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Numero do processo: 11543.002085/2006-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcelo Giovani Vieira - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente (assinado digitalmente) Marcelo Giovani Vieira Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Relatório Reproduzo relatório de primeira instância: Trata o presente processo de Pedidos de Ressarcimento/Declarações de Compensação (Dcomp) de crédito relativo ao PIS nãocumulativo referente ao período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. A DRF/Vitória exarou o despacho decisório de fls. 1274/1275, com base no Parecer SEORT/DRF/VIT nº 1124, de 21/05/2009 (fls. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 43 .0 02 08 5/ 20 06 -4 3 Fl. 6620DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 3 2 1236/1274), decidindo reconhecer em parte o direito creditório pleiteado, no valor de R$ 221.848,41 e homologar parcialmente as compensações declaradas. Os ajustes efetuados pela autoridade fiscal na base de cálculo dos créditos do regime nãocumulativo do PIS resultaram em saldo de contribuição a pagar apurado nos períodos de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006. Foi então lavrado o Auto de Infração relativo à falta/insuficiência de recolhimento da Contribuição para o PIS referente aos períodos de apuração citados, formalizado no processo nº 15578.000631/200916, apensado a este (fls. 148/158), no valor total de R$ 584.729,34, incluído principal, multa de ofício e juros de mora calculados até 30/04/2009. O enquadramento legal do auto de infração encontrase à fl. 158 e a base legal da multa e dos juros, em fl. 154. No Parecer SEORT, que serviu de base para o Despacho Decisório e fundamentou o Auto de Infração, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Equivocouse o sujeito passivo ao não incluir na base de cálculo do PIS nãocumulativo as receitas financeiras (até 01/08/2004) e receitas diversas. Foram realizados ajustes tomando por base os lançamentos a crédito efetuados nos balancetes; • Na apuração dos créditos, constatouse, em alguns meses, divergência entre os valores informados no DACON e nas planilhas apresentadas, em relação às aquisições de café. Foram adotados os dados das planilhas • As compras de café foram pulverizadas em mais de 80 fornecedores PJ e vários PF. Para efeito de análise dos fornecedores, optouse por uma amostragem que representa mais de 84% das aquisições de café de neste período; • Verificouse irregularidades em 26 dos 30 maiores fornecedores PJ (omissos, inativos, receita declarada nula ou incompatível com as vendas realizadas); • As empresas Riocoffe Imp. Exp. Ltda, Cometa Comércio de Cereais Ltda e Vixsol Comercial Export. Ltda foram declaradas inaptas pela SRF. Dos fornecedores analisados, 86,67% encontramse em situação irregular; • Na hipótese relatada, sabidamente não houve o respectivo recolhimento tributário de forma tal que não há razoabilidade em se admitir o reconhecimento do direito creditório, sob pena de se patrocinar verdadeira sangria nas finanças públicas; • Com base nas planilhas/arquivos magnéticos das compras enviadas pelo sujeito passivo, foi elaborado o "Demonstrativo de Apuração das Contribuições nãocumulativas" discriminando todos os ajustes procedidos. Os ajustes realizados no Demonstrativo foram consubstanciados a partir dos valores na "Planilha de Glosas efetuadas/compras de café", na qual contém as compras adquiridas de pessoas jurídicas que foram desconsideradas para fins de cálculo dos créditos a descontar; • De acordo com as planilhas apresentadas, no que tange as aquisições de pessoas físicas, foram registradas compras de café sob o CFOP 1.102, que se refere a compras de mercadorias a serem comercializadas e que, portanto, não geram crédito presumido; • O sujeito passivo equivocouse ao incluir no cômputo dos créditos a Fl. 6621DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 4 3 descontar as aquisições de café sob o CFOP 1.501, que se refere a compras com fim especifico de exportação, já que referidas vendas encontramse fora do campo de incidência da contribuição; • Não foi possível homologar as declarações de compensação em sua totalidade, por insuficiência de créditos, de acordo com a Tabela de Compensação elaborada no Parecer; • Além disso, foi apurado saldo de PIS a pagar nos meses de junho de 2004 a março de 2005 e julho de 2005 a janeiro de 2006, tendo sido emitido auto de infração para os referidos meses. O saldo de PIS a pagar nos meses de dezembro de 2002 a maio de 2003 e fevereiro e março de 2004 já se encontram decaídos. A contribuinte foi cientificada do Despacho Decisório e do Auto de Infração em 01/07/2009 (fl. 1342) e apresentou, em 30/07/2009, a Manifestação de Inconformidade em fls. 1343/1308 e a Impugnação em fls. 162/178 do processo apenso, alegando, em síntese que: • O Agente Fiscal deveria proceder ao lançamento das contribuições omitidas e não recolhidas pelo sujeito passivo da obrigação que neste caso é o fornecedor das matérias primas adquiridas; • Querer impor à impugnante, que de boafé comprou e pagou as mercadorias, a obrigação de pagar, pela via da exclusão glosa dos créditos apurados é no mínimo arbitrário e ilegal; • Não há previsão legal que impute ao comprador de mercadorias a verificação da situação cadastral do fornecedor. Conforme se pode observar, pelos espelhos, agora emitidos, as situações cadastrais mencionadas como argumento de glosa deramse em data posterior aos registros de entradas das mercadorias. Para comprovar anexamos os Comprovantes de Inscrição e de Situação Cadastral; • A falta de pagamento não é responsabilidade da impugnante, que nenhum vinculo societário tem com aquelas pessoas jurídicas, não podendo ser penalizada por um ato que foge inteiramente ao seu controle; • Todas as mercadorias adquiridas pela impugnante têm o propósito de comercialização, passando obrigatoriamente por processo de industrialização, fazendo jus, portanto, ao crédito presumido do PIS e da COFINS, independente do CFOP utilizado; • A mercadoria ou matéria prima adquirida sob o CFOP 1501, apesar de registrada sob este código, foi adquirida para industrialização e posterior comercialização. Não há nenhuma possibilidade da empresa adquirir de pessoa física, mercadoria com fim específico de exportação. Transcreve partes de laudo técnico elaborado pelo Engenheiro agrônomo responsável pela unidade processadora e armazenadora de café; • O Parecer é arbitrário, vez que o enquadramento legal descrito não foi descumprido pela impugnante; • A autoridade fiscal, para a lavratura do Parecer e do auto de infração, não provou o descumprimento da legislação de regência do PIS, mas resolveu de forma arbitrária, glosar créditos, efetuar o lançamento e cobrar o tributo, da impugnante, que não tem qualquer responsabilidade pelas obrigações tributárias do fornecedor; • O Parecer SEORT e o lançamento tributário promovido não podem prosperar, devendo ser declarados nulos, uma vez que não cometeu infração, haja vista que comprou mercadorias/matéria prima e efetuou pagamentos aos fornecedores. A glosa efetuada não encontra previsão legal; • Para comprovar, apresenta cópias das notas fiscais de compras de pessoas jurídicas, cópias dos comprovantes de pagamento, comprovação da operação de industrialização da empresa; • Requer seja o Parecer declarado nulo, assim como o Auto de Infração, com o Fl. 6622DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 5 4 restabelecimento integral dos créditos tributários legalmente lançados. Requer a suspensão da exigibilidade dos créditos tributários decorrentes do processo (cartacobrança e auto de infração) e que, em razão do grande volume de notas fiscais e comprovantes de pagamentos, que estes permaneçam à disposição da fiscalização em sua sede, sendo anexados, por amostragem, alguns casos. Por fim requer o direito de apresentar outros documentos, necessários ao deslinde da questão, inclusive a diligência fiscal. Em 20/12/2011, a então 5a Turma da DRJ/RJ2, atual 17a Turma da DRJ/RJ1 encaminhou o processo em diligência, por meio da Resolução nº 186 (fls. 5822/5823) para que a Delegacia de origem prestasse maiores esclarecimentos quanto às irregularidades apuradas na apropriação de créditos da nãocumulatividade do PIS sobre as aquisições de café junto a pessoas jurídicas inaptas, inativas ou omissas. Em atendimento ao solicitado, foram anexados aos autos os documentos de fls. 5823/6204. O resultado do procedimento de diligência realizado pelo SEFIS/DRF/Vitória consta do Termo de Enceramento de Diligência em fls. 6205/6316. No referido Termo, a autoridade fiscal registra, em resumo, que: • Para apurar as irregularidades cometidas no mercado de café foi deflagrada a operação fiscal TEMPO DE COLHEITA, pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, como relatado nos itens seguintes, que resultou na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; • Em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais; • A douta Procuradoria da República no Município de Colatina, por meio do Ofício nº 466/2010 PRM/COL/PAG, de 12 de agosto de 2010, encaminhou à RFB cópia dos documentos oriundos das buscas e apreensões realizadas pela OPERAÇÃO BROCA, bem como cópia da DENÚNCIA oferecida e aceita nos autos do processo principal nº 2008.50.05.0005383 (processos dependentes nº 2009.50.01.0005193 e 2010.50.05.0001610 e Inquérito Policial nº 541/2008DPF/SR/ES); • Com base na denúncia oferecida, consta nos referidos autos depoimento do Sr. JULIANO SALA PADOVAN, titular e gestor da empresa R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL (fornecedora KAFFEE neste processo), prestado à Polícia Federal, onde afirma que algumas empresas exportadoras fingem que compram café da R. Araújo , mas sabem que estão comprando diretamente dos produtores rurais; • a motivação da operação Tempo de Colheita foi a flagrante divergência entre as movimentações financeiras de 36 pessoas jurídicas atacadistas – na ordem de 3 bilhões de Reais nos anos de 2003 a 2006 – e os valores insignificantes das receitas declaradas; • 53% das empresas atacadistas fiscalizadas foram criadas a partir de 2002, e passaram a ter movimentação financeira crescente e expressiva a partir de 2003; • ao contrário dos tradicionais atacadistas, tais empresas ocupam salas pequenas e acanhadas, sem qualquer estrutura física ou logística, nem dispõem de funcionários para operar como atacadistas. Cita como exemplo a Acádia, Do Grão, L&L e Colúmbia (fornecedoras da KAFFEE neste processo ou em períodos seguintes); Fl. 6623DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 6 5 • O resultado das investigações apontou tratarse de um esquema que consiste na utilização de pseudoempresas atacadistas para simular transações de compra e venda de café para empresas comerciais exportadoras e indústrias, dando aparência de legalidade às operações; • a existência das pseudoempresas e o modo delas operarem não só é de pleno conhecimento das empresas exportadoras e torrefadoras como algumas ditavam as regras, conforme detectado no curso das diligências e fiscalizações; • os depoimentos dos produtores rurais, das mais diversas localidades do ES, têm o mesmo teor: as notas fiscais do produtor rural, preenchidas pelos compradores/corretores/maquinistas ou a mando deles, têm como destinatárias supostas “empresas” TOTALMENTE DESCONHECIDAS DOS DEPOENTES e que não são as reais adquirentes do café. Transcreve trechos de depoimentos em que foram citadas empresas fornecedoras da Kaffee; • em depoimentos prestados durante a operação Tempo de Colheita, os corretores de café foram unânimes em asseverar que os reais compradores do café (atacadistas, exportadores e indústrias) detêm o pleno conhecimento da existência do mercado de venda de notas fiscais realizado por intermédio de diversas pseudoatacadistas de café. Transcreve trechos de depoimentos; • a fiscalização individualmente as empresas fornecedoras da Kaffee e resume os fatos apurados e depoimentos colhidos junto a estas (Riocoffe, Campestre, Vixsol, Montreal, Monte Verde, Acádia, R. Araújo, Do Norte Café, Agar, Agrosanto, Celba, Porto Velho, Danúbio, Arace Mercantil, Coffer Company e Cafeeira Centenário, Continental Trading, Galdino Tomaz Ferreira de Camargo, Coipex, Mourão Forte e Femar Café, São Jorge e A.A. de Paulo, Cometa) e junta aos autos Termos de Verificação Fiscal, Termos de Constatação Fiscal, depoimentos e confirmações de negócio relativos a cada empresa citada; • Restou comprovado que os fornecedores de café da Kaffee, neste processo administrativo, encontravamse em situação irregular perante a RFB. Alguns já tiveram sua INAPTIDÃO declarada, por inexistência de fato. Outros foram considerados “pseudoatacadistas”, seja por diligências realizadas pelos AuditoresFiscais, seja pelos inúmeros depoimentos de produtores rurais, maquinistas, corretores e sócios de empresas de café tomados a termo nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”; • A própria KAFFEE assumiu como sendo de sua titularidade as operações mercantis realizadas pela RIOCOFFE (seu principal fornecedor entre 2002 e 2006) desde 2001 até 2004; • A fraude não visou apenas diminuir a carga tributária das empresas na comercialização no mercado interno. Nas vendas ao mercado externo, não sujeitas à incidência do PIS/COFINS, a fraude gerou créditos às exportadoras de 9,25% sobre o valor das compras, o que representa um ganho financeiro extraordinário; • De acordo com a análise das mudanças ocorridas em suas aquisições de café ao longo dos anos, praticamente todas as empresas fornecedoras, nos anoscalendário de 2004/2005, deixaram de operar. Em contrapartida, novas empresas surgiram, como a Colúmbia, Do Grão e L & L, todas empresas fictícias, ratificando, neste sentido, o entendimento de que a Kaffee foi conivente com o esquema de fornecimento de notas fiscais. Fl. 6624DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 7 6 O contribuinte foi cientificado do Termo de Encerramento de Diligência em 10/12/2012 e não apresentou Manifestação, retornando os autos à DRJ para prosseguimento. A DRJ/Rio de Janeiro I/RJ – 17ª Turma, por meio do Acórdão 1253.724, de 12/02/2003, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade e da Impugnação. Transcrevo a ementa: NULIDADE. Não padece de nulidade o auto de infração, lavrado por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. DILIGÊNCIA. PERÍCIA. DESNECESSÁRIA. INDEFERIMENTO Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operamse os efeitos preclusivos previstos nas normas do processo administrativo fiscal em relação à matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ELEMENTOS DE PROVA. A prova deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual, por força do artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2006 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. IMPUGNAÇÃO. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da impugnação trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. A empresa apresentou Recuso Voluntário, onde reiterou os argumentos da Manifestação de Inconformidade. O julgamento no Carf foi convertido em diligência, por meio do Acórdão 3201 000.693. Na oportunidade, a Turma, por maioria, considerou o processo não maduro para o julgamento, porque as provas coletadas não teriam contemplado todas as empresas acusadas de inidôneas. Em especial, entendeu que o Fisco não teria cumprido adequadamente a proposta de diligência feita pela Delegacia de Julgamento. Transcrevo excerto (fl. 6.542): Fl. 6625DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 8 7 Sensível, inicialmente, a essas questões postas, a Delegacia de Julgamento, antes de proferir a decisão recorrida, determinou a conversão do julgamento em diligência, para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: a os fornecedores de café ao interessado, encontramse localizados, efetivamente, no endereço informado à Receita Federal do Brasil (RFB), constante do cadastro do CNPJ, e além disso, se possuem patrimônio e capacidade operacional necessários à realização do objeto que se refere à venda de café, esclarecendose a suposta utilização de empresas “laranjas” pelo interessado como “intermediárias fictícias na compra de café dos produtores”, tal como consta às fls. 5820/5821; b os fornecedores acima referidos se tratam, porventura, de pessoa jurídica inexistente de fato”, em qualquer uma das situações aludidas no art. 37 da IN SRF nº 200, de 13/09/2002, vigente à ocasião em que ocorridos os fatos geradores do PIS tratados no presente processo administrativo, e que já se encontra atualmente revogada, encontrandose hoje em vigor a IN RFB nº 1.005, de 08/02/2010 (art. 28, II); c os fornecedores ora em comento possuem escrituração contábil fiscal hábil e idônea, e registraram na sua contabilidade as vendas (faturamento) de café ao interessado para os períodos mensais de apuração do PIS tratados no presente processo; d há instrumentos particulares (contratos) hábeis e idôneos, com reciprocidade de direitos e obrigações, firmados entre o interessado e seus fornecedores para a venda de café destes ao primeiro. Assim, determinou o retorno dos autos à origem para resposta a cada um dos itens da resolução da Delegacia de Julgamento, para cada uma das empresas julgadas inidôneas. In verbis (fl. 6.543): Assim sendo, e no contexto das ponderações acima formuladas, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que: i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados, em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de Julgamento, acima transcritos, para cada uma das empresas mencionadas no relatório da diligência (exceto Riocoffee), quais sejam: [lista de 26 empresas consideradas inidôneas, cf. fl. 6.544] ii. se verifique se todos os créditos glosados originaramse de operações com as empresas acima arroladas, ou se houve glosas relativas a empresas que não constam do relatório de diligência; iii. apontar a inidoneidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, por amostragem, de cada um dos fornecedores em referência; iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as empresas intermediárias estavam com situação cadastral irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época; Fl. 6626DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 9 8 vi. informe se os processos administrativos fiscais 15.586.000.451/200765, 15.586.001053/200766, 15.586.00019/201070, 15.586.002293/200869, 11.543.003883/200421, são concernentes à cobrança dos débitos fiscais, das empresas intermediárias que são consideradas como de fachada, diretamente relacionados com as compensações em tela, conforme afirma a Recorrente. Caso a resposta seja positiva, se há outros processos administrativos semelhantes tramitando. (...) Nesse sentido, também deve ser a diligência, para que: vii. comprove a Recorrente o processo produtivo o qual está submetido o café que transaciona. Após a conclusão da diligência a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias , prorrogáveis uma vez, assim como a Procuradoria da Fazenda Nacional. Após , retornem os autos para prosseguimento da diligência. A fiscalização respondeu, em relação aos questionamento i, iii e iv, que o relatório apresentado à Delegacia de Julgamento, quando resolveu requerer diligência, já conteria análise minuciosa da origem e do modus operandi das operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, complementando o relatório fiscal do lançamento, acerca da caracterização das empresas laranjas nos anos de 2002 a 2006. Acrescenta que a interposição de pessoas, nessas operações, era de pleno conhecimento da recorrente, conforme entende definitivamente comprovado nos autos, em especial nos depoimentos de Devanir Fernandes dos Santos, Gabriel Francisco Krohling e Derisson Vander Belizário, então compradores da Kaffee; que, portanto, a recorrente não gozaria de boafé na aquisição das mercadorias; Em relação ao item ii, diz que a única empresa vendedora, para a qual houve glosa, e que não constava da lista de empresas inidôneas da Resolução, foi a Comercial Agrícola Ponto Forte Ltda, cuja glosa se deu no mês de setembro de 2006, no montante de R$ 268.000,00. Tal empresa, continua, foi declarada inapta em 2010, por motivo de “inexistente de fato”, com trâmite no processo 19991.000508/200967. Em relação ao item vi, constatouse o seguinte (fl. 6.601): ∙ O processo 15.586.000.451/200765 versa sobre REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS de uma empresa exportadora de café que não efetuou vendas de café para a KAFFEE. ∙ O processo 15.586.001053/200766 foi lavrado em nome da empresa SÃO JORGE COMERCIO IMPORTAÇAO E EXPORTACAO LTDA, a qual efetuou vendas de café para KAFFEE. No entanto, a fiscalização realizada junto a esta empresa apurou omissão de receita de valores creditados em conta de depósito, em relação aos quais o titular não comprovou a origem dos recursos utilizados na operação. A referida empresa foi autuada pelo Lucro Arbitrado, uma vez que não apresentou à autoridade tributária livros contábeis e fiscais. Ademais, o período em que foi lavrado o Auto de Infração de IRPJ e reflexos foi Fl. 6627DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 10 9 de 2001 a 2003, o qual contemplou apenas uma parte do período fiscalizado no presente processo (dezembro de 2002 a dezembro de 2006). Ao analisar a impugnação ao lançamento, a empresa SÃO JORGE COMERCIO IMPORTAÇAO E EXPORTACAO LTDA alegou que os depósitos bancários pertenciam a terceiros e, por essa razão, o lançamento deveria ter sido anulado, reforçando com isso a tese de que a empresa SÃO JORGE COMERCIO IMPORTAÇAO E EXPORTACAO LTDA era, de fato, uma empresa de fachada. Importante também ressaltar que o referido processo se encontra sobrestado, visto se tratar de matéria com repercussão geral reconhecida. ∙ O processo 15.586.00019/201070 não existe. ∙ O processo 15.586.002293/200869 versa sobre autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, relativos aos 1º a 4º trimestres de 2003 e 2004 e 1º trimestre de 2005, lavrados em nome da empresa MONTREAL COMÉRCIO DE PRODUTOS ALIMENTÍCIOS LTDA, também fornecedora de café da KAFFEE. No presente processo foi constatada a interposição fraudulenta. Os lançamentos foram considerados procedentes pela Oitava Turma da DRJ –Rio de Janeiro 1 (RJ). Referido processo não foi definitivamente julgado, tendo sido convertido em diligência pelo CARF. ∙ O processo 11.543.003883/200421 versa sobre auto de infração lavrado em nome da IDEALCAFE INDUSTRIA, COMERCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇAO LTDA, empresa esta não fornecedora de café da KAFFEE. Ademais o lançamento foi efetuado nos anos de 1999 e 2000, período este nem contemplado pela não cumulatividade das contribuições do Pis e da Cofins. Informamos, também, que não há conhecimento de outros processos administrativos semelhantes tramitando. Quanto ao laudo, a fiscalização aduz que a glosa fora devida a compras de empresas inidôneas e por que a destinação do café comprado fora para revenda, e não industrialização. Acrescenta, ainda, que a recorrente já juntou aos autos laudo técnico que demonstraria o processo produtivo, por ocasião da Impugnação. A recorrente apresenta manifestação ao relatório, sustentando, principalmente, que a diligência não atendeu à Resolução, por não trazer as provas específicas de cada empresa considerada inidônea, afirmando ainda que a Kaffee não foi mencionada nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”, da qual não teria participado. Invoca a aplicação do artigo 82 da Lei 9.430/96, o princípio da boafé, e a inexistência de Ato da Receita Federal que declarasse oficialmente a inidoneidade das notas fiscais em foco, na época em que transacionadas. A Procuradoria da Fazenda Nacional também se manifesta, fls. 6.613/6.616, no sentido de ressaltar os precedentes do Carf quanto à condenação das empresas envolvidas nas operações “Tempo de Colheita” e “Broca”. É o relatório. Voto Fl. 6628DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 11 10 Conforme relatado, o presente processo veicula pedido de compensação de Pis do período de dezembro de 2002 a dezembro de 2006. O mesmo procedimento fiscal que originou o presente processo originou também o processo 11543.002084/200607, que trata do mesmo tema, mas diferenciando apenas por se tratar de Cofins. O processo 11543.002084/00607 foi julgado por esta Turma na reunião de abril, e o julgamento foi convertido em diligência – Resolução 3201001.311, resultado no qual fui vencido naquela ocasião. Não obstante, considerando que ambos os processos devem ser julgados com conjunto, proponho que o presente processo acompanhe a mesma decisão, para que ambos recebam o mesmo tratamento. Nesse sentido, copio as questões formuladas pela Resolução 3201000.693, fl. 6543: Assim sendo, e no contexto das ponderações acima formuladas, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que: i. sejam respondidos e acostados aos autos os documentos solicitados, em cada um dos quatro itens propostos na resolução da Delegacia de Julgamento, acima transcritos, para cada uma das empresas mencionadas no relatório da diligência (exceto Riocoffee), quais sejam: [lista de 26 empresas consideradas inidôneas, cf. fl. 6.544] ii. se verifique se todos os créditos glosados originaramse de operações com as empresas acima arroladas, ou se houve glosas relativas a empresas que não constam do relatório de diligência; iii. apontar a inidoneidade das notas fiscais e comprovantes de pagamentos, por amostragem, de cada um dos fornecedores em referência; iv. se verifique se à época das operações que geraram os créditos, as empresas intermediárias estavam com situação cadastral irregular/inaptas, nos termos da legislação vigente à época; vi. informe se os processos administrativos fiscais 15.586.000.451/200765, 15.586.001053/200766, 15.586.00019/201070, 15.586.002293/200869, 11.543.003883/200421, são concernentes à cobrança dos débitos fiscais, das empresas intermediárias que são consideradas como de fachada, diretamente relacionados com as compensações em tela, conforme afirma a Recorrente. Caso a resposta seja positiva, se há outros processos administrativos semelhantes tramitando. (...) Nesse sentido, também deve ser a diligência, para que: vii. comprove a Recorrente o processo produtivo o qual está submetido o café que transaciona. Após a conclusão da diligência a Recorrente deverá ser intimada a se manifestar, no prazo de 30 dias , prorrogáveis uma vez, assim como a Procuradoria da Fazenda Nacional. Fl. 6629DF CARF MF Processo nº 11543.002085/200643 Resolução nº 3201001.336 S3C2T1 Fl. 12 11 (assinado digitalmente) Conselheiro Marcelo Giovani Vieira, Relator Fl. 6630DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000181/2009-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/07/2005 a 31/08/2005
INTEMPESTIVIDADE CARACTERIZADA. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Efetiva-se a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro.
Numero da decisão: 2202-004.565
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Efetivase a ciência do contribuinte através do Domicílio Tributário Eletrônico por decurso de prazo, que ocorre quinze dias após a disponibilização da intimação no DTE, ou no dia da abertura do documento, o que ocorrer primeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 01 81 /2 00 9- 53 Fl. 1184DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão de Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que julgou a impugnação improcedente. Conforme Relatório Fiscal, a fiscalização foi comandada para fins de verificação da regularidade do recolhimento das contribuições previdenciárias e devidas a outras entidades e fundos. Após intimada e reintimada a apresentar a Contabilidade por Centro de Custo/individualizada por obra, a empresa não a apresentou, o que levou a auditoria a efetuar o lançamento por aferição indireta nos termos do art. 33, § 6º da Lei nº 8.212/91 e do art. 473 da IN 03/2005 e alterações posteriores. Os autos de Infração lavrados no procedimento fiscal foram discriminados pela fiscalização na seguinte planilha: DEBCAD N° LEVANTAMENTO REFERENTE REF. AO ESTABELECIMEN TO 37.227.3645 Auto de Infração por falta de Matrícula CEI 56.473.317/000108 37.227.3653 Auto de Infração por Deixar de contabilizar em Títulos próprios 56.473.317/000108 37.227.3661 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.367 0 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3688 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 186 70.000.52148/71 37.227.3696 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3700 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3718 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 220 50.022.27566/71 37.227.3726 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3734 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 232 50.022.27644/77 37.227.3742 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Oora 232 50.022.27644/77 37.227.3750 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3769 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3777 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 233 50.022.27538/76 37.227.3785 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 234 50.025.43828/73 37.227.3793 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3807 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3815 Auto de Infração de Emp/RAT reforente a Obra 240 50.022.27455/79 37.227.3823 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3831 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3840 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 243 50.011.88359/75 37.227.3858 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3866 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.3874 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 244 70.000.52155/71 37.227.388 2 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3890 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 251 G 50.022.22636/70 37.227.3904 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 251G 50.022.22636/70 37.227.3912 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3920 Auto de Infração tíc Terceiros referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.227.3939 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 252 70.000.52167/72 37.231.6220 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6239 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 254 50.024.17099/73 Fl. 1185DF CARF MF Processo nº 10932.000181/200953 Acórdão n.º 2202004.565 S2C2T2 Fl. 1.185 3 37.231.621/ Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 254 50.024.17099/73 37.231.6255 Auto de Infração dc Segurados referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6263 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6271 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 255 50.024.19184/76 37.231.6280 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 256 50.025.43742/79 37.231.6298 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6301 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6310 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 900.34 70.000.52152/74 37.231.6328 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 3/.231.6336 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6344 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.01 70.000.52150/79 37.231.6352 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6360 Auto de Infração de Terceiros referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6379 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 250.03 G 70.000.52161/78 37.231.6387 Auto de Infração de Segurados referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6395 Auto de In'ração de Terceiros referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6409 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Obra 231 G 70.000.52163/73 37.231.6417 Auto de Infração de Segurados referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6425 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 3/.231.6433 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Emparsanco 56.473.317/000108 37.231.6441 Auto de Infração de Terceiros referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 37.231.6450 Auto de Infração de Emp/RAT referente a Serviços da Giagui 56.473.317/000108 Cientificado da autuação a recorrente apresentou impugnação alegando, em síntese, a improcedência e incorreção da aferição indireta. Diante das alegações da recorrente a autoridade julgadora de primeira instância, converteu o julgamento em diligência, a fim de que a fiscalização se pronunciasse sobre os argumentos levantados pela defesa. No resultado da diligência a fiscalização se manifestou sobre todos os processos gerados no procedimento fiscal, listando os seguintes: 10932.000171/200918 10932.000187/200921 10932.000205/200974 10932.000172/200962 10932.000190/200944 10932.000206/200919 10932.000173/200915 10932.000192/200933 10932.000207/200963 10932.000174/200951 10932.000189/200910 10932.000208/200916 10932.000175/200904 10932.000191/200999 10932.000209/200952 10932.000177/200995 10932.000193/200988 10932.000210/200987 10932.000176/200941 10932.000194/200922 10932.000211/200921 10932.000178/200930 10932.000197/200966 10932.000212/200976 10932.000180/200917 10932.000200/200941 10932.000213/200911 10932.000179/200984 10932.000195/200977 10932.000214/200965 10932.000181/200953 10932.000196/200911 10932.000215/200918 10932.000183/200942 10932.000198/200919 10932.000217/200907 10932.000182/200906 10932.000199/200955 10932.000218/200943 10932.000184/200997 10932.000202/200931 10932.000219/200998 10932.000186/200986 10932.000204/200920 10932.000220/200912 10932.000185/200931 10932.000201/200996 10932.000221/200967 10932.000188/200975 10932.000203/200985 10932.000222/200910 10932.000223/200956 Fl. 1186DF CARF MF 4 A auditoria reafirmou a procedência do lançamento por aferição indireta, de cujo Termo de Constatação extraio os seguintes trechos: Ora, se a empresa possui controles analíticos de salários, se possui controles contábeis para identificação individual dos lançamentos dos encargos previdenciários, isto não foi demonstrado nem no momento da fiscalização e muito menos na documentação anexada como meio de prova, nesta fase de defesa administrativa, Todos os documentos apresentados nesta fase se referem a VALORES GLOBAIS, como o resumo da folha de pagamento GERAL e os tais relatórios de composição contábil, como detalharemos mais abaixo. Portanto, em nenhum momento desta defesa, o contribuinte conseguiu provar a contabilização em títulos próprios, por obra de construção civil, dos fatos geradores previdenciários, conforme prega o art. 32 da lei 8.212/91. A recorrente apresentou contrarrazões ao resultado da diligência, reafirmando a improcedência do lançamento. A impugnação foi julgada improcedente pela Delegacia de Julgamento da Receita Federal do Brasil, cujo resultado foi levado à ciência da recorrente por meio da disponibilização na Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Após ciência por meio da abertura dos arquivos disponibilizados, via Termo de Abertura de Documento, não houve manifestação dentro do prazo que teria para apresentação de Recurso Voluntário. Diante disso, lavrouse Termo de Perempção, e o processo encaminhado para a PGFN. Nessa fase, passados mais de 100 (cem) dias desde a data da ciência do Acórdão da DRJ, pelo contribuinte, este protocolizou Recurso Voluntário. O processo retornou à fase administrativa para apreciação do recurso, em que alega, em síntese: · Tempestividade. Admissibilidade do recurso. · Alteração da forma de intimação de meio papel para digital sem autorização do recorrente. · Falta de comprovação da intimação do resultado do julgamento de primeira instância. · Vícios do procedimento fiscal e vícios da autuação. Por fim, requer o cancelamento da inscrição em dívida ativa e retorno ao trâmite administrativo, para declaração de nulidade do auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é intempestivo, o que prejudica sua admissibilidade. Fl. 1187DF CARF MF Processo nº 10932.000181/200953 Acórdão n.º 2202004.565 S2C2T2 Fl. 1.186 5 Primeiramente, informo que a matéria tratada nos autos é a mesma discutida nos processos nº 10932.000187/200921, 10932.000190/200944, 10932.000192/200933, originados do mesmo procedimento fiscal, conforme relatado anteriormente, e que já foram julgados pelo CARF em 08/03/2016, tendo sido exarados os acórdãos nº 2201002.966, 2201 002.965, 2201002.964, respectivamente. Conforme relatórios constantes nos acórdãos citados, os processos foram baixados em diligência, a fim de que fosse comprovada a opção do recorrente pelo Domicílio Tributário Eletrônico (DTE), conforme trecho extraído do Acórdão nº 2201002.966 (processo 10932.000187/200921): O processo baixou em diligência para comprovar a opção do contribuinte pelo Domicílio Tributário Eletrônico DTE, apresentar as normas e condições de sua utilização e confirmar a data de entrada do Recurso Voluntário na Receita Federal. A DERAT/SP informou que a empresa realizou a opção pelo DTE em 13/01/2012 e em 27/08/2012, anexou tela com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC e confirmou o de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal em 05/08/2013. Conforme fl. 1368 foi solicitada Apuração Especial pelo SERPRO, cujo resultado encontrase nas fls. 13691373 e comprova que o contribuinte de CNPJ 56.473.317/0000108 (NI logado e NI papel) realizou a opção pelo DTE no dia 13/01/2012 e no dia 27/08/2012. De acordo com o despacho do SETEC, fl. 1366, foi anexada a tela na fl. 1365 com as orientações sobre o funcionamento do DTE na Caixa Postal do eCAC Considerandose na fl, 1336 (última do Recurso Voluntário) a menção ao recebimento dos documentos naquela data, cujo carimbo está na fl.1262 (primeira do Recurso Voluntário), além da Tela do Histórico de eventos no SICOB, na JL1374 (campo data do Evento Recurso Voluntário), compreendese que a data de recebimento do Recurso Voluntário pela Receita Federal foi em 05/08/2013. Restou comprovado, por meio de diligência naqueles processos, que a recorrente fez opção pelo DTE, o que levou o Colegiado de segunda instância a não conhecer dos recursos, conforme dispositivos dos acórdãos citados: "ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso, por intempestivo.". Diante da informação exarada nos acórdãos citados, a qual aproveito para análise do presente processo, entendo que a ciência do resultado do julgamento de primeira instância se deu pela Abertura dos Arquivos correspondentes no link Processo Digital, disponibilizados no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC), por meio da opção Consulta Comunicados/Intimações, conforme Termo de Abertura de Documentos, nos termos da alínea "b" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235/72 (PAF): Art. 23. Farseá a intimação: Fl. 1188DF CARF MF 6 [...] III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) [...] § 2° Considerase feita a intimação: [...] III se por meio eletrônico: (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou (Redação dada pela Lei nº 12.844, de 2013) (Grifei). Registrese, por relevante, que, mesmo que se adotasse o critério de ciência do contribuinte por decurso de prazo, previsto na alínea "a" do inciso III do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto nº 70.235/72, ainda assim o Recurso Voluntário interposto pelo Sujeito Passivo permaneceria infectado pelo vício da intempestividade, eis que, na data de sua interposição, o prazo recursal já se haveria exaurido há, pelo menos, dois meses. Portanto, como o Recurso Voluntário foi apresentado após o limite estabelecido pelo Decreto nº 70.235/72, ele é extemporâneo. Conclusão Por todo o exposto, voto por não conhecer do recurso por intempestividade. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 1189DF CARF MF
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Numero do processo: 10840.000596/2006-11
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1994
CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. 91.
Não serve como paradigma acórdão que contraria Súmula do CARF.
Numero da decisão: 9101-003.631
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em na~o conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em Exerci´cio
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Fla´vio Franco Corre^a, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Fla´vio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio). Ausente, justificadamente, o conselheiro Andre´ Mendes Moura, substitui´do pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado USINA BATATAIS S/A AÇUCAR E ALCOOL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1994 CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF. 91. Não serve como paradigma acórdão que contraria Súmula do CARF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Flávio Franco Corrêa, Cristiane Silva Costa, Viviane Vidal Wagner, Luis Flávio Neto, Fernando Brasil de Oliveira Pinto (suplente convocado), Gerson Macedo Guerra, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício). Ausente, justificadamente, o AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 05 96 /2 00 6- 11 Fl. 485DF CARF MF 2 conselheiro André Mendes Moura, substituído pelo conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN”) em face do acórdão n. 140200.824 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), proferido pela então 2a Turma Ordinária, 4a Câmara, 1a Seção (doravante “Turma a quo”), em que figura como interessado USINA BATATAIS S/A AÇUCAR E ALCOOL. O caso trazido a esta e. CSRF diz respeito à contagem do prazo de prescrição do direito do contribuinte à restituição/compensação de tributo sujeito a lançamento por homologação pago a maior. “Em litígio a compensação de R$ 156.988,45, a titulo de CSLL recolhida a maior (saldo negativo de 1994), que foi utilizada no ano de 2000, sendo questionada pela Delegacia da Receita Federal em julho de 2007, sob o fundamento de que a contribuinte teria 5 anos para utilizála, a contar de jan/1996”. A Turma a quo, por unanimidade de votos, decidiu dar provimento ao recurso e reconhecer o direito de o contribuinte compensar, no ano de 2000, o saldo negativo de CSLL referente a 1994, com a consequente homologação da compensaçaõ efetuada, proferindo acórdão assim ementado: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 1994 Ementa: SALDOS NEGATIVOS DE RECOLHIMENTO DO IRPJ E CSLL. O prazo para pleitear a restituição do saldo negativo de IRPJ ou CSLL, acumulado, devidamente apurado e escriturado, é de 5 anos contados do período que a contribuinte ficar impossibilitada de aproveitar esses créditos, mormente pela mudança de modalidade de apuração dos tributos ou pelo encerramento de atividades. A PFN interpôs recurso especial, no qual requer a reforma do acórdão, em que alega que o termo inicial para a contagem do prazo prescricional seria a data do pagamento indevido, com fulcro no art. 168 do CTN, c/c a Lei Complementar 118/2005 (efls. 446 e seg.). O referido recurso foi integralmente admitido por despacho (efls. 462 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, requer o seu não provimento (efls. 470 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator Em sede de recurso especial, a PFN apresenta o seguinte acórdão n. 105 16.519 como de paradigma de divergência: Fl. 486DF CARF MF Processo nº 10840.000596/200611 Acórdão n.º 9101003.631 CSRFT1 Fl. 752 3 CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL EXERCÍCIO:1994 CSLL PEDIDO DE RESTITUIÇÃO DECADÊNCIA O prazo para que o contribuinte possa pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente ou maior que o devido extinguese após o transcurso de cinco anos contados da extinção do crédito tributário, e, diante do disposto no artigo 3º da Lei Complementar nº 118, de 2005, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do Código Tributário Nacional, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado previsto no parágrafo primeiro do art. 150 do mesmo diploma. A Súmula CARF n. 91 dispõe: Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. No caso, o acórdão paradigma de divergência compreendeu que o prazo de prescrição seria de 5 anos (e não 10, como impõe a Súmula), contados da ocorrência do pagamento indevido (e não do fato gerador, como impõe a Súmula). É relevante observar que o art. 67 do RICARF dispõe: § 12. Não servirá como paradigma acórdão proferido pelas turmas extraordinárias de julgamento de que trata o art. 23A, ou que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: (...) III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF, e Nesse seguir, com fulcro na referida norma regimental, voto no sentido de NÃO CONHECER o recurso especial, tendo em vista que o acórdão indicado como paradigma contraria a Súmula CARF n. 91. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 487DF CARF MF 4 Fl. 488DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10435.001439/2008-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2005, 2006
OMISSÃO DE RECEITA. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26
IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01.
O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543-B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00.
Numero da decisão: 2202-004.620
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A Lei n° 9.430, de 1996, em seu art. 42, autoriza a presunção de omissão de receita com base nos valores depositados em conta bancária para os quais o contribuinte titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Súmula CARF nº 26 IMPOSSIBILIDADE DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO SEM ORDEM JUDICIAL. LEI COMPLEMENTAR 105/01. O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 14 39 /2 00 8- 69 Fl. 552DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson Relatório Tratase de lançamento de imposto de renda pessoa física apurado em razão da omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, relativos ao período de janeiro a dezembro de 2005. Exigese do contribuinte o montante de R$ 2.968.310,00, sendo R$ 1.251.659,62 correspondente ao imposto, R$ 1.408.117,04 referente a multa e R$ 308.534,09 relativo a juros de mora. Cientificado em 21/07/2008 (AR fls. 133 numeração do eprocesso) do lançamento o contribuinte apresentou, tempestivamente, impugnação de fls 134/187 , na qual alegou, resumidamente, o seguinte: a) Preliminarmente a.1) que o sigilo bancário está garantido pelo artigo 5º, incisos X e XII da CF/88 e que, por isso, a Lei Complementar nº 105/2001 seria inconstitucional. ]a.2) que o Auto de Infração seria nulo, pois a autoridade fiscalnão teria feito a apresentação dos fatos ensejadores do lançamento. b) Mérito b.1) que a omissão de rendimentos teria sido presumida em função de créditos/depósitos em contas correntes sem origem comprovada. b.2) que trabalha com transporte/comércio de leite junto a algumas cooperativas do estado de Alagoas e, sendo assim, assumiria a qualidade de mandatário de vários pequenos produtores de lei . Diante desse fato, as quantias creditadas na conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil seriam, na verdade, oriundas da venda de leite às mencionadas cooperativas e posteriormente repassadas aos produtores de leite. Em 14 de janeiro de 2011, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (PE) negou provimento à impugnação em decisão cuja ementa é a seguinte (fls. 497 eprocesso): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005, 2006 ACESSO A INFORMAÇÕES BANCÁRIAS. LEGALIDADE É lícito ao fisco examinar informações relativas ao contribuinte, constantes de documentos, livros e registros de instituições financeiras e entidades a elas equiparadas, inclusive as referentes a contas de depósitos e de aplicações financeiras, Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10435.001439/200869 Acórdão n.º 2202004.620 S2C2T2 Fl. 553 3 quando houver procedimento de fiscalização em curso e tais exames foram considerados indispensáveis, mormente quando os documentos analisados foram fornecidos pelo próprio contribuinte. AUTO DE INFRAÇÃO. DESCRIÇÃO DOS FATOS. COMPLETUDE. Não há que se falar em vício na descrição dos fatos quando a autoridade fiscal descreve pormenorizadamente os elementos que deram ensejao ao lançamento de ofício, bem assim os valores considerados na composição da base de cálculo do imposto. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2005 OMISSÃO DE RECEITAS. CARACTERIZAÇÃO. Caracterizam omissão de receitas os depósitos em conta corrente ou de investimentos mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos. O processo foi enviado a PGFN para inscrição em dívida ativa e cobrança. No entanto, conforme despacho (fls. 547), do então presidente do CARF Carlos Alberto Freitas Barreto, a inscrição em dívida ativa deveria ser cancelada e o processo devolvido ao CARF para apreciação de eventual recurso. Em 02 de maio de 2011 o contribuinte protocolou Recurso Voluntário de fls. 342/357, sendo representado pela Defensoria Pública da União em Alagoas, no qual reitera as razões já suscitadas quando da impugnação e formula os seguintes pedidos: É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual, dele conheço 1) PRELIMINARES 1.1) DA NECESSIDADE DE CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA EM RAZÃO DOS PRINCÍPIOS DA VERDADE MATERIAL, CONTRADITÓRIO E AMPLA DEFESA. Fl. 554DF CARF MF 4 Alega o Recorrente que as provas colacionadas aos autos indica que são verossímeis os fatos narrados pelo contribuinte, o que implica o poder dever da administração tributária no sentido de averiguálos com maior profundidade. Sem razão o Recorrente. Isso porque, no caso dos autos, tratase de presunção legal de omissão de rendimentos, conforme se verifica pelo artigo 42 da Lei nº 9.430/96, o qual dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2° Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$12.000,00 (doze mil Reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$80.000,00 (oitenta mil Reais). §4° Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. A exigência fiscal em exame decorre de expressa previsão legal, pela qual existe uma presunção em favor do Fisco, que fica dispensado de provar o fato que originou a omissão de rendimentos, cabendo ao contribuinte elidir a imputação, comprovando a origem dos recursos. Conforme previsão do art. 42 da Lei nº 9.430/96, é necessário comprovar, individualizadamente, a origem dos recursos, identificandoos como decorrentes de renda já oferecida à tributação ou como rendimentos isentos/não tributáveis. Tratase,portanto, de ônus exclusivo do contribuinte, a quem cabe comprovar, de maneira inequívoca, a origem dos valores que transitaram por sua conta bancária, não sendo bastante alegações e indícios de prova. Em face do exposto, rejeito a preliminar Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10435.001439/200869 Acórdão n.º 2202004.620 S2C2T2 Fl. 554 5 1.2) DA PROVA OBTIDA ILICITAMENTE: INVIOLABILIDADE DOS DADOS BANCÁRIOS Alega o Recorrente que a quebra de seu sigilo bancário violaria do seu direito à privacidade resguardado no artigo 5º, incisos X e XII da constituição federal. Em primeiro lugar, tal alegação no pode ser conhecida, uma vez que, de acordo, conforme determina a súmula 2 deste conselho "o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Ademais, o procedimento adotado no presente trabalho fiscal foi legalmente autorizado pela nº 105/2001. Nesse sentido, é importante destacar que o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE 601.314/SP, submetido à sistemática da repercussão geral prevista no art. 543B do CPC/73, concluiu pela constitucionalidade do artigo 6º da Lei Complementar nº 105/00. A mencionada decisão recebeu a seguinte ementa: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO AO SIGILO BANCÁRIO. DEVER DE PAGAR IMPOSTOS. REQUISIÇÃO DE INFORMAÇÃO DA RECEITA FEDERAL ÀS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. ART. 6º DA LEI COMPLEMENTAR 105/01. MECANISMOS FISCALIZATÓRIOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS RELATIVOS A TRIBUTOS DISTINTOS DA CPMF. PRINCÍPIO DA IRRETROATIVIDADE DA NORMA TRIBUTÁRIA. LEI 10.174/01. 1. O litígio constitucional posto se traduz em um confronto entre o direito ao sigilo bancário e o dever de pagar tributos, ambos referidos a um mesmo cidadão e de caráter constituinte no que se refere à comunidade política, à luz da finalidade precípua da tributação de realizar a igualdade em seu duplo compromisso, a autonomia individual e o autogoverno coletivo. 2. Do ponto de vista da autonomia individual, o sigilo bancário é uma das expressões do direito de personalidade que se traduz em ter suas atividades e informações bancárias livres de ingerências ou ofensas, qualificadas como arbitrárias ou ilegais, de quem quer que seja, inclusive do Estado ou da própria instituição financeira. 3. Entendese que a igualdade é satisfeita no plano do autogoverno coletivo por meio do pagamento de tributos, na medida da capacidade contributiva do contribuinte, por sua vez vinculado a um Estado soberano comprometido com a satisfação das necessidades coletivas de seu Povo. 4. Verificase que o Poder Legislativo não desbordou dos parâmetros constitucionais, ao exercer sua relativa liberdade de conformação da ordem jurídica, na medida em que estabeleceu requisitos objetivos para a requisição de informação pela Administração Tributária às instituições financeiras, assim como manteve o sigilo dos dados a respeito das transações financeiras do contribuinte, observandose um translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal. Fl. 556DF CARF MF 6 5. A alteração na ordem jurídica promovida pela Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, uma vez que aquela se encerra na atribuição de competência administrativa à Secretaria da Receita Federal, o que evidencia o caráter instrumental da norma em questão. Aplicase, portanto, o artigo 144, §1º, do Código Tributário Nacional. 6. Fixação de tese em relação ao item “a” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “O art. 6º da Lei Complementar 105/01 não ofende o direito ao sigilo bancário, pois realiza a igualdade em relação aos cidadãos, por meio do princípio da capacidade contributiva, bem como estabelece requisitos objetivos e o translado do dever de sigilo da esfera bancária para a fiscal”. 7. Fixação de tese em relação ao item “b” do Tema 225 da sistemática da repercussão geral: “A Lei 10.174/01 não atrai a aplicação do princípio da irretroatividade das leis tributárias, tendo em vista o caráter instrumental da norma, nos termos do artigo 144, §1º, do CTN”. 8. Recurso extraordinário a que se nega provimento. (grifos no original) Em face do exposto, improcedentes as alegações suscitadas. 1.3) DA NULIDADE EM RAZÃO DA AUSÊNCIA DOS REQUISITOS FORMAIS DO AUTO DE INFRAÇÃO Alega ainda a Recorrente que o Auto de Infração é nulo em razão da ausência de descrição detalhada do fato gerador, uma vez que a o auditor responsável pela lavratura do presente Auto de Infração se limitou a quantificar, mês a mês, o total dos valores representativos das omissões de rendimentos presumidas. Improcedente a alegação do Recorrente. Conforme bem observado pela decisão recorrida: "Nos termos do Relatório Fiscal (fls. 124 a 127), a Autoridade lançadora descreve o transcurso da açaõ fiscal, observando que, após recebidos e analisados, os extratos bancários fornecidos pelo contribuinte foram utilizados para elaboração de planilha nominada "Demonstrativo de Movimentação Financeira". Conforme já relatado, em 15/05/2008, foi o contribuinte intimado, por meio do Termo de Intimação Fiscal de fls. 114 a 121, a comprovar a origem dos valores creditados/depositados, na contacorrente e período sob análise. Tal intimação, da qual o contribuinte foi cientificado em 23/05/2008, foi instruída justamente com o citado Demonstrativo de Movimentação Fianceira, conforme se verifica nas fls. 124 a 127 dos autos. Esclarece ianda o Relatório Fiscal que a apuração da base de cálculo do imposto decorreu da consolidação mensal dos valores creditados na contacorrente do autuado cuja origem não foram comprovada, tendo sido previamente procedidos os devidos Fl. 557DF CARF MF Processo nº 10435.001439/200869 Acórdão n.º 2202004.620 S2C2T2 Fl. 555 7 expurgos (cheques devolvidos/estornos de depóstios de cheques), conforme tabela RESUMO DA MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA 2005 Banco do Brasil S/A (C/C 12.4826, Ag 01368) àsl fls. 12. Acrescenta a Autoridade Lançadora que os rendimentos declarados na DIRPF, no valor de R$ 30.000,00 (trinta mil reais), foram devidamente deduzidos da movimentação financeira não comprovada, tendo sido considerados como recebidos no mês de 01/2005, por se esta hipótese mais benéfica ao contribuinte. Dessa forma, entendo que os fatos tributários ensejadores da autuação encontramse suficientemente descritos e são de pleno conhecimento do contribuinte, razão pela qual rejeito as alegações de vício forma no lançamento. Em face do exposto, rejeito a preliminar de nulidade por cerceamento do direito de defesa. 2) MÉRITO 2.1) DA NATUREZA DOS CRÉDITOS E/OU DEPÓSITOS NA CONTA CORRENTE: VALORES DE TERCEIROS. Alega o Recorrente que a origem dos créditos/ depósitos encontrase comprovada nos autos. Isso porque ele trabalha com transporte/comércio de leite junto a algumas cooperativas do estado de Alagoas e, sendo assim, assume a qualidade de mandatário de vários pequenos produtores de leite . Diante desse fato, as quantias creditadas na conta corrente mantida junto ao Banco do Brasil seriam, na verdade, oriundas da venda de leite às mencionadas cooperativas e posteriormente repassadas aos produtores de leite. Em outras palavras, os valores depositados pertenceriam a terceiros. Improcedentes as alegações de mérito. Isso porque, como corretamente decidido pela decisão recorrida: "Em que pese a extensa documentação colacionada, não vejo, todavia, como tais documentos possam infirmar a aplicação da presunção legal estabelecida no citado art. 42. Retornando à já mencionada lição de Malatesta, o extraordinário exige apresentação de prova robusta e, no caso em tela, o ônus da prova cabe ao impugnante. Pois bem, a alegação de que o impugnante, em seu primeiro de atuação como transportador terceirizado de dois laticínios, movimentara, graciosamente em suas contas, R$ 4.553.267,71, recursos pertencentes a diversos terceiros, exige mais do que a mera declaração dos refereidos laticínios de que atuara como terceirizado. Seria de se esperar, que tais operações de compra e venda de leite estivessem lastreadas por documentos contábeis e fiscais, principalmente, que se fizesse o apontamento nos extratos bancários acostados aos autos, das origens (identificação das Fl. 558DF CARF MF 8 contas bancárias e titulares) dos depósitos (em dinheiro e em cheque) e/ou transferências eletrônicas creditados em sua conta. (...) Da mesma forma, cumpre ainda observar que existe evidente descompasso entre a alegação de que todos os recursos creditados em sua conta pertenceriam a terceiros, para os quais seria feito o correspondente repasse, em espécie, como atestam as declarações trazidas aos autos, e a movimentação financeira percebida por intermédio dos extratos bancários analisados. Em primeiro lugar, não há regularidade de prazos ou valores nos créditos realizados que denotem pagamentos rotineiros decorrentes do fornecimento diário (ou pelo menos regular) de leite. Pelo contrário, nao se observa qualquer padrão compatível com atividade exercida em caráter regular. A mesma falta de regularidade ou padrão é observada no caso dos saques e débitos realizados na conta bancária analisada. Assim, diferentemente do que se esperaria para a situação fática descrita, o montante depositado não é integralmente sacado em momento posterior, nem de forma regularmente fracionada. Observase ainda que, embora os supostos produtores tenham atestado recebimento sempre em espécie, existe um grande volume de débitos reazialdos por meio de cheques, inclusive cheques de valores elevados, superiores ao total de rendimentos auferidos por um único produot ao longo de todo ano. Não se vislumbra, pois, como tais cheques podem referirse ao alegado repasse dos recursos aos supostos produtores. Finalmente, registrese que, também no que diz respeito aos débitos, o impugnante não identificou o beneficiário ou conta corrente de destino, fato que considero essencial para demonstração de que os rexuros, como alega o impugnante, de fato pertencem à terceiros. Além disso, conforme exposto na súmula CARF nº 32 "a titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros". 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, rejeito as preliminares e, no mérito, nego provimento ao recurso. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 559DF CARF MF Processo nº 10435.001439/200869 Acórdão n.º 2202004.620 S2C2T2 Fl. 556 9 Fl. 560DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003741/2007-24
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 9101-003.545
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo Presidente
(assinado digitalmente)
André Mendes de Moura Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: ANDRE MENDES DE MOURA
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
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RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo – Presidente (assinado digitalmente) André Mendes de Moura – Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Corrêa, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 41 /2 00 7- 24 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 9101003.545 CSRFT1 Fl. 301 2 Relatório Tratase de recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), no qual se discute o momento do reconhecimento das receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001, para fins de observância da apresentação da DCTF (regime de caixa ou regime de competência. Entende a recorrente pela aplicação do regime de competência para a contabilização das receitas, em consonância com as leis comerciais e legislação fiscal, na ocasião de entrega de obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheiro André Mendes de Moura, Relator. Em relação à admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida consiste em apreciar a seguinte questão: a administração tributária confere a opção pelo regime de caixa para a pessoa jurídica, no caso, receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001; optando pelo regime de caixa, a apuração dos tributos efetuada pela pessoa jurídica pode conduzir a valores diferentes daqueles calculados pelo regime de competência; diante de tal divergência, poderia a administração tributária exigir a diferença decorrente da diferença no reconhecimento de receitas (caixa X competência) refletida na DCTF? Entendo que a administração não pode exigir a diferença decorrente da divergência de regime de reconhecimento das receitas, para o caso em debate. Vale transcrever o artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 9101003.545 CSRFT1 Fl. 302 3 determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (Grifei) A norma foi reproduzida também no art. 13 da IN SRF nº 247 de 2002, em vigência à época dos fatos: Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. (Grifei) Ora, se há permissivo legal expresso, no sentido de que as receitas podem ser reconhecidas no momento de sua percepção, quando da liquidação da correspondente operação, e tendo feito tal opção a pessoa jurídica, incorreria em equívoco a administração tributária exigir que a apuração das receitas na entrega da DCTF não seguisse o momento em que foram reconhecidas. De fato a regra geral é o regime da competência, mas se o legislador apresentou a opção do regime de caixa para a situação prevista na norma em análise, não há dúvidas de que as receitas deverão integrar a base de cálculo correspondente ao período em que foram efetivamente percebidas. Se o dispositivo normativo que autoriza o regime de caixa tem como consequência a inclusão na base de cálculo das receitas no período de apuração "X", não há como se exigir que tais receitas, por conta do regime de competência, devessem estar incluídas no período de apuração "X+1". Vale transcrever excerto do voto proferido no Acórdão nº 1802001.507 que tratou com precisão a questão: O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. (...) Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 9101003.545 CSRFT1 Fl. 303 4 O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13811.003741/200724 Acórdão n.º 9101003.545 CSRFT1 Fl. 304 5 Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. (Grifos originais) Assim, há que haver uma convergência entre o regime de apuração previsto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, e a informação prestada para fins de cumprimento de obrigação acessória, no caso, a entrega de DCTF. Tendo sido concretizada a opção pelo regime de caixa para o reconhecimento das receitas previstas na legislação, tal sistemática deve ser refletida na apuração informada na declaração. Diante do exposto, voto no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso especial. (assinado digitalmente) André Mendes de Moura Fl. 304DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10384.900873/2012-52
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL.
Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
Numero da decisão: 3401-005.125
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cássio Schappo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente).
Nome do relator: CASSIO SCHAPPO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC.
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EXPORTAÇÃO. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, o produtor/exportador de produto que não tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo (art. 46 do CTN). Ausência de Provas. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. TAXA SELIC. NÃO APLICÁVEL. Nos pedidos de ressarcimento acompanhado de declaração de compensação, de forma diferente do que ocorre com pedidos de ressarcimento em espécie, não há que se falar em aplicação da taxa SELIC. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lázaro Antonio Souza Soares e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, que votavam pelo provimento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 08 73 /2 01 2- 52 Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Marcos Roberto da Silva, André Henrique Lemos, Lazaro Antonio Souza Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Relatório Tratam os autos de recurso voluntário apresentado contra decisão proferida pela 3ª Turma da DRJ/BEL, que não reconheceu o direito creditório, considerando improcedente a Manifestação de Inconformidade. Dos Fatos A Contribuinte buscou via PER/DCOMP o ressarcimento de crédito presumido de IPI apurado nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2010 (4º trimestre), no valor de R$ 9.294,74. Em ato contínuo declarou, também, via PER/DCOMP a compensação desse crédito com débitos de IRPJ e CSLL do 4º Trimestre de 2010. Do Despacho Decisório A DRF de Teresina em apreciação ao pleito da contribuinte proferiu Despacho Decisório pela não homologação da compensação declarada, pela inexistência de crédito a ser utilizado (rastreamento nº 031029640 de 04/09/2012) e procedeu com a intimação da contribuinte para efetuar o pagamento do débito indevidamente compensado. O Despacho vem fundamentado nos seguintes termos: "Ocorrência de glosa de crédito presumido considerado indevido, em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho". Da Manifestação de Inconformidade Inconformada com a resposta a ela endereçada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade da qual se destaca os seguintes pontos: (i) que tem direito ao montante do crédito presumido de IPI requerido, pois a Lei nº 9.363/96 não faz restrição ao fato de o produto exportado ser ou não tributado pelo IPI, além da jurisprudência de nossos tribunais ser uníssona nesse sentido e transcreve diversos julgados; (ii) contesta a redução da base de cálculo do crédito presumido com a glosa das aquisições de pessoa física, cooperativa e transferência entre matriz e filial, porque o benefício tem como escopo principal desonerar os produtos finais para exportação, compensandose as contribuições do PIS/Pasep e da COFINS embutidos nos preços das matériasprimas e insumos usados no processo de fabricação, inclusive os recebidos de outro estabelecimento da mesma empresa, acrescidos do material de embalagem. Transcreve vasta jurisprudência a seu favor sobre a matéria. (iii) requer, ainda, o reconhecimento da correção monetária de seu crédito pela SELIC, desde a data do pedido de ressarcimento. Do Julgamento de Primeiro Grau Encaminhado os autos à 3ª Turma da DRJ/BEL, esta julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujos fundamentos encontramse sintetizados na ementa assim elaborada: Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 4 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2010 a 31/12/2010 CRÉDITO PRESUMIDO. EXPORTAÇÃO DE PRODUTOS “NT”. O direito ao crédito presumido do IPI, instituído pela Lei n.º 9.363, de 1996, é condicionado a que os produtos estejam dentro do campo de incidência do imposto, ficando fora desse rol os produtos NT. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Cabe destacar do voto, com relação as demais matérias relacionadas a aquisições de cooperativa, de pessoas físicas e de transferências entre estabelecimentos da mesma empresa, que a decisão de piso atevese ao motivo para o indeferimento, citando a seguinte parte: “Não obstante as considerações anteriores, nos deparamos com impedimento legal para a concessão do Crédito Presumido do IPI requerido nas Per/Dcomps acima discriminadas, tendo em vista que toda a receita de exportação da empresa, no período 01/2009 a 09/2011 seja proveniente do produto quartzito mourisca, classificado sob o código 2506.20.00, da Tabela de Incidência do IPI, classificado NT, que, nos termos do art. 21 § 1º da Instrução Normativa SRF nº 420/2004, não dá direito ao Crédito Presumido do IPI” Do Recurso Voluntário O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, com o intuito de ver seu pedido atendido. Repisa os fatos e argumentos da manifestação de inconformidade, em sua literalidade e pugna por seu acolhimento, julgandose ao final improcedente a glosa realizada. Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Cássio Schappo O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 5 4 A peça recursal limitase a reproduzir aquilo que foi dito na Manifestação de Inconformidade, sem contestar nenhum ponto das razões que fundamentaram a decisão recorrida. A contribuinte, com base em seus registros fiscais, ingressou com pedido de ressarcimento de crédito presumido de IPI, nos termos conferidos pela Lei nº 9.363 de 13 de dezembro de 1996, instituído para compensar valores de PIS e COFINS incidentes sobre as aquisições, no mercado interno, de Matéria Prima, Produto Intermediário e Material de Embalagem utilizados no processo produtivo de produtos destinados ao mercado externo. Estabelece a Lei nº 9.363/96: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 2º A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem referidos no artigo anterior, do percentual correspondente à relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor exportador. § 1o O crédito fiscal será o resultado da aplicação do percentual de 5,37% sobre a base de cálculo definida neste artigo. (Vide Lei nº 10.637, de 2002) Vimos, portanto, que a mencionada lei contempla um incentivo fiscal e assim deverá ser tratada, respeitando a literalidade de seus termos, a fim de se evitar eventual prejuízo as partes por falha de interpretação, mesmo que se adote suporte conceitual de outros dispositivos legais. Partindo do texto da Lei nº 9.363/96, art. 1º, temos que quem faz jus ao crédito presumido de IPI é o produtor e exportador de mercadorias nacionais, tendo por finalidade a compensação do PIS e COFINS incidentes nas operações de aquisições, no mercado interno, de MP, PI e ME, para utilização no processo produtivo. Já a forma de se calcular o crédito presumido de IPI, art. 2º da Lei nº 9.363/96, dividese em três partes: a 1ª é estabelecer o percentual correspondente a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtor/exportador; a 2ª é fazer incidir o percentual encontrado na 1ª etapa sobre o valor total das aquisições de MP, PI e ME adquiridas no mercado interno, cujo resultado podemos chamar de base de cálculo; e a 3ª é aplicar o percentual previsto no § 1º (5,37%) sobre a base de cálculo encontrada na 2ª etapa. Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 6 5 Quanto a verificação fiscal realizada, embora sendo por amostragem, sobre os documentos fiscais de compra de insumos no período e sua correta escrituração, efetuando glosas referente aquisições de pessoas físicas, de cooperativa e também, de produtos objeto de transferência entre estabelecimentos da mesma empresa, a interessada preferiu defender simplesmente a tese de que o crédito é presumido e todos os custos de produção atinentes a matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem, devem ser, irrestritamente, considerados. A lide, portanto, restringese a discussão sobre o enquadramento do produto exportado denominado “quartzitos”, classificado sob o código 2506.20.00 da tabela TIPI, considerada como produto NT, tido como único produto exportados no período, afastando, dessa forma, a totalidade do crédito pretendido. Os argumentos colocados no voto da decisão de piso tem por definição que estabelecimento produtor é todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto (IPI), excluídos aqueles a que correspondem a notação “NT” (nãotributado). Esse, inclusive, foi o entendimento externado pela CSRF 3º Turma, contido no voto vencedor do acórdão nº 9303 004.890 (23/03/2017), que ao analisar os art. 2º e 8º do RIPI/2002, fez a seguinte colocação: Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Com relação a recorrente não há dúvida que a mesma seja estabelecimento industrial, pois o próprio fisco atesta que outros produtos são industrializados por ela e assim foram reconhecidos. A incidência do IPI não se dá pela classificação do estabelecimento, mas sim, se o produto foi ou não industrializado, se passou por alguma etapa do processo de industrialização. O conceito de produto industrializado está definido no art. 3º do Decreto 7.212/2010: “Produto industrializado é o resultante de qualquer operação definida no RIPI como industrialização, mesmo incompleta, parcial ou intermediária”. O que caracteriza industrialização, está definido no art. 4º do mesmo Decreto: Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como: I – a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II – a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III – a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 92DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 7 6 IV – a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V – a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Mais adiante, no art. 5º do Decreto 7.212/2010, está relacionado tudo que “Não se considera industrialização” e nenhum de seus itens relaciona o produto de classificação 2506.20.00, ou dos produtos classificados na TIPI como “NT”. Vem contribuir para a presente discussão o julgado a seguir transcrito: O IPI incide sobre o produto, não sobre a produção. Incide sobre o produto industrializado, não sobre a industrialização. Ou, como salientou o Ministro José Delgado, "não é o ato de industrialização que gera a incidência do IPI, posto que este recai no produto objeto da industrialização" (STJ, REsp 216.217/SP, 1ª Turma, DJ de 29/11/1999, p. 130) Em suma, a Constituição não estabelece a tributação da industrialização, mas prevê a incidência do imposto sobre a operação que tem produto industrializado como objeto. Não há, pois, óbice de natureza constitucional de que o contribuinte do IPI seja pessoa diversa daquela que realizou o processo de industrialização. A limitação contida no art. 153, IV, da Constituição diz respeito apenas ao alcance das expressões "produto" e "industrializado". Produto é aquilo que é criado, gerado, elaborado. É o bem com expressão econômica, destinado ao comércio ou consumo. E para estar sujeito à incidência do tributo, o produto deve ser industrializado, o que significa nos termos do art. 46 do CTN, ter sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo. (TRF4 501375927.2011.4.04.7108, PRIMEIRA TURMA, Relator JORGE ANTONIO MAURIQUE, juntado aos autos em 08/08/2013). Até aqui poderíamos atribuir razão a recorrente, caso o fato restringisse apenas ao enquadramento do produto objeto da glosa, na classificação em código da TIPI na condição de NT – nãotributado. Mas o que afasta a pretensão da recorrente, do direito de se apropriar de crédito presumido de IPI nas exportações de “quartzitos”, classificação NCM 2506.20.00, é a completa ausência de provas de que o produto passou por algum processo ou submetido a qualquer operação que lhe modificasse sua natureza. Nada foi trazido aos autos em matéria de prova da submissão do produto “quartzitos” ao processo de industrialização. Diante da ausência de qualquer material informativo sobre o produto exportado, objeto de glosa de crédito presumido de IPI, levome a concluir que efetivamente realizouse a exportação de “quartzito” embalado em seu estado natural, na forma como Fl. 93DF CARF MF Processo nº 10384.900873/201252 Acórdão n.º 3401005.125 S3C4T1 Fl. 8 7 extraído da mina, sem ser submetido a nenhuma operação que o modificasse, impedindo seu enquadramento como produto industrializado. Com relação a incidência de atualização monetária pela taxa Selic sobre o crédito requerido, a partir do seu pedido, não assiste razão à recorrente. O pedido de ressarcimento veio acompanhado de declaração de compensação, que independentemente do resultado da análise fiscal e do resultado desse julgamento, não restará crédito a ser restituído. Totalmente despiciendo esse pedido. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Cássio Schappo Fl. 94DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.006783/99-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/03/1989 a 31/07/1997
PRODUTOS USADOS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. APARAS DE PAPEL USADAS. PAPEL RECICLADO. NÃO CONFIGURAÇÃO.
As disposições constantes do art. 122 do RIPI/98 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicam-se exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. A fabricação de papel reciclado a partir de aparas de papel usadas configura operação de industrialização de transformação e não operação de renovação ou recondicionamento.
PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO.
Tratando-se de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplica-se o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621.
Numero da decisão: 3402-005.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado).
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado).
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/03/1989 a 31/07/1997 PRODUTOS USADOS. RENOVAÇÃO OU RECONDICIONAMENTO. APARAS DE PAPEL USADAS. PAPEL RECICLADO. NÃO CONFIGURAÇÃO. As disposições constantes do art. 122 do RIPI/98 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicamse exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. A fabricação de papel reciclado a partir de aparas de papel usadas configura operação de industrialização de transformação e não operação de renovação ou recondicionamento. PRESCRIÇÃO. REPETIÇÃO DO INDÉBITO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. Tratandose de tributo sujeito à sistemática do lançamento por homologação e tendo o contribuinte formulado o pedido administrativo antes de 09 de junho de 2005, aplicase o prazo prescricional de dez anos, nos termos do que restou decidido pelo STF com caráter de repercussão geral no RE nº 566.621. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado). Waldir Navarro Bezerra Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 67 83 /9 9- 61 Fl. 2449DF CARF MF 2 Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Pedro Sousa Bispo, Thais de Laurentiis Galkowicz, Rodrigo Mineiro Fernandes, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado). Relatório Trata o presente processo de análise de direito creditório contra a Fazenda Nacional acerca de IPI supostamente pago a maior, com pedido de restituição e declaração de compensação. O sujeito passivo alegou ter direito a restituição de IPI pago a maior por entender que teria direito ao benefício disposto no artigo 122 do Decreto nº 2.637/98, que permite ao contribuinte calcular o crédito de IPI sobre produtos usados que sofrerem industrialização. Conforme consta do Parecer SAORT/JOAÇABA/SC (fls. 105 a 107), a empresa adquire de pessoas jurídicas materiais de embalagem diversos, usados, e recicla sobras de produção (bobinas de papel) para utilização no processo produtivo. A Delegacia da Receita Federal em Joaçaba, proferiu Despacho Decisório nº 303, de 16/04/2007 (fls. 108 a 109), não reconheceu o direito creditório contra a Fazenda Nacional e não homologou a compensação pretendida, com base no Relatório de Fiscalização e na Fundamentação do Despacho Decisório, por entender que as operações de industrialização realizadas pelo estabelecimento não se enquadravam na hipótese do referido dispositivo regulamentar, e por ter transcorrido o prazo decadencial para pleitear a restituição. O processo foi arquivado pela DRF/JOA/SAORT, por falta de apresentação de manifestação de inconformidade, conforme despacho de fl. 115, e posteriormente desarquivado, conforme documentos às fls. 116 a 119. Em 05/08/2008, o sujeito passivo requereu a desconsideração do Despacho Decisório DRF/JOA nº 303, alegando que a decisão foi proferida por autoridade incompetente, não foram realizadas diligências e as intimações das decisões foram remetidas aos endereços em que a empresa já não possuía mais nenhuma atividade. Em 09/09/2008, o chefe da Divisão de Orientação e Análise Tributária da DERAT/SP emitiu despacho concordando com as alegações da recorrente (fls. 209 a 210). Foi determinada nova diligência para apurar o crédito do estabelecimento extinto 77.961.431/000300, no estabelecimento matriz 77.961.431/0001 49. Em 05/03/2010, foi emitido novo Despacho Decisório (fls. 422 a 431), dessa vez pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária em São Paulo (DERAT/SP), indeferindo o pedido de restituição e não homologando a declaração de compensação relacionada neste processo, com base nas considerações contidas em seu Relatório. Transcrevo a síntese dos fundamentos do referido Despacho Decisório, reproduzindo excerto do relatório da DRJ: 1. O estabelecimento Matriz da empresa acima qualificada apresentou Pedido de Restituição de IPI no valor de R$ 24.666.028,49, fl. 01, e anexou planilhas de restituição correspondente a filial de CNPJ 77.961.431/000300, no valor de Fl. 2450DF CARF MF Processo nº 10880.006783/9961 Acórdão n.º 3402005.481 S3C4T2 Fl. 2.450 3 R$7.591.460,34, fls. 11 a 13, e da filial de CNPJ 77.961.431/001030, na quantia de R$17.074.568,15 fls. 13 a 16; 2. Devido ao encerramento das atividades do estabelecimento CNPJ 77.961.431/0003 00, fls. 174 e 175, o processo passou para a jurisdição da Matriz em São Paulo capital; 3. Os créditos incluídos pelas Filiais de Curitiba e Ponte Nova/MG incluídas em 20/08/2009, e de créditos incluídos posteriores a julho de 1997 até o ano de 2000, fls. 285, 331, não serão objeto de análise visto que são inválidos, pois estes pretensos novos Pedidos de Restituição devem ser efetuados como disposto no Art.3° da Instrução Normativa RFB n° 900/08; 4. Somente será analisada a restituição para o CNPJ 77.961.431/000300, no valor de R$7.591.460,34, conforme planilha de fls. 11 a 13 (digital – fls. 20 a 22); 5. Os pagamentos, antecipados pelo contribuinte, referentes ao período de 03/1989 a 02/1994, e que foram efetuados até 26/03/1994, nos termos da legislação de regência, extinguiram sob condição resolutória os créditos tributários desde as respectivas datas em que foram efetuados, e a partir das quais começou a fluir o prazo de decadência para o contribuinte pleitear a restituição (arts. 150, §§ 1° e 4º, 156, VII e 168, I do CTN); 6. Verificase, no caso vertente, que se considerado a data do protocolo do Pedido de Restituição em 26/03/1999, o direito de pleitear a compensação no âmbito administrativo, encontrase irremediavelmente atingido pela decadência quinquenal, em relação a todos os pagamentos que tenham sido efetuados antes de 26/03/1994, que abrange parte dos períodos de apuração em que o crédito é reivindicado; 7. Outrossim, descabe por completo a restituição de IPI pretendida com fundamento no art. 122 do RIPI/1998. Ressaltamos que as aparas são dissolvidas e convertidas em pasta de celulose, ou seja, se torna produto intermediário para a produção de papel novo; 8. O inciso V do art. 4°, invocado pelo contribuinte (renovação ou recondicionamento), não se aplica ao caso, pois as aparas usadas não foram renovadas ou restauradas visto que as mesmas deixaram de existir na sua forma primitiva, e foram reduzidas a uma pasta disforme, ou seja, produto intermediário; 9. Para que fosse considerado recondicionamento ou renovação, as aparas no final do processo deveriam estar em seu formato original, por exemplo, se apresentarem limpas, pintadas, enceradas ou ter sofrido algum outro processamento, mas de forma que continuassem sendo aparas usadas, com as formas inalteradas, fato este que não ocorreu; 10. O contribuinte pretende ainda a anulação da Decisão Saort de fls. 49 a 54, do processo apenso 16349.000169/200662, alegando que à data do recebimento da notificação da referida decisão em 24/04/2007, a filial de CNPJ 77.961.431/001030 já havia encerrado suas atividades em 29/04/2006, a teor da 8ª Assembleia Geral Ordinária e 13ª extraordinária nesta data, conforme petição de fls. 94 a 97; 11. Ocorre que o registro desta ata perante a Junta Comercial do Estado do Rio de Janeiro (Rio Grande do Sul) ocorreu em 06/11/2007, com protocolo em 03/10/2007, portanto em data posterior ao conhecimento da decisão por parte da empresa, fls. 125 verso. Desta forma a alegação do contribuinte não será aceita e a decisão Saort de fls. 49 a 54 do processo apenso 16349.000169/200662, permanece válida continuando a exercer todos os seus efeitos legais. Regularmente cientificada do Despacho Decisório em 24/03/2010, conforme Aviso de Recebimento (AR) à fl. 433, o sujeito passivo apresentou sua Manifestação de Fl. 2451DF CARF MF 4 Inconformidade (fls. 437 a 450) em 29/03/2010, alegando a ocorrência de erro material e omissão na apuração de seu direito creditório; omissão quanto à Solução de Consulta favorável a seu entendimento (Processo 10880.026377/9933); omissão quanto ao regime jurídico aplicável em torno da decadência; requerendo a complementação do julgamento e a reconsideração na análise de seu direito creditório. Em 20 de março de 2013, a 4ª Turma de Julgamento da DRJ de Salvador, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório requerido. O Acórdão 1532.014 (fls. 2365 a 2376) recebeu a seguinte ementa: CRÉDITO. DESPACHO DECISÓRIO. Não cabe reparo a despacho decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte por inexistência de direito creditório. PRODUTOS USADOS. VALOR TRIBUTÁVEL. As disposições constantes do art. 122 do RIPI/98 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicamse exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. DECADÊNCIA O direito de pleitear créditos de tributo pago indevidamente ou em valor maior que o devido extinguese após o transcurso do prazo de cinco anos contados da data de extinção do crédito tributário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário (fls. 2382 a 2400), alegando, em síntese: Preliminarmente, nulidade da decisão pela ocorrência de erro material do Despacho Decisório, quanto à limitação do escopo da apuração do crédito somente em relação à filial do município de FraiburgoSC (CNPJ/MF nº77.961.431/0003 00); inocorrência do prazo decadencial para o pedido de restituição, que seria de 10 (dez) anos. No mérito, que a empresa efetuou recolhimentos a maior por ter calculado a incidência do IPI sobre a integralidade do valor final dos produtos por ela vendidos, resultante da renovação/reciclagem de papel usado que utiliza como insumo de sua produção, sem se ter considerado a disposição do artigo 122 do RIPI/1998 e similares, os quais limitam a base de incidência do tributo na espécie à diferença entre o preço de aquisição daqueles insumos e o valor da respectiva saída, que no caso em apreço o produto será sempre papel reciclado, obtido do processo de renovação a que foi submetido, e que será utilizado posteriormente como componente do miolo do papelão ondulado de Fl. 2452DF CARF MF Processo nº 10880.006783/9961 Acórdão n.º 3402005.481 S3C4T2 Fl. 2.451 5 que se farão caixas de embalagem ou papel miolo (reciclado) que constituirão a parte central dos sacos de papel de maior consistência; que a atividade exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento) caracteriza sem margem de dúvida a industrialização prevista no inciso V do artigo 4° do RIPI/2002, ensejando a aplicação do artigo 122 do RIPI/1998, de sorte que a incidência sobre a parte correspondente ao valor do insumo usado foi certamente indevida e cumpre seja restituída ao contribuinte, na forma legal; que já teria assegurado para si, desde antes de iniciado o processo, o direito inequívoco de aproveitamento de, ao menos, 50% (cinquenta por cento) do valor de entrada dos produtos usados (sucatas), nos termos da Consulta nº10880.026377/9933, fato que teria sido ignorado por completo pela decisão recorrida. Ao final, pede o provimento do recurso voluntário e a consequente reforma da decisão para que se estabeleça a procedência total de seu pedido e a determinação de apuração dos valores restituíveis a que faria jus, ou a realização de diligências para que se ateste o processo produtivo da empresa, relativamente se os insumos de produção (aparas de papel) enquadramse no âmbito de incidência do artigo 122 do RIPI/1998. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. A questão trazida a julgamento referese à possibilidade de creditamento de IPI nas aquisições de produtos usados (papéis) e na utilização de suas aparas no processo produtivo de papel, com base no disposto no artigo 122 do RIPI/98, c/c artigo inciso V do artigo 4° do RIPI/2002, dispositivos que limitam o crédito às operações de renovação ou recondicionamento. Da nulidade da decisão A Recorrente alega a nulidade da decisão recorrida pela ocorrência de erro material do Despacho Decisório, quanto à limitação do escopo da apuração do crédito somente em relação à filial do município de FraiburgoSC (CNPJ/MF nº77.961.431/000300), deixando de considerar o crédito pleiteado pelas demais filiais que passaram à responsabilidade da matriz, localizada em São Paulo/SP. Segundo seu entendimento, o estabelecimento filial situado em Canela/RS (CNPJ 77.961.431/001030), encerrou suas atividades em 29 de abril de 2006, a teor da 8ª Assembleia Geral Ordinária e 13ª Extraordinária, sendo que as diligências e Fl. 2453DF CARF MF 6 fiscalizações relativas a tal filial deveriam ser realizadas em seu estabelecimento matriz localizado em São Paulo. Em seu entendimento, as decisões proferidas no processo administrativo fiscal 16349.000169/200662 seria nula por ter sido proferida por autoridade incompetente, e as intimações e diligências teriam sido realizadas em endereço diverso, considerando o encerramento das atividades da filial e sua sucessão pela matriz. Nenhuma ressalva há que ser feita na decisão recorrida, que confirmou o Despacho Decisório DRF/CXL/Gabinete, de 18 de abril de 2007 (fls. 50 a 55 do processo apenso 16349.000169/200662), pelo indeferimento do pedido de ressarcimento de IPI relativo ao estabelecimento de Canela/RS, CNPJ 77.961.431/001030. Constatase que a ciência por via postal do Despacho Decisório ocorreu em 24/04/2007 (AR à fl.57 do processo apenso 16349.000169/200662), encaminhada para o endereço que constava da base de dados da RFB (Rua Fernando Ferrari 1520, bairro Industrial, Canela, RS), em data anterior ao encerramento formal de suas atividades, que somente ocorreu em 06/11/2007, conforme registro nº 2899632 da Junta Comercial do Estado do Rio Grande do Sul (fl. 154). Portanto, nenhuma nulidade há que ser imputada ao referido despacho decisório e à decisão recorrida, tendo em vista que a extinção formal do estabelecimento filial de Canela/RS ocorreu em 06/11/2007, com protocolo em 03/10/2007, portanto em data posterior ao conhecimento da decisão por parte da empresa. Do prazo prescricional A recorrente alega a inocorrência do prazo decadencial (prescricional) para o pedido de restituição, que seria de 10 (dez) anos, para pedidos anteriores à entrada em vigor da Lei Complementar nº 118/2005. O órgão julgador a quo rejeitou a aplicação do prazo decenal para a compensação pleiteada pela contribuinte, alegando que, em 26/03/1999, data do pedido de restituição, os valores referentes aos períodos de apuração do período de 03/1989 a 02/1994 já teriam sido atingidos pela decadência. Entretanto, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário n° 566.621/RS colocou um ponto final a discussão acerca da contagem do prazo prescricional para requerer a restituição/compensação de indébitos relativos a tributos sujeitos ao lançamento por homologação. O Pretório Excelso reconheceu a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando válida a aplicação do prazo quinquenal exclusivamente às ações ajuizadas a partir de 9 de junho de 2005 (após a vigência da Lei Complementar n° 118/2005). Aos casos anteriores àquela data, deve ser aplicado o prazo decenal. Desse modo, à luz do que determina o art. 62A do RICARF, reproduzo a ementa da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal, sob a sistemática do art. 543A do CPC, Recurso Extraordinário nº 566.621, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR N° 118/2005 DESCABIMENTO VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS APLICAÇÃO DO PRAZO Fl. 2454DF CARF MF Processo nº 10880.006783/9961 Acórdão n.º 3402005.481 S3C4T2 Fl. 2.452 7 REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sita natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamenlo quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4° segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, §3°, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Diante desta decisão do STF e do disposto no art. 62A do RICARF, os Conselheiros estão vinculados à interpretação fixada pela Suprema Corte no sentido de que o prazo prescricional de cinco anos se aplica somente a pleitos formalizados a partir de 09 de junho de 2005. No caso dos autos, o contribuinte apresentou seu Pedido em 26/03/1999, portanto, antes da referida data. Desse modo, aplicandose o que foi decidido pelo STF com caráter de repercussão geral, resulta que o contribuinte teria direito de recuperar os pagamentos indevidos Fl. 2455DF CARF MF 8 relativos a fatos geradores posteriores a 26/03/1989, ou seja, dez anos antes da data de seu Pedido de Compensação. Entretanto, para a efetivação de tal direito é necessário analisar o mérito da questão, para ver se tal direito seria certo, como afirma a Recorrente. Da questão meritória A Recorrente alega que efetuou recolhimentos a maior por ter calculado a incidência do IPI sobre a integralidade do valor final dos produtos por ela vendidos, resultante da renovação/reciclagem de papel usado que utiliza como insumo de sua produção, sem ter considerado a disposição do artigo 122 do RIPI/1998. Segundo o referido dispositivo regulamentar, a base de incidência do tributo na espécie seria a diferença entre o preço de aquisição daqueles insumos e o valor da respectiva saída. Em seu entendimento, no caso em apreço, o produto seria sempre papel reciclado, obtido do processo de renovação a que foi submetido, e que seria utilizado posteriormente como componente do miolo do papelão ondulado de que se farão caixas de embalagem ou papel miolo (reciclado), que constituiria a parte central dos sacos de papel de maior consistência. O ponto fundamental da alegação da recorrente era que a aquisição dos produtos usados e sua utilização no processo produtivo seria configurada como uma operação de renovação, e que seria possível o creditamento de acordo com o disposto no artigo 122 do RIPI/98, cujo teor transcrevo: Art. 122. O imposto incidente sobre produtos usados, adquiridos de particulares ou não, que sofrerem o processo de industrialização, de que trata o inciso V do art. 4º (renovação ou recondicionamento) será calculado sobre a diferença de preço entre a aquisição e a revenda (Decretolei n.º 400, de 1968, art. 7º). Parágrafo único. O contribuinte poderá optar, mediante declaração nas notas fiscais que emitir, pelo cálculo do imposto sobre cinquenta por cento do valor da revenda, sem abatimento do preço da aquisição e sem direito ao crédito do imposto relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados. Notese que o dispositivo faz expressa referência ao processo de industrialização de que trata o inciso V do art. 4º (renovação ou recondicionamento), ou seja, é exclusiva para tais modalidades de industrialização. Assim dispunha o referido artigo regulamentar: Art. 4º Caracteriza industrialização qualquer operação que modifique a natureza, o funcionamento, o acabamento, a apresentação ou a finalidade do produto, ou o aperfeiçoe para consumo, tal como (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 46, parágrafo único): I a que, exercida sobre matériaprima ou produto intermediário, importe na obtenção de espécie nova (transformação); II a que importe em modificar, aperfeiçoar ou, de qualquer forma, alterar o funcionamento, a utilização, o acabamento ou a aparência do produto (beneficiamento); III a que consista na reunião de produtos, peças ou partes e de que resulte um novo produto ou unidade autônoma, ainda que sob a mesma classificação fiscal (montagem); Fl. 2456DF CARF MF Processo nº 10880.006783/9961 Acórdão n.º 3402005.481 S3C4T2 Fl. 2.453 9 IV a que importe em alterar a apresentação do produto, pela colocação da embalagem, ainda que em substituição da original, salvo quando a embalagem colocada se destine apenas ao transporte da mercadoria (acondicionamento ou reacondicionamento); V a que, exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento). Constatase que as disposições trazidas pelo art. 122 do RIPI/98 são relativas ao valor tributável de produtos usados e aplicamse exclusivamente aos produtos submetidos à operação de industrialização de renovação ou recondicionamento. O processo produtivo descrito pela Recorrente aponta pela configuração de operação de industrialização na modalidade de transformação, e não operação de renovação ou recondicionamento como alegado. Há um processo exercido sobre a matériaprima (papel usado), que é transformado em um produto intermediário (pasta), posteriormente transformado no produto final (caixas de papelão e sacos de papel multifolhados). Neste sentido já decidiu este Conselho, no Acórdão 3302003105, da lavra do i. Conselheiro Paulo Déroulède. Não é possível reconhecer, como requer à empresa, que a atividade exercida sobre produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado, que renove ou restaure o produto para utilização (renovação ou recondicionamento) se caracteriza como operação de industrialização prevista no inciso V do artigo 4° do RIPI/2002, ensejando a aplicação do artigo 122 do RIPI/1998. Conforme já destacado na decisão recorrida, na modalidade de industrialização prevista no inciso V do artigo 4° do RIPI/2002 (renovação ou recondicionamento) pressupõe, necessariamente, uma identidade do produto antes e depois da industrialização. Ou seja, é o mesmo produto adquirido de terceiros (e não um novo produto obtido, ainda que da mesma espécie, ou similar) que, após a industrialização realizada, deverá ser recolocado no mercado para revenda, como produto renovado ou recondicionado. Também se destaca que as aparas de papel adquiridas de terceiros para reciclagem não podem ser assimiladas a produtos usados ou sucatas, pois são insumos a partir dos quais se obtêm produtos novos, como, papéis a partir de aparas. Concluiu o julgador a quo, com nossa total concordância, “que a operação realizada pela contribuinte consiste na produção de produtos diversos de papel a partir da reciclagem de aparas de papel e papéis usados, não se enquadrando como renovação ou recondicionamento, mas como transformação, o que impede a aplicação da base de cálculo estabelecida no art. 122 do RIPI/98”. Quanto à alegação de que já teria assegurado para si o direito inequívoco de aproveitamento de, ao menos, 50% do valor de entrada dos produtos usados (sucatas), nos termos da Consulta nº10880.026377/9933 (fls. 57 a 62), também não assiste razão à Recorrente. A referida Solução de consulta diz expressamente que não se aplica para as operações em tela o dispositivo legal do art. 122 do RIPI/98: “Diante do exposto e com base nos atos legais e administrativos acima citados, soluciono a consulta declarando que o valor tributável de que trata o art.122 do RIPI/1998 referese ao IPI incidente sobre produtos usados e, portanto, submetidos, apenas, a recondicionamento. Assim, ao fabricante de papel Fl. 2457DF CARF MF 10 corrugado e folhas de papel, para serem utilizados, respectivamente, como parte interna (miolo) de chapas de papel ou sacos de papel que serão, em seguida, empregados na industrialização de caixas de papelão e sacos de papel multifolhados, não se aplica o dispositivo legal em pauta, mesmo que, para tanto, utilize como matériaprima embalagens de papel inutilizadas (usadas); eis que não se trata de recondicionamento de produto usado e, sim, de transformação; o produto resultante da industrialização (folhas de papel/papel corrugado) é novo e não usado (caixas de papelão usadas / sacos multifolhados usados). Do mesmo modo, não se aplica o dispositivo legal à fabricação de caixas de papelão e sacos de papel multifolhados, mesmo que, para tanto, o contribuinte utilize como matériaprima principal papel corrugado/folhas de papel resultantes da industrialização de embalagens usadas; tratase, também, de transformação e não de renovação de produto usado.” A Solução de Consulta, em sua parte final, referiuse a uma possibilidade de creditamento caso os insumos tenham sido adquiridos de comerciante atacadista não contribuinte do imposto, conforme disposto no art. 148 do RIPI/1998. Entretanto, a possibilidade de utilização de crédito de IPI na aquisição de matériaprima, consoante disposição do art. 148 do RIPI/98, não foi o fundamento do pedido efetuado pela empresa e não é matéria do presente litígio, cujo objeto é o direito creditório decorrente da aquisição de produtos usados, com base no art. 122 do RIPI/98. Dessa forma, tal possibilidade de crédito não será apreciada neste julgamento, por impossibilidade de modificação da motivação do ato originário. Diante do exposto, pela inexistência do direito creditório pleiteado, negase provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado com certificado digital) Rodrigo Mineiro Fernandes Relator Fl. 2458DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.726062/2013-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2009
IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ O ANO-BASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF.
Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizando-se as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência).
PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF. CARDIOPATIA GRAVE.
Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.
Em razão das peculiaridades relacionadas à conceituação de cardiopatia grave, a mera indicação em prontuário médico de alguma enfermidade cardíaca não é suficiente para assegurar o direito à isenção.
Numero da decisão: 2201-004.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo mediante a aplicação das tabelas e alíquotas vigentes em cada mês de referência. Vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama, Relator, Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Milton da Silva Risso, que deram provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Redator designado.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ O ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). PROVENTOS DE APOSENTADORIA. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. SÚMULA CARF. CARDIOPATIA GRAVE. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Em razão das peculiaridades relacionadas à conceituação de cardiopatia grave, a mera indicação em prontuário médico de alguma enfermidade cardíaca não é suficiente para assegurar o direito à isenção. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para determinar o recálculo do tributo mediante a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 72 60 62 /2 01 3- 14 Fl. 744DF CARF MF 2 aplicação das tabelas e alíquotas vigentes em cada mês de referência. Vencidos os Conselheiros Douglas Kakazu Kushiyama, Relator, Daniel Melo Mendes Bezerra e Marcelo Milton da Silva Risso, que deram provimento ao recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Redator designado. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Dione Jesabel Wasilewski, Douglas Kakazu Kushiyama, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 169/181, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), de fls. 139/155, a qual julgou procedente lançamento de Imposto de Renda da Pessoa Física IRPF, decorrente de Rendimentos Recebidos Acumuladamente no anocalendário 2009. O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 83.429,51 (oitenta e três mil, quatrocentos e vinte e nove reais e cinquenta e um centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme a Notificação de Lançamento de fls. 130/133: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e/ou das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos do trabalho com vínculo e/ou sem vínculo empregatício, sujeitos à tabela progressiva, no valor de R$ 208.703,59 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes da(s) fonte(s) pagadora(s) relacionda(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto Retido na Fonte (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 7.826,38. Valor bruto do precatório R$ 260.879,48 deduzido de honorários advocatícios de R$ 52.175,89, pago através da Caixa Econômica Federal relativo à revisão de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social INSS De acordo com o demonstrativo de apuração da multa de ofício e dos juros de mora: Fl. 745DF CARF MF Processo nº 11610.726062/201314 Acórdão n.º 2201004.613 S2C2T1 Fl. 745 3 ( O Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 3/9 em 13/08/2013. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE), adotase, literalmente, tal trecho para compor parte do presente relatório: 1) que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, precatório relacionado a processo judicial, pelo qual se requereu diferença de proventos de aposentadoria; 2) é portadora de moléstia grave, gozando da isenção dos proventos de aposentadoria, nos termos da legislação tributária. Assim, não era para ter havido retenção de Imposto de Renda Retido na Fonte; 3) não houve infração de omissão de rendimentos; 4) ademais, tratase de rendimentos com tributação diferenciada nos termos do artigo 12A e seu § 1º da Lei nº 7.713, de 1988, introduzido pela Lei nº 12.350, de 20 de dezembro de 2010, normatizado pela Instrução Normativa Secretaria da Receita Federal do Brasil, nº 1.127, de 2001; 4) o Imposto de Renda não pode incidir sobre os juros e a correção monetária, pelo fato desses acréscimos possuírem natureza indenizatória. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza (CE) julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls.320/330): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2009 RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO INSS. AÇÃO JUDICIAL. PRECATÓRIO. IMPOSTO DE RENDA RETIDO NA FONTE. TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Os rendimentos sujeitamse à tributação na fonte e na Multa Juros de Mora Fato Gerador Vencimento Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar (Sujeito à Multa de Ofício) (%) Valor R$ (*) (%) Valor R$ (*) 31/12/2009 30/04/2010 40.747,02 75,00 30.560,26 29,75 12.122,23 Fl. 746DF CARF MF 4 Declaração de Ajuste Anual. O Imposto de Renda Retido na Fonte será apurado com base na tabela progressiva vigente no mês de recebimento ou crédito. A partir do anocalendário de 2010, por força da Medida Provisória nº 497, de 27 de julho de 2010, e da Lei nº 12.2350, de 20 de dezembro de 2010, a tributação dos rendimentos darseá na forma de tributação exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. O Imposto de Renda Retido na Fonte será apurado mediante a utilização da tabela progressiva resultante da multiplicação da quantidade de meses a que se refiram os rendimentos pelos valores constantes da tabela progressiva mensal correspondente ao mês do recebimento ou crédito. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. JUROS E ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. Os juros e a correção monetária incidentes sobre os rendimentos integram a base de cálculo para efeito de apuração do Imposto de Renda Retido na Fonte, por determinação legal. PROVENTOS DE APOSENTADORIA DO INSS. ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE. Para efeito da isenção por moléstia grave, o contribuinte deverá comprovar ser portador de moléstia grave, conforme a legislação tributária, na data do recebimentos dos rendimentos acumulados, relacionados aos proventos de aposentadoria. Os julgadores de primeira instância decidiram que a autuação estava correta, sendo que o contribuinte não logrou êxito em comprovar suas alegações. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ, conforme aviso de fls. 166, apresentou o recurso voluntário de fls. 169/181 em 10/10/2016. Em sede de Recurso Voluntário, reafirmou os argumentos da impugnação, rebatendo os argumentos postos na decisão de primeira instância, alegando em apertada síntese: a) isenção do imposto de renda por moléstia grave; b) não incidência do imposto de renda sobre juros e correção monetária; c) impropriedade da utilização do regime de caixa. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Vencido Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso interposto pelo contribuinte é tempestivo e, portanto, dele conheço. Fl. 747DF CARF MF Processo nº 11610.726062/201314 Acórdão n.º 2201004.613 S2C2T1 Fl. 746 5 Da análise das questões postas em sede de Recurso Voluntário, verificase que devese dar provimento ao recurso. Explico. Impropriedade da utilização do regime de caixa Não bastasse o cancelamento pelo reconhecimento da isenção por moléstia grave, o Recurso Voluntário interposto pela autuada ainda merece ser provido, tendo em vista o regime adotado, qual seja, adotouse o regime de caixa, quando na realidade, deveria ser adotado o regime de competência. Este entendimento constou do Acórdão nº 2301005.257, proferido pela 3ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, de relatoria de José Bento Sobrinho, que restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. PERÍODO ATÉ ANOBASE 2009. DECISÃO DO STF DE INCONSTITUCIONALIDADE SEM REDUÇÃO DE TEXTO DO ART. 12 DA LEI 7.713/88 COM REPERCUSSÃO GERAL RECONHECIDA. REPRODUÇÕES OBRIGATÓRIAS PELO CARF. Conforme decidido pelo STF através da sistemática estabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). DEDUÇÃO DE HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. ART. 12A, §2º, DA LEI N. 7.713/88. POSSIBILIDADE. Os honorários advocatícios pagos pelo contribuinte têm natureza de despesa necessária à aquisição dos rendimentos. Não há possibilidade de separar o trabalho do advogado entre o esforço para aferimento de rendimentos tributáveis ou não tributáveis na mesma ação judicial. Assim, os honorários devem ser considerados dedutíveis até o limite do valor dos rendimentos tributáveis recebidos. Os rendimentos recebidos de forma acumulada e tributados integralmente quando do efetivo recebimento, vigia o artigo 12 da Lei nº 7.713, de 1988, em sua redação original: Art. 12. No caso de rendimentos recebidos acumuladamente, o imposto incidirá, no mês do recebimento ou crédito, sobre o total dos rendimentos, diminuídos do valor das despesas com ação judicial necessárias ao seu recebimento, inclusive de advogados, se tiverem sido pagas pelo contribuinte, sem indenização. Com o advento da Lei nº 12.350, de 2010, que introduziu o art. 12A da Lei nº 7.713, de 1998: Fl. 748DF CARF MF 6 Art. 12A. Os rendimentos do trabalho e os provenientes de aposentadoria, pensão, transferência para a reserva remunerada ou reforma, pagos pela Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, quando correspondentes a anoscalendário anteriores ao do recebimento, serão tributados exclusivamente na fonte, no mês do recebimento ou crédito, em separado dos demais rendimentos recebidos no mês. (Incluído pela Lei 12.350, de 2010) O dispositivo acima transcrito definiu como regra, a tributação exclusiva na fonte para os rendimentos recebidos acumuladamente, quando decorrentes de rendimentos do trabalho, aposentadoria, pensão, reserva remunerada ou reforma, pagos pelas entidades públicas de previdência social. De fato, não pairam mais dúvidas obre a aplicação do novel dispositivo para os exercícios posteriores a 2010, ante a clareza da redação. Ocorre que, para os recursos recebidos até o anocalendário 2009, o Acórdão da CSRF 9202003.695, julgado em 27/01/2016, restou assim ementado: IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Consoante decidido pelo STF através da sistemática stabelecida pelo art. 543B do CPC no âmbito do RE 614.406/RS, o IRPF sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado utilizandose as tabelas e alíquotas do imposto vigentes a cada mês de referência (regime de competência). Anteriormente, o Superior Tribunal de Justiça já havia decidido nos Recursos Especiais REsp 1.470.720 e REsp n1.118.429, ambos julgados sob rito do artigo 543C do CPC que o Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos: RESP 1.470.720 1. O valor do imposto de renda, apurado pelo regime de competência e em valores originais, deve ser corrigido, até a data da retenção na fonte sobre a totalidade de verba acumulada, pelo mesmo fator de atualização monetária dos valores recebidos acumuladamente (em ação trabalhista, como no caso, o FACDT fator de atualização e conversão dos débitos trabalhistas). A taxa SELIC, como índice único de correção monetária do indébito, incidirá somente após a data da retenção indevida. RESP 1.118.429 TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. Fl. 749DF CARF MF Processo nº 11610.726062/201314 Acórdão n.º 2201004.613 S2C2T1 Fl. 747 7 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. Por fim, temos o julgamento do Recurso Extraordinário 614406RS, pelo Supremo Tribunal Federal, conforme Resolução nº 2802000.134, e o referido Recurso Extraordinário foi julgado, sob rito do artigo 543B do CPC, que reafirmou o entendimento de que a percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, nos exercícios envolvidos, "in verbis": RE 614.406 IMPOSTO DE RENDA – PERCEPÇÃO CUMULATIVA DE VALORES – ALÍQUOTA. A percepção cumulativa de valores há de ser considerada, para efeito de fixação de alíquotas, presentes, individualmente, os exercícios envolvidos. Sendo assim, nos termos do artigo 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, o entendimento do STF e STJ devem ser reproduzidos por essa turma: Art. 62 (...) § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Diante do exposto, voto no sentido de que o imposto sobre a renda incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente seja calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Isenção do imposto de renda por moléstia grave Com o Recurso Voluntário a Recorrente juntou uma série de prontuários, exames e atestados que comprovam que, no ano de 2009 já era portadora de cardiopatia grave, nos termos do disposto no artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988: Artigo 6 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV — os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois Fl. 750DF CARF MF 8 da aposentadoria ou reforma; (Redação dada pela Lei n°11.052, de 2004) (grifos nossos) É o que se depreende dos documentos de fls. 190, 264 (cansaço, grandes esforços), 266, 276, 279, entre outras, bem como pelo fato de que foi exatamente este o motivo do óbito, em 12/06/2014 (fl. 231). Este é o entendimento esposado nas súmulas CARF nºs 43 e 63: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Sendo assim, o Recurso Voluntário merece ser provido neste ponto. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento, ao recurso voluntário, cancelando integralmente o crédito tributário lançado no auto de infração objeto da presente lide. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Redator designado. Ao mesmo tempo em que rendo minhas homenagens ao Ilustre Relator, ouso discordar de suas conclusões exclusivamente em relação à afirmação de que a recorrente teria comprovado que, em 2009, seria portadora de cardiopatia grave e que, portanto, gozava de direito à isenção de que trata o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988. Para demonstrar o motivo de tal divergência de opinião, necessário rememorar alguns preceitos legais e normativos correlatos, naturalmente, acompanhados das considerações que permitam evidenciar a interpretação dada à norma e em que circunstâncias esta se contrapõe à opinião expressa pelo Relator. A não tributação dos valores recebidos a título de proventos de aposentadoria, reforma ou pensão, percebidos por portadores de doenças graves, encontrase Fl. 751DF CARF MF Processo nº 11610.726062/201314 Acórdão n.º 2201004.613 S2C2T1 Fl. 748 9 expressa nos incisos XXXI e XXXIII do artigo 39 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), abaixo transcritos: “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...). XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); (...) XXXIII – os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º); (...). § 4º Para o reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XXXI e XXXIII, a partir de 1º de janeiro de 1996, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle (Lei nº 9.250, de 1995, art. 30 e § 1º). Sobre o tema, dispõe a Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Especificamente no caso ora sob apreço, os prontuários, exames e atestados médicos juntados pelo contribuinte e mesmo o fato de que seu falecimento estaria relacionado às enfermidades noticiadas em tais documentos não suprem a exigência legal de que a comprovação da moléstia deve se dar mediante laudo pericial emitido por serviço público oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Tal deficiência probatória decorre exclusivamente da dificuldade dos julgadores administrativos de, a partir das constatações expressas nos citados prontuários, exames e atestados, afirmarem que as cardiopatias que acometeram a autuada estariam contidas no conceito de cardiopatia grave. Ainda que emitido por algum serviço oficial, a mera Fl. 752DF CARF MF 10 indicação em prontuário médico de alguma enfermidade cardíaca não é suficiente para assegurar o direito à isenção. A conceituação de cardiopatia grave é tão específica e complexa que a Sociedade Brasileira de Cardiologia reuniu, em 1993, grupo de renomados cardiologistas com o intuito de caracterizar cardiopatia grave em Consenso, o qual foi publicado nos Arquivos Brasileiros de Cardiologia, volume 61, agosto de 1993 . Das conclusões do citado Consenso Nacional sobre Cardiopatia Grave, pode se destacar: A importância da expressão Cardiopatia Grave, na área médica, resultou de sua utilização na área jurídica, com implicações em múltiplos campos do direito, particularmente o trabalhista, o previdenciário e o tributário. O tema, complexo e de difícil conceituação, foi objeto de debates durante a Reunião de Consenso organizada pela SBC, com a participação de 40 cardiologistas, em Angra dos Reis, de 02 a 04 de Abril de 1993, da qual resultou este documento pioneiro, já que não existe, na literatura especializada, qualquer referência ao assunto. A dificuldade, sob o ponto de vista estritamente médico, advém da necessidade de se englobarem, no conceito, todas as doenças relacionadas ao coração, tanto crônicas, como agudas. (...) Dadas as dificuldades inerentes ao problema, a SBC julga que o diagnóstico de Cardiopatia Grave seja da responsabilidade de uma junta, composta por três cardiologistas titulados. O quadro clínico, bem como os recursos complementares, com os sinais e, sintomas que permitem estabelecer o diagnóstico de Cardiopatia Grave, como acima definido, estão relacionados para as seguintes cardiopatias: cardiopatia isquêmica, cardiopatia hipertensiva, miocardiopatias, valvopatias, cardiopatias congênitas, arritmias; e cor pulmonale crônico. Em algumas condições, um determinado item pode, isoladamente, configurar cardiopatia grave (por exemplo, fração de ejeção <0,35) Na grande maioria dos casos, a princípio, é necessária uma avaliação conjunta dos diversos dados do exame clínico e dos achados complementares para melhor conceituála. (...) Ora, se estamos diante de uma conceituação que se mostra complexa mesmo para médicos cardiologistas, entendo que não há amparo legal para que este Conselho, em evidente afronta à limitação disposta no art. 111, inciso II da Lei 5.172/66 ( CTN), que estabelece que as normas reguladoras das matérias que tratam de isenção não comportam interpretação ampliativa, conclua que as enfermidades apontadas pelos documentos apresentados pela defesa sejam consideradas como insertas no conceito de cardiopatia grave. Assim, considerando que, nos termos do art. 373, inciso II, da Lei 13.105/2015 (CPC), caberia ao contribuinte apresentar elementos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito da fazenda publica constituir o crédito tributário mediante lançamento, não tendo sido apresentado laudo pericial, emitido serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que atestasse, inequivocamente, que as enfermidades que acometiam o recorrente estariam contidas no conceito de cardiopatia grave, não há direito à isenção de que trata o artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/1988. Fl. 753DF CARF MF Processo nº 11610.726062/201314 Acórdão n.º 2201004.613 S2C2T1 Fl. 749 11 Conclusão Tendo em vista tudo que consta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais acima expostos, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste tema. Não obstante, devemse aplicar as conclusões do Relator relacionadas ao recálculo do tributo devido incidente sobre rendimentos pagos acumuladamente, já que o presente voto de divergência não alcança tal matéria, estando restrito ao reconhecimento do direito à isenção dos proventos de aposentadoria e pensão percebidos pelos portadores de moléstias graves. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo. Fl. 754DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.720207/2011-41
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2018-07-05T18:41:35Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2018-07-05T18:41:35Z; Last-Modified: 2018-07-05T18:41:35Z; dcterms:modified: 2018-07-05T18:41:35Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; xmpMM:DocumentID: uuid:efd07920-c934-4d13-8e77-fd0abf2cf226; Last-Save-Date: 2018-07-05T18:41:35Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2018-07-05T18:41:35Z; meta:save-date: 2018-07-05T18:41:35Z; pdf:encrypted: true; modified: 2018-07-05T18:41:35Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2018-07-05T18:41:35Z; created: 2018-07-05T18:41:35Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 9; Creation-Date: 2018-07-05T18:41:35Z; pdf:charsPerPage: 1862; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2018-07-05T18:41:35Z | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 2 1 1 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10970.720207/201141 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9202006.755 – 2ª Turma Sessão de 19 de abril de 2018 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado MUNICÍPIO DE TUPACIGUARA PREFEITURA MUNICIPAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 72 02 07 /2 01 1- 41 Fl. 233DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 234DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 235DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 236DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 237DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 238DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 239DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 240DF CARF MF Processo nº 10970.720207/201141 Acórdão n.º 9202006.755 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.907410/2009-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001, 2002
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 1201-002.219
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima.
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Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme art. 170 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (Presidente), Eva Maria Los, José Carlos de Assis Guimarães, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Fabiano Alves Penteado, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Barbara Santos Guedes (conselheira suplente convocada em substituição a Rafael Gasparello Lima); ausente justificadamente Rafael Gasparello Lima. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 90 74 10 /2 00 9- 91 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10840.907410/200991 Acórdão n.º 1201002.219 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de Declaração(ões) de Compensação PER/DComp, em que o contribuinte requer o crédito de pagamento indevido ou a maior 2089 IRPJ Lucro Presumido, para a compensação de débitos. 2. O Despacho Decisório não homologou a compensação declarada porque identificou que o pagamento efetuado foi integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação. 3. O contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade, em relação à qual a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP DRJ/RPO emitiu Acórdão, considerandoa improcedente, nos seguintes termos: Assunto: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: (...) DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. 4. Cientificado, o contribuinte apresentou tempestivo recurso voluntário resumido a seguir. 5. Alega que identificou, depois de ter entregado a Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ e a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, que os valores que havia confessado e pago via DARF eram indevidos; por isso apresentou a PEr/Dcomp requerendo o crédito para fins de compensação; e que a RFB interpretou incorretamente, dado que apresentou DCTF retificadora, conforme anexa ao processo; afirma que o Despacho Decisório tomou por base a DCTF original e não considerou a retificadora. 6. Discorda que não tenha apresentado documentação comprobatória suficiente de que os recolhimentos foram indevidos; afirma anexar documentos que comprovam a alegação. 7. É o relatório. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10840.907410/200991 Acórdão n.º 1201002.219 S1C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1201002.210, de 11/06/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10840.906603/2009 25, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1201002.210): "1 Paradigma de lote. 7. A interessada informou na DIPJ, o código da atividade 85.138/01 atividades de clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios); o objeto social é "Serviços Médicos de ortopedia e traumatologia, bem como pronto socorro"; declarou o IRPJ pelo regime do Lucro Presumido, apurado mediante o percentual de 8% sobre a Receita Bruta. 8. Este processo foi distribuído à Relatora, visando que sua análise e conclusões sirvam como paradigma para os Acórdãos a serem proferidos nos demais processos do lote, cuja composição consta da tabela na sequência deste voto. 9. Verificouse que tanto os despachos decisórios como os Acórdãos DRJ dos processos que compõem este lote são de teor idêntico. 10. A DRJ/RPO, explicou a necessidade de a interessada apresentar provas de que efetuou recolhimentos a maior: Vale ressaltar que as informações prestadas à RFB por meio de declarações previstas na legislação (DCTF, DIPJ ou PER/DCOMP) situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, a quem cabe demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões, consoante disciplina instituída pelo artigo 16, inciso III, do Decreto n.° 70.235/72 (PAF). Assim, uma vez constatada incongruência entre informações prestadas em diferentes declarações, ou entre informações prestadas em declarações originais e retificadores, cabe ao contribuinte trazer aos autos os elementos probatórios hábeis a evidenciar a realidade dos fatos. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10840.907410/200991 Acórdão n.º 1201002.219 S1C2T1 Fl. 5 4 No presente caso, consta do despacho decisório recorrido que o pagamento indicado pela postulante em PER/DCOMP foi integralmente exaurido por vinculação, em DCTF, a débito de igual valor, não restando qualquer saldo compensável. A interessada, por seu turno, sustenta que o valor do imposto devido seria inferior ao valor do débito (e respectivo pagamento) informado em DCTF. A diferença resultaria saldo a restituir/compensar. Ante tal situação, caberia à própria contribuinte fazer prova do suposto crédito decorrente de recolhimento a maior. Todavia, a recorrente, em sua peça impugnatória, não apresentou documentos hábeis à comprovação do alegado direito. Com efeito, não foram juntados aos autos registros contábeis e respectivos documentos fiscais capazes de demonstrar o quantum e a composição da base de cálculo do imposto no período em questão, os critérios adotados para aplicação, sobre a receita bruta mensal, dos percentuais previstos no art. 15 da Lei n.° 9.249, de 26 de dezembro de 1995, a apuração do imposto devido e eventuais deduções. A ausência de tais elementos, nos autos, impossibilita exame da apuração do imposto na contabilidade da interessada; e seu cotejo com o montante efetivamente recolhido, restando assim prejudicada a comprovação do alegado direito creditório. 11. Os dados dos processos que compõem o lote, com os respectivos documentos são os apresentados na tabela a seguir: DIPJ retif nº processo crédito PA dta arrec Darf pago Crédito requer data ciê DD data DIPJ retif Receita Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 03/2001 30/04/2001 3.725,11 1.099,66 26/06/2009 06/07/2005 290.538,25 764,28 10840.907603/200925 3.725,11 26/06/2009 10840.907129/200959 06/2001 31/07/2001 4.013,55 337,81 26/06/2009 06/07/2005 301.734,50 857,04 10840.907399/200960 3.675,74 26/06/2009 10840.907130/200983 09/2001 31/10/2001 4.109,02 152,23 26/06/2009 06/07/2005 280.798,50 805,71 10840.907131/200928 12/2001 31/01/2002 5.291,18 1.921,13 26/06/2009 06/07/2005 274.914,51 813,00 10840.907132/200972 03/2002 30/04/2002 4.262,97 709,99 26/06/2009 06/07/2005 128.981,22 380,35 10840.907133/200917 06/2002 31/07/2002 5.026,96 829,26 26/06/2009 06/07/2005 151.694,50 434,05 10840.907409/200967 1.006,67 26/06/2006 10840.907410/200991 2.030,70 26/06/2009 10840.907411/200936 1.092,13 26/06/2009 10840.907412/200981 68,20 26/06/2009 DCTF retif A B nº processo Data IRPJ a pagar IRPJ a pagar REC Bruta IRPJ a pagar 10840.907398/200915 16/07/2009 não consta 314,50 112.211,52 314,50 10840.907603/200925 10840.907129/200959 16/07/2009 não consta 334,17 120.769,93 334,17 Fl. 186DF CARF MF Processo nº 10840.907410/200991 Acórdão n.º 1201002.219 S1C2T1 Fl. 6 5 10840.907399/200960 10840.907130/200983 16/07/2009 não consta 347,65 123.796,19 347,65 10840.907131/200928 16/07/2009 não consta 441,20 159.232,99 441,20 10840.907132/200972 14/07/2009 não consta 380,36 128.981,22 380,36 10840.907133/200917 14/07/2009 não consta 434,63 151.694,50 434,63 10840.907409/200967 10840.907410/200991 10840.907411/200936 10840.907412/200981 A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário B Demonstr de IRPJ Devido/Recolh/A recuperar anexado c/ Rec Voluntário 12. Da análise dos A Demonstrativo de apuração do IRPJ anexado ao Recurso Voluntário, da DIPJ e dos dados supra, verificase: a. A interessada apresentou DIPJs dos anoscalendário 2001 e 2002, retificadoras, em 06/07/2005; os Despachos Decisórios lhe foram cientificados em 26/06/2009; a entrega da DCTF retificadora foi posterior, em 14 e 16/07/2009, não espontânea; b. Os "A Demonstrativo de apuração do IRPJ" dos trimestres do ano 2001, apresentam valores de Receita Bruta e Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF divergentes dos da DIPJ; os referentes aos 1º e 2º trim/2002, são coincidentes; c. em todos os trimestres, a apuração do IRPJ a pagar negativo resultou da dedução de IRRF; d. apesar da explicação da DRJ, da necessidade de documentos comprobatórios, o contribuinte não apresentou os Comprovantes de Rendimentos Pagos e de retenção de IR na fonte, que as fontes pagadoras lhe teriam fornecido e que comprovariam os valores de IRRF deduzidos nas apurações retificadoras; e. em todos os trimestres em análise, a soma dos valores de créditos requeridos nas PER/Dcomp supera o SN de IRPJ que informou; por exemplo, tomandose o 2º trim/2002 (06/2002), temse que o Darf cód 2089 IRPJ Lucro Presumido, recolhido em 31/07/2002, totalizou R$5.026,96; o SN IRPJ constante tanto da DIPJ como dos "A Demonstrativo de apuração do IRPJ", foi R$()434,63, e a soma dos créditos requeridos nas PER/Dcomp foi R$5.026,96, ou seja, a totalidade do recolhimento. Conclusão. Voto por NEGAR PROVIMENTO, ao Recurso Voluntário." Fl. 187DF CARF MF Processo nº 10840.907410/200991 Acórdão n.º 1201002.219 S1C2T1 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 188DF CARF MF
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