação que não é objeto de refutação, sendo inconteste nos autos), e Fl. 2786DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.782 11 protagonizada pela Sra. ALAIDE, funcionária da “CORTICEIRA”, que assinava contratos de câmbio da “VITORIACORK” (o que também é inconteste nos autos), e, segundo informado pelo despachante, a quem eram dirigidos os pedidos dos clientes da “VITORIACORK”, e quem lhe transmitia as Notas Fiscais de Venda, e controlava a cobrança. Nesse cenário, o fisco identifica, entre as importações da “VITORIACORK”, cinco declarações de importação nas quais comprova, mediante extratos bancários, que se não houvesse antecipação de valores pela empresa “CORTICEIRA”, a “VITORIACORK” sequer teria como saldar os tributos debitados automaticamente em conta corrente (por meio do Sistema Integrado de Comércio Exterior SISCOMEX). Comprovada a antecipação de recursos à “VITORIACORK” pela “CORTICEIRA”, nas cinco declarações de importação, restou caracterizada a situação descrita no art. 27 da Lei no 10.637/2002 (expressamente referido na autuação): “Art. 27. A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001.” E os citados arts. 77 a 81 da Medida Provisória no 2.15835/2001 estabelecem que: “Art. 77. O parágrafo único do art. 32 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966, passa a vigorar com a seguinte redação: “Art. 32. (...) (...) Parágrafo único. É responsável solidário: I o adquirente ou cessionário de mercadoria beneficiada com isenção ou redução do imposto; II o representante, no País, do transportador estrangeiro; III o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso de importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 78. O art. 95 do DecretoLei nº 37, de 1966, passa a vigorar acrescido do inciso V, com a seguinte redação: “V conjunta ou isoladamente, o adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora.” (NR) Art. 79. Equiparamse a estabelecimento industrial os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora. Art.80. A Secretaria da Receita Federal poderá: Fl. 2787DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 12 (...) Art.81. Aplicamse à pessoa jurídica adquirente de mercadoria de procedência estrangeira, no caso da importação realizada por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora, as normas de incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre a receita bruta do importador.” (grifo nosso) Resta assim caracterizada a responsabilidade solidária e a responsabilidade conjunta ou isolada por infração (além da equiparação a estabelecimento industrial), também por força de disposição legal. E o silogismo se encerra com outro fundamento legal citado na autuação, o art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976: “Art. 23. Consideramse dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias: (...) V estrangeiras ou nacionais, na importação ou na exportação, na hipótese de ocultação do sujeito passivo, do real vendedor, comprador ou de responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, inclusive a interposição fraudulenta de terceiros. (...) § 3o A pena prevista no § 1o convertese em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou que tenha sido consumida. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30.12.2002)” (grifos nossos) Assim, das referidas normas deriva inequivocamente que a simples utilização dos recursos de terceiros (no caso, os comprovados adiantamentos da “CORTICEIRA” à “VITORIACORK”) configura importação por conta e ordem, seja para efeito de atribuição de responsabilidade solidária, seja para equiparação a estabelecimento industrial de ambas as empresas, seja para responsabilização pela prática, conjunta ou isolada, de infrações. A operação em questão é, então, considerada como conta e ordem, não porque o importador o tenha declarado nas respectivas importações (também é incontroverso que a “VITORIACORK” não informou em suas importações que a mercadoria se destinava a terceiros, no caso das operações aqui analisadas, a “CORTICEIRA”, que previamente já lhe havia adiantado recursos), mas por presunção legal. Que a empresa a “VITORIACORK” não possuía recursos para débito em conta dos valores referentes aos tributos devidos na importação, resta cristalino e documentado nos autos (não havendo prova em contrário). Assim, chegase à conclusão de que a “VITORIACORK” não poderia ser a real adquirente das mercadorias. Caracterizada assim a interposição fraudulenta, resta saber se a interposição seria presumida ou comprovada. Não sendo possível identificar o real adquirente, estaríamos diante do que se convencionou chamar de “interposição presumida”, por força da presunção estabelecida no § 2o do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976: “presumese interposição fraudulenta na operação de comércio exterior a nãocomprovação da origem, disponibilidade e transferência dos recursos empregados”. Fl. 2788DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.783 13 Não é o caso dos autos, no qual a interposição é comprovada, pois foi identificada a fonte dos recursos antecipados: a empresa “CORTICEIRA”. Essa é a clara motivação da autuação (fl. 24): “Nas importações referentes às declarações de importação aqui tratadas, sistematicamente a empresa Corticeira Paulista LTDA remetia recursos sem os quais o contribuinte não teria como pagar os impostos devidos no registro da declaração de importação.” (grifos no original) Contudo, ambas as empresas acabam concentrando seus recursos voluntários em diversos temas que não afetam o fundamento básico da autuação. A maior parte dos argumentos apresentados nas impugnações, ainda que fosse procedente, produziriam efeitos somente sobre os indícios que levaram à descoberta, e não sobre o resultado da fiscalização: a comprovação da antecipação de recursos pela “CORTICEIRA” à “VITORIACORK” nas cinco declarações de importação, nas quais a “VITORIACORK” declarava que a importação era por sua conta própria, ocultando a antecipadora de recursos, e fazendo incidir a presunção do art. 27 da Lei no 10.637/2002, que dá início ao silogismo anteriormente empreendido. Nesse grupo de refutações de indícios (que não afetam o resultado da fiscalização) destacamse as seguintes afirmações recursais: (a) que a existência de empregados não é requisito para que se caracterize o funcionamento da pessoa jurídica; (b) que o exercício da atividade da “VITORIACORK” não exige que ela possua empregados, bastando que seus administradores (no caso, sócios ou procuradores) pratiquem os atos necessários ao regular funcionamento; (c) que para importar bens e revendêlos no mercado nacional, a “VITORIACORK” não precisa possuir espaço além de um escritório comercial, podendo a armazenagem (como é o caso) ser terceirizada; (d) que a senhora ALAIDE dos Santos Cunha, funcionária da “CORTICEIRA” há 30 anos, é pessoa de confiança dos sócios das duas empresas, e por isso assumia a condição de mandatária, tendo sim procuração para assinar contratos de câmbio em nome da “VITORIACORK”; (e) que a empresa retificou DCTF e DIPJ do período, que, por lapso, havia deixado de ser apresentada pela assessoria fiscal e contábil contratada, tendo todas as importações realizadas pela “VITORIACORK” sido declaradas ao fisco e devidamente oferecidas à tributação; e (f) que o capital social de uma sociedade não revela seu patrimônio, mas apenas quanto os sócios contribuíram para a sociedade, existindo outras formas (como empréstimos, financiamentos ou o próprio produto resultante da capacidade operacional) para a sociedade obter capital de giro. Como dito acima, o cerne da autuação reside na comprovação da antecipação de recursos pela “CORTICEIRA” à “VITORIACORK” nas cinco declarações de importação, nas quais a “VITORIACORK” declarava que a importação era por sua conta própria, ocultando a antecipadora de recursos, e fazendo incidir a presunção do art. 27 da Lei no 10.637/2002. Sobre a antecipação, e a ocultação, sustentam as recorrentes que: (a) não se nega a relação entre a “VITORIACORK” e “CORTICEIRA”, porque ambas estão praticamente sob o mesmo controle societário, mas tal fato não pode ser indicativo de simulação; e (b) a ideia de que cada sociedade deve corresponder a um conjunto de recursos materiais pessoais e financeiros prevaleceu até o fim do século XIX, sendo hoje comum o grupo de sociedades, com controle comum, permitindo a colaboração de sociedades sem perda Fl. 2789DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 14 das vantagens da separação de personalidades e patrimônios (assim, o fato de uma empresa utilizar alguma estrutura de outra empresa do mesmo grupo econômico, ou efetuar adiantamento de recursos, não é suficiente para afastar a distinção de personalidade e patrimônio). Ou seja, os adiantamentos comprovados pelo fisco não são confrontados, mas aceitos e descartados, por não serem suficientes para afastar a distinção de personalidade e patrimônio. Contudo, já se aclarou aqui que o adiantamento faz incidir a presunção do art. 27 da Lei no 10.637/2002, de que a importação foi por conta e ordem, ocasionando as consequências já narradas. Seguemse outras argumentações recursais igualmente irrelevantes, por não atacarem o fundamento da autuação: de que as cinco importações em análise não se deram por interesse da “CORTICEIRA”, mas tiveram por objetivo predominante a venda a outras empresas, sendo que em todas as operações a “VITORIACORK” teve lucro; de a empresa realizou ainda detalhamento dos custos das demais importações do período, que não foram objeto de autuação; e de que não houve simulação ou interposição fraudulenta, conforme documentos anexados (que sequer tangenciam o tema dos adiantamentos comprovados pelo fisco). Sobre o argumento de que não há qualquer comprovação de nexo de causalidade entre a simulação e resultado fiscal mais vantajoso, não se podendo aceitar lançamento de ofício com base em mera presunção, há que se recordar que o lançamento foi efetuado com base em prova de realização de adiantamentos (não afastada pelas recorrentes), que, sim, fazem incidir presunção legalmente estabelecida. Mas que a autuação para aplicação da penalidade discutida nos presentes autos não demanda comprovação necessária de resultado fiscal mais vantajoso. É cristalino que o texto do art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976 (essencialmente no caput e no § 1o) não está a dizer que só quando ocasionarem dano ao Erário as infrações ali referidas serão punidas com o perdimento. Ele está, sim, trazendo claramente duas afirmações: (a) as infrações ali relacionadas consideramse dano ao Erário; e (b) o dano ao Erário é punido com o perdimento. Disso, silogisticamente se pode afirmar que as infrações ali relacionadas são punidas com o perdimento. Não há margem, no texto, para discussão se houve ou não dano ao Erário. Aliás, as disposições do DecretoLei surgem exatamente para regulamentar dispositivo constitucional (art. 150, § 11 da Constituição de 1967: “Não haverá pena de morte, de prisão perpétua, de banimento, ou confisco, salvo nos casos de guerra externa psicológica adversa, ou revolucionária ou subversiva nos termos que a lei determinar. Esta disporá também, sobre o perdimento de bens por danos causados ao Erário, ou no caso de enriquecimento ilícito no exercício de cargo, função ou emprego na Administração Pública, Direta ou Indireta”), como se depreende de sua Exposição de Motivos (item 17): “17. Nos artigos 23 e 24, com fulcro no artigo 153 da Lei Magna, enumeramse as infrações que, por constituírem dano ao Erário, são punidas com a pena de perdimento dos bens. De fato, todas as hipóteses arroladas, quase todas já existentes em legislação anterior, representam um comprometimento a dano de nossas reservas cambiais e uma inadimplência de obrigações tributárias essenciais.”(grifo nosso) Assim, é inócua a discussão sobre a existência de dano ao Erário nos dispositivos citados, visto que o dano ao Erário decorre do texto da própria lei (em verdade, Fl. 2790DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 12466.723940/201224 Acórdão n.º 3403003.188 S3C4T3 Fl. 2.784 15 decretolei, com força de lei). E por mais que se sustentasse eventual inconstitucionalidade da norma, careceria este tribunal de competência para avaliar a matéria, em face da Súmula CARF no 2. Assim tem esta turma decidido unanimemente em diversos julgados recentes.2 Por fim, em relação à responsabilização, cabe destacar que a leitura das recorrentes de que a responsabilidade solidária é atribuída exclusivamente com base no art. 124, I do CTN é descontextualizada (sendo irrelevantes também os argumentos que desejam concentrarse somente em tal enquadramento). Basta verificar os fundamentos da autuação para notar a presença do art. 95 do Decretolei no 37/1966, que, como já destacado de início, expressamente prevê a responsabilização conjunta ou isolada das empresas. Concluise, assim, que as recorrentes, sem possibilidade de rechaçar a comprovação efetuada pelo fisco discutem em sede recursal temas acessórios, que não afetam o fundamento básico da autuação. A configuração da conta e ordem é que se dá por presunção legal (art. 27 da Lei no 10.637/2002), diante dos depósitos de antecipação comprovados. Ademais, reiterese que o fato de que ter a “CORTICEIRA” adiantado recursos à “VITORIACORK” é incontroverso nos autos. Ou seja, o procedimento de verificação de origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior em face da “VITORIACORK” resultou na conclusão de que ela não tinha sequer recursos em sua contacorrente para o débito dos tributos devidos na data de registro da declaração de importação, necessitando de antecipações da “CORTICEIRA” para realizar as operações que declarava realizar por conta própria, fazendo incidir o art. 27 da Lei no 10.637/2002, combinado com o art. 23 do DecretoLei no 1.455/1976, e com o art. 95 do Decretolei no 37/1966. Pelo exposto, voto no sentido de negar provimento aos recursos voluntários apresentados. Rosaldo Trevisan 2 Acórdão n. 3403002.255, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 23.mai.2013; Acórdão n. 3403 002.435, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 24.set.2013; Acórdão n. 3403002.842, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, Sessão de 25.mar.2014. Fl. 2791DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN 16 Fl. 2792DF CARF MF Impresso em 16/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 03/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 26/08/2014 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11610.002741/2003-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Sep 16 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2000
INCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS.
A inclusão na sistemática do Simples com efeitos retroativos está condicionada à demonstração, pela empresa, de que não exerce nenhuma atividade impeditiva e atende às demais exigências legais.
INSTALAÇÃO, MONTAGEM E REPARAÇÃO DE GERADORES, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. FORNECIMENTO DE LAUDOS TÉCNICOS E EMISSÃO DE ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA (ART). Restando evidenciado que a contribuinte realiza atividades típicas de engenheiro, ou assemelhados, válida se mostra a decisão que indeferiu sua inclusão retroativa no SIMPLES.
Numero da decisão: 1101-000.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva, que dava provimento, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga.
VALMAR FONSECA DE MENEZES - Presidente.
MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO - Presidente para efeito de formalização de acórdão.
JOSÉ RICARDO DA SILVA - Relator
EDELI PEREIRA BESSA Redatora Designada
JOSELAINE BOEIRA ZATORRE - Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (Vice-Presidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga
Nome do relator: JOSE RICARDO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples Ano-calendário: 2000 INCLUSÃO COM EFEITOS RETROATIVOS. A inclusão na sistemática do Simples com efeitos retroativos está condicionada à demonstração, pela empresa, de que não exerce nenhuma atividade impeditiva e atende às demais exigências legais. INSTALAÇÃO, MONTAGEM E REPARAÇÃO DE GERADORES, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. FORNECIMENTO DE LAUDOS TÉCNICOS E EMISSÃO DE ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA (ART). Restando evidenciado que a contribuinte realiza atividades típicas de engenheiro, ou assemelhados, válida se mostra a decisão que indeferiu sua inclusão retroativa no SIMPLES.
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A inclusão na sistemática do Simples com efeitos retroativos está condicionada à demonstração, pela empresa, de que não exerce nenhuma atividade impeditiva e atende às demais exigências legais. INSTALAÇÃO, MONTAGEM E REPARAÇÃO DE GERADORES, MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. FORNECIMENTO DE LAUDOS TÉCNICOS E EMISSÃO DE ANOTAÇÃO DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA (ART). Restando evidenciado que a contribuinte realiza atividades típicas de engenheiro, ou assemelhados, válida se mostra a decisão que indeferiu sua inclusão retroativa no SIMPLES. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, foi NEGADO PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Relator José Ricardo da Silva, que dava provimento, divergindo os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Valmar Fonseca de Menezes. Designada para redigir o voto vencedor a Conselheira Edeli Pereira Bessa. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Diniz Raposo e Silva, suplente convocado para substituir a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga. VALMAR FONSECA DE MENEZES Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 00 27 41 /2 00 3- 14Fl. 178DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 2 MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO Presidente para efeito de formalização de acórdão. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator EDELI PEREIRA BESSA – Redatora Designada JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Valmar Fonseca de Menezes (Presidente), José Ricardo da Silva (VicePresidente), Edeli Pereira Bessa, Benedicto Celso Benício Júnior, Carlos Eduardo de Almeida Guerreiro e Diniz Raposo e Silva (Suplente Convocado). Ausente, justificadamente, a Conselheira Nara Cristina Takeda Taga Relatório CAUTRONICA LTDA. ME, já qualificada nos presentes autos, interpõe recurso voluntário a este Colegiado (fls. 86/87), contra o Acórdão nº 1612.641, de 07/03/2007 (fls. 78/84), proferido pela colenda 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, que indeferiu a inclusão da Recorrente no SIMPLES. Calcado no Ato Declaratório Interpretativo 16 de 02/10/2000, a recorrente solicitou sua inclusão no Simples em 20/02/2003, com efeitos retroativos à 09/02/2000 (fls. 01). Acompanharam sua solicitação as cópias autenticadas do Contrato Social (fls. 02/04). A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo, ao apreciar o pleito, indeferiu o pleito por intermédio da Decisão Dicat 623/2005 (fls. 51), sob a justificativa de que a atividade econômica exercida pela recorrente estava impedida de optar pelo Simples, nos termos do inciso XIII do art. 9º da Lei 9.317/96, regulamentado pela IN SRF 355 ,de 29/08/2008. Ciente do indeferimento em 23/02/2005 (fls. 52verso), a recorrente apresentou manifestação de inconformidade (fls. 53/54), com os seguintes argumentos: a) quando da sua inscrição no CNPJ, fez constar a opção pelo Simples, contudo não sabe explicar os motivos para que o registro junto a Receita Federal não ter sido realizado; Fl. 179DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.002741/200314 Acórdão n.º 1101000.603 S1C1T1 Fl. 11 3 b) ao apresentar a Declaração IRPJSIMPLES, exercício de 2001, ano calendário2000, via internet, o sistema recusou, sendo obrigado a entregala diretamente na Receita Federal; c) em 2002 novamente não conseguiu entregar a Declaração de IRPJ SIMPLES via internet, entregandoa diretamente a Receita Federal; d) como o problema continuou em 2003, alega ter recebido orientação da Receita Federal para que pedir a Retificação de OfícioOpção pelo Simples, o que originou o processo 11610.002741/200314, em 20/02/2003; e) a prestação de serviços de instalação, reparação e manutenção de geradores de corrente contínua (gerador de energia elétrica), constante do contrato constitutivo, não se encontra devidamente caracterizada no item XIII do art. 9º da Lei 9.317/96, da Vedação à Opção Pelo Simples, tampouco no item XII do art. 20 da Instrução Normativa SRF 355, de 29/08/2003; f) que suas atividade é semelhante a atividade de mecânico de automóveis, mecânicos de refrigeração e etc., atividades permitidas a opção pelo Simples; g) ressalta que a Lei 10.964/2004 veio para evitar qualquer dúvida a respeito; h) considerando que a Recorrente não se encontra relacionada ao rol das vedações a opção pelo Simples e que recolheu o Imposto de Renda pelo Simples desde sua constituição, apresentando as Declarações de Imposto de Renda anualmente, requerer a Retificação de Ofício e Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para incluíla no Simples, retroativamente a sua abertura, de acordo com o Ato Declaratório Interpretativo SRF 16, de 02/10/2002. Ao apreciar a Manifestação de Inconformidade da Recorrente, a 3ª Turma de Julgamento da DRJ/SPOI, que indeferiu a inclusão da Recorrente no SIMPLES, conforme se extrai de sua ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples. Anocalendário: 2000 Ementa: INCLUSÃO COM EFETIOS RETROATIVOS. A inclusão na sistemática do Simples com efeitos retroativos está condicionada à demonstração, pela empresa, de que não exerce nenhuma atividade impeditiva e atende às demais exigências legais. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 4 OPÇÃO. PROVA. A apresentação de cópia do comprovante de inscrição no CNPJ, desacompanhada de prova de solicitação concomitante do evento de opção pelo regime simplificado (301), não autoriza o reconhecimento da opção pelo Simples. Solicitação Indeferida. Cientificada da decisão em 08/03/2002 (fls. 37), encaminhou Recurso Voluntário (fls. 38/39), com os seguintes fundamentos: i) o voto do relator, no item 21, esclarece que a vedação é para a pessoa jurídica que preste serviços profissionais, “devendose assentar o fato de que basta o exercício da prestação de serviços de manutenção de geradores, com ou sem supervisão, assinatura ou execução por profissional regulamentado, para que a opção pelo simples seja vedada. Diante disso, mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, não poderá permanecer no regime simplificado, porquanto se tratar de exercício de atividades assemelhadas à profissão de engenheiro”. j) Até uma pilha RayoVac é gerador de energia elétrica, e que o princípio gerador de energia elétrica é o “atrito”; k) as pilhas e baterias são acumuladores de energia. Quando se usa a energia acumulada até o final, acabase a bateria ou a pilha. Mas no caso dos geradores, eles são alimentados para produzir energia constantemente; l) um gerador nada mais é que um motor, um dispositivo especial para fornecer energia elétrica quando falta, e para sua manutenção não é necessário um engenheiro eletricista, da mesma forma, não é necessário um engenheiro para dar manutenção em um motor de veículo; m) assim, pede a reforma da decisão para incluílo no Simples, nos termos solicitados na exordial. Ao apreciar o pleito da Recorrente, a 1ª Câmara da 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção deste Conselho, entendeu ser necessária a conversão do julgamento em diligência, a fim de se verificar junto à sede da pessoa jurídica, as atividades de fato exercidas pela recorrente, juntando cópias de notas fiscais de serviço por amostragem (fls. 90/91). Por intermédio do Termo de Início do Procedimento Fiscal (fls. 97), foi a Recorrente intimada para apresentar as documentações necessárias, as quais foram acostadas aos autos (fls. 99/166). Ressaltar que a fiscalização confeccionou Relatório Final de Diligência Fiscal (fls. 160/161), do qual se retira as seguintes informações: Fl. 181DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.002741/200314 Acórdão n.º 1101000.603 S1C1T1 Fl. 12 5 n) a empresa possui cinco funcionários, sendo que três atuam diretamente na atividade fim, exercendo as funções de técnico de manutenção de campo, auxiliar técnico de manutenção e de estagiário eletrotécnico, todos supervisionados pelo proprietário, o Sr. Jorge Adão, detentor do registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA); o) que a Recorrente atua na prestação de serviços de instalação, reparo e manutenção de geradores elétricos, máquinas e equipamentos (fls. 99), abarcando desde reparos no alarme do grupo gerador, substituição de baterias, retificador, carregador de bateria, válvula solenóide, regulador de tensão do grupo gerador, contratos de manutenção de geradores, até fornecimento de laudos técnicos e emissão de anotação de responsabilidade técnica (ART) referentes aos serviços prestados. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro José Ricardo da Silva Como visto do relato, tratase de retorno de diligência proposta pela colenda 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção do CARF, nos termos da Resolução nº 310100.024, para que a fiscalização confirmasse se, de fato, as atividades exercidas pela recorrente referemse à instalação e manutenção de geradores elétricos, máquinas e equipamentos. Devidamente intimada, a recorrente juntou aos autos os documentos de fls. 99/166. Às fls. 160/161, o Relatório Final de Diligência Fiscal, onde a autoridade diligenciante confirma que a empresa atua na prestação de serviços de instalação, reparo e manutenção de geradores elétricos, máquinas e equipamentos, realizando reparos no alarme do grupo gerador, substituição de baterias, retificador, carregador de bateria, válvula solenóide, regulador de tensão do grupo gerador, contratos de manutenção de geradores até fornecimento de laudos técnicos e emissão de anotação de responsabilidade técnica (ART) referente serviços prestados. Do exposto acima e dos documentos constantes do processo, concluise que a Administração Tributária indeferiu o pedido de inclusão no SIMPLES, apoiada exclusivamente no contexto das atividades do contrato social da recorrente, esta, onde consta que seu objeto social cadastrado no CNAE ( Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica), possui a classificação nº 3111902, instalação, reparação e manutenção de geradores de corrente contínua ou alternada, serviços esses auxiliares e complementares da construção civil. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 6 O argumento utilizado para a não inclusão da contribuinte no regime simplificado é de que a mesma está impedida de fazer opção pelo Simples em face do exercício da atividade vedada prevista no art. 9º, inciso XIII, da Lei 9.317/1996. Por seu turno, a turma de julgamento de primeiro grau confirmou a não inclusão no regime sob o entendimento de que a reclamante também estaria impedida de fazer opção pelo Simples em face do exercício de serviços assemelhados ao de engenheiros. Consta do voto condutor do aresto recorrido que “pela transcrição dos supracitados artigos da Resolução nº 218/1973, depreendese que a competência para executar serviços na área de instalação, reparação e manutenção de geradores de corrente contínua (gerador de energia elétrica) cabe aos engenheiros e técnicos, no âmbito dessas modalidades profissionais específicas”. Outrossim, analisandose o significado do termo “assemelhado” constante do inciso XIII, do art. 9º da Lei nº 9.317/96, concluise que sua interpretação seja no sentido de que a relação de atividades desse dispositivo não seria exaustiva, incluindo qualquer atividade de prestação de serviço que tenha similaridade ou semelhança com aquelas enumeradas”. Nessas condições, é forçoso afirmar que a simples menção de uma atividade impeditiva, dentre várias, e no caso sequer claramente impeditiva, não é, por si só, motivo de exclusão do Simples. Ainda mais, havendo dúvidas sobre a efetiva possibilidade de equipar a atividade exercida a "serviços de engenharia", caberia à administração tributária colher provas que demonstrassem, inquestionavelmente, que ao menos uma das atividades efetivamente desenvolvidas pela recorrente é vedada ao Simples. Reiteradas são as decisões do Conselho de Contribuintes neste sentido, a exemplo do decidido no Acórdão 30239589, de 20/06/2008, assim ementado: SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. OBJETO SOCIAL MÚLTIPLO. ÔNUS DA PROVA. Havendo mais de uma atividade no objeto social da empresa, e nem todas vedadas à opção pelo SIMPLES, no procedimento de exclusão do regime cabe à Administração Tributária provar que a recorrente praticava pelo menos uma das atividades vedadas constantes de seu contrato social, ou mesmo não constante desse, e não à recorrente fazer prova negativa de que não praticava nenhuma atividade vedada, portanto, é indevida a exclusão. Recurso Voluntário Provido. Concluise, em razão da fundamentação legal mencionada no ADE e pelo enquadramento no inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317/96, a atividade exercida pela interessada foi tida pela administração da DRF como integrante dos serviços pertencentes à categoria de "serviços profissionais", mais especificamente, de "serviços profissionais de engenheiro", o que, entretanto, não está comprovado de fato. Aliás, também foi este o raciocínio adotado pelo relator do acórdão recorrido, o que se infere do seguinte excerto do voto: "Observese, ainda, que o termo “assemelhado” constante do inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 1996, faz incluir na vedação à opção pelo Simples qualquer atividade de prestação Fl. 183DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.002741/200314 Acórdão n.º 1101000.603 S1C1T1 Fl. 13 7 de serviço que tenha similaridade ou semelhança com aquelas enumeradas. Nessa linha de raciocínio, e tendo em conta que a vedação é para “a pessoa jurídica que preste serviços profissionais de engenheiro ou assemelhado”, devese assentar o fato de que basta o exercício de qualquer de suas atribuições, com ou sem supervisão, assinatura ou execução por profissional regulamentado, para que a opção pelo Simples seja vedada. Mesmo que os serviços sejam prestados por outro tipo de profissional ou pessoa não qualificada, a pessoa jurídica não poderá permanecer no regime simplificado, porquanto se trata do exercício de atividades assemelhadas à profissão de engenheiro”. Com a devida vênia, ouso discordar do entendimento expresso no acórdão recorrido, pois não existe sequer qualquer evidência que as atividades exercidas pela contribuinte exijam a interferência de engenheiro mecânico, ou que nela se desempenhem atividades de competência primordial de profissionais legalmente habilitados na área de engenharia. Além do mais, não há nos autos qualquer prova efetiva, cujo ônus é do fisco, que imponha o entendimento de que os serviços prestados na oficina da interessada são, no mínimo, de relativa complexidade. Cabe ressaltar que, o artigo 4º da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei n° 11.051/2004, o qual foi regulamentado pelo Ato Declaratório Executivo nº 8, de 18 de janeiro de 2005, excetuou, expressamente, da distorcida interpretação do inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317/96, retroativamente, diversos serviços de manutenção e reparação, nos seguintes termos: Art, 4° Ficam excetuadas da restrição de que trata o inciso XIII do art. 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, as pessoas jurídicas que se dediquem às seguintes atividades: (Redação dada pela Lei nº 11 051, de 2004) I — serviços de manutenção e reparação de automóveis, caminhões, ônibus e outros veículos pesados; (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) V — serviços de manutenção e reparação de aparelhos eletrodomésticos. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º Fica assegurada a permanência no Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte — SIMPLES, com efeitos retroativos à data de opção da empresa, das pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham feito a opção pelo sistema em data anterior à publicação desta Lei, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação, (Redação dada pela Lei n°11.051, de 2004) Fl. 184DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 8 § 2º As pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo que tenham sido excluídas do SIMPLES exclusivamente em decorrência do disposto no inciso XIII do art 9º da Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, poderão solicitar o retorno ao sistema, com efeitos retroativos à data de opção desta, nos termos, prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF, desde que não se enquadrem nas demais hipóteses de vedação previstas na legislação. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 3º Na hipótese de a exclusão de que trata o § 2º deste artigo ter ocorrido durante o anocalendário de 2004 e antes da publicação desta Lei, a Secretaria da Receita Federal — SRF promoverá a reinclusão de ofício dessas pessoas jurídicas retroativamente à data de opção da empresa. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 4º Aplicase o disposto no art. 2º da Lei n° 10.034, de 24 de outubro de 2000, a partir de 1º de janeiro de 2004. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004). Como visto acima, a legislação em descrita veio pacificar o entendimento no sentido de que a prestação de serviços de manutenção e conservação de máquinas e equipamentos em geral, não é atividade que possa ser caracterizada como atividade que se subsume ao art. 9º, inciso XIII, da Lei n° 9.317/96. Cabe destacar também, as inúmeras decisões proferidas pelo antigo Terceiro Conselho de Contribuintes no sentido de que o teor do artigo 17, § 2º, da Lei Complementar 123/2006, que admite no Simples Nacional as empresas dedicadas às atividades de serviços de reparação e manutenção de máquinas e equipamentos agrícolas, que o consentimento teria aplicação retroativa. Referidas atividades, dentre outras, antes da edição da Lei Complementar 123/2006, frequentemente eram equiparadas pela administração tributária a prestadoras de serviços de engenharia e excluídas do Simples com base no inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317/96. Abaixo segue a ementa de algumas decisões proferidas pelo então Terceiro Conselho de Contribuintes: SIMPLES ATIVIDADES DE ENGENHARIA CIVIL ATIVIDADES NÃO VEDADAS PELA LEI COMPLEMENTAR 123/2006 APLICAÇÃO RETROATIVA. As atividades de construção de imóveis e de engenharia em geral, inclusive sob a forma de subempreitada, não são mais vedadas ao SIMPLES nos termos do artigo 17, § 1º, inciso XIII, da LC 123/2006, Aplicação retroativa em virtude do artigo 106, inciso II, alínea "b", do Código Tributário Nacional. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO (Acórdão 30134.362, de 27/03/2008, Recurso 130.441) (No mesmo sentido os Acórdãos 30334535, 301 34.578 e 39300.020) Diante disto, de acordo com os precedentes citados, também por força do princípio da retroatividade benigna, que teria amparo no art. 106, inciso II, alínea "b", da Lei n° 5.172/66 — Código Tributário Nacional, não poderia vingar a exclusão da recorrente do Fl. 185DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO Processo nº 11610.002741/200314 Acórdão n.º 1101000.603 S1C1T1 Fl. 14 9 Simples a partir de 01/01/2002, conforme estabelece o Ato Declaratório Executivo DRF/CTA nº 126, de 07 de dezembro de 2005 (fls. 14). Na esteira destas considerações, tendo como suporte o entendimento de que os serviços prestados pela recorrente não se ajustam, em vista de sua pouca complexidade, às atividades próprias de engenheiro, e por expressamente admitidas no Simples conforme disposições do art. 4º da Lei n° 10.964/2004, posteriormente alterado pela Lei nº 11.051/2004, posteriormente regulamentada pelo Ato Declaratório Executivo nº 8, de 18 de janeiro de 2005, não vejo como manter a decisão recorrida. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário. JOSÉ RICARDO DA SILVA Relator JOSELAINE BOEIRA ZATORRE Relatora 'ad hoc' designada para formalização do acórdão. Ressalto que não estou vinculada a conteúdo dessa decisão. Voto Vencedor Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Decidiu a maioria desta Turma Julgadora que a contribuinte não poderia ter sua inclusão retroativa no SIMPLES deferida porque exercia atividade típica de engenheiro, dado que, segundo o Relatório Final de Diligência Fiscal de fls. 160/161, constatouse que, dentre outras atividades, a contribuinte fornece laudos técnicos e emite anotação de responsabilidade técnica (ART) referentes aos serviços prestados. Não se trata, portanto, da situação exposta na Súmula CARF nº 57: A prestação de serviços de manutenção, assistência técnica, instalação ou reparos em máquinas e equipamentos, bem como os serviços de usinagem, solda, tratamento e revestimento de metais, não se equiparam a serviços profissionais prestados por engenheiros e não impedem o ingresso ou a permanência da pessoa jurídica no SIMPLES Federal. No caso presente, a contribuinte responsabilizase tecnicamente pelos serviços que presta, atividade que só é possível quando praticada por um profissional legalmente habilitado, e assim se insere em uma das vedações contidas na Lei nº 9.317/96: Art. 9° Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: [...] XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, Fl. 186DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO 10 químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; [...] Ainda, a evidenciar a impossibilidade de admissão da contribuinte na sistemática simplificada de recolhimento, a autoridade fiscal consignou, em seu relatório após a diligência solicitada por este órgão julgador, que as atividades dos funcionários da empresa eram supervisionadas pelo proprietário, o Sr. Jorge Adão, detentor do registro no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA). Inócua, portanto, a pretensão da contribuinte em desmerecer as atividades por ela exercidas, centrando foco apenas na natureza dos equipamentos relativamente aos quais presta serviços. Na medida em que estes serviços não se limitam a mera manutenção ou conserto, e alcançam procedimentos que somente podem ser exercidos por engenheiros, correta se mostra a decisão que indeferiu o pleito de inclusão retroativa no SIMPLES Federal, formulado pela interessada. Por tais razões, o presente voto expressa o entendimento da maioria desta Turma Julgadora, no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. EDELI PEREIRA BESSA – Redatora Designada. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 31/07/ 2014 por JOSELAINE BOEIRA ZATORRE, Assinado digitalmente em 05/08/2014 por EDELI PEREIRA BESSA, Assi nado digitalmente em 05/08/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALADAO
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Numero do processo: 15586.000660/2010-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 19 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO.
Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR DE CONTA BANCÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
Não há nulidade em razão da ausência de intimação de cotitular de conta bancária para fins de comprovação de acréscimo patrimonial a descoberto. A obrigatoriedade de intimação de cotitular de conta bancária prevista no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e na Súmula do CARF nº 29 aplica-se apenas a lançamento tributário com fundamento em omissão de rendimentos com base em depósitos bancários.
ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SEPARAÇÃO JUDICIAL POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE.
O lançamento tributário considera a realidade dos fatos à época da ocorrência da hipótese de incidência do imposto. O fato de o contribuinte ter seu patrimônio reduzido em razão de separação judicial posterior à ocorrência do fato gerador não é causa para seu afastamento do pólo passivo da obrigação tributária.
MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. SÚMULA 14 DO CARF
A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.
MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA. PESSOA JURÍDICA. SÓCIO. TEORIA DE PERSONIFICAÇÃO
A elaboração de documentação fiscal pela pessoa jurídica com intuito de respaldar lucros não recebidos pelo contribuinte, pessoa física, é conduta da pessoa jurídica e não do contribuinte. Com base na teoria de personificação a conduta da pessoa jurídica não pode ser atribuída ao sócio, salvo comprovação de desvio de poder.
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE.
A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
Numero da decisão: 2201-002.455
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente das "Razões Aditivas de Recurso Voluntário", apenas quanto às preliminares de ilegitimidade passiva e de nulidade por falta de intimação do cônjuge, vencida a Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), que conheceu das razões aditivas em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindo-a ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) que, além disso, excluíram os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460.
Assinado Digitalmente
MARIA HELENA COTTA CARDOZO - Presidente.
Assinado Digitalmente
NATHÁLIA MESQUITA CEIA - Relatora.
Assinado Digitalmente
EDUARDO TADEU FARAH - Redator designado.
EDITADO EM: 12/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD.
Nome do relator: NATHALIA MESQUITA CEIA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR DE CONTA BANCÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há nulidade em razão da ausência de intimação de cotitular de conta bancária para fins de comprovação de acréscimo patrimonial a descoberto. A obrigatoriedade de intimação de cotitular de conta bancária prevista no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e na Súmula do CARF nº 29 aplica-se apenas a lançamento tributário com fundamento em omissão de rendimentos com base em depósitos bancários. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SEPARAÇÃO JUDICIAL POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O lançamento tributário considera a realidade dos fatos à época da ocorrência da hipótese de incidência do imposto. O fato de o contribuinte ter seu patrimônio reduzido em razão de separação judicial posterior à ocorrência do fato gerador não é causa para seu afastamento do pólo passivo da obrigação tributária. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. SÚMULA 14 DO CARF A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA. PESSOA JURÍDICA. SÓCIO. TEORIA DE PERSONIFICAÇÃO A elaboração de documentação fiscal pela pessoa jurídica com intuito de respaldar lucros não recebidos pelo contribuinte, pessoa física, é conduta da pessoa jurídica e não do contribuinte. Com base na teoria de personificação a conduta da pessoa jurídica não pode ser atribuída ao sócio, salvo comprovação de desvio de poder. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic.
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PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. CARACTERIZAÇÃO. Constitui omissão de rendimentos decorrente de variação patrimonial a descoberto quando a autoridade lançadora comprovar, à vista das declarações de rendimentos e de bens, não corresponder esse aumento aos rendimentos declarados, salvo provar que aqueles acréscimos têm origem em rendimentos não tributáveis, sujeitos a tributação definitiva ou já tributados exclusivamente na fonte. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. AUSÊNCIA DE INTIMAÇÃO DE COTITULAR DE CONTA BANCÁRIA. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. Não há nulidade em razão da ausência de intimação de cotitular de conta bancária para fins de comprovação de acréscimo patrimonial a descoberto. A obrigatoriedade de intimação de cotitular de conta bancária prevista no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e na Súmula do CARF nº 29 aplicase apenas a lançamento tributário com fundamento em omissão de rendimentos com base em depósitos bancários. ERRO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. SEPARAÇÃO JUDICIAL POSTERIOR À OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. INEXISTÊNCIA DE NULIDADE. O lançamento tributário considera a realidade dos fatos à época da ocorrência da hipótese de incidência do imposto. O fato de o contribuinte ter seu patrimônio reduzido em razão de separação judicial posterior à ocorrência do AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 60 /2 01 0- 12 Fl. 851DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 fato gerador não é causa para seu afastamento do pólo passivo da obrigação tributária. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. AUSÊNCIA DE FRAUDE, CONLUIO E SONEGAÇÃO. SÚMULA 14 DO CARF A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. MULTA QUALIFICADA OMISSÃO DE RENDIMENTOS. CONDUTA. PESSOA JURÍDICA. SÓCIO. TEORIA DE PERSONIFICAÇÃO A elaboração de documentação fiscal pela pessoa jurídica com intuito de respaldar lucros não recebidos pelo contribuinte, pessoa física, é conduta da pessoa jurídica e não do contribuinte. Com base na teoria de personificação a conduta da pessoa jurídica não pode ser atribuída ao sócio, salvo comprovação de desvio de poder. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. OBRIGATORIEDADE. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, conhecer parcialmente das "Razões Aditivas de Recurso Voluntário", apenas quanto às preliminares de ilegitimidade passiva e de nulidade por falta de intimação do cônjuge, vencida a Conselheira NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora), que conheceu das razões aditivas em maior extensão. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para desqualificar a multa de ofício, reduzindoa ao percentual de 75%. Vencidos os Conselheiros NATHÁLIA MESQUITA CEIA (Relatora) e GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado) que, além disso, excluíram os juros de mora incidentes sobre a multa de ofício. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro EDUARDO TADEU FARAH. Fez sustentação oral pelo Contribuinte o Dr. Bruno dos Santos Padovan, OAB/DF 28.460. Assinado Digitalmente MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente. Assinado Digitalmente NATHÁLIA MESQUITA CEIA Relatora. Assinado Digitalmente EDUARDO TADEU FARAH Redator designado. EDITADO EM: 12/08/2014 Fl. 852DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 3 3 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA HELENA COTTA CARDOZO (Presidente), ODMIR FERNANDES (Suplente convocado), GUILHERME BARRANCO DE SOUZA (Suplente convocado), FRANCISCO MARCONI DE OLIVEIRA, EDUARDO TADEU FARAH, NATHALIA MESQUITA CEIA. Ausente, justificadamente, o Conselheiro GUSTAVO LIAN HADDAD. Relatório Por meio do Auto de Infração de fls. 682 lavrado em 08/07/2010, exigese do Contribuinte BRUNO REIS FINAMORE SIMONI o montante de R$ 458.169,66 de imposto de renda da pessoa física (IRPF), R$ 210.024,97 de juros de mora e R$ 687.254,49 de multa de ofício qualificada, totalizando um crédito tributário de R$ 1.355.449,12 (atualizados até a data da autuação) referente ao IRPF exercício de 2006 (anocalendário 2005). O lançamento decorre de Omissão de Rendimentos, tendo em vista a Variação Patrimonial a Descoberto, onde se verificou o excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos declarados e/ou comprovados. O termo de Constatação e Encerramento da Ação Fiscal de fls. 668 relata os seguintes fatos: · Em decorrência da operação fiscal denominada “RENDIMENTOS ISENTOS”, foi enviado ao Contribuinte Termo de Início de Ação Fiscal nº 101/2008, datado de 10/03/2008, em cumprimento ao Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 07.20100.2008004250. · Considerando que o Contribuinte não apresentou todos os documentos solicitados, foram feitas requisições de informações sobre movimentação financeira (RMF) aos ao Banco Bradesco S/A, HSBC Bank Brasil S/A, Banco Santander Brasil S/A, Banco ABN AMRO Real S/A e Banco Safra S/A, os quais atenderam a RMF. · O Contribuinte quando solicitado que comprovasse a distribuição de lucros recebido da Finamore Simoni Advogados Associados apresentou a página 17 do Livro Razão (fls. 29). A pessoa jurídica, quando requisitada a demonstrar o efetivo pagamento dos dividendos ao Contribuinte, também apresentou a página 17 do Livro Razão (fls. 514). Entretanto, a fiscalização ao confrontar os dois documentos apurou que o documento entregue pela pessoa jurídica não possuía o mesmo teor do Livro apresentado pelo Contribuinte. Assim, foi requerido à pessoa jurídica que entregasse os livros Razão e Diário. · Uma vez que o Livro Diário não estava autenticado pela Junta Comercial, foi requisitado à Finamore Simoni Advogados Associados que apresentasse novo Livro Diário autenticado, vindo apresentar Livro Diário autenticado pela OAB, que contem 06 folhas a mais que o Livro Diário anteriormente apresentado. · A fiscalização verificou no Balanço Patrimonial (fls. 543) que o saldo de lucros acumulados até o anocalendário de 2004 é de R$ 325.854,09, tendo apresentado prejuízo no anocalendário de 2005 de R$ 17.323,86, informação esta que difere da informação contida no livro Razão às fls. 555. Assim, com base neste Balanço Patrimonial, não haveria que se falar em distribuição de lucros, uma vez que a pessoa jurídica não possuía lucros acumulados em montante suficiente para a distribuição. Fl. 853DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 · Instado a justificar o TED no Banco Bradesco em 03/05/2005, no valor de R$ 418.897,02, tendo como beneficiária a Fundação Banestes de Seguridade Social, o Contribuinte informou que se trata de pagamento de parcela de terreno adquirido por Finamore Simoni Advogados Associados, pois, tendo em vista que a pessoa jurídica não possuía recursos naquela data, o Contribuinte efetuou o pagamento em benefício da pessoa jurídica. · Da análise de sua Declaração de Bens e Direitos às fls. 07 e 08, a fiscalização verificou aumento patrimonial no montante de R$ 845.487,02 no anocalendário de 2005. Neste mesmo ano, o Contribuinte declarou rendimentos tributáveis recebidos de pessoas físicas no montante de R$15.000,00 e de tributação exclusiva no montante de R$ 25.121,16, totalizando R$ 40.121,16 de rendimento tributáveis, conforme fls. 06. · O Contribuinte declarou rendimentos isentos, a título de lucros distribuídos, no montante de R$ 1.2000.000,00 (fls. 05), enquanto a DIPJ da Finamore Simoni Advogados Associados, entregue em 30/06/2006 não continha informação de distribuição de lucros aos sócios. · Após recebimento do Termo de Início de Ação Fiscal, em 12/03/2008, a Finamore Simoni Advogados Associados apresentou, em 14/04/2008, Declaração Retificadora da pessoa jurídica acrescendo a ficha 47A – Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular – que informa a distribuição de R$ 1.200.000,00 ao Contribuinte, respaldando, assim, os rendimentos isentos constantes na Declaração de Ajuste Anual (DAA) do Contribuinte ora fiscalizado. · O Contribuinte apresentou ainda Balanço Patrimonial da Finamore Simoni Advogados Associados (fls. 28), onde constaria, saldo de lucros acumulados no valor de R$ 3.325.854,09, com distribuição no anocalendário de 2005, do montante de R$ 3.000.000,00, restando saldo em 31/12/2005 no valor de R$ 325.854,09. · A referida pessoa jurídica apresentou Livro Razão (de fls.439) com a mesma informação quanto ao saldo da conta lucros acumulados em 01/12/2005 e 31/12/2005. · Conforme já relatado houve ainda, apresentação de dois Livros Diários, onde o segundo apresenta algumas páginas adicionais que o inicialmente apresentado. Porém, os dois apresentam o mesmo Balanço Patrimonial, conforme fls. 543 e 645, onde se verifica que o saldo de lucros acumulados até o exercício de 2004 era de R$ 325.854,09, descaracterizando a veracidade da página do Livro Razão de fls. 514, assinado pelo próprio Contribuinte quanto à existência de lucros acumulados até o anocalendário de 2005 no valor de R$ 3.325.854,09. · Não foi apresentada qualquer documentação hábil e idônea que comprovasse o repasse do valor de R$1.200.000,00 da pessoa jurídica para a conta do Contribuinte. · De acordo com as informações colhidas junto às instituições financeiras, o Contribuinte teve dispêndios pagos com cartões de créditos no montante de R$ 184.039,35, sendo este valor 400% do valor dos rendimentos declarados como tributáveis. · Neste contexto, foi elaborado Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, relativo ao ano calendário de 2005 apurandose a infração de Variação Patrimonial a Descoberto, no montante de R$ 1.675.589,70, uma vez que os dispêndios excederam os rendimentos declarados pelo Contribuinte como tributáveis. Aqui, desconsiderouse os valores declarados a título de dividendos, em razão da não comprovação do recebimento dos mesmos. · A multa de ofício foi qualificada considerando o intuito de fraude, na medida em que o Contribuinte apresentou contabilidade forjada, com intuito de respaldar lucros não recebidos e inclusive apresentando divergências com suas próprias respostas: (i) o Contribuinte afirmou ter pago parcela referente a terreno comprado pela Finamore Simoni Advogados Associados, tendo em vista que a empresa não dispunha de numerário em maio do anocalendário de 2005, para o pagamento do valor de R$ 418.897,02. No entanto, apresentou livros contabilizando que tal Fl. 854DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 4 5 pagamento foi feito pela pessoa jurídica, quando restou comprovado o pagamento através de TED feito pelo Contribuinte, com saldo existente em sua contacorrente no Bradesco e (ii) no curso da fiscalização, foram apresentadas cópias de livros contábeis não condizentes com fatos ocorridos, com o único intuito de respaldar rendimentos isentos inseridos em sua Declaração de Ajuste Anual, para respaldar aumento patrimonial no anocalendário de 2005. · Foi lavrada a representação fiscal para fins penais, formalizada no processo nº 15586.000661/201059. O Contribuinte tomou ciência do Termo de Encerramento da Ação Fiscal em 16/07/2010 (AR Postal fls. 691), tendo apresentado Impugnação (fls. 693), tempestiva, em 12/08/2010, na qual trouxe as seguintes alegações: · AUSÊNCIA DO CUMPRIMENTO DE REQUISITOS LEGAIS PELA FISCALIZAÇÃO os Termos de Continuação de Ação Fiscal às fls. 203, 206, 210, 213 e 657 são ilegais, uma vez que não observaram os requisitos estabelecidos na Portaria/SRF nº 3.007/2001, ou seja, não constam as datas de encerramento, falta informações exigidas no § 1º do art. 12 da referida Portaria e as prorrogações não foram autorizadas pela autoridade outorgante (Delegado da Receita Federal) na forma definida no art. 13 da mesma Portaria. Requerendo assim a nulidade do auto de infração. · DO ÔNUS DA PROVA Entende que a legalidade estrita e objetiva (art. 97 do Código Tributário Nacional CTN) e a verdade material (art. 142 do CTN) exigem a necessária produção de prova objetiva e concreta pela fiscalização e a comprovação da efetiva ocorrência da hipótese de incidência do tributo, mesmo quando se trata de presunção legal. · DAS CÓPIAS DO LIVRO DIÁRIO Quanto à alegação da fiscalização no sentido de que há divergência de páginas entre as cópias dos Livros Diários apresentados, alega o Contribuinte que as cópias de fls. 450475 e 551581 apresentadas em 06/05/2010 e 06/06/2010 respectivamente, são exatamente as mesmas. A diferença de páginas devese à fl. 02 do segundo Livro apresentado e, no final, às fls. 28 a 31. Esses acréscimos de páginas não influenciaram na apuração de resultado do anocalendário de 2005. Registra, ainda, que nas cópias do Livro Diário as contas são as mesmas, os valores idênticos, sem nenhum acréscimo que modificasse o resultado do exercício. · DOS LUCROS ACUMULADOS ATÉ 2004 DISTRIBUÍDOS NO ANOCALENDÁRIO DE 2005 Quanto à alegação da fiscalização de que o saldo de lucros acumulados até o ano calendário de 2004 era de R$ 325.854,09, descaracterizando a veracidade do Razão Analítico de 01 a 31 de dezembro de 2005, no qual informa Lucros Acumulados até o ano de 2005, o valor de R$ 3.325.854,09 (fl. 514), aduz que o Balanço Patrimonial é de 31/12/2005, ou seja, anocalendário de 2005. Acrescenta que do saldo de lucros acumulados até 2004 sobrou R$ 325.854,09 em 31/12/2005, ou seja, do saldo inicial de R$ 3.325.854,09 em 31/12/2004, deduzido o valor de R$ 3.000.000,00 da distribuição de lucros em 2005, resta R$ 325.854,09. Isso comprova que houve a distribuição dos lucros acumulados até o anocalendário de 2004, de modo que, no final do anocalendário de 2005, resultasse num menor valor de lucros acumulados até 2004 a distribuir. Disse mais, que durante o anocalendário de 2005, a conta nº 00255, subconta 25502 – Lucros Acumulados até o exercício de 2004 indica que do saldo de lucros acumulados existente em 01/01/2005 de R$ 3.325.854,09, foram distribuídos proporcionalmente à participação de cada sócio nos meses de janeiro a junho de 2005, perfazendo o montante de R$ 3.000.000,00, conforme razão analítico do período de 01 a 31 de dezembro de 2005. Afirma que não ocorreu distribuição de lucros do anocalendário de 2005, tendo em vista que a sociedade simples apresentou prejuízo de R$ 17.323,86. Acrescenta que Fl. 855DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 6 em 31/12/2005 não há qualquer diferença entre o valor de lucros acumulados apurado até 2004 e prejuízo apurado em 2005 informado no balanço de fls. 543, no demonstrativo de resultados de fl. 544 e no razão analítico de fl. 613. Confirma que recebeu o valor de R$ 1.200.000,00, relativos à distribuição de lucros acumulados até 2004, durante o anocalendário de 2005, que corresponde a sua participação de 40% no capital social da sociedade de advogados. Informa que todos os valores de lucros distribuídos foram sacados das contascorrente do Banco Bradesco S/A e Banco Real S/A (razão analítico conta 00105, subconta 10505 – Bradesco S/A e subconta 10506 – Banco Real S/A), exceto a quantia de R$ 2.000.000,00 distribuídos em maio de 2005. Afirma que todos os adiantamentos a sócios, por lucros acumulados até o exercício de 2004 foram movimentados nas contas bancárias da pessoa jurídica, conforme descrito no razão analítico. · DA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS EFETUADA EM MAIO DE 2005 Quanto à distribuição de lucros efetuada em maio de 2005 no valor de R$ 2.000.000,00, a Finamore Simoni Advogados Associados celebrou um contrato de mútuo no valor de R$ 2.000.000,00 com a empresa Cofervil Indústria e Comércio de Ferros Vitória Ltda. e alocou na mesma data a lucros acumulados até 2004, como distribuição de parte do saldo desses lucros. Acrescenta que a origem de tais recursos referese a valor a receber da Cia Siderúrgica Belgo Mineira. Acrescenta que os valores foram recebidos pela mutuante por meio de 04 (quatro) cheques de R$ 500.000,00, R$ 500.000,00, R$ 800.000,00 e R$ 200.000,00 no dia 11/05/2005, data em que foram repassados a Finamore Simoni Advogados Associados. Afirma que na mesma data (11/05/2005), tais cheques foram destinados aos sócios da pessoa jurídica, como distribuição dos lucros acumulados até 2004, proporcionalmente à participação no capital social. Também disse que o cheque nº 000125 do Bank Boston no valor de R$ 800.000,00, emitido pela Belgo Mineira em favor da Confervil Indústria e Comércio de Ferros Vitória Ltda., após o devido endosso, foi destinado ao Contribuinte. Aduz que a quantia em questão foi utilizada para depositar na previdência privada no Bradesco VGBL, na data de 12/05/2005. · DA APURAÇÃO DO AUMENTO PATRIMONIAL DE ABRIL E MAIO DE 2005 Alega que no mês de abril de 2005 foi considerado o dispêndio, item 4.6 do Demonstrativo Mensal de Evolução Patrimonial, no valor de R$ 1.009.134,97 (saldo final em caderneta de poupança Bradesco). Entretanto, essa quantia não pertence ao Contribuinte, pois a pessoa jurídica transferiu a importância de R$ 1.416.747,87 para que o Contribuinte quitasse as diversas obrigações da Finamore Simoni Advogados Associados Ltda., como seu representante legal. A importância foi sacada por meio do cheque nº 0003406, no valor de R$ 30.747,87 e por 14 cheques no valor de R$ 99.000,00. Informa que a fiscalização não considerou o valor de R$ 800.000,00, relativo à distribuição de lucros, como recursos na apuração da evolução patrimonial do mês de maio de 2005. Por outro lado, considerou tal quantia como dispêndio no mesmo mês. Também informa que o valor de R$ 418.897,02 (fls. 243), objeto de Transferência Eletrônica (TED) emitido em favor da Fundação Banestes de Seguridade Social, foi considerado pela fiscalização em junho de 2005 como dispêndio (pagamento de terreno adquirido pela Finamore Advogados) e, por outro lado, a fiscalização reconheceu que o valor desembolsado para aquisição do terreno não foi efetuado para o Contribuinte, mas em nome da pessoa jurídica, conforme Termo de Constatação e Encerramento de Ação Fiscal. Portanto, não poderia compor qualquer incremento patrimonial do Contribuinte. · DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE Aduz que existe jurisprudência sumulada do CARF no sentido de que a omissão de receita, quando provada a sua existência, não acarreta o agravamento da penalidade de ofício. Acrescenta que as distorções de atos e fatos contábeis foram de iniciativa exclusiva da fiscalização. Na sessão de 26/07/2011, a 6ª Turma da DRJ/BSB através do Acórdão 03 44.105 (fls. 737) julgou improcedente a Impugnação nos seguintes termos: PROCEDIMENTO DE OFÍCIO. EXCLUSÃO DE ESPONTANEIDADE. Os Termos de Continuação de Ação Fiscal foram expedidos pela fiscalização para que o contribuinte não readquirisse a espontaneidade prevista no Decreto nº 70.235 de 1972. Fl. 856DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 5 7 Portanto, o contribuinte não pode confundir o Mandado de Procedimento Fiscal, que é um instrumento de planejamento e controle da atividade de fiscalização, com o Termo de Continuação de Ação Fiscal, que tem por objetivo a impedir a tãosomente o restabelecimento da espontaneidade em favor do contribuinte. PRESUNÇÕES LEGAIS RELATIVAS. ÔNUS DA PROVA As presunções legais relativas obrigam a autoridade fiscal a comprovar, tãosomente, a ocorrência das hipóteses sobre as quais se sustentam as referidas presunções, atribuindo ao contribuinte o ônus de provar que os fatos concretos não ocorreram na forma como presumidos pela lei. VARIAÇÃO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apuradas mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. APLICABILIDADE. É aplicável a multa de ofício de 150%, quando restar constatada durante o procedimento fiscal prática de infração tributária descrita nos artigos 71, 72 e/ou 73 da Lei no 4.502, de 1964. O Contribuinte foi notificado do Acórdão através de AR de fls. 761 em 17/10/2011, vindo apresentar Recurso Voluntário (fls. 762 e seguintes), tempestivo em 08/11/2011, aduzindo: · DA PENA QUALIFICADA A decisão recorrida fundamentou a qualificação da multa de ofício pelo fato de que foram apresentadas cópias dos livros contábeis com lançamentos incompatíveis com os fatos ocorridos, com o único intuito de respaldar rendimentos isentos informados na Declaração de Ajuste Anual. Entretanto, a própria decisão recorrida relatou que os dois livros diários apresentam o mesmo balanço patrimonial. · SALDO DA CONTA DE LUCROS ACUMULADOS Equívoco na decisão recorrida uma vez que o saldo de lucros acumulados de R$ 3.325.854,00 se reporta a 31/12/2004 e não a 31/12/2005. Destacando ainda que a decisão recorrida olvidouse do fato de que o saldo da referida conta no Balanço Patrimonial de 31/12/2005 é de R$ 325.854,00, pois foi o que restou da distribuição dos lucros acumulados de 31/12/2004 (R$ 3.325.854,00) após a distribuição de R$ 3.000.000,00 no ano calendário de 2005. · EFETIVA DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS ACUMULADOS Aponta que não procede a fundamentação da decisão recorrida no sentido de que o Contribuinte não comprou que recebeu o valor de R$ 1.200.000,00 a título de distribuição de lucros, uma vez que juntou aos autos documentos, inclusive extratos bancários, que possibilitam comprovar o recebimento do referido montante. Destaca ainda que o fato de o valor de R$ 2.000.000,00 (contrato de mútuo) não ter transitado pela conta caixa, haja vista que o lançamento contábil foi: conta debitada – lucro acumulados até o exercício de 2004 e conta creditada – empréstimo de mútuo. O que não invalida a operação de mútuo que seu passe aos sócios, como lucros distribuídos. Acrescenta que, não procede o fundamento da decisão recorrida no sentido de que não há provas nos autos de que o cheque nº 000125 no valor de R$ 8000.000,00 foi objeto de endosso em benefício do Contribuinte, uma vez que, dada a exigência legal de nominalização de cheques de valores acima de R$ 100,00, evidentemente um cheque de R$ 8000.000,00 somente poderia ser depositado em conta de previdência privada VGBL do Bradesco , em favor do Contribuinte, se a este endossado. Fl. 857DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 8 Em maio de 2013, o Contribuinte apresentou Razões Aditivas de Recurso Voluntário, aduzindo: · Nulidade do auto de infração por ter sido lavrado com informações bancárias do Contribuinte sem autorização judicial (“quebra de sigilo bancário”). · Erro na identificação do sujeito passivo, visto que o suposto acréscimo patrimonial foi imputado ao Contribuinte na integridade, quando deveria efetuar apenas a metade uma vez que no anocalendário de 2005, o Contribuinte encontravase casado com Sra. Roseane Stefenoni Finamore Simoni, sob regime de comunhão total de bens. A fiscalização mesmo sabendo que o patrimônio afetado pelo lançamento já não mais pertencia integralmente ao Contribuinte, em razão da separação, efetuou o lançamento com dados extraídos dos extratos bancários sem segregar os valores pertencentes ao respectivo cônjuge. Assim, requer a nulidade do lançamento por falta de intimação do cotitular na forma do art. 42, §6ºda Lei nº. 9.430/96 e Súmula CARF nº. 29. · Os valores das receitas declaradas nos quatro trimestres do anocalendário de 2004 pela pessoa jurídica responsável pela distribuição dos lucros ao Contribuinte são compatíveis com o montante efetivamente distribuído. · Alienação do veículo Volvo não considerado na origem de recursos no demonstrativo de evolução patrimonial elaborado pela fiscalização. · Impossibilidade de exigência de juros com base taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que o art. 13 da nº Lei 9.065/95 c/c art. 84 da Lei nº. 8.981/95 determina sua incidência somente sobre o tributo, que não se confunde com multa. · Pugna pela improcedência da qualificação da multa de oficio sob o fundamento de (i) omissão de rendimento e (ii) contabilidade forjada, tendo em vista que o Contribuinte não omitiu rendimentos uma vez que o valor de R$ 1.200.000,00 estão da DIRPF/06 e omissão de rendimentos não ensejam qualificação da multa e não há forja de contabilidade. A própria fiscalização aponta que os dois diários apresentam o mesmo Balanço Patrimonial, logo não haveria motivos para se fraudar contabilidade se o balanço patrimonial é o mesmo. É o relatório. Voto Conselheira Nathália Mesquita Ceia. O Recurso Voluntário de fls. 762 é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. No tocante às Razões Aditivas ao Recurso Voluntário, apesar de terem sido apresentadas há mais de um ano após a ciência do Acórdão recorrido, conhecerei das seguintes matérias suscitadas: (i) nulidade do lançamento em razão da falta de intimação da cônjuge e (ii) erro de sujeição passiva, tendo em vista que se trata de questão de ordem pública, passível de reconhecimento de ofício; bem como de (iii) questão probatória referente à alienação de veículo (Volvo CX90 T6), pois entendo que sua apreciação visa prestigiar o Princípio da Verdade Material. No tocante à preliminar de nulidade do auto de infração em razão de quebra de sigilo bancário, por não se tratar de matéria de ordem pública, não conheço. I. Nulidades Passíveis de Reconhecimento de Ofício Fl. 858DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 6 9 I.1. Falta de intimação da cônjuge Ainda que suscitado em sede de aditivo ao Recurso Voluntário, protocolado quando já vencido o prazo para apresentação do referido recurso, entendo que a matéria acerca da nulidade do lançamento em razão da ausência da intimação do cônjuge deve ser apreciada, ainda que de ofício, pois, se procedente, macula por completo o lançamento tributário. O Contribuinte alega que o Auto de Infração deve ser anulado, pois não houve a intimação de sua cônjuge para prestar esclarecimentos acerca dos fatos. Alega que a Sra. Roseane Stefenoni Finamore Simoni (sua cônjuge à época da ocorrência do fato gerador) era cotitular da conta 244631do HSBC Bank Brasil S/A, conforme extratos bancários de fls. 249 e não fora intimada para prestar esclarecimentos durante a fase de fiscalização. O Contribuinte fundamenta seu pleito com base no disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e o enunciado nº 29 da Súmula do CARF. O disposto no § 6º do art. 42 da Lei nº 9.430/96 e o enunciado nº 29 da Súmula do CARF abordam caso distinto, qual seja, omissão de rendimento decorrente de depósitos bancários não comprovados e não são aplicáveis em caso de acréscimo patrimonial a descoberto. Desta feita, entendo que a não intimação da cônjuge (cotitular de conta bancária) não resulta da nulidade do Auto de Infração, por se tratar de lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto. I.2. Erro de sujeição passiva Ainda que suscitada em Razões Aditivas ao Recurso Voluntário, conheço da preliminar referente ao erro de sujeição passiva, tendo em vista, ao meu entender, se tratar de matéria de ordem pública. O Contribuinte alega que o auto de infração deve ser anulado, pois houve erro de sujeição passiva, ou seja, não apenas ele (Contribuinte) deveria responder pela autuação, mas também sua excônjuge. Pondera que era casado quando da ocorrência do fato gerador do tributo, ora questionado, e, portanto, ainda que separado judicialmente quando da lavratura do Auto de Infração, a sua excônjuge deveria ser sujeito passivo da obrigação tributária, pois quando da separação judicial parcela do patrimônio do casal fora entregue a mesma. Logo, entende o Contribuinte que o patrimônio transferido à cônjuge, em razão da separação judicial, também deve responder ao presente lançamento. Acrescenta que desde a fiscalização juntou documentação comprobatória da sua separação judicial. Compulsando os autos, verificase que o Contribuinte de fato era casado à época do ano fiscalizado (anocalendário 2005) com a Sra. Roseane Stefenoni Finamore Simoni, sob o regime de comunhão parcial de bens. Da mesma forma, verificase nos autos que os mesmos possuíam conta bancária em conjunto. Ainda, em relação aos fatos, constatase que Fl. 859DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 10 a Sra. Roseane Stefenoni Finamore Simoni foi reportada como dependente na DAA do Contribuinte referente ao anocalendário de 2005. Com base nos fatos acima, entendo que não se verifica erro na identificação do sujeito passivo. Isso porque a esposa do Contribuinte, ao tempo do fato gerador, constava como dependente do mesmo, conforme informação de fls. 7 da DAA/2006. Logo, por ser declarada como dependente, todos os rendimentos e patrimônio da Sra. Roseane Stefenoni Finamore Simoni encontramse reportados na DAA do Contribuinte. Neste sentido, é o Contribuinte quem responde pelo patrimônio familiar perante a Autoridade Tributária à época da ocorrência do fato gerador, não havendo que se cogitar em erro na identificação do sujeito passivo. O fato do patrimônio do casal ter sido repartido após a separação conjugal e, que, quando da autuação não mais o Contribuinte detém a totalidade do patrimônio autuado não deve prevalecer. Tal aspecto não pode ser oponível ao Fisco, devendo ser debatido na esfera privada. Desta feita, não resta verificada a nulidade do lançamento em razão de erro de sujeição passiva do Contribuinte. II. Rendimentos de Dividendos APD A autuação com base no APD em grande parte se justifica pelo fato de a fiscalização não ter considerado como rendimentos (origem de recursos) o valor de R$ 1.200.000,00 que fora reportado pelo Contribuinte na DAA (ano calendário de 2005) como recebidos a título de dividendos (rendimentos isentos). A fiscalização e o Acórdão aquo entendem, em linhas gerais, que o Contribuinte não logrou êxito em apresentar qualquer documentação hábil e idônea que comprovasse o repasse do valor de R$1.200.000,00 da pessoa jurídica para o Contribuinte O Contribuinte destaca que não procede a fundamentação da decisão recorrida, uma vez que juntou aos autos documentos, inclusive extratos bancários, que possibilitam comprovar o recebimento do referido montante. Desta feita, passemos à análise da documentação apresentada pelo Contribuinte, com vistas a aferir se a mesma é bastante para justificar o recebimento de dividendos pelo Contribuinte. A DIPJ da Finame Simoni Advogados Associados de fls. 09, entregue em 30/06/2006, não continha informação sobre distribuição de lucros aos sócios. Somente a DIPJ Retificadora, de fls. 47, apresentada em 14/04/2008, após iniciado o procedimento fiscal, que incluiu a Ficha 47A – Rendimentos de Dirigentes, Sócios ou Titular, com a informação acerca da existência de lucros distribuídos aos sócios, no caso R$ 1.200.000,00 distribuídos ao Contribuinte. Uma vez que a informação que socorre ao Contribuinte só surgiu após o início da fiscalização, Termo de Início de Ação Fiscal de 12/03/2008, tal documento possui seu cunho probatório prejudicado em razão de sua superveniência. Fl. 860DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 7 11 Ademais, ainda que a DIPJ Retificadora houvesse sido entregue antes do início do procedimento fiscal, a mesma não comprovaria, isoladamente, sem outros elementos de prova, o efetivo repasse dos dividendos aos sócios. Nesta esteira, o Contribuinte apresentou o Balanço Patrimonial da Finamore Simoni Advogados Associados com vistas a comprovar o saldo de lucros que fora distribuído. Porém, o Acórdão recorrido entendeu que seria impossível, em 2005, a distribuição de lucros de R$ 1.200.000,00 ao Contribuinte, pois o saldo de lucros acumulados proveniente de 2004 seria de apenas R$ 325.854,00, tendo em vista os documentos de fls. 543 e 555. Contudo, compulsando a documentação acostada aos autos, verificase que a decisão recorrida incorreu em equívoco. Isso porque o documento acostado à fl. 543, de fato, apresenta o saldo da conta de lucros acumulados como sendo de R$ 325.854,00, mas tal Balanço Patrimonial é referente a 31/12/2005 e não a 31/12/2004, como entendeu ser a DRJ. Desta feita, procede a alegação do Contribuinte de que ao final do ano calendário de 2005, resta apenas o saldo R$ 325.854,00 na conta de lucros acumulados. Pelo Razão Analítico da competência de janeiro de 2005 (fl. 555) conseguese verificar que o saldo inicial desta conta é de R$ 3.325.854,00 e neste mês (janeiro de 2005) houve registros contábeis a débito na conta de lucros acumulados, sob a rubrica de “Vr. Adiantamento a Sócios”, caracterizando que há lucro suficiente para distribuição, bem como que há indicação de distribuição de lucros aos sócios. Assim, verificase, com base no Balanço Patrimonial e do Razão Analítico da pessoa jurídica, que de fato há saldo de lucros a serem distribuídos no ano de 2005 e houve débito contábil na referida conta, indicando distribuição de lucros. De toda feita, resta agora avaliar se há comprovação de que o Contribuinte recebeu os referidos valores. Para comprovar o recebimento do referido montante, o Contribuinte junta aos autos extratos bancários. É certo que o Contribuinte anexou diversos extratos bancários ao presente processo (fls. 250 a 269; 281 a 298; 337 a 348; 443 a 448; 451 a 469; 474 a 478; 483 a 505), porém não foi possível identificar a correlação dos depósitos efetuados ao pagamento dos dividendos. A um porque os valores do Razão Analítico da pessoa jurídica referemse à distribuição de dividendos dos 03 sócios da pessoa jurídica, logo não há como conciliar o razão com os extratos bancários apresentados pelo Contribuinte e a dois porque nos extratos não há histórico de que tais valores foram transferidos pela Finamore Simoni Advogados Associados, tal fato deveria ser trazido como prova pelo Contribuinte. O Contribuinte alega que a pessoa jurídica pagou parte dos dividendos aos sócios (R$ 2.000.000,00) em face da entrega de um crédito vinculado a um contrato de mútuo. Continua alegando que o cheque nº 000125 no valor de R$ 800.000,00, que foi recebido pela Finamore Simoni Advogados Associados como quitação do empréstimo, foi depositado em seu benefício em conta de previdência privada mantida ao HSBC. Não restou comprovado nos autos que o cheque nº 000125 de valor de R$ 800.000,00 foi endossado em benefício do Contribuinte e sem o endosso não há como o Fl. 861DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 12 Contribuinte descontar o referido cheque. Isso porque em razão de exigência legal, os cheques, cujos valores sejam superiores a R$ 100,00, devem ser nominais. O referido cheque não é nominal, tendo em vista que foi pago pelo mutuário em benefício da mutante (Finamore Simoni Advogados Associados). Logo, para que pudesse ser depositado em conta do Contribuinte deveria haver o endosso e esse não há. Assim, entendo que, apesar de restar comprovado que a Finamore Simoni Advogados Associados possuía montante de lucros passíveis de distribuição aos 03 sócios, o Contribuinte não logrou êxito em comprovar a parcela dos referidos lucros que lhe foi destinada. No tocante à alienação do veículo Volvo CX90 T6 pelo valor de R$ 240.000,00 (conforme reportado na DAA/06 – fls. 07), entendo que tal valor deve ser reconhecido como origem para fins de apuração da evolução patrimonial do Contribuinte, pois mesmo que suscitado em sede de Razões Aditivas ao Recurso Voluntário, além de ser documentação que já se encontrava no processo administrativo desde sua instauração, tratase de questão probatória albergada pelo Princípio da Verdade Material. De toda sorte, o entendimento do Colegiado foi pelo não conhecimento da matéria por ter sido suscitada em Razões Aditivas ao Recurso Voluntário, quando já vencido o prazo para apresentação do Recurso Voluntário. Desta feita, restei vencida no tocante ao conhecimento dessa matéria, portanto, a mesma não integrará minha conclusão de voto. III. Da Qualificação da Multa de Ofício A Autoridade lançadora justifica a qualificação nos seguintes termos: Restou comprovado nos autos que o fiscalizado omitiu rendimentos que deveriam constar em sua declaração de ajuste anula de imposto de renda pessoa física do anocalendário de 2005. Tal omissão fica clara na análise da evolução patrimonial do fiscalizado, tendo em vista que os dispêndios comprovadamente incorridos, através de provas irrefutáveis, excederam os valores oferecidos à tributação, no montante de R$ 1.675.589,70 (...). Em virtude dos fatos descritos neste Termo aplicamos a multa de ofício de 150% sobre o tributo devido em virtude da variação patrimonial a descoberto considerando, sobre tudo, a intenção do contribuinte em deixar de recolher o imposto devido, omitindo rendimentos que deveriam constar em sua declaração de ajuste anual de imposto de renda pessoa física. (...) Consideramos que fica evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o fiscalizado apresentou contabilidade forjada, com intuito de respaldar lucros não recebidos e inclusive apresentado divergência com suas próprias respostas. A 6ª Turma da DRJ/BSB manteve a qualificação da multa por reconhecer a sonegação com base nos seguintes fatos: No presente caso, a fiscalização considerou que a conduta do contribuinte enquadrase no tipo previsto no art. 71 do diploma legal sobredito, haja vista que “o fiscalizado apresentou contabilidade forjada, com intuito de respaldar lucros não recebidos e inclusive apresentando divergências com suas próprias respostas.” Cita a fiscalização que o contribuinte afirmou ter pago parcela do terreno adquirido pela Finamore Simoni Advogados Associados, pelo fato de que a pessoa jurídica não dispunha de recursos no mês de maio de 2005. Contudo, a Finamore Simoni registrou na sua contabilidade tal pagamento. Realmente, analisando o Livro Diário do mês de maio de 2005, consta o lançamento contábil “PG. TERRENOS” no valor de R$ 418.897,02 (fls.533 e 635). Também o Livro Fl. 862DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 8 13 Razão do período de 01 a 31 de maio de 2005 consta “PG. TERRENOS”, malgrado o contribuinte ter efetuado o pagamento. Além disso, a fiscalização agravou a multa pelo fato de que foram apresentadas cópias de livros contábeis com lançamentos incompatíveis com os fatos ocorridos, com o único intuito de respaldar rendimentos isentos informados na Declaração de Ajuste Anual. Portanto, restou caracterizado a prática de sonegação fiscal, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, cabendo o agravamento da multa de ofício. O Contribuinte alega em defesa que a própria fiscalização constatou que ambos os Livros Diários apresentaram o mesmo Balanço Patrimonial, não havendo que se falar em lançamentos incompatíveis. Acrescenta ainda que a 6ª Turma da DRJ/BSB se equivocou na análise do Balanço Patrimonial, uma vez que o saldo de lucros acumulados de R$ 3.325.854,00 reportado em 31/12/2004 e não em 31/12/2005. Assim, o valor de R$ 325.854,02 escriturado no balanço patrimonial de 31/12/2005 está correto, pois foi o que restou dos lucros acumulados de 31/12/2004 (R$ 3.325.854,00), após a distribuição de R$ 3.000.000,00 no ano calendário de 2005. Ab initio, conforme já destacado acima, a incompatibilidade de lançamentos não se refere aos lançamentos escriturados nos dois balanços entregues pela Finamore Simoni Advogados Associados, mas sim entre os balanços e o Livro Razão, conforme se retira do seguinte trecho às fls. 674/675do Auto de Infração: Houve ainda, apresentação de dois livros Diários, onde o segundo apresenta algumas páginas adicionais que o inicialmente apresentado porem, os dois apresentam o mesmo balanço patrimonial, conforme fls. 468 e 570, onde se verifica que o saldo de lucros acumulados até o exercício de 2004 era de R$ 325.854,09, descaracterizando a veracidade do documento de fls. 439, assinado pelo próprio fiscalizado. O documento de fls. 439 a que se refere o Auto de Infração é a página 17, às fls. 514 conforme numeração digital, do primeiro Livro Razão entregue pela pessoa jurídica, que relata para o período de 01/dezembro a 31/dezembro de 2005 a existência de lucros acumulados até o ano de 2005 o saldo de R$ 3.325.854,09c, com uma distribuição em 31/12/2004 de R$ 3.000.000,00. Assim a incompatibilidade é do registro do Livro Razão com balanço do Livro Diário e não entre os dois balanços apresentados. Logo a argumentação do Contribuinte carece de fundamentação fática. No que tange a segunda argumentação do Contribuinte, conforme já destacado, não procede uma vez que a distribuição dos lucros acumulados não deve afetar a informação de que tais lucros até o exercício de 2004 eram de R$ 3.325.854,09c. Nesta conta deveria constar um lançamento a débito de R$ 3.000.000,00d para que o saldo ao fim do ano calendário de 2005 fosse de R$ 325.854,03c. Em que pese os fundamentos do Contribuinte não se verificarem a qualificação de multa de ofício não merece prosperar em razão dos seguintes fundamentos. A Autoridade Fiscal qualificou a multa com base em dois fundamentos: (i) intenção do contribuinte em deixar de recolher o imposto devido e (ii) fraude devido apresentação de contabilidade forjada e alegação infundada em sede de fiscalização. O primeiro argumento não justifica qualificação da multa de ofício visto que a simples apuração de omissão de receita, por si só, não evidencia o intuito de fraude do Fl. 863DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 14 recorrente. Sobre o presente ponto esta Corte Administrativa já pacificou o entendimento através do Enunciado nº14 da Sumula do CARF: “Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo.” Quanto à segunda fundamentação, a Autoridade Fiscal não junta aos autos do presente procedimento administrativo tributário qualquer prova no sentido de que o Contribuinte, por conduta própria, alterou os documentos contábeis que a Finamore Simoni Advogados Associados lhe entregou para entregar à fiscalização. Registrese que esta possibilidade não foi sequer cogitada pela fiscalização, mesmo quando do confronto da página 17 do Livro Razão entregue pelo Contribuinte (fls. 29) com a página 17 do Livro Razão entregue pela pessoa jurídica (fls. 514) a fiscalização limitou se a apontar que a Finamore Simoni Advogados Associados elaborou um segundo Livro Razão: Tendo em vista a apresentação por parte do fiscalizado, de cópia da página 17 do Livro Razão, com distribuição de lucros ao fiscalizado, em 31.05.05, no montante de R$ 1.200.000,00 (fls 27), foi lavrado Termo de Intimação Fiscal nº. 052/2010 (fls. 432) intimando a pessoa jurídica a: (...) Em 08.04.2010, a pessoa jurídica apresentou documento de fls. 437,446. Anexou cópia da página 17 do Livro Razão, às fls. 439, alegando que tal documento já havia sido entregue em 08.07.2008. Da confrontação das cópias de fls. 27 e 339, verificase que esta ultima seria de outro Livro, não possuindo o mesmo teor do que teria respaldado a resposta em 08.07.2008. Quanto ao trecho acima, cabe uma observação, a referência às fls. 339 está equivocada, a referência correta é às fls. 439, conforme parágrafo anterior da própria citação. Embora a Autoridade Lançadora impute ao Contribuinte a conduta de forjar a documentação fiscal da Finamore Simoni Advogados Associados para respaldar lucros não recebidos, tal imputação não se verifica uma vez que os documentos apontados como forjados foram entregues pela própria pessoa jurídica. Logo, se o documento foi entregue pela própria pessoa jurídica não há que se falar em forjar de documento por parte do Contribuinte. Ou seja, não há conduta típica praticada pelo Contribuinte. Neste contexto, possível forja de documento contábil só poderia ter sido praticado pela própria pessoa jurídica. Logo, a conduta típica seria da pessoa jurídica e não do Contribuinte. Também não se vislumbra juridicamente possível a imputação da conduta ao Contribuinte, com base na sua qualidade de sócio da Finamore Simoni Advogados Associados, em razão da Teoria da Personificação, que cria a ficção jurídica da Personalidade Jurídica, que impossibilita a segregação das condutas da pessoa jurídica da pessoa natural (seus sócios). A conduta só poderia ser imputada ao sócio se houvesse comprovação, por parte da Autoridade Fiscal, de que o Contribuinte atuou em desvio de poder. Prova esta não produzida no presente PAF. A Autoridade Lançadora e a 6ª Turma da DRJ/BSB apontam ainda, como conduta fraudulenta e de sonegação a justificativa que o Contribuinte deu à fiscalização para o TED proveniente de sua conta do Bradesco de R$ 418.897,02. O Contribuinte afirma que o referido TED referese ao pagamento de parcela de terreno adquirido pela Finamore Simoni Fl. 864DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 9 15 Advogados Associados visto que a pessoa jurídica não possuía recursos na referida data (03/05/2005). A fiscalização compreendeu que tal afirmação não correspondia à realidade dos fatos, pois nos Livros Razões entregues pela pessoa jurídica há o registro do pagamento dos terrenos na mesma data da emissão do TED. Nesta senda, concluiu que a conduta do Contribuinte subsumese no art. 72 da Lei nº 4.502/64 fraude. O Acórdão recorrido acompanhou a qualificação da multa de ofício com base na referida conduta com base no art. 71 da Lei nº 4.502/64. Com a devida vênia às manifestações anteriores não compreendo a resposta do Contribuinte de fls. 244 afirmando que efetuou o pagamento em nome pessoa jurídica configura fraude ou sonegação. Inicialmente porque o simples registro do referido pagamento no Livro Razão da pessoa jurídica não comprova que o pagamento não foi efetuado pelo Contribuinte. Isto é, a Autoridade Lançadora não junta aos autos comprovação de que o pagamento foi realizado pela própria pessoa jurídica, como por exemplo: extrato bancário demonstrando que o numerário saiu da conta da pessoa jurídica e não da conta do Contribuinte. Ao contrário do que compreendeu as manifestações anteriores, o registro no Livro Diário do referido pagamento, com data e valor coincidentes com o TED realizado pelo Contribuinte reforçam a alegação do mesmo no sentido de que referido TED se refere à despesa de terceiro, no caso da Finamore Simoni Advogados Associados. Ponto este não foi devolvido à presente corte administrativa pelo Recurso Voluntário. Neste contexto conclui que a conduta do Contribuinte de justificar o TED no valor de R$ 418.897,02 como sendo referente a pagamento de terreno da pessoa jurídica, não configura fraude ou sonegação, na forma dos art. 71 e 72 da Lei nº 4.502/64. Acrescentese que a 6ª Turma da DRJ/BSB incorreu em mudança de critério jurídico, na qualificação da multa de ofício, uma vez que a Autoridade Lançadora enquadrou as condutas do Contribuinte (forjar documento contábil e justificativa do TED) no art. 72 da Lei nº 4.502/64 – Fraude, enquanto a 6ª Turma da DRJ/BSB enquadrou as condutas no art. 71 da Lei nº 450/642 – Sonegação: Auto de Infração fls. 680 Consideramos que fica evidenciado o intuito de fraude, na medida em que o fiscalizado apresentou contabilidade forjada, com intuito de respaldar lucros não recebidos e inclusive apresentado divergência com suas próprias respostas. Acórdão 0344.105, fls. 755 Portanto, restou caracterizado a prática de sonegação fiscal, conforme definido no art. 71 da Lei nº 4.502/64, cabendo o agravamento da multa de ofício. Pelo exposto afasto a qualificação da multa de ofício. IV. Juros sobre a Multa de Ofício Fl. 865DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 16 O Contribuinte pugna pela impossibilidade de exigência de juros com base taxa Selic sobre a multa de ofício, uma vez que o art. 13 da nº Lei 9.065/95 c/c art. 84 da Lei nº. 8.981/95 determina sua incidência somente sobre o tributo, que não se confunde com multa. A cobrança de juros sobre multa de oficio ocorre em face do Parecer MF nº. 28, de 02.04.1998, emitido pela Coordenação Geral do Sistema de Tributação (COSIT), cuja conclusão deixa exposto que: “O referido Parecer conclui, com base no disposto nos arts. 29 e 30 da Medida Provisória n. 1.62131, de 13.1.98, no art. 84 da Lei n. 8.981/95 e no art. 13 da Lei n. 9.065/95, que as multas de ofício, associadas a fatos geradores ocorridos até 21.12.94, que não tenham sido objeto de parcelamento requerido até 31.8.95, estão sujeitas à incidência de juros de mora, se recolhidas em atraso. Conclui, igualmente, com apoio no art. 61 e seu parágrafo 3º, da Lei n. 9.430/96, que, com relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1.1.97, incidirão juros moratórios sobre os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições – inclusive, pois, relativos às multas de ofício não pagas nos respectivos vencimentos.” Contudo, essa conclusão parte de uma exegese equivocada, porquanto o art. 61 da Lei nº 9.430/96 trata da possibilidade de cobrança de juros de mora sobre débitos decorrentes de tributos e contribuições, não havendo qualquer menção às multas de oficio, que não são espécie tributária, conforme previsão do art. 3º do Código Tributário Nacional. Assim, entendo não ser cabível a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio. Diante do exposto, oriento meu voto no sentido de conhecer das seguintes matérias trazidas nas "Razões Aditivas de Recurso Voluntário" (i) nulidade do lançamento em razão da falta de intimação da cônjuge, (ii) erro de sujeição passiva e (iii) questão probatória referente à alienação de veículo. No mérito, dou parcial provimento ao Recurso de Voluntário para afastar a qualificação da multa ofício e a aplicação de juros sobre a multa de ofício. Assinado Digitalmente Nathália Mesquita Ceia Voto Vencedor Conselheiro Eduardo Tadeu Farah, Redator Designado Não obstante o voto proferido pela Conselheira Nathália Mesquita Ceia, peço vênia para discordar de seu entendimento, em relação ao acolhimento do aditivo ao Recurso Voluntário, na parte relativa à venda do veículo Volvo CX90 T6, pelo valor de R$ 240.000,00, bem como em relação à incidência de juros sobre a multa de ofício. De início, cumpre deixar assentado que as atividades processuais praticadas pelas partes devem respeitar uma sequência ordenada das fases procedimentais, de forma a resguardar a celeridade para o desfecho da lide. É nesse sentido a lição de Humberto Theodoro Jr. em sua obra “Curso de Direito Processual Civil”, Vol. I, 12 ed., Rio de Janeiro: Forense, 1994, pág. 31: Fl. 866DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 10 17 “o processo deve ser dividido numa série de fases ou momentos, formando compartimentos estanques, entre os quais se reparte o exercício das atividades tanto das partes, como do juiz. […] dessa forma, cada fase prepara a seguinte e, uma vez passada à posterior, não é mais dado retornar à anterior. Assim, o processo caminha sempre para a frente, rumo à solução do mérito […] pelo princípio da eventualidade ou da preclusão, cada faculdade processual deve ser exercitada dentro da fase adequada, sob pena de perder a oportunidade de praticar o ato respectivo”. A respeito do tema, reproduzo a posição do professor Antônio da Silva Cabral, no livro “Processo Administrativo Fiscal”, Editora Saraiva, às fls. 467, item 144: Posição do problema. É princípio assente em processo que a petição inicial delimita o âmbito da discussão. No processo fiscal, o âmbito do litígio está ligado a impugnação, pois é esta que inicia o procedimento litigioso. Por conseguinte, se o impugnante não ataca determinada parte do lançamento é porque concordou com a exigência. Seu direito de impugnar, portanto, ficou precluso no tocante à parte não impugnada. A matéria não especificamente contestada na Impugnação é reputada como incontroversa, com a aceitação tácita do contribuinte, e é insuscetível de ser trazida em momento processual subsequente, conforme dispõe o art. 17 do Decreto nº 70.235/1972: Art.17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532/1997). Citamse, também, ementas do CARF nesse sentido: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Estando os atos processuais sujeitos à preclusão, não se toma conhecimento de alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância. (ACÓRDÃO 20181453) NORMAS PROCESSUAIS. PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A preclusão prevista no art. 17 do Decreto nº 70.235/1972, na redação dada pela Lei nº 9.532/1997, de matéria não impugnada, impede o conhecimento de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo. (ACÓRDÃO 203 11507) Ressaltese que a matéria de ordem pública, mesmo que não argumentada na Impugnação, poderia ser suscitada pela relatora. Portanto, como não se instaurou o litígio quanto à alienação do veículo Volvo CX90 T6, o lançamento tornouse líquido e certo, na esfera administrativa. No que tange à incidência dos juros sobre a multa, penso que o § 3º do art. 61 da Lei nº 9.430/1996 ao se referir aos juros que incidem sobre os débitos com a União, incluiu o tributo e a multa, já que a multa também é um débito com a Fazenda Pública. Esse Fl. 867DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 18 entendimento possui precedentes neste Órgão Administrativo, consoante se verifica das ementas transcritas: JUROS SOBRE MULTA — sobre a multa de oficio devem incidir juros a taxa Selic, após o seu vencimento, em razão da aplicação combinada dos artigos 43 e 61 da Lei n°9.430/96. (Acórdão 120200.138– 1ª Seção. 2ª Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 30/07/2009. Relator Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes)... JUROS SOBRE MULTA. A multa de oficio, segundo o disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, deverá incidir sobre o crédito tributário não pago, consistente na diferença entre o tributo devido e aquilo que fora recolhido, Não procede o argumento de que somente no caso do parágrafo único do art. 43 da Lei nº 9.430/96 é que poderá incidir juros de mora sobre a multa aplicada. Isso porque a previsão contida no dispositivo referese à aplicação de multa isolada sem crédito tributário, Assim, nada mais lógico que venha dispositivo legal expresso para fazer incidir os juros sobre a multa que não torna como base de incidência valores de crédito tributário sujeitos à incidência ordinária da multa.” (Acórdão 140100.155 – 1ª. Seção. 4ª. Câmara. 1ª. Turma Ordinária. Sessão de 28 de janeiro de 2010. Relator Conselheiro Antonio Bezerra Neto). No mesmo sentido é a posição da Câmara Superior de Recursos Fiscais, conforme ementas abaixo: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF Nº 910100.539, em Sessão de 11 de março de 2010) JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. (Acórdão CSRF nº 910101.191 – Sessão de 17 de outubro de 2011) No âmbito do Poder Judiciário, o Superior Tribunal de Justiça assentou serem devidos os juros de mora sobre a multa de ofício, conforme se depreende da ementa abaixo transcrita: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. (STJ Segunda Turma Acórdão REsp 1.129.990/PR, Relator Min. Castro Meira DJe de 14/09/2009) Assim, há previsão legal para a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício exigida isolada ou juntamente com impostos ou contribuições, relativamente a fatos geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 1997. Fl. 868DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000660/201012 Acórdão n.º 2201002.455 S2C2T1 Fl. 11 19 Assinado Digitalmente Eduardo Tadeu Farah Fl. 869DF CARF MF Impresso em 19/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/08/2014 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 12/08/20 14 por NATHALIA MESQUITA CEIA, Assinado digitalmente em 13/08/2014 por EDUARDO TADEU FARAH, Assinado digitalmente em 15/08/2014 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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