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Numero do processo: 10580.727314/2009-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Sep 26 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006
RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA.
A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura da Bahia, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730.
Numero da decisão: 2102-003.020
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que dava provimento parcial para excluir a multa de ofício.
Assinado digitalmente
JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS - Presidente.
Assinado digitalmente
CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA - Relator.
EDITADO EM: 25/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vice-presidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima.
Nome do relator: CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA
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DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura da Bahia, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2ª da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencido(a) o(a) Conselheiro(a) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa que dava provimento parcial para excluir a multa de ofício. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 73 14 /2 00 9- 70 Fl. 133DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 134 2 Assinado digitalmente JOSÉ RAIMUNDO TOSTA SANTOS Presidente. Assinado digitalmente CARLOS ANDRÉ RODRIGUES PEREIRA LIMA Relator. EDITADO EM: 25/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: José Raimundo Tosta Santos (presidente da turma), Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti (vicepresidente), .Núbia Matos Moura, Alice Grechi, Marco Aurélio de Oliveira Barbosa e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário de fls. 84 a 108, interposto contra decisão da DRJ em Salvador/BA, de fls. 76 a 81, que julgou procedente o lançamento de IRPF de fls. 02 a 09 dos autos, lavrado em 16/11/2009, relativo aos anoscalendário 2004, 2005, 2006, com ciência da RECORRENTE em 23/11/2009 (fl. 33). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 155.282,48, já inclusos juros de mora (até o mês da lavratura) e multa de ofício de 75%. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal de fls. 05 a 07, o presente lançamento teve origem na seguinte infração: “001 – CLASSIFICAÇÃO INDEVIDA DE RENDIMENTOS NA DIRPF RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF O Sujeito passivo classificou indevidamente como Rendimentos Isentos e Não Tributáveis os rendimentos auferidos do Tribunal de Justiça do Estado da Bahia, CNPJ 13.100.722/000160, a titulo de ‘URV’, a partir de informações a ele fornecidas pela fonte pagadora. Tais rendimentos decorrem de diferenças de remuneração ocorridas quando da conversão de Cruzeiro Real para a Unidade Real de Valor – URV em 1994, reconhecidas e pagas em 36 parcelas iguais no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 135 3 Preceitua a referida Lei Estadual, dentre outras coisas, que a verba em questão é de natureza indenizatória. A única interpretação possível em harmonia com o ordenamento jurídico nacional e em especial com o sistema tributário, é a de que esta Lei disciplina aquilo que é pertinente à competência do Estado, em nada alterando a legislação do Imposto de Renda, de competência da União. Não poderiam os Estados Federados versarem sobre o que não se lhes foi constitucionalmente outorgado, seja para criar, seja para isentar tributo, em respeito aos limites impostos às competências tributárias dispostas na Carta Magna de 1988. As diferenças recebidas pelo sujeito passivo têm natureza eminentemente salarial, e conseqüentemente, são tributadas pelo Imposto de Renda, conforme disposto nos arts. 43 e 114 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), sendo irrelevante a denominação dada ao rendimento para sujeitálo ou não à incidência do imposto. Ademais, o CTN dispõe, no art. 111, que se interpreta literalmente a legislação tributária pertinente à outorga de isenção. As isenções do Imposto de Renda da Pessoa Física são as expressamente especificadas no art. 39 do Decreto n° 3.000, de 1999 (RIR/99), no qual não consta relacionado como isento as diferenças salariais reconhecidas posteriormente, ainda que recebam a denominação de “indenização” ou “valores indenizatórios”. Assim, resta claro que os valores recebidos pelo sujeito passivo em virtude de diferenças de remuneração ocorridas na conversão de Cruzeiro Real para URV em 1994, denominadas “Valores indenizatórios de URV”, são tributáveis. (...) Fato Gerador Valor Tributável ou imposto Multa (%) 31/12/2004 R$ 23.896,97 75,00 31/12/2005 R$ 23.896,97 75,00 31/12/2006 R$ 23.896,97 75,00 Enquadramento Legal Arts. 1° a 3° e §§, da Lei n° 7.713/88; Arts. 1° a 3° da Lei n° 8.134/90; Arts. 39 e 43 do RIR/99; Art. 1º da Medida Provisória nº 22/2002 convertida na Lei n° 10.451/2002; Fl. 135DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 136 4 Art. 1º da Lei nº 11.119/05; Art. 1º da Lei nº 11.311/06.” O cálculo de apuração do imposto devido encontrase disposto em planilha acostada à fl. 10 dos autos. DA IMPUGNAÇÃO Em 15/12/2009, a RECORRENTE, por meio de seus representantes, outorgados por meio da procuração de fl. 61, apresentou sua impugnação de fls. 35 a 59. São os argumentos centrais de sua defesa: I. a Receita Federal seria parte ilegítima para cobrar o imposto de renda sobre tais rendimentos, tendo em vista que tais valores pertencem aos Estados que descontaram na fonte de pagamento de seus servidores o valor do tributo, conforme art. 157, I, da Constituição Federal de 1988 e art. 868 do RIR/99; II. as diferenças de conversão da URV pagos em atraso, em razão de sua natureza indenizatória, não deveriam ser tributado pelo imposto de renda; III. o STF, através da Resolução nº 245, de 2002, reconheceu a natureza indenizatória das diferenças de URV recebidas pelos magistrados federais. Este tratamento seria extensível aos valores a mesmo título recebidos pelos membro do magistrados estaduais; IV. cita precedentes judiciais bem como do antigo Conselho de Contribuintes, assim como solução de consulta, no sentido de que os valores recebidos a título de diferenças URV não se sujeitariam ao imposto de renda; V. entendeu que houve erro na apuração do imposto devido, visto que os juros de mora incidentes sobre o crédito de URV não poderia ser incluído na base de cálculo do imposto de renda, haja vista a natureza indenizatória dos referidos juros de mora, conforme art. 404 do Código Civil; VI. caso seja mantido o lançamento de imposto de renda, não deveriam ser cobrados os juros e a multa de ofício aplicada, nos termos dos arts. 100 e 112 do CTN, em razão da boafé da RECORRENTE, que foi induzida a erro ante o lançamento incorreto da fonte pagadora. Requereu, às fls. 74/75, prioridade do julgamento, invocando o art. 71, § 3º, da Lei nº 10.741/03 (Estatuto do Idoso). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 137 5 DA DECISÃO DA DRJ A DRJ, às fls. 76 a 81 dos autos, julgou improcedente a impugnação apresentada e manteve o crédito tributários, através de acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006 DIFERENÇAS DE REMUNERAÇÃO. INCIDÊNCIA IRPF. As diferenças de remuneração recebidas pelos Magistrados do Estado da Bahia, em decorrência da Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003, estão sujeitas à incidência do imposto de renda. MULTA DE OFÍCIO. INTENÇÃO. A aplicação da multa de ofício no percentual de 75% sobre o tributo não recolhido independe da intenção do contribuinte. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Nas razões do voto do referido julgamento, a autoridade julgadora rebateu, uma a uma, as alegações da RECORRENTE, e findou por julgar procedente o lançamento de imposto de renda consubstanciado no auto de infração. DO RECURSO VOLUNTÁRIO Intimada da decisão da DRJ em 17/10/2011 (fl. 119), a RECORRENTE apresentou o recurso voluntário de fls. 84 a 108 em 27/10/2011. Em suas razões de recurso, a RECORRENTE reiterou os termos de sua impugnação. Posteriormente, a RECORRENTE acostou aos autos petição de fls. 121 a 125 informando dos termos da decisão proferida pelo STF quando do julgamento do Recurso Extraordinário nº 684168 (em que houve reconhecimento da existência de repercussão geral da questão constitucional), no sentido de que há ausência de interesse da União em fiscalizar e arrecadar o imposto de renda quando o produto da sua arrecadação pertence ao Estado, nos termos do art. 157, I, da Constituição Federal. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 138 6 Assim, afirmou a RECORRENTE que o entendimento do STF deveria ser aplicado ao caso em questão, nos termos do art. 62A do Regimento Interno do CARF, uma vez que o imposto ora cobrado pertenceria ao Estado da Bahia. Este recurso voluntário compôs lote sorteado para este relator, em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos André Rodrigues Pereira Lima O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. Conforme exposto, a autoridade lançadora entendeu que a RECORRENTE classificou indevidamente como isentos e não tributáveis os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça da Bahia a título de “Valores Indenizatórios de URV”, em 36 (trinta e seis) parcelas no período de janeiro de 2004 a dezembro de 2006, com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003. A questão envolvendo a tributação das verbas classificadas como “Valores Indenizatórios de URV”, recebidas pelos membros da magistratura da Bahia (Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003) bem como pelos membros do Ministério Público daquele estado (Lei Complementar Estadual da Bahia nº 20/2003), já foi objeto de apreciação por esta turma julgadora. Assim, peço vênia para transcrever o voto proferido pelo ilustre Conselheiro Giovanni Christian Nunes Campos, no Acórdão nº 2102001.337, de 08/06/2011, quando se apreciou a questão envolvendo a tributação da diferença de URV paga a um membro do Ministério Público da Bahia, em caso juridicamente similar ao aqui em discussão (somente se deve alterar a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 pela Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003): Para o deslinde da controvérsia, trazse a Resolução STF nº 245/2002: RESOLUÇÃO Nº 245, DE 12 DE DEZEMBRO DE 2002 Dispõe sobre a forma de cálculo do abono de que trata o artigo 2º e §§ da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002. O PRESIDENTE DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, no uso das atribuições que lhe confere o artigo 13, XVII, combinado com o artigo 363, I, do Regimento Interno, Considerando o decidido pelo Tribunal, na sessão administrativa de 11 de dezembro de 2002, presentes os ministros Moreira Alves, Sydney Sanches, Sepúlveda Pertence, Celso de Mello, Fl. 138DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 139 7 Carlos Velloso, Ilmar Galvão, Maurício Corrêa, Nelson Jobim, Ellen Gracie e Gilmar Mendes; Considerando a vigência do texto primitivo – anterior à Emenda nº 19/98 – da Constituição de 1988, relativo à remuneração da magistratura da União; Considerando a vigência da Lei Complementar nº 35, de 14 de março de 1979; Considerando o direito à gratificação de representação – artigo 65, inciso V, da Lei Complementar nº 35, de 1979, e Decretolei nº 2.371, de 18 de novembro de 1987, nos percentuais fixados; Considerando o direito à gratificação adicional de cinco por cento por qüinqüênio de serviço, até o máximo de sete qüinqüênios – artigo 65, inciso VIII, da Lei Complementar nº 35, de 1979; Considerando a absorção de todos e quaisquer reajustes remuneratórios percebidos ou incorporados pelos magistrados da União, a qualquer título, por decisão administrativa ou judicial pelos valores decorrentes da Lei nº 10.474, de 27 de junho de 2002 – artigos 1º, § 3º, e 2º, §§ 1º, 2º e 3º; Considerando o disposto na Resolução STF nº 235, de 10 de julho de 2002, que publicou a tabela da remuneração da Magistratura da União, decorrente da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando o escalonamento de cinco por cento entre os diversos níveis da remuneração da magistratura da União – artigo 1º, § 2º, da Lei nº 10.474, de 2002; Considerando a necessidade de, no cumprimento da Lei Complementar nº 35, de 1979, e da Lei nº 10.474, de 2002, adotarse critério uniforme, a ser observado pelos órgãos do Poder Judiciário da União, para cálculo e pagamento do abono; Considerando a publicidade dos atos da Administração Pública, RESOLVE: Art. 1º É de natureza jurídica indenizatória o abono variável e provisório de que trata o artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, conforme precedentes do Supremo Tribunal Federal. Art. 2º Para os efeitos do artigo 2º da Lei nº 10.474, de 2002, e para que se assegure isonomia de tratamento entre os beneficiários, o abono será calculado, individualmente, observandose, conjugadamente, os seguintes critérios: I – apuração, mês a mês, de janeiro/98 a maio/2002, da diferença entre os vencimentos resultantes da Lei nº 10.474, de 2002 (Resolução STF nº 235, de 2002), acrescidos das vantagens pessoais, e a remuneração mensal efetivamente percebida pelo Fl. 139DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 140 8 Magistrado, a qualquer título, o que inclui, exemplificativamente, as verbas referentes a diferenças de URV, PAE, 10,87% e recálculo da representação (194%); II – o montante das diferenças mensais apuradas na forma do inciso I será dividido em vinte e quatro parcelas iguais, para pagamento nos meses de janeiro de 2003 a dezembro de 2004. Art. 3º Serão recalculados, mês a mês, no mesmo período definido no inciso I do artigo 2º, o valor da contribuição previdenciária e o do imposto de renda retido na fonte, expurgandose da base de cálculo todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período, a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais, por terem essas parcelas a mesma natureza conferida ao abono, nos termos do artigo 1º, observados os seguintes critérios: I – o montante das diferenças mensais resultantes dos recálculos relativos à contribuição previdenciária será restituído aos magistrados na forma disciplinada no Manual SIAFI pela Secretaria do Tesouro Nacional; II – o montante das diferenças mensais decorrentes dos recálculos relativos ao imposto de renda retido na fonte será demonstrado em documento formal fornecido pela unidade pagadora, para fins de restituição ou compensação tributária a ser obtida diretamente pelo magistrado junto à Receita Federal. Art. 4º Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação. Ministro MARCO AURÉLIO Pela Resolução STF nº 245/2002, especificamente em seu art. 3º, ficou determinado que “todos e quaisquer reajustes percebidos ou incorporados no período [1998 a 2002], a qualquer título, ainda que pagos em rubricas autônomas, bem como as repercussões desses reajustes nas vantagens pessoais”, percebidos pela Magistratura da União, com base no art. 6º da Lei nº 9.655/98 c/c o art. 2º da Lei nº 10.474/2002, inclusive as verbas referentes a diferenças de URV, ficaram excluídos da base de cálculo do imposto de renda, por terem a mesma natureza indenizatória do abono variável. O Sr. Ministro da Fazenda, com base no Parecer PGFN nº 529/2003, reconheceu o caráter indenizatório das verbas percebidas com base na legislação citada. Ocorre que foi publicada a Lei nº 10.477/2002, que, em seu art. 2º, estendeu aos Membros do Ministério Público Federal MPF as mesmas vantagens do art. 6º da Lei nº 9.655/98 dadas à Magistratura da União, e, instado o Sr. Ministro da Fazenda sobre o caráter dos valores percebidos no período 19982002 pelos Membros do MPF, aplicou a mesma interpretação do parágrafo precedente, em linha com o entendimento do Supremo Fl. 140DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 141 9 Tribunal Federal para a Magistratura da União (Resolução STF nº 245/2002), apoiado no Parecer PGFN nº 923/2003. Interessante ressaltar que a Lei nº 9.655/98 estava voltada unicamente à Magistratura da União, com deferimento de abono variável a partir de janeiro de 1998, de forma a atingir o subsídio que se esperava vir a lume com publicação da Emenda Constitucional nº 19/1998, situação que não se concretizou, levando, posteriormente à publicação da Lei nº 10.474/2002, que majorou os estipêndios da Magistratura da União e determinou o pagamento das diferenças do período 19982002 em 24 parcelas a partir de janeiro de 2003. Os Membros do Ministério Público não tinham quaisquer expectativas de aumento de remuneração com base na Lei nº 9.655/98, pois lá não tinham sido contemplados. A despeito disso, quando o art. 2º da Lei nº 10.477/2002 fez remissão ao abono variável do art. 6º da Lei nº 9.655/1998, pugnaram a exclusão da base de cálculo do imposto de renda dos valores citados no art. 3º da Resolução STF nº 245/2002, obtendo, como se viu, o beneplácito do Ministro da Fazenda. Em minha leitura, o pagamento da diferença da URV previsto no art. 2º da Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 tem a mesma natureza daqueles pagos ao Ministério Público Federal, pois o Ministério Público do Estado da Bahia também não tinha qualquer expectativa de aumento salarial com a Lei nº 9.655/98, que era voltada apenas à Magistratura mantida pela União (por óbvio, somente a lei estadual poderia versar sobre estipêndios dos Membros do MP local). Veio a Lei complementar do Estado da Bahia nº 20/2003 e pagou as diferenças de URV, as quais, no caso dos membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda, pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar baiana nº 20/2003, referentes às mesmas diferenças de URV. Observese que aqui não se está aplicando analogia para afastar o tributo devido, até porque nenhuma das leis citadas, federais ou estadual, trata de incidência do imposto de renda, mas apenas dando a mesma interpretação jurídica a normas que só não são idênticas por provirem de fontes diversas – União e Estado da Bahia – e terem destinatários diferentes. Porém os efeitos do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 e da Lei complementar estadual nº 20/2003 são idênticos, no caso das Fl. 141DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 142 10 diferenças da URV, beneficiando destinatários diversos, não podendo o imposto de renda incidir sobre diferenças de uma, sendo afastado de outra. Assim, se o Sr. Ministro da Fazenda, com esteio no Parecer PGFN nº 923/2003, com supedâneo último na Resolução STF nº 245/2002, entendeu que as diferenças auferidas pelos Membros do MPF com base no art. 2º da Lei nº 10.477/2002 tem caráter indenizatório, igual raciocínio deve ser aplicado às diferenças auferidas pelos Membros do Ministério Público da Bahia com base na Lei complementar nº 20/2003, pois onde há a mesma razão, deve haver o mesmo direito (ubi eadem ratio ibi idem ius). Com as razões acima, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Considerando as razões acima destacadas, entendo que deve ser cancelado o lançamento em exame no que diz respeito à tributação das diferenças auferidas pelos membros da Magistratura da Bahia com base na Lei do Estado da Bahia nº 8.670/2003 (diferenças URV). Ademais, a questão envolvendo a tributação das “diferenças URV” foi por diversas vezes apreciada por esta Colenda Turma julgadora. Assim, transcrevo abaixo recentes ementas de casos similares ao ora em debate, em que se manteve o reiterado entendimento de afastar a tributação sobre tais verbas, verbis: “NÃO INCIDÊNCIA. URV. RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. INTEGRANTES DO MINISTÉRIO PÚBLICO DA BAHIA. Os valores pagos aos integrantes do Ministério Público Federal a título de diferença de URV foram excluídos da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, nos termos da Resolução STF nº 245/2002 e Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Juridicamente não é razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas ao mesmo título aos Membros do Ministério Público da Bahia, na forma da Lei complementar estadual nº 20/2003. Recurso Provido (10580.725147/201066; julgado em 17/09/2013; relator: Conselheira Alice Grecchi)” *** “RESOLUÇÃO STF Nº 245/2002. DIFERENÇAS DE URV CONSIDERADAS PARA A MAGISTRATURA DA UNIÃO E PARA O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL COMO VERBAS ISENTAS DO IMPOSTO DE RENDA PELO PRETÓRIO EXCELSO. DIFERENÇAS DE URV PAGAS AOS Fl. 142DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS Processo nº 10580.727314/200970 Acórdão n.º 2102003.020 S2‐C1T2 Fl. 143 11 MAGISTRADOS DA BAHIA. NÃO INCIDÊNCIA DO IMPOSTO DE RENDA. A Lei Estadual da Bahia nº 8.730, de 08 de setembro de 2003 pagou as diferenças de URV aos Membros da Magistratura local, as quais, no caso dos Membros do Ministério Público Federal, tinham sido excluídas da incidência do imposto de renda pela leitura combinada das Leis nº 10.477/2002 e nº 9.655/98, com supedâneo na Resolução STF nº 245/2002, conforme Parecer PGFN nº 923/2003, endossado pelo Sr. Ministro da Fazenda. Ora, se o Sr. Ministro da Fazenda interpretou as diferenças do art. 2º da Lei federal nº 10.477/2002 nos termos da Resolução STF nº 245/2002, excluindo da incidência do imposto de renda, exemplificadamente, as verbas referentes às diferenças de URV, não parece juridicamente razoável sonegar tal interpretação às diferenças pagas a mesmo título aos Membros da Magistratura da Bahia, na forma da Lei Estadual da Bahia nº 8.730/2003. Recurso Voluntário Provido (10580.720391/200907; julgado em 14/08/2013; relator: Conselheiro José Raimundo Tosta Santos)” Ante o acima exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, no sentido de cancelar o lançamento de IRPF. Assinado digitalmente Carlos André Rodrigues Pereira Lima Relator Fl. 143DF CARF MF Impresso em 26/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalment e em 25/09/2014 por CARLOS ANDRE RODRIGUES PEREIRA LIMA, Assinado digitalmente em 26/09/2014 por JOS E RAIMUNDO TOSTA SANTOS
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Numero do processo: 13984.721411/2012-08
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Aug 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2009 a 30/06/2011
INTEMPESTIVIDADE.
A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta em seu não conhecimento.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2302-003.293
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LIEGE LACROIX THOMASI Presidente
(assinado digitalmente)
ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
Nome do relator: ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vice-presidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi.
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2009 a 30/06/2011 INTEMPESTIVIDADE. A apresentação do recurso voluntário depois de transcorrido o prazo de trinta dias previsto no art. 33 do Decreto 70.235/72 resulta em seu não conhecimento. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do relatorio e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LIEGE LACROIX THOMASI – Presidente (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liége Lacroix Thomasi (Presidente), Leonardo Henrique Pires Lopes (Vicepresidente), Arlindo da Costa e Silva, Juliana Campos de Carvalho Cruz e André Luís Mársico Lombardi. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 14 11 /2 01 2- 08 Fl. 324DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação da recorrente, mantendo os lançamentos consubstanciados nos seguintes Autos de Infração: DEBCAD 51.031.2489– no valor de R$ 726.799,80, período de 2/2009 a 6/2011, consolidado em 19/9/2012, referente às contribuições devidas à seguridade social, parte patronal, incluindo a contribuição para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho GILRAT, lançadas em razão da subrogação decorrente da aquisição de produção rural (toras de pinus) de produtores rurais pessoa física, não declarada em Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social – GFIP; • DEBCAD 51.031.2497– no valor de R$ 69.959,87, período de 2/2009 a 6/2011, consolidado em 19/9/2012, referente às contribuições destinadas a terceiros (Senar), lançadas em razão da subrogação decorrente da aquisição de produtos rurais de produtores rurais pessoa física, não declarada em GFIP. Cientificada do Auto de Infração, a recorrente apresentou defesa, sendo proferido acórdão julgando procedente os lançamentos. Conforme despacho de fls. 279, foi dada ciência do acórdão à recorrente por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização na Caixa Postal (Módulo eCAC do Site da RFB), sendo considerada a ciência por decurso de prazo em 19/11/2013. A recorrente interpôs, em 14 de janeiro de 2014, o recurso de fls. 283 e seguintes. É o relatório. Fl. 325DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI Processo nº 13984.721411/201208 Acórdão n.º 2302003.293 S2C3T2 Fl. 325 3 Voto Conselheiro Relator André Luís Mársico Lombardi Da análise dos autos, constato que o recurso voluntário é intempestivo, não merecendo ser conhecido. Conforme despacho de fls. 279, foi dada ciência do acórdão à recorrente por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização na Caixa Postal (Módulo eCAC do Site da RFB), sendo considerada a ciência por decurso de prazo em 19/11/2013. Segundo o art. 33 do Decreto 70.235/72, o prazo para apresentar o Recurso Voluntário é de 30 (trinta dias). No caso em análise, o recurso foi interposto em 14 de janeiro de 2014, portanto, após o decurso do prazo legal. Assim, tendo o Recurso Voluntário sido protocolizado após o prazo legal para sua apresentação, voto no sentido de NÃO CONHECER do RECURSO VOLUNTÁRIO. (assinado digitalmente) ANDRÉ LUÍS MÁRSICO LOMBARDI – Relator Fl. 326DF CARF MF Impresso em 29/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 27/ 08/2014 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 28/08/2014 por LIEGE LACROIX THOMA SI
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Numero do processo: 10840.905887/2009-32
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 28 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Sep 29 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO.
Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3403-002.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Domingos de Sá Filho - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, torna-o líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 COMPENSAÇÃO. EXISTÊNCIA DE CRÉDITO. Constatado em diligência fiscal a existência de saldo de crédito disponível para compensação ou restituição, tornao líquido e certo, impondo o reconhecimento do direito pleiteado e assegurar a compensação até o limite do valor reconhecido, ainda, não utilizado. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito à utilização do crédito apurado na diligência para compensação, desde que já não tenha sido utilizado pelo contribuinte. Antonio Carlos Atulim Presidente. Domingos de Sá Filho Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Ivan Allegretti e Marcos Tranchesi Ortiz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 58 87 /2 00 9- 32 Fl. 192DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 2 Relatório Tratase de pedido de compensação não homologado decorrente de direito de crédito tributário oriundo de pagamento a maior de Contribuição para o Programa de Integração Social – PIS/PASEP, relativo ao período de apuração 01.03.2004 a 29.03.2004 no valor de R$ 12,58 (doze reais e vinte e oito centavos). Insurge contra a não homologação da Per/Dcomp 25463.75448.150405.1.3.040408, em 14/03/2005, sob alegação de que o crédito é oriundo de pagamento a maior de PIS nãocumulativo (código de receita 6912), que pretende compensar com débito de março de 2005. O pleito restou indeferido. Ciente da decisão foi apresentado Manifestação de Inconformidade, anexado cópia da DIPJ e cópia do DARF. Sustenta que o pedido está consubstanciado nos dados registrados nos livros fiscais e contábeis e declarados por meio da Declaração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica. A decisão hostilizada afastou os argumentos da Recorrente escorado ao fato de que a DIPJ não se revelar documento hábil e capaz de provar a existência do crédito que se está pleiteando. Afirma também se existisse deveria ter sido apresentado DCTF retificadora. Na fase recursal a Recorrente cuidou de trazer à colação cópia dos livros contábeis, notas fiscais e planilhas de cálculos buscando demonstrar a real base de cálculo e o valor correto do débito apurado, que comparado com o DARF de pagamento restaria confirmado o recolhimento a maior do que o devido. Por meio da Resolução nº 3403000.293 de 13 de fevereiro de 2012 essa Turma decidiu em transformar o julgamento em diligência para que fosse apurada a existência de saldo credor favorável ao contribuinte com base nos documentos fornecidos e outros procedimentos que entendesse necessário para apurar a verdade. Concluído a diligência esses autos retornam a esse Colegiado com o parecer da fiscalização informando a existência de saldo disponível para ser utilizado na DCOMP de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos), como se infere do relatório a fl. 187. Instado a se manifestar sobre o resultado da diligência, a Recorrente quedou se. É o Relatório. Voto Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. A contenda neste caderno gira em torno da existência de saldo credor favorável a Recorrente, cujo pleito restou indeferido, assim como, restou mantido pela decisão ora recorrida. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO Processo nº 10840.905887/200932 Acórdão n.º 3403002.707 S3C4T3 Fl. 8 3 Pouco há de se discutir e acrescentar ao trabalho da diligência efetivada em razão da clareza, a qual possibilita o julgador a decidir alicerçado em dados concretos. A interessada foi intimada a se manifestar não se opôs ao resultado da diligência fiscal. Tomando com embasamento para decidir os cálculos contidos da diligência (fl.188) conforme transcrito aqui: “... após análise, foi apurado que o valor do PIS em 03/2004 foi totalmente amortizado pelos créditos e pelas retenções na fonte, não havendo saldo a pagar. Assim, resta inteiramente disponível o pagamento realizado em 15/04/2004, de forma que o total de créditos de PIS disponíveis para compensação é de R$ 656,70. Observese que entre as Dcomp´s que aproveitaram o mesmo crédito, três (3) já foram homologadas, enquanto que quinze (15) permanecem em discussão administrativa. À consideração superior. (Assinado digitalmente) Denise Aparecida Aguiar Vilas Boas Fantinel AuditoraFiscal da Receita Federal do Brasil Matrícula 1.220.539 Data: 09/04/2013 De acordo. Encaminhese o processo à Eqorc/Seort/DRF/RPO para que o contribuinte seja cientificado da Resolução de fs. 170172 e deste despacho, e apresente manifestação no prazo de 30 dias, se assim desejar. Após a ciência, retornar este processo ao CARF.(Assinado digitalmente” Em assim sendo, norteado no parecer fiscal de fls. 187/188 que aponta existência de crédito decorrente de pagamento a maior do PIS/PASEP disponível para compensação ou restituição no total de R$ 656,70 (seiscentos e cinqüenta e seis reais e setenta centavos) impõe em reconhecer o direito buscado pelo contribuinte. Diante do exposto conheço do recurso e voto no sentido de dar provimento parcial para assegurar o direito de compensar os débitos até o limite do valor reconhecido, desde que o pagamento esteja disponível. A decisão é parcial em razão de inexistir nos autos informação sobre ter ou não sido utilizado o pagamento para outras compensações. É como voto. Domingos de Sá Filho Fl. 194DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO 4 Fl. 195DF CARF MF Impresso em 29/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO, Assinado digitalmente em 25/09/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 23/09/2014 por DOMINGOS DE SA FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 10925.901468/2012-97
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Sep 10 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA.
A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3801-004.262
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório.
(assinado digitalmente)
Flávio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO-HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado.
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ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. Vencido(a)s o(a)s Conselheiro(a)s Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que convertiam o processo em diligência para a apuração do direito creditório. (assinado digitalmente) Flávio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 90 14 68 /2 01 2- 97 Fl. 49DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 50 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes (Presidente), Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antonio Borges e Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 51 3 Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos, em razão do princípio da economia processual: Trata o presente processo de Declaração de Compensação – PER/Dcomp nº 29105.04151.211209.1.3.043208, por meio da qual a contribuinte, acima identificada, intenta compensar débito próprio com crédito relativo a pagamento indevido ou efetuado a maior a título de Contribuição para o PIS não cumulativa, com apuração em 30/09/2008. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil – DRF pela não homologação da compensação (Despacho Decisório juntado aos autos), fazendo o com base na constatação da inexistência do crédito informado, pois o valor do “DARF discriminado no PER/DCOMP” havia sido “integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Irresignada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte manifestouse alegando: que retificou o Dacon do período para efetuar a inclusão de todos os créditos a que tinha direito, anteriormente não declarados; que no ajuste entre débitos e créditos verificou que efetuara pagamentos a maior da contribuição; e que para, recuperar tal valor, protocolou pedido de restituição e, posteriormente, utilizou o crédito em compensação de débitos próprios. Assim, defende que o crédito utilizado na Dcomp em debate pode ser confirmado no Dacon retificador do período e que não se justifica sua não homologação sob a alegação de falta de crédito, considerando que não foi analisado o pedido de restituição referente ao Darf pago a maior e, tampouco, o Dacon retificador que demonstra os valores de débitos e créditos. Requer o acolhimento da manifestação de inconformidade e homologação da compensação.. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou improcedente a manifestação de inconformidade sob o argumento de que o recolhimento alegado como origem do crédito estava alocado para a quitação de débito confessado e que só a partir da retificação da DCTF é que a contribuinte passa a ter o pretendido crédito contra a Fazenda devidamente conformado na forma da lei: Inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário repisando, na essência, as razões apresentadas por ocasião da manifestação de inconformidade. É o Relatório. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 52 4 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele tomase conhecimento. A recorrente sustenta que o seu direito creditório decorre da apuração do PIS e da Cofins não cumulativos que teriam sido pagos a maior. Alega ainda que ao descobrir o erro procedeu a retificação da respectiva DACON. O direito creditório não existiria, segundo o despacho decisório inicial, porque os pagamentos constantes do pedido estariam integralmente vinculados a débitos já declarados. Diante da inexistência do crédito, a compensação declarada não foi homologada. Por certo, a análise automática do crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior pleiteado em restituição ou utilizado em declaração de compensação é realizada considerando o saldo disponível do pagamento nos sistemas de cobrança, não se verificando efetivamente o mérito da questão, o que será viável somente a partir da manifestação de inconformidade apresentada pelo requerente, na qual, esperase, seja descrita a origem do direito creditório pleiteado e sua fundamentação legal. A recorrente alega que o crédito em debate teve origem na correta constituição de créditos de PIS e Cofins autorizados pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, respectivamente, os quais a Recorrente havia constituído apenas parcialmente na Dacon original, que retificou a Dacon do período para a inclusão dos créditos e que não retificou as DCTFs por julgar o Dacon o documento demonstrativo suficiente para este fim. De fato, o entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, não havendo norma procedimental condicionando a apresentação de PER/DCOMP à prévia retificação de DCTF, embora seja este um procedimento lógico, devendo ser consideradas as declarações apresentadas como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. No entanto, o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tãosomente, a argumentar que houve um erro no preenchimento da DACON original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.901468/201297 Acórdão n.º 3801004.262 S3TE01 Fl. 53 5 No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF ou na DACON situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Assim, nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, falta ao crédito indicado pelo contribuinte certeza e liquidez, que são indispensáveis para a compensação pleiteada. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, para NÃO HOMOLOGAR o pedido de compensação. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 53DF CARF MF Impresso em 10/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 04/09/201 4 por MARCOS ANTONIO BORGES, Assinado digitalmente em 09/09/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10925.002203/2009-17
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Aug 28 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE.
Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE.
Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS.
Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE
Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda.
REGIME DA NÃO-CUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO.
Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor.
CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO.
O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO.
Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo.
CRÉDITOS DA NÃO-CUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO.
Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não-cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3801-003.758
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de:
I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36;
II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99;
III) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48;
IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21;
V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas.
Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza, e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: FLAVIO DE CASTRO PONTES
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NULIDADE. Os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. EMBALAGENS PARA TRANSPORTE. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens para transporte porque não são aplicadas ou consumidas diretamente no processo fabril e são utilizadas após o encerramento do processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. Não se enquadram no conceito de insumos e não geram direito a créditos a serem descontados da Cofins os gastos de produção que não aplicados ou consumidos diretamente no processo fabril. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. PEÇAS E MATERIAIS DE REPOSIÇÃO. POSSIBILIDADE Geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças e materiais de reposição que foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. FRETE. TRANSFERÊNCIAS INTERNAS DE INSUMOS E MERCADORIAS. CONCEITO DE INSUMO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 5. 00 22 03 /2 00 9- 17 Fl. 688DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 11 2 Não se subsume ao conceito de insumo, os valores pagos a título de transferências de produtos acabados (fretes) entre os diversos estabelecimentos da empresa. Os valores relativos aos gastos com frete somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. CRÉDITOS DECORRENTES DE DESPESAS DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO. O direito de descontar créditos decorrentes de despesas de energia elétrica está condicionado a efetiva comprovação das despesas. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE ENCARGOS DE DEPRECIAÇÃO DE ITENS DO ATIVO IMOBILIZADO. Não geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas que não foram utilizados diretamente no processo produtivo. CRÉDITOS DA NÃOCUMULATIVIDADE. COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. COMPROVAÇÃO. Os combustíveis utilizados ou consumidos diretamente no processo fabril geram o direito de descontar créditos da contribuição apurada de forma não cumulativa, todavia o reconhecimento dos créditos está condicionado a efetiva comprovação de que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado, no sentido de: I) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36; II) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99; III) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48; IV) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21; V) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Fl. 689DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 12 3 Vencidos os Conselheiros Sidney Eduardo Stahl, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel que davam provimento integral nas seguintes matérias: embalagens, material de conservação e limpeza, e fretes. Fez sustentação oral pela recorrente o Dr. Tiago Peretti, OAB/SC nº 36.908. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Sidney Eduardo Stahl, Paulo Sérgio Celani, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Marcos Antônio Borges e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 13 4 Relatório Adotase o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para Programa de Integração Social – PIS, nãocumulativa, no valor de R$ 359.261,62, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição, que remanesceram ao final do quarto trimestre de 2005, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. Termo de Verificação Fiscal Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal em Joaçaba/SC pelo seu deferimento parcial, fazendoo com base no não acatamento da apuração de créditos em relação às seguintes operações: (a) aquisições de bens para revenda: foram excluídos da linha 01 do Dacon os valores dos bens adquiridos de pessoas físicas e os valores referentes às aquisições de insumos ou mercadorias sujeitas à alíquota zero, os quais não dão direito a crédito; (b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: relata a Autoridade Fiscal que foram excluídos da linha 02 do Dacon a diferença havida entre o valor informado na memória de cálculo e o informado no Dacon e os valores das notas fiscais de aquisição de materiais não enquadrados como insumos, mas correspondentes a “despesas gerais, necessárias as operações industriais e comerciais normais de qualquer estabelecimento industrial/comercial, sem direito a crédito das contribuições relativas ao PIS e à Cofins”. Conforme o relato fiscal os materiais são: a) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros. Em diligência a empresa, no dia 17 de dezembro de 2009, verificouse que as embalagens apresentadas como cx"s, filmes e etc são utilizadas no acondicionamento para transportes das mercadorias; b) Aquisição de produtos com alíquotas zero: Citrato de sódio, nisina; c) Peças em geral: Adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, e etc; d) Material de Construção: Cimento, areia, ferragem, e etc; Fl. 691DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 14 5 e) Conservação e limpeza: Acido nítrico, soda liquida, detergente, e etc; f) Outros itens: baralho, boné, avental, cadeado, grama, e etc; (c) aquisições de serviços – valores excluídos da “Linha 03 Serviços utilizados como insumos”: relata a Autoridade Fiscal que a contribuinte não apresentou a memória de cálculo conforme solicitado por meio de intimação fiscal, não tendo sido informado o CNPJ do fornecedor a descrição ou nome comercial do serviço, razão pela qual restou impossível determinar o enquadramento ou não dos serviços como insumos; (d) energia elétrica: foram glosadas a despesas com energia elétrica referente ao mês de outubro por não terem sido apresentado o comprovante de pagamento; (e) frete na operação de venda – valores excluídos da “Linha 07 Despesas de Armazenagem e Fretes na Operação de Venda”: relata a Autoridade Fiscal que a memória de cálculo apresentada pela requerente não contemplam as informações solicitadas por meio da Intimação Saort; não foi informado o campo número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, referente a cada frete na operação de venda. Conclui que, em face disto, restou totalmente prejudicada a análise do direito de crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas, devido a impossibilidade de se estabelecer a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda. Relata, ainda: que foi solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o valor informado a título de fretes nas operações de venda; que algumas notas indicadas na intimação não foram trazidas; e que dentre as cópias apresentadas, verificamse notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete na venda de mercadorias e frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol, em relação ao qual, acrescenta que não há previsão legal para creditamento; (f) depreciação de bens do Ativo Imobilizado: foram glosados valores referentes a encargos de depreciação/amortização sobre bens adquiridos antes de 01/05/2004, correção monetária do imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes, veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda; (g) outras operações com direito de crédito: relata a Autoridade Fiscal que foi glosado o valor referente a despesas com combustível e/ou lubrificantes, informado na linha 13 das fichas 06 e 12 do Dacon, em razão de os produtos indicados na memória de cálculo apresentada não consistirem de insumos; informa que o valor informado na memória de cálculo é inferior ao valor informado no Dacon; Além das glosas acima a Autoridade Fiscal realizou ajuste nos valores referentes ao crédito presumido – Atividade agroindustrial. Foram glosados valores referentes a notas fiscais Fl. 692DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 15 6 de aquisição de insumos de pessoas física que não foram apresentadas, números 3454, 405 e 360, e as diferenças verificadas entres o valores informados na memória de cálculo e os informados no Dacon. Manifestação de inconformidade 1.A contribuinte, inicialmente, alega ilegalidade das glosas procedidas pela Autoridade Fiscal em face da ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade, “termo utilizado pelo § 12, do art. 195 da CF/88”. Nesse sentido, argumenta que, como a contribuição para o PIS e a Cofins, a teor das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incidem sobre “o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil”, seus respectivos créditos também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais necessários à obtenção das receitas e não somente sobre insumos e bens adquiridos para revenda, sob pena de tornar tais contribuições cumulativas, ainda que em parte, numa “clara infração ao art. 111 do CTN”. 2.Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços utilizados como insumos argumentando que os dispositivos legais que tratam da possibilidade de desconto de créditos referemse a insumos em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Bens utilizados como insumos 3.Segue contestando as glosas dos valores referentes a aquisição de embalagens para transporte dizendo que os itens glosados pela fiscalização, aplicados ao final do processo de industrialização, consistem de embalagens de apresentação, não podendo ser considerados como embalagens utilizadas apenas para o transporte. Explica que o processo de acondicionamento ao qual o leite e seus produtos derivados são submetidos possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade. A fim de demonstrar o que defende traz fotos das referidas embalagens. Em que pese esta alegação, argumenta ainda: que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte de produtos industrializados são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram o custo final do produto, da mesma forma que a matériaprima; que a legislação que trata da contribuição para o PIS e da Cofins não faz distinção entre as “embalagens de apresentação” e as “embalagens para transporte”, não cabendo, portanto, à fiscalização desconsiderar as disposições normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte, quando a lei não o fez; que a distinção entre embalagem de apresentação e para transporte, estabelecida no caput do art. 6º Regulamento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovado pelo Fl. 693DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 16 7 Decreto n° 4.544/2002, é válida somente “Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto” e não pode ser transposta para o âmbito da não cumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. 4.A interessada contesta a glosa dos valores de aquisição de citrato de sódio e de nisina defendendo que tais produtos, enquanto “estabilizante de proteína utilizado nos produtos UHT e também no doce de leite” e “conservante utilizado em requeijão”, são produtos utilizados como insumo na elaboração e ou beneficiamento de laticínios. Argumenta, ainda, que a Autoridade Fiscal classifica tais produtos como tributados à alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal infringido em que se baseia. 5. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em geral – os quais lista como “(adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, etc)” , sob o argumento de que tais bens não se enquadram no conceito de insumos, inicialmente a contribuinte alega que a Autoridade Fiscal “não aponta com exatidão todos os bens glosados sob este fundamento e sequer quantifica o montante dos créditos glosados, prejudicando o direito de defesa do Contribuinte”. A seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua linha de produção, conforme lista em planilha que traz em anexo. Segue, então, argumentando que referidos materiais destinamse à manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que a possibilidade de desconto de créditos sobre os materiais de manutenção está amparada pelo art. 3º, inciso II da Lei n° 10.833/2003 e pelo art. 8º, § 4º, inciso I, alínea “a” da Instrução Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09. 6.Em relação à glosa de valores relativos às aquisições de produtos de conservação e limpeza – os quais lista como (ácido nítrico, soda líquida, detergente, etc.)” , reclama que “Da mesma forma como descrito no item anterior, não houve a adequada individualização de todos os produtos e do respectivo montante glosado no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal” e diz que apresenta em anexo planilha com relação dos referidos produtos. Traz um quadro onde lista os produtos e sua destinação, e menciona a Solução de Consulta n° 13, de 06 de janeiro de 2010, da DISIT 08, por meio da qual, argumenta, a Secretaria da Receita Federal afirma que a Contribuinte tem direito de incluir na base de cálculo da COFINS nãocumulativa os produtos de limpeza. Fl. 694DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 17 8 7. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros produtos utilizados como insumos. Alega que, ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, os produtos descritos como CAIXAS CREME DE LEITE RECE, LACTOMIX 8012/2 e MAXILACT LX5000, consistem de insumo gerando direito a crédito que alega. Informa que o MAXILACT LX5000 consiste de “ensima ‘lactase’ utilizado no processo de elaboração do doce de leite para hidrolisar a lactose” e o LACTOMIX 8012/2 de “um estabilizante/espessante usado na elaboração de produtos fermentados (iogurte)”. Serviços utilizados como insumos 8.A interessada, inicialmente, informa que dentre os valores glosados há valores que se referem a serviços que são utilizados como insumo. Argumenta, então, que a Autoridade Fiscal agiu de forma arbitrária ao glosar todo o valor informado a esse título, mesmo considerando o fato de a memória de cálculo apresentada estar em desconformidade com o solicitado. A fim de comprovar a existência de valores que geram créditos, junta uma amostra das notas fiscais relacionadas à presente glosa (Doc. 10). Por fim, pugna pela realização de diligência, caso se entenda que os documentos acostados não sejam suficientes a comprovar o que pretende. 9.Em relação as despesas com energia elétrica, argumenta que os pagamentos foram devidamente escriturados no Livro Diário (Doc. 11) e que este livro somado a cópia da fatura (Doc. 12), mostrase suficiente para comprovar a despesa. 10. Em relação aos fretes nas operações de venda, alega que, conforme consta do termo fiscal, em atendimento a Intimação SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido pela própria Autoridade, comprovando as aquisições dos serviços de fretes. Conclui, então, que a Autoridade Fiscal, apesar de reconhece a existência das mencionadas notas fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas operações de venda, desconsiderando, inclusive, os valores das notas fiscais que já se encontram anexadas ao presente processo. 11.Defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes na aquisição de insumos, fretes de transferências de matériaprima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria) está assegurado em lei e argumenta que a inclusão de tais valores na linha do Dacon própria para informar fretes na venda tratase de mero equívoco, que não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. 12.Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda, a contribuinte alega que os custos com tais fretes consistem de despesas de venda, pois a operação é realizada com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado. Aduz que a despesa de frete na venda pode ocorrer de forma direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente Fl. 695DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 18 9 para o estabelecimento do adquirente, ou de forma indireta, como é o caso, quando os produtos são remetidos do estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que “O envio do produto final para os ponto de venda é uma etepa essencial à sua comercialização, sem o qual não seria possível fornecêlos às mais diversas e longínquas regiões do país”. Encargos de Depreciação 12.Em relação à glosa dos encargos de depreciação, defende que é indevida a glosa relativa a uma parcela dos bens que, conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da descrição de sua aplicação/destinação constante da planilha (Doc. 13) e das respectivas imagens que anexou ao presente processo (Doc. 14). Defende que, de acordo com o parecer normativo nº 7, de 23 de julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação – CST definiu quando uma máquina ou equipamento é utilizado no processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na esfera do imposto de renda e IPI , consideramse utilizados na produção as máquinas e os equipamentos "empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico". Conclui, então, que como os bens indicados são máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda (e não para fins comerciais ou domésticos), e foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dão direito a crédito, já que preenchem todos os requisitos legais a sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade Fiscal, “sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a singela alegação de que os equipamentos e máquinas apresentadas pela Recorrente nos pedidos administrativos não são utilizados na produção de seus bens destinados à venda”. Combustíveis e lubrificantes 13.Em relação aos combustíveis e lubrificantes, cujos valores de aquisição, informados como “Outras Operações com Direito de Crédito”, foram glosados, alega que tais produtos consistem de insumos consumidos no processo de fabricação dos produtos vendidos. Diz que, a fim de comprovar que a aquisição dos produtos “constitui em custo de produção”, traz em anexo cópia do Livro Diário e o plano de contas (Doc. 11) que atestam os efetivos dispêndios, bem como que as referidas aquisições representam custo de produção. Crédito presumido 14. Em relação ao crédito presumido a contribuinte manifestase dizendo que com o objetivo de demonstrar a existência das aquisições de leite in natura anexa o livro Diário e o Plano de Contas e uma amostra das notas fiscais dessa operações. Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade e reformado o Despacho Decisório. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade, nos termos da ementa abaixo transcrita: Fl. 696DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 19 10 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda, somente dão direito à crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. Fl. 697DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 20 11 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado relacionado a uma “operação de venda”, não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da não cumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Discordando da decisão de primeira instância, a recorrente interpôs recurso voluntário, instruído com diversos documentos. Em síntese, apresentou as mesmas alegações suscitadas na manifestação de inconformidade, acrescentando basicamente que: DA EXISTÊNCIA DE ERRO MATERIAL – DIGITAÇÃO DE VALORES ERRONEAMENTE E DESCONSIDERAÇÃO DE ALGUNS PRODUTOS CUJO CRÉDITO FOI DEFERIDO NO CÁLCULO DO MONTANTE HOMOLOGADO ao elaborar o mapa dos valores cujo crédito foi homologado a Autoridade administrativa incorreu em erro material, considerando valores diversos daqueles realmente incluídos na base de cálculo dos créditos de PIS e COFINS. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 21 12 PRELIMINAR TARIFAÇÃO DAS PROVAS OFENSA AO PRINCÍPIO DA VERDADE REAL E AMPLA DEFESA DESCONSIDERAÇÃO DOS DOCUMENTOS APRESENTADOS PELA CONTRIBUINTE: o acórdão recorrido, em manifesto equívoco, faz uma tarifação de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos que comprovam a existência do direito creditório da Recorrente, exigindo outras, desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas; a tarifação de provas promovida pela Delegacia de Julgamento conflita com o princípio de que todas as provas em direito admitidas são, em regra, hábeis a comprovar a existência ou inexistência de um fato jurídico; o princípio da verdade real ou material que rege o processo administrativo recomenda uma análise acurada dos elementos de prova com vistas à realidade dos fatos e não uma verificação meramente formal e que atenda eventual comodidade do julgador; a resistência da autoridade julgadora a análise dos documentos apresentados afronta aos princípios da verdade real, da oficialidade, da legalidade, da proporcionalidade, do informalismo e do interesse público, os quais devem ser observados pela administração pública por expressa previsão constitucional QUANTO AO PRINCÍPIO DA NÃOCUMULATIVIDADE NOÇÃO GERAL DE SEU OBJETIVO: a autoridade julgadora emprega, entretanto, interpretação restritiva incompatível com o desiderato da não cumultatividade; a violação à nãocumulatividade se dá por ofensa às leis ordinárias que regulamentaram a nãocumulatividade constitucionalmente previstas, como será demonstrado em cada item específico; QUANTO AO CONCEITO DE INSUMOS: A Autoridade Julgadora utilizando legislações diversas da matéria em comento, cria óbices ilegais ao aproveitamento dos créditos de PIS e de COFINS nãocumulativos; a uma, porque o fato gerador do PIS e da COFINS é auferir receitas, já o do IPI é a industrialização do produto submetido à circulação e consumo; a duas, porque tanto o IPI como o PIS/COFINS possuem legislações específicas quanto as suas regras de incidência e possibilidades de creditamento e, portanto, não devem ser submetidos a apreciações sob a ótica de semelhança com outros tributos; Fl. 699DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 22 13 QUANTO AS AQUISIÇÕES DE MATERIAL DE EMBALAGENS APLICADAS AOS PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA RECORRENTE: é também importante antecipar que a legislação específica do PIS/COFINS, não distingue embalagens para simples transporte. A interpretação meramente literal das Leis nºs. 10.637/2002 e 10.833/2003, assim como das Instruções Normativas nºs. 47/2002 e 404/2004, desautorizam completamente as ilações tiradas pela relatora em seu voto; a "agregação" do material de embalagem ao produto é criação subjetiva das autoridades fiscais, acatadas no julgamento sem amparo legal; ora, a distinção entre embalagens de apresentação e transporte é importante para o IPI apenas e tão somente para caracterizar industrialização, mas não é determinante para assegurar os descontos de créditos de PIS/COFINS; não tem nem lógica e nem o menor sentido exigir que as embalagens para gerar direito ao crédito necessitem se agregar fisicamente ao produto durante o processo de fabricação; QUANTO AS AQUISIÇÕES DE MATERIAIS DE REPOSIÇÃO (PEÇAS EM GERAL) as peças de reposição são, em sua maioria, adquiridas de fornecedores que vendem as máquinas utilizadas no processo fabril dos produtos lácteos, tais como: a) peças adquiridas da empresa Tetra Pak Ltda. que vende máquinas de envase e equipamentos de processamento. b) materiais de manutenção obtidas da empresa Gea Westfalia Separator Do Brasil Indústria de Centrífugas Ltda., que vende máquinas centrífugas; não há que se falar em ausência de prova de sua utilização na atividade da empresa. QUANTO AS AQUISIÇÕES DE PRODUTOS DE CONSERVAÇÃO E LIMPEZA o uso dos produtos de conservação e limpeza é essencial à atividade da contribuinte que produz alimentos derivados do leite. A higiene e a sanidade de seus produtos é indispensável e faz parte de todo o processo da sua cadeia produtiva, altamente fiscalizada e regulamentada pelos órgãos oficiais credenciados a zelar pela saúde pública. QUANTO AOS SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS: a autoridade julgadora, bem como, a Autoridade Fiscalizadora apegamse ao equívoco cometido pela Contribuinte no momento da informação no DACON e por esse motivo indeferem Fl. 700DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 23 14 totalmente o direito ao crédito sobre os serviços utilizados como insumos informados na linha 03; é inadmissível o indeferimento, pois as autoridades não chegam nem a analisar o crédito e já o indeferem em função de um erro de preenchimento no DACON, e afirmam que o reconhecimento do crédito limitase ao escopo do que consta lá informado; DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS SOBRE OS SERVIÇOS GERAIS: os serviços de manutenção industrial, resfriamento de leite, análise laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros serviços prestados à Recorrente correspondem a serviços essenciais ao processo produtivo do parque fabril da empresa, conforme comprovam as notas fiscais juntadas por amostragem e as planilhas apresentadas com a Manifestação de Inconformidade; não há dúvidas que os serviços utilizados no processo produtivo pela Recorrente constituem custo de aquisição de insumos, aumentando o custo de produção e contribuindo para a formação do preço do produto e, consequentemente, da receita; em momento algum o legislador vedou o direito ao desconto de créditos da COFINS sobre os serviços aplicados ou consumidos na produção ou fabricação de bens destinados à venda. QUANTO AS AQUISIÇÕES DE COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES INFORMADOS NA LINHA 13 DO DACON a Recorrente informou erroneamente na linha 13 Outras Operações com Direito a Crédito, as suas aquisições de combustíveis e lubrificantes, insumos que são empregados intrinsecamente no processo de fabricação de laticínios; discorda do procedimento fiscal, entendendo correto o cômputo de tais valores na base de cálculo de créditos da COFINS; o parque fabril é o lugar onde a matériaprima é transformada no produto final. Desta forma, todo o combustível gasto na movimentação de matériaprima, produtos em elaboração, produto acabado, etc. é caracterizado como insumo, pois seu custo integra o custo final do produto, assim, sua possibilidade de crédito tem previsão expressa na legislação da COFINS, não podendo ser excluído da base de cálculo que enseja a apuração dos créditos; são insumos essenciais à movimentação de máquinas e equipamentos que são utilizados diretamente no processo produtivo. Por fim requer que seja julgado procedente o presente Recurso Voluntário para reformar o acórdão recorrido, reconhecendo a existência dos créditos em favor da Contribuinte, em respeito ao princípio da nãocumulatividade, insculpido no art. 195, §12, da Fl. 701DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 24 15 Constituição Federal, bem como em face da argumentação específica contida em cada um dos itens (artigos) retro expostos. Requer, ainda, que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor, mandatário do Contribuinte, devidamente habilitado nos autos, no endereço constante do mandato. Em face das alegações da recorrente, o processo foi convertido em diligência para que a Delegacia de origem procedesse conforme abaixo indicado. 1. Intime a contribuinte a: 1.1 Discriminar (relacionar) quais os itens se referem efetivamente a embalagens de apresentação de produto que foram alocados, erroneamente, como embalagens de transporte, demonstrando, com clareza de detalhes, a função/utilização de cada item e não apenas de forma consolidada. 1.2 Detalhar (discriminar) quais das peças relacionadas no item 1.2 (Materiais de Reposição Peças em geral) foram aplicadas na manutenção de máquinas/equipamentos usadas na fabricação de bens destinados à venda, demonstrando a utilização (função) de cada item. 1.3 Detalhar (discriminar) quais dos serviços relacionados no item 1.3 (Serviços utilizados como Insumos) estão diretamente relacionados com o processo produtivo da empresa, ou, no mínimo, quais são indispensáveis à produção de bens destinados à venda. A DRF de origem atendeu o solicitado na Resolução e por meio de Informação Fiscal esclareceu: 1.1 Embalagens de apresentação – Embalagens de transporte Pelos documentos fotográficos juntados, na hipótese de haver perfeita coincidência entre a descrição constante das planilhas com o que deve estar contido no corpo das respectivas notas fiscais – a contribuinte não juntou nenhuma nota fiscal neste sentido, as embalagens relativas aos itens 1 a 16 tem características de serem classificadas como Embalagens de apresentação por agregar valor comercial ao produto através de sua apresentação objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Em alguns casos, em verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não é possível vender leite ou iogurte, sem a respectiva embalagem, uma vez que estes produtos encontramse em estado líquido. Neste sentido, portanto, as embalagens nestas condições somariam o montante de R$ 2.031.959,94 – arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader”. Todavia, devese descontar desta importância o valor de R$ 15.742,58, uma vez que, aparentemente, por erro de grafia, teriam contado em duplicidade as notas fiscais nº 2236 e 5227, respectivamente, nos valores de R$ 1.919,35, 2.033,94, 1.919,35, 3.838,70, 1.027,13, 534,11 e 4.470,00, respectivamente. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 25 16 Diferentemente, as embalagens relacionadas nos itens 17 a 33 do arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam características de embalagens de transporte por não manter contato direto com o produto. Meras caixas para acondicionamento, para fins de transporte. De modo algum se podem classificar as embalagens nestas condições (itens 17 a 33) com as embalagens de apresentação, ainda que tragam informações sobre os produtos ou marca, uma vez que sua função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de servir como caixas ou engradados que transportam quantidades daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o “iogurte” não se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas. Não nos é possível ignorar, portanto, a dessemelhança entre a embalagem do produto, em sentido estrito, e os invólucros maiores, destinados a conter unidades daquele produto em seu acondicionamento para armazenamento e transporte. Estes não integram o produto, e não devem integrar a base de cálculo do crédito das indigitadas contribuições sociais. 1.2 Material de reposição – peças em geral. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 a Peças. pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 b Demais peças e mats.reposição.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos gastos com equipamentos utilizados na iluminação interna e externa, material utilizado em cercas de proteção e gastos com material de construção que por sua natureza, exigese, que sejam ativados, passando a compor o ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, a contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de cada peça, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a utilização das peças ou bens. Nesta situação foram apontados bens no montante de R$ 82.438,99. 1.3 Serviços Na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 c Demais serviços.pdf”) verificase que a contribuinte computou na base de cálculo dos créditos “demais serviços” que não tem relação direta com o processo produtivo, a exemplo de: contratação de Motoboy, Provedor de internet, serviço de sistema de folha de pagamento, serviços hospitalares para tratamento de funcionário da indústria, etc, que a teor da legislação vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 9.136,70. Na relação de serviços utilizados como insumo relacionado diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 d Serviços cuja função não foi ident.pdf”) a Fl. 703DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 26 17 contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de alguns serviços relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e corelacionar o serviço com o processo produtivo. Neste situação foram apontados serviços no montante de R$ 86.944,17. 1.4 Despesas de armazenagem e frete na operação de venda Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 e – Transferência prod.acabado.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete interno entre o estabelecimento fabril e o estabelecimento que efetuará a venda, o que não teria amparo na legislação de regência. Com efeito, notese que os dispêndios com fretes realizados por terceiros para transferência de produto acabado, entre unidades, apesar de serem considerados como custos de transporte e, por conseguinte, passíveis de dedução na apuração da base de cálculo do IRPJ (Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica) e CSLL (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido), não se subsumem no conceito de insumos a que se referem as Leis nº 10627/2002 e 10833/2003, porquanto apenas aquilo que é consumido ou aplicado diretamente na fabricação ou produção dos bens da interessada pode ser considerado insumo, não alcançado os gastos efetuados após a conclusão da industrialização – etapa posterior. De outro lado, cabe destacar que os custos e/ou despesas de transportes em exame não estão relacionados a fretes decorrentes de operação de venda, uma vez que a venda ainda é uma perspectiva, ela não se concretizou ainda (pode ser que ocorra ou não) nos termos do inciso IX do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003. Estão nesta situação os gastos no montante de R$ 7.993,20. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete como insumo (arquivo “Item 1.4 f – Transferência prod.agrop.p/revenda.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete interno entre o estabelecimento que adquiriu a mercadoria e o estabelecimento que efetuará a venda, o que não teria amparo na legislação de regência. Ora, aqui se trata de bens adquiridos para revenda. Nesse caso, o frete referente à aquisição da mercadoria poderia ser somado ao valor da mercadoria. Todavia, no caso em questão, o frete diz respeito ao transporte de mercadorias em um período posterior à sua aquisição, em uma operação de movimentação de mercadorias interna da empresa. É, portanto, uma despesa que não pode ser englobada no custo dos bens. Neste sentido, a orientação emanada da Solução de Consulta nº 344, SRRF8ª/Disit de 05/10/2009. Estão nesta situação os gastos no montante de R$ 9.602,25. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 g – Compra de Insumos.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago na aquisição de insumos, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão corelacionadas, tendo sido sentida a ausência da indicação da Nota fiscal relativa a mercadoria transportada e a natureza da carga (De que se trata o transporte? É insumo?), ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar se aquele frete pode ser considerado um insumo. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 27 18 Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 h – Compra uso e consumo.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago na aquisição de outros bens, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão corelacionadas, uma vez que a descrição da natureza da carga afigurase genérica ou ausente, a exemplo de: Outras cargas cfe. NF; diversos; produtos diversos, etc. Daí não se sabe de que se trata o transporte. É insumo? Que tipo de insumo? Destarte, não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar se aqueles fretes podem ser considerados um insumo. Nesta situação foram identificados os fretes na compra no montante de R$ 4.737,47. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 k – Consignação.pdf) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago em operações de consignação dos produtos industrializados, todavia observase que nem todas as operações de aquisição estão co relacionadas, uma vez que resulta ausência ou falta de identificação da Nota fiscal relativa a mercadoria transportada, bem assim a falta de especificação do estabelecimento remetente da mercadoria (“Diversos produtores” ou “não informado”). Destarte, não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a de que aquele frete pode ser considerado um insumo. Nesta situação foram identificados os fretes na compra no montante de R$ 146.811,70. Na relação de Despesas de Armazenagem e Frete utilizados como insumo (arquivo “Item 1.4 m – Compra imobilizado.pdf”) a contribuinte pretende seja confirmado o crédito em relação ao frete que teria sido pago em operações de compra de bens integrantes do Ativo imobilizado, sem que acha previsão legal para tanto. Havendo ocorrido a incorporação ao ativo imobilizado das edificações ou suas reformas, construções ou ampliações e das máquinas e equipamentos utilizados na produção, os fretes (serviço) devem ser agregados aos respectivos bens, uma vez que passam a integrar o seu custo, sendo passível o aproveitamento dos créditos, apenas, em relação aos bens que tenham relação com o produto em fabricação, melhor dizendo, que ele pertença à linha de produção, na forma de futuras depreciações. Neste sentido, não cabe o crédito sobre o montante de R$ 36.501,94. A contribuinte foi devidamente cientificada do teor da diligência, tendo se manifestado no prazo que lhe foi concedido. Discordando da informação fiscal feita pela autoridade fiscal, a recorrente inicialmente pugna pela apreciação pela turma julgadora do conteúdo da mídia que se encontrada juntada ao processo nº 10925.000034/201359 sob pena de caracterizar cerceamento de defesa. Pontua que a planilha elaborada pelos AuditoresFiscais apresenta alguns dados incorretos e não demonstra alguns arquivos digitais que foram apresentados pela recorrente. Apresenta quadro discriminando os erros das autoridades fiscais. Quanto ao item 1.1 “Embalagens de apresentação Embalagens de transporte”, requer a desconsideração da nota fiscal nº 5394, de 07/12/2005 porque ele não foi computada em duplicidade. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 28 19 Em relação às embalagens consideradas como sendo de transporte, as autoridades apresentam informações parciais e imprecisas, tais como: as informações não demonstram todas as características, a função, a descrição do processo de formação de cada embalagem, a sua utilização no processo produtivo e a relação das notas fiscais de aquisição; as fotos apresentadas são relativas a uma parte das embalagens consideradas como de transporte e não contém a respectiva descrição/denominação. Insiste que é de fundamental importância a análise individualizada de cada embalagem considerada como sendo de transporte, a fim de que se possa enquadrálas ou não no conceito de insumo. No que se refere ao item 1.2 “material de reposição – peças em geral”, a recorrente requer que caso prevaleça o entendimento de que tais peças de reposição devem integrar o ativo imobilizado da empresa, seja reconhecido o direito ao aproveitamento dos créditos sobre o valor dos encargos de depreciação, nos termos do art. 3º, § 1º, inciso III, da Lei nº 10.833/2003. Admite que no item 1.2 c) Peças e materiais de manutenção cuja função não foi identificada que, de fato, não logrou comprovar seus vínculos à produção. No que tange ao item 1.3 “Serviços”, Serviços utilizados com insumos relacionados diretamente com o processo produtivo e demais serviços, a interessada entende que faz jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre os serviços relacionados neste item, por configurarem verdadeiro insumo do processo produtivo. Reconhece que no item 1.3 c) Serviços cuja função não foi identificada que, de fato, não logrou comprovar seus vínculos à produção. Em relação aos itens 1.4 – Despesas de armazenagem e frete na operação de venda, não concorda com a posição da fiscalização em relação aos itens 1.4 e) transferência de produto acabado; 1.4 f) transferência prod. agrop para revenda; 1.4 – g) compra insumos; 1.4 – h) compra uso e consumo 1.4 – k) consignação; 1.4 – m) compra imobilizado, , aduz que também faz jus ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins sobre as operações de frete relacionadas, seja na condição de frete na venda ou como insumo. Por último requer que sejam sanadas as incorreções e omissões relevantes apontadas e que o conteúdo da mídia que se encontrada juntada ao processo nº 10925.000034/201359 faça parte integrante deste processo sob pena de caracterizar cerceamento de defesa. Requer ainda que seu recurso seja julgado procedente e que as intimações relativas a atos e termos do presente processo recaiam na pessoa do subscritor. É o relatório. Fl. 706DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 29 20 Voto Conselheiro Flávio de Castro Pontes O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto, dele tomase conhecimento. Inicialmente analisase o pedido de que a mídia (CDRom) juntada ao processo nº 10925.000034/201359 faça parte integrante deste processo. Em consulta ao site Comprot do Ministério da Fazenda, de fato constatase que este processo tem como documento de origem uma mídia digital e encontrase na SAORT/DRF/JOA, ressaltando que ele não foi cadastrado no sistema eprocesso. De imediato esclareçase que o processo 10925.000034/201359 não foi nem encaminhado nem distribuído a este relator, portanto não se tem acesso ao aludido processo, de sorte que indeferese a juntada da mídia. Ademais, o relator não tem competência para alterar a distribuição efetuada. Quanto à alegação de erro material, incumbe a autoridade administrativa da unidade local sanear eventuais erros de cálculo. A autoridade julgadora não pode alterar este quadro porque nessa matéria não há litígio. Assim, o julgamento será feito com as provas coligidas neste processo sem a mídia juntada em outro processo. Caso julgasse importante esta prova, a recorrente deveria providenciar uma cópia da mídia e juntála neste processo. Em regra, a produção de provas incumbe as partes e não ao julgador. Destacase que as matérias em discussão nesse litígio administrativo são objeto de inúmeras controvérsias entre a Fazenda Nacional e os contribuintes. Assim, as matérias serão enfrentadas por tópicos específicos, em consonância com as alegações da requerente no recurso voluntário. 1 Preliminar – Tarifação das provas A interessada sustenta que o acórdão recorrido, em manifesto equívoco, faz uma tarifação de provas, ao desconsiderar os documentos carreados aos autos que comprovam a existência do direito creditório da Recorrente, exigindo outras, desnecessárias ou impossíveis de serem cumpridas. A interessada sustenta a nulidade da decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) por cerceamento do direito de defesa em face de que a decisão recorrida não examinou os documentos carreados aos autos, violando principalmente o princípio da verdade real. Não merece prosperar essa tese. Ao contrário do alegado, o colegiado de primeira instância discutiu todas as teses necessárias e suficientes para a solução da lide administrativa. Fl. 707DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 30 21 Exemplificando, a propósito da embalagens de transporte, o julgador “a quo” motivou sua convicção de forma clara e precisa com base nas provas apresentadas na manifestação de inconformidade. Confirase trecho do voto condutor: Como se vê, em sede de Manifestação de Inconformidade a contribuinte nada acrescentou que fosse capaz de infirmar a situação posta nos autos. Ao contrário. Grande parte das fotos por ela anexadas somente confirmam que as embalagens utilizadas não são de apresentação como defende, mas são próprias para o transporte de seu produto final, conforme distinção acima fixada. As imagens mostram embalagens que comportam quantidades superiores às usualmente vendidas no varejo e não contêm indicações promocionais destinadas à valorização do produto consistem de: caixas de papelão pardo ou branco sem qualquer acabamento especial ou rotulagem de função promocional e que objetive valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional; fita adesiva; e rede plástica para defumar queijo. Além do mais, como bem colocado pela decisão de primeira instância, só é passível de aferição o crédito em relação ao qual o contribuinte define, com clareza, a natureza da operação que o originou e, por óbvio, comprove a ocorrência desta. Ademais, os órgãos julgadores administrativos não estão obrigados a examinar as teses, em todas as extensões possíveis, apresentadas pelas recorrentes, sendo necessário apenas que as decisões estejam suficientemente motivadas e fundamentadas. Nessa esteira, o julgador não tem a obrigação de rebater, um a um, todos os argumentos apresentados pela interessada na manifestação de inconformidade. Não se pode perder de vista que a decisão recorrida apreciou todas as questões relevantes necessárias a solução do litígio, em especial o fato de que parte do direito creditório não foi comprovado por documentação hábil e idônea. Assim, eventual omissão sobre argumentos do sujeito passivo não acarreta a nulidade da decisão recorrida, visto que o julgador apresentou razões coerentes e suficientes para embasar a decisão. Além disso, no âmbito do processo administrativo fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59 do Decreto nº 70.235/72: "Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa." No caso vertente, nenhum dos pressupostos acima encontrase presente, uma vez que não ficou evidenciada a preterição do direito de defesa, tendo em vista que a decisão recorrida motivadamente demonstrou de forma clara e concreta os motivos pelos quais o direito creditório não foi reconhecido. Por tais razões não há que se falar em nulidade da decisão guerreada por ofensa ao princípio da verdade real. Fl. 708DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 31 22 2. Glosa de créditos 2.1 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de embalagens aplicadas aos produtos industrializados. Esta controvérsia tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição em relação às aquisições de embalagens utilizadas no acondicionamento para transporte de mercadorias (item 2.2.2 – a) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). Para a solução deste tópico é essencial o exame do conceito de insumo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, disciplinava: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 709DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 32 23 VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Destarte, o ponto central da questão é compreender o conceito de insumo estabelecido nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Há diversas exegeses a respeito desse dispositivo, tais como: definição de insumo segundo a legislação do IPI, aplicação de custos e despesas de acordo com a legislação do IRPJ, custos de produção, etc. Para o deslinde da questão, é despiciendo examinar o método indireto subtrativo que, em regra, foi adotado para o exercício da nãocumulatividade da referida contribuição. A respeito da interpretação das leis, Carlos Maximiliano em Hermenêutica e Aplicação do Direito, 19ª ed. – Rio de Janeiro: Forense, 2010, p. 162, ensina: Por mais opulenta que seja a língua e mais hábil quem a maneja, não é possível cristalizar numa fórmula perfeita tudo o que se deva enquadrar em determinada norma jurídica: ora o verdadeiro significado é mais estrito do que se deveria concluir do exame exclusivo das palavras ou frases interpretáveis; ora sucede o inverso, vai mais longe do que parece indicar o invólucro visível da regra em apreço. A relação lógica entre a expressão e o pensamento faz discernir se a lei contém algo de mais ou de menos do que a letra parece exprimir: as circunstâncias extrínsecas revelam uma idéia fundamental mais ampla ou mais estreita e põem em realce o dever de estender ou restringir o alcance do preceito. Mais do que regras fixas influem no modo de aplicar uma norma, se ampla, se estritamente, o fim colimado, os valores jurídico sociais que lhe presidiram à elaboração e lhe condicionaram a aplicabilidade. (grifouse) A Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), por meio da Instrução Normativa (IN) nº 404/2004, regulamentou o assunto a partir da concepção tradicional da legislação do Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI) e adotou uma interpretação restritiva para o conceito de insumo, conforme excerto a seguir transcrito: Art. 8º Do valor apurado na forma do art. 7º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: Fl. 710DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 33 24 I das aquisições efetuadas no mês: a) de bens para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos nos incisos III e IV do § 1º do art. 4º; b) de bens e serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes, utilizados como insumos: b.1) na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; ou b.2) na prestação de serviços; (..). § 4º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entende se como insumos: I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. Em que pese não vincular a autoridade julgadora, a interpretação dada pela RFB apresentase compatível e coerente com a legislação da nãocumulatividade da Cofins. Essas normas complementares não atentaram contra a legalidade, além de não terem extrapolados os limites traçados na respectiva lei. Em outras palavras, as normas acima delimitaram o direito de crédito com a especificação dos serviços que geram crédito. Posto isso, ao sujeito passivo somente é permitido descontar unicamente os créditos autorizados e discriminados pela lei. Em suma, não é qualquer serviço, custo de produção ou despesa que confere crédito da contribuição. Caso o legislador tivesse outra intenção, de tal forma que os direitos de descontar os créditos abrangeriam o maior número de gastos possíveis, teria feito constar na lei uma referência explícita ao direito de descontar créditos em conformidade com custos e as despesas necessárias segundo a legislação do IRPJ. Da mesma maneira, caso quisesse adotar o conceito de custos de produção, não teria utilizado a expressão insumos. Fl. 711DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 34 25 Além disso, a lei que instituiu a nãocumulatividade da Cofins especificou outros custos de produção e despesas operacionais que geram direto ao crédito, tais como: aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica; máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; edificações e benfeitorias em imóveis de terceiros, quando o custo, inclusive de mãodeobra, tenha sido suportado pela locatária; energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica. Com efeito, o conceito de insumo no âmbito do direto tributário foi estabelecido no inciso I, § 1º, do artigo 1º da Lei nº 10.276, de 10 de setembro de 2001, in verbis: Art. 1º (...) §1º A base de cálculo do crédito presumido será o somatório dos seguintes custos, sobre os quais incidiram as contribuições referidas no caput: I de aquisição de insumos, correspondentes a matérias primas, a produtos intermediários e a materiais de embalagem, bem assim de energia elétrica e combustíveis, adquiridos no mercado interno e utilizados no processo produtivo; Destarte, em tributos não cumulativos o conceito de insumos corresponde a matériasprimas, produtos intermediários e a materiais de embalagem. Ampliar este conceito implica em fragilizar a segurança jurídica tão almejada pelos sujeitos ativo e passivo. Nesse sentido, o Superior Tribunal de Justiça (STJ), no julgamento do Recurso Especial 1.020.991 RS, assim se pronunciou: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CREDITAMENTO. LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2003. NÃO CUMULATIVIDADE. ART. 195, § 12, DA CF. MATÉRIA EMINENTEMENTE CONSTITUCIONAL. INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF 247/02 e SRF 404/04. EXPLICITAÇÃO DO CONCEITO DE INSUMO. BENS E SERVIÇOS EMPREGADOS OU UTILIZADOS DIRETAMENTE NO PROCESSO PRODUTIVO. BENEFÍCIO FISCAL. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. IMPOSSIBILIDADE. ART. 111 CTN. 1. A análise do alcance do conceito de nãocumulatividade, previsto no art. 195, § 12, da CF, é vedada neste Tribunal Superior, por se tratar de matéria eminentemente constitucional, sob pena de usurpação da competência do Supremo Tribunal Federal. 2. As Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04 não restringem, mas apenas explicitam o conceito de insumo previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Fl. 712DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 35 26 3. Possibilidade de creditamento de PIS e COFINS apenas em relação aos bens e serviços empregados ou utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. 4. Interpretação extensiva que não se admite nos casos de concessão de benefício fiscal (art. 111 do CTN). Precedentes: AgRg no REsp 1.335.014/CE, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/2/13, e Resp 1.140.723/RS, Rel. Ministra Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 22/9/10. 5. Recurso especial a que se nega provimento. (STJ, 1ª Turma, REsp 1.020.991RS, Dje 14/05/2013, rel. Sérgio Kukina) Por pertinente, transcrevese o seguinte excerto do voto proferido pelo Ministro Relator no julgamento deste recurso especial: No mais, não houve a alegada restrição do conceito de insumo com a edição das Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04, mas apenas a explicitação da definição deste termo, que já se encontrava previsto nas Leis 10.637/02 e 10.833/03. Nesses instrumentos normativos, o critério para a obtenção do creditamento é que os bens e serviços empregados sejam utilizados diretamente sobre o produto em fabricação. Logo, não se relacionam a insumo as despesas decorrentes de mera administração interna da empresa. Assim, a parte recorrente não faz jus à obtenção de créditos de PIS e COFINS sobre todos os serviços mencionados como necessários à consecução do objeto da empresa, como pretende relativamente aos valores pagos à empresas pela representação comercial (comissões), pelas despesas de marketing para divulgação do produto, pelos serviços de consultoria prestados por pessoas jurídicas (aqui incluídos assessoria na área industrial, jurídica, contábil, comércio exterior, etc), pelos serviços de limpeza, pelos serviços de vigilância, etc., porque tais serviços não se encontram abarcados pelo conceito de insumo previsto na legislação, visto não incidirem diretamente sobre o produto em fabricação. Quando a lei entendeu pela incidência de crédito nesses serviços secundários, expressamente os mencionou, a exemplo do creditamento de combustíveis e lubrificantes previsto nos dispositivos legais questionados (...)(rgifouse) Nessa esteira, se o conceito de insumo estivesse relacionado com os custos de produção, não faria sentido o legislador ordinário enumerar uma série de outros custos passíveis de gerarem créditos. Deste modo, adotase como solução deste litígio o conceito de insumo, segundo o disposto na IN 404/2004. Superada essa fase conceitual, passase ao exame deste caso concreto. Fl. 713DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 36 27 Como visto, nesta matéria a controvérsia é verificar se determinadas aquisições de embalagens enquadramse no conceito de insumo (item 2.2.2 – a) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). Assiste parcial razão à interessada. A matéria foi objeto de diligência fiscal. Destarte, nos termos da posição adotada acima, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os insumos utilizados na fabricação de bens destinados à venda sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado. A propósito, assim se manifestou a autoridade fiscal encarregada da diligência fiscal: Pelos documentos fotográficos juntados, na hipótese de haver perfeita coincidência entre a descrição constante das planilhas com o que deve estar contido no corpo das respectivas notas fiscais – a contribuinte não juntou nenhuma nota fiscal neste sentido, as embalagens relativas aos itens 1 a 16 tem características de serem classificadas como Embalagens de apresentação por agregar valor comercial ao produto através de sua apresentação objetivando valorizar o produto em razão da qualidade do material nele empregado, da perfeição do seu acabamento ou da sua utilidade adicional. Em alguns casos, em verdade, a embalagem faz parte do próprio produto, eis que não é possível vender leite ou iogurte, sem a respectiva embalagem, uma vez que estes produtos encontramse em estado líquido. Neste sentido, portanto, as embalagens nestas condições somariam o montante de R$ 2.031.959,94 – arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader”. Todavia, devese descontar desta importância o valor de R$ 15.742,58, uma vez que, aparentemente, por erro de grafia, teriam contado em duplicidade as notas fiscais nº 2236 e 5227, respectivamente, nos valores de R$ 1.919,35, 2.033,94, 1.919,35, 3.838,70, 1.027,13, 534,11 e 4.470,00, respectivamente. Diferentemente, as embalagens relacionadas nos itens 17 a 33 do arquivo digital “item 1.1.pdf Adobe Reader” apresentariam características de embalagens de transporte por não manter contato direto com o produto. Meras caixas para acondicionamento, para fins de transporte. De modo algum se podem classificar as embalagens nestas condições (itens 17 a 33) com as embalagens de apresentação, ainda que tragam informações sobre os produtos ou marca, uma vez que sua função principal não é valorizar os produtos que contem, mas de servir como caixas ou engradados que transportam quantidades daquele produto, constituído pela matéria em si e pelo invólucro que a contém. Por óbvio, as garrafas que contêm o “iogurte” não se enquadram na mesma categoria do engradado em que são transportadas. Fl. 714DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 37 28 Assim sendo, dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que partes das aquisições que foram objeto de glosa fiscal e que foram caracterizadas como embalagens de transporte (itens 17 a 33) não podem ser consideradas insumos porque não foram aplicadas diretamente na atividade fabril. Destarte, após o confronto das posições da fiscalização e da interessada, é forçoso concluir que parte das embalagens que foram glosadas caracterizamse como acondicionamento para transporte e não se enquadram no conceito de insumo, uma vez que as embalagens foram aplicadas quando o processo produtivo já havia sido encerrado. Cabe, mais, acrescentar que as provas coligidas são suficientes para formar a convicção deste julgador, sendo desnecessária a análise individualizada de cada embalagem com quer fazer crer a interessada. Quanto à nota fiscal nº 5.394, embora conste no quadro elaborado pela autoridade fiscal, ela não foi computada em duplicidade, fato reconhecido pela recorrente. Destarte, o valor reconhecido neste voto importa em R$ 2.031.959,94 menos a importância de R$ 15.742,58, computada em duplicidade, totalizando uma base de cálculo de R$ 2.016.217,36. Em suma, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação nos termos da diligência fiscal. Assim reconhecese uma base de cálculo de R$ 2.016.217,36. 2.2 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de material de reposição – peças em geral. Como visto, nesta matéria a discussão concentrase no direito de descontar créditos em relação as aquisições de “peças em geral” (item 2.2.2 – c) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal). A propósito desta discussão e em razão de entendimentos divergentes, a RFB consolidou a tese que as despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição e com serviços de manutenção em veículos, máquinas e equipamentos empregados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda geram direito a créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, conforme Solução de Divergência COSIT nº 35/2008: Cofins nãocumulativa. Créditos. Insumos. As despesas efetuadas com a aquisição de partes e peças de reposição que sofram desgaste ou dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas utilizadas em máquinas e equipamentos que efetivamente respondam diretamente por todo o processo de fabricação dos bens ou produtos destinados à venda, pagas à pessoa jurídica domiciliada no País, a partir de 1º de fevereiro de 2004, geram direito à apuração de créditos a serem descontados da Cofins, desde que às partes e peças de reposição não estejam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente. Dispositivos Legais: Art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003; Lei nº 10.865, de 2004; e IN SRF nº 404, de 2004. Fl. 715DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 38 29 Deste modo, é pacífico que a interessada tem o direito de descontar créditos em relação as aquisições de partes e peças de reposição. Sobre essa matéria, a autoridade fiscal assim relatou: Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 a Peças. pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos equipamentos, aparelhos ou peças que pela natureza acresceriam vida útil superior a 1 ano as máquinas e equipamentos usados na industrialização de seus produtos. Por esta razão, não poderiam ser levadas diretamente a conta de despesa e, portanto computadas na base de cálculo dos créditos das contribuições Pis e Cofins, mas deveriam ser contabilizadas no Ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 b Demais peças e mats.reposição.pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, aparentemente teriam sido considerados como insumos gastos com equipamentos utilizados na iluminação interna e externa, material utilizado em cercas de proteção e gastos com material de construção que por sua natureza, exigese, que sejam ativados, passando a compor o ativo imobilizado para futuras depreciações. Na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”) que teriam sido aplicados na manutenção de máquinas e equipamentos, a contribuinte esclarece que não foi possível identificar a “função” de cada peça, ou seja: não logrou a interessada atender a solicitação de demonstrar e identificar a utilização das peças ou bens. Nesta situação foram apontados bens no montante de R$ 82.438,99. Como colocado, é incontroverso que as peças e materiais de reposição foram utilizadas em máquinas e equipamentos que integram o processo de fabricação dos produtos destinados à venda. A restrição colocada pela autoridade fiscal na diligência fiscal deve ser desconsiderada porque o ônus da prova de que as partes e peças de reposição estavam obrigadas a serem incluídas no ativo imobilizado, nos termos da legislação vigente, é da autoridade fiscal. O termo “aparentemente” não é suficiente para concluir que as peças e materiais de reposição deveriam ter sido contabilizados no ativo imobilizado para futuras depreciações. De sorte que não restou provado que as peças adquiridas para reposição representem acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem no qual ocorra sua aplicação, segundo dispõe o art. 346 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (Regulamento do Imposto de Renda – RIR). De outro giro, a recorrente admite que na relação de peças e materiais de reposição (arquivo “item 1.2 c Peças e materiais rep...pdf”), de fato, não logrou comprovar seus Fl. 716DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 39 30 vínculos à produção. Assim, mantémse a glosa indicada na diligência fiscal no valor de R$ 82.438,99. Deste modo, adotase o valor parcialmente pleiteado pela interessada, assim a base de cálculo que gera direito a crédito importa em R$ 333.559,98 menos o valor de R$ 82.438,99, computado em duplicidade, totalizando R$ 251.120,99. Em remate, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição as aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99. 2.3 Do direito descontar créditos em relação as aquisições de produtos de conservação e limpeza Esta controvérsia tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição sobre as aquisições de produtos de conservação e limpeza. Como já relatado, segundo a Instrução Normativa (IN) nº 404/2004 e o Parecer Normativo CST 65/1979, é requisito essencial, para o direito ao crédito, que as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação. Por seu turno, a recorrente argumentou que o uso dos produtos de conservação e limpeza é essencial à atividade da interessada que produz alimentos derivados leite. A propósito desses gastos, assim se manifestou a autoridade administrativa na informação fiscal, (item 2.2.2 – c) do Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal): (...) Itens como material de segurança e de conservação e limpeza, por mais que sejam imposições da legislação trabalhista e de órgãos de vigilância sanitária, não tem previsão legal para o creditamento na aquisição. (...) Do exame desse excerto é incontestável que os gastos anteriormente citados não se enquadram como bens ou serviços aplicados ou consumidos como insumos na fabricação dos bens destinados à venda. Segundo a análise feita pela autoridade fiscal no estabelecimento do contribuinte, os aludidos gastos não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto. Vale ressaltar, que a requerente não colacionou elementos de prova hábeis a infirmar esse fato, apenas discorreu sobre o seu direito. Desta forma, os produtos de conservação e limpeza, não obstante se configurarem como custos/despesas industriais, não foram aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação do produto, razão pela qual não geram direito ao crédito da contribuição nãocumulativa. (grifouse) Fl. 717DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 40 31 Em conclusão, neste item não merece reparo a decisão “a quo”. 2.4 Do direito descontar créditos em relação aos serviços utilizados como insumos 2.4.1 Do direito descontar créditos em relação aos serviços gerais utilizados como insumos A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos sobre os serviços gerais caracterizados como insumos no valor de R$ 526.729,35 (valor controverso). Sustenta que o erro no preenchimento do Dacon não pode inviabilizar o seu direito de descontar créditos. Argumenta que os serviços de manutenção industrial, resfriamento de leite, análise laboratoriais, armazenagem, locação de equipamentos industriais e outros serviços prestados à Recorrente correspondem a serviços essenciais ao seu processo produtivo. Nos termos da posição adotada anteriormente, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Segundo a diligência fiscal, na relação de serviços utilizados como insumo relacionados diretamente com o processo produtivo (arquivo “Item 1.3 c Demais serviços.pdf”) verificase que a contribuinte computou na base de cálculo dos créditos “demais serviços” que não tem relação direta com o processo produtivo, a exemplo de: contratação de Motoboy, Provedor de internet, serviço de sistema de folha de pagamento, serviços hospitalares para tratamento de funcionário da indústria, etc, que a teor da legislação vigente não fazem jus ao crédito. Os serviços em questão montam a R$ 9.136,70. Além do mais, a recorrente admitiu que não foi possível identificar a “função” de alguns serviços relacionados diretamente com o processo produtivo, ou seja, não logrou demonstrar e corelacionar o serviço com o processo produtivo no montante de R$ 86.944,17. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os serviços (discriminados acima) que foram objeto de glosa fiscal não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril. É bem verdade que esses serviços são importantes para o processo produtivo, todavia tais serviços não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Do exame dos elementos probatórios, é forçoso concluir que são serviços auxiliares e/ou complementares ao processo produtivo. Como visto, em regra, são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Finalizando o tópico, o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumo é no valor de R$ 526.729,35, deduzidas as glosas apuradas na diligência fiscal nos valores de R$ 9.136,70 e R$ 86.944,17, respectivamente, resultando numa base de cálculo de R$ 430.648,48. Fl. 718DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 41 32 2.4.2 Do direito descontar créditos em relação aos serviços de fretes 2.4.2.1 Fretes na operações de venda Este tópico tem por objeto o direito do contribuinte de descontar créditos da contribuição em relação aos fretes nas operações de venda de produtos. Consignese de imediato que o direito de descontar créditos da contribuição calculados em relação ao frete na operação de venda foi previsto no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) A autoridade fiscal de forma precipitada glosou todas as despesas de frete nas operações de venda. Veja o seu relato: No entanto, a memória de cálculo apresentada pela requerente, com o nome de F04405, não contempla as seguintes informações: nome do emitente, CNPJ do emitente, e o número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticínios Tirol, no caso de frete na operação de venda. Desta forma fica totalmente prejudicada a análise do direito crédito sobre as despesas com o frete na operação de vendas, devido a impossibilidade de identificação dos fornecedores do respectivo serviço. Assim como, a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda, evitando desta forma o cômputo dos valores referente aos fretes entre as unidade de coleta e produção e/ou entre a produção e as unidades de vendas. O arquivo digital (memória de cálculo) enviado pela empresa apresenta um total no trimestre com valores menores que o informado na respectiva Dacon. No trimestre a diferença, na Linha 07 Despesas de Armazenagem e Frete na Operação de Venda, foi de R$ 12.133,87. Conforme Intimação Saort n° 16.059 (fls. 31 a 32), foi solicitado por amostragem algumas notas fiscais que compõem o referido frete na operação de vendas. Entre as cópias apresentadas, verificamse notas fiscais de frete na aquisição de insumos, frete na venda de mercadorias e frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol. Em relação ao frete entre estabelecimentos da empresa Lacticínios Tirol, conforme fls. 242 a 253, 255 a 270, 273 a 274 276 a 277, do processo fiscal n° 10925.002189/200943 COFINS, os mesmos não se enquadram como frete de vendas, na Fl. 719DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 42 33 verdade, tratase de despesas operacionais que não geram direito ao crédito PIS/COFINS nãocumulativo por falta de expressa previsão legal. Ainda em relação à Intimação n° 16.059, às seguintes notas de frete de vendas não foi apresentada: 833. A partir dessas definições aplicáveis às despesas que não podem ser classificadas como de armazenagem e/ou frete na operação de venda, não ensejando, portanto, direito a crédito, impõemse desta forma a glosa. O total subtraído, por esse critério, do valor da linha 07 das fichas 4 e 6 da DACON, e que se refere às notas fiscais de entradas, conforme Anexo IV, foi, no trimestre, de R$ 10.318.693.85 (Dez milhões trezentos e dezoito mil seiscentos e noventa e três reais e oitenta e cinco centavos). Como se nota, a própria autoridade fiscal admitiu que a empresa efetuou despesas com fretes em operações de venda. A alternativa adotada pelo colegiado para a solução deste litígio foi a conversão em diligência para que a autoridade fiscal efetivamente identificasse as despesas de frete nas operações de venda. Do exame da diligência fiscal e dos documentos acostados neste processo e em outros que estão julgamento nesta sessão, verificase que parte dos fretes nas operações de venda ficaram comprovados. Os fretes em que se admitem os descontos de créditos correspondem apenas aqueles em que o CNPJ de origem e destino são distintos, caracterizando uma operação de venda entre empresas. Deste modo, como o ônus da prova é da recorrente, reconhecese apenas os valores citados no item 1.4 a) venda prod. acabado, no valor de R$ 2.112.601,38 e 1.4 b) venda prod. argop., no valor de R$ 8.350,83, totalizando R$ 2.120.952,21. Assim, a recorrente não tem o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes que não restaram provadas como realizadas em operações de venda. Em síntese, admitese o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21. 2.4.2.2 Fretes na aquisição de insumos A recorrente insurgiuse parcialmente contra a glosa dos créditos decorrentes de despesas de fretes nas aquisições de insumos. É pacífico que o valor dos fretes integra o custo de aquisição dos insumos, desse modo o valor dos fretes também compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da contribuição. Neste sentido a Solução de Consulta da Disit 08 nº 197 de 16 de Agosto de 2011: (...) FRETE NA AQUISIÇÃO. CUSTO DE PRODUÇÃO. O valor do frete pago a pessoa jurídica domiciliada no País na aquisição de Fl. 720DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 43 34 matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários compõe o custo destes insumos para fins de cálculo do crédito a ser descontado da Cofins. Destarte, do ponto de vista contábil e fiscal não se pode desagregar as despesas de frete dos insumos adquiridos. Pontuese que a vinculação das despesas de transporte ao custo do produto adquirido é prevista na legislação tributária, conforme o art. 289, § 1º, do Regulamento do Imposto de Renda (RI), aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26 de março de 2009. Vale lembrar que o § 3o do art. 3º da Lei nº 10.833/03 dispõe que o direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. As aquisições de leite in natura de pessoas físicas não dão direito ao chamado crédito básico, uma vez que esse está limitado às aquisições efetuadas de pessoas jurídicas domiciliadas no país. Do exame dos fretes pagos, item 1.4 g – compra insumos, constatase que esta condição foi atendida parcialmente. Consta neste demonstrativo uma série de aquisições de leite in natura, leite, lenha e cavaco de diversos produtores, operações que não geram créditos nos termos da legislação de regência. Por seu turno, não se reconhece o direito de descontar créditos em relação aos fretes que teriam sido pagos na aquisição de outro bens, item 1.4 h – frete na compra de insumos (peças, etc) classificados como de uso e consumo. Segundo a diligência fiscal esse fretes não restaram comprovados, portanto mantémse a glosa no montante de R$ 4.737,47. Cabe registrar, ainda, que o simples erro no preenchimento do Dacon não é suficiente para afastar o legítimo direito ao crédito, que é previsto em lei. Deste modo, geram direito a créditos a serem descontados da contribuição os fretes pago nas aquisições de insumos de pessoas jurídicas, sendo que o valor deverá ser apurado pela autoridade incumbida de executar o acórdão com base no demonstrativo citado (item 1.4 g – compra insumos), excluindose as aquisições denominadas de diversos produtores. 2.4.2.3 Do direito descontar créditos em relação aos fretes decorrentes das transferências realizadas com os insumos e produtos A recorrente não se conforma com a glosa da autoridade fiscal em relação aos créditos decorrentes das despesas de fretes com as transferências de insumos e produtos acabados entre os diversos estabelecimentos da empresa (postos de coleta, industriais e centros de distribuição). É certo que os aludidos fretes não estão relacionados a uma operação de venda, portanto, in casu , não se aplica os descontos de créditos previstos no inciso IX do art. 3º da Lei 10.883/2003, combinado com o art. 15 do mesmo diploma legal: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (..). Fl. 721DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 44 35 IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) Como visto, o conceito de insumo é restritivo, portanto não se admite uma interpretação extensiva nesta situação como pleiteia a recorrente. Os valores relativos aos gastos com fretes somente geram direito de descontar créditos da contribuição em questão se associados diretamente à operação de vendas das mercadorias e arcados pelo vendedor. Deste modo, para se ter direito ao desconto dos créditos é necessário que os serviços prestados por pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto, o que não ocorreu nas situações descritas. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que os demais serviços (fretes) que foram objeto de glosa fiscal não podem ser considerados insumos porque não foram aplicados diretamente na atividade fabril, tais como: a) item 1.4 c venda locais presumidos (fretes entre a empresa e seus distribuidores; a) item 1.4 d – transferência CD – frete na transferência de produtos acabados dos estabelecimentos industriais e o centro de distribuição; c) item 1.4 e transferência produtos acabados – frete na transferência de produtos acabados entre os estabelecimentos industriais; d) item 1.4 f transferência produtos agropecuários para revenda – frete na transferência de produtos agropecuários da matriz até os demais estabelecimentos; e) item 1.4 i e j – transferência PC – frete na transferência de leite in natura dos postos de coleta até os estabelecimentos industriais; f) item 1.4 k – consignação – frete na transferência de produtos do remetente até o estabelecimento destinatário. g) item 1.4 m – compra imobilizado – frete na compra de bens para o ativo imobilizado.transferência de produtos do remetente até o estabelecimento destinatário. h) item 1.4 n – devolução de vendas i) item 1.4 o – remessa armazenagem j) item 1.4 p – retorno armazenagem k) item 1.4 q – remessa análise l) item 1.4 r – retorno análise m) item 1.4 s – remessa conserto n) item 1.4 t – retorno conserto Fl. 722DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 45 36 o) item 1.4 u – diversos Anotese que a RFB consolidou a tese que o frete pago para transportar insumos e/ou produtos acabados não configura insumo, conforme Solução de Divergência COSIT nº 26/2008, DOU 09.06.2008: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep EMENTA: TRANSPORTE DE PRODUTO ACABADO ENTRE ESTABELECIMENTOS DA MESMA PESSOA JURÍDICA; INSUMOS DA ATIVIDADE DE TRANSPORTE; CRÉDITOS DE CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. IMPOSSIBILIDADE. 1. O transporte de produto acabado entre estabelecimentos industriais, ou destes para os centros de distribuição e ainda de um centro de distribuição para outro, da mesma pessoa jurídica não gera direito a crédito a ser descontado da contribuição para o PIS/Pasep com incidência nãocumulativa, ainda que esse transporte constitua ônus da empresa que irá vender o produto. 2. Os insumos utilizados na atividade de transporte de produto acabado (ou em elaboração) entre estabelecimentos industriais; destes para os centros de distribuição; de um centro de distribuição para outro ou do estabelecimento vendedor para o comprador não gera direito a crédito a ser descontado da Contribuição para o PIS/Pasep apurada de forma não cumulativa. DISPOSITIVOS LEGAIS: Arts. 3º inciso II da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002; 15 inciso II da Lei nº 10.833, de 2003 e 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004.(grifouse) É bem verdade que esses fretes são importantes para o processo produtivo, todavia não são empregados diretamente na fabricação do produto destinado à venda. Os fretes em referência são custos de produção que não se enquadram no conceito de insumos. Em suma, mantémse a glosa da fiscalização. 3 Encargos com depreciação sobre máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado A recorrente sustenta o seu direito a manutenção dos créditos decorrentes de apropriação sobre os encargos de depreciação. Como relatado, argumenta que os bens são efetivamente integrados ao ativo imobilizado, bem como são diretamente utilizados no processo produtivo dos bens fabricados e destinados à venda. Como visto, a Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, dispunha: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (...) Fl. 723DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 46 37 III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) 1o O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2o desta Lei sobre o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I dos itens mencionados nos incisos I e II do caput, adquiridos no mês; II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; (Redação dada pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (grifouse) (...) Com efeito, a norma estabelece um requisito para que a pessoa jurídica possa descontar créditos, isto é, as máquinas e equipamentos têm que ser utilizadas na fabricação de produtos destinados à venda. Assim sendo, o problema central é identificar se os aludidos equipamentos e máquinas foram utilizados na fabricação dos produtos. A autoridade fiscal relatou: No período, a partir de 01/08/2004, somente geram direito a crédito os encargos de depreciação dos bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de Fl. 724DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 47 38 bens destinados à venda ou na prestação de serviços adquiridos a partir de 01/05/2004 , conforme art. 31, da lei n° 10.865/2004. Todavia, foi verificado o creditamento de encargos de depreciação/amortização sobre correção monetária do imobilizado, aquisição de bens usados, veículos de transportes, veículos da administração, e máquinas e equipamentos que não são utilizados na produção de bens destinados à venda, no caso especifico a produção de lacticínios, neste caso são outros bens incorporados ao ativo imobilizado não ligados diretamente a produção, razão pela qual efetuouse a glosa dos bens relacionados no anexo V. (grifouse) Embora a recorrente tenha omitido no recurso voluntário as descrições dos bens, para efeito de julgamento adotarseá a identificação mencionada na manifestação de inconformidade e repetida na decisão a quo, ou seja, no geral as aquisições referemse à empilhadeiras, tanques, etc. Como demonstrado pela decisão de primeira instância, as provas colacionadas não são suficientes para reconhecer o direito ao crédito. Desta forma, a interessada não conseguiu descaracterizar a glosa da fiscalização, que teve por fundamento o fato de que as máquinas e equipamentos não foram utilizados na fabricação dos produtos vendidos. Em síntese, somente geram créditos da contribuição os encargos de depreciação de equipamentos e máquinas utilizados diretamente na produção, o que não ficou caracterizado no caso vertente. 4 Créditos decorrentes de despesas com combustíveis e lubrificantes A recorrente insurgiuse contra a glosa dos créditos sobre despesas com combustíveis e lubrificantes. Nesta matéria a grande controvérsia é identificar se os combustíveis e lubrificantes adquiridos enquadramse no conceito de insumo. A fiscalização tributária entendeu que estes produtos não obedecem ao conceito de insumo estabelecido pela legislação. Confira a posição da autoridade fiscal: O contribuinte incluiu na linha 13 das fichas 06 e 12 (Apuração dos créditos) na DACON, despesas com combustíveis e/ou lubrificantes. (... )O combustível ou lubrificante não se agregam aos produtos produzidos ou a nenhum serviço que pudesse ser vendido pela empresa, não se configuram como aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação dos produtos (ação direta sobre o mesmo). (...) A partir dessa definição, aplicável aos bens que podem ser classificados como insumos utilizados na produção ou fabricação de bens, constatase que o combustível (gasolina) e/ou lubrificantes, e pneus não se enquadram como insumos, Fl. 725DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 48 39 não ensejando, portanto, direito a crédito, impondose desta forma a glosa dos itens listados abaixo. A legislação de regência, Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e alterações posteriores, estabelecia: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) nos incisos III e IV do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) b) no § 1o do art. 2o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) III energia elétrica consumida nos estabelecimentos da pessoa jurídica; IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; V valor das contraprestações de operações de arrendamento mercantil de pessoa jurídica, exceto de optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) VI máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado adquiridos para utilização na produção de bens destinados à venda, ou na prestação de serviços; VII edificações e benfeitorias em imóveis próprios ou de terceiros, utilizados nas atividades da empresa; VIII bens recebidos em devolução cuja receita de venda tenha integrado faturamento do mês ou de mês anterior, e tributada conforme o disposto nesta Lei; IX armazenagem de mercadoria e frete na operação de venda, nos casos dos incisos I e II, quando o ônus for suportado pelo vendedor. (...) (grifouse) Fl. 726DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 49 40 Por sua vez, a recorrente alega que combustíveis e lubrificantes são insumos essenciais à movimentação de máquinas e equipamentos que são utilizados no processo produtivo. Deste modo, para descontar créditos, é necessário que os insumos adquiridos pela pessoa jurídica sejam aplicados diretamente na fabricação do produto. Dos elementos que constam neste processo administrativo fiscal, constatase que a recorrente não logrou êxito em comprovar que, de fato, os combustíveis e lubrificantes são aplicados no processo produtivo. Diferentemente do alegado, não é viável o reconhecimento dos créditos apenas com base nos lançamentos contábeis no Livro Diário. O direito ao crédito requer exame minucioso dos insumos adquiridos e do processo produtivo, ou seja, se, efetivamente, eles foram utilizados na fabricação produtos que asseguram a manutenção e utilização dos respectivos créditos. Insistase que este voto adota uma posição restritiva do conceito de insumo, de sorte que combustíveis e lubrificantes utilizados na movimentação de máquinas e equipamentos não geram direito de descontar créditos da contribuição. Ademais, a recorrente não demonstrou em que máquinas e equipamentos os combustíveis e lubrificantes são utilizados. Os custos de produção devem ser efetivamente comprovados, a exemplo de requisições do almoxarifado, planilhas de gastos de combustíveis por veículos e máquinas etc. Em remate, mantémse a glosa da fiscalização porque a recorrente não comprovou de forma adequada que as aquisições de combustíveis e lubrificantes são utilizadas efetivamente no processo produtivo. 5 Conclusão Em face do exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para: a) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de embalagens classificadas como de apresentação no valor de R$ 2.016.217,36; b) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as aquisições de aquisições de peças em geral correspondente a uma base de cálculo de R$ 251.120,99; c) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos serviços caracterizados como insumos correspondente a uma base de cálculo de R$ 430.648,48; d) reconhecer o direito de descontar créditos em relação as despesas de fretes nas operações de venda no valor de R$ 2.120.952,21. e) reconhecer o direito de descontar créditos em relação aos fretes pagos nas aquisições de insumos de pessoa jurídicas. Flávio de Castro Pontes Relator Fl. 727DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10925.002203/200917 Acórdão n.º 3801003.758 S3TE01 Fl. 50 41 Fl. 728DF CARF MF Impresso em 28/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10467.720010/2006-35
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 12 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Aug 25 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2002
PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE ÁREAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO.
As matérias que não forem expressamente contestadas consideram-se não impugnadas. In casu, o acórdão recorrido declarou que as glosas constituem matéria não impugnadas porque não foram contestadas especificamente e o recurso voluntário não contém contestação expressa em relação a essa decisão. Portanto, trata-se de matéria preclusa.
IRPF. DECADÊNCIA.
O ITR é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que se considera ocorrido em 1º de janeiro. No caso dos autos, a notificação do lançamento ocorreu dentro desse prazo, portanto, não houve decadência.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO.
Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11
BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. REMISSÃO. CARF. INCOMPETÊNCIA.
Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio.
ITR. GLOSA DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DO VALOR DAS ÁREAS. ALEGAÇÃO INAPLICÁVEL.
Tendo sido glosadas áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada por falta de comprovação da existência, no processo administrativo-fiscal não se discute valores, portanto, rejeita-se a alegação recursal de indevida inversão do ônus da prova do valor de áreas da propriedade rural.
ITR. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE MÁ FÉ REJEITADA.
A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei , é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício independente da intenção do agente.
Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado.
Numero da decisão: 2802-003.026
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/08/2014
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2186; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE02 Fl. 111 1 110 S2TE02 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10467.720010/200635 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2802003.026 – 2ª Turma Especial Sessão de 12 de agosto de 2014 Matéria ITR Recorrente GERALDO LUIZ ALVES DE SOUZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 PRECLUSÃO. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. GLOSA DE ÁREAS POR FALTA DE COMPROVAÇÃO. As matérias que não forem expressamente contestadas consideramse não impugnadas. In casu, o acórdão recorrido declarou que as glosas constituem matéria não impugnadas porque não foram contestadas especificamente e o recurso voluntário não contém contestação expressa em relação a essa decisão. Portanto, tratase de matéria preclusa. IRPF. DECADÊNCIA. O ITR é tributo sujeito ao regime denominado lançamento por homologação. Entregue a Declaração de Ajuste Anual, antecipado pagamento e inexistente dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial para a constituição de créditos tributários é de cinco anos contados do fato gerador, que se considera ocorrido em 1º de janeiro. No caso dos autos, a notificação do lançamento ocorreu dentro desse prazo, portanto, não houve decadência. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. NÃO APLICAÇÃO. Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Aplicação da Súmula CARF nº 11 BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. REMISSÃO. CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 7. 72 00 10 /2 00 6- 35 Fl. 111DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 ITR. GLOSA DE ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA. ALEGAÇÃO DE INDEVIDA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA DO VALOR DAS ÁREAS. ALEGAÇÃO INAPLICÁVEL. Tendo sido glosadas áreas declaradas como de preservação permanente e de utilização limitada por falta de comprovação da existência, no processo administrativofiscal não se discute valores, portanto, rejeitase a alegação recursal de indevida inversão do ônus da prova do valor de áreas da propriedade rural. ITR. MULTA DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE MÁ FÉ REJEITADA. A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei , é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício independente da intenção do agente. Recurso conhecido em parte e, na parte conhecida, negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, nos termos do voto do relator, CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/08/2014 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Jaci de Assis Júnior, German Alejandro San Martín Fernández, Ronnie Soares Anderson, Julianna Bandeira Toscano, Carlos André Ribas de Mello e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). Relatório Tratase de lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR do exercício 2002, decorrente de glosa de áreas declaradas como de preservação permanente (325 ha) e utilização limitada (250 ha), com multa de ofício agravada (112,5%), pois, embora intimado para apresentar o Ato Declaratório Ambiental ADA e a documentação comprobatória das respectivas áreas, não atendeu à intimação fiscal. Na impugnação, em resumo, alegouse que: a) o termo de intimação não foi endereçado ao seu domicílio fiscal; Fl. 112DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10467.720010/200635 Acórdão n.º 2802003.026 S2TE02 Fl. 112 3 b) o valor apurado não considerou o débito existente com o BNB que ultrapassa o Valor da Terra Nua, inexistindo Imposto Devido; c) as terras estão encravadas no semiárido nordestino, com o reconhecimento do "estado de emergência" pelas autoridades competentes; e d) não cabe agravamento de multa por descumprimento de obrigação acessória que o contribuinte nunca tomou conhecimento. A decisão de primeira instância deferiu a impugnação tão só quanto ao agravamento da multa de ofício, reduzindoa ao patamar de 75% e declarou não impugnada a infração apontada pela fiscalização. Essa decisão teve a ementa seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Se o autuado revela conhecer as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas de forma meticulosa, com impugnação que abrange questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. MATÉRIA NÃO EXPRESSAMENTE ABORDADA NA IMPUGNAÇÃO. Considerase não impugnada a matéria, objeto da autuação, a respeito da qual o contribuinte não se manifestou expressamente. ESTADO DE CALAMIDADE PÚBLICA. O estado de calamidade pública para os fins do cálculo do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, decretado pelo Executivo municipal, terá efeito quando reconhecido pelo Governo Federal. DA MULTA DE OFÍCIO DO AGRAVAMENTO PARA 112,5%. Por não restar caracterizada a falta de atendimento, no prazo, de intimação para prestar esclarecimentos, é de se cancelar o agravamento da multa de ofício de 112,5%, cabendo a mesma ser fixada no percentual de 75%, a incidir sobre o imposto suplementar. INSTRUÇÃO DA PEÇA IMPUGNATÓRIA. A impugnação deve ser instruída com os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual. Cientificado do Acórdão de primeira instância, em 01/09/2009, o contribuinte apresentou, em 09/09/2009, recurso voluntário com as seguintes razões, em síntese: Fl. 113DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 1. Preliminarmente, requereu a remissão do crédito tributário, nos termos do art. 14 da Lei nº 11.941, de 2009, pois “o vencimento da obrigação é 30/09/2002 e até 31/12/2007 faz mais de 5 (cinco) anos e seu valor consolidado fica abaixo do permissivo legal.” 2. No mérito, alegou que a autoridade lançadora não fez a prova da peculiaridade do imóvel rural que o torne diferente dos demais do Município de São Mamede em pleno Sertão do Estado da Paraíba, com estado de emergência reconhecido pelas autoridades federais, transferindo o ônus da prova para que o contribuinte demonstrasse, a custos elevados, o valor da área de preservação permanente e de reserva legal, quando existe jurisprudência mencionada em sua impugnação de que não há necessidade de ato declaratório do IBAMA para esse fim; 3. alegou que praticou um ato de boa fé, em conformidade com o direito, mesmo porque o lançamento remanescente foi remido e deve ser arquivado. O recurso foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara que, por meio da resolução 2202000.332, de 16/10/2012, converteu o julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora verificasse se o crédito tributário encontrase remido ou não, nos termos do art. 14 da Lei no 11.941, de 2009, e em seguida, cientificasse o recorrente do resultado da diligência para manifestação. Fruto da diligência, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em João Pessoa emitiu o Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014 por meio do qual rejeitou o pedido para reconhecimento da remissão e intimou o recorrente desse despacho e do Parecer que o integra (fls. 94/98). O contribuinte insurgese contra o despacho, alegando que não foi demonstrado o valor do débito em 31/12/2007 e que ocorreu prescrição e decadência, nos termos dos art. 150, 173 e 174 do CTN; citou precedentes (fls. 104/107). Ao final o contribuinte postulou pela procedência da petição, a intimação em seu domicílio tributário e, no caso de insucesso, cópia integral dos autos para possibilitar adoção de medidas judiciais. Quando do retorno do processo ao CARF, a relatora original não era mais integrante desse Conselho, razão pela qual o processo foi redistribuído a este Relator, por sorteio, durante a sessão de maio de 2014. É o Relatório. Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator Recurso já conhecido por ocasião da emissão da Resolução. O §6º do art. 63 do Anexo II do Regimento Interno do CARF estabelece que, no caso de resolução, as questões preliminares ou prejudiciais já examinadas serão reapreciadas quando do julgamento do recurso, após a realização da diligência. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, nem a manifestação de inconformidade protocolada em oposição ao despacho decisório denegatório Fl. 114DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10467.720010/200635 Acórdão n.º 2802003.026 S2TE02 Fl. 113 5 emitido pela DRF, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente o valor em litígio. Precedentes: Não compete ao CARF manifestarse em pedidos de parcelamento ou de remissão. (Acórdão 2802002.524, de 18 de setembro de 2013) BENEFÍCIOS DA LEI 11.941/2009. CARF. INCOMPETÊNCIA. Não compete ao CARF apreciar pleito de aplicação de remissão, notadamente quando o instituto tenha entre seus requisitos o limite de débitos consolidados e não somente ao valor em litígio. (Acórdão 2802002.576, de 16 de outubro de 2013) PARCELAMENTO.REMISSÃO. Dessa forma, não se conhece como recurso voluntário as alegações e requerimentos alusivos à remissão do crédito tributário. Das preliminares de decadência e prescrição O fato gerador do ITR2002 ocorreu em 01/01/2002. O lançamento combatido foi notificado ao contribuinte em 17/11/2006 (fls. 16) e a impugnação foi tempestiva. Houve, portanto, regular notificação do lançamento dentro do prazo decadencial do art. §4º do art. 150 do CTN, o que é o suficiente para rejeitar o pleito acerca de decadência. Com a impugnação tempestiva instaurouse o processo administrativofiscal, os precedentes citados são inadequados à situação dos autos, cuja resolução é dada pela Súmula CARF nº 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. A questão central deste processo é a glosa das Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal por falta do Ato Declaratório Ambiental ADA e de documentos comprobatórios da existência das mesmas. O acórdão recorrido indicou que o lançamento decorre da glosa das Áreas de Preservação Permanente e áreas de utilização ilimitada sem comprovação,e que essas infrações não foram contestadas pelo impugnante, que, em sentido contrário, alegou ter havido erro de preenchimento da DITR2002. O acórdão recorrido também registrou que a Fiscalização (fls. 08) não alterou o VTN do imóvel (fls. 60). Na peça recursal, não é contestada expressamente a decisão de primeira instância no ponto em que declarou matérias não impugnadas, portanto preclusas. Precedente: PROCESSO ADMINISTRATIVOFISCAL. MATÉRIA NÃO CONTESTADA NA IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. Fl. 115DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 Não se conhece de recurso voluntário cujo única matéria que se objetiva discutir não foi expressamente impugnada, mormente quando o acórdão de primeira instância declarou a matéria não impugnada e não houve contestação dessa declaração. (Acórdão 2802002.523, de 18 de setembro de 2013) Desta forma, as glosas tornaramse definitivas na instância administrativa. O recurso voluntário amparase (a) no pedido de remissão – que não deve ser conhecido pelo CARF –; (b) na alegação de indevida inversão do ônus realizada pela autoridade lançadora ao exigir do contribuinte a prova da peculiaridade do imóvel rural que o torne diferente dos demais do Município de São Mamede em pleno Sertão do Estado da Paraíba, semiárido nordestino, com estado de emergência; e (c) na afirmativa de que o contribuinte não agiu de má fé. Ao alegar a indevida inversão do ônus probatório, o recorrente sustenta que não se pode exigir dele a prova do valor da área de preservação permanente e de reserva legal. Não somente não houve arbitramento do VTN pelo Fisco, como não se discute nos autos os valores de áreas da propriedade ou suas peculiaridades em relação às demais do mesmo município. Portanto, não há que se cogitar de prova nesse sentido, muito menos de inversão do ônus da prova. A exigência do imposto decorre da ocorrência do fato gerador estabelecido na Lei 9.393/1996, é irrelevante que o contribuinte tenha agido de boa fé. Outrossim, a aplicação da multa de ofício de 75% independente da intenção do agente (art. 136 do CTN). Diante do exposto, voto por CONHECER EM PARTE o recurso voluntário e, na parte conhecida, NEGAR PROVIMENTO, sem prejuízo de a Secretaria da Receita Federal, se entender cabível, apreciar a petição do recorrente no ponto em que instrumentalizou seu inconformismo em face do Despacho Decisório DRF/JPA nº 011/2014. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 116DF CARF MF Impresso em 25/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /08/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 13706.003527/96-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 27 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995
PIS - RESTITUIÇÃO - TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO - PRAZO - PRECEDENTES DO STF E STJ.
A Jurisprudência Judicial pacificou-se no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 - DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso.
Numero da decisão: 3402-002.387
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário.
GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
Presidente Substituto
FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA
Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior.
Nome do relator: FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995 PIS RESTITUIÇÃO TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO PRAZO PRECEDENTES DO STF E STJ. A Jurisprudência Judicial pacificouse no sentido de que o prazo para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). Ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negouse provimento ao recurso voluntário. GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Presidente Substituto FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 70 6. 00 35 27 /9 6- 51 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 2 Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Fernando Luiz da Gama Lobo d'Eça (Relator), Luiz Carlos Shimoyama (Suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida (Suplente) e Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva. Ausente, justificadamente a Conselheira Nayra Bastos Manatta. Ausente, o Conselheiro João Carlos Cassuli Junior. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 159/170) contra o Acórdão DRJ/SDR nº 04.982 de 23/03/04 constante de fls. 146/156, intimado por via postal em 01/08/07 (AR de fls. 158) e exarado pela da 4ª Turma da DRJ de Salvador BA que, por unanimidade de votos, houve por bem “julgar procedente em parte” a manifestação de inconformidade de fls. 95/97, reformando parcialmente (para assegurar a restituição dos valores pagos a partir de 10/10/1991 tendo e vista a decadência do período anterior) o r. Despacho Decisório (fls. 87/89) da DRF do Rio de JaneiroRJ, que indeferiu o Pedido de Restituição/compensação do PIS (fls. 01) protocolado em 10/10/96 no valor equivalente a 167.925,52 UFIRs referente a recolhimentos efetuados com base nos Decretoslei nº 2445/88 e 2449/88, no período de 01/91 a 09/95, que foram declarados inconstitucionais por decisão do STF conforme a Resolução do Senado nº 49/95. O r. Despacho Decisório (fls. 87/89) da DRF do Rio de JaneiroRJ indeferiu o Pedido de Restituição/compensação do PIS (fls. 01), aos fundamentos sintetizados em sua ementa nos seguintes termos: “COMPENSACÃO DE PIS Descabe, na jurisdição administrativa, o deferimento de pedido de compensação da contribuição para o PIS recolhida de acordo com os DecretosLeis nºs 2.445 e 2 449, em razão de tal instituto configurar a forma indireta de restituição, cuja efetivação, no caso, está vedada, por força do disposto no parágrafo 2° do art., 17 da Medida Provisória n° 1.175/95. PEDIDO INDEFERIDO” Por seu turno a decisão de fls. 146/156 da 4ª Turma da DRJ de Salvador BA, houve por bem “julgar procedente em parte” a manifestação de inconformidade de fls. 95/97, reformando parcialmente (para assegurar a restituição dos valores pagos a partir de 10/10/1991 tendo e vista a decadência do período anterior) o r. Despacho Decisório (fls. 87/89) da DRF do Rio de JaneiroRJ, aos fundamentos sintetizados em sua ementa exarada nos seguintes termos: “Assunto: Contribuição para o PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/1991 a 30/09/1995 Ementa: PIS PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA A decadência do direito de pleitear a restituição/compensação ocorre em 5 (cinco) anos contados da extinção do crédito pelo pagamento Fl. 232DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13706.003527/9651 Acórdão n.º 3402002.387 S3C4T2 Fl. 3 3 RECOLHIMENTO A MAIOR É cabível o reconhecimento do direito creditório dos valores recolhidos a maior da contribuição para o PIS com base nos Decretosleis n.° 2 445 e n.° 2 449, ambos de 1988 Solicitação Deferida em Parte.” Nas razões de Recurso Voluntário (fls. 159/170) oportunamente apresentadas, a ora Recorrente sustenta que a reforma parcial da r. decisão recorrida e a legitimidade do crédito compensando, tendo em vista: a) a inocorrência da decadência, eis que “o pedido realizado em data anterior a vigência da LC nº 118/05, que alterou a forma de contagem do prazo decadencial. É o Relatório. Voto Conselheiro FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA, Relator O recurso reúne as condições de admissibilidade e, no mérito não merece provimento. Como também é elementarmente sabido, o direito à repetição do indébito tributário, seja em razão de erro de fato ou de direito, decorre diretamente da própria Constituição e encontra seu fundamento jurídico nos princípios da legalidade da Tributação e da Administração constitucionalmente assegurados (arts. 37 e 150, inc. I da CF/88) que, como ensina Brandão Machado, consubstanciam, não só o “fio diretor do comportamento da administração pública”, mas também a “fonte” do direito público subjetivo do indi víduo de não ser tributado senão exatamente como prescreve a lei (cf. in “Estudos em homenagem ao Prof. Ruy Barbosa Nogueira”, Ed. Saraiva, 1984, pág. 86), cuja inobservância enseja violação do direito de quem paga o tributo, que por sua vez adquire, no exato momento em que cumpre a obrigação tributária indevida, os direitos ao crédito e à pretensão contra a Fazenda Pública, da restituição do indébito. Cumprindo sua vocação especifica de estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária especialmente sobre decadência (art. 146, inc. III, alínea “b da CF/88), a Lei Complementar recepcionada pela Constituição (ex. vi do § 5º do art. 34 do ADCT/CF), posteriormente veio estabelecer que o direito de pleitear a restituição do indébito tributário, seja qual for a modalidade do pagamento indevido, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido (arts. 165 e 168 do CTN), tal como reconhecido pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. A conclusão da r. decisão recorrida efetivamente não destoa da Jurisprudência deste Conselho que há muito já assentou que o prazo decadencial de 5 anos previsto no art. 168 do CTN, extinguese em 5 anos, contados a partir da data de efetivação do recolhimento indevido, tal como reconhecido pelos PGFN/CAT 678/99 e PGFN/CAT 1538/99. Fl. 233DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 4 Entretanto, com a ressalva de minha posição pessoal, verificase que a Jurisprudência do STF e da 1ª Seção do E. STJ se pacificou no sentido de que “o prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação”, “relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005” (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores à vigência da referida lei, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"), como se pode ver das seguinte e elucidativas ementas: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” (cf. Acórdão do STF – Fl. 234DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13706.003527/9651 Acórdão n.º 3402002.387 S3C4T2 Fl. 4 5 Pleno no RE 566621, em sessão de 04/08/11, Rel. Min. ELLEN GRACIE, REPERCUSSÃO GERAL – MÉRITO, publ. in DJUe 195 DIVULG 10102011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL 0260502 PP00273) “E M E N T A: RECURSO EXTRAORDINÁRIO TRIBUTÁRIO (...) PRAZO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITO TRIBUTÁRIO IMPOSSIBILIDADE DE APLICAÇÃO RETROATIVA DAS NORMAS INSCRITAS NOS ARTS. 3º E 4º DA LC Nº 118/2005, NOTADAMENTE DAQUELA QUE SE REVESTIRIA DO CARÁTER DE INTERPRETAÇÃO AUTÊNTICA (LC Nº 118/2005, ART. 3º) DESCARACTERIZAÇÃO DA NATUREZA INTERPRETATIVA DE REFERIDO PRECEITO LEGAL, QUE INTRODUZIU, NO TEMA, EVIDENTE INOVAÇÃO MATERIAL DE ÍNDOLE NORMATIVA PERFIL DAS LEIS INTERPRETATIVAS NO SISTEMA DE DIREITO POSITIVO BRASILEIRO INTEIRA SUBMISSÃO DE SEUS ASPECTOS FORMAIS E DE SEU CONTEÚDO MATERIAL AO PERMANENTE CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DO PODER JUDICIÁRIO (ADI 605MC/DF, REL. MIN. CELSO DE MELLO) INCOLUMIDADE DE SITUAÇÕES JURÍDICAS DEFINITIVAMENTE CONSOLIDADAS, TAIS COMO PREVISTAS NO INCISO XXXVI DO ART. 5º DA LEI FUNDAMENTAL, COMO EXPRESSÃO CONCRETIZADORA DO PRINCÍPIO CONSTITUCIONAL DA SEGURANÇA JURÍDICA PRECEDENTE EMANADO DO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL, FIRMADO EM JULGAMENTO DE RECURSO EXTRAORDINÁRIO (RE 566.621/RS), EM CUJO ÂMBITO TAMBÉM SE RECONHECEU A EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL AGRAVO IMPROVIDO.” (cf. Acórdão da 2ª Turma do STF no RE 596673 AgR, em sessão de07/02/12, Rel. Min. CELSO DE MELLO, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJUe037 DIVULG 22022012 PUBLIC 23022012) “AGRAVO REGIMENTAL EM RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO INDEVIDO DE IMPOSTO DE RENDA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL DO PRAZO PRESCRICIONAL DA AÇÃO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. IRRETROATIVIDADE DO ART. 3º. DA LC 118/05. INCONSTITUCIONALIDADE DA PARTE FINAL DO ART. 4o. DA LC 118/05. QUESTÃO DECIDIDA PELA CORTE ESPECIAL (AI NO EREsp. 644.736/PE). RECURSO REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA: REsp. 1.002.932/SP. AGRAVO REGIMENTAL DESPROVIDO. 1. A Corte Especial reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º. da LC 118/05, na parte que determina a aplicação retroativa do disposto no art. 3o. da mesma lei (AI nos EREsp 644.736/PE, Rel. Min. TEORI ALBINO ZAVASCKI, DJ 27/08/2007). 2. No julgamento do REsp. 1.002.932/SP, representativo de controvérsia, realizado em 25/11/2009, de relatoria do ilustre Fl. 235DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 6 Ministro LUIZ FUX, a Primeira Seção deste Superior Tribunal de Justiça firmou o entendimento de que: (a) relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC 118/05 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e (b) quanto aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo de cinco anos a contar da vigência da lei nova. 3. No caso, os tributos foram indevidamente recolhidos a título de IRPF em 2001 (fl. 152), ou seja, antes da entrada em vigor da LC 118/2005, tendo sido a ação ajuizada em 03.06.2002, que revela inequívoca a inocorrência da prescrição dos tributos recolhidos indevidamente no decênio anterior ao ajuizamento da demanda, por isso que a tese aplicável é a que considera os 5 anos de decadência da homologação para a constituição do crédito tributário acrescidos de mais 5 anos referentes à prescrição da ação. 4. Agravo Regimental desprovido.” (cf. AC. da 1ª Truma do STJ no AgRg no REsp 1124331/DF, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, em sessão de 01/09/2011, publ. in DJU de 15/09/2011) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 284 DO STF, POR ANALOGIA. PRESCRIÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FATO GERADOR ANTERIOR À VIGÊNCIA DA LC N. 118/05. SISTEMÁTICA DO "5 + 5". PRECEDENTE REGIDO PELO RITO DO ART. 543C, DO CPC. CONTRIBUIÇÃO. FUNRURAL. PRODUTOR RURAL PESSOA FÍSICA. COMERCIALIZAÇÃO DA PRODUÇÃO. LEI N. 8.213/91. EXTINÇÃO. NOVA EXAÇÃO. TRIBUTO EXIGÍVEL A PARTIR DA LEI N. 8.870/94. 1. Não se pode conhecer do recurso especial em relação à apontada violação ao art. 535 do CPC, pois as alegações que fundamentaram a pretensa ofensa são genéricas, sem discriminação dos pontos efetivamente omissos, contraditórios ou obscuros ou sobre os quais tenha ocorrido erro material. Incide, no caso, a Súmula n. 284 do Supremo Tribunal Federal, por analogia. 2. A orientação desta Corte, no que tange ao prazo prescricional para a repetição de tributo sujeito a lançamento por homologação, é no sentido de que: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da vigência da LC n. 118/2005 (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento indevido; e, relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos "5 + 5"). (REsp n. 1.002.932/SP, de relatoria do Ministro Luiz Fux, pela sistemática do art. 543C, do CPC). 3. A partir do julgamento da Arguição de Inconstitucionalidade no EREsp n. 644.736/PE, de relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça Fl. 236DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13706.003527/9651 Acórdão n.º 3402002.387 S3C4T2 Fl. 5 7 adotou o entendimento no sentido de que o artigo 4º, segunda parte, da LC 118/05 (que determina a aplicação retroativa do seu art. 3º, para alcançar inclusive fatos passados) ofende o princípio constitucional da autonomia e independência dos poderes (CF, art. 2º) e o da garantia do direito adquirido, do ato jurídico perfeito e da coisa julgada (CF, art. 5º, XXXVI). 4. Conforme pacificado nesta instância, a contribuição ao Funrural incidente sobre o valor comercial dos produtos rurais foi extinta a partir da vigência da Lei n. 8.213/91. Nada obstante, em seguida foi instituída outra contribuição, devida a partir de 23.3.1993 pela pessoa física empregadora rural sobre o valor da comercialização de sua produção, por meio da Lei n. 8.540/92. Desta feita, a contribuição incidente sobre a comercialização de produtos rurais a cargo da pessoa física empregadora rural somente não poderá ser cobrada no período compreendido entre as Leis n. 8.212/91 e 8.540/92. Precedentes: AgRg no REsp 1226313/RS, rel. Ministro Herman Benjamin, Segunda Turma, DJe 19/04/2011; REsp 1205599 / SC, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 25/03/2011. 5. Recurso especial parcialmente conhecido, e, nesta parte, parcialmente provido para que a prescrição na hipótese se oriente pela sistemática do "5 + 5".”(cf. Ac. da 2ª Turma do STJ no REsp 1218759/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, em sessão de04/08/2011, publ. in DJU de 15/08/2011) “TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. AGROINDÚSTRIA. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. PAGAMENTO INDEVIDO. ARTIGO 4º DA LC 118/2005. DETERMINAÇÃO DE APLICAÇÃO RETROATIVA. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE DIFUSO. CORTE ESPECIAL. RESERVA DE PLENÁRIO. DIREITO INTERTEMPORAL. FATOS GERADORES ANTERIORES À LC 118/2005. APLICAÇÃO DA TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RECURSO ESPECIAL REPETITIVO RESP N. 1.002.932SP. APLICAÇÃO DO ARTIGO 543C DO CPC. 1. Cuidase de agravo regimental interposto contra decisão que versou sobre a contagem do prazo prescricional aplicável ao presente caso, consoante metodologia legal preconizada pela Lei 11.672/2008, que acrescentou o artigo 543C ao CPC. 2. O recurso especial n. 1.002.932SP, por ser representativo da matéria em discussão, cujo entendimento encontrase pacificado nesta Corte, foi considerado recurso repetitivo e submetido ao regime de julgamento previsto pelo artigo 543C do Código de Processo Civil, regulamentado pela Resolução n. 8 do dia 7 de agosto de 2008, do STJ. 3. O mencionado recurso, da relatoria do eminente Ministro Luiz Fux, foi submetido a julgamento pela Primeira Seção na data de Fl. 237DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO 8 25/11/2009, no qual o STJ ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Agravo regimental não provido. (cf. Ac. da 1ª Turma do STJ no AgRg no AREsp 8.122/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, em sessão de 04/08/2011, publ. in DJU de 10/08/2011) Aplicando os preceitos expostos ao caso concreto, verificase que tratandose de Pedido de Restituição/compensação do PIS (fls. 01) protocolado em 10/10/96, portanto posterior à vigência da LC nº 118/05 (que ocorreu em 09/06/05), parece evidente que referido pedido não poderia abranger recolhimentos efetuados além dos 5 anos anteriores ao pedido (10/10/91), como é o caso da contribuição para o PIS recolhida no período de janeiro de 1991 a setembro de 1991, tal como acertadamente determinou a r. decisão recorrida. Da mesma forma ao pressupor a existência de créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74, § 1º, e Medida Provisória nº 66, de 2002, art. 49; RIPI/02 Decreto nº 4.544/02 DOU 27/12/2002, art. 208), a lei somente autoriza a homologação de compensação, em pedidos que tenham por objeto créditos contra a Fazenda, cujo direito à restituição ainda não se ache extinto, o que inocorre no caso. Não se justifica, assim a reforma da r. decisão recorrida que deve ser mantida por seus próprios e jurídicos fundamentos, considerandose ainda que tanto na fase instrutória, como na fase recursal, a ora a Recorrente não apresentou nenhuma evidencia concreta e suficiente para descaracterizar a motivação invocada pela d. Fiscalização, para o indeferimento da restituição. Considerando a inexistência de créditos líquidos e certos contra a Fazenda Pública, os débitos eventual e indevidamente compensados, devem ser cobrados através do procedimento previsto nos §§ 7º e 8º do art. 74 da Lei nº 9.430/96 (redação da Lei nº 10.833, de 2003). Isto posto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para manter a r. decisão recorrida da DRJ. É como voto. Sala das Sessões, em 27 de maio de 2014 FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D'EÇA Fl. 238DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13706.003527/9651 Acórdão n.º 3402002.387 S3C4T2 Fl. 6 9 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente e m 03/07/2014 por FERNANDO LUIZ DA GAMA LOBO D ECA, Assinado digitalmente em 03/07/2014 por GILSON MA CEDO ROSENBURG FILHO
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Numero do processo: 15889.000379/2009-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 04 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/11/2009
EMENTA - DO ARBITRAMENTO E DA CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS. AUSENCIA DE PROVAS E DE MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA A PRÁTICA DO ATO EXTREMO.
A caracterização de segurados como empregados é medida excepcional e requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (considera-se empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário), bem como do art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91.
De igual modo o lançamento de débito por arbitramento é medida que deve ser adotada pela fiscalização em situações extremas e, mesmo assim, é preciso que a autoridade teça em seu relatório a justificativa exata que motivou a adoção e o alcance do procedimento. O fato de o recorrente não ter entregue determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o ato extremado.
DO ARBITRAMENTO DA MÃO DE OBRA E DO TRANSPORTE TERCEIRIZADO
Há previsão legal quanto ao arbitramento de mão-de-obra. E, considerando que a fiscalização a realizou com base nos rendimentos da Recorrente e de outras empresa do mesmo porte, não há de se considerar subjetiva e prejudicial ao defendente, uma vez que, quanto lançado por aferição, cabe ao contribuinte realizar prova ao contrário no momento da impugnação, o que não correu no presente caso. Asssim, sem razão a Recorrente.
Da mesma forma e razão quanto trata de transporte terceirizado, onde a Recorrente não apresentou razões e documentos assazes de modificarem o lançamento por aferição.
DA FALTA DE PREJUÍZO AO FISCO.
A alegação de que a conduta infracional não trouxe nenhum prejuízo ao FISCO não prospera, porque a infração, em direito tributário, é qualquer ação ou omissão, ainda que por desejo próprio ou não, praticado pelo contribuinte em desconformidade com a legislação específica, gerando uma sanção, sendo que esta não depende das circunstâncias ou dos efeitos das infrações.
MULTA
A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Crédito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-003.102
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao arbitramento e à caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão das contribuições sobre fretes, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Damião Cordeiro de Moraes.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira Presidente
(assinado digitalmente)
Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator
(assinado digitalmente)
Damião Cordeiro de Moraes Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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AUSENCIA DE PROVAS E DE MOTIVAÇÃO SUFICIENTE PARA A PRÁTICA DO ATO EXTREMO. A caracterização de segurados como empregados é medida excepcional e requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho (“considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”), bem como do art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91. De igual modo o lançamento de débito por arbitramento é medida que deve ser adotada pela fiscalização em situações extremas e, mesmo assim, é preciso que a autoridade teça em seu relatório a justificativa exata que motivou a adoção e o alcance do procedimento. O fato de o recorrente não ter entregue determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o ato extremado. DO ARBITRAMENTO DA MÃO DE OBRA E DO TRANSPORTE TERCEIRIZADO Há previsão legal quanto ao arbitramento de mãodeobra. E, considerando que a fiscalização a realizou com base nos rendimentos da Recorrente e de outras empresa do mesmo porte, não há de se considerar subjetiva e prejudicial ao defendente, uma vez que, quanto lançado por aferição, cabe ao contribuinte realizar prova ao contrário no momento da impugnação, o que não correu no presente caso. Asssim, sem razão a Recorrente. Da mesma forma e razão quanto trata de transporte terceirizado, onde a Recorrente não apresentou razões e documentos assazes de modificarem o lançamento por aferição. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 88 9. 00 03 79 /2 00 9- 23 Fl. 341DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 2 DA FALTA DE PREJUÍZO AO FISCO. A alegação de que a conduta infracional não trouxe nenhum prejuízo ao FISCO não prospera, porque a infração, em direito tributário, é qualquer ação ou omissão, ainda que por desejo próprio ou não, praticado pelo contribuinte em desconformidade com a legislação específica, gerando uma sanção, sendo que esta não depende das circunstâncias ou dos efeitos das infrações. MULTA A multa aplicada hodiernamente, considerando a retroatividade benigna estampada no artigo 106, II do CTN e a novel legislação que alterou a Lei 8.212 de 1991, a Lei 11.941 de 2009, neste caso a mais benefica é do Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, deve ser respeitada se melhor para o contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado I) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso, no que tange ao arbitramento e à caracterização de segurados como empregados, nos termos do voto do Redator designado. Vencidos os Conselheiros Wilson Antonio de Souza Correa e Bernadete de Oliveira Barros, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão; b) em negar provimento ao recurso, na questão das contribuições sobre fretes, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Leonardo Henrique Pires Lopes e Damião Cordeiro de Moraes, que votaram em dar provimento ao recurso nesta questão; c) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, até 11/2008, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do Relator. Redator: Damião Cordeiro de Moraes. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira – Presidente (assinado digitalmente) Wilson Antônio de Souza Côrrea – Relator (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva, Wilson Antônio de Souza Correa e Damião Cordeiro de Moraes. Fl. 342DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15889.000379/200923 Acórdão n.º 2301003.102 S2C3T1 Fl. 143 3 Relatório Trata o presente AutodeInfração de Obrigações Principais — AIOP, de contribuições sociais devidas à Seguridade Social, correspondentes à parte da empresa e ao financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre a remuneração de segurados empregados, e, ainda, cota patronal incidente sobre a remuneração de contribuintes individuais, cujos valores foram apurados por aferição indireta. Registra a fiscalização que não há agravantes do artigo 290 do RPS. Da análise da contabilidade dos exercícios de 2006/2007/2008, não foram identificados lançamentos que registrassem toda a mãodeobra necessária ao desenvolvimento normal das atividades da Empresa e que foi lavrado o AutodeInfração de Obrigações Acessórias — AIOA n° 37.251.9997, de 20/11/2009, em razão da exibição de Livro com informação diversa da realidade. A motivação inicial para o desenvolvimento da ação fiscal foi a discrepância entre os valores de faturamento e os de mãodeobra própria e de terceiros informadas em GFIP Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social e RATS — Relação Anual de Informações Sociais, e a massa salarial informada para os exercícios de 2006 a 2008 era ínfima em relação ao faturamento e acentuadamente menor que a média das empresas do mesmo segmento econômico da Autuada. Constatou a Fiscalização que a lista de empregados e respectivas funções constantes no Livro de Registro de Empregado, nas Folhas de Pagamento e GFIP, sendo que no período de 01/07/2006 (data da primeira admissão) a 01/10/2008 (última) foram registrados 7 (sete) empregados, nas atividades: motorista 05; agrônomo 01 e comprador 01. Em 06 dde fevereito de 2009 a Fiscalização, ‘in loco’, constatou 22 empregados trabalhando, sendo que apenas um era registrado. Entretanto, argumentou a Recorrente, os demais eram trabalhadores eventuais, registrados em nome de um parceiro comercial, exsócio, cujo qual estava retornando à sociedade. Aduz a Fiscalização que não foi possível registrar quem eram os trabalhadores que lá laboravam, uma vez que não há contabilização de toda a mãodeobra despendida, razão pela qual foi adotado como parâmetro o faturamento (Receita Bruta), arbitrando a mãodeobra utilizando indices obtidos através da relação Receita Bruta x Massa Salarial GFIP das empresas do mesmo segmento econômico (CNAE 4633801), na jurisdição de Bauru, cujos dados foram extraídos das declarações prestados pelos contribuintes. Quanto aos transportadores autônomos, informa que na análise da escrituração contábil, exercício de 2006, verificouse o registro de valores em conta de Fretes, o que não se percebe nos exercícios seguintes — 2007 e 2008. Em 2007 surgem valores nas contas Manutenção de Veículos, Combustível, Seguros/IPVA, Pedágio e Pneus. E para 2008, nas contas Manutenção de Veículos, Combustível (duas constas distintas), Pedágio e Pneus. Fl. 343DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 4 Verificouse, em 2007, também a aquisição de 07 (sete) veículos/caminhões e somente dois deles permaneciam de propriedade da Empresa. Acrescenta que a Empresa foi intimada e reintimada a apresentar os documentos que serviram de suporte para tais lançamentos, que, no entanto, informou que os respectivos comprovantes não foram encontrados. Esclarece que os lançamentos contábeis foram efetuados de forma sintética, um único lançamento mensal, impossibilitando a identificação dos prestadores dos serviços e/ou fornecedores. E, mais, que nas Notas Fiscais de Entrada de Mercadorias, no campo "Fretes", verificase (por amostragem) que o transporte corre por conta do destinatário — Recorrente. Da mesma forma, nas Notas Fiscais de Saida de Mercadorias, temse que o transporte é por conta do emitente — Recorrente (também por amostragem). E sendo o transporte dos produtos de sua responsabilidade, a julgar pela frota conhecida, resta como improvável que todos os valores lançados nas contas se refiram a apenas veículos próprios. E, ainda, nas referidas notas, embora o nome/razão social do transportador consta como "próprio", verificase nas notas fiscais de produtores rurais (amostragem) identificações de transportadores não pertencentes ao quadro de funcionário da empresa, o que leva a conclusão que se tratam de transportadores autônomos. Por essas razões, procedeuse aferição dos valores a titulo de "fretes — transportadores autônomos", para os exercícios de 2007/2008, com base nos valores contabilizados nas contas mencionadas, obedecendo à proporção das despesas contabilizadas no exercício de 2006 na conta "fretes", que correspondeu a 70,6% do total das demais contas, conforme planilhas acostadas. Diz a Fiscalização que em razão da legislação hodierna aplicou a multa que mais favorecia a Recorrente. Foi notificada e tempestivamente impugnou, cuja qual foi julgada improcedente. Em 19 de novembro de 2010 foi notificada da decisão e em 16 de dezembro do mesmo ano aviou o presente Recurso Voluntário, alegando: i) Da Inexistência do dever de recolhimento da contribuição social; ii) Do arbitramento da mão de obra com utilização das alicotas 9,17%, 7,2% e 8,18%; iii) Do Arbitramento — Transportadores Autônomos: Eis o relato. Voto Vencido Conselheiro Wilson Antônio de Souza Côrrea Relator Sendo tempestivo e acudindo todas as demais exigências processuais, merece ser acolhido o presente recurso aviado, passandose à sua análise. i) DA INEXISTÊNCIA DO DEVER DE RECOLHIMENTO DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL Alega a Recorrente que as justificativas da Fiscalização para autuála são pueris, pois, ela, a Fiscalização, não levou em conta o implemento tecnológico da Recorrente, Fl. 344DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15889.000379/200923 Acórdão n.º 2301003.102 S2C3T1 Fl. 144 5 onde dispensa o número de mãodeobra utilizado por outras empresa. Razão assaz para justificar o pequeno número de trabalhadores por ela registrado. Ademais, prossegue a Recorrente, quando necessário lançou mão de mãode obra eventual, para honrar com a sua produção. Diz que no dia da visita e constatação de pessoas terceirizadas laborando na empresa Recorrente, tratavase de um dia excepcional em época sazonal, o que motivou a contratação dos trabalhadores eventuais, que se tratavam de empregados do Sr. Sigheru Sato. Portanto, os trabalhadores que movimentam a produção dela são trabalhadores eventuais, razão pela qual não incide contrbuição previdenciária. Finaliza dizendo que a visita se deu em algumas oportunidades no ano de 2009, não sendo crivo para basear o período de 2006/2008, motivo pelo qual o auto não deve prevalecer. Limitandose aos fatos trazidos aos autos pela Fiscalização, temos que a produção da Recorrente distorcia muito ao número de funcionários dela. Contradizendo alega a Recorrente que o seu bom desempenho de produção se devia ao fato de ter equipamentos de alto índice tecnológico. O que até se admite, mas, no presente caso, não se ‘engole’, porque mesmo que tenha equipamentos de ‘última geração’, por certo que eles têm que ser operados por trabalhadores qualificados, e nos autos não consta estes trabalhadores, ao contrário, consta apenas um exercendo atividade fim, sendo os outros seis, dentre sete, atividade meio. Outra questão que nos leva a crer da procedêcia do lançamento, neste quesito, é o fato de um exsócio oferecer quase cem por cento da mãodeobra utilizada pela Recorrente e, conhincidência, nos mesmos dias de visita da fiscalização. Assim, neste quesito, não há razão a Recorrente. ii) DO ARBITRAMENTO DA MÃO DE OBRA COM UTILIZAÇÃO DAS ALICOTAS 9,17%, 7,2% E 8,18% Reconhece a Recorrente que a legislação específica autoriza a aferição indireta, mas, segundo a mesma o subjetivismo da Fiscalização é inconsitente, porque baseou se em sua aferição indireta em índice obtido através da relação Receita bruta x Massa salarial GFIP das empresas do mesmo segmento, e, que entre elas, há diferença no faturamento, receita bruta e na contratação de mão de obra, existindo, por conseguinte, empresas de pequeno, médio e grande porte.. Chega, assim, a ilação de que houve tributação excessiva, o que de fato pode ter ocorrido, ou não, podendo ter ocorrido ao contrário, ou seja, tributação insuficiente aos rendimentos da Recorrente. Seja como for, a Recorrente reconhece que a Fiscalização agiu dentro dos parâmetros legais, ou seja, utilizouse da aferição indireta, e para isto, tomou como base empresas do mesmo porte, podendo ter errado para mais ou para menos, o que nunca vai se saber. Fl. 345DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 6 Mas, o que de fato se sabe é que a Recorrente não estava dentro da legalidade, compelindo tal procedimento LEGAL, correndo o risco do subjetivismo, alegado por ela. Desta forma, também neste quesito, não merece prosperar as argumentações da Recorrente. iii) DO ARBITRAMENTO — TRANSPORTADORES AUTÔNOMOS Diz a Recorrente que o arbitramento de transportadores autônomos lhe prejudicou severamente, porque eventualmente faz uso de mão de obra de terceiro que supre eventuais folgas de seus empregados. Ademais, alega ela, na apuração dos anos 2007 e 2008, a agente não fundamentou a razão pela qual aplicou o percentual indicado nas contas "manutenção de veículos", "combustível", "pedágios" e "pneus", prejudicando sobremaneira a Recorrente e ofendendo, como conseqüência, os Princípios do Contraditório e da Ampla Defesa. Ou seja, em síntese, da mesma forma que quesito anterior, diz que o subjetivismo da Fiscalização impediu o seu pleno exercício de defesa e de contradizer a acuasção, mas não merece guarita. Não olvidemos que da mesma forma da utilização de mãodeobra tercerizada a Fiscalização viuse compelida a realizar a aferição indireta, mormente porque, em que pese as várias intimações a Recorrente não se incumbiu de apresentar os documentos requeridos, repitase, por diversas vezes. Assim, foi que a Fiscalização, pela absoluta impossibilidade de se ter o efetivo saláriodecontribuição dos transportadores autônomos, para os exercícios de 2007/2008, valeuse ela da prerrogativa legal, e procedeu à aferição dos valores a titulo de "fretes — transportadores autônomos", com base nos valores contabilizados nas contas mencionadas, obedecendo à proporção das despesas contabilizadas no exercício de 2006 na conta "fretes", que correspondeu a 70,6% do total das demais contas, juntando planilhas demonstrativas E, foi com base nisto que no período de 2007/2008, aplicou o percentual de 70,6% sobre a somatória das contas Manutenção de Veículos, Combustível, Pedágios e Pneus, tendo produzido uma planilha que discrimina, mês a mês, os valores apurados e a respectiva base de cálculo. Ora, desta forma, demontrando a Fiscalização qual a referência usada, apresentando base de cálculo e, mais ainda, intimando a Recorrente a apresentar documentos, não há de se falar em prejuízo à princípios da Carta Maior. Para finalizar, quando há lançamento por aferição, o dever de demonstrar o erro é da Recorrente e não da Fiscalização, e, neste sentido, no presente Recurso, ainda que intempestivo, não foi apresentado nada que pudesse desfigurar o lançamento. Portanto, sem razão a Recorrente, também neste quesito. iv) DA INEXISTÊNCIA DE PREJUÍZO AO FISCO NO QUE TANGE AO NÃO RECOLHIMENTO A ALÍQUOTA SAT Fl. 346DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15889.000379/200923 Acórdão n.º 2301003.102 S2C3T1 Fl. 145 7 Diz que a conduta da Recorrente não trouxe nenhum prejuízo ao Fisco, devendo ser imposta a ela, de conformidade com o princípio da razoabilidade e da proporcionalidade, apenas advertência, juntando doutrina, com intenção de basear seu intento. Sem razão, pois a infração, em direito tributário, é qualquer ação ou omissão, ainda que por desejo próprio ou não, praticado pelo contribuinte em desconformidade com a legislação específica, gerando uma sanção, sendo que esta não depende das circunstâncias ou dos efeitos das infrações. Desta forma, havendo uma infração há previsão legal da aplicação da penalidade, conforme determina o CTN, em seu artigo 136, determinando que a responsabilidade pela infração à legislação tributária independe do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, em outras palavras, não se considera se o contribuinte teve oou não intenção em cometer a fal, mas, se agrediu a legislação, ainda que não tenha trazido prejuízo ao Fisco, há de ser imposta a multa. Ainda, não olvidemos que no caso que se examina tratase de obrigação acessória que independe se a contribuição correspondente foi recolhida ou não, já que consiste em dever instrumental tributário acessório, ou seja, não é dever de pagar o tributo, propriamente dito, mais penalização pelo não cumprimento. v) DA APLICAÇÃO DE ADVERTÊNCIA FACE AO PRINCÍPIO DA PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE Requer a Recorrente, com fulcro nos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, que a multa aplicada seja convertida em advertência. Todavia, há na administração pública um outro princípio pétreo que é o da legalidade, cuja determinação ao agente público é moldar seus atos praticados à lei, conforme ocorreu. Por outro lado, não se vislumbra na lei a determinação de advertência, para o caso em tela. Desta forma, sem razão a Recorrente. vi) MULTA Insurge a Recorrente contra a multa aplicada, alegando confisco, agressão a Carta Maior e outros quejandos, o que não lhe assite razão. Mas, por outro lado, e é bem verdade que não podemos virar as costas para a retroatividade da lei que trata o artigo 106, II do Código Tributário Nacional, e, em que pese a não alegação por parte da Recorrente, com a alteração substancial trazida pela Lei n 11.941 de 27.05.2009, devese aplicar a lei que mais benficia o contribuinte, e no caso em tela, penso ser o artigo Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008. CONCLUSÃO Fl. 347DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA 8 Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, tenho que o mesmo deve ser conhecido, para no mérito DAR LHE PROVIMENTO Parcial, para que sejalhe aplicado, quanto a multa de mora, o Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11 de 2008, se mais benéfica. É o voto. (assinado digitalmente) Wilson Antonio de Souza Corrêa – Relator Voto Vencedor Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes – Redator Designado DA CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADOS COMO EMPREGADOS E DO ARBITRAMENTO 1. Peço vênia ao nobre relator para divergir do seu posicionamento em relação ao lançamento fiscal quanto ao arbitramento e à caracterização dos segurados como empregados da recorrente para efeito de cobrança da contribuição social previdenciária. 2. A caracterização de segurados como empregados é medida excepcional e requer a comprovação cabal da existência do vínculo empregatício, nos termos do art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho: “considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário”, bem como do art. 12, inciso I, da Lei 8.212/91. 3. No presente caso, embora o auditor fiscal tenha buscado trazer um número vasto de informações acerca da realidade por ele encontrada na empresa, restam dúvidas acerca da formação do contrato de trabalho entre as pessoas citadas e a recorrente. Notadamente, porque é utilizada a amostragem de documentos em alguns casos. 4. É bem verdade que a empresa não entregou alguns documentos solicitados pela fiscalização, contudo este fato não impede que o auditor fiscal procure evidenciar as suas constatações em outros documentos encontrados. 5. De igual modo o lançamento de débito por arbitramento é medida que deve ser adotada pela fiscalização apenas em situações extremas e, mesmo assim, é preciso que a autoridade teça em seu relatório a justificativa exata que motivou a adoção e o alcance do procedimento. O fato de o recorrente não ter entregue determinados documentos não pode ser motivo único para justificar o ato extremado. 6. Neste diapasão, chama à atenção a argumentação da recorrente no sentido de que a legislação específica autoriza a aferição indireta, mas, segundo ela, o subjetivismo da Fiscalização é inconsistente, numa aferição indireta cujo índice foi obtido da relação Receita bruta x Massa salarial GFIP das empresas do mesmo segmento, sendo que entre elas há diferença no faturamento, receita bruta e na contratação de mão de obra, ante a existência inequívoca de empresas de pequeno, médio e grande porte. 6. A simples transferência do ônus para a empresa da entregue de documentos relacionados aos empregados contraria o disposto no art. 142 do CTN. Fl. 348DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA Processo nº 15889.000379/200923 Acórdão n.º 2301003.102 S2C3T1 Fl. 146 9 7. Sendo assim, meu voto é pelo provimento do recurso voluntário da empresa para afastar o arbitramento realizado elo auditor fiscal por não se verificar cabalmente a caracterização de segurados como empregados. DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE FRETES 8. Gostaria de destacar que divirjo do relator quanto às contribuições dos transportadores autônomos. 9. As informações do relator são as seguintes: “(...) quanto aos transportadores autônomos, informa que na análise da escrituração contábil, exercício de 2006, verificouse o registro de valores em conta de Fretes, o que não se percebe nos exercícios seguintes — 2007 e 2008. Em 2007 surgem valores nas contas Manutenção de Veículos, Combustível, Seguros/IPVA, Pedágio e Pneus. E para 2008, nas contas Manutenção de Veículos, Combustível (duas constas distintas), Pedágio e Pneus. Verificouse, em 2007, também a aquisição de 07 (sete) veículos/caminhões e somente dois deles permaneciam de propriedade da Empresa.” 10. Assim, entendo que os fatos trazidos pelo auditor fiscal são insuficientes para propiciar o levantamento do débito tributário. Notadamente porque desacompanhadas de provas suficientes para tal determinação. O simples registro contábil não induz automaticamente à conclusão da ocorrência do fato gerador. 11. Nesse sentido, o meu voto é por dar provimento ao recurso na questão das contribuições sobre fretes. DA MULTA APLICADA 12. No caso da multa, por fim, como é notório o meu posicionamento é pela aplicação do previsto na no art. 61, da Lei 9.430/1996, se mais benéfica à Recorrente, até a competência 11/2008, considerando a retroatividade benigna em favor do contribuinte. CONCLUSÃO 13. Do exposto, conheço do Recurso Voluntário para, no mérito DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, sendo voto condutor para afastar o arbitramento realizado pelo agente fazendário, pois não houve a caracterização de segurados como empregados. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes – Redator. Fl. 349DF CARF MF Impresso em 04/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 02/09 /2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 18/07/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 28/08/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
score : 1.0
Numero do processo: 11516.001699/2004-73
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Sep 18 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2102-000.092
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 21/05/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 21/05/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Eivanice Canário da Silva e Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente a Conselheira Núbia Matos Moura. RELATÓRIO Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 30 a 31: Contra o contribuinte em epígrafe foi lavrado o Auto de Infração de fl. 7, integrado pelos documentos de fl. 7, pelo qual se exige a importância de R$ 239,34, a título de Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, anocalendário 2001, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 69 9/ 20 04 -7 3 Fl. 59DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.001699/200473 Resolução nº 2102000.092 S2C1T2 Fl. 3 2 Em decorrência do trabalho de revisão interna, apurouse a omissão de rendimentos recebidos da Fundação Petrobrás de Seguridade Social – PETROS, no valor de R$23.683,53 (fls. 12 e 13). Inconformado, o contribuinte apresentou a impugnação de fls. 1 a 3, na qual alega, em síntese ser portador de moléstia grave, anexando certidão do INSS certificando sua aposentadoria e atestado médico fornecido pelo Dr. Clyton M. Costa, datado do 10.06.2002. Informa que protocolizou, junto ao INSS, requerimento solicitando cópia do processo referente a sua aposentadoria, não tendo resposta até a data da impugnação. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não restou comprovado que o contribuinte não era portador de moléstia grave que lhe desse direito à isenção pleiteada, resumindo o seu entendimento forma: (... Ora, o fato de o contribuinte ser aposentado por invalidez, desde 01.01.1982, conforme certidão de fl. 15, não lhe permite considerar como isentos os rendimentos de aposentadoria, uma vez que nem toda doença que autoriza a aposentaria por invalidez foi contemplada com o beneficio fiscal da isenção. Outrossim, o laudo médico anexado à fl. 17, datado de 10.06.2002, emitido por médico particular são serve para o reconhecimento de doença considerada grave, pois não foi emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios reconhecendo a doença da contribuinte, com a indicação da data em que a mesma foi contraída, condição imprescindível para a isenção. Concluise, assim, que o contribuinte não faz jus à isenção pretendida. Por todo exposto, mal~ome pela procedência do lançamento. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls.36 a 39, requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, alegando que os documentos que fariam prova das suas alegações estão apensados ao processo no INSS, contudo, como o INSS tem se negado a entregar cópia do seu prontuário, requer que o Carf intime o referido órgão para que o mesmo apresente cópia do processo de aposentadoria comas provas requeridas pela RFB , pois as apresentadas até o presente (laudo de um médico, caderneta de Inscrição e Registro, idade de aposentadoria) não foram suficiente para sensibilizar os nobres julgadores. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. Posteriormente, foi juntado à fl. 48, o Memorando nº 85/2009 da Delegacia da receita Federal do Brasil em Florianópolis informando que o crédito do presente processo foi extinto por remissão. Fl. 60DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.001699/200473 Resolução nº 2102000.092 S2C1T2 Fl. 4 3 Encaminhado o processo à unidade de origem, a mesma delegacia retornou o processo para apreciação do Recurso Voluntário, uma vez que a manifestação do contribuinte envolve o reconhecimento de restituição decorrente de entendimento legal. É o Relatório. VOTO Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 11516.001699/200473 Resolução nº 2102000.092 S2C1T2 Fl. 5 4 Ocorre que os documentos acostados aos autos são insuficientes para que se tenha convicção acerca destas questões e a Turma de Julgamento entendeu ser impraticável o seguimento do julgamento sem determinados documentos referidos no processo supracitado. Diante desse fato, voto para CONVERTER o julgamento em diligência, solicitando à unidade de origem para que promova diligência junto a Delegacia da Capitânia dos Portos do Estado de Santa Catarina, em FlorianópolisSC e ao INSS, questionando qual foi a razão (motivação) da aposentadoria do contribuinte. Ressalto que após o recebimento das respostas acima da Capitânia dos Portos e do INSS , o recorrente deverá ser intimado do resultado com posterior envio do processo ao Carf para seguimento do julgamento. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 62DF CARF MF Impresso em 18/09/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/05/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 21/05/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/05/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 11060.002086/2009-63
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Aug 26 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2302-000.318
Decisão: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES.
Liege Lacroix Thomasi Presidente
Juliana Campos de Carvalho Cruz - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz.
Nome do relator: Não se aplica
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1454; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T2 Fl. 597 1 596 S2C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11060.002086/200963 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2302000.318 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 17 de julho de 2014 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente PEREIRA E PERIPOLLI LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2008 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência para aguardar decisão definitiva quanto à exclusão do SIMPLES. Liege Lacroix Thomasi –Presidente Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liege Lacroix Thomasi (Presidente), Arlindo da Costa e Silva, André Luís Mársico Lombardi, Leo Meirelles do Amaral, Leonardo Henrique Pires Lopes e Juliana Campos de Carvalho Cruz. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 60 .0 02 08 6/ 20 09 -6 3 Fl. 169DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002086/200963 Resolução nº 2302000.318 S2C3T2 Fl. 598 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela empresa PEREIRA E PIREPOLLI LTDA contra a decisão proferida pela 12ª Turma da DRJ/RJ1 que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a impugnação, mantendo o crédito previdenciário no importe de 149.159,71 (Cento e quarenta e nove mil, cento e cinqüenta e nove reais e setenta e um centavos), acrescidos de juros e multas. O Auto de Infração (DEBCAD n° 37.214.6090) referese a cobrança das contribuições previdenciárias destinadas a outras entidades e fundos (TERCEIROS), correspondentes ao FNDE, INCRA, SENAC e SEBRAE. De acordo com o Relatório Fiscal (fls. 55/56), a empresa tem como objeto social a distribuição e comercialização de jornais, revistas, periódicos, revistas, livros e afins. Neste contexto, a fiscalização, ao consultar os sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil (RFB), verificou que o contribuinte, no período de 01/2004 a 06/2007, era optante do Simples e, no período de 01/01/2008, do Simples Nacional. Porém, tendo sido constatada situação de vedação no período de 01/01/2004 a 30/06/2007 ao Simples e no período de 01/01/2008 a 31/12/2008 ao Simples Nacional, formalizouse o PAF n° 11060.002082/200985 de exclusão dos referidos sistemas de tributação, com a emissão do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples Nacional n° 020/2009/DRFSTM e Termo de Exclusão do Simples Nacional TESN n° 03/2009/DRFSTM, cópias às fls. 52/53. Às fls. 01/04 do PAF nº 11060.002082/200985(exclusão) informa, ainda, a Autoridade Fiscal: a) Que a empresa foi excluída do Simples por exercer atividade vedada, conforme Ato Declaratório Executivo AD ExtraSIVEX n° 017/2004, de 22/11/2004, do processo de exclusão; b) Que o contribuinte apresentou impugnação contra o referido ato, obtendo êxito. Por causa disso, o Ato Declaratório foi cancelado em 05/02/2007. De acordo com o julgamento, a pessoa jurídica que desenvolve a atividade de distribuição de livros, jornais e revistas, poderia optar pelo Simples; c) Que o contrato de prestação de serviços que a empresa/autuada mantém com a empresa jornalística Zero Hora foi firmado em 01/01/2004, renovado em 26/05/2006, e tem por objetivo os seguintes serviços: Gestão do Centro de Distribuição que atende as localidades estabelecidas no contrato; e, Distribuição, recolhimento do encalhe e cobrança dos jornais editados pela contratante e de produtos agregados aos mesmos e ou intermediados pela contratante, ou pessoa por ela autorizada, nos termos especificados no instrumento; d) Que diferentemente da prestação de serviços anteriormente analisada e que deu origem ao Ato Declaratório 017/2004, os contratos ora analisados, introduzem um novo item, qual seja: a Gestão do Centro de Distribuição; Fl. 170DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002086/200963 Resolução nº 2302000.318 S2C3T2 Fl. 599 3 e) Que o contrato de prestação de serviço firmado entre a empresa autuada e a RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A estabelece que a contratada (autuada) é a única responsável pelo cumprimento de todas as obrigações de natureza trabalhista, social, tributária e previdenciária dos serviços pactuados, desenvolvidos em áreas indicadas pela contratante (cláusula.Sétima); f) Que a empresa autuada exerce atividade de locação de mãodeobra ou cessão de mãodeobra, com base nos contratos de prestação de serviços, atividade elencada nas vedações previstas no inciso XII, alínea "f”, do art. 9°, da Lei n° 9.317/96 e no art. 17, XII, da Lei Complementar n° 123/2006; g) Que a convicção de que a empresa realiza cessão de mãodeobra é firmada no exame do contrato de prestação de serviços entre ela e a empresa RBS – Zero Hora Editora Jornalística S/A, do qual se infere que, diariamente, os empregados da contratada são colocados à disposição da contratante, durante o prazo, locais e na forma de trabalho definido pela contratante, caracterizandose, com isso, prestação de serviços com locação de mãodeobra; h) Que o próprio contribuinte declara nas GFIP’s que presta serviços com cessão de mãodeobra, conforme consta do cabeçalho das GFIP, às fls. 46/51, destacando e se submetendo à retenção disposta na Lei n° 9.711 /98. Às fls. 52/53 dos autos constam, respectivamente, o Termo de Exclusão do Simples Nacional n° 03, de 20/08/2009, que declara que o contribuinte foi excluído do Simples Nacional a partir de 1º de janeiro de 2008 e o Ato Declaratório Executivo nº 020, de 20/08/2009 (LC nº 123/06), que declara a exclusão do contribuinte a partir de 1º de janeiro de 2004 do SIMPLES (Lei nº 9.137/96). Notificado, o Contribuinte apresentou Impugnação (fls.58/80), no prazo legal, alegando que não presta serviço mediante cessão de mãodeobra, razão pela qual tem o direito de recolher as contribuições previdenciárias na sistemática de tributação diferenciada. Na decisão proferida pela 12ª Turma da DRJ/RJ1 (Acórdão nº 12.36.732 fls. 83/90), por unanimidade de votos, foi julgada improcedente a impugnação. O sujeito passivo teve ciência do Acórdão nº 1236.732, em 12.05.2011 (fls.92/93). Inconformado, interpôs Recurso Voluntário (fls. 94/109), reiterando a matéria apresentada na Impugnação. Eis o relatório. Fl. 171DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI Processo nº 11060.002086/200963 Resolução nº 2302000.318 S2C3T2 Fl. 600 4 Voto: Conselheira Juliana Campos de Carvalho Cruz, Relatora O recurso cumpriu com os requisitos de admissibilidade, portanto, merece ser apreciado. O presente lançamento referese à cobrança das contribuições previdenciárias destinadas a outras Entidades em decorrência da exclusão da Recorrente na sistemática do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL. Por causa disso, foi lavrado o PAF nº 11060.002082/200985 de modo a permitir a empresa apresentar impugnação em face do Ato Declaratório de Exclusão. Analisando o PAF nº 11060.002082/200985 (exclusão do SIMPLES) vislumbrei que os autos estão em fase de julgamento, não havendo trânsito em julgado acerca do ato de exclusão. Sendo este julgamento prejudicial à discussão travada nos presentes autos, já que o julgamento ali proferido afetará diretamente a cobrança pretendida pelo Fisco previdenciário, entendo não ser possível prosseguir com o julgamento in foco sem que antes seja decidido acerca da definitividade da exclusão da empresa na sistemática do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL cuja competência é da 1ª Seção, conforme art. 2º, inciso V, do Capítulo I, Título I, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Por todo o exposto, CONVERTO O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA para que os autos retornem à origem para aguardar a decisão definitiva a ser proferida no PAF nº 11060.002082/200985, sobre a exclusão da Recorrente do SIMPLES e SIMPLES NACIONAL e, somente após o julgamento, retornem a este Colegiado. Do resultado da diligência deve ser dado conhecimento a autuada e concedido prazo para manifestação. É como voto. Sala das Sessões, 17 em de Julho de 2014. Juliana Campos de Carvalho Cruz Relatora. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 26/08/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 24/08/2014 por JULIANA CAMPOS DE CARVALHO CRUZ, Assinado digitalmente em 25/08/2014 por LIEGE LACRO IX THOMASI
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