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Numero do processo: 10980.939979/2011-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 13/06/2003
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA.
Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3301-003.608
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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DENÚNCIA ESPONTÂNEA. Recorrente CIA. DE CIMENTO ITAMBÉ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 13/06/2003 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Recurso Voluntário Provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Tratase de manifestação de inconformidade apresentada em face de despacho decisório que não homologou a compensação do débito declarado pelo contribuinte, sob o fundamento de falta do direito creditório apontado, tendo em vista que constava do sistema da Receita Federal do Brasil a informação de que o referido crédito já havido sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 93 99 79 /2 01 1- 36 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 3 2 O contribuinte alega em sua manifestação que o seu direito creditório decorreria da multa de mora que teria recolhido indevidamente, tendo em vista o pagamento de tributo pago espontaneamente, nos termos do art. 138 do CTN. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 14048.814. Para que melhor se compreenda a conclusão a que chegou a DRJ, transcreve se a seguir parte do voto proferido pelo Relator da decisão recorrida: "O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto n° 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Quanto ao mérito, O débito fora recolhido/compensado em atraso e a manifestante entende que a multa de mora não deve ser aplicada, em virtude de denúncia espontânea a que alude o Código Tributário Nacional CTN, art. 138. Cingese a controvérsia a esse ponto. (...) Logo, a defesa não tem razão quando, invocando o art. 138 do CTN, pretende eximirse do acréscimo da multa moratória, legalmente definida, incidente sobre tributos em atraso na extinção do crédito tributário por meio de compensação. O instituto da denúncia espontânea exclui, tão somente, a responsabilidade por infrações, o que significa afastar as penalidades aplicáveis ao contribuinte infrator que agiu espontaneamente. Contudo, como a multa de mora não tem natureza jurídica de sanção ou penalidade, e sim de indenização pelo atraso no pagamento, não cabe a exclusão de sua exigência nos casos de denúncia espontânea." Inconformado, o contribuinte apresentou tempestivamente recurso voluntário, através do qual repisa os argumentos constantes da sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.445, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10980.939964/201178, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 4 3 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.445): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Como se denota do exposto acima, resta incontroverso nos autos que houve denúncia espontânea por parte do contribuinte. O que se discute, então, é se a denúncia espontânea teria o condão de afastar a exigência da multa de mora ou não. Entendeu a DRJ que não. Defende o contribuinte que sim. Neste ponto, entendo que assiste razão ao contribuinte. Como é cediço, acerca da denúncia espontânea, o art. 138 do Código Tributário Nacional expressamente dispõe: Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medido de fiscalização, relacionados com a infração. Da análise de dito dispositivo legal extraise que há duas condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida: (i) que esta seja acompanhada do pagamento do tributo; (ii) que ela se dê antes do início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização relacionados com a infração. No caso dos presentes autos, constatase que ambas as condições acima dispostas foram observadas pelo contribuinte, visto que a DCTF em que o contribuinte reconheceu o débito em questão foi transmitida em 15/09/2005 e o recolhimento do tributo já havia sido realizado desde 20/05/2004, ou seja, antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte da Receita Federal. Tanto que não houve qualquer argumentação por parte da DRJ no sentido de que a denúncia espontânea não teria ocorrido. Os fundamentos da decisão recorrida concentraramse no fato de que a multa de mora seria devida ainda que configurada a denúncia espontânea. Logo, resta caracterizada de forma inconteste a denúncia espontânea neste caso concreto, inclusive nos moldes da decisão do Superior Tribunal de Justiça abaixo transcrita, submetida ao regime do art. 543C do Código de Processo Civil, cuja aplicação deve ser observada por este Conselho: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 5 4 respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1149022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 09/06/2010, DJe 24/06/2010) (Grifos apostos). Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 6 5 Nesse contexto, ao contrário do que entendeu a DRJ, entendo que a multa de mora deverá ser afastada sempre que identificada a denúncia espontânea, nos moldes do que determina o art. 138 do CTN, a qual restou devidamente configurada no caso concreto ora analisado. Por oportuno não é demais trazer à baila decisão proferida por este Conselho Administrativo Fiscal em 19/01/2016, por meio da qual afasta a imposição de multa de mora em caso de denúncia espontânea: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004, 2005 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA DE MORA. RESTITUIÇÃO. Quando o contribuinte efetua o pagamento do tributo, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, surge o direito de restituição, até o limite dos pagamentos comprovados, pois a multa moratória deve ser excluída pela denúncia espontânea. (Processo n° 10980.010765/200538 Acórdão n° 1201001.269). Com base nos fundamentos acima expostos, entendo que merece reforma a decisão de primeira instância administrativa em sua fundamentação, para fins de reconhecer a necessidade de se afastar a cobrança da multa de mora imposta quando constatada a denúncia espontânea. Ultrapassado este ponto, há de ser analisado, então, o segundo fundamento da decisão recorrida, que assim dispôs: O presente Despacho Denegatório denegou a restituição do IPI porque o alegado recolhimento indevido já tinha sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte. Portanto, independentemente do direito creditório invocado ser líquido e certo, ou não, tal matéria reputase incontroversa, ao teor do disposto no Decreto n° 70.235 (PAF), de 1972, art. 17: Art. 17 Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Em outras palavras, entendeu a DRJ que, ainda que se concluísse pela liquidez e certeza do direito creditório do contribuinte, não haveria como deferir a compensação pleiteada, uma vez que o débito já teria sido utilizado integralmente para quitação de outros débitos do contribuinte, e que este último não teria se insurgido quanto a tal argumento, tornandoo incontroverso. Novamente, discordo da conclusão a que chegou a DRJ. Isso porque, entendo que o contribuinte insurgiuse desde a sua manifestação de inconformidade quanto ao argumento do despacho decisório de que o débito já teria sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte. É o que se infere da passagem a seguir, extraída daquela peça recursal: Nesse contexto, a Recorrente transmitiu o Pedido Eletrônico de Restituição ora em discussão, com a finalidade específica de ter restituída a multa moratória paga por ocasião do recolhimento em atraso do IPI do 2o Decêndio de Julho/1999. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 7 6 Conforme se observa da DCTF anexa (doc. 05), para o referido período a Empresa apurou o imposto devido na ordem de R$ 125.557,13, utilizando para a sua quitação dois DARFs, nas quantias de R$ 91.521,37 e R$ 34.035,76. Especificamente em relação ao segundo DARF, a Contribuinte promoveu o seu recolhimento após o vencimento da obrigação, fazendoo no total de R$ 69.579,30. Esse valor pode ser discriminado da seguinte maneira: Valor do Principal: R$ 34.035,76 Valor da Multa: RS 6.807,15 Valor dos Juros: R$ 28.736,39 Ocorre que, como tal pagamento foi realizado espontaneamente pela Recorrente, a mesma faz jus à devolução da multa dc mora, exatamente o direito creditório pleiteado neste pedido de restituição. In casu, a exclusão da multa de mora com a sua restituição à Contribuinte é mera conseqüência da denúncia espontânea havida com o pagamento do débito antes de qualquer procedimento fiscalizatório e anteriormente à retificação da DCTF para a inclusão do DARF indicado no pedido de restituição. E isso, independentemente do montante declarado em DCTF estar integralmente alocado para a quitação do tributo, na medida em que o "Valor Pago do Débito" corresponde ao valor do tributo apurado, o qual foi devidamente acompanhado dos juros legais exigidos. Ao não observar essas particularidades que circunscrevem à hipótese, o despacho decisório olvidouse da natureza do crédito pleiteado multa decorrente de pagamento espontâneo , bem como do fato de que todos os requisitos exigidos no artigo 138, do Código Tributário Nacional (CTN) foram cumpridos pela Recorrente, impondose o de ferimento da restituição pretendida. De fato, o pagamento do DARF foi realizado em 13/06/2003, sendo que a DCTFRetificadora foi transmitida somente em 15/09/2005, não havendo como se questionar a espontaneidade do recolhimento. Assim sendo, ao indeferir o PER/DCOMP objeto do presente processo, decisório ora recorrido afastouse do melhor entendimento doutrinário e jurisprudencial a respeito da matéria, segundo o qual nenhuma penalidade é devida nos casos de denúncia espontânea. Com efeito, o artigo 138, do CTN, dispensa o pagamento de multa seja ela qual for, em casos de denúncia espontânea apresentada antes do início de qualquer procedimento administrativo. De fato, houve o recolhimento do montante de R$ 69.579,30 para a quitação do débito em questão. Acontece que, conforme esclareceu o contribuinte, o recolhimento deuse com o acréscimo de juros e multa de mora, quando deveria incidir na hipótese apenas os juros, em razão da denúncia espontânea. E o valor do crédito pleiteado (R$ 6.807,15) corresponde com exatidão ao montante da Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10980.939979/201136 Acórdão n.º 3301003.608 S3C3T1 Fl. 8 7 multa de mora paga indevidamente pelo contribuinte, consoante se extrai do DARF anexado aos autos. Sendo assim, diante da denúncia espontânea constatada no caso em epígrafe, entendo que deverá ser reconhecido o direito creditório do contribuinte no importe de R$ 6.807,15, com a consequente homologação da compensação apresentada. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte ao afastamento da multa de mora quando constatada a denúncia espontânea, reconhecer o direito creditório pleiteado e, em consequência, determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo constatouse as condições para que a denúncia espontânea seja reconhecida, sendo que o recolhimento do montante para a quitação do débito em questão foi anterior à retificação da DCTF, e deuse com o acréscimo de juros e multa de mora, quando deveria incidir na hipótese apenas os juros, em razão da denúncia espontânea. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, dou provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte, para fins de, reconhecendo o direito do contribuinte ao afastamento da multa de mora quando constatada a denúncia espontânea, reconhecer o direito creditório pleiteado e, em conseqüência, determinar a homologação da compensação apresentada, no limite do direito creditório reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 71DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10314.002758/96-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 09/01/1995
CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS - EFEITO INFRINGENTE
Contradição endógena aos dispositivos do voto e resultado do julgamento consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento em relação ao fundamento considerado, gera efeito infringente dos dispositivos como consequência lógica ou necessária do saneamento da contradição.
EMBARGOS - OMISSÃO
Reconhece-se a omissão do acórdão embargado. O enchimento do vazio, porém, não gera efeitos infringentes, pois em respeito ao procedimento a ser observado no âmbito do processo administrativo, deveria a 1ª instância de julgamento devolver os autos à unidade de origem para o lançamento de nova penalidade.
MULTA DO IPI.
A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento.
Numero da decisão: 9303-005.056
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, re-ratificando o Acórdão nº 9303-000.856, de 26 de abril de 2010, com efeitos infringentes, para alterar parte do voto, ementa do acórdão da CSRF e resultado do julgamento da CSRF. Declararam-se impedidos de participar do julgamento os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: NANCI GAMA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 09/01/1995 CONTRADIÇÃO NOS FUNDAMENTOS - EFEITO INFRINGENTE Contradição endógena aos dispositivos do voto e resultado do julgamento consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento em relação ao fundamento considerado, gera efeito infringente dos dispositivos como consequência lógica ou necessária do saneamento da contradição. EMBARGOS - OMISSÃO Reconhece-se a omissão do acórdão embargado. O enchimento do vazio, porém, não gera efeitos infringentes, pois em respeito ao procedimento a ser observado no âmbito do processo administrativo, deveria a 1ª instância de julgamento devolver os autos à unidade de origem para o lançamento de nova penalidade. MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento.
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EMBARGOS OMISSÃO Reconhecese a omissão do acórdão embargado. O enchimento do vazio, porém, não gera efeitos infringentes, pois em respeito ao procedimento a ser observado no âmbito do processo administrativo, deveria a 1ª instância de julgamento devolver os autos à unidade de origem para o lançamento de nova penalidade. MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, reratificando o Acórdão nº 9303000.856, de 26 de abril de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 27 58 /9 6- 17 Fl. 720DF CARF MF 2 2010, com efeitos infringentes, para alterar parte do voto, ementa do acórdão da CSRF e resultado do julgamento da CSRF. Declararamse impedidos de participar do julgamento os conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de embargos opostos pelo Conselheiro Carlos Alberto Barreto, ao amparo do art. 65, inciso I, do RICARF, aprovado pela Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão da CSRF nº 9303000.856, por meio do qual se deu, conforme dispositivo da decisão constante da folha do acórdão, provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional para acolher o lançamento, excluindo dele a parte relativa ao IPI, conforme se verifica da sua ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/1995 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. O direito à isenção tributária outorgada com fundamento no art. 1º da Lei nº 8.010/90 é estritamente ligado à utilização dos bens nos fins/finalidades para que foram importados e perece em decorrência do desvio de finalidade dos mesmos, decorrente de sua transferência a terceiros. Exigíveis os tributos incidentes na importação, face ao descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal e Lei nº 8.010/1990. MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento. Recurso Especial do Procurador Provido” Fl. 721DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 721 3 Para melhor compreensão dos pontos destacados pelo embargante, considero a manifestação dada em Despacho pelo ilustre Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho, a qual, peço vênia, para transcrevêla (Grifos meus): “[...] Alega o embargante a existência de contradição visto que a relatora originária concluiu seu voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso, enquanto o resultado consignado no acórdão embargado e na ata da sessão de julgamento foi no sentido de dar provimento integral ao recurso especial fazendário. Alega ainda a existência de omissão, embasado no fato da relatora original ter invocado como fundamento do julgado os mesmos argumentos lançados no acórdão recorrido, deixando de enfrentar as seguintes alegações, que constam do recurso especial: a) a decisão excluiu a multa referente ao IPI, entretanto a matéria foi questionada no recurso voluntário, tratandose de decisão extra petita; b) a ausência de recurso de ofício, que deveria ter sido interposto pela Delegacia de Julgamento. É o resumo do necessário. Consoante noção cediça, os embargos de declaração têm o objetivo de afastar obscuridade, de suprir a omissão ou de eliminar a contradição da decisão proferida. Neste passo só caberá embargos quando uma das hipóteses de cabimento se fizer presente. O professor Bernardo Pimentel trata das hipóteses de cabimento com singular brilhantismo, de sorte que trago seus ensinamentos para elucidar a matéria. Diz o autor, “(...) Consiste a omissão no silêncio do órgão julgador sobre questão ou argumento suscitado pelas partes ou pelo Ministério Público. Também configura omissão a inércia do órgão julgador diante de matéria apreciável de ofício. Padece de obscuridade o pronunciamento jurisdicional que não é claro, inteligível, compreensível. A obscuridade pode ter origem na transmissão das idéias pelo julgador, no momento da redação da decisão. A obscuridade pode estar relacionada a vício formal do pronunciamento jurisdicional, como no caso de superposição de linhas em decisão datilografada ou impressa. Também é possível a ocorrência de obscuridade quando a decisão é manuscrita pelo magistrado, cuja caligrafia produz textos que não são compreensíveis. Já a contradição consiste na incompatibilidade entre proposições constantes do Fl. 722DF CARF MF 4 julgado, que são incoerentes entre si. Realmente, a contradição reside na existência de premissas ou conclusões inconciliáveis na decisão jurisdicional. Portanto, só há contradição interna, ou seja, entre proposições lançadas pelo juiz ou tribunal no bojo da decisão jurisdicional. Após essas breves considerações, retornando aos autos, temos que o embargante alega omissão, em razão da decisão não ter enfrentando a questão suscitada pela Fazenda Nacional quanto à ausência de prequestionamento referente às penalidades, tratando a decisão a quo de matéria não aventada no recurso voluntário. O trecho abaixo, extraído do recurso especial (fls. 648 a 651), confirma as alegações da Fazenda Nacional. Preliminarmente, a exclusão da multa referente ao IPI por suposta alteração do enquadramento legal quando do julgamento do recurso voluntário não foi matéria prequestionada ou mesmo pleiteada pela ora recorrida. Isso demonstra que a empresa, quando de seu recurso voluntário, satisfezse com este tópico do julgamento do auto de infração pela DRJ/SP, que, POR SINAL, JA REDUZIRA A MULTA SUBSTANCIALMENTE. Aliás, tal redução haveria de ter sido objeto de recurso de oficio, o qual não foi examinado por este C. Conselho, o que, com a máxima vênia, nulifica o acórdão arcabuzeado. Destarte, a parte interessada não recorreu deste tópico, aliás, favorável ela e deletério à União, sem que a alteração in bonam parte tenha sido objeto de recurso, o que torna preclusa a queixa, por um lado, e torna nulo o julgamento pela E. 2a Câmara do 3° Conselho. Comprovada as alegações do recurso especial e considerando que o acórdão embargado não enfrentou a matéria, comprovase a omissão. Quanto a segunda omissão que trata do recurso de ofício, o trecho citado alhures deixa cristalino o questionamento apresentado no recurso especial, o que também comprova a omissão para esta matéria. Por fim, quanto a existência de contradição no acórdão ao decidir com fundamento no voto da relatora original, prolatado na turma a quo, também nesta matéria assiste razão ao embargante, pois, basta verificar que a decisão constante da folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento decidiu por dar provimento integral ao recurso da fazenda e a conclusão do acórdão embargado foi no sentido de dar provimento parcial ao recurso, demonstrando que a relatora original não manteve a mesma posição do julgamento a quo, visto que naquele julgamento em que era presidente da Fl. 723DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 722 5 turma votou por exonerar integralmente as penalidades e a decisão do especial fazendário, foi no sentido de reforma parcial desta decisão. Assim, por obvio existe a contradição entre a conclusão do voto e a decisão constante da folha de rosto e da ata da sessão de julgamento. Portanto, Senhor Presidente, diante da confirmação das omissões e contradição na decisão embargada, opino no sentido de que Vossa Senhoria dê seguimento aos embargos de declaração nos termos do art. 65 do RICARF. Gilson Macedo Rosenburg Filho Relator designado Para melhor elucidar a contradição e a omissão, apresento também sinteticamente o histórico do processo a partir do Acórdão da DRJ/SPO II nº 03.115: · Após a apresentação da impugnação pelo sujeito passivo, a DRJ apreciou as questões postas, tendo decidido pelo cancelamento do lançamento de II dos bens que estavam suportados por comprovação adequada de sua utilização para a fruição da isenção do r. imposto, mantendo o lançamento para os demais bens, bem como pela aplicação, em relação ao II, da multa de ofício de 75%, em respeito à retroatividade benigna e pelo afastamento da multa qualificada, aplicando a multa de 75% por falta de recolhimento de IPI. Ademais, referendou a aplicação dos juros de mora incidente sobre os débitos tributários, em acórdão com a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 09/01/1995 Ementa: IMUNIDADE. INTERGOVERNABILIDADE RECIPROCA.BENS DESTINADOS A PESQUISA CIENTIFICA. No desvio de finalidade dos bens importados e despachados sem pagamento dos impostos, com fundamento no art. 1º da Lei n° 8.010/90, ocorrendo a transferência de bens a terceiros, tornamse exigíveis os tributos incidentes na importação, cm razão do descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea "a" da Fl. 724DF CARF MF 6 Constituição Federal (ADI SRF n° 20/2002) e Lei n° 8.010/90. PENALIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. II Caracterizada a falta de recolhimento dos tributos devidos ocorre a aplicação do art. 4°, inciso I, da Lei n°8.218/91, com a redação do art. 44, inciso I da Lei N° 9.430/96, sob o amparo do art. 106, inciso II, letra "c" da Lei n° 5.172/66 CTN. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. IPI Descaracterizada a infração qualificada, não comprovada no processo, mas ocorrendo a falta de recolhimento do IPI, é cabível a multa do art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64 (art.364, inciso II do RIPI Decreto n° 87.981/82), com a aplicação mais benéfica do art. 461, inciso I do Decreto n° 2.637/ 98, e art.45 da Lei n° 9.430/96 (nova redação do art. 80, I, Lei n° 4.502/64), sob o amparo do art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/66 CTN. Lançamento Procedente em Parte” · Cientificado do acórdão da DRJ, o contribuinte apresentou tempestivamente Recurso Voluntário trazendo que o acórdão de 1ª instância mereceria reforma: (i) já que a Universidade Federal de São Paulo possui convênios com outras entidades hospitalares e que, portanto, há exoneração do crédito tributário lançado com relação aos bens isentos aplicados na atividade de ensino e pesquisa, mediante convênio com outras entidades da rede hospitalar, havendo, inclusive o CNPq declarado que, com relação a esses bens, não houve desvio de aplicação; (ii) pois incabível e inconstitucional a utilização da taxa Selic no cálculo dos juros de crédito tributário; · Enviados os autos ao Conselho, foram analisados pela 2ª Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes, que acordou, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso em relação aos tributos, e pelo voto de qualidade, dar provimento parcial para excluir a penalidade, com a seguinte ementa: Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 723 7 “ISENÇÃO TRIBUTARIA O direito à isenção tributária outorgada com fundamento no art. 1° da Lei n° 8.010/90 é estritamente ligado à utilização dos bens nos fins/finalidades para que foram importados e perece em decorrência do desvio de finalidade dos mesmos, decorrente de sua transferência a terceiros. Exigíveis os tributos incidentes na importação, face ao descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea "a", da Constituição Federal e Lei IV 8.010/1990. JUROS DE MORA CALCULADOS À TAXA SELIC A Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, estatuiu modo diverso para o cálculo dos juros moratórios, o que foi expressamente permitido pelo parágrafo 1° do artigo 161 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966). RECURSO PARCIALMENTE PROVIDO.” Vêse que, quanto à exclusão da penalidade, prosperou o entendimento descrito no voto vencedor do acórdão, o qual, peço licença para transcrevêlo parcialmente: “No tocante às penalidades, verificase que relativamente ao Imposto de Importação a decisão recorrida, sob o argumento da retroatividade mais benigna, reduziu o seu percentual de 100% para 75% e, no tocante ao Imposto sobre Produtos Industrializados (multa qualificada), sob o mesmo argumento, reduziu o seu percentual de 300% para 75% (multa de oficio), conforme excerto da ementa abaixo transcrita: PENALIDADE. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. II Caracterizada a falta de recolhimento dos tributos devidos ocorre a aplicação do art. 4°, inciso I, da Lei n°8.218/91, com a redação do art. 44, inciso I da Lei N° 9.430/96, sob o amparo do art. 106, inciso II, letra "c" da Lei n°5.172/66 CTN. MULTA QUALIFICADA. RETROATIVIDADE DA LEI MAIS BENIGNA. IPI Descaracterizada a infração qualificada, não comprovada no processo, mas ocorrendo a falta de recolhimento do IPI, é Fl. 726DF CARF MF 8 cabível a multa do art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502/64 (art.364, inciso II do RIPI Decreto n°87.981/82), com a aplicação mais benéfica do art. 461, inciso I do Decreto n° 2.637/ 98, e art.45 da Lei n° 9.430/96 (nova redação do art. 80, I, Lei le 4.502/64), sob o amparo do art. 106, II, "c" da Lei n° 5.172/66 CTN. Destarte, permitome divergir da ilustre conselheira relatora quanto a manutenção da "redução" da multa qualificada, eis que ao meu ver, ao contrário do primeiro caso (multa de oficio do Imposto de Importação), houve alteração do enquadramento legal originariamente feito no lançamento. Com efeito, a multa qualificada foi lançada com base no art. 32, da Lei 8.218/91, que alterou o inciso III, da Lei 4.502/64, e isso em consonância com os ditames do inciso IV, do art. 10 do Decreto 70.235/72 (a disposição legal infringida e a penalidade aplicável). Portanto, a decisão recorrida ao descaracterizar a infração qualificada, porque não houve a comprovação de fraude, cancelou tal exigência. Todavia, a imputar à recorrente a multa de oficio (pela falta de recolhimento do imposto), que possui outra disposição legal, extrapolou a sua função de autoridade julgadora, passando, assim, a praticar ato privativo da autoridade preparadora. Em suma, a autoridade julgadora, ao arrepio da lei, alterou a disposição legal infringida e a penalidade aplicável, porque "lançou" uma multa que não constava da autuação. [...] Esclareço que no caso da redução da multa de oficio do Imposto de Importação não houve a alteração da disposição legal, nem da penalidade. Neste caso, o que ocorreu foi apenas a redução do percentual da mesma disposição legal, alterada por lei. No caso do IPI ocorreu a desclassificação do inciso III para o inciso I do art. 80 da Lei 4.502/64, que estabelecem penalidades distintas. Em síntese, a autoridade julgadora retirou uma multa e cominou outra. Esclareço, ademais, que a autoridade julgadora pode valorar a pena, todavia, quando a lei permite e esta prevê aplicação de pena mínima e pena máxima, o que evidentemente não é o caso, comum, em casos contrários ao que acontece neste processo, a autoridade julgadora Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 724 9 entender que efetivamente restou comprovado fraude ou sonegação, e determinar o agravamento da exigência. Mas o agravamento é procedido pela autoridade preparadora que lavra (outro) auto de infração complementar oferecendo ao contribuinte todas as garantias processuais previstas no PAF. Ou seja, a autoridade julgadora, neste caso, não lança, simplesmente determina que se faça o lançamento (por quem de direito). Portanto, no caso de aplicação de multas que envolvam o intuito doloso, entendo que a fiscalização ao fazer o lançamento deve estar munida de prova inequívoca, pois o direito é prova. Na dúvida quanto as provas, ou diante de meros indícios, a prudência recomenda a aplicação da penalidade por falta de pagamento. Ante o exposto, peço venha, para dar provimento parcial ao apelo da recorrente para excluir da autuação a penalidade relativa ao IPI. [...]” Irresignada com a decisão proferida em Acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, a Fazenda Nacional apresentou Recurso Especial, trazendo que: · A exclusão da multa referente ao IPI por suposta alteração do enquadramento legal quando do julgamento do recurso voluntário não foi matéria prequestionada ou mesmo pleiteada pela ora recorrida; · A empresa, quando de seu recurso voluntário, satisfezse com este tópico do julgamento do auto de infração pela DRJ/SP e que tal redução haveria de ter sido objeto de recurso de oficio, o qual não foi examinado por este Conselho, o que, nulificaria o acórdão; · O fundamento (não necessariamente o enquadramento) da multa abrandada é semelhante, apenas abstraindo o dolo, mas igualmente se fulcra no descumprimento de regra relativa ao IPI; · O votovencedor teoriza como se a imposição de multa fosse instituto estranho ao debate e contrário à lei, o que não é o caso; · Após discorrer acerca da necessidade da autoridade fiscal proceder ao lançamento de nova multa, o acórdão não determina a providência que Fl. 728DF CARF MF 10 ele mesmo recomenda, ou seja, a baixa dos autos para a imposição da multa abrandada. Em despacho de folha 668 a 670, foi admitido o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, pela Presidente da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes em exercício à época, por ser tempestivo e, quanto à contrariedade à lei tributária, tendo em vista a decisão ter sido prolatada pelo voto de qualidade. Considerando a interposição do Recurso Especial, o sujeito passivo apresentou Contrarrazões, manifestando que: (i) o recurso da Fazenda Nacional não deveria nem mesmo ter sido recebido por este Conselho, porque, embora tenha sido proferida decisão não unânime no caso presente, não houve contrariedade a lei ou à evidência de provas; (ii) a Fazenda Nacional pretende a reforma da r. decisão, para que seja aplicada a multa de oficio de 75% por falta de pagamento do IPI, penalidade esta não foi prevista no auto de infração; (iii) jamais a autoridade julgadora poderia ter aplicado a multa de oficio prevista no art. 80, I da Lei 4.502/1964, que frisese, não foi mencionada no auto de infração em discussão, em prol da multa qualificada do art. 80, III da Lei 4.502/1981; Em abril de 2010, o Recurso Especial foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, sendo formalizado acórdão por redator ad hoc, com a seguinte ementa (Grifos meus): “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/1995 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. O direito à isenção tributária outorgada com fundamento no art. 1º da Lei nº 8.010/90 é estritamente ligado à utilização dos bens nos fins/finalidades para que foram importados e perece em decorrência do desvio de finalidade dos mesmos, decorrente de sua transferência a terceiros. Exigíveis os tributos incidentes na importação, face ao descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal e Lei nº 8.010/1990. MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento. Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 725 11 Recurso Especial do Procurador Provido” Ademais, transcrevo o voto do redator designado: “Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional e contrarrazões da contribuinte, ambos em boa forma. Por economia, considerando que esta Conselheira é parte do colegiado que julgou a matéria na instância a quo e não mudou de posição, adoto integralmente o acórdão 30237.247, decidido em 24 de janeiro de 2006, fls. 629 a 646, que leio em plenário. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional, para acolher o lançamento, excluindo dele a parte relativa ao IPI, nos termos do voto vencedor do relator designado." Com esse voto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim” É o relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Conheço dos embargos interpostos pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais, pois tempestivos e considerando que, conforme relatado e depreendendose da análise dos autos, constatouse nos presentes autos evidente contradição, vez que a conclusão do voto, bem como da ementa está dissonante com o resultado consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento. Em relação à omissão trazida nos embargos apresentados, sob a alegação de que a relatora originária invocou como fundamento do julgado os Fl. 730DF CARF MF 12 mesmos argumentos lançados no acórdão recorrido, deixando de enfrentar as alegações de nulidade trazidas no recurso especial da Fazenda, quais sejam: (i) que a decisão no sentido de excluir a multa referente ao IPI não foi matéria questionada no recurso voluntário; (ii) que a DRJ reduziu substancialmente a multa de ofício, mas tal exoneração deveria ter sido objeto de recurso de ofício e não tendo o acórdão recorrido analisado o recurso de ofício, deve ser declarada sua nulidade; (iii) que o acórdão recorrido é ilegal, pois entende não ser possível a substituição da a penalidade aplicada por outra mais branda, mas deixa de adotar a providência que o colegiado entende cabível, qual seja, a devolução dos autos à unidade de origem para o lançamento da penalidade que entende cabível, conheço da omissão, considerado a íntegra do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Sendo assim, entendo que os embargos interpostos devem ser admitidos, na forma do art. 65, Anexo I, do RICARF/2015 (Portaria 343/15): “Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. [...]” Não obstante ao conhecimento dos embargos propostos, a priori, importante trazer que o Acórdão nº 9303000.856 resultante da sessão de julgamento de 26 de abril de 2010 da Câmara Superior de Recursos Fiscais causa estranheza em rápida análise, pois traz em sua ementa, entre outros, que, em relação à multa do IPI, que a mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacias de Julgamento. Eis que nessa parte, a ementa aflorada está em conformidade com o voto vencedor prolatado pelo Conselheiro Luis Antonio Flora constante do acórdão recorrido (Acórdão 30237.247) pela Fazenda Nacional. Para melhor elucidar, trago parte de seu voto (Grifos meus): “Portanto, a decisão recorrida ao descaracterizar a infração qualificada, porque não houve a comprovação de fraude, cancelou tal exigência. Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 726 13 Todavia, a imputar à recorrente a multa de oficio (pela falta de recolhimento do imposto), que possui outra disposição legal, extrapolou a sua função de autoridade julgadora, passando, assim, a praticar ato privativo da autoridade preparadora. O que, analisando somente a ementa, poderíamos já entender que, em verdade, o que ocorreu na sessão de julgamento da Câmara Superior de Recursos Fiscais foi o acolhimento do fundamento expressado no Acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, com a negativa do provimento interposto pela Fazenda Nacional. Continuando a análise, remetendome ao voto do redator designado para formalizar a decisão acordada na Câmara Superior de Recursos Fiscais, vêse claro que o redator adotou a integralidade do acórdão 3023.247, pois a conselheira original relatora desse processo não havia mudado de posição em relação ao julgado na 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, quando participava como presidente de turma. Nesse julgamento da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, recordo que a relatora original do Acórdão nº 9303000.856 da Câmara Superior de Recursos Fiscais, presidia a sessão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes e naquele julgamento havia dado o voto de qualidade para se excluir a multa por falta de recolhimento do IPI, nos termos do voto vencedor redigido pelo Conselheiro Luis Antonio Flora. Tal informação é de suma importância para o elucidar da dúvida. Eis que, no voto do redator designado por formalizar o acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, considerando que a relatora original não mais nos presenteava com sua presença no CARF, consta (Grifos meus): “Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional e contrarrazões da contribuinte, ambos em boa forma. Fl. 732DF CARF MF 14 Por economia, considerando que esta Conselheira é parte do colegiado que julgou a matéria na instância a quo e não mudou de posição, adoto integralmente o acórdão 30237.247, decidido em 24 de janeiro de 2006, fls. 629 a 646, que leio em plenário. Assim sendo, voto por dar provimento parcial ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional, para acolher o lançamento, excluindo dele a parte relativa ao IPI, nos termos do voto vencedor do relator designado." Com esse voto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais deu provimento ao especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Antonio Carlos Atulim” Nos termos do voto do Acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais, notase que, em verdade, o que o redator ad hoc designado quis expor é de que o Colegiado da CSRF havia acordado em manter a exclusão da multa pela falta de recolhimento do IPI, NOS TERMOS DO VOTO VENCEDOR DO RELATOR DESIGNADO NO ÂMBITO DO JULGAMENTO DA 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes, pois não poderseia alterar o enquadramento legal na 1ª instância administrativa (DRJ). Assevero que essa decisão da CSRF também se encontra em conformidade com o descrito na ementa do acórdão daquele Colegiado, conforme transcrito novamente: “[...] MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento.” Importante também trazer que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não trouxe à baila a discussão acerca da isenção tributária do Imposto de Importação, mas somente da exigência da multa do IPI com enquadramento inovado pela DRJ – já que havia sido acordado na 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes que o Imposto de Importação eram exigíveis face ao descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea “a, da CF/88 e Lei 8.010/90. O que, por conseguinte, é de se considerar a impossibilidade de a CSRF ter apreciado outra questão, além da multa. Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 727 15 Vejo, dessa forma, que o redator ad hoc designado para elaborar o acórdão da CSRF se equivocou ao trazer na ementa desse acórdão menção à exigência desse Imposto de Importação, conforme esposado abaixo: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Data do fato gerador: 09/01/1995 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. O direito à isenção tributária outorgada com fundamento no art. 1º da Lei nº 8.010/90 é estritamente ligado à utilização dos bens nos fins/finalidades para que foram importados e perece em decorrência do desvio de finalidade dos mesmos, decorrente de sua transferência a terceiros. Exigíveis os tributos incidentes na importação, face ao descumprimento do art. 150, inciso VI, alínea “a”, da Constituição Federal e Lei nº 8.010/1990 [...]” Depreendendose da análise dos autos, constatase que o redator ad hoc designado havia reproduzido sem modificações a ementa do acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Portanto, evidente o equívoco já que tal matéria nem havia sido objeto do Recurso Especial interposto pela Fazenda. Em vista de todo o exposto, resta claro a ocorrência de erro material no: · Voto, quando o redator designado para redigir o acórdão da CSRF mencionou em seu voto “voto por dar provimento parcial ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional”, quando o correto seria “voto por negar provimento ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional”, já que esclareceu em seus fundamentos que a decisão se direcionou pela exclusão do lançamento na parte relativa ao IPI – que seria por evidente da multa por falta de recolhimento do IPI (multa relativa ao IPI), além de ter adotado o entendimento do redator designado para elaborar o voto vencedor no julgamento realizado na 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes; · Resultado do julgamento da CSRF consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento, que traz Fl. 734DF CARF MF 16 que foi dado provimento ao recurso especial da fazenda, pois contraria indubitavelmente: ü parte da ementa transcrita no acórdão da CSRF: “[...] MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento” ü O voto e o fundamento considerado pelo redator designado quando traz que: (i) a relatora original não alterou o seu posicionamento quanto a exclusão da multa por falta de recolhimento do IPI; (ii) devese excluir do lançamento a parte relativa ao IPI – lembrando que a única “parte” contestada do IPI é aquela que trata da multa em questão. A respeito do tema, Nelson Nery Junior ensina: "Os EDcl podem ter, excepcionalmente, caráter infringente quando utilizados para: a) correção de erro material manifesto; b) suprimento de omissão; c) extirpação de contradição. A infringência do julgado pode ser apenas a consequência do provimento dos EDcl, mas não seu pedido principal, pois isso caracterizaria pedido de reconsideração, finalidade estranha aos EDcl". Continuando, quanto às alegações de omissão trazidas nos embargos apresentados, quais sejam: · De que a relatora originária invocou como fundamento do julgado os mesmos argumentos lançados no acórdão recorrido, deixando de enfrentar as alegações de nulidade trazidas no recurso especial da Fazenda; · De que a decisão no sentido de excluir a multa referente ao IPI não foi matéria questionada no recurso voluntário; · De que a DRJ reduziu substancialmente a multa de ofício, mas tal exoneração deveria ter sido objeto de recurso de ofício e não tendo o acórdão recorrido analisado o recurso de ofício, deve ser declarada sua nulidade; Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 728 17 · De que o acórdão recorrido é ilegal, pois entende não ser possível a substituição da penalidade aplicada por outra mais branda, e que deixa de adotar a providência que o colegiado entende cabível, qual seja, a devolução dos autos à unidade de origem para o lançamento da penalidade que entende cabível. Importante trazer que: · O redator ad hoc para negar provimento ao recurso especial da fazenda fundamentou seu voto, por economia, adotando os fundamentos do voto vencedor proferido no acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes – o que parece razoável já que a conselheira original relatora já havia se pronunciado sobre a matéria no processo e não havia alterado a sua posição; · Que não houve interposição de recurso de ofício quando da decisão da DRJ, por ser o crédito tributário exonerado inferior ao limite de alçada previsto no art. 34 do Decreto n° 70.235/72, e estabelecido pela Portaria MF n° 375 de 7 de dezembro de 2001 – conforme também demonstrado na Folha 607; · A decisão da DRJ de se imputar a multa por falta de recolhimento IPI não foi objeto de lançamento pela autoridade fazendária, o que também fica transparente no voto do acórdão da Delegacia (Grifos meus): “[...] Ocorre que, em nenhum momento do processo, o AFRF autuante se manifestou expressamente na identificação daquelas figuras (sonegação, fraude ou conluio) no caso concreto, como também não especificou qual a qualificação para o agravamento da penalidade aplicada. Assim, pela ausência na autuação da indicação do fato qualificador da infração, o que inclusive evidencia o Fl. 736DF CARF MF 18 cerceamento do direito de defesa do contribuinte, contrariando comando da Constituição Federal (art. 5°, inciso LV), parecenos cabível a aplicação da multa prevista no art. 364, inciso ll do RIPI(Decreto n°87.981/82, vigente à época), com a redação do novo RIPI —Decreto n° 2.637/98, art. 461, inciso I, que tem como matrizlegal o art. 80, inciso I, da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964. Estaríamos diante do direito intertemporal, isto é, a lei incidindo sobre o fato que, concretizando sua hipótese de incidência, acontece durante o tempo em que é vigente.[...]” Dessa forma, é de hialina clareza que, nessa parte, houve excesso pela DRJ, quando imputou novo enquadramento – com multa de natureza diversa daquele que foi objeto do lançamento. Eis que afastou a multa qualificada por falta de requisitos (sonegação, fraude e conluio) para aplicar a multa por falta de recolhimento do IPI. O que, caso houvesse realmente tal pretensão, em respeito ao procedimento a ser observado no âmbito do processo administrativo, deveria essa autoridade devolver os autos à unidade de origem para o lançamento dessa nova penalidade. Em análise dos autos, infiro também que tal mudança de enquadramento com imputação de multa diversa pode ter causado confusão ao sujeito passivo, cerceando sua defesa, já que não estava contemplado em seu controle de contingências, a imputação dessa multa e na ementa do acórdão da DRJ constava no início da ementa menção à multa qualificada e em seu teor: “Descaracterizada a infração qualificada, não comprovada no processo [...]” O que, a meu sentir, já se justificativa a atitude de o sujeito passivo não ter trazido essa nova matéria (multa com novo enquadramento) em seu recurso voluntário. Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10314.002758/9617 Acórdão n.º 9303005.056 CSRFT3 Fl. 729 19 Sendo assim, ainda que conheça a existência de omissão incidental, vêse que o enchimento do vazio não provocaria efeitos modificativos. Em vista de todo o exposto, dou provimento aos embargos, com efeitos infringentes, para alterar: · Parte do voto, que passa a ser o seguinte (as alterações estão grifadas): “Conselheiro Antonio Carlos Atulim, Redator ad hoc Aprecio o Recurso interposto em nome da Fazenda Nacional e contrarrazões da contribuinte, ambos em boa forma. Por economia, considerando que esta Conselheira é parte do colegiado que julgou a matéria na instância a quo e não mudou de posição, adoto integralmente o acórdão 30237.247, decidido em 24 de janeiro de 2006, fls. 629 a 646, que leio em plenário. Assim sendo, voto por negar provimento ao recurso interposto em nome da Fazenda Nacional, mantendo a exclusão da multa por falta de recolhimento do IPI, nos termos do voto vencedor do relator designado naquele acórdão da 2ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes. Com esse voto, a Câmara Superior de Recursos Fiscais negou provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional Antonio Carlos Atulim” · Ementa do acórdão da CSRF, passando a mencionar somente a parte referente à multa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 09/01/1995 MULTA DO IPI. A mudança de enquadramento legal só se permite ao órgão preparador, vedada às Delegacia de Julgamento.” Fl. 738DF CARF MF 20 · Resultado do julgamento da CSRF consignado na folha de rosto do acórdão e da ata da sessão de julgamento, passando a constar (as alterações estão grifadas): “Recurso Especial do Procurador Negado” “Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso especial.” É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 739DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.907931/2012-47
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.826
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.825, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 31 /2 01 2- 47 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10875.907931/201247 Acórdão n.º 9303004.826 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10875.907931/201247 Acórdão n.º 9303004.826 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10875.907931/201247 Acórdão n.º 9303004.826 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 181DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13839.903363/2011-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.004
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente AUTO R COMERCIAL LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 9. 90 33 63 /2 01 1- 59 Fl. 89DF CARF MF Processo nº 13839.903363/201159 Acórdão n.º 3302004.004 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.531. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 90DF CARF MF Processo nº 13839.903363/201159 Acórdão n.º 3302004.004 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 13839.903363/201159 Acórdão n.º 3302004.004 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 92DF CARF MF Processo nº 13839.903363/201159 Acórdão n.º 3302004.004 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 93DF CARF MF Processo nº 13839.903363/201159 Acórdão n.º 3302004.004 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 94DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.910825/2009-42
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/12/2003
COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO.
Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento.
Recurso Especial do Contribuinte Provido.
Numero da decisão: 9303-004.848
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 15/12/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificando-a; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
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APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. Recorrente CALÇADOS Q SONHO LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 COMPENSAÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. Compete ao interessado, em manifestação de inconformidade contra despacho decisório que indefira compensação declarada por compatibilidade entre a DCTF e o valor recolhido, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Satisfeitos tais requisitos, não se pode continuar a negar o direito pela simples inexistência de indébito apurada entre a DCTF original e o recolhimento. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento com retorno dos autos à turma a quo para análise do mérito, vencido o conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas (Relator), que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 91 08 25 /2 00 9- 42 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 11065.910825/200942 Acórdão n.º 9303004.848 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência, tempestivo, interposto pelo sujeito passivo, ao amparo do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 3803002.142, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/12/2003 PRECLUSÃO É ilícito inovar na postulação recursal para incluir questões diversas daquelas que foram originariamente deduzidas quando da reclamação junto à instância a quo. Inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 15/12/2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. A matéria de fundo trazida nos autos referese ao não reconhecimento de compensação de créditos de Cofins tendo em vista a utilização integral do crédito indicado na Declaração de Compensação (Dcomp) em amortização de outros débitos, devidamente declarado pelo contribuinte em DCTF. Em sua manifestação de inconformidade, o sujeito passivo alegou (a) erro nos valores informados nas declarações fiscais, tendo procedido, em 2005, a revisão dos créditos tributários dos anos anteriores; (b) que apresentou DCTF retificadora corrigindo o erro, na qual consta o valor correto da contribuição apurada no período em questão; (c) que o não reconhecimento do direito creditório foi acarretado pelo sistema eletrônico da Receita Federal do Brasil, no qual qualquer defeito de informação gera automaticamente um despacho decisório de denegação de crédito. Em seu recurso voluntário, o sujeito passivo alegou que seus créditos eram provenientes de revisão de seus débitos tributários, especialmente pela exclusão das receitas financeiras anteriormente tributadas, retificando posteriormente a DCTF. Apresentou novos documentos para comprovar o alegado. Alegou a possibilidade de retificação da DCTF, invocando o princípio da verdade material, pugnando por seu direito ao crédito pretendido. O e. Colegiado a quo negou provimento ao recurso voluntário, inadmitindo a apreciação das provas trazidas após a manifestação de inconformidade, por não atender aos requisitos do § 4º, do art. 16, do Decreto nº 70.235/72. A referida decisão sofreu embargos de declaração no qual o contribuinte questiona a necessidade de o Colegiado considerar as provas trazidas com o recurso voluntário. Contudo, os embargos não foram acolhidos, de sorte que a decisão embargada não sofreu qualquer alteração. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 11065.910825/200942 Acórdão n.º 9303004.848 CSRFT3 Fl. 4 3 O sujeito passivo interpôs Recurso Especial de divergência alegando dissídio jurisprudencial acerca da possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão). O Recurso Especial do sujeito passivo foi integralmente admitido, conforme despacho de admissibilidade do Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.838, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 11065.108212/200964, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Ressaltese que a decisão do paradigma foi, no mérito, contrária ao meu entendimento pessoal, pois fui vencido na votação quanto à preclusão do direito de apresentar provas. Todavia, ao presente processo deve ser aplicada a posição vencedora, conforme consta da ata da sessão do julgamento. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303004.838): Da Admissibilidade "O recurso interposto pelo sujeito passivo é tempestivo, e foi admitido pelo Presidente da 3ª Câmara da 3ª Seção do CARF. A divergência suscitada pela recorrente diz respeito à possibilidade de a Turma de Julgamento do CARF apreciar prova material trazida em sede de recurso voluntário (preclusão), apresentando acórdãos paradigmas para comprovar o alegado dissídio jurisprudencial. Os acórdãos recorrido e paradigmas tratam da possibilidade de juntada de prova material com o recurso voluntário. A decisão recorrida não admitiu as provas trazidas pela recorrente, por não atender aos requisitos do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. No entanto, as decisões paradigmas admitem as provas mesmo não atendendo aos requisitos do citado dispositivo legal. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 11065.910825/200942 Acórdão n.º 9303004.848 CSRFT3 Fl. 5 4 Ainda que o acórdão recorrido tenha se referido a questões de inovação nos argumentos de defesa, constatase que a turma julgadora expressamente apreciou a possibilidade da recorrente em produzir prova documental posteriormente à Manifestação de Inconformidade. Diante da comprovação do dissídio jurisprudencial alegado e atendido os demais requisitos de admissibilidade, conheço do recurso." Do Mérito "Honroume o Presidente com a atribuição de apresentar as razões do colegiado para não concordar com o seu bem fundamentado voto. E, em verdade, para mim e os demais conselheiros fazendários, elas se resumem a uma só. É que partilhamos integralmente o entendimento do dr. Rodrigo quanto à impossibilidade de se banalizar o princípio da verdade material a ponto de permitir que o sujeito passivo simplesmente escolha o momento que mais lhe aprouver par a apresentação das provas de seu direito. Quanto a isso, ao menos entre os fazendários, não há divergência. Ocorre que a nós nos pareceu ser este mais um daqueles casos em que não ocorreu uma mera procrastinação desmotivada de apresentação de documentos. Com efeito, e assim está relatado pelo dr. Rodrigo, o recorrente tentou, desde sua manifestação de inconformidade, fazer a prova do indébito alegado em Dcomp. E isso porque o indébito não nasce da mera divergência entre o que foi declarado e o que foi recolhido, mas entre este último e o valor devido segundo a legislação. Cabe, pois, ao postulante a restituição, já na manifestação de inconformidade, primeiro, mostrar que a DCTF original estava mesmo errada, retificandoa; segundo, apontar a motivação jurídica dessa retificação; terceiro, juntar documentos que embasem tal alegação. Feito isso, acredito, não pode a Administração meramente indeferir a restituição porque a retificação tenha sido feita a destempo. Nessa linha, temos também reiterado que a prova inicial a ser produzida quando da manifestação de inconformidade não pode se resumir a meras alegações, ou, ainda pior, tãosomente à retificação da DCTF, mesmo tendo sido esta a única razão constante do despacho decisório, e nem mesmo à simples apresentação de planilhas de elaboração do próprio interessado desacompanhadas de assentamentos contábeis que as confirmem. No presente caso, entretanto, e assim nos diz o próprio relator, "... Acompanhando sua Manifestação de Inconformidade, a recorrente apresentou assentamentos contábeis referentes à compensação," os quais, no entanto, não foram considerados suficientes pela autoridade julgadora de primeiro grau. Denegado, ainda assim, o direito, complementouas, por ocasião do recurso voluntário, a partir do que fora dito na decisão de piso. Nesses termos, os documentos posteriormente juntados não são meramente aqueles que, sabidamente, o postulante já deveria ter apresentado em sua manifestação de inconformidade e que, por desídia ou máfé, deixou de juntar no momento próprio. Fl. 186DF CARF MF Processo nº 11065.910825/200942 Acórdão n.º 9303004.848 CSRFT3 Fl. 6 5 Com tais considerações, entendeu o colegiado não se tratar da mera apresentação extemporânea e desmotivada de documentos que já deveriam ter sido apresentados no prazo da primeira defesa administrativa e deu provimento ao recurso do sujeito passivo para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, conheço do recurso especial do contribuinte e, no mérito, doulhe provimento, para que os autos retornem à instância a quo a fim de serem examinados os documentos que supostamente comprovam o direito alegado. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 187DF CARF MF
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Numero do processo: 11128.729812/2013-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 30 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE.
A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 20/10/2008
MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração.
2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração.
AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE.
O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 20/10/2008
INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE.
A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.058
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea e do inciso IV do artigo 107 do Decreto-lei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. SISCOMEX CARGA. REGISTRO EXTEMPORÂNEO DOS DADOS DA CARGA. IMPOSIÇÃO DA MULTA. POSSIBILIDADE. A prestação de informação a destempo sobre a carga transportada no Siscomex Carga configura a infração regulamentar definida na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, sancionada com a multa regulamentar fixada no referido preceito legal. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/10/2008 MULTA REGULAMENTAR. INFRAÇÃO ADUANEIRA. PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO EXTEMPORÂNEA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. 1. O instituto da denúncia espontânea é incompatível com o descumprimento extemporâneo de obrigação acessória concernente à prestação de informação ou entrega de documentos à administração aduaneira, uma vez que tal fato configura a própria infração. 2. A multa por atraso na prestação de informação, no Siscomex, sobre dados de embarque de mercadoria exportada não é passível de denúncia espontânea, porque o fato infringente consiste na própria denúncia da infração. AGENTE DE CARGA. INOBSERVÂNCIA DO PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÃO. RESPONSABILIDADE PELA MULTA APLICADA. POSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 98 12 /2 01 3- 43 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 3 2 O agente de carga, na condição de representante do transportador e a este equiparado para fins de cumprimento da obrigação de prestar informação sobre a carga transportada no Siscomex Carga, tem legitimidade passiva para responder pela multa aplicada por infração por atraso na prestação de informação sobre a carga transportada por ele cometida. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/10/2008 INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA. ALEGAÇÃO DE PROBLEMA NO ACESSO AO SISTEMA DE REGISTRO. AUSÊNCIA DE PROVAS. AFASTAMENTO DA PENALIDADE. IMPOSSIBILIDADE. A mera alegação de que o atraso na prestação de informação sobre veículo, operação ou carga foi motivado por impossibilidade de acesso sistema (Siscomex Carga), desprovida comprovação do fato, segundo as regras de contingência estabelecidas, não configura condição suficiente para afastar a aplicação da multa cominada. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de processo referente à exigência de multa pelo descumprimento da obrigação de prestar informação sobre veículo, operação realizada ou carga transportada, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Nos termos do relatado no acórdão recorrido, de acordo com a descrição dos fatos constante no Auto de Infração, a autuada concluiu a destempo a desconsolidação das cargas relativas ao conhecimento eletrônico (CE) genérico ali identificado (MasterHouse Bill of LadingMHBL), em razão de ter informado com atraso o CE agregado (House Bill of LadingHBL) especificado. Para demonstrar a irregularidade apurada, a autoridade lançadora também apresentou dados referentes à embarcação, viagem, escala, data da atracação, manifesto eletrônico relativos à carga cujo atraso na informação deu ensejo ao lançamento. Na sequência a fiscalização discorreu sobre o Siscomex Carga e sua norma regente, a IN RFB nº 800/2007, destacando a abrangência do termo transportador nela utilizado, e os prazos estabelecidos para prestar as informações exigidas (arts. 22 e 50 da referida IN, e art. 64 do ADE Corep nº 3/2008). Fl. 135DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 4 3 Em seguida, falou da responsabilidade legal do transportador e da penalidade aplicável em caso de descumprimento da obrigação em foco (arts. 37 e 107, IV, “e”, do DecretoLei nº 37/1966), enfatizando a natureza objetiva dessa responsabilidade, que independe da intenção do agente ou responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato (art. 94 do DL 37/1966). A autoridade lançadora prosseguiu seu relato explanando acerca da motivação da obrigação imposta, destacando sua importância na definição prévia de procedimentos a serem aplicados, objetivando proporcionar maior segurança e racionalidade ao controle aduaneiro de cargas. Foi descrita a nova sistemática de controle implementada a partir de 2002, quando a fiscalização aduaneira passou a ter foco mais abrangente, de forma a alcançar não apenas os importadores e exportadores, mas todos os intervenientes envolvidos nas operações de comércio exterior. Dando seguimento, a fiscalização comentou sobre a interpretação da norma que prescreve a multa imposta. Foi considerado que, com base no art. 112 do CTN, deve ser considerada a conclusão veiculada na Solução de Consulta Interna Cosit nº 8/2008, relativamente à quantidade de multas a serem aplicadas. No tópico seguinte, intitulado “DA APLICAÇÃO DA PENALIDADE IMPOSTA”, foi feita detalhada abordagem a respeito da denúncia espontânea e chegada à conclusão que, apesar de sua aplicabilidade ter sido estendida às penalidades de natureza administrativa (Lei nº 12.350/2010), não foram atendidos os requisitos próprios desse instituto. Para reforçar seu entendimento, a autoridade lançadora recorreu à doutrina e também à jurisprudência administrativa e judicial. Na sequência a fiscalização falou sobre a materialidade da infração, que considerou devidamente caracterizada, e sobre os intervenientes aduaneiros designados pela legislação, tendo em vista o disposto no art. 76, § 2º, da Lei nº 10.833/2003 e nos arts. 3º a 5º da IN RFB nº 800/2007. Concluiu que, com base na documentação juntada aos autos, era a autuada, na condição de consignatária do citado CE genérico, a responsável por prestar as informações relativas aos correspondentes CEs agregados incluídos com atraso. A penalidade foi formalizada no Auto de Infração em debate. Cientificado da exação, o sujeito passivo, apresentou impugnação alegando, em síntese: a) Ilegitimidade passiva. O prazo estabelecido pela IN RFB n° 800/2007 não se aplica à impugnante, que na condição de agente de carga, não se confunde com a atividade do transportador, que é o sujeito das obrigações instituídas pela referida Norma. A classificação da impugnante como tal distorce conceito de direito privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN. b) Denúncia espontânea. Conforme se depreende dos autos, ainda que a destempo, as informações foram prestadas pela própria impugnante, antes do início de fiscalização. Assim não é cabível a multa exigida, pois se aplica ao caso o instituto da denúncia espontânea, consoante dispõe o art. 102, § 2º, do DecretoLei nº 37/1966, com a redação dada pela Lei nº 12.350/2010. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 5 4 c) Inaplicabilidade de multa no período de contingência do Siscomex Carga. As operações objeto da autuação ocorreram no chamado “período de contingência”, em que o cumprimento dos prazos da IN RFB nº 800/2007 não era exigido, já que o Siscarga não estava integralmente disponível para utilização pelos agentes e desconsolidadores. Dessa forma, evidenciado que a impugnante não poderia agir de outra forma, a aplicação de multa no presente caso afronta, além do princípio da inexigibilidade de conduta diversa, o da razoabilidade, que impõe à Administração Pública o dever de agir com bom senso, prudência e moderação, levando em conta a relação de proporcionalidade entre os meios empregados e a finalidade a ser alcançada, bem como as circunstâncias que envolvem a prática do ato. Ao final a impugnante pedia o cancelamento do lançamento. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, os integrantes do Colegiado de primeiro grau rejeitaram a preliminar de ilegitimidade passiva e, no mérito, julgaram a impugnação improcedente e mantiveram integralmente a exigência fiscal, nos termos do Acórdão 0833.502. Após ciência ao acórdão de primeira instância, a autuada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na peça impugnatória. Em aditamento, alegou que o acórdão recorrido não dera aos fatos em análise a correta interpretação, aplicando equivocadamente a legislação vigente; e que os argumentos expostos na impugnação foram refutados por simples negativa, sem que se levantassem razões jurídicas hábeis a infirmálos. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.022, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 11128.730402/201345, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.022): O recurso é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O litígio cingese aos seguintes pontos: a) ilegitimidade passiva da recorrente; b) impossibilidade de aplicação da multa durante o período de contingência do Siscomex Carga; e c) excludente de responsabilidade por denúncia espontânea da infração. Previamente a análise controvérsia, cabe destacar que a aplicação da penalidade em apreço foi motivada pela prática da infração tipificada, genericamente, na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo art. 77 da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Fl. 137DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaa porta, ou ao agente de carga; (...) E em relação à prestação de “informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute” no Siscomex Carga, para conferir efetividade a referida norma penal em branco, foi editada a Instrução Normativa RFB 800/2007, que estabeleceu a forma e o prazo para a prestação das referidas informações. De acordo com a Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal que integra o presente Auto de Infração (fls. 01/05), a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos ao conhecimento eletrônico (HBL) CE 150805190343826, vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL) CE 150805184751721, conforme explicitado no trecho que segue transcrito: O Agente de Carga CEVA FREIGHT MANAGEMENT DO BRASIL LTDA, CNPJ 03.229.138/000406, concluiu a desconsolidação relativa ao Conhecimento Eletrônico Sub Master (MHBL) CE 150805184751721 a destempo às 09h52min do dia 09/10/2008, segundo o prazo previamente estabelecido pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, para o seu conhecimento eletrônico agregado (HBL) CE 150805190343826. A carga objeto da desconsolidação em comento foi trazida ao Porto de Santos acondicionada nos Containers NYKU7940080, NYKU7104578 e NYKU7149079, pelo Navio M/V CAPE CHARLES, em sua viagem 101W, no dia 07/10/2008, com atracação registrada às 18h26min. Os documentos eletrônicos de transporte que ampararam a chegada da embarcação para a carga são Escala 08000222050, Manifesto Eletrônico 1508501842589, Conhecimento Eletrônico Master MBL 150805183878000, Conhecimento Eletrônico SubMaster MHBL 150805184751721 e Conhecimento Eletrônico Agregado HBL 150805190343826. Especificamente, no que tange à prestação de informação sobre a conclusão da operação de desconsolidação, os prazos permanentes e temporários foram estabelecidos, respectivamente, no art. 22, “d”, III, e art. 50, parágrafo único, da Instrução Normativa RFB 800/2007, que seguem transcritos. Art. 22. São os seguintes os prazos mínimos para a prestação das informações à RFB: Fl. 138DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 7 6 [...] III as relativas à conclusão da desconsolidação, quarenta e oito horas antes da chegada da embarcação no porto de destino do conhecimento genérico. [...] Art. 50. Os prazos de antecedência previstos no art. 22 desta Instrução Normativa somente serão obrigatórios a partir de 1º de abril de 2009. (Redação dada pela IN RFB nº 899, de 29 de dezembro de 2008) Parágrafo único. O disposto no caput não exime o transportador da obrigação de prestar informações sobre: I a escala, com antecedência mínima de cinco horas, ressalvados prazos menores estabelecidos em rotas de exceção; e II as cargas transportadas, antes da atracação ou da desatracação da embarcação em porto no País. (grifos não originais) No caso, como as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreu antes de 1º de abril de 2009, a recorrente estava obrigada a cumprir o prazo estabelecido no norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 destacado. Os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, as informações foram prestadas somente às 09h52min do dia 9/10/2008 (data/hora da inclusão no Siscomex Carga do conhecimento eletrônico agregado HBL 150805190343826), portanto, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ocorrida no dia 07/10/2008, às 18h26min. Logo, fica claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Além disso, não resta qualquer dúvida que a conduta praticada pela recorrente subsumese perfeitamente à hipótese da infração descrita nos referidos preceitos legal e normativo. Aliás, em relação à materialidade da mencionada infração inexiste controvérsia nos autos. Apresentadas essas breves considerações, passase a analisar as razões de defesa suscitadas pela recorrente. Da ilegitimidade passiva A recorrente alegou que, na condição de agente de carga, no período compreendido entre a data da vigência da Instrução Normativa RFB 800/2007 até 1º de abril de 2009, ela não estava obrigada a respeitar o prazo estabelecido no art. 22 da citada IN, nem o prazo estabelecido no inciso II do parágrafo único do art. 50 do citado ato, sob o argumento de que este último preceito normativo aplicavase apenas ao transportador. A alegação da recorrente não procede, porque, embora o disposto no parágrafo único do art. 50 da referida IN tenha se referido apenas ao Fl. 139DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 8 7 transportador, não se pode olvidar que, para fins de cumprimento de obrigação acessória perante o Siscomex Carga, o termo transportador compreende o agente de carga e demais pessoas jurídicas que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga, discriminadas no inciso IV do § 1º do art. 2º da Instrução Normativa RFB 800/2007, a seguir transcrito: Art. 2º Para os efeitos desta Instrução Normativa definese como: [...] V transportador, a pessoa jurídica que presta serviços de transporte e emite conhecimento de carga; [...] § 1º Para os fins de que trata esta Instrução Normativa: [...] IV o transportador classificase em: a) empresa de navegação operadora, quando se tratar do armador da embarcação; b) empresa de navegação parceira, quando o transportador não for o operador da embarcação; c) consolidador, tratandose de transportador não enquadrado nas alíneas "a" e "b", responsável pela consolidação da carga na origem; (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.473, de 2 de junho de 2014) d) desconsolidador, no caso de transportador não enquadrado nas alíneas “a” e “b”, responsável pela desconsolidação da carga no destino; e (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1473, de 02 de junho de 2014) e) agente de carga, quando se tratar de consolidador ou desconsolidador nacional; [...] Além disso, há expressa menção na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei 10.833/2003, que o agente de carga responde pela referida penalidade, se prestar informação sobre a carga fora do prazo estabelecido. No caso em tela, é fato incontroverso que, em relação às operações de desconsolidação que executou, a recorrente atuou como representante do transportador estrangeiro, no País. Logo, dada essa condição, era dela a responsabilidade de proceder o registro tempestivo, no Siscomex Carga, dos dados sobre as operações que executou em nome da empresa de navegação representada. Dessa forma, tratandose de infração à legislação aduaneira e tendo em vista que a recorrente concorreu para a prática da questionada infração, induvidosamente, ela deve responder pela correspondente Fl. 140DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 9 8 penalidade aplicada, conforme dispõe o inciso I do art. 95 do Decretolei nº 37, de 1966, a seguir transcrito: Art. 95 Respondem pela infração: I conjunta ou isoladamente, quem quer que, de qualquer forma, concorra para sua prática, ou dela se beneficie; [...]. Assim, na condição de agente e, portanto, mandatário do transportador estrangeiro, a recorrente estava obrigada a prestar, tempestivamente, as informações no Siscomex Carga sobre a carga transportada pelo seu representado. Em decorrência dessa atribuição e por ter cumprido a destempo a dita obrigação, a autuada foi quem cometeu a infração capitulada na alínea “e” do inciso IV do artigo 107 do Decretolei 37/1966, com redação dada pelo artigo 77 da Lei n° 10.833, de 2003, por conseguinte, deve responder pela infração em apreço. Por fim, cabe ainda ressaltar que, os termos do caput do art. 94 do Decreto lei 37/1966, no âmbito da legislação aduaneira, constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que “importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste Decretolei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completá los”. Com base nessas consideração, resta demonstrado que a recorrente deve ser mantida polo passivo da autuação, porque há expressa previsão legal que nesse sentido. Da inaplicabilidade da multa na fase de contingência do Siscomex Carga. Em relação a esse ponto, a recorrente alegou que não havia que se falar em aplicação ou descumprimento dos prazos estabelecidos pela “IN RFB 800/2007, vez que ao operador não restava qualquer alternativa para a imputação das informações no sistema”. Segundo a recorrente, a exigência do cumprimento de uma obrigação sem que lhe fosse oferecidos os meios indispensáveis para tanto feriria o princípio da razoabilidade e o instituto da inexigibilidade de conduta diversa. Este Relator está de pleno acordo com a recorrente de que imputar infração ao usuário do Sistema por descumprimento de obrigação que ele não cumpriu ou não poderia cumprir por falhas operacionais ou ausência de meios necessários, revelase, nitidamente, irrazoável e desproporcional, conforme alegado. Porém, como se trata de alegação que envolve situação de natureza fática, a recorrente tinha o dever de comprovála, o que não ocorreu no caso em tela. E na distribuição do ônus prova, prevista o art. 373, II, da Lei 13.105/2015, que instituiu o vigente Código de Processo Civil (CPC), que corresponde ao art. 333, II, do CPC anterior, por ser fato relevante para isentar a recorrente da exigência, não era suficiente a simples alegação de que não havia meios para prestar informações sobre a carga. Dada a alegada impossibilidade, cabia a recorrente o dever prová la, o que não ocorreu. Neste sentido, prevendo a possibilidade de falhas de funcionamento, na fase inicial de implantação do sistema, foram fixados os procedimentos a serem adotados pelos usuários, nos termos dos arts. 1º, 2º e 4º, III da IN RFB 835/2008, a seguir transcritos: Fl. 141DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 10 9 Art. 1º Na impossibilidade de acesso ao Siscomex Carga, por mais de duas horas consecutivas, em virtude de problemas de ordem técnica do sistema, ou na ocorrência de fatores operacionais que prejudiquem o fluxo de comércio exterior, as operações relativas ao controle de embarcações e cargas em portos alfandegados, conforme estabelecido na Instrução Normativa RFB nº 800, de 27 de dezembro de 2007, observarão os procedimentos previstos nesta Instrução Normativa. Art. 2º Compete ao chefe da unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), no âmbito de sua jurisdição, reconhecer a impossibilidade de acesso ao sistema, por razões de ordem técnica, e autorizar a adoção dos procedimentos de contingência. Parágrafo único. A data e a hora da restauração do acesso ao sistema deverá ser registrada nos documentos de autorização, para fins de auditoria e controle. Art. 4º Na hipótese do art. 2º, restaurado o acesso ao sistema: [...] III relativamente à informação dos manifestos, conhecimento eletrônico (CE) e itens, o transportador deverá informar todos os manifestos, CE e itens no sistema, relacionálos e solicitar à RFB a baixa dos bloqueios decorrentes da informação após o prazo estabelecido. [...] (grifos não originais) Assim, como a recorrente não trouxe aos autos nenhum elemento de prova, em que demonstrado a impossibilidade de acesso ao Sistema, conforme procedimentos disciplinados nos referidos preceitos normativos, a alegação suscitada não tem qualquer relevância. A recorrente alegou ainda que era descabida a exigência de prova da indisponibilidade do Sistema, porque a própria edição da IN RFB 835/2008 já constituía prova de que o Sistema não funcionava adequadamente. Essa alegação também não procede, porque não é verdade que a referida IN reconheceu a impossibilidade de funcionamento do Sistema, mas, na possibilidade dessa situação vir a ocorrer e, caso ocorresse, o usuário deveria adotar os procedimentos nela estabelecidos com vistas a resguardálo da imposição de qualquer sanção. Da denúncia espontânea da infração. A recorrente alegou a denúncia espontânea da infração cometida, para excluir a multa que lhe fora aplicada, sob o argumento de que as informações foram prestadas antes de qualquer ato da fiscalização, portanto, em conformidade com o previsto no art. 102, § 2º, do Decretolei 37/1966, com redação dada pela Lei 12.350/2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá Fl. 142DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 11 10 a imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) [...] § 2º A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) A alegação da recorrente não procede, porque a denúncia da infração, no caso em tela, não restou configurada, haja vista que, embora realizada antes do “início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração” (CTN, art. 138, parágrafo único), no caso em tela, as informações foram prestadas após a “entrada do veículo procedente do exterior”, o que afasta a aplicação da referida excludente de responsabilidade, segundo preceitua o art. 683, § 3º, do Decreto 6.759/2009 (Regulamento Aduaneiro de 2009 RA/2009), que tem o mesmo teor do art. 612, § 3º, do Decreto 4.543/2002, Regulamento Aduaneiro (RA/2002) anterior, vigente à época dos fatos, in verbis: Art. 612. A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso [...] § 3º Depois de formalizada a entrada do veículo procedente do exterior não mais se tem por espontânea a denúncia de infração imputável ao transportador. (grifos não originais) Porém, ainda que tal restrição não se aplicasse à infração em apreço, o que se admite apenas para argumentar, melhor sorte não teria a recorrente, porque a infração em apreço, inequivocamente, não é passível de denúncia espontânea, pela razões aduzidas no voto da lavra deste Conselheiro que serviu de fundamento da decisão consignada no Acórdão nº 3102002.187, de 26 março de 2014, cujos excertos relevantes, que aqui adotase como fundamento de decidir, seguem transcritos: Da denúncia espontânea da infração. Alegou a recorrente que, no caso em tela, era incabível a aplicação de qualquer penalidade, porque às informações sobre a carga transportada fora feita a tempo e antes de qualquer intimação ou de qualquer outra notificação porventura expedida pela fiscalização aduaneira, o que configurava denúncia espontânea da infração, nos termos do art. 138 do CTN e do art. 102 do Decretolei nº 37, de 1966. Não procede a alegação da recorrente, pois, no caso em comento, não se aplica o instituto da denúncia espontânea da infração previsto no art. 138 do CTN e tampouco o específico da infração a legislação aduaneira estabelecido no art. 102 do Decretolei n° 37, de 1966, com as novas redações dadas pelo Decretolei nº 2.472, de 01 de setembro de 1988 e pela Lei nº 12.350, de 20 dezembro de 2010, a seguir reproduzido: Art. 102 A denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do imposto e dos acréscimos, excluirá a Fl. 143DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 12 11 imposição da correspondente penalidade. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 1º Não se considera espontânea a denúncia apresentada: (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) a) no curso do despacho aduaneiro, até o desembaraço da mercadoria; (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) b) após o início de qualquer outro procedimento fiscal, mediante ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, tendente a apurar a infração. (Incluído pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) § 2o A denúncia espontânea exclui a aplicação de penalidades de natureza tributária ou administrativa, com exceção das penalidades aplicáveis na hipótese de mercadoria sujeita a pena de perdimento. (Redação dada pela Lei nº 12.350, de 2010) (grifos não originais) O objetivo da norma em destaque, evidentemente, é estimular que o infrator informe espontaneamente à Administração aduaneira a prática das infrações de natureza tributária e administrativa instituídas na legislação aduaneira. Nesta última, incluída todas as obrigações acessórias ou deveres instrumentais (segundo alguns) que tenham por objeto as prestações positivas (fazer ou tolerar) ou negativas (não fazer) instituídas no interesse fiscalização das operações de comércio exterior, incluindo os aspectos de natureza tributária, administrativo, comercial, cambial etc. Não se pode olvidar que, para aplicação do instituto da denúncia espontânea, é condição necessária que a infração de natureza tributária ou administrativa seja passível de denunciação à fiscalização pelo infrator. Em outras palavras, é requisito essencial da excludente de responsabilidade em apreço que a infração seja denunciável. No âmbito da legislação aduaneira, em consonância com o disposto no retrotranscrito preceito legal, as impossibilidades de aplicação dos efeitos da denúncia espontânea podem decorrer de circunstância de ordem lógica (ou racional) ou legal (ou jurídica). No caso de impedimento legal, é o próprio ordenamento jurídico que veda a incidência da norma em apreço, ao excluir determinado tipo de infração do alcance do efeito excludente da responsabilidade por denunciação espontânea da infração cometida. A título de exemplo, podem ser citadas as infrações por dano erário, sancionadas com a pena de perdimento, conforme expressamente determinado no § 2º, in fine, do citado art. 102. A impossibilidade de natureza lógica ou racional ocorre quando fatores de ordem material tornam impossível a denunciação espontânea da infração. São dessa modalidade as infrações que Fl. 144DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 13 12 têm por objeto as condutas extemporâneas do sujeito passivo, caracterizadas pelo cumprimento da obrigação após o prazo estabelecido na legislação. Para tais tipos de infração, a denúncia espontânea não tem o condão de desfazer ou paralisar o fluxo inevitável do tempo. Compõem essa última modalidade toda infração que tem o atraso no cumprimento da obrigação acessória (administrativa) como elementar do tipo da conduta infratora. Em outras palavras, toda infração que tem o fluxo ou transcurso do tempo como elemento essencial da tipificação da infração. São dessa última modalidade todas as infrações que têm no núcleo do tipo da infração o atraso no cumprimento da obrigação legalmente estabelecida. A título de exemplo, pode ser citado a conduta do transportador de registrar extemporaneamente no Siscomex os dados das cargas embarcadas, infração objeto da presente autuação. Veja que, na hipótese da infração em apreço, o núcleo do tipo é deixar de prestar informação sobre a carga no prazo estabelecido, que é diferente da conduta de, simplesmente, deixar de prestar a informação sobre a carga. Na primeira hipótese, a prestação intempestiva da informação é fato infringente que materializa a infração, ao passo que na segunda hipótese, a mera prestação de informação, independentemente de ser ou não a destempo, resulta no cumprimento da correspondente obrigação acessória. Nesta última hipótese, se a informação for prestada antes do início do procedimento fiscal, a denúncia espontânea da infração configurase e a respectiva penalidade é excluída. De fato, se registro extemporâneo da informação da carga materializasse a conduta típica da infração em apreço, seria de todo ilógico, por contradição insuperável, que o mesmo fato configurasse a denúncia espontânea da correspondente infração. De modo geral, se admitida a denúncia espontânea para infração por atraso na prestação de informação, o que se admite apenas para argumentar, o cometimento da infração, em hipótese alguma, resultaria na cobrança da multa sancionadora, uma vez que a própria conduta tipificada como infração seria, ao mesmo tempo, a conduta configuradora da denúncia espontânea da respectiva infração. Em consequência, ainda que comprovada a infração, a multa aplicada seria sempre inexigível, em face da exclusão da responsabilidade do infrator pela denúncia espontânea da infração. Esse sentido e alcance atribuído a norma, com devida vênia, constitui um contrassenso jurídico, uma espécie de revogação da penalidade pelo intérprete e aplicador da norma, pois, na prática, a sanção estabelecida para a penalidade não poderá ser aplicada em hipótese alguma, excluindo do ordenamento jurídico qualquer possibilidade punitiva para a prática de infração desse jaez. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 14 13 [...].1 (destaques do original) No mesmo sentido, o entendimento manifestado pela 3ª Turma da CSRF, por meio do Acórdão nº 9303003.552, cujo enunciado da ementa segue reproduzido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/06/2006 PENALIDADE ADMINISTRATIVA. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DE DECLARAÇÃO OU PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÕES. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. A modificação introduzida pela Lei 12.350, de 2010, no § 2º do artigo 102 do Decretolei 37/66, que estendeu às penalidades de natureza administrativa o excludente de responsabilidade da denúncia espontânea, não se aplica nos casos de penalidade decorrente do descumprimento dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Recurso Especial do Contribuinte Negado. 2 No âmbito dos Tribunais Regionais Federais (TRF), o entendimento tem sido o mesmo. A título de exemplo, citase trechos do enunciado da ementa e do voto condutor do do TRF da 4ª Região, proferido no julgamento da Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC, que seguem parcialmente transcritos: EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. MULTA DECORRENTE DA INFORMAÇÃO INTEMPESTIVA DE DADOS DE EMBARQUE. AGENTE MARÍTIMO. LEGITIMIDADE PASSIVA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIAESPONTÂNEA. MULTA. PROPORCIONALIDADE E RAZOABILIDADE. VALOR QUE NÃO OFENDE O PRINCÍPIO DA VEDAÇÃO DE CONFISCO. 1. O agente marítimo assume a condição de representante do transportador perante os órgãos públicos nacionais e, ao deixar de prestar informação sobre veículo ou carga transportada, concorre diretamente para a infração, daí decorrendo a sua responsabilidade pelo pagamento da multa, nos termos do artigo 95, I, do DecretoLei nº 37, de 1966.2. Não se aplica a denúncia espontânea para os casos de descumprimento de obrigações tributárias acessórias autônomas.3. A finalidade punitiva e dissuasória da multa justifica a sua fixação em valores mais elevados, sem que com isso ela ofenda os princípios da razoabilidade, proporcionalidade e vedação ao confisco. [...] Voto. 1 BRASIL. CARF, 3ª Seção, 1ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, Ac. 3102002.187, de 26/03/2014, rel. José Fernandes do Nascimento. 2 BRASIL. CARF, CSRF, 3ª Turma, Ac. 9303003.552, de26/04/2016, rel. Rodrigo da Costa Pôssas. Fl. 146DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 15 14 [...] Não é caso, também, de acolhimento da alegação de denúncia espontânea. A Lei nº 12.350, de 2010, deu ao artigo 102, § 2º, do DecretoLei nº 37, de 1966, a seguinte redação: [...] Bem se vê que a norma não é inovadora em relação ao artigo 138 do CTN, merecendo, portanto, idêntica interpretação. Nesse sentido, é pacífico o entendimento no sentido de que a denúncia espontânea não se aplica para os casos em que a infração seja à obrigação tributária acessória autônoma. [...]3. Também com base no mesmo entendimento, a questão tem sido decidida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), conforme confirma, a título de exemplo, o recente acórdão proferido no julgamento do REsp 1613696/SC, cujo enunciado da ementa segue transcrito: O art. 107 do Decretolei 37, de 1966, por sua vez, estabelece a penalidade de multa, no caso de descumprimento da obrigação acima mencionada. Oportuno anotar, ainda, que a declaração do embarque das mercadorias é obrigação acessória e sua apresentação intempestiva caracteriza infração formal, cuja penalidade não é passível de ser afastada pela denúncia espontânea.”. 4 Com base nessas considerações, afastase a alegada excludente de responsabilidade por denúncia espontânea, suscitada pela recorrente. Da conclusão. Por todo o exposto, votase por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, para manter na íntegra o acórdão recorrido." Ressaltese que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo: a) a conduta que motivou a imputação da multa em apreço foi a prestação da informação a destempo, no Siscomex Carga, dos dados relativos a conhecimento eletrônico (HBL), vinculado à operação de desconsolidação do Conhecimento Eletrônico SubMaster (MHBL), Conhecimentos Eletrônicos cujos números constam da descrição dos fatos do Auto de Infração deste; b) as informações sobre a operação de desconsolidação ocorreram antes de 1º de abril de 2009, o que sujeita a recorrente a cumprir o prazo estabelecido na norma temporária, inscrita no inciso II do parágrafo único do art. 50 da Instrução Normativa RFB 800/2007; 3 BRASIL. TRF4. 2ª Turma. Apelação Cível nº 500599981.2012.404.7208/SC. rel. Des. Rômulo Pizzolatti, j. 10.12.2013. 4 BRASIL. STJ. REsp 1613696/SC. Rel. Min. Herman Benjamim. Decisão Monocrática de 2/9/2016. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 11128.729812/201343 Acórdão n.º 3302004.058 S3C3T2 Fl. 16 15 c) os extratos colacionados aos autos, contendo o registro da conclusão da referida operação de desconsolidação, comprovam que a informação fora prestada pela recorrente fora do prazo estabelecido no citado preceito normativo, ou seja, após a atracação da embarcação no Porto de Santos, ficando claramente evidenciado que a recorrente praticou a conduta infracionária em apreço. Desta forma, os fundamentos adotados para manter exigência da penalidade no caso do paradigma, também justificam sua manutenção nos presentes autos. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 148DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10640.002595/2008-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2402-000.625
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Relatório
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Waltir de Carvalho, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Relatório
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Numero do processo: 10980.004695/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 13 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2005
Ementa:
DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI.
A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos.
PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PESSOA FÍSICA.
"Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." (Súmula CARF nº 61).
Numero da decisão: 2202-003.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator.
EDITADO EM: 01/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: DILSON JATAHY FONSECA NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2005 Ementa: DEPÓSITO BANCÁRIO. PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PESSOA FÍSICA. "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano-calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." (Súmula CARF nº 61).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa - Presidente. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto - Relator. EDITADO EM: 01/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada.
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PRESUNÇÃO RELATIVA ESTABELECIDA POR LEI. A Lei nº 9.430/1996 estabelece, em seu art. 42, uma presunção relativa de omissão de rendimentos quando, identificados depósitos bancários em favor do sujeito passivo, e previamente intimado, este não é capaz de apresentar provas da origem dos mesmos. PRESUNÇÃO DE OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITO BANCÁRIO. PESSOA FÍSICA. "Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no ano calendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física." (Súmula CARF nº 61). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 46 95 /2 00 9- 11 Fl. 1226DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. EDITADO EM: 01/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurélio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Tratase, em breves linhas, de Auto de Infração lavrado em desfavor do Contribuinte para constituir IRPF em função da identificação de depósitos bancários de origem não comprovada. Intimado, apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente para determinar a exclusão dos valores estornados e devolvidos. Ainda inconformado, interpôs Recurso Voluntário. Chegando ao CARF, o julgamento já foi convertido em diligência para comprovação da intimação regular do cotitular durante a fiscalização. Realizada a diligência, retornam os autos para continuidade do julgamento. Feito o breve resumo da lide, passo ao relatório pormenorizado dos autos. Foi lavrado Auto de Infração (fls. 852/858) em 13/05/2009 para constituir crédito fazendário de IRPF em função da identificação de "omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada". Conforme o Termo de Verificação Fiscal (fls. 763/770 e docs. anexos fls. 771/851), · A presente autuação decorreu de fiscalização iniciada contra o Sr. José Arnaldo Spitz, cotitular das contas bancárias onde se identificou movimentação sem comprovação de origem; · O Recorrente foi intimado durante a fiscalização a comprovar a origem dos recursos; · A empresa da qual ambos eram sócios também foi intimada no curso da fiscalização, mas não conseguiu apresentar seus dados contábeis, à exceção de notas fiscais referentes aos meses de novembro e dezembro; · Diante da alegação de que os recursos eram provenientes da atividade da empresa, e que era de difícil comprovação uma vez que esta recebia inúmeros cheques de "pequena e média monta", mas os depositava em um mesmo momento, de sorte que o extrato registrava o valor total, a autoridade fiscalizadora elaborou uma lista com os depósitos em valor superior a R$ 30.000,00, e emitiu RMF para que a instituição financeira desdobrasse os valores. Os fiscalizados foram então intimados com base na resposta da instituição financeira; · O fiscalizado inicialmente respondeu que à exceção dos salários recebidos pelo Sr. José Spitz todos os valores restantes eram Fl. 1227DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.227 3 pertencentes à empresa de que eram sócios, mas que não possuía informações suficientes para comprovar a origem dos recursos; posteriormente, mesmo depois de ter conseguido a microfilmagem dos cheques, não foi capaz de comprovar a origem dos recursos; · Foi formalizado "Termo de Início do Procedimento Fiscal" em nome do Recorrente em 06/05/2009; e · Os valores identificados na conta bancária foram rateados entre os co titulares. Intimado em 20/05/2009 (fl. 862), o Contribuinte apresentou Impugnação em 19/06/2009 (fls. 864/879 e docs. anexos fls. 880/962 e 3/89). A DRJ proferiu então o acórdão nº 0623.342, de 11/08/2009 (fls. 140/159), que deu provimento parcial à defesa do Contribuinte e restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. Compete à autoridade administrativa de julgamento a análise da conformidade da atividade de lançamento com as normas vigentes, às quais não se pode, em âmbito administrativo, negar validade sob o argumento de inconstitucionalidade ou ilegalidade. DECISÕES ADMINISTRATIVAS E JUDICIAIS. EFEITOS. As decisões administrativas e as judiciais, não proferidas pelo STF sobre a inconstitucionalidade das normas legais, não se constituem em normas gerais, razão pela qual seus julgados não se aproveitam em relação a qualquer outra ocorrência, senão àquela objeto da decisão. OMISSÃO DE RENDIMENTO. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ÔNUS DA PROVA. PRESUNÇÃO LEGAL. O art. 42 da Lei n° 9.430, de 1996, determina o lançamento com base em depósitos bancários de origem não comprovada pelo sujeito passivo, por meio de documentação hábil e idônea, que, se tratando de presunção legal, transfere ao contribuinte o ônus de produzir provas hábeis e irrefutáveis da nãoocorrência da infração. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS EFETUADOS POR PESSOA JURÍDICA. FINALIDADE. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO. São tributáveis os créditos bancários na conta correntes de sócios, mesmo que provenientes de pessoa jurídica, para os Fl. 1228DF CARF MF 4 quais não houve a respectiva escrituração e nem foram apresentados as correspondentes notas fiscais, de maneira a comprovar a que título se deu a transação. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. BASE DE CÁLCULO. CHEQUES DEVOLVIDOS. EXCLUSÃO. Os valores lançados a débito, nas contas bancárias, relativos à devolução de cheques depositados, que constituem anulação de créditos anteriores, devem ser excluídos da base de cálculo apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA. MOMENTO DE APRESENTAÇÃO. Nos termos do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972, cumpre ao contribuinte instruir a peça impugnatória com todos os documentos em que se fundamentar e que comprovem as alegações de defesa. PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Descabe a realização de diligência que tenha por objetivo produzir provas que competiria ao contribuinte trazer aos autos e também o de perícia, por prescindível, quando as questões levantadas encontramse dentro do ônus probatório do requerente e independe de conhecimento técnico especializado não dominado pelo julgador. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Intimado em 02/09/2009 (fl. 163), o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário em 29/09/2009 (fls. 164/181), argumentando em síntese: · Que, intimado do início da fiscalização em 25/06/2008, apresentou os extratos bancários solicitados, esclarecendo que 99,99% dos valores movimentados se referiam a atividade comercial da empresa "Telefichas Comércio de Cartões Ltda." da qual é sócio, junto com seu irmão e cotitular; · Que não seria capaz de comprovar a origem individualizada de cada um dos recursos porquanto não estava obrigado a manter essas informações e que, na verdade, os cheques depositados não se referiam a apenas uma, mas a várias transações; · Que a empresa familiar atuava na distribuição de cartões de créditos telefônicos para celular e orelhão em prol da operadora TIM Celular S.A.; · Que a operadora telefônica abriu crédito no valor de R$ 500.000,00 em favor da empresa, a qual comprava os cartões e os revendia aos vendedores finais, de sorte que o valor movimentado na conta bancária jamais ultrapassava o limite do crédito aberto pela operadora Fl. 1229DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.228 5 telefônica e que sua atividade lhe garantia apenas 10% do valor do cartão; · Que os pagamentos eram feitos em cheque (mais de 200 por dia, muitas vezes de terceiros) e em dinheiro; · Que não apenas os recebimentos, mas também os pagamentos eram feitos partindo da conta dos sócios mas que, assim que foi aberta conta bancária da empresa, em dezembro/2005, a movimentação "anormal" deixou de existir; · Que o acórdão recorrido deu provimento parcial para excluir apenas os valores dos cheques devolvidos; · Que os cheques eram nominais à empresa, demonstrando assim a veracidade das alegações; · Que a empresa não tinha outra conta corrente própria ao longo do período autuado; · Que o sujeito passivo correto é a empresa, e não seus sócios pessoas físicas; · Que a instituição financeira informou não manter cópias dos cheques creditados em sua conta bancária emitidos por outras instituições financeiras; · Que a empresa da qual era sócio era optante do SIMPLES, estando dispensada da escrituração contábil à exceção do livro caixa, o qual não é conclusivo e não esclarece a origem dos recursos; · Que os lançamentos no extrato bancário identificados como "COB COMPE" eram aqueles decorrentes de boletos, e que restou comprovado que os boletos eram emitidos tendo como credor a empresa Teleficha Ltda.; · Que há nos autos, inclusive, comprovação por parte de uma das adquirentes dos cartões telefônicos de que efetuou pagamentos em prol da empresa de que era sócio o Recorrente por meio de boleto na conta da pessoa física; · Que a presunção do art. 42 da Lei nº 9.430/1996 não é absoluta e nem pode ser aplicada isoladamente, devendo sempre ter em mente o quanto estabelece o §5º do mesmo artigo; · Que é imprescindível a comprovação de que houve renda auferida, o seu gozo, não bastando a mera presunção, o que não foi realizado in casu; · Que deve ser excluído da base de cálculo o valor de R$ 80.000,00 por contribuinte, totalizando R$ 160.000,00 (dois cotitulares), uma vez Fl. 1230DF CARF MF 6 que os lançamentos em sua maioria não ultrapassam o valor de R$ 12.000,00; e · Que é necessário realizar perícia, e para tanto é imperioso intimar a instituição financeira a apresentar todos os microfilmes dos cheques bem como informações sobre os boletos quitados como "COB COMPE", e ainda indicou os questionamentos que entende devem ser realizados. Em 10/09/2014 foi proferida a Resolução CARF nº 2202000.592 (fls. 1.173/1.183), que determinou a conversão do julgamento em diligência: "1) Para que a autoridade fiscal se manifeste se o Sr. José Arnaldo Spitz, recebeu por parte da fiscalização uma lista de depósitos para demonstrar a origem, ou tão somente, foi solicitado ao mesmo que apresentase os extratos e demonstrase a origem de todos os depósitos. Ainda nesse ponto argumentase se teria existido a partição em proporções iguais dos depósitos não comprovados entre os titulares. 2) Propiciese vista a essa manifestação da autoridade fiscal ao recorrente, para se pronunciar, com praza de 10 dias, querendo. Após vencido o prazo, os autos deverão retornar a esta Câmara para inclusão em pauta de julgamento." fls. 1.182/1.183; Em atendimento à diligência, foi juntado Termo de Intimação do Sr. José Arnaldo Spitz, datado de 22/08/2008 (fls. 1.190/1.191 e docs. anexos fls. 1.192/1.217), bem como foi formalizada informação de diligência ratificando essa juntada (fl. 1.218). O Contribuinte foi intimado do resultado da diligência em 23/03/2015 (fl. 1.222). É o relatório. Voto Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Da perícia Diante da solicitação de prova pericial, é imperioso anotar o quanto estabelece o art. 16, IV e §1º, do Decreto nº 70.235/1972, segundo os quais devem ser considerados como não formulados os pedidos de perícia quando não for indicado "o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito". Da presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430/1996: O Recorrente argumenta pela inviabilidade do lançamento, atacando a presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Afirma que a movimentação bancária é mera movimentação de recursos, não representando acréscimo patrimonial isoladamente. Fl. 1231DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.229 7 Nesse sentido, defende que cabe à fiscalização demonstrar que houve auferimento de rendimento, a consumação da renda auferida etc. Tratase de questionamento de grande valia para o Poder Judiciário, o que é atestado, inclusive, pela recente declaração do STF de que o argumento é objeto de repercussão geral, no Tema nº 842, em decisão que restou assim ementada: “IMPOSTO DE RENDA – DEPÓSITOS BANCÁRIOS – ORIGEM DOS RECURSOS NÃO COMPROVADA – OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADA – INCIDÊNCIA – ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996 – ARTIGOS 145, § 1º, 146, INCISO III, ALÍNEA “A”, E 153, INCISO III, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – RECURSO EXTRAORDINÁRIO – REPERCUSSÃO GERAL CONFIGURADA. Possui repercussão geral a controvérsia acerca da constitucionalidade do artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996, a autorizar a constituição de créditos tributários do Imposto de Renda tendo por base, exclusivamente, valores de depósitos bancários cuja origem não seja comprovada pelo contribuinte no âmbito de procedimento fiscalizatório. (RE 855649 RG, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, julgado em 27/08/2015, PROCESSO ELETRÔNICO DJe188 DIVULG 21092015 PUBLIC 22092015 ) Em sede de processo administrativo, entretanto, essa tese não pode prevalecer. A verdade é que a presunção foi criada por Lei, que permanece vigente, não sendo possível a este Conselho afastar a sua aplicação, nos termos do caput do art. 62 do RICARF. Ademais, a redação da Lei é clara: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Em outras palavras, identificados depósitos bancários, exigese tão somente que a autoridade fazendária intime o Contribuinte para comprovar a origem dos recursos. A este é que cabe o ônus da prova, não sendo suficiente a apresentação de argumentos ou indícios. Nesse caminho, não pode prevalecer a tese de que cabia à autoridade fazendária aprofundar as investigações quando o Contribuinte, devidamente intimado, não logrou apresentar os documentos requeridos. Convém ressaltar, ademais, que o CARF tem diversas súmulas de observância obrigatória pelos seus conselheiros, nos termos do art. 45, VI, do Anexo II ao RICARF tratando da matéria e nenhuma delas questiona a sua legalidade, mas pelo contrário ratificamna. Da sujeição passiva utilização da conta por terceiros: A defesa do recorrente é precipuamente voltada a tentar comprovar que os recursos depositados/creditados em sua conta bancária pertenciam a terceiros, especificamente, empresa da qual é sócio. Fl. 1232DF CARF MF 8 Tratase de argumento possível juridicamente, conforme o art. 42, §5º, da Lei nº 9.430/1996: Art. 42. (...) § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. A questão limitase, portanto, à análise da situação fáticoprobatória: há provas ou indícios suficientes para demonstrar que os recursos não pertenciam aos titulares da conta bancária, mas sim a terceiro? Em outras palavras, impende analisar a documentação e os indícios juntados aos autos. Segundo o Contribuinte: · Ele era sócio de uma distribuidora de cartões telefônicos da operadora Tim; · Essa empresa era nova e, portanto, ainda não tinha conta bancária; · As operações financeiras da empresa tanto de receita quanto de pagamentos eram efetuadas por meio da conta bancária dos seus sócios, pessoas físicas, objeto da presente autuação; · Abriu conta em nome da empresa ao final do anocalendário de 2005, o que explica a brusca diminuição da movimentação em sua conta bancária pessoal já no mês de dezembro/2005; · Os cheques e os boletos que lastrearam a entrada do numerário na conta bancária eram emitidos em favor da empresa e não dos titulares formais da conta; Tratase do mesmos argumentos já apresentados desde a fiscalização. No Termo de Verificação Fiscal ficou consignado que: "Em 01.12.2008, intimamos (fis.109 a 111 Termo de intimação datado de 26.11.2008) a empresa "Teleficha Comercio de Cartões ME", (...) Em atendimento ao solicitado a empresa declarou (fls 114 a 115) por intermédio de seu procurador (fls 112 e 113) que em sua contabilidade, haviam sido lançados somente os valores referentes ao percentual recebido pela venda dos cartões telefônicos por entender serem somente estes os que representariam efetivamente sua receita." fl. 765 (grifos no original); (...) "A empresa foi intimada a vincular/comprovar a receita da mesma no ano calendário de 2005 com os depósitos na conta corrente n o 114002 da Caixa Econômica Federal, agência Fl. 1233DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.230 9 1001, tendo logrado êxito somente no que se refere aos valores abaixo demonstrados." fl. 768; Já a DRJ, analisando a questão, registrou que: "Os boletos de fls. 325 a 332 e 336 a 347 comprovam pagamentos efetuados à Brasil Telecom e à TIM Sul, no montante de R$ 522.091,49, que foram debitados da conta corrente fiscalizada, fls. 02 a 359 do Anexo I. Ressaltese que nesse total não estão inclusos os documentos repetidos: o de fl. 340 à fl. 341, o de fl. 336 à fl. 342, o de fl. 337 à fl. 344 e o de fl. 339 à fl. 343. Verificase que o montante comprovado como pago a empresas de telefonia por meio da conta fiscalizada, R$ 522.091,49, é bem inferior ao valor dos depósitos suscitados pelo impugnante como oriundos da atividade comercial da Teleficha: os já considerados justificados e os objeto do presente lançamento, que totalizam R$ 5.781.706,55, (...) O contrato de fls. 348 a 350 foi firmado no anocalendário de 2006 e, portanto, não pode ser utilizado no exame do período apurado, anocalendário de 2005. Os comprovantes de fls. 333 a 335 referemse a créditos efetuados pela Fasamed Comércio Farmacêutico Ltda. e já acatados como justificados no auto de infração. Os extratos de fls. 351 a 353 atestam que os dois titulares da conta corrente fiscalizada eram os sócios administradores da empresa Teleficha, aberta em 27/06/1997 com a atividade "Comércio Varejista de Artigos de Papelaria" e que possuía ainda um terceiro sócio, Irma Spitz. A data de abertura demonstra que a utilização da conta dos sócios não foi em razão do início da atividade da empresa. (...)" fl. 151; "O registro de imóveis de fls. 354 a 356 corrobora a afirmação do impugnante de que, em 22/03/2005, seu imóvel residencial serviu para garantia de uma dívida da empresa Teleficha a favor da TIM Sul, no valor de R$ 100.000,00. No entanto, embora na impugnação afirme que o capital de giro da Teleficha foi constituído com essa transação, verificase a existência de depósitos atribuídos à atividade da empresa desde janeiro de 2005, fl. 214. Adicionalmente, embora alegue que os valores das faturas teriam respeitado o crédito obtido, verificase que a movimentação bancária mensal a partir de abril de 2005 já era bem superior aos R$100.000,00, chegando a superar R$ 800.000,00 nos meses de agosto a novembro de 2005. Os contratos de fls. 357 a 395, de 2004, além de evidenciar o início da atividade em data anterior à hipoteca de sua residência, impõem à Teleficha o dever de manter controle rígido das vendas efetuadas, sob pena de ver seus contratos rescindidos, entre eles o de apresentar à TIM e à Brasil Telecom, mensalmente, relatório de vendas e os pontos de venda. Dessa forma, mostrase infundada a alegação de que não possuía os Fl. 1234DF CARF MF 10 controles necessários para relacionar os depósitos efetuados na conta corrente dos sócios com as vendas realizadas. Mesmo que contratualmente não estivesse obrigada a possuir controle da venda dos cartões telefônico, é pouco provável que uma empresa conseguisse manter suas atividades sem saber para quem e quanto vendeu e, mais ainda, quanto e como recebeu os valores das vendas efetuadas. (...) O impugnante também trouxe aos autos, fls. 425 a 488, cópias de notas fiscais da empresa TIM Sul e Brasil Telecom, atestando a venda para a empresa Teleficha de R$ 2.510.783,07, valor bem inferior ao já apontado no presente voto como dos depósitos atribuídos à atividade comercial da empresa, R$ 5.781.706,55, mesmo considerandose que o valor da compra possui 10% de desconto, em média, em relação à venda, conforme alegado na impugnação e corroborado pelos contratos apresentados." fl. 152 (...) "É importante esclarecer que a aceitação da justificativa para os depósitos decorrentes das cobranças efetuadas pela Fasamed, R$ 79.474,00 em 03/10/2005 e R$ 34.353,20 em 30/10/2005, não se deveu somente em razão do histórico existente no extrato bancário, "COB COMP", e sim em razão da informação prestada pela CEF às fls. 122 e 123 e da apresentação das ordens de compra da Teleficha de fls. 152 a 154. Como não foi apresentado qualquer outro documento coincidente com os créditos identificados como cobranças nos extratos bancários, não há como estender a eles a já justificativa acatada. A alegação do contribuinte para o não fornecimento de documentos se resume à inexistência de controle das vendas e respectivos recebimentos, no entanto, entendese que tal controle seria ainda mais necessário quando, conforme admitido na impugnação, as vendas eram efetuadas para vários estabelecimentos, que utilizavam diversas formas de pagamentos, inclusive cheques de terceiros, porque, sem a devida documentação de suas transações comerciais, não teria como saber se houve a quitação dos débitos de terceiros e nem de quem deveria cobrar eventuais cheques devolvidos. Não é razoável supor, por exemplo, que os valores não fossem minuciosamente controlados pela empresa Teleficha, que deveria ter conhecimento da origem dos valores que lhe seriam creditados. A hipótese aventada pelo impugnante, todavia, não é essa: o interessado, simplesmente, não teria o controle de quando, como e por quem os depósitos eram efetuados. É evidente que se trata de tese descabida, porquanto se assim fosse, a empresa sequer teria conhecimento de quem seriam seus devedores, quanto cada um lhe devia e por que razão." fl. 153; (...) "Salientese que, por diversas vezes, o contribuinte alegou que, por estar a empresa Teleficha incluída no sistema Simples de tributação, não teria a escrituração detalhada que permitisse Fl. 1235DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.231 11 identificar os depósitos. No entanto tal afirmação é imprópria, pois, a legislação do Simples apenas dispensa apresentação da escrituração contábil ao Fisco, a qual, no entanto, ainda é exigida pelas leis comerciais, sendo também imprescindível para o controle dos sócios, conforme já argumentado no presente voto. Adicionalmente, entre as exigências para usufruir o benefício de tributação pelo Simples está a escrituração de Livro Caixa espelhando a movimentação financeira da empresa, inclusive bancária, além da guarda de todos os documentos que serviram de base para a sua escrituração, nos termos do art. 7°, da Lei 9.317, de 05 de dezembro de 1996:" fl. 154; Em suma, concluiu que não há nos autos provas suficientes para configurar que todos os recursos depositados/creditados na conta bancária se referem a receita da pessoa jurídica. Compulsando os autos, é possível encontrar: 1. Diversas Notas Fiscais emitidas pela operadora telefônica Tim (fl. 25/88), registrando a saída de mercadorias; · Algumas desses documentos estão ilegíveis, em outros é possível identificar como destinatária a empresa "Teleficha Com. de Cartões Ltda."; · Há comprovante de envio de TED no valor de R$ 110.880,00, referente a "Pagamento de Fornecedores", e tendo como remetente o cotitular formal e os dados da conta bancária identificada no auto de infração (fl. 25); 2. Contratos de Compra e Venda de Cartões Prépagos firmado entre a Teleficha e a TIM, bem como com a Brasil Telecom (fls. 632/670); Pois bem. A verdade é que o Contribuinte trouxe mais alegações do que provas. Há, sem dúvidas, indícios de que a empresa da qual era sócio efetivamente utilizava suas contas bancarias pessoais para realizar suas cobranças e pagamentos; não há, entretanto, certeza do montante de recursos desse terceiro que era movimentado em sua conta bancária pessoal. Efetivamente, como a própria autoridade lançadora e a DRJ registraram, há comprovação de que alguns recursos pertenciam à pessoa jurídica e não às pessoas físicas co titulares da conta bancária. Os valores que restaram comprovados, entretanto, já foram excluídos da base de cálculo durante o lançamento. De outro lado, os indício constantes nos autos são no sentido de que nem todos os valores creditados eram de titularidade da empresa. Em primeiro lugar, como bem discorreu a autoridade julgadora de primeira instância, o total identificado como rendimento omitido ultrapassa R$ 5,6 milhões (apenas 50% Fl. 1236DF CARF MF 12 está contido no presente processo), enquanto o recorrente afirma que a empresa era optante do Simples Federal logo com receita, presumidamente, inferior a R$ 2,4 milhões por ano. Em segundo lugar, não lhe assiste razão o argumento de que a empresa estava dispensada de manter livros contábeis porquanto as regras do Simples exigiam, à época dos fatos, a manutenção de um livro caixa escriturando toda a movimentação financeira, inclusive bancária (art. 7º, §1º, 'a', da Lei nº 9.317/1996). Somase, igualmente, a obrigação contratual de apresentar relatório mensal de vendas e dos pontos de venda dos cartões (cláusula 6º, 'd' e 'f' do Contrato com a TIM fl. 633). Em terceiro lugar, não é crível que uma empresa com receita desse vulto não mantivesse algum tipo de organização das suas receitas mormente quando argumenta que os valores eram percebidos de diversas fontes e em pequenos montantes. Em suma, se efetivamente o Recorrente, enquanto sócio da pessoa jurídica, aceitou que esta utilizasse suas contas bancárias para realizar as operações comerciais, sem se preocupar em manter um mínimo de registro das transações, assumiu o risco de sofrer tributação e de enquadrarse na hipótese da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Enfim, a presunção é no sentido de que os recursos pertencem ao titular formal da conta bancária. A configuração de interposição de pessoas de que a conta bancária era movimentada por terceiro que não seu titular formal cabe àquele que alega. Assim, se a autuação tivesse recaído sobre terceiro, caberia à fiscalização demonstrar a titularidade dos recursos; se a autuação foi formalizada em desfavor do titular formal, cabe a este demonstrar que os recursos pertenciam a outrem. In casu, se é verdade que há provas de uso da conta bancária por parte da pessoa jurídica, não são suficientes para convencer este julgador de que os recursos eram integralmente ou mesmo em sua maioria movimentado pela pessoa jurídica. Novamente, reportandome à conclusão do tópico anterior, tratase de presunção legal de omissão de recursos e de titularidade dos mesmos. Da exclusão dos valores inferiores a R$ 12.000,00, limitado a R$ 80.000,00 Relembrando que a Lei determina a exclusão dos valores de depósitos/créditos inferiores a R$ 12.000,00, limitados a R$ 80.000,00 por ano calendário, o Recorrente argumenta que que devem ser excluídos da base de cálculo o valor de R$ 160.000,00, uma vez que o valor de limite de R$ 80.000,00 é aplicável por pessoa física e, in casu, haviam dois cotitulares. O argumento não se sustenta. Em primeiro lugar, uma vez que a base de cálculo já representa o valor rateado dos recursos identificados como de origem não comprovada ou seja, já está lançado apenas 50% do valor total não há que se falar em cumulação dos valores a serem excluídos. Em segundo lugar, é necessário registrar que o comando legal impõe dois limites cumulativos: só serão excluídos da base de cálculo os depósitos/créditos em valor inferior a R$ 12.000,00, individualmente, e que, somados, não ultrapasse R$ 80.000,00 em um mesmo anocalendário. É o que se extraí do art. 42, §3º, II, da Lei nº 9.430/1996 com art. 4º da Lei nº 9.481/1997: Fl. 1237DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.232 13 § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: (...) II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). e Art. 4º Os valores a que se refere o inciso II do § 3º do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, passam a ser de R$ 12.000,00 (doze mil reais) e R$ 80.000,00 (oitenta mil reais), respectivamente. Igualmente, da Súmula CARF nº 61: Os depósitos bancários iguais ou inferiores a R$ 12.000,00 (doze mil reais), cujo somatório não ultrapasse R$ 80.000,00 (oitenta mil reais) no anocalendário, não podem ser considerados na presunção da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, no caso de pessoa física. Enfim, para que não restem dúvidas, transcrevo parte do acórdão CARF nº 210100.252, de 30/07/2009, que serviu de precedente para a referida Súmula: A fiscalização imputou ao contribuinte uma omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários, nos montantes de R$ 167.727,16 (os depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiram R$ 95.137,55), R$ 154.274,10 (os depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiram R$ 68.942,30), R$ 218.289,56 (os depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiram R$ 81.975,90) e R$ 71.893,20 (os depósitos abaixo de R$ 12.000,00 atingiram R$ 31.853,20), nos anoscalendário 1999, 2000, 2001 e 2002, respectivamente (fl. 23). Percebese que, em dois dos anos calendário (2000 e 2001), os depósitos bancários abaixo de R$ 12.000,00 não sobejaram R$ 80.000,00, dentro do ano calendário, devendo incidir a regra do art. 42, § 3 0, II, da Lei n° 9.430/96, que assevera que, para efeito da determinação do rendimento omitido, no caso de pessoa fisica, não serão considerados os depósitos de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00, desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00. Essa hipótese deve ser reconhecida até de oficio, como se viu no Acórdão n° 10616.177 (Sexta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes), sessão de 1°/03/2007, relator o Conselheiro Gonçalo Bonet Allage, unânime, que acolheu de oficio tal benesse legal, antes da análise dos argumentos expendidos pelo sujeito passivo. Fl. 1238DF CARF MF 14 In casu, constatase que os depósitos em valor inferior a R$ 12.000,00 somam montante superior a R$ 80.000,00, como se percebe da soma apenas dos meses de janeiro e fevereiro: Data Valor Data Valor Data Valor 04/01/2005 R$ 4.640,00 17/01/2005 R$ 1.308,81 04/02/2005 R$ 482,38 04/01/2005 R$ 294,49 18/01/2005 R$ 92,12 04/02/2005 R$ 485,20 04/01/2005 R$ 115,00 20/01/2005 R$ 183,76 04/02/2005 R$ 185,00 04/01/2005 R$ 587,26 20/01/2005 R$ 922,08 04/02/2005 R$ 3.229,20 07/01/2005 R$ 4,60 20/01/2005 R$ 1.662,00 04/02/2005 R$ 463,35 07/01/2005 R$ 100,00 20/01/2005 R$ 191,80 09/02/2005 R$ 65,86 07/01/2005 R$ 1.900,00 21/01/2005 R$ 9,25 09/02/2005 R$ 1.610,45 07/01/2005 R$ 407,17 21/01/2005 R$ 594,84 09/02/2005 R$ 316,08 07/01/2005 R$ 2.728,90 24/01/2005 R$ 16,18 10/02/2005 R$ 1.793,20 07/01/2005 R$ 1.063,92 24/01/2005 R$ 84,27 10/02/2005 R$ 1.581,60 10/01/2005 R$ 726,28 24/01/2005 R$ 2,70 11/02/2005 R$ 164,00 10/01/2005 R$ 20,00 24/01/2005 R$ 2.665,00 11/02/2005 R$ 217,35 10/01/2005 R$ 24,13 24/01/2005 R$ 364,55 11/02/2005 R$ 357,04 11/01/2005 R$ 68,74 24/01/2005 R$ 120,00 11/02/2005 R$ 1.328,00 12/01/2005 R$ 768,30 25/01/2005 R$ 367,75 11/02/2005 R$ 246,00 12/01/2005 R$ 120,00 25/01/2005 R$ 714,18 14/02/2005 R$ 43,26 12/01/2005 R$ 154,00 25/01/2005 R$ 491,08 14/02/2005 R$ 2.438,31 12/01/2005 R$ 295,45 26/01/2005 R$ 2.856,38 14/02/2005 R$ 398,79 12/01/2005 R$ 1.535,90 26/01/2005 R$ 1.143,40 14/02/2005 R$ 88,40 12/01/2005 R$ 1.053,80 27/01/2005 R$ 0,05 15/02/2005 R$ 280,00 12/01/2005 R$ 387,84 27/01/2005 R$ 1.542,84 15/02/2005 R$ 737,22 13/01/2005 R$ 1.690,58 27/01/2005 R$ 545,83 15/02/2005 R$ 2.319,78 13/01/2005 R$ 0,85 28/01/2005 R$ 125,50 15/02/2005 R$ 1.877,99 13/01/2005 R$ 762,05 31/01/2005 R$ 75,21 16/02/2005 R$ 345,00 13/01/2005 R$ 523,54 31/01/2005 R$ 1.571,58 16/02/2005 R$ 0,35 13/01/2005 R$ 151,45 31/01/2005 R$ 265,98 16/02/2005 R$ 26,37 14/01/2005 R$ 95,50 31/01/2005 R$ 95,67 16/02/2005 R$ 2,55 14/01/2005 R$ 3,68 01/02/2005 R$ 43,91 16/02/2005 R$ 193,02 14/01/2005 R$ 1,11 01/02/2005 R$ 670,00 16/02/2005 R$ 60,00 14/01/2005 R$ 29,30 01/02/2005 R$ 506,51 17/02/2005 R$ 2.177,32 14/01/2005 R$ 1.001,64 01/02/2005 R$ 64,50 17/02/2005 R$ 28,79 14/01/2005 R$ 910,92 02/02/2005 R$ 38,22 17/02/2005 R$ 1.459,04 14/01/2005 R$ 6.103,45 02/02/2005 R$ 0,65 17/02/2005 R$ 663,28 14/01/2005 R$ 187,00 02/02/2005 R$ 0,89 18/02/2005 R$ 39,00 14/01/2005 R$ 200,00 02/02/2005 R$ 71,03 18/02/2005 R$ 10,36 14/01/2005 R$ 451,31 02/02/2005 R$ 762,81 18/02/2005 R$ 8.455,15 17/01/2005 R$ 0,03 04/02/2005 R$ 0,66 17/01/2005 R$ 1.536,01 04/02/2005 R$ 261,06 Total: R$ 64..812,89 Fl. 1239DF CARF MF Processo nº 10980.004695/200911 Acórdão n.º 2202003.826 S2C2T2 Fl. 1.233 15 Nesse caminho, o caso concreto não se encaixa nos preceitos da regra que exclui da base de cálculo esses valores de pequena monta, sendo necessário negar provimento ao Recurso Voluntário. Dispositivo: Diante de tudo quanto exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Dilson Jatahy Fonseca Neto Relator. Fl. 1240DF CARF MF
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Numero do processo: 13896.903398/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2000
LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO.
Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitam-se ao percentual de 8%.
APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR.
Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil-fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior.
DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA.
Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa.
Numero da decisão: 1402-002.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente).
Nome do relator: LEONARDO DE ANDRADE COUTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000 LUCRO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS DECORRENTES DA ATIVIDADE INDUSTRIAL (INDUSTRIALIZAÇÃO SOB ENCOMENDA DE TERCEIROS). ALÍQUOTA APLICÁVEL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Para fins de determinação da base de cálculo do IRPJ, na sistemática de tributação com base no lucro presumido, as receitas decorrentes das atividades consideradas como prestação de serviços em geral estão sujeitas ao percentual de 32% e as receitas decorrentes do exercício de atividade considerada como industrialização por encomenda sujeitamse ao percentual de 8%. APRESENTAÇÃO DE DECLARAÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, que o valor do débito é menor ou indevido, correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração, original ou retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 90 33 98 /2 00 8- 16 Fl. 506DF CARF MF Processo nº 13896.903398/200816 Acórdão n.º 1402002.570 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto (Presidente). Relatório A origem do litígio aqui presente remonta ao Despacho Decisório exarado em relação ao pedido original da contribuinte expresso em PER/DCOMP apresentado perante a Autoridade Tributária de sua jurisdição e no qual buscou ver reconhecido seu direito creditório e consequente compensação com débitos de sua responsabilidade. O requerido foi parcialmente deferido sob entendimento do DD de que "a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos". Irresignada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade que, apreciada em 1ª Instância pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento (fls. nos autos), foi julgada improcedente, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Discordando do r. decisum, a contribuinte interpôs recurso voluntário tempestivo no qual reafirma a correção de seu procedimento e requer a reforma da decisão de 1º Piso de forma a reconhecer o direito creditório buscado e homologar a compensação requerida, aduzindo, em síntese, os seguintes argumentos: 1. ser pessoa jurídica com atividade de "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento consubstanciada na aplicação de produtos químicos que atribuem a elementos de fixação roscados características vedantes e travantes, os quais retornarão para serem utilizados pelos seus clientes como insumos em novos processos de industrialização ou de circulação de mercadorias"; 2. ser optante pelo regime do lucro presumido e, por essa razão, na forma do artigo 15, da Lei nº 9.249, de 1995, sujeito à apuração (base de cálculo) do IRPJ à alíquota de 8%; 3. que, entretanto, "em que pese a Recorrente induvidosamente desempenhar atividades tipicamente industriais e se sujeitar, via de consequência, à base presumida de 8% (oito por cento), durante os anos de 1999 a 2003, apurou o Imposto de Renda através da aplicação do percentual de 32%"; 4. em razão deste "equívoco", ocorrido em função da "falsa premissa de que a industrialização por encomenda desempenhada pela Recorrente pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço", teria, durantes os mencionados Fl. 507DF CARF MF Processo nº 13896.903398/200816 Acórdão n.º 1402002.570 S1C4T2 Fl. 4 3 anos, efetuado recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo": ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,2 4 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 6. que, no seu contrato social já constava a atividade de "beneficiamento de produtos metálicos, por conta própria e/ou terceiros", alterada a partir de 01.09.2006 para "industrialização de produtos metálicos, por conta própria e/ou de terceiros"; que, não obstante somente tenha realizado a alteração naquela data, ou seja, "após a ocorrência dos fatos geradores ora em comento", a verdade a sua atividade "nunca foi de prestadora de serviço, mas sim de indústria"; 7. restar evidente que suas atividades sujeitamse, "como sempre se sujeitaram, à alíquota de 8% (oito por cento) para fins de apuração do IRPJ pela sistemática do lucro presumido"; 8. por fim, "requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes [...] não há razão para que não se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada [...] estava inteiramente equivocada, de modo que a compensação declarada utiliza se de crédito advindo de pagamentos a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento". Conclui requerendo o provimento do RV. É o relatório do essencial, em apertada síntese. Voto Conselheiro Leonardo de Andrade Couto, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1402002.537, de 18.05.2017, proferido no julgamento do Processo nº 13896.900601/200975. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1402002.537): O Recurso Voluntário é tempestivo e dotado dos pressupostos para sua admissibilidade, pelo que o recebo e dele conheço. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 13896.903398/200816 Acórdão n.º 1402002.570 S1C4T2 Fl. 5 4 No mérito, alega a recorrente que sua atividade, seu objeto social, sua real operação empresarial seria "industrialização por encomenda de bens de terceiros na modalidade beneficiamento" e não "prestação de serviços". Argui ainda que, por equívoco, partiu da premissa de que "a industrialização por encomenda desempenhada (...) pudesse ser enquadrada como a prestação de um serviço" e que, em razão deste entendimento, efetuou recolhimentos do IRPJ "em montantes maiores do que os efetivamente devidos, sendo, por isso, detentora de créditos líquidos e certos em quantia correspondente à diferença dos montantes recolhidos a maior e aqueles efetivamente devidos a título do IRPJ, conforme demonstrativo". Assenta ainda que, a fim de regularizar a situação, apresentou DIPJ retificadoras aplicando sobre a receita obtida, a alíquota de 8% que seria a utilizável no caso. Com isso, em suma, teria recolhido IRPJ a maior, implicando em surgir direito à repetição de indébito, via compensação. Os valores apurados, segundo cálculos e informação presentes nos autos, da lavra da recorrente, seriam os seguintes (cf. planilha já trazida neste voto, mas novamente reproduzida para melhor fixação): ANO RECEITA TOTAL Em Reais BASE APURADA (32%) Em Reais IMPOSTO RECOLHIDO (A) Em Reais BASE CORRETA (8%) Em Reais IMPOSTO EFETIVAMENTE DEVIDO (B) Em Reais DIFERENÇA (AB) Em Reais 1999 1.865.163,63 596.296,15 125.074,04 149.213,09 22.381,96 102.692,08 2000 2.849.822,21 910.674,63 203.668,67 227.985,78 34.925,44 168.743,23 2001 3.077.709,99 984.867,20 222.216,78 246.216,80 39.449,77 182.761,01 2002 3.396.147,20 1.086.767,10 247.691,78 271.691,78 44.489,88 203.201,90 2003 4.268.370,21 1.365.878,56 333.586,11 341.469,64 61.367,41 272.218,70 Total 15.457.213,24 4.944.483,64 1.132.237,38 1.236.577,09 202.614,46 929.616,92 Pois bem, é certo que os contribuintes que realizam atividades industriais sujeitamse à alíquota de 8% para apuração do Lucro Presumido (art. 518, do RIR/1999): Art. 518. A base de cálculo do imposto e do adicional (541 e 542), em cada trimestre, será determinada mediante a aplicação do percentual de oito por cento sobre a receita bruta auferida no período de apuração, observado o que dispõe o § 7º do art. 240 e demais disposições deste Subtítulo (Lei nº 9.249, de 1995, art. 15, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 1º e 25, e inciso I). Na mesma linha, induvidoso que o equívoco da adoção de coeficiente eventualmente assumido (32% e não 8%) pode ser corrigido mediante os procedimentos cabíveis previstos, dentre eles a retificação das DIPJ dos períodos em foco, caso dos autos. Tais declarações retificadoras estão acostadas aos autos e reproduzem os montantes inseridos na planilha acima transcrita. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 13896.903398/200816 Acórdão n.º 1402002.570 S1C4T2 Fl. 6 5 Todavia, como se está diante de pedido que busca reconhecimento de crédito contra a Fazenda Pública, não basta o noticiado pela recorrente nas DIPJ retificadoras, antes é preciso que tais informações tenham substância, consistência e comprovação. Como se vê nos autos, a decisão recorrida fez alusão a este requisito, ou seja, que se comprovassem os números inseridos nas DIPJ, providência que poderia ser feita pela juntada de livros ou qualquer outro meio legal, o que, no entender do Acórdão da DRJ não foi atendido. Na elaboração do recurso voluntário ora apreciado, a recorrente, embora rebata veementemente a posição firmada pela DRJ assentando que, "nem se diga que (...) deveria ter apresentado excertos da sua escrituração contábil fiscal que viessem a retratar a apuração do tributo a menor na sua DCTF retificadora", e que, "os valores constantes nas declarações retificadoras são revestidos de veracidade", acabou por “tentar” fazer a comprovação exigida, como se vê no excerto abaixo, extraído do recurso voluntário: De todo modo, para que se ponha uma pá de cal na questão, a ora Recorrente requer a juntada de diversas notas fiscais de remessa de insumos e do respectivo retorno dos bens beneficiados aos seus clientes ao longo dos anos 2000 a 2003 (doc. 01), as quais evidenciam a natureza da sua atividade e, por consequência comprovam que não há razão para que se reconheça que a base presumida por ela inicialmente utilizada (isto é, 32%) estava inteiramente equivocada, de modo de que a compensação declarada utilizase de crédito advindo de pagamento a maior de IRPJ comprovadamente existente, em valor suficiente para a quitação do débito informado na declaração de compensação em comento. Pois bem, compulsando os autos vejo que “as provas” a que alude a recorrente compõemse de cópias esparsas de notas ficais de remessa de seu estabelecimento, grande parte delas de difícil (ou mesmo impossível!) leitura. Além disso, os montantes de referidas notas fiscais, mesmo com a maior boa vontade em se “descobrir” os valores corretos, representariam, quando comparados com a receita total informada em DIPJ, percentuais ínfimos!, impossibilitando chegarse à necessária certeza e liquidez exigidas. Certeza e liquidez que, como não poderia ser diferente, é ônus que caberia ao interessado comprovar, a teor do artigo 333, I, do CPC de 1973 (art. 373, I, do CPC de 2015 Lei nº 13.105/2015). Nesta linha, o crédito que se pleiteia deve ter comprovação sólida, não se podendo aceitar documentação esparsa e por amostragem. Dizendo diferentemente, se a recorrente alegou (e informou em DIPJ) que toda a sua receita referiase a “industrialização por encomenda”, deveria ter acostado aos autos a totalidade (ou ao menos a maior parte) das notas fiscais que comprovassem tal Fl. 510DF CARF MF Processo nº 13896.903398/200816 Acórdão n.º 1402002.570 S1C4T2 Fl. 7 6 faturamento. Ou livros contábeis ou fiscais que assim o mostrassem. Não o fez. Por este motivo, ainda que suas alegações de erro na adoção do coeficiente do lucro presumido (32% e não 8%) possam ter solidez, faltou o principal, a comprovação do quanto suscitado. Incomprovado, portanto, que todas (ou a maior parte) das receitas fossem efetivamente de “industrialização por encomenda”, impossível validar os argumentos aduzidos por falta de documentação probatória. Ademais, não se olvide, só se permite compensação com a utilização de créditos dotados de liquidez e certeza (art. 170, do CTN): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) E valores incomprovados não possuem estes requisitos. A jurisprudência administrativa é pacífica em torno do tema: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. ÔNUS DA PROVA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. (Acórdão nº 10323.579, sessão de 18/09/2008) Por todo o exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário, mantendo a decisão recorrida. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Fl. 511DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.902197/2012-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 30/11/2008
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE.
Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA.
A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios mínimos aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. RESTITUIÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira e André Henrique Lemos, que votavam pela conversão em diligência. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl, e André Henrique Lemos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 90 21 97 /2 01 2- 65 Fl. 1080DF CARF MF Processo nº 10820.902197/201265 Acórdão n.º 3401003.619 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório 1. Tratase de Pedido de Restituição de crédito de COFINS, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior transmitido por meio do PER/Dcomp. 2. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. 3. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, como optante pelo regime do lucro presumido, submetiase à sistemática cumulativa de apuração da Cofins (à alíquota de 3%) e do PIS (à alíquota de 0,65%), havendo recolhido indevidamente tais contribuições calculadas sobre a saída de mercadorias que, por se tratarem de produtos farmacêuticos e cosméticos, já haviam sofrido incidência monofásica em etapa anterior da cadeia, nos termos da Lei nº 10.147/2000, e em conformidade com a Instrução Normativa SRF nº 594/2005; (ii) no momento em que se deu conta do equívoco cometido, procedeu à retificação da DACON respectiva. 4. Em data posterior ao protocolo da manifestação de inconformidade e anterior ao julgamento de primeira instância administrativa, requereu a contribuinte, mediante petição simples, a juntada dos livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias e declarou, ainda, não ter logrado êxito em juntar as notas fiscais de compra das mercadorias, requerendo, nesta oportunidade, a realização de diligência para confirmação do crédito tributário pleiteado. 5. Foi proferido Acórdão DRJ julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 30/11/2008 RESTITUIÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DCTF. RETIFICAÇÃO. Retificada a DCTF após o despacho decisório que indeferiu a restituição, o direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. PRODUTOS FARMACÊUTICOS, DE PERFUMARIA, DE TOUCADOR OU DE HIGIENE PESSOAL. ALÍQUOTA. Os produtos farmacêuticos, de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal sobre cuja receita de venda incidem o PIS e a COFINS com Fl. 1081DF CARF MF Processo nº 10820.902197/201265 Acórdão n.º 3401003.619 S3C4T1 Fl. 4 3 alíquota zero são apenas aqueles identificados na legislação de regência pelo seu código na TIPI. 6. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.583, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10820.902161/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.583): "8. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 9. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, pelo não conhecimento do documento juntado intempestivamente, correspondente aos Livros de Registro de Entrada e Saída de Mercadorias, com fundamento no Ato Declaratório Normativo (ADN) COSIT nº 15, de 12/07/1996. 10. Contudo, ainda que transposto obstáculo da preclusão consumativa, verificase, a partir da apreciação dos documentos não conhecidos pela decisão a quo, que tais livros não realizam a discriminação dos tipos de produtos, não sendo possível se afirmar com a necessária precisão se de fato atendem aos desígnios e requisitos da Lei nº 10.147/2000 e da Instrução Normativa SRF nº 594/2005, não se prestando, portanto, a comprovar o direito creditório pleiteado. 11. Aduz a decisão a quo que, na DCTF original, foi declarado débito em montante igual ao recolhido, motivo pelo qual não encontrou a autoridade fiscal saldo de pagamento disponível. A identidade entre valor declarado e recolhido se deve à crença da contribuinte, no momento da declaração e do pagamento respectivos, de que se tratava de operação tributada regularmente pelas contribuições em comento. 12. Apenas em momento posterior ao do despacho decisório que indeferiu o pedido formulado por inexistência de saldo é que a contribuinte, ora recorrente, procedeu à entrega da DCTF retificadora. Por conta desta sucessão de eventos, entendeu o julgador de primeiro piso que a retificação não teria produzido efeitos, pois, nos termos do inciso I do art. 7º do Decreto nº 70.235/1972, o procedimento fiscal já havia se iniciado e, portanto, pretendeu a contribuinte alterar débitos de contribuições de Fl. 1082DF CARF MF Processo nº 10820.902197/201265 Acórdão n.º 3401003.619 S3C4T1 Fl. 5 4 maneira indevida, nos termos do inciso II do § 2º e do § 3º da Instrução Normativa RFB nº 1.110/2010. 13. Entendemos que tais obstáculos procedimentais possam ser plenamente superáveis caso a recorrente comprove o erro que fundamenta a retificação da declaração, o que poderia ser feito mediante a apresentação de seus registros contábeis e fiscais, em conformidade com o art. 147 do Código Tributário Nacional, abaixo transcrito: Código Tributário Nacional Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 14. A aplicação do preceptivo normativo da Lei nº 10.147/2000 conduz à conclusão de que foram reduzidas a zero as alíquotas do PIS e da Cofins incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda dos produtos farmacêuticos e de perfumaria, de toucador ou de higiene pessoal classificados em determinadas posições da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.070, de 28 de dezembro de 2001 às pessoas jurídicas não enquadradas como industrial ou importador e não optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples), e de acordo com as normas necessárias para a aplicação da lei, implementadas pela edição da Instrução Normativa SRF nº 594/2005. 15. Depreendese, da análise dos documentos juntados pela contribuinte recorrente, não ser possível se apontar o código NCM dos produtos por ela comercializados, informação que seria passível de conferência a partir da análise das notas fiscais que comprovam a venda das mercadorias sujeitas à alíquota zero, não havendo como se validar a retificação da DCTF ou se perscrutar a existência do crédito almejado. 16. Observase que o julgador de primeiro piso chegou à minúcia de verificar que a contribuinte não consta no rol das empresas credenciadas para emitir nota fiscal eletrônica, de forma que, para fins de comprovação de seu pleito, tais documentos deveriam ter sido apresentados no momento do manejo da manifestação de inconformidade. 17. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".1 1 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 1083DF CARF MF Processo nº 10820.902197/201265 Acórdão n.º 3401003.619 S3C4T1 Fl. 6 5 18. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 19. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da carência probatória do pedido formulado pela contribuinte recorrente. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 1084DF CARF MF
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