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Numero do processo: 11065.001567/2010-45
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 01 00:00:00 UTC 2012
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF
é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos
essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo.
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. Ainda que descumprido do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não se considera invalidado o lançamento efetuado pela autoridade tributária.
ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007
OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS.
REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS.
Caracterizam-se como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estas informadas na DIPJ e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO.
A não apresentação da escrita contábil na forma das leis comerciais e fiscais, em estando a contribuinte a elas obrigada, implica tributação pelo lucro arbitrado.
DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO. BASE LEGAL PARA O LANÇAMENTO.
Estando a infração perfeitamente descrita, bem como citada a base legal para o lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à
tributação.
MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA
A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 1% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e no livro de apuração do ICMS e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2).
TRIBUTAÇÃO DECORRENTE.
Aplica-se às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua intima relação de causa e efeito.
Numero da decisão: 1402-000.883
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
Nome do relator: Frederico Augusto Gomes de Alencar
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CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL MPF. PRORROGAÇÃO. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO. Ainda que descumprido do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não se considera invalidado o lançamento efetuado pela autoridade tributária. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/07/2007 a 31/12/2007 OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS. REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estas informadas na DIPJ e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrita contábil na forma das leis comerciais e fiscais, em estando a contribuinte a elas obrigada, implica tributação pelo lucro arbitrado. Fl. 316DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 2 2 DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO. BASE LEGAL PARA O LANÇAMENTO. Estando a infração perfeitamente descrita, bem como citada a base legal para o lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 1% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e no livro de apuração do ICMS e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEIS. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (Súmula CARF nº 2). TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua intima relação de causa e efeito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 317DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Comercial Canoense de Aparas de Papel Ltda recorre a este Conselho contra decisão de primeira instância proferida pela 5ª Turma da DRJ Porto Alegre/RS, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “O presente processo trata de impugnação dos Autos de Infração (AI), lavrados em 25/08/2010, relativos ao Imposto de Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, fls. 185/188, à Contribuição para o PIS/PASEP, fls. 193/196, à Contribuição para Financiamento da Seguridade Social Cofins, fls. 202/205, e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, fls. 209/212, nos valores originários de R$ 39.851,12, R$ 14.003,46, R$ 64.631,45, e R$ 23.267,30, respectivamente, e são referentes a fatos geradores ocorridos entre julho e dezembro de 2007. Os tributos originários acrescidos de juros moratórios (calculados até 30/07/2010) e multas de ofício montam a R$ 393.355,97. A contribuinte usufruía da apuração de tributos pela sistemática do Lucro Presumido de 01/07/2007 até 31/12/2007. O Relatório Fiscal encontrase às fls. 177/189, tendo a ciência deste, juntamente com os AI, sido dada à contribuinte em 25/08/2010. A contribuinte apresentou impugnação, às fls. 218/253, em 24/09/2010, alegando insubsistência da autuação fiscal e requerendo, às fls. 252/253: a nulidade dos AI por basearse em mandado de procedimento fiscal extinto; improcedência dos AI por ter sido a contribuinte obrigada a fazer prova contra si própria; improcedência pela utilização de arbitramento descabido; improcedência em face da falta de provas da efetiva omissão de receitas pela contribuinte; improcedência pela falta de demonstração da base tributável utilizada nos AI; alternativamente, a redução da penalidade agravada em face da falta de provas da existência de dolo pela contribuinte e pela falta de observância dos princípios constitucionais: da proporcionalidade, da razoabilidade, da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. Relatório de atividade fiscal O relatório do procedimento fiscal qualifica a contribuinte, e informa que ela apresentou DIPJ SIMPLES para o período de 01/01/2006 a 30/06/2007 (fls. 133/162), e DIPJ com opção pelo lucro presumido para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007 (fls. 163/172). O procedimento fiscal amparouse no Mandado de Procedimento Fiscal MPF n° 10.1.07.002010000429, com ciência do termo de início (fls. 02/03) em 21/01/2010. Neste documento, foi solicitada a apresentação de documentos societários, contábeis e fiscais, bem como extratos bancários de todas as movimentações financeiras da empresa, tudo referentemente aos anoscalendário de 2006 e 2007. Fl. 318DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 4 4 Após solicitar e ter concedida prorrogação no prazo para cumprimento da intimação, a contribuinte atendeu parcialmente às solicitações, entregando apenas os livros de Entrada, Saída, Apuração de ICMS e Inventário, referentes aos anos de 2006 e 2007, bem como os extratos bancários de 19/10/2006 a 31/12/2007 (fl. 06). Em 15/03/2010, a representante da contribuinte recebeu novo termo de intimação, através do qual foi questionada se concordava com os valores de receitas por ela escriturada, transcritos em tabela (fls.90/92) e que estes deveriam ter sido declarados à RFB. No mesmo documento, tendo em vista que optara pela tributação na sistemática do lucro presumido para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, foi uma vez mais intimada a apresentar a escrituração contábil (livro diário e razão) e/ou livro caixa. Respondendo a essa intimação (fl.93), o sócio gerente da empresa, em 08/04/2010, informou que concordava com os valores constates da intimação pois estes "foram extraídos dos Livros de Apuração do ICMS, referentes aos anos de 2006 e 2007, muito embora não tenham sido declarados nas Declarações apresentadas à Receita Federal do Brasil". No mesmo documento, informou que não apresentou "os Livros de Registro de Escrituração Contábil e Balanços referentes aos anos de 2006 e 2007, por não terem sido os mesmos confeccionados" naqueles anos e que no momento não tinham "condições técnicas de confeccionálos por falta de documentos hábeis para tanto". Na mesma data em que apresentou sua resposta, a contribuinte foi novamente intimada (fls. 94/95) a apresentar os livros de escrituração contábil para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, com a ressalva de que a falta destes documentos implicaria no arbitramento do seu lucro para aquele período , conforme determinações dos artigos 528 a 530 do RIR/99. Em 20/04/2010, a contribuinte informa (fl. 96), novamente, que não teria condições de apresentar os referidos registros do ano de 2007, por não terem sido confeccionados e por que no momento, não possuía "condições técnicas de confeccionálos por falta de documentos hábeis para tanto". Por fim, em 29/04/2010 (fl. 100), a contribuinte foi intimada (fls. 101/102) a apresentar talonarios de notas fiscais dos meses de 04/2006, 06/2006, 04/2007 e 06/2007. Em 07/05/2010, apresentou a documentação solicitada (fl. 103). Em face da inexistência de escrituração contábil e/ou livro caixa; da análise dos valores constantes do Livro de Registro de Saídas e do Livro de Apuração do ICMS; dos valores declarados em DIPJ pela contribuinte à RFB, para os anos calendários de 2006 e 2007; e do reconhecimento pela contribuinte de que aqueles valores não constaram destas declarações, o agente fiscal elaborou planilha (fl. 181) na qual fica evidenciada a existência de omissão de receitas, pela diferença entre os valores informados para fins de ICMS e os declarados à RFB. Os valores das omissões apuradas. foram tributados pela sistemática do SIMPLES, no período de 01/01/2006 e 30/06/2007, lançados nos AI constantes no processo n° 11065.001568/201090, e pela sistemática do lucro arbitrado para o período de 01/07/2007 a 31/12/2007, no presente processo. Tendo em vista que as declarações da contribuinte ao fisco federal continham informações falsas, com omissão de receitas, de forma contumaz, em todos os meses dos períodos de apuração, sobre os tributos omitidos foram aplicadas multas de 150%, conforme disposto no §1° do art. 44 da Lei n° 9.430 de 27/12/1996. Fl. 319DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 5 5 Impugnação A impugnação se inicia com a qualificação da impugnante, considerações sobre a tempestividade e justificativa de sua entrega na agência da RFB em São Leopoldo. Seguese uma sinopse dos fatos que levaram à autuação, na visão da contribuinte. Tratando do mérito (Título I), há a divisão em seis capítulos. Os dois primeiros (I e II) imputando nulidade dos AI, os dois seguintes (III e IV), buscando insubsistências com base em fundamentos diversos, o quinto (V) busca afastar a aplicação de penalidade agravada e o sexto e último contém os requerimentos. Capítulo I MPF, ciência da prorrogação, requisito essencial A impugnante ataca a validade dos AI, em razão de alegado esgotamento do prazo do MPF n° 10.1.07.002010000429, a ela cientificado em 21/01/2010 e que teria expirado em 21/05/2010, haja vista que o seu prazo de validade é de cento e vinte dias, de acordo com o art. 12 da Portaria SRF n° 6.087 de 21/11/2005. Afirma que não houve prorrogação com fornecimento a ela de Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na internet, conforme disposto no §2° do art. 13 da referida portaria. Em face de os AI terem sido lavrados em 28/08/2010, posteriormente à data em que expirava o MPF, tece dissertação sobre a validade do AI que teria sido contaminado pelo alegado vício formal do MPF, afetando inclusive a competência do agente fiscal e por isto também seria nulo. Capítulo II Livros do ICMS, prova incabível e insuficiente Nesse capítulo, a contribuinte ataca "a prova da existência e do conseqüente arbitramento do lucro da empresa", que seria essencialmente feita com base na análise do Livro Registro de Saídas e do Livro de Apuração do ICMS. Afirma ser incabível a utilização de tal prova para embasar o lançamento, com base em orientação ventilada na Súmula n° 182 do TFR bem como em julgado do TRF que referencia. A utilização dos livros fiscais do ICMS como prova isolada não seria cabível e tal ilegalidade seria motivo para insubsistência dos AI. Capítulo IH/TV Arbitramento: requisitos, base legal e subsunção A reclamante mostra inconformidade com a utilização do arbitramento, pois, apesar dos seus problemas com a escrituração contábil, esta se apresentaria "em condições perfeitas para ser aferido e apurado o lucro efetivo". Afirma ainda que "somente na impossibilidade de apuração do lucro real é que pode a fiscalização desclassificar a escrita e arbitrar o lucro tal qual feito pelo auto de infração, quando em contrapartida o fisco tinha todos os elementos a sua disposição e toda a condição de apurar a matéria tributável". Busca apoio a sua tese em acórdão da Câmara Superior de Recursos Fiscais. A impugnante ataca também suposta falta de base legal para o arbitramento do lucro, afirmando que o relatório fiscal não expressa o suporte jurídico utilizado parta o arbitramento, não apontando nem mesmo "a legislação básica do que é o art. 530 do RIR/99". Fl. 320DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 6 6 Entende a reclamante que o fiscal deveria identificar na legislação qual seja a hipótese prescritiva para o arbitramento, procedendo à apuração do valor tributável em consonância com o art. 532 e seguintes do RIR/99. Contudo, teria violado tal preceito, não dispondo de que forma estaria procedendo ao arbitramento, utilizando critério desconhecido, que não se coaduna com o conteúdo do art. 532; por esta razão, seria insubsistente o auto de infração. Capítulo V Multa agravada, subsunção, dolo e base legal A contribuinte ataca a aplicação de penalidade agravada de 150%, por entender que o fiscal não caracterizou a conduta por ela realizada que levasse ao enquadramento no que está disposto no inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430/1996, com base no disposto nos arts. 71, 72, e 73 da Lei n° 4.502/1964. Não vê no AI subsunção dos fatos descritos às normas jurídicas vigentes. A falta da referida descrição, indiretamente, também afrontaria o art. 112 do CTN, segundo o qual se deve interpretar a norma penal de forma mais favorável ao acusado em caso de dúvidas quanto: à capitulação legal do fato; à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos; à autoria, imputabilidade ou punibilidade; e à natureza da penalidade aplicável, ou à sua graduação. Inexistindo a demonstração dos fatos e das razões para aplicação da penalidade, a contribuinte teria o seu direito à ampla defesa e ao contraditório ferido, o mesmo ocorrendo em relação ao devido processo legal, todos previstos no art. 5 o da Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Protesta ainda, que o relatório de ação fiscal não direciona especificamente a qual da capitulações a sua conduta estaria inserida, pois simplesmente informa "que a multa estaria nos art. 71, 72 e 73 da Lei 4502/64", neles se inserindo três tipos de conduta diversas, devendo o auditor eleger e demonstrar em qual delas o contribuinte estaria incurso. Não vê no corpo do AI demonstração do ato ou omissão doloso, apesar do ônus dessa prova ser do fisco, sendo anulável, no seu entender, a imputação daquela penalidade. Informa que, no AI, a fiscalização teria afirmado que "o fundamento para a aplicação da sanção seria o fato da contribuinte ter apresentado declarações falsas sobre as receitas auferidas". Assevera, no terceiro parágrafo da fl. 244, que "nunca houve qualquer declaração de receitas de forma inexata". Por fim, ataca a própria norma, por, no seu entender, ser esta conflitante com os princípios constitucionais do nãoconfisco, da proporcionalidade e da razoabilidade, aos quais deveria sujeitarse a administração pública em geral, e o auditor fiscal em particular.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 10 31.416 (fls. 266271v) de 12/05/2011, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento. A decisão foi assim ementada. “MPF. CONTROLE ADMINISTRATIVO. INOCORRÊNCIA DE NULIDADE. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é mero instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte, não sendo requisito legal para a validade do lançamento. Somente a lei pode estabelecer os elementos essenciais para a constituição do crédito tributário e o MPF não Fl. 321DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 7 7 está entre eles, não havendo, portanto, fundamento para declaração de nulidade do ato administrativo. OMISSÃO DE RECEITA. RECEITAS DE VENDAS DE MERCADORIAS. REGISTROS PARA APURAÇÃO DO ICMS. Caracterizamse como omissão de receitas os valores de vendas constatados na escrituração relativa ao ICMS da contribuinte, sem que tenham sido estas informadas na DIPJ e sem apresentação dos livros fiscais obrigatórios de acordo com a legislação de regência do lucro presumido. ARBITRAMENTO DO LUCRO. A não apresentação da escrita contábil na forma das leis comerciais e fiscais, em estando a contribuinte a elas obrigada, implica tributação pelo lucro arbitrado. DESCRIÇÃO DA INFRAÇÃO. BASE LEGAL PARA O LANÇAMENTO. Estando a infração perfeitamente descrita, bem como citada a base legal para o lançamento, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. MULTA DE OFÍCIO AGRAVADA. Sobre os créditos apurados em procedimento de ofício cabe a exasperação da multa quando o contribuinte, sistemática e intencionalmente, omite receitas à tributação. CONSTITUCIONALIDADE. O julgador administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária; quando o contribuinte entendese prejudicado por lei que increpa de inconstitucional, só lhe resta a via do Poder Judiciário para reclamar seu pretenso direito. TRIBUTAÇÃO DECORRENTE. Aplicase às exigências decorrentes, o mesmo tratamento dispensado ao lançamento da exigência principal, em razão de sua intima relação de causa e efeito.” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 27/05/2011 (A.R. de fl. 276), a interessada interpôs recurso voluntário em 28/06/2009 onde repisa os argumentos trazidos na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar. O recurso voluntário reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Entendo que o Acórdão recorrido bem enfrentou as matérias reapresentadas em sede recursal, pelo que peço vênia para adotar os fundamentos daquele neste Voto, como razões de decidir. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 8 8 Do MPF e suas prorrogações. Alega a Recorrente a nulidade do AI, em face de não haver prorrogação do MPF ou de não lhe ter sido franqueada a ciência da prorrogação. Descabida a pretensão da Recorrente quanto a esse ponto. Ressaltese que, ao contrário do que afirma a Interessada, houve a referida prorrogação da validade do MPF, tal fato poderia ser verificado no sítio da RFB, no quadro ao final do MPF que trata da validade das prorrogações, sendo a última válida até 16/09/2010, data posterior à da ciência do AI. Ademais, há que se ponderar que o MPF é ato de controle interno, definindo, por norma infralegal, quais, dentre os diversos auditores de uma determinada jurisdição, atuarão na diligência ou fiscalização. Não é norma de competência, até por que a competência só é definida por lei. Compreende, antes de tudo, medida administrativa organizacional, para controle do trabalho e informação ao contribuinte de que a ação fiscal levada a cabo junto a ele é de conhecimento do comando do órgão e como ele poderá se certificar de existência de tal procedimento administrativo. Acrescentese que portaria não tem o condão de modificar a competência atribuída ao AuditorFiscal, não o desonerando da atividade vinculada e obrigatória do lançamento prevista no Parágrafo único do art. 142 do CTN. Esse dispositivo legal (art. 142) expressamente confere à autoridade administrativa a competência indelegável e privativa de formalizar o lançamento. Essa autoridade, atualmente, nos termos do art. 6º Lei n° 10.593, de 06/12/2002, com a redação da Lei n° 11.457, de 16/03/2007, é o AuditorFiscal da Receita Federal do BrasilAFRFB. Consequentemente, verificando a ocorrência do fato gerador da obrigação principal, ou o descumprimento de uma obrigação tributária acessória, tem o Auditor o dever de promover o lançamento. Portanto, uma vez que a competência do auditorfiscal não emana do MPF, qualquer irregularidade que eventualmente possa nesse existir quanto a esse tema não tem o condão de afetar a competência atribuída pela citada Lei n° 10.593/2002 ao AFRFB. Recordese, outrossim, que a hipótese de nulidade absoluta dos atos processuais nas esfera tributária federal, está prevista no Decreto n° 70.235, de 06/03/1972, em seu artigo 59, inciso I4 , e referese ao caso em que a autuação tenha sido feita por pessoa incompetente, o que não ocorreu no caso presente. Por outro lado, há que se entender que o MPF não aparece sequer como requisito formal do AI, dentre aqueles arrolados no art. 105 do mesmo decreto. Portanto, inexistem quaisquer dos vícios que poderiam levar à nulidade do AI; isso afasta a afirmação da contribuinte de que o AI foi feito em discrepância com a norma. Em sua produção, o AI contém todos os elementos postos na norma; no máximo, o procedimento do fiscal é que pode ter sido inexato falho. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 9 9 Ressaltese que a recorrente conhecia o conteúdo da fiscalização que estava se desenvolvendo, bem como conhecia os AFRFB responsáveis por ela, não tendo lhe causado qualquer prejuízo a ausência da ciência pessoal da prorrogação. Dessa forma há que se considerar que, ainda que não tenha ocorrido a ciência formal da prorrogação do MPF, através de documento escrito, em nada ficou prejudicado o direito de defesa da Recorrente. Nesse sentido, é pacífico o entendimento neste Conselho de que o mesmo eventual descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal, apesar de sujeitar a autoridade tributária a sanções administrativas, não invalida o lançamento por esta efetuado. Tal entendimento encontrase consolidado nas ementas a seguir reproduzidas: MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). O descumprimento do prazo previsto no MPF para realização da ação fiscal não invalida o lançamento efetuado pela autoridade tributária. (12010.425, Acórdão de 24/02/2011). AUTO DE INFRAÇÃO MPF NULIDADE INOCORRÊNCIA O Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) advém de norma administrativa que tem por objetivo o gerenciamento da ação fiscal. A emissão do MPF – Complementar para ampliar a abrangência da fiscalização inicialmente prevista no MPF Fiscalização não enseja nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal. Além disso, se o auto de infração possui todos os requisitos necessários a sua formalização, estabelecidos pelo art. 10 do Decreto n° 70.235, de 1972, e se não forem verificados os casos taxativos enumerados no art. 59 do mesmo decreto, não é nulo o lançamento de oficio. (10517.368, Acórdão de 17/12/2008) MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL — NULIDADE — INEXISTÊNCIA Não é nulo o MPF cujas prorrogações ocorreram em tempo hábil e que não são causa da substituição do AFRF, somente prevista no caso de emissão de MPF novo. (Acórdão 10517.357, de 17/12/2008) NORMAS PROCESSUAIS VÍCIO A ENSEJAR A DECRETAÇÃO DA NULIDADE DO LANÇAMENTO O vencimento do prazo do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) não se constitui hipótese legal de nulidade do lançamento. (...) (Acórdão 20176449, de 19.9.2002) PRELIMINAR NULIDADE MPF É de ser rejeitada a nulidade do lançamento, por constituir o Mandado de Procedimento Fiscal elemento de controle da administração tributária, não influindo na legitimidade do lançamento tributário. (...) (Acórdão 10612941, de 16.10.2002) Das provas baseadas nos livros pertinentes ao ICMS. Fl. 324DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 10 10 Alega a Recorrente que o Auditor teria se baseado na escrituração dos registros pertinentes ao ICMS para formalizar provas que dessem guarida ao arbitramento e conseqüente lavratura do AI. Considera incabível tal procedimento. Cita, como orientação, Súmula 182 do TRF, in verbis: “É ilegítimo o lançamento do imposto de renda arbitrado com base apenas em extratos ou depósitos bancários.” Quanto a esse ponto, entendo serem os extratos, quando utilizados, origem de dados coletados (valores de depósitos) que devem ser trabalhados (exclusão de transferências entres contas do mesmo titular, depósitos estornados, cheques devolvidos, etc.) para obtenção de valores de receitas que, por presunção legal, sejam consideradas rendimentos tributáveis; já os valores registrados nos livros do ICMS, que efetivamente são os utilizados no processo, são informações diretas das receitas havidas pela Contribuinte na sua atividade de comercialização de mercadorias. Afirma à fl. 231 que o fiscal construiu o arbitramento com base em "elementos estranhos e que são vedados", aparentemente, por não serem conjugados com outras provas. Uma vez mais, ela não aponta a razão da alegada vedação, nem da estranheza; seria estranho à contribuinte seu próprio Livro de Apuração do ICMS? Se ela vê qualquer impropriedade relativamente às receitas comerciais que ela própria registra, deve infirmálas com provas, já que os registros contábeis fazem prova contra ela, o que já se depreende do art. 226 do Código Civil vigente, bem como do art. 378 do Código de Processo Civil. Quanto à Súmula 182 do antigo TFR, trata apenas dos casos de lançamento do imposto de renda arbitrado com base em depósitos bancários, a luz de legislação e sistema constitucional distinto, já que anterior à Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 e sem relação alguma com o lançamento aqui combatido. Já o julgado do TRF da 1ª Região, no processo n° 90.01.160654/RO, com relatoria da Ministra Eliana Calmon, trata de matéria referente ao ICMS, pois decorria de autuação com base no Decretolei n° 82 de 26/12/1966, que regulava o sistema tributário do Distrito Federal, e a legislação lá combatida eram os Decretos n° 3.992/77 (aprova o Regulamento do ICM do Distrito Federal) e n° 85.367/80 (estende a aplicação daquele aos Territórios Federais); portanto, nenhuma relação tem com a autuação ora discutida. Assim, não há que se considerar insubsistente o AI que utiliza os próprios registros do ICMS da contribuinte para apurar as receitas omitidas dos demais livros fiscais obrigatórios, por ela não confeccionados. Arbitramento: requisitos, base legal e subsunção De início, cabe salientar que a fiscalização não apontou como imprestável a contabilidade da contribuinte. Na verdade os livros contábeis, obrigatórios por determinação legal, não foram apresentados após duas intimações (fls. 02/03 e 90/92). Portanto, não há que se falar em recomposição da escrita contábil ou das receitas da contribuinte por parte do fisco, quando a própria contribuinte afirma que os livros de escrituração contábil e balanços, bem como o Livro Caixa, referentes aos períodos sob fiscalização, não tinham sido confeccionados e que a falta de documentação hábil então a impedia de fazêlo. Se quem tem a obrigação legal Fl. 325DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 11 11 e possui os elementos para elaboração da escrita informa que a documentação existente não é hábil para tanto, como protestar para que o fisco o faça? A tributação das receitas se deu com base em valores que deveriam ter sido declarados e não o foram, apesar de constarem nos registros do ICMS. O arbitramento é decorrência direta do inciso III do art. 530 do RIR/99, que já havia sido informado à contribuinte na intimação à fl.94 e constava na íntegra do relatório de ação fiscal. A base legal dos lançamentos, inclusive do arbitramento, está posta no corpo de cada AI. No caso do IRPJ, consta às fls. 187 e 188; PIS, fl. 195; Cofins, fl. 209; e CSLL, fls. 211/212. À fl. 240, a própria contribuinte afirma que os critérios para o arbitramento estariam no artigos subsequentes ao art. 530, demonstrando pleno conhecimento da matéria, pois, por óbvio, sabe que as receitas de vendas escrituradas para fins de ICMS deveriam compor as receitas para fins de lucro presumido. Isso infirma qualquer tentativa de ver cerceamento em sua defesa. Da Multa Qualificada. Diferentemente do que entende a Recorrente, a descrição do fiscal, à fl. 182, é clara: a Contribuinte apresentou declarações com informações inverídicas à RFB a respeito de suas receitas ao longo de todo o período fiscalizado. Houve omissão de receitas de forma contumaz em todos os meses, omissão essa confirmada pelos registros nos livros do ICMS para o mesmo período. Os fatos descritos no relatório permitem verificar a existência da intenção de não informar ao fisco federal o total das receitas havidas na atividade empresarial, não se tratando de mero erro ou esquecimento, mas de procedimento sistemático. A tabela da fl. 181 do relatório fiscal evidencia que a contribuinte declarou, entre julho e dezembro de 2007, apenas R$ 9.876,54 ao fisco federal, apesar de ter registrado receitas de comercialização que totalizavam R$ 2.164.259,41 menos de 0,5% das receitas foram declaradas à RFB. Não esquecendo a vultosa falta de registro dos meses de janeiro/2006 a junho/2007, apuradas no processo n° 11065.001568/201090, do qual o presente é mera continuidade. Realmente, não houve declaração de receita inexata como afirma a contribuinte; existiu, isto sim, declaração falsa. Se a situação descrita não caracteriza declaração falsa, o que caracterizaria? Tratando de situação análoga à presente, vejase a argumentação abaixo, exposta no voto da conselheira Ana de Barros Fernandes (Acórdão 19100.065, sessão de 11/12/1999): A estonteante diferença entre a matéria tributária identificada —faturamento obtido por vendas com cartão de crédito —, ainda que deforma presuntiva, mas que indubitavelmente constitui base de cálculo para a apuração dos tributos exigidos da contribuinte autuada, e a matéria tributária oferecida espontaneamente pela contribuinte ao fisco, justifica, per si, a qualificação da multa. A atitude da contribuinte em oferecer à tributação somente 10% do seu faturamento evidencia a sua intenção em fraudar o fisco. Ou seja, nos termos do artigo 71, a omissão dolosa pretendeu impedir parcialmente o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação Fl. 326DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 12 12 tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais (art. 71, I, da Lei 4.502/64). Destaquese, por oportuno, que dados os fatos e conhecida a legislação, não é necessário o auditor fiscal esmiuçar o óbvio, pelo que, para este caso, divido frontalmente da tese defendida pela recorrente de que, além da tipificação legal e da descrição dos fatos, o auditor fiscal tenha que descer às minúcias e explicitar o que está patente nos autos, desde a constituição do crédito tributário, bastando comparar o demonstrativo de apuração do tributo sobre as diferenças apuradas (fls. 118 a 120) e os valores informados na DIPJS entregue pela contribuinte, no prazo legal, também constantes dos autos (fls. 20 a 36 e 113 a 117). Nesse sentido, entendo que o enquadramento da penalidade, pela detecção da presença da circunstância qualificadora, não merece reparos. A exemplo da citação acima, vem sendo consolidada na jurisprudência deste CARF a associação do conceito de fraude à prática reiterada de ações e omissões menos evidentes, como é o caso da omissão sistemática de valores nos livros contábeis obrigatórios (no caso, nem mesmo confeccionados) ou declarações de rendimentos. O dolo se evidência pelo "conjunto da obra" e é delimitado pela forma premeditada e contínua com que essas ações, aparentemente isentas quando tomadas individualmente, são executadas ao longo do tempo. Ilustrase essa argumentação com os seguintes arestos: MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA A multa de ofício qualificada, no percentual de 150%, será aplicada sempre que houver o evidente intuito de fraude definido na forma da lei e caracterizado em procedimento fiscal, in casu, declarar à Receita Federal, bem como recolher os tributos sobre o valor em torno de 10% de seu faturamento mensal efetivo, escriturado no livro registro de saídas e declarado à Secretaria Estadual de Fazenda. (140200.505, Acórdão de 31/03/2011). MULTA QUALIFICADA — Comprovado nos autos o evidente intuito de fraude praticado pela contribuinte, evidenciado não só pela não apresentação dos documentos, mas pela apresentação das DCTF's e DIPJs zeradas quando na verdade houve faturamento, correta a aplicação da multa em seu percentual agravado. (l°CCAc.10197.1351o CData da sessão: 06/02/2009). CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO FALTA DE RECOLHIMENTO EXIGÊNCIA MULTA AGRAVADA Sobre créditos apurados em procedimento de oficio cabe multa agravada quando restar caracterizada a omissão sistemática e intencional de informações relevantes à administração tributária. (1o CCAc. 108.06667/2001 8a C Data da sessão: 19.09.2001). ERROS REITERADOS NO SOMA TÓRIO DE VENDAS MULTA AGRAVADA A prática de reduzir indevidamente a receita oferecida à tributação, por força de erro de soma, é forte indício de prática fraudulenta, merecendo a imposição da multa agravada. (1o CC Ac. 10805.900 8a C. Rel. Mário Junqueira Franco Júnior – DOU 14.12.1999p. 8) Fl. 327DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA Processo nº 11065.001567/201045 Acórdão n.º 140200.883 S1C4T2 Fl. 13 13 IRPJ OMISSÃO DE RECEITAS MULTA QUALIFICADA Caracteriza a intenção de fraudar o Tesouro Nacional o fato de o contribuinte, reiteradamente, somar a menor, nos livros de registro de saídas, a coluna correspondente aos valores das vendas. Aplicável, assim, a multa qualificada prevista no inc. II do art. 992 do RIR/94. (1º CCAc. 10191.987 1a C – DOU 28.05.1998). Considerase, pois, correta a aplicação de penalidade de 150% do tributo lançado e mantido pela Delegacia de Julgamento porquanto evidenciado o intuito de fraude, conforme definido pelo art. 71 da Lei n° 4.502 de 30 de novembro de 1964, transcrito à fl. 183 no relatório fiscal. Por fim, relativamente à alegada inconstitucionalidade da norma sancionadora, tal argumento não pode ser apreciado em sede de julgamento administrativo, pois falece competência para tal apreciação na esfera do executivo, restrita, por disposição constitucional, ao Poder Judiciário. A toda evidência, não é lícito exigir que o Fisco passe por cima de seu dever funcional de obediência e negue aplicação à lei ou ato normativo, cujo cumprimento a Secretaria da Receita Federal do Brasil lhes imponha. Nessa direção tem sido a reiterada posição dos antigos Conselhos de Contribuintes, que levaram à publicação da Súmula n° 2 do atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscias CARF, publicada no D.O.U. de 22/02/2009, com o seguinte teor: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ex positis, voto por afastar a preliminar de nulidade do lançamento para, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. Sala das Sessões, em 1 de fevereiro de 2012 (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator. Fl. 328DF CARF MF Impresso em 15/02/2012 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 14/02/2012 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALE, Assinado digitalmente em 15/02/2012 por ALBERTINA SIL VA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10882.902415/2010-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 08 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.144
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a patrona Dra Lorena Conte Azevedo de Freitas, OAB/DF 55.684, escritório Conte Azevedo e Souza Advocacia e Assessoria Jurídica.
Winderley Morais Pereira - Presidente.
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a patrona Dra Lorena Conte Azevedo de Freitas, OAB/DF 55.684, escritório Conte Azevedo e Souza Advocacia e Assessoria Jurídica. Winderley Morais Pereira Presidente. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Trata o presente processo de pedido de ressarcimento de crédito de IPI (fls. 2/105), no valor de R$ 35.465,84, relativo ao 4º trimestre/2002. Consta dos autos DCOMP com utilização do crédito (fls. 106/109). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 82 .9 02 41 5/ 20 10 -7 5 Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 3 2 2. Segundo Informação Fiscal disponível nas informações complementares da análise do crédito que consta no sítio da Receita Federal na internet (www.receita.fazenda.gov.br, opção Empresa ou Cidadão, Todos os Serviços, assunto "Restituição...Compensação", item PER/DCOMP, Despacho Decisório.), o Serviço de Fiscalização da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, após procedimento fiscal que visou à comprovação e aferição dos valores pleiteados pela contribuinte, opinou pelo indeferimento total do crédito, sob os seguintes fundamentos: a) O Interessado, intimado, em 21.07.2010, a apresentar as informações abaixo, deixou de atender à Fiscalização. Intimado novamente, em 19.08.2010, em resposta (anexa) deixou de atender ao item, do Termo de Início de Ação Fiscal, 6.6 (“Descrição de todo o processo produtivo com relação dos itens que o compõem”), atendeu de forma incorreta, como abordaremos, o item 6.7 [“Relação do(s) produto(s) de fabricação do estabelecimento, indicando a(s) classificação(ões) fiscal(ais), com respectiva(s) alíquota(s) e, em caso de isenção ou imunidade, com a indigitação do(s) instrumento(s) legal(ais) que lhe(s) confere(m) a condição argüida] e também deixou de atender ao item 6.8 [“Relação de todas as matériasprimas (MP), produtos intermediários (PI) e materiais de embalagem (ME), especificando se adquiridos no mercado interno ou no mercado externo, indicando as classificações fiscais, com respectivas alíquotas, associados a cada produto fabricado, discriminando as quantidades utilizadas ou consumidas no processo produtivo, inclusive os percentuais de perda”]. b) Intimado novamente em 25.08.2010 e em 31.08.2010, mantevese irredutível quanto a apresentar a informação exigida pela Fiscalização, os referidos itens 6.6 e 6.8, limitandose a apresentar resposta parcial (em anexo), quanto ao segundo, relação de insumos que afirma serem utilizados na fabricação de produtos, mas que nem ao menos guardam coerência com as informações oferecidas, pelo próprio, em resposta ao item 6.7, como, p. ex.: o Interessado informa que os insumos Clorocresol OF, Éster Fosfato Ácido Tiamínico Fosfórico e Metionina DL seriam utilizados na produção de Verional, que não aparece na relação de produtos apresentada pelo mesmo, o mesmo ocorrendo com uns tais Avotan, Solution, Berona, Floxivet, Ivotan, Borgal, que também não compõem a dita relação de produtos; sobre as incorreções na informação apresentada em resposta ao item 6.7, além desta agora, abordando a referida acima, nas saídas, em resposta ao item 6.3, do Termo de Início de Ação Fiscal, apresentadas, o Interessado destaca produtos, como p. ex Pencivet diluente envasado ampola 15ml, Anemofortil Amp. 10ml, Penicilina G Potássica não estéril, Monovalente Aftovacin Oleosa (sem NCM), Avotna, Ivotan, Preloban, Mixtovacin, Mastijet, Orastina, Preloban, que não foram apresentados à Fiscalização como produtos do estabelecimento industrial. c) A complexidade dos produtos que o Interessado afirma fabricar, numa ou noutras relações, ainda que divergentes, e das operações que parece realizar, haja vista os CFOP que utiliza, segundo apresentado em resposta ao item 6.3 [o Interessado revende insumos, como p. ex. Polietilenogligol 6000 (PEG), transfere produtos para empresas Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 4 3 outras, como p. ex Fab. Cruzeiro, CNPJ 60.561.719/006326 (CFOP 6.21), Akzo Nobel Ltda, CNPJ 60.561.719/003815 e CNPJ 60.561.719/006326 (CFOP 5.151), transfere mercadoria adquirida de terceiros, para a mesma Akzo (CFOP 5.152), dá saída a itens relacionados como produtos de sua fabricação no CFOP 6.999 – Devolução de bem do ativo imobilizado de terceiros, etc.], afora as exigências legais, tornam, de fato mesmo, mais que imperiosa a exigência fiscal quanto às informações, e suas exatidões, solicitadas nos já referidos itens 6.6 a 6.8 do Termo de Início de Ação Fiscal. d) Cumpre ressaltar, ainda, que o Interessado creditase indevidamente, em 100%, do IPI referente a produtos adquiridos de Comércio – comprovado ser Atacadista, o comércio, teria direito a 50%, de acordo com o artigo 148 do RIPI/98, com o artigo 165 do RIPI/2002. e) Desta forma, haja vista o Interessado, por não ter atendido à Fiscalização, pelas insuficiências, inconsistências e irregularidades verificadas nas informações apresentadas, não haver comprovado o alegado direito aos créditos pleiteados, e este estar sujeito à prova, através de documentos hábeis, comprobatórios da origem dos valores efetivamente utilizados no cálculo do benefício previsto na legislação, propomos o INDEFERIMENTO TOTAL dos pedidos. 3.Cientificada, em 09/11/2010 (AR à fl. 112), a interessada apresentou manifestação de inconformidade (fls. 113/137) na qual traz os seguintes argumentos: a) Que, o despacho decisório em questão apresenta vícios insanáveis, que devem necessariamente ensejar a declaração de sua nulidade. b) Que, a autoridade fiscal trata de saldo credor inferior ao valor pleiteado sem, contudo, especificar de quanto seria esse montante inferior e por que o valor seria inferior. Não há a correspondente justificativa legal e documental para a afirmação de que o saldo credor legitimamente detido pela Manifestante seria inferior. c) Que, a autoridade fiscal alega a existência de créditos indevidos, sem especificar por que os créditos seriam indevidos ou, no mínimo, quais operações/documentos fiscais ensejaram a apropriação do suposto crédito indevido. d) Que, sem dúvida alguma estas meras alegações sem as devidas fundamentações, impedem a Manifestante de compreender, de forma inequívoca, as infrações que lhe estão sendo atribuídas, viciando de maneira insanável este despacho decisório, por falta do essencial requisito da motivação. Na qualidade de ato administrativo que é, estando eivado de vício de motivação, nada mais resta do que ser declarada a sua nulidade. e) Que, os créditos ora discutidos foram escriturados no segundo trimestre de 2003, quando não mais se encontrava vigente o RIPI/98 mencionado pela autoridade fiscal como fundamento para a suposta infração cometida pela Manifestante. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 5 4 f) Que, a autoridade fiscal não especificou em qual(is) documento(s) fiscal(is) identificou este suposto crédito indevido. g) Que, não obstante o equívoco na fundamentação legal utilizada e a falta de suporte documental para a alegação feita, a autoridade fiscal incorreu em evidente erro de direito ao julgar aplicável à situação da Manifestante o artigo 165 do R1PI/02 (Decreto n° 4.544/02). h) Que, aplicase à regra geral da nãocumulatividade, pois, no 2º trimestre de 2003, todos os fornecedores atacadistas, que venderam mercadorias à Manifestante sob o CFOP 6.1024 são regulares contribuintes do IPI – seja pelo fato de importarem as mercadorias revendidas à Manifestante (sendo tal revenda a primeira saída da mercadoria importada no território nacional), seja por terem optado pela equiparação a estabelecimento industrial, conforme autorizado pela legislação de regência do IPI. i) Que, resta plenamente evidenciado que todos os fornecedores da Manifestante — inclusive os comerciantes atacadistas se encontram na situação de contribuintes do IPI, tendo feito corretamente o destaque deste imposto nas notas fiscais emitidas contra a Manifestante. j) Que, no "Termo de Verificação Fiscal" a autoridade fiscal menciona que a Manifestante deixou de atender à fiscalização, não entregando algumas informações solicitadas. k) Que, a Manifestante entregou, sim, grande parte da documentação solicitada pela autoridade fiscal, logo que o pedido foi feito. Ocorre que a autoridade fiscal solicitou um volume considerável de informações, em especial uma pormenorizada descrição do processo produtivo, bem como dos produtos fabricados pela Manifestante informação esta resguardada por sigilo industrial. l) Que, a Manifestante tentou entregar à autoridade fiscal a documentação solicitada ressaltese que a tentativa de entrega se deu enquanto a ação fiscal ainda estava em curso. Contudo, a autoridade fiscal se recusou a receber a documentação, sem justificativa, negando se também a negandose também a assinar qualquer protocolo de que estava recusando o recebimento de documentação da Manifestante. m) Que, para que não restem dúvidas sobre o erro de fato incorrido pela autoridade fiscal e fique clara a retidão da conduta da Manifestante, encontramse anexos presente à Manifestação de Inconformidade (i) a relação completa dos produtos fabricados pela Manifestante, com respectivas classificações fiscais e alíquotas de IPI (doc.56), bem como (ii) a relação completa de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem utilizados pela Manifestante, com respectivas classificações fiscais e alíquotas de IPI, e vinculação ao produto final a que se destinam (doc.57). n) Que, a negativa de recebimento de documentação, a falta de identificação de quais operações/documentos fiscais ensejaram supostos créditos indevidos, bem como a ausência de comprovação de como se chegou ao suposto saldo credor inferior (e de quanto este seria) inviabiliza o exercício do direito constitucional à ampla defesa por parte da Manifestante. Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 6 5 o) Que, ao não disponibilizar ao conhecimento da Manifestante elementos suficientes para a caracterização das supostas infrações, bem como ao negarse a receber relevante documentação disponibilizada pela Manifestante, o Fisco dá causa à mais absoluta e completa nulidade do trabalho fiscal. p) Que, todas as notas fiscais em referência estão devidamente anexadas à presente Manifestação de Inconformidade (docs. 07 a 52), evidenciando que todas as operações que geraram crédito no 2o trimestre de 2003 se referem a aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem. q) Que, constatase que para o caso em questão não há necessidade de aplicar qualquer técnica de interpretação legislativa, pela única e exclusiva conclusão de que a Impugnante atendeu a todas as normas estabelecidas pela Lei n° 9.779/99, conforme demonstrado. r) Que, tendo em vista que a implicação fiscal, ou parte dela, tem motivo na não existência da vinculação entre os insumos que dão direito aos créditos aproveitados, e os produtos finais a que se destinam, a Manifestante requer a conversão do julgamento em diligencia, nos termos do art. 16, IV do Decreto 70.235, de 1972, de modo que, com análise estritamente nos livros fiscais, formulando para tanto, os quesitos do Anexo." A decisão recorrida, proferida em sede de manifestação de inconformidade, apresenta a seguinte ementa: "ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2002 a 31/12/2002 Ementa: RESSARCIMENTO DE IPI. CRÉDITOS BÁSICOS. LIQUIDEZ E CERTEZA. O ressarcimento autorizado pelo art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, vinculase ao preenchimento dos requisitos e condições determinados pela legislação tributária de regência. Na ausência de provas, nos autos, que permitam presumir a certeza e a liquidez do crédito pleiteado, impõese o indeferimento da pretensão. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. Deve ser indeferido o pedido de diligência, quando for prescindível para o deslinde da questão a ser apreciada ou se o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: Fl. 558DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 7 6 (i) nulidade da decisão de primeira instância por cerceamento do direito de defesa, por não ter apreciado os argumentos de defesa; (ii) nulidade do Despacho Decisório em razão de sua adequada fundamentação; (iii) a fundamentação da decisão, essencialmente voltada para questionar o seu processo produtivo é carente de elementos que lhe permitam concluir pela invalidade do crédito, por total descompasso com a realidade dos fatos; (iv) os fornecedores atacadistas são contribuintes do IPI; (v) é sucessora da empresa Akzo Nobel Ltda, por aquisição de seus estabelecimentos, dentre eles o estabelecimento filial que deu origem aos créditos de IPI compensados; (vi) demonstra a linha sucessória empresarial; (vii) é carente a decisão que indeferiu o pedido de diligência; (viii) a decisão não se baseou em provas irrefutáveis de que o crédito inexiste por não ter sido empregado o insumo no seu processo produtivo, não existindo prova ou evidência de que tenha sido atribuída qualquer outra destinação ou desvio aos insumos adquiridos; (ix) que a decisão está baseada em meras suposições; (x) ao se decidir que o crédito inexiste por informações insuficientes, deveria ter sido efetivada a diligência em respeito ao princípio da verdade material, e (xi) que a autoridade fiscal tem o dever de ofício de rever o lançamento, com fulcro no art. 149, inc. IV do CTN; Ao final, a recorrente pugna pelo provimento do recurso interposto. O processo foi encaminhado a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, tendo sido convertido o julgamento em diligência, conforme Resolução nº 3201 000.422 de 22 de agosto de 2013. Mencionada Resolução determinou a adoção das seguintes providências: "Compulsando os autos, verificase que, a despeito de juntado o termo de verificação fiscal da Delegacia da Receita Federal de Fortaleza (fls.166 e ss), nenhum outro documento mais consta sobre os fatos narrados, especialmente sobre as diversas intimações e fornecimento de informações insuficientes ou incongruentes, prestadas pela Recorrente. Por outro lado, com a manifestação de inconformidade, vieram juntados: i. planilha com os valores dos supostos créditos (fl.122); ii. notas fiscais relativas ao trimestre em referência, com o devido destaque de IPI (fls. 168 e ss); iii. listagem com relação de produtos finais (fls.201); iv. Relação de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (fls.203 e ss); vi.Livro Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 8 7 Registro de Entrada (fls.212 e ss); Registro de Apuração do IPI relativo ao período(fls.253 ss). Com o recurso voluntário, foi juntada Ficha Cadastral Completa (fls.347 e ss) e o processo produtivo do produto “Anemofortil” (fls.497). Às fls. 474, consta, no instrumento de consolidação do contrato social da Recorrente, que a Akzo Nobel Ltda., conferiu o estabelecimento filial localizado na Rua Prof. Vicente Silveira, 234, em Fortaleza (NIRE 23.9.99006362), em aumento de participação de seu capital na Recorrente. Esse estabelecimento filial é o que consta nas notas fiscais acostadas aos autos. Do que se depreende, em princípio a Recorrente logra comprovar o direito creditório afirmado, trazendo diversos elementos indiciários para a comprovação de seu direito, sem que, por outro lado, tenha ficado assente que referidos documentos tenham sido examinados pela fiscalização. Nesse contexto, temse que, em homenagem ao Princípio da Verdade Material, cumpre ao julgador administrativo buscar a base empírica sobre a qual lastreará o seu convencimento, devendo buscar, de ofício as provas que julgar necessárias para a comprovação do direito subjetivo. Assim sendo, proponho a conversão de julgamento em diligência, para que a autoridade preparadora analise a documentação trazida pela Recorrente para a comprovação de seu crédito, solicitando outros que entenda necessários, verificando a materialidade do direito creditório alegado. A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes à diligência efetuada para que, desejando, manifestarse a respeito, com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes. Após os autos deverão retornar a esta autoridade julgadora, para que se prossiga no julgamento do litígio." A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Fortaleza, prestou a seguinte informação: "De forma a bem atender ao Carf, solicitamos esclarecimentos, considerado o que segue. 1) Tratase de Ressarcimento de Crédito Básico de IPI solicitado pelo estabelecimento industrial (filial) 07.054.091/000305, com sede em Fortaleza, de acordo com a legislação vigente, detentor do crédito alegado, até então não comprovado; 2) A Manifestação de Inconformidade foi protocolada pelo estabelecimento matriz, 07.954.091/000143, com sede em São Paulo, ‘Recorrente’ que consta no eProcesso, impugnada pela DRJ Belém; 3) O Recurso Voluntário ao Carf foi apresentado pelo estabelecimento industrial (filial) 07.054.091/0003 05; Fl. 560DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 9 8 4) O Carf solicita diligência fiscal na ‘Recorrente’, sem identificála, inclusive cientificandoa dos procedimentos da Fiscalização; 5) Há que se ter segurança, então, sobre a ‘Recorrente’, o ‘detentor do crédito alegado’, o ‘estabelecimento a ser diligenciado’, o ‘estabelecimento a ser cientificado’." Devidamente intimada, sobre a manifestação fazendária, a recorrente presta os seguintes esclarecimentos e informações: (i) que o CARF não determinou a realização de diligência in loco na recorrente, mas a análise dos documentos já juntados aos autos e a intimação da recorrente caso seja necessária a apresentação de documentos adicionais, para verificação da materialidade do direito creditório; (ii) que o estabelecimento filial detentor do crédito foi encerrado em 29/04/2015, conforme comprova a Certidão de Baixa do CNPJ, razão pela qual requer que todas as intimações e notificações sejam feitas ao estabelecimento matriz. É o relatório. Voto Conforme relatado, o julgamento do processo foi convertido em diligência, sendo que, em nenhum momento o Colegiado através da Resolução nº 3201000.421 de 22 de agosto de 2013 requereu a realização de diligências "in loco", mas sim para que fossem analisados os documentos colacionados aos autos e outros, caso necessário. Para evitar o enfado, reportome às considerações da recorrente: "Ocorre que o CARF não determinou a realização de diligência in loco na Recorrente, mas sim a conversão em diligência para verificação dos documentos já juntados aos autos quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, conforme expressamente mencionado na decisão de fls. 510/516, devendo a Recorrente ser intimada caso seja necessária a apresentação de documentos adicionais para verificação da materialidade do direito creditório alegado." A deliberação contida na Resolução já anteriormente citada, não foi atendida pela unidade responsável. Aqui, merece ser transcrito excerto de voto do Conselheiro Winderley Morais Pereira, proferido no recente julgamento do processo n° 19515.000338/200693: "O princípio da verdade material e da ampla defesa são intrínsecos ao Processo Administrativo Fiscal e em que pese o fato, do seu informalismo contido, estes corolários não podem ser afastados, devendo pelo contrário, ser privilegiados, visto que, qualquer discussão administrativa que seja maculada, por procedimentos processuais questionáveis, pode vir no futuro a ser objeto de novas discussões, o que sem dúvida, afasta um dos grandes benefícios do processo administrativo, que busca abreviar a solução dos litígios tributários. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 10 9 Verificando as informações registradas no relatório fiscal é possível concluir que a Diligência não foi realizada. A Autoridade Fiscal responsável pela diligência, apesar, de citar no relatório a existência de diversas intimações à Recorrente para apresentação dos documentos fiscais. Tais intimações referemse ao início do procedimento fiscal e não foram realizadas no escopo da diligência fiscal. Portanto, mostrase evidente que a autoridade não procedeu a diligência determinada por este Conselho. Assim, fazse necessário nova resolução nos mesmos termos da resolução anterior para que a Unidade de Origem realize a diligência, que ressaltese não foram realizadas nos termos decididos por este colegiado. E não será demais lembrar que os integrantes deste Conselho não estão obrigados a observar os atos normativos expedidos no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, razão ainda maior para que o entendimento firmado pela Turma seja, muitas vezes, divergente do entendimento que teve o AuditorFiscal e a própria Delegacia da Receita Federal de Julgamento sobre a lide, na medida em que ambos estejam obrigados a aplicar o disposto nas Instruções Normativas e demais atos normativos aos quais estão vinculados. Finalmente, convém lembrar como a relação da instância julgadora com a unidade de preparo é disciplinada pelo Decreto nº 7.574/11, que regulamenta, entre outros, o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, in verbis. "Art. 36. A impugnação mencionará as diligências ou perícias que o sujeito passivo pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito deverão constar da impugnação (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 16, inciso IV, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 1º Deferido o pedido de perícia, ou determinada de ofício sua realização, a autoridade designará servidor para, como perito da União, a ela proceder, e intimará o perito do sujeito passivo a realizar o exame requerido, cabendo a ambos apresentar os respectivos laudos em prazo que será fixado segundo o grau de complexidade dos trabalhos a serem executados (Decreto nº 70.235, de 1972, art. 18, com a redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 2º Indeferido o pedido de diligência ou de perícia, por terem sido consideradas prescindíveis ou impraticáveis, deverá o indeferimento, devidamente fundamentado, constar da decisão (Decreto no 70.235, de 1972, arts. 18 e 28, com as redações dadas pela Lei nº 8.748, de 1993, art. 1º). § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar se de cumprilas." (grifo nosso) Ainda é mister ressaltar que a diligência é o momento do Fisco também se cercar de todas as seguranças necessárias para conferir a Fl. 562DF CARF MF Processo nº 10882.902415/201075 Resolução nº 3201001.144 S3C2T1 Fl. 11 10 veracidade dos documentos e cálculos apresentados pela Recorrente. Em concordando com a veracidade das informações ou na ausência de quaisquer ressalvas no relatório de diligência, este colegiado passa a considerar como verídicos os documentos e cálculos apresentados pela Recorrente no julgamento." Assim, diante do não cumprimento ao contido na Resolução nº 3201000.421 de 22 de agosto de 2013, o processo não está em condições de ser julgado, razão pela qual, deve novamente ser baixado em diligência para que a unidade responsável cumpra em todos os termos a diligência referida. Concluída a diligência, deverá ser concedido, o prazo de 30 dias para manifestação da recorrente e, findo tal prazo, retornar o processo para prosseguimento do julgamento. Deve, ainda, ser observado que as intimações e notificações, sejam realizadas ao estabelecimento matriz, em razão do encerramento da filial da recorrente, conforme noticiado nos autos. É como voto. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Fl. 563DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13116.001999/2007-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 30 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR
Exercício: 2007
ITR. PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE.
Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei
9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido.
Numero da decisão: 1402-000.619
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar
provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta.
Matéria: ITR - notific./auto de infração eletrônico - outros assuntos
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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PAGAMENTO DE ATÉ 50% DO DÉBITO COM TÍTULOS DE DÍVIDA AGRÁRIA. COMPENSAÇÃO DO RESTANTE DO DÉBITO COM TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA RECEITA FEDERAL. POSSIBILIDADE. Não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com Títulos de Dívida Agrária escriturais, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie, podendo ser efetuado por meio de compensação com tributos administrados pela Receita Federal, uma vez que nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário, e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Rejeitada essa prejudicial, devem os autos retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Ausente Fl. 1DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 2 2 momentaneamente o Conselheiro Carlos Pelá. Participou do julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso contra decisão de primeira instância que indeferiu a solicitação de liquidação de 50% do débito de ITR com Títulos de Dívida Agrária, cujo acórdão apresenta a seguinte ementa: DO PAGAMENTO DO ITR COM TDA. Nos termos da IN Conjunta SRF/STN n° 01/01, para pagamento do ITR por meio de TDA, exigese que o pagamento da outra parte (50%) seja realizado em espécie, não havendo como aceitar que o mesmo seja feito através de compensação, conforme pretendido. O requerimento de pagamento de 50% do ITR com TDA escritural é datado de 25.10.2007. Conforme recibo de entrega de declaração do ITR do exercício de 2007, apresentada em 26.09.2007, relativa ao imóvel rural de NIRF n° 25699709, foi apurado o imposto de R$ 48.426,70 a ser pago em duas cotas, no valor de R$ 24.313,35. Na mesma data foi apresentada Declaração de Compensação, com o objetivo de compensar o valor de R$ 69.839,46, cujo respectivo crédito corresponde a saldo negativo do anocalendário de 2005, no valor original de R$ 56.793,90. O valor total do saldo negativo desse anocalendário informado é de R$ 444.882,31. Os débitos informados na DCOMP referemse aos números de imóvel: (i) 31892752, no valor de R$ 37.961,24, (ii) 33931364, no valor de R$ 5.914,66, (iii) 2569970 9, no valor de R$ 24.213,35, (iv) 31892825, no valor de R$ 1.117,94, e a Contribuições sociais retidas na fonte, no valor de R$ 632,27. Consta informação da autoridade administrativa, de que a declaração de compensação encontravase em análise manual. A ciência da decisão de primeira instância foi dada em 29.08.2008 e o recurso voluntário foi apresentado em 26.09.2008. A recorrente alega que a exigência prevista no art. 3º, § 1º, I, da IN Conjunta SRF/STN nº 01/01, de que os outros 50% fossem pagos em espécie, seria manifestamente ilegal, em ofensa ao princípio da estrita legalidade (art. 5º, II, 37, caput, e 150, I, da CF e art. 97 do CTN) porque violaria o art. 156, do CTN, o art. 74 da Lei 9.430/96, bem como, o art. 105, § 1º, a, da Lei 4.504/64, e o art. 11, I, do Decreto 578/92. Afirma que os dispositivos legais que autorizaram o pagamento de 50% com TDA, não condicionam o pagamento do restante do imposto, em espécie, por meio de DARF, de onde concluiu que o pagamento do restante do imposto deverá se dar nos termos da legislação vigente; e que no caso concreto, procedeu à compensação com saldo negativo do IRPJ, mediante a apresentação da DCOMP, com observância do que dispõe o art. 156, II, do CTN, que traz a compensação como modalidade de extinção do crédito tributário e com a Fl. 3DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 4 4 observância do art. 74 da Lei 9.430/96, com as alterações promovidas pela Lei 10.637/02, e da IN SRF 600/2005. Aduz, que a IN SRF/STN nº 01/01, ao extrapolar as disposições das leis que pretendeu regulamentar, também fez letra morta do art. 99, do CTN, que não admite que atos normativos regulamentares, como as Instruções Normativas alterem as disposições das leis em função das quais tenham sido expedidos. Salienta que a negativa do procedimento adotado pela recorrente afrontaria a vinculação a que está sujeita a autoridade administrativa, por força do art. 2º, I, da Lei 9.784/99. Pede a reforma da decisão para: a) que seja deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural; b) que seja aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso é tempestivo e atende às condições de admissibilidade. O presente processo foi encaminhado originalmente à Segunda Seção e foi encaminhado à Primeira Seção, nos termos do art. 7º, § 1º do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF 256/2009, uma vez que o ITR declarado foi compensado com TDA(50%) e a outra metade, com saldo negativo do imposto de renda pessoa jurídica. Inicialmente devese apreciar se a competência para julgamento de recurso contra decisão de primeira instância, que indeferiu pedido de pagamento de 50% do ITR com TDA, é ou não desta Seção. De acordo com o art. 2º, VII, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, a competência para julgar recurso voluntário de decisão de primeira instância que verse sobre tributos, empréstimos compulsórios e matéria correlata não incluídos na competência das demais Seções, compete à Primeira Seção. Tendo em vista que o pagamento de 50% do ITR com TDA, não está incluída na competência das demais Seções, de que tratam os arts. 3º e 4º do mesmo Regimento, a competência para apreciação dessa matéria é mesmo da 1ª Seção. Observese que se discute a possibilidade do pagamento de 50% do ITR com Títulos da Dívida Agrária, e em vez do pagamento em espécie dos outros 50% do ITR, se possa compensar a outra metade do ITR, com créditos relativos a tributos administrados pela Fl. 4DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 5 5 SRF. Ou seja, o fato da compensação se dar com saldo negativo do imposto de renda em vez de outro tributo é indiferente. A compensação do saldo negativo foi formalizada por meio de DCOMP, sendo que segundo informação da autoridade administrativa, à época, a declaração de compensação encontravase em análise manual. Portanto, o direito à compensação do saldo negativo não é discutido neste processo. Caso se julgue que é possível a compensação da outra metade do ITR com tributos administrados pela Receita Federal, é que se deve verificar se a compensação foi ou não homologada, não sendo a mesma objeto de discussão no presente processo. A IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001, dispõe sobre o pagamento de até 50% do ITR com Títulos de Dívida Agrária. A referida Instrução Normativa foi editada com base na alínea “a” do § 1º do art. 105, da Lei 4.504, de 30/11/64 e no inciso I, art. 11, do Decreto 578, 24/06/92. Esses dispositivos dispõem: A Lei 4.504, de 30/11/64 dispõe sobre o Estatuto da Terra e dá outras providências. Art. 105. Fica o Poder Executivo autorizado a emitir títulos, denominados Títulos da Dívida Agrária, distribuídos em séries autônomas, respeitado o limite máximo de circulação equivalente a 500.000.000 de OTN (quinhentos milhões de Obrigações do Tesouro Nacional). (Redação dada pela Lei nº 7.647, de 19/01/88) § 1° Os títulos de que trata este artigo vencerão juros de seis por cento a doze por cento ao ano, terão cláusula de garantia contra eventual desvalorização da moeda, em função dos índices fixados pelo Conselho Nacional de Economia, e poderão ser utilizados: a) em pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto Territorial Rural; O Decreto 578, de 24/06/92, dá nova regulamentação aos Títulos de Dívida Agrária. Art. 11. Os TDA poderão ser utilizados em: I pagamento de até cinqüenta por cento do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural; Art. 15. Os Ministros da Economia, Fazenda e Planejamento e da Agricultura e Reforma Agrária poderão expedir as instruções necessárias à fiel execução do presente decreto. Determina a IN SRF/STN nº 1, de 25/10/2001, republicada em 16/11/2001: Fl. 5DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 6 6 Art. 1o O contribuinte do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) poderá pagar até cinqüenta por cento desse imposto com Títulos da Dívida Agrária (TDA). § 1o Somente serão aceitos TDA escriturais, sendo vedado o seu fracionamento. Art. 3o Para solicitação de pagamento do imposto com TDA deverá ser utilizado, obrigatoriamente, o formulário cujo modelo de requerimento consta do Anexo I desta Instrução. § 1o O requerimento será instruído com os seguintes documentos: I Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf), correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido; A IN exige que o requerimento de pagamento de até 50% do ITR, seja instruído com o DARF, correspondente ao pagamento, em espécie, da outra parte do imposto devido. Entretanto, não se verifica na Lei 4.504/64 e tampouco no Decreto 578/92, cujos dispositivos que interessam a este julgado estão acima transcritos, que para o pagamento de até 50¨% do ITR com TDA, haja a obrigatoriedade de que o pagamento do restante do imposto tenha que ser pago, em espécie. Tendo a outra parte do ITR sido compensada com saldo negativo do imposto de renda, cuja DCOMP não está em apreciação neste processo, e levando em conta que, nos termos do inciso II, do art. 156, do CTN, a compensação é uma das modalidades de extinção do crédito tributário e que de acordo com o § 2º do art. 74 da Lei 9.430/96, a compensação declarada à Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, deve ser rejeitada a prejudicial de que o pagamento do restante do débito de ITR, tenha que ser pago, em espécie, e os autos devem retornar à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pleito. Assim, tendo a recorrente, pedido a reforma da decisão para que fosse deferido o requerimento para pagamento de até 50% do ITR com TDA escritural e que fosse aceito o pagamento do restante do imposto por meio de compensação com saldo negativo do imposto de renda, devese dar provimento parcial ao recurso, uma vez que outras condições devem ser atendidas para atendimento do seu pleito, que não foram apreciadas pela autoridade administrativa. Do exposto, oriento meu voto para dar provimento parcial ao recurso para rejeitar a prejudicial de que para o pagamento de até 50% do débito de ITR, com Títulos da Dívida Agrária, o restante do débito deva ser pago em espécie, e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem para prosseguimento na análise do pedido. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 6DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13116.001999/200733 Acórdão n.º 140200.619 S1C4T2 Fl. 7 7 Fl. 7DF CARF MF Emitido em 28/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Assinado digitalmente em 28/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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Numero do processo: 10875.903623/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Exercício: 2003
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ACOLHIDA.
A DRJ entendeu que o contribuinte não apresentou documentação contábil-fiscal que comprovasse o crédito que alega possuir. Entretanto, em momento algum, se manifesta ou analisa nenhum dos documentos apresentados pelo Contribuinte, seja para acatá-los ou não.
Mesmo que a DRJ entenda que o vasto rol de documentos apresentados pelo Contribuinte não são suficientes para comprovar a legitimidade do crédito que aduz possuir, deve a DRJ se manifestar expressamente neste sentido.
Cerceamento do direito de defesa verificado. Acatada a preliminar de nulidade
Numero da decisão: 1401-002.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva. e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Exercício: 2003 NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ACOLHIDA. A DRJ entendeu que o contribuinte não apresentou documentação contábil-fiscal que comprovasse o crédito que alega possuir. Entretanto, em momento algum, se manifesta ou analisa nenhum dos documentos apresentados pelo Contribuinte, seja para acatá-los ou não. Mesmo que a DRJ entenda que o vasto rol de documentos apresentados pelo Contribuinte não são suficientes para comprovar a legitimidade do crédito que aduz possuir, deve a DRJ se manifestar expressamente neste sentido. Cerceamento do direito de defesa verificado. Acatada a preliminar de nulidade
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. Declarou-se impedida de votar a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva- Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (Vice-Presidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva. e Letícia Domingues Costa Braga.
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PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA ACOLHIDA. A DRJ entendeu que o contribuinte não apresentou documentação contábil fiscal que comprovasse o crédito que alega possuir. Entretanto, em momento algum, se manifesta ou analisa nenhum dos documentos apresentados pelo Contribuinte, seja para acatálos ou não. Mesmo que a DRJ entenda que o vasto rol de documentos apresentados pelo Contribuinte não são suficientes para comprovar a legitimidade do crédito que aduz possuir, deve a DRJ se manifestar expressamente neste sentido. Cerceamento do direito de defesa verificado. Acatada a preliminar de nulidade Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acatar a preliminar de nulidade da decisão recorrida, nos termos do voto do Relator. Declarouse impedida de votar a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 36 23 /2 00 9- 47 Fl. 225DF CARF MF 2 Daniel Ribeiro Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia de Carli Germano (VicePresidente), Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Abel Nunes de Oliveira Neto, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva. e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório 1. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília (DF) que manteve o crédito tributário decorrente da impossibilidade da compensação do IRPJ referente ao ano calendário de 2003, tendo em vista a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário em questão. 2. Inferese dos autos, que a Dcomp (Declaração de compensação) transmitida em 2006, apontou crédito tributário de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ/2003, cujo DARF totalizava o valor de R$ 474.973,81 – (Fls. 35/39). 3. Segundo informações constantes nos autos, “a autoridade administrativa não reconheceu o crédito informado e por via de conseqüência não homologou as compensações realizadas, por inexistência do creditório solicitado”. 4. Cientificado da não homologação da compensação transmitida em 29/04/2009 (fls. 57), o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade em 29/05/2009 (fls. 03/18), na qual alegou: i) Inicialmente que o crédito, objeto da declaração de compensação ("PER/DCOMP), apresentado em 2006, “não decorre de um mero recolhimento corriqueiro de IRPJ Estimativa, mas sim de um erro na elaboração da guia DARF de pagamento que gerou um recolhimento feito em montante superior ao débito apurado no mês em que foi devido, configurando, assim, quanto ao excesso, um crédito oponível ao Fisco"; ii) DA NATUREZA DO PAGAMENTO INDEVIDO DO CRÉDITO: Afirma que a discussão acerca do pagamento indevido, vem descrito no art. 165 do CTN, o que permite a "restituição total ou parcial independentemente da modalidade de pagamento do tributo", explicando que "recolhimento em excesso decorrente de um erro na elaboração de qualquer documento relativo ao pagamento (guia DARF) caracterizase como sendo um crédito de pagamento indevido embasado pelo artigo 165, II do CTN que, frisese, não poderia ser limitado pela discriminação da modalidade do seu pagamento"; iii) DO RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVAS MENSAIS: Explica que o IRPJ Estimativa é uma antecipação do IRPJ que poderá vir a ser devido ao final do exercício de apuração. (...) "que a legislação aplicável definiu uma forma especifica para apuração dos valores devidos a título de IRPJ Estimativa, sendo que tais valores são declarados pela Pessoa jurídica, Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10875.903623/200947 Acórdão n.º 1401002.208 S1C4T1 Fl. 226 3 optante por tal regime, em sua Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais ("DCTF") e sua DIPJ”; iv) DA COMPOSIÇÃO FÁTICA DO CRÉDITO: Informa que apurou, no mês de março de 2003, débito de IRPJ, a estimativa no valor de R$ 71.127,09. E que tal composição do débito de IRPJ Estimativa se baseou na apuração do Lucro Liquido do mês em questão descrito em seu Livro Diário, que gerou o Lucro Real do mês apurado na parte A do LALUR, o qual aponta uma base de cálculo no valor de R$ 9.826.862,35. Por essas razões, tendo em vista erros incorridos pela Requerente ao elaborar a guia DARF de pagamento do débito de IRPJ Estimativa apontado, restou por recolher, equivocadamente, excessos na monta total de R$ 288.701,56. Elaborou uma tabela explicativa dos valores: v) DA NÃO APLICABILIDADE DO ART. 10 DA I.N nº 600/05: Alega que “tal dispositivo somente poderia dispor que aos recolhimentos corriqueiros de IRPJ Estimativa e não os excessos decorrentes de um recolhimento indevido efetuado por erro na elaboração da guia DARF de pagamento — seria permitido apenas sua utilização para dedução do IRPJ devido ao final do exercício ou para compor o Saldo Negativo de IRPJ, o que não é o caso. Não havendo, destarte, qualquer impedimento legal para o procedimento adotado pela ora Requerente na conceituação e aproveitamento de seus créditos, aqui tratados, como a espécie do gênero pagamento indevido descrita no inciso II do artigo 165 do CTN”; vi) DA IMPOSSIBILIDADE DO NÃORECONHECIMENTO DO CRÉDITO: Apregoa que não há que se falar em nãorestituição do crédito pleiteado, pois “pela evidente natureza de pagamento a maior decorrente do artigo 165, II do CTN, deverá ser concedido, ao menos, como decorrente de Saldo Negativo apurado ao final do exercício em comento, tendo em vista a verdade material dos fatos ora discutidos”; vii) Requereu o integral acolhimento da Manifestação de Inconformidade para que seja reconhecido o direito ao crédito pleiteado e homologada a respectiva compensação. 5. O Acórdão ora Recorrido (03073.681 4ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: Fl. 227DF CARF MF 4 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. NECESSIDADE DE LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO DO SUJEITO PASSIVO. CRÉDITO INEXISTENTE. A lei somente autoriza a compensação de crédito tributário com crédito líquido e certo do sujeito passivo. No caso, não foi comprovada a existência do crédito pleiteado, portanto, inexistente. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo demonstrar, por meio de provas hábeis, a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. A autoridade julgadora de primeira instância determinará a realização de diligência, quando entendêla necessária, indeferindo a que considerar prescindível. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. 6. Isto porque, segundo entendimento da Turma, “o Darf pago se refere a débito declarado em DCTF, documento constitutivo da dívida, e por isso, crédito tributário confessado que só pode ser modificado por retificação e iniciativa da contribuinte. Isso mostra, então, que não ocorreu erro na elaboração do Darf, ou melhor dizendo, ao preencher o Darf a contribuinte teria se equivocado no valor do débito a pagar. O argumento de que se caracterizou como sendo um crédito de pagamento indevido, embasado no art. 165II do CTN, cai por terra. Enquanto que o pagamento a maior, 165I do CTN, também não se comprova, porque o débito foi declarado e confessado pela interessada. A simples alegação de que o pagamento realizado foi apurado, a posteriori, a menor, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em sua declaração de compensação”. 7. Entendeu a DRJ que "neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte (Livro Razão), baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". 8. Extraise do Acórdão recorrido, que não restou comprovado nos autos, “a existência de direito creditório líquido e certo do contribuinte contra a Fazenda Pública passível de restituição/compensação, não há o que ser reconsiderado na decisão dada pela autoridade administrativa, tendo em vista que o pagamento (Darf) apresentado no PER/Dcomp foi integralmente utilizado para quitar o débito confessado pelo contribuinte, não restando crédito disponível para compensação”, por esse motivo a manifestação de inconformidade apresentada foi julgada improcedente, mantendose a integralidade da decisão não homologatória da compensação declarada pelo contribuinte. 9. O contribuinte recebeu mensagem com acesso ao Acórdão por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico perante à RFB, na data de Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10875.903623/200947 Acórdão n.º 1401002.208 S1C4T1 Fl. 227 5 03/04/2017 às 16:27 (fls. 71), tendo apresentado Recurso Voluntário em 02/05/2017 (fls. 75/96), na qual alegou: i) DO CERCEAMENTO DE DEFESA: Afirma a contribuinte que não há “justificativa plausível para que a compensação intentada pela Recorrente não seja homologada em razão da pretensa falta de documentação contábil fiscal que ampare o montante creditório apontado pela Recorrente, conforme aventado pela D. DRJ”. Informa que procedeu cuidadosamente a juntada aos autos dos comentos imprescindível de prova para carrear a homologação do pedido de compensação tributária, quais sejam: Declaração de Compensação (fls. 34/39), Excerto da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) relativa ao anocalendário de 2003 (fls.40/41), LivroDiário com Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados de março/2003 (fls. 42/48), Registro de Ajuste do Lucro Líquido do Exercício de março/2003 (Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real “LALUR”) (fls. 49/50); e DARF comprobatório do recolhimento a maior pela Recorrente (fls.51); ii) DA NATUREZA DO INDÉBITO DO RECOLHIMENTO A MAIOR DE ESTIMATIVA DE IRPJ/CSLL: Informa “que os recolhimentos por estimativa são modalidade de pagamento antecipado do tributo devido, integrante da sistemática de apuração pelo Lucro Real, a teor dos artigos 2º e 6º da Lei nº 9.430/96”. (...) É facultado ao contribuinte sujeito ao Lucro Real optar pelo recolhimento das estimativas (i) com base na aplicação de percentuais de presunção de lucro sobre as receitas do mês (semelhante ao Lucro Presumido); e (ii) ou na antecipação da apuração do Lucro Real para o mês de recolhimento do tributo. Desse modo, as estimativas de IRPJ e CSLL têm fato gerador, base de cálculo e prazo para recolhimento próprios previstos na legislação, de modo que não é possível impedir seu creditamento até a apuração do saldo negativo e não a partir do recolhimento da estimativa a maior”; iii) DA DESNECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO DE “DCTF” PARA AFERIÇÃO DO CRÉDITO. DIPJ COMO DOC. APTO A CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO: Argumenta que a retificação da DCTF é procedimento que encontra limitações em diversas hipóteses fáticas, as quais, se verificadas, não podem servir como razão de cerceamento ao direito creditório da Recorrente. A primeira limitação que o contribuinte traz, é acerca da decadência Prazo de 5 anos contados a partir do 1º dia do exercício seguinte àquele ao qual se refere a declaração, constante do art. 9º, § 5º da Instrução Normativa nº 1.599/2015. Diz ainda, que “se a DIPJ, o LALUR e outros documentos contábeis acostados pela Recorrente dão conta de fazer jus a seu direito creditório, este não deve ser glosado por razões operacionais que afastem o Fisco de auferir a efetiva verdade material dos presentes autos”. Colaciona julgados do CARF, tratando acerca da mesma temática (existência de direito creditório em favor do contribuinte e pela necessária homologação da compensação pleiteada); Fl. 229DF CARF MF 6 iv) DA COMPROVAÇÃO DO CRÉDITO: Afirma que “os documentos fiscais e contábeis acostados aos presentes autos fundamentam o montante creditório ao qual faz jus, e que é facultado ao contribuinte, no recolhimento de estimativas de IRPJ, efetuar balancetes de suspensão ou redução para aferir exatamente qual seu lucro real referente à data do período de apuração da estimativa exatamente para que não seja recolhido o valor estabelecido em presunção”. Afirmando que: a) Elaborou “balanço patrimonial e demonstração de resultado para o mês de março de 2003, cujo valor do “Lucro antes da contribuição social e do Imposto de renda” foi de R$17.335.571,75” – Fls. 48; b) Diz que o “Lucro antes da contribuição social e do Imposto de renda” (R$17.335.571,75) reduzido da “Contribuição Social” (R$691.270,58) confere com o valor base do Registro de Ajuste do Lucro Líquido do Exercício de março/2003 integrante da Parte A do LALUR”; “A partir desse valor foram realizadas todas as exclusões e adições do Lucro Real para que se chegue à base de cálculo da estimativa de março de 2003, que resultou no montante de R$9.826.862,35”; c) “A partir do Lucro Real (base de cálculo optada pela Recorrente) apurouse que o valor da estimativa de IRPJ de março de 2003 era de R$71.127,09. Valor este que deve ser confrontado ao do recolhimento realizado (DARF) e respectiva DCTF (R$359.828,65) para apurar o efetivo indébito”; d) Portanto, “o crédito resultante da diferença do quanto apurado para a estimativa de março de 2003 (R$71.127,09) e o quanto recolhido (R$359.828,65), é exatamente o valor do crédito objeto do presente feito (R$288.701,56)”. v) Requereu a procedência do Recurso Voluntário interposto, para que seja reconhecida a nulidade do acórdão prolatado pela DRJ em razão da falta de análise dos documentos comprobatórios do crédito pleiteado; vi) Subsidiariamente, requereu que seja feita a baixa dos autos em diligência para que haja a efetiva análise de referidos documentos; vii) Protestou pela sustentação oral de seus argumentos. 10. É o relatório do essencial. bela do plano Fl. 230DF CARF MF Processo nº 10875.903623/200947 Acórdão n.º 1401002.208 S1C4T1 Fl. 228 7 Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator. Observo que as referências a fls. feitas no decorrer deste voto se referem ao eprocesso. Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Brasília (DF) que manteve o crédito tributário decorrente da impossibilidade da compensação do IRPJ referente ao ano calendário de 2003, tendo em vista a ausência de certeza e liquidez do crédito tributário em questão. A Dcomp (Declaração de compensação) transmitida em 2006, apontou crédito tributário de pagamento indevido ou a maior referente ao IRPJ/2003, cujo DARF totalizava o valor de R$ 474.973,81 – (Fls. 35/39), entretanto a autoridade administrativa não reconheceu o crédito informado e por via de conseqüência não homologou as compensações realizadas, por inexistência do creditório solicitado. Tal conclusão decorreu da falta de retificação da DCTF. Assim, sendo a DCTF instrumento de confissão de dívida que não foi retificado, e estando os DARFs de recolhimento de acordo com os valores nela indicados, não haveria direito creditório a ser utilizado. Tal situação não é nova neste Conselho, a questão central é analisar se é prescindível a retificação dos documentos que constituem o crédito tributário como condição para se apresentar a declaração de compensação que se pretende realizar, devendo as autoridades julgadoras analisar os demais documentos contábeis e fiscais que o contribuinte apresente para confirmação do direito creditório. Após realização de uma pesquisa jurisprudencial, verifico que a posição majoritária deste Conselho tem sido no sentido de entender que não há obrigatoriedade de se retificar previamente a declaração que constitua o crédito tributário para formalização do direito creditório, em alguns casos até mesmo reconhecendo o direito de o contribuinte promover a retificação da DCTF/GFIP após o despacho decisório emitido pela autoridade fiscal denegando o direito à compensação. Entretanto, também é entendimento majoritário de que não basta o contribuinte retificar a declaração após intimação da decisão administrativa ou alegar a existência de crédito sem a retificação, devendo comprovar com documentos contábeis e fiscais o seu direito creditório. Esse é o entendimento que se extrai do Acórdão n. 9202003.930 da CSRF, no sentido de que a falta de retificação não pode consistir em óbice à compensação: NÃO RETIFICAÇÃO DE GFIP INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO INAPLICABILIDADE. Fl. 231DF CARF MF 8 O fato de o ente público não retificar a GFIP, excluindo os agentes políticos, não pode constituir óbice à compensação ou restituição quando constatado o direito creditório do recorrente, uma vez que existe Auto de Infração de obrigação acessória próprio para informações incorretas no documento GFIP. Recurso Especial da Fazenda Negado Outros acórdãos também seguem tal entendimento, qual seja, de ser prescindível a retificação, mas condicionam o deferimento à prova de existência do crédito, são eles: 3302002.956, 3302002.955, 3302002.954, 3302002.953, 2201002.862, 3401 003.008, 1301002.103. Aliás, essa também parece ser a linha de entendimento da DRJ que, apesar de manifestar que a falta de retificação da DCTF afastaria a certeza e liquidez do crédito, defende que "neste momento processual, para se comprovar a liquidez e certeza do crédito informado na declaração de compensação é imprescindível que seja demonstrada na escrituração contábilfiscal da contribuinte (Livro Razão), baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração". E neste momento que merece ser analisada a preliminar de cerceamento do direito de defesa aduzida pela Recorrente. Ora, é fato que o contribuinte promoveu a juntada da Declaração de Compensação (fls. 34/39), Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (“DIPJ”) relativa ao anocalendário de 2003 (fls.40/41), LivroDiário com Balanço Patrimonial e Demonstrativo de Resultados de março/2003 (fls. 42/48), Registro de Ajuste do Lucro Líquido do Exercício de março/2003 (Parte A do Livro de Apuração do Lucro Real “LALUR”) (fls. 49/50); e DARF comprobatório do recolhimento a maior pela Recorrente (fls.51). Ocorre que, analisando a decisão recorrida, o que se depreende é que a DRJ entende que o contribuinte não apresentou documentação contábilfiscal que comprovasse o crédito que alega possuir. Entretanto, em momento algum, se manifesta ou analisa nenhum dos documentos apresentados pelo Contribuinte, seja para acatálos ou não. Mesmo que a DRJ entenda que o vasto rol de documentos apresentados pelo Contribuinte não são suficientes para comprovar a legitimidade do crédito que aduz possuir, entendo que deveria a DRJ se manifestar expressamente neste sentido. Assim, a meu ver, entendo assistir razão ao Recorrente quanto ao alegado cerceamento do direito de defesa, o que não pode ser suprido neste momento sob pena de supressão de instância. Neste sentido, acatando a preliminar suscitada, entendo ser nula a decisão da DRJ, devendo os autos retornarem para novo julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 232DF CARF MF Processo nº 10875.903623/200947 Acórdão n.º 1401002.208 S1C4T1 Fl. 229 9 Fl. 233DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10875.902665/2008-80
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 21/09/2004
DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF.
Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limita-se à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação acerca dos débitos declarados.
Nas hipóteses em que o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP, sob o argumento de que inexiste o débito declarado, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, encaminhando-o para análise da autoridade competente.
Decisão recorrida anulada de ofício, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972.
Recurso Voluntário não conhecido.
Decisão da DRJ anulada de ofício.
Numero da decisão: 3002-000.014
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e decretar a nulidade da decisão da DRJ, de ofício.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 21/09/2004 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limita-se à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação acerca dos débitos declarados. Nas hipóteses em que o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP, sob o argumento de que inexiste o débito declarado, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, encaminhando-o para análise da autoridade competente. Decisão recorrida anulada de ofício, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972. Recurso Voluntário não conhecido. Decisão da DRJ anulada de ofício.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e decretar a nulidade da decisão da DRJ, de ofício. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente).
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DCOMP. NULIDADE. Recorrente TINTAS CALAMAR INDÚSTRIA E COMÉRCIO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 21/09/2004 DISCUSSÃO ACERCA DO DÉBITO DECLARADO EM DCOMP. INCOMPETÊNCIA DO CARF. Em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como no parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limitase à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação acerca dos débitos declarados. Nas hipóteses em que o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP, sob o argumento de que inexiste o débito declarado, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, encaminhandoo para análise da autoridade competente. Decisão recorrida anulada de ofício, nos termos do art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972. Recurso Voluntário não conhecido. Decisão da DRJ anulada de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário e decretar a nulidade da decisão da DRJ, de ofício. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 26 65 /2 00 8- 80 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 62 2 Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora) e Larissa Nunes Girard (Presidente). Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 63 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 29 dos autos: Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório (fl. 21), em que foi apreciada a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) de nº 34170.07461.210904.1.3.040046 (fls. 16/20), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de IPI no valor de R$ 3.482,00 (3º dec/setembro/2001) e no valor de R$ 2.203,13 (1º dec/outubro/2001), com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de IPI. Segundo consta, foi reconhecido o direito de R$ 2.237,61, porque o restante do valor pleiteado foi utilizado na quitação de débitos confessados pela contribuinte. Irresignada, a interessada apresentou a seguinte manifestação de inconformidade (fl. 02): I Os Fatos Informado no PER/DCOMP 34170.07461.210904.1.3.040046 no campo Débitos Compensados o valor 3.482,00 indevidamente, este valor foi compensado no 3° Decêndio 09/2001 com o saldo de 5.685,13 pago a maior no 2° Decêndio de 09/2001. Informado no PER/DCOMP 34170.07461.210904.1.3.040046 no campo Débitos Compensados o valor 2.203,13 indevidamente, este valor foi compensado no 1° Decêndio 10/2001 com o saldo de 2.203,13 pago a maior no 2° Decêndio de 09/2001. II O DIREITO II. 1 PRELIMINAR Imposto recolhido conforme Darf anexo no valor de 14.072,52 2° Decêndio Setembro 2001. Imposto recolhido conforme Darf anexo no valor de 8.600,99 1° Decêndio Outubro 2001. Como houve um despacho decisório, não há forma de retificar PER/DCOMP e sim impugnar, já que houve o recolhimento. II. 2 MÉRITO ( inciso III e IV do art. 16 do Dec.70.235/72) Anexo cópia Darf devidamente recolhido. Resumo Apuração IPI Dezembro de 2003. III. 2 A CONCLUSÃO A vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer a impugnante seja acolhida a presente impugnação para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, à unanimidade de votos, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 64 4 Data do fato gerador: 21/09/2004 DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. EXIGÊNCIA DE DÉBITO. CANCELAMENTO. ÔNUS DA PROVA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e, sem prova em contrário, instrumento hábil e suficiente para a exigência do débito indevidamente compensado. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O contribuinte foi intimado acerca desta decisão em 19/01/2015 (vide AR à fl. 37 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 13/02/2015, Recurso Voluntário (fls. 39/45), através do qual reforçou as explicações de sua manifestação de inconformidade no sentido de que os débitos constantes da DCOMP teriam sido ali indicados por equívoco, visto que já teriam sido previamente compensados, tendo requerido: i) o cancelamento do crédito tributário e da multa cominada, em razão da extinção dos débitos lançados mediante pagamento; ii) realização de diligências que se façam necessárias à verificação do crédito cujo reconhecimento se pretende; iii) posterior juntada de documentação eventualmente não acostada, nos termos do artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o breve relatório. Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 65 5 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões: Apesar de tempestivo, entendo que o Recurso Voluntário interposto no presente não merece ser conhecido. É o que será devidamente analisado a seguir. 1. Questão prejudicial. Incompetência da DRJ e do CARF para apreciação da matéria. Recurso Voluntário não conhecido. Nulidade da decisão recorrida. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte alegou que teria informado no PER/DCOMP, por equívoco, valores de débitos já anteriormente compensados e que, como não era possível retificar este erro, a única alternativa que lhe restava era apresentar manifestação de inconformidade. No intuito de comprovar o seu direito, juntou, nesta oportunidade, cópia dos DARFs pagos, bem como planilha com resumo da apuração do IPI. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, quanto ao indébito, que não haveria correção a ser feita no Despacho Decisório, visto que o próprio contribuinte teria admitido a inexistência do pagamento indevido no valor de R$ 5.685,13, reconhecendo o indébito somente de R$ 2.237,61. Nesse contexto, entendeu aplicável o art. 17 do Decreto 70.235/72. De outro norte, quanto ao alegado equívoco na declaração no que concerne aos débitos de IPI, a DRJ entendeu que, nesse caso, caberia ao contribuinte comprovar o erro através de documentos contábeis e fiscais. No entanto, o contribuinte limitouse a apresentar DARF e um demonstrativo sem valor probatório (à fl. 14 dos autos). Consignou que, nos termos do artigo 17 da Medida Provisória nº 135/2003, a PER/DCOMP constitui instrumento hábil para cobrança de débitos indevidamente compensados. Sendo assim, quanto à compensação pleiteada, entendeu correta a homologação apenas parcial da compensação, determinada em despacho decisório de fl. 21, visto que o contribuinte não teria logrado comprovar a alegação de que os débitos confessados na DCOMP teriam sido, de fato, incluídos indevidamente na DCOMP. O recorrente, então, insurgese contra o entendimento da DRJ, apresentando Recurso Voluntário através do qual insiste que seu crédito de fato existe e que o débito lançado já foi pago, tendo sido incluído indevidamente na DCOMP por erro formal, pelo que requereu, avocando o princípio da verdade material: i) o cancelamento do crédito tributário e da multa cominada, em razão da extinção dos débitos lançados mediante pagamento; ii) a realização de diligências que se façam necessárias à verificação do crédito cujo reconhecimento se pretende; iii) posterior juntada de documentação eventualmente não acostada, nos termos do artigo 16, §§ 4º e 5º do Decreto nº 70.235/72. Ou seja, apresenta o contribuinte como pedido principal do seu Recurso Voluntário o cancelamento do crédito tributário e da multa cominada, em razão da extinção dos débitos lançados mediante pagamento. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 66 6 Como se vê, pretende o contribuinte, nesta oportunidade, discutir a existência ou não dos débitos por ele mesmo confessados em DCOMP. Não se está em discussão, portanto, a existência dos créditos alegados, mas sim a inexistência dos débitos declarados. Ao analisar o caso, entendo que há uma questão prejudicial à análise da presente contenda. Consoante acima narrado, verificase que todo o arcabouço fático que embasa a defesa do contribuinte diz respeito à inexistência dos débitos indicados na DCOMP apresentada, que já teriam sido previamente quitados. Ou seja, pretende o contribuinte, através da sua defesa, proceder à retificação da DCOMP outrora apresentada. Entendo, contudo, que o CARF não possui competência para proceder à análise pretendida pelo contribuinte. Para que melhor se compreenda a questão aqui posta, transcrevo a seguir teor do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, a qual, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, passou a prever de forma expressa que a não homologação de compensação também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão.(Redação dada pela Lei n° 10.637, de 2002) § 1° A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual constarão informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados.(Incluído pela Lei n° 10.637, de 2002) (...) § 7º Não homologada a compensação, a autoridade administrativa deverá cientificar o sujeito passivo e intimálo a efetuar, no prazo de 30 (trinta) dias, contado da ciência do ato que não a homologou, o pagamento dos débitos indevidamente compensados.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 8ª Não efetuado o pagamento no prazo previsto no § 7°, o débito será encaminhado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para inscrição em Dívida Ativa da União, ressalvado o disposto no § 9º. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 9º É facultado ao sujeito passivo, no prazo referido no § 7º, apresentar manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. (Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) § 10. Da decisão que julgar improcedente a manifestação de inconformidade caberá recurso ao Conselho de Contribuintes.(Incluído pela Lei n° 10.833, de 2003) Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 67 7 A hipótese aqui analisada, porém, não se enquadra na situação disposta acima. Isso porque, não pretende o contribuinte, através do seu Recurso Voluntário, ter deferida a homologação apresentada, mas sim vêla retificada, para fins de retirar os débitos ali indicados, tendo em vista que já teriam sido compensados anteriormente. Tal análise, contudo, não cabe a este Conselho Administrativo Fiscal. Até porque, como é cediço, nos pedidos de DCOMP apresentados pelo contribuinte, compete a este Conselho manifestarse acerca da existência do crédito pleiteado, e não da inexistência de débito confessado. Tanto que a previsão de competência para julgar os pedidos de homologação de DCOMPs segue a regra da origem do crédito, conforme se extrai do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), in verbis: Art. 7º Incluemse na competência das Seções os recursos interpostos em processos administrativos de compensação, ressarcimento, restituição e reembolso, bem como de reconhecimento de isenção ou de imunidade tributária. § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. Ademais, sabese que a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, conforme previsto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com alteração dada pela MP MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) § 6o A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. É por essa razão, inclusive, que o cerne da discussão nos pedidos de compensação é o direito ao crédito pleiteado pelo contribuinte, e não a existência do débito por ele confessado. Nesse contexto, em decorrência do disposto no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com as alterações introduzidas pela MP 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003, bem como do parágrafo 1º do art. 7º do Anexo II da Portaria nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), há de se concluir que a análise do CARF no que concerne aos pedidos de compensação limitase à existência dos créditos alegados pelo contribuinte. Não há competência, portanto, para análise de pedido de retificação da DCOMP no que concerne aos débitos ali declarados. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 68 8 Sobre este tema, já se manifestou o CARF anteriormente, a exemplo da passagem do voto proferido no Acórdão nº 110100.476, extraída do voto proferido no Acórdão nº 1301002.591, a seguir colacionada: A autoridade julgadora recorrida apontou dispositivos regimentais e normativos para declarar sua incompetência para apreciar atos de nãoadmissão dos PER/DCOMP retificadores e dos pedidos de cancelamento. Contudo, a própria lei apresenta obstáculos à discussão destas decisões administrativas no âmbito do contencioso administrativo especializado, instituído pelo Decreto n° 70.235/72. Isto porque, com a edição da Lei n° 9.784/99, o contencioso administrativo passou a observar suas regras, exceto quando disciplinados por lei própria: Art. 1° Esta Lei estabelece normas básicas sobre o processo administrativo no âmbito da Administração Federal direta e indireta, visando, em especial, à proteção dos direitos dos administrados e ao melhor cumprimento dos fins da Administração. Art. 69. Os processos administrativos específicos continuarão a reger se por lei própria, aplicandoselhes apenas subsidiariamente os preceitos desta Lei. E, até então, o Decreto n° 70.235/72 tratava, apenas, da discussão dos lançamentos tributários no âmbito das instâncias administrativas especializadas (DRJ, Conselhos de Contribuintes, Câmara Superior de Recursos Fiscais): Art. 9º A exigência de crédito tributário, a retificação de prejuízo fiscal e a aplicação de penalidade isolada serão formalizadas em autos de infração ou notificação de lançamento, distintos para cada imposto, contribuição ou penalidade, os quais deverão estar instilados com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) (...) Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Parágrafo único. Na hipótese de devolução do prazo para impugnação do agravamento da exigência inicial, decorrente de decisão de primeira instância, o prazo para apresentação de nova impugnação, começará a fluir a partir da ciência dessa decisão. (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) Art. 25.0 julgamento do processo de exigência de tributos ou contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal compete: I em primeira instância: a) aos Delegados da Receita Federal, titulares de Delegacias especializadas nas atividades concernentes a julgamento de processos, Fl. 68DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 69 9 quanto aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal (Redação dada pela Lei n° 8.748, de 1993) b) às autoridades mencionadas na legislação de cada um dos demais tributos ou, na falta dessa indicação aos chefes da projeção regional ou local da entidade que administra o tributo, conforme for por ela estabelecido. II Em segunda instância, aos Conselhos de Contribuintes do Ministério da Fazenda, com a ressalva prevista no inciso III do § 1º. § 1º Os Conselhos de Contribuintes julgarão os recursos, de ofício e voluntário, de decisão de primeira instância, observada a seguinte competência por matéria: [...] III 3º Conselho de Contribuintes: tributos estaduais e municipais que competem à União nos Territórios e demais tributos federais, salvo os incluídos na competência julgadora de outro órgão da administração federal; [...] § 4º O recurso voluntário interposto de decisão das Câmaras dos Conselhos de Contribuintes no julgamento de recurso de ofício será decidido pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. (Incluído pela Lei n° 8.748, de 1993) Com a alteração da Lei n° 9.430/96 pela Medida Provisória n° 135/2003, convertida na Lei n° 10.833/2003, passou a existir previsão legal expressa no sentido de que a nãohomologação de compensações também seria objeto de apreciação no contencioso administrativo especializado: (...). O ato de não homologação, porém, é formalizado em face de uma determinada DCOMP considerada sujeita à apreciação da autoridade administrativa competente. O ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos de DCOMP é anterior a esta apreciação, e prestase, justamente, a impedila em relação às novas informações ali veiculadas, fazendo prevalecer a declaração anterior. Assim, o ato de indeferimento de retificações ou cancelamentos não integra o ato de nãohomologação passível de discussão no contencioso administrativo especializado. Tratase de providência paralela, que pode até repercutir no ato de não homologação da DCOMP, mas que se sujeita à discussão administrativa no âmbito do contencioso administrativo geral. Nesse contexto, entendo que o Recurso Voluntário interposto não deverá ser conhecido, visto que, através do mesmo, pretende o contribuinte discutir matéria que não é de competência deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (inexistência dos débitos indicados na DCOMP). Nessa mesma linha de raciocínio, entendo ter a DRJ se equivocado ao analisar a matéria, por faltarlhe competência para tanto. Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 70 10 Na verdade, nas hipóteses em que o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP, sob o argumento de que inexiste o débito declarado, penso que o correto encaminhamento do caso seria o recebimento da manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício, remetendoo para análise da autoridade competente. Tal medida, inclusive, estaria em consonância com o disposto no Parecer Normativo COSIT nº 08/2014, que assim dispõe: (...) REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. (...). Nesse mesma toada, trago à colação o teor do Acórdão nº 1301002.243, bem como passagem do voto vencedor ali proferido, em que este Conselho chegou à mesma conclusão aqui apresentada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 PER/DCOMP. PEDIDO DE CANCELAMENTO DE OFÍCIO. ALEGAÇÃO DE DÉBITO INEXISTENTE. ERRO. CONVERSÃO DA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE EM PEDIDO DE REVISÃO DE OFÍCIO. PN COSIT Nº 8/2014. Se o contribuinte apresenta pedido de cancelamento de ofício do PER/DCOMP manejando manifestação de inconformidade, ao argumento de que inexiste o débito declarado, por erro, a autoridade fiscal deve receber a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. *** Voto vencedor Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 71 11 Com as devidas vênias ao ilustre Relator, penso que o litígio aqui instaurado não deve ser solucionado dentro da sistemática do Decreto nº 70.235/1972. Com isso, ressalto a incompetência da DRJ e deste CARF para decidir o conflito posto nos autos. (...) Vejo o problema por outra óptica quando o contribuinte alega que o débito antes confessado em DCOMP inexiste, mormente quando o contribuinte descobre tal fato no momento de apresentar defesa contra o despacho decisório, tal e qual o ocorrido. Nessa circunstância – vale lembrar o artigo 32, parágrafo único, da IN SRF nº 600/2005 impedia o cancelamento da DCOMP, assim como, hoje em dia, o artigo 93, parágrafo único, da IN RFB nº 1300/2012, também o impede. Consoante o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014, a Portaria Conjunta SRF/PGFN nº 1/1999 estabelece que “qualquer débito encaminhado para inscrição em dívida ativa pode ser revisto de ofício pela autoridade administrativa da RFB quando o sujeito passivo apresentar provas inequívocas de cometimento de erro de fato”. Anotese que citado PN Cosit nº 8/2014 prevê a possibilidade de revisão de ofício de DCOMP “quando a compensação não é homologada por despacho decisório e, cumulativamente, tal decisão não é reformada em função de contencioso administrativo, seja pelo fato de não se ter insturado o litígio, seja em virtude de decisão administrativa definitiva, total ou parcialmente, desfavorável a ele”. No caso sob exame, não há e nunca houve litígio quanto ao crédito. Por outro lado, as DRJ e o Carf não são competentes para apreciar reclamações fundadas na inexistência do débito declarado com erro em DCOMP. Portanto, a decisão administrativa não se tornará definitiva passando por essas instâncias. Assim, pela perspectiva do PN Cosit nº 8/2014, o Despacho Decisório à fl. 23 é a decisão que se tornou definitiva e objeto do pedido de revisão de ofício. Saliento, entretanto, que não cabe a este Colegiado decidir se o erro em lume é de fato ou de direito, pois tal decisão implicaria antecipação da solução de uma questão prejudicial ao mérito do pedido de revisão. Restrinjome à pronúncia de incompetência da autoridade julgadora a quo e do CARF e à conversão da manifestação de inconformidade em pedido de revisão de ofício a ser apreciado pela autoridade administrativa, em conformidade com o Parecer Normativo Cosit nº 8/2014. Há, portanto, de ser reconhecida de ofício a nulidade da decisão recorrida, face à incompetência da DRJ para julgar a matéria, conforme determina o art. 59, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; 2. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, de ofício, decretar a nulidade da decisão recorrida, determinando, por consequência, o encaminhamento do processo à unidade de origem, a fim de que esta receba a manifestação de inconformidade como pedido de revisão de ofício. É como voto. Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10875.902665/200880 Acórdão n.º 3002000.014 S3C0T2 Fl. 72 12 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.721589/2010-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
IRRF. PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ.
I- Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consuma-se cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado.
II - Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido.
III - Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços.
IV - Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF.
Numero da decisão: 9101-003.341
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro André Mendes de Moura, alegada pelo patrono do contribuinte por ocasião da sustentação oral. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa Relatora
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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PAGAMENTOS SEM CAUSA OU BENEFICIÁRIO NÃO IDENTIFICADO. COEXISTÊNCIA COM GLOSA DE DESPESAS DO IRPJ. I Operação comercial revestida de normalidade pressupõe a efetiva prestação do serviço ou aquisição de mercadoria. Uma vez efetuado o pagamento, consumase cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. II Desvirtuamento nas operações entre tomador e prestador de serviços, com utilização de notas fiscais frias para lastrear eventos inexistentes e mascarar a verdadeira causa de saída de recursos da empresa, fazem com que a empresa reduza a base de cálculo por meio da contabilização de despesa, e por outro lado, o beneficiário dos ingressos não os ofereça à tributação, por ser desconhecido. III Por isso, autuação fiscal recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. IV Por determinação legal, o pólo passivo nas duas pontas da relação jurídica é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços (beneficiário que não pode ser identificado) para o tomador de serviços. Responde o tomador de serviços como sujeito passivo indireto pela tributação do IRRF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 15 89 /2 01 0- 24 Fl. 3177DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.178 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro André Mendes de Moura, alegada pelo patrono do contribuinte por ocasião da sustentação oral. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa (relatora), Luís Flávio Neto e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro André Mendes de Moura. Manifestou intenção de apresentar declaração de voto o conselheiro Luís Flávio Neto (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa – Relatora (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela lavratura de Auto de Infração de IRPJ e CSLL, quanto ao anocalendário de 2001 a 2004. O auditor fiscal aplicou multa de 150%, além de multa sobre estimativas mensais (fls. 1.889/1961). Consta do relatório fiscal (fls. 2031): (...) I. CONSIDERAÇÕES INICIAIS O presente procedimento fiscal foi aberto com a finalidade de serem refeitos os lançamentos anteriormente anulados em função de vício formal. (...) De acordo com os Acórdãos nº 13010036 e 130100.023, proferidos pela 3ª Câmara do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), foi acolhida a preliminar de nulidade Fl. 3178DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.179 3 de lançamento por vício formal. Esse vício de forma decorreu da falta de autorização escrita, antes do início do respectivo procedimento fiscal, para a realização de reexame de período já fiscalizado. (...) Como os novos lançamentos destinamse, apenas, a sanar o vício formal do qual decorreu a nulidade dos lançamentos anteriores, o atual procedimento não comportou fase instrutória (...) III. IRREGULARIDADES (INFRAÇÕES APURADAS) 001 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA Ficou comprovado que a Politec utilizouse de transações fictícias com várias empresas inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional para realizar a prestação de serviços contratada. Para isso, utilizouse de notas fiscais inidôneas com o propósito de comprovar fraudulentamente os seus custos operacionais, na verdade inexistentes, o que resultou na redução ou não pagamento dos tributos que têm como base de cálculo o resultado econômico do exercício (lucro). As empresas supostamente fornecedoras de serviços, foram objeto de fiscalização e de diligências. (...) Foram identificados vários aspectos indicativos de irregularidades nas empresas citadas e que levaram a realização de diligências, entre os quais: 1) o modelo gráfico das notas fiscais da maioria das empresas era muito semelhante, somente diferenciado o logotipo da empresa, apenas de as notas indicarem a impressão por gráficas distintas, 2) várias empresas encontravamse em situação de inaptidão, inativas ou com CNPJ inexistente, 3) empresas que tinham como sócio o Sr. Anair Cunha, procurador da Prodados Company Ltda. (...) Dessa forma e por todo o anteriormente descrito, nesta infração estão sendo glosados os custos relacionados aos supostos serviços prestados, durante os anosbase 2001 a 2004, pelas empresas Dataflow InfoSistemas Ltda., Consis Consultorias e Sistemas Ltda., Informática Engelin LTda., Centaufor Ltda., GTI Systemns Ltda. E L&N Consultoria Ltda. Vale lembrar que os custosw relacionados aos supostos serviços prestados pela Prodados Company LTda já haviam sido expurgados do lucro real pela própria Politec antes do início da ação fiscal realizada pela DRF / Goiânia, motivo pelo qual não estão sendo objeto de glosa nesta infração. (...) 003 – PAGAMENTOS SEM CAUSA / OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA FALTA DE RECOHLIMENTO DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA Fl. 3179DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.180 4 Pelo descrito na infração nº 001, ficou comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços correspondentes às notas fiscais emitidas, ou supostamente emitidas pelas empresas Prodados Company Ltda., Dataflow InfoSistemas Ltda., Consis Consultorias e Sistemas Ltda., Informática Engelin Ltda., Centaufor Ltda., GTI Systemns Ltda. e L&N Consultoria Ltda.No entanto, a empresa Politec apresentou documentação comprobatória (DOCs, TEDs e cópias de cheques) do pagamento de todas essas notas fiscais,sendo que, desta forma, esses desembolsos foram considerados como sem causa, visto que não houve a prestação dos serviços. Dessa maneira, nesta infração está sendo lançado o imposto de renda na fonte que incide, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento), sobre os mencionados pagamentos, conforme determina o art. 61, §1º, da Lei nº 8.981/95, visto que não houve a comprovação da operação que gerou esses desembolsos ou das causas dos mesmos. Uma vez que o art. 61, §3º, da Lei nº 8.981/95 determina que haja o reajustamento do rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto, para se apurar a base de cálculo do IRRF considerou se o valor líquido da nota fiscal (valor de emissão deduzido do IRRF) dividido por 65% (...) O contribuinte apresentou impugnação administrativa (fls. 2.131), que foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília. Colaciona se trechos da ementa do acórdão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 CONDUTA DOLOSA. ATOS REITERADOS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS PARA LASTREAR CUSTOS E DESPESAS. PAGAMENTOS A SERVIÇOS FICTÍCIOS NÃO PRESTADOS. A reiterada conduta da contribuinte, em contabilizar como custo, durante quatro exercícios consecutivos, notas fiscais inidôneas que não corresponderam à efetiva prestação de serviços e de efetuar pagamentos fictícios a serviços que nunca foram prestados, caracteriza uma série de atos ilícitos, planejados e ordenados, um a um, visando, deliberadamente, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, restando demonstrada a presença do elemento subjetivo doloso, com repercussão na contagem do prazo decadencial e na qualificação da multa de ofício. (...) DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. Fl. 3180DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.181 5 A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatandose a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato, com utilização de endereços fictícios, ausência de registros de inscrição ou AIDF’ e divergências na numeração das Notas Fiscais, a documentação fiscal apresentada mostrase tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. COMPROVAÇÃO INIDÔNEA. CUSTOS FICTÍCIOS GLOSADOS. Diante da comprovação por documentos inidôneos dos serviços prestados, com utilização de notas fiscais frias, emitidas por empresas inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional, cabe à autoridade tributária efetuar as glosas das despesas e custos fictícios. (...) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2002, 2003, 2004 CONDUTA DOLOSA. ATOS REITERADOS. UTILIZAÇÃO DE NOTAS FISCAIS INIDÔNEAS PARA LASTREAR CUSTOS E DESPESAS. PAGAMENTOS A SERVIÇOS FICTÍCIOS NÃO PRESTADOS. A reiterada conduta da contribuinte, em contabilizar como custo, durante quatro exercícios consecutivos, notas fiscais inidôneas que não corresponderam à efetiva prestação de serviços e de efetuar pagamentos fictícios a serviços que nunca foram prestados, caracteriza uma série de atos ilícitos, planejados e ordenados, um a um, visando, deliberadamente, impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento, restando demonstrada a presença do elemento subjetivo doloso, com repercussão na contagem do prazo decadencial e na qualificação da multa de ofício. Fl. 3181DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.182 6 (...) DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatandose a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato, com utilização de endereços fictícios, ausência de registros de inscrição ou AIDF’ e divergências na numeração das Notas Fiscais, a documentação fiscal apresentada mostrase tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%. I A comprovação da ocorrência dos pagamentos constituise em condição necessária, mas não suficiente, por si só, sendo que a previsão do parágrafo único do Art. 82 de Lei nº 9.430/1996 tem o objetivo de preservar o adquirente de boafé, ou seja, aquele que, apesar da inidoneidade dos documentos, realizou o pagamento de serviços que ocorreram de fato. II As provas reunidas, corroboradas pelas diligências realizadas, comprovando situações como inexistência de fato de empresas prestadoras de serviços, endereços fictícios, não existência de registros de inscrição ou autorizações para impressão de documentos fiscais (AIDF’s), divergências na numeração das Notas Fiscais, emissão de Notas Fiscais sem conhecimento da empresa emitente, demonstram a ocorrência de pagamentos de serviços que não ocorreram de fato. III Caracterizase, portanto, a situação no qual foram efetuados pagamentos sem causa, ou sem a efetiva comprovação da operação, cuja responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora. (...) Após a apresentação de recurso voluntário, o contribuinte apresentou desistência parcial do processo quanto aos “débitos de IRPJ e CSLL”, para adesão ao programa de parcelamento instituído pela Lei nº 11.941/2009 (fls. 2938/2940). Fl. 3182DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.183 7 A Turma a quo, conhecendo em parte do recurso voluntário, decidiu lhe negar provimento com relação aos temas conhecidos, em acórdão assim ementado: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ARTIGO 173, II, DO CTN. CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO PARA NOVO EXAME DE PERÍODO JÁ FISCALIZADO. VICIO FORMAL. PRAZO DECADENCIAL PARA NOVO LANÇAMENTO. A Fazenda Pública readquiriu o direito de constituir o crédito tributário, dentro do prazo de cinco anos, contados a partir da data em que se tornou definitiva a decisão que anulou os lançamentos efetuados anteriormente. Os novos lançamentos, por sua vez, devem ser restritos às matérias e provas contidas na acusação original. CONDUTA DOLOSA POR ATOS REITERADOS E POR LONGO PERÍODO DE UTILIZAÇÃO DE DOCUMENTOS QUE NÃO COMPROVAM A EFETIVIDADE DOS SERVIÇOS OU MESMO PAGAMENTOS A SERVIÇOS NÃO PRESTADOS. Comprovada a reiterada conduta em incorrer em custos ou despesas sem comprovação hábil ou idônea, por todo o período fiscalizado, temse caracterizada uma série de atos ordenados com objetivo de impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. DOLO. DECADÊNCIA. ART. 173 INCISO I DO CTN. Caracterizada nos autos a ocorrência de dolo, aplicase o prazo previsto no inciso I, art. 173, do CTN, em detrimento da regra disposta no § 4º, art. 150, do CTN. DOLO. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. O art. 44 da Lei nº 9.430, de1996 prevê, para as situações em que reste demonstrada a conduta dolosa, a aplicação de multa de ofício, para o percentual de 150%. DOCUMENTOS FISCAIS. INIDONEIDADE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO. A inidoneidade de documentos fiscais não tem origem exclusivamente da declaração de inaptidão da emitente da nota fiscal. Constatandose a ocorrência de situações no qual as empresas supostamente prestadoras de serviços inexistem de fato ou que os serviços não foram prestados, a documentação fiscal apresentada mostrase tributariamente ineficaz, independentemente da declaração de inaptidão da emissora em ato oficial. Fl. 3183DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.184 8 ESCRITURAÇÃO. DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. PROVA DA INVERACIDADE DOS FATOS REGISTRADOS. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados, desde que comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Por sua vez, deixa a escrituração de fazer prova ao contribuinte quando a autoridade administrativa constata a ocorrência de ilícitos, e demonstra com provas contundentes que a escrituração não traduz os fatos efetivamente ocorridos e não se encontra lastreada por documentação probatória pertinente. CSLL. LANÇAMENTO DECORRENTE DO MESMO FATO. Aplicase à CSLL a glosa das despesas ou custos deduzidos tendo em vista a falta de documentação para suportar o registro contábil desses. DOCUMENTOS INIDÔNEOS. PAGAMENTOS SEM CAUSA. IRRF DE 35%. Constatado que não houve causa para o pagamento comprovadamente feito, que não há efetiva comprovação do serviços, a responsabilidade do imposto de renda retida na fonte recai sobre a fonte pagadora. A Procuradoria foi intimada do acórdão, informando que não apresentaria recurso especial (fls. 3.063) Antes de sua intimação formal, o contribuinte apresentou embargos de declaração, apontando omissões e contradições no acórdão da Turma Ordinária (fls. 3010/3016). O Presidente da 2ª Câmara da 1ª Seção do CARF não admitiu os embargos de declaração (fls. 3.055/3.061). O contribuinte foi intimado em 02/08/2016, protocolizando recurso especial em 17/08/2016 (fls. 3.105/3.115). Neste recurso alega divergência na interpretação da lei tributária a respeito da exigência de IRRF, à alíquota de 35% (art. 61, da Lei nº 8.981/1995 e art. 674, do RIR/99), indicando como paradigmas os acórdãos: i) CSRF 0401.094, no qual se decidiu que “a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de u pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido”; ii) 920200686, em sentido similar. O recurso especial foi admitido pelo então Presidente da 2ª Câmara da Primeira Seção do CARF apenas quanto ao primeiro paradigma (0401.094) (fls. 3169): O Acórdão nº 0401.094 adotou a seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1999 Fl. 3184DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.185 9 IRRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI N°. 8981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real. As situações fáticas contrapostas são equivalentes e a leitura dessa ementa já é suficiente para deixar clara a existência de divergência de interpretação da legislação tributária, ocasionando providências distintas por parte de cada órgão de julgamento, resultando na necessidade de manifestação da Câmara Superior de Recursos Fiscais (...) O recorrente ainda aponta como paradigma da divergência o Acórdão nº 920200.686, o qual adotou a seguinte ementa (...) A leitura desse acórdão permite verificar que o lançamento de IRPJ lá tratado deveuse a omissão de receitas presumida pela existência de depósito bancário de origem não comprovada. Considerando que, no presente processo, o lançamento de IRPJ se deu por glosa de despesa deduzida indevidamente da base de cálculo, entendo que não há uma congruência entre os dois quadros fáticos contrapostos. Por isso, não é possível afirmar que as diferentes medidas adotadas se deram por uma divergência na interpretação da legislação, sendo até mesmo correto afirmar que diferentes medidas são autorizadas, em tese, diante de diferentes quadros fáticos. Dessa forma, entendo que o acórdão paradigma não é hábil para estabelecer a divergência apontada. (...) Atendidos os pressupostos de tempestividade e legitimidade, previstos no art. 67 do Regimento Interno do CARF, e tendo sido caracterizada a divergência jurisprudencial alegada, nos termos acima examinados, DOU SEGUIMENTO ao presente recurso especial. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial em 17/10/2016 (fls. 3171), requerendo seja negado provimento ao recurso especial. Sustenta que "não se trata de tributar o mesmo fato duas vezes, já que o IRPJ diz respeito à renda da ora recorrente, enquanto o IRRF diz respeito ao rendimento do terceiro que recebe os recursos sem causa comprovada. ". (trecho das razões). Em sustentação oral, o patrono do contribuinte suscita o impedimento do conselheiro André Mendes de Moura. É o relatório. Fl. 3185DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.186 10 Voto Vencido Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Preliminarmente, rejeito o impedimento do Conselheiro André Mendes Moura, considerando que não se amolda às hipóteses arroladas no artigo 42, I e §3º do Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/2015). O recurso especial é tempestivo, tendo sido demonstrada a divergência na interpretação da lei tributária, conforme decisão do Presidente de Câmara que adoto. Pondero que a Recorrida não questionou a admissibilidade do recurso. Passo, assim, à análise do mérito. A exigência de Imposto de Renda Retido na Fonte tem fundamento no artigo 61, §1º, da Lei nº 8.981/1995, que prevê: Art. 61. Fica sujeito à incidência do Imposto de Renda exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais. § 1º A incidência prevista no caput aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa, bem como à hipótese de que trata o § 2º, do art. 74 da Lei nº 8.383, de 1991. § 2º Considerase vencido o Imposto de Renda na fonte no dia do pagamento da referida importância. § 3º O rendimento de que trata este artigo será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto. O dispositivo legal foi reproduzido pelo Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 3.000/1999), conforme artigo 674: Art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61). § 1º A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 1º). Fl. 3186DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.187 11 § 2º Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3º O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei nº 8.981, de 1995, art. 61, § 3º). Por força dos dispositivos, portanto, impõe a responsabilidade da fonte pagadora pelo pagamento do imposto de renda (que deveria ter sido retido na fonte) relacionado a pagamentos ou entrega de recursos a: (i) Beneficiário não identificado; (ii) Terceiros ou sócios, acionistas ou titulares, na hipótese de não ser comprovada a operação ou a sua causa. O contribuinte recorre a esta Turma da CSRF, sustentando que “a tributação da glosa concomitante com o IRRF de 35% praticamente dobra a tributação, demonstra uma duplicidade de arrecadação excessiva” (trecho do recurso especial, fls. 3.108). Primeiro requisito fundamental para aplicação da hipótese do artigo 61 é a existência de pagamentos efetivos, não bastando a presunção de pagamento ou eventual informação em registros contábeis. No caso dos autos, consta comprovação do pagamento, como explicita o acórdão recorrido, como se extrai às fls. 14 desta decisão: “em relação aos fatos sujeitos ao IRRF aqui sob análise, os pagamentos continuaram sem justificativa e pagos a empresas consideradas inaptas no momento do pagamento ou crédito’. De fato consta às fls. 922 e seguintes extratos bancários do contribuinte demonstrando os efetivos pagamentos relacionados pelo auditor fiscal autuante. Passo à segunda discussão possível quanto à aplicação do artigo 61, que é a concomitância da exigência de glosa de custos e IRF quando identificados os beneficiários, matéria expressamente tratada no paradigma admitido pelo Presidente de Câmara (CSRF 0401.094). Como me pronunciei em julgamentos precedentes, a glosa de custos não pode ser exigida concomitantemente ao IRFonte quando identificados os beneficiários dos pagamentos. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, foi fruto da conversão da Medida Provisória nº 812, de 30 de dezembro de 1994. Quando editada a Lei nº 8.981 no sistema, vigia a Lei nº a Lei nº 8.541/1992: Art. 44. A receita omitida ou a diferença verificada na determinação dos resultados das pessoas jurídicas por qualquer procedimento que implique redução indevida do lucro líquido será considerada automaticamente recebida pelos sócios, acionistas ou titular da empresa individual e tributada exclusivamente na fonte à alíquota de 25%, sem prejuízo da incidência do imposto sobre a renda da pessoa jurídica. Fl. 3187DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.188 12 § 1° O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no mês da omissão ou da redução indevida. O §1º, do citado artigo 44 foi alterado pela Medida Provisória nº 492 (de 05 de maio de 1994), reeditada inúmeras vezes, até a conversão na Lei nº 9.064/1995 (de 20 de junho de 1995) – também anterior à Medida Provisória 812, que foi convertida na Lei nº 8.981. Portanto, a redação do artigo 44, §1º, vigente ao tempo da inserção da Lei nº 8.981/1995 no sistema jurídico era a seguinte: Art. 44 (...) § 1º O fato gerador do imposto de renda na fonte considerase ocorrido no dia da omissão ou da redução indevida (redação conferida pela Medida Provisória nº 492, de 1994) A Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, finalmente revogou o artigo 44 e seus parágrafos. Além disso, a Lei nº 9.249 previu em seu artigo 24: Art. 24. Verificada a omissão de receita, a autoridade tributária determinará o valor do imposto e do adicional a serem lançados de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase a que corresponder a omissão. § 1º No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas tributadas com base no lucro presumido ou arbitrado, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela a que corresponder o percentual mais elevado. § 2º O valor da receita omitida será considerado na determinação da base de cálculo para o lançamento da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para a seguridade social COFINS e da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP. (redação do parágrafo teve vigência até a Medida Provisória 449/2008, irrelevante ao presente caso, em que os fatos ocorreram em 2001 e 2002) Com a Lei nº 9.249/1996, o legislador explicitou a segregação a tributação, exigindo que se o rendimento for tributado na pessoa jurídica, não seria tributado na física ou em outra pessoa jurídica beneficiários do rendimento. De toda sorte, os dispositivos (art. 44, da Lei nº 8.541/1992 e 61, da Lei nº 8.981/1995) coexistiram ao longo do ano de 1995. As considerações da exConselheira Ivete Malaquias Pessoa Monteiro sobre a coexistência destes dispositivos – ao longo do ano de 1995 são pertinentes: Tratase da convivência dos dispositivos em questão (artigos 44 das Leis 8.541 e 61,62 da Lei 8.981, ambas de 1995). No caso do artigo 44 da Lei 8541/1995 o objetivo era tributar o lucro distribuído pela via da redução indevida do resultado (sem nenhuma vinculação com despesa indedutível). Já o art. 61 da 8.981/95 (MP 812) era uma alternativa às situações surgidas quando havia saídas de recursos do disponível sem comprovação, Fl. 3188DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.189 13 com nota frias, com a criação de passivos ou ativos falsos que ficavam inflando o resultado de vários períodos, devido a inflação, vigente à época. Assim, tributavase o lucro "distribuído" ou o "ativo falso" antes da sua tributação na Pessoa Jurídica. Ademais, como os dispositivos conviveram durante todo ano de 1995, (pois o artigo 62 da lei 8981/1995 expressamente alterou a alíquota prevista no artigo 44 da 8541/95, para 35%) vigendo até a revogação deste dispositivo através da Lei 9249/1995, levando a conclusão de que, pelo menos na intenção do legislador, o artigo 61 da Lei 8981/1995 serve somente para tributar redução indevida do lucro líquido, ou seja, sua distribuição efetiva a sócio ou terceiro antes da incidência do IRPJ e da CSLL, quando não for possível identificar a causa ou o beneficiário do pagamento. (CSRF 0401.094) O exConselheiro Benedicto Celso Benício Junior também tratou da coexistência entre o artigo 44 e o artigo 61, da forma seguinte: O artigo 44 da Lei nº 8.541/1992, em primeiro lugar, determinava, especificamente, a incidência de IRRF, à alíquota menor de 25% (vinte e cinco por cento), às diferenças de apuração do resultado tributável operadas sob qualquer forma de “redução indevida do lucro líquido”, presumidas juris et de jure como distribuídas aos sócios ou acionistas, salvo se as deduções indevidas, por sua formatação, não autorizassem a “presunção de transferência de recursos do patrimônio da pessoa jurídica para o dos seus sócios”. O artigo 61 da Lei nº 8.981/1995, por sua vez, ao prescrever cominação de IRRF, à alíquota majorada de 35% (trinta e cinco por cento), aos pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, tinha lugar se as transferências de pecúnia em questão não se materializassem via “redução indevida do lucro líquido”, nos termos acima explicados – exceto, aqui, se a dedução ou a exclusão engendrada se enquadrasse, pontualmente, na hipótese extrusiva do § 2º do referido artigo 44. Ulteriormente, com o advento do artigo 36, inciso IV, da Lei nº 9.249/1996, o artigo 44 da Lei nº 8.541/1992 acabou revogado. (...) Temos, pois, hodiernamente, em atenção ao histórico desenvolvimento da matéria e à composição redacional das normas vigentes, 02 (dois) regimes distintos de tributação, a saber: i. nos casos em que houver omissão de receita, inclusive mediante contabilização de deduções ou exclusões indevidas junto ao lucro líquido, caberá a exigência do IRPJ, da CSLL, da PIS e da COFINS pertinentes, amparada nas respectivas bases de cálculo recompostas, de acordo com o regime de tributação a que estiver submetida a pessoa jurídica no períodobase correspondente à omissão (artigo 24 da Lei nº 9.249/1996); ou Fl. 3189DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.190 14 ii. nas situações em que houver pagamentos sem causa ou a beneficiários não identificados, desde que não deduzidos ou excluídos do lucro líquido, sob qualquer título, terá espaço a cobrança definitiva de IRRF, à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento) (artigo 61da Lei nº 8.981/1995). (acórdão nº 1101000.825, voto vencido) Entendo que é acertada a interpretação de impossibilidade de exigência concomitante com a glosa da despesa quando há beneficiários devidamente identificados. Nesse sentido, a aplicabilidade do artigo 61 estaria restrita às hipóteses descritas no acórdão 920200.686, da 2ª Turma da CSF: Em sendo assim, a aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado e, o que é mais importante, desde que o mesmo fato/valor que servir de base, não caracterize hipótese de redução do lucro liquido, quer por receita omitida, quer por glosa de custos e/ou despesas, situações tipicamente submetidas ao IRPJ segundo as normas pertinentes à tributação pelo lucro real. Continuando e apenas para registro, seria o caso de investigar, então, quais seriam as hipóteses contempladas pela tributação de Fonte, com base de cálculo reajustada, nos exatos termos do art. 61 da Lei n. 8.981/95 que, a meu juízo em análise breve e preliminar, seriam as seguintes: 1. Qualquer pagamento (a sócio, sem causa e/ou a beneficiário não identificado), quando a Pessoa Jurídica estiver em fase pré operacional, isto pela impossibilidade de tributação do IRPJ. 2. Pagamentos a sócio sem causa, pagamentos a beneficiários outros não identificados e/ou sem causa que não caracterizem custo ou despesa, tais como aqueles representativos de aquisição de algum ativo (ex. compra de veículo), sempre ausente a hipótese de redução do lucro liquido, que é própria da tributação pelo lucro real. 3. Qualquer pagamento nos casos em que a tributação eleita pela Pessoa Jurídica tenha como base o Lucro Presumido, Arbitrado ou Simples (...) Acrescento que a regra do artigo 61 e seus parágrafos pode ser interpretada de duas formas: (a) como regra de responsabilidade tributária, por substituição, que não altera a regra matriz de imposição do imposto de renda, devido pelo contribuinte; (b) ou regra autônoma, hipótese em que a tributação seria exclusiva, sem qualquer relação com o imposto devido pelo beneficiário do pagamento ou recurso. Pareceme que a regra é de substituição quando efetivamente identificados os beneficiários a quem destinados os pagamentos. Fl. 3190DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.191 15 Ressalto que o Código Tributário Nacional reconhece a possibilidade de atribuir à fonte pagadora a responsabilidade pela retenção e recolhimento do imposto, como se observa do artigo 45, parágrafo único: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. No entanto, em regra, a atribuição de responsabilidade da fonte pagadora não afasta o dever de pagamento deste tributo pelo contribuinte do imposto de renda. E tampouco a materialidade do imposto, que não é mero “pagamento” – como prevê o artigo 61 , mas o acréscimo patrimonial. Em comentários ao artigo 674, do RIR/1999, são nesse sentido as considerações de Luiz Martins Valero, César Augusto Galafassi, Fabio Rodrigues de Oliveira, Juliana M. O Ono, Marcos Shigueo Takata, Marcos Vinicius Neder de Lima e Vanessa Mirnada de Mello Pereira: Pretendese aplicar o art. 61 em análise em relação aos valores constantes de documentos que a fiscalização afirma serem inidôneos, a teor do disposto no art. 217 do presente Regulamento. Vale dizer, defendese a tese de ser possível impugnar (glosar) as despesas ou custos lastreados nesses documentos e também exigir o imposto de fonte do art. 61 em foco.São duas situações radicalmente distintas. A primeira vinculada à incerteza de que o pagamento apropriado efetivamente contribuiu para a geração da correspondente receita. É uma regra que tem como que tem como destinatária a pessoa jurídica que apropria as despesas, impedindo a redução artificial do lucro tributado. Sendo assim, os influxos dessa regra não são válidos para definir o alcance da regra do ar. 61, por várias razões. Inicialmente, cabe observar que a regra do art. 61 tem como destinatário pessoa externa à pessoa jurídica pagadora, que seria desconhecido. Ademais, no caso dos documentos tidos como inidôneos, há pelo menos duas situações fáticas distintivas. Na primeira constatase que o beneficiário do pagamento é a pessoa que figura dos documentos, mas a operação pode não ser verdadeira. Neste caso, a dúvida sobre a efetividade da operação autoriza impugnar a despesa apropriada, mas não é suficiente substituir a tributação do beneficiário do pagamento pela incidência exclusiva na fonte., Isto porque, como visto, em primeiro plano, o juízo de inidoneidade dos documentos visa impedir a redução artificial do lucro da pessoa jurídica que apropria as despesas. É uma condição adicional em relação à comprovação da operação ou de sua causa no contexto do §1º do artigo 61: aqui, basta que a documentação permita atribuir ao terceiro a titularidade da operação na qual afirma ter participado. Fl. 3191DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.192 16 Na segunda hipótese, a contabilidade registra um pagamento a um destinatário irreal e por uma operação igualmente irreal, circunstâncias que caracterizam o pagamento sem causa a beneficiário não identificado. Neste caso, é razoável admitir a glosa das despesas e a concomitante exigência do imposto na fonte do art. 61. Todavia, essa situação fática confirma que o referido art. 61, com o intuito de imposto na fonte, verdadeiramente institui uma penalidade, que não pode ser cumulada com outra penalidade de ofício. (Regulamento do Imposto de Renda 1999 Anotado e Comentado, volume 2, 16ª edição, Fiscosoft, 2013, fls. 1887) Nesse panorama, só se justifica a imposição exclusiva de responsabilidade tributária pelo pagamento do imposto de renda à fonte pagadora no caso de beneficiários não identificados, como tratado no caput do dispositivo. Mas não quando identificados os beneficiários, afinal, pode ocorrer a dupla cobrança do imposto de renda, tanto do contribuinte (conhecido), quanto da fonte pagadora. Por tal razão, voto por dar provimento o recurso especial do contribuinte. Por fim, consigno que pode ser afastada também a tributação do IRFonte quando comprovada a operação e sua causa. No entanto, o tema sequer foi ventilado pelo contribuinte em razões de recurso especial, a despeito da existência de alegações a esse respeito ao longo do processo administrativo. Assim, não me manifesto a esse respeito, lembrando que situação dos autos é sintetizada pelo acórdão recorrido, conforme voto vencedor do Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, redator ad hoc do voto vencedor: A autoridade lançadora, na sua investigação de levantamento de dados e constatação de fatos, concluiu que as ações da recorrente demonstraram que o não recolhimento dos tributos devidos se deu de forma fraudulenta, tendo em vista que foram deduzidas despesas, encargos ou custos sem a devida comprovação da efetividade dos serviços ou mediante documentação hábil e idônea, inclusive idoneidade e regularidade das pessoas jurídicas prestadoras dos serviços. Repito que, como consta do relatório, a recorrente se utilizou de documentação que não satisfaz e não demonstram que houve efetivamente uma prestação de serviços. Mesmo as diligências feitas com fornecedores da recorrente, comprovaram o que inicialmente vislumbrado pela fiscalização – que não havia comprovação da necessidade, usualidade e efetividade das despesas, custos ou encargos, não foi apresentada documentação que comprovasse os serviços. É importante relembrar, como já relatado, e aqui remetemos novamente ao relatório por muito bem esclarecer o contexto em que está inserido este lançamento, o seguinte: Fl. 3192DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.193 17 algumas das empresas diligenciadas afirmaram que nunca prestou serviços à recorrente; no caso da empresa Informática Engelin Ltda ficou constatado que as seqüências de numeração nas “Autorizações para Impressão de Documentos Fiscais” (AIDF’s) disponibilizadas pela Secretaria de Finanças de Belo Horizonte não conferem com as registradas nas Notas Fiscais apresentadas tendo a Politec como beneficiária; as empresas Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, GTI Systems Ltda e L&N Consultoria, tinham o Sr. Anair Cunha como administrador ou sócio comum entre elas, endereços eram fictícios e não havia registros de inscrição ou AIDF’s (exceto a L&N Consultoria) a L&N Consultoria apresentou divergências de numeração das Notas Fiscais naquelas em que a recorrente era beneficiária; ainda em relação aos custos e despesas incorridos com a empresa Prodados Company Ltda, os quais foram adicionados ao lucro real, é de se notar que o responsável pela condução de complexos projetos de desenvolvimento da empresa esclareceu, em diligência, que tinha como formação um curso de duração de 4 (quatro) meses, o que não coadunava com os serviços e os valores pagos. (...) Alega ainda que as empresas Centaufor e GTI apresentaram DIPJs ao Fisco, após procedimentos de fiscalização, portanto, foram regularizadas e não são consideradas inaptas. Ocorre que em relação aos fatos sujeitos aos IRRF aqui sob análise, os pagamentos continuaram sem justificativa e pagos a empresas consideradas inaptas no momento do pagamento ou crédito. (...) A recorrente também alega que há provas dos pagamentos efetuados por meio de cheques nominais, TED ou DOC, que estão de acordo com o disposto no artigo 82, parágrafo único, da Lei nº 9430/1996, portanto, não caberia a acusação de utilização de documentos inidôneos, também não tem como prosperar. O referido artigo 82 e parágrafo único dispõe sobre a inidoneidade de documentos emitidos por pessoa jurídica considerada ou declarada inapta, os quais não produzem efeitos tributários em favor de terceiros interessados, inclusive o Fisco, exceto se comprovado o pagamento e o recebimento de bens, direitos e mercadorias ou utilização dos serviços. A glosa está correta uma vez que nos autos não restou comprovada a efetividade dos serviços prestados, portanto, os pagamentos, mesmo que através de TED, DOC ou cheques nominais feitos a pessoas jurídicas inaptas, não comprovam que os serviços foram prestados, apenas comprovam que houve transferência financeira, logo, não podem servir de documentos comprobatórios. Fl. 3193DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.194 18 Os TED, DOCs ou cheques nominais que foram trazidos aos autos se referem aos fornecedores: Prodados Company Ltda, Centaufor Ltda, Informática Engelin Ltda, GTI Systems Ltda, Dataflow Ltda, CONSIS Ltda e L&N Consultores Ltda. Portanto, estamos diante de comprovação do pagamento mas não do que lhe deu causa, continua sem causa ou sem a efetiva comprovação, sujeitos, assim, às disposições do § 1º do art. 61 da Lei nº 8.981/1995. Diante de tais razões, voto por dar provimento ao recurso especial unicamente diante da impossibilidade de concomitância da glosa de despesa ou custo com a imposição de IRF quanto a beneficiários devidamente identificados. Esta Turma da CSRF, recentemente, decidiu pela manutenção de lançamento de Imposto de Renda Retido na Fonte, em situação similar à presente, conforme acórdão nº 9101002.605 (processo administrativo nº 11516.006348/200963), do qual destaco ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2004, 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. SOLIDARIEDADE. Nos exatos termos do Parecer/PGFN/CRJ/CAT nº 55, de 2009, a responsabilidade dos administradores, de acordo com a jurisprudência do STJ, não pode ser entendida como exclusiva (responsabilidade substitutiva), porquanto se admite na Corte Superior que a ação de execução fiscal seja ajuizada, ao mesmo tempo, contra a pessoa jurídica e o administrador. Ainda, para efeito de aplicação do art. 135, III, do CTN, responde também a pessoa que, de fato, administra a pessoa jurídica, ainda que não constem seus poderes expressamente do estatuto ou contrato social. Se é perfeitamente possível promover a execução fiscal conjuntamente contra a pessoa jurídica e seus administradores, por óbvio que também é perfeitamente possível realizar o lançamento contra a pessoa jurídica (contribuinte) e contra os seus administradores (responsáveis tributários). Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte – IRRF Anocalendário: 2004, 2005 LANÇAMENTO REFLEXO DO IRPJ. IMPOSTO DE RENDA NA FONTE. PAGAMENTOS A BENEFICIÁRIOS NÃO IDENTIFICADOS E/OU SEM COMPROVAÇÃO DA OPERAÇÃO OU SUA CAUSA. Procedente o lançamento que exige imposto de renda na fonte na situação em que o contribuinte, devidamente intimado, não logrou identificar os beneficiários de pagamentos e, cumulativamente, comprovar a operação correspondente e/ou sua causa. Não há qualquer incompatibilidade intrínseca entre o regime do lucro real e o lançamento de IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa. As bases jurídicas para a incidência do IRPJ/Lucro Real e do Fl. 3194DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.195 19 IR/Fonte sobre pagamento a beneficiário não identificado ou sem causa são completamente distintas. Àquela ocasião, fui vencida pelo voto da maioria do Colegiado. De toda forma, reafirmo o entendimento manifestado à ocasião. Assim, conheço e dou provimento ao recurso especial do contribuinte. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Voto Vencedor Conselheiro André Mendes Moura, Redator Designado. A princípio, cumpre apreciar a preliminar aduzida pela Contribuinte, no qual aduz que eu estaria impedido de participar do presente julgamento. Isso porque fui o relator da decisão de primeira instância, que apreciou impugnação e decidiu por meio do Acórdão nº 0340.107 da 2ª Turma da DRJ/Brasília, na sessão de 29/10/2010 (efls. 2182/2212). São os fatos. Há que se observar o que predica a legislação processual do contencioso administrativo tributário sobre o assunto. O art. 37 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), determina: O julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais farseá conforme dispuser o regimento interno. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Por sua vez, o Regimento Interno do CARf (RICARF) estabelece as hipóteses de impedimento no Anexo II: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos Fl. 3195DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.196 20 casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. § 4º O impedimento previsto no inciso III do caput aplicase também aos casos em que o conselheiro possua cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 2º (segundo) grau que trabalhem ou sejam sócios do sujeito passivo ou que atuem no escritório do patrono do sujeito passivo, como sócio, empregado, colaborador ou associado. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (Grifei) Com a devida vênia, o § 3º do art. 42 estabelece como impedimento a atuação como relator em recurso de ofício, recurso voluntário ou recurso especial. O recurso de ofício e o recurso voluntário são peças processuais atinentes à segunda instância (turma ordinária do CARF), e o recurso especial de competência da Câmara Superior de Recursos Fiscais. No presente momento processual, em sede de recurso especial, a decisão recorrida é a decisão de segunda instância, no qual não fui relator e tampouco participei do julgamento. E, como já esclarecido, fui relator da decisão de primeira instância, que apreciou impugnação. Considerando que o impedimento comporta ordem de cognição objetiva, entendo que minha participação como relator de decisão de primeira instância não me confere a condição de impedido da participar do presente julgamento. De qualquer forma, o RICARF dispõe sobre o procedimento a ser adotado no caso da arguição em debate, no Anexo II: Art. 44. O impedimento ou a suspeição será declarado por conselheiro ou suscitado por qualquer interessado, cabendo ao arguido, neste caso, pronunciarse por escrito sobre a alegação, o qual, se não for por ele reconhecido, será submetido à deliberação do colegiado. Fl. 3196DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.197 21 Pois bem, a arguição de impedimento foi apreciada pelo Colegiado da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais na presente sessão. Decidiuse, por unanimidade, indeferir a arguição suscitada. Superada a preliminar, passo ao voto. A matéria devolvida consiste em apreciar se haveria duplicidade na aplicação de infração tributária de IRPJ, glosa de despesas, e da infração de IRRF pagamento sem causa/beneficiário não identificado. Mostrase relevante esclarecer a gênese da infração de IRRF, prevista no art. 674 do RIR/99 (art. 61 da Lei nº 8.981, de 1995). O suporte fático trata de operações realizadas entre o tomador de serviços e o prestador de serviços. Numa operação normal, esperase que o serviço tenha sido prestado, o pagamento efetuado, consumandose cenário no qual (1) o tomador de serviços, com base na nota fiscal escriturada, pode deduzir da base de cálculo do imposto o valor pago pelo serviço, e (2) o prestador de serviços oferece à tributação os rendimentos auferidos pelo serviço prestado. Ocorre que, infelizmente, são detectados desvirtuamentos nas operações entre tomador e prestador, com finalidades diversas, como produzir despesas fictícias, ocultar pagamentos efetuados ou recebidos, dentre outros, sempre visando ocultar a ocorrência do fato gerador do tributo. Há repercussão tributária nos dois elos da operação, tanto do tomador de serviço quanto do prestador de serviço. Por isso, a autuação recai sobre (1) a glosa da despesa do serviço prestado por parte do tomador de serviços e (2) o não oferecimento à tributação dos rendimentos decorrentes do serviço pelo prestador de serviços. E, em ambos os casos, por determinação legal, o pólo passivo é preenchido pelo tomador de serviços. Na glosa de despesas, responde o tomador na condição de contribuinte, sujeito passivo direto, cabendo o lançamento de ofício de IRPJ. Quanto aos rendimentos não oferecidos à tributação, a sujeição passiva é deslocada do prestador de serviços para o tomador de serviços. Assim, o tomador de serviços responde na condição de responsável, sujeito passivo indireto, pela tributação do IRRF. Explicase a opção legislativa porque em diversas oportunidades, por conta de sofisticadas operações elaboradas, não se torna possível identificar o prestador de serviços, razão pela qual o tomador de serviços assume o ônus, na condição de sujeito passivo direto e indireto. As construções engendradas são diversas e criativas, envolvendo tanto a escrituração formal mantida pela empresa quanto aquela mantida à margem da contabilidade. Dependendo da situação, podem ensejar lançamentos de IRPJ e IRRF, ou apenas de um dos tributos. Por exemplo, comprovandose ocorrência de notas fiscais "frias" escrituradas, caberia glosa de despesas do IRPJ e o lançamento de IRRF. Por vezes demonstrase apenas a ocorrência de pagamentos por serviços fictícios (por meio de cheques, transferências bancárias), efetuados à margem da contabilidade, sem repercussão na base de cálculo do IRPJ do tomador de serviços, situação que enseja apenas o lançamento de IRRF (para tributar os rendimentos pagos ao beneficiário). Enfim, como se pressupõe que o prestador recebeu os rendimentos líquidos, a base de cálculo é ajustada, para então se aplicar a alíquota prevista em lei de trinta e cinco por cento. Fl. 3197DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.198 22 O caso tratado nos presentes autos trata precisamente de utilização de notas fiscais inidôneas, frias, para lastrear despesas. Vale transcrever excertos do Termo de Verificação Fiscal: III. IRREGULARIDADES (INFRAÇÕES APURADAS) 001 CUSTO DOS BENS OU SERVIÇOS VENDIDOS COMPROVAÇÃO INIDÔNEA Ficou comprovado que a Politec utilizouse de transações fictícias com várias empresas inexistentes de fato, inaptas ou sem capacidade operacional para realizar a prestação de serviços contratada. Para isso, utilizouse de notas fiscais inidôneas com o propósito de comprovar fraudulentamente os seus custos operacionais, na verdade inexistentes, o que resultou na redução ou não pagamento dos tributos que têm como base de cálculo o resultado econômico do exercício (lucro). As empresas supostamente fornecedoras de serviços, foram objeto de fiscalização e de diligências. (...) Foram identificados vários aspectos indicativos de irregularidades nas empresas citadas e que levaram a realização de diligências, entre os quais: 1) o modelo gráfico das notas fiscais da maioria das empresas era muito semelhante, somente diferenciado o logotipo da empresa, apenas de as notas indicarem a impressão por gráficas distintas, 2) várias empresas encontravamse em situação de inaptidão, inativas ou com CNPJ inexistente, 3) empresas que tinham como sócio o Sr. Anair Cunha, procurador da Prodados Company Ltda. (...) Dessa forma e por todo o anteriormente descrito, nesta infração estão sendo glosados os custos relacionados aos supostos serviços prestados, durante os anosbase 2001 a 2004, pelas empresas Dataflow InfoSistemas Ltda., Consis Consultorias e Sistemas Ltda., Informática Engelin LTda., Centaufor Ltda., GTI Systemns Ltda. E L&N Consultoria Ltda. Vale lembrar que os custos relacionados aos supostos serviços prestados pela Prodados Company LTda já haviam sido expurgados do lucro real pela própria Politec antes do início da ação fiscal realizada pela DRF / Goiânia, motivo pelo qual não estão sendo objeto de glosa nesta infração. (...) 003 – PAGAMENTOS SEM CAUSA / OPERAÇÃO NÃO COMPROVADA FALTA DE RECOHLIMENTO DO IRRF SOBRE PAGAMENTOS SEM CAUSA Pelo descrito na infração nº 001, ficou comprovado que não houve a efetiva prestação dos serviços correspondentes às notas fiscais emitidas, ou supostamente emitidas pelas empresas Fl. 3198DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.199 23 Prodados Company Ltda., Dataflow InfoSistemas Ltda., Consis Consultorias e Sistemas Ltda., Informática Engelin Ltda., Centaufor Ltda., GTI Systemns Ltda. e L&N Consultoria Ltda. No entanto, a empresa Politec apresentou documentação comprobatória (DOCs, TEDs e cópias de cheques) do pagamento de todas essas notas fiscais, sendo que, desta forma, esses desembolsos foram considerados como sem causa, visto que não houve a prestação dos serviços. (Grifei) Verificase que a empresa, ao se utilizar de notas fiscais inidôneas para "lastrear" despesas incorridas com diversos prestadores de serviços ou fornecedores fictícios, reduziu indevidamente a base de cálculo tributável para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Nesse sentido, correta a autuação fiscal. Como se pode observar, os recursos efetivamente saíram da empresa, para um destino não conhecido. Tais recursos, em tese, deveriam ter sido oferecidos à tributação pelo beneficiário (por aquele que os recebeu), contudo, em razão da simulação empreendida, mediante utilização de prestadores de serviços artificiais, não se torna possível identificar quem foram efetivamente as pessoas/entidades que receberam os rendimentos. Por isso, a legislação tributária tratou de qualificar, como responsável, o tomador dos serviços (aquele que engendrou a saída dos recursos), tendo como base o art. 674 do RIR/99 1. 1 RIR/99, art. 674. Está sujeito à incidência do imposto, exclusivamente na fonte, à alíquota de trinta e cinco por cento, todo pagamento efetuado pelas pessoas jurídicas a beneficiário não identificado, ressalvado o disposto em normas especiais (Lei n°8.981, de 1995, art. 61). § 1° A incidência prevista neste artigo aplicase, também, aos pagamentos efetuados ou aos recursos entregues a terceiros ou sócios, acionistas ou titular, contabilizados ou não, quando não for comprovada a operação ou a sua causa (Lei n°8.981, de 1995, art. 61, § 1°). § 2° Considerase vencido o imposto no dia do pagamento da referida importância (Lei n°8.981, de 1995, art. 61, § 2º). § 3° O rendimento será considerado líquido, cabendo o reajustamento do respectivo rendimento bruto sobre o qual recairá o imposto (Lei n° 8.981, de 1995, art. 61, §3°). Fl. 3199DF CARF MF Processo nº 10166.721589/201024 Acórdão n.º 9101003.341 CSRFT1 Fl. 3.200 24 Diante de todo o exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial da Contribuinte. (assinado digitalmente) André Mendes Moura Declaração de Voto Conselheiro Luís Flávio Neto. Não tendo sido apresentada no prazo regimental 2, considerase não formulada a declaração de voto. 2 RICARF, Anexo II, art. 63: (...) § 6º As declarações de voto somente integrarão o acórdão ou resolução quando formalizadas no prazo de 15 (quinze) dias do julgamento. § 7º Descumprido o prazo previsto no § 6º, considerase não formulada a declaração de voto. Fl. 3200DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.000420/2007-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2004 a 31/12/2006
Ementa:
LANÇAMENTO. REALIDADE NARRADA. FUNDAMENTOS NORMATIVOS. DISTANCIAMENTO. IMPROCEDÊNCIA.
O distanciamento entre a realidade fática narrada e o enquadramento normativo utilizado na autuação macula de improcedência o lançamento.
Numero da decisão: 3401-004.301
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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REALIDADE NARRADA. FUNDAMENTOS NORMATIVOS. DISTANCIAMENTO. IMPROCEDÊNCIA. O distanciamento entre a realidade fática narrada e o enquadramento normativo utilizado na autuação macula de improcedência o lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila, Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 00 04 20 /2 00 7- 54 Fl. 1781DF CARF MF 2 Versa o presente sobre o Auto de Infração de fls. 8 a 231, lavrado em 21/03/2007, para exigência de IPI, no valor original de R$ 2.789.718,68, acrescido de juros e multa de ofício (75%), totalizando R$ 5.381.474,21, por descumprimento de condições da imunidade pelo recebedor de papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos, de 15/04/2004 a 31/12/2006. Narrase, na atuação, que o contribuinte fabrica “Impressos Publicitários, Catálogos Comerciais e Semelhantes”, classificados na TIPI sob o código 4911.1090, conforme declara na “DIE Papel Imune”, anexando exemplos de catálogos e informes produzidos. Assim, a empresa utilizase indevidamente da imunidade prevista no artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal de 1988, visto que, pelos produtos fabricados, não é empresa jornalística ou editora, como também, o papel adquirido com imunidade não foi utilizado na impressão de livros, jornais e periódicos, ficando, em consequência, responsável pelo imposto que deixou de ser recolhido nas aquisições do referido papel. Ciente da autuação em 27/03/2007 (fl. 20), a empresa apresenta Impugnação em 25/04/2007 (fls. 257 a 271), alegando, em síntese, que: (a) a empresa é do ramo gráfico, e trabalha quase que exclusivamente com impressão de folhetos promocionais personalizados, e sob encomenda, classificados na TIPI sob o código 4911.1090, além das revistas “Equilíbrio” (ISSN 16776720) e “Ballada” (ISSN 16776739) e de jornais informativos regionais de distribuição gratuita, realizando ainda impressão de listas telefônicas; (b) na compra de papel para a edição de folhetos promocionais comerciais para distribuição, a recorrente recolhe todos os impostos devidos, mas, em se tratando dos folhetos promocionais que são destinados para encarte em jornais (conforme orientação do próprio Regulamento Aduaneiro de 2002, artigo 147, § 3o) e também as mencionadas revistas, jornais e guias telefônicos, a empresa se utiliza do beneficio de imunidade tributária contido no artigo 150, inciso VI, alínea “d” da Constituição Federal; (c) as revistas e jornais editados pela recorrente possuem grande valor educacional, objetivo primeiro da imunidade contida na carta constitucional, não podendo o papel sofrer incidência de IPI, assim como as listas telefônicas (“Guia Eventos”) e os encartes de jornais, conforme decisões judicias e administrativas; e (d) o lançamento fiscal aplicou a todos os produtos a alíquota de 15%, quando para cada tipo de papel há um diferente percentual (tabela à fl. 270). Apresenta a empresa, ainda, em anexo à impugnação, tabelas discriminando o papel utilizado em revistas (fls. 324 a 326), em guia telefônico (fl. 329), e as alíquotas aplicáveis aos produtos (fls. 335 a 347), chegando a valores distintos dos obtidos pela fiscalização (demonstrativo à fl. 348). Anexase ainda DIF – Papel Imune (fls. 349 a 1549). Em 28/11/2011, a contribuinte peticiona (fls. 1557 a 1559) pela juntada aos autos de parecer jurídico (fls. 1568 a 1659) e de sentença judicial (fls. 1560 a 1567) proferida em seu favor nos autos da Ação Anulatória no 494/2011, originária da 3ª Vara de Fazenda Pública de São Paulo, versando sobre o mesmo tema de direito tratado no presente processo. Em 18/07/2012 (fls. 1661 a 1663) a mesma empresa peticiona requerendo revisão da consolidação de parcelamento, informando que não desiste nem deseja parcelar os valores aqui em discussão. A revisão foi deferida pelo despacho de fl. 1692, em 11/10/2012, mas, por impossibilidade técnica, a RFB não excluiu os débitos do parcelamento no sistema informatizado, mesmo após decisão judicial nesse sentido (justificativa à fl. 1759). Incluída manualmente a informação no processo, a impugnação foi enviada a julgamento pela DRJ. Em 17/12/2015 ocorre o julgamento de primeira instância (fls. 1768 a 1774), decidindo unanimemente o colegiado administrativo pela improcedência do lançamento, pois a fiscalização, em lugar de fazer uso das tabelas de publicação, optou por tributar todas as 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1782DF CARF MF Processo nº 10865.000420/200754 Acórdão n.º 3401004.301 S3C4T1 Fl. 1.782 3 compras realizadas sob a premissa de inexistência de imunidade na totalidade das operações de impressão levadas a efeito ao longo do período fiscalizado, desconsiderando, inclusive, que houve, ao final de todos os trimestres, sobra de papel não consumido (para o qual sequer se configura o aspecto temporal da hipótese de incidência). Em função do valor exonerado, foi interposto recurso de ofício. O processo foi distribuído a este relator, por sorteio, em janeiro de 2017, tendo sido indicado para pauta desde julho de 2017, mas não incluído em pauta pelo excesso de número de processos a julgar. Em agosto, o processo não foi incluído em pauta por ausência justificada do relator, e, em setembro e outubro, foi incluído em pauta e retirado por falta de tempo hábil para julgamento. Em novembro e dezembro, não houve sessões de julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso de ofício apresentado cumpre os requisitos de admissibilidade, mormente o limite de alçada estabelecido por portaria ministerial. No mérito, a decisão da DRJ afasta a autuação por ter lançado o imposto na data de aquisição do papel, e não na data da entrega para consumo, fundada na inexistência do aspecto temporal e na violação ao aspecto material da hipótese de incidência do IPI. Isso resta claro logo na ementa do julgado, unanimemente acordado naquele colegiado: “IPI. PEPEL IMUNE. DESVIO DE FINALIDADE. FATO GERADOR. ASPECTO TEMPORAL. A ação da Fiscalização no sentido de desprezar o momento do consumo e lançar o imposto na data da aquisição do papel não só espanca o perfil material do fato gerador, que exige a caracterização do consumo, como também impediu o nascimento do direito subjetivo em favor da Fazenda e, como contrapartida, a eclosão do dever jurídico de adimplemento da obrigação tributária por parte do sujeito passivo. E se não há fato gerador devidamente formatado, nada há a ser exigido.” (grifo nosso) Remontemos, assim, à autuação, para verificar a pertinência das afirmações do julgador de piso. A descrição dos fatos e fundamentos adotados na autuação é tão sintética que se pode aqui, confortavelmente, transcrevêla de forma integral (fl. 21): Fl. 1783DF CARF MF 4 Não há, nas razões de autuação, dúvidas sobre a conduta imputada: fabricar “impressos publicitários, catálogos comerciais e semelhantes”, declarados em DIF pela própria empresa, utilizandose indevidamente de imunidade constitucional (presente no artigo 150, VI, “a” da Constituição Federal/1988). E a empresa é autuada, enfatizese, como “responsável pelo imposto que deixou de ser recolhido nas aquisições do referido papel”. Vejase o enquadramento legal adotado na autuação (fl. 23): Além do já referido dispositivo constitucional, que assegura imunidade em relação a impostos (como o IPI) sobre “livros, jornais, periódicos e o papel destinado a sua impressão”, percebese que são invocados os seguintes artigos do Regulamento do IPI então vigente (Decreto no 4.544/2002): “Art. 18. São imunes da incidência do imposto: I os livros, jornais, periódicos e o papel destinado à sua impressão (Constituição, art. 150, inciso VI, alínea d); (...) Art. 20. Cessará a imunidade do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos quando este for consumido ou utilizado em finalidade diversa da prevista no inciso I do artigo 18, ou encontrado em poder de pessoa que não seja fabricante, importador, ou seus estabelecimentos distribuidores, bem assim que não sejam empresas jornalísticas ou editoras (Lei no 9.532, de 1997, art. 40). (...) Art. 24. São obrigados ao pagamento do imposto como contribuinte: (...) IV os que consumirem ou utilizarem em outra finalidade, ou remeterem a pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras, o papel destinado à impressão de livros, jornais e Fl. 1784DF CARF MF Processo nº 10865.000420/200754 Acórdão n.º 3401004.301 S3C4T1 Fl. 1.783 5 periódicos, quando alcançado pela imunidade prevista no inciso I do art. 18 (Lei no 9.532, de 1997, art. 40). (...) Art. 35. Considerase ocorrido o fato gerador: (...) VIII no início do consumo ou da utilização do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, em finalidade diferente da que lhe é prevista na imunidade de que trata o inciso I do art. 18, ou na saída do fabricante, do importador ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras (Lei nº 9.532, de 1997, art. 40); (...) Art. 122. Lançamento é o procedimento destinado à constituição do crédito tributário, que se opera de ofício, ou por homologação mediante atos de iniciativa do sujeito passivo da obrigação tributária, com o pagamento antecipado do imposto e a devida comunicação à repartição da SRF, observandose que tais atos (Lei no 4.502, de 1964, arts. 19 e 20, e Lei no 5.172, de 1966, arts. 142, 144 e 150): I compreendem a descrição da operação que lhe dá origem, a identificação do sujeito passivo, a descrição e classificação do produto, o cálculo do imposto, com a declaração do seu valor e, sendo o caso, a penalidade prevista; e II reportamse à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regemse pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. (...) Art. 123. Os atos de iniciativa do sujeito passivo, de que trata o art. 122, serão efetuados, sob a sua exclusiva responsabilidade (Lei no 4.502, de 1964, art. 20): I quanto ao momento: (...) r) quando desatendidas as condições da imunidade, da isenção ou da suspensão do imposto; (...) Art. 127. Se o sujeito passivo não tomar as iniciativas para o lançamento ou as tomar nas condições do art. 125, o imposto será lançado de ofício (Lei no 4.502, de 1964, art. 21). Parágrafo único. O documento hábil, para a sua realização, será o auto de infração ou a notificação de lançamento, conforme a Fl. 1785DF CARF MF 6 infração seja constatada, respectivamente, no serviço externo ou no serviço interno da repartição. (...) Art. 130. O imposto será calculado mediante aplicação das alíquotas, constantes da TIPI, sobre o valor tributável dos produtos (Lei no 4.502, de 1964, art. 13). Parágrafo único. O disposto no caput não exclui outra modalidade de cálculo do imposto estabelecida em legislação específica. (...) Art. 199. O período de apuração do imposto incidente nas saídas dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial é decendial (Lei nº 8.850, de 28 de janeiro de 1994, art. 1º).(...).” (grifo nosso) Eis a íntegra das razões e fundamentos normativos da autuação. E dessas razões e fundamentos se defende a empresa, alegando que os produtos a que dá saída, com o papel imune adquirido, são folhetos promocionais comerciais destinados para encarte em jornais, revistas e jornais com grande valor educacional (“Equilíbrio” – ISSN 16776720, e “Ballada” – ISSN 16776739) e listas telefônicas, sendo a imunidade confirmada por precedentes judiciais e administrativos, agregando ainda, a peça inicial de defesa, a alegação de que o lançamento fiscal aplicou a todos os produtos a alíquota de 15%, quando para cada tipo de papel há um diferente percentual. A DRJ não enfrenta nenhum dos argumentos de defesa, simplesmente por identificar, de ofício, no lançamento, problema de nascedouro (fl. 1771): Pela decisão de piso, o artigo 35, VIII, utilizado como fundamento do próprio lançamento, não se revelava coerente com as premissas usadas na autuação, pois teria sido menosprezado pelo fisco o fato de haver nos autos a informação, nas DIF, da quantidade de exemplares impressos, tipo de papel e quantidade consumida (fl. 1772): Fl. 1786DF CARF MF Processo nº 10865.000420/200754 Acórdão n.º 3401004.301 S3C4T1 Fl. 1.784 7 Ou seja, a fiscalização tinha elementos para lavrar com exatidão o auto de infração, que levaria à discussão de mérito, sobre serem ou não imunes os papéis adquiridos para folhetos promocionais comerciais destinados a encarte em jornais, e a revistas, jornais e listas telefônicas. Mas, com o método adotado na lavratura da autuação (lançamento sobre a totalidade das compras) sequer foi preciso ingressar no mérito da análise, pois não restaria presente o “aspecto material, na vertente temporal”. Nas palavras do voto julgador de piso (ainda à fl. 1772): Endossa ainda a tese do julgador de piso o fato de haver estoque final de papel não consumido em todos os trimestres auditados (fl. 1773): Por fim, o julgamento de piso destaca ainda o que considera outro aspecto equivocado no lançamento, fundado exatamente na breve descrição dos fatos, aqui já transcrita, Fl. 1787DF CARF MF 8 que afirma que a empresa autuada “não é empresa jornalística ou editora” e que “o papel adquirido com imunidade não foi utilizado na impressão de livros, jornais e periódicos, ficando em consequência responsável pelo imposto que deixou de ser recolhido nas aquisições” (fl. 1774): Efetivamente, como já destacamos, ao transcrever o artigo 35, VIII do RIPI/2002, o fato gerador se considera ocorrido (a) no início do consumo ou da utilização do papel destinado à impressão de livros, jornais e periódicos, em finalidade diferente da que lhe é prevista na imunidade; ou (b) na saída do fabricante, do importador ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras. Tal dispositivo deriva do artigo 40 da Lei no 9.532, de 1997, que será aqui integralmente transcrito, para melhor elucidar a questão: “Art. 40. Considerase ocorrido o fato gerador e devido o IPI, no início do consumo ou da utilização do papel destinado a impressão de livros, jornais e periódicos a que se refere a alínea "d" do inciso VI do art. 150 da Constituição, em finalidade diferente destas ou na sua saída do fabricante, do importador ou de seus estabelecimentos distribuidores, para pessoas que não sejam empresas jornalísticas ou editoras. Parágrafo único. Responde solidariamente pelo imposto e acréscimos legais a pessoa física ou jurídica que não seja empresa jornalística ou editora, em cuja posse for encontrado o papel a que se refere este artigo.” De fato, o parágrafo único do artigo 40 permite a responsabilização solidária (daí o “responde” na descrição dos fatos da autuação), porque a solidariedade tributária não oferece benefício de ordem e não se confunde com subsidiariedade, mas tal dispositivo legal foi disciplinado, no RIPI/2002, em dispositivo (artigo 25, VIII) que não faz parte do enquadramento legal da autuação, que, como exposto, invoca a figura do contribuinte (artigo 24, IV). Assim, incongruentes os fundamentos normativos da autuação, que tratam de “contribuinte”, e de “consumo”, com a descrição dos fatos, que versa sobre “responsável” pelo que não foi recolhido nas aquisições e “não ser empresa jornalística ou editora” e não utilizar o papel adquirido com imunidade nas destinações constitucionalmente previstas. Fl. 1788DF CARF MF Processo nº 10865.000420/200754 Acórdão n.º 3401004.301 S3C4T1 Fl. 1.785 9 Há, então, que se acordar com o argumento final da DRJ, que é suficiente para afastar o lançamento, diante do distanciamento entre a realidade fática narrada (que, efetivamente não dedica uma linha a justificar porque não seria a “ART LASER GRÁFICA E EDITORA” uma “empresa jornalísticas ou editora”), e o enquadramento utilizado. Parece, efetivamente, o autuante ter se encontrado diante da encruzilhada de possibilidades de “fatos geradores” presente no inciso VIII do artigo 35 do RIPI/2002, e, ao invés de seguir um dos caminhos, ter atirado indiscriminada e mescladamente para ambos, o que maculou de improcedência o lançamento. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício. Rosaldo Trevisan Fl. 1789DF CARF MF
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Numero do processo: 36624.014051/2006-22
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 30 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 20/10/2006
MULTA. RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO
Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, deve-se cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelece-se como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%.
Numero da decisão: 9202-006.474
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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RETROATIVIDADE BENÉFICA. APLICAÇÃO Quando da aplicação, simultânea, em procedimento de ofício, da multa prevista no revogado art. 32, § 5º, da Lei no. 8.212, de 1991, que se refere à apresentação de declaração inexata em GFIP, e também da sanção pecuniária pelo não pagamento do tributo devido, prevista no art. 35, II da mesma Lei, devese cotejar, para fins de aplicação do instituto da retroatividade benéfica, a soma das duas sanções eventualmente aplicadas quando do lançamento, em relação à penalidade pecuniária do art. 44, inciso I, da Lei 9.430, de 1996, que se destina a punir ambas as infrações já referidas, e que se tornou aplicável no contexto da arrecadação das contribuições previdenciárias desde a edição da Medida Provisória no. 449, de 2008. Assim, estabelecese como limitador para a soma das multas aplicadas através de procedimento de ofício o percentual de 75%. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 40 51 /2 00 6- 22 Fl. 202DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2301003.186 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária CARF em 20/11//2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais, com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 256, de 22 de junho de 2009. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 20/10/2006 AUTUAÇÃO. DESCUMPRIMENTO E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. É inconstitucional o artigo 45 da Lei n° 8.212/1991, que trata de decadência de crédito tributário. Súmula Vinculante n° 8 do STF. TERMO INICIAL: (a) Primeiro dia do exercício seguinte ao da ocorrência do fato gerador, se não houve antecipação do pagamento (CTN, ART. 173, I); (b) Fato Gerador, caso tenha ocorrido recolhimento, ainda que parcial (CTN, ART. 150, § 4o). No caso, tratase de autuação por descumprimento de obrigação acessória, procedimento de ofício, sem antecipação de pagamento. Aplicável, portanto, a regra do art. 173,1 do CTN. MULTA APLICADA Nos casos mais benéficos ao sujeito passivo, consoante o disposto no artigo 106 do CTN, a multa deve ser reduzida para adequála ao artigo 32A, da Lei n. 8.212/91. ACORDAM os membros do colegiado: I) Por maioria de votos: a) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para aplicar ao cálculo da multa o art. 32A, da Lei 8.212/91, caso este seja mais benéfico à Recorrente, nos termos do voto do(a) Redator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para determinar que a multa seja recalculada, nos termos do I, art. 44, da Lei n.º 9.430/1996, como determina o Art. 35A da Lei 8.212/1991, deduzindose as multas aplicadas nos lançamentos correlatos, e que se utilize esse valor, caso seja mais benéfico à Recorrente; II) Por Fl. 203DF CARF MF Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 9202006.474 CSRFT2 Fl. 203 3 unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Redator designado: Damião Cordeiro de Moraes. A Fazenda Nacional, frente ao acórdão supra referido acórdão, requer o conhecimento e o provimento do presente recurso especial, reformandose o v. acórdão recorrido na parte em que este determinou a aplicação da multa prevista no art. 35, caput, da redação original da Lei nº 8.212/91. trazendo como paradigmas Acórdãos 20601.782 e 2403 00.03. Ressaltese que o houve a oposição de Embargos com a publicação de acórdão 2301004.235, publicado em 9/02/2015. Segundo a fiscalização, de acordo com o Relatório Fiscal (RF), fls. 008, autuação deuse,em síntese, pela Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP), elaborada pelo sujeito passivo, no período de 01/1999 a 12/2005, ter sido preenchida com o código FPAS 639 (Entidade Isenta). Ocorre que a isenção que o sujeito passivo detinha foi cancelada, pelo instrumento próprio, para o período em questão, motivo ensejador da autuação. Questão importante é frisar que a matéria objeto da Ação Principal 36624.014057/20068, com decisão administrativa por este CARF por meio do Acórdão 206 01.756 que julgou procedente a autuação com exceção do período decaído (01/1998 a 11/2000), conforme informação à Resolução 2402000.106, já se encontra em fase de Execução pela Fazenda Nacional é referente ao art. 55 da Lei 8.212/91. Frisese, finalmente, que o contribuinte discute a imunidade em MS 2005.61.00.003425, que conforme informações no sítio eletrônico do TRF 3, está incluído em pauta para julgamento no próximo dia 20/02/2018. (http://web.trf3.jus.br/consultas/Internet/ConsultaProcessual/Processo?numeroProcesso=00003 424920054036100) O contribuinte, por meio de contrarrazões pugna pela manutenção do acórdão a quo, não informando da execução fiscal ou do Mandado de Segurança. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora Entendo presentes os pressupostos de admissibilidade no processo em referência. Já quanto ao mérito, este colegiado tem se debruçado frequentemente e o entendimento tem sido unânime, motivo pelo qual, trago a colação o constante do Acórdão 9202006.247, da lavra do ilustre colega Conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. Fl. 204DF CARF MF 4 Feita tal digressão, aqui sob análise a Lei no. 8.212, de 1991, cujos dispositivos de interesse aplicáveis à análise do recurso, são abaixo reproduzidos, abrangendo se as redações anterior e posterior à edição da Medida Provisória no. 449, de 2008: Lei 8.212, de 1991 (Antes da edição da MP 449/08) Lei 8.212, de 1991 (Após a edição da MP 449/08) Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV informar mensalmente ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, por intermédio de documento a ser definido em regulamento, dados relacionados aos fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS. (Inciso acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) § 1º O Poder Executivo poderá estabelecer critérios diferenciados de periodicidade, de formalização ou de dispensa de apresentação do documento a que se refere o inciso IV, para segmentos de empresas ou situações específicas. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 2º As informações constantes do documento de que trata o inciso IV, servirão como base de cálculo das contribuições devidas ao Instituto Nacional do Seguro SocialINSS, bem como comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 3º O regulamento disporá sobre local, data e forma de entrega do documento previsto no inciso IV. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 4º A não apresentação do documento previsto no inciso IV, independentemente do recolhimento da contribuição, sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente a multa variável equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no art. 92, em função do número de segurados, Art. 32. A empresa é também obrigada a: (...) IV declarar à Secretaria da Receita Federal do Brasil e ao Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço – FGTS, na forma, prazo e condições estabelecidos por esses órgãos, dados relacionados a fatos geradores, base de cálculo e valores devidos da contribuição previdenciária e outras informações de interesse do INSS ou do Conselho Curador do FGTS; (Redação dada pela MP nº 449, de 2008). (...) § 1o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o A declaração de que trata o inciso IV constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, e suas informações comporão a base de dados para fins de cálculo e concessão dos benefícios previdenciários. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 3o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §4o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §5o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §6o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §7o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). §8o (Revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 9o A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV ainda que não ocorram fatos geradores de contribuição previdenciária, aplicando se, quando couber, a penalidade prevista no art. 32A. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 205DF CARF MF Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 9202006.474 CSRFT2 Fl. 204 5 conforme quadro abaixo: (Parágrafo e tabela acrescentados pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). 0 a 5 segurados 1/2 valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo § 5º A apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no parágrafo anterior. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 6º A apresentação do documento com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa de cinco por cento do valor mínimo previsto no art. 92, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitadas aos valores previstos no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 7º A multa de que trata o § 4º sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 8º O valor mínimo a que se refere o § 4º será o vigente na data da lavratura do auto de infração. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 2008) § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV impede a expedição da certidão de prova de regularidade fiscal perante a Fazenda Nacional. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 11. Em relação aos créditos tributários, os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa até que ocorra a prescrição relativa aos créditos decorrentes das operações a que se refiram. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3o; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso I do caput, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o Observado o disposto no § 3o, as multas serão reduzidas: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008.: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II a setenta e cinco por cento, se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (incluído pela Medida Provisória nº 449, Fl. 206DF CARF MF 6 10.12.97). § 9º A empresa deverá apresentar o documento a que se refere o inciso IV, mesmo quando não ocorrerem fatos geradores de contribuição previdenciária, sob pena da multa prevista no § 4º. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 10. O descumprimento do disposto no inciso IV é condição impeditiva para expedição da prova de inexistência de débito para com o Instituto Nacional do Seguro SocialINSS. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). § 11. Os documentos comprobatórios do cumprimento das obrigações de que trata este artigo devem ficar arquivados na empresa durante dez anos, à disposição da fiscalização. (Parágrafo renumerado pela Lei nº 9.528, de 10.12.97). (...) Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) quatorze por cento, no mês seguinte; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de de 2008). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II R$ 500,00 ( quinhentos reais), nos demais casos. (incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). (...) Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas “a”, “b” e “c” do parágrafo único do art. 11, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 1996. (Redação dada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). I – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). II – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). III – (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). a) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). b) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). c) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). d) (revogada pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 1o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). § 2o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de Fl. 207DF CARF MF Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 9202006.474 CSRFT2 Fl. 205 7 1999). b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). § 1º Na hipótese de parcelamento ou reparcelamento, incidirá um acréscimo de vinte por cento sobre a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos. § 2º Se houver pagamento antecipado à vista, no todo ou em parte, do saldo devedor, o acréscimo previsto no parágrafo anterior não incidirá sobre a 2008). § 3o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008) § 4o (revogado pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996. (Incluído pela Medida Provisória nº 449, de 2008). Fl. 208DF CARF MF 8 multa correspondente à parte do pagamento que se efetuar. § 3º O valor do pagamento parcial, antecipado, do saldo devedor de parcelamento ou do reparcelamento somente poderá ser utilizado para quitação de parcelas na ordem inversa do vencimento, sem prejuízo da que for devida no mês de competência em curso e sobre a qual incidirá sempre o acréscimo a que se refere o § 1º deste artigo. § 4o Na hipótese de as contribuições terem sido declaradas no documento a que se refere o inciso IV do art. 32, ou quando se tratar de empregador doméstico ou de empresa ou segurado dispensados de apresentar o citado documento, a multa de mora a que se refere o caput e seus incisos será reduzida em cinqüenta por cento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Notese permanecer em litígio, no caso sob análise, somente o recálculo mais benéfico de multa perpretado pela autoridade julgadora recorrida, que optou por aplicar a multa de mora nos termos do artigo 32A da Lei 8.212, de 1991. Com a devida vênia ao entendimento esposado no recorrido, entendo, a propósito, que, em verdade, o art. 35, da Lei no. 8.212, de 1991, regrava, anteriormente à sua alteração promovida pela MP no. 449, de 2008, duas multas de natureza diferenciada, a saber: a) em seu inciso I, o dispositivo regulamentava a aplicação de multa de natureza moratória, decorrente do recolhimento espontâneo efetuado pelo contribuinte a destempo, sem qualquer procedimento de ofício da autoridade tributária e mantida aqui a espontaneidade do contribuinte; b) em seu inciso II, o referido art. 35 estabelecia a aplicação de multa para o caso de lavratura de Notificação de Lançamento pela autoridade fiscalizadora, neste caso se tratando, aqui, de multa de ofício. Ainda, de se notar a possibilidade de aplicação, já anteriormente à edição da MP no. 449, de outras espécies de multa (também de ofício), quando da constatação, também em sede de ação fiscal, de descumprimento das obrigações acessórias, na forma preconizada pelos §§4o. e 5o. do art. 32 da Lei no. 8.212, de 1991, convertendose, nesta hipótese, a obrigação acessória em principal. Cediço em meu entendimento que, o que se passou a ter agora, a partir do advento da MP no. 449, de 2008, foi a existência de um dispositivo único a regrar a aplicação das multas aplicáveis em sede de ação fiscal, abrangendo a constatação, através de procedimento de ofício, tanto de falta de pagamento como a de falta de declaração (ou de declaração a menor) em GFIP de fatos geradores ocorridos/contribuições devidas, a saber, o art. 35A daquela mesma Lei no. 8.212, de 1991, acrescentado pela referida MP. Este também é o entendimento majoritário esposado por esta Câmara Superior, conforme excertos dos seguintes votos constantes dos Acórdãos CSRF 9.202 003.070 e 9.202003.386, os quais se adotam, aqui, como razões de decidir. Fl. 209DF CARF MF Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 9202006.474 CSRFT2 Fl. 206 9 Acórdão 9.202003.070 – Voto do Conselheiro Marcelo Oliveira “ (...) Portanto, pela determinação do CTN, acima, a administração pública deve verificar. nos lançamentos não definitivamente julgados, se a penalidade determinada na nova legislação é menos severa que a prevista na lei vigente no momento do lançamento. Só não posso concordar com a análise feita, que leva à comparação de penalidades distintas: multa de ofício e multa de mora. (...) Ocorre que o acórdão recorrido comparou, para a aplicação do Art. 106 do CTN, penalidade de multa aplicada em lançamento de ofício (grifos no original), com penalidade aplicada quando o sujeito passivo está em mora, sem a existência do lançamento de ofício, e decide, espontaneamente, realizar o pagamento. Para tanto, na defesa dessa tese, há o argumento que a antiga redação utilizava o termo multa de mora (grifos no original). Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora (grifos no original), que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): (...) II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original): Esclarecemos aqui que a multa de lançamento de ofício (grifos no original), como decorre do próprio termo, pressupõe a atividade da autoridade administrativa que, diante da constatação de descumprimento da lei, pelo contribuinte, apura a infração e lhe aplica as cominações legais. Em direito tributário, cuidase da obrigação principal e da obrigação acessória, consoante art. 113 do CTN. A obrigação principal é obrigação de dar. De entregar dinheiro ao Estado por ter ocorrido o fato gerador do pagamento de tributo ou de penalidade pecuniária. A obrigação acessória é obrigação de fazer ou obrigação de não fazer. A legislação tributária estabelece para o contribuinte Fl. 210DF CARF MF 10 certas obrigações de fazer alguma coisa (escriturar livros, emitir documentos fiscais etc.): são as prestações positivas de que fala o §2º do art. 113 do CTN. Exige também, em certas situações, que o contribuinte se abstenha de produzir determinados atos (causar embaraço à fiscalização, por exemplo): são as prestações negativas, mencionadas neste mesmo dispositivo legal. O descumprimento de obrigação principal gera para o Fisco o direito de constituir o crédito tributário correspondente, mediante lançamento de ofício (grifos no original). É também fato gerador da cominação de penalidade pecuniária, leiase multa, sanção decorrente de tal descumprimento. O descumprimento de obrigação acessória gera para o Fisco o direito de aplicar multa, igualmente por meio de lançamento de ofício (grifos no original). Na locução do §3º do art. 113 do CTN, este descumprimento de obrigação acessória, isto é, de obrigação de fazer ou não fazer, convertea em obrigação principal, ou seja, obrigação de dar. Já a multa de mora não pressupõe a atividade da autoridade administrativa, não tem caráter punitivo e a sua finalidade primordial é desestimular o cumprimento da obrigação fora de prazo. Ela é devida quando o contribuinte estiver recolhendo espontaneamente um débito vencido. Essa multa nunca incide sobre as multas de lançamento de ofício (grifos no original) e nem sobre as multas por atraso na entrega de declarações. Portanto, para a correta aplicação do Art. 106 do CTN, que trata de retroatividade benigna, o Relator deveria ter comparado a penalidade determinada pelo II, Art. 35 da Lei 8.212/1991 (créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento (grifos no original)), antiga redação, com a penalidade determinada atualmente pelo Art. 35A da Lei 8.212/1991 (nos casos de lançamento de ofício (grifos no original)). Conseqüentemente, divirjo do acórdão recorrido, pelas razões expostas. (...)” Acórdão 9.202003.386 – Voto do Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos "(...) Verifico, assim, que, ainda que a antiga redação do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, tenha utilizado apenas a expressão “multa de mora”, independentemente da denominação que tenha se dado à penalidade, não resta dúvida de que estavam ali descritas duas diferentes espécies de multas: a) as multas de mora e b) as multas de ofício. As primeiras eram cobradas com o tributo recolhido espontaneamente. As últimas, cobradas nos lançamentos de ofício e através de notificação fiscal de lançamento de débito, Fl. 211DF CARF MF Processo nº 36624.014051/200622 Acórdão n.º 9202006.474 CSRFT2 Fl. 207 11 ou, posteriormente, após a fusão entre a SRP e RFB, através de auto de infração (lançamento de obrigação principal) e auto de infração (no caso de obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambas por força de ação fiscal, tal como ocorria com os demais tributos federais. Ainda, quanto às multas de ofício, estas duas situações supra elencadas se encontravam, respectivamente, regradas na forma dos antigos arts. 35, II (multa referente à obrigação principal constituída através de NFLD ou AI) e 32, IV, §4o. ou §5o. (ambos referindose à obrigação acessória convertida em obrigação principal através de lavratura de AI pelo seu descumprimento), ambos da Lei nº 8.212, de 1991, sendo que, com a alteração legislativa propugnada no referido diploma, passaram a estar regradas conjuntamente na forma de seu art. 35A. Assim, entendo que a penalidade a ser aplicada não pode ser aquela mais benéfica a ser obtida pela comparação da antiga “multa de mora” estabelecida pela anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991, com a do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, agora referida pela nova redação dada ao mesmo art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, pela Lei nº 11.941, de 2009 e que, notese, pressupõe a espontaneidade, inaplicável à situação fática em tela. A propósito, entendo que, para fins de aplicação da retroatividade benéfica, se deva comparar àquela antiga multa regrada na forma da anterior redação do art. 35, inciso II, da Lei nº 8.212, de 1991 (repetindose, indevidamente denominada como “multa de mora”, nos casos de lançamento por força de ação fiscal), quando somada à multa aplicada no âmbito dos AIs conexos, lavrados de ofício por descumprimento de obrigação acessória (na forma da anterior redação do art. 32, inciso IV, §4o ou 5o da Lei nº 8.212, de 1991), a multa estabelecida pelo art. 44, da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e atualmente aplicável quando dos lançamentos de ofício,consoante disposto no art. 35 A, da Lei nº 8.212, de 1991. Assim, aplicandose o entendimento aqui adotado agora ao caso sob análise, entendo que se deva manter a cobrança das penalidades lançadas no presente auto de obrigação acessória, bem como aquelas aplicadas no âmbito do auto de obrigação principal vinculado, limitado o somatório de ambas ao patamar estabelecido pelo art. 44 da Lei no. 9.430, de 1996 (75%), na forma propugnada pela Fazenda Nacional. O percentual de 75% (quando da inexistência de agravamento ou qualificação de multa) é o limite atual para sanções pecuniárias, decorrente de lançamento de ofício, quando de falta de declaração ou de declaração inexata, conforme previsto no art. 44, I da mesma Lei nº 9.430, de 1996, e referenciado no art. 35A, da Lei nº 8.212, de 1991, aplicável aqui a retroatividade da norma, caso benéfica, em plena consonância, inclusive, com a sistemática estabelecida pelo art. 476A da Instrução Normativa RFB no. 971, de 2009, acrescido pela Instrução Normativa RFB no. 1.027, de 22 de abril de 2010, sistemática esta também expressa na Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 14, de 2009. Fl. 212DF CARF MF 12 (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 213DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.720362/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Mar 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
NÃO CONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE.
Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma.
Numero da decisão: 9202-006.259
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
(assinado digitalmente)
Heitor de Souza Lima Junior - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE. Não se conhece de Recurso Especial de Divergência, quando não resta caracterizada a divergência interpretativa entre os colegiados dos Acórdãos recorrido e paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Patrícia da Silva (relatora), que conheceu do recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 03 62 /2 00 9- 11 Fl. 146DF CARF MF 2 Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecilia Lustosa da Cruz (Suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente em exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência, previsto nos arts. 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, interposto pela Fazenda Nacional em face da decisão da 1ª Turma Especial da 2ª Seção, consubstanciada no Acórdão n° 2801003.179 que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, da Notificação de Lançamento. Segue abaixo a ementa e o dispositivo da decisão recorrida: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO INCORRETA DO FATO GERADOR. NULIDADE. É nula, por vício material, a notificação de lançamento que não descreve corretamente os fundamentos de fato que ensejaram a constituição do crédito tributário. Recurso Voluntário Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para declarar a nulidade, por vício material, da Notificação de Lançamento, nos termos do voto do Relator. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.. O processo foi encaminhado, para ciência da Fazenda Nacional, em 30/10/2013.Cientificada do acórdão trinta dias após o encaminhamento, nos termos da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional interpôs, tempestivamente, em 02/12/2013, o Recurso Especial A recorrente explica que o Colegiado a quo divergiu dos paradigmas que apresenta Acórdão nº 230200.386 e Acórdão nº 240100.018 no que respeita a natureza do vício material. Cientificado o contribuinte, apresentou tempestivamente contrarrazões, pugnando pelo não conhecimento do Recurso Especial. Importa ressaltar que o presente processo trata de Notificação de Lançamento relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF por meio da qual se exige crédito tributário no valor de R$ 63.516,71, incluídos multa de ofício no percentual de 75%, multa de mora no percentual de 20% e juros de mora. O crédito tributário foi constituído em razão de ter sido apurado, na Declaração de Ajuste Anual do contribuinte, referente ao exercício de 2005, os seguintes fatos: Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 9202006.259 CSRFT2 Fl. 147 3 · Dedução indevida de despesas lançadas no Livro Caixa. · Compensação indevida de imposto de renda retido na fonte. O Serviço de Fiscalização da DRF Belém entendeu que a prestação de serviços por profissionais de mesma qualificação, em conjunto, de forma sistemática e habitual, equipara a pessoa física à empresa individual, que por sua vez é equiparada à pessoa jurídica pelo RIR/1999. É o que consta do despacho de fls. 17/18, a ver: Conforme o art. 150, § 2º, I, do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda 2005, e Solução de Consulta nº 107/01 da SRRF09, publicada no D.O.U de 09/10/2001, Pessoa Física que presta serviços em conjunto com outros profissionais da mesma qualificação profissional, de forma sistemática e habitual, sempre sob a sua responsabilidade, recebendo em nome próprio o total pago pelo cliente e pagando os serviços dos demais, é considerada empresa individual equiparada à pessoa jurídica por se tratar de venda habitual e profissional de serviços próprios e de terceiros. Os rendimentos recebidos, portanto, são tributados conforme as regras de tributação das receitas das pessoas jurídicas. Portanto, o interessado em questão que exerce profissão como autônomo, está equiparado à pessoa jurídica, já que exerceu a atividade em conjunto com outro profissional de mesma qualificação profissional. A decisão recorrida, na mesma linha do despacho que indeferiu a SRL, utilizou como um dos fundamentos para julgar improcedente a impugnação a equiparação do Interessado à pessoa jurídica, nos seguintes termos: Temse, no caso concreto, que o contador que exerce individualmente a sua profissão não é equiparado à empresa individual e por consequência não é tratado como pessoa jurídica. No entanto, se a atividade profissional não é exercida individualmente e sim em conjunto com outro profissional de igual qualificação, aplicase a regra de equiparação para efeitos tributários. Ocorre que a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no Livro Caixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista. É o que se extrai da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 24 deste processo digital: “De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em Livro Caixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 107.642,27, informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido”. É o relatório. Fl. 148DF CARF MF 4 Voto Vencido Conselheira Patrícia da Silva Relatora. Na interposição do presente recurso, entendo cumpridos todos os pressupostos de admissibilidade, considerando as diferenças apontadas nas Contrarrazões apenas circunstanciais uma vez que a discussão in casu trata de normas gerais de direito tributário. Sobre a individualidade no exercício da profissão do Recorrente, a decisão a quo é irrepreensível: Verificase, assim, que tanto a Autoridade fiscal que indeferiu a SRL, quanto a Autoridade julgadora, alteraram a moldura fática utilizada pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquelas como se estivessem investidas na função desta. E o que é pior: o fundamento utilizado para manutenção do lançamento não encontra, a meu ver, amparo na legislação do imposto de renda. É o que se extrai do art. 150, § 2º I, do RIR/1999, cuja redação é a seguinte: Art.150.As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (Decreto Lei nº1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (Decreto Lei nº5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); A leitura dos trechos em destaque revela que o contador que exerce, individualmente, a sua profissão não é equiparado às pessoas jurídicas. Anoto, no entanto, que o fato de o contador contratar, como empregado, outro profissional da área contábil não desqualifica, de per si, o exercício individual de sua atividade. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 9202006.259 CSRFT2 Fl. 148 5 A individualidade no exercício da profissão do Recorrente somente restaria desqualificada, em meu entendimento, se a Autoridade lançadora, de forma objetiva, descaracterizasse os elementos fáticos jurídicos da relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação) e comprovasse que os dois profissionais envolvidos se associaram na prestação dos serviços, o que, definitivamente, não restou evidenciado nos autos pela Autoridade lançadora. O segundo fundamento utilizado pela Autoridade julgadora para julgar improcedente a impugnação foi a falta de segregação das despesas efetuadas pela pessoa física das despesas da pessoa jurídica cujo Recorrente é sócio. Novamente aqui a Autoridade julgadora exorbitou de suas funções, porquanto alterou o fundamento fático do lançamento efetuado. Os fatos narrados, por si sós, são suficientes para anulação do despacho que indeferiu a SRL e da decisão recorrida. Nada obstante, entendo prescindível a nulidade de tais atos administrativos, haja vista que, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Consoante demonstrado acima, a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no Livro Caixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 24 deste processo digital). A nulidade é insanável e não caberia ao CARF refazer o lançamento, substituindo a administração na eleição do fundamento jurídico, alíquota e base de cálculo aplicáveis. A necessidade de substituição desses elementos implica cabalmente na invalidade do lançamento, uma vez que, a teor do art. 2º, parágrafo único, VII e art. 50, ambos da Lei nº 9.784/99, e do art. 10, IV, do Decreto nº 70.235/73, é imprescindível a indicação dos fundamentos de fato e de direito que dão fundamento ao lançamento. Acrescento, por oportuno, que no caso presente é de grande relevância a distinção entre vício formal e vício material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um deles pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal, o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Fl. 150DF CARF MF 6 Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. Na espécie, o defeito apresentado reveste a natureza de vício material. Diante do exposto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 9202006.259 CSRFT2 Fl. 149 7 Voto Vencedor Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado Com a devida vênia ao posicionamento esposado pela Relatora, ouso discordar no que diz respeito ao conhecimento do pleito fazendário. Exsurge do teor do voto vencedor do recorrido ter aquele Colegiado se debruçado sobre situação fática peculiar, tanto no que diz respeito à acusação da autoridade lançadora quanto ao posterior deslinde do processo, conforme se depreende abaixo: "(...) Observo, inicialmente, que a SRL apresentada pelo Interessado foi indeferida porque o Serviço de Fiscalização da DRF Belém entendeu que a prestação de serviços por profissionais de mesma qualificação, em conjunto, de forma sistemática e habitual, equipara a pessoa física à empresa individual, que por sua vez é equiparada à pessoa jurídica pelo RIR/1999. É o que consta do despacho de fls. 17/18, a ver: Conforme o art. 150, § 2º, I, do Decreto 3.000/99 – Regulamento do Imposto de Renda 2005, e Solução de Consulta nº 107/01 da SRRF09, publicada no D.O.U de 09/10/2001, Pessoa Física que presta serviços em conjunto com outros profissionais da mesma qualificação profissional, de forma sistemática e habitual, sempre sob a sua responsabilidade, recebendo em nome próprio o total pago pelo cliente e pagando os serviços dos demais, é considerada empresa individual equiparada à pessoa jurídica por se tratar de venda habitual e profissional de serviços próprios e de terceiros. Os rendimentos recebidos, portanto, são tributados conforme as regras de tributação das receitas das pessoas jurídicas. Portanto, o interessado em questão que exerce profissão como autônomo, está equiparado à pessoa jurídica, já que exerceu a atividade em conjunto com outro profissional de mesma qualificação profissional. A decisão recorrida, na mesma linha do despacho que indeferiu a SRL, utilizou como um dos fundamentos para julgar improcedente a impugnação a equiparação do Interessado à pessoa jurídica, nos seguintes termos: Temse, no caso concreto, que o contador que exerce individualmente a sua profissão não é equiparado à empresa individual e por consequência não é tratado como pessoa jurídica. No entanto, se a atividade profissional não é exercida individualmente e sim em conjunto com outro profissional de igual qualificação, aplicase a regra de equiparação para efeitos tributários. Ocorre que a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no LivroCaixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas Fl. 152DF CARF MF 8 decorrentes de vínculo trabalhista. É o que se extrai da “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal”, à fl. 24 deste processo digital: “De acordo com a legislação em vigor, somente pode deduzir despesas escrituradas em LivroCaixa, o contribuinte que receber rendimentos do trabalho não assalariado, o titular de serviços notariais e de registro e o leiloeiro. Em razão de o contribuinte ter declarado apenas Rendimentos Recebidos de Pessoa Jurídica com vinculo empregatício, está sendo glosado o valor de R$ 107.642,27, informado a titulo de Livro Caixa, indevidamente deduzido”. Verificase, assim, que tanto a Autoridade fiscal que indeferiu a SRL, quanto a Autoridade julgadora, alteraram a moldura fática utilizada pela Autoridade lançadora na feitura do lançamento, atuando aquelas como se estivessem investidas na função desta. E o que é pior: o fundamento utilizado para manutenção do lançamento não encontra, a meu ver, amparo na legislação do imposto de renda. É o que se extrai do art. 150, § 2º I, do RIR/1999, cuja redação é a seguinte: Art.150. As empresas individuais, para os efeitos do imposto de renda, são equiparadas às pessoas jurídicas (DecretoLei nº1.706, de 23 de outubro de 1979, art. 2º). §1º São empresas individuais: I as firmas individuais (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "a"); II as pessoas físicas que, em nome individual, explorem, habitual e profissionalmente, qualquer atividade econômica de natureza civil ou comercial, com o fim especulativo de lucro, mediante venda a terceiros de bens ou serviços (Lei nº4.506, de 1964, art. 41, §1º, alínea "b"); (...) §2º O disposto no inciso II do parágrafo anterior não se aplica às pessoas físicas que, individualmente, exerçam as profissões ou explorem as atividades de: I médico, engenheiro, advogado, dentista, veterinário, professor, economista, contador, jornalista, pintor, escritor, escultor e de outras que lhes possam ser assemelhadas (DecretoLei nº5.844, de 1943, art. 6º, alínea "a", e Lei nº4.480, de 14 de novembro de 1964, art. 3º); A leitura dos trechos em destaque revela que o contador que exerce, individualmente, a sua profissão não é equiparado às pessoas jurídicas. Anoto, no entanto, que o fato de o contador contratar, como empregado, outro profissional da área contábil não desqualifica, de per si, o exercício individual de sua atividade. A individualidade no exercício da profissão do Recorrente somente restaria desqualificada, em meu entendimento, se a Autoridade lançadora, de forma objetiva, descaracterizasse os elementos fáticos jurídicos da relação de emprego (pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação) e comprovasse Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 9202006.259 CSRFT2 Fl. 150 9 que os dois profissionais envolvidos se associaram na prestação dos serviços, o que, definitivamente, não restou evidenciado nos autos pela Autoridade lançadora. O segundo fundamento utilizado pela Autoridade julgadora para julgar improcedente a impugnação foi a falta de segregação das despesas efetuadas pela pessoa física das despesas da pessoa jurídica cujo Recorrente é sócio. Novamente aqui a Autoridade julgadora exorbitou de suas funções, porquanto alterou o fundamento fático do lançamento efetuado. Os fatos narrados, por si sós, são suficientes para anulação do despacho que indeferiu a SRL e da decisão recorrida. Nada obstante, entendo prescindível a nulidade de tais atos administrativos, haja vista que, nos termos do § 3º do art. 59 do Decreto nº 70.235/1972: § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta.(Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) Consoante demonstrado acima, a Autoridade lançadora glosou todas as despesas lançadas no LivroCaixa por ter considerado que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista (Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal, à fl. 24 deste processo digital). A Declaração de Ajuste Anual (fls. 29/32), todavia, revela que o Interessado informou rendimentos recebidos de pessoas jurídicas na qualidade de profissional liberal no valor de R$ 130.569,00, lançados no campo “Nome da Fonte Pagadora” sob a denominação de “Serviços Autônomos como Contador de Diversas Fontes”. A descrição incorreta dos fatos que embasaram o lançamento, pela Autoridade lançadora, ocasiona, a meu ver, a nulidade do próprio lançamento, sendo que no presente caso é de grande relevância a distinção entre vício formal e material para se dimensionar os diferentes efeitos que cada um desses vícios pode acarretar sobre a obrigação tributária. No caso de vício formal o prazo decadencial para a constituição de outro crédito tributário é restabelecido, passando a ser contado a partir da data da decisão definitiva que declarou a nulidade do lançamento, a teor do que dispõe o artigo 173, inciso II, do Código Tributário Nacional CTN. Já no caso de vício material, o prazo decadencial continua a ser contado da data da ocorrência do fato gerador do tributo (CTN, art. 150, § 4º) ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, art. 173, I). Fl. 154DF CARF MF 10 Assim, ocorrendo nulidade por vício material poderá o Fisco promover novo lançamento, corrigindo o vício incorrido, desde que dentro do prazo decadencial estipulado, sem o restabelecimento, in totum, do prazo que é concedido na hipótese de se tratar de nulidade por vício formal. No caso concreto, ocorreu um equívoco na identificação do fato gerador da obrigação correspondente, ocasionando um erro na exteriorização dos fundamentos que levaram a Autoridade fiscal a constituir o crédito tributário, o que configura, a meu ver, vício material na feitura do ato de lançamento. O vício é material quando relacionado aos aspectos intrínsecos da hipótese de incidência tributária descritos no art. 142, caput, do CTN (aspecto material = identificação do fato gerador e determinação da matéria tributável, aspecto quantitativo = cálculo do montante do tributo devido e aspecto pessoal passivo = identificação do sujeito passivo). Na espécie, o defeito apresentado reveste a natureza de vício material, em face da identificação incorreta do fato gerador da obrigação correspondente (glosa de despesas lançadas no livro caixa de contribuinte que declarou apenas rendimentos recebidos com vínculo empregatício). (...)" Assim, o que se tem, na situação sob análise, é uma autuação de "glosa" de todas as despesas lançadas pelo contribuinte no LivroCaixa, por ter considerado a autoridade lançadora que o Recorrente declarou, exclusivamente, rendimentos de pessoas jurídicas decorrentes de vínculo trabalhista, tendo sido tal autuação posteriormente mantida em sede de análise de retificação de lançamento e em sede impugnatória com fulcro: a) na equiparação do autuado a pessoa jurídica e b) Na inexistência de segregação de despesas entre o autuado e a empresa ao qual pertence, na qualidade de sócio majoritário, de forma a que as despesas declaradas a título de LivroCaixa pudessem ser validadas. Não se verifica, todavia, a validade da fundamentação originalmente utilizada pela autoridade lançadora no lançamento, quando da posterior análise da DIRPF do contribuinte. Daí ter concluído, diante de tais constatações, o recorrido pela existência de erro na identificação do fato gerador que ocasionou vício material no lançamento em questão. Já nos casos paradigmáticos, tratase de situações fáticas notadamente diversas, a saber: a) No primeiro paradigma (Acórdão 230200.386), se está diante de situação onde não se indicou no relatório fiscal, nem na complementação do relatório, os fundamentos utilizados para enquadrar os serviços prestados como sujeitos à retenção de 11%, quando de cessão de mão de obra. Ali, não foi realizado o cotejamento pelos AuditoresFiscais entre a documentação analisada e a legislação que dispõe acerca da cessão de mãodeobra, caracterizando, no entender daquele Colegiado, deficiência na descrição circunstanciada e minuciosa do fato gerador, situação totalmente diversa da situação presente, onde a argumentação suporte utilizada quando da identificação do fato gerador revelouse equivocada e transmudada em sede de retificação de lançamento e impugnação, na forma relatada pelo recorrido; Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10280.720362/200911 Acórdão n.º 9202006.259 CSRFT2 Fl. 151 11 b) Já no caso do segundo paradigma (Acórdão 240100.018), se está diante de caso onde o lançamento foi declarado nulo devido ao impreciso Relatório Fiscal da Notificação, que deixou de informar o procedimento (arbitramento) utilizado na constituição do crédito previdenciário, bem como de inscrever no anexo "Fundamentos Legais do Débito FLD" o dispositivo legal que o contemplava, novamente, situação totalmente diversa da situação constatada nos presentes autos, já a esta altura exaustivamente relatada. Desta forma, quando da realização do teste de aderência, verificase, dada a essencial dissimilitude fática, como impossível determinar qual seria a decisão dos Colegiados paradigmáticos quando da análise do presente feito em sede recursal, tendose como consequência a completa impossibilidade de caracterização de divergência interpretativa, de forma que o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve restar conhecido. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.905175/2012-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 04 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.169
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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(assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente Substituto), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte supra identificado em face de decisão da DRJ Juiz de Fora/MG que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada para se contrapor ao Despacho Decisório que não homologara a compensação declarada, sob o argumento de que o pagamento informado havia sido localizado mas utilizado na quitação de débitos do contribuinte. Na Manifestação de Inconformidade, o contribuinte alegou haver transmitido DCTF retificadora na qual se confirmou o seu crédito e que o quantum informado e pleiteado no PER/DComp era suficiente para a homologação da compensação declarada. Requereu, ainda, a juntada do presente processo a outro processo administrativo alegando haver conexão entre eles. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 75 .9 05 17 5/ 20 12 -7 8 Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Resolução nº 3201001.169 S3C2T1 Fl. 124 2 A decisão da Delegacia de Julgamento, denegatória do direito pleiteado, fundamentouse na falta de apresentação de prova documental por parte do interessado que pudesse embasar o indébito tributário alegado. Apontou a autoridade julgadora de primeira instância que a simples retificação da DCTF para alterar valores originalmente declarados, desacompanhada de documentação hábil e idônea, não era hábil à modificação do Despacho Decisório. Cientificado da decisão de piso, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e, sucintamente, reiterou a existência do crédito postulado, anexando documentação complementar com vista à comprovação do direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido na Resolução nº 3201001.164, de 27/02/2018, proferido no julgamento do processo 10675.905169/201211, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3201001.164): Como relatado, discutese no presente feito a legitimidade de crédito postulado pela Recorrente por meio de PER/DCOMP, correspondente à apuração de COFINS não cumulativa. De acordo com o PER/DCOMP apresentado, o crédito postulado teve origem no pagamento indevido ou a maior de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS. Consoante Despacho Decisório Eletrônico proferido, o crédito indicado seria inexistente, posto que o recolhimento do DARF em questão teria sido integralmente utilizado para a quitação de débito de COFINS declarado pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, a Recorrente aduz que o crédito utilizado é legítimo, informando que: Visando recuperar o crédito tributário acima apontado, a Manifestante providenciou a retificação da DCTF em 04/02/2011, conforme atesta o recibo de entrega nº 35.35.13.86.29.00, e a retificação do DACON em 27/01/2011, consoante atesta o recibo de entrega nº 1078177135. Diante da regular constituição do crédito tributário, através da retificação das obrigações acessórias acima mencionadas, a Manifestante transmitiu o PER/DCOMP nº 33828.46086.280111.1.3.042016 para a Receita Federal do Brasil em 28/01/2011 para compensar o seu lídimo crédito tributário com outros débitos tributários de sua titularidade. Foram anexadas à Impugnação cópias das declarações mencionadas. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Resolução nº 3201001.169 S3C2T1 Fl. 125 3 A Delegacia da Receita Federal indeferiu a Manifestação apresentada ao argumento de que a "compensação é realizada mediante entrega da DCOMP. Assim, o crédito informado deve existir na data da transmissão dessa Declaração" Com efeito, não resta dúvidas de que a retificação da DCTF da Recorrente ocorreu após a transmissão do PER/DCOMP, muito embora esta tenha ocorrido anteriormente à emissão do Despacho Decisório Eletrônico. Não obstante, embora não afaste a possibilidade de revisão do lançamento, a partir dos documentos apresentados pela Recorrente em sede de Manifestação de Inconformidade, entendeu a Turma Julgadora de origem que os documentos apresentados não seriam suficientes para a análise do crédito postulado: Entretanto, a contribuinte limitouse a apresentar a DCTF retificadora e a informar que o crédito decorre da retificação da DCTF. Nada mais foi trazido, como, por exemplo, escrituração contábil, documentos fiscais ou quaisquer outros documentos hábeis e idôneos que demonstrassem a liquidez e certeza do direito creditório pretendido. No presente caso, somente a apresentação de documentos integrantes da escrituração contábil e fiscal da empresa poderiam comprovar o montante do tributo devido no período, e que, desta forma, o pagamento indevido ou a maior efetuado em DARF daria ao interessado crédito passível de ser compensado. São os livros fiscais e contábeis mantidos pelo contribuinte, os elementos capazes de fornecer à Fazenda Nacional conteúdo substancial válido juridicamente para a busca da verdade material dos fatos. Em sede de Recurso Voluntário, a Recorrente reafirma os argumentos de defesa e, diante dos fundamentos do acórdão recorrido, acrescenta aos autos cópia do seu balancete contábil. Na hipótese dos autos, não houve inércia do contribuinte na apresentação de documentos, além do fato de que a retificação da sua DCTF ocorreu antes da emissão do despacho decisório. O que se verifica é que os documentos inicialmente apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade se mostraram insuficientes para que a Autoridade Julgadora determinasse a revisão do crédito tributário. E, imediatamente após tal manifestação, em sede de Recurso Voluntário, foram apresentados novos documentos. Ademais, não se pode olvidar que se está diante de um despacho decisório eletrônico, ou seja, a primeira oportunidade concedida ao contribuinte para a apresentação de documentos comprobatórios do seu direito foi, exatamente, no momento da apresentação da sua Manifestação de Inconformidade. E, foi apenas em sede de acórdão, que tais documentos foram tidos por insuficientes. Sabese quem em autuações fiscais realizadas de maneira ordinária, é, em regra, concedido ao contribuinte diversas oportunidades de apresentação de documentos e esclarecimentos, por meio dos Termos de Intimação emitidos durante o procedimento. Assim, limitar, na autuação eletrônica, a oportunidade de apresentação de documentos à manifestação de inconformidade, aplicando a preclusão relativamente ao Recurso Voluntário, não me parece razoável ou isonômico, além de atentatório aos princípios da ampla defesa e do devido processo legal. Desse modo, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para que a Autoridade Preparadora efetue a análise do Pedido de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10675.905175/201278 Resolução nº 3201001.169 S3C2T1 Fl. 126 4 despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entenda necessário. Após a manifestação fiscal, concedase vista ao contribuinte pelo prazo de 30 (trinta dias) para se manifestar acerca das conclusões. Após, retornemse os autos para julgamento. Da mesma forma que ocorreu no paradigma, neste processo, o contribuinte retificou a DCTF depois da transmissão do PER/DComp mas antes da ciência do despacho decisório. Apesar de o processo paradigma se referir apenas à Cofins, o mesmo raciocínio desenvolvido se aplica também à contribuição para o PIS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu converter o julgamento em diligência, para que a Autoridade Preparadora efetue a análise da Declaração de Compensação com base nos dados informados em DCTF retificadora, transmitida anteriormente ao despacho decisório, podendo intimar o contribuinte para apresentar demais documentos ou informações que entender necessários. Após, concedase o prazo de 30 (trinta) dias ao Contribuinte para que se manifeste acerca do resultado da diligência. Concluída a instrução do feito, retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 126DF CARF MF
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